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Processo Civil – Remédios Constitucionais e Tutelas de Urgência

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O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários
e na jurisprudência dos Tribunais.

Sumário
1. Tutela padrão (continuação) .................................................................................................. 2
2. Tutela provisória ..................................................................................................................... 4
2.1 Características ............................................................................................................. 5
2.2 Natureza jurídica da decisão que aprecia o requerimento de tutela provisória ........ 6
2.3 Competência para analisar o requerimento ............................................................... 8
2.4 Tutela provisória de urgência .................................................................................... 10
2.4.1 Requisitos ............................................................................................................ 10
2.4.2 Responsabilidade objetiva no plano processual ................................................. 12
2.4.3 Tutela provisória de urgência antecedente......................................................... 13
2.4.4 Consequências do deferimento........................................................................... 14
2.4.5 Descumprimento da emenda da petição de tutela antecedente ....................... 15
2.4.6 Estabilização dos efeitos da tutela antecipada antecedente .............................. 16
2.5 Tutela provisória de urgência cautelar antecedente ................................................ 18
2.5.1 Características de uma tutela cautelar ................................................................ 19
2.5.2 Tutela de urgência cautelar antecedente em espécie ........................................ 21
2.5.2.1 Atitudes do juiz diante do requerimento .................................................... 22
2.5.2.2 Perda da eficácia da medida cautelar ......................................................... 23
2.6 Tutela provisória incidental ....................................................................................... 24
2.6.1 Formas de requerimento ..................................................................................... 24
2.7 Tutela da Evidência ................................................................................................... 25

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1. Tutela padrão (continuação)

Revisando o quadro do final da aula anterior, tem-se que tutela é a necessária


proteção estatal diante de uma situação litigiosa. Assim, diante de uma crise jurídica busca-
se uma tutela estatal que se divide em de certificação e de efetivação.
A tutela de certificação consiste no acertamento ou reconhecimento do direito.
Possui três subespécies: condenatória, constitutiva e declaratória.
Para o caso de além do reconhecimento do direito mostrar-se necessária a imposição
de uma obrigação de fazer, essa tutela será de certificação, especificamente condenatória.
Por exemplo, ajuíza-se uma ação na qual se afirma que o réu é devedor de R$ 50.000,00
(cinquenta mil reais), em decorrência de contrato de mútuo feneratício (empréstimo com
juros) não cumprido. Há uma crise de inadimplemento e se busca no poder judiciário uma
tutela para afastar essa crise. O pronunciamento do judiciário será para debelar a crise
instalada e, através de uma tutela de certificação condenatória, impor a obrigação de pagar a
quantia. Desse modo, a tutela condenatória será tanto para impor uma obrigação de fazer ou
não fazer como de dar, por exemplo, de pagar determinada quantia.
Já quando se tem uma crise jurídica de constituição, será necessária a intervenção do
judiciário, para criar, modificar ou extinguir uma situação jurídica. Por exemplo, ação que pede
a resolução ou revisão de contrato; ação para adoção de uma criança; ação rescisória. Assim,
quando o juiz declara nulo um contrato, por exemplo, não se faz necessário rasga-lo para que
a sentença seja levada a efeito e ele se considere nulo. Estará constituída a situação. Isso
acontece porque, diversamente da sentença condenatória, na constitutiva não é necessário
ingressar na fase executiva para executar o que foi proclamado na sentença. Por exemplo, ao
se declarar nulo um contrato, ou mesmo rescindido, as partes não precisam rasga-lo nem
rescindi-lo, rescindido está! nulo estará!
Por vezes se tem uma crise de certeza/declaração/certificação, ou seja, há incerteza
jurídica acerca de determinada relação jurídica. Por exemplo, ajuíza-se uma ação declaratória
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de (in)existência de relação jurídica creditícia. Nesse caso, pleiteia-se que surja no mundo
jurídico uma sentença que declare não ser o autor devedor do réu. Essa crise de incerteza é
debelada por intermédio de uma tutela declaratória.
Na tutela de efetivação, por sua vez, há uma crise de efetivação. Ou seja, há uma crise
de insatisfação, por exemplo, diante de uma sentença condenatória que surgiu para afastar
uma crise de inadimplemento e determinou o pagamento, o qual não ocorreu, fazendo surgir
a crise de insatisfação. Esta terá que ser resolvida através da fase do cumprimento de sentença
ou processo autônomo executivo, cuja finalidade é incursionar no patrimônio do devedor,
para afastar pessoas e coisas e concretizar no plano dos fatos um direito já reconhecido/
certificado na sentença condenatória.
Essa Tutela padrão (ou modelo) possui muitas vantagens, mas também uma grande
desvantagem, conforme quadro a seguir:

A primeira vantagem é ser obtida em cognição exauriente, ou seja, após profundo


debate acerca do objeto litigioso, ocorrido no curso do processo no qual se tem a petição
inicial, a citação, audiência de conciliação e mediação e, não havendo resposta, providências
preliminares, julgamento conforme o estado do processo, ou havendo resposta, audiência de
instrução e julgamento e sentença. Assim, somente se decide após analisar os atos, termos e
provas, ou seja, após uma cognição exauriente.
Esse profundo debate leva à decisão com segurança jurídica, pois conduz o magistrado
a um juízo de certeza. Por decidir com certeza jurídica, a decisão que vier a ser tomada é fruto
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de um procedimento em contraditório, no qual foi assegurado a ampla defesa. Até porque,


no conceito de processo está contido o contraditório, já que o processo é entendido como um
procedimento em contraditório, animado por uma relação jurídica processual. Como
consequência, a decisão que vem a ser tomada torna-se imutável e indiscutível, ou seja, forma
coisa julgada.
Exemplo: ajuíza-se uma ação de cobrança, na qual são garantidos o contraditório e a
ampla defesa. O procedimento corre e, ao final, o juiz profere uma decisão em cognição
exauriente, o que determina a segurança jurídica e um juízo de certeza, bem como
proporciona à decisão que vier a ser tomada a aptidão para tornar-se coisa julgada material.
A desvantagem da tutela definitiva é o tempo atuando como inimigo do processo. Por
vezes, não há tempo para se aguardar uma tutela padrão, em cognição exauriente, porquanto
se precisa de uma cirurgia ou medicamento urgente. Então, os efeitos deletérios do tempo
irão fulminar o direito material ou ainda a eficácia ou o resultado útil do processo.

