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Tradução: Silvie P.; C.

Ribeiro; Lih

Bitencourt; Nikinha; Cacau;

Thiengo; J. Ferreira

Revisão Inicial: Black Rose;

Nathycalassa; Mery L; Dom; E.

Botelho

Revisão Final: Paixão

Leitura Final: Anna Azulzinha

Formatação: Lola
SALVATORE
Eu assinei o contrato em minha frente, pressionando
com tanta força que o traço da minha assinatura deixou um
vinco na folha de papel. Eu soltei a caneta e deslizei o
contrato sobre a mesa, para ela.

Lucia.

Eu mal podia encontrar seu olhar quando ela levantou


seus grandes, inocentes e assustados olhos para os meus.

Ela olhou para eles, os documentos oficiais reunidos,


que a ligariam a mim. Que a fariam minha. Eu não tinha
certeza se ela estava lendo ou simplesmente olhando,
tentando entender o que aconteceu. O que foi decidido por
ela. Por nós dois.

Ela virou os olhos vermelhos para o pai. Eu não perdi as


perguntas que eu vi dentro deles. O apelo. A descrença.

Mas DeMarco manteve os olhos baixos, com a cabeça


inclinada em derrota. Ele não conseguia olhar para sua filha,
não depois do que assistiu.

Eu entendi aquilo, e eu odiava mais meu próprio pai por


ele tê-lo obrigado a fazer isso.
Lucia prendeu a respiração. Todos puderam ouvir ou fui
só eu? Eu vi a pulsação rápida em seu pescoço. Sua mão
tremeu quando ela pegou a caneta. Ela encontrou meu olhar
mais uma vez. Um apelo final? Eu a vi lutar contra as
lágrimas que ameaçavam derramar em suas bochechas já
coradas.

Eu não sabia o que eu senti ao vê-las. Porra, eu não


sabia o que eu sentia em relação a qualquer coisa.

— Assine.

A ordem do meu pai fez ela se virar. Eu assisti os


olhares deles colidirem.

— Nós não temos o dia todo.

Chamá-lo de dominador era um eufemismo. Ele era


alguém que fazia homens crescidos tremerem.

Mas ela não se intimidava.

— Assine, Lucia — seu pai disse calmamente.

Ela não olhou para ninguém depois disso. Ao invés, ela


colocou a caneta no papel e assinou seu nome, Lucia
Annalisa DeMarco, na linha pontilhada ao lado do meu. O
advogado da minha família selou as folhas, assim que ela
terminou, rapidamente pegando e saindo da sala.

Eu acho que era tudo oficial, então. Decidido. Feito.

Meu pai se levantou, me deu seu típico olhar de


desgosto, e saiu da sala. Dois de seus homens o seguiram.

— Você precisa de um minuto? — Eu perguntei a ela.


Será que ela queria se despedir de seu pai?
— Não.

Ela se recusou a olhar para ele ou para mim. Ao invés,


ela empurrou sua cadeira para trás e levantou, a saia branca
agora enrugada, caia sobre suas coxas. Ela pôs as mãos em
seus lados.

— Estou pronta.

Levantei e fiz um gesto a um dos homens que


esperavam. Ela caminhou à frente dele como se ele a
acompanhasse à sua execução. Olhei para o seu pai, depois
para a fria mesa de exame com as algemas de couro agora
entreabertas, inúteis, sua vítima liberada. A imagem do que
aconteceu lá apenas momentos antes, me envergonhou.

Mas poderia ter sido muito pior para ela.

Poderia ter sido da maneira que meu pai queria. Sua


crueldade não conhecia limites.

Ela tinha que me agradecer por salvá-la daquilo.

Então, por que eu ainda me sinto como um monstro?


Um animal? Um fantoche covarde patético?

Eu possuía Lucia DeMarco, mas o pensamento só me


deu nojo. Ela era o símbolo, o troféu vivo do triunfo de minha
família sobre a dela.

Saí da sala, acionei o elevador e fui até o saguão,


esvaziando meus olhos da emoção. Isso era uma coisa que eu
fazia bem.

Saí para a sufocante e barulhenta calçada de Manhattan


e subi no banco de trás do meu carro. O motorista sabia onde
me levar e vinte minutos depois eu entrei no bordel, para um
quarto na parte de trás, a imagem de Lucia deitada na mesa
de exame, atada, tentando se libertar, se recusando ver o
médico para examiná-la antes de declará-la intacta, ficará
gravado em minha memória para sempre.

Eu estava ao lado dela. Eu não olhei. Será que isso me


absolve? Significava algo?

Mas por que eu estava de pau duro, então?

Ela chorou baixinho. Eu vi as lágrimas escorrerem pelo


seu rosto e caírem no chão e eu desejei estar em qualquer
lugar, menos ali. Desejei não ouvir os sons, as palavras
degradantes de meu pai, suas respirações quietas enquanto
lutava para permanecer em silêncio.

Tudo isso enquanto eu estava ali, em pé.

Eu era um covarde. Um monstro. Porque quando eu


finalmente encontrei aqueles ardentes olhos de âmbar,
quando eu me atrevi mudar o meu olhar para o dela, nossos
olhos se fixaram, e eu vi o apelo silencioso dentro deles. Um
choro silencioso de ajuda.

Em desespero, ela procurou minha ajuda.

E eu olhei para longe.

O rosto de seu pai empalideceu, quando ele percebeu o


custo total do que ele acordou; o pagamento da dívida que ele
colocou sobre os ombros dela.

A vida dela pela dele. De todos eles.


O filho da puta egoísta não merecia viver. Ele deveria ter
morrido para protegê-la. Ele nunca, nunca, deveria ter
permitido que isso acontecesse.

Eu puxei a respiração com força, pesada e molhada, me


afogando.

Eu entornei minha bebida, bati de volta, e eu repeti.


Uísque era bom. Uísque entorpecia a cena que ficava
repetindo na minha cabeça. Mas ele não fez nada para acabar
com a imagem dos seus olhos nos meus. Seus aterrorizados,
olhos desesperados.

Eu joguei o copo, quebrando no canto. Uma das


prostitutas veio até mim, ajoelhou entre as minhas pernas
abertas, e tirou meu pau da calça. Seus lábios se moviam,
dizendo algo que eu não ouvi sobre a guerra feroz dentro da
minha cabeça, e tão fodido pode ser que ela enfiou meu pau
já duro em sua boca.

Agarrei um punhado de cabelo da vadia e fechei os


olhos, a deixando fazer o seu trabalho, me levando
profundamente em sua garganta. Mas eu não queria devagar,
não agora. Eu precisava de mais. Eu levantei, apertei meus
olhos fechados contra a imagem de Lucia naquela mesa, e
fodi a boca da puta até que ela engasgou e as lágrimas
escorriam pelo seu rosto. Até que eu finalmente gozei,
fazendo engolir, a liberação sexual, como o uísque, não me
deu nada. Não havia sexo ou álcool suficiente no mundo para
apagar essa imagem particular de Lucia da minha mente,
mas talvez eu merecesse. Merecia a culpa. Eu deveria criar
coragem assumir a culpa. Eu permiti que tudo isso
acontecesse, afinal de contas. Eu estava lá e não fiz nada.

E agora, ela era minha, e eu era dela.

Seu próprio monstro.


LUCIA
CINCO ANOS DEPOIS

CALABRIA, ITÁLIA

A última vez que eu andei pelo corredor desta catedral


foi na minha Crisma. Eu ainda era uma criança. Usei um
vestido branco bonito, e minha mãe enrolou um rosário entre
os meus dedos, ligando as minhas mãos em oração.

Eu não orei, embora. Ao invés, eu pensava em como eu


estava no meu vestido. Como eu era a mais bonita de todas
as meninas. Como eu era a mais bonita.

Hoje, eu usava preto. E eu já não me importava quem


era o mais bonito. Hoje, eu segui o caixão de meu pai à frente
da igreja.

O véu preto escondia o meu rosto, para que eu pudesse


estar em público sem que todos ficassem me olhando. Os
bancos estavam vazios, até às filas da frente, onde dez foram
ocupados. Quinze carpideiras no lado direito, o lado da
minha família. O dobro no lado esquerdo. Será que soldados
contam como carpideiras? Porque foi isso que os Benedetti
trouxeram.

Eu olhei e ignorei cada um dos quinze rostos que


ousaram demonstrar apoio. Meu pai não tinha muitos
amigos. Na verdade, dos quinze que estavam ali, dois eram
seus irmãos, meus tios, e uma, sua irmã. Os outros doze
eram da Família. Apenas as mulheres estavam sentadas nos
bancos. Meus primos carregavam o caixão do meu pai.

À medida que a procissão se aproximava do banco da


frente, eu me preparei para o momento em que eu veria o
rosto dele. O rosto do homem que, há cinco anos atrás,
sentou perto de mim em uma sala fria e estéril e assinou um
contrato, que declarava que eu era propriedade dele. Um
voto, como um voto de casamento, talvez. Mas as palavras
carinho e amor estavam ausentes nas páginas; tomar e
manter tomaram seu lugar.

Não, nós tínhamos um tipo diferente de contrato. A


minha vida para poupar a minha família. Eu era o sacrifício,
a pagadora da dívida. Eu mostrei a qualquer um da família
DeMarco, que toda aquela luta deixou a Benedetti sua filha
como propriedade. A princesa, DeMarco pertencia aos
Benedetti.

Eu odeio os Benedetti. Eu odeio cada um deles.

A procissão parou. Minha irmã, Isabella, estava perto o


suficiente atrás de mim, tanto que eu pude senti-la ali. Pelo
menos ela não estava chorando. Pelo menos ela sabia não
mostrar fraqueza. Na verdade, ela não emitiu qualquer som
que fosse.

Vendo ela hoje, isso me surpreendeu.

Ver a minha sobrinha, Effie, pela primeira vez, hoje,


apertou meu coração. Eu me lembrei de outra coisa que foi
tirada de mim.

Meus primos colocaram o caixão em cima da mesa.


Seria um velório com o caixão fechado. Ele arrebentou a
metade da cabeça quando deu um tiro na boca.

Meus primos se viraram para mim. Apenas Luke, que


era o filho adotivo do meu tio, olhou além de mim. Parou seu
olhar na minha irmã. Seus olhos eram de um azul pálido, seu
olhar era macio, eu me lembrava da nossa infância. Agora
endureceu como aço. Eu assisti, desejando que eu pudesse
olhar para trás, para minha irmã, ver o que seus olhos
diziam. Mas então seu olhar se desviou para mim. Ele parecia
muito diferente do garoto que cresceu comigo. Mas ele estava
muito diferente ou se transformou ao longo dos últimos cinco
anos. Todos nós mudamos muito. Através do véu protegendo
meu rosto, eu encontrei seus olhos. Ele conseguia ver a raiva
fervendo dentro de mim? Ele me deu um rápido e curto aceno
de cabeça. Uma confirmação. Gostaria de saber se alguém
viu. Ele poderia morrer por isso. A Benedetti não faz
prisioneiros. Bem, a não ser eu. Mas eu sou uma mulher. O
que eu poderia fazer?

Eles veriam.
Um homem alcançou a minha visão periférica e limpou
a garganta. Eu sabia quem era. Levantando direito, me
preparando, eu forcei o meu coração parar de bater
freneticamente e me virei para ele.

Salvatore Benedetti.

Engoli em seco quando meu olhar viajou da gravata de


seda preta que ele usava para cima. Eu me lembrei dele.
Embora apenas tenhamos nos encontrado uma vez antes, eu
me lembrei claramente. O terno, porém, parecia mais justo
sobre os músculos agora, com o peito mais firme, os braços
mais grossos. Forcei meu olhar mais para cima, fazendo uma
pausa em seu pescoço, desejando acalmar minha respiração.

Eu não podia demonstrar fraqueza. Eu não podia


demonstrar medo. Mas naquele dia, quando eles me forçaram
naquela mesa, eu ainda estremeço quando me lembro do frio
que sentira contra minhas coxas nuas e ele não falou nada.
Nem uma única palavra. Ele olhou para mim, assistiu minha
luta para me manter quieta enquanto passava pela maior
vergonha da minha vida.

Mas eu também lembrei de outra coisa, e isso me deu a


coragem de levantar os olhos para ele. Ele se virou em
primeiro lugar. Ele não foi capaz de olhar para mim? De
testemunhar a minha degradação? Ou ele não podia suportar
a ideia que eu o enxergasse pelo monstro que ele era?

Nossas famílias decidiram. Eu não tive escolha. Me


perguntei por um momento se ele tinha, mas eu não acredito
nisso. Não importava. Salvatore Benedetti um dia governaria
a família Benedetti. Ele seria o Chefe. Ele se tornaria o que eu
jurei destruir cinco anos atrás.

Eu escondi qualquer emoção quando encontrei o seu


olhar. Eu aprendi a esconder bem meus sentimentos ao longo
dos últimos anos. Mas, meu coração parou por um único
momento. Tudo parecia estar como se espera. Algo vibrou
dentro de mim quando os olhos azul-cobalto encontraram os
meus.

Eram suaves.

Lembrei de como eu pensei, há cinco anos, que também


eram. Como, por apenas um breve momento naquele dia
terrível, eu pensei que havia esperança. Que ele pararia o que
estava acontecendo. Mas eu estava errada. Qualquer
suavidade ali era uma ilusão. Ele se escondeu atrás do
monstro insensível, pronto para assumir.

Eu preciso me lembrar disso, para não permitir que eu


seja enganada.

Salvatore piscou e se afastou, gesticulando para eu


sentar no banco. Seu pai e seu irmão ficaram me observando,
a expressão de seu pai gritando vitória. Ele me deu um
sorriso cruel e estendeu a mão para o espaço ao lado dele. Eu
movi minhas pernas de alguma forma, conseguindo esconder
como eu tremia por dentro.

Eu transformaria esse medo em ódio. E eu faria isso


rápido.

Eu ainda precisaria disso para sobreviver ao que estava


reservado para mim. Eu tinha apenas dezesseis anos quando
fui obrigada a assinar aquele maldito contrato e sabia bem o
verdadeiro terror do que aquilo significava e estava prestes a
começar.

Eu sentei ao lado de seu pai. Salvatore se sentou à


minha direita. Eu tinha a sensação de que ele tomou o maior
cuidado para não me tocar como eu fiz para não tocar ele ou
seu pai. Eu não me virei para olhar para a minha irmã
quando ela foi levada a um banco do outro lado do corredor.
Eu não prestei atenção aos soldados Benedetti que estavam
espalhados por toda a igreja, assim como eu ignorei qualquer
outro soldado do exército do Benedetti que estavam
posicionados do lado de fora. Ao invés, eu assisti Padre
Sansão. Ele já era velho quando eu fiz a minha Crisma. Agora
ele parecia um ancião.

Ele abençoou o meu pai, apesar de ele ter tirado sua


própria vida. Ele orou por sua alma. Depois de todo esse
tempo, eu não acho que eu me importava mais. Mas que
aquele gesto de bondade me trouxe um pouco de conforto.

Ninguém chorou. Como é estranho ninguém chorar em


um funeral. Isso me impressionou, e me senti mal.

O funeral terminou uma hora mais tarde. Meus primos


mais uma vez circularam o caixão e o levantaram. Quando
passaram por nós, Salvatore se levantou do banco. Ele
esperou por mim para seguir adiante, e me levantei,
endurecendo quando senti o leve toque de sua mão na parte
inferior das minhas costas. Ele deve ter sentido minha
hesitação porque logo ele tirou a mão. Nós emergimos da
escuridão de dentro da igreja para a praça, o sol italiano
brilhante momentaneamente me cegando. Meu pai seria
enterrado na Calábria. Era seu desejo, ser enterrado onde
nasceu. Tanto os Benedetti e os DeMarco eram bem
conhecidos aqui, e por uma vez, eu estava grata pelos
soldados terem mantido a imprensa na baía, e, ainda assim
as câmeras capturavam tudo de longe, clicando tudo em
rápida sucessão.

Eu estava ao lado e vi como eles colocaram o caixão


dentro do carro fúnebre, esperando. Os Benedetti estavam me
ladeando e Salvatore estava perto demais para o meu gosto.
Um tumulto chamou minha atenção, e vi quando a garotinha
de quatro anos de idade, Effie, escapou das garras de sua
babá e correu para sua mãe, minha irmã, e abraçou as
pernas de Isabella. Todos nós, nos viramos, na verdade, e eu
escolhi aquele momento para me afastar dos Benedetti e
caminhei em direção a minha família.

— Lucia.

Isabella me cumprimentou, com os olhos avermelhados,


as bochechas secas. Ela parecia diferente da última vez que
eu a vi. Ela parecia mais forte. Mais velha do que seus vinte e
dois anos.

Ela levou um momento para olhar para mim, para


entender como cinco anos fizeram a diferença entre a menina
de dezesseis anos de idade, que ela conheceu e a mulher que
estava diante dela agora. Ela então me surpreendeu ao me
puxar para um abraço apertado.
— Eu senti tanto sua falta.

Deixei escapar algum som, e por um momento, permiti


me entregar ao seu abraço. Nós estivemos tão perto por tanto
tempo, mas depois ela me deixou. Ela virou as costas para
mim e se afastou. Eu sabia o porquê e entendia. Mas doía
mesmo assim, e minha raiva sobre tudo o que envolvia este
mundinho de puro ódio que eu criei para mim, aumentou.

O pensamento de que deveria ter sido ela, que teria sido


ela, veio até mim, mesmo querendo que ele fosse embora. Não
era culpa dela. Nada disso foi culpa dela. Na verdade, ela era
a única que não era culpada.

— Mama —, eu ouvi a voz de Effie.

Isabella soltou seu abraço, mas apertou meus braços


como se quisesse me abraçar com força. Ela viu minha
fraqueza naquele momento? Conseguia ver o meu medo?

— Mama —, Effie repetiu com toda a impaciência de


uma criança, puxando a saia de Isabella. Isabella a pegou
nos braços.

— Por que você voltou? —, Perguntei, com minha voz


soando alheia. Fria.

— Por que agora? — Era isso ou me despedaçar, e a


segunda não era uma opção.

Ela pareceu surpresa. Sua filha me observava enquanto


eu tentava não olhar para ela. Era impossível, no entanto.
Aqueles bonitos olhos azul— acinzentados me observavam,
parecendo ver através de mim. Eu me perguntei se eles eram
parecidos com o de seu pai, mas Isabella sempre se recusou a
dizer quem era.

— Esta é Effie —, disse Isabella, optando por ignorar a


minha pergunta.

— Effie, esta é a sua tia Lucia.

Effie me estudou por um longo momento, então me deu


um sorriso rápido, uma pequena covinha se formou em sua
bochecha direita quando ela sorriu.

— Oi, Effie —, eu disse, tocando seu cabelo


encaracolado cor de caramelo.

— Oi.

— Por que você voltou? —, Perguntei novamente.

Eu senti tanta raiva, e eu queria queimar todos com


ela. Todos que me abandonaram. Que me deixaram pra trás
tão facilmente.

— Porque eu nunca deveria ter saído. Me perdoe. —


Ela olhou para o carro fúnebre.

— A vida é muito curta.

Eu sabia que ela não teve escolha. Quando meu pai


descobriu que ela estava grávida, ele surtou. A filha
primogênita do chefe da família DeMarco grávida e solteira.
Tão moderna quanto a minha família era, havia algumas
coisas que não mudariam. Ainda me pergunto se meu pai se
arrependeu de suas decisões. Elas custaram duas filhas.

Mas, novamente, isso não parecia ser sacrifício algum.


Se ele tivesse um filho, talvez as coisas fossem diferentes.
— Eu vejo você na próxima semana.

— Por quê? Por que se preocupa agora?

Ela levantou o queixo, um gesto teimoso que eu me


lembrava de quando éramos pequenas.

O som de um escapamento de carro nos assustou. Os


soldados que circundavam a praça sacaram suas armas até
que perceberam que não havia ameaça. Porém, antes de me
voltar para ela, notei Salvatore, que também estava em seu
carro, colocar de volta uma pistola de metal brilhante no
coldre debaixo de sua jaqueta.

Eles eram homens violentos. Homens acostumados a


matar. Era parte da vida, parte dos negócios. Mesmo
crescendo nesse mundo, ele ainda me fazia estremecer.

Salvatore desviou o olhar para mim. Desta distância eu


não podia ver seus olhos, mas ele me observou por um
tempo, em pé ao lado do sedan, pronto para nos levar para o
cemitério.

— Eu tenho que ir.

— Lucia —, minha irmã começou, desta vez pegando a


minha mão. A dela estava quente e macia. Isso me fez querer
chorar por tudo o que eu perdi.

— O quê? — Eu rebati.

Eu não podia chorar. E eu não iria. Não aqui.

— Seja forte. Você não está sozinha.

— Sério? — Eu puxei minha mão livre.


— Essa seria a primeira vez.

Os olhos dela brilharam de raiva. Será que ela queria me


bater? Eu me perguntava. Ela iria? Salvatore permitiria que
ela fizesse? Por um momento, eu imaginei ele vindo em meu
socorro, depois punindo minha irmã por colocar a mão em
mim. Mas, em seguida, me lembrei de quem eu era. Quem ele
era. O que eu era para ele.

— Eu tenho que ir.

Eu dei um passo para trás. Os olhos de Isabella se


encheram de lágrimas, tristeza substituindo a raiva
momentânea, e me afastei.

Não mostrar nenhuma fraqueza. Não tão perto dela.

Eu encarei Salvatore, o homem que me possuía.


Certamente o contrato que assinei não seria discutido em um
tribunal de justiça, mas não era o contrato que ditava a
minha vida. Eu sabia o que aconteceria se eu não fizesse
como me foi dito. Eu sabia quem pagaria.

Eu olhei para Isabella e sua filha novamente depois para


os meus tios, tias e primos.

Não, eles não precisariam de um tribunal de justiça


para garantir que eu cooperaria. O contrato era simplesmente
uma forma de humilhação, assim como o exame foi.

Não. Bloqueie essa memória. Eu não a teria.

Salvatore endireitou sua postura, ficou de pé ficava


quase trinta centímetros mais alto do que eu em seus um
metro e noventa e seis e abriu a porta do sedan. Mesmo do
outro lado da praça, eu podia ver que ele esperava
pacientemente, e eu pensei que ele estava tentando ser
civilizado, educado. Por causa dos repórteres reunidos?
Certamente não por minha causa. Eu me perguntei por um
momento, se ele queria isso. Se ele me queria assim, sabendo
que não era a minha vontade.

Mas, novamente, proprietária de outra pessoa? Isso teve


que ser uma decisão importante.

Olhei para trás mais uma vez para Isabella. Eu não


poderia ajudá-la. Durante os últimos cinco anos, eu estava
trancada em um internato. Eu vivia em Santa Maria e recebia
aulas particulares para ganhar meu diploma do ensino médio
antes, sem frequentar o pequeno colégio de lá, estudando,
com só um objetivo. Mas agora, era hora de entrar na cova do
lobo. Minha educação estava completa, e era hora de assumir
o meu lugar como a propriedade de Salvatore Benedetti. Por
um momento, eu tentei imaginar que não era verdade. Que
era tudo um sonho, um pesadelo. Que eu olharia para a
minha irmã mais velha e sabendo que ela faria tudo ficar
bem, como ela sempre fazia. Só por um momento, e então eu
seria capaz de fazer isso. Ir de encontro com meu inimigo,
entrar em sua casa, sabendo que eu seria uma intrusa para
sempre. Eu odiava isso. Minha presença seria como um
troféu de sua vitória sobre o meu pai, a minha família.

O que Salvatore espera de mim?

Eu me preparei e o encarei determinada a manter seu


olhar enquanto eu atravessava a praça. Olhos ardiam em
minhas costas, e a multidão silenciou, me observando ir até
ele. Ele não sorriu quando me aproximei. Nada mudou. Seu
rosto parecia estar esculpido em pedra. Eu cheguei até ele e
parei apenas alguns centímetros dele, os nossos olhares fixos
um no outro.

— Lucia

Salvatore disse meu nome, com sua voz baixa e obscura,


me fazendo estremecer.

Eu não sabia o que dizer, mesmo que eu tivesse repetido


este momento em minha mente por meses. Anos. Agora, eu
simplesmente estava muda.

Mas, então, seu pai, Franco Benedetti, chefe de família e


um homem que eu completamente desprezava, se aproximou.
Ele nem tentou esconder seu prazer com a situação.

Limpei a garganta, finalmente encontrando a minha voz.

— Por que você está aqui? Você não tem direito. — Eu


ouvi a minha pergunta, sabia que era a mesma que eu fiz a
minha irmã.

— Eu vim para dar as minhas condolências.

Franco se inclinou, olhando em volta como se fôssemos


algum tipo de conspiradores.

— Na verdade, — ele começou, com um tom de voz mais


baixo,

— Eu não perderia por nada no mundo.

Eu não pensei. Eu não fiz nada, mas senti a raiva, a


raiva borbulhando dentro de mim. Minhas mãos se
apertaram em punhos, e eu cuspi em seu sapato. Só que ele
se moveu no último momento, e eu errei. Quando olhei para
cima, o rosto de Salvatore estampou o seu choque e Franco
estava vermelho, demonstrando sua fúria. Embora eu
mantivesse minha postura, meu coração explodia contra o
meu peito. Eu não tinha certeza que ele não me bateu.
Merda, entre isso e a minha conversa com a Isabella, isso é o
que eu faria.

Salvatore agarrou meu braço.

— Peça desculpas.

— Não —, eu respondi, com meus olhos fixos nos olhos


negros de seu pai.

Dominic, irmão de Salvatore, que ficou observando de


alguns metros de distância, se aproximou. Ele tinha um
sorriso em seu rosto quando ele colocou o braço em volta dos
ombros de seu pai. Salvatore ficou tenso ao meu lado.

— Estamos recebendo alguma atenção. Vamos, Paps.


Vamos.

Eu encontrei o olhar de Dominic, e eu poderia jurar que


ele estava apreciando o espetáculo.

— Peça desculpas —. As mãos de Salvatore apertaram


em torno de meu braço.

Inclinei a cabeça para o lado.

— Me desculpe, eu errei —, eu disse, com um sorriso se


espalhando por todo o meu rosto.
As sobrancelhas de Dominic subiram, e Salvatore
murmurou uma maldição sob sua respiração.

— Vamos, — Dominic disse quando eu pensei que seu


pai iria explodir.

— Para dentro do carro —. A outra mão de Salvatore


agarrou minha cintura enquanto ele me empurrou para
dentro do sedan.

— Tire as mãos de mim —, eu disse, tentando me


esquivar de seu toque.

Ele se sentou ao meu lado e puxou a porta do carro. O


motorista ligou o motor. Salvatore colocou suas mãos sobre o
meu joelho, seus olhos me perfurando.

— Isso foi uma coisa muito estúpida de se fazer. — Os


dedos dele cravando em minha carne.

Eu não tinha nada a dizer. Na verdade, tudo o que eu


conseguia fazer era tremer violentamente. Eu me abracei.

— Abaixe o ar condicionado —, disse ao motorista, seu


olhar ainda preso em mim.

Eu desejei que fosse o frio que me fazia tremer.

— Sim, senhor —, disse o motorista.

Estar tão perto, vê-lo novamente, era muito, e muito


intenso. Ele trouxe muitas memórias de volta e previu um
futuro que eu não queria.

— Você está me machucando.


Salvatore piscou, como se processasse cada palavra que
eu falei, uma de cada vez. Ele olhou para onde sua mão
agarrava o meu joelho. Prendi a respiração, me sentindo
impotente, sabendo que eu estava inteiramente à sua mercê.

Saber isto foi apenas o começo do meu inferno.


SALVATORE
Eu olhei para baixo onde eu a segurava, o quão forte
meus dedos estavam apertando. Com algum esforço a soltei e
encostei de volta no banco, com meu olhar ainda sobre ela,
sobre esta estranha rebelde e corajosa.

Corajosa. Lucia foi corajosa.

Ela também era uma desconhecida.

Eu não sabia nada sobre ela. Apenas o seu nome, seu


rosto e tinha sua assinatura em um maldito pedaço de papel.

Eu nunca vi uma mulher se levantar para o meu pai


assim. Eu nunca vi um homem o fazer. Aliás, devo dizer,
quando eu vi, foi a última vez que eu vi que o homem vivo.

Olhei pela janela da frente.

— Não hostilize meu pai. Ele sempre vence.

— Todo mundo perde algum dia. — Ela virou e cruzou


os braços sobre o peito, olhando as ruas passando enquanto
seguíamos para o cemitério.

O véu negro de seu chapéu protegeu seu rosto de mim


na igreja, mas ela tinha olhos cor de uísque, brilhantes,
fortes, bravos. Muito bravos. Eu me recusei a deixar que a
imagem de como aqueles olhos olharam para mim da última
vez que os vi ocupasse a minha mente. Eu só conheceria esta
nova Lucia, furiosa.

Esta que eu precisava de controlar.

Sua conversa com sua irmã foi difícil. Eu vi mesmo à


distância no pátio. Eu sabia que ela não viu sua irmã ou seu
pai, nem mesmo uma única vez, nos últimos cinco anos. No
dia em que ela assinou o contrato, ela foi mandada para o
internato para terminar seus estudos. Era um internato
católico só para meninas, o ano inteiro, escolhido por meu
pai. A pequena instituição estava escondida nos subúrbios da
Filadélfia, onde ela vivia confortavelmente, sob estrita
supervisão. Seus movimentos foram monitorados, e pelo
menos um guarda-costas a acompanhava onde quer que ela
fosse. Eu tinha atualizações mensais sobre suas rotinas, e
sua família não a visitou nenhuma vez. Bem, seu pai tentou,
mas ela se recusou a vê-lo. Ela dispensou as férias na escola.

Olhei para ela, me perguntando se ela se arrependeu


disso agora.

— Sinto muito pela sua perda.

Seu corpo ficou tenso, e o único sinal de que ela poderia


estar chorando foi quando ela passou a mão no rosto,
fingindo arranhá-lo para depois passa-la sob seus olhos.

— Você sente? —, perguntou ela, com a voz tensa, seu


rosto ainda virado para a janela.

— Eu sei o que é perder alguém próximo —. Eu sabia o


que eu estava dizendo, na verdade.
Meu irmão, Sérgio, foi meu melhor amigo. Nunca, nem
mesmo no mundo em que vivíamos, me ocorreu que ele
poderia morrer. Minha mãe faleceu logo após. A morte dela,
felizmente, não tão violenta quanto a de Sérgio. Embora o
câncer tenha o seu próprio tipo de violência, apaga uma vida
de forma tão eficiente quanto uma bala faz.

Ela se virou para mim e levantou o véu, colocando atrás


do pequeno chapéu encaixado no topo de sua cabeça. Ela
estava deslumbrante. Quando eu a conheci pessoalmente, ela
tinha dezesseis anos. Ela já era linda, mas agora, cinco anos
depois, ela não era mais uma criança. Suas feições afinaram,
seus lábios estavam mais cheios, as maçãs do rosto ainda
mais proeminentes. Seus olhos... ainda mais acusadores.

Ela me estudou, uma leitura lenta e constante da


cabeça aos pés. Quando seu olhar encontrou o meu, eu
engoli, incerto. A incerteza não era um sentimento novo para
mim. Eu vivi com ela diariamente. Mas isso? Isso era novo,
isso era algo e eu sabia que era para qualquer um.

O dia em que eu assinei o contrato, o dia em que eu


estive ali de pé e permiti que ela fosse humilhada, algo
aconteceu comigo, algum compromisso se formou, algum
vínculo entre nós. Talvez fosse a aversão que sentia por mim
mesmo por ter ficado parado e deixado aquilo acontecer. Na
época, eu disse a mim mesmo, que eu não tinha escolha, mas
eu tentei não mentir para mim. Não mais. Depois daquele
dia, algo mudou. Eu devia algo. O que era, eu não sabia. Uma
desculpa? Parecia estúpido, um desperdício. Minha proteção?
Ela já tinha. Mas ela era minha inimiga e o despojo de
guerra. Meu pai tentou muito enfiar isso na minha cabeça,
mas ele não viu aquele olhar em seus olhos, o desespero, o
apelo aterrorizado dentro deles e ele não o vê cada vez que
deita a cabeça no travesseiro para dormir.

Gostaria de saber se meu pai perdeu o sono por alguma


coisa, na verdade.

Você tinha vinte e quatro anos. O que poderia ter feito?

Não, não é bom o suficiente. Não mais.

— Você sabe o que é perder alguém próximo? — Seu


tom transbordava sarcasmo.

— Meu pai e eu não éramos próximos.

Estudei ela, sentindo meu rosto comprimir, meus olhos


estreitando infinitamente.

Eu não falei.

— Mas me deixe te perguntar uma coisa. Você sabe o


que é gostar de ver as pessoas que você ama mortas diante de
seus olhos?

Eu sabia, mas ainda assim, eu permaneci em silêncio.

— Ter todos tirados de você? Para se tornar a


propriedade de seu inimigo?

Ah sim. Sim eu sabia.

— Ser enviado para viver sozinha entre estranhos, sem


nenhum amigo no mundo? Sob vigilância constante. Eu não
acho que você saiba essas coisas, Salvatore, porque se você
soubesse, você se sentiria. Você teria um pouco de
compaixão. Seria humano. — Ela me deu outro olhar
avaliador.

— Mas há uma coisa que você sabe, não é? Você sabe


como ficar parado e não fazer nada.

Minhas mãos se apertaram em punhos, e de repente, a


fúria queimou dentro de mim. Eu vi o motorista nos olhar
rapidamente através do espelho retrovisor, mas ele continuou
dirigindo, desacelerando à medida que atravessamos os
portões do cemitério.

— Tenha cuidado, — eu avisei, meu tom de voz baixo e


calmo. Mas era verdade, não era? O que ela disse era
verdade.

Os olhos de Lúcia se estreitaram, e ela inclinou a cabeça


para o lado, um canto de sua boca subindo em um meio-
sorriso.

— Será que o papai te deu o selo de aprovação naquele


dia? Deu tapinhas nas suas costas mais tarde? Te chamou de
bom menino? —, ela provocou.

Minhas unhas cravaram em minhas mãos, e eu olhei


para um ponto fora da janela enquanto o motorista
estacionava o carro.

— É isso, Salvatore?

Ela entendeu mal meu silêncio, confundindo-a com


fraqueza.

O motorista desligou o motor.

— Nos dê um minuto —, eu disse.


Ele saiu do carro, fechou a porta e ficou de pé do lado de
fora.

Virei para ela.

— Você é o pequeno fantoche do papai? —, perguntou


ela.

Seus olhos vomitavam ódio. Será que ela sabe que


cruzou uma linha muito perigosa? Que ela disse uma verdade
que eu lutei contra constantemente nos últimos anos?

Eu bufei rapidamente e relaxei meu corpo, sorrindo,


inclinando um pouco mais perto. Eu podia ver sua pulsação
em seu pescoço, me dizendo que seu coração batia forte, me
dizendo que por dentro, ela não tinha tanta confiança.

— Lucia. — Eu disse suavemente, levantando minha


mão.

Seu olhar foi para minha mão, e então de volta para os


meus olhos.

Eu toquei o rosto com as costas dos meus dedos,


acariciando a pele suave e cremosa.

— Tão linda —, eu disse, meus olhos em seus lábios


quando eu agarrei seu queixo.

— Mas com uma boca tão grande.

Ela engoliu em seco, arregalando os olhos.

Inclinei perto o suficiente para sentir seu perfume, algo


macio e leve e de alguma forma, mesmo agora, erótico. Eu
respirei fundo antes de puxá-la para mim, meus olhos ainda
sobre os lábios. Ela prendeu a respiração.
— Tão, tão bonita. — Minha outra mão viajou para o seu
peito, para a suave ondulação de um seio, descansando em
seu coração batendo. Ela sabia que eu sabia que eu a
afetava.

Virei o rosto para o lado, esfregando sua nuca com meu


queixo antes de levar minha boca para sua orelha.

— Tenha cuidado —, eu sussurrei, a sentindo


estremecer quando passei minha língua sobre a ponta de sua
orelha antes de deslizar para dentro.

Ela engasgou. Colocou as mãos em meu peito, mas ela


não me empurrou.

— Quando você tenta morder o lobo, — eu disse, — ele


pode morder de volta.

E para terminar, tomei o lóbulo de sua orelha em minha


boca e gentilmente arrastei os dentes sobre ele, puxando. Sob
a mão que descansava contra seu coração, estava seu mamilo
endurecido.

Um momento depois, eu a soltei e recostei, vitorioso.


Bati meu anel contra a janela, distraído olhando para o
brasão da família. O motorista abriu a porta.

— Vamos colocar o seu pai no chão, — eu disse, saindo.


Ela apareceu um momento depois, o véu de seu chapéu de
volta no lugar. Eu abotoei meu casaco.

— Tá abafado para caralho aqui. — Fiz um gesto para


ela ir na frente. Ela o fez, se recusando a encontrar o meu
olhar ou fazer um comentário. Eu sorri, marcando um ponto
para mim e selando minha vitória nesta rodada.

Nós ficamos na casa da minha família em Calábria,


compartilhando a sala de estar tendo um quarto para cada
um de nós. Nosso voo para Nova Jersey sairá no dia seguinte.
Lucia se mudaria para minha casa amanhã. Ela terminou
seus estudos, se formou com honras, e agora que ela tinha
vinte e um anos, era hora de eu tomar posse dela.

Uma batida na porta anunciou a entrega de jantar.


Como uma gentileza, eu pedi a nossa refeição no nosso
quarto em vez de fazê-la comer com minha família. Eu não
sabia pôr a mesa na sala de estar. O cheiro da comida fez o
meu estômago roncar. Eu bati na porta do quarto de Lúcia.
Eu não a forçaria a partilhar a minha cama. Ainda não.

— O jantar está pronto —, eu disse através da porta.

— Eu não estou com fome —, ela respondeu. — Eu já


disse isso.

— Você precisa comer. Não comeu nada o dia todo.

— O que você é, a minha mãe?

— Abra a porta, Lucia.

— Vá embora, Salvatore.

— Eu peço só uma vez.


— E o que? Você vai soprar e soprar e soprar, e vai
derrubar a minha porta? Não é isso que o lobo-mau faz?

Eu sorri. Sagaz.

Mas eu era mais.

Enfiei a chave na fechadura e abri a porta. Ela suspirou,


voltando para onde estava sentada na penteadeira.

— Não há necessidade de eu me cansar tanto. Eu tenho


a chave. É a minha casa. — Eu estendi para que ela visse
antes de colocá-la em meu bolso.

Mesmo com ar-condicionado, os quartos estavam


quentes, e seu quarto ainda mais. Eu tirei o casaco pesado e
gravata que eu estava usando antes, e agora eu desabotoei
alguns botões de cima da minha camisa.

— Você quer dizer a casa do seu pai, — ela incitou.

Ela já sabia o que dizer para me provocar.

Forcei um sorriso irônico e fui para a mala dela,


abrindo. Depois de vasculhar suas coisas, eu encontrei um
par de lingerie de renda e levantei para ela.

— Não toque em minhas coisas! Saia! — Ela se lançou


para tirar a calcinha da minha mão.

Eu a levantei acima da minha cabeça e fora de seu


alcance, realmente sorrindo agora.

— O jantar está pronto.

— Você é um teimoso filho da puta!


Ela saltou para alcançar a pequena peça de renda nas
minhas mãos. Dei um passo para trás e baixei,
inspecionando a coisinha rosa.

— Bonita.

— Vá se ferrar!

Eu permiti que ela a agarrasse neste momento, e ela


jogou-a em sua mala e tentou fechá-la. Com um suspiro, eu a
peguei pelos braços e virei-a, segurando-a para que eu
pudesse olhar para ela e ela para mim.

— Me solta!

Ela trocou de roupa para uma camisola, uma simples


longa, quase puro algodão, branca, que atingia um pouco
acima dos joelhos. Ela não usava sutiã, e seus seios
pequenos, redondos incharam sob o tecido fino, os mamilos
escuros pressionando a camisola.

— Você terminou a escola, e tem vinte e um agora,


Lucia. Você conhece o contrato. Você vai morar comigo. Você
pertence a mim, gostando disso ou não, você vai fazer o que
eu disser.

— Oh! — Ela fez uma cara de incrédula. — Oh! Eu vou


fazer o que você disser?

— Sim.

— Ou o que?

Ela tentou se libertar do meu aperto, mas eu a sacudi


uma vez, segurando com mais força. Seus dedos se curvaram
ao redor do tecido da minha camisa.
— Tantas opções —, eu disse, descendo lentamente o
olhar para seus seios enquanto afastava uma mecha grossa
de cabelo sobre o ombro.

— Tantas possibilidades.

Antes eu virei meu olhar até o dela, ela levantou o braço


em uma tentativa de me bater. Meu aperto endureceu, e eu a
joguei na cama. Antes que ela pudesse se endireitar, subi
nela e agarrei seus pulsos. Eles eram pequenos, delicados e
vulneráveis. Arrastei um para cada lado dela, prendendo com
o meu peso, meu olhar desliza para baixo sobre os montes de
seus seios, para onde sua camisola subia em sua coxa,
expondo calcinha de renda branca.

Ela gostava de renda.

Eu gostava de renda.

Na verdade, eu lamberia sua boceta através dessa


renda.

Meu pau endureceu. Lucia ficou imóvel, os olhos


arregalados para minha virilha por um momento antes que
eles encontraram os meus.

A diversão subitamente acabou para mim. Eu a soltei.

— Não torne isso mais difícil do que já é —, eu disse,


saindo da cama, virando as costas para ela
momentaneamente, ajustando as minhas calças.

— Como isso é difícil para você? Eu sou a única cujo


pai nós enterramos na porra do chão. Eu sou a única que
perdeu tudo. Eu sou a única que paga quando eu não tinha
nada a ver com qualquer coisa!

Sua mão tremia quando ela enxugou as lágrimas que


escorriam pelo seu rosto. Ela olhou para mim com os olhos
inchados, vermelhos, e eu percebi que ela provavelmente
chorou.

Porra.

Ela virou e, puxando dois lenços da caixa na mesa de


cabeceira, limpou o rosto.

— Como isso é difícil para você? —, ela perguntou de


novo, sua voz tremendo e a respiração pesada.

O jeito que ela me olhou, será que ela pensa que eu


queria isso?

Eu passei a mão pelo meu cabelo, me sentindo como um


idiota.

— Eu quis dizer isso mais cedo, quando eu disse que sei


o que é perder alguém que você ama.

Ela permaneceu em silêncio, me observando.

— Mesmo que você não fosse próxima do seu pai, ele


era seu pai.

Eu sabia que, por um lado eu precisava controlar isso,


controlar ela. Eu sabia como o meu pai faria isso. Sabia que
ele ia me chamar de fraco se me visse agora. Mas eu não
poderia fazer aquilo. Ainda não. Hoje não.
— Olha, hoje foi um dia muito longo. Uma semana
longa para caralho. Nós dois estamos cansados. Basta comer
alguma coisa. Eu vou deixá-la sozinha.

Eu saí do quarto sem olhar para trás e saí pela porta da


suíte, tentando afastar a imagem de seu rosto angustiado.
Era impossível.

— Você parece uma merda, chefe, — Marco disse


quando cheguei no corredor.

Marco era meu guarda-costas particular e meu amigo.


Um dos poucos no mundo. Talvez o único que eu tenha
deixado.

— Eu me sinto uma merda. Se certifique de que ela não


vá a lugar algum, ok?

Marco assentiu.

Fui para as escadas. A casa tinha quatro andares, dos


quais meu quarto tomou metade do terceiro. O quarto de
meu pai era no piso superior, e do Dominic era seguindo pelo
corredor do meu. O segundo andar tinha mais quartos, mas
não tivemos quaisquer outros hóspedes para pernoite hoje
além de Lucia.

Antes de chegar ao primeiro andar, ouvi vozes de


homens falando. Segui o som até a sala de jantar, onde um
grande grupo se reuniu em torno da mesa, meu pai, na
ponta. Ele olhou para mim, seu olhar firme. Eu me perguntei
o que ele achava de mim naquele momento. Se ele ficou
surpreso ao me ver lá embaixo. Dominic, meu irmão mais
novo, sentou ao lado dele com aquele sorriso estúpido que ele
sempre tinha. O único que me fazia querer bater nele.

Eu deixei passar o fato dele estar sentado à direita de


meu pai. No meu lugar.

Ele não fez nenhum movimento para sair. Ao invés, meu


tio e conselheiro da família, Roman, que estava sentado à
esquerda de meu pai, levantou. Ele era irmão da minha mãe,
e um dos poucos homens que meu pai confiava.

— Salvatore.

Ele me ofereceu seu lugar. Agradeci e sentei.

Dominic pegou sua cerveja e se inclinou para mim.

— Pensei que você estaria ocupado com seu novo


brinquedinho.

— Ela acabou de enterrar o pai, idiota. — Eu sinalizei


para uma cerveja, que o garçom trouxe apenas um momento
mais tarde.

Eles estavam todos nervosos, ansiosos para servir.


Provavelmente mais ansioso para correr de lá. Eu não voltava
ali havia alguns anos, mas sabia quando estávamos na
cidade, a casa se tornava um alvo. A família Benedetti era
uma espécie de lenda aqui. Nós tínhamos o sul da Itália e
fomos nos instalando em território siciliano. Outra guerra
fermentando, mais uma que ganharíamos, e seria como se
tivéssemos conquistado os DeMarcos. Onde quer que
fôssemos, a violência nos seguia. A menina no andar de cima
era prova disso.
Suas palavras reproduzidas em meus ouvidos.

— Eu sou a única que paga quando eu não tinha nada


a ver com qualquer coisa!

Ela estava certa. Ela era inocente; seu destino estava


decidido quando ela não era mais que uma criança. A
gravidez de sua irmã colocou Lucia no coração de uma guerra
de décadas.

— Ela é uma coisinha encantadora, — Dominic


continuou, bebendo sua cerveja. — um agradável pedaço
de...

— Cale a boca, Dominic, — eu disse, minhas mãos em


punhos.

— Salvatore está certo. A menina acabou de enterrar o


pai, — meu pai advertiu meu irmão, com o olhar fixo em
mim.

Eu não confiava nisso, não confiava nele. Meu pai


sempre me cortava. Certamente não me defendia.

— Só se certifique de que ela sabe quem é o chefe, filho.


Eu não quero nunca mais ver outro incidente como o desta
tarde, entendido?

Ah, lá estava ela, a verdadeira face do meu pai.

Eu balancei a cabeça sem olhar para ele, engolindo


metade da minha bebida.

— Bom. Vamos comer.


LUCIA
Salvatore me surpreendeu.

Eu esperava violência. Me preparei para ela. Mas isso,


essa gentileza? Sua tentativa de entender? Será que foi isso
mesmo? Eu não gosto disso. E não gosto de como meu corpo
reagiu a tê-lo tão perto.

Quando o ouvi sair, fui para a sala externa. Meu


estômago roncou. Eu não comi durante todo o dia, e tão
atraente quanto uma greve de fome parecia, quando você
estava realmente com fome, ela perdia um pouco de seu
apelo.

Tirei a tampa de um dos dois pratos para encontrar um


bife grosso, batatas e uma variedade de legumes grelhados.
Engoli em seco, já salivando, e sentei. Pegando a faca e o
garfo, olhei para a porta antes de começar a comer. Se ele
voltasse, eu ficaria envergonhada por ter cedido. Mesmo que
ele mantivesse sua palavra e ficasse longe, quando visse que
eu comi, não seria, simplesmente, a segunda vitória dele?

Coloquei um pedaço de carne na minha boca. Tão macia


e deliciosa, que derretia na minha língua. Deus, isso fez com
que não me importasse com o que ele pensava. Eu terminei
quase todo o meu prato e levei o vinho comigo para o meu
quarto, trancando a porta atrás de mim, embora eu soubesse
que ele tinha uma chave. Claro que ele tinha uma chave. Era
a sua casa.

Sentei na cama e me servi de outro copo. Esse


comentário chegou a ele, assim como o que eu disse no carro.
Eu não sabia muito sobre o relacionamento de Salvatore com
seu pai, Franco, mas senti Salvatore tenso quando Franco se
aproximou de nós na igreja. Eu estava adivinhando quando
provocava Salvatore com o meu comentário sobre ser um
fantoche de seu pai, mas não sabia que acertaria tão na
mosca assim. Quando eu disse que era a casa de seu pai, não
a sua, eu vi aquilo de novo, que eu o atingi. Eu aprenderia
mais, assistiria suas interações, encontraria e exploraria suas
fraquezas. Talvez tenha uma maneira de pôr filho contra pai.

Em seguida, havia Dominic, seu irmão mais novo. Eu


sabia que seu relacionamento com Salvatore era tenso, e não
gostei da maneira como Dominic olhou para mim, mas talvez
eu pudesse usar isso também.

Salvatore mencionou saber como era perder alguém


próximo. Eu sabia que ele perdeu seu irmão mais velho,
Sergio, e sua mãe, ambos com um ano de diferença um do
outro. Eu assumi que eram eles que ele mencionou. Me senti
como uma idiota por um momento. Peguei meu copo, tomei
tudo e me servi um pouco mais. Ele estava tentando se
conectar comigo usando nossa dor compartilhada ou algo
assim? Por quê? Qual seria o ponto?
Encostei minha cabeça na cabeceira da cama e fechei os
olhos. Estava cansada, sobrecarregada com emoção, jet-lag, e
exausta. Chorei por meu pai depois do funeral, assim que fui
deixada sozinha aqui. Por que não falei com ele quando ele
chamou? Por que me recusei a vê-lo quando ele veio à escola?
Eu sabia que ele lamentava o que fez, me vendendo para
comprar sua vida e a de nossa família, mas que escolha ele
tinha? Eu era uma oferta de paz, de certa forma. Um ramo de
oliveira. A bandeira branca da rendição para manter toda a
gente segura, a minha irmã, minha sobrinha, meus primos,
tias e tios. Foi o negócio: sem mais derramamento de sangue.
Nós nos rendemos. Vocês nos possuem.

Aconteceu de eu ser o sacrifício.

De quem foi a ideia, eu me perguntava, do meu pai ou


do Franco?

Engoli dois comprimidos para dormir e terminei a


segunda taça de vinho. A coloquei na mesa de cabeceira,
puxei para trás o lençol e subi na cama. Eu queria dormir,
parar de pensar em tudo.

A escuridão caiu quando eu desliguei a luz, e fechei


meus olhos. Meus pensamentos foram de Salvatore para
Franco e de meu pai para Izzy. A gravidez a salvou, ou seria
ela aqui nesta cama agora. Eles queriam a ela, a primogênita.
Eu ouvi meu pai e minha irmã brigando, gritando, como eu
nunca o ouvi gritar antes. Não com a gente, de qualquer
maneira. Foi assim que eu descobri que ela estava grávida.
Foi quando Izzy fugiu, me deixando com o destino que deveria
ter sido dela.

Eu não podia culpá-la, porém, não quando eu pensava


em Effie. Ela estava protegendo seu bebê. Mas não podia
absolvê-la por me deixar sem um adeus. Sem me dizer a
verdade ela mesma. Ela sabia o que aconteceria comigo.

As poucas palavras que trocamos no funeral foram as


primeiras nos últimos cinco anos. Talvez fosse hora de
perdoá-la. Eu precisava de pelo menos um aliado, não?

Minha cabeça doía na manhã seguinte. Provavelmente


uma combinação de muito choro, muita luta, e muito vinho.

Alguém bateu na porta assim que eu fechei a mala.

— Entre, — eu disse, esperando Salvatore, mas


encontrando outra pessoa.

— O Carro está pronto — disse o homem.

Era o mesmo que ficou na porta depois de nos


acompanhar até aqui ontem. Ele se moveu em direção a
minha mala. Eu só embalei uma. Foi uma breve viagem, e
nós voltaríamos para os EUA hoje. Eu iria para minha nova
casa, a casa de Salvatore em Nova Jersey.

— Onde está Salvatore?


— Ele foi chamado para uma reunião, saiu mais cedo
esta manhã.

— Qual o seu nome?

— Marco.

— Que reunião? — Perguntei, com minha curiosidade


aguçada.

O homem simplesmente olhou para mim, me deixando


saber que ele preferiu não responder.

— Tudo bem.

Saí pela porta carregando minha bolsa, o deixando para


trás para me seguir com a mala. Desci com a minha cabeça
erguida, esperando, acima de tudo, não encontrar com
Franco Benedetti. Tanto quanto eu odiava admitir, ele me
assustava.

As portas da frente estavam abertas, deixando entrar a


luz do sol brilhante e temperaturas muito quentes. Recusei a
olhar ao redor e mantive os olhos no carro esperando do lado
de fora, o motorista de pé ao lado dele.

Eu estava quase fora da porta quando ouvi um pequeno


som de clique e instintivamente virei minha cabeça. Lá estava
Dominic, encostado na porta de entrada do outro quarto. Ele
me olhou, e eu levei um momento para olhar para ele, para
ver ele. Ele e Salvatore não poderiam ser mais diferentes na
aparência. Salvatore era grande e musculoso, enquanto
Dominic era talvez uns três centímetros mais alto, mas não
era tão grande, sua construção mais magra. Salvatore tinha
cabelos escuros e pele morena. Dominic era loiro e com a pele
mais clara. Seus olhos, no entanto, eram de um perfurante
azul-cinzento tão frio, que me gelou completamente.

Mas, então, ele deu um grande sorriso. A mudança em


suas características foi tão repentina que me desarmou.

Marco pigarreou atrás de mim.

Olhei para trás para encontrar Marco encarando


Dominic. Dominic apenas sacudiu a cabeça e desapareceu de
volta para o quarto de onde veio. Saí pela porta e entrei no
banco de trás do carro. Depois de colocar a minha mala no
porta-malas, Marco subiu no banco do passageiro, e o
motorista ligou o motor. Olhei para a mansão enquanto nos
dirigíamos para fora, irritada por Salvatore não ter vindo
comigo, me perguntando se eu estava sendo mandada
embora novamente sozinha, odiando saber que eu era uma
prisioneira de sua vontade.

Eu tinha uma centena de perguntas, mas me recusei a


perguntar à Marco. Não os deixaria saber que me sentia
insegura, incerta. Ao invés disso, fiquei sentada no banco de
trás do carro e observei as pequenas aldeias italianas
passando no trajeto de uma hora para o Aeroporto
Internacional Lamezia Terme. Faria conexão em Roma, e os
voos combinados levariam mais de 15 horas para voltar para
os EUA. Chegar a Calábria foi um pé no saco. Lembrei que
odiei os voos quando vim aqui quando criança e, isso não
mudou. Ainda odiava a longa viagem. Pelo menos Salvatore
não estaria no voo comigo. Mas então seria Marco quem me
acompanharia?

No aeroporto, Marco abriu a minha porta, e eu saí,


sentindo o calor do asfalto, após estar no carro com ar
condicionado. O motorista descarregou minha mala. Marco
fez um gesto para eu ir em frente, me guiando em direção ao
balcão de check-in. O homem parecia conhecer Marco. Notei
sua pequena conversa quando ele entregou o meu passaporte
e bilhete, nenhum dos quais eu fui permitida segurar, como
se eu fosse correr para fora do funeral de meu pai e voar para
casa. O agente de recepção levou minha bolsa e entregou o
meu passaporte e bilhete de volta para Marco.

— Por aqui — disse Marco.

— Você não fez o check-in. Não poderá passar pela


segurança. — eu disse.

Marco sorriu.

— Vou te entregar a um dos meus colegas.

O sotaque italiano de Marco era distinto. Criada nos


EUA, embora falasse fluentemente italiano, eu não tinha
sotaque. Nem Salvatore.

— Ele viajará com você.

Honestamente, eu ficaria surpresa se eles me deixassem


ir sozinha.

Acostumada a ter guardas nas proximidades desde que


era uma garotinha, eu fui junto, ignorando Marco e o outro
homem, a quem Marco me apresentou, e cujo nome
imediatamente esqueci. Subimos a bordo do nosso voo, que
sairia na próxima meia hora. Li a cobertura do funeral do
meu pai nas reportagens de jornais, vi meu rosto nas fotos
juntamente com Salvatore e muitos outros artigos, página
após página, de ambos os jornais locais. Fizemos uma grande
notícia aqui. O clã da família mafiosa chegando para enterrar
o seu maior rival. A filha do homem caído, agora no braço do
filho da família adversária. A maioria dos artigos realmente
contou a história de como nos conhecemos e nos
apaixonamos. Isso deveria ser obra do Franco Benedetti. Não
ficaria bem contar ao público a verdade.

Dobrei o jornal e o coloquei no bolso do lugar na minha


frente. Fechei os olhos. Senti o olhar de meu guarda-costas
em mim, mas o ignorei o melhor que pude.

Com um atraso de três horas em Roma, no momento em


que chegamos em Nova Jersey e, em seguida, dirigimos uma
hora e meia para a casa de Salvatore, em Saddle River, eu
estava exausta. A noite caiu, e levou um esforço para manter
os olhos abertos, para conhecer os arredores da minha casa
nova. Estava grata que era a casa de Salvatore e não a casa
da família Benedetti.

A propriedade de Salvatore era grande e muito privada.


