Teoria Geral da Relação Jurídica

O negócio jurídico

Paulo Pichel 2008

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

2

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

Índice
PARTE I – OS ELEMENTOS E A NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO ................................................................. 6 ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ................................................................................................................ 6 O CONCEITO DE NEGÓCIO JURÍDICO ....................................................................................................................................... 6 Referência histórica: ........................................................................................................................................................ 6 ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO: ...................................................................................................................................... 6 PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS PARA QUE SE POSSAM PRODUZIR OS EFEITOS JURÍDICOS PRETENDIDOS PELO NEGÓCIO:.............. 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE ................................................................................................................................................ 7 COMPOSIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE VONTADE (REMISSÃO PARTE II). ................................................................................... 7 INEXISTÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE VONTADE ....................................................................................................................... 7 A DECLARAÇÃO DE VONTADE E A CONSCIÊNCIA DA CRIAÇÃO DE UM VÍNCULO JURÍDICO ...................................................... 8 DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS E DECLARAÇÕES DE CIÊNCIA .......................................................................... 8 SITUAÇÕES EM QUE NÃO BASTA A DECLARAÇÃO DE VONTADE PARA QUE SE FORME UM NEGÓCIO JURÍDICO: ........................ 8 DISTINÇÃO ENTRE NEGÓCIO JURÍDICO E DECLARAÇÃO DE VONTADE ..................................................................................... 8 INTERVENIENTES NO NEGÓCIO JURÍDICO; A CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ...................................... 9 CONFORMAÇÃO UNILATERAL DE RELAÇÕES JURÍDICAS ......................................................................................................... 9 LIMITAÇÕES: ......................................................................................................................................................................... 9 Limitação de auto-vinculações: ....................................................................................................................................... 9 Impossibilidade de estabelecer, por acto unilateral, relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: ........................ 9 Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: .............................. 9 NEGÓCIO JURÍDICOS QUE PARA ALÉM DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS EXIGEM A INTERVENÇÃO DE AUTORIDADES PÚBLICAS: ............................................................................................................................................................................................ 10 NEGÓCIOS JURÍDICOS QUE EXIGEM A INTERVENÇÃO DE OUTROS PARTICULARES AFECTADOS PELO NEGÓCIO PARA ALEM DE UMA DECLARAÇÃO DE VONTADE: ........................................................................................................................................ 10 CLASSIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS ............................................................................................................................ 10 Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico ........................................... 10 Negócios jurídicos unilaterais: ...................................................................................................................................... 10 Negócios jurídicos plurilaterais:.................................................................................................................................... 11 O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) ...................................................................................................... 11 CRITÉRIO DO CONTEÚDO DO CONTRATO, RELATIVO À ESTRUTURA E PRODUÇÃO DE EFEITOS: ............................................. 11 CRITÉRIO RELATIVO AO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES EMERGENTES SE CUMPRIREM NUM ÚNICO MOMENTO OU SE PROLONGAREM NO TEMPO: .................................................................................................................................................. 11 Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: ........................................................................................................................ 11 Critério da forma: .......................................................................................................................................................... 12 Critério do modo de formação: ...................................................................................................................................... 12 Critério da natureza da relação jurídica constituída: ................................................................................................... 12 Negócios entre vivos e mortis causa: ............................................................................................................................. 12 DISTINÇÃO ENTRE ACTOS DE MERA ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS DE DISPOSIÇÃO: ............................................................. 12 PARTE II – FORMAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO .................................................................................................... 13 AS MODALIDADES DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; OS SEUS ELEMENTOS................................................................................. 13 PRINCÍPIO DA LIBERDADE DECLARATIVA (LIBERDADE CONTRATUAL + PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA): .................... 13 ELEMENTO INTERNO/SUBJECTIVO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL – VONTADE: ....................................................................... 13 O PROBLEMA DA CONCORDÂNCIA ENTRE ELEMENTO OBJECTIVO E SUBJECTIVO E CONSEQUENTES EFEITOS JURÍDICOS ....... 14 Teoria da declaração. .................................................................................................................................................... 14 Definição de Manuel de Andrade [visão objectivista] ................................................................................................... 14 DISTINÇÃO ENTRE VONTADE NEGOCIAL E MOTIVOS ............................................................................................................ 14 A FORMA DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL; A SUA DISTINÇÃO DA PUBLICIDADE ........................................................................ 14 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA: LIBERDADE DE FORMA E LIBERDADE DECLARATIVA; EXCEPÇÕES .............................. 14 FORMA CONVENCIONAL: ..................................................................................................................................................... 14 INOBSERVÂNCIA DA FORMA LEGAL EXIGIDA POR LEI ........................................................................................................... 15 DISTINÇÃO ENTRE FORMA DOS NEGÓCIO E PUBLICIDADE: ................................................................................................... 16 MODALIDADES DE DOCUMENTOS ESCRITOS (ART. 363º): ..................................................................................................... 16 TIPOS DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS: ................................................................................................................................... 16 A PERFEIÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL .......................................................................................................................... 16 FASES DA EXISTÊNCIA DE UMA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (RECEPTÍCIA): .............................................................................. 17

3

....................................................................................................... 266º ......... 22 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: .................................................................... 22 As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) ... 229º.............................................................................................................................................. 268º .................... 34 OS ENCARGOS OU CLÁUSULAS MODAIS. 26 Art...................... 263º ............... 29 PROCURAÇÃO GERAL E PROCURAÇÃO ESPECIAL ........................................ 26 Art...... 17 Recepção: ........ 28 Art......................................................................................................................................... 18 CONCLUSÃO DO CONTRATO ........................... 22 A CULPA IN CONTRAHENDO (ART............. 30 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS SUBORDINADOS A CONDIÇÃO OU TERMO............ 19 Distinção entre convite a contratar e proposta contratual ........................................................................................................................................................................................................TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Exteriorização: ............................ 25 PRINCÍPIOS GERAIS............................................................................................................................................................................................................. 20 Aceitação eficaz da proposta ...abuso de representação ..................................................................... 28 Art...... 38 A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 264º ........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 20 DISSENSO MANIFESTO E OCULTO/LATENTE ................ 260º ............................................................................................................................................... 19 A PROPOSTA CONTRATUAL E A SUA ACEITAÇÃO .............................................................................. 30 A CONDIÇÃO ..................................................................................................................................................................................... 259º .......................falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes ............................................... 17 Conhecimento: ................................................................................................. 40 4 ........................................................................................... 19 Passos para a conclusão de um contrato ................................................................................................................................................................................................................................................................ 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL GANHA EFICÁCIA (VINCULA O DECLARANTE DE TAL FORMA QUE ESTE NÃO SE PODE RETRACTAR) [TEORIAS]:.... 35 OS NEGÓCIOS CELEBRADOS SEM PODERES DE VINCULAÇÃO: .... 17 FASES DE EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÕES NEGOCIAIS NÃO REPTÍCIAS: ............ 265º ................. 31 A condição suspensiva ................................................................................................................................................................... 25 DISTINÇÃO ENTRE REPRESENTAÇÃO OU DO REPRESENTANTE COM OUTRAS FIGURAS E INSTITUTOS: .....................................................................................protecção de terceiros: .......................................................................................................................................... 25 A REPRESENTAÇÃO: ............. 239º) . PROBLEMA DA SUA EXISTÊNCIA .......... 236º...................................A INVALIDADE DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS ...... 237º......................................................................................................INTERPRETAÇÃO E A INTEGRAÇÃO DA DECLARAÇÃO NEGOCIAL (ARTS...................................................................................................... 24 AS RELAÇÕES CONTRATUAIS DE FACTO ........ 33 A condição resolutiva .................................................. 24 A REPRESENTAÇÃO NA CONCLUSÃO DO CONTRATO ..justificação dos poderes do representante ....................................................negócio consigo mesmo .......................................................................................................................................................................................................................................... 17 Expedição: .............. 28 Art..... 36 PARTE IV .............................................. DELIMITAÇÕES PARA COM FIGURAS SEMELHANTES.............................................................. 34 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFEITOS DEPENDENTES DE RATIFICAÇÃO ...................................................................................................................................substituição do procurador.................................................. 28 Art....................... 36 OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA RELATIVA .......... 27 A PROCURAÇÃO E OS SEUS EFEITOS ................................................................................................................................................228º) ................................................................................................................................................................................................................................................ 23 Comparação entre art........................................................................................................ 269º ............ 227º e art..................................................................................238º............................................................................................................... 17 MOMENTO EM QUE A DECLARAÇÃO NEGOCIAL FICA PERFEITA DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL: .................................................................................................... 21 OS EFEITOS REAIS DA CONCLUSÃO DO CONTRATO .................. 21 A CONCLUSÃO DO CONTRATO COM BASE EM CLÁUSULAS CONTRATUAIS GERAIS ................................1 (2ª parte): ................................................................................................. 261º .............. 19 Convite a contratar: .......... 30 PARTE III ............................ 25 OS INCAPAZES E A REPRESENTAÇÃO: ...........extinção de procuração ..................... 29 Art.. 19 Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art...........................................................capacidade do procurador ......................... 27 Art........................................................... 38 A INTERPRETAÇÃO.......................................................................................................................................................................................................... 40 PARTE V ...........OS NEGÓCIOS JURÍDICOS COM EFICÁCIA LIMITADA .............. 29 Art......................................................................................................................................................................................................... 227º)............ 35 OS NEGÓCIOS DOS INSOLVENTES E DOS FALIDOS CELEBRADOS SEM PODERES DE REPRESENTAÇÃO: .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. 34 O TERMO........................................................ 25 A REPRESENTAÇÃO NO CÓDIGO CIVIL: .................................representação sem poderes......................................

... 59 Os negócios usurários .................................................... 43 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica ..... 64 Efeitos da invalidade: ......................................... 65 Princípio da abstracção ................................................ 61 O erro sobre os motivos ........................... as proibições legais relativas ........................................................................................................................ 51 Negócios celebrados sem capacidade de exercício: .................... 244º)...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 245º) ............................... 49 A declaração não séria (art...................................... 65 5 ......................................................................................... 60 Os negócios celebrados com erro na declaração .................................................................................................................................. 64 AS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE NO NEGÓCIO JURÍDICO EM PORMENOR ...... 62 O dolo..................................................... 46 A reserva mental (Art..................... 42 O regime das incapacidades negociais de gozo .................................................. 46 A simulação (arts.......................................................................................................... 44 Os negócios celebrados sem observância da forma legal ................................... 240º a 243º) ............... 44 Os negócios celebrados com falta de vontade .......TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel AS CAUSAS DA NULIDADE ................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 64 A MINORAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO .......................................................................................................... 50 AS CAUSAS DA ANULABILIDADE ..................................................................................................................................................................................... 51 As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas........................................ 58 Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal ................................................................................................... 65 Princípio da conservação do negócio jurídico ........................................................................ 294º): ................................................................................... 63 A coacção moral ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 42 Negócios celebrados contra a lei (art.................................................................................................................

Ed. o Declaração de vontade – a vontade tem que ser livre e esclarecida (vontade perfeita e não viciada) devendo coincidir com a declaração de vontade. Ed. Quem se vincula juridicamente tem que ter discernimento para formar uma vontade livre e esclarecida. pp. HEINRICH HÖRSTER. usando quase exclusivamente o conceito de declaração de vontade. Almedina..TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE I – os elementos e a natureza do negócio jurídico Negócio Jurídico – “Declaração de vontade privada que visa a produção de um efeito jurídico que se verifica conforme a ordem jurídica por ter sido querido pelas partes” 1 Elementos estruturais do negócio jurídico: o Sujeito – necessita de ter capacidade negocial (exercício). A parte geral do Código Civil Português. Cit.421.  No respeito pelo princípio da autonomia privada. O conceito de negócio jurídico Referência histórica: o Apenas no séc. há uma ampla liberdade na conformação e no estabelecimento de relações jurídicas. XIX – contrapõe-se negócio jurídico a factos ilícitos (Heise). XVIII foi introduzido na linguagem jurídica o conceito de negócio jurídico.v. No entanto. são os requisitos do art.c. 3 Cit. o negócio jurídico está limitado aos tipos negociais que a ordem jurídica reconhece para a conformação dos mesmos. A parte geral do Código Civil Português. o Objecto (conteúdo do negócio) – tem que ser lícito. Coimbra. O que existem são os mais diversos tipos legais de negócios jurídicos que têm como característica transversal apresentarem uma finalidade no sentido da produção de efeitos jurídicos e de visarem. que os individualizam face aos outros tipos negociais. Coimbra. possível e determinado. Almedina.” 4 (P. modificar ou extinguir. escolhido pelas partes e admitido pela lei. de uma maneira volitiva. a criação de relações jurídicas. sendo necessário perceber que direitos e deveres as partes quiseram constituir. pp. Almedina. Almedina. Coimbra. dentro do princípio da autonomia privada 2” que visam a realização de determinados efeitos jurídicos queridos pelas partes. ex. HEINRICH HÖRSTER. 6 .420.necessária a propriedade de uma coisa/direito + um preço). só assim é possível proteger o princípio da autonomia privada. A parte geral do Código Civil Português.417. o Savigny (doutrina clássica) – sublinha a importância da vontade no negócio jurídico. Só assim é realizado o princípio da autonomia privada. HEINRICH HÖRSTER. Elementos do negócio jurídico: o Elementos essenciais – “são aqueles que caracterizam o respectivo tipo negocial. HEINRICH HÖRSTER. Ed. o Séc. pp. pp.: elementos essência de um c. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra.. Ed. reconhecidos pela ordem jurídica . “A relações jurídicas apenas podem ser estabelecidas nas formas e nos limites previstos pela própria lei”3  Não existe o tipo legal “negócio jurídico”.420. 1 2 Cit.  “ O conceito de negócio jurídico é uma abstracção de todos os actos jurídicos privados. 4 Cit. 874º .

pp. É necessária uma declaração de vontade – exteriorização da vontade. art. Coimbra. no entanto. 7 . Composição da declaração de vontade (remissão PARTE II). Por conseguinte.421. 2. Cit. 3. o Elemento externo. Em termos objectivos. Coimbra. sendo esta que estabelece o tipo negocial e suas características (e não em atenção à vontade das partes. o Elemento interno. integradoras). objectivo – a declaração. “declaração de vontade” surge como “declaração negocial”. Almedina. Nota: elementos essenciais e acidentais situam-se no mesmo plano pois resultam da vontade das partes. Pressupostos essenciais para que se possam produzir os efeitos jurídicos pretendidos pelo negócio: 1. é necessária a garantia da produção dos efeitos jurídicos pela ordem jurídica (através do direito objectivo). é necessária uma vontade dirigida aos efeitos e manifestada numa declaração de vontade. 5 6 Cit. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. art. mas que contêm clausulas suplementares ou acessórias”6 (ex. subjectivo – vontade. a não existência de uma declaração de vontade. A declaração de vontade Nota: no código civil. a declaração de vontade é um elemento essencial do negócio jurídico. Têm uma natureza não negocial (Cf. Cf. Elementos naturais resultam da lei. 1628º. o Elementos acidentais – “são estipulações das partes que não integram o respectivo tipo negocial. Ed. Em termos subjectivos. Declaração de vontade – declaração negocial pela qual se manifesta a vontade que visa a produção de negócios jurídicos. 246º). clausulas modais). ou seja. que não chegou a ser manifestada. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Inexistência da declaração de vontade  O negócio jurídico depende de uma declaração de vontade. o A falta de declaração com carácter negocial.421.c + 246º] Nota: a não existência de um negócio jurídico devido à inexistência de uma declaração negocial não implica que não exista um outro facto jurídico ao qual a lei poderá ou não atribuir efeitos inclusive com sanção. criando um vínculo jurídico. HEINRICH HÖRSTER. inviabiliza a existência de negócio jurídico. 878º. Formas que a falta de declaração de vontade pode assumir: o A falta de declaração em si. uma declaração desprovida de vontade de produzir efeitos jurídicos (não tem a natureza de um acto volitivo-final). Ed. estipulações de condições ou prazos. normalmente a lei encontra soluções que as partes teriam querido adoptar uma vez que é objectivo da lei contribuir para a auto-realização das partes). [Ver arts.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Elementos naturais – “são as regras de ordem jurídica que complementam a regulamentação encontrada pelas partes”5 (disposições supletivas. pp.

as circunstâncias específicas de cada situação concreta. direitos potestativos quando não dependem de formalidade). o “Assim. Falta ou não tem relevância a vontade de assumir vinculações jurídicas. não existe a vontade de criar uma vinculação jurídica. que declarante não deve desconhecer. o acto material de entrega faz parte. Assim. que nelas frequentemente ocorre. Verifica-se um indício a favor da existência de uma vinculação jurídica por parte do declarante que se presta a assumir a “atitude de favor” quando estão em causa interesses económicos essenciais ao declaratário. A parte geral do Código Civil Português. certas relações de favor ou os negócios de pura obsequiosidade não são considerados negócio jurídicos. 8 . a consciência de criar uma vinculação jurídica da parte do declarante. Aqui. o Normalmente. os valores em causa. existem outros factos jurídicos tais como factos ilícitos e a correspondente responsabilidade. HEINRICH HÖRSTER. pois. são necessárias. pode acontecer que o negócio jurídico inclua. dado o factor de gratuitidade. mais do que uma declaração de vontade. embora não exista um negócio jurídico. especialmente quando na perspectiva do destinatário existem razões justificativas para acreditar na existência de uma vontade de assumir uma vinculação jurídica. ao lado das declarações negociais. (O CCiv. Ed. para além das mesmas. sempre de natureza negocial. pp. para a celebração de um negócio jurídico. o Nota: há no entanto situações em que a distinção entre declaração de vontade e declaração de ciência é difícil. declaração de vontade e negócio jurídico já não são coincidentes.”7 o Exemplos: contratos reais (comodato-1129º. os usos sociais. presta simples informações ou declarações acerca de dados existentes ou a respeito de determinados acontecimentos (identificação de uma pessoa. Coimbra. do próprio negócio jurídico. sempre. alem das declarações de vontade. Nestes casos. Aqui. (o mesmo ocorre com os “gentlements agreements”. 7 Cit. A declaração de vontade e a consciência da criação de um vínculo jurídico A vontade orientada no sentido da produção de determinados efeitos jurídicos implica. mútuo-1142º. por outros actos que nele intervêm.420 e 421. A delimitação entre estas figuras e o negócio jurídico nem sempre é fácil. Almedina. declaração de nascimento. Distinção entre negócio jurídico e declaração de vontade o São conceitos coincidentes apenas quando estamos perante um negócio jurídico unilateral em que existe apenas uma declaração de vontade (ex. Nestes casos. já existe um negócio jurídico embora com os seus efeitos prejudicados ou afectados pela invalidade. Faz esta distinção falando de negócio jurídico e declaração (negocial)). etc). porém. Situações em que não basta a declaração de vontade para que se forme um negócio jurídico: o São situações em que o próprio negócio é integrado não só pelas declarações como. depósito-1155º). etc. sendo estes efeitos. acordos mediante os quais alguém assume um compromisso de honra). os interesses dos intervenientes.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Nota2: A falta de declaração de vontade não deve ser confundida com uma vontade invalidamente formada ou manifestada. Distinção entre declarações negociais e declarações de ciência o Declarações de ciência – alguém dá conta de um facto. determinados actos reais ou materiais.