2. Tutela provisória
A tutela padrão impõe ao autor o ônus do tempo. A tutela provisória, nesse cenário,
surge para redimensionar entre autor e réu os efeitos deletérios do tempo, ou seja, o ônus
(peso, fardo) do tempo que estava exclusivamente sobre os ombros do autor é
redimensionado para que também seja suportado pelo réu. Permite-se, através da tutela
provisória de urgência e antecipada, a pronta fruição dos efeitos práticos da tutela definitiva
pelo autor. Concede-se uma tutela de urgência, para que o autor não aguarde o tempo e os
efeitos negativos da tutela padrão, sob pena do indivíduo já estar falecido, da imagem já está
queimada, do ilícito já estar consumado, de passar o momento da cirurgia e se consolidar a
doença, tornando-se irreversível.
No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, muitas pessoas procuram a Justiça para
obter o tratamento por radioterapia de maneira mais célere, pois na via ordinária é marcado
para quatro meses à frente e o câncer possui um time de cura mais curto: entre o diagnóstico
e o início do tratamento não pode haver prazo superior a 60 dias. Portanto, aguardar a
resolução administrativa iria gerar o óbito do paciente, uma vez que esse tempo seria
claramente ultrapassado.
Essa tutela provisória é trazida no novo Código de Processo Civil com o seguinte
arranjo:

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Como visto, a tutela provisória é contraponto da tutela definitiva e surge para afastar
os males decorrentes do tempo, ou seja, para afastar a atuação do tempo como inimigo do
processo.
Essa tutela provisória na sua modalidade de urgência e antecipada é satisfativa, ou
seja, permite a satisfação antecipada dos efeitos práticos da tutela definitiva. Concede-se,
desde logo, por exemplo: o medicamento que faria ingestão, a realização da cirurgia, a
retirada do nome dos órgãos de proteção ao crédito, o resguardo da imagem, o impedimento
de veiculação de matéria jornalística. Afinal, aguardar a tutela definitiva poderá gerar o
perecimento do próprio direito material ou do resultado útil do processo – neste caso, tutela
cautelar.

2.1 Características1
- Sumariedade da cognição: ao contrário do profundo debate da tutela definitiva, há
uma superficial análise do objeto litigioso, com base nos dados que o juiz dispõe no momento.
Não há como aguardar toda instrução probatória, para após analisar os atos, termos e provas
do processo. Por isso são requisitos o fumus boni iuris e o periculum in mora. Então, enquanto
a cognição exauriente conduz o magistrado a um juízo de certeza, a cognição sumária conduz
o magistrado a um juízo de probabilidade acerca do direito material alegado na petição ou do
reconhecimento desse direito a ser feito na tutela definitiva.
Exemplo: paciente soropositivo que precisa de coquetel de medicamentos e ingressa
com ação, na qual apresenta documentação médica que indica a carga viral, a comprovação

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O professor afirma que até esse tópico se tem a base da matéria, a qual deve ser bem compreendida,
pois sem essa base (raciocínio jurídico) não se desenvolve o restante da matéria. Inclusive, essa base é o que
gosta de ser cobrado em prova oral.

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da doença e a necessidade dos medicamentos e, com base nessa documentação pleiteia a


antecipação no tempo dos efeitos práticos da tutela definitiva condenatória, na qual o Estado
do Rio de Janeiro será condenado a entregar um coquetel de medicamento com a
especificação dada pelo médico responsável. Nesse caso, a urgência se fundamenta no fato
de que aguardar uma tutela definitiva, a ser exercida ao final da instrução processual, poderia
levar à morte do pleiteante da concessão da tutela provisória.
- Precariedade: a tutela provisória é precária e conserva a sua eficácia ao longo do
processo, ou seja, sempre estará à mercê de ser revogada (revogabilidade) ou modificada
(modificabilidade) diante de novos pressupostos, ou seja, situações jurídicas que determinem
a revogação ou modificação. Por exemplo: concede-se uma tutela provisória em caráter
liminar e o réu, após ser citado, traz provas em sentido contrário. Nessa hipótese pode-se
revogar a tutela concedida.
- É inapta a tornar-se imutável e indiscutível pela coisa julgada material: somente a
decisão adotada em decisão exauriente possui essa potencialidade. Até porque, a
revogabilidade e a modificabilidade são incompatíveis com a definitividade da coisa julgada
material.
Além disso, a simples improcedência do pedido em tutela definitiva gera a perda da
eficácia, ainda que na sentença não se faça expressa menção, ou seja, ainda que não se
revogue expressamente ela desaparece, porquanto a tutela definitiva substitui a provisória.

2.2 Natureza jurídica da decisão que aprecia o requerimento de tutela provisória


De regra a decisão que veicula a tutela provisória é uma decisão interlocutória, cujo
conceito está no artigo 203, § 2º, do NCPC:
Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e
despachos.
§1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o
pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à
fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.
§2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não
se enquadre no §1º.

O recurso cabível contra essa decisão interlocutória é o agravo de instrumento,


conforme artigo 1.015 do NCPC (Lei nº 13.105/2015), a seguir transcrito:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem
sobre:
I - tutelas provisórias;

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Por óbvio, essa decisão de tutela provisória poderá advir de decisão monocrática de
relator. Nesse caso desafia agravo interno, conforme artigo 1.021 do NCPC:
Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo
órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno
do tribunal.

Essa mesma tutela provisória pode surgir no bojo da sentença, hipótese na qual o
recurso cabível é a apelação, vide artigo 1.009 do NCPC:
Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.

No caso dessa tutela provisória se tratar de tutela da evidência, na forma do artigo 356
do NCPC, qual seja de um julgamento antecipado parcial de mérito, por exemplo, quando um
dos pedidos mostra-se incontroverso, igualmente caberá o agravo de instrumento com base
no artigo 356, § 5º, combinado com o artigo 1015, I, do CPC/2015. Confira-se:
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos
formulados ou parcela deles:
I - mostrar-se incontroverso;
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.
(...)
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento.

