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Conversações

entre um eleitor de Haddad e de Bolsonaro:


buscando compreensões


Notas explicativas:
Esta conversação surgiu via o texto (“Compreendendo os sentidos e os significados de
eleitores ao escolherem o projeto e a experiência Bolsonaro”) e que aqui está
disponibilizado na íntegra. A partir de respostas, réplicas e tréplicas com um primo
meu fomos, na prática, exercitando compreensões, mas salvaguardando nosso pontos
de vista. Certamente o possível valor dessa conversação não esteja na elaboração das
análises políticas, mas na evolução mesma da conversação, que vai criando
convergências compreensivas. Foi essa intenção.

Esse exercício dialógico pode ajudar, quiçá, na ampliação de compreensões que a
sociedade brasileira está atravessando – compreensões que pretendem aguçar a
criticidade, a reflexão, assumir os conflitos, mas dentro do campo do respeito.

Para a leitura desta conversação observamos que a primeira resposta do meu primo
está em vermelho, a minha réplica em verde e tréplica dele em azul. O texto em cor
preta) foi escrito no dia 17/10, a resposta em 18/10, a réplica em 19/10 e a tréplica em
19/10.

Os trechos das conversões estão situados e distribuídos nas partes correspondentes do
texto. A leitura pode ser feita, contudo, apenas focando nas conversações ou, para
quem quiser, na íntegra.

Boa leitura e bom proveito.



Saiba que os eleitores de Bolsonaro, hoje mais de 60% da população,
contra 30% de Haddad, fazem a mesma pergunta a cerca de quem faz a
opção de votar no PT, de validar o indulto de Lula, etc... Importante
pensar nisso.


Sim, Bruno… já pensei sobre isso. Importante também buscar
compreender os sentidos e significados de quem pretende vota em
Haddad. No meu caso, do exercício para com Bolsonaro, foi movido por
uma necessidade e que me abriu para enxergar algumas coisas… foi um
exercício do diálogo. Acho também que esse exercício seria muito mais
interessante nas direções contrárias (quem pretende votar em Haddad,
buscar compreender o lado de quem pretende votar em Bolsonaro e
vice-versa).
Em tempo: as pesquisas falam de 60% X 40% (e não 30%).

Primo Marcelo, confesso que tenho grande dificuldade em refletir o
tema com o olhar do Haddad – PT, pois para mim hoje é a
personificação de um projeto que visava a perpetuidade no poder e com
projetos (nem todos) que estavam assolapando e acuando parte dos
brasileiros. Porém, após a sua bela escrita e resposta, refletindo mais
sobre o seu olhar no tema, posso até lhe compreender e aceitar com
tranquilidade sua posição e visão do tema.



Compreendendo os sentidos e os significados de eleitores
ao escolherem o projeto e a experiência Bolsonaro

Marcelo Ribeiro


O intuito desse escrito visa dois propósitos: um tem a ver com os esclarecimentos, sob
o meu ponto de vista, do que está acontecendo com o Brasil no processo eleitoral para
presidente da república. O outro é mais egoísta. Uma necessidade mesmo que sinto de
organizar minhas ideias e melhor compreender os acontecimentos que assolam a
sociedade brasileira.

Primo, sabe que gosto muito de você, como a um irmão e que nos
conhecemos razoavelmente bem. Sabe também que vou de centro direita,
mas não tenho nenhum problema ideológico em caminhar pela esquerda e
até votar nesses candidatos, assim como fiz com Lula e por duas vezes em
Rui Costa. Sendo assim, deverá esperar um feedback verdadeiro e com
pouca influência ideológica, porém, claro, carregado do meu EU.

Isso. Sei disso da sua parte. Importante essa flexibilidade e não deixar que
o pensamento fique acorrentado. A ideologia pode ter conotações bem
diferentes a depender do ponto de vista. Nesse sentido que você traz, a
ideologia é uma corrente de pensamento. E isso pode não ser bom. Por
outro lado, o estar “carrego do meu EU” é uma condição da natureza do
ser. Não tem como a gente sair da gente. Nesse caso, não há neutralidade.
E isso não é ruim, desde que a gente se assuma e explicite (há outras coisas
importantes sobre o mito da neutralidade e a importância do diálogo que
abordarei adiante).

Perfeito, concordo, mas achei que os eleitores do PT possuem uma
grande dificuldade em identificar valor no pensamento de direita. Ao
menos a esmagadora maioria que conheço. Claro que você tem uma
postura diferenciada, um caráter excepcional e sempre buscou
compreender o outro. Não consigo ver ninguém do PT fazer uma
reflexão como a sua, buscar um diálogo sóbrio, aceitar que há valor no
outro lado e até mesmo VOTAR na ‘oposição’ como eu já fiz. Na verdade,
minha ‘oposição’ é e sempre será de momento e com a visão do lado
que acho que será melhor para o País. Vejo muito isso no pensamento
de direita (posso estar enganado).

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Lembre-se que apesar de um fenomenal profissional, será impossível que
você faça uma avaliação totalmente racional do momento, pois não
esqueça que você é um cabo eleitoral do PT, um ativista da causa de
décadas. Posso dizer até que quase desde criança. Sendo assim sua
avaliação é envolta de paixão e essa nos deixa um pouco cegos, por mais
que o profissional Marcelo tente avaliar tudo acerca das técnicas e da
ciência da compreensão humana.

As paixões, os afetos, portanto, sempre estarão presentes, mas de fato
uma coisa é a gente buscar o distanciamento e outra é a gente não
conseguir refletir. Não me considero um cabo eleitoral do PT, mas um
ativista de causas gerais. Ativista de várias causas, ativista no sentido de ser
ativo e querer e sonhar com mundo melhor, com relações humanas
melhores. Como você também o é. Sem dúvidas não conseguirei avaliar
com total imparcialidade, mas tento no diálogo e na abertura. Acredito que
sempre estarei caminhando, me aproximando... A imagem que faço agora
é de duas pessoas conversando... imagine um chinês e alemão
conversando... cada falando a partir de suas visões de mundo. Um chinês
jamais vai ser um alemão e vice-versa, mas eles podem a ter compreensão
(que seria a aproximação dos mundos diferentes) desde que haja uma
atenção genuína para com o outro e abertura para ser tocado pela
diferença do outro. Esse exercício, penso, é fundamental, sobretudo, no
momento que estamos vivendo e aposto que é o que estamos fazendo
aqui. Aliás, este escrito teve, para mim, esse intento. Confesso que estou
muito mais compreensivo do que antes.


Sim, é fato que o diálogo é o caminho para sanar qualquer problemática
e quando um lado não deseja isso é porque já sabe que está errado ou
não deseja enxergar as coisas e ver o mundo com o olhar do outro. Isso
é muito ruim.

Cabo eleitoral foi pesado mesmo rsrsrsrsrs..... Porém muito romântico
sobre a causa, é verdade, até porque você gosta muito das pessoas e
acredita que o PT também pensa assim. Em minha visão tudo é um
plano de poder e cada lado escolhe o que melhor lhe convém. Faço
minha autocrítica de um olhar cético. Confesso que fico até triste de
pensar assim, mas a cada ‘flash’ é uma decepção com a política e com as
ações dos ‘homens no poder’

É claro que este escrito tem a ver com as questões políticas, especificamente com a
iminente vitória de Bolsonaro como próximo presidente do Brasil e do que tudo isso
representa. Sendo mais específico, este escrito visa compreender algumas possíveis
razões que levam pessoas a votarem no projeto que o Bolsonaro representa e a
experiência que isso enseja. No fundo, eu sinto muita dificuldade e até mesmo uma
indigestão, as vezes até uma dor, ao ver pessoas que conheço e mesmo pessoas que
não conheço, mas que tenho algumas informações sobre elas, dizerem que vão votar
em Bolsonaro. Foi isso que me fez produzir este escrito na tentativa de buscar
compreensões, no esforço de olhar a partir dessas pessoas e apreender o que movem
a apoiar esse projeto e viver essa experiência. Uma tentativa de sair do meu
centralismo e compreender, via as perspectivas dos outros, seus sentidos e
significados.