Cit. tendo acordado neles. doação (940º. 10 Cit. Exemplos: contratos a favor de terceiros (447º e 443º). Coimbra.422. Ed. pois são estas que os querem. faltando este consentimento. o “Também por via contratual não é possível favorecer terceiros contra a sua vontade”11. é a de saber se os efeitos do negócio jurídico se restringem às partes ou se têm efeitos sobre terceiros. pp.423. 9 . o Conhecimento real ou presumido que os terceiros tenham do negócio acordado. proposta da conclusão de um contrato. normalmente não procedem de um comportamento unilateral. Impossibilidade de negócios que produzam efeitos em desfavor de um terceiro alheio ao negócio: 8 9 Cit. Exemplos: remissão de uma dívida (863º). por isso. testamento (2179º.423. HEINRICH HÖRSTER. um sentido “objectivo” a uma conduta com vista à criação de uma obrigação da parte do agente que se teria “auto-vinculado” com semelhante conduta. os efeitos de um negócio jurídico produzem-se apenas entre as pessoas. Coimbra. o Quando o acto afecta só o património próprio – ex. Impossibilidade de estabelecer. por acto unilateral.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Intervenientes no negócio jurídico. Limitações: Limitação de auto-vinculações: o De acordo com o art. renúncia a um direito. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. o “Não é possível atribuir. a aceitação ou a ratificação. relações jurídicas que favoreçam outras pessoas: o “A ordem jurídica exige o consentimento prévio do outro ou. pp.” Situações em que é possível um sujeito conformar relações jurídicas de uma maneira unilateral: o Exercício de um direito já constituído – ex.  Outra questão diferente. 457º. Coimbra. o Quando não são atingidos direitos de outrem – ex. HEINRICH HÖRSTER. pp. as auto-vinculações estão circunscrita àquilo que é legalmente admitido. 11 Cit. A parte geral do Código Civil Português. Ed. ocupação de coisas sem dono. Ed. Ed. Almedina. ele recusa a relação jurídica favorável”10. por via interpretativa. direito potestativo e acção directa. Não querendo o outro aceitar ou ratificar o acto. Coimbra. Almedina. sem mais. Almedina. que efeitos jurídicos negociais.”9 Tal implica uma limitação do princípio da autonomia privada (não significando que não possa haver condutas criadoras de confiança como é o “venire contra factum próprio” em que o agente cria a confiança ou saberá que o outro confia). os terceiros são favorecidos ou protegidos se o quiserem. testamento. contrato com efeitos protectores para terceiros. 2062º). Aqui. A parte geral do Código Civil Português.423. pp. abrangidas pelos seus efeitos”8  Por via de regra. HEINRICH HÖRSTER. a conformação unilateral de relações jurídicas  “São intervenientes no negócio jurídico as partes que nele acordaram sendo. Tal depende: o Conteúdo do negócio jurídico – se incide sobre direitos absolutos ou relativos. HEINRICH HÖRSTER. o Quando o acto traz uma vantagem jurídica para o visado – ex.1). Conformação unilateral de relações jurídicas  “Da necessidade de um acordo resulta.

não dependem da aceitação ou concordância de uma outra parte. o Pode ser necessário que a outra parte conheça o conteúdo da declaração. mas em atenção à autonomia ou interesse daquele que suporta os efeitos (representado). Coimbra. o Negócios do inabilitado que estão sujeitos à autorização do curador (art. A parte geral do Código Civil Português. agir dentro de vinculações. Aqui. tanto voluntária como legal. 10 . por isso. a sua ausência torna o casamento juridicamente inexistente. Almedina. a sua ausência torna o negócio jurídico inválido.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Duas partes celebram um contrato de compra e venda a respeito de um objecto que não lhes pertence. Negócios jurídicos que exigem a intervenção de outros particulares afectados pelo negócio para alem de uma declaração de vontade: o Consentimento pessoal de outros familiares. Classificação de negócios jurídicos Classificação de acordo com as declarações negociais que compõem o negócio jurídico Estrutura e produção de efeitos: Negócios jurídicos unilaterais: o São negócios jurídicos em que há apenas declarações de vontade de um lado ou várias declarações de vontade paralelas de um lado. ou decorrentes dos interesses de um incapaz no caso da representação legal. o NOTA: “há situações em que alguém age em vez de outrem como parte-outorgante do negócio. o Notário/ tribunal – a sua intervenção no processo prende-se com pressupostos de validade.424.153º). o Consentimento do representado no caso do conflito de interesses. ou que esta chegue ao seu poder. assim. o As intervenções das várias autoridades públicas têm graus de intensidade diferentes. o Normalmente. pelo que a sua falta terá efeitos diferentes: o Casamento – a presença do funcionário faz parte do tipo negocial. pp. Agir em nome ou em vez de outrem significa. o Negócios jurídicos celebrados pelos pais como representantes dos filhos menores sem autorização do tribunal são anuláveis (1893º/1894º). o (São negócios INEFICAZES em relação aos visados que não intervieram e NULOS para em relação às partes que o celebraram.”12 Negócio jurídicos que para além de declarações negociais exigem a intervenção de autoridades públicas: o Casamento civil – presença de um funcionário do registo civil (1628º e 1630º). Ed. Daí que o agir em nome do representado não se verifica em função da autonomia e da auto-realização do agente (representante). determinadas pela autonomia do representado no caso da representação voluntária. o Os parceiros sociais acordam um contrato colectivo de trabalho que ultrapassa os limites funcionais da contratação colectiva e as suas razões justificativas. o Contrato de compra e venda de bens imóveis – necessidade de escritura pública (875º). o Podem ser receptícios ou não receptícios: 12 Cit. HEINRICH HÖRSTER. É este o caso da representação. os negócios celebrados pelo representante produzem os seus efeitos na esfera e na pessoa do representado.

o Bilaterais:  Sinalagmáticos/ bilaterais perfeitos – “aqueles em que existe uma reciprocidade entre as obrigações das partes. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. posteriormente e dependente da execução do contrato. Almedina. Almedina.427. Cit. Ex. Coimbra. contrato de sociedade (980º). o Contratos de execução continuada – contêm uma obrigação duradoura (arrendamento. Negócio jurídicos gratuitos e onerosos: o Gratuitos – Existe um sacrifício patrimonial apenas para uma das partes contraentes.  Bilaterais imperfeitos – “aqueles em que inicialmente há apenas uma obrigação de uma parte. Ed. relativo à estrutura e produção de efeitos: o Unilaterais/ não sinalagmáticos – contratos que criam obrigações apenas para uma das partes contraentes. para alem da declaração se exige a chegada ao poder ou a tomada de conhecimento do destinatário para que o negócio jurídico produza efeitos. Ed. testamento. o Onerosos – “cada uma das partes envolvidas faz uma atribuição patrimonial à outra como contrapartida ou contraprestação.  Não receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que não há um destinatário. doação.428. o mandato gratuito – o mandante pode ter que indemnizar o mandatário caso este sofra prejuízos). pp. A parte geral do Código Civil Português. deliberações sociais (175º). contrato de sociedade). ainda uma obrigação da outra parte. para serem eficazes. Ed. Coimbra. (ex. O contrato em especial (negócio jurídico bilateral) Critério do conteúdo do contrato. renúncia do arrendamento. rescisão do contrato de trabalho). pp. Almedina. o Contrato de execução periódica – contêm uma obrigação periódica a realizar durante certo tempo (contrato de fornecimento de mercadoria).428. (ex.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Receptícios – são negócios jurídicos unilaterais em que.  13 14 Cit. 16 Cit. CCV.428. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER.”15 (Ex. Almedina. provenientes de dois ou mais lados e cujos sentidos se encontram e convergem”13 o Exemplos: constituição de uma associação (167º). Há uma vantagem patrimonial do lado de quem recebe sendo a atribuição patrimonial unilateral. 11 . 15 Cit. Ex. é difícil estabelecer a fronteira entre um negócio jurídico unilateral ou não.”16 Não é necessário um equilíbrio objectivo ou uma equivalência objectiva entre as prestações feitas. HEINRICH HÖRSTER. pp.  Nota: por vezes. A prestação de uma parte é realizada em virtude e por causa da prestação de outra”14. basta a mera emissão de uma declaração de vontade. promessa pública). podendo surgir. contrato de trabalho. pelo que. Negócios jurídicos plurilaterais: o “São aqueles que se compõem de duas ou mais declarações de vontade. pp. Ed. Critério relativo ao cumprimento de obrigações emergentes se cumprirem num único momento ou se prolongarem no tempo: o Contratos de execução instantânea – esgotam-se num acto de cumprimento. HEINRICH HÖRSTER.

Ed. o Negócios familiares:  Pessoais – exclusão do princípio da liberdade de fixação do contrato. no caso do mútuo pode ser convencionada uma participação nos lucros (1145º. Distinção entre actos de mera administração e negócios de disposição:  Actos de mera administração – “são actos de gestão patrimonial limitados ou destinados a conservar a substância dos bens (manter o seu estado frutífero).  Contratos aleatórios – são contratos em que uma das partes ou ambas estão sujeitas a um risco. depósito 1155º.  Negócios onerosos parciários – “são caracterizados pela participação no risco de certo empreendimento no que diz respeito aos lucros esperados como contraprestação a uma entrega realizada para o efeito”17 Exemplos: parceria pecuniária 1121º. o Negócio solenes/ formais – negócios jurídicos que para serem concluídos exigem o preenchimento de certa formalidade.  Mortis causa – produzem os seus efeitos depois da morte das partes ou de uma delas. renda vitalícia 1238º. No entanto. o risco). HEINRICH HÖRSTER. pp. Almedina. Almedina. Critério da forma: o Negócios não solenes/ não formais – celebram-se de acordo com a vontade das partes não sendo necessária qualquer formalidade especial.1 + 405º + 1146º).430. mútuo 1142º. Critério do modo de formação: o Negócio consensuais – “o contrato fica perfeito com o simples acordo das partes. (Princípio da liberdade de forma + princípio da liberdade declarativa 217º  realização do princípio da autonomia privada). A parte geral do Código Civil Português. o jogo e aposta 1245º. a uma álea. 12 . deve ser possível considerar o contrato concluído com efeitos obrigacionais já no momento do acordo e sem qualquer entrega. nestes casos.429. Critério da natureza da relação jurídica constituída: o Negócios obrigacionais – vale o princípio da liberdade contratual.[negócio bilateral gratuito]. Coimbra. um acto material (ex. A possibilidade de ganho ou perda vai depender de acontecimento futuro incerto (ex. se tal corresponder à vontade das partes. o Negócio reais – o princípio da liberdade contratual está afastado quanto à liberdade de fixação do conteúdo (numerus clausus). 17 18 Cit. para alem do acordo.”18 o Real – é necessário. Cit. É comum serem negócio jurídicos livremente revogáveis exceptuando certas convenções antenupciais. Negócios entre vivos e mortis causa:  Entre vivos – produzem os seus efeitos em vida das partes. comodato 1129º).  Patrimoniais – o princípio da liberdade de fixação de conteúdo depende da natureza obrigacional ou real.  Negócios de disposição – alteram a substância dos bens ou do património administrado. Ed. o Nota: negócio consensual pode também ser oposto a negócio formal. HEINRICH HÖRSTER. permitindo apenas actos de alienação que mantenham intacta a raiz dos bens. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Nota: os contratos sinalagmáticos são negócio onerosos (mas nem todos os contratos bilaterais são onerosos – doação com encargos). o seguro. pp.

o Silêncio como modo declarativo – por via de regra não vale nada enquanto declaração negocial. portanto. É uma manifestação directa de vontade tendo com objectivo exteriorizar certa vontade negocial.  Vontade negocial – “é a vontade dirigida a um negócio jurídico concreto incidindo sobre um determinado objecto ou referindo-se a uma realidade precisa. HEINRICH HÖRSTER. pp. Elemento interno/subjectivo da declaração negocial – vontade:  Vontade de acção – é a vontade dirigida à execução da própria acção mediante a qual se manifesta a vontade negocial. 218º). Nota: não há vontade de acção no caso de movimentos reflexos.  Casos em que o silêncio tem valor declarativo:  Aceitação da proposta de venda a contento (923º. HEINRICH HÖRSTER. “A não coincidência entre a vontade negocial e a declaração feita pode levar a um erro. pp. gestos ou sinais). A parte geral do Código Civil Português. ou podem ser entendidos nesse sentido. Ed. 21 Cit. Ed. uso ou convenção.é a consciência de criar um vínculo jurídico). o silêncio vale como declaração negocial (art.”19 Só é possível no caso de uma resposta a uma declaração negocial expressa ou tácita precedente (é uma maneira de reagir). “O que está em causa não é a ausência de vontade é a ausência de manifestação desta. o declarante dispõe de todos os meios que lhe servem para se fazer entender.435. É uma manifestação indirecta de vontade que se baseia num comportamento concludente do declarante. formada por um elemento interno e um elemento externo que devem coincidir sob pena de o negócio jurídico não poder desempenhar o seu papel. 13 .437. (. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. Almedina.  Aprovação por silêncio no art. Almedina. Apenas nos casos previstos na lei.2). pp. Almedina. Coimbra.  Exemplos de situações em que o silêncio não funciona como declaração negocial:  O silêncio depois do recebimento de uma mercadoria não encomendada.”21 A declaração negocial é.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel PARTE II – Formação do negócio jurídico As modalidades da declaração negocial.  Vontade de declaração – existe quando o declarante tem consciência de que o seu comportamento ou a sua manifestação significam uma declaração negocial num sentido qualquer. inconvenientes ou de coacção física. Coimbra. os seus elementos  “ o primeiro passo para o negócio jurídico consiste numa declaração de vontade”.”20 É a vontade de concluir um negócio específico.437. Cit. A parte geral do Código Civil Português. 1163º. O declarante sabe que o seu agir tem relevância jurídica. o Declaração negocial tácita – quando se deduz de factos que com toda a probabilidade a revelam.  Modalidades em que a vontade pode ser revelada: o Declaração expressa – quando é feito por palavras escritas ou QUALQUER OUTRO MEIO DIRECTO de manifestação de vontade (ex. Princípio da liberdade declarativa (liberdade contratual + princípio da autonomia privada):  Em princípio. Mas há vontade de acção quando o declarante age sobre coacção moral. Ed. A parte geral do Código Civil Português. Se um dos elementos subjectivos falta ou for deficiente ou se o elemento objectivo não obedecer às exigências 19 20 Cit.

957º.” [visão objectivista]. excepções  Existem situações em que a lei afasta o princípio da liberdade declarativa.595º.731º. da confiança e da segurança no tráfico jurídico. segundo os usos da vida. de acordo com o conteúdo objectivo que a declaração apresenta ou que lhe é atribuído" [A vontade do declarante é moldada por critérios objectivos]. Teoria da declaração – o elemento decisivo é o elemento externo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel legais. Distinção entre vontade negocial e motivos  Os motivos que levam à celebração de um negócio jurídico situam-se antes do negócio e não possuem.  A inadequação dos motivos não pode afectar o negócio sob pena de trazer consequências incompatíveis à segurança e certeza no tráfico jurídico. Código civil – não toma uma posição clara mas estabelece determinadas directrizes que impedem uma solução subjectivista e que fornecem soluções objectivistas. exigindo que a declaração negocial seja expressa.1.1. a declaração negocial é atingida por esse facto e. A vontade como elemento subjectivo não é negada. Forma convencional:  é a forma estipulada pelos declarantes no âmbito do princípio da liberdade declarativa e da liberdade de forma. 217º.1) o CCiv estabelece o princípio da liberdade de forma (219º). O problema da concordância entre elemento objectivo e subjectivo e consequentes efeitos jurídicos Teoria Clássica – (teoria da vontade) – a vontade efectiva do declarante é decisiva. ou em todo o caso o revela e traduz. A declaração tal como o declaratário. objectivo. em princípio. convenção dos interessados ou por disposição legal aparece como destinado a exteriorizar um certo conteúdo de vontade negocial. (ex. tendo em vista o princípio da autonomia privada e a necessidade de segurança e o princípio da protecção da confiança (boa fé): “ Uma declaração de vontade é um acto que produz um efeito jurídico intencionado pelo declarante. não existente ou inválida. dentro dos limites da boa fé. a sua distinção da publicidade Princípio da autonomia privada: liberdade de forma e liberdade declarativa. a forma das declarações é escolhida livremente pelos declarantes. por princípio. 590º. conforme os casos. mas o significado da vontade pode estar condicionado pelas opções do código e pela concepção social do direito privado que não olha o indivíduo de forma isolada mas num determinado contexto social. 14 . Assim.2. repercutindo-se a invalidade sobre os seus efeitos ou simplesmente irregular (podendo ser rectificado). Definição de Manuel de Andrade – “todo o comportamento de uma pessoa que. qualquer relevância jurídica. podia e devia entender o comportamento no qual ela se traduz. A forma da declaração negocial.2. Assim.)  Em sintonia como o princípio da liberdade declarativa (art.

Art. Estipulação da forma no momento da conclusão ou posterior à conclusão do negócio – o negócio já está validamente celebrado. o Forma convencional . sendo esta um pressuposto de validade23. não haverá vinculação entre elas. tendo primeiro convencionado a forma. (forma “ad probationem”). 15 . as partes. a não ser que diversamente seja provada. a segurança e a facilitação da prova. consolidar o acto ou ter as suas clausulas mais perceptíveis. facilitar a prova. ao princípio da liberdade de forma.  A exigência da forma legal visa determinados fins de interesse público ou ordem pública que o legislador considera superiores ao princípio da autonomia privada e. pp. verifica-se que a lei atribui uma força reduzida à forma convencional.Art. como meio de protecção das partes. mas para se permitir a prova esta tem que ser feita por confissão ou por documentos que o comprovem (394º).222º (forma escrita) o facto de os declarantes adoptarem a forma escrita não invalida eventuais estipulações acessórias verbais. Nota: nulidade – está em causa um elemento essencial do negócio jurídico ou está em causa a ordem pública. As finalidades e razões justificativas para a imposição de forma legal são as seguintes: 1. desde que correspondam à vontade do declarante.441. 394º. Sem a observância da forma convencionada. As partes podem abandonar a forma apesar da convenção. HEINRICH HÖRSTER. A ponderação da decisão em ordem a evitar soluções precipitadas ou irreflectidas. a prova testemunhal não é admitida se tiver por objecto quaisquer convenções contrárias ou adicionais ao conteúdo de documento autêntico ou dos documentos particulares. Coimbra.”22 2. no futuro. ou a melhor ponderação da decisão a tomar no negócio em causa.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   As partes tendem a adoptar uma determinada forma voluntária por razões de clareza quanto à conclusão do negócio e seu conteúdo. Permite a validade de convenções adicionais ao documento escrito.223º (não há uma forma específica) prevê em atenção à altura em que a estipulação foi feita. A exigência de forma feita voluntariamente pode ser afastada pelas partes através de uma determinação posterior ou sucessiva em sentido contrário: o Forma voluntária . Ed. (Princípio da ordem pública + transparência e publicidade)  Existe também a hipótese da forma legal apresentar a forma “ad probationem” não tendo relevância para a validade do negócio jurídico (obras realizadas por acordo das partes no arrendamento). por meio dela. Almedina. contemporâneas ou posteriores à formação do documento. Presume-se é que este não se concluiu.  Assim. mas estabelece-se a presunção de que as partes querem. o NOTA: de acordo com o art. mediante a forma convencionada. a lei é muito rígida no que respeita à observância da forma legal imposta. As partes não querem ver o negócio substituído. Anulabilidade – estão em causa interesses privados. Estipulação anterior ao negócio que se quer celebrar em seguida – “estabelece uma presunção relativa no sentido de.  O não cumprimento da forma convencional não leva à invalidade do negócio jurídico. apenas se querem vincular. consequentemente. A parte geral do Código Civil Português. dois tipos de efeitos: 1. quer as convenções sejam anteriores. 22 23 Cit. Inobservância da forma legal exigida por lei  Ao contrário do que acontece com a forma convencional.