Nesse passo, é importante atentar para o seguinte enunciado do Fórum Permanente


de Processualistas Civis:
Enunciado no 30 FPPC: “ (art. 298) O juiz deve justificar a postergação da análise liminar
da tutela antecipada de urgência sempre que estabelecer a necessidade de contraditório
prévio”.

É costume do magistrado proferir o seguinte despacho: “deixo para me manifestar


sobre o requerimento de tutela provisória, após a citação do réu”.
Contudo, pode-se afirmar não ser esse um despacho, mas sim uma decisão não
fundamentada. Nesse caso, o advogado erra porque além de comprovar os requisitos da
tutela provisória de urgência, o que já é algo excepcional, também deveria comprovar a
necessidade de obtenção dessa tutela antes da citação do réu, ou seja, em caráter liminar, e
ele não o faz. O juiz, por sua vez, erra porque não fundamenta a sua decisão. Ao afirmar que
irá analisar o requerimento de tutela provisória após a citação do réu, na verdade está
indeferindo a medida pleiteada em caráter liminar, porquanto aspirava-se a concessão antes
da oitiva da parte contrária (inaudita altera parte). Então, a decisão do juiz, nessa hipótese, é
nula por ausência de fundamentação, porque ele tem que justificar, ou seja, estribar sua
decisão no artigo 489, § 1º, do NCPC.

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A referida decisão se trata de uma fórmula genérica, combatida pelo novo código, pois
invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão em qualquer outro
processo. Seguem transcritos os artigos correlatos, que merecem respectiva remissão:
Art. 298. Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela provisória, o juiz
motivará seu convencimento de modo claro e preciso.

Art. 489 §1º § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua
relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua
incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;

Um exemplo de paráfrase de ato normativo é a seguinte decisão: indefiro a tutela


antecipada em caráter liminar, pois ausentes seus pressupostos, quais sejam o fumus boni iuris
e o periculum in mora.
Um exemplo desse inciso III é a seguinte decisão: indefiro a tutela antecipada em
caráter liminar, pois ausentes seus requisitos respectivos.
Ambas as decisões são nulas, conforme artigo 489, § 1º2.

2.3 Competência para analisar o requerimento de tutela provisória

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O professor afirma que deve ser feita remissão dos artigos respectivos, ou seja, anotar no artigo 298 o
artigo 489, § 1º, assim como o contrário, em especial os incisos I e III.

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A partir do quadro acima denota-se que a tutela provisória, antecipada ou cautelar,


pode ser antecedente ou incidental.
Sendo antecedente, faz-se um juízo de abstração para buscar o juízo competente. Essa
abstração é levada a efeito através da busca pela resposta à seguinte indagação: tratando-se
de situação tão urgente que não haja tempo para elaborar uma petição completa, capaz de
desencadear um processo definitivo no qual se requer uma tutela definitiva, ou seja, sendo
hipótese de cabimento de uma tutela de urgência cautelar, qual seria o juízo competente para
a eventual ação principal? O juízo que aparecer como resposta será o competente para
apreciar a tutela antecedente.
Exemplo: o pai ingressa com um pedido de busca e apreensão de uma criança como
tutela antecedente, cuja causa principal será uma ação de reversão de guarda. A motivação
da urgência é o fato da mãe da criança ser usuária de crack e já ter entabulado um abandono
material e intelectual, que está causando mal à criança e poderá vir a comprometer a parte
emocional e física caso se aguarde até uma decisão final em tutela definitiva. Nesse caso, o
juízo competente para tutela definitiva na ação de reversão de guarda será o mesmo
competente para apreciar o pedido de tutela antecedente.
Por outro lado, no caso da tutela provisória incidental, a competência funcional
absoluta para apreciar o requerimento será do juízo no qual a causa está tramitando. Essa é a
regra trazida pelo artigo 299 do NCPC:
Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando antecedente, ao
juízo competente para conhecer do pedido principal.

Essa questão da competência possui ainda algumas repercussões:


1. Trata-se de um critério de competência funcional horizontal, ou seja, dentre os
diversos juízos na primeira instância, o competente será o mesmo que seria para processar e
julgar a causa principal. Logo, é critério de competência absoluta.
2. Nos casos de propositura de incidente de impedimento ou suspeição, o processo
não sairá da vara, mas sim o juiz. Assim, a tutela de urgência será requerida ao substituto legal,
conforme mandamento do artigo 146, § 3º, do NCPC:
Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento do fato, a parte alegará
o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao juiz do processo, na qual
indicará o fundamento da recusa, podendo instruí-la com documentos em que se fundar
a alegação e com rol de testemunhas.
§ 1o Se reconhecer o impedimento ou a suspeição ao receber a petição, o juiz ordenará
imediatamente a remessa dos autos a seu substituto legal, caso contrário, determinará a
autuação em apartado da petição e, no prazo de 15 (quinze) dias, apresentará suas razões,

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acompanhadas de documentos e de rol de testemunhas, se houver, ordenando a remessa


do incidente ao tribunal.
(...)
§ 3o Enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o incidente ou quando este
for recebido com efeito suspensivo, a tutela de urgência será requerida ao substituto legal.

3. Nos casos de competência do Tribunal, o juízo competente será o mesmo que


apreciará o mérito do recurso ou da ação principal originária, conforme regra estampada no
artigo 299, parágrafo único, do NCPC, a seguir transcrita:
Art. 299(...)Parágrafo único. Ressalvada disposição especial, na ação de competência
originária de tribunal e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão
jurisdicional competente para apreciar o mérito.

Nesses casos de competência do Tribunal, as súmulas 634 e 635 do STF permanecem


hígidas à luz do CPC de 2015:
Súmula 634: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para
dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de
admissibilidade na origem.
Súmula 635: Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida
cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade.

A correspondência legal é o artigo 1029, § 5º, a seguir:


§ 5º O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso
especial poderá ser formulado por requerimento dirigido:
I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão
de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame
prevento para julgá-lo;
II - ao relator, se já distribuído o recurso;
III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido
entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim
como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037.

2.4 Tutela provisória de urgência


2.4.1 Requisitos
Os requisitos gerais da tutela provisória de urgência estão previstos no artigo 300 do
NCPC, com a seguinte redação:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem
a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

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§ 1o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução
real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer,
podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder
oferecê-la.
§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia.
§ 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver
perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.