Perceba que para mais de 60% da população o sentimento é o mesmo, não
nos é compreensível que pessoas que possuem cultura, educação, vivência
e que são pessoas ‘do bem’, que essas não consigam perceber o que o PT
fez de mal para o País, que não vejam o projeto malicioso que Lula e sua
equipe começou a pôr em prática a partir dos meados do segundo
mandato de Lula. E também que não vejam o quanto o PT usurpou da
nação, com o intuito de se perpetuar no poder, que o PT criou uma
máquina perversa de cabides de empregos, de estatais desnecessárias, que
inchou o público, que fortaleceu temas que abalam com a moral e
costumes de uma população fortemente tradicional, que perdeu o controle
sobre todos os temas quando passou o bastão para Dilma e que criou o
maior esquema de corrupção já conhecido no País e um dos maiores do
mundo.

Essa é uma provocação importante, concordo! Esse exercício, ou seja, de
apreender os sentidos e significados de quem apoia o projeto Haddad deve
ser feito. Mas é interessante que possa ser feito por quem tem uma
posição diferente (apoia o projeto Bolsonaro). Acho que assim ajudaria em
desenvolver compreensões dos dois lados. De todo jeito cabe uma
autocrítica dos petista e apoiadores. Aliás, coisa que desde muito venho
dizendo. É preciso entender e assumir os erros, mas também reconhecer
os acertos, discernir o que cabe ao governo Dilma e Lula e o que não cabe.
Aqui serve também aquela questão que você trouxe ainda pouco sobre a
paixão que cega. Sejamos afetados, mas que tenhamos também os
distanciamentos necessários.

Então primo! Aí é que mora a grande problemática atual. Hoje está
quase impossível acreditar em uma linha escrita pelo PT. Entende
quando digo que a esquerda radical ajudou e muito no aparecimento
meteórico do fenômeno Bolsonaro?

Eu simplesmente não acredito no plano de Governo do PT, não consigo
nem ver o programa político na TV (que fique claro aqui que o
programa dos dois candidatos é uma lástima). Compreender o eleitor
do PT já é bem difícil, mas a partir do diálogo com você, eu posso
perceber que tem valor sim, mas as vezes até penso que foram
hipnotizados (não é seu caso). Até por isso digo que parece mais uma
Seita.

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Entenda que é muito difícil, doloroso, angustiante e até raivoso, ver que os
eleitores do PT não enxergam isso.

Entendo e posso imaginar. Por isso mesmo precisamos dialogar. Não no
sentido de reduzir a conversa em querer convencer ninguém a mudar o
voto, mas de buscar compreensões e superar a dor, a raiva... Nesse meu
exercício de diálogo me noto mais apaziguado.

Perfeito isso. Tentar convencer de fato é um erro e afasta mais.
Confesso que na verdade, nessa eleição, quem foi um ‘cabo eleitoral’ fui
eu. E até por isso cabe uma grande reflexão do PT e da esquerda, pois eu
nunca fiz algo nem parecido por nenhum candidato. E milhares de
pessoas também não. Foi até por isso que escrevi em algum local, que
‘esse era o momento da história’ onde veríamos a mudança em nosso
País. A esperança é que seja para melhor, mas a certeza é que se fosse
com o PT, seria muito pior!!!! Entende???

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A sede por perpetuação do poder, por enaltecer Lula e o foco em soltar ele
a todo custo é tão evidente e até certo ponto irracional, algo semelhante a
uma seita, que o PT ignorou que tinha um candidato fraquíssimo, que é um
fantoche (Haddad), que o momento do País era da aversão a sigla PT, que
vocês foram incapazes de fazer uma aliança inteligente e que fosse até
com o próprio Ciro e aí então partir para enfrentar o Bolsonaro. Se
fizessem essa reflexão lúcida, sairiam vitoriosos com um candidato de
centro esquerda, que tem um diálogo aberto e que respeita o social.
Porém o PT (Lula) não admite a derrota, não abre mão de sua seita e por
isso vai sofrer a maior derrota de sua história.

Concordo com você (embora alguns colegas tenham bons argumentos para
pensar diferente da gente) que houve uma dose de posições pretenciosas e
mesmo de superestimar forças que não existiam. Novamente a velha
questão da falta de uma autocrítica.

Exato. Essa falta de autocrítica da maioria, de não entender que o
momento agora era de recolher o trem de pouso do PT, se refazer como
partido social, se aliar a algo diferente e retornar em outro momento,
fez com que tudo isso ocorresse. Perderam uma grande oportunidade
em aceitar o momento e deixar que outro aliado avançasse. Tudo isso
nutre a decepção e até mesmo a raiva pelo PT. Nutre a dificuldade em
enxergar algo de positivo, pois o que ‘salta aos olhos’ é a necessidade de
manutenção do poder, a paixão cega por ‘Lula’ etc.

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Primo, isso sim deveria ser sua reflexão. As perguntas são: - por que o PT
foi tão desinteligente a ponto de não perceber isso? Por que não
escolhemos um candidato de fato que fosse bom para o País? Por que não
queremos de forma alguma abrir mão de nossa ideologia radical? Isso foi o
que levou às pessoas a votarem em massa em Bolsonaro, essa reflexão não
feita pelo PT. Os depoimentos explícitos de que se ganhassem dariam
induto a Lula, o fortalecimento da mentira, a falta de reconhecimento dos
erros, a insistência em assuntos morais que a grande maioria da população
não suporta mais e outras coisas que até certo ponto são perversas e que
estão enraizadas na ideologia do PT. A falta desta leitura e de abrir mão de
seu projeto de ‘dominação do mundo’ fez com que o Mito ‘BOLSONARO’
ganhasse tanta força.

Concordo com você. A falta disso tudo contribuiu (não é que determinou,
mas ajudou) para a ascensão de Bolsonaro. Faltou ao PT e alguns grupos
uma leitura mais “pé no chão” dos acontecimentos e do estado da
sociedade. Acho que essa é uma das autocríticas que precisam ser feitas.
Mas também (e aqui é minha posição) havia e há um combate
sistematizado anti-petista, que fora construído antes mesmo de qualquer
ação que justificasse. E quanto a isso, fazer face aos ataques é importante,
sobretudo em relação às muitas injustiças ocorridas (um exemplo foi o
impeachment de Dilma e ao depoimento de Palocci dias antes do primeiro
turno das eleições).

Sim, concordamos aqui. Porém cabe a reflexão que esses ataques das
oposições são comuns e nunca acabarão. A maioria injustos mesmo. Só
não acho que o impeachment de Dilma e ou a delação de Palocci foi uma
injustiça. Agora que foi uma estratégia, isso foi sim. Que outros já
fizeram o mesmo que Dilma fez, sim e até coisas piores, porém um erro
não justifica o outro. Precisamos também acabar com esse sentimento
de que se o outro fez e nada ocorreu, eu posso fazer que nada
acontecerá. Não é assim. Um dia ‘a casa cairá’ e dessa vez, de forma
intencional, claro, caiu no PT. Porém lembre que eu já disse que não
havia outra forma de tirar o PT do poder, já que a ‘máquina de fazer
dinheiro’ estava ligada e a todo vapor.

