Teoria Geral da Relação Jurídica

O negócio jurídico

Paulo Pichel 2008

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

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TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

Índice
PARTE I – OS ELEMENTOS E A NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................. 6 ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ................................................................................................................ 6 O CONCEITO DE NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................................................... 6 Referência histórica: ........................................................................................................................................................ 6 ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ...................................................................................................................................... 6 PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS PARA QUE SE POSSAM PRODUZIR OS EFEITOS JURÍDICOS PRETENDIDOS PELO NEGÓCIO:.............. 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE ................................................................................................................................................ 7 COMPOSIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE VONTADE (REMISSÃO PARTE II). ................................................................................... 7 INEXISTÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE VONTADE ....................................................................................................................... 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE E A CONSCIÊNCIA DA CRIAÇÃO DE UM VÍNCULO JURÍDICO ...................................................... 8 DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS E DECLARAÇÕES DE CIÊNCIA .......................................................................... 8 SITUAÇÕES EM QUE NÃO BASTA A DECLARAÇÃO DE VONTADE PARA QUE SE FORME UM NEGÓCIO JURÍDICO: ........................ 8 DISTINÇÃO ENTRE NEGÓCIO JURÍDICO E DECLARAÇÃO DE VONTADE ..................................................................................... 8 INTERVENIENTES NO NEGÓCIO JURÍDICO; A CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ...................................... 9 CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ......................................................................................................... 9 LIMITAÇÕES: ......................................................................................................................................................................... 9 Limitação de auto-vinculações: ....................................................................................................................................... 9 Impossibilidade de estabelecer, por acto unilateral, relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: ........................ 9 Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: .............................. 9 NEGÓCIO JURÍDICOS QUE PARA ALÉM DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS EXIGEM A INTERVENÇÃO DE AUTORIDADES PÚBLICAS: ............................................................................................................................................................................................ 10 NEGÓCIOS JURÍDICOS QUE EXIGEM A INTERVENÇÃO DE OUTROS PARTICULARES AFECTADOS PELO NEGÓCIO PARA ALEM DE UMA DECLARAÇÃO DE VONTADE: ........................................................................................................................................ 10 CLASSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS ............................................................................................................................ 10 Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico ........................................... 10 Negócios jurídicos unilaterais: ...................................................................................................................................... 10 Negócios jurídicos plurilaterais:.................................................................................................................................... 11 O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) ...................................................................................................... 11 CRITÉRIO DO CONTEÚDO DO CONTRATO, RELATIVO À ESTRUTURA E PRODUÇÃO DE EFEITOS: ............................................. 11 CRITÉRIO RELATIVO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES EMERGENTES SE CUMPRIREM NUM ÚNICO MOMENTO OU SE PROLONGAREM NO TEMPO: .................................................................................................................................................. 11 Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: ........................................................................................................................ 11 Critério da forma: .......................................................................................................................................................... 12 Critério do modo de formação: ...................................................................................................................................... 12 Critério da natureza da relação jurídica constituída: ................................................................................................... 12 Negócios entre vivos e mortis causa: ............................................................................................................................. 12 DISTINÇÃO ENTRE ACTOS DE MERA ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE DISPOSIÇÃO: ............................................................. 12 PARTE II – FORMAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................................................... 13 AS MODALIDADES DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; OS SEUS ELEMENTOS................................................................................. 13 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DECLARATIVA (LIBERDADE CONTRATUAL + PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA): .................... 13 ELEMENTO INTERNO/SUBJECTIVO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL – VONTADE: ....................................................................... 13 O PROBLEMA DA CONCORDÂNCIA ENTRE ELEMENTO OBJECTIVO E SUBJECTIVO E CONSEQUENTES EFEITOS JURÍDICOS ....... 14 Teoria da declaração. .................................................................................................................................................... 14 Definição de Manuel de Andrade [visão objectivista] ................................................................................................... 14 DISTINÇÃO ENTRE VONTADE NEGOCIAL E MOTIVOS ............................................................................................................ 14 A FORMA DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; A SUA DISTINÇÃO DA PUBLICIDADE ........................................................................ 14 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA: LIBERDADE DE FORMA E LIBERDADE DECLARATIVA; EXCEPÇÕES .............................. 14 FORMA CONVENCIONAL: ..................................................................................................................................................... 14 INOBSERVÂNCIA DA FORMA LEGAL EXIGIDA POR LEI ........................................................................................................... 15 DISTINÇÃO ENTRE FORMA DOS NEGÓCIO E PUBLICIDADE: ................................................................................................... 16 MODALIDADES DE DOCUMENTOS ESCRITOS (ART. 363º): ..................................................................................................... 16 TIPOS DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS: ................................................................................................................................... 16 A PERFEIÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .......................................................................................................................... 16 FASES DA EXISTÊNCIA DE UMA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (RECEPTÍCIA): .............................................................................. 17

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.............................. 20 Aceitação eficaz da proposta ....... 26 Art.............................................................substituição do procurador................................................................................ 17 FASES DE EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS NÃO REPTÍCIAS: ........... 236º..................................................................................................................................................................... 269º ....................................................................................................................1 (2ª parte): ........................ 29 PROCURAÇÃO GERAL E PROCURAÇÃO ESPECIAL ............................... 40 4 ................................................................................................................. 24 A REPRESENTAÇÃO NA CONCLUSÃO DO CONTRATO .......... 19 Convite a contratar: ........................ 38 A INTERPRETAÇÃO........................................... 21 A CONCLUSÃO DO CONTRATO COM BASE EM CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS ..................................................................... 31 A condição suspensiva .............................................falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes .................................................................. 30 PARTE III .. 34 OS ENCARGOS OU CLÁUSULAS MODAIS................................................. 33 A condição resolutiva .......................................................................................................INTERPRETAÇÃO E A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (ARTS......................................................................................................................................................negócio consigo mesmo .....................................................extinção de procuração ..................... 25 OS INCAPAZES E A REPRESENTAÇÃO: .................................................................................................................................... 25 A REPRESENTAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: .............................. 36 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA RELATIVA ..... 29 Art.......................................................................................................................................................................................... 36 PARTE IV ................................................................................................... 27 A PROCURAÇÃO E OS SEUS EFEITOS ........................... 261º ...................................................................................................................................................................................................................................................... 239º) ......................................................................... 25 DISTINÇÃO ENTRE REPRESENTAÇÃO OU DO REPRESENTANTE COM OUTRAS FIGURAS E INSTITUTOS: .............OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA LIMITADA ............................................................................................................................................................................................ 29 Art......................................................................................... 263º ....................................... 25 A REPRESENTAÇÃO: ..........................................228º) ........................................................................................................................................................ 260º .....TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Exteriorização: ....... 19 A PROPOSTA CONTRATUAL E A SUA ACEITAÇÃO .............................................238º.................................................................................................................................................................protecção de terceiros: ............................................ 229º.................................................................................................................. 28 Art......................................................................... 227º)..................................... 264º ......................................................................... 27 Art..................................................................................... 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL GANHA EFICÁCIA (VINCULA O DECLARANTE DE TAL FORMA QUE ESTE NÃO SE PODE RETRACTAR) [TEORIAS]:............................................................................................................................................................................................................................................................................................ 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL FICA PERFEITA DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL: ......................................................................................................................................................................... 25 PRINCÍPIOS GERAIS........................................abuso de representação ....... 34 O TERMO........................ 23 Comparação entre art.................... 17 Conhecimento: ................................................. 237º............................................... 266º ..................... 21 OS EFEITOS REAIS DA CONCLUSÃO DO CONTRATO ......................A INVALIDADE DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS .............................................. 19 Distinção entre convite a contratar e proposta contratual ............................................................................................................... 22 A CULPA IN CONTRAHENDO (ART........................................................................................... 20 DISSENSO MANIFESTO E OCULTO/LATENTE .................................................................. 227º e art... 24 AS RELAÇÕES CONTRATUAIS DE FACTO ...................................... 19 Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art............................................................ 26 Art........................................................... 28 Art................................................................................ 28 Art........................................................................................................... 18 CONCLUSÃO DO CONTRATO ............................................................. 35 OS NEGÓCIOS DOS INSOLVENTES E DOS FALIDOS CELEBRADOS SEM PODERES DE REPRESENTAÇÃO: ...................................................................................................................................................................................................................................................capacidade do procurador ....................... 35 OS NEGÓCIOS CELEBRADOS SEM PODERES DE VINCULAÇÃO: ......................... 17 Recepção: .................. 30 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS SUBORDINADOS A CONDIÇÃO OU TERMO.........................representação sem poderes.................................................................................... DELIMITAÇÕES PARA COM FIGURAS SEMELHANTES...................................................... 265º ............................................................justificação dos poderes do representante ................................................................................................................................................................................................................................................ 19 Passos para a conclusão de um contrato ....................................................................................................... 259º .................... PROBLEMA DA SUA EXISTÊNCIA ... 38 A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .................... 268º .................................................................................................................................................................................. 40 PARTE V ...... 34 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS DEPENDENTES DE RATIFICAÇÃO ..................................................................................................................................................................................................................................................... 22 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: ...................... 30 A CONDIÇÃO ....................... 17 Expedição: ........................ 28 Art...................................................... 22 As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) ........................................................................................................

................ 65 Princípio da conservação do negócio jurídico ........................................................................................................... 294º): .......................................... 64 Efeitos da invalidade: ........................................................ 44 Os negócios celebrados com falta de vontade ................... 46 A reserva mental (Art......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 50 AS CAUSAS DA ANULABILIDADE .................................................................................. 65 Princípio da abstracção ............................. 61 O erro sobre os motivos ...................................TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel AS CAUSAS DA NULIDADE ................................................................... as proibições legais relativas ................................................................................................................................................................................................................................ 60 Os negócios celebrados com erro na declaração ...................................................................................................................................................................................................................................................................... 42 O regime das incapacidades negociais de gozo ............................................................................. 51 Negócios celebrados sem capacidade de exercício: ........................... 244º).................................................................. 64 A MINORAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 42 Negócios celebrados contra a lei (art.................. 43 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica .................... 240º a 243º) ......... 65 5 ............................................................ 59 Os negócios usurários ................................................................................................................................................................................................ 62 O dolo............. 245º) .............................................................. 44 Os negócios celebrados sem observância da forma legal ............................................ 64 AS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE NO NEGÓCIO JURÍDICO EM PORMENOR ................................................................... 63 A coacção moral ................................................... 58 Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal ................................................. 49 A declaração não séria (art.............................................................. 46 A simulação (arts................................. 51 As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas...........

que os individualizam face aos outros tipos negociais. Almedina. Almedina. são os requisitos do art.420. HEINRICH HÖRSTER. 874º .420. possível e determinado. 3 Cit. Ed. ex. há uma ampla liberdade na conformação e no estabelecimento de relações jurídicas. pp. 1 2 Cit. Coimbra.417. 4 Cit. 6 . A parte geral do Código Civil Português. escolhido pelas partes e admitido pela lei. o Séc. pp. O conceito de negócio jurídico Referência histórica: o Apenas no séc.v. Almedina. Ed.c..: elementos essência de um c. pp. A parte geral do Código Civil Português. O que existem são os mais diversos tipos legais de negócios jurídicos que têm como característica transversal apresentarem uma finalidade no sentido da produção de efeitos jurídicos e de visarem. usando quase exclusivamente o conceito de declaração de vontade. Ed.  No respeito pelo princípio da autonomia privada.necessária a propriedade de uma coisa/direito + um preço).” 4 (P. modificar ou extinguir. de uma maneira volitiva. HEINRICH HÖRSTER. o negócio jurídico está limitado aos tipos negociais que a ordem jurídica reconhece para a conformação dos mesmos. No entanto.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE I – os elementos e a natureza do negócio jurídico Negócio Jurídico – “Declaração de vontade privada que visa a produção de um efeito jurídico que se verifica conforme a ordem jurídica por ter sido querido pelas partes” 1 Elementos estruturais do negócio jurídico: o Sujeito – necessita de ter capacidade negocial (exercício). A parte geral do Código Civil Português. “A relações jurídicas apenas podem ser estabelecidas nas formas e nos limites previstos pela própria lei”3  Não existe o tipo legal “negócio jurídico”. Ed. a criação de relações jurídicas. HEINRICH HÖRSTER. XIX – contrapõe-se negócio jurídico a factos ilícitos (Heise).421. reconhecidos pela ordem jurídica . dentro do princípio da autonomia privada 2” que visam a realização de determinados efeitos jurídicos queridos pelas partes. XVIII foi introduzido na linguagem jurídica o conceito de negócio jurídico. Almedina. Quem se vincula juridicamente tem que ter discernimento para formar uma vontade livre e esclarecida. Só assim é realizado o princípio da autonomia privada. só assim é possível proteger o princípio da autonomia privada. pp.. Coimbra. o Declaração de vontade – a vontade tem que ser livre e esclarecida (vontade perfeita e não viciada) devendo coincidir com a declaração de vontade.  “ O conceito de negócio jurídico é uma abstracção de todos os actos jurídicos privados. A parte geral do Código Civil Português. o Objecto (conteúdo do negócio) – tem que ser lícito. Cit. HEINRICH HÖRSTER. sendo necessário perceber que direitos e deveres as partes quiseram constituir. Coimbra. Elementos do negócio jurídico: o Elementos essenciais – “são aqueles que caracterizam o respectivo tipo negocial. o Savigny (doutrina clássica) – sublinha a importância da vontade no negócio jurídico. Coimbra.

421. [Ver arts. 1628º. A declaração de vontade Nota: no código civil. é necessária a garantia da produção dos efeitos jurídicos pela ordem jurídica (através do direito objectivo). a não existência de uma declaração de vontade. a declaração de vontade é um elemento essencial do negócio jurídico. A parte geral do Código Civil Português. pp. 7 . art. o Elementos acidentais – “são estipulações das partes que não integram o respectivo tipo negocial. mas que contêm clausulas suplementares ou acessórias”6 (ex. Cf. “declaração de vontade” surge como “declaração negocial”. Coimbra. criando um vínculo jurídico. Em termos objectivos. Pressupostos essenciais para que se possam produzir os efeitos jurídicos pretendidos pelo negócio: 1. Formas que a falta de declaração de vontade pode assumir: o A falta de declaração em si. É necessária uma declaração de vontade – exteriorização da vontade.421. sendo esta que estabelece o tipo negocial e suas características (e não em atenção à vontade das partes. o Elemento interno. clausulas modais). Ed. Almedina. pp. HEINRICH HÖRSTER. o A falta de declaração com carácter negocial. inviabiliza a existência de negócio jurídico. normalmente a lei encontra soluções que as partes teriam querido adoptar uma vez que é objectivo da lei contribuir para a auto-realização das partes). no entanto. 246º). Em termos subjectivos. Elementos naturais resultam da lei. art. A parte geral do Código Civil Português. 3. ou seja.c + 246º] Nota: a não existência de um negócio jurídico devido à inexistência de uma declaração negocial não implica que não exista um outro facto jurídico ao qual a lei poderá ou não atribuir efeitos inclusive com sanção. integradoras). Composição da declaração de vontade (remissão PARTE II). objectivo – a declaração.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Elementos naturais – “são as regras de ordem jurídica que complementam a regulamentação encontrada pelas partes”5 (disposições supletivas. o Elemento externo. Cit. subjectivo – vontade. Coimbra. Nota: elementos essenciais e acidentais situam-se no mesmo plano pois resultam da vontade das partes. Têm uma natureza não negocial (Cf. 878º. Ed. estipulações de condições ou prazos. é necessária uma vontade dirigida aos efeitos e manifestada numa declaração de vontade. uma declaração desprovida de vontade de produzir efeitos jurídicos (não tem a natureza de um acto volitivo-final). Por conseguinte. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. Inexistência da declaração de vontade  O negócio jurídico depende de uma declaração de vontade. que não chegou a ser manifestada. 5 6 Cit. 2. Declaração de vontade – declaração negocial pela qual se manifesta a vontade que visa a produção de negócios jurídicos.

A delimitação entre estas figuras e o negócio jurídico nem sempre é fácil. sempre de natureza negocial. especialmente quando na perspectiva do destinatário existem razões justificativas para acreditar na existência de uma vontade de assumir uma vinculação jurídica.420 e 421. por outros actos que nele intervêm. pp. Falta ou não tem relevância a vontade de assumir vinculações jurídicas. embora não exista um negócio jurídico. Aqui. do próprio negócio jurídico. Distinção entre declarações negociais e declarações de ciência o Declarações de ciência – alguém dá conta de um facto. depósito-1155º).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Nota2: A falta de declaração de vontade não deve ser confundida com uma vontade invalidamente formada ou manifestada. as circunstâncias específicas de cada situação concreta. declaração de nascimento. Faz esta distinção falando de negócio jurídico e declaração (negocial)). Distinção entre negócio jurídico e declaração de vontade o São conceitos coincidentes apenas quando estamos perante um negócio jurídico unilateral em que existe apenas uma declaração de vontade (ex. os interesses dos intervenientes. HEINRICH HÖRSTER. ao lado das declarações negociais. Nestes casos. os valores em causa. Almedina. o acto material de entrega faz parte. para além das mesmas. os usos sociais. que nelas frequentemente ocorre. porém. certas relações de favor ou os negócios de pura obsequiosidade não são considerados negócio jurídicos. já existe um negócio jurídico embora com os seus efeitos prejudicados ou afectados pela invalidade. mais do que uma declaração de vontade. são necessárias. (o mesmo ocorre com os “gentlements agreements”. o Normalmente. a consciência de criar uma vinculação jurídica da parte do declarante. Aqui. A parte geral do Código Civil Português. sempre. que declarante não deve desconhecer. A declaração de vontade e a consciência da criação de um vínculo jurídico A vontade orientada no sentido da produção de determinados efeitos jurídicos implica. para a celebração de um negócio jurídico. dado o factor de gratuitidade. (O CCiv. Ed.”7 o Exemplos: contratos reais (comodato-1129º. direitos potestativos quando não dependem de formalidade). Nestes casos. sendo estes efeitos. o Nota: há no entanto situações em que a distinção entre declaração de vontade e declaração de ciência é difícil. Situações em que não basta a declaração de vontade para que se forme um negócio jurídico: o São situações em que o próprio negócio é integrado não só pelas declarações como. presta simples informações ou declarações acerca de dados existentes ou a respeito de determinados acontecimentos (identificação de uma pessoa. acordos mediante os quais alguém assume um compromisso de honra). o “Assim. declaração de vontade e negócio jurídico já não são coincidentes. pode acontecer que o negócio jurídico inclua. alem das declarações de vontade. existem outros factos jurídicos tais como factos ilícitos e a correspondente responsabilidade. determinados actos reais ou materiais. pois. etc. não existe a vontade de criar uma vinculação jurídica. mútuo-1142º. 7 Cit. etc). 8 . Verifica-se um indício a favor da existência de uma vinculação jurídica por parte do declarante que se presta a assumir a “atitude de favor” quando estão em causa interesses económicos essenciais ao declaratário. Coimbra. Assim.

ele recusa a relação jurídica favorável”10.1). ocupação de coisas sem dono. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. testamento. Ed. Limitações: Limitação de auto-vinculações: o De acordo com o art. a conformação unilateral de relações jurídicas  “São intervenientes no negócio jurídico as partes que nele acordaram sendo. 2062º). pp. sem mais. tendo acordado neles. Almedina. os efeitos de um negócio jurídico produzem-se apenas entre as pessoas. que efeitos jurídicos negociais. A parte geral do Código Civil Português. pp. HEINRICH HÖRSTER. Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: 8 9 Cit. o Quando o acto traz uma vantagem jurídica para o visado – ex. Almedina. Coimbra. Ed. 9 . pois são estas que os querem. renúncia a um direito. por acto unilateral. faltando este consentimento.423.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Intervenientes no negócio jurídico. Exemplos: contratos a favor de terceiros (447º e 443º). Aqui. Almedina. o Quando o acto afecta só o património próprio – ex. é a de saber se os efeitos do negócio jurídico se restringem às partes ou se têm efeitos sobre terceiros. Almedina. o Quando não são atingidos direitos de outrem – ex. por via interpretativa. Tal depende: o Conteúdo do negócio jurídico – se incide sobre direitos absolutos ou relativos. A parte geral do Código Civil Português. o “Também por via contratual não é possível favorecer terceiros contra a sua vontade”11. HEINRICH HÖRSTER.423. pp. 457º. contrato com efeitos protectores para terceiros. Conformação unilateral de relações jurídicas  “Da necessidade de um acordo resulta. proposta da conclusão de um contrato. o Conhecimento real ou presumido que os terceiros tenham do negócio acordado. pp. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. doação (940º. o “Não é possível atribuir.” Situações em que é possível um sujeito conformar relações jurídicas de uma maneira unilateral: o Exercício de um direito já constituído – ex. Exemplos: remissão de uma dívida (863º). abrangidas pelos seus efeitos”8  Por via de regra.422. Coimbra. os terceiros são favorecidos ou protegidos se o quiserem. Cit.  Outra questão diferente. direito potestativo e acção directa. relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: o “A ordem jurídica exige o consentimento prévio do outro ou. as auto-vinculações estão circunscrita àquilo que é legalmente admitido. Coimbra. Ed. Impossibilidade de estabelecer. testamento (2179º. 11 Cit. por isso.423. 10 Cit. Não querendo o outro aceitar ou ratificar o acto. Ed. normalmente não procedem de um comportamento unilateral. A parte geral do Código Civil Português. um sentido “objectivo” a uma conduta com vista à criação de uma obrigação da parte do agente que se teria “auto-vinculado” com semelhante conduta. a aceitação ou a ratificação.”9 Tal implica uma limitação do princípio da autonomia privada (não significando que não possa haver condutas criadoras de confiança como é o “venire contra factum próprio” em que o agente cria a confiança ou saberá que o outro confia).

