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MISSÕES URBANAS

A Cidade na missão de Deus


Rev. Gildásio Reis

“A vida não me é mais preciosa que o


laço sagrado que a liga ao bem estar
público de nossa cidade”

João Calvino (Apud Ronald Wallace, Calvino,


Genebra e Reforma, p. 32)

"Procurai a paz da cidade, para a qual


fiz que fôsseis levados cativos, e orai
por ela ao Senhor; porque na sua paz
vós tereis paz"

Jeremias 29:7

"Procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados


cativos, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis
paz"
Jeremias 29:7

“O evangelho deve ser pregado com temor, humildade e tremor.


Ele não apela para a sabedoria do homem...ele não invoca
sentimentos pessoais...ou uma adaptação enganosa para o
gosto do dia...Mas sim, invoca fidelidade absoluta às
Escrituras; ele invoca o poder do Espírito Santo e Sua
manifestação, de forma que a fé possa ser fundada sobre o
único poder verdadeiro- o poder de Deus”

Pierre Marcel

SEMINÁRIO PRESBITERIANO
“REV. JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO”
2009
Rua Pascal, 1165 - Campo Belo - São Paulo - SP - CEP: 04616-004
Fone/Fax: 11 5543-3534 / 11 5531-8452 / 11 5542-5676
2

Conteúdo
Introdução
1. Definições
2. O que é evangelização
3. As cidades na Bíblia
4. Características e problemas do homem urbano
5. Obstáculos para o crescimento de igrejas urbanas
6. Estratégias para a evangelização nas cidades
Apêndice: Esboço do evangelismo explosivo
Bibliografia
_____________________________________

Introdução
A cidade tem sido objeto de estudo de várias disciplinas, dentre
elas, a sociologia, a antropologia, a história, bem como a teologia. A
Escritura menciona a cidade inúmeras vezes e não poderia ser
diferente, já que a cidade é uma realidade “humana”.

Freqüentemente, fazemos uma leitura das Escrituras Sagradas


numa perspectiva rural. Não obstante o povo de Israel ter sido um povo
agrícola durante grande parte de sua história, não podemos negar que a
Bíblia é um livro também urbano. Nela encontramos referências às
cidades de Roma (650 mil habitantes), Alexandria (400 mil habitantes),
Éfeso (200 mil habitantes), Antioquia (150 mil habitantes), apenas para
citar algumas. 1 Muitos dos personagens bíblicos foram pessoas da
cidade. Davi, Salomão, Jeremias e Isaías viveram e trabalharam em
Jesrusalém. O profeta Daniel ocupou um importante cargo na
Babilônia. E com Neemias podemos aprender princípíos de organização
e planejamento urbanos. (HOFFMANN, 2007, p.56)

O cristianismo primitivo foi um movimento urbano com o


compromisso de enfrentar os desafios de sua época. Não resta dúvida
que a cidade, ainda em nossos dias, se apresenta de maneira
desafiadora para a igreja, conclamando-a a entender a realidade sócio-
cultural. Sem essa compreensão a igreja não terá uma ação relevante
no ambiente urbano. Alguém já disse que há três grandes áreas do
mundo em que a Igreja não tem conseguido penetrar com Eficácia:
Islamismo, Hinduismo e a cultura das cidades.1

1
Estes dados, fruto de um estudo realizado por Chandler e Fox, que trabalharam para documentar as
populações mais antigas, estão citadas na obra do sociólogo Rodney Stark em “O Crescimento do
Cristianismo”. São Paulo, SP: 1996 pp. 147-149.
3

Embora tocando em vários aspectos da sociologia, nosso objetivo neste


curso não é fazer uma análise sociológica da cidade, mas uma análise
bíblica-teológica. Como disse Robert Linthicum, o ponto de partida para
uma missão urbana não pode ser o crescimento fenomenal das cidades,
nem suas necessidades sociais, econômicas ou políticas: “Para se te
uma base espiritual e teológica da Igreja nas cidades devemos basear o
ministério urbano numa reflexão teológica baseada num entendimento
Bíblico do chamado de Deus ao ministério da cidade”2
4

I
DEFINIÇÕES
___________________________________
1. Definição de cidade:

Definir cidade não tem sido uma tarefa fácil, considerando suas muitas
variações, a depender do país e da época. Sobre isso, o sociólogo Ely
Chinoy afirmou:

O tamanho e a densidade da população constituem de ordinário, as


marcas distintivas da comunidade urbana. Mas há muita
discordância no tocante ao ponto em que se deve ser traçada a linha
divisória entre o rural e o urbano. (1974, p. 379)

Em seu artigo “Cidade e População – reflexões sobre uma relação


complexa”, José C. Barros também ressalta e aponta a razão desta
dificuldade para se definir cidade:

Na Antigüidade Grega, o filósofo Aristóteles já idealizava para


uma cidade um efetivo populacional ideal de no máximo cinco
mil cidadãos (excluindo as mulheres e escravos que também a
habitariam). Trata-se de certo de uma crítica àquilo quer lhe
parecia ser uma excessiva população urbana para a cidade de
Atenas, que no tempo de Péricles havia chegado a possuir 40.000
cidadãos. Roma, alguns séculos depois, atingiria um milhão de
habitantes, o que faria da Atenas clássica uma cidade
comparativamente pequena. Mas em compensação a antiga
capital do Império Romano teria a sua população reduzida a
menos de cem mil habitantes no período medieval. Este período
conhece portanto um rebaixamento no limiar populacional
urbano: lugares com dois ou três mil habitantes tenderiam a
receber o status de “cidade” conforme estes novos parâmetros.
Tudo isto vem nos mostrar simultaneamente a importância e a
relatividade do aspecto populacional para uma caracterização da
Cidade enquanto tal. (Revista de História Regional 12(1): 163-
174, 2007)

Não obstante, esta complexidade, muitos pesquisadores definiram a


cidade, como Weber, Max, Wirth, Simmell, dentre outros. Ao dar a sua
conceituação de cidade, o sociólogo espanhol, Manuel Castells (Helli,
1942), chama a atenção para o fato que, não podemos definir a
“sociedade urbana” como uma simples constatação de uma forma
espacial. Diz ele que, a “sociedade urbana”, no sentido antropológico do
termo, quer dizer um certo sistema de valores, normas e relações
5

sociais possuindo uma especificidade histórica e uma lógica própria de


organização e de transformação. (CASTELLS, 1983, p. 127)

Este conceito de Castells ultrapassa o empirismo de uma descrição


geográfica da cidade. O que também está de acordo com o pensamento
do sociólogo alemão Louis Wirth (1897-1952). 2 Em seu artigo “O
Urbanismo como Modo de Vida” escrito em 1938, Wirth reconhece a
arbitrariedade de se definir uma comunidade como sendo urbana
fundamentada apenas no tamanho da população ou em sua densidade.
Sendo assim, ele propõe que se faça referência a características sociais
significativas na conceituação do urbano. Dessa forma, há uma
diferença entre a definição sociológica de cidade e seus limites
administrativos ou legais captados pelo recenseamento urbano.
O sociólogo alemão Louis Wirth (1897-1952), em seu famoso artigo “O
Urbanismo como Modo de Vida” 3 escrito em 1938, ofereceu a seguinte
definição: “Para fins sociológicos, uma cidade pode ser definida como
um núcleo relativamente grande, denso e permanente, de indivíduos
socialmente heterogêneos” 4

A definição de Wirth apresenta três carateristicas essenciais da cidade:

1ª.) Dimensão: Quanto maior ela é, maior o leque de variação individual,


o que determina o afrouxamento dos elos comunitários. Este aspecto da
cidade favorece o individualismo, o anonimato, a superficialidade e o caráter
transitõrio nas relações humanas.

2ª.) Densidade: reforça o paradoxo “juntos mas separados”. Ou seja,


estamos fisicamente mais próximos, mas distantes aos mesmo tempo.

3ª.) Heterogeinade social: Trata-se de diferentes grupos, ideais,


necessidades, classes, etc. procurando conviver juntos.

Desta forma, a “urbanidade” – um conceito novo a ser elaborado


no seio das ciências humanas e sociais – deve ser entendido como um
conjunto de instituições e atitudes sociais que estão presentes sempre
que as pessoas se estabelecessem em grandes agrupamentos
permanentes, densos e heterogêneos.

2
Louis Wirth foi um dos maiores teóricos em estudos sobre a cidade. O artigo em referência foi
publicado originalmente em American Journal of Sociology, vol.44, 1938, p.1-24. Em português, foi
publicado em VELHO, Otávio G., (org.), O Fenômeno Urbano, Rio de Janeiro:Zahar, 1973.
3
Louis Wirth foi um dos maiores teóricos em estudos sobre a cidade. O artigo em referência foi
publicado originalmente em American Journal of Sociology, vol.44, 1938, p.1-24. Em
português, foi publicado em VELHO, Otávio G., (org.), O Fenômeno Urbano, Rio de
Janeiro:Zahar, 1973.
4
WIRTH, Louis "O Urbanismo como Modo de Vida". In: VELHO, Otávio G. (org.) O
Fenômeno Urbano. Ed. Guanabara, Rio de Janeiro, 1973.
6

2. O Fenômeno da Urbanização 5

A conceituação de cidade fica mais clara quando passamos a


analisar os termos urbanismo e urbanização. Estes devem ser
entendidos de maneira diferente. A sociedade nos dois últimos séculos
passou por uma revolução profunda em termos demográficos. No
mundo inteiro as cidades têm enfrentando uma explosão de
crescimento e, como veremos mais à frente, os resultados desse
crescimento tão rápido são evidentes em toda parte.

Segundo o Censo 2000 do IBGE, somos quase 170 milhões de


habitantes no Brasil. Nossa população é dez vezes maior que a existente
no país em 1900. No ano 2000, já tínhamos 81,2% da população
brasileira morando em áreas urbanas e 18,8% vivendo em áreas rurais.
Ao contrário do que acontecia na década de 50 quando 63,8% viviam no
campo e 36,2% nas cidades (COMBLIM, 1999, p.8). A este processo dá-
se o nome de urbanização.

Para Wirth, urbanismo não deve ser confundido com


urbanização ou com o espaço físico da cidade, com sua geografia, e,
portanto, rigidamente limitado no espaço, mas como um modo de vida
que se estende para além da cidade. Urbanismo tem a ver com o modo
ou a condição de vida das pessoas; tanto que, é possível alguém viver
na zona rural, mas com um modo de vida da cidade. Ou seja, com uma
mentalidade urbana. (WIRTH, 1973, p. 95-96).

Chandler e Fox (1974), fizeram um estudo sobre as cidades nos templos


bíblicos e ofereceram uma relação das populações das maiores cidades
do mundo no ano 100. 6 Eis algumas delas:

Roma 650 mil


Alexandria 400 mil
Éfeso 200
Antioquia 150
Apanéia 125
Pérgamo 120
Sardes 100
Corinto 100
Esmirna 75
Atenas 30

O mundo passou por uma revolução profunda em termos demográficos


nos dois últimos séculos, cujas mudanças populacionais acontecidas no
campo e na cidade, alteraram completamente o quadro. David Barret
5
Os termos urbanismo e urbanização devem ser entendidos de maniera diferente: Urbanização
tem a ver com o processo pelo quals as regiões rurais se transforma em regiões urbanas. Já o
termo urbanismo tem a ver com o modo de vida, condição d vida, e não um processo (CF.
Palen J. John em O Mundo UrbanoRio de Janeiro, ED. Forense Universitária LTDA, 1975 p. 23
6
STARK, Roldney. O Crescimento do Cristianismo. São Paulo, SP: 1996 pp. 147-149
7

em sua obra World Christian Encyclopedia apresenta os dados


estatísticos abaixo relacionados:

Ano.................................................................................%
População Urbana

1800 A.D........................................................................3%
1900 A.D.........................................................................15%
1950 A.D.........................................................................21%
1978 A.D.........................................................................40%
2000 A.D.........................................................................70-87%

O século XX começou com 15% da população mundial vivendo nas


cidades e terminou com 15% vivendo fora das cidades.

Dentro de dezenove anos, o mundo sofrera uma mudança drástica.


Pela primeira vez, desde que a história começou a ser registrada, a
maior parte da população mundial viverá nas cidades
principalmente nas cidades da Ásia, África, e América Latina. Essas
cidades terão tamanho assustador e serão flageladas pelo
desemprego, pela superpopulação e doença. Nelas os serviços tais
como energia, água, saúde pública ou coleta de lixo, atingirão
limites críticos. 7

Esta é uma lista das maiores cidades do mundo, por população


(estimada para 2006): Fonte: Almanaque Abril 2005 8

Rank Cidade População 2005 País Continente


1 Tóquio 35,0 Japão Ásia
2 Cidade do México 18,7 México América do norte
3 Nova York 18,3 Estados Unidos América do Norte
4 São Paulo 17,9 Brasil América do Sul
5 Mumbai 17,4 Índia Ásia
6 Délhi 14,1 Índia Ásia
7 Calcutá 13,8 Índia Ásia
8 Buenos Aires 13,0 Argentina América do Sul

7
Rafael Salas, “Meeting the Challenge of Urban Explosion”, Indian Express, Madras, Índia,
October 5, 1986 Citado pelo Dr. Antônio José em Apostila não publicada, material utilizado no
CPPGAJ
8
Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_das_maiores_cidades_do_mundo"
8

Quadro evolutivo

Evolução da População Rural


e Urbana do Brasil 9
1950 1960 1970 1980 1990 2000
Rural 64% 55% 44% 32% 25% 18,8%
Urbana 36% 45% 56% 68% 75% 81,2%
Fonte: IBGE

Cinco Fatores determinantes da urbanização

O fenômeno essencial que determina o processo de urbanização é o das


migrações. 10

As migrações pelo território brasileiro estão associadas, como nota-


se ao longo da história, a fatores econômicos, desde o tempo da
colonização pelos europeus. Quando terminou o ciclo da cana-de-
açúcar na região Nordeste e teve o início do ciclo do ouro, em Minas
Gerais, houve um enorme deslocamento de pessoas em direção ao
novo centro econômico do país. Graças ao ciclo do café e,
posteriormente, com o processo de industrialização, a região
Sudeste pôde se tornar efetivamente o grande pólo de atração de
migrantes, que saíam de sua região de origem em busca de
empregos ou melhores salários.

