Você está na página 1de 610

m

CURSO
DE

INSTRUÇÃO
. RELIGIOSA
PARA USO
DOS CATECISMOS DE PERSEVERANÇA, DAS
CASAS DE EDUCAÇÃO E PE SSOAS DO MUNDO
POR

Monsenhor CA U L Y
VIGÁRIO GERAL DE R EIMS


,......................:········.........................................................)
Honrado com um breve d e S. S . o P op a Leão XIII

• TOM O I •
1 CATECISMO EXPLICADO ~
i DOGMA - MORAL - SACRAMENTOS - CULTO ~
5 :
r. ............................................... -'••••···········••1•••············•1•••••• . . -• o=I
N o obra completa, sffo 4 tomo&, independente• u m d o o utro

LIVRARIA FRANCISCO ALVES


EDIT OR A PAULO DE AZEVEDO LTDA.
mo DE J ANEffiO 1 SÃO PAULO 1 B ELO HORlZONTE
Rua do Ouvidor, 166 Ru Líbero Badaró, 292 Rua Rio de Janeiro, 655

TODOS OS DIREITOS RESER ADOS .

Pr~ Cr .$ 60,00
http://www.obrascatolicas.com
CURSO DE INSTRUÇÃO RELIGIOSA
TOMO 1

No t a . - Logo a pós cada pergu ntá, as primeiras li nhas em gr ifo podem ser
decoradas e rec itadas p elos a\u nos.

LI ÃO PR ELI MI A R
Da D outrina cristã
Nome cr istão . - Doutrina cristã. - Fo ntes da do utr ina. - Di visão do
eurso de Instrução r eligio a. - Necessidade do estado da religião. -
D isposições para êste estudo.

1. - Que é wm cristão?
R. - Cristão é aquêle que é batizado, crê e prof essa
a doutrina e a lei de Cristo.
A palavra cristão vem de Cristo ( imgido ou sagrado ) ,
que é o nome dado ao Filho de Deus feito homem, e
ignifica : discípulo de J esu. Cri to. Ora, um cri tão, ou
di cípulo de <1$so Senhor J esus r isto, é aquêle que,
endo batizado, cr ê e profe sa a doutrina cristã.
Donde resulta que, para ser ver dadeiramente cristão1
trê condições são necessárias : 1. 0 ter r ecebido o sacra-
mento de batismo; - 2. 0 cr er, i t o é, admitir como ver-
dade, tudo o que ensina a doutrina cristã; - 3. 0 pro-
f e sar ou praticar o que ela manda.
É evidente, não fiz mo nada mais do que fiz er am os
pagãos ou o fi lhos dos infiéi par a merecer mos a graça
do bati mo ; logo, à pura bondade de Deus é que devemos
ê te fav or ; temo r azão, portanto, em dizer que, se
somos rist ãos, é pela graça de Deu .
2. - Que é a doutrina cristã?
R. - Doiitrina cristã é o conjunto das v erdades
ensinadas por J esiis Cristo, pregadas pelos apóstolos e
propostas pela I greja por meio dos seus pastores.

http://www.obrascatolicas.com
4 D O U T R I N A O R I S T Á.

A palavra doidrina signifiéa: en ino em geral, e mais


vêzes ensino r eligio o. A cr es ~ entando a palavra cristã,
entendemos: en ino vindo de Cristo, e podemos então
definir a doutrina cristã: o conjunto das verdades
en inadas por J esus Cristo, pregadas pelos apóstolos
e propostas pela
I greja por meio de
seus pastores.
Foi Nosso Senhor
quem tomou, na sua
vida terrestre, a ini-
ciativa dêste ensino
destinado a aper-
feiço~r a lei de
Moisés. Empregou
os três últimos anos
de sua vida para
dar a conhecer as
veri!ades que de-
víamos crer, os de-
ver es que tínhamos
de cumprir. Os
ap óstolos receberam
primeiro as instru-
ções de J esus Cri to,
RELIGIÃO - A doutrina cristã encontra-8e pregar am-nas por
sobretudo no Evangelho; baseia-se na sua vez, completan-
Oruz e na santíssima Eucaristia.
do-as com algumas
explicações. Hoje, esta doutrina cristã é comunicada pela
I greja, que a transmite por seus pastor es: bi pos ou
sacerdotes.
3. - Onde se acha a doutrina cristã!
R. -A doidrina cristã acha-se nos Evangelhos, nos
A tos dos apóstolos, nas Epístolas e no ensino tradicional
da Igreja.

http://www.obrascatolicas.com
DOIJTRINA CRISTÃ

Os Evang elhos narram as ações e resumem os en-


sinamentos de Nosso Senhor. Foram escritos de de o
primeiro século pelo quatro evangelistas que lhes deram
o nome: S. Mateus e S. J oão, ambo apó tolos; S . Marcos
e S. Lucas, discípulos, êste, de S. Paulo, e aquêle, de
S. Pedro:
O livro dos Atos do.s apóstolos, escrito por S. Lucas,
conta os primeiro acontecimentos do cristianismo e as
pregações dos apóstolos.
As Epístolas são cartas que os apóstolos dirigiram
às principais Igrejas que tinham fundado e nas quais
desenvolvem os ensinamentos do Evangelho .
O conjunto dêstes livros, - completados pelo
Apocalipse, ou revelação de S. J oão, - forma o que se
chama Novo T estamento.
"Enfim, a I greja recebeu tradições orais dos apóstolos; ·
em seguida, na série dos séculos, por meio dos doutores
e concílios, esclareceu e desenvolveu, muitas vêzes, as
verdades contidas nos livros santos : estas tradições e
explicações formam o ensino tradicionàl da Igreja.
A doutrina cristã, encerrada no Novo Testamento e
explicada pela I gr eja, foi resumida no livro elementar
que se chama Cat ec~smo. - A palavra catecismo significa:
., ensino verbal, por pergunta e respostas. Deu-se o mesmo
nome à instrução r eligiosa, que se tran mite desta forma,
e, por exten ão, ao livro que expõe a doutrina cristã.
4. - Que contém a doutrina cristã?
R. -A doutrina cristã contém: 1. 0 verdades que
dev emos crer, 01i o dogma; 2. 0 dev eres qiie temos que
cumprir, ou a moral; 3/' meios de santificação, principal-
metne a oração e os sacramentos; 4.0 cerimônias religiosas.
Daí provém esta divisão do catecismo do nosso
curso de Instrução r eligiosa em quatro partes: a 1.ª,
intitulada símbolo dos apóstolos, explica as verdades que

http://www.obrascatolicas.com
6 D O UTR I NA CR I STÃ

devemos cr er; a 2.ª , com o título de mandamentos de


De'l!s e da Igreja, dá a conhecer o principais deveres
da moral cristã; a 3.ª trata da oração e dos sacramentos
e ensina o meios de antifie.ação que nos oferece o cris-
tianismo ; uma 4.ª parte no inicia no verdadeiro culto-·
pela explicação das festas e cerimônias da I greja.
5. - Que necessidade tem o homem de estudar a doutrina
cristã?

R. - D evemos estitdar a doutrina cristã 1.0 porque


somos criaturas ligadas a Deus por deveres religiosos qite
devemos conhecer para os cumprir; 2. 0 porque êste estudo
é ·u m preceito positivo da lei divina; 3.0 porque a ciência
da religião é a mais bela, a mais consoladora e a mais
n ecessária; 4. 0 pela importância que as questões religiosas
t êm na vida social.
1. 0 Sendo uma criatura dependente de Deus e obri-
gada para com êle a uma crença e a deveres religio os,
o homem deve estudar a r eligião a fim de conhecer seu
ensinamentos e praticar os deveres que ela impõe. É
obrigação de razão e de consciência.
2. 0 É também preceito positivo da lei divina e cristã:
de sua execução depende nos a salvação e ninguém pode
entrar na vida eterna se não crer nas verdade .nece ária
e não observar os mandamento . - Daí a obrigação, para
os sacerdotes, de ensinar a doutrina cristã, e, para os
fi éis (seja qual fôr a idade e o sexo ), a obrigação de
aprendê-la as i tindo primeiro ao catecismo e depoi à
instruções. ·
3. Acre centemos ainda que a ciência da religião é
0

a mais bela) a mais consoladora, a mais necessária da


ciências. - É a mais bela, porque fala de Deu e eus
atributos; de no a alma, seu devere e seu destino ;
é a mais consoladora, porque no ajuda na provaçõe e
nos sofrimentos dê te mundo; é a mai n ecessária, enfim,

http://www.obrascatolicas.com
.-
DOUTRINA CRISTÃ 7

porque Deus não nos julgará sôbre o pouco ou o muito


de ciência humana que tivermos adquirido, mas sôbre
o modo com que praticamo o no o deveres para com
~le, para com o próximo e para conosco : ora, tudo isto
não se aprende enão no e tudo da r eligião.
4. 0 Enfim, as que tõe r eligiosas ocupam tão impor-
tante lugar na vida ocial que não temo o direito de ficar
est ranhos ou indiferentes. O cristão ério e inteligente
deve e tar habilitado a explicar ua fé ; deve também
poder defendê-la contra os ataque dos ímpios e combater
a ignorância dos que, sem a conhecer, a torto e a direito,
falam da religião.
Por ê tes motivos todos, torna-se o estudo da religião
cada vez mais neces ário.
6. - Quais são as disposições necessárias para o estudo da
religião?

.R. - A religião dev e ser estudada com amor, humil-


dad e de espírito e pureza de coração.
1. 0 O amor desta ciência tão bela e tão útil: "Os que
procuram a sabedoria hão de encontrá-la, diz o Espírito
Santo, e ela se lhes manife tará" (Sab edoria, v.)
, 2. 0 A h'umildade do espírito; pois, é aos pequenos e
ao humilde que Deus e compraz em manifestar suas
luzes. O próprio Platão r ecomenda, com razão, aos que
procuram a verdade "a ciên cia da ignorância", isto é, o
sentimento da própria fraqu eza.
3. 0 A pureza do coração . " A abedoria, diz ainda
o Espírito Santo, não habita no cor ação que pratica o
mal: a perfeita virtude aproxima de Deus o homem"
(Sab edoria, I 6) . É fato de experiên ia cotidiana, que
um procedimento menos correto, menos digno, gera a
escuridão no e pírito e e conde os raios luminosos do
ensino divino.

http://www.obrascatolicas.com
. 1

8 DOUTRINA CRISTÃ

CONCLUSÕES PRÁTICAS

1.0 Ser cristão é uma graça incomparável; se pensarmos so


esta do infe.liz dos pagãos de outrora e dos infiéis de hoje, daremos
graças a Deus por nos ter concedido o favor do batismo, e toma-
r emos a r esolução de honrar o nosso título de cristão, cr.endo com
f é firme e praticando com generosida de tôda a doutrina cristã.
2. 0 No intuito de melhor conh ecer a doutrina cristã, o discípulo
de J esus Cristo gostará de ler ainda o catecismo, que a resume com
tanta perf eição, e os Evangeihos que a contém no seu texto primi-
tivo. Aperfeiçoa rá sua instruçã o pela fr equentação dos catecismos
de perse·verança ou dos cursos de instrução reiigiosa estabelecidos
em casas de edu cação. Mais t arde, entreterá e desenvolverá ainda
seus conhecimentos pela assistência às prát icas e instruções de sua
pa róquia. E se lh e for possível, frequentará mesmo algum curso ·
superior de Instruçã o religiosa.

http://www.obrascatolicas.com
PRIMEIRA PARTE

VERDADES QUE DEVEMOS CRER


ou
íMBOLO DO APó TOLO

LI 'Ã PRE LI M i r A R
ímholo
Vário~ simbolos : 1 . 0 dos apóstolo ; 2. 0 de Nicéia ; 3. 0 de santo At nãsio.
- DevereR do cr1st o para com o simliolo.
7. - Qu e é sfmbolo, em g era l, e qua nto ímbolo principais
há n a I greja?

. - , 'írn olo , a 7n·of i 'fio d [' para o cri tão .


É a fórmula q u lh · r ·11m a cr nça o inal qu os
dist inoue do· infiii"
H á, na 1orl'ja, t rê· ·ím bolo principai: : o ímbolo
do a1HJ.~ t o l r1 ou cr do o de N 1c{ia o ri€ ·anto .l tan<Í. io.
palavra ·ímbolo i...,nifica marca, inal a in a
·trrnilari r. l>á-.· · t 11011. 1\ profi ão d e ft.'· do c•·i ão ,
à fórmula ·renc;a.\ por ·er ela inal ou
m arca qu ti ngnir do. infil·i. . ímbolo
tarnbé· m para êle um tanda r tc , inal <l reunião ;
' q uando a ua f(> ; atacada, ag r u p am- em r eJor <lê le,
como ol<la<lo jun to iL bancl •ira.
Há, na Tg r ja eatólica, trê p r incipai ímbolo .
primeiro r mni an ig o 'mbolo do. apú. olo . É
p rofi, üo d e fé qn vem do empo apo tólico e
•ont r m , m doz art ig , a prmc1pa1. v r Ja<le <la r eli-
g iã eri · ã.
E ta fórm u la foi comp fi \.i po a m
ub an •· a l e
ímholo d
r do. por cau

http://www.obrascatolicas.com
SÍ M BOLO

O 2. 0 símbolo é o de Niééia, que se r eza na missa,


composto no concílio de Nicéia em 325, onde foram
condenados Ário e seus sectários, que atacavam a divin-
dade de J esus Cristo. Os bispos ali r eunidos desenvol-
veram o símbolo dos apóstolos na parte que se r efer e a
êste dogma tão importante. - No mesmo éculo, outro
herege, Macedônio, ousoii contestar a divindade do
Espírito Santo, negando que fôsse coeterno e consub-
stancial ao Padre e ao Filho. · O concílio geral de
Constantinopla, em 381, sancionou o dogma católico e
acres ~ entou ao símbolo de icéia a passagem na qual e
enuncia que o Espírito Santo procede do Padre e do
Filho e deve ser adorado juntamente com o Padre e o
Filho. '
O 3. 0 símbolo leva o nome de Santo Atanásfo por
ser atribuído a êste doutor , bispo de Alexandria no IV.0
século. Êste símbolo desenvolve os precedentes na parte
que se r efere aos dogmas da santíssima Trindade e da
I ncarnação de osso Senhor. Santo Ataná io combateu
com tanto zêlo e fôrça os erros de Ário que atacavam estas
verdades, que se deu o , seu nome a esta bela fórmula,
admirável na clareza e precisão. Não há porém, plena
certeza de ser êle o autor. O sacerdotes r ecitam o
símbolo de santo Atanásio no domingo, no ofício do
breviário.
8. - Quais são nossos deveres de cris·tãos para com o símbolo?

R. - Os fi éis dev em sab er de cor e receitar amiúde o


símbolo dos apóstolos, crer em cada mn dos seus artigos
e estar prontos a dar t estemunho desta f é mesmo com
perigo da própria vida.
1.0 P elo meno , devemos saber de cor o símbolo dos
apóstolos, r ecitá-lo amiúde, todos o dia , e fôr possível,
nas or ações da manhã e da noite, para alimentar nosso
espírito e nosso coração.
http://www.obrascatolicas.com
C R E D O 11

, 2.0 Rezando o símbolo, devemos cr er inteiramente


cada um dos eus artigos.
3. 0 Quando as circuntâncias o exigirem, quando
tivermo de confe ar a fé ou cumprir um dever de
cristão, devemos pro:fe sar exteriormente as verdades do
ímbolo, e e tar prontos, como os mártires, par a morr er
ante do que r ejeitar um só artigo)

CONCLUSÃ O PRÁTICA

Durante os três primeiros séculos do cristia nismo, onze milhões


de mártires, homens, mulheres, crianças, velho , preferiram perder
a vida nos suplícios mais horríveis a r enunciar ao símbolo. Hoje
em dia~ nos países infiéis, encontram-se cristãos apenas convertidos
que mostram a mesma cor agem. Assim no Ugandá, no centro da
África Equatorial, pereceram, por causa da f é, em 18 6, no meio de
atrozes tormentos, 150 cristãos r ecém-batizados pelos Padres
Brancos. Se é verdade que nós não temos que derramar o sangue
pela fé e não encontramos as ameaças dos perseguidores, contudo
devemos lutar contra o respeito hu mano e a pu silanimidade que
todos os dias fazem t antas vítimas. Que a memória e o exemplo
de nossos pais e irmãos na fé, nos animem a combater impávidos
na luta pela virtude e pelo dever.

'" 1. 0 ART I GO
Creio em Deu s, Padre todo poderoso , criador do
céu e da terra
Divisão do a3sun to.

9. - Quais são as principais verdades que t ernos _ocasião de


explicar neste artigo ? -

R. - N este prim eiro artigo fala remos : de Deus, de


ua existên cia, de suas perfeições e do mistério da santís-
sima Trindade j 2.0 da criação em geral, da cri ação dos
anjos e do homem, do pecado original logo seguido da

http://www.obrascatolicas.com
12 SÍMB OLO

promessa do Messias. L embraremos também as profecias


que conservaram esta granfle esperança.
E studar emos todos êstes pontos em outr os tantos
parágrafos.
§ 1. - De u s : su a existência.
10. -Indicai as principais provas da existência de Deits.

R. - Entre as provas da existência de Deits, lem-


bramos qiwtro principais qite estão ao alcance de tôdas as
inteligências : 1. 0 a revelação)· 2. 0 o t estemunho da razão)·
3.0 o testernnnho de todos os povos, e 4. 0 o testemunho do
senso íntimo, 01t da consciência.
1. 0 A rev elação. - Primeiro, cremos em Deus :r>orque
se r evelou, isto é, porque êle mesmo se deu a conhecer.
" To comêço, diz o hi toriador agrado, Deus criou o céu
e a t erra". Criou, logo existe. - Depois, manifestou-se a
Adão, Noé, Abraão, ao · patriarca , a Moisés. E quando
êste pergunta a Deus como e debaixo de que nome <leve
dá-lo a conhecer ao faraó: "Sou, diz êle, aquele que é".
- Mais tarde, no monte Sinai, o Sen11or manifesta-se e
diz a seu povo : "Sou J eová, o enhor; não adorareis
deuses alheios; sou o Deus todo podero o ... "
Enfim, Deus se r evelou e deu- e a conhecer ao mundo
no eu Filho úni co, J e us Cristo, " de modo que, diz S.
J oão, vimos a ua glória ... , e êle se fez carne e habitou
entre nó ."
O próprio Deus r evelando-se, eis a primeira e
irrecusável prova da sua exi tência.
2. 0 T estenmnho da razão. - ·A razão diz que não há
efeito sem cau a. Quando vemo uma ca a, um quadro,
emu estátua, concluímo que houve um pedreiro, um pin-
tor, um e cultor que fez ê te trabalho. Ora, t emo diante
dos olhos o espetáculo do céu, da terra, de tudo o que
existe; é preciso que tanto obj etos t enham uma causa ;
esta causa não é o homem: logo, é Deus.

http://www.obrascatolicas.com
D E U S 18

Debalde haveríamos de procurar a causa dos seres


atuais em outros sere que os produziram; é preciso,
afinal, remontar a uma causa primeira, que é Deus.
A razão diz ainda que, quanto mais bela é uma obra,
tanto mais p erfeita é a cau a. . . Ora, o e petáculo do
mundo, o céu com sua imen idaae e seus milhões de
astro , a terra com tôdas a uas maravilhas, demonstram
um er infinitamente inteligente e oberanamente pode-
roso. É êle que chamamo Deiis.
3. 0 O t estemitnho de todos os povos. - É fato sabido
que, em todo o tempo e em todos os países, os povos
bárbaro ou civilizados, antigos ou modernos, sempre
acreditaram na existência de Deus. Como prova, temos
os templos, os altares, os a ~ rifícios; a adorações, que se
encontram por tôda a parte na antiguidade, entre os
Judeus, Gr gos, Romanos, A sírios, Per as, Egípcios, etc.,
e hoj e ainda entre os Chinese , índios da América e da
Oceania, elvagens do centro da África, etc., como ates-
tam as narrações do mi sionários e dos viajantes. Sendo
univer al, e ta crença não pode proceder do êrro: con-
firma, poi , a verdade.
4. 0 Enfim, o senso íntimo e a consciência proclamam
a exi tência de Deus. Instintivam nte, na paz da alma e
,., sobretudo na p na , exclamamos: " Meu Deus! " É o grito
do coração e da natureza. É ainda esta convicção que se
revela na voz da con ciência, que nos indica de antemão
o bem e o mal, repreende e castiga se fazemos o mal,
anima e felicita quando fazemos o bem, e diz que seremos
castigado ou recompen ado con:e<>rme merecermos. Esta
voz que nos in trui, e ta testemunha que nos julga, é
Deus de quem nos a alma não pode prescindir.
Assim, a existência de Deus aparece como uma
verdade tão clara e tão certa, que só o insensato pode
· r ~j eitá-la. Entretanto, homens há que se dizem ateus e
:pretendem que Deu não existe. Muitas vêzes enganam-se
14 C R E D O

a si mesmos, e o coração lhes desmente as palavras, como


os atos lhes contradizem as t eorias: porque, no perigo e
na dôr , voltam-se logo para Deu a quem se r ecomendam.
Aliás, em vão n egari am a Deus; não podem trazer uma
umca razão ólida cont ra nossas prova , nem um só
argumento sério a fav or do seu ateísmo.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Um Árabe dizia : "Estou convencido que há um Deus do


mesmo modo que reconheço pelos \7 estígios impressos n a a reia, o
l ugar onde passou um homem ou um animal". - À vista do universo,
n ã.o podemos debmr de exclama r: "Deus passou p or ali!" - O
sá bio Lineu procla mava que por t ôda a p a rte encontrava a Deus
na criação. - Newton incli nava-se cada vez que ouvia pronuncia r o
no me de Deus. - O p róprio Voltaire, reconhecendo a ha rmonia do
mundo, dizia:
Eu, quanto mais refli to, t a nto menos me convenço.
Que êste relógio anele e não teve quem o fab ricasse.
Não paremos nesta concl usão teórica; mas, como f a ziam os
santos, e em particula r são Fran cisco de Assis e são F ra ncisco de
Sales, aproveitemos de todos os seres da criação p a r a nos elevarmos
a Deus e canta rmos o hino perpétuo do nosso reconh ecimento.
§ II. - D e u s: sua nature za, su a s perfeições.
Deu s definido egundo sua natureza. - Várias perfeições d e Deu s: l.º
perfeições essenciais; 2. 0 atr ibu los operativos; 3. 0 atr ibutos ·morai s.

11. - Q1lem é D eus?


R. - D eils é um espírito p erfeitíssi?no, et erno, criador
do céu e da t erra .
Tal é a definição exata que pod emos dar de Deus,
graças à r evelação. Os anti gos filó ofos, embora reco-
nhecessem a existência de Deus, enganavam-se sôbre a
natureza dêste Ser supremo; quanto a nós, cristãos,
abemos o que êle é.
É um puro espírito, isto é, um Ser invi ível, ainda
que r eal ; é uma inteligência vivente, sem corpo nem
figura, que não e pode ver nem tocar. - ua natureza
consi te ainda em não ter comêço, nem fim , pois é eterno ;

http://www.obrascatolicas.com
D B U B 15

consiste t ambém em r eunir em si mesmo tôdas as per-


f eições em grau infinito.
E m segu ida, em r elação ao mundo e a nó , é o
Cr iador , i to é, de nada fez o céu e a terra e tudo o que
encerram ; é também o mestre absoluto do universo inteiro,
isto é, governa tudo e poderia aniquilar tu do.
12. - Quais são as principais perfeições de Deus?

R. - H á em D eus perfeiçoes oit atrib1itos de diversos


gêneros : 1. 0 a eternidade, a nnidade, a irnplicidade, a
imiitabilidade, a imen idade, que são atributos constitu-
tivos da natureza divina; 2. 0 a inteligência, a vontade
e a onipotência, que ão atributos operativo ; 3. 0 a sab e-
cloria, a bondade, a santidade e a providência qiie são
perfeições morais. ·
ma p rf eição ' uma qualidade que torna melhor
qu m a po ui. Falando d Deu diz mo que é infini-
t amente perfeito, tem tôda a p rfeiçõe de ejávei e
po ívei , a po ui num grau infinito, ua perfeições
não tendo limite .
Todavia eria rro acreditar que a perfeiçõ em
Deu , ão di tinta uma da outra , e portanto múltipla .
Não, D u tem a ob rana perf ição, ' o infinito e e ta
palavra explica tudo. 1a no o e pírito limitado, quando
' con idera Deu, não tem a fôrça de ver tudo m conjunto
perc be nAl atributo ou perf içõ d div r o ênero .
l:Jií perfeiçõe qu con tituem a e Ancia divina e não
per t ncem enão a Deu . ão:
1. 0 A tcrnidad . - Deu , o er nece ario, a au a
primordial, mpre exi tiu exi tirá empre; de de que
exi te por i me mo não pode ter nem comAço nem
uce ão, nem fim.
2. 0 A unidade. - E ta qualidade p rtence igualmente
à e ência divina· d outro modo, Deu não eria mai o
'er upr emo. A razão diz que ba ta um Deu para ex-

http://www.obrascatolicas.com
16 C R E D O

plicar tudo e o infinito não podendo ter igual a si mesmo,


vários Deuses se excluiriam uns aos outros.
3. 0 A simplicidade. - Esta palavra exprime a
exclusão de tôdas as imp erfeições do composto e da
matéria; é i to que significa a expressão : puro espírito.
4. 0 A irnidabilidade. - Deus não muda, não pode
adquirir nem perder cousa alguma; não modifica suas
previ ões nem ua vontades, e as, variações que lhe atri-
buímos não existem senão em r elação a nós.
5. 0 A imensidade. - Sem limites no tempo, Deus
também é ilimitado na extensão. Está em tôda a parte,
no céu, sôbre a t erra, em todos os lugares, não como os
corpos que neces itam de parte determinad_as de espaço,
mas como os espíritos e, 'm ai ou meno , como nossa alma
que e tá tôda inteira em cada parte do corpo.
, H á em Deus outras perfeições que se designam pelo
nome de atribidos operativos e são os princípios dos
seus ato ; possui-os no supremo grau, mas permite que
o homem os possua também em certo grau. São:
1.0 A inteligência : que e chama em Deus oniciência
ou sabedoria infinita; por ela Deu vê tudo junto: o
passado o presente, o futuro e até os nos os mais secretos
p ensamentos, e isto em alterar em nada a nossa liberdade.
2. 0 .Li. vontade : em Deus é uma faculdade livremente-
ativa para fazer o que lhe apraz; a vontade humana é a
imagem da Yontacle divina, com esta qiferença, porém,
que em Deus a p erfeição infinita exige que ua vontade
não se dirija senão para o bem.
3. 0 A onipotêncfo: Deus fez e pode fazer tudo o que
quer , sem e fôrço e por sua só vontade, exceto tudo o
que envolve pecado ou contradição.
Enfim, Deus possui ainda outras perfeições que se
chamam atributos niorais. São como que as virtudes de
Deus, que as criaturas racionais devem procurar imitar .
A esta categoria pertencem:

http://www.obrascatolicas.com
J) E U· S 17

1. 0 A sab edoria : é a perfeição moral em virtude da


qual Deu se determina empre para fins dignos de su a
infinita perf ição.
2. 0 A bondade: é a propen ão que leva Deus a
promover o bem d uas criatura . - A bondade de Deus
é tão manif ta, que co tumamo de io·ná-1 por ê te
atributo, dizemo : o boni Deus ! Quando a bondade de
eu e exerc a favor do pecador e tende a convertê-lo
e conceder-lhe o perdão, chama- e rni ericórdia.
3. 0 A antidad : por e ta palavra de jo·namos o ódio
in finito ao mal. a r alida le, D u ' anto: pois não
pode amar o p cado é, p lo ontrário, autor de tôdas
a v tud . A antidad , t m como con quên ia a .i1l tiça
que con i te em ca tigar o mal e r compen ar a virtude.
4. 0 Enfim, a providência : é uma p r feição qu e
abrang a abedoria, a bondade e a olicitude de Deus
no govArno do mundo. Em virtude l ua providênci·a,
D u cuida de tôda a criatura . Gov rna o mundo fí ico,
o ol, o a tro , a terra, a ·taçõ , o oceano. Vela em
particular ôbr o hom m, "não permitindo que um
cabelo caia da no a cabe a m ua ordem". Governa
igualmente o povo , e a história da humanidade não é
enão o r e ultado da a ão de Deu ôbre o imp rio ,
como o mo tra Bo uet no seu admirá,vel livro de Hi tória
' univer al.
Alguma de orden aparente , no mundo fí ico ou
no mundo moral, n ão modificam o dogma da Provid Ancia
porque, ne te mundo, não podemo apreciar o motivos
de Deu ; ó na eternidade ' que havemos de avaliá-los
p erfeitamente.
CONCLUSÃO PRÁTICA

" enhor, exclama o profeta Davi, de longe adivil1hastes os


meus pensamentos, previstes tôdas minhas vias ... Conheceis em mim
o antigo e o presente. Onde poderei fugi r de vossa face~ Se subir
ao céu, ali estais; se descer no abismo, ali estais ainda e é vossa
dextra que me conduz.

http://www.obrascatolicas.com
18 C B. E D O

Eis que as trevas não têm escuridão para vós e a noite vo


aparece luminosa como o dia.
N ada vos está escondido e as vossas vistas presenceiam minhas
imperfeições.
Todos hão de ter a sua vida escrita no livro de vosso julga-
mento" (Salmo CXXXVIII, 9).
"Como poderei, pois cometer o mal, dizia o patriarca J o é,
e pecar na face de meu Deus~" ( Gên. XXXIX, 9) .
§ III. - Mistério em geral. - Trindade.
I. D efini ção do mi stério . - Mi stérios na natureza e na religião. - II. Mis-
tér io da san t íssima Trindade. - N ós o conhecemos pela i'evelação.
Como podemos con cebê-lo. - Operações das três pessoas divinas .

1. - Mistério em geral
13. - Que é um mist ério?
R. - A palavra mistério (cousa escondida) significa,
em geral, cousa que não compreendemos. Na religião,
mistério é uma verdade que não podemos compreender,
mas devem os cr r, porque Deus a revelou.
Eviden te é que Deus, e pírito infinito conhece mais
cou a que o homem, e pírito limitado. e lhe aprouver
r evelar alguns do con hecimentos que excedem no o
horizon tes r e trito , ter á t ôda a liberdade de o fazer e
então r eceberemos o conhecimento da verdade que Deu
quiser descobrir . É po ível dizer que t eremo a inteli-
gência de a ver dade e a compreender emo como Deu a
compreend . Não, porque pode acontecer que e ta ver-
dade exceda o no o entendimento ne te mundo. E então
tal verdade f icará para nó mi tério incompreensível ;
contudo deveremos a reditar. Porque? Porque Deu , que
a enuncia e r evela, endo a própria ciên ia e a própria
verdade, não po le enganar- e nem n()'anar a n inguém.
14. - erá de estranhar haver mistérios na religião?
R. - A rel1.gião, s ndo vínculo, ou laço d ttniiio ntre
Deus, infinito nas uas perfeiçõ s, o hom m, s r finito
e limitado nos eu atribtdos, concebe- e que haja na

http://www.obrascatolicas.com
D E U S 19

1·eligião, itm lado inacessív el à inteligência humana, e


encontremos mi"stérios incompreensíveis.
Aliá não é unicamente na religião que há mi térios.
Na própria natureza e na ciência , vemo um em número
de fato que pa am a raias da no a inteligência.
Lançado à terra o grão de trigo se corrompe, germina e
produz e enta ou cem grão da me ma e pécie; a
lagarta tran forma- e em cri álida e borboleta ; o a tros
giram no e paço; a comida, feita carn , angue, etc. ; a
luz, o vapor , a eletricidade : ei outra tanta cousas
r epleta de mi térios, apesar de tôdas as explicações
apre entada . Com maior razão, não é de e tranh~r haver
mi térios em Deus e na religião.
R esumem- e os mi t érios da religião em três prin-
cipai : da antíssima Trindad e, da Incar~ação e da
R edenção.

II. - Mistério da Santíssima Trindade?


15. - Que é o mistério da Santíssima Trindade ?

R. - É o mistério de um só Deus em três pessoas


iguais e realmente distintas: Padre, Filho e Espírito Santo.
Estas três pe oas distintas entre si, não são contudo
senão um só Deus, porque têm uma mesma natureza
divina. A primeira pe oa é chamada Padre ou Pai,
porque é o primeiro e gera de tôda eternidade o Filho
consubstancial a êle; a segunda é chamada Filho, porque,
de tôda eternidade, é ·gerada pelo Padre, tendo a mesma
natureza ou substância que êle. A terceira pessoa é o
Espírito Santo, que procede a um tempo do Padre e do
Filho, de de tôda a eternidade igualmente ; de maneira
que as três pessoas divinas são iguais em tudo, não tendo
senão uma única e mesma substância, sem ser uma mais
antiga, nem mais poderosa, nem mais perfeita que as
outras.

http://www.obrascatolicas.com
20 C R E D O

Mistério da Santíssima Trindade.

16. - Como conl1 ecemos o 'mistério da Santíssima T rindade?

R. - Nós o conhecemos porque o próprio D eits no-lo


revelou.
Êste mistério era pouco conhecido dos Judeus; mas,
no Evan gelho, No o Senhor fa lou amiúde de seu Pai e
do E spírito Santo, e ensinou que form avam com êle um
só e me mo D eus. Mandou os apóstolos batizar as nações
em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. São
J oão diz : "São trê no Céu que dão testemunho:_o Padre,
o Verbo (ou o Filho ), e o E pirito Santo, e êstes três
são um só" (I Ep ist., v, 7 ).
A Trindade manifestou-se no batismo de osso
Senhor e na transfiguração: o Padre, falava do alto do
céu; o F ilho, e tava glorifi ado, e o Espírito Santo bai-
0

xava n êle sob a forma de pomba ou de nuvem luminosa.


P or isso, a crença na autíssima Trindade sempre f ez
parte do dogma católico: os símbolos da nos a fé e mais
especialmente o de Santo Atanásio, declaram expressa-
mente esta verdade.
D E U S 21

17. - Podemos oonceber o mistério da SanUssima T rindade?

R. - inda C[tte não seja possível entendermos o


mi ·t '1·io da antí ima Trindade, podemos, todavia,
conceb ·-lo, i to ', fazer id 'ia d ·ze.
o doutor er

ra, o amor r cíproco


àriam nte ub i -
anto. Pro-
u também,

Pox· outra par , para facilitar a onc p ão dêste


u multiplicou m todo lugar, na natureza,
ímbolo da ua Trindade. Hajam vi ta a raiz,
o ramo, formand uma 6 planta; no ol: o
fo o, a luza o alor, .faz ndo õm nte um a tro; na
famltia: o pai a mã a riança que ão uma como
trindad hi. t rra. vida do hom m ncerra tr• vida :
animal , int L ual, obr na ural. ua alma, principal-
m nt , orno qu o r trato da Trindade e l te; er
írni o, t m la trê facu ltlad en ibiliclad , intelig·ncia,
ontad ; la 6 o princípio do u pen amento e do eu
' atla uma de ta tr• cou a : princípio, pen a-
p r onalidad teríamo

http://www.obrascatolicas.com
22 C R E D O

18. - Quais são as obras ou operações das tTês pessoas da


Santíssima T rindade?
R. -Atrib{;,ímos geralmente ao Padre a criação, ao
T.i1ilho a redenção e ao Espírito anto a santificação.
Na realidade as três pessoas divinas cooperam em
tôdas essas obras.
Por terem a me ma substância divina, a trê pes oas
divinas não e manife tam exteriormente uma em outra
e tudo, no mundo, é ua obra comum. - ão obstante,
por apropriação e modo de falar, atribuímo geralmente
ao Padre a criação, como obra de poder; ao Filho a
redenção como obra de sabedoria, e ao Espírito anto a
santificação, como obra de antidade. a realidade, as
três pes oas divinas cooperam em tôda estas obra .
Devemo notar, entretanto, que a redenção foi a obra do
Filho por ter sido levada a efeito pessoalmente por êle;
pois é unicamente a segunda pessoa que e fez homem,
e nos remiu.

O mistéri-0 da Santíssima Trindade excede qualquer inteligência cria.d.a;


conta-se que santo Agostinho quis devassá-lo e foi rrprerndido por um anjo,
que lhe disse ser mais fácil a uma criança colocar tiida a água do ar
num buraquinho do que a um doutor entender o mistério da ma. Trindade

http://www.obrascatolicas.com
D E U S 23

CONCLUSÃO PRÁTICA

Quer ermos devassar o mistério da Santissima Trinda de não


poderia tra zer vantagem alguma. a uto Agostinho experimentou
fazê-lo, com seu grande gênio, e foi por um an jo lembrado da
humild ade conveniente ao uos o espírito limitado.
:E: p ref eri el mover -nos à gratidão pa,ra com a a ntís ima
Trindade que envolve com seus favo re tôda a no a vida de
cri tão: em nome da Santís ima Trindade é que omos batizado
cri mado , purificados na penitência, santificados na extrema-
unção. E a derradeira prece que a I g rej a dirigirá a Deus por nós,
na hora da agonia, será esta: " P ar te, alm a cristã, em nome do
P adre que te criou, em nome do Filho que te remiu, em nome do
Espírito Santo .que te santificQu".
Portanto, esforcemo-nos por hon rar a Trindade sacrossanta,
f azendo com piedade o sinal ~a cruz que a rememora, e rezando
com atenção o Glória Patri e a Doxologia que termin a os almos
e hinos litúrgicos. ·

§ IV. - A criação.
Explica ção. - Ord em d a criação. - Reflexões acê r ca da na rra~11o de Moi sés.

19. - Que significam estas palavras: criador do cé1i e da


terra?

R . - S ignificam que Deus, pelo poder da sua palavra,


fez de nada o céu e a t erra, e tudo o qu êles contêm.
Entre a obra de Deus e a do homem, vai esta grande
diferença: para faz er qualquer cousa, o hom em precisa
ter elemento : o pintor , tela e tintas; o escultor mármore
ou madeira; o arquiteto, materiai . P elo contrário, Deu
cria, arranca ere do nada por uma simples palavra:
" Dis e e tudo foi feito " .
P ela palavra céu, entende-se aqui não ó o firma-
mento e o a tro , ou a matéria que devia rvir a formá-
lo , enão ainda o céu com eu moradore , o anjo · da
me ma forma, p la palavra t erra, entende-se tudo quanto
ela encerra: minerai , água, plantas, animai e homens.

http://www.obrascatolicas.com
24 C R E D O

Oriação do mundo.

20. - Qual fo i a orclem seguicla na criação?


R. - A ordem em qiie a criação vem narrada no
Gén esis) é a segilinte :
'No princípio) D eus crioii o céu e a terra.
No primeiro dia) cr iou a luz.
No segundo dia) f z o firmamento.
No t erceiro dia) separoii a t erra das águas.
No quarto dia, f z o sol, a lua e as e trêlas.
No quinto dia, criou as aves os p ixes.
No sexto dia, fez os r'pteis o quadrúpedes e, na
tarde dêste mesmo dia, f z o homem à sua imagem e
sem elhança.
No 'ti mo dia, descansou".
Ei aproximadamente orno narra Moi é , no livro
do Gêne i , a obra da cria ão:
"No prin cípio, Deu riou o céu e a terra", i o é,
se(1undo a xplieação de . anto .Ago tinho, a ma éria que
havia de servir a formar o mundo ideral e terre tre.

http://www.obrascatolicas.com
o Jt J 2G

M 8lu. n1ulfrin n<·l1nvu-1:1 11i11 tltt i111'orrn ns


c·n11! i11l10ll n 11pcl'l'l' i oú la un obru. cl m; Hc iH lins.
O pl'i111('i1' di11 , diHHO: ~ll (I n hli~ Rt',jll, l - [O U. ltti',
, iRl.iu . ltti o 'l llid o 111i1·d(l ri mm q1w por H11n vibro, ·õ s,
ti iu ilu111i1111r l 11l ('l·F t11' <> 1u1111do.
o H(I 1111<1 0 d i11 I'< v. o l'ir11111111 onl o . Jo u. o, t. w;iío
o ti1:1 p11 ·o qll t•o 11Hlll. d( l1111 u. c11 T'1 mln c1 ·hunmdn
nl mo1:d\' r11 1m (lll nl l'ic·11111 OH vnp or li ~ (i r uu q11 no
Olld C' ll Rl\l'('ll Hl(' (Ol'lllllll H l'lli l' CJ11 l' 11 lli o lll ·liu voH.
No [( r<·p iro di11 1}(1 11 1< Hr pnroll u lt rru d11 R úg u11 s
d li it p11rl (I f1l'id n o 11 0111 0 do lNrn. r't H (i, 1111 s r u11i <l11 K,
o 110111 , cl 111111' 1 • Dr poiH l'rv. brolnr 11 H pli111l11 R us {1r-
orrH, pl'Odu 1t, i11 lo <·nd n qu ul 11111n H 111 11l c co 111'on11 IL RUU
'H P '• i .
to qual'LO din f<·v. 11 lu n o Ró l 11 H N1 (l'Ôl11 H . l]R l11 1:1
L1' H p11J 11.v r11 A ITH 11111 t' il1 u111 f.!<• 111 11Í111t(' l'Q d 11mrnvilh11s:
o NO l ('O L'pO ll1111i11 nHO, 1.400.000 \l l1'CH 111ainr qll (' n (,(' l'l'lt'
H l li ll (111 o l l1(1 r d 1(' 1(' OR 1'11 i()H ( li o-1OH ll tlt 11 da <l 11 r 11 11 ! (1 H
11oil ; !11 1il nJ>< 111ill1 Õl'H de eH lr0111K o <•füla u111a 11111rnv illm
di vi1111 ' 111lli!11J>< d l•1drC1 ol11 R Rílo 111ni <r('R (lll n o Rol.
o q li i 1d o <l i 11 l (' 11 H I' eÍ'Í li R li V 'A <1 li p o n n1 OR
nn'H <' OH irn ixrH (Ili a r 11 l' l1 (' 11t o o· a no e OH ri os .
li o H('XIO di11 l ll R (• ri ll os 1111i1111ti8 1 l'I' '8lrc1:1,
·(• pl l' iH C' q11 1l(lr (11wd <•J>< (•11 d11 l1111 R<' u11do a Htm l'ii p (1 ·i
B o ll'X ll kll (.:T11d o ohHl'r vn (lu D ·uH iu ci11 lod11, Hwi
obrn ll l'll l>011 . Por<- 111 l'11ll nv11 u1u r i · 1m t.11rll cl G1'1t
ll! l\R lll () di11 l)(' ll H H I' (' 0111 (' 11 111 Ni d ikH( : f/l (l ('(Jilll(JS (1
lt o111 ('> 11 11 11 nss11 i 11111r1<"111 . 1 c•poiH l'on11011 t <m1 lmrrn o
1

'1 1'JH1 do 11 0111 (• 111 , ( ti l 11 -111 0 lllllll, 11 l11 11L viva . rn 110 1'1n lirno
diu DnuH l('i:ll' t111 Hn 11 , iHlo cl C' ixo 11 de c"ri t11· 11ov11 N C'H p i 1'1.

o (t11cfti.~ t1 f[/lllll(I .~ o /11HH'l(I (1,~ r d11.~(('


21. -
tt(l.!'1'(1,(1 o' (1 / MI (l.(J (i l'(' (l

l\,, - bs111·1 ni os : f .() q 11 (!, 7wfm r(I. • d ia, ,q'i(!m'ffoa,


1J d odn i 11tfrf i 11 i l o r• ?1110 1 sfw.ço tlt :J horas: º qu <J

http://www.obrascatolicas.com
26 C R E D O

Bíblia não pretende revelar a idade do mundo, mas


somente que não é eterno; tão pouco pretende Moisés dar
lições de astronomia ou de outras ciências; 3. 0 que, se-
gitndo a Bí blia, os seres atitais não seriam conseqitência
de transformações sucessivas.
1. 0 O vocábulo hebraico usado por Moisés e traduzido
pela palavra dia signi.fica igualmente, no texto primitivo,
um per íodo indefinito, e é licito, portanto, interpretá-lo
em sentido diferente de uma duração de vinte e quatro
horas. ·
2. Quanto à antiguidade do mundo, a Bíblia revela
0

somente que não é eterno, mas não det ermina a data da


sua criação. As informações da Bíblia não são suficientes
para o e tabelecimento de uma cronologia segura. Ao
dividir a obra do Criador em seis períodos, Moisés não
e obrigou a dar a or dem exata em que as cousas foram
criada . O fim que se propunha era mostrar aos judeus
que tudo vem de Deus.
3. 0 A Bíblia menciona que a plantas e os animais
foram criados segundo sua espécie e dá a narração da
formação particular do homem : donde r esultaria que os
sere atuais não são a consequência de transformações
sucessivas.
4. 0 Enfim , depois de ter cr iado o mundo em sete
épocas, Deus entrou no seu repou o : é a origem do
repou o do sábado, da divisão do tempo em semanas, e
da santificação do sétimo dia.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Vivemos no meio das obras da criação quase sem darmos por


elas. E contudo, ao fitar o céu, ao contemplar a terra com sua s
maravilhas, ao lançar as vistas ao oceano, quem não haveria de
exclamar com Davi: "O' Senhor, quão admiráveis são as vossas
obras, e como é grande o vosso nome em todo o universo!"
Deus é grande nas grandes cousas, e não é pequeno nas cousa s
'ínfimas. "Uma fôlha de árvore, diz santo Agostinho, é tão dif~cil

http://www.obrascatolicas.com
A N J O S 27

de se form ar como o firm amento, e a criação de um mero cabelo


necessita t anta virtude como a criação do corpo int eiro " . .Admiraç-ão,
gratidão : serão êstes os nossos sentimentos habituais.

§ V. - Os a njos.
Os anjos. - Sua existência. - Prova. - Os nove coros dos anjos. - An jo
da guarda; seus serviços: nossos dev eres com êle. - Os demônios.

22. - Que são anjos?

R. - Os anjo são pitros espíritos, que D eus criou


para sua glória seit serviço.
O nome anjo ignifi a nviado ou men ageiro, p or que
D eu· os manda para executar a ua orden . Manife -
tar a m- , por vêze , ao homen ·, com orpo de mpr' -
timo ; ·ua natur za, porém, é completamente e piri tual e
superior à do hom m. O anjo ão dotado de inteliO'ência
vontade, p oder, b leza, qu excedem o qu encontr amo
de mai p r f ito ntre hom n .
uma noit , um anjo exterminou 1 5.000 homen
do x' r cito l 'enaqueribe. " i, diz ão João, um an jo
baixar do céu: tinha grande poder a terra a hou-
ilumina<la com o e pl ndore da ua gl 'ria ( Apoc.
:xvm, 1) .

, 23. - omo sab emos da exis tência dos anjos?

R. - · onliec mo a exi t'ncia do anjo p la revela·


ção por ua milita manife taçõ narrada no Antigo
e no ovo T iam nto.
É ta uma verda l d f' que d vemo
po itivo de Moí ' do prof ta do
e p riucipalm nt pela própria palavra de Je ri to.
I greja p roclamou-a dogma católico 1 mbrado no quar-
to con ílio d atrão (121 ) e no concílio do ati ano
(1 70 ) . eria, portanto her ge quem r jeita e ta
cr ença como certo racionali ta modernos.

http://www.obrascatolicas.com
28 C R E D O

Os filó ofos antigos, - Platão entre outros, -


achavam muito razoável que fôsse admitida entre o ho-
mem e a Divindade, a exi tência de ser e mais perfeitos
que nós. Também, é fato que merece a atenção, o terem
acreditado todos os povos antigo e modernos: P ersas,
índios, Chineses, Gregos, Romanos, como ainda hoje os

Quedri dfls maus anjos.

elvagen da África, da Améric.a, da Oceania na exis-


t ência de espírito uperiores, com o nome de d euses ou
demônios, bons ou maus gAnios. É claro que e ta crença
universal não se originando na razão, deve er atribuíd.a
a uma revelação primitiva.
24. - Que sabemos a respeito dos anjos?

R. - A r espeito dos anjos sabemos que foran


criados antes do homem, no estado de santidade e f eli ci
dacle. Snbm eticlos a uma prova, alguns se rebelaram
foram, expulso do céu. Os anjos bons são numerosíssimo
e geralmenff. os dividimos em três jerarquias q1ie abrar

http://www.obrascatolicas.com
A N J O B 29

Qem três coros cada iima. Conhecemos nomeadament e :


S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.
O anjo foram criados antes do homem, num estado
de santidade e felicidade. Depoi de os ter criado justos
e santos, Deus quis experimentar ua fidelidade como fez
t ambém para c.om o homem no paraí o terrestre. Chefia-
do por Lúcifer, alguns rebelaram-se contra Deus deso-
bedeceram por orgulho, e, em castigo da ua r evolta,
foram imediatamente precipitado no abismo do inferno.
São os maus anjos, ou demônios .
O anjo fiéis, - e são mais numerosos, pois julga-se
que a têrça parte õmente desobedeceu, - foram confir-
mado na graça e na glória, i to é, já não podem mais
ofender a Deu ; gozam da sua presença; ua ocupação
é louvá-lo e executar as suas ordens e são felizes para
sempre; ão o bons anjos.
abemo mai que o bons anjos são numerosí simos.
O profetas, especialmente Daniel e S. João, na suas
visõe , falam de milhões e milhões de ahjos que cercam
o trono de Deus.
Não são todos iguais·. Ba eados em algumas passa-
gen da Escritura agrada, é costume admitirmos, com
S. ~jQ o A.reopagita, que o anjo e dividem em três
j&rarqiiias, abrangendo e.ada uma três coros, vindo a ser
ao todo nove coros de anjo , como segue:
1.ª jerarquia: serafins, - qiieriibins
2.ª jerarquia: dorninações, po-
t estades;
3.ª jerarquia: arcanJOS, anJOS.
Entre os anjo , conhecemo nomeadamente: são
Mignel, chamado arcanjo, cujo nome ignifica: "Quem e
semelhante a Deu !"; ão Gabriel, arcanjo também, cujo
nome quer dizer " Fôrça de Deu "; ão Rafael, mandado
a Tobia : seu nome e traduz por " Remédio de Deus".

http://www.obrascatolicas.com
30 C R E D O

25. - Quem é o anjo àa guarda?

R. - O anjo da guarda é um bom anjo a quem


ass1:ste, por ordem de Deus, o dever de guardar e proteger
a cada um de nós.
Há, pois, entre os bons anjos, alguns a quem Deus
confiou a missão de nos defender.
A crença no anjo da guarda é baseada na sagrada
Escritura. " Deus, diz o Salmista, ordenou aos seus anjos,

Sa11to anjo da guarda , proteg ei-me sempre.

que nos guardas em". - "O anjo do Senhor está sempre


ao lado dos que temem a Deus, e ampara-os contra os
p er igo " (Salmos, xc e xxxm). Tal era já a crença
j udaica.
Mas Nos o Senhor a confirma no Evangelho, quando,
pedindo aos discípulos que não dêm escândalo à crianças,
acrescenta: " Eu vo-lo declaro, seus an jos contemplam
sem ces ar a face de meu Pai" ( . Mat., xxm, 10).

http://www.obrascatolicas.com
A N ,1 O fl fl 1

MniR d 11L1 inn, ~< 1•1il111 n t, n 1


bnR niln l 01·
j 1rnl nn Hn 1•n ln 11~R 1•il.11rn 1 qn n T 1· .iu.1 oR 1• inoR n,R
cio ,(lfiOR, íl R l )íl,l')ljlli nR, 1 m t 11111h m A ll R n 11J A LnL 11111 H.
2 l, - QWJ li 1'11/{W ?11111 111'fl ll /lli () fl,/l .} f) (/,11 {111(1,l'l/ll, (f1tfl,f 11 li ()
nô1w111 11 11 l'llll 1w1·n 110111 Mfl f

R - O wn.io r7a a11an7(/ r11w ,q 111.n o, D 1rn rM ?Jlrn.çru:i


,q , 1n .çp'Ín1 - 11n.~ 7w11.ç '}i f1 >Wm1. nf.n.q , 1wot 01•.no.ç nn.~
I ?J/,(I, ,q n o no.q r7 M11117Jf11·r1 ?1Mn ?1w.in11.0 no 1n11•0n.l.61·fo.
Wm t 1'i7rn 1(11 o
lf,1•vr•111 1M-Z71
1· 1
n ,q?J ilo <1. ? oç o
o i,ffrtm o,.
H A r i 01-1 q1 1 noR p1' llHf n, o nn,jo {ln rnu·cln po1l m
l' A11rnh -R rn qnn.Lro:
1

1.0 Â]W A nLn n ll l lH llOAHfl.H ())'11 ( A (\ bonR oh rll R;


,ll z li\ ]) I' 11 H, ill R])i 1•1\· ll ()H ho n R ] H111 Rfl lll lÜOR
n.11 . llin·lH)H 111 lWfd,i •n do h m ;
8,11 l 1·ot ~ -nnH ont1·n tll'All fi ll' A, noR 11 1 m
n,p\ll'OR rn 1ü i ·in,lR; Hpo •inlm nt nm1 n1•n lHlRH fl,R 11hnnR n n.R
L ntn '< H, 1onL1· QR rnll11 Rt A cio l m ni o ;
11,0 N ,o n oR n,b1wcl nn {p11tnclo oorn temoR o p 11 ~ o
Hfo1• H·R l m• mo l'- ll ll H 1 , p niL 11 •in. Mnir; •1·Pn ·n
l oR cl on L i• A qn A nrnoH no 1w1• nl, 1l'i o1 n oRAO n11jo no
onRoln o n oR nl i in, nR c1 i · A, cl L'nnclo n A ü ,o A m nt
l n niH d n oH c•on!l 11 ?. i1· no • 11 .
1•11n1·c10 1 ?IÓ.~
1

Tem ])f\ 'li c1 HL A hon p i A, di z AI


l}/ !/ f 1 f"// l,() ,q j,1• A Oll Hí\R 1
l .' 1 o /'('N'}Jl'ito !)111' 1\ Olll Hll l\ P l'{\fi n H ,i(\ qn
1. R l.~1Jll tllili 11, <l oH 11 )HHOR 1üoR, 11 1 () ll lllll OR d Hg'OH L~ -l o j) lo
1 wid o ·

H.11 m1,j'1!11/ {lt p


1
)1\ ]11'() (, 'I o Oll Ht,1u1L ql n H l\Qll-
( 'd ; po1· i HHO C(ll rn 11 HHllH ll (leOHH id 1] H, l1 0H p l'il-ÇOR,
T 11~f . :itflll , ll
http://www.obrascatolicas.com
32 C R E D O

nas aflições, precisamos r ecorr er à ua poderosa inter-


ce são.
27. - Que sab emos do s demônios?
R. - Sab emos qiie os demônios foram condenados
aos suplícios do 1ºnferno para onde prociiram arrastar as
nossas almas em pr egando, para isso, as t entações e as
ob sessões.
Depois da sua queda, foram o demônios ou mal!S
anjos, éxpul os do céu e sentenciados aos suplícios eter-
nos do inferno. Entretanto, com o beneplácito de Deus,
avultado número de demônios andam pelo mundo, onde
t r azem o eu inferno consigo. Movidos pelo ódio que ·têm
a Deus pela r aiva contra os homens, usam, para nos
p erder e arra t ar também ao inferno, de dois meios que
Deus lhes con ente:
1.0 As t entações, isto é, más inspirações e ciladas
~s contr a a nossa alma, devido à nossa natureza
~l'l'
·~eT"·-~~~a..• da qual se aproveitam;
2.0 As obsessões ou possessões; entendemos por estas
palavra , o tormentos ensíveis que os demônios exer cem
às vêzes no cor pos. Muito fr equentes no tempo de Nosso
Senhor, as posse sõe do demônio ão raras hoje em dia,
porque o seu império foi de baratado por J esils Cristo.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Por m aior que sej a o poder do demônio, "Deus é fi el, diz Sã o


P aulo, e não há de per mitir que a tentação supere as nossas fôrças".
T emos a certeza de triunfa r se empregarmos a vigilância, a oração,
as invocações a Ma ria e a confiança em nosso bom anjo.
É par ticul a rmente útil dar todos os dias ao nosso anjo da
g ua rda pr ovas do nosso afeto e g ratidão, nas oraçõe da manhã
e da noite. Será vantajoso usarmos desta pequena reza, enriquecida
de p reciosas indulgências :
A njo de Deus, meu fie l guarda, vós a quem a divina bondade
confiou o cuidado da minha pessoa, neste dia (ou nesta noit e)
alumiai-me, guardai-me, dirigi-me e governai-me. - 100 dias de
indulgência cada vez, sendo plenária uma vez no ano, a 2 de outubro

http://www.obrascatolicas.com
li M F: M 33

na hora da mort (P.io V 1); Pi o V 1J ucrcH<' 11lo11 1w1 11 i11<111lg(l 11 c· ia


pi núrin um a v z todoa OI:! 11 1<'A H, npli ·fLv 1 :w H d ·f'1 111toH.
§ VI - 0 ho111 (' m
Jri11cito do A dno o Jr,va . - n,.r;n içlto do 11 0 111 1· 111 - A 11111111 li"""""' :
J.º HUba lllnC'ill oapiri lu11l ; 2. 0 li vro; :J. 0 i111orl11l .

28. - arrai n criação rio 71 ri 111 riro liom1·111 1· d!I 11n1111·1ra


1n 11lli er.

H. [) us criou o JJri111<'i1·0 lt omn n, for111ando o s n


·ortHJ elo lim o da l f rrn r• 1i11i11rl o a fssf corpo 1l'l'lla atina
i morf al.
fC nt ÍOll -/11 (' rf fJ)()is 11111 prOf11nrfo S01 10 (', /1(' SSf' f f lll)W,
to111011 c/Nr• 111110 cosfrfo, de (jll <' fon11011 o r· or1>0 de h'vo,
lh <' d 11 11 1110 0/1110 sr•111f ll1011f (' r1 d f' Jldrio.
Dr1>0i s dr criar o m1 1nc lo nia trria l, par<'(' u 1 r 11 s

r ro lh r - um granel Ir. íg11i o, isH


" J11 a ·amos o lt m .m ;\ n SHa imag m r srmrlh an ·a".
D pois, e· ntinu a Moi R6s, formou o corpo cio hornrm c·orn
o barro ela l rra, baf ,jon -lh n rosto 11m sô pro d vida,
o hom m rgu u-sc, nt ra i nal c1otaclo d alma.
34 C R E D O

Para o homem lembrar-se da sua oriO'em Deus lhe


pô o nome de Adão, que ignifica "tirado da terra".
Logo Adão começa a desempenhar eu papel de chefe da
criação : dá ao animai nome adequado . Mas, de novo,
fala Deu e diz : ão é bom ficar o homem sozinho ;
façamo para êle uma companheira que lhe seja seme-
lhante". Então, mandou a Adão um ono profundo du-
rante o qual " tirou-lhe uma das costelas, formando com
ela o corpo da primeira mulher". Ao de pertar, Adão
exclamou : "Eis aqui os o dos meus o so e carne da
minha carne". E Deu chamou a esta primeira mulher
Eva, nome que ignifica "mãe do vivo "
29. - Que é p ois o ho11iem?
R. - O homem ' uma criatura racional, composta de
corpo e alma.
Por seu corpo, de e trutura mai perfeita que o dos
animais, já o homem assume o primeiro lugar entre os
sere dêste mundo. O filó ofos e poetas do pagani mo
tinham r econhecido no homem uma con tituição superior;
a beleza do rosto, onde se r etratam · eus pen amentos ; a
majest ade da cabeça, que e alça para o céu enquanto os
animai. andam debruçado para a t erra; sua aptidão em
viver sob todo o climas e em t ôdas as r egiões ...
O que con titui, porém, a verdadeira superioridade
do homem é a alma criada à imagem e sem~lhança de
Deus.
30. - Que é a alma?
R. - A alma é um espírito imortal, que Deus crio1t
para r ·unido oo corpo do homem.
É substância . piritual, como a de D u e do anjos,
ainda que m no perfeita de tinada a er unida a um
..corpo e ervida por órgão .
Dizemo que e ta alma ' feita à imag m e seme-
lhança de Deu . om ef ito, é um e pírito como DeuB

http://www.obrascatolicas.com
li O M E M 35

é um e pírit~; orno "le, embora em menor grau, ela pode


onh r, amar e d t rminar- e livrem nte; como êl , há
de viv r t rnamente. Enfim, - segundo breve expli-
ar mo , - u compl tou ê te traço de sem lhan a
divina reve tindo a alma humana de ju tiça, antidade
e inoc"ncia, de tinando-a a gozar da felicidade eterna.
O hom m foi criado, com efeito, para conhecer a Deus.
amá-lo, por ê t meio alcançar a vida eterna.
J. A exis'tência da alma é negada pelos materialistas,
seita "não de filosófos, mas de mentirosos" como dizia
Pa cal. izem nó , espiritualistas e católicos, que a
alma xi te, ' di tinta do corpo. sagrada Escritura
n nhuma dúvida deixa a ... te respeito. Acabamos de vê-
lo, no ato da cria ão do homem, a alma é alguma cousa
e piritual, qual sôpro que dimana de Deus. palavra
alma no depara em cada página dos livros santos, e
m todo lugar, designa cou a real, distinta do corpo.
" a mort , o pó volta à terra donde tem ido tirado, e
o e pírito ou a alma, vai para Deus que a tinha dado"
(Eccl., n, 7). Portanto, a xi t "n ia da alma humana
é dogma fundamental, a fé nêle é neces ária para a
alvação.
Eleva-se a razão humana at' o conhecimento e a
rteza da xi t"ncia da alma pelas me mas considerações
que a levam a aceitar a existência d Deu . onhecemos
eu por ua obras no a alma p los atos dela.
Averiguamo fàcilmente, em nó m mo , fato que os
fil' ofo atribu m à n ibilidad , à intelig"ncia, à von-
tade. Ma a mat'ria, no so corpo, portanto, não é capaz
de entfr, pensar, qii rer. É preci o, poi , q'Õe haja outro
prin ípio, e " te prin ípio chama-se alma.
II. ompl tamo ta no ão da alma humana, acres-
centando que ' livre imortal.
1.0 É livre i to ', p d colb r e praticar o bem ou
o mal. E ta lib r lad é afirmada p la agrada Escritura.
36 C R E D O

e pela Igreja nos concílios; aliás, a promessa de r ecom-


pensas, e a ameaça de castigos baseiam-se nesta liberdade;
não haveria mérito nem culpa se não fôssemos livres.
Ora, em todos ós lugares e sempre, houve leis, tratados,
r ecompensa e castigos; logo, acreÇl.ita-se universalmente
na liberdade humana.
P or outra parte, sentimos que somos livres, e o
fatalismo, negação do livre arbítrio, acha-se r ebatido
p ela própria consciência individual que apregoa nossa
liberdade, e pela discordância que se nota entre os
princípio dos fatalista e seus atos: sempre, na prática,
um fatalista porta- e como ente dotado de con ciência e
usando da sua liberdade.
2. 0 A alma é iniortal, isto é, não morre com o corpo,
o qual não passa de invólucro. " Deus, diz a Escritura,
criou o homem sem têrmo e sem fim " ( Sab.~ rr, 23 ) .
Era dogma da r eligião mosaica; é o ensino po itivo de
osso Senhor, que não somente proclama a vida imortal
da alma, ma ainda revelou o mistério" da r es urreição
do corpo a fim de compartilhar o destino et erno, feliz ou
infeliz da alma.
A abedoria antiga, na pessoa dos filósofos Sócrates,
Platão, Cícero, Sên eca, professou a crença na imortali-
dade da alma. Cremos n ela, n ós cristão , p elo ensino da
r evelação e da I gr eja, e porque a razão diz que : 1.0 sendo
a alma espiritual e simples, não pode morrer: com efeito,
a morte é a decomposição das partes que con tituem um
ser; ora, a alma, una e indivi ível, não pode decompor-
se nem morrer; 2. 0 não há tão p ouco aniquilamento
para a alma; e a própria ciência ensina que nada pode
p erecer na criação, Deus não faz uma exceção para as
almas, criatura de ordem superior; 3. 0 enfim, a alma é
imortal, porque tem o desejo inato de viver, e Deu não
deve iludir êst e desejo; ela tem fome e sêde de ventura,
e Deus, que não corresponde à sua expectativa neste

http://www.obrascatolicas.com
H O M E M 37

mundo, deve ati faz -la na outra vida; é livre, e por-


A

tanto preci a en contrar, al' m d t e mundo, a recompen a


A

ou o ca tiao que não acha, cá na terra.


Ela preci a, numa palavra de uma vida futura,
porque a ju tiça de Deu , que não exer ce empre na
vida pre ente r equer outra vida onde o bem r eceba r e-
compen a definitiva e o mal, definitivo castigo.
CONCLUSÃO PRÁTICA

"Quando eu não tive se outra prova da imo rtalidade da alma


senão o triunfo do mau e os sofrimentos do justo ne te mundo,
dizia João J acque R ouseau, isto não me deixa ria a menor dúvida.
ma contradição tão palmar e taria a pedir-me alguma solução.
Eu diria comigo : ão acaba tudo para mim om a vida; na morte
tudo entr a na ordem".
Aí fica a esperança do justo; êle conta com a imortalidade,
e diz como . P aulo : "Padeço, mas não tou confundido" ( II
Tim. r, 12 ). Aí deve ficar o tormento do pecador e se o êxito, as
prosperidades temporais o afagarem, muito tem que recear em outra
vida , o desfôrço da justiça de um Deus que tem ao seu di po r a
eternidade.

§ VII. - O estado d e in.ocência. - A queda.


Estado d e inocê ncia ou de justiça original. - Con dição a preench er para
êle p erpetuar-se. - Qu eda do homem. - Suas consequ ência s.
Tr ansmissão da culpa original.

31. - E m que estado criou Deus Adão e E va?


R. - Deits criou Adão e Eva num estado de santi-
dade e ventura, reserv ando-lhes o céu como recompensa
da sua fidelidade.
É i to que chamamos estado ele inocência ou de
jiistiça original, cujo quadro vem traçado na história
sagrada, e cuja lembrança ficou impressa na memória
de todo o povo com o nome de idade áurea. Neste feliz
estado, possuíam nos os pais dote portentosos no corpo
e na alma.
l.º Qiwnto ao corpo, o homem entregava-se ao tra-
balho em custo, nem sofrimento nenhum; nada abia de
38 C R E D O

incômodos ou doenças; e não tinha de morrer. Depois de


ter auferido na terra todo o gozos da . ordem natural,
devia ser levado para o céu, remanso de uma felicidade
pura e perene.
2. 0 Quanto à alma, estava exornada de todos os
dons naturais, aos quais a bondade divina tinha ajuntado
dons sobrenaturais. - Na ordem natural, era uma
inteligência perfeita, isenta da treva e dúvidas da
ignorância; vontade norteada para o bem, livr e de tôda
tendência ao mal ; coração que ia e pontâneamente a Deus
e ao que é bom, alheio por completo ao triste pêso da
concupiscência. - a ordem sobrenatural, Deus comu-
nicava à alma do no os primeiro pais luzes mais
perfeita que as da razão : pale trava com êle , co~sentia
que o ama em, e a tôdas a alegria dêste mundo acres-
centava a prome a de fazê-los participar da própria
ventura, e i to durante a eternidade. A palavra que dá a
síntese, o r esumo dê te privilégio obrenaturais, é a de
graça, princípio de antidade, caridade e glória.
32. - Pusera Deus uma condição para êste estado perpe-
tuar-se?

R. - im, Deus lh es impusera de não tocarem no


fruto da árvore da ciência do bem e do mal.
olocando nosso primeiros pai no Paraí o terre tre,
Deus pô , para que tamanha felicidade não tive e fim,
um único e fácil r equisito, ao preenchimento do qual,
porém, ligava a máxima importância. Deixou que Adão e
E va prova em todo o frutos do jardim de delícias, com
exceção do fruto de uma árvore, que apelidou árvore da
ciência do bem e do mal. Depoi , acre centou: " o dia
em que comerde dê te fruto, morrerei ". Importava e ta
ameaça na perda de todos o don extraordinário e
sobrenaturai próprio do e tado de inocência, para Adão
e todos os seu descendentes.

http://www.obrascatolicas.com
H O M E M 39

33. - Contai a queda do homem.

R. - O demônio, disfarçado sob a forma da serpente,


logrou induzir a primeira mulher a desobedecer a D eus.
Eva of erece1t depois o fruto a Adão que . imitou a
companheira.

Eva escuta a serpente e desobedece a Deus.

·, I
Pouco tempo havia que o homem estava de posse da
sua felicidade no Paraí o terre tre, quando o demônio,
invejo o de sorte tão ditosa, resolveu perder a raça
humana. Di farçou-se sob a forma de erpente, chegou-se
a Eva, por ser ela mais fraca, apresentou-lhe a tentação
debaixo do engôdo da en ualidade, do orgulho, e levou-a
a desobedecer a Deu . A mulher comeu da fruta proibida,
e a ofereceu a Adão, que imitou a companheira, comendo
êle também. Logo, abriram-se-lhe os olhos, e entenderam
quão grave era o seu pecado. Pouco depois, o enhor
mo trou-se ao. culpados, ouviu sua confissão e pronunciou
a sentença. A pena especial de Eva foi a dôr e sujeição
/

40 C R E D O

ao seu marido; a de Adão, o trabalho difícil, e para


ambo , o sofrimento e a morte. Deus os expulsou do
Paraíso t errestre, porque, para êles, a f elicidade estava
acabada.
34. - Quais foram as consequências do pecado original?

R. - Nossos primeiros pais perderam a graça santi-


ficante, vifom diminuídos os seiis dons natiirais, foram
privados de direito à visão sobrenatiiral de Deus e comu-
nicaram aos seiis descendentes êste estado de decadência.
Gravíssimas foram as consequências da queda das
no sos primeiro pais, para êles próprios e seus descen -
dentes :

1.0 Perderam a justiça original ou graça santificante
que os fazia amigos de Deus, e de envolta com esta graça,
o privilégio ,todos que a ela e tavam ligados, conservando
somente as faculdade e senciais da natureza humana.
2. 0 Esbulhados dos dotes sobrenaturáis próprios do
estado de inocências, Adão e E va foram ainda feridos
natiiralmente, i to é, os dons naturais, e bem que lhes
não fô , em tirados sofreram diminui ão. _ As im, qiianto
ao corpo, sentiram os e pinhos do trabalho, da dôr, da
doença e, por último, da morte; quanto à alma, em sua
inteligência ala travam as trevas ou ignorância; na sua
vontade, entrou a malícia ou inclinação ao mal; na sensi-
bilidade ou no coração, e ta fraqueza ou con cupiscência
que nos leva a procurar o prazer sen ível.
3. 0 Desherdados e feitos objeto de horror aos olhos
de Deus, foram nossos primeiro pais despojado de todo
o direito à vi ão e à po se obrenatural de Deu , i to é,
ao céu que tinha sido prometido à ua fidelidade . Esta
privação con titui o que se chama a r eprovação ou morte
da alma.
4. 0 Enfim, Adão e Eva, já não tendo mai a graça e
seus privilégios, não os podiam tran mitir aos eus des-

http://www.obrascatolicas.com
1 •

H O M E M 41

candente ; comunicaram-lhe , por ém, eu e tado de deca-


dência : é o que e denomina pecado original.
35. - Passo1i o pecado de Adão a todos os seus descendentes?
R. - im o pecado de Adão pa sou a todos os seus
d scendent ; por isso, todos nós, nascemos com a nódoa
do . pecado do nos o primefro pai, sujeitos às m esmas
mi 'rias qiie êle.
E ta verdade é claramente en inada pela agrada
E critura, e e pecialmente por . Paulo (Epístola aos
Romanos, v). O concílio tridentino a proclamou dogma
católico, e a tradição da Igreja, ne te particular, é
con tanta e univer al. l\1a é um mi tério acima da razão.
Tudo quanto podemo dizer a re peito, é que o pecado
original, endo para no os primeiro pai pecado atual,
não é para eu descendente enão pecado habi'tiwl; nem
por is o deixa de ser em cada um de nó um e tado de
morte da graça, e portanto, mácula e ca tigo a um tempo.
Tôda as tradiçõe admitiram ê te e tado de deca-
dência, e a razão não pode achar inju tiça ni to. Muita
vêze , herdam o filhos os defeitos e vício do pai: a
tran missão do pecado original é tão aceitável como e tas
outra tran mi ões certíssimas. É aliás autorizada a
crença que. quem morrer com o só pecado original, não
' é, por is o, condenado ao inferno, senão, unicamente, à
privação de ver a Deu . É o parecer de auto Agostinho,
que põe no limbo êstes desventur ados.
Ninguém é isento do pecado original, a não ser a
santís ima Virgem. · Somente ela apareceu no mundo sem
mácula: e a glorio a exceção constitui o privilégio da
I maculada Conceição, de que breve passaremos a falar .
CONCLUSÃO PRÁTICA

O homem é um deus decaído que se lembra dos céus.


Ao recordar-se da sua grandeza antiga, deve abençoar a infi-
nita misericór dia que o tinha levantado tão alto e feito quase igual
42 C R E D O

aos anjos. Ao lembrar-se da queda e das misérias do corpo e da


alma que dela resultaram, o homem deve abençoar e adorar a
infinita justiça. Felizes de nós podendo hoje passar das lástimas
para a esperançai Devido aos méritos do Redentor, onde avultara
o pecado, ai transbordou a graça ... "Feliz culpa, exclama santo
Agostinho, que nos valeu tal r edenção 1" Devemos, todavia, merecer
a aplicação dêstes méritos pela humildade, a penitência, a fé,
r ecorrendo ao Redentor prometi<}o ao mundo, que veio para nos
salvar.
§ VIII - O Messias prometido.
Primeira promessa de um Salvador. - O Messias esperado: 1.º promessas
divinas ; 2. 0 profecias; 3. 0 figuras do Messias. - O libertador esperad o
por tôdas as nações: seu reino preparado p ela Provid ência.
36. - Deus abandonou o homem depois do pecado?
R. - Não, mas prometeu-lhe um R edentor ou Salva-
dor, chamado o M essias. ·
A primeira promessa deu-se no próprio berço do
mundo. Ta sentença lavrada ·c.ontra a serpente infernal,
lemos estas palavra : "Hei de pôr inimizâ'de entre ti e a
mulher, entre ua raça e a tua: esmagar-te-á a cabeça,
e tu pelejarás para mordê-la no calcanhar" (Gên., rrr, 15 ) .
Tôdas as tradiçõe entenderam por estas palavras
que da raça humana havia de na c.er o vencedor do
demônio, e a mulher bendita que daria à luz êste liber-
tador, é a Virgem Maria.
Deus deixou correr quatro mil anos antes da vinda
do Messias, para os homens sentir em melhor, diz Bossuet,
quanto precisavam desta vinda. Entretanto, a partir da
promes a, puderam os homens salvar-se, conquanto, à
prática exata dos seus deveres e da sua r eligião, unissem
a fé no Messias prometido, pois eram o merecimentos
d êste Messias prometido que lhes dariam a salvação.
37. - Que meios emprego11 Deus para tornar 'mais vivas a
expectativa dos povos e sua esperança no Messias?
R. - Durante os séc1ilos de expectativa, Deiis não
cessou de m1tltiplicar as promessas, profecias e figuras
do futuro libertador.

http://www.obrascatolicas.com
MESSIAS 43

de

. tando para
a cu j a
I rael

na cer de
ua paixão,

qu m d ia
ia .
ia mo

http://www.obrascatolicas.com
44 C R E D O

ciou o fim de todos os sacrifício antigos, substituídos


pelo sa crifício único e puro do Calvário.
3.° F i guras do Messias. - Ao pas o que ia renovando
prome sa e profecia. , Deus fazia pa ar por baixo do
olhos de seu povo per onagens que delineavam de ante-
mão o ri t o fu tur o, sua vida e ua obras. Aqui e tão
a principais figuras:
Adão, pai do gênero humano, figurava J esus Cri to,
pai do p ovo do eleito .
Abel, mor to por eu irmão, repre enta o Salvador
atraiçoado e imolado .
lioé alva ua família na arca, e J e u alva os fi éis
na I greja.
M elquiss ed ec, r ei e pontífice, ofer ece um acrifício,
imagem da E ucari tia.
I aac, vítima no mon te Moriá, é figura de J e u
ri to no alvário.
J osé, vendido por eu irmão , alva ua família,
como J esus salva seu povo.
Mois' s, libertador do I raeli tas, legi lador da sua
nação, é a imagem fri ante do verdadeiro libertador.
ansão, pre ageia o ri to vencedor da morte,
salvando o mundo.
Davi, rei p r eguido, depoi vitorio o, indi ca a
tribul açõ de -Xo. o nhor eu. triunfos.
, alomão. prín ip pacifico glorio o, anuncia o reino
elo H.ecl ntor.
J ona , é: a figura da rc» . urreição.
Elias, leYac1o num carro d foo-o. annn ia a a censão
ele J e u 'ri to. etc.
38. - Xão esperai·a o mundo pagílo tamu fm um l i bertador?
R. - irn, a sp rança d um M .. ia lib rtador ra
univcr. al, nr'io ·ó no povo ju l u, ma. ainda m iodo. os
povos pagão .

http://www.obrascatolicas.com
M li 11 411

' ( (11• (1 11 (1t ll~ pt1'11 11 , 1111111(1 (1 l1 11 tlt 1111111tl1 11 111 1'1 1!1 ,o,
1
H m 1• 1tlt 11~ . H 11 111111 0 1 11 1 ' l f111 111 11 H11t 1 11 11 1 11,11111 11,
1 111111 11 1111 1ft 111 11 11 p t 1•1111 11 , I01tl' 111 1 11 111· 1111· 11 1l t 11 H,
1
P1t ll l 111•11tt li p1 •11 l'rn li dt 1 )1111 td 1 t tll tltl ll d Vi ll llHft lll 1 fl t1
1 11 IJ /111 l/l 'HIJ H /1/'( li
/t /H/ 1 1•/11 11// f llf' l 'H ll / , 111 \l il lll li tl t
p1 '1 p 111'111' 11 (' 11111 1111 0 ~ llflM li , 1'1 11'\ll tllil ll O 1111111tl 11
p ll l' ll li
( Ili p Mt l 110 ,Ili li !1 11 11 11 111 11, 1 )1 p ll 11 !1 1 1111• IHI 11 11' fio tl 11f(
M 1• 11 11111•11 1 1 11 ~11 111• H111 1 1H1 11 1 d rnt I •t/ 11H
1 !1 1111 l' r11°Ht1H
111 11 '/ I l 1 1t V,I I'
1
li , l 11d 1 !I H 1 p(tl I' li 1
(ll lti 11 ( 1• Hi ll 1 1tl111 tl t
11 1 1 ~((\ 1 1 1 ' 1 tl tlf( (// ' 1 1(/ (J,~ li tl t l/ 11,11(1 /lr// '/I, 111 11 '11 ti l' t tt ll l I' 11"1
1•11 H111tl 11M 11 11 p1 •t il'111 m1 , 11 l'1 •11 v ti 111 • 11 11•11 11, 11 o q11 11 1•l 11
1•1111d t 111p 1• 11 , 11 drn li' r1 111 111w H, p 11 1•11 1'1 1" 11 11 1· 11 111•11 'llt .11
tl11 lfl 1111 1 111 11 11 111 · \ 11 11 o !1 1 f1 1111 i1 1111 1111111 l'l lt 111111 1•11 111 l 11 d rn1
o 111 11 H po vrn1,
l 1) li 1 li (j Ili 1 li 1111 1(1', 111 ( 1ti li ti (1 , 1111.f I 1 ( I' Hl 11 1 111 11 1d 1111 1
11 1111110tl 11 1IOO1ti o 1111111d 11 1 1 11 11 ~ 11 1 11tl t1 11 1•1•1111 11 111 11 v t tl 111· ,
1
1111 11 11 11 d t1 d d 1~ l 1111tl 111 11 d t 1111 11111 1 11 I," d 11 11 11111111tl11
1 J 1f 1 (1 p I' 1 1' 111 11 1 ' p i 1' 111 I li tl 11 t l ll llJlll ll( , I

flONl ll.1 111 O 1111 '1'11 '

1'111' flll ll l l'fl 11 tl l 1111 1111 1 1111 pltl I' li 1'1111 11 1 l i ~ p 11t i'11 l llll li 111111111 fi fi
,11111 11101 r IN 1111 111 111•11 111 1111 111 v 1111 11 do M11;111 1111, t w11 ,l11 11 1111 l 1•11v,
11 1111 11 I' 11 1 l,11(11111 OH 1111 011 1 11111 li l111 1tl 11'1t ll ljll, 11 1111 flll ll l t'(I 11111 11 11 111111 tl 11
tl v111 1l 11 , 11 11 1111 11 11 11 1111 IM11111, 1Ht 11111111l nt1 !1 111111 11 11111 111 111 1111 , !1 111111 111111
1
lll'fl 11111 1fl 11111l 1 Ili ti 11 11qi1 11 1'1i lll fl ll 11 11 111111 111 11 11! fl llll jl I' l ill il fl ll
1
l l1il 111 1!11• 11 111 ll ll fl flll ~ 1!1111 11111 11 1111111 11 (11 1111 li li li li 1111 11 1111 tl 111il 11 111111
1'1 '1 111111 1 ~1 1 I 11 ( 11 11 1 !1 111•1111 111 11 li 1'1111111 1 111•v1 tlll 11 , 11 111111 111 111 1111 11 111'111 111 11
.111 11 1111 . '' 111 111 111 1 li 1111 1111 li 11 1111 " 11111 ll11 i1•11d 111• li (( 1/fp (1 t/(I
I f/l'ti,/11, , 1 q1 11 1 11111' 11 1'11 111 d 11 11 111 1111 111 1111111 111 ( 1' 11 111 11 111• 111 11
111 lf l 1{1'11 li 1

http://www.obrascatolicas.com
46 C R E D O

II. 0 E III. 0 .AR TIGOS


Creio em Jesus Cristo, um só <Seu filho, Nosso Senhor,
o · qual foi concebido do Espírito Santo, nasceu de
Maria Virgem.
Divisão do assunto.

39. - Quais são os principais ensinos que dimanam dêstes


dois artigos do símbolo?

R. - Dêst es dois artigos, que reunimos por ambos


dizerem respeito à m esma p essoa de Nosso Senhor, teremos
que deduzir : 1.º o mistério da I ncarnação e as verdades
dogmáticas que se lhe prendem; .2. 0 falaremos da Virgem
Maria e suas prerrogativas; 3.0 depois, daremos a conhecer
a vida de Nosso Senhor.
§ 1. - Mistério da Incarnação.

Deíini~ão da Incarnação. - Narração do fato: razão da s ua exis tên cia. -


Jesu Cristo, seus nom es. - Verdades dogmáticas que se d erivam da
Incarna~ão; 1.0 natureza di vina; 2. 0 natureza humana ; 3 .0 unidade de
pessoa; 4. vontades e du as operações distintas .
0

40. - Qu e é o mistério da Incarnação?

R. - A I ncarnação é o mistério do Filho de Deus


feito homem, ou segundo a t eologia : é a iinião da natu-
reza divina e da natureza humana na única pessoa de
J esiis Cristo.
Dizendo que o Filho de Deus se :fez homem, enten-
demos que a segunda pe oa da Santíssima Trindade,
exi tindo como o Padre desde tôda a eternidade, espírito
invisível como êle, veio, num momento determinado,
revestir a no sa natureza humana e tomar na terra um
corpo e uma alma semelhante aos no os no seio da
beip-aventurada Virgem Maria.
Cumpriu-. e êste mistério acêrca do ano de 4004 do
mundo. O aniYersário dêste acontecimento c.elel{ra-se todos

http://www.obrascatolicas.com
I N C A R N A Ç Ã O 47

o ano a 25 de março; devido à importância da


Jn arna ão do ; ilho d us, ' ne ta ' poca que e inicia
o computo do. ano da era cristã.
T. O Evang lho narra de qn modo s deu Ast
sue o mi. terios . h gada a hora da ProvidAn ia, o anjo
Gabri l foi manda ~o por Deus a uma Virg m da Judéia,
·hamada Maria, ujo e. pô o tinha o nome de Jo '. Ambos
moravam na .P qu nina cidad de azaré. O anjo in-

A Anun ciarão d e M arin e a ln ca ,.,,nç{io do Verbo.

r zando
48 C R E D O

um Filho, a quem terei de pôr o nome de J esu . Será


grande e hão de chamá-lo Filho do Altí imo ... "
Maria receava que êste mi têrio lhe vie se empanar
o brilho da virgindade. O anjo aquietou a Virgem (
" O Espírito Santo, di se êle, e tará convo co, e a virtude
do Altí simo cobrir-vo -á com a ua ombra: porque o
fruto que de vó na cer erá chamado Filho de Deu ".
Maria di se então: " Eis aqui a e crava do enhor, faça- e
em mim segundo a vo a palavra" . E nesta me ma hora,
in arnou-se o Verbo de Deu .
Vê-se, pela narração evangélica, que a Incarnação de
os o enhor é misterio a. J esu po ui no céu um Pai
eterno ; preci a apena , na terra, de mãe eg undo a carne,
e ' i to que no leva a dizer dêle : " Foi concebido do
E spírito anto, na ceu de Maria Virgem".
II. A razão da Incarnação é a eguinte: Para o Filho
de Deu ofrer e r esgatar-no , era neces ário ter êle um
corpo qu pudes e padecer, e alma humana que lhe
permitis e r epresentar em ua pessoa a humanidade
cu lpad a: é, poi , por ter- e incarnado que No o enhor
pôde sofrer e morrer, de ta forma r emir-no da e cravidão
do pecado, livrar-no da penas do inferno, e merecer-no
a vida etena.
41. - Qu m ' J esus Cristo e qu e signif icam os nomes pelos
quais designamos a sua pessoa ?
R. - .Jesu Cristo é o filho de D 1ts f ito homem.
O norn ele .Jesus quer diz r alvador. risto significa
ungido, consagrnclo pela unção santa.
Chamam os também, a .J sus Cri lo d ,\ o o enhor,
porqn Al ', d fato, o nosso sob rano .
, egundo o que di ri lo ' o Filho de
Deu · feito hom m. - e con ideramos
pe.. oa, achamo · nêl não ó o doi · on -
tituC'm a natureza humana, i to ' o torpo a alma, ma
um tercei ro l m nto, o divino, qu ap rf içoa todo o

http://www.obrascatolicas.com
I N C A R N A Ç Ã O 49

eu ser, deixando subsistir a unidade de pessoa : é a


divindade ou natureza divina.
Se atentamo no ignificado dos nomes que damos
ao Salvador de cobrimos ali um en ino completo: J esus
quer dizer alvador, porque, com efeito, é para nos salvar
e no r emir que o Filho de Deus baixou à terra.
Cristo significa imgido, sagrado, ou consagrado pela
unção santa. De ignava-se outrora, pela palávra Cristo,
o rei, acerdote ou profeta, que tive e recebido a consa-
gração dos anto óleo ; ora, J esu Cristo foi a um tempo
r ei, sacerdote, profeta, e consagrado por eu sangue.
Chamamos a Jesus Cristo Nosso Senhor, por ser êle,
de fato, no o oberano e nosso mestre; e êle o é por um
título duplo: enquanto Criador, êle nos fez o que somo ;
enquanto Salvador, êle é quem nos conquistou, r esgatan-
do-nos e saldando êste resgate com seu sangue.
42. - Quais são, no tocante à Incarnação de No sso S enhor,
as verdades da f é católica?
R. - A fé católica ensina que há em J esus Cn:sto
dnas naturezas, a natiireza divina e a natureza humana;
que há, confado, nêle uma só pessoa, a do Filho de D eus;
que as duas nati1rezas, porém, ficam distintas, t endo cada
uma sua vontade e sitas operações.
Examinemos cada um dêstes pontos.
1.0 J esiis Cristo possui a natiireza divina. " É Deus".
E sta verdade prova-se: 1.0 pelas primeiras palavras do
Evangelho de S. João: "No princípio era o Verbo, e o
Verbo er a Deus. . . E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós" .
.;Jo Em muitas circunstâncias, dec.larou Nosso Senhor
ser Filho de Deus, semelhante em tudo a seu Pai. É
com a acusação de proclamar-se Filho de Deus que foi
condenado à morte.
~ .º À autoridade da sua palavra, ajuntou Jesus
Cristo a autoridade das suas obras. Provou sua divindade
5'() O R E D O

por muití simo milagres, repetindo aos Judeus: "Se não


acreditais na minha palavra, crede em minhas obras".
E deu, em abono desta verdade, o mais assombroso dos
milagres, sua própria ressurreição.
Com tôda a razão, pois, o concílio de Nicéia pro-
clamou, em 325, a divindade de Nosso Senhor e condenou
Ario que a atacava no seu princípio: a geração eterna
do Verbo.
II. J esus Cristo, possui a natureza humana : "É
homem". - Com efeito, tem um corpo semelhante aos
no os. " O Verbo se fez carne", diz S. João. E os
Evangeli tas mostram Nosso Senhor a nascer em Belém,
a trabalhar em azaré, a passar fome e sêde, a padecer
e chorar, a morrer na cruz, posto no sepulcro, tornando
a aparecer cheio de vida, deixando-se ver e tocar por
eu apóstolo . - Possuía igualme:qte alma semelhante
à nossa, di tinta da divindade: é esta alma que sentiu a
tri teza, o t emor, a dôr. J e us Cristo tinha, portanto,
r ealmente a natureza humana, e não um corpo de
empré timo.
III. Em Je us Cristo, não há senão uma só pessoa,
que é a do Filho de Deus. - A sim reza o concílio de
Éfeso ( 431 ), de encontro à here ia de estório, patriarca
de Constantinopla, que pretendia houvesse em Nosso
enhor uma pe soa divina e uma pe soa humana, sendo
a Virgem Maria, mãe somente desta última. - O
Evan gelho apresenta, pelo contrário, em J êsus Cristo,
uma única e mesma pe soa, ora chamando-o Filho do
homem, ora Filho de Deus: com certeza, é sempre a
me ma individualidade, o mesmo que nasceu e sofreu, que
fez milagr es e morreu; e sua mãe deve ser chamada Mãe
de Deus, pois é mãe de Jesus Cristo, que é Deus.
IV. Em J esus Cristo, há ditas naturezas distintas,
e tamb ém duas vontades, e d1WS operações. - É o ensino
do concílio de Calcedônia ( 451) contra Eutiques, monge

http://www.obrascatolicas.com
1 N C A R N A Ç Ã O 51

de Constantinopla, o qual levado por um ardor desco-


medido na defesa da unidade de pessoa, deu no êrro
oposto e ensinou a unidade de natureza, afirmando que
a natureza humana era absorvida pela natureza divina.
ão, as duas naturezas subsistem, distintas, -sem
confusão nem misto, depois da união hipostática. Isso
resulta do que dis emos acima, a respeito das duas na-
turezas. Portanto, também, - contràriamente àquilo
que pretendiam S érgio e os monotelitas, partidários de
uma única vontade, condenados no terceiro concílio de
Con tantinopla ( 6 O), - a duas vontades e as duas
operações da natureza divina e da natureza humana
permanecem distintas e não confundidas. Em Nosso
Senhor, que a vontade humana fô se submetida à vontade
divina, não padece dúvida; assim muito di tintas as
vemo no jardim das Oliveiras: " Meu pai, cumpra-se a
v.ossa vontade, que não a.minha " ( . Lucas, xrr) . O mesmo
se dá com as operações; não se confundem: externava-se
a natureza divina pelos milagres, pela transfiguração, a
r e urreição, a a cenção; e a operação humana traduzia-
se por meio de ato pertencentes e sencialmente à no sa
natureza, como seJam comer, beber , dormir, sofrer,
morrer . ..
CO ' LUSÃO PR;\TICA
endo as du as naturezas, divina e humana, unida em vossa
pessoa, ó J esus, meu Salvador, vosso ato todos, vossa palavras,
vossos sofrimentos e principalmente vossa morte, têm um valo r
infinito, e de vós posso dizer: "Meu Deu me amou, padec u e
morreu por mim! ... " Qual não deve ser a minha gratidão 1
Por outra con equ ência, ó J e u , tudo quanto compõe a vos a
humanidade: vos a carne, vosso sangue, é adorável. Posso e devo
tributar-lhes o culto suprémo da adoração qu e p ertence a Deus.
Por isso é que eu, com a Igreja católica, mãe minha, adoro por um
verdadeiro culto de latria o vo o corpo sagrado na santíss-ima
E 1tearistia, pois a santís ima Eucari tia não é enão vós mesmo.
Pelas mesma razões, tributo um culto ao vo so agrado oração,
porque foi unido substancialmente à vos a divina pe soa e tem sido
a um tempo fonte do sangue divino que me resgatou e órgão do
amor incomparável que me tivestes.
52 O & E D O

§ II. - A Y irgem Maria.


A sant!ssima Virgem. - Suas quatro grand es prerrogativas: 1.º Imaculada
Conceição; 2 .0 Maternidade divina; 3. 0 Virgindade perpétua; 4 .0 Assunção.

43. - Dai-nos a conhecer a santíssima Viry·em Maria e suas


prerrogativas.

