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LEI DE EXECUÇÕES PENAIS (7.

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1. OBJETO E DA APLICAÇÃO DA LEP:
- CF, art. 5º, XLVIII: a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado.

- Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença
ou pela lei.

 Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política.

2. DO CONDENADO E DO INTERNADO:
- Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para
orientar a individualização da execução penal.

- EXTRAÇÃO DE DNA (ART. 9º): Os condenados por crime doloso com violência de
natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes HEDIONDOS (equiparados não, salvo
se houver violência de natureza grave contra a pessoa), serão submetidos, obrigatoriamente, à
identificação do perfil genético, mediante extração de DNA, por técnica adequada e indolor.

 A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso,


conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.
 A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso
de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.

3. DO TRABALHO:
- O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4
do salário mínimo.

 As tarefas executadas como prestação de serviço à comunidade não serão


remuneradas.

- O condenado à pena privativa de liberdade está OBRIGADO ao trabalho na medida de suas


aptidões e capacidade.

 Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser executado no


interior do estabelecimento.

- A jornada normal de trabalho não será inferior a 6 nem superior a 8 horas, com descanso nos
domingos e feriados.

 STJ: 6 horas extras = 1 dia de trabalho.


 STJ: Se o preso, ainda que sem autorização do juízo ou da direção do estabelecimento
prisional, efetivamente trabalhar nos domingos e feriados, esses dias deverão ser
considerados no cálculo da remição da pena.

- O trabalho externo será admissível para os presos em regime FECHADO somente em serviço
ou obras públicas realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades
privadas, desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina.

 O limite máximo do número de presos será de 10% do total de empregados na obra.


 A prestação de trabalho à entidade privada depende do consentimento expresso do
preso.
 TRABALHO EXTERNO = ENTIDADES PÚBLICA OU PRIVADAS.

- A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá


de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 da pena.

4. DAS FALTAS DISCIPLINARES:


- Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou
regulamentar.

 As sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e moral do condenado.


 É vedado o emprego de cela escura.
 São vedadas as sanções coletivas.

- As faltas disciplinares classificam-se em leves, médias e graves. A legislação local (estadual)


especificará as leves e médias, bem assim as respectivas sanções.

 Pune-se a tentativa com a sanção correspondente à falta consumada. [“ATENTADO OU


EMPREENDIMENTO”]

- Comete falta GRAVE o condenado à pena privativa de liberdade que:

I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;

II - fugir;
III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de
outrem;

IV - provocar acidente de trabalho;

V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

 Constituem deveres do condenado: II - obediência ao servidor e respeito a qualquer


pessoa com quem deva relacionar-se; V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens
recebidas.

VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que
permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE ESSE INCISO:


- NÃO CONFIGURA FALTA GRAVE: cabo USB, um fone de ouvido,
microfone e qualquer outro acessório que não seja essencial para o
funcionamento do aparelho.
- CONFIGURA FALTA GRAVE: celular desmontado, bateria, chip.
- Ainda: “A conduta praticada, em tese, por genitor de preso - envio de
bateria de telefone celular por meio de correspondência Sedex -, não
pode ser extensiva ao paciente, se não demonstrado algum ato
material por ele praticado. O simples fato de o ascendente constar do
rol de visitantes do reeducando não é suficiente para afirmar a prática
de falta grave. Princípio da intranscendência penal”.

- Comete falta grave o condenado à pena restritiva de direitos que:

I - descumprir, injustificadamente, a restrição imposta;

II - retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta;

III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

 Constituem deveres do condenado: II - obediência ao servidor e respeito a qualquer


pessoa com quem deva relacionar-se; V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens
recebidas.

- REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO - RDD:


 Presos provisórios ou definitivos.
 Duração máxima de 360 DIAS, podendo ser aplicada mais de uma vez, limitada a 1/6 do
total da pena.
 Recolhimento em cela individual.
 Visitas semanais de 2 pessoas (excluídas crianças), por 2 horas.
 Saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol.
 Hipóteses: a) fato previsto como crime doloso que cause subversão da ordem ou
disciplina interna; b) presos provisórios ou definitivos que apresentem alto risco para a
ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade; c) preso provisório ou
o condenado sob o qual recaiam FUNDADAS SUSPEITAS de envolvimento ou
participação, a qualquer título, em organizações criminosas, quadrilha ou bando.
 RDD depende de requerimento circunstanciado do diretor + manifestação do MP e
defesa + decisão judicial em 15 dias (RESERVA DE JURISDIÇÃO).