Acentuou-se, então, o processo de êxodo rural; migração do campo


para a cidade, em larga escala. No meio rural, a miséria e a pobreza
agravadas pela falta de infra-estrutura (educação, saúde, etc.), pela
concentração de terras nas mãos dos latifundiários e pela
mecanização das atividades agrárias, fazem com que a grande
população rural se sinta atraída pelas perspectivas de um emprego
urbano, que melhore o seu padrão de vida. O fascínio urbano torna-
se, então, o principal fator de atração para as grandes cidades 11

Contudo, podemos afirmar que há 5 elemenos que contrinuem para


isso:

1. A industrialização: O processo de Industrialização provocou o


crescimento das cidades, surgindo as cidades consideradas
Megacidades. 12
2. O próprio crescimento natural da população (ver gráfico abaixo)

9
A tabela acima, com dados do IBGE, mostra que o Brasil é um país urbano, pois a maior parte
de sua população vive nas áreas urbanas. Em 2000, eram 137.697.439 milhões de população
urbana e 31.847.004 de população rural, perfazendo 168.544.443 milhões de habitantes.
10
CASTELLLS, Manuel. A Questão Urbana. P.85
11
http://pt.wikipedia.org/wiki/Migra%C3%A7%C3%A3o_no_Brasil (capturado em 26 de junho
de 08)
12
CHINOY, Ely. Sociedade- Uma introdução à Sociologia. P. 379 (O sentido de migração está
em trocar de região, país, estado ou até mesmo domicílio)
9

3. Desejo de melhores condições de vida: Estudo para os filhos, busca de


melhores salários, busca de assistência médica,etc.
4. Atração dos grandes centros: A penetração da imagem das Tvs que
iludem com expectativa de vida melhor nas cidades.
5. Mecanização da agricultura, trazendo a instabilidade arícola e o
desemprego na zona rural.

2. Conceito de Missiologia urbana

Missiologia urbana é a disciplina ou ciência que pesquisa, registra e


aplica dados relacionados com a origem bíblica, a história, os princípios
e técnicas antropológicas e a base teológica da missão cristã na
cidade. 13

3. A Necessidade de Uma Missiologia Urbana

O fenômeno da urbanização requer uma missiologia urbana.

Urbanização é o processo pelo qual, em uma região particular, a


porcentagem de pessoas vivendo em cidades tem um aumento
relativo a população rural, com consequências na vida humana.
Onde há rápida urbanização, há um declínio relativo na população
rural. 14

Os problemas relacionados com a missão da Igreja na cidade exigem


uma missiologia urbana. As necessidades, caractristicas e realidades do
homem urbano tornam imperativo o estudo de uma teologia e uma
práxis de evangelização compatíveis com os princípios e modelos
bíblicos. Isto é, faz-se mister o estudo de missiologia urbana.

4. Objetivos do estudo de Missiologia Urbana

1. Tomar consciência da realidade das cidades e seus desafios.


2. Considerar os fatos bíblicos e os princípios neles presentes,
relacionados com missões urbanas.
3. Apreciar os métodos de missões urbanas, hoje adotados, com
base nos princípios e modelos bíblicos.
4. Ensaiar a elaboração de um projeto de Missões urbanas, visando
a evangelização das cidades.

13
GREENWAY, Roger; Op Cit, p. 7
14
GREENWAY, Roger; Op Cit., p. 7
10

II
O QUE É EVANGELIZAÇÃO?
____________________________________
"Nós deveríamos estar mais preocupados em conhecer e ensinar
o próprio evangelho do que simplesmente tentar ensinar às
pessoas métodos e estratégias para compartilhá-lo."
Mark Dever

A palavra “evangelho” vem da palavra grega, ευανγγελιον, que significa


“boa nova”. Ao acrescentar o sufixo, “ismo” (de origem grega) ou “ação”
(de origem latina) surgem as palavras evangelismo e evangelização que
traduzem igualmente a palavra grega, euangelízo (ευαγγελιζω). Portanto,
evangelismo ou evangelização se refere ao anúncio do evangelho, isto é,
das boas novas que Cristo, morreu para nos dar a vida eterna.

James Ian Packer (1926) assim define evangelização:

“É a proclamação de Jesus Cristo como Salvador e Senhor, conforme


ensinado nas sagradas escrituras, reivindicando pelo Espírito Santo que
os homens se arrependam de seus pecados e creiam salvíficamente em
Cristo” 15 .

Esta definição assevera o alvo e o propósito da evangelização, rejeitando


muitas idéias enganosas e inadequadas. Evangelizar significa
apresentar uma mensagem clara e específica. Evangelizar não é
apenas o mero ensino de verdades gerais sobre a existência de Deus, ou
sobre sua lei moral, etc...

1º.) Evangelizar significa apresentar Jesus Cristo. (ICo.2:1-2 )

Paulo apresentava as boas notícias a respeito de Cristo. Eram as


notícias da encarnação, da expiação, do amor, da cruz, o berço rude, a
coroa, etc. ( I Cor. 14:8 ; I Cor. 2:1-2 )

2º.) Evangelizar significa apresentar a pessoa de Cristo como


Salvador e Senhor. (I Tm 2:5 ; I Pe. 3:18 ; Rm. 14:9).

Aqui notamos que evangelizar não é apenas apresentar a Cristo como


um Amigo e Ajudador, sem qualquer referência à sua obra redentora. Se
queremos uma evangelização eficaz e sadia, teremos que pregar a
mensagem certa. (I Cor 15:3-4).

15
PACKER, J. I. Evangelização e Soberania de Deus, Editora Cultura Cristã. São Paulo, SP: p.
36
11

Hoje em dia estamos sendo bombardeados com o chamado “evangelho


do êxito”. Um evangelho que se ajusta muito bem a uma sociedade
como a nossa que cultua a saúde, a riqueza e a felicidade. O evangelho
do êxito, é uma mensagem barata destinada às pessoas que procuram
uma “solução rápida” para as suas vidas, mas não mudança
permanente em seu caráter. Jesus não morreu para nos tornar
saudáveis, ricos e felizes. Ele morreu para nos tornar santos.

3º) Evangelizar significa convidar os homens ao arrependimento.

É extremamente necessário declarar aos nossos ouvintes como eles


estão aquém dos padrões de Deus. Precisamos mostrar como eles se
tornaram culpados, imundos, e perdidos no pecado, e que precisam se
arrepender e voltarem para Deus. ( Rm 5:8 ; 3:23 ; I Tm 1:15 ).
Joel Beeke em sua obra “A Tocha dos Puritanos” nos diz que precisamos
pregar sobre a convição de pecado:

Hoje há muito pouca convicção de pecado entre os não salvos. A


maioria dos chamados "cristãos" contemporâneos, vive de maneira tão
descuidada em sua vida, que é muito difícil alguém diferenciá -los de
homens não convertidos. O problema é que freqüentemente o pecado
não é pregado como pecado para as pessoas; o horror do pecado não é
enfatizado às pessoas. Isso nos leva a uma pergunta ainda mais
profunda: por que as épocas de avivamento realizado pelo Espírito
Santo foram períodos de profunda convicção de pecado? A resposta é
que o Espírito Santo, como Jesus nos diz, vem para convencer do
pecado, da justiça e do juízo. Assim, o convencimento do pecado é o
caminho pelo qual Deus age para abrir espaço no coração do pecador.
Quando o homem vê a realidade de Deus e a realidade do pecado
contra Deus, ele se humilha até o pó. Só então, ele vai apreciar o que
aquele Deus-homem, Jesus Cristo, fez por nós pecadores. Foi o que
aconteceu com Isaías quando ele chegou à presença de Deus: "Ai de
mim porque sou um homem de lábios impuros..." 16

“Antes de podermos aceitar as Boas-Novas a respeito de Jesus,


precisamos aceitar as Más-Novas sobre nós mesmos ... sermões que
adulam os pecadores jamais os salvam” - W.W.Wiersbe

Exemplo: Jesus e a mulher samaritana - João 4:16-18 (Marcos 1:15 ;


6:12 ; Atos 2:38 ; 3:19 ; 17:30 )

Não há evangelização quando esta mensagem não é declarada.

16
BEEKE, R. Joel. A Tocha dos Puritanos. São Paulo, SP: Editora PES. 1995. p. 23
12

4º.) Evangelizar significa depender completamente do Espírito


Santo.

Precisamos ter esta compreensão de que nós plantamos, outros regam,


mas somente Deus é quem dá o crescimento - I Cor. 3:6. É o Espírito
Santo de Deus quem abre os corações para receber o Evangelho - Atos
16:14.

5º.) Evangelizar significa ter como alvo a conversão dos ouvintes.


(Tiago 5:19,20 ).

Evangelizar não é simplesmente uma questão de ensinar e instruir,


transmitir informações às mentes dos homens. É muito mais do que
isto. Evangelizar inclui o esforço de obter a resposta afirmativa à
verdade ensinada. Tem que ser uma comunicação que tenha em vista a
conversão. ( I Cor. 9:19 ; I Pedro 3:1 ; Lucas 5:10)
13

III
CARACTERÍSTICAS E PROBLEMAS DO
HOMEM URBANO
______________________________________________________________

O estudo deste modo de vida da metrópole, leva à indagação sobre


que tipo de ser humano habita a cidade. Seria possível normatizar um
conjunto de traços em comum entre as várias pessoas que compõem a
população urbana? Pesquisadores como Simmel 17 , Wirth e Engels têm
apresentado estudos discordantes sobre este tema. 18 De qualquer
forma, é possível traçar algumas características fundamentais do
homem citadino.

3.2. Características do Homem Urbano

3.2.1. Indiferença. A indiferença é um traço marcante do homem


metropolitano (LINS, 2006, p..8), e Simmel destaca que o homem da
cidade tem um traço fundamental da “indiferença” para com o seu
semelhante. 19 Engels, que antes de Simmel já identificara a
“indiferença” como um traço essencial da psicologia do metropolitano
moderno, observa:

Atropelam-se apressadamente como se não tivessem nada em


comum, nada para fazer uns com os outros, e entre eles existe
apenas o acordo tácito pelo qual cada um vai na parte do passeio à
sua direita para que as duas correntes da multidão, que se
precipitam em direções opostas, não lhe interrompam, por seu
turno, o caminho; e, todavia, nenhum se digna a olhar para os
outros. A brutal indiferença, o insensível isolamento de cada um no
seu interesse pessoal ressalta de forma tanto mais repugnante e
ofensiva quanto maior é o número destes indivíduos singulares que
estão concentrados em um espaço restrito; e ainda que saibamos
que este isolamento do indivíduo, este estreito egoísmo é em toda a
parte o princípio fundamental da sociedade de hoje, em nenhum
lugar, porém, ele se revela de forma tão aberta, tão consciente como
aqui, na multidão da grande cidade. (ENGELS, 1985, P.53)

17
Sociólogo alemão, considerado como pertencente á Escola de Sociologia Alemã, juntamente com Karl
Marx e Max Weber. É considerado por muitos autores um dos pais da sociologia moderna.
18
O próprio Wirth salientou, o efetivo populacional do homem da cidade é necessariamente heterogêneo,
o projeto de estabelecer uma caracteriologia demasiado esquemática do homem urbano poderia se chocar,
precisamente, com a diversidade humana que a cidade abarca. (Cf. WIRTH, Louis "O Urbanismo como
Modo de Vida". In: VELHO, Otávio G. (org.) O Fenômeno Urbano. Ed. Guanabara, Rio de Janeiro,
1973. p. 97-98)
19
Revista de História Regional Vol. 12, No. 1: 163-174, 2007
14

3.2.2. Anonimato e isolamento. O grande e rápido aumento do


número de habitantes afeta os relacionamentos, diminuindo assim as
possibilidades das pessoas conhecerem-se mutuamente. Apesar do
encontro de muito mais gente as relações são segmentárias,
transitórias, impessoais e superficiais. O resultado disso tudo é o
chamado isolamento ou a síndrome da invisibilidade. Alguém por perto
não significa, necessáriamente, proximidade.

3.2.3. Competitividade. Segundo Wirth (1973) a vida em contato


tão estreito e o trabalho comum, de indivíduos sem laços sentimentais
ou emocionais, deselvolvem um espírito de concorrência e exploração
mútua.