R. - Maria era uma hitmilde filha de J 1tdá, da


estirp e real ele Davi. E1·am seus pais são J oaqitim e santa
Ana. Aos três anos consagrou-se a Deits no t emplo de
J erusalém e ali permaneceit até que desposasse 11,m homem
virtuoso e humilde chamado Jos é.
D eiis, que a destinara a ser a mãe de J esits Cristo;
adorn ou-a com tôdas as graças e a I greja nela reconhece
quatro grandes prerrogativ as: a I rnacitlada Conceição, a
Mat ernidade divina, a Virgindade perpétua e a Assimção
glo1·iosa.
Maria era uma humilde filha da· tribo de Judá; sua
família descendia da raça real ae Davi. Seu pai e úa
mãe chamavam-se J oaquim e Ana. D esde a idade d e três
anos, fôr a ofer ecida a Deu no templo de J eru além, e
ali fi cara. Piedo as mulher es tinham zelado por ua
educação, amoldando seu e pírito à cien cia divinas, e
eu coração à prática de tôda a virtude . Ficou entregue
a seu de velos até qu e a deram em ca amento a um
homem virtuoso, humilde como ela, chamado José~ Deus,
que a de tinava a er mãe de o o enhor J e u Cri to,
a tinha adornado com tôdas a graça e ela era a mais
santa das criatura .
~ I gr eja aponta em No a enhora qi1atro grandes
prerrogativas que foram a base, o ali cerce da ua an-
tidade e da sua glória: 1.0 a I maculada onceição; 2.0 a
Maternidade cl1'vina; 3.0 a Virgindad e p rpétua, e 4. 0 a
A ssunção gloriosa.
I. I macnlada onceição. - Com e tas palavra ,
entendemos qu e a \ irgem Maria, por favor e pecial e
em con ideração do méritos futuro do eu divino Filh o,

http://www.obrascatolicas.com
M A R l A 53

foi preservada do pecado original desde o primeiro ins-


tante da sua exi tência. - Já que não a manchara a
culpa original, ela não t eve que sofrer os tristes resul-
tados; sua inteligência não foi cercada das treva da
ignorância como a nos a, nenhuma inclinação tinha que
lhe impeli e a vontade para o mal, seu coração desconhe-
cia a concupi cência. - É esta verdade um dogma de fé
definido pelo Sumo Pontífice P io IX, em 1854, na presença
de mai de duzentos bispos. Todavia, tal verdade não se
pode chamar n ova.~amb ém dantes era a cr ença geral da
I gr eja ba eada na E scritura agrada. Pois, bem devia a
inimizade que Deus pusera, no princípio, entre a serpente
e a mulher, r epelir tôda a idéia de pecado, e até do pecado
original, para esta inimizade ser completa!
13-Ao saudar a Maria "@eia de gr aça, bendita entre
tôda as mulheres", n ão nos dizia o anjo que ela era
mais santa do que nossa primeira mãe 1
C - Assim falava a_ tradição, e a razão, por sua vez, 7\b
parecia exigir que aqÍiela de quem havia de nascer J esus
Cri to, a antidade incarnada, não fô se, um instante
sequer, debaixo do poder do demônio, fato que o e pírito
infernal não deixaria de eternamente lançar em r o to ao
Filho e à Mãe.
I I. Mat rnidade divina. - Ê te privilégio re ulta
do que temos dito: Maria endo a verdadeira mãe de
J es u , que não ' enão uma p essoa em duas naturzea ,
ela pod e deve er chamada M ãe d e D eiis. nica entre
tôda a criaturas, Nos a enhora po ui e ta prerrogativa
em par, e a I gr eja o afirmou olenemente contra estória,
no concílio de É fe o ( 431) , e mai tarde acr escentou à
audação ang élica a egunda parte de ta oração: "Santa
Maria, mãe de Deu , roO'ai por nós p ecadore . . . "
III. 1Tfrg1'ndade perpétua. - Dá- e a entender par
e ta palavra que a autíssima irgem, tendo milagro-
amente dado à luz o o enhor depoi de o ter con-
54 O R E D O

cebida por operação do Espírito Santo, ficou sempre


virgem, ante como durante e depois dêste parto divino.
- Já no século quarto, um concílio de Milão proclamava
e ta doutrina que é a de tôda a Ig;reja.
São J o é, e pôso da antí ima Virgem, não é pai
de No o Senhor; foi somente seu protetor- e pai adotivo,
e é por cau a da sua dedicação que é chamado impropria-
mente pai de Jesus.
IV. As unção gloriosa. - É crença sempre aceita na
Igreja, - sendo proclamado êste ponto dogma de fé, a
1.0 de ovembro de 1950 - que a Santíssima Virgem,
t endo falecido em Jerusalém, cêrca do ano de 54 de J. O.,
r essuscitou logo e foi levada, corpo e alma, pelos anjos, ao
céu. F e tejamo ê t e glorioso aniversário a 15 de agôsto.r
CON CLUSÃO PRÁTICA
Exorna da com estas prerrogativas tôdas, aparece Maria como
o vulto ideal que divisava S. João no Apocalipse: " O sol como um
ve tuário a cercava; a lu a e tava debaixo dos seus pés ,e uma coroa
de doze estrêlas lhe ilumina\7 a a fronte" . Seja para nós um prazer
reverenciar esta esplêndida visão repetindo com júbilo as palavras
do anjo Gabriel : Ave Maria ...
Em 1 5 , ao baixar a augusta Virgem ao nosso degrêdo, em
uma montanha de Lourdes, na F rança, revelava-se por seu mais
belo privilégio: "Eu sou, di e ela, a I m aculada Conceição" . Have-
mos de corresponder a seu desejo, e merecer seus favores dizendo-
lhe amiúde: O' Maria concebida sem pecado, rogai por nós que
recorremos a vós!
§ III. - Vida oculta d e No so Senhor J esus Cristo.
I. Vida particular; nascimento; primeiros anos; vi da oculta em Nazaré. -
II. Vida pública; escolha dos apóstolos; pregação do Evangelho. -
missão divina confirmada: l.º pelo cumprimento das profecias; 2 .0
pela sublimidade da doutrina; 3. 0 pelos milagres.

l. - VIDA PARTICULAR DE OSSO SENHOR

44. - Narrai o nascimento e os primeiros anos de J esus


Cristo.
R. -Nosso Senhor J esus Cristo veio ao mundo em
B elém, nurn hitrnilde presépio. Avisados pelos anjos,
vieram adorá-lo os pastores da montanha e os re1·s Magos

http://www.obrascatolicas.com
/
VIDA OC U LTA DE JESÚS 55

acudiram do Oriente, trazendo-lhe presentes. Oito dias


depoi , na circuncisão, recebeit o Menino o nome de J esus.
Após quarerita dias apresentaram-no ao templo,
conforme preceitua a lei de Mois és.
P erseguida por H erodes, teve a sagrada Família que
fugir para o Egito onde J esus ficou enqitanto reinou o
· tirano.
Voltaram para Nazaré e J esus ali crescia em idade ~~
e e~ab edoria, perante Deus e perant e os homens.
1
(}
osso Senhor J esus Cristo veio ao mundo em Belém, -
num presépio, a 25 de dezembro, dia do Natal, no ano

NATAL. - No presépio, o Menino J es us é adorado pelos anjo s.

do mundo 4004, segundo reza a cronologia senão a mais


exata, pelo menos a que se adota mais geralmente.
De conformidade com uma ordem do imperador
romano, Cé ar Augusto, que mandava fazer o r ecensea-
mento de eus E tados, intimando que todo o habitante
f ôsse inscrever- e no país donde era originário, lá se
foram Maria e Jo. é, moradores de Nazaré, a caminho de
- '
{

56 C R E D O

Belém, cidadezinha da Judéia e pátria de Davi, de quem


ambos descendiam. Ali, durante a noite, no seio da
pobreza, num e tábulo abandonado, onde tinham sido
constrangidos a abrigar-se, nasceu o Menino . J esu , o
Salvador prometido ao mundo.
Anjo participaram o fato ao pa tore na montanha,
e êstes vieram ao presépio, os primeiros a adorarem seu
libertador. Uma e trêla no Oriente tr-0uxe a nova ao r eis
Magos, que acudiram a reconhecê-lo, ador á-lo e ofer ecer-
lhe seus presentes: ouro, incenso e mirra. (F esta da
Epifania, 6 de janeiro ).
Oito dias apó o nascimento, r ecebeu o Menino p
nome de J erns, na circuncisão. - Quarenta dias depois,
segundo prceituava a lei de Moisé , foi apresentado ao 1
t emplo, enquanto Maria, por sua vez, cumpria a obrigação
legal da P urificação (2 de fevereiro ). - É nesta ocor-
r ência que e r ealizou a entrevi ta do santo velho S imeão
e da profeti a A na.
Achava-se ainda em B elém a anta Família quando,
ameaçada pela perseguição de H erodes, teve que .procurar
r efúgio no Egito. A im é que o Menino J e us foi salvo
do morticínio dos I nocentes. ,
No degrêdo viveu o Salvador seus prjmeiros anos.
Morto H erodes, a santa família regressou e veio morar
em Nazaré. J esus, ali, cre eia em idade e em sabedoria,
perante Deu e perante os homens.
45. - Dai a conhecer a vida ocuita de J esus.

R. - A piedade, a oração e o trabalho foram os


rnisteres do Menino D eus desde que voltou do Egito até
os 30 anos, quando iniciou a sua vida pública.
Aos 1.2 anos deixou-se ficar três dia no templo de
J erusalém a fim ele mostrar que devemo dar a D eus a
primazia sôbre todos os demais afetos.

http://www.obrascatolicas.com
VIDA 00 LTA DE JES 57

" .Je 11· lhe· rra ·ubmi··o", re 11me o Eia11gelho. e a


lrrul1~·1w fltrf CPrtlfl que au.r,tliava a , Jo f na Jwmild
fJrof1.· 1ír1 rir carptnle1ro.
58 C R E D O

n eceu, sem os pais saberem o que tinha sido feito dêie:


Depoi de três dia de angú tias ·e pesquisas, acharam
o filho no templo, entre os doutore , escutando-os e
interrogando-os.
J esus dava, por ê te p oceder , o exemplo da fideli-
dade à ordens de Deus, do zêlo que devemos trazer no
estudo da r eligião e da primazia que devemos dar a Deus
sôbre todo os afetos, até sôbre os da família.
De volta em Nazaré, J esus "era submisso e obedecia";
a isto limita-se o que r efere -o Evangelho. A tradição
acrescenta que auxiliava a S. José, seu ,pai adotivo, nos
afazere da humilde profissão de carpinteiro, ensinando-
nos por eu exemplos a vida pobre, singela e afanosa.
Tinha un dezoito, vinte anos, -há quem diga trinta,
quando S. José morreu; J esus, seu filho adotivo, lhe
cerrou o olho , e até a idade de trinta anos, ficou sendo
o amparo de Maria.
II. - VIDA PÚBLICA DE .r osso S EN HOR.

46. - Relatai os principais acontecimentos da vida p·ública


de Jesus Cristo.

R. -Aos 30 anos) Nosso Senhor J esiis Cristo recebeit


o batismo no Jordão e retirou-se nitm deserto onde passou
40 dias em jejiins e orações.
Ao safr, escolheu os sens apóstolos e com êles per-
correu a Jiid éia e a Galiléia, anunciando o Evang elho)
provando que era o Filho de D eus, o Messias esperado
que vinha redúnir os hom ens.
Chamamo. vida pública de osso Senhor os três
últimos anos da sua exi tência na terra, consagrados à
pregação do Evangelho.
Aos trinta anos, Nosso Senhor J esus Cristo r ecebeu
o bati mo de S. João, no rio Jordão. A voz divina que
se fez ouvir nesta função ·olene, deu princípio ao seu
ministério público.

http://www.obrascatolicas.com
VID PÚBLICA DE JESUS 59

o entanto para preparar-se à sua mis ão retirou-se


o alvador primeiro 110 de erto e ali ficou jejuando por
quarenta dia ; queria en inar com i o o e pírito de
penitência qu tão bem a enta à nos a religião. Feito
ê te jejum deixou qu o demônio o tenta e, para mo trar
como devemo r e i tir.
Ao air do de erto, ,J e us e colheu os primeiros
di ípulos: imQ,o P dro, que devia er o chefe e André,
irmão de P edro; dcpoi , Tiago e J oão, ambos filhos de

Agonia de J esw à vist<i de nossos pecados.

Zebedeu, todos pescadores chamados nas margens do lago


de Genesaré; F ilipe, Bartolomeu, Tomé, Mat eus o publi-
cano; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão o Cananeu e
J udas I scariote completaram o número de doze apóstolos.
Nosso enhor começou a instruí-los da religião que
trazia ao mundo. P ercorria com êles as províncias da
Galiléia e da Judéia, fazendo até algumas excursões nos
confins do país de Canaã. Comunicava-lhes o Evangelho,
anunciando que era o Filho de Deus, o Salvador ou

http://www.obrascatolicas.com
60 C R E D O

Me sia e perado desde o comêço do mando e chegado na


t erra para remir todos os homens.
4 7. - Como provava Nosso S enhor J esus Cristo sua missão
divina?

R. - N os o S enhor provava a siia missao divina


r ealizan do as profecias qiie lh e diziam r espeito, pregando
iima doutrina int eiramente divina e fa zendo niimerosos
riú lagres rematado pelo da própria R essurreição.
No o 'enhor provava ua missão divina : l .0 reali-
zando a profecia que diziam r e p eito à sua pessoa e
vaticinavam a época de ua chegada, sua descendência da
t ribo de Judá, eu nascimento em Belém, sua paixão,
sua mor te, ua r es urreição, enfim a reprovação dos
Judeu e a vocação do · gentio ;
2.0 Pregando uma doutrina inteiramente divina e
mo trando- e exemplo vivo de tôdas a virtudes. Começava
dando o exemplo; dep oi ministrava o ensino. Gostava de
tornar sua doutrina fácil p êla clareza, pela singeleza, e
muitas vêze en inava em ·p ar ábola . As mais notáveis
ão a da S emente, do Samaritano, do bom Pastor, do
Filho pródigo;
3. 0 E m abono de ua doutrina, fazia numerosos
milagres. Entr e os mais alientes temos a multiplicação,
no de erto, de cinco pãezinhos, que deram para o sustento
de cinco mil pe oa. ; grande número de curas de doenças
e possessões do demônio; a cura do cego de nascença e do
paralítico da pi cina probática impression ou obremaneira
o povo. Citam-se ainda tr ês ·r essurreições praticadas por
No o Senhor: a do filho da viúva de Naim, a da filha
d.e J airo, chefe da sinagoga, e a de Lázar o, feita com
tamanho br ilho, poucos dias antes da paixão. Enfim,
J e us Cri to devia pôr o remate a todos êstes milagr es
pelo pr odígio mais estupendo ainda da sua própria
R essurreição.

http://www.obrascatolicas.com
P A I XÃ O E M O RT E DE JESUS 61

ON LUSÃO PRÁTI A

Ainda que não tivéssemos ou tr os mui tíssimos testemunhos a


evidenciarem a di vindade da nos a santa relig ião, ba ta riam o
nsino e as obra de J esu ri to pa ra excita r nos a admiração.
Que doutrina subl imei Ond ac ha r mos noções tão clara 1 t ão
belas sôb re eus, nossa alma, nossos dev re , a vida futura' Onde
oncontra r mos moral tão 1 vada tão pura ' T riam jubilado os
fi lósofos da a nt iguidade, se tivess m pos uído tal Me tre. . . E ao
par de suas lições, que exempl o de humanidade, d d icação, ca ridad 1
paciência e r signação l
O ' J esus ! não nos coub a dita do ouvir vos as pnlav ra , nom
cont mplar vossas obras; t mos porém o E vangelho. É n te livro
que iremos buscar o que temos a certeza de achar: vosso nsi no e
vossos el.'<emplos.

/V IV . 0 A TI o
Padeceu sob o pod er de Pôncio Pilatos, foi
crucificaclo, morto e e pultado; de ceu ao inferno

Divisão do a sunto

48. - Que ensina o q11arto artigo do símbolo?

. - En ina as verdade qite diz rn resp ito à paixão


de os o n hor e à ua rnort na crnz, a irn corno ao
fa t o q1t d ram d epois da ua rnort at, o mom nto da
r ·u1'?' ição.
H avemo d r umir o
artigo, lividindo-o em tr ~
1.0 la paixão rn'orte d
do rnist 'rio ela R denção,
.º da ep ultura de
t ve lugar a de cida
l imbo.
62 C R E D O

§ 1. - Pa ixão e morte de Jesus Cristo.


Quinta-feira santa. - Sexta -feira sa nta: diver sos interrogatórios ; a
flagelação ; Jesus crucificado. - In cid e ntes notáveis.

49. - Narrai as principais circun .~tâncias da Pai.-cão de Nosso


S enhor.

R. - A paixão de J ews Crúto começou na tar~e da


quinta-'f eira santa com a instituição da divina Eucaristia,
na ú ltima Páscoa celebrada com os apóstolos.
Após a ceia última, sofreii J esus os tormentos da
agonia no jardim das Oliv eiras e deixou-se prender pelo
bando de soldados q1.ie J udas, o traidor, giiiava.
A n oite J esus passoii-a r ecebendo apupos e insultos
dos soldados.
Na madrugada de sexta-feira, Pilatos o interrogou e,
não achando nêle crim e algum, entregoii-o a Herod es.
O príncipe dev asso, porque J esiis não se dignou de
responder-lhe, mandou que o rev estissem com as vestes
dos lou cos e o dev olveu a. Pilatos.
N ovo interrogatório. Pilatos, embora não o encon-
trasse culpado, deixou qu e os soldados romanos o flag e-
lassem e lhe pusessem, na cabeça, a coroa de espinhos.
Mas os jiideus vocif eravam : " Cru cifica-o!"
O Salvador, carregando a pesada cruz, subiu as en-
costas,, do calvário onde o crucificaram entre dois ladrões.
Os benefícios der ramados por osso Senhor Jesus
Cristo, o brilho de seus milagr e tão falados e a santidade
de tôda sua vida, tinham desper tado a inveja e o ódio
dos Jud eus e n omeadamente, dos fari eus e sacerdote da
lei. Ê stes r esolver am p erdê-lo e negociaram o aju te com
o traidor J udas.
A paixão começou n a Quinta-feira santa, à tarde
(J7 de março do ano de Roma 7 2. 34. 0 da era cr istã ).
J aqu ele dia, pela última vez, celebr ou J e u. ri to a
P áscoa com eus apóstolos, e in tituiu a divina Eucaristia.

http://www.obrascatolicas.com
P A IXÃO E M OR TE DE JESU S 63

Entrada a noite, r et irou-se ao jardim das Oliveiras para


fazer oração· e eus apóstolos o acompanharam ; porém,
ficavam a alguma distância enquanto J esus rezava,
pro trad o no chão, derramando suor de sangue. Judas
e colher a e a hora para o entregar aos sacerdotes judeus
e aos fariseus. Um bando de soldados e de furiosos
prendeu a No so enhor e o levou nessa mesma noite à
casa do su mo acerdote Cai faz . Jesus pernoitou num
pôsto de gu ar da, nas mãos de soldados que o apupavam,
cuspindo-lhe n o rosto, dando-lhe bofetadas com êste in-
sulto : " Adivinha quem é que te bateu".
No dia imediato, Sexta-feira santa, de madrugada,
Nos o enhor foi conduzido ao palácio do governador
( romano da J udéia, Pôncio Pilatos, que o interrogou e o
r econheceu inocente. Mas êste juiz f r aco não teve ânimo
de soltá-lo.
Cient e de que J esus tinha nascido na Galiléia,
mandou-o ao seu soberano leO'al, H erodes, que se achava
então em J eru além. H erode interrogou a o so enhor.
P or ser ê te homem, príncipe intrometido e oberbo e
nenhum juiz, n egou-se J esu a re ponder. Então, me-
t eram-lhe o ve tido do louco e o devolveram a ilatos.
1t te abriu novo inquérito, que não trouxe mais
prova de culpabilidade. Ma , para agradar à multidão
que pedia a morte de J e u , ilato condenou-o ao suplício
cruel da flagelação. epoi c1i to, deixou que lhe pu e em
uma coroa de pinho na cabe\a, e, na mão, um caniço,
ímbolo zombeteiro da ua r ealeza; então, apre entou-o aos
J ud us, pensando que a vi ta da vítima os movesse à
compaixão ; ma com grande celeuma pediram ua morte.
Ainda tratou ilatos de alvá-lo, aproveitando o poder
que tinha de libertar um pre o por oca ião das festa da
ã coa. " quem querei , di e êle, que eu mande soltar,
a Bar rabá , - era um facínora terrível, - ou a J e us,
chamado ri to Y turba-multa exclamou: " olte Bar-
Inat. Relli . - a
http://www.obrascatolicas.com
64 C R E D O

r abás ! " Vendo que nada lograva, Pilato~ abandonou


J esus par a que f ôsse crucifi cado.
O Salvador foi carregado com uma cruz pesada, e
levaram-no para fora da cidade, ao mont e Calvário; ali
o cr ucificaram entre dois malfeitor es. Era meio-dia.
A pós três horas' de agonia, J esus deu um grande grito,
e expirou. Todos os anos, a S exta-feira santa nos traz
e ta lembrança imorredoura_)
50. - Q?1e se deu de not ável co1n a rnorte de No sso S en hor
J esus Cristo?
R. - o momento da morte de J esits, o sol escitreceu,
trerneit a terra, part fram-se os r ochedos e m ortos ressusci-
taram e apareceram, na cidade santa. Era a afirmação de
que estava cumprida a R edenção.
P ara J esu como par a t odos os homens, a morte foi
a separação da alma e do corpo. A divindade, porém,
in eparável da sua pes oa, permaneceu unida ao corpo
e à alma, separado embora. Desta art e, a alma, unida
à divindade, podia r eceber as ador ações dos anjos ; e o
corpo, por igual endo unido à divindade, podia r eceber
as adoraçõe que se t ributam a Deus.
N"o momento ela morte de osso Senhor, para pro-
clamar a grandeza do acontecimento q-µ e acabáva de
uceder , o sol escureceu não omente para a Judéia, mas
no mun ]o inteiro (são Dioní io o Areopagit a assevera
ê t e prodígio ) ; a terra estremeceu ; r ochedos partiram-se,
e podem-se Yer ainda no Calvário vestígio dêstes trans-
torno . Enfim, mortos r e uscitar am e apareceram na
cidade anta para afirmar que a Redenção estava
cumprida.
COX LUSÃO PRÁ'rIC.\

Qu ando estamos na pre en ·a do crucifixo, consideremo-lo


atentamente.. . Olh emos o Sall· ador pregado na crnz, os pés e as
mão trau pa sados com pregos, a cabeça coroada de espinhos, o
l ado aberto pela l ança do soldado. . . Paremos nesta contemplaçã o,

http://www.obrascatolicas.com
R E D ENÇÃ O 65

e perguntemo-nos a· nós mesmos quanto J esus risto sofreu. Então,


como S. Paulo, digamos conosco, pois é um a verdade absoluta:
"Cristo foi morto por mim, por causa dos meus p cnclos". Sim,
por mim, como se eu tivesse ido 110 mundo o único p cndor preci·
sando de redenção. Mais de molde ainda vêm stas r fl exõ s para
quem se prepara à confissão.

(' - § II. - Redenção.

Idéia precisa da r edençlío. - Suas qu atro qualidad es: foi 1. 0 r eal ; 2.0 livre;
3. 0 su perabundante; 4 .0 uni versal.

51. - Qite é o mistério da R edenção?

R. - O nii tério da R edenção é o mist 'rio de Nosso


/
Senhor J esus Cristo m01•to na cruz para r emir todos os
homens.
A humanidade caída tinha que r esolver êste pro-
blema : achar entre o c'u e a terra medianeiro assaz
grande, vítima bastante anta para expiar o crime da
t erra e acalm ar o céu irritado. O pec.ado de Adão, nos o
primeiro pai, e todos os pecados que a êste tinham segui-
do, formavam, por a sim dizer, uma ofen a infinita, pois
avalia-se a extensão da ofensa pela condição da pes oa
ofendida e pela inferioridade da pessoa que comete a
ofensa. A injúria feita a Deus pelo pecado do homem
era, portanto, como que infinita. Ora, o homem, criatura.
limitada, finita e culpada, não podia oferecer a Deus
r eparação infinita, io·ual à ofensa. Veio Nosso Senhor
J esu Cristo : tomou nossa natureza para a sumir tôda a
r espon abilidade da raça humana. I gual em tudo a seu
Pai, inocente, santo e infinito como Ale, Deus e homem
a um tempo, ficou em nosso lugar, satisfez por nós ;
apre entou uas obras que tinham valor infinito, sua
oração, seu trabalho, seus sofrimentos, sua morte; e então,
sendo a reparação perfeitamente igual à ofensa, e infinita
como ela, êle nos remiu: é o que chamamos mistério da '1
R edenção. h

.' 1
C R. E D O

52. - Quais são as quatro qualidades da Redenção!


\

R. - A r edenção qite J esus Cristo ofereceu a Deus


por nós foi ':!ª~' 7,jvre, superabundan_te e univ ersal.
Quatr o qualidades ou condições principais teve a
r edénção que J esus Cristo ofer eceu p or nós a Deus.
1.° Foi real, i to é, J esus Cristo tomou realmente o
nos o lugar; padeceu verdadeir amente e derramou seu
sangue. Logo, satisfez a Deus de modo adequado e
completo; e por causa dos sofrimentos e dos méritos in-
finito de seu F ilho, Deus r ealmente nos perdoou. É o
que S. Paulo exprime dizendo : " Fomos r econciliados
com Deus pela morte de seu Filho, e p or êle havemos
de ser salvos" (Rom., v, 9-11 ) .
2.° F oi livr e. Segundo a justiça, n enhuma obrigação
tinha Deus de r emir-nos. A sua pura bondade e caridade
imensa levaram osso Senhor a vir ofer ecer-se: daí
r esulta para nós o dever de uma gratidão sem limites.
3.? Foi superabundante. Com efeito, por terem seus
atos valor infinito, J esus Cristo, com uma . oração, um
ato qualquer de desagravo, uma gota de sangue, podia
nos r emir. . . l\Ias, consagrando-nos sua vida, suas penas,
seu sangue todo e seus tormentos, fez mai do que era
necessário, querendo a im manifestar-nos melhor seu
amor e inspirar-nos mais horror ao pecado.
4.° Foi 'Universal, isto é, a morte de J esus Cristo foi
oferecida para todos o homens em geral e para cada um
de nós em particular, para o que precederam a reparação
como para o que a seguiram, o cri tãos e também os
judeu , infiéi. , e maiore pecadore . P ara ter parte na
r edenção, basta querer e r ecorrer ao manancial da gr aça,
isto é, ao sacramento . Se há homen que não se salvam,
a culpa é dêles somente.

http://www.obrascatolicas.com
S E P U L T U R A D E J E S V S 67

CONCLUSÃO PRÁTICA

O meio de aproveitarmos a redenção do Salvador, é unirmo -


nos com êle. "Sou a videira, dis e êle e vós sois os ramos. ortado,
não pode o ramo dar frutos por si mesnÍo. Assim, vós nada podereis
fazer para a vossa salvação se não e tiverde unidos comigo .. .
Mas aquele que permanece em mim e no qu al perm a neço, dará
pingues fruto . Se não permanecer unido ao p' da vide, será um
sarmento inútil, será enj eitado com o galho estéril; de secar-se-á,
será apanhado para lenha, e há de arder sem consumir-se" (S .
João, xv, 1 e seguinte).
Que significa isto, senão que o hom em foi e fica perfeitamente
r ehabilitado na pessoa de Jesus CristoY porém, se êle não participar
pessoalmente desta rehabilitação, "o Cristo de nada lhe valerá" ;
pelo contrário tem parte na graça da redenção se estiver unido
com J e us Cristo pela f é e as boas obras, e principalmente pela
recepção dos sacramentos.
§ III. - Sepultura de Nosso Senhor. - D escida aos infernos,
53. - Que signif icam estas palavras: Foi sepultado?
R. - Significam que, depois da morte, o corpo de
Nosso Senhor J esus Cristo foi env olto num lençol e
depositlfido em um túmnlo. -
P~ a tarde da sexta-feira, vieram, a n;iando de
Pôncio Pila to , certificar-se da morte de Jesus. Os soI-
dados partiram os membros dos dois supliciados ; vendo
porém, o Salvador j á morto, não lh e quebraram os o sos.
Um soldado lhe traspas ou o coração com golpe de lança
e da ferida jorrou sangue e água.
Com a licença do governador romano, dois discípulos,
J osé de Arimatéia e Nicodemo, despregaram da cruz .o
corpo de Nosso Senhor, embalsamaram-no, conforme o
uso dos Judeus e depositaram-no não longe do Calvário, •
em sepulcro cavado na ro cha. Trancaram a entrada com
pedra pesada. Então, os fariseus e sacerdotes judeus
puseram os selos na pedra do sepulcro e deixaram j unto
do túmulo uma guarda composta de soldados romanos,
"para que, diziam êles, os discípulos não viessem tirar
o corpo e não espalhassem depois o boato de ter êle
r essuscitado".

http://www.obrascatolicas.com
J .

. õB C R E D O

54. - Que querem dizer estas palavras: desceu aos inf ernos?
R. - " Desceu aos infernos" quer dizer que depois da
m orte de J esus Cristo, sua alma desceu ao limbo, onde os
justos esperavam sita vinda para serem lib ertados.
Os infernos, aos quais se alude aqui, não são o lugar
de tormentos onde eternamente padecem os réprobo ;
mas êste vocábulo designa lugares vulgarmente chamados
limbos, onde as almas dos justos, mortos na graça de
D eus, aguardavam a sua libertação. Ali, não sofriam;
desfrutav am até uma tal ou qual ventura natural, porém
não viam a Deus. Ali é que deviam estar Noé, Abraão,
I saac, J acó, os patriarcas, os profetas, numa palavr a :
t odos o que tinham sido fi éis à lei, pondo no Mes ias
prometido tôda a esperança. Eram alma santas; o céu,
t odavia, estava vedado aos homens de de o pecado de
Adão, e só os o enhor J esus Cristo havia de no-lo
fr anquear, entrando nêle, primeiro.
A chegada do Salvador àquele lugar de expectativa,
trouxe a tôdas as almas ju tas júbilo imen o, pois era o
anúncio e o penhor da sua libertação próxima. Não é,
contudo, neste dia que elas entraram no céu; ali J esus
Cr isto as levaria somente no dia da Ascensão.
CONCLUSÃO PRÁTICA

P ara todos nós, há de chegar um momento, t alvez pr óximo,


em que entra remos nesta morada estreita e sombria que chamamos
sepul cro. Oxalá mereçamos, po r uma vida santa, entrar nela sem
r eceio, como osso Senhor, com o sossêgo de uma esperança
completa!
Também para nós, não será o t úmulo senão breve passagem :
" Senho r, exclama o profeta Da vi, não deixareis minha alma no
desamparo no seio da terra, não permitirei que o vos o santo vej a
a corrupção do túmulo . . . Vós me abristes o caminhos da vida;
a contemplação da vossa f ace encher -me-á de aleg ria, e as felicidades
que em mim derramar vossa direi ta não conhecerão resfriamento . .. "
(Salmos, xv ).

http://www.obrascatolicas.com
RESSURRE I ÇÃO 69

V. 0
ARTIGO
Ao terceiro dia rc urg iu dos mortos .
§ úni co . - R c urre ição de No o enh or J u Cri to.
Narração da resR urreição . - Pro,·ns cl ~R l grnncle milagre: l.º certeza <ln.
morte elo nlvador; 2. 0 apariç ões; 3. 0 tes temunho dos apóstolos e
dos cri tãos .

55. - Como e quando se deu a ressurreição de J esus Cristo?


R. - No t i·c iro dia depois da sua morte, úto ', na
manhã do domingo 20 de março do ano de Roma 7 2, e 34
da ra cristtí, J e u Cri to, por um ato do s u próprio
pocl r, r uniu ao corpo a alma e saiu glorioso do túmulo.
Era no despontar da aurora: vigiavam o soldados.
Nenhum, contudo, vm o alvador air do sepulcro. Mas,

J esus ressuscita.

n ste momento, houve grande abalo na terra, e quando os


uarda am drontado voltaram do seu espanto, a lage
que fec:hava a entrada do epulcro estava derrubada; um
anjo estava sentado em cima e o túmulo e tava vazio.

http://www.obrascatolicas.com
7Ó C R 111 D O

Foi o que averiguaram as santas mulheres vindas de


madrugada para os cuidados de uma sepultura mais
completa; foi também o que viram os apóstolos, P edro e
João que e apres aram para o túmulo, logo ao ouvirem
os primeiros boatos da ressurreição de Nosso Senhor. -
Todos o anos, no dia santo da Páscoa, celebramos
o aniver ário dê te fato memorável que põe o r emate à
mis ão do alvador e prova a divindade da sua pessoa
e da sua obry
56. - Será a ressurreição de J esus Cristo fato certo!
R. - im, entre os fatos históricos não há nenhiim
qiie seja mais solidamente demonstrado qiie a ressurreição
de J esus Cristo. É fora de dúvida que J esus esteve real-
m ente morto e é certo também que foi visto por várias
pessoas durante os qiiarenta dias qiie ficou na t erra após
a ressurreiçao. Enfim, os apóstolos e os mártires não
sacrificariam a própria vida, o cristianismo não lograria
adeptos se êsse milagre não foss e patente.
1. 0 É absolutamente fora de dúvida que J esus Cristo
e tava r ealmente morto; a flagelação, a coroação de es-
pinho , a crucifixão, uma agonia de três heras, a perda
de todo seu sangue, é, com certeza, mais do que se ne-
ce sitava para causar a morte de Nosso Senhor. Aliás
Pilatos o verificara antes de autorizar José de Arimatéia
a tirar o corpo; também os soldados o sabiam, e é por isso
que não lhe partiram as pernas. Por outra _parte, o golpe
de lança, vibrado no coração, era o bastante para dar a
morte, e enfim, três dias de sepultqra em túmulo fechado,
sem luz, nem ar, nem comida, no meio de cem libras de
p erfumes, t eriam asfixiado um homem de boa saúde. A
morte de No so Senhor é, portanto, muito real e muito
certa.
2. 0 Ora, não é nem menos real nem menos certo, que
se tornou a ver J esus Cristo vivo, não só um dia, mas por

http://www.obrascatolicas.com
RESSURREIÇÃO 71

quarenta dias que pa ou na terra depois da ressurreição,


e ne te ponto, são muito o te temunhos. O Evan()'elho
menciona dez aparições diferentes, vária da quais ali
vêm pormenorizadas. Eis as principai :
o me mo · dia da r e urreição, de · manhã, J esus
apareceu a Maria Madal ena; depoi à anta mulher es,
que vinham para t ermin ar a embal amação; a S. Pedro;
de tarde, aos dois discípulos de Emaús; depois aos dez
apóstolos, reunidos no enáculo, faltan do ão Tomé.
No domingo imediato, apareceu de novo J esu Cristo
no Cenáculo ( ão To mé achando- e pre ente com o
mais apó tolo ) e mandou ao di cípulo incrédulo que
lhe toca e as ferida ; êste, per feitamente convencido,
exclamou: " Meu Senhor e meu Deus!" Outro dia,
mostrou-se num monte de Galiléia, na presença de
quinhentas e tantas testemunhas; depoi , nas margens
do lago de Genesaré onde houve outra pesca milaO'ro a;
enfim, no dia da Ascensão, no monte das Oliveiras, à
vista de n-u merosa multidão a quem queria mostrar o
último milagre.
3. 0 O que abona ainda o fato da r essurrei ção é o
testemunho dos apó tolo , dos mártir es e de todos os
primeiros cristãos. É sabido que a princípio, os apó tolós
·.todos eram incrédulos: deram fé na r essurreição somente
pela evidência, e não se podiam iludir a r espeito de um
fato que viam com os olhos e t ocavam com as mãos.
Creram; e não sq creram, como também sofreram todos
a morte para confessar sua fé em J esus Cristo e na r es-
surre1çao. Outro tanto fiz eram as mais t estemunhas
qpesar das ameaças, das perseguições e da morte.
Enfim, era preciso q11 e êste fato fôsse patente, 'i
evidente, para dar como r esultado a conversão de tantos
judeus e pagãos. Ninguém podia ser cristão, que não
acreditasse na r essurreição de J esus Cristo. Era êste
fato um dos maiores t estemunhos para os quais apelava
72 C R E D O

S. Paulo a fim de converter os povos, e conseguir seu in-


tento. Com efeito, nada há que melhor prove a divindade
de Nosso Senhor e da sua r eligião do que esta r essurreição
gloriosa, previ11mente anunciada na face de um povo
inteiro e levada a efeito pelo próprio poder de J e us.
CONCLUSÃO PRÁTICA

"Se .Jesus Cristo não ressuscitou, escrevia S. P aulo, nossa fé


é vã; se êle ressuscitou, logo, t ambém nós havemos de ressuscitar.
Ora, Cristo, primícias dos que dormem, ressuscitou dentre os mortos;
após êle ressuscitarão aqueles todos que creram na vinda" ( I Cor.,
xv). É esta a nossa fé, e é também a nossa esperança; mas repara
o Evangelho, e era a própria palavra que .Jesus ressu citado dirigia
aos discípulos de Emaús. "Foi preciso que o Cristo sofresse antes
de entrar na glória". Volvamos o olhar, pois, para o nosso modêlo
e, se como êle, quisermos participar da ressurreição gloriosa, como
êle também, morramos para o orgulho, o egoísmo, os bens dêste
mundo. Para nós, tal morte será o caminho da vida.

VI. 0 E VII.º ARTIGOS

Subiu ao céu, está sentado à mão direita de Deus,


P. adre todo podero o, donde há de vir, a julgar os
vivos e o s mortos.

§ único. - Ascensão d e No so Senhor.


Narra ção da a scen são de Nosso Senhor. - As razõ es da ascen são. - Volta
d o Sal>ador no fim do mundo para julgar os homens.

57. - Contai a ascensão de osso Senhor J esus Cristo.

R. - N itma q_iânta-f eira, quarenta dias após a res-


surreição, J esus atravessou as ruas de J erusalém com
num erosos discípulos. E m B etania, nas encostas do m onte
das Oliveiras, deu-lhes os derradeiros conselhos e elevou-se
ao céit com o rosto e as vestes resplandecentes.

http://www.obrascatolicas.com
•.

A S C E N S Á O 73
;:_
Quando J. e. acabou de pa ar quarenta dias
t rra, d poi da res uneição, ora mostrando-se aos
ípulo para o. instruir ainda e convencê-los, ora de-
apar e ndo para o aco tumar om ua au. Ancia, os o
nhor r uniu de novo eu apó tolo em J eru al'm, no
ná ·ulo. Era na quinta-[eira, quadrag 'simo dia depois

Por virtude pr6pri'IE, J esus sobe ao céu.

da ressurreição (28 de abril do ano 7 2 de Roma, 34.0


da era ristã). Era eh gada a hora de voltar para seu
Pai. J sus atrav . sou as ruas da cidade com seus discí-
pulo ·ujo número ia avultando enquanto caminhavam;
conduziu-o m Betania, e dali à enco ta do monte que
havia de pr . en iar o prodígio da a cen ão. Deu-lhes os
d rradeiros con elho e a bênção, e, à vi ta dAles, elevou-
e maj to am nte para o céu, com o rosto e as vestes
r e plandecent s de luz.
Ficavam a testemunha de olhos fitos no céu, a ver l
se J e us não tornava a aparecer. Baixaram à terra dois
anjo que vieram dizer : "Homens de Galiléia, êste J esus
1[
http://www.obrascatolicas.com
I

74 O R E D O

que acabais de ver subindo ao céu, dali, na mesma forma,


há de descer um dia" (Atos dos ap,óstolos, r) . Tal é o •
acontecimento que r ememora anualmente a festa da
A scensão/

58. ----' Porque subiu Jesus Cristo ao c6u!

R . - J esiis siibiii ao céii, para: 1. 0 r ecompensàr a


s1ia santa hiimanidade pelqs trabalhos e sofrimentos que
tiv era; 2. 0 abrir-nos as portas da morada celestial; 3. 0
servir-nos de advogado e rnedianeiro junto a seu Pai.
~
1.0 Para • que sua santa humanidade gozasse da feli-
cidade e da glória que merecera por seus trabalhos e
sofrimentos. Ali "está sentado à mão direita de Deus
P adre Todo Poderoso"; isto significa · que Jesus Cristo
está agor·a na mansão do r epouso e da glória, ocupando
lugar de honra junto de seu Pai, e com o mesmo poder.
2. 0 ubindo ao céu, Nosso Senhor queria, como êle
próprio tinha anunciado, abrir-nos as portas da morada
celeste, e preparar-nos um lugar e uma coroa em seu
reino. De fato, é no dia da Ascensão que Jesus Cristo
introduziu no céu a multidão dos eleitos que aguardavam
a libertação e podemos esperar que um dia, como êles,
ali entraremos.
3. 0 J esus Cristo e tá agora no céu para exercer,
junto de seu Pai, uma rnediação contínua e todo poderosa
em nosso favor; de~empenha as funções de advogado e
pontífice, isto é, continua intercedendo por nós junto de
Deus. São João, no Apocalipse, o viu debaixo da figura
de um cordeiro imolado ao pé do trono do Eterno, para
mostrar que J esu t em no céu as cicatrizes de suas chagas
e as oferece, de contínuo, com sua morte, pelo perdão dos
nossos pecados. "Com tal pontífice e tal medianeiro,
conclui S. Paulo, fiquemos cheios de confiança! '
http://www.obrascatolicas.com
ASCENSÃO 75

59. - E xplicai as palavras do s6ti1no artigo: Donde há de vir


a j1tlgar os vivos e os mortos.

R. - E xprirnirnos as im no a fé no dogma da res-


surreição geral e do jnízo últirno.
O próprio J u ri to tinha anun iado aos seus
discípulo p rante o tribunal d aifaz, que havia de
voltar à terra para jul gar o vivo o mortos. . anjo ,
n ão, r p tiram ta importante verda l .
Qu m há de apar r no fim do mund , é o m smo J u ,
com o corpo glorifi ado, c mo tava no dia em que se
elevou ao éu; e, conforme xpli ar emo no capítulo dos
Novíssimo , não julo·ará õm nt quem já estiv r morto,
senão que os próprio vivo hão d morr r prim iro, e
então hão de r uscitar para s r m jul()'ad com os mais
homens no vale d Josafá, no dia do J iiízo geral.

ONCLUSÃ O PRÁTICA

· Eliseu, ao ver seu mestre, o profeta Elias, levado ao céu, em


carro de fogo, exclamava : "ó pai, por tõda a paite vos seguirei,
não hei de abandonar-vos 1"
Exclamemos, nó tamb ' m, à vista do uos o Red ntor subindo
para a glória: "ó Mestre, qu ro s guir-vos ao céu I"
Mas, ai vem santo Agostinho que nos diz: " :rão obe o orgulho
ao céu com o Deus da humildad , n m a avareza com o D us pobr ,
nem a moleza com o Deus das dores, nem a voluptuosidade com o
Deus casto, nem vício algum com o pai de tõclas as virtud s" . P ara
o alto, portanto, voem os p nsam ntos e os corações ! Mas deixemos,
cá em baixo, o despõjo dos nossos pecados, que nos haviam de
estorvar a ascensão.

http://www.obrascatolicas.com
76 C R E D O

V III. 0 ARTIGO
Creio no Espírito San to.
§ único - E pírito San to .
Conh ecimento do E spírito Santo. - Suas manifestações e seus símbolos. -
Obra particular do E spíri to Santo: a santificação.

60. - Quem é o E spírito anto ?


R. - O Espírito anto é a terceira pessoa da san-
tíssima Trindad e, qiie procede do Padre e do JJ'ilho e
t em a mesma natureza qiie êles.
Já o temo dito falando da Trindade, o E pírito
Santo procede do Padre e do Filho por efeito do amor :
é o fruto do afeto eterno do Padre para com o Filho, e

O E • p f r it o a nto <lPsce sô bre os <tp6.- t ol os e os transform a.

o eterno amor ele graticlão do Filho para com o Padre.


É um . ó Deus com a. clua: outra pe · oa ·, à quais é
igual m tudo, po 'UÍndo a me ma natureza diYina.
A sua diYinclade foi impugnada p elo hereo- :Ma-
ceclônio, no éculo quarto, o que deu lugar, no concílio

http://www.obrascatolicas.com
ESP ÍRITO SANT O 17

d d finida
qu 1 m no ímbolo da
anto, qu ' tamb'm nhor,
e dá a vida, pro d do Padre ( do Filho) (1) ,- ' ado-
rado O'lorificado juntamente com o Padr o <ilho, e
falou p lo prof ta ".
61. - ]fani f es tou-se o Esvírilo anto ao mundo?

R. __:_ O E vírito anta pairoii ôbre o rniinelo para


omii.nicar-lhe a f cmididad a v1·ela; f aloii p los prof ta
elo Antigo T tam nto; mo trou- rnoelo vi ív l no
bah· mo el No s o nhor J u ri to, rn f orrna de
pomba; na tran figuração ob a apar Ancia d niiv rn e,
no dia elo P nt cost s, na língua de fogo que d e rani
ôb1· os apó tolo .
( o princípio, o E pí:rito anto tinha pairado por
sôbre o mundo para comunicar-lh e a f undidad a
vida, e, no coner fa idad , tinha falado p lo prof ta. ;
manife tou- e no ovo 'l' , tam nto d modo vi ível:
1.0 o bati mo de o o nhor, d baixo da form a
d pornba, para mo trar qu é a man. i füo, a inoc.An ia,
o am r fi 1.
2. 0 a tran figuração d · J u ri to no monte
'l'abor. Apar eu então ob a forma de niivern lumino a
, para mo trar qu sua a ã b nfazeja t mp ra o ar do-
mui to vivo , ilumina , m d lurnbrar , aqu nta s m

(1) Estn pnrte: do li ilh o, Fillo11u c, !o i ncrcscentndn somente no


com ôço do s culo IX.
78 O R E D O

significar que dava aos apóstolos perfeita inteligência das


verdade ensinadas p or No so Senhor J esus Cristo; as
línguas indicavam o dom milagroso, que êles recebiam
de entender e falar as diver sas línguas dos povos que
tinham de evangelizar; o fogo, enfim, indicava os ardores
da caridade, o grande zêlo, a grande coragem que haviam
de animar os apóstolos para irem pregar o E vangelho ao
mundo inteir~ ·
62. - Para os outros cristãos, qual ~ a ação particular ào
E spírito Santo?

R. -A ação particiilar do E spírito Sooto, em relação


a cada wni de nós, é a santificação. Opera em todos os
sacramentos e, principalmente, na confirmação e na or-
dem. l n pira e dirige a santa I greja e habita, de modo
especial, nas almas dos jiistos.
(A ação particular do E pírito Santo, em r elação a
cada um de nó , é a santificação ; êle é quem invisivel-
mente comunica às no a almas a graça que as faz santas.
Vemo-lo operando em todos os sacr amentos : purificando-
no e fazendo-no filho de Deus no batismo, r econciliando-
no com Deus na penitência, vivificando em nosso bene-
fício a carne e o angue de J e u Cristo na E ucaristia,
purificando e fortificando o enfêrmo na extrema-iinção,
antificando o cônjuge no rnatrimônio para os auxiliar
no cumprimento de seus deveres.
Há, todavia doi sacramentos nos quais o E spírito
Santo . e comunica mais e pecial e eficazmente : é a
confirmação na qual recebemos a plenitude dos seus dons,
e a ordem, na qual o mini tro de Jesus Cristo r ecebe a
plenitude da luz, da fôrça e da §iantidade, como os
apó tolos, para cumprir fielmente seus deveres · e fazer
dignam ente a obra de Deus.
Enfim, o Espírito Santo habita de modo particular
na alma dos justos; é sua luz, sua fôrça, seu consôlo.
É êle ainda que, depois de ter presidido à fundação da

http://www.obrascatolicas.com
ESPÍRITO SANT O 79

Igreja, a conduz, dirige, e por ela continua a santificar


as almav
CONCLUSÃO P RÁTICA

Se o Espirito Santo é a luz, a êle devemos recorrer nas trevas


ou nas dúvidas; se é o consôlo, devemos implorá-lo em nossas
tristezas; se é a f ôrça, devemos pedir-lhe socorro em nossas
fraquezas e misérias.
"Com o E spirito de Deus por Mestre, diz o papa são Leão,
breve chegamos a gostar daquilo que nos parece difícil e austero".
As orações da Igrej a t êm eficácia particula r; não podemos
encarecer demais a recitação do hino Veni Creátor e da sequência
Veni, sancte Spíritus, que são do ofício do P enteco tes; encerram
as mais belas e mais tocantes súplicas ao Espírito Santo. Os cristãos
piedosos costumam santificar o trabalho e os principais atos pelo
Veni sancte . . . e a À ve Maria.
Vinde, Espirito Santo, enchei Veni, sancte Spíri tus, repie
o coração dos vossos fiéis, e tuórum corda fid élium, et tui
acendei nêles o fogo do vosso
amóris in eis ignem accénde..
amor.
V. Enviai, Senhor, vosso v. Emítte Spiritum tuum, et
Espírito para êle nos dar nova creabúntur.
vida.
8. E renovareis a face da R. Et renovábis fáciem terrae.
terra.

OREM O S O RÉMUS

, Deus, que iluminais os cora- Deus, qui corda fidélium sancti


ções dos vossos fiéis com as Spíritus ilustratione docuísti,
luzes do Espírito Sa nto, dai- nos• da no bis in eódem pí ritu
pelo mesmo Espírito a r eta recta sápere, et de ejus sem-
sabedoria e f azei-nos gozar per consolatióne gaudére. P er
sempre da sua consolação. Por Christum Dóminum ostrum.
J esus Cristo Senhor osso.
Assim seja. R. Amen.
Ave Maria, etc. Ave Maria, etc.

http://www.obrascatolicas.com
80

I X .0 AR TI GO
Cre_io na Santa Igreja Católica, na comunhão
dos santos
Divisão do assunto

63. - Que ensinos contém o nono artigo do símbolo!

R. -Jtste artigo trata da Igreja, da sua institi1,ição


e constituição, do seu poder de ensinar, dos caracteres qite
a distinguem, dos seus membros e do dogma da comunhão
dos santos.
Ê te diver o a unto vêm tratados em outros
tantos parágrafo .
§ 1. - ln ti tuição e con tituição d a Igre ja.
Noção da I greja. - Sua instituição. - Constituição da Igreja primitiva e
atual. - Soberano Pontifica, bispos, f iéis.

64. - Que é a I greja?

R. - A anta I greja católica é a sociedade de todos


os cristãos que profes am a mesma f é, e recebem os mesmos
sacramento , sob a 9bediência dos legítimos pastores e
principalmente do papa.
A palavra igreja vem de um vocábulo grego que
significa assembléia. Define- e a I greja: a ociedade dos
cristão , governado por no santo padr e o papa e pelos
bi pos debaixo da autoridade do papa.
onvém e ta definição à I greja verdadeira, e tabele-
cida por o o nhor J e. u ri to, e veremo que cabe
a I greja católica romana, e a ela ó. Reparemo de de já
que, para er membro ele ta Igreja, é preci o: 1. 0 er
cri tão, i to é, er batizado e crer em J e u risto; 2. 0
r econhecer como hefe upr mo o pontífice romano que
ocupa vi ivelmente na terra o lugar de Je u ri o,
fundad or e chefe invi ível ela I greja; e 3. 0 obedecer aos

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 81

pa tore . legítimos, i to é, ao que estão regularmente


e tabelecido , e permanecem ubmi o~ à autoridade do
papa.
65. - arrai a instituição ou estab elecimento da Igreja.
R. - J e u Cri to congregou doze discípnlos, que
chamoii apó tolos. D eii-lhes o poder de comiinicar a
oiitros os n inos e direitos qiie lhes tinha transmitido.
Al 'm dos apó tolos, osso enho1· t eve outros discí-
pnlo e a mitltidão sempre crescent e dos que creram na
s·iia palavra.
Vindo Il;ª terra para fundar uma ociedade r eligio a
de fi ' i , iniciou J e u ri to e ta obra no primeiro ano
do u mini tério público. onoTegou primeiro doze
di ípulo que chamou apó tolos ou nviado . En inou-os
, como queria que fô m eu auxiliare e sucessores no
govArno da I greja, Ale os fez bispos dando-lhes o poder
de comunicarem a outro os en ·inos e direitos que êle
me mo lhe tinha tran mitido.
Al'm do apó tolo o o enhor teve di cípulos,
de ordem inf rior, m número de etenta e doi no comêço,
avultando Ale empre mai com a multidão dos que
creram na ua palavra.
o dia imediato a P enteco te , mercê da numerosas
conver õe que fiz ra ão P edro, contava á I greja em
J ru além oi o mil pro élito , e achava- e fundada com
tôda a condi õe de uma ociedade bem e tabelecida.
66. - Dai a conhecer a constituição primitiva e at1lal da
Igreja.
R. - J esus Cri to, ant de deixar a terra deu a
. P edro a primazia ôbre o demai apó tolos. ~ tes,
no gov Arno da multidão do fi 'i , eram aiixiliados pelos
di cípulo . ·
con titnição da I greja é, hoje ab oliitamente a
rne ma. o v 'rtfo , o papa uce or de P edro, chefe vi-
ível de t ôda a Igreja. Abaixo, os bispos, siwessores dos
82 C R E D O

apóstolos. P ara ajudá-los, os vigários e sacerdotes. E n fim,


os simples fiéis fo rm am o r ebánho confiado à solicitude
dos pastores .
...'N-o princípio, os apóstolos eram todos iguais e não
tinham senão um chefe, J esus Cristo. P or ém, antes de
deixar êste mundo, quis J esus Cristo instituir um vigário
ou sucessor . E scolheu a Simão P edro, declar ou que que-
ria fazê-lo base e alicer ce da sua I gr eja, prometeu-lhe as
chaves do r eino dos céus e o encar regou de apascentar ou
governar o r ebanho inteiro, pastor es e fiéis. E sta provi-
dência r ematou a constituição da Igreja.

" Quem vos escuta, me escuta. - Ide, ensinai tôda,s as naçõe1. .. E1tarl'I
convosco até a consumação dos séculos."

Vemos nela a j erarqºu ia assim estabelecida : no vér-


tice, P edro, seu chefe supremo; abaixo, os apóst olos que
administram e governam, ajudados por auxiliar es esco-
lhidos entre os primeir os discípulos; enfim, a multi dão
dos fiéis, que escuta e obedece.

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 83

A constituição da I greja, hoje em dia, é exatamente


a mesma. Temos no vértice, nessa santo padre o papa,
vigário de Jesus Cristo, sucessor de são Pedro, chefe vi-
sível de tôda a I greja, pai e doutor de todos os cristãos.
Abaixo, os bispos, sucessores dos' apóstolos, encar-
r egados do govêrno espiritual das dioceses, sob a autori-
dade do nosso santo padre o papa. São auxiliados pelos
vigários e sacerdotes, seus coadjutores, qu~ trabalham
sob a sua autoridade, na salvação das almas; alguns,
como os vigários, dirigem uma freguesia; outros, como
os coadjutores e capelães, são auxiliares.
Os simples fiéis formam, como outrora, o r ebanho
confiado à solicitude dos pastorev
CONCLUSÃO PRÁTICA

" J esus Cristo, diz S. P aulo, amou a sua I g reja até entregar-se
à morte por ela" (Ef., v.) É êste mesmo sentimento que, no
decorrer dos séculos, norteou sempre os pastores da Igrej a. P apa,
bispos, sacerdotes, todos amam a I greja, dedicam-se sacrüicam-se
por sua causa.
Em paga, estremeciam os primeiros cristãos aos seus chefes
jer árquicos. Com que gratidão respeitosa rodeavam S. Pedro, os
apóstolos e os sacerdotes, que lh es traziam a verdade e a graça ! . ..
F ilhos e her deiros dos primeiros cristãos, amemos o soberano pon- J
t ífice, os bispos, os sacerdotes. . . Muito de coração, r ezemos por
êl es. Desta união há de brotar a fôrça, e realizaremos o voto de
Nosso Senhor : um só rebanho e um só pastor 1

§ II. - Ensino da Igre ja.


P oder de ensinar confiado aos pastores. - Fontes do ensino: 1.º E scritura
sagrada; 2 .0 tradi ção; 3. 0 concílio. - Infalibidade; 1.º da Igrej a ·
em geral ;· 2. 0 do papa em parti cular.

67. - A q1tem é que o poder de ensinar f oi conf iado por


J es1.1.s Cristo ?

R. - O p ode r d e ensinar foi conf iado por N osso


S enhor J esus Cristo a S . P edro e aos apóstolos, e na
p essoa dêst es, ao papa, siicessor d e S . P edr o e aos bispos,
sucessores dos apóstolos.
'"

84 O R E D O

Aos apóstolos reunidos, - P edro estando ha frente


dêies, - disse Nosso S.enhor : " I de, ensinai, tôdas as
nações. . . Ensinai-lhes a guardar o que eu próprio vos
confiei . . . Eis que estarei convosco até a consumação dos
séculos" (S. Mat., xxvm).
A S. P edro, em particular, disse Jesus Cristo :
"Apascenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas"
(S. Jo ão, x x r), isto é, instrui, faze viver da verdade meu
r ebanho todo, a Igreja inteira, pastores e fiéis.
Passou êste poder do ensino ao papa e aos bispos,
pois devia durar até a consumação dos séculos. São êles
que continuam a er mestres do ensino, que ficam únicos
juízes da doutrina, que a explicam e a r esguardam de
todo o êrro . Agr emiam, contudo, para o desempenho desta
missão de instruir os fi éis, auxiliares que são os sacer-
dotes. E êst e corpo congr egado dos pa tores forma o que
se chama I gr eja docente, enquanto os fiéis são a Igreja
discent e. '
68. - Donde tira a I greja se1i ensino?
R. - A I greja tira o seii ensino da Sàgrada Escri-
tura, da tradição e dos concílios .
1.0 Da Es critura Sagrada, cujos principais livros,
quer do Antigo, quer do Novo Testamento, já enumeramos
(n.º 3). Ali é que se acha e crita a palavra de Deus;
ali é que estão encerradas as verdades reveladas por Deus
e que os pastores devem transmitir aos fiéis.
2. 0 Da tradição : a · iro apelidamos a palavra de Deus,
vinda dos apóstolo até o no sos dias ssm ei' esor-ita,
ma comunicada primeiro oralmente, .,, .
3. 0 Do concílios. Damo êste nome às grandes
assembléias da I gr eja docente. O concílio é chamado
geral ou ecumênico, quando representa a I gr eja universal,
tendo sido convocados todo os bi po e sendo êle pre idi.do
pela autoridade do papa e sancionado por êle; nacional,

http://www.obrascatolicas.com
IGREJA 85

quando se r eunem os bi pos de uma nação sob a presi-


dência de um delegado do papa; provincial, quando
con ta dos bispos de uma província eclesiástica, sob a
pre idência de um patriarca, metropolitano ou arcebispo.
As deci ões dos concílios, e pecialmente dos concílios
ger ais, são a matéria 'do ensino da I greja.
69. - Na I greja, como são garantidas a integridade e a
exatidão do ensino.

R. - A integridade e a exatidão do ensino são garan-


tidas na I greja pelo privilégio da infalibilidade.
Entende-se por esta palavra a prerrogativa que J esus
Cri to deu à sua Igreja de não poder enganar-se no ensino
da verdade r eligió a. Envolve, e ta infalibilidade, duas
cou a : 1. 0 a assistência divina que preserva a I greja de
qualquer êrro : é o que e chama infalibilidade negativa;
2. 0 o poder de formular deci õe dogmáticas ou morais
obrio·atória para todos os cristão : é o que se denomina
infalibilidade po itiva.
O priviléO'io da infalibilidade r esulta da promessa
formal de No o enhor: "Ei , diz êle, que estar ei con-
vo co at' a con umação do éculo " (S. Mat., xxvm, 20 ) .
Ali onde e tá J e u ri to, aí está a autoridade: aí não
pode exi tir o êrro.
otemo , entretanto, que e ta promes a não diz r es:
peito enão à r eligião, e portltllto, a I greja é infalível
õmente na que tõe de fé, e.o tume ou di ciplina geral.
70. -A quem cabe o privilégio da infalibilidade?
R. -Blste privilégio cabe : 1.0 à I greja em geral;
2.0 ao papa em particular.
I. A I O'reja em geral é infalível; a prome a que
aduzimo era dirigida ao colégio dos apó tolo , endo
P edro o chefe. Em con equência, pa a ê te privilégio,

http://www.obrascatolicas.com
86 C R E D O

não a cada bi po pessoalmente, senão à congregação dos


bispos em ger al, t endo como cabeça, o Sumo Pontífice.
Disto resulta que, em matéria de fé, pode um bispo
enganar-se; a totalidade dos bi p os, por ém, nunca. Por
isso é que a I greja é infalível: 1.0 no sentido positivo,
quando, reunida em concílio geral, debaixo da autoridade
do papa, ela decide que doutrina r e peitando à fé
ou aos co tumes deve ser
acreditada e aceita por
tôda a Igreja; 2. 0 no
sentido negativo quando,
sem ser reunida em con-
cílio, mas ficando dis-
persa, acha-se ensinando
de comum acôr do e em
união com o soberano
pontífice, um ponto de
fé ou de moral. Com
efeito, prometeu J esus
Cristo estar com sua
I greja "todos os dias" e
não somente quando es-
tives e r eunida. ftle a
r e guarda, poi , do êrro
ainda que dispersa, em-
bora a I greja não pos a Em matéria de religião, o papa '
infaUvel.
formular definição moral
ou dogmática e tando ausente o papa, que é seu c.hefe,
fonte da ua infalibilidade po itiva, órgão pr incipal e
essencial das suas definições.
II. Afora a infalibilidade concedida à Igreja em
geral, po ui o papa individualmente o me mo privilégio
da infalibilidade, quando fala, como e diz, ex cáthedra,
isto é, quando, de empenhando ua funçõe de pa tor e
doutor de todos os cri tão , em virtude da sua suprema

http://www.obrascatolicas.com
IG&lil.TA 87

autoridade apostólica, expõe, para a I greja inteira, uma


decisão a r espeito da fé e dos co tumes.
Êste privilégio da infalibilidade p essoal do papa
resul.t a de promessas especiais feitas a S. Pedro, e na
pessoa dêste, aos seus sucessores. Nosso Senhor lhe disse :
"Tu és P edro, e ne ta pedra edificarei minha I gr eja e
as portas do inferno não prevalecerão contra ela"
(S . Mat., xvn). Se P edro chegasse a ensinar o êrro,
havia o inferno de prevalecer contra a verdade, o que é
oposto à promessa divina.
Disse-lhe mais: "Rezei por ti, para que não desfaleça
a tua fé. Quando convertido, fortalece teus irmãos"
(S. Lucas, xxrr). Ora, a oração de Nosso Senhor é eficaz;
resulta que P edro, encarregado de fortalecer os outros,
não pode cair em êrro.
Enfim, por três vêzes, disse-lhe J esus Cristo:
"Apascenta minhas ovelhas, apascenta meus cordeiros"
(S. Jo ão, xxr) . Ora, se acontecesse S. Pedro ou seu su-
cessor ensinar o êrro, já não seria mais guia do rebanho,
senão que êle próprio careceria ser encaminhado de novo
para a verdade; seria o contrário daquilo que reza a
ordem de J esus.
Êstes são os t estemunhos nos quais o concílio geral
do Vaticano se firmava, qua·rído, a 18 de julho de 1870,
apelando neste ponto para a tradição antiga, proclamou
a infalibilidade pontifical dogma de fé, que os cristãos
têm de admitir, sob pena de caírem na heresia.·

CONCLUSÃO PRÁTIC~

J eims Cristo disse aos apóstolos e seus sucessores : "Quem


vos escuta, a mim escuta; quem vos despreza, a mim despreza".
Quando obedece aos pastores da Igrej a, um cristão tem certeza de
não se iludir: é a J esus Cristo que obedece. Se por outra parte,
chegasse a desprezar os ensinos da Igreja, t eria que recear o juízo
do próprio Jesus Cristo.

http://www.obrascatolicas.com
88 C R E D O

Louvado seja o Salvador J esus por nos -ter dado dupla garan·
tia, dupla certidão : a Igreja e o p apa; dupla autoridade para
conservarmos a fé verdadeira: o concílio e a cadeira infalível do
pontífice romano!
"Santa Igreja romana, mãe das Igrejas e mãe de todos os
fiéis,. Igreja escolhida por Deus par a unir seus filhos na mesma fé
e na mesma carida de, com tôdas as ver as da nossa alma, amaremos
e defenderemos tua uni ade. Antes de eu olvidar -t e, I greja romana,
olvide-me eu ~mim próprio. Fique sêca a minha língua e pregue-se
ela imóvel na minh a bôca, se não fo r e sempre a primeira na minha
lembrança, se eu não te puser no p rincípo de todos os meus cânticos
de alegria!" (BOSSUET ) .

§ III. - Caracteres ou sin ais da Igreja.


Diversa s igr ejas crist ãs : 1.º Igreja C'atóli ca; 2 .0 igr ejas protesta ntes; 3. 0
ig r ej as cismáticas. - Noções sôb1·e os car act er es da verdad eira Igreja:
l.º u n idade; 2 .0 santida de; 3. 0 catoli cid a de; 4 .0 apostolicidade. -
Aplicação à I g1·eja católi ca qu e os p ossui em gra u eminente. - Faltam
n as ou t ras igr ej as .

71. -Deve haver, na terra, várias I grejas verdadeiras?

R. - N ão, N osso S enhor J esu s Cristo estabeleceu 'itma


só Igreja j êle a f ez depositár ia e gu arda dos seiis ensinos,
da sua aiitoridade e dos $eus poderes j qiiis que houvesse
um só rebanho e w1n só pastor. Portanto, deve haver na
t erra uma única I greja verdadeira.
Vemos, entr etanto, vária igr ejas cristãs, reconhe-
cendo J esus Cri to como chefe e seu Evangelho como ~ei,
difer indo porém na cr ença e no culto, e que pretendem
igualmente estar de posse da verdade. Estas igrejas
formam três grupos principais: 1.0 a I greja católica; 2. 0
as igrejas protestantes; 3. 0 as igrejas cismáticas, grega
ou russa.
A I grej a católica, também chamada I greja romana,
por t er ela como chefe nosso santo padre o papa, cuja
sede está em Roma, é a mais antiga e mais numerosa:
r emonta até o apóstolos e Jesus Cristo.
As igrejas protestantes tiveram seu comêço no século
X VI; formam três seitas principais: os luteranos, que

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 89

reconhecem Lutero como chefe e são mais numerosos na


Alemanha; os calvini ta , cujo chefe é Calvino, acham-se
na Suíça e na França ; os anglicanos, que reconhecem
como fundadores H enrique VIII e I abel, ocupam espe-
cialmente a Inglaterra, endo o r ei ou a rainha chefe
r eligio o do anglicanismo.
Enfim, as igrejas ci máticas remontam ao século IX.
Fócio patriarca de Constantinopla, deu origem, naquela
época, ao ci ma grego con umado no éculo XI por Miguel
Cerulário: encontra-se ainda no Oriente. No século XV,
a Rú . ia, obedecendo ao patriarca de Moscou, separou-se
de Con tantinopla; e, no comêço do século XVIII, P edro
o Grande con tituiu definitivmaente a I greja russa, a
cuja fr ente e tabeleceu o Santo Sínodo, sendo os membros
dê te nomeados por êles : e ta escolha ficou privilégio do
czar ou imperador da Rússia. Por êsse fato, caíu a
Igr eja russa mais ou menos sob a dependência do poder
temporal.
É evidente que não tendo J. C. fundado senão uma
única I gr eja, não podem essas sociedades diferentes,
achar-se, ·ao mesmo t empo, na verdade.
72. - Quais são os caracteres da verdadeira Igreja?

R. - Os caracteres da verdadeira I greja são a uni-


dade, a santidade, a universalidade e a apostolicidade.
Se os quisermos conhecer, é preciso consultarmos o
E vangelho, onde acharemos a vontade exata de Jesus
Cristo, a r e peito da Igr eja que fundou.
Ora, notamos: 1.0 que J esus Cristo-pregou uma única
r eligi ão, enviou os apóstolos a pregarem a mesma
doutrina, e quis que todos os :qiembros da sua Igreja
obedecessem a um mesmo pastor. A Igreja, portanto,
deve ser iirna, e a unidade, que será o seu primeiro
caráter , deve abr anger unidade de crença, de sacramentos,
de govêrno.

http://www.obrascatolicas.com
90 C R E D O

2. 0 J esus Cristo, ao estabelecer a Igreja, quis que por


ela se santificassem todos os homens; deixou-lhe, neste
intuito, uma doutrina santa e santificante, e meios de
santificação, que não devem permanecer estér eis, senão
manifestar-se por obras santas. P ortanto, sua I gr eja deve
ser santa, e a santidade, que será o seu segundo caráter,
não deve ser somente interior, mas exterior e r eal ; não
bastará que possua doutrina e sacramentos adequados à
santificação dos fi éis, mas terá ainda de mostr ar santos,
heróicos na prática da virtude, operando milagres e dando
frutos de conversão e de caridade.
3. 0 J esus Cristo quis que a sua r eligião fôsse difun-
dida entre todos o povos, até o extremo da terra, e os
apóstolo fiz essem quanto possível para anunciá-la a tôda
e qualquer criatura. Portanto, a I grej a deve abranger ·
todo os países e todos os tempos; será, pois, universal
ou católica, e ê te terceiro caráter da I grej a diz r espeito,
no me mo t empo, ao espaço e ao número.
4. 0 Enfim No o Senhor escolheu os apóstolos para
que fô sem seu di cípulos e depois propagas em a sua
doutrina. Logo, a I gr eja verdadeira deve ser apostólica,
e ê te quarto caráter con ta de dua partes: deve ser
apo tólica quanto ao mini t ério, isto é, os pa tores para
ser em legítimos, preci am r emontar aos apó tolos por
uma suce. ão não interrompida; e apostólica quanto à
doutrina, i to é, a Yerdadeira I greja não deve ter alte-
rado a doutrina dos apó tolo .
Donde concluímos haYer quatro caracteres da verda-
deira I greja : uma, anta, católica, apo tólica.
73. - P ossui a I greja católica 1·omana os quatro caractere&
da 1:erdade?
R. - i. im, ela os possui de moncira admirável, o que
não acont ece com as demai sociedad cri tãs .
1.0 A I gr j a católica é uma. Tem unidade de dou·
trina · todo o fiéi que dela faz em parte, acreditam nai

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 91

mesmas verdades e admitem o mesmo símbolo; - tem


unidade de sacramentos, pois quem não os admite todos
não é católico; - t em unidade de chefe, pois, r econhecer
o pontífice romano como suprema autoridade é um dos
·requisitos para ser católico.
2. 0 É santa. Po ui doutrina santa e santificante: o
Evangelho, em tôda sua integridade; - meios de santi-
fi cação verdadeiramente eficazes: os sacramentos; - e a
santidade da Igreja patenteia-se por sinais exterior es :
obras de caridade, frutos de conversão entre os infiéis
e, na sociedade, a presença de santos que mereceram
ser inscritos no rol dos eleitos que podemos invocar,
e portanto, praticaram virtudes heróicas e fizeram
milagres.
3. 0 A I greja romana é verdadeiramente católica, ou
universal. Com efeito, está e palhada em tôdas as
partes do mundo: conta membros seus em todos os con-
tinentes e nas ilhas mais longínquas em que as outras
igrejas não penetram. Sôbre ocupar o espaço de maior
extensão, tem ainda superioridade quanto ao número;
hoj e há j~llQQ,.QQQ_ de católicos;
~tféfõifoo de ci máticos; iii.oo0.000 de her eges e
mais cristãos não católicos;
.,--1.51i000.000 de confucionistas, budistas, etc. /
sôbre l'..900.000.66& de habitantes na t erra .
.<,,t.,4 a.ooo.ooe
4. 0 Enfim a I greja católica é verdadeiramente
apostólica: pois, com o símbolo dos apóstolos, conservou
tôda a doutrina, todo o ensino dêles; por seu ministério
ainda ou seu govêrno, é apostólica. Com efeito, perdu-
rou, na cadeira de Roma, a sucessão legítima e jamais
interrompida dos papas; e por outra parte, não há sede
episcopal que não r emonte aos próprios apó tolos ou não
tenha sido estabelecida por um dos seus sucessores
legítimos, e não esteja em comunhão com o pontífice
r omano.

http://www.obrascatolicas.com
92 C R E D O

É preciso concluir, portanto, que a I greja católica


po sui todos os caracteres da verdade, e é portanto, a
verdadeira I greja de J esus Cristo.

74. -Porque não são verdadeiras as outras igrejas!

R. - Porque não possuem todos os caracteres da


verdade.
1. 0 Não têm imidade. Vemo , de fato, que tôdas, esta
fuai , aquela menos, al~eraram a doutrina ; com diversas
crenças e diversos sacramentos, não têm um mesmo chefe
visível, mas obedecem a tantos chefes particulares quantas
são a eitas dissid entes.
2. 0 Não têm santidade. Se tiverem conservado algo
da moral cri tã e uns poucos meios de santificação, a
santidade exterior manifestando-se pelo milagre, pelo
heroísmo da virtude, pelos frutos de conversão entre os
infiéis, falta-lhes por completo ; não t êm santo~, no sen-
tido rigoroso da palavra.
3. 0 ão são católicas : extremam-se geralmente no
país em que nasceram, e não se difundem em todo o
universo. Quanto ao número de seus membros, é muito
inferior ao dos católicos: os protestantes reunidos não
pas am de 2~000.000 e os cismáticos da Europa e do
Oriente não excedem ~.000.000.
ioo
4. 0 Enfim, não são apostól1'cos. Com efeito, começa-
r am por r ejeitar a doutrina dos apóstolos ou por falseá~la,
e seus pastores, longe de ser em sucessores legítimos dos
apó tolos, ou se arrogaram a própria missão, ou foram
separados de ta ucessão legítima pela autoridade r egu-
larmente estabelecida.
Logo, não podem as seitas protestantes ou cismáticas
fazer jus ao título de Igreja verdadeira de J esus Cristo.

http://www.obrascatolicas.com
lQRli1 .T A 03

ON LUSÃO PllÁ'l'l A

Filhos do I gr ja católica, c1 v mos agrael • r u D us por nos


t r f eito nus e r no s io da v l'Cladc. D v mos up gar -nos ·om tôelus
as fô rças da nossa alma à sn 11 ta Ig r ja r om:wn , mú e m stru dns
igr jU1:1 particu lares qu lh o íícnm tlllielas.
J.,nsti111 cmos a sorL' elos nossos irmãos separados qu o ll 11 ha m
110 ôrro pod em esta~· d boa :M · p la p nl:wrn a arielud , o bom
xemplo trn l alh mos 11a m elida das 1101:11:1ns fô rças, n 0 11 arni nhú-los
para a font ela vorcla do, sob o cajado do pa1:1tor único, sucos1:1or
c1 são Pe lro e c1 J sus risto osso Senhor.
:ÊJ nest pcHsnmcnlo c1 uuifio 11 a .f6 o n a cnricl a cl qu e o Soh ·
rano Pontífi multiplicou os chnurnclos às igr jas elo Ori nte ela
Ingl11t rrn csfo rço u·ii cm r aLnr r laçõ s diplom út i n1:1 ·om todos
os p aís s cismáticos; o co11vlcln toc1os os ri 1:1 tãos 11 uma oraçúo
co mum.
"Onclo st(t P clro, ali sLá a I g reja", c1l1:1sc santo Ambrósio.

§ I V. - 'lemlJ1·u Ju l g rcju .
orpo 11 h11 11 d t• J grej11. - üo ai•o JIH' mbroa d11 l groh• : 1.º os inti éis; 2. 0
os h e rrires; 3. 0 os ciR111 Miros ; 4. .0 OR apó stalua; 5 .0 os oxco mun gu dos.
- E ·pli cn.çíí.o tlu nt (Lx imu : Fora J n l g 1·cjo , o üo Jul s o lvuç õo.

75. - Para a salvação será necessário ser m muro ila I greja?


I .- iin pa1·a s ,. salvo pr ciso s r rn mbro da
l gr ja.
Mas podem s ser m mbros da I greja l e dois modos.
Distin guem-se, com efeito, os m mbros que p rtenc m
ao orpo la I r eja, os qn pertenc m à alma.
A I r ej a, á 11a t rra, pode s r onsicl rada como
sociedad visível. este caso, é comparada a um corpo
vivo : o papa seria a cabe ·a ; os bispos, membros principais
os fi ' is, membros s cundários. Para p rt . ncer ao corpo
da I gr eja, ' prc iso faz r profissão exterior de f é atólica;
portanto, s r batizado crer tudo qnanto a I gr ja ensina
s r submetido ao papa e aos pastores legítimos.
Mas a I gr eja pod s r tamb ' m consid rada como
sociedad invi sív 1 elas almas unidas a D us p la caridade
perf ita ou pela graça santificante. E sta graça, derramada

http://www.obrascatolicas.com
94 O & E D O

nos corações pelo Espírito Santo, é o que chamamos


a alma da I gr eja, pois ela é, na realidade, o que lhe
comunica a ".ida, como a alma para o nosso corpo.
Ora, para pertencer à alma da I greja, não é neces-
sár io ser batizado e fazer profissão de fé católica.
Deparam-se, fora do cri tiani mo, almas retas que amam
a Deus e o servem, ainda que no êrro: se tiverem a
caridade perfeita ou graça santificante, pertencem à alma
da I grej a.
I nferimos desta explicação que, para ser salvo, é
mister pertencer à alma da I greja e os pecadores, embora
membros do corpo da Igreja, não serão salvos por não
pertencer em à alma. E inversamente hão de ser salvos,
por pertencer em à alma, homens afastados do corpo da
I greja.
76. - Quais são os que se acham fora da Igreja?

R. - A cham-se fora da Igreja os infiéis, os hereges,


os cismáticos, os apóstatas e os excomungados. Os peca-
dores, são membros da I greja, porém, membros mortos
enquanto não recuperarem a graça santificante.
1. 0 Os infiéis : a sim são chamados os que não foram
batizados e não têm a fé em Jesus Cristo: como os judeus,
maometanos, idólatras.
2. 0 Os hereges, isto é, os que, p_ertinazmente, não
querem acreditar uma verdade revelada por Deus e en-
sinada pela Igreja como artigo de fé. Entre os hereges
modernos, podemos nomear os protestantes: luteranos,
calvinistas, etc.
3. 0 Os cismáticos: êste nome se dá aos que se sepa-
ram da Igreja, recusando aceitar os pastores legítimos e
obedecer-lhes, conservando, no entanto, a fé nas verdades
r eveladas. Por exemplo, no século XI, os adeptos do
cisma grego; mais tarde os do grande cisma do Ocidente,

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 95

nos quais pode- e encontrar boa fé maior; no século


décimo exto, os do ci ma anglicano de H enrique VIII.
4. 0 O. apóstatas: as im ão designados os que foram
batizado e renunciam à fé de Jesus Cristo que tinham
profe ado. Juliano, imperador romano, conhecido com
o apelido de .Apó tata, é um dê tes; também seriam
apó tata , hoje, o que se arreda em do catolici mo para
abraçar o maometani mo, o po itivismo, etc.
5. 0 Enfim, o excomungados, i to é, os que a Igreja
expele do seu grêmio por causa de crimes ; de de logo,
p erdem tôda a participação dos sacramentos e bens es-
ri tuais da I greja: ex. os franco-maçõ.es, os que aceitam
duelo.
Quanto aos pecadores, permanecem ainda membros
da Igreja, porém, membros mortos; todavia, podem
recuperar a vida, recebendo de novo a graça santificante.
77. - Explicai a máxima: fora da I greja, não há salvação.

R. -Esta máxima implica a exclusão do céu para


os qiie não pertencem à alma da I greja. Fora da Igr ejGJ
católica, não há salvação para os que a conhecem e não
querem aceitar a verdadeira 'f é, porque, então, acham-se
em estado de r evolta contra .Deus.
E ta máxima é verdadeira na sua significação geral.
J e us Cristo, com efeito, disse no Evangelho: "Se alguém
não renascer na água e no E pjrito Santo, - não fôr
batizado, - não entrará no reino de Deus ". E em outra
passagem: "Quem não crer será condenado" . .É a exclusão
do céu sentenciada contra os infiéis, hereges e apóstatas.
Di e mais: "Se alguém não atender à I greja, seja
êle tratado como pagão e publicano". estas palavras
temos a exclusão dos cismáticos e excomungados.
A I greja, contudo, de acôrdo com o espírito do seu
fundador, fez, desta máxima, aplicação justa e misericor-
diosa a um tempo. Longe de repelir aqueles todos que
In st. R elig. - 4
http://www.obrascatolicas.com
96 O R E D O

não pertencem à ua comunhão exterior, isto é, a seu


corpo, ensina que para ser salvo, basta pertencer à sua
alma. E na prática, discrimina duas categorias de homens :
os a quem não foi pregado o Evangelho, e os que o
conhecem ; e ela diz :
1.0 Os a quem não foi comunicado o Evangelho, não
fazem parte do corpo da I greja : todavia, serão salvos se
pertencerem à ua alma, por outros têrmos, se amarem,
de ejarem, e buscar em a verdade, se obedecerem à própria
consciência alumiada pelas luzes natu,rai , e cumprirem
os preceitos da religião. que julgarem ser verdadeira.
estas condições, pode a sua salvação achar-se dificul-
tada, porém, não é impossível.
2. 0 Quanto aos que conheceram o Evangelho, hão de
ser julgados segundo a sua lei. Se tiverem sido educados
e formados no catolicismo, não podem salvar -se fora desta
Ig reja católica, qu e é a única verdadeira.
e e tiverem no cisma ou na here ia e souberem,
quando chegado à idade de r azão, que a I greja católica
está de po se da verdade, não poderão salvar -se perma-
necendo fora desta I greja, pois, deve-se seguir a verdade,
de de que é conhecida. e tiverem apenas dúvidas quanto
à superioridade da Igreja católica, cumpr e-lhes e tudar,
inteirar- e do fato e abrir o coração à verdade, caso
ela se lhes manifeste ; pois é crime preferir as trevas à
luz. Enfim, e julgarem, com tôda a boa fé, er verdadeira
a eita a que pertencem; e por outra parte, forem fiéis
no de empenho do dev re que pre creve essa r eligião,
que julo-am boa; ne te ca o, não o condena a Igreja,
ma im, crê e en ina que hão de er alvo porque, p ela
intenção e caridade, pertencem à alma da Igreja.
Re umimo : fora da lo-reja católi a, não há alvação
para o que a conh cem não querem aceitar a verda-
deira fé, porque, então, acham- e em e tado de revolta
.
contra Deus .

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 97

CON CLUSÃO PRÁTICA

unicamente Deus sabe o número dos eleitos qu e há de colocar


na eterna mansão. J amais devemos desesperar por completo da
salvação' de quem quer que sej a; mas, na Igreja cat6iica, conforme
dizia um dos chefes do protestantismo, M elancht on, à sua mãe que
morria, a salvação é ?nais certa.
Demos graças a Deus por êle nos t er oferecido, no catolicismo,
uma fé mais certa, meios mais eficazes, e segurança maior no
tocante à nossa salvação e à dos nossos irmãos.
Assim como reza a I greja, rezemos pelos infiéis, hereges, cismá-
ticos, pecadores e a té pelos próprio apóstatas e excomungados para
êles se converterem e viverem. As obras da Propagação da f é, da
Santa I nfância, de São Francisco de Sales, também da Arquicon-
f raria de No ssa Senhora das Vit6riàs, apresent am meios f áceis
p ara cumprirmos êste grande ato de caridade.

§ V. - Comunhão dos santos .


Noção da comunhão dos santos. - Di,ersas r elações: 1. 0 dos fi éis da terra
entr e si; 2. 0 dos fi éis da terra com os santos do céu; 3. 0 dos fi éis da
terra com as alm as do purgatório. - Os qu e estão fora da c-omunhão
dos santos.

78. - Que entendeis por comunhão dos santos?


R. - A comunhão dos santos é a participação dos fiéis
nas orações e outras boas 'obras que se fazem na Igr eja.
Por comiinhão dos santos, - união comum entre os
santos, - entende-se que todos os membros da I gr eja,
pa terra, no .céu e no purgatório, são unidos entre si como
Ínembros de um mesmo corpo de que é chefe J esus Cristo.
Dá-se o nome de santos a todos os membros da Igreja
que se acham na graça de Deus, isentos de pecados mor-
tais. Ora, podemos encontrar êstes membros santos em
três lugares diferent es :
1. 0 Na terra, onde, levando vida piedosa, trabalham
para merecer o céu e lutam contra o demônio, o mundo
e a carne. Compõem a I greja que milita, chamada, por
êste fato, I greja militante ;
2.0 No céu, onde gozam de Deus, triunfam e reinam
com J esus Cristo: form am a Igr eja triwnfante ;

http://www.obrascatolicas.com
98 C R E D O

3. 0 No purgatório, onde, ainda que santos, pois não


têm culpa mortal, acabam de expiar e purificar-se : é a
Igreja padecente.
Jo entanto, embora os membros estejam em três luga-
r es diferentes, formam, assim mesmo, uma sociedade única.
De fato, é uma no seu chefe, que é Jesus Cristo;
uma no seu vínculo, que é a caridade; uma no seu têrmo
final, que é o céu.
Ora, seja qual fôr o lugar onde se achem, os membros
da I greja têm, entre si, comunidade de bens espirituais,
e r elações recíprocas que diferem, no entanto, segundo o
estado atual.
79. - Explicai as diversas relações dos membros da comunhão
dos santos, e as vantagens que proporciona.

R. - A comunhão dos santos pode ser considerada


debaixo de três pontos de vista : 1.0 a comunhão dos fiéis
da terra entre si; 2. 0 a comunhão dos fiéis da terra com
os santos do céii, e 3. 0 a comunhão dos fiéis da terra com
as almas do piirgatório.
Ora, aqui estão os efeito desta tríplice união ou
sociedade:
1. 0 O fiéi da terra têm entre si comunhão de bens
e pirituais. Dá-se com êle o que acontece numa família
muito unida ou numa a ociação cujas riquezas pertencem
a todos. Cada membro traz no tesouro comum os próprios
lucro , ma cada um tem ali seu quinhão e pode tirar o
que preci a. Assim, na I greja, há um tesouro de bens
e pirituais: o fundo que con titui o capital consta dos
méritos infinitos de Jo o Senhor e do mérito_s supera-
bundantes de Nossa Senhora e dos anto . A I greja da
terra vai derramando ali suas riqueza : sacramentos,
frutos do anto sacrifício da mi a, orações públicas, etc.
Os próprios fiéis da terra ali trazem ua boa obras,
esmolas, penitências, orações, etc. E a cada um dêles,

http://www.obrascatolicas.com
I G R E J A 99

cabe uma parte. Quem faz uma boa obra con erva o
mérito pe oal; comunica, porém, aos outros, o mérito
sati fatório de ta obra boa.
~·º Exi te entre o fiéis da terra e os santos do céu
uma comunhão de inter ce ão e de benefícios. A Igreja
triunfante lembra- e da terra onde sofreu a provação;
contempla a I greja dêste mundo no meio das lutas, das
dificuldades, e então inter cede podero amente a favor dos
fi éis vivo , conforme foi relevado a S. João no Apocalipse.
Por ua parte, os fiéis da terra honram aos santos do
céu; congratulam-se com êle por eus t riunfos, imploram
- seu auxílio, e, con ervando-lhes os exemplos, esmeram-se
em imitá-fos para, um dia, r eunirem-se com êles na glória
eterna.
3. 0 Os fi éis da t erra e os santos do céu têm, com as
almas do purgatório, comunhão de simpatia e caridade.
Prim'eiro, a I gr eja do céu e a da t erra estão compadecidas
dos sofrimentos das almas do purgatório, incapazes por
completo de valer-se a si próprias. Os santos do céu
intercedem e oram muito eficazmente para suavizar as
dores da expiação e diminuir-lhes a duração. Por sua
vez, os fiéis da terra oferecem, para alívio das almas
padecentes, orações, jejuns, esmolas, e especialmente o
santo sacrifício da missa:, a comunhão e as indulgências.
Do seu lado, as almas do purgatório, ainda que
entregues aos uplícios, saúdam e honram a Igreja
triunfante e já vão r ezando pela I gr eja militante; muito
mais poderosa, todavia, há de ser a interces ão destas
almas a favor dos seu benfeitores, quando elas estiverem
no céu.
80. - Quais são, na terra, os que não t êm parte na comunhão
dos santos?
R. - Não t êm parte na comunhão dos santos os que
estão fora da I greja. P ara os pecadores, porque perten-
cem ainda ao corpo da I greja, cabe-lhes diminuta porção

http://www.obrascatolicas.com
100 ·C lt E D O

dêstes tesouros, principalmente graças preciosas de


conversão.
Não têm parte na comunhão dos santos todos os que
estão fora da I greja: infiéis, - hereges, - cismáticos,
- apóstatas, - excomungados; são outros tantos ramos
cortados, privados da graça e excluídos da comunhão dos
santos, que existe somente entre os verdadeiros fiéis .
Quanto aos pecadores, não deixam de auferir algumas
das vantagens da comunhão dos santos, porque pertencem
ao corpo da I greja. Como ficam em e tado de pecado, não
trazem ao tesouro comum nenhum concurso ativo, porque
suas obras são mortas e sem mérito. Por outra parte, a
porção dêste tesouro que lhes cabe é diminuta, consistindo
especialmente em preciosas graças de conver ão.
Para colher na sua plenitude os frutos da comunhão
dos santos, é necessário pertencer à alma da I greja, i to
é possuir o estado de graça. Os que participam da vida
divina de J esu risto, desfrutam tôdas as vantagens,
e as obras boas que praticam neste estado r edundam em
benefícios para o tesouro da Igreja.
CONCL SÃO PRÁTICA

1.0 Importa muito viver habitualmente no estado de graça,


afim de participar plena e eficazmente das vantagens da comunhão
dos santos.
2.0 m do meio mai seguros de salvação, é manter união
estreita com a I greja triunfante p lo culto e a invocação dos santos.
3.0 Se tom armos vivo in terê e nas almas padecentes do
p urgató rio se ofertarmo para alívio destas pobres infelizes,
mormente das ma i desamparada , as nos a orações e obr as boas,
a santa missa, as ind ulgência , gra njea remo avultado núme ro de
intercc so res junto de D u . ma das obras de m:lior va lia é sem
dú vid a o ato her6 ico : con i te cm abandonar m proYcito da almas
do purga tório, tôd as as nossa obras sati fatórias neste mun do,
e até os socorros que no forem ministrados no ou ro.

http://www.obrascatolicas.com
R EM ISSÃO DOS P ECADOS 101

X. 0
ART I GO
Creio na r emissão d os p ecados.
§ único . - R emissão dos pecados.

Dogma da r emi são dos pecadoa. - Oriitom Q transmi11são dêate poder .


Meios de r emissão.

81. - Q11e se d ev ~ entendBr por estas palavraa: creio na


remissão dos pecados ?
R. - I sto qiler dizer qiw J esils Cristo deit à sua
Jgq·eja o poder d e perdoar os pecados.

"Os pecados serão r emilidos a quem os remilirdes e serão r etidoi a


quem os reliverdes. " É o poder das chaves do céu.

Cremos nêle, não somente porque êste dogma vem


expr so n o símbolo, ma. porque r esulta clar amente das
palavr:as que No so Senhor disse aos apóstolo : "Recebei
o Espírito Santo; os pecados serão r emitidos aos a quem

http://www.obrascatolicas.com
102 C R E D O

os remitirdes, e serão retidos aos a quem os retiverdes"


(S. Jo ão, xx, 23).
Por isso é que o concílio de Trento, contra o protes-
tantismo, proclama solenemente que Jesus Cristo deixou
à Igreja o pocl.er de perdoar os pecados, sendo esta
verdade dogma de fé.
82. - Mostrai a origem e tranS?nisão do poder da remissão
dos pecados.

R. - Só Deus po.de perdoar os pecados. JEste poder


pertence a J esus Cristo porque é Deus, como também
porqu e pagrm com seu sangue as nossas i1liquidades. Ora,
J esiis Cristo o transmitiu aos seits apóstolos : " Os pecados
serão r emitidos a qitem os remitirdes". Portanto, a Igr eja
t em o poder de perdoar o pecados.
Deu é o er poderoso e infinito que o pecado ofende;
logo, exclu ivamente êle t em direito e faculdade de
p erdoar. Ora, Aste poder que o único Deus possui por
natureza, pertencia a J e'u Cristo, Por muito títulos.
Primeiro, por ser Deu , êle o r epartia com o Padre; como
homem, gozava dêle, já que a divindade e tava unida à
natureza humana; como alvador, enfim, tendo pago com
seu sangue a dívida do no o p ecado e alcançado o
no o perdão, podia dá-lo conforme lhe aprouve e. De
fato, amiúde usou dê te poder durante ua vida como o
mo tram: a amaritana, Madalena, o ladrão arrependido
e e pecialmente o paralítico curado para ate tar ê te
direito e Poder.
Mas o direito que tinha o o enhor de r emitir
o pecado , êle o podia comunicar a quem qui e e, da
me ma maneira que outro Poder qualquer; êle o fêz:
"A im como meu P ai me enviou, di e o o enhor,
a im também vo envio; o pecado erão re:i;nitido
àquele a quem o remitirde ... ".

http://www.obrascatolicas.com
REMISSÃO DOS PECADOS 103

Dirigiam- e e ta palavra ao apó tolo ma o


poder que ela outorgam deve pa ar ao uce ore
1 gítimo , ao bi pos, que o comunicam, êles próprio , ao
acerdote . om efeito, na terra, empre haverá p ecados
que perdoar. empre também, há de p rdurar o fruto da
morte do alvador e deverá er aplicado. A Deus,
portanto, pertencia providenciar para haver, até o fim
do éculo , mini tro que fize em e ta aplicação e é a 1

ordinação acerdotal que transmite ao acerdote ês e


poder como todo o mai direi tos que a si tem ao eu
mini tério.
otemo que e ta remi ão dos pecados é completa-
mente gratuita por parte de Deu ; de modo algum
podíamo merecê-la, nem com oraçõ , nem com expiações.
J e u Cri to, e ó êle, a mereceu por nó com seus
sofrimentos e ua morte. Por outra Parte, o poder da
Igreja é ab oluto, sem limites, nem re trições, como a
própria r eparação oferecida por o so Senhor. Portanto,
a I greja pode perdoar-nos as faltas tôdas, sem embargo /
do grande número ou da culpabilidade. J e u Cristo
excetua tão õmente o pecado contra o E pírito Santo,
i to é, a impenitência final ou crime de quem nã:o quer
arrepender-se.
83. - Por qile meios remite a Igreja os pecados?

R. - A I greja perdoa os pecados aplicando as


merecimentos de J esus Cristo por meio dos sacramentos.
Os pecados mortais, que nos privaram, na totalidade,
da graça de Deus, a Igreja os perdoa pelos sacramentos,
ordinàriamente pelo batismo e a penitência, e excepcional-
mente pela extrema unção.
É o me mo J e us Cristo quem in tituiu êstes meios:
o bati mo, especialmente com o fim de remitir o pecado
original; a penitência, para ab olver os pecados atuais;

http://www.obrascatolicas.com
104 C R E D O

e a extrema-unção, para suprir, quando fôsse preciso,


a penitência, para o que se achas em impossibilitados
çle recebê-la.
Tratando-se de pecados veniais, podemos alcançar o
perdão pela oração, o jejum, a esmola, e geralmente por
tôdas a obra boas, conquanto o arrependimento as
acompanhe.
CONCLUSÃO PRÁTICA

A remissao dos pecados é, com certeza, um dos poderes de


maior importância que J esu s Cristo deb:ou à sua I greja, e êste
artigo do símbolo é para nós manancial -ae consolação ...
Imen a de• e ser a nossa gratidão ao recebermos tamanha
graça. Precisamos, com frequência, confia nça e amor recorrer à
confi ão. É com o propósito de trazer e tímulo à nossa confiança,
diz ão Franci co de ale , que Deus põe todos os dias, nos nq_ssos
lábios, esta palavra : " Creio na remissão dos pecados" .
Mas, para afervorarmos a nossa f é nesta verdade e podermos
fruir as suas vantagens, rezemos atentos e contritos, todos os dias,
a oração Confiteor.

XI.º E XII.º .AR TIGOS

Creio na ressurreição da carne, na vida eterna


Divisão do assunto

84. - Que dão a conhecer os dois últi1nos artigos do símbolo?

R. - ~st es dois artigos ref erern-se aos novíssimos do


homern; pois, a 1·essurreição dos mortos e -a v ida eterna
inculcarn oiitras verdades : a rnorte, o jiiízo particular
e o final, o céu, o inferno e o purgatório.
São estas as principais verdades abrangidas pelos
dois últim os artigos do símbolo, e às quais chamamos
comumente novíssimos. Vamos €studá-la sucessivamente
em outr os tantos parágrafos.

http://www.obrascatolicas.com
1 .

MORTE E JUÍZO P ART I CU LAR 105

§ 1. - Morte e juízo part icular.

Morte. - Ensino da fé. - Ju ízo p articular. - Pronunciada a sen tença, a


alm a começa a goza r ou a padecer.