- SANÇÕES DISCIPLINARES: I - advertência verbal; II - repreensão; III - suspensão ou restrição


de direitos; IV - isolamento na própria cela; V - inclusão no regime disciplinar diferenciado.
- Na aplicação das sanções disciplinares, levar-se-ão em conta a natureza, os motivos, as
circunstâncias e as consequências do fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão.

 O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a 30 dias,


ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado.
 O isolamento será sempre comunicado ao Juiz da execução. A suspensão ou restrição
de direitos NÃO.
 A autoridade administrativa poderá decretar o isolamento PREVENTIVO (cautelar) do
faltoso pelo prazo de até 10 dias. A inclusão do preso no regime disciplinar diferenciado,
no interesse da disciplina e da averiguação do fato, dependerá de despacho do juiz
competente.

- Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua apuração,
conforme regulamento, assegurado o direito de defesa.

 Súmula 533/STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da


execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por
advogado constituído ou defensor público nomeado.

- PRESCRIÇÃO DA FALTA DISCIPLINAR: 3 anos (STJ).

- REFLEXOS DA FALTA GRAVE:


5. DO JUIZ DA EXECUÇÃO, DO MP E DA DEFENSORIA:
 A competência para execução penal é da Justiça Estadual ou Federal dependendo do
PRESÍDIO, independentemente do juiz da condenação, ou seja, se o presídio for
estadual, o juiz da execução será estadual (e eventuais pedidos e recursos serão
dirigidos ao TJ); se o presídio for federal, o juiz da execução será federal (e eventuais
pedidos e recursos serão dirigidos ao TRF).

- Compete ao Juiz da execução:

I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado;

 Súmula 611/STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das


execuções a aplicação de lei mais benigna.

II - declarar extinta a punibilidade;

III - decidir sobre:

a) soma ou unificação de penas;

 SOMA: concurso material ou informal impróprio.


 UNIFICAÇÃO: continuado ou formal próprio.

b) progressão ou regressão nos regimes;

c) detração e remição da pena;

d) suspensão condicional da pena;

e) livramento condicional;

f) incidentes da execução.

IV - autorizar saídas temporárias;

V - determinar:

a) a forma de cumprimento da pena restritiva de direitos e fiscalizar sua execução;

b) a conversão da pena restritiva de direitos e de multa em privativa de liberdade;

c) a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos;

d) a aplicação da medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida


de segurança;

e) a revogação da medida de segurança;

f) a desinternação e o restabelecimento da situação anterior;

g) o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca;

h) a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1º, do artigo 86, desta Lei.

i) (VETADO);

VI - zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança;


VII - inspecionar, MENSALMENTE, os estabelecimentos penais, tomando providências
para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de
responsabilidade;

VIII - interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando


em condições inadequadas ou com infringência aos dispositivos desta Lei;

IX - compor e instalar o Conselho da Comunidade.

X – emitir anualmente atestado de pena a cumprir.

- O Ministério Público fiscalizará a execução da pena e da medida de segurança, oficiando no


processo executivo e nos incidentes da execução.

 Incumbe, ainda, ao Ministério Público:

I - fiscalizar a regularidade formal das guias de recolhimento e de internamento;

II - requerer:

a) todas as providências necessárias ao desenvolvimento do processo executivo;

b) a instauração dos incidentes de excesso ou desvio de execução;

c) a aplicação de medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida


de segurança;

d) a revogação da medida de segurança;

e) a conversão de penas, a progressão ou regressão nos regimes e a revogação da


suspensão condicional da pena e do livramento condicional;

f) a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior.

III - interpor recursos de decisões proferidas pela autoridade judiciária, durante a


execução.

