Você está na página 1de 335

José Gouvêa Luiz

Lúcia· Maria da Costa e Silva .


OV:)J3dSO~d
"..,
30
VDISItl03D
~
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

Reitor
Marcos Ximenes Ponte
Vice-Reitor
Zélia Amador de Deus
Pró-Reitor de Administração
Vera Maria Bandeira Arruda
Pró-Reitor de Ensino
Marlene Rodrigues Medeiros Freitas
Pró-Reitor de Extensão
Camillo Martins Vianna
Pró-Reitor de Pesquisa
Cristóvam Wanderley Picanço Diniz
Pró-Reitor de Planejamento
Joaquina Barata Teixeira

Secretário Geral da UFP A


Emanuel A. Gonçalves Matos
Prefeito do Campus
Abílio Augusto Velho da Cruz

CATALOGAÇÃO: Biblioteca Central da UFPA

Luiz, José Gouvêa


G 719 Geofísica de Prospecção / José Gouvêa Luiz e Lúcia
Maria da Costa e Silva. - Belém: Universidade Fede-
ral do Pará; Cejup, 1995.

3v.

ISBN: 85-247-0118-8

1. Prospecção. 2. Geofísica Aplicada. I. Silva,


Lúcia Maria da Costa e. 11. Título.

CDD - 622.15
~

GEOFISICA
DE ~

PROSPECÇAO
Volume 1

José Gouvêa Luiz Lúcia Maria da Costa e Silva

Professores Adjuntos do Departamento de Geofísica


Centro de Geociências
Universidade Federal do Pará

••
EDITORA
UNIVERSITÁRIA editora©CejUP
UFPA
Título e texto amparados pela Lei n? 5.988, de 14 de dezembro de 1973.

Copyright © José Gouvêa Luiz


Lúcia Maria da Costa e Silva

CONSELHO EDITORIAL DA UFP A.

Presidente: Emanuel G. Matos


Membros: TeIma Lobo, Jane Felipe Beltrão, Ricardo Ishak
Representante da Biblioteca: Maria das Graças Coelho
Representante da Gráfica e Editora: Ivan Cardoso Costa

Composição: José Gouvêa Luiz


Lúcia Maria da Costa e Silva

Revisão Editorial: Lúcia Maria da Costa e Silva


José Gouvêa Luiz

Capa: Ivanise O. de Brito

Desenhos: Lúcia Maria da Costa e Silva (Capítulos I e 2)


Ronald Vieira (Capítulos 3 e 4, Apêndice C)

Cartoons: Lúcia Maria da Costa e Silva

EDITORA CEJUP LTDA.


Trav. Rui Barbosa, 726
Distribuído por Edições CEJUP
Pedidos pelo reembolso postal para
Editora CEJUP
Trav. Rui Barbosa, 726 - Fone: (091) 225-0355 (PABX)
Caixa Postal 1.804 - Telex: 2852 - Fax: 241-3184
CEP 66053-260 - Belém - Pará
Impressão e acabamento: Graficentro - Gráfica e Editora Ltda.

Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme Decreto n? 1.825, de 20.12.1907


A meus pais, Albano e Celeste, que me trouxeram à
vida e me ensinaram como nela prosseguir.
Às minhas queridas, Hortense, Michele, Thásia e
Erika por seu companheirismo e carinho.
José Gouvêa Luiz

À Dora e à Maria (mãe e avó), sempre amigas, sempre


presentes.
Lúcia Maria da Costa e Silva

Àqueles que, neste país, ousam trabalhar em Educação e em Ciência.


Apresentação

É com muita satisfação que apresento mais uma obra editada pela Universi-
dade Federal do Pará.

Trata-se, neste caso, de trabalho de grande valor técnico-científico, além de


sua importância pedagógica.
Esta obra reflete também a maturidade dos programas de Geociências da
UFPA, que há vários anos vêm contribuindo, de forma qualificada, para o ensino
da graduação, pós-graduação e produção de novos conhecimentos.

PIOf. Dr. Marcos Ximenes Ponte


Reitor
Prefácio

Poucos universitários brasileiros, especialmente ao nível da graduação, domi-


nam idiomas estrangeiros. Artigos, relatórios, monografias de Geofísica elaborados
em nosso idioma são relativamente escassos e pressupõem conhecimentos sobre o
assunto, remetendo o leitor aos livros básicos de Geofísica em outros idiomas, pela
falta de similares em Português.
Geofisica de Prospecção nasceu de nossa sensibilidade para com o problema
e foi moldada por vários outros fatores também detetados durante a prática como
professores de disciplina homônima, oferecida, pelo Departamento de Geofísica
do Centro de Geociências da Universidade Federal do Pará, a graduandos em
Geologia e pós-graduandos em Geofísica sem formação geológica (engenheiros,
físicos e matemáticos).
Assim é que, afora a barreira do idioma, preocupou-nos fornecer noções sobre
problemas com que a Geofísica se defronta ao ser aplicada em terrenos brasileiros
bem como exemplos e bibliografia brasileira, de modo a aproximar o leitor da rea-
lidade em que se encontra inserido. Ademais, tentou-se fornecer uma visão não
fragmentada da Geofísica de Prospecção, afastando-se esta obra do perfil da maio-
ria dos livros básicos, que está voltada para a prospecção de petróleo e, portanto,
para uma apresentação parcial do espectro de soluções que a Geofísica pode ofere-
cer para diversos problemas, inclusive da própria prospecção de petróleo, através
de métodos não aplicados tradicionalmente a esse fim. Soma-se, o respeito com as
características de possíveis interessados nesta obra: distanciamento de conceitos
matemáticos, em se tratando dos leitores com formação geológica, e distancia-
mento de conceitos geológicos, considerando-se os estudantes da pós-graduação
em Geofísica sem formação geológica. Preocupou-nos, ainda, como não poderia
deixar de ser, em um país em que o poder aquisitivo da grande maioria é restrito,
o fator custo.
XlI Prefácio

Geofísica de Prospecção não atende, como gostaríamos, a todas essas preo-


<fupações, mas acreditamos que possa ser útil como um ensaio nesse sentido. Sua
elaboração começou em 1982 e desde então tem sido utilizada pelos nossos es-
tudantes semestralmente. O material inicialmente reunido sofreu modificações
profundas, dentre as quais destaca-se o seu afastamento das feições de um livro
texto, por acreditarmos que livros têm mais sentido como fontes de referência
do que como uma forma única de abordagem e apreensão de um determinado
conteúdo. Essa decisão foi acompanhada da ampliação do conteúdo desta obra,
tornando-a material de consulta apropriada para estudantes da graduação em
Geologia, estudantes de pós-graduação em Geofísica que estejam iniciando seus
estudos, geofísicos preocupados em relembrar conhecimentos gerais sobre áreas em
que não sejam especialistas e geólogos interessados em ampliar seus conhecimentos
geofísicos.
Esta obra compreende dezesseis capítulos, agrupados segundo afinidades em
oito partes, que foram divididas por três volumes, por fins práticos, dentre os quais
permitir a sua aquisição parcial e, portanto, a custo reduzido, pelos interessados
em temas específicos.
Cada volume, parte e, mesmo, capítulo guarda uma considerável inde-
pendência dos demais, de modo a facilitar sua utilização segundo a ordem ditada
pelo interesse do leitor. As duas últimas partes (G e H), contudo, pressupõem
conhecimentos sobre os métodos geofísicos que são abordados em todas as demais
partes, mas de forma resumida na parte A, capítulo 1. O capítulo 5, por sua
vez, aborda aspectos necessários à compreensão dos capítulos 6 a 9, em ordem
a não prejudicar a abordagem teórica de uma forma integrada e, portanto, mais
compreenSIva.
A parte A procura:
- no capítulo 1, apresentar a Geofísica de Prospecção em um contexto amplo,
com elementos que permitam compreender condições de elaboração e uso de
seus produtos e, portanto, do seu direcionamento e,
- no capítulo 2, situar os trabalhos geofísicos dentro de uma campanha de pros-
pecção, apresentar as suas diferentes etapas e iniciar uma avaliação sobre os
reais resultados que permitem obter.

Essa avaliação é retomada em capítulos seguintes, especialmente o último


(parte H), por meio de exemplos de aplicação da Geofísica. As partes A e H são
especialmente dedicadas aos estudantes.

Os métodos geofísicos são abordados nas demais partes, à exceção da G,


segundo um plano uniforme:

introdução (breve apresentação do método),


fundamentos,
propriedades(s) física(s) em jogo (com valores para os materiais
geológicos e meios de determinação),
Prefácio xiii

instrumental para levantamentos de campo,


técnicas de levantamentos (terrestres, marinhos e aéreos),
tratamento dos dados,
interpretação e
exemplos de aplicação.

Na interpretação, demonstrações matemáticas para problemas simples, que


ilustram a utilidade de conceitos matemáticos apresentados em fundamentos, são
com freqüência apresentadas. A parte matemática desses tópicos (interpretação e
fundamentos) e, demais, quando existentes, podem com freqüência ser eliminadas
pelos leitores sem interesse nesse tipo de linguagem, sem prejuízo considerável
para a obtenção de uma noção geral sobre cada capítulo.
A parte G aborda a aplicação dos métodos geofísicos no interior de furos
de sondagem bem como de grandes altitudes, especialmente aquelas que exigem
o uso de satélites. Esses trabalhos diferem dos demais em vários aspectos, daí
comporem uma parte isolada.
A obra contém vários apêndices. Neste volume, destacam-se os apêndices
sobre Tratamento dos Dados e Cálculo Vetorial. O primeiro, é dedicado aos leito-
res interessados em aspectos básicos à construção de filtros digitais. O segundo,
mostra diversas expressões do cálculo vetorial que são muito usadas na teoria dos
métodos geofísicos. A despeito da existência de apêndices, há conhecimentos nos
capítwos que são supérfluos, ora para os leitores com formação geológica, ora para
os demais.

É difícillistar todo o apoio recebido para a elaboração de Geofísica de Pros-


pecção. Várias pessoas leram e comentaram o texto em suas diferentes fases.
Dentre elas, destacam-se os nossos alunos. Destacam-se, também, o Prof. Dr.
Luiz Rijo pela revisão do Capítulo 1, o Prof. Dr. Jürgen H. Bischoff, pela revisão
do tópico sobre sistemas de posicionamento (Capítulo 2), e, particularmente, o
Prof. Dr. João Batista Corrêa da Silva, pelas valiosas sugestões fornecidas sobre
todos os demais tópicos deste primeiro volume. Não pode, também, deixar de
ser destacado o incentivo e a confiança do Prof. Dr. R. Netuno N. Villas em
nosso empreendimento. Várias companhias, bem como pesquisadores, citados no
próprio texto, colaboraram fornecendo-nos material que pudesse enriquecer o nos-
so trabalho. O apoio financeiro foi fornecido pela Universidade Federal do Pará
(UFPA), Conselho Nacional de Desenvolvimento CIentífico e Tecnológico (CNPq)
e Deutsche-Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit (GTZ).
Os nossos sinceros agradecimentos a todos esses colaboradores, bem como
a todos aqueles que venham a oferecer sugestões com o intuito de nos ajudar a
aprimorar futuramente esta obra.

Os Autores
LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1: Depósitos de petróleo associados a: (a) dobramento, (b) falhamen-


to, (c) domo de sal, (d) discordância angular, (e) discordância erosiva e (f)
calcário cavernoso. Carvão em: (g) paleovales. Água subterrânea em: (h) len-
tes de arenito e (i) camada com infiltração de água salgada. Minerais-minério
em: (j) zona de fraqueza, (k) camada, (1) lentes e (m) chaminé. 4
Figura 1.2: Gastos com Geofísica de Prospecção: (a) do mundo capitalista e
dos E.U.A.; (b)de regiões selecionadas (período 1976-1990). 16
Figura 1.3: Percentagem média dos gastos com Geofísica na prospecção de pe-
tróleo e gás (H), prospecção mineral (Mi), prospecção de água subterrânea (A),
prospecção geotérmica (Gt), construção civil (E), proteção ambiental (Am),
Oceanografia (Oc) e em pesquisas (P) (período 1976-1990). 17
Figura 1.4: Percentagem média dos gastos com métodos geofísicos (a) gerais e
aplicados à: (b) prospecção mineral, (c) prospecção de água subterrânea, (d)
construção civil, (e) proteção ambiental (período 1986-1990). Métodos: Gravi-
metria (G), Magnetometria (M), Potencial Espontâneo (SP), Eletrorresistivi-
dade (ER), Polarização Induzida (IP), Eletromagnéticos (EM), Radiometria
(R), Sísmica (S), Termometria (T) e outros ou não identificados (O). 18
Figura 1.5: Percentagem média dos gastos com levantamentos terrestres sobre
a superfície (Ter) e ao longo de furos de sondagem (Furo), levantamentos aéreos
(Ar) e levantamentos marinhos (Mar), no período 1976-1990. (a) Prospecção
de petróleo; (b) Outras aplicações. 19
Figura 1.6: Geofísicos dedicados à prospecção de petróleo e gás (H), prospecção
mineral (Mi), prospecção de água subterrânea (A), prospecção geotérmica (Gt),
construção civil (E), ensino e pesquisa universitária (U), pesquisa e levantamen-
tos governamentais (Go), desenvolvimento instrumental (I) e áreas não identi-
ficadas (n.i.) de países selecionados (modificado de Palacky 1989b, incluindo
dado de Palacky 1989a). O total de geofísicos é fornecido abaixo do nome do
país. 21
Figura 2.1: Arquitetura da prospecção mineral, destacando as etapas do
trabalho geofísico. 31
Figura 2.2: Arquitetura do mapeamento geológico apoiado no mapeamento
geofísico, destacando a natureza do trabalho geofísico. 36
Figura 2.3: Padrão de demarcação de área para levantamentos geofísicos
terrestres. Valores das coordenadas em metros. 44
Figura 2.4: Padrão de vôo para levantamentos geofísicos aéreos. 45
Figura 2.5: Posicionamento por meio de radar. Pontos atingidos em terra:
alvos conhecidos ou estações. 48
Figura 2.6: Modos de operação dos sistemas de radioposicionamento. 49
XVI

Figura 2.7: (a) Exemplo de linha de posição hiperbólica para diferenças de


tempo de transmissão constante (800 J.Ls) entre duas estações de rádiofreqüência
sincronizadas; (b) Família de hipérboles definidas pelas duas estações. 50
Figura 2.8: Posicionamento Doppler. 51
Figura 2.9: Posicionamento Transit (modificado de Bernstein 1974). 53
Figura 2.10: Constelação GPS. Círculos menores: satélites. 54
Figura 2.11: Relações entre as medidas no domínio do tempo com as medidas
no domínio do espaço. Círculos: medidas discretas; Linhas cheias: medidas
contínuas. 56

Figura 2.12: Modelo de caderneta de campo. Os dados usados referem-se à


linha mais ao norte da área hipotética demarcada conforme mostra a figura 2.3. 57
Figura 2.13: Apresentação de dados geofísicos (gravimétricos) sob a forma de:
(a) perfil, (b) mapa de perfis rebatidos, (c) mapa de contornos de isovalores e
(d) bloco diagrama. u.m.-unidades de medida. Os dados referem-se ao domo
de sal de Humble, Houston, E.U.A. (Nettleton 1976, p. 263-265). Cortesia de
Jessé C. Costa. 59
Figura 2.14: Apresentação de dados geofísicos (gravimétrico, gradiente horizon-
tal) sob a forma de mapas de relevo sombreado. As setas mostram os extremos
de um lineamento não observável para um ângulo de "iluminação" de 334° (a),
mas nítido para um ângulo de 305° (b). Dados do norte de Nevada, E.U.A.,
da LCT (Best & Spies 1990, p. 41). 60
Figura 2.15: Apresentação de dados geofísicos (traço sísmico) do domínio do
tempo (modificada de Lindseth 1982, p. 1.6). u.m.: unidades de medida 61
Figura 2.16: Apresentação de dados geofísicos (EM) do domínio (a) do tempo
(Método INPUT) sob a forma de perfis obtidos em aerolevantamento sobre a
região de Santa Luz, Bahia, Brasil - os canais correspondem aos instantes das
medições (Sena 1977, p.65); (b) da freqüência (Método AFMAG) sob a forma
de mapa de perfis rebatidos - medidas obtidas na região de Uauá, Bahia, Brasil
(Luiz 1977, p.39); (c) da freqüência (Método VLF) sob a forma de mapa de
contornos - dados obtidos com 24 kHz, na zona do filão Esperança das minas
de cobre do Camaquã, Rio Grande do Sul, Brasil (IPT et aI. 1986, p.114). 62
Figura 2.17: Dados da figura 2.13 após tratamento. (a) perfil, (b) mapa de
perfis rebatidos, (c) mapa de contorno de isovalores e (d) bloco diagrama. O
tratamento dos dados restringiu-se às correções Bouguer, ar-livre, latitude e
maré. Cortesia de Jessé C. Costa. 63

Figura 2.18: Transformação de medidas analógicas em medidas digitais. 65


Figura 2.19: Elementos de ondas nos domínios do tempo e do espaço. 65
Figura 2.20: Formas de ondas resultantes da soma de duas senóides com
freqüências / e 2/: (aI) amplitudes iguais e diferença de fase de valor zero;
(az) amplitude da componente de alta freqüência igual ao dobro da outra e
diferença de fase igual a zero; (a3) amplitudes semelhantes às anteriores e dife-
rença de fase igual a 45°. (bI), (bz) e (b3) são a representação, no domínio da
freqüência, das formas de ondas resultantes respectivamente de (aI), (az) e
(a3)' 66
XVll

Figura 2.21: Decomposição de medidas geofísicas (traço sísmico) em uma série


de componentes de diferentes freqüências (Lindseth 1982, p. 1.6). 68
Figura 2.22: (a) amostragem sem aliasing (JN > 1); (b) amostragem com
aliasing (JN < 1); (c) Relação entre as freqüências do sinal de entrada e as
freqüências de saída da amostragem. As freqüências maiores do que fN são
apresentadas como freqüências menores do que fN. 70

Figura 2.23: Filtragem pelo método gráfico. 73


Figura 2.24: Desenvolvimento gráfico e digital da convolução. 74
Figura 2.25: Superposição = convolução. 75
Figura 2.26: Filtragem. 76
Figura 2.27: Convolução de um sinal com uma senóide. Resultado: extração
da componente do sinal de freqüência igual a da senóide. 77
Figura 2.28: (a) Medidas representadas pela soma vetorial do sinal e do ruído.
(b) Empilhamento representado pela soma vetorial das medidas. O compri-
mento e o ângulo de cada vetor representam, respectivamente, a amplitude e a
fase da componente de uma dada freqüência do sinal. Todos os vetores
referem-se à componente de mesma freqüência. 78
Figura 2.29: Empilhamento de um sinal contendo ruído errático com todas as
freqüências em igual proporção (ruído branco). A saída 1 foi obtida com o
empilhamento de um número de experimentos menor do que a saída 2. 78
Figura 2.30: Tipos de interpretação. Nominal, ordinal e numeral são escalas
de medidas que, nessa ordem, correspondem a uma hierarquia acumulativa de
informações. É acidental se qualificativos ("forte", " fraco" , ...) ou números são
assinalados às classes nominais. Conceitos adaptados de Stevens (1946) e
Krumbein & Graybill (1965, p. 34-38). 79
Figura 2.31: Exemplos de anomalias de valores localizados: (a) altos; (b) bai-
xos; (cI) a (C4) altos e baixos. As anomalias mostradas em (a), (b) e (cI) são
esquemáticas; as outras foram obtidas no Laboratório de Modelamento Eletro-
magnético Analógico da UFPA por João C.R. Cruz e Marcos V.G. Galvão. 81
Figura 2.32: Modelos utilizados em Geofísica para relacionar os efeitos medidos
à sua causa. AB é o perfil mostrado na figura 2.17. u.m.-unidades de medida;
G-constante universal da gravidade. Os demais símbolos são explicados na
figura ou na equação (2.16). 84
Figura 2.33: Exemplos de modelos físicos. 86
Figura 2.34: Exemplos de modelos geológicos (seção esquemática) representa-
dos pelos modelos físicos da figura 2.33. 87
Figura 2.35: Interpretação pelo método comparativo com o auxílio de perfis. 93
Figura 2.36: Interpretação pelo método comparativo com o auxílio de curvas
características. 94
Figura 2.37: Interpretação pelos métodos: (a) direto; (b) inverso. 96
Figura 2.38: Problema direto versus problema inverso. 98
Figura 2.39: Ambigüidade nas respostas de fontes: (a) esféricas; (b) diversas
(Nettleton 1976). 101
XVlll

Figura 2.40: Integração de resultados. 101


Figura 3.1: Campo vetorial definido pela atração (força ou aceleração) da massa
da Terra. 118
Figura 3.2: Definição do referencial para observação da gravidade terrestre. 118
Figura 3.3: Aceleração'centrífuga (ãc), aceleração de atração (ã) e aceleração
da gravidade ([j). cI>= latitude, f. = raio de rotação. 119
Figura 3.4: Representação esquemática da posição do geóide e do esferóide em
relação à superfície terrestre. 121
Figura ~.5: Representação geométrica para o cálculo da atração de um cilindro. 129
Figura 3.6: Efeito topográfico na redução gravimétrica. 131
Figura 3.7: Representação dos setores cilíndricos usados na correção topo-
gráfica: (a) perfil; (b) projeção horizontal. 132
Figura 3.8: Setor cilíndrico usado no cálculo da atração em um ponto do seu
eiXO. 133
Figura 3.9: Visualização física das correções aplicadas ao valor normal da gra-
vidade para reduzí-Io ao nível do terreno: (a) situação original; (b) correção
ar-livre; (c) correção Bouguer; (d) correção topográfica. 135
Figura 3.10: Visualização física das correções aplicadas ao valor medido no
terreno: (a) situação original; (b) correção ar-livre; (c) correção Bouguer; (d)
correção topográfica. 136
Figura 3.11: Variação da gravidade devida às atrações do Sol e da Lua em
Belém, Pará, Brasil (coordenadas: 10 30' sul - 480 30' oeste; altitude = 14 m). 137
Figura 3.12: Correção da variação instrumental (dados hipotéticos). 138
Figura 3.13: Procedimento para coleta de dados gravimétricos. 139
Figura 3.14: Estimativa de densidade a partir de medidas da gravidade em
poços. 142
Figura 3.15: Redução da gravidade entre dois pontos de um poço: (a) valores
originais; (b) correção ar-livre; (c) correção Bouguer; (d) reposição de massa. 142
Figura 3.16: Estimativa de densidade a partir do Método de Nettleton. 143
Figura 3.17: Pêndulo Simples. 149
Figura 3.18: Princípio de funcionamento dos gravímetros (balança de mola). 151
Figura 3.19: Princípio de funcionamento dos gravímetros astáticos. 152
Figura 3.20: Princípio de funcionamento do gravímetro Worden. 153
Figura 3.21: Gravímetro Worden (fabricado por Texas Instruments Inc. -
foto de José Gouvêa Luiz). 154
Figura 3.22: Princípio de funcionamento do gravímetro LaCoste & Romberg. 155
Figura 3.23: Gravímetro LaCoste
& Romberg, modelo G (cortesia de LaCoste & Romberg Gravity Meters, Inc.). 156
Figura 3.24: Gravímetro em operação (foto de josé Fernando Pina Assis). 157
xix

Figura 3.25: Gravímetro parél.medidas no fundo das águas (cortesia de LaCoste


& Romberg Gravity Meters, Inc.). 159
Figura 3.26: Gravímetro para medidas marinhas na superfície das águas e para
medidas aéreas (cortesia de LaCoste & Romberg Gravity Meters, Inc.). 161
Figura 3.27: Representação esquemática dos efeitos de um corpo mineralizado
e de pequenas heterogeneidades localizadas próximas à superfície dos terrenos. 162
Figura 3.28: Representação esquemática dos efeitos de um corpo mineralizado
e uma estrutura profunda. 163
Figura 3.29: Ambigüidade na interpretação gravimétrica: (a) anomalia gra-
viinétrica; (b) configurações da superfície do embasamento para explicar o perfil
gravimétrico (o contraste de densidade é 0,23 g/cm3); (c) modelo alternativo.
Adaptado de Skeels (1947). 165
Figura 3.30: Atração produzida por uma esfera. 168
Figura 3.31: Atração de um cilindro horizontal: (a) vista tridimensional; (b)
vista lateral (projeção no plano y-z); (c) vista frontal (projeção no plano x-z). 171
Figura 3.32: Atração de um cilindro vertical semi-infinito em pontos fora do
seu eixo. 173
Figura 3.33: Atração de um prisma de comprimento infinito. 175
Figura 3.34: Atração de um prisma finito. 177
Figura 3.35: Atração de um bloco tabular horizontal semi-infinito. 177
Figura 3.36: Atração para o modelo de falha. 178
Figura 3.37: Polígono representando a seção de uma fonte 2D. 179
Figura 3.38: Representação da subsuperfície por polígonos e sua atração calcu-
lada e medida. Modelo gravimétrico da Bacia do Tucano Central, Nordeste
do
Brasil (Milani 1985). 181
Figura 3.39: Rede reticulada empregada no cálculo da atração vertical de fontes
2D. S=seção da fonte. 181
Figura 3.40: Diagrama para a estimativa da profundidade máxima de um corpo
(adaptado de Parker 1974). 185
Figura 3.41: Superfície total usada para estimar a massa de um corpo. 186
Figura 3.42: Representação de 6.S e gz para estimativa de massa. 187
Figura 3.43: Perfis gravimétricos sobre o Sistema Witwatersrand, África do
Sul: (a) Perfil regional; (b) Perfil de detalhe. Adaptado de Roux (1970). 189
Figura 3.44: Perfil gravimétrico sobre o depósito Pine Point, Canadá. Adapta-
do de Seigel et aI. (1968). 190
Figura 3.45: Perfil gravimétrico na área de Suçuarana, Bahia, Brasil. Adaptado
de Silva (1982). 191
Figura 3.46: Perfil gravimétrico sobre depósito de ferro. Adaptado de Hinze
(1966). 193
xx

Figura 3.47: Perfil gravimétrico na área de Floresta, Pernambuco, Brasil.


Adaptado de Motta & Gomes (1983). 193
Figura 3.48: Perfil gravimétrico e seção geológica sobre a zona de falha de
Kapuskasing. Adaptado de Innes & Gibb (1970). 195
Figura 3.49: Perfil Gravimétl'ico na região de Irecê, Bahia, Brasil. Adaptado
de Marinho (1977). 196
Figura 4.1: Representação do momento de dipolo magnético. 205
Figura 4.2: Simetria para o cálculo do potencial magnético. 207
Figura 4.3: Representação esquemática do dipolo cujo campo é uma aproxi-
mação do campo magnético terrestre. 209
Figura 4.4: Representação geométrica do campo magnético terrestre e seus
elementos. NG-norte geográfico; NM-norte magnético; E-este. 210
Figura 4.5: Representação esquemática das linhas de força do campo geo-
magnético. NM-norte magnético; SM-sul magnético. 211
Figura 4.6: IGRF-1985 para: (a) inclinação do campo magnético (em graus);
(b) variação anual da inclinação (em minutos por ano). A inclinação 0° assinala
o equador magnético. Adaptado de Barraclough (1987). 213
Figura 4.7: Momento magnético gerado pelo movimento de um elétron em
torno do núcleo de um átomo. 216
Figura 4.8: Representação esquemática dos domínios de um material ferro-
magnético: (a) verdadeiramente ferromagnético; (b) ferrimagnético; (c) anti-
ferromagnético. 218
Figura 4.9: Curva de histerese. 219
Figura 4.10: Representação esquemática da operação de um medidor de sus-
ceptibilidade magnética. 222
Figura 4.11: Medidas de susceptibilidade magnética sendo realizadas sobre
testemunhos de sondagem. O equipamento utilizado é o susceptibilímetro SM-
5. Cortesia de Scintrex Ltd. 222
Figura 4.12: Sistema astático de um magnetômetro de remanência. 223
Figura 4.13: Princípio de funcionamento do magnetômetro de saturação (fiux-
gate): (a) curva de histerese dos núcleos; (b) enrolamentos dos núcleos; (c)
fluxo magnético nos núcleos na ausência de um campo externo;' (d) voltagens
induzidas (V 1 e V 2) nas bobinas secundárias na presença de um campo externo
(campo terrestre); (e) voltagem resultante, V1+V2, medida no voltÍmetro. 229
Figura 4.14: Magnetômetro de saturação para medidas da componente vertical,
modelo Scintrex MFD-4. l-interruptor para ligar o instrumento; 2-teste de
bateria, quando pressionado junto com o interruptor que liga o instrumento;
3-mostrador das medidas; 4-nÍvel de bolha. Foto de José Gouvêa Luiz. 229
Figura 4.15: Operação de medida da componente vertical com magnetômetro
de saturação, modelo Scintrex MFD-4. Foto de José Fernando Pina Assis. 230
Figura 4.16: Magnetômetro de precessão nuclear, modelo Scintrex MP-3. Cor-
tesia de Scintrex Ltd. 231
XX!

Figura 4.17: Magnetômetro de bombeamento ótico a vapor de césio, modelo


Scintrex V-91. Cortesia de Scintrex Ltd. 233
Figura 4.18: Magnetômetro de supercondutividade modelo 330X. Cortesia de
S.H.E. Corporation. 235
Figura 4.19: Sensor magnético instalado no peixe (magnetômetro G-811, fabri-
cado por EG&G Geometrics). Foto de José Fernando Pina Assis. 238
Figura 4.20: Registrador empregado em levantamentos marinhos. Cortesia de
EG&G Geometrics. 239

Figura 4.21: Efeito da altura de vôo nas anomalias magnéticas: (a) levanta-
mento aéreo a diversas alturas; (b) levantamento terrestre. 240
Figura 4.22: Configuração de vôo usada em levantamentos aeromagnéticos. 241
Figura 4.23: Perfis magnéticos calculados para o modelo tabular vertical (com-
primento e extensão em profundidade infinitos) de largura igual a 4 vezes a
profundidade h do seu topo. Os perfis são perpendiculares à direção do corpo
I
e foram calculados para inclinações do campo magnético = O, 15, 30 e 45°, e
ângulos entre o norte magnético e a direção do prisma B = O a 90° (a intervalos
de 15°). Adaptado de Leão & Silva 1977. 243
Figura 4.24: Sensor de magnetômetro montado na cauda de'um avião. Foto de
José Fernando Pina Assis. 244
Figura 4.25: Situação em que a topografia pode afetar as medidas magnéticas
terrestres. 247
Figura 4.26: Efeito magnético da topografia de um terreno com susceptibilidade
magnética próxima de 0,007 unidades cgs. Adaptado de Gupta & Fitzpatrick
(1971). 247
Figura 4.27: Representação esquemática do resultado obtido após a redução ao
polo de anomalia provocada por magnetização induzida. 250
Figura 4.28: Representação esquemática do resultado obtido após a redução ao
polo de anomalia provocada por magnetização remanescente. 250

Figura 4.29: O vetor campo magnético e seus componentes. Fo-campo


magnético total; Fh-componente horizontal; Fz-componente vertical; Fx-
componente x; Fy-componente y; i-inclinação. 252
Figura 4.30: Monopolos em (a) altas latitudes e (b) baixas latitudes. p-polos. 254
Figura 4.31: Simetria para o cálculo da anomalia produzida por monopolo
magnético. 254
Figura 4.32: Linhas de monopolos em (a) altas latitudes e (b) baixas latitudes. 256
Figura 4.33: Simetria para o cálculo da anomalia produzida por dipolo
magnético. a-inclinacão do dipolo; m-momento magnético. 258
Figura 4.34: Linhas de dipolos. 259
Figura 4.35: Prisma vertical infinitamente extenso em profundidade. NM-norte
magnético; h-profundidade do topo. 260
xxii

Figura 4.36: Modelo para simular falhas geológicas de gravidade com plano de
falha vertical. h-profundidade do muro; R-rejeito. 262
Figura 4.37: Geometria para o cálculo da anomalia produzida por uma fonte
de forma irregular, aproximada no plano xz pelo polígono de vértices A, B, C,
D e E. A fonte estende-se infinitamente na direção perpendicular ao plano xz. 264

Figura 4.38: Geometria para o modelo de dimensão dois e meio (Shuey &
Pasquale 1973). 265
Figura 4.39: Representação esquemática das fontes de anomalias de supra e
intra-embasamento. 269
Figura 4.40: Perfil geológico esquemático mostrando o armazenamento de pe-
tróleo em "armadilha" causada pelo arqueamento de sedimentos. O arqueamen-
to foi induzido pelos desníveis topográficos do embasamento (fonte magnética
de supra-embasamento). 270
Figura 4.4l: Mapa topográfico do topo do embasamento no campo de Swanson
River, Alasca. Adaptado de Steenland (1965). 271
Figura 4.42: Exemplo mostrando como os dados magnéticos podem melho-
rar a interpretação de dados sísmicos. A superfície de separação sedimentos-
embasamento foi estabelecida com base em dados sísmicos; o perfil magnético
sugere que a elevação do embasamento entre 10 e 20 milhas é irreal. Dados da
costa oeste da África. Adaptado de Nettleton (1976, p.437). 272
Figura 4.43: Levantamento aeromagnético na região de Boca Nova, Nordeste
do Pará, Brasil. Os dados (em nT) tiveram o IGRF removido. A anomalia na
parte norte da área foi provocada pelo corpo de nefelina-sienito-gnaisse Boca
Nova. 273

Figura 4.44: Levantamento aeromagnético na região de Carajás, Sul do Pará


(Projeto Geofísico Brasil-Canadá). Foto de José Fernando Pina Assis. 274
Figura 4.45: Perfil magnético sobre depósito de ferro-titânio localizado na re-
gião de Floresta, Pernambuco, Brasil. Adaptado de Motta & Gomes (1983). 275
Figura 4.46: Perfil magnético realizado sobre zona com mineralização disse-
minada de cobre localizada na região de Suçuarana, Bahia, Brasil. Adaptado
de
Sá & Reinhardt (1984). 275
Figura 4.47: Definição de lineamentos-magnéticos através do padrão terminação
de altos e baixos. Adaptado de Gay Jr. (1972) - Foto de José Fernando Pina
Assis. 277
Figura 4.48: Lineamentos magnéticos estabelecidos com base no padrão da
variação de gradiente. Adaptado de Gay Jr. (1972) - Foto de José Fernando
Pina Assis. 278

Figura 4.49: Lineamento magnético associado ao padrão linear dos contornos


magnéticos. Adaptado de Gay Jr. (1972) - Foto de José Fernando Pina Assis. 279

Figura 4.50: Lineamento magnético estabelecido pelo alinhamento de altos e


baixos. Adaptado de Gay Jr. (1972) - Foto de José Fernando Pina Assis. 280
Figura C.l: Distribuição "trem de impulsos unitários". 294

Figura C.2: Amostragem ideal de um registro contínuo. 295


xxiii

Figura C.3: Filtros ideais: (a) Passa baixa; (b) Passa alta; (c) Passa faixa; (d)
Rejeita faixa. fe, f1 e f2 são freqüências de corte. As regiões hachuriadas
representam as freqüências que são mantidas. 297
Figura C.4: Representação esquemática da aplicação de um filtro passa baixa
sobre um registro. fc-freqüência de corte. 297
Figura C.5: Filtro ideal do tipo passa baixa, com freqüência de corte 0,008
ciclos/m; (a) Domínio da freqüência; (b) Domínio do espaço. 299
LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 - Sociedades e periódicos de Geofísica de Prospecção selecionados. 22


Tabela 2.1 - Sistemas de posicionamento. 47
Tabela 3.1 - Raios de anéis para correção topográfica. 134
Tabela 3.2 - Densidade de rochas ígneas e metamórficas. 145
Tabela 3.3 - Densidade de sedimentos e rochas sedimentares. 146
Tabela 3.4 - Densidade de minerais. 147

Tabela 4.1 - Susceptibilidade de rochas. 226


Tabela 4.2 - Susceptibilidade de minerais. 227
Tabela 4.3 - Efeito magnético (aproximado) como função do porte da
embarcação. 238
Sumário

Dedicatória v

Epígrafe Vil

Apresentação IX

Prefácio xi
LISTA DE FIGURAS XV

LISTA DE TABELAS XXV

Parte A INTRODUÇÃO À GEOFÍSICA DE PROSPECÇÃO 1

Capítulo 1 GEOFÍSICA DE PROSPECÇÃO: QUADRO GERAL 3


1.1 INTRODUÇÃO 3
1.2 GEOFÍSICA DE PROSPECÇÃO 3
1.2.1 MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO 5
1.2.1.1 Método Gravimétrico 5
1.2.1.2 Método Magnético 5
1.2.1.3 Métodos Elétricos e Eletromagnéticos 6
1.2.1.4 Método Radiométrico 7
1.2.1.5 Método Sísmico 7
1.2.1.6 Método Térmico 7
1.2.1.7 Método da Luminescência 8
1.2.2 TIPOS DE LEVANTAMENTO 8
1.2.2.1 Levantamentos Terrestres 8
1.2.2.2 Levantamentos Aéreos 9
1.2.2.3 Levantamentos Marinhos 9
xxviii Sumário

1.2.3 APLICAÇÕES 10

1.2.3.1 Prospecção de Combustíveis Fósseis 11


1.2.3.2 Prospecção de Minerais-Minério 11
1.2.3.3 Prospecção de Água Subterrânea 12

1.2.3.4 Prospecção Geotérmica 13

1.2.3.5 Mapeamento Geológico 13

1.2.3.6 Construção Civil 13


1.2.3.7 Procura de Materiais Produzidos pelo Homem 14
1.2.3.8 Proteção Ambiental 14

1.2.4 GASTOS 15

1.2.5 RECURSOS HUMANOS 19

1.2.6 BIBLIOGRAFIA E SOCIEDADES 20

1.3 DIVISÕES DA GEOFÍSICA 24

1.3.1 GEOFÍSICA DE PROSPECÇÃO E GEOFÍSICA GLOBAL 25

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 27

Capítulo 2 A PROSPECÇÃO GEOFÍSICA 29

2.1 INTRODUÇÃO 29

2.2 A GEOFÍSICA NA PROSPECÇÃO MINERAL 30

2.2.1 RECONHECIMENTO 30

2.2.2 DETALHAMENTO 34

2.2.3 AVALIAÇÃO DO DEPÓSITO 35

2.3 A GEOFÍSICA NO MAPEAMENTO GEOLÓGICO 35


2.4 ETAPAS DA PROSPECÇÃO GEOFÍSICA 36

2.4.1 ESTUDOS GEOFÍSICOS PRELIMINARES 36

2.4.1.1 Caracterização Geológico-Geofisica do Alvo 37

2.4.1.2 Propriedades Físicas dos Materiais 38


2.4.1.3 Razão Sinal/Ruído 39
2.4.1.4 Condições Operacionais 41
2.4.2 PREPARAÇÃO DA ÁREA E
DA ESTRATÉGIA DE MEDIÇÃO 41
2.4.2.1 Levantamentos Terrestres 43
2.4.2.2 Levantamentos Aéreos e Marinhos 44
2.4.2.3 Sistemas de Posicionamento 46
2.4.2.3.1 Radioposiciona)Ilento 47

2.4.2.3.2 Posicionamento Doppler 49


2.4.2.3.3 Posicionamento Inercial 51

2.4.2.3.4 Posicionamento por meio de Satélites 52


2.4.3 MEDIDAS DE CAMPO 55
2.4.4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS:
CONSTRUÇÃO DE PERFIS E MAPAS 58
Sumário XXIX

2.4.5 TRATAMENTO DOS DADOS 61

2.4.5.1 Discretização 64
2.4.5.2 Transformação de Domínio 69
2.4.5.3 Correção, Filtragem e Empilhamento 71

2.4.6 INTERPRETAÇÃO 79
2.4.6.1 Anomalias 80
2.4.6.2 Modelos 82
2.4.6.3 Interpretações Qualitativa e Semi-quantitativa 90
2.4.6.4 Interpretação Quantitativa:
Métodos Comparativo, Direto e Inverso 92

2.5 RESULTADOS DA
PROSPECÇÃO GEOFÍSICA 97

2.5.1 O PROBLEMA DIRETO E O PROBLEMA INVERSO 97


2.5.1.1 Interpretação: Resolução do Problema Inverso 99
2.5.1.1.1 Ambigüidade e Sinergismo 100
2.5.1.2 Modelamento: Resolução do Problema Direto 102
2.5.2 REGIÕES TROPICAIS E EXTRATROPICAIS 104
2.5.3 AVALIAÇÃO DO MÉRITO
DA GEOFÍSICA NA PROSPECÇÃO 106

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 107

Parte B MÉTODOS GRAVIMÉTRICO E MAGNÉTICO 113

Capítulo 3 MÉTODO GRAVIMÉTRICO 115


3.1 INTRODUÇÃO 115
3.2 FUNDAMENTOS 116

3.2.1 LEI DE NEWTON DA ATRAÇÃO GRAVITACIONAL 116


3.2.2 CAMPO GRAVITACIONAL TERRESTRE 117
3.2.3 POTENCIAL GRAVITACIONAL 120
3.2.4 EQUAÇÕES DO POTENCIAL 122
3.2.5 GRAVIDADE-NORMAL 123

3.3 CONTRIBUIÇÃO DOS MATERIAIS PARA O


VALOR DA GRAVIDADE 124
3.4 REDUÇÃO DOS VALORES DA GRAVIDADE 124

3.4.1 CORREÇÃO DE LATITUDE 125


3.4.2 CORREÇÃO DE ELEVAÇÃO (AR-LIVRE) 127

3.4.3 CORREÇÃO BOUGUER 128

3.4.4 CORREÇÃO TOPOGRÁFICA 130

3.4.5 SIGNIFICADO FÍSICO DAS CORREÇÕES


AR-I:IVRE, BOUGUER E TOPOGRÁFICA 135

3.4.6 CORREÇÃO DE MARÉ 137


xxx Sumário

3.4.7 CORREÇÃO DA VARIAÇÃO (DRIF1) INSTRUMENTAL 138


3.5 ANOMALIA BOUGUER 139
3.6 DETERMINAÇÕES DE DEN~ DADE 140

3.6.1 DETERMINAÇÕES EM LABORATÓRIO 140


3.6.2 DETERMINAÇÕES IN SITU 141
3.6.2.1 Medidas em Poços 141
3.6.2.2 Método de Nettleton 143
3.6.2.3 Método de Parasnis 144
3.7 DENSIDADE DE ROCHAS E MINERAIS 144
3.7.1 DENSIDADE DAS ROCHAS ÍGNEAS 145
3.7.2 DENSIDADE DAS ROCHAS METAMÓRFICAS 146
3.7.3 DENSIDADE DAS ROCHAS SEDIMENTARES 146
3.7.4 DENSIDADE DE MINERAIS 147
3.8 INSTRUMENTAL 148

3.8.1 OSCILAÇÃO DE PÊNDULOS 148


3.8.2 QUEDA LIVRE DE CORPOS 150
3.8.3 GRAVÍMETROS 150
3.8.3.1 GraVÍmetro Worden 152
. 3.8.3.2 Gravímetro LaCoste & Romberg 153
3.9 TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO 155
3.9.1 LEVANTAMENTOS TERRESTRES 156
3.9.2 LEVANTAMENTOS MARINHOS 158
3.9.2.1 Medidas no Fundo das Águas 158
3.9.2.2 Medidas na Superfície das Águas 159
3.9.3 LEVANTAMENTOS AÉREOS 160
3.10 TRATAMENTO DOS DADOS 162
3.11 INTERPRETAÇÃO 164

3.11.1 ATRAÇÃO DE CORPOS DE FORMAS SIMPLES 167


3.11.1.1 Esfera 168
3.11.1.2 Cilindro Horizontal 171
3.11.1.3 Cilindro Vertical Semi-infinito 173
3.11.1.4 Prismas 175
3.11.1.5 Bloco Tabular Horizontal Semi-infinito e Falha 177

3.11.2 ATRAÇÃO DE CORPOS DE FORMA IRREGULAR 178


3.11.3 CAMADA EQÜIVALENTE 182
3.11.4 ESTIMATIVAS DE PROFUNDIDADE MÁXIMA
E DENSIDADE MÍNIMA 183
3.11.5 ESTIMATIVA DE MASSA 185

3.12 APLICAÇÕES 187

3.12.1 PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO 187


Sumário xxxi

3.12.2 PROSPECÇÃO DE MINÉRIOS 188


3.12.3 MAPEAMENTO GEOLÓGICO 194

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 197

Capítulo 4 MÉTODO MAGNÉTICO 203


4.1 INTRODUÇÃO 203
4.2 FUNDAMENTOS 204

4.2.1 MOMENTO E FORÇA MAGNÉTICA 204

4.2.2 CAMPO MAGNÉTICO E INDUÇÃO MAGNÉTICA 205


4.2.3 POTENCIAL MAGNÉTICO 206

4.2.4 RELAÇÃO DE POISSON 207


4.2.5 O CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE 208
4.2.6IGRF 212
4.2.7 ORIGEM DO CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE 212

4.3 MAGNETISMO DOS MATERIAIS 215

4.3.1 DIAMAGNETISMO,PARAMAGNETISMO E
FERROMAGNETISMO 215
4.3.2 CURVA DE HISTERESE 218

4.3.3 MAGNETIZAÇÃO DAS ROCHAS 219

4.4 DETERMINAÇÕES DE SUSCEPTIBILIDADE


E REMANÊNCIA 221

4.4.1 MEDIDORES DE SUSCEPTIBILIDADE MAGNÉTICA 221


4.4.2 MEDIDORES DE REMANÊNCIA 223

4.5 SUSCEPTIBILIDADE DE ROCHAS


E MINERAIS 224
4.6 INSTRUMENTAL 227

4.6.1 MAGNETÔMETRO DE SATURAÇÃO (FLUX-GATE) 228


4.6.2 MAGNETÔMETRO DE PRECESSÃO NUCLEAR 228
4.6.3 MAGNETÔMETRO DE BOMBEAMENTO ÓTICO 231
4.6.4 MAGNETÔMETRO DE SUPERCONDUTIVIDADE 233
4.6.5 GRADIÔMETROS 235

4.7 TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO 236

4.7.1 LEVANTAMENTOS TERRESTRES 236


4.7.2 LEVANTAMENTOS MARINHOS 237
4.7.3 LEVANTAMENTOS AÉREOS 239

4.8 TRATAMENTO DE DADbs 245

4.8.1 CORREÇÃO DA VARIAÇÃO DIURNA 245

4.8.2 CORREÇÃO TOPOGRÁFICA 246

4.8.3 OUTRAS CORREÇÔES 248


XXXII Sumário

4.8.4 FILTRAGEM DOS DADOS 248


4.8.5 REMOÇÃO DO IGRF 249
4.8.6 REDUÇÃO AO POLO 249
4.9 INTERPRETAÇÃO 250
4.9.1 ANOMALIAS MAGNÉTICAS 251
4.9.2 EFEITO MAGNÉTICO DE CORPOS
DE FORMAS SIMPLES 253
4.9.2.1 Monopolo 253
4.9.2.2 Linha de Monopolos 256
4.9.2.3 Dipolo 257
4.9.2.4 Linha de Dipolos 259
4.9.2.5 Prismas 260
4.9.2.6 Bloco Tabular Horizontal Semi-Infinito 262
4.9.3 EFEITO MAGNÉTICO DE CORPOS
DE FORMA IRREGULAR 263
4.9.4 CURVAS CARACTERÍSTICAS 266
4.9.5 CAMADA EQÚIVALENTE 266
4.9.6 ESTIMATIVAS DE PROFUNDIDADE 267
4.9.7 DESMAGNETIZAÇÃO 268

4.10 APLICAÇÕES 269

4.10.1 PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO 269


4.10.2 PROSPECÇÃO DE MINÉRIOS 271
4.10.3 MAPEAMENTO GEOLÓGICO 276
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 276

Apêndice A: EXPRESSÕES DO CÁLCULO VETORIAL 285

Apêndice B: TABELA PARA CORREÇÃO TOPOGRÁFICA 289

Apêndice C: INTRODUÇÃO À TEORIA DOS FILTROS 293

Índice de Assuntos 301


Índice de Autores 309
OV603dSOlId
-
30 VOISI~03f)
,
-
v, OV6i100lI~NI
Capítulo 1
,
GEOFISICA DE PROSPECÇAO:
QUADRO GERAL

1.1 INTRODUÇAO
Depósitos de petróleo, carvão e minerais-minério são feições da crosta ter-
restre raras e relativamente pequenas. Sua descoberta é portanto uma tarefa
extremamente difícil.

o estudo das rochas que ocorrem à superfície do terreno (afloramentos) bem


como de suas relações no espaço e no tempo é de fundamental importância pa-
ra a compreensão das rochas de subsuperfície e, portanto, para a localização de
depósitos, mas nem sempre permite inferências seguras sobre a subsuperfície, no-
tadamente a subsuperfície profunda (Fig. 1.1). Ademais, afloramentos de rocha
podem simplesmente não se encontrar disponíveis, como no caso de partes da
Amazônia, em conseqüência do intemperismo ali atuante.
No início do século XX, a corrida para a manutenção de insumos básicos pa-
ra a indústria e para a disputa de mercado, por um lado, e a escassez crescente
de depósitos minerais aflorantes ou pouco profundos, por outro, tornaram funda-
mental a descoberta de depósitos mais profundos. Desenvolveu-se, a partir daí, a
Geofísica de Prospecção.

, -
1.2 GEOFISICA DE PROSPECÇAO
As rochas, não raramente, diferem em uma ou mais de suas propriedades,
provocando variações nos campos físicos e na propagação de ondas que atuam so-
bre elas. Conseqüentemente, essas variações, ao serem detetadas, podem fornecer
informações acerca dos materiais que as provocaram.
4 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

(a) I b ) (c )

.. ,. .. ' .. , ..

--------
--=--=---------
." ..

(9 ) (h) (i)

.,
-
," .... • ,0 .• . :.

o o b o
o o
o
o o o o
o o o o o o o

(j) (k ) (I) (m)

.. •.
'.. .. .. -- .•. ' " ..+
........ "

+ + +++++
+ + o " o o Conçlomerado
íçnea intrusiva
Metam6rfica
+ +
+
+ 1+++1
+ + [YJ
~
+
+ +
+

__ Jazido t=.::::j Siltito

D Arenito ~ Calc6rio

ft:--:::-I Folhelho rT.iJ1 $al-çema


~

Figura 1.1: Depósitos de petróleo associados a: (a) dobramento, (b) falhamento, (c)
domo de sal, (d) discordância angular, (e) discordância erosiva e (f) calcário cavernoso.
Carvão em: (g) paleovales, Água subterrânea em: (h) lente&de arenito e (i) camada com
infiltração de água salgad~, Minerais-minério em: (j) zona de fraqueza,(k) camada, (I)
lentes e (m) chaminé,
1.2 Geofísica de Prospeção 5

Essa é a base da Geofísica de Prospecção, a investigação de feições da subsu-


perfície de dimensões relativamente pequenas, a partir da observação de seus
efeitos nos campos físicos e na propagação de ondas.

1.2.1 MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO


As propriedades da matéria utilizadas pela Geofísica de Prospecção e os
métodos a elas associados sãol:

densidade Método Gravimétrico ou Gravimetria,


susceptibilidade magnética Método Magnético ou Magnetometria,
condutividade elétrica Métodos Elétricos e Eletromagnéticos,
radioatividade Método Radiométrico ou Radiometria,
elasticidade Método Sísmico ou Sísmica,
condutividade térmica Método Térmico ou Termometria,
luminescência Método da Luminescência.

1.2.1.1 Método Gravimétrico

Todas as massas estão sob o efeito da atração mútua, regido pela lei de Newton
da gravitação. Mudanças laterais na densidade da Terra produzem variações locais
no valor do campo gravitacional terrestre que, embora muito pequenas, podem
freqüentemente ser detetadas, permitindo deduções sobre a subsuperfície.
A Gravimetria está voltada para o estudo dessas diminutas perturbações locais
do campo gravitacional terrestre, geradas pela distribuição de massas no subsolo,
ou seja, pela presença de rochas de diferentes densidades. Materiais mais densos
contribuem mais fortemente para o campo gravitacional do que os menos densos,
qUando se considera o mesmo volume e a mesma profundidade para ambos os
tipos de materiais; se os materiais apresentam a mesma densidade, a contribuição
maior é daqueles mais próximos da superfície, se eles ocupam igual volume, ou,
se os materiais ocorrem à mesma profundidade, daqueles que perfazem o maior
volume.

1.2.1.2 Método Magnético


Cada rocha magnetiza-se de acordo com a sua susceptibilidade magnética,
que depende da quantidade e do modo de distribuição dos minerais magnéticos
presentés. A concentração de minerais magnéticos produz distorções locais no
campo magnético terrestre, que podem ser detetadas e fornecem informações sobre
a subsuperfície.

lTambém são usadas terminologias como: Método Gravitacional, Método Magnetométrico,


Método Radioativo e Método Termométrico.
6 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

A Magnetometria baseia-se no estudo das variações locais do campo magnético


terrestre, derivadas da existência, na subsuperfície, de rochas contendo minerais
com forte susceptibilidade magnética, tais como magnetita, ilmenita e pirrotita.
Observa-se que tanto na Gravimetria como na Magnetometria, os campos
físicos estão sempre presentes; com isso, a subsuperfície não necessita ser excitada
para que se obtenha uma medida do campo físico. A Gravimetria e a Magneto-
metria obedecem à Teoria do Potencial e guardam várias semelhanças entre si;
são, por esse motivo, tratadas numa mesma parte deste livro (parte B), não refe-
renciada como "Métodos Potenciais" como comumente se encontra na literatura,
porque outros métodos, como os Elétricos, seguem também a Teoria do Potencial.

1.2.1.3 Métodos Elétricos e Eletromagnéticos


O fluxo de corrente elétrica na subsuperfície é governado primordialmente
pela condutividade elétrica das rochas ali presentes. A corrente elétrica pode
ser contínua ou alternada, de modo que podem ser considerados, respectivamen-
te, fenõmenos puramente galvânicos ou indutivos, que refletem a distribuição de
condutividade da subsuperfície e, portanto, a distribuição dos materiais nela pre-
sentes.

Os Métodos Elétricos lidam com fenômenos puramente galvânicos e, por-


tanto, utilizam corrente contínua ou mesmo alternada, mas de freqüência muito
baixa (menor do que uma dezena de Hz), tal que o fenômeno de indução possa
ser desprezado. A corrente pode ser introduzida no terreno através de eletrodos,
enquanto a diferença de potencial é medida através de outros eletrodos, trazendo
informações sobre a subsuperfície. Dentre estes métodos destacam-se o Método
do Potencial Espontâneo (SP), o Método da Eletrorresistividade e o Método
da Polarização Induzida (IP). O primeiro utiliza correntes naturais que podem
aparecer, por exemplo, nas imediações de concentrações de minerais condutivos.
Na Eletrorresistividade, correntes geradas artificialmente são aplicadas ao terre-
no. O mesmo se dá com o Método da Polarização Induzida, mas a diferença de
potencial é medida após cessada a corrente ou fazendo-se variar a sua freqüência,
o que permite avaliar a capacidade das rochas de armazenar energia elétrica.
Nos Métodos Eletromagnéticos (EM), a investigação da subsuperfície não exi-
ge contatos galvânicos com o terreno pois tem como base o fenômeno da indução.
Uma corrente, sempre de baixa freqüência (menor do que umas poucas dezenas de
milhares de Hz), que pode circular numa bobina, inicia o processo de excitação da
subsuperfície através do fenômeno da indução; condutores elétricos, por ventura
presentes no subsolo, provocam distorções no campo eletromagnético, detetáveis
por meio de uma outra bobina, que fornecem informações sobre os condutores
que as provocaram. Os Métodos EM podem também fazer uso de fontes naturais,
englobar efeitos galvânicos e apresentar uma série de particularidades, tal que
constituem a maior família de métodos geofísicos (ou técnicas, pois o fenômeno
em que se baseiam é sempre a indução eletromagnética). Seria impossível tratar
1.2 Geofísica de Prospeção 7

todos os Métodos EM em um livro de caráter geral, de modo que apenas os mais


utilizados, como é o caso dos Métodos Slingram, VLF, Input e Magnetotelúrico
(MT), serão abordados.

--1.2.1.4 Método Radiométrico


Alguns isótopos de vários elementos desintegram-se espontâneamente emitin-
do partículas e radiação eletromagnética que podem ser detetadas e permitir a
locação do material que as produziu. Esse fenômeno, cuja ocorrência é proba-
bilística, é conhecido como radioatividade e tem origem no núcleo dos átomos
instáveis. Por isso mesmo, a radioatividade não é considerada uma propriedade
física, II1-asuma propriedade do núcleo atômico.
O estudo da distribuição de material radioativo nos materiais terrestres é
realizado na Radiometria, levando em consideração, em especial, a radiação ele-
tromagnética emitida quando de sua desintegração.

1.2.1.5 Método Sísmico


Rochas com elasticidades diferentes permitem a propagação de ondas com
velocidades diferentes. Essas ondas, ao encontrarem meios com propriedades
elásticas diferentes, têm a sua energia em parte refletida e em parte refratada.
Conhecendo-se o tempo de percurso das ondas em diferentes pontos bem como
a distância entre esses pontos, pode-se deduzir as velocidades de propagação das
ondas e a posição das interfaces que separam os meios com diferentes valores de
elasticidade. Associando-se a esses meios os diferentes tipos de rochas, é possível
conhecer-se a distribuição dos materiais da subsuperfície.
A Sísmica baseia-se na medição, em vários pontos, do tempo de percurso de
ondas elásticas induzi das artificialmente, em geral nas imediações da superfície
do terreno. Há duas técnicas distintas: uma que faz uso das ondas refletidas, a
Sísmica de Reflexão, e outra, das ondas refratadas, a Sísmica de Refração.

1.2.1.6 Método Térmico


A propagação de calor na Terra, seja ele de origem interna, devido às de-
sintegrações radioativas ou processos químicos e físicos de menor expressão, ou
de origem externa, devido à energia radiante do Sol, depende da condutividade
térmica das rochas.

O Método Térmico investiga, através da medição de temperatura, diferenças


na propagação de calor, cuja origem remonta à existência, na subsuperfície, de
rochas com diferentes valores de condutividade térmica ou de fontes de calor
anômalo, o que permite a identificação e a delimitação de ambas.
8 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

1.2.1.7 Método da Luminescência


Alguns minerais podem emitir luz independente de sua incandescência. Essa
emissão de luz pode ser produzida de diferentes maneiras e ser utilizada na identi-
ficação dos minerais que exibem essa propriedade, conhecida como luminescência.
o Método da Luminescência tem como base a deteção de emissão de luz por
minerais após a sua exposição à luz ultravioleta (uma modalidade de luminescência
conhecida como fluorescência) e corresponde a uma extensão do método de iden-
tificação dos minerais como o ama1io da lâmpada ultravioleta, bastante conhecido
dos geólogos.
A luminescência é um fenômeno de natureza eletromagnética, mas o Método
da Luminescência, por envolver uma metodologia bem diferente da utilizada nos
Métodos Eletromagnéticos, será abordado separadamente.

1.2.2 TIPOS DE LEVANTAMENTO


As variações nos campos físicos podem ser observadas em terra, do ar e em
meios aquosos. Pode-se, portanto, falar em levantamentos geofísicos terrestres,
aéreos e marinhos.

1.2.2.1 Levantamentos Terrestres


Os trabalhos em terra, também conhecidos como Geofísica Terrestre, podem
ser conduzidos sobre a superfície do terreno ou ao longo de furos de sondagem.
No primeiro caso, os levantamentos são realizados comumente à pé, sendo os
equipamentos de medição (sensores ou receptores) e, se for o caso, de produção
do campo físico a ser utilizado (transmissores) e de registro dos dados (registra-
dores) conduzidos por um ou mais operadores. Dependendo do método geofísico,
o levantamento terrestre pode também ser conduzido com o ama1io de veículo, no
qual são feitas adaptações para acomodar os equipamentos geofísicos.
Nos trabalhos ao longo de furos de sondagem, também conhecidos como
Geofísica de Poço ou Perfilagem Geofísica de Furos de Sondagem (well-logging),
sensores e, se necessários, transmissores são acondicionados numa ferramenta es-
pecial que percorre os furos; alguns destes equipamentos podem, dependendo do
método geofísico, ser colocados a superfície, na qual são acomodados também os
registradores. Em uma única passagem da ferramenta pelo furo podem ser feitas
medidas concomitantes com mais de uma técnica ou método geofísico.
As extensivas investigações ao longo de furos de sondagem propiciaram o
desenvolvimento de técnicas, instrumentos e metodologias de coleta e manipulação
dos dados específicos para este tipo de levantamento que, por isso mesmo, será
abordado em um capítulo separado.
1.2 Geofísica de Prospeção 9

Todos os métodos geofísicos podem ser utilizados em levantamentos terrestres.


Os métodos geofísicos foram desenvolvidos, a princípio, para levantamentos sobre
a superfície do terreno.

1.2.2.2 Levantamentos Aéreos


Os levantamentos aéreos, também conhecidos como levantamentos aero-
transportados, aerolevantamentos, Aerogeonsica ou Geonsica Aérea, podem
ser conduzidos por pequenos aviões (tipo DC-3 ou Bandeirante), ultraleves e he-
licópteros, bem como por meio de satélites artificiais e aeronaves de altas altitudes.
Nos aerolevantamentos, os sensores e, se for o caso, os transmissores podem
ser instalados na aeronave ou num reboque da mesma, conhecido como pássaro
(bird), para evitar os efeitos da aeronave. Os registradores são acondicionados
dentro da aeronave.

Embora a expressão sensoriamento remoto possa ser utilizada para caracte-


rizar os levantamentos realizados por meio de aeronaves, ela é comumente empre-
gada para nomear os levantamentos conduzidos por satélites bem como os estudos
da radiação eletromagnética efetuados através tanto de satélites como de outras
aeronaves.

Como no caso da perfilagem geofísica de furos de sondagem, o sensoriamen-


to remoto, por possuir certas peculiaridades no que diz respeito às técnicas de
trabalho, ao instrumental, às metodologias de coleta e de manipulação dos dados
utilizados, será tratado separadamente.

Os levantamentos aéreos caracterizam-se pelo baixo custo e rapidez com que


permitem obter resultados significativos. Em uma única passagem da aeronave
podem ser feitas medidas concomitantes com mais de um método geofísico.
À exceção dos Métodos Elétricos, Sísmico e Térmico, todos os demais po-
dem ser utilizados em levantamentos aéreos convencionais. Com sensoriamento
remoto são investigados, além da radiação eletromagnética, os campos magnético
e gravitacional.

1.2.2.3 Levantamentos Marinhos


Levantamentos conduzidos no mar, em rios, em lagos ou em barragens são
conhecidos como levantamentos marinhos ou Geofísica Marinha porque os tra-
balhos mais freqüentes são realizados no mar.

Nos levantamentos marinhos são utilizadas embarcações de diferentes di-


mensões. Os sensores e, se for o caso, os transmissores podem ser acondicionados,
para evitar os efeitos da embarcação, num reboque da mesma, conhecido como
peixe (fish), que fica nas imediações da superfície ou do fundo do meio aquoso.
10 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

Os registradores são acomodados na embarcação.


Todos os métodos geofísicos podem ser utilizados em levantamentos marinhos.

1.2.3 APLICAÇOES
As principais aplicações da Geofísica de Prospecção são:

· prospecção de bens minerais


combustíveis fósseis
minerais-minério
água subterrâ.nea
· prospecção geotérmica
· mapeamento geológico
· construção civil
· procura de materiais produzidos pelo homem
· proteção ambiental

Materiais de interesse, em geral, econômico, materiais de ocorrência associada


aos anteriores ou a estruturas geológicas, via de regra, favoráveis à acumulação
de materiais de interesse são as feições investigadas através da Geofísica.
No primeiro caso, a aplicação da Geofísica é dita direta e nos demais,
indireta2• A investigação de minerais radioativos através da Radiometria ou
de utensílios arqueológicos magnéticos através da Magnetometria correspondem a
aplicações diretas da Geofísica. A descoberta da jazida de sulfetos disseminados
de cobre do 3-Alfa, Carajás (Pará), pela Companhia de Mineração DOCEGEO
se déu com o amo1io, dentre outros, dos resultados obtidos com a Magnetome-
tria e com o Método da Polarização Induzida, devido à existência de magnetita
associada aos sulfetos, logo uma aplicação indireta da Geofísica. Na prospecção
de petróleo, o interesse recai nas possíveis armadilhas (traps) para esse material
(Fig. l.la-f), dentre as quais destacam-se as estruturais; neste caso, a aplicação
da Geofísica é, portanto, também indireta.
Pode-se mencionar características de problemas de diferentes naturezas que
têm justificado a aplicação de vários métodos geofísicos aos mesmos. Primeira-
mente, é conveniente destacar que um método geofísico pode, contudo, produzir
resultados insatisfatórios ao ser aplicado a um problema de prospecção ou qualquer
outro para o qual sua utilidade esteja consagrada (a este tema volta-se no item
2.4.1).

2 A Geofísica envolve, contudo, observações indiretas, ou seja, observações de efeitos físicos à


distância e não a análise propriamente dita dos materiais, isto é, observações diretas, como a
Geoquímica, por exemplo.
1.2 Geofísica de Prospeção 11

1.2.3.1 Prospecção de Combustíveis Fósseis


No grupo de combustíveis fósseis estão os hidrocarbonetos (petróleo e gás) e
o carvao.

Na prospecção de petróleo e gás, é de interesse cartografar os traços estrutu-


rais do embasamento de grandes bacias sedimentares que podem ter influências
sobre os sedimentos sobrepostos formando armadilhas estruturais - armadilhas
para as quais os métodos geofísicos fornecem os melhores resultados - bem como
determinar a espessura e a natureza dos sedimentos.

Como o embasamento cristalino (rochas ígneas e metamórficas) apresenta, via


de regra, densidade e susceptibilidade magnética muito maior do que as rochas
sedimentares, a Gravimetria e a Magnetometria podem indicar modificações so-
fridas pelo topo do embasamento e como conseqüência podem ser reconhecidas
dobras (Fig. la) e falhas (Fig. lb) que, deslocando os sedimentos mais recentes,
indicam a presença de armadilhas estruturais favoráveis à presença de petróleo e
gás. A Gravimetria tem sido utilizada também na prospecção de hidrocarbonetos
em camadas arqueadas por domos de sal (Fig. lc), devido a baixa densidade deste
último.

A Sísmica tem se mostrado especialmente útil na determinação da espessura


de pacotes sedimentares porque a velocidade das ondas elásticas é maior no em-
basamento cristalino e difere consideravelmente entre alguns tipos de sedimentos.
O Método da Eletrorresistividade e o Magnetotelúrico podem ser utilizados de
modo análogo, já que a condutividade elétrica do embasamento é inferior a dos
pacotes de sedimentos sobrepostos e pode apresentar variações significativas entre
estes, permitindo a sua discriminação.
Na prospecção de carvão, o interesse recai também na cartografia do emba-
samento. Paleovales, por exemplo, podem ter permitido o acúmulo de matéria
vegetal em tempos pretéritos (Fig. 1.1g). A localização de paleovales e outras
feições do embasamento de interesse na investigação de carvão têm sido realiza-
das pela Sísmica e pela Eletrorresistividade.

1.2.3.2 Prospecção de Minerais-Minério


A Geofísica pode ser utilizada no localização de depósitos de calcário, argila,
areia, cascalho e de vários outros minerais, mas tem se destacado na prospecção
de sulfetos e minérios de ferro.

Os corpos nos quais os sulfetos constituem mais de 50% do seu volume to-
tal são ditos maciços (Fig. 1.1j)j quando não atingem 20%, são classificados de
disseminados (Fig. 1.1k). Estes últimos alcançam grandes dimensões, daí se-
rem interessantes do ponto de vista econômico, apesar da concentração baixa de
sulfetos que possuem.
12 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

Sulfetos maciços são fontes de metais como o cobre, zinco, chumbo e níquel
que aparecem sob a forma dos seguintes minerais: calcopirita [CuFeS2], esfalerita
[ZnS], galena [PbS] e pentlandita [(Fe,Ni)gSg]. A maioria dos corpos de sulfe-
tos maciços possui alta susceptibilidade magnética devido a presença de minerias
magnéticos, dentre os quais a magnetita [Fe304] e a pirrotita [Fe70g], bem como
elevadas condutividade elétrica e densidade. Conseqüentemente, a Magnetome-
tria, os Métodos Elétricos e Eletromagnéticos e a Gravimetria têm sido utilizados
na prospecção desses corpos.
Corpos de sulfetos disseminados são fontes prováveis de cobre e molibdênio
porfiríticos sob a forma dos minerais calcopirita [CuFeS2], calcocita [CU2S]' bor-
nita [CuSFeS4] e molibdenita [MoS2]. O Método da Polarização Induzida tem se
destacado na prospecção de depósitos de sulfetos disseminados, porque o fenômeno
base do método ocorre nas faces de grãos metálicos que, nesses depósitos consti-
tuídos de um enorme número de grãos metálicos dispersos pela rocha, aparecem
em profusão.

Depósitos de ferro têm sido investigados comumente através da Magnetome-


tria devido à magnetita associada. Nos minérios de ferro compostos por hematita
[Fe203] compacta, contudo, o teor de magnetita associada ao minério é muito va-
riável e as rochas encaixantes, contendo um pouco de magnetita como acessório,
podem apresentar valores de susceptibilidade magnética superiores aos valores
observados sobre a hematita, porque esta é fracamente magnética. A Gravimetria
pode ser usada se a densidade desses depósitos é significativamente superior a
das rochas encaixantes, o que nem sempre ocorre porque, embora os minerais de
ferro tenham alta densidade, esses depósitos desenvolvem uma elevada porosidade
através da lixiviação dos seus constituintes solúveis.

1.2.3.3 Prospecção de Água Subterrânea


Na prospecção de água subterrânea, o interesse recai na localizaçâo de rocha
aqüífera, isto é, rica em poros ou fraturas que, ligados uns aos outros, permitem
circulação fácil da água e, portanto, sua extração, bem como recarga direta pela
infiltração de água de chuva, ou indireta, a partir de rios, lagos e similares. As
melhores rochas aqüíferas são as sedimentares. Nas rochas cristalinas, as condições
aqüíferas ficam res.tritas às zonas fraturadas ou muito alteradas.

A presença de água, seja em poros de lentes de arenito (Fig. 1.1h), seja em


zonas fraturadas ou alteradas de rocha cristalina, devido aos íons nela presentes,
aumenta consideravelmente a condutividade elétrica desses materiais. Os Métodos
Elétricos (a Eletrorresistividade, especialmente) e Eletromagnéticos têm sido, por
isso, usados na localização de aqüíferos.
É possível, uma vez que a presença de sais na água aumenta sua condutivi-
dade, mapear os limites entre água doce e água salobra (Fig. 1.li).
1.2 Geofísica de Prospeção 13

1.2.3.4 Prospecção Geotérmica


Depósitos de água e vapor quentes, que podem ser utilizados para gerar ener-
gia elétrica ou para aquecimento, são o alvo da prospecção geotérmica ou pros-
pecção de energia geotérmica.
Esses depósitos ocorrem em zonas de elevado fluxo de calor que podem ser
detetadas através do Método Térmico, a menos que estejam capeadas por material
impermeável ao fluxo.
Os Métodos Elétricos e Eletromagnéticos têm sido freqüentemente aplicados
à investigação de depósitos geotermais porque a presença de fluido, devido a sua
alta temperatura com uma considerável quantidade de sais dissolvidos, bem como
de argilas resultantes de alteração hidrotermal fornece uma alta condutividade
elétrica a esses depósitos.

