Teoria Geral da Relação Jurídica

O negócio jurídico

Paulo Pichel 2008

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

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TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

Índice
PARTE I – OS ELEMENTOS E A NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................. 6 ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ................................................................................................................ 6 O CONCEITO DE NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................................................... 6 Referência histórica: ........................................................................................................................................................ 6 ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ...................................................................................................................................... 6 PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS PARA QUE SE POSSAM PRODUZIR OS EFEITOS JURÍDICOS PRETENDIDOS PELO NEGÓCIO:.............. 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE ................................................................................................................................................ 7 COMPOSIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE VONTADE (REMISSÃO PARTE II). ................................................................................... 7 INEXISTÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE VONTADE ....................................................................................................................... 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE E A CONSCIÊNCIA DA CRIAÇÃO DE UM VÍNCULO JURÍDICO ...................................................... 8 DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS E DECLARAÇÕES DE CIÊNCIA .......................................................................... 8 SITUAÇÕES EM QUE NÃO BASTA A DECLARAÇÃO DE VONTADE PARA QUE SE FORME UM NEGÓCIO JURÍDICO: ........................ 8 DISTINÇÃO ENTRE NEGÓCIO JURÍDICO E DECLARAÇÃO DE VONTADE ..................................................................................... 8 INTERVENIENTES NO NEGÓCIO JURÍDICO; A CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ...................................... 9 CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ......................................................................................................... 9 LIMITAÇÕES: ......................................................................................................................................................................... 9 Limitação de auto-vinculações: ....................................................................................................................................... 9 Impossibilidade de estabelecer, por acto unilateral, relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: ........................ 9 Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: .............................. 9 NEGÓCIO JURÍDICOS QUE PARA ALÉM DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS EXIGEM A INTERVENÇÃO DE AUTORIDADES PÚBLICAS: ............................................................................................................................................................................................ 10 NEGÓCIOS JURÍDICOS QUE EXIGEM A INTERVENÇÃO DE OUTROS PARTICULARES AFECTADOS PELO NEGÓCIO PARA ALEM DE UMA DECLARAÇÃO DE VONTADE: ........................................................................................................................................ 10 CLASSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS ............................................................................................................................ 10 Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico ........................................... 10 Negócios jurídicos unilaterais: ...................................................................................................................................... 10 Negócios jurídicos plurilaterais:.................................................................................................................................... 11 O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) ...................................................................................................... 11 CRITÉRIO DO CONTEÚDO DO CONTRATO, RELATIVO À ESTRUTURA E PRODUÇÃO DE EFEITOS: ............................................. 11 CRITÉRIO RELATIVO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES EMERGENTES SE CUMPRIREM NUM ÚNICO MOMENTO OU SE PROLONGAREM NO TEMPO: .................................................................................................................................................. 11 Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: ........................................................................................................................ 11 Critério da forma: .......................................................................................................................................................... 12 Critério do modo de formação: ...................................................................................................................................... 12 Critério da natureza da relação jurídica constituída: ................................................................................................... 12 Negócios entre vivos e mortis causa: ............................................................................................................................. 12 DISTINÇÃO ENTRE ACTOS DE MERA ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE DISPOSIÇÃO: ............................................................. 12 PARTE II – FORMAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................................................... 13 AS MODALIDADES DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; OS SEUS ELEMENTOS................................................................................. 13 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DECLARATIVA (LIBERDADE CONTRATUAL + PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA): .................... 13 ELEMENTO INTERNO/SUBJECTIVO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL – VONTADE: ....................................................................... 13 O PROBLEMA DA CONCORDÂNCIA ENTRE ELEMENTO OBJECTIVO E SUBJECTIVO E CONSEQUENTES EFEITOS JURÍDICOS ....... 14 Teoria da declaração. .................................................................................................................................................... 14 Definição de Manuel de Andrade [visão objectivista] ................................................................................................... 14 DISTINÇÃO ENTRE VONTADE NEGOCIAL E MOTIVOS ............................................................................................................ 14 A FORMA DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; A SUA DISTINÇÃO DA PUBLICIDADE ........................................................................ 14 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA: LIBERDADE DE FORMA E LIBERDADE DECLARATIVA; EXCEPÇÕES .............................. 14 FORMA CONVENCIONAL: ..................................................................................................................................................... 14 INOBSERVÂNCIA DA FORMA LEGAL EXIGIDA POR LEI ........................................................................................................... 15 DISTINÇÃO ENTRE FORMA DOS NEGÓCIO E PUBLICIDADE: ................................................................................................... 16 MODALIDADES DE DOCUMENTOS ESCRITOS (ART. 363º): ..................................................................................................... 16 TIPOS DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS: ................................................................................................................................... 16 A PERFEIÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .......................................................................................................................... 16 FASES DA EXISTÊNCIA DE UMA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (RECEPTÍCIA): .............................................................................. 17

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......................justificação dos poderes do representante ........... 29 Art................................................................................... 35 OS NEGÓCIOS DOS INSOLVENTES E DOS FALIDOS CELEBRADOS SEM PODERES DE REPRESENTAÇÃO: ................................................................................................. 28 Art. 20 Aceitação eficaz da proposta ...................................OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA LIMITADA .................................................. 260º ............................................................................................................................................................................... 18 CONCLUSÃO DO CONTRATO ................................................................................................................................................................................ 34 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS DEPENDENTES DE RATIFICAÇÃO ...................representação sem poderes..... 33 A condição resolutiva ..................................abuso de representação ............................................................................... 28 Art.................................................................................................................................................. 24 AS RELAÇÕES CONTRATUAIS DE FACTO .........TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Exteriorização: .......................................................................................... 265º ............................................................................................................................ 30 PARTE III .......................................................... 29 PROCURAÇÃO GERAL E PROCURAÇÃO ESPECIAL .. 19 Passos para a conclusão de um contrato ................. 40 PARTE V ... 25 A REPRESENTAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: ..................................... 21 A CONCLUSÃO DO CONTRATO COM BASE EM CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS .............................................................................................................. 30 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS SUBORDINADOS A CONDIÇÃO OU TERMO.............................................................. 38 A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .................. 34 OS ENCARGOS OU CLÁUSULAS MODAIS.............. 19 Distinção entre convite a contratar e proposta contratual ........................................................................................................................................................................... 22 As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) ............ 239º) .................................................................................................................................................................................................................................capacidade do procurador ................................................................................................................................................................................................................substituição do procurador......................................................................... 34 O TERMO.............................................................................................................................................................extinção de procuração ........................................................................................... 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL GANHA EFICÁCIA (VINCULA O DECLARANTE DE TAL FORMA QUE ESTE NÃO SE PODE RETRACTAR) [TEORIAS]:.......................................................................................................................................... 26 Art................................................. 268º ........................................................................... 22 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: ...................... 20 DISSENSO MANIFESTO E OCULTO/LATENTE ....................................................................... 17 Expedição: ..................................... 25 A REPRESENTAÇÃO: ........... 26 Art........................................................................................................................................................................... 21 OS EFEITOS REAIS DA CONCLUSÃO DO CONTRATO ..............................falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes .......... PROBLEMA DA SUA EXISTÊNCIA .................................................................................................................negócio consigo mesmo ..................................... 19 Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art...... 237º... 27 Art.................................................... 29 Art.. 259º .................... 19 Convite a contratar: ...... 236º...................A INVALIDADE DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS ............................................................................... 38 A INTERPRETAÇÃO..................... 17 Recepção: ............................................................................................................................228º) .............................................................................................238º.................................................................................................................................................................................................................... 19 A PROPOSTA CONTRATUAL E A SUA ACEITAÇÃO .......... 36 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA RELATIVA ........................................................................................................ 24 A REPRESENTAÇÃO NA CONCLUSÃO DO CONTRATO ....................... 25 OS INCAPAZES E A REPRESENTAÇÃO: ............................................................................. 227º).......................INTERPRETAÇÃO E A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (ARTS........................................... 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL FICA PERFEITA DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL: ... 227º e art........................................................................................................................ 40 4 ................... 30 A CONDIÇÃO ............................................................................................................................................................................... 261º .............................................................................................................................................................................................................................................................................................protecção de terceiros: ............................................................. DELIMITAÇÕES PARA COM FIGURAS SEMELHANTES.......................................... 264º ............................................................................................................................................................. 269º ..................... 17 FASES DE EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS NÃO REPTÍCIAS: .................................................................................................................................................................................................... 25 DISTINÇÃO ENTRE REPRESENTAÇÃO OU DO REPRESENTANTE COM OUTRAS FIGURAS E INSTITUTOS: ............................................................................. 229º....... 28 Art.......................... 263º ................................................................................................................................................... 23 Comparação entre art...................................................................................... 17 Conhecimento: .........1 (2ª parte): ................................................................................................................................................................................................ 27 A PROCURAÇÃO E OS SEUS EFEITOS ..... 31 A condição suspensiva .......... 35 OS NEGÓCIOS CELEBRADOS SEM PODERES DE VINCULAÇÃO: .......................................................................................................................................................................... 28 Art..................................................................................................................................................... 25 PRINCÍPIOS GERAIS................... 266º ................................................................... 22 A CULPA IN CONTRAHENDO (ART.................................... 36 PARTE IV ...........................................

................................................................................................................................................... 49 A declaração não séria (art............................................................. 46 A reserva mental (Art............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 51 As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas.................................................................................................... 240º a 243º) ................................... 46 A simulação (arts..................................... 63 A coacção moral ........................................................................................................... 50 AS CAUSAS DA ANULABILIDADE ............................................................................................................................ as proibições legais relativas ............................... 58 Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal ..................................................... 51 Negócios celebrados sem capacidade de exercício: .................................................................... 244º)......................................................................................... 42 Negócios celebrados contra a lei (art.............................................................................................................................. 59 Os negócios usurários ........................................................................................................................ 43 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica ......... 44 Os negócios celebrados com falta de vontade ... 64 A MINORAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................. 62 O dolo........................................................ 65 Princípio da conservação do negócio jurídico .................................................................................... 42 O regime das incapacidades negociais de gozo .................................................................................................... 64 Efeitos da invalidade: ...................................................... 294º): ......................................... 61 O erro sobre os motivos .................................................................................................. 44 Os negócios celebrados sem observância da forma legal ............................................................................................................... 64 AS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE NO NEGÓCIO JURÍDICO EM PORMENOR .................................................................................................................................. 245º) .......................................... 65 5 ............................................................................................................................................................... 65 Princípio da abstracção ............................................................................................ 60 Os negócios celebrados com erro na declaração .........TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel AS CAUSAS DA NULIDADE ..............

Coimbra. há uma ampla liberdade na conformação e no estabelecimento de relações jurídicas. O conceito de negócio jurídico Referência histórica: o Apenas no séc.” 4 (P. Elementos do negócio jurídico: o Elementos essenciais – “são aqueles que caracterizam o respectivo tipo negocial. pp. usando quase exclusivamente o conceito de declaração de vontade. Só assim é realizado o princípio da autonomia privada. 3 Cit. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE I – os elementos e a natureza do negócio jurídico Negócio Jurídico – “Declaração de vontade privada que visa a produção de um efeito jurídico que se verifica conforme a ordem jurídica por ter sido querido pelas partes” 1 Elementos estruturais do negócio jurídico: o Sujeito – necessita de ter capacidade negocial (exercício). Almedina. pp. Ed. o negócio jurídico está limitado aos tipos negociais que a ordem jurídica reconhece para a conformação dos mesmos. 4 Cit. Almedina.necessária a propriedade de uma coisa/direito + um preço). XIX – contrapõe-se negócio jurídico a factos ilícitos (Heise). Ed. HEINRICH HÖRSTER. Quem se vincula juridicamente tem que ter discernimento para formar uma vontade livre e esclarecida. o Savigny (doutrina clássica) – sublinha a importância da vontade no negócio jurídico. o Objecto (conteúdo do negócio) – tem que ser lícito. ex. de uma maneira volitiva. A parte geral do Código Civil Português. são os requisitos do art. possível e determinado. dentro do princípio da autonomia privada 2” que visam a realização de determinados efeitos jurídicos queridos pelas partes. Coimbra. que os individualizam face aos outros tipos negociais.420. HEINRICH HÖRSTER. “A relações jurídicas apenas podem ser estabelecidas nas formas e nos limites previstos pela própria lei”3  Não existe o tipo legal “negócio jurídico”.420. só assim é possível proteger o princípio da autonomia privada.  “ O conceito de negócio jurídico é uma abstracção de todos os actos jurídicos privados. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. pp. a criação de relações jurídicas. No entanto. Almedina. HEINRICH HÖRSTER.. reconhecidos pela ordem jurídica . pp. A parte geral do Código Civil Português. Ed. modificar ou extinguir. 1 2 Cit. Coimbra.: elementos essência de um c. A parte geral do Código Civil Português. Cit. o Declaração de vontade – a vontade tem que ser livre e esclarecida (vontade perfeita e não viciada) devendo coincidir com a declaração de vontade.421. escolhido pelas partes e admitido pela lei. O que existem são os mais diversos tipos legais de negócios jurídicos que têm como característica transversal apresentarem uma finalidade no sentido da produção de efeitos jurídicos e de visarem. Coimbra. sendo necessário perceber que direitos e deveres as partes quiseram constituir.417. XVIII foi introduzido na linguagem jurídica o conceito de negócio jurídico.c.v.  No respeito pelo princípio da autonomia privada.. 6 . 874º . o Séc. Ed.

246º). o Elemento interno. objectivo – a declaração. A declaração de vontade Nota: no código civil. 7 . art. Em termos objectivos. “declaração de vontade” surge como “declaração negocial”. criando um vínculo jurídico. é necessária a garantia da produção dos efeitos jurídicos pela ordem jurídica (através do direito objectivo). pp. a declaração de vontade é um elemento essencial do negócio jurídico. Ed. É necessária uma declaração de vontade – exteriorização da vontade. Declaração de vontade – declaração negocial pela qual se manifesta a vontade que visa a produção de negócios jurídicos. 2. Pressupostos essenciais para que se possam produzir os efeitos jurídicos pretendidos pelo negócio: 1. estipulações de condições ou prazos. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. Nota: elementos essenciais e acidentais situam-se no mesmo plano pois resultam da vontade das partes. é necessária uma vontade dirigida aos efeitos e manifestada numa declaração de vontade. ou seja. o Elemento externo. o A falta de declaração com carácter negocial. clausulas modais). integradoras). A parte geral do Código Civil Português.c + 246º] Nota: a não existência de um negócio jurídico devido à inexistência de uma declaração negocial não implica que não exista um outro facto jurídico ao qual a lei poderá ou não atribuir efeitos inclusive com sanção. 1628º. Ed. normalmente a lei encontra soluções que as partes teriam querido adoptar uma vez que é objectivo da lei contribuir para a auto-realização das partes). inviabiliza a existência de negócio jurídico. Cf. [Ver arts. mas que contêm clausulas suplementares ou acessórias”6 (ex. Elementos naturais resultam da lei. Composição da declaração de vontade (remissão PARTE II). Almedina. HEINRICH HÖRSTER. art. Inexistência da declaração de vontade  O negócio jurídico depende de uma declaração de vontade. Formas que a falta de declaração de vontade pode assumir: o A falta de declaração em si. uma declaração desprovida de vontade de produzir efeitos jurídicos (não tem a natureza de um acto volitivo-final). Coimbra. Têm uma natureza não negocial (Cf. subjectivo – vontade. Almedina. no entanto. pp. o Elementos acidentais – “são estipulações das partes que não integram o respectivo tipo negocial. sendo esta que estabelece o tipo negocial e suas características (e não em atenção à vontade das partes. 5 6 Cit.421. Por conseguinte. Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Elementos naturais – “são as regras de ordem jurídica que complementam a regulamentação encontrada pelas partes”5 (disposições supletivas. a não existência de uma declaração de vontade. 878º. que não chegou a ser manifestada.421. 3. Em termos subjectivos. HEINRICH HÖRSTER.

A declaração de vontade e a consciência da criação de um vínculo jurídico A vontade orientada no sentido da produção de determinados efeitos jurídicos implica. para além das mesmas. 8 . Faz esta distinção falando de negócio jurídico e declaração (negocial)). sempre. o “Assim. Aqui. os valores em causa. Aqui. embora não exista um negócio jurídico. Situações em que não basta a declaração de vontade para que se forme um negócio jurídico: o São situações em que o próprio negócio é integrado não só pelas declarações como. porém. o acto material de entrega faz parte. mais do que uma declaração de vontade. Distinção entre negócio jurídico e declaração de vontade o São conceitos coincidentes apenas quando estamos perante um negócio jurídico unilateral em que existe apenas uma declaração de vontade (ex. Verifica-se um indício a favor da existência de uma vinculação jurídica por parte do declarante que se presta a assumir a “atitude de favor” quando estão em causa interesses económicos essenciais ao declaratário. acordos mediante os quais alguém assume um compromisso de honra).”7 o Exemplos: contratos reais (comodato-1129º. Nestes casos. sendo estes efeitos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Nota2: A falta de declaração de vontade não deve ser confundida com uma vontade invalidamente formada ou manifestada. HEINRICH HÖRSTER. as circunstâncias específicas de cada situação concreta. pois. existem outros factos jurídicos tais como factos ilícitos e a correspondente responsabilidade. a consciência de criar uma vinculação jurídica da parte do declarante. Almedina. para a celebração de um negócio jurídico. o Normalmente. (O CCiv. não existe a vontade de criar uma vinculação jurídica. Distinção entre declarações negociais e declarações de ciência o Declarações de ciência – alguém dá conta de um facto. A delimitação entre estas figuras e o negócio jurídico nem sempre é fácil. certas relações de favor ou os negócios de pura obsequiosidade não são considerados negócio jurídicos. Ed. do próprio negócio jurídico. etc. por outros actos que nele intervêm. mútuo-1142º. depósito-1155º). o Nota: há no entanto situações em que a distinção entre declaração de vontade e declaração de ciência é difícil.420 e 421. dado o factor de gratuitidade. Nestes casos. A parte geral do Código Civil Português. pode acontecer que o negócio jurídico inclua. que declarante não deve desconhecer. declaração de nascimento. os usos sociais. presta simples informações ou declarações acerca de dados existentes ou a respeito de determinados acontecimentos (identificação de uma pessoa. Assim. os interesses dos intervenientes. Falta ou não tem relevância a vontade de assumir vinculações jurídicas. especialmente quando na perspectiva do destinatário existem razões justificativas para acreditar na existência de uma vontade de assumir uma vinculação jurídica. declaração de vontade e negócio jurídico já não são coincidentes. (o mesmo ocorre com os “gentlements agreements”. pp. ao lado das declarações negociais. são necessárias. etc). determinados actos reais ou materiais. alem das declarações de vontade. direitos potestativos quando não dependem de formalidade). já existe um negócio jurídico embora com os seus efeitos prejudicados ou afectados pela invalidade. Coimbra. que nelas frequentemente ocorre. sempre de natureza negocial. 7 Cit.

A parte geral do Código Civil Português. renúncia a um direito. contrato com efeitos protectores para terceiros. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. normalmente não procedem de um comportamento unilateral. pp. por via interpretativa. 11 Cit. Impossibilidade de estabelecer.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Intervenientes no negócio jurídico.423. o Quando o acto afecta só o património próprio – ex. faltando este consentimento. 457º. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. Exemplos: remissão de uma dívida (863º). o “Não é possível atribuir. Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: 8 9 Cit. Ed. Aqui. relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: o “A ordem jurídica exige o consentimento prévio do outro ou. o Conhecimento real ou presumido que os terceiros tenham do negócio acordado. testamento (2179º. direito potestativo e acção directa. Almedina.”9 Tal implica uma limitação do princípio da autonomia privada (não significando que não possa haver condutas criadoras de confiança como é o “venire contra factum próprio” em que o agente cria a confiança ou saberá que o outro confia). doação (940º. Ed. pp. HEINRICH HÖRSTER. que efeitos jurídicos negociais.423. Ed. testamento. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. a aceitação ou a ratificação. os efeitos de um negócio jurídico produzem-se apenas entre as pessoas. Exemplos: contratos a favor de terceiros (447º e 443º). tendo acordado neles. pois são estas que os querem. pp. por isso. A parte geral do Código Civil Português. Cit. A parte geral do Código Civil Português. por acto unilateral. proposta da conclusão de um contrato.  Outra questão diferente. Não querendo o outro aceitar ou ratificar o acto. sem mais. Ed. as auto-vinculações estão circunscrita àquilo que é legalmente admitido. Coimbra. Limitações: Limitação de auto-vinculações: o De acordo com o art. o Quando o acto traz uma vantagem jurídica para o visado – ex. é a de saber se os efeitos do negócio jurídico se restringem às partes ou se têm efeitos sobre terceiros. Tal depende: o Conteúdo do negócio jurídico – se incide sobre direitos absolutos ou relativos. Coimbra. 2062º).” Situações em que é possível um sujeito conformar relações jurídicas de uma maneira unilateral: o Exercício de um direito já constituído – ex. Almedina. pp. um sentido “objectivo” a uma conduta com vista à criação de uma obrigação da parte do agente que se teria “auto-vinculado” com semelhante conduta. abrangidas pelos seus efeitos”8  Por via de regra. ele recusa a relação jurídica favorável”10. a conformação unilateral de relações jurídicas  “São intervenientes no negócio jurídico as partes que nele acordaram sendo.1). Almedina. o Quando não são atingidos direitos de outrem – ex.423. Conformação unilateral de relações jurídicas  “Da necessidade de um acordo resulta. o “Também por via contratual não é possível favorecer terceiros contra a sua vontade”11. 9 . HEINRICH HÖRSTER. os terceiros são favorecidos ou protegidos se o quiserem. ocupação de coisas sem dono. 10 Cit.422.