Portões de ferro altos abriram na nossa chegada. Apenas o
luar iluminando a maioria das terras, até que nos
aproximamos da casa, e eu tive o meu primeiro vislumbre da
mansão com sua enorme garagem, anexos, extensos e vários
tipos de luzes de paisagismo. A propriedade, pelo o que eu
podia ver, era ampla, com a floresta circulando a maior parte
do imóvel. Me pareceu que o caminho tinha pelo menos um
quilômetro antes de finalmente circular a entrada principal
da residência. Uma mulher saiu e esperou por nós. Assim
que o carro parou, sai precisando esticar as pernas, depois de
tantas horas sentada. Cresci cercada por riqueza, mas nunca
vivi em uma casa tão grande. Parecia pretensioso da parte de
Salvatore, talvez uma outra fraqueza. Caminhei na direção da
mulher.

— Senhora.

— Apenas Lucia — eu respondi, tentando dar um


sorriso caloroso. Eu precisaria de aliados. Não queria ser
odiada.

A mulher sorriu e acenou com a cabeça. Virei para o


guarda que voou comigo. Ele parecia tão cansado quanto eu
me sentia.

— Quando Salvatore chegará? — Perguntei, querendo


informações.

— Não tenho certeza.

— Entre. — disse a mulher.

A segui, olhando ao redor da casa, minha nova casa,


pela primeira vez. A grande entrada circular conduzia a
várias direções, uma das quais tinha de ser a cozinha,
considerando o delicioso cheiro vindo dessa direção. Eu podia
ver a sala de estar através de um grande arco. Na outra
extremidade havia uma parede de vidro e grandes portas
levando a um pátio. No escuro, luzes coloridas brilhavam na
superfície da piscina, convidativa, mesmo agora. O restante
das portas interiores estava fechada. Voltei minha atenção
para a grande escadaria de mármore que levava ao andar
superior.

— Você está com fome?

Eu balancei a cabeça, abafando um bocejo.

— Estou muito cansada.

Ela assentiu com a cabeça.

— Vou levá-la para o seu quarto.

Toquei seu cotovelo para impedi-la antes que ela se


virasse.

— Qual o seu nome?

— Rainey.

— Rainey. É um nome bonito.

— Obrigada.

Imaginei que ela estivesse em seus quarenta e poucos


anos. Parecia estranho tê-la me servindo. Sempre odiei isso,
na verdade. Me sentia desconfortável e embaraçosa, mesmo
com os servos. Não me importava com uma arrumadeira ou
cozinheira, mas com um servo, me sentia diferente.

Subi as escadas seguindo Rainey, para as portas duplas


no final do corredor. Assumi que era o quarto principal. Meu
coração bateu mais forte quando nos aproximamos, sabendo
que ele esperava me ter em sua cama. Claro que ele faria. Por
que não? Que sentido teria para ele tomar posse de mim, mas
não me comer?
Mas, antes de chegar às portas, no final, nos viramos
para a direita, onde Rainey abriu uma única porta.

— Este é o seu — disse ela, acendendo uma luz e


gesticulando para eu entrar.

O quarto era enorme e ricamente decorado, com


cortinas escuras pesadas em cada uma das janelas. Tijolos
expostos faziam o espaço parecer mais escuro e davam um
toque masculino, mas eu gostei, especialmente a grande
lareira que ainda não teria necessidade. Rainey apontou para
o banheiro, que eu mal olhei, porque o meu olhar caiu sobre
a grande cama king-size com quatro postes no quarto, com
um edredom espesso e almofadas estofadas na cabeceira.

— Devo ajudá-la a desfazer as malas? Nós já colocamos


suas outras coisas dentro do armário.

— Outras coisas? Oh. — Eu esqueci. Salvatore mandou


empacotar as minhas coisas nas malas e trouxe aqui há
alguns dias. Eu não tinha muito, não precisava muito em
uma escola católica, mas o que eu tinha estava perfeitamente
organizado no closet aberto. Rainey ficou na entrada.

— Estou realmente cansada. Se você não se importa, eu


acho que vou tomar um banho e ir para a cama.

— Claro.

Ela fechou as portas do armário e se moveu para


arrumar a cama, outra coisa que eu não gostava. Eu podia
arrumar minha própria cama.

— Obrigada, Rainey. — eu disse, a dispensando.


Depois que ela saiu, fui até lá e espiei dentro do
armário. Enorme. As prateleiras estavam cheias e continham
minhas roupas, bem como itens que não pertenciam a mim.
Verifiquei o tamanho de um vestido. Quatro. Ele
provavelmente comprou para mim. Ou fez alguém comprar.
Eu não podia imaginar Salvatore Benedetti fazendo compras.

Além do banheiro, estava outra porta que Rainey não


apontou. Fui até lá, mas estava trancada quando tentei abrir.
Perguntaria sobre isso amanhã.

Fui para o banheiro e vi um chuveiro separado, bem


como uma banheira, situada no meio do grande espaço. Era
uma banheira antiga, com pés de cobre e acessórios. Todas
as superfícies estavam limpíssimas, e em uma das prateleiras
estavam vários dos meus tipos favoritos de xampus e
sabonetes líquidos. Até mesmo banho de espuma. Eu não
tomava um banho de espuma há anos. Decidi que eu teria
um ao invés de uma ducha.

Com a banheira cheia, desliguei a água e mergulhei um


dedo do pé. Vi meu reflexo em um dos dois espelhos. Perdi
algum peso nas últimas duas semanas. Corria quase
diariamente, era saudável e longilínea, e muscularmente
magra, seios pequenos, mas atrevidos, e uma bunda redonda.
Graças à yoga. As irmãs da faculdade, na verdade,
permitiram que uma mulher desse aulas três noites por
semana, e nunca perdi uma única aula. Foi isso e a corrida
que me mantiveram sã, que me impediram de arrancar meu
cabelo de frustração com a forma como a vida mudou para
mim.
Me afundei lentamente na banheira. O vapor subia, mas
o calor era bom em comparação com a frieza relativa no
interior da casa. Eles devem ter ligado o ar condicionado,
uma vez que era julho e o calor lá fora era sufocante, com as
noites oferecendo apenas o menor alívio. Eu enrolei uma
toalha pequena e coloquei minha cabeça para trás contra ela,
fechando os olhos. Entre o calor e meu cansaço, devo ter
cochilado, porque acordei assustada com o som de alguém
pigarreando.

Minhas pálpebras se abriram, e minha respiração


travou quando vi Salvatore em pé dentro do banheiro, me
observando.

— Jesus! — Sentei, me cobrindo instintivamente,


embora não fosse necessário. As bolhas criaram uma barreira
entre nós.

— Você me assustou!

— Eu bati, mas não houve resposta.

Ele usava calça social e uma camisa de botão aberta,


onde eu podia ver a corrente de ouro rodeando o pescoço.
Uma pequena cruz pendurada nela. Isso me levou de volta a
quando eu tinha cinco anos. Lembrei de tê-la visto e de ter
me concentrando nela quando eu não podia suportar olhar
nos olhos dele.

Corei e desviei o olhar.

— Eu acho que caí no sono.

— É perigoso fazer isso na banheira.


— Sim. — Subi meus joelhos, me certificando se as
bolhas ainda me escondiam.

Quando Rainey me disse que este era o meu quarto, eu


presumi que não estávamos compartilhando. Achei que as
portas duplas levariam ao Quarto principal. Eu entendi mal?

— O que você quer? — Tentei manter minha voz


amigável. Salvatore parecia processar a questão lentamente.
Parecia que ele tinha mil coisas na cabeça, será que eram
sobre a sua reunião?

Ele abriu a boca para falar, mas ao invés disso,


balançou a cabeça e passou a mão pelo cabelo espesso e
escuro. Isso me fez pensar em seu irmão, de como diferentes
eles pareciam, e pensar em seu irmão fez a água ficar fria de
repente.

— Eu queria ver você, ver se você precisava de alguma


coisa. — Salvatore finalmente respondeu.

— Estou bem. — Eu queria perguntar se nós iríamos


dividir o quarto, se era dele, mas não consegui.

— Onde você estava? Marco disse que tinha uma


reunião.

— Eu tive.

Ah, a riqueza de informações.

— Quão próxima você é de seus primos, Lucia? — Ele


perguntou, entrando um pouco mais no banheiro e
encostando no balcão, ignorando a minha pergunta
inteiramente.
— Pergunta estranha. Por quê?

— Estou curioso.

— Eu não sei. Não muito, pelo menos não nos últimos


cinco anos. — Eu não ia dizer a ele que Luke estava me
mantendo a par dos acontecimentos da minha família
enquanto eu estava na escola. Além disso, não era como se
ele tivesse me dito nada que Salvatore estivesse interessado.

— Então você não falava com Luke uma vez por mês ao
longo dos últimos cinco anos?

— Estou sendo interrogada?

Ele cruzou os braços sobre o peito e me estudou de


perto.

— Você precisa ser?

— Do que você está falando? Luke é meu primo,


conversamos, e daí?

— Você não falou com qualquer outro membro de sua


família, nem mesmo sua irmã.

— Cristo, você estava me observando?

— Eu estava mantendo um olho em minha propriedade,


sim.

— Oh, bem, sua propriedade. — Eu olhei para ele.

— Você sabe que eu sou um ser humano, certo? Que


normalmente não somos referidos como propriedade.

— Eu não acho que haja algo típico sobre o nosso


relacionamento.
Ele se aproximou da banheira, e eu me inclinei para
trás, cobrindo meus seios. Ele não me tocou, entretanto. Ao
invés disso, sentou na borda e mergulhou a mão na água.

— Você e Luke são bons amigos? Eu vi o jeito que ele te


olhou na igreja.

— Ele é meu primo.

— Não de sangue.

— O que você está insinuando? O que, você está com


ciúmes? — No momento em que eu disse isso, sabia que a
declaração era verdadeira. Vi na ligeira mudança dos olhos de
Salvatore. Em sua hesitação momentânea antes de
responder.

— Eu quero ter certeza que você percebe que é


praticamente uma Benedetti agora. Quero ter certeza de que
sabe onde sua lealdade pertence.

— Só porque fui forçada a assinar esse contrato


estúpido não significa que minha lealdade de repente se
deslocou. Eu não sou uma Benedetti.

Ele bufou, balançando a cabeça.

— A água está esfriando. — Ele levantou e pegou uma


toalha.

— Saia da banheira. — disse ele, sem olhar para mim.

— Eu não vou sair com você aqui.

— Eu quero dar uma olhada no que eu tenho. — Ele


disse as palavras propositadamente e desdobrou uma das
toalhas de banho de pelúcia.
Estendeu diante dele, mas se manteve a vários passos
de distância, de modo que eu teria que caminhar em direção
a ele para alcançá-lo, dando uma visão completa.

— O que exatamente é isso? O que você quer,


Salvatore?

— Exatamente o que eu disse. Eu quero te ver. Nua.

— Você quer dar uma olhada no que você não pode ter?
— Palavras inconsistentes, e eu sabia disso.

Ele poderia pegar o que quisesse. Eu apenas, por razões


que não tinham nenhuma base na realidade, não acho que
ele faria. E estava determinada a não dar a ele esse poder
especial sobre mim. Meu coração batia forte contra o meu
peito enquanto eu levantava lentamente, a espuma agarrada
a mim.

— Você quer ver? — Perguntei de novo, vendo como


seus olhos escureciam conforme eles corriam sobre mim,
antes de voltar para os meus. Sua atração por mim, a minha
por ele, esse tipo cruel de puxar e empurrar entre nós, eu
usaria isso. Eu seria mais forte do que ele, e usaria isso. Saí
para o tapete de banho e fiquei diante dele.

— Dê uma olhada, então. Se satisfaça. — Eu falei.

A garganta de Salvatore se mexeu quando ele engoliu.


Sem uma palavra, ele deu um passo em minha direção,
sustentando o meu olhar, e envolveu a toalha em minha
volta. Seus olhos famintos seguraram o meus, encontrando
meu desafio, colocando o seu próprio enquanto ele me
secava, sua manipulação em mim áspera, a toalha macia
agora arranhando meus seios, meu sexo. Depois que ele
terminou, deu um passo para trás, deixando a toalha cair no
chão.

— Agora eu posso olhar direito.

Ele o fez, seu olhar parando em meus seios e barriga,


pairando em meu sexo nu. Novamente ele engoliu, então
encontrou meus olhos mais uma vez.

Fiquei parada, olhando para ele. Observando seus olhos.


Eles queimavam, o azul mais escuro agora, brilhando como o
mais negro ônix. Algo se alastrou por trás deles, dentro deles.
Algo que gritou por liberação, mesmo enquanto me reduzia a
apenas carne, uma coisa, um objeto possuído.

Isso era uma espécie de competição, algum jogo? Se


fosse, eu perdi, porque pisquei primeiro, desviando o olhar,
incapaz de manter o contato.

— Vá para a cama. — Ele se virou para sair do


banheiro, mas parou na porta.

Abaixei para pegar a toalha descartada e a segurei


contra mim, protegendo meu corpo da sua visão.

— E Lucia, — disse ele, virando-se para olhar para mim


e dando um passo para dentro, na minha direção.

— Não faça nada estúpido.

Ele esfregou a mão na boca, a raiva por trás de seus


olhos queimando agora.

— Eu a punirei se você me trair.

Ele se virou e saiu pela porta.


Sentei na borda da banheira, tremendo.
SALVATORE

Meu pau latejava.

Tive que me forçar para sair de seu quarto. Porra, ela


era tão bonita. Sua raiva, seu ódio, só a deixava ainda mais
atraente. Eu a queria. Queria comê-la. Tê-la.

O monstro dentro de mim gritou para possuí-la.

Meu celular tocou. Puxei do bolso e verifiquei a tela. Era


Dominic.

Rejeitando a chamada, quase atropelei Rainey ao longo


do corredor no meu caminho para o estúdio.

— Sr. Benedetti! Eu sinto muito. — Ela se desculpou,


embora fosse eu quem não prestou atenção.

— Não, está tudo bem. Foi minha culpa.

Passei a mão pelo meu cabelo. O que foi aquilo lá em


cima? Por que eu fui lá quando a vi na banheira? Eu deveria
ter ido embora.

— Você gostaria de comer o jantar, senhor? Srta...


Lucia... não estava com fome, mas...
É perigoso adormecer na banheira? Cristo, o que eu
achava que ela era, uma criança? Não. Não com aquele corpo.
Sem dúvida ela não era nenhuma criança.

— Não, está bem. Eu... — Eu entrei no estúdio, olhei


em volta, em seguida, caminhei de volta para fora.

— Você sabe, estou cansado. Eu só estou indo para a


cama.

— Oh. Tudo certo.

Voltei para o meu quarto. É conectado com o da Lucia,


mas eu duvidava que ela soubesse disso. Uma vez lá dentro,
eu me despi, fui para o banheiro e liguei o chuveiro.

Eu não entendia a Lúcia. Porra, eu não me entendia


quando estava perto dela. A reunião anterior foi de última
hora, e era necessário tanto eu quanto meu pai estarmos
presentes. Dominic ficou chateado de ser deixado de fora,
mas era problema dele. Eu sabia o que Dominic queria:
qualquer coisa que eu tivesse. Incluindo se tornar o sucessor
de nosso pai. Mas não é assim que funciona. Seria Sergio, o
primogênito, como o sucessor, mas ele estava morto, então eu
era o próximo na linha. Tanto quanto eu queria ser o chefe da
família Benedetti, queria ainda menos que Dominic
assumisse este papel. Meu irmão tinha uma veia má, uma
violência dentro dele que, quando desencadeada, era
aterrorizante de testemunhar. Alguns dias eu não tinha
certeza se o conhecia, não tinha certeza se queria saber das
profundezas de sua escuridão.
Entrei no chuveiro, a água tão quente, que me escaldou.
A esfriei.

Meu pai, Roman, e eu fomos os únicos três Benedetti na


reunião de hoje. Havia uma conversa sobre um novo grupo se
formando. Luke DeMarco era um problema. Ou poderia se
tornar um. Foi vingança que o motivou ou o desejo de poder?
Eu aposto no último. Tendo em conta que uma filha DeMarco
não queria ter nada a ver com o negócio da família e a outra
pertencia ao inimigo, Luke ganharia tudo se fosse capaz de
reunir apoio suficiente e despertá-los para a guerra. Que era
exatamente o que estava tentando fazer. E ele chegou mais
longe do que qualquer um de nós esperava. Ele ganhou
adeptos da família Pagani, nosso adversário mais feroz das
duas famílias sicilianas.

Estaria Lucia envolvida de qualquer forma? Eu vi o


olhar trocado entre Luke e Lucia na igreja, mas que
alimentou um tipo diferente de queimadura. Uma de ciúmes.
Por que me sinto tão possessivo com ela? Por que me
importo? Eu poderia ter qualquer mulher que quisesse,
tantas quantas quisesse. Nosso contrato a prendia a mim,
sem nenhuma restrição a mim. Meu pai orquestrou isto,
apreciando a ideia de ter um troféu vivo na palma da sua
mão, que ele poderia torturar o quanto quisesse.

Pensar no meu pai fez meu estômago revirar. Desliguei o


chuveiro e peguei uma toalha. Meus olhos fixos na porta de
ligação do meu quarto para Lúcia. Eu contornei isso, subi na
cama e coloquei os lençóis de lado. Fechei os olhos e agarrei
meu pau, a imagem dela diante de mim, nua, a espuma
deslizando por sua pele cremosa, os pequenos mamilos
duros, sua boceta raspada. Eu queria ver ela toda, levar meu
tempo. Deitá-la e abri-la. Cheirá-la, saboreá-la. Afundar o
meu pau dentro dela.

Seus olhos brilharam em minha mente, duros e


acusatórios. Eu bombeei mais rápido, a imaginando aqui, me
olhando, me chupando, agachada sobre o meu rosto
enquanto ela pegava meu pau em sua boca e me alimentava
com sua vagina. Porra.

Mordi o lábio quando gozei, jatos de meu gozo caíram no


meu peito, meu pau latejante contra a palma da minha mão,
comigo espremendo até o último pingo dele com um gemido,
sabendo que não seria o suficiente, sabendo que isso não iria
me saciar, sabendo que independentemente de quantas
mulheres eu comesse, nenhuma me daria a liberação que eu
precisava, que só ela podia dar.

Acordei alguns minutos depois das cinco. Foi um longo


sono, profundo, considerando o meu sono habitual de duas
ou três horas. Fiquei ali por alguns minutos, esperando que
se eu mantivesse meus olhos fechados, poderia dormir
novamente. Menos horas para durante o dia se eu pudesse
passá-lo dormindo. Mas isso não aconteceria.

Meu celular tocou na mesa de cabeceira. Peguei.


Dominic. Uma rápida olhada me disse que ele ainda estava
chateado sobre a reunião. Eu decidi apagar a mensagem de
Dominic sem me preocupar em ler o resto.
Joguei as cobertas para trás, sai da cama, e puxei a
cortina de lado para olhar para fora. O Alvorecer. O sol
nasceria em breve.

Encontrei roupas limpas de corrida, vesti e calcei meus


Nikes, olhei uma vez para a porta de comunicação e sai do
meu quarto, desci as escadas. Usei a porta da cozinha, que
abria para um grande terraço. Corri para fora, atravessando a
área da piscina, me dirigindo para a floresta, correndo ao
encontro do sol. Só me levou alguns minutos para perceber
que eu não estava sozinho.

Muros protegiam o terreno e câmeras gravavam todo o


movimento. O som vinha de uma curta distância: ramos
rachando sob os pés, e eu podia ouvir a trituração de
gravetos de pinheiro e folhas. Muito pesada para um esquilo
ou um pássaro. Veados, por vezes, pulavam a cerca, mas era
raro. Comigo perseguindo mais de perto, ouvi os sons de
respiração encurtada. Meu intruso no meu ritual de corrida
matinal era humano.

Alguns momentos depois, avistei Lucia. Ela não me viu.


Eu diminuí ao seu ritmo, olhando para ela, sua musculatura
magra trabalhando quando ela saltou sobre um toco de
árvore e evitou uma pedra coberta de musgo. Ela prendeu o
seu longo cabelo em um rabo de cavalo que saltava de um
lado para o outro, e suor brilhava em seus ombros nus. Ela
usava sutiã e short esportivos, o brilhante tecido branco
contra sua pele levemente bronzeada. Fones de ouvido
conectados a um iPhone preso no braço dela me disseram
que eu era capaz de chegar bem perto sem que ela me
ouvisse.

Eu a alcancei, a assustando. Ela parou, apertando o


peito.

— Pare de fazer isso! — Ela disse, puxando os fones de


ouvidos.

— Eu estive atrás de você nos últimos cinco minutos.


Você deve ficar mais consciente de seu entorno. — A música
era alta o suficiente para que eu pudesse claramente
identificar a canção. Mumford and Sons.

— Você não precisa disso de qualquer maneira, não


quando você corre na floresta. — Eu amava a quietude do
lugar, a paz que eu encontrava logo que desaparecia na
cobertura das árvores.

Ela me olhou.

— Você está correndo?

Eu balancei a cabeça.

— Você acordou cedo.

— Não conseguia dormir.

— Nem eu. — Olhei para o lugar de onde corri para


uma clareira em uma colina que daria a melhor vista do
nascer do sol.

— Vamos. Eu vou te mostrar uma coisa.

Eu me virei e corri. Ela demorou um momento, e eu


imaginava sua mente trabalhando em algum comentário
sarcástico, mas depois ela seguiu. Eu diminuí o ritmo para
que ela pudesse se manter, e nós corremos em silêncio
durante os próximos vinte minutos, subindo a encosta. Lucia
desacelerou, sua respiração saindo mais curta, mas sua
condição era obviamente boa. De alguém acostumado a
correr.

— Uau.

Eu ouvi o temor em sua voz quando chegamos ao topo


da colina. O sol acabou de atravessar as nuvens, o céu era
um banho de laranja e rosa e vermelho.

— Isso é.... incrível.

Ela andou um pouco mais para longe. Eu assisti, e me


encontrei sorrindo.

— Lindo. — ela murmurou.

— É a única coisa boa sobre ser um insone. Eu nunca


perco o nascer do sol.

Ela olhou para mim, e eu percebi o quão facilmente eu


dei aquele pedaço de mim mesmo. Imaginei que a equipe da
casa sabia que eu dormia pouco, mas ninguém mais.

Lucia voltou seu olhar para o céu. Eu a vi emoldurada


por esse show de luzes.

— Há quanto tempo você é assim? Incapaz de dormir,


quero dizer.

— Desde que eu posso me lembrar. — Eu tinha vinte e


nove agora, então talvez quinze anos.
Nós assistimos o nascer do sol em silêncio. Quando o sol
chegou no alto, ela se virou para mim, seus olhos uísque
brilhando, as acusações de ontem à noite ausentes esta
manhã, embora seu olhar permanecesse cauteloso.

— Eu não sei o que devo fazer. — disse ela finalmente,


os braços cruzados sobre o peito, defensiva e fechada.

— Então somos dois.

Ela franziu a testa.

— Eu não entendo.

— Eu não sou um monstro, Lucia, mas eu sou filho do


meu pai. Eu sou obrigado, assim como você. — Ela me
estudou.

— Você escolhe o quão difícil você quer fazer isso para


você mesma. Há coisas piores do que estar aos meus
cuidados.

— Aos seus cuidados?

— Sim, meus cuidados. Poderia ter sido meu irmão. Ou


meu pai. Onde você acha que estaria se tivesse sido qualquer
um deles, ao invés de mim?

— Não vejo a diferença.

Suas palavras me pegaram.

— Tudo bem, me deixe simplificar isso para você. Você


deve ser obediente.
— Eu nem sei o que isso significa. Você espera que eu
só... — Ela desviou o olhar, um rubor subindo o pescoço
para suas bochechas.

— O que você quer? — Ela perguntou finalmente, se


endireitando e obviamente, se obrigando a olhar para mim.

— Sua obediência.

Ela abriu a boca para falar, mas eu me aproximei dela e


coloquei o dedo sobre seus lábios.

— Ouça as minhas palavras, Lucia. Eu espero a sua


obediência. Eu não disse que quero. Eu possuo você, não
importa como você se sente sobre isso. Eu posso fazer isto
bom para você. — Eu não poderia evitar o meu olhar de
vagar pela ondulação suave de seus seios antes de
retornarem ao dela.

— Ou posso fazer isso ruim. Cabe a você como vai ser.

— Era para ser minha irmã. — ela disse, um brilho de


lágrimas obscurecendo seus olhos.

Olhando para ela, desamparada, sozinha, e ela estava


sozinha, só me fez querer confortá-la e tranquilizá-la. O
oposto do que eu deveria fazer.

— Mas ela ficou grávida. — Ela virou as costas para


mim e limpou os olhos com uma mão antes de virar e olhar
para mim novamente.

— Eu não sei o que eu devo fazer aqui. Você está... —


ela afundou novamente.

— Você... Porra. Deixa pra lá.


Sem aviso, ela virou de volta para a casa, seu ritmo mais
rápido agora. Segui com facilidade, mantendo uma distância
curta entre nós, sem saber como responder às suas
perguntas, não sabendo o que eu queria dela. Sua
obediência, o que isso significa? Que ela deveria se sentar,
quando disser senta ou buscar quando eu digo buscar? Era
muito mais do que isso. Uma mulher como Lucia DeMarco
não dava simplesmente sua submissão. Um homem teria que
ganhá-la.

Ou quebrá-la para obtê-la.

— Lucia. — eu chamei, quando nos aproximávamos da


entrada de volta para a casa, as grandes portas de vidro da
sala de jantar estavam abertas.

Ela olhou para trás, mas correu para dentro da casa. A


segui, vendo o borrão de uma empregada pondo a mesa para
o café.

— Lucia! — Eu estava apenas a alguns passos atrás


dela, e quando ela tropeçou no último degrau para o segundo
andar, eu a peguei pela cintura e a levantei, a segurando. Vi
então por que ela correu. Lágrimas manchando suas
bochechas, e seus olhos estavam inchados de novo, com o
rosto corado.

Por um momento, eu hesitei.

Por um momento, eu fui humano.

Mas então eu olhei para ela. Eu assisti sua luta


inutilmente enquanto eu a segurava apertado.
— Lucia. — eu sussurrei agora, passando uma mão
pelas costas dela, a sensação de seu corpo em movimento
contra o meu me fazendo esquecer todo o resto.

Segurei seu rabo de cavalo e puxei sua cabeça para trás.

— Pare. — ela disse, com voz calma.

A segurei assim, o meu olhar à deriva em seus lábios,


suaves e rosados, com a boca ligeiramente aberta, e eu a
beijei. Eu só... a beijei. Foi o nosso primeiro beijo.

Ela fez algum som, mas minha boca o abafou. Eu a


empurrei para trás até que suas costas estavam contra a
parede, e me inclinei para beijá-la com mais força, provando
sua boca tão suave, tão convidativa, mesmo quando ela
protestou, ou tentou. Mas o corpo dela me deu isso, e ela
abriu, suas mãos relaxaram contra o meu peito, até mesmo
envolveram um pouco mais meu bíceps. Eu mergulhei minha
língua dentro de sua boca, um gemido vindo de mim agora e
meu pau endureceu contra seu ventre. Parecia um desejo
mútuo aquecendo nosso beijo. Os dedos de Lucia tocaram
meus ombros, me aproximando, sua língua encontrando a
minha. Passou as mãos em volta do meu pescoço e me
puxou. Eu relaxei meu aperto, sentindo sua rendição, mas
assim que eu fiz, ela me atingiu. Ela bateu seu joelho com
tanta força entre as minhas pernas que me fez perder o ar.

Eu dobrei, respirando alto e profundo, quando ela


tropeçou para trás, sorrindo.

— Você quer minha obediência? — Ela provocou.


— Você quer que eu seja uma boa coisinha, para fazer o
que me foi dito? Vá se foder, eu não vou fazer o que me
mandam!

Eu fiz algum som, mais animal do que humano, como


fúria vindo do interior. Lucia recuou, um momento de
incerteza cruzando o caminho antes que alcançasse a porta
no final do corredor, colocando a mão na maçaneta.

— E tem mais, Salvatore. — Ela virou a maçaneta e


abriu.

— Se era obediência o que você queria, você escolheu a


mulher errada para foder.

Ela correu para seu quarto e fechou a porta. Eu me


endireitei, minhas bolas me matando, e peguei a chave em
cima da moldura da porta. Eu instalei a fechadura especial
na porta do quarto antes da chegada dela exatamente por
esta razão. Ela não me trancaria para fora. Não em minha
própria casa. A imaginei lá agora, frenética quando
descobrisse a chave em falta. Enfiei na fechadura e virei,
trancando pelo lado de fora.

— A obediência é o que eu vou ter. — eu disse.

— Eu não me importo de ensiná-la a você. Lembra o que


eu te disse na noite passada?

Ela tentou abrir a porta, sacudindo a maçaneta.

Sorri para a maldição murmurada.

— Se você me trair, eu vou puni-la. Esta será a sua


primeira punição.
A deixei pensando, enquanto eu tomava banho. Ela me
enganou com aquele beijo. Eu pensei que ela sentiu aquilo
também, pensei que ela gostou. Eu acho que ela tinha, em
primeiro lugar. Mas, em seguida, talvez o seu próprio senso
de dever a fez atacar.

Independentemente disso, sorri quando vesti um par de


jeans. O pensamento de castigá-la me despertou.

Secando meu cabelo mais ou menos com uma toalha, eu


fui para a porta entre os quartos e girei a chave na fechadura
do meu lado. Lucia estava sentada em sua cama, seu cabelo
molhado de uma ducha, vestida com um par de shorts e uma
camiseta de seda, com os joelhos dobrados contra o peito, um
abridor de cartas em sua mão como uma faca. O olhar em
seu rosto me mostrou seu choque ao me ver entrar por essa
porta. Tranquei a porta atrás de mim e guardei as chaves no
bolso.

Seus olhos passaram por mim, desde do topo da minha


cabeça molhada para os meus pés descalços. Eu usava
apenas uma calça jeans, querendo que ela visse o que estava
enfrentando. Era uns trinta centímetros mais alto do que ela
e pesava , provavelmente, uns trinta e cinco quilos a mais. Eu
não iria machucá-la, mas não era contra um pouco de
intimidação. Seria bom para ela aprender seu lugar, e
aprender rápido.

Quando fui em sua direção, ela se colocou de joelhos no


meio da cama e apontou o abridor de cartas para mim.

— Largue isso.
Ela balançou a cabeça.

— O que você vai fazer?

Cheguei mais perto.

— Eu disse para largar. — Não dei uma escolha neste


momento. Em vez disso, quando ela subiu para trás na cama,
coloquei um joelho em cima dela e peguei seu pulso, a
arrastando para baixo em sua barriga até que a livrei de sua
arma, jogando fora. Ela voltou de joelhos e olhou para mim.

— Tire a roupa, Lucia.

— Não.

— Vamos. Eu vi tudo isso antes. Você me mostrou


ontem à noite, lembra?

Ela pulou do outro lado da cama. Eu gostei disto.


Sempre gostei de brincar de gato e rato.

— Vá embora, Salvatore.

— Tire sua roupa, Lucia.

Ela se encurralou agora, mas eu dei espaço para virar,


só porque eu não queria que o jogo terminasse muito
rapidamente. Ela se abaixou sob meu braço e fez exatamente
como eu sabia que ela faria. Virei, olhando tentar abrir a
porta.

— Me deixe em paz!

— Onde você está indo? — Perguntei, a seguindo


enquanto ela corria para recuperar o abridor de cartas. Eu
tenho que admitir, ela era mais rápida do que eu pensava,
mas eu a peguei pela cintura e apertei-lhe o pulso, tirando a
arma dela uma segunda vez.

— Por favor, me deixe só. Por favor.

— Qual seria a diversão nisso?

— Eu te odeio! Eu te odeio!

De costas para mim, ela empurrou contra mim, mas eu


a tinha firmemente no meu abraço. Ela estava presa. Nós
dois sabíamos disso.

— Eu vou te dizer como isso vai acontecer. Vou te soltar,


e você vai fazer o que mandei e irá se despir. Uma vez que
você estiver nua, eu assumirei.

— Sinto muito, ok?

Eu balancei minha cabeça.

— Não, não está ok. — Dei um sorriso perverso, meu


pau já duro em suas costas, crescendo ainda mais com a
antecipação.

— O que você vai fazer?

— Ainda não decidi.

Ela olhou para mim, e eu sabia que ela me sentiu


pressionado contra suas costas. Ela não podia deixar de
sentir a minha dureza.

— Eu não vou transar com você. — Pelo olhar em seu


rosto, eu surpreendi nós dois com aquilo. Mas precisava ser
dito. Porra, ela tinha todo o direito de ter medo de mim.

Eu facilitei, dando um pouco de espaço.


— Faça o que eu disse, e eu vou pegar leve com você,
mas se você me fizer te despir, sua punição será pior,
entendeu?

Depois de um momento, ela balançou a cabeça.

Eu a soltei, desta vez colocando o abridor de cartas em


uma gaveta do criado mudo. Sentei na cadeira em sua mesa e
observei enquanto ela tirou a roupa camada por camada,
primeiro a blusa, em seguida, os shorts brancos. Ela usava
um conjunto correspondente de calcinha de renda branca e
sutiã por baixo.

— Vá em frente, Lucia.

Ela desabotoou o sutiã e deixou cair no chão, aquele


olhar de inocência agora substituído pela mesma coisa que
eu vi na noite passada: desafio.

Isso era bom. Eu preferia o desafio.

Eu tiraria o desafio dela. Lentamente, porém. Não há


sentido em apressar a diversão.

Eu esperei ela deslizar a calcinha. Então, ela estava


diante de mim, nua, com as mãos em punhos em seus lados.

— Venha aqui.

Relutante, ela se aproximou de mim. Eu peguei em seus


quadris e olhei, meu olhar em seus seios, os mamilos
endurecendo embaixo da minha observação, o ligeiro toque
de excitação tomando o ar.
Engoli em seco e me coloquei de pé, minhas mãos se
movendo até a cintura. Ela permaneceu onde estava, virando
o rosto para manter os olhos nos meus.

Andei até a cama, a sentando sobre a cama, quando a


parte de trás dos joelhos a atingiram.

— Deite e abra as pernas.

Ela olhou para mim, e eu coloquei meus joelhos entre os


dela, alargando um pouco, mantendo meu olhar bloqueado
no dela.

— Eu disse que não vou transar com você. Eu só quero


ver. Agora deite, Lucia.

Ela fez, lentamente, me olhando enquanto eu a


observava. Me ajoelhei entre suas pernas. Ela me deixou
espalhá-las e me presenteou com a bela visão de sua boceta
para mim, os lábios cor de rosa brilhante, aberta, seu clitóris
inchado.

Ela estava excitada.

Inalei profundamente, meu pau quase rasgando meu


jeans. Pressionei uma mão em seu peito, cobrindo um seio
com a palma da mão para que eu pudesse segurá-lo, bem
como brincar com o mamilo. Aproximei minha boca, senti seu
olhar no topo da minha cabeça, enquanto arrastava minha
língua ao longo de seu comprimento, o som dela tomando
fôlego era música para meus ouvidos. As mãos dela vieram
para a minha cabeça, e ela empurrou e em seguida, puxou.

Eu olhei para cima.


— Coloca seus braços para os lados.

Ela obedeceu, e eu mergulhei a cabeça em sua boceta.


Ela tinha o gosto tão bom quanto eu imaginava. Melhor.
Porra. Ela se esfregou em mim, sua boceta pingando
enquanto eu chupava seu clitóris, em seguida, lambia seu
comprimento, mergulhando minha língua dentro dela.

Ela gemeu, torcendo seu corpo. Olhei para o rosto dela


enquanto eu trabalhava o botãozinho apertado. Ela fechou os
olhos e mordeu o lábio. Eu circulei minha língua ao redor do
clitóris, e ela abriu os olhos, vi em seu rosto o rubor quando
nossos olhares se encontraram. Tomei seu clitóris em minha
boca, olhando para ela, a fazendo me olhar até que eu a
trouxe ao orgasmo, segurando suas coxas abertas, enquanto
ela resistia embaixo de mim, com as mãos na parte de trás da
minha cabeça agora, me puxando firmemente para ela, até
que ela estava esgotada e me implorando para parar, para
soltá-la.

— É demais.

Eu sorri.

— Esta é parte da punição — eu disse, segurando para


baixo e comendo sua boceta novamente, a fazendo gozar mais
duas vezes, ouvindo me implorar para continuar, pedindo
para eu parar, tudo isso enquanto eu chupava o clitóris e
lambia cada gota de suco de sua boceta até que eu não
aguentava mais.

Levantei para ficar em cima dela, minhas pernas ainda


entre as dela para mantê-las espalhadas.
Olhei para ela, seu cabelo uma bagunça molhada e
emaranhada ao redor dela, o rosto corado, seus membros
largados. Abri minha calça jeans. Assim que eu abri, seus
olhos se arregalaram, e ela se assustou, fugindo para trás. Eu
peguei sua coxa e coloquei um joelho na cama.

— Fique.

Ela fez um som, franzindo a testa.

— Não vou transar com você. — eu disse de novo,


sabendo o que ela temia. Mas, quando eu empurrei o meu
jeans para baixo e o tirei, e comecei a esfregar o comprimento
do meu pau, ela se acalmou, engolindo, seu olhar pulando do
meu pau para longe, em seguida, de volta para ele.

— Assista, Lucia. — Ela queria, eu poderia ver em seu


rosto, e de alguma forma, o pensamento de corromper a
inocência dela me deixou mais forte.

Eu me masturbei enquanto ela observava, os olhos


cravados na minha mão trabalhando meu pau. Me deixou
muito excitado ela me assistir, e eu me inclinei sobre ela,
apenas tocando a cabeça do meu pau em suas dobras, a
fazendo ofegar e morder o lábio.

— Porra. — eu disse.

— Eu amo como você olha para mim, Lucia. E eu amo


seu gosto. Como você gozou na minha língua.

— Salvatore —, ela começou, tentando sentar.

Eu balancei minha cabeça.

— Deite.
Ela o fez, e eu bombeei mais duro, meu pau inchado, o
cheiro dela, de mim, enchendo o quarto com o sexo.

— Você já viu um homem gozar, Lucia? — Perguntei,


perto agora.

Ela encontrou meu olhar e balançou a cabeça.

— Você já teve a língua de um homem em seu clitóris?

Ela ficou vermelha e piscou duas vezes antes de olhar


para longe.

— Me responda.

Ela puxou o lábio inferior entre os dentes.

— Não. Eu nunca... — Ela parou.

— Eu vou gozar em cima de você. — eu disse,


bombeando mais rapidamente, apartando mais duro.

— Eu vou te cobrir com o meu gozo, e você vai usá-lo


durante todo o dia, então saberá que você pertence a mim. —
Eu empurrei, quase lá agora.

— Porra.

Estourei então, meu orgasmo chegando duro e rápido,


me fazendo agarrar um dos postes de sua cama para manter
a verticalidade enquanto me esvaziava em cima dela, a
cobrindo com o meu gozo, olhando seu rosto, seus olhos,
enquanto ela absorvia aquilo. E quando eu terminei, eu
inclinei e esfreguei meu gozo em sua pele, seu peito e
pescoço, barriga, sua boceta. Então, me endireitei, limpei
minha mão na coxa dela, e puxei minha calça jeans de volta.
Lucia sentou e olhou para si mesma por um momento.
— Se vista. — eu disse, abotoando meu jeans.

— O café da manhã está pronto.

— Eu preciso de um banho.

Eu balancei minha cabeça.

— Como eu disse, você vai usá-lo durante todo o dia. —


Eu bati em seu quadril duas vezes.

— Vamos. De repente fiquei faminto.


LUCIA

Eu o odiava!

Salvatore sentou perto de mim com um sorriso enorme


no rosto, mastigando um pedaço de salsicha. Eu rasguei o
meu pão em pedaços e olhei para ele. Ele estava exultante.

— Eu te odeio.

Eu me odiava ainda mais. Como eu pude fazer o que ele


disse? Como eu gostei disso? Ele me fez gozar três vezes. Três
vezes! Eu me senti... Porra, o que eu sentia por ele? O homem
me fez gozar, só isso. Quaisquer sentimentos que houvesse
entre nós eram físicos. Sexuais.

— Você gostava muito de mim há bem pouco tempo.

Ele mordeu um pedaço da torrada recheada com


Nutella, um pouco da pasta de chocolate escorreu e ficou ao
lado de sua boca. Ele a Limpou com o polegar, em seguida,
fez um show ao lambê-la do dedo. Frustrada, eu peguei uma
maçã da taça de frutas e atirei nele. Ele a pegou como se
fosse uma bola de beisebol e a mordeu.

— Obrigado.
Eu apertei minhas mãos ao lado do meu corpo, antes
que não conseguisse mais me controlar e atacasse esse
homem irritante. Rainey veio com um pote de café.

— Mais, senhora?

— Não — Eu disse, enquanto dobrava meu guardanapo.


Obriguei-me a respirar fundo.

— Já terminei.

Ela se afastou, balançando a cabeça, e eu comecei a me


levantar.

— Eu gostaria de mais um pouco, Rainey. — Disse


Salvatore.

Eu empurrei a cadeira para trás, raspando os pés desta


ao longo do piso de madeira.

— Sente, Lucia. — Salvatore disse enquanto Rainey


enchia sua xícara. Ela evitou olhar para qualquer um de nós.

— Estou satisfeita. — Eu coloquei meu guardanapo no


meu prato.

— Eu disse sente. — Seu tom de voz me fez encontrar o


seu olhar.

Ele limpou a boca e empurrou o prato de volta, toda a


brincadeira desapareceu de sua expressão. Por um momento,
no qual debati comigo mesma em silencio, fiquei de pé
desejando que minhas pernas se movessem, mas meus
membros se recusaram a sair do lugar com ele me
observando atentamente para ver o que eu faria.
Rainey, que saiu com a cafeteira, voltou, nos viu, e
desapareceu de volta para a cozinha. O clima na sala de
jantar estava tão tenso que você poderia cortar com uma
faca.

Salvatore levantou uma sobrancelha e fez um gesto para


eu me sentar. Eu pensei sobre minhas opções. Eu estava em
sua casa, em uma cidade que eu não conhecia, a milhas de
distância da casa ao lado, sem um veículo.

Sentei, cruzei os braços sobre o peito, e projetei o meu


queixo para fora.

— Sua irmã faz isso.

— O que?

Ele mexeu o queixo para me mostrar.

— Teimosia. Eu acho que é de família.

Ajustei minha posição, sentando reta, abaixando o


queixo estúpido. Ele era observador, eu tinha que dar isso a
ele. Ele deve ter visto no funeral do meu pai.

— Ela e eu somos pessoas muito diferentes.

Ele levantou uma sobrancelha, mas aparentemente


decidiu não prosseguir com isso. Ele mudou de posição,
empurrando a cadeira para trás e cruzando as pernas,
ocupando assim um monte de espaço. Demais.

— Vamos revisar as regras da casa agora que está


finalmente aqui.

Eu esperei em silêncio. Primeiramente eu iria ouvi-lo, e


depois mandaria ele se foder. Esse pensamento me levou de
volta para uma hora mais cedo, com ele em cima de mim, seu
grande corpo nu, seu pau grosso e suas mãos bombeando,
bombeando...

Eu balancei a cabeça, forçando a imagem à distância, e


olhei para o chão repleto de pedaços de pão que eu joguei
durante o café da manhã. Eu dei mais trabalho a Rainey por
causa da minha ira contra Salvatore. Assim que
terminássemos isso, eu limparia as migalhas.

— Primeira regra, você não pode deixar a propriedade


sem a minha permissão, e você nunca vai a qualquer lugar
sozinha.

Eu bufei.

— Como se...

— Como se o que?

Ele se inclinou para frente, com sua expressão


questionadora, mas também irônica, como se apontando
minha estupidez caso tentasse perambular por conta própria,
já que ele e eu sabíamos que eu não podia sair sem:

A) ter um carro, e B) saber o código para abrir o portão.

— Eu não serei tratada como uma prisioneira. — Eu


quase adicionei em minha própria casa, mas esta não era a
minha casa.

— Não é uma prisão, Lucia. Eu quero que você esteja


segura. Eu tenho inimigos, assim como o seu pai tinha. Eles
podem pensar que a melhor maneira de me atingir é através
de você. Eu não quero vê-la se machucar.
Ele estava sendo quase sincero. Com certeza parecia que
tudo o que ele disse era verdade. Mas, novamente, ele parecia
diferente mais cedo, antes de usar o meu corpo contra mim.

— Você é livre para passear pela redondeza, existem,


porém, vários acres de floresta, por isso tome cuidado para
não se perder. A casa também pode ser explorada, só o meu
escritório e meu quarto estão fora dos limites. Vou mostrá-los
a você uma vez e pronto. Se você precisar ou quiser qualquer
coisa, tudo que tem de fazer é pedir. Você terá uma mesada.

— Eu não preciso do seu dinheiro. — Eu tinha o meu


próprio. Minha família não era pobre, mesmo após Benedetti
nos destruir. Eu herdei tudo, menos a casa, depois que meu
pai morreu. Apesar de que a ausência de cartões de crédito,
ou qualquer outra forma de acessar esse dinheiro, enquanto
estivesse trancada aqui me deixava à mercê de Salvatore.

— Bem, você vai receber de qualquer maneira.

— Eu não quero isso. — Eu murmurei.

— O que você está fazendo, Lucia? O que exatamente


está passando por sua mente agora?

— Estou tentando envolver meu cérebro em torno de


minha nova prisão. Primeiro, você me manda embora para
um caralho de um convento por cinco anos.

— Era parte do acordo.

— Eu poderia muito bem estar atrás das grades, e você


sabe disso!

Ele apenas deu de ombros.


— Agora estou sentada aqui na sua casa, onde eu
deveria viver como o quê? Seu brinquedinho? E estou sendo
informada sobre as regras como se eu fosse uma criança!

— E você não é? Olha como você fala comigo. Eu sou


um homem razoável, Lucia, mas vou ser obedecido.

— Obedecido? Você quer que eu me curve para você?


Espere sentado, porque você vai receber algo diferente.

— Eu acho que tenho uma boa ideia do que vou


receber.

— Já terminamos?

— Não.

Mordi o lábio, esperando.

— Eu comprei um celular para você que chega hoje.

— Eu tenho o meu.

Sua mandíbula se apertou, e ele levou um minuto antes


de responder.

— Bem, você vai ter um novo. Quando quiser que sua


família, ou um amigo, venha visitar, você vai me avisar
primeiro.

— Eu não preciso ver minha família, e eu não tenho


nenhum amigo, então eu sou só e verdadeiramente sua. Eu
acho que isso te faz feliz.

— Na verdade, não.

Por que ele tem que parecer genuíno, porra?


Foi a minha vez de dar de ombros e precisando quebrar
o contato visual, eu me inclinei para pegar alguns pedaços de
pão que eu inadvertidamente espalhei.

— Deixe. Rainey vai limpar.

Eu balancei a cabeça, sentindo as lágrimas aparecerem


em meus olhos, me recusando a deixá-lo ver.

— Deixe, Lucia. Quando estou falando com você, espero


a sua atenção.

Eu bufei, limpando meu rosto, com raiva novamente. Eu


o enfrentei.

— Você espera muitas coisas. Talvez o que você precise


fazer é verificar essas expectativas. É menos provável que se
decepcione depois.

Seus olhos se estreitaram, e seu peito arfava quando ele


tomou uma respiração profunda.

— Estou irritando você, Salvatore? Porque você sabe o


que está me irritando? Seu... coisa... secando na minha pele.
— Eu disse com os dentes cerrados. Fiquei de pé tão rápido
que bati na cadeira atrás de mim.

— Você me disse suas regras. Tudo bem. Eu também


tenho uma. Sair. Sozinha! — Virei pronta para ir embora.

— Sente —, ele assobiou.

— Agora.

— Vá se foder. Vou tomar um banho.


Ouvi sua cadeira raspar de volta para o lugar, e comecei
a correr para as escadas, o tempo todo me perguntando o que
diabos eu estava fazendo. Onde eu estava indo. Ele tinha a
chave das portas. Não é como se eu pudesse me esconder. O
que eu estava fazendo?

Salvatore me alcançou. Eu nem realmente lutei com ele


quando ele pegou meu braço e me arrastou até as escadas
com ele.

— Você quer um banho? Bem...—, disse ele com os


dentes cerrados.

— Vou levá-la para tomar essa porra de banho, se o


meu material é tão irritante.

— Me deixe ir.

Ele me arrastou para o banheiro do meu quarto. Lá, ele


me soltou. E eu me apoiei no canto da parede, sua fúria o
tornando de repente assustador.

— Entre no chuveiro —, disse ele, estendendo a mão


para a gola da minha blusa e a rasgando ao meio.

Eu gritei, tentando empurrá-lo de volta, sabendo que era


impossível.

— Você queria um banho.

— Eu vou fazer isso —, eu disse quando ele estourou o


botão do meu short e baixou o zíper.

— Por favor. Só...

— No banho!
Ele me empurrou para o chuveiro, embora eu ainda
estivesse com o meu sutiã e calcinha.

— Me deixe ir. Eu vou fazer isso, eu prometo. — Ele


parou e trouxe seu rosto a uma polegada de distância do
meu.

— Você não tem que prometer. Eu sei que você vai fazer
isso.

Ele ligou a água, e eu recuei para longe do spray frio que


atingiu um lado do meu braço.

Lágrimas queimaram meus olhos e amaldiçoei as gotas


que caíam.

— Tire sua calcinha e sutiã —, disse ele, empurrando a


mão pelo cabelo enquanto recuava.

— Eu vou. Basta ir, tudo bem. Eu sinto muito. Eu não


deveria ter empurrado você.

Sua respiração era audível, seus lábios apertados, o


olhar em seu rosto me dizendo que ele estava se esforçando
para se controlar.

— Eu tenho que fazer xixi. Me deixe fazer xixi. — Eu


disse, esperando que isso o convencesse a sair e me
aproveitei desse momento para argumentar com ele.

— Sinto muito, ok?

Conseguia ver a batalha se desenrolando nos seus


olhos, e a próxima coisa que eu percebi foi ele me
empurrando contra a parede do chuveiro com uma mão em
volta da minha garganta. Agarrei seu braço, tentando puxá-
lo para fora. Ele estendeu a mão e desligou a água,
encharcando um lado de sua T-shirt no processo.

— Faça.

— O... o quê?

Com a mão molhada, ele empurrou minha calcinha até


meio da coxa.

— Faça.

— Salvatore ...

— Faça xixi, Caralho. Você quer que eu te deixe


sozinha? Eu vou. Mas, primeiro, você mija.

Nós ficamos nos encarando, os olhos escuros com raiva


e os meus como os de um cervo travado nos faróis de um
caminhão que se aproxima. Eu não sabia o que fazer, se
deveria ou não tentar argumentar com ele. Eu não o
conhecia. Esse fato verdadeiramente me bateu pela primeira
vez, aqui, agora. Ele era o filho de um chefe da máfia, o
próximo na fila para sucedê-lo. Eu vi ele armado no funeral
do meu pai. Esse homem conhecia a violência, era o seu
mundo. Quantos horrores viu com seus próprios olhos?
Quantas atrocidades cometeu com as próprias mãos? Neste
momento, ele era verdadeiramente e absolutamente
aterrorizante.

Deixei meus braços caírem para meus lados, não mais


lutando contra as lágrimas, e eu fiz o que ele disse. Chateada.
Ele olhou para baixo por um segundo, em seguida, voltou seu
olhar para o meu. Quando o líquido quente se arrastou pelas
minhas pernas, ele soltou minha garganta e deu um passo
atrás, piscando como se estivesse saindo de um estupor,
balançando a cabeça. Eu deslizei para baixo e sentei no chão
do chuveiro, observando enquanto ele olhava para mim, toda
a raiva se dissipou dos seus olhos, como se houvesse
evaporado no ar, e foi substituída por... remorso?

Salvatore saiu do banheiro, e eu ouvi a porta do quarto


ao lado bater. Levantei, liguei o chuveiro, tirei o resto das
minhas roupas, e fiquei sob o fluxo quente, chorando, com
um sentimento de perda total e fisicamente ferida.
SALVATORE
Eu saí.

Fui à garagem com capacidade para seis carros, um


edifício separado da casa principal. Peguei as chaves que
estavam em uma caixa ao lado da porta. Escolhi o Bugatti e
entrei. Virei a chave na ignição, o motor rugiu na quietude da
manhã. Os portões se abriram, e os pneus cantaram quando
saí da propriedade e me dirigi à estrada. Em seguida pisei
fundo no acelerador, apreciando a forma como o meu corpo
estava pressionado contra o banco, o poderoso rugido do
motor e acelerando ainda mais a cada curva.

Quem eu era? O que eu acabei de fazer, humilhando


Lucia assim? Machucando. Cristo, Porra.

Eu era um monstro.

Eu inspirei e expirei, respirações audíveis e curtas, meu


estômago apertado, os músculos dos meus braços apertados
por causa da força com a qual eu estava apertando o volante.

Ela ficou sob a minha pele. Esta mulher de quase vinte


e um anos de idade, que é a porra da minha propriedade
domina meu pensamento e corpo a cada minuto do caralho.
Eu precisava controlá-la por muitos motivos. Mas eu não
poderia fazê-lo desta forma. Porra. Eu a fiz se mijar de medo,
literalmente. Seus olhos, não havia acusação neles. Não. Só
havia medo.

— Porra! —Eu soquei o volante com a lateral do meu


punho.

Um carro virou na esquina de repente, me


surpreendendo, O barulho da buzina me acordou de onde
diabos eu estava. Eu puxei o volante, e o Bugatti desviou
para o lado da estrada, errando o carro por polegadas.

— Merda!

O homem do outro veículo gritou para mim.

— Porra! — Eu disse. Não que ele tenha me ouvido.

Minhas janelas subiram. Meu celular vibrou no meu


bolso enquanto eu desacelerava até parar completamente. Ao
olhar para o visor do Bluetooth, vi que era Roman ligando. Eu
saí, esfreguei o rosto com as duas mãos, e pressionei as
palmas das minhas mãos nos meus olhos. O telefone parou,
então começou novamente. Cavei no bolso e o atendi.

— Roman —, eu disse. Caminhei alguns passos para


olhar sobre a estrada deserta, a grama orvalhada brilhando
ao sol na manhã tranquila e os pássaros cantando nas
árvores.

— Bom dia, Salvatore.

— Você está ligando cedo.

— Eu gostaria de falar com você. Tentei ligar na noite


passada, mas não consegui falar com você.
— O que é, Roman? — Isso era sobre a reunião? Luke
DeMarco?

— Seu pai quer ter certeza de que você vai estar


presente no seu jantar de aniversário.

— Você me ligou por isso? — Seria no final da semana


seguinte, e, claro, eu estaria lá. Não havia maneira que eu
não estivesse. A menos que eu quisesse dar munição a
Dominic.

— Ele queria convidar você e Lucia para passar a noite.

— Isso não será necessário. Vamos para casa.

— Ele insiste.

Eu respirei fundo. A festa ia ser realizada na casa nos


Adirondacks, mas eu preferia levar 8 horas para ir e vir a
passar mais tempo naquela casa com ele.

— Claro —, eu disse, compreendendo.

— Ouça, há mais uma coisa.

Eu esperei.

— Seu irmão.

Ele fez uma pausa, e eu podia ouvi-lo medindo as


palavras.

— Eu apenas pensei que você deveria saber que ele se


reuniu com seu pai na noite passada.

Meu pai voltou para a casa em Calabria depois que eu


deixei New Jersey.
— Então? —Perguntei, nem um pouco surpreso. Ele
estava chateado por ter sido deixado de fora do nosso
encontro.

— Ele está mexendo a panela, Salvatore.

— O que há de novo com isso? — Eu conheci meu tio


toda a minha vida. Ele era um homem inteligente. Ele
também era um homem de negócios. Ele sabia o que
aconteceria se Dominic, e não eu, assumisse a família. E de
alguma forma ele tinha um efeito calmante sobre o meu pai.
Sergio confiou nele. E eu confiava em Sergio.

— Nada é novo, mas agora que você está... distraído...


com a sua hóspede, ele está sugerindo que ele deva cuidar do
problema DeMarco.

— Cuidar como?

— Retirar Luke DeMarco. Fazer disso um exemplo.

Eu balancei a cabeça, embora Roman não pudesse ver.

— Típico dele. Este é o meu problema para lidar. Não


dele.

— Ele chamou a atenção do seu pai.

— Isso não é novidade.

— É diferente desta vez, Salvatore —, disse ele


pesadamente.

— Quando eles irão para casa?

— À tardinha. Voltarei no avião com eles.


Silêncio novamente, mas eu poderia dizer que ele tinha
algo a dizer.

— Franco não vai dar a palavra ainda, mas você precisa


saber o que está acontecendo.

— Obrigado, tio.

Eu desliguei e guardei meu telefone. Eu não queria lidar


com agressões ciumentas de Dominic agora. Eu tinha outras
coisas em minha mente. Eu precisava voltar. Falar com ela.
Explicar que eu não era a porra de um monstro.

Ela disse que não tinha amigos e se recusou a ver sua


família. Bem, tínhamos mais em comum do que ela podia
imaginar. Ela aprendeu a odiar a minha família ao longo dos
últimos cinco anos. Talvez, tenha aprendido a odiar todo
mundo. Eu só, estupidamente, não quero que ela me odeie.

