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Quanto custa uma empresa?

– Parte 1

 Posted on julho 11, 2011 by Alex


Corsino in Administração, Empreendedorismo, Estratégia, Vendas

A idéia e o planejamento do negócio

Até que um negócio tome forma e seja iniciado, vários


passos são dados. E se estes forem de forma
ordenada, podemos afirmar que já existe grande
chance de se obter o sucesso. Todo negócio, seja ele
qual for, nasce da idéia. Seja pela própria necessidade
em se ter algo ou pela observação do comportamento
do mercado. Contudo, é preciso ter em mente, e por
isto esta série de estudos, que para se iniciar uma
empresa é preciso tomar alguns cuidados.

Quando a idéia surge em nossas mentes, ela parece ser a idéia certa para um negócio
lucrativo. A emoção é importante para tudo o que fazemos, mas devemos sempre ter a razão
para equilibrar as nossas decisões. Quando passamos a idéia para o papel e já iniciamos
alguma fase dela, isto significa que a empresa já começou a ter gastos, mesmo que ainda você
não tenha o CNPJ liberado pela Receita Federal (estes gastos são chamados de pré-
operacionais. Ou sejas, todo o gasto antes da empresa entrar em operação).

Para saber se uma idéia é de fato um bom negócio, pode-se – e deve-se – fazer um estudo de
mercado e desenvolver um plano de negócio. O plano de negócio servirá para avaliarmos se de
fato a nossa idéia será financeira e economicamente viável. Um plano de negócio é um
documento completo sobre todas as fases do negócio – a execução da idéia. Inicialmente, num
plano de negócio descrevemos:

 Um descritivo do negócio;

 A missão da empresa, ou seja, a sua razão de existir;

 A visão que você tem para, pelo menos, os próximos 5 anos;

 As pessoas que irão compor o quadro societário;

 Os setores de atividades (comércio, serviço, indústria, agropecuária);

 A forma jurídica e o enquandramento tributário;

 O valor do capital social;

 E as fontes de recursos.

Isto é apenas o começo. Desenvolver um plano de negócio não é uma simples tarefa como
preencher um formulário, pois é necessário pesquisar o mercado para saber onde seus
produtos, ou serviços, serão vendidos, onde estão os fornecedores, qual será o mix de
produtos, quanto custará cada item e qual o preço de venda deles, como será executado plano
operacional da sua empresa e como as finanças serão administradas.

O plano de negócio não é a garantia de que quando a sua idéia for colocado em prática, trará o
retorno financeiro no tempo calculado. O plano de negócio serve para, principalmente, no
transpor a sua idéia para o papel, o colher de informações preciosas sobre o que antes era algo
que antes envolvia o seu emocional. O conhecimento adquirido durante a pesquisa de
mercado fará com que você tome a decisão certa. E, neste momento, você estará trabalhando
com a razão.

O plano de negócio é um documento tão importante para esta fase do negócio que, quando da
necessidade de capital de terceiros, ele será determinante no convencimento de bancos ou
investidores de que a sua idéia é realmente valiosa.

Algumas pessoas passam por não perceber o quão prudente se é ao escrever com detalhe a
sua idéia e avaliar cada ponto. Já havia escrit0 o sábio rei Salomão: quem examina cada
questão com cuidado, prospera. (Provérbios 16:20a). Ao descrevermos os detalhes,
poderemos esmiuçar cada processo que envolverá a logística do negócio pretendido.
Desenvovler um bom plano certamente vai tomar um pouco do seu tempo, porém vai fazer
com você seja pró-ativo na realização do seu empreendimento.

Na próxima semana estaremos discutindo sobre os recursos necessários para o


desenvolvimento de um negócio. Fique antenado!

O Sebrae MG disponibiliza uma ferramenta muito útil para a construção do plano de negócio.
Para baixar e instalar em seu computador clique aqui.

Quanto custa uma empresa? – Parte 2

 Posted on julho 19, 2011 by Alex


Corsino in Administração, Empreendedorismo, Estratégia

Recursos necessários para a gestão da empresa

Que tipo de recursos você tem pensado para compor a sua empresa? Quando estamos
desenvolvendo o plano de negócio é importante pensar em todos os detalhes. Imagine uma
dona de casa ao fazer um bolo. O que acontecerá se ela esquecer um ovo, ou tiver a
quantidade insuficiente de açúcar, ou faltar leite no meio da receita? A receita pode até ser
feita até o fim, mas o sabor do bolo não será o mesmo. O mesmo acontece em uma empresa
quando tentamos fazê-la funcionar sem que todos os recursos necessários não estejam
dispostos.