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Duas partes celebram um contrato de compra e venda a respeito de um objecto que não lhes pertence. Classificação de negócios jurídicos Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico Estrutura e produção de efeitos: Negócios jurídicos unilaterais: o São negócios jurídicos em que há apenas declarações de vontade de um lado ou várias declarações de vontade paralelas de um lado. Coimbra.153º). É este o caso da representação. Agir em nome ou em vez de outrem significa. agir dentro de vinculações. determinadas pela autonomia do representado no caso da representação voluntária. mas em atenção à autonomia ou interesse daquele que suporta os efeitos (representado). o Contrato de compra e venda de bens imóveis – necessidade de escritura pública (875º). o Pode ser necessário que a outra parte conheça o conteúdo da declaração. tanto voluntária como legal. o Os parceiros sociais acordam um contrato colectivo de trabalho que ultrapassa os limites funcionais da contratação colectiva e as suas razões justificativas. o Consentimento do representado no caso do conflito de interesses. Negócios jurídicos que exigem a intervenção de outros particulares afectados pelo negócio para alem de uma declaração de vontade: o Consentimento pessoal de outros familiares. o NOTA: “há situações em que alguém age em vez de outrem como parte-outorgante do negócio. 10 . o (São negócios INEFICAZES em relação aos visados que não intervieram e NULOS para em relação às partes que o celebraram. a sua ausência torna o casamento juridicamente inexistente. o Normalmente. o Notário/ tribunal – a sua intervenção no processo prende-se com pressupostos de validade. Ed. o As intervenções das várias autoridades públicas têm graus de intensidade diferentes. Daí que o agir em nome do representado não se verifica em função da autonomia e da auto-realização do agente (representante). pp. não dependem da aceitação ou concordância de uma outra parte. os negócios celebrados pelo representante produzem os seus efeitos na esfera e na pessoa do representado. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. pelo que a sua falta terá efeitos diferentes: o Casamento – a presença do funcionário faz parte do tipo negocial. o Negócios do inabilitado que estão sujeitos à autorização do curador (art. ou decorrentes dos interesses de um incapaz no caso da representação legal. ou que esta chegue ao seu poder.424. o Podem ser receptícios ou não receptícios: 12 Cit.”12 Negócio jurídicos que para além de declarações negociais exigem a intervenção de autoridades públicas: o Casamento civil – presença de um funcionário do registo civil (1628º e 1630º). o Negócios jurídicos celebrados pelos pais como representantes dos filhos menores sem autorização do tribunal são anuláveis (1893º/1894º). Almedina. por isso. a sua ausência torna o negócio jurídico inválido. Aqui. assim.

428. (ex. para alem da declaração se exige a chegada ao poder ou a tomada de conhecimento do destinatário para que o negócio jurídico produza efeitos. pp. Cit. A parte geral do Código Civil Português. Ed. contrato de sociedade). HEINRICH HÖRSTER. ainda uma obrigação da outra parte. Ed. 16 Cit. Ex. Almedina. CCV. rescisão do contrato de trabalho). o Contratos de execução continuada – contêm uma obrigação duradoura (arrendamento. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. é difícil estabelecer a fronteira entre um negócio jurídico unilateral ou não. posteriormente e dependente da execução do contrato. relativo à estrutura e produção de efeitos: o Unilaterais/ não sinalagmáticos – contratos que criam obrigações apenas para uma das partes contraentes. Almedina. renúncia do arrendamento. doação. Ed.  Não receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que não há um destinatário. promessa pública). Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: o Gratuitos – Existe um sacrifício patrimonial apenas para uma das partes contraentes. 15 Cit. Coimbra. Critério relativo ao cumprimento de obrigações emergentes se cumprirem num único momento ou se prolongarem no tempo: o Contratos de execução instantânea – esgotam-se num acto de cumprimento.”16 Não é necessário um equilíbrio objectivo ou uma equivalência objectiva entre as prestações feitas. Coimbra. A prestação de uma parte é realizada em virtude e por causa da prestação de outra”14.428. Ed. Há uma vantagem patrimonial do lado de quem recebe sendo a atribuição patrimonial unilateral. o Contrato de execução periódica – contêm uma obrigação periódica a realizar durante certo tempo (contrato de fornecimento de mercadoria). Coimbra. para serem eficazes. 11 .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que. pelo que. O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) Critério do conteúdo do contrato. o Bilaterais:  Sinalagmáticos/ bilaterais perfeitos – “aqueles em que existe uma reciprocidade entre as obrigações das partes.”15 (Ex. provenientes de dois ou mais lados e cujos sentidos se encontram e convergem”13 o Exemplos: constituição de uma associação (167º). pp. Negócios jurídicos plurilaterais: o “São aqueles que se compõem de duas ou mais declarações de vontade. contrato de sociedade (980º). o Onerosos – “cada uma das partes envolvidas faz uma atribuição patrimonial à outra como contrapartida ou contraprestação. pp. basta a mera emissão de uma declaração de vontade. A parte geral do Código Civil Português. pp. HEINRICH HÖRSTER.428. HEINRICH HÖRSTER. testamento.  Bilaterais imperfeitos – “aqueles em que inicialmente há apenas uma obrigação de uma parte. o mandato gratuito – o mandante pode ter que indemnizar o mandatário caso este sofra prejuízos). A parte geral do Código Civil Português.427. Almedina.  Nota: por vezes. Ex. Almedina. deliberações sociais (175º).  13 14 Cit. contrato de trabalho. podendo surgir. Coimbra. (ex.

Cit. permitindo apenas actos de alienação que mantenham intacta a raiz dos bens. Almedina. pp. 17 18 Cit. Negócios entre vivos e mortis causa:  Entre vivos – produzem os seus efeitos em vida das partes. comodato 1129º).  Contratos aleatórios – são contratos em que uma das partes ou ambas estão sujeitas a um risco. Critério da natureza da relação jurídica constituída: o Negócios obrigacionais – vale o princípio da liberdade contratual. Almedina. um acto material (ex. o Nota: negócio consensual pode também ser oposto a negócio formal.”18 o Real – é necessário. renda vitalícia 1238º.  Mortis causa – produzem os seus efeitos depois da morte das partes ou de uma delas. Coimbra. Critério do modo de formação: o Negócio consensuais – “o contrato fica perfeito com o simples acordo das partes. nestes casos. Coimbra. 12 .  Patrimoniais – o princípio da liberdade de fixação de conteúdo depende da natureza obrigacional ou real. para alem do acordo. o Negócios familiares:  Pessoais – exclusão do princípio da liberdade de fixação do contrato. o jogo e aposta 1245º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Nota: os contratos sinalagmáticos são negócio onerosos (mas nem todos os contratos bilaterais são onerosos – doação com encargos). o seguro. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. Ed. HEINRICH HÖRSTER.430. mútuo 1142º. depósito 1155º. A possibilidade de ganho ou perda vai depender de acontecimento futuro incerto (ex. o risco). No entanto.[negócio bilateral gratuito]. (Princípio da liberdade de forma + princípio da liberdade declarativa 217º  realização do princípio da autonomia privada). Distinção entre actos de mera administração e negócios de disposição:  Actos de mera administração – “são actos de gestão patrimonial limitados ou destinados a conservar a substância dos bens (manter o seu estado frutífero). no caso do mútuo pode ser convencionada uma participação nos lucros (1145º. pp. deve ser possível considerar o contrato concluído com efeitos obrigacionais já no momento do acordo e sem qualquer entrega.429. a uma álea.  Negócios onerosos parciários – “são caracterizados pela participação no risco de certo empreendimento no que diz respeito aos lucros esperados como contraprestação a uma entrega realizada para o efeito”17 Exemplos: parceria pecuniária 1121º. o Negócio solenes/ formais – negócios jurídicos que para serem concluídos exigem o preenchimento de certa formalidade. É comum serem negócio jurídicos livremente revogáveis exceptuando certas convenções antenupciais. Critério da forma: o Negócios não solenes/ não formais – celebram-se de acordo com a vontade das partes não sendo necessária qualquer formalidade especial. Ed.  Negócios de disposição – alteram a substância dos bens ou do património administrado. A parte geral do Código Civil Português. se tal corresponder à vontade das partes. o Negócio reais – o princípio da liberdade contratual está afastado quanto à liberdade de fixação do conteúdo (numerus clausus).1 + 405º + 1146º).

o Declaração negocial tácita – quando se deduz de factos que com toda a probabilidade a revelam. Nota: não há vontade de acção no caso de movimentos reflexos. 1163º.”19 Só é possível no caso de uma resposta a uma declaração negocial expressa ou tácita precedente (é uma maneira de reagir). É uma manifestação directa de vontade tendo com objectivo exteriorizar certa vontade negocial. 13 .  Aprovação por silêncio no art. Cit. Coimbra.”20 É a vontade de concluir um negócio específico. “A não coincidência entre a vontade negocial e a declaração feita pode levar a um erro.”21 A declaração negocial é. 218º).é a consciência de criar um vínculo jurídico).437. HEINRICH HÖRSTER.2). pp. 21 Cit. Princípio da liberdade declarativa (liberdade contratual + princípio da autonomia privada):  Em princípio. HEINRICH HÖRSTER. Mas há vontade de acção quando o declarante age sobre coacção moral. Coimbra. Almedina. portanto. o declarante dispõe de todos os meios que lhe servem para se fazer entender. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Se um dos elementos subjectivos falta ou for deficiente ou se o elemento objectivo não obedecer às exigências 19 20 Cit. A parte geral do Código Civil Português. Ed. pp. (. uso ou convenção. O declarante sabe que o seu agir tem relevância jurídica. Ed.  Vontade negocial – “é a vontade dirigida a um negócio jurídico concreto incidindo sobre um determinado objecto ou referindo-se a uma realidade precisa.  Casos em que o silêncio tem valor declarativo:  Aceitação da proposta de venda a contento (923º. Almedina.  Modalidades em que a vontade pode ser revelada: o Declaração expressa – quando é feito por palavras escritas ou QUALQUER OUTRO MEIO DIRECTO de manifestação de vontade (ex.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE II – Formação do negócio jurídico As modalidades da declaração negocial. o silêncio vale como declaração negocial (art. Apenas nos casos previstos na lei.  Exemplos de situações em que o silêncio não funciona como declaração negocial:  O silêncio depois do recebimento de uma mercadoria não encomendada.435. “O que está em causa não é a ausência de vontade é a ausência de manifestação desta. HEINRICH HÖRSTER. ou podem ser entendidos nesse sentido. Coimbra. inconvenientes ou de coacção física. Almedina. gestos ou sinais).437. o Silêncio como modo declarativo – por via de regra não vale nada enquanto declaração negocial. formada por um elemento interno e um elemento externo que devem coincidir sob pena de o negócio jurídico não poder desempenhar o seu papel. pp. Ed. É uma manifestação indirecta de vontade que se baseia num comportamento concludente do declarante. os seus elementos  “ o primeiro passo para o negócio jurídico consiste numa declaração de vontade”. Elemento interno/subjectivo da declaração negocial – vontade:  Vontade de acção – é a vontade dirigida à execução da própria acção mediante a qual se manifesta a vontade negocial.  Vontade de declaração – existe quando o declarante tem consciência de que o seu comportamento ou a sua manifestação significam uma declaração negocial num sentido qualquer.

595º. tendo em vista o princípio da autonomia privada e a necessidade de segurança e o princípio da protecção da confiança (boa fé): “ Uma declaração de vontade é um acto que produz um efeito jurídico intencionado pelo declarante. de acordo com o conteúdo objectivo que a declaração apresenta ou que lhe é atribuído" [A vontade do declarante é moldada por critérios objectivos]. a sua distinção da publicidade Princípio da autonomia privada: liberdade de forma e liberdade declarativa. O problema da concordância entre elemento objectivo e subjectivo e consequentes efeitos jurídicos Teoria Clássica – (teoria da vontade) – a vontade efectiva do declarante é decisiva.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel legais. a forma das declarações é escolhida livremente pelos declarantes. A vontade como elemento subjectivo não é negada. 14 . Assim. conforme os casos.  A inadequação dos motivos não pode afectar o negócio sob pena de trazer consequências incompatíveis à segurança e certeza no tráfico jurídico. a declaração negocial é atingida por esse facto e.)  Em sintonia como o princípio da liberdade declarativa (art. Teoria da declaração – o elemento decisivo é o elemento externo. segundo os usos da vida. Distinção entre vontade negocial e motivos  Os motivos que levam à celebração de um negócio jurídico situam-se antes do negócio e não possuem.731º.957º. exigindo que a declaração negocial seja expressa. podia e devia entender o comportamento no qual ela se traduz.1.1. Assim. por princípio. Forma convencional:  é a forma estipulada pelos declarantes no âmbito do princípio da liberdade declarativa e da liberdade de forma. mas o significado da vontade pode estar condicionado pelas opções do código e pela concepção social do direito privado que não olha o indivíduo de forma isolada mas num determinado contexto social. 590º.1) o CCiv estabelece o princípio da liberdade de forma (219º). A declaração tal como o declaratário. A forma da declaração negocial.2. objectivo. qualquer relevância jurídica.” [visão objectivista]. repercutindo-se a invalidade sobre os seus efeitos ou simplesmente irregular (podendo ser rectificado). convenção dos interessados ou por disposição legal aparece como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. não existente ou inválida. dentro dos limites da boa fé. (ex. excepções  Existem situações em que a lei afasta o princípio da liberdade declarativa.2. ou em todo o caso o revela e traduz. Código civil – não toma uma posição clara mas estabelece determinadas directrizes que impedem uma solução subjectivista e que fornecem soluções objectivistas. em princípio. Definição de Manuel de Andrade – “todo o comportamento de uma pessoa que. 217º. da confiança e da segurança no tráfico jurídico.

a segurança e a facilitação da prova. dois tipos de efeitos: 1. tendo primeiro convencionado a forma. As finalidades e razões justificativas para a imposição de forma legal são as seguintes: 1. HEINRICH HÖRSTER. Estipulação anterior ao negócio que se quer celebrar em seguida – “estabelece uma presunção relativa no sentido de. 394º. mas estabelece-se a presunção de que as partes querem. não haverá vinculação entre elas. desde que correspondam à vontade do declarante. facilitar a prova. pp. mas para se permitir a prova esta tem que ser feita por confissão ou por documentos que o comprovem (394º). as partes. apenas se querem vincular. o NOTA: de acordo com o art.223º (não há uma forma específica) prevê em atenção à altura em que a estipulação foi feita. a não ser que diversamente seja provada. Nota: nulidade – está em causa um elemento essencial do negócio jurídico ou está em causa a ordem pública.222º (forma escrita) o facto de os declarantes adoptarem a forma escrita não invalida eventuais estipulações acessórias verbais. Anulabilidade – estão em causa interesses privados. Coimbra. Presume-se é que este não se concluiu. verifica-se que a lei atribui uma força reduzida à forma convencional. A ponderação da decisão em ordem a evitar soluções precipitadas ou irreflectidas. mediante a forma convencionada. consolidar o acto ou ter as suas clausulas mais perceptíveis. 15 . As partes não querem ver o negócio substituído. ao princípio da liberdade de forma.Art. Estipulação da forma no momento da conclusão ou posterior à conclusão do negócio – o negócio já está validamente celebrado. sendo esta um pressuposto de validade23. Permite a validade de convenções adicionais ao documento escrito. contemporâneas ou posteriores à formação do documento. consequentemente. no futuro.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   As partes tendem a adoptar uma determinada forma voluntária por razões de clareza quanto à conclusão do negócio e seu conteúdo. 22 23 Cit. As partes podem abandonar a forma apesar da convenção. A exigência de forma feita voluntariamente pode ser afastada pelas partes através de uma determinação posterior ou sucessiva em sentido contrário: o Forma voluntária .”22 2.  Assim. Inobservância da forma legal exigida por lei  Ao contrário do que acontece com a forma convencional.441. por meio dela. Ed. (forma “ad probationem”). quer as convenções sejam anteriores.Art. Sem a observância da forma convencionada. ou a melhor ponderação da decisão a tomar no negócio em causa.  O não cumprimento da forma convencional não leva à invalidade do negócio jurídico. como meio de protecção das partes.  A exigência da forma legal visa determinados fins de interesse público ou ordem pública que o legislador considera superiores ao princípio da autonomia privada e. a prova testemunhal não é admitida se tiver por objecto quaisquer convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documento autêntico ou dos documentos particulares. a lei é muito rígida no que respeita à observância da forma legal imposta. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. o Forma convencional . (Princípio da ordem pública + transparência e publicidade)  Existe também a hipótese da forma legal apresentar a forma “ad probationem” não tendo relevância para a validade do negócio jurídico (obras realizadas por acordo das partes no arrendamento).

registo predial) ou por publicação nos jornais (estatuto de uma associação). 7. 16 . nomeadamente o registo. a sua não publicidade. 3. Uma assistência profissionalmente competente. vendas ao domicílio ou vendas por correspondência). 5.  Embora o negócio produza todos os efeitos para as partes. A clareza do momento exacto da conclusão de um negócio.  Ver DL 62/2003 – 3 Abril. as consequências da não publicidade do negócio poderão ser a mera produção de efeitos latentes (casamento não registado – não pode ser invocado ou atendido) ou a não produção de efeitos (o contrato de sociedade comercial não existente). refere-se à forma escrita. O controlo para preservar interesses da comunidade ou de terceiros (para alem de eventuais exigências de autorizações por parte de tribunais ou outras entidades). em jeito de controlo prévio. 4. registo civil. 8. registos e documentos arquivados. índice de alfabetização e a exigência de escritura pública). uma vez que os notários estão. destinada a averiguar. 363º):  Documentos particulares (373º e 376º). Segurança da prova.  Em certas situações. Nota: as exigências legais devem estar de acordo com as características da sociedade (ex. Nota: quando a lei fala em forma. Modalidades de documentos escritos24 (art. obrigados a prestar verbalmente informações relativas aos actos. A perfeição da declaração negocial A importância da determinação do momento em que a declaração negocial está perfeita (tem eficácia/ está apta a produzir os seus efeitos):  Esclarece se uma declaração foi feita tempestivamente ou não. A clareza a respeito do próprio conteúdo do negócio. ao abrigo da publicidade notarial. 6.  A falta de publicidade em nada afecta o negócio pois este já está concluído.  Documentos particulares autenticados (377º e 375º). separando-o da fase de negociações. Distinção entre forma dos negócio e publicidade:  Existem negócios que estão sujeitos a publicidade. ainda a capacidade negocial dos intervenientes. 24 Nota: um cheque é um documento escrito – ordem pagamento dada pelo sacador ao banco a favor da pessoa que está inscrito como beneficiário ou o portador do cheque. Tipos de declarações negociais:  Declarações negociais receptícias – destinatário determinado. A dificultação do negócio em certas situações específicas ditadas por razões sociais (ex.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 2.  Documentos autênticos.  Pode ser feita pela inscrição do contrato no registo respectivo (ex.  Declarações negociais não receptícias – não têm destinatário determinado. O conhecimento a terceiros. em princípio. torna-o inoponível a terceiros.

(253º. 257º. podendo conduzir ou coincidir com emissão da declaração”25 Ver art.” Fases de existência de declarações negociais não reptícias:  Existem apenas as fases de exteriorização e expedição uma vez que não existe um destinatário determinado. A declaração é formulada ou manifestada. 226º. o Data a partir da qual correm os prazos para a anulação da declaração negocial. Nota: “tanto a exteriorização como a expedição verificam-se do lado do declarante. as esferas de poder do declarante e do declaratário (declarações negociais receptícias). Expedição:  Corresponde ao momento em que a declaração é expedida pelo declarante. Tal importa: o Conclusão do contrato e da consequente transferência de direitos reais e risco de perecimento ou deterioração da coisa. no decurso temporal.  A invalidade do negócio jurídico é uma consequência da invalidade da declaração que compõe o negócio jurídico. ao separar. Almedina. 220º). abandonando a esfera interna do declarante. A parte geral do Código Civil Português.447. Conhecimento:  É o momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração que lhe foi dirigida. Nota: embora seja possível separar as quatro fases. pp. Ed. Determina o momento a partir do qual o declarante fica vinculado à sua declaração.  É neste momento que são analisados os pressupostos de validade da declaração. Fases da existência de uma declaração negocial (receptícia): Exteriorização:  Corresponde ao momento em que o declarante exprime a sua vontade.  É neste momento que a declaração ganha existência. tal não implica que elas não possam coincidir no tempo. Coimbra. sendo o pressuposto lógico de ambos a anterior emissão da declaração negocial. 17 . Recepção:  É o momento em que a declaração chega ao poder do destinatário de forma a que este possa tomar conhecimento do seu conteúdo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Determina a parte que arca com o risco de uma transmissão errada da declaração. Momento em que a declaração negocial ganha eficácia (vincula o declarante de tal forma que este não se pode retractar) [teorias]: Teoria da exteriorização – a declaração negocial ganha eficácia/ fica perfeita no momento da exteriorização. Nota: “Tanto a recepção como o conhecimento verificam-se do lado do declaratário. 255º. o momento em que formulada. HEINRICH HÖRSTER. 25 Cit. (entrada na esfera de poder do declaratário).

o Horster – defende que a tomada de conhecimento.  Não receptícias – são eficazes com a simples emissão da declaração. 224º.  Quando há prova do conhecimento efectivo não há necessidade de provar a recepção para efeitos da perfeição da declaração negocial. A partir de o momento em que tal acontece.  Art.3  tem-se por ineficaz uma declaração recebida pelo destinatário em condições de. quando um possível destinatário (indeterminado no momento de emissão da declaração) toma conhecimento da declaração.  Quando há prova da recepção mas não há prova de conhecimento. Teoria da recepção – a perfeição obtém-se no momento em que a declaração chega ao poder do destinatário.Lima e A. 18 . esta é assumida a partir do momento em que a declaração é entregue a uma pessoa que possui a necessária competência de recebimento. 226º (aplica-se a declarações receptícias e.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Teoria da expedição – a declaração negocial ganha eficácia quando é expedida.  Ainda assim.1: o Estabelece uma distinção entre declarações negociais receptícias e não receptícias:  Receptícias – tornam-se eficazes quando chega ao poder do destinatário ou é dele conhecida.  Art. a que uma declaração já emitida ganhe a sua perfeição ainda depois. 224º. Teoria do conhecimento/ percepção – a perfeição obtém-se no momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração. 454º).1). (Teoria da exteriorização + expedição). acontecimentos supervenientes já não prejudicam a eficácia da declaração. existe uma divisão na doutrina: o P. a declaração torna-se eficaz.2  declaração receptícia – ficção legal no sentido de determinar que é eficaz a declaração negocial que por culpa do destinatário não chega ao seu poder.  Art. Momento em que a declaração negocial fica perfeita de acordo com o código civil:  Art. sem culpa sua. a não recipiendas): o A morte e incapacidade do declarante não obstam. depende das concepções reinantes no tráfico jurídico para os negócios em causa. 225º: o Declarações negociais receptícias – situações em que não se pode verificar a chegada ao poder ou conhecimento do declaratário pelo que a perfeição da declaração negocial receptícia (por este ser desconhecido ou por se desconhecer o seu paradeiro) verifica-se no momento da publicação da declaração no jornal. o Declaração negocial não receptícia/ não recipienda – nestes casos.Varela – há uma presunção absoluta que o declaratário tomou conhecimento da declaração caso se tenha verificado que este a recebeu. basta que se verifiquem um dos pressupostos para que a declaração seja perfeita. (Adopta-se a 2ª alternativa do 224º. desde que esta se revista da forma adequada.  Conjugação da teoria do conhecimento e da recepção. o A declaração é ineficaz ou enquanto o destinatário não a receber ou não tenha conhecimento dela. por analogia.  Nota: a chegada ao poder não implica a entrega imediata. suposta pela lei quando de prova a recepção. 224º.: promessa pública (Art. não poder ser conhecida.  Art. Ex.