85. - Que é a morte e que ensina a f é a éste respeito ?

R. - A morte é a separação da alma do corpo. A fé


ensina q1ie : 1. 0 todos morreremos; 2.0 a morte é o castigo
do pecado; 3.0 é incerta a hora da m orte; 4. 0 a morte -
determina irrevogàvelmente a sorte de cada um.
Morte é a separação da alma do corpo. A união dêstes
dois elementos con tituía a vida : sua separação acarreta
a morte.

S ão J 01Jé, padroeiro da boa morte, alcançai-no• a graça d e m or rer


como v6s, nos braços de Jesus s Maria .

Ne te moro nto, a alma, - que é imor tal, que não


pode corromper- e como o corpo, poi é um e pírito, nem
d ixar de exi tir, poi a isto e opõe sua natur eza, -
comparece diante de Deu para ouvir o primeiro juízo.
O corpo, por ém, permanece na ter ra, entra em decompo-

http://www.obrascatolicas.com
106 C R E D O

sição, corrompe-se, e posto no túmulo, reduz-se a pó


misturado com a t erra.
Morte boa é a morte no estado de graça; morte infeliz
é a morte em estado de Pecado mortal. A primeira é
tanto para desejar quanto a segunda é para t emer.
A r espeito da morte, en ina a fé: 1. 0 a necessidade
que a todos se impõe de morn~r uma vez: "É lei, diz
S. Paulo, que todos os homens hão de morrer " . Aliás,
vemo esta verdade diàriamente proclamada pela história
e a experiência.
2. 0 A morte é ca tigo do pecado: verdade é que o
homem é mortal por natureza, sem atender ao pecado ;
contudo, por um privilégio concedido à sua natureza,
Deus o tinha feito imortal.
3. 0 A morte, certa quanto ao fato, é indeterminada
quanto à circunstância de dia, hora,. modo : " Vigiai e
orai, diz o Evangelho, porque nada sabeis do dia nem da
hora em que o juiz há de vir" (S . Mat e·us, xxv).
4. 0 Enfim, a fé diz que a morte determina, irrevo-
gàvelmente, a sorte de cada um, segundo os méritos.
Depois da ruol'te, o hon:.e m não pocle mais merecer;
por isso é que S. Paulo fala: " Enquanto temos tempo,
façamos o bem"; poi além, continua São J oão, "é a noite
em que ninguém pode mais trabalhar " .
86. -Dai a conhecer o juízo particular.
R. - Logo depois da morte, comparece a alma perante
D eus para serem jiilgadas suas ações boas oii más : é o
juízo particular.
Nada há mais certo que êste primeiro juízo. São
Paulo, dep oi de lembrar a lei da morte, acrescenta
imediatamente: Depoi da morte, o juízo".
Em todo lugar, a razão humana r econhece e pro-
clamou a certeza dê te juízo particular. Todos os povos
e todo os filósofos admitiram, além do túmulo, r ecom-

http://www.obrascatolicas.com
MO R T E E J U f ZO PARTI O U L AR 107

pen a e castigo para a alma imortais; ma para dar


e ta anção, um juízo é nece ário.
A revelação t€m completado e ta noçõe . ar- e-á o
primeiro juízo entre Deu e no a alma, no me mo lugar
onde expirarmo , na pre ença do anjo da guarda como
te temunha e do demônio como acusador. Ê_te juízo '
muito rigoro o: ver a ôbre tudo quanto podemo ter feito
quer no bem, quer no mal, ôbre no a palavras, e até
ôbre no o pen amento . " O nhor de vendará o
âmago do coraçõe ', diz o pi·ofeta J eremia , e ão Ma teu
acre centa que daremos conta até "de uma palavra
inútil".
87. - Qite é f eito da alma depois do juízo particular?

R. - Nos a alma, depois do juízo particular, e


esperando o juízo geral, vai para o céii, o purgatório ou
o inferno, conforme tiver m erecido.
A sentença da ju tiça divina cumpre-se no mesmo
in tante em que está pronunciada: a alma inteiramenw
pura entra logo a gozar as inefávei delícias do céu;
imediatamente começam, para a almas justas que têm
contudo alguma cou a para expiar, as penas temporais do
purgatório; e o inferno r ecebe as almas maculadas pelo
,pecado mortal.
Alguns Padres antigos tinham pen ado que ficavam
as r ecompen as adiadas para até depois da r essurreição
geral; tal parecer foi r eprovado pelo concílio de Lião
( 127 4) ; e o de Florença ( 1445 ) declara que as almas
ju tas estão imediatamente aceitas no céu, e as almas dos
r éprobos logo descem para o inferno.
Reparemos que a alma, para gozar ou expiar, não
exige a pre ença do corpo. Cá na terra, ela tem suas
alegrias e seus padecimentos distintos das dores do corpo;
e Deus, por seu poder, na espera da ressurreição, a faz
participante da felicidade dos anjos ou do suplício dos

http://www.obrascatolicas.com
108 C R E D O

demônios que não têm corpo. Sem embargo disso, sofrem


os r éprobos na alma uma dôr análoga a que sentimos
quando o fogo toca nosso corpo.

CO CLU SÃO PRÁTICA

"Lembrai-vos dos novís imos, di se o Espírito Santo, e nunca


j amais haveis de pecar ' 1• - Com ef eito, se refletirmos que a todo
inst ante, a mor te pode surpreender-nos como já tem surpreendido
a muitos out ros, que ela nos há de deixar para sempre no es-
t ado de j ustiça ou de condenação em que nos tiver colhido; se
p ensarmo enfim que se lhe há de seguir, ato imediato, o juizo em
que será sentenciada nossa sorte eterna, consentiremos então em
ofender a Deus mortalmente?
Consentiremos então em desafia r os perigos da morte no
estado de pecado? Con entiremos em ar rostar sem receio os juízos
do Deu s vivo? . ..
ó morte, conselheira boa és tu 1. .. ó juízo, como é saudável
a t ua lembrança 1... Sim; ·hei de pensar na morte para me apa·
relhar, no juízo p ara o temer, no inf erno para evitá-lo, no céu para
merecê-lo.

§ II. - R e llrre içã o do corpos.


D ogma da r essurreição. - Qualidades dos corpos glo r iosos: 1.0 impassibilid ade;
2.0 clareza; 3. 0 agilidad e; 4 .0 sutili dade. - Os corpos dos réproboa.

88. - E:rplicai o dogma cat6lico da ressurreição dos corpos.


R. - O corpo a alma, d pois da morte, não serão
et rnam nte s parados. m dia por seu poder, D eus os
r unirá,- nlão, o corpo tomará ua vida de n ov o,- é o que
se d f in : r s urr ição da carne.
É um tloO'ma a óli o ncerratlo no no o diferentes
ímbolo , pro lamatlo claramente no concílio de Latrão
(12r ) que e acha ba eado não na razão humana, é
verdad , ma im na r eYelação.
E ntregue à próprias fôrça , a r azão humana não
chegaria, com efeito, a de cobrir nem a demon trar e ta
verdade.

http://www.obrascatolicas.com
R E S S U R R E I Ç ÃO DA CAR N E 109

Ela acha muito justo e conveniente que o _corpo


tenha parte nas recompensas ou nos ca tigos que a alma
tiver merecido, assim como êle teve parte em nossas ações
boas ou más, é certo; mas, nisto se limitam os en inos da
razão: e se povos como os Judeus e o Per as, filósofos
como Platão, acreditaram na re urreição futura, viera-
lhes esta noção por ·uma r evelação primitiva.
O dogma da r essurreição dos corpos já e tava nas
tradições dos Judeus, mas devemos sua revelação precisa
especialmente a J esus Cri to : " J a. verdade, na verdade,
eu vo-lo digo : vem chegaJJ.do a hora em que todos aquele
que estiverem nos túmulos, ouvirão a voz do Filho de
Deus. Quem tiver feito o bem irá para a r essurreição do
juízo ( S. J oão, V, 29 ) . Eis o ensino que desenvolve
S. Paulo: "Qual semente, o corpo é lançado à t erra,
cheio de corrupção, e há de r essuscitar incorrutível ; é ·
semeado na ignomínia, porém há de r essuscitar na glória
(I Cor., l ).
~
Se bem que nos pareça extraordinária essa doutrina
da ressurreição, encontramos todaYia presságios e símbolos
em todo lugar na natureza. "Tô.das as cousas, diz
Tertuliano, conservam-se perecendo; tôdas as cousas
tornam a viver morrendo". De fato, o grão_de trigo é
.metido no chão antes de germinar e produzir uma espiga.
'As estupendas metamorfoses do bicho da sêda no reino
animal oferecem a ima gem da nossa transformação futura.
J esus Cristo, enfim, Pelas ressurreições que fez e por sua
própria r essurreição, deu-nos um penhor da nossa.
89. - Quais serão as condições e as qualidades dos corpos
ressitscitados?

R. - Os corpos réss11 sritados não mais hão de morrer.


S erão substancial e idênticarnente os rnesrnos que na vida
presente. Aos corpos dos eleitos atribiiern-se quatro quali-
dades: a irnpassibilidacle, a clareza, a agilidade e a suti-
110 C R E D O

lidade. Os corpos dos réprobos não serão espiritualizados


nem participarão das qitalidades que acabamos de
emtmerar.
Todos os corpos ressuscitados para nunca morrer, e
serão substancial e idênticamente os mesmos que na vida
presente. E ta será uma condição comum a todos os corpos
res uscitados, mas são Paulo acre centa que " nem todos
hão de ser mudados". Haverá, com efeito, diferenças
notávei entre os corpos dos eleitos e os dos réprobos.
Atribuem-se aos corpos gloriosos transfigurados
quatro qualidade .
1.0 I mpassibilidade. - Não entirão mais fome nem
sêde, nem o rigor das e tações, nem aflição, nem doença,
nem morte. S. João, no Apocalipse, revela e as vantagens
preciosas.
2.° Clareza. - " Os justo , diz o Evangelho, hão de
brilhar como e trêla na eternidadtl" (S. Mat., xm ) .
A im r e plandecia o o Senhor na transfiguração sôbre
o Tabor, e na A censão gloriosa.
3. 0 Agilidade. - Céler es como o e píritos, rápido
como a faí ca elétrica, instantâneo como o pen amento,
tran portar-se-ão os corpo gloriosos de um lugar para
outro: a sim fazia o o enhor depois da r e urreição.
4. 0 Bidilidade. - Em virtude de ta propriedade, os
corpos dos eleitos serão de alguma maneira e pirituali-
zados; nenhum e tôrvo material lhes poderá demorar ou
impedir o movimento. Dê te modo, J e u Cri to re u -
citado atravessava o rochedo do epulcro, mo tr avia- e ao
discípulo mesmo com as porta e janela do apo ento
fechada .
Quanto aos corpos r e suscitados do réprobos, não
serão e piritualizado , não participarão das qualidade
que acabamos de enumerar. O império da carne dominará
nêle mai violento que dante ; erão passíveú, atormen-
tados por todo o males r eunidos. Em vez de erem

http://www.obrascatolicas.com
R. E S S U R. R. E I Ç ÃO DA C A R. N E 111

brilhantes, serão tenebrosos e escuros j em lugar da


agilidade, terão o pêso que os conservar á prisioneiros ;
em lugar da sutilidade, a froii xidão que embar gará todo
impul o da alma.
uma palavra, para os corpos dos eleitos será a
glória; para os dos réprobos, a ignomínia, a vergonha.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Somos nós que assentamos, cá na terra, as condições futuras


dos nossos corpos ressuscitados. "O homem, diz são P aulo, há de
colher o que tiver semeado". - Se tratamos nosso corpo com r es-
peito, mortificação, penitência, nós lhe preparamos uma eternidade
de luz, brilho e glória. P elo contrário, se o arrastamos miseràvel-
mente no gôzo de tôdas suas vontades, nas satisfações da gula e da
sensualidade, nós lhe preparamos uma eternidade de trevas e de
vergonha.
É preferível, e muito, perder aqui na terra, por amor de Deus,
um dos olhos, a mão, a perna, isto é, o que mais prezamos, a perder,
a um t empo, alma e corpo por t ôda a eternidade 1

§ III . - Ju ízo último.


Verdade do juizo fi nal. - Sinais que o anunciam. - Circunstâncias do
juízo final. - Moti vos dêste juízo.

90. - Que é juízo final?


R. - J uízo final. ou jiiízo geral, é o qiw todos os
"IJ,ornens t erão de ouvir no firn do mundo, e no qual hão
de comparecer em corpo e alma.
É diferente do primeiro juízo pronunciado invisivel-
mente entre Deu e nossa alma, porque o juízo final será
visível e público. Ali estarão presente todo o homens
r e uscitado ; J e u Cristo em pe oa pre idirá, desem-
penhando a funçõe de juiz, porque foi no o r edentor.
É ê te o en ino que o próprio J e us Cri to deu pela
narração antecipada do juízo final que fez a seus
apó tolo . Na paixão, fala terminantemente ao sumo
sacerdote : "Havei de ver o Filho do homem vindo com
maj e tade ôbre as nuvens do céu, para julgar a todos

http://www.obrascatolicas.com
112 O R. E D O

os homens" (S. Mat., xxv) ; e os anjos, depois da


Ascensão, comunicaram a mesma mensagem.
O fato do juízo geral é, pois, certíssimo ; a época,
todavia, não é conhecida. Prende-se esta época ao fim do
mundo, e J esus Cristo, h,J.terrogado neste particular,
n egou-se em anuir ao p edido dos seus apóstolos. No
entanto, êle se dignou de indicar alguns ~inais precursores.
91. - Quais são os sinais que anunciam o f im do mundo e o
juízo geral?

R. - Podemos resiimi-los em quatro principais: 1. 0 a


pregação do E vangelho por t ôda a 'terra; 2. 0 a apostasia
dos homens e dos povos; 3. 0 a apariçãão do Anticristo;
4.0 sinais no sol, na; lua e nas estrêlas e o f ogo devorador
que consumirá a t erra.
1.0 A pr egação do E vangelho por tôda a terra; ela
foi confiada aos apó tolos, e é somente quando fôr
r ealizada que há de chegar a "con umação" (S. Mr.ct,,
XXIV) .
2. 0 A aposta ia dos homens e dos povos. A pregação
do Evangelho por tôda a terra se há de seguir um
enfraqueciment o ger al da f é. Sedutor es de tôda a ca ta,
falso cristos, profetas mentirosos, hão de arrastar fora
da I gr eja multidões inteiras e tratarão de seduzir os
próprios eleitos ( . Mat., ib .).
3. 0 A aparição do Anticri to. - São Paulo fala
ne ta aparição de um homem de pecado, no me mo tempo
que a apo tasia geral. "Quererá sentar no templo de
Deus, como se fôs e Deu . . . Terá o poder de atanaz,
com t ôda a orte de prodígio enganad rcs" (II T ess., rr) .
l\ias então, reaparecem Enoc e Elia para fazer frente ao
Anticri to. Ê te os fará morrer, d poi de terem con-
vertido a nação judaica inteira; ma será efêmero o
Anticristo ( . Paulo, ib., e Apocalipse, xr).

http://www.obrascatolicas.com
.rufzo FINAL llS

4. 0 Durante estas lutas, haverá, diz Nosso Senhor,


" inais no sol, na lua, e nas estr ~ las; os céus serão
abalado ; dar-se-ão n a t€rra tremor es desusados; o mar
se achará numa agitação violenta, e os homens ficarão
mirrados de pavor" ( . Mat., xxv) . Enfim, um fogo
devorador acender-se-à por tôda parte e consumirá a
terra (Ep. de S. P edro, m). este cataclismo geral, hão
de morrer os homens e o mundo há de acabar.
92. - Dai a conhecer as principais ciraunstd.ncias do jufao
ú ltimo. , i.-.i
R. -Ao clangor da trombeta, os mortos ressuscitados
reunir-se-ão no vale de J osaf á. Os anjos separarão os bons
do s maits e J esus pronunciará a sent ença de r ecompensa
para ps jitstos e de condenação para os répro bos.
1.° Com o clangor da trombeta dos anjos, todos os
mortos hão d€ r essu citar. O mar. a terra e a morte hão
de r estituir suas vítimas; as almas serão r eunidas aos
r espectivos corpos, e Deus ajuntar á todos êstes €Xér citos
vivos, no vale de J osafá ou do juízo. Então há de aparecer
o filho de Deus, visível no seu corpo r es uscitado, levando
a cruz glorio a, r odeado pelos doze apó tolos, para julgar
as tribos de I rael e todos os povos da t erra. Isto será
o., prelúdio do juízo. ·
2.0 Depois, ter á lugar o grande julgamento do gênero
humano. O Senhor, consoante a expressão da sagrada
E scritura, desvendará as consciências, e todos os segr edos
dos corações ser ão manifestado . Para vergonha dos peca.
dores, suas faltas serão publicadas perante o mundo
inteiro, e as boas obras dos justos divulgadas para glória
dêstes. Depois, os anjo hão de S€parar os bons dos maus,
colocando os eleitos à direita, os r éprobos à esquerda
(S. Paulo, I Cor., rv).
3. 0 Em seguida, haverá a sentença, pronunciada pelo
Juiz soberano. Aos justos, o Salvador: Jesus dirã: "Vinde,

http://www.obrascatolicas.com
114 C 1t E D O

benditos de meu Pai; entrai na posse do reino que vos


tem sido preparado desde o comêço do mundo".
Dirigindo-se aos maus, êle lhes <lirá: " Ide, malditos,
ao fogo eterno que t em ido prep arado para o demônio e
seus anjos " (S . il!lat., xxv ) . ,,
Logo depois desta dupla sentença, os justos entrarão
com J esus Cristo na vida et erna, e os r éprobos, com os
demônios, irão Pana o suplício et erno. - E então a t erra
e tôda. a criação mat erial não ser ão aniquiladas, senão
purificada e tran fo rmadas em céu n ovo e em nova
t erra (II S. Pedro, m ) .
93. - Porque t erá liigar o juízo f inal?
R. - O juíz o f1.nal terá lugar para q1te se citmpra a
jiistiça completa para com J esus Cristo, para com D eiis
e para com os homens.
1.0 Para com J esus Cristo . - F oi menosprezado e
crucificado pelos J udew , blasfemado p elos hereges,
in ultado pelos ímpios, ultrajado pelos maus cristãos; a
justiça requer que a reparação seja completa e o mundo
inteiro o contemple na glória.
2. 0 Para com D eus. - Aqui, na terra, impugnaram,
muitas vêze , o proceder da Providência ; os malvados vão
prosperando, e então acoima-se de fraca e defi ciente a
divina sabedoria; os justos pa sam sofrimentos, e então,
é a bondade de Deus que se ataca. Ora, o juízo ger al há
de justificar a conduta de Deus com todos e qualquer
um, e sua ju tiça há de ficar evidenciada até nos mais
ínfimos pormenores.
3. 0 Para cornos homens. - Há na terra muitas almas
justas a quem só cabe em partilha a injúria e o de prêzo;
vemo , pelo contrário, Lomeus mau que parecem t er
êxito e granjear estima; o juízo final há de endireit ar
tudo, pondo no seu lugar verdadeiro e competente a honra
e a vergonha. O bem desconhecido o tentar-se-á na luz;
o mal oculto surgirá aos olho de todos.

http://www.obrascatolicas.com
o o É u 115

Por êste motivo , o juízo geral será uma reparação


completa e justa.
CONCLUSÃO PRÁTICA

ão J erônimo, levando em Belém a vida mais austera e mais


penitente, julgava sempre ouvir a trombeta tremenda ressoar nos
seus ouvidos, com estas l alavras: " Erguei-vos, 6 mortos, vinde
a juizo ! " E ficava aterrorizado e multiplicava as penitências. Qual
não deve ser no so temor, nosso arrependimento ao pensarmos no
juízo 1
Se a lembrança do juízo geral é terrível para os culpados,
consola muito a alm a justa e provada. E ta diz com máxima segu-
r ança : " Senhor, bem o sei, oi me u Rendentor vivo. Um dia, vos
verei na minh a carne. m dia, manifestar-me-eis vo sa justiça,
vossa bondade, vos as mi ricórdias ! "

§ IV. - O céu.
O céu : sua ex istência. - V entura do céu. - Ven tura essencial e felicidade
acidental.

94. - Qile é o céu? - Em que provas se baseia sua existência?

R. - O céii, ou _paraíso, é um lugar de delícias onde


os anjos e santos gozam ternamente de ventura p erfeita,
venido e amando a D eiis. -j
Comprovam a existência do céu, além da palavra de l
Deiis, a nossa própria razão, o nosso coração, o t estemunho
de todos os povos, de tôdas as regiões, de tôdas as
filosofias.
Onde está êsse lu gar~ Não podemos determiná-lo;
porém, emPre que a agvada E critura o menciona, usa
da expr são " subir ao céu"; é por isso que costumamos
pôr o céu no alto, além dos páramo imensos em que se
movem os a tros.
Quanto à sua existência, nada há mais certo.
Primeiro, a razão diz que o bem tem de ser recompensado.
Ora, isto nem empre acontece neste mundo; portanto,
a justiça de Deus exige outro lugar de recompensa :
é o céu.
1'
116 O R E D O

Oreio na vida eterna.

Mai : no o cor ação t em fome e êde de ventura;


e não pode saciar-se na t erra: logo, Deu deve sati fazê-lo
num mundo melhor .
Todos os povos, tôdas as religiõe , tôda as filosofias
admitiram a -exi tência de um céu ou lugar de ventma.
Os pagãos o denominaram Campos ElíseOS j n ós o
chamamos paraí o ou céit.
Excusado é provar que a revelação especialmente
ensina a existência do céu, pois estas expre ões encon-
tram-se muití simas vêzes na sagrada E critura.
95. - Em que consiste a felicidade do céu?
R. - A felicidade do céu vem sintetizada nestas du as
palavras : isenção de todo o mal, posse de todo o bem .
1.0 I senção de todo o mal. - "Lá, como diz ão João,
não haverá mais chôros, nem gritos, nem máO'oas. Deus
enxugará tôdas as lágrimas, e a morte não existirá mais"

http://www.obrascatolicas.com
o o t u 117

(Apoc., xr). Logo, nem sofrimentos, nem doenças. O


corpo er á libertado de tôda as misérias, . livre de tôdas
a nece idade .
Lá não há mai ignorância, dúvidas, incertezas,
nem pecado ; a alma também ser á livre de tudo quanto
a perturba.
2. 0 O céu é a posse de todos os bens. - quem os
poderá enum erar? • ão Paulo diz: "O olliar do homem
não viu jamais, seu ouvido nunca percebeu, nem seu
coração entendeu ·o que Deus re erva aos que o amam"
(I C01·., II).
Quem poderá anali ar esta felicidade 1. . . Para o
corpo, é gôzo em limites dos quatro predicados da
glória; para a alma, é a ati fação plena de tódos os
desejo .
ma palavTa concretiza a ventura essencial do
paraí o: V?. ão beatífica i to é, contemplação que torna
feliz. Vê- e a Deus a sim como é, "face a face", diz são
J oão, na ua natureza e pes oa ', acrescenta o concílio
de Florença. êle vemos mais tudo quanto se pode
divi ar, não só com o olhar, senão também com a
intelig"ncia.
Então, vendo a Deus, nós o amamos como sumo bem,
e nêle amamo tudo quanto é .amá' el, tudo quanto
legitimamente t emo amado na terra.
ão somente vemo e amamos a Deus, mas nós, quais
os anjo po uímo-lo e gozamos dêle, e como êles ainda,
achamos ne ta po se t e ouros, riquezas, delícias. Enfim
e ta ventura imen a é per ne, eterna. Jão a diminui o
r eceio de ver "ste gôzo, ê te amor , esta po e acabarem.
Aí fica o que eon titui a ventura essencial dos eleitos.
H á mai uma felicidade acidental, que dimana do mérito
particular de cada um e é propor cionada a êste· mérito.
- "Há várias morada no céu", diz são João.
"Também o brilho difere como no astros", diz são Paulo.
Há vária aitréolas de glória : mártires, doutores, virgens,

http://www.obrascatolicas.com
118 C R E D O

para premiar os três grande méritos diferentes : dedi-


cação a Deu , - en ino da verdade, - prática da perfeita
ca tidade. Enfim, existem graus na vi ão e gôzo de Deu ,
de acôrdo com o número e grau da virtude que tivermo
praticado. ·
CONCLUSÃO PRÁTICA

"A terra me parece vil quando penso no céu!" repetia muitas


vêzes santo Inácio de Loiola. - anto Agostinho não ficava nunca
cansado de pensar no céu, nem podia meditar ba tante ne tas
palavras: "Veremos a Deus; havemos de amá-lo; havemos de
possuí-lo!" Como estas grandes almas, conservemos no espirito o
pensamento do céu. Encontra remos nesta lembrança um manancial
de zêlo para cumprirmos o bem, tesouros de paciência para supor-
tarmos as penas da vida presente, fonte de fôrças e vigilância para
evitarmos as menores faltas. Pois, não o esqueçamo , para entrar
no céu, é preciso ter a inocência, a justiça absoluta. " ada que
não seja im aculado, impoluto, ali pode penetrar", diz são João;
é preciso ter pago até o último ceitil para alcançar a recompensa
suprema.
§ V. - O in ferno.
Infern o: sua ex istência. - P enas do inferno: 1.0 pena da reprovação: 2. 0
pena do s sentid os. - Diferença nas penas.

96. - Qiie é o inferno? será preciso acreditar na sua


existência?
R. - O inferno é um litgar de tormentos onde os
réprobos ão para sempre separados de D eus e padecem
com os d mônios n1tm fogo que jamais se extinguirá.
Provam a exist Ancia do inf rno a razão humana, as
filosofias e as religiõe , tanto da antiguidade como as dos
t empos mod rnos, e, sob retudo, as r it rada afirmações
de J sus risto.
nde fica e lugar Nem a razão, nem a revelação
A

o dizem; todavia a expr ão u ada no no o livros


santo , "de er ao inferno" daria a ent nd r qu o lugar
de uplício tá colocado na va ta r giõ que ocupam

http://www.obrascatolicas.com
I N F E R N O 119

o interior da terra, onde se encontram, com efeito, oceanos


de fogo.
A existên cia do inferno nunca foi po ta em dúvida
p ela filosofi a e pela r eligiões, quer da antiguidade
quer do tempo modernos.
A me ma razão humana, que r eclama r ecompen a
na outra vida, exige, além túmulo, ca tigos para os
culpado que a ju tiça pr ente não alcança.
pagani mo prof ava e a cr ença. Platão fala
muito do uplí io do mau e da " sua e panto a e

O inferno e:r1xtr e é eterno.

lolorosa t rnidadc". p ta O're()'o e latino , H omer o,


Yir()'ílio, YÍ lio, ck. crevcram o inf rno ou o Tártaro,
Iaomr n iua no ..\l ·orã a xi tência d ca tigo eterno .
A revda ·ão, a rc. peito ela xi t"ncia do infern , '
po-,itiYa; J 'U 'ri ·to, no Ernn()'elbo, r p te at' quinze
vêz que há um inf rno; a I O'r ja mpre pr oclamou e a
v nla<le dogma de fé.

http://www.obrascatolicas.com
120 O B E D O

97. - Quais &ão as diferentes penas do inferno?


R. - No inferno os réprobos padecem duplo gênero
de suplícios : a pena da reprováção e a pena do sentido.
ésse duplo siiplfo.io jamais há de ter fim.
1. 0 A pena da reprovação consiste na privação da
vista de Deus. Esta privação é cheia de angústias, pois a
visão de Deus é o bem supremo do homem, e o fim
último da existência. Ora, esta privação da visão de
Deus vem incluída de modo claro na sentença : "Retirai-
vos, malditos! . .. "
2.° A pena do sentido consiste nas dor es causadas
pelo fogo vingador, e pelos mais tormentos reunidos, aos
quais se ajunta a companhia horrível dos demônios e dos
precitos. - Qual é êste fogo 1 Se bem que sua natureza
não seja definida e · -&~sta
· · . ~ inferimos antes, pela
linguagem da sagrada Escritura e dos doutores, que é
fogo material. A palavra fogo é repetida onze vêzes por
Nosso Senhor, falando dõ inferno. Encontra-se também
no Evangelho a palavra verme roedor, várias vêzes
empregada para indicar um suplício dos réprobos:
entende-se com i so o r emorso que atormenta os maus.
Acrescentemos ainda que o fogo do inferno é dotado pelo
poder de Deus, de propriedades peculiares : atua direta-
ment e sôbre as almas ·e sem mediação do corpo, causa
n elas sofrimentos análogos aos que produz a chama.
3. 0 Enfim o duplo suplício do inferno é eterno .
Nos o Senhor o assevera: " I de, malditos, para o fogo
eterno" ( . Mat., xxv, 41 ) . "O fogo que devora os
r éprobos arde eternamente, e o verme que os rói nunca
morre" (S . Marcos, XI, 42 ).
Tudo quanto dissemos, constitui as penas essenciais
do inferno; excedem o que se pode exprimir, e todos os
r éprobos as sofrem. Também há pena que se podem
chamar acidentais. De fato, cada um sofre pessoalmente

http://www.obrascatolicas.com
O PURGAT Ó R IO l Zl

na medida da suas culpas, e sofre o gênero de suplícios


adequado às falta que cometeu. "Os réprobos, diz a
sagrada E critura, serão ca tigados do modo por que
tiverem pecado" ( ab., XI, 17). Cada r éprobo padecerá
na memória no entendimento e na vontade, um suplício
que será seu ca tigo individual e próprio.
CONCLUSÃO PRÁTICA

P ara uma pessoa cair no iuferno, basta morrer em estado de


pecado mortal, e por um pecado mortal únjco incorremos neste
castigo tremendo, ainda que tivesse sido nossa vida anterior uma
vida santa.
P onhamos sentido particularmente neste aviso de são .João ;
"Os covardes, incrédulos, abomináveis, homicidas, fornicadores,
envenenadores, idólatras, mentirosos serão mergulhados no tanque
ardente de fogo e enxôfre que é a segunda morte" (Apoc., XXI, 8) .
P ara ir ao. fogo eterno, basta não ter o vestido nupcial da
inocência e da caridade, ter sido rude e sem compaixão para com os
pobres, qual o mau rico da parábola, ter sido um servo inútil,
deixando os t alentos r ecebidos de Deus inutilizados, criarem fer-
rugem: quem o diz, é Nosso Senhor.
O fogo eterno! quem sabe se pensamos bastante nissof ...
"O inferno, dizia o P. Bridaine, é um relógio, cujo pêndulo
está a dizer e repetir sem cessar no silêncio dos túmulos: "Sempre,
sempre! nunca, nunca !" E durante estas revoluções assombrosas,
ali estão milhares de r ép robos exclamando: "Que horas sãof" e
·outros milhares respondem : "A eternidade !"

§ VI. - O purga tó rio .


Purgatório. - Provas da sua existência. - As p en as do purgatório.
Alívio das almas do pur gató rio: l.º dever; 2. 0 meios.

98. - Que é o purgatório? Provai sua existência.

R. - O purgatório é iim liigar de sofrimentos onde as


almas dos jiistos acabam de expiar seus pecados antes de
entrarem no céii. , .
A existência do piirgatório é uma verdade de f é
definida pela Igr eja; está de pleno acôrdo com a razão e
todas as religiões a admitem.

http://www.obrascatolicas.com
122 C R E D O

Por causa da semelhança dos suplícios, costumam


colócar o purgatório na vizinhança do inferno. No
entanto, êste lugar não é o dos réprobos e o suplício das
almas que ali se acham não é a reprovação eterna : é um
lugar onde expiam e reparam, na certeza de serem
admitidas no céu; aem quando a purificação é completa.
Êste lugar intermediário é igualmente tl'ansitório:
não deve durar sempre, e após o juízo final, não existirá
mais; só haverá céu e inferno.
1. 0 A existência do purgatório é verdade de fé
definida pela Igreja. Depois dos-concílios de Lião (1274),
Florença (1445 ), eis aqui o que foi declarado contra os
prote tantes pelo concílio de Trento : "A Igreja católica
en ina que há um piirgatório, e a almas ali prêsas são
aliviadas pelos sufrágios dos fiéis" (Sess . xxv) .
2. 0 Ê te ensino está de pleno acôrdo com a razão.
Entendemos que a justiça divina, nada podendo intro-
duzir no céu que seja maculado, exija, de uma parte,
r eparação pelas mínimas faltas. Compreendemos muito
bem, p or outra parte, que não condene a suplícios eternos
alma nas quais ó t em que cen urar faltas de menor
monta: logo, o piirgatório é neces ário.
3.0 Tôdas as r eligiões admitiram penas expiatórias.
Era também a crença dos judeus; J udas JJ1acabeii, depois
de uma batalha, no dia imediato, pedia se ofereces em
sacrifícios _pelos mortos, a fim de que IÇes fôssem
perdoados seus pecados. Ora, para quem estiver no
inferno, já não há mais redenção pos ível; logo, a oração
p elos morto upõe a exi tência do piirgatório.
No E vangelho, os o Senhor fala de um lugar donde
ninguém poderá sair sem ter pago até "o último óbolo".
E em outro passo, aludindo ia.o pecado contra o E pírito
Santo, declara não ser e ta falta remi tida "nem nesta
vida, nem na outra". Demon tram estas últimas palavras

http://www.obrascatolicas.com
O PURGATÓRIO 123

haver pecado cujo perdão se alcança na outra vida:


portanto, há um purgatório.
- O apó tolo são Paulo ensina positivamente que
certos cri tão , tendo feito obra imper feitas, poderão ser
salvos, ma "pa sando pelo fogo" (I Cor., m, 11-15 ).
É esta a noção do purgatório ensinada por t ôda a tradição
católica.
99. - Quais são as penas do purgat6rio?

R. - Como as do 1'nferno, são de duas qualidaiies :


a pena da reprovação e a pena do sentido.
1. 0 P ena do dano. - No pi1rgatório, consiste na
privação da vista de Deus, ma privação t emporária.

Podemos aliviar as almas do purgatório por : orações, missas,


comunhões, esmolas, indulgências, etc.

E a dôr é tanto mai pungente para as alma padecentes


quanto melhor conhecem da a bondade de Deus, e o
amam como o obera no bem; porém é minorada e
con olada p ela e p rança.

http://www.obrascatolicas.com
124

2. 0 Pena do sentido. - Consiste, como no inferno, em


tormentos sensíveis. ÂJ3 penas do purgatório superam
todos os suplícios da terra; no sentir dos doutores,
baseados em r evelações particulares, pode durar muitos
anos e mesmo séculos.
100. - Podemos aliviar as almas do purgatório, e de que
modo?
R. - Sim j podemos abreviar a duração das penas
das almas, no purgatório, com orações, boas obras,
indulg ências e principalmente com o santo sacrifício da
missa e a comunhão.
Sim, podemo aliviar as almas do purgatório; é o
ensino claro do concílio de Trento, firmado de uma parte
na sagrada Escritura, conforme acabamos de ver, firmado
também por outra parte na grande lei da solidariedade
ou união fraterna que irmana os fiéis da terra e os fiéis
do outr o mundo.
J á que podemos aliviar as almas padecentes do
purgatório, é dever para nós fazê-lo.
1. 0 É dever de humanidade, pois são irmãos nossos,
por meio de Adão e por J esus Cristo.
2. 0 É dever de caridade fraterna e cristã, pois curtem
dores cruéis sem nada poder a favo r de si próprias, e
pelo horizontes que a fé nos descortina, sabemos que são
almas remidas pelo sangue de Jesus Cristo e dignas, um
dia, das recompensas eternas;
3. 0 Será muitas vêzes dever de jitstiça, pois estas
almas são as de no sos pais, benfeitores, amigos, que
padecem, quem sabe e por causa de nós, por pecados
que direta ou indiretamente os levamos a cometer;
4. 0 Enfim, é dever de interêsse . pessoal, pois quem
auxilia as almas do purgatório, quem as livra dos tor-
mentos granjeia, junto de Deus, advogados e protetores

http://www.obrascatolicas.com
O PURGATÓRI O 1,25

que hão de orar por êle; isto nos valerá também porque
Deus empregará conosco a me ma mi ericórdia que tiver-
mos mostrado para com os outros. -
Os meios de aliviar' as almas do purgatório são
muitíssimos.
Temos : 1.0 a oração, cuja eficácia verifica até na
outra vida; 2. 0 o santo sacrifício da missa, que o concílio
de Trento encarece e pecialmente por cau a dos seus
méritos infinitos, a im como a comimhão; 3. 0 as esmolas,
que apagam o pecado e cujo mérito podemo ceder em
proveito das alma dos defunto ; 4.0 enfim, as inditgên-
cias, podendo a maior parte, segundo o ensino e as per-
mi sõe da anta I gr eja, er aplicada por-via de sufrágio,
à almas do purgatório.

CONCLUSÃO PRÁTICA

I. Polo que nos re peita pe oalmente, devemos e morar-nos


em escapar às chamas do purgatório, e andar bem lembrados que
nolns há de cair: 1. 0 qualquer pecador, - perdoado muito embora,
- que não tivor feito cabal penitência e a quem sobrar algum
éijvida para com a justir,;a d Deus; 2. 0 todo o ju to imperfeito,
isto 6, o que vai cometondo p cndo v niais sem fazer reparação
suficionte. s poqu na negligôncias, as mentiras leves, os cuidados
vaidoso e um tanto sen uais, n palavras pouco caridosas, i to tudo
1 va ao purgatório.
II. Quanto às almas padecent do purga ório, seja para nós
um d ver rigoro o socorrê-las. Quanto m ios preciosos e fáceis
desprezamos . . . Quantas hora d ama rgo ofrer podíamos poupar-
lbes e aplicá somos a e ta pobre alma o m rito atisfatórfio das
no as oraçõe , do no o trabalho das no as dore , as indulgên·
elas ligadas à ladainha , ao "Anjo do enbor", ao rosârio, às
jaculatórias 1 etc.

http://www.obrascatolicas.com
126 O SINAL DA CRUZ

LIÇÃO COMPLEMENTAR
Sinal da Cruz.
Sinal da cruz: diversos modos d e fa zê-lo. - Suas vantagens : 1.º ensino;
2. 0 ora ção; 3. 0 arma p oderosa.

101. - Que é o sinal da cruz?

R. - O sinal da cruz é o distintivo, o lábaro do


cristão. ltle o separa dos infi 'is. Traça-se fazendo três
cruzes, com o dedo polegar direito, na te ta, nos lábios,
no peito, ou então, 'uma só cruz com a mão direita, da
testa ao peito e do ombro esqiierdo ao direito.
Í É um movimento da mão pelo qual r epre entamo a
figura da cruz. - De de que No o enhor J e us Cristo
nos remiu, morrendo por nó na
cruz, tornou- e ê te instrumento
de suplício, objeto glorificado:
a cruz ocupa na I greja lugar
de honra, impera ôbre o edi-
fício r eligio o , encontra- e na
e trada 1 e tá no peito dos
valente , brilha como jóia no diadema do r ei e e tá
dependurada no pe coço da pe oa cri tã . Por'm, não
ati feito ainda com tai homenagens, o cri tão , de de
a or igem da no a religião, fizeram u o do sinal da cruz,
já traçando-o com a mão ôbre i me mo , da te ta ao
peito, e do ombro e querdo ao direi o (b nzer); já
faz endo menor ê te me mo inal, no coração com o
p olegar; ou então, trê vêze da me ma forma na te ta,
no lábio e no coração (persignar), como na mi a, no
momento do evangelho; já, enfim, traçando-o com a mão
dir eita em cima do objeto a que queremo dar a bênção.
E m qualquer de ta forma , o inal da cruz veio a
er o lábaro do cristão, di tintivo que mo tra imediata-
mente o fiel batizado e o epara do infiéis.

http://www.obrascatolicas.com
O SINA L DA CRU Z 127

O inal da cruz é, poi , de alguma maneira, uma


profissão de f é e!ll ínte e, um como resumo do símbol~
102. - Que vant agens oferece o sinal da cruz?

R. - É a iim tempo ensino, - oração, - e arma


poderosa contra o demônio e a tentação.
1.0 É ensino. - Com efeito, lembra de modo sucinto
os três principai mistérios de no a santa r eligião. -
Ao traçarmo sôbre nós o sinal da cruz, pronunciamos
e ta palavras: "Em nome do Padre, e do Filho, e do
E pírito anto" . Ora, aí e tá o enunciado muito claro de
primeiro mistério : santtssima Trindade.
o mesmo instante, formamos sôbre nós o sinal da
cruz; ora, ~ ta figura da cruz na qual morreu por nós
o Filho de Deu feito homem, lembrava visivelmente o
mistério da redenção.
P or outra parte, Jesus Cristo não podia ter sido
pregado na cruz e morrer por nós, se dantes, não tivesse
tomado corpo semelhante aos nossos, se não se · tivesse
feito homem; logo, confessamos, implicitamente, pelo
sinal da cruz, o mi tério da incarnação.
2. 0 É oração. - Porque, ao fazermos o sinal da cruz,
elevamos o nosso pensamento para Deus e para seu Filho
único, Nosso Senhor J esus Cristo, e confiamo-nos na sua
proteção todo poderosa. É por isso que iniciamos ordinà-
riamen te nossos atos de religião pelo sinal da cruz, e os
terminamos da mesma maneira. Quando temos pouco
tempo para r ezar, o sinal da cruz supre, de algum modo,
a oração mais extensa.
O sinal da cruz é ainda or ação quando o traçamos
sôbre nó mesmos ou sôbre o objeto para o qual solici-
tamos a bênção de Deus. Com efeito, é pela cruz que nos
foram mer ecidas tôdas as graças, e o sinal da cruz as
atrai com abundância.
Inst. Reli&-. - li
http://www.obrascatolicas.com
128 O SINAL DA C R UZ

3. 0 O sinal da cruz é arma podero_sa contra o de-


mônio e suas t entações. - Desde que Nosso Senhor
J esus Cristo, morrendo na cruz, destruiu o império do
demônio, êste sinal sagrado derruba e afugenta o' eterno
inimigo das nossas almas. Por isso é que a partir dos
primeiros séculos, a I greja se valeu do sinal da cruz
para expelir o demônio do corpo dos possessos e dos
' catecúmenos apresentados ao batismo ; ainda hoje, em-
prega-o nos exorcismos e na administração de todos os
sacramentos.
Mas os fi éis também o podem usar muito eficazmente
para arredar o e pírito impuro e as más tentações. Muitas
vêzes, um mero sinal da cruz conseguiu expelir o de-
mônio, p ôr côbro a tôdas suas ciladas, e dar em terra
com t ôdas as suas armadilhas.

CONCLUSÕES P RÁTICAS

P ara o sinal da cru z r eunir tôdas est as vantagens e produzir


todos êstes efeitos, é preciso fazê-lo com f é e piedade, isto é, com
a atenção e o respeito p r óprios de um ato religioso. Senão é ato
sem significação, sem mérito nem p réstimo.
O verdadeiro cristão: 1. 0 esmera-se em fazer bem o sinal da
cruz, com regularidade, gravid ade, pensamento no que diz e no que
faz .
2. 0 :Jl:le o faz amiúde, nomeadamente de manhã, logo ao acor-
dar; de noite, antes de adormecer. Principia por êste sinal sagrado
suas orações, seu trabalho e principais ações.
3. 0 Vale-se do sinal da cruz nos perigos e tentaçõe . O estan-
darte que foi dado ao imperador Constantino como arma poderosa
e penhor da vitória, foi a cruz. T ambém ao cristão a f é lhe diz :
"Por êste sinal hás de vencer".

http://www.obrascatolicas.com
SEGUNDA PARTE

DEVERES
QUE TE~OS DE CUMPRIR
ou
MORAL CRISTÃ

LIÇÃO PREL IMI NAR


A moral e as diversas leis.
Moral em geral. - Moral natural e moral cristã. - Dtversae leis: 1. 0 natural;
2. 0 divina positiva; 3. 0 humana.

103. - Que se entende por moral?


R. -Moral é o conjimto das regras que servem para
nortear os costumes e atos livres do homem, de acôrdo
com as luzes da reta razão e de harmonia com a vontade
vositiva de Deus.
Para o homem desempenhar seu papel e alcançar a
eterna bem-aventurança não somente cumpre-lhe acreditar
nas verdades que a fé ensina e se acham r esumidas no
símbolo, acresce ainda observar os preceitos que Deus
impõe, quer na lei natural exarada no fundo da cons-
ciência, quer nas leis positivas que Deus revelou.
Distinguimos, com efeito, duas partes na moral i
uma natural, a outra cristã. A moral natural determina
os co tumes segundo a r eta razão ; é a que a filosofia
en ina e convém a qualquer homem, seja qual fôr a sua
r eligião. A moral cristã vai ma~s longe. Além_de preceituar
tudo quanto encerra a moral natural, aperfeiçoa-a inspi-
rando-se mai alto; toma, como normas, não só as luzes
da simples razão, senão os ensinos ministrados pelo próprio
D eus, por osso Senhor J esus Cristo e apresentados aos
fi éis pela autoridade da I greja. Enquanto a primeira só
atende à razão e se denomina orgulhosamente moral
filosófica ou mdependente, não hesita a segunda, mais
130 DECÁLOGO

perfeita, em confessar-se dependente de Deus. Com efeito,


D eus está na base, êle é quem manda. Está no vértice:
êle é ·quem julga, pune a desobediência ou premeia a
fidelidade.
104. - Dai a conhecer as diversas leis.

R. - Temos a lei natural, a lei divina positiva e as


leis humanas: eclesiásticas oii civis.
ão há propriamente senão ~mna só lei: a suprema
vontade de D eus; é desta que as outras tiram a sua fôrça.
o entanto, essa lei absoluta e eterna pode ser comunicada
de vári os modos. Portanto, distinguimos:
1. 0 A lei natural. - É a lei et erna de Deus, apro-
vando tudo o que é bom, condenando o que é mau, lei
manifestada ao homem p ela razão, ou gravada pelo ins-
tinto na consciência que não foi depravada ou enuviada.
" É ela, diz santo Tomaz, o r eflexo da luz divina em nós,
a p artici:ração_da firiatura inteligente na lei eterna".
2. 0 A lei divina positiva. - É a que Deus acrescenta
à primeira; t r ata das cou as que, p or si próprias, podem
ser indiferentes, tornan do-se contudo boas ou más, em
con equência de uma or dem que, em p articular, Deus nos
clá: por exemplo, esta ou aquela prática de religião, esta
ou aquela proibição. . . Vár ias vêzes, Deus promulgou
lei par a o homem, especialmente em duas épocas: pelo
ministério de Moisés, deu a lei judaica ou mosaica, e, por
J esu Cri to, a lei evangélica ou cristã. Chamam-se ainda
antiga lei e nova lei. '
3. 0 Há também leú humanas. - ão leis feit as pelos
homens, e cujo fim é o bem-estar das sociedades. H á duas
. e pécie : umas dimanam da autoridade religiosa; outras,
da autoridade civil. Aquelas são chamadas leis eclesiás-
ticas; estas, leis civis.
Por termos que desenvolver aqui a moral cristã, isto
é, os deveres que os cristãos têm de praticar, trataremos

http://www.obrascatolicas.com
D E C Á L O G O 131

suces ivamente dos mandamentos da lei de Deus ou pre-


ceito divinos contidos no decálogo, e dos mandamentos
da Igreja, impostos a todos os fiéis.
CON CLUSÃO PRÁTICA

o sermão do monte, pronunciou o divino Mestre esta sentença:


" em todos os que clamam: Senhor, Senhor, hão de entrar no
reino dos céus; somen te há de entrar, quem fizer a vontade de meu
Pai que está no céu". (S. Mat ., vu, 21) .
Importa, pois, sobremodo, conhece rmos a vontade de Deus e a
ela nos submetermos plenamente. Ora, não se encont ra esta vontade
na mor al i ndependente, não; mas, sim, n ~ manifestação que Deus,
pela moral r evelada e especialmente pela moral evangélica ou cristã,
f ez das suas intenções e das suas ordens. Davi dizia, falando da
antiga lei de Moisés : "Vossa lei, ó Deus meu, é objeto contínuo da
miiiha meditação". Qu an to mais razão não temos nós para f azermos
da lei mais perfeita de Cristo, a matéria dos nossos estudos, o norte
da nossa vida !. . . H avemos, pois, de estudá-la, com espírito dócil,
nos mandamentos da lei de D eus e da I greja.

MANDAMENTOS da LEI de DEUS


ou
DECÁLOGO

;
No t a. - Logo apó s cada p ergunta, as primei ras linhas em grifo podem ser
decoradas e r ecitadas pelos alunos.

NOÇÕES GE RAIS
Decálogo: históri a, preceitos. - Obrigação do observar o decálogo.

105. - Que é o decálogo?


R. - A palavra decálogo designa os mandamentos
da lei de Deus. São dez :
1.0 Amar a Deus sôbre tôdas as coitsas ;
2. 0 Não tomar seu santo Nome em vão;
3. 0 Guardar domingos e festas;

http://www.obrascatolicas.com
132 DECÁLOGO

-4.0 Honrar pai e mãe;


5. 0 Não matar;
6. 0 Não pecar contra a castidade;
7. 0 Não furtar;
8. 0 Não levantar falso testemunho;
9.0 Não desejar a mulher do próximo;
(
10. 0 Não cobiçar as cousas alheias.
A palavra decálogo (de dois vocábulos gregos, dez
e palavra) emprega-se para designar os dez mandamentos
que Deus promulgou para seu povo no monte Sinai; e
Nosso Senhor rena.vou no Evangelho.

No Sinai, D eus entrega o decálogo a Moisés.

Êstes preceitos existiam antes, pelo menos quanto à


substância, na lei natural, que Deus tinha gr ;:i.vado no
coraçã:o do homem desde o comêço do mundo. Porém,
ficavam esquecidos, e Deus, diz Bossuet, re olveu lavrar
n a pedra o que o homem já não podia mai ler no coração.
\. Moí é narrou esta maravilhosa promulgação, da
qu al tinha sido testemunha, ou melhor, medianeiro. Era
DECÁLOGO 139

para o ano de 2500 da criação, uns 1700 anos antes de


J e us Cristo. O povo hebraico, liberto das cadeias do
Egito, tinha atrave ado o mar Vermelho, e chegara às
fraldas do Horeb. Cinquenta dia tinham decorrido desde
a aída do Egito; o povo todo e tava arranchado ao pé
do monte; somente Mois's r ecebera ordem para galgar
a encosta. De repente, ao levantar do sol, densa nuvem
envolveu a montanha que apareceu completamente abra-
sada. Em meio do r elâmpagos e do trovão, reboou uma
voz temerosa que dizia, para todo o povo ouvir:
I. " ou eu o Senhor, vosso Deus, que vos tirei da
terra do Egito, ela casa ele servidão. Diante de mim, não
terei outro deuses. Ião far ei imagens esculpidas, nem
qualquer figura para adorá-las ou servi-las.
II. ão jurareis em vão o nome do Senhor vosso
Deus.
III. Lembrai-vos de santifi car o dia do Senhor.
IV ... Honrai vo o pai e vo a mãe para terdes sôbre
a t rra vida dilatada.
V. Não matarei .
VI. o pecado de impureza.
Ião furtareis.
.. ão levantarei falso te temunho contra o
próximo.
I . ão de ejareis a mulher elo próximo.
X . Não obiçarei ua ca a, n em seu servo, nem sua
criada, nem eu boi , n em seu jumento, nem cou a alguma
do que lh pertenc " (&codo, xx) .
F ormulado ê te dez preceito , Deu os escreveu
ôbr dua tábua de pedra que entregou a seu servo
Moi é .
primeira tábua trazia o trê primeiro manda-
mentos que determinam nos o devere para com D eus :
a egunda, os ete outros que determinam nossos deveres

http://www.obrascatolicas.com
134 DECÁLOGO

para com o próximo. Sabe-se que Moisés, ao encontrar


o povo de Israel prostrado em adoração diante de um
bezerro de ouro, em justo arroubo de cólera, quebrou as
tábuas da lei: Deus lhe entregou outras; conservaram.-
nas preciosamente na Arca de aliança, debaixo do Ta-
bernáculo, e mais tarde, foram depositadas no Santo
dos santos do templo de Jerusalém. Desapareceram no
incêndio da cidade e do templo, quando êstes foram
assolados por Nabucodonosor.
106. - Temos obrigação de observar os mandamentos da lei
de Deus?

R. - Sim: somos obrigados a observar os manda-


mentos da lei de Deus, e basta pecarmos gravemente
contra um s'ó dêles para merecermos o inferno.
Sim, devemos observar os mandamentos da lei ·de
Deus, pois:
1.0 Sendo o decálogo r esumo da lei natural e desen-
volvimento dos dever es sagrados que nos dita o consciência,
r esulta, para t odo o homem, a obrigação severa, rigorosa,
de obser vá-los como os conhece.
2.0 osso Senhor, longe de revogar os preceitos do
decálogo, pelo contrário, promulgou-os de novo no
E vangelho.
Um dia, veio u m jovem perguntar-lhe: " Senhor, que
me cumpr e fazer para ter a vida eterna?" Respondeu
J esus : "Observai os mandamentos. - E quais manda-
mentos 1" Entrou então o Salvador a lembrar os preceitos
do decálogo.
Logo vigoram tanto debaixo da lei cristã como ,de-
baixo da lei judaica.
3. 0 Mais; Deus é juiz e remunerador: há de r ecom-
pensar os que seguirem seus mandamentos; há de punir
os que os postergarem, de modo que, quem não quiser
obedecer por amor, assim mesmo deve fazê-lo por receio,

http://www.obrascatolicas.com
D l!l O Á L O O O 135

s ntimentó

ou o ca t igo da

1
nlnndo dn l i qu d rn, dizin l us no povo c1 tara 1. "Mi nh as
pnlnv rna hii d s r grnvndns no t u orn~iio; tu ns m ditnrús nn
tun morndn nos cnminhos, n11l 1J d nclo l'm e l' a, no n orclnr s;
s l'iiO c1 algnmn sort sc riln1:1 nn ln n rnfi , nns pol'tns do. tuo.
nsn . .. " ( Dou t., rv, 619) .

1. 0 MA Mi T
Amai· u D u ôbt tôda a ou a .
Divi siio d nsstmto

107. - Q?w orclona D ous pel o vrimciro manclamontol


R. - Deus ord na <lfretarnente de amá-lo e adorá-lo ;
mas, por ·ste fato, enc rra implícit a e indfretamente a
obrigação de crer em eits nêle pôr tôda a espemnça.

http://www.obrascatolicas.com
13'6 1.º MANDAMENTO

Dali, quatro deveres: 1.0 crer em Deus; 2.0 esperar


,nêle; 3. 0 amá-lo com todo o coração; 4. 0 adorá-lo e não
adorar senão a êle só.
Satisfazemos à três primeiras obrigações pela prática
de três virtudes: f é, esperança, caridade. Estas virtudes
são chamadas teologais, por terem Deus como objeto
imediato e se relacionarem diretamente com êle. Teremos,
portanto, que e tudar primeiro estas três virtudes e os
deveres que impõem.
Quanto à quarta obrigação imposta pelo primeiro
mandamento, é preenchida p elo culto ou adoração. Êste
dever dará ensejo de e tudar primeiro o culto qiie devemQs
a D eus, depois o pecados que se podem cometer contra
a adoração, e enfim, os diferent es ciiltos que tributamos:
1. 0 a No a Senhora; 2.0 aos anjos e aos santos; 3. 0 à
cruz, às relíquias e à imagen._s.
§ 1. - Fé.
Fé. - Sua necessidade. - Verdades que é preciso efonhecer e crer. - Princi·
pais pecados: l.º contra a f é em geral; 2. 0 contra a f é interior; 3 .0
contra a f é exterior.

108. - Que é a fé?


R. - A 'fé é iima virtude sobrenatural infundida por
D eiis, pela qual cremos firmemente tôdas as verdades
reveladas pelo mesmo Deus e propostas pela Igreja.
A fé é chamada virtude por ser, com efeito, incli-
nação, hábito da alma, que leva ao bem; sobrenatural
porque não e pode adquirir, nem praticar com as únicas .
fôrça humanas, senão que é formada em nós pela graça
e tende para um bem não terrestre e natural, e sim
espiritual e eterno.
E ta di posição, - como a . da esperança e da cari-
dade, - nos é comunicada no batismo. Pela fé, cremos
finn ernente, isto é, sem dúvida alguma, tôdas as verdades
reveladas por Deu e ensinadas pela Igreja, e se as cr emos,

http://www.obrascatolicas.com
F É 137
'
é pela autoridade da palavra de D eus, isto é, nós nos
firmamo na veracidade de D u , que não pode iludir-nos
nem enganar- e. O te temunho que dá o homem pode
falhar; o de D u , por'm, ' infalível, e nisto funda 7se a
certeza ab oluta da fé dos cristão .

FÉ. - R adica-se na cruz e na santíssima Eucar istia; como os anjos,


eleva-se até o céu,; alcançci a palma do martí rio e da vit6ria.

109. - Será a f é neces ária à salvação? Quais são as verdades


qiiedevemos 11iais circunstanciada?nente conhecer e acreditar para
sermos salvos?
R. - im, a f é é ab olidaniente n ece sária à salvação ;
ela é o fundam ento e a raiz da jiistificação.
Para nos salv annos, devemos crer implicitamente
tôdas as verdades por D eiis reveladas e ensinadas pela
I greja e, de modo explícito e particular :
1. 0 A existên cia de iim Deits único, que tiido criou
e tudo gov erna por sua P1·ovidência;
2. 0 A exist ência da alma imortal e da vida fiitura,
onde D eus recompensa os bons e castiga os maus : por-
!anto, certeza do céii e do inferno;

http://www.obrascatolicas.com
138 DE CÁL OGO

3. 0 Os três principais mistérios de nossa santa reli-


gião : trindade, in carnação e redenção.
I. im, a fé é absolutamente nece sária à salvação.
" em ela, diz ão Paulo, é impo ível agradarmos a
Deus" (H ebr., xv, 6) e, portanto, impo ível alcançarmos
o céu. Segundo reza o concílio de Trento, é o fundamento
e a raiz da justificação. em a fé, não se pode obter o
perdão, n em chegar à glória.
II. O objeto da fé é o conjunto das verdade
revelada . Porém, não há necessidade de acreditar da
mesma maneira tôdas as verdades da f é. Umas, devemo
crer explicitamente, i to é, em particular e no porme-
nores; outra , basta crê-las implicitamente, isto é, em
geral. Se eu dis er, por exemplo: " Creio tudo quanto
cr ê e ensina a anta Igreja", faço um ato de fé implícita
em todos o dogmas revelados por Deus. Esta fé geral,
porém, não é suficiente. H á verdades que o cristão deve
cr er de modo explícito e particular, as quais, portanto, tem
de conhecer detalhadamente. este número incluem-se:
1. A exi tência de um Deus único, que tudo criou
0

e tudo governa por sua Providência;


2. 0 A existAneia da á'lma imortal e da vida futura,
onde Deu r ecompen a os bons e castiga o maus: por-
tanto, certeza do céu e do inferno;
3. 0 É nece ár io também conhecer e crer o três
principais mi tério de nos a santa r eligião: trindade,
inearnação e r edenção.
Para o cr i tão, é também dever, ainda que não tão
r igoroso talvez, contudo grave: a) conhecer e cr er os
artigo · do ímbolo; b) aber, ao meno quanto às idéias,
a oração dominical, os mandamento da lei de Deus e da
I grej a ; c) aber e crer o que ensina a I(7reja a re peito
do sacramentos já r ecebidos ou por r eceber, e enfim,

http://www.obrascatolicas.com
ESP E RANÇA 139

conhecer a di po ições requeridas para sua conveniente


e digna recepção.
Acr e centemos ainda que não ba ta ter a fé interior,
isto é, a que r eside no coração ; mas é necessário, às vêzes,
profes á-la ext eriormente por palavras e atos. Nosso
Senhor declara que há de r enegar perante o seu Pai os
que o tiverem r enegado perante os homen (S. Mat., x,
32) . Ora, esta obrigação de professar exteriormente a
f é exi te sempre que o silêncio ou a abstenção havia de
ser injúria a Deus ou à religião, ou dar ao próximo
escân dalo grave.
. 110. - Quais são os principais pecados que se podem cometer
contra a f é?

R. -Pode-se pecar contra a f é :


1. 0 P or n egligência em instruir-se pessoalmente das
verdades que citmpre saber e crer.
2. 0 P or falta de zêlo e cautela deix ando-se afrouxar
oit perder a f é.
P eca-se contra a f é interior por infid elidad e, heresia
e apostasia e, contra a f é exteri or, por indiferença prática
e por respeito humano.
Especialmente hoj e em dia, são muitos, infelizmente
' os pecados contra a fé .
I . Mencionemos primeiro, nas disposições gerll;is:
1.0 A neglig ência em instruir-se pessoalmente das
verdades que cumpre saber e crer, e, para os pais e
mestres, o descuído do importante dever de mandar
instruir os filhos e empregados.
2.0 A f alta de zêlo e caut ela nos que possuem a fé
e a deixam afrouxar ou perder-se. A leitura de livros
contra a fé, o convívio com pessoas ímpias ou de f é
apoucada, são um perigo contra o qual devemos andar de
sobreaviso.

http://www.obrascatolicas.com
140 D E C Á L O G O

II. Contra a 1é interior, há três pecados principais,


São:
· 1.0 A infidelidade. - Consiste em não querer aceitar
a fé, . nem acreditar na doutrina cristã. A ' infidelidade,
contudo, é falta, somente quando voluntária, isto é,
quando rejeitamos a verdade, de caso pensado.
2. 0 A heresia. - É pecado daquele que nega,
teimando, alguma verdade da fé. A heresia acarreta a
excor11//.mhão para quem faz profissão exterior e obstinada
de algum êrro contra a fé: filiando-se.. por exemplo aos
herege , ao seu culto, de modo habitual e continuado.
Certos erros modernos condenados pelo Sílabus de
Pio IX ( 1864), pelo concílio do Vaticano (1869-70),
por Pio X na Encíclica Pascendi (1907 ), arrolam-se nas
heresia ; por exemplo: o ateísmo, que nega a Deus; o
racionalismo, muito chegado à incredulida~de, que não
quer admitir senão o que abrangem as raias da razão;
o materialismo, que nada vê nem crê além da matéria
sensível e palpável; o cepticismo ou dúvida voluntária das
verdades da fé, terminando por não aceitar mais certeza
alguma; o modernismo, fal a adaptação da doutrina
católica às preten as exigências da sociedade atual.
3. 0 A apostasia. - É o pecado de quem, tendo feito
profis ão da fé católica, a rejeita completamente, passando
para a infidelidade, o judaísmo, o maometismo etc.... H.
Para os cri tãos, o materialismo, o niilismo e o tal chama o
livre pensamento con tituem uma espécie de apostasia.
III. Enfim, relativamente à 1é exterior, notamos
como faltas principais:
l.º A indiferença prática. É descuído repetido
que leva a eximir-se por êste ou aquele pretexto, dos
devere religio os que a fé impõe. Muito fàcilmente tal
descuido pode vir a ser estôrvo que causa a perda da fé
em quem o comete, e dá escândalo ao próximo.
ESPERANÇA Hl

2. 0 O respeito humano. - É uma cobardia; consiste


em corar da fé, em não ousar parecer cristão por mêdo
da crítica ou dos juízos do mundo.

CONCLUSÃO PRÁTICA

Propriamente falando, não é a fé o resultado dos nossos


esforços ou da nossa vontade, é um dom de Deus; o primeiro meio,
então, para adquiri-la e conservá-la será pedir êste dom pela oração.
"Senhor, diziam os di cipulos, fortalecei, aumentai a nossa fé' '·
Entretanto, robustece-se pela in strução r elig iosa, pelo estudo do
cristianismo nos livros sérios, e critos por quem coul1ece a r eligião.
O cristão de ve acautelar- e contra os maus livros. Existe em
Roma uma congregação chamad a do índice, fundada por Pio IV,
em 1()94. Assiste-lhe o dever de examinar os livros e condená-los
quando perigosos quer para a fé, quer para os co tumes. egundo
as regras do í ndice, revistas em 1 97 por ordem de Leão XIII, é
proibido expr essamente ler livros de hereges tratando especialmente
de matérias r eligio as. Aquele que, ciente, infringe e ta proibição,
não só é culpado de desobediência g rave, como também in orre
na excomunhão r eservada ao umo Pontífice.
lll proibido igualmente, sob pena ele pecado, ler jornais e
revistas, cujo plano determinado é combater a religião ou os
costumes.
§ II . - E perança.
Eeperançn: eeu duplo objeto. - Tr ês motivos de espernuçn cri stã :
P ecados contra a pernnçn : 1.0 presunção ; 2. 0 desesp êro.

111. - Que é a esperança?

R. - A perança ' itma virfode sobrenatitral infun-


dida por D u pela qual confiamo alcançar do m esmo
Deits a viela t erna e o m io n eces ária para con egui-la.
e p rança, como a fé, tem origem obrenatural;
vem de D u · receb mo-la no bati mo · eu fim ' obre-
natural, como o da f ' ; põe a mira em bens m lhor do
que o ben da t rra. orno a f é, ' nece ária à alvação.
E critura aO'rada fala amiúde da obrigação depormo
em Deus a no a confiança.

http://www.obrascatolicas.com
142 D E C Á L O O O

e per ança tem objeto duplo:


O primeiro, e encial e final é o cétt, glória eterna,
uprema bem-aven urança, con i tindo na vi ão e no gôzo
de Deus. É o próprio fim da no a criação.
O egundo obj eto, ão o ocorro de que carecemo
para alcançar êste fim . ma palavra o re ume: a graça.
oncebe- e que Deu , querendo ê te fim sobrenatural,
e tá obrigado a propor cionar-no meio para a ingi-lo.
O Rei-Profeta diz : " Deu no dará graça e glória"

ESPERA N ÇA. - Â.peaar da coroa de upin/1oa, .ent e a lu z celutlnl que rem


do culto e, com-0 4ncora in abalável, tem certeza de alcançar u m dia a palma
da vit6ria.

( almos, LXXXIII, 12). Portanto devemos e perar a luz,


a fôrça, o ocorro, a per everança, e me mo o arrependi-
mento se fôr preci o.
P elo que r espeita ao bens temporms, é sômen e de
modo indireto que ão objeto da no a e perança; is o é,
devemo e perar de Deu o que fôr nece ário, pois emos
dêle prome a formal, e e perar ainda o. ben. úteis,
contanto que esta no a esperança seja submi sa e
ESPERANÇA 143

conformada à vontade de Deu , não sendo ê tes bens


prejudiciai à no a alvação.
112. - Qitais são os motivos da esperança cristã?
R. - Podemos apontar três motivos de esperança
que lhe comitnicam certeza absoluta :
1. 0 A bondade infinita de Deusj
2. 0 As promessas formais de Deusj
3.0 Os m éritos de J esus Cristo.
{ l. 0 A bondade infinita de Deiis . - A simples razão
diz, com efeito, a sim como a fé, que Deus nosso Criador
e Pai, é bom e poderoso. Por outra parte, somos pobres
e infelize . Sua bondade e no sa fraqueza compelem,
portanto, Deus a conceder-nos os socorros que esperamos.
2. 0 As promessas formais de D eus. - "Há de ser,
êle me mo o diz, no sa r ecompensa infinitamente grande".
Com razão, fala o apóstolo são Paulo:
" Êle fêz a prome sa, e esta promessa, jurou cumpri-la
para dar à no sa e perança mais fôrça" (Hebr., VI, 17);
e sabemo que Deu não mente.
3. 0 Os méritos de Jesus Cristo. - De antemão,
No so Senhor pagou a graça e a glória que esperamos,
não com ouro ou prata, mas com o preço do seu sangue .
.'.' Deu , diz ainda S. Paulo, dando-nos seu Filho, por êle
deu-nos tudo" (Rom., VIII, 32). " Mas êste Filho, tendo
oferecido sangue e vida por nossa salvação, vem a ser
ba e egura da nos a esperança" (I Tim., 1, 1).
/
113. - Quais são os principais pecados contra a esperança?
R.- Os pecados contra a esperança resumem-se em
dois : pecados por excesso e pecados por falta. O excesso
chama-se presimção j a falta chama-se des espêro.
/Í>resimção é confiança excessiva pela qual, ousada-
mente, contamos com o céu e a graça. Deixar de con-
verter-se por enquanto, a pretexto que Deus é muito bom

http://www.obrascatolicas.com
144 D E O Á L O G O-

para nos abandonar ao inferno e será bastante pedirmos


perdão na hora da morte; contar com as próprias fôrças
e cuidar que sem a graça havemos de salvar-nos; ficar
na oca iões de pecado dizendo : "Qual ! hei de resistir... " ;
não no valer dos _meio estabelecidos por Deus, oração,
sacramento , pen ando que poderemos assim mesmo
morrer na graça: eis pecados de pre unção.
O apó tolo são Pedro, pela grande confiança que
tinha em i próprio e por ua tríplice apostasia, vem a
er exemplo frisante da pre unção e suas consequências.
D esespêro, pelo contrário, é desconfiança excessiva
e voluntária da bondade de Deus, que nos leva a desco-
roçoar, e afa ta-no do no o fim, do céu. Eis pecados de
de e pêro : julgar- e r éprobo, aconteça o que acontecer,
por cau a da falta cometida , do maus hábitos que
e t em; considerar- e, na adversidade, desamparado dé
Deu ; queixar - e da Providência; . desejar a morte;
uicidar-se ; arredar- e por de ânimo, da oração e dos
acr amento fi cando a im sem fôrça, sem defesa ... Caim.
e J udas apr e ent am, ambos, exemplos do pecado de
dese pêr o, o qual geralmente, é mais grave que o pecado
de presunçã~/
CO'NCLUSÃO PRÁTICA

"Cometer pecado mortal, diz santo I sidoro, é dar a morte à


alma; entregar-se ao desespêro, é de cer ao inferno" . - "Amanhã,
vou me converter, diz o pecador ousado. - Insensato! Tesponde
o Senhor, esta mesma noite, Deus há de pedir a tua alma".
O verdadeiro cristão vai caminhando entre êstes dois abismos:
desespêro e presunção. Confia em Deus, mas desconfia muito de
si próprio. Antes da culpa, a justiça de Deus o assusta ; depois
dela, espera na misericórdia divina.
"O bom ladrão, diz santo Agostinho, foi convertido e salvo
na hora da morte. Sim, mas o mau ladrão não recebeu o mesmo
f avo r. Aqui está um que se salva na l!ora da morte : não desespereis.
É um só: não fiqueis confiados demais".

http://www.obrascatolicas.com
CARIDA D E 145

§ III. - Oaridade .

A C'aridacl e: objeto duplo . - I Amor ele D eus: cariciado perf ita e imp erfeita.
- P ecados opo tos ao amor de Deu s.

114. - Qite é a caridade?

R. - A caridade é mna virt~l de sobrenatiwal infitn-


dida por D eus pela qnal o arnarnos sóbre tódas as cousas
e ao y1·óxirno corno a nós mesmos por amor de Deus.
{É o acramento de bati mo que infunde na alma

ÜAlUDADE. -Ama a D eus de todo o coração, e, vor amor de D eus, ama


ao vr6ximo como a si mesma, a exemvlo ele são V icente de Paulo e dai
Irmãs de Ca,.idcide.

a caridade, virtude cristã e sobrenatural, assim como


infunde a fé e a e perança. Ela tem objeto duplo:
primeiro, Deils, que amamos por êle mesmo, acima de
tudo o mais; depois, o próxinio que amamos por D eus;
e eis porque, na lei evangélica, o amor do próximo muito
se distancia do mero sentimento de altruísmo, humanidade
ou filantropia. Nada fo i mais vêzes nem mais claramente
definido por osso Senhor do que esta dupla lei da

http://www.obrascatolicas.com
146 D E O Á L O G O

caridade, que é, pode-se dizer, o resumo da religião.


"Amareis, diz êle, o Senhor vosso Deus, é o primeiro e
maior dos mand~mentos e aqui tendes o segundo manda-
mento, semelhante ao primeiro: Amareis ao vosso próximo
como a vós mesmos " (S. Mat. , xxn, 37-39 ) . Portanto, a
caridade é considerada como a mais perfeita das virtudes
t eologais, e diz ainda S. P aulo que a fé, capaz embora
de r emover os montes, não teria, sem a caridade, valor
algum.
P assemos agora a explanar seu duplo objeto: Deus
e o próxim ~

1. - Amor de Deus.

115. -Há quantas maneiras de amar a Deus?

R. - Distingiiimos duas : uma é chamada caridade


perfeita; outra, caridade imperfeita.
A primeira consiste em amar a Deus por êle mesmo,
pelas perfeições que o tornam infinitamente amável e
não pelos benefícios que nos depara: pois, neste último
motivo, transparecem uns laivos de egoísmo, e haverá
nisto algo de menos generoso . Desenvolvendo esta caridade
perfeita, manda o preceito que amemos a Deus "acima
de tôda as cou as, com todo o nosso coração, com tôda
a nossa alma, tôdas a nossas fôrças" (S. Mat., xxn) .
Para ser perfeito, portanto, o amor de Deus deve
exceder todos os demais afetos, de forma que estejamos
prontos a sacrificar tudo ante de separar-nos de Deus.
Êste amor patenteia-se melhor nos atos que nas palavras;
poderemos crer que o possuímos quando fizermos tudo
quanto Deu~ manda, e evitarmos tudo quanto proíbe.
Enfim, nos o coração, nossa alma, nossas fôrças estão
na verdade consagradas a Deus, e lhe oferecemos todos
os nossos afetos, nossas ações tôdas, refe_rindo-lhe tudo
CARIDADE 147

de tal modo que eja êle deveras a nossa meta última,


o nosso escopo final.
Se a caridade não tiver as condições que aduzimos,
será somente imperfeita. Isto não significa que tal
caridade seja culpada, ou de censurar, não; pois ainda
que imperfeita, a caridade é boa, é um sentimento honroso
que leva a amar a Deus por gratidão. Porém, esta cari-
dade imperfeita é in uficiente por si mesma: não satisfaz
por completo ao preceito, por isso cumpre fazermos mais,
de vez em quando, atos• de caridade perfeita.
116. - Quais são os pecados opostos ao amor de D eus?

R. - T odo e qualqiier pecado é oposto ao amor de


Deus. Opõem-se mais diretamente à caridadé: 1.º o ódio
de Deusj 2. 0 o esquecimento de Deusj 3. 0 as preferências
qne damos às criaturas.
Qualquer pecado, em geral, é opo to ao amor de
Deu , porque tôda a de obediência importa numa falta
de amor para com Deu . Qualquer pecado mortal em
particular, é contrário, essencialmente, à caridade, pois
apaga esta virtude no coração do culpado.
Mas os p ecados mai diretamente opostos ao amor
., de Deus ão:
1.0 O ódio de Deus, pecado do qual nem podemos
fazer idéia, sendo Deus a própria bondad e; e no entanto,
há quem o insulte, quem o bla feme, e se esmere em
derrubar-lhe o reino e a religião ; é o ódio que o perturba
e lhes transtorna as faculdades.
2. 0 O esqiiecirnento de Deus. - Externa-se pelo
de cuido ou de gô t o nos deveres religio os.
3. 0 A preferência que damos às criaturas contra
Deu , quando amamo nossos pai ou outras pe oas mais
que Deu , ou me mo, tanto como êle.

http://www.obrascatolicas.com
148 DECÁLOGO

CONCLUSÃO P RÁTICA

R elativa aos atos das virtudes teologais.

"Se alguém ·me amar, diz N osso Senh or, guardará a minha
palavr a " . O amor de Deus prova-se portanto pelas obras. É o que
levava o ap óstolo S. J oão a dizer: " Quem disser que conhece a
Deus e não observar seus mandamentos é um mentir oso".
Uma das manifestações mais excelentes do nosso amor de Deus
ser á levantarmos p ara êle nossos p ensamentos e n osso coração,
rezando os at os das virtudes t eologais.
O cristão é obriga do a f azer affVs de fé, de esperança e
caridade :
L o Quando ch ega à idade de r azão e conhece seus deveres
p ara com Deus:
2. 0 N a hora da mo r te, quando est á p ara voltar a Deus.
3.0 De t empos a t empos ~o decor rer da vida . P or esta expressão
de t empos a t empos, entende-se ger almente t odos os meses mais
ou menos, e quem passasse êst e prazo, talvez comet esse pecado
grave. T odavia, desempenha seu dever o que reza alguma oração
• contendo êstes atos, como seja o P adre No sso, o Sím bolo, se bem·
que n ão empregue a fó rmula própria dos atos.
4. 0 H á casos especiais em que temos de f azer at os de fé, de
esperança e caridade; ser á por exemplõ, quando estivermos tenta dos
contr a esta ou aquela virtude, quando quisermos cumprir certos
deveres r eligiosos que os exigem, como receber os sacr ament os de
penitência, de eucaristia.
Ato de fé. - Eu cr eio firmemente que há um só Deus em três
pessoas realmente distintas, Padre, Filho e E spírit o S anto ; que
dá o céu aos bons e o inferno aos maus para sempre.
Cr eio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e mor reu
n a cruz para nos salvar, e ao terceiro dia ressuscitou. Cl'eio t odo o
mais que crê e ensina a Santa I greja Católica, Apostólica, Roman a;
p orque Deus, verdade infalível, lho revelou. E nesta crença quero
viver e morrer.
Ato de esperança. - Eu espero, meu Deus, com firme
·confiança, que, pelos merecim entos de meu Senhor Jesus Cristo, me
dareis a salvação eterna e as graças necessárias para consegui-la ;
porque Vós, sumamente bom e poderoso, o ha,·eis prometido a quem
observar fielmente os vossos mandamentos, como eu proponho faze r
com o vosso auxílio.

I,
A lt lDADlC 149

A lo r7o rnrir7rul . - lil11 os nmo, m u D 11 a, c1 t elo o l'll i'Lo


R0b r tOdn R íl A (' 111;1\A, 101·q11 HO ÍH inri 11i l11111 nL b m nrnftv 1;
nn leA <pr (l rO Jl rd r tncl o rp1 VO H ore nd 1'. P or n ni or d vóA, nrn
no pr6x i1110 •0 111 0 1t rnirn llll'H lllO .
A to.q 1·0.~11111 i do ,q, - M 11 l 11 R, (' r io L11do q11nnto nAi11n. voARlt
Tgr jn i H!Hll'O 111 ÓH, porq 11 HO ÍH •lc•111 ônc•i1t i110f(, lllllO · a
ll br IOdnH !lf! HO ÍH bo ndncl inrin il a.

li. - A mor <lo próx imo.


T"O" d o 1' ffi'M <Jll nhl'nn g m : 1,0 o 11m01· <loR ln lml goR; 2 .0 n Rmo ln ; A.º 1\
l'l'OC o fr11 1o r11 11 - P m•11eloH 1•0 111,.,. o 111110,. 1\0 p 1·6 . lmo.

] 17. - E.r,71/irfl i o d ever dri Mi·irlrir7 1wrri roni o pr6ximo.

H,. - JI cori dad 7){(1·n corn, o p1·6r1'mo


clri q1/(/l o m1111(/o ant ir;o 11oclo .rn/J?'a, q11, Nosso i.

l ro11 x à 1 ?'?'Ct. C1 cmsis l m amor o pr6ximo is t


os hom 11s in O?JJ !Í l o. 71 or !) 11 s.

O IJ111 11 H1111,,11·1tu110 : 11,c1111111/o 111•1·/n1 10 rl n 1·111'irl111f n 11111·n 00111 o 11r6:rimo.

http://www.obrascatolicas.com
150 D E C Á L O G O

os pais; depois, os irmão , irmãs e demais parentes;


depoi , no o amigos, benfeitore , concidadãos, e enfim,
os estrangeiros.
A caridade cristã leva a amar o próximo por D eus,
i to é, no intuito de agradar a Deu , tomando o próprio
J e us Cri to como modêlo e objeto da no a caridade.
O cri tão trata de não se conformar Un.icamente
com um sentimento de humanidade, ma reve te seus
atos carido o com intenções mai nobres, procurando
in piraçõe em fonte mais elevadas e perfeitas. Lem-
bra- e : 1. 0 que o mandamento de amar o próximo não
se ba eia õmente na lei natural, que ordena de amar
os semelhantes, senão na lei po itiva de Nosso Senhor:
"Eu vo dou, diz êle, um mandamento novo, é que vos
amei un aos outro " ( . João, xm, 34) ; 2. 0 que todos
o homens, já irmão por cau a de Adão, foram unidos
mai estreitamente ainda por Jesus Cristo, que a todos
re gat ou com seu angueJ
118. - Quais são os principais deveres que abrange o preceito
da caridade para com o próximo?

R. - A regra geral ' amar ao próximo como a nós


m es mos. L ogo, cumpre: 1. 0 não term os raiva de ninguém;
2. 0 des ejarmos, p elo contrário, para todos, o bem espiritual
e t emporal que desejamos para nós mesmos; 3.0 fazermos,
de fato, aos outros, todo o bem que razoavelmente quisé-
ramo nos fizessem; 4. 0 orarmos pelo próximo.
llías, no detalhe, deparamos, no dever da caridade,
três obrigações especiai : J. 0 o amor dos inimigos; 2. 0 a
esmola; 3. 0 a correção fraterna.
1. 0 O amor dos inimigos não ' n nhum conselho de
l erfeição, ma sim preceito impo to por osso enhor,
"E u "º digo: mai vo o inimigos, fazei bem aos que
vo odeiam" ( . Mat . v, 44). Perdoarmo no fundo do
coração, rep lirmo qualquer ódio ou de ejo de vingança
aceitarmo · a. desculpa de quem nos ofendeu, e a pedir
CARIDADE 151

e abrangê-lo pelo menos na caridade comum; é isto,


quando menos, o que exige de nós o preceito de Cristo.
A não er as im, com que direito poderíamos dizer a
Deus: " P erdoai-nos as no sas dívidas assim como nós
perdoamos .. . "?
2.0 A esmola, tão pouco, não é somente conselho,
ma im, preceito po itivo para todos o que a podem
dar. O mau rico da parábola é condenado ao inferno, só
por não ter dado esmola. ob pena de falta grave, e na
proporção de suas posse , as pessoas ricas devem aliviar
o pobre que e acham em n ecessidade comitm, ist o é,
os que a cu to ganham o sustento; com mai r azão têm
de auxiliar a quem e ~ch a em n ecessidade mais urgente,
dando até mais que o supérfluo.
3. 0 A correção fraterna. - É obra de caridade
espiritual, como a esmola é obra da caridade corporal.
on iste em avisar o próximo do eus defeitos e das suas
falta , quando isto s pod fazer sem inconveniente sério
e quando, aliás, há motivo de esperar fruto da correção.
Ê te dever a i te e p cialmente aos uperiore .

119. - Q1tais são os pecados contrários ao a1ltor do próximo ?


R. - on tifaem falta contrária ao amor do pró-
., ximo o de citido do d vere acima lembrados e, mais
particularmente, o ódio a discórdia e o e cândalo.
de cuido do devere acima lembrado pode cons-
tituir falta contrária ao amor do próximo. Há, porém,
vano pecado mai particularmente oposto a esta
virtude. a ordem natural, ão o ódio e a dis córdia; na
ord m piritual, o escândalo.
1.0 ódio ' ntim nto de averão contra o próximo;
leva-no a ficar om raiva dêle ou a de ejar que lhe
aconteça alO'um mal: a injúria , mau trato , ferimentos,
homi 1c1io daí r e ultam naturalmente. ódio violento
e r fletido é m dúvida pecado mortal.

http://www.obrascatolicas.com
152 D E C Á L O G O

2. 0 A discórdia. - E sta palavra designa, em geral,


qualquer dissensão que divide espíritos e corações, e
.quebra, com palavras azêdas ou proceder desleal, o
vínculos da caridade.
3. 0 O escândalo fere o próximo na alma. Chama-se
escândalo qualquer palavra ou ato que vem a ser, para
o próximo, ocasião de ofender a Deus. - Teremos ensejo
de falar nesta falta quando explicarmos o quinto man-
damento.
CONCLUSÃO PRÁTICA

"Se alguém possui bens neste mundo, escreve S. João, e vendo


o irmão em apuros, f echa o coração, e nega-l he socorro, como pode
o amor de Deus p ermanecer n êl e~ Irmãos bem amados, amemo-nos
uns aos outros, pois a caridade é de Deus. Se alguém dis~e r: "Amo
a Deus", e não deixa de odiar o irmão, é mentiroso; pois, como
pode êst e, não amando ao irmão que êle vê, ama r a Deus que êle
não vê~" ( I S. João , III ) .
Os mestres da vida cristã distinguiram e encarecera m sete
obras de misericórdia espiritual: 1. 0 corrigir os que erram; 2.0 '
ensinar os ignora ntes; 3.o da r conselhos a quem precisa; 4.0 consolar
os aflitos; 5. 0 perdoa r as ofensas; 6. 0 sofrer com paciência as
injúrias; 7.0 rezar pelos vivos e p elos mortos.
Distinguem e encarecem também sete obras de misericórdia
corporal: l.º dar de comer a quem tem fome; 2. 0 d51.r de beber a
quem tem sêde; 3.o ve tiros nus; 4. 0 resgatar os cativos; 5. 0 visitar
os doentes e prisioneiros ; 6. 0 hospedar os estrangeiros e viajantes;
7.0 sepultar os mortos.
Debaho dos farr apos é Deus que divisamos; estende a mão
o pobre, mas é Deus qu em recebe (S . Ambrósio).

§ IV. - Adoração.
1. - Culto de adoração ou de latria devido a Deus.
Adoração o u culto d e latria. - Qu a lidades elo culto; deve ser: 1. 0 interior;
2 .º exterior ; 3. 0 públi co. - D ver ela adoração .

120. - Que é adoração?


R. - Adoração ou culto de latria é a honra oit home-
nagem sup1·ema devida a Deus como ao criador e sob erano
senhor de tôdas as cousas.
A D O R A Ç Ã O 159

Quanto mai acima de nós é o ser, tanto


maior honra lb d ra, o ato p lo qual a criatura
re onh e a Deu 01110 u riador e enhor absoluto
'de tôda a ou a ' a honra uprema: ' a adora ão. E
porqu há um ó cria 1or, úni o m tr soberano, re ulta
daí não p rten r o ulto da adora ão enão ao único
D u conforme lembra o primeiro pr ceito do decálogo.

Oulto d e adoração devido a D eus; lem de &er interior, exterior e público.

12 1. - Q1le qualidad es deve t er o culto q1le tribiitamos a Deils ?

R. - D ve ter três qiialidades principais; ser : inte-


rior, ext rior e público :
1. 0 D ve er int rior, isto é, a verdadeira devoção
deve originar- e no coração, e nossa homenag ns tôdas,
e não ü1cluí em a do espírito e da vontade, nenhum
valor t riam. "Os verdadeiro adoradore , dizia Nosso
enhor à Samaritana, hão de adorar o Pai em espírito e
em v rdade" (S. J oão, 1v, 21). Os sentimentos de fé,
sperança, amor e r espeito p rfazem o culto interior.
2. 0 . D ve s r ext erior, isto é, manife tar-se por meio
de atos. O homem, com efeito, não é puro espírito : tem

http://www.obrascatolicas.com
154 DECÁLOGO

também um corpo. Ora, deve a Deus a homenagem do


seu ser inteiro, e o corpo deve tomar parte no culto com
atos visíveis, que são: oração vocal, práticas religiosas,
postura respeitosa na presença de Deus. É fato sabido
que o homem é levado a externar seus sentimentos e o
sentimento da adoração mais que qualquer outro. Além
di so, tais manifestaçõe são o amparo do culto interior.
3. 0 D eve ser público, isto é, mostrar-se algumas vêzes
publicamente nas reuniões e assembléias religiosas. O
homem não foi criado para viver isolado; pertence à
sociedade que tem também seus deveres a preencher para
com Deus, e então é preciso, para dar bom exemplo, como
para o cabal e completo desempenho dêsses deveres so-
ciais, que todos participem destas homenagens públicas
e solenes: assistência à missa, aos ofícios da Igreja, às
cerimônias públicas.
122. - Quando devemos particularmente adorar a Deus?

R. - D evemos adorar a Deus todos os dias, de


nianhã e à noite; aos domingos, dia especialmente con-
sagrado a Deus; antes de lhe apresentarmos as nossas
súplicas.
Há tempos determinados para a adoração : 1.0 todos
os dias, de manhã e de noite ; 2. 0 no domingo, especial-
mente consagrado a Deu ; nesse dia, impõe-se a Igreja
o dever de assistir ao santo sacrifício da missa, que é o
ato âe adoração por excelência.
Enfim, deYemos adorar a Deus sempre que necessi-
tamos o seu socorro e começar geralmente nossas orações
por um ato de adoração, pelo qual rememoramos a
presença e majestade infinita de Deus. Tendo-lhe t ribu-
tado as nossas homenagens, estaremos melhor preparados
para apresentar os nossos requerimentos: fim, êste, da
oração.

http://www.obrascatolicas.com
A D O R A ÇÃ O 155

CONCLUSÃO PRÁTICA

" A t o de adoração. - Meu Deus, creio que estais aqui presente;


adoro-vos e vos amo de todo o coração; dou-vos infinitas g raças
por me haverdes criado e f ei to na cer no gr ' mio da Igreja a tólica :
por me liaverdes conservado nesta noite (ou neste dia) e preservado
de morte repatina. Em união com os merecimentos de J esus
ri to, de sua Mãe antíssima e de todos os santos, ófereço-vos
todos os meus pensamentos, palavras e obras, para vossa maior
gl ória, m ação de graças po r todos os benefício s que de Vós tenho
recebido e em satisfação de meus pecados. Dignai-vos, Senhor, de
preserva r-me neste dia ( ou nesta noite) do pecado e livrai-me de
todo o mal. Amém".
Esta forma da nossa vassalagem para com Deus, vem mui to
de molde no princípio de todos os nossos atos religiosos e não
podí amos achar expressão mais adequada dos nossos respeitos e
homenagens ao entrar mos numa igreja.

II. - P ecados contra a adoração.


P rincipais pecados opostos à adoração: I . irreligião; 1.0 t entação de D eus;
2.0 ir reverênc ia; 3. 0 sacrilég io. - II. Superstição : idolat ria ; 2 .0 culto
ilegi ti mo ; 3. 0 s up erstições propr iam en te dita s; 4.0 s upers tições modern a s.

123. - Q1tais são os principais pecados opostos d adoração ?

. - II á duas classes de pecados opostos à adoração:


1.0 o pecados de irreligião ou deficiência éj,e adoração;
ãe a t ntação de Deus, a irreverência e o sacrilégio; 2.º
os pecados por excesso : a 'idolatria, o citlto ilegítimo e a
uperstição. ..
Entre as superstições, são mais notáveis certas ope-
11ações magnéticas o espiritismo.
pecado opo to à adoração podem r epartir-se em
dua ela e : un , por defi ciência, ão chamados pecados
de irreligião; outr o , por exce o, chamam- e pecados de
superstição.
I. principai pecado de irreligião são: a tentação
de Deus, a irreverência e o sacrilégio.

http://www.obrascatolicas.com
156 D E C Á L O G O

1.0 T entação de D eus. - Tentamos a Deus quando


r equeremos, sem motivo razoável, favor es extraordinários
ou milagres somente para experimentar o poder divino
e sem tomar meios eficazes, idôneos p ara os alcançar.
2. 0 Irr everência. - É o pecado de quem trata sem
respeit~ a r eligião, seus ministros, os lugar es santos,
obj etos bentos, etc.

O sac;;:ílego Heliodoro é castigado pelos anjos.

3. 0 Sacril 'gio. - É mais grave que a irreverência :


é a profanação das cou. as santas. De muitas maneiras
pode-se cometer o sacrilégio : a) para com as p essoas
con agrada a Deus p elas ordens sacr a . votos de r eligião,
ou voto de castidade, eja ferindo-as, eja cometendo, de
parceria com elas, p ecado c1e luxúria; b) para com os
l11gares santos, igrejas, ccmit(,rios, profanando-os pelo
incêndio, homicídio. ato<; indecentes, sepultura de um
infiel ; e) para com as cousa, santas : sacramentos, antos
óleos, vasos sagrado , r elíc1nias, cruze , im agen , para-
mentos e ve tcs sacra ; é sacril ~gio reeeber indignamente

http://www.obrascatolicas.com
A D O It A ÃO 157

um acram nto, m I a1-ti •ular


faz r d bj to d ult , 1.
obr tud ultrajar a. ·anta
II. on i te em tributar
devidos
· não a u , tl m que êle
m mo não apr va.
j i o prin ·ipai p ad up r ti ão:

http://www.obrascatolicas.com
158 DECÁLOGO

É adivinhação quando se espera o conhecimento do- por-


vir ou de cousas ocultas por meios incapazes por si
mesmos: consultar adivinhadores, indagar dos astros, do
vôo dos pássaros, das cartas, da sorte ominosa ou feliz,
buenadicha, etc.
É magia, experimentando fazer cousas maravilhosas
que passam as fôrças do homem, não podendo ser levadas
a cabo senão com auxílio do demônio. A magia torna-se
sortilégio, feitiço ou malefício quanào redunda em pre-
juízo do próximo. - A I greja condena estas práticas
t ôdas, como Deus as r eprovava para seu povo; quem a
ela se entregasse com acinte de impiedade, cometeria
certamente culpa grave. A ignorância e a boa fé podem
de culpar certa gente menos culta e pode-se admitir em
alguns casos a pouca importância da matéria.
4.0 Enfim, poderiam ser às vêzes supersticiosas
e culpadas certas práticas antigas que aparecem de novo
hoje em dia: operações magnéticas que produzem, além
do ono e do sonambulismo, certos efeitos extraordinários,
ciência das doenças e dos remédios, conhecimento do
futuro ,etc .. . .
Outro tanto diremos da mesas que giram, e, mais
ainda, que falam . A crendice popular muito exagerou os
efeitos extraordinários de tais proces os; apesar de
poderem esta práticas explicar- e às vêzes natural-
mente, a I greja não as recomenda; quando feitas por
influência diabólica, são sempre r eprováveis. O espiri-
tismo, evocação e consultação dos espíritos do outro mun-
do, não é menos ímpio, nem menos diabólico. Deus, na
antiga lei, o proibira rigorosamente. Com igual zêlo e
vigor, reprova-o atualmente a Igreja, e a experiência
demon trou que tem razão. Estas superstições, essencial- .
mente más, importam no transtôrno de tôda a religião, de
tôda a moral; lançam a perturbação nas famílias, e levam
muitas vêzes à ruína, à loucura, ao crime ou ao suicídio.

http://www.obrascatolicas.com
OU LTO 1>0 9. S A NT OS 159

OONOL SÃ O PJÚTTCA

À8 vêze9, 09 inimígo9 da religião chamam 09 crl.!Jt.ác8 as 1)-


ticiosos; é censu ra que nã-0 cabe de modo algum à I r ja. :WJ
ao n ino da razá-0 e da reve~o, o verdadeiro cri.!Jt.ác r rva para
Deus só as suas ador~es. abe dí ·m.Í11.ar o culto v rdadeíro
l gíttr1w d udo o que se parece com sup rlltíefi,o; evita tanto as
obaervá:ncúu 11iúJ e riãfculaa quanto a.cata e ve:n ra as eeri:mõnia;
usos autorizados peJa lgr ja. - Deseonfia parlieu.larrnen d do
o que podia ser conluio diaból1eo, e anda sempre lembrado desta
palavra. de um santo doa r : "Qu m gri«:ejar com o d mànfo não
poderlí. jamais alegrar·se com Je as ·sio '. (8. Pedro Crúólogo

§ V. - Culto da an1· 11ima irgem , anj() e anto .

olt.o de duHa oo de boora ; blpeTdoUa. - L ·tlmldtull> u1Dld:&d do cu!W


aos nu ·os e saotos. - Legi i:mld.Ad do cuJto ~ecl11l hibuUdo li
s11ntlsslmA vi rgem.•

124. - Que culto pr 8tarMa il antiasi111a V irg m, aos an jos


e santos!

ulto qu tributamo a santís ima Virgem, aos


anto não ' a adoração ma sim lwm 11ag ni de
r p ito.
ão

ln8 . Ri!U g. -

http://www.obrascatolicas.com
160 DE C ÁLOGO

I greja alienta muito bem e ta diferença; a Deu falamo :


"O pão no o de cada dia n o dai hoje, perdoai-nos, etc ... ";
- · a o a Senhora: " Santa Maria, mãe de Deus, rogai
por nó ... "; - a Nos o Senhor : " Tende piedade de nós";
- ao anjo e santo : "Inter cedei por nó "
125. - Será 9 culto dos anjo e dos santos razoável e legitimo?