3.2.4. Despersonalização ou impessoalidade. A variedade de


tipos de personalidade é tão grande que gera uma estratificação social
muito maior do que aquela encontrada em grupos menores e mais
integrados, e favorece o que Wirth denomina “despersonalização”.
Segundo ele, “nossos conhecidos têm a tendência de manter uma
relação de utilidade para nós, no sentido de que o papel que cada um
desempenha em nossa vida é encarado como um meio para alcançar
determinados fins”. (1973, p. 101). O desdobramento desta face da vida
urbana, é a tendência de nivelar todos os seus habitantes. Para lidar
com essa intensa diversificação, as instituições sociais acabam por
tratar os habitantes como categorias e não como indivíduos. Assim, as
pessoas são vistas como números e coisas.

4. Problemas do Homem Urbano

A vida na cidade apresenta muitos e graves problemas, próprios


do crescimento desordenado a que seus habitantes são submetidos.
Para uma ação mais eficaz e eficiente da igreja nas aéras urbanas faz-se
necessário que ela se envolva com a comunidade e, assim, conheça seus
problemas.

4.1. Problemas econômicos e sociais: Com o êxodo rural inchando


as cidades, provocando o baixo nível econômico de vida, o desemprego
cresce e consequentemente as pessoas apelam para o emprego informal.
A habitação digna não é suficiente para todos, ocasionando o
aparecimento de moradias precárias, tais como as favelas. 20

Também, temos visto crescer a violência urbana, tais como crimes


contra a vida, contra o patrimônio, contra os costumes, etc.

20
Tomamos como exemplo a cidade de São Paulo, onde tem muitas favelas e as estimativas mais recentes
indicam que há na cidade 2018 favelas cadastradas, nas quais vivem aproximadamente 1.160.516
habitantes. Um outro exemplo, Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro contando com mais de 60.000
habitantes (in: MINISTÉRIO DAS CIDADES. "Política Nacional de Habitação." Cadernos do MCidades
Habitação vol 4. Brasília: MCidades, 2004. p.13
15

4.2. Problemas Famíliares: A desintegração da família tem


aumentado com os meios de comunicação, que têm in(diretamente)
incentivado, não só a infidelidade conjugal, mas desvios no
relacionamento pais e filhos. Os meios de comunicação têm fornecido
dados que revelam o número sempre crescente de separações com a
nova lei do divórcio. Um dado alarmante, embora não tão recente, foi
veinculado na Revista “Isto É”, numa reportagem intitulada "Barriga de
Anjo". Essa reportagem trata da gravidez na adolescência e mostra os
assombrosos dados do IBGE em que:

...um milhão de meninas de 15 a 20 anos dão à luz no Brasil por


ano.. Elas são responsáveis por 20% do total de nascimentos.
Enquanto mulheres entre 21 e 49 anos diminuem a cada ano sua
contribuição no total de nascimentos, os casos de mães precoces
triplicaram da década de 80 para cá (Revista Isto É, setembro de
1994)

4.3. Problemas psicológicos: Tantos problemas acarretam a


instabilidade emocional. As pessoas sentem-se inseguras, ficam
ansiosas e com isso aumenta a incidência da depressão.

4.4. Problemas espirituais e religiosos: A religião é um dos


elementos centrais da sociedade. E como tudo em nossos dias está em
mudança, não seria diferente com a religião. Este cenário religioso tem
experimentado esta mudança sob três principais aspectos: a diminuição
percentual de católicos, um aumento significativo dos chamados “sem
religião”e o crescimento dos evangélicos, principalmente, do
neopentecostalismo. 21

Neste início de século estamos assistindo o surgimento da era da


religião do mercado sem fronteiras; ela se espalha e se fragmenta. A
religião se pluraliza e, como mercadoria, se sujeita à lei da
concorrência, sendo “vendida” a um número grande de “clientes”
confusos e sem parâmetros para julgar a validade de tantas ofertas.

Local Motivo Tempo Mortos


Peru Guerrilha 7 anos 25.000
cidadãos
Vietnã Guerra 7 anos 56.000
american
os
Rio de Violência 7 anos 70.000
Janeiro urbana (85-91) cidadãos
Revista Conjuntura Economica - Fundação G.V. 02/94

21
Haja vista que nos últimos tempos têm surgido uma grande quantidade de obras cientificas sobre o
neopentecostalismo, em especial, temas referente a Igreja Universal do Reino de Deus.
16

4.5. Problemas educacionais: Nem todos têm acesso a boas


escolas. E quando têm, a necessidade de trabalhar fora do lar bem cedo
impede de continuarem os estudos. A pessoa de pouca leitura e reflexão
pode ser mais facilmente manipulada pelos meios de comunicação de
massa, os quais podem influenciar com uma cultura enlatada as
pessoas.

Algumas dificuldades:

• O baixo salário dos professores


• Pressão econômica daqueles pais que necessitam do trabalho das
crianças.
• Falta de boas universidades e dificuldades no acesso a
estas(principalmente nos países mais populosos e menos
desenvolvidos).
• Evasão escolar antes do término do ensino Ensino Fundamental.
• Elevado número de jovens e adultos que não concluiram a
escolarização em idade regular.
17

IV
AS CIDADES NA BÍBLIA

A termo ry[iê (ir )ocorre 1.090 vezes, e é usado para descrever grande
variedade de povoados permanentes (Gn 4.17). E no Novo Testamento,
“polis” e outros decorrentes dele, aparece cerca de 160 vezes, sem
contar as ocorrências em que nomes de cidades são usados. 22

A primeira cidade mencionada na Bíblia é a cidade fundada por Caim -


“Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque”. (Gn 4:17). O contexto
em que esta cidade é apresentada é muito importante. Caim estava
discutindo com Deus sobre o que ele havia feito para com seu irmão e
qual seria o julgamento de Deus sobre ele. Caim reclama de que ele não
suportaria aquele castigo e Deus, cheio de compaixão em sua graça,
permite que Caim não fique em completo desespero, sem nenhuma
proteção. Caim ficou contente com a solução divina porque ele não ficou
solto num mundo em anarquia total. 23 A ele foi permitido se encontrar
com outras pessoas e, inclusive, construir uma cidade.
Conseqüentemente a cidade em si não era uma coisa ruim; ela
surgiu diretamente da graça de Deus. Kline até argumenta que a
construção de cidades era o propósito do “Mandado Cultural” 24

Esta primeira cidade não deveria ser vista como uma evidência de
desafio à maldição de Deus Yahweh sobre Caim. Antes, como Meredith
Kline explicou, a cidade é uma figura do desenvolvimento da cultura
humana. A cidade, consequentemente, não pode ser vista como uma
invenção de homens ímpios. A cidade de Caim, no entanto, representa a
cidade explorada pela humanidade pecaminosa e, deste modo, se torna
uma "manifestação altaneira da revolta do homem contra Deus.

Se o conceito da cidade não está errado em si próprio, qual é o


problema então? O problema é o uso que foi feito dela pelo homem caído
que estragou o propósito da cidade. Quando Caim inaugura a cidade ele
a nomeia em homenagem a seu filho chamado Enoque. Desde o

22
CF. R. de Vaux em O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo, SP: Vida Nova. Verbete
“cidade”.
23
Kline, Meredith G. Images Of The Spirit. Baker Biblical Monograph Grand Rapids: Baker
Book House.1980, p. 26 p. 72 (Kline foi professor emérito de Velho Testamento no
Westminster Theological Seminary na California e pastor na Orthodox Presbyterian Church,
até sua morte em 2002).
24
Kline, Op Cit., p. 23
18

recomeço Caim comete o mesmo erro que o levou a matar a seu irmão.
Ele estava mais preocupado em edificar seu próprio nome ao invés de
dar glórias a Deus por aquilo que Deus havia feito por ele. A narrativa
mostra uma situação até pior com o progresso da genealogia. Lameque,
um descendente direto de Caim, usa sua autoridade de líder da cidade
para quebrar os mandamentos de Deus em relação à família: ele toma
para si duas esposas. Como se isto não bastasse, ele também abusa da
sua autoridade e estabelece leis opressivas para lidar com aqueles que
não concorda com ele. As palavras de Lameque às suas esposas,
claramente demonstram sua rebelião contra Deus: “Sete vezes se
tornará vingança de Caim, de Lameque, porém, 70 vezes sete” (Gn 4:24).
Isto é uma perversão do propósito divino para o estado. 25

Como Kline diz, também a cidade se torna o Templo do homem. 26


Lameque, em suas próprias palavras está tentando ser como Deus.

Na área do mandato social, a evidência da desobediência e rebelião


tornou-se mais predominante. Lameque casou-se com duas mulheres
(Gn 4.19), quebrando a determinação de um macho e uma fêmea
tornarem-se uma só carne (Gn 2.24). Ele assassinou um jovem em
vingança por ter sido ferido; Lameque, arrogantemente, escarneceu de
Deus dizendo que estava preparado para aceitar a vingança divina em
um grau muito maior do que a que Caim teve (Gn 4.34). Moisés
registrou que como "os homens começaram a crescer em número" (Gn
6.1), a revolta social piorou. A violência tornou-se um modo de vida (Gn
6.11). Casamentos que não honravam a Deus foram escriturados (Gn
6.1-2). 8 Está claramente inferido que, no seu tempo, Noé era o único
homem que tinha um casamento e uma família que honravam a Deus
(Gn 6.9).

A corrupção espiritual estava integralmente envolvida na deterioração


social e violência dentro do domínio social. O mandato de comunhão
que o Rei Criador tinha colocado diante dos seus vice gerentes, havia
sido desobedecido no Éden. Yahweh tinha feito a restauração se tornar
possível. Alguns invocaram e caminharam com Yahweh. Mas, assim
como as pessoas cresceram em número, existia mais e mais maldade
sobre a terra. A raiz desta maldade estava no coração das pessoas; toda
a inclinação do pensamento originada do coração "era somente má todo
o tempo" (Gn 6.5). Note que o texto usa o termo "todo" duas vezes e o
termo "somente". O grau extremo de depravação espiritual nos é, então,
revelado. 27

A narrativa é interrompida neste ponto e a genealogia de Sete é


apresentada, mas logo depois desta o autor volta ao tema da cidade

25
Kline, Op Cit., p. 71
26
Kline, Op Cit., p. 46
8
Ver a discussão de Van Gorninger a respeito do casamento dos filhos de Deus com as filhas
dos homens em Revelação Messiânica no Velho Testamento, 109-110.
27
Van Groninger. Criação e Consumação. São Paulo, SP: Cultura Cristã. , p.
19

dominada pelo homem. Em Gênesis 6, nós temos a razão porque Deus


mandou dilúvio. O abuso de autoridade agora é ainda maior. O número
de pessoas aumentou e o número de casamento também, e no versículo
5 nós vemos que a maldade continuava e o desígnio do coração era
continuamente mau.

Provavelmente a pior fase desta narrativa é a atitude dos lideres (Gn


6:2). Eles se chamavam a si mesmos Filhos de Deus. 28 Eles falam como
se Deus não estivesse no controle e também agem como Deus e tomam
as responsabilidades de Deus, como se fossem seus filhos. Deus não
poderia mais agüentar esta situação e então Ele os destrói com o
dilúvio.

Com o remanescente desta destruição, Noé e sua família, Deus começa


aquilo que poderia ser chamado de a “re-criação”. Os paralelos entre a
criação original e esta não é somente simbolismo, mas um paralelo nas
próprias palavras de Deus. O mesmo caos em água aparece nos dois
episódios. Mas o mais imprescindível é que o “Mandado Cultural” é
repetido em Gn 9:1. Isto é um sinal claro de um novo começo.
Infelizmente é a história do homem tentando tomar outra vez lugar de
Deus. O propósito é claro: eles querem uma cidade que engrandeça o
nome deles, ao invés de irem, através da Terra, como Deus ordenara (Gn
11:4).

Este estado de apostasia se tornou mais uma vez insuportável para


Deus. Entretanto, Ele se mantém fiel a sua Aliança com Noé e não
destrói o povo. Deus apenas promove uma confusão na língua deles, de
maneira que eles abandonam aquele projeto e fazem aquilo que eles
deveriam ter feito desde o começo (Gn 11:6-7).

Como podemos perceber, a Escritura fala amplamente da cidade. Ela é


uma realidade com a qual a igreja deve se preocupar. A reflexão cristã
sobre a cidade deve ser uma prioridade por parte da igreja. A história, a
geografia, a sociologia, o urbanismo, para não mencionar as ciências
afins, estudam a cidade. Penso que não seria muito que a teologia
também a estudasse. A igreja é enviada também às cidades, não para
assimilar-se a ela, mas para transformá-la, para libertá-la de seus
pecados. 29

A missiologia urbana, num contexto religioso como o nosso, não pode


dispensar a reflexão bíblica, mesmo que as cidades das quais falam os
Textos Sagrados pouco ou nada tem a ver com as nossas metrópoles.
Seria um erro de análise transpor características das cidades referidas
na Bíblia, no entanto não podemos ignorar a história, se quisermos
atuar numa perspectiva cristã.

28
Kline, Op Cit., p. 83
29
COMBLIM, José. Teologia da Cidade. São Paulo, SP: Editora Paulinas. 1991. p.60
20

A seguir algumas cidades que se destacam nas páginas da Escritura,


com alguma informação sobre elas:

1) Sodoma (Gn 18.19; 19:1-29): Sodoma aparece nas Escrituras quase


sempre associada à cidade de Gomorra. Uma das cinco cidades da
planície do Jordão.

