Teoria Geral da Relação Jurídica

O negócio jurídico

Paulo Pichel 2008

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

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TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

Índice
PARTE I – OS ELEMENTOS E A NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................. 6 ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ................................................................................................................ 6 O CONCEITO DE NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................................................... 6 Referência histórica: ........................................................................................................................................................ 6 ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ...................................................................................................................................... 6 PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS PARA QUE SE POSSAM PRODUZIR OS EFEITOS JURÍDICOS PRETENDIDOS PELO NEGÓCIO:.............. 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE ................................................................................................................................................ 7 COMPOSIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE VONTADE (REMISSÃO PARTE II). ................................................................................... 7 INEXISTÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE VONTADE ....................................................................................................................... 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE E A CONSCIÊNCIA DA CRIAÇÃO DE UM VÍNCULO JURÍDICO ...................................................... 8 DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS E DECLARAÇÕES DE CIÊNCIA .......................................................................... 8 SITUAÇÕES EM QUE NÃO BASTA A DECLARAÇÃO DE VONTADE PARA QUE SE FORME UM NEGÓCIO JURÍDICO: ........................ 8 DISTINÇÃO ENTRE NEGÓCIO JURÍDICO E DECLARAÇÃO DE VONTADE ..................................................................................... 8 INTERVENIENTES NO NEGÓCIO JURÍDICO; A CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ...................................... 9 CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ......................................................................................................... 9 LIMITAÇÕES: ......................................................................................................................................................................... 9 Limitação de auto-vinculações: ....................................................................................................................................... 9 Impossibilidade de estabelecer, por acto unilateral, relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: ........................ 9 Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: .............................. 9 NEGÓCIO JURÍDICOS QUE PARA ALÉM DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS EXIGEM A INTERVENÇÃO DE AUTORIDADES PÚBLICAS: ............................................................................................................................................................................................ 10 NEGÓCIOS JURÍDICOS QUE EXIGEM A INTERVENÇÃO DE OUTROS PARTICULARES AFECTADOS PELO NEGÓCIO PARA ALEM DE UMA DECLARAÇÃO DE VONTADE: ........................................................................................................................................ 10 CLASSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS ............................................................................................................................ 10 Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico ........................................... 10 Negócios jurídicos unilaterais: ...................................................................................................................................... 10 Negócios jurídicos plurilaterais:.................................................................................................................................... 11 O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) ...................................................................................................... 11 CRITÉRIO DO CONTEÚDO DO CONTRATO, RELATIVO À ESTRUTURA E PRODUÇÃO DE EFEITOS: ............................................. 11 CRITÉRIO RELATIVO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES EMERGENTES SE CUMPRIREM NUM ÚNICO MOMENTO OU SE PROLONGAREM NO TEMPO: .................................................................................................................................................. 11 Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: ........................................................................................................................ 11 Critério da forma: .......................................................................................................................................................... 12 Critério do modo de formação: ...................................................................................................................................... 12 Critério da natureza da relação jurídica constituída: ................................................................................................... 12 Negócios entre vivos e mortis causa: ............................................................................................................................. 12 DISTINÇÃO ENTRE ACTOS DE MERA ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE DISPOSIÇÃO: ............................................................. 12 PARTE II – FORMAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................................................... 13 AS MODALIDADES DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; OS SEUS ELEMENTOS................................................................................. 13 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DECLARATIVA (LIBERDADE CONTRATUAL + PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA): .................... 13 ELEMENTO INTERNO/SUBJECTIVO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL – VONTADE: ....................................................................... 13 O PROBLEMA DA CONCORDÂNCIA ENTRE ELEMENTO OBJECTIVO E SUBJECTIVO E CONSEQUENTES EFEITOS JURÍDICOS ....... 14 Teoria da declaração. .................................................................................................................................................... 14 Definição de Manuel de Andrade [visão objectivista] ................................................................................................... 14 DISTINÇÃO ENTRE VONTADE NEGOCIAL E MOTIVOS ............................................................................................................ 14 A FORMA DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; A SUA DISTINÇÃO DA PUBLICIDADE ........................................................................ 14 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA: LIBERDADE DE FORMA E LIBERDADE DECLARATIVA; EXCEPÇÕES .............................. 14 FORMA CONVENCIONAL: ..................................................................................................................................................... 14 INOBSERVÂNCIA DA FORMA LEGAL EXIGIDA POR LEI ........................................................................................................... 15 DISTINÇÃO ENTRE FORMA DOS NEGÓCIO E PUBLICIDADE: ................................................................................................... 16 MODALIDADES DE DOCUMENTOS ESCRITOS (ART. 363º): ..................................................................................................... 16 TIPOS DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS: ................................................................................................................................... 16 A PERFEIÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .......................................................................................................................... 16 FASES DA EXISTÊNCIA DE UMA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (RECEPTÍCIA): .............................................................................. 17

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................ 25 OS INCAPAZES E A REPRESENTAÇÃO: .................................................. 29 Art.......................................... 259º .substituição do procurador..... 40 PARTE V ................................................................................... 29 PROCURAÇÃO GERAL E PROCURAÇÃO ESPECIAL ..... 38 A INTERPRETAÇÃO............................ 27 A PROCURAÇÃO E OS SEUS EFEITOS ....................................................... 29 Art............................................................... 30 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS SUBORDINADOS A CONDIÇÃO OU TERMO............................ 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL FICA PERFEITA DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL: ................................................................ 30 PARTE III ................................................................................................................................................................negócio consigo mesmo .................................................. 28 Art..............................................................................................abuso de representação ....... DELIMITAÇÕES PARA COM FIGURAS SEMELHANTES................. 25 DISTINÇÃO ENTRE REPRESENTAÇÃO OU DO REPRESENTANTE COM OUTRAS FIGURAS E INSTITUTOS: ............................................... 34 O TERMO................................................. 236º................................................................................................................................................. 40 4 ..................... 25 PRINCÍPIOS GERAIS........................................................................................................................................................................................ 26 Art.............................................................................................OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA LIMITADA ........ 21 OS EFEITOS REAIS DA CONCLUSÃO DO CONTRATO .............................................................................................................................................. 24 A REPRESENTAÇÃO NA CONCLUSÃO DO CONTRATO .................................................................................. 28 Art............................................................................................capacidade do procurador ............................... 17 Conhecimento: . 264º ...................... 28 Art.... 38 A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL ............INTERPRETAÇÃO E A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (ARTS...................................................................................... 25 A REPRESENTAÇÃO: .................................................................................................................................justificação dos poderes do representante .............................................................................................................1 (2ª parte): .......................................... 24 AS RELAÇÕES CONTRATUAIS DE FACTO ......... 36 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA RELATIVA ..................................................................................................................................................................................... 35 OS NEGÓCIOS CELEBRADOS SEM PODERES DE VINCULAÇÃO: ................................................................... 21 A CONCLUSÃO DO CONTRATO COM BASE EM CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS ....... 18 CONCLUSÃO DO CONTRATO ......................... 17 Recepção: ........................ 266º ............................................................................................................................................................................................................................................representação sem poderes......................................................................... 265º .................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 261º ................................................................................................. 36 PARTE IV ..............228º) .......... 237º..................... PROBLEMA DA SUA EXISTÊNCIA ...... 22 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: ............... 17 Expedição: ...............extinção de procuração ................................................................................................................... 22 As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) ....................................................................................... 28 Art............................................ 26 Art.............................. 22 A CULPA IN CONTRAHENDO (ART........................................................................................................................................................ 19 Passos para a conclusão de um contrato ....................................... 23 Comparação entre art................................................................................................................................................................................................................................................................................... 17 FASES DE EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS NÃO REPTÍCIAS: ........ 33 A condição resolutiva ......................................................A INVALIDADE DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS ................... 31 A condição suspensiva ................................................................................... 20 DISSENSO MANIFESTO E OCULTO/LATENTE ............................... 35 OS NEGÓCIOS DOS INSOLVENTES E DOS FALIDOS CELEBRADOS SEM PODERES DE REPRESENTAÇÃO: ..................................................................................................... 229º........................................ 19 A PROPOSTA CONTRATUAL E A SUA ACEITAÇÃO .................... 269º ................................................................................................................................................... 19 Distinção entre convite a contratar e proposta contratual ............................. 34 OS ENCARGOS OU CLÁUSULAS MODAIS........................................................................................... 239º) ................................................................................................238º....................................................................................... 34 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS DEPENDENTES DE RATIFICAÇÃO .......................................... 19 Convite a contratar: ........................................................................................................................ 25 A REPRESENTAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: . 20 Aceitação eficaz da proposta ................................falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes ......................................TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Exteriorização: ........................................................................ 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL GANHA EFICÁCIA (VINCULA O DECLARANTE DE TAL FORMA QUE ESTE NÃO SE PODE RETRACTAR) [TEORIAS]:...................... 260º ................................................................................................................................................................................................. 268º .................. 19 Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art....................................................................................................................... 263º ....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 30 A CONDIÇÃO ........................................................................................................ 227º)................................ 227º e art...............................................................................................................................protecção de terceiros: ..................................... 27 Art..................................................................................................................................

................................................................................................................................................................................ 62 O dolo.................................................................. 49 A declaração não séria (art................................................................................................................................... 44 Os negócios celebrados com falta de vontade ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 42 O regime das incapacidades negociais de gozo ............. 294º): ........................................................................................................................................................................................................................ 64 A MINORAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO ...........................................................TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel AS CAUSAS DA NULIDADE ............................... 51 Negócios celebrados sem capacidade de exercício: .......................................................................................... 244º)........................................................................................................................................................................................................... 50 AS CAUSAS DA ANULABILIDADE .............................................................................................................. 61 O erro sobre os motivos ................................................... 46 A simulação (arts.................................................................................................................. 43 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica ................. 51 As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas............................................................................................. 60 Os negócios celebrados com erro na declaração ..................................................................... as proibições legais relativas ............................................. 46 A reserva mental (Art........................ 65 5 ............... 42 Negócios celebrados contra a lei (art................................................... 240º a 243º) ............. 65 Princípio da abstracção ................................................................................................ 44 Os negócios celebrados sem observância da forma legal .................................................................................................................... 64 AS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE NO NEGÓCIO JURÍDICO EM PORMENOR ....................................................................................................... 59 Os negócios usurários ................................................................................................................................................................................................... 64 Efeitos da invalidade: ............. 63 A coacção moral ................................. 65 Princípio da conservação do negócio jurídico .................................................... 245º) ............................. 58 Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal .......................................

Só assim é realizado o princípio da autonomia privada.: elementos essência de um c. 874º . HEINRICH HÖRSTER.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE I – os elementos e a natureza do negócio jurídico Negócio Jurídico – “Declaração de vontade privada que visa a produção de um efeito jurídico que se verifica conforme a ordem jurídica por ter sido querido pelas partes” 1 Elementos estruturais do negócio jurídico: o Sujeito – necessita de ter capacidade negocial (exercício). ex. No entanto. Almedina. Ed. que os individualizam face aos outros tipos negociais..v. dentro do princípio da autonomia privada 2” que visam a realização de determinados efeitos jurídicos queridos pelas partes. pp. o Séc. de uma maneira volitiva.417.420. Ed. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER.  “ O conceito de negócio jurídico é uma abstracção de todos os actos jurídicos privados. o Savigny (doutrina clássica) – sublinha a importância da vontade no negócio jurídico. a criação de relações jurídicas. XIX – contrapõe-se negócio jurídico a factos ilícitos (Heise). 3 Cit. o Objecto (conteúdo do negócio) – tem que ser lícito. O conceito de negócio jurídico Referência histórica: o Apenas no séc.. Elementos do negócio jurídico: o Elementos essenciais – “são aqueles que caracterizam o respectivo tipo negocial. são os requisitos do art. sendo necessário perceber que direitos e deveres as partes quiseram constituir. o Declaração de vontade – a vontade tem que ser livre e esclarecida (vontade perfeita e não viciada) devendo coincidir com a declaração de vontade. possível e determinado. Coimbra. 4 Cit. reconhecidos pela ordem jurídica . Coimbra. Cit. usando quase exclusivamente o conceito de declaração de vontade.  No respeito pelo princípio da autonomia privada. Ed. Ed. HEINRICH HÖRSTER. pp. “A relações jurídicas apenas podem ser estabelecidas nas formas e nos limites previstos pela própria lei”3  Não existe o tipo legal “negócio jurídico”.necessária a propriedade de uma coisa/direito + um preço). 1 2 Cit. o negócio jurídico está limitado aos tipos negociais que a ordem jurídica reconhece para a conformação dos mesmos.c. Coimbra.421. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. pp. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. há uma ampla liberdade na conformação e no estabelecimento de relações jurídicas. Coimbra.” 4 (P. Quem se vincula juridicamente tem que ter discernimento para formar uma vontade livre e esclarecida. escolhido pelas partes e admitido pela lei.420. XVIII foi introduzido na linguagem jurídica o conceito de negócio jurídico. Almedina. 6 . só assim é possível proteger o princípio da autonomia privada. modificar ou extinguir. O que existem são os mais diversos tipos legais de negócios jurídicos que têm como característica transversal apresentarem uma finalidade no sentido da produção de efeitos jurídicos e de visarem. pp. A parte geral do Código Civil Português.

o Elemento externo. no entanto. 1628º. [Ver arts. Em termos objectivos. pp. clausulas modais). 2. estipulações de condições ou prazos. “declaração de vontade” surge como “declaração negocial”. pp.421. objectivo – a declaração. Formas que a falta de declaração de vontade pode assumir: o A falta de declaração em si. Composição da declaração de vontade (remissão PARTE II). Por conseguinte. Pressupostos essenciais para que se possam produzir os efeitos jurídicos pretendidos pelo negócio: 1. é necessária uma vontade dirigida aos efeitos e manifestada numa declaração de vontade. ou seja. HEINRICH HÖRSTER. subjectivo – vontade. 7 . é necessária a garantia da produção dos efeitos jurídicos pela ordem jurídica (através do direito objectivo). Coimbra. Inexistência da declaração de vontade  O negócio jurídico depende de uma declaração de vontade. 878º. Almedina.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Elementos naturais – “são as regras de ordem jurídica que complementam a regulamentação encontrada pelas partes”5 (disposições supletivas. normalmente a lei encontra soluções que as partes teriam querido adoptar uma vez que é objectivo da lei contribuir para a auto-realização das partes). o Elemento interno.c + 246º] Nota: a não existência de um negócio jurídico devido à inexistência de uma declaração negocial não implica que não exista um outro facto jurídico ao qual a lei poderá ou não atribuir efeitos inclusive com sanção. 246º). que não chegou a ser manifestada.421. É necessária uma declaração de vontade – exteriorização da vontade. o A falta de declaração com carácter negocial. 5 6 Cit. 3. o Elementos acidentais – “são estipulações das partes que não integram o respectivo tipo negocial. sendo esta que estabelece o tipo negocial e suas características (e não em atenção à vontade das partes. a declaração de vontade é um elemento essencial do negócio jurídico. Ed. uma declaração desprovida de vontade de produzir efeitos jurídicos (não tem a natureza de um acto volitivo-final). Declaração de vontade – declaração negocial pela qual se manifesta a vontade que visa a produção de negócios jurídicos. Cit. art. inviabiliza a existência de negócio jurídico. Cf. Ed. art. a não existência de uma declaração de vontade. Elementos naturais resultam da lei. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. A declaração de vontade Nota: no código civil. integradoras). mas que contêm clausulas suplementares ou acessórias”6 (ex. Têm uma natureza não negocial (Cf. Almedina. Nota: elementos essenciais e acidentais situam-se no mesmo plano pois resultam da vontade das partes. Em termos subjectivos. HEINRICH HÖRSTER. criando um vínculo jurídico. A parte geral do Código Civil Português.

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Nota2: A falta de declaração de vontade não deve ser confundida com uma vontade invalidamente formada ou manifestada. por outros actos que nele intervêm. embora não exista um negócio jurídico. determinados actos reais ou materiais. o Normalmente. presta simples informações ou declarações acerca de dados existentes ou a respeito de determinados acontecimentos (identificação de uma pessoa. depósito-1155º). a consciência de criar uma vinculação jurídica da parte do declarante.420 e 421. as circunstâncias específicas de cada situação concreta. certas relações de favor ou os negócios de pura obsequiosidade não são considerados negócio jurídicos. Ed. sendo estes efeitos. sempre. Faz esta distinção falando de negócio jurídico e declaração (negocial)). o Nota: há no entanto situações em que a distinção entre declaração de vontade e declaração de ciência é difícil. dado o factor de gratuitidade. pois. A declaração de vontade e a consciência da criação de um vínculo jurídico A vontade orientada no sentido da produção de determinados efeitos jurídicos implica. ao lado das declarações negociais. etc). pode acontecer que o negócio jurídico inclua. para além das mesmas. HEINRICH HÖRSTER. declaração de vontade e negócio jurídico já não são coincidentes. existem outros factos jurídicos tais como factos ilícitos e a correspondente responsabilidade. os valores em causa. mútuo-1142º. 7 Cit. que nelas frequentemente ocorre. Verifica-se um indício a favor da existência de uma vinculação jurídica por parte do declarante que se presta a assumir a “atitude de favor” quando estão em causa interesses económicos essenciais ao declaratário.”7 o Exemplos: contratos reais (comodato-1129º. A parte geral do Código Civil Português. (O CCiv. já existe um negócio jurídico embora com os seus efeitos prejudicados ou afectados pela invalidade. declaração de nascimento. o acto material de entrega faz parte. do próprio negócio jurídico. mais do que uma declaração de vontade. 8 . não existe a vontade de criar uma vinculação jurídica. alem das declarações de vontade. sempre de natureza negocial. Nestes casos. Almedina. etc. Nestes casos. Falta ou não tem relevância a vontade de assumir vinculações jurídicas. direitos potestativos quando não dependem de formalidade). que declarante não deve desconhecer. para a celebração de um negócio jurídico. pp. A delimitação entre estas figuras e o negócio jurídico nem sempre é fácil. Aqui. são necessárias. Aqui. Distinção entre declarações negociais e declarações de ciência o Declarações de ciência – alguém dá conta de um facto. porém. o “Assim. os usos sociais. Coimbra. Assim. os interesses dos intervenientes. especialmente quando na perspectiva do destinatário existem razões justificativas para acreditar na existência de uma vontade de assumir uma vinculação jurídica. Situações em que não basta a declaração de vontade para que se forme um negócio jurídico: o São situações em que o próprio negócio é integrado não só pelas declarações como. Distinção entre negócio jurídico e declaração de vontade o São conceitos coincidentes apenas quando estamos perante um negócio jurídico unilateral em que existe apenas uma declaração de vontade (ex. (o mesmo ocorre com os “gentlements agreements”. acordos mediante os quais alguém assume um compromisso de honra).

A parte geral do Código Civil Português. a aceitação ou a ratificação. ocupação de coisas sem dono. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. 457º. pp. que efeitos jurídicos negociais. Ed. 9 . por via interpretativa. Não querendo o outro aceitar ou ratificar o acto. normalmente não procedem de um comportamento unilateral. Conformação unilateral de relações jurídicas  “Da necessidade de um acordo resulta. Almedina. renúncia a um direito. 11 Cit. o Conhecimento real ou presumido que os terceiros tenham do negócio acordado. Coimbra. Ed. Ed. testamento. tendo acordado neles. por acto unilateral. HEINRICH HÖRSTER. Exemplos: contratos a favor de terceiros (447º e 443º). sem mais. direito potestativo e acção directa. abrangidas pelos seus efeitos”8  Por via de regra. Almedina. um sentido “objectivo” a uma conduta com vista à criação de uma obrigação da parte do agente que se teria “auto-vinculado” com semelhante conduta. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. Aqui. os terceiros são favorecidos ou protegidos se o quiserem. Coimbra. o Quando não são atingidos direitos de outrem – ex. doação (940º. é a de saber se os efeitos do negócio jurídico se restringem às partes ou se têm efeitos sobre terceiros.423. o Quando o acto traz uma vantagem jurídica para o visado – ex. Almedina. a conformação unilateral de relações jurídicas  “São intervenientes no negócio jurídico as partes que nele acordaram sendo. as auto-vinculações estão circunscrita àquilo que é legalmente admitido. 10 Cit. pp. Exemplos: remissão de uma dívida (863º). ele recusa a relação jurídica favorável”10. o “Também por via contratual não é possível favorecer terceiros contra a sua vontade”11. Cit. A parte geral do Código Civil Português. por isso. Coimbra. pp. pp.423.1). Tal depende: o Conteúdo do negócio jurídico – se incide sobre direitos absolutos ou relativos. pois são estas que os querem. Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: 8 9 Cit. faltando este consentimento. 2062º). contrato com efeitos protectores para terceiros. Limitações: Limitação de auto-vinculações: o De acordo com o art. testamento (2179º. relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: o “A ordem jurídica exige o consentimento prévio do outro ou.422.  Outra questão diferente. proposta da conclusão de um contrato. A parte geral do Código Civil Português.”9 Tal implica uma limitação do princípio da autonomia privada (não significando que não possa haver condutas criadoras de confiança como é o “venire contra factum próprio” em que o agente cria a confiança ou saberá que o outro confia). Impossibilidade de estabelecer. Ed.” Situações em que é possível um sujeito conformar relações jurídicas de uma maneira unilateral: o Exercício de um direito já constituído – ex. o “Não é possível atribuir. os efeitos de um negócio jurídico produzem-se apenas entre as pessoas. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER.423.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Intervenientes no negócio jurídico. o Quando o acto afecta só o património próprio – ex.