A clareza do momento exacto da conclusão de um negócio. nomeadamente o registo.  A falta de publicidade em nada afecta o negócio pois este já está concluído. Modalidades de documentos escritos24 (art. O controlo para preservar interesses da comunidade ou de terceiros (para alem de eventuais exigências de autorizações por parte de tribunais ou outras entidades).  Ver DL 62/2003 – 3 Abril. índice de alfabetização e a exigência de escritura pública). registo predial) ou por publicação nos jornais (estatuto de uma associação). em jeito de controlo prévio. registo civil. a sua não publicidade. Nota: as exigências legais devem estar de acordo com as características da sociedade (ex. separando-o da fase de negociações. Segurança da prova.  Em certas situações. Tipos de declarações negociais:  Declarações negociais receptícias – destinatário determinado. O conhecimento a terceiros. A clareza a respeito do próprio conteúdo do negócio. ainda a capacidade negocial dos intervenientes. 363º):  Documentos particulares (373º e 376º). 24 Nota: um cheque é um documento escrito – ordem pagamento dada pelo sacador ao banco a favor da pessoa que está inscrito como beneficiário ou o portador do cheque.  Documentos autênticos. uma vez que os notários estão. em princípio. 16 .  Declarações negociais não receptícias – não têm destinatário determinado. vendas ao domicílio ou vendas por correspondência). 5. obrigados a prestar verbalmente informações relativas aos actos.  Documentos particulares autenticados (377º e 375º).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 2. 4. ao abrigo da publicidade notarial. destinada a averiguar. as consequências da não publicidade do negócio poderão ser a mera produção de efeitos latentes (casamento não registado – não pode ser invocado ou atendido) ou a não produção de efeitos (o contrato de sociedade comercial não existente). 7. torna-o inoponível a terceiros. Distinção entre forma dos negócio e publicidade:  Existem negócios que estão sujeitos a publicidade.  Embora o negócio produza todos os efeitos para as partes. registos e documentos arquivados. Nota: quando a lei fala em forma.  Pode ser feita pela inscrição do contrato no registo respectivo (ex. Uma assistência profissionalmente competente. A perfeição da declaração negocial A importância da determinação do momento em que a declaração negocial está perfeita (tem eficácia/ está apta a produzir os seus efeitos):  Esclarece se uma declaração foi feita tempestivamente ou não. 3. refere-se à forma escrita. 8. 6. A dificultação do negócio em certas situações específicas ditadas por razões sociais (ex.

sendo o pressuposto lógico de ambos a anterior emissão da declaração negocial.  A invalidade do negócio jurídico é uma consequência da invalidade da declaração que compõe o negócio jurídico. Momento em que a declaração negocial ganha eficácia (vincula o declarante de tal forma que este não se pode retractar) [teorias]: Teoria da exteriorização – a declaração negocial ganha eficácia/ fica perfeita no momento da exteriorização.  É neste momento que a declaração ganha existência. Fases da existência de uma declaração negocial (receptícia): Exteriorização:  Corresponde ao momento em que o declarante exprime a sua vontade. 220º). 226º.447. Nota: embora seja possível separar as quatro fases. Recepção:  É o momento em que a declaração chega ao poder do destinatário de forma a que este possa tomar conhecimento do seu conteúdo. (253º. Tal importa: o Conclusão do contrato e da consequente transferência de direitos reais e risco de perecimento ou deterioração da coisa. Determina o momento a partir do qual o declarante fica vinculado à sua declaração. o momento em que formulada. (entrada na esfera de poder do declaratário). tal não implica que elas não possam coincidir no tempo. Nota: “Tanto a recepção como o conhecimento verificam-se do lado do declaratário. 255º. A declaração é formulada ou manifestada. 25 Cit. as esferas de poder do declarante e do declaratário (declarações negociais receptícias).  É neste momento que são analisados os pressupostos de validade da declaração. Almedina. Nota: “tanto a exteriorização como a expedição verificam-se do lado do declarante. no decurso temporal. 17 . HEINRICH HÖRSTER.” Fases de existência de declarações negociais não reptícias:  Existem apenas as fases de exteriorização e expedição uma vez que não existe um destinatário determinado. Expedição:  Corresponde ao momento em que a declaração é expedida pelo declarante. pp. Conhecimento:  É o momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração que lhe foi dirigida. A parte geral do Código Civil Português. o Data a partir da qual correm os prazos para a anulação da declaração negocial. Coimbra. abandonando a esfera interna do declarante. podendo conduzir ou coincidir com emissão da declaração”25 Ver art. ao separar. Ed. 257º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Determina a parte que arca com o risco de uma transmissão errada da declaração.

(Adopta-se a 2ª alternativa do 224º. 454º). Ex.  Quando há prova do conhecimento efectivo não há necessidade de provar a recepção para efeitos da perfeição da declaração negocial.  Art.  Art. existe uma divisão na doutrina: o P.  Quando há prova da recepção mas não há prova de conhecimento. basta que se verifiquem um dos pressupostos para que a declaração seja perfeita. Teoria do conhecimento/ percepção – a perfeição obtém-se no momento em que o destinatário toma conhecimento da declaração. 225º: o Declarações negociais receptícias – situações em que não se pode verificar a chegada ao poder ou conhecimento do declaratário pelo que a perfeição da declaração negocial receptícia (por este ser desconhecido ou por se desconhecer o seu paradeiro) verifica-se no momento da publicação da declaração no jornal.Lima e A.1: o Estabelece uma distinção entre declarações negociais receptícias e não receptícias:  Receptícias – tornam-se eficazes quando chega ao poder do destinatário ou é dele conhecida.1). quando um possível destinatário (indeterminado no momento de emissão da declaração) toma conhecimento da declaração. o Horster – defende que a tomada de conhecimento. Momento em que a declaração negocial fica perfeita de acordo com o código civil:  Art.3  tem-se por ineficaz uma declaração recebida pelo destinatário em condições de. a declaração torna-se eficaz. por analogia. não poder ser conhecida. 224º. acontecimentos supervenientes já não prejudicam a eficácia da declaração. desde que esta se revista da forma adequada. 224º.  Art. depende das concepções reinantes no tráfico jurídico para os negócios em causa. a que uma declaração já emitida ganhe a sua perfeição ainda depois. A partir de o momento em que tal acontece.  Nota: a chegada ao poder não implica a entrega imediata.Varela – há uma presunção absoluta que o declaratário tomou conhecimento da declaração caso se tenha verificado que este a recebeu.: promessa pública (Art.  Não receptícias – são eficazes com a simples emissão da declaração. esta é assumida a partir do momento em que a declaração é entregue a uma pessoa que possui a necessária competência de recebimento. sem culpa sua.  Art. 224º. a não recipiendas): o A morte e incapacidade do declarante não obstam. suposta pela lei quando de prova a recepção. 18 . (Teoria da exteriorização + expedição). o A declaração é ineficaz ou enquanto o destinatário não a receber ou não tenha conhecimento dela.2  declaração receptícia – ficção legal no sentido de determinar que é eficaz a declaração negocial que por culpa do destinatário não chega ao seu poder.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Teoria da expedição – a declaração negocial ganha eficácia quando é expedida.  Ainda assim. o Declaração negocial não receptícia/ não recipienda – nestes casos.  Conjugação da teoria do conhecimento e da recepção. 226º (aplica-se a declarações receptícias e. Teoria da recepção – a perfeição obtém-se no momento em que a declaração chega ao poder do destinatário.

Proposta Contratual:  “Constitui elemento imprescindível da certa proposta contratual a sua susceptibilidade de ser aceite”29  Características: i. Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Para que uma declaração seja eficaz é necessário que esteja de acordo com os arts. Almedina. Tem de incluir na proposta os elementos objectivamente e subjectivamente essenciais. Ed. Ed.”26  Da leitura do art.224º/225º+226º.  No entanto. A proposta contratual e a sua aceitação CONCLUSÃO DO CONTRATO = PROPOSTA EFICAZ + ACEITAÇÃO EFICAZ Distinção entre convite a contratar e proposta contratual Convite a contratar:  “Sinaliza apenas o interesse ou disponibilidade para entrar em negociações com vista à posterior conclusão de um contrato (.455. Passos para a conclusão de um contrato 1. Traduzir uma vontade firme de contratar: 1. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER.”27 (enquanto houver dissenso o contrato não se conclui).457. Conclusão do contrato  “As declarações negociais mais importantes são aquelas que conduzem à conclusão de um contrato. 2. HEINRICH HÖRSTER. exposição de mercadorias nas montras. ii.”28  Não é uma declaração negocial.457.454. Ed. A parte geral do Código Civil Português. pp. HEINRICH HÖRSTER. pp. Coimbra. Traduzir uma vontade precisa de contratar: 26 27 Cit. por exemplo máquinas automáticas nos parques ou com sandes já são propostas contratuais.  Cláusulas objectivamente essenciais – relacionadas com o conteúdo do contrato.. pp.) constitui um incentivo para que alguém dirija uma proposta contratual. A parte geral do Código Civil Português.. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. Ed. 28 Cit. 29 Cit. pp. Almedina. envio de catálogos.  Exemplos: pedido de reserva de mesa de um restaurante. Almedina. Coimbra. Coimbra. Declaração inequívoca do declarante a vincular-se de forma directa e imediata.  Cláusulas subjectivamente essenciais – são cláusulas que cada uma das partes considera essencial para a celebração do acordo. 19 .232º “podemos deduzir que estamos em face da conclusão de um contrato quando as partes tiverem chegado a um acordo entre elas sobre todas as cláusulas julgadas necessárias. HEINRICH HÖRSTER.

1. ACUMULA OS DIAS AO PRAZO DO 228º. Assim o aceitante tem que utilizar o mesmo meio.228º).  230º. 230º e 231º:  230º.  Irrevogabilidade de aceitação eficaz – já se concluiu o contrato  art. 31 Cit.1 – salvo declaração em contrário (na própria proposta ou por outro meio declarativo idóneo). 4. o declarante fica vinculado à proposta. um meio com rapidez equivalente ou rapidez superior. Mantém-se até 5 dias depois do prazo em que. 232º).  Dispensa da declaração de aceitação (art. Proposta feita a pessoa ausente ou por escrito a pessoa presente + não se estabelece um prazo. 1 e 2 | art.”31 Aceitação eficaz da proposta  o contrato conclui-se aquando de uma aceitação eficaz do destinatário da proposta (âmbito de acordo das vontades art. não podendo retratar-se dos seus efeitos. 20 .1.  “A caducidade da proposta tem como efeito que o proponente foi completamente desvinculado e desobrigado da mesma (art. Modo de vinculação do proponente/ duração da proposta contratual (art. em condições normais. Não é fixado um prazo. constitui-se um vínculo bilateral. mas o proponente pede uma resposta imediata (217º+228º.a). quando dirigida ao público. 224º. “Condições normais”: a. A parte geral do Código Civil Português. [no momento em que a aceitação se torna eficaz. 217º+228º.1. 217º). 3. 224º.  231º.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel 1. pp. proposta e aceitação chegam ao destino (217º+228º. HEINRICH HÖRSTER. Almedina.2. A Irrevogabilidade30 da proposta resulta do art.2 + 234º . 30 Irrevogabilidade da proposta – relaciona-se com questões de segurança no tráfico jurídico e de proteger as legítimas expectativas do lado do destinatário. 406º.2 – se o destinatário receber a retratação do proponente antes do recebimento da proposta ou no momento do recebimento. Coimbra. Fixado um prazo.2 – proposta não é eficaz.228º)  Estabelece 4 hipóteses diferentes: 1. é eficaz desde que seja deita na forma de oferta ou em forma equivalente. esta fica sem efeito. 2. concluindo-se o contrato].  A eficácia da aceitação da proposta depende desta ser tempestiva – chegar ao poder ou ao conhecimento do proponente no prazo estabelecido (ou supletivo) art.2 + 224º.1.  A partir do momento em que a declaração negocial (proposta) se torna eficaz (arts.  230º. a proposta do contrato é irrevogável depois de ser recebida pelo destinatário ou de ser conhecida por ele (nos termos do art.234º) + declaração negocial tácita (art.possibilidade de “lege ferenda”.1. Não é fixado prazo + não é pedido resposta imediata + proposta dirigida verbalmente a pessoa presente – é possível que se deixe um período de reflexão ao destinatário (uma vez que não é exigido um período de reflexão).b).b.462. A declaração tem de ser elaborada de tal modo que para a celebração de um contrato baste um simples “sim” do declaratário. 235º. É o tempo de comunicação ou transporte ou transmissão regulares.c).”  231º. a partir do que a proposta perde eficácia (art. 224º a 226º).3 – “a revogação da proposta. Ed.

 Para que se conheça por qual das partes corre o risco. é necessário conhecer o momento em que foi concluído o negócio e que.2. c) obrigação de pagar o preço. no momento da conclusão do contrato. 408º e 796º. é no momento da conclusão do contrato que o risco do perecimento ou deterioração da coisa passa do alienante para o adquirente. o contrato não se conclui (por falta de consenso). Neste caso. 796º. Dissenso manifesto – as partes conhecem a divergência. o O risco corre sempre por conta do proprietário.232º).1 o Regra “casum sentit dominus” – determina que nos contratos que importam a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre ela. 21 .  Rejeição da proposta.  Quando a aceitação é revogada ao abrigo do art. 408º. a menos que seja de admitir que as partes teriam contratado mesmo sem acordo acerca do ponto acessório.  Quando se torna ineficaz por morte do destinatário. portanto. comportamento subsequente à celebração do negócio. comportamento posterior ao consenso negocial. o contrato não fica celebrado. Aqui a proposta permanece eficaz mesmo após a morte ou incapacidade do proponente. Nota: a proposta deixa de ser vinculativa para o preponente:  Expirando o prazo.  Os casos em que o silêncio conduz à formação do contrato. 235º. houve transmissão da titularidade do direito.2): o Nota: diferente da solução prevista no art. o O risco transfere-se em sintonia com o momento em que é transferido o direito (que é feito por um mero conjunto sem necessidade de um acto material ou publicidade). não há consenso entre elas de modo que o contrato não fica concluído (art. Está-se perante uma situação de dissenso. estão expressamente tipificados na lei.1. b) obrigação de entregar a coisa. 874º) e os seus efeitos (art. salvo as excepções previstas na lei”.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Revogabilidade da rejeição – art. as partes podem convencionar o momento da transferência do risco.  A eficácia real do contrato dá-se.  Art. Os efeitos reais da conclusão do contrato  Arts. Dissenso manifesto e oculto/latente  Enquanto as partes não houverem acordado em todas as cláusulas sobre as quais uma delas julga necessário o acordo.  A conclusão do contrato implica a produção dos efeitos (direitos e deveres de acordo com o seu conteúdo) resultante da vontade das partes.1 – “a constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato.  Art. em princípio. 233º) – importa a rejeição da proposta. 235º.226º.(231º.  Aceitação com modificações (art. Exemplo: contrato de compra e venda (art. 879º):  O contrato de compra e venda tem como efeitos: a) transmissão da propriedade ou da titularidade. Dissenso oculto/ latente – as partes julgam (erroneamente) ter-se posto de acordo. o É uma norma supletiva.

Cit. elaboradas de antemão por uma das partes e destinadas a serem aceites. Almedina.469. A parte geral do Código Civil Português.  “O efeito de racionalização pretendido com recurso a cláusulas gerais pode ser desvirtuado. pp. Ed.  Sempre que uma cláusula seja considerada nula é necessário conseguir ampliar os efeitos do caso julgado.32  “Assim.35 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais:  O conhecimento objectivo – é necessário que aqueles que assinam os “contratos de adesão” percebam aquilo que estão a assinar. Almedina. estabelece o regime a que estas estão sujeitas: 32 33 Cit. Coimbra. 34 Cit. A parte geral do Código Civil Português. para afastar a liberdade contratual. Coimbra.469. as regras legais do código civil nem sempre contemplas os interesses e os condicionalismos específicos das diversas áreas contratuais.  Cláusulas abusivas – poderá acontecer que quem utiliza as cláusulas contratuais gerais abuse do seu poder negocial. pp. o DL 446/85 de 25 de Outubro. 22 . pp.36 Para evitar os efeitos indesejados das CCG. A parte geral do Código Civil Português. 217º.34  “Apenas o modo de travar negociações é diferente e racionalizado”. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. Por um lado. Permite reduzir custos. (Não se deverá permitir cláusulas disfarçadas ou que não se conseguem ver bem). HEINRICH HÖRSTER.  “Em todo o caso. 224º e ss. que as formulou. Coimbra. HEINRICH HÖRSTER. 228º e ss”. porém.469. pp. 3. Conveniência prática de pré-formular as respectivas cláusulas para determinados negócios de massa ou que têm grande complexidade técnica ou são muito sofisticados. sem hipótese de alteração por parte do aderente que ficou sujeito a elas”. Coimbra. pp. Ed. Ed. e muitas vezes assim sucede. com cláusulas ponderadas e acordadas uma por uma … este modo de contratar não é adequado em inúmeras situações.219º e ss. à vida económica de hoje”. também as declarações feitas por meio de cláusulas contratuais gerais … são declarações negociais nos termos dos arts. Almedina. sem mais. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português.468. Almedina. Ed. As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) 1. 35 Cit. Ed. Almedina. na medida exacta em que aparecem cláusulas concebidas unilateralmente no interesse do contratante determinado. A parte geral do Código Civil Português.468.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A conclusão do contrato com base em cláusulas contratuais gerais  “A negociação de um contrato nem sempre é feita de uma maneira individual. 2. 36 Cit. pela outra”33 (existe uma limitação da possibilidade de negociação de uma das partes). no tráfico jurídico actual desempenha uma função cada vez mais importante as chamadas cláusulas contratuais gerais. HEINRICH HÖRSTER.

enquanto o contrato não é celebrado. 239º). Artigo 5º. quando contrariem o disposto nos arts. portanto. etc. 13º. por outro lado.  Mas. Artigo 7º .  Em princípio. art. Tal deve-se ao facto de muitas vezes se assinar “propostas de adesão” em que é a entidade que recebe a proposta que a pré-elabora]. A culpa in contrahendo (art. a subscrever ou aceitar.proibição de cláusulas que possam prejudicar consumidores finais.as cláusulas não comunicadas ficam excluídas dos contratos individuais.as cláusulas contratuais inseridas em propostas contratuais ficam incluídas nos contratos pela aceitação. 15.caso haja cláusulas especificamente acordadas elas prevalecem sobre as CCG. a fazer despesas. sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”.são proibidas as cláusulas contratuais gerais contrárias à boa fé (novidade face ao CCiv. a abster-se de outros negócios. 5º. 15º. 21 e 22 podem ser proibidas por decisão judicial.  A lei estipula. 16. regem-se pelo presente diploma” [note-se que tanto vale para o proponente como para o destinatário.  A obrigação de indemnizar existe independentemente da formação posterior do contrato ou não (o art. Artigo 8º/9º .legitimidade de acção inibitória. mas apenas desde que sejam observados determinadas disposições legais.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel            Artigo 1º. 14º).dever de informação por parte do contraente que usa CCG (ónus). 280º).. A celebração do contrato ou a sua posterior anulação ou declaração de nulidade não afectam a aplicação do preceito em causa. O comportamento adoptado deve coincidir com: 23 . 227º visa proteger o próprio processo de formação do contrato em todas as suas fases).1 – as cláusulas devem ser comunicadas na íntegra aos aderentes sob pena de não serem incluídas no contrato e o ónus da prova da comunicação adequada e efectiva cabe ao contraente que submeta a outrem as cláusulas contratuais gerais (art. que proponentes ou destinatários indeterminados se limitem. respectivamente.. Artigo 25º (acção inibitória) – as cláusulas contratuais gerais. pode observar-se que as negociações se destinam precisamente a dar às partes oportunidades de apreciarem se o contrato deve ser feito e em que termos. com recurso. devem elas ter a liberdade de romper as negociações. 18. Artigo 15º . a exclusão ou nulidade de uma CCG não arrasta consigo todo o negócio. elaboradas para utilização futura. Artigo 16º a 19º . 9º. Artigo 6º . uma obrigação de indemnizar por culpa in contrahendo. mas leva apenas à não aplicação da respectiva cláusula (art. se necessário às regras de integração dos negócios jurídicos (art. Artigo 26º .3).concretização do art. deste modo.  A aplicação do art.1 (âmbito de aplicação) – “as cláusulas contratuais gerais sem prévia negociação individual. 227º)  “Quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve. assim.  Em vez de cláusulas contratuais gerais aplicam-se as normas dispositivas comuns. proceder segundo as regras da boa fé. 227º pressupõe culpa (não basta a simples rotura de negociações). pois não é lícito a uma das partes romper arbitrariamente as negociações depois destas terem alcançado um tal desenvolvimento que a outra parte podia julgar-se autorizada a confiar na realização do contrato e. 19. independentemente da sua inclusão efectiva em contratos singulares. Artigo 4º . tanto nos preliminares como na formação dele. Artigo 20º a 22º .