1.2.3.5 Mapeamento Geológico


São tarefas do mapeamento geológico cartografar as diferentes litologias e
traços estruturais.
Rochas diferentes possuem propriedades diferentes, de modo que, a princípio,
qualquer método geofísico pode ser utilizado para separar litologias de proprieda-
des físicas diferentes. A Radiometria tem se destacado nesta tarefa porque, como
possibilita investigações muito rasas, seus resultados guardam considerável seme-
lhança com aqueles obtidos com o mapeamento geológico. Quando a continuidade
de unidades geológicas em profundidade é investigada, outros métodos têm sido
utilizados, como a Magnetometria e a Gravimetria que permitem separar gran-
des blocos magnéticos (rochas ígneas básicas, por exemplo) e de alta densidade
(rochas ígneas intrusivas e outras), respectivamente.
Estruturas como falhas e fraturas apresentam, com freqüência, uma condu-
tividade elétrica elevada, devido à presença de minerais condutivos depositados
em suas paredes a partir da circulação de fluidos e à circulação destes últimos;
podem, portanto, ser localizadas por Métodos Elétricos e Eletromagnéticos. Fa-
lhas e fraturas são, ademais, zonas de escapamento de gás radioativo (radônio)
que a Radiometria pode mapear. A Magnetometria e a Gravimetria podem forne-
cer indicações sobre falhamentos que deslocam blocos de mesma susceptibilidade
magnética ou densidade, respectivamente.

1.2.3.6 Construção Civil


É necessário conhecer a espessura das camadas superficiais de material in-
consolidado (manto de intemperismo, por exemplo), ou seja, a profundidade do
material resistente para sustentar edificações, bem como a existência de zonas de
fraqueza (falhas, fraturas) ou de fácil desmoronamento (como galerias de minas
14 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

antigas abandonadas, cujo registro é normalmente impreciso) para se poder eleger


as posições mais favoráveis às obras de Engenharia.
A Gravimetria tem se destacado na deteção de cavidades subsuperficiais de
diferentes origens, uma vez que estas correspondem a zonas de deficiência de
massa. A Sísmica, a Eletrorresistivdade e os Métodos Eletromagnéticos têm si-
do rotineiramente usados na investigação da espessura das camadas; a primeira,
em adicional, tem sido utilizada nos trabalhos realizados no mar, com vistas à
instalação de portos, barragens de maré, oleodutos e canais.

1.2.3.7 Procura de Materiais Produzidos pelo Homem


Vários materiais arqueológicos (tais como, objetos metálicos e fornos de argila)
e ma.teriais de obras subterrâneas (oleodutos e aquedutos), cujo registro tenha por
ventura sido perdido, são comumente magnéticos e a Magnetometria pode, por
isso, localizá-los.
Os sítios arqueológicos, ademais, não raramente constituem uma camada de
ocupação onde podem se misturar sambaqui, ossos, restos de fogueira, utensílios
humanos e pisos de antigas habitações, representando uma camada que pode
possuir condutividade elétrica diferente daquelas das camadas vizinhas. Oleodu-
tos e aquedutos são comumente metálicos e, portanto, bons condutores. Sítios
arqueológicos, oleodutos e aquedutos podem, conseqüentemente, ser detetados
através dos Métodos Elétricos e Eletromagnéticos.

1.2.3.8 Proteção Ambiental


Proteção ambiental tem como um de seus alvos manter o solo, as águas e o
ar a salvo da poluição.
É impossível processar e limpar todos os elementos poluentes antes de sua
descarga. Resíduos tóxicos de indústrias químicas e outros rejeitos nocivos de-
vem, por isso mesmo, ser depositados de modo a não poluir nem o solo e nem
as fontes de água, evitando por em perigo a vida orgânica. Isso é possível quan-
do o espaço dedicado ao depósito dos rejeitos encontra-se encerrado em material
impermeável ao fluxo dos mesmos ou de seus derivados. Materiais naturais que
comumente preenchem esse pré-requisito são as argilas que, ademais, têm a van-
tagem de ser relativamente estáveis à movimentação tectônica; as argilas são bons
condutores de eletricidade, logo podem ser mapeadas pelos Métodos Elétricos e
Eletromagnéticos. Outros métodos podem, contudo, ser também aplicados com
o mesmo objetivo que é, nesses casos, o mapeamento de bacias subsuperficiais
impermeáveis para depósitos de lixo.
A Geofísica não é útil apenas em trabalhos de prevenção contra a poluição,
mas também no monitoramento de processos em que esta se encontre em desen-
1.2 Geofísica de Prospeção 15

volvimento. No controle de escapamento radioativo tem sido utilizada a Radio-


metria. No mapeamento do fluxo subsuperficial de água poluída, se esta possui
uma condutividade distinta devido a pres~nça de produtos químicos, podem ser
usados os Métodos Elétricos e Eletromagnéticos. Diversos vazamentos associados
a falhamentos têm sido localizados por meio da Sísmica.

1.2.4 GASTOS

A análise dos gastos com Geofísica de Prospecção é uma excelente ferramen-


ta para a identificação de tendências no seu desenvolvimento que, por sua vez,
refletem a filosofia exploratória vigente.
A figura 1.2, construída a partir dos gastos com Geofísica de Prospecção no
período 1976-1990 no mundo capitalista e em regiões selecionadas, mostra que
estes foram vultosos, traduzindo o relevante papel ocupado pela mesma na so-
ciedade atual. Uma grande parcela dos gastos (40%) foi realizada apenas nos
E.U.A., mas, ainda assim, há tendências de expressão mundial, como o declínio
dos gastos por volta de 1983. No período 1986-1990, os gastos deslocaram-se do
hemisfério ocidental para o oriental e para regiões menos exploradas; os inves-
timentos, por exemplo, realizados em 1989 nos E.U.A., atingiram 20% do total,
enquanto aqueles realizados na África, 18%.

A figura 1.3 mostra que 96% dos gastos com Geofísica de Prospecção no
período 1976-1990 foram dedicados à prospecção de petróleo. A prospecção mine-
ral, a segunda maior área de investimentos, ficou com 49% do que resta excluindo-
se a parcela dedicada à prospecção de petróleo, ou seja, 2% do total! Obtém-se
percentuais eqüivalentes àqueles apresentados na figura 1.3, considerando-se os
gastos realizados apenas na América Latina, mas, nessa região - e, pode-se es-
perar, no Brasil - a Geofísica atuou em níveis mais modestos em: prospecção
mineral (37% do que resta excluindo-se 98% dos gastos dedicados à prospecção
de petróleo), construção civil (10%), prospecção de água subterrânea (2%) e pro-
teção ambiental (0%); de um modo geral, os gastos com Geofísica nesta região
são instáveis, refletindo a inexistência de uma política bem definida, seja para o
setor mineral, seja para qualquer outro afim.
A prospecção de petróleo tem captado percentual tão elevado dos investimen-
tos em Geofísica de Prospecção, desde quando esta começou a se desenvolver,
entre 1920 e 1930. Conseqüentemente, os gastos com Geofísica de Prospecção
mostrados na figura 1.2 refletem a flutuação do preço do barril do petróleo. A
redução dos gastos por volta de 1983, por exemplo, foi gerada pela queda do preço
mundial do barril de petróleo com a subseqüente redução dos esforços e investi-
mentos em sua investigação. O deslocamento de investimentos para o hemisfério
oriental e regiões menos exploradas, por sua vez, reflete a preferência de países
hegemônicos pela compra do insumo mineral a preços reduzidos e conseqüente
concentração do interesse na pesquisa por regiões menos conhecidas, como forma
de proteger as suas próprias reservas (política de estocagem) ..
16 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

(a)
4000
-- MUNDO CAPITALISTA
cn -- E.U.A.
'-
Q)

~ 3000
"O
Q)
"O
o
~ 2000
E

1000

o ano
76 78 80 82 84 86 88 90

500
(b)

.......'O
- «ó '-
"O
"O
... ,f:: •.... .!Q
Q)
o
E
(])
76
200
400
l78
300 , - Europa
._. África
O
Ul ..·..·Am. Sul
100
._ .. Oriente Médio

., ,'.:\
ti
•I

/
, :, \.
"

:\
~ .~.;

ano
80 82 84 86 88 90

Figura 1.2: Gastos com Geofísica deProspecção: (a) do mundo capitalista e dos E.D.A.;
(b) de regiões selecionadas (períod,? 1976-~990).
1.2 Geofísica de Prospeção 17

H 96% Mi 49%

P 15%

Oc 9%
Am 1%

Figura 1.3: Percentagem média dos gastos com Geofísica na prospecção de petróleo e gás
(H), prospecção mineral (Mi), prospecção de água subterrânea (A), prospecção geotérmica
(Gt), construção civil (E), proteção ambiental (Am), Oceanografia (Oc) e em pesquisas
(P) (período 1976-1990).

o direcionamento de 96% dos investimento~ em Geofísica para a prospecção


de petróleo pode parecer indicar que as demais aplicações da Geofísica não são
relevantes, mas este, não é o caso. As companhias de petróleo contam com recur-
sos financeiros superiores aos das companhias de mineração e, portanto, podem
manter investimentos maiores em Geofísica. Esta, ao ser aplicada inicialmente
à prospecção de petróleo, deparou-se com estruturas simples de grandes áreas
e, por isso mesmo, conduziu a descobertas importantes, configurando-se, desde
cedo, como ferramenta indispensável à prospecção de petróleo e, portanto, área
obrigatória de investimentos; ao ser aplicada à prospecção mineral, que envolve
a investigação de estruturas locais complexas, geralmente em terreno acidenta-
do, a Geofísica não logrou o mesmo êxito inicial. O montante dos investimentos
captados pela prospecção de petróleo reflete, ainda, que os métodos geofísicos nela
empregados são mais dispendiosos do que os demais.

Quais são esses métodos?

A figura 1.4a mostra que 95% dos gastos com Geofísica de Prospecção no
período 1986-1990 foram feitos com apenas um método, a Sísmica. Esse resultado
é aproximadamente o mesmo considerando-se apenas os gastos com a prospecção
de petróleo, uma vez que esta capta, como visto anteriormente, 96% dos investi-
mentos na área (com Sísmica são gastos 98% do montante investido na prospecção
geofísica voltada para petróleo). A Sísmica não absorve percentual dos investi-
mentos de mesma ordem quando aplicada para outros fins afora a prospecção de
petróleo, como mostra também a figura 1.4.

São úteis para a prospecção de petróleo, conforme mencionado no item 1.2.3.1,


a Sísmica, bem como o Magnetotelúrico, a Gravimetria, a Eletrorresistividade e
a Magnetometria, sendo a relação da ordem de grandeza dos custos dos trabalhos
com esses métodos: 10.000-1.000 : 1.000-10 : 100 : 100 : 10 (para levantamentos ter-
restres). A Sísmica tem, contudo, sido utilizada para fases ou casos de prospecção
em que outros métodos fornecem resultados efetivos a custos inferiores; por isso, a
18 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