R. - irn, ê te culto é perfeitamente razoável e


legítimo. Os anjos e os santos são nossos modelos, nossos
benfeitores e as suas orações t êm grande poder junto ao
trono de D eus.
Ê te culto con ta de doi ato : nó o honramos e
inv ocamos.
ju ta que honrá-los?
• P oi , não damo , na terra, mo tra de veneração e r espeito
pais, ao no o uperiore , e particularmente
ao grande homen qu e di tinguem por eus benefício
ou seu pr di cado ~ Guardamo ua lembrança e lhe
eri gimo estátua . O anjos ão criatura mai perfeita
qu n ó e amparam-no ; o anto ão benfeitore e
modelo : logo, baseia - e na razão e na gratidão o culto
que lh tributamo . E ncontra apôio também na tradição
ai tã, isto é, no en inos e exemplo da I greja de de a
sua origem.
2.0 Que eja lícito proveitoso inv ocá-los, não padece
dúvida. i\a t rra, a or ação do ju to já tem poder e é
deferida por Deu ; di to orno ci n e ; e então, não é
razoável pen. ar que no éu, muito maior crédito há de
ter e ta oração~ É ju. tamen e o que r ezam a sagrada
Es ritura . . . nia. e J er mia o profeta, falecido de
havia muito , oravam efi azm nte pelo povo de I srael
( 11 Macab., xv).
:Muita razão, poi t m o concílio triden ino ao
encarecer a audável e útil invocação ao antos ; a

http://www.obrascatolicas.com
CULTO DO S SANTOS 161

expenen cia, aliá , todo os dias, desdobra às nossas


vi tas, prova de utilidade e eficácia das nossas orações
apre. entada a Deu por intercessão dos anjos e santos.
126. - Não devemos a li ossa enhora wrn culto especial?

. R. - Sim) a santíssima Virg em tem direito a home-


1iagens speciais e up riores às que tributamos aos santos,
porque ' JYlãe de Deus) nossa JYlãe) e a mais santa e mais
I poderosa das criaturas.
IÁ me mas razões que militam a favor de homenagens
tributada ao anj os e santos, e fl.S tornam legítimas,
reclamam, para a santí sima Virgem, culto especial.
1. 0 Ela é JYlãe de Deus) e por êste título, ocupa, na
criação, lugar glorioso e único.
2. 0 É nossa JYlãe; j á tinha para nós extremos, afeto
d mãe, pois f ôr a chamada a cooperar com seu Filho
na obra da no a r denção ; mai ainda, J esu , na cruz,
no deu Maria como Mãe quando no disse, falando a
ão J oão, que nos r epre entava : " Eis aqui vo sa Mãe!"
Ora, uma mãe merece provas e peciais de t ernura e
gratidão.
3. 0 Enfim, a autíssima Virgem foi, na terra, mais
santa do qu e todos os el ito , e no céu, é a mais poderosa.
P or esta r azõ t Adas, empre a Igr eja praticou e
n inou a devo ·ão a No a enhora. Vinte séculos de
gr aça benefí cio abonam a onfian~a em Maria, mos-
tram que e ta confiança não é cousa inútil, mostram
quanto a()'radam a Deu a homenagens que tributamo
à ua Mãe, que tamb ' m a()' ora veio a er nossa Mãe.
ONCLUSÃO PRÁ1'ICA

Rodeados de contínuo pela proteção dos nossos amigos do


céu, não deixemos passar um dia sequer sem dirigirmo u m ato
de a mor uma oração a s qu foram constituídos sp cialmente
para nos ampara r : ao anjo da guard a ; ao santo padroeiro, cujo
nome recebemos no batismo; aos santos uja vida nos fa la mais

http://www.obrascatolicas.com
162 D E C Á L O G O

à alma, ou se parece mais com a nossa, e especialmente àquela qull


é consider ada como Padroeira universal de todos os cristãos.
Vantajosamente nos serviremos para êste fim das orações que
a Igreja põe nos lábios dos fiéis :
"Anjo de Deus, que por divin a piedade sois minha guarda e
proteção, inspirai-me, defendei-me dirigi-me e governai-me. Amém":
"Grande Santo, cujo nome tenho a honra de trazer, orai por
mim, protegei-me para eu poder servir a Deus como o servistes na
terra e glorificá-lo eternamente convosco no céu''. "
O cristão devoto de Nossa Senhora gosta de repetir a bela
oração de São Bernardo :
"Lembrai-vos, 6 puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu
dizer que algum daqueles que recorrer am à vossa proteção, implo-
r aram o vosso socorro, fôsse por vós desamparado. Animado eu,
pois, com igual confiança, a vós Virgem entre tôdas singular, como
a minha mãe r ecorro; de vós me valho, e gemendo sob o pêso de
meus pecados, me prostro aos vossos pés. ão r ejeiteis as minhas
súplicas, 6 Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as
ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amém".
(300 dias de ind. cada vez).

§ VI. - Cu1to das relíquia , cruzes, e imagens.

Culto às rel!quias : legítimo, útil. - Culto à cruz. - Culto às santas Ímag~ns.

127. -Dai a conhecer o culto das relíq~ias e o que se deve


pensar a respeito.
R. - O ciilto das santas reUquias é muito legítimo e
miâto útil. Não se refere aos próprios objetos venerados,
mas aos santos de quem são os restos preciosos.
Chamam-se relíquias dos santos principalmente os
r estos de seus corpos, seus 013 os, e também, em sentido
mais lato, ôs objetos que usaram, os instrumentos do seu
suplício, etc. Os eu despojos mortai ão naturalmente
mais importantes e mais dignos do no o r e peito.
A I greja católica concede às r elíquias um culto que
não é absoluto, i to é, limitado aos próprios objetos, se-
não relativo, isto é, remonta até os antos de quem êste
objetos são restos preciosos.
C~LTO DAS RELÍQ U IA S 163

(r. ~ste culto é muito legítimo . - Com efeito, gosta-


mos de conservar e venerar o que nos fica dos nossos
pais, do no os amigo , do grandes vulto que ilustraram
no a terra. Achamos muito ju to que seus r e tos mortais
sejam cer cados de r e p eito ; guardamo piedosamente
qualquer lembrança de sua pessoa. E então, não seriam
os santos digno de honra igual 1 Seus corpos foram
templos do Espírito Sant o; hão de r essuscitar gloriosos;
honrá-los não será justo? A I gr eja sempre o acr editou,
e desde o princípio do cristianismo, teve r eligioso r espeito
para com os corpos dos santos e dos mártires. O concílio
de Trento definiu que êste culto era muito legítimo.
II. É mitito útil. - H averá cousa mais própria que
a presença dos r est os mortais dos santos para levantarmos
até o céu os nos os pensamentos? Muitas vêzes também
vemos, no Antigo e no Novo Testamento, que Deus re-
compen a com favor es e prodígios, o r e peito às santas
r elíquias. Os o so de Eliseu ressuscitam um morto; as
roupa que u ou ão P aulo curam os enfermos. E nfim,
o milagr es, muitas vêze r ealizados no túmulo dos santos
e especialment e dos mártires, ão um estímulo para a fé
do povo. ._/
128. - Falai do culto da santa cruz.

R. - A s parcelas do sagrado lenho em qiie se realizoit


o mistério de n ossa redenção foram sempre objeto de
v eneração es pecial. Merecem igiialmente o nosso respeito,
pela lembrança qu e despertam, as criizes fe itas de madeira
oit de metal.
A cruz que erviu ao suplício de No o Senhor tinha
sido enterrada no próprio monte do alvário. P esquisas,
ordenada por anta Helena, tronxeram a de coberta da
ver dadeira cruz, a 3 de maio de 326. elebra- e o aniver-
sário na f esta da I nvenção da santa Crnz. Desde então,
entrou a er obj eto de grande veneração. Neste lenho

http://www.obrascatolicas.com
164 D E C Á L O O O

sagrado se realizara o mistério da nossa r edenção; por


seu aconchêgo, Jesus Cristo o tinha santificado; com seu
sangue, êle o tinha enrubecido; no século VII, a ver,dadeira
cruz caiu no poder de Cosroés, rei da P érsia. Heráclio,
porém, imperador de Const antinopla, obteve sua resti-
tuição. Êle fez timbre de levá-la pessoalmente, e com todo
o fausto, ao próprio lugar donde fôra tirada, isto é, à
I gr eja da R essurreição, em J erusalém (628 ) . É o ani-
versário dest a solenidade que se f esteja sob o título de
E xaltação da santa Cruz, a 14 de setembro.
Desde a descoberta da verdadeira cruz, foi conside-
rado felicidade e riqueza possuir algum fragmento dela;
e tributa-se a estas pias r elíquias culto especial. Não é
isto, com tôda a certeza, adoração da madeira, mas sim
d ' Aquele que morreu na cruz, e é neste sentido que se
deve entender a expressão aceita: adoração da cruz.
Conforme o modêlo da cruz do Salvador, muitas
outras cr uzes foram feitas, de madeira, de metal, etc.
E tas não são r elíquias; por ém, devido à lembrança que
desper tam, merecem também nosso r espeito e veneração.
129. - Que se deve pensar do culto das imagens?
R. - O culto das sagradas imagens é tão antigo como
o cristianismo. O cristão não adora as imagens. São
predosas lembranças que lhe falam aos sentidos e ao
coração com preciosíssimas vantagens para a S'IW piedad!J;;x
Entende-se por ciilto das santas imagens a honra que
se tributa, na I greja católica, às r epresentações, pintadas,
e culpidas, ou gravadas, de osso Senhor J esus Cristo,
de Nossa Senhora, ou dos santos. Êste culto é t ão antigo

r
como o cristiani mo; as imagens que se achar am nas
catacumbas, são prova evidente. o oitavo século, foi
impugnado o culto das imagens, com furor ímpio, pelos
iconoclastas ou quebradores de imagens. No século
dezesseis, renovaram os protestantes a her e ia e impiedade
dos iconoclastas.
OU L T O DA S I M AO E N S 165

egundo con ílio de icéi a (787 ) e o concílio de


'I'r nto (1545-1563) determinaram, contra os hereges, ser
muito louvável o ulto da anta imag n , não encerrar
Ale Arro algum, muito m no ainda, n nbuma idolatria.
om efeito, A te uLto não dirige diretamente à imagem,
ma sim, a quem stá r pre ntado pela imagem.
cr i tã não a adora; vê ali p i dosa lembrança, e
d la se vale c mo d um meio que se dirige aos sentidos
para m lhor falar ao coração e o levantar mais alto. "O
culto à I magens, c nclu i o con cílio tridentino, deve-se,
portanto, conservar na I greja, tal qual empre existiu e
nêlr. os fi 'is hão d ach ar preciosíssimas vantagens para
a sua piedade".
CON LUSÃO PRÁ'l'l A

Se o retrato de um pai, mãe, irm ão, amigo, muitas vêzes •


desperta m nós sentimentos bons e p iedosos; se co m a vi sta desta
imagem surgem em nosso â ni mo p nsam nto el vados, resoluções
generosas, muito mais podemos sperar das inspirações saudáveis
que hão de nascer ao co nt mp larmos a rep resentação el e J esus
cru ificado, ou ou t ra santa im agem ou uma reliquia a utêntica e
v relad irai . ..
Os nossos pa is nn fó muito bem entendiam a ling uagem, os
nsin amentos el as imag ns, das repr sentações santas ; por isso, as
b las ig r jas e caL d rais spl' ndid as el a id ade médi a eram verd a·
deiros po mas nos qu ais cultivava o spírito, se abrasava o
·o ração com o espetáculo das sculturas, pin turas, vitrais coloridos,
çu desenhos que falavam à vista.
xalá ncontr mos d novo 111 todo o lfl. r cristão o crucifixo,
que 6 ensino m od~lo; a imagem da Virgem, cuja b leza doce e
inocente i ncita. à vi rtud onvida à confia nça; cstatuaz inhas dos
11antos prot tor s da famí lin: algumas pia reHquias, tesouro caro
e pr cioso: a um t mpo sa lvagua rd a e on sôlo ! ... Oh 1 que m nos
da rá fó robu tai Frui remos co m ela piedade, honra e alegria no la r.

http://www.obrascatolicas.com
166 D E C Á L O G O

II. 0
MANDAMENTO

Não jurar o santo nome de Deus em' vão.


Divisão das matérias.

130. - Que proíbe Deus pelo segundo mandamento!


R. - Pelo segundo mandamento, Deus proíbe dire-
tamente pronun ciar em vão o nome do Senhor. Esta
proibição compreende os jiiramentos vãos, as blasfêmias,
as imprecações e a transgressão dos votos ou promessas.
Ma indiretam ente, ou na significação mais lata, o
obj eto do segundo mandamento é levar-no a; respeitar o
san to nome de Deus em tudo e. por tôda a parte : pois,
consoante r epara o catecismo do concílio tridentino, "não
são as letras, n em as ílabas que e têm de considerar,
nem o nome na ua feição, mas sim, a cou a expressa
por êste n ome : isto é, o poder e a majestade eterna de
u m Deus u no e trino " . Donde r esulta haver vários
modos de faltar ao acato devido ao anto nome de Deu ;
por i so é que entre a proibições do egundo mandamento,
compreendemo quatr o cousas: 1.0 juramento feito em
vão; 2. 0 blasfêmia; 3. 0 imprecações, e 4.P transgressão dos
v otos que se t êm feito.
Esta matéria serão explanadas no quatro pará-
grafo consagraclo ao de envolvimento do segundo
preceito.
§ 1. - Juram e nto.
Noção do juramento. - Tr ês requi s itos para sor líc ito. - R eg r as r ela t ivas
à execução do jurnmento.

131. - Que é juramento?

R. - J uramento é um ato religioso no qual tomamos


a D 11s pessoalmente on por alguma criatura ua, como
testemunha da verdade do que as everamos ou da since-
ridade das vrome sas que fazemos.
2. 0 MANDAMENTO 167

Deus é tomado pessoalmente como testemunha


quando eu nome é pronunciado, por exemplo: "Juro
diante de D u . . . ", ou quando se faz um ato que vale
tanto como esta palavra : a im levantar a mão diante
do crucifixo ou ôbre o anto Evangelho. - Toma- e a
eu como te temunha indiretamente por suas criaturas
dizendo por xemplo: "Apelo para o céu e a terra como
que estou falando verdade ... "
Para haver juramento, é preciso ter vontade de
tomar a Deu como te temunha. :í!J te dizere : " Eu
juro . . . Dou minha palavra de honra . .. " ão jura
verdadeira , àmente quando a entendemos no sentido
que acabamo de indicar.
O juramento é invocatório, . quando e toma a Deus
por testemunha de uma cou a pa ada ou presente, como
e vê no e:templo acima; é chamado promissório quando
u ado para afiançar uma promes a, garantir um c'ompro-
mi o; eria imprecatório, e apelá emo pàra Deus
orno juiz e vingador do perjúrio. Exemplo: " Deu me
dê a morte; caia eu no inferno, se eu não disser a
verdade ... , se eu não cumprir o prometido ... "
132. - Será permitido o jiiramento? Em qiie condições ?
R. - im, o juramento é permitido e até pode vir
a ser obrigatório.
Deve, porém, er feito conforme a verdade, com juízo
e somente em cousas ju tas.
empre foi con iderado como ato r ligio o, mesmo
no pagani mo. omano chamavam o juramento
acramento, i to ', cou a agrada. O .próprio Deus o
empr ga na E critura e aprova o eu u o na lei judaica;
" ó cumprirei vo o juramento ' ( . Mat., v., 33).
Todavia, o juramento foi in tituído apena para
r emédio contra a fraqueza humana: a êle devemo
r ecorrer unicamente em grave ocorrências. Por se

http://www.obrascatolicas.com
168 D E C Á L O G O

afastarem o hornen dê te princípio, é que osso Senhor


censurou o abuso das juras. " Digo-vos de não jurar, nem
pelo céu, nem pela terra. . . Falai : É; ou : não é, tudo
quanto acre centásseis seria ruim" (S. Mat., ib . ) . Por
P, ta palavra , não e há de inferir que o juramento seja
proibido totalm ente. Sempre, pelo con tr ário, foi reconhe-
cido corno legítimo, na prática da I greja, mediante certas
condições.
1.0 O juramento deve er feito con forme a verdade:
se fô e u ado para a everar cousa falsa, ser ia falta
grave, denominada perjúrio.
2.0 Deve er feito com juízo, isto é, em ca o de
nece sidade ou utilidade grave. É permitido, e me mo
ordenado, a quem e tá legltirnarnente chamado perante
o tribunal ; quando exigido por um superior; quando se
assum e u m encar go, ou se entra em funções públicas.
3.0 Deve ser conf orme a justiça, isto é, não pode
ser pronunciado quando se trata de cousa má, ilícita ou
inj usta. Ião é permi tido, port anto, prometer com jura-
mento de vingar-se, de comet er crimes ; nem prometer da
mesma forma cousas que intentamos não cumprir.
133. - Que reqras se hão de seguir na execução do j uramento
promissório?

1.0 Sempr e que o j ur amen to foi feito com os n eces-


sário r equisitos, egundo a ver dade, o juízo e a j u tiça,
é pecado ger almente grave não o cumprir, a não ser
que alguma causa legítima nos r eleve de ta obrigação.
J uramen to político, civil, juramento religioso no que
r e peita à con iência, todos impõem a me ma obr icração.
Assim acontece, porque violar o juramento é fazer
injú r ia a Deu que foi tomado como te temunha ou
caução pela prome sa; e ta grave falta é con iderada
como perjúrio.

http://www.obrascatolicas.com
2. 0 MANDAMENT O 169

2. 0 o entant o, se fizemos o juramento por sermos


colhidos de improvi o, ou em consequência de engano, ou
impelido por um receio gr ave, que estorvava a razão e
tolhia a liberdade, êle já não obriga mais.
3. 0 Não obriga t ão pouco quando foi feito para
alguma cou a má ou injusta. Neste caso, foi pecado o
fazer a promessa, e cumprindo-a haveria outro pecado;
exemplo, o juramento das sociedades secretas.
4.0 O juramento f ica sem fôrça se a sua realização
e tiver tornado impo ível por causa de circunstâncias
ocorrida de de a pr ome sa, faz endo que esta promessa
seja irrealizável ou ilícita; ou ainda se a pessoa a quem
demos a pr ome sa nos r eleva do seu cumprimento.
5.0 E nfim, em certos casos, e por motivos válidos,
pode a I gr eja, na pes oa do papa e dos bi spos, conceder
di pen a ou comutação de um compromisso feito com
j uramento.
CONCLUSÃO PRÁTI CA

Como regra geral e afo ra a necessidade absoluta, deixemo-nos


de ju ramento. Seja a nossa bôca por t al f orma a costuma da à
ver da de, que um sim, um não sejam quan to basta para sossegar a s
pessoas com quem temos de lida r : é o desejo de. J esus Cristo. P elo
m"esmo sentimento de respeito profundo para o nome de Deus, não
empreguemos as fórmulas parecid as com o ju ra mento :
E u juro. . . por Deus . .. , palavra de honra . . . , etc.
o tocante ao juramento prestado nas ociedades secret a s de
Maçons, Solidários, Livres P ensadores, lembremo-nos que é cr imi-
noso, pois e tas sociedades t ôdas almej am oculta ou cla ramente o
desmoronamento de tôd a autoridade civil ou religiosa. Clemente
XII, Bento XIV, Pio VII, Leão XII, P io I X, L eão XIII senten-
ciaram a pena de excomunhão reservada contra os que p resta rem
tais juramentos. Mais, Leão XII terminantemente declarou ser n ulo
o juramento ímpio e culpado pelo qual os sócios se comp r ometem
a guardar silêncio e juram matar quem fizesse revelações.

http://www.obrascatolicas.com
1710 )ECÁL O G O

§ II. - Blasf êinia.


Blasfêmia: diversos modos de blasfemar. - Gravidade dê ste pecado.

134. - Que é a blasfêmia?

R. - A blasfêmia é uma palavra injuriosa a D eus,


aos santos oii à religião.
Há blasfêmia não õmente quando o di curso se faz
diretamente contra D eus, mas ainda se fôr contra os
santos ou contra a religião. Com efeito, até neste caso,
é Deus que fica injuriado indiretamente, pois êle é autor
da r eligião e fonte das graças e virtudes dos santos, e
No o Senhor di se aos que o r epresentam: "Quem vos
despreza, a mim despreza" (S. Liicas, x, 16) .
Blasfema- e contra Deus de três maneiras:
1. 0 egando as perfeiçõe que po sui, como sua
justiça, ua providência, etc. ; ou atribuindo-lhe o que
é contrário à sua natureza, como a malvadez ou outra
imperfeição qualquer.
2. 0 Amaldiçoando a Deus, desejando que lhe suceda
algum mal, ou que não exi ta.
3.° Falando de D eus ou dos seus atributos com
de prêzo ou escárneo. A im, Juliano o Apó tata, por
exemplo, blasfemava quando dirigia a Nosso Senhor
esta apó tr ofe : ' Tu vence te, Galileu !"
135. - Fa lai na gravidade da blasfémia.

R. - T ôdas as blasfêmias contra D eus, quando


pronunciadas com r flexão, ão pecados mortais, porque
iiltrnjarn a majestade de D eus.
P or i o, na antiga 1 i, o enhor ord enou de apedrejar
o bla femo . ln pirando- e ne te me mo entimentos
de re p ito para com o anto nome de Deu , a legi lações
cri tã editaYam contra o bla f mo pena evera , iguais
à infligida. ao homicida e ladrõe . ão Luiz, rei de

http://www.obrascatolicas.com
Ó 1 A N D A ~ t N T 0 J11

injúria

11
ho-

PllÁTl

" E u qui s ra nnt morr r, di zia


ouvir bl rt r ma r tuntus v z ~ o
nin r d us nl'Lo drL pnrn rmularmos

(J ) N ito d v moa trnnhnr 0111 c11 atl go qu hoj o nos pu1: e bfrrbnro 1
mns p rf ltnm nt d u Ord o om na 1 la tta snn çõ e dnqu ol t mpo.

http://www.obrascatolicas.com
172 D E C Á. , L O G O

tomemos, quando menos, o louvável costume de oferecer a Deus


r epar ação quando acontece ouvirmos blasf emar , e rezemos uma ou
outra das seguintes jaculat órias :
Bendito seja Deus !
Bendito sej a o seu san to nome !
Bendito seja J esus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro
homem!
Bendito seja o nome de J esus!
Bendito seja J esus no san tíssimo Sacrament o do altar.
B endito sej a o eu Sacratíssimo Coração !
Bendita sej a a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima!
Bendita sej a sua santa e imaQulada Con.ceição !
Bendita seja o' nõ"m é áe~ aria, Virge;'.u Mãe !
Bendito sej a S. J osé, seu castíssimo E spôso !
Bendito sej a Deus nos seus anj os e nos seus santos!
(Um ano de indulgência cada vez, plenária uma vez nos mês
pa ra quem as rezar todos os dias. - R escrit os de 1810 e 184 7) .

§ III. - Imprecaçõe s.

Vá.rias imprecações: 1.º contra n ós mesmos; 2. 0 contr a o próximo ; 3. 0


con t ra entes privados de enten di mento. - Apreciação.

136. - Que são imprecações ?

R. - I m precações são palavras de ódio, ou raiva,


desejando, para nós mesmos oit para o próximo, a morte
on qualquer outra infelicidade.
A imp r ecação é o contrário da bênção. Abençoar
alguém, é de ejar o bem p ar a êle ; fazer imprecação, é
amaldiçoá-lo, entr egá-lo à inf elicidade.
Examinemo as ~mprecações:
1.° Contra n ós mesmos. - Assim, as fórmulas de
jur amentos imprecatório : " Morra eu . .. caia eu no in-
ferno .. . se eu disser mentira, e eu não tir ar desforra!"
Se pr onunciamos estas palavras de caso pen ado e seria-
mente, que podemos esperar senão sermos logo atendidos
e condenados pela própria bôca ? ão está escrito que
" Deus atender á às imprecações dos maus " 1 (E cl., rv, 6).
2.º MANDAMENTO 173

2.° Contra o ~próximo. - São os primeiros e mais


ordinário ímpeto com que se externa a cólera. A morte,
a condenação, o inferno, são as expressõe mais u adas e
mai rulpada ; havendo reflex ão, são certamente pecado
mortal. onforme o grau de atenção e a importância do
mal de ejado, a outra imprecações serão mais ou menos
grave .
3.° Contra ntes privados de razão. - Na verdade,
a imprecação não ' tão culpada ne te ca o; mas empr e
é mo tra de raiva ou de impaciência, e também é ingra-
tidão para com Deu amaldiçoar uas criaturas e desco-
nhecer os erviços qu e no prestam.
CONC LUSÃ O PRÁTI CA

Se bem que m uitas vêzcs, n a imprecações, ha j a a ntes estou -


va mento e impaciência do que reflexão e má von tade, é muito
dif ícil descul par totalmente as fó rmulas imprecat óri as ; são sempre
contrá rias à caridade cristã e ao r c peito próp rio. - Quanto a os
que já ti ve ra m êste hábito, dev m faze r esforços pa ra emend a r-se,
e neste pro pó ito : l. º desmentir logo e sin cera mente dia nte de
D eus as imprecaçõ s que lh es scaparem ; 2. 0 repará-las por uma
palavr a de bênção ou um a oração a f a vor dos entes contra qu em
exprimira m desejo d infe li cid ade.

'§ IV. - Voto.

Noção do voto. - V á ri as espécie d e votos. - Ob r igação qu e d ecorre do


voto - Circun stâ n cias qu e d is pe nsa m do seu cumprim ento.

137. - Que é voto ?

R. - Voto é wma promessa livre, feita a Deus, pela


qual nos empenhamos, em consciência, em ciimprir iima
boa obra que não seja embargo para outra mais perfeita.
e ta defini ção, encontramos a condições exigidas
para constituir voto verdadeiro, legítimo e obrigatório.
prome a que encerra deve ser livre; e fô se feita a
poder de temor ou violência, a ponto de ser a razão muito

http://www.obrascatolicas.com
174 D E O Á L O G O

pertu,rbada, não seria válida. Sendo ato de adoração e


dependência, o voto só pode ser oferecido a D eus; pode,
na verdade encerrar promessa cujo objeto seja honrar a
santíssima Virgem ou os santos; mas é com Deus que
êste voto nos liga. O voto não é mero propósito, resolução,
mas sim, compromisso r eal, pelo qual fic.amo_s vinculados,
em consciên cia, e sob pena de pecado. Enfim, cumpre
que a matéria do voto, isto é, a cousa prometida, seja
, possível, boa, não trazendo obstáculo para cousa .melhor,
como se impedisse a prática de um dever prescrito pela
lei de Deus ou da I greja, ou pela obediência aos superiores.
138. - Quais são as várias espécies àe votos?

R. - 0 voto pode ser: 1. 0 público ou privado; 2. 0


t em porário ou perpétuo ; 3. 0 absoluto ou condicional;
4. 0 pessoal, real oii misto ; 5.0 simples ou solen e.
1.0 Voto público é o que um Superior eclesiástico
legítimo r ecebe em nome da I greja; privado, no e.aso
contr ário. ·
2.0 O voto é t emporário ou per pétu o, segundo esta-
belece a obrigação par a um tempo det erminado ou para
a vida inteira.
3. 0 É absoluto ou condicional, conforme é feito sem
reserva nem condições, ou depende da r ealização anterior
de uma condição que apontamo . E xemplo : " Se eu sarar
ou se escapar dês te perigo, faço voto de ir a tal r omaria ... "
O voto, então, é obrigatório àmente n o caso de realizar-se
a condição.
4. 0 É pessoal, real ou misto. P essoal quando a pessoa
se compromete a cumprir pqr si mesma o ato prometido:
real, quando a matéria do voto é um objeto ou bens que
se possuem. Exemplo: "Faço voto de dar cem cruzeiros
aos pobres". E sta espécie de votos não obriga somente
a pessoa que os faz, obriga também os herdeiros. Misto
quando a matéria contém a um tempo cousa pessoal e
2.º MANDAMENTO 175

cousa real. Exemplo : " Levarei um ex-voto à Aparecida".


Neste caso, a parte real se transmite aos herdeiros.
5.0 Enfim, di tinguem-se votos r eligiosos de obedi-
ência, pobreza e castidade. O votos r eligio o são solenes
ou simples conforme uma di tinção estabelecida pelo
ódigo de Direito anônico. ·
139. - Que obrigação decorre do voto?
R. - eja qital f ôr a esp 'cie do voto, desde que reuna
a.s condições enunciadas para constititir voto verdadeiro,
há obrigação rigorosa de c1imprir a promessa f eita a Deus.
A honra e a ju tiça o pre orevem, e a lei divina o
diz expr e amente : " ó cumprirei vo o voto ao
nhor" ( . Mat ., v, 3 ) . endo gra e a matéria, é
pecado mortal não umprir um voto. diar a ua
ex cução por um tempo demorado, por n O'ligência e
sem motivo razoável, eria falta. ada no con trange a
fazer voto , r conh e-o a aO'rada E critura; ma e
no tiv rmo mp nhado por prome a, Deu não quer
d longa na execução.
140. - ão haverá razões que possam de truir a obrigação
do voto?

R. - im, quatro ca1t a podem d trwir a obrigação


irnpo ta p lo voto :
1.0 M1tdança d circun tância .
2. 0 irritação on anulação pela aidoridade legítima.
3. 0 di p n a m virtude do poder cl iá tico.
4. 0
comutação.
1. Mn dança d circun tâncias. -
0
a cou a e
tornou impo ív l ou má· a pe oa, por algum rans-
tôrno no eu e ta 1o ou na na fortuna acha inabili-
tada e.e a ntão a obriO'a ão lo voto, para alO'um empo
ou para mpr conform impedimento fôr temporário
ou permanente.

http://www.obrascatolicas.com
176 D E C Á L O G O

2. 0 A irritação ou anulação pela autoridade legítima.


- Assim o pai e a mãe podem anular votos feitos por um
menor; um marido, os votos da espôsa, quando vão de
encontro ao direitos dêle; um superior e um mestre os
dos seus subordinados no que toca ao direito respectivo
dos primeiros.
3. 0 A disp ensa . - Em virtude do poder eclesiástico
de que ão depo itários, podem o papa e os bispos dis-
pen ar do voto , havendo porém razões e contanto o
motivos aduzido não sejam ilu órios. Do votos privados
ó e tão r e ervado à Santa é o de perpétua e perfeita
ca tidade e o de entrar numa Ordem religiosa de votos
solene e só quando feitos de modo absoluto e depois de
completos os dezoito anos de idade.
4. 0 Enfim, a comutação. - Consiste em mudar a
obra prometida por outra obra boa. E ta mudança só
pode er• feita por aquele que tem faculdade de conceder
dispensa. om a comutação, fica o dever de cumprir,
enão a primeir a obrigação, pelo meno a que lhe foi
ubstituída.
CONCLUSÃO PRÁTICA

O vo to é ato religioso bom em si mesmo, e dá mérito maior à


obras que cumprimos depois de as termo prometido a Deus; por
outra par te, torna culpados e criminoso os que o formaram desati-
nadamente, com pouca reflexão. P or isso, antes de fazer voto, é
preciso rezar, refletir, consultar um direto r pru dente e e clarecido,
e não empenhar-se antes de ter recebido parecer favorável.
Quando o voto foi feito com estas condições de prudência e
submisão, será preciso guardar escrupulosamente a palav ra dada
a Deus. " F eliz neces idade, exclama santo Agostinho, que nos
obriga a fazer o que há de melhor. Ânimo, pois, e per ever ança.
Contai com o socorro d ' Aquele que recebeu vossas promessa e
reclama a execução".

http://www.obrascatolicas.com
3.o MANDAMENTO 177

III. 0
MANDAMENTO

Guardar domingos e festas.

Divisão do assunto.

14 1. - Que ordena Deus pelo terceiro mandamento?

R. - O t erceiro rnandarnento manda honrar a D eus


corn obras de piedade cristã, nos domingos e dias sant os.
a lei cristã, como na lei judaica, cornpreende o
preceito da santificação do dia do S enhor, duas cousas :
1 .0 abst nção ele obras servis; 2. 0 prática de certos atos
religiosos.

No domingo, o cristão: l.º obstém·se de obras servis; - 2. 0 assiste à


santa missa e praticet outros atos religiosos.

Por ê te mandamento, Deus ordena de santificar o


dia do enhor , con agrando-o mais e pecialmente ao eu
ervi ço. A lei de Moi é dizia: " Lembra-te de santificar
o dia do ábado". E ra, de fato, o áb ado que devia ser
antificado p lo povo antio-o, em memória do descanso
de Deu depoi de ter criado o mundo. H aver algum

http://www.obrascatolicas.com
178 n ·E e Á Lo ao

tempo consagrado ao culto de Deus, é preceito do direito


natural. Mas, de de a origem do mundo, o próprio Deus
tinha-se re erv:ado um dia sôbre ete, e Moisés somente
lembrou êste dever. Cousa digna de r eparo, em todos os
povos encontra-se a tradição fiel da divisão do tempo
em semanas e da santificação de um dia por semana : é
prova de sua instituição primitiva.
A lei do sábado, sendo abrogada na morte de Jesus
Cristo, a im como as outras cerimônias dos Judeus, os
apó tolos lhe sub tituiram o domingo, porque êste dia
fôra consagrado por dois acontecimentos importantes· do
cristiani mo : r e urreição de Nosso Senhor e <lese.ida do
E spírito anto sôbre o apóstolos no dia do Pentecostes.
a lei cristã, como na lei judaica, compreende o
preceito da antificação do dia do Se.nhor., duas , cousas :
1. 0 ab st enção de obrâs s ervis~· 2. 0 prática de cer.tos atos
religiosos. Vamos fálar <lestas dua,s obrigações.

§ 1. - Obras servis e trabalho proibido no domingo.

D istinção das obras; 1.º sei;vi s e p roibid a.11 ; 2.0 lib'erais e p ermiticlas; 3. 0
comuns ou mistas, toleradas. - R azÕes que a.u torizam o' tra.ball10 do
a oming~: 1.º ciostume; 2. 0 n ec.essida de. pú)füca.; 3. 0 carid ape ; 4 .0
.
precis ões do culto ; 5. 0 r eceio de prejuízo importante ; 6. 0 dispensa .
-,
i42. - Quantas espécies de obras- distinguimos?

R. - Distinguúnos três es'P.écies.: _1. 0 oeras servis;


2.º obras lib erais; 3.0 obras comuns O'U mistas.
I. P or obras servis, entendem- e o trabalhos ma-
n uais, e em geral, as obras na quais o corpo tem maior
parte que o espírito. São chamadas servis porque, de
ordinário, são de empenhadas por ser vos, operários, cria-
dos, que a elas se entregam para ganhar a vida. Arar
o campo, construir casas, lavr ar a pedra, trabalhar no
ferr o, na madeira, coser , tecer , fazer "croché", etc., são
obras servis.
3.º MANDAMENTO 179

II. Chamam-se obras li berais as em que o espírito


tem papel mais importante que o corpo e tendem dire-
tamente à cultura ou ati fação da inteligên cia. L er
escrever, e tudar, de nhar, pintar, cantar, tocar música,
são obras liberais. A sim foram apelidadas, porque
outrora, eram exercidas por pe oa de condição livre.
III. Obra com'uns ou mistas são as que são feitas
pelo espírito e pelo corpo, não dependem de n enhuma
profi ão rv:il ou liberal e ão prati ada por qualquer
pes oa: vestir, cuidar da limpeza, andar, viajar, brincar,
e até, caçar e pe car, são obras comuns ou mistas.
143. - Q1lais são a obra proibidas no domingo.?
R. -As ·obras servis são proibidas no domingo,
embora realizadas gratuitaniente oii em favor de alguma
boa obra.
ão permitidas as obras liberais, ainda que delas se
tire proveito. . . . . . . . . . . . . . . . . . . _. . . . . . . . . . . ..
. . . . A necessidade oii o costiime podem autorizar certas
compras e vendas.
AB obra sernis são proibi la no dia de guarda,
ainda que realizadas em auferir lucro, gratuitamente, ou
até a favor d alguma boa obra. É g ralmente admitido
gue é pr ci o trabalhar dua ou trA hora , seguidas ou
n ão, para com ter- e p calo mortal. O trabalho ervil
de dura ão menor é pecado venial, a não r que fôsse
feito por de prêzo da lei, ou com e cândalo, pois então,
o p cado podia er mortal. /
Quanto à obras lib rais e comiin , é permitido fazê-
la ao domingo, ainda que delas e iire algum proveito.
im, o médico tabeliã , e critore , arti tas, etc.,
pod m cobrar a remuneração de ua funçõ e o preço
de ua obra já que ão autorizada .
Geralmente o negócios e compras ão proibidos no
domino·o, por erem ob táculo para a santificação dêste

http://www.obrascatolicas.com
180 DECÁLO GO

santo dia; contudo, a necessidade ou o costume pode


autorizar certas compras.
Os jogos, divertimentos honestos, viagens, são permi-
tidos, conquanto seja re ervado o tempo devido para o
desempenho do deveres religiosos .
. 144. - Quais razões podem autorizar o trabalho do domingo?
R.-Podem autorizar o trabalho aos domingos: 1. 0
o costimiej 2. 0 a n ecessidade públicaj 3.0 a caridade para
com o próximo j 4. 0 as precisões do culto j 5. 0 o receio de
prejiiízos importantes, 6. 0 a dispensa.
1. 0 O costiime introduziu certas derrog~ções ao
princípio geral da abstenção das obras servis. Quando
está legitimamente estabelecido, aceito ou tolerado pela
Igreja, podemos conformar-nos com êste costume. Assim
é permitido ao domingo, cozinhar alimentos, pôr em
ordem cou as da casa, fazer certas compras que não
foi possível executar durante a semana, etc. Tolera-se
que o padeiro , carniceiros, pasteleiros se entreguem no
domingo ao seu mi t er es, se não puderem atender de
out ra maneira aos pedidos dos fregueses, contanto que
não deixem de assistir à missa. ·
2. A necessidade púb lica. - Dá-se êste caso quando
0

uma preci ão urgente r eclama socorro pronto, como seja


apagar incêndio , concertar pontes, vias férreas, etc., se
aconteceu algum desarranjo. Os marinheiros, carteiros,
empregados do correio, do t elégrafo ou da estrada de
ferro, podem igualmente fazer o trabalho que o serviço
exige, cuidando porém em cumprir o preceito da assis-
tência à missa.
3.0 A caridade vara com o próximo pode autorizar
certo trabalho urge1;te, por exemplo, para levar socorro
na doença ou pobreza extrema, se não houver possibili-
dade de fazê-lo em outro tempo. Uma mãe de fam ília,
ocupada a semana inteira, p oderá empregar nos cuidados
3.º MANDAMENTO 181

da ca a ou do filho , o único tempo que lhe sobra, ainda


ao domingo.
4. 0 A preci õ s do c1tlto. Adornar ou armar altares,
to ar ino , obra permitida no domingo: o erviço
divino a por outra parte, são feitas para honrar
a D u.
receio de prejiiízos importantes pode legitimar,
m c rto ca o , o trabalho do domingo, por exemplo, no
ampo, na ' poca das colheita , na O'rand u inas tocadas
a foo·o, onde a u p nsão do trabalho haveria de acarretar
grande perda , etc.
6.0 Enfim a dispensa pode er concedida pelas auto-
ridad ecl iá tjca . Quando a nece idade não é evidente
e ab ol'uta e apre entam- razõe séria , deve-se pedir
autorização. O bispo pode, ne te casos particulares,
di p n ar eu dioce ano , e o viO'ário, us paroquianos.
Entr tanto, a di p nsa geral e permanente não pode ser
conced ida, n m p lo papa, pois a lei do descanso domi-
nical é preceito divino.
CON LUSÃO PRÁTI A

Ao povo de I sra 1, Deu comunico u outrora promes as e amea-


ças : "Guardai meu dia do sábado, e umular-vos-ei de bênçãos,
v'ossas terra serão fértei , gozarei das doçu r as da paz; serei vosso
Deus, e vós sereis meu povo. . . Mas, se desprezarde minha lei, a
sterilid ade, a fom , a guerra e suas fune tas consequências são
os flag los com qu h i de castigar vossa infidelidade. O céu, para
vós s rá d fe rro, e a terra, como que de aço" (Levit., xxvr) .
Pode-se dizer que a hi tória tôda do povo juçleu foi a realização
dêstes oráculos.
om a lei da graça, vigoram a mesmas promes as o ameaças
•umprindo-se à risca para os indivíduos, as famí lias, as naçõe . A
violação do descan o dominical nun ca deu a felicidade. O t i:abalho
do domingo não enriquece a ninguém ; muitas vêze , pelo contrário,
ocasiona ruínas, e o Espírito Santo disse: " O pecado infelicita
os povos".
Pautemos invariàvelmente a nossa vida pelo seguinte regu-
lamento :

http://www.obrascatolicas.com
182 D E C Á L O CJ O

1.0 Não f azer, ao domingo, obra servil alguma;


2.o ão deixar t rabalha r, de form a alguma, as pessoas que
estiverem a nosso serviço;
3. 0 ão abrir loj as, oficinas, usinas, etc. sem necessidade
verdadeira; ,
·, 4.0 ada vender nem comprar no domingo, exceto em caso de
necessidade imprevista;
5.° Fazer com antecedência as encomendas nas lojas de quem
respeita o domingo.
Assim daremos a Deus honra, e à patria, prosperidade e glória.

§ II. - Atos <religiosos a praticar no domingo.

145. - Quais são os atos religiosos pelos quais santificGITTl.-Os


o domingo?

R. - O único ato reli:gioso) essencialmente necessário,


sob pena de falta grQ/Ve) é o santo sacrifício da missa.
A I greja, porém, aconselha· a assistên cia aos ofícios
religiosos, as leituras piedosas e as obras de misericórdia
espiritiial e temporal.
1.0 O primeiro e principal ato religioso, o único, até
e sencialmente n eces ário, ob pena de falta grave, é a
as istência ae santo acrifício da missa. É por êste ato
e pecialmente que adoramos a Deus, e lhe agradecemos,
pedimo perdão e solicitamos graças. Não há que estra-
nhar, portanto, se a I greja, intérpret e da vontade divina,
fez da mis a o meio principal de santificar o domingo.
Quando explicarmos o segundo mandámento da
I greja, diremos as condições r equeridas para bem se
ouvir mis a, e a únicas razões que podem dispensar a
prática dêste dever importante.
Quem não pudesse assistir à missa deveria substituir
ê te ato religioso por alguma oração, sendo pos ível e
e pecialmente pela união do e pírito e coração com o
sacerdotes e fiéis presentes ao santo sacrifício.
2. 0 Embora seja a assistência à missa o único ato
obrigatório sob pena de pecado mortal, afastar-se-ia do
3.º MANDAMENTO 183

espírito da Igreja, e não cumpriria o fim do preceito, i to


é, a antificação do domingo, aquele que e limita se a
esta prática r eligio a. Por i o, dá- e o conselho de as is-
tir a outras cerimônias; como a bênção que nos dá o
santí imo Sacramento; o ofícios e práticas da noite,
em que r ezamo e apr ndemo o no os deveres. Essas
diver a cerimônia , todavia, não ão con iderada como
obrigatórias, nem ob pena de pecado venial, mormente
quando há alguma razão para nos di pen ar.
3. 0 As leituras piedosa , a visita ao santíssimo Sa-
cramento, a vi itas ao doentes ou às pe soas aflita ,
tôdas as obras de mi ericórdia e piritual ou corporal são
meios excelentes de bem santificar o domingo. A I greja
não as ordena como preceito; porém aconselha sua prática
com tôda a instância da sua eterna solicitude para os
no sos mais caros interêsses.
CONCLUSÃO PRÁTICA

A lei divina, proibindo o trabalho do domingo, procu ra facul-


t ar-nos mais vagar para nos entr garmos ao serviço de Deus
e ao cultivo de nossa alm a; logo, não é bastante conced r descai1 o
ao nosso corpo; mas o domingo deve ser di a ele D eus. Assim há de
11er se dermos ao nosso Criador mais algum t empo pela a sistêneia
assid ua à missa e outras cerimônias. Deve ser tamb'm dia da alma;
e o ser á pela meditação, oração, reflexão sôbre os nossos atos
p assados, estudo dos nossos deveres e boas resoluções que hão de
nà'.scer com a reflexão e a oração.
Depois, se todos forem fiéis a ês e dever r eligioso, há de se r
ainda o domingo dia da f a11iília. · ste dia, reunem-se todos os
membros da família; gozam o mesmo descanso, rezam ao mesmo
Deus, aprendem deveres comuns, a uferem mesmas al grias; aleg rias
profan as que vão de envolta com os excessos, prazeres ilícitos e
remorsos, não, estas não; mas sim, as verdadeiras alegrias do
coração que se encontram principalmente em familia, nos diverti-
mentos honestos. Na verdade, as melhores al g rias são as que a
r eligião proporciona: "Alegrai-vos, diz São P aulo, mas alegrai-vos
no Senhor" (Filip., rv, 4).

http://www.obrascatolicas.com
184 D E C Á L O GO

IV. º MANDAMENTO
Honrar pai e mãe.
Divisão do assunto.
146. - Quais são as obrigações que encerra o quarto
mandamento?

R. - O I V .º mandamento prescreve diretamente os


dev er es dos f ilhas para com os pais. I ndiretamente, po-
rém, abrange os deveres dos pais, dos superiores e dos
inferiores.

Honrar pai e mãe. J es1ts observa o 4 . 0 mandamento.


J
O quarto mandamento pre creve dir etamente os
devere dos filhos para com, os pais. " Honra teu p ai e
tua mãe, reza a lei, para viveres longo t empo sôbre a
terra que D eus te há de dar" . Mas, indiretamente,
abrange, o me mo preceito, outros deveres que nem
enumera, de tão naturais que êles parecem, e deveres,
entretanto, que, hoje em dia, é bom lembrar : deveres
dos pais para com os filhos.

http://www.obrascatolicas.com
4.º MANDAMENTO 185

autoridade
d e então o
lprocam nte,
para om as
baixo de suas

117J rt fl 1"

Expli' ar mo ta div r a obricraçõe nos s cruint s


parácrrafo .

§ I. - D evcrc dos filho tJarn com o pais.


Resum m· m qu ntro : 1.0 respeito; 2 .0 a mor ; 3 .0 obod iê n cia ; 4 .0 a s ist ê ncia
espir itu a l o corpornl.

14 7. - Q1iais são os dev res elo f ilho s para com o pais?

R. - Os fWw d vern ao pais r sp ito, arnor, obe-


d1º ' ncia a si r n ia.

http://www.obrascatolicas.com
186 D E C Á L O G O

Firma-se êste amor na natureza; os próprios animais


não deixam de mo trar apêgo aos autores de seus dias;
in pira- e também na gratidão : quem dirá quantos sacri-
fício não se impu eram os pais; por quantos trabalhos
e pena não pa saram a favor de seus filhos! "Meu filho,
diz a sagrada E critura, não vos e queçais dos gemidos
de vossa mãe" (Ecl., vrn, 29).
O amor filial deve primeiro ser interior e sincero;
depoi , externar-se por palavras afetuosas e bondosas,
e e pecialmente por atos delicados, paciência com os
defeitos, doçura, carinho, solicitude. Odiar em lugar de
amar, r alhar em lugar de suportar, seriam certamente
falta graves.
III. Ob ediência. - É contida no mandamento divino.
orno e pode, de fato, desobedecer e honrar? "Filhos,
diz . P aulo, obedecei aos vossos pais, segundo a vontade
de Deu , que isto é justiça" (Ef., vr, 1) . As leis humanas
não meno que a con ciência, preceituam a obediência aos
pais de acôrdo com .a autoridade legítima.
eguindo o exemplo de J e us Cristo, o menino cris-
tão praticará a obediência p erfeita, isto é, pronta, sem
hesitação nem relutância; alegre, sem que'ixa ou mau
humor; inteira, em tudo quanto não fôr de encontro aos
mandamentos da lei de Deus ou da I greja. O único ponto
em que ce a a obediência é no caso de ordenarem os
pais o mal. Então, é hora de r e ponder com o apóstolo
são Pedro: "Preci o obedecer a Deus antes de obedecer
aos homen " (Atos, v, 29). E ainda, esta resistência não
deve ser de provida de man idão e r espeito.
O pecado de desobediência é mortal empre que se
comete em matéria grave, de oposição com uma ordem
terminante dos pais; nos casos de menos importância,
a falta é venial, tornando-se porém maior se a desobe-
diência fôr habitual.

http://www.obrascatolicas.com
4.º MANDAMENTO 1 7

IV. Assistência. - Consi te em auxiliar os pais nas


sua necessidades corporais ou espirituais : 1. 0 nas neces-
sidades corporais, ajudando-o com nossos de velos, nosso
dinheiro, na doença, velhice, pobreza. A caridade cristã
já impunha êste dever; com mais instância ainda vem
a gratidão prescrevê-lo: "Cuidai da velhice de vosso
pai. . . Amaldiçoado é o que provocar a ira de sua mãe"
(Ecl., m, 13 ).
2. 0 Nas nece idade espirituais devemos aos nossos
pais auxilio e socorro durante a vida, rezando por êles,
levando-o a aproximar- e de Deus, facilitando-lh es, es-
pecialmente na doença, os socorros da religião. Depois
da sua morte devemo rezar pelo descan o de sua alma,
e cumprir religiosamente suas últimas vontades.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Queremos saber o que Deus promete para a observação ou a


violação do quarto mand amento~ Aí está o que referem os livros
santos: '
Primeiro, ameaças contra quem não o observar:
"Maldito seja o que não honrar seu pai e sua mãe (Deut.,
X.XVII). Sejam os olhos que insultarem o pai a rrancados pelos corvos
da torrente e tornem-se pasto da prole da água ( Prov., xxx, 17).
E depois, promessas a favor dos que forem fiéis :
"O que honra seu p ai e sua mãe é como o homem que vai
ajuntando tesouros. O que honrar o pai achará alegria nos próprios
filhos e, um dia, será atendida a sua oração" (Ecl.., rn, 5) .
Enfim, uma vida dilatada na terra, o que pode significar dias
prolongados, e também posteridade f eliz e abençoada e especial-
mente a vida eterna no outro mundo: é esta a recompensa que o
próprio Deus garante aos que forem fiéis aos deveres da piedade
filial. -
§ II. - D ever es dos pais par a com os filhos .
Tr ês de\•eres principai s: 1.º a feição; 2. 0 edu<:ação; 3. 0 exemplo.

14 8. - Quais são os principais deveres dos pais para com


os f ilhos?
R. - Os deveres dos pais para com os 1ilhos resu- /
mem-se na afeição, na educação e no exemplo.

http://www.obrascatolicas.com
188 D E C Á L O G O

I. Afeição. - A própria natureza depositou nQ


âmago do cor ação do pai e da mãe, o sentimento do afeto
levado até a ternura. Por i so, podemos notar que em
parte alguma, não formularam os nos os santos livros a
obrigação para o pais de amarem os filhos. Mas devem
amá-lo de maneira verdadeiramente cristã, sobr enatural,
segundo a vontade de Deus que os deu. Êste amor será
sern fraque za, isto é, isento · de tôda complacência mole
para eu defeitos; sem preferência, pois muitas vêzes
a predil çõe são injustas e perigosas; sem egoísmo, isto
é, devem os pais lembrar-se que os filhos são de Deus
antes de pertencer em ao pai e à mãe, e então se Deus os
pedir pela morte ou pelõ sacerdócio ou pela vocação
l·eligio a, devem oferecer êste sacrifício a Deus com
genero idade e ubmissão.
II. Edit cação. - Êste dever é duplo; abrange os
cuidados a dar ao cor po e os que é preciso dar à alma.
A educação corporal diz r espeito a tudo quanto se iela-
ciona com a vida material e terrestre : comida, roupa,
exigência da saúde, colocação conveniente dos filhos
segundo a sua condição. A educação espiritual, muito
mai importante, consiste em formar cuidadosamente o
(Jspírito e o coração dos filhos. Forma-se o espírito pela
in trução, de acôrdo com a condição das famílias; essa
instru ção deve ser, ante de tudo, r eligiosa e cristã.
Forma-se o coração e a alma dos filhos, observando seu
pro edimento , avisando-os dos seus defeitos, melhorando
o seu gênio. Muitas vêzes, é necessário empregar para
isto a correção, c.om acêrto e prudência, sem dúvida,
por ém com ânimo e firm eza, sempre lembrando a palavra
do E spírito Santo: " Quem ama ao filho não lhe poupa
o castigo" (E cl., xxx, 5) .
III. E xem plo. - Vem de molde o dito do grande
Vieira: " As palavras sem exemplo são tiros sem bala" .
F énelon dizia: "Serão de pouco proveito as lições se os

http://www.obrascatolicas.com
4.º MA NDAME NT O 189

exemplo a de mentirem'. Com efeito, o melhor estímulo


para o bem , o ex mplo. im o entendia Nosso Senh or,
poi ante de impor prec ito , começou dando exemplos.
O pai dev m, portanto pôr · o maior empenho em n ão
d ixar que u proced r de toe dos seus conselhos, e
cuidar particularmente da ob ervância exata das práticas
relio·io a , como a ora ão cotidiana, antificação do do-
mrnO'o ob diAncia à lei da ab tinência, frequentação
da anta me a etc.
CONC LUSÃ O P RÁTI CA

Será proveitoso meditarem os pais cristãos nos conselhos


comovente que são Luís, rei de França, quando estava p ara morrer,
dirigia ao filho F elipe, conselhos que tinha escrito com a própria
mão : "Meu filho, a primeira cou a que a mbiciono para ti, é amares
a Deus com todo o coração e d ejares sofrer t ôda a espécie de
tormentos antes do que o ofenderes mortalmente. Vai confessar-te
muitas vêzes e escolhe confessor sábio e prudente, que tenha ânimo
de censurar tu a falt as e mo tra r-te o def ito . Assi te com devoção
ao ser viço divino. Ama o bem, seja onde f ôr, odeia o mal se,ja
qual f ôr. Tem dó dos pobres, re peita seu direito como o direito
do ricos. Ampara, protege, am a, hon ra t ôdas as pessoas da Igreja.
Eu te supli co, meu querido filho, lembl'a-te de mim e da minha
pobre alma e procura em todo o reino socorro de missas, rezas e
esmolas. Eu t e dou tôdas as b ênçã os que um bom pai pode dar ao
filho estremecido". F lizes os filho s que r eceberem tais conselhos;
mais f elizes ainda o que receberem tai exemplos 1

§ III. - D eve res dos infe riores p a ra com os supe riores.

D everes parti culares: 1.0 ci os n lu nos pa r a com os mes tres; 2 .0 cios servos para
com os donos; 3 .0 d os súd it os par a com o sob erano e a s a utoridades ;
4 .0 dos fi éis parn com os chefes es pir ituais.

149. - Quais são os deveres dos inferiores pa~ a com os


su periores?

R - Os dever es dos inferiores para com os superiores


variam, conforrne a natureza da autoridade e a condição
dos inferiores.

http://www.obrascatolicas.com
D E Ç Á L O G O

Nas condições d e inferioridade, enoontramos: 1.0 os


al'lmos, que dependem dos mestr es ; 2. 0 os servos ou
criados, que obedecem a senhor es ou donos; 3. 0 os súditos,
que estão debaixo de uma autoridade temporal ou civil;
4.0 os fiéis, que tê.m acima de si superiores espirituais
ou eclesiásticos. O.ra, eis aqui seus deveres respectivos.
I. Aos mestres que se ocupam da instrução e da
educação, delegado e r epresentantes dos pais, na obra
mai e pinho a e delicada, devem os alimos os mesmos
sentimentos e a me mas atenções que ao pai e à mãe,
portanto: 1·espeito, pois os mestres são imagem a um
tempo de Deu e da família; amor, baseado na gratidão
pelo maior do benefícios; obediência às si;ias ordens
legítimas e aos eus bons conselho , principalmente no
tocante à instrução e à educação ; finalmente, senão
assistência, pelo menos o pagamento de uma dívida ·de
justiça, dando-lhes retribuições <ionvenientes. "Nunca,
dis e Aristóteles, se pode dar aos mestres o valor dos
se:i:-viços que prestam".
II. Os servos, operários ou criados, devem aos donos
ou senhore : respeito, pois é de Deus que êstes r ecebem
a autoridade: "É o Senhor a quem devereis servir quando
os servirde ", diz são Paulo (Gol., xxm, 24); portanto
cuntinua o Apóstolo, os criados devem considerar Deus
na pes oa dos superiores, cumprir com tôda a boa vontade
suas ordens, auxiliando-os com afeto, sem os ID:elindrar
por palavras impertinente : ob ediência no trabalho r eque-
rido e no modo de executá-lo: é dever rigoroso de justiça;
enfim, a fidelidade, i to é, devem geralmente advogar os
interês e dos donos, não lhes causar nenhum prejuízo
e empregar conscienciosamente o tempo que têm de dar
ao serviço.
III. Os súditos de um Estado devem ao soberano
e aos seus delegados (ministros, o'ficiais, magistrados,
juízes, etc.) honra e respeito; pois sua autoridade, já ·

http://www.obrascatolicas.com
4.º MANDAMENTO 191

que ' legítima, vem de Deu : "É por mim, diz êle, que
o r ei governam e o le o·i ladore di criminam o que é
ju to " (Ecl. x 2). "O oberano acre centa . Paulo, é
mini tro de Deu para o bem' (Roni., xm). - egundo,
a obediêncfo em tudo o que fôr .ju to e não e afastar
da lei d Deu e da Io-r ja: ja tôda a alma, fala ainda
. Paulo ubmi a ao podere , porque o pod r vem de
Deus (R rno., xm). Mai : ' Quem r e i te ao pod res, a
Deu r ei te' (Ib .). Diz m mo o apó tolo . Pedro:
" b d i ainda que o m tre ejam de apiedados e
aborrecido ( . P dro, u, 1 ) . Deve- e à pátria, e
portanto ao qu a governam, o pagamento do irnposto
qnitativo; é ainda . Paulo quem o en ina: "Pagai o
tributo a quem fôr d vido" (Rom., xm). Deve- e até se
" fôr nece ário, o impo to do sangue, quando é reclamado
para a ua def a. Enfim, todo o cidadão eleitor fica
obrigado, perante o paí e a própria con ciência, a votar
unicamente a favor d candidatos que re peitam a Deus,
a r eligião, o dir ito, a ju tiça, e tôda a liberdades cristãs
e ábia .
IV. O fi 'i t Am sitpe1·iores espirituais ou ecle iás-
tico , que ão: o papa, o bi po , pároco , acerdote ...
A êle devem re peito religioso pelo caráter sagrado de
que e tão r eve tidos. " orno , diz . Paulo, embaixadores
de ri to, cooperadores de Deus, mini tro de J esus,
admini tradore do seus mi térios" (II Corínt., VI, 4).
O re peito empre deve exi tir para com o mini tro, sem
embargo dos defeito ou das imperfeiçõe do homem. Em
egundo lugar, amor filial e grato por todos os benefícios
que dêle e recebem na ordem da graça, desde o berço
até o túmulo; depoi , obediência perfeita, como a Deus,
em tudo quanto se refere à religião. Enfim, os fiéis
devem ao mini tros do culto assistência temporal e
espiritual : temporal, contribuindo, de acôrdo com a ordem
estabelecida na satisfação das precisões dos sacerdotes e

In st. Relig. - 7

http://www.obrascatolicas.com
192 D E C Á L O G O

pontífice , pois segundo a palavra de S. P aulo, " o oficial


mer ece salário", e quem erve no altar p recisa viver do
r endimento do altar; o fi éis devem prover especialmen te
às neces idades do Sumo Pontífice, muito mais urgentes
hoje em dia; enfim, a sistência espiritual, ajuda com o
socorro de sua oraçõe aos ministros da I greja, que sacr i-
fi cam. tempo, saúde e vida em prol das almas, recolhendo,
muitas vêze , em paga, a ingratidão.
150. - Devemos respeitar e ob edecer a tôdas as leis, impostas
pela autoridade civil?

R. - im ). d evemos respeitar e ob ed ecer a tôdas as


leis impostas pela a1üo1·idade civil) contanto que não sejam
cont?'árias à lei d e D eus.
151. - Que outras ob rig ações nos vmpõe o quarto mandamento
para com a sociedade civil?

R. - O qum·to mandamento impõe-nos a obrigação


de, na m edida d e nossas f ôrças, promovermos a prospe-
1·idade e o bem da sociedade civil, onde nascemos, que é
a no a pátria.
152. - De que modo concorremos para a prosperidade de
nossa pátria?

R. - Concorremos eficazmente para a prosperidade


da nos a páfria, se procuramos que seja governada por
cidadãos idôn eos, r es peitadores da r eligião e da moral.
153. - Qlle ha'vemos de fa zer para que a nossa pátria seja
bem governada por cidadãos idôneo , respeitadores da religião e
da moral?
R. - Para qu e a nossa pátria seja governada por
cidaclüos idôneos, 1·es peitadores ela religião e da moral)
d eve mos exercer o dir eito elo voto segundo os r estritos
ditam es da consciência.

http://www.obrascatolicas.com
4,0 MA N D AMEN TO 193

154. - Quais são os ditam es da consciênc-ia com relação a-0


direito do voto?

R. - Os ditames da reta consciência com relação ao


direito do voto ão que ela não nos permite concorrer com
o voto para a eleição de homens sem capacidade, sem
r eligião e sem moral, 01t 'filiados a seita inimigas da
I greja.
CON LU ÃO PRÁTICA

Quanta felicidade e quanta paz na socfodade domés tica, quanta


s gurança no Estado, e qu a nta b 1 za harmonio a na I greja, todos
os deveres que aduzimo fo sem fielmente cumprido por todo o
inferiores ! - o comêço do cristia ni mo, notou a oci dad pagã,
que m todo luga r e s mpr , os cristão eram r p ito o , ob di nt ,
d licados; começou a admirar, d pois entrou a amar uma religião
que pedia alcançava tão b los r ultado . Re p ito, amo r, obe-
diên ia, dedicação: is a virtude cuja prática há d con ervar a
escola, o lar pat rno, a nação bra il íra e a oc i dad mod rna ,
que o torno o pírito d ind I nd ência d r volta om1 r a alta
o am aça solapar.

§ IV. - D cve re do up c ri o r p a ra co m o in fe rio r .

Dever s p11rtic ul6res: l.º elos me tre pnr11 rom os elisclpulo ; 2. 0 elos donos
1mrn C'O m o criado ; 3.0 dus elivcr 11 11utorielud para com o súditos;
4 .0 do chores piritunis pnrn com o lióis.

" 155. - Qua i são o cl t' rc elo S'ltpcrior s para com os


inf eriores?

P ar a vamo

eh f
autoridad
r ligio a.
I. vAz do pai ,
dvm rem confiado ,
af ição fraqu za pareia-

http://www.obrascatolicas.com
194 D E C Á L O G O

lidade, antificada por intuitos · cristãos; educação inte-


lectual e moral baseada no cristianismo e reunindo man-
sidão e firm eza ; quando neces ário, correção, prudente
e justa, e sempre, bom exemplo.
II. Os donos e as donas de casa, os chefes de 'itsina
ou de oficina devem aos operários, criados, empregados,
etc., o alário conveniente, segundo a ju tiça : "Não fique
a recompen a do jornaleiro, um dia sequer, nas vossas
mãos", dizia Tobias a seu filho (Tob. , rv, 15 ) . Com o
alário aju tado, devem ainda a comida necessária, os
cuidados exigidos pelas doenças que o serviço tiver
oca ionado e, às vêzes, socorros particulares, conforme
pre creve a caridade.
Mandando, empre devem usar de mansidão e bon-
dad e, lembrando-se destas palavras da sagrada Escritura:
"Quando tiverdes um servo fiel, amai-o como vossa alma,
e tratai-o como irmão". (Ecl . xxxm, 21 ) . - " Xão há
mais escravo, nem homem livre; todo são filhos de
.Deu " (Gal., m, 2 ) .
l ão devem andar esquecidos da alma dos que lhes
for em ubmetido , mas vigiar no seu proceder, repre-
endê-los quando útil, facultar-lhes os meios de praticar
os dever r eli gio os e dar-lhe bom exemplo.
III. Os que são depositários ela autoridade temporal
ou civil deYem aos subordinados jitstiça e proteção. São
obrigado a manter com firmeza a ordem p1~iblica, defender
pes oa ou propriedades contra ataque inju tos, r espeitar
e faze r re ·peitar as leis civis, manter e proteger a liber-
dade r eJigiosa, entre a liberdades t ôdas, a mais preciosa,
a mais sagrada.
IV. O superiores eclesiásticos, representantes da
autoridade espiritu al e religiosa, devem aos subordinados,
o ensino religioso proporcionado às suas necessidades ; os
socorros do seu ministério em tôda as precisões da alma,
na saúde ou na doença; a correção dos escândalos, maus

http://www.obrascatolicas.com
5.0 MANDAME TO 195

idã à firmeza;
nCim, nf rme
a n idad

V. 0
M ND MEN'rO
Não m a tar.
Divi ã o d as unto.

156. - Que pro íbe D eus p lo quinto man lam nto?

matar e
d

111 SIDO
dá, por
pr e ito
OU!O O d -

http://www.obrascatolicas.com
196 DECÁLOGO

Enfim, por e en ão o man am n


dani icar a vida na ural do pró_ imo. i
·orpo proíbe por i...,.ual pr'judicar a vida d
que denomina vida obrrnat irai, pr vo ando
pelo e cândalo.

- 'Ao li T.AR - O n •Jo•o r.a(m ma l a o (r lo b•l.

Di"i<1in•mo <'m doi


manr1am n ''; o
a 1·1rln nfl/11ral, " o
e J>Ín "ª' do pr/1 imo

§ J. - n tur 1.

J i . - r omo p d,. ca or pr"J o à ralt

http://www.obrascatolicas.com
5. 0 MANDAMENTO 197

158. - Qite é suicídio e q11e idéia se deve formar dêle?

R. - O si1,icídfo, crime de quem dá a morte a si


p1·óprio, é pecado graví simo, pois constit1ti um atentado
contra Deiis, injiistiça contra a sociedade, crueldade para
consigo e grande cobardia.
1. 0 É atentado contra Deus, cujos direitos u urpamos.
õmente êle é me tr da vida: ' "le quem no-la deu e só
"le no-la pode tirar. oncedeu-no o u o dela, porém não
a propriedade.
2. 0 É injiistiça para com a sociedade, que no criou,
educou, in truiu e, portanto, tem direito ao erviços que
lh podemo pr tar. Quem e mata rouba à família um
m mbro, à pátria um cidadão, qu lhe podia er útil.
3. 0 É criieldade para consigo; com efeito quem se
dá a mort impô - e um mal pre ente, e de penha- e
na ond na ão t erna, poi ordinàriam nte perde a vida
no própri ato do crime, m haver t empo para o arre-
pendimento.
4. 0 Enfim, long d r ato de coragem, não pa sa o
ui ícli d cobardia; dá abo da vi 1a quem não po ui
a . devida nerlYia para uportar uma dôr fí ica ou moral.
r enhuma razão pod de ulpar o uicídio voluntário:
para in pirar horroIJtd" e rim , n ga a IO'reja o o orro
da ua ra õe e a..a honra da epultura cri tã ao
qu morr m p lo uicídio em t er em dado prova de
arrependim nto.
É proibido ainda apre ar a hora da morte por um
trabalho exc ivo, intemp rança ou avareza; expor-se
à morte, a não r por d dicação, para o bem público
u por caridad ; ferir- , a não er para evitar perigo
d morte provável, e enfim de ejar a morte, levado pelo
d ânimo.

http://www.obrascatolicas.com
198 D E C Á L O G O

159. - Que é homicídio?

R. - H omicídio é a morte dada voluntária e _inj~­


. _mente ao próximo.
H omicídio é a morte dada voluntária e injustamente
ao próximo. P õe-se-lhe o nome de parricídio, fratricídio,
infanticídio, regicídio segundo fôr a p essoa assassinada,
um pai, irmão, filho, r ei.
O homicídio é crime horrível, formalmente proibido:
"Não matar " (Deiit., xxv); atentado contra o soberano
domínio de Deu ; injustiça para com a vítima, sua fa-
mília e a sociedade. Por i so, geralmente, as leis humanas
condenam à morte os as a sinos e a I greja os declara
excomungados.
É culpado de homicídio - não de fato, mas por
intenção, - quem t em de ejo de ma ar e procura fazê-lo,
embora não o con iga.
O homicídio por im prudên cia não é culpado no
mesmo gr au; pode ser , contudo, falta mai ou menos
gr ave, conforme a imprudência cometida .

159 bis. - H averá casos em que se pode matar alguém sem
que haja culpa de homicídio?

R. - II á 3 casos em que o homicídio é permitido :


1.0 para exerc r o clii'eito da sociedade; 2. 0 em caso de
gii erra; 3. 0 em caso de legítima defesa.
O homicídio é permitido em trê circun tâncias:
1.0 É direito da ociedade de faz er- e do criminoso ,
e a pena de rnort tendo ido entenciada pela ju tiça,
é lícito aos executores infligir e ta pena.
2. 0 O direito da gu erra autoriza o oldados a ferir
ou matar o inimigo , sendo a guerra ju ta e legitima-
mente declarada.

http://www.obrascatolicas.com
5. 0 MANDAMENTO 199

3. 0 O direito da defesa legítima permite, - caso não


haja outro meio de livrar- e, - de matar o agres or f- <tC
inju to que ameaça no a própria vida ...-
160. - Que é duelo e como devemos apreciá-lo?

R. - Duelo é o combate entre dua p ~ que lutam


com perigo de perder em a vida oit sairem f eridas, e isto
diante de testemimhas designadas e tendo determinado o
l1t ar e a hora do encontro, assim como o modo de com-
bater. - O ditelo é rigorosamente proibido pelo direito
natural, pelo direito divino e pelo direito eclesiástico.
O duelo é rigoro amente proibido:
1.0 P elo direito natiiral. - enhum homem, com
efeito, t em direito na ua vida, nos seu membros, nem
tão pouco na vida ou no membro alhei os.
2. 0 Pelo direito divino. - A lei que proíbe o homi-
cídio, proíbe com a mesma fôrça, expor-se a perder a
vida ou atacar a vida do próximo. E sta falta é tanto
mais grave que o combatente e expõe e expõe o adver-
sário a morrer no próprio ato de pecado mortal e a cair
no inferno.
3. 0 P elo direi.to eclesiástico. - Com efeito, a I greja
une suas condenações às de Deus ; fere com excomunhão
os, atores e testemunhas, e nega-lhes a sepultura cristã
se falecer em sem t er feito penitência.
É êrro pensar que os chefes militares t êm direito
de impor o duelo aos subordinados : se o fizerem, será
violando o direito e violando a lei e seria ainda o caso
de r esponder com a palavra do Apóstolo. "Melhor vale 1
obedecer a Deus do que aos homens".
l'
161. - Não há outras cousas condenadas pelo quinto manda- 1
mento ? 1 '
l

R. -Ainda que o preceito não fal e senão de homi-


cídio, proíbe mais tudo quanto pode ser origem dêle, oit

http://www.obrascatolicas.com
200 D E C Á L O G O

a êle nos levar, e com maior razão as pancadas, feridas,


· mili1'lação.
e o mau trato infligidos ao prox1mo são graves
em i m smo ou nas suas con equências, a falta é
mortal, e impõe o dever de compen ar todo o preJmzo
que re ultar. - Se esta falta e dirigiu a um sacerdote ou
a pe oa consagradas a Deus, há excomunhão r eservada
ao papa. (' ~"'

ão õmente ão proibido os maus tratos, mas o


Evangelho de J e u Cri to, aperfeiçoando a antiga lei,
que tolerava a de forra e autorizava a pena do talião,
' olho por olho , dente por dentes", vai até con denar
todo o ódio, t ôda a injúria, tôda a palavra e mesmo todo
o pen amento contra o próximo. "E eu vos digo, - declara
o o enhor, - que e um homem qualquer deixa entrar
no e.oração a raiva contra o próximo, merece ser julgado
pela ju tiça de Deus; que se êle di ser ao irmão Raca
(i to é, palavra de afronta ou desprêzo), merecerá ser
ca tigado e e êle o chamar de loilco, merecerá o próprio
inferno" ( . Mat ., v, 22).
CONCLUSÃO PRÁTICA

O pre ervativo de t odo pecado col!tr a o quinto mandamento,


é a caridade : a caridade para com Deus no resguarda do de espêro
e in pira-no a re ignação; a caridade para com o próximo nos faz
e quecer e perdoar, afasta do nosso coração todo o sentimento de
ódio ou desejo de vingança.
Quando a caridade mora no coração, domina-o, senhoreia
tôdas as impaciências, os impetos, as primeiras emoções da eólera;
leva S. Gzialb erto, não a vingar-se, mas sim a atirar-se aos braços
do assassino de seu irmão; leva S . Francisco de Sales a ouvir
sossegado as injúrias e a redarguir: "Assim mesmo, amo-vos como
a um irmão". Portanto é com tôda a razão que o apóstolo . João
conclui: " 0 que ama seu irmão habita na luz, e para êle não há
ocasião de pecado" (I S. João, n, 10 ) .

http://www.obrascatolicas.com
() . o ?lf A N D A M ll1 N 11' 201

§ n. - lclu I' plrlhtul : cíi nclulo .


Jnsofin dulo : v~ r lns s p •I s. - lll" 1•l11 çn n t oll\g l1•11 . - 1Gsufi 11d11lnH 1r rn vos o
f1· 1111 nt s.

1 >2. - 11 6 s1li 11rfolo ?

a of ?1d ?' a, D 11 s,

f íl ZC'l' J'll' im
•0 11 Hn p r 1win s
111 1 cm p(1bli ,
1 ·1·pjn,1 l. m um

l l3. - Q11.e l mos JUJ11Hfl,t âo peMrlo cl IJO 11rla.lo?

lt . -

nsi ndo t· qu dá s fin-


http://www.obrascatolicas.com
202 D E C Á L O G O

dalo trabalha com o demônio para perder almas que Jesus


Cristo veio remir com o sangue. Ora, se já é criminoso
tirar ao próximo a vida do corpo, quanto mais grave não
é o crime de perder-lhe a alma!
2.0 O mal produzido pelo escândalo, é muitas vêzes,
irreparável. O próximo escandalizado pode, por sua vez,
t er comunicado a outras vítimas o mal que lhe fôra ·
transmitido. E quem há de dizer o sem número de
pecados que um primeiro escândalo pode ter causado?
E onde se há de ministrar o r emédio?
São estas graves r eflexões que faziam Nosso Senhor
dizer no E vangelho : "Ai daquele que der escândalo !
Melhor f ôra para êle que lhe suspendes em ao pescoço
uma pedra de moinho e o jogassem ao ·mar!" (S. Mat.,
X VIII, 7 ) .

164. -Apontai algims escândalos mais f reqitentes e 7níJ-iS


graves?
R. - D evemos considerar corno culpado de escândalo
grave :
1. 0 Quem fa z alarde da impiedade e dá ex emplo
triste e nefasto, empenhando-se em a1>agar a f é nas almas
e o sentimento r eligioso nos corações.
2. 0 Quem pitblica, compõe, vende livros ou jornais
tratando de assuntos imorais ou ímpios.
3. 0 Quem escreve peças de t eatro con tra a religião
ou os costumes, ou as representa.
4. 0 Quem faz ou expõe estátuas, pinturas, 'fitas ou
desenhos imodestos.
5. 0 Quem ostenta a depravação e ofende as leis da
decência por seu traje ou suas atitudes.
Acu ar-se dêste pecados na confis ão não é bastante:
cumpTe r eparar o mal feito e se foi público e con ide-
Tável, também a r eparação ou r etratação tem de ser
pública e solene.
http://www.obrascatolicas.com
I

6.º E 9.º MANDAMENT OS 203

CONCLUSÃO PRÁTICA

l.º Relativamente ao escândalo recebido, impõe-nos a caridade


o dever de interpretar com indulgência a palav ras ou atos duvi-
dosos ; a vigilância manda qu e afa temos do nosso espírito os maus
efeito que poderiam produzir e a generosid ade deve levar-nos a
pôr em prática o conselho do divino Mestre : "Se vossos olhos,
vossos pés ou vossas mãos, - i to é, o que mais prezais neste
mundo - forem ocasião de e cândalo, arrancai-os e atirai-os para
longe de vós" (S. Mat., xxvm , 8).
2. 0 Rela tivamente ao e cândalo dado, cumpre: nunca dizer
palavra nem fazer a to algum que possa ser ocasião de escândalo
e de queda; deixar de faze r até aq uilo que pode nos parecer bom
mas não é ordenado, logo que percebemos que assim podíamos
escandalizar os fracos; repara r os escândalos de palavras por
con elbos melhores, os escândalos de ação por melhores exemplos. ·
"Senhor, repetia o santo rei Davi, purificai-me dos meus
pecados secretos, e poupai ao vosso servo o castigo dos pecados
alheio que podia ter causado" (Salmos, xvm, 13 ).

VI. 0
E IX. º MANDAMENT .OS

Não p ecar contra a castidade.


Não desejar a mulher do próximo.

Divisão do assunto.

165. - Que proíbe Deus pelo sexto e nono mandamentos?

R. - P elo sexto rnandarnento Deus proíbe os pecados


de luxúria, isto é, qualqiier ato exterior contrário à santa
virtude de pureza. O nono preceito vai alérn. Condena
o desejo voluntário, o simples pensamento do mal.
A pureza, que se chama também modéstia cristã, bela
virtiide, virtiide angélica, manda que respeitemos o nosso
corpo qual templo a Deus consagrado, e condena tudo
quanto lhe poderia embaciar a inocência.

http://www.obrascatolicas.com
204 D E C Á L O G O

O nono preceito vai além, e debelando o mal na


própria raiz, condena até o de ej o voluntário, o simples
p ensamento do mal. "No coração é que se ongmam os
atos vergonho o " (S. 111at., xv, 19). Poi· i so quis Josso
Senhor , renovando e aperfeiçoando a antiga lei, proibir
o próprio de ejo do mal.

Sodoma é destruída· por uma chut•a de fogo: pecou contra


o 6. 0 mandamento.

O atos e.rteriores e interiores contra a pureza formam


o objeto dir to das proibições dos preceitos exto e nono,
que reunimos por tratarem do mesmo a sunto; mas êstes
dois manclamentos proíbem indiretamente tudo quanto
pode Yir a ser ocasiüo de pecado contra a pureza.
Dividiremos cm três parágrafo. a explicação e
diremos: 1.0 os pecados contra a santa virtnde, assim
como suas ocasiões; 2. 0 a gravidade dos pecados de
luxúria; 3. 0 os preservati1.Jos e remédios contra ê tes
pecados desastrados.

http://www.obrascatolicas.com
6. 0 ' E 9. 0 MAN D AMENT O S 205

§ 1. - Pecados proibidos pelos VI.º e IX.º mandame nt.o s .

Atos exteriores. - Atos interiore . - Principais ocasiõ es de irnpur za : 1. 0


rnlts leituras; 2 .0 espetácuJos ; 3. 0 da nsas e bail ; 4. 0 r e uniões
mundanas.

166. - Qitais são os principais pecados proibido por êstes


dois preceitos?

R. - O sexto preceito proíb e atos ext eriore , e o nono,


atos interiores opostos à p1ireza.
P elo nome de atos exteriores, deve- e entender tudo
o que e manifesta para fora. ão:
1.0 Tôdas a açõe indecent es, denominada ainda
impiirezas ou pecados v ergonhosos, porque constrangem
quem os comete a corar perante Deus e perante os
homens. Cometidos a ó ou com alguma pe soa, êstes
pecados ão mortais por natureza, e podem mudar de
espécie conforme a pe oa , os l ugare , os atos. Então,
tais circun tância devem s r declarada na confissão.
2. 0 Os olhar s mau , isto é, fitos, sem necessidade e
com reflexão, sôbre pessoas ou objetos que podem levar
ao mal; ão qua e empre p ecado mortais, por causa, ao
menos, do per igo próximo de con entimento.
3. 0 A conv ersas de honestas ou livres, palavras ou
cantos obsceno ou de significação dupla, pronunciadas
ou ouvidas com intenção ou perigo próximo de excitar em
si mesmo ou nos outros a impressão do mal, ão pecados
mortais.
Com o nome de atos interiores, contra a pureza, é
preciso entender o que e dá tão somente no e pírito e
no coração. ão :
1.0 O maiis pensamentos livremente consentidos.
A idéia do mal, e a rep elirmos; a própria impressão
que a acompanha, e fôr combatida, não ão pecados.
Mas é no beneplácito da vontade demorando-se e com-

http://www.obrascatolicas.com
206 D E C Á L O G O

prazendo-se no gôzo excitado pelo pensamento, que está


o pecado; é mortâl se a cousa é verdadeiramente má e o
consentimento inteiro; venial, se a matéria fôr leve ou
o con entimento imperfeito.
2. 0 Os maits desejos. - Ao simples pensamento,
ajuntam-se então a intenção e vontade de cometer o ato
mau. Neste caso, t êm a malícia e a gravidade do mesmo
ato, se o consentimento fôr inteiro.
167. - Qiiais são as principais ocasiões exteriores de pecados
contra a lJUreza ?

R. - As principais ocasiões ext eriores dos pecados


contra a pureza são as más leititras, os maus espetáculos,
as reimiões mimdanas, as danças e os bailes.
Chama- e ocasião de pecado tudo quanto, no estado
de n ossa natureza decaída, leva mais particularmente ao
mal, e oca ião ext erior então, a que encontramos fora do
nosso e pírito viciado e do nosso cor ação inclinado para
a corrupção, no obj etos, nas pe soas ou circunstâncias
que levam · ao pecado. Diz-se que a oca ião é próxima,
quando leva diretamente ao mal e acarr eta qua e sempre
uma queda; remota quando leva indireta e fracamente
ao pecado.
E xcusado é dizer que a mesma lei que proíbe o peca-
do or dena também de fugir da ocasiões que conduzem
a êste pecado, especialmente e forem próximas. Ora, as
principai ocasiões dos pecados contra a pureza ão:
1.0 Más leiturns; êste têrmo geral abrange : os livros
ímpios, que abalam a fé e atacam a moral pur a ; os livros
licenciosos, em que se apresenta o vício em tôda a sua
realidade; os romances mais ou menos perigosos, onde
a paixão entra em cena de modo cativante; as fôl has
diárias ou revistas periódicas que, sôbre trazerem todos
os inconveniente do romance, têm o perigo de excitarem

http://www.obrascatolicas.com
6.o E 9.o M A N D A M E N T O S 207

mais a curiosidade ; e enfim os livros fút eis, que, embora


não sej am absolutamente maus, falseiam o juízo, desviam
a imaginação, fazem perder o gôsto da piedade, e aos
p ou cos causam a derrota da virtude. A má leitur a é
pecado mortal t ôda as vêzes que é f eita em livro conde-
n ado pela I gr eja, se oubermos da condenação, e mais,
quando, ainda que o livro não seja formalmente proibido,
deixa e ta leitur a "pen amento , idéias, impre ões cuja
·ver dadeira culpabilidade é fácil r econhecer .
2. 0 E spetáculo . P or ua n atur eza, os e petáculos
não são mau em absoluto; podem me mo contribuir a
elevar a alma, quando tiverem em mira um fim moral, e
ão admitido até na ca a de educação cri tã. Mas em
no· o· t empo , o e p táculo público , tornaram- e cou a
diferente. A mai da vAzes, ão e cola de imoralidade
em que o v tc10 ai glorificad o e a virtude ludibri ada.
Abra am a imagina ão e qua e fatalmente arra tam a
vontade para o mal: por i o con tituem oca ião de pecado.
m autor drarn áti o, - Alexandre Duma , - con-
f e ·ou qu e a mãe prudente não devia ir ao teatro, e mui to
m no ali levar a filha. Dizia hateaubriand ao j ovem
zanam: " Eu l he p ço, nunca va a itir ao e petáculo ;
ali não ganhava n a fa e havia de perder muito" .
Pela cou a qu e ouvem ou e contemplam, se o
e petáculo fôr oca ião d p en amen o ou impre sões
ruin , a arr tanclo p ri(l'o de con entimento, então, sob
p ena de falta O'rave, ' pr ci o ab ter- e.
3. 0 Dan a e baile. - Em i me ma, a dan a não é
má, e e não pa a e de exercício corporal, nem e poder ia
c n urar. Entretanto, por muita circun tância , pela
m ú ica que ouv , p ela ou a que e vêm, a fr equen-
ta ão la pe oa qu ali encontram, pelo traj e que
e ve t rn p la lib r lad qu e toma, é qua e sempre
pecad o. fora certa r euniões na família, onde tudo corre

http://www.obrascatolicas.com
208 D E C Á L O G O

segundo os ditames da boa ·educação, devemos evitar a


dansa, mormente os bailes pú blicos, e principalmente
certas dansas moderna que em si mesmas são muito peri-
gosas. Eis o parecer de S. Francisco de Sales, que era santo
muito bondoso, muito indul()'ente : " Dos bailes digo o que
dizem os médicos a r espeito dos cogumelos : os melhores
não prestam". E de fato, ão sempre ocasião de leviandade,
muita vêzes de luxo, d e ciumes, mais vêzes ainda, de
estouvamen to, e finalm ente são a ruína da piedade e da
virtude. Será portanto sempr e mais acertado evitá-los.
Os baile apelidado " bailes de caridade" apresentam os
me mos perigos e êste não é meio do qual os cristãos
p odem lançar mão par a exercer a sua caridade. Os
p róprios bailes de c1·ianças não deixam de apre entar
inconvenientes de muitas e pécies.
4.0 As reimiões miindanas são muito perigosas tam-
bém ; a ociedade de pe soas de sexo difer ente, o brin-
quedos, os canto , a leviandade que ali muitas vêzes
imperam, o luxo que se quer o tentar à viva fôr ça, as
amizades que se travam e as con equentes familiaridad es,
etc., tudo faz concluir que devemo fugir de tais r euniões
sob pena de culpa grave, se forem oca ião próxima de
pecado.
CONCLUSÃ O PRÁTICA

" Quando o hom em, diz S. Bernardo, dá la rgas à ambiç,ão, é


um homem quem peca, peca porém com o anjo; quando a avareza
o avas ala, peca, mas como o homem ; mas se anda a reboque dos
de ejos baixos da carn e, peca como a bêsta".
"Quem a mar o l e rigo, nêle há de perecer" (Ecl., m , 27) .
Afugentamos as outras tenb-t <;Õcs lut ando contra elas, dizem os
santos; as tentações contra a pureza só podem se r vencidas fugin do
delas.
Ponderemos os conselhos que dfl S. Francisco de Sales a
respeito da dansa e que podem, da mesma fo rma, aplicar-se aos
espetáculos e outras reuniões m1111dana.s: "Se tiverdes de ir a o
baile, constrangido por uma oca~ião de que vos não podeis livra r

http://www.obrascatolicas.com
6.º E 9. 0 MANDAMENT O S 209

de maneira alguma, ponde entido que seja a vossa dansa muito


re ervada. Dan ai pouco e r aras vêze . . . Refleti no seguintes
pensamentos: "Enquanto estou dansando, várias · almas ardem no
inferno por terem dan ado, como eu ... Várias pessoas oram a Deus
e cantam seus louvores; não são mais aj uizada do que eu~ . ..
Vários, neste momento, comparecem perante Deus: também eu posso
ser chamado. Jesus Cristo, a antí sima Virgem, os anjos e os
santos me consideram e t êm dó de mim... (Vida devota, liv. III,
cap. xxxm ).

§ II. - Gravidade dos pecados contra a pureza.

Gravidade dos atos : consequência. - Apreciação dos atos interiores.

168. - Apreciai a gravidade elos atos contra a pureza.

R. - Os atos contra a virtude de 1ntreza não sàmente


ão gravíssirnos aos olhos de Deits e da consciência honesta,
mas acarretarn ainda consequências terríveis neste mimdo
e para a eternidade.
Quanto aos atos interiores, podem tanib ém ser peca-
dos mortais, sendo a matéria grave e se nos demorarmos
volimtàriamente n êles com prazer consentido.
O pecados de ações são geralmente gravís imos. O
ap.óstolo S. Paulo, dep oi de ter enumerado as diferentes
qualidades, declara terminantemente que quem os cometer
não entrará no r eino do céu; logo, êstes pecados são
mortaú.
Com efeito, as ações criminosas degradam o homem,
apagam nêle as feições da semelhança divina, e rebaixam-
no ao nível do irracional. É contra êstes pecados que
o Senhor entenciou os anátemas mais terríveis: "Meu
espírito, diz êle, não há de morar no homem, porque o
homem é carne" ( Gên., vr, 3). Contra êles ainda é que
exerceu o castigo com mais rigor; hajam vista o dilúvio, o
incêndio de Sodoma e Gomorra, a ruína de Babilônia, etc.
Êste pecados vêm a ser mais graves para cristãos,
cujo corpo e alma se tornaram, pelo batismo, pelos sacra-

http://www.obrascatolicas.com
210 D E C Á L O G O

mentos, mormente pela Eucaristia, membros de Jesus


Cristo· e temp~os do Espírito Santo.
Não somente são gravís imos aos olhos de Deus e da
consciên cia hone ta, mas êst es pecados contra a pureza
acarretam ainda conseqiiências t errív eis neste mundo e
para a eternidade.
1.0 E scurecem a inteligência : " O homem que se -
materializa, diz S. Paulo, embrutece ; não entende mais
as cou as de Deus" (I Cor., m, 14) .
2.° Cegam e entorpecem o coração; tornam-no incapaz
de afetos puro e hone t o , arruínam a paz das famílias,
e levam muitas vêzes ao crime.
3.0 Geram na alrna, primeiro, o esquecimento de
Deus, depois o desgôsto da r eligião, enfim, a impiedade,
muitas vêzes, o ódio a Deus e a tudo quanto o representa.
4.0 E specialmente quando se tornam triste costume,
derribam saúde e fortuna, impossibilitam qualquer ato
generoso e dedicado, produzem moleza, cobardia, acabando
pelo de ânimo, e não raro, pelo d esespêro, a impenitência
e o inferno.
Quanto ao atos interiores, podem também ser pe-
cados mortais, endo a matéria grave e se nos demo-
r armo voluntàriamente nêle com prazer consentido.
Ê tes pecados de pensamento e desejo trazem - como
consequência quase necessária as ações culpadas, apre-
sentam mais o inconveniente de multiplicar-se tão
fàcilmente que quase nem podemos dar por êles, nem
p or tanto emendar-nos. Enfim, povoam o e pírito de lem-
branças e imaginações que impo ibilitam tôda r eflexão
e oração.
CONC LUSÃO PRÁTI CA

T em r azão, pois, o E spí ri to Santo eo dize r : "Gua rd ai o vosso


coração com temor " (P rov ., rv, 23). O início do mal é sempre um
pensament o; fortifica -se o mal pelos desejos; desenvolve-se pelas

http://www.obrascatolicas.com
6.º E 9 .0 MANDAMENTOS 211

ocasiões, e pelo costil?lie torna· e por a im dizer f atal. Por d mais


t em a experiência abonado êste orácnlo do E pírito an to: "O
adolescente eguirá seu caminho e ainda qu ando tiver encane ido,
não se arredará de ta via" (Ib icl. xxn, 6); e também ê te reparo
de Jó: "Hão de pulular aind a no eu o o o vícios da juventude
e dormirão com êles no pó do túmulo" (J 8, xx, 11 ) .
Quer isto dizer que o vício impuro é inco rrigíveH Não; ma é
preci o desarraigar o mal no comêço, opor-lhe remédios enérgicos,
querer com afinco remar para a virtude contra a correnteza da
paixão, confiar-s a um diretor hábil e firme, e, depoi conta r com
a graça de Deus.

§ III. - Preservat ivo e remédio co ntra a impureza.


Meios habituai de preser vação. - Procedim ento na s te nta ções. - R emédios
depois do pecado.

169. - Indicai os remédios e preserva"tivos con·t ra a impureza.

R. - A fim de conservarmos tão delicada virtitde


importa andarmos sempre acautelados. Citemos como
preservativos : 1. 0 o arnor e a estima da pitrezaj 2. 0 o gôsto
ria oração e do trabalho j 3.0 a mortificação dos sentidos,
principalmente da V1'sta j 4. 0 a fitga das ocasiões.
A virtude de pureza é delicada ; nós a levamos em
va os quebradiços e por tôda a parte as ciladas e os
inimigos nos rodeiam. Importa, primeiro, andarmos
a'.cautelados por m eios de preservação que vêm a ser:
1.0 O amor e a estima da piireza, virtude dos anjos
que Deus premeia no homem, deparando-lhe, na terra e
no céu, r ecompensas e p eciais.
2. 0 O gô to do trabalho e da oração . O demônio nos
tenta sobretudo quando nos acha na desídia, na ociosi-
dade; também Deus abandona à própria :fraqueza e às
suas perversas inclinações os que não rezam. ·
3.º A prática habitiial da mo1·tificação dos sentidos,
especialmente da vista, pela modéstia dos olhares; do
gô to, pela prática da temperança; do ouvido, evitando
tôda conversa ruim, todo canto torpe ; da imaginação,

http://www.obrascatolicas.com
212 D E C Á L O G O

fugindo das más leituras, combatendo certo cismar


perigoso; do coração, repelindo todo afeto muito vivo
"que não quiséramos contar à nossa mãe" .
4. 0 A fuga de tôdas as ocasiões que apontamos:
leituras, espetáculos, bailes, reuniões ou frequentações
perigosas.
Nas t entações que se apre entam sem estarmos
expo tos, devemos :
1. 0 Desconfiar de nós mesmos, não contar com as
próprias fôr ças, mas sim esperar em Deus e no poder da
sua graça.
2.0 Afugentar so segadamente a tentação, ocupando-
nos com outra cousa, entregando-nos a um trabalho ativo,
a uma conver ação que divirta, etc. Erguer também o
coração para Deus pela oração, para a santíssima Virgem
e o nos o bem anjo p or um apêlo entranhado e confiante
à sua prot eção.
3. 0 Opor à ten tação pensamentos sérios, a lembrança
da mort e, do juízo e do infern o, r ememorar a presença
de Deus que nos vê ; escutar a voz da honra e da cons-
ciência, r efl etir nas nefandas con equência do pecado . ..
E nfim, dentre os rem édios contra os pecados, o pri-
meiro e principal é reconer à confissão frequ ente, sem
deixar à alma t empo para enlanguecer e entorpecer-se
no v1c10. Ma é preciso t er na confis ão sinceridade
perfeita, dar a conhecer uas chagas, como o doente r evela
ao médico t odo o seu mal, e submeter -se com energia e
confi ança à direção do confessor, aceitando sua deci ões
e seguindo seus conselhos.
A comitnhão f requ ente, feita com preparação exce-
lente e di po içõe de fervor e confiança, erá a um t empo
pre ervativo e r emédio : comunicar-no -á a própria fôrça
de Deus, e é o meio t odo poderoso para con ervar mos a
inocência ou r ecuperar mo a virtude, ainda me mo
quando tivé semos dado quedas la timáYeis .

http://www.obrascatolicas.com
7.o E 1 0 .o M A N D A M E N T O S 213

CONCLUSÃO PRÁTICA

Consagração a Maria Santíssi1na. - (Para se rezar todos os


dias de ?nanhã e de noite, de joelhos). - ó minha Senhora e minl1a
Mãe! Eu me ofereço todo a Vós, e, em p rova de minha devoção
para convo co, vos con agro ne t dia os meus olho , os meu ouvidos,
a minha bôca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E
porque sou vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me, defendei-me
com cousa e propriedade vos a .
(100 dias de ind., uma vez ao dia, para quem a rezar de
manhã e de noite; plenária no fim do mês) .