Agir em nome ou em vez de outrem significa. Aqui. Ed. ou decorrentes dos interesses de um incapaz no caso da representação legal. ou que esta chegue ao seu poder. A parte geral do Código Civil Português. por isso.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Duas partes celebram um contrato de compra e venda a respeito de um objecto que não lhes pertence.”12 Negócio jurídicos que para além de declarações negociais exigem a intervenção de autoridades públicas: o Casamento civil – presença de um funcionário do registo civil (1628º e 1630º). 10 . Almedina. o Pode ser necessário que a outra parte conheça o conteúdo da declaração. agir dentro de vinculações. o Negócios jurídicos celebrados pelos pais como representantes dos filhos menores sem autorização do tribunal são anuláveis (1893º/1894º). pp. o NOTA: “há situações em que alguém age em vez de outrem como parte-outorgante do negócio. pelo que a sua falta terá efeitos diferentes: o Casamento – a presença do funcionário faz parte do tipo negocial. a sua ausência torna o casamento juridicamente inexistente. o Normalmente.153º). o Negócios do inabilitado que estão sujeitos à autorização do curador (art. Negócios jurídicos que exigem a intervenção de outros particulares afectados pelo negócio para alem de uma declaração de vontade: o Consentimento pessoal de outros familiares. o Notário/ tribunal – a sua intervenção no processo prende-se com pressupostos de validade. Daí que o agir em nome do representado não se verifica em função da autonomia e da auto-realização do agente (representante). tanto voluntária como legal. os negócios celebrados pelo representante produzem os seus efeitos na esfera e na pessoa do representado. o Consentimento do representado no caso do conflito de interesses. Classificação de negócios jurídicos Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico Estrutura e produção de efeitos: Negócios jurídicos unilaterais: o São negócios jurídicos em que há apenas declarações de vontade de um lado ou várias declarações de vontade paralelas de um lado.424. mas em atenção à autonomia ou interesse daquele que suporta os efeitos (representado). não dependem da aceitação ou concordância de uma outra parte. o (São negócios INEFICAZES em relação aos visados que não intervieram e NULOS para em relação às partes que o celebraram. o As intervenções das várias autoridades públicas têm graus de intensidade diferentes. a sua ausência torna o negócio jurídico inválido. o Os parceiros sociais acordam um contrato colectivo de trabalho que ultrapassa os limites funcionais da contratação colectiva e as suas razões justificativas. Coimbra. É este o caso da representação. o Contrato de compra e venda de bens imóveis – necessidade de escritura pública (875º). assim. o Podem ser receptícios ou não receptícios: 12 Cit. determinadas pela autonomia do representado no caso da representação voluntária. HEINRICH HÖRSTER.

Ex. é difícil estabelecer a fronteira entre um negócio jurídico unilateral ou não. Ed. Almedina. relativo à estrutura e produção de efeitos: o Unilaterais/ não sinalagmáticos – contratos que criam obrigações apenas para uma das partes contraentes. Almedina. pp. HEINRICH HÖRSTER. o Onerosos – “cada uma das partes envolvidas faz uma atribuição patrimonial à outra como contrapartida ou contraprestação. Negócios jurídicos plurilaterais: o “São aqueles que se compõem de duas ou mais declarações de vontade. Coimbra. pp.”16 Não é necessário um equilíbrio objectivo ou uma equivalência objectiva entre as prestações feitas. o Contrato de execução periódica – contêm uma obrigação periódica a realizar durante certo tempo (contrato de fornecimento de mercadoria). Ed. A prestação de uma parte é realizada em virtude e por causa da prestação de outra”14. CCV. o mandato gratuito – o mandante pode ter que indemnizar o mandatário caso este sofra prejuízos). Critério relativo ao cumprimento de obrigações emergentes se cumprirem num único momento ou se prolongarem no tempo: o Contratos de execução instantânea – esgotam-se num acto de cumprimento.”15 (Ex. renúncia do arrendamento. A parte geral do Código Civil Português. contrato de trabalho.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que. 16 Cit.  Bilaterais imperfeitos – “aqueles em que inicialmente há apenas uma obrigação de uma parte. Há uma vantagem patrimonial do lado de quem recebe sendo a atribuição patrimonial unilateral. Ex. HEINRICH HÖRSTER. ainda uma obrigação da outra parte. deliberações sociais (175º). pp. Ed. posteriormente e dependente da execução do contrato. pelo que. testamento. podendo surgir. Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: o Gratuitos – Existe um sacrifício patrimonial apenas para uma das partes contraentes.428.  13 14 Cit. Almedina. Ed.428. para alem da declaração se exige a chegada ao poder ou a tomada de conhecimento do destinatário para que o negócio jurídico produza efeitos.  Nota: por vezes.428. rescisão do contrato de trabalho). o Contratos de execução continuada – contêm uma obrigação duradoura (arrendamento. contrato de sociedade (980º). (ex. 15 Cit. Coimbra. Almedina. contrato de sociedade). Coimbra. promessa pública). A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. para serem eficazes. o Bilaterais:  Sinalagmáticos/ bilaterais perfeitos – “aqueles em que existe uma reciprocidade entre as obrigações das partes.427. pp. A parte geral do Código Civil Português. Cit. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) Critério do conteúdo do contrato. basta a mera emissão de uma declaração de vontade.  Não receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que não há um destinatário. 11 . provenientes de dois ou mais lados e cujos sentidos se encontram e convergem”13 o Exemplos: constituição de uma associação (167º). doação. (ex.

12 .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Nota: os contratos sinalagmáticos são negócio onerosos (mas nem todos os contratos bilaterais são onerosos – doação com encargos). Distinção entre actos de mera administração e negócios de disposição:  Actos de mera administração – “são actos de gestão patrimonial limitados ou destinados a conservar a substância dos bens (manter o seu estado frutífero). (Princípio da liberdade de forma + princípio da liberdade declarativa 217º  realização do princípio da autonomia privada).430. A possibilidade de ganho ou perda vai depender de acontecimento futuro incerto (ex. se tal corresponder à vontade das partes. Critério da forma: o Negócios não solenes/ não formais – celebram-se de acordo com a vontade das partes não sendo necessária qualquer formalidade especial. Ed. Coimbra. no caso do mútuo pode ser convencionada uma participação nos lucros (1145º. mútuo 1142º. É comum serem negócio jurídicos livremente revogáveis exceptuando certas convenções antenupciais. renda vitalícia 1238º. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra.  Negócios onerosos parciários – “são caracterizados pela participação no risco de certo empreendimento no que diz respeito aos lucros esperados como contraprestação a uma entrega realizada para o efeito”17 Exemplos: parceria pecuniária 1121º. Almedina. Almedina.  Mortis causa – produzem os seus efeitos depois da morte das partes ou de uma delas. o Negócio reais – o princípio da liberdade contratual está afastado quanto à liberdade de fixação do conteúdo (numerus clausus). 17 18 Cit.  Negócios de disposição – alteram a substância dos bens ou do património administrado. permitindo apenas actos de alienação que mantenham intacta a raiz dos bens. o seguro.  Contratos aleatórios – são contratos em que uma das partes ou ambas estão sujeitas a um risco. deve ser possível considerar o contrato concluído com efeitos obrigacionais já no momento do acordo e sem qualquer entrega. o Negócios familiares:  Pessoais – exclusão do princípio da liberdade de fixação do contrato. Critério da natureza da relação jurídica constituída: o Negócios obrigacionais – vale o princípio da liberdade contratual. Critério do modo de formação: o Negócio consensuais – “o contrato fica perfeito com o simples acordo das partes.”18 o Real – é necessário. pp. pp.1 + 405º + 1146º). Cit.429. o risco). o jogo e aposta 1245º. o Negócio solenes/ formais – negócios jurídicos que para serem concluídos exigem o preenchimento de certa formalidade. a uma álea.[negócio bilateral gratuito]. comodato 1129º). HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. nestes casos. HEINRICH HÖRSTER.  Patrimoniais – o princípio da liberdade de fixação de conteúdo depende da natureza obrigacional ou real. para alem do acordo. depósito 1155º. No entanto. Negócios entre vivos e mortis causa:  Entre vivos – produzem os seus efeitos em vida das partes. Ed. um acto material (ex. o Nota: negócio consensual pode também ser oposto a negócio formal.

Ed. Nota: não há vontade de acção no caso de movimentos reflexos.437. os seus elementos  “ o primeiro passo para o negócio jurídico consiste numa declaração de vontade”.  Exemplos de situações em que o silêncio não funciona como declaração negocial:  O silêncio depois do recebimento de uma mercadoria não encomendada. Se um dos elementos subjectivos falta ou for deficiente ou se o elemento objectivo não obedecer às exigências 19 20 Cit. pp. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE II – Formação do negócio jurídico As modalidades da declaração negocial. inconvenientes ou de coacção física. uso ou convenção. A parte geral do Código Civil Português.é a consciência de criar um vínculo jurídico). HEINRICH HÖRSTER. pp. HEINRICH HÖRSTER. É uma manifestação directa de vontade tendo com objectivo exteriorizar certa vontade negocial. Almedina. (. É uma manifestação indirecta de vontade que se baseia num comportamento concludente do declarante.”19 Só é possível no caso de uma resposta a uma declaração negocial expressa ou tácita precedente (é uma maneira de reagir).  Vontade negocial – “é a vontade dirigida a um negócio jurídico concreto incidindo sobre um determinado objecto ou referindo-se a uma realidade precisa.  Aprovação por silêncio no art. portanto.437. 21 Cit.  Casos em que o silêncio tem valor declarativo:  Aceitação da proposta de venda a contento (923º.”20 É a vontade de concluir um negócio específico. formada por um elemento interno e um elemento externo que devem coincidir sob pena de o negócio jurídico não poder desempenhar o seu papel. pp. Elemento interno/subjectivo da declaração negocial – vontade:  Vontade de acção – é a vontade dirigida à execução da própria acção mediante a qual se manifesta a vontade negocial. O declarante sabe que o seu agir tem relevância jurídica. Ed. “O que está em causa não é a ausência de vontade é a ausência de manifestação desta. 1163º. Coimbra. 13 . Almedina. HEINRICH HÖRSTER. Princípio da liberdade declarativa (liberdade contratual + princípio da autonomia privada):  Em princípio.  Vontade de declaração – existe quando o declarante tem consciência de que o seu comportamento ou a sua manifestação significam uma declaração negocial num sentido qualquer. o Declaração negocial tácita – quando se deduz de factos que com toda a probabilidade a revelam. Coimbra. 218º).  Modalidades em que a vontade pode ser revelada: o Declaração expressa – quando é feito por palavras escritas ou QUALQUER OUTRO MEIO DIRECTO de manifestação de vontade (ex. Ed. A parte geral do Código Civil Português. Mas há vontade de acção quando o declarante age sobre coacção moral. ou podem ser entendidos nesse sentido. Coimbra. o silêncio vale como declaração negocial (art. Apenas nos casos previstos na lei. Cit.”21 A declaração negocial é.2). gestos ou sinais). “A não coincidência entre a vontade negocial e a declaração feita pode levar a um erro. o declarante dispõe de todos os meios que lhe servem para se fazer entender.435. Almedina. o Silêncio como modo declarativo – por via de regra não vale nada enquanto declaração negocial.

a forma das declarações é escolhida livremente pelos declarantes. convenção dos interessados ou por disposição legal aparece como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial.595º. A forma da declaração negocial. Código civil – não toma uma posição clara mas estabelece determinadas directrizes que impedem uma solução subjectivista e que fornecem soluções objectivistas. dentro dos limites da boa fé.” [visão objectivista]. a sua distinção da publicidade Princípio da autonomia privada: liberdade de forma e liberdade declarativa. tendo em vista o princípio da autonomia privada e a necessidade de segurança e o princípio da protecção da confiança (boa fé): “ Uma declaração de vontade é um acto que produz um efeito jurídico intencionado pelo declarante. 14 .1. A vontade como elemento subjectivo não é negada. da confiança e da segurança no tráfico jurídico. Forma convencional:  é a forma estipulada pelos declarantes no âmbito do princípio da liberdade declarativa e da liberdade de forma. exigindo que a declaração negocial seja expressa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel legais. excepções  Existem situações em que a lei afasta o princípio da liberdade declarativa. Assim. podia e devia entender o comportamento no qual ela se traduz.2. 590º. O problema da concordância entre elemento objectivo e subjectivo e consequentes efeitos jurídicos Teoria Clássica – (teoria da vontade) – a vontade efectiva do declarante é decisiva.2. em princípio.1) o CCiv estabelece o princípio da liberdade de forma (219º). por princípio. objectivo. de acordo com o conteúdo objectivo que a declaração apresenta ou que lhe é atribuído" [A vontade do declarante é moldada por critérios objectivos].731º. A declaração tal como o declaratário. segundo os usos da vida. qualquer relevância jurídica.957º.)  Em sintonia como o princípio da liberdade declarativa (art. Distinção entre vontade negocial e motivos  Os motivos que levam à celebração de um negócio jurídico situam-se antes do negócio e não possuem. Assim. ou em todo o caso o revela e traduz. repercutindo-se a invalidade sobre os seus efeitos ou simplesmente irregular (podendo ser rectificado). Teoria da declaração – o elemento decisivo é o elemento externo. a declaração negocial é atingida por esse facto e.  A inadequação dos motivos não pode afectar o negócio sob pena de trazer consequências incompatíveis à segurança e certeza no tráfico jurídico. 217º. mas o significado da vontade pode estar condicionado pelas opções do código e pela concepção social do direito privado que não olha o indivíduo de forma isolada mas num determinado contexto social. conforme os casos. (ex. Definição de Manuel de Andrade – “todo o comportamento de uma pessoa que. não existente ou inválida.1.

pp.  A exigência da forma legal visa determinados fins de interesse público ou ordem pública que o legislador considera superiores ao princípio da autonomia privada e. 394º. As finalidades e razões justificativas para a imposição de forma legal são as seguintes: 1.222º (forma escrita) o facto de os declarantes adoptarem a forma escrita não invalida eventuais estipulações acessórias verbais.Art.  O não cumprimento da forma convencional não leva à invalidade do negócio jurídico. (forma “ad probationem”). mediante a forma convencionada. Nota: nulidade – está em causa um elemento essencial do negócio jurídico ou está em causa a ordem pública. As partes não querem ver o negócio substituído. Permite a validade de convenções adicionais ao documento escrito. Ed. HEINRICH HÖRSTER. o NOTA: de acordo com o art. no futuro. dois tipos de efeitos: 1. 22 23 Cit. ou a melhor ponderação da decisão a tomar no negócio em causa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   As partes tendem a adoptar uma determinada forma voluntária por razões de clareza quanto à conclusão do negócio e seu conteúdo.Art. consolidar o acto ou ter as suas clausulas mais perceptíveis. não haverá vinculação entre elas. (Princípio da ordem pública + transparência e publicidade)  Existe também a hipótese da forma legal apresentar a forma “ad probationem” não tendo relevância para a validade do negócio jurídico (obras realizadas por acordo das partes no arrendamento). por meio dela. contemporâneas ou posteriores à formação do documento. A exigência de forma feita voluntariamente pode ser afastada pelas partes através de uma determinação posterior ou sucessiva em sentido contrário: o Forma voluntária . Sem a observância da forma convencionada. como meio de protecção das partes. Almedina. 15 .  Assim. a lei é muito rígida no que respeita à observância da forma legal imposta. As partes podem abandonar a forma apesar da convenção. Inobservância da forma legal exigida por lei  Ao contrário do que acontece com a forma convencional. A ponderação da decisão em ordem a evitar soluções precipitadas ou irreflectidas. quer as convenções sejam anteriores. mas estabelece-se a presunção de que as partes querem. Estipulação da forma no momento da conclusão ou posterior à conclusão do negócio – o negócio já está validamente celebrado. facilitar a prova. a segurança e a facilitação da prova. Anulabilidade – estão em causa interesses privados.441. a não ser que diversamente seja provada. Presume-se é que este não se concluiu.223º (não há uma forma específica) prevê em atenção à altura em que a estipulação foi feita.”22 2. A parte geral do Código Civil Português. sendo esta um pressuposto de validade23. Coimbra. verifica-se que a lei atribui uma força reduzida à forma convencional. ao princípio da liberdade de forma. Estipulação anterior ao negócio que se quer celebrar em seguida – “estabelece uma presunção relativa no sentido de. a prova testemunhal não é admitida se tiver por objecto quaisquer convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documento autêntico ou dos documentos particulares. tendo primeiro convencionado a forma. apenas se querem vincular. o Forma convencional . mas para se permitir a prova esta tem que ser feita por confissão ou por documentos que o comprovem (394º). as partes. consequentemente. desde que correspondam à vontade do declarante.

vendas ao domicílio ou vendas por correspondência).  Pode ser feita pela inscrição do contrato no registo respectivo (ex. em jeito de controlo prévio. A clareza a respeito do próprio conteúdo do negócio. Modalidades de documentos escritos24 (art. 24 Nota: um cheque é um documento escrito – ordem pagamento dada pelo sacador ao banco a favor da pessoa que está inscrito como beneficiário ou o portador do cheque. A dificultação do negócio em certas situações específicas ditadas por razões sociais (ex. Distinção entre forma dos negócio e publicidade:  Existem negócios que estão sujeitos a publicidade. em princípio. O controlo para preservar interesses da comunidade ou de terceiros (para alem de eventuais exigências de autorizações por parte de tribunais ou outras entidades). O conhecimento a terceiros. Segurança da prova. nomeadamente o registo. 16 . registos e documentos arquivados. obrigados a prestar verbalmente informações relativas aos actos. destinada a averiguar.  Documentos particulares autenticados (377º e 375º). torna-o inoponível a terceiros. a sua não publicidade. registo civil. 6. 4. A perfeição da declaração negocial A importância da determinação do momento em que a declaração negocial está perfeita (tem eficácia/ está apta a produzir os seus efeitos):  Esclarece se uma declaração foi feita tempestivamente ou não. uma vez que os notários estão. Nota: quando a lei fala em forma. 5.  Declarações negociais não receptícias – não têm destinatário determinado.  A falta de publicidade em nada afecta o negócio pois este já está concluído. Nota: as exigências legais devem estar de acordo com as características da sociedade (ex. ao abrigo da publicidade notarial. as consequências da não publicidade do negócio poderão ser a mera produção de efeitos latentes (casamento não registado – não pode ser invocado ou atendido) ou a não produção de efeitos (o contrato de sociedade comercial não existente). refere-se à forma escrita.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 2. A clareza do momento exacto da conclusão de um negócio. Tipos de declarações negociais:  Declarações negociais receptícias – destinatário determinado. registo predial) ou por publicação nos jornais (estatuto de uma associação).  Ver DL 62/2003 – 3 Abril. 3.  Embora o negócio produza todos os efeitos para as partes. índice de alfabetização e a exigência de escritura pública).  Em certas situações. ainda a capacidade negocial dos intervenientes. Uma assistência profissionalmente competente. separando-o da fase de negociações. 8. 363º):  Documentos particulares (373º e 376º). 7.  Documentos autênticos.

A declaração é formulada ou manifestada. Conhecimento:  É o momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração que lhe foi dirigida. Fases da existência de uma declaração negocial (receptícia): Exteriorização:  Corresponde ao momento em que o declarante exprime a sua vontade. o Data a partir da qual correm os prazos para a anulação da declaração negocial. Almedina.447. as esferas de poder do declarante e do declaratário (declarações negociais receptícias).” Fases de existência de declarações negociais não reptícias:  Existem apenas as fases de exteriorização e expedição uma vez que não existe um destinatário determinado. tal não implica que elas não possam coincidir no tempo. A parte geral do Código Civil Português. 17 . Ed. Nota: “tanto a exteriorização como a expedição verificam-se do lado do declarante. 25 Cit. (253º. sendo o pressuposto lógico de ambos a anterior emissão da declaração negocial. Recepção:  É o momento em que a declaração chega ao poder do destinatário de forma a que este possa tomar conhecimento do seu conteúdo. (entrada na esfera de poder do declaratário). no decurso temporal.  É neste momento que são analisados os pressupostos de validade da declaração. o momento em que formulada. podendo conduzir ou coincidir com emissão da declaração”25 Ver art. Coimbra. Determina o momento a partir do qual o declarante fica vinculado à sua declaração. abandonando a esfera interna do declarante. 255º. Nota: “Tanto a recepção como o conhecimento verificam-se do lado do declaratário. Nota: embora seja possível separar as quatro fases.  É neste momento que a declaração ganha existência.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Determina a parte que arca com o risco de uma transmissão errada da declaração. Momento em que a declaração negocial ganha eficácia (vincula o declarante de tal forma que este não se pode retractar) [teorias]: Teoria da exteriorização – a declaração negocial ganha eficácia/ fica perfeita no momento da exteriorização. Tal importa: o Conclusão do contrato e da consequente transferência de direitos reais e risco de perecimento ou deterioração da coisa. HEINRICH HÖRSTER. ao separar. 220º). 226º. pp. 257º.  A invalidade do negócio jurídico é uma consequência da invalidade da declaração que compõe o negócio jurídico. Expedição:  Corresponde ao momento em que a declaração é expedida pelo declarante.

suposta pela lei quando de prova a recepção. o Declaração negocial não receptícia/ não recipienda – nestes casos.  Art. sem culpa sua.3  tem-se por ineficaz uma declaração recebida pelo destinatário em condições de. esta é assumida a partir do momento em que a declaração é entregue a uma pessoa que possui a necessária competência de recebimento.  Art. Teoria do conhecimento/ percepção – a perfeição obtém-se no momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração. acontecimentos supervenientes já não prejudicam a eficácia da declaração.  Nota: a chegada ao poder não implica a entrega imediata. 224º. 224º. 18 .  Art. a declaração torna-se eficaz.2  declaração receptícia – ficção legal no sentido de determinar que é eficaz a declaração negocial que por culpa do destinatário não chega ao seu poder. a que uma declaração já emitida ganhe a sua perfeição ainda depois.  Ainda assim.  Não receptícias – são eficazes com a simples emissão da declaração. a não recipiendas): o A morte e incapacidade do declarante não obstam. depende das concepções reinantes no tráfico jurídico para os negócios em causa.Varela – há uma presunção absoluta que o declaratário tomou conhecimento da declaração caso se tenha verificado que este a recebeu.  Conjugação da teoria do conhecimento e da recepção.1).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Teoria da expedição – a declaração negocial ganha eficácia quando é expedida. por analogia. basta que se verifiquem um dos pressupostos para que a declaração seja perfeita. 224º.1: o Estabelece uma distinção entre declarações negociais receptícias e não receptícias:  Receptícias – tornam-se eficazes quando chega ao poder do destinatário ou é dele conhecida. não poder ser conhecida. A partir de o momento em que tal acontece. desde que esta se revista da forma adequada. 226º (aplica-se a declarações receptícias e.: promessa pública (Art. Ex. existe uma divisão na doutrina: o P.Lima e A. 454º).  Art. (Teoria da exteriorização + expedição). 225º: o Declarações negociais receptícias – situações em que não se pode verificar a chegada ao poder ou conhecimento do declaratário pelo que a perfeição da declaração negocial receptícia (por este ser desconhecido ou por se desconhecer o seu paradeiro) verifica-se no momento da publicação da declaração no jornal. Momento em que a declaração negocial fica perfeita de acordo com o código civil:  Art.  Quando há prova do conhecimento efectivo não há necessidade de provar a recepção para efeitos da perfeição da declaração negocial. o Horster – defende que a tomada de conhecimento. Teoria da recepção – a perfeição obtém-se no momento em que a declaração chega ao poder do destinatário. quando um possível destinatário (indeterminado no momento de emissão da declaração) toma conhecimento da declaração. (Adopta-se a 2ª alternativa do 224º.  Quando há prova da recepção mas não há prova de conhecimento. o A declaração é ineficaz ou enquanto o destinatário não a receber ou não tenha conhecimento dela.