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

O dever de cada um dos contraentes se exprimir claramente, a fim de evitar falsas interpretações do seu comportamento.  Dever de não começar negociações que se saiba de antemão condenadas ao malogro ou à celebração de um negócio inválido.  Dever de não abandonar arbitrariamente as negociações.  Dever de comunicar à outra parte algum motivo da nulidade do negócio.  Necessidade de sigilo quando se justifica.  O art. 227º deve ser enquadrado no âmbito da responsabilidade civil extracontratual (obrigação resultante da lei e não da autonomia privada).  A responsabilidade prescreve nos termos do art. 498º.  Ao calculo da indemnização serão aplicáveis os arts. 489º e 494. Comparação entre art. 227º e art. 229º,1 (2ª parte):  O art. 227º não exclui a aplicação do art. 229º,1 (2ª parte), aplicando-se independentemente.  O art. 229º, 1 (2ª parte) não exige a culpa, estabelece uma obrigação de avisar como contrapartida de atribuir ao proponente a possibilidade de, unilateralmente, impedir a conclusão do contrato (direito potestativo – outra parte está num estado de sujeição). As relações contratuais de facto ; problema da sua existência       Há uma certa doutrina que defende a existência de obrigações contratuais sem a formação de um contrato por meio das respectivas declarações negociais, unicamente com base num comportamento de facto/ comportamento social. Tal doutrina conduz à não aplicação das regras das incapacidades negociais bem como das disposições referentes às invalidades do negócio a fenómenos e negócio de massa da vida diária. São situações em que aparece uma entidade pública (de forma directa ou indirecta) como fornecedor de um serviço (transportes públicos, gás, electricidade). São situações em que há uma hipótese de aquele que tem um comportamento social típico entrar em contacto com uma entidade pública que presta um serviço. Nestes casos, a conclusão do contrato seria dispensável, seria sempre devida a contraprestação quando a prestação fosse de facto aceite ou utilizada. Esta doutrina deve ser rejeitada: o Ela é supérflua visto o comportamento social-típico coincidir, na grande maioria dos casos, com a declaração negocial tácita e na vontade correspondente. o Se o comportamento não traduzir uma vontade subjacente, será possível recorrer ao disposto no art. 244º, 2, (1ª alternativa) – a reserva mental não conhecida do declaratário não prejudica a validade da declaração, inclusive da declaração tácita. o Quando o comportamento observado for contrariado por declarações de protesto recorre-se ao princípio acolhido nas regras da boa fé e do abuso de direito. o No caso de menores ou incapazes, será aplicável o art. 127º,1,b) e subsidiariamente o regime de enriquecimento sem causa. o Nos casos de relações obrigacionais duradouras originadas por contratos inválidos, as relações contratuais de facto não servem. O que importa é uma regulamentação específica em relação ao regime geral do art. 289º.

24

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

o Nos casos do dever jurídico de contratar a figura das relações contratuais de facto é supérflua e dispensável. Quem está obrigado a contratar deve aceitar as propostas contratuais que sejam feitas.  O código civil não aceita a doutrina das relações obrigacionais de facto:  Têm raízes colectivizantes.  Rompe o sistema do negócio jurídico e do contrato alicerçado na autonomia privada.  Conduz à inobservância da lei mesmo em casos inequívocos.  Não é compatível com a doutrina da transferência de direitos reais por mero efeito do contrato. A representação na conclusão do contrato  A declaração negocial pode ser formulada e manifestada por outros que agem em vez das partes ou de uma delas. A representação:  Há um representante que participa no tráfico jurídico negocial ou em nome de outrem (representado).  Os efeitos dos negócios concluídos pelo representado, produzem-se directa e imediatamente, na esfera do representado.  Os poderes de representação podem resultar: o Da lei – representação legal. o Negócio jurídico – representação voluntária.  A figura da representação não põe em causa o princípio da autonomia privada, pelo contrário, é uma forma da sua efectivação. Os incapazes e a representação:  Os incapazes não estão em condições para poderem participar no tráfico jurídico negocial.  Assim, compreende-se que não se reconheça aos incapazes capacidade para nomear um representante voluntário, pois carece de capacidade de exercício para o fazer (123º, 139º, 156º). [Poderá haver uma excepção à sua incapacidade 127º, 139º, 156º).  Ao ficarem excluídos do tráfico jurídico negocial, os incapazes não poderiam fazer uso da sua capacidade de serem titulares de direitos e obrigações. Para evitar esta situação, serve a figura da representação legal: o Não se trata da realização do princípio da autonomia privada, mas da integração dos incapazes no tráfico jurídico negocia, muito embora sem actuação própria. o É uma representação conferida por lei: o representante age dentro de vinculações e limitações impostas pela função do instituto e pelo facto da sua actuação produzir efeitos na esfera jurídica de quem não possui capacidade para agir. A representação no código civil:  Art. 258º a 261º - contem os princípios gerais, aplicáveis a representação voluntária legal.  Art. 262º a 269º - representação voluntária – focam o carácter negocial do instituto.

Princípios gerais; delimitações para com figuras semelhantes  Pressupostos para a produção de efeitos jurídicos em virtude da representação (art. 258º): o Um negócio jurídico. o Realizado pelo representante em nome do representado. o Nos limites dos poderes que lhes competem. o Nota: o art. 258º abrange representação activo (o representante emite uma declaração negocial) e representação passiva (o representante recebe uma declaração negocial). 25

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel

Estabelecidos os pressupostos, o Negócio jurídico concluído pelo representante vincula e responsabiliza juridicamente o representado e a outra parte com que o representante negociou.

Nota: não é elemento legal essencial que o representante aja no interesse do representado, embora isso seja sempre o caso em relação à representação legal. Distinção entre representação ou do representante com outras figuras e institutos:  Distinção entre núncio e representante: o Núncio – transmite uma declaração alheia formulada por outrem. o Representante – presta uma declaração própria.  Distinção entre representante e quem age em nome próprio por conta de outrem (comissário, mandatário sem poderes de representação, “homem de palha”): o Quem age em nome próprio por conta de outrem – são verdadeiras partes no negócio, mas os efeitos do negócio são deslocados para a esfera daquele por cuja conta o negócio se concluiu.  Distinção entre mandato sem representação e com representação:  Mandato sem representação – mandatário actua em nome próprio por conta de outrem.  Mandato com representação – alguém actua em nome e por conta de outrem (procuração + contrato de mandato). o Representante – não é parte no negócio, produzindo-se os efeitos deste na esfera jurídica do representado.  Distinção entre representante e quem age sob o nome de outrem, disfarçando a sua verdadeira identidade.  Distinção entre representante e pessoas que servem como medianeiros na conclusão de negócios jurídicos ou de auxiliares na sua execução. o Aqui, o negócio é celebrado pelos próprios, mediante uma retribuição daquelas pessoas.  Distinção entre representantes e representação orgânica: o Representação orgânica – órgãos inscritos nas pessoas colectivas e destinadas a fazer agir as mesmas por actos próprios.  Distinção entre representação e certos ofícios (testamenteiro, vogal do conselho de família, administrador de falência).  Distinção entre representação e consentimento e autorização como pressupostos de validade de certos negócios jurídicos.  Distinção entre representação e contrato para pessoa a nomear (452º a 456º) e contrato a favor de terceiro (443º a 451º). o Representação – categoria especial da conclusão do negócio. o Contrato para pessoa a nomear ou a favor de terceiro – constituem categorias especiais dentro das várias modalidades especiais. Art. 259º - falta ou vícios da vontade e estados subjectivos relevantes 1. “No negócio, quando celebrado pelo procurador, há elementos em que é decisiva a vontade do representado e elementos em que prevalece a vontade do representante”. Assim, os poderes do representante são determinados pelo poder do representado. Tudo o mais pertence à esfera do representante. a. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representado, atende-se à pessoa do representado.

26

O mesmo se observa quanto à influência que o conhecimento ou ignorância de certos factos poder ter sobre o negócio. 259º aplica-se à representação voluntária e. seja em nome próprio seja em representação de terceiro a menos que:  O representado tenha especificamente consentido na celebração. ainda que indirectamente. Art.  Hipótese da dupla representação – as proibições estabelecidas valem também para as representações orgânicas. Nota 2: o art. 261º. agindo este em nome próprio. não o pode vender a si próprio mas apenas a um terceiro como outra parte do negócio.  O negócio exclua por natureza a possibilidade de um conflito de interesses. 27 . atende-se à pessoa do representante para saber se houve vício ou falta de vontade. antes de celebrar quaisquer negócios em que aqueles poderes poderão faltar. preço. edição.1: o proíbe o negócio celebrado pelo representante consigo mesmo. O nº1 não faz sentido no caso da representação legal. c. apesar de o negócio reproduzir imediatamente os seus efeitos na esfera do representado. O representado continua o mesmo. 260º . ex. Art. Este substituto pode agora celebrar o negócio. em nome do representado.)..2 – prevê a hipótese de o representante substalecer os seus o poderes de representação. mas os poderes para os representantes foram transmitidos para um substituto do representante originário. vender certo objecto.  Art. ii. 261º . É de grande importância o estado de boa fé ou de má fé se este estado deriva do conhecimento ou ignorância do facto: i. A boa fé do representante não poderá ser atendida para qualquer efeito do negócio. o Prevê duas hipóteses:  Se o representante tem poderes para. o Não pode o representante concluir um negócio “consigo mesmo” sob pena de ser anulável (art. 261º). Nota: compreende-se o relevo dado pela lei à vontade do representante.  O representante não pode celebrar negócios com qualquer pessoa: o O negócio é vedado ao representante em virtude de haver uma indisponibilidade ou ilegitimidade do representado.justificação dos poderes do representante  A justificação dos poderes de representação pode ter lugar tanto na representação legal como na voluntária. em nome do representado.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel b. Ao representado de má fé não aproveita a boa fé do representante. Se a falta ou vício da vontade incidir sobre os elementos em que prevalece a vontade do representante (por o representado não se ter pronunciado.. à representação orgânica. 261º.  A parte que trata com o representante tem a possibilidade de conhecer os poderes exactos a ele conferido. visto o papel activo que o representante tem na celebração do negócio. com o primeiro representante.negócio consigo mesmo  Art.

 Normalmente consta de uma declaração receptícia.  Causas da extinção da procuração: o Renúncia do procurador – acto unilateral que não carece de aceitação por parte do representado. podendo ser tácita.  Embora a renúncia à procuração. a menos que a procuração tenha sido conferida também no interesse do procurador ou de terceiro. 263º . tal como a revogação dela... tal como qualquer outro dos poderes contidos na representação. sociedade.  A procuração é juridicamente autónoma da relação jurídica de base. o Nota: o mandato (arts 1157º e ss):  É um contrato pelo qual uma das partes se obriga a praticar um ou mais actos jurídicos por conta de outrem. exigindo-se o acordo do interessado. para a celebração do acto.extinção de procuração  A extinção da procuração procede-se por via unilateral. Art. proteger a outra parte que negoceia com o procurador. o O procurador pretender servir-se de auxiliares no seu exercício – não há. a invalidade desta não afecta a primeira.  A autorização para a substituição. 262º a 269º). este precisa de ser capaz tanto para a procuração como para a realização do negócio a que ela se destina. 28 .1). o Cessação da relação jurídica que serve de base (contrato de mandato. não necessite de aceitação da contraparte. trabalho. Art. Assim. Pretende-se. Art. o necessário discernimento. 265º . em vista do papel activo que na celebração deste tem a vontade do representante (art.  Mandato com representação (1178º):  O mandatário actua por conta do mandante e em nome próprio. resultante de um acto de atribuição.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A procuração e os seus efeitos Procuração:  Representação voluntária (arts. 264º . 259º. são declarações receptícias. Produzem-se efeitos na esfera jurídica do mandatário. não necessita da ser expressa.capacidade do procurador  Pode ser procurador quem não tem capacidade para o exercício de direitos. quaisquer limitações às possibilidades do procurador. desde que tenha.  Mandato sem representação (1180º) – o mandatário actua por conta do mandante mas em nome próprio. em princípio.substituição do procurador  Importante distinguir dois casos: o O de o procurador pretender substituir-se na execução da procuração – tal depende do consentimento do representado se não resulta do conteúdo da procuração ou da relação jurídica que a determine.  Outra é a situação do outorgante dos poderes de representação.  É um acto jurídico unilateral por meio do qual uma pessoa é nomeada procurador.  Exige-se. no entanto a capacidade de entender e querer correspondente à substância do negócio. o Revogação pelo representado – em princípio. desta forma.  É a posição de poder de representação.). não há qualquer obstáculo à revogação.

pelo que os efeitos jurídicos produzem-se directamente na esfera do mandante. para um negócio só (em muitos casos. de modo que os negócios se concluem. 266º .protecção de terceiros:  Estabelecem-se dois regimes: o Modificação e revogação da procuração – a lei exige que a modificação e a revogação sejam levadas ao conhecimento de terceiros por meio idóneos. mas pode fixar um prazo razoável à 29 . produzindo os seus efeitos. o A parte que celebra o negócio com aquela que não tinha poderes de representação fica vinculada:  Ignora a falta de poderes da outra parte – pode desvincular-se unilateralmente do negócio (enquanto este não for ratificado).  Sabia que a outra parte não tinha poderes de representação – não pode desvincular-se unilateralmente do negócio. o Procuração inválida (nula). Art.  “sem poderes de representação” significa: o Não existe procuração a favor da pessoa. (Poderá ser-lhe exigida responsabilidade pré-contratual – art. sem que ele goze do direito de retenção do documento (267º).  Nos casos de inoponibilidade da extinção da procuração. a lei apenas permite uma procuração especial – negócios jurídicos familiares).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Aplicam-se as regras da representação – o mandatário não é parte do negócio. logo que a procuração seja extinta. 224º). extinção da relação jurídica de base).  Consequências: o O negócio não pode provocar quaisquer efeitos na esfera jurídica da pessoa em nome da qual a outra celebra um negócio. portanto. da relação jurídica de base. O mandato é sempre um negócio independente da procuração como acto posterior ou subsequente. indirectamente. sem culpa. sob pena de lhes não serem oponíveis. salvo se se provar que estes as conheciam (afasta-se um pouco da regra do art.  Procuração geral – confere poderes gerais ao procurador e portanto para um multiplicidade de negócios.representação sem poderes  Alguém celebra um negócio em nome de outrem sem ter os necessário poderes de representação. o Restantes casos extintivos – estabelece uma presunção de ignorância por parte de terceiros. 268º . A estes caberá provar que ignoravam. o A pessoa que celebra o negócio em nome de outrem também não fica vinculada pois não é parte no contrato. a extinção da procuração (ex.  Art. o representado fica vinculado pelas declarações negociais do seu ex-procurador em relação a outra parte que não conhecia a extinção ou a ignorava sem culpa. não tendo poderes de representação. Procuração geral e procuração especial  Procuração especial – confere poderes especiais no procurador para cada acto.  O procurador dever restituir o documento de onde constem os seus poderes.  A amplitude dos respectivos poderes resulta do conteúdo do acto de atribuição e. 227º). o Violação dos limites formais estabelecidos na procuração.

utilizando falso nome para dissimular a sua identidade. Art. Parte III . Coimbra.  Situação diferente é quando alguém age sob nome falso. pp. e a outra parte colaboram conscientemente para prejudicar o representado – COLUSÃO – o negócio é nulo pois é ofensivo dos bons costumes nos termos do art.  O abuso de representação só é juridicamente relevante quando é conhecido pelo terceiro (em princípio não afecta a invalidade ou ineficácia do negócio). Ed. então a outra parte já se pode desvincular. pp.Os negócios jurídicos com eficácia limitada  “Em certos condicionalismos os efeitos. muito embora o negócio seja perfeitamente válido. Almedina. 281º. ou seja. Almedina.. Tal é compreensível à luz dos princípios da 37 38 Cit. mas pratica-o de forma a lesar os interesses do representado: o Viola instruções. Os efeitos do negócio jurídico ratificado produzem-se desde o momento da sua celebração entre as partes. e a outra parte não se interessa pela identidade mas sim pelo negócio em si. Ed.. Nota: não se trata de abuso de representação quando o procurador.  É aplicado o disposto relativo à representação sem poderes quando o representante tiver abusado dos seus poderes e a outra parte conhecia ou devia conhecer o abuso.490. não se produzem desde logo. Os negócios jurídicos com efeitos subordinados a condição ou termo   “As partes de um negócio jurídico podem subordinar o início ou a cessação da produção dos seus efeitos à verificação de uma condição ou de um termo”38 Não é necessário que a lei o permita para que seja possível às partes imporem determinadas condições ou termos a um negócio jurídico. os seus efeitos produzem-se entre quem se apresenta sobre um falso nome e a outra parte. Cit. 30 . destinado a atribuir efeitos a outro negócios que deles carecem. A parte geral do Código Civil Português.abuso de representação  O representante pratica um acto que está formalmente contido na procuração. Caso tal ratificação não se verifique no prazo estabelecido. agindo formalmente dentro dos seus poderes funcionais. 269º . entre quem o representante originariamente sem poderes.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel outra parte para que ratifique (ou não) ou negócio. HEINRICH HÖRSTER.  A aplicação de condicionalismos traz alguma instabilidade ao tráfico jurídico uma vez que a vontade das partes ou o comanda da lei fazem com que os efeitos de um negócio válido não se desenvolvam plenamente.490. tinha concluído o negócio. não necessariamente receptício. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. o Actos que não correspondem ao interesse do representado.”37  Os condicionalismos podem encontrar a sua origem na vontade das partes. HEINRICH HÖRSTER. na lei ou na lei com o concurso da vontade das partes. não se produzem de forma estável…ou não se produzem na íntegra. Caso o agente pretenda concluir o negócio com efeitos para ele próprio. Ratificação – negócio jurídico unilateral.