Características da Cidade de Sodoma:

a) A imoralidade era notória. (Is 3:9; II Pe 2:7). E de Sodoma que se


origina a palavra sodomita, que veio a ser usado para se referir ao
homossexualismo, em vista do fato de que este pecado era praticado em
Sodoma (cf. Gn 19:5; Dt 23:17,18 e I Tm 1:9,10).

b) A corrupção moral, espiritual, social marcava o estilo de vida de seus


moradores. À luz de Ez 16:46-50 e Judas 7 podemos enumerar alguns
dos pecados desta cidade: abominações, soberba, prostituição,
prosperidade material, libertinagem e vícios.

Sodoma retrata a realidade de muitas cidades em nossos dias. Algumas


cidades brasileiras fazem parte dos roteiros mundiais do chamado
turismo sexual. 30 Estudando esta cidade, percebemos que existe uma
relação entre a presença dos fiéis e a preservação da cidade. No caso de
Sodoma, se houvessem nela 10 justos, Deus não a destruiria. Há um
princípio aqui: o maior mal das cidades não é ambiental, mas sim
espiritual e está dentro das pessoas. Em Ez 16. 49-50, temos a causa
da destruição de Sodoma por Deus: “Soberba, fartura de pão e próspera
tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre
necessitado. Foram arrogantes, fizeram abominações diante de mim”.

2) Babilônia: A capital do império babilônico, e de acordo com Gn


10.10, foi fundada por Nimrod. Está localizada às margens do rio
Eufrates. Pelos registros do Antigo Testamento sabemos que foi para
esta cidade que Deus enviou os melhores jovens para exercerem
atividades dentro das estruturas do palácio, durante o cativeiro
babilônico. Estes jovens assimilam a cultura da cidade, mas separam
perfeitamente sua fé e suas convicções das crenças e costumes desse
reino (Dn 1.8-17).

As várias referências que Apocalipse faz a Babilônia não indicam uma


cidade literal, mas um sistema de maldade e em desobediência à
vontade de Deus (Ap 17.15-18). Ela simboliza a a cidade influenciada
por Satanás. William Hendrisken faz o seguinte comentário sobre a
Babilônia: “Uma cidade que fascina, que tenta, que seduz e arrasta as
pessoas para longe de Deus” 31 .
30
Cidades: Aleternativas Cristãs para a Vida Urbana. Revista Didaquê. Volume XXXII
(Manhumirim,MG)
31
HENDRIKSEN, William. Mais que Vencedores. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 1997
p.12
21

Características da Babilônia

a) É uma cidade mundana, louca por prazeres, arrogante e


presunçosa (AP 17 a 19).
b) Babilônia indica um mundo como um grande centro de progresso,
de comércio, de arte, de cultura. Simboliza a concentração da
luxúria, do vício, dos encantos deste mundo. É o mundo visto como
a personificação da concupiscência da carne, da concupiscência
dos olhos e da soberba da vida (I Jo 2.16)
c) Outra marca principal desta cidade era sua religiosidade. Havia ali
53 templos e 180 altares dedicados à deusa Istar (que em Jeremias
7:18 e 44:19 é chamada de “rainha do céu”)
d) Seus pecados, mostrando assim as muitas faces da rebeldia:
prostituição e embriaguez (17.2); violência contra os cristãos (17.6;
18.24); desrespeito a Deus (17.3); feitiçarias e ocultismos (18.2,23);
arrogância e espírito altivo (18.7); enriquecimento às custas da
opressão (18.11-15).

A Babilônia era infestada pela idolatria, religião pagã, prostituição,


tanto que os 4 jovens da nossa História tiveram seus nomes trocados
por nomes de deuses babilônicos:

• Daniel: Deus é meu juiz (Beltessazar: Príncipe de Baal)


• Mizael: Quem é como nosso Deus (Mesaque: Quem é como Aku,
deus da lua)
• Hananias: Jeová é misericordioso (Sedraque: Amigo do rei)
• Azarias: Jeová é socorro (Abdnego: Servo de Nego; ídolo que
representava Mercuri) 32

Resumindo, a Babilônia era símbolo do mundanismo, da sedução, da


perversão, do engano, da imoralidade, da idolatria (c.f Roma). É
símbolo de todo um sistema alienado de Deus, e assim é o mundo: um
sistema contrário à vontade de Deus. (I João 2:14-17)

3) Nínive: Tem sua origem antes dos dias de Abraão (Gn 10.11).
Localizava-se às margens do Rio Tigre (Ne 2:6-8) e veio a se tornar nos
anos 880 a 701 a.C a capital do Grande Império Assírio (II Reis 19.36).

Características da cidade de Nínive:

a) Por causa da crueldade praticada pelos seus moradores e


exército, foi chamada de cidade sanguinária (Na 3:1)
b) Idólatra, feitiçarias e magias (Na 1:14; 3:4)
c) Poderosa (Na 3:12)
d) Ímpia – cheia de roubos e mentiras ( (Na 3:1)

32
Daniel 1:4
22

e) Era uma grande cidade para a época, com mais de 120 mil
habitantes 33 (Jn 4.11), capital de um poderoso império que durou
por volta de 1.500 anos. Mas toda a riqueza (Na 2.9) e glória
dessa cidade provocaram a ira de Deus, já que foram conseguidas
através da opressão e da guerra.

Roger Greenway comenta:

Toda a vida política ou econômica da cidade se baseava na agressão


militar, na exploração de nações mais fracas e no trabalho de
escravos. O profeta Naum não poupou adjetivos negativos ao
descrever esta traidora de nações e cidade de sensualidades (Na
3.4). Nínive era mestra de feitiçarias e uma capital do vício. Suas
obras artísticas haviam sido pervertidas por obscenidades, sua
cultura pelos ídolos, e sua beleza pela violência. Chamavam-na de
cidade sanguinária` (Na 3.1), porque o despojo haviam-na
enriquecido (tradução nossa). 34

A maldade da cidade provocou a ira de Deus. Greenway acrescenta:

O pecado da cidade era pessoal, pois o cometiam pessoalmente os


milhares de habitantes de Nínive. Era também pecado coletivo,
porque somada em sua totalidade a vida de Nínive, seu selo era:
maldade. Ao sobrevir o castigo, afetaria a cada um. 35

Lendo os livros dos profetas Jonas e Naum observamos dados


importantes sobre Nínive. A preocupação de Deus de salvar as pessoas
dessa cidade, que estava fora da Palestina, é prova de que de fato a
salvação é universal. 36

A estratégia de Deus para Nínive (Jonas 3:3-5):

Deus vocaciona o profeta Jonas para que vá àquela cidade com uma
mensagem de chamada ao arrependimento. Embora não houvessem
boas relações entre os israelitas e os assírios, Deus queria um
missionário em Nínive, a qual era a principal cidade dos sistemas
urbanos do mundo de então. O profeta foi e pregou percorrendo toda à
cidade. Seus habitantes arrependeram-se de seus pecados e Deus
aceitou o arrependimento, desistindo de destruir a cidade.

33
Samuel J. Schultz em História de Israel no Antigo Testamento, p.364, afirma que E.B.Pusey
na obra The Minor Prophets, vol. I (Nova Iorque: Funk and Wagnalls, 1885), p.426, “calcula a
população de Nínive em 600 mil habitantes” .
34
GREENWAY, Roger; Monsma, Timothy M. Cities – Mission´s New Frontier. Grand
Rapids, Michigan: Baker Book House. 1989. p. 20
35
Greenway. Op Cit., 20
36
Universal no sentido de que a salvação é para todos os povos e não apenas para os judeus.
23

4) Jerusalém: Jerusalém é uma das cidades mais famosas do mundo e


atualmente é considerada sagrada pelos adeptos das três grandes
religiões monoteístas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. 37

Embora Jesus tenha pregado em diversas cidades como Cafarnaum,


Nazaré, Betânia, Jericó e outras, seu propósito final era Jerusalém (Lc
9:51), a cidade de Davi, a cidade da paz. O conceito de Jerusalém para
os judeus como cidade santa, exige um estudo mais detalhado, mas
este não faz parte do nosso propósito aqui. Contudo, é mister registrar
que é em Jerusalém que Jesus enfrentou os poderes estabelecidos,
tanto o religioso quanto o institucional. É a mesma Jerusalém que ele
quis aconchegar com afeto materno (Mt 23:37), é nela que com Ele se
repete o mesmo destino dos profetas (Mt 23:34). Sua morte se dá fora
da cidade, mas o impacto causado não deixou o ambiente urbano
sossegado. Guardas foram deslocados para o sepulcro, discípulos de
trancam com medo, a cidade se contorce em comentários que depois se
transformam em silêncio. Porém, tal silêncio é quebrado pela
ressurreição. Jerusalém volta a ser atingida por Jesus, a notícia
alvoroça a cidade e à seus líderes mais do que nunca. Em Jerusalém,
cidade de Davi, o Messias acabava de implantar o seu reino e
reconquistar o poder sobre tudo e todos. O Espírito Santo veio aos
apóstolos em Jerusalém no dia de Pentecostes, dando-lhes a capacidade
de pregar o evangelho.

Em Apocalipse 21 lemos sobre a “Nova Jerusalém”, que é a Cidade


Santa, a Noiva de Cristo, a Igreja Triunfante, a Esposa do Cordeiro. A
Bíblia começa com um jardim e termina com uma cidade.

O contraste entre estas duas cidades e a Nova Jerusalém é claro.


Enquanto estes tiranos opressores usam as cidades para a sua própria
glória e propósito, na Nova Jerusalém os reis da Terra vêm para
apresentar a glóriade Deus. (Ap 21:24). O propósito de Deus jamais
falha. Na Nova Jerusalém Deus claramente demonstra o seu propósito
escatológico para a cidade. 38 A cidade era para ser um lugar onde os
reis viriam para exaltar o Rei dos Reis e não para elevar a si próprios.

Contraste Entre a Cidade dos Homens e A Cidade de Deus

Na Nova Jerusalém “as nações andarão mediante a sua luz” (Ap 21:24).
Jamais haverá noite naquela cidade (Ap 21:25). Que contraste em
relação as cidades construídas pelos homens. Mesmo durante o dia era
perigoso andar pelas ruas por causa do despotismo daqueles que
tomaram o lugar de Deus naquela cidade. Não havia segurança para
aqueles que estavam oprimidos. É inclusive possível dizer que até
durante o dia na cidade dos homens, é sempre noite. As ameaças da
noite estão sempre presentes. Na Nova Jerusalém, entretanto, as nações

37
Cf. O Novo Dicionário da Bíblia.
38
Rissi, Mathias. The Future Of The World. Naperville: R. Allenson Inc. 1966, p. 53
24

podem caminhar livremente, porque as luzes da cidade vêm daquele que


a construiu: Deus. Não há ameaça nas ruas da Nova Jerusalém, por isto
seus portões estão sempre abertos. Não há mal na cidade, somente
aqueles que podem viver diante da glória de Deus a esta cidade
pertence. Conseqüentemente, a Nova Jerusalém é somente para
aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida. 39

5) Antioquia da Síria: Antioquia, centro de comunicação política,


militar e comercial entre Roma e a a fronteira entre a Palestina e a Ásia
Menor, era uma das três ou quatro cidades mais importantes do
império e a sede de grande e vigorosa comunidade judaica. Foi a cidade
onde a fundação para a missão mundial foi estabelecida para alcançar
os confins da terra. Ela era uma cidade cosmopolitana, a metrópolis da
Síria. Fundada em 300 a.C por Seleuco I Nicator 40 , e em 27 DC ela
tornou-se a capital da Síria, sendo um importante centro comercial e
ações militares, Antioquia tornou-se em um influente centro urbano,
uma cidade (polis) Helenística e a terceira cidade do Império Romano.
Ela era a terceira maior cidade do Império Romano.

Sua população, no primeiro século, estava estimada entre 150 mil e 200
mil habitantes, era mista formada de gentios e de judeus. Após o
martírio de Estevão, os cristãos fugiram para Antioquia e pregaram ali o
evangelho, primeiramente aos judeus que falavam a língua aramaica e
depois aos judeus que falavam o grego. Barnabé foi enviado pela igreja
de Jerusalém para ali trabalhar. Depois de algum tempo, foi buscar
Paulo em Tarso. Ambos evangelizaram em Antioquia por um ano e meio.
Nessa cidade os seguidores de Cristo foram pela primeira vez chamados
de cristãos (At 11.19-26). Boa liderança na igreja ali se desenvolveu (At
13.1). Em tempo de fome em Jerusalém, os cristãos de Antioquia
enviaram ajuda (At 11.28-30) e nas questões sobre a circuncisão dos
gentios convertidos, submeteram o assunto à igreja-mãe em Jerusalém
(At 15).

A igreja de Antioquia foi o ponto de saída e o ponto de chegada das


viagens missionárias de Paulo. Ali Paulo repreendeu Pedro por
discriminar os gentios. “A cidade conservou a sua grande opulência e a
igreja continuou a crescer enquanto durou o Império Romano” 41

6) Corinto: Cidade portuária da Grécia. Extremamente cosmopolita.


Estava localizada na faixa de terra de seis kms de largura que unia a
parte sul do Peloponeso com a parte continental da Grécia.