Voltei para o carro, liguei o motor, e dirigi uma hora até


o cemitério. Eu vim aqui mais vezes do que eu provavelmente
deveria. Depois de estacionar próximo ao jazigo da família, eu
saí. O calor e a umidade pareciam querer me sufocar após
tanto tempo no ar-condicionado. Parei e peguei uma dúzia de
lírios brancos na loja de flores, a flor favorita da minha mãe, e
fui até a pequena colina. O chão sob meus pés era macio
aqui, bem úmido e coberto de musgo. Um pequeno portão
cercava as casas de terra1 de muitos membros da família
Benedetti. Eu percorri meu caminho habitual, lendo os
nomes dos mortos na minha cabeça, anotando mentalmente

1
Sepulturas
quanto tempo cada um viveu, sabendo que muitas dessas
vidas foram interrompidas.

Mas era o que fazíamos. Nós matamos. Nós morremos.


E para quê?

Cheguei às lápides da minha mãe e do meu irmão que


ficavam lado a lado. Tirei as flores que trouxe da última vez,
que já estavam morrendo, e coloquei as novas. Arranquei
algumas ervas daninha e raspei a sujeira das inscrições em
ambas as lápides, observando o ano de nascimento e morte
no túmulo de Sergio. Ele era um ano mais velho do que eu
sou agora. Casado. Sua esposa descobriu que estava grávida
quando ele morreu. Isso não era justo.

Quando isso aconteceu, eu quebrei. Ele era meu único


aliado, meu amigo. Ele sabia como se tornar chefe. Nosso pai
o amava e ainda assim, Sergio não era nada como ele. Ele foi
morto a tiros em um posto de gasolina. Um motorista
estúpido e covarde. Ele merecia uma morte melhor do que
essa. Mas, além disso, ele merecia uma vida.

Meu pai retaliou, mas algo não parecia bem para mim.
Na verdade, a coisa toda cheirava mal. Culparam uma família
menor da Filadélfia, que deveria nos ser leal. De alguma
forma, surgiu uma prova os incriminando. Mas isso não fazia
sentido, nem na época e nem agora. Meu pai, porém,
enlouqueceu completamente. Ele amava Sergio e com sua
morte, ele simplesmente reagiu matando os filhos do chefe.
Eficazmente acabando a família.
Era para eu estar com Sergio na reunião da qual ele
estava voltando quando foi morto, mas eu adoeci. De certa
forma, parecia que eu enganei a morte, mas, se eu estivesse
lá, talvez Sergio não houvesse morrido. Talvez as coisas
fossem diferentes.

Eu nunca disse isso quando vinha para o cemitério e


nunca ficava muito tempo. Apenas aparecia. Queria que eles
soubessem que eu não esqueci deles. Voltei para o carro e
dirigi para a casa de Natalie. Natalie era a esposa de Sergio.
Além de sua amizade comigo, ela cortou os laços com a
família após a morte dele e da minha mãe. Ela odiava meu
pai e irmão. Ela odiava a vida. Mas ela amou meu irmão,
mesmo sabendo o custo desse amor.

Meu pai não a permitiu se afastar, apesar de tudo. Não


com ela trazendo seu primeiro neto para o mundo. Jacob
Sergio Benedetti nasceu seis meses depois do assassinato de
Sergio. Natalie propositadamente não deu um nome
propriamente italiano, o que irritou meu pai. Jacob tinha um
ano e seis meses agora. Eu sabia que ela se preocupava com
o que meu pai exigiria dela quando Jacob crescesse, mas ela
mantinha aquilo para si mesma. Meu pai os apoiava
financeiramente. Tanto quanto Natalie odiava, ela precisava
do dinheiro. E contanto que ela aceitasse isso, Franco daria o
espaço que ela queria. Eu acho que ele pensava que a
possuía de alguma forma.

Eu disquei o número de Natalie no meu celular. Ela


respondeu após o quarto toque.
— Olá?

— Natalie, sou eu, Salvatore.

— Ei, Salvatore. Como você está?

— Bem. — Não realmente.

— Como vai você?

— Estou bem. Apenas brincando com Jacob.

— Posso passar por aí?

— Você tem certeza que está bem?

— Sim—, eu disse rapidamente, em seguida,


acrescentei: — você sabe. — Natalie era a única pessoa que
me conhecia por quem eu realmente era. Eu confiava em
Marco, meu guarda-costas, mas ele não sabia deste lado
meu. Eu não confiava em ninguém o suficiente para
compartilhar está vulnerabilidade. Demasiadas pessoas
esperavam por qualquer sinal de fraqueza de minha parte.

— Venha aqui.

— Obrigado. Vejo você em vinte minutos.

Eu dirigi até a casa dela, uma casa de tijolos de dois


andares, cerca de quarenta e cinco minutos de distância da
minha. Seus pais viviam nas proximidades, e ela se mudou
aqui especificamente para estar perto deles. Quando eu
toquei a campainha, Natalie atendeu com Jacob empoleirado
em seu quadril. Ele ainda usava pijama e estava segurando o
animal de pelúcia que eu dei a ele em seu primeiro
aniversário. Ele me deu um enorme sorriso gengival, com
apenas três dentes, embora eu já pudesse ver o quarto
aparecendo.

— Uau, como você cresceu— Eu peguei Jacob dos


braços de Natalie. Ele passou os braços em volta do meu
pescoço e plantou um beijo molhado em meu rosto.

— OK—, disse Natalie.

— Você parece... não muito bem.

Ela me deu um abraço e um beijo na bochecha depois


de limpar a marca Jacob deixou.

— Entre.

Coloquei Jacob no chão entre seus brinquedos, que


pareciam estar em toda parte.

— Expresso?

— Por favor. — Sentei no sofá e assisti Jacob brincar


enquanto Natalie fazia o café, em seguida, se juntou a mim
na sala de estar.

— Como foi o funeral?

— Uma merda. — Eu tomei um gole do café que ela me


entregou, escuro, rico e amargo, apenas a forma como eu
gostava.

— Ele tem os olhos de Sérgio — Eu disse, pegando o


brinquedo que Jacob estendeu para mim.

Natalie acariciou o cabelo do menino.

— E sua teimosia.
— Eu não sei. Eu acho que você pode ser responsável
por isso também.

Ela sorriu.

— Você pode estar certo sobre isso. O que há, Salvatore?

— Lucia está em casa comigo.

Natalie assentiu, sabendo a situação.

— Como é que vão as coisas?

— Bem, ela está lá há menos de vinte e quatro horas, e


eu acho que já estraguei tudo. — Eu bebi o último gole de
café expresso.

— Gostaria de falar sobre isso?

O que eu poderia dizer a ela? O que eu poderia dizer que


não me faria soar como um monstro? Como o meu pai. Porra,
ele teria ficado orgulhoso de mim esta manhã.

— Ela me odeia, como esperado. Ela está lutando


comigo a cada oportunidade. Teimosa para caralho.

— Ela só começou a morar com você depois do funeral?

Eu balancei a cabeça.

— Então você deve tê-la chateado de verdade— Ela


piscou.

— Basta dar algum espaço. É uma grande mudança


para ela, e seu pai acabou de morrer. Suicídio, certo?

— Pelo que parecia, sim.

— Você não acredita?


— Eu não acredito em nada a menos que veja com
meus próprios olhos.

Ela me estudou por um momento e deixou sair a


pergunta que estava em sua cabeça.

— Como ela é?

— Bonita. Jovem. Assustada. Ela cuspiu no meu pai no


funeral. Ou tentou, mas falhou. — Eu ri.

— Resistente também, então. Eu já gosto dela.

— E cheia de ódio por nós. É justamente por isso que


estou assim. Ela não pode sair dessa. Nenhum de nós pode.
— Fiz uma pausa. — Até que a morte nos separe.

— Isso não é tão assustador. — Natalie olhou para


longe por um momento.

— É isso que está no contrato. Como um contrato de


casamento, mas diferente. E se eu morrer antes dela,
Dominic herda ela. Como se ela fosse uma coisa, porra. Meu
pai tem um senso de humor doentio, como você bem sabe.

Seu lábio enrolou com a menção de seu nome.

— Você quer abandoná-la.

Sua pergunta me assustou. Eu respondi sem hesitar.

— Não.

— Você gosta dela.

Estudei Natalie e senti a necessidade de corrigir o que


ela disse. Se que a correção era para meu benefício ou para
dela, eu não tinha certeza.
— Eu sinto um tipo de obrigação em relação a ela.

Ela bufou.

— Além disso, mesmo se eu quisesse, eu não poderia


sair dessa situação. Assim como ela também não. Eu não
quero que ela me odeie.

— Dê algum espaço e algum tempo, Salvatore—, disse


Natalie, tocando minha mão.

— Ela só precisa realmente vê-lo, como eu faço. Ela só


vê o nome Benedetti agora. A família Benedetti, aqueles que
destruíram a dela.

Ela estava certa.

— Talvez você possa…

Natalie sacudiu a cabeça.

— Sinto muito, eu não posso. Eu não posso mais ser


uma parte disso — Lágrimas brotaram nos olhos dela.

— Eu entendo. Está bem. Eu só acho que ela precisa de


alguns amigos ou algo assim.

— Sinto muito, eu só...

Toquei seu ombro.

— Eu não deveria ter perguntado.

Um silêncio constrangedor se estabeleceu entre nós.

— Precisa de alguma coisa? — Eu finalmente perguntei.

Ela balançou a cabeça.

— Não, nós estamos bem. Tudo certo.


— Você vai me ligar se precisar, certo?

— Eu prometo.

— Eu sinto falta de Sergio. — Meus olhos estavam


quentes.

— Eu também. — Natalie limpou as lágrimas antes de


se inclinar contra o meu peito. Eu a abracei, esfregando suas
costas.

— Ei, eu vou levar Jacob à praia um pouco mais tarde.


Por que você não vem conosco?

Eu balancei a cabeça, sem precisar pensar muito sobre


isso. Eu não queria ir para casa. Eu enterraria a cabeça na
areia por um pouco mais de tempo

— Gostaria disso.

— OK.

Jacob se ergueu, estendendo dois dos animais de


fazenda com os que ele estava brincando. Ambos estávamos
um pouco molhados de baba, mas eu os peguei mesmo
assim. Ele estava encostado em minhas pernas, balbuciando.

— O que é isso? — Eu perguntei, sem entender uma


palavra do que ele disse.

Natalie riu e se levantou.

— Mais café?

— Claro.

— Ei, Jacob, tio Salvatore vai vir com a gente para a


praia. O que você acha disso, querido?
Jacob inclinou seu rosto contra minha perna e sorriu,
ainda ‘falando’ Eu entendi a palavra praia, então algo que
soava como tio antes que ele me abraçasse. Eu abracei-o de
volta.

Eu passaria o dia aqui. Seria bom para mim. E eu


pensaria sobre o que Natalie disse sobre dar tempo e espaço a
Lucia. Eu poderia fazer isso. Ficar aqui me ajudaria a
organizar meus pensamentos.
LUCIA

Eu era uma prisioneira aqui.

Passei o dia no meu quarto. Dormi um pouco, em


seguida, li um pouco e dormi um pouco mais. Rainey me
trouxe uma bandeja no almoço quando eu disse a ela que não
estava me sentindo muito bem, trouxe outra no jantar. Eu
não perguntei onde estava Salvatore ou o que ele estava
fazendo. Não sabia se ele apenas viria se intrometer aqui e
exigir coisas de mim. Me punir, me humilhar. Mas ele nunca
veio. Quando Rainey veio limpar meu jantar, eu finalmente
criei coragem de perguntar:

— Salvatore está em casa?

— Não senhora, Ele ligou agora pouco para dizer que


não viria para casa essa noite.

Então ele passaria a noite em outro lugar? Onde? Com


quem? E por que eu me importo? No mínimo ele não me
machucaria, não se ele não estivesse aqui.

Mas Salvatore não veio para casa na próxima noite


também. Sem ser capaz de me esconder no meu quarto mais
um pouco, eu finalmente sai dele na manhã seguinte e me dei
um tour pela casa, olhando em volta nos cantos, atrás de
plantas, procurando câmeras. Eu não ficaria surpresa em
encontrá-las. Ele disse que eu tinha livre caminho pela casa,
fora seu escritório e seu quarto. Claro, a primeira coisa que
eu fiz foi tentar abrir seu escritório mas estava trancado. O
quarto também estava trancado, mas quando eu vi que a
faxineira acabou de sair eu tentei a porta. Ela esqueceu de
trancar quando saiu.

Eu olhei em volta para ter certeza que ninguém estava


olhando e entrei, fechando a porta silenciosamente atrás de
mim. Eu gastei mais um momento encostada na porta,
tentando acalmar minha respiração, sabendo que se ele
descobrisse que eu estava aqui, que eu desobedeci, ele me
puniria. E ainda assim me senti triunfante, como uma
criança que come um doce que não estava permitida a ter.

Eu me empurrei da porta e tranquei. O quarto era duas


vezes maior que o meu, os móveis eram de madeira escura ou
metal, o tapete e as cortinas em tons de azul para combinar
com seus olhos em todos os seus humores. Painéis de couro
cobriam a parede atrás das quatro estruturas de aço da
cama, que estava perfeitamente arrumada, todos os cantos
dobrados, desde que ele não dorme aqui por duas noites.

A porta que faz conexão com meu quarto tem a chave na


fechadura. Imaginei que estaria no seu lado. Outra porta leva
a um banheiro parecido com o meu, apenas maior, esse
contem toalhas pretas e acessórios para banho, nada de
feminino sobre esse lugar.
A última porta abre para um closet. Eu entrei, rindo do
espaço entre os cabides pretos que continham ternos,
jaquetas e calças em um lado, shorts separados por cores
pela outra parede, e mais roupas casuais, também separadas
por cor e perfeitamente espaçadas na última parede. Três
dúzias de pares de sapatos enfileirados em prateleiras, e mais
duas prateleiras com cintos. Gravatas estavam enroladas em
suas próprias almofadas, com o código de cores até aqui. As
gavetas tinham cuecas e meias. Peças do dia- a- dia. Coisa
que por alguma razão eu não conseguia associar com o
homem que era dono dessa casa.

Eu corri a mão pelos ternos, daí arrastei eles um pouco,


bagunçando o TOC com o espaçamento, pensando ser
engraçado por um momento. Mas então me encontrei
tomando uma profunda respiração. Eu fiquei chocada e voltei
para o quarto.

Cheira como ele aqui.

Eu timidamente toquei um dos gelados postes de aço da


cama quando pensei o que eu estava fazendo, não me
sentindo muito bem sobre isso. Eu sentei na beira da cama e
disse a mim mesma que eu precisava fazer isso. Para quebrar
suas regras e invadir sua privacidade como ele invadiu a
minha, Para pegar de volta algum poder que ele tirou de mim
quando ele fez eu fazer o que ele fez.

A superfície da mesa acabou de ser lustrada. Eu passei


o dedo sobre ela antes de abrir uma gaveta e olhar dentro
dela. Estava vazia.
Eu andei para o outro lado da cama. O livro do lado do
abajur me contou que ele dorme desse lado da cama. Eu
sentei na beira da cama e abri a gaveta com menos cuidado
dessa vez. Essa não estava vazia. Eu procurei dentro e tirei
uma garrafa que eu pensei ser de creme para as mãos, mas
quando eu li o rotulo, eu sentei rapidamente. Estava meio
cheio de lubrificante. Olhando mais fundo, eu encontrei
várias camisinhas e atrás disso, um par de algemas.

Vozes fora da porta me fizeram colocar as coisas


rapidamente na gaveta, e quando a porta se abriu eu deitei
no chão e me arrastei para debaixo da cama.

Uma mulher falou, e eu vi ela entrar para pegar um


balde que deixou no banheiro antes de voltar para fora da
porta. Desta vez ela não esqueceu de trancar a porta.

— Merda!

Eu sai de debaixo da cama. Foi quando eu vi uma


contenção de couro pendurada no poste. Curiosamente, eu
puxei para fora. Andei para outro poste e encontrei outra
parecida, e duas mais nos outros postes.

Eu sorri. Esse era um lado de Salvatore que eu não


considerei, e eu não tinha certeza de como eu me senti.

Mas agora não era hora de pensar sobre isso. Eu tinha


um problema maior. Eu tinha que sair desse quarto.
Me levou trinta e cinco minutos para eu pegar a
fechadura e entrar no meu próprio quarto. Me sentindo mais
ou menos como uma ladra, eu peguei meu celular, que estava
carregando desde que acabou a bateria completamente.
Mostrava seis chamadas perdidas. Todas de Isabella. Sem
mensagens, mas com mensagens de voz uma atrás da outra:

— Oi Lucy, me ligue quando receber isso.

— Checando Lucy. Você está ai?

— Hum, estou me sentindo meio que perseguidora. Você


não pode ainda estar braba comigo. Porra, você pode ficar do
jeito que quiser. Merda, eu ficaria irritada. Ok, por favor não
fique braba comigo.

— Porra — A voz de Effie no fundo, depois minha irmã


novamente

—Não querida, mamãe não disse palavra feia.

Eu sorri

— Lucia se você não me ligar agora mesmo, eu estou


entrando no meu carro e dirigindo até ai!

— Porra. Estou indo!

Eu chequei as mensagens. A última delas foi há uma


hora e meia atrás. O que significa que ela chegaria a qualquer
minuto.

Eu coloquei o celular no meu bolso e corri até a porta.


Descendo as escadas, eu escutei uma voz e reconheci como a
de Marco. Parei nas escadas e escutei

— Ela tem uma visita.


Ele deve estar falando no telefone porque eu não escutei
outra voz. Ele murmurou

— Tudo bem, chefe — desligou.

Quando eu escutei seus passos, continuei descendo as


escadas, olhando a sala que ele veio. Ele olhou para mim

— Boa tarde.

Marco estava sempre por perto, mas pelo menos ele


ficava fora do meu caminho

— Boa tarde.

Eu escutei uma porta de carro fechando e virei para a


porta da frente. Pela janela eu vi minha irmã olhando a
mansão antes de abrir a porta de trás para Effie sair.

— Sua irmã está aqui — Marco disse, chegando na


porta antes de mim.

— Eu posso ver.

— Sr. Benedetti deu sua permissão para você vê-la —


Ele abriu a porta, mas seu comentário me parou e virei para
ele.

— Realmente? Ele deu sua permissão? — Idiota.

Marco me encarou e estava prestes a dizer alguma coisa,


mas Isabella falou primeiro.

— Bem, é afastada e é protegida — ela disse.

— Por um minuto eu achei que eles não iam abrir o


portão — Ela veio diretamente para mim, me olhou dos pés à
cabeça, e me puxou para um abraço.
Eu gritei na hora, seus abraços foi algo que eu senti
falta, algo que eu desejei. Isso me fez sentir protegida.

— Izzy — eu usei o nome que eu chamava ela quando


era criança e não podia dizer seu nome inteiro. Ficou preso.
Eu era a única pessoa que chamava ela assim.

Ela me puxou e olhou para mim. Eu enxuguei meus


olhos mas aparentemente não rápido o suficiente porque eu
vi a preocupação dela. Ela olhou para Marco, que ficou
estupidamente nos assistindo.

Eu odiava ele.

— Mamãe — Effie puxou a saia de sua mãe

— O presente.

Sua voz estridente me fez sorrir. Ela segurou uma caixa.


Eu podia ver a embalagem rasgada que tinha chocolates.

— Por que você não dá para tia Lucia, e explica por que
o embrulho esta rasgado.

Effie virou para mim e me deu a caixa

— Eu comecei a abrir para ajudar você.

— Isso é realmente o porquê? — Izzy perguntou.

Eu olhei para Izzy. Então olhei para Effie.

Eu me abaixei para pegar a caixa dela, tentando ficar


séria.

— Isso é o que eu acho que é? Meus chocolates


favoritos? — Eu perguntei, Pegando a caixa e rasgando em
torno do papel.
— Talvez você possa me ajudar a terminar de abrir —
Ela felizmente pegou a caixa e terminou de rasgar o papel de
presente.

— Sim. Eles são meus favoritos também — Ela


relutantemente segurou a caixa para mim.

— Você segura isso. Nós provavelmente devemos comer


alguns. O que você acha?

— Nós definitivamente devemos comer alguns!

Eu endireitei e olhei em volta, percebendo que Marco


ainda estava por perto

— Vamos para a sala de estar.

Com uma mão na cabeça de Effie, eu segui ele para a


espaçosa sala adjunta da sala de jantar. O sol brilhava, e a
piscina brilhava azul ali no grande pátio.

— Deus, isso é lindo, não é? — Izzy perguntou.

— É sim

— Você trouxe roupas de nadar, mamãe? — Effie


perguntou, com sua atenção focada na piscina.

Eu olhei minha irmã, que rolou os olhos.

— Eu não sabia que tinha uma piscina, então não.

Effie deu uma olhada para ela, o que me fez esconder


minha boca de uma risada.

— Como eu ia saber, é a minha primeira vez aqui — Izzy


protestou.
— Que tal alguma coisa para beber — Eu perguntei logo
quando Rainey entrou. Ela sorriu calorosamente, e eu
apresentei todo mundo.

— O que você gostaria? Eu tenho alguma limonada


caseira talvez para a pequena?

— Na verdade, para mim também— Izzy falou.

— Caseira?

Izzy concordou.

— Então faça três, por favor — Eu disse. Rainey tem


sido meu único ponto de contato nos últimos dias, Meu
mundo sempre foi pequeno, mas agora se tornou minúsculo.

Rainey assentiu e voltou para a cozinha. Marco ainda


ficou na sala. Izzy e eu olhamos para ele, enquanto Effie
trabalhava em tirar o plástico da caixa de chocolates.

— Você vai ficar aqui? — Eu perguntei a ele.

Ele olhou para mim com as sobrancelhas levantadas.

— Eu quero ter uma visita da minha irmã. Certamente


você não tem que monitorar toda palavra que eu digo. Eu
prometo, não vai ser tão interessante.

Antes dele me responder, passos soaram no chão de


mármore. Nós viramos quando Salvatore entrou na sala. Ele
usava uma camiseta e jeans, a gola V agarrada ao seu
esculpido corpo. Seus olhos azuis cobalto trancados em mim,
meu batimento cardíaco acelerado, meu corpo de repente
formigando, meus seios apertados, todo cabelo arrepiado.
Um momento depois, ele me liberou de seu domínio, sua
postura relaxando enquanto notava minha irmã e sorriu para
Effie lutando com o plástico.

— Obrigado Marco, você pode ir — Ele disse.

Marco assentiu e deixou a sala. Salvatore andou até


Izzy.

— Eu não acho que conheci a irmã de Lucia


oficialmente. Eu sou Salvatore Benedetti.

Ela pegou sua mão

— Isabella DeMarco.

— É um prazer. E essa é?

Effie olhou para cima

— Consegui — Ela levantou o plástico triunfalmente,


então olhou Salvatore

— Eu sou Effie — ela disse, ficando de pé e segurando


sua mão.

Salvatore pegou

—Prazer em conhecê-la, Effie.

Rainey entrou com a bandeja e copos de limonada


colocando na mesinha de café. Nós ficamos sem jeito.

— Eu vou deixar você e sua irmã com alguma


privacidade. — Salvatore finalmente disse, no seu tom casual,
seu olhar oscilando.

— Eu vou tomar um banho.


Ele esperou. Meu corpo ainda estava vibrando,
formigando as coisas como o ar pesado sobre nós.

— Obrigada — eu disse finalmente.

Ele assentiu e deixou a sala. Nós o vimos ir. Somente


quando ele estava fora da sala que qualquer uma de nós
respirou. Meus pensamentos foram para o que eu achei no
quarto dele. Eu me perguntei se ele vai pensar que esqueceu
de trancar a porta entre nossos quartos, ou se ele sabe que
eu invadi.

— Nossa, ele é intenso.

Eu exalei.

— Sim. — Eu não poderia dizer para Izzy sobre o que ele


fez. O que eu fiz. Porra, eu não tinha certeza o que tudo
significava ou como eu me sentia sobre isso.

— Effie, é educado oferecer chocolate primeiro para os


outros antes de você comer.

Minha irmã tentou soar rigorosa, mas eu vi o sorriso


orgulhoso que ela tentou esconder.

Effie virou seus grandes olhos azuis claros para sua


mãe, sua boca mastigando um segundo pedaço de chocolate.
Ela se levantou e caminhou até nós.

— Você gostaria de chocolate? — ela perguntou, virando


para mim primeiro.

— Eu adoraria um. — Eu escolhi o chocolate preto e


agradeci. Izzy recusou, e Effie deu de ombros e se serviu de
um terceiro pedaço.
—Como você está indo? Você não respondeu nenhuma
das minhas mensagens. Eu pensei que ele não estava
deixando você usar o telefone.

Eu balancei a cabeça com um sorriso fraco.

— Não, estava sem bateria. Eu só vi as mensagens


alguns minutos antes de você chegar aqui realmente.

— Bem, você terá que me responder da próxima vez. Eu


fiquei preocupada.

Eu assenti.

— Você está bem? — ela perguntou baixinho.

Eu encolhi os ombros.

— Eu não sei. Eu não quero chorar. — Eu disse quando


as primeiras lágrimas molharam meus cílios.

— Shh — Izzy procurou um lenço na sua bolsa.

Rainey saiu da cozinha nesse momento. Eu virei meu


rosto.

— Estou me preparando para cozinhar biscoitos na


cozinha. Talvez Effie possa me ajudar? — ela perguntou para
Izzy.

Effie levantou as sobrancelhas e ficou de pé. — Oh, eu


posso mamãe?

— Você tem certeza? — Perguntou para Rainey.

Depois de um olhar e um pequeno sorriso ela assentiu.

— Claro — Izzy disse

— Obrigada.
Effie pegou facilmente na mão de Rainey, e andaram
para fora.

— Isso foi legal. — Izzy disse.

— Eu ainda não a decifrei.

Izzy pegou minhas mãos.

— Você está bem Lucia? Isso é importante. Eu sei que


não falamos sobre mim, sobre eu indo embora. Eu estava
errada de apenas sair. Eu sei disso. Estou de volta agora, e
não vou abandonar você de novo, ok? Você não está sozinha,
qualquer pensamento que você tenha sobre isso, pare agora
mesmo.

Eu sorri. Mais lagrimas caíram.

— Nós estamos bem, Izzy. – Foi bom dizer isso. É bom


ter minha irmã de volta, realmente.

Ela me abraçou forte, enquanto sussurrava no meu


ouvido.

— Tem câmeras? Dispositivos de escuta?

Sua pergunta me surpreendeu.

— Eu não sei. – eu sussurrei de volta.

— Eu não vi nenhuma mas não posso dizer com muita


certeza que não tenha.

Ela me puxou de volta e me olhou.

— A piscina parece incrível.

Eu sabia o que ela queria.

— Vamos dar uma olhada.


Nós andamos para fora longe da casa em direção a
piscina.

— Como ele é? Quando ninguém está por perto, eu


quero dizer.

— Mandão. – Eu não poderia dizer a ela sobre mais


cedo. Sobre nada disso.

— E está fora, na maior parte do tempo. Ele acabou de


voltar de qualquer lugar que ele estava, na verdade.

— Ele olha para você como se quisesse comê-la viva.

Ele me assusta, mas não vou dizer isso em voz alta e


não para Izzy.

— Eu não consigo entendê-lo. Ele é horrível em um


segundo, depois legal. Quase que carinhoso. Como se ele
desse a mínima sobre o que eu penso ou o que eu sinto. – Eu
peguei um único dente de leão crescendo no imaculado
gramado.

— Mas daí ele é um idiota de novo, e depois desaparece.

— Ele está fazendo você... – Ela hesitou.

— Dormir com ele? – Eu pensei no que eu achei no


quarto dele e fez meu rosto aquecer.

Ela assentiu.

— Não ainda.

— Bom. Você pode ir e vir?

— Eu não sei. Não por mim mesma, eu acho.


— Tudo bem, assim está bom. Eu vou apenas vir pegar
você. Se ele mandar alguém nos seguir, nós lidamos com ele.

— Isso não importa Izzy. Estou presa aqui.

—Luke e eu... Nós não vamos ficar sentados e deixá-los


ter tudo. Deixá-lo ter você.

— Luke?

— Só porque nós perdemos uma guerra, não significa


que não podemos começar outra.

—Izzy. — Até no calor do dia, um arrepio passou por


mim.

— Você não pode. Nós perdemos uma vez e nós


tínhamos um exército para nos apoiar.

— Nós não precisamos de um exército. Nós temos


acesso agora.

— O quê?

Izzy de repente soltou uma gargalhada como se eu


tivesse contado uma piada. Foi quando eu vi Salvatore
parado na janela do seu escritório. Nos olhando.

— Por acesso, você quer dizer eu.

— É o que você quer, não é?

— Bem, é. — Isso foi tudo o que eu pensei nos últimos


cinco anos e por uma boa razão.

— Eu quero minha liberdade. E eu quero que Franco


Benetti pague pelo que ele fez a nós. Pelo que ele fez papai
fazer. — Eu lembrei a última vez que eu vi meu pai. Nós
estávamos naquela sala horrível quando eu assinei o
contrato. Por que eu me recusei a falar com ele em todos
esses anos? Ele tentou. Ele veio para o colégio uma vez por
mês. Ele ligou uma vez por semana. Mas eu o culpei por meu
destino. Ele era o culpado, mas eu também entendi que ele
não teve outra escolha.

Eu deveria ter sido mais compreensiva da pressão que


tinha sobre ele.

— E o que sobre ele? – ela perguntou, inclinado sua


cabeça na direção de Salvatore, que se afastou da janela.

— Eu quero minha liberdade.

— Bem, isso é um começo. Vamos para dentro, antes


que ele suspeite.

— Os cookies estão prontos! — Effie chamou logo que


entramos na casa.

— Eles cheiram deliciosos. — Eu disse.

Ela olhou orgulhosa enquanto Rainey carregava um


prato cheio de cookies recém assados para a sala de estar.

— Estou empacotando a casa, — Izzy disse. — Effie e eu


estamos nos mudando.

— Vocês estão? — Eu estava surpresa. Papai ainda


morava na casa em que nós crescemos. Eu não achei que ela
queria a casa, mas estava feliz que ela não estava falando em
vendê-la. Eu não estava pronta para isso ainda. O
pensamento, era muito final. Eu não estava pronta para dizer
adeus ainda, terminar aquele capitulo da minha vida tão
permanentemente.

Izzy assentiu.

— Eu deveria ter voltado antes disso. Eu deveria ter


perdoado ele.

— Eu não fiz.

— Deveria ter sido eu no seu lugar. — Ela disse, seus


olhos baixaram.

— Eu não quero pensar sobre isso.

— Se não fosse por eu ter ficado grávida...

— Você ainda tem contato com o pai? — Eu queria


saber quem era ele. Não importava mais, não agora que papai
foi, e mesmo que ele tivesse descoberto, não teria importado
de qualquer jeito.

Salvatore escolheu esse momento para entrar na sala.

— Eu posso sentir o cheiro dos biscoitos do escritório. —


Seus olhos encontraram os meus primeiro, sua expressão
cautelosa, quase cuidadosa.

— Eu assei eles. Rainey ajudou. – Effie disse


orgulhosamente.

— Você fez? Posso?

Ela sorriu, assentindo.

Ele pegou um e deu uma mordida.

— Bem, você fez um bom trabalho. Estes são os


melhores cookies que eu já comi.
Effie deu a ele um grande sorriso.

— Eles são?

— Yep. E Rainey é uma boa cozinheira, então isso quer


dizer muito.

Izzy olhou seu relógio.

— Nós deveríamos ir.

— Você não pode ficar mais? — Eu não quero que ela


vá. Eu não queria ficar sozinha com ele.

— Eu tenho pessoas vindo para ajudar com a casa, e


nós vamos voltar com roupas de banho logo. Talvez você pode
vir me ajudar? Eu estou empacotando algumas coisas o
movendo elas para o sótão, me livrando de algumas coisas.
Talvez ver o que você quer fazer com seu quarto?

Olhei para Salvatore, odiando que eu tive que pedir sua


permissão. Pedindo a ele um passeio. Pedindo para ele tudo.

— Quando? — Ele perguntou.

Izzy deu de ombros.

— Amanhã ou no próximo dia.

— Eu acho que podemos arranjar isso.

Eu sinto como se tivesse ido da casa do meu pai, para


as freiras, para o Salvatore Benedetti. Eu estava sem poder
para decidir qualquer coisa pra mim mesma.

— Luce? – Izzy perguntou.

Eu assenti, Arrumando minha expressão.


— Meu calendário está livre. — Eu disse, dando a
Salvatore um sorriso.

Ele não reagiu.

— Ótimo, nós vamos nos ver então. Vamos Effie, hora de


voltar para casa.

— Ugh. Casa é tão chato. — Ela disse com seus ombros


caindo.

— Não é não, querida. Nós apenas temos que encontrar


sua caixa de brinquedos. Talvez você possa levar alguns
desse cookies para casa.

Eu peguei um guardanapo, coloquei o resto dos cookies


e entreguei para Effie.

— Aqui está, querida. Não esqueça sua roupa de banho


da próxima vez que vier aqui.

— Eu não vou tia Lucia.

Ela me deu um abraço. De novo me veio o pensamento


que eu perdi os primeiros anos de vida da minha sobrinha.
Eu não a conheço. Eu dificilmente conheço Izzy ainda. Ou
Luke.

Onde Luke e Izzy realmente planejam atacar a família


Benedetti? O que isso significa para Salvatore?

Salvatore andou conosco até a porta. Uma vez que elas


dirigiram para fora e saíram de vista, ele fechou a porta. Nós
ficamos no foyer.

— Me desculpe, — ele disse.


— Eu não deveria ter feito o que eu fiz.

Merda. Uma desculpa era última coisa que eu esperava.


Se ele me trancasse no quarto, fosse uma fera comigo, faria
mais sentido. Eu poderia odiar ele.

Mas uma desculpa? Ele oferecendo para me levar para


minha irmã?

— Espero que possamos esquecer e começar de novo. —


Ele adicionou.

Eu acho que nós dois achamos difícil sustentar o olhar


um do outro, e a última coisa que eu queria fazer era falar
sobre o que aconteceu, então eu assenti.

— Tudo bem.

Ele deu um pequeno sorriso.

— Obrigado.

— Se você fizer alguma coisa como isso de novo,


Salvatore, Eu vou matar você.

Seus olhos estreitaram, e a desculpa de Salvatore foi


embora.

— Você não tem que me ameaçar de morte. Eu disse que


sentia muito.

Ele segurou meu olhar até eu piscar e assentir, olhando


para baixo, minha atenção desviada para um pedaço invisível
da minha blusa.

— Você realmente vai me levar para ajudar minha irmã?


— Você não é uma prisioneira, ao contrário do que você
pensa Lucia. Esse contrato entre nós, as circunstancias de
nossa família, essa coisa nos cegam, e mesmo que eu tenho
expectativas sobre você, eu não vou tolerar lealdade
equivocada, eu não estou interessado a ter um prisioneiro.
Nem você nem eu podemos sair disso, mesmo se quisermos.
Nós temos que achar uma forma de viver com isso.

Mesmo se quisermos. Isso significa que ele também não


quer? E o que eu queria?

— Eu me sinto como uma prisioneira. Eu sou


constantemente vigiada. Eu não posso visitar minha irmã
sem o Marco ficar vigiando. Eu não tenho nada para fazer
aqui. Você tem uma cozinheira, pessoas para limpar...

Ele me olhou confuso.

— Você não é cozinheira, nem faxineira.

— Mas eu sou sua propriedade. Você mesmo disse. Eu


tenho um diploma, eu quero trabalhara, mas...

Sua boca se apertou, e ele olhou para longe por um


instante.

— Venha em meu escritório Lucia.

— Por quê? — Eu não confiava nele. E por mais que eu


odiava admitir, ele me assustava.

— Para podermos conversar. Isso é tudo.

Eu não me mexi.

— Eu prometo.
Depois de um momento, eu assenti. Ele fez um gesto
para eu ir na frente e seguiu perto de mim, abrindo a porta
do escritório quando chegamos e me deixando entrar. Uma
vez que fechou a porta, ele se moveu para trás da grande
mesa. Eu olhei em volta da sala. As paredes pintadas com um
tom de cinza escuro, e duas janelas com vista para o quintal
e a floresta além. Os moveis eram feitos de escura e pesada
madeira, e sua mesa, o ponto principal, deve ter sido uma
antiguidade. Diretamente na frente tem uma cadeira de
leitura e prateleiras ao longo de duas paredes, do chão ao teto
cheia de livros. Separado da mesa e do sofá tinha uma
poltrona, de couro escuro, com um Otomano combinando aos
pés. A lâmpada de leitura atrás estava ligada, embora
estivesse ensolarado lá fora, essa sala ficava escura.
Masculina. Até a cena aqui parecida diferente, toda homem.

— Sente.

Eu percebi que ele estava me observando o tempo todo.


Eu sentei no sofá e olhei para ele, com a mesa entre nós, ele
sentado atrás dela, fazendo eu me sentir pequena. Alisei a
saia do meu vestido, sem saber onde colocar minhas mãos.

Salvatore levantou e deu a volta na sua mesa. Me


surpreendendo, ele se juntou a mim no sofá.

Isso me fez mais desconfortável, apesar de tudo. Se pelo


menos ele se comportasse como eu esperava que ele...

— O que você sabe sobre mim?

Eu o estudei, atraída por ele, por seus olhos. Eu me


lembrei por um momento como azul dos seus olhos se
tornaram pretos quando ele estava excitado. Lembrei como
ele olhou para mim quando deitei antes dele. Como ele me
levou. Como ele agarrou seu pau...

Então a imagem do que eu encontrei no seu quarto,


imagens saltando da minha memória.

Eu limpei a garganta e foquei na sua mandíbula firme


ao invés de seus olhos. Ao longo de seu rosto a marca
acinzentada me disse que ele provavelmente não se barbeou
nos dois dias que estava fora, e isso não ajudou minha mente
a se concentrar. Baixei o olhar para seu pescoço, para a pele
exposta ali, a camiseta abraçando seu poderoso peito.

Merda. Isso não está funcionando. Eu estava atraída por


esse homem que eu queria odiar. O ódio do que ele fez, a
atração física era como energia entre nós, uma coisa viva e
respirando.

Eu fechei meus olhos e me forcei a me concentrar.


Abrindo de novo, eu me forcei a olhar para seus olhos. Mas
quando eu fiz isso eu vi o que ele via. Ele sabia o poder que
tinha sobre mim.

— Você estava com uma mulher nas últimas duas


noites? – Eu disparei.

Ele riu, aparentemente surpreso.

— Não como você pensa.

Então era um sim?

— Eu me senti envergonhado pelo que eu fiz. O que eu


fiz você fazer.
Meu rosto e meu pescoço avermelharam.

— Isso foi o porquê que eu fui. Eu não estava com


nenhuma mulher. Eu não estaria. Nós temos um contrato.

— Isso me liga a você. — Nenhuma parte do contrato


fala sobre obrigações em sua parte, certamente não ser
celibato ou fiel. Não é um contrato de casamento, depois de
tudo.

— E eu a você.

Agora eu estava confusa. Salvatore se encostou para


trás e colocou o tornozelo sobre o joelho.

— Me deixe perguntar novamente, Lucia. O que você


sabe sobre mim? Ou a melhor questão seria, o que você acha
que eu sei?

— Eu sei que você é filho de Franco Benedetti. — Eu


empinei o queixo.

— Isso é tudo que eu preciso saber.

— Eu acho que você é mais esperta que isso.

— Eu sei que sua mão tremia quando assinou o


contrato.

Ele parou, seu olhar vacilando um momento.

— Eu não sou o primogênito. Eu nunca quis estar na


posição que estou.

— Você quer dizer, ser o sucessor de seu pai?

— Sim.
— Então você está preso comigo? Se seu irmão estivesse
vivo, eu estaria com ele.

— Eu quero dizer que eu fui obrigado a muitas coisas,


que eu não escolheria para fazer e não perdoaria.

— E você quer dizer. Você não me escolheria?

— Pare de colocar palavra na minha boca.

— Não é isso que você está dizendo?

— Por que você não tenta me ouvir para variar e lembra


que nem tudo é sobre você Lucia.

Muito chocada para responder, eu sem querer fiz o que


ele disse.

— Estou dizendo que eu não teria feito o contrato em


primeiro lugar. Mas para ser justo, seu pai concordou.
Lembre-se disso.

— Meu pai não tinha escolha.

— Ele devia estar disposto a morrer... — Ele parou e se


inclinou para frente, raiva marcando suas palavras, uma
raiva que eu não esperava.

— Ele deveria estar disposto a morrer do que ver você


seguindo em frente com isso.

A última parte me fez parar.

— Ele morreu. — Mas Salvatore estava certo. E era por


isso que eu estive tão brava com meu pai todos esses anos.

Por que eu me recusava a ver ele. Ele me deu sem


brigar. Salvatore estava certo. Como ele pode ficar parado e
assistir o que ele fez? Como ele pode oferecer sua filha para o
monstro o Benedetti?

— Eu não quero chatear você, Lucia.

Passei as mãos pelo meu rosto, pegando uma única


lagrima que deslizou dos meus olhos. Eu balancei minha
cabeça, não querendo falar com medo de começar a chorar.
Seria mais fácil se ele fosse cruel. Maldito ele, seria mais fácil.

— Tudo que estou dizendo é que eu não teria feito o que


meu pai fez. Eu não teria exigido a filha inocente do meu
inimigo como pagamento.

Porra.

Engoli as lágrimas, sabendo que ele viu através de mim


o tempo todo.

— Mas aqui estamos nós. Você e eu, ambos aqui, e


presos um ao outro. Eu não quero um prisioneiro. Eu não
quero alguém que tenha medo ou me odeie na minha própria
casa.

— Então eu não entendo. Por que você se importa com o


que eu penso? Eu sou seu inimigo, e você ganhou. Minha
presença aqui é a prova disso. Do seu poder sobre mim e
sobre minha família.

— Eu não sou um monstro você acreditando ou não.

— O que você quer de mim então?

— Eu já te disse: sua obediência. Você me dá isso, e eu


vou fazer isso mais fácil.

Obediência. Eu odeio a porra dessa palavra.


— E se eu não obedecer, você vai me punir como você
fez antes.

— Eu serei criativo com minhas punições sim. — ele


disse com um brilho nos olhos.

Arrepios fizeram os pelos do meu braço levantarem, e


minha cabeça foi para as restrições presas nos postes de sua
cama. Ele usaria elas? Isso era ser criativo?

Salvatore tocou suavemente no meu joelho. Minha


cabeça gritou para eu pular longe, mas ao invés disso, eu
olhei do seus olhos para sua mão. Engoli seco enquanto ele
acariciava o interior do meu joelho, subindo para a minha
coxa, puxando o vestido enquanto fazia isso.

— Eu acho que você aproveitaria pelo menos parte do


seu castigo.

Eu balancei minha cabeça, um pequeno não, mas


mantive meus olhos em sua mão, em seus dedos enquanto
fazia círculos na pele sensível.

Ele deslizou para mim, me fazendo olhar para cima, me


fazendo encontrar seu olhar.

— E não tem que ser sempre punição.

Seus dedos deixaram minha coxa e tocaram o primeiro


botão do meu vestido. Eu olhei em silencio, incapaz de falar.
Ele lentamente desfez os botões e puxou meu vestido aberto.

— Olhe para mim.

Eu fiz, quando minha respiração engatou quando olhei


nos seus olhos azuis. Com as duas mãos, ele escorregou o
vestido dos meus ombros, deixando nos meus cotovelos. Ele
então explorou meu peito, meus mamilos apertaram só com o
seu olhar, meu sutiã branco mal cobrindo eles.

Trazendo seu rosto perto do meu, ele inalou, sua boca


perto da minha, mas não tocando. Ele beijou minha
bochecha suavemente, fazendo minha barriga vibrar, sua
respiração fazendo meu sexo pulsar.

— Eu posso fazer isso bom. — Ele sussurrou no meu


ouvido.

— Eu quero fazer isso bom para você.

Quando seus dedos traçaram a beira do meu sutiã, eu


lambi meus lábios, querendo que ele me beijasse, preparando
para ele me beijar. Ele poderia fazer isso tão bem. Eu sabia.
Eu sabia o quão bem ele poderia fazer.

Seus dedos deslizaram dentro do meu sutiã quando sua


boca chegava perto da minha de novo. Dessa vez, eu
empurrei meu rosto para encontrar o seu e levantei a mão
tremula para encontrar o músculo do seu braço nu. Seu beijo
foi suave, lento, com seus dedos passando nos meus
mamilos. Mas quando ele mudou, crescendo em calor e
intensidade enquanto uma mão pegou atrás da minha
cabeça, e minha boca abriu para sua língua, meu corpo todo
indo em direção a ele, querendo precisando de alguma coisa a
mais.

— Mas apenas boas garotas são recompensadas. — Ele


disse, sua boca no meu ouvido de novo, eu estava sem ar,
piscando para ele enquanto ele ia para trás.
— Más garotas são punidas, você tem sido má, Lucia?

Seus olhos parecem dançar, e eu soube naquele


instante que ele sabia.

Eu me endireitei, tentando puxar minha roupa para me


cobrir.

Salvatore balançou a cabeça e sorriu, inclinando a


cabeça para o lado.

— Me diga, você foi má?

— Não. — Eu disse, minha voz quebrando.

Ele estendeu a mão e puxou meu sutiã para baixo,


liberando meus seios.

— O que... que você está fazendo? — Eu me mexi para


cobri-los.

— Não. — Ele disse, pegando meus pulsos e puxando


para minhas costas.

— Salvatore?

Aquele sorriso ainda estava em seu rosto, ele me puxou


para frente e me deitou de barriga no seu colo. Ele manteve
meus pulsos nas minhas costas enquanto os dedos de sua
outra mão faziam cócegas dentro das minha coxas enquanto
ele levantava minha saia.

—Você estava bisbilhotando? — Ele perguntou sem


rodeios enquanto terminou de levantar minha saia para de
baixo dos meus pulsos.

— O que? Não!
Ele bateu na bochecha direita. Eu estava mais surpresa
do que com dor.

— O que ...

— Você estava bisbilhotando? — Ele repetiu.

Eu levantei meu pescoço.

— O que você está fazendo?

Tapa.

— Ow! Pare!

— Você tem estado bisbilhotando?

Eu balancei minha cabeça, apertando minhas pernas


juntas, e tentando me soltar, o que era impossível,
considerando sua força e seu tamanho.

— Não?

Seus dedos encontraram a beira da minha calcinha e


fizeram cócegas na carne lá.

— O que você está fazendo? Me deixe ir!

Eu sabia que ele me ouviu, ele apenas estava gostando


disso. Quando ele começou a arrastar minha calcinha para
baixo, eu descontroladamente mexi minhas pernas apenas
para tê-las presas nas coxas duras de Salvatore. O barulho
de seu cinto me fez parar de lutar, e ele riu do que eu tenho
certeza que foi da minha expressão de pânico.

— Não se preocupe. — Ele amarrou o cinto nos meus


pulsos e segurou eles atrás das costas.
— Estou apenas planejando usar minha mão nessa
primeira vez.

— O que?

Mas ele começou, batendo em uma bochecha e depois


outra, cada tapa gritando na minha cabeça se isso estava
mesmo acontecendo. Eu estava nua da cintura para baixo
apanhando!

— Pare! Essa porra dói!

Alguns momentos depois ele parou, desenhando círculos


nas minhas bochechas punidas.

— Me deixe levantar. — Eu disse, limpando meu rosto


molhado nos seus jeans.

— Você estava bisbilhotando? — Ele perguntou


novamente. Dessa vez, não houve provocação na sua voz.

— Sim! — Ele sabia de qualquer jeito, porque ele teve


que me humilhar para me fazer admitir, está além de mim.

— Boa garota. — Ele disse, seu toque deslizando por


entre minhas coxas.

— Más garotas são punidas, mas boas garotas são


recompensadas.

Então, sem nenhum aviso, seus dedos encontraram


meu sexo, e eu tomei uma respiração.

Eu fique tensa, deixando tudo apertado, mas Salvatore


mexeu e acariciou até eu relaxar minhas pernas e deixar elas
bem abertas, minhas costas arqueando com minha excitação
sobre e em volta do meu clitóris, esfregando devagar e depois
forte, beliscando, me fazendo chorar.

— O que você encontrou no meu quarto? — Ele


perguntou, ainda esfregando.

Quando um gemido escapou de mim, eu baixei minha


cabeça, esperando desaparecer. Como eu poderia estar
aproveitando isso? Aproveitando essa humilhação?

— Não...

— Lembre, boas garotas são recompensadas, garotas


más são punidas. Mentindo tornaria você uma garota má.

— Eu odeio você. — Eu disse, não acreditando em mim


mesma.

— Não você não odeia. Você só se sente impotente e está


respondendo a isto.

— Eu não sou uma criança.

— Eu sei disso. Me diga o que você encontrou.

Ele começou a mexer no meu clitóris de novo,


esfregando com mais força, mais rápido.

— Deus.

Ele riu.

— Deus seria a primeira vez.

— Eu...

—Foco, Lucia. — Ele disse, seus dedos da mão livre


pegando meus mamilos.
— Restrições. — Eu disse, com meus olhos prestes a
rolar para trás enquanto ele beliscava meu mamilo.

— E como você se sentiu de encontrá-las?

Ele aliviou meu clitóris, e eu gemi, arqueando as costas


de novo, querendo, precisando gozar.

— Eu... eu não sei.

Ele bateu na minha boceta, e eu engasguei.

— O que você sentiu?

Ele esfregou de novo e eu derreti contra ele

— Curiosa.

Era provável eu ter ouvido um sorriso? Porque eu


escutei. E depois, eu gozei. Eu gozei forte na sua mão, os
sons que eu fazia eram estranhos para meus próprios
ouvidos, meu corpo ficando mole sobre suas coxas, meu
olhos fechando, sonolentos. Quando acabou, eu senti ele
soltando meus pulsos e me erguendo, me embalando em seus
braços e deitando para trás no sofá.

— Lucia, Lucia, Lucia. Você me surpreendeu.

— Você ainda vai me levar na minha irmã? —– Eu


perguntei, tocando seu corpo, meus olhos meio fechados.

— Eu disse a você que iria. E nós precisamos fazer


compras para encontrar um vestido para você.

— Um vestido? Para quê?

— A festa de aniversário do meu pai.


LUCIA

Ficar trancada com as freiras por cinco anos foi mais


fácil do que pensei. Eu não tinha que encarar nada. Eu podia
pensar. Eu podia ficar revoltada. Eu podia culpar a tudo e a
todos, mas eu não tinha que encará-los. Agora, estou sentada
ao lado de Salvatore, em seu carro, enquanto ele dirige para o
lugar que deveria ser um lar para mim. Então, eu não sabia
mais o que era casa. Eu não sabia aonde eu pertencia, quem
eu era. Quem eu deveria ser.

Olhei para o perfil de Salvatore. A primeira vista, um


maxilar forte, enquanto seus olhos traíam a profundidade
desta camada externa. Tive um vislumbre da escuridão. Ele
manteve a sua atenção na estrada, enquanto eu o estudei,
imaginando quem era esse homem. O que devia esperar dele.

Pensando, no que aconteceu entre nós ontem.

Eles me examinaram no dia da assinatura. Seu pai


queria ter certeza de que eu estava intacta. Uma virgem. Foi
só para me humilhar? Para quebrar o meu pai até ao ponto
em que ele já não pudesse ser reparado?
Eu balancei a minha cabeça, tentando apagar da
memória o rosto do meu pai quando tive coragem de olhar
para ele. Como suas mãos viraram punhos, e os ombros
estavam caídos. Ele teve que ficar e assistir a degradação de
sua filha. Por quê?

Ontem, Salvatore não me atacou. Ele não tentou, e ele


teve oportunidade. Múltiplas oportunidades. Ele poderia
discutir, certamente. Ele me possuía. Mas ele não me obrigou
a nada, eu não desisti. E permiti. Eu fiquei lá e deixei ele me
dar um orgasmo. Eu senti seu pênis pressionando contra
mim entre nós dois, a punição e a recompensa, mas ele não
teve prazer comigo.

Eu tentei aumentar o ar-condicionado, me sentindo


muito quente de repente. Nossos dedos se tocaram quando
Salvatore ajustou para mim, e foi como um raio de
eletricidade. Nossos olhares se encontraram, mas eu
rapidamente pisquei e me virei.

— Se você pegar essa saída, posso mostrar um atalho.

Ele foi pelo caminho. Uma vez que estávamos na saída,


dei as direções. Nós fomos pelas ruas estreitas perto da casa
da minha infância.

— Quer uma xícara de café primeiro? — Eu perguntei


quando nos aproximamos da minha padaria preferida,
querendo adiar a nossa inevitável chegada. Temo que Isabella
poderá ver através de mim. Eu seria uma traidora?

Ele pareceu surpreso com a minha oferta.

— Certo.
— Aqui, você pode estacionar na calçada. O
estacionamento é geralmente cheio. — E eu gostaria de
andar pelas ruas, ver as casas e a vizinhança, não sabia o
que eu perdi.

— Você não se importa em caminhar algumas quadras,


não é? — Eu perguntei quando nós saímos.

— Não, está tudo bem. — Salvatore apertou um botão


para trancar o carro e olhou em volta.

— Estou curioso para saber onde você cresceu. Isto é


muito diferente do que eu imaginava.

Wayne na Pensilvânia, era um subúrbio bonito, quieto,


Rico e tirando a família mafiosa que vivia ali, seguro.

Pendurei minha bolsa sobre meu ombro e olhei para o


céu, nuvens espessas e pesadas com a umidade. Tinha que
estar uns 32º. Apesar de não gostar de chuva, hoje ela seria
bem-vinda, só para esfriar as coisas.

Salvatore veio para o meu lado, sua atenção ainda sobre


os arredores. Ele usava uma camiseta azul marinho e jeans, e
eu não tinha ideia de como ele não estava todo suado. Meu
top e short pareciam colados a mim.

— O que você imaginou? — Eu perguntei andando na


frente, gostando do fato de que a maioria das casas era
exatamente como há cinco anos.

Salvatore virou seus olhos azuis para mim. Será que eu


sempre ficarei sem fôlego quando ele olhar para mim?

— Eu não sei. Um castelo com um fosso.


Eu ri.

— Essa é a sua família. Éramos mais... tranquilos. —


Eu pensei sobre isso.

— Meu pai nos manteve fora das coisas. Ele não foi feito
para governar a família, meu tio era. Mas quando meu avô e
meu tio foram mortos, ele foi forçado a assumir. Lembro disso
acontecendo. Bem, lembro de todas as reuniões, todas as
pessoas que estavam de repente em nossa casa o tempo todo.
Eu tinha dez anos, talvez. — Eles disseram a mim e a minha
irmã que eles sofreram um acidente de carro, mas eu sabia a
verdade. Eu fui ao escritório do meu pai e vi as fotos do carro
cheio de balas, e eles dentro dele. Estremeci. Algumas coisas
você não pode esquecer, não importa o quanto você queira.

— Eu me lembro de não poder mais jogar no jardim da


frente ou de poder andar de bicicleta pelo bairro.

— Seu pai não tinha o controle da família.

Eu parei.

Salvatore virou para mim.

— Ele está morto. Não é o suficiente? Eu pensei que


estivesse satisfeita, mas eu acho que eu estava errada. —
Lágrimas queimaram em meus olhos, mas eu não me sentia
triste. Estava confusa e arrependida com a necessidade de
defender a honra do meu pai e o desespero para entender
minhas lealdades.

Salvatore passou a mão pelo cabelo grosso, escuro e


desviou o olhar. Ele balançou a cabeça, mas não falou.
— Por que você não me deixou em casa? — Perguntei,
me sentindo traída depois de ontem. Mas o que eu esperava?
O que eu acho que estávamos construindo, um
relacionamento?

— Qual o caminho para o café? — Ele perguntou,


ignorando minha pergunta.

Eu apontei e andei na frente dele. O café era pequeno e


exatamente como eu me lembrava. E estava cheio.

O lugar inteiro ficou em silêncio quando entramos. Eu


olhei em volta para os rostos, não reconheci ninguém, mas
sabia que eles me reconheciam. Ou, mais provavelmente,
Salvatore. Benedettis não eram bem vindos neste bairro por
um longo tempo, isso não mudou, apesar de agora eles
frequentarem.

— Vamos conseguir uma mesa — disse Salvatore


quando eu andei até o balcão.

— Nós podemos apenas pedir um copo para viagem. —


Eu não pensei sobre como as pessoas poderiam reagir a ele, e
de me verem com ele.

— Não.

Ele fez questão de olhar a todos do lugar, e certamente


ele sentiu que olhavam para ele também.

— Tem um casal saindo. Podemos pegar aquela mesa.

Olhei para onde ele apontou, e o casal da mesa deixou o


dinheiro da conta, recolheu suas coisas e saiu.
— Não temos de ficar — eu sussurrei, não tenho certeza
se era mais por ele ou por mim. As pessoas sabiam quem eu
era, eles sabiam por causa do meu pai, e também pelas fotos
da família que saíram após a sua morte num jornal local ou
sabiam por causa de Salvatore.

— Nós vamos ficar.

Ele puxou uma das cadeiras e esperou eu me sentar


antes que ele sentasse na cadeira oposta. Eu vi como ele
escolheu o assento de onde ele poderia observar todo o café,
especialmente a porta. Era um lembrete sutil de quem ele
era. Quem eu era.

Uma garçonete veio para limpar a mesa.

— O que você gostaria? — Salvatore me perguntou.

— Um cappuccino, por favor. Obrigada.

—Eu quero um expresso duplo e um dos éclairs, se eles


estiverem frescos.

— Foram feitos esta manhã — disse a garçonete, com


seu tom hostil.