270º.1 – Condições próprias mas ilícitas . ANTUNES VARELA. não é a licitude ou ilicitude do problema. acrescentado ao negócio. a subordinação querida pelas partes. Tanto a condição como o termo têm em comum o facto de serem exteriores ao negócio (elementos acidentais). ela distinguese das “condições legais” (conditio iuris) que não são condições verdadeiras. Coimbra Editora. Assim.  O negócio jurídico subordinado a uma destas condições é nulo. convenções antenupciais art. que não se refiram a um acontecimento simultaneamente futuro e incerto são CONDIÇÕES IMPRÓPRIAS).1: o Condição (própria) – um acontecimento FUTURO e INCERTO ao qual as partes subordinam a produção ou a resolução dos efeitos do negócio jurídico (as cláusulas apostas a um negócio jurídico para condicionar a produção dos seus efeitos. pp. 4ª ed. acontecimentos já verificados. 271º (condições ilícitas ou impossíveis) o Art. Vol I. o A condição pode ser suspensiva ou resolutiva:  Suspensiva – a produção de efeitos de um negócio jurídico fica subordinada a um acontecimento futuro e incerto.1).”40   39 40 Cit. O que é contrário à lei (à ordem pública ou ofensivo dos bons costumes) é a imposição do facto”39. incidivelmente ligados a eles. Código Civil Anotado. O acontecimento em si tem de verificar-se objectivamente no futuro.  Acontecimento incerto – tem como consequência que não são condições neste sentido.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   autonomia privada (no entanto. 31 . não sair o destinatário de sua casa). 687º e 1669º). a verificação do acontecimento futuro é incerta. Coimbra Editora. 271º. as que se referem a acontecimentos impossíveis ou acontecimentos que se verificam necessariamente (falta o elemento da certeza).. Código Civil Anotado. no caso da condição.251. Tanto o termo como a condição são acontecimentos futuros. Limitada. no entanto. 4ª ed. Art. no caso do termo. estando. ou seja. Vol I.  “Para saber se a cláusula é ilícita.  Acontecimento futuro – mostra que não são condições neste sentido as reservas relacionadas com factos presentes ou passados. a verificação do acontecimento futuro é certa. Por ser voluntária. 1713º. pp. Limitada. no entanto.condições contrárias à lei. Um facto lícito pode assim constituir objecto de uma condição ilícita e uma condição ilícita pode ter por objecto um facto lícito. ou seja.  Resolutiva – a resolução do negócio jurídico fica sujeita à verificação de um determinado acontecimento futuro e incerto. “O facto de que fica a depender o efeito ou a resolução do efeito é possível. mas que as partes ainda não conhecem (incerteza subjectiva). uma vez que determinam a produção dos seus efeitos. A condição  “É um elemento querido pelas partes. mas exigências da lei como pressupostos para a verificação de determinados efeitos jurídicos (ex. mas a ilicitude ou licitude do nexo criado entre o facto e a eficácia do negócio. arts. à ordem pública ou ofensiva dos bons costumes:  Não há impossibilidade. ANTUNES VARELA.251. (Ex. as condições legais de eficácia. o declarante exigir como condição da eficácia. existem situações em que a lei vem expressamente permitir no de modo a evitar dúvidas – ex. não são condições no sentido próprio. Cit.

275º. 275º. pratica-se um facto ilícito.pendência da condição: actos conservatórios: o “É doutrina aceita. implicar desde já uma VINCULAÇÃO MÚTUA DAS PARTES. 848º. a da admissibilidade da prática de actos conservatórios. os negócio jurídicos familiares pessoais apresentam uma natureza incompatível com a existência de uma condição.2 é uma consequência deste princípio. uma vez que cabe a ele próprio desfazer a situação de insegurança (CONDIÇÃO POTESTATIVA OU DE QUERER). no entanto.  Condições física ou legalmente impossíveis RESOLUTIVAS – o negócio produz os seus efeitos desde logo e continua a produzi-los sem ameaça de resolução. sobretudo quando está em causa uma condição resolutiva. O negócio condicional produz de imediato aqueles efeitos indispensáveis para que. se possam produzir os efeitos pretendidos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      o Art. antes da verificação da condição ou não da condição suspensiva. Tratando-se de uma condição suspensiva. Nem todos os negócio jurídicos admitem condições: o Devido à natureza do negócio que não comporta incertezas quanto à produção dos seus efeitos – ex.2 – Condições física ou legalmente impossíveis:  Condições impróprias – condição física ou legalmente impossível. 41 42 Cit.verificação e não verificação da condição: o Art. Coimbra Editora. pp.1+2064º. Cit. para salvaguarda dos seus interesses”42  Efeitos imediatos do negócio condicional – efeitos produzidos pelo negócio mesmo na pendência da condição. 273º .1 – “não há que aguardar a não verificação da condição para que ela produza os seus efeitos: basta que haja a certeza de que não pode verificar-se. aquém tem uma expectativa legítima ou um direito condicional. o Devido a disposição legal expressa (art. Limitada. pp.1+2054º. ANTUNES VARELA. Coimbra Editora.1) – ex. e que o pratica é responsável pelos danos que causa”41 [a doutrina do art. 4ª ed. Art.pendência da condição: o “No caso de se agir de má fé e de se prejudicarem as legítimas expectativas da outra parte. Vol I.  Apenas quando o preenchimento da condição depender unicamente da própria vontade do declaratário. Vol I. 275º. produz. 271º. por ser um negócio validamente concluído. 272º .252. Limitada. Art. tudo se passa como se o negócio não tivesse sido concluído. 32 . 2 e 3]. no momento da verificação da condição. porque o negócio se encontra concluída.2+1618º. Código Civil Anotado. o declaratário não necessita de ser protegido contra uma situação de insegurança que lhe é criada por fora.252. o Exercício de direitos potestativos – não pode ser feito sob condição tendo em conta que o declaratário deve ser protegido contra a insegurança resultante de um exercício condicional. Os efeitos produzidos de imediato são a expressão do facto de o negócio condicional. os efeitos protectores das expectativas jurídicas criadas. 272º + 273º  resulta que o negócio jurídico embora ainda não produzindo ou não produzindo definitivamente os seus efeitos pretendidos.2+1852º. antes subordinados à condição. ANTUNES VARELA. Art.  Condições físicas ou legalmente impossíveis SUSPENSIVAS – o negócio é nulo. o contrato individual de trabalho será incondicionável. da parte do declarante. em várias disposições do código. aliás na linha de pensamento do art. Art. a condição é admissível para influenciar a vontade ou comportamento deste. 224º. Aqui. Código Civil Anotado. 4ª ed.

3+ 277º. 277º .Possibilita a alienação de direitos condicionais.1 e 879º. Código Civil Anotado.2 + art. Vol I. o A estipulação de uma condição pelas partes conduz. de modo definitivo. 272º (e está de acordo com o art. Assim. pela vontade das partes. 277º. 274º . 33 . 276º .a) e 939º). o Art. 43 Cit. embora validamente concluído. especiais. pp.a + 954º.253. 227º. ANTUNES VARELA. que nos contratos de alienação o alienante reservar para si a propriedade da coisa até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte ou até à verificação de qualquer outro evento. a não ser que. 1269º e seguintes. 408º. há lugar à aplicação analógica das mesmas disposições. É possível. 270º. A condição suspensiva  O negócio jurídico. juntamente com o art.1 + 434º.  O a situação mais importante da condição suspensiva é a reserva de propriedade (art. 277º. Art. Art. se aquele que é obrigado a restituir tem a posse da coisa.409º): o A transferência de direitos reais dá-se por mero efeito do contrato (art. os efeitos do negócio consolidam-se definitivamente na titularidade do credor ou do adquirente.  Há uma EXPECTATIVA JURÍDICA – um direito à aquisição plena. sujeitando-se o adquirente e não o alienante. 2 e 3). 272º+273º e 275º. desta forma a um estado de pendência:  Não existe um direito pleno na pessoa do adquirente. ou pelo menos. 4ª ed. A natureza aleatória do acto transmite-se para o adquirente. 277º. se houver lugar à restituição do que houver sido alienado. retira-se que a retroactividade não constitui parte necessário ou essencial do conceito de condição.pendência da condição: actos dispositivos o Trata-se de um artigo que adopta uma solução diferente dos arts. ou pela natureza do acto. o Deste preceito. Não havendo posse.  A boa fé tem o sentido ético do art. Coimbra Editora. Limitada.1 .  Actos de mera administração (arts.2:  É uma consequência da regra geral do art. o disposto nos arts. 275º.2). ou por analogia.retroactividade da condição o Verificada a condição os seus efeitos retrotraem-se à data conclusão do negócio.2 + 272º e 273º)  Aquisição de frutos colhidos no exercício de actos de administração ordinária (art.  Com a celebração do negócio condicional nascem deveres secundários ou acessórios. o momento dos efeitos seja outro. 1270º. COMO CONDICIONAIS. o adquirente de um crédito obrigado a restitui-lo tem direito aos juros nos termos do art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    tratando-se de uma condição resolutiva.”43 o Abrange também a transmissão da expectativa jurídica à aquisição plena do direito. 1270º).  A ninguém deve ser lícito tirar proveito dos actos que pratique. o 274º. à contingência da verificação da condição. A aplicação é directa. o 274º. de conduta para uma das partes ou para ambas. violando as regras de boa fé. 224º.não retroactividade: o A retroactividade fica excluída em determinadas situações:  Contratos de execução continuada ou periódica (arts.2 – “manda o nº 2 aplicar directamente. não transferiu ainda. Art. os direitos ou obrigações que tem por objecto.

o Acontecimento certo – há a certeza da sua verificação independentemente da incerteza do momento em que tal acontecerá. os arts.cômputo do termo. 966º e 2248º). em termos paralelos. (ex. antes da verificação do termo. só por si. 279º . morte).  Negócio a termo é aquele em que as partes querem que os seus efeitos só se produzam depois que se dê um acontecimento FUTURO e CERTO. do credor ou no interesse comum das partes. Para atingir os efeitos. Os encargos ou cláusulas modais  Um encargo onera uma liberdade. como se não estivesse sujeito àquela estipulação.  Art. 34 .  O contrato decorre. 2244º a 2248º. mas sem se saber quando. um encargo não o é (ligação cindível). 272º e 273º. pelo que a renúncia também é causa da sua extinção. (ex. no contexto das disposições testamentárias. mas somente para o futuro. é preciso accionar os meios previstos na lei para a resolução dos negócios correspondentes. O termo  Momento a partir do qual o negócio jurídico deve começar a produzir os seus efeitos.  Pode ser estipulado no interesse do devedor.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel A condição resolutiva  Embora validamente concluído o negócio jurídico não transferiu ainda de modo definitivo os definitivo os direitos ou obrigações que tem por objecto. mas não atinge (ao contrário da condição e do termo) a produção dos efeitos do negócio que prevê. os efeitos do negócio cessam. Aquele a favor de quem o termo foi estabelecido pode renunciar a ele. o Termo suspensivo (inicial/ dies quo) – marca o momento a partir do qual o negócio começa a produzir os seus efeitos.  Enquanto condição e termo são imediatamente decisivos para a produção ou não produção dos efeitos do negócio jurídico (ligação incindível). mas sem influenciar nos seus efeitos. o Termo extintivo ou final (dies ad quem) – quando assinala o momento em que o negócio deixa de produzir efeitos. SEM QUALQUER ESPÉCIE DE RETROACTIVIDADE. qualquer influência sobre os efeitos da liberdade.  Aos encargos referem-se os arts. ou a deixar de os produzir. data de um calendário). (Para a resolução dos negócios correspondentes é necessário accionar os mecanismos previstos na lei arts.  Constitui um elemento exterior ou acidental ao negócio jurídico.  Tipos de termo: o Termo certo e determinado (dies certus an et certus quando) – aquele que se sabe de certeza que chegará e quando. 963º a 967º no contexto da doação e. aplicam-se com as necessárias adaptações as disposições dos arts. ou até que este se verifique. o Termo certo e indeterminado (dies certus an et incertus quando) – aquele que se sabe que chegará.  O não cumprimento do encargo não tem.  Verificado o termo.  Aos negócios a termo.

enquanto o destinatário não a receber ou dela não tiver conhecimento. Trata-se de uma execução global de todo o património penhorável do devedor no interesse de todos os credores. Ed. caso contrário.”44  Estado de insolvência (art. o Apenas lhe ficam os bens impenhoráveis. (Assim. no caso de representação sem poderes. subtraída à sua administração e disposição.1 CPC)  refere-se a não comerciantes “o devedor não comerciante pode ser declarado em estado de insolvência quando o activo do seu património seja inferior ao passivo”. perder o poder de disposição do direito a que ela se refere. como património separado ou autónomo. explica-se a razão da perda de disposição dos bens penhoráveis do falido ou insolvente. A parte geral do Código Civil Português. não forem ratificados. pp.2. 1313º.  Efeitos da insolvência civil e da falência: o Separação dos patrimónios do devedor na medida em que esta declaração conduz a uma apreensão dos seus bens penhoráveis e a uma inibição sua para os administrar ou dispor deles (a administração desta massa patrimonial cabe ao “administrador da massa insolvente ou falida”45). até à sua distribuição ou liquidação total. no jornal mais lido na comarca e em editais afixados na porta da sede e sucursais do estabelecimento falido. 226º. 601º.  Ratificação – é um negócio jurídico unilateral que destinado a atribuir efeitos plenos a outro negócio que deles careça.  “As inibições do insolvente civil e do falido resultam do seu estado de insolvência ou falência em virtude do qual a massa insolvente é.  Exemplos: casos de inibição do insolvente civil e do falido. de fazer funcionar a garantia patrimonial geral do art. Se. 1135º CPC)  diz respeito a comerciantes “o comerciante impossibilitado de cumprir as suas obrigações considera-se em estado de falência. fica na situação de quem perde o poder de disposição dos bens:  Art. o Os negócio posteriores aquela sentença declaratória são INEFICAZES (independentemente de registo). por força da indisponibilidade de que sofrem quanto aos seus bens abrangidos pela respectiva massa. Tal pretende prevenir o público contra eventuais negócios com quem estiver atingido por tal medida grave.  Estado de falência (art.  O negócio não é ineficaz em relação à parte com que o indivíduo contratou. porém. na da sua residência e ainda na do tribunal. em condições iguais. Esta é notificada ao Ministério Público. 229º. Coimbra.498. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. pois.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios jurídicos com efeitos dependentes de ratificação  São negócios jurídicos em que a vinculação só se pode verificar em relação a um lado do negócio. situação prevista no art. registada por este na conservatória competente e publicada no jornal oficial.  A falta de vinculação existe apenas quanto à massa. 35 . Massa insolvente ou falida: destina-se a satisfazer os credores.2  “A declaração é ineficaz. 44 45 Cit. Os negócios dos insolventes e dos falidos celebrados sem poderes de representação:  São ineficazes relativamente à massa insolvente ou falida os negócios do insolvente e do falido na medida em que estão inibidos. este poderia celebrar negócios que prejudicassem esta mesma massa patrimonial). se o declarante.”  Tanto a falência como a insolvência civil são declaradas por sentença judicial. contrato para pessoa a nomear. necessários para a sua subsistência. O falido ou insolvente não fica em nenhum estado de incapacidade. não produzem os seus efeitos em relação à parte que pode ratificar ma entendeu não o fazer. os negócios susceptíveis de ratificação.

O representante sem poderes de representação responde à outra parte com base na culpa na formação dos contratos. 46 Cit.  Arts. 871º (eficácia em relação a terceiros). o Se assim não for. 268º).1). 452º. 168º. não sendo estes.  Os casos da falta de publicidade: o A preocupação de lei em proteger terceiros contra evoluções que não conhecem nem podem prever reflecte-se em muitos preceitos:  Art. 268º. Os negócios celebrados sem poderes de vinculação:  Caso da representação sem poderes (ver art. Almedina.a revogação da doação não afecta terceiros adquirentes. HEINRICH HÖRSTER. tendo em conta os interesses dos credores. a contrario). 434º+435º .  Nota: “Caso o administrador da massa não vincule a mesma por via da ratificação.2 (a ratificação opera sem prejuízo de direitos de terceiro). 2: arg.1). Coimbra. Ed. de acordo com o art. 276º+277º+1713º. o A nomeação necessita de ser ratificada nos termos dos arts.  Se o negócio concluído pelo falido ou insolvente civil trouxer vantagens para a massa patrimonial.a resolução não prejudica direitos adquiridos por terceiros.a anulação não prejudica certos direitos adquiridos por terceiro de boa fé. 266º (protecção de terceiros). 36 . 227º. oponíveis a “terceiros” que não os conhecem devido à falta de publicidade dos negócios. a partir do momento da ratificação. Os negócios jurídicos com eficácia relativa  Há uma vinculação entre as partes com plena produção dos efeitos.  Arts. 453º e 454º. A parte geral do Código Civil Português.500.  Art. mas não foi:  Art.2 – o registo tardio do casamento católico não afecta direitos patrimoniais de terceiros. sob pena de não produzir efeitos em relação ao nomeado (arts. o Os casos de ineficácia relativa a terceiros são precisamente aqueles em que um negócio devia ter sido publicitado. respectivamente registado. mas sem afectar a validade do negócio. 291º .2 e 455º. a pessoa adquire os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir da celebração dele (arts. o negócio jurídico celebrado com o falido ou insolvente e a outro parte. apenas limitada ao nível da eficácia.2 – o preenchimento da condição não tem efeitos retroactivos.3 – a constituição da associação não produz efeitos em relação a terceiros antes de ser publicitada. ganha eficácia retroactiva ao momento da celebração do negócio. pp. Assim. o administrador poderá ratificar (= negócio jurídico unilateral através do qual alguém vem atribuir pleno efeito a um outro negócio jurídico) o negócio.  Caso do contrato para pessoa a nomear: o Uma das partes pode reservar o direito de nomear um terceiro que adquira os direitos e assuma as obrigações provenientes desse contrato (art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  Essa inibição conduz a uma indisponibilidade relativa.  Art.  Art. o Sendo a nomeação feita. 979º . porém. 1670º. 453º. o insolvente ou falido responde à outra parte por incumprimento do contrato se não consegue realizara contraprestação”46. 455º.  Art.  Art. o contrato produz efeitos apenas em relação ao contraente originário.

)  O registo constitui a presunção de que o direito existe e pertence ao titular inscrito. essencialmente. sobre o mesmo objecto. dada a falta da sua publicidade por meio de registo e a inoponibilidade daí decorrente.  As diversas disposições das leis do registo – os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros a partir do registo.a – compra e venda / art. 1º).1 + art. No caso de dupla disposição a favor de outro adquirente que confia nas presunções do registo. 492º .o proprietário não inscrito de um prédio responde pelos danos causados por defeitos de conservação. relativamente a terceiros adquirentes. nos precisos termos em que o registo o define (art.  As regras da prioridade do registo podem assim ter como consequência a perda de um direito adquirido que apenas possuía eficácia relativa. 185º. entre as próprias partes ou seus herdeiros. de harmonia com os efeitos “erga omnes” que os caracterizam. Art.3 – a instituição da fundação não produz efeitos quanto a terceiros antes de ser publicitada.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Art. a aquisição ou a modificação do direito da propriedade ou de um direito real limitado sobre um prédio (CRPred art.a + 954º. ainda que não registados (art. 4º CRPred). o O registo predial em particular:  “O registo predial destina-se.  Os factos sujeitos a registo podem ser invocados desde logo. entre outros.  Fora do processo aquisitivo. pois aqui não é posta em causa a segurança no tráfico jurídico (ex. se a segunda aquisição for registada primeiro. [Na verdade.  Neste tipo de negócios.a) – doação).  Art. pode acarretar consequências graves para quem devia registar a aquisição e não regista.1 – as convenções antenupciais só produzem efeitos em relação a terceiros depois de registadas. enquanto não são registados. contradizendo assim a realidade.5+168º. a eficácia é apenas relativa.  O respectivo direito constitui-se. não abrangendo os terceiros que pretendam adquirir direitos sobre o mesmo imóvel  o registo estabelece em relação a estes terceiros. como os terceiros apenas precisam de conhecer os factos depois de registados é natural que estes não lhes sejam oponíveis anteriormente]. um direito total ou parcialmente incompatíveis com direitos de outrem. a partir da sua ocorrência. 6º CRPred).  Terceiros para efeito de registo  são terceiros para efeito de registo.  Estão sujeitos a registo. os direitos não registados gozam de oponibilidade geral. é essa que prevalece (Nos termos do art.  (Para a resolução de casos práticos: 37  . 1711º. aqueles que adquirem do mesmo transmitente. 2º). os factos jurídicos que importem a constituição. 7º CRPred). sendo depois levado a registo para aí ser inscrito em ordem a que o facto se torne oponível a terceiros. 408º. os factos ou direitos não registados não são oponíveis a terceiros que participam no processo aquisitivo quanto ao imóvel. 939º. a dar publicidade à situação jurídica dos prédios. tendo em vista a segurança no comercio jurídico imobiliário” (CRPred art.  A inoponibilidade destes negócio jurídicos sujeitos a registo. adquire-se ou modifica-se por mero efeito do contrato entre as partes (art.1.  Antes do registo. 879º. a ficção de que a situação jurídica ainda não se modificou.