Imagine como será o ambiente de trabalho. Salas, divisórias, equipamentos, computadores e,


claro, as pessoas. Independente de ser uma única sala ou um ambiente maior, é interessante
projetar uma planta do ambiente. Aconselhável consultar um arquiteto (este profissional sabe
bem como utilizar cada centímetro de um ambiente), ou pelo menos utilizar algum programa
para desenhar a planta da sua empresa.

Uma vez que você tenha descrito as divisões da sua empresa, é preciso saber quem vai ocupar
cada lugar e o que exatamente cada função que será desempenhada. Secretária, ASG,
auxiliares, gerentes, ou somente você. Independente de quantas pessoas façam valer o seu
negócio, você precisa saber exatamente quanto custa cada uma delas. Lembre-se que uma
empresa é criada para gerar lucro, e não é lugar para colocar parentes para trabalhar sem que
venham dar bons resultados. Afinal de contas, eles também serão beneficiados pelo lucro
gerado.

Você pode utilizar uma tabela como a do exemplo abaixo para descrever os materiais
necessários e obter o custo de cada um. Para os custos com o pessoal, vamos trabalhar de
modo mais detalhado no módulo de planejamento orçamentário.

DESCRIÇÃO QTDE VL. UNIT. VL. TOTAL

Armário Arquivo 2 350,00 700,00

Mesa 0,60 x 1,50 m 3 150,00 450,00

Cadeira Secretária 3 100,00 300,00

Bebedouro 1 450,00 450,00

Computador Desktop 3 1.200,00 3.600,00

Impressora 1 500,00 500,00

TOTAL 6.000,00

Como mostra o exemplo acima, o custo total com o mobiliário é de R$ 6.000,00. Até que aqui
podemos dizer que o custo para manter uma empresa é o valor do mobiliário, mais as
despesas operacionais comentadas na parte 1 deste estudo. Contudo, a esse valor ainda serão
agregados outros valores, como os custos fixos e outros valores de projeção, como o capital de
giro.

O software linkado no artigo anterior permite com que você descreva todas os recursos
necessários. Ele ainda calcula ainda a depreciação por tipo de equipamento. Isto ajuda no
projeção para a reposição destes materiais no decorrer dos anos seguintes da sua empresa.

Fique atendo para a próxima semana e bons negócio$!


Quanto custa uma empresa? – Parte 3

 Posted on agosto 3, 2011 by Alex


Corsino in Administração, Empreendedorismo, Estratégia

Lidando com gastos fixos

Vimos, nos últimos dois módulos, que a partir do momento que colocamos uma idéia de
negócio no papel, já estamos tendo algum tipo de custo com a mesma. E, que a mensuração
deste é fundamental para saber quanto dinheiro será empreendido no negócio como um todo.
Neste módulo, estaremos tratando de quais gastos estão envolvidos na gestão financeira de
uma empresa.

Todas as saídas de uma empresa são consideradas como gastos. Estes são classificados
como custos e despesas. A diferença entre estes gastos está no objetivo da saída. Todos os
gastos com materiais para a produção são considerados como custos, já aqueles realizados
para a operacionalização da empresa são classificados como despesas. Por exemplo: em uma
fábrica, o gasto com matéria-prima, energia utilizada no setor produtivo, e o salário dos
operários desse setor são considerados custos. Nessa mesma fábrica, no setor administrativo,
os gastos com material de expediente, salários administrativos e energia são despesas.

No comércio varejista todos os gastos, em geral, são considerados como despesas. Exceto o
gasto com a compra do produto, que é considerado como custo de aquisição. As despesas de
uma empresa podem ser fixas ou variáveis.

Podemos estabelecer como despesa fixa toda aquela que, independente de movimentação de
vendas, tem sua obrigação mensal. Exemplos: telefonia, internet, água, energia, aluguel,
honorários, salários, combustíveis, etc. Uma despesa é considerada variável não pela sua
variação de valor financeiro, mas pela ocorrência ou não de receitas.

Embora as despesas de manutenção, depreciação e seguros não impliquem pagamento


mensal, podemos classificá-los como “não caixa”, criando uma conta remunerada para as
mesmas, uma vez que estarão sendo provisionadas. A tabela abaixo apresenta as médias
percentuais de depreciação, manutenção e seguros anuais.