 O órgão do Ministério Público visitará MENSALMENTE os estabelecimentos penais,


registrando a sua presença em livro próprio.

- A Defensoria Pública velará pela regular execução da pena e da medida de segurança,


oficiando, no processo executivo e nos incidentes da execução, para a defesa dos necessitados
em todos os graus e instâncias, de forma individual e coletiva.

 Incumbe, ainda, à Defensoria Pública:

I - requerer: (destaques)

b) a aplicação aos casos julgados de lei posterior que de qualquer modo favorecer o
condenado;

i) a autorização de saídas temporárias;

k) o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca;

II - requerer a emissão anual do atestado de pena a cumprir;


IV - representar ao Juiz da execução ou à autoridade administrativa para instauração de
sindicância ou procedimento administrativo em caso de violação das normas referentes
à execução penal;

V - visitar os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado


funcionamento, e requerer, quando for o caso, a apuração de responsabilidade;

VI - requerer à autoridade competente a interdição, no todo ou em parte, de


estabelecimento penal.

 O órgão da Defensoria Pública visitará periodicamente os estabelecimentos penais,


registrando a sua presença em livro próprio.

- JUIZ E MP visitarão MENSALMENTE os estabelecimentos penais, enquanto a DEFENSORIA


visitará "periodicamente".

6. DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS:


- Os estabelecimentos penais destinam-se ao condenado, ao submetido à medida de segurança,
ao preso provisório e ao egresso.

 EGRESSO: Considera-se egresso para os efeitos desta Lei: I - o liberado definitivo, pelo
prazo de 1 ano a contar da saída do estabelecimento; II - o liberado condicional, durante
o período de prova.
 A mulher e o maior de 60 anos, separadamente, serão recolhidos a estabelecimento
próprio e adequado à sua condição pessoal.
 Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as
condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6
(seis) meses de idade.

- São indelegáveis as funções de direção, chefia e coordenação no âmbito do sistema penal,


bem como todas as atividades que exijam o exercício do poder de polícia, e notadamente:

I - classificação de condenados;

II - aplicação de sanções disciplinares;

III - controle de rebeliões;

IV - transporte de presos para órgãos do Poder Judiciário, hospitais e outros locais


externos aos estabelecimentos penais.

- O preso provisório ficará separado do condenado por sentença transitada em julgado.

 Presos provisórios ficarão separados entre si pelos seguintes critérios: a)


hediondos/equiparados; b) violência ou grave ameaça; c) outros crimes.
 Presos definitivos ficarão separados entre si pelos seguintes critérios: a)
hediondos/equiparados; b) reincidentes em violência ou grave ameaça; c) primários em
violência ou grave ameaça; d) outros crimes.
 O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal
ficará em dependência separada.
 O preso que tiver sua integridade física, moral ou psicológica ameaçada pela convivência
com os demais presos ficará segregado em local próprio.

- PENITENCIÁRIA: reclusão; regime fechado.

 São requisitos básicos da unidade celular: a) salubridade do ambiente pela concorrência


dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequado à existência
humana; b) área mínima de 6m².
 A penitenciária de mulheres será dotada de seção para gestante e parturiente e de
CRECHE para abrigar crianças maiores de 6 meses e menores de 7 anos, com a finalidade
de assistir a criança desamparada cuja responsável estiver presa.
 A penitenciária de homens será construída, em local afastado do centro urbano, à
distância que não restrinja a visitação.

- COLÔNIA AGRÍCOLA, INDUSTRIAL OU SIMILAR: reclusão e detenção; regime semiaberto.

- CASA DO ALBERGADO: regime aberto; restritivas de direitos de limitação de FDS; deve situar-
se em centro urbano e caracteriza-se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga.

- HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO: medida de segurança.

- CADEIA PÚBLICA: presos provisórios (preventiva e temporária); cada comarca contará com
pelo menos 1 cadeia pública.

7.1. PROGRESSÃO DE REGIME:


- A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para
regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos
1/6 da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo
diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão.

 Regra: 1/6 da pena.