Aspirações nas tentações.


ó minha oberana, ó minha Mãe, lembrai-vos de que so u vosso;
guardai-me, def endei-me, como vos o bem e propriedade vossa.
O faria concebida sem pecado, rogai por nós que a vós
recorremos.


VII. 0
E X. 0
MANDAMENTOS

Não furtar.
Não cobiçar as cousas alheias.
Divisão do assunto.

170. - Que proíb e Deus pelo sétimo e pelo décimo manda-


1nento?

R. - P elo sétirno rnandarnento, D eiis proíbe tornar


ou reter injiistarnente o bern do próxirno. - P elo décirno,
D eus qiier estancar a fonte das injustiças, remontando
até a origern, o princípio : condena o desejo de apossar-se
por nieios ilícitos das coiisas alheias.
Reunimos em um mesmo capítulo êstes dois manda-
mento' por se referirem ao mesmo objeto: respeito da
propriedade dos outros. Violamos a propriedade alheia
quando tomamos o que é dos outros ou quando lhes

http://www.obrascatolicas.com
214 D E C Á L O G O

causamos algum prejuízo, eja de que modo fôr . Não


somente é proibido tomar, ma quem e achar de po e
de uma cou a pertencente ao prox1mo, e o ouber , não
poderá ficar com a tal cou a: há obrigação de restituí-la.

,Seio Luís, rnuddo de j!lst•ç11, ol,;errn e faz obserrnr o 7. 0 mandamento.

Enfim, é proibido cobiçr1r, 1 to é, de t>ja r d modo inju to


e arnn'nlo a-; c:ou"ia alheia-; São esta difc>rcnt que tões
qn P "\ P lll e. . tudarla ·no· ti(· I><ll'<Ígrafo· triltando: 1. 0 das
v1ínas ma11r1ras rlr. i·1olor o. c11n /tos al h 10.; 2. 0 da
O]Jrcr·1or·rlo qur sr dr1·r fr1_r 1 dos prc11rln · r'o111ctul os con-
tra o sft11110 e o rlfci1110 111011rlr1111111fo: :L 0 rla obrigação
d r rrst1t11ir.

http://www.obrascatolicas.com
7.o E 1 0 .o M A N D A M E N T O S 215

§ 1. - Dive r as m a ne ira de violar o dire ito do próximo.

Noção do roubo: suas diferentes espécies. - D etenção injusta. - Prejuízos


ca usados in justamente. - Violação dos compromissos.

171. - De quantas rnaneiras ofendemos os direit os do


próximo?

R. - Ofendemos os direitos do proximo principal-


mente de qiwtro maneiras : 1 .0 t omando injustament e
cousas alheias : é roubo j 2. 0 fic ando com elas, injiista-
m ente: chama-se det enção injiista j 3. 0 caiisando-lhe pre- .
jiiízos injiistamente j 4.0 não execidando as promessas
escritas oii v erbais : é violação dos compromissos.
I. Roubo /~furtô ou u urpação de cou as alheias
contr a a vontade do dono. D enomina-se gatunagem,
quando a cou a e tiram por e perteza; rnpina, quando
e tiram por viorncia, fôr a; fra1ide, quando há dolo na
mer cadoria ou no trabalho; iisura, quando e dá empres-
tado com juro exce ivo , acima do que é p ermitido pela
lei e o co tum e aceito; acrilégio, e a cou a furtada fôr
obj eto aoT·ado ou e o Íê:!to e der em lugar santo. E ta
última circun tância acr e centa ao r9ubo nova malícia,
que muda a e p écie.
II. A det enção injusta con i te em r eter ilegl.tima-
mente o que pertence ao próximo. É culpado de detenção :
1.0 todo aquele que não paga a dívida quando pode,
ou não importa em ganhar, com o trabalho, dinheiro
para a aldar; 2. 0 aquele que recu a devolver o que lhe
foi confiado como depó ito; 3. 0 quem fica inju tamente
com uma cou a achada em proêurar qual é o dono; 4.0
qu m não cumpre a obrigaçõe de ju tiça ligada a uma
heran ça que r ecebeu : por exemplo, dívidas que ainda
exi tem, piedo a fundaçõ e daquele cuja fortuna se
her dou.

http://www.obrascatolicas.com
216 D E C Á L O G O

III. Chama-se preJiiizo injusto todo ato ou partici-


pação a um ato que pode redundar em prejuízo ou perda
de algum bem para o próximo. Somos culpados de
prejuízo injusto: 1. 0 sempre que fazemos, contra nos a
consciência, algum ato prejudicial ao próximo destruindo,
por exemplo, ou estragando, o que lhe pertence, ou ain.da,
impedindo-lhe, por meios injustos, de realizar lucros
lícito ; 2. 0 quando cooperamos no seu prejuízo ordenando
a injustiça ou aconselhando-a, auxiliando-a ou deixando-a
cometer-se, embora fô e nos a obrigação impedi-la; ou
ainda comprando e ocultando cousas que sabemos terem
sido roubadas.
IV. Violação dos compromissos. - Compromisso é
uma convenção escrita ou verbal, p ela qual várias pes-
soa e empenham umas para com outra . Os principais
compromi sos ão : a promessa, pela qual nos empenhamos
em dar um bem, um objeto; a doação, ato pelo qual dis-
pomo a favor d e uma pessoa, e gratuitamente, de parte
ou da totalidade dos no os bens; se vigorar somente
depoi da morte de quem dá, vem a ser testamento; a
v enda, at o e crito ou verbal, pelo qual passamos a outrem,
mediante preço aju tado, a propriedade de uma cousa :
denomina- e troca, quando se recebem outros valores em
vez de dinheiro.
ão executar ê tes compromissos, quando estão feitos,
é violação da palavra dada ou pecado mais ou menos
grave, conforme o prejuízo causado à pe oa ofendida nos
seu direito .
CONCLUSÃO PRÁTICA

O móvel ordinário do roubo e das injusti<;as cometidas p a ra


com o próximo é a avareza. "Os que se querem tornar ricos, diz
são P aulo, entregam-se a desejos perniciosos que os arrastam para
a condenação; pois a avareza é a raiz de todos os males" (I
T im., vr, 9). O r emédio a esta má inclinação e o desapêgo das
cousas dêste mundo.

http://www.obrascatolicas.com
7.o E 1 0. o M .A. N D AME N TOS 217

Outra fonte de inju stiça é a falta de sinceridade e de fran-


queza. O homem honesto tem uma palav ra só, e o verdadeiro cristão
não ábe o que é mentir. Traz nas suas p alav ras e promessas a boa
f é mais plena, avaliando as cousas segundo seu valor, dando aos
atos p úblicos, o caráter da legalida de, isto é, fazendo-os de acô rdo
com as p rescrições da lei, sem jamai sacrificar a consciência ao
interêsse.
"A sociedade lia veria de perecer, diz Santo Tomaz, se os
homens pudes em roubar os bens uns dos outros."

§ li. - Apreciação dos pecados d e injustiça.


R eg ra s de apreciação: 1.º inju stiça em geral; 2 .0 roubo s importa ntes; 3. 0
pequenos furtos; 4. 0 desejos injustos.

172. - Dai regras para apreciarmos a gravidade das falta s


contra a jitstiça.

R. - O direito natural, as leis divinas e humanas


condenam as injustiças cometidas contra o próximo.
Não somente os atos podem constitiiir falta grav e, se
é grave a matéria, mas at' os desejos injustos e plena-
m ente consentidos.
I. Qualquer inju tiça cometida para com o próximo,
eja qual fôr a maneira, - constitui prejuízo seve-
ram ente proibido:
1.0 P elo direito naforal, que não consente façamos
ao~ outro o mal que não qui éramos nos fizessem a nós
me mo;
2. 0 P elo direito divino, que diz: " Não furtar ";
3. 0 P elas lei hwrnanas, que, em tôda a parte,
condenam o rou bo e o e.a tigam.
II. Em me mo o roiibo é falt a grav e, pois são
P aulo leclara que o " ladrões não entrarão no céu"
(I , orint., vr, 10 ). ontudo, e ta palavra diz r e peito
ao que cau am prejuízo con iderável.
ra, é . admitido geralmente que, em matéria de
inju tiça, 90 para 100 cruzeiro furtados de pessoa rica,

http://www.obrascatolicas.com
f / /
0

218 D E O Á L O G O

~O para 60 cruzeiros de pessoa de condição comum, 20


para 30 cruzeiros de jornaleiros, e 10 cruzeiros e até
menos de pobres, constituem matéria grave e, portanto
pecado mortal.
III. Pequenos furtos e fraudes leves são só pecados
vema1s. o entanto, estando moralmente unidos, e se,
no propó ito de quem os comete, devem formar certo
total, ou ainda quando prejudicam à mesma pessoa,
vêm a sér pecado mortal logo que a matéria se tornou
con iderável.
IV. Já o temos dito, não somente os atos de injustiça
são proibidos, mas ainda os simples desejos injiistos. O
décimo mandamento os condena e são Paulo declara que
"ê e de ejos pernicio os arrastam para a perdição"
(I , Tim., VI, 9) . Ma quando é que os de ejos injustos
erão pecados mortais?. . . Sempre ·que a matéria é
grave, segundo a interpretação que damos acima, e vêm
acompanhado de inteiro cons timento. Não importa
que os de ejos sejam utílizado ou não : o pecado está
no coração e na vontade; simple desejos, porém, não
obrigam a fazer r e tituição.
CONCLUSÃO PRÁTICA

1. 0 ão é licito aos meninos tirar ben de eus pais, a p re-


texto que êstes bens da família lhe caberão um dia e já são dêles.
Aquele modo de falar não é exato; há verdadeiro prejuízo causado
aos pais, perda possível para com os irmãos, as irmã ; e em todo
caso, os pequenos furto s cometidos em casa são indício de uma
inclim1 ção p erversa, que não deixaria de avultar se não fôsse
r efreada.
2.o É êrro pensar que os prejuízos causados a uma sociedade
abastada ou ao E sta do não são pecados, por serem ricos e ta socie-
dade e o E stado. P ara haver pecado mortal, talvez seja nece ário
um prejuízo mais considerável do que di semos em nossa apreciação
geral; mas o pecado sempre existe.
3. 0 É injustiça grave roubar uma nação pela •anexação vio-
lenta e ilegítima de suas províncias, e é injustiça sacrílega usurpar

http://www.obrascatolicas.com
7.o E 10.o M A N D A M E N T O S 219

os bens e as propriedades da Igreja; são o fruto da caridade dos


fiéis, foram reconhecidos legítimos por compromissos e tratados,
ficam sendo o tesouro dos pobres: por todos êstes motivos, devem
ser respeitados.

§ III. - Obrigação de restituir.

D ever da r estituição. - A quem cabe êste dever. - R azões que podem


adiar ou suprimir a obrigação de r estituir.

173. - Será um dever a restituição?

R. - A consciência e a lei divina impõem o dever


rigoroso de restititir o que foi tirado injiistamente. A
restituição ·deve ser feita à pessoa lesada ou aos seus
herdeiros. )

A restituição, i to é, o ato de devolver ao próximo o


que lhe foi tirado injustamente, é dever rigoro o: 1. 0 A
consciência ensina ê te d·ever e diz que devemos compensar
o prejuízo que temos causado a outros, como desejamos
que o outro compensem o prejuízo que nos podem ter
cau ado. 2. 0 A lei divina impõe esta obrigação : "É
preciso devolver ao próximo o que lhe temos tomado"
(Ezeqitiel, xxxm, 15 ). " Dai a Cé ar o ue é de César"
( . Mat., xxrr, 21 ) . 3. 0 A I greja sempre adotou como
r egra ê te axioma de santo Ago tinho: "Sem r estituição,
nãe> há remi ão !" e o direito civil r econhece o mesmo
p1incípio : obriga os ladrões a re tituir.
A r e tituição deve er feita a quem sofreu o prejuízo
ou aos seus herdeiros se tiver falecido. e não se conse-
guis e de cobrir quem ofreu o prejuízo n em os herdeiros,
poder-se-ia re tituir ao pobres, ou fazer em nome do
legítimo proprietário uma obra de beneficência ou alguma
obra de caridade para uma igreja pobre.
A r estituição deve-se fazer qiianto antes, moralmente
falando, e i to ob pena de ter que indenizar a pessoa
prejudicada pelo atraso voluntário.

http://www.obrascatolicas.com
220 D E C Á L O G O

147. - Quais são os que têm obrigação de restituir?


R.-Têm obrigação de re titiiir : 1. 0 os que roubam)·
2. os que retêm o roubo; 3. 0 os que para êle concorrem.
0

1.0 Todos aqueles que, pe soalmente e de qualquer


modo, causaram algum prejuízo ao próximo. -
2. 0 O que, sem terem roubado pe oalmente, e tão
de posse de um bem alheio, estando perfeitamente côn cios
do fato. Logo que entram a duvidar e, portanto, logo que
cessa a po se de boa f é, a i te-lhe a obrigação de devolver
a dita cousa, ou seu valor e e tiver empenhada. Contudo,
se a compraram de boa fé, têm direito contra o vendedor.
3. 0 Quando vária pe soa concorreram no prejuízo,
ficam solidàriamente, i to é, uma na falta da outra,
obrigada à re tituição na seguinte ordem: 1.0 o detentor;
2. 0 quem mandou; 3. 0 quem levou a efeito o ato; 4. 0
quem acon elhou ou facultou os meios; 5. 0 quem deixou
fazer, devendo ou podendo impedir; 6. 0 quem recebeu.
175. - ão há razões que adiam ou apagam a obrigação de
restitu'ir?

R. - A inabilitação rnoral ou fí ica parle su vender,


por algum t empo, a obrigação ele restifoir ). a remissão,
a compensação e a pr scrição apagam por completo esta
obrigação.

P or gr ave que eja a obrigação de r e tituir, há porém
razões qu <:> a adfom, ou . u pendem por algum tempo,
deixando ub istir o princípio da obrigacão, que tornará
a vigorar a.. im qne a. razões não exi tir m mai . ão:
1.0 I nabilitação física, isto f:, se o devedor nada
t em, ou se, re tituinclo, caís. rm mi. fria extrema, pode
diferir, a não er que o crrdor :e achr no. me mo apuro .
2. 0 I nabilitação nwral : cxi. te' se o dev dor não
pode ainda re ·tituir cm p rder a r puta ·ão ou d cair

http://www.obrascatolicas.com
7.o E 10.o M A N D A M E N T O S 221

notàvelmente de uma p o ição que adquiriu legitimamente ;


um prazo lhe fi ca então concedido, a não ser que o
próprio credor e teja na mi éria .
. Outras causa apao·am p or completo a obrigação de
r e tituir; ão :
1. 0 A remissão livre e e p ontânea da dívida p elo
credor;
2. 0 A compen ação qu e o próprio credor já teria
tirado do bens do devedor ;
3. 0 A pre criçao, na condições legais, isto é, se o
detentor de boa f é teve, durante o tempo determinado
pela lei, a po e con tínua, p acífica, de um obj eto com o
título de dono : então, ê e obj eto fica definitivamente
seu e êle o pode con er var. I ão e dava o mesmo, se no
comêço tivera dúvida e parti cularmente se tivesse estado
de má f é.
"' . CONCLUSÃO PRÁTICA

A restituição leal pode ser pon to de pa rtida de gra nde virtude.


Zaqueu, no E vangelho, é exemplo fri sante desta verdade : "SenJ1or,
disse êle a J esus, vou da r metade da minha fortun a aos pobres, e
se tiver causado prejuízo a alg uém, restituir-lhe-ei qu atro vêzes
o valor ". E Nosso enh or o abençoo u, dizendo: "Hoj e entrou nesta
casa a salvação, porque ta mbém êste é filho de Abraão" (S. L uc.,
XIX, 9) .
A r estituição pode ser fei ta em egrédo, pessoalm ente ou por
intermédio de alg uém, por medianeiro discreto, pelo confessor, o
dono est ando info rm ado ou f icando na ig nor â ncia, e a té a pretexto
de presente feito ao credor . . . Se rá bom da rmos e mol as, às vêzes,
com o intuito de preenchermos as obrigações de justiça que podíamos
t er p ara com os pobres.

http://www.obrascatolicas.com
222 D E C Á L O G O

VIII. º MA DAMENTO

Não levan tar falso testemunho.

Divi ão do a sunto.

176. - Que proíbe Deus pelo oitavo mandamento?

R. - P elo oitavo mandamento D eiis proíbe dar teste-


m1mho falso ern juízo j proíbe mais a detração, a calúnia,
a adulação, o juízo e a suspeita temerária e qiialquer
espécie de rne?'1 tira.

Ananias e Safira mentem ao Espírito Santo e são feridos de morte.

Proíbe diretamente o falso testem11nho e a mentira.


Depoi de ter condenado o que podia prejudicar a vida e
os ben do próximo, o decálogo remata o enunciado dos
nossos deYeres para com êle; quer que sejam as nossas
palaYra de ac.ôrdo com a Yerdade e reproYa tudo quanto
poderia danificar a reputação do próximo. O fal o
testemunho está claramente mencionado na proibição,

http://www.obrascatolicas.com
8.º MANDAMENTO 223

porque é o pecado que traz o prejuízo mais direto e mais


culpado à verdade e à honra do próximo; a mentira
indica-se logo depois por ser muito parecida com o falso
te temunho. - Ma indiretamente, o oitavo mandamento
proíbe também tudo o que havia de contribuir à difa-
maç:ão do próximo, isto é, à perda da boa fama. Vamos
tratar sucessivamente: 1.0 do falso testemunho; 2. 0 da
mentira; .3° da difamação e suas várias espécies.
§ 1. - Falso testemunho.

Noção do falso testemunho : apreciação moral. - Proceder a observar


r elativamente aos depoimentos em juízo.

177. - Que é fal so testemunho, e como devemos apreciar esta


falta?

R. - Falso testemunho, no sentido geral, é uma


afirmação falsa quer de cousa boa, quer de cousa ruim,
a respeito de outrem. Mas, no sentido exato do vocábulo,
~ ~m depoimento contrário à verdade, feito perante um
JUtZ.

i nclui três pecados: 1. 0 é 1mentiraj 2. 0 é perjúrio j


3. é injustiça.
0

Daí r esulta que o falso t estemunho só pode ser


cometido diante da justiça, depois do juramento de dizer
a verdade, a verdade tôda, e nada senão a verdade.
Santo Tomaz r epara acertadamente que o único falso
t estemunho inclui três pecados: 1.0 é mentira; 2. 0 é
perjúrio; pois antes de depor, jurou-se que se diria a
verdade; 3. 0 é injustiça, porque sempre resulta algum
prejuízo, já para um indivíduo, já para a sociedade.
Por estas circunstâncias e por causa da injúria feita
a Deus, que é a soberana verdade e entretanto invocado
como testemunha da mentira, é, êste pecado, mortal por
sua natureza. Porquanto a Sagrada Escritura enuncia
o falso testemunho entr e os pecados que Deus aborrece
In1t. Relig. - 8

http://www.obrascatolicas.com
224 D E C Á L O G O

em extremo. A lei de Moisés queria que não tivessem dó


das falsas testemunhas, mas que lhes arrancassem olhos
por olhos, dentes por dentes (D eid ., XIX, 18 ) .
Em tôdas a nações, o Código penal inflige conde-
nações rigorosas às testemunhas falsas.
178. - Qual é o proceder a observar relativamente a depoi-
mentos perante a justiça?
I. Para quem é chamado perante a justiça, há
obrigação grav e ele comparecer e dizer a verdade.
P or ém, o direito natural e o direito divino isentam
dêste dever :
1. 0 Os confessores, para com as pe soas cujos crimes
só conhecem de confi são ;
2. 0 Os parentes, em linha ascendente e descendente,
do acusado ou eus aliados em primeiro grau;
3. 0 As pes oas obrigadas ao sigilo profissional, como
os médicos, advogados, etc., para com seus clientes.
II. P erante a ju tiça, deve-se dizer a verdade e a
verdade tôda; seja ela favorável ou prejudicial ao incul-
pado, não importa.
III. D epois de iim falso t estemunho, isto é, se
arontecesse fazer- e um depoimento falso, há obrigação
de consciência em ressarcir, e portanto, em retratar-se
diante dos magistrados, embora à custa da reputação e
sem embargo das penas em que se pode incorrer.
Deve-se reparar igualmente todo o prejuízo causado
à honra, fama, e ben do próximo, pelo fal o testemunho.
Estas diretivas tôdas en ·em igualmente para o que
subornam falsa te temunha e as incitam a depor contra
a verdade.
CO:-<CLUSÃO PRÁTICA

Ê uma circunstâueia olenc na ,·ida a em qu somo chamados


para depo r perante a justiça humana; da no sa declaração pode
sair a salvação do inocente ; ou, pela condenação do verdadeiro

http://www.obrascatolicas.com
8 .º MANDAM E N TO 225

culpado, pode resultar o proveito geral da sociedade. E st as consi·


derações devem nortear as nossas palavras e con ser vá-las na
simplicidade, fr anqueza e sinceridade. - L embremo-nos então da
palavra divina : " H á seis cousas que Deus odeia . . . , uma sétima que
êle detest~ . é a mentira e o f also testemimho" (Prov., vrr, 19 ) .
Há out ro pecado que tem muita relação com o falso testemunho
e se chama f also em escrito. Escrever atas falsas, alterar uma at a
autêntica ou usar de documentos falsificados são outras tantas
faltas graves que impõem a obrigação de reparar todos os conse·
quentes prej uízos.
1
§ II. - Mentira.
Várias esp~cies de mentiras. - Equ!vocos e restrições mentais. - Ou t ras
p ecados: 1.º h ipocri sia; 2. 0 di1simulação; 3. 0 adulação.

179. - Que é mentir? Apreciai a mentira e as suas várias


espécies.

R. - Mentir, é, e er , falar de modo diverso de


seu pensamento com intenção de enganar. Distinguem-se
a mentira joco a, a oficiosa e a perniciosa.
H á di f er ença na gravidade da mentira. A men tira
jocosa e a mentira oficiosa são ordinàriamente pecados
v eniais; a memtira perniciosa há de ser pecado mortal se
causar prejuízo sério à caridade, à jiistiça, à f é ou aos
bons cost1imes.
A mentira não é õmente uma p alavra contr a a
verdade, pode er igualmente um inal ou ato que se
façam no intuito de iludir o próximo.
Di tinguem-se trê e pécie de mentiras: 1.0 mentira
jocosa, que e diz brincando, a modo de gracejo ; 2. 0
mentira oficio a, que e diz em proveito p r óprio ou para
ob equiar os outros; 3. 0 mentira perniciosa, que se diz
oro vontade ou probabilidade d cau ar dana ao próximo.
eja qual fôr a sua natureza, a mentira é sempre
ruim , e nenhuma razão a pode de culpar. oro efeito,
mentir é abu ar da linguagem que Deu no comunicou
para externar o no ·o p en amento ; ' in ultar a santi-

http://www.obrascatolicas.com
226 D E C Á L O G O ·.
dade de Deus e sua soberana verdade; é faltar à caridade
e às r elações de franqueza e sinceridade que devem unir
os homens. Por isso, No so Senhor disse que a mentira é
obra do demônio, justamente chamado pai da mentira, e
o apóstolo são João declara: "O lugar dos mentirosos é
no tanque de enxôfre e fogo" (Apoc., xx1, 8).
H á contudo difer enças na gravidade da mentira .
.A mentira jocosa e a mentira oficiosa são ordinàriamente
pecados veniais ; mas a mentira verniciosa há de ser
pecado mortal, se causar prejuízo sério à caridade, à
ju tiça, à fé, aos bons costumes.
180. - Que idéia deve-se fa zer dos equívocos ou restrições
mentais?

R. - Os eqiiívocos e as restrições mentais, quando


pr6prias para enganar realmente os ouvintes, são de fato
m entiras, e devem evitar-se.
Não o serão quando, devido às circunstâncias ou ao
costimie aceito, se entendem f àcilmente .
Chamam-se equívocos palavras que têm duplo sentido
e <!onvém para uma interpretação diferente da que se
t em no e pírito. E xemplo : O dono está~ Resposta : N ão
está; para dizer: " Não recebe". Ou ainda o equívoco
será uma escapatória. E xemplo: " Fez isto ?" Resposta: ·
P orque o teria eit f eito?
.As restrições nientais são frases incompletas por si
mesmas, falsas no seu sentido natural e ordinário, mas
verdadeiras por alguma palavra subentendida : Um
mendigo pede esmola, responde-se : " Jada tenho", suben-
tendido : "para lhe dar".
Os equívocos e as restrições mentais, quando próprias
para enganar r ealmente os ouvintes, são de fato mentiras,
e devem evitar -se.
Se, porém, devido às circunstância ou ao costume
aceito, se entendem fàcilmente, não são mentiras. Usam-se,

http://www.obrascatolicas.com
8.º MANDAMENTO 227

contudo, tão s mente quando houver motivo plausível,


orno eja, para furtar- a uma p ero-unta indi er eta, para
não rev lar s gredo . 'fai xpre õe nunca ão autori-
zada no com romi o , em justiça ou na onfi ão.
) ; )._

181. -Não há outros pecados que se equiparam à mentira!


R. - im, alguns p cado há parecidos com a men-
tira. São a hipocrisia, a dissimulação e a adulação.
1. 0 A hipocrisia. É mentira em ato, que con i te m
aparentar qualidad qu não e tem para outro no
jul arem m no culpado ou mai virtuo o . o o nhor
profligon no Evano- lho te ví io det táv 1, e o f z
A

com tanta fôrça qu c1 v mo con id rar a hipocri ia


orno pecado grave ( . Mat ., ' ' I e xxm).
rdade

ruim.

li

ri o
nmb

http://www.obrascatolicas.com
2'28 DE C Á L OGO

nem quando falassem, depois, alguma verdade". E com muito acêrto,


compara Santo Tomaz a mentira a uma moeda falsa que todos
desprezam.
Nunca é licito dizer alguma mentira, por leve que seja; ainda
que, - cousa impossível, - ela houvesse de redundar em glória de
Deus e da r eligião, salvar a vida a um inocente, livrar tôdas as
almas do purgatório, assim mesmo, não se devia pronunciar esta
mentira, pois, antes de ofender a Deus, devemos aceitar para nós
e para os outros as maiores infelicidades.

§ III. - Difamação.

Di!amaçllo : 1.0 calónia; 2.0 murmuração ; 3. 0 juízo temedrio; 4 .0 violação


dos segredos.

182. - Que se chama difamação?

R. - Chama-se di famação tudo quanto fere a boa


f ama do próximo, ou preju dica a sua honra. São muitos
os modos de dif amarj os prin cipais são: 1. 0 a calúniaj 2.0
a murmuração ou maledicência j 3.0 os juízos temeráriosj
4.0 a violação dos segredos.
I. A calúnia. - Caluniar é atribuir falsamente a
algu ém defeito que n ão tem ou falta que não cometeu.
A calúnia sempre encerr a mentira, ofensa à caridade e
injustiçaj portan to, é sempre necado, quer seja dirigida
contr a o indivíduo,' quer contr a a r eligião, a Igreja, o
papado, o clero. . . A gravidade dê te pecado infere-se
da importância do mal atribuído ao próximo. Deve-se
r eparar esta falta restabelecendo a verdade junto daqueles
a quem foi feita a calúnia e compensando todo o prejuízo
que dela resultou.
II. A murmuração. - Murmurar é descobrir sem
necessidade as faltas ou defeitos do próximo. Dêste modo,
ofende-se a caridade e é pecado, a não ser que tenhamos
o dever de dar conta do procedimento dos outros ou
seja vantajoso para a sociedade darmos a conhecer suas
faltas .

http://www.obrascatolicas.com
8.o MANDAMENTO 229

Quando conhecidas estas faltas, falar n elas não é


murmurar, contanto que não seja por malvadez e
intenção de prejudicar. - Mas, excetuando-se estas
circun tância , dizer ou escrever mal do próximo é pecado
cuja gravidade varia segundo a importância do mal
revelado. Deve-se reparar a murmuração diminuindo o
dano que o próximo sofreu na r eputação, desculpando
uas fraquezas e mostrando tôdas as boas qualidades que
pode ter.
III. J iiízo temerário. - É o mau .conceito do próximo
formado sem provas suficientes. :É'.iste juízo pode ser
interior, e não o comunicamo ; · exterior, no caso con- ,.
trário, e então a culpa é maior. Sendo o juízo temerário
- r efletido e versando sôbre pontos que podem danificar
gravemente a reputação alheia, é pecado mortal. Com
efeito, julgar o;; atos dos outros é arrogar-se um direito
que somente a Deus assiste; portanto, é fazer -lhe injúria;
também é ofen a contra a caridade : "Não julgueis, disse
osso Senhor, e não sereis julgados; não condeneis e
não ereis condenados" (S. Lucas., vr, 37 ) .
Quando o juízo temerário foi comunicado a outros,
cumpre repará-lo, como a maledicência e a calúnia.
. IV. -Violação do segrêdo. - É uma como difamação
violar o segrêdo que nos foi confiado ou podemos t er
descoberto. Distinguem-se : segrêdo de convenção, r esul-
tando da promessa formal de não falar; segrêdo de
vrofissão, con equente da natureza das funções que se
desempenhar nos misteres de médico, advogado, tabelião,
etc. ; o egrêdo sacramental, imposto aos sacerdotes para
as cousas ouvidas de confissão. A lei do sigilo confissional
é tão rigorosa, que não é permitido nunca transgredi-la,
ainda com perigo da própria vida; os outros segredos
devem se guardar fielmente, a não ser que o bem público
exija sua revelação. Afora esta ex·ceção> a violação de
segredos importantes seria falta grave.

http://www.obrascatolicas.com
.~

230 MAND A MENTOS DA IGREJA

Enfim, é também ato indiscreto e culpado, extorquir


os segr edos alheios, e depois divulgá-los, ler car ta ende-
·r eçada a outro e especialmente abri-la sem autorização
expres a ou tácita. Quem tivesse cometido indiscrições
destas deveria guardar segrêdo absoluto a r espeito da9
cousas descobertas assim sorrateiramente.
CONCLUS ÕES PRÁTICAS

1. 0 P el o que é de nossa conta pessoal, evitemos a difama ção


do próximo, lemb rando-nos destas máximas dos nossos Livros santos:
"Os detra tores são odiosos e dignos de morte" (R om., I, 30 ) . -
"0 reino dos céus não é para os murmuradores " ( I , Cor., XI, 10) .
2.0 ão demos ouvidos fà cilmente a quem está caluniando,
murmurando, fazen do juízos t emerários, apregoando segredos. ã o
haveri a qu em fale mal do próximo se não hou vesse ninguém muito
serviçal para lhes prest a r atenção. "O caluniador e aquele que o
escu ta são ambos possessos do demônio da discórdia; um traz êste
demônio na língua, o outro no ouvido". - Se não p udermos impor
sil êncio, mostremos qu e a detração nos desagrada : " O rosto severo
põe peias à lingua que mu rmura" (Ecl., xxv, 23) .
3. 0 Enfim, se tivermos que sofrer a calúnia ou juízos menos
caridosos dos outros, lembremo-nos· do nosso modêlo, J esus calu-
niado, e das suas palavras : "Sereis bem-aventurados, quando os
homens vos odiarem, quando falarem mal de vós. . . Alegrai-vos
então, porque grande bá de ser a vossa recompensa no céu" (S.
M at., v, 11).

MANDAMENTOS da IGREJA

NOÇÕES GE RAI
Orig~ m dos mnndnm entos da IgTeja . - Pod er que a Igreja possui de fazer
leis: sanção. - D ever de obedecer à Igreja . - Motivos dos seus
man.dnm entos.

183. - Que se chamam mandamentos da I greja?


R. - Dá-. e êste nome a certos preceitos que dizem
res peito a todos os fiéis e são estab elecidos pela Igreja,

http://www.obrascatolicas.com
MANDAMENTOS DA IGREJA 231

isto é, pelos superiores eclesiásticos rev estidos da própria


autoridade de J esus Cristo.
Certo é que Nos o Senhor, ao instituir a Igreja, quis
fundar uma sociedade duradoura; ora, uma sociedade
não pode manter-se em autoridade e sem leis. É por
isso que o divino fundador da Igreja estabeleceu nesta
sociedade uma autoridade espiritual. independente dos
poderes humanos; é a do Soberano Pontífice e dos bispos.
Tal autoridade, porém, não t eria efeito nenhum, se não
lhe fôsse lícito legislar; por i so, a I gr eja sempre usou,
desde a sua origem, do direito de fazer mandamentos
para todos os seus súditos, isto é, para os fiéis batizad~s.
184. - Mostrai como é que a Igreja tem o poder de fazer
mandamentos e dar-lhes uma sanção.

R. - O poder de fa zer mandamentos deduz-se da


m esma natureza desta sociedade chamada I greja. Além
disto, êste direito foi claramente expresso pelo próprio
J esits Cristo. A I gr eja pode tamb ém assegurar a execução
dos seus mandamentos, pronunciando, contra os rebeldes,
penas eclesiásticas ou censuras, como a sitspensão, a
interdição e a excomunhão.
"Ide, disse Jesus Cristo, aos apóstolos, ensinai a
todos os povos, mostrai-lhes o meio de observar tudo
quanto eu mesmo vos prescrevi" (S. Mat., XXVIll, 19).
"'l'udo quanto ligardes na terra será ligado no céu, e
tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu" J

(S. Mat ., xvm, 19). E em outro passo: " Quem vos escuta,
a mim escuta, quem vos despreza a mim despreza e a
meu Pai que me enviou" (S. Lucas, x, 16 ). Dirigiam-se
essa palavras aos apóstolos reunidos; logo, é ao corpo
reunido do papa e dos bispos que p ertence, primeira-
mente, faz er leis que obriguem a todos os fi éis. Mais, o
Sumo Pontífice, t endo recebido "as chaves do reino dos
céus" e pleno poder para governar o rebanho inteiro,

http://www.obrascatolicas.com
232 MANDAMENTOS DA IGREJA

cordeiros e ovelhas", isto é, fiéis e bispos, tem pessoal-


mente o direito de fazer leis para tôda a Igreja.
Ora é esta, na realidade, a origem. dos preceitos
chamados mandamentos da Igreja : são a obra dos
concílios gerais ou dos papas.
II. A Igreja, que tem o poder de fazer mandamentos,
tem também a necessária autorjdade para assegurar sua
execução. Pode pôr uma sanção às suas leis, infligindo
penas eclesiásticas ou censuras, pronunciadas contra os
rebeldes. Estas penas são :
1.0 A suspensão, que priva um eclesiástico, por
algum tempo ou para sempre, do exercício de suas
fun ções, do seu ofício ou dignidade;
2. 0 A interdição, que priva do uso de alguns sacra-
mentos, da celebração pública do ofício divino e da
sepultura cr istã ; ·
3.0 A excomunhão, que expulsa da sociedade dos
fi éis o culpado, priva-o dos sacramentos, da presença aos
ofícios, da sepultura cristã.
185. - Somos, porventura, obrigados a ob edecer aos manda-
mentos da I greja?
R. -Sem dúvida; o poder que a Igreja tem de fazer
leis, inculca, para os fiéis, a obrigação de obedecer a estas
leis corno às de Deus, e é pecado mortal transgredi-las em
matéria grave.
No entanto, os mandamentos da Igreja, como tôdas
as leis humanas, podem admitir dispensa. Com efeito, o
Sumo Pontífice concedeu particularmente dispensa da
observação de algumas festas, outrora obrigatórias, de
certos dias de abstinência, etc.
Mais, os mandamentos da Igreja, como as leis
humanas, podem deixar de ser obrigatórios para quem
se acha impossibilitado de cumpri-los ou quando há
dificuldade grave e excepcional em executá-los.

http://www.obrascatolicas.com
MA N DAMENTOS DA IGREJA 233

Te te caso, para r espeitar o princípio da obediência


à I grej a, para não se expor a um r elaxamento culpadõ,
convém não e dispensar fàcilmente a si mesmo, mas
r ecorrer à autoridade da I gr eja, isto é, submeter suas
razões quer ao bi po, quer ao pároco ou ao confessor.
186. - Porque será que a I greja f ez mandamentos r
R. - O intuito da I greja foi auxiliar-nos, dirigindo-
nos na observação dos mandamentos da lei de D eus,
tornando assim a prática dêstes preceitos mais clara e
mais fácil.
A;:, im : Deu mandou que o adorássemos e ordenou
que um dia por semana lhe :fôs e consagrado; a Igreja
determina as formas da adoração e o modo de santificar
o domingo.
J esu Cristo impôs a obrigação de confessar-se e de
comungar; a I greja determinou a época em que convém
preencher êstes dever es.
Iosso Senhor prescreveu a penitência; a Igreja
indicou os meios: o j ejum e a abstin ência.
São muito razoáveis, portanto, as prescrições da
I g.r eja. Vê-se também que são pouco numerosas as que
di zem r espeito a todos os fi éis ; resumem-se a cinco
mandamentos.
Todavia, a I gr eja fez muitas outras leis para várias
classes de pessoas ; uma ão r elativas à liturgia, isto é,
ao culto, à administração dos sacramentos, e interessam
particularmente os sacer·dotes; outras constituem o direito
canônico e det erminam os r egulamentos r elativos às
ordenações, à jerarquia eclesiástica, às ordens religiosªs;
enfim, a Igreja t em uma legislação especial completa a
r espeito do casamento cristão.
Tratamos aqui somente dos cinco mandamentos que
inter essam a todos os fiéis.

http://www.obrascatolicas.com
MAN D A MEN TOS DA IGREJA

CONCLUSÃO P RÁTICA

H á quem pense que uma desobediência à lei da Igreja é muito


menos culpada que uma transg ressão à lei de Deus : é êrro. Sem
dúvida, sempre vai a diferença, que cer t as leis de Deus não admitem
nunca exceção nem dispensa alguma, como : o respeito de Deus,
do seu nome, da moral pura, et c., enqu anto as leis da I grej a admitem
dispensa legítima ; mas afora êstes casos de dispensa, a ofensa à
lei da I g reja equivale à ofensa à lei de Deus : "quem vos escuta,
a mim escuta", disse Nosso Senhor.
Delineando aos fiéis normas de proceder, mostra-se a Igreja
'co~o mãe extremosa, que ampara o f ilho para êle não se magoar;
regula nossa liberdade pa ra est a não se extraviar . . . Sêde pois
, bendit a, 6 I g rej a santa, por t erdes determinado nossos dever~s
semanais no tocante à religião e à penitência; trimensais quant o
à mortificação pelo j ejum : anuais para a recepção dos sacramentos
de penitência e Euca ristia.

1. 0
MA DAM E N TO

Ouvir missa inteira nos domingos e festas de guarda.

Divisão do assunto.

187. - Que manda a I greja pelo primeiro mandamento.

R. - P elo prirneiro rnandamento a I greja m anda-nos


ouvir missa com atenção, do comêço até o fim , todos os
domingos e festas de preceito .
P elo primeiro mandamento, or dena a I gr eja direta-
rn ente de assistir à niissa nos domingos e dias santos e
i?;dir etarnerit e de santificar como o domingo os dias d e
festas de guarda.
Em dois parágrafos, trataremos da assistên cia à
missa e das f estas.
http://www.obrascatolicas.com
- t

DOM I N OO S E F E S TAS DE O tr AR D A 235

§ 1. - A sistência .à missa.
'
D ever da assistência à missa. - Razões que podem di spensar da missa: l.º
impossibilidade fisica; 2. 0 impossibilidade moral; 3. 0 cari dade; 4. 0
costume; 5. 0 dispensa. - Como se deve ouvir mi ssa. - Missa paroquial.

188. - E xplicai a orig em desta obrigação e apontai as razões


que nos podem dispensar.

R. - A I greja ordena de ouvir missa nos domingos


e f estas de guarda. E sta prescrição remonta à mais alta
antigitidade. A assistência ao santo sacrifício da missa
praticava-se desde o t empo dos apó tolos (At., m, 42 ).
Os mais antigos concílios não tardaram em impor a
obrigação sob pena ele ciilpa grave . Ainda hoje, é esta a
legislação da I greja.
Ao pas o que se iam in tituindo festas cristãs (sendo
a .primeiras, a P áscoa e P entecostes, e tabelecidas pelos
apó tolo ) , estendeu a I grej a a e tas solenidades a obri-
gação de a i tir à santa mi a, que é o ato de adoração
por excelência.
É en ino comum e univer al que não se pode, por
culpa própria, p rder a mi a no domingo e nos dias de
fe ta de guarda, sem cometer pecado mortal ; esta obri-
gação começa com a idade de razão.
I 00 reja, purém, admite razõe plausíveis que po-
dem leooitimar a falta à mi a. Re umem-se em cinco
principai :
I. I rnpo s1'bilidade física. Os doente , que têm de
ficar de cama ou no quarto, os pri ioneiros guarda os
numa ca a em que não há rviço r eligioso, o pas ageiros
ou tripulante que não tAm capelão, etc., acham-se, pelo
fa.to de ta impo ibilidade, dispen ados de assi tir à
IDI a.

II. I mpo sibilidade moral. - De ioona- e, com estas -


palavra , uma dificuldade muito grande e verdadeir a-
mente excepcional, para as i tir à mis a: os aleijados, os

http://www.obrascatolicas.com
236 MANDAMENTOS DA IGREJA

convalescente , os que moram a grande distância da


igreja, ou estão impedidos pelo mau tempo ou por estrada
intran itável; o que têm de ficar tomando conta de uma
casa que não pode ser abandonada sem inconvenientes
graves; o filhos ou criados, que os pais ou donos não
deixam ir à missa, senão de pedem-nos ou maltratam-nos;
militare pre o por seu serviço; êstes todos têm como
de culpa legítima a impossi bilidade moral.

A. missa é o mais perfeito exercício de piedade .

III. Caridade. - E la isenta da obrigação da missa


as pessoas que têm de cuidar dos doentes, de vigiar
criancinha , os que são chamados para levar algum
socorro urgente, em caso de incêndio, de invasão, etc.
IV. O costurne, em certos países, autoriza a não
a istir à missa em dia de luto, ou para uma jovem pessoa
quando se publicarem os proclamas de casamento, não
havendo outra missa que pudesse ouvir.
V. Enfim, em caso duvidoso, se as razões que se
jul~ar ter são suficientes, pode-se pedir dispensa ao pastor

http://www.obrascatolicas.com
DO M I NG O S E FESTAS DE OUARD·A 2'37

legítimo, que há de concedê-la para casos particulares,


sendo. razoávei o motivo aduzidos.
Importa notar que nem a viagens, nem trabalhos
apressados, são por si mesmos razões de bastante valia
para dispensar da mis a, que é um dever rigoroso e
es erícial da vida cri tã.
189. - Como se deve ouvir missa para cumprir o preceito !
-
R. - Para v erdadeira assistência à rnissa quatro são
as condições requeri'das. Quanto ao corpo, é preciso: 1. 0
estar realmente presente ao santo sacrifício j 2. 0 assistir
a uma missa inteira. Qiianto ao espírito e ao coração, é
preciso ouvir missa : 1. 0 com atenção j 2. 0 com devoção.
I. É necessário estar real e corporalmente presente:
não cumpre o preceito o que ouve mis a achando-se numa
casa pegada; nem fora do edifício, salvo porém, se, por
muito pequena, a igreja ficar de portas abertas, unindo-
se o ouvinte ao povo e acompanhando as orações do
sacrifício.
II. Deve-se ouvir uma missa : não duas partes de
missa seguidas, mas a mesma, de de o princípio até o
fim. A omi são de uma parte importante, como desde
o·· comêço até o ofertório inclu ive, como a consagração,
ou como a comunhão, do sacerdote, tornaria nula a
a i tência. Quem faltou a uma parte importante da
mis a, pode suprir ouvindo a mesma parte em outra missa,
com a condição de que a consagração e a comunhão sejam
da mesma missa.
III. A atenção externa consiste em excluir qualquer
ocupação externa incompatível com a participação a um
ato de culto público. Me mo acompanhada de distrações
do espírito é suficiente para o cumprimento do preceito.
IV. A devoção é mais que a atenção: não somente
será preciso que o espírito se ocupe com santos pensa-

http://www.obrascatolicas.com
238 MAN D AMENT O S DA IGREJA

mentos, mas também que o coração esteja unido a Deus


por sentimentos de piedade. As orações do santo sacrifício
fàcilmente farão na cer estas di po ições na alma de quem
as rezar atentamente, em união com Jesus Cristo que se
imola no altar. Para o estrito cumprimento do preceito,
basta a intenção de honrar a Deus.
190. - Será tamb ém preceito a missa paroquial?
R. - A missa paroquial não é obrigatória. Deve,
porém, ser preferida sempre que possível.
É chamada missa paroquial a que se celebra na
igr eja da fregue ia a que perten cemos por nossa residên-
cia ordinária; e particularmente a em que se canta e se
faz em a leitura do Evangelho, os anúncios e as instruções.
A missa paroquial não é obrigatória, e já que se· ouve
uma mi sa, seja qual f ôr, cantada ou r ezada, em igreja
ou capela, fica sàti feita a obrigação de as i tir ao santo
sacrifício. empr e que é po ível, deve-se preferir a mi sa
par oquial ; pois :
1.0 É celebrada pelo igár io em benefício dos
p aroquiano~ ;
2.0 Aprendem- e melhor os dever e do cri tão;
3.0 O paroquiano dão, uns ao outro , o bom
exemplo mútuo, unem- e mai int imamente na caridade,
e comunicam às suas or ações maior eficácia e poder.
CONCLUSÃO PRÁTICA

1.º o regulamento de vida do cristão, deve-se encontrar


êste artigo: unca perder a missa do domingo, nem sequer uma
vez por acaso. Lembre-se êle da piedade e do zêlo dos p rimeiros
fiéis para assistir à missa, o exemplo dos nossos maiores, nossos
pais na fé, nos dias de perseguição; o dos cristãos nos paises lon-
ginquos, pouco civilizados, e então não terá vontade de ceder aos
caprichos, a pretextos falazes, para se eximir do mais rigoroso
dever da religião.
2.º O melhor método para bem assistir à missa, é usar de
livro e acompanhar as ora~ões litúrgicas. - Com muito proveito

http://www.obrascatolicas.com
DOM I N GOS E F E S TAS DE GU ARDA 239

também, podemos r efletir na paixão de Nosso Senhor, da qual o


santo sacrifício é reprodução, ou nos qu atro fins do sacrifício:
adorar, agradecer, pedir perdã o, solicitar graças. - Enfim, pessoas
menos habilitadas podem rezar orações vocais, nomeadamente o
t êrço.
3. 0 . P.ensemos nestas palavras do concilio tridentino: "Cuide
o bispo em avisa r o povo de que deve vir à sua paróquia, se puder
fàcilmente, para ouvir a palavra de Deus" (S ess., x:nv, oap. IV).

§ II. - Fe tas.

Distinção das festas. - Dias santos ou f estas de obrigação. -


F estas de devoção.

191. -Que sab eis das festas e que ·ordena o primeiro manda-
mento a respeito?

R. - Entre as f estas da Igr eja umas são de obriga-


ção, e outras simplesmente de devoção. Nas f estas de
obrigação, como nos domingos, cumpre: 1. 0 abster-se de
t ôda obra servil; 2. 0 assistir à santa missa; 3. 0 praticar
alguns atos de religião e ocupar-se mais particularmente
do mistério da f esta.
P elo prim eiro mandamento ordena a Igreja que
santifiquemos como o domingo os dias santos ou festas
de obrigação, que instituiu em honra de Nosso Senhor,
dá santí sima Virgem e dos santos.
A f estas são geralmente dias de alegria consagrados
a celebrar aniversários faustosos. As religiões tôdas
tiveram festas; a r eligião mosaica em particular tinha
as grande solenidades da P áscoa, do Pentecostes, dos
Tab ernácitlos, da Dedicação do T emplo. Também a
r eligião cristã naturalmente havia de ter seus dias de
alegria, seus aniversários instrutivos e consoladores.
Entre sa festas d-a I greja, umas são de obrigação, e /
outras simplesmente de devoção.
As festas de obrigação são as que os fiéis devem
santificar. - Segundo as leis gerais da Igreja, as festas

http://www.obrascatolicas.com
240 MANDAMENTOS DA IGREJA

de guarda seriam bastante numerosas, mas sem conside-


ração dos inconvenientes que sua observação apresentava,
especialmente para a classe menos abastada, ficaram
reduzidas às 10 seguintes: 1. 0 festa do Natal (25 de
dezembro); 2.° Circimcisão de Nosso Senhor (1. 0 de
janeiro; 3. 0 Epifania (6 de janeiro); 4.0 Ascensão de
Nosso Senhor (Quinta-feira, quarenta dias depois da
Páscoa) ; 5.° Corpo de D eus (11 dias depois do Pente-
costes); 6. 0 I maculada Conceição de Nossa Senhora (8 de
dezembro ) ; 7. 0 Assunção de Nossa Senhora (15 de agôs-
to) ; 8.0 f esta de são P edro e são Paulo (29 de junho) ;
9. 0 f esta de Todos os santos (1.0 de novembro); 10. 0 festa
de são Jos é ( 19 de março ; dispensada no Brasil, exceto
no Ceará e na diocese de Garanhuns ) .
Naqueles dias como no domingo, cumpre: 1.0 abster-
se de tôda obra servil; 2. 0 assistir à santa missa; 3. 0
depois, praticar alguns atos de religião e ocupar-se mais
particularmente do mistério da festa.
192. - Que chamais f estas de devoção e que convém fazer
naqueles dias?

R. - F estas de devoção são as que a Igr eja oferece


à piedade dos fiéis, sem, contudo, impor-lhes a obrigação
de as celebrar.
Portanto a obras servis não são proibidas, nem é
necessário ouvir missa nesses dias.
_Quase todos os dias a Igreja festeja algum mistério
da vida de o so Senhor, de No a Senhora ou dos
santos: F esta do Sagrado Coração de J esus, E x altação
da santa Criiz, Purificação, Animciação, Nossa Senhora
dos Anjos, Nossa Senhora das Mercês, a festa de são Jos é,
são J oão Batista, dos doze apóstolos, de são Vicente de
Paulo, do orago da paróquia. É bom santificar estas
festas de devoção pela as istência à mis a, que os vigários
devem oferecer por todos seus paroquianos, com alguns

http://www.obrascatolicas.com
CONFI SSÃ O ANUAL 241

exerc1c10s de piedade, e especialmente pela santa co-


mitnhão j deve-se entrar no espírito da Igreja r efletindo
no mi térios que se comemoram, r ezando a os o Senhor,
ossa Senhora, ou os santos, conforme o obj eto da f esta.
CONCLU ÃO PRÁ'rICA

Os dias de f estas cristãs são para os verdadeiros fiéis, dias de


alegria e júbilo; lembram a pátria, o céu. :ros cautos da Igreja,
ouve·se como que o éco da harmonia dos céus ; as preces públicas
dila tam o coração, e as belas cerimônias do eulto estão cheias de
encanto e de grandes esperanças.
As festas cristãs não são como as festas mundanas; aquelas
não deixam perturbação nem remorsos; são de t odos, ricos e pobres :
reunem, no mesmo recinto, todos os fi lh os da g rande familia; e o
homem sente-se melhor e mai feliz.
Portanto, devemos amar as festas da Igreja e as celebrar com
f ervor e alegria.

II. 0
lVIAND M ENTO

Confes ar- e ao menos uma vez cada ano.

§ único. - Conii ão anual.

Preceito dn confissão nnual. - Modo de cumpri-lo. - Gravidade do preceito.


193. - Q1te ordena o segmido mandamento da Igreja?
R. - O egundo mandamento da I gr j a obriga a
todos os cri tãos qu tiv rem o uso da razão, a se
conf essarern ao menos uma v z cada ano.
a ce e ta obrigação com a idade de razão, isto é,
quando o juízo e tá ba tante de envolvido para se poder
fender mortalmente a Deu , na idade de ete anos, mais
ou meno.
No o enhor J e us ri to, in tituindo o sacramento
da penitência, fazia da confi são, por êste fato, um dever

http://www.obrascatolicas.com
242 MANDAMENTOS DA IGR EJA

para todos os fiéis ; não determinava, porém, quando é


que se havia de preencher. Mas, para obstar ao relaxa-
mento e ao descuido dos fiéi , formulou a Igreja, no
concílio de Latrão, em 1215, o seguinte edito: "Que todo
o fiel de um e outro sexo, tendo atingido a idade de
discrição, confesse só, exatamente, todos os seus pecados
ao próprio sacerdote e faça e forços para cumprir a

Oonfessar-se ao menos uma vez cada ano.

penitência que lhe fôr impo ta" ( Can. , XXI). Vem


completado te preceito pelo da comunhão pascal, cuja
A

teor e anção aduziremos n o seguinte capítulo.


194. - Que é preciso fa ze r para observar exatamente êste
preceito da Igre ja?
R. - Para cu mprir exalam nte te preceito da
A

I gr ja, o cristão deve, t odo os ano , faz r uma confissão


sinc ra dos seu pecados. O t empo mai oportuno para
curnprir o pr c ito anual da conf i ão ' a quaresma.
1. 0 É preci o, ao meno uma v z cada ano aproxi-
mar-se do tribunal da penitência, e por uma confi ão
CONFISSÃO ANUAL 243

sincera dos seus pecados, entrar de novo na graça de


Deus.
2. 0 O concílio de Latrão não determinou precisamente
a época da confi ão anual. Entretanto, já que mandou
cornimgá sernos na P áscoa, e a r ecepção da Eucaristia
exige o e tado de graça, é u o fazer -se aquela confis ão
junto com a comunhão pa cal.
3. 0 Reza o concílio que se deve fazer a confissão ao
próprio sacei·dote; mas, por e tas palavras, de ignaro-se
o papa para a I greja universal, o bi po para a diocese,
o vigário ou eu coadjutores para a paróquia; depois,
segundo o co tume e a interpretação geral dos bi pos,
qualqiier sacerdote aprovado pode ouvir as confi sões,
seja êle da diocese ou não, e sem pedir permissão especial.
4.° Fica o mandamento sati feito somente por uma
boa confissão, seguida da ab olvição sacramental. Uma
confissão nula não preenche o fim, que é trazer de novo
o pecador na graça de Deus; muito menos, se fôsse
sacrílega.
5. 0 Enfim, quem tivesse deixado passar um ano
sem confis ão, ou fazendo-a mal, ou não r ecebendo a
ab olvição, não deve pen ar que é permitido esperar até
o' ano seguinte; dá-se, com a confissão, o que se dá com
uma dívida: deve-se saldar quanto antes, já que não foi
paga na época do vencimento. As delongas, sendo
voluntárias, aumentam a culpa.
195. - S erá muito grave o preceito da confissão anual!
, R. - Sirn, êste preceito 6 muito grave e pode che-
gar a pecado mortal o não cumprimento do dever da
confissão anual.
E também, êste preceito, que parece severo, não será
para maior vantagem nossa ? É muito para r ecear, com
efeito, se vivermos no pecado, que aconteça morrermos

http://www.obrascatolicas.com
MAN D AMENT O S DA I GRE J A

n o pecado: e é êste per igo terrível que a Igreja quer


arredar de nós.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Ao estabelecer a confissão, manifestou Nosso Senhor mise-


ricórdia imensa, e quando det ermina a época para o desempenho
dêste dever, procede a Igreja com tôda a sabedoria e bondade.
Sabe que confessar as faltas, é o meio- de curá-las; sabe que ali
encontra o nosso coração paz e ânimo. A sociedade inteira podia
auferir, nesta prática, lucros sem conta, reparações proveitosas,
desaparecimento de ódios e vinganças, supressão de muitos crimes ...
E então precisamos ainda de ameaças para a prática do
preceitoY
Impondo a obrigação de nos confe sar ao menos uma vez cada
ano, a Igreja indica o t êrmo de rigor; mas assim, mostra também
um desejo : que vamos confessar-nos mais amiúde. É necessário
fazê-lo, sempre que nos sentimos culpados de pecado mortal, para
não permanecermos num estado perigosíssimo, que nos expõe ao
inferno e nos priva de todo mérito; é necessário ainda fazê-lo
quando nos sentimos levados ao pecado : pois, o que nos preservará.
das quedas, é a confissão fr equente.
Por isso, os bons cristãos vão confessar -se geralmente todos os
meses, e os que querem progredir na virtude, mais vêzes ainda,
t ôdas as semanas, ou quando menos, todos os quinze dias.

III. 0
MANDAMEN TO

Comungar ao menos pela Pá coa da r essurreição.

§ único. - Comunhão pascal.

Preceito da comunhão pascal. - Regras para esta observação. - Oomunhiío


em artigo de morte. - Gravidade do preceito da comunhão.

196. - Que ordena o terceiro mandamento da I greja?

R. - O terceiro mandamento da I greja obriga a


todos que atingem a idade da discrição, a fazer a
comunhão cada ano no tempo pascal.
COhlUNH,ÃO PASCAL 245

enhor fez da comunhão um dever quando


com rd s a carne do Filho
u an()'u , não ter i a vida

p ara

omunoar ao nv1ios pela Páuo1• 1/a re .vttrrrição .

http://www.obrascatolicas.com
24~ MANDAMENTOS DA IGREJA

diferir, por algum motivo plausível a execução dêste


preceito ... " ( Can., XXI ) . Estas disposições foram con-
firmadas pelo concílio de Trento (Sess., XII, can. rx).

197. - Que se deve observar para o desempenho fiel do


preceito àa 9omunhão?

R. - Para o fiel desempenho do preceito da co-


munhão, cumpre observar que a obrigação da comunhão
pascal entra em vigor com a idade de discrição. A oo-
m-unhão deve ser f eita no t empo indicado pelo bispo e
na própria paróquia.
1.0 A obrigação da comunhão pascal entra a vigorar
com a idade de discrição . Não é propriamente a idade de
r azão, ma , sim, o momento em que o menino começa a
r aciocinar, isto é, aos . sete anos, mais ou menos. Então
começa a obrigação de satisfazer a ambos os preceitos da
confissão e comunhão.
2. 0 A comunhão deve ser feit a em tempo de Páscoa,
isto é, no intervalo determinado pelo bispo de cada diocese
para o de empenho dêste impor tante dever. Geralmente
o tempo de Páscoa dura quatro semanas: começa na
dominga da Paixão, quinze dias antes da Páscoa, e termina
na dominga do Bom Pastor, quinze dias depois da Páscoa.
No Brasil, porém, o tempo pascal começa na dominga da
Setuagésima e vai até o dia 29 de junho. Embora
tivéssemos comungado pouco antes da época marcada, há
obrigação rigorosa de aproximar-no da mesa sagraq.a
naquele prazo. Deixando passar o tempo da Páscoa sem
comungar, fica o dever de satisfazer ao preceito quanto
antes: a demora aumenta a culpa.
3. 0 Já não se dá com a comunhão pascal o que se
dá com a confissão anual. Para esta, podemos ir onde

http://www.obrascatolicas.com
COMUNHÃ O P ASCA L 247

quisermos, e com quem nos aprouver; quanto à comunhão


pascal, deve ser feita na própria paróquia, a não ser que
se alcance do próprio vigário a licença de fazê-la em
outra parte. Todavia, os e trangeiros e os viajantes podem
comungar no lugar onde e tiverem no t empo da P áscoa.
Geralmente, os bispos autorizam os internos dos hospitais,
das casas religiosas e dos colégios, a fazer a comunhão
pa cal na capela dos r espectivos estabelecimentos, quando
está r egularmente feito o ser viço religioso.
4.0 Enfim, para satisfazer ao preceito, é preciso que
a comunhão seja bem f eita, isto é, com tôdas as disposições
da alma e do corpo r equeridas para uma boa comunhão :
jejum, estado de graça e intenção r eta.

198. -Não há também obrigação de comungar em artigo


de morte?

R. - A Igreja sempre considerou como uma obri-


gação a recepção da divina Eucaristia em artigo de
morte.
A Igrej a, intérprete do pensamento de J esus Cristo
e desejando a segurar a r ealização da prome sa: "Aquele
que comer minha carne e beber meu sangue t erá a vida
eterna", sempre consider ou como uma obrigação a r e-
cepção da divina Eucaristia em artigo de morte. E stas
palavras devem aplicar-se a todos os que estão em p erigo
próximo de morte, quer r esulte êste perigo da idade
adiantada, quer se origine em qualquer outra cousa,
emprêsa arri cada, operação delicada e difícil.
P or ém, ficam dispensado da comunhão em artigo
de morte os doentes que não têm bastante discernimento
ou não podem comungar por impossibilidade material;
por exemplo, se o estômago não pudesse SlJ,portar nada
ou se o doente tivesse vômito».

http://www.obrascatolicas.com
..
248 MANDAMENTOS DA IGREJA

199. - Será miiito grave o preceito da comwnhão pascal!


R. - Sim, êste preceito é gravíssimo e não se pode
transgredir voluntàriamente sem cometer pecado mortal.
A sim fala a Igreja. De fato, há ali desobediência, em
matéria importante, à vontade de J e us Cristo e da santa
Igreja; é de prezar o maior benefício de Deus, recusando
a um tempo a p e oa divina de J esus Cristo, sua graça,
e as vantagens prometidas aos que recebem sua carne
e seu sangue ; é finalmente escandalizar o próximo e
incorrer assim na r esponsabilidade d.e tôdas as negli-
gências e as infrações que o mau exemplo pode ocasionar.

CONCLUSÃO PRÁTICA

Se soubermos avaliar o b enefício da comunhão, não espera-


r emos que o preceito nos constr anja. Por est as palavras ao menos,
a I greja dá a conhecer seu desejo de ver-nos comungar mais vêzes.
O concílio de T rento exprime o voto que os fiéis comunguem tôdas
as vêzes que ouvem a mi sa, segundo .a, admirável prática dos
primeiros cristãos.
Por outra parte, se pensamos na honra e na graça que nos são
concedidos pela recepção da divina Eucaristia, e nas vantagens
que nos proporciona, então torna-se patent e que a comunhão deve
ser o anelo, o objeto dos esforços constantes da alma que ama a
J esus Cristo e quer progredir no bem.
Foi esta verdade que levou o P apa P io X a convídar, com a
maior instância, todo os católicos, e mais especialmente os jovens,
a comungar todos os dias.
H avemos de corre ponder ao convite amável e delicado que
Nosso Senhor nos dirige pela bôca do Sumo Pontífice. J: a santís-
sima comunhão, receber J e us Cristo amiúde, e todos os dias, é,
atualmente, o único meio de conservar nossa virtude e progredir
no caminho do bem, da perfeição e da salvação.

http://www.obrascatolicas.com
J E J UM E ABSTIN~NO IA 249

I V. 0
MANDAMEN T O

Jejuar e abster-se de carn e quando manda a


Santa Madre Igreja.
§ 1. - Jejum.

Prescri çõee do q uarto mandamento. - Dias de jejum: 1.0 qu1Lresma: 2.0


t êmporas; S. 0 vigllias. - Obri gações compreendidas na - lei: 1.º
abstinência; 2. 0 un idade de refei cão; S. 0 hora da r efeição. - Faltas
~ontra· a lei do jejum. - Oausas que di spensam do jejum.

200. - Que manda a Igreja pelo qiiarto mandamento?


R. - P elo qiwrto mandamento a I greja manda-nos
j ejuar e fa zer abstinência na qiwresma, em alguns dias
do advento, nas quatro t êmporas e nas vigílias de preceito.
A penitência é dever indi pensável do homem
culpado: o arrependimento interior não basta; é a
penitência ou ato exterior de desagravo que expia
verdadeiramente. Por isso, Nosso Senhor manifestou
claramente · êste princípios, levando, não por causa de
seus pecado , senão pelos no sos, vida penitente, e
de larando de modo terminante esta verdade : "Se não
fiz erdes penitência, todos perecereis" (S . Luc., xm, 3).
Ora, ' a I greja quem interpretou em nosso lugar
êste preceito, dando, no quarto mandamento, a lei da
penitência. Dentr à penitAncia corporais, escolheu a
I gr ja e prescrev u aos fiéis, o jejum e a abstinência.
J ejiim é a privação de comida, privação senão absoluta,
ao m nos parcial; abstinência é a privação de carne e
alimento preparados com carne.
I greja lançou mão de tas duas espécies de
penitências: 1. 0 por já terem sido praticadas em tempos
anteriore pelo Judeu e pelos pagãos, e porque Nos o
enhor a tinha confirmado com seu exemplo ; 2.0 porque
ficou provado pela xperiência que e ta penitências são
geralm nte mai fáceis de praticar por todos os fiéis;

http://www.obrascatolicas.com
250 MANDAMENTOS DA IGREJA

sem prejudicarem à saúde, trazem preciosas vantagens


espirituais, levantam o espírito, sofreiam a carne,
amortecem as paixões.
Foi por isso que a Igreja nos impôs o jejum e a
abstinência em certos dias.
201. - Quais são os dias àe je jum estabeleoiàos pela Igre ja!
R. - São os quarenta dias da quaresma, os doze das
têmporas e as vigílias ou vésperas de certas festas.
I. Quaresma. - Julga-se que o jejum da quaresma .
é de instituição apostólica: foi estabelecido para honrar
e imitar o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo no deserto,
e preparar , pela penitência, todos os cristãos à solenidade
da P áscoa e à comunhão que devem fazer naquela época.
A quar esma, também chamada quarentena santa,
dura quar enta dias. Começa no dia de Cinzas e acaba
n o sábado de Alelúia. Os domingos da quar esma não são·
dia de jejum. Regul armente, não havendo dispensa,
devem ê tes quarenta dias ser santificados pelo jejum e
pela abstinência ( 1).
II. T êmporas. - São os três primeir os dias de cada
e tação do ano : quarta, sexta e sábado. As têmporas caem
as primeiras, na primeira semana da quaresma; as
egundas (têmporas do Espírito S anto ), nas primeiras
quarta-feira, sexta e sábado dep ois da dominga do
P entecostes; as terceiras (têmporas de setembro), nas
1.ª8 quarta-feira, sexta e sábado seguintes à festa da
Exaltação da Santa Cruz; as quartas (t êmporas do
advento), nas l.ª 8 quarta-feira, sexta e sábado seguintes
à 3.ª dominga do advento.
Atribue-se a instituição das t êmporas a S. Calixto I,
papa, em 218. As épocas aludidas foram escolhidas·
(1) A lei da quaresma é muito modificada, hoje em dia, p elas
disp ensas que os Snrs. bi spos ol>têm de Roma. Ver o Indulto sôbre o jeju m
e a abstinência, n. 0 209.

http://www.obrascatolicas.com
J'l!:.JUY E ADSTJN1]NCIA

1.0 para santüicar e consagrar a Deus, pelo jejum e pela


abstinência, as primícias de cada estação; 2. 0 atrair as
bênçãos de Deus sôbre os frutos · da terra, cuja prospe-
ridade depende do tempo e da estação; 3. 0 pedir a Deus
bons sacerdotes e ministros cheios de zêlo pelas ordena-
ções que se fazem nesses tempos do ano.
III. Vigílias . - Dá-se êste nome à véspera das fes-
tas. Quer endo a Igrej a preparar-nos a celebrar mais
piedosamente as grandes festas, impôs a seus filhos a
obrigação de jejuar e fazer penitência nas seis vigílias:
1.0 do P entecostes ou da festa do E spírito Santo; 2. 0 da
fe ta de . J oão Batista; 3. 0 da festa de são P edro e são
P aulo; 4. 0 da Assunção de Nossa Senhora; 5. 0 da festa
de Todos os santos; 6. da festa do Natal. (Ver o Indulto,
n. 0 209 ) .

202. - Quais são as obriga.ções que encerra a lei do jejum!

R. - ão trAs : 1. 0 abstinAncia; 2. 0 unidade de re-


f eição; 3. obs rvação da hora desta única refeição.
0

I. A.b tinA11cia : on i te na pri' ação de carne e


alimentos pr parado com carne. ab tinência é conse-
qu Ancia ordinária da 1 i do jejum; m mo o que estão
di p ado. d jejuar tAm de ob en ar a ab tinAncia, se
ainda e ta parte da lei ' po . ivel para êles.
II. n1"dade d r f ição : o a própria e ência
do j jum ecl iá tico. A di p a da ab inAncia deixa
ub i tir a obrigação de uma r feição única. E ta não
deve prolongar- e com in enção de iludir a lei.

perar m pr juízo para a


d , a r f ição do dia uinte.

http://www.obrascatolicas.com
252 MANDAMENTOS DA IGREJA

Em virtude dêste axioma: "O líquido não destrói o


jejum", é permitido beber para tirar a sêde, fora das
r efeições, água, cerveja, vinho, café, e geralmente o que
entendemos por bebidas.
III. H ora da r ef e1:ção. Nos primeir os tempos da
Igreja, fazia-se, na quaresma, a única r efeição somente
ao pôr do sol, e nos mais dias de j ejum, para as t r ês horas
da tarde. Hoj e, porém, costuma-se fazer esta r efeição
para as cinco da tarde, tomando de manhã a consoada.
Também po,de-se inverter essa ordem.
203. - Dai uma apreciação moral das faltas cometidas contra
a lei de j ejum.

1.° Comer carne por culpa própria, em dia de absti-


n ência, é pecado mortal : fica o pecado r epetido tantas
vêzes quantas refeições houve, porque há, cada vez,
desobediên cia em matéria grave.
2.0 Transgredir a lei do jejum quando a ela estamos
suj eitos, quebrando a unidade de r efeição sem causa
suficiente, é pecado mortal, se a lei fôr violada em matéria
grave; por ém, o pecado é único seja qual fôr o número
das outras r efeições.
3. 0 H averia ainda falta grave em adiantar conside-
r uxelmente, e sem r azão plau ível, a hora da única ou
principal r efeição.
204. - Quais são as cousas que isentam desta lei?

R. -As causas qu e dispens am legitimamente do


JeJurn são :
1. 0 A idade. A ob rigação do jejum com eça aos vinte
e um anos e t nnina aos essenia.
2. 0 A impossibilidade fí ica ou moral.
3. 0 O trabalho . quando prnoso, cansativo ou demo rado.
4. 0 A disp ensa.

http://www.obrascatolicas.com
~EJUM E ABSTINtNCIA 258

1. 0 A idade. - Não há obrigação de j ejuar para


quem não tem vinte e um anos completos; também para
os que chegaram à idade adiantada (regra, sessenta anos),
que já não lhes permite impor-se privação de comida sem
estar ba tante incomodados.
~2 . 0 A impossibilidade física ou moral; a impossibi-
lidade física dispensa os doentes, convale centes, etc.
A impossibilidade moral é uma dificuldade excepcional
para praticar o jejum; os pobres, que apenas 'têm com
que preparar uma refeição suficiente, as pe soas de
compleição fraca, são dispensadas, em virtude da impos-
sibilidade moral.
3. 0 O trabalho, quando p eno o, cansativo, demorado,
é de culpa legítima para a lei do j ejum : consideram-se
como di pen ados, por esta razão, os lavradores, padeiros,
operários, etc., e também os que o trabalho intelectual
ou o u o da palavra incomodaria bastante se jejuas em.
4. 0 Enfim, a dispensa. Quando é evidente a impos-
sobilidade de j ejuar, não se preci a pedir licença ou
dispensa. Ma , caso haja dúvida, pode-se obter dispensa
do uperior ecle iá tico. O papa pode dispensar todos os
fiéis ; o bi po, seu dioce anos, em certos casos particulares.
Os vigários podem dispensar seus paroquianos em casos
particulare e pessoais. Quanto aos simples confessores,
não têm vropriamente direito de dar di pen a; no entanto,
a favor de eus p enitentes, podem interpretar a lei e
declarar isentos os que tiverem motivos razoáveis.
É escu ado dizer que devem ser verdadeiras a razões
adiizidas, p ara se obter di pen a; do contrário, esta seria
nula. - Licitamente alcançada, a di pensa r eleva de todo
o pecado; é pe soal e deve restringir-· e nos têrmos da
licença; a im, quem tem di pensa da lei do jejum deve
sempre observar a da ab tinência, se esta ficar possível.
Enfim, o que usam de alguma di pensa devem oferecer,
em compen ação, esmolas, boa obra , orações, quando
podem.

http://www.obrascatolicas.com
/

254 MANDAMENT O S DA IGREJA

CONCLUSÃO PRÁTICA

Se é verdade que há muitas pessoas isentas do j ej um pelas


razões acima explicadas, não fica menos certo que muitas, com boa
vontade e espírito de mortificação, poderiam praticar o jejum
eclesiástico com as diminuições que a I greja quis introduzir no
cumprimento desta lei. ossos pais na fé, os primeiros cristãos, a
obser vavam em todo o seu rigor, e não ficava m mais doentes nem
viviam menos t empo.
Os médicos o confessaram: "A temperança é mãe da saúde".
A experiência das ordens religiosas mais severas vem abonar esta
regra.
T ambém, ainda que se hou vesse de sofrer, teria o j ejum, assim
mesmo, sua razão de ser : "Mato o meu corpo, di.z santo Isidoro,
para êle não me ma ta r a alma". E santo Agostinho : "Para doma r
um cavalo gordo, insofrido, rebelde, reduz-se a sua comida; para
domar meu co rpo, imponho-lhe o j ejum".

§ II. - Abstinência.
Dias de abstia ência . - L ei da abstinência : o que proibe, o que p ermite. -
Cau sas qu e di spensam da abstin ê ncia.

205. - Que proíb e a I greja pela abstinênciâ?

R. - A I greja proíbe geralmente aos fiéis comer


carne nos dias de jejum e nas sextas-! eiras do a;no, exceto
o caso d e impedimento justo e de dispensa.
A I greja completa as im a lei da penitência: impõe
a ab tinência tôdas as sextas e todos os sábados do ano,
onde não houver permi são especial ( 1). A abstinência
de carne na ex ta-feira é de origem apostólica. Êste dia
tinha sido escolhido para fazer penitência como lembrança .
da paixão e da morte de J e us Cristo. A abstinência do
sábado é também muito antiga na Igreja; foi estabelecida
em memória da sepultura de Nosso Senhor. Êstes dois
dia de penitência devem ervir de preparação ao
domingo.

(1) Vâr o indulto, 11 . 0 209 .

http://www.obrascatolicas.com
JEJUM E ABST I NtNC I A 255

206. - E x plicai a lei da ab stinência.

R. -1.º A lei de ab tinAncia proíbe, nos dias em qiie


é ele preceito, a carne e o 1caldo de carne do animais qiie
vivem na t erra oii no ar.
2.0 , P ermite a carne dos animais q1ie na cem e vivem
na ág1ia.
3.° Começa a vigorar na idade da razão.
I. A lei da abstin Ancia proíbe, - todo os dia em
que ta ab tinência :fôr de preceito, - u ar de carne e
caldo de carne. Por e ta última expre ão, entende-
não somente a do animai qu vivem na terra e
da ave que viv m no ar, enão tamb'm eu angue e
todo o adubo d carn . E ta proibi ão abrane1ia outrora
a banha, o ovo , a manteiga, o laticínio , por rem
A te alim nto proveni nte do animal; hoj e por ' m
podem- u ar.
n. A 1 i da ab tinAn ia não proíb

u o u o da
1 gí imo, não
ão tolerado .
u o do lugar.

Inst. Relig. - 9

http://www.obrascatolicas.com
256 MANDAMENTOS DA IGREJA

Contudo, a falta é venial quando a matéria é leve :


umas poucas gramas de carne, uma iguaria somente
adubada com carne, podem ser consideradas como matéria
leve.
207. - Não há causas que podem dispensar da ab stinência!

R. - Sim j são as m esmas que dlispensam do jejir,m,


com a dif erença qir,e dev em ser mais sérias tratando-se da
abstinência, pois é mais fácil deixa1· de comer carne do
que j ejuar.
E tas causas são as seguintes:
1.0 A idade. - A obrigação de fazer abstinência não
exi te antes da idade de razão : comer carne ou não, é
por i cousa indiferente ; quem não tem a razão, portanto,
n ão pode p ecar, sen<!o incap_az de desobediência.
2.0 A impossibilidade física ou moral. - Há impos-
sibilidade fí ica p ara os doent es, convalescentes e todos
aqueles cuja saú de, no con ceito de médicos conscienciosos
ou p essoas sérias, exige alimentação mais fortifica;nte.
H á impossibilidade moral para os pobres, que só a
muito custo conseguem arranjar outros alimentos que
não carne ; p ara os soldados, que r ecebem a co~ida do
E stado ; p ar a os filhos, operários, criados que não podem
obter de seus pais ou mestres os alimentos devidos, nem
deixar a casa sem graves inconvenientes.
3. 0 Quanto ao trabalho, não é mot ivo suficiente para
dispensar da lei da abstinência, se n ão f ôr excepcional-
mente penoso. As viagens, também não são razão plausível,
salvo para os passageiros nos p aquetes, os viajantes ou
caçadores cujas provisões escasseiam. ·
4. E nfim, em caso de dúvidas, os super ior el3 têm o
0

direito de conceder dispensas, mas dispensas particulares


somente e p or motivos verdadeiros e razoávei . Convém
então recorrer à autoridade : bispo, pároco ou confessor;

http://www.obrascatolicas.com
PAGAR DÍZIMOS 257

xpor as raz- s conformar-se com a r e posta que fôr


dada.
P r cau a dos preJui zo que à r ligião ou a Ales
pr prio uma r e u a podia a arr tar, ficam os hotéi. e
. taurant autorizad a rvir carne aos que as. i.m o
p direm em dia a ab tinAncia. Quanto às p soa que
t Am de cozinhar o .alim nto , tão d çmlpadas quando
ob d cem à ord n de us sup riores ou me tr , man-
cJn1.do A te· om autoridade, sp cialmente om ameaças.
OON L SÃO PJtÁ'rIOA

Mui to frouxos são os cristaos qne sacrifi am sua r eligião e


p erd m a alm a por um a s n. un1ic1ade na r f i~ão, p lo praz r de
um petis o 1 " u d us o v ntr , dis são Paulo; m1:1s seu fim
será a ruína terna" (Filip., m, 19). Em que pe à paródia que
fazem da palavi·a do divino M tr : niio 6 o qu ntrn 11 0 corpo
que o conompe, s não o qu el 1 sai. . . r pond -lh s a voz ela
I greja : " om f,eito, n ão é um bo ado de carn que la nça ao inferno,
mas si m o ato de r volta e d son ualidad que saiu do cor ação".
Outros violadoro elas l i da ab tinôncia são os o cravos do
respeito hum a no, que, cm mbargo elos gritQs da consciência,
po tergam um pr ceito cuja im portân ia r az5 o d s r conhecem
muito b m. P ara êst s fal u o alvador : "Taml m u co rar i d les
p rante meu Pai" ( . L nc., rx . 26) .
unca viol mos a l i da ab tin n ia n m por g1tla, n em por
resp eito humano.

V. 0 MAN AMENTO

P agar dízimos segundo o co lume.

208. - Como se obs.TJrva o q1tinto 1na'l1 lamen·to da Igreja:


Pagar àfaimos segundo o costume?

R. - Ob serva-se o qu!Ínt"o man lamento da Igr eja,


rconfr~b1iindo
com o n ecessário para o rnstento do. culto
e dos ministros da religião.

http://www.obrascatolicas.com
258 MANDAMENT O S DA IGREJ A

Todos os fiéis, na medida de suas posses, são


obrigados a concorrer com o seu óbolo para o sustento do
cuito, ornamentação e conservação das igrejas e oratórios
públicos e também para a sua restauração.
Exortem pois os Rvds. pároco ao fiéis que
contribuam com o necessário para ê se fim.
Outrotanto se deve dizer para o óbolo de ão Pedro,
o sustento do clero, às obras de vocações ecle iá ticas e
r eligiosas, a boa imprensa, a propagação da fé, etc.
209. - I ndulto sôbre o jeju111, e a abstinência.

De acôrdo com uma decisão da Santa Sé sáo os seguintes


os dia de jejum ou abstinência no Bra il:

1. 0 Dias de....jejiirn corn abstinência de carne:


Quarta-feira de cinzas; Sexta-feira da Semana Santa.
Vigília da A unção de i\o a Senhora (14 de agí) to),
quando não cai em domingo, e Sexta-feira que precede a
Vigília do X a tal.
2.0 Dias de ab stinên cia de carne sern jejurn :
Tôdas a exta -feiras da Quare ma.
1. Está abolida a lei qu~ vedava, me mo aos que não JeJua-
va m, o uso de ovos e laticínios em certos dias do ano, principalmente
na quaresma.
2. Nos dias de jejum com abstinência, estã o obriga dos a
guardá-la os que estiverem legitimamente excusados ou dispensados
de jejum, como os menores de 21 ano e maiore de 60 ano .
3. E stá igu almente abrogada a lei que p roibia a promiscui-
dade de carne e peixe na mesma refeição nos dias- de j ejum.
4. A lei da abstinência só proíbe carne e caldo de carne nos
dias de preceito; e permite quaisquer condimentos, inclu ive a gor-
dura dos animais.
5. Nos domingo de todo o ano, no dias anto de guarda
fora da qua resma e nas vigílias antecipadas, ce sa a obrigação do
j ejum ê da abstinência.

http://www.obrascatolicas.com
I N D U L T O S Ô B R E O ;r E ;r U M 259

6. obrigação la :i b ti n ·n n n, id a l d 7 a no
ompl to a do j j um vai d mpl Lo aos 60 om -
çado .
7. P od hora '! j nn ta r com a da
n oada, no
anto
re o-
ro a
rosá ri

A '
APENDICE A MORAL

J. - A on ciência .

Noção el a on sci •n cin . - Vári as espécie d ns i •n cin : l. º v rd ttcl irn ou


fal sa; 2 .0 erta ou duvidosa ; 3.0 pr v(Lv · 1 o u impr v(Lvol ; 4 . s ru p ul osa
ou larga . - Norm ns práti ca s d pro · d r nestes di( r n tes casos.

210. - Que é consciência ?

R. - To ntido g ral, pode- definir a consci ' ncia,


" r gra g rol do n o o ato ".
da 1 i d Deus e da
formam para nó , o
om Ale e tá de

E ta r gra int rior harn a- consciência.

http://www.obrascatolicas.com
260 C O NSCI:~NCIA

Antes do ato, a consciência é luz que nos diz se é boa


ou má a cousa que estamos para fazer. Durante o ato,
é um juiz que proclama ser bom ou mau o que vamos
praticando, e isto, sem embargo dos nossos preconceitos
ou paixões. Depois do ato, premeia-nos pela satisfação de
termos cumprido um dever , ou castiga-nos p elo remorso
de t ermos feito o mal.
Jo entanto, para a consciência tornar-se, na prática,
norma certa, é mister que seja bem formada; do contrário,
daria decisões falsas e não seria mais o intérprete auto-
rizado de Deus e da sua lei.
211. - Não se podem distinguir várias espécies de.
consciências ?

R. - Sim, segundo os diferentes pontos de vista em


que nos colocamos, a consciência pode ser: reta ou errônea,
certa ou, diividosa, provável ou improvável, escrupulosa
ou larga.
I. _ o ponto de vista da v erdade: a consciência é reta
ou verdaãeira, quando seus julgamentos são concordes
com a lei r eal; errônea ou falsa, quando o julgamento
que pronuncia é oposto à verdade : por exemplo, é o caso
de quem pensa faz er cousa boa mentindo para obsequiar
o próximo.
O êrro é vencível, quando a consciência pode sair
d êste engano de apreciação; é invencível quando há
impossibilidade moral de descobrir. o engano.
o... II. No ponto de vista da :::;:t~ a consciência é

l /)c.ycerta, quando julga com prudência e sem mêdo de errar


que tal ato é bom, mau, ou lícito; d1!JV,~d9 a, quando hesita
para decidir-se. - A dúvida é 1/J{.,e'c iitiva, quando a
que tão é encar ada t eori camente j pr'J!tica, quando a cousa
p or faz er é atual e p essoal; per plexa, quando, colocada
entr e duas alter nativas, a consciência vê pecado em ambos
o casos.

http://www.obrascatolicas.com
C O NSC i tNC I A 261

III. No ponto de vi ta dos rnot1ºvos que ervem para


e tear o julgamento: a con ciência é provável quando e
fi r ma sôbre r azõe graves, embora falív eis; i?nprovável
quando tem r azões pouco valio as.
As opiniões, ão, portanto rnais oii rnenos prováveis
conforme a gravidade do motivo ; mas também, niais ou
nienos seguras segundo afa taro mais ou menos a ocasião
de pecar .
~" I V. No ponto de vi ta do proceder geral : a con ciência
(;. é escrnpulosa, quando por motivos frív olo ou falso ,
ela e tá com mêdo de fazer o mal e vê pecado em todo
lugar ; larga, quando, por um princípio contrário, julga
ser t udo permitido e trata como faltas leves as que ão
ver dadeiramente graves.
E m meio de ta interpretações múltipla da lei,
importa delinear , para a consciência, norma certa.

212. - Dai as regras práticas para a consciência.

R. - P rincípio geral : "Nunca é permitido proceder


contra a ·consci'ncia quando rnanda on proíb e wrn ato".
oro efeito, há pecadq empre que se tem vontade
' de fazer o mal; ora, proceder contra a con ciência é
quer er o mal. "Tudo quanto não e tá de acôrdo com a..
con ciência, diz ão Paulo, é pecado " (R om., xrv, 52 ) .
O pecado então cometido, é aquele mesmo que e julga
cometer , mortal ou venial, confor me a idéia que fazemos
dêste pecado.
Aplicações particulares :
I. E stando em êrro invencível, pode-se, e até, deve-
se-lhe obedecer ; se estiver em êrro vencível, não erá
lícito egui-la, pois o êrr o seria voluntário e culpado;
também não é permitido proceder contra ela. Que se há

http://www.obrascatolicas.com
262 CONSCitNCIA

de fazer então? Retificar a consciência pela oração, o


e tudo, o conselho de homen culto e consciencioso .
III. Quando a consciência e tá em dúvida não teórica,
ma prática, não é permitido proceder ne ta dúvida
prática, poi eria expor- e ao mal : ma
acima, devem- e tomar providência para air do e tado
de dúvida. Contudo, se ape ar de todo o e forço ,
p ermanece e a dúvida, formar- e-ia a con ciência com
ê te princípio reflexo: " ma lei duvido a não obriga"
· e procederíamo egundo o partido mai favorável à
liberdade. J
om a con ciência perplexa, deve- e tomar o partido
meno ruim, e a sim não e comete pecado.
IV. o ca o de mais ou menos probabilidades de
uma opinião, deve- e tomar empre o partido mai eguro
quando e trata de cousa absolutamente necessária à
salvação, como eja a crença no artigo de :fé, ou a validez
de um acramento, ou ainda a vida e o interê e de
algu'm. - Ma , fora dê te -ca o , pode- e aceitar uma
opinião meramente provável, ainda que não a mai egura,
de de que ela e ba eia ôbre razõe éria . Ê te alvitre,
que e apelida probabilisrno e favorece a liberdade, pode-
e adotar na prática, egundo en iná . Ligório, cuja
doutrina foi reconhecida ortodoxa pelo oberanos
Pontífices.
V. Não é lícito proceder contra a con ciência,
escrupulosa muito embora; ma e o e crúpulo , ou
temore da con ciência não forem :fundado , erá preci o
vencê-lo por uma con ciência mais e clarecida, e ob ervar
cegament a pre criçõe dada por um diretor pruden e.
I. E nfim, a consciAncia larga, achando- e rn Arro
vencível, não pode ser norma para o no o ato : obe-
decendo-lhe, comete- e um pecado mai ou meno grave,
conforme a gravidade do mal que se faz realmente.

http://www.obrascatolicas.com
PEC ADO 263

CONCLU SÃO PRÁTICA

A consciência que Deus tem da do a ca da um de nós é ret a por


si me ma; mas em consequência do p cado origin al, a ignorâ ncia,
os preconceitos, a má doutrina e o mau s exemplo falseia m
esta consciênci a. - É necessário endireitá-la pela oração, o estudo,
a sinceridade e uma resistência corajo a à paixões e aos ma us
exemplos. Precisamo chegar a f orma r em nó mesmos uma cons-
ciência reta, certa, trilhando o bom caminho, afastado igualmente
do escrúpulo e do relaxamento.
Enquanto não tivermo ainda esta r etidão, cumpre a tendermos
à voz de nossa consciência apesar de l aborar em êrro; do contrário,
pecamos : mortalmente e ela nos ap resenta o a t o como mortal,
venialmente se o julga venial .
, "Mas a vossa pal av ra, ó meu Deus, é um como f acho colocado
a meus pés, uma como lâmpa da alumiando minh a s sendas" ( Salmos,
CXVIII, 105).

§ II . - Pecado.
"oção e divisão do pecado: orig in al e atu a l. - D e qu a ntos mod os se pode
cometer o p eca do atual. - Distin ção específi ca e num éri ca ci os p ecados.
- Düerença entr e p ecados r ela tivamen te à s u a gra vid a de: mor tais, veni a is.

213. - Que é pecado e há quantas espécies de pecados?

R. - Pecaqo, em geral, é desobediência aos manda-


mentos de Deus ou da I greja.
Para haver verdadeiramente, desobediência, e
'portanto pecado, são duas as condições que se devem
achar r eunidas: adv ertência ou atenção do espírito ao
valor moral, bom ou mau, do ato que se pratica, e
consentimento da vontade ao ato julgado mau: sem isto,
não seria ato humano, nem responsável. <..1 ./)

Considerado no seu princípio ou causa, divide-se o


pecado em duas espécies: original e atual. - P ecado
original é aquele com que todos nascemos culpados,
aquele que provém da nossa origem e foi cometido por
no sos primeiros pais. Falámos dêste p ecado no estudo da
qu eda original e dos seus resultados. - P ecado atual é
aquele que comete, por um ato da própria vontade, quem

http://www.obrascatolicas.com
264 MORAL CRISTÃ

j á tem idade de razão. Em relação a Adão, o p ecado


original era atual; para nós, não é mais atual.
214. - De q1iantos mpdos se comete o pecado at1ial?

R. - D e qiwtro modos se pode cometer o pecado


atual : por pensamento, por palavras, atos e omissão.

Todos, nascemos culpados do pecado origino),; s6 Maria Santissima


teve conceição imaculada.

·1.0 Por pensamento : o pensamento é a representação


de uma cousa no espírito; se a cousa é ruim, injusta ou
deshonesta e se nela nos comprazemos -com advertência
e consentimento, é pecado de pensamento. O d:esejo,
também, é pen amento ao qual vem ajuntar-se a intenção
ou vontade de fazer um ato contrário a lei de Deus, o
que o torna mais grave.

http://www.obrascatolicas.com
PECAD O 265

2. 0 Por palavra : quando se prof r m di cur o que


of nd m a Deu , como a bla rmia, murmuração, men-
tira, t .
3. 0 Por ato : quando e faz o que proíb a lei de
u ou da Igr ja, omo trabalhar no domino·o, injuriar
o pr' ·mo, matar roubar, comer carn m dia proibido.
4. 0 Por omis ão: quando deixa d cumprir uma
cou a ord nada, como não fa z r ua ora õ diária , não
a i tir à mi a do domingo, não comungar na Pá coa.
215. - Que se entende por d i tinção específ ica e numérica
dos pecados?

ão difer nte quanto à e p 'ci : com


ontra a adoração não é o m mo que a
ta o me m que a c 'l ra. Há tantas
cado quanto pr c ito difer nt e

216. - Dai a conhecer a di tinção dos pecados atuais a


respeito da s1ia gravidade.

R. - ão rm todo o p cado afaais a m esma


gravidade: há pecado mortaú e pecado veniais. Di f rem :
1. 0 na ua natiirezaj 2. 0 nas suas consequências.

http://www.obrascatolicas.com
266 MORAL CR IS-TÃ

I. Na sua natureza. - Com efeito, o pecado mortal


é desobediência à lei de Deus reunindo os três requi itos
seguintes: 1. 0 matéria grave, isto é, infração à lei em
ponto importante; 2. 0 plena advertência do espírito na
malícia do ato; 3.0 perfeito consentimento da vontade a
êsse ato julgado grave ou à causa que o devia produzir.
O pecado venial é também desobediência à lei de
Deus faltando, porém, um ou outro dêstes r equisitos, e
tendo, portanto, somente matéria leve ou semi-advertência,
ou consentimento imperfeito.
II. Nas suas consequências. - Com efeito, o pecado
mortal tira à alma a vida da graça, isto é, a santidade, a
semelhança com Deus, e logo, sua amizade, o direito à
vida eterna; 2. 0 imprime na alma uma 'nódoa: é uma
mancha ou diformidade moral, que a torna merecedora
das vinganças divinas e das penas eterna do inferno;
3. 0 priva a alma de todos os méritos entesourado pela
boas obras precedente e a torna incapaz de adquirir
novos mérito para o céu enquanto ela permanecer nesse
estado. Suas boas obras ão nulas; contudo, têm por efeito
mover Deu à misericórdia.
O pecado venial não acarreta estas con equências
grave : 1. 0 não tira à alma a vida da graça, somente
enfraquece e re fria a amizade de Deu ; também não faz
perd er a vida eterna, enão que adia a pos e do céu. -
2. 0 Verdade é que êle também é nódoa; porém, nódoa
delével, que não de trói a antidade nem a emelhança
com Deus: de figura-a somente; merece também punição,
mas punição t emporal, ne ta vida ou no purgatório. -
3.0 Enfim, não tira os méritos nem impede a aqui ição
de outro ne te e tado: todavia, enfraquece a luzes da
inteligência e a fôrças da vontade, diminui o ardor da
caridade e, dê te modo, ao pouco , conduz ao pecado
mortal.

http://www.obrascatolicas.com
P E C A D 0 26 7

CONCLUSÃO PRÁTI A

É com tôda a razão que e cha ma o pecado mortal: o maior


de todos o males: em si mesmo, porquant é f nsa a D u , ingra-
tidão, revolta ; m r lação a n ós, porqua nto é nódoa v rgo nho a qu ,
m lugar da imag m de Deu , põe a imagem do demônio; na ua
con equência 1 porqu a nto fecha-nos o céu ab re- no o inf rno. E
para i o tudo, ba ta um único pecado mortal.
Muito bem comprcen d ra o mal do pecado mo i: tal, a mãe de
ão Lui , r ei da França, quando dizia ao fi lh o aind a jov 111: "Meu
f ilho sabei qu anto vos amo; e contudo, u ante qui nt ve r-vos
morrer qu cometer um único pecado mortal 111
O pecado v nial também é grande mal ; não se as ola a alma
como a falta g rave, prepara o caminl10 para todos os strago de ta.
"Aquele que meno prezar a co usas pequena h:l ele ir Te valando
aos pou cos" (Ecl., x rx, 1) . O que julga mos pecado venial pod
s r p ca do mortal, poi é difícil, às vêzes, p rceb r a cli tância que
medeia entre os doi . E também m certos casos, pod 111 as matérias
leves, aj unta ndo-se, con tituir mat' ria g rave e po rtan to p ecado
mortal. E enfim, não é na da o purgatório'
Por estas razões o cristão que ama a D us foge até do pecado
venial ; e mera-se em não cometer nenhum d caso pensado e vol un -
tàriamente.
§ III. - P ecado capitai •

Os sete p cados cap ita is: noção e conseq u ê ncia : l.º sob rba 2. 0 avareza;
3. 0 lux úria ; 4 . 0 inveja; 5. 0 gula; 6. 0 có lera ; 7 .0 preg uiça.