No CPC de 1973 os requisitos para tutela antecipada eram: i) prova da verossimilhança


da alegação; ii) periculum in mora; iii) reversibilidade da situação fática. Já para tutela cautelar
eram: i) fumus boni iuris; ii) periculum in mora.
O novo Código unificou os requisitos e tanto para tutela provisória de urgência
antecipada como para a tutela provisória cautelar exige-se, de maneira comum:
i) fumus boni iuris – retratado em “elementos que evidenciem a probabilidade do
direito”, ou seja, através de um juízo de probabilidade que recai sobre a base fática
(desenvolve-se o seguinte raciocínio: com as provas inicialmente encartadas, os fatos
provavelmente serão reconhecidos ao final) e sobre a questão de direito (ou seja, com as
provas trazidas pelo autor, base sobre a qual se pode trabalhar, além dos fatos provavelmente
serem reconhecidos, é provável que ao final também se reconheça o direito material alegado
pela parte), o juiz deverá se convencer da plausibilidade tanto dos fatos como do direito
alegado; e
ii) periculum in mora – traduzido como “perigo de dano ou risco ao resultado útil do
processo”. Esse perigo de dano deve ser grave, real (não pode ser imaginário) e objetivo (não
pode ser um simples temor reverencial). O juiz irá aferir se é possível aguardar a tutela
definitiva ou há um perigo de dano de difícil ou impossível reparação ao direito almejado, a
exemplo da saúde, vida, imagem, honra etc.
Com relação especificamente à tutela provisória de urgência antecipada o transcrito
artigo 300, em seu parágrafo 3º, traz um requisito negativo ao afirmar que “A tutela de
urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de
irreversibilidade dos efeitos da decisão”.
Esse é um juízo negativo a ser feito pelo magistrado. Deverá se indagar se no caso de
revogação da decisão eventualmente concedida será possível o retorno das partes ao status
quo? Em caso de reposta negativa, em regra, não será concedida a tutela.
Frise-se que a aludida irreversibilidade é fática e não do provimento.
Nesse passo, importante destacar que falou-se que a tutela não será concedia em regra
porque há exceção: quando a irreversibilidade for recíproca, o juiz irá se valer da

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proporcionalidade e utilizar a técnica da ponderação dos interesses colidentes em jogo, para


salvaguardar o bem jurídico de maior importância à luz do caso concreto. Exemplo:
amputação de uma perna – em caso de amputação não há volta e não concedida irá levar à
morte; testemunha de Jeová - se determinar a realização da transfusão não há volta, mas há
a questão da consciência religiosa da pessoa sujeita à medida.
O mesmo artigo 300, em seu parágrafo 1º, permite ao juiz, conforme o caso – ou seja,
não é condição sine qua non, exigir caução real (penhor, anticrese) ou fidejussória (fiança)
idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser
dispensada, em prestígio ao princípio do livre acesso ao poder judiciário, se a parte
economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la.
Essa contracautela, instituto comum às tutelas de urgência antecipada e cautelar,
normalmente é exigida em situação na qual o juiz está em dúvida se defere ou não a tutela
provisória. O raciocínio é o seguinte: aquele que se beneficia da tutela possui um bônus, mas
fica com ônus de ressarcir os prejuízos caso venha a ser revertida. Então, a caução exigida
como um fundo, a ser utilizado justamente para que possa viabilizar esse ressarcimento.

2.4.2 Responsabilidade objetiva no plano processual


Esse instituto está previsto no artigo 302 do NCPC, cuja redação é a seguinte:
Art. 302. Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo
prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa, se:
I - a sentença lhe for desfavorável;
II - obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios
necessários para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias;
III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal;
IV - o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor.
Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos em que a medida tiver sido
concedida, sempre que possível.

A parte responde de forma objetiva, ou seja, independentemente da demonstração de


culpa. E a par da multa por litigância de má-fé e da multa por ato atentatório à dignidade da
justiça, lateralmente o artigo prevê essa responsabilidade da parte pelo dano que a efetivação
da tutela de urgência causar à parte adversa nos casos listados.
Frise-se que deverá ser demonstrada a efetivação da tutela, assim como o dano
(prejuízo), o nexo dele com a efetivação da tutela, além de um dos casos listados no artigo.
Ademais, há previsão do parágrafo único para liquidação incidental, a fim de apurar a
extensão do dano, ou seja, o quantum debeatur.

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e na jurisprudência dos Tribunais.

2.4.3 Tutela provisória de urgência antecedente


Está prevista no artigo 303 do NCPC, com a seguinte redação:
Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a
petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do
pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo
de dano ou do risco ao resultado útil do processo.
§ 1o Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo:
I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação,
a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em 15 (quinze)
dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar;
II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma
do art. 334;
III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma
do art. 335.
§ 2o Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo, o processo
será extinto sem resolução do mérito.
§ 3o O aditamento a que se refere o inciso I do § 1o deste artigo dar-se-á nos mesmos
autos, sem incidência de novas custas processuais.
§ 4o Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar o valor
da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final.
§ 5o O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício previsto
no caput deste artigo.
§ 6o Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão
jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de
ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito.

De início, recorde-se que à luz do CPC de 1973 não havia a previsão de tutela
antecipada antecedente. Ela era sempre incidental. No CPC de 2015 o legislador trouxe a
previsão acima destacada, possibilitando uma tutela de forma antecedente.
Essa tutela provisória antecedente somente poderá ser a de urgência, uma vez que a
tutela da evidência será sempre incidental.
A tutela antecedente deflagra o processo em que se pretende, no futuro, pedir a tutela
definitiva. O processo é único e a tutela provisória antecedente irá dar início a ele. Assim, é
requerida anteriormente à tutela definitiva e tem por objetivo adiantar seus efeitos, a saber,
satisfação ou acautelamento. Primeiro pede-se a tutela provisória, com a elaboração de
petição simples, com menos requisitos do que os exigidos para petição inicial, na qual se
pleiteia a tutela definitiva, depois a definitiva.