Salvatore a dispensou com um aceno.

As conversas recomeçaram, gostaria de saber quantos


estavam falando sobre nós.

Salvatore encostou na cadeira e olhou para mim.

— Você vinha muito aqui quando era criança?

Eu sabia que ele não estava alheio aos olhares ou


sussurros, mas ele agiu como se ele não ligasse.
Eu balancei a cabeça, tentando não olhar ao redor.

— Izzy e eu vínhamos todos os domingos de manhã


depois da igreja. Os éclairs eram os meus favoritos.

— Por que não pediu um?

— Eu não estou com muita fome.

— Coma um. — Ele levantou a mão para chamar a


atenção da garçonete.

— Não — Eu estendi a mão para fazê-lo baixar o braço,


e não chamar mais atenção para nós, mas a garçonete já se
aproximava.

— Eu não acho que consigo comer qualquer coisa,


Salvatore — eu sussurrei.

Ele me estudou, seus olhos curiosos. Preocupados?

— Sua sobrinha vai estar lá hoje, certo?

Eu balancei a cabeça, olhando para a garçonete que


ficou em silêncio, claramente não contente em ter que servir
a um Benedetti. Será que eles me veem como uma traidora?
Eles sabiam o que aconteceu para eu fazer isso? Para ficar
com ele? Foi nesse momento que eu percebi que
provavelmente eles não sabiam sobre o contrato. Era confuso
mesmo para mim, não é mesmo?

— Vamos querer seis dessas éclairs para levar — Ele


disse para a garçonete, em seguida, virou para mim.

— Ela gosta de doces pelo que vi.

Eu sorri.
— Isso seria legal. Ela vai gostar, e Izzy também.

A garçonete voltou e entregou o café e o doce de


Salvatore e colocou a caixa de eclairs no registro. Salvatore
deu uma grande mordida, e eu ri.

— O quê? — Ele perguntou, olhando para um


guardanapo.

— Você tem um pouco de creme — eu apontei, em


seguida ele estendeu a mão para limpar e não conseguiu.

— Ali. — Eu estiquei minha mão sem pensar para


limpar o creme. Ele me observou, e assim que eu percebi o
que eu estava fazendo, eu puxei um guardanapo e limpei meu
dedo.

— Eles são muito bons — disse Salvatore, sem


comentar sobre o que aconteceu.

— Você não se importa de que ninguém te quer aqui,


não é?

Ele ergueu as sobrancelhas e pegou seu café expresso.

— Não. Por que eu deveria? Além disso, eu nem tenho


certeza de que seja verdade. — Ele olhou ao redor do café.

— O que aconteceu, aconteceu há cinco anos.

As coisas eram muito piores. As brigas de rua


transformaram a vizinhança quieta e segura, em um lugar
violento.

— E nós temos mantido a paz desde então.

— Ao matar a maior parte dos seus inimigos.


— Ambos os lados perderam pessoas, Lucia. Nós
acabamos de ganhar a guerra que o seu pai começou. — Ele
bebeu o último gole de seu café e se levantou, olhando
irritado.

— Você terminou?

Levantei.

— Eu preciso usar o banheiro.

Ele balançou a cabeça e tirou a carteira enquanto fui


para o banheiro minúsculo. Uma vez lá dentro, eu tranquei a
porta e agarrei a pia, olhando para o meu reflexo. Eu tinha
que encontrar alguma maneira de ficar bem com tudo isso.
Esta era a minha vida agora. Eu pertencia a um homem cujo
nome eu odiava, mas que me fez questionar tudo em que eu
acreditava. Eu precisava fazer sentido em tudo isso, para
encontrar alguma maneira de sobreviver. Joguei água no meu
rosto e sequei, respirando fundo antes de caminhar de volta
para encontrá-lo esperando por mim, com sua expressão
dura.

Nos dirigimos para a casa em silêncio. Eu não precisava


mais dar instruções a Salvatore. Ele sabia o caminho. Pelo
tempo que ele parou na frente da grande casa de tijolos de
dois andares, com o envolvente alpendre, e balanço
pendurado em um galho na árvore do jardim da frente, meu
coração disparou.

Salvatore desligou o motor e virou para mim. Ele


colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, seu
polegar descansando contra a minha bochecha enquanto um
pequeno sorriso se formava. Uma espécie de trégua, talvez.

— Relaxe — disse ele.

— É tão óbvio? — Perguntei, segurando a caixa de


éclairs.

— Sim. — O telefone de Salvatore tocou. Ele olhou para


a tela, mas recusou a chamada.

— Vou entrar com você, e então eu tenho que fazer uma


ligação.

Eu balancei a cabeça, estranhamente grata, e sai do


carro.

— Tia Lucia!

Virei para encontrar Effie correndo pelo gramado em


nossa direção.

— Effie! — Ela abraçou as minhas pernas. A mão de


Salvatore nas minhas costas me manteve na posição vertical.

— Estou animada em te ver também. — Eu a abracei


com um braço.

— Olha o que Salvatore trouxe para você. — Ela se


afastou para olhar, e eu abri a caixa de éclairs.

— Oh! — Ela gritou e olhou com os olhos enormes da


caixa para ele, e em seguida de volta.

— Obrigada!

A porta da frente se abriu, e Izzy saiu seguida por Luke.

— Huh? — Eu não sabia que Luke estaria aqui.


Izzy veio em nossa direção, com um sorriso. Olhei para
Salvatore para encontrar seus olhos em Luke.

— O que ele está fazendo aqui? — Ele murmurou. Eu


me perguntei se ele realmente queria dizer isso em voz alta.

— Eles parecem ótimos — disse Izzy, com seus olhos na


caixa que Effie segurava. Ela pegou minha mão e me puxou
para o seu lado, com seu olhar sobre Salvatore.

— Obrigada por trazê-la.

— Oh, eu vou ficar — disse ele, me levando pelo braço e


me puxando para ficar ao lado dele.

— Eu adoraria ver onde Lucia cresceu.

— Você não tem que fazer uma ligação? — Eu lembrei a


ele, sem saber aonde minha lealdade deveria estar.

Seu sorriso não alcançou seus olhos.

— A ligação pode esperar.

— Luke veio ajudar. Luke, este é Salvatore Benedetti —


disse Izzy, os apresentando.

Eles se entreolharam e não se cumprimentaram.

— Nós já nos conhecemos — disse Salvatore.

Eu assisti Luke, e vi como ele estava um pouco mais


perto da minha irmã do que ele deveria, lembrei da minha
conversa com Izzy ontem.

— Mamãe, eu já posso comer um? — Perguntou Effie.


Minha atenção foi para a menina. Olhei para ela e para
Luke e para trás. Mas, em seguida, Salvatore falou
interrompendo meus pensamentos.

— Quer que eu dê a primeira mordida, assim você pode


ter certeza de que não estão envenenados? — Ele perguntou a
Izzy em italiano, enquanto colocava uma mão no topo da
cabeça de Effie. Eu percebi que ele falou em italiano para
Effie não entender.

Os olhos de minha irmã endureceram.

— Vá em frente querida — ela disse para Effie, seu olhar


nunca deixando Salvatore.

— Obrigada! — Effie, alheia à tensão, escolheu o maior


éclair e começou a comer.

— Ok, vamos entrar e começar. — Eu puxei meu braço,


peguei o braço de Salvatore e o arrastei comigo para a casa.

— Você sabia que Luke estaria aqui? — Ele perguntou


em tom cortante.

— Não. Estou tão surpresa quanto você. — Eu entrei


na sala de estar, que mesmo em um dia ensolarado estava
escura por causa do grande alpendre coberto, e hoje por
causa das nuvens pesadas Izzy ligou várias lâmpadas apesar
de estar no início do dia.

Parei ao entrar na casa, o cheiro fraco mas familiar de


baunilha inundando minha mente com memórias. Eu esqueci
que era o perfume de velas favorito da mamãe. Papai sempre
falou que odiava, mas ele continuou a comprá-las, mesmo
depois que ela morreu. Foi tudo há muitos anos, toda uma
vida atrás.

— Há algo acontecendo entre sua irmã e Luke? —


Perguntou Salvatore com seu olhar sobre o casal ao lado de
fora, que estava tendo uma grande discussão.

— Eles são primos. Eles apenas estão juntos, isso é


tudo. — Isso foi tudo?

— Eu não gosto disso, Lucia. E eu não gosto de você


próxima dele.

Eu o olhei.

— Ele é meu primo também. Meus pais estão mortos


agora. Preciso de toda a família que eu puder conseguir.

— Às vezes a família é ruim para você.

Fiz uma pausa, tentando ler o que eu vi em seus olhos,


mas Salvatore tinha um talento para ser ilegível. Me sentindo
fraca, eu sentei no braço do sofá e respirei fundo.

— Não leve eles para longe de mim também. — eu


sussurrei sem pensar, sabendo que ele poderia fazer isso. O
que aconteceria então? Izzy iniciaria uma guerra. Porra, ela e
Luke já estavam planejando isso.

Salvatore veio em minha direção. Ele pegou minhas


mãos e me fez olhar para ele.

— Eu não vou levá-los embora.

— Prometa — eu disse depois de um longo momento.

— Eu prometo.
Essa foi a segunda promessa que ele me fez.

Sem outras palavras, eu fui para o meu quarto, onde


Salvatore me ajudou a embalar as coisas que eu queria levar,
na sua maioria livros e diários antigos que eu escondi. Minha
cama estava no mesmo lugar, logo abaixo de uma das duas
janelas. Meu pai costumava me perguntar como eu poderia
dormir lá no verão, se a luz não me acordava muito cedo?
Mas eu adorava. Olhei para o jardim, onde ele colocou um
segundo balanço como aquele no jardim da frente.

Sentei enquanto Salvatore identificava a última caixa.


Foi quando peguei o travesseiro, e encontrei uma carta
dirigida a mim em um envelope selado e uma caligrafia
familiar.

Meu pai.

Peguei e olhei para dentro. A nota de suicídio do meu


pai foi breve. Ele disse que estava arrependido. Ele disse que
falhou com todos que ele amava.

Corri a ponta do meu dedo sobre a tinta azul antes de


deslizar o dedo por baixo da aba e rasgá-la. O som se
destacava, quase como se ele bloqueasse todos os outros
sons, qualquer outra pessoa ou coisa. Meu coração batia
forte, e minha mão tremia enquanto eu retirava a folha de
papel dobrada.

Querida, Lucia

Eu sei que isso vem um pouco tarde demais, e você nunca


vai saber o quanto estou triste por forçá-la a desempenhar tal
papel nesta guerra terrível. Eu quero dizer que, eu não tinha
escolha. Não quero culpar ninguém. E por um tempo, eu fiz.
Mas não era real.

Uma coisa que eu aprendi nestes últimos cinco anos foi


assumir a responsabilidade por minhas ações e as suas
consequências. Para sua consequência. E esta última, é a que
eu não posso me perdoar, é a única coisa que tem me
quebrado.

Eu estou muito arrependido, Lucia. Estou tão


envergonhado de mim mesmo. Eu sou um homem fraco, e eu te
sujeitei a um grande fardo. Eu não posso mais viver com isso.
Vou falhar com você de novo por estar ausente quando o
bastardo vier para te reivindicar. Mas você vê, eu não posso
mais conviver com isso por mais tempo. Eu não posso viver,
sabendo que eles destruíram as minhas duas filhas.

Espero que você me perdoe. Eu te amo mais do que


qualquer coisa neste mundo.

Papai

Uma mão no meu ombro me assustou, e eu olhei para


cima.

— Você está bem?

Foi Salvatore. Eu rapidamente amassei a carta e joguei


na lata de lixo, em seguida, limpei meu rosto com as costas
das minhas mãos.

— Eu quero ir. — Eu disse, olhando ao redor para nada


em especifico.

—Eu preciso ... eu não posso.


— Shh.

Ele passou um braço em volta de mim e em silêncio me


puxou para o seu peito e me segurou lá, com uma mão
esfregando minhas costas, a outra me segurando firme.

— Shh. — ele disse novamente.

Engasguei com um soluço e pressionei meu rosto contra


ele, por um momento, deixando a sua força me apoiar,
tirando o peso de tudo isso de mim. Mas quando em resposta
a minha rendição ele me abraçou de volta, eu balancei a
cabeça e limpei o rosto antes de me separar dele. Eu não
conseguia olhar para ele. Eu não poderia ter o conforto dele.
Ele era o inimigo. E eu estava traindo a minha família a cada
doce momento que compartilhamos.

Eu não poderia fazer isso.

— Por favor... — eu comecei.

Com um aceno de cabeça, ele me levou para o carro.

— Fique aqui.

Salvatore voltou para a casa e retornou poucos minutos


depois, carregado as duas caixas que eu embalei, colocou no
bagageiro e subiu atrás do volante. Ele olhou para mim, um
olhar estranho, cauteloso, avaliador. Então, sem uma
palavra, ele virou a chave e ligou o carro, nos levando de volta
para sua casa, de volta para minha nova casa.
SALVATORE

Eu sabia que não era certo, mas eu fiz o que qualquer


homem faria na minha situação. Eu peguei a carta que Lucia
jogou no lixo e li.

Se eu não tinha certeza antes, eu tinha agora. O filho da


puta do pai era muito fraco para permanecer vivo. Muito
fraco para assumir a responsabilidade, mesmo nesta sua
última carta para sua filha que ele traiu. Será que ele sabia
mesmo o que sua carta faria com ela? Será que ele sabia que
só agravaria a culpa que ela já sentia com sua perda?

Bastardo.

Fiquei em meu escritório com o telefone no meu ouvido


quando, finalmente Roman atendeu no quinto toque.

— Eu preciso que você faça algo para mim, tio. — Eu


raramente chamo Roman de tio, só quando eu precisava
confiar nele absolutamente.

— Só para mim.
— O que é? — Perguntou. Ele era inteligente demais
para concordar com algo sem saber dos detalhes.

— Sei que temos Luke DeMarco sob vigilância, mas eu


quero mais. Eu quero saber onde ele passa suas noites.
Quero saber exatamente quanto tempo ele gasta com Isabella
DeMarco. E... — Eu ia realmente fazer isso?

— Eu quero um teste de paternidade na menina, Effie.


Eu quero saber se ele é seu pai.

— Compartilhamos as mesmas suspeitas.

— E o meu pai? O que ele acha?

— Ele não acha que ela é uma ameaça, por isso não
procurou saber.

— Isabella?

— Sim. — Ele fez uma pausa. — Nunca subestime seu


inimigo, Salvatore. Ele vai te matar.

— Ninguém sabe disso melhor do que eu, tio.

— Eu vou manter isso entre nós por enquanto.

— Por enquanto. Eu irei falar com meu pai quando tiver


uma informação mais sólida.

— Eu vou trabalhar nisso imediatamente.

— Obrigado.

Eu desliguei o telefone, a última parte foi uma mentira.


Se minhas suspeitas estavam corretas, eu não poderia falar
com meu pai os detalhes. Meu pai não precisa de mais
munição contra Luke DeMarco, e Lúcia me pediu para não
afastá-los.

Luke estava buscando apoio, isso eu sabia, mas a irmã


de Lucia estava envolvida? Se estiver, quão profundamente?
O quão perto eles estavam? E o que eu preciso fazer se o que
eu suspeito for confirmado?

No topo de tudo isso, eu tinha que ganhar a confiança


de Lucia. Eu tenho que ter certeza de que ela me obedece, e
que não aja durante o jantar de aniversário. Eu preciso ter
certeza que meu pai saiba que eu tenho o controle sobre ela.

Na tarde seguinte, eu virei para o estacionamento do


Nordstrom.

— Eu não quero ir para a festa do seu pai.

Saímos do carro e entramos na loja de departamentos.


Ela parecia desafiadora, mas eu ouvi o pânico por trás de
suas palavras.

— Eu não vou.

Toquei para levá-la para dentro.

— Sim você vai. E você vai se comportar enquanto


estiver lá.

— Por quê? Porque você não pode apenas ir sozinho?

— Porque ele está esperando por nós dois. — Nós


pisamos na escada rolante, Marco e outro homem nos
seguindo de perto. Um piano tocava no segundo andar. Antes
de chegar no topo eu vi a vendedora esperando por nós.
— Por quê? — Lucia perguntou novamente.

Uma vez fora da escada rolante, tomei seus braços,


esfreguei, e a virei para mim. Não haveria discussão. Ela iria.
E ponto. Mesmo que esse fosse o último lugar que eu gostaria
de levar Lucia, nós dois iremos.

— Porque eu disse. Seja boa. — Eu me inclinei, e para


quem assistiu, parecia que eu estava beijando sua testa, mas
em vez disso, eu sussurrei em seu ouvido.

— Ou então eu vou ter que ser criativo novamente.

Seus olhos procuraram os meus quando eu a puxei para


trás, questionando, talvez tentando avaliar o quão longe eu
iria. Honestamente, eu não me importei que ela se afastou.

— Sr. Benedetti, — a vendedora disse, vindo em nossa


direção.

Virei para ela. Ela não deveria ter mais de vinte anos.

— Eu sou Carla, e eu vou ajudar o seu... — Ela


procurou nossos dedos anelares e mudou:

— Eu entendo que você está procurando um vestido de


noite.

Eu ri e mantive uma mão nas costas de Lucia.

— Para Lucia, eu não combino com um vestido de noite.

A menina riu nervosamente e olhou Lucia.

— Tamanho quatro?

Lúcia assentiu.
— Qualquer preferência quanto ao comprimento ou
corte? — Seguimos ela enquanto ela caminhava para a área
dos vestidos de grife.

Meu telefone tocou. Quando eu vi o nome de Natalie


exibido na tela, eu pedi licença. Lucia ergueu as
sobrancelhas, mas não questionou. Marco me seguiu, e o
outro guarda ficou com Lucia.

— Olá?

— Oi, Salvatore. É Natalie. Pode falar?

— Sim, claro. Está tudo bem? — Ela parecia tensa.

— Dominic veio. Ele estava aqui quando cheguei em


casa do trabalho.

Natalie não confiava em Dominic, ela nunca gostou dele.


Já vi Sergio falando com ele, eu nunca soube os detalhes,
mas suspeitava que tinha algo a ver com Natalie.

— O que ele queria?

— Ele disse que queria ver seu sobrinho. Veja o que ele
está fazendo, já que eu não vou deixá-lo fazer visitas.

O que fez Dominic se preocupar com o bebê? Ele nunca


quis saber dele antes.

— Salvatore?

— Estou ouvindo. Quanto tempo ele ficou lá?

— Apenas dez minutos. Eu não iria deixá-lo entrar.


Conversei com ele nos degraus da frente. O que ele quer,
Salvatore?
— Eu não sei, mas eu vou vê-lo no jantar de aniversário
do meu pai. Eu vou falar com ele. Você se sente segura? Você
quer que eu mande alguém?

— Não, está tudo bem. Eu só ... vê-lo novamente ...


trouxe muita coisa de volta.

— Eu sei. — Eu a ouvi fungar.

— Sinto muito, Natalie. — Eu ouvi Jacob fazendo


barulho perto do telefone.

— Está tudo bem, vai ficar bem. Ele apenas me


surpreendeu. É melhor eu ir buscar o jantar de Jacob. —
disse Natalie.

— Eu posso ir se você quiser.

— Você está ocupado. Realmente, eu vou ficar bem. Já


me sinto melhor, agora que eu falei com você. Tudo bem.

— Me deixe, pelo menos, enviar alguém para vigiar a


casa.

— Não. Eu não quero isso para mim, e eu não quero


isso para Jacob. Estamos fora dessa vida. É o que o Sergio
queria para nós.

Eu balancei a cabeça, mesmo sabendo que ela não podia


ver. A vendedora veio virando a esquina, olhando assustada
até que ela me viu. Virei de costas para encerrar a minha
chamada.

— Ok, mas se você se sentir insegura ou precisar de


alguma coisa, você me liga entendeu?

— Sim. Eu vou, Salvatore. Obrigada.


Nós desligamos, e eu andei em direção à vendedora,
minha mente foi a mil milhas em um minuto, me
perguntando o que Dominic estava fazendo.

— Ela está pronta com o primeiro. — A vendedora falou


e apontou para o vestiário.

A segui. Era uma sala privada com um sofá e um longo


espelho com uma cortina para separar a área do provador.
Uma vez lá dentro, a vendedora fechou a porta e desapareceu
atrás da cortina.

— É muito baixo, — Lucia reclamou.

— Parece incrível. — A vendedora respondeu.

Um momento depois, ela puxou a cortina, e meus olhos


saltaram. Lá estava Lúcia, com sua expressão irritada, seu
longo cabelo escuro caindo em ondas sobre os ombros, um
vestido de cor creme envolto em seu pequeno corpo. O tecido
caindo até os pés, os quais estavam calçados com sandálias
de salto alto prata e dourado. Elas acrescentaram 7 cm a sua
altura. O vestido tinha um corte baixo com V profundo que ia
até a cintura. Pedras ornavam sua cintura e a beira do V
entre os seios, se agarrando a ela, exibindo seus pequenos
seios redondos lindamente.

— Eu acho que o cabelo deve ser preso para cima —


disse a vendedora, empilhando o cabelo de Lucia em cima de
sua cabeça e a levando para que ela ficasse diante do espelho
e de costas para mim.

— Para mostrar essas costas maravilhosa. — O V do


decote repetido na parte de trás.
— Vamos precisar ajustá-lo um pouco aqui — ela
prendeu os alfinetes nos ombros de Lúcia.

— Mas ele estará pronto até amanhã.

— Você está linda — eu disse a Lucia.

Os olhos de Lúcia encontraram os meus pelo espelho.


Olhou mais uma vez como se não acreditasse quem era ela.
Gostaria de saber se esta era a primeira vez que usava um
vestido assim.

— É muito ... — ela começou, olhando para o V entre os


seios.

— É perfeito. — Levantei e fui até lá, fiquei em pé atrás


dela. Nossos olhos se encontraram no espelho. Tirei a
presilha do seu cabelo e deixei a massa cair pelas costas.
Lucia mordeu o lábio e estremeceu.

— Traga algo mais casual para esta noite — eu disse


para a vendedora sem tirar os olhos de Lucia.

— Não tenha pressa.

— Sim, senhor. — A vendedora saiu, fechando a porta


atrás dela.

Virei Lucia para me encarar.

— Eu quero você.

As mãos dela vieram até meu peito, e eu tirei seus


cabelos de seus ombros. As luzes piscaram, e em seguida se
estabeleceram. Sem falar eu me inclinei para beijá-la. Eu
adorava beijá-la. Eu a vi nua e provei sua boceta, mas este foi
o nosso ato mais íntimo. Levei o meu tempo, saboreando, sua
boca suave, sua língua tímida no início, submissa a minha,
em seguida mais ousada, curiosa em sua exploração
conforme o beijo se aprofundava, soltando um gemido
profundo dentro do meu peito.

Uma batida rápida e a porta se abriu. Lucia engasgou,


mas a vendedora permaneceu alheia. Ela carregava alguns
vestidos e falou sem nos encarar pendurando todos eles.

— O que você acha?

Olhei Lucia de novo, meu olhar pairando sobre os


montes expostos, meu pau pressionando contra meu jeans.

— Nós vamos levar este. — Minha voz saiu rouca, e eu


limpei minha garganta.

— Você vai ser capaz de entregá-lo amanhã ajustado?

— Sim senhor.

A vendedora sorriu, e quando eu chequei a etiqueta do


preço, eu entendi o porquê. Ela provavelmente fez mais nesta
noite em comissão do que em um mês.

— Vamos tirar esse e tentar outro — disse ela, levando


Lucia para trás da cortina.

— Aqui fora. Eu quero ver.

Ela parou confusa inclinando a cabeça para um lado,


mas em seguida olhou para Lucia, que só olhou para mim
com os lábios inchados e ligeiramente entreabertos, seus
olhos de um caramelo escuro queimado em contraste com
seu habitual marrom whiskey.
— Aqui. — eu disse, apontando para um ponto diante
do espelho, onde eu poderia vê-la de frente e de trás.

— Sim, senhor. — A vendedora moveu Lucia, que só me


observava.

Eu me inclinei para trás em meu assento, enquanto a


vendedora desabotoou o cinto e deslizou lentamente o vestido
de Lucia, a deixando só de calcinha, um par de boyshorts
como as que ela levou para a Itália. Que parecia há muito
tempo agora.

Deixei os olhos de Lúcia enquanto eu estudava seu


corpo quase nu, cada vez parecendo como a primeira vez.
Ombros estreitos, altos, seios pequenos, redondos, com
mamilos que enrugaram sob o meu olhar; uma barriga lisa; e
longas e delicadas pernas fortes. Ela era bonita. Perfeita. E
meu pau se contraiu.

Eu a tinha, ela era minha. Mas eu queria que ela


quisesse. Que ela me quisesse.

Engoli em seco quando ela levantou os braços para a


vendedora deslizar um vestido preto curto sobre a cabeça.
Este era uma túnica de cintura baixa e tinha mangas longas
com fendas em todo o caminho.

— Melhor parte — disse a vendedora, virando Lucia


para ficar de costas para mim. A parte traseira era aberta até
a cintura, acentuando a silhueta sedutoramente.

Eu balancei a cabeça.
— Eu quero ver este. — Eu apontei para outro, e a
vendedora calmamente obedeceu, despiu Lucia e vestiu
novamente. A virando de várias maneiras enquanto meu pau
ficava maior, a submissão de Lucia me excitou tanto quanto
tê-la nua.

Uma vez que ela experimentou os outros vestidos, a


vendedora nos deixou sozinhos.

— O que estamos fazendo? — Lucia me perguntou


estando diante de mim apenas de calcinha e sandálias, as
mãos sobre os seios quebrando o feitiço.

— Nós estamos fazendo compras. Não cubra seus seios.

Por um momento, ela resistiu com os olhos


questionadores. Mas então ela obedeceu e deixou cair os
braços para os lados.

— Vire.

Ela o fez, com a calcinha de rendas. Eu fiquei de pé. Ela


olhou por cima do ombro, mas em seguida, olhou a parede
novamente.

— Mãos para cima na parede. — Eu estava perto o


suficiente para ter certeza de que ela sentia minha respiração
em seu ombro, o calor do meu corpo pulsando contra o dela.
Inclinando para baixo, eu inalei o aroma limpo de seu cabelo,
assisti seus mamilos endurecem e os arrepios ao longo da
pele de seus braços.

— Eu gosto de te olhar, Lucia. — Eu pressionei minha


ereção contra seu quadril.
— Você não sabe o quanto eu quero você.

Ela engoliu em seco enquanto eu corria os dedos de


uma mão ao longo de seu quadril, e então deslizei dois dedos
ao longo da beira de sua calcinha.

— Eu gosto delas. — Com as duas mãos agora, eu tracei


o contorno da renda na curva suave de sua bunda, arrastei
para cima e expus mais de suas nádegas enquanto eu enfiei o
material na divisão entre elas, e em seguida puxei para cima.

Lucia engasgou.

— Eu gosto da sua bunda. — Eu passei uma mão em


torno do seio e belisquei o mamilo.

— Eu gosto de seus seios. — Eu deslizei para baixo


sobre sua barriga no topo da calcinha para o monte molhado
de seu sexo.

— E eu gosto da sua boceta. — Eu esfreguei o clitóris


enquanto ela se inclinou contra mim, amolecendo, um
pequeno gemido escapou de seus lábios. Envolvendo minha
mão livre em volta do pescoço, eu a pressionei contra mim,
ainda brincando com as escorregadias dobras de seu sexo eu
pressionei meu pênis contra suas costas.

— Quero enterrar meu pau dentro de sua boceta, Lucia.


Eu quero dobrar você aqui e te foder tão duro, para que todos
neste maldito lugar saibam disso. Saibam que você está
sendo fodida. Saibam que você é minha.

Ela endureceu com as minhas palavras, resistindo, mas


seu corpo tremeu quando ela se aproximou do orgasmo.
— Pare. — Sua voz era fraca. Um apelo indiferente.

— Dê isso para mim.

— EU…

Belisquei seu clitóris, e ela bateu as mãos inclinando a


testa na parede.

— Por favor. Não. Não aqui.

— Goze.

Ela balançou a cabeça, mas permaneceu como estava,


não tentou se libertar, nem para arrastar a minha mão da
sua vagina.

— Goze.

— Não ... Porra.

Seus joelhos se dobraram, mas eu a mantinha


pressionada contra mim, desta vez segurando um punhado
de cabelo e puxando sua cabeça para trás.

— Goze, e eu vou te liberar.

— Eu disse não.

— Teimosa — A virei de frente para mim, a beijei, e


trabalhei seu clitóris duro entre o polegar e o indicador. Ela
abriu a boca com a minha, e os braços em volta do meu
pescoço, empurrando e puxando, tão perto e ainda resistindo
ao orgasmo com tudo o que tinha.

Ela se separou.

— Eu ... não.
Mas peguei sua boca novamente, e desta vez eu deslizei
a mão que segurava seu cabelo para baixo em sua calcinha,
separando suas nádegas, pressionando o dedo lá, esfregando
em seu pequeno rabo apertado até que seus joelhos cederam,
e ela gritou, agarrando meu pescoço, enterrando seu rosto no
meu peito para abafar seus gemidos quando ela gozou, sua
boceta pulsando em meus dedos, seu peso totalmente
suportado por mim. Ela suspirou, sua respiração curta, com
os olhos molhados e escuros quando ela virou para mim. Eu
passei meus braços em torno dela, sorridente, vitorioso.

— Eu te odeio — ela murmurou, fechando os olhos


quando eu reivindiquei sua boca para um beijo, triunfante
novamente.

— Eu não estou com fome.

— Você é teimosa — eu disse a Lucia, me aproximando.

— Você vai comer. Escolha algo, ou eu vou escolher por


você.

Ela olhou e concordou.

— Ok. Eu quero o Ravioli de cogumelos.

— Ok, Ravioli — disse o garçom, dando um olhar e


recolhendo nossos menus.
Uma vez que paguei pelas roupas, Lucia vestiu o vestido
preto de costas nuas, e nós fomos a um pequeno restaurante
italiano para jantar.

— Eu não posso aparecer na Nordstrom novamente.


Você sabe disso, certo?

— Ninguém viu seu rosto, — Eu disse piscando quando


peguei um pedaço de pão e mergulhei em uma tigela de
azeite.

— Você me enlouqueceu!

Mordi o pão.

— Eles têm o melhor azeite de oliva, é feito com suas


próprias azeitonas de seus bosques na Toscana.

Ela pegou um pedaço de pão e violentamente mergulhou


antes de morder um pedaço, em seguida, sentou e me olhou.

— Você lavou suas mãos?

Eu ri tanto que quase engasguei, e os fregueses nas


mesas em torno se viraram para olhar.

— Eu gosto do seu sabor — eu disse, alcançando suas


pernas debaixo da mesa e deslizando as mãos da lateral até o
interior de sua coxa.

— Você é terrível! — Ela pegou minha mão e tirou da


sua perna.

— Não foi isso que você me disse no vestiário.

O garçom trouxe a garrafa de vinho que eu pedi. Lucia


baixou o olhar para seu colo com o rosto vermelho vivo.
Ele tirou a rolha e serviu.

— Está ótimo — eu disse após degustar. Ele encheu o


copo de Lucia primeiro e depois o meu.

— Não há nada para se envergonhar — eu disse a ela


após o garçom sair e nós pegarmos as taças.

— Eu só tive um orgasmo muito alto no trocador da


Nordstrom.

Eu sorri e encolhi os ombros. Eu sabia que essa


resistência era em parte devido à sua ansiedade sobre a festa
de aniversário do meu pai.

— Você provavelmente não é a primeira, — Eu a


provoquei e em seguida dei uma piscadela, decidindo que
agora era um bom momento para mudar de assunto.

— Sua sobrinha é linda.

Ela me olhou e lentamente bebeu um gole.

— Ela é.

— Você é próxima da sua irmã?

— Eu fui. Antes ... de tudo.

— O que você acha dela se mudar para a casa de seu


pai?

— Estou feliz que ela está morando lá. Eu não sei se


estou pronta para vendê-la. E estou feliz que ela vai ficar por
perto.

— Por que vocês não se viam enquanto vocês estavam


na escola? Você poderia, não era proibido.
Ela encolheu os ombros.

— Quer dizer, como quando Marco nos vigiou quando


ela veio me visitar?

Dei o meu sorriso mais paciente.

— Você não queria.

— Você não me conhece ou conhece a minha família.

— Estou tentando te conhecer. Só porque você não


tinha contato com eles, não significa que você não poderia
começar de novo. Eles são sua família.

— E o seu irmão? Vocês são próximos?

— Dominic? — Ela assentiu.

— Não. Dominic é ... não é bom.

— Mas você era próximo do Sergio?

— Sim. Muito.

Nenhum de nós falou até que o garçom interrompeu


trazendo os nossos pratos. Depois que ele saiu, Lucia olhou
para mim.

— Me desculpe, eu não falei com meu pai antes dele


morrer. Eu deveria ter dito a ele que eu o perdoei.

— Você o perdoou?

Ela encolheu os ombros.

— Eu acho que ele estava encurralado. E você está


errado, ele não tentou salvar apenas a si mesmo, ele me deu
para salvar a todos. Você ... o seu pai, o assassinaram.
— Estou cansando desta conversa. Foi uma guerra.
Ambos os lados perderam muitas vidas. Você e eu sabemos
disso.

Ela suspirou e comeu o ravioli em seu prato.

— Mas você está certa. Seu pai foi encurralado.

— Obrigada.

Eu concordei e coloquei uma garfada cheia de salmão


em minha boca. Comemos em silêncio por alguns minutos.
Toda vez que eu a olhava, ela tinha seus olhos em seu prato.

— Sua irmã não é casada? — Eu sabia que ela não era,


e suspeitava que o homem que eu coloquei para segui-la
confirmaria minha suspeita.

— Não.

— Posso perguntar quem é o pai de Effie?

Ela pegou um ravioli e olhou para mim.

— Você pode perguntar, apenas deveria perguntar a ela.


— Ela sorriu vitoriosamente.

— Touché.

— Salvatore — ela começou um pouco depois.

— Esta festa — ela apoiou seu garfo no prato e limpou a


boca, balançando a cabeça.

— Eu não sei se eu posso. Ele me odeia, e eu sinto o


mesmo em relação a ele. Eu nem sei por que você é legal
comigo.
Estiquei o braço até o outro lado da mesa para tocar sua
mão.

— Eu não sou ele, Lucia.

Ela olhou para a minha mão cobrindo a dela. Era muito


maior do que a dela. Era quase uma manifestação física do
meu poder sobre ela, eu poderia fazê-la desaparecer.

— Olha. — Eu virei sua mão e tracei as linhas da palma


com o polegar.

— Nós não temos uma escolha. Vamos a essa festa. Não


existe se, nem mesmo para mim. Você e eu ... poderia ser
pior. Ele, meu pai, poderia ter mantido você para ele ou dar
você para meu irmão. Você não gostaria disso.

Eu sabia que ela entendeu, pela forma como seu rosto


mudou um pouco, se tornando mais hesitante, mas sua
expressão me disse que confiava em mim, pelo menos, mais
do que em qualquer membro da minha família. Foi um
começo.

— Eu não estou dizendo que você tem que ser grata por
nada disso, mas nenhum de nós tem uma escolha. Nós temos
apenas que seguir em frente, para passar por isso. Basta
fazer o que eu digo, não se rebele. Nós vamos ao jantar, eu
estarei ao seu lado o tempo todo. Fique atenta, e não lhe dê
razão para ter que provar nada. Ele não vai perder outra
oportunidade, Lucia.

— Então, como você diz, aqui estamos outra vez.


Ela revirou os olhos, mas era tudo encenação, na
verdade ela estava com medo.

— Olhe para mim.

Ela o fez, com relutância.

— Eu só posso mantê-la a salvo dele se você fizer o que


eu digo.

— Vou tentar.

— Você já terminou?

Lúcia assentiu. Ela comeu metade da sua massa, o que


era bom, o suficiente.

— Então vamos. — Joguei algumas notas sobre a mesa


e me levantei.

— Eu quero dar uma explicação mais detalhada das


coisas que você encontrou no meu quarto.
LÚCIA

Ele não tentou esconder o divertimento que sentia, ao


perceber a minha expressão quando disse aquilo. E se falou
para me fazer esquecer a discussão que tivemos da festa,
então funcionou. No caminho de volta, o que ele disse, foi
tudo o que consegui pensar.

Uma vez dentro de casa, Salvatore manteve a sua mão


nas minhas costas e disse a Rainey e Marco para irem para a
cama. Depois, fomos para a sala onde ele agarrou uma
garrafa de vodka antes de me levar para o quarto dele.

— Ainda está curiosa? — ele perguntou quando


estávamos dentro do seu quarto e ele fechou a porta. Abriu a
garrafa de vodka, tomou um gole e passou a garrafa para
mim. Por vê-lo, fiz o mesmo, e tossindo, devolvi. Ele riu e
bebeu mais uma vez antes de deixar a garrafa na mesinha de
cabeceira. Ele diminuiu as luzes e tirou a colcha da cama,
antes de se voltar para mim.

— Você.
— Salvatore.

Ele envolveu um braço na minha cintura e colocou seu


dedo indicador nos meus lábios.

— Eu quero você, Lúcia. Meu pau está ansioso para


estar dentro de sua bocetinha quente. — Ele me beijou, e
derreti, meu corpo já reagindo ao seu toque, o querendo.
Lembrando do que ele me fazia sentir. Como ele me fez gozar.

Seus dedos tocaram meus ombros, e eu senti o vestido


arrastado ao longo dos meus braços e da minha cintura,
deixando meus seios expostos pressionados contra o seu
peito. Salvatore parou por um momento, puxando para trás,
seus olhos escuros fazendo meus mamilos endurecerem. Com
uma mão, ele puxou a camisa sobre a cabeça. Eu assisti,
desejo quente a acumular no meu âmago que o receberia
mais tarde, seu corpo grande, musculoso, poderoso.

Mãos grandes encontraram meus quadris enquanto ele


se aproximava para me beijar mais uma vez, com nossos
olhos abertos. Ele empurrou o vestido para baixo e recuou. O
vi tirar seus jeans e sua boxer, molhando meus lábios com a
visão de seu pau grosso pronto para mim.

Ele sentou na beirada da cama, pegou na garrafa e


bebeu outra vez. Quando ele a estendeu para mim, eu
balancei minha cabeça negativamente. Ele colocou a vodka
de volta na mesinha de cabeceira e fez um gesto para minha
calcinha.

— Tira.
Minha boceta apertou. Eu deslizei meus dedos para o
cós e deslizei a calcinha para baixo. Os olhos de Salvatore
foram para minha boceta, uma fome em seu olhar, que ele
não tentou esconder.

— Vem cá — Ele apontou entre as pernas dele.

Fui ter com ele, e ele pegou minhas mãos, me


segurando.

— Está tomando alguma coisa como proteção? — ele


perguntou.

Eu fiquei confusa por um instante.

— Sim. Eu... Estou tomando pílula — Eu tive


menstruações dolorosas durante anos e usei a pílula para
controlar a dor.

Ele acenou com a cabeça com agrado, sua boca se


fechando em torno do meu seio, sugando primeiro, e em
seguida mordendo o mamilo. Engoli em seco, sem saber se a
dor ou o prazer era a sensação dominante de que ele era dono
de mim e, ao mesmo tempo, me observava. Ele repetiu o
mesmo no outro seio, deixando cada um molhado, frio na
sala de ar condicionado.

— Você já teve um pênis em sua boca? —, Perguntou


ele, me empurrando para ficar de joelhos.

Eu neguei com a minha cabeça. Eu era virgem, ele sabia


disso. Colocando minhas mãos em suas coxas, eu olhei seu
pau grosso e lambi os lábios, me preparando.
Salvatore colocou uma mão na parte de trás da minha
cabeça.

— Lambe.

Ele me puxou para a frente, e eu arrastei minha língua


sobre a ponta molhada, provando as gotas salgadas
recolhidas lá. Olhei para cima para encontrar seus olhos em
mim, me observando levá-lo. Ele me guiou para baixo ao
longo de seu comprimento, a pele de seu pênis mole contra a
dureza. Me fez querer ficar ajoelhada diante dele e dar prazer.

— Boa menina, agora abra a boca.

Ele guiou seu pênis na minha boca, o tempo todo


nossos olhares ficaram presos um no outro.

— Isso é bom.

Ele gemeu e fechou os olhos enquanto ele bombeava seu


comprimento lentamente para dentro e para fora da minha
boca.

— Isso é muito bom.

Ele levantou mantendo um aperto forte no meu cabelo e


gozou dentro de mim.

— Eu gosto de olhar para você assim, Lúcia, de joelhos,


com a boca recheada com meu pau. Não sabe o quanto eu
quero foder seu rosto, descer bem fundo na sua garganta.

Assim que ele disse a última parte, ele bombeou mais


fundo, me fazendo engasgar, segurando os dedos apertados
no meu cabelo quando eu tentei puxar para trás.
Eu ofeguei puxando minha respiração, empurrando
contra suas coxas.

Ele sorriu e puxou um pouco.

— Novamente, — ele disse.

Ele empurrou mais fundo, soltando lágrimas dos cantos


dos meus olhos, eu lutei um pouco, mas ele apenas me
apertou mais, me machucando. E quando ele repetiu o
movimento, mais uma vez, indo um pouco mais fundo, ao
mesmo tempo que sorria e me olhava, eu tive a ideia
estranha, que ele gostava de me ver chorar, de me ver lutar
contra ele.

— Mas esta noite não vou ao fundo da sua garganta —


disse ele, me arrastando pelo meu cabelo.

— As mãos e joelhos, — ele disse-me jogando na cama.

— Bunda para mim.

Eu olhei de relance para ele, me perguntando se deveria


concordar com o seu tratamento áspero comigo, sabendo
apenas quem eu era.

Uma vez no centro da cama de quatro, eu olhei por cima


do ombro, mantendo meus olhos nos dele. Ele me olhou e
subiu na cama atrás de mim, seu olhar na minha bunda,
então no meu rosto. Ele estendeu a mão para o punho de
couro à minha esquerda e arrastou para cima da cama.
Pegando meu pulso, ele puxou meu braço. Ele então se
mudou para o outro lado e fez o mesmo, então eu estava com
a minha cara na cama, com os braços esticados para os
lados, o meu rabo no ar.

Salvatore se moveu atrás de mim e se ajoelhou entre


minhas pernas. Ele agarrou minha bunda, me espalhando na
cama.

— Olhe para mim —, disse ele.

Virei o rosto e o vi, excitado, constrangido, querendo.


Algo deslizou pela minha coxa. Eu sabia que era a minha
própria excitação.

— Você está pingando, Lúcia.

Ele inclinou a cabeça para baixo. Sua língua deve ter


pego uma gota. Ele deslizou a língua para cima ao longo de
toda a minha coxa até chegar o meu núcleo.

Eu fiz algum som, momentaneamente, enterrando meu


rosto no colchão quando ele enterrou seu rosto na minha
boceta.

— Eu amo te olhar assim, Lúcia, espalhada e aberta


para mim.

A barba áspera de sua mandíbula arranhou minha pele


macia. Ele me lambeu, a ponta da sua língua fez cócegas no
meu clitóris antes de mergulhar dentro de mim. Mas antes
que eu chegasse ao orgasmo, ele se endireitou. Estiquei o
meu pescoço para olhar para ele de novo.

— E eu amo seu buraco traseiro sexy.

Eu fico tensa quando o seu dedo pressiona contra ele.

— Vou foder este buraco.


Quando eu protestei, ele sorriu e empurrou contra o
anel apertado.

— Quando eu quiser, você vai me dar isso. Você terá as


suas mãos e joelhos como está agora, e você vai me implorar
para que eu foda seu cu.

Meu gemido teve uma ampliação no seu sorriso.

— Mas não se preocupe. Isso não é esta noite. Hoje à


noite, eu quero enterrar meu pau dentro da sua vagina. Eu
vou lentamente no início, mas o que eu quero, Lúcia, é bater
em sua boceta até que eu sinta o seu próprio centro. Até que
você me peça para parar e peça mais. Até você gritar meu
nome.

Eu arqueei minhas costas, mordendo meu lábio,


querendo suas mãos sobre mim, sua boca em mim. Querendo
ele dentro de mim.

— Me faça gozar, Salvatore —eu implorei, meu corpo


estremecendo a meu pedido.

— Você quer duro, não é?

— Mmm.

— Mesmo sendo sua primeira vez?

Ele sabia que, era a minha primeira vez e fez a pergunta


enquanto esfregava seu pênis ao longo das minhas dobras.
Seu calor, sua dureza, a suavidade da pele nua na carne nua.
Tudo fazia meus olhos rolar para o fundo da minha cabeça.

— Sim.

— Você está com medo?


— Não.

— Talvez eu goste de você com um pouco de medo,


Lúcia.

O escuro sussurro me fez estremecer.

— Talvez eu goste de te foder duro enquanto você grita.


Talvez isso me excite. — Ele se alinhou entre minhas pernas.

— Mantenha seus olhos em mim. Eu quero ver você.

Concordei, engolindo em seco quando senti a cabeça do


pau dele pressionado contra a minha entrada.

— Talvez um pouco assustada — Minha voz saiu rouca.

— O medo faz sua boceta pingar.

Ele empurrou em seguida, mais lentamente do que eu


esperava, me esticando, sentindo minha pele muito apertada,
mas como ele movia dentro e fora de mim, eu relaxei,
fechando meus olhos, sentindo. E me senti bem.

— Olhos, Lúcia.

Abri meus olhos, observando, o rosto dele, como ele era


demais dentro de mim, indo um pouco mais profundo,
levando mais de mim, pressionando contra uma barreira
fazendo meus olhos arregalarem. Eu tentei levantar, mas ele
esfregava minhas costas.

— Shh. Mantenha seus olhos em mim. Só vai doer um


pouco. Então você vai implorar para te foder duro.

Tentei libertar minhas mãos, tentando puxar meus


braços para me abraçar. Salvatore inclinou sobre minhas
costas, esticando os braços por cima dos meus, seu pau
alojado dentro de mim.

— Eu quero sentir tudo de você —, ele sussurrou, se


movendo lentamente.

— Eu quero sentir sua boceta apertada apertar meu


pau. — Ele puxou para fora e, em seguida, rolou seus
quadris, indo mais fundo.

— Eu quero sentir o calor de seu sangue virgem.

Ele então empurrou bem fundo, me fazendo gritar.

— Eu quero ouvir você gritar. Eu gosto disso.

Outra impulso, com mais força dessa vez.

— Eu gosto de sentir que você vai gozar.

Ele deslizou uma mão debaixo de mim, arrastando sobre


meu peito, barriga, até encontrar meu clitóris.

— Oh,

Ele retirou inteiramente, em seguida, bateu em mim,


beijando meu ombro, em seguida, mordendo, com sua
respiração irregular.

— Estou vindo, — eu consegui, seu pênis dentro de mim


batendo apenas o ponto certo, seus dedos esfregando meu
clitóris com força; Foi tudo muito: muito sentimento, muitas
sensações, muito dele.

Ouvir sua respiração ofegante, o sentindo inchar ainda


mais grosso dentro de mim, que me envolveu. Momentos
depois, eu gozei, o meu grito soou estranho, golpes de
Salvatore mais fortes, mais rápido. Me senti, como ele disse,
mas tudo que eu queria era ele dentro de mim, em cima de
mim, ter, seus dedos trabalhando, me fazendo gozar.

— Caralho.

Foi mais um grunhido e então ele se acalmou, seu pau,


liberando, me enchendo. Eu vi seu rosto do canto do meu
olho, seus olhos tão escuros, eles eram negros, e quando ele
se acalmou, ele caiu em cima de mim, me baixando para a
cama. Seu pênis amolecido lentamente saiu de mim. Uma
onda de esperma derramou sobre minhas coxas e ele me
segurou lá, seu rosto nas minhas costas. Ele desfez as
algemas em meus pulsos antes de enrolar uma mão
possessiva sobre a curva do meu quadril beijando
suavemente meu pescoço e ombro até que meus olhos foram
fechando e eu adormeci em seus braços.
SALVATORE

Após ter crescido, gostei de voltar a casa nos


Adirondacks, mas parecia ter passado uma centena de anos
atrás. Agora, à medida que se aproximava a propriedade,
Lúcia sentou ao meu lado no carro, ela estava muito tensa,
mas ao mesmo tempo estava linda no vestido de cor creme
que eu escolhi, seu cabelo castanho preso no alto da cabeça,
sua maquiagem escura acentuou a forma de amêndoa de
seus olhos cor de uísque. Toquei no seu joelho quando
chegamos ao portão de segurança. Ela se assustou.

— Você vai ficar bem. Eu vou ficar com você.

Ela assentiu com a cabeça, mas a tensão estava no


corpo dela.

Eu odiava isso. Eu sabia quando acenei para o guarda e


entrei de volta para a garagem que ela estava aqui para que
visse ao redor, mostrar todo o poder de meu pai, da minha
família, o triunfo. Eu também sabia que meu pai não
esqueceu o que ela fez no funeral. Ele iria puni-la por isso, e
eu tinha um pressentimento de que faria hoje.
Eu só precisava mantê-la controlada e dócil. Depois de
estacionar o carro, saí para encontrar Lúcia do lado de fora.

— Me sinto doente. — Enfiei a mão dela na minha e


apertei.

— Você vai ficar bem. Apenas respire. — Nós apenas


chegamos a porta da frente quando uma voz de mulher gritou
meu nome. Foi Dália, a esposa de Roman.

— Salvatore. Aí está você. Eu não tinha certeza que o


veria esta noite —. Ela se inclinou, e a beijei em ambas as
bochechas, como esperado.

— Dália—, eu disse. Eu nunca a chamei de tia Dália.


Ela não se encaixava, não quando ela era apenas dois anos
mais velha do que eu. Meu tio gostava de mulheres mais
jovens. Ela virou os olhos ansiosos para Lúcia, que ficou
rígida ao meu lado. Eu as apresentei.

— Lúcia, esta é Dália, esposa de meu tio Roman. Você...


a conheceu — Merda. Ela a conheceu há cinco anos no dia
em que ela assinou o contrato. Felizmente, ela não registrou e
só deu um leve aceno de cabeça.

— Lúcia DeMarco, não é mesmo? — Dália poderia ser


uma cadela, mas ela só parecia reforçar Lúcia.

— Sim está certo. Lucia DeMarco —, ela pronunciou o


sobrenome lentamente, levantando mais alto, seu sorriso
vitorioso, dizendo a quem ousou perguntar que ela não seria
uma vítima.

Eu a respeitava por isso, mas também me preocupou.


Se meu pai a visse fraca, se ele achasse que ela foi quebrada,
pelo menos um pouco, ele podia deitar descansado. Dália
claramente não estava esperando a resposta de Lúcia.

— Bem, um prazer conhecê-la—, ela disse se


desculpando.

— Tenha cuidado, — eu sussurrei para Lúcia. Ela me


deu um aumento arrogante das sobrancelhas.

— O que você quer dizer? Eu estava simplesmente


confirmando que ela estava certa.

— Não faça ondas, Lúcia. Depois desta noite, não terá


de ver essas pessoas novamente.

— Quero que essas pessoas se fodam.

Apertei sua mão com força.

— Ai! — Os hóspedes do meu pai viraram para nós, que


atravessamos a sala, nem um tentou esconder o seu interesse
em Lúcia.

Eu larguei sua mão para pegar dois copos de


champanhe de um criado de passagem.

— Beba—, eu disse, entregando a ela. Ela pegou e


engoliu um grande gole.
— Precisamos ver o meu pai. Ele está esperando por
nós, tenho certeza. — Ela bebeu o copo.

— Seja doce. Lembre-se do que falamos.

— Bem.

Meu pai estava no fundo da sala ao lado da lareira. Eu


sabia que ele nos viu, mas ele não deixou de continuar a
conversa descontraída com Roman e dois outros hóspedes.
Mas antes de chegarmos a ele, Dominic entrou no nosso
caminho, seus olhos famintos varrendo Lúcia, me fazendo
embrulhar uma mão em torno de seu pescoço. Ela era minha.

— Dominic — eu disse. Ele arrastou os olhos de Lúcia, o


brilho de diversão desapareceu no momento em que
encontraram os meus.

— Salvatore. — Ele virou para Lúcia novamente.

— Eu não acho que eu já conheci formalmente a bela


Lúcia DeMarco. — Lúcia encolheu a meu lado.

Dominic estendeu a mão para apertar a dela. Levou um


momento, mas ela estendeu a dela.

— Dominic — Não sei porquê, mas eu gostei do fato de


que ela não disse que foi um prazer conhecê-lo.

— Papai está esperando por você. Ele está irritado, você


está atrasado.

Ele tomou um gole de sua cerveja, os olhos ainda em


Lúcia, que olhou ao redor da sala, desafiando o olho de cada
homem e mulher que olhou em sua direção.
— É ele? É melhor não deixá-lo esperando por mais
tempo, então. Desculpe. — Eu fiz um ponto de bater no meu
ombro contra o dele guiando Lúcia em direção ao meu pai,
que agora observava a nossa abordagem. Seu olhar, assim
como Dominic, a olhou de cima a baixo. Ele fez minha pele
arrepiar. Inclinei para sussurrar um lembrete no ouvido de
Lúcia.

— Se comporte.

Ela não respondeu, mas manteve os olhos fixos no meu


pai

— Bem, — Franco Benedetti começou, verificando o


relógio dele.

— Que bom que conseguiu tempo para nós, Salvatore.

— Trânsito —, eu menti, odiando como sempre que


estava perto dele, me sentia como uma criança novamente,
aquela criança ansiosa para agradar a quem nunca poderia.
Ele não respondeu a minha mentira, mas virou para Lúcia,
avaliando o seu vestido.

— Tão bom ver muito mais de você hoje do que no


funeral, — ele disse.

Ela estava com os punhos fechados em seus lados, eu


apertei o pescoço em aviso. Mesmo que ela tentasse escondê-
lo, eu sabia que ela temia meu pai. Só que o seu ódio por ele
cancelou esse medo.
— Mais um ano de sua vida acabou — disse Lúcia,
olhando para o criado que apareceu com uma bandeja de
champanhe.

— Eu vou beber a isso.

Meu pai se irritou. Eu estava desconfortável ao lado


dela, querendo sacudi-la. Para perguntar que parte do se
comportar ela não entendeu. Ouvi risada de Dominic atrás de
mim. Roman colocou a mão no ombro do meu pai.

— Bem, desde que meu filho finalmente nos agraciou


com sua presença, vamos jantar. — Meus dedos ficaram
apertados ao redor da nuca de Lúcia, eu a segurei enquanto
meu pai desapareceu na sala de jantar. Eu a levei para um
canto do corredor e virei seu rosto para mim, a segurei pelos
braços e sacudi uma vez.

— Se você não quer que eu leve meu cinto para o seu


traseiro aqui e agora, cale a boca, entendeu? Não o provoque.
Ele não é um homem para você sacanear. Ele vai retaliar.

— Você está me machucando. — Olhei para as minhas


mãos embrulhadas tão apertado em torno de seus braços
meus dedos brancos. Eu a soltei, virei e passei a mão pelo
meu cabelo. Com um sorriso falso quando alguém passava.

— Por que ele tem poder sobre você? Por que você se
importa com o que ele pensa? —, Perguntou ela. Virei para
encará-la, a fazendo tropeçar para trás.

— Não aqui. Agora não. Basta manter a boca fechada.


Fui claro? — Eu sussurrei as últimas palavras desesperado.
Nós só precisávamos sobreviver a este jantar. Ela poderia ir
para o nosso quarto, em seguida, e poderíamos sair mais
cedo na manhã seguinte. Mas quantas noites como esta
teríamos de sobreviver? E o que aconteceria se ela não fizer o
que eu disse, e ela incitá-lo em ação? O que ele faria?

A tiraria de mim.

Tomaria meu lugar.

A daria para Dominic.

Ela não tinha ideia do que ela estava fazendo.

— Vamos —, eu disse.

Seu olhar me apunhalou, como se a forçando ali, eu


estivesse a traindo. De certa forma, eu estava. Porque eu era
um covarde, eu estava. Mas esta era a única maneira.

Vinte e oito pares de olhos se voltaram para nós, quando


entramos na sala de jantar, o olhar do meu pai trancado em
Lúcia, que, por uma vez, não o desafiou. Ao invés disso, ela
manteve os olhos sobre os intrincados padrões de o afresco
na parede distante, provavelmente desejando poder
desaparecer dentro dela. Alice no país das maravilhas. Minha
mãe amou a história, e meu pai a surpreendeu. Ternura não
era um traço que eu associava com o meu pai, mas ele
sentiu. Por ela, pelo menos. Era quase como se eu nunca
soubesse que a versão de Franco Benedetti, no entanto, e de
certa forma, era triste. Meu pai puxou a cadeira ao lado dele.

— Lúcia.
Porra. O único outro lugar vazio ficou ao pé da mesa,
tão longe dela quanto fisicamente possível. Os passos de
Lúcia arrastavam, e eu tive que empurrá-la para a frente.
Enquanto os convidados assistiam, ela sentou entre meu pai
e Dominic e, com as mãos em punhos, andei até a cadeira
vazia e sentei. Os olhos de Lúcia encontraram os meus, e eu
queimei meus avisos no olhar que passou entre nós, sabendo
que ela não iria prestar atenção a nenhum dos avisos. Os
criados começaram a derramar vinho e a conversa fluiu. Eu
assisti os olhos lascivos de tanto o meu irmão como meu pai
nela. Ela permaneceu entre eles, com os olhos em seu prato,
com o rosto tenso quando ela puxou os braços apertados
para si mesma. Eu conhecia essas pequenas coisas que ela
faz, pequenos movimentos físicos ela pode não ter tido
conhecimento de si mesma, para se proteger. Para esconder.
Talvez se forçando a desaparecer.