 Hediondos: 2/5 se primário e 3/5 se reincidente.
 A decisão que defere a progressão de regime é DECLARATÓRIA (e não constitutiva), de
modo que o lapso para progressão de regime conta-se do momento em que o
sentenciado preenche os requisitos para a obtenção do benefício e não da data em que
o juiz da execução o concede (STF).
 Em relação ao requisito subjetivo (bom comportamento): antes da Lei nº. 10.792/2003,
que alterou a LEP, o pedido de progressão dependia de EXAME CRIMINOLÓGICO. Essa
lei extinguiu essa condição, mas a jurisprudência ainda é reticente e admite que o juiz
pode, fundamentadamente, requerer o exame criminológico.
 Súmula 439/STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde
que em decisão motivada.
 SV 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime
hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art.
2º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado
preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.

- FALTA DE VAGAS X PROGRESSÃO: SV 56 -> A falta de estabelecimento penal adequado não


autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar,
nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.

 Havendo “déficit” de vagas, deve ser determinada: 1) a saída antecipada de


sentenciado no regime com falta de vagas; 2) a liberdade eletronicamente monitorada
ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de
vagas; 3) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que
progrida ao regime aberto. STF. Plenário. RE 641320/RS.

- VEDAÇÃO DA PROGRESSÃO PER SALTUM: É inadmissível a chamada progressão per saltum de


regime prisional (Súmula 491/STJ).

- NÃO PAGAMENTO DA MULTA IMPOSSIBILITA PROGRESSÃO: O Plenário do Supremo Tribunal


Federal firmou orientação no sentido de que o inadimplemento deliberado da pena de multa
cumulativamente aplicada ao sentenciado impede a progressão no regime prisional.

- REGIME ABERTO:
- Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que:

I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente;


 STJ: No regime aberto, a remição somente é conferida se há frequência em curso de
ensino regular ou de educação profissional, sendo inviável o benefício pelo trabalho
(que é condição para o regime).

II - apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi
submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de
responsabilidade, ao novo regime.

 Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei (isto
é, as que fazem jus à prisão domiciliar).

- O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem prejuízo
das seguintes condições gerais e obrigatórias:

I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;

II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;

III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;

IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for


determinado.

 É inadmissível a fixação de pena substitutiva (art. 44 do CP) como condição especial


ao regime aberto (Súmula nº. 493/STJ). Isso significa dizer que não se pode PROIBIR
QUE SE FREQUENTE DETERMINADOS LUGARES, pois se trata de PRD.
OBS: admite-se para a suspensão condicional do processo -> Não há óbice a que se
estabeleçam, no prudente uso da faculdade judicial disposta no art. 89, § 2º, da Lei n.
9.099/1995, obrigações equivalentes, do ponto de vista prático, a sanções penais (tais
como a prestação de serviços comunitários ou a prestação pecuniária), mas que, para
os fins do sursis processual, se apresentam tão somente como condições para sua
incidência. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73)

- O Juiz poderá modificar as condições estabelecidas, de ofício, a requerimento do Ministério


Público, da autoridade administrativa ou do condenado, desde que as circunstâncias assim o
recomendem.

- Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular


quando se tratar de:

I - condenado maior de 70 (setenta) anos;

II - condenado acometido de doença grave;

III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental;

IV - condenada gestante.

- PRISÃO DOMICILIAR CPP X LEP:

CPP – PRISÃO CAUTELAR LEP – CUMPRIMENTO DE PENA


- Substitui a prisão preventiva. - Regime aberto em domicílio.
- Indiciado ou acusado. - Condenado.
Maior de 80 anos Maior de 70 anos
Extremamente debilitado por doença grave Acometido de doença grave
Imprescindível ao cuidado de pessoa menor de 6
anos ou deficiente x
Gestante Gestante
Mulher com filho de até 12 anos incompletos Mulher com filho menor ou deficiente
Homem, caso seja o único responsável pelos
cuidados de filho de até 12 anos incompletos x

7.2. REGRESSÃO DE REGIME:


- A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência
para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:

I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;

 A lei não exige trânsito em julgado para que caracterize falta grave. Súmula 526/STJ:
O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como
crime doloso no cumprimento da pena PRESCINDE [ISTO É, NÃO EXIGE; DISPENSA] do
trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para
apuração do fato.