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Essa tutela provisória antecedente foi criada para as hipóteses nas quais a situação de
urgência já está presente no momento da propositura da ação e, em razão disso, a parte não
dispõe de tempo hábil para levantar os elementos necessários para formular o pedido de
tutela definitiva de modo completo e acabado.
O legislador permite que em situações de urgência seja formulado uma petição com
menos requisitos do que os exigidos para a petição inicial (não haverá valor da causa,
requerimento de citação, audiência de conciliação e mediação como requisito necessário) e,
através desta, desde já se deflagre o processo, para, somente em seguida, ser
complementados os fatos e elaborada a petição inicial com todos os requisitos do artigo 219
do NCPC, na qual se requererá a tutela definitiva.
Confira-se, de maneira esquemática, o procedimento e os requisitos no quadro abaixo:

2.4.4 Consequências do deferimento


Como se observa do artigo 303, § 1º, I, do NCPC, o autor terá um prazo de 15 dias para
aditar a inicial, mas esse poderá ser alargado a critério do juiz (prazo dilatório). Nesse
aditamento irá complementar sua argumentação; poderá fazer a juntada de novos
documentos; realizará a confirmação do pedido de tutela final; terá que indicar o valor da
causa, correspondente ao benefício buscado (bem da vida pretendido) (§ 4º); e, por fim, para
se realizar o aditamento há previsão de isenção objetiva de custas, uma vez que o
procedimento se dará nos mesmos autos (§ 3º).
Na sequência, o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de
mediação na forma do artigo 334 (artigo 303, § 1º, II).

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O réu é citado para querendo comparecer à audiência de conciliação ou mediação, mas


pode no bojo de uma petição apresentada afirmar que não deseja conciliar ou mediar. Do
mesmo modo o autor também pode afirmar que não deseja conciliar, desde a petição inicial,
mas mesmo assim a audiência será designada. Somente se os dois não desejarem é que não
haverá audiência. No caso de apenas um deles se opor, mesmo assim ocorrerá a audiência.
O juiz somente não designará audiência nos casos de direito indisponível que não
admite transação, pois há direito indisponível que admite transação, a exemplo dos alimentos,
do bem público.
Na referida audiência, não havendo autocomposição, no dia seguinte se inicia o prazo
para contestar. Contudo, caso autor e réu afirmem que não querem conciliar, o prazo para
contestação será contado a partir do protocolo da petição em que o réu afirma não querer
conciliar, ou seja, o prazo para contestação será contado na forma do artigo 335, consoante o
previsto no artigo 303, § 1º, III.
Confira-se a previsão legal acerca da forma de contagem:
Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias,
cujo termo inicial será a data:
I - da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando
qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição;
II - do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação
apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso I;
III - prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos.
§ 1o No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6º, o termo
inicial previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de apresentação de seu
respectivo pedido de cancelamento da audiência.
§ 2o Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso II, havendo litisconsórcio passivo
e o autor desistir da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para resposta correrá
da data de intimação da decisão que homologar a desistência.

2.4.5 Descumprimento da emenda da petição de tutela antecedente


Como já visto, a petição que pede a tutela provisória é incompleta e necessita de um
aditamento, por expressa previsão legal. O legislador vislumbrou que o autor não iria ingressar
na discussão de mérito, caso estivesse fruindo de maneira indefinida da tutela provisória de
urgência antecedente. Assim, previu uma sanção para o descumprimento do aditamento
exigido em lei.
Na hipótese de ausência de aditamento, a consequência será a extinção do processo
sem resolução de mérito (artigo 303, § 2º). Essa sentença será apelável, nos termos do artigo

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1.009 do NCPC. E, sendo o caso de extinção sem resolução, será possível a renovação da
demanda.
Mesmo no caso de indeferimento da tutela, permanece a determinação de emenda da
petição, a se realizar em 5 dias, sob pena de ser indeferida e o processo extinto sem resolução
mérito (artigo 303, § 6º, do NCPC).

2.4.6 Estabilização dos efeitos da tutela antecipada antecedente


Não se trata de coisa julgada material. Esse instituto está previsto no artigo 304 do
NCPC:
Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da
decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso.
§ 1o No caso previsto no caput, o processo será extinto.
§ 2o Qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever, reformar ou
invalidar a tutela antecipada estabilizada nos termos do caput.
§ 3o A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou
invalidada por decisão de mérito proferida na ação de que trata o § 2o.
§ 4o Qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos em que foi
concedida a medida, para instruir a petição inicial da ação a que se refere o § 2o, prevento
o juízo em que a tutela antecipada foi concedida.
§ 5o O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto no § 2o deste
artigo, extingue-se após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o
processo, nos termos do § 1o.
§ 6o A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a estabilidade dos
respectivos efeitos só será afastada por decisão que a revir, reformar ou invalidar,
proferida em ação ajuizada por uma das partes, nos termos do § 2o deste artigo.

O recurso a que se refere o caput, no caso de indeferimento pelo juiz será o agravo de
instrumento, previsto no artigo 1.015, I, do NCPC, e no caso de indeferimento por decisão
monocrática de relator será o agravo interno, previsto no artigo 1.021 do NCPC. Um exemplo
de tutela apreciada pelo relator será em um processo ajuizado por Estado estrangeiro ou
organismo internacional contra a União Federal ou Estado da federação, cuja competência é
originária do Supremo Tribunal Federal.
Há na doutrina a visualização de uma hipótese de cabimento de apelação no contexto
e desenrolar da decisão que aprecia a tutela antecipada requerida. Seria quando o juiz no 14º
dia de prazo para interposição do agravo de instrumento extingue o processo sem resolução
de mérito. Entretanto, nesse recurso de apelação é vedado discutir acerca do mérito da
decisão que concede a tutela provisória antecipada antecedente.

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Tem-se, portanto, que no caso de deferimento da tutela, caso o réu não interponha
o recurso cabível, nos moldes acima delineados, a tutela se estabilizará, ou seja, conservará
os seus efeitos, e o processo será extinto.
Contudo, o parágrafo segundo traz a possibilidade de qualquer das partes demandar a
outra com o intuito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada estabilizada. Não se
trata de ação rescisória, uma vez que não há coisa julgada material, pois não há tutela
definitiva, proferida através de uma cognição exauriente. É demanda específica para afetar a
tutela antecipada antecedente estabilizada e que, portanto, conserva seus efeitos até que
uma decisão de mérito surja nessa nova ação proposta, até porque o processo no qual a tutela
estável foi proferida fora extinto sem resolução do mérito.
O juízo que prolatou a decisão concessória da tutela antecipada antecedente estará
prevento para processar e julgar a demanda proposta com o intuito de rever, reformar ou
invalidar a tutela antecipada estabilizada.
O prazo para propositura da aludida ação é de 2 anos e contado a partir da ciência da
decisão concessória da tutela antecipada antecedente. Trata-se de direito potestativo.
Atenção para o termo inicial (termo a quo) da contagem do prazo prescricional: não é o final
do prazo para interposição do recurso cabível, mas sim a ciência da decisão concessória.
Visualize no quadro abaixo esse sequenciamento:

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É importante frisar que a continuidade do processo dependerá de ambas as partes.