HEINRICH HÖRSTER. 2. Almedina. Tem de incluir na proposta os elementos objectivamente e subjectivamente essenciais.457. Traduzir uma vontade precisa de contratar: 26 27 Cit. Passos para a conclusão de um contrato 1. pp. 28 Cit. pp.”26  Da leitura do art. pp. Almedina. Declaração inequívoca do declarante a vincular-se de forma directa e imediata. Coimbra.  Cláusulas objectivamente essenciais – relacionadas com o conteúdo do contrato. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. por exemplo máquinas automáticas nos parques ou com sandes já são propostas contratuais. A parte geral do Código Civil Português.  Exemplos: pedido de reserva de mesa de um restaurante. Almedina. Ed. Proposta Contratual:  “Constitui elemento imprescindível da certa proposta contratual a sua susceptibilidade de ser aceite”29  Características: i. Traduzir uma vontade firme de contratar: 1.”28  Não é uma declaração negocial. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. Ed.) constitui um incentivo para que alguém dirija uma proposta contratual.. pp. 29 Cit. Ed.224º/225º+226º. A proposta contratual e a sua aceitação CONCLUSÃO DO CONTRATO = PROPOSTA EFICAZ + ACEITAÇÃO EFICAZ Distinção entre convite a contratar e proposta contratual Convite a contratar:  “Sinaliza apenas o interesse ou disponibilidade para entrar em negociações com vista à posterior conclusão de um contrato (. HEINRICH HÖRSTER. 19 . Conclusão do contrato  “As declarações negociais mais importantes são aquelas que conduzem à conclusão de um contrato.  Cláusulas subjectivamente essenciais – são cláusulas que cada uma das partes considera essencial para a celebração do acordo. A parte geral do Código Civil Português.455.  No entanto. envio de catálogos.”27 (enquanto houver dissenso o contrato não se conclui). Coimbra. exposição de mercadorias nas montras. A parte geral do Código Civil Português.454.457. ii. Cit..TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Para que uma declaração seja eficaz é necessário que esteja de acordo com os arts. Coimbra. Almedina.232º “podemos deduzir que estamos em face da conclusão de um contrato quando as partes tiverem chegado a um acordo entre elas sobre todas as cláusulas julgadas necessárias. Ed.

 A partir do momento em que a declaração negocial (proposta) se torna eficaz (arts.c). Proposta feita a pessoa ausente ou por escrito a pessoa presente + não se estabelece um prazo. 31 Cit.possibilidade de “lege ferenda”. esta fica sem efeito.  A eficácia da aceitação da proposta depende desta ser tempestiva – chegar ao poder ou ao conhecimento do proponente no prazo estabelecido (ou supletivo) art. 406º.  231º. É o tempo de comunicação ou transporte ou transmissão regulares.3 – “a revogação da proposta. 217º+228º. um meio com rapidez equivalente ou rapidez superior.  “A caducidade da proposta tem como efeito que o proponente foi completamente desvinculado e desobrigado da mesma (art.2 + 224º. Fixado um prazo. a proposta do contrato é irrevogável depois de ser recebida pelo destinatário ou de ser conhecida por ele (nos termos do art. A parte geral do Código Civil Português. Não é fixado prazo + não é pedido resposta imediata + proposta dirigida verbalmente a pessoa presente – é possível que se deixe um período de reflexão ao destinatário (uma vez que não é exigido um período de reflexão). 1 e 2 | art.a).  Irrevogabilidade de aceitação eficaz – já se concluiu o contrato  art. Assim o aceitante tem que utilizar o mesmo meio.1. mas o proponente pede uma resposta imediata (217º+228º. quando dirigida ao público. 224º.1.  230º.462.228º). Mantém-se até 5 dias depois do prazo em que.b.  230º. 232º). constitui-se um vínculo bilateral. A declaração tem de ser elaborada de tal modo que para a celebração de um contrato baste um simples “sim” do declaratário. 224º a 226º). proposta e aceitação chegam ao destino (217º+228º.1. 4. 20 .234º) + declaração negocial tácita (art.2.228º)  Estabelece 4 hipóteses diferentes: 1. 235º.”31 Aceitação eficaz da proposta  o contrato conclui-se aquando de uma aceitação eficaz do destinatário da proposta (âmbito de acordo das vontades art. Almedina. [no momento em que a aceitação se torna eficaz. a partir do que a proposta perde eficácia (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 1. 230º e 231º:  230º. 2. 224º.1.2 – proposta não é eficaz.b).1 – salvo declaração em contrário (na própria proposta ou por outro meio declarativo idóneo). A Irrevogabilidade30 da proposta resulta do art. 217º).2 – se o destinatário receber a retratação do proponente antes do recebimento da proposta ou no momento do recebimento. o declarante fica vinculado à proposta.  Dispensa da declaração de aceitação (art. não podendo retratar-se dos seus efeitos. concluindo-se o contrato]. Ed. é eficaz desde que seja deita na forma de oferta ou em forma equivalente. ACUMULA OS DIAS AO PRAZO DO 228º. Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art. pp. Não é fixado um prazo.1. “Condições normais”: a. HEINRICH HÖRSTER. 3.”  231º. em condições normais.2 + 234º . Coimbra. 30 Irrevogabilidade da proposta – relaciona-se com questões de segurança no tráfico jurídico e de proteger as legítimas expectativas do lado do destinatário.

2): o Nota: diferente da solução prevista no art. o O risco corre sempre por conta do proprietário. 408º e 796º. no momento da conclusão do contrato. 796º.  Aceitação com modificações (art. Neste caso. Os efeitos reais da conclusão do contrato  Arts. 21 .  Quando a aceitação é revogada ao abrigo do art. Dissenso manifesto e oculto/latente  Enquanto as partes não houverem acordado em todas as cláusulas sobre as quais uma delas julga necessário o acordo.  Art. comportamento subsequente à celebração do negócio. as partes podem convencionar o momento da transferência do risco. Dissenso oculto/ latente – as partes julgam (erroneamente) ter-se posto de acordo. b) obrigação de entregar a coisa. Está-se perante uma situação de dissenso.  A eficácia real do contrato dá-se.  A conclusão do contrato implica a produção dos efeitos (direitos e deveres de acordo com o seu conteúdo) resultante da vontade das partes.1 o Regra “casum sentit dominus” – determina que nos contratos que importam a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre ela.1. salvo as excepções previstas na lei”. Dissenso manifesto – as partes conhecem a divergência. o É uma norma supletiva. é no momento da conclusão do contrato que o risco do perecimento ou deterioração da coisa passa do alienante para o adquirente. o contrato não se conclui (por falta de consenso). 879º):  O contrato de compra e venda tem como efeitos: a) transmissão da propriedade ou da titularidade.  Os casos em que o silêncio conduz à formação do contrato.2. Aqui a proposta permanece eficaz mesmo após a morte ou incapacidade do proponente. houve transmissão da titularidade do direito. 874º) e os seus efeitos (art.232º). comportamento posterior ao consenso negocial.  Para que se conheça por qual das partes corre o risco. em princípio.  Quando se torna ineficaz por morte do destinatário.(231º. 235º. portanto. não há consenso entre elas de modo que o contrato não fica concluído (art.1 – “a constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. Nota: a proposta deixa de ser vinculativa para o preponente:  Expirando o prazo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Revogabilidade da rejeição – art. a menos que seja de admitir que as partes teriam contratado mesmo sem acordo acerca do ponto acessório. Exemplo: contrato de compra e venda (art.  Rejeição da proposta. 233º) – importa a rejeição da proposta. estão expressamente tipificados na lei. c) obrigação de pagar o preço.226º. o O risco transfere-se em sintonia com o momento em que é transferido o direito (que é feito por um mero conjunto sem necessidade de um acto material ou publicidade).  Art. é necessário conhecer o momento em que foi concluído o negócio e que. 408º. 235º. o contrato não fica celebrado.

469. Ed.219º e ss. pp. Almedina. Coimbra.  “O efeito de racionalização pretendido com recurso a cláusulas gerais pode ser desvirtuado. Ed.468. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português.  Sempre que uma cláusula seja considerada nula é necessário conseguir ampliar os efeitos do caso julgado. As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) 1.469. HEINRICH HÖRSTER.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A conclusão do contrato com base em cláusulas contratuais gerais  “A negociação de um contrato nem sempre é feita de uma maneira individual. Ed. Conveniência prática de pré-formular as respectivas cláusulas para determinados negócios de massa ou que têm grande complexidade técnica ou são muito sofisticados. à vida económica de hoje”. A parte geral do Código Civil Português. 217º. Almedina. Almedina. 22 .469.32  “Assim. Ed. pp. 35 Cit. 36 Cit. Coimbra.34  “Apenas o modo de travar negociações é diferente e racionalizado”. 3.36 Para evitar os efeitos indesejados das CCG. elaboradas de antemão por uma das partes e destinadas a serem aceites. (Não se deverá permitir cláusulas disfarçadas ou que não se conseguem ver bem).35 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais:  O conhecimento objectivo – é necessário que aqueles que assinam os “contratos de adesão” percebam aquilo que estão a assinar. no tráfico jurídico actual desempenha uma função cada vez mais importante as chamadas cláusulas contratuais gerais. com cláusulas ponderadas e acordadas uma por uma … este modo de contratar não é adequado em inúmeras situações. estabelece o regime a que estas estão sujeitas: 32 33 Cit. pp. HEINRICH HÖRSTER.468. para afastar a liberdade contratual. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. sem mais. Cit. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. o DL 446/85 de 25 de Outubro. Ed. Almedina. Por um lado. sem hipótese de alteração por parte do aderente que ficou sujeito a elas”. na medida exacta em que aparecem cláusulas concebidas unilateralmente no interesse do contratante determinado. 34 Cit. pela outra”33 (existe uma limitação da possibilidade de negociação de uma das partes). porém. Permite reduzir custos. Almedina. 2. também as declarações feitas por meio de cláusulas contratuais gerais … são declarações negociais nos termos dos arts. pp. as regras legais do código civil nem sempre contemplas os interesses e os condicionalismos específicos das diversas áreas contratuais.  “Em todo o caso. HEINRICH HÖRSTER. que as formulou. 224º e ss. Coimbra. 228º e ss”. pp. A parte geral do Código Civil Português.  Cláusulas abusivas – poderá acontecer que quem utiliza as cláusulas contratuais gerais abuse do seu poder negocial. e muitas vezes assim sucede.

as cláusulas contratuais inseridas em propostas contratuais ficam incluídas nos contratos pela aceitação. por outro lado.  Em vez de cláusulas contratuais gerais aplicam-se as normas dispositivas comuns. 5º.. a abster-se de outros negócios. pois não é lícito a uma das partes romper arbitrariamente as negociações depois destas terem alcançado um tal desenvolvimento que a outra parte podia julgar-se autorizada a confiar na realização do contrato e. Artigo 8º/9º .concretização do art. 280º). 227º)  “Quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve. 15º. se necessário às regras de integração dos negócios jurídicos (art. 227º pressupõe culpa (não basta a simples rotura de negociações). uma obrigação de indemnizar por culpa in contrahendo.  Mas. O comportamento adoptado deve coincidir com: 23 . que proponentes ou destinatários indeterminados se limitem. pode observar-se que as negociações se destinam precisamente a dar às partes oportunidades de apreciarem se o contrato deve ser feito e em que termos.dever de informação por parte do contraente que usa CCG (ónus). independentemente da sua inclusão efectiva em contratos singulares.1 (âmbito de aplicação) – “as cláusulas contratuais gerais sem prévia negociação individual.3).proibição de cláusulas que possam prejudicar consumidores finais.legitimidade de acção inibitória. sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”.  A obrigação de indemnizar existe independentemente da formação posterior do contrato ou não (o art.são proibidas as cláusulas contratuais gerais contrárias à boa fé (novidade face ao CCiv. quando contrariem o disposto nos arts. 16.  A aplicação do art.1 – as cláusulas devem ser comunicadas na íntegra aos aderentes sob pena de não serem incluídas no contrato e o ónus da prova da comunicação adequada e efectiva cabe ao contraente que submeta a outrem as cláusulas contratuais gerais (art. Artigo 26º . 19. deste modo. Artigo 7º . A culpa in contrahendo (art. 21 e 22 podem ser proibidas por decisão judicial. enquanto o contrato não é celebrado. Artigo 6º . devem elas ter a liberdade de romper as negociações. a subscrever ou aceitar.  A lei estipula.. 14º). com recurso. a fazer despesas. 13º. regem-se pelo presente diploma” [note-se que tanto vale para o proponente como para o destinatário. 239º). Artigo 25º (acção inibitória) – as cláusulas contratuais gerais. Artigo 16º a 19º .caso haja cláusulas especificamente acordadas elas prevalecem sobre as CCG. proceder segundo as regras da boa fé. Artigo 15º . mas apenas desde que sejam observados determinadas disposições legais. a exclusão ou nulidade de uma CCG não arrasta consigo todo o negócio. mas leva apenas à não aplicação da respectiva cláusula (art. respectivamente. elaboradas para utilização futura. 18. 9º. assim. tanto nos preliminares como na formação dele. Artigo 20º a 22º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel            Artigo 1º. etc. art. Tal deve-se ao facto de muitas vezes se assinar “propostas de adesão” em que é a entidade que recebe a proposta que a pré-elabora]. Artigo 5º. 227º visa proteger o próprio processo de formação do contrato em todas as suas fases).as cláusulas não comunicadas ficam excluídas dos contratos individuais. A celebração do contrato ou a sua posterior anulação ou declaração de nulidade não afectam a aplicação do preceito em causa.  Em princípio. Artigo 4º . 15. portanto.

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O dever de cada um dos contraentes se exprimir claramente, a fim de evitar falsas interpretações do seu comportamento.  Dever de não começar negociações que se saiba de antemão condenadas ao malogro ou à celebração de um negócio inválido.  Dever de não abandonar arbitrariamente as negociações.  Dever de comunicar à outra parte algum motivo da nulidade do negócio.  Necessidade de sigilo quando se justifica.  O art. 227º deve ser enquadrado no âmbito da responsabilidade civil extracontratual (obrigação resultante da lei e não da autonomia privada).  A responsabilidade prescreve nos termos do art. 498º.  Ao calculo da indemnização serão aplicáveis os arts. 489º e 494. Comparação entre art. 227º e art. 229º,1 (2ª parte):  O art. 227º não exclui a aplicação do art. 229º,1 (2ª parte), aplicando-se independentemente.  O art. 229º, 1 (2ª parte) não exige a culpa, estabelece uma obrigação de avisar como contrapartida de atribuir ao proponente a possibilidade de, unilateralmente, impedir a conclusão do contrato (direito potestativo – outra parte está num estado de sujeição). As relações contratuais de facto ; problema da sua existência       Há uma certa doutrina que defende a existência de obrigações contratuais sem a formação de um contrato por meio das respectivas declarações negociais, unicamente com base num comportamento de facto/ comportamento social. Tal doutrina conduz à não aplicação das regras das incapacidades negociais bem como das disposições referentes às invalidades do negócio a fenómenos e negócio de massa da vida diária. São situações em que aparece uma entidade pública (de forma directa ou indirecta) como fornecedor de um serviço (transportes públicos, gás, electricidade). São situações em que há uma hipótese de aquele que tem um comportamento social típico entrar em contacto com uma entidade pública que presta um serviço. Nestes casos, a conclusão do contrato seria dispensável, seria sempre devida a contraprestação quando a prestação fosse de facto aceite ou utilizada. Esta doutrina deve ser rejeitada: o Ela é supérflua visto o comportamento social-típico coincidir, na grande maioria dos casos, com a declaração negocial tácita e na vontade correspondente. o Se o comportamento não traduzir uma vontade subjacente, será possível recorrer ao disposto no art. 244º, 2, (1ª alternativa) – a reserva mental não conhecida do declaratário não prejudica a validade da declaração, inclusive da declaração tácita. o Quando o comportamento observado for contrariado por declarações de protesto recorre-se ao princípio acolhido nas regras da boa fé e do abuso de direito. o No caso de menores ou incapazes, será aplicável o art. 127º,1,b) e subsidiariamente o regime de enriquecimento sem causa. o Nos casos de relações obrigacionais duradouras originadas por contratos inválidos, as relações contratuais de facto não servem. O que importa é uma regulamentação específica em relação ao regime geral do art. 289º.

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o Nos casos do dever jurídico de contratar a figura das relações contratuais de facto é supérflua e dispensável. Quem está obrigado a contratar deve aceitar as propostas contratuais que sejam feitas.  O código civil não aceita a doutrina das relações obrigacionais de facto:  Têm raízes colectivizantes.  Rompe o sistema do negócio jurídico e do contrato alicerçado na autonomia privada.  Conduz à inobservância da lei mesmo em casos inequívocos.  Não é compatível com a doutrina da transferência de direitos reais por mero efeito do contrato. A representação na conclusão do contrato  A declaração negocial pode ser formulada e manifestada por outros que agem em vez das partes ou de uma delas. A representação:  Há um representante que participa no tráfico jurídico negocial ou em nome de outrem (representado).  Os efeitos dos negócios concluídos pelo representado, produzem-se directa e imediatamente, na esfera do representado.  Os poderes de representação podem resultar: o Da lei – representação legal. o Negócio jurídico – representação voluntária.  A figura da representação não põe em causa o princípio da autonomia privada, pelo contrário, é uma forma da sua efectivação. Os incapazes e a representação:  Os incapazes não estão em condições para poderem participar no tráfico jurídico negocial.  Assim, compreende-se que não se reconheça aos incapazes capacidade para nomear um representante voluntário, pois carece de capacidade de exercício para o fazer (123º, 139º, 156º). [Poderá haver uma excepção à sua incapacidade 127º, 139º, 156º).  Ao ficarem excluídos do tráfico jurídico negocial, os incapazes não poderiam fazer uso da sua capacidade de serem titulares de direitos e obrigações. Para evitar esta situação, serve a figura da representação legal: o Não se trata da realização do princípio da autonomia privada, mas da integração dos incapazes no tráfico jurídico negocia, muito embora sem actuação própria. o É uma representação conferida por lei: o representante age dentro de vinculações e limitações impostas pela função do instituto e pelo facto da sua actuação produzir efeitos na esfera jurídica de quem não possui capacidade para agir. A representação no código civil:  Art. 258º a 261º - contem os princípios gerais, aplicáveis a representação voluntária legal.  Art. 262º a 269º - representação voluntária – focam o carácter negocial do instituto.

Princípios gerais; delimitações para com figuras semelhantes  Pressupostos para a produção de efeitos jurídicos em virtude da representação (art. 258º): o Um negócio jurídico. o Realizado pelo representante em nome do representado. o Nos limites dos poderes que lhes competem. o Nota: o art. 258º abrange representação activo (o representante emite uma declaração negocial) e representação passiva (o representante recebe uma declaração negocial). 25

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Estabelecidos os pressupostos, o Negócio jurídico concluído pelo representante vincula e responsabiliza juridicamente o representado e a outra parte com que o representante negociou.

Nota: não é elemento legal essencial que o representante aja no interesse do representado, embora isso seja sempre o caso em relação à representação legal. Distinção entre representação ou do representante com outras figuras e institutos:  Distinção entre núncio e representante: o Núncio – transmite uma declaração alheia formulada por outrem. o Representante – presta uma declaração própria.  Distinção entre representante e quem age em nome próprio por conta de outrem (comissário, mandatário sem poderes de representação, “homem de palha”): o Quem age em nome próprio por conta de outrem – são verdadeiras partes no negócio, mas os efeitos do negócio são deslocados para a esfera daquele por cuja conta o negócio se concluiu.  Distinção entre mandato sem representação e com representação:  Mandato sem representação – mandatário actua em nome próprio por conta de outrem.  Mandato com representação – alguém actua em nome e por conta de outrem (procuração + contrato de mandato). o Representante – não é parte no negócio, produzindo-se os efeitos deste na esfera jurídica do representado.  Distinção entre representante e quem age sob o nome de outrem, disfarçando a sua verdadeira identidade.  Distinção entre representante e pessoas que servem como medianeiros na conclusão de negócios jurídicos ou de auxiliares na sua execução. o Aqui, o negócio é celebrado pelos próprios, mediante uma retribuição daquelas pessoas.  Distinção entre representantes e representação orgânica: o Representação orgânica – órgãos inscritos nas pessoas colectivas e destinadas a fazer agir as mesmas por actos próprios.  Distinção entre representação e certos ofícios (testamenteiro, vogal do conselho de família, administrador de falência).  Distinção entre representação e consentimento e autorização como pressupostos de validade de certos negócios jurídicos.  Distinção entre representação e contrato para pessoa a nomear (452º a 456º) e contrato a favor de terceiro (443º a 451º). o Representação – categoria especial da conclusão do negócio. o Contrato para pessoa a nomear ou a favor de terceiro – constituem categorias especiais dentro das várias modalidades especiais. Art. 259º - falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes 1. “No negócio, quando celebrado pelo procurador, há elementos em que é decisiva a vontade do representado e elementos em que prevalece a vontade do representante”. Assim, os poderes do representante são determinados pelo poder do representado. Tudo o mais pertence à esfera do representante. a. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representado, atende-se à pessoa do representado.