II - sofrer condenação, POR CRIME ANTERIOR, cuja pena, somada ao restante da pena
em execução, torne incabível o regime.

 O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos
incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa
cumulativamente imposta.
 Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido previamente o
condenado.
 Réu que iniciou pena em semiaberto e pratica falta grave, pode ser regredido para o
fechado? SIM (majoritária - STF).

8. AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA:
- PERMISSÃO DE SAÍDA: diretor; fechado ou semiaberto e os provisórios; mediante escolta;
quando ocorrer os seguintes FATOS: I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira,
ascendente, descendente ou irmão; II - necessidade de tratamento médico.

- SAÍDA TEMPORÁRIA: juiz; apenas semiaberto; sem vigilância direta (autoriza monitoração
eletrônica); nos seguintes CASOS: I - visita à família; II - frequência a curso supletivo
profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da
Execução; III - participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social.

 A saída temporária será automaticamente revogada quando o condenado praticar fato


definido como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições
impostas na autorização ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso.

OBS: A recuperação do direito à saída temporária dependerá da absolvição no processo


penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da demonstração do merecimento do
condenado.
 Súmula 520/STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato
jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento
prisional.

9. DA REMIÇÃO:
- O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá remir, por trabalho
ou por estudo, parte do tempo de execução da pena.

 Remição pelo trabalho = fechado e semiaberto (não cabe no aberto, pois é pressuposto
do regime).
 Remição pelo estudo = fechado, semiaberto e aberto.
 O disposto neste artigo aplica-se às hipóteses de prisão cautelar.

- 3 dias de trabalho = 1 dia de cumprimento de pena.

- 12 horas de estudo (divididas em no mínimo 3 dias) = 1 dia de cumprimento de pena.

 Se concluir o curso = + 1/3 do tempo remido pelo estudo.

- PODEM SER CUMULADAS: Para fins de cumulação dos casos de remição, as horas diárias de
trabalho e de estudo serão definidas de forma a se compatibilizarem.

- O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos continuará a


beneficiar-se com a remição.

 STJ: Não há remição da pena na hipótese em que o condenado deixa de trabalhar ou


estudar em virtude da omissão do Estado em fornecer tais atividades.

- FALTA GRAVE: revoga ATÉ 1/3 do tempo remido.

- O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os efeitos.

 STJ: A decisão que reconhece a remição da pena, em virtude de dias trabalhados, não
faz coisa julgada nem constitui direito adquirido (rebus sic stantibus).

- Horas extras e dias não úteis (STJ):

 Jornada de trabalho = 8 horas diárias;


 6 horas extras = 1 dia de trabalho.
 Se o preso, ainda que sem autorização do juízo ou da direção do estabelecimento
prisional, efetivamente trabalhar nos domingos e feriados, esses dias deverão ser
considerados no cálculo da remição da pena.
 A remição da pena pelo estudo deve ocorrer independentemente de a atividade
estudantil ser desenvolvida em dia não útil.

- Remição pela leitura de livros (STJ):

 A atividade de leitura pode ser considerada para fins de remição de parte do tempo de
execução da pena.
 O fato de o estabelecimento penal assegurar acesso a atividades laborais e a educação
formal NÃO IMPEDE a remição por leitura e resenha de livros.
- Constitui o crime do artigo 299 do Código Penal (FALSIDADE IDEOLÓGICA) declarar ou atestar
falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido de remição.

10. DO LIVRAMENTO CONDICIONAL:


- STJ: Após a Lei n. 10.792/2003, que deu nova redação ao art. 112 da LEP, a concessão de
livramento condicional dispensa manifestação prévia do conselho penitenciário. Fica ao critério
do juízo de execuções requisitá-la ou não.