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Você está buscando resposta nas pessoas, mas a resposta está no próprio
comportamento do PT, sendo assim, você vai chegar a uma conclusão
errada, pois não avaliou corretamente a causa raiz do problema. Quem
criou Bolsonaro foi o PT, simples assim.

Acho que o fenômeno Bolsonaro é fruto de um conjunto de condições.
Dentre eles, os erros do PT, mas não só isso. No caso deste escrito, a ideia
foi essa mesmo, de me aproximar das pessoas que pensam diferente de
mim e entender seus sentidos e significados. Com certeza deixei de lado as
causas, os contextos...na verdade até tangencio alguns pontos, alguns
fenômenos contemporâneos, mas deixei de lado, por exemplo, as
articulações de forças outras que fortaleceram o projeto Bolsonaro, a
inteligente artimanha das mídias sociais e suas construções de realidades.

Sim, verdade e essa alternância de apoio, principalmente da mídia, se
dará por interesse e ora a favor de um e ora a favor de outro. Como
disse ‘ esse é o momento histórico do PT’

Antes, contudo, é importante situar e mesmo explicitar minha posição em relação ao
projeto e a experiência Bolsonaro. Aliás, considero obtuso o projeto de Bolsonaro.
Parece-me ainda confuso e cheio de contradições, pois há elementos de políticas
protecionistas (Bolsonaro é militar da reserva das forças armadas e com vínculos fortes
a esse grupo), ele é de direita e se aproxima com a solução via privatizações (um dos
seus consultores e cotado ministro da economia é Paulo Guedes – banqueiro e
considerado heterodoxo até mesmo pelos colegas liberais), é apoiado por grupos
conservadores, de ultradireita (além de uma boa parte dos grupos evangélicos o
apoiarem), mas também tem sua sustentação política formada por linhagens
fisiológicas (apesar do seu partido, o Partido Social Liberal (PSL) ser um partido novo,
boa parte dos seus membros são oriundos do Partido Progressista (PP), partido com
maior quantidade de políticos envolvidos em casos de corrupção). Então é difícil saber
qual o projeto político de Bolsonaro. Ele mesmo contribui para isso, pois não expressa
muita coisa objetiva em relação as suas principais políticas, como a economia,
educação, etc.

Além de explicitar esse meu entendimento é importante também dizer que corroboro
com o fato de Bolsonaro reunir características que o situariam, pelo menos até o
momento, no perfil ideológico fascista. Bem, mas a questão que quero colocar em
pauta é, a despeito disso tudo, o que faz com que as pessoas se identifiquem com a
proposta desse candidato? Como as pessoas o veem? Por que elas querem votar nele?
O que Bolsonaro representa? O que seria a experiência Bolsonaro?

Antes de apresentar, mesmo que em linhas gerais, os grupos e as produções dos
respectivos sentidos e significados daqueles que se identificam com esse projeto e
aderem a experiência Bolsonaro, penso ser necessário contextualizar minimamente o
cenário Global e nacional sob alguns aspectos.

O reaparecimento de grupos neofascistas/neonazistas não é um predicado brasileiro.
Governos conservadores, ultraliberais e com tendências autoritárias estão presentes
em vários outros países, como é o caso recente da vitória de Donald Trump, nos E.UA.
de Antonio Tajani, presidente do parlamento europeu e mesmo o fortalecimento de
partidos de extrema direita pelo mundo a fora.

Falar sobre projetos, Primo, é achar que Lula, um quase analfabeto,
chegou em 2002 pronto para governar o País e com um projeto
espetacular. É achar que ele sozinho estabilizou a economia, que criou
os programas sociais, etc... Sabe que isso não é verdade, pois muita
coisa foi herança de FHC e Lula apenas melhorou.

Sempre fui contra negar as contribuições de FHC. Por mais que tivesse
divergências ideológicas (no sentido de visão de mundo, sociedade,
etc.), negar a importância do governo dele foi um erro. Contudo foi um
acerto dar continuidade a algumas políticas e até aprimorá-las. Isso foi
genial. Lula não chegou ignorante a presidência, pouco escolarizado
sim, mas muito sábio em relação as coisas do Brasil. Havia uma baita
equipe apoiando o governo do PT. Talvez a melhor safra de técnicos,
estudiosos, etc. que o governo petista já teve. A entrada do PT apontava
para uma direção que todos sabiam para que lado iria. O primeiro Lula
se elegeu porque fez uma pactuação, abrandou algumas posições mais
conflitantes. Havia transparência, as pessoas sabiam o que viria… É
claro que aquela eleição deixou algumas viúvas (gente da oposição que
perdeu a eleição). Algumas dessas viúvas superaram o luto, mas outras
ruminaram o rancor.

Concordo com tudo que escreveu!

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A política é uma podridão. Projeto de Governo, nada tem relação com o
projeto do partido, com as ‘metas ocultas’ com os desejos e a ideologia.
Me diga o que Dilma fez, após aquele discurso bonito dele, na reeleição?

A política muitas vezes é podre, mas precisa ser defendida. A
democracia, como desdobramento da diversidade da política não é um
melhor dos mundos, mas é o melhor que experimentamos. A política,
mesmo com todas as nojeiras, nos ajuda a não sermos idiotas (fazendo
menção aqui aquele livro do Cortela e do Janine – Política para não ser
idiota). No caso da segunda Dilma foi um estelionato eleitoral. Eu
mesmo fiquei puto. Eu não votei nela para fazer o que estava fazendo.
Mas entendi depois que ter ficado puto com ela só ajudou o golpe… de
todo jeito acho que ela deveria ter sido honesta no processo eleitoral ou
mesmo o PT poderia ter feito alguma composição diferente e até ter
passado “a cabeça de chapa” para outro candidato (esse foi uns dois
piores erros do PT, na minha opinião).

Verdade mesmo. Só não concordo com a denominação de Golpe. Dilma
é uma aberração. Precisamos evitar isso. Não é possível que
continuemos a validar pessoas como ela, para governar nosso País,
apenas para não permitir a alternância do poder, de ideologia, de
partido, etc. Entenda que essas coisas fizeram Bolsonaro nascer e
pessoas como Eu, votar nele.

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E se Bolsonaro fosse um almofadinha como Geraldo A., um cara de fala
mansa, polido e com um programa todo trabalhado por marqueteiros?
Se ele fizesse isso, o que diriam? Na verdade, não muda nada, pois seria
apenas uma ‘capa’ e isso é o que todos fazem.


Não acho que Bolsonaro seja esse cara não fabricado. Acho que ele
difere muito dos demais pelo jeito de ser dele e isso « colou » com o que
as pessoas buscavam dos políticos. Realmente o “político politicamente
correto” saturou e Bolsonaro soube explorar bem isso. Contudo, acho
que Bolsonaro tem outras « peles dentro da pele ».

Concordo plenamente. Não me iludo, mas no fundo tenho um pouco de
esperança.

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Em relação ao que fazer para melhorar o País, ele tem noção sim e está
buscando formar uma equipe de governo que lhe dê suporte para isso.
A diferença é que ele não vai ou não DEVERÁ se vender para isso, coisa
comum e abominável em todos os governos, e muito forte no PT.


É verdade que Bolsonaro tende a assumir a presidência com menos
dívidas políticas e isso dará mais liberdade para ele, mas está muito
longe de não ter fortes compromissos, seja com a bancada dos bancos,
seja com a bancada do boi, seja com a bancada da bala, seja com a
bancada da bíblia ou mesmo interesses ligados aos EUA. Você sabe
disso. E ele não tem uma proposta definida, seu programa é confuso e
obtuso, mas acho que rapidamente ele vai poder elaborar. A questão é
que isso gera uma insegurança porque estamos elegendo um presidente
que não sabemos para que lado vai. Importante refletir sobre isso.