217. - Qiiantos são os pecados capitais?

l . - São set e j chamam-se capi tais por serem cabeça,


f ont e, p1'incípio de mititos outros : 1. 0 soberbaj 2. 0 avarezaj
3. 0 liixúriaj 4.0 invejaj 5.0 gula j 6. 0 cóleraj 7 .0 preguiça.
Mai pr ' priamente se poderiam denominar vícios do
que p ecados. O vício é disposição ao mal, inclinação
de r eoTada, con. equência do p ecado original: pode
existir sem o pecado. - O pecado é um ato causado
muitas vêzes por e ta inclinação; pode encontrar-se de
pas agem sem ser vício. Porém, é fato averiguado pela
experiência, que os vícios capitais fàcilmente se exte-
riorizam em atos e são, por natureza, pecados mortais.

http://www.obrascatolicas.com
MORAL CRISTÂ

A Escritura sagrad_a fala a resp eito do orgulho:


"O orgulhoso e tá em abominação aos olhos de Deus"
(Prov., XVI, 5) ; a re peito da preguiça: " Lançai o servo
inútil na trevas exteriores" (S. Mat ., xxv, 30); e a
r e peito dos mais pecados capitais : "Nem os avarentos,
nem os bêbedos entrarão no céu" (I, Cor ., VI, 10) . "As
obra da carne são a luxúria, a cólera, a inveja. . . Quem
delas se torna culpado não possuirá o r eino de Deus"
(Gal., v, 19).
Como todos os mais pecados, os pecados capitais
serão õmente veniais, se a matéria fôr leve ou o consen-
timento imperfeito.
218. - Dai uma noção pormenorizada de todos os pecados
capitais e das principais faltas qiie deles resultam.

R. -1.º Soberba oii orgitlho : é a estima e amor


desprdenado de nós mesmos, que nos leva a desprezar os
oiitros e a elevar-nos acima dêles, referindo a nós mesmos
o q1te devíamos referir a De1,is . .
É o primeiro de todos os pecados; foi o pecado dos
anjos no céu, de Adão no paraíso terrestre ; é o primeiro
vício que desponta em nós, e o último que em nós morre.
Da soberba nascem: a ambição, desejo insaciável das
honras e posições; a vanglória, que faz alarde das quali-
dades, etc. ; a ostentação, que procura pôr em r elêvo seu
espírito, sua riqueza, etc.; a hipoci·isia, que oculta seus
defeitos e arremeda a virtude; a teima que se aferra ao
próprio juízo; a desobediência, que não escuta ou menos-
preza os superiores; o desprêzo do próximo, etc.
R.-2.º Avareza: é o amor desordenado aos bens da
t erra, mormente ao dinheiro.
Há certo amor aos bens da terra que é legítimo: é
um estímulo para o trabalho, previdência para o futuro;
porém, desejar as riquezas, não para usar delas llcita-

http://www.obrascatolicas.com
__ ...,.,.

l ' JD •nn
11111!11 H!l ll () JHllO llll'l'O HIO d ll H JlOHH llÍ I' 1 JH I' 111 lll H
Indo o 111'11 11 1 1 tl o l11. l1·i 11 11 v i l l111d1 t 1' 1111 11 d o J111·l OH ,
uv1 11·11v,11 •111·11 1 li rf111·r• rt p 11 1·11 110 111 OH p n lll '1'14 11 li p1· 1p1·i1

n 1111 11i•n /11lt11 rt1 n 11 t'/1•11 r11 1111•r 11l rt / 111111~ 11 111r1 1•/ n, 1L111 /11 /
11111•11 11 11 ~ 1 1 n 11 1111/ 1•11 1111111 11 fo/ r 1•1111 .

l'11111 í l i11 ; o r/ 1 1 H r1 .~.~rm.~~(frl p 1·p il 1rn o l'l4fll 1 1P i 111 1' 1d o doH


1>1' 11 1 lr1t• 11 0 • 11 /11 ,i 11 .~ // 111 p 11rn 1•0 111 o JH' ), i 111 0 1 pnl H 11 fí o
l1(i IHH I I' • 111 •111 110 11 Hl' i11 11 l'i 11 11 0 11v1 11•1111l o : d11 í !I H j'1 ·1111rf1 .~
1
1L /1 •11 / •11 0, Ili llir! f 1/ ( 1 /11 1 1111',
1 , .'/." Ii11 .1·1'!t' l11 : o 11111r11· rl1•M1l'1 l 11 11 rtd ri no.~ rfr< lr1ilr1H
r/(( r101 •11r1, 111•nlf11'rf rm 111•(0 l ' / ,11 <' I X .11 1i lfll/ l(r11111•11 /, rN1 lf1t fri
rf r' f Jr•1/H,
J01r1 01 111·11 jl lll'lt , d 1'1 , ll lll ()H d lo q111111Ln
11 11 !1 1• HI 11 1' 1' 111111' ljlltl 111![1·1 l rn ltJH t>r-1 vfo ioH IL 111 li' u
o Jllll lH l 111p11 1• 0140 11 111 H l't•l' lllllln 1 111 lmli 11 tf1 t•iH 1'(>11 14 •
1
lj llt 11 1• 11 14 . ()14 Hlil l 1 1•11l4 iill11il t1l4 14 1,IJ oJ'tl 11 1 1•i1t 111 t'lli ll 1 1t
('l'i111il 111, IL d t1H l1 011 1·11., 11 dt•Hg' Hl t1 dm1 l' llll Hl1 dt IJ 1 ll H, n
t•q1' 1i td 1•1t do t'H P 1•110 1 o11111 1111•11• 111 11 1! 0 do 1•111·11 í1o, 111 • Dli
111 (1 1•i11 JIHH •' Ili llJll H 111 11 1111 l' dt l!l l L!'IJH 1J nt lo~ 1

http://www.obrascatolicas.com
I
7
270 MORAL C RISTÃ

egoísmo medonho, que leva a pen ar ilnicamente em i;


o crime ou o ódio, o homicídio, o sacrilégios e todos os
crimes.
R. - 4. 0 I nveja : é a tri teza causada pelo bem do
próximo oii a alegria pelo rnal qit!!_ lhe acontece, senti-
rnentos êstes que se originam no desejo inju to do bem
alheio.
A inveja, filha do orgulho, é pecado do demônio.
"É pela inveja do demônio que a morte entrou no mundo"
( ab., m, 24 ) . A inveja é tortura e uplício contínuo
para aquele que e entrega a e ta inclinação. De mai a
mais, dá origem a pecados em conta: siispeitas injii tas,
calúnia, miirmuração, discórdia, ódi o e até homicídio. -
" Qual a traça para a roupa, diz ão Ligório, o verme
para a madeira, a ferr ugem para o ferro, a im é a inveja
para o cor ação do homem; ela o r ói e o devora; é ainda
o verme que corrói o ve tido de honra da virtude, a
f errugem que mareia o brilho da reputação.
R. - 5. 0 Gitla : é o amor desordenado do comer e do
beber.
Comer e beber é obrigação nec.e ária à vida e à aúde.
Deu pôs ne te ato puramente animal uma en ação agTa-
dável para aceitarmo melhor a obrigação aborrecida e
peno a. A gula con i te -em transformar a nece idade em
gôzo, e é de ordem comer e beber em r egra .e em preci ão,
com exce o na quantidade, muita delicadeza na .quali-
dade, com avidez ou com muito luxo. pior gula ' a
em briagiiez; e fôr completa, até tirar o u o da razão,
sendo também voluntária por parte de quem e embriaga,
é pecado mortal, e incorre na r e pon abilidade de todo
o pecado que se podem cometer ne te e tado. As
con equência ordinária ão: o esquecimento da alma,
da salvação, do deveres cristãos; e pecialmente a trans-
gressão das leis elo jejiim e da ab tinência; à embriaguez

http://www.obrascatolicas.com
PECA DO 2'71

eguem- e as rixas, cóleras, blasfêmias, impureza, as as-


sínio à vêzes.
R. - 6. 0 fr a: é o movimento desordenado da alma
pelo qual se repele com violência o qiie de agrada : leva
à vingançq,.
H á urna ira legítima e anta : a de Nosso Senhor
contra os profanadores do templo, a do pai ou da mãe
contra o :filhos r ebeldes. Fica todavia e ta ira submissa
à razão; p elo ·contrário, a cólera criminosa não é mais
senhora ele si. O efeito ão: ódio, vingança, injú1·ias,
blasf êniias, imprecações, pancadas e, à vêzes, du elos e
assassinios. É por isso que falou o E pírito Santo:
" A ira e o furor ão ambos detestávei " (Ecl., xxvrn) .
"'Quem der largas à cólera, às rixas, às dissensões, não
entrará no céu " ( Gal., v ) .
R. - 7. 0 Preguiça : é o amor d esordenado ao descanso
que nos faz omitir os nossos deveres.
Di tinguem- e a preguiça corporal e a preguiça
espiritiial : a primeira é uma frouxidão cheia de neo·li-
gência para o trabalho e o · deveres do e tado ; a segunda,
grande el e gôsto e de cuido para a oração e os deveres
r eligio o . Quem vence ou sofreia esta frouxidão, êste
de gô to, faz um ato de coragem e adquire méritos;
quem .se deixa levar por êles cai na cobardia e no pecado,
sendo pecado mortal e o descuido fôr grave.
A preguiça é mãe de todos os vícios; gera principal-
mente a ociosidade e a perda de t empo, origem da
ignor ância e ela incapacidade; produz a inconstância, a
infid lidacle ao ·ompromissos e a inidilidade da vida;
de brava o caminho para tôdas as tentações, nomeada-
mente para a gitla e a iiiipureza ; finalmente vai dar na
miséria e no desgôsto da vida.

http://www.obrascatolicas.com
272 MO RA L CR I S T Ã

CONCLUSÃO P RÁTICA

Cada um de nós, leva no coração o germe de tôdas as paixões,


e por tanto de todos os pecados capitais. Porém, há geralmente um
para o qual sentimos propensão mais forte; a êste chama-se por isso
pecado ou paixão dowinante. Importa conhecê-lo muito bem, e
assesta r baterias contra êste inimigo, cujo triunfo seria nossa
der rota e cuja ruína será nossa vitória contra todos os mais pecados.
O orgulho, a luxúria ou amor do bem-estar, a preguiça são os três
vícios a que se relaciona, as mais das vêzes, a paixão dominante.
Para corrigir a paixão dominante, é preciso : L o ter vontade
sincera, firme e enérgica; 2. 0 pedir todos os dias o auxílio de Deus
na oração; 3.0 fo rmar todos os dias resoluções atuais e particula-
res; 4. 0 examinar-se de noite muito detidamente, e quando fôr o
caso, humilh a r-se a arrepender-se rezando fervoros o ato de contri-
ção; 5. 0 quando o descuido tiver sido maior, impor-se penitência
voluntária, humilhação, pena ou privação corporal; 6. 0 enfim, fazer
ótimas confissões, notando cuidadosa mente os progressos ou as
f altas e comunican~o o r esultado ao diretor; comungar segundo
o parecer dêste, mas sempre com fervor .

§ IV. - Virtudes.
Noção e divisão das virtud es. - As qua'tro virtudes <iardiais: 1. 0 prudência;
2 .0 justiça; 3. 0 fortaleza; ~. 0
t emperança. - Virtudes morais opostas
aos sete pecados capitais.

219. - Que é virtiide e como se dividem as virtudes?


R. - V irtude é uma disposição da alma que nos leva
a fazer o bem e a evita'f' o mal.
I. Consideradas na sua origem, dividem-se as vir-
tudes em infusas e adquiridas. As primeiras são inatas
em nós, isto é, são obra da natureza ou da graça ; as outr as
são antes fruto do trabalho e do esfôrço.
II. Consideradas em si mesmas, as virtudes são
nafo,rais ou humanas, e sobrenaturais ou cristãs. As vir -
tudes natiirais ou humanas são as que praticamos p elas
únicas luzes da r azão, somente com as fôrças da natureza,
t endo em mira um bem natural ou terrestre. As virtudes
sobrenaturais ou cristãs são as que se inspiram nos mo-

http://www.obrascatolicas.com
\rt&TUDES 213

tivo da f' e praticamos com o ocorro da graça, t endo


em mira a felicidad eterna.
III. Enfim, quanto ao seu objeto subdividem-se em
teologais e morai . As virtude teologais ão as que se
r eferem diretam nte a D eus: f é, esperança e caridade.
virtud momis ão a que n01teiam o nosso
proceder e determinam o no os co tume para com
no o semelliante e para conosco, r eferindo-se a Deus
ó de modo indireto. - A virtude morais são numerosas;
podem contudo r e umir-se em quatro principais, que s,ão
como que o alicerce da outra e se chamam, por esta
razão, virtndes cardiais. ão: 1.0 prudência; 2. 0 justiça ;
3. 0 fortal eza e 4. 0 temperança.
220. - Dai a conll ece r cada uma das virtudes cardiais.

A quatro virt1tdes cardiais foram conhecidas e


en inada pelo filósofos do paganismo, como virtudes
natiwais. o cristiani mo, tornaram-se sobrenatiirais; a
graça as fortificou e llie deu rumo melhor.
R. - I. Prudência é uma virtude pela q'ual escolhemos
e tomamos os m eios mais próprios para bem desempenhar-
mos nossos deveres.
A prudência h1trnana diferencia o bem do mal, o
fal o do verdadeiro, procede com tino e acêrto no uso
das cou as da vida. A prudência cristã, alumiada pela
luz de Deus, procura conselho , foge dos escolhos, evita
as ocasiões perigo as, acautela-se contra a presunção e a
leviandade : norteia seguramente todos os nossos atos,
todos os nossos passos.
R. - II. Justiça é a virtude que nos leva a dar a
cada itm o que lhe pertence e respeitar os direitos alheios:
esta é a justiça natitral.
A justiça cristã .é mais perfeita. Na primeira plana,
coloca nossos deveres para com Deus, não ~e limita em

http://www.obrascatolicas.com
274 MOR AL CRISTÃ

dar ao próximo o que lhe é devido : reina no âmago da


no a alma, impera no no sos p ensamento , nos nossos
sentimentos para com os outros, torna-nos humildes,
de confiados para conosco, segundo a ju tiça ab oluta o
exige do pecadores.
R. - III. Fortaleza natiiral e pagã consiste no ânimo
qiie temos para siiportar as desgraças, r esistir às paixões,
empreende1· cousas difíceis e virtuosas.
Quando virtude sobrenatiiral e cristã, dá-nos coragem
para ven cermos e sofrermos tudo antes do que ofender
a Deu . Pode- e dizer que é r emédio para tôdas as
fraqueza , lenitivo e arrimo em tôdas no sas provas,
alavanca podero a na prática de todos o nossos deveres.
R. - IV. T emperança. - É iima virfade qiie nos
leva a evdar os excessos e a usar de tudo com moderação.
No p aganismo con istia principalmente em refrear·
as paixõe e os desejos, mormente os de ejo sensuais.
A temperança cristã não ó proíbe o abuso dos alimentos
e de t udo quanto lisonjeia os sentidos, mas r egula até
os no o entimentos no gôzo das cousas da vida, condena
os prazeres culpados e limita o uso dos que são inocentes.
Permite o gôzo dê tes últimos; não quer porém que nêles
vamo procurando no a ventura, no o fim último.
Nos alicerces de tas virtudes cardiais, ergueu o
Evangelho o edifício da p erfeição cristã. Tornou e tas
virtudes sobrenaturais mais p erfeitas: propôs, não como
dever, ma sim como c.on elho, não como obrigação geral,
mas sim como fidelidade a uma vocação privilegiada, de
levar até o heroísmo a prática destas virtudes no estado
chamado vida religiosa. Firma-se o e tado religio o ôbre
três votos ou compromissos que são a prática eminente
das virtudes morais : os votos de pobreza, castidade e
obediência.

http://www.obrascatolicas.com
;

VIRT D ES 275

221. - Dai a con hecer as outras virtude ?norqi opostas aos


pecados capitai .

R. - 1 .0 ) À ob erba opõ -se a hiirnildade cristã.


2. 0 ) À avareza opõe-s o d e ap êgo do b ns da t erra.
3.0 ) À luxúria opõ - eaca Mdad e.
4.0 ) À inveja opõe- a ca1·idad .
5. 0 ) À gula opõ - a obnºedad .
6. 0 ) .d cólera opõ - a mansidão cristã.
7 .0 ) À pr g11 iça opõe- e a diligAncia.
1. À ob erba opõ - a hmnildade cri tã virtude
0

d conhecida do mundo paO'ão · leva-no a di tinguir


no o defeito r eferir a D eu o b m que em nós se
encontra a confe ar-no de bom O'rado inferiore aos
outro .
2.0 À a ar a opõ - e o desapAgo do ben da terra.
De ta virtude o o enhor fez a ba e da ua religião:
amaldiçoou a riqueza, ab n oou a pobreza, declarou
indigno de eo'ui-lo aqu 1 que, pelo meno de coração
não r nuncia e a tudo quanto po ui .
3. 0 À l11 x úrfo opõe- a ca tidade virtude qu incute
,, o horror da cou a de hone ta . Praticada na perfeição
chama-se vfrg1ºndade, virtude aJJO' ' lic.a pela qual renun-
ciamo a todo o prazer en ual.
4. 0 .d inveja opõe- e a can·dad e, qu leva a partilhar
a tri tezas do próximo como e fo em nó
aleO'rar-nos por todo o bem que êle ente. -
é a virtude cara cterí ti ca do e.ri tiani mo : '
amarde un ao outro , di e o o
conhecer- e-á que oi m u di cípulo
5. 0 À g?1la. opõe- e a sobriedade, que no afa ta de
qualquer exce o no comer e no b ber. E a virtude,
quando aplicada à ob ervância exata do preceitos da

http://www.obrascatolicas.com
276 MO RAL CR I STÃ

penitência impostos pela I greja, chama-se abstinência ;


abr angendo outros sacrifícios voluntários, é chamada
mortificação.
6. 0 À cólera opõe-se a mansidão crútã, virtude
elogiada por J esus Cristo e que leva a suportar com
paciência aquilo que nos conj;raria.
7 .º Enfim, à preguiça em geral, opõe-se a diligência,
que nos leva a cumprir os nossos dever es com muita
coragem e constância. Com proveito se há de combater
a preguiça espiritirnl pela exatidão nos exercícios de
piedade, e a preguiça corporal, pela atividade e pelo
trabalho.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Assim como cada um de nós tem um defeito dominante que


combater, assim nos devemos esmerar na aq~isi ção 'de uma virtude
dominante, quer por descobrirmos em nós o seu germe, quer por
ela nos agradar mais, quer porque a julgamos mais indispensável
ou útil à nossa vocação pessoal. A virtude dominante de Nossa
Senhora por exemplo, era a humildade; a de são José, a castidade;
a de são João, a caridade; a de são P a ulo, o zêlo. Em t empos mais
recentes, são Francisco de Assis especialmente amou a pobreza;
são Francisco de Sales, a mansidão; santa Teresa, a penitência;
são Vicente de Paulo, a dedicação.
Façamos a escolha da nossa virtude predileta, e sem descui-
darmos as outras, envidemos, para aperfeiçoamento desta, os nossos
mais generosos e p erseverantes esforços. A reflexão, a oração, os
exames, a meditação, a comunhão frequente são os meios de que
havemos de lançar mão para adquirir e aperfeiçoar esta virtude.

http://www.obrascatolicas.com
DA GRAÇA 277

TER EIRA PARTE

MEIOS QUE DElTS ESTABELECEU


PARA NOSSA SANTIFICAÇÃO

L I ÇÃO PRELI MI NA R
A GRAÇ A
Snntificação. - Noçõ s ge-rnis dn graça . - Divisão da. ma térias.

222. - Como é que D us nos santifica?

R. - Deu no

http://www.obrascatolicas.com
27 DA GRAÇA

Para comunicar e a graça, Deu e abeleceu doi


meio · orr1ç1io P • ncrnm1 nto.. Pelo primeiro dê e meio .
peclimo o Ol·orro de Deu : e Deu . por ua na nri>za e
por ua prome a . em que no. con('eder ê e ocorro.
~Ta • ·o. o . 'enhor .Je u ('ri o. por um a o rle pura

l'l'l!J nrnçiío r o• Mrrrrarrirnto•, nfr.(1nramo1 o~ pr -wn 'I '


n,,,. m,r,cl!U J ,•u~ f]ruf,

P Ji,·n· '"Hl nd , de 1•rmino11 e <'n 111011 m"i" '111" no<:


Jllh" 1'111 <'Ili eom1111hiio mai ín lllla '0111 í·J,., 1·m pPn lrnn-
do- ,. "Ili dar !{ra1;a a quem 11 a dí 'hn-
mam- " meio Je an ifiea iio · orar;iio
Impor a rlar urna no ·ii11 nrni corn11l • H da J.!nw:i, 11111•
í.· fru o dl>I

http://www.obrascatolicas.com
1 -

DA GRAÇA 279

223. - Dai a defin ição da graça e dizei suas várias espécies.

R. - A graççi é iim dom interno) sobrenatiiral e


gratiiito,. que D eus nos dá em relação à vida eterna.
Podernos agrupar as .graças sobrenatiirais :
1. 0 relativarnente ao rnodo ou à rnaneira como são
concedidas : ern graças interiores e graça exteriores.
2. 0 na sua natureza) divide-se a· graça em atiial e
habitual.
Chama-se graça, em geral, qualquer dom que Deus
concede gratuitamente já na ordem natural) já na ordem
sobrenatiiral. Por ordem natural, entende-se o que se
refere ao espírito, ao corpo, aos bens da vida pre ente,
l'l felicidade dêste mundo. Por ordem sobrenatural,
/
entende- e a vida uperior da alma, o bens acrescentados
à ua natureza e r elacionado com a antidade e a
felicidade numa vida mais p erfeita.
Mais particularmente usa-se o vocábulo graça para
de ignar os bens desta ordem sobrenatural, e é neste
entido que se define a graça: dom sobrenatural que
Deus concede por pura bondade, em con ideração dos
mérito de J e u Cri to, para alcançarmo a vida eterna.
Podemos a im agrupar as graças sobrenatiirais:
1. 0 R elativamente ao rnoclo ou à maneira como são
concedida : em graças interiores e graça ext eriores . -
As primeira ão comunicadas diretamente p elo próprio
Deu : ão bon pensamento , afetos piedoso , impulsos
genero os que nos movem para o bem. As graças exte-
rio1·es são meios que Deu di põe em redor de nós para
incitar-no ao bem: bons exemplo , educação cristã,
leituras piedo a , exortações, etc.
2. 0 Na ua natiireza, divide-se a graça em atiial e
habifoal. - A primeira é transitória; não permanece, e
por i o, chama- e atual. - A outra, po ta por Deu em
no a alma, ali mora constantemente; torna-nos justos e

http://www.obrascatolicas.com
,
280 D A GRAÇA

santos e transforma-se em . estado : é o estado de graça,


que dura até o perdermos pelo pecado mortal; ela se
denomina graça habitual ou santificante.
Atendendo à sua importância, empr egaremos para
explicação da graça atilal e da graça habitital os dois
primeiros parágr afos de ta lição preliminar; acre centa-
r emos terceiro parágrafo sôbre o m érito, fr uto da graça
santificante e da graça atual.
§ 1. - Graça a tual.
D efi nição . - Necessidade da graça . - Graça sufi ciente sempre concedida.
- Eficáci a da graça.

224 . - Que é graça atual?

R. - A graça atual é um dom sobrenatural, transi-


tório, que ilumina o nosso entendimento, move e conforta
a nossa vontade para praticarmos o bem e evitarmos o mal.
Êste socorro divino, que nos chega em tempo
oportuno, é luz para a inteligência, estímulo para a
vontade, bom impulso, finalmente, que nos auxilia e no
entanto precisa da nos a cooperação; para ter efeito e
desempenhar seu papel, a graça atual precisa do nosso
concurso. De acôrdo ju tamente com êste resultado, diz-se
que a graça é s1.t ficient e ainda que pelo fato de nossa
liberdade ou de nossa oposição, não produza os frutos
por Deus determinados; diz-se que é eficaz quando
preenche êste fim, quando os produz.
225. - Será necessária a graça de Deus, e como?
R. - Sim, a graça de Deus é absolutamente necessária
ao homem para êle fazer obras de salvação : privados dêste
socorro, nada podemos cumprir que seja proveitoso para
a vida eterna, nem dar um passo no caminho do céit.
"Nada podeis sem mim ", diz os o enhor ( . J oão,
xv, 5) . Entendem-se e ta palavra na ordem sobrenatural.
- pois, na ordem natural, o homem, embora culpado e

http://www.obrascatolicas.com
GRAÇA ATUAL 281

caído, pod , m o au ílio da o-ra a, conhecer alo-umas


v rdad como a e ·j t"n ia de u e certo princípios
da 1 i natural. Pod tamb'm, m a graça, e mesmo sem
f', umprir alo-um bem n ta ord m natural, Todavia, a
gra a ne . ária para "l conh r t"da a 1 i se bem
qu natural para "l b rvar tod o pr ceitos e vencer
tô 1a a t ntaçõ . om maioria de razão, a graça é
ab ol1ttarnente n ces ária para cumprirmo uma obra que
no torn digno da alva ão. e o pá aro não pode
levar- e no ares em o auxílio das a a , menos ainda
pod o homem sem a graça, ubir para as sublime alturas
cele t s.
ond havemos de concluir: 1. 0 sem a graça não
pod mo t er a f', nem m mo o princípio da fé: "Nin-
u 'm diz No o nhor poderá vir a mim, se meu
Pai não Ui der a gra a" ( . João, vr, 44); 2. 0 sem esta
me ma graça, o homem pecador não pode sair do seu
infeliz e tado, nem o ju to per v rar na justiça.
226. - erá sempre dada ao homem a graça sufioiente para
salvar-se?
R. - irnj Deits dá-nos a graça atual sempre que
d la preâ arno on a pedimo com as devidas disposições.
or uma parte, s a graça ' nec ária, certo é, por
outra, que nun a ' negada a qu m faz o que pode para
alcançá-la. om ef ito, ate ta e en ina a Sagrada Escritura
qu D u "qu r . alvar a todo. o b.omen " (I, 'l.'im., n, 4) ;
Joo-o, dá a todo ra a ufi ientes de salvação. Se muitos
não conseguir m a salvação, será por negligência ou má
vontade. us nos deu a liberdade e a respeita, para
d poi recompensar-nos e correspondemo à sua graça e
a ti()'ar-nos s re. i timos. •
Ma. fica c rto que:
1.0 O justo t"m gra a ufi iente para per sever ar:
" D u não qu r qu ejamos tentados acima das no as
fôrça" (I, Cor., x, 13) .

http://www.obrascatolicas.com
282 DA GRAÇA

2. 0 Os pecadores, endurecidos embora, podem con-


verter-se: " Deus não quer a morte do ímpio senão a sua
conversão" (E zeq., xxxm, 11) .1
3. 0 Os próprio infiéis ainda podem salvar-se: têm
a lei natural e, e a observar em, Deu r ecompensará e ta
fid elidade.
4.0 Tamb é~ as crianças que morrem em bati mo
não são privadas da graça suficiente à salvação; por
ventura, se não a po suirem, é o resultado de ocorrências
que não dependem diretamente da vontade de Deus.
227. - É sempre eficaz a graça de Deus?

R. - Em si m esma, a graça de D eus é todo poderosa.


Mas Deiis r espeita a li berdade elo homem, que pode
r esisti?· à graça · e impedir-lhe a eficácia.
Em si mesma, a graça de Deus é todo poderosa.
" P os o tudo, dizia ão Paulo, naquele que me fortalece"
(F ilip. , IV, 13) . P or i so vemos que, à vêze , produz efeitos
de modo infalível, deixando contudo, ao homem, liberdade
de r esi tir. ão Paulo, falando da própria conversão,
diz : " A graça de Deus não foi estéril em mim; trabalhei
mai que todo os outro : não eu, contudo, mas sim a
graça de Deu comigo" (I , Cor., xv, 10 ) . O acôr do entre
esta graça eficaz e a no a liberdade é mi terio o muita
vêze ; porém, é muito r eal, e é dogma de fé que a graça
eficaz deixa a no a liberdade tôda ( Co-nc. de Trento,
se . VI, IV ) .
Por outra parte, acontece infelizmente muita vêze
que o homem, p or efeito de sua livre vontade, impede a
graça de Deu de ser eficaz. É isto que exprimia J e u
risto chorando ôbre J eru além: " Quanta vêze não
qui eu r eunir teu filho como a galinha ajunta o eu
pintinho debaixo da a a não qui e te! " (S. Mat.,
xxm, 27 ) . É precisamente e ta r e i tên ia à graça que
constitui a culpabilidade do pecador .

http://www.obrascatolicas.com
GR/\-ÇA HAB I TUAL 283

CONCL ÃO PRÁTICA

grça d D u é neces ária à no sa al\7ação: "Se algu ém


li er que em a in piração prévia do Espírito Santo em eu
auxílio, o homem pode crer, e pera r, ama r ou arrepend er - e devid :t-
m nte p ar a alcançar a g raça da justificação, contra êle ej a a n:'.t-
tema ! " (Concilio de 1'rento, ess. VI, c. m ) . São P aulo até fal a :
" m a raça do E pírito Santo nem é po ív 1 pro nun ciaTmo
utilmente o nome de J e us" (I, Cor., xn, 3) . 11: te ensino deve
inspi ra r-no constante s ntim nto do hmnanidacle desconfiança.
PoT outra parte, somos c rto de teT empre a graça de Deus
enquanto dela não nos tornamos indig nos, e aí temos motivo de
grande confiança na infinita bondad '! Deus. 'rod avia, devemo
r cear de 11 ão corr spoud r à a raça de modo sufici nte : " A terrn
muitas vêz s regada pela chu va do céu, que nada produz s não
pinho brenh as, é terra cond nada e próxima ela maldição"
(Hebr., v1, 7). Qual a conclusãoi É que dev mo pedir humilde-
mente a graça, e a la corre ponder dôcilmente.

§ II. - Gra ça habitua l o u a ntificante .

D eí ini ~ão .
- E feitos da gr aça sa ntifi cante. - Meios el e nl a nçá-la , de
aum entá -la, de p erd ê-la.

228. - Q 1te é a graça habitital 0 1t santifican te?

R. - A grnça sanMfi cante ' nrn dorn sobrenafo,ral


?·n er nt à n os a alma, que nos f az santo , filho adotivos
d D us h rd iro do c'ii.

va a
por amor no
amor benefício

http://www.obrascatolicas.com
284 DA GRAÇA

229. - Quais são os efeitos da graça santificante?

R. - A graça santificante jiistifica a nossa alma,


dá-lhe celestial beleza, fazendo-a participante da natureza
divina, outorga-lhe direitos à recompensa do céit e a torna
capaz de 1azer obras m eritórias.
1.0 Quando concedida à alma em estado de pecado
mortal, a graça santificante traz esta alma do estado de
p ecado para o de graça : chama-se então jiistificação,
significando que faz justo e santo o que era pecador e
culpado.
2. ° Com o estado de inocência e de justiça, á graça
santificante comunica à alma celestial beleza, divina
semelhança com Deus : por i so, Deus a ama com amor
inefável e vem morar n ela, segundo a próprfa palavra de
No so Senhor. Feita participante da natureza divina, a
alma tem direito .à f elicidade de D eus: é digna do céu.
3.,0 Quando concedida à alma que já a possui, a
graça santificante aumenta sua formosura, seus tesouros,
seus méritos, e dá-lhe um direito correspondente a um
acréscimo de recompensa e de glória no céu.
4. 0 Enfim, a graça santificante nos torna aptos a
faz er obras meritórias para a vida eterna, enquanto nossas
obras tôdas fi cam mortas e sem valor para o céu se dela
estivermos privados.
230. - Como se pode adquirir, ai1mentar ou perder a graça
santificante?

R. - Adqiiire-se pelo batismo a primeira v ez e


recupera-se pela contrição perfeita oit a penitência;
aumenta-se pela oração, as boas obras e os sacramentos;
e perde-se pelo pecado mortal.
1.0 Adquire-se pela primeira vez a graça santificante
no batismo. Quando a t emos perdido por nossas culpas,
recupera-se por meio do sacramento de penitência ou pelo

http://www.obrascatolicas.com
MÉRITO 285

ato de caridade pe1"f ita. on erva- e ob ervando fiel-


mente a 1 i d Deu e fugindo do p ado mortal.
2. 0 A:nmenta-se a graça antificante pela oração, as
boa obra , e e pecialmente a participação dos sacramentos
que receb mo quando omo justos e santos. Sempre
pode cre cer mai e mai ; é n e te entido que o Espírito
anto falou: "A enda do ju to, qual uma luz pura,
eleva- e e alumia empre mai , até chegar ao dia claro
e perfeito" (Prov., rv, 1 ) .
3. 0 A ·graça antificante pe1·de-se pelo pecado mortal,
e um único ba ta para no arTebater êste te ouro e
também todo o mérito de no as boas obras anteriores.
Se porém, a alma culpada recuperar a graça santificante,
eus méritos pa ados tornar a viver; mas as obras feitas
no estado de pecado ficam inúteis para o céu.
CONCLUSÃO PRÁTICA

"Oh 1 alma santa, exclama santa Teresa, se pudesses ver o


que és pela graça, tu morrerias de felicidade quando deparasses
esta beleza mil vêzes maior que tôda a beleza criada 1" Ora, êste
portento de formosura é aniquilado por um só pecado mortal, e a
divina semelhança substituida então pela fealdade, pela degradação.
Quanta cautela não devemos tomar para evitar o pecado 1. . . Há
outra reflexão com que não pod emos deixar de tremer: é esta
palavra da Sagrada E scritura: " inguém sabe se é digno de amor
ou de ódio" (Ecl. IX, 1). unca temos certeza ae nos achar em
estado de' graça... Porém, Nosso Senhor nos dá mais esfa palavra
consoladora: "Quem me ama, guardá os meus mandamentos" (I,
João XIV, 21). E o apóstolo da caridade, são João, completa essa
certeza moral dizendo : "Se o nosso coração não censurar nada,
podemos ter plena con!iança em Deus" (I, João, nr, 21).
§ III. - Mérito.
Noção do mérito. - Suas condições - Dond e vem a grandeza do mérito.
231. - Que é mérito?
R. - Mérito, - qiie se consideia aqiii como obra
m eritória, - é wrna obra boa feita com o socorro da graça
por amor de Deus, e digna, aos olhos dêle, ç,e recompensa
eterna.

http://www.obrascatolicas.com
286 DA GRAÇA

m'rito, portanto é fruto da ()'ra ça e por nó


me mo orno incapaz de fazer obra que eja diO'na
de recompensa e.ele te. om a graça, pelo contrário o
homem pode praticar ato meritório . Ora, no mérito
do homem, pode-se di tinO'uir mérito de ju tiça mérito
de conveniAncia.
O mérito de justiça con titui verdadeiro direito à
r ecompen a; o mérito de conveniência não é m'rito
ab oluto, outorgando direito rigoro o à recompen a · ma
im, conforme o nom indica, certa conveniAncia digna
de consideração, de maneira que chamar- e-ia igualmente
mérito de misericórdia, porque é ba eado principalmente
na mi ericórdia de Deu .
232. - Quais são as condições do 11iérito?

R. - Para qualquer m 'rito, i?npr cinclív l o


socorro da graça atital, que n1lnca falta. Para ter m 'rito
de justiça ' preciso : 1. 0 o e tado de graça; 2. 0 of r e r a
Deu a boa obra com intenção santa. - Para t r 11i 'rito
de conveniência, basta faz r qualquer boa obra, com
int nção de f '.
Para qualquer m'rito o ocorro da graça atual '
impre cindível; ma e ta condição dependente de Deu ,
nunca falha. É por i o que õm nte tratamo aqui da
condiçõe exigida por parte do homem.
1. 0 Para ter mérito de jiistiça, con tituindo acr' cimo
de graça ne te mundo e de glória no outro, ' preci o:
a) ter o e tado de graça; b) oferecer a Deus a boa obra
com intenção anta. e te sentido No o • enhor declara
que quem der, em eu nome, um copo de áO'ua fria a um
pobre, não p rderá a r ecompen. a. Infere- e dali que ó
o ju to podem aquirir mérito de ju tiça.
2. 0 P ara ter mérito de conveniência, ba ta fazer uma
boa obra qualqu er, com intenção de fé, i to ' , para agradar
a Deus e em vista da alvação. Todo podem as im merecer

http://www.obrascatolicas.com
MÉRITO 2 7

de Deu O'ra a atuai e o auxílio nece ário para vitar


o l ecado e adiantar- e na virtu d . próprio p ador
pode a im po r ua ora çõ e b a obra , mer
O' raça da om i ão.
233. -Donde pro vém a grand eza do 111érito?
R. - A grm1 d ~a do m ' rit o d p nd da antidad da
p e soa qn trabalha, da xc léncia ou dific uldad da obra
e da p rf ição com qii ' f ita.
~ grand za do m' rito depende: 1. ~ da pe oa ou da
diO'nidade e antidacl e de qu m t rabail1a. O m ' rito de
Je u ri to por exemplo, é infinito; o m'rito do ju to
é incomparàvelm ente maior que o do pecado r l or que a
graça o faz filho e amigo de Deu .
2. 0 Da exc l Ancia ou clificnldade da obra. A im, uma
grande e mola é mai meritória que uma mola pequena
f eita pela me ma pe oa. Ma o óbolo da viúva mai · vale
ao olh o d J e u ri to que o ouro dado pelo ri co .
3. 0 D a perf ição i to é, da pureza de int nção, do
fervor e principalm ente da cari dade com que se trabalha.
E ta dispo içõe com efeito comu nicam à obra valor
tal que ato ainda o mai indiferente podem, ao olhos
de Deu adquirir mérito extr aord inário.
CONCL SÃO PRÁTICA

O tempo em que podemos granj ea r méritos é a >ida p r e ente:


"Enquanto temo tempo, pratiquemo o bem", diz ão Paulo
(Gal . v1, 10 ) . Se não t i.ermos zêlo e coragem para cumprir obras
difícei ou brilh antes, seja esta falta de grandes méri tos suprida
p elo espírito de f é, pelas in te nções pura" em todo o no sos atos
mais ordinários e mais simples. Quem dirá o mérito sobrenatural
de cada um dos nossos di as oferecidos a D eus no est aclo cl graça! ...
Oh! pensamento consola dor ! O pecado r ainda pode p repara r a sua
9aJvação pela oração e as obra de penitência, e o justo entesou ra r
m éritos, subir mais a lto na santidade e na glória ... E p a ra isto,
qu e é p reciso faz er ' R eza r, sofrer, trabalhar e sobretudo ama r-vos,
ó J esus 1•••

In st. R elig. - 10

http://www.obrascatolicas.com
28 O ~ A Ç Ã O

A ORAÇAO -
O Ç õES G ERAIS
Deíini~iío . - Várias espéc ies de orações. - Did siío d o a ss u nto.

234. - Qu e é oração?

R . - Ora r; ii.o é a el ev ação d e nossa alma a Deus,


paro o adorar , agradec er-lh e, pedi r graças e implorar o
perdiio dos nos< os pecad os .
~\
pala na orar, no srnticlo exato, quer dizer pedir:
a oração . pois, dife r e na r ealidade da adoração, ato pelo
qua l r econhecemos sim plesmente no sa infe rioridad e e
dep endência par a com Deus. :Jfa e. ta confissão humilde

Omr, é elei:<tr a alma «lé D eus 7J<t rci adorar, cigmcl ecer, im plora r
perdão e pedir novos fa v ores .

do no so nada traz muito naturalm ente a oração sôbre os


no sos lábi o e também a expre ão da nossa gratidão.
Assim , num mesmo ato, confundem-se, muitas vêzes, todos
os nossos dever e para com Deus: criaturas, nós o

http://www.obrascatolicas.com
O R A Ç Ã O 2 9

adoramo · filho cumulado de benefício , nós lb aO'ra-


dec.emo ; fraco olicitamo graça ; pecador implora-
mo o perdão.
235. - Distinguem-se quantas espécies de orações?
R - D ua e pécie : m ental e vocal. A oração vocal
pod ser particular on pública.
A oração rn ntal ' a que faz no fundo do coração
em pronunciar palavra . im faz er or ação mental '
elevar o e pírito e o coração a D u , ocupa r - em ilêncio
com a verdade que no deu a conhecer r efl etir n ela
debaixo do eu olhar, formar entim ento piedo o e
r e oluçõe incera de tornar- e melhor. A oração mental
é certamente mai excelente· em ela, t Ada a outra
perderiam o eu mérito e encial; a ora ção mental 'zinha,
porém, não ba ta ; preci amos r ecorrer à or ação vocal.
A oração vocal é aquela na qual externamo por
palana o entimento do coração. P ar a er or ação
ver dadeira não dev con i tir U.nicamente no movimento
do lábio , ma im, >ir acompanhada do entimento
interiore de f é e piedade. Que o corpo também r eze de
alguma maneira , é ju to, natural, eg undo a ordem e
êle o faz pela palavra. Mai é fa to proYado pela expe-
ri ência, que a oração vo,,al, ao pa o que mantém e
de perta a atenção do e píri to, ene ao pre tíO'io do culto
exteri or e público, dá boa edificação ao próximo e a todo
permite a união na oração comum. Ora, é muito proveitoso
r ezar em comum, pois J e us Cri to prometeu bênção •
especiai ao que se r euni em para r ezar. "Se duas ou
trê pessoas se r eunirem para faz er oração em meu nome,
disse êle, e tarei no meio delas" ( S. Mat., xvm, 20 ).
Nas orações vocais, podemo distinguir orações
particulares e públicas. Damos o nome de oraçõe parti-
culares às que fazem.os em no a vida privada, ou ozinho ,
ou com nossa familia, e o nome de orações píiblicas às

http://www.obrascatolicas.com
290 O R.AÇÃ O

ordin àriamente feitas na igreja, em ben efí cio da sociedade


cristã, como a missa, o ofício divino e mais cerimônias
r eligiosas. O breviário que r ezam os ministros da I grej a,
é também oração pública.
A impor tância dêste dever da or ação requer que o
es tud emo · por extenso num par ágrafo prim eiro, em que
trataremos da ornr;ão em geral, e em mais dois outros
parágrafos nos quais falar emo especialmente das duas
orações: Padl'e nos o e Ave Maria.
§ 1. - Oração e m g e ra l
Obrigação d e reza r. - T e mpo marcado para a oração. - Qualidades da
oraç-ão: 1.º atentão; 2. 0 hum ildad e; 3. 0 co nfiança; 4. 0 perseverança. -
Acolhime n to qu e tê m nossas orações.

236. -Haverá para nós obrigação ele rezar?


R.-Siin; é n ecessário fazer oração fr eqnentenient e;
proq11 e J es us Cristo o Ol'd ena, e o nosso bem t emporal e
et er no o exige.
'l'emos obri gação d e r ezar e poderemos apontar três
motivo :
1.0 O mandamento div1·no. - É terminante : " Ado-
rarás o enhor teu :Deus " . Ora, um dos elementos
constitutivos da oração, é ju tamente a ador ação: antes
de pedirmos socorr o a Deus, devemos ser conven cidos do
seu poder, da sua infinita grandeza como tamb ém da
nossa miséria.
2. 0 Os ensinos e os exernplos de NossQ Senhor .
Éle fala no Evangelh o: " É preciso orar sempr e"
º (S . L1tcas, xvm, 1 ). Não é mer o con elho, mas sim preceito.
Em outro passo, diz : " Vigiai e orai " (S. Mat ., xxv1, 41 ) .
Ao ensino, acrescentou o exem plo. Muitas vêzes,
passava a noite t ôda em or ação; para fie.ar mais
sossegado, r etirava- e n o jardim das Oliveiras. a sua
agonia, quanto mais sofria, mais orava ; não porque
precisasse, mas por amor de n ós, para deixar-nos o
exemplo.

http://www.obrascatolicas.com
O RA Ç Ã O 291

3.0 No a própria n ece ielad no impõ ma oração


como dever , ainda que D eu não no tive e da ]o o
mandam ento. É Yerdade eviden e qu e n ão podemo. viver
em D eu ; par a o orpo para a al ma . pr ci amo do
eu ocorro· . ua g ra a ' ab olu ta mente ne ana para
faz rmo o bem vitar mo. o mal, per enrarmo at' o
últim o dia . ra , endo D eu· o pod r infinito, a infinita
bonda de n' , a mi. éria xtrema, não erá na ural não
r á indi p en ável q ue l he dirijamo no a úplica .
237. - Quando é preciso rezar?

R. - O bom cristão eleve rar : 1. 0 todo o dia ele


ma nhã à noite; 2. 0 ao domingo . dia con agrado a .Y os o
nhor · 3.0 no nwmcnio: d t niação no p rigo
obr lu do na hora da morl .
N"o.. o , 'e nh or di ·:e: · ·1~ p r <:.1 o orar em1 re, e
nun ca ce.:a r ' (•'. L uca-, .xnu 1) . E ·ta ' pala>'l'a .
. ig ni f icam qu a ora<;ão d w ser contínua, habitual. para
o ora ·ã r i. tão , pela oft>rta a D eus ele tôtla: a n 'isa
a ·õ :, d vem s fazer com qu e. tas ac;õ s . jam uma
oração p q>~ tu a. • ·ão . ignificam, por{·m. que elevemo .
. tar . mpr r citando fórmula de ra ·ão.
p rec ito elo • ah·aclor . rá cabalm nte prren-
toma rm o · cliàriamcn e algnn · ins an para a
oração, pri nc ipa lment de nranliii tl' noil : ele manhã
para Ih ofr recerm n . · e.ora ·ão r o: frabalho. elo clia,
logo ao dr. p rt a r, nqua n to ·píri o r · ú melhor cli . po"t
ma i · . {• rio· ck n itr, para agraclrc r o · fay r .., rec bi<lo
durant li a e n. agrar a D u: . ono qu , . em i ·t ,
ri a r n id r{w r l perda ele temp .
- ·º H á um cl ía qne . de\'P mai.' e"pt'eialmcn P
con. a ~ra r it orac;ão: (> clía do ,"enhor. o r1n111i1110. ~\ mi-. a
ra c; ão p or e_ e lê ncia . rac;ã cl pr l'l'ito; a: maí
e rim ônia); , ervem, tle p is, Iara cumprirmo Jí~namrn
o d ver J a r a~ão.

http://www.obrascatolicas.com
292 O R A Ç Ã O

3.0 Enfim , há momentos particulares na vida em que


o dever da oração se torna mais urgente: é nas tentações,
nos perigos e nas penas, para alc:ançarmos os socorros
nec.es ários à lu ta, fugirmos do perigo e suportarmos as
provações qu e nos manda a Provid ência.
238. - Como deve mos r ezar ?

R. - É preciso rezar com, atenção, humildade, con-


f iança, v ers everan<;a e ern nome de Nosso S enhor Jesus
Cristo.
1.0 Atenção. - l~e zar com atenção, é pensar em
D eus e n o qu e se pede, afas tando do espírito, quanto
po sível, qualquer distração, pelo menos qualquer dis-

O pu bl ica n o rcw com hum i ldad e e é jtLst ijica d o, o q lle 11ão acont ec e
parn o o,.gulh oso fnriseu. D eus d et estei os orgulhosos.

tração voluntária. Tomemos cuid ado, quan do oramos,


de não incorrer nesta censura de Nosso Senhor dirigida
aos fariseus: "Ê te povo me honra com os láb ios, mas o
seu LOração está longe de mim (S. Mat. , xv, 8).

http://www.obrascatolicas.com
OR AÇÃ O 293

2. 0 H wrnilclacle. - Rezar com humildade, é r econhe-


cer- e, em con ideração da própria baixeza e da grandeza
de Deu , indigno de comparecer na pre ença de sua
maje tade e de obter suas graças.
Na parábola do Fariseu e do publ1ºcano, claramente
patenteia o o enhor que a n o sa oração, para ser
eficaz, deve ser feita com humildade.
3.° Confiança. - Ter confiança, quando se r eza, é
ter certeza inabalável que D eus atend erá aos nossos
pedidos conform e forem úteis e proveitoso para a nossa
sah·ação; a bondade de Deus, seu poder, sua promessas,
tudo garante o bom acol himento das no a úplicas.
O ccnforião do Evang-elho, imploran do a cu ra do servo
enfermo, é exemplo magnífico de oração confiante.
4. Perseverança. - Rezar com per everança é não
desanimar ainda quando Deu. nã,o atende log-o ao nosso
rogo . No o enhor encar eceu muito. no Evan!!elho, a
n ece idade da p er everança na oração. A parábola do
J uiz, e a do solicitante que chega de noite, o provam
muito bem. O exemplo da ananéia é demon tração da
eficácia soberana da oração per everante.
5. 0 Enfim, J e u ri to qui que r ezá s mos ern seu
nome. Êle, com efeito, con tituiu-se medianeiro e pontífice
no o; e lembrar a Deu o noD;Je de eu Filho Redentor,
é o me mo q_ue trazer-lhe debaixo da vista , eu m 'ritos,
eu ofrimento ua morte, i to é, a quantia paga para
no merecer a graça que imploramo . Jesu Cri to
também o declarou po itivamente: 'Tudo quanto
pedirde a meu Pai em meu nom êle 'o-lo dará"
( . Jo ão, xv1, 23 ). Por i o é que a Igreja, mo trando-nos
como devemo re correr à mediação do nome de J e us
r i to, termina tôda a ua prece por e ta palavras:
N' vo pedimo tai graça por J e u ri to o o
enhor, que vive e reina, etc." .

http://www.obrascatolicas.com
O R A Ç Ã O

239. - A t ende se mpre D eus às nossas orações q1iando f eitas


com as cond ições qu e acaba mos de i nd icar ?

R. - > ini, D 11 s alencl s rnp1· e às orações bem f eitas


e co ncede-nos b ns preciosos quando os favores olicitaclos ,
cs lüo ele acúrdo coni os seus desígnios.
Deus sempre at ende à. oraçõe bem feita ; é verdade
qu e não dá sempre o qn e p edimo e desejamo , poi , à
vêzes, acont ece soli citarmos favo r e que não e tão de
ac:ônlo com os ele. íg nios ele Deu n em com no so verda-
deiros inter êsse. ; mas Deus, n e te ca o, concede-no outro
bem, mnito mais precio o. P or quan to, empre devem os
n ossos r equ erimento vir acompanhado de ta condição:
'·<.:,onquanto aqui lo que p eço e teja conforme à vontade
divina".
:M aior cer teza t er emo de er atendido no sentido
exato da n ossa oração, q uan lo pedirmos a D eus o que
poc1 E' a um en tar a sua glóri a, t raz er-n os a alvação ou a
sah ac;ão do pró.xjmo, poi s orno ciente de que e tas
cousas estão na vontad e de D eu s.
Quanto aos ben temporais como aúde, riqueza, bom
êx ito em no sa · emprêsa , podemo também p edi-lo a
Deus, c.lcsc1e que o façamo com di crição, curvando-nos
ele antemão à ua santa vontade, e fazendo t en ção de
u sar muito bem dê te favo r es, caso a Providên cia no-los
con ceda.
CONCLUSÃO P RÁ'l' ICA

"A oração ó para a a lma o que é a res piração pa ra o orpo.


, e a re piração pa ra r por inten, alo ou se efetua r difi cilmente, o
corpo p assará, mal ; as im , fa lta nd o a oração ou sendo ra ra, a a lma
p assa mal, e e t á em grand e perigo . Se a re piração ce sa r de t odo,
o corpo morre rá; deixa ndo por completo de reza r, as im também
morre a a lma" (P. Fab er ) .
"É uma ve rd ad e e t a, que experim entei, pois tive en ej o de
sondar a a lm a de muitos jo ve n . Ora, nun ca encontrei a inocência
que não f ôs e sob o a mpa ro, sob o scudo da oração; a u ente e ta,
só f icava a fraqu eza" ( P. F elix) .

http://www.obrascatolicas.com
O RAÇÃO DOllII Nl C;\L 295

"Ante da prece, a par lba i a ,-o a alma nã o proceda i como


alguém que t nta a Deu (Ecl., xvrn, 23 ) . - ' \' ó e tai pedin do
e nada recebei, porque e't ai pedindo mal' ( . T iago, I \", 3 ) .
"Quem ora muito b m a.be ,·fr cr bem' ( ' . .1 gos tinh o) .

§ Ora ção dominica l.


Origem e ex c lê ncia . - E xpli c a~ ã o su má r ia: l.º p rolóqu io ; 2 .º tr ês pedid os
r efÊrr nt s à " lória el e D e us; 3. 0 qu a tro ped id o r la ti vos à no ' ª' pr ri 'õe .

240. - Dai a conh ecer a orig em e.i:celência da O ração


domin ical.

R. -Amai e.rcel nt d . tôda oraç õ ' a Oração


dominical on o Padr !\ o o, po rqll foi n inada por
J 1t Cri to, n!lm urto r ·umo, n c rra tud o quanto
d v mo p clir a D u
Já vá ria vêze Xo o nhor tinha verb r acl o a
maneira . oberba e defeituo a c.om qu e o far i eu
co tumavam orar. -m dia, como a aba . de r ezar,
cllecraram- e a êle o di cípulo e di . eram-lhe : '· enh or ,
en inai-no a rezar ' . - E o 'enhor r e p on deu: Quando
orar de direi : "Padre no. o que e. tai no éu, . anti-
fi ado eja o vo o nome ; venha a nó o YO o r eino;
seja feita a vo a Yontacle a · ·im na terra como no céu .
O pão no o le cada dia n o dai hoj e ; perd oai-no
no a dh ida. a im como nó perd oamo. aos
d evedor e ; não no deix: i cair em tenta ão; ma
no do mal. Amém " ( . íllat., vr, 9; . liiwas, XI.
E ta or ação é ublime po1' ua orig m, poi não é
compo ição de um homem enão do próprio No o e:qhor
J e u Cristo. Melhor do que nenhum outro, êle . abia
da nos as preci ões e ela maneira c.om que u Pai queria
que pedí emo ; locro, deu-no a verdadeira fórmula da
oraç:ão. - É tam bém sublime por i me ma, poi , num
curto r e umo, encerra tudo quanto pod mo de ejar para
Deus e para nó me mo . Portanto. convém r ecorrer -
mos de prefer ência a e ta or ação em tôda a no a
nece sidades.

http://www.obrascatolicas.com
/
296 O R A Ç Ã O

241. - Dai uma explicação sumária d~ Oração dominical.


R. - A Oração doniinic al consta primeir o de pequeno
prolóqn •o heio de ensino ; depo1·s, de sete pedidos, sendo
trê para a glória de De1t e os quatr o últimos para as
própria n ces idades.
prolóquio ó t m e ta palavra : P adre n osso, que
e tai no 'n. . . omeçamo dando a Deu o n ome de
Pai para lembrar que orno eu fi lho e animar -nos a
r zar com maior c.onfian a. a antiO'a lei mandou Deu
que o chama em o enhor po<lero o e ter rível " e
r temido· na 1 i nova deu- e a conhecer ob o
nom d Pai qu ria er chamado por ê te nome suave.
Qual o filh qú não terá ronfiança poden do pronunciar
e ta doce palavra : "Meu Pai!"
1a Deu quer que falemos: Padre no so; aí vai
uma lição d fraternidade. Proíbe que a oração do cri tão
ja pr ce O'OÍ ta feita ó para i; r memor a-nos que
orno irmão todo e cumpre orarmo un pelo outros.
Portanto, ao r citarmo a Oração dmninical, pensemos em
no o irmão do mundo inteiro e o que pedirmos para
tamb 'm o pediremo para êle ao nos o Pai
comum.
cre c.entamo : Q1te estm's no céu. É para lembrar
o pen am nto da no a pátr ia. Deu , na verdade, está
pre ente m tôda a par te. O céu, por ém é o lugar da
ua O'lória: ' dali qu e manife ta com mai e plendor.
O céu ' também o luO'a r do no o de tino futuro. Prin-
cipiando a no a or ação, elevaremos poi o no os corações
para b e ' u onde r ina Deu no o Pai, lembrando-nos
que nó também e per amo r einar lá com êle um dia.
eguem trAs p dicl?Js que dizem re p eito à glória de
Deus :
I. Santificado seja o vosso nome. - Para o nome do
Senhor ser antificado, é mister qu e seja conhecido. Ora,
mais de metade da população total do nosso globo não

http://www.obrascatolicas.com
O RA ÇÃ O D O M I NICAL 297

conhece o nome d o verdade iro D eu . . . E também ,


quanto não há, d entre o que o conhecem qu e o ultra j am
em vez de abençoá-lo. P or e. ta primei r a palavra
p c' imo. que the..,.uem o infiéi ao conheci mento d o
v rdadeiro D eu · que o here..,.e , ci máticos e peca clore
am m irvam. adorem e glo r ifiqu m, na verdade e na
ca r idade, ao Pai comu m de todo o fiéis, e o católi co
o hon r em e abençoem, como quer er abenç oado e er vido.
II. V enha a nó o vosso rein o. - D eus é r ei, e
nin..,.u ém pod diminuir eu pode r infinito ôbre a cria ção.
'I'oclavia, há um r eino ele D eu que depende da livr e
vontade do bom en . Êle pode r eina r alma
p or ua '"'Taça, omente e não pu erm o mba rg-o a e ta
ua r al eza. Ai! ão tanta a alma em qu não
r ina, p orque ão culpada de pecado Yer gada ao jngo
do demônio.. . . P d imo que tôda a alma ac item o
r ino de D eu e ejam, por ua doci lidade admitida a
r inar um dia com ~I na glóri a .
III. ja f ita a vo a vontad a im na t 1·ra como
no c' u. - P or ta palavra , pedi mo que o homen
cumpr am na te rra a YOntade cl D eu com tan o zêlo
ra faze r a

falta pa r a

chama mo

http://www.obrascatolicas.com
29 O &A Ç Ã O

no importemo com o dia eg uinte: " Cada dia t r az


seu afazeres e eus cuidados", e ainda porque êle quer
que rezemo todo os dia . Quanto à vida do corpo, só
pedimos o que é indispensável, o pão; mas podemos
entender também com i to: comida, roupa, morada. "O
homem não vive somente de pão '', di e J esu Cristo;
pos ui alma que vive da verdade, da palavra de Deus.
Fortanto, devemos pensar também naquilo que precisa-
mo para a vida da nos a alma: eu pão de cada dia,
i to é, a graça de Deu , a verdade, e principalmente o pão
por excelência, que lhe dá a vida: a antí sima Eucaristia,
pão d e cada dia.
V. P erdoai-nos as nossas dívidas assim corno nós
perdoanws aos nossos devedores. - Por estas palavras,
r ogamo a Deus nos conceda o perdão do no sos pecados
e a gr aça de uma sincera p enitência. Com efeito, infeliz-
mente, cada dia somos p eca lores, e o próprio justo, dis e
o E pírito Santo, comete o pecado ete vêzes no dia.
Portanto, é diàriamente que convém implorar a miseri-
córdia divina. - Nosso Senhor, porém, a êste pedido
acrescentou uma lição de indulgência: quer que perdoemos
ao · que no ofenderam, e e ta no a indulgência para
com o outros será a condição do nos o pr6prio perdão.
Condenar- e-ia a si próprio, quem tive se no coração
algum sentimento de ódio enquanto vai pedindo a Deus
que lhe perdoe como êle me mo perdoa.
VI. "t\ ão nos deixeis cair em t entação. - Com estas
palavra , rogamos a Deu· que afaste de nós as t entações,
ou quando menos, não no · deixe cair. A tentação, são
a · más in spirações que podem vir, ora do demônio, ora
do mundo, ou de nós mesmos. São ainda as provações e
adversidades que a D eus apraz mandar-nos. 1 ão podemos
e perar ficar livres de qualquer tentação : ela, com efeito,
é n ecessária para acrisolar a nossa virtude e fazer-nos
ganhar mérito" Pedimo pelo meno a Deu a graça de
r esistirmos à t entação; a e ta oração, contudo, devemos

http://www.obrascatolicas.com
AUDAÇÃO ANGÉLICA 299

unir a vigilân ia para não ficarmos expo ·to v luntària-


mente à eta do inimigo.
VII. Ma livrai-no do rnal. - O mal m geral, '
tudo quanto é ruim ou peno o. Pedimo a Deu no livre
de qualquer mal: o mal que no podia acometer o corpo,
como ofrimento doen a, r ev e , perda do ben ou de
p e oa e tremecida ; e ainda do mal muito mai terrível
que a ola no a alma, a cilada do demônio, inclinaçõe
perv er a o pecado e ua tri te con equên ia : a. pena
ne te mundo e o inferno na eternida 1e.
Quanta razão não tínhamo · em diz r que a or ação
dominical, numa fórmula certa preci a, ontém tudo o
que podemo p e Er de melhor! última palavra Am ' m
é um d ejo que ap r ova, confirma e r enova o conjunto
dê te ped ido . im , meu Deu a im ·eja !
ON L ÃO PRÁTICA
P a ra auferirmo da recitação da oração dominical todo os
fruto que podemos e pcrar e nos p rometeu J e u ri to, é mister
reagir contra o ostume, o hábito chamado rotina, pela qual muitas
vêz vamo rezando ta belí im a oração s m l ie<lade, em refle -
xão. m Padre nosso, bem rezado, vale por i 6, longa fórmulas.
"E tu dai meditai a oraçõe tôda , diz anto Ago tinho; não
enco ntrarei nenhuma , creio, que não e ache na orai;ão do enhor '.
Acostumemo-nos a recitar a oração dominical atenta e pau a -
dam nte, pen a ndo cm cada palana que e tamo pronunciando.
uidemo f' p cialmente m ter no coração a onfiança d um filho
qu e fala com eu Pai. Finalm nte, eja e ta oração o no so remédio
cm tôda a nece idade , na tentaçõe e na pena : ' S ja f eita
<1 vossa vontade! . . . rão nos deixei· cair! . . . Livrai-no elo mal . ..

§ Ili. - a ud ação a ngé lica .


Origem desta oração. - Expli cação . umária das pala nas da sauda~ão angéli ca.
24 2. - Dai conhecer a orig em dei oração chamadà audação
ang élica.
R. - A andação ang 'lica con la d 3 part c113a
origem ão a palavm do anjo Gabri l a Maria a de
santa I ab l a Maria a que compô a I gr ja.
E ta oração, dirigida a enhora não tem,
como a oração do mini al J e u orno autor. ão

http://www.obrascatolicas.com
300 O R A Ç Ã O

se acha, tão pou co, integralmente no Evangelho; no


entanto, tem origem muito nobre, e por sua importância,
mer ece lugar imediato depoi do Padre :Nosso. Consta
de trê parte , as três de origem diversa.
A primeira parte é formada com a palavras que o
anjo Gabriel dirigiu a Maria, quanclo veio participar-lhe
o mi tério da Incarnação: Ave, Maria, disse êle, cheia
de grnça, o enlwr é convosco, bendita sois vós entre as
mulh eres (S. Lu cas, 1, 28 ) .

"Ave, Ma ria, ch eia d e graça, o Senhor é co ni· osco, bendita


sois 1:6s entre as mulher Ps.,,

A segunda parte consta das palavras que santa


I ·abel, mãe de são João Batista, disse à Virgem Maria,
. ua parente, quando e. ta a -veio Yi itar em H ebrão.
I abel r epetiu, depois do anjo; B endito sois vós entre
as mulh res, e ontinuou: E bendito é o fruto do vosso
v entre (S . Lu c. , 1, 42 ) .
A ter ceira parte foi composta muito mais tarde e
acrescentada p ela I greja,ao texto da andação angélica.
Era no concílio de Éfeso ( 431). Acabavam os Padr es

http://www.obrascatolicas.com
SA DAÇÃO ANOtLIOA 301

do

rogai por nó
da 110 a 111ort . E . ta
qu o papa el tin
palavra . foi
243. -Expl icai bret· mente o cntic1o da • palal'ras da .J ve
M aria .

A primeira A t• u 'º
aúdo, ' Cnn
u ado pelo próprio anjo abri l. à
antí iBrn \ -irg m r e p ito muito pr fundo
Mãe de D us, raính a do anjo a mai
anta de tôda a cria ura .
Mar ia é o nom antí 1ma \'ira m e ianifica
a um tempo oc a110 d amargura, tr ' la do mar, ilmni-
nadora. ra ::VIaria ' · to tudo: ua vida foi r pa ada-
de tanta prova e l or qu bem pod comparar oro
a água amarga do o eano. Em boa hora também foi
chamada fr'la do mar poi brilhou na e curidão.
e pancando a t_reva , como um raio de e p rança, a
anunciar J e u ri to Yerdadeira luz· no me mo
entido, nó hamamo a iluminadora d ()'Anero
humano.
Cheia de graça. - E ta palana ianificam que a
antí ima "'\ irO'em não recebeu a graça d Deu imple. -
mente como nó enão que foi cumulada de graça, e
como inundada : no eu e pírito, dotado de luze tão viva ;
no seu coração tão perfeito e tão anto; na ua alma,
tão rica de todo o dons e particularmente aformo eada
pelo privil 'gio da maternidade divina; até no corpo,
reflexo de tôda a graça interiore de faria .

http://www.obrascatolicas.com
302 O R A Ç Ã O

O enhor é convosco. - E stas palavra indicam que


a divindade é muito particularmente unida com Maria :
o Padr e a trata como filha estr emecida, o Filho como
sua mãe, e o E spírito Santo corno espô a fi el.
B endita sois ent1'e as mulher es. - P or e ta palavra ,
r econhecemos, com o anjo Gabriel, a superioridade de
faria ôbre tôdas as mulher es que viveram antes dela
ou hão de viver depois.
Ela é com efeito a mais santa, a mai privilegiada
de tôdas a. criatura ; só ela r ecebeu o incomparável
privilégio c1a im aculada Conceição, e só ela deu ao mundo
um Salvador. Enquanto Eva transmitiu a seus filho. a
vergon ha e o pecado, Maria no comunica a salvação e
a vida.
E bendito é o fruto do vosso ventre, J esits. -
In dicamos com estas palavras que a maior glória da
Santíssima Virgem dimana daquele que é verdadeira-
mente se u 1,-,ilbo seg undo a carn e e p ossui por natU?·eza,
e não já como Maria por pi·ivilégio, tôda · as bênçãos:
·co m efeito, não só possui o poder, a antidade, a glória,
como também é abençoado, glorificado por eu Pai, pelos
anjos, por todos os homen .
Santa Maria, Mãe de Deus. - E stas palavras
lembram a um tempo a santidade de Maria e sua
maternidade divina, e têm por fim desp ertar em nosso
coração sentim entos de confiança em qualquer momento,
para lhe diri girmo · ardentes súplicas.
Sendo Santí sima, sendo Mãe de Deu por e colha
divina, f eita mãe no sa p ela participação que tomou em
n es a r edenção e p ela palavra efi caz e poderosa que J esus
pronunciou no Calvári o, confiando-nos à sua maternal
t ernura: " Eis vosso fi lho "; porventura poderia Nossa
Senhora fechar os ouvidos e o eoração ao grito da nos a
miséria .

http://www.obrascatolicas.com
A DA ÇÃ O A " GÉLI A 303

R ogai por nó p cador s. É o úni co r oO'o que


dirigimo a o a nh or a em pormenorizar o d esejo
ou a pre i õe .
Ah! ' po r que ela o melhor que nó . Qu al-
qn er mãe adi ' inha a n ec do filh o, e a mãe ele
um D eu abe tudo quanto preci. am eu. fill10 adotiv os.
Nó no limitamos portanto em lembrar a ela que sorno.
pe ador e : é ê te com certeza o mai el oqu ente apêlo
para ua compaixao caridade.
Ag ora. - E ta palavra indica a n ece idad e de
ocorro para a h ora pre ente · a todo o in tante da n o. a
vida andamo. em a lg um a neces. idade partic ular ; a<rora,
é o mom ento atual do p erigo, da luta ou da prova; é
também o t empo oportuno para a mi ·eri córdia elo Filho
e o pod er da M:ãe.
E na hora da no a morte. - Outra h ora, contudo,
mai a ombr o a e temíY el, há ele Yir: se rá o m omento
do último e deci irn a alto elo demônio , hora esta que há
de determinar no. a ort eterna. de ixando- no. p a ra . em-
p r e no amor ou na inimi zade d e D eus; h ora. p ortanto.
na qual se r á mai urgente t er Maria co mo advogada e
ampar o. É por i o que lh e pedimo , junto com o auxílio
par a a hora pre ente, a i tência especial para a hora
irnp revi ta da no a morte. Ani éni. A . si1n eja ! É desejo
meu, ó faria !
CONCLUSÃ O PR1ÍTI CA

om as palan a da Saudação angélica, a Igreja co mpôs duas


oraçõe que mui to nos incita a reza r: oraçõe fáceis e enriquecidas
de numerosa indulgência .
., A primeira é o 1 ·rço ou o rosário. O têrço con ta do símbolo
dos ap6 tolos, de um Paclre No sso, de trê LI. ve JI arias. . . após a
quais e rezam cincoenta A ve Marias .. . permeiando, entre tôdas
as dezena o Glória Patri . . . e um Padre No sso . . . - O rosário e
compõe de t rê têrço , ou de quinze dezena que l'1 rezam meditando
durante cada dezena sôbre um dos quinze mistérios da no a reden-
ção: mistérios gozosos : 1. 0 Incarnação; 2.0 \ i itação; 3.o Jafü·i -
dade de No so enhor; 4. 0 Pre entação ao templo· 5. 0 J esus
achado no templo.

http://www.obrascatolicas.com
304 O R A Ç Ã O

Mistérios dolorosos : 6. 0 Jesus no horto das Oliveiras; 7.° Fla-


gelação; 8. 0 Jesus coroado de espinhos ; 9.o J esus levando a cruz ao
Calvário; 10.0 J esus crucificado.
Mistérios gloriosos: 11.º Ressurreição; 12. 0 Ascensão; 13.0
Descida do E spírito Santo; 14. 0 Assunção de ossa Senhora; 15.0
Ma ria coroa(la rainha do céu e da t er ra.
Para lucrar as ind ulgências do t êrço, é preciso usar de têrço
indulgencia do por alguém que tenJ1a poder par a isso, e para lucrar
as do rosário acresce ainda meditar sôbre os mistérios e ser afiliado
à confraria do Rosário.
A segunda oração aconselha da pela Igreja é o Anjo do Senhor,
que se reza três vêzes ao dia, ao tocar do sino, de manhã, ao meio-
dia e de noite. Essa bela oração é oriunda dos tempos das Cru ·
zadas, e hoje em dia, foi aceita como lema e di visa pela Aliança
católica; lembra-nos o mistério da I ncarnação. Eis a fórmu la:
O Anjo do Senhor anunciou Angelus Dómini nun tiáYit
a Ma ria. Mariae.
E ela concebeu do E spírito Et concépit de Spíritu
Santo. sancto.
Ave, Maria, cheia de graça. Ave María, etc.
Eis aqui a escrava do Senhor: Ecce ancilla Dómini.
Faça-se em mim segundo a Fia t mihi secúndum verbum
vossa palav ra. tu um.
Ave, Maria, cheia de graç,1. Ave María, etc.
E o Verbo se fez homem. Et Ve rbum caro factum est.
E habitou entre nós. Et habitávit ín nobis.
Ave, Maria cheia de graça. Ave María, etc.
Roga i por nós, santa Mãe de Ora pro nobi s, sancta Dei
Deus. Génitrix.
P a ra que sejamos dignos das Ut digni efficiá mur p romis·
prom essas de Cristo. siónibu s Christi.

OR EM OS OR E hl US

Infundi, Senhor, como vos Grá tiam tuam, quaeswnus,


pedimos, a vossa graça em nossa Dómine, méntibus nostris in-
alm a, para que uós, que pela fúnde, ut qui, Ângelo nutiánte
a nunciação do anjo viemos ao Christi Filii tui I ncarnatiónem
conhecimento da incarnação cognóvimus, per P assiónem
de J esus Cristo, vosso Filho, ejus et Crucem a d Resurrectió-
pela sua paixão e morte, seja- nis glórium perducãmur. P er
mos conduzidos à gloria da eúmdem Ch ristnm Dóminum
ressurreição. Pelo mesmo Jesus nostrum. Amen.
Cristo Nosso Senhor. Assim seja.

http://www.obrascatolicas.com
SACRAMENT O S 305

OS SACRAMENTOS

:roTA: - Logo apó caca perguJ1ta, a primeira linhas em


grifo podem er decorada e recitadas pelos alunos.

I TRODUÇÃO
Os sacramentos em geral.
oção do sacramento. - Utilidad e. - Divisão do a s uni.o.

244. - Donde vem o nome sacramento, e qual é, na religião,


a utilidade do sacramento?

R. - A palavra sacramento vem elo latirn sacra-


mentmn, fonnando- e esta do vocábulo acer, que quer
dizer santo ou sagrado. D esigna os ritos ou cerimônfos
de tôdas as religiões.·
A 'utilidade do sacramento, ou sinal exterior, é
irnpressionar os sentidos e dirigir-se à natureza sensível
para elevar as almas até as COJtSa!i invisíveis e espirititais.
Em geral, emprega- e a palavra sacramento, na
E critura agrada e também no autores profano , para
exprimir cou a religio a e anta, e muitas vêzes para
de ignar um inal exterior, de tinado a produzir alguma
antidade. - Em tôdas a religiõe encontram- e, de
fato, certo ritos e cerimônia cujo fim ' antificar o
homem, purificá-lo da sua falta , e e treitar mais sua
relaçõe com Deus. o sentido lato, podem e ta cerimônia
· denominar- e acramentos.
A religiõe pagã não de cuidaram ê tes meios
exteriore : a água lu tral, os acrifício , a cerimônia do
culto eram eus sacramentos.
e te sentido geral, como acabamos de explicar,
houve também na religião primitiva do povo de Deus, e
mais tarde, na religião mosaica, umas e pécies de sacra-

http://www.obrascatolicas.com
306 SACRA ME N TOS

mentos : a ár vor e da vida no Paraíso terrestre, a


circ.uncisão prescrita a Abraão e aos patriarcas como
sin al da aliança com Deus, e, depois de Moisés, o cordeiro
pa cal e o sacrifício da lei judaica, podem er conside-
r ados orno rito sacramentais notando-se, no entanto,
que o efeito produzido nas almas er a proporcionado tão
somente à fé, ao arrependimento e às disposiçõe dos que
u a em dê te meio in tituído. pelo próprio Deus.
Muito difer entes são o sacr amentos da nova lei,
do quais pas amo a tratar. Para o estudarmos com
método e proveito, primeiro, ne ta lição preliminar ou
introdução, dar emo a conhecer os sac.ramentos em geral
e para i o: 1. 0 explicaremo a noção j 2. 0 indicar emos os
efeitos; 3.0 ver emos o que e há de entender pelas ex-
pressões: rnini tro, sujeito e cerimônias do sacramento.
Concluir emo ê te detalhes preliminares dando algumas
no ~õe ôbre os sacramentm·s. Logo, encetar emos o estudo,
mais profícuo então, de cada sacramento em particular.

§ I. - Noção g e ral dos acramentos da lei nova.

Definição. - E lementos n ecessár ios: l.º s inal sen s ivel; 2 .0 in stitui ção
di,·ina; 3. 0 graça nntific:ante. - Os ete sacramentos: r azão de su a
ex ist ência. - Sua n ecessidade.

245. - Que é sacramento na lei nova?

R. - acraniento, na lei nova ou evangélica, é urn


sinal sensível institnído por No sso S enhor J esus Cristo,
para produzir a graça em nossas almas e santificar-nos.
Nós o chamamo sinal, porque é destinado, quer por
natureza, qu er por convenção, a indicar cousa invisível
difer ente da que se vê; sensív el, porque é percebido por
no os sentido : olhar, ouvido, tato. Ora, o sinal sensível
do sacramento indi ca a graça, agente misterioso e invisível
de Deus, e isto por uma r elação de semelhança entre o
sinal e a cou a significada: assim, por exemplo, a água

http://www.obrascatolicas.com
SACRAMENTOS 307

do bati mo si()'nifica a purifi a<;ão interior da alma. fa


é evidente que a O' r a a invi ível não pode er ligada a
ê te en ·ívei , a não r pela vontade ex pre a d e
Je u ri to: por i me mo ão ah olutament incapaze ·
de produzir efeito tão extraordinário; ó a vontade
apien tí ima e todo podero a de D u pod e faz er tal
maravilha.

246. - Quantas cousas deve m concorr r para const ituir


verdadeiro acramento ?

R. - eg1lnclo a própria d efini ção ão tr A o requi-


sito; cl ve haver : 1. 0 inal sen ív el, co m rnat'ria e f orma;
2. 0 in tituição divina; 3.0 o poder ele prodnzir a graça
santificante.
1. 0 É preci o haver inal en ível. Ora, o inal . en ível
con ta de dua parte igua lmente e enciai , endo uma
chamada 11iat 'ria: é o elemento material e en ível que
e empr ga, por exemplo: água, óleo, pão ... ; - a outra
hama -. e forrna e con i te na palavra que pronuncia o
mini. tro enquanto aplica a matéria.
2. 0 O a ramento exige in tit1áção divina, i to ',
dev ter iclo e tabelecicl p e oalmente por N o . o enh or
Je n ri to, durante o tempo que pa ou na t rra ant
da ua '\.. enção glorio a. , ó êle, com efeito tinha o
poder d ligar a um rito qualquer o dom clivi110 ela ua
()'raça. ão confiou à ua Igr ja a in ti uição do a ·ra-
., mento : êle me m qui e tab le ~-lo legou-o à I O'r eja
om rito p rmanente , do quai ela hav ia de er
depo itária e gua rda , gozando da fa uldad e de r ealçá -lo
com cerim ônia não de mod ificá-lo n a ub tân ia .
.º Enfim o a ram ento clev
produzir a graça antificant i t é,
efeito e mérito da r denção que
ri to, na cruz, of ere u por nó .

http://www.obrascatolicas.com
308 SACRA MENTOS

sacramentos comunicam-na por virtude própria, e não


somente conforme as disposições de quem os recebe.
24 7. - Há quantos sacramentos?

R. - Há sete: batismo, confirmação, penitência,


eucaristia, ex trema unção, ordem e matrimônio.
Eneontramos nos livros do Tovo Testamento a insti-
tuição de cada um dêles, como teremos ensêjo de verificar
na explicação pormenorizada. Porquanto, sempre foram
admitidos na Igreja; as seitas heréticas dos primeiros
séculos, - Arianos, Eutiquianos, facedonianos, esto-
rianos, - os conservar am. Hoje em dia, encontram-se
ainda entre os Gregos cismátiéos, e foram os protestantes
do século XVI que primeiro r ej eitaram vários dêles. O
concílio tridentino manteve a f é católica neste decreto:
"Se alguém dis er que os sacramentos da lei nova não
foram instituídos todos por Nosso Senhor Jesus Cristo,
seja êle anatematizado! " E continua: "Se alguém
pretender que os sacramentos são mais que sete ou
menos. . . ou algum dêstes não é verdadeiramente e
propriamente sacramento, contra êle pronunciamos o
anátema" (Sess. VII, can. 1 e IV).
Ainda que o número e a escolha dos sete sacramentos
sejam efeito da pura vontade de J esus Cristo, é fácil
contudo, descobrir ali a obra de uma sabedoria profunda.
De fato, os sete sacramentos r eunidos são neces ários e
bastam para a vida, conservação e prosperidade espiritual
quer do ,corpo inteiro da Igreja, quer de cada membro
em particular.
Para o entender, notemos com S. Tomaz de Aquino,
que há grande analogia, e muito real, entr e a ordem
espiritual e a ordem natural. Ora, aperfeiçoa-se a vida
do homem de duas maneiras: na sua personalidade e no
seu estado social. - a ordem natural, para o aperfeiçoa-
mento pessoal, é preciso: 1.0 nascer; 2. 0 fortificar-se;

http://www.obrascatolicas.com
:....

SACRAMENTOS 309

3. 0 alimentar-se; 4. 0 caso aconteça alguma doença curar-se;


5. 0 quando cherrar em o achaques da ' elhice, o de calabro
fí ico, r fa zer- e com iguarias fortificante ; - para o
aperfeiçoamento moral, carece a humanidade: 6. 0 de
autoridades para governar; 7. 0 de rneios de propagação
para ela perpetuar-se.
I gualmente, temo na ordem obrenatural: 1.0 na ci-
mento é o batismo; 2. 0 de envolvimento, é a confirmação;
3. 0 alimento, a eucaristia; 4. 0 r emédio contra a doença
da alma, a penit Anóa; 5.0 re tabelecimento na fôrça da
aúde primitiva, é a extrema 1inção. Depoi : 6. 0 a socie-
dade r eligio a estabelece uma autoridade para crovernar.
pelo acramento da ordem, e 7. 0 a pr opagação do povo
f~el faz-se pelo matrirnônio .
Reparemos ainda que o ete a"ram ento ão outros
tanto ocorro di posto ao loncro do caminho da vida
para a infância, a juventude, a idade madura e a velhice:
para a duas principais carreiras qu e e oferecem:
acerdócio e ca amento; e mai , que o doi acramento
cuja preci ão é mais urgente e mais r epetida penitência
e eucari tia, têm ju tamente a vantagem de poder em
renovar- e mais amiúde.

248. - erão os sete sacram entos igualmente n ecessários a


todos os fiéis?

R. - H á doi sacranientos necessários de neces idade


de meio : o batismo e a penitência; três são n ece sários
·rpor preceito : a confinnação, a eiwaristia e a extrema
imção; enfim, a ordem e o matrimônio são de escolha
livre.
Em creral, o acramentos são nece ári o à alvação
porque J e us ri to os estabeleceu para comunicar a
graça, e não alcançamo ordinàriamente ê te ocorro
indispensável enão pelo acramento quando é po ível

http://www.obrascatolicas.com
310 SAC R A M EN T O S

r ecebê-lo Todavia, o sete sacramentos não são n eces-


sário para todo . H á doi acramentos neces ário de
neces idade ele m eio, isto é, em os quais a salvação pode
er impo ível o batúmo para to do , e a penitência para
o que pecaram mortalmente depois do batismo. Outro
ão nece ário de n eces idade de preceito, i t o é, há um
mandamento que no obriga a r ecebê-lo em t empos e
circun tância determinada , e logo, há p ecado p ara
quem, então não o recebe; são a confirmação, eiicaristia,
e extrema-nnção. E nfim, o dois outro acr aii:íéntos,
ord ni e mafrimônio ã de e colha livre.
CON CLUSÃO PRÁTICA

"É o próprio J e us risto que quer reconfo r tar-nos, em nossa


romaria terrena, por meios dos sacramentos: que crime não erá,
pois, meno prezar o dons da sua g raça e do seu amor ... Ao longo
da e t rada , ergueram- e hospedaria para que os viajantes pudes-
sem descan a r, e quecer as fadigas da jornada e restaurar -se. Pois
bem! J e US Tisto não Ômente e tabcleceu ho pedarias; êle p róprio
é o amigo, o dono que a todo o instante, com tôda a lba neza, todo
o afeto e tá nos convidando: Viude a mim, diz êle, vós todos que
e tai can ado , para vo re taurar, reconfortar- vos em vos a pere-
grinação; vinde bu car o con ôlo e as graça que vos quero dispen-
sar, derramando a torrente em vo a alma as águas da vida
( . João Cris6 tomo).
"Se alguém disse r que os sacramentos não são necessá rios à
sah•ação, que ão su1 érfluos; que sem êles ou o desejo de recebê-los,
os homens podem, unicamente com a fé, alcançar a graça da justi-
fi cação. . . eja êle anatematizado ! " (Concílio de T rento, sess.,
VII, rv ).
§ II. - E f e itos dos sacrame ntos.

Três efeito s difer entes: 1. 0 graça sa ntificante; 2 .0 gr aça sacr a mental ; 3. 0


caráter. - Como produzem efeito os sacr amen tos.

249. - Qiiais são os efeit os dos sacramentos?

R. - São três os efeit os dos sacramentos : graça


santificante, uma graça especial denominada sacramental,
e p_q;ra alguns sacramen to s~ o carát er.

http://www.obrascatolicas.com
ACRAMENTOS 311

I. Graça anti/ icante. - Todo o a


comunicam ma não é empr a me ma. Di tinguem- e
com efeito, a primeira gra a e a gwnda ºTaça. \ grã a
antificante prim eira é a que é dada a homen ainda
maculado pelo pecado mortal, e o torna ju to e anto .
É chamada tamb ' m graça d j 11 stificação. Doí acr a-
mento õmente com uni am-na d ordinário : bati mo e
p nit'ncia, e por e ta razão ap lidam- e . acramento do
morto , poi no trazem da morte do pe ado p ar a a vida
da graça .
A graça antificante eO'unda, ou aumento de ºTaça,
é a que é dada ao homen já anto · e ju to para
enriquecer u te ouro e piritual, dar in ·remento novo à
ua antidade, e valer-lhe r comp n a maior. O cinco
outro acramento : confirmação, ucaristia, extr rna-
mição, órdeni e matrimônio comunicam or dinàriamente
e ta egunda graça e por erem adm ini trado ao que
j á po uem a vida da graça, ão chamado acramento
do vivos.
II. Afora e ta graça antificante, todo o ·acramento
no dão graça sacramental, ou graça e pecial, própria de
cada um dêle e que não se encontra no outr os. E ta
graça acramental vem expre a na definição de cada
sacramento. Ma em que con i te. É um direito de
r eceber, empre que preci amo O'raça, atuais análoga
ao fim do acramento. A sim, no bati mo, será um socorro
para con ervarmo a inocência batismal ; na confirmação,
a·, facilidade para vivermo como perfeito cri tão , etc.
III. O caráter. - Entende-se por e ta palavrn uma
marca e piritual impressa na alma, inal indelével que
impede a segunda r ecepção dê te sacramento . ão trê.
os acramento imprimindo na alma ê te inal indestru-
tível: bahsmo, confirmação e ordem.
Ê te caráter , r eza o catecismo do concílio de Trento,
produz dois efeitos: um é tornar-nos aptos a r eceber ou

http://www.obrascatolicas.com
312 S ACRAME N TOS

eumprir certa cou as na ordem da r eligião ; o outro, é


d iferenciar os qu e r eceberam um sacr amen to imprimindo-
Jh e o car áter.
No batismo, por exemplo, que é nascimento espiritual,
recebe-se o ca ráter ou distin tivo de filho de D eu , membro
da g rand e famí lia cri tã, com o direito de par t icipação
ao. bens que D eu e a I grej a concedem a seus filhos.
Na confirmação, que é armarnento espiritual r ecebe-se
o caráter ou di tintiYo ele soldado de Cri to com a fôrça
de com bater e sofrer por sua causa.
Ka ord m, que é consa gração espi ritu al, o ordinando
r ecebe o caráter ou d i tintivo de ministro de Cristo;
d ê te modo, é con ti tu ído chefe na ordem r eligiosa, com
poder ele exercer cer ta funções.
In"i ível ao homen na terra, já vi ível po r ém aos
olh o el e D eus e dos anjo , e mai tarde, d ep ois da
r e s urreição, muito aparente para todos os olhares, o
caráter , há de eternam ente di criminar os batizados, os
cri mado , e o que tiverem ido con agrados p ela unção
a nta. No cé u tran formar-se.-á em sinal de honra e
glória; e no inferno, para ca tigo d e quem assim o houver
mer ecido, tornar-se-á sinal de ignomínia e vergonha
e terna.
250. - Como proclwrnm os sacra ·mentos os seus ef eitos?
R. - Os sacramentos produzem seus ef eitos por fôr ça
própria. Por outra, os sacramentos atnam por si mesmos,
sejam qnais for em as disposições elo niinistro, conq1ianto 1
únicamente, aquele q11 e os rece be não ponha obstáculo à
sua eficácia.
A vontade todo poderosa de J esus Cristo ligou , pois,
a graça ao inal en ível dos sa~ram e nto ; logo, atuam
n ece àri amente, quai elementos naturais como o fogo e
a água, um tendo de consumir a lenha, outro de apagar
as labareda . . . A razão disto, é qu e o p r óprio J esus

http://www.obrascatolicas.com
SAC R A M ENT O S 313

Cri to está operando pela mediação do mini tro e por


meio do sinal sensível, ao qual comunica plena eficácia.
CONCL SÃO PRÁTICA

Quantos doentes não vão tomar água , todo os ano , na


esta(}ão propícia! Fazem longa viagen , ga tam quantia avultada
para e tinar de alguma ellfermidade corporal. E nem todo voltam
curados! As água ainda mais benfazeja não po uem e ta \7 Írtude
todo poderosa ... Agora, e a que tão fôr da do nças da alma, o
ltomen parecem ignorar ou e quecer que, p rtinho, ao alcance, em
incômodo nem gasto algum, há um manancial perene de graças
que curam infallvelmente todos os que a êle se chegam com as
disposiçõe conveniente .
A Igrej a católica possui, na rea1idade, esta fonte aba tada
que o Profeta anuncia, sempre aberta para todo o habitante de
J eru além. ão é enão o lado tran pa ado de ri to dond e jorra-
ram os sete sacramento . Vamos, jubilosos, abastecer-no a e ta
font s bendita . . . Lá e tá a cura, a a údc, a vida . .. .

§ III. - J\1 inis tro, s uj e ito, cerimô n.ias d os acra m e nt os .


Mini stro : ordinário, extraordinário. - Condições req uer idas. - Sujeito do
sacram ento: disposições r equ eridas : 1.0 para a ,-alidade; 2. 0 para a
eficácia do sacramento. - V árias r ecep~õe . - erimônias.

251. - Que é o ministro de um sacramento?

R. - Ministro de itrn sacramen to a pes oa que


confere 'ste acrarnento.
A matéri a e a forma, com efeito não ba tam para
have r a ramento · para unir a forma à matéria, é ne-
ce ária ainda a in tervenção e ação leO'ítima de a]O'uém.
"O acramento diz o Papa Eugênio I , num decreto
de ·tinado ao rm ênio , se dão pela r eunião de trê
elemento : a cou a que ão como que a matéria· a
palavra , que ão como que a forma· e a pe oa do
mini tro que confere o sacramento com int nção de fazer
o que faz a !"'reja.
Di tin"'uem- e o mini tro ordinário e o mini tro
extraordinário. - Mini tro ordinár io do acramento é

http://www.obrascatolicas.com
314 SACRAMENT O S

quem o pode conferir em virtude do seu poder habitual


ou do eu título; mini tro extraordinário é quem o
confer e, por exceção, por motivo de n ecessidade, ou por
delegação e pecial.
eja quem fôr, o ministro deve t er intenção de fazer
o que faz a I gr eja, isto é, de cumprir o rito u ado na
I gr eja. Para a v alidade, isto é, para o sacramento ser
r ealmente dado e produzir efeitos, e ta intenção é o único
r equisito por parte do mini tro; a santidade, e me mo a
f é não ão necessaria para a administração válida dos
sacramentos. - em dúvida, o acramento é uma cou a
anta e o mini tro que, fora o caso de necessidade, 6
conferi e quando em e tado de p ecado mortal, cometia
falta grave e acrilégio; mas, embora n e ta condiçõe
haja ulpa para o mini tro, nada perde no entanto o
valor do acramento. Quer de ouro, quer de chumbo ou
de bano, sempre o canal derrama e distribui inteO'ral-
mente tôda a água qu e r ecebe. Assim o qui Deu , para
que o fi éis fiquem sempre certos da eficácia dos acra-
mentos que r ecebem.
252. - Que é sujeito do sacramento?

R. - S1tjeito é a pessoa hitmana que r ecebe o


sacramento achando-se nas condições de 'Urna r ecepção
efi caz.
R egra geral, para ser ujeito apto à recepção de um
sacramento, o ser humano precisa ter vida. Quanto ao
bati mo, nada mai é requerido; para os outr os sacra-
mento , ' preciso ter sido batizaào previamente.
únicamente o doente em perigo de morte podem ser
sujeitos aptos para o acramento d~ extrema-unção; as
mulh er e são ab olutamente incapazes de r eceber em o
sacramento da ordem. Enfim, quem já r ecebeu um
sacramento imprimindo caráter é mcapaz de o r eceber
de novo. _

http://www.obrascatolicas.com
SA ltAMENTO 315

Yari am
expli á-la. quando
a ram ent o em particular. P or ora,
ja dito õmente que em g-eral, para o acram enlo do
morto , cumpre ter f é, e p erança, cont ri ão e prin cípio
de amor de D eu ; além di. o. para o acrarn 11to elos
vivos o e tad d g r a a .
Daqujlo que fica exp o. to r e ulta que, co nform e a
di po içõe do ujeito. a r ece pçã do sacram ento poderá
er: válida - úiválicla ou nula. - f rutuo a ou efi caz, -
infnd uo a ou 1·nefica , - acríl ga.
A r ecepção é válida quando o ujeito: 1. 0 é apto, e
2. 0 tem inten ção ou quer r eceber o a ramento. A r ecepção
é inválida ou nula quando o . uje1to não é apto, não tem
intenção, ou lhe faltam di . po içõe e enciai , como por
exemplo, contri ão, no acramento de p enitência .
·, A r ecepção é f rutuo a quando. além de er ' álida, é
também eficaz, isto é. produz na alma todo o · eus frutos.
É o que e dá quando o uj eito tem aptidão, intenção e
todo o mai r equi ito .
A r ecep ção é ineficaz, quan 1o . endo 'áli da, fica
infrutruo a porque o ujejto não tem a nece. sárias dis-
po içõe . Recebendo-se em tai condi õe os sacramentos

http://www.obrascatolicas.com
316 SACRAMENT OS

de batismo, confirmação e ordem, e até os de extrema-


unção e matrimônio, o sacramento eria válido, porém
sem frutos. o entanto, quem entrasse nas disposições
necessária , podia auferir ainda todos êstes frutos sem
ter para is o de receber outra vez o sacramento.
Enfim, a r ecepção é sacrílega, isto é, deturpada por
falta grave e caráter especial de profanação, quando
houve descuido voluntário de alguma da dispo ições
essenciais para boa "recepção do sacramento. Uma
r ecepção sacrílega é sempre infrutuosa; a r ecíproca,
porém, não é verdadeira : tôda a r ecepção infrutuosa não
é por isso sacrílega.
253. - Que se charna cerirnônias dos sacrarnentos?
=-
R. - Charnam-se cerirnônias dos sacrarnentos certos
atos ext eriores de religião que preced em, acompanham ou
seguern a administração dos sacramentos.
Dentre as cerimônias, umas têm sido instituídas por
Je us Cristo, outras pelos apóstolos, algumas pela I greja.
ão adornos sagrados e simbólicos, com que rodearam
os sacramentos para os administrar com mais dignidade
e resp eito. São destinadas também a impre sionar mai
o olhar e o espírito dos fiéis, e instruí-lo : 1. 0 das
disposições necessárias para bem receber os acramentos;
2. 0 dos ef eitos que produzem na alma: 3. 0 das obrigações
que impõem a quem os recebe.
CON CLUSÃO PRÁTICA

Os fiéis devem acostuma r·se a considera r no rninistro dos


sacramentos, não o homem exposto às imperfeições da natureza
humana, mas sim, como diz são Paulo, "o representa nte e delegado
de Deus e dispensador dos seus mistérios" ( I, Cor. , Jl, 1) .
É de suma importância para o cristão, bem conh ecer primeiro
as disposições necessárias para a recepção fru t uosa dos ac ra mentos,
e depois, esforçar·se por adquiri-las quando chegou a hora de
receber êste ou aquele sacramento com pa rticular. De outro modo,

http://www.obrascatolicas.com
SA C RAMENTAIS 317

o remédio muda- e em veneno: em vez de encontra r gr aça e vida,


bebe-se ali o pecado e a morte.
E nfim, as cerimônias dos no o acramentos ão por si mesma
en ino preciso. Poderemos ap reciar muito melhor e tas fin eza
admiráveis do amor de J e us ri to, - o acrame nto , - se
conhecermos o significado misterioso das cerimôni-as que são o seu
como invólucro exterior.