286º. através deles. 892º (o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé) – é este direito que. Cit. Ed. 892º (para negócios onerosos) e art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  O registo não tem efeitos constitutivos.  Existe. Limitada. pp. medianamente instruído ou diligente. o Os negócio aqui em causa dizem todos respeito a atribuições patrimoniais. Este sentido tem de estar de acordo com a função do negócio jurídico – a autodeterminação da pessoa dentro da sua autonomia privada conforme a sua vontade. resultante da inoponibilidade da nulidade entre as mesmas por virtude da boa fé de uma delas. uma vez registado.490. o “O sentido decisivo da declaração negocial é aquele que seria apreendido por um declaratário normal. o registo tem efeitos retroactivos.  O objecto da interpretação é a manifestação da vontade. mesmo na sequência da um negócio nulo.  No âmbito do registo civil – o estado civil da pessoa tem de ser registado sob pena de produzir meros efeitos latentes. na medida em que isto é possível”47  Art. a própria declaração negocial. Coimbra. o elemento subjectivo. 939º). ) o Existem casos em que a falta de registo exclui de todo a invocação de um facto ocorrido:  Os factos constitutivos da hipoteca cuja eficácia. que será normalmente o adquirente de boa fé. Vol I.   PARTE IV . a produção de certos efeitos laterais quando se trata de negócios nulos cujo objecto são atribuições patrimoniais. entre as próprias partes depende da realização do registo (art. 237º. 956º.238º. HEINRICH HÖRSTER. em face do comportamento do declarante. 38 . A partir do momento que é registado. a lei tenta atribuir o mínimo de estabilidade. mesmo nos casos de nulidade. o Art.222. 239º) A interpretação  Serve para captar o sentido. 4º. leva a que o terceiro adquirente para efeitos de registo adquira pleno direito sobre o bem. Determinando. 2 CRPred + 687ºCCiv). cuja a incerteza traz grandes perturbações ao tráfico jurídico. Coimbra Editora. Venda de bens alheios – art.”48 o Exceptuam-se os casos: 47 48 Cit. Código Civil Anotado. o próprio conteúdo da declaração. uma eficácia relativa entre as partes de um negócio nulo. [não se trata de uma verdadeira excepção ao princípio “nemo plus iuris”]. mas não para avaliar o conteúdo sob o aspecto da sua razoabilidade ou da sua conformidade ou não com a lei.1 (negócios gratuitos):  O vendedor ou doador de bens alheios não opor a nulidade ao comprador ou donatário de boa fé.  “A interpretação parte. como finalidade. 4ª ed. Almedina. Como tal. ANTUNES VARELA. 236º.  Estes artigos constituem uma excepção ao art. portanto. 236º: o Aplica-se a declarações negociais expressas e tácitas desde que sejam receptícias. o elemento externo.interpretação e a integração da declaração negocial (arts. A parte geral do Código Civil Português.  O fim da interpretação é o sentido da mesma. segundo o qual a nulidade é oponível a todos os interessados (ver também art. Os casos da inoponibilidade da invalidade: o Trata-se de casos em que o negócio é nulo. pp. metodologicamente. de elementos objectivos para obter. colocado na posição do declaratário real. ou seja.

49 50 Cit. 51 Cit. A parte geral do Código Civil Português. 236º. 238º o Art.  O declaratário conhecer a vontade real do declarante. A parte geral do Código Civil Português. 236º. conferindo à declaração o sentido que seria razoável presumir em face do comportamento do declarante.  Este artigo só é aplicado para as declarações receptícias. é de acordo com a vontade comum das partes que o negócio vale. apesar deste entendimento contrariar o uso linguístico ou o sentido normal das expressões empregues  A vontade real é que conta). Vol I. e muito diferente do sentido com que este o empregou” 49 – art. Ed. Almedina. o A prevalência do sentido objectivo apenas se opera entre as legítimas expectativas do declaratário e as justas necessidades de segurança do tráfico jurídico. Coimbra. Código Civil Anotado. pp. nem aos actos jurídicos em que não procedam as razões justificativas do regimes estabelecido. Coimbra. pp. conhecendo o declaratário o sentido que o declarante pretendeu exprimir através da declaração. uma vez que ele dispõe de todos os meios para se fazer entender.223. Vol I. ainda que imperfeitamente expresso.”50 o “Do disposto no nº2 resulta que. o risco linguístico ou o risco do entendimento é imputado ao declaratário. 237º (casos duvidosos): o Aplica-se apenas quando o sentido da declaração não puder ser esclarecido mediante a aplicação do art. o Consagra-se uma doutrina objectivista de interpretação em que o objectivismo é temperado por uma salutar restrição de inspiração subjectivista  o objectivo é proteger as legítimas expectativas do declaratário e não perturbar a segurança do tráfico jurídico.1 atribui o risco do uso linguístico ao declarante.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Não possa ser imputado ao declarante. por exemplo. 4ª ed. 39 .510. e não o sentido que este lhe quis efectivamente atribuir. 238º. HEINRICH HÖRSTER.224 52 Cit. Limitada. o O objectivo da solução acenta na lei é o de proteger o declaratário. sem êxito. HEINRICH HÖRSTER. Limitada. 51 (Situações em que declarante e declaratário se exprimem mal e se entendem bem. em que o sentido razoavelmente atribuído pelo declaratário a determinados vocábulos da declaração seja completamente ignorado do círculo de pessoas em que vive o declarante. Coimbra Editora.512. “Apenas quando o declarante não pode contar razoavelmente com o no sentido deduzido pelo “declaratário normal” do seu “comportamento”.1  Não há sentido possível que não tenha no texto do preceito um mínimo de correspondência. dar à declaração um sentido único. o “A ressalva contida na parte final do nº1 tem plena aplicação naqueles casos. pp. mas aquela em que o intérprete razoavelmente se deva sentir depois de ter tentado.  Este artigo não se aplica em casos de interpretação testamentária nem a actos jurídicos que estão fora do comércio jurídico. 4ª ed.”52 Art. a não ser que se trate de matéria relativamente à qual se não exija a forma prescrita na lei. Art. ANTUNES VARELA. Cit. que também hãose considerar as “reacções” do declarante contra eventuais interpretações abusivas. Código Civil Anotado. Almedina. o “A dúvida a que este preceito alude não é a que a declaração posso suscitar antes de esgotadas as regras da sua interpretação. ANTUNES VARELA. pp. quer o seu sentido seja inequivocamente contrário ao sentido que as partes lhe atribuíram. que a declaração seja ambígua. É a condenação das doutrinas objectivistas puras e a confirmação da velha regra segundo a qual “falsa demonstratio non nocet””. Coimbra Editora. razoavelmente aquele sentido. Ed.

A parte geral do Código Civil Português. o A integração de lacunas nunca pode substituir ou alargar o objecto de negócio jurídico em causa. é apenas na falta de um regime especial que se aplicam à nulidade e à anulabilidade do negócio jurídico os arts. Neste caso devem prevalecer estes princípios. se chegue a uma solução contrária aos princípios da boa fé. as suas configurações típicas.A invalidade dos negócios jurídicos   Estão em causa negócios jurídicos com uma anomalia genética que se vai repercutir sobre a validade do negócio jurídico (e. aplicar-se-á na falta de disposição especial as regras constantes no art. 238º. “O regime geral da nulidade e da anulabilidade encontra-se nos arts. por assim dizer. o O acto é anulável  a anulabilidade depende de o destinatário da declaração conhecer ou dever conhecer a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. nem com a vontade do declaratário. 239º. sem erro. o Nota: distinta do caso do erro na declaração é a figura do dissenso (art. cambiantes atípicas. devido à especificidade de determinados negócios inválido.” 53 A lei exige certos pressupostos na tentativa de proteger certos valores: o Conformidade – assegurar uma efectiva autonomia privada e produção dos efeitos pretendidos. 232º) em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. 285º. Coimbra. 239º: o Só se aplica na falta de disposição especial e caso não haja um dissenso (que nos termos do art. pp. HEINRICH HÖRSTER. Estes preceitos contemplam.. Ed. por esse meio. sobre a sua eficácia).TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Art. Ela tem de manter-se dentro do âmbito negocial traçado pelas partes. 286º a 294º. 247º (erro na declaração): o Erro obstáculo  formou-se. certa vontade.  Legal – coerência normativa. 220º). PARTE V . o Exigência de determinabilidade – a lei não pode proteger um negócio que não se percebe.2  Um sentido que não tenha correspondência com o texto sempre pode valer se corresponder à vontade real das partes do negócio E as razões determinantes da forma se não opuserem a essa validade (caso em que se aplica art. A integração da declaração negocial  Se a declaração negocial não apresentar um sentido obscuro ou equívoco mas lacunas. consequentemente. 286º a 294º.. o Protecção de valores fundamentais do sistema jurídico – normas imperativas. Almedina. 40 . o Exigência que a declaração coincida com a vontade – realização do princípio da autonomia privada. mas declarou-se outra. Mas qualquer delas admite. Mas pode acontecer que. Art.  Art.  53 Cit. bons costumes. o Possibilidade física legal:  Física – não se pode proteger um negócio impossível à partida. ordem pública. em princípio desconhecidas das partes. 232º levaria à não conclusão do negócio).517. o Deve atender-se à vontade presumível dos declarantes.

declaração.  Negócios celebrados com falta de vontade: o Simulação (art. Poderá ser posterior a uma invalidade. negocial – deficiência genética) Nível temporal Antecede a eficácia.  Causas de anulabilidade:  Negócios celebrados sem capacidade de exercício. 280º).  “Deste relacionamento entre validade e eficácia resulta que uma invalidade. ou seja.  Negócios celebrados contra a lei ou sem os necessários consentimentos. 245º)+ Falta de consciência da declaração e coacção física (246º). por qualquer interessado. Ed. Coimbra. 41 . Na verdade. etc.  Negócios usurários. HEINRICH HÖRSTER. – e nestes casos podemos falar de uma INEFICÁCIA EM SENTIDO 54  Cit.  Negócio de fim ilícito (art.  Surge.  Surge associada à protecção de interesses particulares.  Negócios celebrados com vícios de vontade: o Erro sobre os motivos. pp. inoponibilidade ou ausência de ratificação.  Negócios celebrados com erro na declaração. o Anulabilidade:.  Distinção entre invalidade e ineficácia do negócio jurídico: Invalidade Ineficácia Nível de actuação É um elemento intrínseco do Elemento extrínseco da negócio jurídico (da declaração declaração negocial. afecta os efeitos pretendidos.  As causas da nulidade:  Incapacidades negociais de gozo. 286º CCiv – o negócio jurídico não produz efeitos. 244) + Declarações não sérias (art. objecto negocial (conteúdo/ efeito que se pretende produzir). o Coacção moral. podendo a nulidade ser requerida por aqueles em cujo o interesse a lei a estabelece.516.  Art. 281º).  Negócios cujo o objecto ou o fim são desaprovados pela ordem jurídica (art.”54  A falta de efeitos ou ineficácia de um negócio jurídico pode resultar não só de factores situados a nível externo. A parte geral do Código Civil Português. Almedina.  Negócios celebrados contra a lei (art.  Negócios celebrados sem observância da forma legal. o Dolo. 240º) + Reserva mental (art. associada à protecção de interesses públicos ou ausência de elementos fundamentais do negócio jurídico (sujeito. a nível de condição ou termo. sendo a nulidade invocável a todo o tempo.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Existem dois tipos de invalidade: o Nulidade:  Art. 294º). normalmente. sendo a invalidade uma deficiência genética ligada ao momento da emissão. 287º CCiv – o negócio jurídico produz efeitos temporários. nas suas modalidades de nulidade ou anulabilidade. é natural que ela se repercuta na fase posterior da emissão de efeitos.

Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. por outro – tem. situação que conduz à não activação da sua capacidade de gozo.”57 As causas da nulidade O regime das incapacidades negociais de gozo  “As incapacidades resultam de deficiências.315. pp. HEINRICH HÖRSTER. de “qualidades minguantes”. Coimbra. Coimbra. salvo disposição legal em contrário (art. Ed.55 “A ineficácia em sentido restrito e a ineficácia provocada por uma invalidade não são. 877º [venda a filhos ou netos]. em última análise. pp.  Interditos por anomalia psíquica.  Casamento anterior não dissolvido. 55 56 Cfr. Almedina. Ed. pp.517. UNICAMENTE nos casos da ineficácia provocada por uma invalidade são aplicáveis as disposições dos arts.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   RESTRITO (uma espécie de ineficácia directa e imediata) – como pode aparecer também em consequência de um factor situado a nível interno. HEINRICH HÖRSTER.316. Coimbra. Cit. A parte geral do Código Civil Português.”60  “As pessoas são incapazes porque lhes falta.316. Almedina.315. 59 Cit. por virtude de uma invalidade (sendo então uma espécie de ineficácia indirecta. Almedina. 57 Cit. em termos absolutos.”61  “Como se trata de negócio de natureza estritamente pessoal a incapacidade não é suprível: não há ninguém que se possa substituir ao incapaz concluindo o negócio em vez dele. por um lado. a aquisição de certos direitos pessoais. HEINRICH HÖRSTER. mas o resultado de decisões técnico-normativas (p. todas as pessoas são capazes de gozar a titularidade de quaisquer direitos privados. A parte geral do Código Civil Português. categorias dogmáticas que se impõem como tais.517. sempre um defeito da vontade que lhes veda.315 e 316. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra.. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português. podia também ter decretado uma ineficácia relativa).”59  “A incapacidade reside na própria pessoa do incapaz. A parte geral do Código Civil Português. Ed. da própria pessoa que afectam ou diminuem. 61 Cit. pp. Almedina. Almedina. pp. no caso previsto no art. o seu discernimento ou as suas capacidades volitivas. 60 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Ed.”62  Os casos das incapacidades negociais de gozo são 3: o Incapacidade para casar (art. 1601º . HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. ineficácia provocada por invalidade. Almedina. de uma maneira ou doutra. porém. ex. no entanto. uma grande relevância prática quando se trata de atender às consequências da respectiva falta dos efeitos. HEINRICH HÖRSTER. o Incapacidade para perfilhar (1850º) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL]:  Menores de 16 anos.”56 “A distinção entre as duas formas de ineficácia – ineficácia em sentido estrito. A parte geral do Código Civil Português. mediata) – INEFICÁCIA EM SENTIDO AMPLO. em vez de sancionar com a anulabilidade a venda feita sem os necessários consentimentos. Coimbra.”58  “Regra geral. HEINRICH HÖRSTER. Ed. pp. HEINRICH HÖRSTER. isto é. 62 Cit.  Idade inferior a 16 anos. 42 .  Demência notória. porque haverá. 285º a 294º. Almedina. Ed. a lei. pp.impedimentos dirimentes absolutos) [Excepção: o negócio é ANULÁVEL). o discernimento mínimo necessário. interdição ou inabilitação por anomalia psíquica. Coimbra. pp. Trata-se de situações excepcionais em que as pessoas por elas abrangidas não podem ascender à titularidade de direitos e obrigações de carácter pessoal por virtude das suas próprias insuficiências. Almedina. 67º). regularmente. Ed. Ed.316. 58 Cit.

Ed. também. o Incapacidade para testar (2189º) [o negócio é NULO]:  Menores não emancipados (menores de 18 anos ao abrigo do art. a invalidade de um casamento ou de uma perfilhação. NEGÓCIO SUCEDÂNEOS (negócios jurídicos em que os interessados defraudam uma norma imperativa).  Interditos por anomalia psíquica.317.294º abrange. pp. Ed.  O Art. depois de feita a interpretação do preceito violado em causa. ela própria.1. o próprio negócio ou fins ulteriores.a) e 1861º. a sanção resultante da sua violação. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. Almedina. 294º. no fundo. Estes desvios à regra da nulidade explicam-se pelo facto de estar em causa o estado civil das pessoas e pela necessidade subsequente de manter estáveis as relações respeitantes ao estado civil até haver a respectiva decisão judicial de anulação.”66 63 64 Cit. 65 Cit. Sendo assim. Ed. Nos outros dois casos os actos são anuláveis (1631º. 294º):  Está em causa a violação de limites legais impostos à autonomia privada. 1600º. 130º ou maiores de 16 anos ao abrigo do art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Notoriamente dementes no momento da perfilhação. pp.  “Quando uma norma imperativa não determina.1850º. pondo assim em causa as respectivas relações jurídicas familiares. A parte geral do Código Civil Português. 294º relativamente à nulidade ou não do negócio.1). 2188º). a ordem jurídica desaprova os negócios tendo em conta o seu conteúdo. fim ou circunstâncias concretas em que são celebrados. o “Se a norma proibitiva em causa pretende vedas não só o negócio que especificamente visou mas também quaisquer outros que conduzam ao mesmo resultado ou a um resultado equivalente. SEGUINDO O PRINCÍPIO GERAL (arts. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. pp. limita-se a impossibilitar de todo que ela possa vir a dar-se. pois seria inadmissível que “qualquer interessado” pudesse invocar. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. 66 Cit. Assim.”64 Negócios celebrados contra a lei (art.”63 “Em apenas um dos três casos. um negócio tanto pode ser nulo por ser directamente contrário à lei como por fraude à lei. a nulidade: no caso do testamento. 294º .b). Ed. a lei decreta.317. a nulidade pode resultar da aplicação do art. o A norma imperativa dirige-se a fins ulteriores  não conduz necessariamente à nulidade. HEINRICH HÖRSTER. pp. 43 . Almedina. A parte geral do Código Civil Português. feito por um incapaz (art. Deve perguntar-se qual é o alvo que a lei quer atingir com a proibição. salvo os casos em que outra solução resulte da lei”. a tomar ao abrigo do art.521. Coimbra. Cit. diferentes dele e não coincidentes com ele?”65 o A norma imperativa dirige-se ao conteúdo do negócio  Nulidade.“os negócios jurídicos celebrados contra disposição legal de carácter imperativo são nulos.  Trata-se de negócios que pela sua natureza geral são possíveis. 2190º). a proibição vale também para eles. 286º. Assim todas as normas imperativas que não determinem. a consequência da nulidade para o caso da sua violação (mas também não consagra uma outra sanção). a figura da incapacidade negocial de gozo parece dispensável: podia distinguir-se entre incapacidades de exercício insupríveis (referentes a negócios estritamente pessoais) e supríveis (referentes aos negócios gerais. Coimbra. ao abrigo do art.  Art. não estritamente pessoais). devem ser interpretadas quanto ao seu escopo e à sua finalidade com vista à decisão. “A lei não nega a titularidade como tal. no entanto. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. 132º + 1604º.520. elas próprias.