Sim, a política é assim e cada um se alia com o que lhe resta. Como disse,
não acho o PT melhor que o PSL, só porque diz que defende as causas
sociais, que deseja a igualdade, que alavanca as causas ambientais, pois
acho que isso é apenas conversa de palanque. No fundo, todos querem
isso, porém claro que uns mais e outros menos. Veja, se ficamos quase
16 anos com as políticas defendidas pelo PT, não seria justo
experimentar algo diferente? O que há de tão absurdo nisso? Precisam
entender que para direita é tão estranho como para esquerda viver as
experiências opostas. Poxa, o Brasil viveu muito a esquerda e ao final
afundou. Veja bem, são inúmeras coisas positivas que o Governo PT
proporcionou, não sou leviano para negar isso, mas a mudança é
necessária. Ver a força com que os radicais de esquerda não querem
que isso ocorra, só nos causa espanto e intriga.
Entende aí o reforço do fenômeno Bolsonaro?

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Você está focando mais uma vez em seus medos, no que você abomina,
em suposições baseadas em históricos e em história, ficando muito
centrado em teorias e perfis. O mundo mudou muito, as redes sociais
mudaram a eleição, as pessoas também mudaram a forma de pensar e
de fazer. Seu texto está carregado de raiva e preconceito com uma
figura que representa algo que você não gosta, porém nada tem de
certeza de que ele vai acabar com a democracia, que vai extinguir
direitos, que vai mandar matar homossexuais, que vai diminuir o papel
da mulher, etc.... isso são grandes bobagens que são ditas por aí, Primo,
a maioria esmagadora que está votando em Bolsonaro não quer mais o
PT, quer uma mudança, mas nunca vai querer que ele faça os absurdos
que estão relatando e afirmando que fará.


Veja... o que trago são sentidos e significados diversos de grupos
(variados) que apoiam Bolsonaro. Dentre esses grupos há pessoas que
explicitamente se dizem da ultradireita e se identificam com o neo nazi-
fascismo. Isso é fato e não é obra da minha ficção. O exercício que faço
nesse escrito é justamente transpor meus possíveis medos, raivas e
preconceitos para buscar compreensões. Uma coisa é buscar
compreensões, mas outra coisa é negar os fatos. Certamente as redes
sociais e as mídias sociais alteraram o modo de fazer política e a
dinâmica das eleições, « tanto para o bem quanto para mal ». Isso quer
dizer que as redes sociais e as mídias sociais não libertam
necessariamente as pessoas e as deixam livres para pensar por elas
mesmas. Muitas vezes é o contrário que acontece…. Bem, quanto aos
medos fantasiosos que posso estar nutrindo, é possível que nada disso
aconteça (matar homossexuais, que vai diminuir o papel da mulher,
etc.), mas não me permito a ser ingênuo e achar cegamente que
Bolsonaro fala o que fala para ter efeitos, por figuras etc. Minha atual
postura é: não entrar numa histeria coletiva, ficar de olhos abertos e
observar os desdobramentos dos acontecimentos.

Sim, acho mesmo que a melhor postura em tudo na vida é observar com
olhar cauteloso e se permitir viver a experiência, apenas quando em
uma posição mais confortável. Eu sou assim. No mais acho que tem de
fato muita filosofia e medo. Assim como a direita enxerga o PT
entregando o País para viver uma experiência venezuelana, os de
esquerda enxergam Bolsonaro entregando o País para os EUA ou aos
militares. Isso são medos mesmo e baseados em fatos ou
representações, declarações, etc. porém ambas as partes possuem culpa
neste processo de análise, pois deram sinais disso. Porém acredito
muito que os eleitores de Bolsonaro, não querem isso e os do PT
também não, porém, ambos pagam ‘votam’ para ver. Entende?

Certa vez o pensador francês, Michel Serres, disse que há uma espécie de pêndulo na
história humana, sempre oscilando entre segurança e liberdade. Talvez estejamos
inclinados para a segurança, justamente porque nos sentimos inseguros diante das
instabilidades e liquidez do mundo globalizado, por causa dos processos migratórios
em massa, em razão das inexoráveis catástrofes ambientais, etc. Talvez essa
insegurança leve a humanidade a buscar soluções autoritárias, mesmo sacrificando
suas liberdades e lançando mão da violência, para, justamente, garantir a segurança.

Em relação ao cenário brasileiro viemos, recentemente, de três governos petistas e
meio (dois de Lula e um e meio de Dilma) e que, apesar dos acertos e avanços, houve
desgastes e erros não devidamente corrigidos. Ademais, houve uma mudança nas
cadeias produtivas internacionais e interesses do grande mercado global que afetou
fortemente o Brasil. Isso tudo contribuiu para um acúmulo de 13 milhões de
desempregados, muitos deles até desesperançados. Além disso há a questão da
corrupção, sobretudo os escândalos da Lava Jato (operação encabeçada pelo juiz
Sérgio Moro) que, para aquém de uma análise crítica, contribuiu para aprofundar a
crise política e, consequentemente, econômica e social que o Brasil vivencia. Para dar
o “tiro de misericórdia”, houve o golpe parlamentar que destituiu a presidenta Dilma
Roussef, assumindo o seu vice, Michel Temer, com a promessa de “colocar o Brasil nos
trilhos certos”. Depois de quase dois anos de governo Temer, a situação do Brasil
piorou e isso também aprofundou a crise de modo a criar uma descrença nas soluções
políticas, pelo menos nas soluções já conhecidas ou anunciadas.

Já falamos pessoalmente sobre a atuação de Sérgio Moro, da saída de
Dilma e da atuação de Temer. Sabe que não pensamos da mesma forma,
as coisas não aconteceram tão a margem da lei como o PT relata, mas é
claro que foi direcionado. Porém, mais uma vez a análise está sendo
feita sem vistas do momento, das fraudes, da corrupção do momento e
da iminente continuidade ‘eterna’ do PT no poder, não por ser validado
pela população, mas por, de certa forma, ter uma máquina de dinheiro
em sua mão que estava propiciando isso.

Gosto da alternância de poder. Inclusive não defendo reeleições e fico
impressionado o quanto ainda somos, no Brasil, aristocráticos. Já
reparou a quantidade de filhos de políticos que se tornam políticos, de
famílias de políticos? É uma verdadeira continuidade no poder, uma
manutenção consanguínea! Inclusive Bolsonaro é um bom exemplo.
Por outro lado, também entendo que o poder é para poder fazer e é
legítimo projetos de poder, desde que haja projeto coletivos e não
pessoais. E os projetos de poder devem ser regulados por outros
projetos de poder. Os projetos de poder não podem, na minha opinião,
ser regulados fora do jogo de poder porque aí a gente saí do campo
democrático. Mesmo que haja outras questões atravessadas nessa
minha afirmação isso precisa ser considerado.

Sim, horrível, triste isso. Vivem da política e poucos preocupados com o
País. Fiquei vendo Henrique Meirelles concorrendo a presidência. Um
avô, cheio da grana, milionário, com um conhecimento econômico
fantástico, com possibilidade de se aposentar, de apoiar qualquer
Governo, de lecionar, escrever um livro e o cara prefere passar por um
vexame de candidatura e ser esculachado por Boulllos e outros. Uma
coisa inexplicável. Não consigo compreender a política.


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Tinha que ser feito Primo, esse era o momento da história, assim que já
tivemos outros na história mundial, não há porque se lamentar.