Eu me senti impotente com prato após prato sendo


servido. Eu comi algumas garfadas de cada prato, me
forçando a participar da conversa ou pelo menos sorrir e
fingir estar ouvindo, mas tudo que eu podia fazer era vê-la.
Ela se recusou a comer um pedaço de comida, mas bebia
copo de vinho após copo de vinho e, depois de um olhar em
minha direção, finalmente voltou sua atenção para Dominic.
Ele me deu um sorriso e passou as pontas dos dedos por
cima do ombro. Eu soltava fumaça, quase quebrando a haste
da taça de vinho. Limpando a garganta, eu estava de pé e,
com a minha faca tinindo contra o cristal do vidro, chamando
a atenção de todos.

— Um brinde —. Todos pegaram suas taças. Todos,


exceto Lúcia.

— Para o meu pai em seu aniversário. — Esperamos,


sala silenciosa quando meu pai olhou para ela, sua fúria
visivelmente aumentando.

Eu quis que ela pegasse seu copo, para tomar um


último gole do caralho, antes que eu pudesse nos dar licença
e levá-la embora, mas ela não faria. Ela era muito teimosa
para salvar seu próprio pescoço maldito.

— Feliz aniversário —, eu disse, na esperança de


chamar a atenção de volta para mim.

— E muito mais, pai. — Todos se juntaram, desejando


muito mais, e, depois de um momento, meu pai virou para
mim, reconheceu o meu brinde com um aumento do seu copo
e bebeu, nossos olhares se encontraram, sua raiva, escuro e
pressentimento.

Ele ficou. Os hóspedes colocaram suas facas e garfos


para baixo e limparam suas bocas, subindo também. Lúcia
permaneceu como estava. Pelo menos ela sabia permanecer
sentada. Como se os convidados compreendessem, eles
deixaram a sala de jantar tranquilamente tão somente meu
pai, irmão, Lúcia, e eu fiquei. Um criado fechou as portas.

— A puna — disse ele, cuspindo as palavras.


— Faça isso bom, ou eu vou fazer isso para você. — Um
sorriso jogou junto os lábios de Dominic. Eu balancei a
cabeça uma vez. Dominic e meu pai deixaram a sala de
jantar. Olhei para Lúcia sentada lá, seu insolente rosto, seus
olhos a única parte de seu rosto traindo seu medo.

Tirei meu casaco e pendurei sobre as costas de uma


cadeira, em seguida, afrouxei a gravata, desabotoando os
primeiros botões da minha camisa antes dela me estrangular.
Todo o tempo, meus olhos permaneceram bloqueados aos
dela. Eu andei em direção a ela, revirando minha manga da
camisa. Eu me perguntei se ela sabia o que estava por vir,
que tinha que acontecer agora. Por que o quarto ao lado do
nosso se tornou de repente, tão calmo, como se não houvesse
um público um pouco além das portas para testemunhar.
Estendi a mão para a fivela do meu cinto e desfiz. Foi quando
ela entendeu. Ela tentou fugir, mas eu estava muito perto e a
peguei no meio caminho.

— Faz isso com calma, — sussurrei e questionei se os


outros no quarto ao lado conseguiram ouvir o desapertar do
meu cinto conforme o puxei das minhas calças e a puxei para
fora da cadeira e obriguei a se dobrar sobre a mesa que ainda
tinha que ser limpa.

— Salvatore, — começou a falar.

— Quieta, — interrompi, puxando o vestido para cima.


Ela lutou contra mim, mas a segurei contra a mesa e puxei a
sua calcinha para baixo, de forma a que deslizassem dos seus
quadris e ficassem a volta dos seus tornozelos.

— Está com sorte, por ele fechar a porta.

— Não pode estar querendo dizer...

Agarrei com uma mão o cabelo dela e me aproximei para


sussurrar ao seu ouvido.

— Porra. Podia estar bebendo pela morte dele, não é que


eu quisesse saber, mas não conseguiu fazê-lo. Agora, tem de
pagar.

Eu me endireitei, mantendo uma mão sobre o plano de


suas costas enquanto eu balançava com a outra, o som de
couro impressionante na carne vindo instantaneamente com
a ingestão aguda de sua respiração.

— Ele vai exigir mais do que isso — eu disse, a atacando


novamente.

— E me perdoe, mas assim faço eu. — Eu bati com


força, sabendo que eu tinha que, bater nela por sua
estupidez, sua incapacidade de manter a porra de uma
promessa. Sabendo que se eu não fizesse ele faria. Ou, pior,
ele deixaria Dominic fazer enquanto eu observava.

Levou quase a trinta acidentes vasculares cerebrais,


seus gritos se tornando roucos enquanto ela chorava,
atacando meu coração como eu ataquei sua carne, me
odiando, a odiando por me obrigar a fazer isso. Odiando meu
pai por seu poder sobre mim.
Eu só parei quando o silêncio do outro lado da porta se
transformou num murmúrio suave e o som de talheres e
pratos me disse que o bolo foi servido. Os abutres foram
saciados ou talvez ficaram entediados. Eu odiava todos eles,
mas me odiava, acima de tudo. Quando eu levantei a minha
mão de suas costas, ela permaneceu como estava, debruçada
sobre a mesa, o vestido subiu até a cintura, seu traseiro nu.
Eu ajustei entre as pernas de minhas calças antes de deslizar
o cinto através dos laços e apertei. Vergões vermelhos
atravessando sua bunda e coxas, e quando eu coloquei uma
palma da mão sobre seu quadril, calor pulsava contra minha
mão. Eu apertei. Ela choramingou.

Peguei a calcinha e meti no bolso antes de levantá-la. A


saia de seu vestido caiu até os tornozelos, cobrindo. Virei ela
de frente para mim e a apertei nos meus braços enquanto ela
chorava no meu peito, punhos batendo contra mim. Soluços
sobre soluços, e eu a levantei em meus braços e, ignorando
os olhares dos criados eu a levei até o nosso quarto e
tranquei a porta. Sentei na cama, a embalando no meu colo,
me recusando a deixá-la ir, mesmo quando ela lutou comigo.

— Eu te avisei. — Ela bateu os punhos no meu peito,


tentando se libertar, com lágrimas escorrendo pelo rosto
borrado com rímel.

— Você gostou! — Ela gritou quando a evidência da


minha excitação esfaqueou seu quadril.

— Eu não gosto de machucar você.


— Você é duro, você é um pervertido! Você gostou muito
bem!

— Eu não posso negar o fato de que eu fiquei excitado.


— Um canto da minha boca se curvou para cima.

— Mas você mereceu isso.

— Eu te odeio! — Ela agarrou suas unhas para o lado


do meu rosto. A virei na cama, agarrei seus pulsos e afastei,
abrangendo seus quadris.

— Porra eu avisei. Você só tem que se culpar!

— Todos ouviram!

— Esse foi o ponto. Humilhação. Você tem sorte que ele


não exigiu as portas abertas! — Durante sua luta, o vestido
mudou expondo um seio.

— Me deixar ir! Não olhe para mim!

Ela renovou sua luta, me irritando quando ela tentou


alinhar o joelho dela com a minha virilha. Eu transferi os
pulsos em uma mão e segurei sobre sua cabeça.

— Eu posso olhar para você quando eu quiser. —


Agarrando o pescoço em V do vestido, rasguei para baixo, o
som do vestido rasgando foi de alguma forma satisfatória.
Lúcia lutou mais difícil contra mim, e mais duro meu pau
cresceu.

— Eu te odeio! —, Ela gritou novamente. Eu esmaguei


meus lábios nos dela, e por um momento, ela se acalmou,
talvez surpresa. Eu interrompi o beijo.
— Não, você não. — Beijei novamente. Eu desfiz minhas
calças, deslizei entre suas pernas, e belisquei seu mamilo
com a mão livre.

— Você me deixa louco. — Minhas palavras saíram com


raiva. Eu empurrei uma de suas pernas abertas mais
afastadas e depois a puxei para trás para olhar para ela.

Ela me olhava, as mãos apertadas em punhos. Eu


alinhei meu pau na entrada de seu sexo.

— Você me deixa louco. — Eu empurrei nela


insanamente

Ela grunhiu, seus olhos presos nos meus, em desafio.


Eu empurrei de novo, em seguida, novamente.

— Porra — Eu não duraria muito tempo, mas sua


boceta molhada me disse que queria isso também.

— A sua boceta é gananciosa.

— Mais duro, — ela engasgou, rouca de tanto gritar.

— Porra. — Eu fiz o que ela disse, transando com ela,


olhando para ela, não sentindo como se eu tivesse o
suficiente dela

Soltei os seus pulsos, e levei as duas mãos ao seu rosto.


Nós dois estávamos ofegantes. Eu empurrei o cabelo que
estava na sua testa para o lado e segurei, perdido naqueles
olhos que agora pareciam âmbar ardente. Sua boca se abriu,
e eu a beijei, tão perto agora.

— O que você está fazendo comigo?

— O quê? —, Ela perguntou, intrigada.


Devo ter dito em voz alta. As mãos de Lúcia agarraram
meus ombros, o rosto com uma expressão de satisfação
quando ela gozou. Eu adorava vê-la assim, olhando nos
momentos imediatamente antes de sua liberação, seu rosto
enquanto ela deixava ir. Foi a única coisa mais excitante.

— Eu te odeio —, ela sussurrou, com suas unhas


cavando em meus ombros, meu pescoço. Ela fechou os olhos,
gozando.

— Eu faço.

— Lúcia — Sua vagina pulsava em torno de mim, e


quando ela gozou, eu também, acalmando profundamente
dentro dela, a enchendo, sentindo, pela primeira vez desde
que o maldito contrato que eu a reclamei. Como se ela fosse
minha. Ela estava bem e era verdadeiramente minha.
LUCIA

Olhei na janela.

A luz do sol filtrava através da fresta entre as cortinas.


Pisquei confusa por um momento, mas a dor entre as minhas
pernas e na minha bunda rapidamente me lembrou de onde
eu estava.

O relógio ao lado da cama mostrava que eram 07h04.

Eu arrastei o lençol de seda ao longo do meu corpo nu,


ele esticou e escorregou. Ao meu lado, o travesseiro
descansava vazio. Toquei, inclinei e enterrei meu nariz nele,
então recuei e balancei a cabeça.

Que merda eu estava fazendo?

Ele me bateu, me humilhou e então me fodeu.

E eu gozei.

Eu pedi para me foder mais forte.

Eu me odiava.

Não, eu o odiava. Eu precisava me lembrar disso.

Por que era tão difícil de lembrar?


Saí da cama e fui para o banheiro. Ele deve ter tomado
banho recentemente. Vapor ainda embaçava os cantos do
espelho, e o aroma de sua loção pós-barba pairava no ar.

Eu descobri que gostava, me senti de alguma forma


confortada por ele.

O cacete que você o conhece. Isso é tudo o que era. Eu


conhecia Salvatore. Eu conhecia seus limites.

Porra. Eu estava enganando a mim mesma.

Eu usei o banheiro, não surpresa ao encontrar sangue


entre minhas pernas, embora eu não estivesse no meu
período. Ele me fodeu brutamente, como ele disse que faria.

E você gozou.

Virei às costas para o espelho, estava atravessada por


vergões lembrando de odiá-lo. Para vê-lo pelo que ele era: um
Benedetti. Meu inimigo.

Toquei as marcas sobressalentes, pressionando, me


forcei a lembrar que ele era a porra do meu inimigo. Eu não
poderia confiar nele, depender dele. Ele me machucaria.
Essas marcas não eram provas suficientes disso?

Esta estranha emoção, não, não era emoção. Apenas


confusão. Estava confusa, mas quem não estaria? Isolada da
família e sob o cuidado, mais como sob o total controle de
Salvatore Benedetti. Eu precisava dele para tudo. Cada
maldita coisa. E isso era porque eu sentia algo por ele. Talvez
fosse uma forma de Síndrome de Estocolmo 2.

Quer dizer, isso pode não ser um sequestro tradicional,


mas não era como se estivesse aqui por opção. Não a minha
escolha, de qualquer maneira.

Eu liguei o chuveiro e entrei na água quente. Eu queria


esfregar seu toque de mim. Queria esfregar a memória da
minha reação a ele da minha mente.

Ele tinha me açoitado, e eu pedi para me foder.

Esfreguei meu cabelo com xampu e meu corpo com


sabonete, rangendo os dentes quando a água quente bateu
na minha bunda. Quando terminei, saí e me sequei. Eu
queria sair daqui. Ele disse que eu tinha que passar a noite.
Nada mais. Mas e se seu pai me fizesse ficar? E se Salvatore
já tivesse ido e me deixado para trás?

Em pânico, corri para o quarto, encontrei o meu celular


na bolsa, e disquei o número de Isabella.

— Olá?

— Izzy? — Eu tinha certeza que eu iria acordá-la.

— Estou ligando muito cedo. Eu sinto muito.

— Não, não, está tudo bem. Como você está?

— Eu não sei. Estou na casa de Franco Benedetti no


3Adirondacks.

2
Síndrome de Estocolmo é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa,
submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade
perante o seu agressor.
3
é uma região de montanhas do estado norte-americano de Nova Iorque
— O quê?

Isso fez ela acordar.

— Eu tinha que vir. Era seu aniversário. Fomos


obrigados.

— Você está bem, Lucia?

Só ouvi preocupação em sua voz agora. Senti meus


olhos se aquecerem, mas eu pisquei com força. Eu não
precisava de lágrimas. Eu odiava fraqueza. Odiava isso!

— Eu...

A porta abriu, e Salvatore entrou carregando duas


canecas de café. Eu suspirei de alívio.

— Lucia, o que aconteceu? — Isabella perguntou,


provavelmente depois de ouvir o suspiro.

Salvatore me olhou com curiosidade e fechou a porta.


Ele usava um par de jeans e uma camiseta, seu uniforme
habitual, e ele puxou seu cabelo escuro para trás. Ele
pronunciou a palavra, Ok?

Eu me virei.

— Não importa, estou bem, — eu disse para Izzy.

— Eu pensei que ele fosse me deixar aqui. — Eu


sussurrei, esperando que Salvatore não ouvisse.

Eu ouvi uma voz masculina perguntar o que estava


acontecendo em segundo plano.

— Quem é esse? — Perguntei.

Isabella suspirou.
— Ninguém. Estou indo buscá-la agora.

— Não, está tudo bem, — Eu disse, voltando para


encontrar Salvatore tomando seu café e me observando.

— Ele não vai me deixar aqui. — Eu disse, o comentário


era mais uma pergunta para Salvatore.

Ele balançou sua cabeça.

— Eu vou ligar quando estivermos em casa. Uh, quero


dizer, de volta em sua casa. — Porra O que havia de errado
comigo?

— Eu tenho que ir.

— Você tem certeza?

— Sim. Desculpe ter ligado tão cedo, mana.

— Está bem. Você pode me ligar a qualquer hora, dia


ou noite, entendeu?

Eu balancei a cabeça.

— Obrigada. Te amo. — Eu não dizia isso há mais de


cinco anos.

Houve uma pausa.

— Te amo.

Eu desliguei o telefone e coloquei em minha bolsa.

— Eu pensei que você tivesse me deixado aqui.

— Eu não faria isso com você. Venha aqui.

Fui até ele.

— Você está bem?


Eu dei de ombros, deixando cair o meu olhar para
proteger os olhos. Por que a sua pergunta me faz sentir tão
necessitada? Por que ele me puxando em seus braços me faz
querer chorar? Porque é isso que ele faz. Isso é o que ele faz
ao ter os braços dele em volta de mim agora, como se ele iria
me manter a salvo para sempre, mesmo depois de ontem à
noite, isso é o que eles fizeram. Eles me fizeram querer
chorar.

A última vez que ele me segurou assim, eu me afastei.


Desta vez, eu não fiz. Me deixei derreter nele. Nenhum de nós
falou. Eu fechei meus olhos com força contra seu peito, me
sentindo confusa, magoada, vulnerável e muito grata por ele
estar aqui. Nada disso fazia sentido.

— Podemos ir? — Eu perguntei quando eu consegui


falar sem chorar.

Ele se afastou e olhou para mim, seu polegar enxugando


parte da umidade em torno de meus olhos.

— Ainda não. Eu preciso descer para o café da manhã,


mas vou inventar uma desculpa para você. Comece a embalar
as roupas. Vamos sair o mais rapidamente possível.

Eu concordei e fui sentar na cama, mas fiquei em pé


assim que minha bunda fez contato com ela.

— Lucia?

Eu olhei para ele.

— Dói? — O rosto dele me disse que ele sabia que era


uma pergunta estúpida.
— O que você acha?

Ele me estudou, franzindo a testa. Ele, pelo menos teve


a decência de desviar o olhar por um momento.

— Se isso significa alguma coisa, eu não queria puni-la,


mas era a ordem do meu pai.

— Mas você fez.

— Estou tentando te dizer que eu sinto muito.

— Às vezes sinto muito não é suficiente, Salvatore.

Ele ficou ali por um momento, seus olhos nos meus.

— Arrume a mala. Vamos sair assim que puder.

Ele saiu pela porta e me deixou lá plantada usando só a


minha toalha.

Sua ausência encheu o espaço assim que a porta se


fechou, e eu cruzei os braços em volta da minha barriga, me
sentindo mais sozinha do que nunca. Mas eu me forcei a me
mover. Me vestir. E tanto quanto eu odiava, descer as
escadas e enfrentar de cabeça erguida Franco Benedetti.

Eu não poderia me esconder, eu não faria. Se eu fizesse,


mostraria que ele ganhou. Que ele me envergonhou e eu
estava me escondendo dele, com medo dele. Bem, este último
era verdade, mas eu estaria ferrada se eu deixasse que o
medo tirasse o melhor de mim.

Me vesti, arrumei minhas coisas, e puxei meu cabelo


molhado em um coque, antes colocando um corretivo sob os
olhos. Peguei minha bolsa e saí para o corredor. Fiz uma
pausa, encontrando uma escada em cada extremidade. Olhei
por cima do corrimão, mas tudo estava quieto lá baixo. Eu
escolhi as escadas para a direita e desci, ouvi uma porta se
abrir e a voz de Salvatore veio dela. Segui sua voz,
endurecendo minha coluna ao mesmo tempo que o meu
coração disparou e meu estômago revirou.

Eu não deixaria Franco Benedetti ter sua vitória. Eu não


faria.

Cheguei à porta e teria virado a maçaneta, mas a voz


sobressaltada de Franco me fez puxar minha mão.

— Você sabe o que eu esperava de você!

— Eu não iria exibi-la naquele quarto cheio de idiotas


desprezíveis! Ela foi humilhada o suficiente! Isto está feito.
Ela é minha. Eu escolho!

Algo bateu. Imaginei um punho sobre uma mesa. Foi


Salvatore? Ele estava me defendendo?

Então veio o riso de Franco. Tranquilo no início,


ameaçador, lentamente, cada vez mais alto, quase maníaco.
Alguém bateu palmas.

— Meu filho finalmente parece ter algumas bolas.

Eu cerrei meus punhos, inalando com força.

— Tudo bem, Salvatore. Ela é sua puta. Mas lembre-se,


eu dei ela a você. Eu posso facilmente pegá-la de volta. Cuide
de Luke DeMarco antes que haja mais alguns adeptos. Uma
semana, ou Dominic vai fazê-lo. Estou de saco cheio dele.

O quê? O que ele quis dizer com cuidar de Luke?


Mas então eu ouvi passos, pesados movendo
rapidamente e eu fui para as escadas. Eu estava correndo até
então e abaixei atrás do corrimão. Franco Benedetti saiu da
sala, o rosto contraído com raiva, suas mãos em punhos nos
seus lados.

Eu corri de volta para o quarto e fechei a porta,


pensando, tentando dar sentido a tudo isso. Devo chamar
minha irmã e avisá-la sobre o que eu ouvi? Avisar Luke? Ou
devo tentar descobrir mais primeiro? Ver se Salvatore iria me
dizer alguma coisa?

Quando uma batida rápida soou, eu pulei, pensando


que era Salvatore e que poderíamos ir. A porta se abriu, mas
era Dominic que entrou. Ele me olhou, seu olhar estranho,
quase curioso, mas ele permaneceu na entrada da porta.

— Hei, — ele disse casualmente. Um sorriso curvou


seus lábios, sua voz soou quase doce. Muito doce.

— Eu queria ver se você estava bem. Meu irmão pode


ser um bruto e, para ser honesto, parecia que ele não estava
se segurando na noite passada.

Eu corei. Ele estava falando sobre aquela humilhação ou


do sexo, ou de ambos?

— Eu... eu estou bem. — Eu vacilei.

Ele balançou a cabeça e entrou. Eu não gostava dele,


não gostei da forma em que seus olhos se moveram ao redor
do quarto e em cima de mim.
— Estou contente. — Mais uma vez, sua voz suave, seu
sorriso gentil.

— Se você precisar de alguma coisa — ele tirou um


cartão de seu de bolso — este é o meu número particular.

— Eu não.

— Basta pegar e espero que você nunca tenha que usá-


lo. Como eu disse, meu irmão pode ser muito físico. Brutal
mesmo. Eu vi o que ele fez antes, Lucia. Eu que tive que
acobertá-lo.

O quê?

Quando eu não fiz nenhum movimento, ele fechou o


espaço entre nós, pegou minha mão, virou e pressionou o
cartão na minha palma.

— Que porra você está fazendo aqui?

Eu pulei com a súbita aparição de Salvatore, mas


Dominic só deu um sorriso e limpou debaixo da unha,
debochando.

— Apenas checando Lucia. Desde que ela não estava se


sentindo bem e tudo. Ela parece estar bem para mim, no
entanto.

— Dá o fora daqui Dominic.

Dominic encolheu os ombros e olhou para mim depois


de dar um passo em direção à porta.

— Se você precisar de alguma coisa, Lucia...

— Ela não vai precisar de nada de você.


Salvatore caminhou até mim, o olhar em seus olhos me
paralisou quando ele apertou meu pulso e tirou o cartão da
minha mão. Ele não olhou para ele. Não precisava, eu
imaginei.

Dominic saiu pela porta. Salvatore chutou a porta atrás


dele, sua mão ainda segurando meu pulso.

— Você está me machucando, Salvatore.

Raiva, frustração, eu não sei o que era, mas o que ele


estava sentindo, parecia exalar dele e penetrar em mim.

— Parece que é tudo que eu consigo fazer. — Ele largou


meu pulso.

— Nós estamos saindo. — Ele pegou as malas e entrou


no corredor.

O segui para fora do quarto, querendo estar longe dessa


casa, acima de tudo, ainda temendo Salvatore. Incerta agora,
se me salvaria ou destruiria.

Nós não damos certo juntos. O carro de Salvatore


esperava em frente às portas da frente. O homem que deve
ter trazido entregou as chaves. Salvatore carregou as malas
para o porta-malas e abriu minha porta, não me esperando
para entrar antes de se mudar para o lado dele. Ele estava
claramente tão ansioso quanto eu para sair.

Nós não falamos nos primeiros vinte minutos da viagem.


A tensão de Salvatore literalmente exalou dele.
— Dominic vai ferrar com você. Você não terá qualquer
coisa a ver com ele, entendeu? — Ele não olhou para mim,
mas manteve os olhos na estrada.

— Isso é uma ordem?

Isso o fez virar a cabeça na minha direção.

— Sim.

— Ou o quê, você vai me chicotear de novo? As portas


abrem neste momento?

Seu aperto sobre o volante ficou mais forte, os nós dos


dedos ficando branco.

— Não me pressione, não agora.

— O que aconteceu lá? — Seu rosto se apertou ainda


mais.

— Eu ouvi, Salvatore. Eu ouvi você me defender. Eu


ouvi o seu pai perder a calma.

— Então você não aprendeu a sua lição por bisbilhotar.

— Eu não estava bisbilhotando. Estava descendo para


tomar café da manhã, mostrar meu rosto. Mostrar que ele
não ganhou.

Salvatore bufou e balançou a cabeça, um sorriso


apareceu em seu rosto triste.

— Você não vai conseguir, Lucia. Ele sempre vence.

— Eu disse antes, todo mundo perde algum dia.

— Não Franco Benedetti.


Havia um peso sobre ele e em suas palavras, que me
deixou triste. Apenas triste. Mas eu precisava fazer mais uma
pergunta. Eu precisava saber mais uma coisa.

— Ele disse algo sobre como, cuidar de Luke.

Salvatore me deu um olhar de lado. Ele não respondeu


minha pergunta, mas ele com certeza sabia como me distrair.

— Estou a liberando de seu contrato. Tudo o que eu


falo que vou fazer eu faço, e eu sou o chefe, você será livre,
Lucia.
SALVATORE
Eu não poderia ganhar.

Ninguém podia. Tudo que eu disse a ela, eu quis


dizer até os mínimos detalhes. Franco Benedetti ganharia. E
todo mundo perderia.

Lucia foi direto para seu quarto quando voltamos para a


casa, e eu me silenciei em minha reflexão. Ela não falou
comigo durante toda a viagem. Provavelmente chateada
comigo, o que eu esperava. Porém, eu iria lidar com isso mais
tarde, porque assim que liguei meu laptop, eu vi um e-mail
de Roman sobre as atividades de Luke.

Luke esteve ocupado, de fato, reunido com vários


membros da família Pagani na área Tristate. Sabíamos que,
apesar de tudo, isso não era novo. Foi a próxima parte que
me intrigou.

Ele estava passando as noites na cama de Isabella


DeMarco.

É por isso que me surpreendeu ao saber que eu estava


errado. Que ele não era o pai de Effie.

Mas essa não era a coisa mais estranha. Na verdade, o


que eu vi não fazia sentido.
Peguei o telefone e disquei para Roman, mas antes que
ele pudesse responder, a porta se abriu. Lucia estava lá,
parecendo irritada.

— Então, você vai se trancar aqui e não falar comigo?


— Ela entrou.

— Porque você está me dando um torcicolo.

Eu fechei meu laptop, assim quando Roman atendeu o


telefone.

— Depois eu ligo de novo. — Levantei e fechei a porta.

— Você já ouviu falar em bater?

— O que está acontecendo, Salvatore? O que aconteceu


esta manhã? Você estava bem. Nós estávamos bem. Então
você tinha um café da manhã e eu não sei. É como se você
estivesse puxando um tapete debaixo de mim!

— Eu disse a você, eu vou te liberar, logo que eu puder.


Eu pensei que você queria isso.

— Não é sobre isso. Você não pode apenas deixar pra


lá. E, além disso, quanto tempo até que você seja chefe? E se
você mudar de ideia?

Retomei meu lugar atrás da mesa, mas me afastei dela e


cruzei um tornozelo sobre o meu outro joelho.

— Eu não vou.

Isso a silenciou por um segundo. Ela só ficou lá parada,


surpresa.
— Se você quer brigar, eu não estou no clima — eu
disse.

— Agora não.

Ela trocou seu peso e cruzou os braços sobre o peito.

— Quanto a verdade, então? Você está no clima para


isso? Qual é o problema com Luke DeMarco que você tem que
cuidar?

Eu deixei o meu olhar correr sobre ela. Ela se trocou


para um vestido amarelo pálido, e eu pude ver que ela não
estava usando sutiã. Minhas bolas se apertaram, mas eu me
controlei. Lúcia estava se tornando rapidamente uma
fraqueza. Minha fraqueza. Eu precisava parar com isso. Eu
quis dizer o que eu disse, que eu iria libertá-la de seu
contrato. Eu precisava tomar cuidado para que quando
chegasse o momento, ela não olhasse para trás.

A melhor maneira de fazer isso era sendo um idiota.

Eu me inclinei para frente e coloquei os cotovelos sobre


a mesa.

— Como está a sua bunda, Lúcia?

— Minha bunda não é da sua conta.

— Mostre.

— Vá se foder.

— Você quer saber sobre Luke DeMarco?

Ela me olhou com cautela, mas assentiu.

— Bem. Ele está mexendo com problemas. Muitos.


— O que Franco quer dizer quando ele disse para
cuidar dele? — Perguntou ela.

— Você não está surpresa com o que eu acabei de


dizer?

Ela encolheu os ombros.

— Nós sempre seremos inimigos.

Isso me levou um momento para digerir. Eu decidi


pressionar ainda mais, ver o quanto ela sabia.

— Por que exatamente o seu pai renegou sua irmã?

— Porque ela ficou grávida.

— Isso não parece estranho para você? Quer dizer, este


é o século XXI. As mulheres têm bebês fora do casamento o
tempo todo.

Ela me estudou. O que ela sabia? Será que Isabella


confiava nela? Quanto?

— Eu não sei. Acho que o meu pai era à moda antiga.

— A sua irmã jamais questionou isso? Como ele estava


disposto a perdê-la e a seu neto? — Perguntei.

— Meu pai não, exatamente, toma as melhores decisões


sobre qualquer uma das suas filhas, não é?

— Não, eu acho que você está certa.

— Porque você pergunta?

— Apenas curiosidade. Por que não vai dar um


mergulho. Está bom lá fora.

— Por que você está me afastando? Eu pensei...


Ela sentou cautelosamente na beirada do sofá, me
lembrando do que eu causei a ela, e isso mexeu
perturbadoramente comigo. Ela era inocente? Ou será que ela
sabia mais do que deixou transparecer? E se Luke não era o
pai de Effie, então quem era?

— O que você acha?

— Você disse algumas coisas na noite passada.

Ela balançou a cabeça, em seguida, levou as mãos ao


rosto, esfregando antes de olhar para mim novamente.

— Estou tão confusa. Eu não sei o que eu deveria


sentir. Eu não sei onde estou, e assim que acho que entendo
alguma coisa, compreendo, você recua, complicando mais
ainda.

Observando, eu esfrego minha nuca e inalo


audivelmente, então exalo, percebendo que eu não poderia
ser um idiota. Não para ela. Ela merecia mais.

— É melhor nós mantermos nossa distância, Lúcia. —


Eu não quero feri-la, e parece que isso é tudo que posso
fazer.

Ela me estudou, e o olhar dentro daqueles grandes olhos


gritou confusão. Eu entendi isso. Eu entendi o comentário
dela sobre o torcicolo.

Meu telefone tocou na mesa, e eu olhei para ele, vendo


um texto de Natalie.

— Eu preciso de você!

O que…
— Salvatore? — Lúcia me chamou de volta ao presente.

— Vou dar um mergulho. — eu disse, já ficando em pé


e procurando as chaves em meus bolsos.

— Então é isso? Dar um mergulho? — Ela bufou,


levantando também.

Encontrei e ouvi o zumbido telefone novamente.

— Depressa, por favor!

— Eu tenho que ir.

— Não!

Ela se lançou sobre mim, segurando meus braços antes


que eu fosse até a porta.

— Você não pode simplesmente ir embora disso. De


mim! Você não pode simplesmente me deixar aqui assim! Eu
tenho direito a respostas!

Tirei as mãos dela e a deixei bruscamente no sofá.

— Eu tenho que ir. Quando eu voltar, vamos conversar.


Sinto muito, mas não posso agora.

— Vai ser muito tarde, então!

Minha mente estava muito cheia com mensagens


frenéticas de Natalie para as palavras de Lúcia penetrarem.
Eu saí em disparada e fui para o carro que ainda estava
estacionado na garagem. Eu não olhei para trás, apenas dirigi
o mais rápido que pude para a casa de Natalie.
LUCIA
Eu não podia acreditar nisso.

Ele só saiu! Eu realmente pensei que ontem à noite,


depois do que aconteceu no quarto, nas coisas que ele disse,
eu pensei que ele sentisse algo. E até mesmo quando eu disse
a ele que eu o odiava, eu não fiz. Eu me mantive firme,
recusando a deixar esses pensamentos passarem em branco.

Eu senti algo por ele.

Então, esta manhã, quando ele me defendeu, não quis


dizer alguma coisa? E o que dizer quando ele foi tão
possessivo quando ele viu Dominic no nosso quarto?

Deus, eu era estúpida.

Seu celular tocou novamente, e eu me levantei. Ele


esqueceu na pressa. O texto mais recente estava na tela.

— Você está recebendo minhas mensagens? Eu preciso


de você!

O nome do contato era Natalie.

Natalie precisava dele?


E ele largou tudo por ela. Em uma porra de um piscar
de olhos, ele largou tudo e correu, nem mesmo lembrando de
levar o seu celular com ele!

Bom. Isso foi bom. Ela era provavelmente a razão pela


qual ele iria me liberar de meu contrato. Ele não me queria.
Eu era um fardo para ele. Ele afirmou não ter gostado de me
humilhar na noite passada, mas ele tinha. Ele me usou. Ele
estava ficando livre enquanto podia. Provavelmente traindo
Natalie enquanto ele foi forçado a me manter.

Ele me fez de tola. Eu era uma idiota completa.

Ele queria Natalie? Bem. Ele poderia tê-la.

Eu entrei no banheiro que era contíguo de seu escritório


e joguei o celular no vaso antes de eu correr para cima até o
meu quarto. Joguei algumas coisas em uma mochila. Eu não
me importava com mais nada. Eu não tinha permissão para
deixar o jardim? Eu tinha que dizer a ele onde eu estava em
todos os momentos?

Ele poderia ir se foder. Ou foder a Natalie.

Porra!

Arremessando a mochila por cima do meu ombro, eu fui


para a garagem. Eu sabia que eles mantinham as chaves dos
carros lá, eu vi, ontem, o código que Salvatore digitou em
ambas as caixas que as continham e que abria o portão. Eu
sairia daqui. Eu estava cheia.

Entrar em um carro foi fácil. Sair da garagem, fácil. No


momento em que cheguei ao portão, vi Marco correndo pela
calçada atrás de mim. Eu socava um código para abrir o
portão, mas nada aconteceu.

— Merda.

Tentei de novo, um olho no espelho retrovisor enquanto


Marco se aproximava. Ele corria rápido.

Eu tentei o código novamente, e novamente, nada. Parei,


apertando os olhos fechados.

— Pensa. Pensa! Você viu ontem!

Tentei de novo e exalei em alívio quando as portas altas


finalmente abriram, lentas como uma tartaruga. Eu avancei
com o carro, muito consciente de Marco, a poucos passos de
distância, quando finalmente, finalmente, as portas se
abriram o suficiente para que eu acelerasse, os pneus
gritando contra pedras, levantando poeira e pedra e o
deixando literalmente na poeira.

Eu sorri, o vendo puxar o seu telefone e colocá-lo em


seu ouvido, sem dúvida tentando chamar Salvatore, dizendo
que eu quebrei uma de suas regras estúpidas. Era muito
ruim que o telefone de Salvatore estivesse no fundo do vaso
sanitário.

Isso me fez rir.

Eu não me acalmei na viagem até a casa de Isabella. O


oposto, na verdade. Qual foi o ponto de tudo isso? Por que me
levar quando ele queria alguém? Por quê?

Porque o papai disse que tinha se ele queria ser o chefe.


Isto era tão estúpido. O pai de Salvatore o controlava.
Ele tinha que fazer o que o pai mandava, ou iria perder o que
era seu por direito. Ele daria tudo para Dominic. Minha vida
não tinha importância. O que eu sentia não importava.

Sentir. Não, eu não senti nada em relação a ele. Nada


terno, pelo menos.

Mas eu estava começando a confiar nele.

O cacete que você o conhece.

Pelo menos a indiferença de Salvatore por mim me


manteve segura. Franco ou Dominic, eles fariam coisas piores
para mim. Disso, eu não duvidava.

Então, por que a sua indiferença me machucava? O que


eu quero?

A casa de Isabella parecia vazia quando eu cheguei lá.


Eu parei o carro na garagem, longe o suficiente para não ser
visto da rua. Eu me perguntei se ela ainda colocava a chave
reserva onde costumávamos no caso de nós ficarmos
trancadas do lado de fora. Mas enquanto eu ia para a porta,
vi o rosto de Isabella espreitando para fora da janela da
cozinha. Eu levantei minha mão em saudação, mas ela não
acenou. Seu rosto ficou preocupado. A vi correr da janela e
escancarar a porta de trás.

— Lucia?

Eu caí em seus braços, lágrimas escorriam por meu


rosto, embora eu não pudesse dizer exatamente o porquê. O
que eu diria a ela? Como eu poderia explicar que estava com
ciúmes e machucada? Que depois de todas as coisas que ele
fez para mim, todas as coisas que eles fizeram para mim, eu
queria ele. Porque eu queria. Eu queria Salvatore.

— O que está errado? O que aconteceu?

Nós entramos e fomos direto para a cozinha.

— Sente.

Ela puxou uma cadeira e colocou uma caixa de lenços


na minha frente. Ela fez um pouco de chá, lançando olhares
na minha direção, conforme eu assoprei meu nariz e limpei
meu rosto, tentando me controlar. Isabella pôs uma xícara de
chá na minha frente e, em seguida, tomou o lugar do meu
lado, tomando um gole do seu copo.

— O que aconteceu?

Quanto devo dizer a ela? Eu não estava preocupada com


ela me julgando. Eu só não quero que ela pense que sou
fraca. Ou pior, uma traidora.

— Estou tão confusa. — Eu balancei a cabeça, peguei a


xícara de chá, e olhei para o líquido escuro rodando.

— Ele machucou você?

Sim. Ah sim.

Eu tomei um gole de chá, em seguida, enfrentei a minha


irmã.

— Eu acho que ele está tendo um caso.

Ela pareceu surpresa.

— Por que você pensa isso?


— Porque nós estávamos no meio de uma conversa,
quando ele recebeu uma mensagem de alguém chamado
Natalie e fugiu. Ele estava com tanta pressa que deixou seu
telefone para trás. Eu li uma das mensagens.

— O que ela disse?

— Para ele se apressar. Que ela precisava dele.

Isabella olhou para o relógio. Eu continuei.

— Ele simplesmente me deixou lá e saiu no meio de


uma conversa!

— Não era Natalie o nome da esposa de seu irmão?

— O quê? Dominic é casado?

— Não, Dominic não é casado. Sergio.

— Oh. — Merda, como eu não lembrava disso?

— Ele está tendo um caso com a mulher do seu falecido


irmão?

— Por que você está pulando direto para essa


conclusão? Pode ser qualquer coisa.

— Você está defendendo ele?

Ela sentou e cruzou os braços sobre o peito.

— Eu acho que estou tentando descobrir por que você se


importa.

Eu quase diria que havia algo acusador no olhar que ela


me deu. Eu descansei meu cotovelo na mesa e coloquei a
testa na minha mão.

— Eu não sei porra!


A cadeira de Isabella deslizou sob a mesa. Ela se
levantou e foi até o telefone no balcão. Ela digitou o que eu
assumi ser uma mensagem de texto, em seguida, virou para
mim. Ela encostou no balcão e me estudou com uma
expressão estranha em seu rosto antes que ela voltasse para
mim e esfregasse minhas costas.

— É natural, eu acho que, se você está presa vivendo


com alguém que, basicamente, mantém toda a sua vida em
suas mãos, desenvolva alguns sentimentos por essa pessoa.
Você não está apaixonada por ele, apesar de tudo.

Enfiei a mão.

— Apaixonada? Quem disse alguma coisa sobre estar


apaixonada?

Ela sentou novamente.

— Eu só estou dizendo para não se castigar sobre isso.


Ele já foi tarde e espero que ele esteja transando com a
mulher de seu irmão morto!

— Izzy!

— Sinto muito, isso foi frio. A coisa mais importante é


que você está fora de lá. E você não vai voltar.

— Onde está Effie? — De repente, percebi que a menina


não estava aqui.

— Ela foi nadar com seu melhor amigo, e vão jantar


depois. Eu preciso ir buscá-la em breve.

— Você deveria ter visto a cara de Marco quando fui


embora.
— Aposto que era realmente boa.

— Izzy, ouvi algo esta manhã na casa de Franco


Benedetti. Eu queria falar com você sobre isso.

— O que?

— Salvatore e seu pai estavam falando. Eu não tenho


certeza se Dominic estava lá ou não, mas eu ouvi o pai dele
dizer algo sobre como cuidar de Luke.

Ela não parecia surpresa com o que eu disse.

— Eles sabem que você está tentando causar


problemas, Izzy. Você tem que ter cuidado.

— Isso é Luke. Não eu.

— Bem, então você precisa dizer a ele para ter cuidado.


O que está acontecendo com você e ele, de qualquer maneira?
Eu vi como ele olhou para você na igreja, e ele estava aqui no
outro dia. Vocês dois estão tendo um caso?

— Um caso. Isso soa tão errado. — Ela pegou sua


xícara de chá e despejou o conteúdo na pia.

— Você não vai esquecer esse assunto hoje, não é? —


Ela perguntou, de costas para mim.

— Ele é o pai de Effie, Izzy? É por isso que Papa...

Ela bufou e olhou para o lado.

— Luke não é o pai de Effie.

— Quem é?

Ela se virou e encontrou meu olhar, sua expressão ficou


fria.
— Não é importante. O que é importante é descobrir o
que vamos fazer para mantê-la longe de Salvatore.

O celular de Isabella tocou, e ela olhou para o visor.

— Eu tenho que atender. Eu volto já.

Ela saiu da cozinha e foi para a sala de estar, me


surpreendendo com seu súbito sigilo.

— Este não é um bom momento. — Ouvi seu sussurro.


Então ouvi o meu nome antes que ela desligasse e voltasse
para a cozinha.

— Quem era?

— A mãe que levou Effie para a natação.

— Oh. Você poderia ter falado com ela.

— Está tudo bem. Ela estava apenas checando. Está


com fome? Eu posso te fazer um sanduíche.

— Não, estou bem. Eu acho que vou me deitar se você


não se importar.

— Claro, vá em frente.

Eu estava de pé, sentindo essa distância entre nós, algo


estranho que não esteve lá antes. Mas então ela se aproximou
de mim e me abraçou.

— Você vai ficar bem, maninha. Eu não vou deixá-lo te


machucar. Eu vou cuidar de tudo.

Um mal-estar caiu sobre mim conforme eu fui até meu


antigo quarto. Algo em seu tom ou postura estava distante...
errado. Eu não conseguia deixar isso quieto, no entanto.
Talvez não fosse nada. Talvez fossem os cinco anos entre nós.
Ela mudou muito, assim como todos nós. Ela amadureceu
mais duramente. Mas talvez isso era o que ela precisava fazer
para sobreviver.

Após um breve descanso e um jantar de micro-ondas


naquela noite, eu fiquei pronta e fui dormir no meu antigo
quarto, o sentimento de desmoronamento me atormentando
até que peguei no sono. Não muito tempo depois, quando eu
acordei com a chuva batendo contra a janela e vozes
discutindo. Sentei e olhei a hora no meu telefone. Era um
pouco depois da meia-noite. O visor mostrou oito chamadas
não atendidas, todas de Salvatore.

Eu acho que ele chegou da casa de Natalie. Idiota.

Ignorei as mensagens, saí da cama e abri a porta. As


vozes vinham do andar de baixo. Era Isabella e um homem.
Embora eu conhecesse a voz, eu não conseguia lembrar. Ele
não pertencia aqui.

— Você me prometeu. Eu não quero machucá-lo!

Minha irmã parecia agitada.

— Estou apaziguando. Relaxe.

— Como eu posso relaxar? Deus, eu gostaria que isso


fosse mais!
Saí para o mezanino4 e me arrastei até as escadas. Ao
ouvir o rangido familiar no terceiro piso, eu congelei,
esperando que não tivessem ouvido. Eles continuaram
discutindo.

— Você precisa ir. Você não pode ficar aqui.

Eu suspeitava que a minha irmã não soubesse que ela


estava sussurrando alto.

— Eu cuidei do que você queria que fosse feito. Não


recebo uma pequena recompensa?

O que você queria que fosse feito?

— Tenho certeza de que Salvatore estará aqui a


qualquer minuto. Ele não é estúpido, ele sabe para onde ela
correria. Saia daqui antes que ele chegue.

Salvatore estava vindo?

— Estacionei a alguns quarteirões para baixo. Vou me


esconder em um quarto. Não se preocupe, querida.

Era Dominic? Chamando a minha irmã de querida?

Pneus gritaram ao fazer uma parada brusca do lado de


fora da casa. Faróis brilhavam através das janelas e uma
porta de carro se fechou.

— Maldição. — Disse o homem enquanto alguém tocou


a campainha.

4
Nível particular no interior do edifício situado entre o piso térreo e o primeiro
Eu me virei e corri para o meu quarto, fingindo acabar
de sair quando vi Izzy correr para a porta.

— É a campainha? — Perguntei, não querendo que ela


soubesse que eu ouvi qualquer coisa.

— Aqui vamos nós. — Disse Izzy.

Desci as escadas. Izzy abriu a porta da frente.

Um Salvatore encharcado e furioso estava parado do


outro lado, com o olhar fixo em mim.
SALVATORE

— Estamos no meio da noite. — disse Isabella, de pé na


porta.

Olhei por cima do ombro dela e vi Lucia de pé no último


degrau da escada.

— Eu não vou demorar. — disse, com meus olhos


focados em Lucia.

— Eu só estou aqui para pegar o que é meu. — Eu então


virei para Isabella.

— Saia.

— Não.

— Saia.

— Vou chamar a polícia.

— A polícia é minha.

— Está tudo bem, Izzy. O deixe entrar.

Lucia desceu as escadas e cruzou os braços sobre o


peito. Ela usava uma camisola rosa e curta, que quase não
cobria sua bunda, e seu cabelo parecia como se ela acabou
de acordar, uma bela bagunça.
— Você não tem que ouvi-lo. — Disse Isabella, apesar de
ter se afastado.

Os olhos de Lúcia estavam presos nos meus.

— Pegue suas coisas. — Eu disse a ela.

— Como está Natalie?

— Natalie? Foi por isso que você saiu?

Eu cheguei em casa e encontrei o meu celular no


banheiro. Será que Natalie enviou outro texto e Lucia leu?
Meu telefone era protegido por senha, mas as mensagens
apareciam e permaneciam na tela por tempo suficiente para
que ela pudesse ler sem precisar da senha.

Lucia empinou o queixo. Ela estava com ciúmes.

Eu fiquei olhando para ela e quanto mais eu olhava,


mais nervosa ela ficava, batendo seus pés e mordendo o
lábio.

— Vamos para casa. Nós vamos falar sobre isso lá.

— Esta é minha casa, Salvatore. Eu vou ficar aqui.

Dei um passo em direção a ela, olhando para os pés


descalços com suas unhas cor de rosa, peguei seus braços
desdobrando. Tentei um sorriso. Eu fiquei puto quando
cheguei em casa e descobri que ela não estava lá. Marco
tentou me avisar, mas tudo o que ele foi capaz de fazer foi
deixar mensagens imaginando que eu as recebi. Mas desde
que meu telefone estava na privada, eu só descobri que Lucia
fugiu quando cheguei em casa, por volta das onze da noite.
Mas agora vendo por que ela correu, eu não estava mais
com raiva, estava surpreso.

— Você virá comigo, — eu disse em um sussurro.

Eu não me importava se sua irmã podia ouvir ou não.


Eu também não me importava sobre o que ela pensava de
mim. Eu falei com Roman sobre os testes de DNA, e eu estava
colocando dois e dois juntos.

— Sua casa não é aqui, não mais. É comigo.

Os olhos de Lúcia se arregalaram e por um momento, eu


vi que ela queria acreditar, queria fazer o que eu disse, mas,
em seguida, Isabella limpou a garganta.

— Lucia, você não tem que fazer nada que não queira.

Olhei para ela, sentindo apenas desdém vendo como as


coisas lentamente se encaixavam, peça por peça. Voltei
minha atenção para Lucia.

— Eu vou dizer isso mais uma vez. Pegue suas coisas e


entre no carro, ou eu vou levá-la para fora por cima do meu
ombro. Mas de uma forma ou de outra, você vai dormir na
minha cama esta noite.

Eu vi Lucia engolir e vi como seus seios apontavam por


baixo da camisola rosa.

Ela estava excitada.

— O que vai ser?

— Lucia...
Eu apontei um dedo para Isabella, não tirando os olhos
da Lucia.

— Isso é entre nós.

Lucia ficou rígida, olhando por cima do meu ombro para


sua irmã, depois para mim, com desafio em seu olhar.

— Você não pode me obrigar a ir.

Eu sorri.

— Eu já estava esperando que você fosse dizer isso.

Ela gritou, surpresa, quando eu agarrei seus quadris e a


joguei por cima do ombro, batendo forte em sua bunda, ela
chutou e bateu em minhas costas com os punhos.

— Eu vou chamar a polícia! — Isabella correu para a


cozinha.

Eu ignorei e sai com gotas de chuva caindo sobre nós.

— Me solte!

—Eu te dei uma escolha, — eu disse, abrindo a porta do


lado do passageiro e colocando a no assento. Ela
imediatamente tentou saltar do carro, mas eu apertei suas
costas contra o banco com a palma da minha mão em seu
peito.

— Você escolheu errado. Eu coloquei o cinto de


segurança nela e fechei a porta, trancando até chegar ao
banco do motorista. Eu liguei o carro e saí de lá.

— Você não pode simplesmente ... me levar assim!


— Coloque o cinto de segurança de volta. — Ela o tirou.
O que ela pensou em fazer? Saltar de um carro a mais de 90
quilômetros por hora?

Me certifiquei que a porta estivesse travada apenas no


caso...

—Eu juro, Lucia, se eu tiver que encostar o carro para


disciplinar você.

— Vá mais devagar! — Ela gritou enquanto fazíamos


uma curva.

— Coloque a porra do cinto de segurança!

— Eu te odeio!

Ela afinal colocou o cinto enquanto entrávamos na


estrada.

— Você me diz muito isso. Principalmente quando está


excitada.

— Eu não estou excitada!

Olhei de seu rosto para os mamilos e de volta para o


rosto dela.

— Não, obviamente, não, — eu disse, voltando minha


atenção para a estrada.

Ela se cobriu com os braços.

— Você não tem direito, Salvatore.

— Eu tenho todo o direito. Você assinou um contrato.

— Eu tinha dezesseis anos, e eu não tinha escolha!


— E qual é a sua escolha agora? Hã? Quebrá-lo?
Arriscar a segurança da sua família?

— Você não iria machucá-los.

Olhei para ela novamente, uma parte de mim feliz que


ela sabia disso. Mas eu não era o único perigo.

— Eu não, mas os outros fariam.

— Você vai me ameaçar com isso para o resto da minha


vida?

Eu apenas balancei a cabeça e me concentrei na


estrada. Eu tinha coisas mais importantes em minha mente
no momento. Como descobrir o que aconteceu naquela tarde.

No momento em que entramos pelos portões e fomos até


a casa, o silêncio entre nós pendurava como um espesso
nevoeiro, impenetrável. A chuva ainda caía. Desde que a
garagem estava separada da casa principal, eu estacionei tão
perto da porta da frente quanto possível e sai. Lúcia já abriu
a porta e sentou medindo a distância entre o carro e a casa.

— Seus pés estão descalços. Eu vou levar você. — Eu


me inclinei para levantá-la, me encharcando pela terceira vez
naquela noite.

— Estou bem. Não me toque.

— Pare de lutar contra mim. As pedras vão cortar seus


pés. — Com um braço sob seus joelhos e o outro em suas
costas, eu a tirei do carro.

— Eu disse para não me tocar!


Assim que eu inclinei para fechar a porta do carro, ela
saiu dos meus braços e caiu sobre suas mãos e joelhos com
um grunhido.

— Lucia!

— Fique longe de mim! — Ela se levantou e passou pelo


gramado da frente.

— Merda! — Eu a segui, embora não houvesse qualquer


lugar para ela ir. Se não estivesse chovendo, eu a deixaria ir.
Mas a conhecendo, ela se machucaria tentando passar por
cima dos portões.

Ela correu rápido, mas o chão escorregadio sob seus pés


descalços atrapalhou. Ela caiu mais duas vezes antes de eu
finalmente alcançá-la. Quando eu envolvi um braço em volta
da cintura para puxá-la para cima, ela me chutou, batendo
nas minhas pernas e acabei caindo em cima dela.

— Me deixe em paz! Por que você não pode


simplesmente me deixar em paz?

Ela lutou como um gato selvagem, arranhando e


chutando até que eu coloquei o meu peso sobre ela, peguei os
dois pulsos e prendi debaixo de mim.

— Pare! Pare de lutar contra mim!

— Eu te odeio. Eu te odeio, e isso nunca vai mudar.

Olhei para ela, lágrimas e chuva encharcando seu rosto.

— Você vai parar.

— Por que você veio para mim? O que você quer de


mim?
— O que eu quero? — Eu olhei para o rosto corado com
esforço e com a boca aberta para recuperar o fôlego, o cabelo
escuro espalhado ao redor da cabeça, preso ao seu rosto,
encharcado e sujo. O que eu quero? Ela empurrou seu corpo.
Toquei minha testa na dela, os olhos ardendo na cor âmbar
agora.

— Isto, — eu disse, e a beijei.

Ela tentou dizer alguma coisa, mas o que quer que


fosse, eu engoli. Seus lábios macios molhados cederam sob
os meus. Mesmo quando ela tentava lutar, seu corpo se
entregava, sua boca se rendia. Ela fez um pequeno som
quando eu aprofundei o beijo, saboreando, pressionando
mais duro na terra, meu pau como o aço contra a sua barriga
macia.

— Eu quero isso, — eu disse, beijando sua boca


novamente enquanto eu com uma mão tirava o meu pênis da
calça. A camisola dela já estava na cintura.

— Isso. — Beijei novamente, desta vez mais suave, em


seus lábios, em seguida, o queixo, a bochecha. Eu queria ver
seu rosto, seus olhos. Deslizando os dedos por baixo da
calcinha, eu a afastei de lado. Ela mordeu os lábios, me
observando.

— Eu quero você. — Empurrei para dentro dela, e ela


arqueou as costas, fechando os olhos momentaneamente.

— Você. — Eu afundei novamente, sua boceta molhada


e apertada como uma luva ao redor do meu pau.
— Eu quero você, Lucia, — eu disse finalmente, pegando
seus pulsos e colocando ao lado do corpo dela, observando
seu rosto enquanto eu a fodia, apenas mais alguns golpes
curtos e fortes antes que ela gozasse em torno do meu pau,
fazendo aquele som que ela fazia quando gozava, esmagando
meu pau até que eu parei, apertando os pulsos com mais
força, me permitindo gozar, com o coração acelerado, sem
respirar até que eu esvaziei totalmente.

A chuva abrandou, finalmente, como se combinando


com o nosso humor. A beijei e lentamente deslizei para fora,
ajoelhando para fechar o meu jeans antes de levantá-la. Ela
não lutou neste momento. Me deixou levá-la para dentro da
casa, até o segundo andar, atravessando o meu quarto e
chegando ao banheiro principal, onde eu liguei o chuveiro e a
coloquei dentro. Ainda totalmente vestido, tirei primeiro a sua
roupa e, em seguida me despi sob o fluxo de água quente.

—Eu quero você, Lucia, — eu disse, mais uma vez,


pressionando contra a parede, a beijando.

— Tão errado, como isto possa parecer, eu quero você.

Lucia estava deitada na minha cama, os cortes nos


joelhos e as palmas das mãos enfaixadas, ela estava quente
embaixo das cobertas. Segura em meus braços.

— Natalie é minha cunhada. A esposa do Sérgio. — Ela


estava de costas para mim, então eu não podia ver seu rosto.

— Ela tem um filho, Jacob, que fica na creche enquanto


ela trabalha. Quando chegou lá para pegá-lo, ele não estava
mais. Alguém da creche fez merda, liberando Jacob a alguém
que dizia ser seu tio.

Ela virou a cabeça para olhar para mim, em seguida, se


deslocou para encostar. Eu mantive meu braço sobre sua
barriga, minha mão fechou possessivamente em torno de seu
quadril.

— Ela estava desesperada, como você pode imaginar.

— Eles o encontraram?

Eu balancei a cabeça.

— Foi Dominic, estou certo. Ele o deixou na casa dos


pais dela, mas só depois de um par de horas.

— Jacob está bem?

— Ele está bem agora. Ele tem apenas um ano e meio,


então ele não pode nos dizer muito. Chegou com alguns
brinquedos e um cone de sorvete que derreteu em cima dele.
Ele aparentemente correu para os braços de sua avó e
chorou, pedindo a sua mãe.

— Por que Dominic faria isso?

— Para mostrar que podia. Isso é o que me irrita mais.


Esta era a única coisa que poderia aterrorizar Natalie.

— Eu não posso imaginar o que Natalie deve ter sentido.

Eu balancei a cabeça.

— Eu nunca a vi como hoje, nem mesmo quando ela


soube que o Sergio morreu.
— Eu sou a única pessoa em quem ela confia, Lucia. Eu
não podia abandoná-la ou ao meu sobrinho.

— Você deveria ter me contado.

— Eu sei.

— Eu assumi... Achei que ela era sua... Que você estava


tendo um caso. — Ela baixou os cílios, o rosto ficando com o
embaraço.

— Eu disse que não faria isso. O contrato.

— Ele não diz nada sobre isso.

— Eu não estou interessado em qualquer uma ou


qualquer outra coisa no momento. — As palavras no
momento me fizeram parar. Eu me perguntei se ela notou.

— Não se preocupe. Eu ainda vou libertá-la do contrato


quando chegar a hora.