§ IV. - acr amenta is.


Defin ição . - Os seis prin cipais sa cramentos: 1. 0 ornção pública; 2. 0 ág ua
benta; 3. 0 pão bento; 4. 0 confis ão geral dos p eca dos; 5.0 esmola ; 6. 0
b ên çãos.

254. - Que ão sacramentais?


R. - acrarnentais são certas práticas ext eriores de
religião, t e'l'ldo alguma analogia com. os sacramentos, se
bern que não sejam verdadefro sacrame'l'ltos.
Geralmente, con tam de sinal ensível e indicam a
ação invi ível de Deus e da ua graça em no a almas;
ma falta-lh e um ou outro do car a . . ter es e enciais que
con tituem o acramento, isto é, a in titwi.ção divina ou a
produção da graça. As mais da vêze , não fo ram esta
prática e tabelecidas por I o o enhor J esu Cri to, mas
sim pela Igreja. Sobretud o, n ão podem, por si me mas,
comunicar a graça santificante; não têm a virtude de
produzir a graça primeir a, que faz ju to o pecador.
Verdade é que podem alcançar o perdão da falta veniais
e o aumento de graça antificante; por ém, é só por cau a
da di po içõe de fé e piedade de quem os usa, ou p orque
a I gr eja pediu para êles graças de conversão e salvação.
V (li, portanto, diferença e sencial entre acramentos e
simples sacramentais.
255. - Quai são os principais sacramentais?
R. - Podem -se r eduzir a seis class es : 1. 0 oração
pública; 2. 0 água benta; 3.0 pão bento, e mais objetos
santificadas pelas orações da Ig reja; 4.0 confis ão geral
_ dos pecados; 5. 0 esmola; 6. 0 bênçãos .

http://www.obrascatolicas.com
31 S AC R A ME N TAIS

I. Oração pública. - P or e tas palavra , entendem- e


mai e p ecialmente a or açõe feita num templo bento e
obretnclo con a~r ad o. Quando feita em nome da Igreja,
em união com ela, como a missa, as vé peras, etc., têm
maior eficácia qu e a oraçõe feita em ca a ou em
par ticular .
II. Água bent a. O u o da água benta é antiguí -
simo: foi in ti tuído pela I gr eja desde o tempo dos após-
tolo , ou ante , a I gr eja tomou êst e u o, modificando-o,
do oostume que tinham os Judeu de se purificarem
entrando no templ o, e também o pagão de empregarem
no acrifí ·ios a água lu tral como meio de purificação.
O acerdote, para a bênção de ta água, emprega al e
água natural ; benze e exorciza ê tes dois elemento para
livrá-lo do império do demônio, e p ede que o que u a-
rem dêle a sim purifi cados, ali encontrem alvação e
proteção. É próprio da água lavar ; do sal, pre ervar da
corrupção; mi tos e bentos, o al e a ág ua purificam a
nossas alma e a conservam; por i so é que a água benta
colocada na entrada das igr eja, derramada nos fi'i pela
cerim ônia da asper ão, con ervada nas morada , é arma
con tra o demônio e alvaguarda para os cri tão .
Outro tanto diremos da cinzas, dos ramos, das v elas
bentas, etc.
III. P ão B ento. - A sua in tituição r emonta aos
t empo ap ostóli cos ; é sinal de união e fraternidade entre
os membro da grand e família cri tã. O pão bento por
excelência é a divina Eucari tia; os primeiro cri tãos
tom ~vam amiúde ê te santo alimento. Mais ainda, nas
r efeiçõe de caridade denominadas ágapes, dividiam entre
i o pão apresentado no altar, no momento do ofertório,
e que não tinha sido con agrado por cau a da grande
quantidade, tendo r ecebido, contudo, a bênção da I greja.
![ai tard e, veio a ser uma e pécie de suplemento à
comunhão quando esta e fez mais rara. - Fica sendo

http://www.obrascatolicas.com
SACRAMENTAIS 319

inal de fraternidad e · o sacerdote, ante de deitar-lhe


água benta, pediu que quem o come e, acha e a aúd
da alma e do corpo.
I . Conf1· ão dos pecados. - De igna- e por esta
palavra não a confi ão acramei;ital ma sim a r ecita ão
da fórmula de confi ão geral que e r eza no princípio
da mi a, na completas e também quando o acerdote
deve dar a comunhão. - O Co nfíteor r ezado com senti-
mento de arrependimento torna- e um acramental e
pode alcançar-no o perdão da falta verna1 .
V. Esrnola; é o quinto acramental. - P or ê te
n9me hão de se entender não omente o o orro material
dado ao pobre, ma em geral, tôda a obras de mi eri-
córdia e piritual e corp oral. Falando ele ta e mola , di e
o E pírito anto: ·Expia o pecado e faz achar
mi ericórdia' ('1'ob ., :xrr, 9 ) . P ara isto, contudo, a e mola
tem de er f eita com e pírito de fé e p or amor d e Deu .
\ I. A última ela e do acramentais abrange em
geral tôda a b Anção : primeiro e acima ele tôda , a
bênção do Santí imo acramento, mai precio a, pois é
a própria bAnção de J e u Cristo; depoi , a bênção do
bi po, qu r solene, quer dada em particular: convém
ajoelhar para r eceber com mai r espeito esta bênção do
bi po · depoi . a bênção do sacerdote, ao terminar a mi a
ou ao dar a comunhão. Enfim, todos o objeto bento ,
crucif ixo , medalhas, escapulários, etc., vêm a ser sacra-
mentai : com efeito, ão inais sensívei da proteção que
Deu concede ao que usam dêstes objetos com fé e
piedade.
CON CL SÃO PRÁTICA

Vai muita diferença, com certeza, entre a eficácia das di >e rsas
práticas de Teligião que acabamos de en uncia r e a ,-irtude a nti-
fi cante dos sacramentos: tais prática , no entanto, rn erece_rn todo
ln1t. Re!ig. - 11

http://www.obrascatolicas.com
320 S A RAMENTA IS

o re peito tôda a onfiança. O v rdadei ro fiéi e >a1 m muitas


vêz s de ta prática para xp ia r uas f alta diári a e aum nta r
m si a viel a · obr natural ela graça. _
Go tam e p cialm nt de u a r da águ.a benta; cou erva m-na
em ua ca a Iara af ugentar o demônio e r mover desa t re ,
tom am-na de m:rnh ã d noi te para p r i<n1 a rem. empre om
r p ito rep t m o me mo inal ao entra rem 11a igr ja ou no
ora tó rio.
'!'ratam om d viclo acatam nto piedade o zião bento quando
houv 1" di t ribui<;ão · con r•am d um a no para outro ·o i·amos
bento , ou id ra ndo-o om p roteção para ua pe soa e sua casa.
Qua ndo um objeto bento não pocl mai rvi r, o melhor meio
de d truí-lo m profana •ão é queimá-lo.

http://www.obrascatolicas.com
BATI "llO 321

BATISMO

§ l. - oções ge rais do batism o .

Definição do batismo. - In sti ui çiio diYina.


forma. - X eec•, idad c do batismo.

256. - Qu e é bat ismo?

Bati. mo é u111 . acl'<1111 nto que S o.. o , cn hor


R. -
Jc 11 Cl'isto instituiu . para nos l'Cg nerar pela {)l'aça,
fa:: r-no: Cl'islrios. filhos de fl rn, e da I greja.

O batismo nos lorn<L f ilh os de V1 "·'· 1111 111broH da l 11rrja e h r rd l'irn.• do citt.

Bati . mo ( L1e uma pala\Ta grega qnc ·ignifi<:.a en


lavo ) é um sacram ento que apaga o pecaclo origina l. tlá
a viela ela gra ·a. faz-nos cristãos . filho. el e D eu . e da
I greja.
\.nte.' de X os. o Srnhor. a á~ua já tinha êstc signi -
ficado: r cconheciam-lhE' Yirtude purificadora. D ru . Jayara
a. iniquidade. do mundo no _dilúYio · . ah ara o H ebr eus

http://www.obrascatolicas.com
322 SACRAMENTOS

através das águas -dQ mar Vermelho, purificara Naaman


no rio Jordão, preparara o povo de I srael ao batismo
cristão pelo batismo da penitência, ministrado por são
J oão Batista nas margens dêste mesmo .rio.
Entre vários povos, usavam-se abluções e imersões
como sinal de purificação. - Antes de Nosso Senhor,
também, varias cerimônias empr egavam-se para apaga r
a culpa original; entre os judeus, a circ.uncisão, a
apresentação no templo; outros ritos religiosos, entre os
diversos povos, r epresentavam ou preparavam o meio
expiatório estabelecido por J esus Cristo.
257. - Q1tem instituiu o sacramento do batismo?
R. - Foi Nosso S enhor J esus Cn:sto quando) nas
águas do Jordão) recebeu o ba.tismo de são Jo ão Batista.
Ao receber o batismo de são João Batista, nas águas·
do Jordão, escolheu e santificou, p elo contacto de sua
carne divina, a água que havia de servir para a adminis-
traç:ão do sacramento de batismo, que estabeleceu pouco
depois. É êste, pelo menos, o parecer dos doutores;
apoiam-se no Evangelho em que vemos os apóstolos dar
o batismo, enquanto são João Batista estava ainda vivo
(S. Jo ão) m , 22; rv) 1) . Todavia, foi só depois da sua
ressurreição que o Salvador promulgou solenemente a
lei do batismo, quando disse aos apóstolos : " Ide, ensinai
tôdas as nações, batizando-as em nome do Padre, e do
Filho e do Espírito Santo" (Mat., xxvrn, 19 ).
258. - Qual é o sinal sensível do sacramento de batismo?
R. - O si.nal sensível de um sacramento deve
abranger duas cousas : matéria e 'forma. Matéria do
batismo é a água natural, como a dos rios, das fontes,
do mar, etc.
A f arma são as palavras: Eit te batizo em nome do
Padre, e do F ilho e do Espírito Santo.

http://www.obrascatolicas.com
d
tal

á!roa
ablução,

II . ..l fo rm a do bati mo on i t n
palana qu o mini tro dev pronuncia r no m mo t mpo
m qu vaj derram ndo a árrua na cabeça ( 1) ou outra
parte principal do corpo o batizando: Eu te batizo em
nom do Pa r e, e do Filho e do E pírito anto '.
e qu imento da palavra ' Eu te batizo" ou
qualquer outra alt ra ção e encial da fórmula tornaria
o bati mo inválido.
inal ensível do bati mo reunião da matéria e
da forma indica que a alma é lavada interiormente de
( 1 ) Fuemos observar que é necessário que a água corra sõbre a
pele. Para a validade, é Fu(icienle 0 ue algumas , otas corr&m.

http://www.obrascatolicas.com
324 SA CRAMENTOS

t ôdas a sua manchas. Ao sair dê te banho misterioso


em que foi mer gulhada, e corno que sepultada, r enasce
para n ova vida, qual Cristo r essuscitado. " O homem
velho, como fala são P aulo, o homem de p ecado, desa-
par ece, e fica o homem novo, formado na semelhança de
J e u Cristo " ( Gol., m, 9) .

259. - Será 'n ecessário para a salvação receber o batis11io ?

R. - Sim : o bat ismo é absol1d ament e n ecessário para


a salvaçüo, seg undo a pala vra exp1·essa do S en hor : Qu em
não renascer pela ágna e pelo Es pírito S anto, não poderá
entrar no 1·eino dos cé1ls.
N" os o enhor dis e : "Se alguém não f ôr r egenerado
p ela água e o E pírito Santo (isto é, não f ôr batizado ) ,
n ão poderá entr ar no r eino de Deus" .(S. J oão, m, 5) .
Dali inferimos:
1.0 As crianças que morrem sem batismo, não podem
ser . alvas. Conforme as palavras acima, não irão para o
céu ; é permitido p ensar, contu do, que também não irão
ao ü1ferno. É opinião de santo Agostinho, geralmente
aceita pelos doutore e consider ada como provável. Seriam
colocada num lugar interm ediário, chamado lfrnbo, onde
n ão veri am a Deus, p or ém, nada t eriam que padecer.
Nest a condições, sua sorte seria, no sentir de santo
\..go tinho, preferível à não existência.
2. 0 A r esp eito dos adult os, há vários casos. Ou êstes
adulto conhecem o cristianismo e a lei do batismo: então
o bati mo, para êles, é imprescindível para a vida eterna.
Ou ainda, êstes adultos e tão nas trevas da infidelidade
e el o paganismo, sem conhecer a lei evangélica: então,
serão julgados segundo as suas obras. Deus não poderia
impor-lhes a necessidade do batismo que desconhecem, e ·
se tiver em sido fi éis aos ditames da sua consciência e da
sua r eligião, pod_erão ser salvo .

http://www.obrascatolicas.com
BATISMO 325

Por riO'oro a que eja a lei do bati mo d água, pod e


ê te acramento er uprido, para o adulto , de doí ·
modo : pela caridad p rf ita, tamb'm chamada bati mo
de fogo ou de desejo; e pelo rnartírio, que e denomina,
à vêze bati mo de angne.
caridac-: perfeita pode uprir o bati: mo ele água
quando · ê te é impo ível, e e tem de ejo ardente de
r cebA-lo acompanhado de verdadeiro amor de Deu e
do arrependimento da falta atuai que por ventura e
ometeram. - O martírio, que con i te em dar a vida
por Deu é inal evidente de caridade perfeita: portanto,
upre o acramento do bati mo ca o haja impo ibilidad e
de o receber e a I greja in cr ev u entre o anto var10
mártire cujo único batismo tinha ido o do próprio
angue.
ONCLU ÃO P RÁTI CA

Por ca u a ju ta mente da necessida de do ba ti mo, e colheu


o o enhor para ma t éria do_ acramento, o elemento · ma i comum,
mai fácil d encontrar ; além di o, quis conceder a qua lquer
pe oa o direito de batiza r: logo, todo os fi éi devem abe r a
maneira de batizar e conh ece r exatamente a forma do acramcnto
de bati mo.
Do p receito impo to por K o o cnho r, re ulta, -para o pai
cri tão , a obrigação de batiza r ua criança quan t o ante : qu m
diferi e de umprir ê te d \-er po r vana ema nas, em mo fro
ério , tornar- e-ia culpa do de fal ta g ra ve. A au ência do padrinho
ou da ma drinha não é ra zão pla u ív 1. Batiza r uma criança 111
a ceTimônia olene que precedem e aco mpa nham ê te "acramento,
, 6 ' lis:ito m ca o urgente . A cerimonia devem er f eita ,
depoi na igreja em tempo oportuno.
inda que teõricam ente e deva admitir a opmiao de sa nto
Ago tinho acêrca do de tino da cri ança fal ecida em ba ti mo
entretanto, é preci o, na prática, con idcrar a privação ete rn a rio
reino do céu como perda imen a pa ra ê te pobrezinhos e então
faz er quanto po fr ei pa ra não dei..xá-lo morrer em a graça do
santo bati mo, tendo e ta obrigação como grad imo dever de
cou ciência.

http://www.obrascatolicas.com
326 SACRAMENTOS

§ II. - Efeitos do batismo.


Qua tro efeitos principais : l.º O batismo apaga o pecado origi nal, e ao mesmo
tempo, nos adultos, os pecad os a t uais; 3.0 per doa tôda a pena dev ida
no pecado ; 3.0 dá a gr aça sa nti fi ca nte ; 4 .0 impr ime ca r á ter.

260. - Quais são os efeitos do batis mo?

R. - O batismo : 1.0 apaga o pecado original e tam-


bém o atital, se houverj 2.0 perdoa t ôda a pena d evida a
êsses pecados j 3.0 imprime na alma o caráter de cristão j
4. 0 fa z-nos filhos d e D eus e da Igr eja e herdeiros do céuj
5. 0 nos torna apt os para r eceber os oiitros sacramentos.
O ef eito geral do batismo é a r egeneração espiritual.
O homem r ecebe nova vida, a vida dos filhos de Deus:
é p or isso que o bati mo é chamado sacramento da
r egen eração .
Encarados em particular , êstes efeitos são quatro:
1. 0 Apaga o pecado or iginal, e mais, no adulto, os
pecados atuais que porventura cometeu desde a idade
de razão.
2.0 Não somente apaga a nódoa do pecado, como
também r emite t ôdas as peri as : pena eterna do inferno e
p enas temporai que t eríamos de sofrer nesta vida ou no
purgatório, de modo que ficaria certa a entrada imediata
no céu, para o que morresse na graça do batismo. - O
acr amento do batismo deixa, contudo, subsistir nesta
vida as consequências de pecado original e seu castigo:
ignorância, concupiscência ou inclinação ao mal, e as
misérias desta vida: sofrimentos, doenças, morte. . . Deus
no deixa estas penalidades como matéria de luta, mere-
cimento e triunfo. Mas, depois d1:1, ressurreição dos corpos,
êstes r esultados do pecado original serão destruídos.
3. 0 Infunde em nós a graça santificante acompanha-
da das três virtudes t eologais; fé, esperança e caridade,
assim como as mais virtudes morais e os dons do Espírito
Santo.

http://www.obrascatolicas.com
BATISMO 327

4. 0 Imprime caráter indelével, que é a qualidade


de cri tão : don de r esult a que o bati mo não pode ser
r eiterado . - É': te car áter con i te na emelhança com o
F ilho único de Deu , No so enhor J e u Cris to, e como
" filho de Deu e da Igreja" .
FWws de De11 . - E ta palavra ignifi cam que,
e tando apacrado o p ecado or icrinal, do e tado de e cravos
do demônio e inimigo de Deu , pa amo par a um estado
de ju tiça e antidade, que no faz amicros e fi lhos de
D u . ' Tal é a caridade do P adr e diz ão J oão, que êle
quer não õmente que 1 vemo o nome de filho de Deus,
enão que o ejamo de fato e na ver dade" (I, J oão,
m 1) . A par ti r dê te momento e mer ê de ta fili ação,
temo dir eito ao ben que Deus no de tina. ' omos,
diz ão P au lo her deiro de Deu e coherdeir o de J esus
Cri to" (R om., un, 17 ) . Ora o ben de Deus e sua
her ança ão a graça na terra, e no céu a glória.
F ilho da I greja. - A im como o batismo n o dá
um P ai n o céu, também no dá M:ãe na terr a: é a Icrr eja.
Nó no tornamo membro de ta grande fam ília, de que
é chefe invi ível J e us ri to, e o ober ano P ontífice
chefe Yi ÍYel. Or a, ao r eceber-no entr e eus fi lhos, dá-nos
a I gr eja o direito de participar dos seu ben . Ê te ben
ão o demais acramento para o quai o bati mo é a
porta: oraçõe anto acr ifício da mi a e em O'er al todo
b n e pir ituai , que con titu em o te our o da comunhão
Cio anto . Enfim é porque a Igr eja continua a ser mãe
d todo o cr i tão batizado , que, depoi da morte dêles,
gua r da-lhe o r e to com olicitu de maternal e cuida da
alma r ezando por eu de can o eter no.
O caráter do bati mo é, na verdade, indelével ; mas
quanto aos mais efeito que acabamos de lembrar , podem

http://www.obrascatolicas.com
32 SACRAMEN T O S

. cr perdido pelo pecado mortal, como infelizmente ucede


muita vêze . Entretanto, o acramento da penitência, ao
r e tabelecer-no na gr a a antificante, r e titui-no no so
título e dir ito .
CON L SÃO PRÁTI CA

O primeiro cri tão , co mo lembrança de eu bati mo, J va-


vam, durante oito dia , traj e brancos, símbolo da inocência recupe-
r ada, e não compreendiam que e pudes e con entir . em marear,
por fa lta grave, o brilho e a beleza de uma alma reconciliada com
Deus.
Eram ufanos do seu título de cri tão , e quando o per egu i-
dor o interrogavam acêrca do nome ou da família, com nobreza
e coragem, re pondiam : "Eu me chamo cri tão!" Hoje em dia,
quantos não oram dêste nome de cri tão, do caráter impre o na
sua al ma, do sinal exterior da ua fé.
Prezemo , mais que o título de rei, o no o nom d cri tãos.
Aquele, om ef ito, é ef êmero, pa a e morre; ê te vale r-no -á uma
coroa imar e cível e um r ino eterno.

§ II I. - M in i tro, ujeito do acram ent o- de ba tism o .


lllini. tro ordinário e xtraordinário. - uj ºto do bati smo . - Di po içõ es
requer ida . - Prom essa ou votos do bati smo . - PaQrinho e madrinha:
l.º co nd ições; 2 . fun çã o ; 3. dev res.
0 0

261. - Qual é o 1ninistro do sacram nto de batismo?

R. - O rnini tro ordinário do sacrarnento de batismo


' o bi po rn tôda a ua diocese, o pároco na ua freg1iesia,
on qualqu r sac i·dot delegado pelo bi po ou pelo vigário.
O rnini ·tro extraordinário, em ca o de n ece idade, é
tôda a p essoa gozando da razêfo, fiel ou infiel, católico,
h r ' lico ou ci rnático.
Ba ta que a pes oa cumpra exatamente o rito acra-
m ntal e tenha intenção de fazer o que a I greja faz,
deitando água natural na fronte do batizando e dizendo:
" Eu te batizo m nom do Padr , do Filho, e do E . pírito
anto '. P o to que, m ca o de nece idad , qua lquer
p e oa po . a batizar, notemo porém que empre e há de

http://www.obrascatolicas.com
BAT I SM O 329

preferir par a e ta função um ecle iá ti o a um leio·o,


uma pe oa r azoável a uma criança um católico a um
herege um homem a uma mulh r; p or outra, o mais
digno ao meno digno, o mai idôneo ao meno idôneo .
O pai a mãe ó levem batizar o filho na falta de outra
qualquer pe oa e em a o de perigo extremo por cau. a
do impedimento de afinidad e piritua l que daí havia
de r e. ultar.
Afora o ca o de nece sidade, o bati mo. dado por uma
pe oa qualquer. eria válido, porém graYemente ilícito,
i to é, a p e soa que a" irn o adrn ini ·tra e cometeria
pecado . - Quanto po ível o mini tro, ainda extraor di-
nário. deve achar- e em e tad o de graça; do c.ontr ário,
dever ia pr ' viamente excitar - e à contri ão mai perfeita
po ível.
262. - Qual é o sujeito elo sacramento ele batis mo ?

R.- Qualqu er pe oa niio batizada ainda, - cn'ança


ou adulto, - ' suj ito do acraniento de bati mo.
R ulta di to qu podemo e de\'eJTIO batizar a
crianças e me mo o adulto que não tiYe em a razão,
por cau a da nece idade ab oluta do bati mo para a
alva ão e porque razoàvelmente, podemo upor, que . e
o oube em de ejariam receber ê te grande benefício.
263. - Quais são a disposições reque ridas para o bati ·mo?

R . - Tratando-s e da criança ou d adult o pn·vado


ele ra zão, a divina mi ricórdia disv n a t ôda di po ição
positiva, pois o sujeito não a pode t er.
'T ratando- e d ad1Llto razoável, para êle r ceber
vàlidamente o bati mo, corn o carát r qu e i mp1·im , ba ta
- qu e dê o consentimento.
Todavia, para fru ir a outr a ' antagen e tôda a.
gr a ·a l igada ao a ramento, o adulto el e' e, além da
intenção e da vontade, trazer a eguinte di po i õe :

http://www.obrascatolicas.com
330 SACRAMENTOS

1. 0 Ser instruído dos principais mistérios da religião,


crer nêles, e conhecer em parti cular o sacramento que
está para r eceber , assim como as obrigações que dêle se
derivam .
2.0 € aso t enha cometido pecados atuais depois da
idade de razão, deve t er contrição e firm e propósito com
um comêço de amor de Deus. Não se exige confissão,
desde que é incapaz de r eceber absolvição e o batismo
apaga os p ecados atuais que precederam.
264. - Quais são as obrigações que resu ltam das promessas
ou votos f eitos no batismo ?

R. - P elas prom essas ou votos d o batismo, empe-


n hamo-nos irrevogàvelment e e para a vida inteira :
1. 0 Em rrer e111 J esus r11·isto, professar a doutrina
cristã e conf armar nosso proceder com t ôdas as leis divinas
e ecles1:ásticas que a f é crist ã impõe).
2.0 E m renunciar ao demônio, às suas pompas e às
suas obras.
P elas pr omessas ou votos do batismo empenhamo-
n os ir r evogàvelmente e par a a vida inteira:
1. 0 E m cr er em J esu Cristo e professar a doutrina
cristã, isto é, admitir tôdas as verdades que Nosso Senhor
ensina no E vangelho, a Igreja interpreta e transmite
por parte dêle e também, em conformar nosso proceder
com t ôdas as leis divinas e eclesiásticas que a fé cristã
impõe;
2.0 Em r enunciar ao demônio, às suas pompas e às
suas obras. - R enunciar ao demônio é r ep elir sua domi-
nação e não querer pertencer-lhe por forma alguma.
Renunciar às pompas do demônio, é negar-se a seguir
suas falsas máximas, que são o oposto das máximas do
Evangelho. - Por exemplo, o Evangelho louva, exalta
a pobreza, o desapêgo, o sacrifício; o demônio, pelo con-
trário, chama bem-aventurados os pr ediletos da riqueza,

http://www.obrascatolicas.com
B A T I S M O 331

do gôzo e do prazer . O cristão r enunciou à máxima


mentiro a do demônio.
P ela · pompa do demônio, é preci o entender ainda
a vaidade do mundo e o prazer e p erigo o pelo quai
qu r eria duzir-n o ; tai ão: vão adorno , certo joO'O
bail , e p etá ulo , divertim ento que de
p ecado e cilada armada c:on ra a
p or obras do demôni entend ro -
ndo o <l môn io ·pírito <lo mal, ·ua
má >:"o. o 'e nhor declara qu '"quem
p ado cumpr a · obr a do emôni o e orna- e
( . J oão, vm, 41 ) .

265. - Fala i no padrin ho e madrinha , nas cond1çõe q ue


.~e e.cigem clile , sua f unção, seu deveres .

http://www.obrascatolicas.com
332 SAC RAMENTOS

de forma igual com as crianças; portanto, deram-lhes


padrinho ou madrinha, e as mais das vêzes, ambos.
II. Para erem aceitos p ela I gr eja, os padrinhos e
madrinhas, escolhidos pelo pais como t estemunJias e
caução do batismo dos fi lh os, devem apre entar certas
condições.
1. 0 'r er o u o da razão . - Com efeito, como poderiam
preencher o fim se não compreendessem o que fazem ~
2. 0 Ê les próprio devem ser batizados e profe sar
a religião na qual desejam ver a criança batizada e
instruída.
3. 0 Preci am t er vida e costumes excelentes, isto é,
gozar de boa r eputação. Não se podiam aceitar p essoas
públicamente excomungadas ou de vida escandalosa.
4. 0 Devem conh ecer uficientemente as verdades da
fé e os deveres do cristão, p ara dirigir e ensinar , quando
nece ário, as crianças por quem êles prometeram.
III. É o padrinho e a madrinha que escolhem e
impõem à criança o nome de batismo. Tomam êste nome
n os do calendário da I grej a, dentre os santo honrados
com um culto público, para dar à criança um protetor
no céu, e, no mesmo tempo, propor-lhe um modêlo':'
A função dos padrinhos e madrinhas é r esponder
pela criança à pergunta que se lhe dirigem antes de
ser conferido o batismo. Por ela, fazem profissão de fé
católica, renunciam ao demônio, às suas p ompas e às
suas obras. Ao correr a àgua na fronte do batizando, o
padrinho e a madrinha descansam· a mão na criança para
lembrar que eram êles que outrora a retiravam do banho
sagrado. Enfim , põem-lhe um boné e um véu branco ,
simbolizando a inocência recup erada; segur am o círio
aceso, e assinam com o sacerdote a ata do batismo.
IV. Ao padrinho e à madrinha cabe o d ever de, na
a
falta dos pai , instruir e nortear na vida cristã criança

http://www.obrascatolicas.com
B A T I l\I o 333

qu apre entaram ao bati mo. É para Ale obrio-ação


rio-oro a YJO'Jar no eu ompor tamento fazer -lh cumprir
fie lmente ua prom e a . D eYem unir o exemplo ao
bon 011 elho. , lembrando- e de qu t êm para com la
uma como pat rnicla le e maternidad e e piritual que UJ
comunica, de alO'uma man eira caráter aoTado, donde
r ulta entre êle e o afilhado ou afilhada impedim ento
d matrimônio denominado par nt co e piritual.

CO ' L .\O PRÁT I A

1. 0 Em ca o de 11 ece" idade, não admi11i tra r o bati mo e ria


falta gra•e; logo todo o cri tão, podendo •ir a e r mi11i tro extra-
ordiná rio dê te acram ento deYe eonhcter a fórmula e a cerim ônia
enciai .
2. 0 auto go tinho chama o comp rom i o do bati ·mo o
maior de todos os votos; com efeito, não há pode r ne te mundo nem
no outro qu e po a di pen a r ele ,-fre r como cristão a quele que foi
batizado.
A reno \·ação dê tc \·oto "' arma podc ro a contra o demônio
0

e o pecado. ão João ri óstomo co ' tuma,·a rc ponder à uge tõc


do e piri to mau com e ta pa la n a : " A ti renun cio, e pírito mau ·
eu te de prezo e te aborrc ~o ! . . . - ô J e us, êde meu alnidor, a
•Ó ilnicame nte me con agro!" P oderíamo po r ê te exe rcício
saudáxel, alcançar, como o grande bispo, ele\-ado grau de \'irtudc.
3. 0 Enfim , é preci o enca ra r eria mente as fu nçõe el e padri-
nho e madrinha, e compenetrar- e muito bem de que não ão mera
formalidad e ou simples ob équio presta do a uma familia, ma sim
ato religio o, importando realmente no mai imp rio os ele\· re .

§ IV. - Cerimônias do bati smo.

I. e rim ôn ias preliminare para o ca tec úmen o . - II. eri m ônia con comi-
tan te d o ba ti mo, e ua ig ni(icação. - III. Cer imônia s s u bsequ entes.

266. - Dai a conhecer as principai cerimônias do bat ismo


e sua significação?

D e tas cerimônia , umas precedem, outra acompa-


nham e alo-uma e()"uem a admini tração do sacramento.
ão, tôd_a , belíssimas e muito in trutivas.

http://www.obrascatolicas.com
334 SACRAMENT OS

I. A cen:monias preliminares, que precedem o


bati mo, ão tiradas da antiga in tituição do catecume-
nato. Era a im chamado o tempo consagrado a preparar
para o bati mo o a 1ul to pagão de ejo o de entrar na
r eligião cristã. Preparavam-no por várias cerimônias
pelo en ino religio o. Ora, são e ta cerimônias que
achamo no preparativo do batismo.
1.0 O catecúmeno é detido na
porta da igreja ou na entrada da
cap la da pia batismal. para mostrar
que ainda não tem direito de p enetrar
na a embléia do cri tãos e é o
bati mo que lhe franqueará o ingresso.
O acerdote, de obrepeliz, sím-
bolo ele inocência e santidade, e de
e tola, ímbolo de poder, interroga o
padrinho e a maddnha acêrca do
nome qu e quer em pôr à criança. "Que
d ejai da Igreja de Deus ?" diz êle
Pia batismal.
depoi . Ê tes respondem: " A f é ! -
Qual é o bem que a fé nos dá? -
A v ida t rna' . E o acerdote pro segue: "Se quiserdes
entrar na vida eterna, guardai os mandamentos: Amareis
a Deus com todo o vosso coração ... e ao próximo como
a vó me mos".
2.0 O acerdote sopra levemente no rosto da criança,
a im com,o Deus, no princípio do mundo, soprou no
prim ei ro homem para lhe comunicar uma alma viva e
santa. Traça-lhe, depoi , o sinal da cruz na fronte e
no coração, para significar que é a cruz de J e us Cristo
que nos redime e salva. Depois, estende a mão direita
na criança, para indicar que a Igreja toma posse desta
criança em nome de Jesus Cristo. As palavras que se
pronunciam, ao pas o que se fazem as cerimônias,
exprimem o sentido destas.

http://www.obrascatolicas.com

BATISMO 335

3. 0 O sacer dote põe um pou o de al bento na bôca


da criança. É ímbolo da abedoria e do gô to para a
cou a cel te .
4. 0 Depoi oraçõe chamada :ror-
ci mo p 1 quai o ac r lote manda ao demônio que
r tir para d i:sa r o luo-a r a J e u ri to. F ito i to, o
acerdot p- a :str miclacl la tola ôbr a l'ian a e
então a introduz na io-reja ou na capela da pia bati mal.
5. 0 acerd ote r za, junto com o padrinho e a
madrinha em nome da criança o ímbolo dos apó tolo
profi ão de fé que por i me mo pronunciavam o
rate úmeno e a oração dominical prece por e:s eIAncia
do cri tão.
6. 0 I mitando No o nbor que um dia .curou um
homem urdo e mudo deitando-lhe um pouco de aliva
no ouvi do o acerdote umedece com aliva a extr em i-
dade do polegar. e então faz com ela um inal da cruz
no ouvido e no nariz da criança dizendo, corno o
alavdor: ' E phph ta. i to é abri-vos . É para abri-los
por a im dizer para a palavra de Deu e para a
frao-rân cia que recendem as virtude ordenada por
sua lei.
II. ~ e rimôm·a concomitante do bati mo se
reduzem a trA :
1. 0 R núncia ao deniônio. - Interpelando o cate-
cúmeno ou a criança o acerdote pergunta: ' Renunci ais
ao demônio ? - R enuncio, r e pondem o padrinho e a
·m adrinha. - A ua pompa ? - R enuncio. - As suas
obra - R nuncio".
2. 0 Unção com o óleo dos catecúmenos. - É óleo de
oliveira bento e consagrado especialmente para ê te uso
pelo bispo na Quinta-feira santa. O sacer dote, mergu-
lhando a extremidade do polegar no pequeno va o que
contém êste óleo, faz uma cruz no p eito e nos ombr os

http://www.obrascatolicas.com
336 SACRAMENTOS

para indicar que a gra a de J esus


on ola ; n o ombro para io·nificar
ter á d levar sempre; o óleo mostra
jugo.
acerdot orno

Criador do

- C'1· w r e pondem pela criança o padrinho e a


madrinha.
r de m J u ~ ri to, eu Filho único, que
na u e ofr u.
- C1· io.
r e l no E pírito Santo,
na anta J 0 Teja católica, na CO-
IDW1hão do anto . na r emi ão
do p ecado , na viela eterna 1
Ci · io.
Qu erei r batizado 1
l'"a,•os para sa ntos 6leos .
O = ól eos dos ca tec tímenos . im, q nero.
O= !mlo crisma.
Então, o acerdote adminis-
tra o acramento do bati mo derramando água na cabeça
da criança e pronunciando a fórmula.
III. A e ri?nônia snbseqiientes ão também em
núm ro d trê :
1. 0 Unção elo santo crisma. - O santo crisma, misto
de óleo de oliveira e de bál amo, foi bento e consagrado
p lo bi po na Quinta-feira anta. É êste óleo é).nto que
há ]e ervir igualm ente na confirmação e na consagração
do bi po e do r ei . O sacerdote faz com êle uma unção
em forma de cruz em cima da cabeça da criança batizada ;

http://www.obrascatolicas.com
BATI M O 337

indica que a rian a ' con ag ra 1a a J e u ri to como


ão o rei ; . a erdotc profeta , qu r ece biam outrora
a ou aO'ra ção pelo óleo anto.
2. 0 I mpo ição do tido branco : outrora vc tiam o
recém-batizado com túnica bran a, qu êle 1 vava durant
oito dia , como inal da ino An cia r e uperada. H oje o
ac erdote põe na cabeça da criança o bon' ou o v 'u bran co,
r ezando a fórmula antiO'a: "Recebei A. t ve tid o bran o,
e levai-o em má cula at é o tribunal de No enhor
Je u ri to' .
3. 0 Enfim. o pa lrinho e a madrinha O'Uram um
c1no ac ' O por ima da crian ça que de a.n a n o altar :
e ta vela indi a a fé que bri lha na alma do novo cri tão,
e a di,·ina caridade que lhe de \'erá co n umir a vida. A
fórmula que o . a erdote r eza explica-o aclmirà velmente :
"Recebei ê te -facho ardente e gua rdai a graça do vo . o
bati mo· ob ervai fi elmente o mandam nto da lei de
Deu , para que quando vier J e u ri to para celebrar
ua bôda , po ai ir ao encontro dêle com tod o o
auto na côrte cele t e gozar da vida eterna no éculo
em fim'.
ó r e ta então a entar n o. regi tros paroquiais a
alta do bati mo qu e de' erá trazer a firma do acerdote
que conferiu o acramento como tamb'm a do padrinho
e ela madrinha da criança. Em certo lugare , é u o
tocarem- e o ino para mo trar o júbilo pela in. crição
de um novo cri tão no r e()'i tro da Igreja e perando-. e
QUe erá igualmente Ín crito 110 lÍVTO da Dem-aYenturada
eternidade.
COX CLUSÃO PRÁTICA

ão ão as cerimônia do ba ti mo cri t ão adm irá,·eis e cheia s


de en iuos~... emp re que no fôr dado pre enciá·la , ora como
simples a i tente , ora como padrinhos ou madrinha lembremo-
nos qu e um dia cumpriram-se as mesma carimôuias ôbre nós e

http://www.obrascatolicas.com
33 SAC RA VENTOS

para n6 ; eseutemos a ntos as belas e instrutfras liçõe que delas


dimanam . . . T ambém n6 , temo ido a r rebatado ao podere do
inferno, marcado com o inal do cristão pela água bat· mal e
con a rado a Deu pela unção do óleo do catecúmeno pelo
san crisma. Também nó , mo renunciado· ao demônio,
pompas e às suas obras; tam bém n6s, nos demos a J e u
Como andamo em relação ao cumprimento de ta prome a L.
Temo con errado ilibado o manto imaculado da inocênci:i ...
Levamo nas mão , e empre ace o o facho da fé da boa
obra '. . . R flexõe audávei , e ta , qu eria ú il concluirmo ,
ca o a con ciência censura e alguma cou a, voltando para a inocên-
cia e a justiça, ou quando meno renovando s riamente o compro-
m iuo e os voto do no so bat mo.

http://www.obrascatolicas.com
C ONFIRMAÇÃ O 339

CONFIRMAÇAO ou CRISMA -
§ 1. - ' oções ge r a i d a co nfirm ação .

Definição. - Instituição dh·ina. - Sinal sensÍ\·el : matéria e forma.


Necessida de da confirmação.

267. - Que é confirmação ou crism a ?



R. - Confirmação (do latim confirmare, fo rtiffrar,
firmar ) é 11m sacramento que nos dá o E pírito anta com
a ab11ndância do seu dons e nos fa z per[ citas cristãos.
i. confirmação vem em segundo lu ()'ar na ordem do

A confirmação dá-nos o Espírito Santo e faz-no s perfeitos cri8tãoa.

acramento , porque primitivamente, daYa- e logo depoi


do bati mo, de que é complemento. O bati mo dá a vida
e piritual, a onfirmação a de envolve. O bati mo faz
na ccr o filho de Deu , a confirmação o faz cre. cer,
tran fo rma- o em homens forte e oldado de ri to:
de tal maneira que o cr i tão confirmado deYe er cri tão
perfeito, corajo o na fé e na práti ca de todo o deveres.

http://www.obrascatolicas.com
340 SACRAMEN TO S

Ora, êste aperfeiçoamento se obtém p elo E spírito Santo


que se r ecebe com a abundância do seu dons.
268. - Qiwm instituiu o sacramento da confirmação?

R. - Foi Nosso Senhor J esus C1·isto que institiiiu


ê ·te sacramento; todavia, o E vangelho não relata as
circunstâncias precisas n em a clata do seii estab elecimento.
Segundo a opinião mais provável foi no t empo que
correu entre a r es urreição e a ascensão, quando o
Salvador fa lava aos apóstolos do reino do céu, anuncia-
va-lhe a vinda do E spírito Santo e lhes revelava im-
portantes mi tério . Sej a corno fôr, ão Lu ca , no livro
do Ato , nos dá a conhecer a existência dêste sacram ento,
quando diz: " Os apóstolos punham as mãos sôbre os que
acabavam de batizar e ê te r ecebiam o E spírito Santo"
(At., vrn, 27). Ora ninguém que não fôsse o so Senhor
J esus Cristo podia ligar a êste inal en ível, a imposição
da mãos, graça tão extra ordinárias como as que mar-
cavam então visivelmente a de cida do E spírito Santo.
Portanto, o concílio tridentino, firmando - e aliá na
tradição, enumera a confirmação entre os sete sacramentos
divinamente in tituídos por J esu Cristo.
269. - Qital é o sinal da confirmação ?

R. - A matéria da confirmação con iste na imposição


elas mãos p elo bispo e na iinção qiie faz com, o santo
crisma, em f arma. ele criiz, na front e elo conf frman clo.
A forma elo sacramento de confirmação consist e
n estas palavras, que o bispo pronuncia: E ii te marco com
o sinal da c1·uz e t e conf irmo com o crisma ela salvação,
em nome elo P acl1·e, e do F ilho, e do ·Espíri to Santo .
I. A matéria da confirmação vem mencionada nos
Atos dos apóstolos. O santo cri ma é um misto de óleo
de olivefra e bálsamo, que o bispo benze e consagra
solenemente no ofício da Quinta-feira santa. O óleo deve

http://www.obrascatolicas.com
CONF I RMAÇÃ O 341

ser de oliveira, porqu e era o úni co u ado na Judéia n a


época da in titu ição do acrarnento . Indica man iclão e
fô r a, a im como a luz ornunicada pelo E ·pírito Santo.
óleo n e. de fato, para ·uavizar, fo rtalec r e al umiar;
imboliza mu ito bem o efeito inv1 1veis pro lu zidos
na alma p elo acrarn ento de confi rm ação. bál amo é
ub tân ia odorífera pro luzida por certa ár vo res ela
Judéia e ela .Arábia; . ua fragrância indica o p erfume
agradável da · virtude. cri tã , qu e deve praticar a p e oa
confirmada. \. tm ção é f eita na fro nte para mo.trar que
o cri. tão confirma ]o nã o el eve cora r el e J csus Cristo, mas
im leyai· n obrern ent na fronte o inal da crnz, que
:intetiza . ua doutrin a.
II. \ foi' ma lo . acramcnto ele confirmação consi te
ne ta palavra . . qu e o bispo p ronun cia enquanto vai
fazendo a irn1 o i ·ão la. mãos e a un ão . anta: ·' Eu te
marco com o inal ela c: rn z te confirmo com .o cri ma
la ah ação,· em nome el o P adre. e el o Filho e elo E. pírito
anto " .
Conform e r epara sa nt o Torna z, . ão e:tas palavTa
forma mnito ac.l equacla da co nfirma ão, pois exprim em
mui to b m o que en c:. rra ês te . acrarn ento: o . inal ela
cruz cara terizaudo o soldado de J e. u Cri to, a fôrça
e piritual el que o ri. ma é símbolo, e a oriO'em de ta
fôr ça qu e não é cnão a . antís. irna rrrindacl e.

2 70. - erá n cc ssário o sacram en to da confirnwçcío para


er salt·o ?

R. - ão; mas privam-se de muitas graça e p cani


os qu e d i.i:a m de o r ccb r por n r;iig ' 11éia.
Não há nece sidad e absoluta el e r eceber o acr amento
c1 confirmação para . er ·aho, corno eria o ca o para o
bati mo. En tretanto .ao in tituí- lo. No o enhor não
pretend eu fazer cousa inúti l. e para todo o qu e podem
r ece ber a o nfi rm a ç ã~>, haveria pecado em não r ecebê-la.

http://www.obrascatolicas.com
342 SACRAMEN TOS

Quem se afastasse, por desprêzo ou n egligência, cometia


falta grave; pois isto seria a um tempo desconhecer um
grande benefício de Deus e privar-se de graças preciosís-
simas, talvez necessária à salvação e também ir de en-
contro às intenções de Josso Senhor e da santa I greja.
Esta falta, como tôdas as mais, poderia ser expiada
e reparada pela confissão acompanhada de arrependimento
e firm e propósito; mas esta última condição deve encerrar
a re olução de receber a confirmação, caso isto seja
po sível ainda.
CONCLUSÃO PRATICA

Como outrora os atletas untavam o corpo com óleo para


fortalecer os membros e os tornar capazes de suportar as fadigas
da luta, assim nós, atletas espirituais, somos fortificados pelo
Espírito Santo, figurado pelo santo crisma, e achamo-nos armados
para arrostar os perigos do combate e levar a palma do triunfo.
Acusem-se a si mesmos, por suas fr a quezas e der rotas, êstes
cristãos que descuidaram de receber o sacramento qu e os podia
tornar corajosos e fortes! . . . Quantas quedas hã o de ser conse-
quência funesta da sua negligência ou do seu desprêzo ! I os pri-
meiros séculos do cristianismo, se Nova to f ez um ci ma lastimável
e veio a ser herege, dizem os historia dores da Igreja que suas faltas
tiveram por única causa o seu desprêzo da confirmação .
A mesma culpa cometem os que não se preparam a receber
o sacramento da confirmação quando sabem a época da visita
pastoral do bispo e não se apresentam quando se lhes oferece
ocasião de participar de tão grande e útil sacramento.

§ II. - E feitos da confirmação.

Quatro efeitos principais : 1.º graça santifi cante; 2. 0 E spírito S anto : seus
sete dons e doze frutos; 3 .0 ca r áter : 4. 0 graça sacramental.

271. - Qiiais são os ef eitos ào sacramento àe confirmação ?

R. - O sacrarnento de confirmação produz quatro


efeitos principais :
I. Aiimenta a graça santificante que já se possuía.
II. Comunica o Espírito Santo com todos os seus
dons.

http://www.obrascatolicas.com
O ONFI R M AÇ ÁO 343

III. I mpri?ne na alma caráter indelével de perf eito


cristão soldado de J esus Cristo.
IV. Fortifica-nos na f' e dá-nos mais fô rça e cora-
gem para ervirmos a Deus.
I. Annienta a graça santificante que já e po uía;
é um acr é cimo de riqueza e pirituai e de méritos para
o 'u ajuntado à virtude cristã e ao don já r ecebidos
no batismo.
II. omunica o Espírito anta, ter ceira p essoa da
antí ima Trindade, a im como J esu Cri to o deu aos
apó tolo no dia do Penteco te ; não com o mesmos
pr odío·ios exteri ore e efeito extraordinár io : lom da
lín gua , dom do milagre é v~rdadc ;' por ém, com a
me ma gra a interiores e abu ndân ia dos ete dons:
sab edoria, int ligAncia, conselho . fôrça, áência, piedade
e temor de Deus.
É o profeta I aía que revela ê te don maravilhoso
do E pírito anto quando diz que ao r epou ar na pessoa
do alvador há de comunicar-Uie cada um dê te precio os
efeito da sua pre ença.
P elo dom de ab daria, conhecemo e procuramo os
ben ver dadeir o , não os ben dê te mundo. ma o da
eternidade.
I ntelig Ancia é um dom pelo qual entendemo as
ver dade da r eli gião e delas no compenetramo . Deixa,
com cer teza, u b i tir o mistério, porém de venda sua
conveniência , beleza e harmonia e prepara-no adm irà-
' V lmente para r e ebermos o en ino divino.

Cons lho é um dom que norteia nas ocorrência


difíceis ajuda para di cr iminar com acêrto o verd adeiro
elo fal o, e vale ainda para orientarmos os outr o n as
trilha do bem. ·
F ôrça ' um dom qu e incute o ânimo, a ener gia
nece ária para preenchermos to dos os n o os dever es;

http://www.obrascatolicas.com
344 S A C RA ME TOS

auxilia-nos para derrubarmos todos os obstáculo e


fa zermos fr ente a todos os p erigos me mo ao suplícios
e à morte. .1
'I.. ciên cia aqui mencionada não é cência do mundo,
ma sim ciência de Deus, da verdade, do dever: é um
dom que nos aponta as sendas p elas quais havemos de
enver edar para alcan çarmos certamente o nos o fim .
Piedad e é um dom p elo qual con ideramos a Deus
como pai extremoso, sentim os gô to e deliciamo-nos nas
práti ca r eli giosa , e achamos encanto suaví simo em
servir a Deus e amá-lo.
O t emor d e D eus, do qual se trata aqui, não é o
r eceio da sua justi a ou do seu castigos; mas antes,
r e peito r epassado de amor qu e n o leva a fugir de tudo
qua nto lh e pod e desagradar , corno t odo o bom filho evita
o que podia magoar a seu pai. É dê te temor filial, dom
do E pírito anto, que e diz na E critura: " É o comêço
da abedori a " (Salmos , x, 7 ) . '1..lém dê t es sete dons do
E spírito Santo, o apóstolo ão Paulo enumera doze fnitos
da ua presença. São : " caridade, - alegria, - paz,
paciência, - benig nidade, - bondade, - mansidão,
longanimidad e, - f é, - modéstia, - continência,
ca tidade" ( Gal ., v, 22 ) .
III. O ter ceiro efeito da confirmação, é imprimir na
alma caráter indelével de perfeito cristão e soldado de
J esus Cristo. Éste caráter, mais glorioso e mais nobre
aos olhos de Deus que todos os distintivos das dignidades
humanas, fi cará no cristão como sinal de glória, se fôr
para o céu, e corno ferrete de vergonha e ignomínia, se
merecer o inferno.
IV. Enfim , a graça sacramental da confirmação
fortifica-nos na fé do batismo e ]á-nos mais fôrça e
coragem para servirmos a Deus. Por isso é que dizemos
que êste sacramento nos faz perfeitos cristãos. -

http://www.obrascatolicas.com
C ONFIRM AÇÃ O 345

CONCLU ÃO PR ÁTI A

O acramento de confirm ação não e recebe du as vêze }fa


acontece s que ·eu efeito diminuí em ou me mo e perd em
p lo p cado e peci almcnte pela re i tênc ia ao E pirito a nto
pod ríamos, como diz ão P aulo, " re u cita r a graça que ao t m
ido dada um a vez pela impo ição das mão do bi po" ( II T im.,
11 6 ) . Parai o, qu e e preci a? Recuperarmo o tado de graça
pedirmo ao E pírito , anto que a o devolva ua luze e ua fôrça .
O E pírito anto é l uz : não apaguemo cm nó u divin o
fulgore , morrn nt pelo pecado ensuai , que precipitam a al ma
na trevas.
É f õrça, ma ponh a mo · ntido m não re i tir ao eu ua ve
irnpul o . P elo contrário, inrnqucmo-lo e êlc, em temp azado,
incuti r-no -{1 o âni mo el e confc• . armo a f' com o coração, a bôca
o a tos ; aux ili a r-no -á para dcbel::irmo o re. prito lluma110 e tôda
a tentaçõ d fraqueza cobardia; da r-no -á o triunfo contra
todos o inimigo da no a alrnçáo: o mundo, o d mônio, a ca rne;
enfim , 11 0 o cudo, o noH o ampa ro para upo rtarmo com
p a ·iêacia tôda pena ad1·1:r idade da dda, ca o Deu o
p di cl nó , em di as p r ·egui1;ão, no ajuda ria a ofr r po r
sua causa o torm nto a mort • como fiz ram milhõ 1 míLr t irc
do prim eiro éculo .

§ 111. - Minis tro, uj c ito, cPri m ô ni a da co níirm ação .


• lini• tro ordinúrio p ztrnurdinúrio. - ,'ujeito dn confirmnçiio.
Di po içõe ex igida . - Principai e rimõnias: 1.0 preliminare ; 2.0
concomitnntes; !l. 0 uh. equentf\ .

272. - Qual é o mini.~tro do . acrc1111t'11/o d co11fir111ai;ão ou


cri.sina ?

R - O ministro do acram nlo da cri ma ' o bi po .


un f l' id o p o r qualq m r bi p o, lu e a li[
C'On Yrn i n tr nw n tr o <:(' rimon ial, êste rá
1•âli<lo, mas 1rnra qu a . ua atlmini tra eja lícita o
bi. po pn' ·isa t r r juris<li ·ão. E a juri: li c:ã , p o.' 1mi-a
papa n a ] cq· ja int eira e o bi"P na r ' preti va dior.e e.
l 'm s implt' · sa rr rdotr p tl r tornar- e mini tr cflra-
nrdilllírio da r r i. ma. r m Yi r nel e d uma l lPg-a;ão r. I eial •
outorg-atla prl0 ,'umo P ontífie . Ê -. t p dn le admini. tra r
vúlida r lkitam •nt a t•o n fi rma<;ã comede- Yêze. a

http://www.obrascatolicas.com
346 SACRAMEN TOS

sacerdotes mi sionári os: mas unicamente o papa o pode


dar e o imples sacerdote assim delegado deve usar santo
cri sma con agrado por um bispo. Afora esta autorização,
a confirmação ministrada por um sacerdote seria ilícita
e inválida no mesmo tempo.
273. - Qual é o s1ijeito do sacramento de confirmação?

R. - S egundo a r egra geral, bastan·a ser batizado


para se poder, válida e licitaniente, r eceber a conffr1nação.
Era uso na primitiva Igreja, dar a crisma logo depois
do batismo, até às cri anças. Na Igrej a latina, contudo,
co tuma-se atualmente dar a confirmação somente aos
que têm idade de razão e as di posições julgadas
sufi cientes. Ordinàriamente só são admitidos os qu e já
fizeram a primeira comunhão.
274. - Que disposições deve t er mn ad ulto para receber
di.gnamente o sacramento de confirmação ozi crisma?

R. .- Para r eceber dignam ente a crisma é mister


achar-se a pessoa em estado d e graça, conhecer os mistén 'os
principais de nossa f é, apresentar-se ao bispo com r espeito
e devoção.
1. 0 Deve ter o estado de graça; do contrário,
cometeria um sacrilégio. A confirmação, com efeito, é
sacramento dos vivos. Se fôsse r ecebida com pecado
mortal, ficaria o car áter impresso na alma; mas haveria
profanação, e não se lucrariam as graças anexas ao
sacramento: todavia, recuperando-se a gr aça santif icante
por uma boa confissão, tornam a aparecer todos os efeitos
da crisma.
Ainda que muito úti l quando possível, não é contudo
de obrigação estar de jejum ou comungar no dia em . que
. se recebe a confirmação .
2. 0 Deve-se conhecer as principais verdades da
r eligião, e particularmente a natureza e os efeitos dêste

http://www.obrascatolicas.com
CONFIRMAÇÃO 347

sacramento. O bilhete de admissão, trazendo o nome do


confirmando e a firma do sacerdote que o apre enta, é
prova de uma instrução julO'ada uficiente.
3. 0 o momento da recep~ão, devemos ficar reco-
lhido , em união com os apó tJlos no cenáculo; como
êle , de ejar com ardor a vinda do E pírito anto
chamá-lo por no o ro O'o instante , e a êle con agrar-nos
no intuito de servir a Deu mai fielm ente.
4. 0 Enfim, o exterior deve traduzir e ta di po içõe
da alma; há de er mode to e recolhido; o traje , decentes,
em afetação: o ro to e a te ta, que tem de receber a
un~ão agrada, erão muito limpo . Qu ando é hora de
r ceber a unção do óleo agrado levanta- e um tanto a
cabeça, com o cabelo afa tado, e não e leva a mão à
te ta enquanto o anto cri ma não houver ido cuidado a-
mente enxugado por um ministro sagrado.
275. - Quai são a principais cerimônias da cri ma?

R. - Para administrar o sacramento da crisma,


primeiram nt , o bi po, d pé, est nde as mãos sôbre os
qit e vão crismar, 1·nvocando sôbre Al o E pírito anta;
depoi , com o anta cri ma, fa z 111na cruz na testa de cada
wm, dizendo a palavra da forma do sacramento da
cri ma : Eu te a ina lo com o inal da critz e confirmo
com o cri ma ela alvação em nome do Padre, e do Filho
e do E pírito anta. Em eg1àda bate na face do cris-
mando, dizendo: A paz seja contigo. Por último, de pé,
dá.. a b Anção a todo o cri mados .
I. Cerim ônia preliminar e . - 1. 0 O bi po, ve tido
do roquete, e pécie de obr epeliz ímbolo de inocência;
d capa, mitra estola, in ÍD"nia do eu poder e da sua
autoridade, lava primeiro a mãos para mo t rar a grande
pur za d alma que exige a função augu ta que vai
cumprir.

http://www.obrascatolicas.com
348 SAC R A MENTOS

2. 0 De pé, no meio do altar, começa invocando o


o orro de Deus; depoi , est ende ambas as mão sôbre os
que devem er confirmados e estão ajoelhados, de cabeça
in clin ada. Enquanto e tá fazendo esta primeira imposição
da mão sôbre os que têm de er confirmados, e para
mostrar que o E pírito Santo toma pos e dêles, r eza em
alta voz uma oração na qual enumera e p ede os sete dons
do Espírito Santo pela mediação todo poder osa de J esus
Cristo Jo so Senhor.
II. Cerirnônias concomitantes. - 1. 0 O bispo, em-
punhando o báculo na mão esquerda, aproxima-se de
cada um dos confirm ando , - ou ê te se cliegam a êle, -
e faz a unção do anto crisma na te ta, pronunciando
a fórmula sacr amental, enquanto a mão direita ainda
de cansa na cabeça do confirmando : ao terminar a
fórmula, dá por três vêzes a bênção em nome da Santís-
sima Trindade ao qu e acaba de marcar 1com o sinal da
cruz e o anto crisma.
2. 0 Dá então ao confirmando leve bofeta da no rosto
d izendo : " A paz seja convosc.o !" para lhe significar que
deve uportar tudo por J e u Cristo, até as afrontas, e
a paz erá o galardão de ta coragem.
III. Ceri?nônias snbseq1ient es. - 1.0 Depois de ter
dado o bispo o sacr amento a todos os que lhe foram
apresentados, purifica as mãos, e canta-se uma antífona
que encerra votos para a perseverança dos confirmados.
2. 0 Reza em alta voz por todos os confirmados, que
fi cam de joelhos, alguns ver ículos acompanhados de
uma última oração, na qual pede que o Espírito Santo
p ermaneça para sempre nesse t emplos que acabam de
lhe ser consagr ados, e os faça dignos de participar de ·sua
glória; pronuncia, enfim, uma última fórmula de bênção.
3. 0 A cerimônia encerra-se com a r ecitação, em voz
alta, por todos os confirmados, do símbolo dos apósto,los,

http://www.obrascatolicas.com
o FIRMA ÃO 3-! 9

ínte e da f' ri tã, pela e ombat r; ela


oraçiio dominical . a pr e p r ia, e da auclação
ang'lica pela qual onliam a N nhora a per e-
veran a prom tida. onv~m r etirar ante d
ter ofer ido açõe d g ra ·a. a r ezado e pe ial-
mente pelo bi po que admini acramento da
confi rm a ão.
É u o tomar. por ·a ião ela confirmação, um DO\ o
nome acre centado a do bati, m . ralm nt e na ri ma,
há um pa drinh o ou uma madrinha como para o bati mo .

O~ CL ÃO PRÁTI CA

O acramento da confirmação niío rec b nã o uma vez na


vida; o mini tro ' um bi po, im·e tid rande dignidade e ela
plenitude do acerdó io; comunica gra ~a important ; outro
tanto moti vo para no preparnr cuidado a m nte, r cebê -lo om
muita fé e piedade verdadeira e con errnr pr cio amente todo os
s u frut o .
Muito melhor ainda que o cri tiio in1ple mente batizado o
católico cri mado é rei, acerdote, profeta. D ve r inar ôbre uas
paL"\Õe , imolar em holocau to ua \Tontade e ua concupi ência e
con tituir- e ntima do dever. qual um profeta também, de,·e fitar
a vi ta em Deu , ver a verdade divina , e não e ele viar do cu
de tino ublim que é o céu, com Deus Padre, com J e u ri to e
com o E pírito anto.
' ó Deus meu , que oi todo amor, reza êle u vo agradeço
por me terde dado vo o E pírito anto. Kão deix is qu e cu
entri teça em mim o E pírito de antidade e de caridade! Para
manife tar a minha gratidão, nunca li i de corar quando tiv r de
n10 trar a 111 inha f '!" .

http://www.obrascatolicas.com
350 SACRAMENTOS

"'
PENITENCIA

§ I. - oçõe ger a is d a p e ni t An c ia .

Definição da penitência: virtude e sacramento. - In st ituição divina.


Sinal sensível: matéria e forma. - Necessidade da p enitência. - Quatro
ef itos do sacramento. - ondições requeridas para a absolvição.

2 76. - Que é penit{ncia?

R. - A palavra penitência significa arrependimento


e expnm a um tempo virtude e sacramento. - Virtude

Na confissão, Deus acolhe o pecador arrependido, como o pai de


família perdôou ao filho pródigo.

de p nitência ' iim sentimento de dôr que nos leva a


odiar nossas culpas expiá-las para alcançarmos o perdão.

http://www.obrascatolicas.com
PENITtNCIA 351

O sacram nto de p nirncia é sacramento instititído


por os o enhor J e us Cri to para remitir os pecados
cometido depoi do bat1' rno.
palavra p nit Ancia vem de doi vocábulos latinos,
po na, pena ten t, e()'u ra. empre e em todo lu ()'ar, foi
conhecida e praticada a virtude de penitAncia; é o meio
d e r eparar o p e ado. o entanto ante de J e u Cr· to,
dificilment p odia o p ecador ficar certo de t er alcançado
o perdão.
Ia ua bondade, o o enhor qui que certo ato
de penitência fô e acr amento e a ê te ato li gou a
certeza do perdão. E a im, definimo a penitência :
sacramento instituído por o o enhor J e us Cristo
para remitir o pecado cometidos depois do bati mo .
.- Aqui fala- e tão õmente do pecado cometido depois
do bati mo, poi o que precederam a ê te acr amento,
quer o pecado original, quer o pecado atuai , ão
r emitido pelo bati mo.
277. - Quando instituiu J esus Cristo o sacramento de
penitência?

R. - osso enhor instituiu a peiiitência no dia da


sua ressurreição, para rnelhor indicar, por assim dizer,
que êste acramento realiza o milagre da ressurreição das
almas mortas pelo pecado.
Já dantes, o prometera a eus apó tolos, dirigindo-lhes
e,sta palavra : ' Em verdade, vo-lo digo, tudo quanto
ligardes na terra será ligado no céu, e tudo quanto
desligardes na terra será desligado no céu" (S. Mat.,
xvrn, 13 ) . Levou a efeito a promessa quando, no dia de
P á coa, aparecendo aos apóstolos r eunidos no Cenáculo,
soprou nêles e clis e: " Recebei o E pírito anto: os
pecados serão r emetidos a quem os r emitirdes, e serão
r etidos a quem os retiverdes" (S. João, xx, 22, 23 ).
lnat. R el~ . - 12

http://www.obrascatolicas.com
352 SACRAMENTOS

278. - Qual é o sinal sensível do sacramento de penitência?


R. - A matéria do sacmm ento de penitência são os
pecados com&tidos dep ois do batismo. A forma consiste
nas palavras qiie o ministro pronuncia ao dar a absolvição
dos pecados. " E ii t e absolvo de todos os t eiis pecados, em
norne do Padre e do F i lho e do E spírito Santo)).
Na penitência , não há, como na maior parte dos
sacramentos, elemento - corpóreo e vi ível, fazendo de
matéria e indicando os efeitos invisíveis da graça. O
sacramento de p enitência possui, contudo, matéria muito
r eal: são os pecados cometidos depois do batismo, e o que
a torna patente e de alguma maneira, presente, são os
atos do penitente : contrição que tem interiormente e
exprime, confissão que faz das suas culpas e satisfação
ou reparação que já tem feito por seus pecados ou
tenciona ofer ecer a Deus.
II. A forrna do sacramento de p enitência é clara-
mente determinada: consiste nas palavras que o ministro
pronuncia ao dar a absolvição dos p ecados. Eis a fórmula
essen cial : " Eu te absolvo de todos os teus pecados, em
nome do Padre e do Filho e do E spírito Santo". Dizemos
que estas palavras ão a fórmula essencial, i to é, que são
n écessárias e suficientes para a validade da absolvição;
a fórmula sacramental usada é contudo mais extensa;
indica que é em nome de Jesus Cristo que o sacerdote
r emi te os pecados; enuncia e afasta tudo o que, por parte
do penitente, podia vir a ser empecillio para a r ecepção
do sacramento, e termina por uma oração na qual o
sacerdote p ede a Deus que sirvam todos os atos expiatórios
oferecidos p elo penitente para reparar seus pecados.
Esta sentença de perdão chama-se absolvição.
279. - O sacramento de penitência será necessário à salvação ?
R. - O sacramento de p enitência é n ecessário à
salvação para todos os que, depois do batismo, se tornaram
culpados de pecado mortal.

http://www.obrascatolicas.com
P E N I T t NC IA 353

Geralm nte, não podem alcançar eu perdão enão


pelo acramento de p enitência, quando é po h el r e ebê-lo.
É a segun la tábu a clepoi do naufrágio, é meio de
alvaçã tão n ece ário depoi do eO'undo naufrágio,
como o bati mo d poi do primeiro. P or ' m, e fô e im-
po ÍYel a r ecep ção da penitência alcan ar- e-ia o per dão
p la contri ção perfeita ; ma ju tam ente, para er per feita,
e ta deve encerrar o de ejo do acramento.
Ante que a I gr eja n o fize e um preceito da con-
fis ão e da ab olvição acramental, No o enhor tinb a
formulado de modo equivalente e ta obr iga ão. Com
ef eito nada cria que eja inútil e de de que e tabelecia
o acer dote mini tr o de p erdão, en tendia que t odo
o pecadore. e vale em dê te auxílio. Qu ria, portanto.
obriO'ar-no a r ecorrer a êle e não e tabeleceu outro meio
para e obter o p r dão do pecado cometido depoi do
bati mo.
280. - Quais são os efeitos do sacramen to d penit ê ncia?

R. - O sacramento d e p nitência p r oduz os g'1lint es


efeitos :
1. 0 R em i t e a culpa a p ena t rna do pecado.
2 .0 R estit u i a graça antificant .
3 .0 R e tifoi o m 'rito d tôdas as boas ob ra ant e-
no r pe rdido pelo p cada.
4.0 D á d ir ito a graças atuais q 1'e aj udam o pecado r
a m en dar- e a per ever ar na justiça.
Para bem compreenderm os o efeito do acramento
·, de penitência, é mi t r que ejamo inteirado do efeito
do pecado, que o acramento tende a de t ruir. Ora, o
efeitos do peca lo ão : 1.0 a culpa ou mancha da alma,
que exclui a rrraça antificante e o p ado fô r mortal ;
2. 0 a pena que o pecado mer ece 1uer para o t empo, quer
para a ternidade; 3. 0 no ca o de pecado mortal. a perda
dos m'ritos pr' viamente engaria lo .

http://www.obrascatolicas.com
354 SACRAMENTOS

O sacramento de penitência produz os seguintes


ef eitos:
1.0 R emissão dos pecados, sendo êste, seu efeito próprio
e direto. A r emissão é f eita não somente quanto à ciilpa -
ou mácula, senão ainda quanto à pena et erna: todavia a
p ena temporal, de ordinário, não é totalmente p erdoada.
2. 0 Graça santificante, isto é, a graça da jitstificação
ou primeira graça que, de pecador, faz justo. Contudo,
se o que r ecebe o sacramento de penitência, já tivesse a
graça santificante, t endo, por exemplo, só pecados veniais,
r ec.eberja segunda graça santificante ou aumento da
primeira.
3. 0 R estituição dos méritos, isto é, a absolvição faz
r eviver o mérito de tôdas as boas obras anteriores, perilido
pelo pecado mortal.
4.° Como efeito último, a penitência tem graça sacra-
m ental própria: é um direito a graças atuais medicinais,
que hão de auxlliar o p ecador para emendar seus defeitos
e perseverar na justiça. P or isso r epete-se a aplicação
dêste r emédio espiritual e é vantajosíssimo usar dêle
amiúde, embora só houvesse na consciência faltas veniais
ou meras imperfeições.
281. - Qiiais são as condições para recebermos a graça da
absolvição?

R. - Tr ês condições são necessárias para recebermos


a graça da absolvição : contrição, confissão e satisfação .
Costuma-se r elacionar a cada uma destas partes
integrantes do sacramento, tudo quanto se refere à
penitência; por isso, arredar -nos-emos um tanto da ordem
seguida até aqui na explanação dos sacramentos e, em
outros tantos parágrafos, trataremos sucessivamente da
contrição, confissão e satisfação. Teremos ensej o, falando
na confissão, de dizer algo a respeito do ministro, sujeito
e cerimônias do sacramento de penitência.

http://www.obrascatolicas.com
P EN IT t N C IA 355

CO:fCL SÃO PRÁTI CA

E m J eru além, havia outrora uma fonte milagrosa, chamada


piscina probática. Em c rtos momento , o anjo de Deu agitava-lhe
as águas, e então, o prim eiro qu o mergulh a e na fonte, aia logo
perfeitamente cu ra do, io e qual foss e a doença. Era fig ura d ta
miJagro a fonte de perdão, aberta para todos os cri tãos no sacra-
mento de pen itência.
Amor e gratidão a ri o por er-no p r parado ê e audável
banho q ue puri f ica ôda a nódoa , cu ra tôdas a enfe rmida des
da alma!. .. ão um a, mas muitas e muita vêze j á experimenta-
ml)s eus benfazejo ef i tos ... O Evangelho narra o júbi lo do pa ra-
litieo curado po r X o o en hor, pe rto da pi cina probática onde,
de de trinta ano , e ta,-a esperando· mão ca ridosa que o pusesse
na água ... E ta mão caridosa, encontra mo-la quantas \"êzes qu ere-
mos. . . Agradecido, ó meu J e u , po r terdes e tabelecido pe rto de
mim, e em permanência, o tribunal do perdão, e um ace rd ote empre
pronto para curar-me ! . . . H ei de recorr r muitas vêzes ao sacra-
mento de penitência.

§ II. - Co ntrição.
Noção geral dn cont riç ão. - Di\·isã o da matéria.

282. - Que é con tr ição?

R. - Contrição (do vocáb ulo latirn cont erere, con-


trit uni, qiie significa magar ) é uma dôr de t r ofendido
a JJ eus com o propósito f irrne d não o ofender mais para
o futuro.
a etimologia, contrição é, poi , bm como
e mao-am do cora ão, pr o trado pela imp r e ão de
uma dôr Yiví ima de ter magoado a D eu pelo pecado.
' empre, r za o concílio de 'l'r nto, a contrição foi neces-
arJa para al ançar o per dão do pecado . É ela que
pr para o homem caído d poi do batismo a r eceber o
p r clão' (,' . Xl\', rv ) . om efeito, 1111em haveria
cl perd oar ao que o tive e ofendido e não manife tas e
arrependim nt al"'um 1. . . Pode acontecer que D eus
r emita o pe ado em a confi ão quando e ta é impos-

http://www.obrascatolicas.com
356 SACRAMENTOS

sível; ma não pode p erdoá-los sem a contrição ou a dôr


de tê-lo ometido.
Para er r al, a contri ção deve abranger a um tempo
o vassado e o futuro. Quanto ao pas ado, é a dôr de t er
ofendido a Deu ; para o futuro, é a vontade firme de
não o of nder mai : ent nde- e fàcilm nte que o arrepen-
dimento verdadeiro encerra for çosamente a vontade de
não pecar mai . E ta matérias são importante e exicrem
de envolvim ento no qual diremos: 1. 0 as q1lalidades da
boa contrição· 2.0 quai são as diws espécies de contrição;
3. 0 o que dev er o firme propósito.

1. - Qualidad s da contrição.
Quatro qualidad es da contri2iio : 1.º interior; 2. 0 universal ; 3. 0 soberana;
4 .0 obr nu tu mi.

283. - Que qualidades deve ter a contrição para ser boa?

R. - Para ser boa, a contrição dev e t er qiwtro qitali-


dades · deve ser : 1. 0 interior; 2.0 univ ersal; 3.0 sob erana;
4. 0 sobrenatitral.
1. 0 I nt rior : a contrição deve exi tir r ealmente no
coração, e não con i tir implesmente em palavras e sinais
exteriore . D fato, quem cometeu o p ecado, foi o coração:
" Do coração diz No o enhor, é que aem os maus
pensamento , crime r oubo inju tiça , blasfêm ias, etc ... "
( . Marcos, vm, 21-23) . Logo, é do coração igualmente
que tem de vir o arrependimento.
2.0 Universal : a contrição deve compreender, quando
meno todo os p ecados mortais &em excetuar, um só.
A r azão é que a ação do acramento deve estender-se
sôbre todos o pecados que constituem sua matéria, e um
dêle não pode ser r emetido sem o outro. É impossível
fi car no mesmo tempo, amigo e inimigo de Deus e,
portanto, quem não tivesse arrependimento nem firme

http://www.obrascatolicas.com
PENITtNCIA 35 7

propó ito para um p ecado mortal, não podia r eceber o


perdão de nenhum. 'l endo o p enitente ó p ecado Y 01a1
de,-eria ter quando men o a contrição do ma10re do
mai voluntário .
3. 0 ob rana: a dôr do p ecado deve s r maior que
tri t za porque, d e fato, o p e ado é o
. I to não quer dizer que e a lôr, para
r verdad ira, e deve e:s:ternar por gemid o e lágrima
e er n e e àr iam ente en ÍYel, não : há prova õe qu
n o· comoYem mai en 'ivelment como a p erda dos no o
pai ou me mo do no o bens. Mas cumpre ficarmos
interiorm nte mai magoado pela de 0 Taça d e termo
ofendido a D eu do que por outra qualqu er desO'raça.
4.0 obrenatural: a contrição não d eve ba ear- e em
motivo naturais ou humano como a p erda da reputação,
coo equência de a trada que o pecado acarreta e para
no a aúde ou fortuna; ma há de er obreruttural de
doi modo : 1. 0 na orig m · 2.0 no motiv os. Na orirrem:
de D eu , não de n ós m e mo e excitada em nó pelo
E pírito Santo a qu em a p edimo . o motivo : isto é,
a r azões de n o o arrep endimento erão a qu e a fé
aponta : 1.0 a infinita bon dade de Deu que o p ecado
ofend e ; 2. 0 o ofrimento e a morte de J e. u Cri to na
cruz, cau ado p or no as falta ; 3. 0 a p erda da graça
antif icante e do c 'u que teria ido a r ecom pen a da nos a
santidade, enquanto o pecado no-lo tira e no torna,
p elo cont r ário, r éu da penas do inferno, seu muito
j u to ra tigo.
II. - Diferentes espécies de contrição.
Contrição perfeita, imperfeita. - Dif erenças : l.º n a s ua natureza ; 2 .º nos
seus efeitos.

284. - H á quantas espécies de contrição ? Dai a conhece r


exatarnent e as suas diferenças.
R. - Distingueni-se duas espécies de contrição : iima
melhor, chamada contrição perfeita : é a d ôr de ter

http://www.obrascatolicas.com
35 SACRAMENTOS

of ndido a D u por r infinitam nte bom, infinitamente


amável porqiie o p cado lhe desagrada; outra boa
também, ma meno p rf ita, é chamada contrição imper-
f ita ou atrição : é a dôr de ter ofendido a D eus causada
sobretudo pela vergonha do pecado ou o t mor do inf rno.
Amba , para er em contrição verdadeira devem
r eunir a. quatro qualjdades acima mencionada e vir
acompanhada de firme propó ito; enão, nem lhe
caberia o nome de contrição.

il[aria il[adalena aos pés de J esua; alcançou o perdão de muitos


pecados porque muito amou. Exemplo de contrição perfeita.

A contrição perf ita e a contrição imperf ita se


difer nciam de dua maneira : 1.0 no motivo; 2. 0 nos
efeitos.
1.0 No motivo. P i , da d finição que damo , r e ulta
que a contrição, p rf ita, endo ba eada na infinita
bondad de Deu , tem motivo nobre, de int r e ado· o
amor d D u ; enquanto a contrição imperf ita, fundada
na fealdade do pecado, no receio de perder o céu e

http://www.obrascatolicas.com
P E N I T t NOI A 359

merecer o inferno, é meno nobre; tem um pouco de


egoí mo e temor de castigo.
2.0 o f ito . E a dua contri çõe diferem es-
en ialmen te · p oi , a contr ição p rfeita, por i mesma,
ju t ifica o pecador ainda em o acr amento de p enitên ci a;
apa()'a o p ecado, me mo ante da ab olvição, conquanto
o pecador, levado p elo amor de D eu no mai alto grau ,
tenha in tenção de cu mprir a di ina vontad e, e, p or tanto
de confe · ar- e lo('to que puder .
contr i ão imperf ita não p r oduz ê te r e Ultado,
não ju tifica o p ecador por i me ma ; não apa()'a o p ecado,
mbora acom panhada do de ejo de r e eber o a ram ento
d p en it~n ia. En tre an to, di põe o p ecador ao p erdão e
torna- ufici nte quando eguid a da ab olvição acra -
m ntal , conquanto ainda, jun o com ela, haja a p er an ça
do p er dão ' ontad de não mai p eca r, orno po itiva-
m n te d clara o oneílio trid en tino ( e . XI rv ) .
D o que deixamo dito. pode- inferir que, n a falta
de a rdot d ab o1vição, a contr ição p rfeita al an ça
o perdão e in trodu z no c'u, nquan o a contri ão imp r-
fei ta no d i:s:ar ia a r pon abilidade do n o o p ecado
e o ca tigo que mer ecem.

ID. - Firme propó ito.


O f irm e pro pó i o: suas quali dades. - hl eios de reconhecer a su a pre sen~ a .
- hl uo há bitos. - ca iões de pec dos .

285. - Que é o firm e própo ito e que q ual ida de deve ter?
R. - O f irm propó ito ' a 1· solução bem as ent e de
. não tornar a cair no p cado qu se cometeram e f oram
conf ado com arr 1i nd im nto. O fi rm p ropósito deve
r inl rior, miiv r al, ob rano prático.
Não ' poi , imple intenção mero d e ejo, e rm
d ter minação en ' rgica de não mai p ar.
Para er in ero e verdad ei r o o firm propó ito,
como a ontrição deve er: 1.0 interior, i to é, no coração

http://www.obrascatolicas.com
360 SACRAMENT OS

e na vontade e não unicamente nos lábios; 2.0 univ ersal,


isto é, abr anger to dos os pecados mor tais sem exceção,
e pecialm ente o em que ( aímos mais fàcilmente; 3. 0
soberano, isto é, superior a todos o vínculos, até os
partirmos, superior a tôdas as dificuldades até as
ven cermos corajosamente; 4.0 enfim, deve ser prático,
isto é, ter sua aplicação circunstanciada e seus meios de
r ealização; ê te último inal será a pedra de toque e r eal
prova da existência verdadeira do firm e pr opósito.
Êstes meios de r ealização são os seguintes : 1.0
oração; 2. 0 vigilância; 3.0 emenda dos maus hábitos; 4. 0
fu o-a da ocasiões.
A oração e a vio-ilância j á são conhecidas: p ela
oração, imploramos o socorro de Deus; pela vigilância
acautelamo-nos contra as ciladas e
tentações. - Maus
• hábit os são uma facilidade lastimável que nos leva a cair
nas mesmas faltas às quais nos acostumamos. Qual é o
meio de os debelad Pos hábitos contrár ios, exames sérios,
atos de arrependimento, e principalmente p or penitências
voluntárias quando demos alguma queda .

As ocasiões de p ecado são algumas circunstân.cias
que expõem ao perigo de faz er o mal : cer tos lugares,
companhias, leitura . Quem não quisesse furtar-se às
ocasiões de pecar gravemente, quando pode fugir, ou
então, se forçado a ficar nesse p erigo, não tomasse as
devida pr ovidências e tôda a cautela necessária para
r emovê-la , mostraria que não tem firme pr opósit o e seria
indigno da absolvição. Out r o tanto se deve dizer das
quedas repetidas nos mesmos pecados mortais, sem
emenda nem esfo r ços par a corrigir-se.
CONCLUSÃO PRÁTICA

l.o P a ra que nos a contrição ten ha a quatro condições neces-


sárias, é indispensável, p rimeiro, pedi-las a Deus; depois, refl etir
sôbre ca da uma das qualidades que deve r eunir, faz endo esforços
para alcançá-la; enfim, procurar especialmente torná-la sobrena-
tural pela consideração dos motivos tira dos da f é.

http://www.obrascatolicas.com
PEN I T t N C I A 361

~. º Qua ndo ,rnmo confe a r, a contrição perf ita não é


obrig-atória; endo por m de ejá vel d vemo procnrft-la com p refe-
r ·ncia, in irando-no m motirn t ira do da infinita bondade de
Deu . e do incomparável amor de J esu Cr i to por nó . P or m, n
contriç.ão imperfeita incapa z po r i me ma de ju t ificar-110 ,
torna r - e-á uficiente com a ab oldçã o.
3.o ~ o tocante ao firme prop6 ito, co rre grand p ri go de
iludir- e, de en a na r o confe or e pro fa na r os sacramentos,
quem e contenta r com prom a em efeito nem · r ultac o algum.
É práti ca d todo bom cri tão, reza r tôda noit e ta
fó rm ula de contrição per eita de ,, rda deiro in c ro bom
propó ito :
' Meu Deu , meu P ai into amargo p ar de ,-o te r of ndiclo
po rque soi infinitamente bom e amável o p cado "º
de agrada.
P erdoai-me pelo méri to de Je n ri to, meu a h-ador. Proponho
mediante a ,-o a graç a, não torná -lo a cometer faz r penitên ia
por êle".
§ 111. - Co nfi são .
Confi• :i o sacramenta l : d e fini ~i\o expli cada. - In • tituiri\ o divi n a da
confi s ão, Lº pelas palaHas de N n so enho r ; 2 . 0 pe o ensino
trad icional a p r áti ca da Igreja; 3. pela razão. -
0
Mini tro da
absol vi~ão . - R egora s a obs n-ar. -
0
u ' ei o do acram ento de pen i-
t ência. - Qun li dade da confi sã o : l. º humilde; 2 . sincera ; 3. 0 inteira.
0

286. - Que é confi ão ?

R. - Confis ão (do vocábnlo latino confiteri, con-


fes ar ) ' a acu ação de todos o p ca do , f e1ºta a um
acerdote aprovado para receb r a ab olvição.
De ta definição, deduz- e que a conf:C ão acramental,
de que e trata aqui, não é imples narração mas acu ação,
i to é, declaração acompanhada de humi ldade e arrepen-
., dimento. Faz- e ao acerdote como ao mini tro do perdão,
e não como a um confidente. Doi ão o r equisitos exigi-
do do mini tr o da absolvição:
L º Ordenação sacerdotal, que o faz he:i;deiro do poaer
legado ao apó tolos e a seus uce sor e para r em itirem
os pecado ; 2.0 aprovação do bispo, i to é, poder d e
jurisdição, p er mitindo-lhe de fazer uso do eu p oder de
ordem, nos limites determinados de tempo e espaço. Sem

http://www.obrascatolicas.com
362 SACRAMENTOS

esta última condição, a absolvição dada por um sacerdote


seria nula, o caso de necessidade exceto, pois n este caso,
a I greja supre a falta . Os fiéis não t êm de indagar se o
sacerdote p ossui os necessários poder es : êle é que tem de
conhecer a extensão de seus direitos e não ultrapassar
êstes limites sob pena de falta grave, e deve avisar, se
f ôr o caso, que não tem o poder d e ab olver.

Oonfissão nos primeiros tompos do cristianismo.

Enfim, a confissão sacramental deve ser feita em


vista de obter a absolvição, quer imediata, quer próxima,
de modo que sempre haja matéria no momento em que
o perdão fôr outor gado.
287. - Mostrai que -é J esus Cristo quem instituiu a confissão.
'
R. - A confissão sacramental, como se pratica na
Igreja católica, .não é nenhitma invenção humana nem
instituição eclesiástica, é obra de -J esits Cristo.
Em abôno da instituição divina da confissão pelo
próprio Nosso S enhor, temos três provas absolutas e con-
'vincentes: 1. 0 as palai·ras de J esus Cristo no EvangeUw j

http://www.obrascatolicas.com
PEKITtNCIA 363

2.º o ensino imânim e da tradição e a prática imi·uersal


da l grejaj 3.0 a própria razão, 01t o sen o comimi.
im o proclama o concílio de 'rrento que entenceia
o anátema contra quem p en as e ou en ina e o contrário
( e . XI\ , can., r) .
I. P alavra de J esus Cristo . - Já lembramo as
palavra da in tituição do acramento de p enitên cia:
' R ecebei o E pírito ant o · o. pecado erão r emitido a
quem o r emitirde , e erão r etido a qu em o r etiverde "
( . J oão, .:a:, 22 ) . Ke te pa . o verdad e é que o o
eiihor não pronuncia a palavra confi ão. Ma êle dá
ao apó t olo o poder de entemiar o p erdã o e a mi eri-
córdia ou a ju tiça e a condenação, sendo amb o os
julgamento aproYado e r econhecido por êle. Ora, n o
p en amento do alYad or e egundo o ditame da r azão
e da ju ti ça cum pre a ê. tes juíze da con ciência como
ao JUlZe dê te mundo, proceder com sabedoria e
di cernimento : devem saber da cau a ante de dar o
julgamento. . . ::\Ia como poderão conhecê-la 9 Como hão
de aber medi-la . 1Iuitas Yêze Deus e o culpado são
a única te temunh a . H á um ó meio : é a declaração
feita p elo próprio p ecador , i to é, a confi ão .
II. En ino e prática da I greja. - Em tôdas as
ép oca o doutor e da I gr eja, como o patenteiam suas
obra falar am da · confi ão e da sua n ece sidade, do
mE' mo modo que n ós fazemos. O concílio de Latrão, em
1215 , não inventou a con fi ão: hajam vi ta, no século
. quinto, o e cri to de ão Leão e de ão João Cri óstomo ;
'no quarto ·écul o, o de anto Ambró io, santo Ago. tinho,
ão Ba ílio; no t er ceiro, a obras de ão Cipriano e
Orígenes · no egundo a de Tertuliano e anto Iren eu.
o primeiro éculo, são Clemente, papa, di cípulo de são
P edro, e cr eve, na sua segunda epístola aos Coríntios,
que devem aproveitar do tempo pre ente para faz er
penitência: ' porque, acrescenta êle, quando tivermos

http://www.obrascatolicas.com
364 SACRAMEN TOS

saído desta vida, não será possível na outra, confessar -se


nem fazer penitência".
A prática, aliás, andava de acôr do com êste ensino.
Não õmente são Mateu (m, 6) e são Marcos (r, 5) nos
mo tram a confissão usada entre os Judeus, mas o livro
dos Atos r efere que quem se convertia vinha fazer a
confi são das sua c.ulpa (xrx, 18-19) . Daquela época
a e ta parte, a hi tória atesta que sempre a confissão
foi praticada pelos cristãos: imperadores, reis bispos,
sacerdote , a sim como simples fiéi , de quem conhecemos
o confessores.
Ill. Provas de razão e de senso com1tm. - É impos-
sível admitir que a confissão tenha sido instituída pelos
homens. - É fato averiguado que a confissão é usada
hoj e em dia em tôda as partes da I greja católi ca, e até
nas eitas hereges anteriores ao protestantismo, e sempre
foi a sim na antiguidade cristã. Ora, r econhecido êste
fato, é preciso dizer uma cousa ou outra, ou a confissão
foi instituída por Jesus Cristo ou foi estabelecida pelos
homens, depois de Jesus Cristo.
Ma , se fôr um homem quem impôs o jugo da con-
fi são, digam o nome dêle, o país que habitava, o t empo
em que vivia, os meios empregados para esta sua inovação
vingar. São conhecidos os nomes de todos os inventores
e a origem de tôda as instituiçõe importantes. Donde
vem que nada de certo se pode dizer a resp eito do tal
inventor da confissão?
Quem, por outra parte, a não ser o soberano Mestr e
do corações, teria podido fazer aceitar esta prática
humilhante da confissão, que tanto custa ao orgulho
humano e tamanha resi t ênc.ia encontra hoj e? ... Inventá-
]a não era bastante, ainda precisavam difundi-la. Ião
é verdadeiramente estranho que todos, sacerdotes, bispos,
Soberano Pontífices, se tivessem feito cúmplices de
tamanha impostura ~ ... Mais de estranhar ainda, que êles
próprios se tivessem sujeitado a esta prática, ao cansaço e

http://www.obrascatolicas.com
P EN I T t NC IA 365

ao incômodo in eparávei d e ta parte do eu mini t' r io ....


om ·fina lmente, o cri tão do mundo intei ro e teriam
ubrn etido a ta in tituição nova em r e i tAn cia nem
prot to. . . . O en o omum r e p ond i o tudo é
impo ível ab. u r do. Havia, portanto ó um D eu qu e
fô e autorizacl a impor ta lei da confi ão e a faz ê-la
aceitar, e J e u. ri to é qu em r ealmente a in ti uiu.
288. - Qual , o ministro leg ít imo da ab olvição sacramental ?
R. - Mim· tro ordinário da ab olvição do acra-
m nto d p nir ncia é o ·ac relote l gltimam nt ord nado
p lo bi po gozando da aprovação ou .i uri di(io r g1dar .
É iQrnb 'rn o bi po na ua dioc s o um o Pontífic na
l gr ja int ira.
tro xtraord inário o ·a er 1 e
legltim amc nt ord enado, po r ~ m não
nece: idad , admini -

289. - Que r egra11 det'e ob.scrrar o mini,,tro cio .rncram 1110


d p n it ·n cia l

2. 0 P lo ntrário cleYc n ga r a ab oli içüo : a) ao


qu iO'noram o prin ipai mi ' ri da f' ; b ) ao qu

http://www.obrascatolicas.com
366 SA CRAMENT OS

dão sinal algum de contrição e tornam a cair nas mesmas


faltas sem fazer esforços para emendar-se; c) àqueles
em cuja confissão notasse falta de sinceridade; d) aos que
recusam perdoar ou reparar o dano cau ado; e) enfim,
aos que, achando-se no hábito ou na ocasião pr óxima de
pecar, não querem sair nem afastar-se.
3. 0 H avendo alguma esperança de emenda por parte
do pecador, e prova de boa vontade, em vez de negar de
modo terminante a absolvição, o ministro contentar-se-á
em diferi-la por um prazo determinado, até encontr ar
disposições melhores: assim deve proceder; do contrário,
cooperava à r ecepção sacrílega da absolvição, conservava o
penitente numa segurança ilusória e mudava em peçonha
o remédio destinado a purificar as consciências.
4. 0 Qualquer ministro não pode absolver todos os
pecados; uns são reservados ao Sumo Pontífice, outros aos
bi pos; por isso, êstes pecados, ordinàriamente gravíssimos,
chamam-se casos reservados.
O mesmo acontece com certas penas eclesiásticas
chamadas censiwas, impostas como castigo de crimes
consideráveis; são : a excomunhão, suspensão, interdição.
Quando são reservadas, um simples sacerdote não pode
dar absolvição sem autorização especial. Em artigo de
morte, porém, acaba tôda a reserva e qualquer sacerdote
pode perdoar todo o pecado e levantar tôda a censura.
5. 0 Enfim, o ministro do sacramento de p enitência
é obrigado, para as cousas que sabe só de confissão, ao -
segrêdo mais absoluto, que se chama sigilo do sacramento.
O direito natural, o direito divino e o direito eclesiástico
impõem ao confessor uma lei tão rigorosa a êste r espeito
que nenhum poder humano, ;nenhuma ameaça, nenhum
perigo, nem a certeza da morte, o podem di pensar dêste
dever ou permitir a violação.
- Aliás, Deus vela para o. segrêdo da confissão que
êle próprio estabeleceu, e a revelação de segrêdo r ecebido
de confissão é cou a nunca vi ta na hi tória.

http://www.obrascatolicas.com
P E N I T t N 1 A 3 7

11jeito do acramcnlo da penitência?

r c.eber licitam nl com fruto o


t r conh cim nto do
ru ão uficiente para apr ciar o
produzir o a o do p nit nte,
meno confi ão,
p lo m no de ejo de

291. - Q11 qual idade d re 1 r uma boa confis ão?