39
Mounce, Robert H. The Book Of Revelation . The New International Commentary Of The
New Testament. Grand Rapids: Eerdmans.1977, p. 385
40
O NDB, p. 84
41
DAVIS, John D. Dicionário da Bíblia. Rio de janeiro, RJ: Ed Juerp. 1985. p. 41
25

Características da cidade de Corinto

1. Uma cidade cosmopolita. Cerca de 500 mil habitantes. 42


2. Devido a sua posição geográfica seu comércio era muito
desenvolvido. Era um ponto de parada na rota de Roma para o
Oriente, e o lugar onde se encontravam várias outras rotas de
comércio. 43
3. Os jogos atléticos, chamados Jogos Ístmicos, se sobressaiam aos
das demais cidades. Os teatros abrigavam milhares de pessoas.
“Templos, santuários e altares pontilhavam a cidade. Mil
prostitutas sagradas se punham à disposição de qualquer um
no templo da deusa Afrodite” 44 .
4. Era uma cidade imoral; tanto que esta imoralidade dos coríntios
deu origem ao verbo “corintianizar”. (I co 5.1) 45

No ano 52 d.C. o apóstolo Paulo chegou a Corinto e lá evangelizou por


um ano e meio (Atos 18:1-18). Uma congregação foi fundada. Paulo
residia na casa de Áquila e Priscila, líderes colaboradores. Apolo
substituiu Paulo no trabalho da igreja. Não era de se admirar que uma
igreja em meio a uma sociedade tão paganizada tivesse tantos
problemas. Nessa congregação, entre todas as congregações fundadas
por Paulo, surgiu a questão de falar em línguas. Paulo escreveu três
cartas à congregação de Corinto, tendo uma se perdido.

Apesar das dificuldades enfrentadas, a igreja cresceu.“No segundo


século, o bispo dessa igreja exerceu grande influência na igreja em
geral” 46

7) Atenas: Nome da capital da Ática, um dos estados da Grécia.

Características da Cidade de Atenas

a) “Esta cidade foi o centro luminoso da ciência, da filosofia, da


literatura e da arte do mundo antigo” 47 . Uma cidade possuidora
de vasta riqueza cultural, porém, muito paganizada.
b) Em Atenas a idolatria era excessiva. Havia muitos altares e, entre
esses, um ao “deus desconhecido” (At 17.23), o que Paulo
sabiamente usou para referir-se “ao Deus que fez o mundo” (At
17.24).

42
Leon Morris entende que não há uma prova válida sobre a qual se pode afirmar com
segurança o número de habitantes de Corinto.(Cf. Comentário de I Corintios, p. 12 na nota 6).
43
MORRIS, Leon. I Corintios – Introdução e Comentário. São Paulo, SP: Vida Nova. 1986 p.
11,
44
GUNDRY, Robert H. Panorana d Novo Testamento. São Paulo, SP: Ed Vida Nova. 1985. p.
309
45
MORRIS, Op Cit., p. 12
46
DAVIS, Op Cit. P. 128
47
DAVIS, Op Cit., p.61
26

Foi na segunda viagem missionária que Paulo esteve em Atenas. O


evangelista Lucas narrou:

Revoltava-se nele seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos.


Argumentava, portanto, na sinagoga com os judeus e os gregos
devotos, e na praça todos os dias com os que encontrava ali (At
17.16-17).

Os filósofos epicureus e estóicos debateram com Paulo. Os epicureus


não reconheciam um criador. A doutrina dos estóicos era panteísta.
“Faziam distinção entre matéria e força e davam-nos como sendo o
princípio das coisas, do universo. A matéria era o elemento passivo, e a
força, um elemento ativo” 48 . Os ouvintes de Paulo “chegaram a pensar
que Jesus e a “ressurreição” fossem duas divindades com as quais não
estavam familiarizadas” 49 . Em Atenas teve pouco resultado numérico o
trabalho evangelístico realizado por Paulo, embora não sofresse
nenhuma perseguição religiosa.

8) Roma (Atos 19.21,22): Tradicionalmente fundada em 735 a.C. 50


Tendo o apóstolo Paulo visto o seu trabalho pioneiro-estratégico
praticamente concluído no eixo Jerusalém-Roma, ele agora volta os
seus olhos para a capital do império com o intuito de torná-la o novo
celeiro base de ação missionária (Rm 15:24).

Características da Cidade de Roma

a) Ela possuía mais de um milhão de habitantes e foi a primeira


cidade na história a atingir este número. Registra-se que ali haviam
bairros de mansões, apartamentos de classe-média e cerca de
4.600 prédios, muitos deles com oito ou dez andares. 51
b) Era o palco das perseguições ao cristianismo do séc. I. Enquanto
foi vista como parte do judaísmo (religio licita), isto é, uma seita
legal, a igreja sofreu pouco. Mas logo que foi distinguida do
judaísmo como seita separada e pôde ser classificada como uma
sociedade secreta, o cristianismo recebeu a interdição do estado
romano que não admitia nenhuma rival que viesse a competir com
a obediência por parte de seus súditos. O cristianismo passa a ser
considerado uma religio illicita, uma religião ilegal, e é visto como
uma ameaça ao Estado Romano. Assim, a perseguição aumenta. 52
c) Apesar do tamanho da cidade de Roma, a sua igreja não era tão
expressiva como a de Antioquia. Contudo marcou a sua presença
na cidade. O Evangelho chegou até a capital, provavelmente, por

48
Davis, Op Cit., pp.188-189 e 199
49
Gundry, Op Cit., p 268
50
O Novo Dicionário da Bíblia.
51
Idem, p. 1409
52
CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. São Paulo, SP: Editora Vida Nova,
1995. p. 71
27

meio de gentios romanos convertidos que estavam no dia de


pentecostes em Jerusalém (At 2:10). 53

Muito há o que se aprender em termos missiológicos com a cidade de


Roma, e não foi sem motivos que Paulo a elegeu como nova fronteira
missionária.

1º.) A posição política e geográfica de Roma permitia que a partir dela o


Evangelho se espalhasse para outras regiões. Os primeiros cristãos já
sabiam que “todos os caminhos levam a Roma”.

2º.) Outro fator que caracteriza Roma como ponto estratégico para o
crescimento do Evangelho é que ali poderia se conquistar pessoas em
posição de influência. Sendo a capital do império Romano, Roma atraía
praticamente todos os tipos de pessoas. Havia ali diplomatas de nações
estrangeiras, políticos, artistas, comerciantes, etc.

Assim, cidades são fronteiras missionárias onde, ao passo que o reino


se expande, a resistência se acirra ou se disfarça para continuar
presente. É em Roma, projeto da nova base missionária de Paulo, que
ele fica preso, é julgado e executado.

9) As cidades no ministério de Jesus: As cidades tiveram uma grande


importância em seu ministério. Jesus nasceu na vila de Belém. Foi
criado na cidade de Nazaré, que na época teria de 15 a 20 mil
habitantes. 54 A maior parte da população de Nazaré era de gentios e por
isso, uma cidade desprezada. Mas foi justamente numa sinagoga de
Nazaré que “Jesus estabeleceu suas credenciais messiânicas” 55 ao
apresentar seu programa de missão quando leu em Is 61.1-2 e 58.6:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar
os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração
da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano
aceitável do Senhor (Lc 4.18-19).

Depois que Jesus tornou pública sua missão, “desceu a Cafarnaum,


cidade da Galiléia” (Lc 4.31). Cafarnaum estava localizada junto ao Mar
da Galiléia, tendo inúmeras indústrias ligadas à pesca. Era uma das
mais importantes cidades da província. “Estava localizada em um lugar
extremamente estratégico, às margens de uma rota internacional de
comércio que ligava Egito, Palestina, Síria e Mesopotâmia” 56 . Em

53
Rev. Sérgio Paulo Ribeiro Lyra . Uma Teologia da Cidade Na Perspectiva do Novo
Testamento. Extraído do site: http://www.missiodei.com.br/ capturado em 01 de novembro de
2004
54
BARRO, Jorge H. De Cidade Em Cidade – Elementos para uma teologia bíblica de missão
urbana em Lucas-Atos. Paraná, Londrina: Ed. Descoberta, 2002. p. 47
55
Orlando Costas, em Christ Outside the Gate, NY: Orbys Books, 1982:55, citado por Barro, Op
Cit., 46
56
BARRO, Op Cit, p 54
28

Cafarnaum Jesus ensinou, ajudou e curou pessoas. Nessa cidade ´fixou


residência`, partindo dali para outros lugares.

O ministério público de Jesus é resumido em Mt 9.35: “E percorria


Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando
o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades”.

Pregar a palavra do Pai nas cidades fazia parte da estratégia


evangelística de Jesus. Ele disse: “É necessário que anuncie o
evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isto é
que eu fui enviado” (Lc 4.43). Jesus era aquele “que andava de cidade
em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do
reino de Deus” (Lc 8.1) e vinha “ter com ele gente de todas as cidades”
(Lc 8.4).
29

V
OBSTÁCULOS PARA O CRESCIMENTO
DE IGREJAS URBANAS
_____________________________________
Nós concordamos que a evangelização é um imperativo de Cristo para a
sua igreja, contudo, não são poucas às vezes que nos sentimos
impotentes, desanimados e vencidos diante de tamanha
responsabilidade. De fato, mesmo cônscios de nosso dever, da
assistência divina e dos frutos, ainda assim, não deixamos de
reconhecer as barreiras que se levantam e nos intimidam ou
amedrontam quando pensamos em evangelizar.

Precisamos reconhecer barreiras reais 57 e contrapô-las com os recursos


dispostos por Deus ao nosso alcance. Se muitas forem as barreiras,
suficiente e superior será o auxílio divino para transpô-las, nos
concedendo vitórias e nos fazendo efetivos instrumentos de
proclamação das Boas Novas da Salvação em Jesus Cristo.

1. O Diabo. Satanás, com seus anjos maus, procura impedir o


crescimento da igreja em qualquer lugar. John T. Mueller exemplifica as
artimanhas destes inimigos da igreja de Cristo:

a) continuamente procuram destruí-la por investidas em geral


(Mt 16.18);
b) tentam impedir que os ouvintes recebam a Palavra de Deus
(Lc 8.12);
c) disseminam doutrina errônea (Mt 13.35; 1 Tm 4. 1s); e
d) incitam perseguições ao reino de Cristo (Ap 12.7 [...] No
intuito de arruinar a igreja, o diabo causa transtornos também
ao estado político (I Cr 21.1; 1 Rs 22.21-22), e ao estado
doméstico (1 Tm 4.1-3; 1 Co 7.5; Jó 1.11-19).

2. A Relativização de absolutos: Vivemos dias em que os absolutos


são descartados. A verdade tornou-se subjetiva e pessoal, cada um tem
sua própria verdade. A liberdade individual e a felicidade pessoal são o
alvo buscado e a justificativa de qualquer meio para se alcançar este
fim. A nossa cultura perdeu a perspectiva de que existe uma lei moral
transcendental que se aplica a todos e que rege o próprio equilíbrio das

57
Algumas das barreiras que estudaremos a seguir foram extraídas e adaptadas da obra de
Jerram Barrs, A Essência da Evangelização, Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2004; outras,
foram adaptadas da obra de Joseph C. Aldrich: Amizade: A Chave para a Evangelização. São
Paulo, SP: 1992. Ed. Vida Nova. pp. 14-19
30

partes. Diz o insensato no seu coração: não há Deus. Corrompem-se e


praticam abominação; já não há quem faça o bem. (Salmo 14.1)

O Cristianismo é a única história que faz o nosso mundo ter sentido,


que age como guia moral, que nos enche com uma esperança confiante
dos nossos futuros individuais e o futuro da nossa raça e o deste
mundo”, entretanto, a História Cristã perdeu seu significado para o
homem moderno.

Entrementes, a relativização de absolutos, ou seja, você decide o que é


verdadeiro segundo suas próprias concepções, tem rodeado e até
mesmo invadido a igreja. Muitas das nossas convicções e fundamentos
sobre os quais lançávamos princípios de vida estão abalados e sob
suspeição. As incertezas sobre o teor da mensagem do Evangelho nos
fazem recuar. Será que de fato cremos numa verdade? Ela poderá
mudar derrubar os muros da incredulidade? Já não nos sentimos tão
seguros quanto ao conteúdo de nossa pregação. Como combater a
incerteza com incertezas?

“Devemos ter certeza de que nossa fé é de fato a verdade”. Para tanto, o


conhecimento e estudo da Palavra de Deus é a fonte que nos prepara
para que possamos estar “sempre preparados para responder a todo
aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. (1 Pedro
3.15b), assim, “...procurai, com diligência, cada vez maior, confirmar a
vossa vocação e eleição...” (2 Pedro 1.10a).