(ex. respectivamente um negócio contrário à lei ou à ordem pública. Almedina. o “Se o conteúdo do negócio não é imoral ou ilegal. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. o Negócios que são (280º.  Indetermináveis – não é possível concretizar ou individualizar o objecto em termos tais que se possa realizar a transferência ou a aquisição de direitos sobre o “quid”. A parte geral do Código Civil Português.  Legalmente impossíveis – a ordem jurídica não prevê tipos negociais ou meios para a sua realização ou não o admite sequer em relações jurídicas privadas. pp. 294º + 281º: o Situações em que apenas o fim do negócio é contrário à lei ou aos bons costumes.  Art.  Ofensivo dos bons costumes – tem por objecto actos imorais. mas a imoralidade ou ilegalidade deriva dos seus motivos ou dos fins propostos. Ed. 294º + 280º: o Negócios cujo o objecto68 seja (280º. Coimbra. Almedina. o O negócio é nulo se o fim negocial (desaprovado pela ordem jurídica) for comum a ambas as partes.  Contrários à lei – o negócio é materialmente possível mas contradiz disposições legais imperativas. Coimbra.325. Varia conforme a natureza deste e compreende os efeitos a que o negócio tende bem como aquilo sobre que aqueles efeitos incidem.1):  Fisicamente impossíveis – impossibilidade objectiva (envolve uma prestação não realizável no domínio dos factos ou segundo as leis da natureza. 271º: o “A sanção da nulidade do negócio jurídico verifica-se também quando a produção dos seus efeitos foi subordinada a uma condição ilícita ou impossível”70 Os negócios celebrados sem observância da forma legal 67 68 Cit.  Apenas é necessário que as partes conheçam a circunstância de que resulta a ofensa. Ed. promessa de contrato que a ordem legal proíbe.  Não é necessário que os intervenientes num negócio tenham consciência de violação dos bons costumes. Coimbra. pp. não sendo necessária nem a intenção nem mesmo a consciência de defraudar a lei. A parte geral do Código Civil Português. Ed.522. contrário à moral pública. 44 . Consiste na violação de normas de conduta de carácter não jurídico que reflectem as regras dominantes da moral social de uma determinada época e de certo meio. A parte geral do Código Civil Português. 69 Cit.2):  Contrários à ordem pública – um negócio jurídico é contrário á ordem pública quando viola princípios de ordem pública que se deduzem de um sistema de normas imperativas. como contrários à lei. HEINRICH HÖRSTER.525. promessa de vender coisas que estão fora do comercio jurídico). há uma infracção aos bons costumes por ambas as partes. pp.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o “Os negócios jurídicos com que as partes defraudam uma lei imperativa são nulos. 70 Cit. Almedina.”67 Os negócios com objecto ou fim desaprovados pela ordem jurídica  Art.”69  Art.

tudo o que se refere às estipulações acessórias deve ser aplicável ainda às cláusulas adicionais que completem o documento. uma vez que não poderiam ter sido incluídas no documento. Se a lei exigir a forma apenas para a prova da declaração. Vol I. 4ª ed. como se diz neste último preceito.  A lei determina que as estipulações verbais acessórias anteriores ou contemporâneas do documento legalmente exigido são nulas a menos que:  Se tratem de clausulas acessórias não essenciais. visto poder provar-se por confissão. ANTUNES VARELA.  As cláusulas posteriores. já o acto não é nulo. por analogia. que as partes ainda façam estipulações. 221º deve ser aplicável. Coimbra.”71 “Há. Código Civil Anotado.” O Art. porém. Coimbra Editora. nos termos do nº2 do art. Não se vê razão para um tratamento diferenciado em casos tão parecidos como o são as cláusulas acessórias e as cláusulas adicionais. a menos que também estas estejam sujeitas à forma legal em virtude de as razões da forma lhes serem igualmente aplicáveis.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. 73 Cit. o Estipulações verbais acessórias contemporâneas do documento legalmente exigido para a declaração negocial. em princípio válidas. ou seja. a solução que considera as formalidades legais da declaração como formalidades ad substantiam (e não meras formalidades ad probationem).210. são. pp. Limitada. É preciso. o disposto no art. o O art. como sucede quanto às exigências prescritas na lei processual para a exequibilidade dos títulos. 221º contempla 3 casos: o Estipulações verbais acessórias anteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. que isso resulte claramente da lei. Limitada. Cit.  (A presunção não procede quando a razão determinante da forma não for aplicável e se provar que elas continuam a corresponder à vontade do autor da declaração). resta saber se estão abrangidas ou não pelo âmbito da forma legal. Alem isso. inclui tudo o que as partes contraentes quiseram regular entre si. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. Código Civil Anotado.211. mas um requisito apenas para que o negócio respectivo produza determinados efeitos. pp. “Supõe a exigência de certa forma como elemento do negócio. como regra. pp.”73 “Quando a lei exige a observância de forma legal. Ed. no entanto. o “Embora a lei trate o problema das cláusulas acessórias apenas para as estipulações verbais.530. não tendo relevância quanto ao resto do negócio. 219º + 220º. pp. também aos casos em que as cláusulas acessórias constem de um documento com valor probatório inferior àquele que é exigido para a forma legal. 364º. ANTUNES VARELA. 221º cuida apenas das cláusulas acessórias. parte do princípio de que o documento. 4ª ed.”72 “O artigo 220º consagra explicitamente.”74 71 72 Cit. necessário para o efeito. Coimbra Editora.  De estipulações não abrangidas pela razão de ser da exigência do documento. não uma condição de validade da declaração.211.  De estipulações que provem corresponder á vontade das partes. Código Civil Anotado. casos em que a forma é. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra Editora. 4ª ed. Limitada. de facto. Pode acontecer. 74 Cit. Vol I. o Estipulações verbais acessórias posteriores ao documento legalmente exigido para a declaração negocial. ANTUNES VARELA. Vol I. 45 .

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o No caso de inobservância da forma legal. em que uma das partes induziu a outra em erro.o negócio é considerado nulo. que necessitam de ser verificar simultaneamente:  Divergência entre a vontade real e a vontade declarada. Os negócios celebrados com falta de vontade  “Podem surgir situações em que falte a coincidência entre o substrato volitivo interno e a sua aparência externa. HEINRICH HÖRSTER.240º: o Estabelece três requisitos.  O direito subjectivo é invocado para fins que estão fora dos objectivos ou funções para os quais ele foi atribuído pela norma.  Acordo entre declarante e declaratário. que o titular não fará uso do seu direito. 227º . esta exigência não se aplica quando estão em causa negócios jurídicos unilaterais (vd. de acordo com o declaratário. Ed. 76 46 .  Contraria a ordem pública ou contradiz os princípios fundamentais da ordem jurídica. de forma deliberada.  Art. A parte geral do Código Civil Português. A vontade que aparece como manifestada não existe como tal. esse mesmo direito.532. em princípio. mas há direito a indemnização da parte lesada. 75 O abuso de direito poderá aparecer sob duas formas básicas: o Abuso institucional:  É o abuso que o artigo refere quando se fala do “fim social ou económico” do direito. existem circunstâncias ou relações especiais em virtude das quais o exercício do direito incorre em contradição coma ideia de justiça.  Intuito de enganar terceiros. a coberto da norma.”76  Existência de uma divergência entre a vontade e a declaração. económica ou social ou desvirtua os objectivos do instituto jurídico. o declaratário sabe disso. Almedina. o Abuso individual:  Neste caso. pp.  Art. Cit.  No caso concreto. A simulação (arts. criando esta atitude como consequência a correspondente disposição da outra parte (aumento da renda sem respeitar a forma legal e o inquilino paga durante o tempo e só depois alega a nulidade do aumento). Chega-se a uma situação de confiança em que a outra parte faz fé.  Ignorada – falta de consciência da declaração. erro. 2200º)]. o exercício do direito estaria. (Considera-se que o interesse público tem supremacia). 240º a 243º)  O declarante emite.é adoptado um comportamento positivo por parte do titular do direito subjectivo. Esta falta é o resultado de uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada. o Não intencional:  Forçada – coacção física. comportamento este que vai no sentido de não querer exercer o seu direito.  Este tipo de abuso tem de ser apreciado oficiosamente pelo tribunal. Coimbra. reserva mental e declaração não séria. perdendo assim. 334º (abuso de direito75) – venire contra factum próprio . haverá duas soluções:  Art. a actuação conjunta visa enganar ou prejudicar o terceiro. Art. [De acordo com a doutrina dominante. O declarante faz a declaração mas não quer o declarado. Esta divergência pode ser: o Intencional  Simulação. uma declaração não coincidente com a sua vontade no intuito de enganar um terceiro. devido à estabilidade da conduta da outra parte durante um certo período.

podendo a nulidade ser invocada ou não nos termos que acabam de ser descritos. 243º): o 243º. Legitimidade para arguir a simulação (Art.1  Têm legitimidade para arguir a nulidade todos os interessados nos termos do art. pp.2). podem propor a acção nos termos do art. o Simulação inocente e simulação fraudulenta:  A simulação inocente visa apenas enganar alguém. Ed. 241º.  Simulação quanto ao valor. Coimbra. o 243º.2  a boa fé consiste na ignorância da simulação ao tempo em que foram constituídos os respectivos direitos do terceiro.2  A nulidade pode ser invocada pelos herdeiros legitimários que pretendam AGIR EM VIDA do autor da sucessão contra os negócios por ele simuladamente feitos com o intuito de os prejudicar. 241º): o “Se o negócio simulado é sempre nulo. A parte geral do Código Civil Português. 47 . como interessados.2).1  constitui uma limitação do art. Contra eles é sempre vedada a acção por parte dos simuladores. o 242º. 242º”. (É excluída a prova testemunhal nos termos do art. 1635º.”77 o A validade ou invalidade do negócio dissimulado (“escondido” por trás do negócio simulado) decide-se em termos perfeitamente autónomos e independentes do 77 Cit. claro que os terceiros de boa fé.d) e 2200º].  P. HEINRICH HÖRSTER. com isso. As modalidades da simulação: o Simulação absoluta (art.539.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     o O negócio simulado é nulo [apenas no caso do casamento simulado e do testamento simulado. o Nota: Os credores podem ainda invocar a nulidade ao abrigo do art.”  Mota Pinto – “se forem beneficiados com a nulidade. o mesmo já não acontece com o negócio dissimulado no caso de uma simulação relativa. 286º e os próprios simuladores mesmo que se trate de uma simulação fraudulenta. as partes simulam uma compra-evenda quando se trata de uma doação. 394º.Lima – “não interessa que os terceiros sejam prejudicados com a declaração de nulidade ou sejam beneficiados com a manutenção do negócio. Os herdeiros são também incluídos na categoria de simuladores tal como os seus representantes (259º. Almedina. podendo aquela ignorância ser perfeitamente culposa.1) – os simuladores pretendem celebrar determinado negócio jurídico. que todavia é dissimulado:  Simulação objectiva  sob a aparência de um acto de conteúdo ou de objecto diverso:  Quanto à natureza do negócio – Ex. o Simulação relativa (art. A simulação relativa e as suas formas (art. 605º Inoponibilidade da simulação a terceiros de boa fé (art.  Simulação subjectiva  concluído entre pessoas que não aquelas que efectivamente nele intervieram (interposição fictícia de pessoas).  Simulação fraudulenta visa enganar e. prejudicar o terceiro. o negócio é anulável – arts. 286º na medida em que exclui das pessoas legitimadas para invocar a nulidade (em princípio “qualquer interessado”) os simuladores em relação a terceiros de boa fé. 240º. 242º): o 242º.1) – Os simuladores fingem concluir determinado negócio e na realidade não há negócio nenhum.

e como tal. Coimbra. 241º decorre logicamente do seu nº1 bem como do art. sempre nulo. conhecendo a outra esta posição representativa. o Simulação subjectiva (interposição fictícia de pessoas):  Distinção entre interposição fictícia de pessoas. são admissíveis as seguintes posições:  A forma exigida na lei foi observada apenas para o negócio celebrado – invalidade no negócio dissimulado. conteúdo ou fim desaprovados.2. Só neste caso existe simulação. o negócio dissimulado de natureza formal apenas é válido se tiver sido cumprida a forma exigida por lei.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  negócio simulado.”78 o No que diz respeito ao cumprimento da forma legal. Ed. o Simulação relativa objectiva:  Simulação sobre o conteúdo do negócio:  Simulação sobre a natureza do negócio  mediante a qual se pretende. A parte geral do Código Civil Português. A pessoa é parte verdadeira no negócio. implica que. estejam todas as cláusulas sobre as quais as partes 78 Cit.  Horster  o negócio dissimulado deve ser considerado nulo sempre que não conste CLARA e INTEGRALMENTE do documente que a ele próprio disser respeito. Não existe conluio: há um acordo interno entre uma das partes do negócio e a pessoa por ela interposta que realiza o negócio com quem desconhece a situação. afastar ou ilegitimidades ou indisponibilidades.  Simulação sobre o valor do negócio  prentedem-se vantagens económicas que não seriam possíveis caso não exista simulação.  O negócio dissimulado é válido desde que o regime legal que lhe diz respeito tenha sido integralmente observado.  A forma legal apenas foi observada em relação ao negócio dissimulado – validade do negócio dissimulado. 220º. 48 .  Interposição real  é o caso do mandato sem representação. no documento.  A forma observada na conclusão do negócio simulado corresponde tanto à forma legal do negócio simulado como à do negócio dissimulado. Segundo este preceito. A exigência do nº2 do art. Existe um conluio entre as verdadeiras partes do negócio e a pessoa interposta por elas. em vez dela. Simulação em negócios formais ou em prejuízo da Fazenda Pública o “Se o negócio dissimulado estiver sujeito á forma legal é preciso observar o disposto no art.544. falta de forma. 241º.  Representação  alguém age em nome de outrem. etc). Almedina. visto estarem em causa duas realidades negociais diferentes. em primeira linha. Todos os intervenientes sabem da operação fictícia. A validade do negócio dissimulado vai depender de outras razões legais (incapacidade. HEINRICH HÖRSTER. interposição real de pessoas e representação:  Interposição fictícia  a pessoa interposta é um sujeito simulado. A exigência de forma legal.  Os negócio simulados são nulos por essa razão. Alguém age em nome de uma das partes. pp. proibição do negócio. em que alguém actua em nome próprio mas por conta de outrem.

220º) uma vez que as partes ou o conteúdo.  Quem emite. esta será preenchida nos termos do art. sob reserva mental. Cit.2).na lógica do 221º). Almedina. 49 . o “Tendo sido feita em prejuízo da Fazenda Nacional.1 e o negócio dissimulado é nulo por falta de forma (art. o Conteúdo contrário à vontade efectiva do declarante. a figura da “falso demonstratio” tem o seu lugar no contexto da interpretação da declaração negocial e do mau uso linguístico e não ao nível da simulação. O declarante não fica vinculado à sua declaração embora não possa opor a reserva mental a terceiros de boa fé (art. a doutrina defende que esta posição é a que melhor permite a satisfação da vontade real dos interessados.”80  Requisitos da reserva mental: o Declaração receptícia. 243º). o negócio dissimulado não é posto em causa pela lei fiscal quando for civilmente válido. uma declaração tem consciência que o declaratário lhe atribui efeitos jurídicos. Coimbra. Assim. mas não quer o declarado. então aplica-se o regime da simulação. pp.533. podem ser atingidos os objectivos superiores de interesse público que justificam a exigência da forma legal. 236º.547.2 e 238º. 239º. o negócio simulado é nulo nos termos do art. Havendo uma lacuna nas declarações negociais. pp. o No entanto. Coimbra.  Carvalho Fernandes  quando estiver em causa uma simulação objectiva em relação ao valor. deve considerar-se nula a cláusula de preço. Só assim. A parte geral do Código Civil Português. a declaração feita sob reserva mental é válida se for desconhecida do declaratário. Ed. 244º. não constam integral e claramente do documento relativo ao acordo obtido (art.2 que mandam atender à vontade real e coincidente das partes. pelo que a declaração negocial é nula (Art. HEINRICH HÖRSTER. a actuação isolada visa enganar (ou prejudicar) o declaratário. HEINRICH HÖRSTER. desrespeitando a lei. Se assim fosse. 221º). Portanto. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. pelo menos. atribuindo ao documento ou aos documentos celebrados o sentido que as partes quiseram (mas não manifestaram) ao outorgá-los. 244º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio com o declaratário – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de enganar o próprio declaratário.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel devem concordar para que o contrato fique concluído (art. Deste modo. Ed.”79 A reserva mental (Art. 240º. todas as simulações seriam falsae demonstratio. Portanto: o declarante faz a declaração. 232º. 79 80 Cit. Esta posição sustenta-se nos arts. se a forma adoptada no negócio simulado satisfazer as razões da forma exigida para o negócio dissimulado. o Intuito do declarante enganar o declaratário.  Doutrina dominante  o negócio dissimulado é formalmente válido se o documento para ele exigido for do mesmo tipo do adoptado no negócio simulado ou. o declaratário não sabe disso. a simulação relativa tem os efeitos previstos na lei civil: quer dizer. O declarante sabe da relevância jurídica para o declaratário.  Se a reserva mental for conhecida do declaratário.

81 82 Cit. o (Nexo de causalidade). nem o declaratário. A declaração não séria (art.2). Coimbra. porém. no entanto. Coimbra. situação muito semelhante a “falsa demonstratio”. 246º)  Coacção física ou violência absoluta – o declarante é um simples instrumento à mercê de outrem que comanda irresistivelmente a acção mediante a qual se manifesta a vontade. 50 . uma vez que não houve o acordo simulatório nem o intuito de enganar terceiros mas o próprio declaratário. 241º. mas não quer manifestar com este nenhuma vontade jurídico-negocial. NOTA: “nas três figuras referidas até agora a posição do declarante face à sua declaração é sempre a mesma: não quer o declarado.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel     É possível que uma vinculação se venha a estabelecer no caso de ser verificar o condicionalismo previsto no art. HEINRICH HÖRSTER. o A atitude do declaratário justifica-se nas circunstâncias do caso concreto.534. Portanto: o declarante faz – como mero instrumento – a declaração. HEINRICH HÖRSTER. O declarante faz a declaração mas não que o declarado. o Vontade de acção mas falta de consciência de fazer uma declaração negocial. Almedina. O declaratário não sabe disso. a actuação isolada não visa enganar ou prejudicar ninguém. 259º). não há vontade de acção nem acção do declarante. Em casos em que a nulidade poderá levar a resultados muito injustos (reserva mental motivada por caridade ou por valores morais) poderá ser útil a figura do abuso de direito (art. Ed. da simulação. a declaração for feita em circunstâncias que induzam o declaratário a aceitar justificadamente a sua seriedade tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer. varia e é em sintonia com ela que se diferenciam e definem as três figuras. A posição ou a atitude do declaratário. A parte geral do Código Civil Português. 245º)  “O declarante emite – sem qualquer conluio – uma declaração não coincidente com a sua vontade na intenção de não enganar nem um terceiro. Pressupostos: o O declaratário tomou a declaração a sério. Ed.  À falta de consciência de fazer uma declaração correspondem duas alternativas: o Falta de vontade de acção. 334º).1. pp. observa um dado comportamento.”82 A falta de consciência da declaração e a coacção física (art. Portanto: o declarante emite uma declaração. uma declaração com as características volitivo-finais. mas o declarante está convencido que sabia. mas não quer o declarado por lhe faltar a consciência de fazer uma declaração negocial (isto é.  As declarações não sérias carecem de qualquer efeito. Necessária para a consequência de nulidade é sempre o conhecimento positivo da reserva por parte do próprio declaratário ou do seu representante (art. não quer o declarado ou não tem vontade nenhuma. Pode haver uma reserva mental relativa que implica a validade da declaração dissimulada desde que esta esteja em conformidade com a lei (241º.”81  As declarações devem ser não sérias e simultaneamente não enganadoras.534. A parte geral do Código Civil Português.  Falta de consciência da declaração – o declarante tem vontade de acção. Cit. porém.  Indemnização pelo dano da confiança  Se. tendentes a uma vinculação jurídica). pp. A reserva mental distingue-se. Almedina. o A atitude de tomar a sério foi originada pelas circunstâncias.