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. atende-se à pessoa do representante para saber se houve vício ou falta de vontade. em nome do representado. Nota 2: o art. Art. à representação orgânica. em nome do representado.  Hipótese da dupla representação – as proibições estabelecidas valem também para as representações orgânicas.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel b. visto o papel activo que o representante tem na celebração do negócio. 261º). ainda que indirectamente. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representante (por o representado não se ter pronunciado. É de grande importância o estado de boa fé ou de má fé se este estado deriva do conhecimento ou ignorância do facto: i. c.  A parte que trata com o representante tem a possibilidade de conhecer os poderes exactos a ele conferido. seja em nome próprio seja em representação de terceiro a menos que:  O representado tenha especificamente consentido na celebração. O representado continua o mesmo. agindo este em nome próprio. O nº1 não faz sentido no caso da representação legal. 261º . não o pode vender a si próprio mas apenas a um terceiro como outra parte do negócio.1: o proíbe o negócio celebrado pelo representante consigo mesmo.justificação dos poderes do representante  A justificação dos poderes de representação pode ter lugar tanto na representação legal como na voluntária.  Art. vender certo objecto. com o primeiro representante. A boa fé do representante não poderá ser atendida para qualquer efeito do negócio. 261º. antes de celebrar quaisquer negócios em que aqueles poderes poderão faltar..  O negócio exclua por natureza a possibilidade de um conflito de interesses. mas os poderes para os representantes foram transmitidos para um substituto do representante originário. O mesmo se observa quanto à influência que o conhecimento ou ignorância de certos factos poder ter sobre o negócio. Art. edição.2 – prevê a hipótese de o representante substalecer os seus o poderes de representação. o Não pode o representante concluir um negócio “consigo mesmo” sob pena de ser anulável (art. ex.). 260º .  O representante não pode celebrar negócios com qualquer pessoa: o O negócio é vedado ao representante em virtude de haver uma indisponibilidade ou ilegitimidade do representado. o Prevê duas hipóteses:  Se o representante tem poderes para. 27 . apesar de o negócio reproduzir imediatamente os seus efeitos na esfera do representado.negócio consigo mesmo  Art. Nota: compreende-se o relevo dado pela lei à vontade do representante. 261º. ii. Este substituto pode agora celebrar o negócio. Ao representado de má fé não aproveita a boa fé do representante. preço. 259º aplica-se à representação voluntária e.

 Causas da extinção da procuração: o Renúncia do procurador – acto unilateral que não carece de aceitação por parte do representado. o necessário discernimento. exigindo-se o acordo do interessado.. Art. o Nota: o mandato (arts 1157º e ss):  É um contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais actos jurídicos por conta de outrem.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A procuração e os seus efeitos Procuração:  Representação voluntária (arts. desde que tenha. sociedade.  Exige-se.  A autorização para a substituição. para a celebração do acto. podendo ser tácita. em vista do papel activo que na celebração deste tem a vontade do representante (art. resultante de um acto de atribuição. trabalho. Art.  Mandato com representação (1178º):  O mandatário actua por conta do mandante e em nome próprio. em princípio. 28 . no entanto a capacidade de entender e querer correspondente à substância do negócio.  Normalmente consta de uma declaração receptícia. proteger a outra parte que negoceia com o procurador.  A procuração é juridicamente autónoma da relação jurídica de base. o O procurador pretender servir-se de auxiliares no seu exercício – não há. não necessite de aceitação da contraparte. 262º a 269º).1). o Revogação pelo representado – em princípio. não necessita da ser expressa.  É um acto jurídico unilateral por meio do qual uma pessoa é nomeada procurador. o Cessação da relação jurídica que serve de base (contrato de mandato. Pretende-se. 259º. Art.  Embora a renúncia à procuração.. quaisquer limitações às possibilidades do procurador. Assim. Produzem-se efeitos na esfera jurídica do mandatário.substituição do procurador  Importante distinguir dois casos: o O de o procurador pretender substituir-se na execução da procuração – tal depende do consentimento do representado se não resulta do conteúdo da procuração ou da relação jurídica que a determine. 265º . este precisa de ser capaz tanto para a procuração como para a realização do negócio a que ela se destina.). tal como a revogação dela. a invalidade desta não afecta a primeira.  É a posição de poder de representação. são declarações receptícias. tal como qualquer outro dos poderes contidos na representação.  Outra é a situação do outorgante dos poderes de representação. não há qualquer obstáculo à revogação. 263º .extinção de procuração  A extinção da procuração procede-se por via unilateral.  Mandato sem representação (1180º) – o mandatário actua por conta do mandante mas em nome próprio.capacidade do procurador  Pode ser procurador quem não tem capacidade para o exercício de direitos. desta forma. 264º . a menos que a procuração tenha sido conferida também no interesse do procurador ou de terceiro.

 Art.  Nos casos de inoponibilidade da extinção da procuração. sem que ele goze do direito de retenção do documento (267º).  Sabia que a outra parte não tinha poderes de representação – não pode desvincular-se unilateralmente do negócio. o Violação dos limites formais estabelecidos na procuração. da relação jurídica de base. a extinção da procuração (ex. Procuração geral e procuração especial  Procuração especial – confere poderes especiais no procurador para cada acto. Art. o A pessoa que celebra o negócio em nome de outrem também não fica vinculada pois não é parte no contrato. A estes caberá provar que ignoravam. a lei apenas permite uma procuração especial – negócios jurídicos familiares).  “sem poderes de representação” significa: o Não existe procuração a favor da pessoa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Aplicam-se as regras da representação – o mandatário não é parte do negócio. o A parte que celebra o negócio com aquela que não tinha poderes de representação fica vinculada:  Ignora a falta de poderes da outra parte – pode desvincular-se unilateralmente do negócio (enquanto este não for ratificado). (Poderá ser-lhe exigida responsabilidade pré-contratual – art. de modo que os negócios se concluem. 227º). 224º). pelo que os efeitos jurídicos produzem-se directamente na esfera do mandante.  Procuração geral – confere poderes gerais ao procurador e portanto para um multiplicidade de negócios. portanto.representação sem poderes  Alguém celebra um negócio em nome de outrem sem ter os necessário poderes de representação. extinção da relação jurídica de base). sem culpa. 266º . o representado fica vinculado pelas declarações negociais do seu ex-procurador em relação a outra parte que não conhecia a extinção ou a ignorava sem culpa. produzindo os seus efeitos.protecção de terceiros:  Estabelecem-se dois regimes: o Modificação e revogação da procuração – a lei exige que a modificação e a revogação sejam levadas ao conhecimento de terceiros por meio idóneos. sob pena de lhes não serem oponíveis. indirectamente. o Restantes casos extintivos – estabelece uma presunção de ignorância por parte de terceiros. 268º .  O procurador dever restituir o documento de onde constem os seus poderes. O mandato é sempre um negócio independente da procuração como acto posterior ou subsequente. salvo se se provar que estes as conheciam (afasta-se um pouco da regra do art. o Procuração inválida (nula). mas pode fixar um prazo razoável à 29 . logo que a procuração seja extinta. para um negócio só (em muitos casos.  Consequências: o O negócio não pode provocar quaisquer efeitos na esfera jurídica da pessoa em nome da qual a outra celebra um negócio. não tendo poderes de representação.  A amplitude dos respectivos poderes resulta do conteúdo do acto de atribuição e.

Caso tal ratificação não se verifique no prazo estabelecido. HEINRICH HÖRSTER.. A parte geral do Código Civil Português. Parte III . 269º . Art. Almedina. destinado a atribuir efeitos a outro negócios que deles carecem. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. e a outra parte não se interessa pela identidade mas sim pelo negócio em si. pp. A parte geral do Código Civil Português.  Situação diferente é quando alguém age sob nome falso. pp. muito embora o negócio seja perfeitamente válido.  A aplicação de condicionalismos traz alguma instabilidade ao tráfico jurídico uma vez que a vontade das partes ou o comanda da lei fazem com que os efeitos de um negócio válido não se desenvolvam plenamente.490. Nota: não se trata de abuso de representação quando o procurador. Caso o agente pretenda concluir o negócio com efeitos para ele próprio. Os efeitos do negócio jurídico ratificado produzem-se desde o momento da sua celebração entre as partes. mas pratica-o de forma a lesar os interesses do representado: o Viola instruções. não necessariamente receptício. o Actos que não correspondem ao interesse do representado.  O abuso de representação só é juridicamente relevante quando é conhecido pelo terceiro (em princípio não afecta a invalidade ou ineficácia do negócio).490. ou seja.. Ed. e a outra parte colaboram conscientemente para prejudicar o representado – COLUSÃO – o negócio é nulo pois é ofensivo dos bons costumes nos termos do art. Tal é compreensível à luz dos princípios da 37 38 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel outra parte para que ratifique (ou não) ou negócio. na lei ou na lei com o concurso da vontade das partes. utilizando falso nome para dissimular a sua identidade. tinha concluído o negócio. Coimbra. agindo formalmente dentro dos seus poderes funcionais. entre quem o representante originariamente sem poderes.abuso de representação  O representante pratica um acto que está formalmente contido na procuração. então a outra parte já se pode desvincular. Ratificação – negócio jurídico unilateral. Cit.Os negócios jurídicos com eficácia limitada  “Em certos condicionalismos os efeitos. Os negócios jurídicos com efeitos subordinados a condição ou termo   “As partes de um negócio jurídico podem subordinar o início ou a cessação da produção dos seus efeitos à verificação de uma condição ou de um termo”38 Não é necessário que a lei o permita para que seja possível às partes imporem determinadas condições ou termos a um negócio jurídico. os seus efeitos produzem-se entre quem se apresenta sobre um falso nome e a outra parte. Almedina. não se produzem desde logo.”37  Os condicionalismos podem encontrar a sua origem na vontade das partes. não se produzem de forma estável…ou não se produzem na íntegra. Ed.  É aplicado o disposto relativo à representação sem poderes quando o representante tiver abusado dos seus poderes e a outra parte conhecia ou devia conhecer o abuso. 281º. 30 .

no entanto. Cit. que não se refiram a um acontecimento simultaneamente futuro e incerto são CONDIÇÕES IMPRÓPRIAS). pp. arts. 4ª ed.condições contrárias à lei.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   autonomia privada (no entanto. 1713º. Coimbra Editora. não sair o destinatário de sua casa). 4ª ed. a verificação do acontecimento futuro é certa. estando. Um facto lícito pode assim constituir objecto de uma condição ilícita e uma condição ilícita pode ter por objecto um facto lícito. o declarante exigir como condição da eficácia. não é a licitude ou ilicitude do problema. convenções antenupciais art. existem situações em que a lei vem expressamente permitir no de modo a evitar dúvidas – ex.  Acontecimento incerto – tem como consequência que não são condições neste sentido. mas que as partes ainda não conhecem (incerteza subjectiva).”40   39 40 Cit. no caso do termo. ela distinguese das “condições legais” (conditio iuris) que não são condições verdadeiras. as que se referem a acontecimentos impossíveis ou acontecimentos que se verificam necessariamente (falta o elemento da certeza).1 – Condições próprias mas ilícitas . acrescentado ao negócio. (Ex. 271º (condições ilícitas ou impossíveis) o Art.  Resolutiva – a resolução do negócio jurídico fica sujeita à verificação de um determinado acontecimento futuro e incerto. acontecimentos já verificados.  O negócio jurídico subordinado a uma destas condições é nulo. ou seja. Coimbra Editora.251. 687º e 1669º). Assim. à ordem pública ou ofensiva dos bons costumes:  Não há impossibilidade. Tanto a condição como o termo têm em comum o facto de serem exteriores ao negócio (elementos acidentais). não são condições no sentido próprio. Código Civil Anotado. a subordinação querida pelas partes. “O facto de que fica a depender o efeito ou a resolução do efeito é possível. A condição  “É um elemento querido pelas partes. uma vez que determinam a produção dos seus efeitos.251.1). ou seja. 270º. O acontecimento em si tem de verificar-se objectivamente no futuro.1: o Condição (própria) – um acontecimento FUTURO e INCERTO ao qual as partes subordinam a produção ou a resolução dos efeitos do negócio jurídico (as cláusulas apostas a um negócio jurídico para condicionar a produção dos seus efeitos. Vol I. 271º. Art. Por ser voluntária. ANTUNES VARELA. mas exigências da lei como pressupostos para a verificação de determinados efeitos jurídicos (ex. Limitada.  Acontecimento futuro – mostra que não são condições neste sentido as reservas relacionadas com factos presentes ou passados. no entanto. 31 .. a verificação do acontecimento futuro é incerta.  “Para saber se a cláusula é ilícita. Código Civil Anotado. Vol I. o A condição pode ser suspensiva ou resolutiva:  Suspensiva – a produção de efeitos de um negócio jurídico fica subordinada a um acontecimento futuro e incerto. ANTUNES VARELA. Limitada. Tanto o termo como a condição são acontecimentos futuros. incidivelmente ligados a eles. pp. O que é contrário à lei (à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes) é a imposição do facto”39. as condições legais de eficácia. mas a ilicitude ou licitude do nexo criado entre o facto e a eficácia do negócio. no caso da condição.

Código Civil Anotado. produz. aquém tem uma expectativa legítima ou um direito condicional.252. os efeitos protectores das expectativas jurídicas criadas. pp. a da admissibilidade da prática de actos conservatórios. antes subordinados à condição. os negócio jurídicos familiares pessoais apresentam uma natureza incompatível com a existência de uma condição. Nem todos os negócio jurídicos admitem condições: o Devido à natureza do negócio que não comporta incertezas quanto à produção dos seus efeitos – ex. ANTUNES VARELA. 272º . o contrato individual de trabalho será incondicionável. da parte do declarante.1+2064º. Aqui.1 – “não há que aguardar a não verificação da condição para que ela produza os seus efeitos: basta que haja a certeza de que não pode verificar-se. Limitada. o Exercício de direitos potestativos – não pode ser feito sob condição tendo em conta que o declaratário deve ser protegido contra a insegurança resultante de um exercício condicional. em várias disposições do código. Coimbra Editora. o declaratário não necessita de ser protegido contra uma situação de insegurança que lhe é criada por fora. aliás na linha de pensamento do art. Art. para salvaguarda dos seus interesses”42  Efeitos imediatos do negócio condicional – efeitos produzidos pelo negócio mesmo na pendência da condição.  Condições física ou legalmente impossíveis RESOLUTIVAS – o negócio produz os seus efeitos desde logo e continua a produzi-los sem ameaça de resolução. Vol I.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      o Art. tudo se passa como se o negócio não tivesse sido concluído. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado.2+1852º. 32 . Limitada. antes da verificação da condição ou não da condição suspensiva.pendência da condição: actos conservatórios: o “É doutrina aceita.2 é uma consequência deste princípio. Coimbra Editora. Art. e que o pratica é responsável pelos danos que causa”41 [a doutrina do art.pendência da condição: o “No caso de se agir de má fé e de se prejudicarem as legítimas expectativas da outra parte. Os efeitos produzidos de imediato são a expressão do facto de o negócio condicional. 2 e 3]. Tratando-se de uma condição suspensiva. no entanto. pratica-se um facto ilícito. 4ª ed. se possam produzir os efeitos pretendidos. 271º. 275º.1+2054º. Art. sobretudo quando está em causa uma condição resolutiva.2 – Condições física ou legalmente impossíveis:  Condições impróprias – condição física ou legalmente impossível. implicar desde já uma VINCULAÇÃO MÚTUA DAS PARTES.  Condições físicas ou legalmente impossíveis SUSPENSIVAS – o negócio é nulo. 41 42 Cit. 848º. 273º . 275º. o Devido a disposição legal expressa (art. 272º + 273º  resulta que o negócio jurídico embora ainda não produzindo ou não produzindo definitivamente os seus efeitos pretendidos. Cit. uma vez que cabe a ele próprio desfazer a situação de insegurança (CONDIÇÃO POTESTATIVA OU DE QUERER). 4ª ed. porque o negócio se encontra concluída. por ser um negócio validamente concluído. pp. 275º. Vol I.  Apenas quando o preenchimento da condição depender unicamente da própria vontade do declaratário. a condição é admissível para influenciar a vontade ou comportamento deste.252.verificação e não verificação da condição: o Art. Art. O negócio condicional produz de imediato aqueles efeitos indispensáveis para que.1) – ex.2+1618º. no momento da verificação da condição. 224º.

2 – “manda o nº 2 aplicar directamente.2:  É uma consequência da regra geral do art. ANTUNES VARELA. A natureza aleatória do acto transmite-se para o adquirente.3+ 277º. pp.  Com a celebração do negócio condicional nascem deveres secundários ou acessórios. de conduta para uma das partes ou para ambas. 277º.retroactividade da condição o Verificada a condição os seus efeitos retrotraem-se à data conclusão do negócio. 33 .a + 954º. Art. o 274º.a) e 939º). É possível. A aplicação é directa. 4ª ed. o disposto nos arts. se houver lugar à restituição do que houver sido alienado. 275º. ou por analogia. o Deste preceito. 1270º. se aquele que é obrigado a restituir tem a posse da coisa. Art. 43 Cit.pendência da condição: actos dispositivos o Trata-se de um artigo que adopta uma solução diferente dos arts. 277º. violando as regras de boa fé.  Há uma EXPECTATIVA JURÍDICA – um direito à aquisição plena. Vol I. o 274º. o adquirente de um crédito obrigado a restitui-lo tem direito aos juros nos termos do art.253. Limitada. 224º.409º): o A transferência de direitos reais dá-se por mero efeito do contrato (art. à contingência da verificação da condição. 272º (e está de acordo com o art. os efeitos do negócio consolidam-se definitivamente na titularidade do credor ou do adquirente. Art. Coimbra Editora. o A estipulação de uma condição pelas partes conduz.  O a situação mais importante da condição suspensiva é a reserva de propriedade (art.  A ninguém deve ser lícito tirar proveito dos actos que pratique. especiais. não transferiu ainda. desta forma a um estado de pendência:  Não existe um direito pleno na pessoa do adquirente. pela vontade das partes. de modo definitivo.  A boa fé tem o sentido ético do art. 276º . retira-se que a retroactividade não constitui parte necessário ou essencial do conceito de condição.Possibilita a alienação de direitos condicionais. 227º. sujeitando-se o adquirente e não o alienante. Código Civil Anotado.1 + 434º. 274º . ou pelo menos. juntamente com o art.1 e 879º.2 + 272º e 273º)  Aquisição de frutos colhidos no exercício de actos de administração ordinária (art. 272º+273º e 275º. 277º.1 . que nos contratos de alienação o alienante reservar para si a propriedade da coisa até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte ou até à verificação de qualquer outro evento. 270º. Assim. embora validamente concluído. 1270º). a não ser que. 277º . 408º. os direitos ou obrigações que tem por objecto. há lugar à aplicação analógica das mesmas disposições. Não havendo posse.”43 o Abrange também a transmissão da expectativa jurídica à aquisição plena do direito. 2 e 3).2). 1269º e seguintes. o momento dos efeitos seja outro.não retroactividade: o A retroactividade fica excluída em determinadas situações:  Contratos de execução continuada ou periódica (arts. A condição suspensiva  O negócio jurídico.  Actos de mera administração (arts. COMO CONDICIONAIS.2 + art. ou pela natureza do acto.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    tratando-se de uma condição resolutiva. o Art.

os arts. 2244º a 2248º. morte). ou a deixar de os produzir. 963º a 967º no contexto da doação e. O termo  Momento a partir do qual o negócio jurídico deve começar a produzir os seus efeitos. 279º . ou até que este se verifique. do credor ou no interesse comum das partes. Para atingir os efeitos. o Termo certo e indeterminado (dies certus an et incertus quando) – aquele que se sabe que chegará.  Pode ser estipulado no interesse do devedor. 272º e 273º. antes da verificação do termo. qualquer influência sobre os efeitos da liberdade. é preciso accionar os meios previstos na lei para a resolução dos negócios correspondentes.  Tipos de termo: o Termo certo e determinado (dies certus an et certus quando) – aquele que se sabe de certeza que chegará e quando. o Termo suspensivo (inicial/ dies quo) – marca o momento a partir do qual o negócio começa a produzir os seus efeitos.  Enquanto condição e termo são imediatamente decisivos para a produção ou não produção dos efeitos do negócio jurídico (ligação incindível). os efeitos do negócio cessam. 966º e 2248º). SEM QUALQUER ESPÉCIE DE RETROACTIVIDADE. (ex.cômputo do termo. como se não estivesse sujeito àquela estipulação. em termos paralelos. um encargo não o é (ligação cindível).  O não cumprimento do encargo não tem.  O contrato decorre.  Verificado o termo. só por si. mas sem se saber quando. (ex.  Art. o Termo extintivo ou final (dies ad quem) – quando assinala o momento em que o negócio deixa de produzir efeitos.  Aos negócios a termo. no contexto das disposições testamentárias. mas sem influenciar nos seus efeitos. 34 . o Acontecimento certo – há a certeza da sua verificação independentemente da incerteza do momento em que tal acontecerá.  Constitui um elemento exterior ou acidental ao negócio jurídico.  Negócio a termo é aquele em que as partes querem que os seus efeitos só se produzam depois que se dê um acontecimento FUTURO e CERTO.  Aos encargos referem-se os arts. mas não atinge (ao contrário da condição e do termo) a produção dos efeitos do negócio que prevê. (Para a resolução dos negócios correspondentes é necessário accionar os mecanismos previstos na lei arts. data de um calendário). Os encargos ou cláusulas modais  Um encargo onera uma liberdade.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A condição resolutiva  Embora validamente concluído o negócio jurídico não transferiu ainda de modo definitivo os definitivo os direitos ou obrigações que tem por objecto. Aquele a favor de quem o termo foi estabelecido pode renunciar a ele. mas somente para o futuro. aplicam-se com as necessárias adaptações as disposições dos arts. pelo que a renúncia também é causa da sua extinção.