Coimbra. o (São negócios INEFICAZES em relação aos visados que não intervieram e NULOS para em relação às partes que o celebraram. Almedina. pp. os negócios celebrados pelo representante produzem os seus efeitos na esfera e na pessoa do representado.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Duas partes celebram um contrato de compra e venda a respeito de um objecto que não lhes pertence. Aqui. É este o caso da representação.424. não dependem da aceitação ou concordância de uma outra parte. a sua ausência torna o negócio jurídico inválido. tanto voluntária como legal. Agir em nome ou em vez de outrem significa. o Os parceiros sociais acordam um contrato colectivo de trabalho que ultrapassa os limites funcionais da contratação colectiva e as suas razões justificativas. ou decorrentes dos interesses de um incapaz no caso da representação legal. Classificação de negócios jurídicos Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico Estrutura e produção de efeitos: Negócios jurídicos unilaterais: o São negócios jurídicos em que há apenas declarações de vontade de um lado ou várias declarações de vontade paralelas de um lado. o Podem ser receptícios ou não receptícios: 12 Cit. Negócios jurídicos que exigem a intervenção de outros particulares afectados pelo negócio para alem de uma declaração de vontade: o Consentimento pessoal de outros familiares. o As intervenções das várias autoridades públicas têm graus de intensidade diferentes. A parte geral do Código Civil Português. o Normalmente. o Negócios jurídicos celebrados pelos pais como representantes dos filhos menores sem autorização do tribunal são anuláveis (1893º/1894º). o Notário/ tribunal – a sua intervenção no processo prende-se com pressupostos de validade. o Negócios do inabilitado que estão sujeitos à autorização do curador (art. Ed. HEINRICH HÖRSTER. Daí que o agir em nome do representado não se verifica em função da autonomia e da auto-realização do agente (representante). assim. determinadas pela autonomia do representado no caso da representação voluntária.153º). o Consentimento do representado no caso do conflito de interesses. agir dentro de vinculações. o Contrato de compra e venda de bens imóveis – necessidade de escritura pública (875º). pelo que a sua falta terá efeitos diferentes: o Casamento – a presença do funcionário faz parte do tipo negocial. o NOTA: “há situações em que alguém age em vez de outrem como parte-outorgante do negócio.”12 Negócio jurídicos que para além de declarações negociais exigem a intervenção de autoridades públicas: o Casamento civil – presença de um funcionário do registo civil (1628º e 1630º). por isso. mas em atenção à autonomia ou interesse daquele que suporta os efeitos (representado). a sua ausência torna o casamento juridicamente inexistente. o Pode ser necessário que a outra parte conheça o conteúdo da declaração. ou que esta chegue ao seu poder. 10 .

”16 Não é necessário um equilíbrio objectivo ou uma equivalência objectiva entre as prestações feitas. (ex.”15 (Ex. o mandato gratuito – o mandante pode ter que indemnizar o mandatário caso este sofra prejuízos). Ex. HEINRICH HÖRSTER. 15 Cit.428. é difícil estabelecer a fronteira entre um negócio jurídico unilateral ou não. Ed.  Não receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que não há um destinatário. Negócios jurídicos plurilaterais: o “São aqueles que se compõem de duas ou mais declarações de vontade. Almedina. relativo à estrutura e produção de efeitos: o Unilaterais/ não sinalagmáticos – contratos que criam obrigações apenas para uma das partes contraentes. ainda uma obrigação da outra parte. Há uma vantagem patrimonial do lado de quem recebe sendo a atribuição patrimonial unilateral. o Bilaterais:  Sinalagmáticos/ bilaterais perfeitos – “aqueles em que existe uma reciprocidade entre as obrigações das partes. Cit. A parte geral do Código Civil Português. Ed. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. Ex. Almedina. Ed. podendo surgir. A prestação de uma parte é realizada em virtude e por causa da prestação de outra”14. promessa pública). pp. renúncia do arrendamento. 11 . deliberações sociais (175º). Coimbra. pp.  Nota: por vezes. para serem eficazes.428. CCV. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. Coimbra. para alem da declaração se exige a chegada ao poder ou a tomada de conhecimento do destinatário para que o negócio jurídico produza efeitos. 16 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que. basta a mera emissão de uma declaração de vontade. rescisão do contrato de trabalho). Ed. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. pelo que. provenientes de dois ou mais lados e cujos sentidos se encontram e convergem”13 o Exemplos: constituição de uma associação (167º). Coimbra.428. O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) Critério do conteúdo do contrato. o Contrato de execução periódica – contêm uma obrigação periódica a realizar durante certo tempo (contrato de fornecimento de mercadoria). doação. testamento. contrato de sociedade (980º).  13 14 Cit. o Contratos de execução continuada – contêm uma obrigação duradoura (arrendamento. o Onerosos – “cada uma das partes envolvidas faz uma atribuição patrimonial à outra como contrapartida ou contraprestação. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: o Gratuitos – Existe um sacrifício patrimonial apenas para uma das partes contraentes. pp. pp. contrato de trabalho. contrato de sociedade). (ex. posteriormente e dependente da execução do contrato.  Bilaterais imperfeitos – “aqueles em que inicialmente há apenas uma obrigação de uma parte. Almedina.427. Critério relativo ao cumprimento de obrigações emergentes se cumprirem num único momento ou se prolongarem no tempo: o Contratos de execução instantânea – esgotam-se num acto de cumprimento.

mútuo 1142º. um acto material (ex. comodato 1129º). Cit. se tal corresponder à vontade das partes.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Nota: os contratos sinalagmáticos são negócio onerosos (mas nem todos os contratos bilaterais são onerosos – doação com encargos). Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. 12 .  Mortis causa – produzem os seus efeitos depois da morte das partes ou de uma delas. o Negócios familiares:  Pessoais – exclusão do princípio da liberdade de fixação do contrato. 17 18 Cit. HEINRICH HÖRSTER.  Negócios onerosos parciários – “são caracterizados pela participação no risco de certo empreendimento no que diz respeito aos lucros esperados como contraprestação a uma entrega realizada para o efeito”17 Exemplos: parceria pecuniária 1121º. Negócios entre vivos e mortis causa:  Entre vivos – produzem os seus efeitos em vida das partes. Critério da forma: o Negócios não solenes/ não formais – celebram-se de acordo com a vontade das partes não sendo necessária qualquer formalidade especial. o Negócio reais – o princípio da liberdade contratual está afastado quanto à liberdade de fixação do conteúdo (numerus clausus). deve ser possível considerar o contrato concluído com efeitos obrigacionais já no momento do acordo e sem qualquer entrega. pp.[negócio bilateral gratuito]. Ed.1 + 405º + 1146º). No entanto. Critério da natureza da relação jurídica constituída: o Negócios obrigacionais – vale o princípio da liberdade contratual. o Negócio solenes/ formais – negócios jurídicos que para serem concluídos exigem o preenchimento de certa formalidade. pp. Almedina. Coimbra. (Princípio da liberdade de forma + princípio da liberdade declarativa 217º  realização do princípio da autonomia privada). permitindo apenas actos de alienação que mantenham intacta a raiz dos bens. a uma álea. A possibilidade de ganho ou perda vai depender de acontecimento futuro incerto (ex. o risco). renda vitalícia 1238º. no caso do mútuo pode ser convencionada uma participação nos lucros (1145º.  Patrimoniais – o princípio da liberdade de fixação de conteúdo depende da natureza obrigacional ou real. o Nota: negócio consensual pode também ser oposto a negócio formal. É comum serem negócio jurídicos livremente revogáveis exceptuando certas convenções antenupciais. depósito 1155º.430. Ed.  Contratos aleatórios – são contratos em que uma das partes ou ambas estão sujeitas a um risco. Distinção entre actos de mera administração e negócios de disposição:  Actos de mera administração – “são actos de gestão patrimonial limitados ou destinados a conservar a substância dos bens (manter o seu estado frutífero).”18 o Real – é necessário.429. o seguro. nestes casos.  Negócios de disposição – alteram a substância dos bens ou do património administrado. Almedina. Critério do modo de formação: o Negócio consensuais – “o contrato fica perfeito com o simples acordo das partes. A parte geral do Código Civil Português. o jogo e aposta 1245º. A parte geral do Código Civil Português. para alem do acordo.

13 . o silêncio vale como declaração negocial (art.2). 1163º. pp. Ed. A parte geral do Código Civil Português.437. Almedina.437. O declarante sabe que o seu agir tem relevância jurídica. 21 Cit. o declarante dispõe de todos os meios que lhe servem para se fazer entender.  Casos em que o silêncio tem valor declarativo:  Aceitação da proposta de venda a contento (923º. Coimbra. pp. Princípio da liberdade declarativa (liberdade contratual + princípio da autonomia privada):  Em princípio. gestos ou sinais). Mas há vontade de acção quando o declarante age sobre coacção moral. HEINRICH HÖRSTER. portanto. Cit. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. 218º). formada por um elemento interno e um elemento externo que devem coincidir sob pena de o negócio jurídico não poder desempenhar o seu papel. A parte geral do Código Civil Português. o Declaração negocial tácita – quando se deduz de factos que com toda a probabilidade a revelam. Ed. Almedina. Elemento interno/subjectivo da declaração negocial – vontade:  Vontade de acção – é a vontade dirigida à execução da própria acção mediante a qual se manifesta a vontade negocial. (. Coimbra.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE II – Formação do negócio jurídico As modalidades da declaração negocial. “O que está em causa não é a ausência de vontade é a ausência de manifestação desta. inconvenientes ou de coacção física.”21 A declaração negocial é. É uma manifestação directa de vontade tendo com objectivo exteriorizar certa vontade negocial. o Silêncio como modo declarativo – por via de regra não vale nada enquanto declaração negocial. Nota: não há vontade de acção no caso de movimentos reflexos. Coimbra.é a consciência de criar um vínculo jurídico). ou podem ser entendidos nesse sentido. Ed. Se um dos elementos subjectivos falta ou for deficiente ou se o elemento objectivo não obedecer às exigências 19 20 Cit. É uma manifestação indirecta de vontade que se baseia num comportamento concludente do declarante.435. A parte geral do Código Civil Português.  Exemplos de situações em que o silêncio não funciona como declaração negocial:  O silêncio depois do recebimento de uma mercadoria não encomendada.  Aprovação por silêncio no art. uso ou convenção.  Modalidades em que a vontade pode ser revelada: o Declaração expressa – quando é feito por palavras escritas ou QUALQUER OUTRO MEIO DIRECTO de manifestação de vontade (ex.”20 É a vontade de concluir um negócio específico. pp.  Vontade negocial – “é a vontade dirigida a um negócio jurídico concreto incidindo sobre um determinado objecto ou referindo-se a uma realidade precisa.”19 Só é possível no caso de uma resposta a uma declaração negocial expressa ou tácita precedente (é uma maneira de reagir). os seus elementos  “ o primeiro passo para o negócio jurídico consiste numa declaração de vontade”. Apenas nos casos previstos na lei.  Vontade de declaração – existe quando o declarante tem consciência de que o seu comportamento ou a sua manifestação significam uma declaração negocial num sentido qualquer. “A não coincidência entre a vontade negocial e a declaração feita pode levar a um erro. Almedina.

A vontade como elemento subjectivo não é negada. a sua distinção da publicidade Princípio da autonomia privada: liberdade de forma e liberdade declarativa. qualquer relevância jurídica.” [visão objectivista].731º. (ex. repercutindo-se a invalidade sobre os seus efeitos ou simplesmente irregular (podendo ser rectificado). em princípio.595º. 217º.957º.  A inadequação dos motivos não pode afectar o negócio sob pena de trazer consequências incompatíveis à segurança e certeza no tráfico jurídico. O problema da concordância entre elemento objectivo e subjectivo e consequentes efeitos jurídicos Teoria Clássica – (teoria da vontade) – a vontade efectiva do declarante é decisiva. A forma da declaração negocial.)  Em sintonia como o princípio da liberdade declarativa (art. mas o significado da vontade pode estar condicionado pelas opções do código e pela concepção social do direito privado que não olha o indivíduo de forma isolada mas num determinado contexto social. de acordo com o conteúdo objectivo que a declaração apresenta ou que lhe é atribuído" [A vontade do declarante é moldada por critérios objectivos]. Assim. excepções  Existem situações em que a lei afasta o princípio da liberdade declarativa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel legais. objectivo. por princípio. Teoria da declaração – o elemento decisivo é o elemento externo. A declaração tal como o declaratário. segundo os usos da vida. a declaração negocial é atingida por esse facto e. Distinção entre vontade negocial e motivos  Os motivos que levam à celebração de um negócio jurídico situam-se antes do negócio e não possuem. a forma das declarações é escolhida livremente pelos declarantes. ou em todo o caso o revela e traduz. convenção dos interessados ou por disposição legal aparece como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial.1) o CCiv estabelece o princípio da liberdade de forma (219º). da confiança e da segurança no tráfico jurídico.1. 590º. Definição de Manuel de Andrade – “todo o comportamento de uma pessoa que. exigindo que a declaração negocial seja expressa.2. podia e devia entender o comportamento no qual ela se traduz.2. 14 . dentro dos limites da boa fé.1. Forma convencional:  é a forma estipulada pelos declarantes no âmbito do princípio da liberdade declarativa e da liberdade de forma. não existente ou inválida. tendo em vista o princípio da autonomia privada e a necessidade de segurança e o princípio da protecção da confiança (boa fé): “ Uma declaração de vontade é um acto que produz um efeito jurídico intencionado pelo declarante. conforme os casos. Código civil – não toma uma posição clara mas estabelece determinadas directrizes que impedem uma solução subjectivista e que fornecem soluções objectivistas. Assim.

(forma “ad probationem”). a lei é muito rígida no que respeita à observância da forma legal imposta.Art. a segurança e a facilitação da prova. (Princípio da ordem pública + transparência e publicidade)  Existe também a hipótese da forma legal apresentar a forma “ad probationem” não tendo relevância para a validade do negócio jurídico (obras realizadas por acordo das partes no arrendamento). a prova testemunhal não é admitida se tiver por objecto quaisquer convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documento autêntico ou dos documentos particulares.223º (não há uma forma específica) prevê em atenção à altura em que a estipulação foi feita. Sem a observância da forma convencionada.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   As partes tendem a adoptar uma determinada forma voluntária por razões de clareza quanto à conclusão do negócio e seu conteúdo. A ponderação da decisão em ordem a evitar soluções precipitadas ou irreflectidas. Presume-se é que este não se concluiu. Anulabilidade – estão em causa interesses privados. mas estabelece-se a presunção de que as partes querem.  A exigência da forma legal visa determinados fins de interesse público ou ordem pública que o legislador considera superiores ao princípio da autonomia privada e. no futuro. o Forma convencional . Coimbra. Ed. HEINRICH HÖRSTER.”22 2. tendo primeiro convencionado a forma.441. mas para se permitir a prova esta tem que ser feita por confissão ou por documentos que o comprovem (394º). a não ser que diversamente seja provada. 22 23 Cit. A parte geral do Código Civil Português. As partes não querem ver o negócio substituído. desde que correspondam à vontade do declarante. Permite a validade de convenções adicionais ao documento escrito. quer as convenções sejam anteriores. Estipulação da forma no momento da conclusão ou posterior à conclusão do negócio – o negócio já está validamente celebrado. consolidar o acto ou ter as suas clausulas mais perceptíveis. não haverá vinculação entre elas. A exigência de forma feita voluntariamente pode ser afastada pelas partes através de uma determinação posterior ou sucessiva em sentido contrário: o Forma voluntária . ao princípio da liberdade de forma. dois tipos de efeitos: 1. mediante a forma convencionada. 394º.  O não cumprimento da forma convencional não leva à invalidade do negócio jurídico. Inobservância da forma legal exigida por lei  Ao contrário do que acontece com a forma convencional. o NOTA: de acordo com o art. pp. como meio de protecção das partes. Nota: nulidade – está em causa um elemento essencial do negócio jurídico ou está em causa a ordem pública. sendo esta um pressuposto de validade23. verifica-se que a lei atribui uma força reduzida à forma convencional. contemporâneas ou posteriores à formação do documento. ou a melhor ponderação da decisão a tomar no negócio em causa. As finalidades e razões justificativas para a imposição de forma legal são as seguintes: 1. apenas se querem vincular. Almedina.Art. As partes podem abandonar a forma apesar da convenção. facilitar a prova.  Assim.222º (forma escrita) o facto de os declarantes adoptarem a forma escrita não invalida eventuais estipulações acessórias verbais. as partes. consequentemente. por meio dela. 15 . Estipulação anterior ao negócio que se quer celebrar em seguida – “estabelece uma presunção relativa no sentido de.

Tipos de declarações negociais:  Declarações negociais receptícias – destinatário determinado. em jeito de controlo prévio. ao abrigo da publicidade notarial. registos e documentos arquivados. vendas ao domicílio ou vendas por correspondência). Uma assistência profissionalmente competente. obrigados a prestar verbalmente informações relativas aos actos. 24 Nota: um cheque é um documento escrito – ordem pagamento dada pelo sacador ao banco a favor da pessoa que está inscrito como beneficiário ou o portador do cheque. destinada a averiguar. Modalidades de documentos escritos24 (art. A dificultação do negócio em certas situações específicas ditadas por razões sociais (ex. registo predial) ou por publicação nos jornais (estatuto de uma associação). Nota: quando a lei fala em forma. 363º):  Documentos particulares (373º e 376º). separando-o da fase de negociações. O conhecimento a terceiros. 4. 16 . Nota: as exigências legais devem estar de acordo com as características da sociedade (ex.  Embora o negócio produza todos os efeitos para as partes. 3. Distinção entre forma dos negócio e publicidade:  Existem negócios que estão sujeitos a publicidade. 8. A clareza a respeito do próprio conteúdo do negócio. A perfeição da declaração negocial A importância da determinação do momento em que a declaração negocial está perfeita (tem eficácia/ está apta a produzir os seus efeitos):  Esclarece se uma declaração foi feita tempestivamente ou não. torna-o inoponível a terceiros. índice de alfabetização e a exigência de escritura pública). A clareza do momento exacto da conclusão de um negócio.  Pode ser feita pela inscrição do contrato no registo respectivo (ex.  Documentos particulares autenticados (377º e 375º). em princípio. 5. refere-se à forma escrita. 7. as consequências da não publicidade do negócio poderão ser a mera produção de efeitos latentes (casamento não registado – não pode ser invocado ou atendido) ou a não produção de efeitos (o contrato de sociedade comercial não existente).  Ver DL 62/2003 – 3 Abril. 6.  Declarações negociais não receptícias – não têm destinatário determinado.  Documentos autênticos. nomeadamente o registo.  Em certas situações. Segurança da prova. O controlo para preservar interesses da comunidade ou de terceiros (para alem de eventuais exigências de autorizações por parte de tribunais ou outras entidades). ainda a capacidade negocial dos intervenientes. uma vez que os notários estão. a sua não publicidade. registo civil.  A falta de publicidade em nada afecta o negócio pois este já está concluído.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 2.

Tal importa: o Conclusão do contrato e da consequente transferência de direitos reais e risco de perecimento ou deterioração da coisa. (253º. A parte geral do Código Civil Português. Nota: “Tanto a recepção como o conhecimento verificam-se do lado do declaratário. HEINRICH HÖRSTER. pp. Fases da existência de uma declaração negocial (receptícia): Exteriorização:  Corresponde ao momento em que o declarante exprime a sua vontade. 255º. Expedição:  Corresponde ao momento em que a declaração é expedida pelo declarante. tal não implica que elas não possam coincidir no tempo. Ed. as esferas de poder do declarante e do declaratário (declarações negociais receptícias).  A invalidade do negócio jurídico é uma consequência da invalidade da declaração que compõe o negócio jurídico.447.” Fases de existência de declarações negociais não reptícias:  Existem apenas as fases de exteriorização e expedição uma vez que não existe um destinatário determinado. Momento em que a declaração negocial ganha eficácia (vincula o declarante de tal forma que este não se pode retractar) [teorias]: Teoria da exteriorização – a declaração negocial ganha eficácia/ fica perfeita no momento da exteriorização. o Data a partir da qual correm os prazos para a anulação da declaração negocial. no decurso temporal. 257º. (entrada na esfera de poder do declaratário). 220º). Recepção:  É o momento em que a declaração chega ao poder do destinatário de forma a que este possa tomar conhecimento do seu conteúdo. ao separar.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Determina a parte que arca com o risco de uma transmissão errada da declaração.  É neste momento que a declaração ganha existência. Nota: “tanto a exteriorização como a expedição verificam-se do lado do declarante. abandonando a esfera interna do declarante. podendo conduzir ou coincidir com emissão da declaração”25 Ver art. 226º. Almedina. Nota: embora seja possível separar as quatro fases. o momento em que formulada. sendo o pressuposto lógico de ambos a anterior emissão da declaração negocial. Coimbra. A declaração é formulada ou manifestada.  É neste momento que são analisados os pressupostos de validade da declaração. 17 . Conhecimento:  É o momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração que lhe foi dirigida. 25 Cit. Determina o momento a partir do qual o declarante fica vinculado à sua declaração.

 Art. o Declaração negocial não receptícia/ não recipienda – nestes casos. (Adopta-se a 2ª alternativa do 224º.Varela – há uma presunção absoluta que o declaratário tomou conhecimento da declaração caso se tenha verificado que este a recebeu.1: o Estabelece uma distinção entre declarações negociais receptícias e não receptícias:  Receptícias – tornam-se eficazes quando chega ao poder do destinatário ou é dele conhecida. a não recipiendas): o A morte e incapacidade do declarante não obstam. 454º).1). 224º.  Não receptícias – são eficazes com a simples emissão da declaração. A partir de o momento em que tal acontece.  Quando há prova da recepção mas não há prova de conhecimento. desde que esta se revista da forma adequada. depende das concepções reinantes no tráfico jurídico para os negócios em causa.Lima e A. a que uma declaração já emitida ganhe a sua perfeição ainda depois.  Ainda assim. 226º (aplica-se a declarações receptícias e. sem culpa sua. 18 . acontecimentos supervenientes já não prejudicam a eficácia da declaração.3  tem-se por ineficaz uma declaração recebida pelo destinatário em condições de. esta é assumida a partir do momento em que a declaração é entregue a uma pessoa que possui a necessária competência de recebimento.  Art.: promessa pública (Art. Momento em que a declaração negocial fica perfeita de acordo com o código civil:  Art. basta que se verifiquem um dos pressupostos para que a declaração seja perfeita. suposta pela lei quando de prova a recepção.  Quando há prova do conhecimento efectivo não há necessidade de provar a recepção para efeitos da perfeição da declaração negocial.  Art. existe uma divisão na doutrina: o P.  Nota: a chegada ao poder não implica a entrega imediata. 225º: o Declarações negociais receptícias – situações em que não se pode verificar a chegada ao poder ou conhecimento do declaratário pelo que a perfeição da declaração negocial receptícia (por este ser desconhecido ou por se desconhecer o seu paradeiro) verifica-se no momento da publicação da declaração no jornal.  Conjugação da teoria do conhecimento e da recepção. a declaração torna-se eficaz. Teoria do conhecimento/ percepção – a perfeição obtém-se no momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração. o A declaração é ineficaz ou enquanto o destinatário não a receber ou não tenha conhecimento dela. quando um possível destinatário (indeterminado no momento de emissão da declaração) toma conhecimento da declaração. Ex. o Horster – defende que a tomada de conhecimento.2  declaração receptícia – ficção legal no sentido de determinar que é eficaz a declaração negocial que por culpa do destinatário não chega ao seu poder.  Art. 224º. 224º. (Teoria da exteriorização + expedição). Teoria da recepção – a perfeição obtém-se no momento em que a declaração chega ao poder do destinatário. não poder ser conhecida. por analogia.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Teoria da expedição – a declaração negocial ganha eficácia quando é expedida.