Ed. Cit. 2. pp. por exemplo máquinas automáticas nos parques ou com sandes já são propostas contratuais.  Cláusulas subjectivamente essenciais – são cláusulas que cada uma das partes considera essencial para a celebração do acordo.457. Tem de incluir na proposta os elementos objectivamente e subjectivamente essenciais. Passos para a conclusão de um contrato 1. ii. pp.455. Traduzir uma vontade firme de contratar: 1. exposição de mercadorias nas montras. Coimbra.  Exemplos: pedido de reserva de mesa de um restaurante. Ed.”28  Não é uma declaração negocial. A parte geral do Código Civil Português.  No entanto. A parte geral do Código Civil Português.”27 (enquanto houver dissenso o contrato não se conclui). Coimbra. Almedina.”26  Da leitura do art.) constitui um incentivo para que alguém dirija uma proposta contratual. envio de catálogos.232º “podemos deduzir que estamos em face da conclusão de um contrato quando as partes tiverem chegado a um acordo entre elas sobre todas as cláusulas julgadas necessárias.224º/225º+226º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Para que uma declaração seja eficaz é necessário que esteja de acordo com os arts. HEINRICH HÖRSTER. Ed. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. A proposta contratual e a sua aceitação CONCLUSÃO DO CONTRATO = PROPOSTA EFICAZ + ACEITAÇÃO EFICAZ Distinção entre convite a contratar e proposta contratual Convite a contratar:  “Sinaliza apenas o interesse ou disponibilidade para entrar em negociações com vista à posterior conclusão de um contrato (. Almedina. Traduzir uma vontade precisa de contratar: 26 27 Cit. Almedina. 29 Cit. 19 .. HEINRICH HÖRSTER. Proposta Contratual:  “Constitui elemento imprescindível da certa proposta contratual a sua susceptibilidade de ser aceite”29  Características: i.  Cláusulas objectivamente essenciais – relacionadas com o conteúdo do contrato.457. 28 Cit.454. pp. pp. Conclusão do contrato  “As declarações negociais mais importantes são aquelas que conduzem à conclusão de um contrato.. Coimbra. Ed. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. Declaração inequívoca do declarante a vincular-se de forma directa e imediata.

2 + 224º.1. 3.b). a partir do que a proposta perde eficácia (art.a). HEINRICH HÖRSTER. 31 Cit.2 – proposta não é eficaz.462. 230º e 231º:  230º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 1.228º).2 – se o destinatário receber a retratação do proponente antes do recebimento da proposta ou no momento do recebimento.”31 Aceitação eficaz da proposta  o contrato conclui-se aquando de uma aceitação eficaz do destinatário da proposta (âmbito de acordo das vontades art. mas o proponente pede uma resposta imediata (217º+228º. 235º.2. Fixado um prazo. Não é fixado um prazo.1.  Dispensa da declaração de aceitação (art. A parte geral do Código Civil Português. 217º+228º. Mantém-se até 5 dias depois do prazo em que. “Condições normais”: a. a proposta do contrato é irrevogável depois de ser recebida pelo destinatário ou de ser conhecida por ele (nos termos do art. Proposta feita a pessoa ausente ou por escrito a pessoa presente + não se estabelece um prazo.  “A caducidade da proposta tem como efeito que o proponente foi completamente desvinculado e desobrigado da mesma (art. Ed. A Irrevogabilidade30 da proposta resulta do art. esta fica sem efeito. é eficaz desde que seja deita na forma de oferta ou em forma equivalente. proposta e aceitação chegam ao destino (217º+228º. [no momento em que a aceitação se torna eficaz. não podendo retratar-se dos seus efeitos. 217º).3 – “a revogação da proposta. 30 Irrevogabilidade da proposta – relaciona-se com questões de segurança no tráfico jurídico e de proteger as legítimas expectativas do lado do destinatário. 2.1 – salvo declaração em contrário (na própria proposta ou por outro meio declarativo idóneo).c). concluindo-se o contrato].  230º.”  231º. Assim o aceitante tem que utilizar o mesmo meio. quando dirigida ao público.  230º.2 + 234º . Coimbra. 224º a 226º). ACUMULA OS DIAS AO PRAZO DO 228º.  231º. um meio com rapidez equivalente ou rapidez superior.234º) + declaração negocial tácita (art. 406º.  A partir do momento em que a declaração negocial (proposta) se torna eficaz (arts. Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art.  Irrevogabilidade de aceitação eficaz – já se concluiu o contrato  art. Almedina.228º)  Estabelece 4 hipóteses diferentes: 1. 1 e 2 | art. 224º.b. pp.1. 20 . 232º). em condições normais. o declarante fica vinculado à proposta. constitui-se um vínculo bilateral. Não é fixado prazo + não é pedido resposta imediata + proposta dirigida verbalmente a pessoa presente – é possível que se deixe um período de reflexão ao destinatário (uma vez que não é exigido um período de reflexão). 224º.1.possibilidade de “lege ferenda”. 4. É o tempo de comunicação ou transporte ou transmissão regulares.1. A declaração tem de ser elaborada de tal modo que para a celebração de um contrato baste um simples “sim” do declaratário.  A eficácia da aceitação da proposta depende desta ser tempestiva – chegar ao poder ou ao conhecimento do proponente no prazo estabelecido (ou supletivo) art.

b) obrigação de entregar a coisa. Dissenso oculto/ latente – as partes julgam (erroneamente) ter-se posto de acordo. 408º e 796º. Exemplo: contrato de compra e venda (art. 408º. o contrato não se conclui (por falta de consenso).2): o Nota: diferente da solução prevista no art.  Aceitação com modificações (art. é necessário conhecer o momento em que foi concluído o negócio e que.2.(231º.232º). portanto. em princípio. Está-se perante uma situação de dissenso. comportamento posterior ao consenso negocial. c) obrigação de pagar o preço. salvo as excepções previstas na lei”.  A eficácia real do contrato dá-se.  Art. não há consenso entre elas de modo que o contrato não fica concluído (art. 21 . Dissenso manifesto – as partes conhecem a divergência.  Quando a aceitação é revogada ao abrigo do art.  Quando se torna ineficaz por morte do destinatário. o O risco corre sempre por conta do proprietário.  Os casos em que o silêncio conduz à formação do contrato. comportamento subsequente à celebração do negócio. 235º. houve transmissão da titularidade do direito.1. as partes podem convencionar o momento da transferência do risco. 879º):  O contrato de compra e venda tem como efeitos: a) transmissão da propriedade ou da titularidade.  A conclusão do contrato implica a produção dos efeitos (direitos e deveres de acordo com o seu conteúdo) resultante da vontade das partes.1 o Regra “casum sentit dominus” – determina que nos contratos que importam a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre ela. Dissenso manifesto e oculto/latente  Enquanto as partes não houverem acordado em todas as cláusulas sobre as quais uma delas julga necessário o acordo.  Art. Aqui a proposta permanece eficaz mesmo após a morte ou incapacidade do proponente. 796º. o O risco transfere-se em sintonia com o momento em que é transferido o direito (que é feito por um mero conjunto sem necessidade de um acto material ou publicidade). é no momento da conclusão do contrato que o risco do perecimento ou deterioração da coisa passa do alienante para o adquirente. no momento da conclusão do contrato. Neste caso. o contrato não fica celebrado. estão expressamente tipificados na lei. Os efeitos reais da conclusão do contrato  Arts. o É uma norma supletiva.226º. 233º) – importa a rejeição da proposta.  Para que se conheça por qual das partes corre o risco. Nota: a proposta deixa de ser vinculativa para o preponente:  Expirando o prazo. a menos que seja de admitir que as partes teriam contratado mesmo sem acordo acerca do ponto acessório.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Revogabilidade da rejeição – art. 235º.1 – “a constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. 874º) e os seus efeitos (art.  Rejeição da proposta.

 “Em todo o caso. no tráfico jurídico actual desempenha uma função cada vez mais importante as chamadas cláusulas contratuais gerais. Ed.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A conclusão do contrato com base em cláusulas contratuais gerais  “A negociação de um contrato nem sempre é feita de uma maneira individual.35 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais:  O conhecimento objectivo – é necessário que aqueles que assinam os “contratos de adesão” percebam aquilo que estão a assinar. HEINRICH HÖRSTER.32  “Assim. HEINRICH HÖRSTER. (Não se deverá permitir cláusulas disfarçadas ou que não se conseguem ver bem). Conveniência prática de pré-formular as respectivas cláusulas para determinados negócios de massa ou que têm grande complexidade técnica ou são muito sofisticados. Ed. Almedina. que as formulou. Coimbra. pp. elaboradas de antemão por uma das partes e destinadas a serem aceites. pp. o DL 446/85 de 25 de Outubro. As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) 1. com cláusulas ponderadas e acordadas uma por uma … este modo de contratar não é adequado em inúmeras situações.  Cláusulas abusivas – poderá acontecer que quem utiliza as cláusulas contratuais gerais abuse do seu poder negocial. Permite reduzir custos. Cit. HEINRICH HÖRSTER. sem mais.219º e ss.468.469. pela outra”33 (existe uma limitação da possibilidade de negociação de uma das partes). A parte geral do Código Civil Português.  “O efeito de racionalização pretendido com recurso a cláusulas gerais pode ser desvirtuado. A parte geral do Código Civil Português. 224º e ss. Coimbra. 3. Ed. estabelece o regime a que estas estão sujeitas: 32 33 Cit. pp. porém. 228º e ss”. Coimbra.36 Para evitar os efeitos indesejados das CCG. sem hipótese de alteração por parte do aderente que ficou sujeito a elas”. na medida exacta em que aparecem cláusulas concebidas unilateralmente no interesse do contratante determinado.468. Almedina.469. à vida económica de hoje”. A parte geral do Código Civil Português. e muitas vezes assim sucede. Ed. 217º. pp. 22 . Por um lado.  Sempre que uma cláusula seja considerada nula é necessário conseguir ampliar os efeitos do caso julgado. as regras legais do código civil nem sempre contemplas os interesses e os condicionalismos específicos das diversas áreas contratuais.34  “Apenas o modo de travar negociações é diferente e racionalizado”. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. 2. também as declarações feitas por meio de cláusulas contratuais gerais … são declarações negociais nos termos dos arts. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. Ed. A parte geral do Código Civil Português. 34 Cit. Coimbra. 36 Cit. para afastar a liberdade contratual. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. pp.469. Almedina. 35 Cit.

Artigo 4º .concretização do art. O comportamento adoptado deve coincidir com: 23 . devem elas ter a liberdade de romper as negociações. 21 e 22 podem ser proibidas por decisão judicial. pode observar-se que as negociações se destinam precisamente a dar às partes oportunidades de apreciarem se o contrato deve ser feito e em que termos. regem-se pelo presente diploma” [note-se que tanto vale para o proponente como para o destinatário. A culpa in contrahendo (art. 9º.  Mas. 227º visa proteger o próprio processo de formação do contrato em todas as suas fases). sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”. 16.  A obrigação de indemnizar existe independentemente da formação posterior do contrato ou não (o art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel            Artigo 1º. Tal deve-se ao facto de muitas vezes se assinar “propostas de adesão” em que é a entidade que recebe a proposta que a pré-elabora].  A aplicação do art. respectivamente. Artigo 8º/9º ..são proibidas as cláusulas contratuais gerais contrárias à boa fé (novidade face ao CCiv.3). Artigo 16º a 19º .dever de informação por parte do contraente que usa CCG (ónus). etc. elaboradas para utilização futura. assim. A celebração do contrato ou a sua posterior anulação ou declaração de nulidade não afectam a aplicação do preceito em causa.  A lei estipula.caso haja cláusulas especificamente acordadas elas prevalecem sobre as CCG. pois não é lícito a uma das partes romper arbitrariamente as negociações depois destas terem alcançado um tal desenvolvimento que a outra parte podia julgar-se autorizada a confiar na realização do contrato e. 227º)  “Quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve. Artigo 20º a 22º . mas leva apenas à não aplicação da respectiva cláusula (art. proceder segundo as regras da boa fé. por outro lado.. 227º pressupõe culpa (não basta a simples rotura de negociações).1 (âmbito de aplicação) – “as cláusulas contratuais gerais sem prévia negociação individual. 13º. tanto nos preliminares como na formação dele. 239º). enquanto o contrato não é celebrado. 280º). se necessário às regras de integração dos negócios jurídicos (art. independentemente da sua inclusão efectiva em contratos singulares.as cláusulas contratuais inseridas em propostas contratuais ficam incluídas nos contratos pela aceitação. a fazer despesas. 18.as cláusulas não comunicadas ficam excluídas dos contratos individuais. mas apenas desde que sejam observados determinadas disposições legais. 15. a subscrever ou aceitar. Artigo 6º . a abster-se de outros negócios. 5º. com recurso. a exclusão ou nulidade de uma CCG não arrasta consigo todo o negócio.  Em vez de cláusulas contratuais gerais aplicam-se as normas dispositivas comuns. Artigo 26º . 19. Artigo 7º .  Em princípio. art. portanto. Artigo 25º (acção inibitória) – as cláusulas contratuais gerais.legitimidade de acção inibitória. 14º). uma obrigação de indemnizar por culpa in contrahendo.1 – as cláusulas devem ser comunicadas na íntegra aos aderentes sob pena de não serem incluídas no contrato e o ónus da prova da comunicação adequada e efectiva cabe ao contraente que submeta a outrem as cláusulas contratuais gerais (art. que proponentes ou destinatários indeterminados se limitem. Artigo 5º. deste modo. Artigo 15º .proibição de cláusulas que possam prejudicar consumidores finais. 15º. quando contrariem o disposto nos arts.

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O dever de cada um dos contraentes se exprimir claramente, a fim de evitar falsas interpretações do seu comportamento.  Dever de não começar negociações que se saiba de antemão condenadas ao malogro ou à celebração de um negócio inválido.  Dever de não abandonar arbitrariamente as negociações.  Dever de comunicar à outra parte algum motivo da nulidade do negócio.  Necessidade de sigilo quando se justifica.  O art. 227º deve ser enquadrado no âmbito da responsabilidade civil extracontratual (obrigação resultante da lei e não da autonomia privada).  A responsabilidade prescreve nos termos do art. 498º.  Ao calculo da indemnização serão aplicáveis os arts. 489º e 494. Comparação entre art. 227º e art. 229º,1 (2ª parte):  O art. 227º não exclui a aplicação do art. 229º,1 (2ª parte), aplicando-se independentemente.  O art. 229º, 1 (2ª parte) não exige a culpa, estabelece uma obrigação de avisar como contrapartida de atribuir ao proponente a possibilidade de, unilateralmente, impedir a conclusão do contrato (direito potestativo – outra parte está num estado de sujeição). As relações contratuais de facto ; problema da sua existência       Há uma certa doutrina que defende a existência de obrigações contratuais sem a formação de um contrato por meio das respectivas declarações negociais, unicamente com base num comportamento de facto/ comportamento social. Tal doutrina conduz à não aplicação das regras das incapacidades negociais bem como das disposições referentes às invalidades do negócio a fenómenos e negócio de massa da vida diária. São situações em que aparece uma entidade pública (de forma directa ou indirecta) como fornecedor de um serviço (transportes públicos, gás, electricidade). São situações em que há uma hipótese de aquele que tem um comportamento social típico entrar em contacto com uma entidade pública que presta um serviço. Nestes casos, a conclusão do contrato seria dispensável, seria sempre devida a contraprestação quando a prestação fosse de facto aceite ou utilizada. Esta doutrina deve ser rejeitada: o Ela é supérflua visto o comportamento social-típico coincidir, na grande maioria dos casos, com a declaração negocial tácita e na vontade correspondente. o Se o comportamento não traduzir uma vontade subjacente, será possível recorrer ao disposto no art. 244º, 2, (1ª alternativa) – a reserva mental não conhecida do declaratário não prejudica a validade da declaração, inclusive da declaração tácita. o Quando o comportamento observado for contrariado por declarações de protesto recorre-se ao princípio acolhido nas regras da boa fé e do abuso de direito. o No caso de menores ou incapazes, será aplicável o art. 127º,1,b) e subsidiariamente o regime de enriquecimento sem causa. o Nos casos de relações obrigacionais duradouras originadas por contratos inválidos, as relações contratuais de facto não servem. O que importa é uma regulamentação específica em relação ao regime geral do art. 289º.

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o Nos casos do dever jurídico de contratar a figura das relações contratuais de facto é supérflua e dispensável. Quem está obrigado a contratar deve aceitar as propostas contratuais que sejam feitas.  O código civil não aceita a doutrina das relações obrigacionais de facto:  Têm raízes colectivizantes.  Rompe o sistema do negócio jurídico e do contrato alicerçado na autonomia privada.  Conduz à inobservância da lei mesmo em casos inequívocos.  Não é compatível com a doutrina da transferência de direitos reais por mero efeito do contrato. A representação na conclusão do contrato  A declaração negocial pode ser formulada e manifestada por outros que agem em vez das partes ou de uma delas. A representação:  Há um representante que participa no tráfico jurídico negocial ou em nome de outrem (representado).  Os efeitos dos negócios concluídos pelo representado, produzem-se directa e imediatamente, na esfera do representado.  Os poderes de representação podem resultar: o Da lei – representação legal. o Negócio jurídico – representação voluntária.  A figura da representação não põe em causa o princípio da autonomia privada, pelo contrário, é uma forma da sua efectivação. Os incapazes e a representação:  Os incapazes não estão em condições para poderem participar no tráfico jurídico negocial.  Assim, compreende-se que não se reconheça aos incapazes capacidade para nomear um representante voluntário, pois carece de capacidade de exercício para o fazer (123º, 139º, 156º). [Poderá haver uma excepção à sua incapacidade 127º, 139º, 156º).  Ao ficarem excluídos do tráfico jurídico negocial, os incapazes não poderiam fazer uso da sua capacidade de serem titulares de direitos e obrigações. Para evitar esta situação, serve a figura da representação legal: o Não se trata da realização do princípio da autonomia privada, mas da integração dos incapazes no tráfico jurídico negocia, muito embora sem actuação própria. o É uma representação conferida por lei: o representante age dentro de vinculações e limitações impostas pela função do instituto e pelo facto da sua actuação produzir efeitos na esfera jurídica de quem não possui capacidade para agir. A representação no código civil:  Art. 258º a 261º - contem os princípios gerais, aplicáveis a representação voluntária legal.  Art. 262º a 269º - representação voluntária – focam o carácter negocial do instituto.

Princípios gerais; delimitações para com figuras semelhantes  Pressupostos para a produção de efeitos jurídicos em virtude da representação (art. 258º): o Um negócio jurídico. o Realizado pelo representante em nome do representado. o Nos limites dos poderes que lhes competem. o Nota: o art. 258º abrange representação activo (o representante emite uma declaração negocial) e representação passiva (o representante recebe uma declaração negocial). 25

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Estabelecidos os pressupostos, o Negócio jurídico concluído pelo representante vincula e responsabiliza juridicamente o representado e a outra parte com que o representante negociou.

Nota: não é elemento legal essencial que o representante aja no interesse do representado, embora isso seja sempre o caso em relação à representação legal. Distinção entre representação ou do representante com outras figuras e institutos:  Distinção entre núncio e representante: o Núncio – transmite uma declaração alheia formulada por outrem. o Representante – presta uma declaração própria.  Distinção entre representante e quem age em nome próprio por conta de outrem (comissário, mandatário sem poderes de representação, “homem de palha”): o Quem age em nome próprio por conta de outrem – são verdadeiras partes no negócio, mas os efeitos do negócio são deslocados para a esfera daquele por cuja conta o negócio se concluiu.  Distinção entre mandato sem representação e com representação:  Mandato sem representação – mandatário actua em nome próprio por conta de outrem.  Mandato com representação – alguém actua em nome e por conta de outrem (procuração + contrato de mandato). o Representante – não é parte no negócio, produzindo-se os efeitos deste na esfera jurídica do representado.  Distinção entre representante e quem age sob o nome de outrem, disfarçando a sua verdadeira identidade.  Distinção entre representante e pessoas que servem como medianeiros na conclusão de negócios jurídicos ou de auxiliares na sua execução. o Aqui, o negócio é celebrado pelos próprios, mediante uma retribuição daquelas pessoas.  Distinção entre representantes e representação orgânica: o Representação orgânica – órgãos inscritos nas pessoas colectivas e destinadas a fazer agir as mesmas por actos próprios.  Distinção entre representação e certos ofícios (testamenteiro, vogal do conselho de família, administrador de falência).  Distinção entre representação e consentimento e autorização como pressupostos de validade de certos negócios jurídicos.  Distinção entre representação e contrato para pessoa a nomear (452º a 456º) e contrato a favor de terceiro (443º a 451º). o Representação – categoria especial da conclusão do negócio. o Contrato para pessoa a nomear ou a favor de terceiro – constituem categorias especiais dentro das várias modalidades especiais. Art. 259º - falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes 1. “No negócio, quando celebrado pelo procurador, há elementos em que é decisiva a vontade do representado e elementos em que prevalece a vontade do representante”. Assim, os poderes do representante são determinados pelo poder do representado. Tudo o mais pertence à esfera do representante. a. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representado, atende-se à pessoa do representado.