A parte geral do Código Civil Português. subtraída à sua administração e disposição.  Efeitos da insolvência civil e da falência: o Separação dos patrimónios do devedor na medida em que esta declaração conduz a uma apreensão dos seus bens penhoráveis e a uma inibição sua para os administrar ou dispor deles (a administração desta massa patrimonial cabe ao “administrador da massa insolvente ou falida”45). 35 . 44 45 Cit. Se. não produzem os seus efeitos em relação à parte que pode ratificar ma entendeu não o fazer. 226º. fica na situação de quem perde o poder de disposição dos bens:  Art.2  “A declaração é ineficaz. contrato para pessoa a nomear. O falido ou insolvente não fica em nenhum estado de incapacidade. pois.  O negócio não é ineficaz em relação à parte com que o indivíduo contratou. Os negócios dos insolventes e dos falidos celebrados sem poderes de representação:  São ineficazes relativamente à massa insolvente ou falida os negócios do insolvente e do falido na medida em que estão inibidos. em condições iguais.  Ratificação – é um negócio jurídico unilateral que destinado a atribuir efeitos plenos a outro negócio que deles careça. 601º. explica-se a razão da perda de disposição dos bens penhoráveis do falido ou insolvente. Coimbra. registada por este na conservatória competente e publicada no jornal oficial. os negócios susceptíveis de ratificação.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios jurídicos com efeitos dependentes de ratificação  São negócios jurídicos em que a vinculação só se pode verificar em relação a um lado do negócio. perder o poder de disposição do direito a que ela se refere. enquanto o destinatário não a receber ou dela não tiver conhecimento. caso contrário. o Apenas lhe ficam os bens impenhoráveis. o Os negócio posteriores aquela sentença declaratória são INEFICAZES (independentemente de registo).2. de fazer funcionar a garantia patrimonial geral do art. porém. no jornal mais lido na comarca e em editais afixados na porta da sede e sucursais do estabelecimento falido. 1313º. pp.498. situação prevista no art. Ed.”  Tanto a falência como a insolvência civil são declaradas por sentença judicial. até à sua distribuição ou liquidação total.  Estado de falência (art. como património separado ou autónomo. Massa insolvente ou falida: destina-se a satisfazer os credores. 229º. (Assim. por força da indisponibilidade de que sofrem quanto aos seus bens abrangidos pela respectiva massa.  Exemplos: casos de inibição do insolvente civil e do falido. Trata-se de uma execução global de todo o património penhorável do devedor no interesse de todos os credores. no caso de representação sem poderes. HEINRICH HÖRSTER. este poderia celebrar negócios que prejudicassem esta mesma massa patrimonial).1 CPC)  refere-se a não comerciantes “o devedor não comerciante pode ser declarado em estado de insolvência quando o activo do seu património seja inferior ao passivo”. na da sua residência e ainda na do tribunal. Almedina. Tal pretende prevenir o público contra eventuais negócios com quem estiver atingido por tal medida grave.  A falta de vinculação existe apenas quanto à massa. Esta é notificada ao Ministério Público. se o declarante. não forem ratificados. 1135º CPC)  diz respeito a comerciantes “o comerciante impossibilitado de cumprir as suas obrigações considera-se em estado de falência.  “As inibições do insolvente civil e do falido resultam do seu estado de insolvência ou falência em virtude do qual a massa insolvente é.”44  Estado de insolvência (art. necessários para a sua subsistência.

o Os casos de ineficácia relativa a terceiros são precisamente aqueles em que um negócio devia ter sido publicitado.  Os casos da falta de publicidade: o A preocupação de lei em proteger terceiros contra evoluções que não conhecem nem podem prever reflecte-se em muitos preceitos:  Art. mas sem afectar a validade do negócio. 46 Cit. 227º. 266º (protecção de terceiros). mas não foi:  Art. o Se assim não for. Coimbra. pp. 268º.3 – a constituição da associação não produz efeitos em relação a terceiros antes de ser publicitada. 434º+435º . Assim. 455º.  Art.  Arts.  Caso do contrato para pessoa a nomear: o Uma das partes pode reservar o direito de nomear um terceiro que adquira os direitos e assuma as obrigações provenientes desse contrato (art. respectivamente registado. o administrador poderá ratificar (= negócio jurídico unilateral através do qual alguém vem atribuir pleno efeito a um outro negócio jurídico) o negócio.2 – o registo tardio do casamento católico não afecta direitos patrimoniais de terceiros. 168º. Os negócios celebrados sem poderes de vinculação:  Caso da representação sem poderes (ver art. A parte geral do Código Civil Português. tendo em conta os interesses dos credores.  Art. 979º .2 e 455º.2 – o preenchimento da condição não tem efeitos retroactivos. apenas limitada ao nível da eficácia.a revogação da doação não afecta terceiros adquirentes. o contrato produz efeitos apenas em relação ao contraente originário.  Arts. 276º+277º+1713º. 268º). O representante sem poderes de representação responde à outra parte com base na culpa na formação dos contratos. Ed. 36 . de acordo com o art. 2: arg. não sendo estes. 452º. o negócio jurídico celebrado com o falido ou insolvente e a outro parte. porém.a anulação não prejudica certos direitos adquiridos por terceiro de boa fé. o Sendo a nomeação feita. a pessoa adquire os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir da celebração dele (arts. ganha eficácia retroactiva ao momento da celebração do negócio. sob pena de não produzir efeitos em relação ao nomeado (arts. 453º.  Se o negócio concluído pelo falido ou insolvente civil trouxer vantagens para a massa patrimonial.  Nota: “Caso o administrador da massa não vincule a mesma por via da ratificação. a contrario).1). a partir do momento da ratificação. o A nomeação necessita de ser ratificada nos termos dos arts.2 (a ratificação opera sem prejuízo de direitos de terceiro).500.  Art. Os negócios jurídicos com eficácia relativa  Há uma vinculação entre as partes com plena produção dos efeitos. HEINRICH HÖRSTER.1).  Art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Essa inibição conduz a uma indisponibilidade relativa.a resolução não prejudica direitos adquiridos por terceiros. 871º (eficácia em relação a terceiros).  Art. oponíveis a “terceiros” que não os conhecem devido à falta de publicidade dos negócios. 1670º. 291º . Almedina. 453º e 454º. o insolvente ou falido responde à outra parte por incumprimento do contrato se não consegue realizara contraprestação”46.

1 – as convenções antenupciais só produzem efeitos em relação a terceiros depois de registadas.  Antes do registo.1 + art. enquanto não são registados. sendo depois levado a registo para aí ser inscrito em ordem a que o facto se torne oponível a terceiros. 2º). 4º CRPred). os factos jurídicos que importem a constituição.  Estão sujeitos a registo. não abrangendo os terceiros que pretendam adquirir direitos sobre o mesmo imóvel  o registo estabelece em relação a estes terceiros. como os terceiros apenas precisam de conhecer os factos depois de registados é natural que estes não lhes sejam oponíveis anteriormente]. essencialmente. um direito total ou parcialmente incompatíveis com direitos de outrem. pode acarretar consequências graves para quem devia registar a aquisição e não regista.a – compra e venda / art. 7º CRPred).  Os factos sujeitos a registo podem ser invocados desde logo.a) – doação).  Neste tipo de negócios. 492º . adquire-se ou modifica-se por mero efeito do contrato entre as partes (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Art. é essa que prevalece (Nos termos do art. 185º. se a segunda aquisição for registada primeiro. a aquisição ou a modificação do direito da propriedade ou de um direito real limitado sobre um prédio (CRPred art. a partir da sua ocorrência. a eficácia é apenas relativa. contradizendo assim a realidade. relativamente a terceiros adquirentes. a dar publicidade à situação jurídica dos prédios. aqueles que adquirem do mesmo transmitente. )  O registo constitui a presunção de que o direito existe e pertence ao titular inscrito. os direitos não registados gozam de oponibilidade geral. entre outros. 879º.  Art. tendo em vista a segurança no comercio jurídico imobiliário” (CRPred art. entre as próprias partes ou seus herdeiros.  O respectivo direito constitui-se. 939º.  (Para a resolução de casos práticos: 37  . 6º CRPred). de harmonia com os efeitos “erga omnes” que os caracterizam. o O registo predial em particular:  “O registo predial destina-se. nos precisos termos em que o registo o define (art. dada a falta da sua publicidade por meio de registo e a inoponibilidade daí decorrente. 1º). 1711º. No caso de dupla disposição a favor de outro adquirente que confia nas presunções do registo. os factos ou direitos não registados não são oponíveis a terceiros que participam no processo aquisitivo quanto ao imóvel.3 – a instituição da fundação não produz efeitos quanto a terceiros antes de ser publicitada. a ficção de que a situação jurídica ainda não se modificou. ainda que não registados (art. [Na verdade.1.5+168º.  As diversas disposições das leis do registo – os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros a partir do registo.a + 954º.  Terceiros para efeito de registo  são terceiros para efeito de registo. pois aqui não é posta em causa a segurança no tráfico jurídico (ex. Art. 408º.  A inoponibilidade destes negócio jurídicos sujeitos a registo.  As regras da prioridade do registo podem assim ter como consequência a perda de um direito adquirido que apenas possuía eficácia relativa.  Fora do processo aquisitivo. sobre o mesmo objecto.o proprietário não inscrito de um prédio responde pelos danos causados por defeitos de conservação.

38 . 286º. Limitada. 892º (para negócios onerosos) e art. 237º. HEINRICH HÖRSTER.  Estes artigos constituem uma excepção ao art. ANTUNES VARELA. o Art. 939º). a produção de certos efeitos laterais quando se trata de negócios nulos cujo objecto são atribuições patrimoniais. entre as próprias partes depende da realização do registo (art. uma vez registado. em face do comportamento do declarante. o registo tem efeitos retroactivos. A partir do momento que é registado. Os casos da inoponibilidade da invalidade: o Trata-se de casos em que o negócio é nulo. Vol I. leva a que o terceiro adquirente para efeitos de registo adquira pleno direito sobre o bem. ou seja. 4ª ed. colocado na posição do declaratário real. pp. Determinando. o elemento externo. Almedina.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  O registo não tem efeitos constitutivos. ) o Existem casos em que a falta de registo exclui de todo a invocação de um facto ocorrido:  Os factos constitutivos da hipoteca cuja eficácia. o “O sentido decisivo da declaração negocial é aquele que seria apreendido por um declaratário normal. mesmo nos casos de nulidade. que será normalmente o adquirente de boa fé.”48 o Exceptuam-se os casos: 47 48 Cit. Código Civil Anotado. o elemento subjectivo. Coimbra Editora. cuja a incerteza traz grandes perturbações ao tráfico jurídico. A parte geral do Código Civil Português.   PARTE IV . Este sentido tem de estar de acordo com a função do negócio jurídico – a autodeterminação da pessoa dentro da sua autonomia privada conforme a sua vontade. portanto. a lei tenta atribuir o mínimo de estabilidade. de elementos objectivos para obter.  “A interpretação parte.1 (negócios gratuitos):  O vendedor ou doador de bens alheios não opor a nulidade ao comprador ou donatário de boa fé. mesmo na sequência da um negócio nulo. através deles. Cit. como finalidade. segundo o qual a nulidade é oponível a todos os interessados (ver também art.interpretação e a integração da declaração negocial (arts. 236º: o Aplica-se a declarações negociais expressas e tácitas desde que sejam receptícias. a própria declaração negocial. resultante da inoponibilidade da nulidade entre as mesmas por virtude da boa fé de uma delas. 4º.238º. mas não para avaliar o conteúdo sob o aspecto da sua razoabilidade ou da sua conformidade ou não com a lei.  No âmbito do registo civil – o estado civil da pessoa tem de ser registado sob pena de produzir meros efeitos latentes. [não se trata de uma verdadeira excepção ao princípio “nemo plus iuris”]. 892º (o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé) – é este direito que. 956º.222. Ed.  O fim da interpretação é o sentido da mesma. 2 CRPred + 687ºCCiv).  O objecto da interpretação é a manifestação da vontade. 239º) A interpretação  Serve para captar o sentido.490. uma eficácia relativa entre as partes de um negócio nulo. na medida em que isto é possível”47  Art. medianamente instruído ou diligente. pp.  Existe. o próprio conteúdo da declaração. o Os negócio aqui em causa dizem todos respeito a atribuições patrimoniais. Coimbra. 236º. Como tal. metodologicamente. Venda de bens alheios – art.

4ª ed. 51 Cit.510. uma vez que ele dispõe de todos os meios para se fazer entender. o Consagra-se uma doutrina objectivista de interpretação em que o objectivismo é temperado por uma salutar restrição de inspiração subjectivista  o objectivo é proteger as legítimas expectativas do declaratário e não perturbar a segurança do tráfico jurídico. e não o sentido que este lhe quis efectivamente atribuir. Coimbra. pp. que a declaração seja ambígua. Almedina. Art. pp. sem êxito.224 52 Cit. É a condenação das doutrinas objectivistas puras e a confirmação da velha regra segundo a qual “falsa demonstratio non nocet””. pp. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. apesar deste entendimento contrariar o uso linguístico ou o sentido normal das expressões empregues  A vontade real é que conta). Coimbra. o “A ressalva contida na parte final do nº1 tem plena aplicação naqueles casos. Ed.”50 o “Do disposto no nº2 resulta que. razoavelmente aquele sentido. o O objectivo da solução acenta na lei é o de proteger o declaratário. o A prevalência do sentido objectivo apenas se opera entre as legítimas expectativas do declaratário e as justas necessidades de segurança do tráfico jurídico.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Não possa ser imputado ao declarante. HEINRICH HÖRSTER. Ed. Limitada.  Este artigo só é aplicado para as declarações receptícias. Limitada. a não ser que se trate de matéria relativamente à qual se não exija a forma prescrita na lei. em que o sentido razoavelmente atribuído pelo declaratário a determinados vocábulos da declaração seja completamente ignorado do círculo de pessoas em que vive o declarante. o risco linguístico ou o risco do entendimento é imputado ao declaratário. o “A dúvida a que este preceito alude não é a que a declaração posso suscitar antes de esgotadas as regras da sua interpretação. Código Civil Anotado. conhecendo o declaratário o sentido que o declarante pretendeu exprimir através da declaração.1 atribui o risco do uso linguístico ao declarante. por exemplo. dar à declaração um sentido único. 39 . 238º o Art. quer o seu sentido seja inequivocamente contrário ao sentido que as partes lhe atribuíram. Vol I. Coimbra Editora.223.”52 Art. Código Civil Anotado. conferindo à declaração o sentido que seria razoável presumir em face do comportamento do declarante.  Este artigo não se aplica em casos de interpretação testamentária nem a actos jurídicos que estão fora do comércio jurídico. que também hãose considerar as “reacções” do declarante contra eventuais interpretações abusivas. 238º. ANTUNES VARELA. e muito diferente do sentido com que este o empregou” 49 – art. 237º (casos duvidosos): o Aplica-se apenas quando o sentido da declaração não puder ser esclarecido mediante a aplicação do art.1  Não há sentido possível que não tenha no texto do preceito um mínimo de correspondência. 236º. Coimbra Editora. é de acordo com a vontade comum das partes que o negócio vale. 51 (Situações em que declarante e declaratário se exprimem mal e se entendem bem. ainda que imperfeitamente expresso. Vol I. nem aos actos jurídicos em que não procedam as razões justificativas do regimes estabelecido.  O declaratário conhecer a vontade real do declarante. HEINRICH HÖRSTER. “Apenas quando o declarante não pode contar razoavelmente com o no sentido deduzido pelo “declaratário normal” do seu “comportamento”. mas aquela em que o intérprete razoavelmente se deva sentir depois de ter tentado. ANTUNES VARELA. pp. 49 50 Cit.512. Cit. 236º. A parte geral do Código Civil Português. 4ª ed.

HEINRICH HÖRSTER.517. o Nota: distinta do caso do erro na declaração é a figura do dissenso (art. por esse meio.2  Um sentido que não tenha correspondência com o texto sempre pode valer se corresponder à vontade real das partes do negócio E as razões determinantes da forma se não opuserem a essa validade (caso em que se aplica art. “O regime geral da nulidade e da anulabilidade encontra-se nos arts. Art. 239º. o Protecção de valores fundamentais do sistema jurídico – normas imperativas. sem erro. PARTE V . 238º. A parte geral do Código Civil Português. mas declarou-se outra. Mas pode acontecer que. o O acto é anulável  a anulabilidade depende de o destinatário da declaração conhecer ou dever conhecer a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. Estes preceitos contemplam. o Possibilidade física legal:  Física – não se pode proteger um negócio impossível à partida. Almedina. Neste caso devem prevalecer estes princípios.. devido à especificidade de determinados negócios inválido. certa vontade.” 53 A lei exige certos pressupostos na tentativa de proteger certos valores: o Conformidade – assegurar uma efectiva autonomia privada e produção dos efeitos pretendidos. cambiantes atípicas. ordem pública. 232º levaria à não conclusão do negócio). o Deve atender-se à vontade presumível dos declarantes. se chegue a uma solução contrária aos princípios da boa fé. Mas qualquer delas admite. 286º a 294º. 220º). nem com a vontade do declaratário. aplicar-se-á na falta de disposição especial as regras constantes no art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Art. o Exigência que a declaração coincida com a vontade – realização do princípio da autonomia privada. Ela tem de manter-se dentro do âmbito negocial traçado pelas partes. o Exigência de determinabilidade – a lei não pode proteger um negócio que não se percebe. consequentemente. 247º (erro na declaração): o Erro obstáculo  formou-se. 232º) em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. em princípio desconhecidas das partes. 239º: o Só se aplica na falta de disposição especial e caso não haja um dissenso (que nos termos do art. pp. sobre a sua eficácia). 40 .A invalidade dos negócios jurídicos   Estão em causa negócios jurídicos com uma anomalia genética que se vai repercutir sobre a validade do negócio jurídico (e.  53 Cit. por assim dizer. 285º.  Art.  Legal – coerência normativa. as suas configurações típicas. 286º a 294º. Ed. bons costumes. o A integração de lacunas nunca pode substituir ou alargar o objecto de negócio jurídico em causa. é apenas na falta de um regime especial que se aplicam à nulidade e à anulabilidade do negócio jurídico os arts. Coimbra.. A integração da declaração negocial  Se a declaração negocial não apresentar um sentido obscuro ou equívoco mas lacunas.

41 . Coimbra.  As causas da nulidade:  Incapacidades negociais de gozo. 245º)+ Falta de consciência da declaração e coacção física (246º).  Negócio de fim ilícito (art. é natural que ela se repercuta na fase posterior da emissão de efeitos. podendo a nulidade ser requerida por aqueles em cujo o interesse a lei a estabelece. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. 287º CCiv – o negócio jurídico produz efeitos temporários.  Surge associada à protecção de interesses particulares. a nível de condição ou termo.  Negócios celebrados com vícios de vontade: o Erro sobre os motivos. 240º) + Reserva mental (art. sendo a invalidade uma deficiência genética ligada ao momento da emissão. normalmente.  Negócios celebrados contra a lei ou sem os necessários consentimentos. afecta os efeitos pretendidos.  Negócios celebrados com erro na declaração.  Distinção entre invalidade e ineficácia do negócio jurídico: Invalidade Ineficácia Nível de actuação É um elemento intrínseco do Elemento extrínseco da negócio jurídico (da declaração declaração negocial. por qualquer interessado.  Negócios usurários. inoponibilidade ou ausência de ratificação. 286º CCiv – o negócio jurídico não produz efeitos. Na verdade. pp. – e nestes casos podemos falar de uma INEFICÁCIA EM SENTIDO 54  Cit. 281º). o Anulabilidade:. 294º).  Negócios celebrados contra a lei (art. negocial – deficiência genética) Nível temporal Antecede a eficácia. sendo a nulidade invocável a todo o tempo. Poderá ser posterior a uma invalidade. associada à protecção de interesses públicos ou ausência de elementos fundamentais do negócio jurídico (sujeito. 280º).  Negócios cujo o objecto ou o fim são desaprovados pela ordem jurídica (art. ou seja. o Dolo. declaração. nas suas modalidades de nulidade ou anulabilidade.  Causas de anulabilidade:  Negócios celebrados sem capacidade de exercício. objecto negocial (conteúdo/ efeito que se pretende produzir).”54  A falta de efeitos ou ineficácia de um negócio jurídico pode resultar não só de factores situados a nível externo.  Surge.  “Deste relacionamento entre validade e eficácia resulta que uma invalidade. o Coacção moral.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Existem dois tipos de invalidade: o Nulidade:  Art. Ed. 244) + Declarações não sérias (art. HEINRICH HÖRSTER.516. etc.  Art.  Negócios celebrados com falta de vontade: o Simulação (art.  Negócios celebrados sem observância da forma legal.