3. Ausência de credibilidade da Igreja: Boa parte da população está


decepcionada com erros diversos em igrejas como a exploração
financeira, escândalos de líderes religiosos, o legalismo de certas igrejas
que impõem aos seus adeptos leis humanas muito rígidas, tirando-lhes
a alegria de viver.: Outra barreira que enfrentamos na evangelização
urbana é o discurso da incoerência. A igreja tem desassociado a
pregação do testemunho. A ética cristã tem se tornado extremamente
maleável, adequando-se às circunstâncias. Os escândalos estão nos
deixam constrangidos – porém, não envergonhados ou arrependidos – a
nós já não pertence mais o “corar de vergonha” (Daniel 9.7b)

O evangelho está desacreditado porque perdemos o crédito de nosso


comportamento perante a sociedade. É certo que não somos perfeitos e
ao olharmos para o passado, veremos manchas na História que até hoje
são evocadas e simplesmente nos enchemos de desculpas. Devemos
assumir os erros que se registraram nos anais da história, atitudes
humanas desprovidas de aprovação divina.

Mas, ao mesmo tempo em que devemos assumir nossos erros passados,


devemos, também, tomar atitudes no presente para coroar o futuro,
viver como luz do mundo e sal da terra, a fim de que os homens vejam
nossas boas obras e glorifiquem a Deus (Mateus 5.13-16).
31

4. A perda da linguagem comum: A comunicação é uma importante


conexão entre as pessoas e para que ela se efetive o transmissor da
mensagem deve se fazer entender pelo seu receptor, ou seja, minhas
palavras devem estar adequadas à linguagem do ouvinte. Como
costumamos dizer: “agora, estamos falando a mesma língua” -
referência ao fato de terem se entendido. Isto, porém, tem se perdido
nos dias atuais. “Mais e mais pessoas são biblicamente analfabetas” –
incluindo o meio evangélico. Devemos ter a sensibilidade para fazermo-
nos entender na pregação, na proclamação de uma mensagem universal
que é “para todos as nações, tribos, povos e línguas” em qualquer
tempo ou lugar.

Devemos nos questionar sobre tais barreiras, reconhece-las tão


somente não é suficiente, é preciso preparar-se para enfrenta-las, e
temos recursos para isto, como afirma o apóstolo Paulo: “porque as
armas de nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para
destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez que se levante
contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à
obediência de Cristo”. (2 Coríntios 10.4,5). Sendo, pois, praticantes da
Palavra e não somente ouvintes (Tiago 1.22) o nosso testemunho falará
mais alto que nossas palavras e esta é uma linguagem que todos
compreendem, vida coerente.

5. Reação de Condenação: Quando nos sentimos acuados reagimos


condenando a todos. A parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18.9-
14) ilustra o cuidado que devemos ter em relação a julgarmo-nos
melhores do que outros. Se do “lado de fora” sentimos o cheirinho de
enxofre nos “pecadores” e agradecemos a Deus por não sermos como
eles, um perigoso sinal nos alerta contra a vaidade e arrogância
espirituais. Não devemos julgar nossos inimigos, antes, amá-los. Se
fosse possível tirar uma fotografia da realidade espiritual da alma
humana e guardássemos a nossa, antes da conversão, veríamos que
somos tal qual aqueles que desprezamos ou condenamos.

É neste tipo de arrogância que criamos uma subcultutra cristã (mera


presunção) que finalmente vai mudar as coisas, pensamos nós. Nos
propomos a preencher os espaços políticos, culturais, sociais para
subjugar o “ímpio”, mas para isso vale tudo que estiver ao nosso
alcance, seja ético ou não, seja lícito ou não, seja honesto ou verdadeiro
ou não. Nos tornamos maiores tiranos do que aqueles que foram
“demonizados” por nós.

Devemos, como cristãos, exercer nossa cidadania e contribuir ativa e


conscientemente nossos direitos e deveres como cidadãos. Mas, também
como Cristãos, devemos ter a percepção de que pertencemos uma
“nacionalidade” que nos exige que vivamos segundo suas prerrogativas,
como cidadãos do céu e neste exercício de cidadania a palavra amor e
misericórdia estão entre os primeiros deveres.
32

6. Isolamento: Uma falsa idéia se opõe a uma evangelização ativa: “não


pertencemos ao mundo devemos, simplesmente, nos isolar”. Somos a
geração dos condomínios fechados, do shopping center, das grades de
segurança, do espaço privado distante e protegido do espaço público.
Reagimos, então, da mesma maneira, nos isolando em nossas
casamatas (abrigos subterrâneos usados principalmente nas guerras) e
criamos um novo conceito de “mosteiro social gospel” com uma placa na
entrada: “proibida a entrada de estranhos”.

Não devemos amar ao mundo, é certo, disse o apóstolo João, mas,


também somos o sal da terra. Imaginemos se podemos temperar um
feijão colocando o saleiro em frente à panela. Devemos por o sal no
feijão e suas propriedades suscitarão o efeito desejado. Podemos criar
espaços com certas peculiaridades, mas não nos escondermos em
guetos evangélicos.

7. Separação: Uma outra barreira sutil e perigosa é a de nos


separarmos das pessoas “de lá de fora” e restringir nosso círculo social
aos “irmãos”. A senha poderia ser (e às vezes é), “a paz do Senhor” em
caso de resposta satisfatória, então é bem vindo ao nosso meio, de outra
forma, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios
15.33 – interpretado fora do contexto). Olhemos para aquele que foi
acusado de ser amigo de publicanos e pecadores (Lucas 7.34), que
tocou em leprosos, que perdoou prostitutas, que se aproximou dos
excluídos.

Já tentou conversar com alguém que não te olha nos olhos? Que
estranha sensação. Como podemos pregar o evangelho que tem
características tão evidentes de amor, misericórdia, perdão,
reconciliação, adoção, aceitação? Seria muito difícil uma família adotar
uma criança órfã sem permiti-la entrar em sua casa. Nós fomos
adotados e recebidos na presença do Pai, que não faz acepção de
pessoas (por isso nos aceitou), como poderemos testemunhar disto
praticando o oposto da mensagem?

8. Paganismo: O paganismo está de volta á essa geração pós-moderna.


As seitas e religiões espiritualistas ganham novos adeptos e seus
conceitos não são questionados se verdadeiros ou sensatos, basta que
faça a pessoa se sentir espiritual e se lhe é sensata e moral.
Interessante notar aqueles que chamam cristãos de fanáticos e incultos,
e no ápice de sua própria arrogância veneram e acreditam em
superstições, pirâmides, objetos, fetiches, gnomos e duendes. São, na
verdade, pessoas carentes de uma espiritualidade verdadeira e de um
amor profundo, coisas que só encontrarão no Evangelho que a nós foi
confiada a proclamação.

9. A insegurança urbana: Como já vimos, a violência tem aumentado


nas cidades. Estatísticas revelam que em São Paulo no ano de 2001, os
sequestros envolvendo pessoas de qualquer camada social aumentaram
33

600%. Assaltos nas ruas, arrombamento de residências e tráfico de


drogas têm levado as pessoas a se trancarem em suas casas e
duvidarem de todos.

Pelo poder da Palavra e do Espírito Santo, as pessoas são convertidas e


integradas nas congregações. Porém, muitas vezes terão dificuldades
para participarem de programações à noite, por falta de segurança.

10.Ativismo: O ativismo é outra barreira sutil e perigosa. Nos


envolvemos em tantas atividades na igreja e ocupamos de maneira tal
nosso tempo, que não nos sobra momentos de sociabilidade (muito
importante no evangelismo pessoal). Falta-nos tempo para a família,
parentes, vizinhos, etc. Algumas vezes, fazemos disso uma desculpa
para “fugir” de determinadas atribuições. Mas, em meio à tantas
“atividades inadiáveis”, somos exortados a buscar em primeiro lugar o
reino de Deus e a sua justiça (6.33).

11. Medo de testemunhar: Este medo pode se manifestar, por causa


de algumas destas razões:

a) Temor de ser rejeitado - ao falar de Cristo, você se expõe, define sua


posição, mostra em que valores você crê. Obviamente, a possibilidade de
rejeição existe, e é muito maior do que a possibilidade de ser respeitado
em suas convicções cristãs.

b) Temor de ser um fracasso - às vezes, não temos vergonha de


testemunhar abertamente, mas tememos receber um "NÃO", ao
tentarmos evangelizar alguém. Ou então, fracassarmos por não
comunicarmos com clareza o plano da salvação.

c) Temor de se contaminar com os incrédulos - muitas pessoas, quando se


converteram, foram erradamente instruídas a não cultivarem amizades
com incrédulos. O desejo de santificação é muito positivo, mas algumas
pessoas tem partido para radicalismos e exageros.

O crente ser sal e luz, dentro da comunidade doente (Mt 5:13-16).


Devemos ter muito cuidado com o conceito de sermos separados do
mundo (Jo. 17:11, 14,15). O crente deve conhecer os problemas do seu
tempo, para manter conversas inteligentes. Saiba dialogar sobre outros
assuntos, além da Bíblia. Paulo, em Ef. 4:17 diz: "não andeis como
andam os gentios". Mesmo andando entre os incrédulos, não devemos
viver como eles, mas podemos viver entre eles.

12. Teologia distorcida. Existem pelo menos quatro posições


teológicas que definem a maneira de ação da igreja na sociedade, sendo
que, a quarta posição é aquela que deve ser adotada por nós. 58

58
Cf. Joseph C. Aldrich, Amizade: A Chave para a Evangelização. São Paulo, SP: Edições Vida
Nova, 1987.
34

É natural que o novo convertido rejeite muito do que se associa ao seu


passado. Ele se retrai do seu ambiente social, abandonando todas as ligações
e relacionamentos anteriores. O momento de afastamento e fechamento da
cultura anterior é natural, visto que a experiência de ser uma nova criatura
em Cristo freqüentemente causa uma grande mudança e conflito. Este
momento inicial da vida cristã deve ser encarado como necessário para a
maturidade do novo crente, mas o retorno à identificação com a cultura
secular deve acontecer, à medida que sua maturidade aumenta. Analise a
seguir quatro reações 59 quanto a cultura, suas causas e conseqüências:

1) Rejeição: Mentalidade de Gueto. Um tipo de isolacionismo cristão.


Causas: Medo da secularização e contaminação com o mundo.
Conseqüências: Barreira a evangelização. As pontes não são construídas.

2) Imersão: Flexibilidade que permite uma identificação radical com a


cultura humana.
Causas: Necessidade forte de identificação com a cultura secular.
Conseqüências: Tornam-se essencialmente indistinguíveis do mundo. O
sal perde o sabor, tem receptores, mas não tem Mensagem.

3) Adaptação dividida: Mistura rejeição e imersão. Seria uma espécie de


esquizofrenia espiritual.
Causa: Tem necessidade de estar a vontade nos dois mundos.
Conseqüências: Fica em cima do muro, vida dupla.

4) Participação crítica (nossa proposta): Sabe que Deus o tem envolvido


numa missão redentora com implicações culturais.
Causa: Não acredita que o novo nascimento deva "desculturalizar" um
novo cristão.
Conseqüência: Possivelmente terá problemas com a colisão entre as
culturas cristã e não-cristã. Vive sob a tensão constante entre a fé cristã e
a cultura humana.

13. Não saber como comunicar o evangelho: Muitas pessoas nunca


prepararam seu testemunho escrito. Outras pessoas, nunca estudaram
nenhum plano bíblico para evangelização. Pode ocorrer também a falta
de capacidade, de como iniciar uma conversa, que viabilize a pregação
do Evangelho. 60

14. Falta de confiança: Outra barreira é a falta de confiança. De certa


forma, ela tem um aspecto positivo, pois nos ensina a humildade e a
dependência de Deus. Outro aspecto, porém, precisa ser retirado de
nossos pensamentos. Tal obra não é resultante de mero esforço
humano, conseqüentemente, Aquele que nos comissionou, também nos
capacitará.

59
Joseph C Aldrich., Amizade - a chave para a Evangelização, Ed. Vida Nova, São Paulo 1992
pp. 51-69
60
Excelente curso para ajudar a superar esta dificuldade é o Evangelismo Explosivo. Fundado
em 1962, pelo Rev. James Kennedy, pastor da Igreja Presbiteriana de Coral Ridge. Colocamos
no final desta apostila um esboço deste método de evangelização.
35

O apóstolo Paulo reconheceu-se fraco diante de tal missão. Escrevendo


aos colossenses diz: Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para
que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de
Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste,
como devo fazer. Cl. 4:3,4

Se esta oração partiu dos lábios deste intrépido evangelista, não


necessitaríamos também orar de maneira semelhante? Conhecer nossos
temores e fraquezas é o ponto de partida para todo crescimento, porque
esse conhecimento nos leva a orar por nós mesmos e requer de nós
reconhecer, perante os outros, que não somos de maneira alguma
adequados para as tarefas para as quais Deus nos chamou.

A oração humilde tem que ser nosso ponto de partida. Deus é


compreensivo e gracioso e certamente suprirá nossas limitações, nos
dispondo a ajuda necessária para “dissipar nosso medo e nos dar
ousadia de coração e palavra”.

Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as


autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis,
nem quanto às coisas que tiverdes de falar. Porque o Espírito vos
ensinará, naquela mesma hora, as cousas que deveis dizer. (Lucas
12.11,12)

15. Modelos Evangelísticos Defeituosos: Embora muitas das práticas


evangelisticas funcionem, em alguns casos elas de fato atrapalham o
impacto total de uma dada igreja em uma comunidade. Vejam alguns
desses modelos defeituosos 61 :

1) O Método da Pescaria. Para muitos, evangelização é o que o pastor faz no


domingo, jogando uma rede por cima do púlpito, esperando que alguns
“peixes” mordam a isca. Neste caso, a função do “leigo” é de apenas
conduzir alguns “peixes” para que fiquem ao alcance do “grande
pescador”.