A única coisa que concordo e que já lhe disse, é que tudo isso deveria
ter sido feito de outra forma. Porém existe uma pergunta: - E existiria
outra forma de fazer? O PT está disposto a tudo para dar continuidade
ao projeto de poder, até desrespeitar tudo e a todos com o induto de
Lula e você ainda duvida de algo?????

Somos crianças neste mundo, Primo. Não se iluda com ideologia e
estudos de perfil.

Não me iludo não, Brunão, mas uma coisa importante de lembrar é que
a corrupção não foi uma invenção recente na história do Brasil, que há
um jogo de interesses em nome do combate a corrupção e que na
história do Brasil, mesmo recente, o combate a corrupção serviu para
altear bandeiras pro golpe militar e pro Collor, por exemplo. É claro que
precisamos e devemos combater o problema da corrupção e o PT ou
qualquer partido ou qualquer político envolvido precisa ser punido.
Contudo, precisamos também estar atentos aos jogos de interesse e o
“mudar para manter o jeito de estar”.

Certíssimo grande primo, entendo e acredito que não se iluda. Fato que
a corrupção é bem antiga, principalmente por aqui, porém essa era a
hora do choque. O PT foi mestre no que fez. Comparo Lula a um
Alcapone brasileiro. Seria muito difícil pegar ele, porém foi o certo.


Os grupos de eleitores e seus sentidos e significados

Em primeiro lugar é muito importante partir da perspectiva plural, ou seja, não existe
apenas um sentido e um significado que norteiam as pessoas a apoiarem Bolsonaro.
Então é importante abordar essas possíveis pluralidades, buscando compreendê-las,
adentrando em suas perspectivas.

Há inúmeras análises que indicam que essa eleição está marcada por fortes
componentes emocionais e que, no caso de Bolsonaro, são marcas já coladas de modo
a criar uma forte representação, uma ancoragem densa (eu estou me remetendo a
Teoria das Representações Sociais). São essas “marcas coladas”, essas “ancoragens
densas”, que ajudam a buscar o olhar a partir dessas pessoas, a buscar seus sentidos e
significados e, portanto, compreendê-las em suas pluralidades.

Tentando dividir em grandes grupos de sentidos e significados, um que destaco tem a
ver com o sentido e o significado da esperança. Para muitas pessoas, Bolsonaro
representa a esperança. Esperança de um novo na política porque não estaria
corrompido, não dependeria dos partidos, falando o que pensa, sendo transparente e
conseguindo dialogar com o povo. Sem dúvidas, Bolsonaro é um fenômeno (não um
mito, mas um fenômeno a ser entendido), pois tem movido as massas para uma
adesão, pelo menos em parte, espontânea, incluindo grupos sociais bastante
diversificados (embora haja predominâncias de alguns marcadores sociais). Bolsonaro,
nesse caso, é sentido e significado como o novo e com o que rompe com os velhos
políticos e as políticas tradicionais (lembrando que não estou analisando as causas e
nem desvelando as falácias desses sentidos e significados. Neste caso, por exemplo, de
representar o novo é uma grande falácia já amplamente apresentado).

É a representação do novo sim, ao menos as ideias de cortar vínculos com
os ‘dinossauros’ de tentar combater a criminalidade, de tentar ser isento e
não corrupto e de buscar alianças que queiram o melhor para o País.
Entenda que precisamos acreditar nisso, que o que está aí, o povo não
quer mais. O PT está tem quase 16 anos contínuos e quer agora tentar nos
dizer que vai fazer isso e aquilo. Quer se pintar de verde a amarelo, ‘pqp”
Primo, é chamar o povo de idiota e assinar abaixo. Como lhe disse acima,
quem criou o ‘fenômeno’, ‘mito’, como quiser, chamado Bolsonaro, foi o
próprio PT.

Brunão, eu compreendo os sentidos e significados dessa escolha, de achar
que é a representação do novo e este foi meu esforço aqui, mas isso não
significa que concorde, pois reflito que Bolsonaro não tem nada de novo.
Na verdade, é o que há de mais arcaico em termos de civilização, pois
prega a intolerância, a saída pela violência, etc. É uma questão de perfil, de
identidade dele e isso pode ter sérias repercussões. Como disse é essa
perplexidade em escolher esse candidato que me mobiliza. Certamente
nenhum outro oponente do PT provocaria isso. E quando fala de querer
“acreditar nisso”, entendo bem. Sei que as vezes precisamos acreditar em
algo e a tal ponto que não conseguimos enxergar certas coisas.

Creio que eu tenha me expressado errado. Quando eu digo a
representação do ‘novo’ digo que é algo totalmente diferente das
experiências que estamos vivendo nos últimos 16 anos. Ao menos é o
que acreditamos que acontecerá. Entenda que só em desafiar tudo, de
imprensa às ideologias impostas, de pessoas importantes à partidos, de
se declarar independente, de fazer uma campanha com pouquíssimos
recursos, de levantar a bandeira anticorrupção, etc. Lembre-se que até
o momento, não temos nenhum escândalo envolvendo ele, um cara que
está a tanto tempo no meio. Veja que o óbvio e o normal, torna-se o
diferente e o novo. Acho também que algumas atitudes dele irão
provocar repercussões não tão agradáveis, mas creia que vivi várias
provocadas pelo PT, que também não gostaria de ter vivido. Entende?


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Agora, se de fato ele vai fazer isso, nós não temos certeza e se não o fizer,
sofrerá a mesma rejeição.

Se ele não fizer o que promete (algumas coisas que ele falou me assustam
muito) espero mesmo que haja uma rejeição, mas também se poder
contribuir para que este País seja menos excludente e de modo a
possibilitar que as pessoas, em todas suas diversidades, possam viver uma
sociedade melhor, merece ser reconhecido por isso.

Concordo com você e também não concordo com tudo que ele diz não.
Ele precisa melhorar muito e ser bem ‘formatado’ para de fato ser um
bom presidente. Acho que a mudança é possível. Lula viveu isso.

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O que me deixa extremamente triste e que deveria ser objeto de uma
outra análise sua é o motivo da incapacidade dos seus eleitores, em
enxergar de forma clara essa rejeição, de ver que de fato merecem e partir
para uma mudança. Porém o que vemos é justamente o contrário. Vemos
o fantoche do Haddad indo pedir bênçãos rotineiras a Lula (presidiário),
vendo a todo momento uma insistência nas práticas já abominadas. A
busca ‘falsa’ em se aliar com as minorias, como se de fato se preocupassem
de forma profunda com elas, quando sabemos que foi parte apenas de um
plano político para fortalecer a massa de votos.

Como eu já disse e concordo com você em parte, há necessidade da
autocrítica. O que deu certo e o que deu errado, quais os erros
cometidos.... Mas seria muito importante também que você pudesse
reconhecer os alcances do governo PT e da importância para o Brasil. Fica
a sua dica e absorvo de bom grado em fazer uma análise em relação a
incapacidade de alguns enxergar os erros e manter certas práticas.

Eu consigo enxergar sim e já citei acime nessa revisão e réplica. Acho
inclusive um importante exercício para acabar com essa polaridade sem
sentido. Vejo um bom exemplo em você, para contribuir com o fim
disso. Parabéns.

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Primo, o ‘ROUBADO’ na era PT, daria tranquilamente para oferecer uma
outra condição de saúde e educação para o povo. O PT deu esmola e
esqueceu o Povo. Os movimentos sociais, são mascarados de ideologia.
Hoje temos pessoas ricas no meio, carros de luxo invadindo terras, o
projeto é uma farsa. Só vocês ‘puros e inocentes’ querem enxergar apenas
a poesia do social, quando na verdade o Sr. José Dirceu e outros
planejaram outras coisas com essa massa de manobra.