Almedina. pp.. 67º). 58 Cit.”62  Os casos das incapacidades negociais de gozo são 3: o Incapacidade para casar (art. no entanto. porém. por outro – tem.”57 As causas da nulidade O regime das incapacidades negociais de gozo  “As incapacidades resultam de deficiências. UNICAMENTE nos casos da ineficácia provocada por uma invalidade são aplicáveis as disposições dos arts. A parte geral do Código Civil Português. ex. salvo disposição legal em contrário (art. ineficácia provocada por invalidade. a aquisição de certos direitos pessoais.”61  “Como se trata de negócio de natureza estritamente pessoal a incapacidade não é suprível: não há ninguém que se possa substituir ao incapaz concluindo o negócio em vez dele. Ed. no caso previsto no art.”59  “A incapacidade reside na própria pessoa do incapaz.impedimentos dirimentes absolutos) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL).  Interditos por anomalia psíquica. regularmente. pp. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. em última análise. pp. pp.517.316. Almedina. categorias dogmáticas que se impõem como tais. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. 1601º .316. Ed. sempre um defeito da vontade que lhes veda. isto é. HEINRICH HÖRSTER. Ed. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. de “qualidades minguantes”.517.55 “A ineficácia em sentido restrito e a ineficácia provocada por uma invalidade não são. de uma maneira ou doutra. Almedina.316. o seu discernimento ou as suas capacidades volitivas. todas as pessoas são capazes de gozar a titularidade de quaisquer direitos privados. Coimbra.  Idade inferior a 16 anos. 60 Cit.315. por virtude de uma invalidade (sendo então uma espécie de ineficácia indirecta. pp. Ed. 61 Cit. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. porque haverá. por um lado. pp. HEINRICH HÖRSTER.  Casamento anterior não dissolvido. Coimbra. Almedina. Cit. em termos absolutos. pp. Coimbra. interdição ou inabilitação por anomalia psíquica. Coimbra. pp.”56 “A distinção entre as duas formas de ineficácia – ineficácia em sentido estrito. Ed. 57 Cit. 285º a 294º. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português.315. o Incapacidade para perfilhar (1850º) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL]:  Menores de 16 anos. 42 . Ed. em vez de sancionar com a anulabilidade a venda feita sem os necessários consentimentos. situação que conduz à não activação da sua capacidade de gozo.”58  “Regra geral. A parte geral do Código Civil Português. mediata) – INEFICÁCIA EM SENTIDO AMPLO. 59 Cit. mas o resultado de decisões técnico-normativas (p. Trata-se de situações excepcionais em que as pessoas por elas abrangidas não podem ascender à titularidade de direitos e obrigações de carácter pessoal por virtude das suas próprias insuficiências. uma grande relevância prática quando se trata de atender às consequências da respectiva falta dos efeitos. Ed. da própria pessoa que afectam ou diminuem.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   RESTRITO (uma espécie de ineficácia directa e imediata) – como pode aparecer também em consequência de um factor situado a nível interno. 55 56 Cfr.315 e 316. A parte geral do Código Civil Português. Ed. HEINRICH HÖRSTER. a lei. 62 Cit. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. o discernimento mínimo necessário.”60  “As pessoas são incapazes porque lhes falta. Almedina. 877º [venda a filhos ou netos].  Demência notória. podia também ter decretado uma ineficácia relativa).

a invalidade de um casamento ou de uma perfilhação.  “Quando uma norma imperativa não determina.317. um negócio tanto pode ser nulo por ser directamente contrário à lei como por fraude à lei. a lei decreta. Coimbra. o “Se a norma proibitiva em causa pretende vedas não só o negócio que especificamente visou mas também quaisquer outros que conduzam ao mesmo resultado ou a um resultado equivalente. HEINRICH HÖRSTER. 294º . Almedina. A parte geral do Código Civil Português. no entanto. Coimbra. Cit. Almedina. ela própria. a tomar ao abrigo do art. feito por um incapaz (art. Coimbra.“os negócios jurídicos celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos. 130º ou maiores de 16 anos ao abrigo do art. “A lei não nega a titularidade como tal. Deve perguntar-se qual é o alvo que a lei quer atingir com a proibição. a nulidade pode resultar da aplicação do art.”63 “Em apenas um dos três casos. 2190º). 65 Cit. Assim. Almedina. 294º):  Está em causa a violação de limites legais impostos à autonomia privada.1.  Trata-se de negócios que pela sua natureza geral são possíveis.a) e 1861º. 2188º). salvo os casos em que outra solução resulte da lei”. pp. Ed.1850º. Assim todas as normas imperativas que não determinem. a ordem jurídica desaprova os negócios tendo em conta o seu conteúdo.  Art. SEGUINDO O PRINCÍPIO GERAL (arts. HEINRICH HÖRSTER. limita-se a impossibilitar de todo que ela possa vir a dar-se. elas próprias. 43 . pp. 66 Cit. 286º. diferentes dele e não coincidentes com ele?”65 o A norma imperativa dirige-se ao conteúdo do negócio  Nulidade. NEGÓCIO SUCEDÂNEOS (negócios jurídicos em que os interessados defraudam uma norma imperativa).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Notoriamente dementes no momento da perfilhação. no fundo. 132º + 1604º.1). não estritamente pessoais). o A norma imperativa dirige-se a fins ulteriores  não conduz necessariamente à nulidade. Estes desvios à regra da nulidade explicam-se pelo facto de estar em causa o estado civil das pessoas e pela necessidade subsequente de manter estáveis as relações respeitantes ao estado civil até haver a respectiva decisão judicial de anulação. a consequência da nulidade para o caso da sua violação (mas também não consagra uma outra sanção). a figura da incapacidade negocial de gozo parece dispensável: podia distinguir-se entre incapacidades de exercício insupríveis (referentes a negócios estritamente pessoais) e supríveis (referentes aos negócios gerais. Ed. pois seria inadmissível que “qualquer interessado” pudesse invocar. 1600º. pondo assim em causa as respectivas relações jurídicas familiares. Sendo assim. ao abrigo do art. 294º relativamente à nulidade ou não do negócio. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. fim ou circunstâncias concretas em que são celebrados.  Interditos por anomalia psíquica. a nulidade: no caso do testamento. pp.  O Art. a proibição vale também para eles. HEINRICH HÖRSTER. Ed.521. também. a sanção resultante da sua violação.”66 63 64 Cit.294º abrange. 294º. HEINRICH HÖRSTER.b). depois de feita a interpretação do preceito violado em causa. A parte geral do Código Civil Português.520. pp. o Incapacidade para testar (2189º) [o negócio é NULO]:  Menores não emancipados (menores de 18 anos ao abrigo do art. Ed.317. devem ser interpretadas quanto ao seu escopo e à sua finalidade com vista à decisão. Coimbra. Almedina. o próprio negócio ou fins ulteriores.”64 Negócios celebrados contra a lei (art. Nos outros dois casos os actos são anuláveis (1631º.

mas a imoralidade ou ilegalidade deriva dos seus motivos ou dos fins propostos. pp. não sendo necessária nem a intenção nem mesmo a consciência de defraudar a lei.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o “Os negócios jurídicos com que as partes defraudam uma lei imperativa são nulos. Consiste na violação de normas de conduta de carácter não jurídico que reflectem as regras dominantes da moral social de uma determinada época e de certo meio. Ed. pp.  Legalmente impossíveis – a ordem jurídica não prevê tipos negociais ou meios para a sua realização ou não o admite sequer em relações jurídicas privadas.”67 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica  Art. Coimbra. o Negócios que são (280º. 271º: o “A sanção da nulidade do negócio jurídico verifica-se também quando a produção dos seus efeitos foi subordinada a uma condição ilícita ou impossível”70 Os negócios celebrados sem observância da forma legal 67 68 Cit.1):  Fisicamente impossíveis – impossibilidade objectiva (envolve uma prestação não realizável no domínio dos factos ou segundo as leis da natureza. há uma infracção aos bons costumes por ambas as partes.”69  Art. 69 Cit. 294º + 281º: o Situações em que apenas o fim do negócio é contrário à lei ou aos bons costumes.525. 294º + 280º: o Negócios cujo o objecto68 seja (280º. 44 . pp.  Art. Coimbra. (ex. Ed.  Indetermináveis – não é possível concretizar ou individualizar o objecto em termos tais que se possa realizar a transferência ou a aquisição de direitos sobre o “quid”. A parte geral do Código Civil Português.  Apenas é necessário que as partes conheçam a circunstância de que resulta a ofensa.  Contrários à lei – o negócio é materialmente possível mas contradiz disposições legais imperativas. Almedina. Almedina. promessa de vender coisas que estão fora do comercio jurídico). Varia conforme a natureza deste e compreende os efeitos a que o negócio tende bem como aquilo sobre que aqueles efeitos incidem. o O negócio é nulo se o fim negocial (desaprovado pela ordem jurídica) for comum a ambas as partes.325. Coimbra.2):  Contrários à ordem pública – um negócio jurídico é contrário á ordem pública quando viola princípios de ordem pública que se deduzem de um sistema de normas imperativas. o “Se o conteúdo do negócio não é imoral ou ilegal.  Ofensivo dos bons costumes – tem por objecto actos imorais. promessa de contrato que a ordem legal proíbe. 70 Cit. como contrários à lei. A parte geral do Código Civil Português. contrário à moral pública.522. A parte geral do Código Civil Português. respectivamente um negócio contrário à lei ou à ordem pública. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. Ed. HEINRICH HÖRSTER.  Não é necessário que os intervenientes num negócio tenham consciência de violação dos bons costumes.

que isso resulte claramente da lei. A parte geral do Código Civil Português. ANTUNES VARELA. são. HEINRICH HÖRSTER. casos em que a forma é. Limitada. pp. mas um requisito apenas para que o negócio respectivo produza determinados efeitos.  (A presunção não procede quando a razão determinante da forma não for aplicável e se provar que elas continuam a corresponder à vontade do autor da declaração).530.  As cláusulas posteriores.211. 45 . Se a lei exigir a forma apenas para a prova da declaração.210. também aos casos em que as cláusulas acessórias constem de um documento com valor probatório inferior àquele que é exigido para a forma legal. a solução que considera as formalidades legais da declaração como formalidades ad substantiam (e não meras formalidades ad probationem). “Supõe a exigência de certa forma como elemento do negócio. ANTUNES VARELA.211. necessário para o efeito. como se diz neste último preceito. 221º cuida apenas das cláusulas acessórias. É preciso. a menos que também estas estejam sujeitas à forma legal em virtude de as razões da forma lhes serem igualmente aplicáveis.” O Art.  De estipulações que provem corresponder á vontade das partes. Código Civil Anotado. Vol I. o O art. pp. 74 Cit. Coimbra Editora. o “Embora a lei trate o problema das cláusulas acessórias apenas para as estipulações verbais. o disposto no art. Alem isso. Cit. como sucede quanto às exigências prescritas na lei processual para a exequibilidade dos títulos. porém. Código Civil Anotado. 221º contempla 3 casos: o Estipulações verbais acessórias anteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. visto poder provar-se por confissão. de facto. Vol I. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. Almedina. Limitada. por analogia.”73 “Quando a lei exige a observância de forma legal. o Estipulações verbais acessórias contemporâneas do documento legalmente exigido para a declaração negocial. Coimbra. ou seja. Limitada. parte do princípio de que o documento. pp. tudo o que se refere às estipulações acessórias deve ser aplicável ainda às cláusulas adicionais que completem o documento. já o acto não é nulo. 364º.  De estipulações não abrangidas pela razão de ser da exigência do documento. Ed. Código Civil Anotado. Não se vê razão para um tratamento diferenciado em casos tão parecidos como o são as cláusulas acessórias e as cláusulas adicionais. não uma condição de validade da declaração. Vol I. Coimbra Editora. resta saber se estão abrangidas ou não pelo âmbito da forma legal.”74 71 72 Cit.”71 “Há. o Estipulações verbais acessórias posteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. Pode acontecer. 73 Cit. pp. 4ª ed. inclui tudo o que as partes contraentes quiseram regular entre si.”72 “O artigo 220º consagra explicitamente. 4ª ed. em princípio válidas. como regra. uma vez que não poderiam ter sido incluídas no documento. 221º deve ser aplicável. nos termos do nº2 do art. 219º + 220º. 4ª ed. que as partes ainda façam estipulações. no entanto. não tendo relevância quanto ao resto do negócio.  A lei determina que as estipulações verbais acessórias anteriores ou contemporâneas do documento legalmente exigido são nulas a menos que:  Se tratem de clausulas acessórias não essenciais.

Art. Almedina.  Art. esse mesmo direito. existem circunstâncias ou relações especiais em virtude das quais o exercício do direito incorre em contradição coma ideia de justiça. o declaratário sabe disso. que necessitam de ser verificar simultaneamente:  Divergência entre a vontade real e a vontade declarada. erro. a coberto da norma. HEINRICH HÖRSTER.é adoptado um comportamento positivo por parte do titular do direito subjectivo. uma declaração não coincidente com a sua vontade no intuito de enganar um terceiro. haverá duas soluções:  Art. de forma deliberada.  Ignorada – falta de consciência da declaração. criando esta atitude como consequência a correspondente disposição da outra parte (aumento da renda sem respeitar a forma legal e o inquilino paga durante o tempo e só depois alega a nulidade do aumento). em que uma das partes induziu a outra em erro. (Considera-se que o interesse público tem supremacia). pp.  Contraria a ordem pública ou contradiz os princípios fundamentais da ordem jurídica.  No caso concreto. 240º a 243º)  O declarante emite. reserva mental e declaração não séria. A vontade que aparece como manifestada não existe como tal.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o No caso de inobservância da forma legal. A parte geral do Código Civil Português.  Art. 227º .”76  Existência de uma divergência entre a vontade e a declaração. o Abuso individual:  Neste caso.  O direito subjectivo é invocado para fins que estão fora dos objectivos ou funções para os quais ele foi atribuído pela norma. devido à estabilidade da conduta da outra parte durante um certo período.240º: o Estabelece três requisitos. 334º (abuso de direito75) – venire contra factum próprio . 76 46 . económica ou social ou desvirtua os objectivos do instituto jurídico.532.  Intuito de enganar terceiros. Chega-se a uma situação de confiança em que a outra parte faz fé. A simulação (arts. Esta falta é o resultado de uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada. 75 O abuso de direito poderá aparecer sob duas formas básicas: o Abuso institucional:  É o abuso que o artigo refere quando se fala do “fim social ou económico” do direito. de acordo com o declaratário. o Não intencional:  Forçada – coacção física. o exercício do direito estaria. que o titular não fará uso do seu direito. comportamento este que vai no sentido de não querer exercer o seu direito.  Este tipo de abuso tem de ser apreciado oficiosamente pelo tribunal. em princípio. a actuação conjunta visa enganar ou prejudicar o terceiro. perdendo assim. esta exigência não se aplica quando estão em causa negócios jurídicos unilaterais (vd. Ed. 2200º)]. Cit.  Acordo entre declarante e declaratário.o negócio é considerado nulo. Coimbra. [De acordo com a doutrina dominante. Esta divergência pode ser: o Intencional  Simulação. Os negócios celebrados com falta de vontade  “Podem surgir situações em que falte a coincidência entre o substrato volitivo interno e a sua aparência externa. mas há direito a indemnização da parte lesada. O declarante faz a declaração mas não quer o declarado.

(É excluída a prova testemunhal nos termos do art. A simulação relativa e as suas formas (art. 47 . 286º na medida em que exclui das pessoas legitimadas para invocar a nulidade (em princípio “qualquer interessado”) os simuladores em relação a terceiros de boa fé. Ed. 394º. As modalidades da simulação: o Simulação absoluta (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     o O negócio simulado é nulo [apenas no caso do casamento simulado e do testamento simulado.2  A nulidade pode ser invocada pelos herdeiros legitimários que pretendam AGIR EM VIDA do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com o intuito de os prejudicar. podendo a nulidade ser invocada ou não nos termos que acabam de ser descritos. o Simulação relativa (art. 242º”. o 242º. pp. Legitimidade para arguir a simulação (Art. Os herdeiros são também incluídos na categoria de simuladores tal como os seus representantes (259º.1) – Os simuladores fingem concluir determinado negócio e na realidade não há negócio nenhum. Contra eles é sempre vedada a acção por parte dos simuladores. A parte geral do Código Civil Português. com isso. 242º): o 242º. o Nota: Os credores podem ainda invocar a nulidade ao abrigo do art.2).Lima – “não interessa que os terceiros sejam prejudicados com a declaração de nulidade ou sejam beneficiados com a manutenção do negócio. 241º): o “Se o negócio simulado é sempre nulo. 1635º. 240º.1) – os simuladores pretendem celebrar determinado negócio jurídico.  Simulação fraudulenta visa enganar e.2).1  constitui uma limitação do art. HEINRICH HÖRSTER. o negócio é anulável – arts.  Simulação subjectiva  concluído entre pessoas que não aquelas que efectivamente nele intervieram (interposição fictícia de pessoas). 605º Inoponibilidade da simulação a terceiros de boa fé (art.  Simulação quanto ao valor. como interessados.”77 o A validade ou invalidade do negócio dissimulado (“escondido” por trás do negócio simulado) decide-se em termos perfeitamente autónomos e independentes do 77 Cit.2  a boa fé consiste na ignorância da simulação ao tempo em que foram constituídos os respectivos direitos do terceiro. que todavia é dissimulado:  Simulação objectiva  sob a aparência de um acto de conteúdo ou de objecto diverso:  Quanto à natureza do negócio – Ex. 241º. podendo aquela ignorância ser perfeitamente culposa. Coimbra. podem propor a acção nos termos do art. Almedina. 286º e os próprios simuladores mesmo que se trate de uma simulação fraudulenta. o Simulação inocente e simulação fraudulenta:  A simulação inocente visa apenas enganar alguém.”  Mota Pinto – “se forem beneficiados com a nulidade.539. 243º): o 243º. o mesmo já não acontece com o negócio dissimulado no caso de uma simulação relativa.d) e 2200º]. prejudicar o terceiro. claro que os terceiros de boa fé.  P. as partes simulam uma compra-evenda quando se trata de uma doação.1  Têm legitimidade para arguir a nulidade todos os interessados nos termos do art. o 243º.

o Simulação subjectiva (interposição fictícia de pessoas):  Distinção entre interposição fictícia de pessoas. 48 . o negócio dissimulado de natureza formal apenas é válido se tiver sido cumprida a forma exigida por lei. e como tal.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  negócio simulado. implica que. A exigência do nº2 do art.  A forma observada na conclusão do negócio simulado corresponde tanto à forma legal do negócio simulado como à do negócio dissimulado. Ed.  Interposição real  é o caso do mandato sem representação. Existe um conluio entre as verdadeiras partes do negócio e a pessoa interposta por elas. 241º decorre logicamente do seu nº1 bem como do art. o Simulação relativa objectiva:  Simulação sobre o conteúdo do negócio:  Simulação sobre a natureza do negócio  mediante a qual se pretende. são admissíveis as seguintes posições:  A forma exigida na lei foi observada apenas para o negócio celebrado – invalidade no negócio dissimulado.  Representação  alguém age em nome de outrem. A parte geral do Código Civil Português. conteúdo ou fim desaprovados. Não existe conluio: há um acordo interno entre uma das partes do negócio e a pessoa por ela interposta que realiza o negócio com quem desconhece a situação. proibição do negócio. estejam todas as cláusulas sobre as quais as partes 78 Cit.  A forma legal apenas foi observada em relação ao negócio dissimulado – validade do negócio dissimulado. em que alguém actua em nome próprio mas por conta de outrem.  Os negócio simulados são nulos por essa razão. visto estarem em causa duas realidades negociais diferentes.  Horster  o negócio dissimulado deve ser considerado nulo sempre que não conste CLARA e INTEGRALMENTE do documente que a ele próprio disser respeito. interposição real de pessoas e representação:  Interposição fictícia  a pessoa interposta é um sujeito simulado.”78 o No que diz respeito ao cumprimento da forma legal. etc). conhecendo a outra esta posição representativa. 241º. HEINRICH HÖRSTER. afastar ou ilegitimidades ou indisponibilidades. A exigência de forma legal. falta de forma.  O negócio dissimulado é válido desde que o regime legal que lhe diz respeito tenha sido integralmente observado. sempre nulo. pp. Almedina. Coimbra.  Simulação sobre o valor do negócio  prentedem-se vantagens económicas que não seriam possíveis caso não exista simulação. em primeira linha. Só neste caso existe simulação. em vez dela. Simulação em negócios formais ou em prejuízo da Fazenda Pública o “Se o negócio dissimulado estiver sujeito á forma legal é preciso observar o disposto no art. Segundo este preceito. Todos os intervenientes sabem da operação fictícia. A pessoa é parte verdadeira no negócio. 220º.2.544. A validade do negócio dissimulado vai depender de outras razões legais (incapacidade. no documento. Alguém age em nome de uma das partes.

221º).2). a simulação relativa tem os efeitos previstos na lei civil: quer dizer. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel devem concordar para que o contrato fique concluído (art. o Conteúdo contrário à vontade efectiva do declarante. 232º. se a forma adoptada no negócio simulado satisfazer as razões da forma exigida para o negócio dissimulado. Ed. o negócio simulado é nulo nos termos do art. 79 80 Cit. Portanto: o declarante faz a declaração. o “Tendo sido feita em prejuízo da Fazenda Nacional. Só assim.2 e 238º. 243º). Deste modo. pp. Ed. a declaração feita sob reserva mental é válida se for desconhecida do declaratário. O declarante sabe da relevância jurídica para o declaratário.  Carvalho Fernandes  quando estiver em causa uma simulação objectiva em relação ao valor.533. 239º.547. Almedina. Esta posição sustenta-se nos arts. atribuindo ao documento ou aos documentos celebrados o sentido que as partes quiseram (mas não manifestaram) ao outorgá-los. Assim. 244º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio com o declaratário – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de enganar o próprio declaratário. Coimbra.”80  Requisitos da reserva mental: o Declaração receptícia. o No entanto. Almedina. deve considerar-se nula a cláusula de preço. Portanto. todas as simulações seriam falsae demonstratio. Se assim fosse. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. pelo que a declaração negocial é nula (Art. 240º. Cit.  Doutrina dominante  o negócio dissimulado é formalmente válido se o documento para ele exigido for do mesmo tipo do adoptado no negócio simulado ou. a figura da “falso demonstratio” tem o seu lugar no contexto da interpretação da declaração negocial e do mau uso linguístico e não ao nível da simulação. o negócio dissimulado não é posto em causa pela lei fiscal quando for civilmente válido. o declaratário não sabe disso. HEINRICH HÖRSTER. desrespeitando a lei. a actuação isolada visa enganar (ou prejudicar) o declaratário. Havendo uma lacuna nas declarações negociais.”79 A reserva mental (Art. 244º. mas não quer o declarado. 49 . a doutrina defende que esta posição é a que melhor permite a satisfação da vontade real dos interessados.  Se a reserva mental for conhecida do declaratário. O declarante não fica vinculado à sua declaração embora não possa opor a reserva mental a terceiros de boa fé (art. pp.na lógica do 221º). 236º.2 que mandam atender à vontade real e coincidente das partes.  Quem emite. podem ser atingidos os objectivos superiores de interesse público que justificam a exigência da forma legal. então aplica-se o regime da simulação. o Intuito do declarante enganar o declaratário. pelo menos. não constam integral e claramente do documento relativo ao acordo obtido (art. esta será preenchida nos termos do art.1 e o negócio dissimulado é nulo por falta de forma (art. uma declaração tem consciência que o declaratário lhe atribui efeitos jurídicos. A parte geral do Código Civil Português. 220º) uma vez que as partes ou o conteúdo. sob reserva mental.