.455.232º “podemos deduzir que estamos em face da conclusão de um contrato quando as partes tiverem chegado a um acordo entre elas sobre todas as cláusulas julgadas necessárias. envio de catálogos. Traduzir uma vontade firme de contratar: 1.. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. 2. Coimbra. 28 Cit.457.  Cláusulas objectivamente essenciais – relacionadas com o conteúdo do contrato.457.  Cláusulas subjectivamente essenciais – são cláusulas que cada uma das partes considera essencial para a celebração do acordo. Passos para a conclusão de um contrato 1. Proposta Contratual:  “Constitui elemento imprescindível da certa proposta contratual a sua susceptibilidade de ser aceite”29  Características: i. Traduzir uma vontade precisa de contratar: 26 27 Cit. Almedina. pp. por exemplo máquinas automáticas nos parques ou com sandes já são propostas contratuais. Ed. Conclusão do contrato  “As declarações negociais mais importantes são aquelas que conduzem à conclusão de um contrato. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. 29 Cit.  No entanto.) constitui um incentivo para que alguém dirija uma proposta contratual. Declaração inequívoca do declarante a vincular-se de forma directa e imediata. 19 . A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Ed.”28  Não é uma declaração negocial. pp. Coimbra.”27 (enquanto houver dissenso o contrato não se conclui). Coimbra. Almedina. Ed.”26  Da leitura do art. pp. Tem de incluir na proposta os elementos objectivamente e subjectivamente essenciais.224º/225º+226º. ii. Almedina. HEINRICH HÖRSTER.  Exemplos: pedido de reserva de mesa de um restaurante. exposição de mercadorias nas montras.454. HEINRICH HÖRSTER. Cit. Ed. A proposta contratual e a sua aceitação CONCLUSÃO DO CONTRATO = PROPOSTA EFICAZ + ACEITAÇÃO EFICAZ Distinção entre convite a contratar e proposta contratual Convite a contratar:  “Sinaliza apenas o interesse ou disponibilidade para entrar em negociações com vista à posterior conclusão de um contrato (.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Para que uma declaração seja eficaz é necessário que esteja de acordo com os arts. Almedina. pp.

217º+228º.234º) + declaração negocial tácita (art.”  231º. 224º.1. o declarante fica vinculado à proposta. 20 .1.2 – se o destinatário receber a retratação do proponente antes do recebimento da proposta ou no momento do recebimento. quando dirigida ao público. Coimbra.1. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. Assim o aceitante tem que utilizar o mesmo meio. não podendo retratar-se dos seus efeitos. ACUMULA OS DIAS AO PRAZO DO 228º.possibilidade de “lege ferenda”. HEINRICH HÖRSTER.c). “Condições normais”: a. 3.462. A declaração tem de ser elaborada de tal modo que para a celebração de um contrato baste um simples “sim” do declaratário. 406º. um meio com rapidez equivalente ou rapidez superior. proposta e aceitação chegam ao destino (217º+228º. a proposta do contrato é irrevogável depois de ser recebida pelo destinatário ou de ser conhecida por ele (nos termos do art. Mantém-se até 5 dias depois do prazo em que.1 – salvo declaração em contrário (na própria proposta ou por outro meio declarativo idóneo). [no momento em que a aceitação se torna eficaz. 2. mas o proponente pede uma resposta imediata (217º+228º.228º).1.  “A caducidade da proposta tem como efeito que o proponente foi completamente desvinculado e desobrigado da mesma (art. 1 e 2 | art. A Irrevogabilidade30 da proposta resulta do art.  230º.b). constitui-se um vínculo bilateral. 30 Irrevogabilidade da proposta – relaciona-se com questões de segurança no tráfico jurídico e de proteger as legítimas expectativas do lado do destinatário. 217º). em condições normais. Não é fixado um prazo.2 + 234º . 224º a 226º). 230º e 231º:  230º.  A eficácia da aceitação da proposta depende desta ser tempestiva – chegar ao poder ou ao conhecimento do proponente no prazo estabelecido (ou supletivo) art. 4.b.  231º.1. esta fica sem efeito. Ed. Fixado um prazo. 224º.2. 232º).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 1.2 – proposta não é eficaz. pp. Não é fixado prazo + não é pedido resposta imediata + proposta dirigida verbalmente a pessoa presente – é possível que se deixe um período de reflexão ao destinatário (uma vez que não é exigido um período de reflexão). Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art.  Dispensa da declaração de aceitação (art. é eficaz desde que seja deita na forma de oferta ou em forma equivalente.  A partir do momento em que a declaração negocial (proposta) se torna eficaz (arts. 235º.2 + 224º. 31 Cit. concluindo-se o contrato].”31 Aceitação eficaz da proposta  o contrato conclui-se aquando de uma aceitação eficaz do destinatário da proposta (âmbito de acordo das vontades art.a).228º)  Estabelece 4 hipóteses diferentes: 1.  Irrevogabilidade de aceitação eficaz – já se concluiu o contrato  art. É o tempo de comunicação ou transporte ou transmissão regulares. a partir do que a proposta perde eficácia (art.3 – “a revogação da proposta. Proposta feita a pessoa ausente ou por escrito a pessoa presente + não se estabelece um prazo.  230º.

21 . 879º):  O contrato de compra e venda tem como efeitos: a) transmissão da propriedade ou da titularidade.232º). 874º) e os seus efeitos (art. Aqui a proposta permanece eficaz mesmo após a morte ou incapacidade do proponente. 235º. é no momento da conclusão do contrato que o risco do perecimento ou deterioração da coisa passa do alienante para o adquirente.  Para que se conheça por qual das partes corre o risco. é necessário conhecer o momento em que foi concluído o negócio e que. houve transmissão da titularidade do direito.1.  Rejeição da proposta. 235º.  Art. o O risco transfere-se em sintonia com o momento em que é transferido o direito (que é feito por um mero conjunto sem necessidade de um acto material ou publicidade). Neste caso. Nota: a proposta deixa de ser vinculativa para o preponente:  Expirando o prazo.  Os casos em que o silêncio conduz à formação do contrato.  Art. Está-se perante uma situação de dissenso.  Quando a aceitação é revogada ao abrigo do art. c) obrigação de pagar o preço. b) obrigação de entregar a coisa. Dissenso manifesto e oculto/latente  Enquanto as partes não houverem acordado em todas as cláusulas sobre as quais uma delas julga necessário o acordo. Exemplo: contrato de compra e venda (art. 796º. comportamento posterior ao consenso negocial.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Revogabilidade da rejeição – art. as partes podem convencionar o momento da transferência do risco. o É uma norma supletiva. em princípio. o contrato não se conclui (por falta de consenso). estão expressamente tipificados na lei. Dissenso manifesto – as partes conhecem a divergência.  Aceitação com modificações (art. 233º) – importa a rejeição da proposta. o O risco corre sempre por conta do proprietário.  A eficácia real do contrato dá-se.1 – “a constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. o contrato não fica celebrado. salvo as excepções previstas na lei”.1 o Regra “casum sentit dominus” – determina que nos contratos que importam a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre ela. 408º. 408º e 796º.  Quando se torna ineficaz por morte do destinatário.  A conclusão do contrato implica a produção dos efeitos (direitos e deveres de acordo com o seu conteúdo) resultante da vontade das partes.(231º.226º. portanto.2): o Nota: diferente da solução prevista no art. a menos que seja de admitir que as partes teriam contratado mesmo sem acordo acerca do ponto acessório.2. não há consenso entre elas de modo que o contrato não fica concluído (art. no momento da conclusão do contrato. Dissenso oculto/ latente – as partes julgam (erroneamente) ter-se posto de acordo. Os efeitos reais da conclusão do contrato  Arts. comportamento subsequente à celebração do negócio.

Almedina. sem hipótese de alteração por parte do aderente que ficou sujeito a elas”. 35 Cit. Almedina. à vida económica de hoje”. no tráfico jurídico actual desempenha uma função cada vez mais importante as chamadas cláusulas contratuais gerais.219º e ss. com cláusulas ponderadas e acordadas uma por uma … este modo de contratar não é adequado em inúmeras situações. Almedina. Cit. Ed. Ed. A parte geral do Código Civil Português.32  “Assim. As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) 1. HEINRICH HÖRSTER. Ed. Coimbra.36 Para evitar os efeitos indesejados das CCG. na medida exacta em que aparecem cláusulas concebidas unilateralmente no interesse do contratante determinado.  “O efeito de racionalização pretendido com recurso a cláusulas gerais pode ser desvirtuado. 36 Cit.468. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A conclusão do contrato com base em cláusulas contratuais gerais  “A negociação de um contrato nem sempre é feita de uma maneira individual.  Cláusulas abusivas – poderá acontecer que quem utiliza as cláusulas contratuais gerais abuse do seu poder negocial. 22 . Almedina. HEINRICH HÖRSTER.  “Em todo o caso. HEINRICH HÖRSTER. elaboradas de antemão por uma das partes e destinadas a serem aceites. Conveniência prática de pré-formular as respectivas cláusulas para determinados negócios de massa ou que têm grande complexidade técnica ou são muito sofisticados. sem mais. 228º e ss”.469. 224º e ss. 34 Cit. porém. as regras legais do código civil nem sempre contemplas os interesses e os condicionalismos específicos das diversas áreas contratuais. também as declarações feitas por meio de cláusulas contratuais gerais … são declarações negociais nos termos dos arts. Ed. para afastar a liberdade contratual. Ed.468. 2.469. Permite reduzir custos. pp. estabelece o regime a que estas estão sujeitas: 32 33 Cit. pp. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. pela outra”33 (existe uma limitação da possibilidade de negociação de uma das partes).  Sempre que uma cláusula seja considerada nula é necessário conseguir ampliar os efeitos do caso julgado.34  “Apenas o modo de travar negociações é diferente e racionalizado”. o DL 446/85 de 25 de Outubro. Coimbra. pp. 217º. pp. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. 3. e muitas vezes assim sucede. Coimbra. Por um lado.469. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. que as formulou.35 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais:  O conhecimento objectivo – é necessário que aqueles que assinam os “contratos de adesão” percebam aquilo que estão a assinar. (Não se deverá permitir cláusulas disfarçadas ou que não se conseguem ver bem). pp.

9º. Artigo 8º/9º . 19. a exclusão ou nulidade de uma CCG não arrasta consigo todo o negócio. por outro lado. 15º.1 (âmbito de aplicação) – “as cláusulas contratuais gerais sem prévia negociação individual. devem elas ter a liberdade de romper as negociações. a subscrever ou aceitar. 21 e 22 podem ser proibidas por decisão judicial. pois não é lícito a uma das partes romper arbitrariamente as negociações depois destas terem alcançado um tal desenvolvimento que a outra parte podia julgar-se autorizada a confiar na realização do contrato e. Artigo 25º (acção inibitória) – as cláusulas contratuais gerais. A celebração do contrato ou a sua posterior anulação ou declaração de nulidade não afectam a aplicação do preceito em causa. Artigo 20º a 22º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel            Artigo 1º. 280º). tanto nos preliminares como na formação dele.as cláusulas contratuais inseridas em propostas contratuais ficam incluídas nos contratos pela aceitação. pode observar-se que as negociações se destinam precisamente a dar às partes oportunidades de apreciarem se o contrato deve ser feito e em que termos.as cláusulas não comunicadas ficam excluídas dos contratos individuais. art. assim.1 – as cláusulas devem ser comunicadas na íntegra aos aderentes sob pena de não serem incluídas no contrato e o ónus da prova da comunicação adequada e efectiva cabe ao contraente que submeta a outrem as cláusulas contratuais gerais (art. 15.são proibidas as cláusulas contratuais gerais contrárias à boa fé (novidade face ao CCiv. portanto. mas apenas desde que sejam observados determinadas disposições legais.  A aplicação do art. O comportamento adoptado deve coincidir com: 23 . 13º. mas leva apenas à não aplicação da respectiva cláusula (art..  A lei estipula.3). 227º pressupõe culpa (não basta a simples rotura de negociações). independentemente da sua inclusão efectiva em contratos singulares.caso haja cláusulas especificamente acordadas elas prevalecem sobre as CCG. regem-se pelo presente diploma” [note-se que tanto vale para o proponente como para o destinatário. A culpa in contrahendo (art. a abster-se de outros negócios.dever de informação por parte do contraente que usa CCG (ónus). 16. 18. Artigo 5º.. 227º)  “Quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve.  Em princípio. Artigo 26º . 5º.  A obrigação de indemnizar existe independentemente da formação posterior do contrato ou não (o art. enquanto o contrato não é celebrado. que proponentes ou destinatários indeterminados se limitem. Artigo 6º . 227º visa proteger o próprio processo de formação do contrato em todas as suas fases). etc. Artigo 16º a 19º . Artigo 15º . 14º). proceder segundo as regras da boa fé. 239º).concretização do art. quando contrariem o disposto nos arts.legitimidade de acção inibitória. se necessário às regras de integração dos negócios jurídicos (art. Artigo 4º . Tal deve-se ao facto de muitas vezes se assinar “propostas de adesão” em que é a entidade que recebe a proposta que a pré-elabora].  Em vez de cláusulas contratuais gerais aplicam-se as normas dispositivas comuns. Artigo 7º . com recurso. sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”. elaboradas para utilização futura. a fazer despesas. uma obrigação de indemnizar por culpa in contrahendo.proibição de cláusulas que possam prejudicar consumidores finais. deste modo. respectivamente.  Mas.

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O dever de cada um dos contraentes se exprimir claramente, a fim de evitar falsas interpretações do seu comportamento.  Dever de não começar negociações que se saiba de antemão condenadas ao malogro ou à celebração de um negócio inválido.  Dever de não abandonar arbitrariamente as negociações.  Dever de comunicar à outra parte algum motivo da nulidade do negócio.  Necessidade de sigilo quando se justifica.  O art. 227º deve ser enquadrado no âmbito da responsabilidade civil extracontratual (obrigação resultante da lei e não da autonomia privada).  A responsabilidade prescreve nos termos do art. 498º.  Ao calculo da indemnização serão aplicáveis os arts. 489º e 494. Comparação entre art. 227º e art. 229º,1 (2ª parte):  O art. 227º não exclui a aplicação do art. 229º,1 (2ª parte), aplicando-se independentemente.  O art. 229º, 1 (2ª parte) não exige a culpa, estabelece uma obrigação de avisar como contrapartida de atribuir ao proponente a possibilidade de, unilateralmente, impedir a conclusão do contrato (direito potestativo – outra parte está num estado de sujeição). As relações contratuais de facto ; problema da sua existência       Há uma certa doutrina que defende a existência de obrigações contratuais sem a formação de um contrato por meio das respectivas declarações negociais, unicamente com base num comportamento de facto/ comportamento social. Tal doutrina conduz à não aplicação das regras das incapacidades negociais bem como das disposições referentes às invalidades do negócio a fenómenos e negócio de massa da vida diária. São situações em que aparece uma entidade pública (de forma directa ou indirecta) como fornecedor de um serviço (transportes públicos, gás, electricidade). São situações em que há uma hipótese de aquele que tem um comportamento social típico entrar em contacto com uma entidade pública que presta um serviço. Nestes casos, a conclusão do contrato seria dispensável, seria sempre devida a contraprestação quando a prestação fosse de facto aceite ou utilizada. Esta doutrina deve ser rejeitada: o Ela é supérflua visto o comportamento social-típico coincidir, na grande maioria dos casos, com a declaração negocial tácita e na vontade correspondente. o Se o comportamento não traduzir uma vontade subjacente, será possível recorrer ao disposto no art. 244º, 2, (1ª alternativa) – a reserva mental não conhecida do declaratário não prejudica a validade da declaração, inclusive da declaração tácita. o Quando o comportamento observado for contrariado por declarações de protesto recorre-se ao princípio acolhido nas regras da boa fé e do abuso de direito. o No caso de menores ou incapazes, será aplicável o art. 127º,1,b) e subsidiariamente o regime de enriquecimento sem causa. o Nos casos de relações obrigacionais duradouras originadas por contratos inválidos, as relações contratuais de facto não servem. O que importa é uma regulamentação específica em relação ao regime geral do art. 289º.

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o Nos casos do dever jurídico de contratar a figura das relações contratuais de facto é supérflua e dispensável. Quem está obrigado a contratar deve aceitar as propostas contratuais que sejam feitas.  O código civil não aceita a doutrina das relações obrigacionais de facto:  Têm raízes colectivizantes.  Rompe o sistema do negócio jurídico e do contrato alicerçado na autonomia privada.  Conduz à inobservância da lei mesmo em casos inequívocos.  Não é compatível com a doutrina da transferência de direitos reais por mero efeito do contrato. A representação na conclusão do contrato  A declaração negocial pode ser formulada e manifestada por outros que agem em vez das partes ou de uma delas. A representação:  Há um representante que participa no tráfico jurídico negocial ou em nome de outrem (representado).  Os efeitos dos negócios concluídos pelo representado, produzem-se directa e imediatamente, na esfera do representado.  Os poderes de representação podem resultar: o Da lei – representação legal. o Negócio jurídico – representação voluntária.  A figura da representação não põe em causa o princípio da autonomia privada, pelo contrário, é uma forma da sua efectivação. Os incapazes e a representação:  Os incapazes não estão em condições para poderem participar no tráfico jurídico negocial.  Assim, compreende-se que não se reconheça aos incapazes capacidade para nomear um representante voluntário, pois carece de capacidade de exercício para o fazer (123º, 139º, 156º). [Poderá haver uma excepção à sua incapacidade 127º, 139º, 156º).  Ao ficarem excluídos do tráfico jurídico negocial, os incapazes não poderiam fazer uso da sua capacidade de serem titulares de direitos e obrigações. Para evitar esta situação, serve a figura da representação legal: o Não se trata da realização do princípio da autonomia privada, mas da integração dos incapazes no tráfico jurídico negocia, muito embora sem actuação própria. o É uma representação conferida por lei: o representante age dentro de vinculações e limitações impostas pela função do instituto e pelo facto da sua actuação produzir efeitos na esfera jurídica de quem não possui capacidade para agir. A representação no código civil:  Art. 258º a 261º - contem os princípios gerais, aplicáveis a representação voluntária legal.  Art. 262º a 269º - representação voluntária – focam o carácter negocial do instituto.

Princípios gerais; delimitações para com figuras semelhantes  Pressupostos para a produção de efeitos jurídicos em virtude da representação (art. 258º): o Um negócio jurídico. o Realizado pelo representante em nome do representado. o Nos limites dos poderes que lhes competem. o Nota: o art. 258º abrange representação activo (o representante emite uma declaração negocial) e representação passiva (o representante recebe uma declaração negocial). 25

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Estabelecidos os pressupostos, o Negócio jurídico concluído pelo representante vincula e responsabiliza juridicamente o representado e a outra parte com que o representante negociou.

Nota: não é elemento legal essencial que o representante aja no interesse do representado, embora isso seja sempre o caso em relação à representação legal. Distinção entre representação ou do representante com outras figuras e institutos:  Distinção entre núncio e representante: o Núncio – transmite uma declaração alheia formulada por outrem. o Representante – presta uma declaração própria.  Distinção entre representante e quem age em nome próprio por conta de outrem (comissário, mandatário sem poderes de representação, “homem de palha”): o Quem age em nome próprio por conta de outrem – são verdadeiras partes no negócio, mas os efeitos do negócio são deslocados para a esfera daquele por cuja conta o negócio se concluiu.  Distinção entre mandato sem representação e com representação:  Mandato sem representação – mandatário actua em nome próprio por conta de outrem.  Mandato com representação – alguém actua em nome e por conta de outrem (procuração + contrato de mandato). o Representante – não é parte no negócio, produzindo-se os efeitos deste na esfera jurídica do representado.  Distinção entre representante e quem age sob o nome de outrem, disfarçando a sua verdadeira identidade.  Distinção entre representante e pessoas que servem como medianeiros na conclusão de negócios jurídicos ou de auxiliares na sua execução. o Aqui, o negócio é celebrado pelos próprios, mediante uma retribuição daquelas pessoas.  Distinção entre representantes e representação orgânica: o Representação orgânica – órgãos inscritos nas pessoas colectivas e destinadas a fazer agir as mesmas por actos próprios.  Distinção entre representação e certos ofícios (testamenteiro, vogal do conselho de família, administrador de falência).  Distinção entre representação e consentimento e autorização como pressupostos de validade de certos negócios jurídicos.  Distinção entre representação e contrato para pessoa a nomear (452º a 456º) e contrato a favor de terceiro (443º a 451º). o Representação – categoria especial da conclusão do negócio. o Contrato para pessoa a nomear ou a favor de terceiro – constituem categorias especiais dentro das várias modalidades especiais. Art. 259º - falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes 1. “No negócio, quando celebrado pelo procurador, há elementos em que é decisiva a vontade do representado e elementos em que prevalece a vontade do representante”. Assim, os poderes do representante são determinados pelo poder do representado. Tudo o mais pertence à esfera do representante. a. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representado, atende-se à pessoa do representado.