(a) Geral

~~~:
S 9596 EM 1%

:J O 196

(b) Minerais (c) Água

M 37%

G 496

o 996

(d) Construç~o Civil (e) Proteç~o Ambiental

EM 896ER 296 ER 1796

S 5996

S 1296

Figura 1.4: Percentagem média dos gastos com métodos geofísicos (a) gerais e aplicados
à: (b) prospecção mineral, (c) prospecção de água subterrânea, (d) construção civil,
(e) proteção ambiental (período 1986-1990). Métodos: Gravimetria (G), Magnetometria
(M), Potencial Espontâneo (SP), Eletrorresistividade (ER), Polarização Induzida (IP),
Eletromagnéticos (EM), Radiometria (R), Sísmica (S), Termometria (T) e outros ou não
identificados (O).
1.2 Geofísica de Prospeção 19

Sísmica alcançou um estágio tecnológico mais avançado do que os demais métodos


e, conseqüentemente, fornece um conjunto de informações mais rico, que torna o
seu uso atrativo e induz a sua aplicação em fases ou casos de prospecção para os
quais ela não é o método mais indicado, fechando o ciclo.
A distribuição dos gastos segundo os diferentes tipos de levantamento no
período 1976-1990 é mostrada na figura 1.5. Os gastos com levantamentos mari-
nhos para petróleo têm crescido substancialmente, enquanto os gastos com levan-
tamentos terrestres, diminuído, refletindo o deslocamento da investigação desse
material das províncias mais exploradas em terra para a plataforma continental
menos explorada no mar. Os custos dos métodos utilizados em levantamentos
marinhos e aéreos reduzem-se de uma ordem de grandeza em relação aos custos
dos levantamentos terrestres, porque estes últimos são mais lentos.

Levantamentos

(a) Petróleo (b) Outras Aplicações

Ar+Furo 1%
Mar 35%

Figura 1.5: Percentagemmédia dosgastos comlevantamentosterrestres sobre a superfície


(Ter) e ao longo de furos de sondagem(Furo), levantamentosaéreos (Ar) elevantamentos
marinhos (Mar), no período 1976-1990.(a) Prospecçãode petróleo; (b) Outras aplicações.

Após 1990, mostram os gastos com Geofísica de Prospecção as mesmas


tendências? Os dados aqui apresentados foram obtidos a partir de relatórios
de pesquisas realizadas pela Society 01 Exploration Geophysicists junto a órgãos
governamentais e particulares dos países capitalistas, que são publicados anual-
mente na revista Geophysics: The Leading Edge (Espey 1977; Whitmire 1978,
1979, 1980; Senti 1981, 1982, 1983, 1984, 1988, 1989; Montgomery 1985, 1986,
1987; Goodfellow 1990, 1991).

1.2.5 RECURSOS HUMANOS

Cerca de 96% dos gastos com Geofísica de Prospecção são dedicados à pesqui-
sa de petróleo (Fig. 1.3). O contigente de geofísicos dedicados à pesquisa de pe-
20 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

tróleo não segue, contudo, tal proporção e, em vários países, essa não é a aplicação
que mais geofísicos absorve (Fig. 1.6).
Os recursos humanos em Geofísica de Prospecção advêm de pelo menos seis
escolas: americana, australiana, européia, russa, chinesa e japonesa.
A distância entre as três primeiras é pequena, porque maior tem sido a trans-
ferência de tecnologia entre elas. A escola americana é, contudo, bastante direcio-
nada para a investigação de petróleo e pouco se ocupa efetivamente da prospecção
mineral; Índia, Arábia Saudita, Israel, México e Brasil - com o décimo maior
número de geofísicos ativos na prospecção de petróleo - são alguns dos países
que seguem esse modelo. Os geofísicos australianos acumularam uma experiência
considerável na prospecção mineral em regiões tropicais e demais regiões onde
se desenvolve manto de intemperismo ou outros tipos de cobertura que podem
prejudicar a aplicação dos métodos geofísicos. Na Europa há modelos de de-
senvolvimento de recursos humanos voltados para a prospecção de petróleo (por
exemplo, França, Noruega, Holanda e Reino Unido) ou não (Alemanha e Itália
são exemplos)j com freqüência, por razões históricas, eles mostram um maior
amálgama com práticas da Geofísica desenvolvida nos observatórios (a Geofísica
de Prospecção desenvolveu-se a partir da Geofísica praticada nos observatórios e
vários dos primeiros observatórios se encontram na Europa).
Por razões políticas, a antiga Rússia e a China desenvolveram suas próprias
escolas largamente independentes da influência externa. Em 1930, a Rússia de-
pendia do know howeuropeu (francês) em Geofísica; em 1950, auxiliava a China
especialmente na investigação de hidrocarbonetos, contribuindo para o aumento
significativo da produção chinesa de hidrocarbonetos (até essa época, insignifican-
te, a despeito da indústria do petróleo ter ali se iniciado com a extração de gás
por tubulações de bambu já no ano 211 a.C.). A coopera-ção durou até 1961, em
conseqüência da ruptura ideológica entre ambas iniciada em 1958. A partir daí,
Rússia e China seguiram um desenvolvimento próprio, dedicado à investigação de
petróleo e a outros fins.
No Japão, país deficiente em recursos minerais e de terremotos freqüentes, os
geofísicos voltaram-se para os problemas relacionados à construção civil em áreas
instáveis.

1.2.6 BIBLIOGRAFIA E SOCIEDADES


Os métodos geofísicos de prospecção são abordados em diversos livros.
Freqüentemente, a ênfase e o grau de detalhamento a eles atribuídos variam lar-
gamente numa mesma obra, refletindo, em parte, a experiência profissional dos
autores e, em parte, a preocupação dos mesmos em cobrir com maior detalhe os
métodos dedicados à prospecção de petróleo, em especial a Sísmica.

Nos livros são apresentados os fundamentos dos métodos geofísicos desen-


volvidos ao longo dos anos e o estado de arte dos métodos, até cerca de um ano
1.2 Geofísica de Prospeção 21

EUA. Brasil
12.000 450

5'
Go U

- ~
A

H
20.000
800

E
ItáliaA E
U.R.S.S.
u

Mi

China
17.000
H

I
Go

Figura 1.6: Geofisicos dedicados à prospecção de petróleo e gás (H), prospecção mineral
(Mi), prospecção de água subterrânea (A), prospecção geotérmica (Gt), construção civil
(E), ensino e pesquisa universitária (U), pesquisa e levantamentos governamentais (Go),
desenvolvimento instrumental (I) e áreas não identificadas (n.i.) de países selecionados
(modificado de Palacky 1989b, incluindo dado de Palacky 1989a). O total de geofísicos é
fornecido abaixo do nome do país.
22 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

ou pouco antes da edição. Qualquer desenvolvimento posterior, como resultado de


pesquisas, é levado à comunidade através das revistas especializadas e dos anais
de eventos científicos (congressos, simpósios e outros).
Cerca de um terço de toda essa bibliografia é escrita em inglês, outro um
terço, em russo e o restante, em chinês, japonês e outros idiomas (Palacky 1989c).
A maior parte é dedicada à prospecção de petróleo e ao Método Sísmico; cresce,
contudo, relativamente, a bibliografia dedicada a outras aplicações (em especial,
à prospecção mineral) e a outros métodos (principalmente, aos Métodos Elétricos
e Eletromagnéticos) (Domenico & Silverman 1980).
As revistas especializadas, os anais de eventos científicos e vários livros são
publicados pelas sociedades de Geofísica. A tabela 1.1 reúne várias dessas socie-
dades com suas revistas e lugar de origem. A mais antiga delas, a SEG, começou a
funcionar em 1930 nos E.U.A. Em 1951 foi criada a sociedade européia, a EAEG.
A sociedade brasileira, a SBGf, surgiu em 1978. SEG e EAEG la.nçam as duas re-
vistas de maior circulação - Geophysics and Geophysical Exploration - desde 1936
e 1953, respectivamente.
Uma lista de livros de Geofísica de Prospecção de caráter geral, incluindo
dicionário de termos técnicos, é apresentada a seguir (aqueles com edição em Por-
tuguês ou Espanhol estão assinalados, respectivamente, com três e um asteriscos).
Uma análise do conteúdo de alguns desses livros e de sua contribuição (conjunta-
mente com outros fatores) ao ensino de Geofísica nas universidades brasileiras é
encontrada em dois de nossos artigos (Silva & Luiz 1981a e 1981b).

Tabela 1.1 - Sociedades e periódicos de Geofísica de Prospecção selecionados3.


Sociedade Revista País
Society of Exploration Brasil
EUA
Holanda
Austrália
Japão
India Revista
de Geofísica
Journal
Butsuri- Brasileira
of
Geophysics the
Tansa
Geoexploration
Geophysical
Exploration
Geophysics: e Association
Prospecting
Geophysicists
of exploration The Leading Edge
Geophysicists
eira de
xploration . Nordic
Society Association
European of Applied
of Association
Australian Exploration
Society of of

3Na América Latina destacam-se também: Associación Mexicana de Geofísicos de Explo-


ración, Associación Argentina de Geofísicos y Geodestas e Sociedad Venezolana de Inginieros
Geofísicos. Artigos de Geofísica são também publicados nas revistas de Geologia, como a Revis-
ta Brasileira de Geociências, da Sociedade Brasileira de Geologia (SBG).
1.2 Geofísica de Prospeção 23

LIVROS:

*ASTIER, J.L. Geophysique Appliquée a I'Hidrogeologie. Paris: Masson, 1971,277 p.


Título da edição em Espanhol: Geofísica Aplicada a Ia Hidrogeologia.
BECK, A.E. Physical PrincipIes of Exploration Methods. London: McMillan, 1981.,
234p.
BEST, M.E. & BONIWELL, J.B. (ed.). A Geophysical Handbook for Geologists. Mon-
treal: Canadian Institue of Mining and Metallurgy. Special voI. 41, 1989, 181p.
***BRASIL, M.S. Elementos de Geofísica - 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Globo,
1941, 285p.
*DOBRIN, M.B. & SAVIT, C.H. Introduction to Geophysical Prospecting - 4. ed. New
York: McGraw-Hill, 1988, 867 p. Título da edição em Espanhol: Introduccion a Ia
Prospeccion Geofísica.
DOHR, G. Applied Geophysics: Introduction to Geophysical Prospecting - 2. ed.
Stuttgart: Ferdinand Enke, 1981,231 p.
***FERNANDES, C.E.M. Fundamentos de Prospecção Geofísica. Rio de Janeiro: In-
terciência, 1984, 190p.
*FIGUEROLA, J .C. Geofísica Aplicada - 3. ed. Madrid: Autor-Editor, 1987, 526 p.
GEOLOGYCAL SURVEY OF CANADA. Mining and Groundwater Geophysics. In:
CANADIAN CENTENNIAL CONFERENCE ON MINING AND GROUNDWA-
TER GEOPHYSICS, Niagara Falls, 1967. Proceedings ...Ottawa, G.S.C. Economic
Geology Report, 26, 1971, 722p.
GERKENS,J .D. d'A. Foundations of Exploration Geophysics. Amsterdam: EIsevier,
1989, 688 p.
GRANT, F.S. & WEST, G.F. Interpretation Theory in Applied Geophysics. New York:
McGraw-Hill, 1965, 584 p.
*GRIFFITHS, D.H. & KING, R.F. Applied Geophysics for Engineers and Geologists -
2. ed. New York: Pergamon, 1981, 224p. Título da edição em Espanhol: Geofísica
Aplicada para Inginieros y GeÓlogos.
HEILAND, C.A.- Geophysical Exploration. New York: Hafner, 1968, 1013 p.
KEAREY, P. & BROOKS, M. An Introduction to Geophysical Exploration. Oxford:
Blackwell, 1987,296 p.
MENKE, W. & ABBOTT, D. Geophysical Theory. New York: Columbia University,
1990,458 p.
*PARASNIS, D.S. Mining Geophysics - 2. ed. Amsterdam, EIsevier, 1973,396 p. Título
da edição em espanhol: Geofísica Minera.
* . PrincipIes of Applied Geophysics - 4. ed. London: Chapman and Hall,
1986, 402 p. Título da edição em Espanhol: Princípios de Geofísica Aplicada.
***REIS, O.S. Noções Elementares de Geofísica. Rio de Janeiro: Livraria Francisco
Alves Paulo de Azevedo, 1938, 180 p.
24 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

ROBINSON, E.S. & ÇORUH, C. Basic Exploration Geophysics. New York: John Wiley,
1988,562 p.
SHARMA, P.V. Geophysical Methods in Geology - 2. ed. Amesterdam: EIsevier, 1986,
442 p.
SHERIFF, R.E. A first Course in Geophysical Exploration and Interpretation. Boston:
International Human Resources Development Corp., 1978, 313 p.
____ o Geophysical Methods. New Jersey: Prentice Hall, 1989,605 p.
SOCIETY OF EXPLORATION GEOPHYSICISTS. Mining Geophysics. 'fulsa: S.E.G.,
1969, v. 1: Case Histories, 492 p.; v. 2: Theory, 708 p.
TELFORD, W.M., GELDART, L.P., SHERIFF, R.E. Applied Geophysics. 2. ed. Cam-
bridge: Cambridge University, 1990, 770 p.

Livros voltados a aplicações em regiões tropicais:

ASSOCIATION OF GEOSCIENTIST FORINTERNATIONAL DEVELOPMENT. Hid-


den Wealth: Mineral Exploration Techniques in Tropical Forest Areas. In: SYM-
POSIUM ON MINERAL EXPLORATION TECHNIQUES IN TROPICAL FOR-
EST AREAS, Caracas, 1977. Proceedings ...AGID Report, 7. New York: AGID,
1982,221 p.
Sociedade Brasileira de Geofísica. Applied Geophysics in Tropical Regions. In: IN-
TERNATIONAL SYMPOSIUM ON APPLIED GEOPHYSICS IN TROPICAL
REGIONS, Belém, 1982. Proceedings ... Belém, SBGf, 1983, 524 p.

Dicionário:

SHERIFF, R.E. Encyclopedic Dictionary of Exploration Geophysics. 3. ed. 'fulsa:


Society of Exploration Geophisicists, 1990, 727 p.

1.3 DIVISÕES DA GEOFÍSICA


Até aqui, a Geofísica de Prospecção e temas a ela vinculados foram tratados.
Há, contudo, outros ramos da Geofísica. Que ramos são esses? Como é dividida
a Geofísica?

Geofísica vem do grego e significa Física da Terra. Geofísica refere-se, por-


tanto, à investigação do nosso planeta a partir dos fenômenos físicos naturais ou
provocados que nele se manifestam. A Geofísica tem, portanto, como objeto de
estudo e como objeto de investigação, respectivamente, a Terra e os fenômenos
físicos que nela se manifestam.
1.3 Divisões da GeofÍsica 25

Não raramente, Geofísica denota estudos acerca da chamada "Terra Sólida".


Senso muito restrito! O objeto de estudo da Geofísica refere-se à Terra Sólida e
também aos seus envelopes líquido e gasoso. Ademais, com o avanço dos estudos
sobre o Universo, a Geofísica mostrou-se útil também para estes, ampliando-se os
seus limites.

A secção do objeto de estudo da Geofísica fez surgir expressões como:

Geofísica da Terra Sólida,


Geofisica da Hidrosfera,
Geofísica da Atmosfera e
Geofisica Espacial.

Vale a pena lembrar que as designações "Geofísica Terrestre", "Geofísica Ma-


rinha" e "Geofísica Aérea" são usadas, como foi mencionado no item 1.2.2, em
referência ao tipo de levantamento da Geofísica de Prospecção, que é Geofísica da
Terra Sólida.

A Geofísica pode também ser dividida com base na natureza dos fenômenos
físicos, ou seja, no objeto de investigação. Alguns autores preferem essa prática
porque, por exemplo, o campo geomagnético tem origem em grande parte no inte-
rior profundo da Terra mas também provém das correntes elétricas da atmosfera.
Elegeram-se assim ramos como:

Gravidade Terrestre,
Geomagnetismo e Paleomagnetismo,
Geoeletricidade,
Geofísica Nuclear,
SÍsmologÍa e
GeotermÍa,

que guardam analogia com os métodos da Geofísica de Prospecção.

De um modo geral, as divisões da Geofísica apresentadas pela literatura aten-


dem a mais de um critério.

Aqui, merecerá destaque um tipo de divisão, a ser referido como GeofisÍca de


Prospecção e GeofísÍca Global.

1.3.1 GEOFÍSICA DE PROSPECÇÃO E GEOFÍSICA GLOBAL


Enquanto a Geofísica de Prospecção investiga feições de pequenas dimensões
ao alcance da exploração extrativa (profundidade inferior a 5 km), tais como
depósitos minerais e estruturas importantes para a acumulação dos mesmos, a
Geofísica Global envolve o estudo da Terra em larga escala, vista como um sis-
26 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

tema global, sobre Gravidade Terrestre, Geomagnetismo e Paleomagnetismo,4


Geoeletricidade, Geofísica Nuclear, Sismologia e Geotermia.

Geofísica de Prospecção é também conhecida como Geofísica de Exploração


ou Geofísica Aplicada.

Geofísica Global, por sua vez, é comumente referida como Geofísica Pura,
Básica, Fundamental ou Acadêmica.

o termo exploração tem o mesmo significado que prospecção em vários países,


como é o caso dos E.U.A.; na ex-U.R.S.S. e em outros países, exploração tem estri-
ta ligação com os trabalhos realizados após a descoberta de uma jazida através de
atividades conhecidas como de prospecção, enquanto na França, ocorre o oposto
(Peters 1978). No Brasil, os termos são utilizados como sinônimos, mas explo-
ração, em adicional, é usado, tanto como ocorre na ex-U.R.S.S., como designando
os trabalhos iniciais, normalmente em larga escala, de investigação de depósitos
minerais. Por isso, aqui será preferido o termo prospecção.

As terminologias aplicada e pura, Qásica, fundamental e acadêmica promovem


um sério equívoco, referente à concepção de que a parte teórica da Geofísica é
desenvolvida pela Geofísica Global, cujos fundamentos seriam indispensáveis para
a Geofísica de Prospecção, que os aplicaria.

o monitoramente sismográfico da hidroelétrica de Tucuruí (Pará) realizado


pela Universidade de Brasília para registro de terremotos, inclusive os que po-
deriam ser provocados pelo peso d' água, não é da competência da Geofísica
de Prospecção, mas uma aplicação da Geofísica Global. É conveniente destacar
que aquela Universidade tem se destacado com trabalhos de Geofísica Global.
Geofísica Aplicada e Geofísica de Prospecção não têm, pàrtanto, o mesmo signi-
ficado.

A origem desse equívoco tem fundo histórico: a Geofísica desenvolveu-se pri-


meiramente nos observatórios para depois alcançar os campos de petróleo, por
volta de 1920. Por ser mais antiga do que a Geofísica de Prospecção, a Geofísica
Global emprestou à primeira a teoria desenvolvida, bem como todas as suas demais
aquisições, tais como instrumental, técnicas de medição e descrição do compor-
tamento de fenômenos físicos. Mais recentemente, contudo, atividades no campo
da GeofÍsica de Prospecção têm permitido avanços da Geofísica Global.

A origem do equívoco em questão tem também raízes na divisão entre pesqui-


sa básica, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. Não só a Geofísica
Global, mas também a Geofísica de Prospecção abrange um espectro de ativi-

4Geomagnetis.mo e Paleomagnetismo lidam com o campo magnético presente e pretérito,


respectivamente.
1.3 Divisões da Geofísica 27

dades, não raramente, de difícil compartimentalização, que vai desde a pesquisa


básica, onde se procura ampliar a fronteira do conhecimento, passa pela pesquisa
aplicada, ao formalizar soluções para problemas de imediato interesse econômico
ou social, e chega ao desenvolvimento tecnológico, onde se objetiva usar o conhe-
cimento para a produção de um determinado serviço ou bem, de valor comercial
ou utilidade pública. .'

À guisa de exemplo desse espectro de atividades no âmbito da Geofísica de


Prospecção, pode-se mencionar que vários estudos sobre a propagação de campos
eletromagnéticos na subsuperfície rasa, incluindo sua descrição matemática, têm
características de pesquisa básica; as investigações sobre técnicas de levantamen-
to eletromagnético que permitam minimizar efeitos indesejáveis são de natureza
aplicada; com os trabalhos associados ao desenvolvimento de equipamentos para
levantamentos com tais técnicas em escala comercial chega-se ao desenvolvimento
tecnológico. Na área da Geofísica Global, o estudo dos movimentos da crosta
terrestre, por exemplo, tem como objetivo o avanço do conhecimento sobre a
dinâmica da Terra que, por sua vez, permite identificar relações dos depósitos
minerais com essa dinâmica, leva,ndo à eleição de importantes guias para a sua
prospecção nas diferentes regiões crustais.

Conseqüentemente, os termos global e prospecção têm logrado maior êxito


quando ligados a investigações realizadas em diferentes escalas. Inegavelmente, a
Geofísica de Prospecção é guiada por fins que são facilmente identificados como de
natureza econômica enquanto que na Geofísica Global, esses, tornam-se subjeti-
vos. As relações da Geofísica de Prospecção com a Geofísica Global são, contudo,
íntimas e complexas; além da realimentação mútua, é freqüente a superposição de
esferas de atividades, como ocorre quando se aplicam técnicas da primeira para
estudos do âmbito da segunda, e vice-versa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DOMENICO, S.N. & SILVERMAN, D. Fifty Years of Progress - a Review 1930 - 1980.
Geophysics, v. 45, n. 11, p. 1600-1618, 1980.

ESPEY, H.R. Geophysical Activity in 1976. Geophysics, v. 42, n. 5, p. 1070-1084,


1977.

GOODFELLOW, K. Geophysical Activity in 1989. Geophysics: The Leading Edge of


ExpIoration, v. 9, D. 11, p. 49-72,1990.

____ o GeophysicaI Activity in 1990. Geophysics: The Leading Edge af ExpIo-


ration, v. 10, n. 11, p. 45-72, 1991.
MONTGOMERY, G.E. Geophysical Activity in 1984. Geopysics: The Leading Edge af
ExpIoration, v. 4, n. 10, p. 33-54, 1985.
____ oGeophysicaI Activity in 1985. Geopysics: The Leading Edge af ExpIoration,
v. 5, n. 8, p. 25-48,1986.
28 Geofísica de Prospeção: Quadro Geral

____ o Geophysical Activity in 1984. Geopysics: The Leading Edge of Exploration,


v. 6, n. 8, p. 25-49, 1987.
PALACKY, G.J. Human Resources in Geophysics: Demography and Education. Geo-
physics: The Leading Edge of Exploration, v. 8, n. 6, p. 12-19, 1989a.
____ oHuman Resources in Geophysics: Specialization. Geophysics: The Leading
Edge of Exploration, v. 8, n. 8, p. 58-63, 1989b.
____ o Human Resources in Geophysics: Dissemination of Research Results in
Applied Geophysics. Geophysics: The Leading Edge of Exploration, v. 8, n. 10, p.
25-31, 1989c.
PETERS, W.C. Exploration and Mining Geology. New York: John Wiley, 1978,696 p.
SENTI, R.J. Geophysical Activity in 1980. Geophysics, v. 46, n. 9, p. 1316-1333,1981.
____ o Geophysical Activity in 1981. Geophysics: The Leading Edge of Exploration,
v. 1, n. 4, p. 30':"'55,1982.
____ o Geophysical Activity in 1982. Geophysics: The Leading Edge of Exploration,
v. 2, n. 8, p. 41-64, 1983.
____ o Geophysical Activity in 1983..Geophysics: The Leading Edge of Exploration,
v. 3, n. 7, p. 49-69, 1984.
____ o Geophysical Activity in 1987. Geophysics: The Leading Edge of Exploration,
v. 7, n. 8, p. 33-56, 1988.
____ o Geophysical Activity in 1988. Geophysics: The Leading Edge of Exploration,
v. 8, n. 8, p. 33-56, 1989.
SILVA, L.M.C. & LUIZ, J .G. Análise de Livros de Geofísica de Prospecção Utilizados no
Curso de Graduação em Geologia. In: CONGR.BRAS.GEOL., 33, Rio de Janeiro,
1981. Anais ... Rio de Janeiro, SBG. v. 5, p. 233-241, 1981a.
____ oReflexões sobre o Ensino de Geofísica de Prospecção no Curso de Graduação
em Geologia. In: CONGR.BRAS.GEOL., 33, Rio de Janeiro, 1981. Anais ... Rio
de Janeiro, SBG. v. 5, p. 225-232, 1981b.
WHITMIRE, M.G. Geophysical Activity in 1979. Geophyscis, v. 45, n. 10, p. 1563-
1579,1980.
____ o Geophysical Activity in 1978. Geophyscis, v. 44, n. 10, p. 1740-1754,1979.
____ o Geophysical Activity in 1977. Geophyscis, v. 43, n. 6, p. 1277-1291,1978.
Capítulo 2
,
A PROSPECÇAO GEOFISICA

2.1 INTRODUÇAO
Geofísica de Prospecção abrange um amplo espectro de atividades voltado pa-
ra a investigação de bens minerais e outras feições específicas, relativamente rasas
e de pequenas dimensões, através de seus efeitos em campos físicos ou na propa,-
gação de ondas. Estudos sobre campos físicos na superfície rasa, sobre técnicas
de levantamento das variações nesses campos físicos; bem como o desenvolvimen-
to de equipamentos para levantamentos com tais técnicas em escala comercial,
por exemplo, podem se desenvolver dentro do âmbito da Geofísica de Prospecção.
Dentre essas atividades, destaca-se a prospecção geofísica1: um conjunto de tra-
balhos que inclui medidas dos campos físicos ou das variações na propagação de
ondas e o estudo de sua relação com aS feições de interesse.
A prospecção geofísica não consiste de uma técnica aplicada isoladamente a
uma áreaj ela faz parte de uma seqüência de trabalhos, cujo fim é, em geral, a
busca de depósitos minerais de valor econômico. Por isso, este capítulo aborda a
seqüência de trabalhos que fazem parte dacampanha de prospecção mineral. Uma
outra seqüência de trabalhos abordada é a do mapeamento geológico apoiado na
Geofísica, que é conhecida como mapeamento geológico-geofisicoj o mapeamen-
to de uma área estabelece a base indispensável para a descoberta de depósitos
minerais por meio da prospecção mineral.

lOU exploração geofísica. Nesta obra, GeoÍÍsica de Prospecção engloba a prospecção geoÍÍsica
e o termo prospecção é preferido ao termo exploração, pelas razões expressas no item 1.3.1.
30 A Prospecção Geofísica

o corpo central deste capítulo é, no entanto, a apresentação do conjunto de


trabalhos que fazem parte da prospecção geofísica. Uma avaliação dos resultados
práticos que a prospecção geofísica permite obter é apresentada ao final do capítulo
(e retomada em capítulos seguintes sob a forma de exemplos).
o conjunto de temas acima mencionados pode subsidiar os futuros geofísicos
na escolha de suas atividades no universo da prospecção mineral e os futuros
geólogos, na formulação de problemas para os geofísicos, facilitando o indis-
pensável diálogo entre esses futuros profissionais.

, -
2.2 A GEOFISICA NA PROSPECÇAO MINERAL
A prospecção sistemática de uma região com potencialidades minerais é rea-
lizada, geralmente, em três etapas sucessivas:

reconhecimento ou levantamento regional,


detalhamento ou levantamento de detalhe e
avaliação do depósito ou cubagem.

A Geofísica pode ser usada em todas essas etapas da prospecção mineral. Por
isso, é comum usarem-se terminologias como reconhecimento ou levantamento
regional geofísico, bem como prospecção geofísica ao nível de reconhecimento
ou geofísica de reconhecimento, com o fim de identificar a etapa da prospecção
mineral a que os trabalhos geofísicos se referem.
A figura 2.1 mostra a seqüência de trabalhos em cada uma das etapas da cam-
panha de prospecção mineral. Os primeiros trabalhos são aqueles que envolvem
as metodologias menos dispendiosas enquanto os último~, as mais dispendiosas.
Na figura, são também identificadas as diferentes etapas do trabalho geofísico.

2.2.1 RECONHECIMENTO
A prospecção de um bem mineral ou um conjunto deles, freqüentemente
abrange áreas extensas, da ordem de centenas de milhares de km 2, de modo
que é praticamente impossível efetuarem-se levantamentos detalhados de toda
a superfície a ser estudada, pelo menos do ponto de vista econômico. Con-
seqüentemente, numa primeira etapa são estudadas as grandes áreas a nivel de
reconhecimento, para que se possa realizar a seleção de zonas promissoras e pos-
teriormente detalhá-Ias.

Essa seleção é geralmente realizada utilizando-se critérios tais como: (a) con-
troles de mineralização, (b) guias de prospecção e (c) indicações favoráveis de
natureza geofísica, geoquímica ~ outras (Maranhão 1982).
Controles de mineralização correspondem a um conjunto de dados geológicos
e fisiográficos que condiciona a localização dos depósitos minerais. Os principais
2.2 A GeofísÍCa na Prospecção Mineral 31

o
•..
Z
ILI
Z
Õ
ILI
.:z:
Z
o
o
ILI
li::

--------lI
I
I
I
I
I
I
I
AVALIAÇÃO
------- I -- ------II
ECONÕMICA I

----- ---~ I o•..


Z
ILI
Z
o(
:z:
.J
o(
•..
o
ILI

INTEGRAÇÃO DOS RESULTADOS


AVALIAÇÃO ECONÕ"'ICA

------~-------.J

o
,o(
~
:J
c
~

ABANDONO DO EXPLO RAÇAO


DEPÓSITO DA JAZ IDA

Figura 2.1: Àrquitetura da prospecção mineral, destacando as etapas do trabalho


geofísico.
32 A Prospecção Geofísica

são:
· litológicos e estratigráficos - muitas mineralizações localizam-se, preferencial
ou exclusivamente, em determinados tipos de rocha ou horizontes estratigráficos
(um bom exemplo é fornecido pela jazida de cobre do 3-Alfa, Carajás, Pará,
restrita ao xisto);
· paleogeográficos - alguns tipos de jazida mostram relações espaciais com as
condições pretéritas (o carvão do Rio Grande do Sul e a água subterrânea potável
da ilha de Marajó, Pará, localizam-se, respectivamente, em antigos vales e canais
de rios, ambos capeados por sedimentos)j
· estruturais - algumas estruturas geológicas fornecem condições seja para a
concentração de minerais (o ouro de Serra Pelada, Pará, restringe-se ao eixo do
sinclinal presente na área enquanto o de Morro Velho, Minas Gerais, às zonas
de fraqueza como falhas e fraturas), seja para o aprisionamento de hidrocarbo-
netos (o de Juruá, na Amazônia, está relacionado a uma faixa de dobramentos
acompanhada de falhamentos); e
· fisiográficos - depósitos aluvionares (como vários garimpos de ouro do ter-
ritório brasileiro) têm enorme relação com a geomorfologia pois a concentração dos
minerais pesados geralmente acontece por uma redução da velocidade das águas
dos rios, ocasionada, por exemplo, por mudanças de declividade em seu leito.
Guias de prospecção são representados por fatos diretos indicadores de mine-
ralização como a presença de minerais dito satélites, que quase sempre indicam a
existência de rochas ou minerais sob investigação. Grãos de piropo (granada), por
exemplo, podem indicar a presença de diamante, seu concomitante paragenético.
Como indicações favoráveis compreendem-se os resultados geofísicos e geo-
químicos, bem como geobotânicos, que possam significar ou conduzir a concen-
trações anômalas de minerais, petróleo e carvão. Zonas com radioatividade rela-
tivamente elevada indicadas pela Radiometria ou concentrações elevadas de U30g
reveladas por análises químicas, por exemplo, podem indicar ocorrências impor-
tantes de minerais de urânio.

A etapa de reconhecimento tem início com um conjunto de estudos que permi-


tem uma melhor definição do problema geológico levantado. Dentre esses estudos
preliminares, destacam-se a pesquisa bibliográfica e a investigação minuciosa de
mapas, fotos aéreas, imagens de radar e satélite.
A pesquisa bibliográfica tem como base os resultados dos trabalhos de ma-
peamento e de prospecção realizados na área sob investigação bem como em áreas
semelhantes.

A investigação de fotos aéreas e de diversos tipos de cartas permite detetar,


por exemplo, mudanças na declividade do leito dos rios que geram a redução da
velocidade de suas águas, permitindo a concentração de minerais pesados (controle
fisiográfico de mineralização). As cartas nas escalas 1:100.000 e 1:50.000 ou maior,
são as que permitem o melhor reconhecimento de controles de mineralização bem
como sua individualização;na falta de mapas geológicos nessas escalas, podem
2.2 A Geofísica na Prospecção Mineral 33

ser utilizados mapas na escala de até 1:250.000 para fornecer apenas o chamado
fundo geológico.
,
Ao final dos estudos preliminares, mapas com informações das diferentes car-
tas são construídos, e zonas interessantes são assinaladas para os levantamentos
de campo.

No campo, seções geológicas são elaboradas para testar as informações forne-


cidas pelos mapas bem como permitir a familiarização da equipe com a Geologia
da área. Depósitos minerais, quando existentes, são visitados e sua localização
lançada no mapa geológico, salientando-se os prováveis controles de minerali-
zação e outras informações relevantes. Amostras são coletadas ao longo de toda
o trabalho de campo para auxiliar, após serem submetidas a diferentes análises
laboratoriais (sendo a petrográfica, a mais freqüente), na definição mais acurada
das litologias e de suas relações no tempo e no espaço.
Paralelamente a essas atividades e de forma interativa, são realizados levan-
tamentos geofísicos e geoquímicos.
Em áreas emersas, são realizados levantamentos geofísicos aéreos e terrestres,
comumente, com os Métodos Magnético e Eletromagnéticos, se o alvo são bens
miner"ais, e os Métodos Sísmico, Magnético e Gravimétrico, se o alvo é petróleo.
A Sísmica é muito dispendiosa para ser utilizada na etapa de reconhecimento
em levantamentos terrestres; ainda assim, é o método mais utilizado na etapa de
reconhecimento da prospecção de petróleo.

Em áreas submersas, dentre as quais a mais intensamente investigada é a


plataforma continental, são realizados levantamentos geofísico's marinhos com os
Métodos Sísmico, Magnético e Gravimétrico, e levantamentos aéreos com esses
dois últimos métodos. O alvo é, via de regra, petróleo.
A integração dos resultados de diferentes naturezas obtidos, permite o enri-
quecimento do mapa geológico inicial, que passa a apresentar os principais traços
geológicos, a posição de jazidas e ocorrências cadastradas, as indicações geofísicas
e geoquímicas e demais informações relevantes.
A etapa de reconhecimento permite o desenvolvimento de noções vagas acer-
ca do caráter das mineralizações e de suas continuidades; nas regiões capeadas
pelo manto de intemperismo ou cobertura sedimentar, como acontece no Brasil,
há que se levar em conta que essas camadas mascaram as informações que são
levantadas, podendo conduzir ao falseamento das noções sobre as mineralizações.
Torna-se possível, contudo, avaliar sob o aspecto geoeconômico, se a área deve
ser abandonada ou tomada como alvo de estudos mais detalhados. Neste último
caso, áreas menores são selecionadas para detalhamento, com graus de prioridade
ditados pelos resultados favoráveis a concentrações de bens minerais encontrados
para as mesmas.
34 A Prospecção Geofísica

2.2.2 DETALHAMENTO

Na etapa de detalhament02, os alvos selecionados, na ordem decrescente de


prioridade, são submetidos a pesquisas geológicas mais detalhadas que, comumen-
te, demandam a abertura de poços e trincheiras bem como novas amostragens.
Paralelamente a essas atividades e de forma interativa, levantamentos
geofísicos e geoquímicos mais acurados são realizados.
Em áreas emersas, os trabalhos geofísicos são conduzidos a pé; eventualmente,
são usados veículos terrestres e helicópteros3. Diversos métodos geofísicos são
utilizados, dependendo do tipo de depósito sob investigação.
Nas áreas submersas, se o alvo é petróleo, Magnetometria, Gravimetria e,
especialmente, Sísmica são os métodos utilizados.

A integração dos resultados obtidos torna possível avaliar, sob o aspecto geoe-
conômico, se a área deve ser abandonada ou tornar-se alvo de estudos ainda mais
detalhados. Neste último caso, sítios específicos das áreas detalhadas são sele-
cionados para verificação através de furos de sondagem, com graus de prioridade
ditados pelos resultados favoráveis a concentrações de bens minerais encontrados
para os mesmos. Não raramente, resultados promissores são encontrados na borda
das áreas sob investigação: a extensão das áreas de detalhamento pode, então, ser
decidida.

Os furos de sondagens amostram as litologias da subsuperfície, tornando-as


acessíveis a estudos de laboratório de caráter geológico, geofísico (determinação
de propriedades, em geral) e geoquímico. Como essas amostras, recuperadas
por meio dos furos, são relativamente puntuais e têm localização imprecisa em
profundidade, é recomendável a perfilagem geofísica dos furos de sondagem, para
a ampliação do raio de amostragem dos mesmos e para a localização acurada das
amostras litológicas.
A integração dos resultados ao final dos trabalhos de detalhamento, tem como
objetivo concluir sobre a existência ou não de depósito do material sob investi-
gação, viável de ser explorado econômicamente. Em caso positivo, o depósito deve
ser com maior precisão avaliado economicamente, i.e., o depósito deve ser cuba-
do; em caso contrário, a área de trabalho é abandonada. É possível ainda que a
integração dos resultados mostre a necessidade de sondagens em novas posições,
ou a necessidade de outros trabalhos. Neste caso, a etapa de detalhamento deve
ser prolongada.

2Pode existir uma etapa dita de semi-detalhe, um detalhamento ainda grosseiro dos alvos,
precedendo os trabalhos mais minuciosos. O semi-detalhe pode ser útil na prospecção de áreas
de grandes dimensões e em regiões tropicais (Hastings 1982).

3USO mais comum no semi-detalhamento.


2.3 A Geofisica no Mapeamento Geológico 35

2.2.3 AVALIAÇÃO DO DEPÓSITO

A última etapa da prospecção mineral, a de avaliação do depósito ou cuba-


gem, engloba o levantamento das dimensões do depósito. Plantas topográficas
detalhadas, furos de sondagem em malha, trabalhos mineiros (galerias, planos in-
clinados, chaminés e outros), geológicos, geofísicos e geoquímicos de maior detalhe
são realizados de forma interativa.

Ao final dos trabalhos, é feita a avaliação de reservas do depósito à luz dos


custos de obtenção do material que será extraído e de seu valor de mercado. O
depósito pode apresentar características econômicas que compensem a sua explo-
ração ou representar apenas uma concentração anormal de um ou mais minerais
sem interesse econômico. No primeiro caso, o depósito é considerado uma jazida
mineral e no segundo, uma ocorrência mineral.

2.3 A GEOFÍSICA NO
MAPEAMENTO GEOLOGICO
,
O mapeamento geológico de uma área, base indispensável para a descoberta
de jazidas, é realizado comumente com o apoio da Geofísica. A seqüência des-
ses trabalhos de mapeamento, conhecida como mapeamento geológico-geofísico, é
apresentada na figura 2.2.
Primeiramente, é realizado o estudo minucioso de mapas geológicos bem co-
mo de mapas geofísicos obtidos através de levantamentos aéreos convencionais
(em geral, com a Magnetometria e a Radiometria) e de satélites (com a Magne-
tometria e a Gravimetria), fotos aéreas, imagens de radar e outros produtos do
sensoriamento remoto eletromagnético.
A integração dos resultados obtidos a partir dos mapas e fotos, com freqüência
conduz à eleição de áreas cuja verificação geológica é imprescindível. Assim, por
exemplo, quando a uma litologia A representada no mapa geológico, corresponde
uma configuração específica do mapa geofísico, áreas com tal configuração podem
ser preliminarmente atribuídas à litologia A, mesmo que o mapa geológico indique
o contrário. Se A é, por exemplo, basalto, o mapa magnético pode conter uma
concentração de isovalores que se fecham em pequenos intervalos espaciais (pe-
quenos dipolos); esse padrão pode aparecer numa área onde o basalto se encontra
capeado parcialmente por sedimentos recentes. Os resultados são incorporados
às cartas, enriquecendo-as, bem como permitindo a eleição de importantes guias
para a continuidade do trabalho.
A seqüência de trabalhos repete-se, até deixarem de existir áreas que deman-
dem a verificação geológica na escala considerada.
O mapeamento geológico-geofísico pode ser considerado um caso particular
da etapa de reconhecimento da prospecção mineral e o trabalho geofísico nele
36 A Prospecção Geofísica

ESTUDOS
. GEOFíSICOS *"

ÁREA
MAPEADA

*
jINTERPRETA®

Figura 2.2: Arquitetura do rnapearnento geológicoapoiado no rnapearnento geofísico,


destacando a natureza do trabalho geofísico.

realizado pode ser, essencialmente, de interpretação dos mapas geofísicos pré-


existentes (Fig. 2.1).

- #

2.4 ETAPAS DA PROSPECÇAO GEOFISICA


A prospecção geofísica sistemática de um alvo compreende, em geral, as se-
guintes etapas:
estudos geofísicos preliminares,
preparação da área e da estratégia de medição,
medidas de campo,
apresentação dos dados,
tratamento dos dados e
interpretação dos resultados.
Essas etapas são essencialmente as mesmas, independente da prospecção ser
realizada ao nível de reconhecimento, de detalhe ou de avaliação do depósito
(Fig. 2.1), bem como do levantamento ou método geofísico nela utilizado. Assim,
por exemplo, o reconhecimento aéreo com a Magnetometria compreende etapas
análogas a do detalhamento terrestre
, com a Sísmica.

2.4.1 ESTUDOS GEOFÍSICOS PRELIMINARES

Não raramente, os métodos geofísicos são utilizados segundo uma padroni-


zação, freqüentemente difícil de modificar, feita com base em práticas passadas
e outros fatores (Hastings 1982, p.33). Rochas acamadas, por exemplo, são co-
mumente investigadas através da Sísmica mas, se o trabalho é realizado em área
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 37

pequena, resultados satisfatórios, mais rápidos e menos dispendiosos, podem ser


obtidos com a Eletrorresistividade. Ademais, um método geofísico pode, ao ser
aplicado a um fim para o qual sua utilidade seja reconhecida, produzir resultados
insatisfatórios. Conseqüentemente, numa primeira etapa, para que se possa efe-
tuar a seleção do conjunto de métodos geofísicos que poderá produzir os melhores
resultados ao ser utilizado na área sob investigação, bem como do modo de apli-
cação desses métodos, são estudados diferentes aspectos do problema, dentre os
quais destacam-se os seguintes:

caracterização geológico-geofísico do alvo,


propriedades físicas dos materiais,
razão sinal/ruído e
condições operacionais.

2.4.1.1 Caracterização Geológico-Geofisica do Alvo


A caracterização geológico-geofísica do alvo não se refere à identificação do
alvo feita de forma isolada, mas' à compreensão global do seü significado físico-
geológico no ambiente em que se encontra. Envolve, portanto, o reconhecimen-
to de relações espacial e temporal do alvo com o meio, bem como a descrição
de ambos quanto à constituição e origem e das condições ambientais pretéritas,
acompanhados do seu significado físico.
A importância desses fatores na seleção do conjunto de métodos geofísicos a
ser aplicado na área sob investigação pode ser ilustrada com os seguintes exem-
plos: a existência de uma soleira de diabásio prejudica o estudo da distribuição
de propriedades elásticas abaixo da mesma por meio da propagação de ondas
Sísmicas, o que desaconselha o uso da Sísmica em tais situações; a condutividade
de um arenito formado no Paleozóico é, quase sempre, menor do que a de seu
análogo formado em tempos recentes e aproximadamente igual a de rochas ex-
trusivas recentes, de modo que, através da Eletrorresistividade, a discriminação
desses arenitos é possível, mas não entre o arenito paleozóico e as extrusivas recen-
tes; em regiões submetidas a metamorfismo, material não magnético pode ter se
transformado em magnético (pirita para pirrotita), possibilitando o uso da Magne-
tometria para a investigação de minerais de interesse associados ao material que
era não magnético no ambiente pretérito.
A caracterização geológico-geofísica do alvo pode ser levantada a partir da
pesquisa bibliográfica, acompanhada da troca de idéias com membros da equipe
de Geologia, e deve incorporar todo o conjunto de informações pertinentes que se
tornar disponível, com o avanço da campanha de prospecção.
A pesquisa bibliográfica versa sobre os resultados dos trabalhos geofísicos e
geológicos realizados na área sob investigação bem como em áreas semelhantes;
atenção especial deve ser dada tanto aos métodos e procedimentos geofísicos utili-
zados nesses trabalhos como também aos seus resultados, sejam eles positivos ou
38 A Prospecção Geofísica

negativos, e à explicação para os mesmos.


A investigação de mapas geofísicos disponíveis para a área pode também ser
útil. No Brasil, várias áreas foram aerolevantadas com Magnetometria, Radiome-
tria e, mais restritamente, com INPUT, que é um dos Métodos Eletromagnéticos.

A compreensão global que se procura obter do alvo torna-se mais completa


com a investigação das propriedades físicas dos materiais presentes na área sob
estudo.

2.4.1.2 Propriedades Físicas dos Materiais

Na prospecção geofísica, informações sobre a subsuperfície são procuradas nas


variações experimentadas por campos físicos ou ondas, provocadas por desconti-
nuidades nas propriedades físicas dos materiais do terreno. O critério básico para
a seleção do conjunto de métodos geofísicos a ser aplicado a uma certa área é,
portanto, a existência de contraste nas propriedades físicas da subsuperfície.
Interface geológica e interface de contraste nas propriedades físicas não
são eqüivalentes, porque nem toda interface geológica - superfície real ou virtual
que separa estratos (plano de estratificação), blocos deslocados (plano de falha)
e outras entidades geológicas - representa uma descontinUÍdade nas propriedades
físicas. Ambas interfaces, é conveniente notar, podem ser tanto bruscas como
graduais, bem como planas ou curvas.
O contraste nas propriedades físicas pode se referir: (a) ao material sob in-
vestigação e à sua encaixante, (b) ao material de ocorrência associada àquele
sob investigação e à sua encaixante e (c) às interfaces de estruturas favoráveis à
acumulação do material buscado.
O primeiro caso permite a aplicação dita direta da Geofísica e os demais, a
aplicação indireta, exemplificadas no item 1.2.3.
Quanto maior o contraste na propriedade considerada, mais clara a definição
da interface geológica que o provocou. O grau desse contraste, contudo, não é um
critério decisivo para a seleção dos métodos geofísicos a serem aplicados a uma
determinada área, porque métodos em estágio tecnológico adiantado fornecem
um conjunto de informações sobre o alvo mais rico do que os demais, podendo
tornarem-se prioritários.
O contraste nas propriedades físicas dos materiais da área pode ser avaliado
de modo objetivo quando essas propriedades são medidas.
As propriedades físicas dos materiais podem ser medidas in situ ou em la-
boratório. Determinações de propriedades in situ produzem resultados mais
realísticos do que aquelas realizadas em laboratório, porque o material removido
do campo sofre modificações que afetam as suas propriedades físicas (o conteúdo
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 39

de água do material, por exemplo, não permanece o mesmo, o que afeta a sua
condutividade elétrica).
As medidas in situ são realizadas em poços, paredes de furos de sondagem,
afloramentos de rocha, minas e outras exposições litológicas. Para as medidas
de laboratório são usadas amostras de picagem, que correspondem a amostras
retiradas com marreta de exposições litológicas e, principalmente, amostras de
sondagem (ou testemunho), que consistem de porções cilíndricas do material atra-
vessado e recuperado por furos de sondas manuais ou de maior porte, que atingem
profundidades que variam desde alguns centímetros a centenas de metros. Apenas
as amostras e as porções das paredes de exposições litológicas representativas de
cada uma das feições sob investigação são utilizadas.
Muitas vezes, as propriedades não são medidas porque exposições ou amostras
litológicas não se encontram disponíveis, como ocorre em partes da Amazônia, em
conseqüência do forte intemperismo ali atuante. Quando isso ocorre, o contraste
nas propriedades físicas pode ser avaliado com o amalio de tabelas de valores
obtidos para propriedades de materiais geológicos de áreas diversas; todavia a
maioria das propriedades pode variar bastante de uma área para outra, de modo
que o aUXIlioque essas tabelas pode prestar é limitado. Uma outra possibilidade
é realizar o levantamento de pequenas porções da área com diferentes métodos
geofísicos, onde já se saiba da existência de mineralizações ou qualquer outra
feição de interesse.

2.4.1.3 Razão Sinal/Ruído

As medidas geofísicas englobam efeitos de feições de interesse, ditos sinal,


como também efeitos indesejáveis, espúrios, conhecidos como ruídos. Aqui, O
sinal conjuntamente com o ruído será chamado de medida, leitura, observação,
dado, resposta ou informação.

A medida (M) pode então ser representada sob a forma

M = j(S,R) (2.1)

sendo: S o sinal e R o ruído.

Uma razão sinal/ruído (S/R) baixa pode tornar proibitiva a aplicação da


Geofísica, pois as medidas se mostrarão como um amálgama de efeitos indistin-
guíveis. Nas regiões tropicais, é conveniente mencionar, essa razão é raramente
alta, em se tratando de alguns métodos geofísicos, como os Elétricos e os Eletro-
magnéticos.

A avaliação da razão S/R, abordada por Ward & Rogers (1967) além de
outros, exige a montagem de um quadro dos ruídos provavelmente existentes na
área.
40 A Prospecção Geofísica

Os ruídos podem ser classificados em:

(a) ruídos instrumentais - associados ao desempenho dos instrumentos utiliza-


dos;

(b) ruídos operacionais - impreclsoes devidas a erros na observação das lei-


turas bem como ao não cumprimento de exigências impostas pelo método
(posicionamento do instrumental, por exemplo), freqüentes em regiões de
topografia acidentada ou de vegetação densa, onde o levantamento de dados
é uma tarefa difícil;

(c) ruídos do terreno - contribuições das heterogeneidades do subsolo sem im-


portância para a campanha (por exemplo, ocorrências de minerais que pro-
movem descontinuidades nas propriedades físicas mas não são o alvo da
prospecção e variações na constituição e espessura do manto de intemperis-
mo) bem como do relevo topográfico, conhecidos como ruídos geológicos e
ruídos topográficos, respectivamente; e
(d) ruídos parasitários - demais efeitos indesejáveis como aqueles produzidos
por ventos, campos naturais (tempestades magnéticas, correntes telúricas e
o eletrojato equatorial, por exemplo) e obras humanas (como linhas de alta
tensão, instalações industriais, zonas de testes atômicos, oleodutos, regiões
lavradas bem como fertilizadas, cercas metálicas e materiais enterrados),
sendo estes últimos também conhecidos como ruídos culturais ou ruídos
humanos.

Algumas fontes de ruído variam com o tempo (as tempestades magnéticas,


por exemplo, repetem-se a intervalos de aproximadamente 27 dias) e podem ter
sua ocorrência prevista. Outras, podem ser observadas em cartas ou diretamente
durante o trabalho geofísico (como é o caso de desníveis topográficos e várias
atividades humanas).
Ruídos como esses podem ser eliminados ou minimizados evitando-se medições
nos períodos ou locais propícios aos mesmos. Alguns ruídos podem, ainda, ser
removidos dos dados (item 2.4.5). Há ruídos, contudo, que permanecem nas
medidas, podendo inviabilizar a aplicação dos métodos geofísicos.

Uma fonte de ruídos para um método geofísico pode, todavia, não afetar um
outro método ou, até mesmo, corresponder ao sinal para o mesmo. Nas medi-
das, por exemplo, com o Método da Eletrorresistividade, a diferença de potencial
natural é compensada porque representa ruído; com o método do potencial es-
pontâneo, a meta é detetar esse potencial natural. O uso de métodos sensíveis a
diferentes fontes de ruído aumenta a probabilidade de detecção do alvo.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 41

2.4.1.4 Condições Operacionais

A seleção do conjunto de métodos geofísicos a ser utilizado na área sob estudo


e do modo de aplicação de cada método depende não só de sua possível contri-
buição para resolver o problema de prospecção, mas também das características
da região bem como do pessoal, equipamentos e medidas de segurança necessários.
Esses fatores, como se procura ilustrar a seguir para as regiões tropicais, guardam
relações entre si e sua análise é feita de modo a compor um critério final tangível:
o custo do trabalho geofísico.

Em regiões tropicais de vegetação densa, o acesso à área de trabalho e a lo-


comoção nesta são difíceis; logo, os levantamentos geofísicos conduzidos a pé são
lentos, especialmente se a área é de grandes dimensões e o espaçamento entre as
medidas é pequeno; levantamentos lentos são dispendiosos. Por outro lado, a mão-
de-obra de apoio nessas regiões recebe baixas remunerações. Ocorre, contudo, que
os equipamentos, cujo peso e dimensões devem ser o mais reduzidos possível, devi-
do às condições climáticas da região e dificuldades no transporte dos mesmos, não
raramente apresentam problemas de funcionamento; operadores capazes de reco-
nhecer o mal funcionamento dos equipamentos são, nesses casos, fundamentais,
mas o ideal é realizar o levantamento geofísico contando com pessoal especializado
em Eletrõnica, o que contribui para aumentar o seu custo.

As medidas de segurança necessárias ao trabalho geofísico dependem da in-


salubridade e da periculosidade da área, por um lado, e, por outro, dos possíveis
efeitos do trabalho sob o ambiente. Nas regiões tropicais, as primeiras podem atin-
gir um nível considerável de risco e a manutenção de pessoal no campo tornar-se
dispendiosa. Os efeitos dos trabalhos geofísicos sob o ambiente são, não nessas
regiões, mas nas zonas densamente habitadas, mais problemáticos: trabalhos com
Métodos Elétricos que exijam a injeção de correntes elevadas no terreno podem
ser inviáveis, exceto com medidas rígidas de segurança; trabalhos com a Sísmica
exigem testes dos efeitos de diferentes níveis de vibração nas construções e práticas
incomuns, como trabalhos noturnos com geofones especiais (caso da prospecção
de petróleo em Paris); em tais situações, o custo do trabalho geofísico cresce
substancialmente.

Na prospecção mineral, é conveniente notar, o custo do trabalho geofísico


pode oscilar dentro de níveis modestos, em comparação com o custo da prospecção
geofísica para petróleo, pois o capital de risco disponível para a investigação de
petróleo é maior.

2.4.2 PREPARAÇÃO DA ÁREA E


DA ESTRATÉGIA DE MEDIÇÃO

Antes da tomada de medidas geofísicas de campo, uma série de procedimentos


deve ser realizado de modo a torná-Ia viável, objetiva e racional. Entre eles,
42 A Prospecção Geofísica

desta@m-se a localização das posições de medidas e o planejamento de ocupação


das mesmas--: -

A tomada de medidas de campo é realizada, em geral, em posições, conheci-


das como estações ou pontos de medida, leitura ou observação, ao longo de um
conjunto de linhas ou perfis. Ela depende, além do conjunto de métodos geofísicos
a ser utilizado, da direção, das dimensões e da profundidade esperadas para as
feições sob investigação, bem como, se o objetivo do levantamento é a deteção ou
a delineação dessas feições.

A direção das feições (strike) influencia o posicionamento dos perfis: em ge-


ral, os perfis são planejados com direção perpendicular à direção esperada para
as feições, muito embora medidas realizadas em perfis que formam um ângulo
diferente de noventa graus com a direção das feições possam, em muitos casos,
produzir melhores resultados.
A quantidade de dados necessários para a extração de informações confiáveis
sobre a subsuperfície depende das dimensões e profundidade das feições: se estas
são pequenas e, especialmente, rasas, deve ser também pequena a distância entre
as estações de medida; feições maiores profundas, por sua vez, podem ser investi-
gadas por meio de estações mais espaçadas. Em sítios arqueológicos, as medidas
geofísicas podem ser tomadas em estações separadas de cerca de 1 m, ao longo de
perfis espaçados de cerca 1 m ou um pouco mais, porque as dimensões das feições
buscadas são muito pequenas. Para os trabalhos magnetotelúricos voltados para a
. investigação de arcabouço tectônico, as estações são projetadas com espaçamentos
. de cerca de 10 km. De um modo geral, as observações devem ser próximas o bas-
tante para que a interpolação entre elas e, por conseguinte, a interpolação entre
as informações nelas contidas possam ser confiáveis.
É necessário, então, distinguir que o objetivo das informações a ser extraídas
dos dados de campo pode ser a deteção das feições ou a delineação das mesmas
(com freqüência, objetivos dos trabalhos de reconhecimento e de maior detalhe,
respectivamente). Um corpo pode ser detetado se o seu efeito for observado em
pelo menos um dos perfis; para a sua delineação, no entanto, são necessários pelo
menos três perfis nos quais seu efeito seja percebido. O efeito de um corpo, deve-se
destacar, é sempre maior em área do que o corpo.
A coleta de dados depende também da altitude e da velocidade com que é
realizada.

Quanto mais próximo da superfície estiver o sensor, menor o volume amos-


trado da área; o sinal devido a: feições profundas é, portanto, captado de modo
mais efetivo com sensores altos (mas sinais de corpos distintos podem se confundir
com o de um único corpo). Nos levantamentos aéreos sobre bacias sedimentares,
de interesse para a prospecção de petróleo, a altitude da aeronave pode, pois, ser
superior àquela utilizada na prospecção mineral. A dependência dos dados com
a altitude do ~ensor tem uma conseqüência interessante para os levantamentos
terrestres conduzidos a pé com alguns métodos (Radiométrico e alguns Eletro-
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 43

magnéticos, por exemplo): medidas realizadas por operadores de alturas muito


diferentes, fornecem resultados diferentes. Quando for possível, a altura do sensor
à feição sob investigação deve ser maior do que a distância entre os perfis, de
modo a propiciar ampla cobertura do terreno.
Nos levantamentos realizados com o aUXI1iode veículos, a resolução espacial
dos dados varia inversamente com a velocidade dos mesmos: quando o veículo
desloca-se, por exemplo, com rapidez, durante o tempo de resposta do instrumen-
to são cobertas grandes distâncias e a resposta obtida perde, consequentemente,
em resolução. Os lentos vôos dos helicópteros permitem, portanto, obterem-se
medidas de maior resolução do que os vôos com aviões convencionais. É conve-
niente notar que há uma velocidade limite para sensores com tempo de resposta
relativamente longo (magnetômetro de prótons, por exemplo).
A coleta de dados depende de outras características do tipo de levantamento
a ser utilizado, afora altitude e velocidade, como será visto a seguir.

2.4.2.1 Levantamentos Terrestres

Nos levantamentos terrestres de reconhecimento, as medidas geofísicas são


efetuadas ao longo de estradas e margens de rios que cortam a área sob estudo,
distantes de cerca de 1 a 10 km. O estado das estradas e margens dos rios deve,
portanto, ser conhecido antes do levantamento.
Nos demais levantamentos terrestres de detalhe e de semi-detalhe realizados
sobre a superfície do terreno, as medidas são tomadas em posições demarcadas da
área (Fig. 2.3). O processo de demarcação de uma área consiste de três etapas a
seguir descritas.

(a) Projeção de uma linha base, também conhecida como picada mestra, em
geral, paralela à direção esperada para as feições sob investigação, passando
pelo centro da zona de maior interesse. A linha base deve ser preparada
com teodolito.

(b) Abertura de picadas perpendiculares à linha base, que correspondem aos


perfis. Essas linhas são normalmente construídas a intervalos regulares que
variam de cerca de 25 a 500 m, frequentemente com o auxílio de bússola,
balizas e trena.

(c) Demarcação de posições nas linhas transversais com estacas (ou piquetes),
que correspondem às estações. Em geral, as estações são projetadas a in-
tervalos regulares que variam de 10 a 200 m, com o aUXI1iode trena. As
estacas, comumente de madeira e com 30 a 50 cm de comprimento, devem
conter uma inscrição a tinta ou em uma placa metálica, com a indicação da
linha transversal e da estação de medida que representam. A notação dos
valores das coordenadas em metros e com alusão aos pontos cardeais facilita
44 A Prospecção Geofísica

•••••••••• L T400N

r lD
•..
• • • • • • L T300N

LT200N
LEGENDA
LS Linho So••
LT 100N
LT Linho Tron$ver$ol

E.toç~e.
• ••••• L TO
@ E$toç~o 150N,250W
ESCALA
O 50 100 150 200m
t , , , , ~~
J
__
I
e.-_ • ., __
I
.-
1-
_
I I ~~...-.~~,~--, L TipO S
500W 400 300 200 100 O 100 200 300!

Figura 2.3: Padrão de demarcação de área para levantamentos geofísicosterrestres.


Valores das coordenadas em metros.

a identificação das posições de leitura; a inscrição para a estação marcada


com um asterisco na figura 2.3, por exemplo, seria: 150 N, 250 W. Se a linha
base não é N-S ou E-W pode-se fazer alusão ao quadrante em que a estação
se encontra; por exemplo, se a linha base mostrada na figura 2.3 tem direção
N30oE, a estação assinalada com um asteris.co pode ser identificada como
150 NE, 250 NW (sendo os quadrantes NE e NW definidos como a porção
da área à direita e à esquerda da LB, acima da LTO, respectivamente).

Os levantamentos sísmicos podem ser realizadas em cruz, leque e segundo ou-


tros arranjos, exigindo uma demarcação diferente. Com alguns Métodos Elétricos
e Eletromagnéticos, isto também ocorre.
Os levantamentos geofísicos ao longo de furos de sondagem, realizados tanto
na etapa de detalhamento como na etapa de cubagem, exigem a remoção das
ferramentas de perfuração do interior dos furos. Em alguns casos, é necessário
também que a parede do furo não tenha sido revestida e que a lama de perfuração
(bentonita) permaneça em seu interior (para as medidas efetuadas com os Métodos
Elétricos, por exemplo, o revestimento metálico dos furos é fonte certa de ruído;
a lama de perfuração, por sua vez, propicia o contato elétrico dos eletrodos com
o meio).

2.4.2.2 Levantamentos Aéreos e Marinhos

Levantamentos aerotransportados são especialmente indicados para a inves-


tigação de áreas de grande extensão ou de difícil acesso; com freqüência são utili-
zados na etapa de reconhecimento e, esporadicamente, fazem parte dos trabalhos
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 45

geofÍsicos da etapa de detalhamento.


Esses levantamentos são realizados ao longo de linhas paralelas, previamente
estabelecidas para o plano de vôo, em getal espaçadas de 100 a 1.000 m (ou de
vários km, se estruturas crustais maiores sãp investigadas) e transversais à direção
geológica da região; linhas adicionais, de controle, cruzam as demais (Fig. 2.4).

200 km
s;. '"

-----.-~---
-----.-----

-----.-----

- - - - - -<-- - --
ESCALA
o 2 5 IOkm
"! ,

LINHA DE
CONTROLE

Figura 2.4: Padrão de vôo para levantamentos geofisicosaéreos.

Os levantamentos aerotransportados devem ser realizados a uma altitude e


velocidade constantes: 150 m e menos de 200 km/h, respectivamente, podendo
ambas ser menores, se helicópteros são utilizados. A altitude poqe ser tomada
constante em relação ao terreno ou ser simplesmente uma altitude barométrica.
Levantamentos marinhos são realizados tanto para reconhecimento como para
detalhamento, ao longo de perfis.

Quanto mais agitadas as águas na área de trabalho, mais imerso deve ficar
o sistema de recepção para não acompanhar o movimento das ondas. Pesos de
chumbo podem ser utilizados para fazer o cabo afundar imediatamente atrás da
embarcação. A profundidade de equilfbrio do conjunto de sensores rebocados pelo
cabo é tanto maior, quanto menor for a velocidade da embarcação, que é, em geral,
reduzida: 5 a 10 nós (sendo 1 nó = 1.852 m/h).
Nos levantamentos aéreos e marinhos, os dados coletados pelos sensores são
enviados através de cabos elétricos ou rádio aos registradores instalados no interior
do veículo. Outras informações são também registradas, como a altura do vôo ou
a espessura da lâmina de água, bem como o posicionamento das leituras, que pode
ser obtido por meio de diferentes sistemas, a seguir abordados.
46 A Prospecção Geofísica

2.4.2.3 Sistemas de Posicionamento

A comparação entre dados geofísicos ou deles com outros tipos de dados, a


determinação da posição das zonas promissoras por eles indicadas e o planejamen-
to de levantamento com um outro método de prospecção ou de perfurações sobre
essas zonas exigem o conhecimento exato das posições de medida.
Na etapa de reconhecimento terrestre, o controle das posições de medida pode
ser feito com base no odômetro do veículo, no passo previamente aferido, em fio
topográfico (cabo enrolado em um carretel que se leva preso à cintura). Nos
levantamentos terrestres de detalhe, a necessidade de um controle mais acurado
das posições de medida leva à demarcação do terreno (item 2.4.2.1). Nos trabalhos
ao longo de furos de sondagem, o cabo de sustentação das ferramentas geofísicas
descidas durante as medições é marcado segundo uma unidade de comprimento,
permitindo o controle das posições de medida.

Durante a tomada de medidas geofísicas aéreas, o terreno pode ser fotografado


continuamente; marcas ou números de referência impressos nas fotos e no registro
geofísico permitem localizar as posições no terreno que correspondem às posições
de medida. O controle de vôo, ou seja, o posicionamento da aeronave nas posições
desejadas para o trabalho, pode também ser exercido com base em fotos prévias,
parte de fotomosaicos, nas quais o co-piloto observa feições características do
terreno que possam servir de referência (estradas, rios, vales, elevações), de modo
a cumprir as linhas de vôo pré-definidas nas mesmas. O posicionamento dos
dados por meio de fotos demanda, contudo, para a composição final dos dados, um
trabalho árduo; em regiões de floresta exuberanté, por exemplo, a paisagem é com
freqüência monótona, a menos dos rios principais. Esse tipo de posicionamennto
é, portanto, nem sempre muito preciso e, para alguns casos, inadequado.
Nos trabalhos marinhos, o posicionamento pode ser feito de modo análogo,
com base na identificação de feições do fundo oceânico reveladas através da va-
riação da profundidade das águas, que é fornecida pela batimetria.
Para o controle mais preciso das posições de medida, bem como para o posicio-
namento do veículo (ou plataforma) nas posições desejadas para os levantamentos
geofísicos destacam-se os sistemas de (Tab. 2.1):

radioposicionamento,
posicionamento Doppler,
posicionamento inercial e
posicionamento por meio de satélites.

4Sobre posicionamento em regiões de floresta, veja, por exemplo, Bonis (1982).


2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 47

Tabela 2.1 - Sistemas de posicionamento


SISTEMA TIPO ALCANCE PRECISAO
lO2 _ lO5 m 1 - 10 m
Radioposicionamento
10~ - lOv m 1 - 10- m

0.2 % distância
Doppler percorrida
~
Inercial precisão Doppler
ilimitado 10m
Satélite ilimitado 1 - 10-2 m

Os sistemas de posicionamento destacados são descritos a seguir com base


especialmente em Bernstein (1974), Dobrin (1976), Nettleton (1976), Sheri:ff &
Geldart (1982), Sheri:ff(1974) e Schutz (1987). Eles são adequados para levanta-
mentos geofísicos aéreos e marinhos. O posicionamento por meio de satélites, em
adicional, pode ser útil em levantamentos terrestres.
Deve-se mencionar que diferentes técnicas de posicionamento podem ser uti-
lizadas de forma complementar, de modo que as vantagens de uma compensem as
deficiências da outra.

2.4.2.3.1 Radioposicionamento

A diferença no tempo ou na fase entre a transmissão e a recepção de pulsos de


ondas eletromagnéticas de radiofreqüência (acima de 3 kHz) permite a localização
da plataforma através dos sistemas de radioposicionamento, pois a velocidade das
ondas é conhecida (3 X 108 m/s).
Os sistemas de radioposicionamento podem ser separados em:
sistemas em visibilidade direta e
sistemas de longo alcance.
Os primeiros empregam pulsos de alta freqüência (200-10.000 MHz) ao longo
de uma linha de visão.

Os sistemas de longo alcance fazem uso de sinais codificados de freqüência


muito inferior a dos sistemas em visibilidade direta (10-5.000 kHz).
O radar é um dos sistemas de radioposicionamento mais populares. Através
desse sistema, em visibilidade direta, as microondas podem ser: a) transmitidas da
plataforma, retornando por reflexão ao atingirem alvos de localização conhecida
no terreno e em bóias ou b) transmitidas de duas estações localizadas no terreno
e as reflexões da plataforma serem observadas (Fig. 2.5).
Há dois modos de operação para os demais sistemas de radioposicionamento:
circular e hiperbólico.
48 A Prospecção Geofísica

Figura 2.5: Posicionamentopor meio de radar. Pontos atingidos em terra: alvos conhe-
cidos ou estações.

No primeiro, uma estação de radar (M) na plataforma transmite para pelo


menos duas outras (A e B), de referência, que os retransmite de volta; a interseção
num mapa dos círculos centrados nas duas estações de referência, representando as
posições de mesma diferença de tempo ou fase, estabelece a posição da plataforma
(Fig. 2.6a).
No modo hiperbólico, a diferença de fase ou tempo é tomada com respeito
a dois pares de estações transmissoras: o primeiro par (estações A e M) permite
achar uma linha de posição hiperbólica para a recepção, cujos focos são as duas
estações (Fig. 2.7); o segundo par (estações BeM), formado por uma estação
comum ao primeiro par e central às demais (M), permite determinar uma linha de
posição hiperbólica que intercepta a anterior na posição correspondente à posição
da plataforma, a qual apenas recebe os sinais (Fig. 2.6b). No modo hiperbólico,
vários usuários podem trabalhar com um mesmo sistema pois a plataforma, ao
contrário do modo circular, é passiva (somente recebe).
Como a distância e a acurácia das medidas variam, respectivamente, inversa e
diretamente com a freqüência, os sistemas de radioposicionamento em visibilidade
direta apresentam uma precisão superior à dos sistemas de longo alcance e são
adequados para trabalhos que envolvam distâncias não muito grandes entre a
plataforma e as estações ou, elll se tratando do radar, os alvos de localização
conhecida, como é o caso de levantamentos realizados na zona marinha costeira.
Como os pulsos são enviados ao longo de uma linha de visão, o alcance desses
sistemas é limitado pela curvatura da Terra bem como depende da altura da
antena de transmissão e do alvo. Em regiões tropicais, a atmosfera permite,
devido aos seus elevados gradientes de temperatura, a refração de ondas de alta
freqüência e esses sistemas passam a operar com um alcance até quatro vezes
maior.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 49

® PLATAFORMA

A, M, B - ESTAÇÕES DE TRANSMiSSÃO
~ TERRA FIRME •
O MAR
LINHAS
AM,.,..-
DE POSiÇÃO
MB
OBTIDAS
",--
COM

Figura 2.6: Modos de operação dos sistemas de radioposicionamento.

Os sistemas de longo alcance, por sua vez, como o próprio nome indica, per-
mitem trabalhos a distâncias maiores do que os sistemas em visibilidade, mas nem
sempre apresentam a precisão necessária para os trabalhos de Geofísica. Como
a luz do Sol promove ionização, a interferência das ondas refletidas pela ionosfe-
ra (sky waves) torna-se variável ao pôr do Sol e ao amanhecer, e a acurácia das
medidas, nesses períodos, torna-se ainda menor.

Os sistemas de radionavegação em visibilidade direta e de longo alcance são


pouco usados nas regiões de floresta densa e em todas as demais regiões onde a
instalação e a manutenção de estações representam tarefas problemáticas.

2.4.2.3.2 Posicionamento Doppler

O efeito Doppler corresponde ao deslocamento aparente na freqüência de uma


onda, devido à compressão da frente de onda pelo movimento de sua fonte com
respeito à recepção ou vice-versa.

Nos sistemas de posicionamento Doppler, a variação entre a freqüência das


ondas transmitidas e recebidas pela plataforma após sofrerem reflexão no terreno
ou em massa de água é detectada; como a variação na freqüência é proporcional
à velocidade da plataforma, esta pode ser obtida e, uma vez integrada, fornece
50 A Prospecção Geofísica

(o) 3.oo0.v'
I
I
J
Linha de posicOo para
J
diferença de tempo de
transmissOo de 800ps
'"
"-
"-
3.800}l s

/
/
I
/
I
/
/
I
I

(b)
\-
\
\
\ --
.'..::
"- ...•.•.

-8
A,M

--
PLATAFORMA
ESTAÇÕES

L INHAS

DIFERENÇAS
DE POSiÇÃO

TRANSMiSSÃO
DE TRANSMISSÃO

DE TEMPO
HIPERSÓLlCAS

DE
CONSTANTES

Figura 2.7: (a) Exemplo de linha de posição hiperbólica para diferenças de tempo de
transmissão constante (8()O J.ls) entre duas estações de rádiofreqüência sincronizadas; (b)
Família de hipérboles definidas pelas duas estações.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 51

a pOSlçao desejada. Em geral, são utilizadas transmissões para a frente, para


atrás e para ambos os lados da plataforma, o que permite determinar diferentes
componentes do movimento da plataform~ (Fig. 2.8).

""'

Figura 2.8: PosicionamentoDoppler.

Os sistemas Doppler que trabalham em aeronaves são conhecidos como ra-


dar Doppler e aqueles que operam em embarcações, como sonar Doppler. Esses
sistemas têm a vantagem de ser totalmente acondicionados na plataforma, não de-
pendendo, portanto, de estações. O posicionamento periódico por meio de outros
sistemas é, contudo, necessário para a correção dos erros que, com as integrações,
acumulam-se com o tempo; o posicionamento através do sonar Doppler, ademais,
é afetado pelo movimento da própria superfície da água, bem como pela tempera-
tura, salinidade e espessura da lâmina de água, que após 250 m atenua as ondas
emitidas consideravelmente. Ainda assim, tanto o radar quanto o sonar Doppler
são freqüentemente utilizados, sendo o primeiro especialmente indicado na im-
plementação do posicionamento através de fotos aéreas nas zonas de paisagem
monótona, como pode ser o caso de regiões de floresta densa (Rerrero & Norgaard
1982).

2.4.2.3.3 Posicionamento Inercial

Nos sistema de posicionamento inercial ou ISS (Inertial Survey Systems), a


aceleração da plataforma é determinada e sua integração fornece a velocidade da
plataforma bem como a sua posição, com mais uma integração. Acelerômetros
mantidos estáveis em relação às inclinações na horizontal e rotações da plataforma
são utilizados5.

5Instrumentos construídos para levantamentos gravimétricos marinhos ou aéreos (item 3.8.3.2)


podem ser usados para posicionamento assim como os sistemas inerciais (Valliant & Cooper 1981).
52 A Prospecção Geofísica

Os sistemas inerciais trabalham igualmente bem em terra e no mar. Assim co-


mo os sistemas de posicionamento Doppler, os sistemas inerciais têm a vantagem
de ser totalmente acondicionados na plataforma, mas dependem do posiciona-
mento periódico por meio de outros sistemas para correção dos erros que, com as
integrações, acumulam-se com o tempo; os erros acumulados no posicionamento
inercial são, contudo, maiores do que aqueles do posicionamento Doppler.

2.4.2.3.4 Posicionamento por meio de Satélites

Os principais sistemas de posicionamento por meio de satélites são:


Transit, Navsat ou NNSS (Navy Navigation Satellite System),
Navstar ou GPS (Global Positioning System) e
SLR (SatteZite Laser Ranging).
O sistema Transit, estabelecido em 1959 pela US Navy, tem como base o
efeito Doppler observado na radiotransmissão recebida dos satélites Transit. A
transmissão é feita nas freqüências de 150 e 400 MHz, esta última para uso civil
desde 1967, e inclui informações sobre a posição absoluta do satélite, atualizadas a
cada 12 horas com o aUXlliode sofisticado esquema montado em terra (Fig. 2.9).
O posicionamento é obtido a partir da combinação dessas informações com as
observações sobre o efeito Doppler.
O sistema Transit envolve satélites em órbita polar a cerca de 1.075 km de
altitude. Cada satélite cobre de 5 a 8% da superfície terrestre. O espaçamento e
o período orbital (cerca de 107 minutos) dos satélites Transit não são constantes.
Conseqüen~emente, varia o intervalo de tempo em que cada satélite fica no campo
de observação da plataforma"(30 minutos, se a plataforma estiver no Equador,
duas horas, quando ele operar a 60° de latitude). Em altas latitudes, é possível
observar mais do que um satélite simultâneamente, porém, em regiões tropicais,
pode haver um longo intervalo de tempo entre a passagem de satélites (umas
poucas horas).
O posicionamento contínuo da plataforma através do sistema Transit exige
interpolações entre as leituras ou a combinação com outros sistemas de posicio-
namento (Kronberg e Frye 1971), sonar Doppler, por exemplo, como é mostrado
na figura 2.9.
O sistema Transit vem sendo substituído gradualmente pelo sistema GPS,
mas a tecnologia Transit, baseada no efeito Doppler, continua sendo utilizada em
novos satélites, inclusive os GPS.
No sistema GPS, estabelecido em 1974 pela US Air Force, a localização da
plataforma pode ser obtida, como em vários sistemas de radioposicionamento, a
partir do tempo de propagação de ondas de rádio entre o satélite e a plataforma
sendo co~hecido o tempo de transmissão dos pulsos (procedimento característico),
ou a partir da diferença de fase entre o sinal recebido do satélite e um sinal de
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 53

~
//~
~""
"'o ~/l:
s/c:' o o
40 o o",,,,
Os4~-(~-\>
~(/
,.~ -

ESTAÇÃO ~MA fOPPLER


RASTREADORA

Figura 2.9: Posicionamento Transit (modificadode Bernstein 1974).

referência gerado no próprio receptor (procedimento que fornece dados de maior


precisão); o posicionamento pode, ainda, ser feito com base no efeito Doppler,
como no sistema Transit. A transmissão é feita nas freqüências de 1.227,60 e
1.575,42 MHz, esta última para uso civil desde 1984, e inclui informação sobre o
tempo de transmissão dos pulsos.
Os primeiros satélites GPS começaram a ser lançados em 1978, para testes
operacionais. Todo o sistema deveria ter entrado em operação integral por volta de
1988-1989 (Brady & Jorgensen 1981), não fosse o acidente com o ônibus espacial
em janeiro de 1986 e a subseqüente revisão do programa espacial q,mericano, da
qual resultou o adiamento da operação integral GPS para a década de 90. A
constelação GPS foi idealizada com dezoito satélites ativos, três em cada uma das
seis órbitas circulares a cerca de 20.169 km, e dez satélites sobressalentes, três em
órbita, para substituição rápida de satélites ativos que apresentem problemas de
funcionamento, e sete em terra. Cada satélite cobre de 30 a 35% da superfície
terrestre. As órbitas são regularmente espaçadas, de tal modo que cada uma
apresenta uma inclinação de 55° em relação a outra, e o período orbital é igual
a 12 horas (Fig. 2.10). Conseqüentemente, é possível em cada ponto da Terra
receber sempre o sinal de vários satélites.
O posicionamento GPS contínuo segundo três coordenadas exige o uso si-
multâneo de pelo menos quatro satélites e segundo duas coordenadas, de três
satélites; é também possível realizar a transferência do tempo com uma precisão
de uns poucos nanosegundos (de interesse, por exemplo, para trabalhos com os
Métodos Sísmico e Magnetotelúrico). A precisão do posicionamento aumenta se
estações transmissoras fornecem correções para o receptor GPS da plataforma
54 A Prospecção Geofísica

Figura 2.10: ConstelaçãoGPS. Círculosmenores: satélites.

(técnica diferencial).
A partir de 1983, vários receptores GPS foram lançados no mercado (Macro-
meter, o primeiro deles). O desenvolvimento desses receptores, cujos princípios de
operação são descritos por Collins (1986), mostra várias tendências de interesse
para a prospecção geofisica (especialmente se incluir levantamentos terrestres), co-
mo: redução no volume, peso, tempo de leitura, consumo de energia (alimentação
possível a partir de bateria de 12 V) e custo do instrumental bem como aumento
das facilidades de conexão direta deste a computador através de interface e da
acurácia dos resultados finais.
Com as características dos sistemas Transit e GPS há os sistemas russos
Zikade e Glonass, respectivamente. O Zikade foi estabelecido em 1967 e o Glonass
em 1976 (Stiller 1988).
Finalmente, o terceiro sistema de posicionamento, o SLR, utiliza o tempo
que um pulso laser produzido em terra leva para atingir um alvo equipado com
refletor apropriado, o satélite, e retomar ao ponto do qual foi transmitido. O alvo
pode também ser a Lua, quando a técnica passa a ser denominada de LLR (Lunar
Laser Ranging).

Os sistemas de posicionamento por meio de satélites têm várias vantagens,


como: inexistência de limites para a distância da plataforma, possibilidade de ope-
ração dia e noite, visibilidade entre as estações desnecessária (mas indispensável
entre as estações e os satélites, logo, sob árvores, o posicionamento pode ser
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 55

problemático - Cain 1987), inexistência de acúmulo de erros.


A precisão desse tipo de posicionamento depende de uma série de fatores,
dentre os quais destaca-se a localização precisa das efemérides dos satélites que,
por sua vez, exige o conhecimento do complexo conjunto de forças que atuam so-
bre os mesmos. Os diferentes sistemas, devido às suas características, são afetados
de modo diverso por esses fatores. Por isso, devem ser usados de forma comple-
mentar; as técnicas laser e outras técnicas de alta precisão, como o VLBI6, são
adequadas para o posicionamento absoluto de alguns pontos de grandes áreas,
enquanto o GPS e o Transit, para a densificação do posicionamento nas vizi-
nhanças desses pontos. O posicionamento GPS e o Transit são realizados com
maior precisão quando uma estação de recepção é instalada em um desses pon-
tos de posição absoluta, conhecida, enquanto um ou mais receptores percorrem os
pontos cuja localização é desejada (técnica da translocação).
Afora o posicionamento, os sistemas baseados em satélites têm outras apli-
cações de interesse da GeofÍsica, especialmente da GeofÍsica Global, como a de-
terminação do deslocamento das placas tectônicas.

2.4.3 MEDIDAS DE CAMPO

As medidas de campo devem ser obtidas o mais rápido e, especialmente, o


mais preciso possível. Elas podem ser tomadas de modo a exprimir variações de
alguma grandeza física, como uma função da distância ou do tempo.
As medidas feitas em termos das variações com a distância são ditas medidas
no domínio do espaço. A quantidade medida pode ser a intensidade do campo
magnético da Terra registrada em pontos pré-definidos (por exemplo, estações 500
W, 475 W, 450 W e demais, das linhas transversais da Fig. 2.3) ou continuamente
ao longo de um conjunto de perfis (por exemplo, as linhas transversais da Fig. 2.3).
As medidas feitas em termos das variações temporais são referidas como per-
tencentes ao domínio do tempo. A quantidade medida pode ser, como ocorre
com o Método da Polarização Induzida, a voltagem após a interrupção da corren-
te elétrica em instantes pré-definidos (por exemplo, 0,1, 0,3 e 1 s) ou ao longo de
um intervalo de tempo (entre 0,45 e 1,1 s, por exemplo).
As medidas realizadas em pontos ou tempos pré-definidos são ditas discretas.
As medidas registradas continuamente ao longo de todo um conjunto de perfis ou
intervalo de tempo são conhecidas como medidas contínuas.
Para as medidas no domínio do espaço, o campo físico ou a onda que está

60 posicionamento VLBI (Very Long Baseline Interferometry) depende de radiotelescópios


de observatórios para a detecção de sinais de fontes de rádio localizadas a bilhões de anos luz
(tipicamente, quasars).
56 A Prospecção Geofísica

sendo medida são presumidos como sendo invariantes no tempo. No domínio do


tempo, as medidas, discretas ou contínuas, são tomadas em pontos pré-definidos,
de forma discreta, ou ao longo de um conjunto de perfis, de forma contínua; por
conseguinte, descrevem também a variação no espaço da medida que varia com o
tempo (Fig. 2.11).
As medidas podem, ainda, ser obtidas envolvendo a variação na freqüência
da onda que energiza o terreno. Neste caso, as medidas são ditas no domínio
da freqüência. As medidas obtidas no domínio da freqüência são equivalentes às
medidas obtidas no domínio do tempo (item 2.4.5.2).
As medidas brutas, isto é, exatamente como foram coletadas no campo, é que
devem ser registradas e não os dados reduzidos, ou seja, medidas já submetidas e
algumas operações de tratamento (item 2.4.5). Isso deve ser observado porque as
medidas brutas podem ser reaproveitadas à medida que correções e avanços em
algoritmos de processamento são realizados.
o registro das medidas pode ser feito sob a for.ma digital ou analógica. A
forma digital é usada para o registro da série de números que representam as me-
didas discretas e a analógica, para o registro do fluxo contínuo da quantidade que
constitui o sinal contínuo. Medidas contínuas são, contudo, com freqüência regis-
tradas sob a forma digital, através de um conversar analógico para digital (AjD),
parte do módulo de aquisição de dados (datalogger) do instrumento geofísico.
Nos levantamentos terrestres conduzidos a pé.são comuns medidas discretas.
O registro destas é feito em folhas de papel padrão com linhas e colunas impressas,
conhecidas como caderneta de campo (Fig. 2.12).

No alto de cada folha da caderneta de campo são colocadas informações gerais,


tais como: método que está sendo empregado, tipo de instrumento, operador, área,
perfil e data, afora a identificação da entidade responsável pelo levantamento. Na
primeira coluna da caderneta são usualmente anotadas as estações de medidas
(e/ou tempos ou freqüências de operação). Na segunda, a medida fornecida pelo
instrumento. Nas colunas seguintes é mostrado o resultado da conversão das

Figura 2.11: Relaçõesentre as medidas no domíniodo tempo com as medidas no domínio


do espaço. Círculos: medidas discretas; Linhas cheias: medidas contínuas.

..
2.4 Etapas da, Prospecção Geofísica
.
57

medidas para unidades apropriadas e de outros cálculos, se for o caso. A última


coluná é comumente reservada para as observações, que são fundamentais para
a explicação de algumas medidas. As observações comumente anotadas são a
localização de afl.oramentos de rocha, estradas, igarapés e fontes de ruído (cercas,
linhas de alta tensão e relevos topográficos).
.
MIOTODO: lEITURA
.
OBSERVAÇÕES
DATA: LT 400N
OPERADOR:
INSTRUMENTO:
PERFil: L1N HA BASE
o no Figuro 2.3
475
300O W
425W
450W E
ESTAÇÃO

25W
275 E

Figura 2.12: Modelo de caderneta de campo. Os dados usados referem-seà linha mais
ao norte da área hipotética demarcada conformemostra a figura 2.3.

Nos levantamentos terrestres conduzidos sobre o terreno com o aUXIllo de


veículos e ao 1ongo de furos de sondagem bem como nos levantamentos aéreos
e marinhos são comuns tanto medidas digitais como analógicas. O registro das
medidas digitais é feito em fita ou disco magnético (na forma binária, isto é, com
os valores 1 ou O correspondendo, respectivamente, a zonas magnetizadas ou não
da fita ou disco). As medidas analógicas são registradas em fita ou disco magnético
ou, ainda, em papel (sendo, respectivamente, a intensidade da magnetização da
fita ou disco ou o deslocamento da pena sobre o papel proporcional à intensidade
do sinal). O registro em papel permite·a análise visual dos dados pOrOcasião do
levantamento e, por esse meio, o monitoramento dos mesmos (esse monitoramento
pode também ser realizado a partir da representação das medidas em tela de
computador). O registro em fita ou disquete é realizado visando seu tratamento
58 A Prospecção Geofísica

em computador (registros em papel podem, contudo, ser passados para a forma


digital).

2.4.4 APRESENT~ÇAO DOS DADOS:


CONSTRUÇAO DE PERFIS E MAPAS
As medidas, como foram coletadas no campo bem como após seu tratamento,
devem ser apresentadas graficamente. Algumas técnicas de apresentação gráfica
são específicas a medidas com certos métodos geofísicos; a maioria dos dados,
contudo, pode ser lançada sob a forma de perfis e mapas.
Os perfis são construídos colocando-se as posições de medida como abscis-
sas (segundo a horizontal) e os valores nelas obtidos c~mo ordenadas (segundo a
vertical); uma curva suave ou linhas retas ligam as posições das ordenadas, prefe-
rencialmente sem tocá-Ias para não mascarar o valor a que se referem (Fig. 2.13a).

A reunião dos perfis, com a distância entre eles obedecendo à mesma estabe-
lecida para as abscissas, fornece o mapa de perfis rebatidos ou, simplesmente,
mapa de perfis (Fig. 2.13b).
Antes do advento dos computadores, os mapas de contorno de isovalores
ou, apenas, mapas de contorno eram desenhados manualmente. O procedimen-
to consistia na colocação dos valores medidos nas estações sobre os pontos que
representam a posição das mesmas e união das posições em que a medida apre-
sentava um mesmo valor, interpoladas a partir das posições de medida, por meio
de curvas, semelhantes às curvas de igual elevação (curvas de nível) dos mapas
topográficos (Fig. 2.13c).
As curvas de isovalores são delineadas para valores redondos das medidas
(-100, O, 100, 200, por exemplo); mas, se as medidas variam dentro de amplos
limites, intervalos exponenciais (1, 10, 100...) ou aproximadamente exponenciais
(1,3, 10, 300...) são preferidos. As curvas não podem se cruzar, bifurcar ou ter
extremidades no centro do mapa: elas são fechadas ou terminam nas bordas do
mapa.
Como a distinção entre as zonas de altos e as zonas de baixos valores não
pode ser feita pelo aspecto fechado das curvas, é comum usar hachuras na curva
mais central das zonas de b~xos valores, para facilitar a sua discriminação das
zonas de valores elevados (canto sudeste da figura 2.13c). Nas zonas em que as
medidas variam bruscamente, apenas algumas linhas são desenhadas, para evitar
que o mapa fique sobrecarregado. Os pontos que representam as estações e os
valores neles lançados não são, comumente, mostrados no mapa final.
Os dados podem também ser apresentados sob a forma de bloco diagrama
ou em três dimensões (3D) (Fig. 2.13d). Através desse tipo de representação, a
montagem dos perfis e dos mapas abordados pode ser facilmente visualizada.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 59

(a) A ~ E
o B

::i -5 6
-10
, ~ ,;"'"';, 10m'

(b) (e)
15N _

12N

9N
~tN
-.-----:-

==========:::==========
I 12N r 036
~
km

6N

B
O·A

35

65 65
95

155
.------.--r
~r=
~
i i l I i [
125-1 ~

12W 6W O 6E 12E
12W 6W O 6E 12E
Esca 10 Horizontal
o 6 12 Escola
~ Vertical ~-5
km
0j
-10

Figura 2.13: Apresentação de dados geofísicos (gravimétricos) sob a forma de: (a) perfil,
(b) mapa de perfis rebatidos, (c) mapa de contornos de isovalores e (d) bloco diagrama.
u.m.-unidades de medida. Os dados referem-se ao domo de sal de Humble, Houston,
E.V.A. (Nettleton 1976, p. 263-265). Cortesia de Jessé C. Costa.
60 A Prospecção Geofísica

A figura 2.14 IT,ostra mapas especiais produzidos com o amullo de técnicas


de processamento de dados. Esses mapas são construÍdos para que tendências
lineares ou curvilíneas dos dados, bem como mudanças no padrão ou textura dos
dados, possam ser realçadas. Falhas, fraturas e contatos litológicos podem ser
mais facilmente identificados por meio desses mapas denominados de mapas de
relevo sombreado.

Figura 2.14: Apresentação de: dados geofísicos (gravimétrico, gradiente horizontal) sob
a forma de mapas de relevo sombreado. As setas mostram os extremos de um lineamento
não observável para um ângulo de "iluminação" de 3340 (a), mas nítido para um ângulo
de 3050 (b). Dados do norte de Nevada, E.D.A., da LCT (Best & Spies 1990, p. 41).

Até aqui foi abordada a apresentação de medidas obtidas no domínio do


espaço. Se as medidas pertencem ao domínio do tempo (ou ao domínio da
freqüência), as absdss-as representam tempos (ou freqüências) de operação, en-
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 61

quanto as ordenadas representam as leituras, obtidas para os mesmos; esse tipo


de representação dos dados guarda semelhança com o perfil, mas recebe diversas
designações, dependendo do método geofísiCo com o qual é utilizado, e descreve
as variações da grandeza física em função do tempo (ou da freqüência), em uma
única estação (Fig. 2.15). É possível, também, construir perfis e mapas com as
medidas do domínio do tempo (ou da freqüência) (Fig. 2.16).

o 100 200 300 400 !lOO S

u.m.

Figura 2.15: Apresentação de dados geofisicos (traço sísmico) do domínio do tempo


(modificada de Lindseth 1982, p. 1.6). u.m.: unidades de medida

Em nenhum dos gráficos, podem faltar: a identificação dos perfis e das es-
tações e, se for o caso, dos tempos (ou freqüências) de operação, bem como da
medida representada, a posição do Norte (magnético, geográfico) e a escala, pre-
ferencialmente na forma gráfica, para evitar problemas com posteriores reduções
ou ampliações dos gráficos. Mostrar a localização de rios, de estradas e de outras
feições ajuda a identificar a área de trabalho.

As apresentações gráficas, cujo significado geológico é fácil de compreender,


são as melhores. As apresentações, que apenas um intérprete experiente pode
converter em termos geológicos, devem ser evitadas.

2.4.5 TRATAMENTO DOS DADOS


Quando é possível, os dados de campo são submetidos a operações conhecidas
como tratamento, redução ou processamento dos dados, realizadas com o fim de
torná-Ias mais apropriados para a interpretação. Um exemplo do resultado dessas
operações é mostrado na figura 2.17, construÍda com os dados tratados da figura
2.13.

Na etapa de tratamento dos dados, as medidas de campo são, comumente,


referidas como dados de entrada ou, simplesmente, entrada (input) e o resultado
do processamento, como dados de saída ou, apenas, saída (output).

O tratamento de dados geofísicos deriva da Teoria da Informação, um campo


da Matemática que surgiu a partir dos esforços, realizados durante a Segunda
Guerra Mundial, para a deteção de sinais de radar afetados por ruído. Dentre as
62 A Prospecção GeofísÍca

operações de tratamento estão a discretização e a trans'formaçáo de domínio, que


modificam a apresentação das medidas de campo, facilitando a sua manipulação,
bem como as operações de correção, filtragem e empilhamento, que melhoram

(a) Aduclal
W,
~
"",'
g7
I"''''''',
96 96
E

-----------_ e

o 0.5 1.0 Icm

(c)
x y z A I
6E

SE

2E

T'-'~"-" => ::=c:___LO


z..- ~,~
~ oi i,I,11 ,
40'
400m ,4oW
4E
N
.J 470Hz
--.140
Convenções
Hz o
Escala t SOm

Figura 2.16: Apresentação de dados geofísicos (EM) do domínio (a) do tempo (Método
INPUT) sob a forma de perfis obtidos em aerolevantamento sobre a região de Santa Luz,
Bahia, Brasil - os canais correspolldem aos instantes das medições (Sena 1977, p.65);
(b) da freqüência (Método AFMAG) sob a forma de mapa de perfis rebatidos - medidas
obtidas na região de Uauá, Bahia, Brasil (Luiz 1977, p.39); (c) da freqüência (Método
VLF) sob a forma de mapa de contornos - dados obtidos com 24 kHz, na zona do filão
Esperança das minas de cobre do Camaquã, Rio Grande do Sul, Brasil (IPT et aI. 1986,
p.114).
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 63

A
-E B
(o)
E 12W 5 o _ 5 12E
:i -5
-10

'~ ""'.0;' ".,

lI:> J12W
iII
l::::::::::I;;;

----J
km
II
((~~)~
I5W
5E
12E
o \
o 3 6
(e)
15N-~===========~- B
12N~1N
55
12N-_--============_
"j r 125
o A

2
9N ========~=--_-_-_-_
-_-_-_~~-======~-
5N

::=
::s::: s:=z
35

125

155---~==========
I 121W i 6'W i o 6lE i d~:E i
o
EscolO Horizontal

t==-
o

km
6 12

Verticol
Escala ~ -101
-~]

Figura 2.17: Dados da figura 2.13 após tratamento. (a) perfil, (b) mapa de perfis
rebatidos, (c) mapa de contorno de isovalores e (d) bloco diagrama. O tratamento dos
dados restringiu-se às correções Bouguer, ar-livre, latitude e maré. Cortesia de Jessé C.
Costa.
64 A Prospecção Geofísica

a qualidade dos dados. Essas operações são, a seguir, apresentadas em conjunto


com os conceitos de série de Fourier, teorema da amostragem, aliasing, integrais e
transformadas de Fourier, espectros, convolução e filtros. Essas noções compõem
a base do tratamento de dados geofísicos e podem ser aprofundadas através de
Bath (1974), Bracewell (1978), Brigham (1974), Elliot & Rao (1982), Hsu (1973),
Jenkins & Watts (1968), Kanasewich (1981), Kulhanek (1976), Oppenheim &
Schafer (1975), Otnes & Enochson (1972), Papoulis (1962) e Lindseth (1982).
Este último evita o uso de uma linguagem matemática complexa. A construção
de filtros é tratada no Apêndice C.

2.4.5.1 Discretização

Comumente, a quantidade de medidas de campo é muito grande e as operações


com as mesmas são complexas. É então necessário, para realizar essas operações de
modo efetivo, rápido e econômico, o amallo de computadores digitais. As medidas
registradas analogicamente devem, portanto, ser convertidas para a forma digital,
operação conhecida como discretização.
As medidas digitais resultam da discretização da grandeza física, por meio
da tomada de leituras em estações ou tempos pré-definidos ou por meio de um
conversor A/D. Várias considerações a seguir aplicam-se, portanto, também a
estes últimos casos.

A discretização consiste de duas operações: amostragem e quantificação. A


amostragem relaciona-se à determinação das distâncias ou dos tempos, nos quais
a informação contínua deve ser observada. A quantificação diz respeito à con-
versão das intensidades da informação contínua em números. Essas operações
são representadas na figura 2.18, onde medidas analógicas são passadas para a
forma digital, sendo a função contínua substituída por uma série de valores dis-
cretos a intervalos, para simplificar, eqüidistantes. Em termos matemáticos, essas
operações são apresentadas no Apêndice C.
A discretização pode ser realizada sem conduzir à perda das informações de-
sejadas, assim como o mapeamento geológico de uma área, por exemplo, pode ser
realizado com base no conhecimento geológico obtido para apenas alguns pontos
da área. O sinal contínuo, assim como a área a ser mapeada, deve ser adequada-
mente amostrado, para garantir que as informações desejadas não sejam perdidas.
I
Para compreender como deve ser amostrado o sinal, a fim de evitar a perda das
informações desejadas, torna-se conveniente tomá-Io como um fenômeno cíclico, à
semelhança de uma onda elementar.
Cada ciclo pode ser descrito por meio de sua amplitude e período, se no
domínio do tempo, ou amplitude e comprimento de onda, se no domínio do
espaço (Fig. 2.19). A amplitude é a intensidade máxima da oscilação. O período
e o comprimento de onda correspondem, respectivamente, ao tempo (em segundos)
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 65

à distância de um ciclo (em metros).

A taxa de repetição de um ciclo é a .sua freqüência. Se a repetição de um \

ciclo ocorre ao longo de um intervalo de tempo, a freqüência é quantificada em


ciclos por segundo ou Hertz. No caso de repetições observadas ao longo de um
perfil, a freqüência é quantificada em ciclos por metro, pois é uma freqüência espa-
cial, também conhecida como número de onda. Comumente, o termo freqüência
é associado a repetições no tempo, ou seja, a freqüências temporais. Aqui, a
freqüência poderá ser tanto temporal como espacial, já que o sinal pode ser uma
função do tempo ou da distância.

MEDIDAS MEDIDAS
DISCRETlZAÇÃO
FORMA AN ALÓGICA ~ FORMA DIGITAL

p.
" N

!
,<...,

o 1I
f(1:'-) 11'ro R I
I I 1 ''?-d 1 I
11,,1, I
~IIIIIIIO -
,,1111'9
1II II --
),1'1
Til, I' 7 6 - - --
':: I 6 ~-
1;,,5 -
_ /1,4 -
__ ó'3 - - 1: distllncia
__ ,2 -- -- ou tempo
- - "I - f("tl
0-- medidos

Figura 2.18: Transformaçãode medidas analógicasem medidas digitais.

I\--t-/\
\5Q I
1\\
I,
I -
tempo (t)

J. PERíODO
(T)
J

1\-'--7'\
;~\J1
Amplitude 1\\,- distõncia (x)
FreqUência
temporal

Freqüência
espacial
=
Período

Número
de onda
= -----
Camp. de onda
I I
j COMPRIMENTO ~
DE ONDA ()..)

Figura 2.19: Elementosde ondas nos dOITÚnios


do tempo e do espaço.
66 A Prospecção Geofísica

Cada ciclo pode ser descrito, no domínio da freqüência, pelas suas amplitude,
freqüência e fase. Esta última pode ser definida como cicomeço do ciclo em relação
ao começo de um ciclo padrão. A diferença de fase entre dois ciclos é medida
pela diferença entre os começos dos dois ciclos.

A semelhança das medidas de campo com formas de ondas elementares, com


aquelas da figura 2.19, é muitíssimo pequena. No entanto, ondas elementares de
diferentes freqüências, amplitudes e fases podem se combinar produzindo formas
de onda complexas, como é mostrado na porção superior da figura 2.20. Con-
seqüentemente, registros reais, como o da figura 2.15, podem ser aproximados
por uma superposição de ondas elementares, parte das quais correspondendo às
informações desejadas (sinal),-pa~t~~-às inf~r~ações indesejáveis (ruído), como é
mostrado na figura 2.21.

NVV\/\M

I:UL I'ULi
w 21
f 2(
freqüência
w 2j
O f

freqüência
2(
j2lLL
ã.1
E
'"

O f 2f
freqüência


f

2(

f

2(
~oL--....1-
~.rzj.
f
T
2(
freqüência freqüência freqüência
(b2)

Figura 2.20: Formas de ondas resultantes da soma de duas senóides com freqüências / e
2/: (aI) amplitudes iguais e diferença de fase de valor zero; (a2) amplitude da componente
de alta freqüência igual ao dobro da outra e diferença de fase igual a zero; (aa) amplitudes
semelhantes às anteriores e diferença de fase igual a 45°. (bI), (b2) e (ba) são a repre-
sentação, no domínio da freqüência, das formas de ondas resultantes respectivamente de
(ad, (a2) e (aa).
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 67

Uma função do tempo, f(t), periódica, pode ser aproximada por uma com-
binação de senóides e cossenóides, por meio de seu desenvolvimento em série de
Fourier:

f(t) = T + alcos(wot) + a2cos(2wot) + ... + ancos(nwot) + ...


+ b1sen(wot) + b2sen(2wot) + ... + bnsen(nwot) + ... (2.2)
= T + L:~1 [ancos(nwot) + bnsen(nwot)]
com os coeficientes an e bn dados por:

an = T2 j+f
_1'. f(t) cos( nwt) dt , (n = O, 1, 2, 3, ... ) (2.3)
2

(n= 1,2,3, ... ) (2.4)


bn = T2 j+f
_1'.
2
f(t) sen( nwt) dt ,
e
2rr
w = 2rrf = T (2.5)

sendo w a freqüência angular, Wo a freqüência angular fundamental, f a freqüência


e T o período.
A freqüência f corresponde ao número de ciclos por unidade de tempo, en-
quanto a freqüência angular w, ao número de rotações iguais a 2rr na unidade de
tempo.

É denominado análise harmônica, o desenvolvimento de uma função em série


de Fourier (Eqs. 2.2 a 2.4, mas, para a análise por meio de computadores digitais,
formas discretas dessas equações são utilizadas). Todos os princípios são igual-
mente válidos, quer f seja uma função do tempo ou da distância. Neste último
caso,
2rr
w = 2rrll; = T ' (2.6)
sendo w a freqüência espacial angular, li; a freqüência espacial ou número de onda
e À o comprimento de onda.

A freqüência nwo é conhecida como o n-ésimo harmônico da freqüência angular


fundamental Wo; o terceiro harmônico da freqüência 1 Hz, por exemplo, é 3 Hz.
Um campo magnético aproximado até o seu terceiro harmônico significa que esse
campo foi descrito, pela série de Fourier, até os coeficientes a3 e b3. O coeficiente
ao corresponde a um deslocamento, por igual, das intensidades da função (é o
nível dc usado na Engenharia Elétrica ou o nível de base usado na GeofÍsica).

É importante destacar: a aproximação das medidas por ondas corresponde a


uma abstração matemática, sem o necessário significado físico de periodicidade:
o comprimento de um perfil, por exemplo, gravimétrico é tomado como o compri-
mento de onda. Matematicamente, isto significa que, se o perfil for extrapolado
através da expansão (2.2), as leituras gravimétricas repetem-se. A presença de
68 A Prospecção Geofísica

tempos (como nas Eqs. 2.3 e 2.4) e freqüências (equações seguintes), que podem
assumir valores negativos, é um artifício matemático útil para o processamento.
A aproximação das medidas por ondas representa, contudo, o passo inicial para
o tratamento dos dados geofísicos, como poderá, ser compreendido a partir daqui.
Ademais, é importante notar ql.le a série de Fourier pode ser desenvolvida para
mais de uma dimensão; em duas dimensões pode ser usada para descrever mapas
de dados, por exemplo, gravimétritos.

o 100 200 300 400 !500 S

u.m.

Componentes Hz
1li
80
60
10
70
llO
15
75
100

Figura 2.21: Decomposiçãode medidas geofísicas(traço sísmico) em uma série de com-


ponentes de diferentes freqüências (Lindseth 1982,p. 1.6).

o intervalo constante com que o sinal é amostrado é cónhecido como intervalo


de amostragem e o seu inverso, o número de ãmostras por unidade de tempo ou de
distância, como freqüência de amostragem. Segundo o teorema da amostragem
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 69

(ou Teorema de Shannon), são preservadas todas as freqüências menores ou igual


à metade da freqüência de amostragem, ou seja, até a freqüência de Nyquist fN.
1 '1
fN = "2/a = 2!::i.T
(2.7)

em que fa é a freqüência de amostragem e !::i.T o intervalo de amostragem.


Se o sinal é amostrado a cada 0,1 s, a freqüência de amostragem é igual a
10 amostras por segundo (ou 10 HZ)j essa amostragem preserva as freqüências
menores ou iguais a fN=5 Hz. O período ou o comprimento de onda podem
também ser usados para definir a faixa de informações preservadas: informações
de período igualou maior do que 0,2 s são preservadas, considerando-se o exemplo
anterior.

Se as· medidas contêm freqüências maiores dó que fN, elas não são amos-
tradas corretamente e, conseqüentemente, contaminam os sinais desejados. Uma
freqüência maior do que fN, isto é, fN + f, aparece nos dados digitalizados como
uma freqüência fN - f. Se o intervalo de amostragem é 0,2 s e as medidas contêm
informação de 4 Hz, elas são amostradas de modo similar a medidas de sinais de
1 Hz, contaminando a componente espectral correspondente a 1 Hz; isso já não
ocorre, se o intervalo de amostragem for igual a 0,1 s (Fig. 2.22).

Esse fenômeno é conhecido como superposição de freqüências (aliasing). É


o aliasing que faz as rodas das diligência de filmes de faroeste girarem aparente-
mente no sentido contrário ao de seu movimento. Quando a rotação das rodas da
diligência é muito rápida, o seu movimento não é amostrado adequadamente pela
série discreta de fotos que constitui o filme, em outras palavras, a freqüência de
rotação das rodas torna-se maior do que fN e passa a contaminar as freqüências
menores que fN, provocando a impressão de que as rodas giram ao contrário.
Para evitar aliasing, as freqüências maiores do que a freqüência de Nyquist
podem ser removidas, antes da discretização, pelo equipamento de medição, ou
por operação de processamento (item 2.4.5.3).

2.4.5.2 Transformação de Domínio

O domínio do tempo e da freqüência - assim como o domínio do espaço e


do número de onda (ou freqüência espacial) - correspondem a formas diferentes
de se representar o mesmo tipo de informação. A passagem de um domínio para
o outro é possível através de um par de transformadas de Fourier, definidas por:

F(w) = 1: f(t) e-iwtdt


(2.8)

e
(2.9)
f(t) = 21.100
7r -00 F(w) eiwtdw
70 A Prospecção Geofísica

sendo:

F(w) a transformada da função f (originalmente definida no domínio do tempo)


para o domínio da freqüência (ou do domínio do espaço para o domínio da
freqüência espacial) e

f(t) a transformada da função F (originalmente definida no domínio da


freqüência) para o domínio do tempo (ou do domínio da freqüência espacial
para o domínio do espaço), denominada de transformada inversa.

Sinal

(a) rV\mAt
:V: :V: \IfV '
.\1-0.1 • "
f. - iO Hz
"'. '

fN- 6 Hz

SInal AIISlIlng
'-4 Hz '_1Hz

'I I I
., • I
(b)~

; 4(-0,2 • ~ : : j 1

,- ; Hz
'N- 2.5 Hz

(c) li!
~li! 1
'"

2,5 4

Figura 2.22: (a) amostragem sem a/iasing (fN > 1); (b) amostragem com a/iasing
(fN < 1); (c) Relação entre as freqüências do sinal de entrada e as freqüências de saída
da amostragem. As freqüências maiores do que IN são apresentadas como freqüências
menores do que IN.

Com o auxflio da identidade e-i4> = cos </> - isen </>, pode-se escrever a trans-
formada de Fourier (equação 2.8) como

F(w) = [: f(t) coswt dt - i[: f(t) senwt dt = A(w) - i B(w) (2.10)


2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 71

F( w) pode ainda ser representada por

F(w) = IF("",)I ét>(w) (2.11)


com
IF(w)1 = vi A2(w) + B2(w) (2.12)
e

</>(w)=arctg ( - B(W))
A(w) , (2.13)
sendo IF(w)1 o espectro de amplitudes de f(t) e </>(w) o espectro de fases de
f(t). O quadrado do espectro de amplitudes é chamado de espectro de energia ou
função densidade espectral de energia de f(t) (Hsu 1972).
A transformada de Fourier separa as formas de-onda de diferentes freqüências
que se combinam para fornecer f( t). O resultado, amplitude e fase versus
freqüência, respectivamente os espectros de amplitude e de fase, corresponde à
descrição do sinal no domínio da freqüência (Fig. 2.20b). No domínio do tempo,
convém lembrar, sinal idêntico é descrito pela amplitude versus tempo (Fig. 2.20a).
O par de transformadas de Fourier permite que o processamento seja rea-
lizado em um domínio, ou no outro, o que é extremamente vantajoso, porque
algumas operações são executadas de forma mais econômica em um domínio do
que em outro (para processamento com computadores digitais, a forma contínua
do par de transformadas de Fourier, apresentada nas equações (2.8) e (2.9), deve
ser substituído por um par de transformadas discretas - Brigham 1974). Os
primeiros trabalhos geofísicos, contudo, foram realizados em apenas um domínio,
devido ao elevado tempo de computação necessário para realizar a transformação
de domínio. Em 1965, foi publicado um algoritmo capaz de calcular a transfor-
mada de Fourier com uma considerável redução no tempo de computação. Es-
se algoritmo é conhecido por algoritmo de Cooley-Tukey ou FFT (Fast Fourier
Transform) (Brigham 1974). Posteriormente outros algoritmos foram desenvolvi-
dos (Weinstein et al. 1979; Press et al. 1989).
Tanto as transformadas de Fourier, como a Série de Fourier, podem ser de-
senvolvidas para mais de uma dimensão (Fraser 1979; Singleton 1979).

2.4.5.3 Correção, Filtragem e Empilhamento

As medidas de campo são comumente influenciadas por ruídos, efeitos in-


desejáveis, naturais ou artificiais, conhecidos ou não, cuja classificação foi apre-
sentada no item 2.4.1.3. Com freqüência, é possível modificar seletivamente os
dados, por meio de operações tais como correção, filtragem e empilhamento, de
modo a eliminar ou a reduzir vários desses efeitos, mas, apenas idealmente, po-
dem ser eliminados todos os ruídos. Quando operações dessa natureza não são
possíveis, os dados portadores de elevadas taxas de ruído devem ser identificados,
72 A Prospecção Geofísica

a fim de serem eliminados ou aproveitados de modo restrito. Isso é feito com base
no comportamento dos dados, que pode ser avaliado com o amcmo de critérios
estatísticos, nas observações de campo e na experiência do geofísico. Os efeitos
que sobram após a eliminação de efeitos indesejáveis representam o residual ou
resíduo.

As correções são introduzidas, por cálculo, para eliminar influências inde-


sejáveis, de modo a se obterem os valores que seriam observados na ausência das
mesmas. Elas são específicas de cada método. Por exemplo, os dados da figura
2.17 foram obtidos a partir dos dados da figura 2.13, após correções específicas
que podem ser aplicadas apenas aos dados gravimétricos. Por isso, as correções
serão detalhadas nos capítulos dedicados aos métodos geofísicos.
Na filtragem, comumente, os dados são separados em suas componentes de
diferente§ freqüências, usando-se a transformada de Fourier, e as componentes de
freqüências sem interesse são eliminadas.

As pequenas heterogeneidades do terreno, que ocorrem próximo da superfície,


fazem as medidas ao longo de um perfil oscilarem a curtas distâ.ncias, portanto,
freqüentementej é dito, então, que as feições rasas e pequenas produzem efeitos
de pequeno comprimento de onda ou freqüências espaciais altas. No domínio do
tempo, os efeitos das heterogeneidades pequenas e superficiais, por chegarem ra-
pidamente às medidas, fazem as mesmas oscilarem a curtos intervalos de tempo,
portanto, freqüentementej é dito que a resposta das feições pequenas e rasas está
associada a períodos curtos ou a freqüências temporais altas. Com as heteroge-
neidades maiores e mais profundas, ocorre o oposto, em ambos os domínios.
Por meio da filtragem tenta-se separar efeitos provocados por feições rasas
(variações na espessura do manto do intemperismo, compactação diferencial e
pequenas heterogeneidades superficiais), que são associados a freqüências altas,
e efeitos de grandes profundidades, relacionados às feições geológicas regionais e
associados a freqüências baixas, daqueles de profundidades intermediárias, que
são normalmente procuradas em prospecção mineral e associados a freqüências
intermédiárias. Na prospecção de petróleo e na investigação de feições geológicas
regionais, o efeito de feições maiores e mais profundas é normalmente desejadoj
logo, a filtragem é realizada de modo a manter apenas as freqüências mais baixas,
resultando o que é conhecido como regional. Um grande problema nesse tipo de
procedimento é a superposição de freqüências, isto é, feições geológicas de dife-
rentes dimensões e profundidades podem contribuir com freqüências semelhantes,
impossibilitando a separação dos efeitos dessas feições com base na eliminação de
freqüências. !
A filtragem pode ser feita de duas formas: gráfica e numérica.
A forma gráfica usa analogias derivadas pelo intérprete, a partir do acopla-
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 73

mento, em parte intuitivo7, de seus conhecimentos, principalmente, sobre super-


posição de ondas e sobre a Geologia e as fontes de ruído da área. Um exemplo é
mostrado na figura 2.23, na qual a filtragem é conduzida de modo a eliminar as
freqüências altas e baixas. Esse tipo de filtragem-e simples e subjetivo; subjetivi-
dade, convém mencionar, pode ser uma característica vantajosa, porque permite
a incorporação de qualquer tipo de informação a priori, isto é, informação obtida
independentemente da tarefa que esteja sendo realizada. A filtragem gráfica pode
significar economia no tempo e no custo de processamento e, para alguns fins,
pode ser suficiente.

:: --- -------
- 't
Fll TRAGEM

__ - Seixos
FREOUENCIAS

(Regional)

• •.•.••.•• Altos

I
~~.L __ ""

'e distancio ou tempo

gt ----- ----- 'e


;>
f ("t) medido

Figura 2.23: Filtragem pelo método gráfico.

A filtragem numérica é conduzida através de métodos analíticos, com o aUXI1io


de computador. Nesse tipo de filtragem,também conhecido como filtragem digital,
a operação fundamental é a convolução.

Para duas funções x(t) e h(t), a sua convolução (simbolizada por um asterisco)
é definida por:

f(t) = x(t)* h(t) = 1: x(to) h(t - to) dto = 1: h(to) x(t - to)dto
(2.14)

o desenvolvimento e o significado da convolução são difíceis de serem visua-


lizados por meio da equação 2.14 (para processamento através de computadores,
essa equação deve ser substituída pela sua forma discreta - vi de Apêndice C).

Na figura 2.24, pode-se ver o desenvolvimento da convolução em termos


gráficos e numéricos para duas funções discretizadas, x(t) = 3, 2, 1, O e
h(t) = 1, O, !,
em que os números referem-se à intensidade nos pontos discre-
tizados das funções. As quatro operações envolvidas são:

7Para os leitores surpresos com o termo intuitivo, é conveniente assinalar que várias decisões
em Geofísica representam, pelo menos, em parte, uma.abstração escolhida intuitivamente. Trata-
se especialmente da intuição heurística, como proposta no livro de Gnosiologia de Bazarian
(1985).
74 A Prospecção Geofísíca

h(-to)
l:TIilll
h(trto) O o1
0 1
h(t) 1+
·0 Z
3xO - y(t)

:~,
o 1 3
t .
*
Z
2xI [TI
X(t) 13\ Z 11 1 O I lUh(t)
~
~
X(t~

h(2trt.)~
x(to)~ IxI + 2xO + 3X~ - ~

OxI + IxO + 2X~ - ~ i

OxO + Ix.! -
2 m

Ox1
2
-
---

3 y(t)
2 "r....
·' \
1 •.•.••••.

UZ345
ti
y(t) 131212111 1 ti o 1

Figura 2.24: Desenvolvimento gráfico e digital da convolução.


2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 75

I) reversão: h(to) é rebatida com respeito ao eixo vertical (ordenadas), sendo


h( -to) a imagem correspondente;

II) deslocamento: h( -to) é deslocada no tempo em relação à função h(to), o que


é representado por h(t - to);

III) multiplicação: as partes sobrepostas das duas funções são multiplicadas; e

IV) adição: os produtos da multiplicação são somados.

Em termos matemáticos, a operação de convolução, que é mostrada na figura


2.24 (forma discreta), corresponde a uma média móvel ponderada, cujos pesos são
representados pela função h(t), que é o filtro.

Em termos geofísicos, à convolução pode ser atribuído o significado esquema-


tizado na figura 2.25 e explicado a seguir.

3 .,
! '., 3t" ,:(t)
1 '. , 21 •.. \
\

:k~
o~
t; t
J;
o 1 2 3 '4 t. U to
%
•.....•....

3T"""s
.

Jr(t) I3 f Z 11 I o I ~
~
+
~
= y(t) 13 I % 1% 11 1 I t I o I

~l . ...
-
.....•.....•t.

tíjzt<l:['
h(t) ~ .'
t;
o 1 23456

t '.. h(t) Il

LEGENDA

fonte
,i:ft ~ açio da fonte
'Y receptor ~ reação iIi Interface I
•• reaçio iIi Interf_ II

Figu,ra 2.25: Superposição = convolução.

Seja a ação de uma fonte física (Sísmica, por exemplo), representada pelo
pulso x(t) = 3,2,1, O (o termo pulso é utilizado para formas de onda de pequena
duração). Quando o pulso encontra uma interface, que separa meios de proprie-
dades diferentes, ele experimenta mudanças (em Sísmica, uma certa fração da
energia incidente pode ser refletida de volta para a superfície pela interface). Seja
uma interface, encontrada pelo pulso após meia unidade de tempo, de proprieda-
des tais que uma réplica do pulso original, isto é, 3, 2, 1, O, volte à superfície,
onde é detetada uma unidade de tempo após o pulso original (porque este ca-
minha da superfície até a interface e volta). Uma outra interface, uma unidade
de tempo mais profunda do que a anterior, tem propriedades tais que, o pulso,
76 A Prospecção Qeofísica

após encontrá-Ia, retoma como a metade do pulso original, isto é, 1 1, O, t, t,


três unidades de tempo atrasado. A superposição dos pulsos detetados fornece
y(t) = 3, 2, 2 t, 1, t, O, que é o resultado da convolução, mostrada na figura
2.24, entre x(t) e o filtro h(t) = 1, O, t (o zero foi incluído para tornar a série
uniformemente espaçada no tempo).

O exemplo foi apresentado no domínio do tempo, mas pode ser transposto


para o domínio do espaço. Experimente, considerando as interfaces entre a fonte
e o receptor, ambos à superfície, na posição vertical, como contatos geológicos
laterais.

Um exemplo de convolução em Geofísica é, portanto, a interação entre o sinal


produzido por uma fonte física e o meio de propagação (interior da Terra), que
pode então ser considerado um filtro natural. Alguns equipamentos geofísicos
são dotados de filtros eletrônicos (ditos analógicos), como por exemplo o filtro
antialias que permite evitar aliasing. As medidas obtidas em um levantamento
geofísico podem então ser o resultado da convolução de um sinal, tanto com o
meio de propagação, como com o filtro dos equipamentos. Um outro exemplo de
convolução é a interação entre as medidas obtidas em um levantamento e um filtro
digital, representado por um processo computacional ou algoritmo (Fig. 2.26).

O resultado da convolução contém apenas as freqüências presentes si-


multãneamente no filtro e no sinal, como pode ser reconhecido na figura 2.27, onde
a convolução do sinal é realizada com um filtro de apenas uma freqüência. O filtro
contém todas as freqüências do sinal a serem preservadas. Conseqüentemente, a
eliminação de efeitos rasos, por exemplo, consiste em convolver as medidas de
campo com um filtro que elimine as freqüências altas, isto é, um filtro que contém
apenas freqüências médias a baixas.

Um filtro, como o do exemplo anterior, que elimina as freqüências altas, é


dito passa baixa; o filtro antialias é um filtro passa baixa. O filtro qlle elimina
as freqüências baixas, por sua vez, é conhecido como passa alta. Em alguns
casos, o interesse recai em faixas específicas de freqüências e o filtro apropriado é
denominado de passa faixa. Em outros casos, pode ser necessário eliminar uma
faixa específica de freqüência, quando é usado o filtro rejeita faixa. A construção
de filtros é abordada no Apêndice C.

AÇÃO SISTEMA REAÇÃO

entrada filtro salda

fonte __ Terra. equipamento --. medIdas


medIdas -- processo computaclonal-. medidas filtradas

Figura 2.26: Filtragem.


2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 77

À operação de convolução entre duas funções no domínio do tempo (espaço)


corresponde a operação de multiplicação dessas funções n() domínio da freqüência
(freqüência espacial). Analogamente convolução no domínio da freqüência corres-
ponde a multiplicação no domínio do tempo. Este é o Teorema da Convolução.

entrada

f i Itro

salda

--~~- t

Figura 2.27: Convoluçãode um sinal com uma senóide. Resultado: extração da compo-
nente do sinal de freqüência igual a da senóide.

A convolução, assim como a série e as transformadas de Fourier, podem ser


desenvolvidas para mais de uma dimensão.
A operação de filtragem não permite distinguir um sinal de um ruído de
mesma freqüência; essa distinção pode ser feita por meio do empilhamento, uma
técnica utilizada, de um modo geral, quando a razão sinal/ruído é baixa, que
consiste na combinação de resultados de experimentos repetidos.
Os dados de um experimento, como já foi mencionado, contêm sinal e ruído.
O sinal tem amplitude e fase constantes, enquanto o ruído é suposto ter ampli-
tude constante e fase errática .. De modo análogo à soma vetorial apresentada na
figura 2.28, a combinação dos resultados de diferentes experimentos corresponde
à soma das componentes associadas ao sinal, porque a soma das componentes que
representam o ruído é zero, devido a sua fase errática. Se o ruído entretanto não
for errático, tendo componentes coerentes com o sinal, o empilhamento falha.

O resultado do empilhamento, como mostra a figura 2.29, é tanto melhor,


quanto maior for o número de experimentos.
78 A Prospecção Geofísica

(a)

(b)

sinal

-
...•. ruldo
resultante slnal+ruldo
resultante estaqueamento
(10xslnal)

Figura 2.28: (a) Medidas representadas pela soma vetorial do sinal e do ruído. (b)
Empilhamento representado pela soma vetorial das medidas. O comprimento e o ângulo
de cada vetor representam, respectivamente, a amplitude e a fase da componente de uma
dada freqüência do sinal. Todos os vetores referem-se à componente de mesma freqüência.

entrada

sarda 1

salda 2

salda
ideal

---~- t

Figura 2.29: Empilhamento de um sinal contendo ruído errático com todas as freqüências
em igual proporção (ruído branco). A saída 1 foi obtida com o empilhamento de um
número de experimentos menor do que a saída 2.,
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 79

2.4.6 INTERPRETAÇAO

A interpretação geofísica é o procedimento que permite a obtenção de infor-


mação geológica a partir de medidas geofísicas.
Na interpretação dois conceitos são muito importantes:: anomalia e modelo,
que serão abordados nos ítens 2.4.6.1 e 2.4.6.2, respectivamente.
Além disso, serão introduzidos conceitos de interpretação qualitativa.e
semi-quantitativa no item 2.4.6.3 e interpretação quantitativa no item 2.4.6.4
(Fig.2.30). Adianta-se, entretanto, que a interpretação qualitativa exige póuca
informação a priori, porém permite obterem-se resultados menos completos, en-
quanto a interpretação quantitativa é muito mais dependente de informação a
priori, mas fornece os resultados mais completos, sujeitos, obviamente, à veraci-
dade de toda a informacão a priori.

INTERPRETAÇÃO

t1 ~ ~

nominal ordinal numeral

QUALITATIVA SEM I-Q UANTlTATIVA QUANTIT.,A.TIVA


(NÚ2ÇÕtSde igualdade. desigualdade) (TfllacQesde desigualdade) (Tfllaçõesde identidade)

Pe1 :Pe2" Pe3 Pe1 =Pe2<Pe3 Pe1=Pe2=30, Pe3=70


•. "-.,.-,1
fraco forte
h1<h2=h3 h1=100. h2=h3=O
h1"h2=h3
--- ~
fundo raw

3
2_ ~_- __-_.".-' ...

P: propriedade
e: espessura
h: profundidade
subscritos 1,2,3:
corpos 1,2,3

Figura 2.30: Tipos de interpretação. Nominal,ordinal e numeral são escalas de medidas


que, nessa ordem, correspondema uma hierarquia acumulativa de informações. É aCiden-
tal se qualificativos("forte", "fraco", ...) ou números são assinalados às classes nominais.
Conceitos adaptados de Stevens (1946) e Krumbein & Graybill (1965, p. 34-38).
80 A Prospecção Geofísica

É ainda fundamental destacar que toda a interpretação tem sempre uma cer-
ta dose de subjetividade e o seu sucesso depende enormemente da experiência
do intérprete em integrar diferentes informações, a fim de obter o conjunto de
resultados mais realístico possível; essa experiência, contudo, só com a prática se
desenvolve. A origem da subjetividade da interpretação é considerada no item
2.5.1.1, bem como a integração de informações, como forma de reduzir essa sub-
jetividade.

2.4.6.1 Anomalias

Os efeitos a serem interpretados (aqueles que podem revelar descontinuida-


de nas propriedades físicas causadas por feições de interesse) mostram um des-
vio significativo do efeito padrão esperado. Por isso, eles são denominados de
anomalias.

Valores localizados altos ou baixos formam anomalias, respectivamente, po-


sitivas (Fig. 2.31a) ou negativas (Fig. 2.31b). Esses valores podem, contudo,
assumir qualquer sinal algébrico. Conseqüentemente, designações como alto e
baixo anômalo podem ser mais apropriadas.
Um terceiro tipo de anomalia, representada na figura 2.31c1, pode apresentar
um alto anômalo vizinho a um baixo anômalo, caracterizados por um pico máximo
e um pico mínimo, respectivamente. Nessa figura, a posição em T, de máxima
infl.exão, entre o alto e o baixo anômalo, é conhecida como cruzamento ou crossover
e empresta o nome a esse tipo de anomalia: anomalia tipo crossover. O crossover
pode estar na coordenada f( T) = O, como na figura 2.31c1, ou não.
A anomalia de altos e baixos valores localizados pode também apresentar
vários picos (Figs. 2.31c2 a C4)' Sua descrição pode ser realizada fazendo-se
referência a esses picos. A anomalia em linha cheia da figura 2.31c2, por exemplo,
pode ser descrita como: anomalia de máximo central ladeado por dois mínimos e
dois máximos.

Matematicamente, é possível representar uma anomalia A por

(2.15)

sendo: M o efeito medido (podendo ser bruto ou tratado), E o efeito esperado


(bruto ou tratado, de acordo com 41), é um desvio significativo mínimo entre M
i
e E. O subscrito representa os diversos pontos de medidas no espaço, no tempo
ou na freqüência.

A definição de anomalia representada na equação (2.15) depende do efeito


que é medido e do efeito padrão que é esperado, bem como do estabelecimento de
um desvio significativo entre ambos. É conveniente analisar esses fatores.
As medidas podem conter sinal da feição de interesse e ruído, consoante com
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 81

a equação (2.1). Conseqüentemente, diferentes tipos de anomalias podem ser


obtidos com um mesmo método. Por exemplo, com o Método Eletromagnético
Slingram, foram obtidas as três últimas anomalias mostradas na figura 2.31 (C2 a
C4); a primeira anomalia foi causada por um corpo horizontal (feição de interesse)

(o) (b)
t
* 1: t71:
- I
I
I
I
*

(CI)

p
L

(Cz) (C3) (c,,)

p 1: t 't: e, )l
,I-
1:'

'
••••..• '
,

*
I
I
.
-.
•••

/
.",,-.

/*
""(; - Distãncia, tempo ou treqUência

t(L:) - medidos

- e -- ••• Anomalias
* posição do centro ou topo do corpo
mergulho, se for o COso
I mergulho

Figura 2.31: Exemplos de anomalias de valores localizados: (a) altos; (b) baixos; (Cl) a
(C4) altos e baixos. As anomalias mostradas em (a), (b) e (cI) são esquemáticas; as outras
foram obtidas no Laboratório de Modelamento Eletromagnético Analógico da UFPA por
João C.R. Cruz e Marcos V.G. Galvão. .
82 A Prospecção Geofísica

e, as demais, pelo mesmo corpo. com mergulho de 60°, mas a última anomalia
inclui ruído do manto de intemperismo.
Nas regiões tropicais, a identificação dos efeitos a serem interpretados, se
detetados por alguns métodos (como os Eletromagnéticos), pode ser uma tarefa
difícil, devido à presença de fontes de ruído de intensidade relativamente elevada.
Essas fontes de ruído, por si só, produzem efeitos consideráveis, que podem ser
confundidos com anomalias, enquanto estas, abandonadas.
Uma anomalia que se repete em perfis paralelos contíguos, sem ligação com
fontes de ruído conhecidas (como uma cerca metálica), está mais possivelmente
associada à feição sob investigação do que uma anomalia isolada.

O efeito esperado, por sua vez, depende dos seguintes fatores: (a) estado
de conhecimento do método geofísico, (b) quantidade e,qualidade da informação
geológica a priori e (c) experiência do intérprete no acoplamento de (a) e (b).
Esses fatores, como se exemplifica a seguir, guiam também a eleição de um desvio
significativo entre o efeito medido e o efeito padrão esperado.
Seja um método cujo estado o conhecimento ainda não se encontre bastante
desenvolvido, o Método do Potencial Espontâneo, por exemplo. As próprias cau-
sadas do efeito potencial espontâneo ainda não são compreendidas na íntegra: é
conhecido, contudo, que provocam potencial espontâneo tanto sulfetos e grafita,
como também o movimento de água no subsolo, mas este, com menor intensida-
de. Se sulfetos são procurados e é conhecida a localização de aqüífero na área, o
intérprete pode se decidir a tomar, como o efeito esperado, um valor representa-
tivo das medidas fora do aqüífero, em zona estéril, e, como o desvio, a diferença
entre um valor representativo das medidas sobre o aqüífero e o efeito esperado.
As anomalias que venham, então, a ser identificadas poderão ter sido causadas'
por sulfetos ou grafita.
Para vários métodos, é possível um outro caminho: calcular um valor mínimo
de anomalia. Como isso é feito pode ser compreendido no item seguinte.

2.4.6.2 Modelos

Para ser possível relacionar as medidas à subsuperfície, isto é, o efeito à sua


causa, a subsuperfície deve ser representada por um modelo. Os seguintes tipos
de modelo são utilizados na interpretação geofísica: modelos geológicos, modelos
físicos e modelos matemáticos.

Modelos geológicos correspondem à descrição das rochas e estruturas perti-


nentes ao problema de prospecção, aí incluídas suas prováveis relações no espaço
e no tempo, como observadas e inferidas a partir dos trabalhos de campo. Os
modelos geológicos podem ser apresentados sob a forma de seções (por exemplo,
Fig. 1.1), blocos diagramas e m,apas geológicos. Esses modelos são predominan-
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 83

temente qualitativos e semiquantitativos, sendo raramente quantitativos.

Modelos físicos são representações siinp!ificadas das descontinuidades físicas


do meio, inferidas a partir do modelo geológico e de medidas realizadas no cam-
po e em laboratório (modelo físico geométrico) (Fig. 2.32). Não raramente, o
fenômeno físico é representado nos modelos físicos (por meio de linhas de força,
por exemplo). Os modelos físicos são essencialmente qualitativos e semiquantita-
tivos, sendo raramente quantitativos.
Modelos matemáticos são representados por equações. Eles contêm: variáveis
dependente e independente, parâmetros conhecidos e desconhecidos. A variável
dependente corresponde aos efeitos do modelo físico. As variáveis independentes
podem ser: espaço, tempo, freqüência. Um dos parâmetros é a propriedade física;
normalmente, ela é uma grandeza expressa por unidade de comprimento, área ou
volume. Um exemplo de modelo matemático é (Ward & Rogers 1967):
S=FPDK (2.16)
sendo S o sinal e F, P, D e K fatores relacionados, respectivamente, à fonte de
excitação, à propriedade física, às dimensões da feição subsuperficial e à geometria
que descreve a relação espacial entre a fonte e a feição.
As rochas e as estruturas da área sob estudo, para serem relacionadas às me-
didas de campo, são descritas pelo modelo geológico, que é convertido no modelo
físico, cujos efeitos, tomados como as medidas de campo, são descritos pelo mode-
lo matemático. Na figura 2.32, um possível depósito de petróleo é relacionado ao
arqueamento de camadas produzido por um domo de sal, que é representado por
uma esfera de densidade inferior à do meio, cujos efeitos, medidos com o Método
Gravimétrico, são descritos pela equação do campo gravitacional anômalo devido
a uma esfera com centro abaixo da origem das coordenadas.
Na Natureza, as rochas apresentam comumente variações locais na granulo-
metria, na compactação e no conteúdo de água, que alteram as suas propriedades
físicas. Os corpos mineralizados podem seencontrar sob formas geométricas va-
riadas e complexas, assim como as estruturas.
No modelo geológico, comumente, as heterogeneidades das rochas não são
assinaladas e a forma do corpo é representada de modo simplificado, assim como
as estruturas: uma falha, por exemplo, é representada por um "plano" de falha,
a despeito de ser, na natureza, uma superfície ondulada. Todo modelo geológico
é uma representação simplificada da realidade (Paschoale 1984), assim como os
modelos físico e matemático.

No modelo físico, na maioria das vezes, as rochas são consideradas homogêneas


e isotrópicas, o corpo mineralizado e as estruturas têm uma forma geométrica tão
ou mais simples do que no modelo geológico. O manto de intemperismo, relevos
topográficos não são comumente representados nesses modelos.
Os modelos matemáticos que descrevem esses modelos físicos são, contudo,
84 A Prospecção Geofísica

!MotleCo !Matemático

o B P=Pl- Pl
,, !Metlitlas
, Bkm
u.m.
QI
!físico -x~
(jeo[6gico 'fr
B !Mo tle {o

A"1 o
" @Pl
XI o~Pz~

!Mo tle {o 'fr

Figura 2.32: Modelos utilizados em Geofísica para relacionar os efeitos medidos à sua
causa. AB é o perfil mostrado na figura 2)7. u.m.-unidades de medida; G-constante
universal da gravidade. Os demais símbolos são explicados na figura ou na equação
(2.16). .
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 85

bastante complexos. Soluções analíticas exatas, como aquela mostrada na figura


2.32, são, conseqüentemente, relativamente raras em relação a soluções aproxima-
das.

Na interpretação geofísica, trabalha-se com todas essas simplificações, sendo


elas maiores ou menores de acordo com o estágio de desenvolvimento em_que se
encontra o método geofísico. Ainda assim, obtém-se resultados satisfatórios, sem-
pre que os modelos não se afastam enormemente da situação real e incorporam
os seus aspectos importantes do ponto de vista geofísico. Isto porque as obser-
vações geofísicas são como imagens difusas das propriedades físicas, de modo que
pequenas variações nestas, não causam grandes mudanças naquelas.
Há modelos lD, 2D e 3D, ou seja, modelos de uma, duas ou três dimensões,
respectivamente. Essa classificação tem como base a distribuição espacial de
propriedades físicas, isto é, o modelo físico geométrico.
Nos modelos lD, a propriedade física varia em uma só direção, em geral, a
profundidade. Nos modelos2D, a propriedade física se mantém constante ao longo
de uma direção espacial. Nos modelos 3D, a propriedade física varia em qualquer
direção.
As propriedades físicas podem ou não apresentar uma distribuição espacial
eqüivalente na área sob investigação. Conseqüentemente, a dimensionalidade do
modelo pode ou não ser a mesma para diferentes métodos geofísicos. Exemplifi-
cando: a situação de campo pode ser representada por um modelo lD para poder
ser relacionada a dados sísmicos, mas requerer um modelo 2D para poder ser
relacionada a dados elétricos.

Na figura 2.33 são apresentados alguns modelos físicos e na figura 2.34, mo-
delos geológicos que podem ser representados pelos anteriores. Como várias con-
dições geológicas podem produzir distribuições eqüivalentes de propriedades, es-
ses modelos físicos podem representar outros modelos geológicos, afora os mos-
trados. Modelos matemáticos relacionados a esses modelos, como dependem do
método geofísico, são apresentados nos capítulos dedicados aos métodos; a solução
analítica exata que descreve os efeitos gravimétricos da esfera, consta, a título de
exemplo, da figura 2.32.
Na figura 2.34 são exploradas duas noções da maior importância: a possibili-
dade de que uma interface geológica não necessariamente represente uma interface
de contraste nas propriedades físicas e a limitação da profundidade de investigação
dos métodos geofísicos. Em outras palavras, várias feições geológicas podem não
ser detetadas pelos métodos geofísicos e, portanto, podem ser ignoradas no modelo
físico.

No grupo dos modelos lD, estão os modelos semÍ-espaço (Fig. 2.33a) e N-


camadas (Fig. 2.33b).
o primeiro é um modelo tão homogêneo, que os resultados são afetados por
86 A Prospecção Geofísica

(a) !eml-e.paço -10

(b) N-camada. ·10

(c) Tabular infinito ·10 (d) Plano ·1 D

(e) Tabular (f) Tabular (fi) .seml-plano (h) Fita


!eml-plano
Dlpo/o -ZD
-30
horizontal - zo ver tlcol - zo horizontal - Zo vertical
ver t ;col . ZD

(JcJ (p)
ij

(1) Prl.ma Q) Pri.ma (k) Fita


horizontal -ZD vertical ·30 horizontal • Zo

(m) Cilindro (n) Cl1Indro (o) Línha de


horizontal ·ZD vertical ·30 dlpolo. ·20

- +
- +
~--+
+
+

(q) DI.co ·3D (.) Monopolo ·3D


~ Õ

o
(r) E.fera ·30

FINITO
INFINITO
INFINITO IECCIONADO
PELO PLANO Xl

Figura 2.33: Exemplos de modelos físicos.


2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 87

(aj Semf-e,paço
y

IX
··é·~~·';";~';'';';'';''
0000000000
.,
la.Oo 00 O' 00 O' O' 00.-
.'. '~~ •.•.• 'p •• .p•. -:-."~'~'.'

(e) Ta/:)ular (d) Plano ~

+ + + + + + 000000000
0000000000
v-""-v v v 0(100000000
v v v v v 0000000000
.0.: .0• .i."v J.

li
v v v v }.<a"p. &.

v v v v v
v v v
v v v v y
(.) Ta/:)ular ~ (f) Ta/:)ular l!P (g) Sem/-plano ~ (h) Semi-plano l!P
1I0rlzon tal vltrtica' horlzonal .o- vltrtical
..~~~.~.~~.~.~.~.~.~~
~~~. ...............
.•.•.•.•.•.••.••.•.• !"~ ~ ~~.
:::~:'~:'~':':~:~:!~~;~rj~?:iTz~~i'

_, horizontal
.
(k) Fita ,," ~

v v v v
.v.. ...;..;v• .;~ •.•••
. ······U··· v v
I} .". •••••••••••••
v v v ~.! v
(o) Linha de aD
monopolo,
....~•.,V
::/~t~t~::!:~:~:~:'::'::8:::!:r/~::':::- ..·v· ..v -..; ..v
v v
v v v v
v v v v
v v
v v vvvvvv~v

(q) Df,eo (,) Monopolo

··.....•.•.•.- .•.... ,-,- ~~~.