534. HEINRICH HÖRSTER. 81 82 Cit. 50 . Coimbra. da simulação. o Vontade de acção mas falta de consciência de fazer uma declaração negocial. HEINRICH HÖRSTER. tendentes a uma vinculação jurídica). Ed. situação muito semelhante a “falsa demonstratio”. nem o declaratário. Coimbra.1. pp. pp. no entanto.  Indemnização pelo dano da confiança  Se. Em casos em que a nulidade poderá levar a resultados muito injustos (reserva mental motivada por caridade ou por valores morais) poderá ser útil a figura do abuso de direito (art. 334º).”81  As declarações devem ser não sérias e simultaneamente não enganadoras. a actuação isolada não visa enganar ou prejudicar ninguém. Almedina. a declaração for feita em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer. A parte geral do Código Civil Português. Portanto: o declarante faz – como mero instrumento – a declaração.”82 A falta de consciência da declaração e a coacção física (art. porém.  À falta de consciência de fazer uma declaração correspondem duas alternativas: o Falta de vontade de acção. Almedina. o (Nexo de causalidade). mas o declarante está convencido que sabia.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     É possível que uma vinculação se venha a estabelecer no caso de ser verificar o condicionalismo previsto no art. uma declaração com as características volitivo-finais.534. 241º. O declarante faz a declaração mas não que o declarado. porém. o A atitude do declaratário justifica-se nas circunstâncias do caso concreto. Pode haver uma reserva mental relativa que implica a validade da declaração dissimulada desde que esta esteja em conformidade com a lei (241º. Necessária para a consequência de nulidade é sempre o conhecimento positivo da reserva por parte do próprio declaratário ou do seu representante (art. 259º). Portanto: o declarante emite uma declaração. Cit. mas não quer o declarado por lhe faltar a consciência de fazer uma declaração negocial (isto é. O declaratário não sabe disso. Pressupostos: o O declaratário tomou a declaração a sério. o A atitude de tomar a sério foi originada pelas circunstâncias. uma vez que não houve o acordo simulatório nem o intuito de enganar terceiros mas o próprio declaratário.  As declarações não sérias carecem de qualquer efeito. varia e é em sintonia com ela que se diferenciam e definem as três figuras. A posição ou a atitude do declaratário. A declaração não séria (art. 246º)  Coacção física ou violência absoluta – o declarante é um simples instrumento à mercê de outrem que comanda irresistivelmente a acção mediante a qual se manifesta a vontade. NOTA: “nas três figuras referidas até agora a posição do declarante face à sua declaração é sempre a mesma: não quer o declarado. Ed. mas não quer manifestar com este nenhuma vontade jurídico-negocial.  Falta de consciência da declaração – o declarante tem vontade de acção. 245º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de não enganar nem um terceiro. A parte geral do Código Civil Português. não quer o declarado ou não tem vontade nenhuma. A reserva mental distingue-se. não há vontade de acção nem acção do declarante.2). observa um dado comportamento.

Almedina. 1877ºss)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. bastando a mera culpa. HEINRICH HÖRSTER. da perspectiva deste. 124º. [Os negócios celebrados sem o respectivo suprimento são anuláveis]. a capacidade de exercício desde que tenham atingido a maioridade. designada não pelo próprio incapaz. dispondo o tutor de poderes menos amplos do que os detentores do poder paternal. Almedina.  Tutor (art. dois institutos. 139º.”84  Situações em que existem incapacidades de exercício: o Menoridade (art.  O instituto das incapacidades visa proteger o próprio incapaz contra as suas insuficiências as quais lhe podem causar prejuízos. Cit.  Os representantes legais podem ser:  Detentores do poder paternal (art. em princípio. HEINRICH HÖRSTER. Ed. agindo umas vezes com inteira independência. 51 . tratamse de incapacidades supríveis.553. pp. pp. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. ela consagra dois meios. se trata de uma verdadeira declaração negocial”83  Indemnização pelo dano de confiança.317. mas pela lei ou por certa entidade (pública ou mesmo particular) nos termos da lei. 122º a 129º)  Incapacidade geral – o menor não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. tendo por base um comportamento imputável ao declarante. 144º. A parte geral do Código Civil Português.  “Se a incapacidade não fosse suprível os incapazes ficariam excluídos de todo o tráfico jurídico geral.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o “Se a falta de consciência foi devida à culpa do declarante. resultado esse intolerável para a ordem jurídica. o Interdição (138º a 151º)  Incapacidade geral – o interdito não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. pp. o Inabilitação (152º a 156º)  Incapacidade específica – o inabilitado tem uma incapacidade específica podendo ser geral conforme os casos concretos decididos em tribunal. foca este obrigado a indemnizar o declaratário que confiou na declaração. para o suprimento da incapacidade. 1921º e ss. todas as pessoas possuem. Por isso. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. Essa outra pessoa vem a ser o representante legal do incapaz. 83 84 Cit. Coimbra. 85 Cit. 143º e ss. Estes dois institutos são a REPRESENTAÇÃO LEGAL e a ASSISTÊNCIA”85: o Representação legal – é admitida a agir em lugar do incapaz uma outra pessoa.319. Ed. 1877º)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. A falta de consciência da declaração ou a coacção física conduzem à nulidade do negócio.  As incapacidades de exercício não dizem respeito a negócios estritamente pessoais. As causas da anulabilidade Negócios celebrados sem capacidade de exercício:  “Tirando os casos das incapacidades negociais de gozo. precisando outras vezes de autorização de outra entidade. Ed. visto que.

2) .para os inabilitados ou para negócios estritamente pessoais (casamento e respectivo convenção antenupcial). 1971º) – existe ao lado do poder paternal e da tutela. [Vd.1971º. os respectivos negócios.a). 1922º. 1971º.1. os representantes legais precisam de autorização do tribunal para poderem validamente celebrar determinados actos quanto aos bens do menor (arts. [Vd.  Art. 122º  é menor quem não tiver completado 18 anos de idade. a validade depende sempre da autorização do tribunal (1889º e ss. 1922º e 1888º.  Existem diversos graus de assistência em concordância com o grau de incapacidade:  Curador (153º. Onde funciona a assistência. para poder realizar validamente os respectivos negócios.1). 1921º e ss.  Detentores do poder paternal ou tutor (1604º. o NOTA:  Em alguns casos especialmente previstos. 1938º. é-lhe necessário o consentimento de certa outra pessoa ou entidade. 1967ºss e 139º)  a representação estende-se apenas aos bens do incapaz. tendo lugar nos casos previstos no art. existindo ao lado de quem é representante legal quanto à sua pessoa (tutor ou detentores de poder paternal) ou ao lado daquele cuja representação relativamente aos bens do menor tiver sido restringida (cf.  Os tutores e administradores de bens estão proibidos de realizar certos actos (1937º. art. sendo essencial que o incapaz delibere realizá-los. 1938º. a entidade a quem ela compete não pode incluir ela mesma. Não assim quanto intervém a representação. 1892º. a incapacidade só termina com a maioridade ou a emancipação pelo casamento (129º + 132º).2) – para os menores com mais de 16 anos.  No caso do art.2 o curador é representante legal. 1888º). As três modalidades das incapacidades de exercício em pormenor A menoridade:  Art.). a)-c). 124º (suprimento da incapacidade dos menores): o Pelo poder paternal (art. o A menos que a lei abra excepções. 1901º a 1912º] o Administração de bens (art. 52  . subsidiariamente (art. o Instituto da assistência – o incapaz pode agir ele mesmo.2 em contraposição com o art. 154º. A do assistente é apenas inibitória ou completiva da vontade do assistido.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Administrador de bens (1971º.  Em certos actos levados a cabo pelo representante. Simplesmente.2.1). 1877º e ss) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (1885ºe ss. 1935º). 1971º. 1889º.  Agem em vez do incapaz e representam-no judicial e extrajudicialmente.  Art. 123º o Estabelece uma incapacidade geral – os menores não estão habilitados a reger a sua pessoa e a dispor dos seus bens e eles não têm capacidade para adquirir direitos ou assumir obrigações por acto próprio (ou por meio de um representante voluntário). 1612º e 1708º.) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (art. 1927º e 1967º]. por si só. por via negocial. o Pela tutela.1).1850º. A função do representante é activa.

Limitada. 126º. Coimbra Editora.331. não fazendo sentido que a lei proteja esta situação. 4ª ed. Ed. por duas razões: (1º) o texto do art. o Quando são emancipados por casamento (art. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. visam proteger o interesse do menor. o direito de anulação dos representantes legais. que há-de atender às circunstâncias próprias de cada caso. Se o menor actua com dolo. e as incapacidades daí resultantes. o Uma outra questão é a de saber se o dolo do menor exclui. 126º. principalmente à situação económica do menor e dos seus pais – sem esquecer. 126º refere-se unicamente ao menor. (2º) a exclusão do direito dos representantes legais seria uma contrassenso: eles não são abrangidos pelo ratio do art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. HEINRICH HÖRSTER. Almedina.”86 Art. À excepção no disposto no art. então significa que tem discernimento suficiente para perceber as consequências do negócio jurídico que pratica. pp. 129º (termo da incapacidade dos menores): o Quando atingem a maioridade (18 anos – art. 251º e 247º. ou o respectivo suprimento judicial. (Art. bem como a dissimulação. o O direito de requerer a anulabilidade baseia-se sempre no interesse do menor. não adquire capacidade plena para o exercício de direitos: continuará a ser considerado 86 87 Cit. Vol I. alem disso. Coimbra. 128º (dever de obediência) – ver artigo. 126º (dolo do menor): o Conceito de dolo – qualquer sugestão ou artifício que alguém empregue com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. “Mas se este casar sem ter obtido autorização dos pais ou do tutor. 127º (excepções à incapacidade dos menores) – ver artigo. 125º. quem está em causa. não faz sentido que a menoridade seja um elemento relevante para efeitos de um erro que torna o negócio anulável nos termos dos arts.b) – “a determinação de pequena ou grande importância das despesas contraídas pelo menor ou dos actos de disposição por ele realizados fica entregue ao prudente critério do julgador. 132º). não lhe atribuindo a legitimidade para arguir a anulabilidade nos termos do art.1. o Nota: 127º. o risco da menoridade cabe sempre à outra parte. e não os pais. b)) ou a requerimento de qualquer herdeiro do menor (no prazo de um ano a contar da morte deste ou ocorrida antes de expirar o prazo referido na alínea anterior). 253º).c). 125º (anulabilidade dos actos dos menores): o A legitimidade para invocar a anulabilidade do negócio jurídico cabe ao progenitor que exerça o poder paternal. A este propósito existe uma divisão na doutrina:  Mota Pinto – Deve fazer-se uma interpretação extensiva. pp.140. 53 . Art. Poderá também ser requerida pelo próprio menos (no prazo de um ano a contar da sua maioridade ou emancipação – nº1. 130º). A parte geral do Código Civil Português. o Tendo em conta que o herdeiro sucede na posição patrimonial do “de cujus” parece correcto aplicar o art. Art. porém. do erro do declarante. Cit.”87 Art.  Horster – “A resposta deve ser negativa. ao tutor ou administrador de bens. pelo declaratário ou terceiro. o NOTA: Uma vez que o instituto da menoridade. que é o menor. pelo que se explica que a outra parte não possa requerer esta anulabilidade. no sentido de incluir os representantes legais nesta limitação à invocação da anulabilidade. 126º.

que por anomalia psíquica.a). 143º (a quem incumbe a tutela) o Formas de representação legal. 149º.1). 946º.  Art. 950 e ss.  Art. 138º . o O tribunal pode decretar a interdição mesmo que inicialmente tenha sido pedida a inabilitação (art. dispondo de uma margem de decisão apreciável (art. será suficiente o requerimento de apenas um deles. 953º. através do art. 139º . 1901º.o regime da interdição é equiparado ao da menoridade. o No respectivo processo.  Pelo seu tutor ou curador (aqui o interditando já está inabilitado).1). CPC) o O tribunal decide não em função do pedido da acção mas no interesse do interditando. 124º).  Art. são dadas ao interditando todas as garantias processuais e materiais correspondentes à gravidade do acto de interdição (arts. sem as limitações que caracterizam o uso da tutela (art.  Art. 954º CPC). 1935º. o Caindo a tutela nos pais.1. Daqui resulta que o interdito tem uma incapacidade geral. surdezmudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens. estes continuam investidos no poder paternal tal como o exercem em relação a filhos menores.  Art. visto a interdição servir. 141º deve ser regularmente o caso em que a interdição é requerida já antes de o menor ter atingido a maioridade (art. o Art.  Ministério Público. As interdições  Art. 140º: o Os tribunais comuns por onde corre o processo de interdição têm a mesma competência atribuída aos tribunais de menores nas disposições que regulam o suprimento do poder paternal. o Quando a tutela não recair nos pais aplicam-se-lhe em tudo o que não seja regulado de uma maneira especial pelos arts.  Qualquer parente sucessível. sem a necessidade de recorrer previamente ao tribunal para sanar o desacordo entre eles. 947º. 954º CPC). o O campo de aplicação do nº2 do art.pessoas sujeitas a interdições – maiores. 125º. 139º a 151º. Havendo desacordo. 142º (providências provisórias) o Nomeação de um tutor provisório ou interdição provisória. 1649º. 131º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel menor quanto à administração dos bens que leve para o casal ou que posteriormente lhe advenham por título gratuito até à maioridade (art. bem como as regras respeitantes aos outros meios previstos para este fim (art. 1921º a 1972º). em primeiro lugar. o O interditando dispõe sempre de um defensor que o representa no processo (arts.2 CPC). 141º (legitimidade) o A interdição pode ser requerida:  Pelo cônjuge do interditando.2 – os pais deve agir de comum acordo. os interesses do interditando e tendo processo de interdição.2. o Durante o decurso da acção há ainda um outro meio de proteger o interditando. 54 .

conforme as necessidades do caso concreto. a interdição. Art. Exigese que:  O negócio celebrado tenha causado prejuízo ao incapaz para que possa ser anulado – critério objectivo: prejuízo causado pelo acto e não nos termos em que agiria uma pessoa normal e sensata. 125º. a seguinte: até à propositura da acção. Ed. regime da interdição sem quaisquer restrições. o regime da interdição funciona plenamente. 142º. o O prazo da proposição da acção conta-se a partir do registo da sentença (1 ano – art. 1927º a 1962). o Nota: mas o art. a administração de bens (1967º a 1972º).ver artigo.  Não foi decretada nenhuma medida ao abrigo do art. o Os negócios do interdito que não forem praticados ao abrigo do art. 151º (levantamento da interdição) . Coimbra.339. da qual é privado por razões de saúde. regime da incapacidade acidental reforçado pelo regime resultante dos arts.no que diz respeito aos negócio celebrados antes de anunciada a propositura da acção. Art. 150º . 139º a 151º). “A cadeia de protecção é. não pode ser invocada contra terceiro de boa fé (1920º-C). o Está de boa fé quem não conhece a sentença nem razoavelmente deve conhecê-la. como instituto da representação legal destinado a suprir incapacidades de exercício. 149º (actos praticados no decurso da acção) o O regime estabelecido neste artigo difere do regime estabelecido no art.1). a seguir ao registo. Art. regime da interdição. deste modo. 55 . 139º  123º a 128º). embora produzindo os seus efeitos. 257º também protege o interditando depois de anunciada a propositura da acção:  Quando a interdição não veio a ser decretada. aparece em duas situações diferentes:  Meio de suprir o poder paternal  aplica-se a menores (1921º e ss. pp.  Ao lado da tutela pode surgir. não há regime especial para eles: são anuláveis ao abrigo do disposto acerca da incapacidade acidental (257º). 147º (publicidade da interdição) – a sentença que decreta a interdição DEFINITIVA está sujeita a registo civil obrigatório.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel       Art. o Enquanto a sentença não constar do registo. regime da incapacidade acidental.  Meio de suprir uma incapacidade do interdito  aplica-se a interditos (art. embora não invocável contra terceiro de boa fé para quem as coisas se passam como se a acção ainda estivesse pendente. A partir do registo. 127º são anuláveis nos termos do art. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. As inabilitações 88 Cit. São aplicáveis ao interdito as disposições que regulam as excepções à incapacidade por menoridade (art. 287º. durante o decurso da acção. após o trânsito em julgado da sentença mas antes do seu registo. 145º (dever especial do tutor) – saúde deve ser entendida num sentido amplo: a finalidade em vista é que o interdito recupere a sua capacidade. Art. 148º.”88 Nota: A tutela. 142º/149º.  A interdição venha a ser definitivamente decretada.

existe um assistente. Aqui. originado por um defeito da vontade ou do carácter. Limitada. Assim se explica também a possibilidade de suprimento judicial de autorização do curador. 152º. de casos em que uma pessoa se encontra com uma capacidade diminuída.”91 o “Os actos são pois celebrados pelo inabilitado. Código Civil Anotado. através do qual é suprida a incapacidade. que carece de legitimidade para esse efeito.  Indivíduos que pela habitual prodigalidade se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. pp. querendo celebrá-los.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Tal como a interdição. a inabilitação destina-se a maiores.159. HEINRICH HÖRSTER. autorizar o inabilitado a alienar bens por acto entre vivos. 91 Cit. Coimbra.159. os herdeiros e até a própria comunidade que de outra maneira podia vir a ter de assegurar o mínimo de existência ao incapaz. portanto. A parte geral do Código Civil Português. o Tem uma importância fundamental para a interpretação deste artigo a distinção entre actos de mera administração e actos de disposição de bens:  Actos de mera administração (não alteram a raiz do património) – não estão sujeitos a autorização do curador. sobretudo no caso das pessoas abrangidas pelo 2º grupo do art. não existe uma representação legal. o A inabilitação aplica-se apenas no caso das pessoas que não sejam capazes de reger o seu património e ainda que não sejam incapazes de todo de governar a sua pessoa e bens (1º grupo do art. Almedina. Almedina. e não pelo curador. HEINRICH HÖRSTER.”90 Art.544. Vol I. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes – significa que é preciso a existência de um vício ou de um estado duradouro que já apresente sinais de carácter patológico. Art. Vol I.344 e 345. A parte geral do Código Civil Português.”89 o A inabilitação existe em primeiro lugar para proteger os interesses do inabilitado “mas ela pode beneficiar. surdez-mudez ou cegueira. o “Trata-se. 89 90 Cit. a celebrar convenções antenupciais ou quaisquer outros negócios jurídicos que tenham sido especificados na sentença de inabilitação.  Actos de disposição (alteram a raiz do património) – estão sujeitos a autorização do curador. 4ª ed. 153º (suprimento da inabilidade): o “O curador é uma entidade a quem cabe apenas. sendo os gastos improdutíveis e injustificáveis. mas constitui uma intervenção mais fraca e menos ampla que esta. 56 . ANTUNES VARELA. Prodigalidade – é um comportamento.  Indivíduos que pelo uso de bebidas alcoólicas ou uso de estupefacientes se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. não seja de tal modo grave que justifique a sua interdição. pp. Código Civil Anotado. Limitada. Coimbra Editora. Coimbra Editora. 152º). pp. Ed.”92 o É esta a característica da inabilitação que a distingue profundamente da interdição. pp. ANTUNES VARELA.152º (pessoas sujeitas a inabilitação): o Podem ser inabilitados:  Indivíduos cuja anomalia psíquica. que se define por gastos desproporcionados em relação à situação patrimonial do inabilitado. Coimbra. em princípio. 92 Cit. Cit. 4ª ed. embora permanente. também outros interessados na administração conveniente do património do inabilitado que serão o cônjuge. sem a necessidade ou sem a possibilidade de uma interdição. Ed.

Varela – nunca poderá ser directamente aplicável porque não é possível.  Art. compete ao curador praticar certos negócios em representação do inabilitado:  Os previstos no art. em relação a todos eles ou a alguns deles. 151º . É necessário mais alguma coisa para que o inabilitado não entenda o sentido da declaração ou não tenha o livre exercício da sua vontade. 149º . 139º:  Dupla remissão. 1769º.  Art.  Art. 150:  Horster – aplica-se directamente. 155º (levantamento da inabilitação) o Deduz-se.  Art.160.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    o Excepcionalmente.A quem incumbe a tutela. 141º . Art. o De acordo com a remissão estabelecida.  Refgras dos arts. Limitada. da administração de certos bens ou de praticar. nos termos deste artigo. 257º. deve recorrer-se ao regime estabelecido para a interdição. Vol I.Publicidade da interdição. 156º (regime supletivo) o De todo inaplicáveis às inabilitações são as disposições dos arts.”93 o Quando ao curador são atribuídos poderes de administração.3). 1967º como meios de suprir o poder paternal. 154º. Art. 154º (administração de bens do inabilitado) o “É a titulo excepcional que a sentença pode transferir. o Sempre que os arts. e não da mera assistência.  A. Código Civil Anotado. só por existirem as condições da inabilitação. 144º e 145º. 140º (competência dos tribunais comuns). que não existe prazo para o levantamento da inabilitação quando se trata de cegueira.  Art. a contrario.  Art.  Representar o inabilitado como cabeça de casal (2082º. pp. 93 Cit. para o curador. 148º . 4ª ed. 152º a 155º não prevejam soluções específicas para a inabilitação. Art. verificarem-se os requisitos exigidos pelo art. Este pode ser privado. como nos casos normais de inabilitação previstos no artigo anterior. 142º + 149º . a administração dos bens do inabilitado. ANTUNES VARELA.providências provisórias. 138º. 143º .  Art. 123º a 128º e para as disposições dos arts.legitimidade para requerer a inabilitação.  Art. a incapacidade do inabilitado passa a ser suprida nos termos clássicos da representação.  Art. 57 . certos actos de administração. dois períodos importa distinguir quanto ao regime dos actos praticados pelo inabilitado:  Período que se estende desde o anúncio da proposição da acção até ao registo da inabilitação definitiva  ART 149º e 125º.actos praticados no decurso da acção.  Art.2). Coimbra Editora. surdez-mudez ou anomalia psíquica. 146º .actos do inabilitado posteriores ao registo da sentença.Escusa da tutela e exoneração do tutor. no todo ou em parte.levantamento da inabilitação. como regime supletivo:  Art.  Intentar a acção de simples separação judicial de bens (art.  Art.2. 147º .