BENS % % %
DEPRECIAÇÃO MANUTENÇÃO SEGUROS

Obras civis 3,5 1,5 1,0

Instalações 5,0 3,0 2,5

Móveis e utensílios 10,0 4,5 3,5


Máquinas e Equipamentos 15,0 4,5 3,5

Equipamentos de 25,0 5,0 3,0


informática

Veículos 20,0 5,0 4,0

Para um melhor entendimento das despesas fixas, temos como exemplo: água, energia,
telefonia, internet, honorários contábeis, honorários advocatícios, combustíveis e
lubrificantes, aluguel, depreciação, manutenção, seguros, materiais de limpeza, material de
expediente, pró-labore.

A despesa com a folha de pagamento também é considerada um componente da formação do


preço de venda. Por se tratar de uma despesa fixa, geralmente, os valores referente à esta são
inclusos na lista de despesas fixas. Porém, para mensurar o impacto dos gastos com os
colaboradores, consideremos a sua análise separadamente.

O salário de um funcionário não deve ser considerado somente o valor pago mensalmente,
deve ser mensurado o total dos encargos trabalhistas e da provisão de férias e do 13º salário.
Vale salientar que para as empresas inscritas na modalidade Simples Nacional, estas estão
isentas do pagamento patronal referente à Previdência Social. Para uma visão mais ampla
sobre os valores inclusos na folha, consideremos o quadro funcional abaixo:

DESCRIÇÃO AUX. ADM. GERENTE VENDEDOR TOTAL

SALÁRIO 600,00 1.200,00 600,00 2.400,00

COMISSÃO 0,00 0,00 900,00 900,00

FGTS 8% 48,00 96,00 120,00 264,00

VALE TRANS. 34,40 0,00 0,00 34,40

SUBTOTAL 1 682,40 1.296,00 1.620,00 3.598,40

13º SAL. 50,00 100,00 125,00 275,00

FGTS 8% 13º 4,00 8,00 10,00 22,00

FÉRIAS 50,00 100,00 125,00 275,00

1/3 FÉRIAS 16,67 33,33 41,67 91,67

FGTS 8% FÉRIAS 5,33 10,67 13,33 29,33

RESCISÃO FGTS 50% 28,67 57,33 71,67 157,67

SUBTOTAL 2 154,67 309,33 386,67 850,67


TOTAL 837,07 1.605,33 2.006,67 4.449,07

Na tabela acima, considerando o Simples Nacional, o Subtotal 1 representa o somatório do


valor que será pago com salários, comissões, FGTS e vale-transporte. O valor na linha Subtotal
2 é a provisão referente 13º salário, férias, FGTS e rescisão de contrato. O valor deste
somatório não tem a sua retirada no caixa mensalmente. É aconselhado separá-lo em uma
conta específica para os devidos saques nos períodos de férias e 13º salário.

Para as empresas inscritas na modalidade Lucro Presumido é acrescido ao valor da folha de


pagamento o percentual de 27,8% referente à Previdência Social, tanto para o valor pago
mensalmente, como para o valor provisionado.

Mesmo no Simples Nacional, ocorre mensalmente o recolhimento da Previdência Social. O


valor destacado na GPS (Guia da Previdência Social) é referente aos descontos na faixa salarial
dos empregados.

Abaixo é exibida uma tabela com valores da Folha de Pagamento com base no regimento
do Lucro Presumido.

DESCRIÇÃO AUX. ADM. GERENTE VENDEDOR TOTAL

SALÁRIO 600,00 1.200,00 600,00 2.400,00

COMISSÃO - - 900,00 900,00

FGTS 8% 48,00 96,00 120,00 264,00

VALE TRANS. 34,40 - - 34,40

PREV. SOCIAL 27,8% 166,80 333,60 417,00 917,40

SUBTOTAL 1 849,20 1.629,60 2.037,00 4.515,80

13º SAL. 50,00 100,00 125,00 275,00

FGTS 8% 13º SAL. 4,00 8,00 10,00 22,00

PREV. SOCIAL 13º 13,90 27,80 34,75 76,45


SAL.

FÉRIAS 50,00 100,00 125,00 275,00

1/3 FÉRIAS 16,67 33,33 41,67 91,67

FGTS 8% FÉRIAS 5,33 10,67 13,33 29,33

RESCISÃO FGTS 50% 28,67 57,33 71,67 157,67


PREV. SOCIAL FÉRIAS 18,53 37,07 46,33 101,93

SUBTOTAL 2 187,10 374,20 467,75 1.029,05

TOTAL 1.036,30 2.003,80 2.504,75 5.544,85

Para uma melhor compreensão dos gastos que a empresa planejada terá, utilize uma tabela
como a do exemplo abaixo para que você tenha uma idéia do gasto fixo mensal.