2) O Método da Emboscada. Aqui, o não-cristão é convidado a um


acontecimento onde um orador de alto potencial, convidado
exclusivamente para esta situação, descarrega todas as suas armas.
Frequentemente o “convidado” não tem nenhum idéia da função ou
propósito do convite e sente-se numa armadilha e envergonhado.

3) O Método Expedição de Caça. Às vezes, o único contato dos cristãos com


a evangelização é através da participação em um mutirão mensal numa
“expedição de caça” em território inimigo. Muitas dessas expedições de
evangelização são válidas e Deus as abençoa. Muitas, porém, não o são, e
representam uma tática desequilibrada e artificial.

61
ALDRICH, Joseph. Amizade. P.15,16
36

VI
ESTRATÉGIAS DE EVANGELIZAÇÃO
URBANA
_____________________________________
Sabemos que a conversão de indivíduos ao Cristianismo, sua busca e
transformação operados pela ação do Espírito Santo, se dá apenas
mediante a pregação da Palavra e a aplicação interna desta feita pelo
Espírito Santo. Todavia devemos ter em mente que os meios que Deus
utiliza para que a sua Palavra seja aplicada no coração dos seus eleitos
faz uso de vários meios diferentes. Jerram Barrs sugere o seguinte
quanto a este assunto:

À medida que começamos a fazer perguntas àqueles que


chegaram à fé, vamos descobrindo quão fiel e pacientemente
Deus trabalhou na vida deles para conduzi-los ao ponto de
compromisso. Descobrimos também que Deus usa de uma
infinita variedade de meios para atrair as pessoas a ele 62

Deus utiliza as características peculiares de cada um dos seus eleitos


para chamá-los à salvação, afinal “como uma pessoa é única, assim
também o caminho que Deus usa para atrair cada pessoa a ele é
único”. 63 A seguir descrevemos algumas estratégias de evangelização 64
que poderão ser utilizadas nas cidades. 65

1. Formar equipes de oração: O nosso primeiro passo na


Evangelização deve ser a humildade diante de Deus em reconhecermos
quem somos e quem Deus é, e isso nos leva a reconhecer a nossa
dependência do Senhor. Em outras palavras, “Começamos com um
apropriado senso de humildade sobre o nosso papel e sobre nossa
capacitação para o trabalho diante de nós, e essa humildade deve nos
levar à oração.”66. A Igreja precisa sentir o desejo de orar pelos ainda
não convertidos. Começamos reconhecendo nossa total dependência do
Senhor para trazer pessoas à fé em Cristo. (João 15:16; I Tm 2;1-7; Atos
4:23-31; João 15:5; Rm 10:1.)

62
BARRS, Jerram. A essência da evangelização. Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2004. Página 95.
63
Ibid, página 95.
64
Algumas destas estratégias foram extraídas da obra de Jerram Barrs, A essência da evangelização.
Editora Cultura Cristã. São Paulo. 2004
65
Ler e debater o artigo de Phil Johnson, “Que bom que você perguntou... O que a igreja deveria fazer
para alcançar as pessoas em uma cultura pós-moderna?” - http://www.bomcaminho.com/pj003.htm
66
Jerram BARRS, A Essência da Evangelização, p. 44.
37

Deus não pretende que sejamos infrutíferos, mas que produzamos


“muitos frutos”. Por isso ele promete fazer em nós e por nosso
intermédio aquilo que não podemos fazer por nós mesmo. 67

Pelo que nós devemos orar?

1. Devemos orar pela obra do Espírito Santo em nossos amigos.


João 14:13;15:5

O Espírito Santo pode suavizar um coração duro, dobrar uma vontade


teimosa, abrir uma mente fechada desafiar preconceitos cristalizados e
curar memórias dolorosas (Jr 3.17; 7.24; 11.8; 16.12; 18.12, 2 Co 4:6) 68

2. Devemos orar para que portas sejam abertas para o


Evangelho. Cl 4;3; I Co 16:9

3. Devemos orar por coragem. Ef. 6:19,20; At 4:29

4. Devemos orar por clareza e sabedoria. Cl 4;4; Is 50:4

2. Testemunho pessoal: Cada cristão em particular, por ser parte da


Igreja de Deus, tem a responsabilidade de se envolver no chamado
missionário que Deus deu a Igreja. 69 Duas passagens em particular me
que observamos os apóstolos convidando aos crentes para participarem
do trabalho de evangelização. ( Cl 4:5,6; I Pe 3:15,16) 70

É preciso viver o que se prega, senão a evangelização torna-se uma


hipocrisia. Essa incoerência entre conduta e mensagem gera
indignação, desprezo, zombaria, escândalo, incredulidade e rejeição.

Jesus deu muita ênfase à evangelização pelo exemplo, quando declarou


francamente: “Vocês são o sal da terra para a humanidade; mas, se o
sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve mais para nada; é jogado
fora e pisado pelas pessoas que passam” (Mt 5.13, NTLH).

A salinidade do cristão é o seu caráter conforme descrito nas bem-


aventuranças, é discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e
palavras. 71 Para ter eficácia, o cristão precisa conservar a sua
semelhança com Cristo, assim como o sal deve preservar a sua
67
PIPER, Op Cit., p. 60
68
BARRS, Op Cit., p.
69
Acertadamente sobre este assunto afirma PIPER: “Deus está nos chamando, acima de tudo,
para sermos o tipo de pessoa cujos temas são a sua total supremacia em nossa vida. ninguém
será capaz de elevar-se à magnificência da causa missionária, se não sentir a magnificência de
Cristo. Não haverá nenhuma grande visão universal sem um grande Deus. Não haverá nenhuma
paixão para atrair outros à adoração, se não houver nenhuma paixão pela adoração.” (PIPER,
Jonh. Alegrem-se os Povos. A Supremacia de Deus em Missões. Tradução de Rubens
Castilho. São Paulo – SP: Cultura Cristã, 2001. p. 43 – 44).
70
Ver palestra sobre evangelismo pessoal em power point ministrada na IPO.
71
Lc 14:34, 35; Cl 4:6
38

salinidade. Se os cristãos forem assimilados pelos não-cristãos,


deixando-se contaminar pelas impurezas do mundo, perderão a sua
capacidade de influenciar. A influência dos cristãos na sociedade e
sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade. O Dr.
Lloyd-Jones enfatizou: "A glória do Evangelho é que, quando a Igreja é
absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então
que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez
no princípio a odeie. " 72 Caso contrário, se nós, os cristãos, formos
indistinguíveis dos não-cristãos, seremos inúteis. Teremos de ser
igualmente jogados fora, como o sal sem salinidade, "lançado fora" e
"pisado pelos homens".

As metáforas usadas por Jesus, referentes ao sal e à luz têm muito


a nos ensinar sobre nossas responsabilidades cristãs no mundo. Stott
destaca três lições:

a. Há uma diferença fundamental entre os cristãos e os não-cristãos,


entre a igreja e o mundo.

b. Temos de aceitar a responsabilidade que esta diferença coloca sobre


nós.

c. Temos de considerar a nossa responsabilidade cristã como sendo


dupla. "O sal e a luz têm uma coisa em comum: eles se dão e se gastam,
e isto é o oposto do que acontece com qualquer tipo de religiosidade
egocentralizada." 73 Não obstante, o tipo de serviço que cada um presta é
diferente. Na verdade, seus efeitos são complementares. A função do sal
é principalmente negativa: evitar a deterioração. A função da luz é
positiva: iluminar as trevas.

No mesmo Sermão do Monte, Ele ensina que “uma cidade construída


sobre a montanha não fica escondida” e “não se acende uma lâmpada
para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela
brilha para todos os que estão em casa”. Em seguida, Jesus ordena:
“Assim também, a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as
coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu”
(Mt 5.14-16, CNBB e NTLH). Somos agora o que Jesus foi no passado:
“Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9.5). A
igualdade da missão de Jesus com a de seus discípulos aparece
também na Grande Comissão: “Assim como tu me enviaste ao mundo,
eu também os enviei” (Jo 17.18).

Aos coríntios, Paulo assume que, “como um perfume que se espalha por
todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja
conhecido por todas as pessoas” (2 Co 2.14, NTLH). Tornamos o
evangelho conhecido mais pelo perfume do que pela palavra. Abusando

72
p.41.
73
Thielicke, p. 33.
39

da figura, é possível acrescentar: mais pelo olfato do que pela audição.


Foi por isso que São Francisco de Assis disse: “Evangelize sempre; se
necessário, use palavras”.

Se o evangelho não alterou o nosso comportamento e continuamos


iguais aos não convertidos, não temos como evangelizar, pois “a fé que
não se traduz em ações é vã” (Tg 2.20)

3. Receptividade da igreja: Boa receptividade da parte dos membros é


muito importante para com os visitantes à igreja. É necessário ter uma
equipe treinada de recepcionistas, os quais darão atenção especial
antes, durante e depois do culto aos visitantes e membros ausentes que
retornam. Discretamente pode ser preenchida uma ficha com dados dos
visitantes (nome, endereço, telefone, se aceita visita ou não) e esta ser
entregue ao pastor ou à secretaria da igreja para que uma
correspondência seja posteriormente enviada. Um cafezinho após o
culto oportuniza a confraternização entre todos.

4. Grupos Familiares: É claro que os cristãos primitivos eram obriga-


dos a fazer uso do lar, porque não lhes era permitido adquirir nenhu-
ma propriedade, até o fim do século II. Não podiam, durante o governo
de diversos imperadores, organizar grandes aglomerações públicas por
causa das possíveis implicações políticas do ato. Em outras palavras, a
Igreja nos três primeiros séculos de nossa era cresceu sem a ajuda de
dois dos nossos mais estimados instrumentos: a evangelização de
massa e a evangelização na igreja. Ao contrário disso, faziam uso do
lar. No livro de Atos lemos acerca de lares usados extensivamente,
como os de Jasão e Justo, de Filipe e da mãe de Marcos.

Algumas vezes tratava-se de um culto devocional, outras vezes, de


uma tarde de encontro e doutrinação, ou mesmo de um culto de
comunhão. Podia ser também um encontro para reunir novos
conversos, ou uma reunião com a casa cheia de novos interessados.
Reuniões de improviso também aconteciam. 74

O valor do lar em oposição ao culto mais formal da igreja, ou antes,


como complemento dele, é óbvio. O lar possibilita fazer perguntas ao
dirigente. Promove o diálogo. Torna possível distinguir as dificuldades.
Facilita a comunhão. Pode, com extrema facilidade, desembocar numa
ação e num serviço de caráter coletivo em que todos os diferentes
membros do corpo desempenhem sua parte a contento.Igrejas iniciadas
em casas é um dos modelos mais efetivos e comprovados para fazer
crescer o Corpo de Cristo. Há múltiplas referências Bíblicas que
apóiam o conceito da “Igreja em sua Casa”: (Atos 17:5; 16:15,32-34;
18:7; 21:8, I Co 16:19; Cl 4:15; Rm 16:5)

74
CF. M. Green. Evangelização na Igreja Primitiva. São Paulo,SP: Vida Nova.
40

5. Equipe de visitação aos lares: Faz parte do testemunho pessoal.


Porém aqui com a ênfase de ser feito periodicamente por um grupo de
irmãos. Esta equipe de evangelização da igreja procurará semanalmente
ir às casas dos visitantes (com dia e horário combinados) levando
material de apoio, Bíblia, livretos, etc.

6. Plantação de igrejas: O crescimento das igrejas também acontece


quando são iniciados pontos de pregação. Quantas igrejas têm
expandido seu trabalho abrindo pontos de pregação em bairros onde
residem vários membros ou às vezes apenas uma família, usando como
local uma área simples, porém adequada.

7. Distribuição de Folhetos: Ter disponíveis uma boa variedade de


folhetos é o primeiro passo no hábito de distribuir folhetos.
Oportunidades sem conta são perdidas porque não temos os folhetos na
hora certa. Tenha folhetos no seu emprego, em sua casa, perto da
porta, e na sua escrivaninha. O fato de você ter bons folhetos consigo a
qualquer hora, capacitá-lo-á a aproveitar as muitas oportunidades de
entregar a Palavra da Vida a uma criança, a um transeunte, a um
companheiro de viagem. “Semeia pela manhã e tua semente, e à tarde
não repouse a tua mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se
aquela, ou se ambas igualmente serão boas” (Ecl 11.6),

8. A Motivação para a evangelização urbana

Eis aqui um último aspecto que entendo ser de vital importância: A


motivação é a chave para a evangelização. Se isso ardesse em nossas
almas, não haveria necessidade de tantos congressos sobre
evangelização. Michael Green 75 diz que se perguntássemos aos cristãos
primitivos, por que eles não perdiam a paixão para evangelizar,
responderiam:

• O exemplo de Deus, que tanto se preocupou a ponto de mandar


o seu próprio Filho ser missionário em nosso mundo.
• O amor de Cristo, que nos constrange. Ele foi posto na cruz por
nós. E nos diz para irmos em frente e passá-lo a outras pessoas.
A evangelização é a resposta obediente ao amor de Cristo, que nos
tem constrangido.
• O dom do Espírito, que nos é dado especificamente para dar
testemunho. A tarefa de evangelização do mundo e a cooperação
do Espírito Santo são as duas características indica das por
Jesus em relação à época entre a sua ascensão e a sua volta.

