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EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE, Resumos

PESQUISA OPERACIONAL 8º Simpósio Brasileiro de Hansenologia


EPIDEMIOLOGY AND CONTROL, 8th Brazilian Leprosy Symposium
OPERATIONAL RESEARCH 30 outubro a 02 de novembro de 2015
October 30 - November 02, 2015
São Paulo - São Paulo - Brasil

GRUPOS VULNERÁVEIS DO SISTEMA PRISIONAL: DESAFIOS NA DETECÇÃO DE HANSENÍASE.

Clodis Maria TAVARES(1), Fernanda Silva GOES(1), Nataly Mayara Cavalcante GOMES(1), Pétalla Morganna
Figueiredo Pessoa BARROS(1), Carla Islowa da Costa PEREIRA(1)

UFAL - Universidade Federal de Alagoas(1)

Introdução: A hanseníase é uma doença com agravantes de origem socioeconômica e cultural, marcada pela reper-
cussão psicológica devido a deformidades e incapacidades físicas, responsáveis pelo estigma e isolamento do indiví-
duo. Cerca de 520 mil pessoas vivem presas em estabelecimentos penais do Brasil, em condições de superlotação.
Devido às condições insalubres, essa população se torna especialmente vulnerável às doenças como tuberculose,
hanseníase, hepatites e AIDS. Para garantir o direito à saúde desse grupo, os Ministérios da Justiça e da Saúde
criaram a Política Nacional de Saúde no Sistema Prisional e o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário.
Objetivos: Realizar ação de busca ativa de casos de hanseníase dentre os reeducandos do Complexo Prisional de
Maceió-AL. Materiais e Métodos: O serviço de Enfermagem do Complexo Prisional de Maceió entrou em contato
com a coordenação de um projeto de extensão de hanseníase ligado a uma Universidade Federal, para propor ação
de busca ativa integrada a um movimento social que trabalha com portadores e ex-portadores de hanseníase. Esta
ação também fez parte da agenda de comemoração ao Dia Mundial de Combate à Hanseníase organizada pelo refe-
rido movimento social e o projeto de Extensão. A coordenação do projeto de Extensão planejou e realizou oficina de
atualização e sensibilização para profissionais de saúde do Complexo Prisional e os estudantes realizaram sessões
educativas sobre hanseníase para os reeducandos. Posteriormente, foram realizados exames dermatoneurológicos
nos sintomáticos dermatológicos identificados pela equipe de saúde do Complexo Prisional. Resultados: As atividades
foram realizadas de 10 a 13 de Fevereiro de 2014, em quatro unidades penitenciárias de Maceió/AL. No primeiro dia,
foi realizada oficina de sensibilização e atualização em hanseníase para 18 profissionais de saúde. No segundo dia,
realizaram-se oito sessões educativas acerca da hanseníase para os reeducandos. Nos outros dois dias, foram feitos
os exames dermatoneurológicos em 96 reeducandos; dentre estes, 78 (81,2%) eram homens e 18 (18,8%), mulheres.
Dentre os sintomáticos dermatológicos, 14 (14,6%) foram considerados casos suspeitos para hanseníase, dentre es-
tes, 12 (85,7%) eram mulheres e 02 (14,3%) homens. Foram detectados um caso de recidiva e dois casos de abando-
no, os quais reiniciaram o tratamento. Os casos suspeitos foram encaminhados para avaliação da equipe médica do
Complexo Prisional. Conclusão: O aglomerado de reeducandos oriundos de municípios endêmicos e hiperendêmicos,
que chegam a estas instituições sem diagnóstico e tratamento, favorecem uma evolução crônica e silenciosa da doen-
ça. Neste sentido, sendo as formas multibacilares transmissoras da hanseníase, faz-se necessário a continuidade de
ações como esta, de busca ativa, que são importantes para a detecção precoce da doença e quebra de sua cadeia de
transmissão e para a prevenção de complicações e sequelas

Palavras-chaves: Hanseníase, Educação em Saúde, Enfermagem

Hansen Int. 2015; 40(Suppl 1): 7 ISSN: 19825161 (on-line) Hansenologia Internationalis