Caso o réu não interponha o recurso, mas o autor tenha emendado a inicial, o processo será
extinto sem resolução do mérito, na forma do artigo 485, inciso VI, do CPC de 2015, por perda
superveniente de interesse processual, mas estabilizar-se-á tutela concedida, conservando
seus efeitos até que surja uma sentença de mérito na ação revisional.
Caso o autor não emende a petição inicial, o processo será extinto sem resolução de
mérito, mesmo que o réu tenha interposto o agravo, e, nesse caso, não haverá estabilização
da tutela.
Do mesmo modo, no caso de indeferimento da tutela de urgência persiste a exigência
de emenda da petição inicial, sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito.
Por fim, ainda com relação a esse assunto, é importante destacar os seguintes
enunciados no Fórum Permanente dos Processualistas Civis:
29: “a decisão que condicionar a apreciação da tutela antecipada incidental ao
recolhimento de custas ou a outra exigência não prevista em lei equivale a negá-la, sendo
impugnável por agravo de instrumento”.
30 : “O juiz deve justificar a postergação da análise liminar da tutela antecipada de
urgência sempre que estabelecer a necessidade de contraditório prévio.
32: “Além da hipótese prevista no art. 304, é possível a estabilização expressamente
negociada da tutela antecipada de urgência satisfativa antecedente.

No caso do enunciado 32, entende-se que a estabilização pode ser negociada entre as
partes.

2.5 Tutela provisória de urgência cautelar antecedente


Essa tutela cautelar antecedente é viabilizada nos mesmos moldes da tutela provisória
antecipada antecedente: será feita uma decisão simplória, para depois haver a emenda e
continuidade do processo. Contudo, sua finalidade é diversa. É um instrumento para
resguardar o resultado útil do processo. Então, há um interesse público subjacente, qual seja
o próprio prestígio do poder judiciário.
Enquanto a tutela antecipada é satisfativa do direito material, e a finalidade é obter de
maneira antecipada o direito material, a tutela cautelar é conservativa ou assecuratória do
direito de cautela, com os olhos voltados para o processo, ou seja, à eficácia da tutela
jurisdicional.
Exemplos:

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 O réu está rapidamente dilapidando o patrimônio, para se furtar ao


cumprimento da obrigação. Se continuar nesta linha, até se ajuizar uma ação
cognitiva e abrir a execução mais à frente, no momento da penhora nenhum
bem será encontrado, ou seja, há um perigo ao resultado útil do processo, pois
se nenhuma medida for adotada não haverá bens para garantir a execução.
Então, ajuíza-se uma ação cautelar de arresto ou sequestro (em caso de bem
determinado) para pleitear que o bem seja retirado da posse do réu e seja
posto em depósito;
 Estar-se em uma ação de reversão de guarda, porém a mãe continua a bater
todos os dias na criança. Nesse caso, não há como aguardar até o final do
processo, pois há um perigo de dano ao resultado útil do processo. Então, para
resguardar o filho, material e psicologicamente, ajuíza-se uma ação de busca e
apreensão para conserva-lo, possibilitando que ao final se obtenha uma guarda
definitiva do filho com integridade física e emocional preservada. Trata-se de
uma tutela conservativa.
Diferentemente é o caso de um pai que leva a criança no final de semana e não
devolve, mesmo a mãe possuindo a guarda definitiva. Nesse caso a busca e
apreensão será satisfativa.
 Há discussão sobre a posse ou a propriedade de certo bem e, para fins de evitar
rixas, ajuíza-se uma ação cautelar de sequestro.
Nesse ponto vale destacar que a ação de arresto tem por finalidade garantir
uma execução por quantia certa, já a de sequestro se presta à entrega de coisa
certa. Deseja-se conservar no tempo o bem da vida, para no momento
oportuno obtê-lo.
Na tutela cautelar é como se o direito fosse posto em uma lata de formol e conservado
até o momento oportuno do processo de conhecimento ou de execução. Há um interesse
público subjacente em jogo, qual seja, conservar o resultado útil do processo, a eficácia do
futuro pronunciamento jurisdicional. Não por outra razão pode ser concedida ex officio,
notadamente diante do poder geral de cautela do magistrado, diferentemente da tutela
antecipada que demanda requerimento da parte para sua concessão.

2.5.1 Características de uma tutela cautelar


Seja antecedente ou incidental, essas são as características da tutela cautelar:
 Referibilidade: a tutela cautelar é sempre referível à uma situação jurídica de
direito material, ou seja não existe por si só, mas sim para proteger/resguardar
o direito material, e ele deverá ser indicado;
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 Assecuratória da efetividade: o que está em jogo é a própria efetividade da


tutela jurisdicional, através de arresto, sequestro, busca e apreensão, entre
outras medidas cautelares;
 Instrumentalidade hipotética: é necessário analisar os dois termos.
Em primeiro lugar a tutela cautelar é instrumento, uma vez que o processo
cautelar é instrumento servil a resguardar os processos de conhecimento e
executivo.
Por exemplo, em ação cautelar se requer a reversão da guarda para que na
tutela definitiva essa decisão possa ser útil. Não será se a criança falecer em
razão de agressões sofridas.
Nesse ponto, traz-se a lume uma pergunta que caiu na prova da magistratura:
porque se diz que o processo cautelar é um instrumento ao quadrado?
Porquanto o processo já é instrumento do estado para reconhecimento e
efetivação de direitos. Como o processo cautelar se presta a resguardar os
processos de conhecimento e executivo, os quais já são instrumentos, ele assim
é um instrumento ao quadrado.
Em um segundo momento, a tutela é hipotética, pois é concedida ao se
trabalhar com a hipótese do direito material ser reconhecido (cognição
sumária), no mesmo processo em que se pleiteia a tutela ou outro
superveniente. Tanto é que ao se julgar improcedente, na tutela definitiva, o
direito material que seria resguardado pela tutela cautelar, esta perde sua
eficácia, uma vez que é instrumental, como já se afirmou.
 Petição inicial: requisitos previstos no artigo 305 do NCPC:
Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter
antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se
objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem natureza
antecipada, o juiz observará o disposto no art. 303.