Assim, os cristãos primitivos tinham por hábito basear a evangelização,


clara e insofismavelmente, na natureza do Deus triúno. No coração dele
repousa a missão. Mas havia mais três razões que os impeliam:

75
GREEN, Op Cit. Pp.
41

1. O privilégio de ser embaixador de Cristo, representante do Rei dos


Reis. Nós recebemos esse ministério. Privilégio estupendo, esse!
2. A necessidade dos que não têm Cristo. Isso soa através do Novo
Testamento e dos primeiros líderes da Igreja. Quando percebi que
as pessoas sem Deus estão perdidas agora e também para todo o
sempre, mesmo sendo gente boa, mesmo sendo minha família e
meus amigos, foi então que fiz um propósito de gastar a minha vi-
da em contar aos outros as fabulosas Boas Novas que Jesus
trouxe ao mundo.
3. Finalmente, há o tremendo prazer da tarefa em si. Ela começa no
Novo Testamento e é contagiosa. Os cristãos podiam ser presos, e
cantavam louvores. Podiam mandá-los calar-se e eles falavam
mais ainda. Se perseguidos, na próxima cidade divulgavam a
mensagem. Se levados à morte, pereciam alegres, suplicando
bênçãos para os seus algozes. É por essa razão que eu não
trocaria essa missão de pregar o Evangelho por nenhuma outra
ocupação no mundo. Isso é um privilégio enorme. A necessidade é
urgente. Nessa tarefa, o homem se realiza totalmente. Fomos
criados para isso.

9. Assumir nossa responsabilidade social.

O Movimento da Reforma do século XVI não foi somente um movimento


espiritual e eclesiástico. Teve também seus aspectos sociais e políticos.
Embora João Calvino, um dos maiores líderes do Movimento
Reformado, ficou conhecido pelo seu ministério como grande teólogo e
expositor bíblico, não podemos deixar cair no esquecimento um outro
aspecto do seu ministério, menos enfatizado, mas nem por isso, menos
importante, e que precisa ser resgatado, que é o aspecto social do seu
ensino e prática pastoral.

Calvino, bem como os outros reformadores, deu atenção aos problemas


sociais de sua época. A Situação Social em Genebra revelava graves
problemas sociais 76 .

Augustus N. Lopes em seu artigo “O Ensino de Calvino Sobre a


Responsabilidade Social da Igreja” trás um retrato de Genebra nos
tempos de Calvino:

Havia pobreza extrema, agravada por impostos pesados. Os


trabalhadores eram oprimidos por baixos salários e jornadas
extensas de trabalho. Campeava o analfabetismo, e a ignorância;
havia aguda falta de assistência social por parte do Estado;
prevalecia a embriagues e a prostituição. Destacava-se o vício do
jogo de cartas, que levava o pouco dinheiro do povo. As trevas
espirituais características da Idade Média refletiam-se nas condições
morais e sociais das massas. Essa era a situação que prevalecia em
Genebra antes da chegada da Reforma espiritual, a qual deu lugar,

76
BIÉLER, André. Op Cit., pp. 133-134
42

em seguida, a reformas sociais, econômicas e políticas, mesmo antes


de Calvino chegar à Genebra. 77

Quando de seu retorno à Genebra, Calvino criou as chamadas


Ordenanças Eclesiásticas em 1541, e ali ele instituiu o diaconato como
uma ordem do governo eclesiástico, resgatando assim a função bíblica
do diaconato. Calvino, então ensina que o diaconato como braço social
da igreja deveria desenvolver as seguintes ações básicas 78 :

Dentro deste aspecto, vale citar a influência que Calvino teve na área
social em Genebra. Tal influência e contribuição levou Graham a
considerar Calvino como o teólogo de maior influência para o contexto
urbano de sua época, ao defender que "todo empreendimento humano
está marcado com o mal, contudo isto nos impulsiona com o propósito
de fazer o evangelho relevante na cidade de comércio na qual vivemos e
trabalhamos.". Dentre o muito que foi conseguido pela participação
marcante do reformador em Genebra na área sócio-econômica podemos
destacar 12 itens: 79

• Assistência social aos necessitados sem discriminação de


nacionalidade.
• Ajuda e cuidado com a saúde popular através de um programa de
visita médica domiciliar.
• Esforços do governo na capacitação profissional.
• Combate ao desemprego com oferta de trabalho pelo governo.
• Ênfase no amparo aos pobres, idosos e desamparados.
• Luta contra a insolência do luxo em relação aos pobres.
• Exemplo de simplicidade por parte dos reformadores-líderes
públicos.
• Limitação dos juros nos empréstimos.
• Forte combate à especulação.
• Ataque frontal à escravidão.
• Combate a bebedice e proliferação das tavernas.
• Grande esforço na educação de todos.

Rev. Sérgio Lira também faz breve menção sobre a liderança de Calvino
na área da educação. Diz ele:

Em Genebra a sua grande marca educacional ficou indelével através


da criação da Academia. Essa escola possuía dois níveis, o
fundamental que era conhecido como escola superior ou pública , e o
segundo era o inferior ou escola privata equivalente ao nosso terceiro
grau. A Academia de Genebra foi fundada em 1559 e Calvino convidou
Teodoro Beza para ser o seu primeiro reitor. Essa escola veio a tornar-
se o seminário do calvinismo e o modelo para várias outras

77
LOPES, Augustus Nicodemus. Disponível em:
hhttp://www.textosdareforma.net/historia_e_biografias/acaosocial.shtml. Acessado em 20/08/03
78
BIÉLER, André. Op Cit., pp. 222-228
79
LIRA, Sérgio Paulo Ribeiro. Em seu artigo João Calvino: Sua Influência na Vida Urbana de
Genebra in: http://www.monergismo.com/textos/historia/calvino_genebra_sergio.htm capturado
em 28/12/05
43

universidades que foram lideradas por grandes nomes, ex-alunos da


Academia de Genebra. No ano da morte de Calvino a escola tinha
1.500 alunos matriculados, onde a maioria era de estrangeiros. A
escola de primeiro grau possuía 1.200 alunos, e a universidade 300
estudantes de teologia, direito e medicina 80 .

10. Agir na vida política.

O capítulo três de Tito fala da responsabilidade do cristão numa


sociedade pagã 81 . John Stott diz que:

Precisamos resgatar aquilo que se poderia descrever como a “dupla


identidade” da igreja. Por um lado ela é um povo “santo”, separado
do mundo para pertencer a Deus. Por outro, porém, é composta de
gente mundana, no sentido de que é enviada de volta ao mundo
para testificar e servir. 82

Jesus nos ensinou sobre esta responsabilidade na sociedade em


Mateus 5:13-16, utilizando-se da metáfora do sal e da luz. O que Jesus
quer dizer é que o cristão deve estar no mundo (sem ser dele) para
temperar e trazer luz. Fazendo assim, o cristão estará desempenhando
uma dupla identidade.

John Stott ensina quatro verdades que estão presentes na


metáfora do sal e da luz: 1a) Os cristãos são fundamentalmente
diferentes dos não-cristãos; 2a) os cristãos devem impregnar a sociedade
não-cristã; 3a) Os cristãos podem influenciar a sociedade não cristã.; e
4a) os cristãos devem manter a sua característica distintiva. 83

Qual deve ser a missão do cristão na vida política ? Creio que


nós os reformados confrontam pelo menos quatro deveres da
cidadania política:

1º.) Primeiro, o dever de orar a favor dos que exercem autoridade


governamental 84 .(I Tm 2:1-2) Precisamos orar por auxílio divino para
resolver alguns dos problemas sócio-políticos que afetam
negativamente a vida humana e a proclamação do evangelho.

Biéler referindo-se a um sermão de Calvino sobre I Timóteo 2:1,2


onde o reformador diz que o fato de algumas autoridades não serem
tementes a Deus e ainda perseguirem a igreja, não devem impedir os
fiéis de orarem pelos magistrados. 85

80
Idem
81
MACATHUR, John. The New Testament Commentary – Titus. Chicago: Moody Press. 1996.
p. 135
82
STOTT, John. O Cristão numa Sociedade Não Cristã. Niteroi, RJ: Editora Vinde. 1989. P. 45
83
Ibidem, pp. 96-99
84
CAVALCANTI, Cristianismo e Política. P. 254
85
BIÉLER, André. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. P. 384
44

2º.) Segundo, o dever de votar com responsabilidade e de advertir


as autoridades quando estas esquecem de suas responsabilidades.

Paralelamente às orações, a igreja precisa estar atenta e exigir


que os magistrados cumpram com as responsabilidades de seu ofício.

Biéler observa que “ Se a igreja cessa de ser vigilante, ela própria


se torna cúmplice da injustiça social e, cessando assim de cumprir
sua missão, não mais lhe resta que ser destruída” 86

30.) Terceiro, o dever de candidatar-se e ocupar cargos públicos.


Embora Cristo não tivesse ocupado cargo político, isto não significa
que os cristãos não possam fazê-lo 87 , caso contrário, incorriam no erro
de um estreito literalismo. 88

4º.) Quarto, o dever de obedecer ás autoridades constituídas 89 .

Note a orientação de Pedro: “Sujeitai-vos a toda instituição


humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano,quer às
autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores
como para louvor dos que praticam o bem”.(I Pe 2:13,14)

Escrevendo a Timóteo, Paulo também deu o mesmo conselho:

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações,


intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em
favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade,
para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e
respeito. (cf. I Tm 2:1,2 )
10. Fazer parcerias

O Dr. Robert Linthicum, por vários anos presidente da Visão Mundial,


diz que a Igreja pode se posicionar de 3 maneiras em relação à cidade:

1. Primeira, a igreja apenas estar na cidade. O prédio da igreja está


lá, os membros da igreja vão lá aos domingos, mas não há
nenhum envolvimento da igreja na comunidade.

2. A segunda é a igreja estar para a cidade. É um passo além do


anterior, porque a igreja não apenas ocupa espaço naquela
comunidade, mas tem alguma preocupação para com os
moradores daquela cidade. Vários projetos são iniciados pela
igreja: creche, escola, hospital, asilo, ambulatório, etc. Mas esses

86
Id Ibidem., p. 384
87
CAVALCANTI, Op Cit., p.
88
Ibidem., p.
89
BIÉLER, André. A Força Oculta dos Protestantes. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã,
1999. p. 62
45

projetos têm a duração que o fôlego financeiro da igreja pode


suportar. Muita coisa começa a ser feita para a comunidade pela
igreja, mas a necessidade é tão grande que a igreja não agüenta
sozinha por muito tempo.

3. A terceira posição é a mais vantajosa e mais eficaz – a igreja com


a cidade. Nessa condição, a igreja faz parceria, ela se associa, não
arca com tudo nas costas, mas ela canaliza, direciona, mostra o
caminho e a comunidade trabalha por ela mesma. Quando a
igreja está para a cidade, ela mesma decide o que é bom pra
comunidade, faz o papel de salvadora da comunidade.

Mas quando a igreja está com a cidade, ela mostra o conceito de justiça
para a comunidade, e mobiliza a comunidade para buscar soluções
para viver em paz uns com os outros.

Conclusão:
46

Apêndice
ESBOÇO ABREVIADO DO EVANGELHO
As Duas Perguntas de Diagnóstico.:

1. Você já chegou em um ponto de sua vida espiritual que pudesse


afirmar com certeza que, se morresse hoje, iria para o céu ?
. I João 5:13

2. Suponhamos que você morresse hoje, e chegasse diante de Deus


no céu e ele lhe perguntasse:
Qual a razão que eu tenho para deixar você entrar no meu céu ?
O que você responderia ?

. Repetir a resposta da pessoa.

O EVANGELHO:

a) A Graça
1. O céu é um presente - Romanos 6:23
2. Não é ganho por obras - Efésios 2:8-9

Ilustração: Presente de um amigo

b) O Homem
1. É pecador - Romanos 3:23
2. Não pode salvar-se a si próprio - Mateus 5:48 - Tiago 2:10
ilustração: Omelete de ovos estragados

c) Deus
1. É misericordioso - I João 4:8b (não quer punir o homem)
2. É justo, portanto precisa punir o pecador. Êxodo 34:7b; Isaías 53:6
ilustração: “Ladrão de banco”
transição: Como Deus resolveu este dilema ?

d) Cristo
1. Quem Ele é? (Infinito Deus-homem) - João 1:1-14
2. O que Ele fez? (Morreu na cruz, e...)
ilustração: “Livro de registro de pecados”
transição: Como se recebe este presente ?

e) Fé
1. O que não é fé salvadora?
- mero assentimento intelectual - Tiago 2:19
- mera fé temporal
2. O que é fé salvadora? (confiar somente em Cristo) Atos 16:31
ilustração: Cadeira
47

A DECISÃO:

a) Pergunta qualificadora: Isto faz sentido para você?


b) Pergunta de decisão: Você gostaria de receber o presente da vida
eterna?

c) Esclarecimento da decisão

1. Transferir confiança
2. Receber a Cristo como Salvador
3. Receber a Cristo como Senhor
4. Arrependimento de pecados

d) Oração de decisão
1. oração em frases curtas e personalizadas

e) Certeza de salvação 1. ler João 6:47


48

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