A corrupção é abominável e deve ser apurada e todos envolvidos precisam
ser punidos, mas isso dentro da legalidade e sem os jogos políticos. Os
erros ocorreram, mas acertos foram muitos.

Concordo plenamente. Por isso que o PT deveria ter recolhido o trem de
pouso e não insistir. O erro foi desde a reeleição de Dilma e insistem
novamente agora, inclusive afrontando tudo e a todos. Principalmente
quando afirmam que darão indulto a Lula. Foda isso viu!

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Você fez muitas análises de governos, de regimes, mas não olha o que o
comunismo/socialismo radical e disfarçado fez com a Venezuela, Bolívia,
Nicarágua, Cuba e outros regimes que o PT sempre apoiou, adorou,
idolatrou e até financiou com o meu e com o seu dinheiro. Querido Primo,
fascismo, ditador e assassino são os governantes desses países. Quem
apoia de forma explícita e financia eles é o que então??? Não deveríamos
temer isso também, não???

Saiba que há muita gente, do PT mesmo, que faz essa mesma crítica sua.
Nenhuma forma de autoritarismo, seja de direita ou esquerda, merece
apoio. E eu concordo com isso. Acontece que há também propagandas que
terminam criando imagens negativas. E aí, nesses casos, é necessário um
senso crítico. Não estou me referido a nenhuma das situações que você se
referiu em particular, mas chamo atenção disso.

Ok, entendo e fico feliz em ver que tem pessoas de esquerda que
enxergam essa falha, mas creia que só vi você até agora, fazendo essa
afirmação. E isso também nos preocupa muito. São os medos do outro
lado. Entende? Se em algum momento fiz referências mais fortes, de
fato não foi com a intensão de criar qualquer imagem negativa de forma
intencional e sim de me preocupar de fato com isso.

Um segundo grupo de sentido e significado, e aí mais vinculado as questões objetivas,
aos anseios da sociedade, tem a ver com a questão da violência, incluindo aí a
corrupção. Um dos temas diuturnamente abordados nas grandes mídias tem a sido a
questão da violência, da insegurança pública, da corrupção e da impunidade.
Bolsonaro se apresentaria como um candidato que traz propostas palatáveis para
muitos brasileiros quando propõe, por exemplo, a chamada “excludente de ilicitude”
para os policias terem mais autorização para matar em situações de confronto ou
quando propõe porte de armas. São soluções que as pessoas conseguem entender e
que tem apelos para respostas rápidas. Ele passa a imagem do durão e do implacável,
contribuindo certamente para a produção de sentidos e significados que vão acabar ou
minimizar com o problema da violência. Importante dizer que Bolsonaro também tem
explorado as falhas nos supostos combate a violência. Tais falhas estariam sendo
atribuídas as políticas frouxas, permissivas e norteadas pelos Direitos Humanos.

Um outro grupo de sentido e significado, e esse mais ligado aos marcadores sociais
religiosos, sobretudo os evangélicos (ligados a corrente Neopentecostal, da Teologia
da Prosperidade) e da igreja Católica mais conservadora, adere ao projeto bolsonarista
via a política dos costumes. Uma contra-ação motivada na sociedade por grupos
conservadores e potencializada por grupos dos meios de comunicação (aqui há um
fenômeno interessante porque o maior conglomerado de comunicação, que é a Rede
Globo, se posiciona relativamente fora do movimento conservador de costumes e
mantem “guerra comercial” com a Rede Record, por exemplo, que tem como
proprietário o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus). Assim, os
sentidos e significados produzidos por pessoas ligadas a esses marcadores sociais
enxergam em Bolsonaro uma alternativa contra o despudor e o esgarçamento da
moral cristã, etc. Bolsonaro seria um político que assume explicitamente a posição
conservadora (Importante observar que o Brasil é um País mais conservador do que
liberal, em termos dos costumes).

Não poderia deixar de abordar aqueles que tem em Bolsonaro o sentido e significado
do antipetismo. Desse grupo há que se distinguir os anti-petistas, que são alguns
inconformados com a acessão do Partido dos Trabalhadores e com Lula, que é de
origem sindical, pouco escolarizado e que cheira e tem jeito de gente do povo. Há
ainda os anti-petistas rancorosos que, por motivos variados, criaram mágoas, ranços e
nutriram toda sorte de preconceitos com o vermelho do PT, com os partidos de
esquerdas, etc. E existe, por fim, uma boa tarde de anti-petistas que são as pessoas
que ficaram decepcionadas. Muitas delas até votaram no primeiro e segundo governos
Lula, mas foram se distanciando e se frustrando com os desgastes do governo, mas
também se aproximando das oposições e aderindo aos discursos críticos.

Um outro grupo, embora não tão numeroso, mas qualitativamente representativo,
seria uma espécie de misto entre ultradireitistas e neonazistas. Tal grupo expressa
cada vez mais abertamente posições de intolerância, soluções aos problemas sociais
via a violência e escárnio as instituições democráticas. Isso sem falar da adesão
escancarada ao homofobismo, ao racismo e ao machismo. Esse grupo (mas não só o
grupo em tela, mas boa parte dos posicionamentos dos demais grupos apoiadores de
Bolsonaro) tem como inspiração as ideias de Olavo de Carvalho, um dos principais
pensadores da linha conservadora no Brasil. O sentido e significado, para esse grupo
misto, é que Bolsonaro representa o seu verdadeiro e ariano líder.

Veja bem, uma coisa certa que você disse é que a massa do nosso País é
conservadora e esse fato não deve ser visto como ruim ou até mesmo
inferior ao liberalismo. O que precisamos é respeitar ambas as partes.
Colocar as questões de raça, de ideologia de gênero e da mulher como
centrais a discussão do momento. Parece apenas uma defesa bonita das
causas do PT e de uma desvalorização do Bolsonaro. Se existem grupos
racistas, neonazistas, de assassinos, de homofóbicos e outros deprimentes,
creia que existem dos dois lados, inclusive conheço vários. O fato dele ter
criado um ‘personagem’ que fortaleceu muito esses assuntos de forma
bem polêmica, não faz com que de fato isso seja plataforma de governo
dele e nem tão pouco que os eleitores dele tenham esses perfis. Esse é um
dos grandes erros de avaliação dos eleitores e do PT.

Certamente, meu primo. Este escrito quis mostrar que existem vários
sentidos e significados para apoiar Bolsonaro. A grande maioria é gente
como você, pessoa querida do meu coração. Também acho que existem
exageros dos dois lados. Há muitas coisas dos movimentos sociais-
militantes que não concordo. Contudo, e o evidente, é que o Bolsonaro é o
porta voz desses preconceitos e brados de violência. Isso não é invenção e
você sabe disso. Não é um modelinho que ele criou para chamar atenção.
Até entendo que muitas pessoas achem que é uma brincadeira dele, que é
uma figura da parte dele e que na prática ele não é nada disso... De todo
modo, ele como líder, inspira aquilo que representa. Embora esteja no
permanente exercício da compreensão, não sou ingênuo e coloco em
dúvida essa sua crença, mas, como já disse, compreendo seus sentidos e
significados. E sobre o conservadorismo... também penso que nem todo o
conservadorismo seja ruim e que nem todo liberalismo (estamos falando
em termos de costumes e não em termos econômicos) seja bom. Mas
quando falo do conservadorismo de alguns apoiadores de Bolsonaro (e do
próprio) estou apontando coisas que são arcaicas e que precisam ser
superadas na sociedade brasileira, como o machismo, a homofobia, o
racismo, etc.

É fato precisamos superar essa divisão de pensamentos ideológicos e de
costumes. Eu penso que ele nada fará de mal contra grupos.

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Como já tinha dito acima, nenhum dos eleitores dele espera que ataque
nenhuma parte da população e que tire direitos de ninguém.