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ex.. ainda que indirectamente. visto o papel activo que o representante tem na celebração do negócio.  O negócio exclua por natureza a possibilidade de um conflito de interesses.  O representante não pode celebrar negócios com qualquer pessoa: o O negócio é vedado ao representante em virtude de haver uma indisponibilidade ou ilegitimidade do representado. 260º . 261º. em nome do representado. O mesmo se observa quanto à influência que o conhecimento ou ignorância de certos factos poder ter sobre o negócio. Art. o Prevê duas hipóteses:  Se o representante tem poderes para. 27 . não o pode vender a si próprio mas apenas a um terceiro como outra parte do negócio. Nota: compreende-se o relevo dado pela lei à vontade do representante. preço.  A parte que trata com o representante tem a possibilidade de conhecer os poderes exactos a ele conferido.). Nota 2: o art.negócio consigo mesmo  Art.  Hipótese da dupla representação – as proibições estabelecidas valem também para as representações orgânicas. agindo este em nome próprio.. 261º . 261º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel b. em nome do representado. vender certo objecto. mas os poderes para os representantes foram transmitidos para um substituto do representante originário.1: o proíbe o negócio celebrado pelo representante consigo mesmo. O nº1 não faz sentido no caso da representação legal. edição. 259º aplica-se à representação voluntária e. o Não pode o representante concluir um negócio “consigo mesmo” sob pena de ser anulável (art. É de grande importância o estado de boa fé ou de má fé se este estado deriva do conhecimento ou ignorância do facto: i. à representação orgânica. antes de celebrar quaisquer negócios em que aqueles poderes poderão faltar. apesar de o negócio reproduzir imediatamente os seus efeitos na esfera do representado.  Art.2 – prevê a hipótese de o representante substalecer os seus o poderes de representação. Art. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representante (por o representado não se ter pronunciado. com o primeiro representante. c. Ao representado de má fé não aproveita a boa fé do representante. Este substituto pode agora celebrar o negócio. ii. O representado continua o mesmo. A boa fé do representante não poderá ser atendida para qualquer efeito do negócio. seja em nome próprio seja em representação de terceiro a menos que:  O representado tenha especificamente consentido na celebração. 261º). atende-se à pessoa do representante para saber se houve vício ou falta de vontade.justificação dos poderes do representante  A justificação dos poderes de representação pode ter lugar tanto na representação legal como na voluntária.

o Revogação pelo representado – em princípio.  Outra é a situação do outorgante dos poderes de representação. o Cessação da relação jurídica que serve de base (contrato de mandato. proteger a outra parte que negoceia com o procurador. tal como a revogação dela. 265º . não há qualquer obstáculo à revogação. o Nota: o mandato (arts 1157º e ss):  É um contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais actos jurídicos por conta de outrem.extinção de procuração  A extinção da procuração procede-se por via unilateral. trabalho.substituição do procurador  Importante distinguir dois casos: o O de o procurador pretender substituir-se na execução da procuração – tal depende do consentimento do representado se não resulta do conteúdo da procuração ou da relação jurídica que a determine. Produzem-se efeitos na esfera jurídica do mandatário.  É um acto jurídico unilateral por meio do qual uma pessoa é nomeada procurador. não necessite de aceitação da contraparte.). exigindo-se o acordo do interessado. quaisquer limitações às possibilidades do procurador. tal como qualquer outro dos poderes contidos na representação.  Embora a renúncia à procuração. são declarações receptícias.. 262º a 269º). Art. 263º . 264º . 259º.  A autorização para a substituição. desde que tenha. resultante de um acto de atribuição.  Normalmente consta de uma declaração receptícia. Assim. em vista do papel activo que na celebração deste tem a vontade do representante (art. este precisa de ser capaz tanto para a procuração como para a realização do negócio a que ela se destina. a menos que a procuração tenha sido conferida também no interesse do procurador ou de terceiro. em princípio. podendo ser tácita. desta forma. no entanto a capacidade de entender e querer correspondente à substância do negócio.1).  Exige-se. Pretende-se.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A procuração e os seus efeitos Procuração:  Representação voluntária (arts. o necessário discernimento.  Mandato com representação (1178º):  O mandatário actua por conta do mandante e em nome próprio. Art..  A procuração é juridicamente autónoma da relação jurídica de base. não necessita da ser expressa. Art. o O procurador pretender servir-se de auxiliares no seu exercício – não há. a invalidade desta não afecta a primeira.  Mandato sem representação (1180º) – o mandatário actua por conta do mandante mas em nome próprio.  Causas da extinção da procuração: o Renúncia do procurador – acto unilateral que não carece de aceitação por parte do representado.  É a posição de poder de representação. 28 . sociedade. para a celebração do acto.capacidade do procurador  Pode ser procurador quem não tem capacidade para o exercício de direitos.

pelo que os efeitos jurídicos produzem-se directamente na esfera do mandante. portanto. Art. mas pode fixar um prazo razoável à 29 .  Consequências: o O negócio não pode provocar quaisquer efeitos na esfera jurídica da pessoa em nome da qual a outra celebra um negócio. 266º . o Violação dos limites formais estabelecidos na procuração. de modo que os negócios se concluem.  Procuração geral – confere poderes gerais ao procurador e portanto para um multiplicidade de negócios. 224º). 268º . sem que ele goze do direito de retenção do documento (267º). sem culpa. não tendo poderes de representação.protecção de terceiros:  Estabelecem-se dois regimes: o Modificação e revogação da procuração – a lei exige que a modificação e a revogação sejam levadas ao conhecimento de terceiros por meio idóneos. a extinção da procuração (ex. para um negócio só (em muitos casos.  O procurador dever restituir o documento de onde constem os seus poderes. o Procuração inválida (nula).  A amplitude dos respectivos poderes resulta do conteúdo do acto de atribuição e.  Art. o representado fica vinculado pelas declarações negociais do seu ex-procurador em relação a outra parte que não conhecia a extinção ou a ignorava sem culpa. o Restantes casos extintivos – estabelece uma presunção de ignorância por parte de terceiros. produzindo os seus efeitos. salvo se se provar que estes as conheciam (afasta-se um pouco da regra do art.  Nos casos de inoponibilidade da extinção da procuração. da relação jurídica de base.  Sabia que a outra parte não tinha poderes de representação – não pode desvincular-se unilateralmente do negócio. extinção da relação jurídica de base).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Aplicam-se as regras da representação – o mandatário não é parte do negócio. logo que a procuração seja extinta. a lei apenas permite uma procuração especial – negócios jurídicos familiares). indirectamente. Procuração geral e procuração especial  Procuração especial – confere poderes especiais no procurador para cada acto. o A pessoa que celebra o negócio em nome de outrem também não fica vinculada pois não é parte no contrato.representação sem poderes  Alguém celebra um negócio em nome de outrem sem ter os necessário poderes de representação. (Poderá ser-lhe exigida responsabilidade pré-contratual – art. 227º). A estes caberá provar que ignoravam. o A parte que celebra o negócio com aquela que não tinha poderes de representação fica vinculada:  Ignora a falta de poderes da outra parte – pode desvincular-se unilateralmente do negócio (enquanto este não for ratificado).  “sem poderes de representação” significa: o Não existe procuração a favor da pessoa. O mandato é sempre um negócio independente da procuração como acto posterior ou subsequente. sob pena de lhes não serem oponíveis.

na lei ou na lei com o concurso da vontade das partes. tinha concluído o negócio. então a outra parte já se pode desvincular. HEINRICH HÖRSTER. pp. ou seja. Os efeitos do negócio jurídico ratificado produzem-se desde o momento da sua celebração entre as partes. Coimbra. não necessariamente receptício.Os negócios jurídicos com eficácia limitada  “Em certos condicionalismos os efeitos.  É aplicado o disposto relativo à representação sem poderes quando o representante tiver abusado dos seus poderes e a outra parte conhecia ou devia conhecer o abuso. não se produzem de forma estável…ou não se produzem na íntegra. os seus efeitos produzem-se entre quem se apresenta sobre um falso nome e a outra parte. Tal é compreensível à luz dos princípios da 37 38 Cit. pp. 281º. Nota: não se trata de abuso de representação quando o procurador. Caso tal ratificação não se verifique no prazo estabelecido. Ed. agindo formalmente dentro dos seus poderes funcionais. HEINRICH HÖRSTER. Os negócios jurídicos com efeitos subordinados a condição ou termo   “As partes de um negócio jurídico podem subordinar o início ou a cessação da produção dos seus efeitos à verificação de uma condição ou de um termo”38 Não é necessário que a lei o permita para que seja possível às partes imporem determinadas condições ou termos a um negócio jurídico. Almedina. 30 . mas pratica-o de forma a lesar os interesses do representado: o Viola instruções. Caso o agente pretenda concluir o negócio com efeitos para ele próprio. Ratificação – negócio jurídico unilateral.490. e a outra parte não se interessa pela identidade mas sim pelo negócio em si. Coimbra. utilizando falso nome para dissimular a sua identidade. A parte geral do Código Civil Português. Parte III .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel outra parte para que ratifique (ou não) ou negócio.  O abuso de representação só é juridicamente relevante quando é conhecido pelo terceiro (em princípio não afecta a invalidade ou ineficácia do negócio). A parte geral do Código Civil Português. não se produzem desde logo. e a outra parte colaboram conscientemente para prejudicar o representado – COLUSÃO – o negócio é nulo pois é ofensivo dos bons costumes nos termos do art. muito embora o negócio seja perfeitamente válido.  A aplicação de condicionalismos traz alguma instabilidade ao tráfico jurídico uma vez que a vontade das partes ou o comanda da lei fazem com que os efeitos de um negócio válido não se desenvolvam plenamente..abuso de representação  O representante pratica um acto que está formalmente contido na procuração. entre quem o representante originariamente sem poderes. destinado a atribuir efeitos a outro negócios que deles carecem.  Situação diferente é quando alguém age sob nome falso.. o Actos que não correspondem ao interesse do representado. Ed. Art.490.”37  Os condicionalismos podem encontrar a sua origem na vontade das partes. Cit. Almedina. 269º .

arts.1). não são condições no sentido próprio. estando. Coimbra Editora. 270º.1 – Condições próprias mas ilícitas . Um facto lícito pode assim constituir objecto de uma condição ilícita e uma condição ilícita pode ter por objecto um facto lícito.  Acontecimento futuro – mostra que não são condições neste sentido as reservas relacionadas com factos presentes ou passados. Cit. Tanto o termo como a condição são acontecimentos futuros. Por ser voluntária.. Tanto a condição como o termo têm em comum o facto de serem exteriores ao negócio (elementos acidentais). O que é contrário à lei (à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes) é a imposição do facto”39. no entanto. a verificação do acontecimento futuro é certa. à ordem pública ou ofensiva dos bons costumes:  Não há impossibilidade. ANTUNES VARELA. mas exigências da lei como pressupostos para a verificação de determinados efeitos jurídicos (ex. pp. Art. Assim. 271º (condições ilícitas ou impossíveis) o Art. não é a licitude ou ilicitude do problema. acrescentado ao negócio. Vol I. pp. 4ª ed. mas que as partes ainda não conhecem (incerteza subjectiva). acontecimentos já verificados.condições contrárias à lei. não sair o destinatário de sua casa).1: o Condição (própria) – um acontecimento FUTURO e INCERTO ao qual as partes subordinam a produção ou a resolução dos efeitos do negócio jurídico (as cláusulas apostas a um negócio jurídico para condicionar a produção dos seus efeitos.”40   39 40 Cit.251. o A condição pode ser suspensiva ou resolutiva:  Suspensiva – a produção de efeitos de um negócio jurídico fica subordinada a um acontecimento futuro e incerto. “O facto de que fica a depender o efeito ou a resolução do efeito é possível. Código Civil Anotado. Coimbra Editora. no caso do termo. a verificação do acontecimento futuro é incerta. 687º e 1669º). no caso da condição. as que se referem a acontecimentos impossíveis ou acontecimentos que se verificam necessariamente (falta o elemento da certeza). uma vez que determinam a produção dos seus efeitos. as condições legais de eficácia. Limitada. que não se refiram a um acontecimento simultaneamente futuro e incerto são CONDIÇÕES IMPRÓPRIAS).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   autonomia privada (no entanto.  Acontecimento incerto – tem como consequência que não são condições neste sentido. a subordinação querida pelas partes. convenções antenupciais art. Vol I. A condição  “É um elemento querido pelas partes. 1713º. O acontecimento em si tem de verificar-se objectivamente no futuro.  “Para saber se a cláusula é ilícita. ou seja. ela distinguese das “condições legais” (conditio iuris) que não são condições verdadeiras.251. no entanto.  Resolutiva – a resolução do negócio jurídico fica sujeita à verificação de um determinado acontecimento futuro e incerto. ANTUNES VARELA. Limitada. incidivelmente ligados a eles. 4ª ed.  O negócio jurídico subordinado a uma destas condições é nulo. (Ex. 271º. existem situações em que a lei vem expressamente permitir no de modo a evitar dúvidas – ex. 31 . ou seja. Código Civil Anotado. o declarante exigir como condição da eficácia. mas a ilicitude ou licitude do nexo criado entre o facto e a eficácia do negócio.

ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. Código Civil Anotado.252. 275º. Vol I. a da admissibilidade da prática de actos conservatórios. o Exercício de direitos potestativos – não pode ser feito sob condição tendo em conta que o declaratário deve ser protegido contra a insegurança resultante de um exercício condicional. o Devido a disposição legal expressa (art.2+1618º. produz. 275º. Coimbra Editora. 224º. Art. uma vez que cabe a ele próprio desfazer a situação de insegurança (CONDIÇÃO POTESTATIVA OU DE QUERER). da parte do declarante. 272º + 273º  resulta que o negócio jurídico embora ainda não produzindo ou não produzindo definitivamente os seus efeitos pretendidos. O negócio condicional produz de imediato aqueles efeitos indispensáveis para que.1+2054º.  Condições físicas ou legalmente impossíveis SUSPENSIVAS – o negócio é nulo. 848º. Art. 4ª ed.2+1852º. porque o negócio se encontra concluída. Tratando-se de uma condição suspensiva. 275º.2 – Condições física ou legalmente impossíveis:  Condições impróprias – condição física ou legalmente impossível. aliás na linha de pensamento do art. 41 42 Cit. pp. Nem todos os negócio jurídicos admitem condições: o Devido à natureza do negócio que não comporta incertezas quanto à produção dos seus efeitos – ex. para salvaguarda dos seus interesses”42  Efeitos imediatos do negócio condicional – efeitos produzidos pelo negócio mesmo na pendência da condição. Art. pratica-se um facto ilícito. implicar desde já uma VINCULAÇÃO MÚTUA DAS PARTES. 32 . Limitada. aquém tem uma expectativa legítima ou um direito condicional.1+2064º. 273º . ANTUNES VARELA.pendência da condição: o “No caso de se agir de má fé e de se prejudicarem as legítimas expectativas da outra parte.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      o Art.2 é uma consequência deste princípio. no momento da verificação da condição.1 – “não há que aguardar a não verificação da condição para que ela produza os seus efeitos: basta que haja a certeza de que não pode verificar-se. 271º. tudo se passa como se o negócio não tivesse sido concluído. Limitada. os negócio jurídicos familiares pessoais apresentam uma natureza incompatível com a existência de uma condição. 272º . em várias disposições do código.verificação e não verificação da condição: o Art. a condição é admissível para influenciar a vontade ou comportamento deste. antes subordinados à condição. por ser um negócio validamente concluído. os efeitos protectores das expectativas jurídicas criadas.  Condições física ou legalmente impossíveis RESOLUTIVAS – o negócio produz os seus efeitos desde logo e continua a produzi-los sem ameaça de resolução. Aqui. Art.pendência da condição: actos conservatórios: o “É doutrina aceita. pp. sobretudo quando está em causa uma condição resolutiva. se possam produzir os efeitos pretendidos. 2 e 3]. Os efeitos produzidos de imediato são a expressão do facto de o negócio condicional. Cit.252.1) – ex. 4ª ed. antes da verificação da condição ou não da condição suspensiva. e que o pratica é responsável pelos danos que causa”41 [a doutrina do art. no entanto.  Apenas quando o preenchimento da condição depender unicamente da própria vontade do declaratário. o contrato individual de trabalho será incondicionável. o declaratário não necessita de ser protegido contra uma situação de insegurança que lhe é criada por fora. Vol I. Código Civil Anotado.

277º . o A estipulação de uma condição pelas partes conduz.  A boa fé tem o sentido ético do art. A condição suspensiva  O negócio jurídico. 272º (e está de acordo com o art. ou pela natureza do acto. Art. 272º+273º e 275º. 277º.  A ninguém deve ser lícito tirar proveito dos actos que pratique. a não ser que.  Actos de mera administração (arts. que nos contratos de alienação o alienante reservar para si a propriedade da coisa até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte ou até à verificação de qualquer outro evento. Assim.1 e 879º. 277º. A natureza aleatória do acto transmite-se para o adquirente. desta forma a um estado de pendência:  Não existe um direito pleno na pessoa do adquirente. Art. COMO CONDICIONAIS.  O a situação mais importante da condição suspensiva é a reserva de propriedade (art.a) e 939º). especiais. o momento dos efeitos seja outro.Possibilita a alienação de direitos condicionais. 1270º). à contingência da verificação da condição. Art. 227º.pendência da condição: actos dispositivos o Trata-se de um artigo que adopta uma solução diferente dos arts.2 – “manda o nº 2 aplicar directamente. juntamente com o art. ou pelo menos.2 + art. ANTUNES VARELA. pp.2).não retroactividade: o A retroactividade fica excluída em determinadas situações:  Contratos de execução continuada ou periódica (arts. Limitada.253. Vol I. embora validamente concluído.”43 o Abrange também a transmissão da expectativa jurídica à aquisição plena do direito.1 . de conduta para uma das partes ou para ambas.2:  É uma consequência da regra geral do art.a + 954º. 1269º e seguintes. 277º. o 274º. Não havendo posse. o disposto nos arts. 270º. 4ª ed. pela vontade das partes. 224º. se aquele que é obrigado a restituir tem a posse da coisa. É possível. retira-se que a retroactividade não constitui parte necessário ou essencial do conceito de condição. 275º. A aplicação é directa. 1270º.retroactividade da condição o Verificada a condição os seus efeitos retrotraem-se à data conclusão do negócio. 408º.  Há uma EXPECTATIVA JURÍDICA – um direito à aquisição plena.3+ 277º. 276º . de modo definitivo. não transferiu ainda. Coimbra Editora.1 + 434º. o Deste preceito. o adquirente de um crédito obrigado a restitui-lo tem direito aos juros nos termos do art. 33 . sujeitando-se o adquirente e não o alienante.2 + 272º e 273º)  Aquisição de frutos colhidos no exercício de actos de administração ordinária (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    tratando-se de uma condição resolutiva. se houver lugar à restituição do que houver sido alienado. há lugar à aplicação analógica das mesmas disposições. o 274º.409º): o A transferência de direitos reais dá-se por mero efeito do contrato (art. ou por analogia. Código Civil Anotado. 43 Cit. o Art.  Com a celebração do negócio condicional nascem deveres secundários ou acessórios. os efeitos do negócio consolidam-se definitivamente na titularidade do credor ou do adquirente. 274º . 2 e 3). violando as regras de boa fé. os direitos ou obrigações que tem por objecto.

279º . mas sem influenciar nos seus efeitos. os arts.  Aos encargos referem-se os arts. (Para a resolução dos negócios correspondentes é necessário accionar os mecanismos previstos na lei arts. o Termo certo e indeterminado (dies certus an et incertus quando) – aquele que se sabe que chegará. como se não estivesse sujeito àquela estipulação.  O contrato decorre. (ex.  Pode ser estipulado no interesse do devedor.cômputo do termo. o Termo extintivo ou final (dies ad quem) – quando assinala o momento em que o negócio deixa de produzir efeitos. Para atingir os efeitos. mas somente para o futuro. no contexto das disposições testamentárias. mas sem se saber quando.  O não cumprimento do encargo não tem. é preciso accionar os meios previstos na lei para a resolução dos negócios correspondentes. (ex. 34 . Aquele a favor de quem o termo foi estabelecido pode renunciar a ele. ou até que este se verifique. pelo que a renúncia também é causa da sua extinção.  Aos negócios a termo. o Termo suspensivo (inicial/ dies quo) – marca o momento a partir do qual o negócio começa a produzir os seus efeitos. os efeitos do negócio cessam.  Negócio a termo é aquele em que as partes querem que os seus efeitos só se produzam depois que se dê um acontecimento FUTURO e CERTO. mas não atinge (ao contrário da condição e do termo) a produção dos efeitos do negócio que prevê.  Constitui um elemento exterior ou acidental ao negócio jurídico. 272º e 273º. só por si. data de um calendário).  Enquanto condição e termo são imediatamente decisivos para a produção ou não produção dos efeitos do negócio jurídico (ligação incindível). qualquer influência sobre os efeitos da liberdade. O termo  Momento a partir do qual o negócio jurídico deve começar a produzir os seus efeitos. 2244º a 2248º. do credor ou no interesse comum das partes.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A condição resolutiva  Embora validamente concluído o negócio jurídico não transferiu ainda de modo definitivo os definitivo os direitos ou obrigações que tem por objecto. Os encargos ou cláusulas modais  Um encargo onera uma liberdade.  Verificado o termo. 963º a 967º no contexto da doação e. antes da verificação do termo. SEM QUALQUER ESPÉCIE DE RETROACTIVIDADE. 966º e 2248º).  Tipos de termo: o Termo certo e determinado (dies certus an et certus quando) – aquele que se sabe de certeza que chegará e quando. um encargo não o é (ligação cindível).  Art. morte). aplicam-se com as necessárias adaptações as disposições dos arts. ou a deixar de os produzir. o Acontecimento certo – há a certeza da sua verificação independentemente da incerteza do momento em que tal acontecerá. em termos paralelos.

como património separado ou autónomo. Tal pretende prevenir o público contra eventuais negócios com quem estiver atingido por tal medida grave.  Estado de falência (art. Ed. 1313º. no caso de representação sem poderes.1 CPC)  refere-se a não comerciantes “o devedor não comerciante pode ser declarado em estado de insolvência quando o activo do seu património seja inferior ao passivo”.  O negócio não é ineficaz em relação à parte com que o indivíduo contratou.”44  Estado de insolvência (art. não produzem os seus efeitos em relação à parte que pode ratificar ma entendeu não o fazer. situação prevista no art.  A falta de vinculação existe apenas quanto à massa. porém. 229º. registada por este na conservatória competente e publicada no jornal oficial. contrato para pessoa a nomear. Massa insolvente ou falida: destina-se a satisfazer os credores. não forem ratificados. de fazer funcionar a garantia patrimonial geral do art. pois. se o declarante. 601º. caso contrário. A parte geral do Código Civil Português. explica-se a razão da perda de disposição dos bens penhoráveis do falido ou insolvente. Trata-se de uma execução global de todo o património penhorável do devedor no interesse de todos os credores. subtraída à sua administração e disposição.2  “A declaração é ineficaz.498. Almedina. 1135º CPC)  diz respeito a comerciantes “o comerciante impossibilitado de cumprir as suas obrigações considera-se em estado de falência. os negócios susceptíveis de ratificação.  “As inibições do insolvente civil e do falido resultam do seu estado de insolvência ou falência em virtude do qual a massa insolvente é. até à sua distribuição ou liquidação total. o Apenas lhe ficam os bens impenhoráveis. Esta é notificada ao Ministério Público. Coimbra. necessários para a sua subsistência. 35 . (Assim. Os negócios dos insolventes e dos falidos celebrados sem poderes de representação:  São ineficazes relativamente à massa insolvente ou falida os negócios do insolvente e do falido na medida em que estão inibidos. fica na situação de quem perde o poder de disposição dos bens:  Art. 226º. este poderia celebrar negócios que prejudicassem esta mesma massa patrimonial). O falido ou insolvente não fica em nenhum estado de incapacidade.  Efeitos da insolvência civil e da falência: o Separação dos patrimónios do devedor na medida em que esta declaração conduz a uma apreensão dos seus bens penhoráveis e a uma inibição sua para os administrar ou dispor deles (a administração desta massa patrimonial cabe ao “administrador da massa insolvente ou falida”45).2. perder o poder de disposição do direito a que ela se refere. em condições iguais.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios jurídicos com efeitos dependentes de ratificação  São negócios jurídicos em que a vinculação só se pode verificar em relação a um lado do negócio.  Ratificação – é um negócio jurídico unilateral que destinado a atribuir efeitos plenos a outro negócio que deles careça. HEINRICH HÖRSTER.”  Tanto a falência como a insolvência civil são declaradas por sentença judicial. no jornal mais lido na comarca e em editais afixados na porta da sede e sucursais do estabelecimento falido. pp. enquanto o destinatário não a receber ou dela não tiver conhecimento. 44 45 Cit.  Exemplos: casos de inibição do insolvente civil e do falido. o Os negócio posteriores aquela sentença declaratória são INEFICAZES (independentemente de registo). Se. na da sua residência e ainda na do tribunal. por força da indisponibilidade de que sofrem quanto aos seus bens abrangidos pela respectiva massa.