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com o primeiro representante. Este substituto pode agora celebrar o negócio. mas os poderes para os representantes foram transmitidos para um substituto do representante originário. em nome do representado.  Hipótese da dupla representação – as proibições estabelecidas valem também para as representações orgânicas. atende-se à pessoa do representante para saber se houve vício ou falta de vontade.. à representação orgânica.negócio consigo mesmo  Art. 261º). O nº1 não faz sentido no caso da representação legal. visto o papel activo que o representante tem na celebração do negócio. 261º. 27 . Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representante (por o representado não se ter pronunciado.). preço. c. Art. 259º aplica-se à representação voluntária e.  Art. antes de celebrar quaisquer negócios em que aqueles poderes poderão faltar.. 260º . o Prevê duas hipóteses:  Se o representante tem poderes para.1: o proíbe o negócio celebrado pelo representante consigo mesmo. o Não pode o representante concluir um negócio “consigo mesmo” sob pena de ser anulável (art. 261º .2 – prevê a hipótese de o representante substalecer os seus o poderes de representação. agindo este em nome próprio. Ao representado de má fé não aproveita a boa fé do representante. seja em nome próprio seja em representação de terceiro a menos que:  O representado tenha especificamente consentido na celebração. O mesmo se observa quanto à influência que o conhecimento ou ignorância de certos factos poder ter sobre o negócio.justificação dos poderes do representante  A justificação dos poderes de representação pode ter lugar tanto na representação legal como na voluntária. ainda que indirectamente. Nota: compreende-se o relevo dado pela lei à vontade do representante. Art. edição.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel b. 261º.  A parte que trata com o representante tem a possibilidade de conhecer os poderes exactos a ele conferido. ii. O representado continua o mesmo.  O representante não pode celebrar negócios com qualquer pessoa: o O negócio é vedado ao representante em virtude de haver uma indisponibilidade ou ilegitimidade do representado. A boa fé do representante não poderá ser atendida para qualquer efeito do negócio. não o pode vender a si próprio mas apenas a um terceiro como outra parte do negócio. Nota 2: o art. apesar de o negócio reproduzir imediatamente os seus efeitos na esfera do representado.  O negócio exclua por natureza a possibilidade de um conflito de interesses. ex. em nome do representado. É de grande importância o estado de boa fé ou de má fé se este estado deriva do conhecimento ou ignorância do facto: i. vender certo objecto.

a menos que a procuração tenha sido conferida também no interesse do procurador ou de terceiro. no entanto a capacidade de entender e querer correspondente à substância do negócio. o Cessação da relação jurídica que serve de base (contrato de mandato. quaisquer limitações às possibilidades do procurador. tal como qualquer outro dos poderes contidos na representação. Art..  Exige-se. Pretende-se. 264º . o necessário discernimento. a invalidade desta não afecta a primeira.  É a posição de poder de representação. resultante de um acto de atribuição. não necessite de aceitação da contraparte. são declarações receptícias. 263º . podendo ser tácita. Art. 28 . o Nota: o mandato (arts 1157º e ss):  É um contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais actos jurídicos por conta de outrem. desde que tenha. o Revogação pelo representado – em princípio.  A procuração é juridicamente autónoma da relação jurídica de base. proteger a outra parte que negoceia com o procurador. para a celebração do acto.  Outra é a situação do outorgante dos poderes de representação.substituição do procurador  Importante distinguir dois casos: o O de o procurador pretender substituir-se na execução da procuração – tal depende do consentimento do representado se não resulta do conteúdo da procuração ou da relação jurídica que a determine. Assim. 265º .extinção de procuração  A extinção da procuração procede-se por via unilateral. em vista do papel activo que na celebração deste tem a vontade do representante (art. o O procurador pretender servir-se de auxiliares no seu exercício – não há. 259º. não há qualquer obstáculo à revogação.  Mandato sem representação (1180º) – o mandatário actua por conta do mandante mas em nome próprio. exigindo-se o acordo do interessado.  Causas da extinção da procuração: o Renúncia do procurador – acto unilateral que não carece de aceitação por parte do representado. trabalho.  A autorização para a substituição.  Mandato com representação (1178º):  O mandatário actua por conta do mandante e em nome próprio. desta forma..  Embora a renúncia à procuração. 262º a 269º). em princípio. não necessita da ser expressa.  É um acto jurídico unilateral por meio do qual uma pessoa é nomeada procurador. este precisa de ser capaz tanto para a procuração como para a realização do negócio a que ela se destina.capacidade do procurador  Pode ser procurador quem não tem capacidade para o exercício de direitos.1). sociedade.  Normalmente consta de uma declaração receptícia. Produzem-se efeitos na esfera jurídica do mandatário.). tal como a revogação dela. Art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A procuração e os seus efeitos Procuração:  Representação voluntária (arts.

 Art. indirectamente. sem que ele goze do direito de retenção do documento (267º). o A parte que celebra o negócio com aquela que não tinha poderes de representação fica vinculada:  Ignora a falta de poderes da outra parte – pode desvincular-se unilateralmente do negócio (enquanto este não for ratificado). A estes caberá provar que ignoravam. sob pena de lhes não serem oponíveis. o Violação dos limites formais estabelecidos na procuração. 266º . o Procuração inválida (nula). mas pode fixar um prazo razoável à 29 . produzindo os seus efeitos. da relação jurídica de base. para um negócio só (em muitos casos. (Poderá ser-lhe exigida responsabilidade pré-contratual – art. extinção da relação jurídica de base). Art.protecção de terceiros:  Estabelecem-se dois regimes: o Modificação e revogação da procuração – a lei exige que a modificação e a revogação sejam levadas ao conhecimento de terceiros por meio idóneos. de modo que os negócios se concluem.  O procurador dever restituir o documento de onde constem os seus poderes.  Procuração geral – confere poderes gerais ao procurador e portanto para um multiplicidade de negócios. o representado fica vinculado pelas declarações negociais do seu ex-procurador em relação a outra parte que não conhecia a extinção ou a ignorava sem culpa. sem culpa.  Nos casos de inoponibilidade da extinção da procuração. 268º . a lei apenas permite uma procuração especial – negócios jurídicos familiares). 227º).  A amplitude dos respectivos poderes resulta do conteúdo do acto de atribuição e. o A pessoa que celebra o negócio em nome de outrem também não fica vinculada pois não é parte no contrato.  Sabia que a outra parte não tinha poderes de representação – não pode desvincular-se unilateralmente do negócio. salvo se se provar que estes as conheciam (afasta-se um pouco da regra do art. O mandato é sempre um negócio independente da procuração como acto posterior ou subsequente. o Restantes casos extintivos – estabelece uma presunção de ignorância por parte de terceiros. pelo que os efeitos jurídicos produzem-se directamente na esfera do mandante.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Aplicam-se as regras da representação – o mandatário não é parte do negócio. logo que a procuração seja extinta.representação sem poderes  Alguém celebra um negócio em nome de outrem sem ter os necessário poderes de representação.  “sem poderes de representação” significa: o Não existe procuração a favor da pessoa. 224º). Procuração geral e procuração especial  Procuração especial – confere poderes especiais no procurador para cada acto. não tendo poderes de representação.  Consequências: o O negócio não pode provocar quaisquer efeitos na esfera jurídica da pessoa em nome da qual a outra celebra um negócio. a extinção da procuração (ex. portanto.

Coimbra. não se produzem de forma estável…ou não se produzem na íntegra.abuso de representação  O representante pratica um acto que está formalmente contido na procuração. Caso tal ratificação não se verifique no prazo estabelecido.  A aplicação de condicionalismos traz alguma instabilidade ao tráfico jurídico uma vez que a vontade das partes ou o comanda da lei fazem com que os efeitos de um negócio válido não se desenvolvam plenamente. Cit. tinha concluído o negócio. muito embora o negócio seja perfeitamente válido.Os negócios jurídicos com eficácia limitada  “Em certos condicionalismos os efeitos. Almedina.  É aplicado o disposto relativo à representação sem poderes quando o representante tiver abusado dos seus poderes e a outra parte conhecia ou devia conhecer o abuso. Ed. Parte III . não se produzem desde logo. e a outra parte colaboram conscientemente para prejudicar o representado – COLUSÃO – o negócio é nulo pois é ofensivo dos bons costumes nos termos do art. e a outra parte não se interessa pela identidade mas sim pelo negócio em si. Art. agindo formalmente dentro dos seus poderes funcionais. pp. Ed. HEINRICH HÖRSTER. o Actos que não correspondem ao interesse do representado. Tal é compreensível à luz dos princípios da 37 38 Cit. Almedina. Ratificação – negócio jurídico unilateral. entre quem o representante originariamente sem poderes.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel outra parte para que ratifique (ou não) ou negócio. A parte geral do Código Civil Português. então a outra parte já se pode desvincular.. destinado a atribuir efeitos a outro negócios que deles carecem. Os efeitos do negócio jurídico ratificado produzem-se desde o momento da sua celebração entre as partes. Coimbra. Nota: não se trata de abuso de representação quando o procurador. HEINRICH HÖRSTER. ou seja. não necessariamente receptício. A parte geral do Código Civil Português.490.”37  Os condicionalismos podem encontrar a sua origem na vontade das partes.. Caso o agente pretenda concluir o negócio com efeitos para ele próprio. 281º. Os negócios jurídicos com efeitos subordinados a condição ou termo   “As partes de um negócio jurídico podem subordinar o início ou a cessação da produção dos seus efeitos à verificação de uma condição ou de um termo”38 Não é necessário que a lei o permita para que seja possível às partes imporem determinadas condições ou termos a um negócio jurídico. na lei ou na lei com o concurso da vontade das partes. os seus efeitos produzem-se entre quem se apresenta sobre um falso nome e a outra parte.490. pp. utilizando falso nome para dissimular a sua identidade. 30 . 269º .  O abuso de representação só é juridicamente relevante quando é conhecido pelo terceiro (em princípio não afecta a invalidade ou ineficácia do negócio).  Situação diferente é quando alguém age sob nome falso. mas pratica-o de forma a lesar os interesses do representado: o Viola instruções.

 “Para saber se a cláusula é ilícita. Vol I.251. A condição  “É um elemento querido pelas partes. 31 .1). à ordem pública ou ofensiva dos bons costumes:  Não há impossibilidade. Tanto a condição como o termo têm em comum o facto de serem exteriores ao negócio (elementos acidentais).  Acontecimento futuro – mostra que não são condições neste sentido as reservas relacionadas com factos presentes ou passados. Código Civil Anotado. existem situações em que a lei vem expressamente permitir no de modo a evitar dúvidas – ex. a subordinação querida pelas partes. Por ser voluntária. convenções antenupciais art.  Acontecimento incerto – tem como consequência que não são condições neste sentido. estando. “O facto de que fica a depender o efeito ou a resolução do efeito é possível.1 – Condições próprias mas ilícitas .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   autonomia privada (no entanto.condições contrárias à lei. Assim. 4ª ed. Coimbra Editora. o A condição pode ser suspensiva ou resolutiva:  Suspensiva – a produção de efeitos de um negócio jurídico fica subordinada a um acontecimento futuro e incerto. o declarante exigir como condição da eficácia. pp. não é a licitude ou ilicitude do problema. mas a ilicitude ou licitude do nexo criado entre o facto e a eficácia do negócio. no caso da condição. que não se refiram a um acontecimento simultaneamente futuro e incerto são CONDIÇÕES IMPRÓPRIAS). mas exigências da lei como pressupostos para a verificação de determinados efeitos jurídicos (ex. acontecimentos já verificados. ou seja. Limitada. no caso do termo. 271º (condições ilícitas ou impossíveis) o Art. Art. Cit. Tanto o termo como a condição são acontecimentos futuros.  O negócio jurídico subordinado a uma destas condições é nulo. 271º. as condições legais de eficácia. O acontecimento em si tem de verificar-se objectivamente no futuro. O que é contrário à lei (à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes) é a imposição do facto”39. Coimbra Editora. ela distinguese das “condições legais” (conditio iuris) que não são condições verdadeiras. arts. ANTUNES VARELA. incidivelmente ligados a eles. uma vez que determinam a produção dos seus efeitos. ANTUNES VARELA. Limitada. acrescentado ao negócio. não são condições no sentido próprio.  Resolutiva – a resolução do negócio jurídico fica sujeita à verificação de um determinado acontecimento futuro e incerto. não sair o destinatário de sua casa).. as que se referem a acontecimentos impossíveis ou acontecimentos que se verificam necessariamente (falta o elemento da certeza). a verificação do acontecimento futuro é incerta.251. 4ª ed. mas que as partes ainda não conhecem (incerteza subjectiva). pp. no entanto. (Ex. a verificação do acontecimento futuro é certa. Código Civil Anotado. ou seja. 270º. no entanto.1: o Condição (própria) – um acontecimento FUTURO e INCERTO ao qual as partes subordinam a produção ou a resolução dos efeitos do negócio jurídico (as cláusulas apostas a um negócio jurídico para condicionar a produção dos seus efeitos. 687º e 1669º).”40   39 40 Cit. Vol I. 1713º. Um facto lícito pode assim constituir objecto de uma condição ilícita e uma condição ilícita pode ter por objecto um facto lícito.

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      o Art. no entanto. sobretudo quando está em causa uma condição resolutiva. 271º.2 – Condições física ou legalmente impossíveis:  Condições impróprias – condição física ou legalmente impossível. Art. Aqui. por ser um negócio validamente concluído.  Condições físicas ou legalmente impossíveis SUSPENSIVAS – o negócio é nulo. para salvaguarda dos seus interesses”42  Efeitos imediatos do negócio condicional – efeitos produzidos pelo negócio mesmo na pendência da condição. Código Civil Anotado. 4ª ed.pendência da condição: actos conservatórios: o “É doutrina aceita. o declaratário não necessita de ser protegido contra uma situação de insegurança que lhe é criada por fora. uma vez que cabe a ele próprio desfazer a situação de insegurança (CONDIÇÃO POTESTATIVA OU DE QUERER). Limitada. 275º. pp. antes da verificação da condição ou não da condição suspensiva. se possam produzir os efeitos pretendidos. tudo se passa como se o negócio não tivesse sido concluído. Coimbra Editora. os efeitos protectores das expectativas jurídicas criadas.verificação e não verificação da condição: o Art. produz. Limitada. 32 .  Apenas quando o preenchimento da condição depender unicamente da própria vontade do declaratário. aliás na linha de pensamento do art. Art.2+1618º. pp. a condição é admissível para influenciar a vontade ou comportamento deste. Coimbra Editora. no momento da verificação da condição. antes subordinados à condição. 2 e 3].252. o contrato individual de trabalho será incondicionável. aquém tem uma expectativa legítima ou um direito condicional. 224º. 275º. em várias disposições do código. 272º . implicar desde já uma VINCULAÇÃO MÚTUA DAS PARTES. Art. ANTUNES VARELA.2 é uma consequência deste princípio. Nem todos os negócio jurídicos admitem condições: o Devido à natureza do negócio que não comporta incertezas quanto à produção dos seus efeitos – ex. 272º + 273º  resulta que o negócio jurídico embora ainda não produzindo ou não produzindo definitivamente os seus efeitos pretendidos. Art. porque o negócio se encontra concluída.  Condições física ou legalmente impossíveis RESOLUTIVAS – o negócio produz os seus efeitos desde logo e continua a produzi-los sem ameaça de resolução. Vol I. O negócio condicional produz de imediato aqueles efeitos indispensáveis para que. Tratando-se de uma condição suspensiva. os negócio jurídicos familiares pessoais apresentam uma natureza incompatível com a existência de uma condição.2+1852º. 41 42 Cit. Cit. Os efeitos produzidos de imediato são a expressão do facto de o negócio condicional. 848º. Vol I. 275º.1+2054º. ANTUNES VARELA.252. a da admissibilidade da prática de actos conservatórios. pratica-se um facto ilícito. Código Civil Anotado.1 – “não há que aguardar a não verificação da condição para que ela produza os seus efeitos: basta que haja a certeza de que não pode verificar-se.1) – ex. e que o pratica é responsável pelos danos que causa”41 [a doutrina do art. o Devido a disposição legal expressa (art. 273º . 4ª ed. o Exercício de direitos potestativos – não pode ser feito sob condição tendo em conta que o declaratário deve ser protegido contra a insegurança resultante de um exercício condicional.1+2064º. da parte do declarante.pendência da condição: o “No caso de se agir de má fé e de se prejudicarem as legítimas expectativas da outra parte.

275º.  O a situação mais importante da condição suspensiva é a reserva de propriedade (art.1 . 277º. 408º. Vol I. o 274º. 276º . violando as regras de boa fé.1 e 879º. 4ª ed. 272º (e está de acordo com o art.a + 954º.Possibilita a alienação de direitos condicionais.253. à contingência da verificação da condição. Art. COMO CONDICIONAIS. o 274º.2 – “manda o nº 2 aplicar directamente. Art. É possível. não transferiu ainda.retroactividade da condição o Verificada a condição os seus efeitos retrotraem-se à data conclusão do negócio. há lugar à aplicação analógica das mesmas disposições. 1269º e seguintes. os direitos ou obrigações que tem por objecto. 227º. 2 e 3). o adquirente de um crédito obrigado a restitui-lo tem direito aos juros nos termos do art. pp. 43 Cit. se houver lugar à restituição do que houver sido alienado.  Há uma EXPECTATIVA JURÍDICA – um direito à aquisição plena. o momento dos efeitos seja outro. A condição suspensiva  O negócio jurídico. a não ser que.não retroactividade: o A retroactividade fica excluída em determinadas situações:  Contratos de execução continuada ou periódica (arts.pendência da condição: actos dispositivos o Trata-se de um artigo que adopta uma solução diferente dos arts.  A ninguém deve ser lícito tirar proveito dos actos que pratique. o Deste preceito. embora validamente concluído. Art.2 + art.2).409º): o A transferência de direitos reais dá-se por mero efeito do contrato (art. juntamente com o art.2:  É uma consequência da regra geral do art. Limitada. ou pelo menos. 1270º). Não havendo posse. retira-se que a retroactividade não constitui parte necessário ou essencial do conceito de condição. especiais. Coimbra Editora.1 + 434º. ou por analogia. que nos contratos de alienação o alienante reservar para si a propriedade da coisa até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte ou até à verificação de qualquer outro evento. 1270º. se aquele que é obrigado a restituir tem a posse da coisa.3+ 277º. A aplicação é directa. Assim.  Com a celebração do negócio condicional nascem deveres secundários ou acessórios.  Actos de mera administração (arts. 270º.2 + 272º e 273º)  Aquisição de frutos colhidos no exercício de actos de administração ordinária (art. sujeitando-se o adquirente e não o alienante. 277º. ou pela natureza do acto. A natureza aleatória do acto transmite-se para o adquirente.  A boa fé tem o sentido ético do art. o Art. o disposto nos arts. 224º. Código Civil Anotado. ANTUNES VARELA. 277º . 277º. o A estipulação de uma condição pelas partes conduz.”43 o Abrange também a transmissão da expectativa jurídica à aquisição plena do direito. 33 . de conduta para uma das partes ou para ambas. 274º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    tratando-se de uma condição resolutiva.a) e 939º). os efeitos do negócio consolidam-se definitivamente na titularidade do credor ou do adquirente. de modo definitivo. pela vontade das partes. desta forma a um estado de pendência:  Não existe um direito pleno na pessoa do adquirente. 272º+273º e 275º.

o Termo certo e indeterminado (dies certus an et incertus quando) – aquele que se sabe que chegará. os arts. em termos paralelos. mas sem se saber quando. ou até que este se verifique.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A condição resolutiva  Embora validamente concluído o negócio jurídico não transferiu ainda de modo definitivo os definitivo os direitos ou obrigações que tem por objecto. 963º a 967º no contexto da doação e. como se não estivesse sujeito àquela estipulação. morte).  Aos encargos referem-se os arts.  Aos negócios a termo.  Tipos de termo: o Termo certo e determinado (dies certus an et certus quando) – aquele que se sabe de certeza que chegará e quando. (ex. mas somente para o futuro. 34 . SEM QUALQUER ESPÉCIE DE RETROACTIVIDADE. só por si. é preciso accionar os meios previstos na lei para a resolução dos negócios correspondentes. 2244º a 2248º.  Art. o Acontecimento certo – há a certeza da sua verificação independentemente da incerteza do momento em que tal acontecerá. (ex. 272º e 273º. um encargo não o é (ligação cindível). Aquele a favor de quem o termo foi estabelecido pode renunciar a ele.  O contrato decorre. 966º e 2248º).  Negócio a termo é aquele em que as partes querem que os seus efeitos só se produzam depois que se dê um acontecimento FUTURO e CERTO.  Enquanto condição e termo são imediatamente decisivos para a produção ou não produção dos efeitos do negócio jurídico (ligação incindível). mas sem influenciar nos seus efeitos. o Termo suspensivo (inicial/ dies quo) – marca o momento a partir do qual o negócio começa a produzir os seus efeitos.  Pode ser estipulado no interesse do devedor.  Verificado o termo. (Para a resolução dos negócios correspondentes é necessário accionar os mecanismos previstos na lei arts. 279º . do credor ou no interesse comum das partes. data de um calendário). os efeitos do negócio cessam. ou a deixar de os produzir. O termo  Momento a partir do qual o negócio jurídico deve começar a produzir os seus efeitos. antes da verificação do termo.  O não cumprimento do encargo não tem.cômputo do termo. Para atingir os efeitos. o Termo extintivo ou final (dies ad quem) – quando assinala o momento em que o negócio deixa de produzir efeitos.  Constitui um elemento exterior ou acidental ao negócio jurídico. aplicam-se com as necessárias adaptações as disposições dos arts. no contexto das disposições testamentárias. Os encargos ou cláusulas modais  Um encargo onera uma liberdade. qualquer influência sobre os efeitos da liberdade. pelo que a renúncia também é causa da sua extinção. mas não atinge (ao contrário da condição e do termo) a produção dos efeitos do negócio que prevê.