Ela ficou quieta.

— Estou cansada.

A puxei firmemente contra o meu peito e descansei o


queixo no topo de sua cabeça. Durma.

Lucia ainda dormia profundamente quando eu acordei


cedo na manhã seguinte. Beijando suavemente sua testa, sai
da cama e a cobri de volta, em seguida, deixei um bilhete, e
fui para a casa de Dominic. Ele morava cerca de 45 minutos
de distância. Quando cheguei lá, vi o sedan de meu pai na
entrada circular. Eu me perguntava o que ele estava fazendo
aqui. Se ele estava se reunindo com Dominic sobre a situação
de Luke DeMarco.

Pare de ser tão paranoico.

Se não fosse por Lucia, eu não daria a mínima se


Dominic fosse o próximo chefe? Eu me preocuparia? Ou eu
aproveitaria a oportunidade e iria embora? Apesar de que, ir
embora não era realmente uma opção. Nada nesta vida vinha
tão fácil.

Pare de pensar nisso! Eu precisava me concentrar.


Estacionei o meu carro atrás do carro do meu pai, e caminhei
para a porta da frente, minha raiva de ontem estava voltando
a toda, enquanto eu me aproximava. Lúcia me pacificava. Ela
acalmou a minha raiva, transformando em outra coisa. Ela
despertou um lado diferente de mim, que eu tentei manter
enterrado por um tempo muito longo. Eu sempre pensei que
esta parte de mim era fraca, mas na verdade era o oposto.

Toquei a campainha. Uma mulher que eu só vi aqui


duas vezes abriu a porta. Assim que ela me reconheceu, eu vi
a breve expressão de pânico no seu rosto.

— Sr. Benedetti, Dominic está esperando por você?

—Não, é uma visita surpresa. — Ela parecia nervosa e


estava bloqueando a porta.

— Ele está em uma reunião, senhor, e ele disse sem


interrupções.
— Ele disse? — Eu olhei atrás dela. Uma mulher
aspirando a sala de estar, mas além disso, a casa parecia
vazia. Bem, eu preciso vê-lo, por isso, me deixe passar.

— Eu infelizmente não posso fazer isso, senhor.

— Qual o seu nome?

— Patrícia, senhor.

— Patrícia, eu preciso ver o meu irmão. E eu preciso que


você saia da frente.

— Senhor, — ela olhou para trás, claramente sem saber


o que fazer. Eu não devo...

Dei um sorriso tão largo como pude, sentindo ir nos


cantos dos meus olhos.

— Eu vou assumir a responsabilidade total, Patrícia.


Não se preocupe.

Ela hesitou, e eu aproveitei, a empurrando para fora do


caminho quando entrei na casa. Fui direto para o escritório
de Dominic, localizado nos fundos. Um homem estava na
frente da porta, mas a minha presença o surpreendeu
claramente. Eu apenas sorri e passei direto por ele. Eu
coloquei minha mão na maçaneta da porta antes de sentir a
mão dele no meu ombro.

Eu dei um olhar atravessado com as sobrancelhas


levantadas, antes de encontrar o seu olhar.

Seus olhos se arregalaram, e o peso de sua mão


diminuiu.

Ele sabia quem eu era. Bom.


— Senhor — ele começou.

— De um passo para trás.

Ele levou um momento, mas eu não esperei por ele para


decidir. Ao invés disso, eu virei a maçaneta e abri a porta
para encontrar Dominic, Roman, e meu pai sentados ao redor
da mesa circular.

Todos se viraram com a interrupção, meu pai e Roman


ficaram surpresos e Dominic furioso.

— Que maravilha, — eu disse, estreitando os olhos em


Roman, o homem que eu mais confiava dos três.

— Eu disse ninguém! — Dominic gritou para o homem


que montava guarda e levantou.

— Senhor.

O guarda murmurou algo, mas eu não me importei. Ao


invés disso, quando Dominic passou pela mesa, eu me lancei
sobre ele, agarrando seu colarinho e arrastando para trás até
que eu o tinha preso contra a parede.

— O que ... — a voz do meu pai veio.

— Salvatore!

Ouvi o grito de Roman, mas tudo que eu podia ver eram


os olhos de Dominic, o olhar, ambos mal e orgulhoso, como o
canalha arrogante que era.

Ele sabia exatamente por que eu estava aqui.

— O que você queria, pegando Jacob?

Seu sorriso se alargou.


— Tire suas malditas mãos de mim.

— Você assustou Natalie para cacete!

— O que está acontecendo? — Meu pai perguntou atrás


de mim.

— Nada! — Dominic começou.

— Isso é chamado de sequestro, idiota! Eu disse antes


de batê-lo com força contra a parede.

— Salvatore, larga ele, — disse Roman, sua voz a mais


calma de todos.

— Sim, Salvatore, me larga. — Dominic imitou Roman.

Seu rosto, seu tom, eles me enfureceram. Ele não dava a


mínima para nada nem ninguém. Não para Jacob. Nem
Natalie, ninguém. Seu Canalha. Eu o liberei, e Dominic se
endireitou, tentando corrigir sua camisa, mas enquanto isso,
eu levei meu punho para trás e atingi sua mandíbula com
tanta força, que sua cabeça bateu de volta na parede, e ele
tropeçou.

— Você não liga o mínimo, não é? — desta vez, dirigi o


meu punho em seu intestino.

— Você não dá a mínima por assustar aquele menino.


Ou quase matar de susto a mulher do teu irmão.

Precisou de três homens e Roman para me arrastar dele,


mas antes que eles fizessem, eu dei mais um soco na
mandíbula de Dominic. Ele lutou para ficar de pé, seu sorriso
irritado enquanto ele limpava o sangue de seus lábios.
—Do que você está falando, Salvatore? — Meu pai
perguntou.

Notei, então, como ele ficou para trás, vendo, com os


olhos cansados.

— Por que você não conta para ele? — Eu disse, lutando


contra os homens que me seguravam, observando Dominic,
sua expressão chateada, já com as contusões colorindo seu
rosto.

— Diga a ele o que você fez.

— Ele é meu sobrinho também.

— Porra, você nunca se importou com isso.

— Basta! — Meu pai gritou através da sala. Sente.

Os homens me segurando me empurraram para uma


cadeira e me seguraram lá. Vi meu pai ir enraivecido em
direção a Dominic. Eu nunca o vi fazer isso com ele antes.

— Você machucou Jacob? — Ele perguntou, seu tom


baixo, ameaçador.

— Eu não o machuquei. O levei para comprar


brinquedos e comprei uma porra de um sorvete!

— Você o assustou. Ele é apenas um bebê. O filho de


seu irmão! — eu disse.

— Dominic? — Perguntou meu pai, com o rosto


empalidecendo.

Eu me libertei dos homens que me seguravam e me


levantei.
— Só tenho uma mensagem para você. — Minha voz
veio baixa e profunda. — Fique longe de Natalie e Jacob, ou
Deus me ajude

— Dominic! — Meu pai retrucou.

Saí, balançando para fora do aperto de um dos homens


de Dominic.

— Estou indo embora. Tire suas mãos de mim.

— Você colocou um dedo no menino de Sergio? — Eu


ouvi meu pai perguntar.

Eu não olhei para trás. Saí pela porta indo para o meu
carro, satisfeito por ter batido em Dominic, mas não
completamente confiante que a minha ameaça manteria
Jacob e Natalie seguros.

Assim que eu liguei o motor e virei o volante, um


movimento na porta da frente me chamou a atenção. Foi
Patrícia. Ela olhou para trás várias vezes enquanto ela vinha
em direção a mim. Abaixei minha janela.

— Sr. Benedetti. Ela estava sem ar.

— Sim?

— Seu tio me pediu para dar isso a você. Ela escorregou


uma nota para mim e rapidamente se afastou do carro.

— Obrigado, Patrícia. — eu disse, já distraído


desdobrando e lendo a breve nota escrita apressadamente:
Dominic visitou Isabella DeMarco ontem à noite, pouco antes
de sua chegada lá.
Dominic estava lá? Eu entrei, bem, eu só cheguei até o
Hall. Será que Lucia sabia que Dominic estava lá e escondeu
isso de mim?

Se for assim, só aumentam as minhas suspeitas.


LUCIA

Eu acordei de repente, respirando fundo, com minha


garganta incrivelmente seca.

Olhando ao redor, eu me lembrei onde eu estava,


lembrei da noite anterior. Estava na cama de Salvatore, seu
cheiro ainda estava em seu travesseiro, o lugar aonde sua
cabeça esteve agora tinha um pequeno pedaço de papel.

Desdobrei, e li:

— Eu preciso cuidar de alguns negócios. Estarei de volta


esta tarde. Estou com o telefone do Marco, e eu já programei o
número no seu em caso de você precisar de algo.

Salvatore

Eu abaixei a nota e fechei os olhos, me sentindo


envergonhada com o que eu fiz, ter jogado seu telefone na
privada.

Mas agora, eu tinha que enfrentar a coisa que me


acordou, por mais incrível que pareça. Eu gostaria de ter
mantido a nota do meu pai, ao invés de jogá-la fora. Na
época, eu estava tão chateada.
Meu pai cometeu suicídio porque não podia viver com as
decisões dele. Porque ele não foi capaz de chegar a um acordo
com o fato de que quando eu completasse vinte e um,
Salvatore iria me reivindicar como sua. Será que ele tinha
alguma ideia de como essa carta me faria sentir? Será que ele
sabia que colocou mais culpa sobre os meus ombros com
essa carta do que na assinatura do contrato que me ligava à
família Benedetti?

Mas havia algo mais. Ele disse algo que eu acabei de me


lembrar momentos antes de acordar. Ele culpou o Benedettis
pela destruição de ambas as suas filhas.

Eu pensei, quando eu ouvi a voz do homem na noite


passada, eu pensei que eu reconheci, mas não era uma voz
familiar. Eu pensei que era Dominic Benedetti. Mas o que ele
estaria fazendo na casa da minha irmã? Isabella o odiava
mais do que eu.

Mas o que o meu pai escreveu ...

Não.

Sentei e tirei os cobertores de cima. Eu estava nua e vi


que Salvatore cuidadosamente enfaixou meus joelhos e as
palmas das minhas mãos onde eu me machuquei fugindo
dele na noite passada. Quando ele me alcançou, ele foi
intenso, feroz, mas também cuidadoso.

Eu balancei a cabeça e sai da cama. De volta ao meu


próprio quarto, eu me vesti com roupas de corrida. Correr
sempre ajudou a limpar a minha cabeça, e eu precisava da
minha mente extremamente clara no momento. Já vestida, eu
saí. Ouvi Rainey na cozinha e alguém aspirando em outra
parte da casa.

Eu comecei lentamente, tentando escolher uma música,


mas depois parei, envolvi os fones de ouvido ao redor do
telefone, e coloquei no bolso. Eu não queria música hoje. Eu
ouviria os sons da floresta.

Ontem à noite, quando eu perguntei o que ele queria,


Salvatore disse que me queria.

— Por enquanto

Murchei instantaneamente com essa memória. Ele teve


que me ter. Não é como se eu fosse sua escolha.

Eu coloquei esse pensamento de lado. Eu precisava


descobrir o que estava acontecendo. Eu precisava falar com
Izzy, mas como? Como eu poderia dizer a ela que eu ouvi
uma voz de homem, sem me entregar? Quão ofendida ela
ficaria se eu perguntasse se Dominic Benedetti estava na
casa dela?

Mas e se foi ele? E se ela o conhecesse por muito mais


tempo do que eu percebi?

E se ela soubesse sobre o que ele fez para aquele


menino, sequestrando o filho de Natalie assim?

Eu cuidei do que você queria que fosse feito.

De jeito nenhum. Izzy nunca tramaria algo tão terrível


como o sequestro de uma criança. E eu deveria ter vergonha
de mim mesma por pensar isso.
Comecei a correr mais rápido, mesmo não estando
devidamente aquecida ainda, e suei bastante. Corri mais
intenso do que eu normalmente corria, mas eu precisava de
mais, queria queimar e esgotar os meus músculos, me livrar
de todos os males.

Quando as coisas ficaram tão complicadas? Isabella e eu


éramos DeMarcos. Nós odiávamos a família Benedetti. Isso
era simples. Era preto e branco. Mas isso? Esta atração, este
impulso por Salvatore? Minha rendição a ele? Não fazia
sentido. E minhas perguntas sobre Izzy. Sobre o que meu pai
potencialmente mencionou na carta. Sobre ter ouvido a voz
de Dominic em sua casa tarde da noite.

Eu estava correndo muito rápido em um terreno


desconhecido e não prestei a atenção, então quando eu
tropecei numa raiz exposta de uma grande árvore e sai
voando, eu não me surpreendi. Mas quando eu tentei ficar de
pé, eu tive que me levantar com os braços. Meu tornozelo
esquerdo já estava começando a inchar e latejar de dor.

— Merda.

Eu olhei de volta para a casa, mas eu corri muito


profundamente na floresta para ver mais do que as chaminés
decorativas. Me obriguei a ficar de pé, apoiando todo o meu
peso na minha perna direita. Segurando em árvores
próximas, eu manquei em direção à casa. Em menos de cinco
minutos, percebi que eu não conseguiria voltar para lá
sozinha, não com o meu tornozelo rapidamente dobrando de
tamanho.
Peguei o telefone do meu bolso, desenrolei os fones de
ouvido e prendi um em meu ouvido. Procurei o contato que
Salvatore gravou o número do Marco e liguei.

Ele respondeu rapidamente, soando surpreendido

— Lucia?

— Lembra quando me disse para tentar não me perder


enquanto estivesse correndo?

— Ele gargalhou relaxando. Você está perdida?

— Não, não é isso. Eu não estou perdida, e eu nem


estava ouvindo música, mas...

— O quê? — Ele me cortou, com um tom ansioso.

— Eu prendi meu pé em uma raiz de árvore e cai. Estou


tentando voltar para a casa sozinha, mas meu tornozelo está
inchado e doendo muito.

— Senta e coloca o pé para o alto se você puder. Estou


chegando. Estou passando pelos portões agora. Você sabe
qual trilha seguiu?

— A do leste, a mesma que nos encontramos na outra


manhã, mas eu já passei do ponto onde paramos da última
vez.

— Ok, estou indo. Continue falando comigo, para que eu


possa ouvi-la.

Eu ouvi o som de pedras sob os pneus do carro. Ele


realmente acabou de voltar.
— Onde você foi? — Perguntei, já que ele disse para
continuar falando.

— Fui ver o meu irmão.

Eu poderia contar sobre minhas suspeitas? Mas ele


continuou falando enquanto andava, ouvi a abertura da porta
da frente, ele dizendo algo a Marco, deslizando as portas de
vidro abertas antes dos sons de seus passos esmagando no
chão da floresta chegarem aos meus ouvidos, enquanto corria
para mim.

— Meu pai, Roman, e ele estavam em uma reunião. Há


alguns dias, eu questiono a minha confiança em Roman.

— Você confia? Confia nele, eu quero dizer?

— Dos três, sim. Sérgio também confiava. Mas eu sei


que se as coisas ficarem feias ele irá cuidar de si mesmo em
primeiro lugar.

— Foi Dominic que levou Jacob? Ele admitiu?

— Sim.

— Eu posso ouvir você! Quero dizer, não apenas no


telefone.

— Short de corrida rosa-pink? — Ele perguntou.

Olhei para baixo e sorri. Eu acho que é uma coisa boa.

— Seria difícil de perder você neles, — disse ele,


desligando quando apareceu. Ele vestia seu uniforme
habitual: Camiseta e jeans escuros. E ele me fazia salivar.
Salvatore me olhou da cabeça aos pés e se ajoelhou
perto do meu pé que doía, me fazendo estremecer quando ele
tocou levemente o tornozelo inchado.

— Ouch. Ei, suas mãos! — Seus dedos estavam em


carne viva e feridos.

Ele olhou para eles como se não tivesse percebido e


sorriu com orgulho.

— Você deveria ver o rosto de Dominic.

— Você bateu nele?

Ele balançou a cabeça, e voltou sua atenção para o meu


tornozelo.

— Eu vou te levantar e carregar de volta. Apenas me


deixe fazer uma chamada.

Ele ligou, e eu percebi que ele chamou Rainey, logo que


ele disse o nome dela.

— Você pode chamar o Dr. Mooney aqui para mim?


Lucia machucou o tornozelo. Eu não acho que está quebrado,
mas eu gostaria que ele viesse olhar de qualquer maneira.

— Eu não preciso de um médico, eu só preciso de um


pouco de gelo, — eu disse, mas ele me ignorou.

— Obrigado, Rainey. — Ele desligou e virou para mim.

— Não vamos correr nenhum risco.

Ele me levantou em seus braços, e eu pisquei para


afastar as lágrimas com o movimento.

— Desculpa.
— Tudo bem.

— Isto está começando a virar um hábito.

— Você me levando para dentro da casa?

Ele balançou a cabeça, caminhando cuidadosamente


através da floresta de modo a não bater nos ramos com o
meu tornozelo machucado.

— Posso fazer uma pergunta, Lucia?

— Claro.

— Como é que eu não vi o Dominic quando fui até você


na noite passada?

Como ele sabia?

— Estava escuro, mas eu tenho certeza que eu teria


visto, —continuou ele.

— Eu não tenho certeza de que era ele. Ouvi do andar


de cima, mas eu nunca vi quem era.

— Então, estou certo, ele estava lá.

— Quer dizer que você não sabia? — Eu olhei para ele,


confusa.

— Não cem por cento.

— Então por que você perguntou isso dessa forma? —


Ele me enganou.

— Você não tentaria proteger sua irmã, ao invés de me


dizer a verdade?

Nos aproximamos da casa, e eu vi Rainey esperando na


porta, com um grande saco de gelo na mão.
— Responda à minha pergunta, Lucia.

Olhei em seus olhos de um azul profundo, vendo, não


escuridão, não raiva ou ódio. Vi em vez disso, bondade, tanto
quanto se pode ser bom em nosso mundo.

— Provavelmente — eu respondi honestamente.

Ele assentiu.

— Obrigado.

—O Doutor estará aqui em vinte minutos. Ele disse para


colocar gelo — Rainey disse enquanto entrávamos na casa.

Salvatore me deitou no sofá e descansou o meu


tornozelo em seu colo se sentando ao meu lado.

Rainey sorriu e me entregou um copo de sua limonada


caseira e dois Advil.

— Pensei que você poderia precisar deles.

Eu devolvi o sorriso e tomei os comprimidos.

— Obrigada. Você é uma salva-vidas. — Rainey saiu


para esperar o médico, e eu bebi um gole da limonada,
reclamando quando Salvatore puxou o meu sapato. Isso dói.

— Eu sinto muito.

Ele gentilmente tirou minha meia, inspecionou o


inchaço, e em seguida, colocou o saco de gelo no meu
tornozelo.

— Como é que você sabe sobre o Dominic?

— Eu tenho homens vigiando a casa desde o dia em que


vi Luke lá. Luke está envolvido em algumas coisas perigosas.
Eu realmente espero, para o bem de Isabella, que ela não
esteja envolvida, Lucia.

Eu não perdi o aviso, mas Salvatore não iria machucá-


la. Ele prometeu.

Salvatore continuou.

— Eu fiquei surpreso ao ouvir que era Dominic que fez


uma visita no meio da noite ao invés de Luke. Será que ela
está dormindo com os dois?

— Salvatore! Você não sabe disso! Eu não sei disso! Ela


não é algum tipo de... — Eu não podia dizer a palavra.

— Eu não me importo se ela dorme com cem homens em


uma noite, Lucia. Mas eu me importo se ela está transando
com meu irmão.

— Ela não faria isso! Ela o odeia. Ela odeia todos vocês!
— Eu tentei tirar meu tornozelo de seu colo, mas ele colocou
a palma de sua mão com firmeza na minha coxa.

— Quem é o pai de Effie, Lucia?

Eu olhei para ele, com minha respiração ofegante, meus


olhos lacrimejando com a acusação. Era como se ele estivesse
pegando informações do meu cérebro. Coisas que eu ainda
não cheguei a entender, coisas que eu não sabia se eram
verdade.

— Por que você faz isso? Toda vez que eu sinto que
estamos finalmente chegando a algum lugar, quando acho
que posso entendê-lo, você tem que estragar tudo?

Dois pares de passos vieram do Hall,


— Por aqui Doutor, — Rainey disse, o fazendo entrar.

Salvatore e eu estávamos nos encarando. Eu finalmente


tive que desviar quando uma lágrima rolou pela minha
bochecha. Eu me virei.

— Dr. Mooney, — disse Salvatore.

— Você vai me desculpar por não levantar, mas eu acho


que eu causaria dor por mover a perna dela.

Ele fez. Ele só me causou dor. Cada. Maldito. Momento.


SALVATORE
Eu estava fora da sala quando vi Roman ligar, deixando
o Dr. Mooney cuidar da perna de Lucia. Eu tinha razão; era
apenas uma torção, mas estava dolorida no entanto.

— Roman. — Eu disse quando entrei, o estudei e fechei


a porta.

— Bem, você sabe como fazer uma entrada.

— Ele sequestrou Jacob da creche. Isso depois de ter


ido à casa da Natalie há poucos dias, e ela ter se recusado à
deixá-lo entrar. Ele estava enviando uma mensagem, Roman.
Eu queria ter certeza de que ele receberia a minha, alto e
claro.

— Bem, seu pai estava chateado. Você esteve fora bem


mais do que o esperado, apesar de tudo.

— Sério? Franco Benedetti chateado com o filho que


não sou eu, para variar?

— Franco pode ser teimoso, às vezes, Salvatore. Nós


dois sabemos disso. Ele é mais difícil com você, porque ele
sabe que você vai ser o único a substituí-lo, mas ele não pode
ignorar Dominic. Franco está mais consciente do que você
pensa da ameaça em potencial que Dominic apresenta, e este
golpe com Jacob baniu quaisquer dúvidas que ele possa ter
ainda.

— Finalmente. — eu disse sarcasticamente.

— De qualquer maneira, a menos que Dominic seja


estúpido, ele não vai chegar perto de Natalie ou Jacob
novamente. Franco foi lá pessoalmente para ter certeza que
ela saberia que ambos terão a sua proteção.

— Nem Dominic nem eu iríamos segurar uma vela para


Sergio, mesmo em sua morte. Eu odiava sentir uma pontada
de inveja em relação a Sergio, mesmo que pequena. Eu sabia
disso por toda a minha vida, mas nunca veio entre nós. E eu
não iria fazê-lo agora, nem nunca.

— O fato de Sergio ter morrido ainda dói em seu pai.


Ele não te ama menos. Ele só sente falta de um filho. Ele é
humano, afinal de contas.

Eu não comentei nada.

— Eu quero falar com você sobre o teste de DNA,


Salvatore.

— Vá em frente. Eu ainda não tive a oportunidade de


ler o resto do relatório para ter uma compreensão mais clara
dos resultados.

— Quando os resultados voltaram, confirmando que o


Luke não é o pai, eu usei uma amostra de mim mesmo, ações
da família, em alguns casos mais do que em outros, mas
pode sempre haver alguma coisa.
Roman estudou a genealogia da família por um tempo e
estava no processo de compilar sua árvore genealógica.

— O que fez você fazer isso? — Eu estava pronto para


ouvir o que ele me diria?

— Um palpite. Ações de Effie DeMarco, pelo menos,


alguns de nossos DNA, Salvatore.

Sentei, ouvir era diferente do que pensar nele.

— Eu obviamente, não sou o pai da menina, mas estou


fazendo mais testes hoje. Peguei uma amostra na casa de
Dominic.

— O que? Você vai testar ele? — Eu ri, mas não havia


nenhum humor por trás dele.

—Peguei uma amostra de seu cabelo.

—Quando você vai saber com certeza?

— Estou esperando que dentro de vinte e quatro horas.

— O meu pai sabe alguma coisa sobre isso?

— Não. Nada. Ele não vai descobrir a menos que eu


esteja com cem por cento de certeza.

Eu me inclinei para trás, exalando. — Então, Dominic


está tendo um caso com Isabella DeMarco por cinco anos?

— Isso eu não sei.

— Onde está a sua lealdade, eu me pergunto? E como é


que Luke DeMarco se encaixa nisso? Isso será complicado
para caralho.
— Fale com Lucia. Veja se você pode conseguir
qualquer tipo de informação. Ela pode não estar ciente,
Salvatore.

— Eu acho que ela é inocente. — Não, eu sabia disso. E


esse conhecimento só iria machucá-la.

— Eu voltarei assim que eu souber de mais alguma


coisa.

— Obrigado, Roman.

Eu liguei para Natalie, que avisou que estava doente no


trabalho e foi passar o dia com Jacob em casa. Ela sabia que
o meu pai estava a caminho, e, embora não estivesse
contente com isso, parecia razoavelmente calma e prometeu
me chamar assim que ele fosse embora.

Quando voltei para a sala de estar, Dr. Mooney estava


apenas arrumando suas coisas.

— Basta mantê-lo coberto e frio. Você vai ficar bem em


pouco tempo. Eu já pedi muletas. Elas estarão aqui eu creio
que nas próxima duas horas.

— Quanto tempo vou precisar delas? — Perguntou


Lucia.

— Apenas enquanto você sentir dor ao colocar qualquer


peso sobre a perna. Eu não acho que por muito tempo, uma
semana ou duas.

— Obrigado, Dr. Mooney. — Eu estendi a mão a ele.

— De nada, Salvatore. — Ele virou para Lucia e apertou


a mão dela também.
— Foi bom conhecer você, minha querida. Ligue se
precisar de alguma coisa.

— Eu vou. Obrigada novamente.

Rainey levou o Dr. Mooney até a porta e eu sentei ao


lado de Lúcia.

—Eu não quero falar com você agora.

—Eu não queria incomodá-la com a minha pergunta,


Lucia.

— Mas você fez, Salvatore. Essa é a questão. Já ouviu o


ditado: o inferno está cheio de boas intenções?

— Vamos sentar junto à piscina antes que fique muito


quente.

— Eu disse que não.

Ignorando, eu a levantei e levei para fora. Lucia


simplesmente suspirou.

— Você pode levar minha limonada, pelo menos?

— Certo. Você gostaria de algo para comer?

Ela me deu um olhar cauteloso.

— Eu acho que senti cheiro de bolo.

Eu também senti, Rainey assou.

— Eu volto já.

Na cozinha, eu cortei dois pedaços do bolo de canela


ainda quentes que encontrei em cima do balcão e os coloquei
em uma bandeja junto com dois copos frescos de limonada.
Do lado de fora, eu entreguei um dos pedaços para Lucia e
coloquei a limonada na mesa ao lado de sua poltrona antes
de tomar o assento perto dela.

— Este bolo tem as características de Rainey. — Sem


me incomodar com o garfo, eu peguei o pedaço que cortei
para mim e o mordi.

— Meu Deus, é delicioso.

— Eu vou ficar gorda. — disse Lucia de boca cheia.

— Eu vou ter que fazer exercícios suficientes.

Ela olhou para mim pelo canto do olho, em seguida,


voltou sua atenção para o bolo em seu prato no colo.

— Nós precisamos conversar sobre a noite passada.

— Eu pensei que nós já o tínhamos feito.

— Sobre o que você ouviu.

Seu olhar cauteloso encontrou o meu.

— Ela é minha irmã, Salvatore.

— Jacob estava com muito medo, Lucia. Se Isabella não


tem nada a ver com isso, é importante que eu saiba.

Ela esfregou o rosto com as mãos, em seguida, passou


os dedos em seus cabelos e puxou.

— Eu não sei, Salvatore. O que aconteceu com aquele


menino, o que Dominic fez, foi cruel. Eu peço a Deus que
minha irmã não esteja envolvida em nada disso. A Izzy eu sei
que não seria capaz. Ela nunca feriu uma criança. E eu sei
que ele não estava fisicamente ferido, mas levá-lo sem sua
mãe saber? Assustá-la assim e também o menino? Eu só...
Ela desviou o olhar e balançou a cabeça. Quando ela se
virou para mim, seus olhos brilhavam com lágrimas.

— A coisa é, eu não a conheço mais. Eu deixei todos de


fora de minha vida por tanto tempo que eu nem sei quem eu
sou. Eu pensei que estava tudo resolvido. Eu odiava a família
Benedetti. Mas minha irmã envolvida ou possivelmente até
mesmo orquestrando algo como o sequestro de uma criança?

Ela balançou a cabeça de novo, seu rosto enrugado de


preocupação.

— Ela é uma mãe solteira. Como... o que aconteceu


com a gente?

— Muito ódio. Muito poder — eu disse.

— Muita sede de sangue e vingança. A guerra nunca


torna inimigos em amigos, o contrário, solidifica o ódio. A
guerra entre Benedetti e DeMarco pode ter sido travada no
tempo dos nossos pais, mas nós herdamos o ódio, o sangue
ruim. Isso não pode apenas acabar, traz para baixo geração
após geração.

— Eu não odeio você.

— Você tem todo o direito de o fazê-lo.

— Eu não. Você não é como eles, Salvatore.

Mas eu era. Eu matei. Eu vivi com o dinheiro de sangue.


Eu já derramei muito sangue com minhas próprias mãos.
Indo para meu pai depois do ocorrido com Lucia. Hoje, após
um tempo não dou a mínima para o que ele pensa sobre a
minha mudança? Finalmente cresci e sai da sombra de meu
pai e criei a minha própria?

E se o meu ser for tão escuro como o seu?

— Eu pedi a Roman para fazer um teste de paternidade


em Effie, Lucia.

— Eu não quero saber.

Ela começou a se levantar, mas percebeu que não podia


fazê-lo sem a minha ajuda. E foi precisamente por isso que a
coloquei em uma das espreguiçadeiras ao invés de sentá-la
em uma cadeira.

Toquei seu braço.

— Você tem que saber.

Ela fechou os olhos e os abriu depois de um minuto,


mas permaneceu em silêncio, esperando.

— Luke não é seu pai.

Ao olhar em seu rosto, tive a sensação de que ela sabia


disso.

— Ela carrega o DNA da minha família. — Cristo, eu


estava dizendo isso em voz alta?

Uma lágrima rolou pelo rosto de Lúcia, e eu tive certeza


que ela sabia.

— Estamos testando o DNA de Dominic agora. Nós


vamos saber em breve se Dominic Benedetti é o pai de Effie
DeMarco.
Foi um longo tempo antes dela falar. Eu não sabia como
Lucia aceitaria o que eu disse a ela. Por um lado, ela viu
evidências suficientes para suspeitar da verdade. Ela viu
antes mesmo que eu dissesse a ela. Por outro lado, Isabella
ainda era sua irmã, e eu ainda era o filho do inimigo. Eu era
seu carrasco. O homem que assinou um contrato,
reivindicando a posse dela.

— O que você quer Salvatore? Quando tudo estiver


terminado, o que você quer?

Eu estava sentado agora... E me deitei olhando para


outro lado da piscina em direção à floresta. Aqui é tão
tranquilo, tão pacifico. Virei para ela.

— Eu quero viver uma vida tranquila. Eu não quero


olhar por cima do ombro a todo o momento e ver um inimigo
em cada par de olhos que eu encontrar, cada mão que
apertar. Quero que as pessoas que eu amo estejam seguras.
Eu quero que eles sejam felizes. — Estranho, seis meses
atrás, eu teria acrescentado, quero meu irmão vivo, à essa
lista, mas algo mudou. De alguma forma, eu estava
começando a aceitar que ele se foi. Não a crueldade ou
injustiça pelo que aconteceu, mas a aceitação de que ele foi
embora. E que a minha vida continuava.

Ela limpou a garganta e piscou. Eu não pude tirar os


olhos dela.

Lucia era toda a inocência da minha vida.

Ela era a minha redenção.


Eu queria sua presença, tumultuada como era, mesmo
agindo da maneira errada para mantê-la, ela me salvou. Ela
me salvou.

E foi por isso que gostaria de manter a minha promessa


e libertá-la, assim que fosse possível. Uma vez que eu tivesse
certeza que ela estaria segura e fora de perigo.

— O que você quer, Lucia?

Ela encontrou meu olhar, encolheu os ombros, e me deu


um pequeno, mas triste sorriso.

— As mesmas coisas, eu acho.

— Você terá. Eu prometo.

Outra promessa para ela. Outra que eu não sabia se


poderia manter. Mas eu gostaria de tentar. Gostaria de tentar
todos os dias até o meu último suspiro dar a ela o que ela
queria. Uma vida, simples, calma, bonita. Como ela.

Foi nesse momento que eu percebi que a amava. Em


algum lugar, de alguma forma, eu me apaixonei por ela.

Mas a minha dívida com ela era maior do que qualquer


coisa que eu senti, qualquer mágoa ou perda da qual eu
experimentei. E por causa dessa dívida, eu nunca diria essas
palavras em voz alta, não para ela, nem para ninguém. Eu
era o único homem que ela conheceu, um truque cruel do
destino. Se eu disse as palavras, eu sabia o que iria
acontecer. Lucia confundiria sobrevivência com amor. No
entanto agora, ela precisava de mim para sobreviver,
sobreviver a minha família, à guerra que eu equivocadamente
pensei ter acabado. Queria permanecer vivo por ela. Eu
lutaria por ela. Eu faria tudo ao meu alcance para salvá-la.
Nada mais importava, nem mesmo a minha própria vida.
Tudo a partir deste ponto em diante seria para ela.

— Quero fazer amor com você, Lucia.

Ela olhou para mim, confusa, embora seu corpo


começou a se mostrar preparado. Eu podia ver a ligeira
dilatação das pupilas, o endurecimento de seus mamilos, a
separação de seus lábios.

— Eu quero que você queira. Eu quero que você fale as


palavras. Até agora, eu tomei isso de você.

— Salvatore.

Eu levantei minha mão.

— Eu quero isso.

Ela tocou no meu braço.

— Salvatore.

Mudei para impedi-la de falar. Ela passou os dedos no


cabelo na minha testa e puxou.

— Você é tão teimosa.

Ela se inclinou para me beijar, sua boca suave, sua


língua doce sondando meus lábios. Ela se afastou e olhou
para mim.

— Quero isso. Eu quero você. Faça amor comigo,


Salvatore.
Eu a envolvi em meus braços e a beijei, a levantando, a
puxando para mim, a levando até a porta do meu quarto.

— Abra as pernas mais e se incline para trás. — Eu


disse, puxando a minha camisa.

Ela fez como eu disse, se abrindo mais, inclinando para


trás, oferecendo sua boceta. Com meus polegares em ambos
os lados de seus grandes lábios, a abri e aproximei a minha
boca, lambendo seu comprimento uma vez antes de tomar
seu clitóris, ainda observando enquanto ela inclinava a
cabeça para trás e fechava os olhos.

— Porra, Salvatore, eu amo isso.

Chupei, a puxando para mim, deixando seu traseiro


pendurado para fora do sofá. Eu empurrei um dedo dentro
dela, e quando ela apertou os músculos em torno dele, eu
parei a sucção, lambendo seu clitóris em vez disso,
provocando. Ela abriu os olhos.

— Você gosta quando eu como sua boceta?

Ela assentiu com a cabeça e tentou arrastar a minha


cabeça para trás.

Eu sorri.

— Menina ávida. — Eu fiquei de pé, me livrando das


minhas roupas e me acariciando, amava como ela me
observava, os olhos famintos nunca me deixando.

— Eu quero chupar seu pau, Salvatore.

Colocando os joelhos em cada lado dela no sofá, eu a


montei. Ela pegou meu pau em suas mãos, deslizando até a
base, e abriu a boca, lambendo a ponta antes de me pegar em
sua boca quente, molhada.

— Porra, Lucia, eu amo você chupando meu pau. — Eu


balancei meus quadris contra ela, movendo lentamente,
saboreando o calor úmido ao redor do meu pau já inchado,
até que eu precisei me movimentar mais rápido. Parei e a
deitei de costas no sofá antes de tomar sua perna ferida e
empurrá-la de volta para que eu pudesse ver toda ela.

— Eu adoro olhar para você, sua boceta gotejando. —


Eu me movimentei dentro dela, respirando profundamente.
Sabendo que ela pertence a mim.

— Duro, por favor.

Eu balancei minha cabeça.

— Ainda não.

Eu me movia lentamente, tomando o meu tempo,


penetrando profundamente antes de deslizar para fora,
sentindo cada polegada entrar até que ela gritou para fazê-la
gozar.

— Por favor, Salvatore!

— Eu quero algo mais hoje, — eu disse tirando tudo e


indo à minha mesa.

Ela levantou a cabeça, com uma expressão confusa,


irritada. Eu abri uma das gavetas e encontrei o que queria,
uma garrafa de loção.

Ela olhou para ele, depois para mim.

— O que?
Tirei a tampa e espremi um pouco do creme sem cheiro
na minha mão, cobrindo meu pau enquanto ela observava.
Foi preciso muita concentração minha para não gozar ali
mesmo, enquanto me acariciava com as mãos.

— O que eu quero? — Perguntei, passando mais da


loção sobre mim mesmo.

Ela assentiu com a cabeça. Puxei a perna boa para fora,


a inclinei sobre o joelho e a virei. Então, coloquei metade do
frasco de loção sob sua barriga.

— Eu quero foder seu traseiro.

Seus olhos se arregalaram, ela abriu a boca, mas eu


parei, mergulhando um dedo na loção e levando a ponta do
mesmo para seu rabo.

— Eu acho que você vai gostar. — Eu disse, circulando


o apertado anel virgem, espalhando loção sobre ele.

— Mas, primeiro, eu vou encher o seu pequeno buraco


sexy com isso. — Mergulhei meu dedo na loção novamente e
ela observava, com um leve rubor apareceu em suas
bochechas, a cautela em seus olhos ao lado da curiosidade.

Após várias vezes circulando, eu pressionei contra seu


buraco, ela engasgou enquanto meu dedo lubrificado a
penetrava. Esperei, observando seu rosto enquanto ela
relaxava o suficiente, aguardei alguns momentos mais para
que pudesse pressionar mais profundo.

Ela respirou fundo e agarrou o lado do sofá. Eu


movimentava lentamente até que ela estava tomando o
comprimento de um dedo facilmente dentro e fora do seu
pequeno rabo apertado. Então, tirei e mergulhei meu dedo em
mais da loção e repetia tudo novamente.

— Você gosta do meu dedo fodendo seu traseiro, Lucia?

Ela fez algum som e desviou o olhar antes de me dar o


menor aceno de cabeça.

— Não, olhe para mim. Quero ver você me levar. — Eu


deslizei um segundo dedo, a fazendo apertar todos os
músculos de novo, os olhos arregalados me observavam.

— Leve.

Eu empurrei um pouco mais profundo, em seguida,


circulei dentro dela, espalhando a loção ao longo de suas
paredes.

— Quando eu foder seu cu corretamente, eu vou assistir


você me levar, em seguida, vou te ver esticar e gozar. Quero
observá-la quando eu enchê-la com a minha semente.

— Salvatore, eu ...

— Espere, Lucia. Espere até que meu pau esteja dentro


de você antes de gozar. — Eu puxei os dois dedos para fora e
espalhe uma última vez lubrificante neles, mergulhando de
volta mais facilmente agora.

— É aí, você está bem?

Ela assentiu com a cabeça.

— Quando seu tornozelo estiver curado, eu vou ter você


nua em minha mesa e seu traseiro para cima. Você vai gostar
disso tanto quanto eu, me pedindo para foder seu traseiro,
você ainda irá fazer. Você vai abrir suas pernas e implorar
para que eu preencha seu rabo com o meu pau.

— Eu não posso ... eu vou.

Ela fechou os olhos, e as paredes de seu traseiro se


apertaram em torno dos meus dedos. A observei gozar,
deslizando uma mão para seu clitóris e esfregando enquanto
ela gemia, sua boceta molhada, meus dedos empurrando
dentro e fora de sua bunda.

— Menina má — eu disse uma vez que ela gozou. Tirei


meus dedos dela e ergui suas pernas, pressionando de lado
para fazê-la tomar meu pau mais fácil.

— Eu sou mais grosso do que os meus dedos, mas


iremos devagar até que esteja pronta.

Ela assentiu com a cabeça.

— Toque em seu clitóris, Lucia. Goze de novo, desta vez


com o meu pau dentro de seu traseiro.

Ela fez como eu disse, se esfregando lentamente


enquanto eu alinhava a cabeça do meu pau contra seu rabo e
lentamente começava a empurrar dentro dela, tomando o
meu tempo, parando quando seus músculos apertavam,
olhando seu rosto, sentindo seu corpo para saber quando ela
estava pronta para mais.

— Salvatore, é muito grande. Isso dói.

— Shh. Relaxe se abra para mim. — Eu entrava e saía


dela, uma polegada de cada vez, lentamente, movendo os
quadris, querendo penetrá-la mais, entrando e saindo até que
ela gozou novamente. Eu estava cerca de dois terços do
caminho.

— Porra, Salvatore!

Este orgasmo a levou mais violentamente, suas paredes


apertando, relaxando, abrindo para mim para enchê-la
totalmente.

— Deus, você é tão apertada. — Me segurei


profundamente dentro dela por um momento, sabendo que
eu não duraria muito.

Quando eu comecei a me mover, ela gritou, seus dedos


ainda trabalhando seu clitóris, outro orgasmo se aproximava,
até que ela chamou meu nome. O som do meu nome em seus
lábios, a sensação dela em volta de mim, me levou ao limite,
meu pau latejava e eu me esvaziei dentro dela, a enchendo,
possuindo cada parte dela.

Sentei na banheira com Lucia entre as minhas pernas,


seu tornozelo enfaixado descansando sobre a borda. Nós mal
tínhamos nos estabelecido quando Marco invadiu meu
quarto, chamando meu nome, só parando quando ele
percebeu a partir da pilha de roupas que eu deixei próximo
da porta que eu não estava sozinho.

— Merda. Desculpa.

— Me dê vinte minutos, — eu falei.

— É urgente.

Olhei para Lucia. Marco não era de agir assim.


— Eu já volto. — eu disse saindo e a acomodei na
banheira.

— O que é urgente? — Perguntou ela.

Me sequei e enrolei uma toalha em torno de meus


quadris.

— Não faço ideia. — Eu fui para o quarto. Ao olhar para


o Marco algo me disse que isso era ruim.

— O que aconteceu?

Ele olhou para o banheiro. Segui seu olhar, então


caminhei para mais perto dele.

— O que aconteceu, Marco? — Perguntei com a voz


mais baixa, pois não queria que Lucia ouvisse.

— Houve um tiroteio.

Todo o meu corpo apertado.

— Quem?

— Luke DeMarco. Ele está sendo levado de helicóptero


para o Hospital Bellevue agora.

— Porra.

— O que aconteceu, Salvatore?

Eu me virei para encontrar Lucia enrolada em uma


toalha, pulando em uma perna, inclinando seu peso contra a
parede.

— É o Luke. — Eu fui até ela, coloquei o braço sobre


meu ombro, e a apoiei pela cintura.

Ele levou um tiro.


— Meu Deus! Ele está bem?

— Não tenho certeza ainda.

— Eu tenho que falar com a Izzy. Ela não estava lá,


estava?

— Eu não sei.

— Merda, meu telefone está lá embaixo.

— Aqui. — Marco disse, entregando o seu.

Ela olhou para ele como se estivesse surpresa, mas


pegou e ligou.

Alguém bateu na porta. Rainey colocou a cabeça para


dentro e levantou as muletas que o Dr. Mooney encomendou.

— Já chegaram. — Ela disse, seu sorriso


desaparecendo quando viu os olhares em nossos rostos.

— Obrigado, Rainey. — Eu disse, pegando da mão dela.

— Talvez você possa nos fazer uma garrafa de café.

Lúcia olhou para mim.

— Estou a caminho, Izzy. — Disse ela em seu telefone.

— Estarei lá assim que puder. — Ela desligou.

— Salvatore, eu tenho que ir até eles.

Eu balancei a cabeça.

— Vamos nos vestir e sair.

Lucia corou, Marco e Rainey desajeitadamente deixaram


o quarto. Fui escolher algumas roupas: um vestido e um
suéter para ir ao hospital. Eu a ajudei a se vestir antes de
fazer o mesmo. Entreguei as muletas.

— Obrigada.

Como ela nunca usou muletas antes e não havia tempo


para praticar eu acabei levando Lucia escada abaixo, era
apenas mais rápido dessa forma e falei para Marco nos
seguir.

— Será que sua irmã não sabe de nada? — Perguntei a


Lúcia, quando estávamos no carro, indo.

— Não. Só que ele estava em estado crítico. Ele levou


dois tiros, um foi no estômago, o outro em seu ombro. Ela
está uma bagunça.

Minha mente correu com pensamentos de quem fez isso,


e eu não conseguia afastar a sensação de que o agressor
estava mais perto de casa do que eu gostaria, uma vez que
sabia a verdade. Mas nós tínhamos que lidar com isso o
quanto antes. Agora, eu tinha que levar Lucia para o hospital
e descobrir o que estava acontecendo.
LUCIA

Salvatore fez algumas chamadas enquanto íamos para o


hospital, primeiro para seu tio, em seguida, para Marco que
nos seguia, em seguida, para Dominic. Dominic não atendeu
a sua chamada. Ele também providenciou mais segurança
para ficarem no hospital, por isso fiquei grata.

Tentei falar com Isabella duas vezes, mas ela não


atendeu. Com o tráfego, no momento em que chegamos ao
hospital, passou bem mais de uma hora. O telefone de
Salvatore tocou mais uma vez, assim que ele estacionou o
carro. Ele verificou o visor e consegui ver o nome. Era seu
pai.

— Eu tenho que atender.

Eu balancei a cabeça, abrindo minha porta e tirando


minhas muletas para fora. Que hora para torcer meu
tornozelo!

— Marco. — Salvatore chamou assim que Marco


estacionou seu carro.

— Leve Lucia no andar de cima, e fique com ela até eu


chegar lá.
Marco assentiu e pegou meu braço, me ajudando a sair
do carro.

— Eu consigo — eu rebati, odiando o sentimento de


impotência.

Olhei para Salvatore, que saiu com o telefone no ouvido.


Marco me seguiu para o hospital. Na recepção, eu descobri
para onde levaram Luke. Eu fui o mais rápido que pude para
a unidade de trauma e encontrei Isabella segurando a mão de
Effie, seu rosto era de frustração e preocupação, os olhos
cansados e vermelhos.

— Izzy.

Ela virou com uma expressão de alívio, mas


rapidamente foi substituído por surpresa ao ver meu estado.

— Não é nada, apenas uma torção. Eu caí enquanto


corria.

Ela se levantou e nós nos abraçamos.

— Tia Lúcia, está machucada também? — Perguntou


Effie.

— Eu ficarei bem. É apenas uma torção, querida. — Eu


lhe dei um abraço, em seguida, virei para Izzy, que estava
observando Marco conversar com dois outros homens que eu
não notei.

— Salvatore? — Ela perguntou, apontando para eles.

Eu balancei a cabeça.

— Ele queria segurança para Luke e para nós.


Ela bufou.

— Ele é provavelmente o único culpado por Luke estar


aqui!

— Espera. Não, ele estava comigo.

Ela revirou os olhos.

— Não seja tão ingênua, Lucia. Tudo o ele que tem a


fazer é dar a ordem!

— Mamãe?

Izzy enxugou uma lágrima e olhou para a filha.

— Vamos nos acalmar. — Eu toquei o ombro da minha


irmã, e ela suspirou.

— Desculpe querida. Está tudo bem, — ela disse a Effie.

— Tudo vai ficar bem.

— Tio Luke está ferido — ela disse para mim.

— Eu sei. Ei! Eu vi uma máquina de doces lá na


esquina. — Eu abri a minha bolsa e peguei minha carteira,
tirei algumas notas e entreguei a ela.

— Vá buscar algumas barras de chocolate, ok?

Ela olhou para sua mãe, que concordou.

— Marco, você vai manter os olhos nela? — Perguntei.

— Claro.

Uau, isso foi um Marco diferente do que o homem


inflexível que eu conheci até agora.
— Aqui, alguns refrigerantes também. — Eu entreguei a
Effie mais dinheiro para mantê-la ocupada. Ela foi com
Marco.

— Vamos sentar. Diga o que aconteceu, — disse a


Isabella, uma vez que Effie estava fora do alcance.

— Ele estava na pista estúpida de boliche, — ela


começou levando um lenço de papel amassado que pegou em
sua bolsa e enxugou os olhos marejados.

— Ele sempre vai lá pela manhã, assim os filhos da puta


sabiam onde encontrá-lo. Ele tinha acabado de pegar uma
xícara de café e dois rapazes entram e abriram fogo.

— Jesus.

— O proprietário que estava trabalhando no bar levou


um tiro no braço. Ele vai ficar bem.

— Mais alguém se feriu?

Ela balançou a cabeça.

— Não.

— Alguma ideia de quem fez isso?

Ela balançou a cabeça.

— Eles usavam máscaras de esqui.

— Eu imaginei que estariam. Por que você acha que


eram os homens de Salvatore? — Perguntei.

Ela balançou a cabeça com um olhar plano em seus


olhos.
— Quem mais, senão alguém da família Benedetti. Ela
voltou sua atenção para pegar algo em sua bolsa.

— Dominic é parte dessa família, — eu disse olhando


para ela.

Ela olhou para cima, seus lábios estreitos, com o rosto


apertado.

— Ele estava em sua casa na outra noite.

Ela parou.

— Este não é o momento, Lucia.

— O que ele estava fazendo lá? — Perguntei, a


seguindo.

Ela se manteve de costas para mim, sacudindo a


cabeça, observando Effie apertar os botões na máquina de
doces.

— Izzy, o que está acontecendo?

Ela me encarou, finalmente.

— Uma grande bagunça do caralho, isso que é.

— Você está tendo um caso com Dominic Benedetti?

Izzy atirou os braços para o ar.

— Lá vai você de novo, um outro caso. Primeiro foi Luke,


agora é Dominic? Desculpe, irmã, mas eu não vou me
justificar com uma resposta.

— Senhorita DeMarco? — Um médico chamava ao


entrar pelo corredor.
— Sim? — Isabella foi até ele, e eu segui mancando
atrás dela.

— As Lesões do seu primo são muito graves. Estamos o


operando agora, mas vamos precisar de várias horas. Eu não
posso falar o resultado ainda.

— Ele não pode morrer, — ela começou, seus olhos


lacrimejando, com a voz desesperada.

— Você não pode deixá-lo morrer.

O médico parecia ser imune a sua emoção.


Provavelmente tão acostumados a dar uma má notícia, ele só
não pode fazer mais nada.

— Mamãe, eu te tenho uma barra de Snickers. — Effie


começou, voltando em direção a nós com as barras de
chocolate, Marco atrás com as latas de refrigerante,
parecendo tão fora de seu lugar, o quanto possível. Essa teria
sido uma visão cômica se não estivesse em uma sala de
espera de hospital com Luke em estado crítico algumas
portas para baixo.

— O que você tem para mim? Perguntei, a levantando


enquanto Izzy limpava as lágrimas.

— Um Twix. O mesmo que eu.

— Eu amo Twix. Boa escolha.

— Achei que você talvez, tivesse mais... — Izzy falava


com o médico.
— Venho falar com você assim que tiver algumas
informações, mas vão ser várias horas antes que ele esteja
fora da cirurgia — disse o médico.

Eu os observava, Izzy assentiu com a cabeça. Quando


eu coloquei Effie no chão, ela foi até a mãe.

— Aqui, mamãe. — Ela estendeu o doce.

Isabella pegou e em seguida, abraçou a menina.

— Te amo querida.

— É apenas um Snickers. — disse Effie, confusa, e


tentou se contorcer e sair do abraço.

Salvatore entrou naquele momento, e eu senti uma


sensação imediata de alívio. Sua expressão, no entanto,
mostrou como ele estava preocupado. Isabella olhou para ele,
mas ele a observava com preocupação.

— O que você está fazendo aqui? Não foi suficiente para


você ter participação no funeral dos meus pais? Você tinha
que vir ver este também?

— Estou aqui por Lucia. — Ele respondeu

Ela bufou.

— Como ele está? — Salvatore me perguntou.

— Crítico. Ele ficará em cirurgia por algumas horas.

— Mamãe, o tio Luke vai ficar bem? Eu trouxe sua


barra de chocolate favorita também.

— Isso foi gentileza sua. — disse Izzy, em seguida,


olhou para mim.
— Pode ser melhor Effie ir para casa. Não há nada para
ela fazer aqui.

— Vou levá-la. Você fica. Apenas me ligue assim que


você tiver qualquer notícia, ok?

— Eu vou. — Izzy respondeu.

— Eu quero ficar com você, mamãe. — insistiu Effie.

Isabella abraçou sua filha novamente.

— Estarei em casa, assim que puder, mas não há nada


para você fazer aqui. Vá para casa e asse alguns dos biscoitos
que o tio Luke gosta. Depois, você pode trazê-los com você
quando ele acordar, está bem?

— Que tipo de biscoitos? — Eu perguntei para distrair


Effie.

Effie estudou a mãe dela, em seguida, deu um abraço


apertado, sussurrando algo em seu ouvido antes de se virar.
Uma lágrima rolou pelo rosto de Isabella.

— Vai ficar tudo bem — eu disse, a abraçando,


segurando a mão de Effie.

— Ele vai sair dessa. Ele é quase tão teimoso quanto


você, afinal de contas.

Ela me deu um sorriso, em seguida, virou para


Salvatore.

— Você vai ficar com elas na casa? — Seu tom mudou


completamente quando ela se dirigiu a ele.
— Vou levá-las lá, e eu já tenho homens observando do
lado de fora. Eu tenho que participar de uma reunião, mas
estarei de volta o mais rápido possível. Ele disse.

— Claro, outra reunião. Você vê o que vem dessas


reuniões — disse ela, apontando para a porta em que médico
desapareceu.

— Izzy — eu me inclinei de modo que Effie não ouvisse.

— Salvatore não fez isso. Eu prometo isso.

— Cuide de minha filha, e cuide de si mesmo. — Ela me


abraçou.

— Eu tenho uma arma no meu quarto. — acrescentou


em um sussurro.

— Gaveta do criado mudo.

Eu me afastei. Ela tinha uma arma? Próximo de sua


cama?

— Aqui estão as minhas chaves. Ela puxou as chaves


do carro e me entregou o chaveiro. — Peguei, ainda sem
acreditar no que ela disse.

— Vamos, Lucia. — Disse Salvatore depois de dar a


Marco algumas ordens.

— Me ligue se souber de algo. Vamos lá, Effie.

Effie e eu seguimos Salvatore para o elevador e para o


seu carro. Quando estabeleceram Effie e minhas muletas no
banco de trás, subimos. Eu falei com Effie enquanto nos
dirigimos até a casa dela, que foi cerca de meia hora a partir
do hospital. Embora ela tentou esconder seu desconforto, era
evidente que ela estava ansiosa e insegura. Salvatore disse
apenas algumas palavras, preocupado. Talvez grato pela
presença de Effie, já que isso significava que eu não poderia
questioná-lo.

Uma vez que chegamos à casa, vi dois carros


estacionados ao longo do meio-fio com dois homens dentro de
cada um. Salvatore parou na calçada, e todos nós saímos, me
ajudando, desde que eu tinha que descobrir como usar as
malditas muletas, e colocar o peso no meu pé me fez
estremecer todas as vezes. Effie segurou minhas muletas
enquanto eu saí e me observou enquanto Salvatore foi até os
homens sentados nos carros pela calçada e deu instruções
antes de voltar para nós.

— Pronto? — Ele perguntou, fechando a porta atrás de


mim.

Effie balançou a cabeça e caminhou em frente até a


porta.

— Onde é a reunião que você vai? —Perguntei, não


tinha certeza se eu queria que ele fosse para qualquer
reunião após Luke ter sido baleado.

— O tiro de Luke foi apenas um dos incidentes. Dois


dos nossos negócios foram atacados também.

— O que, as empresas? — Eu sabia que eles tinham


várias lojas, e eu não quero saber o que essas lojas de
fachada negociavam.

— Não importa — disse ele.


— O que importa é que, o que eu temia que aconteceria
num tempo mais adiante, o que Luke estava trabalhando,
está aqui agora.

— Luke? Mas?

— Ele está no hospital, eu sei.

— É Dominic?

Seu rosto mudou, e ele parecia um pouco longe.

— Eu não tenho certeza, Lucia.

— O que não está me dizendo?

— Que o tempo para a guerra, está chegando.

O telefone de Salvatore tocou, ele enfiou a mão no bolso


para pegá-lo.

—Eu vou ligar de volta, — disse ele e desligou o telefone.

— Vamos para dentro está resolvido. Eu prefiro ter você


em casa, mas isso terá que servir por agora.

Fomos para a porta. Salvatore deslizou a chave na


fechadura e abriu. Effie foi direto para a cozinha, nos
deixando sozinhos por um momento.

— Você estará segura aqui. Estou deixando quatro


homens lá fora. Eles não vão deixar ninguém entrar ou sair.

— Eu imaginei. — Ele virou para mim e pegou meu


rosto em suas mãos.

— Correto.

Ele olhou para mim por um longo momento.


— Este é um momento que realmente preciso confiar
em você, Lucia. Eu não tenho tempo para ir atrás de você, e
eu não posso mantê-la segura se você desaparecer.

— Eu não vou a lugar nenhum.

— Bom, porque se o fizer, eu vou pegar meu cinto e


bater no seu traseiro de novo, e desta vez, vai precisar de um
mês antes que possa sentar.