...
·· .
··
· ...

Lltologla.
GITlD~
êiS~rnG
INTERFACE GEOLÓGICA COM
CONTRASTE NA PROPRIEDADE F!SICA
E
PROFUNDIDADE INVESTIGADA PELO M~TODO
SIM ••• NÃO

Figura 2.34: Exemplos de modelos geológicos (seção esquemática) representados pelos


modelos físicos da figura 2.33.
88 A Prospecção Geofísica

apenas uma fronteira, uma superfície plana. Esse modelo representa o terreno
sobre o qual são realizadas as medições, livre de perturbações, daí ser também
conhecido como terra uniforme8. A despeito de sua simplicidade geológica, esse
modelo não tem interesse apenas teórico: uma de suas aplicações pode ser no ma-
peamento geológico-geofísico, se as unidades litológicas possuem grande extensão
em área e em profundidade, sem modificações relevantes na propriedade física de
interesse (Fig. 2.34a).
o modelo N-camadas representa meios estratificados horizontalmente, como
é o caso de uma bacia sedimentar, de interesse na prospecção de petróleo, carvão
e água subterrânea (Fig. 2.34b), daí ser também conhecido como terra acamada.
É bom salientar que, embora a espessura de cada camada desse modelo seja pre-
sumivelmente constante, ele permite detetar variações de espessura, ao ser usado
na interpretação dos dados obtidos em diferentes estações.
Se o modelo tem uma camada, sobreposta a material de propriedade física
eqüivalente à do ar, é conhecido como modelo tabular infinito ou bloco infinito
(Fig. 2.33c) ou, quando de espessura muito pequena, como modelo plano, folha ou
placa (Figs. 2.33d). O modelo tabular pode ser usado para o estudo de derrames
e filões camada (sils)(Fig. 2.34), bem como do manto de intemperismo, mas o
modelo plano é com maior freqüência usado para o estudo do manto (Fig. 2.34d).
Entre os modelos 2D, estão os modelos tabular, em que a espessura é finita
(Fig. 2.33e, f), e semi-plano, em que a espessura é infinitesimal (Figs. 2.33g, h),
ambos com uma dimensão semi-infinita. Esses modelos podem ser considerados
na horizontal e inclinados até a vertical.

O modelo tabular horizontal pode ser utilizado na investigação de camada


seccionada por falha, cujo rejeito não permita a investigação da camada corres-
pondente no bloco contíguo (Fig. 2.34e); o modelo é, então, também conhecido
como degrau. O modelo tabular horizontal pode também ser usado para repre-
sentar corpos estratiformes, porque estes têm a espessura pequena em relação às
outras duas dimensões e as suas faces superior e inferior são aproximadamente
paralelas e concordantes com as rochas encaixantes; várias jazidas sedimentares
são estratiformes e filões camada apresentam, também, essa forma.
O modelo semi-plano horizontal pode representar desde corpos estratifor-
mes a corpos lenticulares, a exemplo de depósitos do tipo vulcano~sedimentar
(Fig. 2.34g). Estes últimos têm espessura reduzida, mas aparecem com variadas
dimensões; normalmente, não ultrapassam os 30° de mergulho, salvo em regiões
submetidas a esforços tectônicos mu~to fortes.
Os modelos tabular inclinado e semi-plano inclinado podem ser usados para

80 terreno é representado pelo espaço, quando as medidas são realizadas no seu interior, ao
longo de furos de sondagem.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 89

representar materiais que preenchem fraturas e falhas (se os blocos deslocados


não oferecerem contraste da propriedade física em jogo). Dentre as feições tabu-
lares, discordantes, que preenchem uma fenda aberta na encaixante metamórfica,
ígnea ou mesmo sedimentar, estão os diques, geralmente constituídos de rochas
magmáticas, e os filões, gerados pela ascensão de soluções hidrotermais. A lar-
gura desses corpos pode variar de centímetros até dezenas de quilômetros, mas a
espessura dos diques é comumente maior do que a dos filões . Por isso, os diques
são com freqüência representados pelo modelo tabular inclinado, daí ser o modelo
também conhecido como dique (Fig. 2.34f), enquanto os filões, pelo semi-plano
inclinado (Fig. 2.34h).
Os modelos tabular e semi-plano horizontais podem ser feitos finitos em uma
segunda dimensão, afora a espessura. O modelo tabular passa, então, a ser co-
nhecido como prisma (Figs. 2.33i) e, se de seção circular, como cilindro (Fig.
2.33m), e o modelo semi-plano, como fita, tira ou fàixa (Fig. 2.33k). Esses mode-
los são 2D. Na vertical, contudo, o prisma e o cilindro são 3D, porque a fronteira
natural representada pela superfície do terreno, torna a sua terceira dimensão
semi-infinita (Fig. 2.33j, n). Note que, na vertical, o modelo fita pode ter ex-
tensão em profundidade finita, mas comprimento infinito, quando é um modelo
2D (Fig. 2.331).
o modelo prisma horizontal pode ser usado para representar paleocanais e gra-
bens preenchidos por sedimentos, bem como horsts (Fig. 2.34i). O modelo prisma
vert~cal é usado para representar massas rochosas intrusivas como batólitos, inves-
tigadas por meio de aerolevantamentos (Fig. 2.34j); nesse tipo de levantamento,
ou seja, a grandes distâncias dos corpos, detalhes da forma dos mesmos pouco
afet~m as medições. .

O cilindro horizontal é usado para representar intrusões convexo-c~ncavas q~e


se localizam nas partes superiores dos anticlinais, os facólitos, e camadas dobradas
em anticlinais (Fig. 2.34m). O cilindro vertical é usado para descrever corpos que
atravessam rochas pré-existentes, cujo diâmetro varia de metros até um pouco
mais de 1 km, como os necks, que preenchem antigas chaminés vulcânicas (Fig.
2.34n), bem como os domas de sal.
O modelo fita horizontal guarda semelhança com corpos lenticulares, cuja
extensão é muito superior à largura (Fig. 2.34k). O modelo fita inclinado pode
ser usado para representar filões, seccionados por falha (Fig. 2.341).
Entre os modelos 3D, destacam-se também os modelos disco e elipsóide obla-
to (ambos representados pela Fig. 2.33q), bem como a esfera (Fig. 2.33r).
O disco e o elipsóide oblato podem ser usados na investigação de corpos
geológicos que têm a forma de lente (Fig. 2.34q). Esses modelos, juntamente com
a fita e o semi-plano podem cobrir toda uma transição dos corpos lenticulares
associada a variações em sua excentricidade.

A esfera pode ser usada para representar mineralizações compactas, disse-


90 A Prospecção Geofísica

minadas ou em veios de considerável abundância (schlieren), dentro de um vo-


lume aproximadamente esférico e, de modo muito aproximado, domos de sal
(Fig. 2.34r).
Existem modelos que diferem ligeiramente daqueles até aqui descritos, por não
serem essencialmente geométricos. A definição de tais modelos, adicionalmente,
leva em conta fenômenos físicos como as distribuições de carga elétrica, de corrente
elétrica ou de magnetização. Dentre esses modelos tem-se a linha de dipolos
(Fig. 2.330), a linha de monopolos (Fig. 2.340), o dipolo (Figs. 2.33p) e o
monopolo (Figs. 2.33s). Os dois primeiros são 2D e os dois últimos, 3D.
A linha de dipolos pode ser relacionada a feições magnéticas delgadas de
grande comprimento e de extensão em profundidade limitada, assim como o mo-
delo fita inclinada. A linha de monopolos pode ser usada para representar feição
eqüivalente à anterior, mas de grande extensão em profundidade, como uma zona
de fratura preenchida e magnetizada verticalmente (Fig. 2.340), assim como o
modelo semi-plano vertical.
O dipolo pode representar feições de dimensões reduzidas em comparação
com a distância ao ponto de observação (Fig. 2.34p). O modelo monopolo pode
representar corpos de seção reduzida em comparação com o seu comprimento,
como vários corpos representados pelo cilindro, prisma e até mesmo tira, se uma
de suas extremidades se encontrar bastante distante do ponto de observação, para
que se possa negligenciar o seu efeito (Fig. 2.34s).

Os modelos aqui apresentados são de forma simples. Há, contudo, represen-


tações em que a subsuperfície é dividida em pequenas células. Essas represen-
tações surgiram como conseqüência da construção de modelos matemáticos, que
representam soluções aproximadas para os efeitos do modelo físico, por meio de
ferramentas matemáticas sofisticadas, dentre as quais destaca-se a técnica dos
elementos finitos. A esse tema volta-se no item 2.5.1.2.

2.4.6.3 Interpretações Qualitativa e Semi-quantitativa

Nas interpretações qualitativa e semi-quantitativa procura-se estabelecer, res-


pectivamente, relações de igualdade/não igualdade e relações de desigualdade en-
tre certas. características das anomalias evidenciadas pelas medidas geofísicas, de
modo que, ao final, se possam separar diferentes padrões anômalos e associá-Ios
aos corpos geológicos. Isto significaI obter informações sobre: localização, for-
ma, mergulho, profundidade e propriedades físicas desses corpos. Esses padrões
anômalos dependem do método geofísico e de vários outros fatores. Logo, as
noções fornecidas a seguir não são sempre válidas.
Na identificação de diferentes padrões de resultados geofísicos, de interesse es-
pecialmente no mapeamento geológico, a interpretação tem como base, em geral,
mapas de contorno e consiste na separação da região investigada em porções (ca-
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 91

da uma delas correspondendo a valores medidos dentro de um mesmo intervalo e


com um mesmo tipo de comportamento), ou seja, correspondendo a um diferente
padrão ou textura. O reconhecimento de dif~rentes texturas permite que se iden-
tifiquem zonas de fraqueza, tais como falhis e fraturas, que causam modificações
bruscas mais ou menos localizadas nas texturas, inclusive deslocando-as.
A localização da projeção horizontal do centro ou do topo de uma feição pode,
em certos casos, coincidir com o centro de anomalias positivas (Fig. 2.31a) ou
negativa (Fig. 2.31b), bem como com o centro de anomalias de valores localizados
altos e baixos (Fig. 2.31cl a C4)'
A forma da projeção horizontal da feição pode ser extraída de mapas de
contorno de isovalores: curvas concêntricas de formato aproximadamente circular,
como aquelas das figuras 2.13c ou 2.17c, sugerem a presença de corpos com seções
horizontais isométricas (esfera e cilindro vertical, por exemplo). Se, entretanto,
elas forem alongadas, como as curvas da figura 2.16c, podem indicar corpos com
seções horizontais lineares (tabular e semi-plano inclinados, por exemplo), cuja
direção é a mesma do alongamento das curvas.
Em alguns métodos geofísicos, o mergulho da feição pode ser avaliado com
base no grau de simetria das anomalias nos perfis: anomalias simétricas são gera-
das por corpos verticais (Fig. 2.31a, b, Cl) e horizontais (Fig. 2.31c2); anomalias
assimétricas são produzidas por corpos inclinados, de tal modo que o lado para o
qual elas se estendem com maior intensidade, formando a chamada "cauda da ano-
malia", coincide com a direção do mergulho (veja a anomalia em linha contínua
da Fig. 2.31c3)'
O mergulho pode também ser extraído dos mapas de contorno: curvas que
se formam a intervalos espaciais eqüidistantes podem ser formadas por corpos
verticais e horizontais isométricos; curvas eqüidistantes em lados opostos da ano-
malia são geradas por corpos verticais e horizontais alongados; curvas formadas
a espaçamentos diferentes em dois lados opostos da anomalia são produzidas por
corpos inclinados, sendo o mergulho na direção em que esses intervalos se tornam
malOres.

Deve ser observado, entretanto, que nem sempre a assimetria das anomalias
depende somente do mergulho das feições. No Método Magnético, por exem-
pIo, a assimetria também depende da inclinação de magnetização da feição. Nos
Métodos Eletromagnéticos, por outro lado, a assimetria da anomalia pode ser
fortemente dependente da condutividade elétrica do meio que envolve a feição.

A profundidade e a propriedade física são, respectivamente, inversa e dire-


tamente proporcionais à magnitude das medidas; logo, a feição mais rasa e/ou
de propriedade física mais forte gera a anomalia com maior amplitude. A no-
tar: quanto maior a profundidade da fonte, mais larga a anomalia e menor o seu
gradiente.
92 A Prospecção Geofísica

2.4.6.4 Interpretação Quantitativa:


Métodos Comparativo, Direto e Inverso

A interpretação quantitativa consiste na estimativa dos valores quantitati-


vos dos parâmetros de um modelo, cuja geometria seja próxima da geometria
esperada para a fonte de anomalia. Ela pode ser realizada através dos métodos
comparativo, direto e inverso.
Na interpretação pelo método comparativo podem ser usados tanto catálogos
de perfis, como curvas características.

Os catálogos de perfis são construídos a partir da resposta geofísica calcu-


lada de modelos matemáticos (modelamento numérico - item 2.5.1.2) e, mais
raramente, a partir de medidas realizadas em laboratório sobre modelos físicos
(niodelamento reduzido -'- item 2.5.1.2). Com os catálogos de perfis, o procedi-
mento de interpretaçâo é o seguinte (Fig. 2.35):

(I) compara-se o perfil de medidas obtidas no levantamento de campo, que com-


preende o efeito a ser interpretado, com perfil teórico do catálogo, obtido
para o modelo adotado;
(lI) se a comparação mostrar que o perfil teórico ajusta-se satisfatoriamente
ao perfil de campo, os valores dos parâmetros do modelo utilizado na ob-
tenção do perfil teórico são tomados como possíveis valores dos parâmetros
da feição subsuperficial, que poderia ter produzido o perfil de campo; em
caso contrário, o procedimento é repetido.

As curvas características são gráficos construídos a partir de elementos es-


pecíficos retirados de perfis teóricos (calculados ou medidos em laboratóriq), que
representam a resposta de modelos. Alguns dos elementos comumente usados são:
amplitudes e larguras especiais do perfil anômalo (por exemplo, a largura corres-
pondente a 1/3 do valor máximo), valores das máximas declividades do perfil
anômalo e a razão entre os picos de máximo e mínimo. Na construção das curvas
características, esses elementos sâo representados como função de parâmetros da
fonte de anomalia (mergulho, profundidade, espessura, propriedade física, etc ...).
A figura 2.36II, por exemplo, mostra curvas características para o modelo semi-
plano, como função das amplitudes R e Q da anomalia (valores pico-a-pico).
O procedimento usado na interpretação com curvas características é o seguinte
(Fig. 2.36):

(I) quantifica-se os elementos específicos de um perfil de medidas realizadas no


campo;
(lI) leva-se os valores obtidos às curvas características para o modelo adotado e
(III) estimam-se, como possíveis parâmetros geométricos e/ou físicos da fonte de
anomalia, aqueles da posição da curva característica ocupada pelos valores
resultantes da quantificação do perfil de campo.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 93

- .,
,
,
,
,
,
I

não

·0"m (lI)

~ dados de campo
..r.~.
(I) .' .
~ dados teórico •

modelo semiplano inclinado


p propriedade
e espessura
h profundidade
9 mergulho

Figura 2.35: Interpretação pelo método comparativo com o auxílio de perfis.

No exemplo da figura 2.36, o perfil de medidas de campo mo~tra uma ano-


malia com amplitudes R e Q (Fig. 2.361), que, ao serem lançadas nas curvas ca"
racterísticas para o modelo semi-plano com mergulho () igual a 60° (Fig. 2.36II),
definem o ponto assinalado com um asterisco. Esse ponto situa-se entre as linhas
em que P e = 25 e 40 e h = 45 e 75. Interpolando-se entre as linhas estima-se
que o corpo tem P e = 28 e seu topo encontra-se a uma profundidade h = 60 m
(Fig. 2.36III).
Na interpretação com o método direto, as seguintes etapas são normalmente
seguidas (Fig. 2.37a):

. (I) atribuem-se valores para os parâmetros que se desejam estimar do modelo


adotado;
(II) calculam-se os efeitos correspondentes com o auxílio de computador;
(III) comparam-se os efeitos medidos com os efeitos calculados;
(IV) se a comparação mostrar que os efeitos calculados ajustam-se satisfatoria-
mente aos efeitos medidos, os valores numéricos, atribuídos aos parâmetros
94 A Prospecção Geofísica

(I)

() =600 () =600

Q-

R
(lI) (m)

dados de campo
parâmelros retirado. doa
dados de campo
modelo semiplano inclinado
p propriedade
e e.p •• aura
h profundidade
9 mergulho

Figura 2.36: Interpretação pelo método comparativo com o auxílio de curvas ca-
racterísticas.
2.4 Etapas da Prospecção Geofísica 95

do modelo, são tomados como possíveis valores dos parâmetros da feição


subsuperficial, que poderia ter produzido os efeitos medidos no campo; em
caso contrário, todo o procedimento é t:epetido.

No método inverso (Fig. 2.37b):

(I) os dados medidos durante o levantamento de campo são introduzidos no


comp~tador, quase sempre com valores iniciais para os parâmetros que se
desejam estimar do modelo adotado;
(11) um algoritmo de inversão é acionado no computador de modo a procurar
soluções que reproduzam os dados de campo, dentro de uma precisão pré-
estabelecida. O processo de procura resulta no estabelecimento de valores
para os parâmetros do modelo.

A interpretação pelo método comparativo, especialmente com o amallo de


perfis teóricos, pode ser trabalhosa e lenta, tanto mais quanto menor for o co-
nhecimento do intérprete sobre a área investigada e a sua experiência com esse
método de interpretação. Desses fatores depende também o tempo necessário ao
ajuste entre efeitos medidos e efeitos calculados com o computador, pelo método
direto. Na inversão, o algoritmo define se os valores dos parâmetros do modelo,
atribuídos inicialmente, são ou não adequados e, por meio de métodos estatísticos
e/ou matemáticos, direciona outras tentativas, até que seja encontrado um con-
junto particular de valores que produza um ajuste satisfatório.
A produção e o manuseio de perfis e curvas características representando to-
das as variações dos parâmetros do modelo, possíveis na natureza, são uma utopia,
assim como, conseqüentemente, o ajuste de perfis de campo a perfis teóricos ou
de valores quantificados de ambos, porque todo modelo é uma represe;ntação sim-
plificada da natureza e, pOI'tanto, todo ajuste de dados de campo a dados teóricos
é sempre algo impreciso. Isso significa que, na interpretação com o método com-
parativo, a consulta a todos perfis ou curvas características disponíveis para o
modelo não conduz à descoberta do gráfico de ajuste perfeito aos dados de cam-
po; por isso, esse tipo de interpretação tem como base a compreensão dos efeitos
dos valores mais prováveis para os parâmetros do modelo, apresentados em um
conjunto reduzido de perfis ou curvas, com vistas à obtenção de valores apro-
ximados para esses patametros (às vezes, apenas relações semi-quantitativas são
obtidas). A experiência com os métodos direto e inverso assenta-se sobre igual ba-
se, mas, porque os efeitos dos parâmetros são calculados, a estimativa dos mesmos
pode ser avaliada e aprimorada.
A escolha dos perfis e curvas teóricas, usados no método comparativo, e de
valores atribuídos para os parâmetros do modelo nos métodos direto e inverso,
deve ser consistente com os chamados vínculos, formados com as informações
disponíveis a priori. Isso reduz o trabalho, o tempo de computação e pode conduzir
a resultados consideravelmente mais compatíveis com a realidade. Nos métodos
comparativo e direto, qualquer tipo de informação a priori pode ser usado, porque
96 A Prospecção Geofísíca

r--------------- --I
(a) I \ -
11'"