Sim. A credito que a maioria dos eleitores de Bolsonaro seja como você,
meu primo. O problema é que ele próprio fabricou e estimulou isso. Se não
vai fazer mais, se vai coibir tais práticas, se vai mudar... aí é outra história.

Verdade.

Certamente Bolsonaro não foi o candidato querido do centro e do centro direita do
Brasil. Havia uma grande aposta no candidato do Partido da Social Democracia
Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin e isso porque ele seria o mais estável para os
interesses do mercado e ainda jogando dentro do campo democrático. Contudo, o
fenômeno Bolsonaro arrastou milhões de eleitores de Alckmin, que teve um resultado
pífio no primeiro turno (4,76%). O sentido e o significado desses eleitores talvez
coincidam com aquilo que apontei de Bolsonaro em representar o novo (e não mais
Alckmin) e também por representar uma maior possibilidade de lograr vitória. Ainda
sobre esse grupo é destacável dizer que muitos têm uma posição consciente de sua
condição social e defendem seus interesses, vendo, portanto, em Bolsonaro seu
legítimo representante.

Por fim, há o grupo de pessoas que seguiram a manada. Muitos jovens, de classes
baixas e que não teria muito o que se identificar com as falas e gestos de Bolsonaro,
mas que aderiram pelo calor das emoções propagandeada pela campanha bem-
sucedida das mídias sociais de Bolsonaro. Mister destacar nessas campanhas e para
esses jovens o apelo aos discursos bélicos e mesmo a espiral do silêncio que aponta
para intenção de vitória.

Outro erro enorme em sua avaliação. Claro que temos parte dos jovens
com uma vertente ‘bélica’, porém a grande maioria esmagadora vive hoje
em um ambiente totalmente liberal, onde tudo pode e onde, inclusive,
está sendo desfeito a cada dia, a formação conservadora da família
brasileira. Vou colocar grande parte dessa influência liberal, social e de
esquerda nos educadores. Esses, infelizmente, usam o ambiente escolar
para formar pessoas com pensamentos semelhantes aos seus, acuando os
que pensam de forma diversa. O PT é mestre nisso.

Aí meu, primo, você me espanta. Pareceu até os mantras de pessoas que
repetem essas ideias estapafúrdias ao entoarem que o problema dos
jovens está nos educadores ideologizados e que fazem as cabeças dos
alunos. Esclarecer isso me drenaria muita energia agora e faria sair do foco,
mas só quero dizer que a educação (escolar) está longe disso. Os
educadores, ao contrário, são mais conservadores do que imagina. A escola
pública, por exemplo, nunca conseguiu ser laica. É totalmente religiosa! E
mesmo assim não creio que o problema da juventude esteja, mesmo que
em parte, nas mãos responsáveis dos educadores. Sobre isso há muito
mais relação com uma sociedade do hiperconsumo, com as mudanças
potencializadas via as novas tecnologias, etc. Bem, mas quando me referi a
questão bélica não estava generalizando para todos jovens... estava me
referido, especificamente, aos apelas narrativos de Bolsonaro.

Entenda que eu precisava ouvir isso de você. Acredito plenamente no
que diz, pois acho você um cara fantástico, um estudioso do assunto e
que conhece profundamente a educação dentro e fora do País. Se você
afirma que estou equivocado acerca disso, eu vou acreditar e tentar
resinificar essa impressão em minha mente. Queria que entendesse que
se penso assim, é apenas fruto de experiências, de relatos e de vivências
reais que ratificaram essa afirmação. Como essas experiências são
poucas comparado às suas, de salas de aula, como professor e aluno,
creio que esteja muito mais apto a negar a minha afirmação. Vou tentar
entender que minhas vivências são apenas exceções. Vamos pular isso e
me desculpe se fui rude e insensível com você. Não era para lhe atingir.
Não acho que você faz isso.

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Ressalto exemplos absurdos na classe de meu filho de 12 anos e de outros
relatos de filhos de colegas, onde os professores a todo o instante, durante
esse período eleitoral, falaram que sairiam do País se Bolsonaro ganhasse,
que ele era o pior ser humano que já viram nascer, que vai proibir isso e
aquilo. Como disse acima Primo, isso é perversidade, isso é uma tática do
PT e dos movimentos de extrema esquerda. Eles tentam induzir e formar
os jovens na base, intimidando, trazendo mentiras ou apenas a sua visão
de um todo. É justo falar isso para uma criança de 12 anos???? E foi
justamente a professora que ele mais admira, na matéria que ele é melhor
na escola (Ciências). Isso, sim, traz a decepção, isso sim faz Bolsonaro
crescer, isso sim faz com que a população diga ‘ basta à ideologia do PT’.

Nesse caso, sobretudo em relação a uma criança de 12 anos, caberia a
parcimônia. Mas meu primo isso não é o geral. Eu também poderia
enumerar uma série de situações contrárias. Penso que precisamos ter
cuidados com esses exageros por parte de alguns professores (sobre
religião, por exemplo, há farturas de casos de intolerância), inclusive para
não criarmos proibicionismos, como é o caso da “Escola com Mordaça”.

OK. Vamos seguir com o que disse acima, mas que fique claro que não
sou a favor de certos assuntos e temas em todas as classes (idades).

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Por sorte o diálogo em nossa casa é aberto e nosso filho, que vc conhece,
tem já suas opiniões formadas, ou ao menos em construção. Porém esse
tipo de profissional não entende que nem todo lar é assim e é aí que
surgem os conflitos.

Sim.

OK

Importante apreender desses sentidos e significados, e com isso as compreensões a
respeito dos eleitores, é que a grande maioria de brasileiras e brasileiros que apoiam
Bolsonaro não são monstras e monstros, não são nazistas e nem pessoas perversas.
São pessoas comuns como qualquer outra. Para a grande maioria dos eleitores de
Bolsonaro o sentido e significado é de esperança, de renovação, de apostar
verdadeiramente em um Brasil menos violento, menos corrupto, com uma economia
melhor, com mais empregos. É bem verdade que não parece haver representações de
igualdade, de inclusão social, de estado de direito ou mesmo de direitos humanos em
um primeiro plano. É como se essas coisas ficassem muito abstratas e pouco
importantes diante de situações mais prementes, como a violência urbana e o
desemprego. Bolsonaro parece ter tido a capacidade de aproveitar a oportunidade e
criar os discursos, as narrativas, e gestos necessários para essas marcas coladas, essas
representações fortemente ancoradas.

Por outro lado, se os bolsonaristas (mesmo que momentâneos, porque esse fenômeno
pode ser uma onda) são pessoas comuns, amigas e amigos, parentes, educados,
genuinamente interessados pelo Brasil, por outro lado se identificam e reforçam a
representações que apontam para um mundo mais violento, intolerante e autoritário.
Sobre isso uma das mais importantes filósofas da contemporaneidade, Hannah Arendt,
se debruçou sobre a questão da banalização do mal. Arendt ficou intrigada como as
“pessoas de bem” foram capazes de cometer barbaridades em relação ao extermínio
em massa na segunda guerra mundial. Há, portanto, um perigo sério nesse momento
histórico que o Brasil vivencia. Tenho conversando com alguns eleitores de Bolsonaro,
pessoas que amo muito, por sinal, e elas asseveram que isso não vai acontecer e que,
se Bolsonaro “pisar na bola”, também cairá fora. Particularmente, sobretudo por conta
de experiências históricas, não vejo assim.

Primo, não existe esse mundo sem violência, sem barbárie, sem medos que
os socialistas escrevem. Portanto, ninguém que vota em Bolsonaro está
querendo mais violência, usurpação dos direitos humanos (não existem),
ou qualquer outra coisa absurda que relatam.