DESCRIÇÃO MÊS 1 MÊS 2 MÊS 3 TOTAL

Água 50,00 50,00 50,00 150,00

Energia 100,00 100,00 100,00 300,00

Telefonia 350,00 350,00 350,00 1.050,00

Folha de Pagamento 3.500,00 3.500,00 3.500,00 10.500,00

Pró-Labore 1.500,00 1.500,00 1.500,00 4.500,00

Contador 545,00 545,00 545,00 1.635,00

Aluguel 700,00 700,00 700,00 2.100,00

Combustível 300,00 300,00 300,00 900,00

Seguros 120,00 120,00 120,00 360,00

TOTAL 7.165,00 7.165,00 7.165,00 22.845,00

No próximo módulo trataremos, separadamente, dos gastos variáveis. Aquelas despesas que
ocorrem somente quando há a movimentação de receita. Dentre estas despesas trataremos
sobre: taxas de cartão, impostos, comissões, propaganda, etc.

Quanto custa uma empresa?–Parte 4

 Posted on setembro 14, 2011 by Alex Corsino in Administração

Lidando com custos variáveis


A variação dos custos em uma empresa é o índice aplicado sobre o preço de venda de um
produto. Por exemplo: impostos, taxas administrativa de cartões, comissões, percentuais de
perda, etc. A soma destes índices também é conhecida como mark-up comercial, ou de venda.
Em nosso curso sobre Formação do Preço de Venda, a soma destes cursos é denominada
de Índice de Comercialização.

Vejamos na tabela abaixo uma simulação de custos variáveis:

Lucro Presumido Simples Nacional

Indicadores Índices % Indicadores Índices %

ICMS 17,00 ICMS Todos esses


são
PIS 0,65 PIS distribuídos
através de
IRPJ 4,80 IRPJ
uma única
Cofins 3,00 Cofins alíquota
conforme
CSLL 2,88 CSLL atividade da
empresa

Taxa Adm 3,50 Taxa Adm 3,50


Cartões Cartões

Comissão 5,00 Comissão 5,00

Propaganda 3,00 Propaganda 3,00

Perdas 0,50 Perdas 0,50

TOTAL 40,33 TOTAL -

Dependendo da modalidade tributária, Lucro Presumido ou Simples Nacional, o impacto dos


custos variáveis é bastante significativo. Para as empresas enquadradas no Lucro Presumido, a
soma dos indíces de impostos é 28,33%, considerando somente o comércio de produtos. Para
empresas prestadoras de serviços a soma é de 16,33% (incluindo as alíquotas dos PIS, Cofins,
CSLL, IRPJ e ISS (5%)).

As empresas enquadradas no Simples Nacional obtém uma vantagem competitiva por obter
uma menor taxação de impostos. Contudo, é preciso consultor se a sua atividade econômica
está enquadrada nesta modalidade. No Simples Nacional as alíquotas de PIS, Cofins, CSLL, IRPJ,
ISS e ICMS estão embutidas numa única alíquota. São estabelecidas 5 tabelas com alíquotas
que variam de acordo com o nível de faturamento anual. São elas:

Tabela I - Simples Nacional – Comércio


Tabela II – Simples Nacional – Indústria

Tabela III – Simples Nacional – Serviços e Locação de Bens Móveis

Tabela IV – Simples Nacional – Serviços

Tabela V – Simples Nacional – Serviços

Além dos impostos, também devemos considerar as taxas com cartões de crédito e débito,
comissões, percentuais para propaganda e estimativa de perdas. Estes custos são
considerados variáveis porque são gerados quando da ocorrência de vendas. Bem sabemos
que, no geral, as vendas variam de um mês para o outro, principalmente nos períodos de
sazonalidade. Existem algumas discussões sobre despesas, como a de energia, serem
consideradas como variáveis por causa da sua variação de valor devido o consumo.
Particularmente, eu configuro este tipo de despesa como fixo, pois mesmo com uma variação
de valor, ela existe independete de ocorrer movimentação de venda ou não.

Quanto custa uma empresa?

 Posted on setembro 19, 2011 by Alex Corsino in Administração

Confira abaixo os links das lições em ordem de publicação:

1. A idéia e o planejamento;

2. Recursos necessários apra a gestão da empresa;

3. Lidando com gastos fixos;

4. Lidando com custos variáveis.

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