I
I
I
I
I
I
I
I
I
O !
I
I
O :
I
+

~~~~0~
A não 1

(lI) (III) (IV)

\
~.---------~'r-----.J I

(b)

(II)

dados de campo
dados teóricos

modelo semiplano inclinado


p propriedade
e espessura
h profundidade
e mergulho

Figura 2.37: Interpretação pelos métodos: (a) direto; (b) inverso.


2,5. Resultados da Prospecção Geofísica 97

ela é incorporada pelo intérprete, que distingue e re-aproveita os resultados da


interpretação compatíveis com a informação disponível.
i
O método comparativo, devido à sua simplicidade de aplicação e à maior
incerteza nos seus resultados, teve, antes do aumento da capacidade e portabili-
dade dos computadores, uso extensivo nas primeiras fases da interpretação, seja
fornecendo vínculos para a interpretação com os métodos direto e inverso e, por
esse meio, reduzindo o tempo de de computação, seja fornecendo os primeiros re-
sultados geofísicos, quando estes eram esperados ainda no local do levantamento.
Em alguns casos, contudo, o método comparativo pode representar o único tipo
de interpretação quantitativa possível, devido à inexistência de algoritmo para os
cálculos necessários por meio dos métodos direto e inverso.

No método direto, destaca-se a possibilidade de vinculação e de variação dos


valores dos parâmetros do modelo, com o subseq~ente cálculo dos seus efeitos.
Os resultados obtidos pelo método direto para um conjunto significativo de da-
dos, por exemplo, o trecho do perfil com a anomalia de maior amplitude, com
freqüência, são usados como vínculos para a inversão desses dados e daqueles de
perfis contíguos, porque este último método destaca-se pela rapidez e pela pre-
cisão do ajuste de dados que realiza. Ajuste mais preciso de dados, todavia, não
conduz, necessariamente, a resultados mais compatíveis com a realidade, o que
poderá ser compreendido com o próximo item.

2.5 RESULTADOS
- DA ,
PROSPECÇAO GEOFISICA
A análise dos resultados da prospecção geofísica demanda um exame dos
problemas por ela abordados, bem como dos meios de solucioná-loS-. Isto será
abordado de modo simplificado no item 2.5.1. Essa análise deve ainda considerar
características das regiões onde a campanha de prospecção é realizada. O item
2.5.2 tem esta finalidade. Esse tipo de análise é muito importante para que se
compreenda as limitações da Geofísica.

2.5.1 O PROBLEMA DIRETO E O PROBLEMA INVERSO

Seja um modelo representado pela seguinte função:

y=ax+b (2.14)

sendo a e b parâmetros constantes.

No problema direto, os valores dos parâmetros a e b são conhecidos e y,


para um x qualquer, é calculado. No problema inverso, a e b são parâmetros
procurados a partir de y, que é conhecido, porque é medido para um determinado
x. Assim, no problema direto, o efeito do modelo é calculado a partir dos valores
98 A Prospecção GeofísÍca

dos seus parâmetros, enquanto no problema inverso (ou inversão) os valores dos
parâmetros do modelo-causa de um determinado efeito são procurados, usando-se
medidas desse mesmo efeito (Fig. 2.38).

PROBLEMA DIRETO

A B A B
u.m. gj XI
-10
-5 Icm

PROBLEMA INVERSO

Figura 2.38: Problema direto versus problema inverso.

Como no problema inverso há a necessidade de medidas ou experimentos para


determinar-se a variável dependente y e essas medidas sempre contêm algum tipo
de erro (ruído), intuitivamente estabelece-se que, quanto maior for o número de
medidas obtidas para diferentes valores de x, mais precisamente devem-se obter os
valores dos parâmetros. Se não houvessem erros nas medidas, seriam necessárias,
no caso do modelo (2.14), somente medidas em dois diferentes valores de x.
Os problemas inversos mais simples e bem compreendidos são aqueles que
envolvem modelos que podem ser representados por uma função linear, como a
da expressão (2.14); essa equação, conseqüentemente, forma a base da teoria de
inversão formal. A solução dos problemas lineares ou linearizáveis pode ser pro-
curada por meio dqs seguintes métodos: mínimos quadrados, mínimos absolutos,
máxima verossimilhança, máxima a posteriori e ajuste M. Os problemas não li-
neares podem ser aproximadamente linearizados através de sua expansão em série
de Taylor e sua solução buscada por meio dos métodos Gauss-Newton, Gradiente,
Marquardt e Monte Cado.
A inversão pode exigir a manipulação de matrizes de porte considerável, para
conter as informações dos experimentos. Não é de se estranhar, portanto, que, em-
bora as suas raÍzes sejam encontradas nos trabalhos de Laplace (1799), Legendre
(1801) e Gauss (1809) - os dois últimos, autores do método dos mínimos quadra-
dos - (Tarantola 1987, p. xiii), a sua aplicação extensiva teve início com a revo--
lução da Informática: o primeiro programa de computador envolvendo mínimos
2.5 Resultados da Prospecção Geofísica 99

quadrados foi desenvolvido por Booth, Peterson e Box em 1958, usando o método
de Gauss modificado (Bard 1974, p. 6-7).

2.5.1.1 Interpretação: Resolução do Problema Inverso

Na prospecção geofísica, a subsuperfície é investigada a partir do seu efeito


nos campos físicos ou na propagação de ondas. Esse é um problema inverso
(Fig. 2.38). A interpretação geofísica lida, portanto, com problemas inversos.
Conseqüentemente, as interpretações qualitativa e semi-quantitativa, bem co-
mo quantitativa, pelos métodos comparativo, direto e inverso, representam es-
tratégias diferentes de resolução do problema inverso em Geofísica. Em outras
palavras, interpretação geofísica é inversão.
Os primeiros trabalhos significativos sobre o método de inversão formal em
interpretação geofísica foram apresentados por Backus e Gilbert, em 1967 e 1968;
são trabalhos de inversão no âmbito da Geofísica Global (Sismologia e Gravidade
Terrestre), que influenciaram os trabalhos seguintes voltados para a Geofísica
de Prospecção, como conta Lines (1988) ao apresentar uma coletânea de artigos
sobre inversão aplicada à Prospecção. Os conhecimentos sobre o tema podem
ser aprofundados através, dentre outros, da coletânea de Lines (1988), bem como
dos livros escritos por Bard (1974), Beck & Arnold (1977), Tarantola (1987).
Twomey (1977) e Menke (1984), que tem sido freqüentemente indicado como
texto introdutório.

A maioria das obras dedicadas à inversão segue uma abordagem deter-


minística. A interpretação pelo método inverso pode, contudo, seguir uma aborda-
.gem estocástica ou probabilística (Gol'tsman 1977).
Na abordagem determinística, a mais antiga e a mais usada, o modelo é
descrito por equações, cuja solução é exata ou aproximada. Na abordagem es-
tocástica, essa descrição é substituída por funções de distribuição ou densidade
de probabilidade (Tarantola 1987).
Os resultados finais da interpretação tradicional são analisados por meio de
critérios nâo formalizados e incompletos. A abordagem estocástica permite o
aproveitamento desses critérios (por exemplo, a incorporação de informações qua-
litativas do tipo forte, fraco, largo, estreito), conduzindo a ganhos no resultado
final; ela é indicada quando há substancial fonte de informações a priori e sur-
giu, aliás, como uma conseqüência do acúmulo dessa informação na antiga União
Soviética. Essa abordagem nova e promissora, ao contrário da abordagem deter-
minística, não enfrenta as dificuldades associadas à complexidade das equações,
usadas na descrição do problema geológico, cujos resultados com freqüência dife-
rem dos reais, devido ao uso de modelos ideais, erros nas medidas e aproximação
das soluções (no caso da inexistência de solução exata). Por outro lado, não é
sempre fácil decidir qual é o melhor "modelo de probabilidade".
100 A Prospecção Geofísica

2.5.1.1.1 Ambigüidade e Sinergismo

Dentre as dificuldades inerentes à resolução dos problemas inversos, a


ambigüidade é a mais séria para os trabalhos geofísicos. A ambigüidade é a pos-
sibilidade de se poder construir mais de um modelo consistente com os dados (isto
é, mais de uma causa é sempre possível para o mesmo efeito). Desafortunada-
mente, todos os métodos geofísicos fornecem resultados ambíguos (Roy 1962).

A ambigüidade pode ser ilustrada com o aUXIllo da figura 2.39. Nessa figura,
está representada uma série de experimentos, em que o campo gravitacional 9i
é medido em diferentes posições Xi, ao longo de um perfil. O modelo físico que
representa os dados é uma esfera, cujos parâmetros (p, a e h) são desconhecidos.
No modelo matemático que representa a esfera, os parâmetros p e a aparecem sob
a forma do produto p a3 (Fig. 2.32), tornando impossível a sua estimativa indivi-
dual, pois, para diferentes valores desses parâmetros produzindo o mesmo produto
p a3 (por exemplo, se p = 2 unidades e a3 = 8 unidades ou p = 3,2 unidades e
a3 = 5 unidades, o produto p a3 será 16 unidades), o efeito gravimétrico calculado
para a esfera será o mesmo, produzindo resultado ambíguo na interpretação destes
dois parâmetros. Isto significa que corpos esféricos de diferentes contrastes de den-
'sidade com o meio e dimensões podem produzir o mesmo resultado (Fig. 2.39a).
Esse é o tipo de ambigüidade mais importante em Geofísica.

A ambigüidade também pode se manifestar com modelos diferentes; neste ca-


so, as soluções são distintas, mas próximas o suficiente para se confundirem, devido
à percentagem provável de erros para o conjunto de experimentos (Fig. 2.39b).
Quando o intervalo entre as medidas é inadequap.o, o comprimento dos perfis
de medida, insuficiente e o número de parâmetros, inferior ao número de dados e
estes, contêm erros, a solução do problema inverso é, também, ambígüa.

A esses tipos de ambigüidade a Natureza acrescenta mais um: várias condições


geológicas podem produzir distribuições eqüivalentes de propriedades. Por isso,
as anomalias obtidas com os Métodos Elétricos e Eletromagnéticos sobre zonas
ricas em pirita e grafita são semelhantes às anomalias de sulfetos de cobre.

É, contudo, possível reduzir a ambigüidade. Isso é feito por meio da inte-


gração dos resultados (os quais incluem as informações a priori), que pode ser
ilustrada com o aUXIllo dos diagramas Euler-Wenner da figura 2.39. Nesses, cada
conjunto de resultados independentes é representado por um ponto dentro de cada
região no plano do papel. A integração eqüivale à intercessão das diferentes re-
giões, contendo resultados independentes (Fig. 2.39). O resultado é previsto pelo
Teorema de Bayes (ou fórmula para a probabilidade condicional das causas). Em
outras palavras, corresponde aos modelos que satisfazem igualmente um conjunto
de métodosgeofísicos e um ambiente geológico considerado.

Em realidade, a integração de resultados permite uma redução mais efetiva


do número de modelos, logo a obtenção de um conjunto mais rico de informações
2.5 Resultados da Prospecção Geofísica 101

(a) I, 2 e 3 MODELOS

T7 T7 T7 7/77/71

:ji)
(b)

T7 7 I I I r;;:z::::r:2

~1171
/_ 1//

~~

3~

Figura 2.39: Ambigüidade nas respostas de fontes: (a) esféricas; (b) diversas (Nettleton
1976).

Resultados

modelos prováveis

Figura 2.40: Integração de resultados.


102 A Pro?pecção Geofísica

sobre a subsuperfície real, do que a soma de cada conjunto de resultados, quando


considerados independentemente. Esse é um fenômeno conhecido como sinergis-
mo. Uma maneira efetiva de se tratar com a am1?igüidade, que é um sintoma de
insuficiência de informação nos dados para obter-se a interpretação desejada, é,
por conseguinte, realizar a integração simultâneamente à interpretação, durante
as diferentes etapas da prospecção mineral (Fig. 2.1). No exemplo do modelo
esférico (Fig. 2.39a), se é lançada a informação a priori de que p = 3,2 unidades,
então é possível eliminar-se a ambigüidade na determinação de a.
Em resumo: os resultados da interpretação geofísica não são conclusões, mas
hipóteses, que podem ser testadas por meio de sua integração com outros resulta-
dos; eles não indicam, por si só, o modelo correto, mas permitem rejeitar aqueles
que lhes são incompatíveis. A não compreensão desse conjunto de asserções, por
geólogos e geofísicos, constitui a principal barreira ao diálogo entre esses profis-
sionais e, por seguinte, ao êxito da campanha de prospeGção. Há vários exemplos,
dentre os quais s~ destaca a substituição da integração de resultados por dispen-
diosos furos de sondagem; as seqüelas podem ser, no entanto, várias outras. Um
bom exemplo é, como designada por Boniwell (1989), a síndrome da busca de
anomalias geofísicas (eletromagnéticas), vivida durante quase 30 anos na pros-
pecção mineral canadense, que teve, como um de seus resultados, o declínio do
conhecimento sobre Mineralogênese.

2.5.1.2 Modelamento: Resolução do Problema Direto

Os critérios usados nas interpretações qualitativa e semi-quantitativa, os per-


fis e as curvas características, que permitem a interpretação quantitativa pelo
método comparativo, assim como as equações que descrevem o modelo, na inter-
pretação quantitativa pelos métodos direto e inverso, são o produto de investi-
gações teóricas, conhecidas como modelamento ou simulação, cujo objetivo é a
previsão dos efeitos de modelos investigados pela Geofísica, um problema direto
(Fig. 2.38).
O modelamento compreende tanto a construção do modelo, como a previsão
do seu efeito e pode ser: reduzido ou analógico e numérico ou digital.
No modelamento analógico, as situações de campo são reconstruídas em uma
escala muito menor, compatível com as dimensões dos laboratórios. Um corpo de
umas poucas dezenas de metros de espessura, por exemplo, pode ser representado
por um modelo muito fino, milimétrico.

Os trabalhos de modelamento analógico devem atender a leis específicas, para


que a simulação reproduza. acuradamente a resposta física do modelo. Essas leis
podem supor fatores de escala específicos para o fenômeno e o meio sob investi-
gação ou apenas para este último. No primeiro caso, o modelo é dito absoluto,
enquanto no outro, geométrico. Ambos fornecem o mesmo resultado, mas o mo-
2.5 Resultados da Prospecção Geofísica 103

delo geométrico é mais simples e é adequado para todos os problemas geofísicos


(Frischknecht 1971). O modelamento analógico tem sido usado especialmente pa-
ra o estudo de respostas eletromagnéticas. e sísmicas obtidas sobre modelos, cujo
modelamento digital não é, ainda, possível, 'devido ao apreciável tempo de com-
putação e memória de máquina necessários. Maiores informações são fornecidas,
por exemplo, por: (a) Frischknecht (1971, 1988) e Silva (1981) sobre modelamento
analógico eletromagnético e (b) McDonald & Gardner (1982) e Monteiro (1986)
sobre modelamento analógico sísmico.
O modelamento digital lida com modelos matemáticos, representados por
soluções analíticas exatas, como aquela do campo gravitacional anômalo devido a
uma esfera (Fig. 2.32), ou por soluções numéricas aproximadas, porque a maioria
dos problemas com que se depara a Geofísica é bastante complexa e não admite
solução analítica exata.
A construção de soluções numéricas aproximadas exige o uso de ferramentas
matemáticas simples, como a integração numérica e a convolução, mas também
sofisticadas, como é o caso dos métodos das equações diferenciais (elementos fi-
nitos e diferenças finitas) e o método das equações integrais. Nestes métodos,
o meio sob investigação é subdividido em pequenas células ou elementos, sendo
atribuído um valor constante para a propriedade física de cada célula. Cada um
dos métodos apresenta vantagens e desvantagens, quando comparados entre si.
Nos métodos das equações diferenciais, todo o meio é subdividido em células,
enquanto no método das equações integrais, apenas as fontes de anomalias neces-
sitam ser subdivididas. Esse fato permite que os primeiros possam ser usados na
simulação de situações geológicas mais complexas, do que o método das equações
integrais. Por outro lado, o método das equações integrais, por exigir menos
células, é mais econômico em termos computacionais do que os outros. Adicio-
nalmente, o método dos elementos finitos admite células de formas triangulares
e/ou quadriláteras (tetraédricas e/ou hexaédricas em 3D), enquanto o método das
diferenças finitas emprega somente formas retangulares (hexaédricas regulares em
3D); por isso, os elementos finitos podem ser usados com modelos de geometrias
mais complexas do que as diferenças finitas, o que tem contribuído para a sua
grande difusão, desde que foram estabeleci das as suas bases teóricas no período
1955-1964. O leitor pode encontrar maiores detalhes em: (a) Huebner (1974),
Rijo (1977), Becker et aI. (1981), Silvester & Ferrari (1984), Ross (1990) sobre
elementos finitos; (b) Smith (1978), Goldman & Stoyer (1983) sobre diferenças
finitas e (c) Hohmann (1971), Hochstadt (1973), Jaswon & Symm (1977), Vasseur
& Weidelt (1977), Carrasquilla (1993) sobre equações integrais. Uma visão geral
fornece Hohmann (1988).
Algumas das simulações, principalmente de modelos 3D, têm exigido métodos
híbridos, que se utilizam da combinação do método das equações integrais e um dos
métodos das equações diferenciais. Exemplos da aplicação dos métodos híbridos
podem ser encontrados em Lee et alo (1981), Gupta et aI. (1987) e Kummer et
aI. (1987).
104 A Prospecção Geofísica

Após a construção do modelo, seja ele analógico ou digital, é possível passar


para a segunda fase: a previsão de suas respostas.
No modelamento digital, isso é conseguido atribuindo-se valores quaisquer
para os parâmetros do modelo e calculando-se a sua resposta, para diferentes
posições ou tempos ou freqüências, por meio de computador. No modelamento
analógico, sistemas eletrônicos (similares aos equipamentos usados nos levanta-
mentos geofísicos) são usados para a investigação da resposta dos modelos, que
foram construídos com valores fixos pré-estabelecidos para os parâmetros. Esta é
uma das desvantagens do modelamento analógico: a variação de parâmetros do
modelo é restrita e descontÍnua.

Uma das finalidades dessa segunda fase é a comparação das respostas geradas
para casos simplificados do modelo, para os quais são conhecidas as respostas,
com estas últimas. Dessa maneira, é possível verificar s~ o modelamento descreve
adequadamente a hipotética situação de campo. A partir daí, é possível a pos-
tulação do modelo matemático, para uso através dos métodos direto e inverso da
interpretação quantitativa.

Uma outra finalidade da segunda fase é a formação de um conjunto de res-


postas, para uma grande variedade de parâmetros do modelo. A análise des-
sas respostas permite eleger critérios úteis às interpretações qualitativa e semi-
quantitativa. Além disso, elas podem ser usadas no método comparativo, seja
perfazendo catálogos de perfis, seja fornecendo as informações necessárias para a
construção das curvas características.

2.5.2 REGIOES TROPICAIS E EXTRATROPICAIS

"Em uma área do Canadá onde foram encon-


tradas quatro anomalias bem definidas, as per-
furações provaram que a quarta delas era uma
descoberta econômica; nas regiões tropicais po-
dem haver 40 anomalias ao invés de 4, nenhuma
delas com valor econômico. "
(Herrero 1982, p.14, trad.).

As técnicas e equipamentos geofísicos foram desenvolvidas originalmente em


regiões extratropicais. Em outras palavras, a Geofísica foi desenvolvida em con-
sonância com as características daquelas regiões, o que explica o seu êxito nas
mesmas.

Nas regiões tropicais, a prospecção geofísica enfrenta vários problemas, dentre


os quais destacam-se os seguintes (Bellizia 1982, Hastings 1982 e Singh 1982).
2.5 Resultados da Prospecção GeofísÍca 105

(I) PROBLEMAS FÍSICOS

(a) Escassez de afloramentos de rocha, devido ao enérgico intemperismo tropi-


cal. A prospecção geofísica não reqJ.et contato direto com esses materiais,
mas é guiada por suas propriedades físicas, cujo conhecimento depende da
disponibilidade de exemplares dos mesmos. Por outro lado, a lacuna de
afloramentos dificulta o levantamento geológico da área, no qual apoia-se a
prospecção geofísica; conseqüentemente, nas regiões tropicais, informações
geológicas básicas podem estar restritas a escalas muito pequenas, o que difi-
culta relacionar os resultados geofísicos com as possíveis feições de interesse,
bem como com feições que produzem ruído geológico.

(b) Presença de manto de intemperismo bastante desenvolvido, nas regiões tro-


picais úmidas e semi-úmidas. Issler & Silva (1980) reportam profundidades
de atuação do intemperismo superiores a 20.0 m. Essa camada superficial
limita a profundidade de investigação dos métodos geofísicos, bem como po-
de afetar os seus resultados (ruído geológico). Nas regiões tropicais áridas e
semi-áridas, o manto de intemperismo pode ser substituído por uma camada
pouco espessa, rica em sais, formada pela ascenção da água por capilaridade.
Essa camada pode ser mais problemática do que o manto de intemperismo
(no caso dos Métodos Elétricos e Eletromagnéticos, devido à sua alta con-
dutividade) .

(c) Posicionamento difícil. Sobre a paisagem monótona, formada por floresta


densa, o posicionamento dos trabalhos geofísicos aerotransportados com o
amu1io de fotografias é uma tarefa árdua. O mesmo ocorre, se a região for
desértica. Radioposicionamento nem sempre é exeqüível, porque, nessas re-
giões, a instalação e a manutenção das estações de rádio representam tarefas
problemáticas. Os trabalhos terrestres, por sua vez, esbarram-se com as di-
ficuldades de penetração na floresta. O posicionamento exato dãs anomalias
obtidas através de aerolevantamentos é difícil. A demarcação da área para
os levantamentos geofísicos bem como a perfuração de furos de sondagem
nem sempre podem ser realizados nas posições desejadas. O próprio posicio-
namento dos instrumentos, por ocasião da medição, pode ser problemático
e, por isso mesmo, incorrer em erros. Este problema, entretanto, está sendo
resolvido com a popularização do sistema GPS (item 2.4.2.3.4).
(d) Inadequação de várias técnicas e instrumentos geofísicos para trabalhos em
regiões tropicais. Se a camada superficial afeta significantemente as me-
didas, as técnicas de tratamento ou de interpretação que não levarem em
consideração esse efeito tornam-se impróprias. Do mesmo modo, todo ins-
trumento construído sem levar em conta o clima quente e geralmente úmido
das regiões tropicais, bem como as condições difíceis de transporte a que
será submetido, provocará ruído instrumental elevado e terá a sua vida útil
diminuída. Há também instrumentos cujo princípio de construção não é
adequado ao trabalho nessas regiões; por exemplo: instrumentos eletro-
magnéticos que operam em freqüências predominantemente elevadas e, por
106 A Prospecção Geofísica

isso, não ultrapassam a geralmente espessa camada superficial gerada pelo


intemperismo.

(lI) PROBLEMAS SOCIAIS, POLÍTICOS E ECONÔMICOS

(a) Condições de trabalho de campo árduas. Nas regiões como a Amazônia,


as equipes defrontam-se com dificuldades de transporte, assentamento, e
comunicação, bem como insalubridade e periculosidade. Nestas condições,
a manutenção da segurança, do ânimo e da produtividade da equipe pode
ser um sério problema.

(b) Desenvolvimento dependente. A maioria das regiões tropicais pertence ao


Terceiro Mundo (exceção notável: norte da Austrália), que é carente em
mão-de-obra especializada em Geofísica, instrumentos geofísicos e recursos
financeiros, especialmente para a prospecção de materiais não energéticos e
para a pesquisa. Por isso, é comum a execução de serviços geofísicos por
firmas estrangeiras. O mesmo não se pode dizer de programas de formação
pessoal e de pesquisa duradouros e, portanto, conseqüentes. Os instrumen-
tos geofísicos, por sua vez, via de regra, têm que ser adquiridos no exterior.
O desenvolvimento em Geofísica (assim como o desenvolvimento geral da
maioria dessas regiões) reflete, portanto, a participação estrangeira ou, em
certa medida, dela dependente, e, por meio dessa, objetivos da sociedade
que os engendrou. É por isso que a Geofísica praticada nas regiões tropicais
não foi originalmente desenvolvida para a prospecção nessas regiões.

A maioria dos problemas encontrados pela prospecção geofísica nas regiões


tropicais só pode ser dominada fazendo-se prospecção geofísica, pesquisanq.o-se e
trocando-se experiências, mas o estágio de desenvolvimento dessas regiões limita
a participação das mesmas nessa tarefa. A prospecção geofísica nessas regiões
estará, conseqüentemente, tanto mais próxima dos seus objetivos, quanto mais
provável f~)f a escassez verdadeiramente crítica de qualquer minério no mundo
industrial.

2.5.3 AVALIAÇÃO DO MÉRITO DA


GEOFÍSICA NA PROSPECÇÃO
O número de descobertas de jazidas das quais a geofísica participou não é
uma forma adequada de avaliar o seu mérito, porque zonas estéreis são muito
mais frequentes do que zonas mineralizadas.
A razão de retorno do trabalho geofísico é um tipo de aV'aliaçãomais consis-
tente do seu mérito. Essa razão é muitíssimo elevada, da ordem de várias centenas
contra um, e, no seu cálculo, são consideradas todas as campanhas, inclusive aque-
las que nada revelaram.
Referências Bibliográficas 107

São, contudo, o tempo e os gastos que a Geofísica permite economizar na


eliminação de áreas sem interesse, evitando perfurações desnecessárias, que melhor
representam o seu mérito na Prospecção, Dentro deste contexto, a Geofísica
pode desempenhar o papel mais importante, contribuir indicando áreas favoráveis
para a utilização de outras metodologias ou simplesmente não fornecer resultados
úteis, como se vai mostrar no último capítulo desta obra, que reune resultados
de campanhas de prospecção conduzi das em regiões tropicais. O conhecimento
sobre os métodos geofísicos é aprofundado nos próximos capítulos, subsidiando o
capítulo final.

"... atenção deve ser dada aos problemas e ino-


vações práticas dos profissionais que viveram e
trabalharam nas regiões de floresta e sofreram
das aflições e fr'lf:stações inerentes. Os proble-
mas de prospecção em regiões de floresta não
podem ser compreendidos através de livros, nem
resolvidos dominando-se equações: essa é quase
uma situação em que a intuição e a experiência
são mais importantes do que a erudição. »
(Singh 1982, p.24, trad.).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARD, Y. Nonlinear Parameter Estimation. New York: Academic, 1974, 341 p.

BATH, M. Spectral Analysis in Geophysics. Amsterdam: Elsevier, 1974, 563 p.

BAZARIAN, J. O Conhecimento Intuitivo ou Criativo. In: O Problema da Verdade -


Teoria do Conhecimento. 2. ed. São Paulo: Alfa-Omega, 1985, p. 179-221.

BECK, J.V. & ARNOLD, K.J. Parameter Estimation in Engineering and Science. New
York: John Wiley, 1977, 501 p.

BECKER, E.B., CAREY, G.F., ODEN, J.T. Finite Elements - An Introduction. New
Jersey: Prentice-Hall, 1981, The Texas Finite Element Series, 258 p.

BELLIZIA, A. Foreword. In: SYMPOSIUM ON MINERAL EXPLORATION TECH-


NIQUES IN TROPICAL FOREST AREAS, Caracas, 1977. Proceedings ... AGID
Report, 7. New York: AGID, 1982, p. vii-viii.

BERNSTEIN, R. Positioning. In: WOLF, E.A. & MERCANTI, E.P. (ed.) Geoscience
Instrumentation. New York: John Wiley, 1974, p. 177-190.

BEST, M. & SPIES, B. Recent Developments in Analysis and Presentation of Large


Data Sets in Mineral Exploration. Geophysics: The Leading Edge of Exploration,
v. 9, n. 9, p. 37-43,1990.
108 A Prospecção Geofísica

BONIS, S. Reconnaissance Base Mapping Techniques in Rain Forest Areas. In: SYMPO-
SIUM ON MINERAL EXPLORATION TECHNIQUES IN TROPICAL FOREST
AREAS, Caracas, 1977. Proceedings ... AGID Report, 7. New York: AGID, 1982,
p. 46~49.
BONIWELL, J.B. Interpretation. In: BEST, M.E. & BONIWELL, J.B. (ed.) A Geo-
physical Handbook for Geologists. Montreal: Canadian Institute of Mining and
Metallurgy, 1989, Special voI. 41, p. 167-173.
BRACEWELL, R.N. The Fourier Transform and its Applications. New York: McGraw-
Hill, 1978, 444 p.
BRADY, W.F. & JORGENSEN, P.S. Worldwige Coverage of the Phase 11 NAVSTAR
Satellite Constellation. Navigation, v. 28, n. 3, p. 167-177,1981.
BRIGHAM, E.O. The Fast Fourier Transform. New Jersey: Prentice-Hall, 1974,252 p.
CARRASQUILLA, A.A.G. Modelagem Numérica da Influência do Eletrojato Equato-
rial em Dados Magnetotelúricos Produzidos por Estruturas Tridimensionais. Dis-
sertação (Doutorado em Geofísica). Belém: Curso de Pós graduação em Geofísica,
Universidade' Federal do Pará, 1993,176 p.
CAIN, J.D. GPS Surveying as an Effective Tool for Establishment of Control Networks.
Aero Service'Division, Western Geophysical Company of America, 1987, 11 p.
COLLINS, J. GPS - Some Practical Considerations. American Congress of Surveying
and Mapping Bulletin, v. 105, p. 27-29,1986.
DOBRIN, M.B. Introduction to Geophysical Prospecting. 3. ed. New York: McGraw-
Hill, 1976, p. 138-147.
ELLIOT, D.F. & RAO, K.R. Fast Transforms: AIgorithms, Analysis, Applications. New
York: Academic, 1982, 488 p.
FRASER, D. Optimized Mass Storage FFT Programo In: WEINSTEIN, C.J. et aI. (ed.)
Programs for Digital Signal Processing, The Institute of Electrical and Eletronics
Engineers. New York: John Wiley, 1979, p. 1.5-1 - 1.5-40.
FRISCHKNECHT, F.C. Electromagnetic Physical Scale Modeling. In: NABIGHIAN,
M.N. Electromagnetic Methods in Applied Geophysics - Theory. 'JUIsa: Society of
Exploration Geophysicists, 1988, V. 1, p. 365-441.
FRISCHKNECHT, F.C. Electromagnetic Scale Modelling. In: WAIT, J.R. (ed.) Elec-
tromagnetic Probing in Geophysics. Boulder: Golem, 1971, p. 265-320.
GOLDMAN, M.M. & STOYER, C.H. Finite-difference Calculations of the Transient
Field of an axially Symmetric Earth for Vertical Magnetic Dipole Excitation. Geo-
physics, V. 48, n. 7, p. 953-963, 1983. \
GOL'TSMAN, F .M. Problems of Statistical Information Theory of the Interpretation of
GeophysicalObservations. Physics of the Solid Earth, V. 13, n. 12, p. 873-879,
1977.

GUPTA, P.K., BENNETT, L.A., RAICHE, A.P. Hybrid Calculations of the Three~
dimensional Electromagnetic Respose of Buried Conductors. Geophysics, V. 52, n.
3, p. 301-306,1987.
Referências Bibliográficas 109

HASTINGS, D.A. Ram Forest Exploration: Which Methods First? In: SYMPOSIUM
ON MINERAL EXPLORATION TECHNIQUES IN TROPICAL FOREST AR-
EAS, Caracas, 1977. Proceedings ... AGID Report, 7. New York: AGID, 1982, p.
28-34.

HERRERO, E. Geophysical Exploration Methods Applicable to Tropical Rain Forests:


Summary ofSymposium Technical Sessions. In: SYMPOSIUM ON MINERAL EX-
PLORATION TECHNIQUES IN TROPICAL FOREST AREAS, Caracas, 1977.
Proceedings ... AGID Report, 7. New York: AGID, 1982, p. 13-15.
HERRERO, E. & NORGAARD, P. Ground Geophysics in Tropical Regions. In: SYM-
POSIUM ON MINERAL EXPLORATION TECHNIQUES IN TROPICAL FOR-
EST AREAS, Caracas, 1977. Proceedings ... AGID Report, 7. New York: AGID,
1982, p. 126-136.
HOCHSTADT, H. Integral Equations. New York: John Wiley, 1973, 282 p.
HOHMANN, G.W. Numerical Modeling for Electromagnetic Methods of Geophysics.
In: NABIGHIAN, M.N. Electromagnetic Methods in Applied Geophysics - Theory.
Tulsa: Society of Exploration Geophysicists, 1988, v. 1, p. 313-363.

HOHMANN, G.W. Electromagnetic Scattering by Conductors inthe Earth near a Line


Source of Current. Geophysics, v. 36, n. 1, p. 101-131,1971.
HSU. H.P. Análise de Fourier. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1972,274 p.

HUEBNER, K.H. The Finite Element Method for Engineers. New York: John Wiley,
1974,500 p.
IPT, METAGO & CBC. Minas do Camaquã - Depósitos Filoneanos de Cobre. In:
Aprimoramento de Metodologia Geofísica Aplicada à Prospecção de Metais Básicos.
São Paulo: IPT, 1986, v. 1, 151 p.
ISSLER, R.S. & SILVA, G.G. The Seis Lagos Carbonatite Complexo In:
CONG,BRAS.GEOL., 31, Balneário de Camboriú, 1980. Anais ... Santa Catari-
na: SBG, 1980, v. 3, p. 1564-1573.

JASWON, M.A. & SYMM, G.T. Integral Equation Methods in Potential Theory and
Elastostatics. London: Academic, 1977, 287 p.

JENKINS, G.M. & WATTS, D.G. Spectral Analysis and its Applications. San Francisco:
Holden-Day, 1968,525 p.
KANASEWICH, E.R. - 1981 - Time Sequence Analysis in Geophysics. 3. ed. Alberta:
The University of Alberta, 1981,480 p.

KRONBERGER, F.P. & FRYE, D.W. Positioning of Marine Surveys with an Integrated
Satellite Navigation System. Geophysical Prospecting, v. 19, n. 3, p. 487-500,
1971.

KRUMBEIN, W.C. & GRAYBILL, F.A. An Introduction to Statistical Models in Ge-


ology. New York: McGraw-Hill, 1965, 475 p.
KULHANEK, O. Introduction to Digital Filtering inGeophysics. Amsterdam: EIsevier.
Developments in Solid Earth Geophysics, 1976, v. 8, 168 p. '
110 A Prospecção Geofísica

KUMMER, B., BEHLE, A., DORAU, F. Hybrid Modeling of Elastic-wave Propagation


in Two-dimensional laterally Inhomogeneous Media. Geophysics, v. 52, n. 6, p.
765-771,1987.

LEE, K.H., PRIDMORE, D.F., MORRISON, H.F. A hybrid Three-dimensional Elec-


tromagnetic Modeling Scheme. Geophysics, v. 46, n. 5, p. 796-805, 1981.
LINDSETH, R.O. Digital Processing of Geophysical Data - A Review. Calgary: Society
of Exploration Geophysicists, 1982, 282 p.
LINES, l.R. (ed.). Inversion of Geophysical Data. Geophysics Reprint Series, 9. Tulsa:
Society of Exploration Geophysicists, 1988, 543 p.
LUIZ, J.G. Reconhecimento Geofísico da Faixa Mundo Novo - Sítio Davi, Bahia. Disser-
tação (Mestrado em Geofísica). Salvador: Programa de Pesquisa e Pós-Graduação
em Geofísica, Universidade Federal da Bahia, 1976, 55 p.
MARANHÃO, R.J.1. Introdução à Pesquisa Mineral. Fortaleza: BNB-ETENE, 1982,
680 p.

McDONALD, J. & GARDNER, G. Physical Modeling at the Seismic Laboratory, Seis-


mic Studies in Physical Modeling. Boston: International Human Resources Corpo-
ration, 1982, 250 p.
MENKE, W. Geophysical Data Analysis: Discrete Inverse Theory. Orlando: Academic,
1984,260 p.

MONTEIRO, P.A.C. Modelamento Sísmico Analógico. Dissertação (Mestrado em


Geofísica). Belém: Curso de Pós graduação em Geofísica, Universidade Federal
do Pará, 1986, 101 p.
NETTLETON, L.1. Gravity and Magnetics in Oil Prospecting. New York: McGraw-
HiU, 1976, 464 p.
OPPENHEIM, A.V. & SCHAFER, R.W. Digital Signal Processing. New Jersey:
Prentice-Hall, 1975, 585 p.
OTNES, R.K. & ENOCHSON, L. Digital Time Series Analysis. New York: John Wiley,
1972,467 p.

PAPOULIS, A. The Fourier Integral and its Applications. New York: McGraw-HiU,
1962, 318 p.

PASCHOALE, C. Alice no País da Geologia e o que Ela Encontrou Lá. In


CONG.BRAS.GEOL., 32, Rio de Janeiro, 1984. Anais ... Rio de Janeiro: SBG,
1984, v. 5, p. 242-249.

PRESS, W.H., FLANNERY, B.P., TEUKOLSKY, S.A., VEATERLING, W.T. Numer-


ical Recipes. The Art of Scientific Computation (FORTRAN version). Cambridge:
Cambridge University, 1989, 702 p.
RIJO, L. Modeling of Electrical and Electromagnetic Data. Dissertation (Ph.D. in
Geophysics). Salt Lake City: Department of Geology and Geophysics, University
of Utah, 1977, 242 p.
ROSS, C.T.F. Finite Element Methods in Engineering Science. New York: Ellis Hor-
wood, 1990, 519 p.
Referências Bibliográficas 111

ROY, A. Ambiguity in Geophysical Interpretation. Geophysics, v. 27, n. 1, p. 90-99,


1962.

SCHUTZ,B.E. Satellite Positioning. Reviews ~f Geophysics, v. 25, n. 5, p. 881-887,


1987.

SENA, F.O. Identificação Geofísica de Corpos Condutivos na Região de Santa Luz -


Bahia. Dissertação (Mestrado em Geofísica). Salvador: Programa de Pesquisa e
Pós-Graduação em Geofísica, Universidade Federal da Bahia, 1977, 81 p.
SHERIFF, R.E. Navigation Requirements for Geophysical Exploration. Geophysical
Prospecting, v. 22, n. 3, p. 526-533, 1974.
SHERIFF, R.E. & GELDART, L.P. Exploration Seismology - History, Theory and Data
Acquisition. Cambridge: Cambridge University, 1982, v. 1, 253 p.
SILVA, L.M.C. Efeitos do Manto de Intemperismo sobre Anomalias Eletromagnéticas
provocadas por Corpos Tabulares Inclinados - Um Estudo através de Modelamento
Reduzido. Dissertação (Mestrado em Geofísica).· Belém: Curso de Pós graduação
em Geofísica, Universidade Federal do Pará, 1981, 115 p.
SILVESTER, P.P. & FERRARI, R.L. Finite Elements for Electrical Engineers. Cam-
bridge: Cambridge University, 1983, 209 p.
SINGH, S. Mineral Exploration in Tropical Rain Forests: Practical Problems and Di-
rections. In: SYMPOSIUM ON MINERAL EXPLORATION TECHNIQUES IN
TROPICAL FOREST AREAS, Caracas, 1977. Proceedings ... AGID Report, 7.
New York: AGID, 1982, p. 126-136.
SINGLETON, R.C. Two-dimensional Mixed Radix Mass Storage Fourier Transform. In:
WEINSTEIN, C.J. et aI. (ed.), Digital Signal Processing Committee, The Institute
of Electrical and Eletronics Engineers. Programs for Digital Signal Processing: New
York: John Wiley, 1979, p. 1.9-1-1.9-8.
SMITH, G.D. Numerical Solution of Partial Differential Equations: Finite Difference
Methods. London: Oxford University, 1978, 304 p.
STEVENS, S.S. On the Theory of Scales of Measurement. Science, v. 103, n. 2684, p.
677-680, 1946.
STILLER, A.H. Technological Utilization of Space with Special Regard to Navigation
Satellite Systems. In: GROTEN, E. & STRAUB, R. (ed.) GPS - Techniques
Applied to Geodesy and Surveying. Berlin: Springer. Lecture Notes in Earth
Sciences, 1988, v. 19, p. 248-258.
TARANTOLA, A. Inverse Problem Theory. Amsterdam: EIsevier, 1987,614 p.
TWOMEY, S. Introduction to the Mathematics of Inversion in Remote Sensing and In-
direct Measurements. Development in Geomathematics, 3. Amsterdam: EIsevier,
1977,243 p.
VALLIANT, H.D. & COOPER, R.V. Position Measurements with LaCoste and Romberg
Air/Sea Gravimeter. Geophysics, v. 46, n. 1, p. 40-44,1981.
VASSEUR, G. & WEIDELT, P. Bimodal Electromagnetic Induction in Non-uniforme
Thin Sheets with an Application to the Northern Pyrean Induction Anomaly. Geo-
physical Journal of the Royal Astronomical Society, v. 51, n. 3, p. 669-690, 1977.
112 A Prospecção Geofísica

WARD, S.R. & ROGERS, G.R. lntroduction. ln: RANSEN D.A. et al. (ed.), Mining
Geophysics. Tulsa: Society of Exploration Geophysicists, 1967, v. 2, p. 3-8.
WEINSTEIN, C.J. et al. (ed.), Digital Signal Proce~ing Committee, The lnstitute of
Eleetrical and Eletronics Engineers. Programs for Digital Signal Processing: New
York: John Wiley, 1979.
OOI~3NDVli\1
,
3 OOIlI~3li\1IAVlID
,
SOaO~3li\1
,
Capítulo 3
,
METODO GRAVIMETRICO
,

3.1 INTRODUÇAO
o Método Gravimétrico tem sua origem ligada à descoberta da força da gra-
vidade por Galileu Galilei em 1590 e à sua quantificação, por Sir Isaac Newton
em 1687, através da lei que rege a atração dos corpos.
A aplicação do Método Gravimétrico ao estudo da subsuperfície terrestre
baseia-se em que diferentes distribuições de densidade abaixo da superfície provo-
cam distorções no campo gravitacional normal que envolve a Terra.
A prospecção geológica com o Método Gravimétrico consiste em obter a
atração que o material da subsuperfície exerce sobre uma massa de prova locali-
zada no instrumento de medidas. A atração é registrada em termos da aceleração
com que a massa de prova é atraída. As distorções dos valores normais (anoma-
lias) são então interpretadas como o resultado de variações laterais na densidade
dos materiais da subsuperfície, provocadas por estruturas geológicas ou depósitos
de minérios.

As primeiras medidas da aceleração da gravidade datam de 1673, quando


Huygens descobriu que o valor absoluto da gravidade poderia ser determinado
observando-se a oscilação de um pêndulo. A partir de 1881, a obtenção de medi-
das relativas da aceleração da gravidade propiciou um aumento considerável no
número de medidas. Os dados assim coletados, bem mais precisos, passaram a
ser usados basicamente para resolver problemas geodésicos (relacionados à forma
da Terra) e da estrutura interna do nosso planeta eJ;D.
escala global.
O uso da Gravimetria na prospecção geológica foi iniciado em 1902 na Hun-
116 Método Gravimétrico

gria com Eõtvõs, que empregou um instrumento desenvolvido por ele em 1896,
para medir as componentes horizontais do gradiente da aceleração da gravidade
(balança de torção). Em 1924, medidas da gravidade efetuadas com o instrumento
de Eõtvõs possibilitaram a descoberta do Domo Nash, no Texas, provavelmente a
primeira descoberta de estrutura acumuladora de óleo efetuada por meio de um
método geofísico (Lafehr 1980). No início dos anos 30, foi introduzido um outro
tipo de instrumento, denominado gravímetro, mais portátil e menos sensível à
topografia do que as balanças de torção, que permitia leituras em tempo muito
mais reduzido (o tempo necessário para uma leitura com as balanças de torção
é superior a 1 hora, enquanto com os gravímetros necessita-se apenas de 3 a 5
minutos). Este instrumento deu novo impulso à aplicação da Gravimetria na
prospecção geológica.

Os levantamentos gravimétricos para prospecção geológica são realizados na


superfície dos terrenos, em poços ou túneis de minas, nas áreas cobertas por água
e, 'menos freqüentemente, com os instrumentos colocados em aeronaves.
A aplicação da Gravimetria na prospecção inclui a procura de estruturas ar-
mazenadoras de petróleo e gás, bem como depósitos de minerais economicamente
importantes (cromita, ferro e sulfetos de cobre, por exemplo).

3.2 FUNDAMENTOS
3.2.1 LEI DE NEWTON DA ATRAÇAO GRAVITACIONAL
A aplicação do Método Gravimétrico envolve diretamente a atração de massas,
uma vez que, durante os levantamentos com o método, mede-se a atração que
as massas da subsuperfície exercem sobre uma massa localizada no instrumento
medidor.

A atração entre massas é regida pela lei de Newton da atração gravitacional,


segundo a qual, no universo as partículas materiais atraem-se com uma força de
intensidade diretamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente
proporcional ao quadrado da distância que separa seus centros de massa. Portan-
to, duas partículas de massas ml e m2 , separadas pela distância r, experimentam
forças de atração com intensidade igual a

F = Gm1m2 (3.1)
r2

sendo G a constante de gravitação que tem o valor 6,.67 x 10-8 dina.cm2 /g2, no
sistema cgs. A aceleração com que m2 é atraída por ml é calculada empregando-se
a segunda lei do movimento, também devida a Newton,

(3.2)
3.2 Fundamentos 117

Rigorosamente, a lei da ati'ação dada pela. equação (3.1) é aplicável somente


às partículas de dimensões infinitesimais quando comparadas à distância que as
separa (massas puntuais). Quando as massas são distribuídas continuamente so-
bre volumes de grandes dimensões, deve-se dividí-Ias em pequenos elementos de
dimensões infinitesimais e somar os efeitos de cada um desses elementos. Desse
modo, um corpo de massa m seria dividido em diminutos elementos dm, cada um
envolvido por um também diminuto elemento de volume dv com distribuição de
densidade p, tal que:
dm = pdv (3.3)

De acordo com a equação (3.2), a atração exercida pelo corpo seria então
obtida somando-se (integrando-se) o efeito de cada elemento por todo o volume
v:
(3.4)
a f
= G Jv dm
r2 f
= G Jv pdv
r2

3.2.2 CAMPO GRAVITACIONAL TERRESTRE

Corpos esféricos completamente homogêneos do ponto de vista da densidade


ou formados por camadas esféricas homogêneas exercem atração eqüivalente a que
seria exercida se toda a sua massa estivesse concentrada no seu centro (Kellogg
1954). Por isso, a massa da Terra pode ser tomada como se estivesse concentrada
no seu centro, nos estudos de atração de massas. Assim, os corpos colocados na
proximidade da superfície terrestre são atraídos com uma aceleração
GM
a = R2 ' (3.5)
sendo M a massa da Terra (5,983 X 1027 g) e R a distância entre o centro de massa
do corpo que está sendo atraído e o centro da Terra. Se o corpo encontra-se na
superfície, R é o raio da Terra.
Como a Terra não é perfeitamente esférica (o seu raio polar é menor do que o
raio equatorial), a força e a aceleração exercidas sobre o corpo variam ao longo da
superfície. Ambas crescem a partir do equador, em direção aos palas (a variação
da aceleração causada pela variação do raio é de cerca de 1,6 cm/s2). Tanto a força
de atração como a aceleração são quantidades vetoriais que definem campos. Às
proximidades da Terra, por exemplo, esses campos são caracterizados por vetares
orientados para o seu centro (Fig. 3.1).
A distribuição de densidade no interior da Terra não é perfeitamente ho-
mogênea. Por isso, é mais acurado substituir-se a equação (3.5) por

a =G 1 -2
V dM
r
' (3.6)

que está perfeitamente de acordo com a lei da atração para corpos de grandes
dimensões. Os elementos dM, r = 1f1 = Ifi - T21 estão representados na figura 3.2.
118 Método Gravimétrico

Figura 3.1: Campo vetoria! definido pela atração (força ou aceleração) da massa
da Terra.

dM (fonte)

Figura 3.2: Definição do referenda! para observação da gravidade terrestre.


3.2 Fundamentos 119

Devido ao seu movimento de rotação'e ao referencial de observação, a Terra


está sujeita a uma força centrífuga. Esta força depende do raio de rotação l e da
velocidade angular de rotação w. A aceleração centrífuga associada a esta força é
definida por
ac = w2l (3.7)

Um corpo localizado na superfície da Terra fica então sujeito às acelerações


de atração e centrífuga. Enquanto a aceleração de atração é orientada para o
centro da Terra, a aceleração centrífuga tem uma componente que se orienta em
sentido contrário (Fig. 3.3). Devido à intensidade da aceleração de atração ser
muito maior do que a centrífuga, o corpo é atraído para o centro da Terra com
uma aceleração resultante denominada de gravidade, cuja intensidade é calculada
por
9 =G 1 -2
V dM
r
- w2lcoscP (3.8)

sendo cP a latitude em que se encontra o corpo. A direção de 9 coincide aproxima-


damente com a direção do raio terrestre e define o que é conhecido como direção
vertical ou do fio de prumo. O vetor gravidade 9 define o campo gravitacional
terrestre.

accosq>Vr

Figura 3.3: Aceleraçãocentrífuga (ãc), aceleração de atração (ã) e aceleração da gravi-


dade (9). = latitude, f = raio de rotação.
<J>

O raJo de rotação f tem o seu valor máximo no Equador e mínimo (igual


a zero nos polos). Logo, a aceleração centrífuga alcança seu máximo (cerca de
3,4 cm/s2) no Equador e assume o valor zero nos polos. Observa-se então que
a variação da aceleração centrífuga juntamente com a variação da aceleração de
atraç.ão contribuem para uma variação no valor da gravidade com a latitude. A
variação é de aproximadamente 978 cm/s2, no Equador, a 983 cm/s2, nos polos.
As atrações exercidas pelo Sol e pela Lua também contribuem para variações
no valor da gravidade terrestre. Seu efeito é, no entanto, pequeno e periódico. O
120 Método Gravimétrico

valor máximo da perturbação causada pelo Sol está em volta de 0,00008 cm/s2,
enquanto que o da Lua está em torno de 0,00016 cm/s2. Essas pertubações são
responsáveis pelo fenômeno das marés oceânicas e marés elásticas da crosta ter-
restre.

A unidade de aceleração no sistema cgs, cm/s2, é denominada de Gal em ho-


menagem a Galileu. Nas medidas geofísicas com o objetivo de prospectar materiais
geológicos, são usados os submúltiplos miliGal (abreviado para mGal), cujo valor
é 10-3 Gal, e unidade de gravidade (gravity unity - abreviado para gu), igual
a 10-4 Gal. Esses dois submúltiplos do Gal são usados, porque os valores de
gravidade relacionados aos corpos mineralizados e às estruturas acumuladoras de
petróleo são muito pequenos.

3.2.3 POTENCIAL GRAVITACIONAL


o campo gravitacional é um campo conservativo, isto é, o trabalho necessário
para mover uma massa dentro do campo independe do caminho percorrido, somen-
te importam os pontos inicial e final. Um campo desse tipo pode ser representado
pelo gradiente de uma função potencial escalar, ou

(3.9)

sendo U a função potencial, aqui denominada potencial gravitacional, e \7 (nabla)


o operador diferencial que produz o gradiente (Apêndice A). O potencial gravita- .
cional é representado por

U = -G 1-
V dM
r
+ --
2
w2f2
= -G 1-
V dM
r
+ - ri cos2~
2
w2
(3.10)

A primeira parcela da soma à direita do sinal de igualdade é relacionada à fQrça de


atração, enquanto a segunda parcela está relacionada com a aceleração centrífuga.
Na representação da Terra por uma esfera, o potencial gravitacional é uma
constante para um determinado valor de rI e a equação (3.10) define uma su-
perfície eqüipotencial (superfície em que todos os pontos têm o mesmo valor de
potencial) que envolve a Terra.
Quando rI é tomado como a distância entre o centro da Terra e o nível
médio dos mares, a superfície eqüipotencial definida acompanha as grandes feições
fisiográficas (sem coincidir com elas), afastando-se do centro da Terra nas elevações
e aproximando-se nas depressões. Essa eqüipotencial é denominada de geóide.
O valor exato do potencial gravitacional para o geóide não pode ser calcu-
lado, pois se desconhece a distribuição exata dos elementos de massa da Terra,
bem como a sua verdadeira forma geométrica. Em muitas situações, no entanto,
o conhecimento apenas aproximado do potencial é suficiente. Por esse motivo,
usualmente o termo l/r na equação (3.10) é expandido na soma de um número
3.2 Fundamentos 121

infinito de termos (série infinita) e a integral efetuada termo a termo. A exatidão


do potencial será obtida de acordo com o número de termos utilizados. Quan-
to maior o número de termos, mais exato será o potencial e mais próxima do
geóide será a superfície eqüipotencial. Quando, por exemplo, a esfera é uma apro-
ximação suficientemente precisa para resolver determinado problema, apenas o
primeiro termo da série é empregado, produzindo o potencial
M w2
U = -G-R + -2 R2 cos2c) (3.11)

As medidas geodésicas demonstram, entretanto, que a forma da Teria é me-


lhor representada por um elipsóide com achatamento polar de 1/298,25. Esta for-
ma pode ser aproximada tomando-se os três prÍmeiros termos da série, definindo-se
assim a superfície eqüipotencial denominada de esferóide.
O esferóide, porquanto não se aproxime tanto da superfície terrestre como o
geóide, é muito mais fácil de ser tratado matematicamente e, por isto, é comu-
mente empregado nos estudos do campo gravitacional. As diferenças de altitude
entre o geóide e o esferóide provavelmente não excedem 50 m, em qualquer parte
do globo terrestre (Grant & West 1965). Em escala global, o geóide localiza-
se mais afastado do centro da Terra do que o esferóide nas áreas montanhosas
continentais; por outro lado, nos oceanos, enquanto o geóide aproximadamente
coincide com a superfície da água, o esferóide posiciona-se acima dessa superfície
(Fig. 3.4).

ESFERÓIOE CONTINENTE

- ----
j
-- --
OCEANO
---.. -- -- -

Figura 3.4: Representação esquemática da posição do geóide e do esferóideem relação


à superfície terrestre.
122 Método Gravimétrico

3.2.4 EQUAÇOES DO POTENCIAL


Aplicando-se o teorema da divergência (Apêndice A) ao vetor campo gravi-
tacional 9 (sem a contribuição da força centrífuga) obtém-se:

i "V • 9dv = fs 9 . fida


(3.12)

onde \7 . 9 representa o divergente de 9 e 9' fi é o produto escalar entre 9 e a


normal à superfície S que envolve o volume V.
Quando não existe massa dentro do volume V, a integral de superfície à direita
do sinal de igualdade na equação (3.12) toma o valor zero e, portanto,
\7'9=0 (3.13)

Substituindo-se a equação (3.9) na (3.13) obtém-se:.


\7 . "VU =O (3.14)

ou
(3.15)
que é a equação de Laplace.
Por outro lado, se uma massa m está presente no interior do volume V,

(3.16)
. fs 9 . fida = -41rGm
e, segundo o teorema (3.12),

i "V • 9dv = -41rGm


(3.17)

Substituindo-se a equação (3.9) na equação (3.17) e usando-se m = J p dv,


obtém- se:
(3.18)
que é a equação de Poisson.

Conclui-se, então, que o potencial gravitacional deve satisfazer à equação de


Laplace nas regiões que não contêm massa (fora de um corpo, por exemplo) e à
equação de Poisson nas regiões em que alguma massa está presente.

As equações de Laplace e Poisson são usadas para calcular-se o potencial que


um corpo da subsuperfície produz na superfície do terreno. Estas equações são
empregadas pa.ra modelar a subsuperfície e obter-se a resposta teórica do modelo,
que será, no processo de interpretação, comparada com os valores efetivamente
medidos no campo durante um levantamento.
3.2 Fundamentos 123

3.2.5 GRAVIDADE NORMAL


Tomando-se os dois primeiros termos de ordem par da expansão em série do
integrando l/r da equação (3.10) e derivando-se o resultado em relação ao raio
r, obtém-se o valor da gravidade como funçã,p da latitude ~, para a superfície do
esferóide. A expressão resultante, conhecida como Teorema de Clairaut, é

9 = ge (1 + a sen2~ - f3 sen22~) (3.19)


sendo ge uma constante que representa a gravidade no equador geográfico e a
e f3 constantes que dependem do achatamento polar e da aceleração centrífuga
terrestre. Essas constantes são calculadas por meio de:
5
a = -q
2
- i (3.20)

121
f3 = -i
8
+ -ai
4 (3.21)
sendo q a razão entre a aceleração centrífuga e a gravidade no equador e io
achatamento polar terrestre, calculados por:
w2Re
q=--
ge
(3.22)

i= Re -
Re
Rp
I.
(3.23)

Re e Rp são respectivamente o raio equatorial e o raio polar, que representam os


semi-eixos maior e menor do elipsóide terrestre.

Diversos valores para ge, a e f3 têm sido calculados e substituídos na expressão


(3.19) com a finalidade de se estabelecerem valores de gravidade ao longo da su-
perfície terrestre. Em 1930, a União Internacional de Geodésia e Gravimetria
adotou a expressão do Teorema de Clairaut como a fórmula oficial para o cálculo
da gravidade (Fórmula Internacional da Gravidade ou IGF-30), com as constan-
tes ge = 978,049 Gal, a = 0,0052884 e f3 = 0,0000059, calculadas por Cassinis
(Heiskanen & Moritz 1967).
Os valores de gravidade calculados pela Fórmula Internacional da Gravidade
produzem os valores denominados de gravidade normal para o esferóide terrestre,
os quais servem de referência para definirem-se as anomalias gravimétricas nos
trabalhos de prospecção geológica.
Em 1971, entretanto, a União Internacional de Geodésia e Gravimetria adotou
uma nova fórmula para substituir a de 1930. Esta nova fórmula é o resultado de
determinações mais precisas, tanto dos valores da gravidade, como da forma da
Terra. A nova fórmula, denominada de GRS-67 (Geodetic Reference System-1967)
é (Woollard 1979):

9 = 978,031846 (1 + 0,005278895 sen2~ + 0,000023462 sen4~) (3.24)


124 Método Gravimétrico

A diferença entre os valores da gravidade calculados a partir da fórmula GRS-


67 e da fórmula IGF-30 variam de -17,15 mGal no equador até - 3,58 mGal nos
Polos (Woollard 1979). As anomalias gravimétricas obtidas com a fórmula GRS-
67 não podem portanto ser diretamente comparadas com aquelas definidas a partir
da fórmula IGF-30. É possível, entretanto, transformar os valores obtidos com o
padrão de 1930 para o padrão GRS-67 (Woollard 1979).

3.3 CONTRIBUIÇAO DOS MATERIAIS PARA O


VALOR DA GRAVIDADE
Todos os materiais na Terra influenciam o valor da gravidade. A menor parte
da contribuição, no entanto, é dada pelos materiais da crosta (0,3 % do valor de
g). A maior contribuição vem do manto e do núcleo.

Os primeiros cinco quilômetros da crosta (profundidade pesquisada nos levan-


tamentos de prospecção) contribuem com aproximadamente 0,05 %. As variações
de densidade das rochas nesta faixa da crosta produzem flutuações inferiores a
0,01 % do valor normal de g (100 mGal).
As estruturas e corpos geológicos, objetivo da prospecção gravimétrica, pro-
duzem variações nos valores de g da ordem de 0,001 %. Na prospecção de petróleo,
as anomalias estão em volta de 10 mGal, enquanto que os corpos de minério ra-
ramente produzem anomalias superiores a 5 mGal. É necessário, portanto, que
os instrumentos empregados nos levantamentos para prospecção tenham sensibi-
lidade de pelo menos 0,1 mGal.

3.4 REDUÇAO DOS VALORES DA GRAVIDADE


Observando-se a expressão (3.8) verifica-se que o valor da gravidade terrestre
varia com a latitude, com a distância até o centro da Terra (relacionada às ele-
vações) e com a quantidade de massa que existe até o centro da Terra (relacionada
à topografia: maior quantidade de massa nas elevações). A gravidade varia ainda
devido ao efeito de atração produzido pelo Sol e pela Lua (marés). Uma variação
adicional é introduzida pelos instrumentos de medida, a qual é inerente ao seu
funcionamento (variação ou drift instrumental). Conseqüentemente, os valores de
gravidade não podem ser diretamente comparados logo após serem observados,
quando a finalidade é determinarem-se anomalias de densidade. É possível, no
entanto, introduzirem-se correções que eliminam os efeitos descritos.

Para uma Terra totalmente homogênea no que diz respeito à distribuição


de densidade, os valores medidos após serem reduzidos pelas correções deveriam
produzir uma constante. Observa-se entretanto que, mesmo após as correções,
os valores da gravidade apresentam algumas variações quando são comparados
ponto a ponto. Estas variações estão relacionadas à distribuição irregular da
densidade na subsuperfície, devido à presença de estruturas geológicas de várias
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 125

amplitudes, como armadilhas estruturais de hidrocarbonetos, concentrações de


minerais-minério e intrusões.

Considerando-se um levantamento em l~rga escala (estudos de tectônica glo-


bal, prospecção de petróleo), a localização dos pontos onde a densidade foge aos
padrões normais de distribuição é, normalmente, feita comparando-se os valores
da gravidade corrigidos, com os valores normais obtidos pela Fórmula Internacio-
nal da Gravidade (3.24). Neste caso, as correções devem compensar a diferença de
nível entre o ponto de medida da gravidade no terreno e a superfície do esferóide,
já que este último é a referência para o cálculo da gravidade normal.
Do ponto de vista prático, é indiferente se o valor medido é reduzido da
superfície do terreno para o nível do esferóide ou se o valor é reduzido do esferóide
para o nível da superfície do terreno. Rigorosamente, é impossível reduzir o valor
medido no terreno para a superfície do esferóide, pois desconhece-se a distribuição
de massa entre os dois níveis. A variação do valor normal da gravidade com a
elevação, no entanto, pode ser estimada com prec~são suficiente para permitir a
redução. Deve-se, portanto, reduzir o valor normal da gravidade para o nível do
terreno.

Comumente, a altitude dos pontos onde se mede a gravidade é tomada em


relação ao nível do mar, que define a superfície do geóide, e não em relação à.
superfície do esferóide. Isso introduz um erro que, em certos casos, necessita ser
corrigido. Nos levantamentos gravimétricos voltados para a prospecção mineral,
que normalmente são realizados em áreas pouco extensas, esta correção adicional é
muito pequena, pois a diferença de altitude entre o geóide e o esferóide não excede
50 m e varia suavemente e, por isso, não é considerada. Quando, no entanto,
há necessidade de compararem-se valores obtidos em continentes diferentes, a
correção pode atingir cerca de 40 mGal (Mirónov 1977).
Quando da redução dos dados gravimétricos, existem outras diferenças de
procedimento que dependem do objetivo do levantamento. Por exemplo, nos
levantamentos de larga escala, em que se procura estudar as grandes estruturas
geológicas, definem-se as anomalias por comparação da gravidade medida com
a gravidade obtida da Fórmula Internacional da Gravidade. Na prospecção de
minérios, por outro lado, onde as medidas cobrem áreas relativamente menores,
as anomalias são definidas comparando-se cada medida com a medida obtida em
uma estação comumente denominada de estação base, que é escolhida geralmente
em local onde supõe-se não haver anomalias de densidade. Ao longo do texto, o
leitor deve ficar atento para as observações que serão feitas sobre os procedimentos
nos caso dos levantamentos de grande e de pequena escala.

3.4.1 CORREÇAO DE LATITUDE


Como foi descrito anteriormente, o valor da gravidade normal aumenta à.
medida que nos afastamos do equador em direção aos polos, ao longo dos meri-
126 Método Gravímétrico

dianos. Conseqüentemente, valores obtidos em latitudes diferentes não podem ser


comparados, sem que antes sejam corrigidos.
Considere-se que os valores n..edi'os encontram-se reduzidos à superfície do
esferóide e tome-se um determinado valor medido na latitude ~l' A gravidade
normal nessa latitude é, segundo a Fórmula Internacional da Gravidade GRS-67
(Eq. 3.24),
gnl = ge(l + asen2~1 + ,6sen4~1) (3.25)
e em uma latitude de referência ~o,

gnO = ge(1 + asen2~o + ,6sen4~o) (3.26)

Por ser numericamente muito pequeno, o termo que contém ,6 pode ser aban-
donado. A variação da gravidade entre as duas latitudes pode então ser estimada
através da relação
(3.27)
Substituindo-se na equação (3.27) os valores das constantes ge e a por, respecti-
vamente, 978,031846 e 0,005278895 (vide Eq. 3.24), obtém-se a correção de lati-
tude, que permite reduzir o valor da gravidade medido em ~1 para a latitude de
referência ~o 1:

-(3.28)

Quando as medidas gravimétricas são tomadas em uma área, cuja dimensão ao


longo dos meridianos (direção norte-sul) é pequena, pode-se aproximar a variação
da gravidade com a distância (~g / ~s) por:
6g dg 8g d~
-::::::::-=--=-- 1 8g
6s ds 8~ ds R 8~ (3.29)

sendo dg / ds a derivada da gravidade em relação ao comprimento de um diminuto


arco de latitude (d~) e R o raio da Terra na latitude ~. Derivando-se a GRS-67
em relação a ~ e substituindo-se na equação (3.29), obtém-se uma expressão para
a correção de latitude, que produz valores com erro inferior a 2 % para estações
que distam, no máximo, 10 km de uma latitude de referência:

(3.30)

Tomando-se o raio médio da Terra (R = 6.371 km) e os valores de ge e a da


expressão (3.24) chega-se a:
CL = 0,81 sen2~ mGal/km (3.31)

lNo caso em que as constantes ge e ci: vê~ da fórmula IGF-30, o valor 5162,83 na equação
(3.28) é substituído por 5172,31.
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 127

Com as expressões (3.28) ou (3.31), a correção de latitude deve ser subtraída


do valor da gravidade normal calculado para a latitude de referência, sempre que
as estações estiverem mais próximas do equador do que a latitude de referência
(implica transportar a latitude de referência para a latitude da observação). Quan-
do as estações estão mais próximas dos polos do que a latitude de referência, a
correção é adicionada.

3.4.2 CORREÇÃO DE ELEVAÇÃO (AR-LIVRE)


A correção de elevação é empregada para compensar apenas os efeitos da
diferença de altitude das estações em relação ao geóide ou a um nível de referência
arbitrário. A massa de material que por ventura existir entre as estações e o
geóide não é considerada; por este motivo, a correção de elevação é também
denominada de correção ar-livre (free-air correction). Esta correção recebe ainda
a denominação de redução de Faye.
A expressão da correção ar-livre é estabelecida a partir da aproximação da
Terra por uma esfera (somente o primeiro termo da série que representa o geóide
é considerado - Eq. 3.11) de raio igual ao raio médio terrestre. Neste caso, a
gravidade em um ponto da superfície terrestre será
GM
go = R2 (3.32)

e em um ponto situado a uma altitude h da superfície terrestre, tomada em relação


ao nível do mar (geóide) ou a um outro nível de referência,
GM
(3.33)
9 = (R + h)2
A diferença de gravidade entre os dois pontos será, então:

(3.34)
Dog = 9 - go = GM 1 - (R +1]h)2 = GM
[ R2 R2 [1 _ (1 +1~) 2]

Expandindo-se em série o denominador da fração localizada entre os colchetes e


desprezando-se os termos contendo (h/ R)2, obtém-se

(3.35)
Dog ~ R2 R + 2h
GM [ 2h ]

Como, em geral, R » 2h, a equação anterior (3.35) reduz-se à


2h
CAL = Dog ~ GM R3 = 0,3086 h mGal , (3.36)

que representa a correção ar-livre CAL.


128 Método Gravimétrico

A expressão (3.36) foi deduzida sem levar em conta o efeito da aceleração


centrífuga, pois sua variação máxima com a altitude é aproximadamente igual a
0,62 X 10-8 h mGalJm, um valor muito pequeno.
Como foi descrito anteriormente, o valor da correção ar-livre deve ser usado
para reduzir o valor da gravidade normal para o nível da estação no terreno.
Assim,
gnR = gn - 0,3086 h (3.37)
A anomalia gravimétrica pode ser então calculada subtraindo-se, da gravidade
observada no terreno, o valor da gravidade normal reduzida, ou seja,

f:::"gAL = goba - gnR = goba - (gn - 0,3086 h) = goba + 0,3086 h - gn (3.38)


em que o valor ~gAL é denominado de anomalia ar-livre.
O exame de anomalias ar-livre não é, em geral, conclusivo nos levantamentos
em que o objetivo é a prospecção geológica, pois o efeito da massa existente entre
as estações e o nível do geóide não é considerado.
Nas regiões montanhosas, por exemplo, onde a altitude das estações varia
muito, ~gAL mostrará uma seqüência de valores altos e baixos correspondentes,
respectivamente, às elevações e aos vales. Essa distribuição de valores pode per-
feitamente encobrir o efeito produzido por uma concentração de material mais
denso (um depósito mineral, por exemplo), localizado na massa que repousa entre
as estações e o geóide.
Somente em áreas planas ou de relevo muito suave é aceitável a interpretação
de anomalias ar-livre, já que a quantidade de massa entre as estações e o geóide é
aproximadamente constante, produzindo igual efeito em todas as estações. Neste
caso, quaisquer distúrbios nos valores de ~gAL poderão ser imediatamente corre-
lacioIJ.ados à distribuição irregular de densidade e interpretados geologicamente.

3.4.3 CORREÇAO BOUGUER


É necessário, como foi explicado no item anterior, que o efeito da massa
localizada entre as estações tomadas em um terreno acidentado e o nível do geóide
seja eleminado. Isso é realizado através da correção Bouguer, que consiste em
adicionar, ao valor normal da gravidade, a atração de um cilindro de raio infinito
e altura igual à altitude da estação no terreno (mesma altitude empregada na
correção ar-livre). O cilindro deve ter densidade igual à do material que repousa
entre o geóide e a estação (distribuições anômalas de densidade devem ser evitadas,
isto é, se existe um corpo mineralizado conhecido, a densidade a ser usada é a da
rocha que envolve o corpo).
Para chegar-se à expressão da atração de um cilindro de raio infinito, é con-
veniente considerar-se primeiramente o problema da atração exercida por um ci-
lindro de raio finito em um ponto localizado no seu eixo (Fig. 3.5).
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 129

gz

Z2

ç ZI

Figura 3.5: Representação geométrica para o cálculo da atração de um cilindro.

Seja um pequeno elemento de massa do cilindro dm = ps dO ds dz. A atração


exercida por dm no ponto P será

dg = Gdm
r2
(3.39)

e a atração total do cilindro será dada por sua integração:

(3.40)
9 =G [ dm
Jvol r2 = Gp J J J dO+
s z2 ds 82dz

Na prática, somente se mede a componente vertical da atração totál gz:

(3.41)
g~ = gcoslP = Gp JJJ z2 +
8 coslP dOs2
ds dz

Usando-se na equação (3.41) as relações 8 = z tglP e d8 = z sec2 lP dlP, obtém-


se
(3.42)
gz = Gp J J J senlP dOdlP dz .

Integrando-se O entre os limites zero e 21r, lP entre zero e arc tg (ajz) e z entre Z2
e Z}, resulta

(3.43)
gz = 21rGp ( J Zi + a2 - J Zr + a2 + Z} - Z2)
130 Método Gravimétrico

À medida que o raio do cilindro aumenta, a diferença J Zi + a2 - J Zi + a2


torna-se cada vez menor, assumindo o valor zero quando o raio é infinitamente
grande em relação às dimensões Z2 e Zl' Desse modo, a atração exercida por um
cilindro de raio infinito, que representa a correção Bouguer CB, é:

CB = 9z = 21rGp (Zl - Z2) = 0,04191ph mGal (3.44)

sendo as unidades de p e h = Zl - Z2, respectivamente, g/cm3 e m.

A expressão (3.44) demonstra que a atração independe da distância do ponto


P ao cilindro, sendo função somente do seu comprimento e densidade.
A redução do valor normal da gravidade para o nível do terreno pode então
ser realizada por meio de

9nR = 9n + 0,04191ph (3.45)

que adiciona a 9n o efeito produzido pela massa que existe entre a estação no
terreno e o geóide.

3.4.4 CORREÇÃO TOPOGRÁFICA OU DE TERRENO


Após a aplicação das correções ar-livre e Bouguer, o nível de 9n foi elevado
até o terreno e o vazio entre o geóide e o terreno preenchido com a massa de um
cilindro de raio infinito.

A figura 3.6 mostra que, na aplicação da correção Bouguer, considera-se que


acima do nível do ponto P não existe massa, desprezando-se o efeito do material
localizado nas cotas mais elevadas. No entanto, esse material exerce atração sobre
qualquer massa colocada em P e sua componente vertical (cujo sentido opõe-se
ao sentido da atração gravitacional) reduz o valor da gravidade medida no ponto.
Este efeito deve, portanto, ser subtraído do valor da gravidade normal reduzido
pelas correções ar-livre e Bouguer ou somado ao valor da gravidade medido no
terreno.

A figura 3.6 mostra ainda que, nos vales, por meio da correção Bouguer
adiciona-se massa onde na realidade ela fisicamente não existe. O efeito desta
massa impropriamente adicionada deve também ser subtraído do valor normal da
gravidade reduzida ou somado ao valor medido no terreno.

Como os dois efeitos deixados pela correção Bouguer estão diretamente rela-
cionados à topografia ou elevação do terreno, a sua compensação recebe a deno-
minação de correção topográfica ou de terreno (CT)'
A correção topográfica é usualmente realizada dividindo-se a região que en-
volve o ponto P da figura 3.6 em pequenos corpos de forma geométrica simples,
de modo que se possa facilmente calcular sua atração. Comumente, a região é
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 131

dividida em pequenos setores cilíndricos com altura igual à diferença entre a co-
ta média do terreno e a cota do ponto P, onde anteriormente aplicaram-se as
correções ar-livre e Bouguer (Fig. 3.7).

°v
DA ESTAÇÃO

uiJ~
7Zg(í
Figura 3.6: Efeito topográficona redução gravimétrica.

A atração de múltiplos corpos em um ponto é a somatória das atrações in-


dividuais desses corpos. Logo, a atração vertical, b.g~,de um setor cilíndrico de
raio interno igual a Ri e raio externo Re (Fig. 3.8), em pontos do seu eixo, po-
de ser obtida calculando-se a atração vertical de dois cilindros de raios Ri e Re,
subtraindo-se os resultados e dividindo-se pelo número de setores que compõem
os cilindros. Desse modo, usando-se a equação (3.43) com a = Re e Ri obtém-se:

z 2 e 1 e 2 t 1 t (3.46)
b.g' = 27rGp (J Z2 + R2 - J Z2 + R2 - J Z2 + R} + J Z2 + R2)

Colocando-se o ponto onde está sendo calculada a atração sobre o topo do


cilindro (significa assumir Z2 = O), obtém-se a atração vertical do anel cilíndrico:

(3.47)
b.g~ = 27rGp (Jh2 + R; - Jh2 + R~ + Re - Ri)
sendo h a altura do setor cilíndrico, isto é, a diferença entre a cota do ponto onde
se deseja aplicar a correção e a cota média do terreno no setor cilíndrico (Figs.
3.7 e 3.8). Se, por exemplo, o anel for dividido em 4 setores iguais, então cada
setor produzirá atração igual a um quarto da atração total. Para n setores tem-se

(3.48)
b.gz = 27r~P ( Jh2 + R; - Jh2 + R~ + Re - Ri) = tp
sendo t uma constante para cada setor, dada por

(3.49)
t = 2:G ( Jh2 + R; - Jh2 + R~ + Re - Ri)
132 Método Gravimétrico

(a)
~ SEÇÕES CILÍNDRICAS NíVEL DA ESTAÇÃO
P j

(b)

Figura 3.7: Representação dos setores cilíndricosusados na correção topográfica: (a)


perfil; (b) projeção horizontal.

Na prática, são usados vários anéis cilíndricos concêntricos (zonas), com a


diferença Re - Ri sendo aumentada à medida que o afastamento ao centro dos
anéis cresce. Somando-se a atração de cada setor, em cada um dos an~is, obtém-se
o valor da correção topográfica GT:

(3.50)

sendo T o somatório de todos os t, se a densidade não varia dentro da área onde


a correção está sendo aplicada.

Nos trabalhos de prospecção geológica, raramente são usados setores


cilíndricos com raio superior a 300 km. Em particular, nos levantamentos rea-
lizados com o objetivo de localizar depósitos de minério, o raio é normalmente
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 133

p •

Z2

Re
ZI

Figura 3.8: Setor cilíndrico usado no cálculo da atração em um ponto do seu eixo.

inferior a 5 km. A tabela 3.1 mostra um exemplo de valores para os raios dos
anéis cilíndricos e o número de setores em que eles são divididos.

A aproximação do terreno por setores cilíndricos é uma das mais emprega-


das na correção topográfica. Existem, todavia, outros modelos que também são
usados, a maioria para representar o relevo às proximidades da estação a ser corri-
gida. Alguns desses são o plano inclinado (Sandberg 1958; Campbell 1980), cone
(Krohn 1976), prisma (Kane 1962) e prisma cônico (Olivier & Simard 1981).

A correção topográfica pode ser realizada com a ajuda de um computador,


permitindo grande rapidez na sua aplicação (Kane 1962; Krohn 1976; Olivier &
Simard 1981). Este procedimento requer, no entanto, a digitalização de mapas de
contornos topográficos segundo uma malha regular, o que pode ser dispendioso e,
prático, somente quando a área é de grandes dimensões.

Muito comumente, contudo, a correção topográfica é aplicada sem o auxl1io


de computador, através da superposição do gráfico que representa a projeção
horizontal dos pequenos corpos geométricos em que o terreno é dividido (projeção
zonada) sobre o mapa topográfico da área (Hammer 1939). No caso de setores
cilíndricos, que é a forma geométrica mais empregada, a projeção será uma série
de círculos concêntricos e linhas radiais (Fig. 3.7).

A correção topográfica através da superposição da projeção zonada de setores


cilíndricos envolve as etapas a seguir destacadas.
134 Método Gravimétrico

a) Construir sobre papel transparente um conjunto de círculos concêntricos


com raios obedecendo à escala do mapa topográfico da área (Tabela 3.1). É reco-
mendado que se trabalhe com diversas escalas de mapas: uma escala maior (mais
detalhada) para a vizinhan;;a da estação a ser corrigida e escalas sucessivamente
menores à medida que nos afastamos da área dê interesse. Por exemplo, dentro
do raio de 200 m pode ser empregada a escala 1:1000; entre os raios de 200 a
2000 m, a escala 1:2000; entre 2 km e 30 km, escalas 1:10.000 a 1:50.000 e, para
raios superiores, deve ser usada a escala 1:100.000 ou menor.

1raios
2000
1000
500
700
300
250
300
100
50
20
101000
3000
1500
200
100
200
O 1500
500
2150
20
50
200
10
52757
15
2000
5000
3000
700
70
30
300 raios
4200
16
10100
re(m) 10 0400
7300
5150
16116
816
28re(km)
30
250 do
do
27
26
24
22
05 20
15
19
25
23
18
17
16
21 anel
zona anel
setores
setores
Tabela 3.1 - ri(km)
Raios de anéis para correção topográfica
correção
O número e de
colocar setoresaí de
o centro dos círculos
cada zona concêntricos.
comumente usado é apresentado na Tabela 3.1.
zona c) Localizar, no mapa topográfico da área, a estação onde se deseja aplicar a
dir em setores as zonas ou anéis definidos pelos círculos concêntricos.

d) Escolher diversos pontos representativos da topografia dentro de um setor


(o número dependerá da área do setor e da topografia). Verificar a cota de cada
ponto e calcular a sua média. Subtrair a média encontrada da cota do ponto
central (estação a ser corrigi da) e usar a expressão (3.48) para calcular a atração
deste setor. Opcionalmente, pode ser usada uma tabela de atrações pré-calculadas
(Apêndice B). Neste caso, deve-se tomar o valor absoluto da diferença entre a cota
da estação e a média no setor. Este procedimento deve ser realizado com todos
os setores.

e) Somar a atração de cada setor, proveniente da etapa anterior, para se obter


a correção topográfica da estação.

f) Repetir o procedimento a partir da etapa c para uma nova estação, até que
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 135

todas as estações estejam corrigidas.


Tabelas com valores pré-calculados da ~tração de setores cilíndricos definidos
por raios e altitudes no sistema métrico podem ser encontradas no anexo deste
livro (tabelas compiladas de Sazhina & Grushinsky 1971) e em Parasnis (1973).
Tabelas com raios e altitudes em pés são apresentadas por Hammer (1939), Bible
(1962), Dobrin (1976), Hays (1976) e Telford et alo (1976).

3.4.5 SIGNIFICADO FÍSICO DAS CORREÇÕES


AR-LIVRE, BOUGUER E TOPOGRÁFICA

A redução do valor normal da gravidade para o nível do terreno pode ser


fisicamente visualizada na figura 3.9. Após a correção ar-livre, o ponto A do
geóide é deslocado para a posição A' sobre o terreno (Fig. 3.9b). A seguir, é
necessário compensar o vazio que existe entre o geóide e o nível de A' no terreno,
adicionando o efeito de massa. Isto é feito com a correção Bouguer (Fig. 3.9c),
que, entretanto, adiciona o efeito ao vale abaixo do nível de A' e não considera
que as massas fisicamente existentes acima do nível de A' reduzem a gravidade em
A'. O que não pode ser compensado com a correção Bouguer, o é com a correção
topográfica (Fig. 3.9d).

I
I
GEÓIDE A

///T//7/7777/77 //7777777/7P77
(a) (b)

( c) (d)

Figura 3.9: Visualização física das correções aplicadas ao valor normal da gravidade
para reduzÍ-loao nível do terreno: (a) situação original; (b) correçãoar-livre; (c) correção
Bouguer; (d) correçãotopográfica.
136 Método Gravimétrico

É prática comum nos levantamentos para prospecção considerar-se que as


correções são aplicadas diretamente aos valores medidos no terreno e não aos
valores do geóide. Neste caso, quase sempre é escolhido um nível de referência
qualquer e os valores medidos no terreno são reduzidos a esse nível. Fisicamente,
ter-se-ia:

a) efeito eqüivalente ao deslocamento do ponto de medidas no terreno para o


nível de referência através da correção ar-livre (Fig. 3.10b);

b) efeito eqüivalente à retirada do efeito da massa entre o nível do ponto de


medidas e o nível de referência (Fig. 3.10c);

c) compensação dos efeitos provocados pelas massas acima e abaixo do ponto


de referência (Fig. 3.10d).

Na realidade, a aplicação das correções não retira o material existente en-


tre o nível de referência e o terreno, à semelhança de um trator que remove a