Há o socialismo romântico e há o mais realista. Acho até que o primeiro foi
completamente superado. Particularmente entendo que a violência é
constituidora do humano, mas ao mesmo tempo acredito que podemos
viver com menos violência e não precisamos de narrativas que a estimule.
Também vejo que uma boa parte dos bolsonistas não querem o derramar
de sangue. Claro!

Exato, não queremos mesmo, porém não queremos também um
presidente dizendo que vai dar induto a Lula, que vai pregar o
desencarceramento, etc., ou até mesmo aliados dizendo que entende a
lógica do assalto e que acha normal. Tenha paciência. Uma coisa é um
estudo psicológico, sociológico, sei lá, que justifique qualquer coisa,
porém um candidato não pode ter a irresponsabilidade de dizer isso ao
vivo, sendo que a violência é uma das grandes crises que estamos
vivendo.... Tudo tem limite. Entende que o PT também fala as asneiras,
semelhantes às de Bolsonaro???

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Já estamos vivendo tudo isso e de forma bem forte. Grande parte da culpa
disso é a passagem do governo do PT que não cuidou, não coibiu e não fez
quase nada para impedir a onda de violência que vivemos. Inclusive reflita
sobre os TRILHÕES saqueados do Brasil que poderiam ser revertidos em
programas de base e de educação, saneamento básico e geração de
empregos, que poderia diminuir a problemática atual.

A corrupção contribui com a violência, sem dúvida. E justamente, como
você apontou, porque o problema da violência no nosso País tem muito a
ver (não só essa causa) com as injustiças sociais, com a distribuição de
riquezas, etc. E sobre isso o PT, mesmo com seus possíveis erros, cumpriu
um papel importante em suas políticas sociais – verdade que poderia e
deveria ter feito muito mais.

Concordo com o escrito dos programas e com o início, porém depois
virou uma máquina de fraudes, de manobras de massa e outras coisas
mais.

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Uma verdade escrita é que a maioria esmagadora dos eleitores não são
monstros ou monstras. Inclusive muitas mulheres, né???? Essas que vão
perder os seus direitos e voltar a lavar pratos em casa por causa de seus
maridos machistas e bolsonarianos. Porra, Primo, isso é até engraçado,
mas bem trágico.

Veja, o tempo todo estou tentando mostrar no meu escrito que há grupos
diferentes em relação aos apoiadores de Bolsonaro (como há, certamente,
em relação aos de Haddad). A maioria é gente como você, ou seja, não são
monstros. Contudo, há pessoas que acreditam na violência e que o próprio
Bolsonaro incentivou isso. A questão, e o que me preocupa, é que
possivelmente não haja a concretização desses pavores pregados por
alguns que são contra o Bolsonaro. Porém, pode ser que sejam deflagradas
políticas que nada contribuam com a superação de certos problemas
crônicos brasileiros.

Primo, terão coisas boas e ruins. Eu tenho certeza disso. Só coisas boas,
será impossível.

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A mulher já conquistou seu espaço e isso tende a crescer. As diferenças
irão se equilibrar com o tempo. Votar em Bolsonaro não vai mudar minha
essência, não vai fazer com que eu espanque minha mulher, etc.

Você é um marido e um pai exemplar. Mas há riscos, pelo menos assim
vejo, de Bolsonaro, em suas políticas, nada contribuir para superação ou a
minimização do machismo, por exemplo.

Ok, ele vai se reposicionar sobre isso. Vai ser ‘formatado’ assim como
Lula foi e a tendência é que pare de falar besteira (Ele diz muitas
mesmo).

Este escrito, portanto, como anunciado lançou alguns olhares para as pessoas que
apoiam o projeto e a experiência Bolsonaro buscando compreender seus sentidos e
significados. Isso foi empreendido não para, simplesmente, contemplar, mas avançar
processos educativos, desenvolver autocríticas e estabelecer diálogos. Afinal, o
processo eleitoral é só uma batalha num campo de luta que tende a se esticar e com
as portas do imponderável abertas.

Petrolina-PE, 17 de outubro de 2018

Muito bom, mas só será útil se você mergulhar com seus alunos em uma
autocrítica do PT, seus erros, suas mazelas, sua forma antiga de fazer uma
extrema esquerda radical com um socialismo sem medida e um liberalismo
sem respeito ao próximo. Não há porque olhar de forma espantosa para o
crescimento do fenômeno Bolsonaro, querer entender ele, se não for feita
primeiro uma autocrítica ao PT. Como disse acima, Bolsonaro só existe com
a força atual, por causa do PT e sua ideologia. Caso não aceite e não reflita
isso, nunca entenderá e ficará lendo livros de história, com teorias e
formação de perfil neonazista, fascistas e outros, na tentativa de
compreender o que está bem simples de entender.

Já faço isso com meus alunos. Sempre busco ter uma abordagem crítica
dos fenômenos. Mas sobre o fenômeno Bolsonaro é da ordem do espanto
porque tem ressonância com outros fenômenos que ocorrem mundo
afora, que é a ascensão de narrativas neo nazista-fascista. Isto merece ser
seriamente abordado.

Não vá por essa linha não, pois corre o risco de ficar nos livros de
história apenas e se perderá do real motivo da ‘escolha’ de Bolsonaro.

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Seria bom que replicasse esses pensamentos em vermelho, para todos que
enviou o texto original. Só assim poderemos ser democráticos e termos a
possibilidade de uma real reflexão, sem a tutela e chancela do Professor
Marcelo Ribeiro. Caso o faça, peço que deixe anônimo o autor, pois não
quero atenção com o assunto.

Penso que seja uma boa ideia. Você pode ler como ficou e editar o que
achar necessário. Eu precisaria só contextualizar o leitor em relação ao
texto e as respostas. Mas repare que o próprio escrito já é um gesto de
reflexão crítica e compreensiva. Foi construído a partir de conversas onde
quis mostrar os sentidos e significados dos eleitores de Bolsonaro para sair,
justamente, dos estereótipos.

Perfeito, ratifico o que disse e não tenho nada a formatar e mudar não.
Peço apenas o anonimato.

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Entenda sua responsabilidade como escritor e professor. Você influencia
muito seus seguidores.

Desculpe a ortografia, as ideias não tão conexas como as suas e a pouca ou
quase nenhuma referência bibliográfica dos escritos. Não tenho a mesma
categoria que a sua escrita. Porém, o descrito é o sentimento de uma
enorme parte dos eleitores de Bolsonaro. Creio que seja isso de fato que
estava buscando entender, correto???

Salvador-BA, 18 de outubro de 2018

Meu primo, você escreveu super bem e soube expressar verdadeiramente
o que pensa e o que sente. Foi muito importante para mim essa
“conversa”. Você me ajudou a quebrar preconceitos, a chegar em suas
razões e fortalecer o diálogo, mesmo que tenhamos posições diferentes.
Lembra do que falei no comecinho sobre o ficcional diálogo entre um
chinês e um alemão conversando? Pois é... mesmo falando a partir dos
nossos mundos (olhares), quis dar uma atenção genuína e abertura para
ser tocado pela sua diferença. E foi isso... agora compreendo melhor, vejo
coisas que não via antes.

Remanso, 19 de outubro de 2018.

Meu Primo, meu irmão, meu amigo, obrigado pela experiência. Gostei
muito do debate, de lhe ouvir, de ser ouvido e de poder aqui lhe ajudar
a entender e também de poder ser entendido. Gosto muito de você e lhe
admiro muito. Parabéns!
Vai ficar tudo bem, acredite!

Salvador, 19 de outubro de 2018.