 Se o negócio concluído pelo falido ou insolvente civil trouxer vantagens para a massa patrimonial. A parte geral do Código Civil Português. 46 Cit.  Art.  Art. a pessoa adquire os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir da celebração dele (arts. Os negócios jurídicos com eficácia relativa  Há uma vinculação entre as partes com plena produção dos efeitos.  Art. 36 .  Os casos da falta de publicidade: o A preocupação de lei em proteger terceiros contra evoluções que não conhecem nem podem prever reflecte-se em muitos preceitos:  Art. 168º. 268º). o A nomeação necessita de ser ratificada nos termos dos arts. o insolvente ou falido responde à outra parte por incumprimento do contrato se não consegue realizara contraprestação”46. o Se assim não for. o negócio jurídico celebrado com o falido ou insolvente e a outro parte.  Arts. o administrador poderá ratificar (= negócio jurídico unilateral através do qual alguém vem atribuir pleno efeito a um outro negócio jurídico) o negócio. 871º (eficácia em relação a terceiros). 452º. 453º. Coimbra.2 – o registo tardio do casamento católico não afecta direitos patrimoniais de terceiros. oponíveis a “terceiros” que não os conhecem devido à falta de publicidade dos negócios.  Art. mas não foi:  Art. apenas limitada ao nível da eficácia.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Essa inibição conduz a uma indisponibilidade relativa. 455º.a resolução não prejudica direitos adquiridos por terceiros.500. sob pena de não produzir efeitos em relação ao nomeado (arts. 291º .1). a partir do momento da ratificação. respectivamente registado.3 – a constituição da associação não produz efeitos em relação a terceiros antes de ser publicitada. ganha eficácia retroactiva ao momento da celebração do negócio. mas sem afectar a validade do negócio. pp. de acordo com o art. o Os casos de ineficácia relativa a terceiros são precisamente aqueles em que um negócio devia ter sido publicitado. tendo em conta os interesses dos credores. 1670º.2 – o preenchimento da condição não tem efeitos retroactivos. Almedina. Assim. 227º. 979º .1).  Caso do contrato para pessoa a nomear: o Uma das partes pode reservar o direito de nomear um terceiro que adquira os direitos e assuma as obrigações provenientes desse contrato (art.a revogação da doação não afecta terceiros adquirentes. 2: arg.2 (a ratificação opera sem prejuízo de direitos de terceiro).a anulação não prejudica certos direitos adquiridos por terceiro de boa fé.  Arts. o Sendo a nomeação feita. 268º. 276º+277º+1713º.  Nota: “Caso o administrador da massa não vincule a mesma por via da ratificação. Ed. 434º+435º . 453º e 454º. O representante sem poderes de representação responde à outra parte com base na culpa na formação dos contratos. a contrario). porém. Os negócios celebrados sem poderes de vinculação:  Caso da representação sem poderes (ver art. o contrato produz efeitos apenas em relação ao contraente originário. 266º (protecção de terceiros).  Art. HEINRICH HÖRSTER.2 e 455º. não sendo estes.

1 – as convenções antenupciais só produzem efeitos em relação a terceiros depois de registadas.  Os factos sujeitos a registo podem ser invocados desde logo. dada a falta da sua publicidade por meio de registo e a inoponibilidade daí decorrente. se a segunda aquisição for registada primeiro. a ficção de que a situação jurídica ainda não se modificou. 7º CRPred). entre outros. de harmonia com os efeitos “erga omnes” que os caracterizam.1. é essa que prevalece (Nos termos do art. enquanto não são registados. )  O registo constitui a presunção de que o direito existe e pertence ao titular inscrito.  Fora do processo aquisitivo. 1º). 1711º. a aquisição ou a modificação do direito da propriedade ou de um direito real limitado sobre um prédio (CRPred art. os factos ou direitos não registados não são oponíveis a terceiros que participam no processo aquisitivo quanto ao imóvel.a + 954º. 185º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Art. ainda que não registados (art. aqueles que adquirem do mesmo transmitente. Art.1 + art. 939º.  A inoponibilidade destes negócio jurídicos sujeitos a registo. tendo em vista a segurança no comercio jurídico imobiliário” (CRPred art. entre as próprias partes ou seus herdeiros. relativamente a terceiros adquirentes.5+168º. os factos jurídicos que importem a constituição. 4º CRPred). sobre o mesmo objecto. nos precisos termos em que o registo o define (art. essencialmente. contradizendo assim a realidade. pode acarretar consequências graves para quem devia registar a aquisição e não regista. a eficácia é apenas relativa. a partir da sua ocorrência. a dar publicidade à situação jurídica dos prédios.  As regras da prioridade do registo podem assim ter como consequência a perda de um direito adquirido que apenas possuía eficácia relativa. 879º.a) – doação).  Neste tipo de negócios. não abrangendo os terceiros que pretendam adquirir direitos sobre o mesmo imóvel  o registo estabelece em relação a estes terceiros.  Antes do registo. sendo depois levado a registo para aí ser inscrito em ordem a que o facto se torne oponível a terceiros.a – compra e venda / art. pois aqui não é posta em causa a segurança no tráfico jurídico (ex.  Estão sujeitos a registo. 2º).  As diversas disposições das leis do registo – os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros a partir do registo.  (Para a resolução de casos práticos: 37  .  Art. o O registo predial em particular:  “O registo predial destina-se. os direitos não registados gozam de oponibilidade geral.3 – a instituição da fundação não produz efeitos quanto a terceiros antes de ser publicitada. 492º . como os terceiros apenas precisam de conhecer os factos depois de registados é natural que estes não lhes sejam oponíveis anteriormente]. No caso de dupla disposição a favor de outro adquirente que confia nas presunções do registo.  O respectivo direito constitui-se. 6º CRPred). 408º. adquire-se ou modifica-se por mero efeito do contrato entre as partes (art.  Terceiros para efeito de registo  são terceiros para efeito de registo.o proprietário não inscrito de um prédio responde pelos danos causados por defeitos de conservação. um direito total ou parcialmente incompatíveis com direitos de outrem. [Na verdade.

”48 o Exceptuam-se os casos: 47 48 Cit. segundo o qual a nulidade é oponível a todos os interessados (ver também art. o “O sentido decisivo da declaração negocial é aquele que seria apreendido por um declaratário normal. Determinando. metodologicamente.  No âmbito do registo civil – o estado civil da pessoa tem de ser registado sob pena de produzir meros efeitos latentes.interpretação e a integração da declaração negocial (arts. a lei tenta atribuir o mínimo de estabilidade. na medida em que isto é possível”47  Art. o Art. 4ª ed. Coimbra. Coimbra Editora. 38 . 939º). Código Civil Anotado. HEINRICH HÖRSTER. o registo tem efeitos retroactivos. 892º (para negócios onerosos) e art. Cit. em face do comportamento do declarante. Este sentido tem de estar de acordo com a função do negócio jurídico – a autodeterminação da pessoa dentro da sua autonomia privada conforme a sua vontade. pp. uma eficácia relativa entre as partes de um negócio nulo. Os casos da inoponibilidade da invalidade: o Trata-se de casos em que o negócio é nulo. [não se trata de uma verdadeira excepção ao princípio “nemo plus iuris”]. Como tal. ) o Existem casos em que a falta de registo exclui de todo a invocação de um facto ocorrido:  Os factos constitutivos da hipoteca cuja eficácia. leva a que o terceiro adquirente para efeitos de registo adquira pleno direito sobre o bem. o Os negócio aqui em causa dizem todos respeito a atribuições patrimoniais.   PARTE IV . 236º: o Aplica-se a declarações negociais expressas e tácitas desde que sejam receptícias. pp. a produção de certos efeitos laterais quando se trata de negócios nulos cujo objecto são atribuições patrimoniais. 4º. 286º. 237º. 956º. 892º (o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé) – é este direito que. Venda de bens alheios – art. entre as próprias partes depende da realização do registo (art. portanto. cuja a incerteza traz grandes perturbações ao tráfico jurídico. resultante da inoponibilidade da nulidade entre as mesmas por virtude da boa fé de uma delas.  Existe. a própria declaração negocial.222. 239º) A interpretação  Serve para captar o sentido.  “A interpretação parte. que será normalmente o adquirente de boa fé. Vol I.  O objecto da interpretação é a manifestação da vontade. medianamente instruído ou diligente. de elementos objectivos para obter.1 (negócios gratuitos):  O vendedor ou doador de bens alheios não opor a nulidade ao comprador ou donatário de boa fé. uma vez registado. mesmo nos casos de nulidade. Limitada. através deles.238º. 2 CRPred + 687ºCCiv).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  O registo não tem efeitos constitutivos. mas não para avaliar o conteúdo sob o aspecto da sua razoabilidade ou da sua conformidade ou não com a lei. o elemento externo. ou seja. o próprio conteúdo da declaração. ANTUNES VARELA. colocado na posição do declaratário real.490. 236º. como finalidade. A partir do momento que é registado.  O fim da interpretação é o sentido da mesma. mesmo na sequência da um negócio nulo. o elemento subjectivo. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. Ed.  Estes artigos constituem uma excepção ao art.

o “A ressalva contida na parte final do nº1 tem plena aplicação naqueles casos. “Apenas quando o declarante não pode contar razoavelmente com o no sentido deduzido pelo “declaratário normal” do seu “comportamento”. Limitada.”52 Art.”50 o “Do disposto no nº2 resulta que. o risco linguístico ou o risco do entendimento é imputado ao declaratário. conferindo à declaração o sentido que seria razoável presumir em face do comportamento do declarante. 237º (casos duvidosos): o Aplica-se apenas quando o sentido da declaração não puder ser esclarecido mediante a aplicação do art.  O declaratário conhecer a vontade real do declarante. 236º. Vol I. 236º. Código Civil Anotado. pp. nem aos actos jurídicos em que não procedam as razões justificativas do regimes estabelecido. 238º o Art.512. pp.223. em que o sentido razoavelmente atribuído pelo declaratário a determinados vocábulos da declaração seja completamente ignorado do círculo de pessoas em que vive o declarante. sem êxito. e muito diferente do sentido com que este o empregou” 49 – art. que a declaração seja ambígua. que também hãose considerar as “reacções” do declarante contra eventuais interpretações abusivas. Código Civil Anotado. A parte geral do Código Civil Português. dar à declaração um sentido único.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Não possa ser imputado ao declarante. o Consagra-se uma doutrina objectivista de interpretação em que o objectivismo é temperado por uma salutar restrição de inspiração subjectivista  o objectivo é proteger as legítimas expectativas do declaratário e não perturbar a segurança do tráfico jurídico. pp. Art. Ed. é de acordo com a vontade comum das partes que o negócio vale. Ed. por exemplo. ANTUNES VARELA.1  Não há sentido possível que não tenha no texto do preceito um mínimo de correspondência. razoavelmente aquele sentido.224 52 Cit. A parte geral do Código Civil Português. quer o seu sentido seja inequivocamente contrário ao sentido que as partes lhe atribuíram. Cit. Almedina. 51 Cit.510. Coimbra. 39 . HEINRICH HÖRSTER. conhecendo o declaratário o sentido que o declarante pretendeu exprimir através da declaração. ainda que imperfeitamente expresso. Almedina. 238º. uma vez que ele dispõe de todos os meios para se fazer entender. a não ser que se trate de matéria relativamente à qual se não exija a forma prescrita na lei.  Este artigo não se aplica em casos de interpretação testamentária nem a actos jurídicos que estão fora do comércio jurídico. o “A dúvida a que este preceito alude não é a que a declaração posso suscitar antes de esgotadas as regras da sua interpretação. apesar deste entendimento contrariar o uso linguístico ou o sentido normal das expressões empregues  A vontade real é que conta). Coimbra Editora. Coimbra Editora. É a condenação das doutrinas objectivistas puras e a confirmação da velha regra segundo a qual “falsa demonstratio non nocet””. Coimbra. o A prevalência do sentido objectivo apenas se opera entre as legítimas expectativas do declaratário e as justas necessidades de segurança do tráfico jurídico. HEINRICH HÖRSTER.  Este artigo só é aplicado para as declarações receptícias. 51 (Situações em que declarante e declaratário se exprimem mal e se entendem bem. 4ª ed. Limitada. o O objectivo da solução acenta na lei é o de proteger o declaratário. 49 50 Cit. e não o sentido que este lhe quis efectivamente atribuir. ANTUNES VARELA. pp. Vol I. 4ª ed.1 atribui o risco do uso linguístico ao declarante. mas aquela em que o intérprete razoavelmente se deva sentir depois de ter tentado.

pp. 286º a 294º. as suas configurações típicas. o Deve atender-se à vontade presumível dos declarantes. Art. aplicar-se-á na falta de disposição especial as regras constantes no art. certa vontade.. A integração da declaração negocial  Se a declaração negocial não apresentar um sentido obscuro ou equívoco mas lacunas. o Exigência de determinabilidade – a lei não pode proteger um negócio que não se percebe. 286º a 294º.  53 Cit. Ela tem de manter-se dentro do âmbito negocial traçado pelas partes. o O acto é anulável  a anulabilidade depende de o destinatário da declaração conhecer ou dever conhecer a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. 40 . Estes preceitos contemplam. 239º: o Só se aplica na falta de disposição especial e caso não haja um dissenso (que nos termos do art. sem erro. 232º) em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. bons costumes.  Legal – coerência normativa. o Exigência que a declaração coincida com a vontade – realização do princípio da autonomia privada.A invalidade dos negócios jurídicos   Estão em causa negócios jurídicos com uma anomalia genética que se vai repercutir sobre a validade do negócio jurídico (e. ordem pública.517. se chegue a uma solução contrária aos princípios da boa fé. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. o A integração de lacunas nunca pode substituir ou alargar o objecto de negócio jurídico em causa. cambiantes atípicas. Ed. em princípio desconhecidas das partes. Mas pode acontecer que. Coimbra. é apenas na falta de um regime especial que se aplicam à nulidade e à anulabilidade do negócio jurídico os arts. mas declarou-se outra..TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Art. o Nota: distinta do caso do erro na declaração é a figura do dissenso (art.2  Um sentido que não tenha correspondência com o texto sempre pode valer se corresponder à vontade real das partes do negócio E as razões determinantes da forma se não opuserem a essa validade (caso em que se aplica art. consequentemente.” 53 A lei exige certos pressupostos na tentativa de proteger certos valores: o Conformidade – assegurar uma efectiva autonomia privada e produção dos efeitos pretendidos. o Possibilidade física legal:  Física – não se pode proteger um negócio impossível à partida. PARTE V . Almedina. sobre a sua eficácia).  Art. “O regime geral da nulidade e da anulabilidade encontra-se nos arts. 285º. devido à especificidade de determinados negócios inválido. Mas qualquer delas admite. Neste caso devem prevalecer estes princípios. 247º (erro na declaração): o Erro obstáculo  formou-se. 220º). nem com a vontade do declaratário. 239º. 238º. 232º levaria à não conclusão do negócio). por esse meio. por assim dizer. o Protecção de valores fundamentais do sistema jurídico – normas imperativas.

 Negócio de fim ilícito (art. por qualquer interessado.  Negócios celebrados contra a lei ou sem os necessários consentimentos.  Causas de anulabilidade:  Negócios celebrados sem capacidade de exercício. afecta os efeitos pretendidos. Ed. podendo a nulidade ser requerida por aqueles em cujo o interesse a lei a estabelece. 281º).  Distinção entre invalidade e ineficácia do negócio jurídico: Invalidade Ineficácia Nível de actuação É um elemento intrínseco do Elemento extrínseco da negócio jurídico (da declaração declaração negocial. 280º). etc.  Negócios celebrados com vícios de vontade: o Erro sobre os motivos. ou seja. 240º) + Reserva mental (art.  “Deste relacionamento entre validade e eficácia resulta que uma invalidade. sendo a nulidade invocável a todo o tempo. 294º).  As causas da nulidade:  Incapacidades negociais de gozo. 244) + Declarações não sérias (art.  Negócios cujo o objecto ou o fim são desaprovados pela ordem jurídica (art.  Negócios celebrados com erro na declaração. nas suas modalidades de nulidade ou anulabilidade. Na verdade. 245º)+ Falta de consciência da declaração e coacção física (246º).  Negócios celebrados contra a lei (art. o Dolo. é natural que ela se repercuta na fase posterior da emissão de efeitos. inoponibilidade ou ausência de ratificação.  Art. pp. – e nestes casos podemos falar de uma INEFICÁCIA EM SENTIDO 54  Cit. Almedina. associada à protecção de interesses públicos ou ausência de elementos fundamentais do negócio jurídico (sujeito. objecto negocial (conteúdo/ efeito que se pretende produzir). 41 .  Negócios usurários. negocial – deficiência genética) Nível temporal Antecede a eficácia. Coimbra. o Coacção moral.  Negócios celebrados com falta de vontade: o Simulação (art. sendo a invalidade uma deficiência genética ligada ao momento da emissão.  Surge associada à protecção de interesses particulares.”54  A falta de efeitos ou ineficácia de um negócio jurídico pode resultar não só de factores situados a nível externo. 286º CCiv – o negócio jurídico não produz efeitos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Existem dois tipos de invalidade: o Nulidade:  Art. declaração. normalmente. A parte geral do Código Civil Português. o Anulabilidade:.  Surge.  Negócios celebrados sem observância da forma legal. Poderá ser posterior a uma invalidade.516. 287º CCiv – o negócio jurídico produz efeitos temporários. HEINRICH HÖRSTER. a nível de condição ou termo.

HEINRICH HÖRSTER. Ed. 62 Cit. HEINRICH HÖRSTER. salvo disposição legal em contrário (art. A parte geral do Código Civil Português. em vez de sancionar com a anulabilidade a venda feita sem os necessários consentimentos. por virtude de uma invalidade (sendo então uma espécie de ineficácia indirecta.”58  “Regra geral. A parte geral do Código Civil Português. 67º). pp. HEINRICH HÖRSTER. pp.”59  “A incapacidade reside na própria pessoa do incapaz. HEINRICH HÖRSTER. Ed. 1601º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   RESTRITO (uma espécie de ineficácia directa e imediata) – como pode aparecer também em consequência de um factor situado a nível interno.315 e 316. Coimbra. o discernimento mínimo necessário. Cit. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. de “qualidades minguantes”.  Interditos por anomalia psíquica. 59 Cit. Ed. por um lado.517.  Casamento anterior não dissolvido. A parte geral do Código Civil Português. mediata) – INEFICÁCIA EM SENTIDO AMPLO. no caso previsto no art. o Incapacidade para perfilhar (1850º) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL]:  Menores de 16 anos. Almedina.”57 As causas da nulidade O regime das incapacidades negociais de gozo  “As incapacidades resultam de deficiências. pp. uma grande relevância prática quando se trata de atender às consequências da respectiva falta dos efeitos. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. situação que conduz à não activação da sua capacidade de gozo.  Idade inferior a 16 anos.316. Coimbra. Ed. 57 Cit. sempre um defeito da vontade que lhes veda. Almedina. 42 . porém. por outro – tem. 285º a 294º. porque haverá.55 “A ineficácia em sentido restrito e a ineficácia provocada por uma invalidade não são. Ed. Coimbra. categorias dogmáticas que se impõem como tais. Coimbra. Almedina. pp. pp. a lei.impedimentos dirimentes absolutos) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL). A parte geral do Código Civil Português.315. no entanto.517. Almedina. pp. pp. em última análise. 61 Cit. 60 Cit.315. Ed. mas o resultado de decisões técnico-normativas (p. Almedina. 877º [venda a filhos ou netos]. HEINRICH HÖRSTER. 55 56 Cfr. ineficácia provocada por invalidade. HEINRICH HÖRSTER.”61  “Como se trata de negócio de natureza estritamente pessoal a incapacidade não é suprível: não há ninguém que se possa substituir ao incapaz concluindo o negócio em vez dele.316. A parte geral do Código Civil Português. interdição ou inabilitação por anomalia psíquica. ex. Almedina.  Demência notória. Coimbra. de uma maneira ou doutra. Trata-se de situações excepcionais em que as pessoas por elas abrangidas não podem ascender à titularidade de direitos e obrigações de carácter pessoal por virtude das suas próprias insuficiências. pp.”60  “As pessoas são incapazes porque lhes falta. 58 Cit..316. a aquisição de certos direitos pessoais. UNICAMENTE nos casos da ineficácia provocada por uma invalidade são aplicáveis as disposições dos arts. o seu discernimento ou as suas capacidades volitivas.”62  Os casos das incapacidades negociais de gozo são 3: o Incapacidade para casar (art. Almedina.”56 “A distinção entre as duas formas de ineficácia – ineficácia em sentido estrito. Ed. HEINRICH HÖRSTER. Ed. da própria pessoa que afectam ou diminuem. regularmente. A parte geral do Código Civil Português. podia também ter decretado uma ineficácia relativa). isto é. Coimbra. Almedina. todas as pessoas são capazes de gozar a titularidade de quaisquer direitos privados. em termos absolutos.