terra tornando o terreno plano. O terreno continua com as suas irregularidades
altimétricas, que devem ser consideradas quando da in.terpretação das profundida-
des das fontes. Por esse motivo, usou-se, acima, a expressão "efeito eqüivalente".

(o)

liílTlTílTmi//TI/ (c)
'l//I///1///I1~~WI/
(d)

Figura 3.10: Visualização física das correções aplicadas ao valor medido no terreno: (a)
situação original; (b) correção ar-livre; (c) correção Bouguer; (d) correção topográfica.
3.4 Redução dos Valores da Gravidade 137

3.4.6 CORREÇÃO DE MARÉ

A mudança da posição da Terra em relação ao Sol e à Lua causá perturbações


nos valores da gravidade que podem ser observadas dentro de um período de
24 horas. A magnitude dessas perturbações varia com a posição geográfica do
ponto de observação e com a época do ano. Em um mesmo ponto, seus valores
variam de modo senoidal, apresentando amplitude máxima pico-a-pico inferior
a 0,3 mGal (Fig. 3.11). Esta variação, embora muito pequena em relação ao
valor da gravidade normal, deve ser eliminada, pois sua magnitude pode atingir a
ordem de grandeza de anomalias comumenteencontradas nos levantamentos para
prospecção geológica.

A variação da gravidade causada pelo Sol e pela Lua é responsável pelo


fenômeno das marés oceânicas e da crosta terrestre. Por este motivo, a correção
que compensa este efeito é denominada de correção de maré.
As perturbações solares e lunares podem ser teoricamente calculadas para
cada minuto de todos os dias do ano, em qualquer posição geográfica, através de
fórmulas matemáticas especialmente desenvolvidas para esse fim (Longman 1959;
Sazhina & Grushinsky 1971). Para facilitar a aplicação da correção de maré, os
valores das perturbações são pré-calculados e apresentados sob a forma de tabelas
(GogueI1954) ou calculados por meio de programas de computador (Rudman et
aI. 1977).

0,2-
Valor calculado

0,1-

..JIli
20
204
-r
2 0- 0!S/02/1lI
04

12 C)

I
-0,1-

I
e
I
12
1
16
I
20
I
2"
I I I
04 • 12 HOIU (locell

06/02181 01/02/81

Figura 3.11: Variaçãoda gravidade devida às atrações do Sol e da Lua em Belém, Pará,
Brasil (coordenadas: 10 30' sul - 480 30' oeste; altitude = 14 m).

A figura 3.11 mostra valores medidos e calculados das perturbações produzidas


pelo Sol e pela Lua na gravidade. A discrepância entre os valores medidos e
calculados ocorre, porque a Terra é aproximada por um corpo perfeitamente rígido
138 Método Gravimétrico

no desenvolvimento das fórmulas que reproduzem o seu efeito. A medida dessa


discrepância permite estimar a rigidez da Terra.
A correção de maré é, em geral, a primeira a ser aplicada aos dados gra-
vimétricos. A remoção do efeito de maré deixa uma variação nos valores de
gravidade que é aproximadamente linear com o tempo (variação ou drift instru-
mental - item 3.4.7). Frequentemente, nos levantamentos realizados em áreas
pouco extensas (na prospecção de corpos de minério, por exemplo), a correção de
maré não é aplicada diretamente a partir dos valores teóricos; ela é incorporada
à correção da variação instrumental, abordada no próximo item.

3.4.7 CORREÇÃO DA VARIAÇÃO (DRIF1) INSTRUMENTAL


Ao se realizarem medidas gravimétricas em um ponto fixo durante certo
período de tempo, verifica-se que, após a remoçâo do efeito de maré, persiste
uma variação aproximadamente linear. Essa variação, inerente ao instrumento, é
causada basicamente por fadiga da mola que compõe a:unidade de atração do equi-
pamento. Mudanças de temperatura e movimentos bruscos ou choques mecânicos,
ocasionados por quedas durante o transporte do instrumento entre as estações,
também causam variações instrumentais; estas, entretanto, não são lineares.
A variação instrumental pode ser corrigida se duas medidas são realizadas
em uma mesma estação, dentro de um período de tempo curto. O procedimento
consiste em presumir uma variação linear entre as medidas dentro do intervalo de
tempo entre a tomada da primeira e da segunda medida. As variações positivas
são subtraídas, enquanto as negativas são somadas.
A figura 3.12 ilustra a variação observada na reocupação de uma estação no
intervalo entre 9:00 e 11:00 horas. Caso haja uma estação ocupada às 10:30, por
exemplo, o valor medido llessa estação deve ser subtraído de 0,1 mGal.

0,20

o
(!)
E

0,'0 --

9:00 10:00 11:00 HORAS

Figura 3.12: Correção da variação instrumental (dados hipotéticos).


3.5 Anomalia Bouguer 139

Quanto menor for o intervalo de tempo usado na reocupação das estações,


mais acurada será a correção, pois mais próxima da realidade estará a assunçã-a
de que a variação é linear. Quando o efeito de maré é corrigido juntamente com
a variação instrumental, é recomendado que as estações sejam reocupadas dentro
do período máximo de duas a três horas.

Durante o levantamento não é necessário que a estação a ser reocupada seja


sempre a mesma, pois haverá perda de tempo ao se retomar de estações muito
afastadas. Mais conveniente é reocupar estaçõ~s que tenham sido já ocupadas
dentro do intervalo de tempo usado na reocupação de outras estações. Este pro-
cedimento é ilustrado na figura 3.13: inicialmente, as estações 1 a 10 são ocupadas
e a estação 1 é reocupada; a seguir, as estações 11 a 20 são ocupadas e a estação
10 é reocupada.

RETORNO RETORNO

I I I'---- 1--- f::::=::;+ 1---


I1 12 19 20 21

REINÍCIO REINíCIO

Figura 3.13: Procedimento para coleta de dados gravimétricos.

3.5 ANOMALIA BOUGUER


Subtraindo-se, do valor da gravidade observado no terreno (já corrigido dos
efeitos de maré, variação instrumental e latitude), o valor da gravidade normal
reduzido para o nível do terreno (calculado para a latitude de referência usada na
correção de latitude), obtém-se:

D..gB = gobs - gnr


= gobs - (gn - CAL + CB - CT)
(3.51)
= gobs - (gn - 0,3086 h + 0,04191ph - Tp)
= gobs + 0,3086 h - 0,04191ph + Tp - gn
que é denominada de anomalia Bouguer.

A expressão (3.51) demonstra que, do ponto de vista prático (embora teori-


camente não seja correto), o valor de D..gB não se altera, quer as correções sejam
aplicadas ao valor da gravidade normal, quer elas sejam aplicadas diretamente ao
valor observado no terreno. A única diferença são os sinais das correções, con-
trários nos dois procedimentos, isto é, enquanto as correções ar-livre e topográfica
são negativas e a correção Bouguer é positiva na redução da gravidade normal ao
140 Método Gravimétrico

nível do terreno, os sinais são positivos para as correções ar-livre e topográfica e


negativo para a correção Bouguer aplicadas ao valor observado no terreno. Por
isso, é comum dizer-se que as correções são aplicadas diretamente aos valores
observados no terreno.

Freqüentemente, nos levantamentos para prospecção de corpos de minério, a


anomalia Bouguer é definida do seguinte modo: as correções são aplicadas direta-
mente ao valor da gravidade observada no terreno e, do resultado, é subtraído o
valor observado (e corrigido) em uma estação de referência na área, onde se supõe
que não haja fontes de anomalias. Neste caso, geralmente, o nível de referência,
usado para se estabelecer o valor de h, deixa de ser o mar (geóide) e passa a ser
uma cota qualquer, que é, muitas vezes, a cota da estação de referência.

A aplicação direta das correções sobre as medidas efetuadas no terreno define


a quantidade
VB = gobs + 0,3086 h - 0,04191ph + T p (3.52)
conhecida como valor Bouguer da estação.

3.6 DETERMINAÇOES DE DENSIDADE


As correções Bouguer e topográfica requerem o conhecimento da densidade
das rochas que repousam em subsuperfície na área do levantamento.
Comumente, amostras de rochas retiradas de afloramentos, furos de sonda-
gens ou galerias são levadas a um laboratório para determinações de densidade.
Este procedimento, no entanto, nem sempre produz resultados satisfatórios, pois
as amostras podem não ser representativas do material da subsuperfície, tanto
por estarem intemperizados, como por apresentarem menor saturação de água.
Valores de densidade mais realísticos devem ser obtidos se as determinaçpes são
feitas in situ, sem retirar as amostras do seu ambiente natural.

3.6.1 DETERMINAÇÕES EM LABORATÓRIO


As amostras de rocha levadas ao laboratório são pesadas no ar e na água
geralmente em uma balança de Jolly (Dana & Hurlbut 1969). A densidade pode
então ser estimada por meio da expressão

p=---Par

Par - Pag
(3.53)

em que Par e Pag representam, respectivamente, o peso da amostra no ar e na


água.

Este método fornece bons resultados para as rochas ígneas e metamórficas


inalteradas, pois a densidade dessas roclJ-as é basicamente função dos minerais
3.6 Determinações de Densidade 141

presentes, por causa de suas baixas porosidades. Para as rochas de elevada po-
rosidade, como a maioria das sedimentares, em que a densidade depende não só
dos constituintes minerais, como também da quantidade de água presente nos po-
ros, é recomendado que se realizem duas determinações de densidade: uma com
a amostra completamente seca e a outra cóm a amostra totalmente saturada de
água. O valor da densidade deve então ser escolhido entre os dois valores obtidos,
de acordo com as condições da área.
Quando a amostra de rocha é constituída de fragmentos, tornando-se difícil
pesá-Ia em balança de Jolly, a densidade pode ser determinada com o amu1io de
um picnômetro (Dana & Hurlbut 1969).

3.6.2 DETERMINAÇOES /N S/TU


As determinações de densidade realizadas diretamente na área do levanta-
mento gravimétrico são feitas a partir de medida'S geofísicas tomadas em poços
perfurados (Hammer 1950; Smith 1950; Gibb & Thomas 1980) ou sobre a su-
perfície dos terrenos (Nettleton 1939; Parasnis 1972; Sissons 1981).

3.6.2.1 Medidas em Poços

Medindo o valor da gravidade em dois pontos de profundidades diferentes,


ao longo de um poço perfurado, é possível estimar-se a densidade do material
existente entre esses pontos.
Sejam os pontos A e B (A mais próximo da superfície do que B) em um
poço perfurado (Fig. 3.14). Aplicando-se as correções ar-livre e Bouguer ao valor
da gravidade gA, medido no ponto A, com a finalidade de reduzí-Ioao valor gB,
medido em B, obtém-se
gl A = gA + 0,3086 h - 0,04191ph (3.54)
Na equação (3.54), o valor da correção ar-livre deve ser adicionado, pois o ponto
B está mais profundo do que A, e a correção Bouguer, subtraída, para eliminar
o efeito da massa entre A e B. Esta redução pode ser visualizada através da
figura 3.15. Inicialmente, a correção ar-livre produz um efeito eqüivalente ao de
se deslocar o ponto A para o nível do ponto B (Fig. 3.15b) e, a seguir, o efeito
da massa entre A e B é retirado por meio da correção Bouguer (Fig. 3.15c). O
resultado final é um vazio entre A eB, que na realidade não existe. Fisicamente,
o material está presente e faz com que a gravidade em B seja diminuída; portanto,
para que o valor de g seja realmente reduzido ao valor de gA, é necessário repor o
efeito da massa entre A e B (Fig. 3.15d). Esta reposição eqüivale a subtrair, do
valor de g'A, uma nova correção Bouguer:
gB = g' A - 0,04191ph = gA + 0,3086 h - 0,08382ph (3.55)
142 Método Gravimétrico

Logo:
0,3086 h - (gB - gA) 0,3086 - D.g/h
(3.56)
P = 0,08382 h 0,08382
sendo !:!.g = gB - gA·

-. -
---
9A
9a
A
a

-r h _1_
---

Figura 3.14: Estimativa de densidade a partir de medidas da gravidade em poços.

I (d)
A,a
(e)
A,a "

gA-9a ~I
A,S

(a)

Figura 3.15: Redução da gravidade entre dois pontos de um poço: (a) valores originais;
(b) correção ar-livre; (c) correção Bouguer; (d) reposição de massa.

oprocedimento acima descrito, expresso pela equação (3.53), reduz o valor


da gravidade de um nível para outro sem remover a massa existente entre esses
pontos. Este tipo de redução, conhecido como redução de Prey, é empregado
quando as medidas são realizadas abaixo da superfície terrestre (minas ou poços
perfurados) ou abaixo da superfície das águas.
A densidade dos materiais da subsuperfície pode ainda ser estimada a partir
3.6 Determinações de Densidade 143

de medidas da radiação gama, introduzida nos poços por uma fonte radioativa.
A interação da radiação gama com os elétrons presentes nos materiais da subsu-
perfície é registrada em um perfil denominado de perfil densidade (density log)
abordado no capítulo Perfilagem Geofísica 'de Furos de Sondagem.

3.6.2.2 Método de Nettleton

Este método desenvolvido por Nettleton (1939) permite estimativas da densi-


dade a partir das medidas de gravidade realizadas na superfície do terreno durante
um levantamento.

o método consiste em: (a) escolher um perfil de medidas gravimétricas rea-


lizado sobre região acidentada (contendo um alto e/ou um baixo topográfico),
onde não haja anomalias de densidade na subsuperfície; (b) aplicar as correções
para se obter a gravidade Bouguer de cada estação do perfil, usando diversos va-
lores de densidade para as correções Bouguer e ~opográfica. O perfil com valores
corrigidos que apresentar a maior suavidade é o que foi obtido com a melhor es-
timativa da densidade da subsuperfície. Na figura 3.16 são apresentados vários
perfis, resultantes das correções realizadas com diferentes valores de p; o perfil que
corresponde a p = 2,4 é o mais suave, logo a melhor estimativa para a densidade
é 2,4.

,o~~ ~: U
'P'" 2.2 -:~

2.4

.1.0~
III
...J
~ 440
< ~
<.!>
~ III
...J o
j 2.9 ,/ 430 li::
...
o • --_ TOPOGRAFIA
UJ

PERFIS GRAVIMETRICOS --_


~
420
PARA VÁRIAS DENSIDADES -- __
--
- - ..•.......•....
o~410

o 100 200 300 400 600


METROS

Figura 3.16: Estimativa de densidade a partir do Método de Nettleton.

Os melhores resultados com este método são alcançados nas áreas onde o
material às proximidades da superfície do terreno é homogêneo. Para obterem-
144 Método Gravimétrico

se boas estimativas da densidade, é recomendado que se aplique o método de


Nettleton em mais do que um perfil. O método de Nettleton é abordado com
enfoque matemático por Linsser (1965).

3.6.2.3 Método de Parasnis

Parasnis (1972) desenvolveu uma outra metodologia que permite estimar a


densidade a partir das medidas de gravidade realizadas durante o levantamento.
Rearranjando os termos da expressão (3.51) e considerando que a anomalia
Bouguer é zero (não há anomalias de densidade na subsuperfície), obtém-se

90bs + 0,3086 h = (0,04191 h - T)p (3.57)

que é a equação de uma reta com coeficiente angular igual a p. Conseqüentemente,


tomando um perfil de medidas realizado sobre local onde não existem fontes de
anomalias e representando (0,4191 h - T) como abscissa e (9obs + 0,3086 h) co-
mo ordenada, deve-se obter pontos alinhados segundo uma reta. A tangente do
ângulo que esta reta forma com o eixo das abscissas é a estimativa da densidade.
Os pontos representados não cairão exatamente sobre uma reta, por causa das
heterogeneidades do material geológico da subsuperfície. Usando o critério dos
mínimos quadrados é possível, no entanto, conseguir-se uma boa superposição
entre os pontos definidos e uma reta.

3.7 DENSIDADE DE ROCHAS E MINERAIS


As anomalias de gravidade detetadas nos levantamentos para prospecção estão
relacionadas às variações laterais da densidade dentro do ambiente geológico. Es-
tas variações podem ser observadas, por exemplo, quando um corpo de sulfetos
maciços repousa dentro de rochas encaixantes ou quando um determinado tipo de
rocha está em contacto lateral com outro tipo de rocha.

O conhecimento dos valores de densidade, entretanto, não permite que se


identifiquem as rochas ou os minerais de um depósito, pois cada tipo de rocha ou
de depósito mineral não é caracterizado por um único valor de densidade, mas
por faixas de valores, que, apesar de pequenas, superpõem-se. Os granitos, por
exemplo, podem apresentar valores entre 2,50 e 2,81 gj cm3, enquanto os folhelhos,
densidades entre 1,56 e 3,20 gjcm3•
Apesar da superposição nos valores de densidade, considerando valores
médios, observa-se que, como regra geral, as rochas ígneas e metamórficas são
mais densas do que as sedimentares (tabelas 3.2 e 3.3).
3.7 Densidade de Rochas e Minerais 145

3.7.1 DENSIDADE DAS ROCHAS ÍGNEAS


Os valores de densidade indicam que, 9.entre as rochas ígneas, as vulcânicas
são normalmente menos densas do que as intrusivas e que, um aumento na acidez
dos espécimes rochosos implica, em geral, rio decréscimo da densidade. A tabela
3.2 mostra valores de densidade para diversos tipos de rochas ígneas.

Tabela 3.2 - Densidade de rochas ígneas e metamórficas2


rochas variação da densidade densidade média
(g/cm3) (g/cm3)
Igneas:
Obsidiana 2,20-2,40 2,30
Riolito 2,35-2,70 2,52
Dacito 2,35-2,80 2,58
Andesito 2,40-2,80 2,61
Granito 2,50-2,81 2,64
Granodiorito 2,67-2,79 2,73
Sienito 2,60-2,95 2,77
Diorito 2,72-2,99 2,85
Lavas 2,80-3,00 2,90
Diabásio 2,50-3,20 2,91
Norito 2,70-3,24 2,92
Basalto 2,70-3,30 2,99
Gabro 2,70-3,50 3,03
Peridotito 2,78-3,37 3,15
Piroxenito 2,93-3,34 3,17
Ácidas 2,30-3,11 2,61
Básicas 2,09-3,17 2,79
Metamórficas:
Quartzito 2,50-2,70 2,60
Xisto 2,39-2,90 2,64
Granulito 2,52-2,73 2,65
Filito 2,68-2,80 2,74
Mármore 2,60-2,90 2,75
Ardósia 2,70-2,90 2,79
Gnaisse 2,59-3,00 2,80
Anfibolito 2,90-3,04 2,96

Para os espécimes de um mesmo tipo destas rochas, a variação da densidade


é pequena, quando comparada à variação nas rochas sedimentares. Somente os
espécimes com elevado grau de fraturamento ou intemperismo apresentam largas
faixas de variação.

A variação na densidade das rochas ígneas é praticamente independente da


profundidade de ocorrência dos espécimes, a não ser às proximidades da superfície,

2Yalores compilados de Dobrin (1976) e Telford et alo (1976).


146 Método Gravimétrico

devido aos efeitos do intemperismo.

3.7.2 DENSIDADE DAS ROCHAS METAMÓRFICAS


Os processos metamórficos que envolvem redução de volume, recristalização
e formação de novos minerais, proporcionam um aumento de densidade nos novos
espécimes formados. Portanto, em geral, a densidade aumenta com o grau de
metamorfismo.

Os espécimes mais básicos, à semelhança do que ocorre com as rochas ígneas,


são, em geral, mais densos.
Valores de densidade para diversos tipos de rochas metamórficas são apresen-
tados na tabela 3.2.

3.7.3 DENSIDADE DAS ROCHAS SEDIMENTARES


A densidade das rochas sedimentares é função não só da composição mine-
ralógica, como também, da porosidade e do grau de compactação.
A larga variação de densidade das rochas serumentares deve-se principalmente
ao fator porosidade, com contribuições menores do fluido (ar, água ou hidrocar-
boneto) presente nos poros. Na tabela 3.3 são apresentados valores de densidade
para sedimentos e rochas sedimentares saturadas e não saturadas.

Tabela 3.3 - Densidade de sedimentos e rochas sedimentares3

variação da densidade (g/cm3) densidade média (g/cm3)


poros com poros sem poros com poros sem
fluido fluido fluido fluido
Solo 1,20-2,40 1,00-2,00 1,92 1,46
Aluvião 1,96-2,00 1,50-1,60 1,98 1,54
Areia 1,70-2,30 1,40-1,80 2,00 1,60
Cascalho 1,70-2,40 1,40-2,20 2,00 1,95
Argila 1,63-2,60 1,30-2,40 2,21 1,70
Arenito 1,61-2,76 1,60-2,68 2,35 2,24
Folhelho 1,77-3,20 1,56-3,20 2,40 2,10
Calcário 1,93-2,90 1,74-2,76 2,55 2,11
Dolomita 2,28-2,90 2,04-2,54 2,70 2,30

O aumento do grau de compactação torna os espécimes mais densos. A com-


pactação, por sua vez, aumenta com o peso do material sobrejacente e o tempo que
esse material atua sobre o espécime sedimentar. Logo, espera-se que os espécimes

3Valores compilados de Telford et aI. (1976).


3.7 Densidade de Rochas e Minerais 147

mais antigos e os localizados a maiores profundidades sejam os mais densos. Em


rochas com cimento calcífero, no entanto, a pressão aumenta a dissolução, espe-
cialmente do carbonato de cálcio, o que provoca decréscimo de densidade.
i

3.7.4 DENSIDADE DE MINERAIS


Os minerais denominados metálicos apresentam valores de densidade em geral
superiores a 4,0 gjcm3 (o mineral blenda ou esfalerita é a exceção mais marcan-
te). Esses valores são maiores do que os normalmente encontrados nas rochas
(2,3 a 3,0 gjcm3). Os minerais não metálicos, por sua vez, têm valores de den-
sidade geralmente inferiores a 3,0 gjcm3 (a barita é uma exceção) e seus valores
confundem-se, portanto, com os das rochas. Na tabela 3.4 estão representadas
densidades de diversos minerais metálicos e não metálicos.

Tabela 3.4 - Densidade de minerais4


mineral variação da densidade densidade média
(g/em3) (g/em3)
Linhito [C] 1,10-1,25 1,19
Antracito [C] 1,34-1,60 1,50
Grafita [C] 1,90-2,30 2,15
Gipsita [CaS04.2H20] 2,20-2,60 2,35
Bauxita [hidróx. de AI] 2,30-2,55 2,45
Quartzo [Si02] 2,50-2,70 2,65
Talco [Mg3Si4010(OHh] 2,70-2,80 2,71
FIuorita [CaF2] 3,01-3,25 3,14
Diamante [C] 3,52
Barita [BaS04] 4,30-4,70 4,47
Ouro [Au] 15,60-19,40
Cromita [FeCr204] 4,30-4,ÔO 4,36
Ilmenita [FeTi03] 4,30-5,00 4,67
Magnetita [Fe304] 4,90-5,20 5,12
Hematita [Fe203] 4,90-5,30 5,18
Cuprita [Cu20) 5,70-6,15 5,92
Cassiterita [Sn02] 6,80-7,10 6,92
Uraninita [U02] 8,00-9,97 9,17
Blenda (ZnS] 3,50-4,00 3,75
Malaquita (CU2C03(OHh) 3,90-4,03 4,00
Caleopirita (CuFeS2) 4,10-4,30 4,20
Pirrotita (FeS] 4,50-4,80 4,65
Molibdenita (MoS2] 4,40-4,80 4,70
Pirita (FeS2] 4,90-5,20 5,00
Bornita (CuóFeC4) 4,90-5,40 5,10
Calcoeita (Cu2S) 5,50-5,80 5,65
GaIena (PbS) 7,40-7,60 7,50

4VaIores eompilados de Telford et aI. (1976).


148 Método Gravimétrico

Apesar dos minerais metálicos apresentarem, individualmente, valores de den-


sidade bem superiores aos das rochas, esses minerais raramente ocorrem em con-
centração suficiente para que suas densidades individuais representem a do cor-
po mineralizado a ser prospectado. Por exemplo, um corpo maciço contendo
50% de sulfetos com densidade de 4,50 g/ cm3 éncaixado em rocha de densida-
de igual a 2,70 g/cm3 terá como densidade média o valor 3,60 g/cm3 (0,5x4,50
+0,5x2,70). A mineralização sendo, no entanto, disseminada, com um máximo
de 20 % desses mesmos sulfetos, a densidade do corpo passará a ser 3,06 g/ cm3
(0,2x4,50+0,8x2,70). Portanto, embora haja minerais de elevada densidade em
um corpo mineralizado, existe a possibilidade de que a densidade média do corpo
seja muito próxima da densidade da rocha encaixante. Nesse caso, as medidas
gravimétricas poderão não indicar a presença da mineralização, a despeito da
presença dos minerais de elevada densidade.

3.8 INSTRUMENTAL
As medidas da gravidade podem ser efetuadas com base em três princípios:
oscilação de pêndulos, queda livre de um corpo e balança de mola.

Os instrumentos construÍdos para medir a gravidade com o objetivo de pros-


pectar corpos de minério devem detetar variações da ordem de 0,1 mGal. Esta
sensibilidade não pode, em geral, ser atingida com medidas absolutas. Somente
com medidas relativas (variação da gravidade entre dois pontos) se pode obter tal
sensibilidade.

Medidas relativas podem ser obtidas com os princípios da balança de mola e


da oscilação de pêndulos. Medidas absolutas, por sua vez, podem ser realizadas
empregando-se os princípios da oscilação de pêndulos e da queda livre de um
corpo.

3.8.1 OSCILAÇÃO DE PÊNDULOS

O período de oscilação, T, de um pêndulo simples pode ser estimado através


de (Sears & Zemansky 1963):

T = 211" - 1+ - sen - +- sen - + ... (3.58)


fg9 ( 41 2
20: 64
9 2
40: )

sendo L o comprimento do pêndulo, 9 o valor da gravidade e o: o ângulo de


máxima deflexão (Fig. 3.17). Para o: pequeno (da ordem de minutos), os termos
que contêm seno podem ser omitidos resultando

(3.59)
3.8 Instrumental 149

Medindo-se o período de oscilação e o comprimento do pêndulo é possível


portanto, determinar o valor absoluto da gravidade através da equação (3.59).

/
/I L
\
/ o<.

/
'tI,,--- m

Figura 3.17: Pêndulo Simples.

Para obter-se 9 com a precisão de 0,1 mGal exigida nos levantamentos de


prospecção, é necessário conhecer o comprimento de um pêndulo de 1 m com erro
máximo de O,l/tm. Neste caso, o período de oscilação deve ser determinado com
acurácia de 5 X 10-8 segundos. Estes valores de precisão para T e L são difíceis
de serem conseguidos.
A expressão (3.59) mostra que T pode ser tomado como independente da
amplitude de oscilação, para pequenos valores de a. Logo, não é mandatário medir
o período de uma única oscilação. Pode-se medir o tempo de um número grande de
oscilações (2000, por exemplo) e dividí-Io por esse número para se obter o período
T. A precisão de 5 X 10-8 segundos, anteriormente mencionada, transforma-
se em 10-4 segundos com 2000 oscilações. Embora se possa conseguir medidas
precisas de T com este procedimento, a precisão da medida de L continuará sendo
um obstáculo às determinações absolutas de g, com a sensibilidade exigida na
prospecção.
Medindo o período de oscilação do pêndulo em dois pontos distintos, obtém-
se:

(3.60)
To = 211" fL
y%
e

(3.61)
TI = 211" fL
yg;
cuja combinação fornece
°
T.2
91 = 90T21 (3.62)

que permite determinar o valor da gravidade em um ponto sem a necessidade


de conhecer o comprimento do pêndulo. Quando o interesse recai nas variações
150 Método Gravimétrico

de g ponto a ponto (medidas relativas), como no caso da prospecção, é possível


conseguirem-se valores precisos com o pêndulo e a equação (3.62).
Os pêndulos permitem que se determine o ~alor absoluto da gravidade com
precisão de 1 mGal e o valor relativo com precisão de 0,1 mGal. O emprego de
osciladores controlados por cristais de quartzo, para medidas de tempo, e métodos
,~letrônicos, para registro da oscilação dos pêndulos, permite que as observações
gravimétricas possam ser realizadas em alguns segundos.
Uma descrição detalhada de diversos instrumentos que empregam pêndulos
pode ser encontrada em Sazhina & Grushinsky (1971).

3.8.2 QUEDA LIVRE DE CORPOS


O espaço percorrido por um corpo em queda livre vertical é dado por
1
s = -2 gt2 (3.63)

sendo 9 o valor da gravidade e t o tempo necessário para o corpo percorrer o


espaço. As medidas de s e t permitem portanto que se conheça o valor absoluto
de g.
Para se obter 9 com precisão de 0,1 mGal, o espaço de 1 m deve ser deter-
minado com acurácia de 0,1 fLm e o tempo de queda, com acurácia de 2 X 10-8
segundos.
O emprego de lasers e métodos óticos de interferência nos instrumentos que
.utilizam o princípio da queda livre de corpos, torna as medidas do valor absolu-
to da gr2.vidade tão precisas quanto as medidas relativas obtidas com pêndulos
(Harrison 1974).

3.8.3 GRAVÍMETROS
Os. gravímetros são os instrumentos mais comumente empregados nos levan-
tamentos gravimétricos. Sua precisão nominal atinge a 0,01 mGal, permitindo
portanto detetar variações muito pequenas no valor da gravidade.
Os valores medidos são somente relativos, o que está de acordo com o ne-
cessário na prospecção, em que se deseja localizar as distribuições anômalas de
densidade relacionadas aos corpos mineralizados e às estruturas geológicas.
Os gravímetros podem também ser empregados nos levantamentos cujo obje-
tivo é determinar a gravidade absoluta, combinando o seu uso com o de instru-
mentos que medem valores absolutos da gravidade.
Os gravímetros são essencialmente balanças, em que uma massa é suspensa
por uma mola. Segundo lei de Hooke, a força restauradora na mola que sustenta
3.8 Instrumental 151

a massa é dada por:


F = ó (i - io) = m9 (3.64)
sendo m a massa, Ó o coeficiente de elasti~idade da mola e (i - io) a elongação
da mola. Como m e Ó são constantes, qualquer mudança no valor de 9 causa,rá,
uma variação proporcional na elongação da mola (Fig. 3.18). As variações na
elongação da mola são reduzidÍssimas e necessitam ser amplificadas. Em geral,
são empregadas técnicas óticas, mecânicas ou elétricas em sua amplificação.

IF

Figura 3.18: Princípio de funcionamentodos gravímetros (balança de mola).

Os primeiros gravímetros, desenvolvidos por volta de 1930, continham um


sistema composto basicamente de uma mola e uma massa, com as elongações
amplificadas por mecanismos óticos ou elétricos. Como o sistema mola-massa
permanece sempre em equilíbrio estável, estes instrumentos são classificados como
gravímetros estáveis. A precisão das medidas com estes gravÍmetros é cerca de
0,1 mGal.
Nos gravÍmetros mais modernos, uma massa adicional é introduzida no siste-
ma, para produzir instabilidade, fazendo com que pequenas variações no campo
gravimétrico produzam elongações na mola, bem superiores àquelas desenvolvidas
nos gravÍmetros estáveis (Fig. 3.19). O resultado é uma amplificação mecânicà
da elongação, ?-ntes da amplificação ótica. Devido à instabilidade a que o sistema
massa-mola fica sujeito, estes instrumentos são classificados como gravímetros
instáveis ou astáticos. A amplificação mecânica permite que a precisão das me-
didas atinja 0,01 mGal.
Dois tipos de gravímetros astáticos são comumente construÍdos: os geodésicos
e os de prospecção. Em geral, os primeiros são um pouco menos sensíveis (0,1
mGal), porém permitem medidas dentro de uma faixa grande de valores (superior
a 5.000 mGal), enquanto os outros são mais sensíveis (0,01 mGal), mas permitem
leituras dentro de uma faixa restrita (60 a 200 mGal).
A mola do sistema elástico é construÍda de fibras de quartzo ou de uma liga
152 Método Gravimétrico

Figura 3.19: Princípio de funcionamentodos gravímetros astáticos.

metálica normalmente composta por níquel e ferro (elinvar). Há gravÍmetros em


que um gás substitui a mola no sistema elástico.
Os gravÍmetros são sensíveis a influências externas tais como: temperatura,
pressão, vibrações provocadas por ondas sísmicas e, em se tratando de gravÍmetros
com mola metálica, campos magnéticos. As ondas sísmicas produzem vibrações
na mola, semelhantes à vibração observada nos detetores sísmicos (o gravÍmetro
tem o comportamento de um detetor sísmico vertical de longo período ou baixa
freqüência). Enquanto as ondas sísmicas estiverem chegando ao gravÍmetro é
impossível medir-se o valor da gravidade.
Os efeitos de temperatura e pressão são eliminados através de compensado-
res acoplados ao sistema elástico. O efeito magnético é eliminado por meio de
blindagem.

Os gravÍmetros astáticos mais empregados nos levantamentos gravimétricos


para prospecção são o Worden (Fig. 3.21), fabricado pela companhia Texas Ins-
truments Inc. e o LaCoste & Romberg (Fig. 3.23), fabricado por LaCoste &
Romberg Gravity Meters, Inc.

3.8.3.1 GravÍmetro Worden

O gravÍmetro Worden foi desenvolvido por volta de 1948 (Telford et alo 1976).
As características dos primeiros modelos vêm sendo modificadas ao longo do tem-
po. As dimensões e peso (inferior a 5 kg) atuais o tornam bastante portátil,
permitindo operações de campo relativamente rápidas.
O elemento elástico neste gravÍmetro é de quartzo e a massa pesa cerca de 5
mg. Os efeitos externos da temperatura e pressão são evitados, pois o elemento
3.8 Instrumental 153

sensitivo do gravímetro é colocado em um recipiente termo-isolante e selado a


vácuo. O elemento sensitivo tem ainda acoplado um compensador térmico au-
tomático, para melhor eliminar os efeitos de temperatura.
A figura 3.20 ilustra o princípio de funcionamento do gravímetro Worden. A
atração exercida na massa M provoca um desequilíbrio no sistema, fazendo girar
a barra B no sentido anti-horário, deslocando a haste de referência H. Girando
os parafusos de ajuste que estão ligados à mola, é possível trazer-se a haste até a
posição vertical, que é determinada observando-se pelo microscópio a posição de
um feixe luminoso, relativa a uma marca de referência. A quantidade de voltas
dadas nos parafusos de ajuste é uma medida da variação da gravidade.

PARAFUSOS

iDE AJUSTE \ llCROSCÓPIO

'@&'/á"l/W////&'/ú'L//1ff////P0J1 ~ V//i'/////////L///
~

Figura 3.20: Princípio de funcionamentodo gravímetro Worden.

Diversos modelos de gravímetros Worden podem ser encontrados no mercado,


cada um deles com sensibilidade e escala de medidas adaptadas a um determi-
nado objetivo., O modelo Master (Fig. 3.21), por exemplo, recomendado para a
prospecção, tem sensibilidade nominal de 0,01 mGal e uma escala que permite
medidas numa faixa mínima de variação de cerca de 200 mGal. Esta faixa po-
de ser ampliada para medir variações de cerca de 5200 mGal, com o uso de um
dispositivo especial de ajuste (dispositivo de reset).

3.8.3.2 GravÍmetro LaCoste & Romberg

Este tipo de gravímetro é também portátil, embora seu peso seja aproximada-
154 Método Gravimétrico

mente uma vez e meia superior ao do Worden. A operação de campo também não
é tão rápida quanto a realizada com o gravímetro Worden, pois é necessário trans-
portá-Io juntamente com uma bateria externa, empregada para fornecer energia
ao sistema que mantém constante a temperatura do elemento sensitivo.

Figura 3.21: GravÍmetro Worden (fabricadopor Texas Instruments Inc. - foto de José
Gouvêa Luiz).

Os primeiros modelos do gravímetro LaCoste & Romberg foram desenvolvidos


a partir de 1934 (Telford et aI. 1976), com uma inovação: o sistema da mola de
comprimento zero (zero-length spring). Com esse tipo de sistema, a elongação da
mola causada por variação na gravidade pode ser proporcionalmente balanceada
por uma tensão aplicada à mola. A maioria dos gravímetros modernos, inclusive
o Worden, utiliza esse sistema.
O princípio de funcionamento do gravímetro LaCoste & Romberg é ilustrado
na figura 3.22. A massa M, presa à extremidade da barra B, é mantida em posição
de equilíbrio com a barra na posição horizontal. Qualquer variação na gravidade
provoca, na barra, uma rotação descrita pelo ângulo (), modificando o ângulo
entre esta e a mola (ao ~ aI) e, conseqüentemente, os momentos em relação
ao pivô P. A variação dos momentos causa instabilidade no sistemà, resultando
3.9 Técnicas de Levantamento 155

Figura 3.22: Princípio de funcionamentodo gravímetro LaCoste & Romberg.

numa magnificação do incremento da gravidade. A barra pode ser trazida à


posição horizontal por um parafuso ligado à mola. A variação da gravidade é
obtida calibrando-se o número de voltas dadas no parafuso, necessário para trazer
a barra à posição horizontal.

A figura 3.23 mostra um gravímetro LaCoste & Romberg, modelo G, pronto


para operação no campo. Este modelo tem precisão de 0,01 mGal e permite medir
variações da gravidade dentro de uma faixa superior a 7000 mGal.

3.9 TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO


Os levantamentos gravimétricos são realizados em diversas escalas, dependen-
do do objetivo do trabalho. Nos trabalhos voltados para a tectônica global, as
escalas variam"normalmente entre 1:500.000 e 1:2.500.000; nestas escalas, as medi-
das são realizadas a intervalos de 5.000 a 50.000 m. Na prospecção de petróleo são
comuns escalas entre 1:100.000 e 1:200.000, com medidas a cada 1.000 ou 5.000 m.
Na prospecção de corpos de minério empregam-se escalas entre 1:1.000 e 1:25.000
e as medidas são freqüentemente tomadas com espaçamento de 20 a 200 m.
As medidas gravimétricas são mais comumente realizadas na superfície ter-
restre e com o auxílio de embarcações. Menos comuns são as medidas em poços.
Medidas gravimétricas aéreas vêm sendo objeto de pesquisa (Hammer 1983) e
os resultados alcançados até o momento têm sido bastante contestados (Herring
1984; Pearson 1984; Steenland 1984).
156 Método Gravimétrico

Figura 3.23: GravÍmetro LaCoste & Romberg,modelo G (cortesia de LaCoste & Rom-
berg Gravity Meters, Inc.).

Durante as medidas, os gravímetros devem ser nivelados, para obter-se a com-


ponente vertical da gravidade. Este procedimento requer instrumentos dotados
de dispositivos especiais, para as medidas realizadas em áreas cobertas por água
e no ar.

3.9.1 LEVANTAMENTOS TERRESTRES

Os levantamentos de reconhecimento ou de larga escala são comumente rea-


lizados ao longo de estradas, caminhos ou na margem dos rios que cortam a área
de trabalho. As medidas são também realizadas ao longo das linhas abertas, em
geral, para os levantamentos sísmicos.,
Nas escalas de detalhe, empregadas na prospecção de minérios, os levantamen-
tos gravimétricos são geralmente realizados somente em alguns dos perfis abertos
na área, com a finalidade de confirmarem-se as anomalias evidenciadas por outros
métodos geofísicos.
Antes do início de um levantamento deve-se escolher uma estação base, que
servirá de referência para as outras medidas da área. A estação base deve ser
3.9 Técnicas de Levantamento 15~

escolhida em um lugar onde o terreno esteja isento de vibrações. O vento, as


árvores e o tráfego das estradas são alguns dos elementos que provocam vibrações
no solo.

A coleta de dados gravimétricos consiste em realizar-se uma medida na estação


base, no início de cada dia de trabalho, tomando-se o cuidado de anotar a hora em
que a medida foi realizada; a seguir, são efetuadas medidas nas demais estações,
registrando-se sempre a hora de cada medida. Ao final de 2 a 3 horas de trabalho,
a estação base deve ser reocupada, a fim de que se tenha o controle da variação
instrumental. Quando as estações a serem medidas encontram-se muito distantes
da estação base, é necessário definir uma nova estação base. Esta nova estação
deve ter o seu valor de gravidade relacionado ao da estação base inicial. Poderão
ser definidas tantas estações base, quantas forem necessárias para cobrir toda a
área do levantamento e todas elas devem ter seus valores de gravidade relacionados
ao valor da estação base inicial.
Durante as medidas, o gravímetro é colocado ao nível do solo, sobre um
suporte que facilita o seu nivelamento (Fig. 3.24). Em planos inclinados (encostas
de serras), o suporte é montado sobre um tripé, 'para facilitar a sua colocação na
posição horizontal e a sua altura anotada, para permitir a correção ar-livre.

Figura 3.24: Gravímetro em operação (foto de José Fernando Pina Assis).


158 Método GravÍmétrico

o rendimento médio diário, nos levantamentos de detalhe, é de 60 estações


espaçadas de 50 m ou 100 estações espaçadas de 10 m, com caminhamento a pé,
ao longo de picadas abertas na floresta. Nos levantamentos de larga escala, ao
longo de estradas, com o deslocamento realizado em veículo automotor, pode-se
medir, por dia, cerca de 30 estações espaçadas de 5 km.
o levantamento gravimétrico terrestre deve ser acompanhado de levantamento
aItimétrico, que possibilitará a redução dos dados (correções ar-livre, Bouguer e
topográfica). Nos levantamentos de reconhecimento ou para determinação de
estruturas de larga escala, é suficiente determinar a cota dos pontos com precisão
de 0,5 a 1 m (erros de 0,1 a 0,3 mGal); neste caso, o uso de altímetros fornece
bons resultados. As medidas para prospecção de minérios exigem um erro menor
do que 5 cm (que corre~ponde a erros de 0,02 mGal), somente obtido com o uso
de teodolitos.

3.9.2 LEVANTAMENTOS MARINHOS

Em áreas cobertas por água, as medidas de gravidade podem ser realizadas


no fundo ou na superfície das águas. Os levantamentos em que o gravímetro desce
até o fundo das águas são muito mais lentos do que aqueles em que o gravímetro
permanece na superfície. As medidas realizadas no fundo são, contudo, cerca de
10 vezes mais precisas do que as realizadas na superfície.
As maiores dificuldades encontradas durante esses levantamentos são: a loca-
lização das estações e a estabilização dos gravímetros num ambiente de ondas e
correntes marítimas. Em geral, a localização das estações é feita através de siste-
mas de radioposicionamento em visibilidade direta (como Loran, Lorac e Raydist)
e de 10llgOalcançe (Shoran) ou sistemas de posicionamento por meio de satélites
(item 2.4.2.3). A estabilização é conseguida com o emprego de plataformas espe-
ciais e sistemas de amortecimento na unidade de medida dos instrumentos.

3.9.2.1 Medidas no Fundo das Águas

Os gravímetros utilizados em medidas no fundo das águas têm a sua unidade


de medida encapsulada em um recipiente pressurizado, à prova-d'água (Fig. 3.25).
Em cada estação, a embarcação estaciona e a unidade de medida é descida
até o fu.ndo, nivelada automaticamente por um servo-motor e, após a medida, re-
colhida de volta com o aUXI1iode um guincho, afastado da embarcação o suficiente
para não tocá-Ia. O valor medido da gravidade é transmitido por controle remoto
para a embarcação, onde é registrado.

Os gravímetros usados neste tipo de operação podem descer a profundida-


des superiores a 800 m. Em águas profundas, a operação é muito lenta, com
3.9 Técnicas de Levantamento 159

rendimento médio de cerca de 6 a 8 estações por dia. Em águas rasas (profundi-


dades inferiores a 30 m), a operação é somente um pouco mais lenta do que nos
levantamentos terrestres.

Figura 3.25: GravÍmetro para medidas no fundo das águas (cortesia de LaCoste &
Romberg Gravity Meters, Inc.).

A precisão das medidas realizadas no fundo é de cerca de 0,1 mGal, sob boas
condições. O principal fator que limita a precisão das medidas é o movimento do
material do fundo, provocado pelas ondas. Quanto menos compacto for o material
do fundo, maior será o efeito do movimento e menor será a precisão das medidas.
A profundidade da água em cada ponto de medida, necessária para a redução
dos dados, é determinada através de medidores de pressão instalados na unidade
submersível do equipamento. Essa redução é feita através da redução de Prey,
representada na expressão (3.55).

3.9.2.2 Medidas na Superfície das Águas

Para medidas de gravidade na superfície das águas, os gravímetros devem ser


montados sobre uma plataforma estabilizadora, a fim de que o.efeito do balanço
160 Método Gravimétríco

da embarcação seja minimizado. Este efeito pode causar acelerações superiores a


100.000 mGal.

Durante o levantamento, a embarcação permp.-neceem movimento ao longo de


uma linha, enquanto os valores da gravidade são continuamente registrados sob a
forma digital em fita ou disco magnético e/ou analógica, em papel, fita ou disco
magnético. Como as medidas são realizadas continuamente, sem necessidade da
embarcação estacionar no momento da medida, o levantamento desenvolve-se com
muito mais rapidez do que se as medidas fossem tomadas no fundo das águas.
As medidas de gravidade, realizadas com instrumentos montados sobre plata-
formas que se movimentam, são afetadas por uma aceleração adicional à aceleração
centrífuga da Terra. Esta aceleração, conhecida como efeito Eotvos, é dada por
aE = 7,503 V cosq>sena + 0,004154 V2 mGal (3.65)
sendo V a velocidade da plataforma (ou da embarcação) em nós (1 nó = 1,85
km/h), q>a latitude e a o azimute do curso da plataforma durante as medidas.
Para velocidades de até 10 nós, que é a velocidade comumente usada nos levan-
tamentos, pode-se ignorar, na equação (3.65), o termo que contém o quadrado
da velocidade. Neste caso, se a plataforma navega na direção norte-sul (a = O),
o efeito Eõtvõs é nulo. O efeito é adicionado à aceleração centrífuga devida à
rotação da Terra, quando o curso é de oeste para leste (sentido de rotação da
Terra) e subtraído, quando o curso é de leste para oeste.
Sumarizando, o efeito Eõtvõs, nos levantamentos gravimétricos marinhos, so-
bre a superfície das águas, é corrigido usando-se a equação (3.65) sem o termo
quadrático. A correção é negativ~ nos levantamentos realizados no sentido oeste-
leste e positiva no sentido opostv.

A correção será tanto mais satisfatória, quanto mais precisa for a determinação
da velocidade da plataforma e o seu rumo. Para se obter a precisão de 1 mGal
na correção do efeito Eõtvõs, é necessário determinar a velocidade e o rumo com
erro em volta de 0,1 nó e 1 grau, respectivamente.
Nas medidas gravimétricas na superfície das águas, o erro quase nunca é
inferior a 1 mGal. A agitação das águas contribui para a diminuição da precisão
das medidas. Quando a agitação das águas é muito grande, é recomendada a
suspensão do levantamento.
A figura 3.26 mostra um gravímetro Lacoste & Romberg instalado em plata-
forma (à direita, na figura), para uso em medidas de gravidade sobre as águas.

3.9.3 LEVANTAMENTOS AÉREOS


Os mesmos problemas dos levantamentos realizados na superfície das águas
são encontrados nos levantamentos aéreos. O efeito do balanço da aeronave é
minimizado com o uso de plataformas estabilizadoras. O efeito Eõtvõs é muito
3.9 Técnicas de Levantamento 161

mais intenso, pois a velocidade de navegação (em volta de 200 nós) é bem maior.
Adicionalmente, variações na altura de vôo produzem efeitos que necessitam ser
corrigidos.

Figura 3.26: Gravímetro para medidas marinhas na superfíciedas águas e para medidas
aéreas (cortesia de LaCoste & Romberg Gravity Meters, rnc.).

A correção do efeito Eôtvôs é calculada a partir da expressão (3.65), sem


ignorar-se o termo quadrático, porque a velocidade é elevada. A precisão desta
correção é, entretanto, inferior à obtida nos levantamentos sobre a superfície das
águas, pois as variações da velocidade e do curso de navegação são muito rápidas
e podem não ser registradas.
o erro nas medidas quase nunca é inferior a 10 mGal, o que torna os le-
vantamentos aéreos inadequados para a prospecção mineral. Com esta precisão,
as medidas aéreas da gravidade somente poderão fornecer bons resultados em
levantamentos de escala global ou em reconhecimentos na prospecção de petróleo.
162 Método GravÍmétrico

3.10 TRATAMENTO DOS DADOS


A primeira etapa do tratamento de dados gravimétricos consiste na aplicação
das correções descritas nos itens 3.4.1 a 3.4.7, com a obtenção da anomalia Bouguer
(item 3.5).

Por outro lado, como as medidas de gravidade realizadas nos trabalhos de


prospecção podem refletir o somatório do efeito produzido por mais de uma fonte
(falhas, arqueamentos, intrusões, irregularidades na superfície do embasamento,
corpos mineralizados, afloramentos e variações na espessura de camada de intem-
perismo, por exemplo), antes de se interpretarem os dados gravimétricos deve-se
eliminar os efeitos das fontes indesejáveis.

As pequenas heterogeneidades no terreno, que ocorrem prmumo à su-


perfície (afloramentos, compactação diferencial, variações na espessura da ca-
mada de intemperismo), fazem com que os valores medidos oscilem muito mais
freqüentemente do que os valores produzidos por heterogeneidades maiores e mais
profundas (Fig. 3.27). É dito, então, que os primeiro~ produzem efeitos com altas
freqüências em relação aos efeitos dos demais. A freqüência de oscilação é aqui
quantificada em ciclos por metro (freqüência espacial), já que as oscilações são
observadas ao longo de uma linha de medidas. Quanto maior e mais profunda a
fonte, menor será a freqüência espacial a ela associada.

Aplicando as técnicas de separação de sinais de freqüência diferente (filtragem


- item 2.4.5.3), é possível separar-se, em parte, o ~feito das fontes indesejáveis, a
fim de que se possa interpretar somente as fontes procuradas nos levantamentos.

AL TAS FREQUENCIAS

0,4
õo- (\ j
E
0,2

HETEROGENEIDADES
SUPERFICIAIS

CORPO
MINÉRIOS DE ~p ~

Figura 3.27: Representação esquemática dos efeitos de um corpo mineralizado e de


pequenas heterogeneidades localizadas próximas à superfície dos terrenos ..
3.10 Tratamento dos Dados 163

A figura 3.28 ilustra esquematicamente a situação em que o efeito de um corpo


mineralizado de elevada densidade (sulfetos maciços, por exemplo) é superposto
ao efeito de uma estrutura profunda. (]) corpo menor produz um arqueamen-
to localizado no centro do perfil de medidas, enquanto a estrutura profunda é
responsável pelo declive do perfil. Os valores associados à estrutura profunda
constitui o que é denominado de regional. Assim, se o levantamento é dirigido
para o corpo mineralizado, há necessidade de se eliminar o regional. A remoção
do regional, consiste em filtrar as freqüências associadas à estrutura profunda
(freqüências mais baixas), deixando somente as freqüências relacionadas ao efeito
do corpo mineralizado. Os valores resultantes da filtragem constituem o que é
denominado de residual.

O processo de filtragem de dados gravimétricos iniciou com técnicas pura-


mente visuais e manuais, foi melhorado com a introdução de técnicas gráficas
e finalmente tornou-se sofisticado e mais objetivo com a introdução de técnicas
numéricas e conceitos estatísticos. Algumas técnicas numéricas estão descritas no
Apêndice C, no final deste volume.

o ••......•
<.!)2
E

• ....-.:.-- CORPO
MINERALIZADO (\73)

ri
P2
+ + ESTRUTURA

+ /PROFUNDA
+ + +
+ + + + +
+ + + + +

Figura 3.28: Representação esquemática dos efeitos de um corpo mineralizado e uma


estrutura profunda.
164 Método Gravimétrico

3.11 INTERPRETAÇAO
Os dados gravimétricos podem fornecer infqrmações sobre diversos tipos de
estruturas geológicas (por exemplo, falhas, dobras, lineações e domos), bem como
de corpos mineralizados. Em certos casos, é possível estimar-se com precisão a
profundidade, as dimensões e o mergulho das fontes de anomalias.
As anomalias gravimétricas são provocadas por contrastes laterais de densi-
dade. Por isso, uma camada de elevada densidade localizada em subsuperfície
entre duas de menor densidade, todas elas horizontais, não provocará anomalias
em medidas realizadas na superfície; as três camadas mostrarão o efeito produzi-
do por uma única camada de densidade média. Contrastes laterais de 0,1 a 0,2
gj cm3 são suficientes para produzir anomalias detetáveis pelos gravímetros.
De um modo geral, as anomalias delimitadas por contornos isogálicos alon-
gados crescentes e com variação do gradiente horizontal (contornos crescentes
largamente espaçados, passando a bem menos espaçados e voltanto a largamente
espaçados) estão comumente relacionadas a falhas. As anomalias caracterizadas
por contornos fechados aproximadamente simétricos podem ser devidas a maciços
de rochas intrusivas, enquanto os contornos fechados alongados podem estar rela-
cionados a eixos de dobramentos ou a intrusões discordantes do tipo dique.
Durante a interpretação dos dados, deve-se sempre ter em mente que os va-
lores medidos correspondem a um somatório dos efeitos produzidos por diversas
fontes da subsuperfície. Embora seja possível separar-se parcialmente o efeito de
algumas das fontes presentes através da filtragem (como o efeito das que causam o
regional ou das que causam as oscilações de alta freqüência - item 3.10), existem
efeitos que são impossíveis de serem parcial ou totalmente separados, pois suas
freqüências se superpõem.

Além da superposição de efeitos, existe o problema da ambigüidade (ou não


unicidade entre anomalias e suas fontes), isto é, diversas distribuições de massa em
subsuperfície produzem o mesmo tipo de anomalia (item 2.5.1.1.1). Este problema
é ilustrado na figura 3.29: o perfil gravimétrico pode ser explicado por qualquer
uma das configuraçõ~s da superfície do embasamento representada, bem como
pela intrusão básica no xisto coberta por rochas sedimentares.

A ambigüidade não é uma característica específica do Método Gravimétrico,


mas ocorre em todos os métodos geofísicos (Roy 1962). Teoricamente, a am-
bigüidade gravimétrica desaparece em cada um dos seguintes casos: (a) a variação
de densidade é limitada a um plano de profundidade conhecida (estruturas pla-
nares); (b) o contraste de densidade é constante e a forma que limita o contraste
é conhecida; (c) o contraste de densidade é constante e ocorre ao longo de uma
superfície (anomalias produzidas pelo relevo do embasamento), cuja profundidade
é conhecida em pelo menos um ponto (Roy 1962). Mesmo em situações como as
descritas em (a), (b) ou (c), na prática ainda existe ambigüidade produzida por:
ruído, suposição de modelo errado, intervalo inadequado entre as medidas e com-
3.11 Interpretação 165

PERFIL GRAVIMÉTRICO

(o)

W T T
ESCALA
Wkm

o
8 ,:,t;

n~, 4
212
10
14

o
ARENITOS E FOLHELHOS

(c) 4
E
,:,t;

8
INTRUSIVA
BÁSICA fJ: 2,9

Figura 3.29: Ambigüidade na interpretação gravimétrica: (a) anomalia gravimétrica;


(b) configurações da superfície do embasamento para explicar o perfil gravimétrico (o
contraste de densidade é 0,23 g/cm3); (c) modelo alternativo. Adaptado de Skeels (1947).
166 Método GravimétrÍCo

primento insuficiente dos perfis de medida. Um outro fator de extrema influência


na ambigüidade é a dificuldade de se escolher o nível de referência correto para
as medidas realizadas nas áreas de pequena extensão, comuns na prospecção de
minérios.

Na prática, a ambigüidade é minimizada usando-se informações adicionais


fornecidas pelos dados geológicos e de outros métodos geofísicos (item 2.5.1.1.1).

É comum iniciar-se a análise quantitativa dos dados com modelos estabeleci-


dos exclusivamente a partir de dados geológicos e modificá-Ios à medida que os
dados gravimétricos indiquem essa necessidade.

Observando os mapas de contornos de isovalores gravimétricos (isogálicas),


representados pelos mapas de anomalia Bouguer ou pelos mapas residuais, é
possível determinar-se a dimensionalidade do modelo (2D ou 3D). Os contor-
nos arredondados são característicos de fontes 3D (intrusões, domos, corpos de
minério), enquanto os contornos alongados em uma direção indicam fontes 2D
(falhas, diques, corpos mineralizados tabulares).
A interpretação quantitativa dos dados gravimétricos comumente envolve as
etapas seguintes.
(1) Estabelecimento de um modelo para as fontes de anomalias (item 2.4.6.2).

(lI) Cálculo da resposta do modelo.


(llI) Comparação entre a resposta do modelo e os dados medidos no campo.
Havendo ajuste (dentro de uma certa precisão) entre os valores calculados e os
medidos, considera-se que o modelo representa uma distribuição possível de den-
sidade na subsuperfície, dentre inúmeras outras, que produziriam resposta com
ajuste satisfatório aos dados observados; no caso de discrepãncia, o modelo é
modificado e novos cálculos e comparações são feitas.

A modificação do modelo ou dos parâmetros que o definem (profundidade,


dimensões, mergulho, localização e contraste de densidade) pode ser feito por
meio dos métodos direto ou inverso (item 2.4.6.2). No primeiro caso, o intérprete
participa diretament~ de todas as etapas, modificando o modelo e comparando
a sua resposta com os dados medidos. No método inverso, sao usados critérios
matemáticos de minimização e o processo é automatizado em computador digi-
tal; o intérprete necessita apenas fornecer à máquina um modelo inicial, os dados
medidos e vínculos (limites) para os parâmetros a serem estimados. Os vínculos
servem para prevenir resultados fisicamente absurdos, como profundidades e lar-
guras negativas.
Em qualquer um dos casos, quanto mais próximo da distribuição real de densi-
dades na subsuperfície for o modelo inicial, mais rápido será o processo automático
e mais econômica tornar-se-á a interpretação, uma vez que será consumido um
tempo menor de computação.
3.11 Interpretação 167

o leitor interessado no processo de inversão pode consultar Bevington (1969),


Brent (1973), Lawson & Hanson (1974), Beck & Amold (1977) e Cassinis (1981).
Na ausência de computador ou cal~uladora para auxiliar na interpretaçã.o
(em geral, quando se está ainda no campo),' ou quando se deseja um bom modelo
inicial no processo de inversão, é comum empregarem-se curvas características
(método comparativo - item 2.4.6.2). Estes ábacos permitem que se estimem os
parãmetros de um modelo a partir de elementos retirados da curva da anomalia
obtida no campo (por exemplo, amplitude e largura da zona anômala ou gradientes
da curva).
Os primeiros modelos usados na interpretação representavam apenas fontes
isoladas de anomalias e eram formas geométricas simétricas (esfera, cilindro ou
prisma). Atualmente, modelos complexos, que envolvem a interação de mais de
uma fonte e formas assimétricas, estão substituindo os modelos simples.
Em muitos casos, as fontes que requerem modelos complexos, só podem
ser adequadamente representadas por métodos estatísticos. Nessas situações, os
parâmetros que definem o modelo são tratados em termos probabilisticos de média
e desvio padrão.

3.11.1 ATRAÇAO DE CORPOS DE FORMAS SIMPLES

A forma geométrica das fontes de anomalias gravimétricas não é, como regra


geral, simétrica e regular. Em certas situações, entretanto, é possível aproximar
as fontes por formas simples como a de uma esfera, de um cilindro ou de um
prisma. A aproximação será tanto mais precisa, quanto mais distante da fonte
forem realizadas as medidas.

O uso de modelos de forma geométrica simples, simétrica, é justificado pela


facilidade, que esses modelos possibilitam, no desenvolvimento de expressões ma-
temáticas para o cálculo da sua resposta gravimétrica e, também, porque pequenas
irregularidades nas fontes não causam perturbações significativas no campo gra-
vimétrico. Quando as formas são muito complexas, a resposta gravimétrica não
pode ser expressa analiticamente, mas poderá ser obtida por meio de métodos
numéricos aproximativos ou tratamento estatístico.

A resposta gravimétrica que se d~seja obter é a atração que os corpos, repre-


sentados pelos modelos, exerce sobre a massa localizada no sistema sensitivo dos
instrumentos. Como os gravÍmetros são desenhados para medir a componente ver-
tical do campo gravitacional, esta será a componente da atração que interessará
calcular.

Em prospecção, somente são importantes as medidas relativas da gravidade.


Nesses levantamentos, os dados interessantes são aqueles discrepantes em relação a
um grupo de valores constantes, que é denominado de zero relativo ou nível de base
(a amplitude das anomalias assume valores relativos a esse nível de base). Uma
168 Método Gravimétrico

anomalia deverá então ser produzida sempre que houver uma variação lateral da
densidade na subsuperfície. Por isso, apenas a variação da densidade ou contraste
de densidade (densidade da fonte menos a densidade do material que a envolve)
deve ser levado em consideração, no cálculo da atração dos corpos.
Para se deduzir a expressão matemática da atração, o caminho normal é
calcular a função potencial, a partir das equações de Laplace e Poisson com as
devidas condições de contorno, e derivar o potencial em relação à direção vertical.
Alternativamente, a expressão da atração pode ser deduzi da diretamente, a partir
da equação (3.2).

3.11.1.1 Esfera

Seja uma esfera homogênea (densidade constante) de raio a e contraste de


densidade com o meio, p, cujo centro está localizado à profundidade z, abaixo da
superfície terrestre (Fig. 3.30). O potencial produzido pela esfera em um ponto P
da superfície terrestre pode ser calculado a partir da equação de Laplace (3.15).

9z (mGall

gmox----------

gmox-----
--r
NíVEL DE
x BASE
I
o

Figura 3.30: Atração produzida por uma esfera.

A simetria esférica da fonte indica, para facilitar os cálculos, o uso de coorde-


nadas esféricas (Apêndice A). Mantendo contantes duas dessas coordenadas e
variando a terceira, observa-se que o valor do potencial produzido pela esfera so-
mente se altera quando a coordenada r, que representa a distância ao seu centro,
é a que varia. Por isso, toma-se a equação de Laplace com dependência somente
3.11 Interpretação 169

de r. Deste modo,

r2 dr . dr = (3.66)
\l2Ue = ~~(r2dUe) O

em que o subscrito e significa externo.

Resolvendo a equação (3.66), obtém-se:

C1
Ue = --+C2 (3.67)
r

sendo C1 e C2 constantes a serem determinadas pelos valores do potencial em


pontos especiais (condições de contorno do problema), a seguir descritos.

(a) O valor do potencial decresce à medida que aumenta a distância a partir


da fonte. Para distâncias infinitamente grandes, o potencial externo deve ser nulo:
Ue -* O, se r -* 00.

(b) O potencial interno à esfera Ui deve assumir um valor finito no centro da


esfera: Ui = finito, para r = O.

(c) O valor do potencial interno deve ser igual ao do externo na superfície da


esfera: Ui = Ue, para r = a. Esta é a condição de continuidade do potencial.

(d) O valor do gradiente do potencial


potencial externo na superfície da esfera:
continuidade do campo.
*
interno deve ser igual ao gradiente do
= *-,
quando r = a. Condição de

Usando a condição (a) na equação (3.67), obtém-se C2 = O. A constante C1


somente pode ser determinada utilizando-se a equação de Poisson (3.18), que o
potencial interno deve satisfazer, porque existe massa dentro da esfera:

\l 2 Ui = r2 dr = 4rrGp (3.68)
1 drd ( r 2 dUi)
cuja solução é
2 2 C3
Ui = -rrGpr
3
- -
r
+ C4 (3.69)

A condição (b) implica em que C3 = O, enquanto o uso das condições (c) e


(d) permite que se encontre

4 3
C1 = 3rrGpa (3.70)

cuja substituição na equação (3.67) fornece

Ue = _ 4rrGp
3r
a3 (3.71)
170 Método Gravimétrico

A atração total é o gradiente desta expressão:

dUe 41rGpa3
dr 3 r2
(3.72)

o valor de r, calculado
a partir do triângulo OCP da figura 3.30, é vx2 + z2,
logo a equação (3.71) pode ser reescrita como

Ue =_ 41rGp a3 (3.73)
3vx2+z2

o módulo da componente vertical do campo gravitacional pode, então, ser


obtido, derivando-se o potencial em relação à z:

(3.74)

Comparando a equação (3.72) com a equação (3.2), conclui-se que a atração


da esfera é a mesma prevista pela lei de Newton para massas puntuais. Por isso,
pode-se, também, calcular a atração da esfera usando-se a equação (3.2), isto é,
m m
g=G-=G--
r2 x2 + z2
(3.75)

cuja componente vertical é


m cosO
gz = 9 cosO = GX 2 + z 2 (3.76)

Substituindo cosO = zjvx2 + z2 (Fig. 3.30) e a massa da esfera m = 4?ra3p j 3


na equação (3.76), obtém-se o resultado apresentado em (3.74).
Variando o valor de x em (3.74), obtém-se a atração exercida pela esfera em
pontos de um perfil de medidas, que passa pela projeção do centro da esfera na
superfície do terreno (Fig. 3.30). A atração em pontos de perfis adjacentes pode
ser obtida com r = Jx2 + y2 + z2.
A profundidade do centro da esfera pode ser estimada pela relação

z = 1,305 Xl/2 (3.77)

sendo Xl/2 o valor de x que corresponde à metade do valor máximo de gz, medido
no perfil que passa pela projeção do centro da esfera na superfície do terreno
(Fig.3.30).
A esfera é um modelo que tem sido comumente usado para representar feições
geológicas 3D, em que as dimensões horizontais são bem inferiores à profundidade,
como domos salinos (2.32), intrusões e alguns corpos de minério.
3.11 Interpretação 171

3.11.1.2 Cilindro Horizontal

Seja um cilindro horizontal homogêneó de comprimento 2 L e raio a, cujo eixo


está localizado a uma profundidade z abaixo da superfície (Fig. 3.31). O sistema
de coordenadas é eleito de modo que o eixo y coincida com a projeção do eixo do
cilindro na superfície do terreno. O objetivo é calcular a atração exercida pelo
cilindro em pontos da superfície do terreno, situados em um perfil que coincida
com o eixo x, tal que o plano x-z seccione o cilindro em dois cilindros idênticos
(Fig.3.31b ).

( a) ( b)

o
E T
x Y Iz

r1 [] II
I
I

de/I ~
L L
z

(e)

x
1

I
'-.<e
"g I
Iz

'o
gz't.--5" s®c

Figura 3.31: Atração de um cilindrohorizontal: (a) vista tridimensional; (b) vista lateral
(projeção no plano y-z); (c) vista frontal (projeção no plano x-z).

Pode ser demonstrado que a atração de um cilindro horizontal homogêneo é a


mesma que seria obtida se a sua massa estivesse concentrada no seu eixo. Assim,
o cálculo dessa atração será desenvolvido a partir da lei de Newton (3.2) e será
apresentado em etapas, para melhor entendimento.

(a) Calcular a contribuição dg, para o valor de g, de um elemento de massa


172 Método Gravimétrico

dm = 1razp di, ou seja,


(3.78)

A figura 3.31a mostra que a distância do centro do cilindro C ao ponto P,


onde se deseja calcular a atração, é s = r cos qi e a distância do centro do cilindro
ao elemento de massa dm é i = s tgqi. Logo: r = s/ cos qi e di = s seczqi dqi.
Substituindo o valor de r e di na equação (3.78) e usando a identidade sec qi =
1/ cos qi, obtém-se
dg = 1rGpa2 dqi
s (3.79)

(b) Projetar dg no plano x-z, sobre o segmento s:

1rGpa2
dgs = dg cos qi = ---cos
s
qi d~ (3.80)

(c) Integrar a projeção dgs, para obter gs, ao longo do segmento s:

gs = --- cos qi dqi = --- ---;:::;==::;: (3.81)


G1ra2p
s ltg-1(L/S)
tg-1(-L/s) 21rGS a2p ..Js2 L+ L2

(d) Calcular a componente vertical de g (vide Fig.3.31c)

21rG a2pL z
gz = gs cos () = 2 -~..='===
S ..Js2 + L2

= 21rG a2 pL _z _ (3.82)
(x2 + z2)..Jx2 + z2 + L2
pois s2 = x2 + Z2.
Quando o comprimento do cilindro, que é um modelo 3D, é maior ou igual a
vinte vezes a profundidade do seu eixo, ele pode ser considerado infinito e passa
a ser um modelo 2D. Nesse caso, L2 > > x2 + z2 e a atração do cilindro torna-se
2 Z
gz = 21rG a p 2 (3.83)
X + z2

A profundidade do eixo do cilindro infinito pode ser estimada por

z = Xl/2 (3.84)

sendo xl/2 o valor de x correspondente à metade do valor máximo de gz, medido


em um perfil perpendicular ao eixo do cilindro (Fig. 3.31c).
O cilindro horizontal infinito pode ser usado para modelar estruturas
geológicas 2D, como os anticlinais.
3.11 Interpretação 173

3.11.1.3 Cilindro Vertical Semi-infinito

Um cilindro vertical pode ser considerado semi-infinito, quando o seu compri-


mento h for no mínimo igual a 10 vezes a profundidade do seu topo z (h » z).
A expressão da atração que o cilindro vertical semi-infinito homogêneo :exerce
em pontos situados fora do seu eixo não é facilmente derivada. Nabighian (1962)
e Singh (1977) encontraram soluções em forma fechada para este problema, en-
quanto Parasnis (1967) e Telford et aI. (1976) apresentam soluções sob a forma
de séries infinitas. A solução aqui apresentada segue Telford et aI. (1976), mais
adequada ao escopo deste livro.
A atração que o cilindro vertical semi-infinito exerce em pontos de um perfil
de medidas (eixo x), que passa pela projeção do centro do cilindro na superfície do
terreno (Fig. 3.32), será calculada com o aUXIlloda expressão (3.43) da atração
do cilindro vertical finito sobre pontos do seu eixo, da qual foi derivada a correção
Bouguer (item 3.4.3).

o x
t-
II •
X

h»z

I
I
I
Figura 3.32: Atração de um cilindro vertical semi-infinitoem pontos fora do seu eixo.

A premissa h > > z permite que se tome na equação (3.43), Z2 = z e Zl > > a.
Logo,
(3.85)
gz = 21l"GP( Jz2 + a2 - z)

Não só o potencial gravitacional, mas também gz satisfaz à equação de La-


place, por isso, pode ser representado por um somatório infinito de harmônicos ..
Como a atração do cilindro não varia quando r e (j (Fig. 3.32) permanecem
constantes, os harmônicos são uma combinação linear de potências positivas e
174 Método Gravimétrico

negativas de r e polinômios de Legendre (Heiskanen & Moritz 1967):

(3.86)

com Pn( cosO) representando os polinômios de Legendre de grau n e k, Qn e 13n,


constantes, que necessitam ser determinadas.
Como k, Qn e 13n são constantes, seus valores são os mesmos em todos os
pontos onde se deseja calcular a atração, inclusive no ponto sobre o eixo do cilin-
dro, cuja expressão, (3.85), já se conhece. Expandindo (3.85) em série binomial e
comparando-a termo a termo com a (3.86), é possível estabelecerem-se os valores
de k, Qn e 13n' Antes de proceder a expansão, deve-se observar que dois casos
podem ocorrer: z > a e z < a. No primeiro, a expansão será feita em termos de
a / z e no segundo, em termos de z / a.
Quando z > a,

9z = 27rGp - - - + --
16 z5 + ... (3.87)
( 2a2z 8a4
z3 a6 )

Tomando r = z e O = O na expressão (3.86) (condições que definem o pon-


to sobre o eixo do cilindro), comparando-a com a (3.87) e usando Po( cos O)
PI (cos O) = ... = Pn( cos O) = 1, conclui-se que:

k = 27rGp ,
Qn = O n = O, 1, ... , 00
13n =O , n = ímpar
130 = a2/2
132=-a4/8
134 = a6/16

Substituindo esses coeficientes na expressão (3.86), obtém-se:

. (3.88)

No caso de z ::; a, a equação (3.85) torna-se

9z = 27rGpa
(
1- -aZ + -2z2a2 - -8 a4 + --
z4 16z6a6
+ ...
)
(3.89)

De modo análogo, comparando a equação (3.89) com a equação (3.86), após


3.11 Interpretação 175

tomar-se r = z e () = O nesta última, obtém-se:

k = 2rrGpa ,
f3n = O , n= Ô, 1, ... , 00
ao =1
aI = -l/a
a2 = 1/2a2
an = O , n = 3, 5, 7, 9, ...
a4 = -1/8a4
a6 = 1/16a6

A substituição dos coeficientes na equação (3.86) fornece:

(3.90)
9z = 2rrGpa [1 - a~ r PI (cosO) + 2a
~ r2 P2 (cosO) + ... ]

Os exemplos mais comuns de corpos geológicos que podem ser modelados pelo
cilindro vertical semi-infinito, um modelo 3D, são os domas salinos, os necks de
rochas intrusivas e chaminés kimberlíticas.

3.11.1.4 Prismas

Seja um prisma homogêneo com comprimento infinito ao longo de uma das


direções horizontais. A simetria do problema pode ser observada na figura 3.33,
que mostra uma seção perpendicular à face infinita do prisma.

-\-- --~;--
/' I /\ -
61
64~I~p
-
I
/ ~\- x
°111I
Z21
....•.
\
.•..•..• / t r41JI
62/'•..
c:< 'l,/
63
\ \
I'"

Figura 3.33: Atração de um prisma de comprimento infinito.


176 Método Gravimétrico

A sua atração vertical, aqui apresentada sem derivação, é (Telford et al. 1976):

- senacosa [x (04 - 03 - O2 + 8I) - t (84 - (3) ]

(3.91)
- Z2(04 - (2) + ZI(03 - (1) }
sendo:
TI = J zi + (x + ZI cotga) 2
T2 = J z~ + (x + Z2cotga)2
T3 = Jzi + (x - t + zlcotga)2
T4 = J z~ + (x - t + z2cotga)2
81 = arctg[(x + zlcotga)/ZI] ,

03
O2 = arc tg[ (x +
arctg[(x t + zlcotga)/ZI]
- z2cotga) / Z2] , e
84 = arc tg[ (x - t + z2cotga) / Z2]

Quando a = 7r/2 (prisma de faces verticais), a equação (3.91) torna-se

gz _
- 2 [z~
2G p {~ln 2 X2
zl + x2]
+X 2- tln [ZI
z2 + (x
(x t) 2
-- t)2]

- z2 [arc tg ( x ~ t) - arc tg (:2) ]

(3.92)
+ zl [arc tg ( x z~ t) - arc tg (:1) ] }
A expressão da atração vertical de um prisma com extensão em profundidade
infinita (Z2 ~ 00) não pode ser deduzida, pois a sua expressão matemática não
converge para um valor finito.

Para um prisma em que todas as dimensões são finitas (Fig. 3.34), a expressão
da atração vertical toma a forma (Sazhina & Grushinsky 1971):

(3.93)
gz = 2 Gp [a ln (d. d -+ b)
b +b - a)
ln (dd + a -2 z arctg (Zd)]
ab IZ2
Zl

sendo a e as semi-larguras do prisma nas direções x e y, respectivamente, e


b
d = J x2 +
+ z2, o comprimento da sua diagonal. A equação deve ser resolvida
y2
com z = Z2 e z = Zl. A atração vertical do modelo é obtida subtraindo-se do
resultado com Z2, aquele encontrado com Zl.
3.11 Interpretação 177

o
x

ZI
20
Z2

Figura 3.34: Atração de um prisma finito.

o prisma, cujo comprimento ao longo de uma das direções horizontais é in-


finito, pode representar camadas de mergulho forte, diques de grande espessura,
estruturas dos tipos horst e graben e outros modelos 2D.

o prisma com todas as dimensões finitas pode ser usado como modelo de
corpos mineralizados 3D ou de fossas tectônicas.

3.11.1.5 Bloco Tabular Horizontal Semi-infinito e Falha

Seja o bloco tabular horizontal homogêneo, mostrado na figura 3.35, limitado


lateralmente e infinito na direção perpendicular ao plano da figura.

X
elE ~ p

'vI
/
a<::
ZI

Z2

~ --------- ----
Figura 3.35: Atração de um bloco tabular horizontal semi-infinito.

A atração vertical do modelo pode ser obtida, a partir da expressão (3.91) do


prisma de comprimento infinito (Fig. 3.33), fazendo sua largura t bastante grande
(t -7 00) em relação à profundidade do topo Zl. Isto implica em que r3 ~ r 4 -7 00
178 Método Gravimétrico

e ()3 ~ ()4 ~ -'Ir /2. Assim, a equação (3.91) transforma-se em

9z = 2GP[xsen2a ln (~:) - xsena cosa (()1 - ()2)

(3.94)
+ Z2 ('Ir / 2 + ()2) - Zl ('Ir / 2 + ()I) ]

o bloco tabular horizontal semi-infinito pode ser empregado para representar


o efeito gravimétrico produzido por uma falha, que coloca duas camadas de dife-
rente densidade em contato lateral. A atração é calculada por meio da equação
(3.91), com p igual ao contaste de densidade entre as duas camadas.
Geldart et aI. (1966) consideram, entretanto, que este procedimento pode
levar a erros e apresentam um modelo de falha, que resulta da combinação de 2
blocos para representar a capa e a lapa adjacentes ao plano da falha (Fig. 3.36).
A atração vertical para este modelo é

(3.95)
com

Fi = (()i - f3) cotg (()i - f3) -ln sen (()i - f3) ,i = 1,2, 3,4 ,
sendo i a espessura dos blocos e f3 = 'Ir / 2- a.

Figura 3.36: Atração para o modelo de falha.

3.11.2 ATRAÇÃO DE CORPOS DE FORMA IRREGULAR


As fontes de anomalias gravimétricas com comprimento infinito na direção
horizontal, que não podem ser modeladas por formas geométricas simples, têm
3.11 Interpretação 179

a sua seção transversal (perpendicular aos perfis de medida) substituída por um


polígono. O número de lados e os seus comprimentos é estabelecido de modo
a se obter uma representação acurada da fonte, para maior precisão no cálculo
da atração. O polígono é especificado por pares de coordenadas (x,z) dos seus
vértices (Fig. 3.37).
o o, a
.,.j
IE
x
<P,
"-
"-
"
A

C (X2, z21

Figura 3.37: Polígonorepresentando a seção de uma fonte 2D.

De acordo com Hubbert (1948), a atração vertical de um corpo 2D é

(3.96)
gz=2GPfZd()

em que o círculo sobre o símbolo da integral indica que a integração deve ser
tQmada ao longo do contorno fechado do corpo (integral de linha).
No caso do polígono da figura 3.37, seguindo Talwani et aI. (1959), a inte-
gração é feita ao longo dos seus lados. Para o lado BC, por exemplo, tem-se:

(3.97)
lBC
[ z d() = lB
[c aI tg()- tg~l
tg~l tg() d()

sendo

~l = arc tg ( X2
Z2 _- Zl)
Xl

()= arc tg (;:)


X2 - Xl
aI = X2+ Z2---
Zl - Z2
180 Método Gravimétrico

Para um lado qualquer do polígono, o resultado da integração da equação


(3.97) é

, (3.98)

com

A atração vertical do polígono completo será


n
gz = 2Gp L:Zi (3.99)
i=l

sendo n o número de lados do polígono.


As expressões (3.98)e (3.99) são de fácil implementação em computadores,
mesmo nos de pequeno porte (micro-computadores).
Este método de cálculo da atração de corpos de forma irregular é conhecido
como o método de Talwani. Na sua aplicação, a subsuperfície não precisa ser
representada por um único polígono. A figura 3.38 ilustra um exemplo em que
são definidos três polígonos, referentes às unidades geológicas A, B e C.

., Quando as fontes não têm comprimento infinito, é necessário introduzirem-se


correções para os efeitos produzidos pelas suas bordas; nesse caso, a fonte é dita
2,5D (Grant & West -1965;Cady 1977).
A atração de fontes 2D de forma irregular pode também ser calculada através
de métodos gráficos, que consistem em dividir a seção transversal da fonte em
áreas de pequena dimensão e somar o efeito de cada uma dessas áreas elementares.
Estes métodos são implementados com o amalio de redes reticuladas, as quais,
quando superpostas à seção de uma fonte, definem as diminutas áreas (Fig. 3.39).
Esta técnica de cálculo da atração é ilustrada por Hubbert (1948) e Millet Jr.
(1967).
Embora as redes reticuladas tenham sido muito usadas na interpretação de
dados gravimétricos, a partir da década de 60, elas passaram a ser usadas com
muito menos freqüência.
3.11 Interpretação 181

40
..J 20
< o ___ CALCULADO
C> -20 -- OBSERVADO
:::E-40

-8 0+
+++ +
++ +
'++ ® +
li::
10
203110
120km W B' ©
100 E
0-24 ._® .a: Q. -32 + 4~
-40

® SEDIMENTOS DA BACIA: 2,45 g/cm3

® CONGLOMERADOS SINTECTÕNICOS: 2,62 g/cm3

© EMBASAMENTO (CROSTA): 2,80g/cm3

@ MANTO: 3,30 g/cm3

Figura 3.38: Representação da subsuperfície por polígonos e sua atração calculada e


medida. Modelo gravimétrico da Bacia do Tucano Central, Nordeste do Brasil (Milani
1985).

ESTAÇAO
~

]~Z

~
{).e
Qzo( Lle!J.Z

Figura 3.39: Rede reticulada empregada no cálculo da atração vertical de fontes 2D.
S=seção da fonte.
182 Método Gravimétrico

3.11.3 CAMADA EQUIVALENTE


A ambigüidade associada ao Método Gravimétrico (diferentes distribuições
de densidade produzindo efeitos semelhantes) pode ser usada com proveito no
tratamento e interpretação dos dados de gravidade. O processo consiste em subs-
tituir a geometria complexa das fontes de anomalias por uma camada fina (um
plano), cuja distribuição de densidade reproduza os valores gravimétricos obtidos
na superfície do terreno. Esta camada é denominada de camada eqüivalente.
Deve-se observar que a distribuição de densidade da camada eqüivalente não
tem qualquer relação com a distribuição real das fontes, a menos que o contraste
lateral de densidade seja de espessura desprezível em relação à profundidade.

De acordo com Grant & West (1965), a densidade na superfície da camada


eqüivalente é dada por

p
(h)
x, y, -- gz (x, y,
21rG
h) (3.100)

sendo gz( x, y, h) o campo no ponto da camada eqüivalente, definido pelas coorde-


nadas (x,y,h), e h a profundidade da camada eqüivalente, que é arbitrária.
Na prática, no entanto, não se conhece o valor do campo nos pontos de uma
camada eqüivalente situada abaixo da superfície do terreno, já que as observações
são feitas nessa superfície. Por esse motivo, não se pode usar a equação (3.100)
para estimar a distribuição de densidade na camada. O problema é resolvido de
outro modo: aplica-se o método de inversão aos valores observados na superfície
do terreno, tomando como modelo a camada eqüivalente colocada a uma pro-
fundidade fixa. Desse modo, os parãmetros a serem estimados na inversão são
os valores de densidade da camada. Esses valores são únicos, pois o parâmetro
profundidade é mantido fixo (Roy 1962). O campo na superfície do terreno e a
densidade a uma profundidade h estão relacionados por

gz ( x,y,
(3.101)
O) -- Gjoo joo p(a,(3,h) hdad(3 3/2

-00 -00 [(X _ a)2 + (y _ (3)2 + h2]


ou, mais genericamente, o campo a uma altura qualquer, z < h,

(3.102)
gz (x,y,z ) -_ Gjoo joo p(a,(3,h) (h - z) dad(3 3/2

. -00 -00 [(x-a?+(Y-(3)2+(Z-h)2]

A profundidade em que a camada eqüivalente é colocada deve ser superior a


duas vezes e meia o espaçamento entre os pontos de observação da gravidade no
terreno e inferior a seis vezes esse espaçamento (Dampney 1969). Valores maiores
do que o limite superior de profundidade introduzem instabilidade numérica, en-
quanto valores menores do que o limite inferior introduzem freqüências altas, que
não foram amostradas durante as observq,ções.
3.11 Interpretação 1

A distância entre os pontos que definem a camada eqüivalente (pontos onde


se deseja conhecer o valor da densidade) é normalmente tomada igual à distância