R. - A boa conf i ão d v r: 1. 0 humilde, 2.º


si11c ra, 3. 0 inteira.
I. A confi ão deYe er humilde : não é narração que
se faz ao confe or é acu ação ; portanto, a atitude do
penitente deve er a do culpado perante o juiz e ua
declaraçõe devem r impregnada de dôr e confu ão.
II. A confi ão deve er inc ra, i to é, devem-se
acusar a falta ·om franqueza e implicidade, em as
éxaaerar, ma também em a diminuir nem di far çar. -
E conder voluntàriamente um pecado mortal ou julgado
mortal eria fazer confi ão acrílega e tornar nula a
ab olvição que e r ecebe e. e te ca o, eria nece ário
r ecomeçar a confis ão mal fei ta e tôda a que a eguiram
enquanto não e tive e r eparado a primeira, e cumpriria
declarar o sacrilégio ou os acrilégio cometid os.

http://www.obrascatolicas.com
368 SACRAMENTO S
J
III. A confissão deve ser inteira, isto é, segundo o
ensino do concílio de Trento (S ess. XIV, vn ) , " é preciso
declarar todos os p ecados mortai que se recordam",
depoi de exame sério . Ora, esta integridade da confissão
exige:
l.º Que se dê a conhecer a espécie ou natu,reza do
pecado, isto é, contra qual mandamento, qual virtude on
qual dever foi cometido;
2. 0 Que se indique, qu anto po sível, o nú mero exato
dos pecado mortais. É evident e que, quanto mais faltas
houver, tanto maior ser á a culpabilidade ;
3. 0 Que se declar em as circunstâncias que miidam a
espécie,_ isto é, modificam a natur eza, ou fazem um mesmo
ato fi car em oposição a vários dever es, a várias virtudes.
Damos algumas circunstâncias qu e mudam a espécie :
mentir depoi de t er jurado falar verdade; bater nos
pais ou numa p essoa consagr ada a Deus; roubar objeto
sagrado, ou em lugar santo. Em matéria de, luxúria,
mui tas vêzes a condi ção da pessoa que comete o pecado ou
daquela em cuja companhia é cometido, muda a espécie
do pecado, etc.
4. 0 Devem-se declarar ainda as circun tâncias que,
sem mudar a esp écie do pecado, au rnentarn notàv elrnente
a malícia na me ma espécie, como se dá, muitas vêzes,
em matéria de roubo. É evidente, quem roubar dez ou
cem cruzeiros é muito mais culpado no segundo caso
do que no primeiro, embora tenha cometido roubo da
mesma espécie.
Qiianto aos p ecados veniais, não é necessário acusá-los
nem, portanto, dar a conhecer o número, as circunstâncias.
Todavia, é útil confessá-los; pois é o meio mais fácil e
mais seguro de alcançar o perdão. As p es oas piedosas
desejosas de auferir maiores proveitos de suas confissões,
emendar-se mais ràpidamente e verdadeiramente escla-
recer o confessor, devem mesmo tomar êste costume.

http://www.obrascatolicas.com
PEN I T t N C I A 369

E cu ado é dizer que a confis ão, para r euni r estas


qualidade deve er precedida de 'rio exame de cons-
ciência ôbr e o mandamento da lei d e Deu e da Igr eja,
ôbre o pecado capitai e o prin cipai devere de e tado.
H avendo pecado grave e quecido por de cuido notável
e côn cio no exame, a confi ão é má e comete-se outr o
p cado. Fica por tornar a fazer junto com a reparação.
P elo contrário, e o e quecimento tiver id o involuntário,
não r e ultando de neO'li()' Ancia al()'uma, o pecado e que-
cido em quer er, e tão p erdoad o , fi ando por ém a
obrigação de acu á-lo na e()'uinte onfi ão e ocorrerem
à memória e for em pecado grave .
CO~CL SÕE PRÁTI CA.

Sob a forma de conclusõe prática damos aqui um resu mo do


m étodo e cerimonial qu e é bom ob errn r na confi ão acramental:
é de máxima impo rtância abê-lo muito be m e praticá-lo empr .
F eito o exame de con ci' ncia como acabamo de dizer, depois
de termo pedido a Deu graça para bem con hecerm o nos a
culpas termo contrição de..- mo fazer e forço para xcita r em
116 sentimentos de arrependimento e de firm e p ropô ito, e aind a
emp rega r a lgum tempo m reflexõe prór ria para aumenta r e ta
contrição.
I. Preli1ninare . - .\ o chegar ao ronfes ion(trio, ajoelha r-se
e: 1. 0 fazer o sinal da cruz dizendo: ' Em nome do I adre, e do
Filho e do E pírito auto".
2. 0 cre c~nta- se ' 1\Ieu P adre dai-me a rn a bênção porque
pequei". E ta exp r ão: meu Padre empre e d •e mpre a r em
se dirigind o ao acerdote dura nte a confi siio n unca a êle se diz
Senhor. o confe ionário, com efeito, o ace rdote ocupa o lugar
d Deu : como Deus, ' 1 ai p lo arinho e pela bo nda de e ê te
n:ome de pai d ve animar a confiança.
orno re po ta a ê te pedido d bênçiio, o confe or, nquanto
o penitente e inclina reza uma or aç~Lo na qual pede a Deus que
a confis ão eja bem f eita, e termiJrn ab nçoan do com o inal da
cruz o penitente que e tá de joelho como prova de humildade.
3. 0 em mai demora, começa - e a fórmula de acu ação geral:
"Eu me conf o a Deu todo pod roo, à bem-a ,·enturnda empre
Virgem )laria, ao bem -a..-enturado ão lfigu 1 Arcanjo ao bem-
a,·euturado ão J oão Ba ti ta, ao anto apó tolo ão P edro e

http://www.obrascatolicas.com
370 SACRAMENT OS

são Paulo, a todos os santos, e a vós, P adre, que pequei muitas


vêzes por pensamentos, palavras e obras"
O penitente pára; com estas pala vras, acaba de nomear e de
chamar como testemunhas a tudo quanto há no céu de mais puro,
mais poderoso e santo. Agora, vai começar a confissão.
II. Confissão pràpriamente dita. - Sem espera r interrogações
do sacerdote, o penitente dá as seguintes importantes informações :
l.º quanto tempo co rreu desde a última confissão; 2.0 se recebeu
a absolvição; 3. 0 se cumpriu bem a penitência. •
Depois, percorrendo os mandamentos de Deus e da Igrej a, os
pecados capitais e deveres de estado, decla ra as fal tas que cometeu
sôbre cada um dêstes pontos, com o número, as circun tâncias, se
fôr preciso, usando a fórmula consagrada: "Meu P a dre, acuso-me
de ter .. . "
Finda a enumeração, acrescenta: "Acuso-me ainda dos
p ecados de que n ão me lembro e dos da minha vida passada ... "
J: ão havendo senão pecados veniais para con fessa r, seria muito
bom acusar ali, em particular, algum pecado mortal da vida pas-
sada, já perdoado, para excitar-se mais à contrição e forn ecer à
absolvição matéria mais precisa.
Termina-se dizendo: "Eu peço a Deus o perd ão, e a vós, meu
Padre, a penitência e a absolvição (estando a ela preparado, ou
senão, a bênção)" .
Depois, acaba-se : "Por minha culpa, minha culpa, minh a
máxima culpa. Porta nto, peço e rogo à bem-aventu rada sempre
Virgem Maria, ao bem-aventurado S. Miguel Arcanjo, ao bem-
aventurado S. João Bati ta, aos santos apó tolos S. P edro e S.
Paulo, a todos os santos e a vós, Padre, que rogueis por mim a
Deus osso Senhor".
É o confessor que reza pelo penitente as d uas fórmulas':
Misereátur e Indulgéntiam ... Depois, disto, dá avisos e faz uma
exortação que se deve escutar como a própria palav ra de J esus
Cristo, tirando o maior proveito, e evitando de conver sar nisso fora
do santo tribunal.
Enfim, impõe uma penitência na qual devemos pôr sentido,
e convida o penitente a se recolher e a rezar o ato de contrição,
avisando-o, caso o julgue digno, que vai da r-lhe a absolvição.
Nota. - As du as partes do eu pecador, em lugar de ·rezar-se como o Padre,
no confessionário, podem r ezar·se antes ou mesmo d epois da
confissão.
III. A bsolvição. - Enquanto o penitente, de fronte inclinada,
está rezando o melhor ' que pode a fórmula do ato de contrição, o

http://www.obrascatolicas.com
PENIT E C I A 371

conies or, invocando o nome todo podero o de J esu Cristo, levan a


a mão direita e pronuncia a entença da absolvição . o momento
em que êle abençoa o pecado r, ê te faz o inal da cruz, e profunda-
mente recolhido ne se in tanta olene do perdão, deixa o confe or
acabar a fórmula sacramental e 6 se r ti ra quando o sacerdote
diz: "Ide em p az, não pequeis mai " ·
IV. Depois da confissão . - 1.0 Se tiver recebido o perdão, o
penite nte, ante ele deixar a igreja, cl ernrá agrndecer a Deu ,
refl etir no qu e lhe foi dito, renovar sua boas re oluçõe , e se a
penitência que lhe ho uver sido impo ta puder cump rir- e já, então,
eleve fazê -la imedia tamente, para não e expor a esquecê-la ou a
fazê- la com meno devoção e piedade; 2. 0 e o conie or tfre se
julgado útil negar ou diferir a ab okição, o penitente deveria
submeter - e à sentença do juiz, não e quebra r, enão e força r- e
por cumpri r o que lhe foi mandado, e rnlta r no tempo determinado.

§ IV. - ati fação .


Definição: objeto d uplo : D eus e o próximo. - Sa t isfação para com D eu s:
d ever e meios. - R eparação para com o próximo: precei to e meios.

292. - Que é satisfação ?

R. - at1· fação (do vocábulo latinos satis e fac ere,


sati fazer) é wna r eparação da úijúria que nossos pecados
cau aram a D eus on do dan o que cau ararn ao próxirno.
endo qualquer pecado de obediência a Deu , cumpre
r epar arm o prim eiro a inj u tiça contra êle. Porém, acon-
t ece à vêze que o p ecado prejudica ao próximo, já na
na p oa já na ua honra ou no eu ben , p elo que,
tam b 'm o próximo tem dir i to à r eparação. Di so r e ulta
que a ati fação tem obj eto duplo: Deu e o p roximo.
ob outro ponto de vi ta pode- e di tingui r dupla
ati fação: uma é acramental, a outra voluntária. -
ati fação acramental é a que o acer dote impô como
p nirncia. E ta faz parte do acramento de penitência;
não pode r di pen ada em p cado. O pecado é mortal
quando eja importante a p ni tAncia de cuidada, impo ta
para pecado mortai ; é venial, quando a omis ão eja leve
ou por esquecimento, sem má vontade nem negligência.

http://www.obrascatolicas.com
372 SACRAMENTOS

Satisfação voluntária é a que nos impomos a nós


mesmos como acré cimo ou suplemento à satisfação
sacramental ordinàriamente desproporcionada com nossas
culpas, e logo, insuficiente.
293. - Haverá obrigação de satisfa zer a Deus, e coni que atos ?

R. - Sirn, há obrigação de satisfazer a D eiis ainda


qiwndo o pecado já está perdoado. Os principais meios
pelos quais podemos satisfazer a Deus são : 1.0 a oração,
o j ejurn e a esmola; .2. 0 o trabalho e as penas da vida,
aceitas corn resignação, e 3. 0 as indulgências.
Se bem que J esu Cristo, por suas orações, seus sofri-
mentos e sua morte j á tenha feito satisfação por nós, e
embora no seja a pena eterna remitida p ela absolvição,
temos que pagar à ju tiça de Deus uma p ena temporal
e pessoal, nesta vida ou na outra. O Senhor a exigiu
outrora do povo de Israel, depois que Moisés teve alcan-
çado o perdão dos culpados; de Davi, depois que :\atan
lhe teve asseverado que seu pecado estava perdoado .
.Assim, a Igreja sempre exigiu, por parte dos pecadores
reconciliado pela absolvição sacramental uma satisfação:
falem os cânones penitenciais dos primeiros séculos, onde
se vêm penitências longa e rigorosas, dadas mesmo
depois do perdão! Portanto, o confessor deve prescrever
uma p enitência, proporcioná-la, quanto possível, às culpas
declaradas, e fazer com que seja uma pena medicinal,
tornando-a no mesmo tempo expiação e meio de emenda.
Contudo, por causa da fraqueza ou pouca coragem
dos cristãos dê tes nossos dias, muitas vêzes, contenta-se
a Igreja em impor penitências relativamente leves e
insuficientes. Convém, pois, acrescentarmos outras obras
satisfatórias. Ora, o principais meios p elos quais podemos
satisfazer a Deus são: 1.0 a oração, o jejum e a esmola;
2.0 o trabalho e as penas da vida, aceitas com resignação,
e 3. 0 as indulgências de que breve passamos a falar.

http://www.obrascatolicas.com
P EN I T t N C IA 373

294. - erá neces ário satisfa zer ao próximo, e como 1ia1:emos


de fa zê -lo?

R. - ún, empr qne temos ca u ado ao próxirno


algnm dano, há obrigação cl r pará-lo st a atisf ação
d v r ad equada à nai1lre a do prejuízo cau ad o.
D eu e o onfe or não p er doam o p ecado enão
om e, ta ·ondi ·ão. É axioma de j u tiça e de en o
omum admitido em todo l uga r: " em reparação nada
d p er dão. " P or enquanto e fô r impo sível a ati fação
levida ao próximo, deYe- e ter Yonta de de a r ealiza r 10 0'0
qu a ci r cun tância o p er mitirem.
Ora, e ta ati fa ão deYe er adequada à natureza
l o p rejuízo cau ado ao próximo. o terno ofendid o,
' Ump re pedirmo ele nlpa · · d anifi "amo eu ben ,
t mo que com pen ar-lh e a p erda; o e bulha mo da
ua honra e da ua r epu ação, pr i o emp enha r mo-no
m r tituir-lh a boa fama; é a alma dê le qu e fi ou
pr j udi ada p elo e ândalo devemo d e viá-lo do ma l por
bon con lho bon exemplo
CO. LUS .:\O PR,\TI CA

" ria ba tantc


ta

no
" D u meu. diz au to A o tinho, não te nhai d ó d
mim: cortai, a rran cai ne a vida, conquau o m poupei . na ou ra.'
Era ambé m o pe n a men o do im perador T odó io, ::icei a ndo
do anto Ambró i lon a p nitê ncia pela matall(;:a de T e :J.lônica.
Como ê t ra nd cri tão , não t mo nós ai a que cxpia r 1

http://www.obrascatolicas.com
374 INDULGtNCIAS

APEN DICE
INDULGÊNCIAS
D e fini~ãoe divisão. - Ori gem das indulgências e direitos da I gr eja. -
A indulgência do jubileu. - Condições para ganhar indulgências.

295. - Que é indulgéncia?

R. - I ndiilgência (do vocábulo latino indulg ere, ter


compaixão) é a rernis ão que nos faz a I greja da pena
ternporal devida aos pecados já perdoados.
\ imo que a ab olvição remite a nódoa do pecado e a
p ena eterna do inferno que fôra merecida; de ordinário,
porém, dPixa exi tir uma pena temporal que expiamos
ne ta vida pela obra de penitência, ou na outra pelos
sofrimento do purgatório. Ora, é esta p ena temporal
que, total ou parcialmente, é remitida pelas indulgências.
É prec.i o, pois, para aplicação da indulgência, que o
pecado já tenha sido p erdoado; faz-se a aplicação pelo
emprêgo muito ju to e legítimo das riquezas que Consti-
tuem o tesouro da I greja. Êste tesouro consta dos méritos ,
superabundante de J e us Cri to, da Santíssima Virgem
e do antos, e também da boas obras de todos os fiéis .
Di tinguem-se dua espécies de indulgências: indul-
gência paráal e indulgência plenária. Aquela remite
õmente parte da p ena devida ao pecado; esta a r emi te
tôda.
296. - Dai a conhecer a orige?n das indulgências e o direito
que tem a I greja de conceder indulg ências plenárias ou parciais.

R. - As inditlgências têm a .sua origem na faculdade


que a Igreja sernpre i1soii de perdoar as penas canônicas
que irnpunha.

http://www.obrascatolicas.com
DULGtNCIAS 375

O poder de cone der indnlg Ancias t ern base firmadas


?la razão, na palavras de J esus Cristo e na prática
constante da I greja.
a origem do cri tiani mo, a penitência canô-
nica impo ta para pecado grave eram muito compridas
e rigoro a . Ora, à vAze , a pedido do mártire indo
para o suplício, e em con ider ação do eus mérito
excepciona i , o Pontífice romano p erdoava completa ou
parcialmente a certo pecadore penitentes. Era isto uma
aplicação da r ever ibili dade do mérito entre cristãos.
Depois da per eguiçõe , continuou a I greja a u ar dê te
seu direito de perdão a favor do penitentes que o me-
r eciam e e tendeu e a obra de mi ericórdia além dêste
mundo, tornando alguma indulgência aplicáveis às almas
do p1trgatório por via de sufrágio. Aos vivo , concedia,
por vêzes, a remis ão plena da pena, ou então r emis ão
parcial de tanto anos, dias, quarentenas ou quare mas,
t empo no qual r ecrude eia de rigor a penitência. Foram
conservada estas expre sõe ; daí dizer- e: indulc:rência de
doi ano , ou de ete ano ete quarentena , t r ezentos ou
cem dia . E ta palavra ignificam : r emi ão de p ena
t emporal equivalente a doi , a sete anos, ete quare mas,
300 ou cem dia de antiga penitência públicas.
Aplicadas às alma do purgatório, oferecem-se e tas
indulgências a Deu , que as liberaliza às almas padecente
por quem e ·fez a oferta, na medida proporcionada à sua
duração na terra e à pena corre pondente n o purgatório,
conhecida de Deus só .
., II . Quanto ao direito que po ui a Igreja de conceder
indulgência, firma-se:
1.0 a razão. - Se a I greja tem o poder, como foi
demonstrado, de remitir a nódoa do peeado e a pena
eterna que mer ece no inferno, com maioria de razão
poderá perdoar p enas temporais desta vida ou do purga-
tório, castigos menores que o infern.o.

http://www.obrascatolicas.com
376 I N D UL G ftNC IAS

2.0 Ne tas palavras de J es1ts Cri to: " Eu vos darei


a cha' e do r eino do c'u ; tudo quanto de ligardes na
t erra, desli o·ado erá no céu' ( . Mat., xvr, 19) . J á se vê,
No o nhor nenhum limit p ô ao p oder da ua I gr eja.
3. 0 1\ a práti ca constante da I greja. - D e de a
ori g m v mo ão I aulo, tendo ex omun o·ado um p ecador
de u ar d poi , de indulgência para com êle e
ua p ena (II, Corint., n, 10 ) . Durante as
o Pontífic romano on cedem indulgên -
empre e con ervou ê te costume.
A im , o on í.Jio t ri 1 ntino entenceia o anátema contra
quem aba lança e a dizer que são inútei a indul-
"'ên cia . , ou qu e à I gr eja não a i te o direito de as
cone d r ( . XV, xxru ) .
umo Pontífice õm nte t em o poder de conceder
indulo·An ia plenária indulg Ancia parciai à vontade
na IO'r ja inteira. O card ais podem conceder 200 dias
de indulgA n cia na igreja de u título e em suas
di oce e o arcebi po 100 os bi po 50, orno consta
lo d r to da ongre()'ação de I ndulgências de 28 de
agô to de 1903.
A todo o que de coração ao menos contrito,
o cularem o anel do bi po , ar cebi po e cardeais, há
50 ano de indulgência aplicável às alma do purO'atório
( . ongr. de . Ofí cio, 1 de rnarço ele 1909).
297. - Q1te é o j ub i le1l?

R. - O j1tb1'le1t, qu ordinàriarnente se concede cada


vinte e cineo anos é 1lrna indulg ência plenária, a que
tão anex os muitos privilégios e concessões especiais,
c01no : a absolvição d e cert os pecados reservados e de
certas cen nras, a coni1itação de cedos votos.
R emonta e a instituição a uma época antiquíssima:
primitivamente, celebrava-se o jubileit todos os cem anos,

http://www.obrascatolicas.com
I N D L O ! N IAS 377

'c u lo. O papa lem ente YI em 1342, o


o · cinquenta ano e Paulo II em 1460
t odo o v int e cinco e ta úl tima deter minação fic an do
·em1 r em vicro r de de ntão.
A l : m di o, há j ubil u extraordiná rio por oca ião da
el ic;ão d um novo papa no ano imediato à ua or oação.
vêze tamb'm m "'rave o or rência , o
concedem in folcrAncia pl nária ob a f orma
ll.
\. palavr a jubi leu ' tirada d a antiera i. Ent r o
jud e u , o ano d jubileu ou de r emi ão voltam todo o
·inqu nta an .. Ê tempo . an o trazi a trA privil 'crio :
1.0 tôda a. dívida. e tavam remi ida ; 2. 0 todo o
s ravo r e ope r avam a lib r dade; 3.0 tôda a h ran a
qu tinham ido v ndid a ou ali na la ntravam de novo
gratu itam ent n a po do. an igo don jubil u
da l i nova prod uz na ord m e. piritua l, f ito an álocro :
r mite a. dívida da no .. a alma, livra-no. da rvidão
r e·titu i-n o. o· clir ito à h ran a d c 'u .
298. - Q 1mi.~ s{ío o.~ r 1111 i.; l fJ.< para . r lucrar as 111rl11l[1i'nôa.
tm g ral µo rli(·11/ar111rnl1 n l/u .111/,1ll111

R. - Para grrn lrnr a indulg'ncia n e ário


cnmprir :ral am ntr a obra p r rrita. a:: r ao meno
a última 111 stado d graça .
fün geral, pa ra lu crar indulgênc ia'>. dua cou a ão
n ·e. ária. :
tad o d gra<; ; ~ .º cumpr ir e.xa am ente a
cohcliçu . imp o.· ta ' por qu m con l a indnlf(ncia.
,\ er r. ce ainda t r a in ni;ão d ~anhar a imluli:(n ·ia : m
uma inten ·ão gemi, formulada d manhã perdurando
Yi r tualm nte, é ufi ient .
qu r e p ita ao jubile11 in<luL An cia
pl nária , a. obra pr e itu ã ralm nte: 1. 0
onfi · ão; - ·º com1ml -o· 3.0 vi i a à ig r ja com oraçõe

http://www.obrascatolicas.com
378 IND U LGtNC IAS

r ezad as às intenções do Soberano Pontífice; pode-se


pr eencher esta última obrigação pela r ecitação de um
Pater, Ave e Glória Patri. P ara o ju bileit prescrevem-se,
ordin:\riamente, jejmn e esmola.

CONCLUSÕE S P RÁTICAS

1:0
A I g reja, por uma prodigalida de misericordiosa, mul tiplica
p ara nós as ocasiões de ganh a r mos indulgências. A maior parte
das associações piedosas: confrarias da santíssima Virgem, do
Rosário, do Escapulário, Obras da P ropag ação da fé, et c., sã o ricas
de indulgências; os obj etos bentos e indulgencia dos: cruzes, meda-
lhas, têrços; g ra nde número de orações ; A njo do S enhor, L adainhas,
À tos das virtiides t eologais, Orações jaculatórias, etc., são f avo-
r ecidas de p reciosas indulgências. P a ra as lucra rmos, f açamos
tenção, de manhã, de ganha r as indulgências que se podem a dquirir
durante o dia.
2.0 Um I n dulto do Sumo P ontífice concede às pessoas que
se confessarem uma vez por semana (e mes mo duas vezes por mês )
a facu ldade de l ucrar tôdas as indulgências a té plená rias que se
deparam sem que tenh am de fazer confissão especial .
3. 0 O uso das indulgências é sobremodo vanta joso p ar a os
fiéis: aj uda-os a saldar suas dívidas para com a justiça divina ;
per mite-lhes p ra ticar um ato de eminente cari dade, oferecendo
a Deus para as almas do purgatório, uma sa tisfação pr eciosa . As
indulgências, contudo, n ão isentam do dever da peni tência, nem de
vi ver mos como bons cristãos.

http://www.obrascatolicas.com
E UCAR I ST I A 379

EUCARISTIA
§ 1. - No Õe g e rai da eucarist ia .
Defin içã o. - Institu ição da eucari lia. - Verdades dogmâlicas a r espeito
da euca ristia: consequências que r esultam. - Provas da nossa fé n a
eucaristia: l.º palavras de J us Cristo; 2. 0 eusiuo tradicional da
Igr eja; 3 .0 milagres. - \á rios a peclo da eucans 1a: 1. 0 sacr ifício;
2 .0 sacramento. - inal s nsível. Matéria, forma.

299. - Que é a eucari tia?


R. - uca ri tia o sacramento qi1e cont ém o
verdadeir o cor po e o verdadeiro sang ue de J esus Cri to,
r eal e sub fancialment e present , debaixo da especies
ou apar Ancia de pão e ele vinho para nosso alimento
spir ittlal.

lN TIT IÇÃO DA 'Tf DLA EUC.\Rl TU. - ".tste é meu corpo."

ê te acramento dá- o nome de eucari tia, ou


ação de gr aça, por que. como ~ o o enhor nó o u amo
para agr adecer a Deu ; ma também chamado

http://www.obrascatolicas.com
380 SACRAMENTOS

santíssimo sacramentoJ por ser o mais santo, o mais


augusto de todos os sacramentos, poi contém o próprio
J esus Cristo em pessoa; sacramento do altarJ porque é no
altar que Nosso Senhor se oferece e se torna presente.
As expre sões acumuladas p elo santo concílio de
Trento evidenciam cabalmente que a eucaristia não é
imagem, figura ou r epresentação de Jesus Cri to, senão
a realidade da sua pes oa verdadeiramente pre ent e, nos
dias da sua vida mortal, e tal como está hoje na glória.
300. - Narrai a instituição da eucaristia.
R. -Após a última ceiaJ J esns tomou o pãoJ e ab en-
çoando-o deit-o aos dúcírmlos dizendo: Tomai e comeiJ
êst e é meu corpo. D eu-lhes igualmente o cálice de vinho,
dizendo: Êste é meu sangue.

Interior do Cenáculo; estado atu al.

Era na Quinta-feira santa, véspera da ua morte;


osso Senhor, para o cair da tarde, tinha, no cenáculo,
celebrado, com os apó tolos, a Páscoa preceituada por
Moisés, e comido com êles o cordeir o pascal. P ara o fim da
refeição, levantou-se da mesa, cingiu urna t oalha, man dou

http://www.obrascatolicas.com
E C A&I S TI A 3 1

que trouxe em água numa bacia e entrou a lavar o


p' do eu áI ó tolo para lhe da r urna li ão de pureza,
humildade, ob diência e carida de. D ep oi , en tou- e de
novo, tomou o pão o ben zeu e partiu , então, di t ribuin-
do-o ao apó tolo , di e : '· 'l ornai e comei ê te é meu
corp o" . T omando dep oi o e:áli e em qu e . tava o Yinho,
da me ma forma o benzeu e di tribuiu lizend o: ·" f omai
o bebei todo : ê t e é meu a ngue, o angue da nova
·alian a que h á de er de rram ado para a r emi são do
p a lo ' . - .Acre c ntou: " F az i i to em memóri a de
mim" ( . Jl at., x.xn, 26-2 ; '. ]forco , xrv, 22, 2-±;
. Luc., _· xn, 19-20 ) . P or e ta. últi ma palaYras, Kos o
nhor c nf riu ao ap ó tolo e ao · se u uce or , até o
fim do mundo, o p oder de faz er o quc êle própri o acabava
de prati car. Ora, tinha tr an.· ub ta nciacl o o pão em eu
corpo e o vinh o em eu angue. ~\ c.ba v a- e poi · a eucari tia
in tituída como acrifício, como acram nto e co mo inal
da 1w pr ença at ' a ·on · uma~ão elo écul o ·.
301. - Quais ão as t' rdadc. âor1111 át ica ensinadas p la
I g reja, relat ivament à santa cucari ·tia ?

I . - D ua grande v rclade dogmática d d uz m-


ela palavra s. qu acabam.o der f r ir ão n inacla p la
l ar ja, como v rclad s de[', qn t odo o católico d vem
ob p na d h re ia anát ma : pr nça real d
'ri t o na ucari tia, tran 11b ·tanciação, 1·sto ',
mudança ab ·oluta com pleta da 11b tância do pão
elo vinho na ub tância do corpo elo angn de Nos o
nhor.
1.0 Em virtud e a· p alana da co n
ciac1a · p elo a erc1ote
eo-un do a vonta lc de No

hama o

http://www.obrascatolicas.com
382 SACRAMENT OS

2. 0 Esta presença, entretanto, por tal modo e tão


completamente toma o lugar do pão e do vinho que
nada mais fica do que as espécies ou aparências e não
a r ealidade. Acham-se em lugar o verdadeiro corpo e o
verdadeiro sangue de Cristo, e esta mudança denomina-se
tran ubstanciação, palavra que significa mudança de
uma substância em outra substância.
Mas desde que Jesus Cri to é ressuscitado, glorioso,
imortal e impassível, eu corpo e sangue participam
dêste estado glorioso; dos dogmas da presença real e
da transubstanciação resultam, como consequência, as
seguintes verdades dogmáticas:
1. 0 Jesus Cristo está inteiro, com sua carne e seu
sangue, debaixo da espécie do pão; int eiro por igual
debaixo da espécie do vinho.
2. 0 Se a hóstia consagrada fôr partida em vanos
fragmentos, se o vinho consagrado do cálice fôr dividido
em várias porções, o corpo de Jesus Cristo não está partido
nem dividido, mas fica presente inteiro debaixo de cada
parte da hó tia, inteiro debaixo de cada gota do precioso
sangue, e isto, até que os fragmentos da hóstia ou as gotas
de vinho consagr ado forem perceptíveis.
A im, nossa alma está inteira em n osso corpo e em
cada um do nossos membros; as im é que a luz se reflete
no espêlho, e em cada pedaço dêste espêlho quando êle
se quebra.
3. 0 Jesus Cristo está presente ao mesmo tempo no
céu e na santa eucaristia, em tantos lugares quantos
altares houver onde se imola, quantos tabernáculos em
que se conservar em hóstias consagradas. O que se mul- -
ti plica, é a presença de J esus Cristo, não seu corpo, assim
como o sol, sem se multiplicar , faz no entanto penetrar
luz e e.alor em todos os pontos do globo, com esta diferença
que a R,r esença de J esus Cristo é real.

http://www.obrascatolicas.com
E UCAR I STIA 3 3

4.0 J e u Cri to fica pr esent e debaixo da anta


p ec1 con acr rada , até que ejam alterada a ponto
l não haver mai apar ência de pão e de vinho, p or anto
at' que fo r em di tribuída em comunh ão ao fiéi e
d naturada · p ela dige ão, ou n lvelmente al erada
p elo tem p o, a umidade ou algum acid nte.
- .º Enfim, .J e u Cri to, Yer<lad ira e ·ub - ancial-
m nte pre ente na anta E ucarí tia, pod d ve s r ali
adorado com o me ·mo cul to de la ria que tr ibu tamo a
D eu , poi a ua pre ença euca rí tica é r eal : a n atureza
divina e humana ub i cm ue te mi t' r io, e ão dign
da · no. ·a adoraçõe . D ali origina- e a prá ica ca tólica
d adorar olen men e o 'an í -imo 'acrameu o na
bAnção ·, x 1 o 1çoe ·, oraçõe <la quaren a hora , et . ;
da li ainda o louváYel co ·tum c da vi ·i a ao 'antí imo
'acram nto, para pr tarmo · home nag n a J u o
·olicitann o a ua g raça .
302. - õbre q ue vrorn se ' ~Ili a a 110ssa é cutól1c11 1w
eucaristia?

R. - O · alie rc da no ucari tia


siio tiio míiltiplo quüo ólido mbramo
tr ê· principai· : 1. 0 a palavra 'ri to; 2.0 o
11 ·ino lra licion al da Igreja,< 3. a auloridad do milagr
0

L Palat•ra cl J - Em dua
nbor mui o laram en
da a prom -a, quan o

qu pr -
m ui iplicar
ão pro w10 a que

Ina . Relis. - 18

http://www.obrascatolicas.com
384 SACRAMENTOS

uma comida, e meu sangue verdadeiramente uma bebida.


Quem comer minha carne e beber meu sangue terá a
vida et erna ... " ( . João, XI, 48 e seg.) .
Embora os Judeus resmungassem e protestando se
afastassem, osso Senhor sustentou suas afirmações e
louvou os apó tolos por não se deixarem amedrontar com
uma linguagem que podia parecer estranha.
2. 0 As palavras da institiiição. - Já as citamos:
" Ê t e é o meu c.orpo ... Êste é o meu sangue .. . " (S . Mat.,
xxVI, 26). Ora, a onipotência de Nosso Senhor lhe fa-
cultava o poder de cumprir esta maravilha. Não mudara
êle a água em vinho, n as bôdas de Caná ? no deserto não
multiplicara cinco pães até alimentar com êles cinco mil
homens ?. . . Êste prodígio, que J esus Cristo podia operar,
Êle o fez; pois que Êle, a própria verdade, o assevera:
"Ê t e é meu corpo ... Êste é meu sangue". E completando:
" Fazei i to em memória de mim"; quis, é certo, que
a me ma maravilha se p erp etuasse pelo ministério dos
apó tolos e dos seus sucessores.
II. Ensino tradicional da I greja. - Nunca variou
n este ponto o ensino da Igreja, coluna e fundamento da
verdade. São Paulo escrevia aos Coríntios: " Recebi do
Senhor o ensino que vos tenho transmitido, a saber : que
na própria noite em que havia de ser entr egue, o Senhor
Jesus tomou o pao, e benzeu, etc . .. " E após ter narrado
a in tituição da Eucaristia, deduz o Apóstolo a seguinte
conclusão: "Quem come indignamente dêste pão, e bebe
indignamente no cálice do Senhor é culpado do corpo e
do sangue de Cristo" (I , Cor., XI, 23-39 ) .
Daquele tempo a esta parte, os doutores de todos os
séculos, a tradição constante e universal da Igreja, o
ensinamento de todos os concílios professaram a mesma
f é. Todo os monumentos dos séeulos cristãos : catacumbas,
igrejas, altares, esculturas ou pinturas prim_itivas, tudo
se ajunta para apregoar a mesma crença que S. Tomaz

http://www.obrascatolicas.com
E CAR I S T I A 3 5

de Aquino tão magi tralmente traduziu no Lauda Sion,


e o oncílio tridentino formulou com tamanha precisão
contr a o erro prote tante ( e . XIII ) .
aiitoridade do rnilagre. - Quantas vêze ,
éculo Deu fez milagre a: favor elo dogma
de J e us na hó tia;
a derramar sangue, as
anta e p écie con ervada na chama , etc. já não
faíando n o milagre de ordem moral : virtude con en ada,
heroí mo espalhado e vulgarizado; caridade e santidade
levada ao auge do brilho por natur eza fraca em meio
de um mundo corToído pelo egoí mo e p ela paixõe .
O doO'ma eucarí tico é poi , uma da verdades
melhor firmada , melhor pr ovada e não pode deixar
dúnda alguma no e pírito do que de boa f é, e tudam
a r eliO'ião de Cri to.
303. - Quais ão os aspecto debaixo dos quais e pode
encarar a eucari tia?

R.- ob tr ~s a p cto dif rent es poclernos considerar


a eucari tia : na sua realização, na sua p nnanência e na
ua admini tração.
1. 0 a ua realização, i to é, no próprio ato que '
muda o pão e o vinho no corpo e angue de J esu Cri to :
é a con agração, r ealizada no anto acrifício da mis a;
2. 0 Na sua perrnanência, i to é, na duração da
existência eucarí tica, que enhor con erva no
'.l'aberná culo, enquanto a e pécie ali e tão
éon ervada para p erp etuar ua pre ença entre nó ;
3. 0 Na ua adrnini tração i to é, no ato que comunica
ao cri tão o orpo de J e ·u Cri to e é chamado
c o~iunhão, ou r ecepção do acramento ela eucari tia.
Estudaremo mai. acuradamente o primeiro e o
terceiro a pecto isto -é, a eucari tia como sacrifício e a
eucari tia como sacramento.

http://www.obrascatolicas.com
3 6 SA C RAMENT OS

304. - Qiial é o sinal sensível da eucaristia ?

R. - A 1natéria do sacramento da eiwaristia é pão


de t rigo e vinho de 1iv a, que foi a matéria empregada por
Noss o S enhor J esus Cristo. A f orma consiste nas palavras
da con agração.
Na eu caristia, que é um sacramento, havemos de
encontrar, como nos mai sacramentos da Lei nova, um
sinal sen ível, constituído por matéria e forma.
1. 0 A matéria compõe-se de dois elementos; pão e
vinho . O p ão há de er feito com farinha de trigo. Não
imp orta, quanto à validade, qu e êste pão seja levedado
ou ázimo, isto é, sem fer mento. Todavia, na I gr eja latina,
deve-se u ar de pão ázimo, por que é êste mesmo que
No o Senh or empregou n a instituição da eu caristia.
Ê ste pão é de farinha de trigo, em misto algum, amassada
somente com água ; é levemente cozido no fogo , e dá-se-lhe
forma r edonda, pouco espêssa, facilitando sua distribuição
aos fi éis.
O vinho deve ser de nva e não de fabrico qualquer,
sem nenhuma mistura a não ser algumas gotas de água
que nêle se deitam na hora do sacrifício. Geralmente
pref er e-se vinho branco, por ser mais puro.
2.0 \.. f orrna essencial, para a realização da eucaristia,
consiste, para a consagração do pão, nestas palavras :
" Êste é meu corpo", e para a consagr ação do vinho nestas
palavras : "Êste é o cálice do meu sangu e". Mas essas
palavras acram entais não pod em ser licitamente pronun-
ciadas senão n o próprio ato do sacrifício da missa, por
um sacerdote vàlidamente ordenado e junto com as
orações litúrgicas.
Na administração do sacramento da eucaristia, não
há forma absolutamente necessária para a validade, mas
há obrigação para o ministro, enquanto dá a santa hóstia

http://www.obrascatolicas.com
EUCA RISTIA 387

ao fi 'i , de pronunciar as seguinte palavras: "Que o


corpo de o o enbor J esus Cri to guarde a vossa alma
para a vida eterna ! "
CONCLUSÃO PRÁTICA

A mai e tupenda da maravilha que inventou jamai o amo r


divino, não é a criação do homem nem a incarnação de J e u
Cri to, nem mesmo a r edenção oferecida na cru z: é a in tituição
da divina eucari tia, que vem a er, para cada um de nó em
pa rticular, uma exten ão, uma participação da inca rnação, pois
introduz J e us Cristo no meio de nós, e também a aplicação doe
méritos ente ourado pela redenção, poi comunica-no a graça
qtie o Salva dor alcançou morrendo por nó .
Em paga dê te portento admirável, pod eremo por ventu ra
te temunJrn r a o o enhor ba tante fé ba tante re peito, ba -
tante amo r agradecid oi A eucari tia, para nó , é o cen ro e o
re umo da religião tôda. É po r Jesus Ró tia que sobem a Deus
a nossa ado raçõe , no santo ac rifício; por ~le é que no vem
tôdas a bênção ; é a J e u presente no tab rnii.culo que recorremo
em no a mágoa , em no o apu ro ; é J e u eucaristia que se
torna, pela anta comunhão no a comida no a fôrça a fonte da
vida obreu atural eterna. Go temo poi , de repetir muita e
muitas vêze ao pé do altar : "L om:ado, amado, adorado seja para
empre o santí simo sacramento!" (100 dia de induig·ncia ) .

§ II. - O santo sacrifício da missa.


Noção geral do sacri flcio. - O sac r ificio elo calvá rio. - A missa, verdad ei r o
sncr ificio. - Ministro do sacrifício da ruis a . - A D eu s s6 se oferece,
para os vivos e os mor os.

305. - Que é sacrifíc io?


R - acrifício é a of crta ex terior que faz o min istro
_l gítinw a Deu , de uma wu a n ível qlle a Ale consagra
para r conhecer seu oberano domínio sôbre tôdas as
cou a expiar o pecado , agradecer ou pedir algmn favor.
Em tôda a , poca , entre todo o povos se oferece-
ram acrifício a D u _ A contar da origem do mundo,
vemo Caim e bel apre entando ao enhor os bens da
terra e a primícia do rebanho. De de o pecado de Adão,
o sacrifício incluiu a idéia de expiação e é por isso que

http://www.obrascatolicas.com
3 SACRAMENTOS

houve imolações sangrentas. Propagou-se êste uso até


entre a nações pagãs, e na lei judaica, o próprio Deus
tinha preceituado difer entes espécies de sacrifícios: o
holocausto, para adorar o Senhor; o sacrifício eucarístico,
para agradecer; o sacrifício expiatório, para pedir perdão;
e o sacrifício impetratório, para implorar algum favor.

E levação durante a missa: "Meu Senhor e meu Deus !"

Ê ses sacrifícios todos eram figura do gr ande sacri-


fício p er feito, esperado por Deus e pelos homens que
havia de ser oferecido por Iosso Senhor J esus Cri to
na cruz, para adorar a Deus como merece e expiar de
modo completo e ab oluto os pecados da humanidade.
306. - Ofereceu J esus Cristo um verdadeiro sacrifício?
R. -Sim, a imolação de Nosso S enhor no Calvário
fo i sacrifício verdadeiro, pois encontramos nela tôdas as
condições elo sacrifício.
Estas condiçõe são : 1. 0 ministro legítimo : J esus
risto, pontífice eterno, único sacerdote, no r igor da
palavra
. 1 sendo todos os outros somente seus delegados ou
.

http://www.obrascatolicas.com
1':UCARISTIA 3 9

- ub ti tu to · 2.0 vítima : o o enhor ainda verdadeiro


cord iro de Deu , carregado com o pecado do mundo;
3. 0 irno'lação r eal, poi a vítima derramou todo o sangúe
e r ecebeu o golpe da morte; 4. 0 o quatro fin do acrifício
foram preenchido : No o enhor apr e entou a eu pai
adoração perfeita, ação de graças igual ao eu benefícios,
expiação infinita p ela no a , ofensa , e oração todo
podero a.
Ma querendo r epre entar e continuar at' o fim do
mundo o O'rande e único acrifício da cruz, o o enhor
in tituiu e ofer eceu, na Quinta-feira anta, vé pera da
ua mor te, um acrifício que é a r eprodução fi el do que
fez no calvário: ' o que chamamo acrifício da mi a.
30 7. - Que ' m issa ?

R. - Mi a é o sacrifício úicruento do corvo e do


sangue de J e us ri to, of recido ôbr os nos os altares,
d baiºxo elas sp ' ci ele pão e de vinho, ni memória elo
sacrifício ela crnz.
mi a é verdadeiro acrifício e nela en contramo ,
como no calvário :
1. 0 ac rdot : ' ainda J e u r i o ; no altar, por ém,
opera por intermédio de um mini tro, que é eu delegado
ou ub tituto;
2. 0 r ítima : é mpre o o enhor p or ém velado
no ·acrifício da mi a debaixo da e pec1e acram entais
.,do pão e d vinho, transub tanciada , no momento da
con agração em ua carne angue ;
3. 0 V rdacl ira imolação : com efeito primeiro ofe-
r e ida a D us a vítima é imolada. mí tica ma r eal-
mente : a palavra da con aO'ração lbe dão, d algum
modo o golpe ela morte e pela comunhã o, ela de aparece
como le aparecia outrora a vítima, pela combustão ou
pela manducação.

http://www.obrascatolicas.com
390 SACRAMENTOS

4. 0 Enfim, a missa é oferecida a Deus para obter os


mesmos efeito que a imolação do calvário, isto é, para
preencher os quatro grandes deveres do homem: adorar
a Deus, agradecer, pedir perdão, e solicitar graças.
O sacrifício da missa, dissemos, representa o da cruz ;
de fato, o pão e o vinho, con agrados separadamente e
conservados distintos um do outro, lembram o corpo de
Cristo separado, na cruz, do seu sangue derramado no
chão, e a iro, Ios o enhor acha-se no altar em e tado
aparente de imolação e de morte.
O sacrifício da missa continua o da cruz; com efeito,
J e us Cristo, sempre pontífice e sempre vítima, nos
alcança e liberaliza as mesmas graças, e como no calvário,
realiza o quatro fins do acrifício.
Em ambos o caso , portanto, é o mesmo sacrifício;
a única diferença notável é que: 1.0 na cruz, J esus se
oferecia a si mesmo, enquanto, no altar, o faz pelo
ministério do acerdote; 2. 0 no calvário, a imolação era
real e sangrenta, enquanto, na missa, é roí tica: o sangue
não está realmente derramado.
308. - Quai é o ministro do sacríf icio da m issa ?

R. - O ministro do sacrifício da missa é o sacerdote,


legitimamente ordenado por imi bispo.
A ordenação sacerdotal é absolutamente necessária
para a validade do sacrifício. Efetivamente, aos apó tolos
somente e ao seus herdeiros legítimos no sacerdócio é
que Jesus Cristo dis e: "Fazei isto em memória de mim"
(S. Lucas, xx.n, 19 ) .
Para oferecer licitamente o sacrifí io da mis a, o
sacêrdote deve observar tôdas as prescrições da Igreja
e em particular estar de jejum l:l possuir a graça santi-
ficante. Se não se conforma se com estas prescrições,
tornar-se-ia gravemente culpado; o sacrifício, porém, não
deixaria de produzir todos os efeitos, porque a eficácia

http://www.obrascatolicas.com
EUCAR I S T I A 391

dêle depende da virtude todo podero a de Jesus Cr isto


e não da qualidade do sacerdote que não pa sa de
in trum ento. Enfim, o ace r dote deve co n aO'ra r debaixo
da dua e pécie . com matéria válida , e comungar
tamb ém debaixo da dua e pécie do pão e· do vinho;
em o que o acrifício eria a um t empo ilícito e nulo.
309. - À quem e por quem se ofe rece o acrifício da m issa?

R. - O acrifí cio da nii sa é o erecido a D eus somente.


P ode oferecer- e p lo v iv o e pelos mortos.
I. õmente a D eu e ofer ece o acrifí io da missa.
om efeito, o acrifício é ato de adora<:ão por excelência:
portant o dirige- e unicam ente a Deu .
Portanto, não e ofe r ece o anto à
antí ima Virgem, ao an jo ou ao anto : ma em
honra dêle pode- e ofe r ecê-lo a Deu ; nada mai legítimo
que fazer intervir a antí ima VirO'em, o anjos e os
anto na oraçõe do acrif í io. É a con equ Ancia do que
di emo tratando do eu culto. A mi a, porta nto, pode
er r ezada em honra dêle para aO'radecer a D eu pelas
O'ra a qu lh e deparou e al cançar , por inter ces ão dêles,
o favore que olicitamo .
II. onforme o próprio fim da ua in tituição e de
acôr do com o en inamento do co n ílio tridentino, o
acrifí io da mi a é oferecido pelo vivos e pelos mort os.
1.0 Ofer ece- e pelo vivo : pelo ju to , para êle perse-
verarem · pelo pecadore para êle e converter em· pelos
4,erege i mático , para êle voltarem à unidade
católica · pelo próprio Judeu e o in fi éi para que Deus
lhe dê a O'raça de conhecer em e abra çar m a erda deira
r eligião. 2. 0 f er ece- e pelo rnortos : porque o sacrifício
da mi a po ui virtude expiatór ia que pode ser , para
êle de O'r ande pr é timo além dê te mundo. Todavia,
não e ofer ece pelo anto , já que n ão preci am mais
de gra ça : tamb ém não e pode oferecer pelo réprobos,

http://www.obrascatolicas.com
392 SACRAMENTOS

que não são aptos a r ecolher os frutos. Mas quem pode


estar certo da reprovação de uma alma? . . . É, portanto,
lícito e saudável mandar rezar missas pelos finados: se
e tiverem no purgatório, o sacrifício há de redundar para
êles em alivio preciosíssimo; e ca o não pudessem apro-
veitar dêste socorro, Deus o aplicaria a outras almas,
segundo os intentos da ua sabedoria e misericórdia.
CONCLUSÃO PRÁTICA
O sacriflcio da missa, sendo o mesmo que o sacrüício da cruz,
para a êle as istir serã. método excelente, seguir , pelo pensamento
os acontecimentos da paixão do alvador, considerando .Jesus
suces ivamente no horto das Oliveiras, no tribunais de Anaz e
Caüaz, de Pilatos e Herodes, na cruz e no túmulo. Procuremos ter
os mesmos sentimento que tivéramos presenciando o drama do
Gólgota.
Outro método muito louvável também, é ocupar-se com os
quatro fins do sacrifício. Desde o comêço até o evangelho, preen-
chemos o dever da adoração; do e'' augelho até a elevação, cum-
primos o da expiação; da elevação até a com unhão, oferecemos a
Deus seu Filho .Jesus Cristo em ações de graças; enfim, desde a
comunhão até o último evangelho, dirigimos a Deus os nossos
pedidos.
O meio mais profícuo de ouvirmos mis a, é acompanharmos
as orações litúrgicas, que o sacerdote reza no altar: andar com mais
acêrto que a santa Igreja, não podemos; e é comungar nos seus
pensamentos, seguirmos com atenção do espírito e piedade do
coração as fórmulas da prece que ela própria vai fazendo.
§ III. - Necessidade e e feito do sacramento da eucaristia.
A comunhão. - Obrigação de comungar. - Comu nhão debaixo das duss
espécies. - Efeitos da santa comunhão.
310. - Que é comunhão?
R. - Cornimhão é a recepção da divina eucaristia,
isto é, do corpo e sangue de J esits Cristo debaixo das
espécies sacrarnentais.
Êste ato chama-se cornunhão (união comum) porque
nos une a Jesus Cristo da maneira mais íntima e estreita.
Poder-se-á, com efeito, imaginar união mais real e
completa que a união resultando da assimilação por nossa

http://www.obrascatolicas.com
E CARISTIA 393

própria ub tância da comi<la qu tomamo Ora, na


anta omunhão, comemo a carne e b bem o o angue
de ~ o o enhor e ê e alimento diYino tran forma- e
em no a nb tância ou ante , por er ~ l nobr e,

fJ J esus que r ecebemos na untíssima Comunhão .

até a ua própria altura, e torna-no partici-


da na ureza diYina. P orque a eucaristia que
é ver dadeiramente o corpo de ~os o enhor
ri to, o me mo que na cen da Yirgem 1\Iari a, fo i
pregado na cruz e agora e tá r e. u citado glorio o, oculto
ao entido , porém pre ente à no a fé.
311. -Há obrigação de comungar?

R. - H á obrigação de comungar m perigo de morte,


e, ao rneno , 1.l1na vez cada ano, na P áscoa da R essurreição .
1. 0 A intenção de No so Senhor, ne te particular,
manife ta- e pela e colha que fez do pão e do vinho como
matéria da eucari tia. Indica-nos claramente por ali que
deseja er, pela comunhão, alimento de nos as alma ,
como o pão e o vinho ão alimento do corpo . ·

http://www.obrascatolicas.com
394 SACRAMENTOS

2. 0 Além dis o, No so Senhor deu ordem terminante


de comungar, por estas palavras que o evangelho refere:
"Se não vos alimentardes da carne do Filho do homem,
e se não beberde eu sangue, não tereis a vida em vós
mesmos" ... E completa seu pensamento djzendo: "O que
me comer terá a vida por mim, e viverá eternamente"
(S . João, Vi, 54-58). Resulta claro de ta palavras que,
se quisermos, na terra, po uir a vida sobrenatural de
Je us Cristo e da graça, e no outro mundo, alcançar a
vida eterna, devemos receber a eucari tia, por outra,
devemos comungar.
3. 0 Entretanto, não determinou os o Senhor o
tempo em que se havia de comungar: um preceito da
I greja tornou obrigatória - segundo temos estudado na
explicação do seu IV. 0 mandamento (n. 0 191 e seguintes)
- a comunhão anual em tempo de Pá coa, as iro como a
comunhão em artigo de morte. Esta última é denominada
viático porque é socorro preparado para a passagem desta
vida para a eternidade.
A I greja, porém, anseia por ver os fiéis comungarem
mais amiúde, especialmente nas principb.is festas. O
cqncílio tridentino extern a o mesmo desejo de ver os
fiéis achegarem-se à santa _me a sempre que ouvirem.
mis a, isto é, qiwndo menos, todos os domingos e festas.
Com mai in istência, Pio X :renovou o mesmo desejo
no decreto da comunhão fr equente e cotidiana.
312. - Haverá obrigação de comungar debaixo das duas
espécies ?
R. - O sacerdot e, sàrnente quando celebra o santo
sacri fício, d eve comiingar d ebaixo das duas espécies de
pão e de vinho. Os fiéis - e m esmo o sacerdote, se
comungar sem celebrar a missa - não estão obrigados à
comunhão debaixo das duas espécies.
É dever para o sacerdote que celebra, porque o
sacrif1cºo da missa foi instituído por Nosso Senhor desta
CJ

http://www.obrascatolicas.com
EUCARIST I A 395

maneira, e porque do contrário, fal ta ria alguma cou a


na pró pria e ~n c ia. do acrifício, que deve r ep r oduzir o
do cal vário e o do cenáculo.
Ma o fi éi , - e me mo o a erdote e comunga r
em celebrar a mi a - não e tão obri()'ado à comunhão
debaixo da dua e p'cies. Ver dade é que, no primeir o
éculo , co tumava- e r eceber a eucari tia debaixo da
e p ci e de pão e le vinho, ma ninguém uidava que
ê te u o fo e ne e ár io. A con tar do ' culo XII, o
o tum de dar a eucari ia ao fiéi õmente debaixo da
única e p 'cie lo pão, prevaleceu, e i to por causa da
dificuldade , acid ente e profan açõe que r ultavam não
r aro, da comunhão debaixo da e p ' ie do vinho .
Aliá , J e u ri o, achando- e inteiro debaixo de
cada pécie, como fi cou d ito, r ecebemo , debaixo de uma
ó e p ' cie, o acr amen to inteir o e a me mí ima gr aça .
313. - Que ef eit os prod11 z m nós a sant a comunhão ?
R. - Os prin cipai ef itos qu a u car istia pr oduz
ern nó ão :
1. 0 on er·var mlmen tar a v iela da alm a qile é a
graça, como o alim ento rnat erial con erva awrnenta a
vida do corpo;
2. 0 A v agar os p cados v eniai e pr es n :ar dos
mortai ;
3 .0 nir-n o a J e tl ri to f azer-n o viv r ele ua
vida;
4.0 r, para nó , p
O efeito
· palavra de
eu ari tia: que com minha carne
perm anece em mim e eu, nêle. . . O que m comer t rá a
'idapormim e viverá ternamen e' ( . J oão, 1,57-59 ) .
Daí infer imo que o feito da eucari tia ão :
1. 0 Alimentar e fortificar a alma como o pão e o
vinho alimentam e fo rtificam o corpo, de modo que ela

http://www.obrascatolicas.com
SACÉAMENT ÔS

produz aumento de vida sobrenatural ou graça santi-


ficante.
2.º Unir-nos estreitamente com Jesus Cristo: "Êle
está em nós, e estamos nêle". Unir-nos com Deus pela
caridade : tal era o fim da criação. O pecado tinha
quebrado êste vínculo ; Nosso Senhor o r eatou p ela
incarnação e a r edenção; mas é p ela comunhão que,
estando pes oalmente unidos a J esus Cristo e a Deus,
realizamo a palavra de são Pedro : "participantes da
natureza divina" (II S. P edro, r, 4 ) . Era o anelo de
tôdas as religiões. No catolicismo, mercê da eucaristia,
foi realizado o que tanto e debalde se aln;iejava.
3. 0 Ao baixar até o nosso nível, J esu'S Cristo nos traz
a santidade, da qual Êle é o manancial. Comunica-nos
um princípio de grandeza e dignidade, alevanta os nossos
pensamentos, aquece-nos o cor ação, ministra-nos socorros
e fôrças para emendarmos os nossos defeitos e chegarmos
à prática das mais acrisoladas virtudes. Compreendem-se
então as vantagens da comunhão mais frequente, chamada
pelo santo concílio de Trento "o antídoto das faltas
veniais, e preservativo contra p ecados mortais".
4. 0 Enfim, a comunhão, princípio da vida sobrena-
tural e santa, é para nós penhor da vida eterna e
ressurreição gloriosa. J esus Cristo o ensina positiva-
mente : " Quem comer minha carne e beber meu sangue,
terá a vida eterna, e r essuscitá-lo-ei no último dia" (S.
Jo ão, vr, 55) .
CONCLUSÃO P RÁTICA

J esus Cristo o alz e até jura: "Em verdade, em verdade, eu


vo-lo digo ... " é preciso receber a santa eucaristia e dela se alimen-
t ar; do contrário será impossível viver. -
"Os que andam _à procura de pretextos ou desculpas para
conser var-se afastados do uso frequente do pão dos anjos, podem-se
equiparar aos convida dos de que fala a parábola do evangelho, os
quais não obstante suas desculpas para não irem ao f estim, atraem
sôbre si cólera do pai de família" (São Francisco de Sales) .
o

http://www.obrascatolicas.com
E AR. I S T I A 397

Quand o o h omem não toma, alg um te mpo, nenhu m al imen to,


\ ai enfraq ue end o e a do ece : o me mo se dá com o cr istão pri,·a do
da fô rça dfrin a, po rqu e ' le n ega à sua al ma o a li mento ncce sh rio
à d ela . K ão é e ta a causa do ma l-e tar po r demai frequ ente, da
fraqueza de muita alma ~ Xiio e r:t a sim com os antos. qu e e
mostra m todo piedo a mente á 1·ido el a anta comunhão . Su a. vida
era a ncaristia quan do não p ude. em r ceber a com unhão ac ra·
mental, supria m a e ta falta com a conrnn ll ão eszliri t ual ou ele
de ej o.
" O sacerdot es t erão especial cuidado em excita r 1·i1·íss im o
de ej o da comun hão coti diana no cora~ão do menino qu e e
prepa ra m à primeira comunhão. T omem proY idências para qu e os
meninos f aça m e a p ri me ira comun hão o m ais cedo possfrel . .. ,
antes de p erd ere m o hrilho d;t inoernria ao co ntac o das nódo a do
m undo . . . , e a r eno1·e111 oclos os cli :ts º' ( Pio X ) .

§ IV. - Ministro e .s uj e it o el a c u c a ri ~ tia. D is p os ições para a


s a n ta comu nh ão.

Mini tro do ncra men to da eucaristia. - Sujeito cl êste sa cram ento. -


Di spos içõe r eque ri ~Ia~: l. º para a alma; 2 .0 para o corpo. - Comu nhã o
boa, indigna, t ibia.

314. - Qual é o mini8tro rlisp n.<ador do sacramrnlo da


eucaristia?

R . - O mini iro ordinário, iw administração do


acrarnen lo cl<t 11 caristia, é o accrclot e cujo dedo s são
con ag rado p lo óleo sant o para towr o corz o aclorái;el
ele J e 11s Cri to .
O diácono , na prirnitirn I g rej a, eram muita vêzes
ncarregado d c1i. t ribui r a an ta comunhão, e leYá-la
aos au. en te . Em caso de n c idade, o imples diácono,
E1ue já tem o pod er de toc:ar a hó tia an ta, poder ia ainda
de ·empenha r e ta fun çã o, porque é o m ini tro extraor -
dinário na d i pen. ação eucar í ·ti ·a. -m . irnple fiel, em
ca o extremo, e par a fu r tar a euca ri tia a um peri go de
profana í poderi a lar· e a si me mo ou dar a outr o
a hóstia ·an ta · m comunhão; torn ar - e-ia en tão
mini tro extraor diná rio da d.i tr ibu ição da u ·ar i tia.

http://www.obrascatolicas.com
398 SACRAMENT OS

315. - Qital é o s1tjeito do sacramento da eitcaristia?

R. - Todo o cristão batizado pode vàlidamente


receber o acramento da eucaristia.
Na primitiva Igreja, co tumavam dar a santa
comunhão, ao r ec' m-na cido , mesmo a criancinhas. Se
alo·uma p e oa não batizada fo se comungar , rBceberia a
eucari tia materialm nte ma não como sacramento, por
não er apta. - H oj e, a di ciplina da Igreja não quer
que se dê a anta comunhão a crianças antes de terem
alcançado a idade de di crição, isto é, antes de serem
capazes de discernir o ato importante que praticam
r ecebendo a anta comunhão.
Ao vigário da fr egue ia pertence admitir à primeira
comunhão a crianças que têm instrução suficiente .
.AntB de ta admi ão, pode-se, contudo, e mesmo
deve- e dar a santa comunhão aos meninos que estão em
p eri go de morte uma vez que t enham idade de razão e
ejam capaze de diferenciar o pão eucarístico da comida
vulo·ar. O pre eito divino obriga-o , devem segui-lo.
Ião e dá a comunhão aos indignos, isto é, aos
pecadore público e e caudaloso , n em' aos que não têm
u o da razão (alienado ) .
Para e receber licitamente e com proveito a divina
eucaristia, cumpre ter as di posições r equeridas.
316. - Quais são as d·isposições requeridas para bem
comungar?

R. - Para bem comiingar, três coitsas são neces-


sárias :
1. 0 E stado de graça;
2. 0 J ejum desde meia-noite até o momento da
comit11 hão;
3.° Conhecimento do qite se vai receber e f é e devoção
no apresentar-se à comunhão.

http://www.obrascatolicas.com
EUCARI STI A 399

Entre e ta di po içõe , uma e referem à alrna,


outras ao corpo.
I. Dispo 1ºçõ da alrna. - 1.0 A p r imeira e princi pal
' o estado de graça, i to ' , i enção de p ecado mortal.
"Prove- o homem a i me mo, manda ão Paulo e não
beba d A te vinho enão com cautela: poi quem orne
indianamente a carne ou beb índio-namente o angue do
enhor, come e bebe a própria condenação (I. or.
XI, 27-29 ).

Donde e deduz que haveri a falta gr ave, chamada


acril, gio, para quem fo e com uno-ar julo-ando- e culpado
de p ecado mortal. P to que cuidá emo t er contri ão
p erf ita, não no eria p ermitido a chegar-no à anta
m a ante de t ermo purificado a con ciên ia por uma
boa confi ão pela ab olvi ção acramental: a im o
pre cr eve o concílio trid entino ( . XIII vrr e cân. n ) .
Pouca ão a ex eçõe a e a r eQTa · por xemplo:
a ) Hav ndo obrigação de comungar e falta de
confe or;
b ) e fo e pre i o furtar a eucari ia a um perigo
ou profana ão iminente;
e) Tratan fo- e de p cado mortal cometido de d a
última conf i · ão não ba ta excitar- e à co n rição perfeita,
~ n · ário conf . ar - e r eceb r a ab lvi ão ante d
comunO'ar. on Hi o de Trento diz formalm n e:
' Qu m tem pecad o mortal na con ciAn ia, eja qual fôr a
cbntri ão d qu julgu animado, nã d Ye apro -imar- e
da anta eu ari tia m ante r co rr r à onfi ão acra-
mental ' ( . X III , e. vn). - Entretanto. não e
lembrand o lê t p ado enão na me a aarada afim
d vitar când alo, poder -se-ia pedi r p erdão a D u 1
fund o do cora ão e e munaar, com a ondi ção de
confessar-se qu anto ante .

http://www.obrascatolicas.com
400 SACRAMENT OS

d) Tratando-se de pecado mortal esquecido em


confissão, S. Afonso diz que é mais prudente ir
confessar-se, se fôr possível, antes de ir comungar, mas
que não há obrigação (Hom. apost., n . 23 ) . Basta, na
confissão seguinte, acusar o pecado esque.cido.
Nesses diversos casos, é mister ainda excitar-se à
contrição perfeita.
2.o Além da pureza da consciência, outra di posição
necessária é preparar-se à santa comunhão pelo r ecolhi-
mento do espírito, a devóção do coração, a confiança, o
amor para com Jesus Cristo, o arrependimento dos
pecados veniais.
II. Disposições do corpo. - 1.° A disposição do corpo
essencial e primeira é o j ejumj não se deve ter ingerido
cousa alguma a modo de comida ou bebida a contar de
meia-noite. Esta regra é muito antiga na I greja, e baseia-
se no respeito devido ao corpo de Cristo ; não convém
introduzir no estômago êste alimento divino junto com a
comida vulgar. Temos a mesma razão 'p ara não comer
nem beber imediatamente depois da comunhão; quanto
possível, salvo o caso de motivos · partiQuiares, é bom
e perar quando menos uns quinze minutos. É preciso
também, no mesmo intervalo deixar de cuspir, para que
não aconteça rejeitarmos algum fragmento da santa
hóstia.
O jejum eucarí tico constitui obrigação grave: não
admite razão de matéria leve. Pode ser dispensado
itnicamente nas seguintes ocorrências.
a) o estado de do ença grave; então comunga-se em
viático, seja qual fôr a hora, e sem estar de jejum. b) No
seguinte caso muito raro: o sacerdote cai doente, no altar,
depois da con agração, e não pode terminar a missa ;
outro sacerdote, ainda que não estives e mai de j ejum,
deveria completar o santo sacrifício. e) Er)fim, para

http://www.obrascatolicas.com
tUOARIST I A 401

furtar a eucari tia ao perigo ou à profanação, seria


permitido, e me mo or denado con umir a antas hó tia ,
embora e tive e comido e bebido, e por outra parte não
houve e ali p e oa ajuda de jej um (1 ) .
2. 0 A eO'unda ili po ição do corpo é apresentar. e à
santa comunhão com exterior mode to e r ecolhido traj e
conveniente em luxo, como também em de mazêlo.
É u o tirar a luva indo à anta 1\Ie a; o militares
deixam a arma .
317. - Que é conwnllão boa, i nd ign a, tibia?

R. -1. 0 [,ma comunhiio , boa quando f eita com as


dev idas ài po ições da alma e do cor po, sem n egl1:gência
grave.
2.º A comunhão ' indigna 01i sacrílega qiiando,
cientes, nós a fa emas com algnrn pecado mortal, 01i sem
e tar de jejum,, on com intençõ riâns.
3.0 A comunhão ' tíbia quando não é fe?·vorosa n em
·má, senão di traída ozi nial pr parada.
1. 0 comunhão erá fervoro a, e tivermo ardente
amor de Deus, vivo de ejo de r eceber a J e us Cristo, e
imen a gratidão · por ê te benefício incomparável. ·A
comunhão boa e pecialmente quando é fervoro a, produz
todo e efeitos que demo a conhecer.
2.0 Na comunhão indigna ou sacrílega r ecebe-se, na
verdade, o corpo e angue de J e u Cri to, não porém
as graça ligada ao acramento. omete- e um p ecado
enorme: o crime de J uda ; 'come- e e bebe- e a própria
condenação ' , diz ão Paulo. P or grave que seja ê te
pecado, empre e pode alcançar o perdão; roa ger a
ordinàriaroente a perda da fé, a impiedade, o endure-
(1) O Direito anôni co (can. 5 , § 2. 0 ) au to riza os en fermos que
se acham de cama de de um mês, sem esperan ça certa de próxima couva-
l cença , a receberem a agrada com u nhão uma ou duas vêzes por semana,
ainda que tenham tomado algum r emédio ou algum alim ento liquido.

http://www.obrascatolicas.com
402 SACRAMENTOS

cimento e o d-esespêro: assim é que se justifica a palavra


do Apóstolo.
3.0 A comunhã0 tíbia é o caso de quem vai receber
a eucaristia com faltas veniais, voluntàriamente cometi-
das, e para as quais conserva apêgo e a:f-eição ; ou ainda
de quein, voluntàriamente, se ocupa, no momento de
comungar, com cousas diversas, distrações que não são
mortais, porém desagradam a Deu , ou enfim do que não
t em ba tante recolhimento interior ou exterior. I sto tudo
é oposto ao r esp eito e ao amór que devemos a Jesus
Cristo. Eis porque a comunhão tíbia nos priva das
vantagen da boa e fervorosa comunhão: deixa-no frio
e indiferente ; não traz nem santidade nem alegria.
Finalment e, é muito para recear que a p ouco e pouco
ela aparelhe o caminho para a comunhão sacrílega,
acarretando-a como que fatalmente. Por isso é que
importa sumamente estarmos acautelados contra as
comunhões tíbias.
CONCLUSÕES PRÁTICAS

Eis aqui o que estabeleceu e declarou a sagrada Congregação


do Concílio, na sessão plenária de 16 de dezembro de 1905, acêrca
da comunhão frequente:
1. 0 A comunhão frequente e cotidiana, porque sumamente
desejada de N. S. Jesus Cristo e da Igreja Católica, seja 12ermitida
a todos os fiéis cristãos de qu alquer ordem ou condição; de sorte
qite nenhitm, que tenha o estado de graça e se aproxime da S. mesa
com intenção reta e pia, possa ser impedido.
2. 0 A intenção reta está em que quem se aproxima da S. mesa,
não o faça por costume ou por motivos humanos, mas com ânimo
de satisfazer à vontade de Deus, unir-se a :lllle com caridade mais
íntima, e remediá;r com aquele medicamento divino às suas enfer-
midades e defeitos.
3. 0 Embora seja sumamente ' conveniente que os que comungam
cotidianamente estejam isentos de culpas veniais, ao menos das
plenamente deliberadas e do afeto a elas, todavia é suf iciente que
estejam livres de culpas mortais e fa çam o propó-sito de não pecar
mais no f uturo: com êste propósito sincero, não pode deixar de

http://www.obrascatolicas.com
E CAR I TIA 403

suceder que o~ qu e comungam cotidian a m nte, pouco a pouco se


livrem ta111b 'm de pecados veniai e do af to a eles.
4. 0 E , de de qu e o sacramentos da nova lei, e bem que
prod uza m eu efeito e.'!: ópere operato, tod a via produzem ef eito
maior em p ropo rçã o el as melh ore cli posiçõe que e têm ao rece bê-
los, po r i so deve-se procu ra r que a sagrada comunhão seja prece-
did a po r dil igen te prepa ração e aco mpanhacl :-i el e co1weniente ação
de graças, eguncl o a capacida de, co ndi ção e ocupações ele cada um.
eguem conselho ao confe or . Yigá ri o, para que a nimem
mai e mai os fi éis a comungar clià ria mente.
A comu nhão semanal e a comunhão diária , como Yemos, têm
ido enca recidamente recomendadas por ua antida do Pio X. Os
a salto múlti plos que a im piedade dirige cont ra a no sa fé no
impõem a i1ece ida de urgente el e recor rer a êste e cuclo, único
a lva- l'id a no mar procelo o elo mundo. 1m pre. 11 0 enta nto aten de r
ao pa recer do con f e or, e agradecer o fa\·or el a comu nh ão fr e-
quente por um a viel a seri amen te cri stã, a mparada por constantes
prá tica ele piedade.

§ V. - Cerin1ônia s na adm ini stração do s acram e nto


da e u cari tia.
Cer imônias da comu nhão: l.º dada n a igrej a; 2 .0 lev ada a o doentes.

318. - Quais são as principais cerimônias tt.Sadas para a


administração da eucaristia?
Temo qu e di ti1wui.r a aclmin i tração da eucari tia
feita ao fiéi na igreja em com un hão or dinária, e a
que e fa z a domicílio, ou em Yiático a enfermo e doente .
I. Cornmi hão clacla na 1'greja. - É mais de acôrd o
com a liturgia e o de ejo da I gr eja dar a comunhão' aos
f'éi durante o santo sacrifício da mi. sa, no momento
indicado, depoi da comunhão do sacerd ote. Tôd as as
" or açõe litúrgi ca , ante e depoi da comunhão, ão
c1i po t~s e e colhidas ne te intuito, tanto para os fi éis
orno I ara o sa-erdote : é por isso que convém, quanto
po Í:Yel, comungar na mi sa.
'I'odavia, não há ni to nem preceito nem r egra inva-
ri ável, e não é neees ário ouvir missa para comun gar;
mas ' neces ário sempre fazer uma prepar ação; afora as

http://www.obrascatolicas.com
1- ,

404 SACRAMENTOS

orações da missa, a melhor será a r ecitação atenta dos


Atos antes ,da comunhão. Do mesmo modo, para a ação
de graças, é bom rezar os Atos depois da comunhão. -
Pode-se u ar , contudo, de outra fórmulas ou livro de
piedade, uma vez que a leitura seja adequada à circuns-
tância e se refira à anta eucaristia. .
Se der a :;ianta comunhão durante a missa, ou imedia-
tamente ante , ou logo depois, o sacerdote será revestido
do paramento sacerdotais que deve ter para o santo
sacrifício. Em outra hora, fora da mi sa, terá sobrepeliz
e e tola, símbolo de ju tiça e autoridade.
1. 0 o momento em que se abre o tabernáculo, reza-se
o Confíteor inteiro. Oração muito própria para nos
excitar à humildade, à contrição, à confiança em Deus.
- O acerdote, voltando- e para os fiéis, r eza as duas
orações Misereátiw e Indulg éntiarn, pedindo a Deus que
p erdoe nosso pecados.
2. 0 O sacerdote toma do cibório uma hóstia santa
e erguendo-a, fala voltado para o assi tentes: "Ecce
Agmts Dei... Ei o Cordeiro de Deus que apaga os
pecados do mundo .. . " Depois, por três vezes: "Dómine
1ion swrn .dign1is . .. Senhor, não ou digno de que entreis
em minha morada, etc." São as palavras do centurião, no
evangelho, tran bordantes de fé e humildade.
3.° Os fiéis que de ejam comungar acercaram-se da
santa mesa, e três vezes bateram no peito, ao Dómine,
non sum dign1is. . . Põem-se de j oelhos por humildaàle;
e, segurando a toalha da comunhão de modo a aparar a
santa hóstia se por acidente caísse, adiantam um tanto a
língua. O sacerdote depõe a hó tia dizendo: "Corpus
Dómini . .. O corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde
tua alma para a vida eterna!"
Êste é o ceri:rp.onial muito simples usado para a
recepção de tão magno sacramento. .A. Igreja quis que
pudéssemos entr egar-nos por completo à meditação do

http://www.obrascatolicas.com
E CA R I S ' I I A 405

mi tério eucarí ti co, em no deixar di trair por ceri-


mônia ace ória .
4.0 e a comunhão f ôr dada fora da mi a, o
acer dote purifica o de o num '"ª o p queno colocado
no altar, e cont ndo um pouco de água; no me mo t empo
r eza a antífona ao antí imo a ramento, com a r e pectiva
oração; depo · , aben çoa o fi éi com a fórm ula ordinária:
B enedíctio D i oninipot n6 , etc. Quando dá a comunhão
na mi a, termina como de co tume a orações do anto
acr ifício e dá a bên ão ó no fim.
II. oniunhão levada ao do ent s m ca a. - L e- M
olenem nte o Viático ao doente é r eO'ra da Igreja;
ob erva- e ainda no luO'are ond o antí imo acramento
é r e peitado e a ompanhado p or piedo o fi éi . O sacer-
dote leYa a anta eucari tia debaixo de um do el, ·eguido
por católico que guram vela e cantam almos. É
muito para la timar que a indiferença ou a impiedade da
n o . a época tenham con trangido a I greja a suprimir
e a práti ca, que honrava a l'\o o enhor e edificava o
cri tão .
O quarto do doente t em ido po 'lo em conveniente
e tado de limpeza e a ua cam a, coberta com panos
br anco por r e peito e amor a J e u Cristo que vem
Yi itá-lo. Kuma pequena me a coberta com toalha branca,
põe- e um cru cifixo e dua vela ; um vaso pequeno com
ágiia benta, e mn ranio bento ; outr o va o com água, para
o acerdote purificar o dedo depoi da anta comunhão.
hegando ao quarto do doente, o Sacerdote desdobra
na me a um corporal e depo ita o va o sagrado que
encerra a santa hó tia. om o ramo lança água benta ao
doente e cir un. tante r ezando o· Asperg es m e e as ora-
çõe litúrgica . Depoi , observa o mesmo cerimonial que
na igreja. Dando a comunhão em viático, em vez da
fórmula ordinária, o acerdote diz:· ' Recebei o viático do

http://www.obrascatolicas.com
-!06 SACRAMENTOS

corpo de Tosso Senhor Jesus Cristo: guarde-vrs êle contra


os assaltos do inimigo mau e vos conduza à vida eterna!".
Reza depois uma oração na qual pede para o doente
saúde da alma e do corpo. Em seguida, purifica os dedos '
como havia de fazer na igreja, com a mesmas orações e
termina abençoando o d oente fortificado e consolado.
Se o enfêrmo puder tomar a água que serviu para a
ablução dos dedos, êle o fará; senão, lançar-se-á esta água
ao fogo.
CONCLUSÃO PRÁTICA

Qu anta gratidão e quan to amo r não devemos a Nosso S enhor


pelo dom inefável da santa comunhão! . . . Depois de se ter prepa-
rado à recepção da eucaristia pelos atos de f é, humildade, contrição
e desejo, o cristão que sabe avaliar o benefício recebido, não deixa
de consagrar cêrca de quinze minutos à ação de graças. Fica pri-
meiro em silêncio, escutando a osso · enhor; depois, faz atos de
adoração, agradecimento e petição; enfim, antes de retirar-se,
r enova suas boas resoluções.
Um dia de comunhão é para êle um dia do céu passado na
terra; evita a leviandade, cuida em ficar recolhido, e esforça-se por
ficar unido de coração com o Deus que o visito u.
Uma prática boa e saudável é rezar de joelhos, aos pés de um
crucifixo, depois de cada comunhão, a oração seguinte. "Eis-me,
prostrado em vossa presença, amado e dulcíssimo J esus, para vos
pedir com o mais intenso ardor, e instantemente suplicar-vos qu&
vos digneis de imprimir em meu coração, sentimentos vívidos de
fé, de esperii-nça e de ca ridade e uma verda deira dôr de meus
pecados acompanhada do propósito firme de nunca mais vos tornar
a ofender; enqua nto com estranh a do afeto e profunda compaixão
vou considerando e contempl ando as vossas cinco chaaas, tendo
diante dos olhos aquilo que por bôca do profeta DaVli dissestes de
vós mesmo, bom J esus: 'Transpassaram-me as mãos e os pés; conta-
ram todos os meus ossos ( SALMOS, 21- 17-18) .
Outra oração muito própria para a ação de graças, é a oração
ao Cristo, Rei universal; tem igualmente uma indulgência plenária .

....

http://www.obrascatolicas.com
EXTRE M . \ · l ' X ÇÃ O 407
_,,
EXTREMA UNÇAO
l. - Xoçõ ~ gerai- d ê,1 eac ra m e nt o .
I>ef1111~ão. - Tn•titui'.üo di\ir.a h •·x r ·n. un~ã >. :-.ii,al nshel l.º
m t!-ri ; 2. 0 forma. - . ·~ee-.1"11tL 1le du t_•X n:ma urtç.io.

319. - Q111 ( a .rlrt 11111 1rnçãol

H. . t xtrrmrt 1111~·1{0 / 1u11 .'ncn1111111 11 111;;/1 11írlo


por .\'11 . o , 'r11hor ./1 rn-; f 'ri ·to /l(Lrl/ 11lí1·io 1'J11n 11al
tor11oml rio. c11.f r111fl:.
(~ <'11a111ada 1 Jf r111111 tllH)io p •l''Jll•'. 11a l't'alidadP. t'·
p ..., (a U cl !'l'adt·ira Ull<;ào clll cl '!llC' l"l'( !'bl' O l'l'I
0
ao . . J[i llU

Ezt rtuia n-:ao

lia i-.,1110, dq1oi da t•tin 'irma ·ão l' ambt·m na 1 r ll'm t'
r.~r a1·1·rd <'. ;.1<' 1·111 :-.id11 1111!.!ido p 111 1'ilt·n .• 11 o. PL'la
'<
ítl 1111a 1., o'• 1•othH!!l'ado t 1> 11 l't>m a •x rt m 1 tu 1;a . •tll"
fo1·111a 11 1·11111pl1·111P11tu da p ·111 !n ·i,1. a 111 l' 111') a l'Oll ir-
mai;iio, o 1·11m pi •111e11 n du ba · ... 11 11. f:.., • -.. a 'l'ctlll n o

http://www.obrascatolicas.com
408 SACRAMENT O S

chama-se também sacramento dos enf e?·mos ou itnção dos


agonizantes, porque foi estabelecido justamente a favo r
do que €stão acometidos de doença gt·aves e prestes a
comparecer diante de Deus.
320. - Quem insti"titüt o sacramento da extrerna unção?

R. - Foi Nosso S enhor J esiis Cristo. - O evangelho


não menciona as cfrcunstâncias e os pormenores desta
institiâção; mas vernos êste sacrn1nento já usado pelos
apóstolos, esta11do li osso e?? hor ainda vivo no meio dêles.
" Êles faziam, r efere ão Marcos, unções sôbre
numerosos doentes, e curaYam-nos" (S . Marc., VI, 13 ). São
'fiago, na sua epístola, in ere ê te t exto decisivo : "Há
entre vós algum doente? Chame êle os sacerdotes da
Igreja: hão de orar por êle, ungindo-o com óleo em nome
do Senhor, e a oração da f é salvará o doente; o Senhor o
alivia'rá, e se tiver cometido pe,cados, ser-lhe-ão r emitidos"
(Ep., v, 14-15 ) . restas palavras, vemos os maravilhosos .
efeito ligados a esta un ção : ora, ninguém senão Deus
pode ligar tai graças a um mero rito exterior , como a
extrema unção. Por i so, conclui o concílio tridentino:
"A unção dos enfermos é verdadeiro sacramento no
Testamento novo, instituído por Nosso Senhor, mencio-
nado por são Marcos e promulgado por são Tiago" (Sess .
XIV. r).
r 321. - Qual é o sinal sensível do sacramento da extrerna
unção?

R. - A matéria é o óleo de ohveira, bento p elo bispo


na Qiiinta-feira santa; denornúia-se óleo dos enf ermos.
A forrna ,do sacramento consiste nas orações que pronun-
• eia o sacerdote fa~endo as iinções.
I. O óleo dos enferrnos aplica-se em forma de cruz
nos órgãos que são os principais instrumentos do pecado:
olh~s, ouvidos, nariz, bôca, mãos e pés. ·

http://www.obrascatolicas.com
E XTREMA-UNÇÃO 409

O óleo cuja propl'iedade e significação já conhece-


mo indica que o . a ramento da extr ema unção alumia e
fortale ce o doente e minora eu ofrimento . A unção se
faz 'na diferente parte do corpo para r eparar as sua
falta e con agrar o doente todo, não já
como r ei e acerdote não como vítima
ofer ecida a D u em expiação.
II. forma do acramento consiste nas
oraçõe que pronuncia o sacerdote fazendo
a unçõe . Ei aqui. a fórmula: " P or esta
unção anta e por ua dul í ima mi ericór -
Vaso dos santos dia perdoe-vo o enhor todo os pecados
óleos para que comete t e , por. . . (ali, acre centa o
enfermos.
nome do entido no qual está fazendo a
unção) : vi ta, - ouvido - olfato, - gô to e palavras
- tacto, - andar" .
e o doente e tive e em perigo extr emo, r eceando-se
não haver tempo uficiente para fazer tôda as unções e
r epetir ôbre cada entido a fórmula sacr amental, serra
prec1 o contentar- e com uma única unção na testa,
dizendo de modo geral : "Perdoe-'i o Deus todos os
pecado que comete te por todo o sentido " . Depois,
e o doente continua a viver, far- e-iam as diferentes
un~õe para melhor a o efeitos do sacr amento.
322. - erá o sacramento da extrema unção absoiutamente
necessário à salvação?
R. - ão; o sacramento da exfrema unção não. é
aqsolutam nte necessário para a salvação. P ecaria, porém,
grav eniente q1tem, por desprêzo, recusasse recebê-lo.
Para er alvo ba ta po uir o e tad o de graça, e
ê e e tado e alcança pela peniCncia, e até pela contrição
p erfeita. - No entanto, No o enhor nada fez inutil-
mente, e já que in tituiu ê te acramento, há pr oveito e
dever de r ecorrermos a êle empre que fô r po ível.
Quem por ·de _prêzo recusar a extrema unção peca mortal-

http://www.obrascatolicas.com
410 SACRAMENT O S

mente; isso não padece dúvida, diz santo Tomaz, e logo,


se morrer sem fazer r ep aração por esta falta, está em
perigo de condenação.
I mprudentí imo seria também o que se privasse
dêste sacramento por descuido ou atrasos culpados;
porque a extrema unção completa o efeito do sacramento
de "penitência, e na falta dêste, pode, em certos casos, vir
a ser o único meio de salvação. Enfim, é socorro sempre
muito útil, e é por isso que devemos apressar-nos em
r ecebê-la, não nos expondo, com àelongas, a perder suas
vantagens. '
CONCLUSÕES PRÁTICAS
0
1. Longe de assustar-nos com a extrema unção, devemos
apreciar êste benefício do nosso divino Salvador. Depois de nos
ter santificado pelo batismo logo na entrada da vida, depois de
nos ter proporcionado outros sacramentos para o decorrer da exis-
tência, Jesus ap resenta-nos êsse socorro derradeiro no momento
da morte para restituir-nos a Deus inocen tes e purificados. P eçamos,
muitas vêzes, enquanto gozamos saúde, a graça de não morrermos
sem a. extrema unção.
2. 0 P ara evitar à nossa familia grande embaraço, solicitamos,
nós mesmos, logo que estivermos doentes a visita de um sacerdote,
segundo o aviso que dá o apóstolo são Tiago. " Qu a ndo estiverde ,
já não digo levemente nem gravemente, senão seriamente enfermos,
escreveu um santo P adre, reclamai, vós mesmos, ou melhor, exigi
absolutamente a visita de um sacerdote, e se fôr necessário, decla rai
energicamente que só consentireis na presença do médico depois de
terdes visto o sacerdote. T ende por certo que desta maneira, êle
chegará breve, e nunca cedo bastante para satisfazer os voto dos
circunstantes ".

§ II. - Efeitos da extrema un ção.


Efeitos produzi dos : 1.0 sôbre a alma; 2. 0 sôb re o corpo.
323. - Quais são os efeitos do sacramento da extrema unção?
R. - O sacramento da extrema unção produz os
efeitos seguintes :
1. 0 Aumenta a graça santificantej
.2. 0 Apaga os pecados veniais e tamb ém os mortais,.
quando o enfêrmo contrito não puder confessá-los.

http://www.obrascatolicas.com
EXTRE MA- NÇÃO 411

3. 0 Livra a alrna de todos o r síduos do pecado a


saber : d certo torpor e frieza para o b rn, que ficarn na
alma ainda d poi d e perdoados os pecado ;
4.0 R titui a saf1,d do corpo, a irn convier à
salvação da alrna e à glórfo de Deu ;
5. 0 D á confôrto e paciAncia ao enrnno para suportar
o incômodo e trabalho da doença e fôrça para r sistir
à t ntações e rnorrer santaniente.
egundo as pala-i; ra de ão TiaO'o, vemos que ão
de dua qualidade o efeito produzido pela ex rema
unção, un r eferindo- e à alma, outro ao corpo.
I. Ef itos prodnzido na alma. - 1. 0 " A oração da fé
alvará o enfêrmo" diz ão Tiago. Qual é a salvação a
r1ue alude ali. Primeiro. e ante de tudo, a abração da
aln;ia · poi continua logo: ' E e ti;-er pecado , er-lhe-ão
r emitido ". Portanto, e o doente, em e tado de pecado
mortal, não puder r ecorrer à penitência o primeiro ef eito
da extrema unção erá r emitir-lhe o pecados, ainda
mortai . - fa , e já po uir a graça de Deu , o efeito
do acramento erá aumentar a graça santificante e
plll'ific.ar o doente do r esquicw do pecado; há de
livrá-lo da angú tia e perturbaçõe que o. acompanham,
e também da dívida que ainda tive e que pagar à
ju tiça divina.
2. 0 Outro efeito da extrema urn;ão na alma, é aliviá-la
e fortalecê-la. Quem pode conhecer eu de asso sêgo, suas
t~·i teza , eu temore , e talvez eu r emor os. A extrema·
unção acalma o e pírito e so ega o coração, porque
re tabelece a paz entre Deu e o doente. Quem abe
também, e em face da morte, o enfêrmo não sente
apreen õe cruciantes, t entações terrívei . O último
ac.ramento fortalece o cristão contr a ê tes terrores e
contra o esfor ços supremos do demônio ; ajuda-o a fazer
uma santa morte.

http://www.obrascatolicas.com
412 SACRAMENTOS

II. Efeitos produzidos no corpo. - 1.0 Quando fala :


"A oração da fé salvará ó en:fêrmo", são Tiago autoriza-nos
a esperar da extrema unção a saúde corporal, se Deus o
julgar útil para o bem da alma. Portanto, êste sacramento
não é o prenúncio de morte próxima, é meio de curar: o
fato deu-se não raras vêzes, e mais :frequente se tornaria
ainda se r ecorressem a êsse precioso socorro antes do
perigo ser extremo e a morte iminente.
2. 0 Se a extrema unção não r estitui a saúde ao
doente, pelo menos, d á-lhe alívio corporal. " O Senhor,
diz são Tiago, aliviará o en:fêrmo", não só no espírito e
na alma, mas até no corpo. ão é êle que comunica aos
r emédios virtude e eficácia ~ . . . Os médicos, aliás, muhas
vêzes verificam que a tranquilidade do espírito favorece
o efeito das suas r eceitas. Reconciliado com Deus, o
doente estará mais calmo, sentirá menos seus sofrimentos,
ou, pelo menos, terá mais ânimo, mais fôrça para
suportá-los com _paciência.
CONCLUSÕES PRÁTICAS

1. 0 Não satisfeitos com o desejo para nós mesmos ·dos saudá-


veis efeitos da extrema unção, devemos tratar de proporcioná-los
aos outros, especialmente a nossos pai e àmigos, qu e não pensam
talvez em pedi-los ou não ousam fazê-lo por mêdo de magoar-nos.
É dever de caridade de primeira ordem, e muitas vêzes
t ambém, dever. de justiça. Que lás timas, que r emorsos para quem
disser: " Por minha negligência, talvez eu tenha sido causa da
perda eterna de uma alma .. . alma que eu amava ! " Será, pelo
contrá rio, fonte de consôlo e esperança, bálsamo suavíssimo para
as dores da separação, poder dizer : "Aj udei êste meu p a rente,
êste meu amigo a faz er mor te santa e espero tornar a vê-lo no céu !
2. 0 Ter -se-ia menos receio de asusta r o doente com a p re-
sença do sacerdote, se as f amílif!.s se acostumassem a não faze r
dêste um como espantalho, se lhe fr anqueassem niais vêzes, quando
de saúde, a entrada de suas moradas, se fôsse chamado como
consolador nas doenças menos perigosas, se finalmente mostrassem
aos enfermos que os sacram entos, e em particular a extrema unção,
conforme o que a Igreja, segundo os L ivros santos, ensina, longe
de ser prenúncio de morte, são, pelo contrário, meio .de salvação
ou, quando menos, de alivio.

http://www.obrascatolicas.com
E:S:TRE:ll.A.- NÇÃO 413

§ III. - i\l ini tro, uj c ito . cerimô ni as ria ex trema unção.

Min i Iro da extrema un ção. - uj eito d êste sacram ento. - Di sposições


r equerida pa ra bem r ecebê-lo - Priucipais cer imônias da extrema·unção.

324 . - Qua l é o ministro do sacramento da extrema unção?

R. - Qualq n r b i po ou qualquer sac rdote pode


vàliclam nt aclrnini trar t e acramento, porq11e basta,
A

para i to o poder ela ordem.


Quando ão Tiago fala: ' ~Iande o enfêrmo vir o
acerdote da I O'reja' , é preci o entender, por es a
palavra, diz o con ílio de Trento, os acer dote ordenados
pelo bi po. m único acerdote, aliá , pode de empenhar
e a função do mini tério.
Afora o ca o de nece idadé o vigário somente, pu
o acerdote delegado pelo bi po ou o pároco, podem
licitam ent admini trar a extrema unção. Seria falta
gra\e arroO'ar - e e ta função em con entimento expre so
ou pre umido. Portanto, é ao pároco da fregue ia
que o fiéi devem dirigir- e para a admini tração dêste
sacramento, alvo o ca o de nece idade ur gente.
325. - Qual é o sujeito da xtrema 1inção?

R. - É o cri tão adulto, doente e ern perigo de rnorte.


orno o outro acramento , a extrema unção supõe
o bati mo condição preliminar e nece sária. Sendo
de tinado a apagar o r e qmc10 do pecado e o me mo
p,ecado, ê te acramento dá- e U.ni camente aos que j á
podem ter ofendido a Deu , portanto, aos adultos. I ão
e daria às criança que não têm idade de r azão, nem
ao louco que nunca foram côn cio do eus atos, e sim
ao que gozam de intervalos de r azão.
P ara ser ujeito apto ao acramento da extrema
unção, cumpr e, mai , e tar doente : são Tiago positiva-
mente o declara. ão é necessári o que a doença seja

http://www.obrascatolicas.com
414 SAC R A M EN TOS

desesperada : basta que seja grave p or natureza, consti-


tuindo per igo provável de mort e, mais ou menos próxima.
O perigo de morte sem doença não permite a r ecepção da
extrema unção; não se dá, p or exemplo, a soldados antes
do combate, nem a condenados à morte, muito embora o
perigo de morte seja real para uns, certo par a out ros.
Mas, depois de gr ave ferida, pode-se dar a extr ema unção,
p orque então, há doen ça e p erigo de morte. Também
administr a-se êste sacr amento aos velhos que vão baixando
sensivelmente para o túmulo, porque t al estado constitui
uma doença. É evidente que não se administra a quem
certamente j á está morto.
Enfim, na mesma doença, pode-se r eceber a extr ema
unção u ma vez só. Mas quem cair de n ovo em p erigo,
após uma convalescença, ou quem fô r acometido por outra
doença grave p oder á renovar, mesmo vár ias vêzes, o
sacramento da extrema unção.
326. - Quais são as dispo sições requeridas para se receber a
extrema unção?

R. -1. 0 O doente deve, se possível, r eceber o p er dão


dos pecados pela confissão.
2. 0 Duran t e a cerimônia, acompanhará as orações da ·
I greja pedindo perdão pelas faltas com etidas.
3. 0 R esignar-se-á depois à vontade d e D eus e r ep etirá
os atos de fé, de esperança e d e caridade.
I. Antes da recepção dêst e sacramento, é preciso,
quanto p ossível, pôr -se em estado de graça, pela p enitência
-e a absolvição sacramental, pois só excep cionalmente
t orna-se a extrema un ção sacramento dos mortos; por
n atureza, é sacr ament o dos vivos . Se o do ente não se
pudesse confessar, ou porque tivesse perdido o u o da
palavra, ou porque não houvesse confessor conhecendo a
única língua que o doente fala, êste dever ia, com algum
sinal exter ior, dar a conhecer seu arrependimento,

http://www.obrascatolicas.com
EXTREJIIA-UNÇÁO 415

manife tar o de jo da ab olvição, e t r interiormente


v reladeir o arr pendimento do eu p cado . - Dá- e
contudo a xtr ma un ão ao doente m conhecimento,
ainda que in capaze d mo trar tais di po i õe porque
empr e upomo · o de jo razoá el e inten ão pr'via de
não e privaT dê te ocorro.
II. Durcint a c rimônia da extrema unção, o doente
dev , quanto po ível, acompanhar a oraçõe da !()'reja,
pedir perdão a Deu pela diferente falta ometida
pelo entido no iuai e faz a unção anta confiar
na mi ericórdia de Deus r i()'nar- à anta vontade, e
fazer humild mente o acrifício da ida.
III. D poi da xtr ma 1mção, o doente lembrar- e-á
qu , p la un ão do óleo an o, foi con agrado a Deu
orno vitima de expiação; e então, toman lo a J e u ri to
na ruz orno modAlo d r ignação e ora()'em, confiar- e-á
na ua divina bondad fazendo muita vAze ato d f é
peran a aridad con id erando b ijando om amor
a ·ruZ" qu .,.uardará junto le i como exemplo animador
fo rt ificante. Enfim ' muito útil pronunciar o nom
d J u Maria, J o ', invocando-o como model
pa lroeiro para a boa morte.
327. - Quai são as principai e rimonia dei .t trema unção?

R. - 1 0 quarto do do nt o ac rdot , rev t ido ele


sobr p liz ·tola roxa r cita alguma oraçõe , irng com.
o santo ól o o dif r nt ntido e t rmina com oraçõ
p d ) para o nrrnw, a aúd da alma e do corpo.
o 1 i o do doent

ar-
á()'ua
: num haverá uma
In st. Rellg. -