 O livramento condicional INDEPENDE da progressão de regime. Ex.: o sujeito não


precisa progredir para o semiaberto para pedir o livramento. Preenchidos os requisitos
legais, poderá obtê-lo, mesmo estando em regime fechado.
 É importante compreender a diferença entre os prazos para progressão de regime e
para livramento condicional, pois as questões sempre tentam confundir.
- Concessão – requisitos do art. 83 do CP:

(i) Pena igual ou superior a 2 anos; [INFERIOR PODERIA SUBSTITUIR POR PRD]

(ii) Cumprido mais de 1/3 da pena, se não for reincidente em crime DOLOSO e tiver bons
antecedentes;

(iii) Cumprido mais da 1/2 da pena, se reincidente em crime DOLOSO;

(iv) Cumprido mais de 2/3 da pena, no caso de CRIME HEDIONDO ou equiparado, se não
for reincidente específico;

 É vedada a concessão de livramento condicional aos reincidentes específicos na prática


de crimes hediondos ou equiparados, nos quais se inclui o delito de tráfico de drogas, a
teor dos arts. 83, V, do Código Penal e 44 da Lei n. 11.343/2006 (STF).
 Associação para o tráfico (art. 35 da Lei de Drogas) NÃO É crime hediondo, mas o art.
44 da aludida lei impõe ao condenado por esse crime o cumprimento de 2/3 da pena
para obtenção de livramento condicional.

(v) comportamento satisfatório, bom desempenho e APTIDÃO para prover à própria


subsistência;

 STJ: Para a concessão de livramento condicional, a avaliação da satisfatoriedade do


comportamento do executado não pode ser limitada a um período absoluto e curto de
tempo.

(vi) reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;

 STF: a falta de reparação do dano: a) pode ser causa de revogação obrigatória do


“sursis”; b) impede a extinção da punibilidade ou mesmo a redução da pena, em
determinadas hipóteses; c) pode acarretar o indeferimento do livramento condicional e
do indulto; d) afasta a atenuante genérica do art. 65, III, b, do CP, entre outros.

(vii) crimes com violência/grave ameaça = constatação de condições pessoais que façam
presumir que o liberado não voltará a delinquir.
Pena cumprida para progressão de regime: Pena cumprida para livramento condicional:
- Regra: 1/6 (irrelevante a reincidência). - 1/3 da pena se não reincidente em doloso.
- Hediondos: 2/5, se primário; 3/5 se - 1/2 se reincidente em doloso.
reincidente. - 2/3 se hediondo ou equiparado ou
- Falta grave interrompe o prazo. associação para o tráfico, salvo reincidente
específico.
- Falta grave não interrompe o prazo.
Reincidentes específicos em crimes hediondos PODEM progredir de regime, mas NÃO
PODEM obter livramento condicional.
- CONDIÇÕES OBRIGATÓRIAS/LEGAIS: Serão sempre impostas ao liberado condicional as
obrigações seguintes:

a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho;

b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;

c) não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização


deste.

- CONDIÇÕES FACULTATIVAS/JUDICIAIS: Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional,


entre outras obrigações, as seguintes:

a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da


observação cautelar e de proteção;

b) recolher-se à habitação em hora fixada;

c) não frequentar determinados lugares.

- O livramento condicional se inicia com a AUDIÊNCIA ADMONITÓRIA.

- PRORROGAÇÃO DO LIVRAMENTO:

 ART. 89 DO CP: O juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em
julgado a sentença em processo a que responde o liberado, por crime cometido na
vigência do livramento.
 Se o liberado vier a cometer uma infração penal no curso do livramento, o juiz não
poderá declarar extinta a PPL enquanto não houver o trânsito em julgado da sentença
desse novo crime. Essa é justamente a hipótese de PRORROGAÇÃO, pois fica
prorrogado o livramento até esse trânsito em julgado.
 Se a sentença for condenatória -> revogação do livramento; NÃO se computa o período
de prova como pena.
 Se a sentença for absolutória -> o tempo de livramento é computado como
cumprimento de pena.
 A prorrogação NÃO É AUTOMÁTICA, exigindo decisão judicial (majoritária).

- REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA (CP, ART. 86):

 Condenado a PPL, em sentença irrecorrível, por crime cometido DURANTE a vigência do


benefício.