— Eu disse que não irei. — eu falei, não querendo


reviver a memória.

Ele balançou a cabeça, em seguida, beijou a minha


boca, as mãos ainda em cada bochecha.

Depois dele sair, olhei mais uma vez para os carros


estacionados em frente. Um homem estava dentro de cada
um. Eu não tinha certeza de onde os outros foram.
Provavelmente ao redor da casa. Eu não me importava, desde
que eles não viessem aqui dentro. Fechei a porta e fui até a
cozinha para encontrar Effie tirando farinha e um grande
saco de M & M, mesmo que ela não estivesse comendo eles.

— Eu não posso alcançar as outras coisas — disse ela,


seu tom sombrio.

— Biscoitos de M & M são os favoritos do tio Luke.


Mamãe tem a receita em seu iPad.

Eu sorri e agachei ao seu nível, esfregando os braços.

— Os médicos vão fazer tudo o que podem para se


certificar de que ele está bem, entendeu?

Ela assentiu, mas seu rosto permaneceu sério.


— Ele e mamãe tiveram uma briga na noite passada. Eu
os ouvi.

— A briga não tem nada a ver com o que aconteceu.


Você sabe disso, certo?

— Estou com medo, tia Lucia. E se ele não ficar bem? E


se ele não acordar mais?

Como eu poderia responder a essa pergunta, quando eu


não fazia ideia do resultado? Levantei e olhei em volta,
preciso encontrar um avental, minha mãe os guardava na
gaveta, cuidadosamente dobradas como se ela tivesse
acabado de fazê-lo ontem. Meu pai não se livrou de qualquer
coisa dela. Na verdade, eu tinha certeza que o armário em
seu quarto ainda estaria cheio de roupas dela, a não ser que
Isabella os tenha ocupado. Eu esperava que não.

Coloquei o avental sobre a minha cabeça e amarrei as


cordas em minhas costas.

— Esse costumava ser o avental de sua avó. — eu disse


a Effie.

— Ela está no céu. — Effie disse enquanto abria a


mesma gaveta e tirava um segundo avental, menor.

— Este é o meu. Eu ganhei em meu aniversário.

— Oh, ele é bonito. Devo ajudá-la a amarrá-lo?

Ela assentiu com a cabeça.

— Ok, vamos começar. Onde é que a mamãe deixa o


iPad?

— Aqui.
Segui até a sala, onde ela abriu uma gaveta na mesa de
café e tirou o tablet, ela digitou o código antes de entregá-lo
para mim.

— É 0— 0— 0— 0. — Effie sacudiu a cabeça.

— Eu quebrei um desses uma vez.

Eu baguncei o cabelo de Effie e a levei de volta para a


cozinha, olhei para cima, a receita estava guardada na guia
de Favoritos e começamos a trabalhar. Demorou muito mais
tempo do que eu esperava, porque Effie insistiu em usar
apenas as cores de M & M que Luke mais gostava, e ela
modelou com smiley. Passamos o resto do dia jogando em seu
quarto ou assistindo TV, e eu aqueci a lasanha que encontrei
na geladeira para o jantar. Às oito horas, eu a levei para o
quarto é li uma história antes de colocá-la na cama, ansiosa
pois eu não falei com Isabella ainda. Quando eu tentei ligar
para seu telefone algumas vezes, ele caiu direto na caixa
postal.

Eu liguei para Salvatore, que atendeu no terceiro toque.

— Ei, sou eu.

— Tudo certo?

Ele parecia apressado.

— Sim, está tudo bem. Eu só estou querendo saber


quando a reunião irá terminar.

Ele suspirou.
— Eu não tenho certeza, mas estarei ai assim que eu
puder. Basta fechar as portas e ir para a cama se você estiver
cansada. Você já conseguiu falar com sua irmã?

— Não, ela não atendeu o telefone. — Alguém chamou o


seu nome, um homem que eu pensei que poderia ser Roman.

— Eu tenho que voltar, Lucia.

— OK. Ligue quando terminar. Eu não me importo com


o horário.

— Tranque as portas.

— Eu vou.

— Esteja a salvo.

— Você também. — Nós desligamos.

Eu andava pela casa, pela quinta vez verificando se


todas as portas estavam trancadas. Os carros ainda estavam
estacionados lá fora, e avistei um homem no quintal na
extremidade. Ainda assim, eu não me sinta segura. Eu não
tinha ideia do que estava acontecendo, e estar aqui me fazia
sentir exposta, como se eu fosse um pato sentado.

Empurrando esses pensamentos, eu fiz um bule de chá,


em seguida, fechei as cortinas de todas as janelas. Na estante
de estudo, eu encontrei alguns álbuns de fotos antigas.
Peguei dois deles, me acomodei no sofá para esperar minha
irmã ligar ou voltar para casa.

Foi quando eu ouvi o ranger de uma porta e passos


vindos do quarto dos fundos, um que meus pais criaram no
piso principal.
Virei a cabeça.

— Effie? — Mas não poderia ser ela. Eu esperei até que


ela tivesse adormecido no andar de cima.

O cabelo na parte de trás do meu pescoço ficou em pé, e


eu observei o corredor escuro enquanto os passos se
aproximavam. Aterrorizada e incapaz de tirar o meu olhar do
espaço de sombra, eu fui para o meu celular na mesa de café.

Eu sabia quem era. Quem tinha que ser. Mas ainda


assim, quando Dominic avançou para a luz na sala de estar,
eu engasguei, chocada, de repente estava tremendo quando
meu olhar caiu sobre a pistola que ele manteve ao seu lado.

— Solte o telefone, Lucia.


SALVATORE

Caminhei para a sala de reunião na casa de meu pai.


Cerca de uma dúzia de homens estavam reunidos em volta da
mesa, todos da família, primos e tios. Meu pai levantou as
sobrancelhas, mas não fez comentários sobre eu ter saído
para atender a chamada.

Eu odiava deixar Lucia sozinha. Ela não sabia até que


ponto as coisas progrediram nas últimas doze horas. Merda,
eu fiquei chocado ao ouvir tudo.

Depois que deixei a casa de Dominic, meu pai tinha,


aparentemente, ficado muito irritado com meu irmão. Roman
contou com detalhes. Franco ficou furioso com Dominic.
Tanto que pediu desculpas pessoalmente para Natalie. Eu
sabia que ele iria à sua casa para que ela tivesse certeza que
ele iria protegê-la, mas para pedir desculpas? Isso não era o
estilo de Franco Benedetti.

Ele também colocou homens em sua casa quando ela se


recusou a vir para a cidade e ficar na casa dele até que as
coisas se estabelecessem. Ela não tinha escolha. Ele faria o
que precisasse para proteger seu neto.
E ele enviou Dominic para uma casa na Flórida, para se
acalmar. Para tirar a cabeça de sua bunda, eram, suas
palavras exatas.

O tiroteio contra Luke DeMarco surpreendeu meu pai.


Não foi uma ordem sua e, obviamente, não foi minha. O vídeo
só mostrou dois homens mascarados entrando na pista de
boliche e atirando. Era uma maravilha que mais pessoas não
ficaram feridas.

Dois dos nossos negócios, um restaurante e uma loja de


bicicletas, ambos de fachada para operações de lavagem de
dinheiro, foram atacados, mas ninguém foi morto. Nada dos
negócios relacionado diretamente conosco, para que os
investigadores não encontrassem nada ligado aos crimes,
mas este foi apenas o começo. O dinheiro foi retirado de
ambas as empresas, mas a quantidade de dinheiro não teria
garantido os assaltos.

Não, uma mensagem estava sendo enviada.

Este foi o prelúdio de uma guerra.

Mas o tiroteio contra Luke DeMarco nos pôs de fora. Ele


estava trabalhando com a família Pagani. Por que ele seria
atacado?

Essa era a parte que nos deu uma pausa.

— Eu me sinto muito desconfortável com isso — eu


disse.
— Eles não teriam atacado DeMarco. Merda, se as
coisas progrediram a este ponto, DeMarco não seria atingido
em um boliche. Algo não está certo. É outra pessoa.

— Isabella? — Perguntou meu pai.

Roman olhou para mim.

— Eu a vi no hospital. Ela está fora de si.

— Você estava no hospital? — Perguntou.

Eu disse a Roman onde eu estava, mas não ao meu pai.

— Eles são a família de Lucia.

Seus lábios apertaram.

— Você perdeu o controle de tudo.

— Se, ao controle de tudo, você quer dizer o meu


tratamento com Lucia. — Eu sabia. Não era uma pergunta.

— Se é o fato de que eu não sou um monstro para ela,


então você está certo, eu perdi o seu ponto. Depois de tudo,
talvez você devesse tê-la entregue para Dominic — O
pensamento me enojava, mas dizer isso em voz alta para ele,
e na frente de outros membros da família, só reafirmou o fato
de que eu nunca iria permitir que isso acontecesse.

Meu pai não respondeu, o que me surpreendeu. Mas


também me fortaleceu.

Cada homem na sala parecia estar prendendo a


respiração.
— Deixe Lucia fora disso. Ela é minha e só minha
preocupação. Ponto final. Vamos falar sobre o dano causado,
quem está por trás disso, e o que estamos fazendo sobre isso.

Ele exalou, mas voltou sua atenção para a tarefa em


mãos. Assumi que ele lidaria comigo depois, mas quando
chegasse a hora, ele aprenderia que não teria mais como lidar
comigo. Minhas cordas foram cortadas. Eu já não era o seu
fantoche.

Talvez esse contrato fosse me ensinar isso, como romper


com a minha fraqueza, minha covardia quando se tratava de
Franco Benedetti. Se alguma coisa boa pudesse sair de algo
tão terrível como roubar uma vida, teria que ser isso.

— Voltando para quem está por trás disso — começou


Roman.

— Eu acredito que a família Pagani realizou os ataques.


Eu não acredito que Isabella DeMarco teria assassinado seu
primo. Supondo que era a intenção.

— O que mais seria? Eles colocaram duas balas nele —


eu disse.

Roman concordou.

— Talvez Isabella seja uma ameaça maior do que demos


crédito. Talvez Luke fosse um subalterno, uma cobertura
para ela.

— Talvez a família Pagani esteja agindo sozinha? —


Acrescentei.

— Não. — Meu pai balançou a cabeça.


— Falei com o ancião Paul Pagani.

Paul Pagani Senior, um homem de oitenta e seis anos de


idade que ainda se recusa a entregar as rédeas do negócio da
família para o seu filho. Embora conhecendo seu filho,
entendi o porquê.

— Ele não autorizou nenhum tiroteio e está ciente das


conversas entre DeMarco e seu filho. Quando soube disso, ele
proibiu qualquer ação.

— Mas seu filho poderia ter feito por suas costas —


acrescentou Roman.

— E tentou matar Luke DeMarco? — Stefano, um dos


meus primos, perguntou.

— Há algo faltando — falei, balançando a cabeça.

Peguei o olhar preocupado de Roman.

— Pagani afirmou que se um de seus homens


realizaram os disparos sem a sua permissão, lidará com eles,
mas não estou satisfeito — disse meu pai. Seu telefone tocou,
e ele olhou para a tela.

— Com licença.

Ele se levantou, e embora não tenha saído da sala, virou


as costas para a mesa e caminhou alguns passos de
distância.

Os homens à mesa continuaram a falar, mas Roman e


eu permanecemos em silêncio, ouvindo a chamada.

— O que quer dizer? — Perguntou meu pai, verificando


seu relógio.
— Isso foi há horas. — Silêncio na linha.

— Você já tentou ele? Seu motorista? — Silêncio.

— Ok. Remarque. E o encontre.

Quando ele se virou para nós, ele imediatamente


encontrou meu olhar e fez um gesto para a porta. Roman
também ficou de pé, e nós três saímos para o corredor
fechando a porta da sala de conferência atrás de nós.

— Dominic não pegou seu voo.

— O que quer dizer? — Perguntei, sinos de alarme


soando em mim.

— Quero dizer que era a porra do capitão, ligando para


dizer que ele estava prestes a perder o seu horário. — Meu
pai retrucou.

Eu o vi tentar chamar Dominic, mas a chamada foi


diretamente para o correio de voz.

— O motorista está sumido também.

— Sumido? — Perguntou Roman.

Meu pai fez outra chamada e falou ao telefone.

— Pegue Natalie e Jacob os leve para minha casa. Não


importa o que você tenha que fazer para que isso aconteça,
mas os traga aqui agora.

— Eu tenho que ir, — eu disse, puxando o meu telefone


do meu bolso.

— Merda, eu preciso de você aqui, Salvatore!

Parei, respirei fundo, e me virei para ele.


— Dominic sempre quis o que você tem — meu pai
disse.

— O que você vai herdar de mim quando eu estiver


pronto para me aposentar. Isso não é segredo, não para
qualquer um de nós.

Ouvi em silêncio.

— Eu não gosto de todas as coisas que ele faz, —


continuou ele, as palavras, obviamente, foram difíceis dizer.

— Às vezes eu não gosto de quem ele é. — Ele respirou


profundamente.

— Mas ele ainda é seu irmão.

Eu me mexi em meus pés. Meu pai não costumava me


fazer sentir culpado por algo que eu não queria fazer, e eu
não tinha certeza de que isso era o que ele estava fazendo
agora, mas o que ele disse desencadeou algo semelhante a
culpa dentro de mim.

— Eu fui duro com ele quando soube o que ele fez com
Natalie — disse ele.

— Não, não duro — eu discordei.

— Isso precisava ser feito. Dominic era a única pessoa


errada naquilo. A pergunta é, será que ele percebe isso? Será
que ele acha isso?

Meu pai passou a mão pelos seus cabelos ralos e sentou


na cadeira logo abaixo da janela. Ao vê-lo cansado, era
estranho, parecia errado. Eu sempre vi meu pai tão forte.
Todo poderoso. E, finalmente, sempre no controle.
Eu sempre pensei que eu celebraria sua queda, seu
enfraquecimento.

Fui até ele e coloquei uma mão em seu ombro.

— Eu vou procurá-lo.

Ele suspirou, acenou com a cabeça, em seguida,


encontrou meus olhos e pegou minha mão.

— Eu sou velho demais para isso.

— Vá lá pra cima, Franco. Eu vou lidar com a reunião.


— Roman ofereceu.

Meu pai olhou para ele, balançou a cabeça, e endureceu


sua espinha antes de levantar.

— Eu vou lidar com isso.

Roman assentiu. Nós dois sabíamos que ele não poderia


deixar de lidar com isso. Seria visto como fraqueza final.

— Dominic está insatisfeito. Sempre esteve, — disse ele


para mim.

— Eu sempre o incentivei a querer mais. Isso o


corrompeu de alguma maneira.

Eu queria dizer a ele que não era culpa dele, mas não
era? Pelo menos parcialmente?

Ele colocou a mão no meu ombro e veio alguns


centímetros perto de mim. Ele bateu o dedo indicador contra
sua cabeça.
— Ele não está certo, não agora. Ele não pode aceitar o
seu lugar. Mas lembre-se, ele é seu irmão. O encontre e o
traga para casa. Faça isso, e eu vou cuidar dele.
LUCIA

— Mas o que você está fazendo aqui? — Perguntei, de pé


e inclinando o meu peso em minhas muletas. Eu não me
senti tão confiante como eu, de alguma forma, conseguiu
soar.

— Como você entrou?

Ele veio para luz, apenas do outro lado da mesa de café


parecendo desgrenhado, sua camisa para fora da calça, seu
cabelo bagunçado, o rosto machucado. Ele me deu um
sorriso torto e eu realmente o olhei pela primeira vez, a
covinha na bochecha direita me desarmou
momentaneamente. Seus olhos eram uma luz azul-
acinzentado, os cílios grossos e mais escuros que seu cabelo
loiro. Ele era alto, bem mais de um metro e oitenta, mas ele
tinha um corpo mais magro do que Salvatore, embora ainda
musculoso. Poderoso.

Voltei o meu olhar para seu rosto, e vi seu sorriso


aumentar. A escuridão em seus olhos me fez lembrar quem
ele era.
Ele colocou a arma na parte de trás de sua calça jeans
antes de chegar ao seu bolso e tirar algo.

Inclinei a cabeça para o lado, sem entender de imediato,


quando ele estendeu a mão para me mostrar algo.

— Eu tenho uma chave.

Me ocorreu que ele tinha uma chave para a minha


antiga casa. Para a casa onde minha irmã e sobrinha
moravam.

— Isabella deu para mim.

— Eu não entendo. — Mas eu fiz. Eu simplesmente não


cheguei a um acordo com ele ainda. O estudei, apreciando
suas feições, comparando com Effie. Embora ela não tenha
herdado o cabelo loiro, tinha olhos semelhantes, apesar de
que os dela eram quentes, inocentes. O resto era Isabella,
mas havia uma coisa que ela dividia com Dominic: aquela
covinha na bochecha direita. Que era de seu pai.

Não.

Eu tinha que parar com isso. O que eu estava


pensando? Eu estava falando sobre a minha irmã aqui. E o
pai de Effie poderia ser qualquer um. Não ele.

E sobre os testes?

Nada era definitivo, ainda não.

E a chave. Por que Isabella deu uma chave?

— Você está mentindo. Minha irmã não teria dado uma


chave.
— Por que não?

— Ela odeia você.

Ele bufou, em seguida, foi para o armário de bebidas e


se serviu de uma. Quer uma?

— Não.

Ele se encostou ao armário e me olhou enquanto trazia


o copo aos lábios e engolia o líquido âmbar. Eu esperava que
tivesse queimado no caminho para baixo.

— O que você vê no meu irmão? Perguntou.

— O que você quer, Dominic? O que você está fazendo


aqui?

— Ele é um fantoche para o nosso pai. Um fraco


brinquedinho de corda que faz o que ele manda. Que
humilhou você. O que você vê nele?

— Eu vejo o seu coração. Eu vejo o que é real por trás


da máscara, que ele coloca para você, para o seu pai.

No que ele riu, serviu de outra bebida.

— Isso é novo. Agora Sergio, — ele começou, bebendo


profundamente.

— Ele era um homem de verdade. Um homem a ser


respeitado, como eu. Mesmo Franco Benedetti o respeitava.

— E você acha que sequestrar seu filho faz de você


respeitável? Isso faz de você um monstro. Um fraco, monstro
odioso.
Ele riu e saiu em minha direção. Me obriguei a defender
meu espaço, mesmo quando ele estava apenas alguns
centímetros de distância, respirando uísque no meu rosto
enquanto seu olhar vagava por cima do meu corpo. Ele me
olhou nos olhos.

— Bem, então você precisa realmente abrir os olhos e


ver os outros monstros que tem perto de casa.

Um carro parou do lado de fora, e eu exalei em alívio.


Ele se afastou apenas quando uma chave girou na fechadura,
e Isabella entrou na casa. Ela parou na porta, logo que o viu.
Eles trocaram um olhar antes que ela voltasse seu olhar para
mim.

Eu a olhei, em seguida, ele, então ela novamente.

E eu estava certa.

— O que você está fazendo aqui? — Ela perguntou a


Dominic, com seu tom excessivamente casual enquanto
fechava a porta atrás dela.

— O que, vocês duas combinaram ou algo assim? —


Perguntou ele, terminando sua bebida e deixando o copo na
mesa.

— Eu estou com fome. — Ele foi para a cozinha, nos


deixando sozinhas.

— Izzy? Mas que merda está acontecendo?

Ela jogou a bolsa sobre a mesa de café e esfregou os


olhos com as mãos. Ela parecia derrotada naquele momento,
e eu vi através da fachada dura que ela colocou.
— Luke saiu da cirurgia, —disse ela, indo para onde
Dominic deixou o copo, enchendo com o mesmo uísque e
bebendo todo.

— Ele vai sobreviver.

Ela ficou em silêncio por um momento antes de seu


corpo desmoronar, e ela começar a soluçar. Fui até ela e a
abracei, as muletas dobradas desajeitadamente debaixo dos
meus braços. A segurei tão apertado que ela finalmente se
entregou, se deixando ir, chorando, me abraçando de volta.

— Eu pensei... eu pensei... Deus, e se ele morresse? —


Ela respirou alto e enxugou os olhos, inclinando para trás.

— Orei, Lucia. Eu não orei em cinco anos. — Ela


balançou a cabeça.

— Eu o amo. Eu o amo, e tudo o que fiz foi machucá-lo.

— Luke? — Eu estava tão confusa.

Ela assentiu com a cabeça, e nós caminhamos até o sofá


e sentamos.

— Ele foi adotado, — ela começou, como se isso fosse o


que me preocupasse.

— Nós não somos parentes de sangue.

— Eu sei, Izzy. Deus, eu sei. Está bem. Eu não me


importo. Está bem.

— Devo uma explicação. Múltiplas, provavelmente.

Eu balancei a cabeça.
— Há cinco anos, mais do que isso na verdade, eu
conheci Dominic. Foi acidental, nada planejado. Eu tinha
dezessete anos. Foi uma festa na floresta, e eu não sabia
quem ele era. O mesmo para ele. Ele não me conhecia, e nós
não trocamos sobrenomes. Foi apenas Dominic e Isabella.
Isso é tudo. Nós nos demos bem, e as coisas esquentaram ao
longo das semanas. Meses.

— Você ainda não sabia quem ele era? —Eu não


acredito nisso.

— Até então nós sabíamos. Porra, por volta do nosso


terceiro encontro, sabíamos. Mas havia algo lá. Eu não sei o
que era, talvez até mesmo Romeo e Julieta, com as famílias
em conflito e o romance de tudo, se esgueirando, reunidos na
floresta, sentados sob as estrelas. Só nós. Juntos.

— Você se apaixonou por Dominic Benedetti?

Ela assentiu com a cabeça.

— Ele não era assim, não naquele momento. Éramos os


primeiros de cada um. Primeiro amor, primeira...

— Então você ficou grávida.

— Sim. Foi em torno de quando as coisas estavam


chegando a um ponto entre as famílias. Dominic ia dizer a
seu pai. Eu disse ao papai.

— É por isso que ele estava tão louco.

Ela assentiu tristemente.

— Eu estava grávida do inimigo. Não importava que eu


era uma adulta e solteira.
— Ele te deserdou porque era de Dominic?

— Sim. Ele não podia aceitar. Isso o envergonhou. O


enfureceu. Me olhar o irritava. Eu acho que eu era o lembrete
final de sua desgraça.

— Quanto tempo antes de você sair ele descobriu?

— Um mês. Ele me deu um ultimato. Abortar o bebê ou


perder tudo.

— Aborto? Papai? — Ele era um católico devoto. Tão


antigo como quando eles vieram.

Ela assentiu com a cabeça, os olhos brilhando


novamente.

— Eu não poderia fazer isso. — Ela olhou para as


escadas.

— Estou tão feliz que eu não fiz.

— Será que Franco Benedetti sabe?

— Não. Dominic nunca disse. Na verdade, nós paramos


de nos ver assim que descobri que estava grávida. Bem,
escorreu até parar. Mas as coisas eram diferentes naquela
época. Ele enviou o dinheiro, no entanto, depois que eu saí.

— Bem, ele não é um príncipe?

— Éramos crianças, Lucia, e eu o perdoei. Você não


precisa, mas isso é entre ele e eu.

— Será que Effie sabe?

Ela balançou a cabeça.

— Ninguém sabe.
— Bem, eu acho que Salvatore pode saber. — Ela abriu
a boca, mas eu continuei.

— Ele e Roman suspeitavam que era Luke e Roman fez


testes de DNA.

— Porra.

— Quando soube que Luke não poderia ser o pai,


Roman, que aparentemente, tinha suas suspeitas, usou seu
próprio DNA para testar. Traços genéticos combinaram e ele
está tentando o de Dominic agora.

— A porra do meu tio está sempre enfiando a merda do


seu nariz grande, onde não é chamado. — Dominic encostou
na entrada para a cozinha comendo um sanduíche, sem se
preocupar em esconder o fato de que ele estava escutando.

— Não que essa porra importe. Não mais.

Isabella ficou, de repente, furiosa e foi até ele.

— Foi você? Você pediu que atacassem o Luke?

Ele caminhou ao redor dela, mordendo outro pedaço,


mastigando como se ele não tivesse uma preocupação no
mundo.

— Eu não sabia que você o amava, zombou.

Ela agarrou seu braço, o fazendo virar para encará-la.

— Tínhamos um acordo! Tínhamos uma porra de um


acordo!

— Você é que o queria envolvido.

— Eu não poderia encontrar com ele, você sabe disso!


— Encontrar com quem? — Perguntei.

Ambos olharam para mim como se eles estivessem


surpresos que eu ainda estivesse lá.

— A família Pagani. Paul Jr., filho e aspirante a


sucessor do velho — Dominic preencheu, enchendo a boca
com o último pedaço de seu sanduíche.

— Idiota do caralho.

— Os antigos. Eles não vão lidar com uma mulher, —


disse Isabella.

— Lidar com uma mulher sobre o quê?

— O que eu disse quando eu cheguei à casa de


Salvatore.

— O que, de iniciar outra guerra? Reivindicando o


nosso lugar como o que, a maior e pior? A família que
derrama mais sangue? Izzy, o que está fazendo? Eu não
quero isso. Você não pode querer isso.

— Eu fiz, em primeiro lugar. — Ela caiu em uma


cadeira.

— Mas agora, depois do que aconteceu? Depois que eu o


vi desse jeito, Luke ligado a mais máquinas do que posso
contar, quase morto? Jesus, como poderíamos.

Ela parou e virou para Dominic, depois se levantou e foi


até ele. Ela enfiou um dedo em seu peito.

— Você pediu a porra do tiroteio? Pediu para matar


Luke?
— Você está começando a me aborrecer. O que
aconteceu com a minha putinha vingativa?

— Vá se foder, Dominic.

— Vá se foder você, Isabella. — Ele pegou a taça e


terminou de beber antes de batê-la contra a mesa de café.

— Você pode ter acabado, mas eu não. De jeito nenhum


eu vou ficar parado e deixar meu pai entregar tudo para o
idiota do meu irmão. De. Jeito. Nenhum.

A porta então se abriu e Salvatore entrou, seu rosto era


uma máscara de fúria quando ele jogou Dominic contra a
parede mais próxima, seu antebraço esmagando seu pescoço.

— Como você entrou aqui?

Dominic o empurrou para trás e riu.

— Verifique dentro da casa antes de plantar guardas do


lado de fora, idiota.

— Mamãe?

A voz de Effie fez com que todos nós olhássemos para as


escadas. A luta a acordou. Ela ficou ali, segurando seu
ursinho de pelúcia e nos observando.

— Querida! — Isabella correu até ela e a pegou nos


braços.

— Tio Luke vai ficar bem, baby!

— Ele vai?

— Ele vai.

— Estou tão feliz. Podemos ir vê-lo?


— Ele ainda está dormindo, mas em breve. Vou levá-la
a ele, e você pode dar todos aqueles biscoitos que você fez.

— Eles são deliciosos, Effie, —Dominic gritou.

Salvatore ficou ali, mãos em punhos, ao lado de


Dominic.

— Obrigada, Dominic.

A familiaridade descontraída de Effie com Dominic me


surpreendeu e, quando olhei para Salvatore, eu vi que o
surpreendeu também.

— É tarde, — disse Isabella por cima do ombro.

— Vá para casa. — Ela se virou e subiu as escadas com


Effie.

— Por que todo mundo está gritando? — Eu ouvi Effie


perguntando a sua mãe enquanto suas vozes desapareciam
no corredor. Eu não ouvi a resposta de minha irmã.

— Bem, ela sempre foi boa em dispersar qualquer


pessoa que ela não tinha mais interesse em usar, — Dominic
mordeu.

— Porra. O pai está procurando você. Vá para casa.

— Vai você para casa. E leve o seu pequeno e bonito


brinquedinho com você antes que eu decida provar eu
mesmo. Sua irmã era muito boa.

Salvatore se ergueu para dar um soco nele, mas eu


agarrei seu braço.

— Ele não vale a pena, Salvatore.


— Saia. Salvatore não olhou para mim, mas ficou cara
a cara com seu irmão.

— Eu não estava pensando em ficar.

Demorou um pouco antes que ele saísse pela porta da


frente.

Salvatore virou para mim e me levou em seus braços.

— Você está bem? Ele machucou você?

— Estou bem. Ele não fez nada para mim.

— Ele estava certo. Eu deveria ter verificado a casa.

Salvatore recuou e me olhou como se quisesse ver com


seus próprios olhos que Dominic não me machucou.

— Pare. Nada aconteceu. E tudo está em aberto, muito


confuso agora.

Seus olhos procuraram os meus, e eu toquei seu rosto


com a mão.

— Me leve pra casa, Salvatore.


SALVATORE

Lucia sentou em silêncio ao meu lado.

— O que é? — Eu perguntei depois de alguns minutos.

— Effie é filha de Dominic. — Isabella confirmou.

— Eu não estou surpreso.

— Eles se apaixonaram, Salvatore. Eles eram jovens e


simplesmente se apaixonaram. Você estava certo no que você
pensou. É por isso que Papai a despejou, a rejeitando. Ele
deu um ultimato: abortar ou sair. Ela saiu.

Eu fiquei em silêncio, entendendo um pouco mais de


Isabella. Eu imaginei que ela era apenas uma cadela odiosa,
sedenta de poder. Ela poderia muito bem ser, mas ela
também era mais forte do que eu dei crédito.

— Dominic deveria contar a seu pai, mas ele nunca o


fez.

Olhei para Lucia.

— Eu não posso dizer que estou surpreso.

— Ele a deixou sozinha. — Lucia olhou para longe.


— Ele enviou o dinheiro, no entanto. — Ela revirou os
olhos.

— Lucia. Eu não sei por que eu senti a necessidade de


defender Dominic. Eu não estava realmente; Eu só precisava
explicar como eram as coisas em nossa casa. Como meu pai
era. Meu pai é um homem muito dominador. Quando éramos
crianças, Sergio foi o único corajoso o suficiente para
enfrentá-lo. — Ela abriu a boca para falar, com sua
expressão incrédula.

— Espere. Não estou defendendo Dominic ou o que ele


fez. Eu só estou dizendo que há mais nessa história, outras
partes, além do que a sua irmã contou.

Eu não tenho certeza se ela aceitou isso ou não.

— Luke e Isabella, eles estão apaixonados, — ela disse,


mudando de assunto.

— Ouvi dizer que ele saiu da cirurgia, e que ele vai


sobreviver.

— Estou tão aliviada.

— Ainda há muitas perguntas, Lucia. Isso ainda não


acabou.

— Quem atirou em Luke?

Eu balancei minha cabeça.

— Incerto. Luke estava trabalhando com o Pagani mais


novo, Paul Jr. Seu pai proibiu qualquer interação uma vez
que ele descobriu o que seu filho estava fazendo.
— Eu acho que Dominic está mais envolvido do que
você sabe, Salvatore.

— O que você quer dizer?

— Ele e Isabella, eu acho que eles têm trabalhado em


conjunto. Ela disse que eles tinham um acordo.

Porra.

— Acho que ela está querendo saber se Dominic


ordenou o tiroteio de Luke.

— Então, meu irmão está trabalhando com Isabella


DeMarco e Paul Pagani para derrubar sua própria família?

Nossos olhares se encontraram, mas nenhum de nós


disse mais nada.

Assim que nós passamos pelos portões altos da casa, eu


peguei meu telefone do bolso e liguei para Roman.

— O que você está fazendo? — Perguntou Lucia.

Roman atendeu.

— Onde você está? — Perguntei.

— No seu pai. O último da família está saindo.

— Natalie e Jacob estão aí?

— Acabaram de chegar. Ela está chateada.

— Bem, não vá embora.

— O que você quer dizer?


— Eu preciso de uma reunião de família. Isto é uma
emergência. Eu quero que você traga Natalie e Jacob para a
minha casa. E eu quero que meu pai e Dominic aqui.

— O quê? — Perguntou Lucia.

— Que reunião? — Perguntou Roman.

— O que está acontecendo?

— Amanhã de manhã, eu quero uma segunda reunião


com você, meu pai, Dominic, também quero presente Paul
Pagani Senior e Paul Pagani Jr., e Isabella DeMarco. Eu
quero que você organize tudo.

— Izzy? — Lucia perguntou, com os olhos arregalados


enquanto eu saí com o carro até à porta da frente.

— Eu vou te dar uma hora para chegar com nossa


família aqui. Chame os outros para amanhã de manhã. Sete
horas. Isso deve dar tempo suficiente para chegar até aqui.
Isso vai acabar.

— Vamos nos encontrar com a família em primeiro


lugar e discutir isso, Salvatore. Eu acho que seria mais sábio.

— Essa será a porra do fim, tio. Ponto final.

Desliguei o telefone e virei para Lucia.

— Salvatore, você não pode envolver minha irmã.

— Ela já está envolvida, Lucia. Ela se envolveu.

— Não, eu não vou permitir isso!


— Você não vai permitir isso? — Eu perguntei, saindo
do carro e indo para seu lado. Ela abriu a porta e colocou
suas muletas no chão, tentando sair. Eu a peguei.

— Me ponha no chão. Eu posso fazer isso.

— Eu não tenho tempo para isso, Lucia.

— Eu disse para me colocar no chão!

— Cristo. Você é muito teimosa... Eu a coloquei no chão


e ela se inclinou sobre mim até que pudesse pegar as muletas
debaixo dela.

— Vamos entrar.

— Você quer a minha irmã nessa sala cheia de


assassinos?

— Vai ser uma reunião pacífica. Entramos na casa e


fechei a porta atrás de nós.

— Esta é a minha casa. Eu faço as regras. — Eu disquei


outro número no meu telefone. Uma vez que ele começou a
tocar, eu cobri o bocal e virei para Lucia.

— Suba para seu quarto e espere por mim lá.

— Eu não sou uma maldita criança!

— Então pare de agir como uma.

Marco respondeu à chamada. Ele ainda estava no


hospital.

— Sim?

— Eu preciso que você volte para casa. Organize para


dois homens ficarem no hospital. Estou fazendo uma reunião
amanhã de manhã. Eu preciso de mais homens aqui. Nós
vamos receber o pai e o filho Pagani juntos com Isabella
DeMarco. Os Paganis vão trazer o seu próprio guarda. Eu
pedi para virem sem armas, mas eu quero uma boa
quantidade de mão de obra aqui.

— Eu irei organizar.

— Obrigado. — Eu podia confiar em Marco para cuidar


de coisas o tempo todo.

— Você já soa como se fosse o chefe da família, — Lucia


provocou, ainda de pé ali, sem ter se movido um centímetro.

Eu verifiquei a hora e coloquei o telefone no bolso antes


de me virar para ela. A olhei, o vestido amarrotado, com os
olhos um pouco cansados, mas ela ainda era malditamente
linda.

— Você precisa de algum tempo? — Perguntei,


fechando o espaço entre nós.

— Comigo? — Deslizando a mão até sua cintura, a puxei


para perto.

— Salvatore, este não...

— Shh. — Eu beijei sua boca e tomei uma das muletas,


enquanto a outra saiu debaixo de seu braço quando ela
envolveu em volta do meu pescoço.

— Vamos lá para cima.

Ela engasgou quando eu a levantei, embalando em meus


braços. A levei para o meu quarto. Sentei na cama e puxei
seu vestido pela cabeça antes de empurrá-la para se deitar de
costas.

— Salvatore!

— Eu gosto do seu cheiro. — Eu disse, inclinando sobre


ela para beijá-la, engolindo seu gemido na minha boca.

Ela tinha um gosto tão doce, tão inocente. Eu arrastei


minha boca na dela e beijei ao longo de sua mandíbula e
pescoço, através de sua clavícula e abaixo em um seio, depois
o outro, puxando os mamilos, a fazendo gritar quando mordi
um pouco mais duro do que ela gostava.

Passei minha língua para o centro do peito e fiz cócegas


em seu umbigo antes de deslizar mais para baixo. Eu me
coloquei entre suas pernas para levar seu clitóris em minha
boca.

Lucia suspirou profundamente.

— Você tem um gosto incrível.

Ela enrolou os dedos no meu cabelo e puxou.

— Espera.

— Por quê? — Eu perguntei, olhando para ela.

— Eu quero provar você. — Ela se apoiou sobre os


cotovelos.

— Por favor.

Eu balancei a cabeça e levantei ligeiramente, deitando


de costas e a colocando em meus quadris para que ela
montasse em mim.
— Dói? — Perguntei.

— Huh? — Ela parecia confusa.

— Seu tornozelo?

Ela balançou a cabeça.

Com minhas mãos nos seus quadris, eu guiava sua


abertura sobre meu pau.

— Eu quero te provar, — disse ela.

— Paciência—. Eu sorri, gostando dela gananciosa, um


pouco suja. Eu a corrompi, e eu tenho certeza que ela amou
cada minuto.

— Vire, e coloque os joelhos em ambos os lados do meu


rosto.

Ela hesitou apenas por um momento antes de virar, me


apresentando sua bela bunda, então, sua linda e molhada
boceta sobre o meu rosto. Ela abaixou e eu a puxei para mim,
fazendo uma pausa para morder os grandes lábios quando
ela sacudiu sua pequena língua molhada sobre a ponta do
meu pau antes de selar os lábios em torno dele.

— Porra, baby. — Eu a trouxe para o meu rosto,


fazendo cócegas com o pouco de barba que eu precisava
raspar.

Mergulhei meu polegar em sua boceta molhada antes de


deslizá-lo até seu rabo e pressionar lá, não penetrando, ainda
não, apenas segurando lá enquanto eu fazia cócegas em seu
clitóris com minha língua ao mesmo tempo em que ela
passou a trabalhar no meu pau.
Eu sempre estive com mulheres experientes. Ter a boca
inocente de Lucia no meu pau foi inebriante. O que faltava
em experiência, ela compensou com entusiasmo lascivo:
chupando meu pau, lambendo, me levando ao ponto que ela
engasgou, tudo isso enquanto eu provocava, chupava seu
clitóris, deslizando outro dedo em sua boceta, ao mesmo
tempo em que mantive a pressão do meu polegar na bunda
dela. Ela arqueou as costas, gemendo, enquanto ela
trabalhava com sua mão em mim, como ela me viu fazer, e
sugou. Meu pau inchou ainda mais. Quando a minha
libertação estava perto, fechei a boca ao redor do clitóris e
chupei forte, penetrando sua bunda com o dedo. Ela gritou, o
som abafado pelo meu grosso, latejante pau, e ela se acalmou
quando eu gozei, esvaziando em sua boca enquanto ela
pulsava em torno de meu dedo, pressionando no meu rosto,
espremendo cada gota de prazer da minha língua.

Um momento depois, Lucia deitou ao meu lado exausta,


com os cabelos espalhados sobre o travesseiro, algumas
mechas caindo no meu rosto. Ela se virou para mim e
deslizou uma perna entre as minhas.

— Eu gostei disso, — ela disse, me beijando.

— Estou feliz, porque eu vou querer sua pequena boca


em torno de mim muitas vezes. — Olhei para o relógio. Eles
estariam aqui em vinte minutos. Tudo o que eu queria fazer
era segurá-la, ficar aqui com ela, mas eu tinha que cuidar
dos negócios.
— Vá dormir, Lucia. Saí da cama e a cobri com o
cobertor.

Ela balançou a cabeça e se apoiou em um cotovelo.

— Minha irmã, Salvatore.

— Ela vai ficar bem. Mas se ela orquestrou o sequestro


de Jacob, ela terá que responder por isso.

— Você não vai deixar ninguém machucá-la.

Não era uma pergunta, mas eu respondi de qualquer


maneira.

— Não. Eu vou mantê-la segura. A minha intenção é


manter todos seguros e acabar com isso.

— Eu quero estar lá com ela.

— Eu quero que você fique fora do negócio da família.

— Minha irmã é minha família.

Eu balancei minha cabeça, o tom mais duro quando


falei.

— Sua irmã está em uma situação difícil de lidar, e eu


quero ela fora disso também. Posso confiar em você para que
fique aqui, ou eu tenho que te amarrar? — Eu precisava que
ela entendesse que essa conversa acabou.

Ela olhou para as cordas, talvez lembrando a facilidade


com que eu posso fazer o que disse.

— Você me deixa realmente louca — disse ela.

— Louca. Eu posso lidar com isso. Eu só preciso que


você esteja segura.
Ela assentiu com a cabeça.

— Eu preciso tomar um banho. Fique.

— Posso pelo menos ligar para Izzy?

— Tudo bem por mim. — Eu joguei o meu telefone e


entrei no banheiro para tomar um banho rápido antes de
todo mundo chegar. Seria uma longa noite.

Não fiquei surpreso quando Dominic não apareceu.

Eu também não fiquei surpreso ao ver Lucia vestida e


descendo desajeitadamente as escadas com suas muletas.

Meu pai e Roman ficaram no vestíbulo a observando,


meu pai olhando para ela com olhos cansados ao invés do
olhar de desprezo que normalmente mostrava. Eu andei até
ela com um olhar que dizia que eu lidaria com ela mais tarde,
mas quando eu tentei tirar suas muletas e levá-la para baixo,
ela se recusou.

— Eu não sou uma inválida. Eu só preciso me


acostumar com isso. Além d mais, meu tornozelo pode
aguentar um pouco de peso. —Ela se encolheu quando
colocou um pouco de peso sobre ele.

— Teimosa.
Eu andei com ela para ter certeza de que não caísse. No
momento em que descemos, Natalie entrou na casa com
Jacob dormindo em seus braços.

— Pai, Roman, por que vocês não vão em frente, à sala


de jantar.

Ambos assentiram e foram. Todo mundo estava


cansado.

Rainey foi até Natalie e pegou a bolsa de seu ombro. Eu


a acordei para arrumar um quarto.

— Natalie, eu sinto muito ter que trazer você e Jacob


tão tarde, mas eu pensei que você ficaria mais confortável
aqui, — eu disse.

— Eu ficaria mais confortável em minha própria casa,


— disse ela, olhando para meu pai recuando.

Lucia riu, em seguida, percebeu que não era o momento


e disfarçou com uma tosse.

— Esta é Lucia. — eu disse.

— Lucia, esses são Natalie. E meu sobrinho Jacob.

Jacob se mexeu, abrindo os olhos, em seguida, fechando


novamente. Eu assisti como Lucia olhou para Natalie e a viu
com olhos renovados. Eu a conhecia a tanto tempo, ela foi
como uma irmã para mim desde o primeiro dia que eu a vi.
Às vezes, esquecia quão atraente ela era, mesmo com seu
longo cabelo escuro enrolado em um coque, sem maquiagem,
e vestindo um velho pijama.
— Prazer em conhecê-la — disse Lucia. Em seguida, ela
espiou Jacob.

— Você provavelmente quer levá-lo para a cama.

— E eu também. Prazer em conhecê-la. Salvatore me


contou sobre você.

Ambas olharam para mim.

— Eu deveria estar preocupada? —Perguntou Lucia.

Natalie sorriu e balançou a cabeça.

— Não, dada à maneira como ele olha para você, —


disse Natalie com uma piscadela.

— Por que você não sobe com Natalie e ajuda ela e


Jacob a se acomodarem. — eu disse a Lucia. Eu então a
puxei para perto.

— E desta vez, fique lá em cima. — Eu sussurrei,


apertando sua bunda, então ela saberia que iria pagar se
descesse novamente.

— Está bem. Eu não quero ficar perto de seu pai


mesmo.

Não me ofereci para ajudá-la a subir desta vez. Ela


recusaria de qualquer maneira. Ao invés disso, eu fui para a
sala de jantar e fechei as portas.

— Onde está Dominic? — Perguntei.

— Não sei. — Respondeu meu pai.

— Eu pensei que ele ia voltar para casa — eu disse.

— Por que você achou isso? Perguntou meu pai.


— Porque eu falei com ele. Ele estava na casa de
Isabella DeMarco.

Os lábios de meu pai apertaram.

— O que ele estava fazendo lá?

Não era o meu dever dizer sobre Effie. Eu ia deixar


Dominic fazer isso quando ele estivesse pronto. Estranho.
Percebi naquele momento quão difícil estes últimos cinco
anos foram para o meu irmão. Ele abandonou sua filha e
uma mulher, que em algum momento foi importante, tudo
por medo da desaprovação de meu pai, de sua ira. Ele queria
a sua aceitação, a sua aprovação, tanto quanto eu. Talvez ele
ainda queira. Ele era tanto um fantoche para o meu pai
dominador quanto eu.

Roman limpou a garganta.

— Por que tenho a sensação de que vocês dois sabem


mais do que estão dizendo? — Perguntou meu pai.

— Vou fazer uma ligação. Acho que posso saber onde


ele está, —disse Roman, de pé.

— É importante que ele esteja aqui, — eu disse num


tom crítico, na verdade.

Ele balançou a cabeça e fez a ligação. Meu pai e eu


esperamos em um silêncio constrangedor até Roman
retornar. Rainey bateu na porta e entrou com uma bandeja
com uma garrafa de uísque e vários copos. Eu servi uma dose
para todos e a mandei para a cama. Ela precisaria está de pé
cedo para receber o resto dos nossos hóspedes. Eram apenas
algumas horas antes de chegarem aqui.

— Eu sei quem estava por trás das coisas.

Meu pai bebeu seu copo de uísque, em seguida, puxou a


garrafa para derramar um segundo.

— Isabella DeMarco e Dominic têm trabalhado em


conjunto com o filho de Pagani, Paul Jr. Luke era apenas o
homem de frente, agindo em seu nome.

— Eu sabia que aquela puta seria problema. O único


DeMarco bom é um DeMarco morto, disse meu pai.

— Isso é o suficiente, — eu disse com mais calma do


que esperava que eu pudesse.

— Eu pedi esta reunião para pôr fim a esta estupidez.


Esta rivalidade que dilacerou sua própria família. Quando
será o suficiente para você?

— Quando eu estiver morto.

— Não me provoque.

— Senhores, estamos do mesmo lado, — disse Roman,


de pé entre nós com uma mão em ambos os nossos ombros.

— Eu mandei alguém para pegar Dominic e trazê-lo


aqui.

— Onde ele está? Perguntei.

— Tem um bar que ele gosta de ir. — Roman não


explicou sobre isso, e eu o deixei.
— Ele tem algumas explicações a dar, aquele filho da
puta, — disse Franco.

— Cancele a reunião. Eu vou lidar com o meu filho eu


mesmo. Você lida com a piranha DeMarco, e Pagani vai lidar
com seu filho. — Ele se levantou.

— Estou cansado. Você me chamou aqui para essa


merda?

— Sente. — Eu falei em voz baixa, não me levantando,


mas permanecendo onde eu estava sentado, me sentindo
mais no controle do que eu já tive na minha vida. Eu sabia o
que queria, o que eu precisava fazer. Tudo realmente
terminaria hoje à noite.

— Cuidado, meu filho, — disse ele, mas ele abaixou em


sua cadeira.

— Estamos lidando com essas pessoas agora. Nós


estamos perdoando o que aconteceu até agora e convocando
uma trégua.

— Você não é o chefe ainda, Salvatore. Eu decido, não


você.

— Eu já decidi, meu velho. Deixe assim.

— Franco, — começou Roman.

Meu pai manteve os olhos em mim, mas escutou.

— Vamos fazer do jeito de Salvatore e acabar com isso,


já está fora de controle, — disse Roman.

— E como você propõe fazermos para Dominic


concordar? — Perguntou Franco.
Era onde estávamos todos confusos. Não poderíamos
dar a ele uma propriedade para ser administrada, não com a
instabilidade que ele apresentava. Ele traria guerra onde quer
que fosse. Ele precisava ser controlado, mas eu não sabia
como. Eu estava realmente confuso quando se tratava de
Dominic.

— Eu vou falar com ele, — eu disse.

Eu ia dar mais uma chance, falar com ele como eu


deveria ter falado o tempo todo. Talvez ele tivesse vindo ao
meu encontro cinco anos atrás, quando ele estava em apuros
se eu tivesse sido um irmão melhor para ele.

Dominic chegou, era quase cinco horas da manhã. Ele


cheirava a álcool e tropeçou, fazendo um monte de ruído,
apoiado por dois homens que trabalhavam para o meu pai.

— Você chamou, irmão?

As pálpebras estavam caídas, e as contusões que eu lhe


dera anteriormente estavam num tom de roxo escuro.

— Me chamando à sua grande propriedade? — Disse


ele, pronunciando as palavras enquanto gesticulava ao redor
da casa.

— Levem ele para a porra do chuveiro.

— Eu vou fazer café. — Disse Roman.

Marco também chegou e os homens estavam sendo


organizados em toda a propriedade. Tínhamos cerca de duas
horas antes de todo mundo chegar aqui. De acordo com
Roman, o Pagani Senior, não se surpreendeu com a
chamada, o que significava que ele já falou com seu filho.
Bom. Quanto menos surpresas, melhor.

Isabella era uma história diferente. Roman falou com ela


e disse qual a razão para a reunião. Talvez fosse vaidade, o
sentimento de ser reconhecida como chefe da família
DeMarco, porque, para todos os efeitos, ela era. Nós apenas
subestimamos o nível da família DeMarco nas atividade. Foi
estúpido da nossa parte. Isabella estaria aqui bem cedo, tão
ansiosa quanto eu para colocar isso em seu nome, agora que
percebeu o que ela poderia ter perdido.

Dominic foi levado para um quarto no andar de baixo,


sabendo que ele criaria um inferno onde quer que ele
estivesse, apenas porque ele era Dominic e ele estava bêbado.
Roman permaneceu com o meu pai, quando eu fui para
verificar Dominic.

— Você não é o chefe ainda, — foi a saudação que


recebi quando entrei no quarto.

— Você, pelo menos, cheira um pouco melhor — eu


disse, jogando uma das minhas camisas para ele. Coloque
isso. Eu mudei também, vestindo um terno sem o casaco.

— Você quer que eu pareça respeitável para esses


babacas? — Ele perguntou, mas vestiu.

— Eu sei sobre Effie, — eu disse, sentando.

Ele encontrou meus olhos, mas permaneceu em


silêncio.

— Você não disse a ninguém todos esses anos?


— O quê, que eu engravidei uma DeMarco? Tudo
enquanto o pai te entregava uma delas em uma bandeja de
prata. — Ele balançou a cabeça em desgosto. Você é o
menino de ouro, não é? Primeiro foi Sergio, então você. Que
se dane o Dominic.

Eu queria dar um soco nele, mas tinha que me lembrar


por que ele estava sendo defensivo. — Me desculpe, eu não
tornei as coisas fáceis para você vir falar comigo.

— Não fique sentimental comigo agora. — Ele disse,


então voltou sua atenção para abotoar a camisa antes de
continuar.

— O pai sabe?

— Não. Apenas Roman e eu. É assim que vai ser, a


menos que você decida dizer a ele.

Ele concordou, e eu sabia que era o mais próximo a um


agradecimento verdadeiro que eu receberia.

— Conte sobre o tiroteio de Luke DeMarco.

Nada.

— Isabella e você estavam trabalhando em conjunto


com Pagani, Jr.

Ele bufou.

— Ele é um idiota. A porra de um estúpido.

— Isso nós podemos concordar. Eles estarão aqui em


breve, Dominic. Nós todos iremos estar juntos em uma sala.
Eu preferia saber a verdade agora, de você.
Alguém bateu na porta.

— Senhor.

Foi Marco.

— Entre. — Eu disse.

Ele abriu a porta e olhou para Dominic, mas falou


comigo.

— Isabella DeMarco está aqui.

Olhei para o relógio.

— Ela está adiantada. — Era quase seis horas

— Será que Lucia sabe?

Marco me deu um aceno curto.

— É claro que ela sabe. Onde elas estão?

— Seu escritório.

— Tudo certo. Eu estarei lá. Se certifique que elas


fiquem lá até eu chegar.

— Eu vou.

Ele fechou a porta. Virei para Dominic, que acabou de


se vestir e agora estava penteando o cabelo, me estudando.

— Última chance de me dizer tudo.

— Vá ver se tudo está sob controle, irmão. Eu irei te ver


quando for a hora para a reunião.

— Como quiser. — Saí do quarto e fui diretamente para


o meu escritório.
Lucia e Isabella se sentaram no sofá sussurrando
quando eu entrei. Lucia, pelo menos, teve a delicadeza de me
dar um leve sorriso.

— Você não deveria estar aqui — eu disse a ela.

— Ela é minha irmã, Salvatore.

— Por que eu sinto como se estivesse batendo contra


uma parede novamente? — Perguntei.

— Pela primeira vez, estou do lado dele, Lucia. Este é o


meu negócio, e eu não quero você envolvida — disse Isabella,
de pé.

— Eu não vou deixar você enfrentar esses homens


sozinha.

— Ela não está sozinha. Estarei lá com ela, — eu disse.

— Lúcia, — eu fiz isso.

— Eu trouxe isso até nós. Eu fiz Dominic sequestrar


Jacob. Eu, essencialmente, fui responsável por Luke ser
baleado. — Ela virou para mim.

— Eu sinto muito sobre Jacob. Eu só, eu queria


assustar Franco. Eu nem pensei em Natalie. Era para ser
uma mensagem para Franco. Tudo. E cada vez que eu olho
para o rosto de Effie e a seguro em meus braços, eu continuo
pensando sobre como Natalie ficou. Como ela deve ter se
sentido. Quão assustado Jacob deve ter se sentido. Eu sinto
muito. Eu estava errada.

Lucia apertou a mão dela.

Eu balancei a cabeça.
— Está acabado?

— Sim. Para mim. Mas eu não tenho certeza de quanto


controle eu tenho ou tive. Os roubos, nós conversamos sobre
isso, mas não decidimos sobre qualquer coisa. E Luke ...
Espero que Dominic não tenha ordenado aquilo.

— Eu mesmo não sei, mas vamos descobrir em breve.

Antes que eu pudesse dizer mais, vozes altas de dois


homens aos gritos nos interromperam. Dominic e meu pai.

— Fique aqui — eu disse, correndo para a porta e


saindo. Eles estavam na sala de jantar, Roman, meu pai, e
Dominic.

— Você traiu sua própria família! — Franco gritou, seu


rosto quente com fúria.

— O que foi tudo isso para mim? O que foi designado


para mim? Por que você me teve mesmo? — Dominic disse,
toda embriaguez foi deixada de seu sistema, o calor da sua
ira, talvez, a tivesse queimado para fora.

— Depois que Sergio morreu, todos olharam para


Salvatore. E quanto a mim?

— Você é o mais novo. Não posso ajudar nisso.

— O substituto para o substituto.

— Você é estúpido se é isso que você pensa!

— Tão preocupado com o seu neto. Tudo é sobre Sergio.


Seu filho. Cuidando de Jacob.

— Como eu iria cuidar dos seus!


— Sério?

— Todos se acalmem nessa porra. — Eu entrei na sala,


mas nem meu pai nem Dominic perceberam minha chegada.

Isabella entrou atrás de mim, com o olhar fixo em


Dominic. Quando meu pai caminhou até ela, ela ficou
orgulhosa, e eu estava ao lado dela.

— Você, vadia estúpida, — ele começou.

— Pare! Todos vocês! O que é isso, a porra da pré-


escola? Vamos todos sentar, e todos teremos a chance de
falar.

— Salvatore.

Roman disse meu nome e entrou na sala. Só então


percebi que ele esteve ausente.

— Acabei de falar ao telefone com Paul Pagani Senior.


Nem ele nem seu filho virão. Ele já está cuidando de seu filho
e cobrando as responsabilidades dele. Pagani Jr. não será um
problema, ele nos assegurou. O dinheiro que roubaram foi
devolvido, e ele deu sua palavra, a sua lealdade é para com o
chefe da família Benedetti.

Eu balancei a cabeça.

— Então esta será verdadeiramente uma reunião de


família.

— Além desta prostituta. — Franco murmurou.

A tensão na sala era palpável. Ninguém se moveu para


sentar e parecia que Dominic ou meu pai iriam explodir a
qualquer minuto.
Eu suspirei, balançando a cabeça, mas antes que eu
pudesse falar, Dominic sacou uma pistola e a segurou ao seu
lado.

— Ela é a mãe de seu outro neto, meu velho, mas você é


muito estúpido para perceber, não é?

— Dominic, me dê a arma, — eu disse, o seguindo


enquanto ele se movia ao redor da mesa para onde meu pai
estava, mas era como se ele não pudesse me ouvir. Não
pudesse me ver. Não podia ver ninguém, só nosso pai.

— Eu era muito covarde para dizer que ela estava


grávida do meu bebê. Meu, seu estúpido.

— Dominic, — eu comecei cauteloso.

Franco observou, olhando para Isabella por um


momento até que ele finalmente entendeu. Mas Dominic não
terminou.

— Você nunca se importou comigo. Todo o seu amor foi


para Sergio.

— Isso não é verdade, disse nosso pai. — Ele era o


primogênito.

— Que se foda o primogênito! Esta não é a porra da


Idade das Trevas. Não importa.

— Você traiu sua família. Eu aceitei você como sendo


meu, e você me traiu.

Todas as cabeças viraram para o meu pai.


Roman se aproximou de Franco e sussurrou algo em
seu ouvido. Virei para Dominic para ver seu rosto enquanto
ele, lentamente, entendia o que estava sendo dito.

— Não, eu vou dizer a este bastardo quem ele é. — Meu


pai empurrou Roman.

— Filho de um soldado de infantaria do caralho que


acha que deve ser chefe da minha família.

— Você está mentindo, — disse Dominic, levantando a


pistola.

— Dominic, me dê a arma, — eu disse, repetindo cada


movimento que ele fazia.

Eu ouvi um suspiro na porta e Isabella se mudou,


protegendo Lucia, que acabou de entrar.