2.  Ratificação – é um negócio jurídico unilateral que destinado a atribuir efeitos plenos a outro negócio que deles careça.  “As inibições do insolvente civil e do falido resultam do seu estado de insolvência ou falência em virtude do qual a massa insolvente é. 44 45 Cit. os negócios susceptíveis de ratificação. este poderia celebrar negócios que prejudicassem esta mesma massa patrimonial).498. 601º. 1313º.”44  Estado de insolvência (art. Almedina. não forem ratificados. explica-se a razão da perda de disposição dos bens penhoráveis do falido ou insolvente.  Exemplos: casos de inibição do insolvente civil e do falido. Coimbra. pp. O falido ou insolvente não fica em nenhum estado de incapacidade. Ed. perder o poder de disposição do direito a que ela se refere. na da sua residência e ainda na do tribunal. Esta é notificada ao Ministério Público.  O negócio não é ineficaz em relação à parte com que o indivíduo contratou. subtraída à sua administração e disposição. 229º. fica na situação de quem perde o poder de disposição dos bens:  Art. não produzem os seus efeitos em relação à parte que pode ratificar ma entendeu não o fazer.2  “A declaração é ineficaz. se o declarante. caso contrário. em condições iguais. Tal pretende prevenir o público contra eventuais negócios com quem estiver atingido por tal medida grave. no caso de representação sem poderes. 226º. por força da indisponibilidade de que sofrem quanto aos seus bens abrangidos pela respectiva massa. no jornal mais lido na comarca e em editais afixados na porta da sede e sucursais do estabelecimento falido. pois.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios jurídicos com efeitos dependentes de ratificação  São negócios jurídicos em que a vinculação só se pode verificar em relação a um lado do negócio.  A falta de vinculação existe apenas quanto à massa. Os negócios dos insolventes e dos falidos celebrados sem poderes de representação:  São ineficazes relativamente à massa insolvente ou falida os negócios do insolvente e do falido na medida em que estão inibidos. até à sua distribuição ou liquidação total. de fazer funcionar a garantia patrimonial geral do art. situação prevista no art. porém. HEINRICH HÖRSTER. registada por este na conservatória competente e publicada no jornal oficial. o Os negócio posteriores aquela sentença declaratória são INEFICAZES (independentemente de registo). A parte geral do Código Civil Português. Se. o Apenas lhe ficam os bens impenhoráveis.1 CPC)  refere-se a não comerciantes “o devedor não comerciante pode ser declarado em estado de insolvência quando o activo do seu património seja inferior ao passivo”. contrato para pessoa a nomear.  Estado de falência (art. 1135º CPC)  diz respeito a comerciantes “o comerciante impossibilitado de cumprir as suas obrigações considera-se em estado de falência.  Efeitos da insolvência civil e da falência: o Separação dos patrimónios do devedor na medida em que esta declaração conduz a uma apreensão dos seus bens penhoráveis e a uma inibição sua para os administrar ou dispor deles (a administração desta massa patrimonial cabe ao “administrador da massa insolvente ou falida”45).”  Tanto a falência como a insolvência civil são declaradas por sentença judicial. enquanto o destinatário não a receber ou dela não tiver conhecimento. Massa insolvente ou falida: destina-se a satisfazer os credores. 35 . como património separado ou autónomo. necessários para a sua subsistência. Trata-se de uma execução global de todo o património penhorável do devedor no interesse de todos os credores. (Assim.

452º. Ed.  Art. 291º . apenas limitada ao nível da eficácia. a partir do momento da ratificação. 36 .2 (a ratificação opera sem prejuízo de direitos de terceiro). o negócio jurídico celebrado com o falido ou insolvente e a outro parte. o administrador poderá ratificar (= negócio jurídico unilateral através do qual alguém vem atribuir pleno efeito a um outro negócio jurídico) o negócio.  Arts. 46 Cit. 434º+435º .1).  Art. pp. 266º (protecção de terceiros). 276º+277º+1713º.  Os casos da falta de publicidade: o A preocupação de lei em proteger terceiros contra evoluções que não conhecem nem podem prever reflecte-se em muitos preceitos:  Art. HEINRICH HÖRSTER. 1670º.2 e 455º. respectivamente registado. não sendo estes.2 – o preenchimento da condição não tem efeitos retroactivos. 453º.2 – o registo tardio do casamento católico não afecta direitos patrimoniais de terceiros. Os negócios jurídicos com eficácia relativa  Há uma vinculação entre as partes com plena produção dos efeitos. Coimbra.a anulação não prejudica certos direitos adquiridos por terceiro de boa fé. Os negócios celebrados sem poderes de vinculação:  Caso da representação sem poderes (ver art. oponíveis a “terceiros” que não os conhecem devido à falta de publicidade dos negócios. a contrario). tendo em conta os interesses dos credores.  Arts. o Os casos de ineficácia relativa a terceiros são precisamente aqueles em que um negócio devia ter sido publicitado. 268º. 871º (eficácia em relação a terceiros). A parte geral do Código Civil Português. o A nomeação necessita de ser ratificada nos termos dos arts. o Se assim não for. o Sendo a nomeação feita.a resolução não prejudica direitos adquiridos por terceiros. Assim. porém.  Art. 2: arg.a revogação da doação não afecta terceiros adquirentes. sob pena de não produzir efeitos em relação ao nomeado (arts.  Caso do contrato para pessoa a nomear: o Uma das partes pode reservar o direito de nomear um terceiro que adquira os direitos e assuma as obrigações provenientes desse contrato (art. 979º .  Nota: “Caso o administrador da massa não vincule a mesma por via da ratificação.  Art. o contrato produz efeitos apenas em relação ao contraente originário. 268º). a pessoa adquire os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir da celebração dele (arts.500. ganha eficácia retroactiva ao momento da celebração do negócio.1). O representante sem poderes de representação responde à outra parte com base na culpa na formação dos contratos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Essa inibição conduz a uma indisponibilidade relativa. mas não foi:  Art. 168º.  Art. mas sem afectar a validade do negócio. o insolvente ou falido responde à outra parte por incumprimento do contrato se não consegue realizara contraprestação”46. 455º.3 – a constituição da associação não produz efeitos em relação a terceiros antes de ser publicitada. 453º e 454º.  Se o negócio concluído pelo falido ou insolvente civil trouxer vantagens para a massa patrimonial. Almedina. 227º. de acordo com o art.

 Antes do registo. se a segunda aquisição for registada primeiro.  Estão sujeitos a registo. [Na verdade. um direito total ou parcialmente incompatíveis com direitos de outrem.  (Para a resolução de casos práticos: 37  .3 – a instituição da fundação não produz efeitos quanto a terceiros antes de ser publicitada. 185º.1 – as convenções antenupciais só produzem efeitos em relação a terceiros depois de registadas. 879º. a aquisição ou a modificação do direito da propriedade ou de um direito real limitado sobre um prédio (CRPred art. 1º). os factos ou direitos não registados não são oponíveis a terceiros que participam no processo aquisitivo quanto ao imóvel. entre outros. entre as próprias partes ou seus herdeiros. a partir da sua ocorrência.  Os factos sujeitos a registo podem ser invocados desde logo.o proprietário não inscrito de um prédio responde pelos danos causados por defeitos de conservação.  A inoponibilidade destes negócio jurídicos sujeitos a registo.a – compra e venda / art. contradizendo assim a realidade. é essa que prevalece (Nos termos do art.a) – doação). 408º.  Terceiros para efeito de registo  são terceiros para efeito de registo. dada a falta da sua publicidade por meio de registo e a inoponibilidade daí decorrente.1.  Neste tipo de negócios. 2º). tendo em vista a segurança no comercio jurídico imobiliário” (CRPred art. os factos jurídicos que importem a constituição. Art.1 + art. de harmonia com os efeitos “erga omnes” que os caracterizam. relativamente a terceiros adquirentes. pode acarretar consequências graves para quem devia registar a aquisição e não regista. ainda que não registados (art.  O respectivo direito constitui-se. a eficácia é apenas relativa. 6º CRPred). No caso de dupla disposição a favor de outro adquirente que confia nas presunções do registo. enquanto não são registados. aqueles que adquirem do mesmo transmitente. 4º CRPred). como os terceiros apenas precisam de conhecer os factos depois de registados é natural que estes não lhes sejam oponíveis anteriormente]. 1711º. adquire-se ou modifica-se por mero efeito do contrato entre as partes (art. nos precisos termos em que o registo o define (art.  Fora do processo aquisitivo.  As diversas disposições das leis do registo – os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros a partir do registo. sobre o mesmo objecto. pois aqui não é posta em causa a segurança no tráfico jurídico (ex. sendo depois levado a registo para aí ser inscrito em ordem a que o facto se torne oponível a terceiros. 7º CRPred). 939º.  Art. essencialmente. os direitos não registados gozam de oponibilidade geral.  As regras da prioridade do registo podem assim ter como consequência a perda de um direito adquirido que apenas possuía eficácia relativa.a + 954º. o O registo predial em particular:  “O registo predial destina-se. 492º .5+168º. a ficção de que a situação jurídica ainda não se modificou. não abrangendo os terceiros que pretendam adquirir direitos sobre o mesmo imóvel  o registo estabelece em relação a estes terceiros. )  O registo constitui a presunção de que o direito existe e pertence ao titular inscrito.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Art. a dar publicidade à situação jurídica dos prédios.

2 CRPred + 687ºCCiv). Como tal. o registo tem efeitos retroactivos. mesmo na sequência da um negócio nulo. Ed. Cit. 286º. Este sentido tem de estar de acordo com a função do negócio jurídico – a autodeterminação da pessoa dentro da sua autonomia privada conforme a sua vontade. uma vez registado. Coimbra Editora.  Existe. Almedina.222. HEINRICH HÖRSTER.  O fim da interpretação é o sentido da mesma. portanto.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  O registo não tem efeitos constitutivos. Código Civil Anotado. mesmo nos casos de nulidade. segundo o qual a nulidade é oponível a todos os interessados (ver também art. [não se trata de uma verdadeira excepção ao princípio “nemo plus iuris”]. 4ª ed. 892º (o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé) – é este direito que. Vol I.  “A interpretação parte. a produção de certos efeitos laterais quando se trata de negócios nulos cujo objecto são atribuições patrimoniais. de elementos objectivos para obter.  No âmbito do registo civil – o estado civil da pessoa tem de ser registado sob pena de produzir meros efeitos latentes. Limitada. o elemento externo.   PARTE IV . 892º (para negócios onerosos) e art. como finalidade. pp. 236º. Determinando. mas não para avaliar o conteúdo sob o aspecto da sua razoabilidade ou da sua conformidade ou não com a lei.  Estes artigos constituem uma excepção ao art. Os casos da inoponibilidade da invalidade: o Trata-se de casos em que o negócio é nulo. através deles. que será normalmente o adquirente de boa fé. 939º). 38 . o próprio conteúdo da declaração. em face do comportamento do declarante. o elemento subjectivo. 237º. ) o Existem casos em que a falta de registo exclui de todo a invocação de um facto ocorrido:  Os factos constitutivos da hipoteca cuja eficácia.490. ou seja.interpretação e a integração da declaração negocial (arts. medianamente instruído ou diligente. na medida em que isto é possível”47  Art. pp. A partir do momento que é registado. a própria declaração negocial. uma eficácia relativa entre as partes de um negócio nulo. 236º: o Aplica-se a declarações negociais expressas e tácitas desde que sejam receptícias. 4º. entre as próprias partes depende da realização do registo (art. a lei tenta atribuir o mínimo de estabilidade. leva a que o terceiro adquirente para efeitos de registo adquira pleno direito sobre o bem. 239º) A interpretação  Serve para captar o sentido. o “O sentido decisivo da declaração negocial é aquele que seria apreendido por um declaratário normal.  O objecto da interpretação é a manifestação da vontade. cuja a incerteza traz grandes perturbações ao tráfico jurídico. 956º. ANTUNES VARELA. Coimbra.1 (negócios gratuitos):  O vendedor ou doador de bens alheios não opor a nulidade ao comprador ou donatário de boa fé. o Os negócio aqui em causa dizem todos respeito a atribuições patrimoniais. A parte geral do Código Civil Português. o Art.238º. resultante da inoponibilidade da nulidade entre as mesmas por virtude da boa fé de uma delas.”48 o Exceptuam-se os casos: 47 48 Cit. colocado na posição do declaratário real. metodologicamente. Venda de bens alheios – art.

apesar deste entendimento contrariar o uso linguístico ou o sentido normal das expressões empregues  A vontade real é que conta). o O objectivo da solução acenta na lei é o de proteger o declaratário.  Este artigo só é aplicado para as declarações receptícias. razoavelmente aquele sentido. por exemplo.510.512. ANTUNES VARELA. HEINRICH HÖRSTER. 4ª ed.  O declaratário conhecer a vontade real do declarante. o A prevalência do sentido objectivo apenas se opera entre as legítimas expectativas do declaratário e as justas necessidades de segurança do tráfico jurídico.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Não possa ser imputado ao declarante. pp. que também hãose considerar as “reacções” do declarante contra eventuais interpretações abusivas. Cit. 51 Cit. A parte geral do Código Civil Português. É a condenação das doutrinas objectivistas puras e a confirmação da velha regra segundo a qual “falsa demonstratio non nocet””.223. Limitada. quer o seu sentido seja inequivocamente contrário ao sentido que as partes lhe atribuíram. mas aquela em que o intérprete razoavelmente se deva sentir depois de ter tentado. o “A dúvida a que este preceito alude não é a que a declaração posso suscitar antes de esgotadas as regras da sua interpretação. e não o sentido que este lhe quis efectivamente atribuir. que a declaração seja ambígua.  Este artigo não se aplica em casos de interpretação testamentária nem a actos jurídicos que estão fora do comércio jurídico. dar à declaração um sentido único. Código Civil Anotado. HEINRICH HÖRSTER. pp. Vol I. nem aos actos jurídicos em que não procedam as razões justificativas do regimes estabelecido. 236º. ainda que imperfeitamente expresso. 39 . 4ª ed.”52 Art. “Apenas quando o declarante não pode contar razoavelmente com o no sentido deduzido pelo “declaratário normal” do seu “comportamento”.1 atribui o risco do uso linguístico ao declarante. e muito diferente do sentido com que este o empregou” 49 – art. 238º.”50 o “Do disposto no nº2 resulta que. pp. o Consagra-se uma doutrina objectivista de interpretação em que o objectivismo é temperado por uma salutar restrição de inspiração subjectivista  o objectivo é proteger as legítimas expectativas do declaratário e não perturbar a segurança do tráfico jurídico. Vol I. a não ser que se trate de matéria relativamente à qual se não exija a forma prescrita na lei. o “A ressalva contida na parte final do nº1 tem plena aplicação naqueles casos.224 52 Cit. Código Civil Anotado. 237º (casos duvidosos): o Aplica-se apenas quando o sentido da declaração não puder ser esclarecido mediante a aplicação do art. o risco linguístico ou o risco do entendimento é imputado ao declaratário. conhecendo o declaratário o sentido que o declarante pretendeu exprimir através da declaração. Almedina. 49 50 Cit. Ed. Coimbra. 236º. Almedina. 238º o Art. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra Editora. Coimbra Editora. uma vez que ele dispõe de todos os meios para se fazer entender. ANTUNES VARELA. Ed. sem êxito. é de acordo com a vontade comum das partes que o negócio vale. conferindo à declaração o sentido que seria razoável presumir em face do comportamento do declarante.1  Não há sentido possível que não tenha no texto do preceito um mínimo de correspondência. 51 (Situações em que declarante e declaratário se exprimem mal e se entendem bem. em que o sentido razoavelmente atribuído pelo declaratário a determinados vocábulos da declaração seja completamente ignorado do círculo de pessoas em que vive o declarante. Coimbra. pp. Art. Limitada.

por assim dizer. o Deve atender-se à vontade presumível dos declarantes. ordem pública.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Art.. é apenas na falta de um regime especial que se aplicam à nulidade e à anulabilidade do negócio jurídico os arts. por esse meio. se chegue a uma solução contrária aos princípios da boa fé. o Exigência de determinabilidade – a lei não pode proteger um negócio que não se percebe. 247º (erro na declaração): o Erro obstáculo  formou-se. o Exigência que a declaração coincida com a vontade – realização do princípio da autonomia privada. 286º a 294º. mas declarou-se outra. 40 .. 232º levaria à não conclusão do negócio). A parte geral do Código Civil Português. o Nota: distinta do caso do erro na declaração é a figura do dissenso (art. Almedina. Coimbra. consequentemente.  53 Cit. HEINRICH HÖRSTER.A invalidade dos negócios jurídicos   Estão em causa negócios jurídicos com uma anomalia genética que se vai repercutir sobre a validade do negócio jurídico (e. PARTE V .  Legal – coerência normativa. Mas pode acontecer que. 232º) em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante.” 53 A lei exige certos pressupostos na tentativa de proteger certos valores: o Conformidade – assegurar uma efectiva autonomia privada e produção dos efeitos pretendidos. Art. cambiantes atípicas. 220º). as suas configurações típicas. A integração da declaração negocial  Se a declaração negocial não apresentar um sentido obscuro ou equívoco mas lacunas. nem com a vontade do declaratário. bons costumes. em princípio desconhecidas das partes. devido à especificidade de determinados negócios inválido. 239º: o Só se aplica na falta de disposição especial e caso não haja um dissenso (que nos termos do art.  Art. aplicar-se-á na falta de disposição especial as regras constantes no art. o Protecção de valores fundamentais do sistema jurídico – normas imperativas. 285º. Ela tem de manter-se dentro do âmbito negocial traçado pelas partes. pp. Neste caso devem prevalecer estes princípios. 238º. 239º. o Possibilidade física legal:  Física – não se pode proteger um negócio impossível à partida. o O acto é anulável  a anulabilidade depende de o destinatário da declaração conhecer ou dever conhecer a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro.517. “O regime geral da nulidade e da anulabilidade encontra-se nos arts. sobre a sua eficácia).2  Um sentido que não tenha correspondência com o texto sempre pode valer se corresponder à vontade real das partes do negócio E as razões determinantes da forma se não opuserem a essa validade (caso em que se aplica art. 286º a 294º. sem erro. Ed. o A integração de lacunas nunca pode substituir ou alargar o objecto de negócio jurídico em causa. Mas qualquer delas admite. certa vontade. Estes preceitos contemplam.

 Distinção entre invalidade e ineficácia do negócio jurídico: Invalidade Ineficácia Nível de actuação É um elemento intrínseco do Elemento extrínseco da negócio jurídico (da declaração declaração negocial. 240º) + Reserva mental (art.  Negócios celebrados contra a lei (art.  Negócios usurários. Na verdade. ou seja.  Negócios celebrados com erro na declaração.  Art. podendo a nulidade ser requerida por aqueles em cujo o interesse a lei a estabelece.  Negócios celebrados contra a lei ou sem os necessários consentimentos. inoponibilidade ou ausência de ratificação. associada à protecção de interesses públicos ou ausência de elementos fundamentais do negócio jurídico (sujeito. Ed.  Surge.  Negócios celebrados com falta de vontade: o Simulação (art. Almedina. 41 .516. sendo a nulidade invocável a todo o tempo.  Negócios cujo o objecto ou o fim são desaprovados pela ordem jurídica (art. negocial – deficiência genética) Nível temporal Antecede a eficácia.  “Deste relacionamento entre validade e eficácia resulta que uma invalidade. 244) + Declarações não sérias (art. afecta os efeitos pretendidos.  As causas da nulidade:  Incapacidades negociais de gozo. sendo a invalidade uma deficiência genética ligada ao momento da emissão. o Dolo. a nível de condição ou termo. Poderá ser posterior a uma invalidade.”54  A falta de efeitos ou ineficácia de um negócio jurídico pode resultar não só de factores situados a nível externo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Existem dois tipos de invalidade: o Nulidade:  Art. 280º). declaração.  Causas de anulabilidade:  Negócios celebrados sem capacidade de exercício. 245º)+ Falta de consciência da declaração e coacção física (246º). 294º). por qualquer interessado.  Negócio de fim ilícito (art. HEINRICH HÖRSTER. 287º CCiv – o negócio jurídico produz efeitos temporários.  Surge associada à protecção de interesses particulares. normalmente. o Coacção moral. etc. 281º). Coimbra. A parte geral do Código Civil Português.  Negócios celebrados sem observância da forma legal. objecto negocial (conteúdo/ efeito que se pretende produzir). – e nestes casos podemos falar de uma INEFICÁCIA EM SENTIDO 54  Cit.  Negócios celebrados com vícios de vontade: o Erro sobre os motivos. o Anulabilidade:. pp. 286º CCiv – o negócio jurídico não produz efeitos. é natural que ela se repercuta na fase posterior da emissão de efeitos. nas suas modalidades de nulidade ou anulabilidade.

salvo disposição legal em contrário (art. A parte geral do Código Civil Português. Ed. Coimbra. pp. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. no caso previsto no art. Coimbra. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   RESTRITO (uma espécie de ineficácia directa e imediata) – como pode aparecer também em consequência de um factor situado a nível interno. A parte geral do Código Civil Português. em última análise. Coimbra. no entanto. Ed. Coimbra. porém. mas o resultado de decisões técnico-normativas (p.”59  “A incapacidade reside na própria pessoa do incapaz.”62  Os casos das incapacidades negociais de gozo são 3: o Incapacidade para casar (art. A parte geral do Código Civil Português. uma grande relevância prática quando se trata de atender às consequências da respectiva falta dos efeitos. HEINRICH HÖRSTER. por virtude de uma invalidade (sendo então uma espécie de ineficácia indirecta.”60  “As pessoas são incapazes porque lhes falta. 42 . Coimbra.  Demência notória. Coimbra. Trata-se de situações excepcionais em que as pessoas por elas abrangidas não podem ascender à titularidade de direitos e obrigações de carácter pessoal por virtude das suas próprias insuficiências. Ed.315. ex. o discernimento mínimo necessário. Almedina. 58 Cit.  Interditos por anomalia psíquica. Coimbra. Almedina. de “qualidades minguantes”. categorias dogmáticas que se impõem como tais. porque haverá. 61 Cit.316. HEINRICH HÖRSTER.315. A parte geral do Código Civil Português. o seu discernimento ou as suas capacidades volitivas. em vez de sancionar com a anulabilidade a venda feita sem os necessários consentimentos. a lei. situação que conduz à não activação da sua capacidade de gozo. 67º). HEINRICH HÖRSTER. Ed. interdição ou inabilitação por anomalia psíquica. 877º [venda a filhos ou netos]. 1601º . mediata) – INEFICÁCIA EM SENTIDO AMPLO.517. de uma maneira ou doutra.”61  “Como se trata de negócio de natureza estritamente pessoal a incapacidade não é suprível: não há ninguém que se possa substituir ao incapaz concluindo o negócio em vez dele. Almedina. pp. 285º a 294º. pp. Ed. Ed. HEINRICH HÖRSTER.”57 As causas da nulidade O regime das incapacidades negociais de gozo  “As incapacidades resultam de deficiências. 57 Cit. pp..315 e 316. HEINRICH HÖRSTER.517. podia também ter decretado uma ineficácia relativa). por um lado.316. Ed. Almedina. regularmente. sempre um defeito da vontade que lhes veda. Almedina. todas as pessoas são capazes de gozar a titularidade de quaisquer direitos privados. pp. UNICAMENTE nos casos da ineficácia provocada por uma invalidade são aplicáveis as disposições dos arts.  Idade inferior a 16 anos. em termos absolutos.55 “A ineficácia em sentido restrito e a ineficácia provocada por uma invalidade não são. HEINRICH HÖRSTER. 59 Cit. o Incapacidade para perfilhar (1850º) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL]:  Menores de 16 anos. Almedina. Cit. 60 Cit. isto é.316. Ed. A parte geral do Código Civil Português.  Casamento anterior não dissolvido. A parte geral do Código Civil Português. ineficácia provocada por invalidade. Coimbra.”56 “A distinção entre as duas formas de ineficácia – ineficácia em sentido estrito. pp. HEINRICH HÖRSTER. Almedina.”58  “Regra geral. 62 Cit. 55 56 Cfr. da própria pessoa que afectam ou diminuem. a aquisição de certos direitos pessoais. por outro – tem. pp.impedimentos dirimentes absolutos) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL).

a tomar ao abrigo do art. a nulidade pode resultar da aplicação do art. o Incapacidade para testar (2189º) [o negócio é NULO]:  Menores não emancipados (menores de 18 anos ao abrigo do art. depois de feita a interpretação do preceito violado em causa.  “Quando uma norma imperativa não determina. o “Se a norma proibitiva em causa pretende vedas não só o negócio que especificamente visou mas também quaisquer outros que conduzam ao mesmo resultado ou a um resultado equivalente. Coimbra. “A lei não nega a titularidade como tal. pois seria inadmissível que “qualquer interessado” pudesse invocar. A parte geral do Código Civil Português. devem ser interpretadas quanto ao seu escopo e à sua finalidade com vista à decisão. a lei decreta. ela própria. a nulidade: no caso do testamento.  Art. no fundo.1.”66 63 64 Cit.”64 Negócios celebrados contra a lei (art. 286º. salvo os casos em que outra solução resulte da lei”.520. Assim. não estritamente pessoais). Almedina. pp. 2188º). HEINRICH HÖRSTER. limita-se a impossibilitar de todo que ela possa vir a dar-se.317.1850º. pp. 294º . 130º ou maiores de 16 anos ao abrigo do art.317.b).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Notoriamente dementes no momento da perfilhação.  O Art. pp. 1600º. Estes desvios à regra da nulidade explicam-se pelo facto de estar em causa o estado civil das pessoas e pela necessidade subsequente de manter estáveis as relações respeitantes ao estado civil até haver a respectiva decisão judicial de anulação. A parte geral do Código Civil Português.  Trata-se de negócios que pela sua natureza geral são possíveis. o A norma imperativa dirige-se a fins ulteriores  não conduz necessariamente à nulidade. HEINRICH HÖRSTER. Cit. no entanto. Ed. Coimbra. NEGÓCIO SUCEDÂNEOS (negócios jurídicos em que os interessados defraudam uma norma imperativa). Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. feito por um incapaz (art. a ordem jurídica desaprova os negócios tendo em conta o seu conteúdo. Sendo assim. HEINRICH HÖRSTER. fim ou circunstâncias concretas em que são celebrados. 65 Cit. Almedina. elas próprias. Ed. a proibição vale também para eles. pp.“os negócios jurídicos celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos.”63 “Em apenas um dos três casos. Ed. A parte geral do Código Civil Português.294º abrange. também. pondo assim em causa as respectivas relações jurídicas familiares. Ed. 43 .1). Nos outros dois casos os actos são anuláveis (1631º. Assim todas as normas imperativas que não determinem. 132º + 1604º. 294º):  Está em causa a violação de limites legais impostos à autonomia privada. diferentes dele e não coincidentes com ele?”65 o A norma imperativa dirige-se ao conteúdo do negócio  Nulidade. Almedina. ao abrigo do art. um negócio tanto pode ser nulo por ser directamente contrário à lei como por fraude à lei. Almedina.521. SEGUINDO O PRINCÍPIO GERAL (arts.  Interditos por anomalia psíquica.a) e 1861º. a consequência da nulidade para o caso da sua violação (mas também não consagra uma outra sanção). a sanção resultante da sua violação. o próprio negócio ou fins ulteriores. 294º relativamente à nulidade ou não do negócio. Deve perguntar-se qual é o alvo que a lei quer atingir com a proibição. 2190º). a invalidade de um casamento ou de uma perfilhação. Coimbra. a figura da incapacidade negocial de gozo parece dispensável: podia distinguir-se entre incapacidades de exercício insupríveis (referentes a negócios estritamente pessoais) e supríveis (referentes aos negócios gerais. A parte geral do Código Civil Português. 294º. 66 Cit.

 Legalmente impossíveis – a ordem jurídica não prevê tipos negociais ou meios para a sua realização ou não o admite sequer em relações jurídicas privadas. Consiste na violação de normas de conduta de carácter não jurídico que reflectem as regras dominantes da moral social de uma determinada época e de certo meio. o Negócios que são (280º. respectivamente um negócio contrário à lei ou à ordem pública.  Não é necessário que os intervenientes num negócio tenham consciência de violação dos bons costumes.”69  Art.  Contrários à lei – o negócio é materialmente possível mas contradiz disposições legais imperativas. HEINRICH HÖRSTER. como contrários à lei. A parte geral do Código Civil Português.  Art. Ed. 294º + 280º: o Negócios cujo o objecto68 seja (280º. não sendo necessária nem a intenção nem mesmo a consciência de defraudar a lei. contrário à moral pública. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Ed. pp. Ed. Coimbra. promessa de contrato que a ordem legal proíbe. 271º: o “A sanção da nulidade do negócio jurídico verifica-se também quando a produção dos seus efeitos foi subordinada a uma condição ilícita ou impossível”70 Os negócios celebrados sem observância da forma legal 67 68 Cit. Almedina. 70 Cit. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER.  Indetermináveis – não é possível concretizar ou individualizar o objecto em termos tais que se possa realizar a transferência ou a aquisição de direitos sobre o “quid”.522.  Apenas é necessário que as partes conheçam a circunstância de que resulta a ofensa. Varia conforme a natureza deste e compreende os efeitos a que o negócio tende bem como aquilo sobre que aqueles efeitos incidem. Coimbra.525. 69 Cit. pp.1):  Fisicamente impossíveis – impossibilidade objectiva (envolve uma prestação não realizável no domínio dos factos ou segundo as leis da natureza. Coimbra. Almedina. 294º + 281º: o Situações em que apenas o fim do negócio é contrário à lei ou aos bons costumes.”67 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica  Art.325.2):  Contrários à ordem pública – um negócio jurídico é contrário á ordem pública quando viola princípios de ordem pública que se deduzem de um sistema de normas imperativas.  Ofensivo dos bons costumes – tem por objecto actos imorais. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o “Os negócios jurídicos com que as partes defraudam uma lei imperativa são nulos. Almedina. o “Se o conteúdo do negócio não é imoral ou ilegal. promessa de vender coisas que estão fora do comercio jurídico). 44 . (ex. o O negócio é nulo se o fim negocial (desaprovado pela ordem jurídica) for comum a ambas as partes. há uma infracção aos bons costumes por ambas as partes. mas a imoralidade ou ilegalidade deriva dos seus motivos ou dos fins propostos.

Limitada. o O art.” O Art. “Supõe a exigência de certa forma como elemento do negócio. no entanto.”71 “Há.530. Limitada. Almedina. 221º deve ser aplicável. Limitada.  A lei determina que as estipulações verbais acessórias anteriores ou contemporâneas do documento legalmente exigido são nulas a menos que:  Se tratem de clausulas acessórias não essenciais. 4ª ed. casos em que a forma é. a solução que considera as formalidades legais da declaração como formalidades ad substantiam (e não meras formalidades ad probationem). ANTUNES VARELA. já o acto não é nulo. ANTUNES VARELA. o Estipulações verbais acessórias contemporâneas do documento legalmente exigido para a declaração negocial. É preciso. como regra. em princípio válidas. 74 Cit. Código Civil Anotado. necessário para o efeito. que isso resulte claramente da lei. porém. Vol I. nos termos do nº2 do art. Coimbra Editora. de facto. Coimbra.  De estipulações que provem corresponder á vontade das partes. 221º contempla 3 casos: o Estipulações verbais acessórias anteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. 219º + 220º. HEINRICH HÖRSTER. Não se vê razão para um tratamento diferenciado em casos tão parecidos como o são as cláusulas acessórias e as cláusulas adicionais. o disposto no art. pp. Vol I. Coimbra Editora. Pode acontecer.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. por analogia. pp. Cit. 221º cuida apenas das cláusulas acessórias. Coimbra Editora. também aos casos em que as cláusulas acessórias constem de um documento com valor probatório inferior àquele que é exigido para a forma legal. Se a lei exigir a forma apenas para a prova da declaração. Ed. são. 45 . 4ª ed.210. o Estipulações verbais acessórias posteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. ou seja. o “Embora a lei trate o problema das cláusulas acessórias apenas para as estipulações verbais. tudo o que se refere às estipulações acessórias deve ser aplicável ainda às cláusulas adicionais que completem o documento. 364º.211. Código Civil Anotado. Alem isso. pp. mas um requisito apenas para que o negócio respectivo produza determinados efeitos.”74 71 72 Cit. como se diz neste último preceito. não uma condição de validade da declaração. que as partes ainda façam estipulações. 4ª ed. inclui tudo o que as partes contraentes quiseram regular entre si. 73 Cit.  (A presunção não procede quando a razão determinante da forma não for aplicável e se provar que elas continuam a corresponder à vontade do autor da declaração). A parte geral do Código Civil Português. pp. ANTUNES VARELA.”73 “Quando a lei exige a observância de forma legal. Código Civil Anotado. uma vez que não poderiam ter sido incluídas no documento. parte do princípio de que o documento. resta saber se estão abrangidas ou não pelo âmbito da forma legal. não tendo relevância quanto ao resto do negócio.211.”72 “O artigo 220º consagra explicitamente. visto poder provar-se por confissão. a menos que também estas estejam sujeitas à forma legal em virtude de as razões da forma lhes serem igualmente aplicáveis.  As cláusulas posteriores. Vol I. como sucede quanto às exigências prescritas na lei processual para a exequibilidade dos títulos.  De estipulações não abrangidas pela razão de ser da exigência do documento.

 O direito subjectivo é invocado para fins que estão fora dos objectivos ou funções para os quais ele foi atribuído pela norma. Chega-se a uma situação de confiança em que a outra parte faz fé. o Não intencional:  Forçada – coacção física. 334º (abuso de direito75) – venire contra factum próprio .é adoptado um comportamento positivo por parte do titular do direito subjectivo. existem circunstâncias ou relações especiais em virtude das quais o exercício do direito incorre em contradição coma ideia de justiça.  Ignorada – falta de consciência da declaração. o exercício do direito estaria. de forma deliberada. esta exigência não se aplica quando estão em causa negócios jurídicos unilaterais (vd. haverá duas soluções:  Art. [De acordo com a doutrina dominante. Coimbra. devido à estabilidade da conduta da outra parte durante um certo período. a actuação conjunta visa enganar ou prejudicar o terceiro. mas há direito a indemnização da parte lesada.  Intuito de enganar terceiros. o Abuso individual:  Neste caso. Art. perdendo assim.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o No caso de inobservância da forma legal. Ed. A simulação (arts. uma declaração não coincidente com a sua vontade no intuito de enganar um terceiro.”76  Existência de uma divergência entre a vontade e a declaração.  No caso concreto. reserva mental e declaração não séria. económica ou social ou desvirtua os objectivos do instituto jurídico. criando esta atitude como consequência a correspondente disposição da outra parte (aumento da renda sem respeitar a forma legal e o inquilino paga durante o tempo e só depois alega a nulidade do aumento).  Este tipo de abuso tem de ser apreciado oficiosamente pelo tribunal. Almedina.  Contraria a ordem pública ou contradiz os princípios fundamentais da ordem jurídica. Esta falta é o resultado de uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada. (Considera-se que o interesse público tem supremacia). a coberto da norma. o declaratário sabe disso.532. em que uma das partes induziu a outra em erro. 240º a 243º)  O declarante emite. Cit. 75 O abuso de direito poderá aparecer sob duas formas básicas: o Abuso institucional:  É o abuso que o artigo refere quando se fala do “fim social ou económico” do direito. de acordo com o declaratário. Os negócios celebrados com falta de vontade  “Podem surgir situações em que falte a coincidência entre o substrato volitivo interno e a sua aparência externa.240º: o Estabelece três requisitos. Esta divergência pode ser: o Intencional  Simulação. HEINRICH HÖRSTER. 76 46 . A vontade que aparece como manifestada não existe como tal. 2200º)]. pp. que o titular não fará uso do seu direito. esse mesmo direito. O declarante faz a declaração mas não quer o declarado. que necessitam de ser verificar simultaneamente:  Divergência entre a vontade real e a vontade declarada.  Art. comportamento este que vai no sentido de não querer exercer o seu direito.o negócio é considerado nulo.  Art. erro. A parte geral do Código Civil Português. 227º .  Acordo entre declarante e declaratário. em princípio.

que todavia é dissimulado:  Simulação objectiva  sob a aparência de um acto de conteúdo ou de objecto diverso:  Quanto à natureza do negócio – Ex. o 243º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     o O negócio simulado é nulo [apenas no caso do casamento simulado e do testamento simulado.  P. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. Coimbra. Contra eles é sempre vedada a acção por parte dos simuladores. 286º e os próprios simuladores mesmo que se trate de uma simulação fraudulenta. o Simulação inocente e simulação fraudulenta:  A simulação inocente visa apenas enganar alguém.  Simulação quanto ao valor. Os herdeiros são também incluídos na categoria de simuladores tal como os seus representantes (259º. o Simulação relativa (art. as partes simulam uma compra-evenda quando se trata de uma doação.2  A nulidade pode ser invocada pelos herdeiros legitimários que pretendam AGIR EM VIDA do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com o intuito de os prejudicar. claro que os terceiros de boa fé.539.1) – Os simuladores fingem concluir determinado negócio e na realidade não há negócio nenhum. podendo a nulidade ser invocada ou não nos termos que acabam de ser descritos. com isso.1  Têm legitimidade para arguir a nulidade todos os interessados nos termos do art. 241º.2). Legitimidade para arguir a simulação (Art.2). o 242º.1  constitui uma limitação do art. 605º Inoponibilidade da simulação a terceiros de boa fé (art. o mesmo já não acontece com o negócio dissimulado no caso de uma simulação relativa. prejudicar o terceiro.d) e 2200º]. (É excluída a prova testemunhal nos termos do art. A simulação relativa e as suas formas (art. o negócio é anulável – arts. 240º. 242º”. 286º na medida em que exclui das pessoas legitimadas para invocar a nulidade (em princípio “qualquer interessado”) os simuladores em relação a terceiros de boa fé. 394º.”77 o A validade ou invalidade do negócio dissimulado (“escondido” por trás do negócio simulado) decide-se em termos perfeitamente autónomos e independentes do 77 Cit.  Simulação fraudulenta visa enganar e. 242º): o 242º.1) – os simuladores pretendem celebrar determinado negócio jurídico. 243º): o 243º. 1635º. 47 . Ed. podem propor a acção nos termos do art. como interessados.  Simulação subjectiva  concluído entre pessoas que não aquelas que efectivamente nele intervieram (interposição fictícia de pessoas). As modalidades da simulação: o Simulação absoluta (art. podendo aquela ignorância ser perfeitamente culposa.”  Mota Pinto – “se forem beneficiados com a nulidade. 241º): o “Se o negócio simulado é sempre nulo.2  a boa fé consiste na ignorância da simulação ao tempo em que foram constituídos os respectivos direitos do terceiro. pp. HEINRICH HÖRSTER. o Nota: Os credores podem ainda invocar a nulidade ao abrigo do art.Lima – “não interessa que os terceiros sejam prejudicados com a declaração de nulidade ou sejam beneficiados com a manutenção do negócio.

”78 o No que diz respeito ao cumprimento da forma legal.2. implica que.  O negócio dissimulado é válido desde que o regime legal que lhe diz respeito tenha sido integralmente observado.  Horster  o negócio dissimulado deve ser considerado nulo sempre que não conste CLARA e INTEGRALMENTE do documente que a ele próprio disser respeito. A validade do negócio dissimulado vai depender de outras razões legais (incapacidade. Ed. conteúdo ou fim desaprovados. o Simulação relativa objectiva:  Simulação sobre o conteúdo do negócio:  Simulação sobre a natureza do negócio  mediante a qual se pretende. falta de forma. estejam todas as cláusulas sobre as quais as partes 78 Cit. são admissíveis as seguintes posições:  A forma exigida na lei foi observada apenas para o negócio celebrado – invalidade no negócio dissimulado. visto estarem em causa duas realidades negociais diferentes. Simulação em negócios formais ou em prejuízo da Fazenda Pública o “Se o negócio dissimulado estiver sujeito á forma legal é preciso observar o disposto no art. em vez dela. sempre nulo. 48 . Todos os intervenientes sabem da operação fictícia. Não existe conluio: há um acordo interno entre uma das partes do negócio e a pessoa por ela interposta que realiza o negócio com quem desconhece a situação. A exigência do nº2 do art. 220º. conhecendo a outra esta posição representativa. Coimbra. o Simulação subjectiva (interposição fictícia de pessoas):  Distinção entre interposição fictícia de pessoas.  Os negócio simulados são nulos por essa razão. etc). em primeira linha. A exigência de forma legal. Alguém age em nome de uma das partes. pp. interposição real de pessoas e representação:  Interposição fictícia  a pessoa interposta é um sujeito simulado. Existe um conluio entre as verdadeiras partes do negócio e a pessoa interposta por elas.544. proibição do negócio. 241º decorre logicamente do seu nº1 bem como do art. afastar ou ilegitimidades ou indisponibilidades. Só neste caso existe simulação. e como tal. A pessoa é parte verdadeira no negócio.  Interposição real  é o caso do mandato sem representação.  Simulação sobre o valor do negócio  prentedem-se vantagens económicas que não seriam possíveis caso não exista simulação. Almedina. em que alguém actua em nome próprio mas por conta de outrem.  Representação  alguém age em nome de outrem. Segundo este preceito.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  negócio simulado. A parte geral do Código Civil Português. no documento.  A forma legal apenas foi observada em relação ao negócio dissimulado – validade do negócio dissimulado. HEINRICH HÖRSTER. o negócio dissimulado de natureza formal apenas é válido se tiver sido cumprida a forma exigida por lei. 241º.  A forma observada na conclusão do negócio simulado corresponde tanto à forma legal do negócio simulado como à do negócio dissimulado.

Ed. Havendo uma lacuna nas declarações negociais. o Conteúdo contrário à vontade efectiva do declarante. a doutrina defende que esta posição é a que melhor permite a satisfação da vontade real dos interessados.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel devem concordar para que o contrato fique concluído (art. Assim. esta será preenchida nos termos do art. 49 . a declaração feita sob reserva mental é válida se for desconhecida do declaratário. Almedina. 240º. Coimbra.”80  Requisitos da reserva mental: o Declaração receptícia. Portanto: o declarante faz a declaração.na lógica do 221º). o Intuito do declarante enganar o declaratário. 244º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio com o declaratário – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de enganar o próprio declaratário. 221º). Se assim fosse. Ed.2). o declaratário não sabe disso. pelo que a declaração negocial é nula (Art. o No entanto. uma declaração tem consciência que o declaratário lhe atribui efeitos jurídicos. o negócio simulado é nulo nos termos do art. O declarante sabe da relevância jurídica para o declaratário. o negócio dissimulado não é posto em causa pela lei fiscal quando for civilmente válido. Almedina. Cit. atribuindo ao documento ou aos documentos celebrados o sentido que as partes quiseram (mas não manifestaram) ao outorgá-los.547. a simulação relativa tem os efeitos previstos na lei civil: quer dizer.1 e o negócio dissimulado é nulo por falta de forma (art. pelo menos. sob reserva mental. Esta posição sustenta-se nos arts.  Se a reserva mental for conhecida do declaratário. HEINRICH HÖRSTER. 239º. podem ser atingidos os objectivos superiores de interesse público que justificam a exigência da forma legal. pp. Coimbra.533. 236º.”79 A reserva mental (Art. O declarante não fica vinculado à sua declaração embora não possa opor a reserva mental a terceiros de boa fé (art. 243º). o “Tendo sido feita em prejuízo da Fazenda Nacional. Portanto.  Quem emite.  Carvalho Fernandes  quando estiver em causa uma simulação objectiva em relação ao valor. Deste modo. desrespeitando a lei.2 e 238º. 220º) uma vez que as partes ou o conteúdo. a figura da “falso demonstratio” tem o seu lugar no contexto da interpretação da declaração negocial e do mau uso linguístico e não ao nível da simulação. não constam integral e claramente do documento relativo ao acordo obtido (art. 244º. A parte geral do Código Civil Português.2 que mandam atender à vontade real e coincidente das partes. A parte geral do Código Civil Português.  Doutrina dominante  o negócio dissimulado é formalmente válido se o documento para ele exigido for do mesmo tipo do adoptado no negócio simulado ou. HEINRICH HÖRSTER. a actuação isolada visa enganar (ou prejudicar) o declaratário. 232º. mas não quer o declarado. se a forma adoptada no negócio simulado satisfazer as razões da forma exigida para o negócio dissimulado. 79 80 Cit. pp. todas as simulações seriam falsae demonstratio. então aplica-se o regime da simulação. Só assim. deve considerar-se nula a cláusula de preço.

534. O declarante faz a declaração mas não que o declarado. 241º. A reserva mental distingue-se. da simulação. tendentes a uma vinculação jurídica). pp. o (Nexo de causalidade).  Indemnização pelo dano da confiança  Se. Pressupostos: o O declaratário tomou a declaração a sério. porém. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. observa um dado comportamento.  Falta de consciência da declaração – o declarante tem vontade de acção.2). situação muito semelhante a “falsa demonstratio”. Portanto: o declarante faz – como mero instrumento – a declaração. 81 82 Cit. o A atitude de tomar a sério foi originada pelas circunstâncias. Coimbra. 259º). não há vontade de acção nem acção do declarante.  À falta de consciência de fazer uma declaração correspondem duas alternativas: o Falta de vontade de acção. o A atitude do declaratário justifica-se nas circunstâncias do caso concreto. Almedina.”82 A falta de consciência da declaração e a coacção física (art. Coimbra.534. O declaratário não sabe disso. 50 . 246º)  Coacção física ou violência absoluta – o declarante é um simples instrumento à mercê de outrem que comanda irresistivelmente a acção mediante a qual se manifesta a vontade. varia e é em sintonia com ela que se diferenciam e definem as três figuras. porém. NOTA: “nas três figuras referidas até agora a posição do declarante face à sua declaração é sempre a mesma: não quer o declarado. o Vontade de acção mas falta de consciência de fazer uma declaração negocial. Em casos em que a nulidade poderá levar a resultados muito injustos (reserva mental motivada por caridade ou por valores morais) poderá ser útil a figura do abuso de direito (art.1. Almedina. uma declaração com as características volitivo-finais. 245º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de não enganar nem um terceiro. mas não quer manifestar com este nenhuma vontade jurídico-negocial. mas não quer o declarado por lhe faltar a consciência de fazer uma declaração negocial (isto é. A declaração não séria (art. Pode haver uma reserva mental relativa que implica a validade da declaração dissimulada desde que esta esteja em conformidade com a lei (241º. a actuação isolada não visa enganar ou prejudicar ninguém. Portanto: o declarante emite uma declaração. no entanto. A posição ou a atitude do declaratário. a declaração for feita em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer. Ed. 334º). Ed. uma vez que não houve o acordo simulatório nem o intuito de enganar terceiros mas o próprio declaratário.”81  As declarações devem ser não sérias e simultaneamente não enganadoras. Cit. pp. HEINRICH HÖRSTER. nem o declaratário. A parte geral do Código Civil Português. mas o declarante está convencido que sabia. Necessária para a consequência de nulidade é sempre o conhecimento positivo da reserva por parte do próprio declaratário ou do seu representante (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     É possível que uma vinculação se venha a estabelecer no caso de ser verificar o condicionalismo previsto no art. não quer o declarado ou não tem vontade nenhuma.  As declarações não sérias carecem de qualquer efeito.

HEINRICH HÖRSTER.319. designada não pelo próprio incapaz. todas as pessoas possuem. 124º. HEINRICH HÖRSTER. Ed.”84  Situações em que existem incapacidades de exercício: o Menoridade (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o “Se a falta de consciência foi devida à culpa do declarante.  O instituto das incapacidades visa proteger o próprio incapaz contra as suas insuficiências as quais lhe podem causar prejuízos. pp. dois institutos. Coimbra. se trata de uma verdadeira declaração negocial”83  Indemnização pelo dano de confiança. 143º e ss. A falta de consciência da declaração ou a coacção física conduzem à nulidade do negócio. ela consagra dois meios. 1921º e ss. Essa outra pessoa vem a ser o representante legal do incapaz. agindo umas vezes com inteira independência. pp. [Os negócios celebrados sem o respectivo suprimento são anuláveis]. tratamse de incapacidades supríveis. precisando outras vezes de autorização de outra entidade. Por isso. Estes dois institutos são a REPRESENTAÇÃO LEGAL e a ASSISTÊNCIA”85: o Representação legal – é admitida a agir em lugar do incapaz uma outra pessoa. Cit. As causas da anulabilidade Negócios celebrados sem capacidade de exercício:  “Tirando os casos das incapacidades negociais de gozo. bastando a mera culpa. mas pela lei ou por certa entidade (pública ou mesmo particular) nos termos da lei.  “Se a incapacidade não fosse suprível os incapazes ficariam excluídos de todo o tráfico jurídico geral.553. em princípio. A parte geral do Código Civil Português. para o suprimento da incapacidade. HEINRICH HÖRSTER. 139º. Ed. o Inabilitação (152º a 156º)  Incapacidade específica – o inabilitado tem uma incapacidade específica podendo ser geral conforme os casos concretos decididos em tribunal.  Os representantes legais podem ser:  Detentores do poder paternal (art. 51 . Coimbra. Almedina. o Interdição (138º a 151º)  Incapacidade geral – o interdito não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. tendo por base um comportamento imputável ao declarante. pp. dispondo o tutor de poderes menos amplos do que os detentores do poder paternal. a capacidade de exercício desde que tenham atingido a maioridade.  Tutor (art. foca este obrigado a indemnizar o declaratário que confiou na declaração. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. 1877ºss)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. A parte geral do Código Civil Português. 144º. visto que. 83 84 Cit.  As incapacidades de exercício não dizem respeito a negócios estritamente pessoais. resultado esse intolerável para a ordem jurídica. 1877º)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. Coimbra.317. 122º a 129º)  Incapacidade geral – o menor não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. 85 Cit. da perspectiva deste. Ed.

Não assim quanto intervém a representação.a). [Vd. 123º o Estabelece uma incapacidade geral – os menores não estão habilitados a reger a sua pessoa e a dispor dos seus bens e eles não têm capacidade para adquirir direitos ou assumir obrigações por acto próprio (ou por meio de um representante voluntário).1850º. o NOTA:  Em alguns casos especialmente previstos. Simplesmente. 1901º a 1912º] o Administração de bens (art.1). 1877º e ss) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (1885ºe ss. os respectivos negócios.1971º. As três modalidades das incapacidades de exercício em pormenor A menoridade:  Art.  No caso do art. por via negocial. a entidade a quem ela compete não pode incluir ela mesma. A do assistente é apenas inibitória ou completiva da vontade do assistido. 1971º) – existe ao lado do poder paternal e da tutela.para os inabilitados ou para negócios estritamente pessoais (casamento e respectivo convenção antenupcial). 124º (suprimento da incapacidade dos menores): o Pelo poder paternal (art. sendo essencial que o incapaz delibere realizá-los. 1927º e 1967º].2. 1612º e 1708º. é-lhe necessário o consentimento de certa outra pessoa ou entidade. por si só. 1935º). [Vd. 1938º. o Pela tutela. existindo ao lado de quem é representante legal quanto à sua pessoa (tutor ou detentores de poder paternal) ou ao lado daquele cuja representação relativamente aos bens do menor tiver sido restringida (cf.  Art. 1892º.  Em certos actos levados a cabo pelo representante.).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Administrador de bens (1971º. a incapacidade só termina com a maioridade ou a emancipação pelo casamento (129º + 132º).2 em contraposição com o art.  Art. 1971º. para poder realizar validamente os respectivos negócios.2 o curador é representante legal. 1938º.2) – para os menores com mais de 16 anos.2) . a validade depende sempre da autorização do tribunal (1889º e ss.1). o Instituto da assistência – o incapaz pode agir ele mesmo. Onde funciona a assistência. A função do representante é activa.1). 1889º.) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (art. art. tendo lugar nos casos previstos no art. subsidiariamente (art. 1921º e ss. 1967ºss e 139º)  a representação estende-se apenas aos bens do incapaz.  Agem em vez do incapaz e representam-no judicial e extrajudicialmente. 1971º.  Os tutores e administradores de bens estão proibidos de realizar certos actos (1937º. a)-c). os representantes legais precisam de autorização do tribunal para poderem validamente celebrar determinados actos quanto aos bens do menor (arts. 1888º).  Existem diversos graus de assistência em concordância com o grau de incapacidade:  Curador (153º.  Detentores do poder paternal ou tutor (1604º. o A menos que a lei abra excepções. 122º  é menor quem não tiver completado 18 anos de idade. 52  . 1922º. 1922º e 1888º. 154º.1.

130º).140. 126º. o O direito de requerer a anulabilidade baseia-se sempre no interesse do menor. no sentido de incluir os representantes legais nesta limitação à invocação da anulabilidade. visam proteger o interesse do menor.”87 Art. não adquire capacidade plena para o exercício de direitos: continuará a ser considerado 86 87 Cit. não fazendo sentido que a lei proteja esta situação. 253º). HEINRICH HÖRSTER.331. ou o respectivo suprimento judicial. que é o menor. não lhe atribuindo a legitimidade para arguir a anulabilidade nos termos do art. então significa que tem discernimento suficiente para perceber as consequências do negócio jurídico que pratica. o risco da menoridade cabe sempre à outra parte. ANTUNES VARELA.c). (2º) a exclusão do direito dos representantes legais seria uma contrassenso: eles não são abrangidos pelo ratio do art. 251º e 247º. Art. o NOTA: Uma vez que o instituto da menoridade. Cit. bem como a dissimulação. Coimbra. Código Civil Anotado. 126º (dolo do menor): o Conceito de dolo – qualquer sugestão ou artifício que alguém empregue com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. quem está em causa. A este propósito existe uma divisão na doutrina:  Mota Pinto – Deve fazer-se uma interpretação extensiva. principalmente à situação económica do menor e dos seus pais – sem esquecer. (Art.  Horster – “A resposta deve ser negativa.b) – “a determinação de pequena ou grande importância das despesas contraídas pelo menor ou dos actos de disposição por ele realizados fica entregue ao prudente critério do julgador. do erro do declarante.”86 Art. 132º). pelo declaratário ou terceiro. Almedina. À excepção no disposto no art. 126º. 126º refere-se unicamente ao menor. 53 . 4ª ed. porém. 128º (dever de obediência) – ver artigo. ao tutor ou administrador de bens. 127º (excepções à incapacidade dos menores) – ver artigo. o Uma outra questão é a de saber se o dolo do menor exclui. alem disso. 125º (anulabilidade dos actos dos menores): o A legitimidade para invocar a anulabilidade do negócio jurídico cabe ao progenitor que exerça o poder paternal. 125º. e as incapacidades daí resultantes. o Tendo em conta que o herdeiro sucede na posição patrimonial do “de cujus” parece correcto aplicar o art. b)) ou a requerimento de qualquer herdeiro do menor (no prazo de um ano a contar da morte deste ou ocorrida antes de expirar o prazo referido na alínea anterior). A parte geral do Código Civil Português. o Quando são emancipados por casamento (art.1. Vol I. Coimbra Editora. “Mas se este casar sem ter obtido autorização dos pais ou do tutor. Art. pp. Poderá também ser requerida pelo próprio menos (no prazo de um ano a contar da sua maioridade ou emancipação – nº1. não faz sentido que a menoridade seja um elemento relevante para efeitos de um erro que torna o negócio anulável nos termos dos arts. o direito de anulação dos representantes legais. e não os pais. 126º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. o Nota: 127º. que há-de atender às circunstâncias próprias de cada caso. 129º (termo da incapacidade dos menores): o Quando atingem a maioridade (18 anos – art. por duas razões: (1º) o texto do art. Se o menor actua com dolo. pelo que se explica que a outra parte não possa requerer esta anulabilidade. pp. Ed. Limitada.

140º: o Os tribunais comuns por onde corre o processo de interdição têm a mesma competência atribuída aos tribunais de menores nas disposições que regulam o suprimento do poder paternal. o Caindo a tutela nos pais.o regime da interdição é equiparado ao da menoridade. 954º CPC). 141º (legitimidade) o A interdição pode ser requerida:  Pelo cônjuge do interditando. 1901º.1). o O campo de aplicação do nº2 do art. 950 e ss. 142º (providências provisórias) o Nomeação de um tutor provisório ou interdição provisória. será suficiente o requerimento de apenas um deles.pessoas sujeitas a interdições – maiores.1. visto a interdição servir. são dadas ao interditando todas as garantias processuais e materiais correspondentes à gravidade do acto de interdição (arts. bem como as regras respeitantes aos outros meios previstos para este fim (art.2.  Art. através do art. o O interditando dispõe sempre de um defensor que o representa no processo (arts.  Qualquer parente sucessível. sem as limitações que caracterizam o uso da tutela (art. 131º. CPC) o O tribunal decide não em função do pedido da acção mas no interesse do interditando.  Pelo seu tutor ou curador (aqui o interditando já está inabilitado). 138º . 124º). 149º. 954º CPC).2 – os pais deve agir de comum acordo. o O tribunal pode decretar a interdição mesmo que inicialmente tenha sido pedida a inabilitação (art. os interesses do interditando e tendo processo de interdição. dispondo de uma margem de decisão apreciável (art. Havendo desacordo. o Art. 946º. 141º deve ser regularmente o caso em que a interdição é requerida já antes de o menor ter atingido a maioridade (art. 54 . 1921º a 1972º). As interdições  Art.2 CPC). 125º. 1935º. surdezmudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens.  Art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel menor quanto à administração dos bens que leve para o casal ou que posteriormente lhe advenham por título gratuito até à maioridade (art. 139º a 151º.  Art.1). o Quando a tutela não recair nos pais aplicam-se-lhe em tudo o que não seja regulado de uma maneira especial pelos arts. 953º.  Art. estes continuam investidos no poder paternal tal como o exercem em relação a filhos menores.a). Daqui resulta que o interdito tem uma incapacidade geral. 139º .  Art. 1649º. o Durante o decurso da acção há ainda um outro meio de proteger o interditando.  Ministério Público. sem a necessidade de recorrer previamente ao tribunal para sanar o desacordo entre eles. 143º (a quem incumbe a tutela) o Formas de representação legal. o No respectivo processo. em primeiro lugar. 947º. que por anomalia psíquica.

Art. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel       Art. Art. 147º (publicidade da interdição) – a sentença que decreta a interdição DEFINITIVA está sujeita a registo civil obrigatório. regime da interdição.1). após o trânsito em julgado da sentença mas antes do seu registo. regime da incapacidade acidental reforçado pelo regime resultante dos arts.no que diz respeito aos negócio celebrados antes de anunciada a propositura da acção. a administração de bens (1967º a 1972º). embora não invocável contra terceiro de boa fé para quem as coisas se passam como se a acção ainda estivesse pendente. 142º/149º.  Não foi decretada nenhuma medida ao abrigo do art. São aplicáveis ao interdito as disposições que regulam as excepções à incapacidade por menoridade (art. durante o decurso da acção. 55 . 287º. 149º (actos praticados no decurso da acção) o O regime estabelecido neste artigo difere do regime estabelecido no art. 1927º a 1962). a seguir ao registo. Coimbra. o Está de boa fé quem não conhece a sentença nem razoavelmente deve conhecê-la. “A cadeia de protecção é.  A interdição venha a ser definitivamente decretada. aparece em duas situações diferentes:  Meio de suprir o poder paternal  aplica-se a menores (1921º e ss. o O prazo da proposição da acção conta-se a partir do registo da sentença (1 ano – art. 151º (levantamento da interdição) . 125º. regime da incapacidade acidental. a seguinte: até à propositura da acção. o Os negócios do interdito que não forem praticados ao abrigo do art. 142º. 148º. 139º a 151º). A partir do registo. Exigese que:  O negócio celebrado tenha causado prejuízo ao incapaz para que possa ser anulado – critério objectivo: prejuízo causado pelo acto e não nos termos em que agiria uma pessoa normal e sensata.”88 Nota: A tutela.339.  Ao lado da tutela pode surgir. 150º . Almedina. 257º também protege o interditando depois de anunciada a propositura da acção:  Quando a interdição não veio a ser decretada. 127º são anuláveis nos termos do art. o Nota: mas o art.ver artigo. Art. deste modo. não pode ser invocada contra terceiro de boa fé (1920º-C). o Enquanto a sentença não constar do registo. Ed. 145º (dever especial do tutor) – saúde deve ser entendida num sentido amplo: a finalidade em vista é que o interdito recupere a sua capacidade. a interdição. Art. não há regime especial para eles: são anuláveis ao abrigo do disposto acerca da incapacidade acidental (257º). 139º  123º a 128º). regime da interdição sem quaisquer restrições. da qual é privado por razões de saúde. pp. embora produzindo os seus efeitos.  Meio de suprir uma incapacidade do interdito  aplica-se a interditos (art. HEINRICH HÖRSTER. o regime da interdição funciona plenamente. As inabilitações 88 Cit. conforme as necessidades do caso concreto. como instituto da representação legal destinado a suprir incapacidades de exercício.

pp. autorizar o inabilitado a alienar bens por acto entre vivos. HEINRICH HÖRSTER. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes – significa que é preciso a existência de um vício ou de um estado duradouro que já apresente sinais de carácter patológico. 4ª ed. originado por um defeito da vontade ou do carácter. que carece de legitimidade para esse efeito. sendo os gastos improdutíveis e injustificáveis. o “Trata-se. 4ª ed. não seja de tal modo grave que justifique a sua interdição. 152º. A parte geral do Código Civil Português.”89 o A inabilitação existe em primeiro lugar para proteger os interesses do inabilitado “mas ela pode beneficiar.  Indivíduos que pela habitual prodigalidade se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Tal como a interdição. Coimbra.152º (pessoas sujeitas a inabilitação): o Podem ser inabilitados:  Indivíduos cuja anomalia psíquica. ANTUNES VARELA.”91 o “Os actos são pois celebrados pelo inabilitado. Prodigalidade – é um comportamento. 153º (suprimento da inabilidade): o “O curador é uma entidade a quem cabe apenas. de casos em que uma pessoa se encontra com uma capacidade diminuída. sobretudo no caso das pessoas abrangidas pelo 2º grupo do art. através do qual é suprida a incapacidade. ANTUNES VARELA. e não pelo curador. mas constitui uma intervenção mais fraca e menos ampla que esta.  Actos de disposição (alteram a raiz do património) – estão sujeitos a autorização do curador. 91 Cit. Art. Vol I. o A inabilitação aplica-se apenas no caso das pessoas que não sejam capazes de reger o seu património e ainda que não sejam incapazes de todo de governar a sua pessoa e bens (1º grupo do art. a inabilitação destina-se a maiores. pp. Vol I. a celebrar convenções antenupciais ou quaisquer outros negócios jurídicos que tenham sido especificados na sentença de inabilitação. Ed. existe um assistente. Código Civil Anotado. Código Civil Anotado. Ed. Cit. querendo celebrá-los. A parte geral do Código Civil Português. pp. 89 90 Cit. também outros interessados na administração conveniente do património do inabilitado que serão o cônjuge.159.544. Almedina. Aqui. não existe uma representação legal. Assim se explica também a possibilidade de suprimento judicial de autorização do curador.”90 Art. 152º). Coimbra Editora. os herdeiros e até a própria comunidade que de outra maneira podia vir a ter de assegurar o mínimo de existência ao incapaz.159. Coimbra Editora. embora permanente.”92 o É esta a característica da inabilitação que a distingue profundamente da interdição. Coimbra. Limitada. o Tem uma importância fundamental para a interpretação deste artigo a distinção entre actos de mera administração e actos de disposição de bens:  Actos de mera administração (não alteram a raiz do património) – não estão sujeitos a autorização do curador. 56 . pp. Almedina. que se define por gastos desproporcionados em relação à situação patrimonial do inabilitado. 92 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Limitada. em princípio. portanto.  Indivíduos que pelo uso de bebidas alcoólicas ou uso de estupefacientes se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património.344 e 345. surdez-mudez ou cegueira. sem a necessidade ou sem a possibilidade de uma interdição.

em relação a todos eles ou a alguns deles. 57 . 144º e 145º. compete ao curador praticar certos negócios em representação do inabilitado:  Os previstos no art.Publicidade da interdição. que não existe prazo para o levantamento da inabilitação quando se trata de cegueira. Art.  Art.  Refgras dos arts. a administração dos bens do inabilitado. Art.  Art. 151º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    o Excepcionalmente. o De acordo com a remissão estabelecida.providências provisórias. 257º. 140º (competência dos tribunais comuns).  Art.3). 150:  Horster – aplica-se directamente. e não da mera assistência. como regime supletivo:  Art.  Art.actos praticados no decurso da acção. 138º. 154º (administração de bens do inabilitado) o “É a titulo excepcional que a sentença pode transferir. dois períodos importa distinguir quanto ao regime dos actos praticados pelo inabilitado:  Período que se estende desde o anúncio da proposição da acção até ao registo da inabilitação definitiva  ART 149º e 125º.  Art.  Intentar a acção de simples separação judicial de bens (art. Código Civil Anotado. 4ª ed.Escusa da tutela e exoneração do tutor. Vol I. 141º .A quem incumbe a tutela. 156º (regime supletivo) o De todo inaplicáveis às inabilitações são as disposições dos arts.  Art. 1967º como meios de suprir o poder paternal. Limitada. a contrario.  Art. para o curador. Este pode ser privado. 139º:  Dupla remissão. da administração de certos bens ou de praticar. 142º + 149º . surdez-mudez ou anomalia psíquica. 123º a 128º e para as disposições dos arts. 149º . 152º a 155º não prevejam soluções específicas para a inabilitação. 143º . 93 Cit.  Art.160. pp.  A.2.levantamento da inabilitação. É necessário mais alguma coisa para que o inabilitado não entenda o sentido da declaração ou não tenha o livre exercício da sua vontade. como nos casos normais de inabilitação previstos no artigo anterior. 147º . nos termos deste artigo. 146º .  Representar o inabilitado como cabeça de casal (2082º. Coimbra Editora. 155º (levantamento da inabilitação) o Deduz-se. Varela – nunca poderá ser directamente aplicável porque não é possível.”93 o Quando ao curador são atribuídos poderes de administração. 1769º. no todo ou em parte. verificarem-se os requisitos exigidos pelo art. só por existirem as condições da inabilitação.  Art. Art. deve recorrer-se ao regime estabelecido para a interdição.  Art. ANTUNES VARELA. o Sempre que os arts. 154º. certos actos de administração. a incapacidade do inabilitado passa a ser suprida nos termos clássicos da representação.legitimidade para requerer a inabilitação.2).actos do inabilitado posteriores ao registo da sentença. 148º .  Art.

. muito graduado e maleável. resulta da lei. a incapacidade acidental nunca é geral. até a interdição ou inabilitação tiver sido levantada. Ed.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  A partir do registo  ART. portanto. o regime desta última. conforme a diminuição da capacidade do inabilitado no caso concreto. etc.  Art.”94 Figuras afins A incapacidade acidental  Ao contrário das incapacidades de exercício referidas anteriormente. os seus actos são anuláveis em virtude do regime de interdição ou inabilitação. 58 . 127º).. “O regime da inabilitação é. Ed.346. Almedina. 257º nunca se sobrepõe ao regime da respectiva incapacidade (salvo os actos de mera administração dos inabilitados). A parte geral do Código Civil Português.) em condições psíquicas tais que não lhe permitiam o entendimento do acto que praticou ou o livre exercício da sua vontade. a maiores ou menores emancipados (ou também a menores. A parte geral do Código Civil Português. capacidade de exercício normal como. mas não descuidando as exigências de segurança do tráfico jurídico (pois a sentença e a respectiva nomeação do curador com as suas competências estão sujeitas a registo obrigatório). mas sempre relacionada com um acto específico. pp. pp. droga. As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas. HEINRICH HÖRSTER. ou por anomalia psíquica ou por qualquer outra causa (embriaguez. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. Quem se encontra acidentalmente incapacitado possui. por mais duradouros que fossem esses intervalos.  Esse estado psíquico era notório – uma pessoa de normal diligência o teria podido notar. 257º (incapacidade acidental) o “O regime do art. as proibições legais relativas 94 95 Cit. o Se o demente tiver sido interdito ou inabilitado. com base neste preceito. Cit. o Ao contrário da menoridade e da interdição e. da inabilitação. praticados sucessivamente. estado hipnótico. no momento em que a fez. interditos ou inabilitados não possuem capacidade. Aplica-se então. se encontrava. aliás. 287º). o Para conseguir a anulação de uma declaração negocial.”95 o Quando os menores. como se vê.344.  O prazo para invocar a nulidade é de um ano (art. frequentemente. 257º aplica-se a pessoas que. possuem plena capacidade de exercício. Coimbra. a incapacidade acidental não afecta o estado da pessoa. Almedina. embora possa abranger todos os singulares actos específicos de uma pessoa. ou seja. em princípio. interditos ou inabilitados quando e na medida em que possuem excepcionalmente a capacidade de exercício ao abrigo do art. o regime do art. é necessário provar:  Que o autor da declaração. 148º + 125º. inclusive os actos praticados durante os intervalos lúcidos. em geral. indo ao encontro da sua auto-realização. na situação regular da sua incapacidade.

59 . isto é. 1682º a 1863º (ilegitimidades conjugais). 2192º a 2198º .2  contratos de CCV e de sociedade entre cônjuges não separados judicialmente.”96  As ilegitimidades implicam que uma pessoa que goza de plena capacidade.  Art. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. sendo nestas outras pessoas que reside a causa da indisponibilidade relativa. 953º . mas a lei proíbe-lhe de o fazer relativamente a determinadas pessoas.disposições testamentárias a favor de determinadas pessoas. 579º e ss  cessação de direitos litigiosos.4  o negócio é nulo por remissão ao art. pode dispor. Cit. seja legalmente impedida de celebrar determinados negócios com determinadas pessoas.2). o disponente tem capacidade. Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal  Art.  Situações que podem ser consideradas ilegitimidades: o Art. resultam de uma posição.  A falta do consentimento ou de autorização judicial.349. HEINRICH HÖRSTER. 1762º  proibição da doação entre cônjuges casados imperativamente com separação de bens. o 1687º. Ed. o Art. de um modo de se ser para com os outros. Almedina. Uma vez que se tratam de negócio estritamente pessoais.  Situações previstas: o Art.3  a anulabilidade não é oponível ao adquirente de boa fé. o Art.  Art. Proibições legais relativas  São negócio que a lei proíbe.”97  Vêm reguladas nos arts. são nulos os negócios celebrados contra a lei.  Nos termos do art. 1602º + 1631º  o casamento celebrado com impedimento dirimente relativo é anulável.348. os casos das ilegitimidades. pp. Coimbra. o Art. Ed. 1892º (aquisição de bens dos filhos). Indisponibilidade relativa  “As limitações estabelecidas na lei não resultam de uma qualidades que é própria do respectivo disponente. de um modo de ser do sujeito em si.  Art. Excepções: o 1687º. as ilegitimidades têm em vista o relacionamento de uma pessoa com os outros. Por outras palavras. a incapacidade tem em vista o próprio incapaz. pelo contrário. Coimbra.doações que beneficiam determinadas pessoas. 294º. HEINRICH HÖRSTER. 877º (venda a filhos e netos). 1714º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel As ilegitimidades  “A diferença fundamental entre as ilegitimidades e as incapacidades reside no seguinte: toda e qualquer incapacidades resulta sempre de uma “qualidade minguante” da própria pessoa. 2192º 1 e 2) e não podem ser realizadas por meio de interposição de outra pessoa (2198º + 579º.  As disposições feitas em infracção às indisponibilidades são NULAS (art. torna o negócio anulável. 96 97 Cit. mas apenas operam no sentido de contemplar determinadas pessoas. A parte geral do Código Civil Português. pp. Em princípio. 892º. isto é. 876º  venda de coisa ou direito litigioso (remissão para 579º). as ilegitimidades não são supríveis.

555. Coimbra.  Art.”102 Pode ser: juventude.349. por usura. consequência de relações de situação de instruendo. Ed. pp.. Almedina. Ed. a sanção é a anulabilidade. Ed. Ed. HEINRICH HÖRSTER.556.  Inexperiência  “existe nos casos em que o discernimento necessário e adequado ainda não foi adquirido ou voltou a perder-se. Coimbra. a protecção de pessoas caracterizadas ou afectadas por certas situações de inferioridade contra quem pretenda daí tirar benefícios excessivos e injustificados. A parte geral do Código Civil Português. pp. Almedina. Coimbra.558/559. 282º. Almedina.. 282º: o É anulável. Ed. HEINRICH HÖRSTER. toxicodependência. 105 Cit.. Ed. pp. pp. HEINRICH HÖRSTER. apesar de poder possuir perfeita lucidez a respeito da sua situação e do seu comportamento”106 Pode ser: virtude de doença. por conseguinte. Coimbra.. por meio do art. Ed. 60 .558.”103  Dependência  “existe quando a autonomia de decisão está limitada de facto. 100 Cit. pp. Coimbra. Almedina. Almedina. penas de privação da liberdade por bastante tempo. graves inconveniências de natureza política. Almedina. A parte geral do Código Civil Português.349. HEINRICH HÖRSTER. imaturo e imponderado. Coimbra. mentalidades não adaptadas. explorando a situação de:  Necessidade  “existe quando necessidades avultadas de uma pessoa provocam a necessidade imperiosa para ela de obter uma prestação para se libertar daquelas dificuldades”101 Pode ser: dificuldades económicas muito sérias (desemprego).558. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. pp. Almedina. de acordo com o princípio da protecção dos mais fracos”99  “A finalidade dos arts. podendo ser várias as causas que levam a tal situação.  Ligeireza  “significa um comportamento irreflectido.” 100 Trata-se de um correctivo material de índole social. 98 99 Cit. A parte geral do Código Civil Português.  Situação de estado mental  “deve abranger limitações das faculdades mentais ou estados de emoção e descontrolo que restringem o discernimento do interessado e afectam as suas capacidades decisórias. 282º e ss é. pp. vício do jogo. 106 Cit. Cit. HEINRICH HÖRSTER. 103 Cit..558. HEINRICH HÖRSTER.”104 Pode ser: relações de subordinação no âmbito laboral. pp. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios usurários  “Pertencem aos negócios jurídicos com conteúdo desaprovado pela ordem jurídica – e isto em virtude do desequilíbrio das prestações neles acordadas devido à inferioridade de uma das partes”98  Ao contrário do que acontece nos negócios abrangidos pelo 280º e 281º.558. sendo a maneira leviana e irresponsável de actuar um traço característico da pessoa e não uma falha esporádica ou acidental. Coimbra.. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. o negócio jurídico quando alguém. 101 Cit. idade avançada.  “A lei civil actual.. social habitacional ou estritamente pessoal. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. Ed. Ed. 102 Cit. reintroduziu a figura do negócio usurário e a limitação da liberdade contratual daí resultante em atenção a considerações sociais.”105  Fraqueza de carácter  “verifica-se quando uma pessoa não está em condições morais ou não tem força anímica para se comportar devidamente. A parte geral do Código Civil Português. pp. Coimbra. 104 Cit. Coimbra.. A parte geral do Código Civil Português.

em que tira proveito de uma situação inferioridade da outra parte. a anulabilidade depende de o destinatário da declaração CONHECER OU DEVER CONHECER a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. a lei escolhe.232.233.”108 o “Não se exige. Código Civil Anotado. por conseguinte. o Não constitui um pressuposto da usura que o usurário leve a outra parte a praticar o negócio. 284º  se o negócio usurário constituir simultaneamente um crime. Coimbra Editora. aproveitamento CONSCIENTE da parte do usurário de pelo menos uma das seis situações descritas.1. 4ª ed. Vol I. 109 Cit. sempre aquela que mais beneficia o lesado. Limitada.”109 (Excepção em relação ao art. 283º. Código Civil Anotado. Vol I. a consciência de que se faz uma declaração negocial.232. 247º: o “O caso previsto é o chamado erro obstáculo ou erro na declaração. 61 . segundo juízos de equidade. 107 108 Cit. Limitada. Vol I. este artigo prevê um prolongamento do prazo para o exercício do direito de anulação modificação. o É necessária a desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada. 53 em vez de 35) – emprega algo diferente daquilo que estava na sua cabeça. mas declarou-se outra. ao contrário do caso previsto na primeira parte do artigo anterior. ANTUNES VARELA. certa vontade.  Art.  O declarante diz algo que verdadeiramente não quer dizer e não tem consciência do erro. Formou-se. Coimbra Editora.  Art. mas esta tem um conteúdo diferente do que foi pretendido.1: o Permite que o lesado possa requerer a modificação do negócio usurário. em vez de uma anulação. pp. o Implica a confirmação do negócio anulável nos precisos termos em que ficou modificado. sem erro. 4ª ed. 283º. ANTUNES VARELA. diz-se que se compra por 20.2: o “Prevê a hipótese de o próprio usurário declarar que prefere. Limitada.  Art. Pretende-se. mas por lapso. entre várias hipóteses. por exemplo.  Art. nem a desculpabilidade do erro. desde que sejam alteradas certas cláusulas. para a anulabilidade da declaração. o Resumo (pressupostos):  Existência de um aproveitamento consciente da parte do usurário de uma situação de inferioridade da outra parte. Para a contagem do prazo. basta que se aproveite desta situação. a modificação nos termos do art. comprar por 10. 283º. Código Civil Anotado. pp. pp. ANTUNES VARELA. em matéria de casamento).”107 o “O acto é anulável e não nulo. Há. Os negócios celebrados com erro na declaração  São situações em que existe uma divergência entre a vontade e a declaração. Coimbra Editora.  Desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada (critério aplicado pelo juiz!). 4ª ed. nem o conhecimento ou sequer a recognoscibilidade deste por parte do declaratário. 1636º.  Tipos de erro na declaração: o Erro na própria declaração  o declarante emprega palavras ou termos diferentes daqueles que queria utilizar (ex. Cit. o Esta solução legal tem utilidade nos casos em que o lesado possui um interesse na continuação do contrato.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Pressupõe do lado subjectivo o explorar.

 Alteração intencional – o negócio é sempre anulável (dolo do mensageiro). um sentido ou conteúdo objectivo comum. pp.. Distinção entre erro na declaração e dissenso: o “Distinta do caso do erro na declaração. Desta forma. 4ª ed.568.”111 o “Em todo o caso. HEINRICH HÖRSTER. Ed. subsistência ou verificação de um circunstância presente ou actual que era determinante para a declaração em especial. 247º. O disposto no art. mas o declarante cuja vontade real difere do conteúdo objectivo comum que foi atribuído à sua declaração pode anular com base em erro. Almedina. Ed. sempre e apenas. Código Civil Anotado. Coimbra Editora. em que é possível atribuir a ambas as declarações (a ambas as manifestações). que à lei incumbe tutelar.”110 o “Há situações. o próprio facto da divergência entre a vontade real e a declaração (manifestação) pode ser constatado. A parte geral do Código Civil Português. em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Erro sobre o conteúdo da declaração  o declarante usou as palavras que queria mas atribui um sentido diferente que teria no contexto. 111 112 Cit. Almedina. o Erro de cálculo ou escrita (art. quanto às declarações. mesmo depois da interpretação. comum a ambas as declarações. HEINRICH HÖRSTER.558. 62 . A parte geral do Código Civil Português. nem com a vontade do declaratário. pp. Pelo contrário. Vol I. depois do recurso às regras sobre a interpretação e integração da declaração negocial. A interpretação é um pressuposto lógico da decisão sobre a existência ou não do erro causador da divergência”112 O erro sobre os motivos  Trata-se de uma situação em que o declarante faz um representação inexacta sobre a existência. pp. Para alguns destes casos deve valer. 247º só se aplica quando a divergência se mantém. Coimbra. por não haver nenhuma expectativa legítima do declaratário. recai sobre os elementos determinantes da vontade. É uma ideia inexacta sem a qual a declaração negocial não teria sido emitida ou não teria sido emitida nos moldes em que foi. a anulabilidade impõe-se. HEINRICH HÖRSTER. porém. 247º. 113 Cit. pp.233. baseada no sentido válido da declaração. Ed. “quando o erro recai só sobre a vontade (elemento interno). Cit. para outros. Limitada. A este tipo de casos de dissenso oculto deve aplicar-se..”113  Enquanto que no caso do erro na declaração existe uma desconformidade entre a vontade e a declaração. Almedina. o regime do erro na declaração: o contrato considera-se concluído. 249º)  deve tratar-se de um lapso ostensivo sob pena de o caso ficar sob alçada do art... porém.558. ao erro na declaração. de acordo com as circunstâncias. Coimbra. Coimbra. elas são muito numerosas e vão da primeira motivação que é determinante para a formação da vontade até à manifestação da mesma. A parte geral do Código Civil Português. o Erro na transmissão da declaração (art. sem necessidade dos requisitos a que alude o art. podendo o declarante anular desde que demonstre que a outra parte conhecia ou devia conhecer o erro. porém. não está em sintonia com ambas as vontades (caso contrário não haveria dissenso). ANTUNES VARELA. 250º):  Mensageiro comete um lapso de forma involuntária – aplica-se o art. é a figura do chamado dissenso (oculto).  “As possibilidades de ocorrência de um erro no âmbito do negócio jurídico não se limitam. É evidente que este conteúdo objectivo. directamente ou por analogia o regime prescrito para o erro na declaração. não produz uma 110 Cit. 247º.

. 247º).. o Erro que as partes houveram reconhecido por acordo a essencialidade do motivo que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio (art. HEINRICH HÖRSTER. quando existe um dever legal ou contratual de elucidação (art. por ser mal esclarecida (.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  divergência entre vontade e declaração. por acordo.  Tem que ser um erro bilateral115: tem de ocorrer um erro e a situação não pode ser coberta pelos riscos próprios da vontade. bem como a dissimulação pelo declaratário. de modo que eles provocaram o erro do declarante. dissimulado pelo declaratário ou por um terceiro. Tal como no erro sobre os motivos. 253º (definição de dolo/ distinção entre dolo lícito e ilícito/ pressupostos do dolo): o Definição – sugestão ou artifício que alguém empregue com intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. a lei não é clara e não se percebe se a remissão é feita para todo o artigo ou apenas para a estatuição). para que haja anulabilidade. o Dolo negativo/ omissivo – o declaratário permite que o declarante se mantenha em erro. A vontade. Trata-se agora de um erro sobre os motivos (ainda designado por erro-vício). Coimbra. A declaração está em perfeita conformidade com a vontade.  Erro induzido/ mantido em contrário de um dever de elucidar.  Há uma desconformidade entre a base negocial objectiva é diferente da base negocial pressuposta pelas partes. as consequências são iguais às do erro na declaração (art. 252º):  Exige-se. O dolo   114 115 Cit. a essencialidade do motivo. 63 . Art. o Dolo lícito (dolus bónus) – artifícios naturais do comercio jurídico. o Dolo ilícito (dolus malus) – atribuição ao objecto de qualidades que ele manifestamente não tem. Nota: nem todos os autores consideram que o erro tem que ser bilateral. a vontade formou-se mal devido a uma actuação exterior que impede a livre formação da vontade do declarante.570. 251º):  Qualidades essenciais do objecto  características do objecto que determinam o seu valor.  Qualidades essenciais do declaratário  erro sobre as qualidades essenciais para a prossecução do negócio. do erro do declarante. 227º). no entanto.) está viciada. Ed.  Quando o erro recaia sobre a pessoa ou sobre o objecto do negócio. o Dolo positivo – há um comportamento activo no sentido de induzir em erro o declarante. é esta que está viciada.  Remissão para artigo 437º (no entanto.”114 Modalidades de erros sobre os motivos: o Erro que recai sobre as qualidades essenciais do objecto ou sobre as qualidades essenciais do declaratário (art. o Erro sobre a base negocial:  Trata-se de uma situação em que a base negocial objectiva é diferente da base negocial proposta pelas partes. não existe uma divergência entre a vontade e a declaração. A parte geral do Código Civil Português. ou terceiro. que afecte os objectivos daquele negócio. que tenha sido reconhecida. pp. convergindo com ela a respectiva declaração. o Pressupostos do dolo:  Declarante esteja em erro. Almedina.

mas numa vontade formada em condições limitativas da liberdade de decisão. a ameaça do exercício de um direito não constitui coacção”119  Art. 4ª ed. pp. embuste. em princípio.238. 118 Cit. 4ª ed. Coimbra. pp. já o acto pode ser anulado. 255º (coacção moral): o “A ameaça. se o declaratário conhecia o dolo do terceiro ou devia conhecer. Coimbra.”116 A coacção moral  “É prestada sob coacção moral a declaração negocial determinada pelo receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado pelo declaratário ou por terceiro com o fim de obter dele por este meio a declaração pretendida pelos ameaçadores. Mas imaginemos que A.  Ex. Almedina. pp.  Art. Cit. válido.: “Se A (terceiro) induziu em erro B e o levou a doar bens a C. causadoras de uma vontade viciada. Todavia. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Vol I.585. à semelhança da vítima do dolo. invocada por acção judicial e pode ainda ser feita valer (no caso da nulidade) por via de excepção ou oficiosamente pelo tribunal. de modo que falta ao coagido. liberdade exterior. sugestão. As consequências da invalidade no negócio jurídico em pormenor Efeitos da invalidade:  Invocação da invalidade – pode ser reconhecida por um acordo entre as partes. ela baseia-se numa vontade. Coimbra Editora. ANTUNES VARELA. o Pressupostos:  Quando a coacção provém do declaratário – declaração negocial determinada pelo receio de um mal (não se depreende que a gravidade do mal e o fundamento do receio sejam requisitos essenciais). Vol I. a doação não é anulável por dolo. Se emite a declaração cedendo à ameaça. o terceiro que induziu B a fazer a doação. Código Civil Anotado. beneficiou de um encargo imposto ao donatário C. Isto é. A parte geral do Código Civil Português.  Quando a coacção provém de terceiro:  É necessário que o mal seja grave e que seja fundado o receio (questões avaliadas pelo tribunal). deve ilícita.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel O declaratário ou terceiro haja recorrido ilicitamente a qualquer artifício. Ed. Almedina. Limitada. se C ignorava e não tinha obrigação de conhecer o dolo de terceiro. Este benefício já é anulável nos termos da 2ª parte do nº2. 119 Cit. 254º (efeitos do dolo): o Estabelece duas hipóteses:  Dolo proveniente do destinatário da declaração – o acto é sempre anulável mesmo que haja dolo de ambas as partes. 116 117  Cit.585/586. A vítima da ameaça ainda pode optar entre a sujeição ao mal ou a oposição a ele. etc. Limitada. Ed. O dolo de um não inutiliza o vício proveniente do dolo do outro. para que constitua coacção. HEINRICH HÖRSTER. Código Civil Anotado. ANTUNES VARELA. pp. 64 .  Dolo proveniente de terceiro – o acto é. Coimbra Editora. 256º (efeitos da coacção) e pressupostos: o Efeitos – anulabilidade.”118  Art.”117  “Consiste numa pressão psicológica que determina a vontade.233.

às situações de anulabilidade. Limitada.”122  “É ainda necessário. Princípio da abstracção 120 121 Cit.”120  “Como resulta do próprio texto e do espírito da lei.269. 1416º. Cit. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. Código Civil Anotado. Coimbra Editora.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Art. não basta que o negócio nulo ou anulado tenha a mesma substância do negócio em que se pretende convertê-lo. Coimbra Editora. o Redução de negócio nulo ou anulável (art. Vol I.2. 4ª ed.269. 122 Cit. Código Civil Anotado.1) – aplicada. 288º. Limitada. Código Civil Anotado. 124 Cit.”123  “Há casos de conversão consagrados directamente pela lei: art. não basta que o negócio nulo ou anulado contenha os requisitos essências de substância e de forma do negócio que vai substitui-lo. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. 4ª ed. 293º):  “A conversão supõe a invalidade integral do negócio e a sua substituição por outro do qual contenha os requisitos essenciais. Limitada. 4ª ed. ANTUNES VARELA. 293º. o Prevalência segundo as regras de prioridade das leis do registo. em regra. pp. Coimbra Editora. 291º. Vol I. Vol I. Código Civil Anotado. pp. 65 . É necessário ainda que este negócio não contrarie. que a conversão se harmonize com a vontade hipotética ou conjectural das partes. 4ª ed. ANTUNES VARELA.”121  “Para que se possa verificar a conversão. pp. o Conversão do negócio nulo ou anulável (art. 4ª ed. A minoração das consequências da invalidade do negócio jurídico Princípio da conservação do negócio jurídico  A conservação dos negócios jurídicos em relação às partes: o Confirmação do negócio anulável (art. 946º. pp.2”124  Protecção de terceiros adquirentes de boa fé: o Inoponibilidade da declaração de nulidade ou da anulação do negócio que versa sobre bens sujeitos a registo – art. em termos decisivos. Vol I.269. Pessoas legitimadas para arguir a invalidade: o Nulidade – 286º. 292º) – é possível viabilizar uma parte do negócio. 289º. não só de substância como de forma. Vol I. em relação à forma do negócio. o Anulabilidade – 287º. ANTUNES VARELA. 2251. pp. 123 Cit.268. a vontade exteriorizada pelo declarante.268. Limitada.1. Limitada. art. Coimbra Editora. de acordo com a parte final do art. art.

com a aquisição de boa fé a um não titular e com a segurança e celeridade do tráfico jurídico. HEINRICH HÖRSTER. Ed.”125 125 Cit. 66 . Almedina.585/586.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  “Faz parte de todo um sistema legal. que tem a ver com a existência de uma Parte Geral. pp. Coimbra. com os fundamentos e formas da anulação do negócio jurídico. devidamente construído. A parte geral do Código Civil Português.

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