No CPC de 1973 se tinha a seguinte situação: O processo cautelar era autônomo, com
procedimento peculiar. Fosse antecedente ou incidental, era deflagrado através de uma
petição inicial própria, com resposta no prazo de 5 dias e todo procedimento especial, até que
viesse a culminar em uma sentença.
Havia cautelares atípicas, reguladas pelos artigos 796 a 812, e as cautelares em espécie
(arresto, sequestro, busca e apreensão, exibição de documentos cautelar, justificação,
notificação, interpelação, posse em nome do nascituro, entre outros), previstas nos artigos
813 a 898.

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No CPC de 2015 o processo cautelar, como processo autônomo, deixa de existir. A


tutela cautelar é requerida no bojo do mesmo processo, de forma antecedente ou incidental,
sem a necessidade de instauração de relação jurídica processual nova. Apenas na tutela de
urgência cautelar requerida em caráter antecedente ocorrerá a instauração de nova relação
jurídica processual, mas dentro do mesmo processo.
As medidas cautelares típicas ou nominadas deixam de existir como previsão
normativa. Serão concedidas no bojo de um processo, mas como objeto de uma tutela
provisória adequada à situação e aferida pelo magistrado. O juiz, diante da situação jurídica
apresentada, irá decidir qual a medida adequada à espécie.
Além disso, não há previsão legal expressa, tal como havia no CPC/1973 (artigo 273, §
7º), de fungibilidade entre as tutelas de urgência. Nada obstante, o juiz não está impedido de
conceder a tutela cautelar, mesmo quando requerida a tutela antecipada, com espeque no
artigo 5º, inciso XXXV, da CRFB/88, ou seja, com fulcro no princípio do livre acesso ao poder
judiciário.

2.5.2 Tutela de urgência cautelar antecedente em espécie


O CPC de 2015 traz a possibilidade da tutela de urgência cautelar de maneira
antecedente. Os objetivos dela são: 1) adiantar provisoriamente a eficácia da tutela definitiva
cautelar; e 2) assegurar a futura eficácia da tutela definitiva satisfativa.
Destaque-se existir tutela definitiva satisfativa, bem como tutela definitiva cautelar –
aquela proferida na sentença. Ocorre que, por vezes, se pretende antecipar os efeitos da
tutela definitiva cautelar no tempo.
Por isso já caiu em prova do Ministério Público de São Paulo o seguinte
questionamento: existe tutela antecipada cautelar? Sim, seria antecipação da tutela cautelar
que seria obtida na sentença. Exemplo: o arresto que seria concedido na sentença ser
concedido em tutela provisória de urgência antecedente e antecipada.
O Procedimento está descrito no artigo 305 e seguintes do NCPC.
Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar em caráter
antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se
objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem natureza
antecipada, o juiz observará o disposto no art. 303.

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2.5.2.1 Atitudes do juiz diante do requerimento


A. Determinar a emenda da petição inicial, conforme previsto no artigo 321 do NCPC:
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319
e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de
mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete,
indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

B. Indeferi-la, nos moldes do artigo 330 do NCPC:


Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:
I - for inepta;
II - a parte for manifestamente ilegítima;
III - o autor carecer de interesse processual;
IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321.
§ 1o Considera-se inepta a petição inicial quando:
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido
genérico;
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.
§ 2o Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo,
de financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia,
discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende
controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito.
§ 3o Na hipótese do § 2o, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e
modo contratados.

C. Simplesmente deferir a petição inicial;


C.1 julgar em caráter liminar (se requerida) ou após justificação, e determinar o
cumprimento;
C.2 ou determinar a citação do réu, cujo prazo para contestar é de 5 dias, conforme
artigo 306:
Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar
as provas que pretende produzir.

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2.5.2.2 Perda da eficácia da medida cautelar


No caso de concessão da medida cautelar, esta poderá perder sua eficácia, conforme
destacado no artigo 309 do NCPC, a seguir:
Art. 309. Cessa a eficácia da tutela concedida em caráter antecedente, se:
I - o autor não deduzir o pedido principal no prazo legal;
II - não for efetivada dentro de 30 (trinta) dias;
III - o juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo autor ou extinguir o
processo sem resolução de mérito.
Parágrafo único. Se por qualquer motivo cessar a eficácia da tutela cautelar, é vedado à
parte renovar o pedido, salvo sob novo fundamento.

Anote-se que o prazo de 30 dias previsto no inciso II é para efetivação da medida, ou


seja, não é contado o prazo de 30 dias para propositura de uma ação principal.
Além disso, somente se incorrerá na hipótese de cessação se o prazo for escoado por
culpa da parte. No caso de demora do Poder Judiciário não se tratará de perda de eficácia.
Nessa ordem de ideias, caso haja várias medidas cautelares requeridas, o prazo
decadencial para formulação do pedido principal é contado do primeiro ato. Inclusive, esse
entendimento foi firmado pelo STJ em ação que trazia a discussão acerca da contagem do
prazo para propositura da ação principal e chegou ao seu conhecimento em grau recursal. No
caso narrado fixou-se o termo inicial do prazo, a partir da primeira medida, que teria sido
especificamente uma interceptação telefônica.
Ademais, não se exige o adiantamento das custas processuais.
Confira essas previsões no artigo 308 do NCPC:
Art. 308. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser formulado pelo autor
no prazo de 30 (trinta) dias, caso em que será apresentado nos mesmos autos em que
deduzido o pedido de tutela cautelar, não dependendo do adiantamento de novas custas
processuais.
§ 1º O pedido principal pode ser formulado conjuntamente com o pedido de tutela
cautelar.
§ 2º A causa de pedir poderá ser aditada no momento de formulação do pedido principal.
§ 3º Apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a audiência de
conciliação ou de mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou pessoalmente,
sem necessidade de nova citação do réu.
§ 4º Não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma
do art. 335.