entre os pontos de observação no terreno. Uma amostragem muito fina para a
camada eqüivalente, em relação àquela usada no levantamento de campo, também
provoca instabilidade nos cálculos de inversão; enquanto uma amostragem muito
grosseira não permite a reprodução dos valores observados.

Uma vez definida a camada eqüivalente, através da equação (3.101), ela pode
ser usada como modelo para o cálculo do valor da gravidade em diferentes alti-
tudes, por meio de (3.102); esse procedimento é conhecido como continuação do
campo (Apêndice C; Dampney 1969; Gunn 1975).
A camada eqüivalente pode ainda ser usada para calcularem-se valores de
derivadas do campo (Apêndice C; Gunn 1975), bem como para estimar-se o valor
da gravidade entre dois pontos de observação (interpolação). O primeiro procedi-
mento permite enfatizar as anomalias produzidas pelos corpos mais rasos (similar
à aplicação de um filtro passa alta) e a interpolação, a construção de malhas
quadradas (grid), usadas na elaboração de mapas de contorno das observações
gravimétricas, muito mais precisas do que as obtidas com os métodos numéricos
convencionais.

Outras aplicações da camada eqüivalente são a conversão de dados gra-


vimétricos em magnéticos e vice-versa (Gunn 1975) e o mapeamento da densi-
dade.

O desenvolvimento matemático das diversas aplicações da camada eqüivalente


são apresentadas em detalhe por Gunn (1975).

3.11.4 ESTIMATIVAS DE PROFUNDIDADE MÁXIMA E


DENSIDADE MÍNIMA

A produção de anomalias de gravidade similares por diferentes distribuições de


densidade (ambigüidade), exemplificada na figura 3.29, causa sérias dificuldades
na interpretação de dados. Por isso,· em muitos casos, considera-se suficiente
estimar a máxima profundidade da fonte de anomalia.
Algumas das primeiras fórmulas empregadas nesse tipo de estimativa foram
desenvolvidas por Bott & Smith (1958):

hmax ~ 0,65 I1gmax para corpos 2D (3.103)


I1g'max

hmax ~ 0,86 I1gmax para corpos 3D (3.104)


I1g'max

em que hmax é a profundidade máxima do topo do corpo em metros, I1gmax, o


valor máximo da anomalia e I1g:naxl o seu gradiente horizontal máximo.
184 Método Gravimétrico

o conhecimento a priori do valor máximo da densidade do corpo permite uma


estimativa mais precisa da profundidade máxima. Segundo Parker (1974):

h 6.pmax para corpos 2D (3.105)


max ~ 0,0347 6. 9max
/I

em que b.pmax é o máximo contraste de densidade entre o corpo e a encaixante e


b.9~ax é a segunda derivada horizontal máxima da gravidade anômala (mGal/m2).

De acordo com (Smith 1959),

h 3 6.pmax para corpos 3D (3.106)


max ~ 0,0 60 6. 9max
1/

Quando 6.p 2: O em todos os pontos do corpo, 6.pmax pode ser substituído por
fipmax/2, em ambas as equações (3.105) e (3.106).
O uso das expressões (3.103) a (3.106) de estimativa da profundidade máxima
requer várias medidas da gravidade ao longo de um perfil, que atravesse inteira-
mente a zona anômala. Parker (1974) demonstrou, entretanto, que a profundidade
máxima pode ser estimada a partir de medidas obtidas em somente dois pontos
da zona anômala. Os resultados de Parker são sumarizados na figura 3.40.
O uso do diagrama da figura 3.40 requer o conhecimento da razão entre os
valores da gravidade em dois pontos da zona anômala 91/92 e do contraste de
densidade do corpo 6.po, com 6.po 2: O. O valor do contraste é utilizado para
estabelecer-se o parãmetro denominado de densidade adimensional b.p*, definido
por
6.p* =GD 6.po (3.107)
92
sendo G a constante de gravitação e D a distância entre os pontos de observação
dos valores 91 e 92.
Levando 9d 92 e 6.p* ao diagrama, obtém-se o valor de uma profundidade adi-
mensional h* , que deve ser multiplicado por D para determinar-se a profundidade
máxima.

O diagrama da figura 3.40 pode também ser usado para estimar-se a densidade
mínima do corpo causador da anomalia. Neste caso, deve ser usada a razão 9d 92
e a curva h* = O, quando inexiste uma estimativa a priori para a profundidade
máxima. O valor de 6.pmin é calculado Ia partir de b.p*, retirado da ordenada do
diagrama. .

Técnicas mais elaboradas para a estimativa da densidade mínima (ou con-


traste mínimo) são descritas por Huestis & Ander (1983), Huestis (1986) e Ander
& Huestis (1987).
" ? I
\\\ \ 5 h*:
\ .1 0,1
\0.9
0,2
0.5
0.4
0.3
0.7
0.6
0.8
1.0
\ hmx / O
01
"-O .2 ,\Interpretação
3.11 185
- 2(~!)2- oDIMENSIONAL
~
- * - <2
< .05 3 -DIMENSIONAL

l\ \ \
.02..J N
1.0.5
5
.01

Figura 3.40: Diagrama para a estimativa da profundidade máxima de um corpo (adapta-


do de Parker 1974).

3.11.5 ESTIMATIVA DE MASSA


A ambigüidade na interpretação da distribuição de densidade na subsuperfície
produz, conforme citado anteriormente, dificuldades no estabelecimento do mo-
delo geométrico para a fonte da anomalia. A quantidade de massa da fonte, no
entanto, pode ser unicamente determinada, ou seja, sem ambigüidade, a partir dos
valores anômalos da gravidade, conforme foi demonstrado por Hammer (1945).

Para estimar a massa m de um corpo da subsuperfície, capaz de produzir


uma anomalia de gravidade (um corpo de minério, por exemplo), pode-se tomar
uma superfície semi-esférica envolvendo este corpo e aplicar a expressão (3.16),
que resulta do teorema da divergência (Apêndice A).

Como em geral nos trabalhos de prospecção de minério, a zona anômala ocorre


em uma área pouco extensa, pode-se tomar a superfície do terreno por um plano.
Desse modo, a superfície S que envolve o corpo é constituída de um plano P e de
uma semi-esfera E (Fig. 3.41). A expressão (3.16) pode então ser reescrita:

l fi . fi da = - L 9n dx dy - l 9n da = - 41l'G m
(3.108)
186 Método Gravimétrico

n p

Figura 3.41: Superfícietotal usada para estimar a m;;Ssade um corpo.

A integral sobre a semi-esfera toma a seguinte forma

JE r r
r 9nda = J~=oJo=o9n R2 senOdOd~ = 2'1rG m ,
(3.109)

pois
Gm Cm
para IRI» IfI (3.110)
9n = IR _ fl2 - R2

Substituindo a equação (3.109) na (3.108), obtém-se

(3.111)
m = 2:C k9ndXdY .

A massa m, que causa a anomalia gravimétrica, corresponde a um excesso


de massa, resultado do minério ocupar um volume que, na sua ausência, seria
ocupado pela encaixante. Portanto,

(3.112)
em que os subscritos m e e representam minério e encaixante, respectivamente.
Substituindo a equação (3.112) na (3.111) e tomando V = mm/ Pm, obtém-se

mm = C---
2'Ir1 PmPm 1 9ndxdy
- Pe P .
(3.113)

Para a expresão (3.113) tornar-se adequada ao cálculo numérico, sua integral


deve ser substituída por um somatório e 9n, por 9z (valor da gravidade medido
nos levantamentos), pois a superfície do terreno foi aproximada por um plano
horizontal:

= 2'Ir1C---LJ9z!:!.S
(3.114)
mm PmPm
- Pe "'_
sendo !:!.S a área no plano x-y entre duas curvas de contorno e gz o valor médio da
gravidade dentro de !:!.S (Fig. 3.42). O somatório é aplicado a todos os intervalos
de contorno, desde o contorno zero até o valor máximo medido.
3.12 Aplicações 187

isogólica

= 0,3 + 0,2 = 0,25


2

tiS = região hachuriada

Figura 3.42: Representação de ~S e gz para estimativa de massa.

Se as unidades mGal e m2 são utilizadas, a massa é estimada em toneladas


com
mm = 23,86 Pm
Pm - Pe
L gz f:J.S (3.115)

3.12 APLICAÇOES
3.12.1 PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO

Na prospecção de petróleo, o Método Gravimétrico é empregado para locali-


zar e delimitar estruturas capazes de proporcionar armazenamento de óleo e gás.
Essas estruturas são caracterizadas, como regra geral, por produzirem anoma-
lias da ordem de dezenas de miligals, podendo ser identificadas até mesmo com
levantamentos de baixa precisão, como os realizados com aviões.

Uma das primeiras aplicações das medidas de gravidade foi na localização de


damos salinos. Esses corpos penetram nas camadas sobrejacentes, perfurando-
as e arrastando-as parcialmente ~ara cima. No topo dos domos salinos é comum
encontrar-se uma capa compactada (cap rock) de anidrita e gipsita. A acumulação
de petróleo e gás normalmente se dá nos f1.ancosdo domo.

A densidade do domo salino (em torno de 2 g/ cm3) é menor do que a densidade


das rochas por ele penetradas (2,2 a 2,4 g/cm3). Isso causa uma redução local
da gravidade, havendo, portanto, sobre a rocha salina, o desenvolvimento de uma
anomalia caracterizada por um mínimo gravimétrico, algumas vezes superior a 20
mGal (Fig. 2.32). A presença da capa compactada, que é mais densa do que o
material do domo, produz localmente um alto gravimétrico, no centro do mínimo.
Esta feição adicional torna ainda mais característica a anomalia do domo salino.
As acumulações de óleo e gás podem ainda se localizar nas dobras do tipo an~
ticlinal. Essas estruturas produzem quase sempre anomalias de gravidade caracte-
rizadas por máximos. Em alguns casos, como quando existem rochas mais densas
188 Método Gravimétrico

sobrejacentes às rochas de menor densidade, podem-se desenvolver mínimos gra-


vimétricos sobre os anticlinais. Nesses casos, a informação geológica pode eliminar
a ambigüidade.
As falhas são outro tipo de estrutura que podem contribuír para que existam
condições de armazenamento de petróleo. Sobre a linha de falha, os valores de
gravidade apresentam forte gradiente horizontal, que é caracterizado nos mapas
por uma maior densidade de contornos.
o Método Gravimétrico pode também ser usado na determinação da espessura
dos sedimentos de uma bacia, com a finalidade de detetar ondulações no emba-
samento. Essas ondulações podem ter produzido o arquemento dos sedimentos
sobrejacentes, criando, assim, condições para o aprisionamento de petróleo.
Muitas concentrações de óleo e gás têm sido encontradas em zonas de bacias
sedimentares com variações de litofácies e recifes. Esses tipos de estruturas de
acumulação podem produzir pequenas anomalias, que somente serão reconheci-
das se as medidas forem muito precisas. A complexidade geológica desses tipos
de ambientes sedimentares em geral requer um controle adicional, através de per-
furações e da aplicação de Métodos Sísmicos.

3.12.2 PROSPECÇÃO DE MINÉRIOS


Uma grande parte dos minerais de importãncia econômica, principalmente
os metálicos, têm densidade superior a 4 gj cm3 e ocorrem em rochas com den-
sidade que varia entre 2,6 e 3 gj cm3. Esses minerais são, portanto, capazes de
produzir anomalias gravimétricas identificáveis em levantamentos gravimétricos
de precisão.
As anomalias gravimétricas obtidas na prospecção de minérios têm amplitudes
raramente superiores a 2 mGal, sendo muito comum valores inferiores a 1 mGal.
Por este motivo, são requeridas medidas muito precisas, tanto da gravidade como
dos valores plani-altimétricos usados nas correções.
Embora a densidade dos minérios seja importante para a produção das ano-
malias gravimétricas,- o volume deles dentro da rocha encaixante tem papel fun-
damental na sua deteção direta. O ouro, por exemplo, um mineral de densidade
superior a 15 gj cm3, ocorre tão disseminado nas rochas que a sua contribuição
para as medidas da gravidade é desprezível e o seu efeito não pode ser detetado
diretamente. Nem por isto, no entanto, a Gravimetria deixa de ser empregada
na prospecção de ouro. Na África do Sul, as medidas de gravidade contribuí-
ram para a localização e o delineamento dos conglomerados auríferos do Sistema
Witwatersrand. O Sistema, como um todo, produz regionalmente um alto gra-
vimétrico (Fig. 3.43a), enquanto os conglomerados são responsáveis por baixos
gravimétricos, localizados no alto gravimétrico regional (Fig. 3.43b).
Os depósitos de sulfetos metálicos representam um bom alvo para os levan-
(a)
~60
C
<:) 40

i 20
lIor _LESTE

o !'F: :;:o::::JJ,v. .•... '.+ .. ~ . liiI Sistema Ventersdorp


O Sistema Witwatersrond
E;:J Granito
o 10 20 30MIlHAS
I I I I
o 16 '2 48Km

~
~
t-:l
(b)

--
>-
...--. 10
'"
~

------ --
li ~

~---
...J
C '<')
6 <:)

~ --- ~
toAlNA DE,OURO
-----,.---
SANTA HELENA
---"
------+
LESTE
4
2 i
...J ~l
fi>

• Karroo
E2 Sedimentos Ventersdorp
§ Lavas Ventersdorp

!!li Witwotersrond
EJ Conglomerado Ventersdorp
Superior
R Witwalersrand Inferior
11III Granito o I 2
I I I I
o 1.6 '.2 4.8Km

F,igura 3.43: Perfis gravimétricos sobre o Sistema Witwatersrand, África do Sul: .-.
00
(a) Perfil regional; (b) Perfil. de detalhe. Adaptado de Roux (1970). co
190 Método Gravimétrico

tamentos gravimétricos, desde que a mineralização seja do tipo maciça (contenha


no mínimo 50% de sulfetos). À medida que o volume de sulfetos diminui e a
mineralização torna-se disseminada, as medidas de gravidade tornam-se menos
importantes e podem ser descartadas como ferramenta de deteção direta, po-
dendo entretanto ser usadas na deteção indireta desses depósitos (vide aplicação
direta e indireta da GeofÍsica - item 1.2.3).
A figura 3.44 mostra medidas gravimétricas realizadas sobre o depósito maciço
de su1fetos denominado Pyramid, localizado na área de Pine Point, no Canadá. A
percentagem de sulfetos atinge 100%, dos quais 11,7% são de blenda e 2,9% são
de galena. O corpo de minério tem densidade entre 3,65 e 3,95 g/ cm3, enquanto a
encaixante, composta de calcário e dolomitos, apresenta densidade média de 2,65
g/cm3•

LINHA 375W
1.0
I/l
/ .-.-., .
"'
\
PERFIL GRAVIMÉTRICO
o
,'g0.5
'E ,/
./ •.....•

o _._e_e /e -----.
5S LB 5N 10N
"50P"
SEÇÃO DE PERFURAÇÃO
OOH OOH
OOH OOH OOH 9300H 88 DDH

I I I I I I I I I I 10N
I I
5S ::::::::ff',)SjjJ(;.
L B
'~' '.".:';'

I I I I
o 100 200 300M

Figura 3.44: Perfil gravimétrico sobre o depósito Pine Point, Canadá. Adaptado de
Seigel et aI. (1968).

Um exemplo de deteção indireta de sulfetos disseminados de cobre é apresenta-


do na figura 3.45. As medidas gravimétricas foram realizadas na área denominada
Suçuarana, Município de Jaguarari, estado da Bahia, Brasil. A anomalia de gra-
vidade observada é causada pela rocha que contém a mineralização disseminada.
Esta rocha tem composição básica e está envolvida por rochas mais ácidas.

Outros exemplos da aplicação de medidas da gravidade na prospecção de sulfe-


tos são apresentados por: Sá (1981), que descreve resultados de levantamentos na
região de Curaçá, Bahia, Brasil; Paterson (1966), que trabalhou em Mattaga-
mi, Quebec, Canadá; e Sumner & Schnepfe (1966), cujos resultados provêm de
medidas subterrâneas em minas da região de Bisbee, Arizona, EUA.
Ainda que os depósitos maciços de sulfetos produzam anomalias gra-
3.12 Aplicações 191

60
' •••• 1
I,.

~rll"IL-ali

Figura 3.45: Perfil gravimétrico na área de Suçuarana, Bahia, Brasil. Adaptado de Silva.
(1982).
192 Método Gravimétrico

vimétricas, é muito comum a realização de somente um ou dois perfis de medidas


de gravidade na área sob estudo, com a finalidade, não de localizar o depósito,
mas de diferenciar anomalias de sulfetos, obtidas com os Métodos Elétricos e
Eletromagnéticos, daquelas provocadas por granta, que não apresenta resposta
gravimétrica.
Os depósitos de cromita representam outro alvo que tem sido prospectado
com sucesso pela Gravimetria. Esses depósitos ocorrem normalmente associados
a rochas ultrabásicas, que, em geral, produzem fortes anomalias positivas nas me-
didas de gravidade. Um dos exemplos clássicos da prospecção de cromita através
da Gravimetria refere-se a um depósito de Cuba, apresentado por Hammer et aI.
(1945).
Diversos exemplos de aplicação do Método Gravimétrico na identificação de
depósitos de minério de ferro são apresentados por Hinze (1966), que enumera
também uma série de vantagens da Gravimetria sobre a Magnetometria na lo-
calização desses depósitos. A figura 3.46 ilustra um dos exemplos apresentados
por Hinze, enquanto a figura 3.47 mostra um dos perfis gravimétricos ·obtidos
na região de Floresta, Pernambuco, Brasil, por Motta & Gomes (1983), com a
finalidade de delimitar depósitos de ferro-titânio.
Os depósitos de carvão podem também ser prospectados através da Gravime-
tria. Na União Soviética, por exemplo, este tipo de aplicação é realizada desde
1929 (Mirónov 1977). Embora o contraste de densidade entre as camadas de
carvão e as rochas envoltórias seja elevado (o carvão tem densidade entre 0,8 e 1,7
g/ cm3), sua deteção direta é quase impossível por causa da pequena espessura
das camadas e do seu jazimento estratiforme, concordante com as demais rochas,
em geral horizontalizadas. A aplicação da Gravimetria à prospecção de carvão é
basicamente indireta, fornecendo indicitções sobre os limites da bacia carbonífera
e a espessura das camadas, através do mapeamento da topografia do embasameto
da bacia.

Em certas situações, é possível usar a Gravimetria na prospecção de diaman-


tes em chaminés kimberlíticas. Os diamantes não são detetados diretamente: as
medidas de gravidade fornecem indicações· somente sobre a ocorrência da cha-
miné. A densidade dos kimberlitos depende muito do seu grau de serpentinizaçãQ
e intemperismo. As zonas da chaminé kimberlítica mais próximas da superfície
apresentam os valores mais baixos de densidade. Valores inferiores a 2,5 g/ cm3 já
foram observados a cerca de 5,5 m de profundidade, enquanto densidades superio-
res a 3 g/ cm3 podem ser encontradas abaixo da zona de intemperismo (Gerryts
1970). Na região de Monte Carmelo, Minas Gerais, Brasil, existem kimberlitos
com densidade de 2,73 g/ cm3 encaixados em granitos e mÍcaxistos de densidade
2,6 a 2,65 g/ cm3, que podem produzir anomalias positivas de 0,3 mGal (Haralyi
& Svisero 1984). Os resultados obtidos sobre diversas chaminés kimberlíticas in-
dicam que as anomalias podem ser tanto positivas como negativas, com maior
tendência de ocorrerem anomalias negativas. A amplitude das anomalias pode
variar desde alguns décimos de mGal a valores superiores a 5 mGal.
3.12 Aplicações 193

----
o o-
,--
3-~oo
o- 2-
1000"é,
300 •• I~O ,
o ,
E
o
I
~
...•
l-
4-
S-

--- ANOMALIA IOUGUEft OISEftVADA


--- ANOMALIA 10UGUER COMPUTADA

sw

o Formoçio rico em terra r-0,45


o
to

Xiato (capa) toE'-O,IO

O Xlalo (Iopal li r-O,CO


O Indll •• enclodo lI('- 0,35

Figura 3.46: Perfil gravimétrico sobre depósito de ferro. Adaptado de Hinze (1966).

ANOMALIA BOUGUER

-19,3,-
-19,4 - ...•.....•...............
-19,5

'-- ,
-19,6
oE l!)

-----
-19,7
-19,8

.......

" _- -'
""", ....
./
//~ .

",

~''':=:
E E'

360

340
380t ~
M - minério maciço; $- minério silicoso; O - minério disseminado; ANF· anfibolito, X - xisfo;
G· granito; p. pegmatito.

Figura 3.47: Perfil gravimétrico na área de Floresta, Pernambuco, Brasil. Adaptado de


Motta & Gomes (1983).
194 Método Gravimétrico

3.12.3 MAPEAMENTO GEOLÓGICO

A utilização dos dados gravimétricos com o objetivo de auxiliar no mapeamen-


to geológico depende largamente da escala do levantamento. Durante o processo
de interpretação desses dados, deve-se sempre ter em mente que as informações
gravimétricas provêm de zonas cujas profundidades vão desde a proximidade da
superfície até além da base da crosta.
Nos levantamentos realizados em escalas reduzidas, em que a amostragem
gravimétrica é feita em pontos bastante distanciados uns dos outros (5 a 10 km,
por exemplo), somente os efeitos das grandes estruturas localizadas nas zonas
profundas poderá ser observado. Como regra geral tem-se então que, quanto
maior for o intervalo de amostragem, mais evidentes serão os efeitos das estruturas
profundas.

Os valores de densidade das rochas (Tab. 3.2) sugerem que as medidas gra-
vimétricas devem produzir valores mais elevados sobre as áreas de ocorrência de
rochas básicas e ultrabásicas, do que sobre aquelas com rochas ácidas. A compa-
ração entre observações geológicas de superfície e os valores gravimétricos pode,
entretanto, não mostrar a associação de valores mais elevados com rochas de
composição mais básica, como é evidenciado na figura 3.48. Nessa figura, o valor
máximo da anomalia gravimétrica ocorre sobre rochas graníticas. A anomalia não
deve, portanto, ser controlada pelas rochas graníticas da superfície e sim por uma
fonte mais profunda. Este exemplo demonstra que a melhor correlação geofísica-
geologia é obtida quando as informações geológicas provêm da subsuperfície não
muito rasa.

No âmbito dos levantamentos regionais, com a Gravimetria é possível


conseguirem-se informações sobre a posição' e a relação entre as estruturas
tectônicas dentro das áreas tradicionalmente chamadas de geossinclinais. Nes-
ses levantamentos, observa-se que a maioria das estruturas geológicas positivas
do tipo anticlinório produzem anomalias gravimétricas regionais negativas, en-
quanto sobre as estruturas geológicas negativas do tipo sinclinório desenvolvem-se
anomalias positivas. Esta inversão está relacionada à variação da espessura da
crosta, que é maior nos anticlinórios e diminui nos sinclinórios. Este é entretanto
um caso típico de áreas em que os processos de dobramentos encerraram a sua
atividade antes da formação completa do geossinclinalj nas áreas em que os movi-
mentos tectônicos se processaram durante o período de formação do geossinclinal
e nas regiões de arcos de ilhas, as anomalias gravimétricas positivas normalmente
correspondem a altos geológicos, enquanto as anomalias negativas correlacionam
com baixos geológicos (Mirónov 1977). As anomalias gravimétricas nas áreas de
geossinclinais têm amplitudes que alcançam centenas de miligals.
Em constraste com os geossinclinais, as áreas de plataforma produzem anoma-
lias menos intensas (em geral inferiores a 30 mGal). Nessas áreas, as anomalias são
normalmente causadas pela topografia do embasamento cristalino. Os escudos,
onde o embasamento é mais raso, transmitem aos dados de gravidade informações
3.12 Aplicações 195

J
-'
~
84·00'
ci -30
I
C) ANOMALIA '\
I82"0-'
1 BOUGUER
I8~·00'
/

-40

+ +
+ + +
+ +

~ ROCHAS GRANíTICAS ~ ROCHAS VULCÃNICAS BÁSICAS


~
1~~;\71 COMPLEXO GNÁISSICO (:-:'.:;:-.:·:::·:1 ROCHAS SEDIMENTARES ~ FAL H A

Figura 3.48: Perfil gravimétricoe seção geológicasobre a zona de falha de Kapuskasing.


Adaptado de Innes & Gibb (1970).

mais detalhadas sobre estruturas internas do que as bacias, onde o embasamento


é recoberto por camadas sedimentares.

A figura 3.49 ilustra a interpretação geológica de um perfil gravimétrico rea-


lizado na região de Irecê, Bahia, Brasil.
Diversos perfis gravimétricos realizados na região do Sul de Minas Gerais,
Brasil, são apresentados por Lesquer et aI. (1981). A interpretação geológica dos
perfis mostra as relações entre os domínios cratônico e do cinturão orogênico que
ocorrem naquela área.

Haralyi & Hasui (1985) apresentam um modelo geológico-tectônico para a


parte centro-le~te do Brasil, com base em dados gravimétricos e magnéticos. Os
contornos de isogálicas evidenciam diversos padrões anômalos. As anomalias ne-
gativas alongadas, por exemplo, foram atribuídas a zonas de espessamento crustal,
enquanto os altos e baixos circulares foram associados a intrusões alcalinas (impor-
tantes pelas mineralizações de titânio, platina e nióbio), ou depressões tectônicas,
ou ainda a bacias sedimentares. Algumas das anomalias foram também relaciona-
das a descontinuidades crustais de grande amplitude, às quais estão relacionados
depósitos importantes de cromo, níquel, cobre, cobalto, asbestos e talco.
Um modelo geotectônico para o nordeste do Brasil e sua correlação a estru-
turas pré-cambrianas do Oeste da África foram desenvolvidos por Lesquer et alo
(1984), a partir de dados gravimétrlcos.
I-"
ce
o:.

ANOMALIA BOUGER
w E
40 -75 ~50 -.25 o 25 50

---- -- ---- -----------------------I -- - --------


I I
~
I
---- - - --
I
DISTÃNCIA EM KILOMETROS
I

..J ~
"~
c( ai
.2
Õ ó sSPC
E
oc:
<t 1
I
~
Clh
...•.
o
Q..
o
INTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA PRELIMINAR C)
~
o ------~.íva~~AR---------~--------------GB---~=2.~Icm3----- S'
e Clh
...•.
~ 2 GCD t::l.
li:
~ 4
8
CL e = 2.62\1/Cm3
6 CC
r = 2.77\1/cm3

GB - Grupo Bambui (calcários, quortzitos)


GCD - Grupo Chapada Diamantina (quartzitos, ardósias, meta-siltitos)
CC - Complexo Cristalino (gnaisses, anfibolitos)

Figura 3.49: Perfil Gravimétrico na região de Irecê, Bahia,Brasil. Adaptado de Marinho (1977),
Referências Bibliográficas 19'

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDER, M.E. & HUESTIS, S.P. Gravity Ideal Bodies. Geophysics, v. 52, n. 9, p.
1265-1271, 1987.
BIBLE, J.L. Terrain Correction Tables for Gravity. Geophysics, v. 27, n. 5, p. 715-718,
1962.

BECK, J .V. & ARNOLD, K.J. Parameter Estimation in Engineering and Science. New
York: John Wiley, 1977, 501 p.
BEVINGTON, P.R. Data Reduction and Error Analysis for the Physical Sciences. New
York: McGraw-Hill, 1969, 336 p.
BOTT, M.H.P. & SMITH, R.A. The Estimation of the Limiting Depth of Gravitating
Bodies. Geophysical Prospecting, v. 6, n. 1, p. 1-10,1958.
BRENT, R.P. Algorithms for Minimization without Derivatives. New Jersey: Prentice-
Hall, 1973, 195 p.
CADY, J .W. Calculation of Gravity and Magnetic Anomalies along Profiles with End
Corrections and Inverse Solutions for Density and Magnetization. U.S. Geological
Survey Open File Report no. 77-463, 1977.
CAMPBELL, D.L. Gravity Terrain Corrections for Stations on a Uniform Slope - A
Power Law Approximation. Geophysics, v. 45, n. 1, p. 109-112,1980.
CASSINIS, R. (ed.). The Solution ofthe Inverse Problem in Geophysical Interpretation.
New York: Plenum, 1981,381 p.
DAMPNEY, C.N.G. The Equivalent Source Technique. Geophysics, v. 34, n. 1, p.
39-53, 1969.
DANA, J.D. & HURLBUT, C.S. Manual de Mineralogia. Rio de Janeiro: Ao Livro
Técnico, 1969, v. 1,381 p.
DOBRIN, M.B. Introduction to Geophysical Prospecting. 3. ed. New York: McGraw
Hill, 1976, 630 p.
GELDART, L.P., GILL, D.E., SHARMA, B. Gravity Anomalies of Two-Dimensional
Faults. Geophysics, v. 31, n. 2, p. 372-397, 1966.
GERRYTS, E. Diamond Prospecting by Geophysical Methods - A Review of Current
Practice. In: MORLEY, L.W. (ed.). Mining and Groundwater Geophysics/1967,
Economic Geology Report, n. 26. Ottawa: Geological Survey of Canada, 1970, p.
439-446.
GIBB, R.A. & THOMAS, M.D. Density Determinations of Basic Volcanic Rocks of
the Yellowknife Supergroup by Gravity Measurements in Mine Shafts-Yellowknife,
Northwest Territories. Geophysics, v. 45, n. 1, p. 18-31,1980.
GOGUEL, J. A Universal Table for the Prediction of the Lunar-Solar Corrections in
Gravimetry (Tidal Gravity Correction). Geophysical Prospecting, v. 2, March
Supplement, 1954.
GRANT, F.S. & WEST, G.F. Interpretation Theory in Applied Geophysics. NewYork:
McGraw-Hill, 1965, 584 p.
198 Método Gravimétrico

GUNN, P.J. Linear Transformations of Gravity and Magnetic Fields. Geophysical


Prospecting, v. 23, n. 2, p. 300-312, 1975.
HAMMER, S. Airborne Gravity is Here! Geophysics, v. 48, n. 2, p. 213-223, 1983.
Density Determinations by Underground Gravity Measurements. Geo-
physics, v. 15, n. 4, p. 637-652, 1950.
____ o Estimating Ore Masses in Gravity Prospecting. Geophysics, v. 10, n. 1, p.
50-62, 1945.
____ o Terrain Corrections for Gravimeter Stations. Geophysics, v. 4, n. 3, p.
184-194, 1939.
HAMMER, S., NETTLETON, L.L., HASTINGS, W.K. Gravimeter Prospecting for
Chromite in Cuba. Geophysics, v. 10, n. 1, p. 34-39, 1945.
HARALYI, N.L.E. & HASUI, Y. Interpretation of Gravity and Magnetic Data, Central
and Eastern Brazil. In: HINZE, W.J. (ed.). The Utility of Regional Gravity and
Magnetic Anomaly Maps. Tulsa: Society of Exploration Geophysicists, 1985, p.
124-131.
HARALYI, N.L.E. & SVISERO, D.P. Metodologia Geofísica Integrada aplicada à Pros-
pecção de Kimberlitos da Região Oeste de Minas Gerais. Revista Brasileira de
Geociências, v. 14, n. 1, p. 12-22, 1984.
HARRISON, J.C. Gravity Sensors. In: WOLFF,E.A.& MERCANTI, E.P. (ed.). Geo-
science Instrumentation. New York: John Wiley, 1974, p. 289-299.
HAYS, W.W. Interpretation of Gravity Data, Open-File Report 76-479. Denver: U.S.
Geological Survey, 1976, 282 p.
HEISKANEN, W..A. & MORITZ, H. Physical Geodesy. San Francisco: W.H. Freeman,
1967,364 p.
HERRING, A.T. Discussion on: "Airborne Gravity is Here!" Geophysics, v. 49, n. 4,
p. 470-472, 1984.
HINZE, W.J. The Gravity Method in !ron Ore Exploration. In: Mining Geophysics-Case
Histories. Tulsa: Society of Exploration Geophysicists, 1966, v. 1, p. 448-464.
HUBBERT, M.K. ALine-Integral Method of Computing the Gravimetric Effects of
Two-dimensional Masses. Geophysics, v. 13, n. 2, p. 215-225, 1948.
HUESTIS, S.P. Uniform Norm Minimization in Three Dimensions. Geophysics, v. 51,
n. 5, p. 1141-1145,1986.
HUESTIS, S.P & ANDER, M.E. IDB2 - A FORTRAN Program for Computing Extremal
Bounds in Gravity Data Interpretation. Geophysics, v. 48, n. 7, p. 999-1010,1983.
,
INNES, M.J .S. & GIBB, R.A. A New Gravity Anomaly Map of Canada: An Aid to
Mineral Exploration. In: MORLEY, L.W. (ed.). Mining and Groundwater Geo-
physicsj1967, Economic Geology Report, n. 26. Ottawa: Geological Survey of
Canada, 1970, p. 238-248.
KANE, M.F. A Comprehensive System ofTerrain Corrections using a Digital Computer.
Geophysics, v. 27, n. 4, p. 455-462,1962.
KELLOGG, O.D. Foundations of Potential Theory. New York: Dover, 1954, 384 p.
Referências Bibliográficas 199

KROHN, D.H. Gravity Terrain Corrections using Multiquadratic Equations. Geo-


physics, v. 41, n. 2, p. 266-275, 1976.
LAFEHR, T.R Gravity Method. Geophysihs, v. 45, n. 11, p. 1634-1639,1980.
LAWSON, C.L. & HANSON, R.J. Solving'Least Squares Problems. New Jersey:
Prentice-Hall, 1974,340 p.
LESQUER, A., ALMEIDA, F.F.M., DAVINO, A., LACHAUD, J.C., MAILLARD, P.
Signification Struturale des Anomalies Gravimétriques de Ia Partie Sud du Craton
de Sao Francisco (Brésil). Tectonophysics, v. 76, n. 3/4, p. 273-293, 1981.
LESQUER, A., BELTRÃO, J.F, ABREU, F.A.M. Proterozoic Links Between North-
eastern Brazil and West Africa: A Plate Tectonic Model based on Gravity Data.
Tectonophysics, v. 110, n. 1/2, p. 9-26, 1984.
LINSSER, H. A Generalized Form of Nettleton's Density Determination. Geophysical
Prospecting, v. 13, n. 2, p. 247-258, 1965.
LONGMAN, I.M. Formulas for Computing the Tidal Accelerations due to the Moon
and The Sun. Journal of Geophysical Research, v. 64, n. 12, p. 2351-2355, 1959.
MARINHO, J.M.L. Reconhecimento Geofísico da Região de Irecê-Bahia. Dissertação
(Mestrado em Geofísica). Salvador: Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em
Geofísica, Universidade Federal da Bahia, 1977, 100 p.
MILANI, E.J. Tectônica Cizalhante na Evolução do Rift do Recôncavo-Tucano-Jatobá.
Revista Brasileira de Geociências, v. 15, n. 4, p. 287-292, 1985.
MILLET JR., F.B. A Dot Chart for the Calculation of Gravitational and Magnetic
Attraction of Two-dimensional Bodies. In: Mining Geophysics. Tulsa: Society of
Exploration Geophysicists, 1967, V. 2, p. 642-657.
MIRÓNOV, V.S. Curso de Prospección Gravimetrica. Barcelona: Editorial Reverté,
1977,525 p.
MOTTA, A.C. & GOMES, RA.A.D. Projeto Geofísica em Floresta, Relatório Final,
Convênio RADAMBRASIL. Salvador: Companhia de Pesquisa de Recursos Mine-
rais (CPRM), 1983, v. 1,29 p.
NABIGHIAN, M.N. The Gravitational Attraction of a Right Vertical Circular Cylinder
at Points External to !t. Geofisica Pura e Applicata, v. 53, p. 45-51,1962.
NETTLETON, L.L. Determination of Density for Reduction of Gravimeter Observa-
tions. Geophysics, v. 4, n. 3, p. 176-183,1939.
OLIVIER, R.J. & SIMARD, RG. Improvement on the Conic Prism Model for Terrain
Correction in Rugged Topography. Geophysics, v. 46, n. 7, p. 1054-1056, 1981.
PARASNIS, D.S. Mining Geophysics. Amsterdam: Elsevier, 1973, 395 p.
____ o PrincipIes of Applied Geophysics. 2. ed. London: Chapman and Hall, 1972,
214 p.
____ o Exact Expressions for the Gravitational Attraction of a Circular Lamina at
all Points of a Space and of a Right Circular Vertical Cylinder at Points External
to !t. Geophysical Prospecting, v. 9, n. 3, p. 382-398, 1967.
200 Método Gravimétrico

PARKER, R.L. Best Bounds on Density and Depth from Gravity Data. Geophysics, v.
39, n. 5, p. 644-649,1974.
PATERSON, N.R. Mattagami Lake Mines - A Discovery by Geophysics. In: Mining
Geophysics, Case Histories. Tulsa: Society of,Exploration Geophysicists, 1966, v.
1, p. 185-196.
PEARSON, W.C. Discussion on: "Airborne is Here!" Geophysics, v. 49, n. 4, p. 473-
477, 1984.
ROUX, A.T. The Application of Geophysics to Gold Exploration in South Africa. In:
MORLEY, L.W. (ed.), Mining and Groundwater Geophysicsjl967. Economic Ge-
ology Report, n. 26. Ottawa: Geological Survey of Canada, 1970, p. 425-438.
ROY, A. Ambiguity in Geophysical Interpretation. Geophysics, v. 27, n. 1, p. 90-99,
1962.

RUDMAN, A.J., ZIEGLER, R., BLAKELY, R.F. Fortran Program for Generation of
Earth Tide Gravity Values. Geological Survey Occasional Papel' 22. Bloomington:
Department of Natural Resources, State of Indiana, 1977, 14 p.
SÁ, E.P. Levantamento Geofísico Integrado da Área de Terra do Sal, Curaçá, Bahia:
Aplicação na Reavaliação Geológica Visando a Prospecção de Cobre. Dissertação
(Mestrado em Geofísica). Salvador: Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em
Geofísica, Universidade Federal da Bahia, 1981, 79 p.
SANDBERG, C.H. Terrain Corrections for an Inclined Plane in Gravity Computations.
Geophysics, V. 23, n. 4, p. 701-711, 1958.
SAZHINA, N. & GRUSHINSKY, N. Gravity Prospecting. Moscow: Mil', 1971,491 p.
SEARS, F.W. & ZEMANSKY, M.W. Física. Parte I: Mecânica, Calor e Acústica. Rio
de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1963, 498 p.
SEIGEL, H.O., HILL, H.L., BAIRD, J.G. Discovery Case History of the Pyramid Ore
Bodies, Pine Point, Northwest Territories, Canada. Geophysics, v. 33, n. 4, p.
645-656, 1968.
SILVA, O.A. Arranjo Gradiente Elétrico Modificado e Levantamento Gravimétrico e
Magnético na Exploração de Sulfetos Disseminados em Suçuarana, Jaguarari-BA.
Dissertação (Mestrado em Geofísica). Salvador: Programa de Pesquisa e Pós-
Graduação em Geofísica, Universidade Federal da Bahia, 1982, 77 p.
SINGH, S.K. Gravitational Attraction ofa Vertical Right Circular Cylinder. Geophysical
Journal of the Royal Astronomical Society, v. 50, n. 1, p. 243-246, 1977.
SISSONS, B.A. Densities determined from Surface and Subsurface Gravity Measure-
ments. Geophysics, v. 46, n. 11, p. 1568-1571, 1981.
SKEELS, D.C. Ambiguity in Gravity Interpretation. Geophysics, v. 12, n. 1, p. 43-56,
1947.

SMITH, N.J. The Case for Gravity Data from Borehole. Geophysics, v. 15, n. 4, p.
605-636, 1950.
SMITH, R.A. Some Depth Formulae for Local Magnetic and Gravity Anomalies. Geo-
physical Prospecting, v. 6, n. 1, p. 1-10,1959.
.---

Referências Bibliográficas 201

STEENLAND, N.C. Discussion on: "Airborne is Here!" Geophysics, v. 49, n. 3, p.


310-311, 1984.
SUMNER, J.S. & SCHNEPFE, R.N. Undeiground Gravity Surveying at Bisbee, Ari-
zona. ln: Mining Geophysics, Case Histories. Tulsa: Society of Exploration Geo-
physicists, 1966, v. 1, p. 243-25l.
TALWANI, M., WORZEL, J.L., LANDISMAN, M. Rapid Gravity Computations for
Two-dimensional Bodies with application to the Mendocino Submarine Fracture
Zone. Journal of Geophysical Research, v. 64, n. 1, p. 49-59,1959.
TELFORD, W.M., GELDART, L.P., SHERIFF, R.E., KEYS, D.A. Applied Geophysics.
Cambridge: Cambridge University, 1976, 860 p.
WOOLLARD, G.P. The New Gravity System-Changes in lnternational Gravity Base
Values and Anomaly Values. Geophysics, v. 44, n. 8, p. 1352-1366, 1979.
Capítulo 4
,
METODO MAGNETICO
,

4.1 INTRODUÇAO
o comportamento magnético dos materiais terrestres parece ter sido primeiro
observado pelos chineses, séculos a.C. A noção de que a própria Terra comporta-
se como um ímã, entretanto, só foi apresentada, segundo uma base científica, em
1600, por William Gilbert.
o uso de medidas magnéticas na prospecção baseia-se em que concentrações
de minerais magnéticos nas rochas da crosta produzem distorções locais nos ele-
mentos do campo magnético da Terra. Esses elementos são a sua intensidade,
declinação e inclinação.
O Método Magnético foi um dos primeiros métodos geofísicos a ser empre-
gado em prospecção. As primeiras medidas sistemáticas datam de 1640 e foram
realizadas na Suécia, com o fim de deteção de depósitos de ferro; essas medi-
das consistiam na observação da variação da declinação magnética com bússolas
náuticas. Mais tarde, em 1870, o método de observação magnética foi aperfeiçoado
com a construção de instrumentos capazes de medir variações das componentes
horizontal e vertical do campo magnético e da sua inclinação. Atualmente, medi-
das muito precisas da intensidade do campo e das suas componentes são realizadas
com instrumentos conhecidos como magnetômetros.
A maioria das medidas magnéticas são realizadas com o instrumento na su-
perfície do terreno ou em aeronaves (aviões e helicópteros). As medidas podem,
entretanto, ser realizadas em áreas cobertas por água, com oauX11io de embar-
cações, ou ainda em poços perfurados.
204 Método Magnético

Os minerais magnéticos responsáveis pelas distorções do campo magnético


terrestre, observadas nos trabalhos de prospecção, são a magnetita, a pirrotita e a
ilmenita. Esses minerais podem fornecer informações sobre a distribuição de mine-
rais não magnéticos que são economicamente importantes, tais como: calcopirita,
galena, asbesto e calcocita.
Além de permitir a localização de minerais economicamente importantes,
as medidas magnéticas podem ainda ser usadas na identificação de contatos
geológicos e de estruturas geológicas (falhas, dobras), que possam, inclusive, ter
servido para o acúmulo de petróleo e gás.
Devido ao baixo custo e à rapidez dos levantamentos, o Método Magnético é
um dos mais utilizados na prospecção. É raro o levantamento geofísico que não
inclui medidas magnéticas.
O Método Magnético, à semelhança do Método Gravimétrico, tem seus fun-
damentos embasados na Teoria do PotenciaL Os dois. são muito semelhantes do
ponto de vista da teoria; a principal diferença (que torna o Método Magnético
mais complexo) é o caráter dipolar do campo magnético, em contraste com o
caráter monopolar do campo gravitacional.

4.2 FUNDAMENTOS
4.2.1 MOMENTO E FORÇA MAGNÉTICA
Movendo-se a agulha de uma bússola de sua posição de equilíbrio, observa-se
que ela sempre retorna a essa posição, com uma das suas extremidades apon-
tando para o Norte. Essa extremidade é denominada de polo norte da agulha,
enquanto a outra extremidade, de polo suL A agulha da bússola é um ímã, daí as
denominações polo norte e polo sul, para as suas extremidades.
Os polos magnéticos são comumente visualizados como excessos de carga
magnética que se desenvolvem nas extremidades dos ímãs (carga positiva na ex-
tremidade norte e negativa na extremidade sul). Essas cargas são tidas como a
fonte do campo magnético externo ao ímã, em analogia às cargas elétricas que
se acumulam nas extremidades de um material eletricamente polarizado e são
responsáveis por um campo elétrico externo ao materiaL
Embora o modelo de polos ou cargas magnéticas seja conveniente e possa ser
aplicado ao estudo de campos externos aos materiais magnetizados, não foi ainda
possível observarem-se essas cargas n~ natureza e muito menos seus excessos iso-
lados (um polo norte isolado, por exemplo). A fonte dos campos magnéticos não
deve ser, portanto, polos magnéticos. Por outro lado, os resultados de experimen-
tos eletromagnéticos demonstram que campos magnéticos podem ser observados
sempre que correntes elétricas fluem através de condutores (um cabo elétrico, por
exemplo). Esta parece ser a única fonte dos campos magnéticos. Nesse caso, a
unidade magnética fundamental é denominada de momento do dipolo magnético
4.2 Fundamentos 205

m e definida por
_ = Ia_
m
c
-n , ( 4.1 )

sendo I a corrente que flui na espira (loop) que limita a área a, c a velocidade
da luz e fi o vetor unitário, normal à área limitada pela espira. O sentido de m
é obtido pela chamada regra da mão direita (colocando-se o indicador da mão
direita no sentido da corrente, o polegar aponta o sentido de m). A figura 4.1
mostra a definição de m.

Figura 4.1: Representaçãodo momento de dipolo magnético.

Apesar da não existência de polos magnéticos isolados, é mais simples


desenvolver-se a teoria magnética, pre~umindo que eles existam. Com esse ar-
tifício, pode-se definir a força magnética à semelhança da força de atração gravi-
tacional (Eq. 3.1). Sejam, portanto, dois polos magnéticos de intensidade PI e P2,
separados pela distância r. A força que atua sobre esses polos é dada por:

F. - .!.PI P2 (4.2)
m - I.t r2

sendo I.t a permeabilidade magnética do meio que envolve os palas. Uma definição
mais precisa da força magnética envolve a interação de carga elétrica em movi-
mento e indução magnética (Purcell 1963; Reitz & Milford 1967; item 5.2, vaI.
2).

4.2.2 CAMPO MAGNÉTICO E INDUÇÃO MAGNÉTICA


Seguindo com a abstração do polo magnético, define-se o campo magnético
H no polo P2, produzido pela presença de PI, como:

H = Fm = PI (4.3)
P2 I.tr2

nesta definição, presume-se que a intelisidade de P2 seja suficientemente fraca,


para não perturbar o campo H, devido a PI'

Quando um material qualquer é submetido ao efeito do campo H, ele adquire


uma intensidade de magnetização ou imantação M, proporcional ao campo, dada
por
M=KH (4.4)
206 Método Magnético

sendo I{, a susceptibilidade magnética do material.

Para um mesmo valor do campo, os materiais com maior susceptibilidade


estão aptos a se magnetizarem mais fortemente. A susceptibilidade magnética
é portanto um dos parâmetros fundamentais nó Método Magnético. Os valores
de susceptibilidade podem ser constantes para determinados tipos de material,
mas podem depender da intensidade do campo para outros. Em alguns materiais,
a susceptibilidade é positiva e em outros, negativa; o sinal positivo ou negativo
reflete o sentido da intensidade de magnetização em relação ao campo.

Fisicamente, M é o momento magnético do dipolo por unidade de volume ou


seja, uma espécie de densidade magnética:

M=m (4.5)
V
sendo V sempre muito pequeno em relação às dimensões do material.

A magnetização de um material por um campo externo se faz através do


alinhamento dos momentos de dipolos internos ao material. Esse alinhamento
provoca o aparecimento de um campo adicional que, somado ao campo exter-
no H, produz um campo conhecido por indução magnética (fisicamente, este é
um campo magnético como qualquer outro). O campo indução magnética B é
relacionado ao campo magnético H, através da relação.

B = IkH (4.6)

sendo Ik a permeabilidade magnética do material, que se relaciona à susceptibili-


dade do material, no sistema cgs, por

Ik= 1+47r1{, (4.7)

que permite escrever a relação (4.6) como:

(4.8)

As unidades de H e B no sistema cgs1 são, respectivamente, oersted e gauss.


A permeabilidade magnética do vácuo Iko (aproximadamente igual a do ar) tem,
por definição, no sistema cgs, o valor 1 gaussjoersted.

4.2.3 POTENCIAL MAGNÉTICO


O campo magnético à semelhança do gravitacional é também um campo con-
servativo (item 3.2.3). Logo, ele pode ser obtido a partir do gradiente de uma

10 USO do sistema cgs é conveniente em Magnetostática. As medidas magnéticas são, contudo,


realizadas no SI (item 4.2.3).
4.2 Fundamentos 207

função potencial escalar, através da relação


H=-"VA (4.9)
i
sendo A o potencial magnético e "V (nabla), o operador diferencial que produz o
gradiente (Apêndice A).

O potencial magnético em um ponto p que dista r, de um dipolo (Fig. 4.2) é


dado por

r (4.10)
A= -m."V(~)= mr3..T = mcos(}
r2

sendo (}o ângulo entre me T .

-
m

Figura 4.2: Simetria para o cálculo do potencial magnético.

O potencial magnético satisfaz às equações de Laplace e Poisson, respectiva-


mente nas regiões externa e interna a um volume que inclui material magnético,
do mesmo modo que o gravitacional (Eq. 3.15 e 3.18):
"V 2 A = O (4.11)
e
2
"V A = -47r"V • M- (4.12)

4.2.4 RELAÇAO DE POISSON

Seja um elemento de dipolo dentro de um corpo de volume v. O potencial


magnético produzido por esse elemento é:

dA = -dm· "V(~)
que, em coordenadas cartesianas, toma a forma

(4.13)
dA = - [dmx~8x (~)
r +dm y ~8y (~) r = -dma~ 80'. (~)
r +dmz~8z (~)] r
O'.representa uma determinada direção constante de magnetização dentro do vo-
lume v. Usando a equação (4.5), tem-se para uma magnetização Ma, tomada na
direção 0'.,
dm = Madv (4.14)
208 Método Magnético

Substituindo a equaçao (4.14) na (4.13) e integrando sobre todo o corpo,


obtém-se
(4.15)
A = - lvf Ma~(~)dv
aa r
que, para valores constantes de Ma, se transforma em

(4.16)
f ~(~)dV
A = -Ma lvaa r

Presumindo r diferente de zero na equação (4.16), é possível trocar-se a ordem


das operações de integração e derivação, de modo que

(4.17)
A = -Ma~aa lvf ~dv
r

Se o volume que contém a magnetização Ma engloba uma massa m de densi-


dade constante p, o seu potencial gravitacional (Eq. 3.10, sem a parte associada
à aceleração centrífuga) é
(4.18)
U = -Gp lvf ~dv
r

Combinando as equações (4.17) e (4.18), pode-se escrever:

(4.19)

que relaciona o potencial magnético A ao potencial gravitacional U.


A expressão (4.19) é a relação de Poisson. Com ela é possível calcular o campo
magnético de um modelo escolhido para representar uma fonte de anomalia, a
partir da atração que ele produz. Embora haja limitações ligadas à homogeneidade
dos corpos em termos de densidade e magnetização, o uso da relação de Poisson
é justificado pela simplificação introduzi da nos cálculos.

4.2.5 O CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE


Medidas efetuadas na superfície da Terra sugerem que o campo magnético
terrestre pode ser aproximado pelo campo produzido por um momento de dipolo
localizado no seu centro. Este momEmto aponta para o polo sul geográfico e se
localiza sobre um eixo que forma um ângulo de aproximadamente 11,50 com o
eixo de rotação da Terra (Fig. 4.3).
o eixo do dipolo terrestre intercepta a superfície da Terra nas coordenadas
aproximadas de 78,5°N-69°W e 78,5°S-111°E, determinando o que se chama de
polos geomagnéticos. Estes polos não devem ser confundidos com os verdadeiros
polos magnéticos, definidos nas posições onde uma agulha magnetizada inclina-se
4.2 Fundamentos 209

com ângulo de 90° em relação à superfície da Terra. As coordenadas dos paIos


magnéticos verdadeiros são aproximadamente 75°N-101°W e 67°S-143°E, o que
indica que eles não são diametralmente opostos.

Polo

S geomognético sul

\r--polo geográfico sul

Figura 4.3: Representação esquemática do dipolo cujo campo é uma aproximação do


campo magnético terrestre.

o campo magnético da Terra (Fo) é caracterizado em qualquer ponto da


superfície terrestre pelos seguintes elementos (Fig. 4.4): componente horizontal
(Fh), componente vertical (Fz), ângulo de inclinação com o plano horizontal (i),
ângulo de declinação (D), formado entre Fh e a direção do norte geográfico (mar-
cado a partir dessa última). A componente horizontal pode ser decomposta em
duas outras: a componente Fx (componente norte), na direção do norte geográfico,
e a componente Fy (componente leste), na direção do leste geográfico. O campo
magnético Fo , as componentes Fh e Fz, bem como a inclinação i
estão todos em
um mesmo plano vertical.

Observando a figura 4.4, é possível estabelecerem-se as seguintes relações tri-


gonométricas entre o campo magnético e os seus elementos:

F;{ = FK + F; (4.20)
F2h = . F2x + F2y (4.21
F,2
o = F2x + F2y + F2z (4.22)
210 Método Magnético

;NG
/
//

-E

Figura 4.4: Representação geométrica do campo magnético terrestre e seus elementos.


NG-norte geográfico;NM-norte magnético; E-este.

Fh = Focosi (4.23)
Fx = Fh i
cos D = Fo cos tos D (4.24)
Fy = Fh sen D = Fo cos i sen D (4.25)
Fz = Foseni (4.26)
i = arctg(Fz/ Fh) (4.27)

D = arctg(Fy/ Fx) (4.28)

A componente vertical Fz é considerada positiva, quando aponta para o in-


terior da Terra; isso ocorre na maior porção do hemisfério norte. Quando aponta
para fora da Terra, ela é convencionalmente negativa; isso se dá na maior parte
do hemisfério sul (Fig. 4.5).
Os valores de inclinação variam de zero a 900 no hemisfério norte e de zero
a -900 no hemisfério sul. Os pontos onde i = ±90° são os polos magnéticos
i
verdadeiros; nesses pontos, Fo = Fz e Fh = O. As posições onde = 00 definem
o equador magnético; nessas posiçõ~s, Fo = Fh e Fz = O. O equador geográfico
e o equador magnético não coincidem e nem são paralelos (Fig. 4.6). O equador
magnético divide a Terra em dois hemisférios, denominados de norte e sul em
analogia aos hemisférios geográficos.
A componente horizontal Fh aponta sempre para o norte magnético. A agulha
de uma bússola tende a orientar-se com. a direção do campo magnético Fo que,
4.2 Fundamentos 211

NM

Figura 4.5: Representação esquemática das linhas de força do campo geomagnético.


NM-norte magnético; SM-sulmagnético.

fora do equador magnético, tem inclinação diferente de zero. Neste caso, a agulha
da bússola inclina-se em relação à posição horizontal, acompanhando a direção
do campo. Para que a agulha fique na posição horizontal (alinhada portanto com
a componente horizontal do campo), é necessário colocar-se um peso na agulha
para compensar a sua inclinação. No hemisfério magnético sul, a ponta norte da
agulha se levanta em relação à horizontal e o peso deve ser colocado entre o ponto
de equilíbrio da agulha e essa ponta, em uma posição que depende da inclinação
local do campo. Por outro lado, no hemisfério magnético norte, o peso deve ser
deslocado em direção à extremidade sul da agulha.
o campo magnético terrestre e os seus elementos sofrem variações ao longo do
tempo. Essas variações foram primeiramente constatadas em 1634 por H. Gelli-
brand, que observou mudanças no valor da declinação magnética de Londres, após
comparar suas medidas com medidas efetuadas em 1580 e 1622 por outros obser-
vadores (Jacobs 1963); este tipo de variação recebe a denominação de variação
secular. Além disso, o campo sofre inversões de polaridade, isto é, mudanças de
1800 no sentido do momento de dipolo, conforme descrito por Matuyama (1973).

A intensidade do campo magnético terrestre varia aproximadamente de 0,3


oersted no equador magnético a 0,6 oersted nos polos. Esses valores são muito
pequenos; para efeito de comparação, é ilustrativo mencionar que um Ímã peque-
no, daqueles usados por geólogos, tem um campo superior a 1 oersted, enquanto
eletroÍmãs com campos superiores a 1.000 oersted são comumente utilizados em
aceleradores de partículas.
212 Método Magnético

Em prospecção, as anomalias magnéticas apresentam amplitudes, em geral,


muito menores do que os valores normais do campo magnético terrestre (entre
50 X 10-5 e 5.000 X 10-5 oersted). Por esse motivo, a unidade oersted não é
conveniente para representar os valores do cam'p0 medidos em prospecção; ela é
substituída pelo submúltiplo nanotesla (nT) do SI, que eqüivale a 10-5 oersted.
Anteriormente, o submúltiplo mais empregado era o gama (/) do cgs, cujo valor
é o mesmo do nanotesla.

4.2.6 IGRF

o IGRF (International Geomagnetic Reference FieM) é a representação


teórica, para um dado intervalo de tempo, do campo magnético normal da Terra
ou campo principal, isto é, do campo que se origina no interior da Terra, excetuan-
do os campos causados por materiais magnéticos da crosta e correntes elétricas
induzi das por campos magnéticos externos à Terra.

Para gerar o IGRF, o campo magnético terrestre é representado por um so-


matório de harmônicos esféricos, cujos coeficientes2 são determinados a partir de
medidas magnéticas realizadas sobre todo o planeta, por meio de levantamentos
terrestres, marinhos e aéreos (com aeronaves e satélites).
o primeiro IGRF foi adotado em 1968 (IGRF-1965) pela lnternational Asso-
ciation of Geomagnetism e Aeronomy (IAGA). Desde então, já foram feitas várias
revisões que permitem gerar os valores dos elementos magnéticos do campo entre
1945 e 1995. Cada IGRF prevê uma variação secular do campo, permitindo ex-
trapolações para os cinco anos seguintes. Por exemplo, o IGRF-1985 (Fig. 4.6)
permite estimativas do campo entre 1985 e 1990.
O IGRF é usado como referência para a definição das perturbações causadas
no campo normal pelas estruturas geológicas e depósitos de minérios, isto'é, como
referência para a definição das anomalias magnéticas da prospecção.

4.2.7 ORIGEM DO CAMPO MAGNÉTICO TERRESTRE


Estudos diversos têm mostrado que o campo magnético observado na su-
perfície da Terra, ou às suas proximidades, tem fontes predominantemente inter-
nas.

A teoria mais moderna para explicar a parte principal do campo baseia-se no


funcionamento de um dínamo. Segundo a teoria apresentada por W.M. Elasser e
Sir Edward Bullard nos anos 40, o campo é produzido por correntes elétricas que

20S coeficientes atualizados do IGRF e programas de computador para calculá-Io podem ser
solicitados ao World Digital Data Centre CI, British Geological Survey, Murchison House, West
Mains Road, Edinburgh EH9 3LA, U.K.
4.2 Fundamentos 213

IGIIF1. (a)
,,. 'li ••

"

.-= ~-'~:C
-.--

--

--
,,
\

I
/
-Ull

IGIIF 19116 (b)

.,

Figura 4.6: IGRF-1985 para: (a) inclinação do campo magnético (em graus); (b) variação
anual da inclinação (em minutos por ano). A inclinação 00 assinala o equador magnético.
Adaptado de Barraclough (1987).
214 Método Magnético

circulam no núcleo líquido da Terra, o qual se acredita constituído principalmente


por ferro. As correntes elétricas, segundo a Teoria do Dínamo, são mantidas pelo
movimento de partículas no núcleo líquido. Tanto a variação secular do campo
magnético terrestre, como as suas inversões de polaridade, podem ser explicadas
pela Teoria do Dínamo.
A teoria vem recebendo contribuições dos cientistas ao longo dos anos, porém
parece não estar ainda completamente estabeledda. Uma descrição detalhada da
teoria de Elasser e Bullard é apresentada por Jacobs (1963), que também aborda
outras teorias sobre a origem do campo magnético terrestre, abandonadas por
inconsistências, geralmente de natureza física.
Os valores normais do campo recebem ainda contribuições, de caráter local,
das concentrações de minerais magnéticos que ocorrem nos primeiros 5 km da cros-
ta. Essas contribuições constituem as anomalias do campo magnético, objetivo
principal da prospecção geofÍsica.
Superpõem-se ao campo principal e às contribuições magnéticas locais, cam-
pos produzidos por fontes externas à Terra, cuja característica básica é a rápida
variação com o tempo. A causa destes campos externos são as correntes elétricas
que fluem na ionosfera3, resultantes da interação entre o campo magnético prin-
. cipal, a ionosfera, a magnetosfera4 e o vento solar5.
Na prospecção com o Método Magnético, dois efeitos produzidos pelos cam-
pos magnéticos externos são importantes: as variações diurnas, que produzem
flutuações magnéticas com período de 24 horas (estas são causadas pelo movimen-
to da ionosfera, devido ao seu aquecimento no lado exposto ao Sol e resfriamento
no lado oposto) e as tempestades magnéticas (ligadas às emissões intensas de
plasma solar e à sua interação com o campo principal da Terra), que são tanto
aperiódicas, podendo ocorrer de 1 a 3 vezes por dia durante 2 a 10 horas, como
periódicas, repetindo-se a cada 27 dias e com efeito por vários dias (o primeiro
deles, apenas, é em geral o mais problemático).
As variações diurnas apresentam freqüentemente amplitude máxima em torno
de 50 a 80 nT (os valores aumentam suavemente a partir das primeiras horas da
manhã, atingem seu máximo por volta do meio-dia e tornam a decrescer suave-
mente nas horas da tarde). Durante os levantamentos com o Método Magnético, é
necessário registrar-se essa variação do campo, para posterior correção dos valores

3Camada gasosa parcialmente ionizada, que situa-se entre 60 e 1.000 km acima da superfície
da Terra.

·Camada de gás completamente ionizada, portadora de campo magnético, que situa-se entre
1.000 e 64.000 km acima da superfície da Terra.

5 Plasma contendo principalmente hidrogênio ionizado (prótons e elétrons), pouco magnético,


que é emitido pelo Sol.
4.3 Magnetismo dos Materiais 215

medidos.

As tempestades magnéticas, podem produzir variações no campo magnético


superiores a 1.000 nT. Essas variações geralmente são tão repentinas, que em de-
terminado momento seu valor é de alguns' nanoteslas, enquanto que no instante
seguinte o valor pode passar para centenas de nanoteslas. A duração das tempes-
tades magnéticas é aleatória; elas podem durar desde frações de segundo a vários
dias. Esse fenômeno é mais freqüente e intenso nas altas latitudes, onde ocorre
geralmente associado às auroras. Nos levantamentos magnéticos, as medidas de-
vem ser suspensas durante uma tempestade magnética, pois é impossível obter-se
um bom registro do campo durante esse período.

4.3 MAGNETISMO DOS MATERIAIS


4.3.1 DIAMAGNETISMO, PARAMAGNETISMO E
FERROMAGNETISMO

As substâncias ou materiais terrestres não apresentam o mesmo comporta-


mento magnético quando submetidas a um campo magnético. Por exemplo, se
é criado um campo no eixo de um cilindro ao passar-se uma corrente através de
espiras que o envolvem e, a seguir, diversos tipos de substâncias são aproximadas
de uma de suas extremidades, pode-se observar que:

(a) algumas substâncias podem ser atraídas e outras repelidas;


(b) a força de atração ou repulsão não é mais intensa no centro do cilindro,
onde o campo tem a máxima intensidade, mas às proximidades das extremidades
do cilindro;
(c) a intensidade da força varia de algumas dezenas de dinas (positiva no
caso da atração e negativa na repulsão) até valores superiores a 100.000 dinas,
dependendo do tipo de substância.

Na experiência descrita, as substâncias que são repelidas são denominadas de


diamagnéticas, enquanto as que são atraídas recebem a denominação de para-
magnéticas. Estas últimas, sob certas condições, podem apresentar magnetização
espontânea e estão associadas aos maiores valores de atração. Neste caso, elas pas-
sam a ser denominadas de substâncias ferromagnéticas.
As substâncias diamagnéticas, quando submetidas a um campo magnético,
adquirem magnetização de intensidade fraca e sentido contrário ao do campo; por
isso, elas são repelidas no experimento descrito. A fraca intensidade da magneti-
zação provém do pequeno valor de susceptibilidade magnética dessas substâncias,
enquanto o sentido contrário ao do campo, permite que se atribua um sinal nega-
tivo à sua susceptibilidade.
No caso das substâncias paramagnéticas, a magnetização é ainda fraca, por
216 Método Magnético

causa da sua baixa susceptibilidade, e o seu sentido igual ao do campo, produzindo


a atração observada no experimento e caracterizando a susceptibilidade com o
sinal positivo.
As substâncias ferromagnéticas têm susceptibilidade magnética muito elevada
e positiva, o que lhes permite uma magnetização com intensidade muito forte, no
mesmo sentido do campo.

Tanto nas substâncias diamagnéticas, como nas paramagnéticas, a suscepti-


bilidade é constante. Nas substâncias ferromagnéticas, entretanto, ela não é cons-
tante, mas depende da intensidade do campo externo.
O diamagnetismo resulta do movimento dos elétrons em torno do núcleo dos
átomos dos elementos. Fisicamente, esse movimento representa uma corrente
(carga em deslocamento) circulando em volta do núcleo e cria, portanto, um
momento magnético de dipolo (Fig. 4.7).

-- --- '-.
1m",
(+ \ ~!
\//
" ep "-~-
.•.•...•.. •......
)

Figura 4.7: Momento magnético gerado pelo movimento de um elétron em torno do


núcleo de um átomo.

As características magnéticas dos materiais diamagnéticos somente são obser-


vadas~macroscopicamente (fora dos materiais) na presença de um campo externo,
uma vez que na matéria existe um número igual de elétrons circulando em sentidos
opostos, de modo que os seus momentos cancelam-se. Na presença de um campo
externo, entretanto, os elétrons que circulam em um sentido têm a sua velocidade
aumentada, enquanto os que circulam no sentido oposto são desacelerados. Isso
produz um acréscimo no momento magnético dos elétrons acelerados e um de-
créscimo no momento dos que foram desacelerados, gerando uma resultante não
nula do momento magnético. A força magnética que atua sobre essas substâncias
é muito pequena (em geral da ordem de algumas dezenas de dinas).
Grafita, quartzo, feldspatos, anidrita e mármore são exemplos de materiais
que apresentam a propriedade diamagnética.
O exame da causa do diamagnetismo (o movimento de elétrons em torno do
núcleo dos átomos) permite concluir que todos os materiais são diamagnéticos, em
sua essência. Em alguns materiais, entretanto, um efeito de intensidade superior
superpõe-se ao efeito do diamagnetismo, produzindo o paramagnetismo. Macros-
4.3 Magnetismo dos Materiais 217

copicamente, o material comporta-se como se tivesse somente o efeito mais forte.


A causa do paramagnetismo é o spin doI elétron, isto é, o movimento do elétron
em torno de seu eixo. Do ponto de vista elétrico, o spin produz efeito similar ao
de uma corrente elétrica circulando em uma espira e, portanto, tem um momento
magnético associado.

Todas as substâncias deveriam apresentar características paramagnéticas, já


que todas têm elétrons. A razão para que o efeito apareça somente em algumas
substâncias é que, na maioria dos átomos e moléculas, os elétrons são agrupa-
dos em pares com spins de sentidos opostos, produzindo momentos magnéticos
que se cancelam, deixando somente o efeito diamagnético. O paramagnetismo
pode, então, ser basicamente associado aos materiais que têm número Ímpar de
elétrons, embora existam estruturas eletrônicas que possibilitam características
paramagnéticas mesmo quando o número de elétrons é par.

Em seu estado natural, as substâncias ou Il,lateriais paramagnéticos têm os


momentos magnéticos do spin dispostos desordenadamente, devido à agitação
térmica no seu interior. Na presença de um campo magnético externo, entretan-
to, esses momentos alinham-se com a direção do campo, permitindo que as ca-
racterísticas paramagnéticas possam ser observadas. A força magnética de atração
que se desenvolve nos materiais paramagnéticos, embora seja maior do que nos
diamagnéticos, é ainda pequena (entre dezenas e centenas de dinas)~
Entre as rochas e minerais paramagnéticos encontram-se: gnaisse, dolomita,
sienito, olivina, piroxênio, biotita, pirita e, normalmente, os condutores metálicos,
pois estes têm elétrons livres para se orientarem.
Em alguns materiais paramagnéticos existe uma interação muito forte entre
os átomos que os constituem, favorecendo o alinhamento de momentos magnéticos
do spin, mesmo na ausência de um campo magnético externo (as razões para esse
alinhamento são explicadas por teorias da Mecânica Quântica). A interação é tão
forte que, geralmente, somente a temperaturas bem acima da ambiente, a agitação
térmica consegue destruir o alinhamento dos momentos magnéticos. Esses mate-
riais são os ferromagnéticos. A temperatura a partir da qual um material perde
a sua característica ferromagnética e passa a se comportar como paramagnético é
denominada de-temperatura de Curie.

Como os momentos magnéticos estão alinhados nos materiais ferromagnéticos,


é de se esperar que eles apresentem magnetização espontânea, do ponto de vista
macroscópico. Observa-se, entretanto, que muitos materiais ferromagnéticos so-
mente exibem magnetização, quando colocados na presença de um campo externo;
além disso, a sua máxima magnetização somente se desenvolve sob a ação de um
forte campo magnético externo. A razão disso é que os materiais ferromagnéticos,
mesmo a nível de cristais isolados, são subdivididos em inúmeros domínios ou
células magnéticas, cujos momentos são orientados em direções diferentes. A
subdivisão em domínios com momentos de orientação diferente é o resultado de
um processo de minimização de energia ,dentro e fora do material (Nagata 1961).
218 Método Magnético

A forma e o tamanho dos domínios é muito variável, porém a ordem de grandeza


das suas dimensões é de frações de um micrômetroj um cristal com dimensões de
0,1 micrômetro contém pelo menos dois domínios (Grant & West 1965).
Quando todos os domínios apresentam momento magnético com a mesma
orientação (Fig. 4.8a), o material é classificado como verdadeiramente ferro-
magnético. Se os momentos magnéticos não são igualmente orientados, mas existe
uma resultante em alguma direção (Fig. 4.8b), o material é dito ferrimagnético.
Finalmente, no caso em que a resultante da composição dos momentos é nula (Fig.
4.8c), o material é denominado de antiferromagnético. A temperatura a partir
da qual a agitação térmica destrói o alinhamento dos momentos magnéticos dos
materiais antiferromagnéticos é a temperatura de Néel.

[ill]
rrrn
(a ) ( b ) (c )

Figura 4.8: Representação esquemática dos domínios de um material ferromagnético:


(a) verdadeiramente ferromagnético;(b) ferrimagnético;(c) antiferromagnético.

As características dos materiais verdadeiramente ferromagnéticos podem ser


observadas no ferro, cobalto e níquel. Os materiais ferromagnéticos parecem,
entretanto, ser instáveis sob as condições naturais.

Os mais comuns minerais ferrimagnéticos são: magnetita, titanomagnetita,


maghemita (hematita-,) e pirrotita.
Dentre os minerais antiferromagnéticos destacam-se hematita, troilit,a e ilme-
nita. Estes minerais, quando impuros, apresentam as mesmas características dos
materiais ferrimagnéticos.

O ferromagnetismo é o responsável pela magnetização observada nos materiais


geológicos. As anomalias magnéticas detetadas nos trabalhos de prospecção são
basicamente devidas à presença isolada ou em conjunto dos minerais magnetita,
pirrotita e ilmenita. Isto resulta da grande capacidade de magnetização (elevada
susceptibilidade) e abundância desses minerais.
I

4.3.2 CURVA DE HISTERESE


Colocando-se um material ferromagnético, que não esteja magnetizado, na
presença de um campo magnético externo H, cuja intensidade é aumentada gra-
dativamente a partir de zero, observa-se que o aumento de H causa um aumento
no campo magnético induzido B, segundo uma relação não linear, que é repre-
4.3 Magnetismo dos Materiais 219

-Hs
I H
I
I
I
I
I
I
"'"

Figura 4.9: Curva de histerese.

sentada pela curva OAC na figura 4.9. Ao atingir o ponto C, o material está
magneticamente saturado por um campo Bs' Diminuindo-se, gradativamente, a
intensidade de H, o valor de B não decresce seguindo o percurso inverso CAO, mas
segundo a curva CDEF; esse novo caminho é, basicamente, devido à irreversibili-
dade parcial do movimento nos domínios magnéticos (Purcell 1963). Observando
este novo percurso, verifica-se que, quando H = O, ou seja, o campo magnético
externo é retirado, o material continua magnetizado com um campo residual Br,
e passa então a apresentar magnetização residual espontânea. Somente quando
o campo magnético H tem o seu sentido invertido, assumindo o valor Hc (va-
lor coercitivo), o material é desmagnetizado (B = O). No ponto F da curva, o
material está magneticamente saturado com um valor igual a -Bs (sentido con-
trário à saturação Bs)' Decrescendo-se novamente o valor absoluto .do campo H,
a intensidade de B varia, agora, segundo a curva FGJC, completando o ciclo.

O fenômeno magnético representado na figura 4.9 é chamado de histerese.


Este fenômeno ocorre somente com os materiais ferromagnéticos.

4.3.3 MAGNETIZAÇAO DAS ROCHAS


A magnetização que se observa nas rochas, como resultado da presença de mi-
nerais magnéticos na sua composição, pode ser classificada em dois tipos: magne-
tização induzida e magnetização residual remanescente ou remanente. A magne-
tização induzida é provocada pelo campo atual da Terra, enquanto a magnetização
remanescente é adquirida ao longo da história geológica da rocha.
Vários processos podem produzir a magnetização remanescente. De acordo
com eles, este tipo de magnetização recebe denominações particulares.
220 Método Magnético

No processo de formação das rochas Ígneas, a magnetização termoremanente


é a mais importante. Este tipo de magnetização remanescente desenvolve-se a
partir do resfriamento dos materiais geológicos abaixo da temperatura de Curie,
na presença do campo magnético terrestre da época.

Quando um campo magnético é aplicado a um material magnético e depois


removido, é possível o aparecimento de magnetização residual no material, dita
magnetização isotérmica. O campo magnético terrestre, por ser muito fraco,
não é capaz de produzir significante magnetização desse tipo; porém, os fortes
campos magnéticos associados com a queda de raios podem causar magnetização
isotérmica, ainda que localmente.

A magnetização remanescente conhecida como magnetização qmmlca


desenvolve-se quando ocorrem transformações químicas ou crescimentos de grãos
ferromagnéticos (ainda que a temperaturas abaixo da de Curie), durante a for-
mação das rochas metamórficas e sedimentares.

Durante o processo de deposição de sedimentos finos (argilas de varvitos, por


exemplo) desenvolve-se a magnetização remanescente denominada magnetização
detrital ou deposicional.

A aplicação de um campo magnético fraco, como o da Terra, por um longo


período de tempo, produz a magnetização viscosa ..

Um outro tipo de magnetização remanescente, que pode ocorrer como o re-


sultado da aplicação conjunta de pressão e campo magnético (fenômeno da magne-
tostrição), é denominada de magnetização piezo-remanescente. Este tipo de
magnetização pode ser significativo em rochas que foram submetidas a esforços
tectônicos.

Uma descrição detalhada de cada um dos tipos de magnetização remanescente


aqui abordados pode ser encontrada em Nagata (1961).

Como a magnetização remanescente está diretamente ligada à história


geológica da rocha d~sde a sua formação, o conhecimento das suas causas é muito
importante, principalmente para o estudo de Paleomagnetismo.

Na prospecção mineral, os valores medidos representam o resultado da inte-


ração da magnetização induzida com a magnetização remanescente. Essa inte-
ração se dá através da reorientação ou do alargamento dos domínios magnéticos
dos minerais ferromagnéticos. Durante a interpretação dos valores medidos, a
interação dos dois tipos de magnetização pode levar a erros consideráveis, quando
se presume que a magnetização responsável pelas anomalias é somente induzida
e, na realidade, os dois tipos de magnetização estão presentes.
4.4 Determinações de Susceptibilidade e Remanência 221

4.4 DETERMINAÇOES DE SUSCEPTIBILIDADE


E REMANÊNCIA
Além da determinação do campo ou de suas componentes durante o le-
vantamento geofísico, é recomendado realizarem-se medidas de susceptibilidade
magnética e de magnetização remanescente. Este último tipo de medida é de
grande ameI1io ao intérprete dos dados magnéticos, uma vez que a magnetização
das rochas possui sempre uma componente induzida, que depende da susceptibili-
dade magnética e é paralela ao campo magnético atual, podendo ainda apresentar
uma componente remanescente, que está relacionada à sua história geológica.

4.4.1 MEDIDORES DE SUSCEPTIBILIDADE MAGNÉTICA

As medidas de susceptibilidade magnética podem ser realizadas no campo,


sobre afloramentos, ou no laboratório, em amostras de afloramentos e testemunhos
de sondagem.

Os medidores de susceptibilidade, susceptibilímetros, quase sempre empre-


gam um sistema indutivo. O sensor desses instrumentos é composto por um
núcleo, em forma de U, de material de elevada permeabilidade magnética, enro-
lado por uma bobina (Fig. 4.10).

Pasando uma corrente alternada pela bobina, desenvolve-se o fluxo de um


campo magnético oscilante através do sistema sensor-ar. Quando uma amostra
de rocha contendo minerais magnéticos é trazida para as proximidades do sen-
sor, há uma diminuição no valor da relutância magnética (eqüivalente magnético
da resistência dos circuitos elétricos) no sistema sensor-amostra, pois a presença
da amostra facilita o fluxo magnético. A diminuição da relutância provoca um
aumento na indutância do sistema, que pode ser detetada e medida como uma va-
riação de voltagem, em uma escala numérica do instrumento. Os valores numéricos
fornecidos pelo instrumento devem ser posteriormente transformados em valores
de susceptibilidade, por meio de uma curva padrão construída pelo fabricante do
equipamento, a. partir de medidas em amostras de susceptibilidade conhecida.

A freqüência de oscilação no sistema indutor deve ser pequena (inferior a


5.000 Hz), a fim de que os efeitos gerados pela condutividade elétrica da amostra
sejam minimizados.

A figura 4.11 ilustra a operação de medidas de susceptibilidade magnética


em testemunhos de sondagem com o instrumento modelo SM-5 fabricado pela
companhia Scintrex Ltd. Esse instrumento pesa cerca de 0,6kg e fornece medidas
no intervalo de 100x 10-6 a 99.000x 10-6 unidades cgs, com resolução de 100x 10-6
unidades cgs. A freqüência de oscilação do sistema indutor é de 1.000 Hz e o campo
magnético, inferior a 1 oersted.
222 Método Magnético

Amostra

~~--
~ ~-

~~ Flúxo
magnético

Figura 4.10: Representação esquemática da operação de um medidor de susceptibilidade


magnética.

Figura 4.11: Medidas de susceptibilidade magnética sendo realizadas sobre testemunhos


de sondagem. O equipamento utilizado é o susceptibilímetro SM-5. Cortesia de Scintrex
Ltd.
4.4 Determinações de Susceptibilidade e Remanência 223

4.4.2 MEDIDORES DE REMANÊNCIA


As medidas de remanência devem ser, realizadas em ambiente não afetado
pelo campo magnético terrestre e pelas suas variações temporais (variação diurna
e tempestades magnéticas). Por este motivo, é necessário prover os medidores de
remanência, magnetômetros de remanência, de aparelhos especiais que blindam
o campo magnético terrestre.
Os mais simples magnetômetros de remanência apresentam um sistema
astático composto por duas barras magnetizadas horizontais de mesmo momento
magnético, suspensas por uma fibra e separadas de 6 a 12cm (Fig. 4.12). As bar-
ras são orientadas de modo que os seus momentos magnéticos apontem em sentido
oposto (polos magnéticos opostos). Este tipo de instrumento é conheccido como
magnetômetro astático.

E
<.>

N
o
<O

Figura 4.12: Sistema astático de um magnetômetro de remanência.

As medidas com esses magnetômetros são realizadas colocando-se as amostras


de rocha (geralmente de forma cilíndrica) segundo vários orientações sob o sistema
astático. A presença das amostras causa defiexões no sistema, que são detetadas
através de um acessório ótico. As defiexões permitem que se determinem os valores
de inclinação e declinação remanescentes da amostra, bem como a intensidade do
seu momento de dipolo.

Uma variação desse tipo de instrumento é o magnetômetro paras tático, cujo


sistema emprega 3 barras magnetizadas suspensas por um filamento e separadas
por uma distância conveniente. A barra central tem o seu momento magnético
igual ao dobro do momento de qualquer uma das outras duas e orientado em
sentido oposto.

Os magnetômetros astáticos e parastáticos são hoje pouco empregados nas


224 Método Magnético

determinações de remanência, devido ao grande labor dispendido durante as me-


didas. Ainda assim, eles são preferidos em certos tipos de determinações, como,
por exemplo, da remanência de amostras de forma irregular ou de material depo-
sitado e de heterogeneidades na remanência.
Outro tipo de instrumento empregado nas medidas da remanência de amostras
de rochas é o magnetômetro de rotação (Spinner magnetometer). O princípio de
funcionamento desse tipo de magnetômetro é a geração de uma voltagem alter-
nada pela rotação contínua de uma amostra às proximidades de uma bobina ou
de um sensor do tipo usado nos magnetômetros de saturação (item 4.6.1). A am-
plitude da voltagem é proporcional à mmponente do momento magnético que é
perpendicular ao eixo de rotação. A fase da voltagem permite relacionar a direção
da componente medida a uma direção de referência da amostra. Rotacionando a
amostra em torno de dois eixos ortogonais, é possível determinar-se o seu momento
total.

A operação atual com os magnetômetros de rotação é totalmente automa-


tizada. Durante a operação, os sinais recebidos pelo sensor são transmitidos a
um computad<?r que os processa e fornece as medidas de remanência da amos-
tra. Devido à facilidade de operação e sensibilidade que os magnetômetros de
rotação proporcionam nas determinações de remanência, eles têm sido preferidos
aos magnetômetros astáticos.
Também os magnetômetros de supercondutividade são usados para medir
remanência.Esse tipo de magnetômetro fornece medidas mais rápidas e sensíveis
do que os magnetômetros astáticos e de rotação.
Maiores detalhes sobre os magnetômetros de remanência poderão ser encon-
trados em Collinson (1983).

4.5 SUSCEPTIBILIDADE DE ROCHAS E


MINERAIS
A susceptibilidade magnética das rochas depende, principalmente, da quan-
tidade, tamanho dos grãos e modo de distribuição dos minerais ferromagnéticos
nelas contidos. Os minerais ferromagnéticos ocorrem nas rochas comumente na
forma de grãos finos dispersos em uma matriz de minerais paramagnéticos e dia-
magnéticos, representada pelos silicatos.

Devido à presença dos minerais ferromagnéticos, as rochas mostram ca-


racterísticas similares às desses minerais, como a histerese. A sua intensidade de
magnetização não é, entretanto, tão elevada quanto à dos minerais ferromagnéticos
tomados isoladamente.

A susceptibilidade magnética das rochas e minerais é comumente determinada


na presença de um campo externo. Para a prospecção mineral, a intensidade desse
campo deve ser similar à do campo magnético terrestre (0,3 a 0,6 oersted), pois,
4.5 Susceptibilidade de Rochas e Minerais 225

nos minerais ferromagnéticos (e nas rochas que os contêm), o valor da suscepti-


bilidade depende da intensidade do campo magnético. Na literatura geofísica, é
muito comum encontrarem-se tabelas com valores de susceptibilidade obtidas com
campos de 0,5 e 1 oersted; ambos os valores são aceitos pela maioria dos geofísicos
da prospecção mineral.

As rochas sedimentares são, normalmente, as que apresentam os menores