Nos outros dois casos os actos são anuláveis (1631º.1). salvo os casos em que outra solução resulte da lei”. a consequência da nulidade para o caso da sua violação (mas também não consagra uma outra sanção). HEINRICH HÖRSTER.  Art. pp.  Interditos por anomalia psíquica. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. Assim. no entanto.317. Ed. 65 Cit. 2188º). também. Ed. a invalidade de um casamento ou de uma perfilhação. no fundo. pondo assim em causa as respectivas relações jurídicas familiares. 1600º. o A norma imperativa dirige-se a fins ulteriores  não conduz necessariamente à nulidade. a figura da incapacidade negocial de gozo parece dispensável: podia distinguir-se entre incapacidades de exercício insupríveis (referentes a negócios estritamente pessoais) e supríveis (referentes aos negócios gerais.1. 294º relativamente à nulidade ou não do negócio. Estes desvios à regra da nulidade explicam-se pelo facto de estar em causa o estado civil das pessoas e pela necessidade subsequente de manter estáveis as relações respeitantes ao estado civil até haver a respectiva decisão judicial de anulação. o Incapacidade para testar (2189º) [o negócio é NULO]:  Menores não emancipados (menores de 18 anos ao abrigo do art. Ed. depois de feita a interpretação do preceito violado em causa. Coimbra.520. SEGUINDO O PRINCÍPIO GERAL (arts. Almedina. pp. pois seria inadmissível que “qualquer interessado” pudesse invocar. NEGÓCIO SUCEDÂNEOS (negócios jurídicos em que os interessados defraudam uma norma imperativa).“os negócios jurídicos celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos. Deve perguntar-se qual é o alvo que a lei quer atingir com a proibição. 132º + 1604º. 43 . A parte geral do Código Civil Português.521.  Trata-se de negócios que pela sua natureza geral são possíveis.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Notoriamente dementes no momento da perfilhação. Assim todas as normas imperativas que não determinem. não estritamente pessoais). ela própria. Almedina. o “Se a norma proibitiva em causa pretende vedas não só o negócio que especificamente visou mas também quaisquer outros que conduzam ao mesmo resultado ou a um resultado equivalente. A parte geral do Código Civil Português. a sanção resultante da sua violação.”64 Negócios celebrados contra a lei (art. Coimbra. limita-se a impossibilitar de todo que ela possa vir a dar-se.  O Art. 294º. 130º ou maiores de 16 anos ao abrigo do art. 294º):  Está em causa a violação de limites legais impostos à autonomia privada. Almedina. 2190º).317. 66 Cit.1850º. a nulidade pode resultar da aplicação do art. o próprio negócio ou fins ulteriores. Almedina. Sendo assim. elas próprias. um negócio tanto pode ser nulo por ser directamente contrário à lei como por fraude à lei. A parte geral do Código Civil Português. Cit. a lei decreta. feito por um incapaz (art.”66 63 64 Cit. a proibição vale também para eles. a ordem jurídica desaprova os negócios tendo em conta o seu conteúdo. ao abrigo do art. A parte geral do Código Civil Português. fim ou circunstâncias concretas em que são celebrados.294º abrange. a tomar ao abrigo do art. devem ser interpretadas quanto ao seu escopo e à sua finalidade com vista à decisão. 294º . 286º. Ed.b). pp.”63 “Em apenas um dos três casos. a nulidade: no caso do testamento.  “Quando uma norma imperativa não determina. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. “A lei não nega a titularidade como tal. Coimbra. diferentes dele e não coincidentes com ele?”65 o A norma imperativa dirige-se ao conteúdo do negócio  Nulidade. pp.a) e 1861º.

294º + 281º: o Situações em que apenas o fim do negócio é contrário à lei ou aos bons costumes. Almedina. Almedina.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o “Os negócios jurídicos com que as partes defraudam uma lei imperativa são nulos. Ed. Ed.”67 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica  Art. o O negócio é nulo se o fim negocial (desaprovado pela ordem jurídica) for comum a ambas as partes.  Apenas é necessário que as partes conheçam a circunstância de que resulta a ofensa. Almedina. não sendo necessária nem a intenção nem mesmo a consciência de defraudar a lei. Coimbra. Ed. o “Se o conteúdo do negócio não é imoral ou ilegal.  Contrários à lei – o negócio é materialmente possível mas contradiz disposições legais imperativas.522.”69  Art.  Legalmente impossíveis – a ordem jurídica não prevê tipos negociais ou meios para a sua realização ou não o admite sequer em relações jurídicas privadas. há uma infracção aos bons costumes por ambas as partes. (ex. pp.  Art.325. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. pp. Varia conforme a natureza deste e compreende os efeitos a que o negócio tende bem como aquilo sobre que aqueles efeitos incidem. HEINRICH HÖRSTER. Consiste na violação de normas de conduta de carácter não jurídico que reflectem as regras dominantes da moral social de uma determinada época e de certo meio. 271º: o “A sanção da nulidade do negócio jurídico verifica-se também quando a produção dos seus efeitos foi subordinada a uma condição ilícita ou impossível”70 Os negócios celebrados sem observância da forma legal 67 68 Cit.  Não é necessário que os intervenientes num negócio tenham consciência de violação dos bons costumes.1):  Fisicamente impossíveis – impossibilidade objectiva (envolve uma prestação não realizável no domínio dos factos ou segundo as leis da natureza. A parte geral do Código Civil Português. o Negócios que são (280º. pp. Coimbra. Coimbra. promessa de vender coisas que estão fora do comercio jurídico). 44 . respectivamente um negócio contrário à lei ou à ordem pública.2):  Contrários à ordem pública – um negócio jurídico é contrário á ordem pública quando viola princípios de ordem pública que se deduzem de um sistema de normas imperativas. mas a imoralidade ou ilegalidade deriva dos seus motivos ou dos fins propostos. como contrários à lei. A parte geral do Código Civil Português. 69 Cit. A parte geral do Código Civil Português.525. 70 Cit. promessa de contrato que a ordem legal proíbe. 294º + 280º: o Negócios cujo o objecto68 seja (280º.  Indetermináveis – não é possível concretizar ou individualizar o objecto em termos tais que se possa realizar a transferência ou a aquisição de direitos sobre o “quid”.  Ofensivo dos bons costumes – tem por objecto actos imorais. contrário à moral pública.

não uma condição de validade da declaração. em princípio válidas. também aos casos em que as cláusulas acessórias constem de um documento com valor probatório inferior àquele que é exigido para a forma legal. Limitada. já o acto não é nulo.530. Pode acontecer. 364º. Código Civil Anotado. mas um requisito apenas para que o negócio respectivo produza determinados efeitos.”73 “Quando a lei exige a observância de forma legal.”74 71 72 Cit. Código Civil Anotado.  De estipulações não abrangidas pela razão de ser da exigência do documento. tudo o que se refere às estipulações acessórias deve ser aplicável ainda às cláusulas adicionais que completem o documento. Coimbra Editora. Se a lei exigir a forma apenas para a prova da declaração. ou seja.  A lei determina que as estipulações verbais acessórias anteriores ou contemporâneas do documento legalmente exigido são nulas a menos que:  Se tratem de clausulas acessórias não essenciais. Coimbra.  As cláusulas posteriores. são. o Estipulações verbais acessórias posteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. nos termos do nº2 do art. como sucede quanto às exigências prescritas na lei processual para a exequibilidade dos títulos.”71 “Há. ANTUNES VARELA. Almedina. o O art. Vol I. o “Embora a lei trate o problema das cláusulas acessórias apenas para as estipulações verbais. 4ª ed. pp. “Supõe a exigência de certa forma como elemento do negócio. Limitada. o disposto no art. 221º cuida apenas das cláusulas acessórias. porém. que isso resulte claramente da lei. a solução que considera as formalidades legais da declaração como formalidades ad substantiam (e não meras formalidades ad probationem). 221º deve ser aplicável. pp.  De estipulações que provem corresponder á vontade das partes. que as partes ainda façam estipulações. o Estipulações verbais acessórias contemporâneas do documento legalmente exigido para a declaração negocial. É preciso. uma vez que não poderiam ter sido incluídas no documento. parte do princípio de que o documento. necessário para o efeito. pp. resta saber se estão abrangidas ou não pelo âmbito da forma legal. como regra. a menos que também estas estejam sujeitas à forma legal em virtude de as razões da forma lhes serem igualmente aplicáveis. Cit. 73 Cit. pp. 45 . ANTUNES VARELA. Ed. inclui tudo o que as partes contraentes quiseram regular entre si.  (A presunção não procede quando a razão determinante da forma não for aplicável e se provar que elas continuam a corresponder à vontade do autor da declaração). 219º + 220º. 4ª ed. Coimbra Editora. 74 Cit.210. Coimbra Editora. Vol I. ANTUNES VARELA. casos em que a forma é. Vol I. Alem isso.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. Código Civil Anotado. HEINRICH HÖRSTER. 4ª ed.211. visto poder provar-se por confissão. 221º contempla 3 casos: o Estipulações verbais acessórias anteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial.211. Não se vê razão para um tratamento diferenciado em casos tão parecidos como o são as cláusulas acessórias e as cláusulas adicionais. Limitada. não tendo relevância quanto ao resto do negócio. de facto.”72 “O artigo 220º consagra explicitamente. A parte geral do Código Civil Português. como se diz neste último preceito.” O Art. no entanto. por analogia.

criando esta atitude como consequência a correspondente disposição da outra parte (aumento da renda sem respeitar a forma legal e o inquilino paga durante o tempo e só depois alega a nulidade do aumento). em princípio. 76 46 . perdendo assim. Ed. Coimbra.  Contraria a ordem pública ou contradiz os princípios fundamentais da ordem jurídica. económica ou social ou desvirtua os objectivos do instituto jurídico.  Ignorada – falta de consciência da declaração.  O direito subjectivo é invocado para fins que estão fora dos objectivos ou funções para os quais ele foi atribuído pela norma. (Considera-se que o interesse público tem supremacia).532.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o No caso de inobservância da forma legal. Art. erro. A simulação (arts.  Acordo entre declarante e declaratário. esta exigência não se aplica quando estão em causa negócios jurídicos unilaterais (vd. 75 O abuso de direito poderá aparecer sob duas formas básicas: o Abuso institucional:  É o abuso que o artigo refere quando se fala do “fim social ou económico” do direito. o Abuso individual:  Neste caso. Esta divergência pode ser: o Intencional  Simulação. A parte geral do Código Civil Português. 334º (abuso de direito75) – venire contra factum próprio .  Este tipo de abuso tem de ser apreciado oficiosamente pelo tribunal.”76  Existência de uma divergência entre a vontade e a declaração. [De acordo com a doutrina dominante. devido à estabilidade da conduta da outra parte durante um certo período.  Art. em que uma das partes induziu a outra em erro.240º: o Estabelece três requisitos. comportamento este que vai no sentido de não querer exercer o seu direito. 240º a 243º)  O declarante emite. a actuação conjunta visa enganar ou prejudicar o terceiro.é adoptado um comportamento positivo por parte do titular do direito subjectivo.  No caso concreto. Almedina. 227º . O declarante faz a declaração mas não quer o declarado.  Art. de forma deliberada.  Intuito de enganar terceiros. uma declaração não coincidente com a sua vontade no intuito de enganar um terceiro. de acordo com o declaratário. a coberto da norma. pp. mas há direito a indemnização da parte lesada. reserva mental e declaração não séria. o declaratário sabe disso. o exercício do direito estaria. HEINRICH HÖRSTER. Os negócios celebrados com falta de vontade  “Podem surgir situações em que falte a coincidência entre o substrato volitivo interno e a sua aparência externa. que necessitam de ser verificar simultaneamente:  Divergência entre a vontade real e a vontade declarada. haverá duas soluções:  Art. o Não intencional:  Forçada – coacção física. Esta falta é o resultado de uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada. Chega-se a uma situação de confiança em que a outra parte faz fé. esse mesmo direito. A vontade que aparece como manifestada não existe como tal. Cit. que o titular não fará uso do seu direito. 2200º)].o negócio é considerado nulo. existem circunstâncias ou relações especiais em virtude das quais o exercício do direito incorre em contradição coma ideia de justiça.

A parte geral do Código Civil Português.  Simulação quanto ao valor. As modalidades da simulação: o Simulação absoluta (art. 240º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     o O negócio simulado é nulo [apenas no caso do casamento simulado e do testamento simulado. Os herdeiros são também incluídos na categoria de simuladores tal como os seus representantes (259º.2  a boa fé consiste na ignorância da simulação ao tempo em que foram constituídos os respectivos direitos do terceiro.1  constitui uma limitação do art.d) e 2200º].  Simulação fraudulenta visa enganar e.  Simulação subjectiva  concluído entre pessoas que não aquelas que efectivamente nele intervieram (interposição fictícia de pessoas). 242º”. 47 . HEINRICH HÖRSTER. 1635º. Coimbra. podendo aquela ignorância ser perfeitamente culposa. 394º. como interessados.1) – os simuladores pretendem celebrar determinado negócio jurídico. o Nota: Os credores podem ainda invocar a nulidade ao abrigo do art. Almedina. o 243º. Legitimidade para arguir a simulação (Art. A simulação relativa e as suas formas (art. com isso. podendo a nulidade ser invocada ou não nos termos que acabam de ser descritos. 242º): o 242º. 241º): o “Se o negócio simulado é sempre nulo. o Simulação inocente e simulação fraudulenta:  A simulação inocente visa apenas enganar alguém. o negócio é anulável – arts. podem propor a acção nos termos do art.2  A nulidade pode ser invocada pelos herdeiros legitimários que pretendam AGIR EM VIDA do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com o intuito de os prejudicar. o mesmo já não acontece com o negócio dissimulado no caso de uma simulação relativa.Lima – “não interessa que os terceiros sejam prejudicados com a declaração de nulidade ou sejam beneficiados com a manutenção do negócio.  P. claro que os terceiros de boa fé. prejudicar o terceiro. 286º e os próprios simuladores mesmo que se trate de uma simulação fraudulenta. 286º na medida em que exclui das pessoas legitimadas para invocar a nulidade (em princípio “qualquer interessado”) os simuladores em relação a terceiros de boa fé.539. 605º Inoponibilidade da simulação a terceiros de boa fé (art.1) – Os simuladores fingem concluir determinado negócio e na realidade não há negócio nenhum.”  Mota Pinto – “se forem beneficiados com a nulidade. as partes simulam uma compra-evenda quando se trata de uma doação. o 242º. (É excluída a prova testemunhal nos termos do art. que todavia é dissimulado:  Simulação objectiva  sob a aparência de um acto de conteúdo ou de objecto diverso:  Quanto à natureza do negócio – Ex. Ed.2).2). pp.”77 o A validade ou invalidade do negócio dissimulado (“escondido” por trás do negócio simulado) decide-se em termos perfeitamente autónomos e independentes do 77 Cit. Contra eles é sempre vedada a acção por parte dos simuladores.1  Têm legitimidade para arguir a nulidade todos os interessados nos termos do art. 241º. 243º): o 243º. o Simulação relativa (art.

Simulação em negócios formais ou em prejuízo da Fazenda Pública o “Se o negócio dissimulado estiver sujeito á forma legal é preciso observar o disposto no art.2. Segundo este preceito. Almedina. sempre nulo. conteúdo ou fim desaprovados.  Interposição real  é o caso do mandato sem representação.  Horster  o negócio dissimulado deve ser considerado nulo sempre que não conste CLARA e INTEGRALMENTE do documente que a ele próprio disser respeito. em vez dela. 220º. Ed.544. falta de forma.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  negócio simulado.  A forma observada na conclusão do negócio simulado corresponde tanto à forma legal do negócio simulado como à do negócio dissimulado. 241º decorre logicamente do seu nº1 bem como do art.  Os negócio simulados são nulos por essa razão. conhecendo a outra esta posição representativa. Existe um conluio entre as verdadeiras partes do negócio e a pessoa interposta por elas.  Simulação sobre o valor do negócio  prentedem-se vantagens económicas que não seriam possíveis caso não exista simulação. HEINRICH HÖRSTER. 241º.  Representação  alguém age em nome de outrem. 48 . visto estarem em causa duas realidades negociais diferentes. A exigência de forma legal. A parte geral do Código Civil Português. o Simulação relativa objectiva:  Simulação sobre o conteúdo do negócio:  Simulação sobre a natureza do negócio  mediante a qual se pretende. proibição do negócio. em primeira linha. Só neste caso existe simulação. A exigência do nº2 do art.  O negócio dissimulado é válido desde que o regime legal que lhe diz respeito tenha sido integralmente observado. interposição real de pessoas e representação:  Interposição fictícia  a pessoa interposta é um sujeito simulado. estejam todas as cláusulas sobre as quais as partes 78 Cit. Alguém age em nome de uma das partes. são admissíveis as seguintes posições:  A forma exigida na lei foi observada apenas para o negócio celebrado – invalidade no negócio dissimulado. afastar ou ilegitimidades ou indisponibilidades. pp. implica que. no documento.  A forma legal apenas foi observada em relação ao negócio dissimulado – validade do negócio dissimulado. Coimbra. e como tal. etc). o negócio dissimulado de natureza formal apenas é válido se tiver sido cumprida a forma exigida por lei. A pessoa é parte verdadeira no negócio. A validade do negócio dissimulado vai depender de outras razões legais (incapacidade. Não existe conluio: há um acordo interno entre uma das partes do negócio e a pessoa por ela interposta que realiza o negócio com quem desconhece a situação. Todos os intervenientes sabem da operação fictícia. o Simulação subjectiva (interposição fictícia de pessoas):  Distinção entre interposição fictícia de pessoas.”78 o No que diz respeito ao cumprimento da forma legal. em que alguém actua em nome próprio mas por conta de outrem.

então aplica-se o regime da simulação. 240º. Almedina. 236º. a actuação isolada visa enganar (ou prejudicar) o declaratário. não constam integral e claramente do documento relativo ao acordo obtido (art. todas as simulações seriam falsae demonstratio. Ed. desrespeitando a lei. esta será preenchida nos termos do art. HEINRICH HÖRSTER.”80  Requisitos da reserva mental: o Declaração receptícia. Assim.  Quem emite. 49 .2).547. 221º). o declaratário não sabe disso.533. uma declaração tem consciência que o declaratário lhe atribui efeitos jurídicos. pp.2 e 238º. o “Tendo sido feita em prejuízo da Fazenda Nacional. se a forma adoptada no negócio simulado satisfazer as razões da forma exigida para o negócio dissimulado. Deste modo.  Doutrina dominante  o negócio dissimulado é formalmente válido se o documento para ele exigido for do mesmo tipo do adoptado no negócio simulado ou. o negócio dissimulado não é posto em causa pela lei fiscal quando for civilmente válido. o No entanto. podem ser atingidos os objectivos superiores de interesse público que justificam a exigência da forma legal. pelo menos. Ed. 244º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio com o declaratário – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de enganar o próprio declaratário. 239º. HEINRICH HÖRSTER. a simulação relativa tem os efeitos previstos na lei civil: quer dizer. Coimbra. Havendo uma lacuna nas declarações negociais. 220º) uma vez que as partes ou o conteúdo. a figura da “falso demonstratio” tem o seu lugar no contexto da interpretação da declaração negocial e do mau uso linguístico e não ao nível da simulação. O declarante sabe da relevância jurídica para o declaratário.  Carvalho Fernandes  quando estiver em causa uma simulação objectiva em relação ao valor.1 e o negócio dissimulado é nulo por falta de forma (art. A parte geral do Código Civil Português.  Se a reserva mental for conhecida do declaratário. Só assim. 79 80 Cit. pelo que a declaração negocial é nula (Art. Portanto: o declarante faz a declaração. 232º. Se assim fosse.”79 A reserva mental (Art. a doutrina defende que esta posição é a que melhor permite a satisfação da vontade real dos interessados.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel devem concordar para que o contrato fique concluído (art. pp. o Intuito do declarante enganar o declaratário. a declaração feita sob reserva mental é válida se for desconhecida do declaratário. o negócio simulado é nulo nos termos do art. Cit. Almedina. O declarante não fica vinculado à sua declaração embora não possa opor a reserva mental a terceiros de boa fé (art. Esta posição sustenta-se nos arts. 243º). A parte geral do Código Civil Português. sob reserva mental. Coimbra.na lógica do 221º).2 que mandam atender à vontade real e coincidente das partes. Portanto. deve considerar-se nula a cláusula de preço. 244º. o Conteúdo contrário à vontade efectiva do declarante. mas não quer o declarado. atribuindo ao documento ou aos documentos celebrados o sentido que as partes quiseram (mas não manifestaram) ao outorgá-los.