A propositura da demanda com pedido de concessão de tutela provisória de urgência


cautelar antecedente segue-se o seguinte procedimento:

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e na jurisprudência dos Tribunais.

Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar
as provas que pretende produzir.
Art. 307. Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados pelo autor presumir-se-ão
aceitos pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 5 (cinco) dias.
Parágrafo único. Contestado o pedido no prazo legal, observar-se-á o procedimento
comum.

 Existe revelia no processo cautelar? Ela alcança o direito material ou só o de


cautela? Existe a revelia, afinal, todo aquele que não contesta uma ação será revel, inclusive
a Fazenda Pública. Coisa diversa é o alcance dos efeitos da revelia. Nesse caso, não afetará o
direito material e se limitará a atingir o direito de cautela.

2.6 Tutela provisória incidental


É requerida no curso do processo. Poderá ser formulada desde o início e
concomitantemente à tutela definitiva, ou ainda no curso do procedimento em que já havia
sido requerida a tutela definitiva sozinha.
A aludida tutela provisória incidental também possui o intuito de adiantar os efeitos
da tutela definitiva, seja antecipada (satisfativa) ou cautelar.

2.6.1 Formas de requerimento


1. Na petição inicial, como também na contestação (exemplo: o réu já alertou que
inseriu o nome do autor no órgão de proteção ao crédito e pede que seja mantido); na petição
de ingresso de intervenção de terceiro ou de manifestação do Ministério Público;
Entretanto, prevalece na doutrina que o Ministério Público não pode requerer a tutela
de urgência como custo iuris, mas tão somente quando atuar como parte no processo, uma
vez que a tutela está relacionada ao interesse material da parte. Os fundamentos são a
característica da inércia da jurisdição, assim como os princípios da congruência e dispositivo.
Existe uma doutrina minoritária que defende a possibilidade do Ministério Público
como fiscal da lei formular o requerimento e, para tanto, utiliza o fundamento do eventual
perecimento do direito da parte, caso não seja formulada em tempo oportuno, a exemplo de
demandas que envolvam interesse de incapaz, na qual seja verificado que o advogado não
tem a técnica suficiente para proteção do interesse por ele tutelado.
2. em petição simples;
3. Oralmente, em mesa de audiência ou sessão de julgamento no tribunal. Todavia,
deverá demonstrar o surgimento contemporâneo da situação jurídica que demande
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e na jurisprudência dos Tribunais.

apreciação, ou seja, a caracterização do periculum in mora, a exemplo do agravamento de


uma doença ou antecipação de veiculação de uma matéria jornalística que poderia manchar
a imagem.
O requerimento formulado pode envolver a tutela de urgência ou de evidência,
satisfativa ou cautelar, conforme artigo 294, parágrafo único.

2.7 Tutela da Evidência


A tutela da evidência, espécie de tutela provisória, é uma técnica. Traduz uma tutela
jurisdicional diferenciada (procedimento diferenciado, tal qual o Mandado se Segurança), em
razão de um pressuposto fático, qual seja o direito evidente, cristalino.
É sempre incidental no processo e está prevista no artigo 311 do NCPC:
DA TUTELA DA EVIDÊNCIA
Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de
perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando:
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório
da parte;
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver
tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante;
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do
contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto
custodiado, sob cominação de multa;
IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos
do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente.

Trata-se de uma tutela de evidência, porquanto não se exige a demonstração do


periculum in mora como requisito necessário para sua obtenção, conforme se observa no
caput.
É dividida em: i) punitiva ou sancionatória (hipótese do inciso I) e ii) documental
(situações dos incisos II a IV).
Como exemplos do inciso I, ou seja, de comportamentos maliciosos da parte, a serem
punidos com a concessão da tutela da evidência, podem ser identificadas as seguintes
situações: reiterada retenção de autos; simulação de doença; informação de endereço inexato
de testemunha; oposição de vários embargos de declaração manifestamente protelatórios.

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Ocorre que na prática há vários instrumentos mais eficazes para as aludidas situações,
a exemplo de busca e apreensão, multa por litigância de má-fé, multa por ato atentatória à
dignidade da justiça.
O inciso II do artigo 311 faz parte de um sistema de precedentes judiciais obrigatórios,
com previsão nos artigos a seguir, aos quais deve ser feita a respectiva remissão:
Art. 489(...)§ 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua
relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua
incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese,
infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles
fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela
parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação
do entendimento.

Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e
coerente.
§ 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os
tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência
dominante.
§ 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas
dos precedentes que motivaram sua criação.

Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão:


I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de
constitucionalidade;
II - os enunciados de súmula vinculante;
III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas
repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos;
IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e
do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional;
V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.

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e na jurisprudência dos Tribunais.

Art. 932. Incumbe ao relator:


I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção de prova, bem
como, quando for o caso, homologar autocomposição das partes;
II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência
originária do tribunal;
III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado
especificamente os fundamentos da decisão recorrida;
IV - negar provimento a recurso que for contrário a:
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio
tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos;
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a
decisão recorrida for contrária a:
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio
tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos;
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
VI - decidir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, quando este for
instaurado originariamente perante o tribunal;
VII - determinar a intimação do Ministério Público, quando for o caso;
VIII - exercer outras atribuições estabelecidas no regimento interno do tribunal.

Dentre esses artigos o mais importante é o 927.


O inciso III do artigo 311 trata de uma hipótese de ação reipersecutória (não prevista
expressamente no CPC de 2105), ou seja, uma ação pessoal na qual se pleiteia a devolução de
bem ou coisa. Exemplo: ação de despejo, ação de depósito, ação que envolve alienação
fiduciária em garantia, na qual se requer a busca e apreensão do bem.
No caso tratado no inciso, a referência é específica à ação de depósito, na qual se ajuíza
a ação, comprova documentalmente a existência de contrato de depósito e se pleiteia a
devolução do bem.
Por fim, no inciso IV do artigo 311 está previsto um caso no qual o réu não opõe a prova
capaz de gerar dúvida razoável e, desse modo, não poderá ser concedida liminarmente.

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