“O regime da inabilitação é. resulta da lei.”95 o Quando os menores.”94 Figuras afins A incapacidade acidental  Ao contrário das incapacidades de exercício referidas anteriormente. 257º (incapacidade acidental) o “O regime do art. a incapacidade acidental não afecta o estado da pessoa.. frequentemente. inclusive os actos praticados durante os intervalos lúcidos. Cit. ou seja. Coimbra. 287º). Coimbra. interditos ou inabilitados quando e na medida em que possuem excepcionalmente a capacidade de exercício ao abrigo do art. interditos ou inabilitados não possuem capacidade. em princípio. 257º aplica-se a pessoas que. o Se o demente tiver sido interdito ou inabilitado. 257º nunca se sobrepõe ao regime da respectiva incapacidade (salvo os actos de mera administração dos inabilitados). Aplica-se então. com base neste preceito.  Art. 148º + 125º. a incapacidade acidental nunca é geral. Ed. é necessário provar:  Que o autor da declaração.  O prazo para invocar a nulidade é de um ano (art. o regime do art. no momento em que a fez. capacidade de exercício normal como.) em condições psíquicas tais que não lhe permitiam o entendimento do acto que praticou ou o livre exercício da sua vontade. droga. A parte geral do Código Civil Português.344. estado hipnótico. as proibições legais relativas 94 95 Cit. Almedina..TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  A partir do registo  ART. mas não descuidando as exigências de segurança do tráfico jurídico (pois a sentença e a respectiva nomeação do curador com as suas competências estão sujeitas a registo obrigatório). praticados sucessivamente. pp. embora possa abranger todos os singulares actos específicos de uma pessoa. se encontrava. até a interdição ou inabilitação tiver sido levantada. possuem plena capacidade de exercício. indo ao encontro da sua auto-realização. conforme a diminuição da capacidade do inabilitado no caso concreto. 127º). pp. a maiores ou menores emancipados (ou também a menores. o regime desta última. HEINRICH HÖRSTER. etc. HEINRICH HÖRSTER.  Esse estado psíquico era notório – uma pessoa de normal diligência o teria podido notar. da inabilitação. muito graduado e maleável. na situação regular da sua incapacidade. em geral. os seus actos são anuláveis em virtude do regime de interdição ou inabilitação.346. mas sempre relacionada com um acto específico. A parte geral do Código Civil Português. 58 . Ed. Quem se encontra acidentalmente incapacitado possui. aliás. portanto. ou por anomalia psíquica ou por qualquer outra causa (embriaguez. o Para conseguir a anulação de uma declaração negocial. como se vê. As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas. Almedina. por mais duradouros que fossem esses intervalos. o Ao contrário da menoridade e da interdição e.

 Art. Por outras palavras. de um modo de se ser para com os outros. pp.  Art. 579º e ss  cessação de direitos litigiosos. pp. resultam de uma posição.disposições testamentárias a favor de determinadas pessoas.  As disposições feitas em infracção às indisponibilidades são NULAS (art. pelo contrário.  Nos termos do art. 2192º a 2198º . Excepções: o 1687º.4  o negócio é nulo por remissão ao art. Proibições legais relativas  São negócio que a lei proíbe. 877º (venda a filhos e netos). HEINRICH HÖRSTER.  Situações que podem ser consideradas ilegitimidades: o Art.2). 1714º.3  a anulabilidade não é oponível ao adquirente de boa fé. são nulos os negócios celebrados contra a lei. seja legalmente impedida de celebrar determinados negócios com determinadas pessoas. isto é. 59 . as ilegitimidades têm em vista o relacionamento de uma pessoa com os outros. 892º. o 1687º. 1602º + 1631º  o casamento celebrado com impedimento dirimente relativo é anulável. o disponente tem capacidade.”96  As ilegitimidades implicam que uma pessoa que goza de plena capacidade. 1682º a 1863º (ilegitimidades conjugais). Ed.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel As ilegitimidades  “A diferença fundamental entre as ilegitimidades e as incapacidades reside no seguinte: toda e qualquer incapacidades resulta sempre de uma “qualidade minguante” da própria pessoa. Almedina. Almedina.doações que beneficiam determinadas pessoas. Coimbra. as ilegitimidades não são supríveis. HEINRICH HÖRSTER. pode dispor. o Art. 294º. torna o negócio anulável. o Art.  A falta do consentimento ou de autorização judicial.349. Coimbra. Em princípio. 96 97 Cit. 1892º (aquisição de bens dos filhos). Indisponibilidade relativa  “As limitações estabelecidas na lei não resultam de uma qualidades que é própria do respectivo disponente. 953º . mas a lei proíbe-lhe de o fazer relativamente a determinadas pessoas.  Situações previstas: o Art. o Art.348. Ed.  Art. isto é. Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal  Art. 876º  venda de coisa ou direito litigioso (remissão para 579º). A parte geral do Código Civil Português. 2192º 1 e 2) e não podem ser realizadas por meio de interposição de outra pessoa (2198º + 579º. sendo nestas outras pessoas que reside a causa da indisponibilidade relativa.2  contratos de CCV e de sociedade entre cônjuges não separados judicialmente.”97  Vêm reguladas nos arts. Cit. mas apenas operam no sentido de contemplar determinadas pessoas. A parte geral do Código Civil Português. a incapacidade tem em vista o próprio incapaz. Uma vez que se tratam de negócio estritamente pessoais. 1762º  proibição da doação entre cônjuges casados imperativamente com separação de bens. de um modo de ser do sujeito em si. os casos das ilegitimidades.

A parte geral do Código Civil Português.  Inexperiência  “existe nos casos em que o discernimento necessário e adequado ainda não foi adquirido ou voltou a perder-se. penas de privação da liberdade por bastante tempo. apesar de poder possuir perfeita lucidez a respeito da sua situação e do seu comportamento”106 Pode ser: virtude de doença. 105 Cit. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra.”104 Pode ser: relações de subordinação no âmbito laboral. pp. Almedina.. HEINRICH HÖRSTER. graves inconveniências de natureza política.. 282º..558/559.349.. por meio do art. Coimbra. Almedina. Coimbra.  Art. o negócio jurídico quando alguém. social habitacional ou estritamente pessoal. Ed. HEINRICH HÖRSTER. a sanção é a anulabilidade.. pp. imaturo e imponderado. 102 Cit. Almedina. 98 99 Cit. A parte geral do Código Civil Português.”103  Dependência  “existe quando a autonomia de decisão está limitada de facto. explorando a situação de:  Necessidade  “existe quando necessidades avultadas de uma pessoa provocam a necessidade imperiosa para ela de obter uma prestação para se libertar daquelas dificuldades”101 Pode ser: dificuldades económicas muito sérias (desemprego). A parte geral do Código Civil Português. 103 Cit. HEINRICH HÖRSTER.”105  Fraqueza de carácter  “verifica-se quando uma pessoa não está em condições morais ou não tem força anímica para se comportar devidamente. Ed. 282º e ss é. por conseguinte. 60 .”102 Pode ser: juventude.558. 100 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Ed. Almedina.  “A lei civil actual. HEINRICH HÖRSTER.555. podendo ser várias as causas que levam a tal situação. Almedina.558. Coimbra. vício do jogo. Cit. pp. HEINRICH HÖRSTER. 104 Cit. reintroduziu a figura do negócio usurário e a limitação da liberdade contratual daí resultante em atenção a considerações sociais. HEINRICH HÖRSTER. Ed. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. pp. a protecção de pessoas caracterizadas ou afectadas por certas situações de inferioridade contra quem pretenda daí tirar benefícios excessivos e injustificados. Coimbra. Almedina. Ed. 101 Cit.. sendo a maneira leviana e irresponsável de actuar um traço característico da pessoa e não uma falha esporádica ou acidental. Ed. Almedina. por usura. de acordo com o princípio da protecção dos mais fracos”99  “A finalidade dos arts. pp. consequência de relações de situação de instruendo. Ed. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. Almedina. mentalidades não adaptadas. idade avançada. Coimbra.” 100 Trata-se de um correctivo material de índole social.  Situação de estado mental  “deve abranger limitações das faculdades mentais ou estados de emoção e descontrolo que restringem o discernimento do interessado e afectam as suas capacidades decisórias.556. 282º: o É anulável. A parte geral do Código Civil Português. pp. Ed. HEINRICH HÖRSTER.  Ligeireza  “significa um comportamento irreflectido. pp. Coimbra.558.558..TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios usurários  “Pertencem aos negócios jurídicos com conteúdo desaprovado pela ordem jurídica – e isto em virtude do desequilíbrio das prestações neles acordadas devido à inferioridade de uma das partes”98  Ao contrário do que acontece nos negócios abrangidos pelo 280º e 281º. Ed. 106 Cit. A parte geral do Código Civil Português. Almedina.349.. pp. toxicodependência. HEINRICH HÖRSTER. pp.

 Tipos de erro na declaração: o Erro na própria declaração  o declarante emprega palavras ou termos diferentes daqueles que queria utilizar (ex. sempre aquela que mais beneficia o lesado. diz-se que se compra por 20. este artigo prevê um prolongamento do prazo para o exercício do direito de anulação modificação. 109 Cit. Coimbra Editora. 1636º. Os negócios celebrados com erro na declaração  São situações em que existe uma divergência entre a vontade e a declaração. entre várias hipóteses.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Pressupõe do lado subjectivo o explorar. 283º. certa vontade. o É necessária a desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada. Código Civil Anotado.”109 (Excepção em relação ao art. o Esta solução legal tem utilidade nos casos em que o lesado possui um interesse na continuação do contrato. para a anulabilidade da declaração. pp. por conseguinte. ao contrário do caso previsto na primeira parte do artigo anterior. Limitada. 4ª ed. comprar por 10. Limitada.  Art. desde que sejam alteradas certas cláusulas. a consciência de que se faz uma declaração negocial.1: o Permite que o lesado possa requerer a modificação do negócio usurário. Para a contagem do prazo. Limitada. ANTUNES VARELA. 283º. em que tira proveito de uma situação inferioridade da outra parte.”108 o “Não se exige. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. Pretende-se. 247º: o “O caso previsto é o chamado erro obstáculo ou erro na declaração. Vol I.232.  Art. basta que se aproveite desta situação. em vez de uma anulação. Vol I.233. 61 . Formou-se. 284º  se o negócio usurário constituir simultaneamente um crime. 4ª ed.232. por exemplo. em matéria de casamento). Coimbra Editora. Código Civil Anotado. o Implica a confirmação do negócio anulável nos precisos termos em que ficou modificado.  Desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada (critério aplicado pelo juiz!).  Art. nem o conhecimento ou sequer a recognoscibilidade deste por parte do declaratário. a anulabilidade depende de o destinatário da declaração CONHECER OU DEVER CONHECER a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. mas por lapso. o Não constitui um pressuposto da usura que o usurário leve a outra parte a praticar o negócio. o Resumo (pressupostos):  Existência de um aproveitamento consciente da parte do usurário de uma situação de inferioridade da outra parte. aproveitamento CONSCIENTE da parte do usurário de pelo menos uma das seis situações descritas. a lei escolhe.  O declarante diz algo que verdadeiramente não quer dizer e não tem consciência do erro. Há.”107 o “O acto é anulável e não nulo. Vol I. Cit. sem erro. mas esta tem um conteúdo diferente do que foi pretendido.1. a modificação nos termos do art. pp.2: o “Prevê a hipótese de o próprio usurário declarar que prefere. 53 em vez de 35) – emprega algo diferente daquilo que estava na sua cabeça.  Art. pp. nem a desculpabilidade do erro. mas declarou-se outra. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. segundo juízos de equidade. 107 108 Cit. 283º. 4ª ed.

247º.568. Vol I. porém. Limitada. mas o declarante cuja vontade real difere do conteúdo objectivo comum que foi atribuído à sua declaração pode anular com base em erro. Para alguns destes casos deve valer. Coimbra Editora. 247º.”110 o “Há situações. A parte geral do Código Civil Português. depois do recurso às regras sobre a interpretação e integração da declaração negocial. A interpretação é um pressuposto lógico da decisão sobre a existência ou não do erro causador da divergência”112 O erro sobre os motivos  Trata-se de uma situação em que o declarante faz um representação inexacta sobre a existência. Almedina.. ao erro na declaração. A este tipo de casos de dissenso oculto deve aplicar-se. de acordo com as circunstâncias. Ed. por não haver nenhuma expectativa legítima do declaratário. 247º.  “As possibilidades de ocorrência de um erro no âmbito do negócio jurídico não se limitam. pp. HEINRICH HÖRSTER. pp.558. 4ª ed. 111 112 Cit. não produz uma 110 Cit. subsistência ou verificação de um circunstância presente ou actual que era determinante para a declaração em especial. nem com a vontade do declaratário. é a figura do chamado dissenso (oculto). “quando o erro recai só sobre a vontade (elemento interno).”113  Enquanto que no caso do erro na declaração existe uma desconformidade entre a vontade e a declaração.. recai sobre os elementos determinantes da vontade. porém. Coimbra. que à lei incumbe tutelar. Ed. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. Almedina. Cit. O disposto no art. comum a ambas as declarações. A parte geral do Código Civil Português.. É evidente que este conteúdo objectivo. em que é possível atribuir a ambas as declarações (a ambas as manifestações). Coimbra. 250º):  Mensageiro comete um lapso de forma involuntária – aplica-se o art. HEINRICH HÖRSTER.233. Desta forma. directamente ou por analogia o regime prescrito para o erro na declaração. 113 Cit. sempre e apenas. pp. A parte geral do Código Civil Português.558. mesmo depois da interpretação. não está em sintonia com ambas as vontades (caso contrário não haveria dissenso). um sentido ou conteúdo objectivo comum. 62 . baseada no sentido válido da declaração. Coimbra. Distinção entre erro na declaração e dissenso: o “Distinta do caso do erro na declaração. podendo o declarante anular desde que demonstre que a outra parte conhecia ou devia conhecer o erro.”111 o “Em todo o caso.  Alteração intencional – o negócio é sempre anulável (dolo do mensageiro). a anulabilidade impõe-se. pp. para outros. elas são muito numerosas e vão da primeira motivação que é determinante para a formação da vontade até à manifestação da mesma. HEINRICH HÖRSTER. o Erro na transmissão da declaração (art. o próprio facto da divergência entre a vontade real e a declaração (manifestação) pode ser constatado. Ed.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Erro sobre o conteúdo da declaração  o declarante usou as palavras que queria mas atribui um sentido diferente que teria no contexto. 249º)  deve tratar-se de um lapso ostensivo sob pena de o caso ficar sob alçada do art. Pelo contrário. Almedina.. em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. sem necessidade dos requisitos a que alude o art. É uma ideia inexacta sem a qual a declaração negocial não teria sido emitida ou não teria sido emitida nos moldes em que foi. o regime do erro na declaração: o contrato considera-se concluído. o Erro de cálculo ou escrita (art. porém. quanto às declarações. 247º só se aplica quando a divergência se mantém.

247º).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  divergência entre vontade e declaração. a lei não é clara e não se percebe se a remissão é feita para todo o artigo ou apenas para a estatuição). pp. de modo que eles provocaram o erro do declarante. Art. a vontade formou-se mal devido a uma actuação exterior que impede a livre formação da vontade do declarante. 253º (definição de dolo/ distinção entre dolo lícito e ilícito/ pressupostos do dolo): o Definição – sugestão ou artifício que alguém empregue com intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. Coimbra. 63 . para que haja anulabilidade. o Erro sobre a base negocial:  Trata-se de uma situação em que a base negocial objectiva é diferente da base negocial proposta pelas partes. 252º):  Exige-se. 227º). o Erro que as partes houveram reconhecido por acordo a essencialidade do motivo que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio (art. O dolo   114 115 Cit. A declaração está em perfeita conformidade com a vontade. Tal como no erro sobre os motivos. convergindo com ela a respectiva declaração. não existe uma divergência entre a vontade e a declaração. Nota: nem todos os autores consideram que o erro tem que ser bilateral. dissimulado pelo declaratário ou por um terceiro. por acordo.  Quando o erro recaia sobre a pessoa ou sobre o objecto do negócio. que afecte os objectivos daquele negócio. que tenha sido reconhecida. as consequências são iguais às do erro na declaração (art. o Dolo positivo – há um comportamento activo no sentido de induzir em erro o declarante. Ed. por ser mal esclarecida (.”114 Modalidades de erros sobre os motivos: o Erro que recai sobre as qualidades essenciais do objecto ou sobre as qualidades essenciais do declaratário (art. 251º):  Qualidades essenciais do objecto  características do objecto que determinam o seu valor.  Tem que ser um erro bilateral115: tem de ocorrer um erro e a situação não pode ser coberta pelos riscos próprios da vontade.) está viciada. ou terceiro. Trata-se agora de um erro sobre os motivos (ainda designado por erro-vício). o Dolo negativo/ omissivo – o declaratário permite que o declarante se mantenha em erro. o Pressupostos do dolo:  Declarante esteja em erro. do erro do declarante.570. HEINRICH HÖRSTER. no entanto. bem como a dissimulação pelo declaratário.  Há uma desconformidade entre a base negocial objectiva é diferente da base negocial pressuposta pelas partes.  Qualidades essenciais do declaratário  erro sobre as qualidades essenciais para a prossecução do negócio. quando existe um dever legal ou contratual de elucidação (art. o Dolo ilícito (dolus malus) – atribuição ao objecto de qualidades que ele manifestamente não tem. o Dolo lícito (dolus bónus) – artifícios naturais do comercio jurídico. Almedina. é esta que está viciada.  Erro induzido/ mantido em contrário de um dever de elucidar.  Remissão para artigo 437º (no entanto... A vontade. A parte geral do Código Civil Português. a essencialidade do motivo.

Código Civil Anotado. deve ilícita. já o acto pode ser anulado. etc. Ed. 4ª ed. válido. Coimbra Editora.  Dolo proveniente de terceiro – o acto é. Código Civil Anotado.238. embuste. Coimbra Editora. 116 117  Cit. Limitada.”117  “Consiste numa pressão psicológica que determina a vontade. Mas imaginemos que A.: “Se A (terceiro) induziu em erro B e o levou a doar bens a C. Este benefício já é anulável nos termos da 2ª parte do nº2. beneficiou de um encargo imposto ao donatário C. ANTUNES VARELA. Coimbra.585/586. invocada por acção judicial e pode ainda ser feita valer (no caso da nulidade) por via de excepção ou oficiosamente pelo tribunal. o Pressupostos:  Quando a coacção provém do declaratário – declaração negocial determinada pelo receio de um mal (não se depreende que a gravidade do mal e o fundamento do receio sejam requisitos essenciais). à semelhança da vítima do dolo. sugestão. ela baseia-se numa vontade. pp. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. liberdade exterior. ANTUNES VARELA. se o declaratário conhecia o dolo do terceiro ou devia conhecer.  Art. 255º (coacção moral): o “A ameaça. Limitada. Isto é. pp. A parte geral do Código Civil Português. 118 Cit. 256º (efeitos da coacção) e pressupostos: o Efeitos – anulabilidade. A vítima da ameaça ainda pode optar entre a sujeição ao mal ou a oposição a ele. 64 .  Ex. o terceiro que induziu B a fazer a doação. O dolo de um não inutiliza o vício proveniente do dolo do outro. de modo que falta ao coagido. Todavia.233. a ameaça do exercício de um direito não constitui coacção”119  Art.585. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. causadoras de uma vontade viciada. 254º (efeitos do dolo): o Estabelece duas hipóteses:  Dolo proveniente do destinatário da declaração – o acto é sempre anulável mesmo que haja dolo de ambas as partes. Vol I. Cit.”118  Art. pp. Ed. Almedina.”116 A coacção moral  “É prestada sob coacção moral a declaração negocial determinada pelo receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado pelo declaratário ou por terceiro com o fim de obter dele por este meio a declaração pretendida pelos ameaçadores. Vol I. Se emite a declaração cedendo à ameaça. a doação não é anulável por dolo. 119 Cit. pp.  Quando a coacção provém de terceiro:  É necessário que o mal seja grave e que seja fundado o receio (questões avaliadas pelo tribunal). se C ignorava e não tinha obrigação de conhecer o dolo de terceiro. 4ª ed. Coimbra.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel O declaratário ou terceiro haja recorrido ilicitamente a qualquer artifício. em princípio. As consequências da invalidade no negócio jurídico em pormenor Efeitos da invalidade:  Invocação da invalidade – pode ser reconhecida por um acordo entre as partes. para que constitua coacção. mas numa vontade formada em condições limitativas da liberdade de decisão.

pp. não basta que o negócio nulo ou anulado contenha os requisitos essências de substância e de forma do negócio que vai substitui-lo.”123  “Há casos de conversão consagrados directamente pela lei: art. Coimbra Editora. 4ª ed. Código Civil Anotado.269. ANTUNES VARELA. pp. em relação à forma do negócio.1) – aplicada.”120  “Como resulta do próprio texto e do espírito da lei. A minoração das consequências da invalidade do negócio jurídico Princípio da conservação do negócio jurídico  A conservação dos negócios jurídicos em relação às partes: o Confirmação do negócio anulável (art. 946º. 4ª ed. Código Civil Anotado.2”124  Protecção de terceiros adquirentes de boa fé: o Inoponibilidade da declaração de nulidade ou da anulação do negócio que versa sobre bens sujeitos a registo – art. 2251. 288º. 293º):  “A conversão supõe a invalidade integral do negócio e a sua substituição por outro do qual contenha os requisitos essenciais. Código Civil Anotado. art. Limitada. 65 . em termos decisivos. Limitada. ANTUNES VARELA. não basta que o negócio nulo ou anulado tenha a mesma substância do negócio em que se pretende convertê-lo. Vol I. 292º) – é possível viabilizar uma parte do negócio.269.268. 291º.269. 123 Cit. pp.268. 4ª ed. Vol I. Princípio da abstracção 120 121 Cit. o Redução de negócio nulo ou anulável (art. em regra. Limitada. de acordo com a parte final do art. Código Civil Anotado. art. Código Civil Anotado. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora. às situações de anulabilidade. Coimbra Editora. Coimbra Editora. 293º. ANTUNES VARELA.2. 1416º. 122 Cit. pp. 4ª ed. 4ª ed. o Conversão do negócio nulo ou anulável (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Art. Vol I.”122  “É ainda necessário. Coimbra Editora. Limitada. o Anulabilidade – 287º. Vol I. Limitada.1. pp. a vontade exteriorizada pelo declarante.”121  “Para que se possa verificar a conversão. 289º. não só de substância como de forma. Cit. Vol I. 124 Cit. É necessário ainda que este negócio não contrarie. o Prevalência segundo as regras de prioridade das leis do registo. ANTUNES VARELA. Pessoas legitimadas para arguir a invalidade: o Nulidade – 286º. que a conversão se harmonize com a vontade hipotética ou conjectural das partes.

com a aquisição de boa fé a um não titular e com a segurança e celeridade do tráfico jurídico.585/586. Ed. Coimbra. pp. devidamente construído. Almedina.”125 125 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  “Faz parte de todo um sistema legal. que tem a ver com a existência de uma Parte Geral. HEINRICH HÖRSTER. 66 . com os fundamentos e formas da anulação do negócio jurídico. A parte geral do Código Civil Português.

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