A declaração não séria (art. 246º)  Coacção física ou violência absoluta – o declarante é um simples instrumento à mercê de outrem que comanda irresistivelmente a acção mediante a qual se manifesta a vontade. o (Nexo de causalidade).”82 A falta de consciência da declaração e a coacção física (art.  À falta de consciência de fazer uma declaração correspondem duas alternativas: o Falta de vontade de acção. a actuação isolada não visa enganar ou prejudicar ninguém. porém.”81  As declarações devem ser não sérias e simultaneamente não enganadoras. situação muito semelhante a “falsa demonstratio”. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. mas não quer manifestar com este nenhuma vontade jurídico-negocial. o A atitude de tomar a sério foi originada pelas circunstâncias. o Vontade de acção mas falta de consciência de fazer uma declaração negocial. Almedina.  Indemnização pelo dano da confiança  Se. 245º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de não enganar nem um terceiro. 259º). Pode haver uma reserva mental relativa que implica a validade da declaração dissimulada desde que esta esteja em conformidade com a lei (241º. uma declaração com as características volitivo-finais.  As declarações não sérias carecem de qualquer efeito. não quer o declarado ou não tem vontade nenhuma. 50 . no entanto. mas o declarante está convencido que sabia.1. pp. A reserva mental distingue-se. 241º. NOTA: “nas três figuras referidas até agora a posição do declarante face à sua declaração é sempre a mesma: não quer o declarado. Portanto: o declarante emite uma declaração. varia e é em sintonia com ela que se diferenciam e definem as três figuras. 334º). a declaração for feita em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer. Pressupostos: o O declaratário tomou a declaração a sério.534. pp. 81 82 Cit. Ed. Ed. não há vontade de acção nem acção do declarante. A posição ou a atitude do declaratário. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. Em casos em que a nulidade poderá levar a resultados muito injustos (reserva mental motivada por caridade ou por valores morais) poderá ser útil a figura do abuso de direito (art. O declarante faz a declaração mas não que o declarado. Portanto: o declarante faz – como mero instrumento – a declaração. O declaratário não sabe disso. Almedina. uma vez que não houve o acordo simulatório nem o intuito de enganar terceiros mas o próprio declaratário. Coimbra. tendentes a uma vinculação jurídica). o A atitude do declaratário justifica-se nas circunstâncias do caso concreto. Cit. nem o declaratário.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     É possível que uma vinculação se venha a estabelecer no caso de ser verificar o condicionalismo previsto no art. observa um dado comportamento.534.  Falta de consciência da declaração – o declarante tem vontade de acção. Necessária para a consequência de nulidade é sempre o conhecimento positivo da reserva por parte do próprio declaratário ou do seu representante (art. porém. da simulação. mas não quer o declarado por lhe faltar a consciência de fazer uma declaração negocial (isto é.2).

122º a 129º)  Incapacidade geral – o menor não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. 1921º e ss. designada não pelo próprio incapaz. a capacidade de exercício desde que tenham atingido a maioridade. bastando a mera culpa. A falta de consciência da declaração ou a coacção física conduzem à nulidade do negócio. resultado esse intolerável para a ordem jurídica.  Tutor (art. HEINRICH HÖRSTER. Essa outra pessoa vem a ser o representante legal do incapaz. da perspectiva deste.317. [Os negócios celebrados sem o respectivo suprimento são anuláveis].553. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o “Se a falta de consciência foi devida à culpa do declarante. precisando outras vezes de autorização de outra entidade. As causas da anulabilidade Negócios celebrados sem capacidade de exercício:  “Tirando os casos das incapacidades negociais de gozo. Ed. em princípio. agindo umas vezes com inteira independência. Por isso. 1877º)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. pp. tendo por base um comportamento imputável ao declarante. Ed. Cit. todas as pessoas possuem. Almedina. se trata de uma verdadeira declaração negocial”83  Indemnização pelo dano de confiança. foca este obrigado a indemnizar o declaratário que confiou na declaração. 51 . Coimbra.  “Se a incapacidade não fosse suprível os incapazes ficariam excluídos de todo o tráfico jurídico geral.  Os representantes legais podem ser:  Detentores do poder paternal (art. 143º e ss. ela consagra dois meios. pp. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. Ed. dois institutos. tratamse de incapacidades supríveis. 144º. o Interdição (138º a 151º)  Incapacidade geral – o interdito não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. Estes dois institutos são a REPRESENTAÇÃO LEGAL e a ASSISTÊNCIA”85: o Representação legal – é admitida a agir em lugar do incapaz uma outra pessoa. 124º.”84  Situações em que existem incapacidades de exercício: o Menoridade (art.  O instituto das incapacidades visa proteger o próprio incapaz contra as suas insuficiências as quais lhe podem causar prejuízos. HEINRICH HÖRSTER. 83 84 Cit.  As incapacidades de exercício não dizem respeito a negócios estritamente pessoais. dispondo o tutor de poderes menos amplos do que os detentores do poder paternal. Almedina. mas pela lei ou por certa entidade (pública ou mesmo particular) nos termos da lei. A parte geral do Código Civil Português. 139º.319. 85 Cit. 1877ºss)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. o Inabilitação (152º a 156º)  Incapacidade específica – o inabilitado tem uma incapacidade específica podendo ser geral conforme os casos concretos decididos em tribunal. para o suprimento da incapacidade. visto que.

2 o curador é representante legal. por via negocial.  Em certos actos levados a cabo pelo representante. a entidade a quem ela compete não pode incluir ela mesma. a)-c). 1892º.2) .) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (art.  Art. 1971º. 1877º e ss) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (1885ºe ss. existindo ao lado de quem é representante legal quanto à sua pessoa (tutor ou detentores de poder paternal) ou ao lado daquele cuja representação relativamente aos bens do menor tiver sido restringida (cf.para os inabilitados ou para negócios estritamente pessoais (casamento e respectivo convenção antenupcial). 1922º.2) – para os menores com mais de 16 anos. a incapacidade só termina com a maioridade ou a emancipação pelo casamento (129º + 132º). Onde funciona a assistência. 124º (suprimento da incapacidade dos menores): o Pelo poder paternal (art. o A menos que a lei abra excepções. 1889º. é-lhe necessário o consentimento de certa outra pessoa ou entidade. A do assistente é apenas inibitória ou completiva da vontade do assistido. os representantes legais precisam de autorização do tribunal para poderem validamente celebrar determinados actos quanto aos bens do menor (arts. Não assim quanto intervém a representação. subsidiariamente (art.1).  No caso do art. [Vd.  Agem em vez do incapaz e representam-no judicial e extrajudicialmente. o NOTA:  Em alguns casos especialmente previstos.1).  Existem diversos graus de assistência em concordância com o grau de incapacidade:  Curador (153º. 1921º e ss.1. por si só. 52  . 1967ºss e 139º)  a representação estende-se apenas aos bens do incapaz. [Vd. tendo lugar nos casos previstos no art. 1935º). A função do representante é activa. 1888º).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Administrador de bens (1971º. 1971º.). 1922º e 1888º.1).2 em contraposição com o art. para poder realizar validamente os respectivos negócios. As três modalidades das incapacidades de exercício em pormenor A menoridade:  Art. o Pela tutela. 1927º e 1967º]. 1938º.2.  Os tutores e administradores de bens estão proibidos de realizar certos actos (1937º. 122º  é menor quem não tiver completado 18 anos de idade. a validade depende sempre da autorização do tribunal (1889º e ss.  Art.  Detentores do poder paternal ou tutor (1604º. os respectivos negócios. o Instituto da assistência – o incapaz pode agir ele mesmo. 1938º. sendo essencial que o incapaz delibere realizá-los.a). 1612º e 1708º. 154º. 1971º) – existe ao lado do poder paternal e da tutela. 123º o Estabelece uma incapacidade geral – os menores não estão habilitados a reger a sua pessoa e a dispor dos seus bens e eles não têm capacidade para adquirir direitos ou assumir obrigações por acto próprio (ou por meio de um representante voluntário).1850º. 1901º a 1912º] o Administração de bens (art. art.1971º. Simplesmente.

porém. que há-de atender às circunstâncias próprias de cada caso. quem está em causa. não adquire capacidade plena para o exercício de direitos: continuará a ser considerado 86 87 Cit.1. pp. Art. Poderá também ser requerida pelo próprio menos (no prazo de um ano a contar da sua maioridade ou emancipação – nº1. 126º. Almedina. ANTUNES VARELA. o NOTA: Uma vez que o instituto da menoridade. À excepção no disposto no art. pelo declaratário ou terceiro. 130º). 4ª ed.c). ou o respectivo suprimento judicial. que é o menor. 128º (dever de obediência) – ver artigo. o O direito de requerer a anulabilidade baseia-se sempre no interesse do menor. Cit. visam proteger o interesse do menor.”87 Art. Art.b) – “a determinação de pequena ou grande importância das despesas contraídas pelo menor ou dos actos de disposição por ele realizados fica entregue ao prudente critério do julgador.  Horster – “A resposta deve ser negativa. 253º). então significa que tem discernimento suficiente para perceber as consequências do negócio jurídico que pratica. pelo que se explica que a outra parte não possa requerer esta anulabilidade. principalmente à situação económica do menor e dos seus pais – sem esquecer. não fazendo sentido que a lei proteja esta situação. e as incapacidades daí resultantes. 126º refere-se unicamente ao menor. ao tutor ou administrador de bens. bem como a dissimulação. 126º (dolo do menor): o Conceito de dolo – qualquer sugestão ou artifício que alguém empregue com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. no sentido de incluir os representantes legais nesta limitação à invocação da anulabilidade. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra Editora. 125º (anulabilidade dos actos dos menores): o A legitimidade para invocar a anulabilidade do negócio jurídico cabe ao progenitor que exerça o poder paternal. 125º. o Nota: 127º. pp. Coimbra. 251º e 247º. Limitada. “Mas se este casar sem ter obtido autorização dos pais ou do tutor. (Art. A parte geral do Código Civil Português. A este propósito existe uma divisão na doutrina:  Mota Pinto – Deve fazer-se uma interpretação extensiva. o Quando são emancipados por casamento (art. 127º (excepções à incapacidade dos menores) – ver artigo.140. 132º). (2º) a exclusão do direito dos representantes legais seria uma contrassenso: eles não são abrangidos pelo ratio do art. não faz sentido que a menoridade seja um elemento relevante para efeitos de um erro que torna o negócio anulável nos termos dos arts. 129º (termo da incapacidade dos menores): o Quando atingem a maioridade (18 anos – art. Ed. o Tendo em conta que o herdeiro sucede na posição patrimonial do “de cujus” parece correcto aplicar o art. o risco da menoridade cabe sempre à outra parte. o Uma outra questão é a de saber se o dolo do menor exclui. não lhe atribuindo a legitimidade para arguir a anulabilidade nos termos do art.”86 Art. o direito de anulação dos representantes legais.331. 126º. alem disso. Se o menor actua com dolo. b)) ou a requerimento de qualquer herdeiro do menor (no prazo de um ano a contar da morte deste ou ocorrida antes de expirar o prazo referido na alínea anterior).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. e não os pais. Vol I. 126º. do erro do declarante. Código Civil Anotado. por duas razões: (1º) o texto do art. 53 .

954º CPC).2 – os pais deve agir de comum acordo.2.  Pelo seu tutor ou curador (aqui o interditando já está inabilitado). 139º .o regime da interdição é equiparado ao da menoridade. Daqui resulta que o interdito tem uma incapacidade geral. 141º deve ser regularmente o caso em que a interdição é requerida já antes de o menor ter atingido a maioridade (art. dispondo de uma margem de decisão apreciável (art.1). o Quando a tutela não recair nos pais aplicam-se-lhe em tudo o que não seja regulado de uma maneira especial pelos arts. são dadas ao interditando todas as garantias processuais e materiais correspondentes à gravidade do acto de interdição (arts.  Art. será suficiente o requerimento de apenas um deles. CPC) o O tribunal decide não em função do pedido da acção mas no interesse do interditando. o Art. 946º. sem a necessidade de recorrer previamente ao tribunal para sanar o desacordo entre eles. bem como as regras respeitantes aos outros meios previstos para este fim (art. em primeiro lugar.  Art. 1921º a 1972º).  Qualquer parente sucessível. 143º (a quem incumbe a tutela) o Formas de representação legal.  Ministério Público.1). sem as limitações que caracterizam o uso da tutela (art. que por anomalia psíquica. 141º (legitimidade) o A interdição pode ser requerida:  Pelo cônjuge do interditando.  Art. o O interditando dispõe sempre de um defensor que o representa no processo (arts. Havendo desacordo.a). o O tribunal pode decretar a interdição mesmo que inicialmente tenha sido pedida a inabilitação (art. surdezmudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens. 124º). 1649º. 54 . 950 e ss. 947º. o Durante o decurso da acção há ainda um outro meio de proteger o interditando. visto a interdição servir. o Caindo a tutela nos pais. os interesses do interditando e tendo processo de interdição. 954º CPC).  Art. 138º .pessoas sujeitas a interdições – maiores. 142º (providências provisórias) o Nomeação de um tutor provisório ou interdição provisória. o No respectivo processo. o O campo de aplicação do nº2 do art. 1935º. 1901º. 953º. 139º a 151º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel menor quanto à administração dos bens que leve para o casal ou que posteriormente lhe advenham por título gratuito até à maioridade (art. As interdições  Art. 125º. estes continuam investidos no poder paternal tal como o exercem em relação a filhos menores. 140º: o Os tribunais comuns por onde corre o processo de interdição têm a mesma competência atribuída aos tribunais de menores nas disposições que regulam o suprimento do poder paternal. 149º.  Art. através do art.2 CPC). 131º.1.

147º (publicidade da interdição) – a sentença que decreta a interdição DEFINITIVA está sujeita a registo civil obrigatório. São aplicáveis ao interdito as disposições que regulam as excepções à incapacidade por menoridade (art. 1927º a 1962).339.no que diz respeito aos negócio celebrados antes de anunciada a propositura da acção. deste modo. da qual é privado por razões de saúde. 151º (levantamento da interdição) . 139º  123º a 128º). Art. a administração de bens (1967º a 1972º). a seguinte: até à propositura da acção. embora não invocável contra terceiro de boa fé para quem as coisas se passam como se a acção ainda estivesse pendente. “A cadeia de protecção é. Art. o regime da interdição funciona plenamente. Coimbra. o O prazo da proposição da acção conta-se a partir do registo da sentença (1 ano – art.  Ao lado da tutela pode surgir. 257º também protege o interditando depois de anunciada a propositura da acção:  Quando a interdição não veio a ser decretada. regime da interdição sem quaisquer restrições. a interdição. regime da incapacidade acidental reforçado pelo regime resultante dos arts. Ed. 125º.  A interdição venha a ser definitivamente decretada. não há regime especial para eles: são anuláveis ao abrigo do disposto acerca da incapacidade acidental (257º).1).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel       Art. 142º. o Nota: mas o art. 287º.  Não foi decretada nenhuma medida ao abrigo do art. Art.”88 Nota: A tutela. 149º (actos praticados no decurso da acção) o O regime estabelecido neste artigo difere do regime estabelecido no art.  Meio de suprir uma incapacidade do interdito  aplica-se a interditos (art. o Está de boa fé quem não conhece a sentença nem razoavelmente deve conhecê-la. o Os negócios do interdito que não forem praticados ao abrigo do art. aparece em duas situações diferentes:  Meio de suprir o poder paternal  aplica-se a menores (1921º e ss. Almedina. durante o decurso da acção. o Enquanto a sentença não constar do registo. conforme as necessidades do caso concreto. Art. a seguir ao registo. HEINRICH HÖRSTER. 148º. pp. 142º/149º. 127º são anuláveis nos termos do art. 139º a 151º). regime da incapacidade acidental.ver artigo. 145º (dever especial do tutor) – saúde deve ser entendida num sentido amplo: a finalidade em vista é que o interdito recupere a sua capacidade. não pode ser invocada contra terceiro de boa fé (1920º-C). A partir do registo. A parte geral do Código Civil Português. como instituto da representação legal destinado a suprir incapacidades de exercício. As inabilitações 88 Cit. após o trânsito em julgado da sentença mas antes do seu registo. 150º . Exigese que:  O negócio celebrado tenha causado prejuízo ao incapaz para que possa ser anulado – critério objectivo: prejuízo causado pelo acto e não nos termos em que agiria uma pessoa normal e sensata. embora produzindo os seus efeitos. 55 . regime da interdição.

em princípio. de casos em que uma pessoa se encontra com uma capacidade diminuída. mas constitui uma intervenção mais fraca e menos ampla que esta. que carece de legitimidade para esse efeito. surdez-mudez ou cegueira. portanto. pp. Limitada. pp. o “Trata-se. existe um assistente. a celebrar convenções antenupciais ou quaisquer outros negócios jurídicos que tenham sido especificados na sentença de inabilitação. 4ª ed. Art.344 e 345. sem a necessidade ou sem a possibilidade de uma interdição. originado por um defeito da vontade ou do carácter.”92 o É esta a característica da inabilitação que a distingue profundamente da interdição. 89 90 Cit. através do qual é suprida a incapacidade.544. Código Civil Anotado. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. 91 Cit. sobretudo no caso das pessoas abrangidas pelo 2º grupo do art. Aqui. A parte geral do Código Civil Português. não seja de tal modo grave que justifique a sua interdição. Coimbra. os herdeiros e até a própria comunidade que de outra maneira podia vir a ter de assegurar o mínimo de existência ao incapaz. Coimbra. Assim se explica também a possibilidade de suprimento judicial de autorização do curador.  Indivíduos que pela habitual prodigalidade se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. Coimbra Editora. Limitada. sendo os gastos improdutíveis e injustificáveis.  Indivíduos que pelo uso de bebidas alcoólicas ou uso de estupefacientes se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. A parte geral do Código Civil Português. 153º (suprimento da inabilidade): o “O curador é uma entidade a quem cabe apenas. ANTUNES VARELA. 152º. não existe uma representação legal. e não pelo curador. HEINRICH HÖRSTER. Almedina.159. Almedina. 4ª ed. embora permanente. pp. o Tem uma importância fundamental para a interpretação deste artigo a distinção entre actos de mera administração e actos de disposição de bens:  Actos de mera administração (não alteram a raiz do património) – não estão sujeitos a autorização do curador. autorizar o inabilitado a alienar bens por acto entre vivos. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes – significa que é preciso a existência de um vício ou de um estado duradouro que já apresente sinais de carácter patológico.”90 Art. 56 . a inabilitação destina-se a maiores. HEINRICH HÖRSTER.”89 o A inabilitação existe em primeiro lugar para proteger os interesses do inabilitado “mas ela pode beneficiar. Ed. 152º).152º (pessoas sujeitas a inabilitação): o Podem ser inabilitados:  Indivíduos cuja anomalia psíquica.  Actos de disposição (alteram a raiz do património) – estão sujeitos a autorização do curador. Vol I.”91 o “Os actos são pois celebrados pelo inabilitado. 92 Cit. querendo celebrá-los. também outros interessados na administração conveniente do património do inabilitado que serão o cônjuge. Prodigalidade – é um comportamento.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Tal como a interdição. Vol I. Código Civil Anotado. Cit. pp.159. Ed. que se define por gastos desproporcionados em relação à situação patrimonial do inabilitado. o A inabilitação aplica-se apenas no caso das pessoas que não sejam capazes de reger o seu património e ainda que não sejam incapazes de todo de governar a sua pessoa e bens (1º grupo do art.

138º. deve recorrer-se ao regime estabelecido para a interdição. Este pode ser privado.2).  Art. 257º. Varela – nunca poderá ser directamente aplicável porque não é possível. a contrario.  Art. pp. 144º e 145º. dois períodos importa distinguir quanto ao regime dos actos praticados pelo inabilitado:  Período que se estende desde o anúncio da proposição da acção até ao registo da inabilitação definitiva  ART 149º e 125º. 151º .160.providências provisórias. 154º. Coimbra Editora. 139º:  Dupla remissão. 148º . surdez-mudez ou anomalia psíquica. Art. nos termos deste artigo. 140º (competência dos tribunais comuns). compete ao curador praticar certos negócios em representação do inabilitado:  Os previstos no art.3).  Art. 1769º.  Representar o inabilitado como cabeça de casal (2082º. como nos casos normais de inabilitação previstos no artigo anterior. e não da mera assistência.  Art. em relação a todos eles ou a alguns deles. como regime supletivo:  Art. 149º .  Art. É necessário mais alguma coisa para que o inabilitado não entenda o sentido da declaração ou não tenha o livre exercício da sua vontade. o Sempre que os arts. 143º . verificarem-se os requisitos exigidos pelo art. para o curador. 150:  Horster – aplica-se directamente. 57 .  Art. a incapacidade do inabilitado passa a ser suprida nos termos clássicos da representação.  Art.  Refgras dos arts. o De acordo com a remissão estabelecida.  A.  Art. 147º . 93 Cit. que não existe prazo para o levantamento da inabilitação quando se trata de cegueira. 141º .  Art. 146º . a administração dos bens do inabilitado. 154º (administração de bens do inabilitado) o “É a titulo excepcional que a sentença pode transferir. 1967º como meios de suprir o poder paternal.  Art.actos do inabilitado posteriores ao registo da sentença. só por existirem as condições da inabilitação. 123º a 128º e para as disposições dos arts.Escusa da tutela e exoneração do tutor. Código Civil Anotado. Art.2. certos actos de administração. 152º a 155º não prevejam soluções específicas para a inabilitação. da administração de certos bens ou de praticar.Publicidade da interdição. Vol I. Art. 4ª ed.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    o Excepcionalmente. Limitada. ANTUNES VARELA.  Intentar a acção de simples separação judicial de bens (art. 155º (levantamento da inabilitação) o Deduz-se.levantamento da inabilitação. 142º + 149º .actos praticados no decurso da acção.  Art. no todo ou em parte. 156º (regime supletivo) o De todo inaplicáveis às inabilitações são as disposições dos arts.”93 o Quando ao curador são atribuídos poderes de administração.A quem incumbe a tutela.legitimidade para requerer a inabilitação.

indo ao encontro da sua auto-realização. 257º (incapacidade acidental) o “O regime do art. o regime desta última. Coimbra.344. HEINRICH HÖRSTER.. em geral. o Se o demente tiver sido interdito ou inabilitado.  O prazo para invocar a nulidade é de um ano (art. como se vê. praticados sucessivamente. interditos ou inabilitados não possuem capacidade. os seus actos são anuláveis em virtude do regime de interdição ou inabilitação. A parte geral do Código Civil Português.. se encontrava. Aplica-se então. pp. é necessário provar:  Que o autor da declaração. ou seja. Ed. aliás. o regime do art.”95 o Quando os menores. embora possa abranger todos os singulares actos específicos de uma pessoa. a maiores ou menores emancipados (ou também a menores. conforme a diminuição da capacidade do inabilitado no caso concreto. HEINRICH HÖRSTER. muito graduado e maleável. portanto. as proibições legais relativas 94 95 Cit. com base neste preceito. da inabilitação. 257º nunca se sobrepõe ao regime da respectiva incapacidade (salvo os actos de mera administração dos inabilitados). Cit.346. droga.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  A partir do registo  ART. a incapacidade acidental não afecta o estado da pessoa. no momento em que a fez. possuem plena capacidade de exercício. frequentemente. inclusive os actos praticados durante os intervalos lúcidos. na situação regular da sua incapacidade. Almedina.  Art. A parte geral do Código Civil Português.  Esse estado psíquico era notório – uma pessoa de normal diligência o teria podido notar. 148º + 125º. “O regime da inabilitação é. 58 . 287º). 257º aplica-se a pessoas que. em princípio. até a interdição ou inabilitação tiver sido levantada. Quem se encontra acidentalmente incapacitado possui. etc. o Ao contrário da menoridade e da interdição e. o Para conseguir a anulação de uma declaração negocial. mas sempre relacionada com um acto específico.) em condições psíquicas tais que não lhe permitiam o entendimento do acto que praticou ou o livre exercício da sua vontade. resulta da lei. Ed. ou por anomalia psíquica ou por qualquer outra causa (embriaguez. a incapacidade acidental nunca é geral. Almedina. por mais duradouros que fossem esses intervalos. As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas. Coimbra. interditos ou inabilitados quando e na medida em que possuem excepcionalmente a capacidade de exercício ao abrigo do art. pp. estado hipnótico.”94 Figuras afins A incapacidade acidental  Ao contrário das incapacidades de exercício referidas anteriormente. capacidade de exercício normal como. mas não descuidando as exigências de segurança do tráfico jurídico (pois a sentença e a respectiva nomeação do curador com as suas competências estão sujeitas a registo obrigatório). 127º).