— Dominic, por favor, me dê a arma.

— Vocês pensaram que sua mãe era uma santa. Morreu


como um mártir. Franco bufou. — Vocês não a conheciam
muito bem. Nenhum de vocês a conhecia.

— Você é um mentiroso do caralho, meu velho, —


Dominic disparou.

— Ela se prostituiu. — Disse Franco.

— Ele não vale a pena, — eu disse ao meu irmão.

— Ele está mentindo, e não vale a pena. — Eu dizia,


mas era como se ele não pudesse me ouvir.

— Não se atreva a falar sobre ela assim. — Dominic


limpou o rosto com as costas da mão que segurava a pistola.
— Como sua cadela, — disse Franco, apontando para
Isabella.

Era isso, terminou. Dominic apontou, o rosto de meu


pai mudou para surpresa ou choque. Eu não sei se algum de
nós pensou que ele faria. Pensou que ele realmente puxaria o
gatilho.

Eu agarrei o braço de Dominic, mas ele engatilhou a


arma. A boca de meu pai abriu, outra provocação o deixando,
empurrando Dominic ao seu limite.

Tiros nunca soam da maneira que você pensa que eles


deveriam. Eles são mais altos, mais mortais, e o caralho de
muito mais rápidos do que nos filmes.

O grito de Lucia era tudo o que eu ouvi. Tudo o resto foi


o ruído de fundo. Ela se afogou com seu grito.

Corri entre eles, com a intenção de empurrar o meu pai


para fora do caminho, para salvá-lo. Para salvar Dominic de
fazer algo que se arrependeria pelo resto da sua vida.

Mas isso nunca funciona na vida real também. Nunca


como nos filmes. Os heróis não caminham de braços
erguidos, triunfantes.

Mais frequentemente, eles se machucam.

Eles são mortos.

Eu joguei meu pai para fora do caminho. Cair sobre ele


era mais suave do que nos malditos pisos de mármore que eu
sempre odiei. Um segundo mais tarde, e eu teria chegado
tarde demais.
Ou talvez eu tivesse.

Lucia gritou de novo, caindo de joelhos, com as mãos


sangrando, o rosto salpicado com ele. Suas muletas tinindo
no chão perto da minha cabeça enquanto ela agarrava meu
rosto, olhando por cima do ombro, empurrando alguém para
longe. Suas lágrimas continuavam caindo no meu rosto, e ela
continuou limpando de novo e de novo, falando, eu acho. Sua
boca se moveu, mas nenhum som saiu. Não há som. Apenas
dor. Apenas fogo ao meu lado.

Quando eu coloquei a minha mão no lugar, me senti


quente e úmido, e quando eu cheguei a tocar seu lindo rosto,
o cobri de vermelho, a manchando ao longo de sua
mandíbula, seu pescoço, para baixo até que ela desapareceu
de vista. A última coisa que eu senti foi seu cabelo fazendo
cócegas no meu rosto, seu corpo pressionando contra o meu,
os movimentos desesperados.
LÚCIA
— Salvatore, não!

Eu segurei seu rosto com uma mão e ele a puxou para o


seu lado, que não parava de sangrar. Eu o beijei. Beijei e
voltei a beijá-lo. Quando tentei tirar seu cabelo da testa,
deixei o sangue em seu lugar. Seu sangue. Deus, era tanto
sangue. Demais.

— Não morra. — Ele não me prometeu isso.

Ele me fez três promessas, mas ele nunca me prometeu


que não iria morrer. Eu nunca o pedi para prometer isso. Eu
nunca...

— Não morra—, eu sussurrei só para ele. Ele estava


muito quieto, e quando minha irmã tocou meu ombro, eu
olhei para ela através do borrão da névoa de lágrimas
derramadas, eu respirei tremendo. Seu rosto, o olhar em seus
olhos, me dizendo que era ruim.

— Há um helicóptero a caminho para levá-lo ao hospital,


— ela sussurrou, ajoelhando ao meu lado, me segurando
quando eu voltei minha atenção para ele.

Eles iriam levá-lo embora. Eles iriam levá-lo embora, e


eu nunca mais o veria novamente. Por que eles fariam isso?
Por que eles o levariam embora? Como você pode manter um
coração vazio? Como você pode dizer adeus? Meus lábios
tremiam. Abaixei para o seu rosto, seu belo rosto tão pálido,
tão quieto. Meu cabelo feito uma cortina entre nós e o quarto,
e eu ouvi a sua respiração, tentei sentir na minha pele, sentir
o seu calor suave. Eu queria que ele me chamasse de teimosa
novamente. Eu queria ouvi-lo me dizer que ele iria nos
manter seguros.

Ele cumpriu.

Ele manteve a sua promessa.

Por que não o fiz prometer se manter seguro?

— Sinto muito — eu sussurrei.

— Lúcia — Minha irmã disse meu nome, mas eu ignorei.

— Eu devia ter feito você prometer — eu disse, com


lágrimas escorrendo do meu rosto para o dele. Eu estava
manchada com o sangue dele, tentando limpá-lo, lembrando
em seguida que ele fez uma promessa para mim e ele ainda
não a cumpriu.

— Você tem que acordar, Salvatore—, eu disse,


ganhando um pouco de força. Ele mantinha suas
promessas.

— Você me prometeu que ia me dar o que eu queria. A


vida que eu queria. Você prometeu. Você tem que acordar
agora.

— Lúcia, — Isabella disse novamente.


— Vá embora, — eu disse a ela, ainda limpando o rosto
das minhas lágrimas.

— Senhora—. Outras mãos estavam em mim, outra voz


estava falando comigo.

— Lúcia, eles estão aqui. Eles vão levá-lo ao hospital.


Você tem que deixá-los ver Salvatore. — Eu mantive uma
mão no peito de Salvatore, tentando não pensar sobre o fato
de que ainda era meu. Eu olhei para os homens na sala em
torno de mim, e me afastei, os deixando olhar Salvatore.
Deixá-los começar seu trabalho.

Dois outros homens levaram Franco Benedetti em uma


maca. Roman olhou para todos nós, o rosto em choque,
respingos de sangue estragaram e arruinaram seu terno
perfeito.

— Senhora, precisamos levá-los agora.

— Que hospital? —, Perguntou Isabella.

— Bellevue.

— Vamos lá—, disse Isabella, me arrastando sobre os


meus pés.

— Ele não está morto? —, Perguntei, confusa.

O paramédico me deu um olhar cauteloso.

— Nós vamos fazer o que pudermos por ele.

— Vamos, — Isabella disse novamente.

— Nós precisamos chegar ao hospital. Eles vão muito


mais rápido de helicóptero.
— O que aconteceu? — Natalie perguntou da porta, com
o rosto amassado quando ela viu Salvatore inconsciente na
maca.

Olhei ao redor da sala, procurando por Dominic.

— Onde está ele? — Perguntei a minha irmã.

— Onde está ele? — A raiva me deu força, mas minha


irmã se manteve firme para mim.

— Salvatore ficou no caminho entre Dominic e seu pai


—, disse Isabella para Natalie.

— Onde está Dominic? — Eu gritei para quem poderia


responder.

— Vamos—, disse Isabella. Chamando minha atenção

— Salvatore precisa de você agora... — Eu virei para ela


e assenti. A segui até a porta da frente, amaldiçoando as
muletas e meu tornozelo.

— Ele é muito teimoso — eu disse enquanto ela dirigia


rapidamente fora dos portões.

— Ele queria salvar todos nós.

— Por que eles levaram Franco?

— Ataque cardíaco.

Um novo ataque de lágrimas, chegou e eu ofeguei em


um suspiro alto.

— Ele fez isso por nada. Ele tentou salvar aquele homem
horrível para nada.
Isabella pegou minha mão e apertou, me obrigando a
olhar para ela.

— Ele ainda não morreu. Ele precisa de você para


acreditar nele, entendeu? Você não pode fraquejar agora, não
agora, Lúcia. Ele precisa de você.

Olhei para a cara dela. Ela parecia muito mais velha que
seus vinte e dois anos, de repente em seus olhos eu vi uma
vida de tristeza e amargura dentro deles.

— Como está o Luke? — Eu perguntei, lembrando.

Ela concentrou sua atenção na estrada.

— Sem alteração.

— Onde está Dominic?

— Ele sumiu pela porta. — Ela balançou a cabeça.

— Eu vi seu rosto. Ele apenas ficou olhando para


Salvatore, deitado a seus pés. Por muito tempo, era o que ele
queria, mas depois, quando isso aconteceu ...

— Onde está ele?

— Seu rosto, Lúcia. Nunca o vi olhar assim antes.


Nunca.

Mas eu não me importo com Dominic, ou o que ele


sentia ou deixava de sentir ou o que seu rosto demonstrava.
Iria matá-lo com as minhas próprias mãos, quando eu o
visse.

Minha irmã estava certa, apesar de tudo. Salvatore


precisava de mim agora, e eu quero focar toda a minha
energia nele. Ele era um sobrevivente. Ele iria sobreviver. Ele
tem que sobreviver. Quando chegamos ao hospital, ele já
estava na cirurgia. Eles o levaram para a mesma unidade em
que Luke esteve...

Déjà vu.

Só que desta vez, o médico não iria falar conosco. Nós


não éramos da família.

— Porra! Eu só quero saber se ele está vivo!

— Senhora, tem que se acalmar—, disse o médico.

— Lúcia—. Eu ouvi a voz de um homem atrás de mim.


Virei para encontrar Roman saindo da sala de espera, com o
rosto limpo do sangue, apesar de sua camisa ainda ter
respingos do mesmo.

— Eles ainda o estão operando, ainda não sabem dizer


nada. — Ele virou para o médico.

— Adicione Lúcia DeMarco à lista—, disse ele.

— A mantenham informada sobre o quadro clínico de


Salvatore Benedetti.

O médico balançou a cabeça e anotou algo que eu


assumi ser o meu nome e se afastou.

— Obrigada — eu disse para Roman.

Ele balançou a cabeça e sentou. Derrota, foi a única


palavra que eu usaria para descrevê-lo naquele momento.

— E sobre Franco? —, Perguntou Isabella.

— Estável
— Claro. — Claro que ele está estável, enquanto seu
filho está lá dentro, possivelmente morrendo. Eu afundei em
uma cadeira, e Isabella colocou os braços a minha volta.

— Shh. Lembre-se, você tem que ser forte. Ele precisa de


você mais do que nunca. — Eu balancei a cabeça, enxugando
as lágrimas.

Sentamos na sala de espera por um longo tempo.


Isabella pediu licença para fazer algumas chamadas, para
garantir que a babá poderia ficar com Effie mais tempo, e
para ver como Luke estava. Roman e eu permanecemos em
silêncio, perdidos em nossa própria miséria. Durante esse
tempo, meu tornozelo latejava.

— Ele nunca deveria ter incitado Dominic desse modo.


Ele jurou nunca mais fazer isso —. Virei para Roman.

— O que você está dizendo? — Eu não estive no quarto,


não até que era quase o fim.

Roman olhou para mim.

— Franco não é o pai de Dominic, mas ele amava minha


irmã. A amava o suficiente para manter em segredo. Para agir
como se Dominic fosse seu filho desde sempre. Ele não tinha
o direito de dizer uma coisa destas.

— Você está preocupado com Dominic? Ele merece ser o


único lá dentro, não Salvatore.

Ele encontrou meu olhar.

— Ninguém deveria estar lá. Ponto.


— Eu posso ser uma pessoa horrível, mas eu não
concordo. — Ele suspirou.

— Você não está nem perto de ser uma pessoa horrível.


— Levantou e saiu da sala. Fiquei onde estava. Isabella ficou
comigo o tempo todo, até que quatro horas depois, um
médico finalmente saiu, procurando os parentes mais
próximos.

— Sou eu — eu disse, embora muito débil.

— Lúcia DeMarco. — Ele verificou sua folha de papel.


Satisfeito, ele olhou para mim. Em espaço de segundos eu
pensei o pior, pensei que deveria me preparar para ouvi-lo,
mas como nos preparar para ouvir algo terrível?

— Sr. Benedetti é um homem incrivelmente sortudo. A


sua vontade de viver é enorme. — Eu sorri, sentindo um peso
enorme sair de cima de mim.

— Ele vai sobreviver?

— Não deveria, em função da rota que bala fez, mas ele


é um homem de sorte. Ele está chamando pela senhora.

— Eu posso vê-lo?

— Só por alguns minutos. Ele precisa descansar. Nós


vamos sedá-lo, mas ele está insistindo em vê-la antes.

— Ele é teimoso —, eu disse, enxugando as lágrimas de


novo. Segui o médico, uma alegria me enchendo de algo que
eu nunca na minha vida senti antes.

Nunca pensei que fosse possível. Eu entrei no quarto


particular, onde ouvia os bips das máquinas e os médicos e
enfermeiros trabalhavam ao redor da cama onde estava
Salvatore, de olhos fechados, e voltando abri-los, virando a
cabeça para longe da enfermeira que tentava colocar outro
tubo.

— Salvatore! — Eu manquei até ele e sentei na cadeira


que alguém empurrou para mim.

Ele abriu os olhos e me deu um sorriso fraco. Ele


continuou abrindo e fechando a mão, e eu coloquei a minha
mão entre as suas. Ele se acalmou em seguida, deitou e
fechou os olhos. Eu fiquei lá e senti, não tenho certeza se ele
segurou minha mão ou eu segurava a sua, não tenho certeza
de mais nada. Eu olhava ele dormir, contei as agulhas em
seus braços, vi colocarem algo para dentro do tubo de um dos
cateteres.

— Ele vai dormir por algum tempo. Você pode ir para


casa e descansar um pouco. Nós a chamaremos quando ele
acordar.

— Não —, eu disse, sem tirar os olhos dele.

— Eu vou ficar aqui.

— Senhora ...— Salvatore apertou suavemente a minha


mão e virando para o médico eu disse:

— Para que saiba, eu sou muito teimosa e não vou


embora.
SALVATORE

Eu provavelmente sonhei.

Lúcia se chamando de teimosa, mas isso me fez sorrir


ao mesmo tempo. E cada vez que eu abri os olhos, lá estava
ela, sentada ao meu lado. Na primeira vez, ela ainda tinha
sangue nela. Meu sangue. Em seguida, ela parecia que tomou
banho e mudou de roupa. Eu vi Roman também, mas ela era
quem estava o tempo todo lá.

Ela me lembrava o que eu disse. O que eu prometi. Eu


lembro vagamente da sua voz, me dizendo que eu ainda não
mantive a promessa de dar a vida que ela queria.

Eu mudei de quarto. Eu sabia a partir da forma como a


luz vinha da janela. Eu não tinha certeza há quanto tempo
estava no hospital até que, finalmente, abri os olhos, me
sentindo um pouco menos grogue, e as coisas ao meu redor
não pareciam como uma miragem.

Era uma miragem? Era Lúcia uma miragem?

— Ei.
Eu olhei para ela linda, com um sorriso lindo. Ela ainda
estava sentada no mesmo lugar, segurando a minha mão, me
observando.

— Hey. — Parecia estranho falar.

— Como você está se sentindo?

— Como se eu tivesse sido atropelado por um caminhão.

— Você se lembra do que aconteceu?

Minha memória viajou de volta para aquela manhã. Meu


pai, Roman, Isabella, e eu na minha sala de jantar. Dominic.
Dominic com uma arma. Meu pai dizendo que ele não era seu
filho. Chamando a nossa mãe de puta. Algo emitiu um sinal
sonoro, e a porta se abriu. Uma enfermeira correu para
dentro. Eu respirei fundo e o sinal sonoro acalmou, mas a
enfermeira me deu um olhar de advertência.

— É bom ver que você está acordado, Sr. Benedetti, mas


precisa manter a calma, ou vamos ter que sedá-lo novamente.

Eu abri minha boca para dizer para se foder, mas Lúcia


apertou minha mão e falou com ela.

— Está bem. Vou me certificar de que ele permaneça


calmo.

— Obrigada. — A enfermeira saiu, e eu olhei para Lúcia.

— Te chamaram de teimoso —, disse ela.

— Bem, na verdade eu sou, mas eles concordaram.


Eu sorri, mas doía falar ou me mover. E tanto quanto eu
queria me manter olhando para ela, minhas pálpebras
começaram a fechar.

— Durma. Eu estarei aqui quando você acordar. — Eu


cedi, incapaz de lutar, e quando eu acordei no dia seguinte,
eu estava em uma sala diferente, mais uma vez, desta vez
menos estéril. Lúcia sentou novamente na minha cama,
conversando com sua irmã, que estava sentada em outra
cadeira, e Effie, que estava assistindo TV com o som
silenciado.

— Ele está acordado —, disse Isabella.

Lucia se virou para mim.

— Finalmente. Eu não quero dormir por mais três dias.


Eu quero sentar.

— Mandão —, brincou ela e me entregou um controle


remoto.

— Aqui, pressione este botão. Pare se for doloroso.

Eu cliquei no comando, e a cama mudou. Effie ficou


olhando, encantada com a operação.

— Uau! Posso ter um desses, mamãe?

— Não —, veio a voz de Isabella. Eu sorri e parei quando


o ligeiro pulsar ao meu lado se tornou doloroso.

— Há quanto tempo estou aqui?

— Quase duas semanas.


— Eu fiz alguns biscoitos de M & M —, disse Effie, se
aproximando com uma lata.

— Eles ajudaram Luke, e ele já saiu do hospital. Se você


comer, também vai sair em breve do hospital.

— Posso? —, Perguntei. Lucia pegou nos biscoitos que


Effie trouxe para mim.

— Eu vou dar após o jantar, ok? Não queremos estragar


a sua primeira refeição hospitalar, afinal de contas. — Eu fiz
uma careta, e assim também fez Effie. Ela, então, virou para
mim.

— Queijo grelhado é a única coisa segura—, ela


sussurrou.

— E não importa o que você faça, não coma a sopa de


ervilhas. — Eu ri, mas tive de parar; doía muito.

— Tudo bem—, disse Isabella, pegando a mão de Effie.

— É hora de nós irmos. — Ela olhou para mim.

— Estou feliz que você não morreu.

— Obrigado? —, Eu acho. Lucia saiu do quarto com elas


e voltou logo em seguida para mim.

— Effie é engraçada—, disse ela.

— Sim. E eu vou ficar longe da sopa de ervilha. Confio


naquela garota. — Ficamos em silêncio enquanto os nossos
sorrisos se desvaneciam.

— Eu pensei que você estivesse morto. Eu não sentia a


sua respiração, e você estava tão quieto. E o sangue ...
Seus olhos se encheram de lágrimas.

Estendi a mão para tocar seu rosto, apesar da dor em


meu braço mesmo com este pequeno movimento.

— Eu não sou tão fácil de matar.

— Eu guardei a roupa que estava usando.

— Hã? — Ela encolheu os ombros.

— Com o sangue. — Devo ter feito uma péssima


expressão quando entendi o que ela estava dizendo.

— Eu sei, é assustador.

— Você pode jogá-la fora agora. Eu não vou a lugar


nenhum. Eu tenho uma promessa a cumprir.

Ela sorriu.

— Onde está Dominic? — Ela balançou a cabeça.

— Ninguém sabe. Ele desapareceu depois daquela noite,


já foi tarde.

— Ele não é filho do meu pai.

— Eu sei.

— Ele não estava tentando me matar. Você sabe disso,


certo?

— Eu não me importo, Salvatore. Ele quase fez. — Eu


decidi deixar o assunto por enquanto.

— Meu pai?

— Ele teve um ataque cardíaco, mas já está bem. Ele já


está em casa. Roman tratou do assunto, aparentemente.
Provavelmente à espera que você fique melhor para tomar as
rédeas.

Ela bufou, o rosto mudando, escurecendo.

— Ele teve um ataque cardíaco?

— Eu acho que ver um filho atirar no outro foi demais


até mesmo para o seu coração gelado. — Alguém bateu na
porta. Nós nos viramos para ver Roman espreitar a porta.

— Eu ouvi dizer que ele estava acordado.

— Entre — disse Lucia e deu um passo para o lado.

— Onde estão suas muletas? — Salvatore perguntou.

— Você esteve fora durante um tempo. Tempo suficiente


para meu tornozelo melhorar.

— Você deve usá-las.

— Mandão

— Eu preciso falar com você—, disse Roman para mim,


olhando para Lucia.

— Vou esperar lá fora —, disse Lucia, pegando sua


bolsa.

— Você pode ficar —, eu disse a ela.

Ela balançou a cabeça.

— Tudo bem, vou pegar um pouco de café.

— Obrigado—, disse Roman.

Depois que ela se foi, ele se sentou na cadeira que ela


ocupou e tirou um dossiê de sua pasta.
— Como você está se sentindo?

— Já estive melhor. O que está acontecendo? Me dê


detalhes.

— Você sabe sobre ataque o cardíaco de seu pai? — Eu


balancei a cabeça.

— Bem, Franco está em casa e se recuperando. Ele não


tem se sentido bem, Salvatore. — Eu não respondi.

— Ele queria vir vê-lo, mas o médico não o aconselhou a


vir.

— Ok. — Ele estava me dizendo que os meus


sentimentos não seriam magoados?

— Ele sabe que você salvou a vida dele.

— Eu não fiz isso por ele. Eu fiz isso porque eu sabia


que meu irmão iria se arrepender para o resto de sua vida.

— Você tem todo o direito de sentir da maneira que você


se sente.

— Eu não preciso de você para me dizer isso. — Ele


inalou uma respiração profunda.

— Onde está Dominic?

— Eu não sei. Ele desapareceu após o tiroteio. Ninguém


sabe. Ele não foi para casa, não embalou nada, não levou
nada com ele. Apenas se foi.

— É verdade? — Roman assentiu.

— E você sabia?
— Eu sou o único além de sua mãe e seu pai que sabia.
Ele se arrepende de ter dito.

— Ele deveria. — Amaldiçoei meu pai por ter contado a


Dominic daquela maneira. Qual foi o propósito dele? Ele só
magoaria Dominic. Talvez de maneira irreparável.

— Franco já não é capaz de gerenciar a família, as


empresas, qualquer coisa, Salvatore. Estou fazendo isso até
que você esteja recuperado.

Nós nos estudamos um ao outro por um longo tempo.


Eu simplesmente não sabia dizer o que meu tio estava
procurando.

— Eu tenho documentos aqui, as coisas que eu quero


resolver. — Uma pequena batida na porta. Lucia abriu.

— Não agora—, eu disse a ele.

— Basta cuidar de tudo por enquanto.

— Eu posso voltar—, disse Lucia.

— Não, você fica. Roman, obrigado pela sua visita. —


Roman aceitou a dispensa com elegância e saiu. Lucia voltou
a se sentar na mesma cadeira.

— O café é tão mau aqui—, ela disse, colocando o copo


de papel intocado sobre a mesa próxima.

Antes que nós tivéssemos a chance de falar, o médico


entrou para me examinar e disse que eu estaria em casa no
prazo de três dias. Lucia desocupou a sua cadeira e ficou
para trás e para observar, dando espaço ao médico. Toda vez
que eu olhava para ela enquanto ela não reparava, eu via
preocupação em seu rosto. Minha mente viajou de volta para
o que eu disse. O que eu prometi a ela. Liberdade, assim que
eu fosse o chefe. Liberdade, uma vez que eu sabia que ela
estaria a salvo. A vida tranquila. Felicidade. Eu queria isso
para todo mundo que eu amava. Eu queria isso
especialmente para ela.
LUCIA
Salvatore foi transferido para um quarto no andar de
baixo, enquanto ele se recuperava. Dormi ao seu lado,
tomando cuidado para não tocar no local ainda dorido, que a
bala atingiu. Eu sabia que ele sentia dor, mas ele insistia em
tomar cada vez menos medicação, dizendo que ele conseguia.
Depois de um dia de já estar em casa, ele podia andar por
conta própria para o banheiro, embora ainda se cansasse.

— Eu odeio isso—, resmungou uma semana mais tarde,


após uma de suas visitas ao banheiro.

— Eu odeio ser fraco. — Coloquei o cobertor até a


cintura.

— Você está ficando mais forte a cada dia.

— Não rápido o suficiente.

— Você odeia ter alguém que cuide de você. Você está


tão acostumado a cuidar de tudo e todos e ser responsável
por tudo, mas não consegue ficar em uma posição onde você
precisa de outra pessoa.

Ele me estudou, em seguida, olhou para além de mim à


luz minguante de fora da janela.

— Vamos sentar lá fora.


— Vou pegar sua cadeira de rodas —. Eu já tinha me
levantado para abri-la. Ele não a usou exceto quando saímos
do hospital.

— Não.

Eu olhei para trás para vê-lo levantar por conta própria.

— Jesus, Salvatore, só vai demorar mais tempo se você


não se cuidar.

— Eu disse que não.

Ele se estabilizou com seu olhar no meu, dando um


vislumbre do homem que eu sabia que ele era, áspero, duro e
sexy.

Ele deve ter visto a mudança em mim também, porque


sua expressão se suavizou, e seu olhar vagou sobre meu
corpo. Engoli em seco, meus mamilos ficaram rijos, minha
barriga vibrou. Apenas um olhar dele, e eu estremeci.

— Ok—, eu disse, limpando a garganta. Então, sem


pedir sua permissão, eu abri a porta do quarto e chamei o
Marco.

— Ele é teimoso demais para usar a cadeira de rodas, e


eu não posso suportar seu peso, então talvez você possa
andar com ele.

Marco olhou para Salvatore, e em seguida, olhou para


mim. O que ele viu na minha cara deve ter superado o que
viu na de Salvatore, porque ele colocou o braço de Salvatore
por cima do ombro e segurou a cintura.

— Vamos, chefe. — Salvatore sacudiu a cabeça.


— Você vai responder por isso mais tarde—, ele me
disse.

— Isso é uma promessa? — Eu dei um sorriso sujo e


caminhei em frente, tomando o meu tempo, sabendo que ele
estava assistindo a minha bunda enquanto ia para fora.

Uma vez que Salvatore estava acomodado, Marco nos


deixou. Nós nos sentamos calmamente, observando a dança
de luz ao longo da superfície da piscina. Salvatore segurou
minha mão.

— Eu estive pensando—, disse ele, depois parou. Olhei


para ele, mas ele olhou para a frente.

— Eu vou entregar tudo a Roman.

— O quê? — Eu não esperava por isso. Salvatore olhou


para mim.

— Eu só tenho uma coisa a fazer, como chefe, depois


vou sair.

Uma Coisa. Eu sabia o que era. Era o que eu sempre


quis.

— Você está livre, Lucia. Vou falar amanhã com Roman,


destruir o contrato, e elaborar um novo, então eles não
podem tocar em você ou sua família nunca mais. Você estará
livre de mim, aliás de todos nós. — Livre dele? Eu vi seus
olhos. Suaves novamente. Como se estivessem vendo o dia
em que foi forçado a assinar aquele terrível pedaço de papel.
Doce. Eu estava errada quando achava que ele era como eles.
Um monstro. Este era o verdadeiro Salvatore. Ele sempre
esteve lá, por baixo do medo. A única coisa era que eu não
sabia se eu queria ficar livre dele.

Eu limpei minha garganta.

— Eu não posso te deixar neste momento enquanto você


não estiver recuperado.

— Eu vou ficar bem, — disse ele, então parecia se


afastar de mim novamente.

— Salvatore.

Começamos a falar ao mesmo tempo, mas ele ganhou.

— Eu vou me assegurar que você tenha dinheiro


suficiente para se manter, durante algum tempo e comprar
uma casa.

Eu puxei minha mão da dele.

— Eu te disse antes. Eu não quero seu dinheiro. — Virei


as costas para ele não queria que me visse chorar.

Estávamos de volta a isto.

Ele pegou minha mão e apertou, me fazendo olhar para


ele. Se ele viu que meus olhos estavam molhados, ele não
mencionou nada.

— Vou cuidar de você, você goste ou não, só tem que


aceitar que faz parte da vida.

— Sabe o que você vai fazer? —, Perguntei, engolindo


um nó na garganta, sem saber mais o que falar, precisando
que não houvesse qualquer silêncio entre nós, porque
naquele silêncio, eu iria desmoronar.
— Vender esta casa. Viajar. Procurar por Dominic. Eu
não sei.

— Você está preocupado com ele.

— Sim. Ele precisa de alguém agora, depois de tudo.


Não tenho certeza que ele queira que seja eu, mas eu vou
tentar.

— Consegue largar tudo, no entanto? Você tem coragem


de assumir e largar?

— Eu vou. — Houve uma longa pausa.

— E você? Onde você quer ir?

— Minha irmã colocou sua casa à venda. Eu acho que é


uma boa ideia para começar de novo. Ela, Luke e Effie estão
pensando ir para a Florida. — Por um momento, eu pensei
que eu iria também, mas, em seguida, o pensamento de estar
sem ele me fez parar. Não quero isso? Não quero a minha
liberdade?

Estranho, como as minhas prioridades mudaram. Eu


sempre pensei que ia querer me vingar por tudo o que fizeram
a minha família, mas tudo isso passou. Toda a raiva, o ódio,
só me desgastaram a pensar sobre isso, e agora,
simplesmente desapareceu.

— Salvatore, — eu comecei, mas novamente, falamos ao


mesmo tempo, as nossas vozes e olhares colidindo.

— Se você não sabe ... vai demorar algum tempo para


vender a casa. Talvez você possa ficar ... — Ele parou.

Eu balancei a cabeça.
— Isso seria bom. Izzy e Luke precisam de seu espaço, e
eu posso ajudá-lo a deixar a casa pronta e me certificar que
você está bem

Ele pegou meu rosto e puxou para si mesmo para me


beijar, engolindo as palavras vazias.

— Quero fazer amor com você.

— O médico disse...

— Eu preciso de você, Lucia. Eu precisei de você por


tanto tempo.
SALVATORE
Eu mantive a promessa que fiz a Lucia.

Roman veio a casa na manhã seguinte e me entregou o


contrato inicial, que ela e eu assinamos. Eu o coloquei de
lado e elaborei outro. Este perdoou toda e qualquer dívida
que a família DeMarco devia a qualquer Benedetti, real ou
não, e as duas famílias não estavam ligadas de qualquer
outra forma. Este contrato não podia ser anulado em
qualquer momento no futuro. Eu o assinei e enviei uma cópia
para Isabella. Eu entregaria uma cópia para o meu pai
pessoalmente. Esta vingança insana estava acabada. E
terminou como uma das duas coisas que fiz durante a minha
hora de duração como chefe da família Benedetti antes que
eu passasse todo o reinado, as regras, e o poder para Roman.

Passou mais uma semana antes que eu pudesse voltar


do andar superior para o meu próprio quarto e um mês
depois eu estava totalmente curado. Todo esse tempo, Lucia
ficou comigo, cuidou de mim como nunca ninguém cuidou,
além da minha mãe. Eu também vi Natalie e Jacob. Ela veio
para me dar a notícia de que ela também estava se afastando,
juntamente com seus pais. Ela não confiava em ninguém
além de mim, e com Roman agora tomando o controle e
Dominic continuando por aí, ela não se sentia segura. Ela
prometeu se manter em contato comigo, e eu ia deixá-la ir e
levar o meu sobrinho com ela. Eu sinto falta deles. Era mais
um pedaço de Sérgio que se foi, mas eu sabia que parte dele
estaria para sempre comigo, não importava o quê.

Quanto à casa, eu não precisei colocar no mercado. Um


comprador anônimo comprou sem rodeios, mobiliada, poucas
horas depois de eu falar com um agente imobiliário.
Precisávamos sair dentro de duas semanas. Eu deixei Rainey
ir embora com um bônus para se sustentar até que ela
encontrasse um trabalho. Eu não precisava me preocupar
com Marco. Ele iria trabalhar para o meu tio. Lucia e eu
simplesmente tínhamos que arrumar nossas coisas pessoais,
e ficamos livres para irmos embora.

Essas duas últimas semanas na casa foram


estranhamente mais amargas do que doces. Lucia iria para a
Flórida, onde a irmã dela já se encontrava com Effie,
enquanto Luke cuidava da venda de sua casa. Eu ainda não
decidi o que fazer. Eu não podia pensar nisso por alguma
razão. Eu ainda tinha mais uma pessoa para ver antes de
fechar este capítulo longo da minha vida.

— Podemos levar o Bugatti? —, Perguntou Lucia, com


um brilho nos olhos quando chegamos à garagem.

— Não. — Esse era o meu bebê, e ela estava insistindo


em dirigir ‘considerando minhas lesões.’

— Nós podemos pegar a BMW. — Ela fez beicinho, mas


pegou as chaves.
— Não é que eu não confie em você para dirigir, — eu
comecei, — embora eu não. Mas é mais fácil conduzi-lo e o
passeio, é melhor.

— Minha condução é muito boa.

— Vamos ver.

— Está nervoso? — ela perguntou.

— Sobre a sua condução? — Eu brinquei, mas eu sabia


o que ela queria dizer.

Ela apenas olhou para mim quando tirou o carro da


garagem.

— Não nervoso, só quero que acabe. Sei que ele é meu


pai e talvez seja errado, mas não sinto amor nenhum por ele.

— Você já o perdoou?

Eu pensei sobre isso.

— Por ser um completo e absoluto fracasso, onde isso


conta?

Ela deu de ombros, mas seu olhar estava longe.

— Arrependimento é uma porcaria, Salvatore.

Eu sabia que ela ainda tinha um pouco disso.

— Na verdade, tenho, acho eu. A maneira que ele


escolheu para viver a sua vida, bem, olha para ele. Ele está
sozinho. Ele vai morrer sozinho. Roman vai estar lá, mas não
nós. Eu não sinto mais qualquer raiva em relação a ele. É
como se estivesse saciado ou algo assim. Não porque eu
esteja feliz que ele está sozinho. Eu não estou. Mas ele fez a
sua cama, e eu estou fazendo a minha paz. É tudo que posso
fazer.

— Você é bom, Salvatore. — Uma vez que chegamos a


casa de meu pai, eu saí do carro. Eu segurei o envelope
contendo o novo contrato. Foi simbólico, nada mais, mas era
necessário para o fechamento.

— Pronto?

Lucia meteu seu braço no meu. Nós tínhamos nos


acostumado a companhia um do outro, mas quando ela faz
coisas como esta, me tocando assim, ainda me sinto
estranho, especial. Faz meu coração acelerar.

— Não tem que ir lá. — Olhei para ela; Ela observava a


casa.

— Eu quero estar lá com você, Salvatore, — disse ela,


virando para mim.

— Tem certeza?

— Sim.

Nós respiramos fundo e fomos subindo as escadas, para


as grandes portas duplas de mau agouro. Toquei a
campainha, e Roman abriu a porta, à nossa espera.

— Bom dia — disse ele, rapidamente escondendo sua


surpresa ao ver Lucia.

— Bom dia.

— Entrem. Ele está esperando por você no escritório. —


Eu assenti com a cabeça e dei um passo. Roman colocou a
mão no meu ombro.
— Devo fazer companhia a Lucia?

— Não, obrigado, —Eu disse, dobrando o braço dela


mais apertado para mim.

Ele recuou.

— Estou contente por ter vindo.

Eu balancei a cabeça, e nós continuamos em frente,


nenhum de nós falou. Bati uma vez na porta do escritório, e a
abri, não esperando encontrar o que encontrei. Eu ouvi o
suspiro de Lucia, mas eu treinei mascarar minha surpresa
por tantos anos que ficou mais fácil do que eu esperava.

— Salvatore—, meu pai disse depois de olhar para Lucia


no meu braço.

— Pai —. Eles colocaram uma cama do hospital no seu


escritório. Ela ficou no lugar da sua mesa, que foi empurrada
para o lado. Lembrei dessa mesa, quando era criança como
eu tremia quando era chamado para ouvir uma repreensão,
sempre que havia algo que o aborrecia.

—Não fique aí parado, vem para dentro. Não é


contagioso. — Sua amargura tinha uma ponta de
arrependimento. Eu ouvi claramente. Nós dois entramos. Ele
ajustou sua posição, então ele sentou mais ereto. Ele parecia
muito menor do que a última vez que eu o vi. Muito mais
velho. Olheiras rodeando seus olhos, e seu rosto parecia
afundado. Ele deve ter perdido cerca de vinte quilos também.
— Eu vim para dizer adeus—, eu disse, não querendo
adiar mais esta questão. Ele mais uma vez olhou para Lucia
antes de voltar o olhar para o mim.

— Eu suponho que você já viu o contrato?

— Roman mostrou para mim

— Bem, aqui está sua própria cópia. — Eu coloquei


junto da cama.

— Errou ao contar a Dominic. Ele não precisava saber.

Ele respirou fundo e a mão dele tremeu, mas seus olhos


permaneceram fixos e duros.

— Foi um erro, — disse ele.

— Um que eu vou pagar até ao fim. — Ninguém falou


por um longo instante.

— Vejo você outra vez?

— Não.

Ele baixou o olhar para o envelope, em seguida, de volta


para mim.

— Eu te perdoo —, disse Lucia, me surpreendendo.

— Eu o perdoo por tudo o que você fez, todo o


sofrimento que você causou.

Ele só olhou para ela, mas eu não podia ler seus olhos.

— Nós nunca poderíamos agradá-lo, hein? Nenhum de


nós, nem meus irmãos, nem a nossa mãe, não mesmo.
— Eu nunca fui um homem fácil, filho. Não pense que
eu não sei disso. E não pense que eu não sei que eu cometi
erros. Eu só fiz o que era melhor para a minha família.

— Eu acho que você acredita nisso. — Eu soltei a mão


de Lucia, em seguida, fui até ele. Inclinando eu beijei o topo
de sua cabeça.

— Adeus, pai —. Seus olhos brilharam quando eles


encontraram os meus, e ele acenou com a cabeça, mas não
falou.

Me afastei e peguei a mão de Lucia. Sem olhar para trás,


nós deixamos a casa, entramos no carro e fomos embora. Ela
ficou em silêncio por um tempo muito longo, e eu não tinha
certeza para onde eu estava dirigindo.

— Eu quero esfregar minha pele—, eu disse, inalando


uma respiração alta.

— Eu quero queimar a minha roupa e lavar com água


escaldante.

— Encoste, Salvatore.

— Eu quero...

— Encoste.

Eu fiz. Lucia estendeu a mão e envolveu seus braços ao


meu redor. Eu enterrei meu rosto no ombro dela e chorei
como um homem não deve chorar.

— Eu nunca quis tanto sair de um lugar. Eu nunca quis


tanto deixar uma pessoa.

— Shh.
— Tantas vidas desperdiçadas.

Ela me segurou, e me agarrei a ela. Toda uma vida de


dor e tristeza jorrava fora de mim. Tanta coisa foi perdida
para muitos de nós, tudo inútil, desnecessário. Tanta morte,
tanta raiva, inveja e ódio. Tanto que eu precisava limpar até
que não sobrasse nada, nada mesmo, mas este corpo está
quebrado, esgotado.

Quando recuei, eu encontrei o rosto de Lucia manchado


com lágrimas. Ela limpou minhas lágrimas e acariciou meu
rosto com o seu polegar, me olhando, não me deixando ir.

— Não vá embora, — eu disse finalmente.

— Eu não quero perder você, Lucia. Você também não.


Você merece algo melhor do eu, eu sei ...— Ela me abraçou
novamente, lágrimas escorrendo de seus olhos.

— Não tenho o direito ...

— Vem comigo—, disse ela, recuando o rosto.

— Vem comigo agora, e vamos começar novamente. Um


novo começo. — Eu balancei minha cabeça.

— Eu não deveria ter perguntado ... O meu mundo,


Lucia, é escuro. Está tão escuro no interior. Você merece luz.
Você merece ter luz no seu mundo e ser feliz. Muita luz.

— E você não acha que você me faz feliz? Você é um tolo


teimoso. — Ela me beijou, um beijo salgado.

— Meu irmão.

— Vem comigo —, disse ela novamente, desta vez com


mais firmeza.
— Agora mesmo. Nós vamos dirigir. Vem comigo, por
favor, Salvatore.

— Eu te amo, você sabe isso? — Como pode um homem


adulto chorar assim?

— É você quem não sabe que eu te amo. — Quando ela


me beijou naquele momento, algo dentro de mim mudou. Eu
senti uma coisa física no meu peito. Eu fechei os olhos e
apenas senti seu corpo em meus braços, seus lábios nos
meus, suas lágrimas molhando meu rosto. A beijei de volta,
inalando profundamente, a minha língua dentro de sua boca,
minhas mãos a puxando cada vez mais perto, porque eu não
poderia ficar longe novamente. Eu não poderia afastá-la de
novo. E assim, quando eu recuei o rosto, eu sorri e virei o
carro, e eu dirigi para o sul, deixando tudo para trás e apenas
fui embora levando a garota que eu amava comigo.
LUCIA

SEIS MESES DEPOIS


Nós fizemos.

Nós nos dirigimos para a Flórida. Nós fomos o mais


longe de Nova Jersey quanto podíamos e terminamos na
ponta de Key West. Compramos uma casa velha e modesta,
com uma faixa de areia privada para um recomeço. As
reformas na casa, provavelmente vão levar mais de um ano
para serem concluídas, mas eu gostei. Foi construída na
década de 70, e o vendedor era o filho dos únicos
proprietários do lugar, que desde a construção não efetuaram
qualquer melhoria. Ela precisava de muita reforma, mas o
trabalho era uma coisa boa. Ele nos manteve ocupados,
mantivemos nossas mentes ocupadas, especialmente
Salvatore.

Foi estranho no início, como se ele não soubesse agir


sem a máfia Benedetti atrás dele. Em torno dele. Sugando
toda a sua energia. O definindo. Não havia ninguém para
tomar conta além de nós. Natalie e Jacob se estabeleceram
na Califórnia. Roman tomou conta dos negócios da família
com algumas perguntas para Salvatore. Ele estava tão
envolvido quando Franco era chefe que era um ajuste
natural. Acredito que Salvatore não se arrependeu de
entregar tudo para Roman mas esta vida era muito diferente
da que ele tinha.

Minha irmã e Luke vivem ao sul de Miami, fica a uma


distância de quatro horas de carro para Key West. No início, a
tensão entre Luke e Salvatore foi alta, mas os dois homens
tinham algo em comum. Ambos quase morreram. Ambos
perceberam que, o que era mais importante, era a família. Eu
desejava que vivessem mais perto de nós. Eu queria estar
junto de minha irmã e de Effie, depois de ter perdido tantos
anos, mas funcionou, e foi melhor do que o que eu tinha há
cinco anos.

Salvatore e eu estávamos felizes com a simplicidade das


coisas aqui, mas havia algo que o incomodava. A ausência de
Dominic. Ele contratou vários investigadores, mas tudo foi
infrutífero. Dominic desapareceu e Salvatore se debatia para
ficar bem com isso. Eu estava do lado de fora da nossa
pequena casa na churrasqueira observando a praia, me
sobressaltei quando o ouvi.

— Você cheira como um bife —, disse Salvatore, de


repente atrás de mim, sua boca na parte de trás do meu
pescoço.

— Cristo! Como você sempre me assusta?

Ele andou em volta da churrasqueira onde eu estava


grelhando dois bifes. A maior parte do dia, ele foi fazer
compras. Ele riu e estendeu um buquê de girassóis.
— Você estava muito envolvida com os seus
pensamentos, não é. — Eu estava muita envolvida por uma
razão.

— Eu senti sua falta. — Sua boca encontrou a minha.

— Eu também. — Eu o beijei de volta e peguei as flores.

— São lindas. Obrigada.

— Estou feliz que você goste delas. — Ele olhou para o


churrasco.

— Cedo para jantar, não é?

— Eu estou com fome.

— Bem, ainda não estou com fome de comida, — ele


disse deslizando as mãos para baixo na parte de trás dos
meus shorts. Ele apertou minha bunda, me beijando
profundamente, com seu grande corpo, ainda mais
musculoso desde que começamos as obras na casa. Sua pele
estava mais bronzeada do sol da Flórida. Ele parecia sorrir
mais, e seu rosto parecia mais relaxado. Eu não achava
possível ele ser ainda mais sexy do que antes, mas ele era.

— Eu estive pensando sobre isso o dia todo.

Ele me levantou. Eu envolvi minhas pernas em torno de


seus quadris e meus braços ao redor de seu pescoço.

— Eu ainda não transei com você na mesa de


piquenique, — ele disse, empurrando minha camisa de lado
tomando um mamilo na boca.

— Você é um homem sujo, Salvatore.


— Eu acho que você gosta, Lucia. — Ele me colocou em
cima da mesa e continuou me beijando antes de puxar a
camisa sobre a minha cabeça.

— Você se lembra, — ele começou, tirando sua camisa


—, quando estávamos no meu escritório, e eu comi a sua
bunda, pela primeira vez? — Senti meu rosto corar quando
ele afastou meus joelhos e ficou entre eles, seu sorriso
maligno dançando em seus olhos enquanto ele desabotoou
meu short e puxou o zíper para baixo. Eu me inclinei para
perto. Ele achou que estava me envergonhando? Puxando seu
cabelo em minhas mãos, virei a cabeça para o lado e lambi
sua orelha.

— Eu me lembro que eu gostei. Mas quem disse que


estou te dando permissão para foder minha bunda de novo?
— Uma mão subiu pelas minhas costas, e desfez o meu coque
bagunçado, e agarrou um punhado de cabelo.

— Eu preciso pedir permissão? — Ele perguntou,


colando sua boca na minha.

Esse beijo tinha fome nele.

— Não se lembra o que eu disse que faria a próxima vez


que eu quisesse foder sua bunda?

Eu balancei minha cabeça, mas lembrei perfeitamente.


Minhas mãos moveram-se para explorar seu tórax.

— Refresque minha memória.

— Algo sobre você, curvada sobre a minha mesa e toda


aberta para mim. Algo sobre implorando para fazer.
— Você acha que eu vou implorar que me foda? — Eu ri
e deslizei as unhas pelas suas costas para enfiar as minhas
mãos em seus shorts e apalpar seu traseiro apertado.

— Sim—, disse ele, tirando o meu short e mergulhando


sua cabeça para baixo.

— Acho que não vou implorar para ser fodida em


nenhum momento.

— Você? — Eu perguntei quando eu me inclinei para


trás.

Ele me deu um sorriso arrogante e deslizou minha


calcinha de lado. Dispensando um olhar para minha boceta,
ele olhou de volta para mim.

— Julgando, a partir desta boceta pingando, sim. — Ele


mergulhou, me fazendo respirar afiado, apenas fazendo
pausas para me provocar.

— Eu acho que também vou fazer você esperar muito. —


Ele roçou meu clitóris.

— Tornei a me curvar e a me espalhar toda aberta


enquanto ele assistia. Porra talvez eu vá fazer mais um par de
bifes enquanto você está implorando. — Eu empurrei sua
cabeça em minha boceta.

— Você fala demais. — Porra, ele podia usar a língua.


Ele podia me fazer gozar em um minuto ou uma hora,
dependendo quão diabólico se sentia. E hoje, o próprio
Satanás se banqueteava em mim.
— Você está me matando—, eu finalmente disse, me
recusando a mendigar, a pedir que me fizesse gozar, mas
tentando arrastar sua boca de volta para mim.

— Fique —, disse ele, se endireitando.

— Assim, com as pernas abertas. E mantenha sua


calcinha de lado. Eu quero ver a sua boceta.

— Eu odeio você—, eu disse de volta, ele puxou o


elástico da minha calcinha, me sentindo ainda mais exposta
para ele.

— Você me ama —, ele respondeu, desaparecendo


dentro de casa.

Eu fiquei como eu estava, gostando disso, a céu aberto,


exposta para ele. O quintal era completamente privado, mas
me excitou pensar que alguém poderia andar em torno da
casa e me encontrar assim.

Ele estava de volta alguns momentos mais tarde, e eu vi


que ele carregava com ele um tubo de lubrificante.

— Boa garota.

Ele estava feliz em ver que eu ainda estava na posição.


Ele me levantou, me virou e me curvou antes de deslizar
minha calcinha até meio da coxa e parou.

— O que está fazendo? — Eu perguntei, olhando de


relance para ele quando parou.

— Chegue para trás e mantenha sua bunda aberta.

— Não vou implorar, — Eu disse e deslizei minhas mãos


para minha bunda e fiz o que ele mandou. A expressão no
rosto dele valeu meu próprio embaraço. Tirei a calcinha para
abrir minhas pernas mais amplas.

— Porra

— O quê —? Eu provocava, querendo ele, mas querendo


que fosse ele a implorar.

— Você quer?

Ele esfregou sobre seus jeans e se aproximou de mim.


Ele abriu seu jeans, tirou seu pau e o acariciou.

— Você está pronto, Salvatore? —, Perguntei, arqueando


as costas e balançando meus quadris antes de deslizar um
dedo dentro de mim, em seguida, misturando a umidade e
em volta da minha bunda. Com um gemido, ele deslizou em
minha boceta. Eu coloquei minhas mãos em cima da mesa
quando ele agarrou meus quadris, seus olhos ficando
escuros, observando enquanto me fodia. Foi bom para
caralho, ele lentamente deslizando para dentro e para fora de
mim, pensando nele nos observando enquanto me fodia, me
abrindo para ele, me fazendo ficar toda molhada.

Mas então ele parou o movimento, manteve o seu pau


na minha boceta e pegou o lubrificante.

Eu gemia, e ele sorriu, destapou e espremeu uma


quantidade generosa antes de esfregar em mim. Foi quando
ele começou a se mover de novo, seu pau na minha boceta,
seus dedos na minha bunda.

— Isto não é justo, — Eu consegui.


— Implore, e eu vou dar para você gostoso e duro como
você gosta.

— Vai se foder.

Ele retirou seu pênis e esfregou através das minhas


dobras enquanto isso, seus dedos ainda trabalhando na
minha bunda.

—Eu não vou—, resmunguei, fechando minhas mãos.

— EU…

Ele se inclinou sobre mim e fez cócegas na minha orelha


com a língua.

— Basta dizer por favor. Só uma vez.

— Nunca!

— É uma sensação boa e apertada, Lucia. Você está


pronta para uma boa e dura foda na bunda. Você quer isso, e
eu só preciso da palavra.

— Você nunca me deixa esquecer isso.

— Pense nisso, de foder no buraco apertado. Pense em


como ele é sensível, como você já está tão perto. — Ele
afastou seu pênis do meu clitóris e retirou os dedos.

— Mas se você não quer ele...

— Por favor!

— Por favor, o quê? —, Ele sussurrou com seu pau


pronto para entrar na minha bunda.

— Por favor, foda minha bunda.

Eu juro que o ouvi sorrir.


— Eu disse que você faria. — Ele beijou minha bochecha
antes de se endireitar.

Ele separou minhas nádegas com uma mão, espalhou


lubrificante em seu comprimento com a outra. Como eu
adorava vê-lo agarrar seu pênis. Eu poderia apenas olhar
para isso durante todo o dia. Ele sorriu e deslizou a outra
mão por baixo de mim.

— E me chama de sujo. — Eu arqueei minhas costas.

— Me foda agora.

— Levante seus cotovelos. Vai ser duro e rápido. — Eu


me preparei, mas não poderia ter sido preparada para isso.

— As boas meninas são recompensadas, Lucia, lembra


disso?

— Porra, sim! — Seus dedos trabalharam meu clitóris


enquanto o seu pau estocava dentro e fora, movimentos
profundos e lentos no início, mas aumentando o ritmo até
que eu gozei, o meu primeiro orgasmo me fazendo gritar,
fazendo com que ele aumentasse de tamanho dentro de mim,
até que eu atingi meu segundo orgasmo, e ele empurrou uma
última vez e caiu sobre minhas costas, com seu pau latejante
quando ele gozava. Ele respirou com dificuldade contra a
minha orelha e mordeu a ponta, a dor causou um pequeno
estremecimento em mim. Nós nos abraçamos e nenhum de
nós falou enquanto nossa respiração desacelerava. Não acho
que nenhum de nós tinha como certo o tempo que estaríamos
juntos. Eu sabia que eu nunca estaria, e eu sabia que nunca
seria suficiente.
Tomamos banho antes de nos sentarmos para comer.
Coloquei os bifes nos pratos e levei para a mesa onde
Salvatore acabou de colocar duas cervejas. Peguei uma
cadeira e sentei na frente dele.

— Você realmente vai comer dois bifes agora? — Eu


balancei a cabeça, faminta, sem saber como dizer a ele, feliz
por mim, mas incerta como ele se sentiria.

Só tínhamos vivido juntos por meio ano, se eu não


contar o tempo em Nova Jersey. Ele me olhou por um longo
tempo, bebericando sua cerveja enquanto eu devorava a
comida. Ele empurrou minha cerveja intocada na minha
direção. Encontrei seu olhar, mas enfiei outro pedaço de
carne na boca em vez de ir pegar a cerveja.

— Lucia? — Ele podia sempre me ler como um livro.

— Estou grávida.
SALVATORE
TRÊS MESES DEPOIS

Eu casei com Lucia na praia em nosso quintal. Lucia


andando na minha direção com os pés descalços, a barriga
inchada, usando um vestido branco simples, amarrado por
fio de ouro logo abaixo dos seios e uma coroa de flores em seu
cabelo, foi provavelmente a coisa mais linda que eu já vi. Eu
nunca fui tão feliz na minha vida.

Nós escrevemos nossos votos, e ela culpou os hormônios


quando chorou durante a cerimônia. Luke e Isabella foram
nossas testemunhas e Effie a menina das alianças. Isso foi
tudo. Sem outros convidados além do padre que nos casou.
Depois, nós fizemos churrasco, nadamos, conversamos sobre
os nomes de bebê e sobre Isabella e Luke ficando mais
próximos a nós. Effie falou mais com o seu primo dentro da
barriga da Lúcia do que com qualquer outra pessoa. Ela
estava tão animada como Lucia e eu estávamos.
Eles passaram a noite e voltaram para casa na tarde
seguinte. Não tivemos uma lua de mel. Nenhum de nós
queria a não ser estar aqui juntos.

— Temos de tudo — disse ela quando nos sentamos nas


espreguiçadeiras, observando o céu à noite.

Nós conseguimos, e nenhum de nós tomou o tempo


como garantido.

— Dirá a seu pai? — ela perguntou.

— Em seu tempo.

— O que passa em sua mente?

Olhei para ela e puxei o cobertor fino por cima do


ombro. Ela inchou um pouco com a gravidez, e ela não podia
estar mais bonita para mim.

— Dominic. Estou preocupado.

— Ele vai aparecer. Ele tem muito a processar, e


provavelmente se sente mal pelo que fez.

— Ele já sabe que estou bem. Ele saberia onde vivemos.


Ele simplesmente desapareceu, e isso me preocupa.

Ela tocou minha mão e levou para sua barriga. A


encarei e beijei seus lábios e esfreguei o monte quente.

— Ele vai aparecer quando ele estiver pronto. Dê espaço.

— E se ele ... se machucou?

— Ele não é do tipo. É muito mais eficaz em se torturar,


enquanto vive, Salvatore. Você e seu irmão, ambos, a culpa é
como uma segunda pele para vocês. É como se você tivesse
que aprender como viver, como respirar, sem ele. Você está
aprendendo, mas você tem uma boa professora. — Ela
terminou com uma piscadela.

— Como é que eu tive tanta sorte?

— Você assinou um contrato, lembra? — Ela rolou de


lado, de costas para mim, e eu a puxei de volta para mim, a
segurando firme.

— Espertinho.

— Não se esqueça de teimoso.

— Oh, não, você vai demonstrar isso diariamente. — Ela


cravou o cotovelo na minha barriga.

— Além de meu irmão, minha vida não podia ser mais


perfeita. Me assusta um pouco. — Me assustou mais do que
um pouco.

— E se... Eu fiz coisas ruins, Lucia. Não sei se mereço


tudo isso.

— Você fez coisas boas também, Salvatore. Você merece


tudo isso e mais. Estamos refazendo o tempo perdido, você e
eu. É hora de sermos felizes e despreocupados e andar no sol
com a areia debaixo dos nossos pés. Já passou, de fato.

Ela apertou minha mão, puxando até o coração dela.

— Não tenha medo de perder isso. Apenas seja feliz e


agradecido. Isso é o que aprendi. Acho que isso é o que
devemos aprender. É tão simples, mas fazemos isso tudo tão
complicado.

— Meu oráculo.
— Eu sou mais sábia do que você, isso é verdade.

— E nada arrogante. — A ouvi sorrir.

— Boa noite, marido.

— Boa noite, esposa.

Eu beijei seu pescoço e a segurei quando ela caiu no


sono, seu corpo relaxado, sua respiração suave e uniforme.
Eu olhei para o céu à noite, com todas as estrelas, e ouvi o
som do mar, sabendo que continha tudo o que importava
aqui em meus braços. Sabendo que ela estava certa sobre
Dominic, que ele precisava de espaço, que precisava
descobrir isso por si mesmo. Ela também estava certa sobre a
culpa, eu era muito bom em me envolver nela, deixando me
afundar. Talvez eu precisasse para saber que algumas culpas
não pertencem a mim.

Lucia era sábia e forte. Eu dei a ela o que prometi, uma


vida pacífica, felicidade. E ao fazê-lo, eu dei o mesmo para
mim. Eu posso não ser capaz de salvar meu irmão, mas
talvez não dependesse de mim salvá-lo. Eu apertei Lucia e
fechei os olhos, esfregando o nariz em seu cabelo. A vida era
sobre loucura e beleza, e fora a feiura e o ódio, nós fizemos
amor. Eu não esquecerei de valorizá-la e estimá-la
eternamente.

FIM.