OBS: aqui, o beneficiado quebrou a confiança estatal. Foi liberado e cometeu um crime,
razão pela qual as consequências são mais severas: não se computa como pena
cumprida o período de prova; não poderá ser concedido novo livramento em relação à
mesma pena.

 Condenado a PPL, em sentença irrecorrível, por crime ANTERIOR.

OBS: aqui não houve quebra da confiança, pois o crime é anterior ao livramento. Nesse
caso, as consequências são mais brandas: computa-se o período de prova como pena;
admite-se a concessão de novo livramento em relação à mesma pena; E, AINDA, essa
revogação só ocorrerá se a nova pena recebida, somada à que permitiu o livramento,
tornar inadmissível o benefício (CP, art. 84).

- REVOGAÇÃO FACULTATIVA:

 Deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença.

OBS: também há quebra da confiança depositada no liberado. Consequências: o tempo


que esteve solto no livramento não é computado como pena; é vedada a concessão de
novo livramento em relação à mesma pena.

 Condenado irrecorrivelmente por crime OU CONTRAVENÇÃO a pena que não seja PPL.

OBS: aqui depende do momento em que cometido o crime ou a contravenção. Se


durante a vigência do livramento = quebra da confiança estatal. Se fato praticado
anteriormente ao livramento = consequências menos severas.

- Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa de
liberdade.

 Note-se que no livramento condicional a extinção da pena é automática, ou seja, se não


suspenso, prorrogado ou revogado = extinção da pena, ainda que se tenha
conhecimento, posteriormente, que houve a prática de crime durante o período de
prova.
 O mesmo NÃO ocorre na suspensão condicional do processo -> "Se descumpridas as
condições impostas durante o período de prova da suspensão condicional do processo,
o benefício poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo legal, desde que
referente a fato ocorrido durante sua vigência" (STJ, repetitivos).
 Súmula 617 - A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes
do término do período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral
cumprimento da pena. (Súmula 617, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 26/09/2018, DJe
01/10/2018)

11. MONITORAÇÃO ELETRÔNICA:


- O juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica quando:

(i) Autorizar saída temporária no semiaberto;

(ii) Determinar prisão domiciliar.

 Importante lembrar que a monitoração eletrônica também é MEDIDA CAUTELAR


PESSOAL DIVERSA DA PRISÃO (CPP, art. 319, IX).
- A violação comprovada dos deveres em relação ao equipamento poderá acarretar, a critério
do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa: a) regressão de regime; b)
revogação da autorização de saída temporária; c) revogação da prisão domiciliar; d) advertência,
por escrito, para quando o juiz não decida aplicar outra sanção.

- A monitoração eletrônica poderá ser revogada:

 Quando se tornar desnecessária ou inadequada.


 Se o acusado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência ou cometer
falta grave.
 STJ: A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira
eletrônica configura mero descumprimento de condição obrigatória que autoriza a
aplicação de sanção disciplinar, mas não configura, mesmo em tese, a prática de falta
grave.

OBS: O rompimento e deixar sem bateria caracteriza falta grave, mas o desrespeito ao
perímetro não.

12. INCIDENTES DA EXECUÇÃO: além dessas, o excesso e desvio são incidentes.


- CONVERSÕES:
- Conversão da PPL em PRD (juiz da execução também pode; requisitos diversos do CP):

 Condenado esteja em regime aberto.


 Cumprimento de pelo menos 1/4 da pena.
 Antecedentes e personalidade indiquem ser a conversão recomendável.

- Conversão da PRD em PPL: a pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade


quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena
privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos,
respeitado o saldo mínimo de 30 dias de detenção ou reclusão (CP, ART. 44 § 4º).

 Caso o condenado que esteja cumprindo PPL seja novamente condenado, mas ao
cumprimento de PRD, caberá ao juiz RECONVERTER a nova PRD para PPL e UNIFICAR as
reprimendas.

- Conversão da multa em PPL: não se admite mais (multa é dívida de valor). O não pagamento
da multa, no entanto, impossibilita a progressão de regime.

- O tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente revelar


incompatibilidade com a medida.

 Nesta hipótese, o prazo mínimo de internação será de 1 (um) ano.

- ANISTIA E INDULTO: