Teoria Geral da Relação Jurídica

O negócio jurídico

Paulo Pichel 2008

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

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TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

Índice
PARTE I – OS ELEMENTOS E A NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................. 6 ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ................................................................................................................ 6 O CONCEITO DE NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................................................... 6 Referência histórica: ........................................................................................................................................................ 6 ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ...................................................................................................................................... 6 PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS PARA QUE SE POSSAM PRODUZIR OS EFEITOS JURÍDICOS PRETENDIDOS PELO NEGÓCIO:.............. 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE ................................................................................................................................................ 7 COMPOSIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE VONTADE (REMISSÃO PARTE II). ................................................................................... 7 INEXISTÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE VONTADE ....................................................................................................................... 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE E A CONSCIÊNCIA DA CRIAÇÃO DE UM VÍNCULO JURÍDICO ...................................................... 8 DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS E DECLARAÇÕES DE CIÊNCIA .......................................................................... 8 SITUAÇÕES EM QUE NÃO BASTA A DECLARAÇÃO DE VONTADE PARA QUE SE FORME UM NEGÓCIO JURÍDICO: ........................ 8 DISTINÇÃO ENTRE NEGÓCIO JURÍDICO E DECLARAÇÃO DE VONTADE ..................................................................................... 8 INTERVENIENTES NO NEGÓCIO JURÍDICO; A CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ...................................... 9 CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ......................................................................................................... 9 LIMITAÇÕES: ......................................................................................................................................................................... 9 Limitação de auto-vinculações: ....................................................................................................................................... 9 Impossibilidade de estabelecer, por acto unilateral, relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: ........................ 9 Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: .............................. 9 NEGÓCIO JURÍDICOS QUE PARA ALÉM DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS EXIGEM A INTERVENÇÃO DE AUTORIDADES PÚBLICAS: ............................................................................................................................................................................................ 10 NEGÓCIOS JURÍDICOS QUE EXIGEM A INTERVENÇÃO DE OUTROS PARTICULARES AFECTADOS PELO NEGÓCIO PARA ALEM DE UMA DECLARAÇÃO DE VONTADE: ........................................................................................................................................ 10 CLASSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS ............................................................................................................................ 10 Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico ........................................... 10 Negócios jurídicos unilaterais: ...................................................................................................................................... 10 Negócios jurídicos plurilaterais:.................................................................................................................................... 11 O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) ...................................................................................................... 11 CRITÉRIO DO CONTEÚDO DO CONTRATO, RELATIVO À ESTRUTURA E PRODUÇÃO DE EFEITOS: ............................................. 11 CRITÉRIO RELATIVO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES EMERGENTES SE CUMPRIREM NUM ÚNICO MOMENTO OU SE PROLONGAREM NO TEMPO: .................................................................................................................................................. 11 Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: ........................................................................................................................ 11 Critério da forma: .......................................................................................................................................................... 12 Critério do modo de formação: ...................................................................................................................................... 12 Critério da natureza da relação jurídica constituída: ................................................................................................... 12 Negócios entre vivos e mortis causa: ............................................................................................................................. 12 DISTINÇÃO ENTRE ACTOS DE MERA ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE DISPOSIÇÃO: ............................................................. 12 PARTE II – FORMAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................................................... 13 AS MODALIDADES DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; OS SEUS ELEMENTOS................................................................................. 13 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DECLARATIVA (LIBERDADE CONTRATUAL + PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA): .................... 13 ELEMENTO INTERNO/SUBJECTIVO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL – VONTADE: ....................................................................... 13 O PROBLEMA DA CONCORDÂNCIA ENTRE ELEMENTO OBJECTIVO E SUBJECTIVO E CONSEQUENTES EFEITOS JURÍDICOS ....... 14 Teoria da declaração. .................................................................................................................................................... 14 Definição de Manuel de Andrade [visão objectivista] ................................................................................................... 14 DISTINÇÃO ENTRE VONTADE NEGOCIAL E MOTIVOS ............................................................................................................ 14 A FORMA DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; A SUA DISTINÇÃO DA PUBLICIDADE ........................................................................ 14 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA: LIBERDADE DE FORMA E LIBERDADE DECLARATIVA; EXCEPÇÕES .............................. 14 FORMA CONVENCIONAL: ..................................................................................................................................................... 14 INOBSERVÂNCIA DA FORMA LEGAL EXIGIDA POR LEI ........................................................................................................... 15 DISTINÇÃO ENTRE FORMA DOS NEGÓCIO E PUBLICIDADE: ................................................................................................... 16 MODALIDADES DE DOCUMENTOS ESCRITOS (ART. 363º): ..................................................................................................... 16 TIPOS DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS: ................................................................................................................................... 16 A PERFEIÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .......................................................................................................................... 16 FASES DA EXISTÊNCIA DE UMA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (RECEPTÍCIA): .............................................................................. 17

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.......... 28 Art..................... 30 A CONDIÇÃO ................................................................................................................................................................................................................INTERPRETAÇÃO E A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (ARTS..................................................................... 34 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS DEPENDENTES DE RATIFICAÇÃO ......1 (2ª parte): ........................................ 35 OS NEGÓCIOS DOS INSOLVENTES E DOS FALIDOS CELEBRADOS SEM PODERES DE REPRESENTAÇÃO: ................................................................. 237º................................................................................................. 227º).................. 239º) ..............................................................................................................................................................................................................................................................................justificação dos poderes do representante ................ 19 Distinção entre convite a contratar e proposta contratual ........................................... 19 Convite a contratar: .......................... 30 PARTE III ........................................................................................................................................................................ 28 Art................................... 25 DISTINÇÃO ENTRE REPRESENTAÇÃO OU DO REPRESENTANTE COM OUTRAS FIGURAS E INSTITUTOS: ............................................................................ 24 A REPRESENTAÇÃO NA CONCLUSÃO DO CONTRATO ................................................................................................................................................................................................................................. 17 Recepção: ................................ 27 A PROCURAÇÃO E OS SEUS EFEITOS ................................................................................................................................................abuso de representação ..................................................................... 23 Comparação entre art............................................ 265º ................................................................................................................................................... 29 PROCURAÇÃO GERAL E PROCURAÇÃO ESPECIAL ......................................................................................................................................... 264º ................ 19 Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art.......... 24 AS RELAÇÕES CONTRATUAIS DE FACTO ........ 25 PRINCÍPIOS GERAIS.. 28 Art......................................................................................................................................falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes ..................................................................protecção de terceiros: .................. 18 CONCLUSÃO DO CONTRATO ........ 269º . 36 PARTE IV ........................................... 35 OS NEGÓCIOS CELEBRADOS SEM PODERES DE VINCULAÇÃO: ............................................. 36 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA RELATIVA .............................................................................................................................................................................................................................................................................. 263º ............................................................................................................................................ 25 A REPRESENTAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: . 25 A REPRESENTAÇÃO: ................................ 30 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS SUBORDINADOS A CONDIÇÃO OU TERMO.............................................................................................................. 229º................................................................................... 236º.................228º) ......... 31 A condição suspensiva ................................................TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Exteriorização: ...................... 22 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: ........................... 28 Art........................................................................................................................ 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL GANHA EFICÁCIA (VINCULA O DECLARANTE DE TAL FORMA QUE ESTE NÃO SE PODE RETRACTAR) [TEORIAS]:...................................................................... 27 Art..............................................negócio consigo mesmo ........................................................................................ 17 FASES DE EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS NÃO REPTÍCIAS: ..................................................................................................... 38 A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .......................................................238º............................................................................. 29 Art..................................................................................................................................................................................A INVALIDADE DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS .............................................................. 268º ................................................................................................................................................................. 26 Art........................................................................................................................................................................................................................ 260º .................representação sem poderes.................................................... 17 Conhecimento: ..........................................................capacidade do procurador ......................................................................................... 40 4 ............. 227º e art.................................. 29 Art............................................................................................ 266º ................................. 20 Aceitação eficaz da proposta .............. 22 A CULPA IN CONTRAHENDO (ART................................................................................................... 22 As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) .................. 19 A PROPOSTA CONTRATUAL E A SUA ACEITAÇÃO ............................................................................ DELIMITAÇÕES PARA COM FIGURAS SEMELHANTES................. 26 Art...............................................extinção de procuração ................................. 38 A INTERPRETAÇÃO.............................................. 261º .............................................. 259º ........................................................................................................................................................ 21 OS EFEITOS REAIS DA CONCLUSÃO DO CONTRATO ................................................... 34 OS ENCARGOS OU CLÁUSULAS MODAIS. PROBLEMA DA SUA EXISTÊNCIA ..........................OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA LIMITADA ........... 34 O TERMO................................................................................................................................ 20 DISSENSO MANIFESTO E OCULTO/LATENTE . 19 Passos para a conclusão de um contrato ...................... 17 Expedição: ............................................................................................................................................................................................................................................................ 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL FICA PERFEITA DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL: .....substituição do procurador................................................................................................................................................. 25 OS INCAPAZES E A REPRESENTAÇÃO: ..................................................................................................................................... 21 A CONCLUSÃO DO CONTRATO COM BASE EM CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS ............................................................................................................................................................................................................................................... 40 PARTE V ... 33 A condição resolutiva ..............

......................................................................................................................................................................................................... 63 A coacção moral ................................... 59 Os negócios usurários .............................................................................................................................................................. 46 A reserva mental (Art................................................................ 42 O regime das incapacidades negociais de gozo ....................................................... 62 O dolo....................... 51 Negócios celebrados sem capacidade de exercício: ................................................. 64 Efeitos da invalidade: ........................................................................................................................... 65 5 ................................................................ 244º)................... 44 Os negócios celebrados sem observância da forma legal ..................................................... 65 Princípio da conservação do negócio jurídico ... 51 As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas............................................................................................................................ 49 A declaração não séria (art.................................. 61 O erro sobre os motivos ........................................................................................................................................................................................................... 64 AS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE NO NEGÓCIO JURÍDICO EM PORMENOR ..................................................... 60 Os negócios celebrados com erro na declaração ..... 294º): .................... 58 Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal ................................................................................................................................................................................................. 240º a 243º) ................................................ 65 Princípio da abstracção ............................................................................. 64 A MINORAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................. 43 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica .............................................................. as proibições legais relativas .......................................................................................................... 50 AS CAUSAS DA ANULABILIDADE ................................................................................................................................... 44 Os negócios celebrados com falta de vontade ....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 245º) .....................................................................................................................................................................................TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel AS CAUSAS DA NULIDADE .............. 42 Negócios celebrados contra a lei (art.. 46 A simulação (arts......................................................................................................................................

Coimbra.. Coimbra.necessária a propriedade de uma coisa/direito + um preço). 6 . modificar ou extinguir. A parte geral do Código Civil Português. Quem se vincula juridicamente tem que ter discernimento para formar uma vontade livre e esclarecida.417. HEINRICH HÖRSTER. Ed. Almedina. 874º . Coimbra.420.: elementos essência de um c.” 4 (P. a criação de relações jurídicas. A parte geral do Código Civil Português. o Declaração de vontade – a vontade tem que ser livre e esclarecida (vontade perfeita e não viciada) devendo coincidir com a declaração de vontade. Ed. sendo necessário perceber que direitos e deveres as partes quiseram constituir. “A relações jurídicas apenas podem ser estabelecidas nas formas e nos limites previstos pela própria lei”3  Não existe o tipo legal “negócio jurídico”. Cit.c. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. Almedina. 4 Cit. O conceito de negócio jurídico Referência histórica: o Apenas no séc. dentro do princípio da autonomia privada 2” que visam a realização de determinados efeitos jurídicos queridos pelas partes. que os individualizam face aos outros tipos negociais. ex. pp.v.  “ O conceito de negócio jurídico é uma abstracção de todos os actos jurídicos privados.420. No entanto. pp. HEINRICH HÖRSTER. XIX – contrapõe-se negócio jurídico a factos ilícitos (Heise). Almedina. pp. de uma maneira volitiva. o negócio jurídico está limitado aos tipos negociais que a ordem jurídica reconhece para a conformação dos mesmos. O que existem são os mais diversos tipos legais de negócios jurídicos que têm como característica transversal apresentarem uma finalidade no sentido da produção de efeitos jurídicos e de visarem. 3 Cit.. o Séc. usando quase exclusivamente o conceito de declaração de vontade. reconhecidos pela ordem jurídica . escolhido pelas partes e admitido pela lei. Ed. Ed. possível e determinado. 1 2 Cit. só assim é possível proteger o princípio da autonomia privada.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE I – os elementos e a natureza do negócio jurídico Negócio Jurídico – “Declaração de vontade privada que visa a produção de um efeito jurídico que se verifica conforme a ordem jurídica por ter sido querido pelas partes” 1 Elementos estruturais do negócio jurídico: o Sujeito – necessita de ter capacidade negocial (exercício). pp. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Só assim é realizado o princípio da autonomia privada. XVIII foi introduzido na linguagem jurídica o conceito de negócio jurídico. HEINRICH HÖRSTER. são os requisitos do art.  No respeito pelo princípio da autonomia privada. há uma ampla liberdade na conformação e no estabelecimento de relações jurídicas. Elementos do negócio jurídico: o Elementos essenciais – “são aqueles que caracterizam o respectivo tipo negocial. o Savigny (doutrina clássica) – sublinha a importância da vontade no negócio jurídico.421. o Objecto (conteúdo do negócio) – tem que ser lícito.

1628º. Almedina. clausulas modais).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Elementos naturais – “são as regras de ordem jurídica que complementam a regulamentação encontrada pelas partes”5 (disposições supletivas. Pressupostos essenciais para que se possam produzir os efeitos jurídicos pretendidos pelo negócio: 1. integradoras). Cf. o A falta de declaração com carácter negocial. Ed. A parte geral do Código Civil Português. o Elementos acidentais – “são estipulações das partes que não integram o respectivo tipo negocial. Por conseguinte. normalmente a lei encontra soluções que as partes teriam querido adoptar uma vez que é objectivo da lei contribuir para a auto-realização das partes). a não existência de uma declaração de vontade. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. art. 246º). 2. 5 6 Cit. pp. Nota: elementos essenciais e acidentais situam-se no mesmo plano pois resultam da vontade das partes. Em termos objectivos. art. Em termos subjectivos. o Elemento interno. que não chegou a ser manifestada. Inexistência da declaração de vontade  O negócio jurídico depende de uma declaração de vontade.c + 246º] Nota: a não existência de um negócio jurídico devido à inexistência de uma declaração negocial não implica que não exista um outro facto jurídico ao qual a lei poderá ou não atribuir efeitos inclusive com sanção. Cit. ou seja. a declaração de vontade é um elemento essencial do negócio jurídico. Formas que a falta de declaração de vontade pode assumir: o A falta de declaração em si. 7 . sendo esta que estabelece o tipo negocial e suas características (e não em atenção à vontade das partes. A parte geral do Código Civil Português. o Elemento externo. Almedina.421. subjectivo – vontade. uma declaração desprovida de vontade de produzir efeitos jurídicos (não tem a natureza de um acto volitivo-final). [Ver arts. Composição da declaração de vontade (remissão PARTE II). objectivo – a declaração. Têm uma natureza não negocial (Cf. no entanto. inviabiliza a existência de negócio jurídico. 878º. mas que contêm clausulas suplementares ou acessórias”6 (ex. “declaração de vontade” surge como “declaração negocial”.421. estipulações de condições ou prazos. É necessária uma declaração de vontade – exteriorização da vontade. é necessária a garantia da produção dos efeitos jurídicos pela ordem jurídica (através do direito objectivo). Coimbra. A declaração de vontade Nota: no código civil. criando um vínculo jurídico. Ed. pp. Declaração de vontade – declaração negocial pela qual se manifesta a vontade que visa a produção de negócios jurídicos. 3. Elementos naturais resultam da lei. é necessária uma vontade dirigida aos efeitos e manifestada numa declaração de vontade.

as circunstâncias específicas de cada situação concreta. para além das mesmas. os interesses dos intervenientes. Nestes casos.420 e 421. Almedina. embora não exista um negócio jurídico. ao lado das declarações negociais. Situações em que não basta a declaração de vontade para que se forme um negócio jurídico: o São situações em que o próprio negócio é integrado não só pelas declarações como. etc. mútuo-1142º. o Normalmente. pois. a consciência de criar uma vinculação jurídica da parte do declarante. já existe um negócio jurídico embora com os seus efeitos prejudicados ou afectados pela invalidade. acordos mediante os quais alguém assume um compromisso de honra). sempre. dado o factor de gratuitidade. Distinção entre negócio jurídico e declaração de vontade o São conceitos coincidentes apenas quando estamos perante um negócio jurídico unilateral em que existe apenas uma declaração de vontade (ex. A parte geral do Código Civil Português. certas relações de favor ou os negócios de pura obsequiosidade não são considerados negócio jurídicos. determinados actos reais ou materiais. para a celebração de um negócio jurídico. A declaração de vontade e a consciência da criação de um vínculo jurídico A vontade orientada no sentido da produção de determinados efeitos jurídicos implica. declaração de vontade e negócio jurídico já não são coincidentes. que nelas frequentemente ocorre. depósito-1155º). (O CCiv. mais do que uma declaração de vontade. não existe a vontade de criar uma vinculação jurídica. presta simples informações ou declarações acerca de dados existentes ou a respeito de determinados acontecimentos (identificação de uma pessoa. o acto material de entrega faz parte. Assim. (o mesmo ocorre com os “gentlements agreements”. declaração de nascimento. especialmente quando na perspectiva do destinatário existem razões justificativas para acreditar na existência de uma vontade de assumir uma vinculação jurídica. porém. são necessárias. sempre de natureza negocial. direitos potestativos quando não dependem de formalidade). pp. por outros actos que nele intervêm. Faz esta distinção falando de negócio jurídico e declaração (negocial)). alem das declarações de vontade. Distinção entre declarações negociais e declarações de ciência o Declarações de ciência – alguém dá conta de um facto. sendo estes efeitos. os valores em causa. o Nota: há no entanto situações em que a distinção entre declaração de vontade e declaração de ciência é difícil. 7 Cit. Ed. Aqui. que declarante não deve desconhecer. HEINRICH HÖRSTER. existem outros factos jurídicos tais como factos ilícitos e a correspondente responsabilidade. Coimbra. pode acontecer que o negócio jurídico inclua. os usos sociais. o “Assim. Nestes casos. A delimitação entre estas figuras e o negócio jurídico nem sempre é fácil. do próprio negócio jurídico.”7 o Exemplos: contratos reais (comodato-1129º. etc).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Nota2: A falta de declaração de vontade não deve ser confundida com uma vontade invalidamente formada ou manifestada. Falta ou não tem relevância a vontade de assumir vinculações jurídicas. Verifica-se um indício a favor da existência de uma vinculação jurídica por parte do declarante que se presta a assumir a “atitude de favor” quando estão em causa interesses económicos essenciais ao declaratário. 8 . Aqui.

normalmente não procedem de um comportamento unilateral. HEINRICH HÖRSTER. 9 . A parte geral do Código Civil Português.”9 Tal implica uma limitação do princípio da autonomia privada (não significando que não possa haver condutas criadoras de confiança como é o “venire contra factum próprio” em que o agente cria a confiança ou saberá que o outro confia). ocupação de coisas sem dono.423. um sentido “objectivo” a uma conduta com vista à criação de uma obrigação da parte do agente que se teria “auto-vinculado” com semelhante conduta.1). sem mais. o Conhecimento real ou presumido que os terceiros tenham do negócio acordado. a conformação unilateral de relações jurídicas  “São intervenientes no negócio jurídico as partes que nele acordaram sendo. 10 Cit. Exemplos: remissão de uma dívida (863º). HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. faltando este consentimento. Tal depende: o Conteúdo do negócio jurídico – se incide sobre direitos absolutos ou relativos. o “Não é possível atribuir. que efeitos jurídicos negociais. as auto-vinculações estão circunscrita àquilo que é legalmente admitido. o Quando não são atingidos direitos de outrem – ex. os efeitos de um negócio jurídico produzem-se apenas entre as pessoas. contrato com efeitos protectores para terceiros. Almedina. pp. por isso. a aceitação ou a ratificação. Almedina. Exemplos: contratos a favor de terceiros (447º e 443º). pp. os terceiros são favorecidos ou protegidos se o quiserem. Aqui. Coimbra. Ed. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Ed. Ed.423. doação (940º. 457º. ele recusa a relação jurídica favorável”10. Não querendo o outro aceitar ou ratificar o acto. Almedina. 2062º).” Situações em que é possível um sujeito conformar relações jurídicas de uma maneira unilateral: o Exercício de um direito já constituído – ex.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Intervenientes no negócio jurídico. Ed. 11 Cit. relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: o “A ordem jurídica exige o consentimento prévio do outro ou. o Quando o acto afecta só o património próprio – ex. testamento (2179º. proposta da conclusão de um contrato. abrangidas pelos seus efeitos”8  Por via de regra. Coimbra. pois são estas que os querem.423. Coimbra. Cit. tendo acordado neles. Impossibilidade de estabelecer. pp.  Outra questão diferente. o Quando o acto traz uma vantagem jurídica para o visado – ex. renúncia a um direito. direito potestativo e acção directa.422. pp. por acto unilateral. por via interpretativa. Conformação unilateral de relações jurídicas  “Da necessidade de um acordo resulta. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. testamento. Limitações: Limitação de auto-vinculações: o De acordo com o art. Almedina. é a de saber se os efeitos do negócio jurídico se restringem às partes ou se têm efeitos sobre terceiros. Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: 8 9 Cit. o “Também por via contratual não é possível favorecer terceiros contra a sua vontade”11.

os negócios celebrados pelo representante produzem os seus efeitos na esfera e na pessoa do representado. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. a sua ausência torna o casamento juridicamente inexistente. por isso.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Duas partes celebram um contrato de compra e venda a respeito de um objecto que não lhes pertence. 10 . Almedina. Daí que o agir em nome do representado não se verifica em função da autonomia e da auto-realização do agente (representante). ou que esta chegue ao seu poder. HEINRICH HÖRSTER. o As intervenções das várias autoridades públicas têm graus de intensidade diferentes. tanto voluntária como legal.424. Agir em nome ou em vez de outrem significa. o Negócios jurídicos celebrados pelos pais como representantes dos filhos menores sem autorização do tribunal são anuláveis (1893º/1894º). ou decorrentes dos interesses de um incapaz no caso da representação legal. pp. Aqui. o (São negócios INEFICAZES em relação aos visados que não intervieram e NULOS para em relação às partes que o celebraram. Negócios jurídicos que exigem a intervenção de outros particulares afectados pelo negócio para alem de uma declaração de vontade: o Consentimento pessoal de outros familiares. o Notário/ tribunal – a sua intervenção no processo prende-se com pressupostos de validade. o NOTA: “há situações em que alguém age em vez de outrem como parte-outorgante do negócio. o Pode ser necessário que a outra parte conheça o conteúdo da declaração. o Contrato de compra e venda de bens imóveis – necessidade de escritura pública (875º). mas em atenção à autonomia ou interesse daquele que suporta os efeitos (representado). pelo que a sua falta terá efeitos diferentes: o Casamento – a presença do funcionário faz parte do tipo negocial. Ed. É este o caso da representação.”12 Negócio jurídicos que para além de declarações negociais exigem a intervenção de autoridades públicas: o Casamento civil – presença de um funcionário do registo civil (1628º e 1630º). o Negócios do inabilitado que estão sujeitos à autorização do curador (art.153º). assim. Classificação de negócios jurídicos Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico Estrutura e produção de efeitos: Negócios jurídicos unilaterais: o São negócios jurídicos em que há apenas declarações de vontade de um lado ou várias declarações de vontade paralelas de um lado. não dependem da aceitação ou concordância de uma outra parte. o Consentimento do representado no caso do conflito de interesses. a sua ausência torna o negócio jurídico inválido. o Podem ser receptícios ou não receptícios: 12 Cit. agir dentro de vinculações. determinadas pela autonomia do representado no caso da representação voluntária. o Normalmente. o Os parceiros sociais acordam um contrato colectivo de trabalho que ultrapassa os limites funcionais da contratação colectiva e as suas razões justificativas.

Ex. 15 Cit. Coimbra. deliberações sociais (175º). Ed. (ex. Coimbra. Cit.428. Almedina.428. HEINRICH HÖRSTER. Ed. posteriormente e dependente da execução do contrato. o mandato gratuito – o mandante pode ter que indemnizar o mandatário caso este sofra prejuízos). Negócios jurídicos plurilaterais: o “São aqueles que se compõem de duas ou mais declarações de vontade. A parte geral do Código Civil Português. rescisão do contrato de trabalho). A parte geral do Código Civil Português. contrato de sociedade). HEINRICH HÖRSTER. A prestação de uma parte é realizada em virtude e por causa da prestação de outra”14. contrato de trabalho. o Bilaterais:  Sinalagmáticos/ bilaterais perfeitos – “aqueles em que existe uma reciprocidade entre as obrigações das partes. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que. Almedina. para alem da declaração se exige a chegada ao poder ou a tomada de conhecimento do destinatário para que o negócio jurídico produza efeitos.  Bilaterais imperfeitos – “aqueles em que inicialmente há apenas uma obrigação de uma parte. renúncia do arrendamento. CCV. Ed. provenientes de dois ou mais lados e cujos sentidos se encontram e convergem”13 o Exemplos: constituição de uma associação (167º). relativo à estrutura e produção de efeitos: o Unilaterais/ não sinalagmáticos – contratos que criam obrigações apenas para uma das partes contraentes. Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: o Gratuitos – Existe um sacrifício patrimonial apenas para uma das partes contraentes. Ex. O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) Critério do conteúdo do contrato. é difícil estabelecer a fronteira entre um negócio jurídico unilateral ou não. Há uma vantagem patrimonial do lado de quem recebe sendo a atribuição patrimonial unilateral.428. Ed. Critério relativo ao cumprimento de obrigações emergentes se cumprirem num único momento ou se prolongarem no tempo: o Contratos de execução instantânea – esgotam-se num acto de cumprimento. contrato de sociedade (980º). Almedina.”16 Não é necessário um equilíbrio objectivo ou uma equivalência objectiva entre as prestações feitas. o Onerosos – “cada uma das partes envolvidas faz uma atribuição patrimonial à outra como contrapartida ou contraprestação.427. o Contrato de execução periódica – contêm uma obrigação periódica a realizar durante certo tempo (contrato de fornecimento de mercadoria). A parte geral do Código Civil Português. basta a mera emissão de uma declaração de vontade.”15 (Ex.  13 14 Cit. (ex. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra.  Nota: por vezes. pp. testamento. o Contratos de execução continuada – contêm uma obrigação duradoura (arrendamento. doação. Almedina.  Não receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que não há um destinatário. pp. 11 . para serem eficazes. HEINRICH HÖRSTER. ainda uma obrigação da outra parte. pp. Coimbra. pp. promessa pública). 16 Cit. podendo surgir. pelo que.

para alem do acordo. o seguro. depósito 1155º. Negócios entre vivos e mortis causa:  Entre vivos – produzem os seus efeitos em vida das partes. Coimbra. o Negócios familiares:  Pessoais – exclusão do princípio da liberdade de fixação do contrato.[negócio bilateral gratuito]. comodato 1129º). um acto material (ex. se tal corresponder à vontade das partes. a uma álea. No entanto.  Negócios onerosos parciários – “são caracterizados pela participação no risco de certo empreendimento no que diz respeito aos lucros esperados como contraprestação a uma entrega realizada para o efeito”17 Exemplos: parceria pecuniária 1121º. no caso do mútuo pode ser convencionada uma participação nos lucros (1145º. 17 18 Cit.  Contratos aleatórios – são contratos em que uma das partes ou ambas estão sujeitas a um risco. o jogo e aposta 1245º. A parte geral do Código Civil Português.1 + 405º + 1146º). 12 . Ed.”18 o Real – é necessário. Coimbra. o risco). o Nota: negócio consensual pode também ser oposto a negócio formal. deve ser possível considerar o contrato concluído com efeitos obrigacionais já no momento do acordo e sem qualquer entrega.430. permitindo apenas actos de alienação que mantenham intacta a raiz dos bens.429. Critério do modo de formação: o Negócio consensuais – “o contrato fica perfeito com o simples acordo das partes. HEINRICH HÖRSTER. nestes casos. (Princípio da liberdade de forma + princípio da liberdade declarativa 217º  realização do princípio da autonomia privada). Almedina. o Negócio reais – o princípio da liberdade contratual está afastado quanto à liberdade de fixação do conteúdo (numerus clausus). A possibilidade de ganho ou perda vai depender de acontecimento futuro incerto (ex. HEINRICH HÖRSTER. mútuo 1142º. A parte geral do Código Civil Português. Critério da natureza da relação jurídica constituída: o Negócios obrigacionais – vale o princípio da liberdade contratual. renda vitalícia 1238º. Distinção entre actos de mera administração e negócios de disposição:  Actos de mera administração – “são actos de gestão patrimonial limitados ou destinados a conservar a substância dos bens (manter o seu estado frutífero). pp. Almedina. Ed.  Negócios de disposição – alteram a substância dos bens ou do património administrado. Critério da forma: o Negócios não solenes/ não formais – celebram-se de acordo com a vontade das partes não sendo necessária qualquer formalidade especial. o Negócio solenes/ formais – negócios jurídicos que para serem concluídos exigem o preenchimento de certa formalidade. pp. É comum serem negócio jurídicos livremente revogáveis exceptuando certas convenções antenupciais. Cit.  Mortis causa – produzem os seus efeitos depois da morte das partes ou de uma delas.  Patrimoniais – o princípio da liberdade de fixação de conteúdo depende da natureza obrigacional ou real.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Nota: os contratos sinalagmáticos são negócio onerosos (mas nem todos os contratos bilaterais são onerosos – doação com encargos).

pp. uso ou convenção. Coimbra.2). Apenas nos casos previstos na lei. o silêncio vale como declaração negocial (art. 218º). HEINRICH HÖRSTER.  Exemplos de situações em que o silêncio não funciona como declaração negocial:  O silêncio depois do recebimento de uma mercadoria não encomendada. Elemento interno/subjectivo da declaração negocial – vontade:  Vontade de acção – é a vontade dirigida à execução da própria acção mediante a qual se manifesta a vontade negocial. HEINRICH HÖRSTER. Ed. os seus elementos  “ o primeiro passo para o negócio jurídico consiste numa declaração de vontade”. pp. o Declaração negocial tácita – quando se deduz de factos que com toda a probabilidade a revelam. o Silêncio como modo declarativo – por via de regra não vale nada enquanto declaração negocial.437. Coimbra.437. Cit. Princípio da liberdade declarativa (liberdade contratual + princípio da autonomia privada):  Em princípio.  Vontade negocial – “é a vontade dirigida a um negócio jurídico concreto incidindo sobre um determinado objecto ou referindo-se a uma realidade precisa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE II – Formação do negócio jurídico As modalidades da declaração negocial. inconvenientes ou de coacção física.  Aprovação por silêncio no art. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. portanto. Ed.  Casos em que o silêncio tem valor declarativo:  Aceitação da proposta de venda a contento (923º.”19 Só é possível no caso de uma resposta a uma declaração negocial expressa ou tácita precedente (é uma maneira de reagir). o declarante dispõe de todos os meios que lhe servem para se fazer entender. A parte geral do Código Civil Português. 1163º. pp. É uma manifestação directa de vontade tendo com objectivo exteriorizar certa vontade negocial. Mas há vontade de acção quando o declarante age sobre coacção moral. Almedina. formada por um elemento interno e um elemento externo que devem coincidir sob pena de o negócio jurídico não poder desempenhar o seu papel. A parte geral do Código Civil Português. 21 Cit. Ed.435. gestos ou sinais). Se um dos elementos subjectivos falta ou for deficiente ou se o elemento objectivo não obedecer às exigências 19 20 Cit. Coimbra. O declarante sabe que o seu agir tem relevância jurídica. (. 13 . ou podem ser entendidos nesse sentido.é a consciência de criar um vínculo jurídico). “O que está em causa não é a ausência de vontade é a ausência de manifestação desta.”20 É a vontade de concluir um negócio específico. Nota: não há vontade de acção no caso de movimentos reflexos. A parte geral do Código Civil Português.”21 A declaração negocial é.  Modalidades em que a vontade pode ser revelada: o Declaração expressa – quando é feito por palavras escritas ou QUALQUER OUTRO MEIO DIRECTO de manifestação de vontade (ex.  Vontade de declaração – existe quando o declarante tem consciência de que o seu comportamento ou a sua manifestação significam uma declaração negocial num sentido qualquer. É uma manifestação indirecta de vontade que se baseia num comportamento concludente do declarante. “A não coincidência entre a vontade negocial e a declaração feita pode levar a um erro. Almedina.

não existente ou inválida.2. (ex. Definição de Manuel de Andrade – “todo o comportamento de uma pessoa que. objectivo. qualquer relevância jurídica. repercutindo-se a invalidade sobre os seus efeitos ou simplesmente irregular (podendo ser rectificado).1. Assim. ou em todo o caso o revela e traduz.957º. convenção dos interessados ou por disposição legal aparece como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. 217º. 590º. Forma convencional:  é a forma estipulada pelos declarantes no âmbito do princípio da liberdade declarativa e da liberdade de forma. podia e devia entender o comportamento no qual ela se traduz. 14 . Distinção entre vontade negocial e motivos  Os motivos que levam à celebração de um negócio jurídico situam-se antes do negócio e não possuem.1. em princípio. A declaração tal como o declaratário. da confiança e da segurança no tráfico jurídico. exigindo que a declaração negocial seja expressa.595º. O problema da concordância entre elemento objectivo e subjectivo e consequentes efeitos jurídicos Teoria Clássica – (teoria da vontade) – a vontade efectiva do declarante é decisiva. tendo em vista o princípio da autonomia privada e a necessidade de segurança e o princípio da protecção da confiança (boa fé): “ Uma declaração de vontade é um acto que produz um efeito jurídico intencionado pelo declarante.)  Em sintonia como o princípio da liberdade declarativa (art. por princípio.” [visão objectivista]. de acordo com o conteúdo objectivo que a declaração apresenta ou que lhe é atribuído" [A vontade do declarante é moldada por critérios objectivos].TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel legais.2. a declaração negocial é atingida por esse facto e. conforme os casos.731º. a forma das declarações é escolhida livremente pelos declarantes. a sua distinção da publicidade Princípio da autonomia privada: liberdade de forma e liberdade declarativa. Assim. dentro dos limites da boa fé. excepções  Existem situações em que a lei afasta o princípio da liberdade declarativa. A vontade como elemento subjectivo não é negada. A forma da declaração negocial. Teoria da declaração – o elemento decisivo é o elemento externo. mas o significado da vontade pode estar condicionado pelas opções do código e pela concepção social do direito privado que não olha o indivíduo de forma isolada mas num determinado contexto social.  A inadequação dos motivos não pode afectar o negócio sob pena de trazer consequências incompatíveis à segurança e certeza no tráfico jurídico. segundo os usos da vida. Código civil – não toma uma posição clara mas estabelece determinadas directrizes que impedem uma solução subjectivista e que fornecem soluções objectivistas.1) o CCiv estabelece o princípio da liberdade de forma (219º).

tendo primeiro convencionado a forma. Sem a observância da forma convencionada. o Forma convencional . consequentemente. o NOTA: de acordo com o art. 394º. A exigência de forma feita voluntariamente pode ser afastada pelas partes através de uma determinação posterior ou sucessiva em sentido contrário: o Forma voluntária . facilitar a prova. As partes não querem ver o negócio substituído. não haverá vinculação entre elas. Presume-se é que este não se concluiu. (forma “ad probationem”). desde que correspondam à vontade do declarante. 22 23 Cit.  O não cumprimento da forma convencional não leva à invalidade do negócio jurídico. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   As partes tendem a adoptar uma determinada forma voluntária por razões de clareza quanto à conclusão do negócio e seu conteúdo. como meio de protecção das partes. As finalidades e razões justificativas para a imposição de forma legal são as seguintes: 1. sendo esta um pressuposto de validade23. Almedina. ou a melhor ponderação da decisão a tomar no negócio em causa.223º (não há uma forma específica) prevê em atenção à altura em que a estipulação foi feita. ao princípio da liberdade de forma. mas para se permitir a prova esta tem que ser feita por confissão ou por documentos que o comprovem (394º). Ed. quer as convenções sejam anteriores. no futuro. Anulabilidade – estão em causa interesses privados. Nota: nulidade – está em causa um elemento essencial do negócio jurídico ou está em causa a ordem pública. verifica-se que a lei atribui uma força reduzida à forma convencional.”22 2. a segurança e a facilitação da prova. (Princípio da ordem pública + transparência e publicidade)  Existe também a hipótese da forma legal apresentar a forma “ad probationem” não tendo relevância para a validade do negócio jurídico (obras realizadas por acordo das partes no arrendamento).  A exigência da forma legal visa determinados fins de interesse público ou ordem pública que o legislador considera superiores ao princípio da autonomia privada e. apenas se querem vincular.441. as partes.Art.Art. Estipulação anterior ao negócio que se quer celebrar em seguida – “estabelece uma presunção relativa no sentido de. A parte geral do Código Civil Português. consolidar o acto ou ter as suas clausulas mais perceptíveis. a prova testemunhal não é admitida se tiver por objecto quaisquer convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documento autêntico ou dos documentos particulares. A ponderação da decisão em ordem a evitar soluções precipitadas ou irreflectidas. contemporâneas ou posteriores à formação do documento. As partes podem abandonar a forma apesar da convenção. Coimbra.  Assim. mediante a forma convencionada. Estipulação da forma no momento da conclusão ou posterior à conclusão do negócio – o negócio já está validamente celebrado. Permite a validade de convenções adicionais ao documento escrito. por meio dela. dois tipos de efeitos: 1. 15 . a lei é muito rígida no que respeita à observância da forma legal imposta. a não ser que diversamente seja provada. mas estabelece-se a presunção de que as partes querem. Inobservância da forma legal exigida por lei  Ao contrário do que acontece com a forma convencional.222º (forma escrita) o facto de os declarantes adoptarem a forma escrita não invalida eventuais estipulações acessórias verbais. HEINRICH HÖRSTER.

 Ver DL 62/2003 – 3 Abril. Distinção entre forma dos negócio e publicidade:  Existem negócios que estão sujeitos a publicidade. registos e documentos arquivados. torna-o inoponível a terceiros. O controlo para preservar interesses da comunidade ou de terceiros (para alem de eventuais exigências de autorizações por parte de tribunais ou outras entidades). O conhecimento a terceiros.  Documentos particulares autenticados (377º e 375º). 363º):  Documentos particulares (373º e 376º). A dificultação do negócio em certas situações específicas ditadas por razões sociais (ex. Nota: as exigências legais devem estar de acordo com as características da sociedade (ex. Modalidades de documentos escritos24 (art. Nota: quando a lei fala em forma. destinada a averiguar. uma vez que os notários estão.  Declarações negociais não receptícias – não têm destinatário determinado.  Documentos autênticos. 5. ainda a capacidade negocial dos intervenientes. 6. A clareza do momento exacto da conclusão de um negócio. Segurança da prova. Uma assistência profissionalmente competente. 7. separando-o da fase de negociações. 3. A perfeição da declaração negocial A importância da determinação do momento em que a declaração negocial está perfeita (tem eficácia/ está apta a produzir os seus efeitos):  Esclarece se uma declaração foi feita tempestivamente ou não.  A falta de publicidade em nada afecta o negócio pois este já está concluído.  Em certas situações. registo civil. refere-se à forma escrita.  Embora o negócio produza todos os efeitos para as partes. 24 Nota: um cheque é um documento escrito – ordem pagamento dada pelo sacador ao banco a favor da pessoa que está inscrito como beneficiário ou o portador do cheque. em jeito de controlo prévio. nomeadamente o registo. registo predial) ou por publicação nos jornais (estatuto de uma associação). Tipos de declarações negociais:  Declarações negociais receptícias – destinatário determinado. índice de alfabetização e a exigência de escritura pública). vendas ao domicílio ou vendas por correspondência). 4. as consequências da não publicidade do negócio poderão ser a mera produção de efeitos latentes (casamento não registado – não pode ser invocado ou atendido) ou a não produção de efeitos (o contrato de sociedade comercial não existente).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 2. 8. a sua não publicidade. 16 . obrigados a prestar verbalmente informações relativas aos actos. em princípio. ao abrigo da publicidade notarial. A clareza a respeito do próprio conteúdo do negócio.  Pode ser feita pela inscrição do contrato no registo respectivo (ex.

abandonando a esfera interna do declarante. no decurso temporal.  É neste momento que são analisados os pressupostos de validade da declaração.” Fases de existência de declarações negociais não reptícias:  Existem apenas as fases de exteriorização e expedição uma vez que não existe um destinatário determinado. Nota: embora seja possível separar as quatro fases.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Determina a parte que arca com o risco de uma transmissão errada da declaração. podendo conduzir ou coincidir com emissão da declaração”25 Ver art.  A invalidade do negócio jurídico é uma consequência da invalidade da declaração que compõe o negócio jurídico. Ed. HEINRICH HÖRSTER. Nota: “Tanto a recepção como o conhecimento verificam-se do lado do declaratário. sendo o pressuposto lógico de ambos a anterior emissão da declaração negocial. A parte geral do Código Civil Português. 220º).  É neste momento que a declaração ganha existência. 257º. (253º. Determina o momento a partir do qual o declarante fica vinculado à sua declaração. Conhecimento:  É o momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração que lhe foi dirigida. 255º. as esferas de poder do declarante e do declaratário (declarações negociais receptícias). pp.447. Expedição:  Corresponde ao momento em que a declaração é expedida pelo declarante. 226º. 25 Cit. o Data a partir da qual correm os prazos para a anulação da declaração negocial. 17 . tal não implica que elas não possam coincidir no tempo. A declaração é formulada ou manifestada. Recepção:  É o momento em que a declaração chega ao poder do destinatário de forma a que este possa tomar conhecimento do seu conteúdo. Fases da existência de uma declaração negocial (receptícia): Exteriorização:  Corresponde ao momento em que o declarante exprime a sua vontade. Nota: “tanto a exteriorização como a expedição verificam-se do lado do declarante. ao separar. Almedina. Coimbra. Tal importa: o Conclusão do contrato e da consequente transferência de direitos reais e risco de perecimento ou deterioração da coisa. (entrada na esfera de poder do declaratário). o momento em que formulada. Momento em que a declaração negocial ganha eficácia (vincula o declarante de tal forma que este não se pode retractar) [teorias]: Teoria da exteriorização – a declaração negocial ganha eficácia/ fica perfeita no momento da exteriorização.

o Declaração negocial não receptícia/ não recipienda – nestes casos.1). não poder ser conhecida. a não recipiendas): o A morte e incapacidade do declarante não obstam.  Art. 454º).1: o Estabelece uma distinção entre declarações negociais receptícias e não receptícias:  Receptícias – tornam-se eficazes quando chega ao poder do destinatário ou é dele conhecida.  Conjugação da teoria do conhecimento e da recepção.3  tem-se por ineficaz uma declaração recebida pelo destinatário em condições de. depende das concepções reinantes no tráfico jurídico para os negócios em causa. 226º (aplica-se a declarações receptícias e. o Horster – defende que a tomada de conhecimento.  Art. 18 . (Adopta-se a 2ª alternativa do 224º. 225º: o Declarações negociais receptícias – situações em que não se pode verificar a chegada ao poder ou conhecimento do declaratário pelo que a perfeição da declaração negocial receptícia (por este ser desconhecido ou por se desconhecer o seu paradeiro) verifica-se no momento da publicação da declaração no jornal.  Ainda assim.  Quando há prova do conhecimento efectivo não há necessidade de provar a recepção para efeitos da perfeição da declaração negocial. desde que esta se revista da forma adequada.  Quando há prova da recepção mas não há prova de conhecimento. o A declaração é ineficaz ou enquanto o destinatário não a receber ou não tenha conhecimento dela. A partir de o momento em que tal acontece. esta é assumida a partir do momento em que a declaração é entregue a uma pessoa que possui a necessária competência de recebimento.Lima e A.2  declaração receptícia – ficção legal no sentido de determinar que é eficaz a declaração negocial que por culpa do destinatário não chega ao seu poder. existe uma divisão na doutrina: o P. Teoria do conhecimento/ percepção – a perfeição obtém-se no momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração. Teoria da recepção – a perfeição obtém-se no momento em que a declaração chega ao poder do destinatário. suposta pela lei quando de prova a recepção.Varela – há uma presunção absoluta que o declaratário tomou conhecimento da declaração caso se tenha verificado que este a recebeu. (Teoria da exteriorização + expedição). Momento em que a declaração negocial fica perfeita de acordo com o código civil:  Art. quando um possível destinatário (indeterminado no momento de emissão da declaração) toma conhecimento da declaração. acontecimentos supervenientes já não prejudicam a eficácia da declaração. Ex.  Art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Teoria da expedição – a declaração negocial ganha eficácia quando é expedida.  Nota: a chegada ao poder não implica a entrega imediata. 224º.  Art. sem culpa sua. basta que se verifiquem um dos pressupostos para que a declaração seja perfeita.: promessa pública (Art. por analogia. a declaração torna-se eficaz. 224º.  Não receptícias – são eficazes com a simples emissão da declaração. 224º. a que uma declaração já emitida ganhe a sua perfeição ainda depois.

Declaração inequívoca do declarante a vincular-se de forma directa e imediata. 2. 28 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. Ed..  No entanto. Coimbra. pp. Ed. Tem de incluir na proposta os elementos objectivamente e subjectivamente essenciais. Cit. HEINRICH HÖRSTER.  Exemplos: pedido de reserva de mesa de um restaurante.) constitui um incentivo para que alguém dirija uma proposta contratual. A parte geral do Código Civil Português. Ed.455. Proposta Contratual:  “Constitui elemento imprescindível da certa proposta contratual a sua susceptibilidade de ser aceite”29  Características: i.457. Coimbra. envio de catálogos.. pp.”27 (enquanto houver dissenso o contrato não se conclui).  Cláusulas subjectivamente essenciais – são cláusulas que cada uma das partes considera essencial para a celebração do acordo.454.  Cláusulas objectivamente essenciais – relacionadas com o conteúdo do contrato. Conclusão do contrato  “As declarações negociais mais importantes são aquelas que conduzem à conclusão de um contrato. Almedina. pp. A parte geral do Código Civil Português. ii. 29 Cit.457. por exemplo máquinas automáticas nos parques ou com sandes já são propostas contratuais.”26  Da leitura do art. Coimbra. Passos para a conclusão de um contrato 1.224º/225º+226º. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. exposição de mercadorias nas montras. Almedina.”28  Não é uma declaração negocial. Almedina. Ed. HEINRICH HÖRSTER. 19 . Traduzir uma vontade precisa de contratar: 26 27 Cit. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Para que uma declaração seja eficaz é necessário que esteja de acordo com os arts. A proposta contratual e a sua aceitação CONCLUSÃO DO CONTRATO = PROPOSTA EFICAZ + ACEITAÇÃO EFICAZ Distinção entre convite a contratar e proposta contratual Convite a contratar:  “Sinaliza apenas o interesse ou disponibilidade para entrar em negociações com vista à posterior conclusão de um contrato (. Traduzir uma vontade firme de contratar: 1.232º “podemos deduzir que estamos em face da conclusão de um contrato quando as partes tiverem chegado a um acordo entre elas sobre todas as cláusulas julgadas necessárias. pp.

b). Almedina. “Condições normais”: a.1.a). 31 Cit. 217º).  230º. mas o proponente pede uma resposta imediata (217º+228º. 235º. Coimbra. A Irrevogabilidade30 da proposta resulta do art. em condições normais. 2. 230º e 231º:  230º. 224º a 226º). 30 Irrevogabilidade da proposta – relaciona-se com questões de segurança no tráfico jurídico e de proteger as legítimas expectativas do lado do destinatário. o declarante fica vinculado à proposta.1. quando dirigida ao público.”31 Aceitação eficaz da proposta  o contrato conclui-se aquando de uma aceitação eficaz do destinatário da proposta (âmbito de acordo das vontades art. esta fica sem efeito.2 + 224º. 224º. Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art. 20 . 1 e 2 | art.  “A caducidade da proposta tem como efeito que o proponente foi completamente desvinculado e desobrigado da mesma (art. Não é fixado um prazo. 4. concluindo-se o contrato]. A declaração tem de ser elaborada de tal modo que para a celebração de um contrato baste um simples “sim” do declaratário.2. Não é fixado prazo + não é pedido resposta imediata + proposta dirigida verbalmente a pessoa presente – é possível que se deixe um período de reflexão ao destinatário (uma vez que não é exigido um período de reflexão).228º).  Dispensa da declaração de aceitação (art.228º)  Estabelece 4 hipóteses diferentes: 1.2 + 234º .  Irrevogabilidade de aceitação eficaz – já se concluiu o contrato  art. a proposta do contrato é irrevogável depois de ser recebida pelo destinatário ou de ser conhecida por ele (nos termos do art.  A eficácia da aceitação da proposta depende desta ser tempestiva – chegar ao poder ou ao conhecimento do proponente no prazo estabelecido (ou supletivo) art.2 – se o destinatário receber a retratação do proponente antes do recebimento da proposta ou no momento do recebimento.234º) + declaração negocial tácita (art.  230º. Proposta feita a pessoa ausente ou por escrito a pessoa presente + não se estabelece um prazo. A parte geral do Código Civil Português.3 – “a revogação da proposta.”  231º. Fixado um prazo. 224º. proposta e aceitação chegam ao destino (217º+228º. É o tempo de comunicação ou transporte ou transmissão regulares. HEINRICH HÖRSTER.1 – salvo declaração em contrário (na própria proposta ou por outro meio declarativo idóneo).2 – proposta não é eficaz. constitui-se um vínculo bilateral.b. a partir do que a proposta perde eficácia (art. ACUMULA OS DIAS AO PRAZO DO 228º.c).1. pp. 232º). não podendo retratar-se dos seus efeitos. 3.  231º. 217º+228º. um meio com rapidez equivalente ou rapidez superior.  A partir do momento em que a declaração negocial (proposta) se torna eficaz (arts. Assim o aceitante tem que utilizar o mesmo meio.1.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 1. 406º.1. [no momento em que a aceitação se torna eficaz. Mantém-se até 5 dias depois do prazo em que. Ed. é eficaz desde que seja deita na forma de oferta ou em forma equivalente.462.possibilidade de “lege ferenda”.

não há consenso entre elas de modo que o contrato não fica concluído (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Revogabilidade da rejeição – art. 235º.(231º. Neste caso. 233º) – importa a rejeição da proposta. 874º) e os seus efeitos (art. b) obrigação de entregar a coisa. é necessário conhecer o momento em que foi concluído o negócio e que. comportamento posterior ao consenso negocial.1 o Regra “casum sentit dominus” – determina que nos contratos que importam a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre ela. em princípio.  A eficácia real do contrato dá-se. é no momento da conclusão do contrato que o risco do perecimento ou deterioração da coisa passa do alienante para o adquirente.226º.  Rejeição da proposta. 235º. Exemplo: contrato de compra e venda (art.  Quando se torna ineficaz por morte do destinatário. Aqui a proposta permanece eficaz mesmo após a morte ou incapacidade do proponente. Dissenso manifesto – as partes conhecem a divergência.2.  Aceitação com modificações (art.  A conclusão do contrato implica a produção dos efeitos (direitos e deveres de acordo com o seu conteúdo) resultante da vontade das partes. 408º. salvo as excepções previstas na lei”. c) obrigação de pagar o preço. o contrato não se conclui (por falta de consenso).1. a menos que seja de admitir que as partes teriam contratado mesmo sem acordo acerca do ponto acessório.  Quando a aceitação é revogada ao abrigo do art. 879º):  O contrato de compra e venda tem como efeitos: a) transmissão da propriedade ou da titularidade. Dissenso manifesto e oculto/latente  Enquanto as partes não houverem acordado em todas as cláusulas sobre as quais uma delas julga necessário o acordo. estão expressamente tipificados na lei.  Para que se conheça por qual das partes corre o risco.232º).  Os casos em que o silêncio conduz à formação do contrato.  Art. comportamento subsequente à celebração do negócio. o O risco transfere-se em sintonia com o momento em que é transferido o direito (que é feito por um mero conjunto sem necessidade de um acto material ou publicidade). 408º e 796º.  Art. no momento da conclusão do contrato. houve transmissão da titularidade do direito. Dissenso oculto/ latente – as partes julgam (erroneamente) ter-se posto de acordo. portanto. Os efeitos reais da conclusão do contrato  Arts. o O risco corre sempre por conta do proprietário. Está-se perante uma situação de dissenso.1 – “a constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. o contrato não fica celebrado. o É uma norma supletiva. Nota: a proposta deixa de ser vinculativa para o preponente:  Expirando o prazo. 796º.2): o Nota: diferente da solução prevista no art. 21 . as partes podem convencionar o momento da transferência do risco.

Coimbra. A parte geral do Código Civil Português.469. (Não se deverá permitir cláusulas disfarçadas ou que não se conseguem ver bem).  Sempre que uma cláusula seja considerada nula é necessário conseguir ampliar os efeitos do caso julgado. Conveniência prática de pré-formular as respectivas cláusulas para determinados negócios de massa ou que têm grande complexidade técnica ou são muito sofisticados. 36 Cit. 35 Cit. 3. Almedina. 22 . Coimbra. Ed. Cit. pp. As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) 1. elaboradas de antemão por uma das partes e destinadas a serem aceites. Almedina. Ed. com cláusulas ponderadas e acordadas uma por uma … este modo de contratar não é adequado em inúmeras situações. pp. pp.35 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais:  O conhecimento objectivo – é necessário que aqueles que assinam os “contratos de adesão” percebam aquilo que estão a assinar. e muitas vezes assim sucede.  “Em todo o caso. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. 217º.468. estabelece o regime a que estas estão sujeitas: 32 33 Cit. A parte geral do Código Civil Português. as regras legais do código civil nem sempre contemplas os interesses e os condicionalismos específicos das diversas áreas contratuais.34  “Apenas o modo de travar negociações é diferente e racionalizado”.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A conclusão do contrato com base em cláusulas contratuais gerais  “A negociação de um contrato nem sempre é feita de uma maneira individual. no tráfico jurídico actual desempenha uma função cada vez mais importante as chamadas cláusulas contratuais gerais.219º e ss. Por um lado. Almedina. Coimbra. pela outra”33 (existe uma limitação da possibilidade de negociação de uma das partes). também as declarações feitas por meio de cláusulas contratuais gerais … são declarações negociais nos termos dos arts. 228º e ss”.469.468. Ed.469. HEINRICH HÖRSTER. sem hipótese de alteração por parte do aderente que ficou sujeito a elas”. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. 34 Cit. Coimbra. o DL 446/85 de 25 de Outubro. Ed. para afastar a liberdade contratual. 2. pp. Ed.  “O efeito de racionalização pretendido com recurso a cláusulas gerais pode ser desvirtuado.32  “Assim. Almedina. à vida económica de hoje”.36 Para evitar os efeitos indesejados das CCG. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. na medida exacta em que aparecem cláusulas concebidas unilateralmente no interesse do contratante determinado. que as formulou. pp. porém. HEINRICH HÖRSTER. 224º e ss.  Cláusulas abusivas – poderá acontecer que quem utiliza as cláusulas contratuais gerais abuse do seu poder negocial. Permite reduzir custos. sem mais.

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel            Artigo 1º. mas apenas desde que sejam observados determinadas disposições legais.proibição de cláusulas que possam prejudicar consumidores finais. quando contrariem o disposto nos arts. proceder segundo as regras da boa fé. a exclusão ou nulidade de uma CCG não arrasta consigo todo o negócio. art. deste modo. elaboradas para utilização futura. uma obrigação de indemnizar por culpa in contrahendo.. Artigo 16º a 19º .legitimidade de acção inibitória.as cláusulas não comunicadas ficam excluídas dos contratos individuais.1 (âmbito de aplicação) – “as cláusulas contratuais gerais sem prévia negociação individual.1 – as cláusulas devem ser comunicadas na íntegra aos aderentes sob pena de não serem incluídas no contrato e o ónus da prova da comunicação adequada e efectiva cabe ao contraente que submeta a outrem as cláusulas contratuais gerais (art. Tal deve-se ao facto de muitas vezes se assinar “propostas de adesão” em que é a entidade que recebe a proposta que a pré-elabora]. 239º).caso haja cláusulas especificamente acordadas elas prevalecem sobre as CCG. Artigo 26º . 21 e 22 podem ser proibidas por decisão judicial. portanto. por outro lado. a fazer despesas. a subscrever ou aceitar. A celebração do contrato ou a sua posterior anulação ou declaração de nulidade não afectam a aplicação do preceito em causa.são proibidas as cláusulas contratuais gerais contrárias à boa fé (novidade face ao CCiv. assim. sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”.  A lei estipula. Artigo 20º a 22º . 19.3). a abster-se de outros negócios. 227º visa proteger o próprio processo de formação do contrato em todas as suas fases). 227º pressupõe culpa (não basta a simples rotura de negociações). 15º. pode observar-se que as negociações se destinam precisamente a dar às partes oportunidades de apreciarem se o contrato deve ser feito e em que termos. 14º).  A obrigação de indemnizar existe independentemente da formação posterior do contrato ou não (o art. etc. mas leva apenas à não aplicação da respectiva cláusula (art. independentemente da sua inclusão efectiva em contratos singulares. tanto nos preliminares como na formação dele. Artigo 5º. Artigo 7º . devem elas ter a liberdade de romper as negociações. Artigo 8º/9º . regem-se pelo presente diploma” [note-se que tanto vale para o proponente como para o destinatário. enquanto o contrato não é celebrado.  Em princípio. que proponentes ou destinatários indeterminados se limitem. A culpa in contrahendo (art. 280º).  A aplicação do art. pois não é lícito a uma das partes romper arbitrariamente as negociações depois destas terem alcançado um tal desenvolvimento que a outra parte podia julgar-se autorizada a confiar na realização do contrato e. 16. 13º. 15. respectivamente.as cláusulas contratuais inseridas em propostas contratuais ficam incluídas nos contratos pela aceitação. 227º)  “Quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve..concretização do art. Artigo 6º .dever de informação por parte do contraente que usa CCG (ónus). 18. O comportamento adoptado deve coincidir com: 23 . 5º. Artigo 4º .  Mas. Artigo 15º . Artigo 25º (acção inibitória) – as cláusulas contratuais gerais.  Em vez de cláusulas contratuais gerais aplicam-se as normas dispositivas comuns. com recurso. se necessário às regras de integração dos negócios jurídicos (art. 9º.

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O dever de cada um dos contraentes se exprimir claramente, a fim de evitar falsas interpretações do seu comportamento.  Dever de não começar negociações que se saiba de antemão condenadas ao malogro ou à celebração de um negócio inválido.  Dever de não abandonar arbitrariamente as negociações.  Dever de comunicar à outra parte algum motivo da nulidade do negócio.  Necessidade de sigilo quando se justifica.  O art. 227º deve ser enquadrado no âmbito da responsabilidade civil extracontratual (obrigação resultante da lei e não da autonomia privada).  A responsabilidade prescreve nos termos do art. 498º.  Ao calculo da indemnização serão aplicáveis os arts. 489º e 494. Comparação entre art. 227º e art. 229º,1 (2ª parte):  O art. 227º não exclui a aplicação do art. 229º,1 (2ª parte), aplicando-se independentemente.  O art. 229º, 1 (2ª parte) não exige a culpa, estabelece uma obrigação de avisar como contrapartida de atribuir ao proponente a possibilidade de, unilateralmente, impedir a conclusão do contrato (direito potestativo – outra parte está num estado de sujeição). As relações contratuais de facto ; problema da sua existência       Há uma certa doutrina que defende a existência de obrigações contratuais sem a formação de um contrato por meio das respectivas declarações negociais, unicamente com base num comportamento de facto/ comportamento social. Tal doutrina conduz à não aplicação das regras das incapacidades negociais bem como das disposições referentes às invalidades do negócio a fenómenos e negócio de massa da vida diária. São situações em que aparece uma entidade pública (de forma directa ou indirecta) como fornecedor de um serviço (transportes públicos, gás, electricidade). São situações em que há uma hipótese de aquele que tem um comportamento social típico entrar em contacto com uma entidade pública que presta um serviço. Nestes casos, a conclusão do contrato seria dispensável, seria sempre devida a contraprestação quando a prestação fosse de facto aceite ou utilizada. Esta doutrina deve ser rejeitada: o Ela é supérflua visto o comportamento social-típico coincidir, na grande maioria dos casos, com a declaração negocial tácita e na vontade correspondente. o Se o comportamento não traduzir uma vontade subjacente, será possível recorrer ao disposto no art. 244º, 2, (1ª alternativa) – a reserva mental não conhecida do declaratário não prejudica a validade da declaração, inclusive da declaração tácita. o Quando o comportamento observado for contrariado por declarações de protesto recorre-se ao princípio acolhido nas regras da boa fé e do abuso de direito. o No caso de menores ou incapazes, será aplicável o art. 127º,1,b) e subsidiariamente o regime de enriquecimento sem causa. o Nos casos de relações obrigacionais duradouras originadas por contratos inválidos, as relações contratuais de facto não servem. O que importa é uma regulamentação específica em relação ao regime geral do art. 289º.

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o Nos casos do dever jurídico de contratar a figura das relações contratuais de facto é supérflua e dispensável. Quem está obrigado a contratar deve aceitar as propostas contratuais que sejam feitas.  O código civil não aceita a doutrina das relações obrigacionais de facto:  Têm raízes colectivizantes.  Rompe o sistema do negócio jurídico e do contrato alicerçado na autonomia privada.  Conduz à inobservância da lei mesmo em casos inequívocos.  Não é compatível com a doutrina da transferência de direitos reais por mero efeito do contrato. A representação na conclusão do contrato  A declaração negocial pode ser formulada e manifestada por outros que agem em vez das partes ou de uma delas. A representação:  Há um representante que participa no tráfico jurídico negocial ou em nome de outrem (representado).  Os efeitos dos negócios concluídos pelo representado, produzem-se directa e imediatamente, na esfera do representado.  Os poderes de representação podem resultar: o Da lei – representação legal. o Negócio jurídico – representação voluntária.  A figura da representação não põe em causa o princípio da autonomia privada, pelo contrário, é uma forma da sua efectivação. Os incapazes e a representação:  Os incapazes não estão em condições para poderem participar no tráfico jurídico negocial.  Assim, compreende-se que não se reconheça aos incapazes capacidade para nomear um representante voluntário, pois carece de capacidade de exercício para o fazer (123º, 139º, 156º). [Poderá haver uma excepção à sua incapacidade 127º, 139º, 156º).  Ao ficarem excluídos do tráfico jurídico negocial, os incapazes não poderiam fazer uso da sua capacidade de serem titulares de direitos e obrigações. Para evitar esta situação, serve a figura da representação legal: o Não se trata da realização do princípio da autonomia privada, mas da integração dos incapazes no tráfico jurídico negocia, muito embora sem actuação própria. o É uma representação conferida por lei: o representante age dentro de vinculações e limitações impostas pela função do instituto e pelo facto da sua actuação produzir efeitos na esfera jurídica de quem não possui capacidade para agir. A representação no código civil:  Art. 258º a 261º - contem os princípios gerais, aplicáveis a representação voluntária legal.  Art. 262º a 269º - representação voluntária – focam o carácter negocial do instituto.

Princípios gerais; delimitações para com figuras semelhantes  Pressupostos para a produção de efeitos jurídicos em virtude da representação (art. 258º): o Um negócio jurídico. o Realizado pelo representante em nome do representado. o Nos limites dos poderes que lhes competem. o Nota: o art. 258º abrange representação activo (o representante emite uma declaração negocial) e representação passiva (o representante recebe uma declaração negocial). 25

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Estabelecidos os pressupostos, o Negócio jurídico concluído pelo representante vincula e responsabiliza juridicamente o representado e a outra parte com que o representante negociou.

Nota: não é elemento legal essencial que o representante aja no interesse do representado, embora isso seja sempre o caso em relação à representação legal. Distinção entre representação ou do representante com outras figuras e institutos:  Distinção entre núncio e representante: o Núncio – transmite uma declaração alheia formulada por outrem. o Representante – presta uma declaração própria.  Distinção entre representante e quem age em nome próprio por conta de outrem (comissário, mandatário sem poderes de representação, “homem de palha”): o Quem age em nome próprio por conta de outrem – são verdadeiras partes no negócio, mas os efeitos do negócio são deslocados para a esfera daquele por cuja conta o negócio se concluiu.  Distinção entre mandato sem representação e com representação:  Mandato sem representação – mandatário actua em nome próprio por conta de outrem.  Mandato com representação – alguém actua em nome e por conta de outrem (procuração + contrato de mandato). o Representante – não é parte no negócio, produzindo-se os efeitos deste na esfera jurídica do representado.  Distinção entre representante e quem age sob o nome de outrem, disfarçando a sua verdadeira identidade.  Distinção entre representante e pessoas que servem como medianeiros na conclusão de negócios jurídicos ou de auxiliares na sua execução. o Aqui, o negócio é celebrado pelos próprios, mediante uma retribuição daquelas pessoas.  Distinção entre representantes e representação orgânica: o Representação orgânica – órgãos inscritos nas pessoas colectivas e destinadas a fazer agir as mesmas por actos próprios.  Distinção entre representação e certos ofícios (testamenteiro, vogal do conselho de família, administrador de falência).  Distinção entre representação e consentimento e autorização como pressupostos de validade de certos negócios jurídicos.  Distinção entre representação e contrato para pessoa a nomear (452º a 456º) e contrato a favor de terceiro (443º a 451º). o Representação – categoria especial da conclusão do negócio. o Contrato para pessoa a nomear ou a favor de terceiro – constituem categorias especiais dentro das várias modalidades especiais. Art. 259º - falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes 1. “No negócio, quando celebrado pelo procurador, há elementos em que é decisiva a vontade do representado e elementos em que prevalece a vontade do representante”. Assim, os poderes do representante são determinados pelo poder do representado. Tudo o mais pertence à esfera do representante. a. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representado, atende-se à pessoa do representado.

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 Art.1: o proíbe o negócio celebrado pelo representante consigo mesmo. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representante (por o representado não se ter pronunciado. Art.2 – prevê a hipótese de o representante substalecer os seus o poderes de representação. 261º. Nota: compreende-se o relevo dado pela lei à vontade do representante. 260º . agindo este em nome próprio. O mesmo se observa quanto à influência que o conhecimento ou ignorância de certos factos poder ter sobre o negócio.  Hipótese da dupla representação – as proibições estabelecidas valem também para as representações orgânicas.). em nome do representado.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel b. A boa fé do representante não poderá ser atendida para qualquer efeito do negócio. É de grande importância o estado de boa fé ou de má fé se este estado deriva do conhecimento ou ignorância do facto: i.  O representante não pode celebrar negócios com qualquer pessoa: o O negócio é vedado ao representante em virtude de haver uma indisponibilidade ou ilegitimidade do representado. edição. Ao representado de má fé não aproveita a boa fé do representante. o Prevê duas hipóteses:  Se o representante tem poderes para. O nº1 não faz sentido no caso da representação legal.  A parte que trata com o representante tem a possibilidade de conhecer os poderes exactos a ele conferido. c. 261º . atende-se à pessoa do representante para saber se houve vício ou falta de vontade.negócio consigo mesmo  Art. Art. preço. ainda que indirectamente. em nome do representado. Nota 2: o art. visto o papel activo que o representante tem na celebração do negócio.justificação dos poderes do representante  A justificação dos poderes de representação pode ter lugar tanto na representação legal como na voluntária.  O negócio exclua por natureza a possibilidade de um conflito de interesses. mas os poderes para os representantes foram transmitidos para um substituto do representante originário. seja em nome próprio seja em representação de terceiro a menos que:  O representado tenha especificamente consentido na celebração. com o primeiro representante. Este substituto pode agora celebrar o negócio. à representação orgânica. O representado continua o mesmo. apesar de o negócio reproduzir imediatamente os seus efeitos na esfera do representado. 261º). 27 .. 261º. o Não pode o representante concluir um negócio “consigo mesmo” sob pena de ser anulável (art.. ex. não o pode vender a si próprio mas apenas a um terceiro como outra parte do negócio. ii. 259º aplica-se à representação voluntária e. vender certo objecto. antes de celebrar quaisquer negócios em que aqueles poderes poderão faltar.

o O procurador pretender servir-se de auxiliares no seu exercício – não há. 28 .  Mandato sem representação (1180º) – o mandatário actua por conta do mandante mas em nome próprio.  A autorização para a substituição. para a celebração do acto. trabalho. tal como a revogação dela. o Revogação pelo representado – em princípio.extinção de procuração  A extinção da procuração procede-se por via unilateral. 259º. não necessite de aceitação da contraparte. são declarações receptícias. Art.capacidade do procurador  Pode ser procurador quem não tem capacidade para o exercício de direitos. resultante de um acto de atribuição. exigindo-se o acordo do interessado..substituição do procurador  Importante distinguir dois casos: o O de o procurador pretender substituir-se na execução da procuração – tal depende do consentimento do representado se não resulta do conteúdo da procuração ou da relação jurídica que a determine.. a menos que a procuração tenha sido conferida também no interesse do procurador ou de terceiro. Produzem-se efeitos na esfera jurídica do mandatário.  Outra é a situação do outorgante dos poderes de representação. em vista do papel activo que na celebração deste tem a vontade do representante (art. Assim. em princípio. 262º a 269º).  É a posição de poder de representação. o necessário discernimento. não necessita da ser expressa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A procuração e os seus efeitos Procuração:  Representação voluntária (arts. desta forma. o Cessação da relação jurídica que serve de base (contrato de mandato.  Embora a renúncia à procuração. quaisquer limitações às possibilidades do procurador. 263º . tal como qualquer outro dos poderes contidos na representação. Pretende-se. a invalidade desta não afecta a primeira. 265º . desde que tenha.1). não há qualquer obstáculo à revogação. podendo ser tácita. o Nota: o mandato (arts 1157º e ss):  É um contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais actos jurídicos por conta de outrem. Art.  É um acto jurídico unilateral por meio do qual uma pessoa é nomeada procurador.  Exige-se. 264º .  Mandato com representação (1178º):  O mandatário actua por conta do mandante e em nome próprio. no entanto a capacidade de entender e querer correspondente à substância do negócio. proteger a outra parte que negoceia com o procurador.  Causas da extinção da procuração: o Renúncia do procurador – acto unilateral que não carece de aceitação por parte do representado. sociedade.).  Normalmente consta de uma declaração receptícia.  A procuração é juridicamente autónoma da relação jurídica de base. este precisa de ser capaz tanto para a procuração como para a realização do negócio a que ela se destina. Art.

extinção da relação jurídica de base).  “sem poderes de representação” significa: o Não existe procuração a favor da pessoa. 268º . o A pessoa que celebra o negócio em nome de outrem também não fica vinculada pois não é parte no contrato. para um negócio só (em muitos casos. sob pena de lhes não serem oponíveis. de modo que os negócios se concluem. não tendo poderes de representação. Art. a lei apenas permite uma procuração especial – negócios jurídicos familiares). o Violação dos limites formais estabelecidos na procuração. mas pode fixar um prazo razoável à 29 . portanto.  Consequências: o O negócio não pode provocar quaisquer efeitos na esfera jurídica da pessoa em nome da qual a outra celebra um negócio. O mandato é sempre um negócio independente da procuração como acto posterior ou subsequente.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Aplicam-se as regras da representação – o mandatário não é parte do negócio.  Procuração geral – confere poderes gerais ao procurador e portanto para um multiplicidade de negócios. sem culpa. Procuração geral e procuração especial  Procuração especial – confere poderes especiais no procurador para cada acto. o Procuração inválida (nula). o A parte que celebra o negócio com aquela que não tinha poderes de representação fica vinculada:  Ignora a falta de poderes da outra parte – pode desvincular-se unilateralmente do negócio (enquanto este não for ratificado).  Art. (Poderá ser-lhe exigida responsabilidade pré-contratual – art. 227º). logo que a procuração seja extinta. salvo se se provar que estes as conheciam (afasta-se um pouco da regra do art. 266º . produzindo os seus efeitos.protecção de terceiros:  Estabelecem-se dois regimes: o Modificação e revogação da procuração – a lei exige que a modificação e a revogação sejam levadas ao conhecimento de terceiros por meio idóneos. indirectamente. o representado fica vinculado pelas declarações negociais do seu ex-procurador em relação a outra parte que não conhecia a extinção ou a ignorava sem culpa. o Restantes casos extintivos – estabelece uma presunção de ignorância por parte de terceiros.  Nos casos de inoponibilidade da extinção da procuração. da relação jurídica de base.  A amplitude dos respectivos poderes resulta do conteúdo do acto de atribuição e. 224º). a extinção da procuração (ex. A estes caberá provar que ignoravam. sem que ele goze do direito de retenção do documento (267º).  O procurador dever restituir o documento de onde constem os seus poderes.  Sabia que a outra parte não tinha poderes de representação – não pode desvincular-se unilateralmente do negócio. pelo que os efeitos jurídicos produzem-se directamente na esfera do mandante.representação sem poderes  Alguém celebra um negócio em nome de outrem sem ter os necessário poderes de representação.

.Os negócios jurídicos com eficácia limitada  “Em certos condicionalismos os efeitos.  Situação diferente é quando alguém age sob nome falso. A parte geral do Código Civil Português. Nota: não se trata de abuso de representação quando o procurador. Almedina. Caso o agente pretenda concluir o negócio com efeitos para ele próprio. entre quem o representante originariamente sem poderes. o Actos que não correspondem ao interesse do representado. na lei ou na lei com o concurso da vontade das partes. Coimbra. Caso tal ratificação não se verifique no prazo estabelecido.”37  Os condicionalismos podem encontrar a sua origem na vontade das partes. 269º . agindo formalmente dentro dos seus poderes funcionais. pp. então a outra parte já se pode desvincular. Ed. Tal é compreensível à luz dos princípios da 37 38 Cit. Art. e a outra parte colaboram conscientemente para prejudicar o representado – COLUSÃO – o negócio é nulo pois é ofensivo dos bons costumes nos termos do art. A parte geral do Código Civil Português.abuso de representação  O representante pratica um acto que está formalmente contido na procuração. Cit.  O abuso de representação só é juridicamente relevante quando é conhecido pelo terceiro (em princípio não afecta a invalidade ou ineficácia do negócio).  A aplicação de condicionalismos traz alguma instabilidade ao tráfico jurídico uma vez que a vontade das partes ou o comanda da lei fazem com que os efeitos de um negócio válido não se desenvolvam plenamente. pp. e a outra parte não se interessa pela identidade mas sim pelo negócio em si. ou seja. não se produzem desde logo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel outra parte para que ratifique (ou não) ou negócio. 281º. não se produzem de forma estável…ou não se produzem na íntegra. HEINRICH HÖRSTER. utilizando falso nome para dissimular a sua identidade. Coimbra. Parte III . mas pratica-o de forma a lesar os interesses do representado: o Viola instruções. Os negócios jurídicos com efeitos subordinados a condição ou termo   “As partes de um negócio jurídico podem subordinar o início ou a cessação da produção dos seus efeitos à verificação de uma condição ou de um termo”38 Não é necessário que a lei o permita para que seja possível às partes imporem determinadas condições ou termos a um negócio jurídico.490. Almedina.  É aplicado o disposto relativo à representação sem poderes quando o representante tiver abusado dos seus poderes e a outra parte conhecia ou devia conhecer o abuso. Os efeitos do negócio jurídico ratificado produzem-se desde o momento da sua celebração entre as partes. muito embora o negócio seja perfeitamente válido. HEINRICH HÖRSTER. destinado a atribuir efeitos a outro negócios que deles carecem. os seus efeitos produzem-se entre quem se apresenta sobre um falso nome e a outra parte.490. 30 . Ed.. tinha concluído o negócio. não necessariamente receptício. Ratificação – negócio jurídico unilateral.

a subordinação querida pelas partes. A condição  “É um elemento querido pelas partes. 271º. Assim. no caso da condição. as que se referem a acontecimentos impossíveis ou acontecimentos que se verificam necessariamente (falta o elemento da certeza). incidivelmente ligados a eles. arts. ANTUNES VARELA. ANTUNES VARELA. existem situações em que a lei vem expressamente permitir no de modo a evitar dúvidas – ex. mas que as partes ainda não conhecem (incerteza subjectiva). “O facto de que fica a depender o efeito ou a resolução do efeito é possível. o A condição pode ser suspensiva ou resolutiva:  Suspensiva – a produção de efeitos de um negócio jurídico fica subordinada a um acontecimento futuro e incerto. O que é contrário à lei (à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes) é a imposição do facto”39. Um facto lícito pode assim constituir objecto de uma condição ilícita e uma condição ilícita pode ter por objecto um facto lícito. pp. Vol I. Coimbra Editora. mas a ilicitude ou licitude do nexo criado entre o facto e a eficácia do negócio.  “Para saber se a cláusula é ilícita. 4ª ed. Limitada. 4ª ed. (Ex.251.”40   39 40 Cit. ou seja.  Acontecimento incerto – tem como consequência que não são condições neste sentido. as condições legais de eficácia. à ordem pública ou ofensiva dos bons costumes:  Não há impossibilidade. Por ser voluntária. 1713º. acontecimentos já verificados. ou seja. acrescentado ao negócio.  O negócio jurídico subordinado a uma destas condições é nulo. pp.. convenções antenupciais art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   autonomia privada (no entanto. não são condições no sentido próprio.condições contrárias à lei.1). não sair o destinatário de sua casa). 687º e 1669º). estando. Coimbra Editora.  Resolutiva – a resolução do negócio jurídico fica sujeita à verificação de um determinado acontecimento futuro e incerto. a verificação do acontecimento futuro é certa. O acontecimento em si tem de verificar-se objectivamente no futuro.  Acontecimento futuro – mostra que não são condições neste sentido as reservas relacionadas com factos presentes ou passados. que não se refiram a um acontecimento simultaneamente futuro e incerto são CONDIÇÕES IMPRÓPRIAS). no entanto. no entanto. Código Civil Anotado. o declarante exigir como condição da eficácia. Vol I. 31 . Tanto a condição como o termo têm em comum o facto de serem exteriores ao negócio (elementos acidentais). não é a licitude ou ilicitude do problema. mas exigências da lei como pressupostos para a verificação de determinados efeitos jurídicos (ex. Código Civil Anotado.1 – Condições próprias mas ilícitas . a verificação do acontecimento futuro é incerta. 270º. uma vez que determinam a produção dos seus efeitos. Tanto o termo como a condição são acontecimentos futuros. ela distinguese das “condições legais” (conditio iuris) que não são condições verdadeiras.1: o Condição (própria) – um acontecimento FUTURO e INCERTO ao qual as partes subordinam a produção ou a resolução dos efeitos do negócio jurídico (as cláusulas apostas a um negócio jurídico para condicionar a produção dos seus efeitos. no caso do termo.251. Limitada. 271º (condições ilícitas ou impossíveis) o Art. Art. Cit.

Código Civil Anotado. em várias disposições do código. no momento da verificação da condição.252. os efeitos protectores das expectativas jurídicas criadas. antes subordinados à condição. aliás na linha de pensamento do art. 272º .1+2064º. Art. 275º. Limitada. ANTUNES VARELA. Aqui. implicar desde já uma VINCULAÇÃO MÚTUA DAS PARTES. o Devido a disposição legal expressa (art. a da admissibilidade da prática de actos conservatórios. Art. 848º. sobretudo quando está em causa uma condição resolutiva. Nem todos os negócio jurídicos admitem condições: o Devido à natureza do negócio que não comporta incertezas quanto à produção dos seus efeitos – ex.pendência da condição: o “No caso de se agir de má fé e de se prejudicarem as legítimas expectativas da outra parte. 271º. 4ª ed. 224º. e que o pratica é responsável pelos danos que causa”41 [a doutrina do art.1+2054º. pp.2 – Condições física ou legalmente impossíveis:  Condições impróprias – condição física ou legalmente impossível. ANTUNES VARELA. Cit. no entanto. o declaratário não necessita de ser protegido contra uma situação de insegurança que lhe é criada por fora. para salvaguarda dos seus interesses”42  Efeitos imediatos do negócio condicional – efeitos produzidos pelo negócio mesmo na pendência da condição. 41 42 Cit. antes da verificação da condição ou não da condição suspensiva. a condição é admissível para influenciar a vontade ou comportamento deste. Os efeitos produzidos de imediato são a expressão do facto de o negócio condicional.2 é uma consequência deste princípio.  Condições físicas ou legalmente impossíveis SUSPENSIVAS – o negócio é nulo.2+1618º.1) – ex. Vol I.pendência da condição: actos conservatórios: o “É doutrina aceita. Art. produz. 4ª ed. 275º. da parte do declarante. por ser um negócio validamente concluído. Limitada.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      o Art. Tratando-se de uma condição suspensiva. pp. O negócio condicional produz de imediato aqueles efeitos indispensáveis para que. tudo se passa como se o negócio não tivesse sido concluído. 273º .verificação e não verificação da condição: o Art. aquém tem uma expectativa legítima ou um direito condicional. os negócio jurídicos familiares pessoais apresentam uma natureza incompatível com a existência de uma condição. 2 e 3]. pratica-se um facto ilícito. o contrato individual de trabalho será incondicionável. Vol I. Código Civil Anotado. o Exercício de direitos potestativos – não pode ser feito sob condição tendo em conta que o declaratário deve ser protegido contra a insegurança resultante de um exercício condicional. Art.  Condições física ou legalmente impossíveis RESOLUTIVAS – o negócio produz os seus efeitos desde logo e continua a produzi-los sem ameaça de resolução.  Apenas quando o preenchimento da condição depender unicamente da própria vontade do declaratário. Coimbra Editora. Coimbra Editora.1 – “não há que aguardar a não verificação da condição para que ela produza os seus efeitos: basta que haja a certeza de que não pode verificar-se. porque o negócio se encontra concluída. se possam produzir os efeitos pretendidos.252.2+1852º. uma vez que cabe a ele próprio desfazer a situação de insegurança (CONDIÇÃO POTESTATIVA OU DE QUERER). 32 . 272º + 273º  resulta que o negócio jurídico embora ainda não produzindo ou não produzindo definitivamente os seus efeitos pretendidos. 275º.

2 – “manda o nº 2 aplicar directamente. 224º. 1269º e seguintes. Art. 274º . ou pela natureza do acto. 270º. É possível. retira-se que a retroactividade não constitui parte necessário ou essencial do conceito de condição.1 + 434º. especiais. o momento dos efeitos seja outro. Coimbra Editora. de modo definitivo. o disposto nos arts. ou pelo menos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    tratando-se de uma condição resolutiva. 277º . Não havendo posse. desta forma a um estado de pendência:  Não existe um direito pleno na pessoa do adquirente. A aplicação é directa.409º): o A transferência de direitos reais dá-se por mero efeito do contrato (art. 33 . COMO CONDICIONAIS. sujeitando-se o adquirente e não o alienante. 408º. 276º . se houver lugar à restituição do que houver sido alienado. Vol I.1 e 879º. embora validamente concluído.2 + 272º e 273º)  Aquisição de frutos colhidos no exercício de actos de administração ordinária (art. não transferiu ainda.  A boa fé tem o sentido ético do art.a + 954º. 277º. ANTUNES VARELA. o Art. se aquele que é obrigado a restituir tem a posse da coisa. violando as regras de boa fé.”43 o Abrange também a transmissão da expectativa jurídica à aquisição plena do direito.2). há lugar à aplicação analógica das mesmas disposições. 272º (e está de acordo com o art.253.  O a situação mais importante da condição suspensiva é a reserva de propriedade (art. os efeitos do negócio consolidam-se definitivamente na titularidade do credor ou do adquirente.pendência da condição: actos dispositivos o Trata-se de um artigo que adopta uma solução diferente dos arts. o 274º. à contingência da verificação da condição. o 274º.retroactividade da condição o Verificada a condição os seus efeitos retrotraem-se à data conclusão do negócio.2 + art. 275º.a) e 939º). Limitada. 277º.Possibilita a alienação de direitos condicionais. pela vontade das partes. 272º+273º e 275º.  Há uma EXPECTATIVA JURÍDICA – um direito à aquisição plena. o adquirente de um crédito obrigado a restitui-lo tem direito aos juros nos termos do art. 1270º. 1270º).1 .  A ninguém deve ser lícito tirar proveito dos actos que pratique. Código Civil Anotado. os direitos ou obrigações que tem por objecto. pp. o Deste preceito. a não ser que. o A estipulação de uma condição pelas partes conduz. juntamente com o art.3+ 277º.  Actos de mera administração (arts. 227º.não retroactividade: o A retroactividade fica excluída em determinadas situações:  Contratos de execução continuada ou periódica (arts. A natureza aleatória do acto transmite-se para o adquirente. A condição suspensiva  O negócio jurídico. 43 Cit. 277º. Art.2:  É uma consequência da regra geral do art. ou por analogia. 2 e 3).  Com a celebração do negócio condicional nascem deveres secundários ou acessórios. de conduta para uma das partes ou para ambas. Art. 4ª ed. que nos contratos de alienação o alienante reservar para si a propriedade da coisa até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte ou até à verificação de qualquer outro evento. Assim.

como se não estivesse sujeito àquela estipulação. é preciso accionar os meios previstos na lei para a resolução dos negócios correspondentes.  Aos encargos referem-se os arts. em termos paralelos. Para atingir os efeitos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A condição resolutiva  Embora validamente concluído o negócio jurídico não transferiu ainda de modo definitivo os definitivo os direitos ou obrigações que tem por objecto. um encargo não o é (ligação cindível). ou até que este se verifique. Os encargos ou cláusulas modais  Um encargo onera uma liberdade.  O contrato decorre. antes da verificação do termo. O termo  Momento a partir do qual o negócio jurídico deve começar a produzir os seus efeitos. aplicam-se com as necessárias adaptações as disposições dos arts. mas somente para o futuro. só por si. SEM QUALQUER ESPÉCIE DE RETROACTIVIDADE.cômputo do termo.  O não cumprimento do encargo não tem. os arts.  Enquanto condição e termo são imediatamente decisivos para a produção ou não produção dos efeitos do negócio jurídico (ligação incindível). do credor ou no interesse comum das partes. o Termo extintivo ou final (dies ad quem) – quando assinala o momento em que o negócio deixa de produzir efeitos. 2244º a 2248º.  Art. data de um calendário). mas não atinge (ao contrário da condição e do termo) a produção dos efeitos do negócio que prevê.  Pode ser estipulado no interesse do devedor. pelo que a renúncia também é causa da sua extinção. 279º . o Acontecimento certo – há a certeza da sua verificação independentemente da incerteza do momento em que tal acontecerá. mas sem influenciar nos seus efeitos. no contexto das disposições testamentárias. 34 . mas sem se saber quando. morte). o Termo suspensivo (inicial/ dies quo) – marca o momento a partir do qual o negócio começa a produzir os seus efeitos. 963º a 967º no contexto da doação e. ou a deixar de os produzir. (ex.  Constitui um elemento exterior ou acidental ao negócio jurídico. o Termo certo e indeterminado (dies certus an et incertus quando) – aquele que se sabe que chegará. os efeitos do negócio cessam. qualquer influência sobre os efeitos da liberdade. (ex. (Para a resolução dos negócios correspondentes é necessário accionar os mecanismos previstos na lei arts. 966º e 2248º).  Tipos de termo: o Termo certo e determinado (dies certus an et certus quando) – aquele que se sabe de certeza que chegará e quando. 272º e 273º.  Verificado o termo. Aquele a favor de quem o termo foi estabelecido pode renunciar a ele.  Aos negócios a termo.  Negócio a termo é aquele em que as partes querem que os seus efeitos só se produzam depois que se dê um acontecimento FUTURO e CERTO.

 O negócio não é ineficaz em relação à parte com que o indivíduo contratou. Coimbra. registada por este na conservatória competente e publicada no jornal oficial. necessários para a sua subsistência. 601º. caso contrário. até à sua distribuição ou liquidação total. por força da indisponibilidade de que sofrem quanto aos seus bens abrangidos pela respectiva massa.  “As inibições do insolvente civil e do falido resultam do seu estado de insolvência ou falência em virtude do qual a massa insolvente é. Trata-se de uma execução global de todo o património penhorável do devedor no interesse de todos os credores. Tal pretende prevenir o público contra eventuais negócios com quem estiver atingido por tal medida grave. O falido ou insolvente não fica em nenhum estado de incapacidade. Se. 1135º CPC)  diz respeito a comerciantes “o comerciante impossibilitado de cumprir as suas obrigações considera-se em estado de falência.  Estado de falência (art.”44  Estado de insolvência (art. Ed. no jornal mais lido na comarca e em editais afixados na porta da sede e sucursais do estabelecimento falido. como património separado ou autónomo. pp.2  “A declaração é ineficaz. subtraída à sua administração e disposição. contrato para pessoa a nomear. o Os negócio posteriores aquela sentença declaratória são INEFICAZES (independentemente de registo). 229º. os negócios susceptíveis de ratificação.1 CPC)  refere-se a não comerciantes “o devedor não comerciante pode ser declarado em estado de insolvência quando o activo do seu património seja inferior ao passivo”.  Exemplos: casos de inibição do insolvente civil e do falido. perder o poder de disposição do direito a que ela se refere. 44 45 Cit. 1313º. no caso de representação sem poderes. se o declarante.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios jurídicos com efeitos dependentes de ratificação  São negócios jurídicos em que a vinculação só se pode verificar em relação a um lado do negócio. em condições iguais. 35 . 226º.”  Tanto a falência como a insolvência civil são declaradas por sentença judicial. na da sua residência e ainda na do tribunal.  A falta de vinculação existe apenas quanto à massa.  Ratificação – é um negócio jurídico unilateral que destinado a atribuir efeitos plenos a outro negócio que deles careça. Almedina. Esta é notificada ao Ministério Público. situação prevista no art. não forem ratificados.  Efeitos da insolvência civil e da falência: o Separação dos patrimónios do devedor na medida em que esta declaração conduz a uma apreensão dos seus bens penhoráveis e a uma inibição sua para os administrar ou dispor deles (a administração desta massa patrimonial cabe ao “administrador da massa insolvente ou falida”45). este poderia celebrar negócios que prejudicassem esta mesma massa patrimonial). explica-se a razão da perda de disposição dos bens penhoráveis do falido ou insolvente. HEINRICH HÖRSTER. (Assim.2. de fazer funcionar a garantia patrimonial geral do art. Massa insolvente ou falida: destina-se a satisfazer os credores.498. não produzem os seus efeitos em relação à parte que pode ratificar ma entendeu não o fazer. fica na situação de quem perde o poder de disposição dos bens:  Art. enquanto o destinatário não a receber ou dela não tiver conhecimento. porém. o Apenas lhe ficam os bens impenhoráveis. A parte geral do Código Civil Português. Os negócios dos insolventes e dos falidos celebrados sem poderes de representação:  São ineficazes relativamente à massa insolvente ou falida os negócios do insolvente e do falido na medida em que estão inibidos. pois.

A parte geral do Código Civil Português. 46 Cit. 36 . 266º (protecção de terceiros).2 e 455º. mas sem afectar a validade do negócio. 291º .a anulação não prejudica certos direitos adquiridos por terceiro de boa fé.  Art. o contrato produz efeitos apenas em relação ao contraente originário. Assim. Os negócios jurídicos com eficácia relativa  Há uma vinculação entre as partes com plena produção dos efeitos. não sendo estes.a resolução não prejudica direitos adquiridos por terceiros. 455º.  Se o negócio concluído pelo falido ou insolvente civil trouxer vantagens para a massa patrimonial.1).500. 979º . o insolvente ou falido responde à outra parte por incumprimento do contrato se não consegue realizara contraprestação”46. o administrador poderá ratificar (= negócio jurídico unilateral através do qual alguém vem atribuir pleno efeito a um outro negócio jurídico) o negócio. 1670º. mas não foi:  Art. Almedina.2 – o registo tardio do casamento católico não afecta direitos patrimoniais de terceiros. apenas limitada ao nível da eficácia. pp.2 (a ratificação opera sem prejuízo de direitos de terceiro). 168º. Os negócios celebrados sem poderes de vinculação:  Caso da representação sem poderes (ver art. 434º+435º . Coimbra. 227º. tendo em conta os interesses dos credores.  Art. HEINRICH HÖRSTER. 268º. O representante sem poderes de representação responde à outra parte com base na culpa na formação dos contratos.  Arts. respectivamente registado. a pessoa adquire os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir da celebração dele (arts.  Art.a revogação da doação não afecta terceiros adquirentes. 276º+277º+1713º. a partir do momento da ratificação. o Sendo a nomeação feita.  Art. a contrario). 2: arg. sob pena de não produzir efeitos em relação ao nomeado (arts. 453º e 454º. 871º (eficácia em relação a terceiros). 453º. o A nomeação necessita de ser ratificada nos termos dos arts. porém. de acordo com o art.  Arts.3 – a constituição da associação não produz efeitos em relação a terceiros antes de ser publicitada.  Art. 452º. 268º).  Nota: “Caso o administrador da massa não vincule a mesma por via da ratificação. o negócio jurídico celebrado com o falido ou insolvente e a outro parte. Ed. o Se assim não for.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Essa inibição conduz a uma indisponibilidade relativa.2 – o preenchimento da condição não tem efeitos retroactivos.  Os casos da falta de publicidade: o A preocupação de lei em proteger terceiros contra evoluções que não conhecem nem podem prever reflecte-se em muitos preceitos:  Art.1). o Os casos de ineficácia relativa a terceiros são precisamente aqueles em que um negócio devia ter sido publicitado. ganha eficácia retroactiva ao momento da celebração do negócio.  Caso do contrato para pessoa a nomear: o Uma das partes pode reservar o direito de nomear um terceiro que adquira os direitos e assuma as obrigações provenientes desse contrato (art. oponíveis a “terceiros” que não os conhecem devido à falta de publicidade dos negócios.

1 + art.1 – as convenções antenupciais só produzem efeitos em relação a terceiros depois de registadas. 6º CRPred). adquire-se ou modifica-se por mero efeito do contrato entre as partes (art. [Na verdade. sendo depois levado a registo para aí ser inscrito em ordem a que o facto se torne oponível a terceiros. Art. 939º.5+168º. 1º).  Terceiros para efeito de registo  são terceiros para efeito de registo. 4º CRPred). tendo em vista a segurança no comercio jurídico imobiliário” (CRPred art.  As diversas disposições das leis do registo – os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros a partir do registo. se a segunda aquisição for registada primeiro.  Fora do processo aquisitivo. aqueles que adquirem do mesmo transmitente. ainda que não registados (art.  Art. )  O registo constitui a presunção de que o direito existe e pertence ao titular inscrito.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Art. 2º). os factos ou direitos não registados não são oponíveis a terceiros que participam no processo aquisitivo quanto ao imóvel. como os terceiros apenas precisam de conhecer os factos depois de registados é natural que estes não lhes sejam oponíveis anteriormente].o proprietário não inscrito de um prédio responde pelos danos causados por defeitos de conservação. sobre o mesmo objecto. os factos jurídicos que importem a constituição.  Antes do registo. 492º . enquanto não são registados. um direito total ou parcialmente incompatíveis com direitos de outrem. é essa que prevalece (Nos termos do art. a dar publicidade à situação jurídica dos prédios. não abrangendo os terceiros que pretendam adquirir direitos sobre o mesmo imóvel  o registo estabelece em relação a estes terceiros. a eficácia é apenas relativa. 185º. relativamente a terceiros adquirentes. pode acarretar consequências graves para quem devia registar a aquisição e não regista.  Os factos sujeitos a registo podem ser invocados desde logo. de harmonia com os efeitos “erga omnes” que os caracterizam.1.3 – a instituição da fundação não produz efeitos quanto a terceiros antes de ser publicitada. nos precisos termos em que o registo o define (art.a) – doação). dada a falta da sua publicidade por meio de registo e a inoponibilidade daí decorrente. a partir da sua ocorrência. contradizendo assim a realidade.  Neste tipo de negócios. No caso de dupla disposição a favor de outro adquirente que confia nas presunções do registo. 7º CRPred).  O respectivo direito constitui-se. entre as próprias partes ou seus herdeiros. o O registo predial em particular:  “O registo predial destina-se.  Estão sujeitos a registo.  (Para a resolução de casos práticos: 37  . pois aqui não é posta em causa a segurança no tráfico jurídico (ex.a + 954º. entre outros. 408º.  As regras da prioridade do registo podem assim ter como consequência a perda de um direito adquirido que apenas possuía eficácia relativa. a aquisição ou a modificação do direito da propriedade ou de um direito real limitado sobre um prédio (CRPred art. 879º. 1711º.a – compra e venda / art. essencialmente. a ficção de que a situação jurídica ainda não se modificou.  A inoponibilidade destes negócio jurídicos sujeitos a registo. os direitos não registados gozam de oponibilidade geral.

segundo o qual a nulidade é oponível a todos os interessados (ver também art. metodologicamente. pp. mesmo nos casos de nulidade. cuja a incerteza traz grandes perturbações ao tráfico jurídico. o elemento externo. Limitada.238º. 239º) A interpretação  Serve para captar o sentido. que será normalmente o adquirente de boa fé. Ed. HEINRICH HÖRSTER. leva a que o terceiro adquirente para efeitos de registo adquira pleno direito sobre o bem. resultante da inoponibilidade da nulidade entre as mesmas por virtude da boa fé de uma delas. de elementos objectivos para obter. 892º (para negócios onerosos) e art.”48 o Exceptuam-se os casos: 47 48 Cit.490. Como tal. o registo tem efeitos retroactivos.  Existe. 939º). ou seja.  “A interpretação parte. Este sentido tem de estar de acordo com a função do negócio jurídico – a autodeterminação da pessoa dentro da sua autonomia privada conforme a sua vontade. Cit. mas não para avaliar o conteúdo sob o aspecto da sua razoabilidade ou da sua conformidade ou não com a lei. portanto. a própria declaração negocial.  O fim da interpretação é o sentido da mesma. 956º. 2 CRPred + 687ºCCiv). medianamente instruído ou diligente. ) o Existem casos em que a falta de registo exclui de todo a invocação de um facto ocorrido:  Os factos constitutivos da hipoteca cuja eficácia. Código Civil Anotado. uma eficácia relativa entre as partes de um negócio nulo. a produção de certos efeitos laterais quando se trata de negócios nulos cujo objecto são atribuições patrimoniais. o “O sentido decisivo da declaração negocial é aquele que seria apreendido por um declaratário normal. em face do comportamento do declarante. na medida em que isto é possível”47  Art.  O objecto da interpretação é a manifestação da vontade. 4º.interpretação e a integração da declaração negocial (arts.1 (negócios gratuitos):  O vendedor ou doador de bens alheios não opor a nulidade ao comprador ou donatário de boa fé. entre as próprias partes depende da realização do registo (art. mesmo na sequência da um negócio nulo. 4ª ed. a lei tenta atribuir o mínimo de estabilidade. pp. uma vez registado. Coimbra. 286º. ANTUNES VARELA. Almedina. o elemento subjectivo. o Os negócio aqui em causa dizem todos respeito a atribuições patrimoniais. 236º.  No âmbito do registo civil – o estado civil da pessoa tem de ser registado sob pena de produzir meros efeitos latentes. 237º. o Art. Vol I. o próprio conteúdo da declaração.  Estes artigos constituem uma excepção ao art. 38 . colocado na posição do declaratário real. A partir do momento que é registado. Coimbra Editora. Os casos da inoponibilidade da invalidade: o Trata-se de casos em que o negócio é nulo. como finalidade. Venda de bens alheios – art.   PARTE IV . 236º: o Aplica-se a declarações negociais expressas e tácitas desde que sejam receptícias. através deles. 892º (o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé) – é este direito que.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  O registo não tem efeitos constitutivos. [não se trata de uma verdadeira excepção ao princípio “nemo plus iuris”].222. Determinando. A parte geral do Código Civil Português.

 Este artigo só é aplicado para as declarações receptícias. 236º. Limitada.”52 Art. Vol I. pp. uma vez que ele dispõe de todos os meios para se fazer entender. quer o seu sentido seja inequivocamente contrário ao sentido que as partes lhe atribuíram. 39 . Almedina.224 52 Cit.1 atribui o risco do uso linguístico ao declarante. o “A ressalva contida na parte final do nº1 tem plena aplicação naqueles casos. 238º o Art. o O objectivo da solução acenta na lei é o de proteger o declaratário. Coimbra Editora. nem aos actos jurídicos em que não procedam as razões justificativas do regimes estabelecido. dar à declaração um sentido único. 237º (casos duvidosos): o Aplica-se apenas quando o sentido da declaração não puder ser esclarecido mediante a aplicação do art. 4ª ed. a não ser que se trate de matéria relativamente à qual se não exija a forma prescrita na lei. ainda que imperfeitamente expresso.510. que também hãose considerar as “reacções” do declarante contra eventuais interpretações abusivas. 51 Cit. em que o sentido razoavelmente atribuído pelo declaratário a determinados vocábulos da declaração seja completamente ignorado do círculo de pessoas em que vive o declarante. ANTUNES VARELA.  O declaratário conhecer a vontade real do declarante. Limitada. o risco linguístico ou o risco do entendimento é imputado ao declaratário. apesar deste entendimento contrariar o uso linguístico ou o sentido normal das expressões empregues  A vontade real é que conta). o Consagra-se uma doutrina objectivista de interpretação em que o objectivismo é temperado por uma salutar restrição de inspiração subjectivista  o objectivo é proteger as legítimas expectativas do declaratário e não perturbar a segurança do tráfico jurídico. Art. pp. HEINRICH HÖRSTER.512. ANTUNES VARELA. pp. mas aquela em que o intérprete razoavelmente se deva sentir depois de ter tentado. 51 (Situações em que declarante e declaratário se exprimem mal e se entendem bem. 49 50 Cit. HEINRICH HÖRSTER. pp. A parte geral do Código Civil Português. conhecendo o declaratário o sentido que o declarante pretendeu exprimir através da declaração.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Não possa ser imputado ao declarante. “Apenas quando o declarante não pode contar razoavelmente com o no sentido deduzido pelo “declaratário normal” do seu “comportamento”. que a declaração seja ambígua. Ed. por exemplo. conferindo à declaração o sentido que seria razoável presumir em face do comportamento do declarante. razoavelmente aquele sentido. É a condenação das doutrinas objectivistas puras e a confirmação da velha regra segundo a qual “falsa demonstratio non nocet””. Vol I. e não o sentido que este lhe quis efectivamente atribuir. Ed. sem êxito. Coimbra. Código Civil Anotado. Coimbra Editora. Código Civil Anotado.”50 o “Do disposto no nº2 resulta que.1  Não há sentido possível que não tenha no texto do preceito um mínimo de correspondência. é de acordo com a vontade comum das partes que o negócio vale. 4ª ed. 238º. A parte geral do Código Civil Português. e muito diferente do sentido com que este o empregou” 49 – art. Almedina.223. Coimbra. 236º.  Este artigo não se aplica em casos de interpretação testamentária nem a actos jurídicos que estão fora do comércio jurídico. o “A dúvida a que este preceito alude não é a que a declaração posso suscitar antes de esgotadas as regras da sua interpretação. Cit. o A prevalência do sentido objectivo apenas se opera entre as legítimas expectativas do declaratário e as justas necessidades de segurança do tráfico jurídico.

devido à especificidade de determinados negócios inválido. pp. o Possibilidade física legal:  Física – não se pode proteger um negócio impossível à partida. por esse meio. se chegue a uma solução contrária aos princípios da boa fé. aplicar-se-á na falta de disposição especial as regras constantes no art.A invalidade dos negócios jurídicos   Estão em causa negócios jurídicos com uma anomalia genética que se vai repercutir sobre a validade do negócio jurídico (e. o Nota: distinta do caso do erro na declaração é a figura do dissenso (art. 232º) em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. bons costumes. mas declarou-se outra.  Legal – coerência normativa.  53 Cit.  Art. 247º (erro na declaração): o Erro obstáculo  formou-se. em princípio desconhecidas das partes.2  Um sentido que não tenha correspondência com o texto sempre pode valer se corresponder à vontade real das partes do negócio E as razões determinantes da forma se não opuserem a essa validade (caso em que se aplica art. 286º a 294º. “O regime geral da nulidade e da anulabilidade encontra-se nos arts. Mas qualquer delas admite. as suas configurações típicas.” 53 A lei exige certos pressupostos na tentativa de proteger certos valores: o Conformidade – assegurar uma efectiva autonomia privada e produção dos efeitos pretendidos. o O acto é anulável  a anulabilidade depende de o destinatário da declaração conhecer ou dever conhecer a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. o Exigência que a declaração coincida com a vontade – realização do princípio da autonomia privada. o Deve atender-se à vontade presumível dos declarantes.517. 220º). 40 . 285º. Neste caso devem prevalecer estes princípios. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. 232º levaria à não conclusão do negócio). nem com a vontade do declaratário. 286º a 294º. certa vontade. Mas pode acontecer que. é apenas na falta de um regime especial que se aplicam à nulidade e à anulabilidade do negócio jurídico os arts..TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Art. Almedina. A integração da declaração negocial  Se a declaração negocial não apresentar um sentido obscuro ou equívoco mas lacunas.. o Exigência de determinabilidade – a lei não pode proteger um negócio que não se percebe. HEINRICH HÖRSTER. Ed. PARTE V . 238º. 239º. sem erro. consequentemente. Art. ordem pública. por assim dizer. cambiantes atípicas. Estes preceitos contemplam. 239º: o Só se aplica na falta de disposição especial e caso não haja um dissenso (que nos termos do art. o A integração de lacunas nunca pode substituir ou alargar o objecto de negócio jurídico em causa. o Protecção de valores fundamentais do sistema jurídico – normas imperativas. sobre a sua eficácia). Ela tem de manter-se dentro do âmbito negocial traçado pelas partes.

Na verdade.  “Deste relacionamento entre validade e eficácia resulta que uma invalidade. – e nestes casos podemos falar de uma INEFICÁCIA EM SENTIDO 54  Cit. 287º CCiv – o negócio jurídico produz efeitos temporários. 286º CCiv – o negócio jurídico não produz efeitos. normalmente.  Distinção entre invalidade e ineficácia do negócio jurídico: Invalidade Ineficácia Nível de actuação É um elemento intrínseco do Elemento extrínseco da negócio jurídico (da declaração declaração negocial. sendo a invalidade uma deficiência genética ligada ao momento da emissão. 280º). A parte geral do Código Civil Português. inoponibilidade ou ausência de ratificação. a nível de condição ou termo. HEINRICH HÖRSTER. negocial – deficiência genética) Nível temporal Antecede a eficácia. Almedina. 41 .  Negócios celebrados com erro na declaração. afecta os efeitos pretendidos.516.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Existem dois tipos de invalidade: o Nulidade:  Art. pp.  Negócios celebrados com vícios de vontade: o Erro sobre os motivos.  Surge. Ed.  Negócios celebrados contra a lei ou sem os necessários consentimentos. é natural que ela se repercuta na fase posterior da emissão de efeitos. 240º) + Reserva mental (art.  As causas da nulidade:  Incapacidades negociais de gozo. nas suas modalidades de nulidade ou anulabilidade.  Negócios cujo o objecto ou o fim são desaprovados pela ordem jurídica (art. o Coacção moral. 245º)+ Falta de consciência da declaração e coacção física (246º).”54  A falta de efeitos ou ineficácia de um negócio jurídico pode resultar não só de factores situados a nível externo.  Negócios celebrados com falta de vontade: o Simulação (art. Coimbra.  Negócios usurários. podendo a nulidade ser requerida por aqueles em cujo o interesse a lei a estabelece.  Causas de anulabilidade:  Negócios celebrados sem capacidade de exercício. o Anulabilidade:. declaração. sendo a nulidade invocável a todo o tempo. Poderá ser posterior a uma invalidade. 244) + Declarações não sérias (art. ou seja.  Negócios celebrados sem observância da forma legal. 294º).  Negócios celebrados contra a lei (art.  Negócio de fim ilícito (art. etc. o Dolo. objecto negocial (conteúdo/ efeito que se pretende produzir). por qualquer interessado.  Art. associada à protecção de interesses públicos ou ausência de elementos fundamentais do negócio jurídico (sujeito.  Surge associada à protecção de interesses particulares. 281º).

situação que conduz à não activação da sua capacidade de gozo. o discernimento mínimo necessário. 55 56 Cfr. Coimbra. 62 Cit. Coimbra. sempre um defeito da vontade que lhes veda. HEINRICH HÖRSTER. regularmente. 58 Cit.517. Almedina. Coimbra. pp. pp. 60 Cit. salvo disposição legal em contrário (art. UNICAMENTE nos casos da ineficácia provocada por uma invalidade são aplicáveis as disposições dos arts.316. no caso previsto no art. de uma maneira ou doutra. 285º a 294º. Ed.”60  “As pessoas são incapazes porque lhes falta. HEINRICH HÖRSTER. Trata-se de situações excepcionais em que as pessoas por elas abrangidas não podem ascender à titularidade de direitos e obrigações de carácter pessoal por virtude das suas próprias insuficiências. Ed. ineficácia provocada por invalidade.315.  Idade inferior a 16 anos. Ed. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português..”58  “Regra geral.315 e 316.  Demência notória. mediata) – INEFICÁCIA EM SENTIDO AMPLO.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   RESTRITO (uma espécie de ineficácia directa e imediata) – como pode aparecer também em consequência de um factor situado a nível interno. 42 . Coimbra. da própria pessoa que afectam ou diminuem. em última análise. HEINRICH HÖRSTER. Ed. categorias dogmáticas que se impõem como tais.impedimentos dirimentes absolutos) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL). pp. pp. HEINRICH HÖRSTER. todas as pessoas são capazes de gozar a titularidade de quaisquer direitos privados. 67º). HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português.316.315.”56 “A distinção entre as duas formas de ineficácia – ineficácia em sentido estrito. ex. por outro – tem.  Interditos por anomalia psíquica. a lei. em vez de sancionar com a anulabilidade a venda feita sem os necessários consentimentos. podia também ter decretado uma ineficácia relativa). Coimbra. 59 Cit. Almedina. Ed. pp. Ed.”62  Os casos das incapacidades negociais de gozo são 3: o Incapacidade para casar (art. em termos absolutos. uma grande relevância prática quando se trata de atender às consequências da respectiva falta dos efeitos. por um lado. 1601º . 57 Cit. pp. porque haverá.517.”61  “Como se trata de negócio de natureza estritamente pessoal a incapacidade não é suprível: não há ninguém que se possa substituir ao incapaz concluindo o negócio em vez dele.  Casamento anterior não dissolvido. Coimbra. Coimbra. Almedina. Almedina. no entanto.316.55 “A ineficácia em sentido restrito e a ineficácia provocada por uma invalidade não são. Coimbra. 877º [venda a filhos ou netos]. HEINRICH HÖRSTER.”59  “A incapacidade reside na própria pessoa do incapaz. Cit. A parte geral do Código Civil Português. mas o resultado de decisões técnico-normativas (p.”57 As causas da nulidade O regime das incapacidades negociais de gozo  “As incapacidades resultam de deficiências. Almedina. Almedina. 61 Cit. porém. isto é. pp. interdição ou inabilitação por anomalia psíquica. A parte geral do Código Civil Português. por virtude de uma invalidade (sendo então uma espécie de ineficácia indirecta. Ed. o seu discernimento ou as suas capacidades volitivas. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. o Incapacidade para perfilhar (1850º) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL]:  Menores de 16 anos. a aquisição de certos direitos pessoais. Ed. pp. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. de “qualidades minguantes”. HEINRICH HÖRSTER.

o próprio negócio ou fins ulteriores. a ordem jurídica desaprova os negócios tendo em conta o seu conteúdo. 286º. 2188º). pondo assim em causa as respectivas relações jurídicas familiares.294º abrange. Ed.”64 Negócios celebrados contra a lei (art.  “Quando uma norma imperativa não determina. 65 Cit. A parte geral do Código Civil Português. salvo os casos em que outra solução resulte da lei”. depois de feita a interpretação do preceito violado em causa. Coimbra. Almedina. a sanção resultante da sua violação. elas próprias. no fundo. a tomar ao abrigo do art. ela própria. SEGUINDO O PRINCÍPIO GERAL (arts. Coimbra.“os negócios jurídicos celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos.b). feito por um incapaz (art. Almedina. um negócio tanto pode ser nulo por ser directamente contrário à lei como por fraude à lei. Assim. 43 . NEGÓCIO SUCEDÂNEOS (negócios jurídicos em que os interessados defraudam uma norma imperativa).  O Art. a proibição vale também para eles. não estritamente pessoais). a figura da incapacidade negocial de gozo parece dispensável: podia distinguir-se entre incapacidades de exercício insupríveis (referentes a negócios estritamente pessoais) e supríveis (referentes aos negócios gerais. Estes desvios à regra da nulidade explicam-se pelo facto de estar em causa o estado civil das pessoas e pela necessidade subsequente de manter estáveis as relações respeitantes ao estado civil até haver a respectiva decisão judicial de anulação. o A norma imperativa dirige-se a fins ulteriores  não conduz necessariamente à nulidade. o Incapacidade para testar (2189º) [o negócio é NULO]:  Menores não emancipados (menores de 18 anos ao abrigo do art.”63 “Em apenas um dos três casos. A parte geral do Código Civil Português. o “Se a norma proibitiva em causa pretende vedas não só o negócio que especificamente visou mas também quaisquer outros que conduzam ao mesmo resultado ou a um resultado equivalente. 66 Cit. a invalidade de um casamento ou de uma perfilhação.520. Coimbra. pp. também. Cit. Ed.  Trata-se de negócios que pela sua natureza geral são possíveis. HEINRICH HÖRSTER. devem ser interpretadas quanto ao seu escopo e à sua finalidade com vista à decisão.  Interditos por anomalia psíquica. 294º. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. 2190º). 294º relativamente à nulidade ou não do negócio. a lei decreta. pois seria inadmissível que “qualquer interessado” pudesse invocar. Ed. HEINRICH HÖRSTER.317. HEINRICH HÖRSTER.521. Almedina. a nulidade: no caso do testamento. 130º ou maiores de 16 anos ao abrigo do art.1850º.  Art.1). A parte geral do Código Civil Português. fim ou circunstâncias concretas em que são celebrados. pp. Assim todas as normas imperativas que não determinem. pp. Almedina. Nos outros dois casos os actos são anuláveis (1631º.1. 294º):  Está em causa a violação de limites legais impostos à autonomia privada. limita-se a impossibilitar de todo que ela possa vir a dar-se. Ed. 294º . Sendo assim. ao abrigo do art. HEINRICH HÖRSTER. diferentes dele e não coincidentes com ele?”65 o A norma imperativa dirige-se ao conteúdo do negócio  Nulidade. “A lei não nega a titularidade como tal. 132º + 1604º. pp. no entanto.a) e 1861º. Deve perguntar-se qual é o alvo que a lei quer atingir com a proibição. 1600º. a consequência da nulidade para o caso da sua violação (mas também não consagra uma outra sanção).”66 63 64 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Notoriamente dementes no momento da perfilhação. a nulidade pode resultar da aplicação do art.317.

A parte geral do Código Civil Português.  Art. o “Se o conteúdo do negócio não é imoral ou ilegal.2):  Contrários à ordem pública – um negócio jurídico é contrário á ordem pública quando viola princípios de ordem pública que se deduzem de um sistema de normas imperativas. pp. HEINRICH HÖRSTER. Almedina.  Contrários à lei – o negócio é materialmente possível mas contradiz disposições legais imperativas. A parte geral do Código Civil Português. (ex.”67 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica  Art. Ed. 44 .”69  Art. contrário à moral pública. promessa de contrato que a ordem legal proíbe. como contrários à lei. 294º + 281º: o Situações em que apenas o fim do negócio é contrário à lei ou aos bons costumes. Ed. respectivamente um negócio contrário à lei ou à ordem pública. HEINRICH HÖRSTER. promessa de vender coisas que estão fora do comercio jurídico). não sendo necessária nem a intenção nem mesmo a consciência de defraudar a lei.525. Almedina.  Indetermináveis – não é possível concretizar ou individualizar o objecto em termos tais que se possa realizar a transferência ou a aquisição de direitos sobre o “quid”. pp. Ed. pp. Coimbra. 271º: o “A sanção da nulidade do negócio jurídico verifica-se também quando a produção dos seus efeitos foi subordinada a uma condição ilícita ou impossível”70 Os negócios celebrados sem observância da forma legal 67 68 Cit. Coimbra.1):  Fisicamente impossíveis – impossibilidade objectiva (envolve uma prestação não realizável no domínio dos factos ou segundo as leis da natureza. Varia conforme a natureza deste e compreende os efeitos a que o negócio tende bem como aquilo sobre que aqueles efeitos incidem.  Apenas é necessário que as partes conheçam a circunstância de que resulta a ofensa.325.522.  Legalmente impossíveis – a ordem jurídica não prevê tipos negociais ou meios para a sua realização ou não o admite sequer em relações jurídicas privadas. o O negócio é nulo se o fim negocial (desaprovado pela ordem jurídica) for comum a ambas as partes. há uma infracção aos bons costumes por ambas as partes. mas a imoralidade ou ilegalidade deriva dos seus motivos ou dos fins propostos. 294º + 280º: o Negócios cujo o objecto68 seja (280º. o Negócios que são (280º. Almedina.  Ofensivo dos bons costumes – tem por objecto actos imorais. 70 Cit. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português.  Não é necessário que os intervenientes num negócio tenham consciência de violação dos bons costumes. Coimbra. Consiste na violação de normas de conduta de carácter não jurídico que reflectem as regras dominantes da moral social de uma determinada época e de certo meio. 69 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o “Os negócios jurídicos com que as partes defraudam uma lei imperativa são nulos.

necessário para o efeito.530.  A lei determina que as estipulações verbais acessórias anteriores ou contemporâneas do documento legalmente exigido são nulas a menos que:  Se tratem de clausulas acessórias não essenciais. que as partes ainda façam estipulações. como se diz neste último preceito. 219º + 220º.  As cláusulas posteriores. 4ª ed. Almedina. que isso resulte claramente da lei. HEINRICH HÖRSTER. Alem isso. como regra. pp. Limitada. uma vez que não poderiam ter sido incluídas no documento.211. ou seja. pp. Vol I. 221º cuida apenas das cláusulas acessórias. o Estipulações verbais acessórias contemporâneas do documento legalmente exigido para a declaração negocial.”74 71 72 Cit. ANTUNES VARELA. casos em que a forma é. o “Embora a lei trate o problema das cláusulas acessórias apenas para as estipulações verbais. Código Civil Anotado. Ed. a menos que também estas estejam sujeitas à forma legal em virtude de as razões da forma lhes serem igualmente aplicáveis. ANTUNES VARELA. como sucede quanto às exigências prescritas na lei processual para a exequibilidade dos títulos. de facto. pp. são. não tendo relevância quanto ao resto do negócio. 73 Cit. 221º contempla 3 casos: o Estipulações verbais acessórias anteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. Coimbra Editora. Coimbra. tudo o que se refere às estipulações acessórias deve ser aplicável ainda às cláusulas adicionais que completem o documento. o O art.”73 “Quando a lei exige a observância de forma legal. 364º. Coimbra Editora.  (A presunção não procede quando a razão determinante da forma não for aplicável e se provar que elas continuam a corresponder à vontade do autor da declaração). o Estipulações verbais acessórias posteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial.  De estipulações não abrangidas pela razão de ser da exigência do documento. mas um requisito apenas para que o negócio respectivo produza determinados efeitos. por analogia. Código Civil Anotado.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. também aos casos em que as cláusulas acessórias constem de um documento com valor probatório inferior àquele que é exigido para a forma legal. porém.”72 “O artigo 220º consagra explicitamente. Cit. Pode acontecer. 45 . nos termos do nº2 do art. 221º deve ser aplicável. Não se vê razão para um tratamento diferenciado em casos tão parecidos como o são as cláusulas acessórias e as cláusulas adicionais. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. Coimbra Editora. pp. no entanto.”71 “Há.  De estipulações que provem corresponder á vontade das partes. Vol I. a solução que considera as formalidades legais da declaração como formalidades ad substantiam (e não meras formalidades ad probationem).211. A parte geral do Código Civil Português. já o acto não é nulo. Limitada. o disposto no art. É preciso. em princípio válidas.210. “Supõe a exigência de certa forma como elemento do negócio. 74 Cit. Vol I. 4ª ed.” O Art. visto poder provar-se por confissão. resta saber se estão abrangidas ou não pelo âmbito da forma legal. 4ª ed. inclui tudo o que as partes contraentes quiseram regular entre si. Limitada. Se a lei exigir a forma apenas para a prova da declaração. não uma condição de validade da declaração. parte do princípio de que o documento.

76 46 . reserva mental e declaração não séria. Esta falta é o resultado de uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada. económica ou social ou desvirtua os objectivos do instituto jurídico. Almedina.  O direito subjectivo é invocado para fins que estão fora dos objectivos ou funções para os quais ele foi atribuído pela norma. HEINRICH HÖRSTER.é adoptado um comportamento positivo por parte do titular do direito subjectivo. [De acordo com a doutrina dominante. de forma deliberada. esse mesmo direito. Esta divergência pode ser: o Intencional  Simulação.  No caso concreto. o Não intencional:  Forçada – coacção física. Chega-se a uma situação de confiança em que a outra parte faz fé. A vontade que aparece como manifestada não existe como tal.  Acordo entre declarante e declaratário. uma declaração não coincidente com a sua vontade no intuito de enganar um terceiro. mas há direito a indemnização da parte lesada.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o No caso de inobservância da forma legal. a coberto da norma. 240º a 243º)  O declarante emite. existem circunstâncias ou relações especiais em virtude das quais o exercício do direito incorre em contradição coma ideia de justiça. Cit. de acordo com o declaratário. Ed. Art. devido à estabilidade da conduta da outra parte durante um certo período. o exercício do direito estaria. Coimbra. o Abuso individual:  Neste caso.  Intuito de enganar terceiros.  Art. A simulação (arts.  Contraria a ordem pública ou contradiz os princípios fundamentais da ordem jurídica.532. que o titular não fará uso do seu direito.  Este tipo de abuso tem de ser apreciado oficiosamente pelo tribunal.  Ignorada – falta de consciência da declaração. comportamento este que vai no sentido de não querer exercer o seu direito. A parte geral do Código Civil Português. o declaratário sabe disso. criando esta atitude como consequência a correspondente disposição da outra parte (aumento da renda sem respeitar a forma legal e o inquilino paga durante o tempo e só depois alega a nulidade do aumento). 227º . em princípio.240º: o Estabelece três requisitos. O declarante faz a declaração mas não quer o declarado. erro. Os negócios celebrados com falta de vontade  “Podem surgir situações em que falte a coincidência entre o substrato volitivo interno e a sua aparência externa. a actuação conjunta visa enganar ou prejudicar o terceiro. haverá duas soluções:  Art.o negócio é considerado nulo.  Art.”76  Existência de uma divergência entre a vontade e a declaração. 334º (abuso de direito75) – venire contra factum próprio . 2200º)]. esta exigência não se aplica quando estão em causa negócios jurídicos unilaterais (vd. (Considera-se que o interesse público tem supremacia). que necessitam de ser verificar simultaneamente:  Divergência entre a vontade real e a vontade declarada. 75 O abuso de direito poderá aparecer sob duas formas básicas: o Abuso institucional:  É o abuso que o artigo refere quando se fala do “fim social ou económico” do direito. pp. em que uma das partes induziu a outra em erro. perdendo assim.

podem propor a acção nos termos do art. podendo a nulidade ser invocada ou não nos termos que acabam de ser descritos.Lima – “não interessa que os terceiros sejam prejudicados com a declaração de nulidade ou sejam beneficiados com a manutenção do negócio. Ed.”  Mota Pinto – “se forem beneficiados com a nulidade. A parte geral do Código Civil Português. Legitimidade para arguir a simulação (Art. (É excluída a prova testemunhal nos termos do art. o 242º. 242º”.1  Têm legitimidade para arguir a nulidade todos os interessados nos termos do art. que todavia é dissimulado:  Simulação objectiva  sob a aparência de um acto de conteúdo ou de objecto diverso:  Quanto à natureza do negócio – Ex. Coimbra. 605º Inoponibilidade da simulação a terceiros de boa fé (art. o Simulação relativa (art.  Simulação subjectiva  concluído entre pessoas que não aquelas que efectivamente nele intervieram (interposição fictícia de pessoas).2  A nulidade pode ser invocada pelos herdeiros legitimários que pretendam AGIR EM VIDA do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com o intuito de os prejudicar. o mesmo já não acontece com o negócio dissimulado no caso de uma simulação relativa. 241º. como interessados. 47 .1) – os simuladores pretendem celebrar determinado negócio jurídico.”77 o A validade ou invalidade do negócio dissimulado (“escondido” por trás do negócio simulado) decide-se em termos perfeitamente autónomos e independentes do 77 Cit. 240º. o Simulação inocente e simulação fraudulenta:  A simulação inocente visa apenas enganar alguém. pp. A simulação relativa e as suas formas (art. 394º. 242º): o 242º. 286º e os próprios simuladores mesmo que se trate de uma simulação fraudulenta.1) – Os simuladores fingem concluir determinado negócio e na realidade não há negócio nenhum. as partes simulam uma compra-evenda quando se trata de uma doação. claro que os terceiros de boa fé. o negócio é anulável – arts. As modalidades da simulação: o Simulação absoluta (art.  Simulação quanto ao valor. Os herdeiros são também incluídos na categoria de simuladores tal como os seus representantes (259º. Contra eles é sempre vedada a acção por parte dos simuladores. 243º): o 243º.d) e 2200º].2).2  a boa fé consiste na ignorância da simulação ao tempo em que foram constituídos os respectivos direitos do terceiro.2). com isso.1  constitui uma limitação do art. 286º na medida em que exclui das pessoas legitimadas para invocar a nulidade (em princípio “qualquer interessado”) os simuladores em relação a terceiros de boa fé. 241º): o “Se o negócio simulado é sempre nulo.  P. o Nota: Os credores podem ainda invocar a nulidade ao abrigo do art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     o O negócio simulado é nulo [apenas no caso do casamento simulado e do testamento simulado.  Simulação fraudulenta visa enganar e. o 243º. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. podendo aquela ignorância ser perfeitamente culposa. 1635º. prejudicar o terceiro.539.

Almedina. implica que. Só neste caso existe simulação. afastar ou ilegitimidades ou indisponibilidades. visto estarem em causa duas realidades negociais diferentes. Alguém age em nome de uma das partes. pp. A exigência do nº2 do art. 241º decorre logicamente do seu nº1 bem como do art. Todos os intervenientes sabem da operação fictícia. falta de forma. Simulação em negócios formais ou em prejuízo da Fazenda Pública o “Se o negócio dissimulado estiver sujeito á forma legal é preciso observar o disposto no art.  Representação  alguém age em nome de outrem. A parte geral do Código Civil Português.2.  Interposição real  é o caso do mandato sem representação. Não existe conluio: há um acordo interno entre uma das partes do negócio e a pessoa por ela interposta que realiza o negócio com quem desconhece a situação.  Os negócio simulados são nulos por essa razão. 241º. o negócio dissimulado de natureza formal apenas é válido se tiver sido cumprida a forma exigida por lei.  Simulação sobre o valor do negócio  prentedem-se vantagens económicas que não seriam possíveis caso não exista simulação. conteúdo ou fim desaprovados. o Simulação relativa objectiva:  Simulação sobre o conteúdo do negócio:  Simulação sobre a natureza do negócio  mediante a qual se pretende. Existe um conluio entre as verdadeiras partes do negócio e a pessoa interposta por elas.  O negócio dissimulado é válido desde que o regime legal que lhe diz respeito tenha sido integralmente observado. Ed. o Simulação subjectiva (interposição fictícia de pessoas):  Distinção entre interposição fictícia de pessoas.  A forma legal apenas foi observada em relação ao negócio dissimulado – validade do negócio dissimulado. proibição do negócio. no documento. conhecendo a outra esta posição representativa.  Horster  o negócio dissimulado deve ser considerado nulo sempre que não conste CLARA e INTEGRALMENTE do documente que a ele próprio disser respeito. são admissíveis as seguintes posições:  A forma exigida na lei foi observada apenas para o negócio celebrado – invalidade no negócio dissimulado. Coimbra.”78 o No que diz respeito ao cumprimento da forma legal. 220º.544. A pessoa é parte verdadeira no negócio. interposição real de pessoas e representação:  Interposição fictícia  a pessoa interposta é um sujeito simulado. e como tal. Segundo este preceito. HEINRICH HÖRSTER.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  negócio simulado. em primeira linha. sempre nulo. em vez dela. A exigência de forma legal.  A forma observada na conclusão do negócio simulado corresponde tanto à forma legal do negócio simulado como à do negócio dissimulado. etc). em que alguém actua em nome próprio mas por conta de outrem. estejam todas as cláusulas sobre as quais as partes 78 Cit. 48 . A validade do negócio dissimulado vai depender de outras razões legais (incapacidade.

o negócio dissimulado não é posto em causa pela lei fiscal quando for civilmente válido. Ed. a figura da “falso demonstratio” tem o seu lugar no contexto da interpretação da declaração negocial e do mau uso linguístico e não ao nível da simulação. Havendo uma lacuna nas declarações negociais.  Doutrina dominante  o negócio dissimulado é formalmente válido se o documento para ele exigido for do mesmo tipo do adoptado no negócio simulado ou. o declaratário não sabe disso. deve considerar-se nula a cláusula de preço. 220º) uma vez que as partes ou o conteúdo.547.2). Se assim fosse. sob reserva mental. podem ser atingidos os objectivos superiores de interesse público que justificam a exigência da forma legal. O declarante sabe da relevância jurídica para o declaratário.”79 A reserva mental (Art. 244º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio com o declaratário – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de enganar o próprio declaratário. Coimbra. mas não quer o declarado. se a forma adoptada no negócio simulado satisfazer as razões da forma exigida para o negócio dissimulado. Esta posição sustenta-se nos arts. 239º.”80  Requisitos da reserva mental: o Declaração receptícia. Coimbra.2 e 238º. a declaração feita sob reserva mental é válida se for desconhecida do declaratário.  Quem emite. desrespeitando a lei. A parte geral do Código Civil Português. o Intuito do declarante enganar o declaratário.533. Cit. 79 80 Cit. o Conteúdo contrário à vontade efectiva do declarante. a actuação isolada visa enganar (ou prejudicar) o declaratário. O declarante não fica vinculado à sua declaração embora não possa opor a reserva mental a terceiros de boa fé (art.1 e o negócio dissimulado é nulo por falta de forma (art.2 que mandam atender à vontade real e coincidente das partes. 221º). atribuindo ao documento ou aos documentos celebrados o sentido que as partes quiseram (mas não manifestaram) ao outorgá-los. Almedina. pelo que a declaração negocial é nula (Art. uma declaração tem consciência que o declaratário lhe atribui efeitos jurídicos. Portanto: o declarante faz a declaração. pp. HEINRICH HÖRSTER. Deste modo. Assim. 49 . a doutrina defende que esta posição é a que melhor permite a satisfação da vontade real dos interessados.  Carvalho Fernandes  quando estiver em causa uma simulação objectiva em relação ao valor. então aplica-se o regime da simulação. 243º). HEINRICH HÖRSTER. pelo menos. o negócio simulado é nulo nos termos do art. não constam integral e claramente do documento relativo ao acordo obtido (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel devem concordar para que o contrato fique concluído (art. 232º. o “Tendo sido feita em prejuízo da Fazenda Nacional. Só assim. a simulação relativa tem os efeitos previstos na lei civil: quer dizer.  Se a reserva mental for conhecida do declaratário. 240º. Portanto. pp.na lógica do 221º). 236º. A parte geral do Código Civil Português. esta será preenchida nos termos do art. todas as simulações seriam falsae demonstratio. Almedina. Ed. 244º. o No entanto.

não há vontade de acção nem acção do declarante.”82 A falta de consciência da declaração e a coacção física (art. Pode haver uma reserva mental relativa que implica a validade da declaração dissimulada desde que esta esteja em conformidade com a lei (241º. da simulação.  As declarações não sérias carecem de qualquer efeito. o A atitude do declaratário justifica-se nas circunstâncias do caso concreto. 81 82 Cit. 245º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de não enganar nem um terceiro. tendentes a uma vinculação jurídica). Pressupostos: o O declaratário tomou a declaração a sério. 241º.2). HEINRICH HÖRSTER.  Indemnização pelo dano da confiança  Se. mas não quer o declarado por lhe faltar a consciência de fazer uma declaração negocial (isto é. mas o declarante está convencido que sabia. O declaratário não sabe disso. HEINRICH HÖRSTER. uma vez que não houve o acordo simulatório nem o intuito de enganar terceiros mas o próprio declaratário. situação muito semelhante a “falsa demonstratio”. 259º). Ed. Necessária para a consequência de nulidade é sempre o conhecimento positivo da reserva por parte do próprio declaratário ou do seu representante (art. pp. NOTA: “nas três figuras referidas até agora a posição do declarante face à sua declaração é sempre a mesma: não quer o declarado. A reserva mental distingue-se.1. Em casos em que a nulidade poderá levar a resultados muito injustos (reserva mental motivada por caridade ou por valores morais) poderá ser útil a figura do abuso de direito (art. o (Nexo de causalidade). A parte geral do Código Civil Português. não quer o declarado ou não tem vontade nenhuma. A parte geral do Código Civil Português. 50 . Almedina. A posição ou a atitude do declaratário. nem o declaratário. a actuação isolada não visa enganar ou prejudicar ninguém.534. Coimbra. o Vontade de acção mas falta de consciência de fazer uma declaração negocial. Almedina. porém.”81  As declarações devem ser não sérias e simultaneamente não enganadoras. 334º). porém.  Falta de consciência da declaração – o declarante tem vontade de acção. A declaração não séria (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     É possível que uma vinculação se venha a estabelecer no caso de ser verificar o condicionalismo previsto no art. Coimbra. 246º)  Coacção física ou violência absoluta – o declarante é um simples instrumento à mercê de outrem que comanda irresistivelmente a acção mediante a qual se manifesta a vontade.  À falta de consciência de fazer uma declaração correspondem duas alternativas: o Falta de vontade de acção. varia e é em sintonia com ela que se diferenciam e definem as três figuras. mas não quer manifestar com este nenhuma vontade jurídico-negocial. Portanto: o declarante faz – como mero instrumento – a declaração. no entanto. Cit. pp. O declarante faz a declaração mas não que o declarado. uma declaração com as características volitivo-finais.534. a declaração for feita em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer. Ed. o A atitude de tomar a sério foi originada pelas circunstâncias. observa um dado comportamento. Portanto: o declarante emite uma declaração.

pp. A parte geral do Código Civil Português. Ed. ela consagra dois meios. Ed. 124º. resultado esse intolerável para a ordem jurídica. As causas da anulabilidade Negócios celebrados sem capacidade de exercício:  “Tirando os casos das incapacidades negociais de gozo. tratamse de incapacidades supríveis. designada não pelo próprio incapaz. 139º.  Os representantes legais podem ser:  Detentores do poder paternal (art.553. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. a capacidade de exercício desde que tenham atingido a maioridade. o Inabilitação (152º a 156º)  Incapacidade específica – o inabilitado tem uma incapacidade específica podendo ser geral conforme os casos concretos decididos em tribunal. A falta de consciência da declaração ou a coacção física conduzem à nulidade do negócio. se trata de uma verdadeira declaração negocial”83  Indemnização pelo dano de confiança. pp.319.  “Se a incapacidade não fosse suprível os incapazes ficariam excluídos de todo o tráfico jurídico geral. Almedina. 51 . A parte geral do Código Civil Português. 1877ºss)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. 83 84 Cit. bastando a mera culpa. todas as pessoas possuem. o Interdição (138º a 151º)  Incapacidade geral – o interdito não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. 122º a 129º)  Incapacidade geral – o menor não pode reger a sua pessoa nem os seus bens.  Tutor (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o “Se a falta de consciência foi devida à culpa do declarante. dispondo o tutor de poderes menos amplos do que os detentores do poder paternal. 85 Cit. mas pela lei ou por certa entidade (pública ou mesmo particular) nos termos da lei. foca este obrigado a indemnizar o declaratário que confiou na declaração. Coimbra. 143º e ss.”84  Situações em que existem incapacidades de exercício: o Menoridade (art. Por isso. Essa outra pessoa vem a ser o representante legal do incapaz. pp. 1921º e ss. Estes dois institutos são a REPRESENTAÇÃO LEGAL e a ASSISTÊNCIA”85: o Representação legal – é admitida a agir em lugar do incapaz uma outra pessoa. precisando outras vezes de autorização de outra entidade. em princípio. dois institutos. Ed. da perspectiva deste. para o suprimento da incapacidade. Almedina. 144º. Almedina. Coimbra. Cit. A parte geral do Código Civil Português.  O instituto das incapacidades visa proteger o próprio incapaz contra as suas insuficiências as quais lhe podem causar prejuízos. HEINRICH HÖRSTER.317. [Os negócios celebrados sem o respectivo suprimento são anuláveis].  As incapacidades de exercício não dizem respeito a negócios estritamente pessoais. agindo umas vezes com inteira independência. 1877º)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. visto que. Coimbra. tendo por base um comportamento imputável ao declarante.

A do assistente é apenas inibitória ou completiva da vontade do assistido. 1938º. 1938º. [Vd. para poder realizar validamente os respectivos negócios. 1935º). 154º. o NOTA:  Em alguns casos especialmente previstos.para os inabilitados ou para negócios estritamente pessoais (casamento e respectivo convenção antenupcial). existindo ao lado de quem é representante legal quanto à sua pessoa (tutor ou detentores de poder paternal) ou ao lado daquele cuja representação relativamente aos bens do menor tiver sido restringida (cf. Simplesmente. 1967ºss e 139º)  a representação estende-se apenas aos bens do incapaz. As três modalidades das incapacidades de exercício em pormenor A menoridade:  Art. 1922º. a entidade a quem ela compete não pode incluir ela mesma.  Art. 52  .  Agem em vez do incapaz e representam-no judicial e extrajudicialmente. a incapacidade só termina com a maioridade ou a emancipação pelo casamento (129º + 132º). Não assim quanto intervém a representação. por via negocial.1).  Detentores do poder paternal ou tutor (1604º.a).  Os tutores e administradores de bens estão proibidos de realizar certos actos (1937º.1971º.  Em certos actos levados a cabo pelo representante. 1922º e 1888º. 1971º. Onde funciona a assistência. por si só. 1971º. 1901º a 1912º] o Administração de bens (art. 122º  é menor quem não tiver completado 18 anos de idade. 1927º e 1967º]. 1892º. subsidiariamente (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Administrador de bens (1971º. A função do representante é activa. é-lhe necessário o consentimento de certa outra pessoa ou entidade.). 1889º.1).) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (art.  No caso do art. o Instituto da assistência – o incapaz pode agir ele mesmo.2 o curador é representante legal. art. 1612º e 1708º. sendo essencial que o incapaz delibere realizá-los.2 em contraposição com o art. os representantes legais precisam de autorização do tribunal para poderem validamente celebrar determinados actos quanto aos bens do menor (arts. a validade depende sempre da autorização do tribunal (1889º e ss.2) . 1888º).  Art. o Pela tutela. 1877º e ss) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (1885ºe ss. a)-c). os respectivos negócios.1. [Vd. o A menos que a lei abra excepções.2.  Existem diversos graus de assistência em concordância com o grau de incapacidade:  Curador (153º. 124º (suprimento da incapacidade dos menores): o Pelo poder paternal (art. tendo lugar nos casos previstos no art.1). 123º o Estabelece uma incapacidade geral – os menores não estão habilitados a reger a sua pessoa e a dispor dos seus bens e eles não têm capacidade para adquirir direitos ou assumir obrigações por acto próprio (ou por meio de um representante voluntário). 1971º) – existe ao lado do poder paternal e da tutela.2) – para os menores com mais de 16 anos.1850º. 1921º e ss.

c). 130º). b)) ou a requerimento de qualquer herdeiro do menor (no prazo de um ano a contar da morte deste ou ocorrida antes de expirar o prazo referido na alínea anterior). o NOTA: Uma vez que o instituto da menoridade. 128º (dever de obediência) – ver artigo. 125º (anulabilidade dos actos dos menores): o A legitimidade para invocar a anulabilidade do negócio jurídico cabe ao progenitor que exerça o poder paternal.331. (Art. ao tutor ou administrador de bens. não adquire capacidade plena para o exercício de direitos: continuará a ser considerado 86 87 Cit. pelo declaratário ou terceiro. (2º) a exclusão do direito dos representantes legais seria uma contrassenso: eles não são abrangidos pelo ratio do art. ou o respectivo suprimento judicial. não lhe atribuindo a legitimidade para arguir a anulabilidade nos termos do art. Almedina. não fazendo sentido que a lei proteja esta situação. HEINRICH HÖRSTER. que há-de atender às circunstâncias próprias de cada caso. Vol I. porém. Coimbra Editora. 126º (dolo do menor): o Conceito de dolo – qualquer sugestão ou artifício que alguém empregue com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. Limitada. visam proteger o interesse do menor.”87 Art. Cit. Art. principalmente à situação económica do menor e dos seus pais – sem esquecer. o risco da menoridade cabe sempre à outra parte. Art. o direito de anulação dos representantes legais. À excepção no disposto no art. o Tendo em conta que o herdeiro sucede na posição patrimonial do “de cujus” parece correcto aplicar o art. 126º refere-se unicamente ao menor. o O direito de requerer a anulabilidade baseia-se sempre no interesse do menor. pp.”86 Art. 53 . 125º. no sentido de incluir os representantes legais nesta limitação à invocação da anulabilidade. A este propósito existe uma divisão na doutrina:  Mota Pinto – Deve fazer-se uma interpretação extensiva. 129º (termo da incapacidade dos menores): o Quando atingem a maioridade (18 anos – art. Coimbra. e as incapacidades daí resultantes. o Nota: 127º. Código Civil Anotado.140. 126º. não faz sentido que a menoridade seja um elemento relevante para efeitos de um erro que torna o negócio anulável nos termos dos arts. o Uma outra questão é a de saber se o dolo do menor exclui. pelo que se explica que a outra parte não possa requerer esta anulabilidade.  Horster – “A resposta deve ser negativa. 132º). do erro do declarante. ANTUNES VARELA.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. por duas razões: (1º) o texto do art. pp. então significa que tem discernimento suficiente para perceber as consequências do negócio jurídico que pratica. Poderá também ser requerida pelo próprio menos (no prazo de um ano a contar da sua maioridade ou emancipação – nº1. 126º.1. 251º e 247º. bem como a dissimulação. 4ª ed. 127º (excepções à incapacidade dos menores) – ver artigo. A parte geral do Código Civil Português. 126º.b) – “a determinação de pequena ou grande importância das despesas contraídas pelo menor ou dos actos de disposição por ele realizados fica entregue ao prudente critério do julgador. que é o menor. quem está em causa. Se o menor actua com dolo. Ed. “Mas se este casar sem ter obtido autorização dos pais ou do tutor. alem disso. o Quando são emancipados por casamento (art. e não os pais. 253º).

os interesses do interditando e tendo processo de interdição. surdezmudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens.2 CPC). o O tribunal pode decretar a interdição mesmo que inicialmente tenha sido pedida a inabilitação (art.1). 953º.  Art. 1935º. Daqui resulta que o interdito tem uma incapacidade geral.  Art. 950 e ss.1). o O interditando dispõe sempre de um defensor que o representa no processo (arts. visto a interdição servir.  Qualquer parente sucessível.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel menor quanto à administração dos bens que leve para o casal ou que posteriormente lhe advenham por título gratuito até à maioridade (art. 141º deve ser regularmente o caso em que a interdição é requerida já antes de o menor ter atingido a maioridade (art. estes continuam investidos no poder paternal tal como o exercem em relação a filhos menores. bem como as regras respeitantes aos outros meios previstos para este fim (art. 149º. As interdições  Art. o Durante o decurso da acção há ainda um outro meio de proteger o interditando. 54 . dispondo de uma margem de decisão apreciável (art.2. 143º (a quem incumbe a tutela) o Formas de representação legal. 947º. o O campo de aplicação do nº2 do art. sem as limitações que caracterizam o uso da tutela (art. 138º . sem a necessidade de recorrer previamente ao tribunal para sanar o desacordo entre eles. 131º. o Art. 1901º. 139º a 151º.o regime da interdição é equiparado ao da menoridade.1.  Art. o Quando a tutela não recair nos pais aplicam-se-lhe em tudo o que não seja regulado de uma maneira especial pelos arts.  Art. 946º. através do art. será suficiente o requerimento de apenas um deles.2 – os pais deve agir de comum acordo.  Pelo seu tutor ou curador (aqui o interditando já está inabilitado).  Art. 1649º.  Ministério Público.pessoas sujeitas a interdições – maiores. 124º). que por anomalia psíquica. 125º. são dadas ao interditando todas as garantias processuais e materiais correspondentes à gravidade do acto de interdição (arts. 141º (legitimidade) o A interdição pode ser requerida:  Pelo cônjuge do interditando. 140º: o Os tribunais comuns por onde corre o processo de interdição têm a mesma competência atribuída aos tribunais de menores nas disposições que regulam o suprimento do poder paternal. o Caindo a tutela nos pais. CPC) o O tribunal decide não em função do pedido da acção mas no interesse do interditando. Havendo desacordo. 954º CPC). em primeiro lugar. 142º (providências provisórias) o Nomeação de um tutor provisório ou interdição provisória. 139º . 1921º a 1972º). 954º CPC).a). o No respectivo processo.

142º. 257º também protege o interditando depois de anunciada a propositura da acção:  Quando a interdição não veio a ser decretada. 149º (actos praticados no decurso da acção) o O regime estabelecido neste artigo difere do regime estabelecido no art. o regime da interdição funciona plenamente. pp. São aplicáveis ao interdito as disposições que regulam as excepções à incapacidade por menoridade (art. o Enquanto a sentença não constar do registo. 145º (dever especial do tutor) – saúde deve ser entendida num sentido amplo: a finalidade em vista é que o interdito recupere a sua capacidade. 139º a 151º). da qual é privado por razões de saúde. o O prazo da proposição da acção conta-se a partir do registo da sentença (1 ano – art. HEINRICH HÖRSTER.ver artigo. regime da incapacidade acidental reforçado pelo regime resultante dos arts. a seguinte: até à propositura da acção. 125º. Art. 139º  123º a 128º). 148º. “A cadeia de protecção é. 1927º a 1962). a interdição.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel       Art.  A interdição venha a ser definitivamente decretada.no que diz respeito aos negócio celebrados antes de anunciada a propositura da acção.1). Art. A parte geral do Código Civil Português. embora produzindo os seus efeitos. 150º . regime da interdição sem quaisquer restrições. o Os negócios do interdito que não forem praticados ao abrigo do art.339. 127º são anuláveis nos termos do art. deste modo. a seguir ao registo. aparece em duas situações diferentes:  Meio de suprir o poder paternal  aplica-se a menores (1921º e ss. embora não invocável contra terceiro de boa fé para quem as coisas se passam como se a acção ainda estivesse pendente. durante o decurso da acção. Coimbra. 147º (publicidade da interdição) – a sentença que decreta a interdição DEFINITIVA está sujeita a registo civil obrigatório. 142º/149º. 151º (levantamento da interdição) . regime da incapacidade acidental. Art. 287º. o Está de boa fé quem não conhece a sentença nem razoavelmente deve conhecê-la. não pode ser invocada contra terceiro de boa fé (1920º-C). Almedina. A partir do registo. após o trânsito em julgado da sentença mas antes do seu registo. regime da interdição. As inabilitações 88 Cit. Art. 55 . o Nota: mas o art.  Meio de suprir uma incapacidade do interdito  aplica-se a interditos (art.  Não foi decretada nenhuma medida ao abrigo do art. não há regime especial para eles: são anuláveis ao abrigo do disposto acerca da incapacidade acidental (257º). Exigese que:  O negócio celebrado tenha causado prejuízo ao incapaz para que possa ser anulado – critério objectivo: prejuízo causado pelo acto e não nos termos em que agiria uma pessoa normal e sensata. a administração de bens (1967º a 1972º). como instituto da representação legal destinado a suprir incapacidades de exercício. conforme as necessidades do caso concreto.  Ao lado da tutela pode surgir.”88 Nota: A tutela. Ed.

pp.159. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. Limitada. Almedina. portanto. Ed. a inabilitação destina-se a maiores. Coimbra Editora. através do qual é suprida a incapacidade. Almedina. mas constitui uma intervenção mais fraca e menos ampla que esta. Aqui. de casos em que uma pessoa se encontra com uma capacidade diminuída. existe um assistente. pp.”91 o “Os actos são pois celebrados pelo inabilitado.”89 o A inabilitação existe em primeiro lugar para proteger os interesses do inabilitado “mas ela pode beneficiar. e não pelo curador. que se define por gastos desproporcionados em relação à situação patrimonial do inabilitado. em princípio. Prodigalidade – é um comportamento. sendo os gastos improdutíveis e injustificáveis. 89 90 Cit. Código Civil Anotado.544. ANTUNES VARELA. 153º (suprimento da inabilidade): o “O curador é uma entidade a quem cabe apenas. 91 Cit.152º (pessoas sujeitas a inabilitação): o Podem ser inabilitados:  Indivíduos cuja anomalia psíquica.”92 o É esta a característica da inabilitação que a distingue profundamente da interdição. Limitada. surdez-mudez ou cegueira. o “Trata-se. sobretudo no caso das pessoas abrangidas pelo 2º grupo do art.159. 92 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Tal como a interdição. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes – significa que é preciso a existência de um vício ou de um estado duradouro que já apresente sinais de carácter patológico. Coimbra Editora. pp.  Indivíduos que pela habitual prodigalidade se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. também outros interessados na administração conveniente do património do inabilitado que serão o cônjuge. Coimbra. o A inabilitação aplica-se apenas no caso das pessoas que não sejam capazes de reger o seu património e ainda que não sejam incapazes de todo de governar a sua pessoa e bens (1º grupo do art. 4ª ed. 4ª ed. Assim se explica também a possibilidade de suprimento judicial de autorização do curador. os herdeiros e até a própria comunidade que de outra maneira podia vir a ter de assegurar o mínimo de existência ao incapaz. sem a necessidade ou sem a possibilidade de uma interdição. 152º. ANTUNES VARELA. Vol I. não seja de tal modo grave que justifique a sua interdição. 56 . que carece de legitimidade para esse efeito. Vol I. Art. embora permanente. a celebrar convenções antenupciais ou quaisquer outros negócios jurídicos que tenham sido especificados na sentença de inabilitação.344 e 345. originado por um defeito da vontade ou do carácter. Código Civil Anotado. A parte geral do Código Civil Português. Cit.”90 Art. pp. autorizar o inabilitado a alienar bens por acto entre vivos. Ed. Coimbra.  Actos de disposição (alteram a raiz do património) – estão sujeitos a autorização do curador. 152º). não existe uma representação legal.  Indivíduos que pelo uso de bebidas alcoólicas ou uso de estupefacientes se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. querendo celebrá-los. o Tem uma importância fundamental para a interpretação deste artigo a distinção entre actos de mera administração e actos de disposição de bens:  Actos de mera administração (não alteram a raiz do património) – não estão sujeitos a autorização do curador.

 A.  Art.providências provisórias. 148º .  Representar o inabilitado como cabeça de casal (2082º.  Art. 150:  Horster – aplica-se directamente. 1967º como meios de suprir o poder paternal.Publicidade da interdição. Código Civil Anotado. surdez-mudez ou anomalia psíquica.  Art. dois períodos importa distinguir quanto ao regime dos actos praticados pelo inabilitado:  Período que se estende desde o anúncio da proposição da acção até ao registo da inabilitação definitiva  ART 149º e 125º.legitimidade para requerer a inabilitação.2).  Art. 155º (levantamento da inabilitação) o Deduz-se.actos do inabilitado posteriores ao registo da sentença.”93 o Quando ao curador são atribuídos poderes de administração. 154º. 141º . 142º + 149º .3). 144º e 145º. 4ª ed. a contrario.  Intentar a acção de simples separação judicial de bens (art. verificarem-se os requisitos exigidos pelo art. Este pode ser privado.  Art. no todo ou em parte.Escusa da tutela e exoneração do tutor. pp. Coimbra Editora. Limitada.  Art. 57 . a incapacidade do inabilitado passa a ser suprida nos termos clássicos da representação. como regime supletivo:  Art. 139º:  Dupla remissão. em relação a todos eles ou a alguns deles. 257º. o De acordo com a remissão estabelecida.  Art. como nos casos normais de inabilitação previstos no artigo anterior.A quem incumbe a tutela. Varela – nunca poderá ser directamente aplicável porque não é possível. 146º . Art. 143º .levantamento da inabilitação.  Art. Art.  Art. e não da mera assistência. 154º (administração de bens do inabilitado) o “É a titulo excepcional que a sentença pode transferir.160. compete ao curador praticar certos negócios em representação do inabilitado:  Os previstos no art.  Art. certos actos de administração. da administração de certos bens ou de praticar. É necessário mais alguma coisa para que o inabilitado não entenda o sentido da declaração ou não tenha o livre exercício da sua vontade. 138º.  Refgras dos arts.2. nos termos deste artigo. 140º (competência dos tribunais comuns). que não existe prazo para o levantamento da inabilitação quando se trata de cegueira. 149º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    o Excepcionalmente. o Sempre que os arts. 152º a 155º não prevejam soluções específicas para a inabilitação. a administração dos bens do inabilitado.  Art. Vol I.actos praticados no decurso da acção. só por existirem as condições da inabilitação. Art. 123º a 128º e para as disposições dos arts. 156º (regime supletivo) o De todo inaplicáveis às inabilitações são as disposições dos arts. 93 Cit. para o curador. deve recorrer-se ao regime estabelecido para a interdição. 151º . 147º . 1769º. ANTUNES VARELA.

o regime do art. 257º (incapacidade acidental) o “O regime do art. 58 .  O prazo para invocar a nulidade é de um ano (art. o Se o demente tiver sido interdito ou inabilitado. da inabilitação. frequentemente. conforme a diminuição da capacidade do inabilitado no caso concreto. o regime desta última. Coimbra. As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas. até a interdição ou inabilitação tiver sido levantada. 127º). Aplica-se então. etc. Almedina. se encontrava. mas não descuidando as exigências de segurança do tráfico jurídico (pois a sentença e a respectiva nomeação do curador com as suas competências estão sujeitas a registo obrigatório). pp. Coimbra. “O regime da inabilitação é. inclusive os actos praticados durante os intervalos lúcidos. interditos ou inabilitados quando e na medida em que possuem excepcionalmente a capacidade de exercício ao abrigo do art. a incapacidade acidental nunca é geral. por mais duradouros que fossem esses intervalos. interditos ou inabilitados não possuem capacidade. A parte geral do Código Civil Português. como se vê.344. HEINRICH HÖRSTER. possuem plena capacidade de exercício. indo ao encontro da sua auto-realização. praticados sucessivamente. a maiores ou menores emancipados (ou também a menores. na situação regular da sua incapacidade. Cit. é necessário provar:  Que o autor da declaração.”95 o Quando os menores. muito graduado e maleável. estado hipnótico. as proibições legais relativas 94 95 Cit. capacidade de exercício normal como. portanto. ou seja. resulta da lei. 257º nunca se sobrepõe ao regime da respectiva incapacidade (salvo os actos de mera administração dos inabilitados). Ed. HEINRICH HÖRSTER..  Art. em princípio. aliás. embora possa abranger todos os singulares actos específicos de uma pessoa. pp.. com base neste preceito.) em condições psíquicas tais que não lhe permitiam o entendimento do acto que praticou ou o livre exercício da sua vontade. 287º). A parte geral do Código Civil Português. droga. Ed. mas sempre relacionada com um acto específico. ou por anomalia psíquica ou por qualquer outra causa (embriaguez. Quem se encontra acidentalmente incapacitado possui. o Para conseguir a anulação de uma declaração negocial. a incapacidade acidental não afecta o estado da pessoa.”94 Figuras afins A incapacidade acidental  Ao contrário das incapacidades de exercício referidas anteriormente.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  A partir do registo  ART. 148º + 125º.  Esse estado psíquico era notório – uma pessoa de normal diligência o teria podido notar. 257º aplica-se a pessoas que. os seus actos são anuláveis em virtude do regime de interdição ou inabilitação. o Ao contrário da menoridade e da interdição e. em geral. no momento em que a fez. Almedina.346.

349. o Art.  Situações previstas: o Art. 1714º.  Situações que podem ser consideradas ilegitimidades: o Art. o Art. o Art. o disponente tem capacidade. 877º (venda a filhos e netos).3  a anulabilidade não é oponível ao adquirente de boa fé. HEINRICH HÖRSTER. 876º  venda de coisa ou direito litigioso (remissão para 579º).  As disposições feitas em infracção às indisponibilidades são NULAS (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel As ilegitimidades  “A diferença fundamental entre as ilegitimidades e as incapacidades reside no seguinte: toda e qualquer incapacidades resulta sempre de uma “qualidade minguante” da própria pessoa. Coimbra. 892º. 1682º a 1863º (ilegitimidades conjugais).  A falta do consentimento ou de autorização judicial. isto é.doações que beneficiam determinadas pessoas. mas a lei proíbe-lhe de o fazer relativamente a determinadas pessoas. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. 96 97 Cit.disposições testamentárias a favor de determinadas pessoas.  Nos termos do art. resultam de uma posição. isto é. as ilegitimidades não são supríveis. 294º. a incapacidade tem em vista o próprio incapaz. Em princípio. 2192º a 2198º . Indisponibilidade relativa  “As limitações estabelecidas na lei não resultam de uma qualidades que é própria do respectivo disponente.  Art. 953º . 1762º  proibição da doação entre cônjuges casados imperativamente com separação de bens. de um modo de ser do sujeito em si.2). pode dispor. Por outras palavras. 2192º 1 e 2) e não podem ser realizadas por meio de interposição de outra pessoa (2198º + 579º. Excepções: o 1687º.4  o negócio é nulo por remissão ao art. são nulos os negócios celebrados contra a lei. pelo contrário. de um modo de se ser para com os outros. Uma vez que se tratam de negócio estritamente pessoais.  Art.”97  Vêm reguladas nos arts. 1602º + 1631º  o casamento celebrado com impedimento dirimente relativo é anulável. sendo nestas outras pessoas que reside a causa da indisponibilidade relativa. Almedina.”96  As ilegitimidades implicam que uma pessoa que goza de plena capacidade.  Art.348. seja legalmente impedida de celebrar determinados negócios com determinadas pessoas. as ilegitimidades têm em vista o relacionamento de uma pessoa com os outros. Ed. o 1687º. 1892º (aquisição de bens dos filhos). torna o negócio anulável. os casos das ilegitimidades. Coimbra.2  contratos de CCV e de sociedade entre cônjuges não separados judicialmente. 59 . pp. Cit. Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal  Art. pp. Almedina. Proibições legais relativas  São negócio que a lei proíbe. Ed. 579º e ss  cessação de direitos litigiosos. A parte geral do Código Civil Português. mas apenas operam no sentido de contemplar determinadas pessoas.

A parte geral do Código Civil Português. Almedina.558. 60 . imaturo e imponderado. por conseguinte. Ed. Coimbra.. HEINRICH HÖRSTER. 282º: o É anulável..” 100 Trata-se de um correctivo material de índole social. HEINRICH HÖRSTER..558/559. pp. Almedina.”105  Fraqueza de carácter  “verifica-se quando uma pessoa não está em condições morais ou não tem força anímica para se comportar devidamente.  Art.555. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. pp. A parte geral do Código Civil Português. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios usurários  “Pertencem aos negócios jurídicos com conteúdo desaprovado pela ordem jurídica – e isto em virtude do desequilíbrio das prestações neles acordadas devido à inferioridade de uma das partes”98  Ao contrário do que acontece nos negócios abrangidos pelo 280º e 281º. 104 Cit. podendo ser várias as causas que levam a tal situação. Ed. Almedina. vício do jogo. Ed. sendo a maneira leviana e irresponsável de actuar um traço característico da pessoa e não uma falha esporádica ou acidental. HEINRICH HÖRSTER. graves inconveniências de natureza política. pp. reintroduziu a figura do negócio usurário e a limitação da liberdade contratual daí resultante em atenção a considerações sociais.558.558. de acordo com o princípio da protecção dos mais fracos”99  “A finalidade dos arts. 282º. HEINRICH HÖRSTER.  Situação de estado mental  “deve abranger limitações das faculdades mentais ou estados de emoção e descontrolo que restringem o discernimento do interessado e afectam as suas capacidades decisórias. Coimbra. Coimbra. Ed.  Inexperiência  “existe nos casos em que o discernimento necessário e adequado ainda não foi adquirido ou voltou a perder-se. a sanção é a anulabilidade.558. A parte geral do Código Civil Português. Almedina..349. Ed.  “A lei civil actual. consequência de relações de situação de instruendo.”104 Pode ser: relações de subordinação no âmbito laboral.. Coimbra. mentalidades não adaptadas. Coimbra. 106 Cit. 102 Cit. 282º e ss é. pp. explorando a situação de:  Necessidade  “existe quando necessidades avultadas de uma pessoa provocam a necessidade imperiosa para ela de obter uma prestação para se libertar daquelas dificuldades”101 Pode ser: dificuldades económicas muito sérias (desemprego). penas de privação da liberdade por bastante tempo. 105 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Ed. 100 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Ed. pp.. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. pp. pp.349. A parte geral do Código Civil Português. por usura. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. Almedina. Cit. por meio do art. a protecção de pessoas caracterizadas ou afectadas por certas situações de inferioridade contra quem pretenda daí tirar benefícios excessivos e injustificados. Coimbra.”103  Dependência  “existe quando a autonomia de decisão está limitada de facto. idade avançada. 98 99 Cit. 101 Cit. apesar de poder possuir perfeita lucidez a respeito da sua situação e do seu comportamento”106 Pode ser: virtude de doença. Coimbra..  Ligeireza  “significa um comportamento irreflectido. pp. o negócio jurídico quando alguém. Almedina. Coimbra.. 103 Cit.”102 Pode ser: juventude. Ed. Ed.556. social habitacional ou estritamente pessoal. toxicodependência. Almedina.

Limitada.  Art. 61 .232.1. Limitada.”107 o “O acto é anulável e não nulo. 283º. 284º  se o negócio usurário constituir simultaneamente um crime. a consciência de que se faz uma declaração negocial. 283º. nem a desculpabilidade do erro. por exemplo. pp. pp. 1636º. por conseguinte.”108 o “Não se exige. a anulabilidade depende de o destinatário da declaração CONHECER OU DEVER CONHECER a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro.  Tipos de erro na declaração: o Erro na própria declaração  o declarante emprega palavras ou termos diferentes daqueles que queria utilizar (ex. aproveitamento CONSCIENTE da parte do usurário de pelo menos uma das seis situações descritas. 53 em vez de 35) – emprega algo diferente daquilo que estava na sua cabeça. mas por lapso. 283º. ANTUNES VARELA. em que tira proveito de uma situação inferioridade da outra parte. o Implica a confirmação do negócio anulável nos precisos termos em que ficou modificado. Código Civil Anotado. Coimbra Editora. certa vontade.  Desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada (critério aplicado pelo juiz!). para a anulabilidade da declaração.”109 (Excepção em relação ao art. Para a contagem do prazo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Pressupõe do lado subjectivo o explorar. Código Civil Anotado. em vez de uma anulação. diz-se que se compra por 20. Coimbra Editora. sem erro. nem o conhecimento ou sequer a recognoscibilidade deste por parte do declaratário.1: o Permite que o lesado possa requerer a modificação do negócio usurário. Código Civil Anotado. comprar por 10. a modificação nos termos do art. Cit. 247º: o “O caso previsto é o chamado erro obstáculo ou erro na declaração. o É necessária a desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada.  O declarante diz algo que verdadeiramente não quer dizer e não tem consciência do erro. basta que se aproveite desta situação.232. este artigo prevê um prolongamento do prazo para o exercício do direito de anulação modificação. ANTUNES VARELA. Os negócios celebrados com erro na declaração  São situações em que existe uma divergência entre a vontade e a declaração. Formou-se. o Esta solução legal tem utilidade nos casos em que o lesado possui um interesse na continuação do contrato.  Art. 4ª ed. Pretende-se. a lei escolhe. mas esta tem um conteúdo diferente do que foi pretendido. mas declarou-se outra. 109 Cit. entre várias hipóteses. Limitada. o Não constitui um pressuposto da usura que o usurário leve a outra parte a praticar o negócio. 4ª ed. Vol I. segundo juízos de equidade.  Art. pp. desde que sejam alteradas certas cláusulas. 4ª ed. sempre aquela que mais beneficia o lesado.  Art. 107 108 Cit. Coimbra Editora. o Resumo (pressupostos):  Existência de um aproveitamento consciente da parte do usurário de uma situação de inferioridade da outra parte. ANTUNES VARELA. ao contrário do caso previsto na primeira parte do artigo anterior. Vol I.2: o “Prevê a hipótese de o próprio usurário declarar que prefere. em matéria de casamento).233. Vol I. Há.

250º):  Mensageiro comete um lapso de forma involuntária – aplica-se o art..  Alteração intencional – o negócio é sempre anulável (dolo do mensageiro).558. Almedina. A este tipo de casos de dissenso oculto deve aplicar-se. 249º)  deve tratar-se de um lapso ostensivo sob pena de o caso ficar sob alçada do art. Código Civil Anotado. Cit. É uma ideia inexacta sem a qual a declaração negocial não teria sido emitida ou não teria sido emitida nos moldes em que foi.”113  Enquanto que no caso do erro na declaração existe uma desconformidade entre a vontade e a declaração.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Erro sobre o conteúdo da declaração  o declarante usou as palavras que queria mas atribui um sentido diferente que teria no contexto.568. Ed. 111 112 Cit. depois do recurso às regras sobre a interpretação e integração da declaração negocial. elas são muito numerosas e vão da primeira motivação que é determinante para a formação da vontade até à manifestação da mesma. mas o declarante cuja vontade real difere do conteúdo objectivo comum que foi atribuído à sua declaração pode anular com base em erro.. não está em sintonia com ambas as vontades (caso contrário não haveria dissenso). 113 Cit. é a figura do chamado dissenso (oculto). recai sobre os elementos determinantes da vontade. Desta forma. 4ª ed. não produz uma 110 Cit. Coimbra. É evidente que este conteúdo objectivo. A parte geral do Código Civil Português. um sentido ou conteúdo objectivo comum. Almedina. ao erro na declaração. pp. 247º. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. “quando o erro recai só sobre a vontade (elemento interno). 247º. sempre e apenas. Para alguns destes casos deve valer. podendo o declarante anular desde que demonstre que a outra parte conhecia ou devia conhecer o erro.. a anulabilidade impõe-se. quanto às declarações. baseada no sentido válido da declaração. em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. sem necessidade dos requisitos a que alude o art. para outros. o Erro de cálculo ou escrita (art.  “As possibilidades de ocorrência de um erro no âmbito do negócio jurídico não se limitam. Coimbra. ANTUNES VARELA. A parte geral do Código Civil Português. O disposto no art. pp. de acordo com as circunstâncias. Coimbra.”111 o “Em todo o caso. nem com a vontade do declaratário. o Erro na transmissão da declaração (art. o regime do erro na declaração: o contrato considera-se concluído. Distinção entre erro na declaração e dissenso: o “Distinta do caso do erro na declaração. por não haver nenhuma expectativa legítima do declaratário.558.233. comum a ambas as declarações.. Limitada. em que é possível atribuir a ambas as declarações (a ambas as manifestações). que à lei incumbe tutelar. directamente ou por analogia o regime prescrito para o erro na declaração. o próprio facto da divergência entre a vontade real e a declaração (manifestação) pode ser constatado. HEINRICH HÖRSTER. 247º. subsistência ou verificação de um circunstância presente ou actual que era determinante para a declaração em especial. porém. Vol I. Ed. A interpretação é um pressuposto lógico da decisão sobre a existência ou não do erro causador da divergência”112 O erro sobre os motivos  Trata-se de uma situação em que o declarante faz um representação inexacta sobre a existência. 247º só se aplica quando a divergência se mantém. porém. pp. mesmo depois da interpretação. Pelo contrário. Coimbra Editora. porém. A parte geral do Código Civil Português.”110 o “Há situações. Ed. HEINRICH HÖRSTER. pp. 62 .

para que haja anulabilidade.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  divergência entre vontade e declaração. que afecte os objectivos daquele negócio.”114 Modalidades de erros sobre os motivos: o Erro que recai sobre as qualidades essenciais do objecto ou sobre as qualidades essenciais do declaratário (art. 252º):  Exige-se. Trata-se agora de um erro sobre os motivos (ainda designado por erro-vício). pp.  Quando o erro recaia sobre a pessoa ou sobre o objecto do negócio. o Dolo lícito (dolus bónus) – artifícios naturais do comercio jurídico.  Erro induzido/ mantido em contrário de um dever de elucidar.. bem como a dissimulação pelo declaratário. do erro do declarante. por acordo. 247º). dissimulado pelo declaratário ou por um terceiro. Ed. Almedina. o Dolo ilícito (dolus malus) – atribuição ao objecto de qualidades que ele manifestamente não tem. o Dolo positivo – há um comportamento activo no sentido de induzir em erro o declarante. as consequências são iguais às do erro na declaração (art.  Qualidades essenciais do declaratário  erro sobre as qualidades essenciais para a prossecução do negócio. a essencialidade do motivo. por ser mal esclarecida (. quando existe um dever legal ou contratual de elucidação (art. HEINRICH HÖRSTER.) está viciada. A parte geral do Código Civil Português. que tenha sido reconhecida.  Remissão para artigo 437º (no entanto. 253º (definição de dolo/ distinção entre dolo lícito e ilícito/ pressupostos do dolo): o Definição – sugestão ou artifício que alguém empregue com intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. convergindo com ela a respectiva declaração. O dolo   114 115 Cit. 227º). o Erro que as partes houveram reconhecido por acordo a essencialidade do motivo que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio (art. o Pressupostos do dolo:  Declarante esteja em erro. A declaração está em perfeita conformidade com a vontade.570. 63 . A vontade. Art. de modo que eles provocaram o erro do declarante. a vontade formou-se mal devido a uma actuação exterior que impede a livre formação da vontade do declarante. é esta que está viciada.. ou terceiro. no entanto.  Tem que ser um erro bilateral115: tem de ocorrer um erro e a situação não pode ser coberta pelos riscos próprios da vontade. a lei não é clara e não se percebe se a remissão é feita para todo o artigo ou apenas para a estatuição). o Dolo negativo/ omissivo – o declaratário permite que o declarante se mantenha em erro. Nota: nem todos os autores consideram que o erro tem que ser bilateral. 251º):  Qualidades essenciais do objecto  características do objecto que determinam o seu valor. Coimbra. Tal como no erro sobre os motivos. o Erro sobre a base negocial:  Trata-se de uma situação em que a base negocial objectiva é diferente da base negocial proposta pelas partes. não existe uma divergência entre a vontade e a declaração.  Há uma desconformidade entre a base negocial objectiva é diferente da base negocial pressuposta pelas partes.

a doação não é anulável por dolo. se o declaratário conhecia o dolo do terceiro ou devia conhecer. 64 . Mas imaginemos que A.  Art.”117  “Consiste numa pressão psicológica que determina a vontade. 4ª ed. 119 Cit.”118  Art. para que constitua coacção. 116 117  Cit. O dolo de um não inutiliza o vício proveniente do dolo do outro. sugestão. deve ilícita. Coimbra. Limitada. pp.: “Se A (terceiro) induziu em erro B e o levou a doar bens a C. Código Civil Anotado. HEINRICH HÖRSTER. A vítima da ameaça ainda pode optar entre a sujeição ao mal ou a oposição a ele. liberdade exterior.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel O declaratário ou terceiro haja recorrido ilicitamente a qualquer artifício. válido. Este benefício já é anulável nos termos da 2ª parte do nº2.  Quando a coacção provém de terceiro:  É necessário que o mal seja grave e que seja fundado o receio (questões avaliadas pelo tribunal). causadoras de uma vontade viciada. 118 Cit. se C ignorava e não tinha obrigação de conhecer o dolo de terceiro. ela baseia-se numa vontade. Cit. etc. As consequências da invalidade no negócio jurídico em pormenor Efeitos da invalidade:  Invocação da invalidade – pode ser reconhecida por um acordo entre as partes. Todavia.238. 254º (efeitos do dolo): o Estabelece duas hipóteses:  Dolo proveniente do destinatário da declaração – o acto é sempre anulável mesmo que haja dolo de ambas as partes. mas numa vontade formada em condições limitativas da liberdade de decisão. Coimbra. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. pp. ANTUNES VARELA. beneficiou de um encargo imposto ao donatário C. pp. já o acto pode ser anulado. embuste. o terceiro que induziu B a fazer a doação. pp.  Dolo proveniente de terceiro – o acto é.  Ex.585. Coimbra Editora. Código Civil Anotado. Ed. de modo que falta ao coagido. à semelhança da vítima do dolo. o Pressupostos:  Quando a coacção provém do declaratário – declaração negocial determinada pelo receio de um mal (não se depreende que a gravidade do mal e o fundamento do receio sejam requisitos essenciais). Ed. a ameaça do exercício de um direito não constitui coacção”119  Art. em princípio. Vol I. Almedina. Isto é. 4ª ed. Se emite a declaração cedendo à ameaça.233. 255º (coacção moral): o “A ameaça. Vol I. 256º (efeitos da coacção) e pressupostos: o Efeitos – anulabilidade. invocada por acção judicial e pode ainda ser feita valer (no caso da nulidade) por via de excepção ou oficiosamente pelo tribunal. Limitada.585/586. Almedina.”116 A coacção moral  “É prestada sob coacção moral a declaração negocial determinada pelo receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado pelo declaratário ou por terceiro com o fim de obter dele por este meio a declaração pretendida pelos ameaçadores. A parte geral do Código Civil Português.

ANTUNES VARELA. a vontade exteriorizada pelo declarante. Vol I. Coimbra Editora.268. pp. ANTUNES VARELA. Vol I. o Conversão do negócio nulo ou anulável (art. que a conversão se harmonize com a vontade hipotética ou conjectural das partes. 292º) – é possível viabilizar uma parte do negócio. Princípio da abstracção 120 121 Cit.1) – aplicada. art. Vol I.268. 124 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Art. 4ª ed. às situações de anulabilidade. Limitada.”121  “Para que se possa verificar a conversão. 293º):  “A conversão supõe a invalidade integral do negócio e a sua substituição por outro do qual contenha os requisitos essenciais. Código Civil Anotado. 946º. não basta que o negócio nulo ou anulado tenha a mesma substância do negócio em que se pretende convertê-lo. ANTUNES VARELA. 4ª ed. ANTUNES VARELA. 4ª ed.1. 65 . 293º.2”124  Protecção de terceiros adquirentes de boa fé: o Inoponibilidade da declaração de nulidade ou da anulação do negócio que versa sobre bens sujeitos a registo – art. Vol I. 4ª ed. Pessoas legitimadas para arguir a invalidade: o Nulidade – 286º. 289º. Código Civil Anotado. art. o Anulabilidade – 287º. pp. Coimbra Editora. Coimbra Editora. É necessário ainda que este negócio não contrarie. em regra. Código Civil Anotado. 123 Cit. o Redução de negócio nulo ou anulável (art. Coimbra Editora.2. Vol I. Limitada.269. A minoração das consequências da invalidade do negócio jurídico Princípio da conservação do negócio jurídico  A conservação dos negócios jurídicos em relação às partes: o Confirmação do negócio anulável (art.”122  “É ainda necessário. Cit. em relação à forma do negócio. Limitada. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. não basta que o negócio nulo ou anulado contenha os requisitos essências de substância e de forma do negócio que vai substitui-lo. Código Civil Anotado. pp. pp. 291º.”120  “Como resulta do próprio texto e do espírito da lei. não só de substância como de forma. 1416º. Limitada. 288º. Código Civil Anotado.269.”123  “Há casos de conversão consagrados directamente pela lei: art. de acordo com a parte final do art. 2251.269. Limitada. 122 Cit. o Prevalência segundo as regras de prioridade das leis do registo. em termos decisivos. 4ª ed. pp.

Coimbra. pp. devidamente construído. com os fundamentos e formas da anulação do negócio jurídico.”125 125 Cit. A parte geral do Código Civil Português.585/586. Ed. HEINRICH HÖRSTER. que tem a ver com a existência de uma Parte Geral. com a aquisição de boa fé a um não titular e com a segurança e celeridade do tráfico jurídico. 66 . Almedina.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  “Faz parte de todo um sistema legal.

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