 Situações previstas: o Art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel As ilegitimidades  “A diferença fundamental entre as ilegitimidades e as incapacidades reside no seguinte: toda e qualquer incapacidades resulta sempre de uma “qualidade minguante” da própria pessoa. 1682º a 1863º (ilegitimidades conjugais).  Nos termos do art. mas apenas operam no sentido de contemplar determinadas pessoas. o Art. 294º.disposições testamentárias a favor de determinadas pessoas. Almedina. 1892º (aquisição de bens dos filhos). 59 . as ilegitimidades não são supríveis.2). 953º . 2192º 1 e 2) e não podem ser realizadas por meio de interposição de outra pessoa (2198º + 579º.  As disposições feitas em infracção às indisponibilidades são NULAS (art. mas a lei proíbe-lhe de o fazer relativamente a determinadas pessoas. o Art.  Art.  Art. 892º. o 1687º. pp. pode dispor. Proibições legais relativas  São negócio que a lei proíbe. isto é.2  contratos de CCV e de sociedade entre cônjuges não separados judicialmente. Uma vez que se tratam de negócio estritamente pessoais. HEINRICH HÖRSTER. o disponente tem capacidade. Ed. de um modo de ser do sujeito em si.4  o negócio é nulo por remissão ao art.348. 96 97 Cit. isto é. a incapacidade tem em vista o próprio incapaz. os casos das ilegitimidades. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. sendo nestas outras pessoas que reside a causa da indisponibilidade relativa. Em princípio. Coimbra. 1602º + 1631º  o casamento celebrado com impedimento dirimente relativo é anulável. 1714º. 2192º a 2198º . 876º  venda de coisa ou direito litigioso (remissão para 579º). Indisponibilidade relativa  “As limitações estabelecidas na lei não resultam de uma qualidades que é própria do respectivo disponente. são nulos os negócios celebrados contra a lei.349.doações que beneficiam determinadas pessoas. seja legalmente impedida de celebrar determinados negócios com determinadas pessoas. Almedina. Excepções: o 1687º.  A falta do consentimento ou de autorização judicial. Coimbra. pp. resultam de uma posição.”96  As ilegitimidades implicam que uma pessoa que goza de plena capacidade. A parte geral do Código Civil Português. o Art. 877º (venda a filhos e netos). Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal  Art. as ilegitimidades têm em vista o relacionamento de uma pessoa com os outros. de um modo de se ser para com os outros.”97  Vêm reguladas nos arts.  Art. Ed.3  a anulabilidade não é oponível ao adquirente de boa fé. torna o negócio anulável. 1762º  proibição da doação entre cônjuges casados imperativamente com separação de bens.  Situações que podem ser consideradas ilegitimidades: o Art. 579º e ss  cessação de direitos litigiosos. pelo contrário. Cit. Por outras palavras.

pp. graves inconveniências de natureza política.558.  Art. 103 Cit. Ed. toxicodependência. Ed.. 102 Cit.558/559. pp. pp. Ed. HEINRICH HÖRSTER. por usura. explorando a situação de:  Necessidade  “existe quando necessidades avultadas de uma pessoa provocam a necessidade imperiosa para ela de obter uma prestação para se libertar daquelas dificuldades”101 Pode ser: dificuldades económicas muito sérias (desemprego).558. Coimbra. 282º e ss é. 98 99 Cit. Almedina. 100 Cit. Almedina.  Situação de estado mental  “deve abranger limitações das faculdades mentais ou estados de emoção e descontrolo que restringem o discernimento do interessado e afectam as suas capacidades decisórias. vício do jogo.. Coimbra. Coimbra.”103  Dependência  “existe quando a autonomia de decisão está limitada de facto.  Inexperiência  “existe nos casos em que o discernimento necessário e adequado ainda não foi adquirido ou voltou a perder-se. A parte geral do Código Civil Português. Ed. Coimbra. Ed. Coimbra. reintroduziu a figura do negócio usurário e a limitação da liberdade contratual daí resultante em atenção a considerações sociais. A parte geral do Código Civil Português. 104 Cit. Coimbra. pp. por meio do art.  Ligeireza  “significa um comportamento irreflectido. pp. Almedina. Coimbra. Ed. A parte geral do Código Civil Português. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios usurários  “Pertencem aos negócios jurídicos com conteúdo desaprovado pela ordem jurídica – e isto em virtude do desequilíbrio das prestações neles acordadas devido à inferioridade de uma das partes”98  Ao contrário do que acontece nos negócios abrangidos pelo 280º e 281º. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. pp. A parte geral do Código Civil Português.”102 Pode ser: juventude.. pp. apesar de poder possuir perfeita lucidez a respeito da sua situação e do seu comportamento”106 Pode ser: virtude de doença. por conseguinte. Almedina.558.  “A lei civil actual.558. 60 . 105 Cit.. Almedina. Almedina.. imaturo e imponderado. 106 Cit. a sanção é a anulabilidade.556. Cit. A parte geral do Código Civil Português. social habitacional ou estritamente pessoal. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. podendo ser várias as causas que levam a tal situação. penas de privação da liberdade por bastante tempo. consequência de relações de situação de instruendo. Almedina. Almedina.349.349. idade avançada.” 100 Trata-se de um correctivo material de índole social. Ed.. HEINRICH HÖRSTER. pp. 101 Cit. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. de acordo com o princípio da protecção dos mais fracos”99  “A finalidade dos arts. o negócio jurídico quando alguém. HEINRICH HÖRSTER. mentalidades não adaptadas. HEINRICH HÖRSTER.”104 Pode ser: relações de subordinação no âmbito laboral. 282º: o É anulável. 282º. a protecção de pessoas caracterizadas ou afectadas por certas situações de inferioridade contra quem pretenda daí tirar benefícios excessivos e injustificados. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Ed.”105  Fraqueza de carácter  “verifica-se quando uma pessoa não está em condições morais ou não tem força anímica para se comportar devidamente.. Ed.. A parte geral do Código Civil Português. sendo a maneira leviana e irresponsável de actuar um traço característico da pessoa e não uma falha esporádica ou acidental. HEINRICH HÖRSTER.555. HEINRICH HÖRSTER.

em matéria de casamento). mas esta tem um conteúdo diferente do que foi pretendido. segundo juízos de equidade. ANTUNES VARELA.2: o “Prevê a hipótese de o próprio usurário declarar que prefere. Para a contagem do prazo. certa vontade.  Art. 283º. Coimbra Editora. o Resumo (pressupostos):  Existência de um aproveitamento consciente da parte do usurário de uma situação de inferioridade da outra parte. Formou-se. nem o conhecimento ou sequer a recognoscibilidade deste por parte do declaratário. Cit. 284º  se o negócio usurário constituir simultaneamente um crime.  Art. sem erro. o Não constitui um pressuposto da usura que o usurário leve a outra parte a praticar o negócio. Coimbra Editora. a anulabilidade depende de o destinatário da declaração CONHECER OU DEVER CONHECER a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro.”108 o “Não se exige. 4ª ed. por exemplo.  Art. o Esta solução legal tem utilidade nos casos em que o lesado possui um interesse na continuação do contrato.  Desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada (critério aplicado pelo juiz!). 61 . Vol I.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Pressupõe do lado subjectivo o explorar. 109 Cit.233. 283º. pp. Limitada. 1636º. aproveitamento CONSCIENTE da parte do usurário de pelo menos uma das seis situações descritas. desde que sejam alteradas certas cláusulas. 107 108 Cit. basta que se aproveite desta situação. a lei escolhe. o Implica a confirmação do negócio anulável nos precisos termos em que ficou modificado. Coimbra Editora.”107 o “O acto é anulável e não nulo.  Art. mas declarou-se outra. a modificação nos termos do art. sempre aquela que mais beneficia o lesado. Código Civil Anotado. pp. ANTUNES VARELA. 53 em vez de 35) – emprega algo diferente daquilo que estava na sua cabeça. Limitada. 4ª ed. por conseguinte. em que tira proveito de uma situação inferioridade da outra parte. Pretende-se. nem a desculpabilidade do erro.  Tipos de erro na declaração: o Erro na própria declaração  o declarante emprega palavras ou termos diferentes daqueles que queria utilizar (ex. 283º. Código Civil Anotado. Limitada. Os negócios celebrados com erro na declaração  São situações em que existe uma divergência entre a vontade e a declaração. pp. ANTUNES VARELA. Vol I. diz-se que se compra por 20. 247º: o “O caso previsto é o chamado erro obstáculo ou erro na declaração. este artigo prevê um prolongamento do prazo para o exercício do direito de anulação modificação. a consciência de que se faz uma declaração negocial. 4ª ed. em vez de uma anulação. comprar por 10. mas por lapso.232.  O declarante diz algo que verdadeiramente não quer dizer e não tem consciência do erro. Vol I. entre várias hipóteses.1.”109 (Excepção em relação ao art.232. o É necessária a desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada. Há.1: o Permite que o lesado possa requerer a modificação do negócio usurário. ao contrário do caso previsto na primeira parte do artigo anterior. para a anulabilidade da declaração. Código Civil Anotado.

Almedina. para outros. sempre e apenas. Coimbra.”110 o “Há situações.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Erro sobre o conteúdo da declaração  o declarante usou as palavras que queria mas atribui um sentido diferente que teria no contexto. 249º)  deve tratar-se de um lapso ostensivo sob pena de o caso ficar sob alçada do art. Pelo contrário. não produz uma 110 Cit.558. O disposto no art. o Erro na transmissão da declaração (art.568. pp. 247º. de acordo com as circunstâncias. HEINRICH HÖRSTER.558. É evidente que este conteúdo objectivo. A este tipo de casos de dissenso oculto deve aplicar-se. pp. mesmo depois da interpretação. Código Civil Anotado.”111 o “Em todo o caso.  “As possibilidades de ocorrência de um erro no âmbito do negócio jurídico não se limitam. A interpretação é um pressuposto lógico da decisão sobre a existência ou não do erro causador da divergência”112 O erro sobre os motivos  Trata-se de uma situação em que o declarante faz um representação inexacta sobre a existência... porém. “quando o erro recai só sobre a vontade (elemento interno). 4ª ed. 247º só se aplica quando a divergência se mantém. por não haver nenhuma expectativa legítima do declaratário. o Erro de cálculo ou escrita (art. pp. Cit. porém. Vol I. Desta forma. ANTUNES VARELA. é a figura do chamado dissenso (oculto). ao erro na declaração. elas são muito numerosas e vão da primeira motivação que é determinante para a formação da vontade até à manifestação da mesma. comum a ambas as declarações. Almedina. 113 Cit. que à lei incumbe tutelar. a anulabilidade impõe-se. Ed. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. podendo o declarante anular desde que demonstre que a outra parte conhecia ou devia conhecer o erro.. HEINRICH HÖRSTER. o regime do erro na declaração: o contrato considera-se concluído. em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. não está em sintonia com ambas as vontades (caso contrário não haveria dissenso).233. depois do recurso às regras sobre a interpretação e integração da declaração negocial. recai sobre os elementos determinantes da vontade. subsistência ou verificação de um circunstância presente ou actual que era determinante para a declaração em especial. A parte geral do Código Civil Português. 247º. Coimbra Editora. Ed. pp. porém. É uma ideia inexacta sem a qual a declaração negocial não teria sido emitida ou não teria sido emitida nos moldes em que foi.. 250º):  Mensageiro comete um lapso de forma involuntária – aplica-se o art. A parte geral do Código Civil Português. o próprio facto da divergência entre a vontade real e a declaração (manifestação) pode ser constatado. directamente ou por analogia o regime prescrito para o erro na declaração. Coimbra. mas o declarante cuja vontade real difere do conteúdo objectivo comum que foi atribuído à sua declaração pode anular com base em erro. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. Limitada. sem necessidade dos requisitos a que alude o art.”113  Enquanto que no caso do erro na declaração existe uma desconformidade entre a vontade e a declaração. um sentido ou conteúdo objectivo comum. 247º. em que é possível atribuir a ambas as declarações (a ambas as manifestações). Para alguns destes casos deve valer.  Alteração intencional – o negócio é sempre anulável (dolo do mensageiro). nem com a vontade do declaratário. 111 112 Cit. 62 . quanto às declarações. baseada no sentido válido da declaração. Ed. Distinção entre erro na declaração e dissenso: o “Distinta do caso do erro na declaração.

que afecte os objectivos daquele negócio. Almedina. Art. dissimulado pelo declaratário ou por um terceiro.570. Coimbra. a essencialidade do motivo. o Dolo ilícito (dolus malus) – atribuição ao objecto de qualidades que ele manifestamente não tem. O dolo   114 115 Cit. por ser mal esclarecida (. por acordo. o Erro sobre a base negocial:  Trata-se de uma situação em que a base negocial objectiva é diferente da base negocial proposta pelas partes. no entanto. o Dolo negativo/ omissivo – o declaratário permite que o declarante se mantenha em erro. 251º):  Qualidades essenciais do objecto  características do objecto que determinam o seu valor.  Erro induzido/ mantido em contrário de um dever de elucidar. Nota: nem todos os autores consideram que o erro tem que ser bilateral.. pp. 247º). A parte geral do Código Civil Português.  Qualidades essenciais do declaratário  erro sobre as qualidades essenciais para a prossecução do negócio.  Tem que ser um erro bilateral115: tem de ocorrer um erro e a situação não pode ser coberta pelos riscos próprios da vontade. Trata-se agora de um erro sobre os motivos (ainda designado por erro-vício). a lei não é clara e não se percebe se a remissão é feita para todo o artigo ou apenas para a estatuição). o Pressupostos do dolo:  Declarante esteja em erro. que tenha sido reconhecida. A vontade. 252º):  Exige-se. Ed. 253º (definição de dolo/ distinção entre dolo lícito e ilícito/ pressupostos do dolo): o Definição – sugestão ou artifício que alguém empregue com intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. quando existe um dever legal ou contratual de elucidação (art. 63 .. o Erro que as partes houveram reconhecido por acordo a essencialidade do motivo que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio (art. de modo que eles provocaram o erro do declarante. Tal como no erro sobre os motivos. A declaração está em perfeita conformidade com a vontade. convergindo com ela a respectiva declaração. é esta que está viciada. ou terceiro. o Dolo positivo – há um comportamento activo no sentido de induzir em erro o declarante.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  divergência entre vontade e declaração. as consequências são iguais às do erro na declaração (art.) está viciada.  Remissão para artigo 437º (no entanto. a vontade formou-se mal devido a uma actuação exterior que impede a livre formação da vontade do declarante.  Quando o erro recaia sobre a pessoa ou sobre o objecto do negócio. HEINRICH HÖRSTER. não existe uma divergência entre a vontade e a declaração. o Dolo lícito (dolus bónus) – artifícios naturais do comercio jurídico. do erro do declarante.”114 Modalidades de erros sobre os motivos: o Erro que recai sobre as qualidades essenciais do objecto ou sobre as qualidades essenciais do declaratário (art.  Há uma desconformidade entre a base negocial objectiva é diferente da base negocial pressuposta pelas partes. para que haja anulabilidade. 227º). bem como a dissimulação pelo declaratário.

585/586. Cit. 116 117  Cit. Mas imaginemos que A. a ameaça do exercício de um direito não constitui coacção”119  Art. à semelhança da vítima do dolo. pp. 118 Cit. Vol I. Ed. 4ª ed. Coimbra. Ed. em princípio. Se emite a declaração cedendo à ameaça. 256º (efeitos da coacção) e pressupostos: o Efeitos – anulabilidade. 4ª ed. O dolo de um não inutiliza o vício proveniente do dolo do outro. Almedina. se C ignorava e não tinha obrigação de conhecer o dolo de terceiro. pp. beneficiou de um encargo imposto ao donatário C.238. A parte geral do Código Civil Português. já o acto pode ser anulado. 64 . 255º (coacção moral): o “A ameaça.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel O declaratário ou terceiro haja recorrido ilicitamente a qualquer artifício. para que constitua coacção.: “Se A (terceiro) induziu em erro B e o levou a doar bens a C. liberdade exterior.  Quando a coacção provém de terceiro:  É necessário que o mal seja grave e que seja fundado o receio (questões avaliadas pelo tribunal).  Ex. Coimbra. de modo que falta ao coagido. 119 Cit. Vol I. mas numa vontade formada em condições limitativas da liberdade de decisão. Este benefício já é anulável nos termos da 2ª parte do nº2. Código Civil Anotado.”118  Art. ela baseia-se numa vontade. A vítima da ameaça ainda pode optar entre a sujeição ao mal ou a oposição a ele.233. válido. a doação não é anulável por dolo. deve ilícita. pp. Todavia. ANTUNES VARELA. embuste. Almedina. Limitada. invocada por acção judicial e pode ainda ser feita valer (no caso da nulidade) por via de excepção ou oficiosamente pelo tribunal. Coimbra Editora. As consequências da invalidade no negócio jurídico em pormenor Efeitos da invalidade:  Invocação da invalidade – pode ser reconhecida por um acordo entre as partes. 254º (efeitos do dolo): o Estabelece duas hipóteses:  Dolo proveniente do destinatário da declaração – o acto é sempre anulável mesmo que haja dolo de ambas as partes. se o declaratário conhecia o dolo do terceiro ou devia conhecer. A parte geral do Código Civil Português. Isto é. Limitada.  Art. etc. Código Civil Anotado. HEINRICH HÖRSTER. sugestão.  Dolo proveniente de terceiro – o acto é.”117  “Consiste numa pressão psicológica que determina a vontade. Coimbra Editora. pp. HEINRICH HÖRSTER.”116 A coacção moral  “É prestada sob coacção moral a declaração negocial determinada pelo receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado pelo declaratário ou por terceiro com o fim de obter dele por este meio a declaração pretendida pelos ameaçadores. o Pressupostos:  Quando a coacção provém do declaratário – declaração negocial determinada pelo receio de um mal (não se depreende que a gravidade do mal e o fundamento do receio sejam requisitos essenciais). causadoras de uma vontade viciada. ANTUNES VARELA.585. o terceiro que induziu B a fazer a doação.

que a conversão se harmonize com a vontade hipotética ou conjectural das partes. a vontade exteriorizada pelo declarante. Limitada. 65 . ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. 4ª ed. às situações de anulabilidade. Coimbra Editora. 4ª ed.269.1. 946º.268.”122  “É ainda necessário. Coimbra Editora. 293º. Coimbra Editora. 288º. Princípio da abstracção 120 121 Cit. não basta que o negócio nulo ou anulado tenha a mesma substância do negócio em que se pretende convertê-lo. o Redução de negócio nulo ou anulável (art. Código Civil Anotado.269. pp. 4ª ed.1) – aplicada. pp. ANTUNES VARELA. o Prevalência segundo as regras de prioridade das leis do registo. Limitada. em termos decisivos. Cit. o Anulabilidade – 287º. Vol I. pp. É necessário ainda que este negócio não contrarie. Coimbra Editora. 4ª ed. Pessoas legitimadas para arguir a invalidade: o Nulidade – 286º. em regra. Código Civil Anotado.268. 4ª ed. pp. Código Civil Anotado. 293º):  “A conversão supõe a invalidade integral do negócio e a sua substituição por outro do qual contenha os requisitos essenciais. 291º. 123 Cit. Coimbra Editora. 1416º. Vol I. pp. 289º. 122 Cit. Vol I. 124 Cit. ANTUNES VARELA. Limitada. Vol I.”123  “Há casos de conversão consagrados directamente pela lei: art.2. em relação à forma do negócio.”121  “Para que se possa verificar a conversão. Código Civil Anotado. não basta que o negócio nulo ou anulado contenha os requisitos essências de substância e de forma do negócio que vai substitui-lo.2”124  Protecção de terceiros adquirentes de boa fé: o Inoponibilidade da declaração de nulidade ou da anulação do negócio que versa sobre bens sujeitos a registo – art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Art. de acordo com a parte final do art. Vol I. art.”120  “Como resulta do próprio texto e do espírito da lei. ANTUNES VARELA. A minoração das consequências da invalidade do negócio jurídico Princípio da conservação do negócio jurídico  A conservação dos negócios jurídicos em relação às partes: o Confirmação do negócio anulável (art. ANTUNES VARELA. Limitada. Limitada.269. o Conversão do negócio nulo ou anulável (art. 292º) – é possível viabilizar uma parte do negócio. não só de substância como de forma. 2251. art.

66 . que tem a ver com a existência de uma Parte Geral.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  “Faz parte de todo um sistema legal. com a aquisição de boa fé a um não titular e com a segurança e celeridade do tráfico jurídico. pp. HEINRICH HÖRSTER. devidamente construído. Almedina.585/586. A parte geral do Código Civil Português. com os fundamentos e formas da anulação do negócio jurídico. Coimbra.”125 125 Cit. Ed.