valores de susceptibilidade magnética. Esses valores são geralmente inferiores a
50 X 10-6 no sistema cgs.

Nas rochas vulcânicas, a su~ceptibilidade magnética varia geralmente entre


100 X 10-6 e 10.000 x 10-6, no si'stema cgs, enquanto nas plutânicas, a variação
é de 100 x 10-6 a 5.000 X 10-6 (Nagata 1961).

As rochas metamórficas apresentam valores de susceptibilidade geralmente


dentro da faixa de 10 X 10-6 a 500 x 10-6, no sistema cgs.

Os espécimes mais máficos das rochas, por conterem maior quantidade de


ferro, são os que apresentam maiores valores de susceptibilidade magnética. Nas
ígneas félsicas, por exemplo, a susceptibilidade típica, no sistema cgs, é 2.500 X
10-6, enquanto nas ígneas máficas o valor típico é 5.000 x 10-6 (Wright 1981).

Dentre os minerais ferromagnéticos, apenas alguns têm susceptibilidade


magnética suficientemente elevada para produzirem anomalias detetáveis nos tra-
balhos de prospecção. Esses minerais são a rriagnetita, a pirrotita, a ilmenita, a
franklinita e a maghemita (hematita-,). Devido à sua abundância, os três pri-
meiros são os que mais contribuem para a magnetização das rochas.

Por ser largamente distribuída nas rochas, principalmente como mineral


acessório, e por sua elevada susceptibilidade, a magnetita tem o seu conteúdo
relacionado ao valor da susceptibilidade das rochas e vice-versa (Mooney & Blei-
fuss 1953; Balsley & Buddington 1958; Nagata 1961; Bath 1962). As relações entre
a percent.agem de magnetita e a susceptibilidade são estabeleci das empiricamente
e, em geral, só podem ser usadas de modo restrito, a nível local, isto é, as relações
podem ser válidas para a área onde foram definidas, mas podem não ser satis-
fatórias para outras áreas. Entre as expressões que relacionam a susceptibilidade
magnética de uma rocha ao conteúdo de magnetita tem-se, por exemplo,

K. = 2,89 X 10-3V1,Ol (4.29)

sendo V o volume percentual de magnetita (entre 0,2 e 3,5 %) encontrado em


amostras de rochas do Pré-Cambriano do Estado de Minnesota, EUA, que incluem
basaltos, diabásios, granitos, gabros, ardósias e riolitos (Mooney & Bleifuss 1953);

K. = 2,6 X 1O-3V1,1l (4.30)

sendo V o volume percentual de magnetita (entre 0,1 e 10 %) determinado em


amostras de rochas ígneas e metamórficas da área de Adirondack, Estado de New
226 Método Magnético

York, EUA (Sauck 1972; Balsley & Buddington 1958);

K = 1,16 X 1O-3yl,39 (4.31)

sendo Y o volume percentual de minerais magn'éticos, determinados, por meio do


processo de separação magnética, em 1760 amostras da formação ferrífera Biwabik,
que ocorre na área de Mesabi, Estado de Minnesota, EUA (Bath 1962).

Em termos práticos, é comum usar-se a seguinte regra para estimar a sus-


ceptibilidade magnética de uma rocha, como função do volume de magnetita: 1%
de magnetita é responsável por uma susceptibilidade magnética de 3.000 x 10-6,
no sistema cgs (Wright 1981).

Nas tabelas 4.1 e 4.2 estão representados valores de susceptibilidade magnética


de diversas rochas e minerais, respectivamente.

média
10
25
200
120
1400
7000
30
50
6000
500
4500
13000
7600-15600
6000 variação
20-14500
80-13000
50-10000
100-3000
20-3000
10-2000
0-1660
5-1480
25-240
0-4000
0-3000
2-280
0-75
emu 10500
13500
350
60
,
Xisto
Calcário
Arenito
Folhelho
Filito
Gnaisse
Riolito
Diabásio
Gabro
Basalto
Diorito
Andesito
Ardósia
Piroxenito
Peridotito
Metamórficas: Dolerito
xl06 emu
Tabela 4.1 - xl06
Igneas:
Dolomita
Granito
Anfibolito
80-7200
Susceptibilidade de130
rochas6
Sedimentares:Quartzito
rochas

6Yalores compilados de Telford et ai. (1976).


4.6 Instrumental 227

Tabela 4.2 - Susceptibilidade de minerais7

mmerals vanaçao média


xl06 emu xl06 emu
Grafita [C] -8
Quartzo [Si02) -1
Anidrita [CaS04) -1
Carvão [C) 2
Calcopirita [CuFeS2) 32
Esfalerita [ZnS) 60
Cassiterita [Sn02] 90
Pirita [FeS2) 4-420 130
Limonita [FeO(OH).nH20] 220
Arsenopirita [FeAsS) 240
Hematita [Fe203] 40-3000 550
Cremita [FeCr204) 240-9400 600
Franklinita [óxido de (Fe,Zn,Mn)] 36000
Pirrotita [FeS] 102-5 X 105 125000
Ilmenita [FeTi03) 2,5 x i04-3 X 105 1,5 x 105
Magnetita [Fe304) 105-1,6 X 106 5 X 105

4.6 INSTRUMENTAL
As primeiras medidas realizadas para a localização de concentrações de mi-
nerais magnéticos foram feitas com bússola náutica e bússola geológica. Essas
medidas consistiam na observação de perturbações dos valores normais de decli-
nação e inclinação do campo magnético.
Posteriormente, foram desenvolvidos instrumentos capazes de medir variações
das componentes horizontal e vertical do campo. Por medirem somente as va-
riações do campo, esses instrumentos receberam a denominação de variômetros
magnéticos. Os mais conhecidos variômetros são as balanças horizontal e vertical
de Schmidt.

Basicamente, os variômetros são agulhas magnetizadas que podem girar em


torno de um E?ixohorizontal, pela ação do campo magnético. São, portanto,
instrumentos mecânicos. Os ângulos de rotação são proporcionais às variações
do campo e, por serem muito pequenos, só podem ser observados por meio de
sistemas mecânicos e óticos de elevada precisão. A sensibilidade dos variômetros
é da ordem de 10 nT por divisão. Uma descrição detalhada dos variômetros
magnéticos pode ser encontrada em Heiland (1968) e Telford et aI. (1976).
Após a Segunda Guerra Mundial, surgiram os magnetômetros, que permitem
que se registre o valor da intensidade do campo magnético (campo total) ou de suas
componentes. De acordo com o princípio de funcionamento, os magnetômetros

7Yalores compilados de Telford et alo (1976).


228 Método Magnético

podem ser dos seguintes tipos: saturação (ftux-gate), precessão nuclear ou pre-
cessão de prótons, bombeamento ótico e supercondutividade -(SQUID).

4.6.1 MAGNETÔMETRO DE SATURAÇÃO (FLUX-GATE)


o princípio básico de funcionamento do magnetômetro de saturação é ilus-
trado na figura 4.13. Esse tipo de magnetômetro contém dois núcleos de material
ferromagnético (mu-metal, ferrite, etc ...) de elevada permeabilidade magnética,
cuja saturação é mostrada na figura 4.13a. Os núcleos são dispostos paralelamente
e, cada um, é envolvido por uma bobina primária e uma bobina secundária, iguais
porém enroladas em sentido oposto (Fig. 4.13b). As bobinas primárias são liga-
das em série e recebem uma corrente alternada de baixa freqüência, enquanto as
bobinas secundárias são conectadas a um voltímetro. O campo magnético produ-
zido pela corrente nas bobinas primárias é suficiente para magnetizar à saturação
os núcleos ferromagnéticos. Na ausência de um campo externo, o voltímetro re-
gistrará zero, devido aos campos induzidos nas bobinas secundárias serem iguais
e de sentidos contrários. Um campo externo somar-se-á vetorialmente ao campo
que existe em um dos núcleos, saturando-o mais cedo, enquanto a saturação do
outro núcleo ocorrerá posteriormente. Neste caso, haverá uma voltagem induzi-
da nas bobinas secundárias, que é proporcional à intensidade do campo externo
(Fig.4.13c,d).
A intensidade do campo total ou de qualquer uma de suas componentes pode
ser medida utilizando-se uma orientação conveniente dos núcleos ferromagnéticos.
Nos levantamentos aéreos, esses núcleos são orientados com o campo total, en-
quanto nos levantamentos terrestres, eles são geralmente orientados com a com-
ponente vertical e raramente com a componente horizontal. A figura 4.14 mostra
detalhes de um magnetômetro de saturação para medidas da componente vertical
em levantamentos terrestres, enquanto a figura 4.15 ilustra a operação de medidas.
A precisão dos magnetômetros de saturação é de 1 nT e o intervalo de medidas
± 100.000 nT.

4.6.2 MAGNE1'ÔMETRO DE PRECES SÃO NUCLEAR


O magnetômetro de precessão nuclear ou magnetômetro de precessão de
prótons consiste basicamente de um sensor, contendo uma fonte de prótons (água,
metanol, álcool etílico, querozene, ett ...) e um contador eletrônico. O sensor é
submetido a um campo artificial muito mais forte do que o campo magnético
terrestre (50 a 100 oersted) e perpendicular a este. Os prótons são polarizados
segundo a resultante dos dois campos, que é virtualmente paralela ao campo ar-
tificial. A remoção repentina do campo artificial faz com que os prótons voltem a
se orientar com o campo magnético terrestre, girando em torno deste campo com
uma freqüência angular
(4.32)
4.6 Instrumental 229

SATURAÇÃO
(o) 8 (c)

81

\ TEMPO
82

V2
(b)

zoa: Bobina
lJ.J Primária
~
lJ.J
oa..
:E Bobina
<r Secundária
o

NÚCLEO 1 NÚCLEO 2

Figura 4.13: Princípio de funcionamento do magnetômetro de saturação (fiux-gate): (a)


curva de histerese dos núcleos; (b) enrolamentos dos núcleos; (c) fluxo magnético nos
núcleos na ausência de um campo externo; (d) voltagens induzidas (VI e V 2) nas bobinas
secundárias na presença de um campo externo (campo terrestre); (e) voltagem resultante,
VI +V 2, medida no voltÍmetro.

Figura 4.14: Magnetômetro de saturação para medidas. da componente vertical, modelo


Scintrex MFD-4. l-interruptor para ligar o instrumento; 2-teste de bateria, quandopres-
sionado junto com o interruptor que liga o instrumento; 3-mostrador das medidas; 4-nÍvel
de bolha. Foto de José Gouvêa Luiz.
230 Método Magnético

Figura 4.15: Operação de medida da componente vertical com magnetômetro de satu-


ração, modelo Scintrex MFD-4. Foto de José Fernando Pina Assis.

em que /p = 26.751,3 radianoj(segundo.oersted) é a razão giromagnética do


próton e Fo, a intensidade do campo magnético terrestre total, que pode ser
determinada medindo-se a freqüência de precessão dos prótons com um contador
eletrônico.

Os magnetômetros de precessão nuclear podem ser adaptados para levanta-


mentos terrestres, marinhos e aéreos. A precisão desses magnetômetros é de 1
nT, dentro de uma'faixa de medidas de 20.000 a 100.000 nT. As medidas podem
geralmente ser feitas na presença de gradientes magnéticos de até 5.000 nT jm.

A figura 4.16 mostra um magnetômetro de precessão de prótons usado em


levantamentos terrestres. Na figura, o sensor que contém a fonte de prótons está
colocada nas costas do operador, enquanto a unidade eletrônica, que comanda o
campo polarizante e fornece a medida do campo magnético terrestre, encontra-se
na caixa à frente do operador.
4.6 Instrumental 231

Figura 4.16: Magnetômetro de precessãonuclear, modelo Scintrex MP-3. Cortesia de


Scintrex Ltd.

4.6.3 MAGNETÔMETRO DE BOMBEAMENTO ÓTICO


Na presença de um campo magnético externo (o campo da Terra, por exem-
pIo), os elétrons de valência de um elemento têm o seu nível estável de energia
separado em dois subnÍveis: um deles corresponde ao estado em que o momento
magnético devido ao spin do elétron é paralelo ao campo magnético (estado para-
leIo) e o outro, em que ele é antiparalelo (estado antiparalelo). A excitação desses
elétrons por uma radiação produz dois novos subníveis de energia, que correspon-
dem aos estados paralelo e antiparalelo descritos. A diferença de energia entre os
subnÍveis estáveis ou entre os subnÍveis excitados é proporcional à. intensidade do
campo magnético.

No magnetômetro de bombeamento ótico, os elétrons do nível de energia mais


externo são excitados por meio de uma fonte luminosa especial, de modo a deslocar
232 Método Magnético

(bombear) os elétrons de um dos subnÍveis estáveis para o correspondente subnível


excitado (paralelo ou antiparalelo).

A fim de que somente um dos sub-nÍveis tenha os seus elétrons bombeados, a


luz deve ser polarizada. Para entendimento do processo, suponha que a luz pola-
rizada permite excitar os elétrons do subnível que corresponde ao estado paralelo.
À medida que os elétrons do subnÍvel estável (paralelo) vão sendo removidos pa-
ra o subnÍvel excitado (paralelo), o elemento irradiado vai-se tornando cada vez
mais transparente à luz de irradiação. No momento em que todos os elétrons
tiverem sido removidos, o elemento torna-se totalmente transparente, o que pode
ser verificado monitorando-se a corrente elétrica em um detetor fotossensitivo, que
aumentará até atingir um máximo, quando todos os elétrons do subnÍvel estável
tiverem sido removidos. O elemento passa, então, a ser irradiado com ondas ele-
tromagnéticas na faixa das rádio-freqüências, a fim de que os elétrons do subnÍvel
estável antiparalelo sejam removidos para o subnÍvel estável paralelo, ora vazio.
A freqüência da onda que consegue mover os elétrons' entre os subnÍveis é igual à
razão E/h, sendo E a diferença de energia entre os subnÍveis e h a constante de
Plank.

Os elementos ceslO, rubÍdio, sódio ou hélio são comumente usados nos


magnetômetros, pois a diferença de energia entre os subnÍveis, nesses elemen-
tos, apresenta valores que podem fornecer medidas precisas do campo magnético
da Terra.

O elemento césio e um sistema de irradiação com feixe de luz à 45° do cam-


po magnético são muito empregados nos magnetômetros de bombeamento ótico,
devido à facilidade operacional. Neles, após a irradiação, os elétrons excitados
retomam à estabilidade girando em torno do campo magnético da Terra Fo com
uma freqüência
f = leFO
211"
(4.33)

sendo le a razão giromagnética do elétron, cujo valor é aproximadamente 21,982,


29,326, 43,982 e 175,929 Hz/nT, respectivamente, para o césio, o rubÍdio-85, o
sódio e o hélio. A figura 4.17 mostra um magnetômetro de vapor de césio, dese-
nhado para levantamentos terrestres.

Para medidas relativas do campo, a sensibilidade deste tipo de magnetômetro


chega a 0,01 nT, em uma faixa de valores que vai normalmente de 20.000 a 100.000
nT.

Os magnetômetros de bombeamento ótico podem medir o campo na presença


de elevados gradientes magnéticos, de cerca de 50.000 nT 1m, que são comuns
sobre depósitos de ferro. Neste aspecto, eles são muito mais vantajosos do que
os magnetômetros de precessão de prótons, que somente medem na presença de
gradientes geralmente inferiores a 5.000 nT 1m.
4.6 Instrumental
___-----233'

Figura 4.17: Magnetômetro de bombeamento ótico a vapor de césio, modelo Scintrex


V-91. Cortesia de Scintrex Ltd.

4.6.4 MAGNETÔMETRO DE SUPERCONDUTIVIDADE

Este tipo de magnetômetro utiliza a propriedade da supercondutividade


elétrica que certos metais puros e ligas apresentam, quando se encontram em
ambientes de temperaturas extremamente baixas (em geral abaixo de -253° C).
Por razões práticas, são usados materiais que se tornam supercondutores a tempe-
raturas acima do ponto de ebulição do hélio líquido (-268,84° C), como o nióbio,
o vanádio e o chumbo.

Quando duas placas de um supercondutor elétrico são colocadas mUl-


to próximas (com separação da ordem de alguns angstrons), desenvolve-se o
fenômeno da canalização de pares de elétrons (supercorrentes) de uma placa super-
condutora para outra, conhecido como efeito de Josephson (Josephson 1962). O
arranjo das placas condutoras separadas por um dielétrico, onde ocorre o fenômeno
da canalização dos elétrons, é denominado de junção de Josephson.
O sensor dos magnetômetros de supercondutividade é constituído de uma
junção de Josephson em forma de anel, conhecida por SQUID (Superconducting
Método Magnético

Quantum Interfer-ence Device), envolvida por uma bobina onde é aplicada uma
corrente, que oscil~ faixa das rádio-freqüências. Esta corrente é usada para
obter-se um fluxo constante de campo magnético através do SQUID. Caso haja
variações nesse fluxo, produzidas por um campo externo (o campo da Terra, por
exemplo), o SQUID gera um campo que se opõe ou adiciona a essas variações.
Fisicamente, o SQUID comporta-se com um amplificador de elevado ganho,
apresentando uma vantagem adicional sobre os amplificadores eletrônicos conven-
cionais: seu nível de ruído extremamente baixo. A agitação térmica das moléculas,
que é responsável por grande parte do ruído dos componentes eletrônicos, prati-
camente inexiste nas condições de supercondutividade. Devido ao efeito de Jo-
sephson, pequenas variações no fluxo são enormemente amplificadas, permitindo
que os magnetômetros de supercondutividade detetem flutuações muito peque-
nas do campo magnético terrestre. A ordem de grandeza da sensibilidade desses
magnetômetros é de 10-5 nT.
A grande desvantagem dos magnetômetros de supercondutividade é a ope-
ração em ambiente de temperatura muito baixa. Este ambiente criogênico é con-
seguido mantendo-se o sensor em um recipiente com hélio líquido, cujo escape é
elevado: cerca de 1 a 3 litros por dia; necessitando o recipiente ser reabastecido a
cada 15 a 20 dias.

Para medir qualquer das componentes do campo, é necessário alinhar-se o eixo


da bobina que envolve o SQUID com a componente desejada. Os magnetômetros
de supercondutividade são comumente construídos, de modo a registrarem as
variações do campo magnético em 3 direções ortogonais. Como o sensor percebe
somente as variações do fluxo de campo magnético, apenas se consegue determinar
as variações das componentes do campo magnético de um ponto a outro de medida,
isto é, obtém-se apenas medidas relativas das componentes do campo magnético.

A figura 4.18 mostra um modelo de magnetômetro de supercondutividade,


que mede o campo magnético segundo três componentes ortogonais. O recipiente
cilíndrico deste magnetômetro tem capacidade para 25 litros de hélio líquido e
necessita ser abastecido a períodos de aproximadamente 20 dias. Seu peso, quando
preenchido com hélio, é de 36 kg.
Os magnetômetros de supercondutividade quase não têm sido usados nos le-
vantamentos convencionais de prospecção com o Método Magnético, por proble-
mas operacionais. Em levantamentos com o Método Magnetotelúrico (cap.9,
voI. 2), em que variações do campo magnético associadas aos campos externos
à Terra são medidas, os experimentos realizados também se confrontaram com os
mesmos problemas. Esses magnetômetros podem ser usados como medidores de
remanência (item 4.4.2) e em outros ramos da Ciência, como o Biomagnetismo.
O resultado de testes comparativos entre o magnetômetro SQUID e outros
tipos de magnetômetros é descrito por Zimmerman & Campbell (1975). Uma
descrição sucinta sobre o uso dos magnetômetros de supercondutividade e de
aplicação do SQUID na Geofísica pode ser encontrada em Clarke (1983) e em
4.6 Instrumental 235

Goree & Fuller (1976).

Figura 4.18: Magnetômetro de supercondutividade modelo 330X. Cortesia de S.H.E.


Corporation.

4.6.5 GRADIÔMETROS
Gradiômetros são magnetômetros que possuem dois sensores idênticos, es-
paçados de uma distância fixa e pequena em relação às fontes de anomalia sob
investigação. A diferença na intensidade do campo, medida nos 2 sensores, é di-
vidida pela distância entre eles, para fornecer o gradiente (em nT / m) do ponto
médio entre os sensores.

Nos levantamentos terrestres, a distância entre os sensores é comumente de 1 a


2 m, enquanto nos levantamentos aéreos, de 30 m. Na maioria dos levantamentos,
o gradiente medido é o vertical.

As medidas de gradiente são isentas dos efeitos da variação diurna do campo


e dos efeitos de fontes distantes.

o gradiômetro é essencialmente formado por um par de magnetômetros de


elevada sensibilidade: magnetômetros de preces são de prótons (item 4.6.2) e de
bombeamento ótico (item 4.6.3). A elevada sensibilidade dos magnetômetros de
supercondutividade (item 4.6.4) permite medidas aéreas de gradientes do campo
236 Método Magnético

magnético com sensores separados de apenas 25 cm; a operação desse equipamen-


to, em ambiente de temperatura muito baixa, é contudo problemática.

4.7 TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO


As medidas magnéticas são mais comumente realizadas na superfície dos ter-
renos e com o amauo de aeronaves. Menos comuns são as medidas em poços
perfurados e por meio de embarcações.
Nos trabalhos de reconhecimento são realizados levantamentos aéreos, mari-
nhos e, menos freqüentemente, levantamentos terrestres. Neste tipo de trabalho,
se o objetivo é a prospecção de petróleo, o espaçamento entre as linhas das medidas
aéreas e marinhas é maior do que o empregado na prospecção de minérios, uma vez
que as fontes de anomalias na prospecção de petróleo são de maiores dimensões e
estão localizadas a maiores profundidades. Os levant<Lmentosde reconhecimento
são quase sempre usados para obterem-se informações que auxiliem no mapeamen-
to geológico. Sob condições especiais, entretanto, é possível detetarem-se corpos
contendo minerais-minério.

Na prospecção de minérios, os levantamentos aeromagnéticos são seguidos de


um levantamento terrestre, que é o que realmente vai produzir as melhores infor-
mações sobre os depósitos, tanto em termos de localização, como de potencialidade
econômica.

4.7.1 LEVANTAMENTOS TERRESTRES

Nos levantamentos de reconhecimento, as medidas magnéticas são tomadas


ao longo de estradas e nas margens dos rios. O espaçamento entre as estações é
em geral de 1 a 10 km.
Nos trabalhos de detalhe, a amostragem do campo magnético é feita ao longo
de picadas transversais à estrutura ou ao corpo mineralizado, objeto da pros-
pecção. O espaçamento de amostragem varia normalmente entre 10 e 100 m.
Nos levantamentos relacionados à Arqueologia e à Proteção Ambiental, esse es-
paçamento pode ser reduzido até 0,5 m.
Nos levantamentos terrestres mede-se principalmente valores absolutos do
campo magnético (campo total) ou da sua componente vertical. A componen-
te horizontal quase nunca é medida. Raras também são as medidas de gradiente
do campo.

O instrumento utilizado nas medidas do campo total é normalmente o


magnetômetro de precessão nuclear, enquanto as medidas da componente vertical
são realizadas com magnetômetro de saturação (flux-gate).
Durante o levantamento é comum o uso de dois magnetômetros. Um deles
4.7 Técnicas de Levantamento 237

permanece em um ponto fixo denominado de estação base, enquanto o outro é


usado no levantamento propriamente dito. O magnetômetro que permanece na
estação base registra as variações temporais do campo (variação diurna) que serão
usadas para corrigir os valores medidos com o outro magnetômetro. Além do
registro do campo magnético, com ambos os magnetômetros, registra-se também
a hora em que cada medida é tomada.
Caso somente um magnetômetro esteja disponível, é necessário interromper-
se o levantamento periodicamente (a intervalos de 2 a 3 horas) e voltar a me-
dir na estação onde foi tomada a medida inicial, a fim de se ter o controle da
variação diurna do campo magnetico. Opcionalmente, pode-se retornar a uma
estação qualquer em que já se tenha realizado uma medida, quando a estação
inicial encontra-se muito distante (à semelhança do que é feito no levantamento
gravimétrico, ilustrado na figura 3.13); nesse caso, essa estação deve ter a sua me-
dida relacionada à da estação base inicial. Também nesse tipo de procedimento,
é necessário anotar-se a hora em que todas as m~didas são realizadas.
Com os magnetômetros que fornecem as medidas na forma digital, é necessário
efetuarem-se de 3 a 5 medidas em cada ponto, a fim de se obter confiabilidade
no valor medido. As medidas são confiáveis, quando mostram repetibilidade ou
discrepância máxima de 2 a 3 nT. Valores muito discrepantes podem ser causados
por: mau funcionamento do equipamento (baterias fracas ou falta de bons con-
tactos elétricos), gradientes magnéticos muito fortes (devidos a afloramentos ou a
linhas elétricas de alta tensão) ou, ainda, por tempestades magnéticas (associadas
a distúrbios solares) e meteorológicas (descargas sob a forma de relâmpagos).
Quando são usados dois magnetômetros, a deteção de tempestades pode ser
feita através do magnetômetro instalado na estação base: durante uma tempesta-
de, os valores medidos na estação base mostrar-se-ão discrepantes, assim como os
medidos pelo magnetômetro móvel. Quando é usado apenas um magnetômetro, a
deteção de tempestades pode ser conseguida voltando-se a uma estação já ocupada
e obtendo-se valor discrepante ao anteriormente medido nessa estação.
As medidas magnéticas terrestres são muito rápidas; um operador treinado
pode completar a medida de uma estação em menos do que 10 segundos. Em um
dia de trabalho é possível medirem-se cerca de 150 estações espaçadas de 50 m ou
600 estações espaçadas de 10 m; esse rendimento pode, entretanto, cair à metade
em áreas de difícil acesso.

4.7.2 LEVANTAMENTOS MARINHOS

Nas áreas cobertas por água, as medidas magnéticas são realizadas tanto com
o aUXIliode embarcações, como de aviões. O uso de embarcações é, contudo, muito
restrito, pois torna o levantamento mais lento e caro do que o uso de aviões. Por
esse motivo, a maioria dos levantamentos magnéticos realizados com embarcações
visa estudos oceanográficos de larga escala ou a localização de objetos metálicos,
238 Método Magnético

tais como dutos submarinos e navios afundados. Na prospecção de petróleo, o


levantamento magnético com embarcações é vantajoso, apenas, quando realizado
simultaneamente com levantamento gravimétrico ou sísmico.

Quando são usadas embarcações nos levantamentos magnéticos, o sensor deve


ser colocado a uma distância tal que não seja afetado pelo material magnético de
bordo. Para isso, o sensor é normalmente instalado em um cilindro à prova d'água,
denominado de peixe, que é puxado pela embarcação (Fig. 4.19). A distância
do peixe à embarcação varia, comumente, de 150 a 300 m. Na tabela 4.3 são
mostrados os efeitos magnéticos a várias distâncias, causados por embarcações de
diversos portes.

Tabela 4.3 - Efeito magnético (aproximádo) como função do porte da embarcação

250
150
100
0,4
1,4
1,6
3,0
6,0
25,0
13,0
6,0 mm
20,0mnT 3300,0
50,0
80,0
6,0
nT
Porte da embarcação 1700,0
200,0
700,0 nT Distância à embarcação
30 m

o peixe é normalmente puxado a uma profundidade de 15 a 20 m abaixo da


superfície das águas, com uma velocidade que não ultrapassa 15 nós. Velocidades
maiores devem ser evitadas, porque causam vibrações e oscilações no sensor, pro-
vocando ruído excessivo; em alguns casos, é necessário reduzir a velocidade para
valores inferiores a 2 nós.

Figura 4.19: Sensor magnético instalado no peixe (magnetômetro G-811, fabricado por
EG&G Geometrics). Foto de José Fernando Pina Assis.

o magnetômetro mais empregado é o de precessão de prótons. O registro das


medidas é feito de modo contínuo na embarcação, que recebe o sinal via conexão
elétrica com o sensor. A figura 4.20 mostra um dos tipos de registrador usado em
levantamentos marinhos.
4.7 Técnicas de Levantamento 239

o posicionamento da embarcação e, conseqüentemente, a localização das li-


nhas de medida é feito com um dos sistemas descritos no item 2.4.2.3.

Figura 4.20: Registrador empregado em levantamentos marinhos. Cortesia de EG&G


Geometrics.

4.7.3 LEVANTAMENTOS AÉREOS

Os levantamentos aéreos são realizados com aviões ou helicópteros. O uso de


helicópteros permite que os levantamentos sejam feitos a altitudes menores e seja
mantida uma altitude constante em relação ao terreno. Essas condições de vôo
são importantes, principalmente, quando o alvo do levantamento é relativamente
pequeno, como acontece na prospecção de depósitos de minério. Os helicópteros
também facilitam os levantamentos com as linhas de vôo pouco extensas e pouco
espaçadas usadas na prospecção de minérios.
Quando o objetivo é a localização de feições geológicas de grandes dimensões,
240 .AIétodo Magnético

como requerido no mapeamento regional e na prospecção de petróleo, não é, em


geral, necessário pequena altura de vôo, nem manter altura rigorosamente cons-
tante acima do nível do terreno. Nesse caso, os levantamentos são normalmente
realizados com aviões.

A altura de vôo empregada nos levantamentos é, em média, de 150 m. Essa


altura deve entretanto ser escolhida segundo as dimensões do alvo do levantamen-
to, como já foi mencionado anteriormente. Por isso, a altura de vôo pode variar
desde 50 m, se o alvo é de pequenas dimensões (corpos de minério), até cerca de
450 m, se o alvo é de grande dimensões (falhas e dobras regionais). As alturas de
vôo maiores possibilitam que o efeito magnético das pequenas fontes de anomalia,
que são indesejáveis quando se procuram fontes extensas, não seja incorporado
às medidas. Os seguintes efeitos são observados com o aumento da altura de vôo
(Fig. 4.21):
(a) diminuição da magnitude da anomalia,

(b) alargamento da anomalia e


(c) diminuição da resolução de anomalias individuais.

3000
ALTURA DE VÕO
-- 150m
2000 --- 300 m
------ 600 m ( o)
.........-.. 900 m
1000

w O
-------- E

30000

20000

(b)
10000

Figura 4.21: Efeito da altura de vôo nas anomalias magnéticas: (a) levantamento aéreo
a diversas alturas; (b) levantamento terrestre. Adaptado de Riddell, P.A. ln: Mining
Geophysics, v. 1, Society of Exploration Geophysics,1966,p. 421.
4.7 Técnicas de Levantamento 241

Oespaçamento entre as linhas de vôo varia normalmente de 200 a 2.000 m; os


menores espaçamentos são quase sempre usados por helicópteros. O espaçamento
deve também ser escolhido em função das dimensões do alvo. De acordo com Reid
(1980), o espaçamento entre as linhas de vôo não deve ser superior a duas vezes
a distância entre o sensor e a fonte magnética.
Segundo Agocs (1955), a probabilidade P de uma linha de vôo passar sobre
anomalias alongadas de comprimento L, em um levantamento com espaçamento
S entre as linhas, sendo S > L, é

P _ 2L (4.34)
1rS

no caso de anomalias retangulares de comprimento L e largura W, cuja diagonal


é menor do que o espaçamento S entre as linhas de vôo, essa probabilidade passa
a ser:
P = 2(L + W) (4.35)
1rS

A configuração de vôo amplamente usada consiste de linhas paralelas, com as


linhas adjacentes voadas sempre em sentidos opostos e linhas de controle, trans-
versais às anteriores, voadas periodicamente (Fig. 4.22).

II -f I ·1 I
II I I I ,
II I I I '
II I I I I
.- I , I ,, I I I I I
I'
linha d.
,
i I
'""'-
ontrol.

L _
,
-
"-
'..J.
••

,/

do
ntamlnto

ha d.
Irol.

Figura 4.22: Configuraçãode vôo usada em levantamentos aeromagnéticos.


242 Método Magnético

A diferença entre as medidas magnéticas, obtidas nos pontos de intercessão


entre uma linha de controle e uma linha do levantamento, é uma medida da
variação diurna do campo e do grau de incerteza do ponto exato da intercessão,
tanto no plano horizontal (localização das linhas), como no vertical (variação na
altura do vôo).
As medidas são registradas normalmente a cada segundo, o que fornece um in-
tervalo de amostragem que depende da velocidade da aeronave. Com helicópteros
esse intervalo varia de 30 a 40 m, enquanto com aviões, varia de 50 a 60 m.
A direção das linhas de vôo deve ser estabelecida com base, tanto na latitude
magnética da área do levantamento, como na direção (strike) geológica regional.
Nas latitudes médias e altas (campo magnético com inclinação superior a 40°), a
direção das linhas de vôo deve ser perpendicular à direção regional. Nas latitudes
baixas, principalmente aquelas em que a inclinação do campo é zero ou muito
próxima de zero, se as linhas de vôo são perpendiculares à direção regional, é
possível que não se consigam identificar as anomalias 'de corpos magnetizados.
A figura 4.23, que reune perfis magnéticos calculados perpendicularmente à
direção de corpos verticais de comprimento e extensão em profundidade infinitos
(modelo tabular vertical), ilustra o comportamento das medidas para diferentes
ângulos entre a direção do corpo e a direção do norte magnético (() = O a 90°, a
intervalos de 15°), em diversas latitudes (1 = O, 15,30 e 45°). A figura demonstra,
por exemplo, que, se esse tipo de corpo está localizado no equador magnético ou
às suas proximidades (I = O e 15°), não poderá ser detetado, no caso de ser
aproximadamente paralelo à direção do norte magnético (() = O a 15°, com 1 = 0°
1
e () = 0°, com = 15°), por uma linha de vôo perpendicular (direção E-W) a
ele. Nessa mesma latitude, quando o corpo for perpendicular à direção do norte
magnético (() = 90°, com 1 1
= 0° e = 15°) e a linha de vôo paralela à essa
direção, a anomalia produzida será muito bem evidenciada. À medida que a
latitude aumenta (I = 30 e 45°), o problema criado pelo ângulo entre a direção do
corpo e a do norte magnético torna-se menos crítico, conforme se pode observar na
figura. Para diminuir a probabilidade da perda de anomalias em baixas latitudes
magnéticas é recomendado que a direção das linhas de vôo forme um ângulo de
45° com a direção do norte magnético.
A posição das linhas de vôo em relação ao mapa da área é controlada através
dos sistemas de posicionamento descritos no item 2.4.2.3 e por fotografias que são
tomadas durante o levantamento de cada linha.

Os magnetômetros de precessão nuclear e de bombeamento ótico são os mais


utilizados nos levantamentos aéreos. O primeiro, para medidas de campo total
e o segundo, para medidas do gradiente do campo total (devido à sua maior
sensibilidade). Estes dois tipos de magnetômetro não necessitam que os seus
sensores sejam alinhados com a direção do campo magnético durante as medidas,
sendo esta uma das causas que os tornaram mais utilizados em aerolevantamentos
do que o magnetômetro de saturação, que foi largamente empregado nos primeiros
4.7 Técnicas de Levantamento 243

aerolevantamentos. O alinhamento dos sensores do magnetômetro de saturação


com a direção do campo é conseguido empregando-se três detetores dispostos
ortogonalmente. Quando um dos detetores está alinhado com o campo, o sinal
nos outros dois é zero. As deflexões dessa posição são corrigi das automaticamente
por um sistemaeletromecânico acoplado aos três detetores.

-4
x/h
nT 1=15°
I4-2o
4-2 -lZJ ,~
nT
1=0·
400,
&'Z::::::::

-400
-Boo
400l

-4 -2 ° 2 4 -4 -2 ° 4

Figura 4.23: Perfis magnéticos calculados para o modelo tabular vertical (comprimento
e extensão em profundidade infinitos) de largura igual a 4 vezes a profundidade h do seu
topo. Os perfis são perpendiculares à direção do corpo e foram calculados para inclinações
do campo magnético I
= O, 15, 30 e 45°, e ângulos entre o norte magnético e a direção
do prisma B = O a 90° (a intervalos de 15°). Adaptado de Leão & Silva 1977.

O sensor do magnetômetro, para minimizar a influência da aeronave, pode


ser montado dentro de um cilindro, o pássaro (birá), suspenso por um cabo de
30 a 150 m de comprimento. O sensor também pode ser montado na cauda (Fig.
4.24) ou na asa do avião, cuja influência magnética precisa ser minimizada por
bobinas de compensação e Ímãs. Normalmente, a influência máxima permitida
para a aeronave é de 2 nT.

A rotina de um dia de levantamento consiste de uma série de etapas cumpridas


conforme a descrição abaixo, adaptada do relatório do Projeto GeofÍsico Brasil-
Canadá, preparado por Northway Survey Corporation Ltd. (1982, p. 31-33):
244 Método Magnético

Figura 4.24: Sensor de magnetômetro montado na cauda de um avião. Foto de José


Fernando Pina Assis.

05:45 h - Técnicos em Eletrônica e engenheiro de vôo chegam ao avião. Equi-


pamento e avião começam a ser verificados.

06:15 h - Pilotos do avião chegam à aeronave e verificam as condições meteo-


rológicas, o plano de vôo e o avião.
07:00 h - Todas as verificaçõe"sdos equipamentos foram completadas; o avião
decola.

07:05 h - Umô:-passagem sobre a pista de decolagem é feita à altura de 150


m, na mesma direção dos vôos anteriores, para verificação das medidas (runway
check). O magnetômetro e os outros equipamentos geofísicos são testados, pa-
ra verificar se duplicam os níveis e os perfis dos traços obtidos nas verificações
anteriores.

07:10 h - Terminada a verificação, o avião sobe a 900 m e dirige-se para o


ponto onde iniciará as medidas. Durante esse percurso (que pode durar de 15
minutos a 1:45 h); os técnicos em Eletrônica verificam o background do avião.
07:45 h - O avião chega ao ponto inicial do levantamento. O levantamento é
iniciado (caso o tempo esteja bom, sem indicações de precipitações).
4.8 Tratamento dos Dados 245

08:05 h - Com todos os sistemas ligados, o avião é conduzido ao longo da


primeira linha planejada, à altitude de 150 m.
10:00 h - A primeira linha é concluída; O avião é (algumas vezes) levado à
altura de 900 m acima do terreno para uma segunda verificação do seu background.
10:05 h - Enquanto a aeronave faz a volta para iniciar a próxima linha, novo
cabeçalho é colocado no sistema digital e os registros de vôo referentes à nova
linha são preenchidos (linha por linha esse procedimento é repetido, até o ponto
do plano de vôo em que as reservas de combustível são suficientes apenas para
a volta à base, a menos que o mau funcionamento de algum equipamento faça o
avião retomar mais cedo à base).
14:50 h - Nova verificação de background é feita durante o vôo de retorno.
15:30 h - É feita uma verificação sobre a pista de decolagem, como a descrita
às 07:05 h.

15:35 h - O avião pousa, é abastecido e taxiado para a área de pernoite.


16:15 h - Os técnicos em Eletrônica iniciam as verificações pós-vôo, enquanto
o engenheiro de vôo inspeciona e limpa o avião. Os pilotos discutem o plano de
vôo do próximo dia e levam os dados coletados para o escritório.
17:15 h - Os técnicos e o engenheiro são transportados para o escritório QU
para o alojamento.

18:30 h - O dia de vôo termina quando os filmes de registro são revelados e


verificados, e o geofísico encarregado compara os testes realizados no dia com os
dos dias anteriores.

4.8 TRATAMENTO DOS DADOS


Os dados magnéticos logo após coletados, passam, quase sempre, por um
processo de tratamento que inclui:

(a) correções para eliminar as variações devidas a causas não geológicas, como
a variação diurna e o desnível dos pontos de amostragem;

(b) filtragem para eliminar efeitos geológicos indesejáveis, como os produzidos


por heterogeneidades próximas da superfície ou a interferência entre fontes rasas
e profundas, permitindo um melhor reconhecimento das anomalias.

- -
4.8.1 CORREÇAO DA VARIAÇAO DIURNA
Nos levantamentos terrestres, dois procedimentos podem ser empregados na
correção da variação diurna:
246 Método Magnético

(a) quando há disponibilidade de dois magnetômetros, um deles registra o


campo magnético continuamente ou a intervalos regulares de 5 a 15 minutos, em
uma estação fixa (estação base), enquanto o outro é utilizado para medir o campo
nas diversas estações. A hora em que os dois magnetômetros efetuam as medidas
deve ser anotada. A correção do valor medido em uma determinada estação é
feita somando-se ou subtraindo-se ao mesmo a variação do campo observada no
magnetômetro fixo, para o momento da medida; o valor é somado, se o campo
magnético na estação fixa diminuiu em relação ao primeiro valor medido naquele
dia e diminuído, no caso inverso.

(b) quando há disponibilidade de um único magnetômetro, uma estação do


levantamento é reocupada periodicamente (intervalo de 2 a 3 horas) e a variação
nas medidas obtidas nessa estação, distribuída linearmente com o tempo, à seme-
lhança do que é feito para corrigir-se o drijt do instrumento em gravimetria (item
3.4.7).
Nos levantamentos aéreos, um magnetômetro é comumente deixado fixo, em
terra, registrando continuamente ou a intervalos regulares. Como, em geral, as
áreas aerolevantadas são muito extensas, é possível que uma única estação base
não forneça medidas .satisfatórias para a correção diurna, como mostram Whitham
& Niblett (1961) para latitudes entre 48°N e 75°N, num raio aproximado de
160 km. O uso de várias estações base é no entanto antieconômico e de difícil
implementação logística. Por isso, a correção diurna nos aerolevantamentos é
basicamente realizada a partir da distribuição da discrepância entre as medidas
obtidas nos pontos da intercessão das linhas de vôo com as linhas de controle, após
serem eliminados os efeitos produzidos por erros nos posicionamentos horizontal
e vertical das linhas.

Existem diversas técnicas para implementar-se a distribuição da discrepância


na realização da correção diurna dos aerolevantamentos. 0\ procedimento geral
entretanto consiste em estimar a variação diurna em cada linha de vôo, presumin-
do que essa variação seja suave e pode ser representada por U'fIl polinômio, cujos
coeficientes podem ser obtidos através da minimização das discrepâncias medidas
nos pontos de intercessão das linhas de vôo com as linhas de controle (Foster et aI.
1970; Yarger et alo 1978). Desse modo, as medidas obtidas na ~stação base locali-
zada em terra são usadas quase exclusivamente para verificar se a variação diurna
do campo é realmente suave (para ser estimada do modo descrito), e para detetar
tempestades magnéticas (cuja presença exige o abandono dos dados coletados).
A correção diurna do campo magnético pode deixar de ser realizada, se as
anomalias produzidas apresentam valores superiores a 500 nT.

4.8.2 CORREÇÃO TOPOGRÁFICA

O efeito da topografia se faz sentir nas medidas magnéticas terrestres prin-


cipalmente devido ao elevado contraste magnético entre o terreno e o ar. Nas
4.8 Tratamento dos Dados 247

encostas de vales, o sensor fica mais próximo do terreno, além de ser envolvido
por um volume maior de material magnetizado (Fig. 4.25). O efeito produzido
pela proximidade do terreno é, porém, de menor intensidade do que o provocado
pela magnetização do terreno. Gupta & Fitzpatrick (1971) apresentam evidências
de efeitos magnéticos produzidos por topografia que chegam a alcançar valores su-
periores a 2000 nT (Fig. 4.26).

fsensor

Figura 4.25: Situação em que a topografiapode afetar as medidas magnéticas terrestres.

Nos levantamentos aéreos realizados a uma altura de vôo constante em re-


lação ao nível do mar, um terreno magnetizado e com desníveis topográficos pode
esconder as anomalias produzidas por corpos magnetizados finitos, ainda que a
magnetização desses corpos seja 10 vezes superior à do terreno (Bhattacharyya &
Chan 1977b). As elevações, nesse caso, produzirão valores mais intensos de campo
magnético do que os vales, pois estarão mais .próximos do sensor do instrumento
de medidas. Para mÍnimizar esse efeito, Bhattacharyya & Chan (1977b) apresen-
tam uma técnica que consiste em reduzir os dados para uma superfície paralela
à superfície topográfica. Os resultados da aplicação desta técnica são discutidos
por Wynn & Bhattacharyya (1977) e Grauch & Campbell (1984). Estes últimos
mostram que a técnica aumenta a amplitude das anomalias, mas faz com que a
profundidade do topo dos corpos seja estimada a menor, com erros superiores a
50 %. Outras técnicas para corrigir o efeito topográfico nas medid'as magnéticas
são descritas por Plouff (1976) e Grauch (1987), para terreno com magnetização
constante e variável, respectivamente.

ÁREA 3 - L I N H A 20 N - K = 0,007 cgs


FzlnTl ELEV.(m)

2000 ,_, . --.\ "-'-'-'-'-


O---.-~-- ~_... \.
4000C-·_·_·_·_·_·"'-T"""f;'
~.' . .__ . .-.---' '--.\ ___
;7 .-/z::>
, ...-' - :r&a {12
6
o
-2000
-40 OBSERVADO
I I I I I I
O 30 60 90 120 150 m

Figura 4. 26: Efeito magnético da topografia de um terreno com susceptibilidade


magnética próxima de 0,007 unidades cgs. Adaptado de Gupta & Fitzpatrick (1971).
248 Método Magnético

o efeito topográfico depende basicamente da intensidade de magnetização do


terreno. Em área onde ocorrem rochas fracamente magnetizadas, como as se-
dimentares, o efeito topográfico é fraco e a correção pode ser dispensada. Em
áreas de intrusivas e vulcânicas, entretanto, a topografia pode causar sérias inter-
ferências, prejudicando a interpretação dos dados, caso o efeito topográfico não
seja corrigido.
Na prática, embora o efeito topográfico dos terrenos magnetizados seja reco-
nhecido, a correção é quase sempre não aplicada, devido a sua difícil implemen-
tação, por falta do conhecimento preciso da topografia e da distribuição espacial
da magnetização. Por isso, é aconselhado ao intérprete conhecer a topografia
da área, a fim de que ele possa separar, qualitativamente, o seu efeito daqueles
produzidos por feições geológicas estruturais ou litológicas.

4.8.3 OUTRAS CORREÇOES

As variações do campo magnético normal com a latitude são geralmente in-


feriores a 10 nT Jkm. Conseqüentemente, não é necessário correção de latitude
nos levantamentos sobre áreas pouco extensas na direção norte-sul (como quando
o levantamento visa a prospecção de minérios). Nos levantamentos em grande
escala, que cobrem vários graus de latitude, pode ser necessário que se corrija a
variação devida à latitude, dependendo da precisão requerida ao levantamento.
A correção de latitude pode ser realizada subtraindo-se, das medidas, o valor do
campo normal da Terra, representado pelo IGRF (item 4.2.6).
A máxima variação vertical do campo normal não é superior a 0,03 nT Jm. Por
isso, não há necessidade de uma correção de elevação nos levantamentos terrestres.
Nos levantamentos aéreos, seria necessário uma variação de 100 m na altura de
vôo para produzir uma variação de 3 nT no valor do campo; como tal variação
na altura de vôo é improvável, também nos levantamentos aéreos a correção de
elevação não é necessária.
As variações de temperatura não afetam os instrumentos modernos empre-
gados nos levantamentos. Os instrumentos antigos denominados de variômetros
são, entretanto, dependentes da temperatura ambiente. Por isso, o uso de va-
riômetros requer o registro da temperatura no momento da medida, a fim de que
seja efetuada a correção de temperatura. Os valores de correção são normalmente
fornecidos em tabelas que acompanham esses instrumentos.

4.8.4 FILTRAGEM DOS DADOS

As mesmas técnicas de filtragem aplicáveis aos dados gravimétricos podem


ser usadas com os dados magnéticos (vide item 3.10). O objetivo é o mesmo:
tentar separar o sinal produzido pelas fontes de interesse do levantamento, daquele
produzido pelas fontes indesejáveis (ruído).
4.8 Tratamento dos Dados 249

4.8.5 REMOÇAO DO IGRF

As anomalias magnéticas são perturbações ou desvios do campo geomagnético


terrestre (campo magnético normal). Desse modo, para definir uma anomalia
é necessário subtrair-se o valor do campo normal de cada medida tomada no
levantamento. O campo normal é representado pelo IGRF (item 4.2.6) e seus
valores podem ser encontrados em tabelas e mapas, ou gerados em computador
por algoritmos como o de Malin & Barraclough (1981).
Nos levantamentos realizados em áreas pouco extensas como as da prospecção
de minérios, um único valor de IGRF tomado para o centro da área é subtraído de
todas as medidas efetuadas na área. Em áreas extensas, é necessário usar diversos
valores de IGRF: a área é dividida em sub-áreas e cada uma terá um valor de
IGRF para o seu centro ou um valor de IGRF é tomado para cada posição de
. medida, dependendo da precisão do levantamento.

4.8.6 REDUÇAO AO POLO

O caráter dipolar do campo magnético terrestre faz com que a direção e a in-
clinação do campo variem ao longo da superfície terrestre. Por isso, a componente
da magnetização induzi da de uma fonte produzirá diferentes padrões anômalos,
quando localizada em diferentes latitudes. Para efeito de comparação, deve-se
mencionar que a anomalia gravimétrica de uma fonte tem a mesma forma em
qualquer latitude, porque o campo gravitacional tem uma única direção, que é a
vertical.

A variação na forma das anomalias magnéticas torna complexa a análise dos


dados. Esse problema pode entretanto ser contornado transformando-se os dados,
originalmente coletados em qualquer latitude, para a latitude onde á inclinação do
campo é 90° (pala magnético). Após a transformação, os dados podem ser analisa-
dos como se tivessem sido coletados no pala, onde a magnetização induzida pelo
campo tem a direção vertical, à semelhança do campo gravitacional. O desen-
volvimento desse procedimento, denominado de redução ao pala, foi introduzido
no tratamento dos dados magnéticos por Baranov (1957).
Para que uma determinada anomalia seja reduzida ao pala, é necessário que
se conheça a direção de magnetização da fonte de anomalia. Por esse motivo,
na prática, a redução ao pala somente fornece resultados satisfatórios quando a
anomalia é produzida por magnetização induzida. A presença de magnetização
remanescente quase sempre modifica os resultados, a menos que se conheça a sua
direção.
A figura 4.27 ilustra a modificação introduzi da pela redução ao pala dos da-
dos de anomalia produzida por fonte com magnetização induzida, localizada em
uma latitude qualquer. A figura mostra ainda que a localização da fonte em
subsuperfície não é evidente a partir dos dados originais, não reduzidos ao pala;
250 Método Magnético

REDUÇÃO

AO POlO

DADOS DADOS REDUZIDOS


ORIGINAIS AO POlO

Figura 4.27: Representação esquemáticado resultado obtido após a redução ao polo de


anomalia provocada por magnetização induzida.

observa-se, por exemplo, que o centro da fonte não coincide com nenhuma feição
característica do perfil anômalo. Por outro lado, a anomalia reduzida ao polo é
caracterizada sempre por um pico positivo exatamente sobre o centro da fonte.

A figura 4.28 ilustra a redução ao polo de uma aI).omalia provocada por fonte
com magnetização remanescente. O resultado é um perfil que não possui somente
um pico positivo como o da figura 4.27.

REDUÇAO

AO POlO
• /\ir
DADOS DADOS REDUZIDOS

ORIGINAIS AO POlO

Figura 4.28: Representação esquemática do resultado obtido após a redução ao polo de


anomalia provocada por magnetização remanescente.

A redução ao paIo, como mostrado nas figuras 4.27 e 4.28, auxilia na inter-
pretação dos dados magnéticos, por: .

(a) permitir qu~ se localize mais facilmente a posição das fontes de anomalias;

(b) evidenciar a existência de magnetização remanescente.

O processo de redução ao paIo pode ser encontrado, com detalhe, em Baranov


(1957, 1975), Gunn (1975) e Leão & Silva (1989).

4.9 INTERPRETAÇAO
A interpretação de dados magnéticos é, em vários aspectos, similar à inter-
pretação de dados gravimétricos. Por exemplo, ambos os campos obedecem à
4.9 Interpretação 251

de Laplace e o potencial magnético pode ser obtido do potencial gravitacional


(relação de Poisson). Em Magnetometria, no entanto, existe uma complexidade
maior, devida ao caráter dipolar do campo magnético, em contraste com o campo
monopolar gravitacional. Por causa do seu caráter dipolar, o campo magnético
apresenta diferentes direções ao longo da superfície terrestre e tem inclinação que
varia de 0° no equador magnético até 90° nos polos. Isso faz com que uma de-
terminada fonte produza anomalias diferentes, quando localizada em diferentes
latitudes. O mesmo não acontece em Gravimetria: a anomalia gravitacional de
uma determinada fonte é sempre a mesma, independente da latitude onde a fonte
se encontra.

Outro fator que torna complexa a interpretação magnética é a presença de


magnetização remanescente, especialmente se ela é de grande intensidade e não
está alinhada com a magnetização induzi da. A existência de remanência pode mo-
dificar a forma da anomalia, a ponto da resposta teórica, calculada para o modelo
da fonte, ser completamente diferente da anomalia observada. A interpretação
poderá, contudo, ter êxito se a remanência ou a forma da fonte de anomalia é
conhecida a priori.

As medidas magnéticas podem fornecer informações sobre alinhamentos es-


truturais, contatos geológicos, limites de bacias sedimentares e parâmetros de um
corpo mineralizado (susceptibilidade, profundidade, dimensões, mergulho).

A ambigüidade está presente também na interpretação dos dados magnéticos.


Desse modo, diferentes distribuições de magnetização em subsuperfície podem ser
utilizadas para explicar uma mesma anomalia.

4.9.1 ANOMALIAS MAGNÉTICAS

A contribuição de um corpo magnético isolado é somado ao campo normal da


Terra, de tal modo que o campo total medido é
F= Fo + ~F (4.36)

sendo ia o campo normal da Terra e ~F o campo produzido pelo corpo. Como o

i
campo magnético da Terra é normalmente bem mais forte do que o campo local
produzido pelo corpo, em geral, as medidas de são feitas aproximadamente
direção de Fo. Assim, o que se obtém é praticamente apenas uma componente do
na

campo b.i na direção de Fo,isto é, a projeção de ~F na direção de ia. Assim,


representando a direção de ia pelo vetor unitário uo, tem-se que a intensidade de
b.i, b.T, é o produto escalar entre ~i e uo:
~T = ~i 'uo (4.37)

A expressão de Uo pode ser determinada com o auxIlio da figura 4.29. Assim,


decompondo-se o campo magnético terrestre ia em suas componentes ortogonais

ia = Fxx + FyY + Fzz (4.38)


252 Método Magnético

F
z

Figura 4.29: O vetor campo magnético e seus componentes. Fo-campo magnético total;
Fh-componente horizontal; Fz-componente vertical; Fx-componente x; Fy-componente y;
i-inclinação.

sendo Fx, Fy e Fz o modulo das componentes de Fa e x, e z, os vetores unitáriosfJ

na direção dos eixos correspondentes. Usando-se as relações trigonométricas entre


a intensidade do campo magnético e suas componentes, tem-se

Fa = Fa (cos i cos f3 x + cosi senf3 fj + sen i z) (4.39)

Dividindo Fa pelo seu módulo, Fa, obtém-se o vetor unitário ua:

Ua
A = -Fa = cos t. cos f3 XA + cos t
• sen f3 y
A + sen t z • A (4.40)
Fa

Quando o eixo de coordenadas x coincide com a direção do norte geográfico,


f3 é igual à declinaçãomagnética D.

o procedimento para se analisar quantitativamente as anomalias magnéticas é


similar ao empregado na interpretação gravimétrica. O mais comum é utilizarem-
se modelos geométricos 2D ou 3D para representar uma fonte de anomalia isolada,
embora o uso de modelos mais complexos, representando a interação de diversas
fontes magnéticas da subsuperfície, seja mais acurado. O uso de modelos sim7
pIes é justificado pois, pequenas irregularidades nas fontes não causam, em geral,
perturbações significativas no campo magnético anômalo.
4.9 Interpretação 253

4.9.2 EFEITO MAGNÉTICO DE CORPOS


DE FORMAS SIMPLES

o efeito magnético de formas geométricas simples que se pretende calcular,


será usado para representar a fonte de anomalias magnéticas isoladas. Para os
cálculos, será considerado que a magnetização da fonte a ser representada é cons-
tante em módulo e direção, e que os seus limites são definidos por geometrias
simples. Os corpos geológicos, fontes das anomalias magnéticas, dificilmente apre-
sentam essas características. Essas considerações podem, entretanto, ser conside-
radas cada vez mais representativas da realidade, quanto mais distante do corpo
forem realizadas as medidas.

O campo magnético anômalo produzido por um determinado corpo de for-


ma geométrica simples é obtido calculando-se o gradiente do potencial escalar
magnético, por meio das expressões (4.9) e (4.10).

4.9.2.1 Monopolo

O monopolo magnético é um modelo que produz bons resultados práticos,


apesar da sua existência não haver sido fisicamente comprovada. Esse modelo
é utilizado para representar corpos 3D de seção transversal pequena em compa-
ração com o seu comprimento (chaminés vulcânicas, por exemplo). Além disso,
a profundidade do corpo deve ser bem pequena em relação ao seu comprimento e
bem grande em relação ao seu diâmetro; uma relação de 10:1 entre essas medidas
pode ser considerada suficiente.
Quando a magnetização é apenas induzida, a inclinação do corpo deve ser
igual à do vetor magnetização. Nas latitudes em que o campo magnético terrestre
tem elevada inclinação, o corpo deve, portanto, ser vertical a subvertical (Fig.
4.30a), enquanto nas latitudes onde o campo é pouco inclinado, o corpo deve ser
horizontal a subhorizontal (Fig. 4.3Ób).

A aproxi~ação do corpo pelo monopolo é justificada devido à grande sepa-


ração entre as extremidades do corpo, o que o faz funcionar, fisicamente, como
uma barra magnetizada muito longa, tal que os efeitos dos seus polos possam ser
observados isoladamente.

Seja um polo magnético -p localizado a uma profundidade h abaixo da su-


perfície do terreno (Fig. 4.31). Tomando fL=1 (sistema cgs), o seu potencial
escalar em um ponto R acima do nível do terreno é

A = -p (4.41)
r

com r = x2 + y2 + (h - z)2. Usando-se a equação (4.9) na (4.41) obtém-se:


254 Método Magnético

\., / ,-,
L t.F h ""., ~.( •I
.
+p b I
d ·1 h> > d
I nFt
-pA;/nom~~a AnOmalia~
d/-- p
( )
h

Figura 4.30: Monopolos em (a) altas latitudes e (b) baixas latitudes. p-polos.

R ( )(., y, Z )

-p(o,o,hl

Figura 4.31: Simetria para o cálculo da anomalia produzida por monopolo magnético.
4.9 Interpretação 255

b.F(x y z) =- -x + -y + -z =-p , (4.42)


_ (âA _ âA _ âA _) xx +y Y + (z - h) 2
X2 + y2 + (Z - h)
, , âx ây âz [ 2]

que representa o campo anômalo produzido pelo monopolo em um ponto à altura


z da superfície do terreno, ou seja em um aerolevantamento. Em levantamentos
terrestres, z=O e a equação (4.42) transforma-se em

b.F(x,y,O)=-p xx+yy-h2 (4.43)

(x2 + y2 + h2)

A partir da equação (4.43) obtém-se, para as intensidades (módulos) das


componentes horizontal e vertical anômalas, respectivamente:
1/2
(x2+y2)
(4.44 )
b.Fh(X, y, O) = P (x2 + y2 + h2)
e
h
(4.45)
Ó-Fz(x,y,O) = p (x2 + y2 + h2)

A intensidade (módulo) do campo total anômalo do monopolo na direção do


campo terrestre é calculada a partir das equações (4.37), (4.40) e (4.42):

/lT(x,y,z) = _p xcosi cosf3 + ycosi senf3 + (z - h) seni (4.46)

[x2+y2+(Z_h)2]

As intensidades das componentes horizontal e vertical anômalas de /lF na di-


reção de Fh e Fz (componentes horizontal e vertical do campo magnético terrestre)
são então para z = O:

Ó- H ( x, y, O) = _ p x cos f3 + y sen f3 (4.4 7)


(x2 + y2 + h2)3/2
e
h sen i
Ó-Z(x,y,O) = p--- (4.48)
(x2 + y2 + h2)
Se o eixo x coincide com a direção do norte verdadeiro, então o ângulo f3 passa a
ser a declinação D.

As expressões (4.41) a (4.48) foram desenvolvidas considerando-se um mono-


polo de sinal negativo (característico de latitudes acima do equador magnético,
256 Método Magnético

como é o caso de grande parte da Amazônia). Para obter-se o correspondente a um


polo positivo (latitudes abaixo do equador magnético, que ocorrem no nordeste e
sul do Brasil), basta multiplicarem-se essas expressões por -1.

4.9.2.2 Linha de Monopolos

o modelo linha de monopolos é usado para representar, em altas latitu-


des magnéticas (forte inclinação do campo magnético), estruturas 2D verticais
a subverticais de grande extensão em profundidade (diques e zonas de fratura,
por exemplo), com a magnetização confinada ao plano que caracteriza a estru-
tura (Fig. 4.32a). Em baixas latitudes magnéticas (inclinação suave do campo
magnético), a linha de monopolos pode representar corpos horizontais a subhori-
zontais de larga área (derrames, por exemplo) e pequena espessura em relação à
profundidade (Fig. 4.32b).
--Anomalia
,,1/

L » h
h » e

Ia I « b I
Figura 4.32: Linhas de monopolosem (a) altas latitudes e (b) baixas latitudes.

Uma linha de monopolos negativos (latitudes acima do equador magnético)


orientada segundo a direção y e localizada a uma profundidade h produz o poten-
cial escalar em um ponto acima da superfície do terreno:
A = -2pllogr (4.49)
sendo r2 = x2 + (h - z)2 e Pl, a inte~sidade de polo por unidade de comprimen-
to. Desenvolvendo-se de modo análogo ao descrito para o modelo do monopolo,
obtém-se:

- campo total anômalo e intensidade de suas componentes horizontal e vertical:


_ xx+(z-h)i
~F(x,z) = -2Pl 2 (4.50)
x2 + (z - h)
4.9 Interpretação 257

x
(4.51)
~Fh(X,O) = -2peX2 +
h
(4.52)
~Fz(x,O) = 2pt x2 +
- intensidade do campo total anômalo na direção do campo magnético terres-
tre e intensidades das componentes horizontal e vertical anômalas na direção das
componentes horizontal e vertical do campo magnético terrestre:

~T( x, z) = _ 2 pe x cos i cos j3 + (z - h) sen i (4.53)


x2+(z-h)

x cos j3
(4.54)
~H(x, O) = -2 pe x2 +
h sen i
(4.55)
~Z(x,O) = 2pe x2 +

4.9.2.3 Dipolo

o modelo dipolo é normalmente usado para representar fontes 3D localizadas


a uma distãncia relativamente grande das estações de medida, quando comparada
com as suas dimensões (corpos mineralizados aproximadamente eqüidimensionais,
por exemplo).

Seja um dipolo representado pelo seu momento magnético localizado no plano


yz, a uma profundidade h, com inclinação a (Fig. 4.33). O potencial escalar
magnético em um ponto acima da superfície terrestre é:

A = m· r = m y cos a + (z - h) sena (4.56)

r3 [X2+y2+(Z_h)2]

As componentes horizontal e vertical do campo produzido pelo dipolo sao,


respectivamente

Dx x + Dy iJ
~fh(X, y, z) =m (4.57)
x2 + y2 + (z _ h)2
[ ]5/2
e
Dzz
(4.58)

L'.f.(x,y,z) =m [x' + y' + (z _ h)']


258 Método Magnético

Figura 4.33: Simetria para o cálculo da anomalia produzida por dipolo magnético.
a-inclinacão do dipoloj m-momento magnético.

com
Dx = 3 x (z - h) sen a + 3 x y cos a ,
Dy = 3 y (z - h) sen a - (x2 - 2 y2 +
(z - h) 2] cos a
Dz =3y(z-h)cosa- (x2+y2_2(z-h)2]sena

A projeção da anomalia do dipolo na direção do campo magnético terrestre


é então:
(4.59)

No caso particular em que a magnetização do dipolo é induzi da pelo campo


magnético atual (magnetização remanescente desprezível) e o eixo y coincide com
i
a direção do norte magnético, então a = e f3 = O,e a equação (4.59) é simplificada
para
(4.60)

com D4 = Dx cos i.
4.9 Interpretação 259

4.9.2.4 Linha de Dipolos

A linha de dipolos é utilizada para representar uma estrutura 2D que apresen-


ta extensão em profundidade pequena, quando comparada ao seu comprimento,
e a profundidade do seu topo grande, em relação à sua largura (Fig. 4.34). As
estruturas do tipo anticlinal e sinclinal e corpos horizontais de formas cilíndrica
e prismática são exemplos de fontes geológicas que podem ser aproximadas por
linhas de dipolos.
/
~.--
-::.--

~~
\ .--/

h» d
L» d e»d
L».

Figura 4.34: Linhas de dipolos.

Para uma linha de dipolos disposta segundo o eixo de coordenadas y e a uma


profundidade h, o potencial escalar magnético em um ponto acima da superfície
terrestre é dado por

A = 2 me ------
x cosa + (z - h) sena
(4.61 )
x2 + (z - h)

sendo me o momento de dipolo por unidade de comprimento e a a inclinação dos


dipolos.

As componentes horizontal e vertical anômalas são, respectivamente:


Lxx
(4.62)
- Z - 2me 2

LlFh(x, )- [x2 + (, _ h) ]2
e
Lzz
(4.63)
6.Fz x, - x2 + (z _ h
- ( z) - 2 me [ ) 2]
com
Lx = x2 - (z - h) 2 cos a + 2 x (z - h) sen a ,
Lz = [(z-h)2-x2)sena+2x(z-h)cosa
Seguindo o desenvolvimento anteriormente apresentado, tem-se:
- L} + L2
6.T(x,z)
= 2me----- (4.64)

[x2 + (z _ h)2]
260 Método Magnético

com LI = Lx cos i cosf3 e L2 = Lz sen i.

4.9.2.5 Prismas

Os prismas são comumente usados para representarem distribuições de magne-


tização no embasamento cristalino (prismas de faces laterais verticais com di-
mensões infinitas ao longo do comprimento e altura) e em corpos 3D (prismas
com as três dimensões finitas e eqüivalentes). Intrusões ígneas na forma de diques
também podem ser modeladas por prismas.
Um dos modelos prismáticos mais utilizados na interpretação quantitativa de
dados magnéticos é o prisma vertical infinitamente extenso em profundidade (Fig.
4.35). A expressão que simula o efeito desse modelo na superfície do terreno é
(Bhattacharyya 1964):

t:i.T( x,y,O ) =Ip [cos2{'


utg _1(a1f31)
roh -sen 2{'
utg -1( a~+roh+h2
alf31 )

(4.65)
+ sen6 cos8 log (roro +
_ f31
f31)] au
at
f3u
f3t

sendo Ip a intensidade de magnetização, 6 o complemento da inclinação da magne-


i
tização (6 = 90° - i). aI e f31 são as coordenadas dos vértices do prisma, enquanto
au e aR. e f3u e f3R., os limites superior e inferior de aI e f3lo respectivamente. h é a
profundidade do topo do prisma e rõ = a~ + f3? + h2•

NM
/
/ // X
/
h // //

z
Figura 4. 35: Prisma vertical infinitamente extenso em profundidade. NM-norte
magnético; h-profundidade do topo.

A expressão (4.65) é válida quando o eixo de coordenadas x coincide com


a direção do norte magnético e a magnetização do corpo é induzida, isto é, na
4.9 Interpretação 261

mesma direção do campo magnético terrestre. No caso em que as direções da


magnetização do corpo e do campo terrestre não coincidem, devido à presença de
magnetização remanescente forte, essa expressão passa a ser:

tlT( x, y, z) = Ip [a23
2 log (TO
TO + aI
- aI) 2 log (TO
+ a13 TO +
- 131
131)

-a12l0g(TO+h)-lLtg-l( ai +al131
TO h + h2 )

(4.66)
-mMtg-1( 2 + al131
TO TOh - ai ) +nNtg-l(al131)]TOh ,Qu l,6u
'Qi l,6i
com

a12 = cos i cos iosen D


a13 = cos io sen i + cos i sen iocos D
a23 = cos i sen io sen D

sendo ia inclinação da magnetização, io a inclinação do campo magnético ter-


restre, D a declinação da magnetização, l, m, n os cossenos diretores do campo
magnético terrestre e L, M, N os cossenos diretores do vetar magnetização.

A resposta magnética de um prisma vertical com todas as dimensões finitas


pode ser obtida por subtração entre os campos de dois prismas infinitamente ex-
tensos em profundidade, com os topos a profundidades diferentes. Assim, usando-
se a equação (4.65) ou, se existe magnetização remanescente, a (4.66) com duas
profundidades diferentes e subtraindo o campo do prisma mais fundo do campo
devido ao prisma mais raso, pode-se obter a resposta de um prisma vertical fini-
to. Este artifício é possível de ser usado por ser o campo magnético um campo
potencial.

O efeito magnético de prismas verticais com as três dimensões finitas (e


também com -uma das dimensões horizontais infinita) pode ser encontrado em
Kunaratnam (1981); este autor trata também do caso de estruturas de formas ar-
bitrárias, dividindo-as em um certo número de prismas retangulares. Prismas com
as três dimensões finitas, mas com as faces inclinadas (simulação de mergulho)
são abordados por Hjelt (1972).

Derivações das expressões matemáticas da componente vertical do campo


magnético produzido por prismas são encontradas em Telford et aI. (1976).

Um esquema simples de interpretação de anomalias, causadas por corpos que


podem ser simulados por prismas com extensão em profundidade e comprimento
ao longo de uma das direções horizontais infinitas (diques, por exemplo), foi de-
senvolvido por Koulomzine et alo (1970). Esse esquema, conhecido como método
262 Método Magnético

de Koulomzine, pode ser aplicado às anomalias das componentes total, horizon-


tal e vertical do campo magnético. O desenvolvimento do método de Koulomzine
para o caso particular de anomalias da componente vertical é apresentado com
detalhes por Telford et alo (1976).

4.9.2.6 Bloco Tabular Horizontal Semi-Infinito

o bloco horizontal semi-infinito é usado para simular o efeito magnético de


falhas geológicas. A espessura do bloco representa o rejeito da falha (FigA.36).

Figura 4.36: Modelo para simular falhas geológicasde gravidade com plano de falha
vertical. h-profundidade do muro; R-rejeito.

A anomalia do campo magnético total é dada pela expressão (Leão & Silva
1977):
i' senO cos i ln B - 2 I cos i'senO'cos i senO tg-1 A
!:!.T = I sen

+ 2 I cos i'senO'sen i ln B + 2 I sen i'sen i tg-1 A (4.67)


com
A= xR
h2 + hR+x2
e
B=---- + (h +
x2
+ h2x2
R)2

I é a intensidade de magnetização, i a inclinação


do campo magnético terrestre
normal, i'
a inclinação do vetor magnetização, O o ãngulo entre a projeção hori-
zontal do campo magnético terrestre e a direção do eixo y e O' o ângulo entre a
projeção horizontal do vetor magnetização e o eixo y.
4.9 Interpretação 263

Se a magnetização for induzida, i' = i, () = ()' e I= K,To; em que K, é a


susceptibilidade magnética e To, a intensidade do campo magnético terrestre no
local.

4.9.3 EFEITO MAGNÉTICO DE CORPOS


DE FORMA IRREGULAR
Em muitas situações, as distribuições de magnetização na subsuperfície, que
causam as anomalias observadas, são difíceis de serem representadas por formas
geométricas simples. Em uma das técnicas de interpretação mais empregada, os
modelos, usados para representar essas distribuições, são definidos por seções po-
ligonais estabelecidas no plano vertical que contém cada perfil de medidas. Nesse
tipo de modelo, os contornos da fonte de anomalia são aproximados por retas, que
passam a constituir os lados dos polígonos. Os melhores resultados da interpre-
tação são obtidos quando a fonte tem grande ex.tensão na direção perpendicular
à seção poligonal (corpo 2D) e os perfis tomados para interpretação estão muito
afastados das suas extremidades.

A intensidade da anomalia de campo total para os perfis tranversais à fonte,


distantes das extremidades do corpo, pode ser calculada seguindo-se o desen-
volvimento de Talwani & Heirtzler (1964), descrito a seguir. Considerando-se a
geometria ilustrada na figura 4.37, a contribuição correspondente ao lado CD do
polígono, para a anomalia de campo total em um ponto R de coordenadas (xo, O, O)
ao longo do perfil, é

b.TCD
(4.68)

= 2 I +{ [p cosi'i'cos
1Qcos cos(a sen i']
D') +- QP sen
(a -- D') il cos i}- D) cos i
sen(a
com

P = 2 z21
Z21 +2 X12
2 (() 1 _ ()2 ) + 2Z21 X12 2
Z21 +
X12
Iog T2
( TI )

Q = 2Z21 X12 2 (() 1 _


Z21 +
XI2
() 2 )
Z21
2 z21
+2
2
X12
Iog T2
() TI

X12 = Xl - X2

Z21 = Z2 - Zl

TI =
[
(Xl - xo) 2 + zi ]1/2 e

T2 = (X2 - XO)2 + zi
[ ] 1/2

sendo I
a intensidade de magnetização, i'
a inclinação da magnetização, a incli- i
nação do campo magnético terrestre, a o ângulo entre o norte geográfico e o eixo
264 Método Magnético

x, Df o ângulo entre o norte geográfico e a projeção horizontal da magnetização


e D a declinação do campo magnético terrestre (caso a magnetização da fonte
i
seja induzida, if = e Df = D). Os subscritos 1 e 2 referem-se aos vértices do
polígono que definem o lado CD, tomados no sentido horário. As contribuições
que correspondem aos outros lados são calculadas do mesmo modo, tomando-se
sempre os vértices dois a dois, no sentido horário. A anomalia referente à seção
poligonal completa CDEABC é a soma das contribuições de cada lado, tomadas
sempre no sentido horário.

C(X"O,Zll
A

Figura 4.37: Geometria para o cálculo da anomalia produzida por uma fonte de forma
irregular, aproximada no plano xz pelo polígono de vértices A, B, C, D e E. A fonte
estende-se infinitamente na direção perpendicular ao plano xz.

Em muitas situações reais, as fontes de anomalias não são muito extensas


e as suas extremidades podem contribuir de modo significativo para as anoma-
lias observadas ao longo dos perfis. Nesses casos, o uso da expressão (4.68) é
inadequado e o intérprete deve incluir correções para o efeito das extremidades
das fontes. Essas correções foram introduzidas por Shuey & Pasquale (1973) às
fórmulas desenvolvidas por Talwani & Heirtzler (1964), a partir de um modelo
por eles denominado de modelo de dimensão dois e meio (2tD). A figura 4.38
ilustra o modelo 2tD: sua direção é paralela ao eixo y e o seu comprimento, 2Y, é
cortado ao meio pelo plano xz, onde se localiza a poligonal que define o contorno
da fonte.

Segundo Shuey & Pasquale (1973), estabelecendo-se que os extremos de cada


segmento da poligonal tem coordenadas (XI,O,zI) e (X2,0,Z2), tem-se, em um
ponto de observação de coordenadas (xQ, O, O), a anomalia de campo total para
4.9 Interpretação 265

(Xo ,0,0)
x
'\
\',"
\\',r"1
\ "-
""
"
(x, , °, Z 1 )

, z 2)

Pol igonal

Figura 4.38: Geometria para o modelo de dimensão dois e meio (Shuey & Pasquale
1973).

um corpo com magnetização induzi da dada por:

b..T = 2I [Px cos2i cos2a + Pz (cos2i sen2a - sen2i) + Q cosa sen 2 i] , (4.69)
I i
sendo a intensidade de magnetização, a inclinação do campo magnético e a o
ângulo entre o norte magnético e o eixo x. Os parâmetros Px, Pz e Q são mais
facilmente calculados se forem relacionados na forma complexa:

Q + J. Pz = ""
L.....J 1\". -b..x 1\ ,.ln
...L. ,; FI
(F2)

Q + J.Px = L.....J
"" 1\". j b..z
...L. ,; 1\ .,.ln FI )
(F2
j
sendo o complexo imaginário .;=I.
O somatório é aplicado sobre o número de
lados da poligonal que define o contorno da fonte e, para cada lado,
~X = X2 - Xl

~z = Z2 - Zl

Fn -_ ~x
Xn j
+ j~zZn (1 + Tn)
Y +Í-(xnb..z
y2 _ znb..x)

Tn = ( Xn - Xo )2 + y 2 + Zn2
em que Y é a metade do comprimento da fonte e n toma os valores 1 e 2.
Outro modo de se calcular o efeito magnético do corpo de forma irregular
consiste em representá-Io por um número finito de prismas retangulares. Essa
266 Método Magnético

técnica foi desenvolvida por Bhattacharyya & Navolio (1975), para corpos com
magnetização constante e, posteriormente, estendida para corpos com magneti-
zação variável por Bhattacharyya & Chan (1977a).
Métodos gráficos também podem ser usados para calcular o efeito magnético
de corpos de forma irregular. De acordo com esses métodos, o corpo é dividido
em pequenos elementos e o efeito magnético de cada elemento é calculado. Exem-
plos de métodos gráficos são apresentados por Henderson (1967), Henderson &
Wilson (1967) e Millet Jr. (1967). Atualmente, contudo, os métodos gráficos são
raramente utilizados.

4.9.4 CURVAS CARACTERÍSTICAS


As curvas características são um conjunto de curvas construÍdas com valo-
res de parâmetros retirados de perfis calculados ou medidos em laboratório, sob
condições que simulam as fontes de anomalias encontradas na natureza. A cons-
trução de curvas características e a metodologia do seu uso são abordadas no item
2.4.6.4.

As curvas características permitem que se estimem os parâmetros de um mo-


delo (profundidade, espessura, mergulho, etc ... ). Os parâmetros assim determi-
nados devem ser utilizados como uma primeira aproximação da interpretação,
pois o seu resultado usa apenas a informação contida em poucos pontos do per-
fil anômalo, sendo, portanto, bastante influenciado pelas distorções causadas por
contaminaçã.o de ruído. Esse tipo de interpretação é comumente utilizado no cam-
po e auxilia nas decisões a serem tomadas sobre o desenvolvimento do trabalho de
prospecção. Desse modo pode-se, ainda no campo, recomendar o detalhamento
de certa zona, estender os perfis geofÍsicos, ou projetar a aplicação de um outro
método.

Curvas características podem ser encontradas em: (a) Grant & West (1965)
para os modelos falha, placa fina (diques) e prisma; (b) Smellie (1967) para os
modelos monopolo, linha de monopolos, dipolo e linha de dipolos; (c) Gay, Jr.
(1967) para os modelos placa fina (diques) e corpos tabulares; (d) Barker (1975)
para os modelos dipolo e linha de dipolos; (e) Luiz (1981) para os modelos dipolo
e linha de dipolos.

4.9.5 CAMADA EQUIVALENTE


A camada eqüivalente magnética consiste de uma distribuição de magneti-
zação superficial, caracterizada por momentos magnéticos por unidade de área,
capaz de produzir o mesmo efeito magnético que uma distribuição volumétrica de
magnetização (momentos magnéticos por unidade de volume).

O potencial magnético, em termos de uma distribuição superficial de magne-


4.9 Interpretação 267

tização, localizada a uma profundidade h, é dado por (Gunn 1975):

A(x,y,z) =- {IX> {IX> Is(O:,f3,h)U.V(


J-IX>J-IX> .
(x-o:) 1
2 + (y-f3) 2 +(z-h) 2) do: df3
(4.70)
sendo u o vetor unitário que define a direção constante de magnetização e Is a
magnetização superficial à profundidade h.

O campo magnético para essa distribuição de magnetização é obtido


calculando-se o gradiente de A, por meio da equação (4.9). Desse modo, o co-
nhecimento do campo magnético em um nível z permite que se calcule Is para
uma profundidade h, valor esse que é único, de acordo com Roy (1962). A partir
da determinação de Is, é possível calcular-se o potencial magnético e o campo
em qualquer nível z < h, operação essa conhecida como continuação do campo
(Gunn 1975).

A camada eqüivalente magnética é teoricamente idêntica à camada


eqüivalente gravimétrica em termos de manipulação e modo de calcular. Exis-
tem, do mesmo modo, restrições com respeito à profundidade em que a camada
pode ser colocada, relativa ao espaçamento entre as medidas do campo magnético
(vide item 3.11.3).

A camada eqüivalente magnética pode ser usada não só na continuação do


campo, como também na operação de reduçao ao polo, no cálculo de derivadas
do campo, na conversão de uma componente medida em outra e no desenho de
filtros de separação dos efeitos de fontes rasas e profundas (Gunn 1975). Também a
interpolação do valor do campo medido em dois pontos pode ser obtida através da
camada eqüivalentej essa interpolação produz resultados excelentes na construção
das malhas quadradas (grid) usadas na elaboração de mapas magnéticos.

4.9.6 ESTIMATIVAS DE PROFUNDIDADE

A determinação da profundidade do corpo responsável por uma anomalia é


muito importa,nte em prospecção, pois ela permite o planejamento de sondagens,
além de contribuir para a definição do valor econômico de um depósito mineral.

Em geral, os métodos de estimativa de profundidade dependem do modelo


escolhido para representar o corpo e das incertezas decorrentes da ambigüidade
geofÍsica. A profundidade máxima do topo do corpo pode, entretanto, ser esti-
mada sem que se presuma um modelo para o mesmo, por meio das chamadas
fórmulas de Smith (Smith 1959).

Para um corpo com magnetização de direção constante (mesma direção ao


longo de todo o corpo) e intensidade que pode ser variável, as fórmulas de Smith
sao:
h::; 3,14(4e2 + 3m2 + 3n2)1/21mx/t:::..F:nx (4.71)
268 Método Magnético

e
(4.72)
sendo h a profundidade do corpo; f, m, n os cossenos diretores que definem a
direção de magnetizaçãoj Imx a intensidade má:xima de magnetização; flF:nx o
valor máximo do módulo da derivada horizontal do campo anômalo e flF~x o
valor máximo do módulo da segunda derivada horizontal do campo anômalo.

As fórmulas de Smith descritas pelas equações (4.71) e (4.72) dependem do co-


nhecimento da intensidade máxima de magnetização. Na prática, esse parâmetro
quase nunca está à disposição do intérprete, que para resolver o problema usa
possíveis aproximações do seu valor real. Neste caso, a estimativa de h é impre-
cisa e pouco confiável.
Como foi descrito, apesar das fórmulas de Smith não dependerem da escolha
de um modelo, elas podem produzir resultados insatisfatórios pela falta de conhe-
cimento da intensidade de magnetização. Por outro .lado, estudos t