Ed. Por isso. mas pela lei ou por certa entidade (pública ou mesmo particular) nos termos da lei. pp. 1921º e ss. para o suprimento da incapacidade. Coimbra. designada não pelo próprio incapaz. resultado esse intolerável para a ordem jurídica. a capacidade de exercício desde que tenham atingido a maioridade. Essa outra pessoa vem a ser o representante legal do incapaz. dispondo o tutor de poderes menos amplos do que os detentores do poder paternal.319. Ed.  As incapacidades de exercício não dizem respeito a negócios estritamente pessoais. As causas da anulabilidade Negócios celebrados sem capacidade de exercício:  “Tirando os casos das incapacidades negociais de gozo. da perspectiva deste. se trata de uma verdadeira declaração negocial”83  Indemnização pelo dano de confiança. A parte geral do Código Civil Português. Almedina.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o “Se a falta de consciência foi devida à culpa do declarante. o Inabilitação (152º a 156º)  Incapacidade específica – o inabilitado tem uma incapacidade específica podendo ser geral conforme os casos concretos decididos em tribunal.317. tratamse de incapacidades supríveis. 51 . 144º. 85 Cit. Cit. dois institutos. Estes dois institutos são a REPRESENTAÇÃO LEGAL e a ASSISTÊNCIA”85: o Representação legal – é admitida a agir em lugar do incapaz uma outra pessoa. visto que. A parte geral do Código Civil Português. foca este obrigado a indemnizar o declaratário que confiou na declaração. 1877º)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens. agindo umas vezes com inteira independência. Coimbra. A falta de consciência da declaração ou a coacção física conduzem à nulidade do negócio. 1877ºss)  a representação diz respeito à pessoa do incapaz e aos seus bens.”84  Situações em que existem incapacidades de exercício: o Menoridade (art. ela consagra dois meios.  O instituto das incapacidades visa proteger o próprio incapaz contra as suas insuficiências as quais lhe podem causar prejuízos. A parte geral do Código Civil Português. precisando outras vezes de autorização de outra entidade. Almedina. tendo por base um comportamento imputável ao declarante. [Os negócios celebrados sem o respectivo suprimento são anuláveis]. Coimbra.  “Se a incapacidade não fosse suprível os incapazes ficariam excluídos de todo o tráfico jurídico geral. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. 122º a 129º)  Incapacidade geral – o menor não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. 139º. bastando a mera culpa. Ed. todas as pessoas possuem. pp. HEINRICH HÖRSTER. 143º e ss. 124º. Almedina. em princípio.553.  Os representantes legais podem ser:  Detentores do poder paternal (art.  Tutor (art. o Interdição (138º a 151º)  Incapacidade geral – o interdito não pode reger a sua pessoa nem os seus bens. pp. 83 84 Cit.

tendo lugar nos casos previstos no art. a entidade a quem ela compete não pode incluir ela mesma. 1967ºss e 139º)  a representação estende-se apenas aos bens do incapaz. a)-c). 1922º e 1888º.  Agem em vez do incapaz e representam-no judicial e extrajudicialmente.  Detentores do poder paternal ou tutor (1604º. o A menos que a lei abra excepções. 154º.). subsidiariamente (art. 1612º e 1708º. sendo essencial que o incapaz delibere realizá-los. existindo ao lado de quem é representante legal quanto à sua pessoa (tutor ou detentores de poder paternal) ou ao lado daquele cuja representação relativamente aos bens do menor tiver sido restringida (cf. 1921º e ss. é-lhe necessário o consentimento de certa outra pessoa ou entidade. 1877º e ss) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (1885ºe ss. os representantes legais precisam de autorização do tribunal para poderem validamente celebrar determinados actos quanto aos bens do menor (arts. 122º  é menor quem não tiver completado 18 anos de idade. 1938º. [Vd. a incapacidade só termina com a maioridade ou a emancipação pelo casamento (129º + 132º). 1938º.  No caso do art. 123º o Estabelece uma incapacidade geral – os menores não estão habilitados a reger a sua pessoa e a dispor dos seus bens e eles não têm capacidade para adquirir direitos ou assumir obrigações por acto próprio (ou por meio de um representante voluntário).1).  Em certos actos levados a cabo pelo representante. Simplesmente.  Existem diversos graus de assistência em concordância com o grau de incapacidade:  Curador (153º. 52  . A função do representante é activa.1). o Instituto da assistência – o incapaz pode agir ele mesmo. [Vd.a). 1901º a 1912º] o Administração de bens (art. art. por si só.1).1971º.) – representação legal do menor em relação à sua pessoa e aos seus bens (art. o Pela tutela.  Art. 1935º). 1971º.1850º. para poder realizar validamente os respectivos negócios. 124º (suprimento da incapacidade dos menores): o Pelo poder paternal (art. por via negocial.para os inabilitados ou para negócios estritamente pessoais (casamento e respectivo convenção antenupcial). 1927º e 1967º].2 o curador é representante legal. As três modalidades das incapacidades de exercício em pormenor A menoridade:  Art. 1889º. 1892º.  Os tutores e administradores de bens estão proibidos de realizar certos actos (1937º.2 em contraposição com o art.2) .1. Onde funciona a assistência.2) – para os menores com mais de 16 anos. Não assim quanto intervém a representação. a validade depende sempre da autorização do tribunal (1889º e ss. o NOTA:  Em alguns casos especialmente previstos.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Administrador de bens (1971º.2. 1971º) – existe ao lado do poder paternal e da tutela. 1888º). 1922º. A do assistente é apenas inibitória ou completiva da vontade do assistido. os respectivos negócios.  Art. 1971º.

126º refere-se unicamente ao menor. e não os pais.  Horster – “A resposta deve ser negativa. bem como a dissimulação. o direito de anulação dos representantes legais. HEINRICH HÖRSTER. 130º). não faz sentido que a menoridade seja um elemento relevante para efeitos de um erro que torna o negócio anulável nos termos dos arts. 125º. o Nota: 127º. “Mas se este casar sem ter obtido autorização dos pais ou do tutor. porém. 4ª ed.”87 Art.c). principalmente à situação económica do menor e dos seus pais – sem esquecer. o risco da menoridade cabe sempre à outra parte. e as incapacidades daí resultantes. o NOTA: Uma vez que o instituto da menoridade.”86 Art. b)) ou a requerimento de qualquer herdeiro do menor (no prazo de um ano a contar da morte deste ou ocorrida antes de expirar o prazo referido na alínea anterior). não fazendo sentido que a lei proteja esta situação.b) – “a determinação de pequena ou grande importância das despesas contraídas pelo menor ou dos actos de disposição por ele realizados fica entregue ao prudente critério do julgador. A parte geral do Código Civil Português. Se o menor actua com dolo. Cit. 127º (excepções à incapacidade dos menores) – ver artigo. o Tendo em conta que o herdeiro sucede na posição patrimonial do “de cujus” parece correcto aplicar o art. do erro do declarante. 128º (dever de obediência) – ver artigo. pelo declaratário ou terceiro. 253º). por duas razões: (1º) o texto do art. Ed. Art. 132º). 126º. o Quando são emancipados por casamento (art. então significa que tem discernimento suficiente para perceber as consequências do negócio jurídico que pratica.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel      Art. o O direito de requerer a anulabilidade baseia-se sempre no interesse do menor. 126º (dolo do menor): o Conceito de dolo – qualquer sugestão ou artifício que alguém empregue com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. 53 . o Uma outra questão é a de saber se o dolo do menor exclui. Coimbra Editora. pp. 126º. pelo que se explica que a outra parte não possa requerer esta anulabilidade. Limitada. (Art. (2º) a exclusão do direito dos representantes legais seria uma contrassenso: eles não são abrangidos pelo ratio do art. visam proteger o interesse do menor.331. alem disso.140. no sentido de incluir os representantes legais nesta limitação à invocação da anulabilidade. que é o menor. Poderá também ser requerida pelo próprio menos (no prazo de um ano a contar da sua maioridade ou emancipação – nº1. A este propósito existe uma divisão na doutrina:  Mota Pinto – Deve fazer-se uma interpretação extensiva. ou o respectivo suprimento judicial. pp. 251º e 247º. não adquire capacidade plena para o exercício de direitos: continuará a ser considerado 86 87 Cit. Código Civil Anotado. 129º (termo da incapacidade dos menores): o Quando atingem a maioridade (18 anos – art.1. ANTUNES VARELA. Vol I. que há-de atender às circunstâncias próprias de cada caso. não lhe atribuindo a legitimidade para arguir a anulabilidade nos termos do art. Art. Coimbra. Almedina. 125º (anulabilidade dos actos dos menores): o A legitimidade para invocar a anulabilidade do negócio jurídico cabe ao progenitor que exerça o poder paternal. ao tutor ou administrador de bens. À excepção no disposto no art. 126º. quem está em causa.

Havendo desacordo. 125º. o O interditando dispõe sempre de um defensor que o representa no processo (arts. 139º a 151º. 947º. 54 . 950 e ss.2 – os pais deve agir de comum acordo. o Caindo a tutela nos pais. 946º. o O campo de aplicação do nº2 do art.  Art.  Pelo seu tutor ou curador (aqui o interditando já está inabilitado). surdezmudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens. que por anomalia psíquica.a).o regime da interdição é equiparado ao da menoridade.1. em primeiro lugar. bem como as regras respeitantes aos outros meios previstos para este fim (art. 141º deve ser regularmente o caso em que a interdição é requerida já antes de o menor ter atingido a maioridade (art.  Ministério Público. visto a interdição servir. 140º: o Os tribunais comuns por onde corre o processo de interdição têm a mesma competência atribuída aos tribunais de menores nas disposições que regulam o suprimento do poder paternal.2 CPC).1). são dadas ao interditando todas as garantias processuais e materiais correspondentes à gravidade do acto de interdição (arts. sem a necessidade de recorrer previamente ao tribunal para sanar o desacordo entre eles. será suficiente o requerimento de apenas um deles. estes continuam investidos no poder paternal tal como o exercem em relação a filhos menores. o No respectivo processo. o Art. Daqui resulta que o interdito tem uma incapacidade geral. os interesses do interditando e tendo processo de interdição. 1921º a 1972º). 142º (providências provisórias) o Nomeação de um tutor provisório ou interdição provisória. 143º (a quem incumbe a tutela) o Formas de representação legal. 1935º. 1649º. 1901º.  Art. 131º. 149º. o O tribunal pode decretar a interdição mesmo que inicialmente tenha sido pedida a inabilitação (art.  Qualquer parente sucessível. As interdições  Art. o Durante o decurso da acção há ainda um outro meio de proteger o interditando. 954º CPC). 124º). dispondo de uma margem de decisão apreciável (art.1). CPC) o O tribunal decide não em função do pedido da acção mas no interesse do interditando. sem as limitações que caracterizam o uso da tutela (art. 139º . 953º.pessoas sujeitas a interdições – maiores. o Quando a tutela não recair nos pais aplicam-se-lhe em tudo o que não seja regulado de uma maneira especial pelos arts.2. 138º .TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel menor quanto à administração dos bens que leve para o casal ou que posteriormente lhe advenham por título gratuito até à maioridade (art.  Art. 954º CPC). através do art.  Art.  Art. 141º (legitimidade) o A interdição pode ser requerida:  Pelo cônjuge do interditando.

São aplicáveis ao interdito as disposições que regulam as excepções à incapacidade por menoridade (art. após o trânsito em julgado da sentença mas antes do seu registo.  A interdição venha a ser definitivamente decretada. não pode ser invocada contra terceiro de boa fé (1920º-C). o O prazo da proposição da acção conta-se a partir do registo da sentença (1 ano – art.ver artigo. Coimbra. como instituto da representação legal destinado a suprir incapacidades de exercício. Exigese que:  O negócio celebrado tenha causado prejuízo ao incapaz para que possa ser anulado – critério objectivo: prejuízo causado pelo acto e não nos termos em que agiria uma pessoa normal e sensata. conforme as necessidades do caso concreto. a interdição. Art. regime da interdição. 139º a 151º). não há regime especial para eles: são anuláveis ao abrigo do disposto acerca da incapacidade acidental (257º). Almedina. a seguir ao registo. embora produzindo os seus efeitos. A partir do registo. regime da incapacidade acidental. 1927º a 1962).no que diz respeito aos negócio celebrados antes de anunciada a propositura da acção. Art. 139º  123º a 128º). Art. 151º (levantamento da interdição) . 145º (dever especial do tutor) – saúde deve ser entendida num sentido amplo: a finalidade em vista é que o interdito recupere a sua capacidade.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel       Art. 147º (publicidade da interdição) – a sentença que decreta a interdição DEFINITIVA está sujeita a registo civil obrigatório. durante o decurso da acção. 125º.339. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. “A cadeia de protecção é. aparece em duas situações diferentes:  Meio de suprir o poder paternal  aplica-se a menores (1921º e ss. a seguinte: até à propositura da acção.  Meio de suprir uma incapacidade do interdito  aplica-se a interditos (art. 127º são anuláveis nos termos do art. Art. As inabilitações 88 Cit.  Não foi decretada nenhuma medida ao abrigo do art. 150º . embora não invocável contra terceiro de boa fé para quem as coisas se passam como se a acção ainda estivesse pendente. 142º. o Está de boa fé quem não conhece a sentença nem razoavelmente deve conhecê-la. 149º (actos praticados no decurso da acção) o O regime estabelecido neste artigo difere do regime estabelecido no art. 257º também protege o interditando depois de anunciada a propositura da acção:  Quando a interdição não veio a ser decretada. a administração de bens (1967º a 1972º). regime da incapacidade acidental reforçado pelo regime resultante dos arts.”88 Nota: A tutela. regime da interdição sem quaisquer restrições. da qual é privado por razões de saúde. o regime da interdição funciona plenamente. deste modo.1). o Enquanto a sentença não constar do registo. o Nota: mas o art. Ed. pp. o Os negócios do interdito que não forem praticados ao abrigo do art. 287º.  Ao lado da tutela pode surgir. 55 . 148º. 142º/149º.

a celebrar convenções antenupciais ou quaisquer outros negócios jurídicos que tenham sido especificados na sentença de inabilitação. Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    Tal como a interdição. 152º. não existe uma representação legal. pp. 56 .344 e 345. Almedina. Limitada. que carece de legitimidade para esse efeito. embora permanente. A parte geral do Código Civil Português.”91 o “Os actos são pois celebrados pelo inabilitado. sem a necessidade ou sem a possibilidade de uma interdição.544. Assim se explica também a possibilidade de suprimento judicial de autorização do curador. através do qual é suprida a incapacidade. pp. Prodigalidade – é um comportamento. Coimbra Editora. Aqui. Almedina.  Indivíduos que pela habitual prodigalidade se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património.”92 o É esta a característica da inabilitação que a distingue profundamente da interdição.159.”90 Art. A parte geral do Código Civil Português. o “Trata-se. ANTUNES VARELA. surdez-mudez ou cegueira. Código Civil Anotado. Abuso de bebidas alcoólicas ou estupefacientes – significa que é preciso a existência de um vício ou de um estado duradouro que já apresente sinais de carácter patológico. Vol I. sobretudo no caso das pessoas abrangidas pelo 2º grupo do art. Código Civil Anotado. originado por um defeito da vontade ou do carácter. não seja de tal modo grave que justifique a sua interdição. pp. que se define por gastos desproporcionados em relação à situação patrimonial do inabilitado. 152º). ANTUNES VARELA. em princípio. de casos em que uma pessoa se encontra com uma capacidade diminuída. Art. Limitada.152º (pessoas sujeitas a inabilitação): o Podem ser inabilitados:  Indivíduos cuja anomalia psíquica. pp. 4ª ed. 92 Cit. querendo celebrá-los. HEINRICH HÖRSTER.  Indivíduos que pelo uso de bebidas alcoólicas ou uso de estupefacientes se mostrem incapazes de reger convenientemente o seu património. mas constitui uma intervenção mais fraca e menos ampla que esta. portanto. os herdeiros e até a própria comunidade que de outra maneira podia vir a ter de assegurar o mínimo de existência ao incapaz.”89 o A inabilitação existe em primeiro lugar para proteger os interesses do inabilitado “mas ela pode beneficiar. Vol I. autorizar o inabilitado a alienar bens por acto entre vivos. 153º (suprimento da inabilidade): o “O curador é uma entidade a quem cabe apenas. Coimbra Editora. Coimbra. 4ª ed. também outros interessados na administração conveniente do património do inabilitado que serão o cônjuge. 89 90 Cit. o A inabilitação aplica-se apenas no caso das pessoas que não sejam capazes de reger o seu património e ainda que não sejam incapazes de todo de governar a sua pessoa e bens (1º grupo do art. o Tem uma importância fundamental para a interpretação deste artigo a distinção entre actos de mera administração e actos de disposição de bens:  Actos de mera administração (não alteram a raiz do património) – não estão sujeitos a autorização do curador. a inabilitação destina-se a maiores. 91 Cit.159. e não pelo curador. HEINRICH HÖRSTER.  Actos de disposição (alteram a raiz do património) – estão sujeitos a autorização do curador. existe um assistente. Ed. Coimbra. Ed. sendo os gastos improdutíveis e injustificáveis.

160.  Art. 156º (regime supletivo) o De todo inaplicáveis às inabilitações são as disposições dos arts. 150:  Horster – aplica-se directamente.  Art. ANTUNES VARELA. Varela – nunca poderá ser directamente aplicável porque não é possível. 149º . da administração de certos bens ou de praticar. 151º . em relação a todos eles ou a alguns deles. compete ao curador praticar certos negócios em representação do inabilitado:  Os previstos no art. 152º a 155º não prevejam soluções específicas para a inabilitação. 93 Cit.  Art. Art. 143º . para o curador. como regime supletivo:  Art. Art.Escusa da tutela e exoneração do tutor. dois períodos importa distinguir quanto ao regime dos actos praticados pelo inabilitado:  Período que se estende desde o anúncio da proposição da acção até ao registo da inabilitação definitiva  ART 149º e 125º. 155º (levantamento da inabilitação) o Deduz-se. pp.  Representar o inabilitado como cabeça de casal (2082º. a administração dos bens do inabilitado. 57 .  Art.  Art. 123º a 128º e para as disposições dos arts. 257º.2. só por existirem as condições da inabilitação. 140º (competência dos tribunais comuns).  Art. surdez-mudez ou anomalia psíquica.levantamento da inabilitação. 148º . no todo ou em parte.”93 o Quando ao curador são atribuídos poderes de administração.  Art. 154º (administração de bens do inabilitado) o “É a titulo excepcional que a sentença pode transferir.  Art. 1769º. Coimbra Editora.actos praticados no decurso da acção. Limitada. que não existe prazo para o levantamento da inabilitação quando se trata de cegueira. Este pode ser privado. nos termos deste artigo. 1967º como meios de suprir o poder paternal. e não da mera assistência.  Art.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel    o Excepcionalmente. Vol I. verificarem-se os requisitos exigidos pelo art. 141º . a incapacidade do inabilitado passa a ser suprida nos termos clássicos da representação. 4ª ed. 139º:  Dupla remissão.  Art.3). 154º. o De acordo com a remissão estabelecida. como nos casos normais de inabilitação previstos no artigo anterior.  A.Publicidade da interdição.legitimidade para requerer a inabilitação. o Sempre que os arts. deve recorrer-se ao regime estabelecido para a interdição. 147º .providências provisórias.2).  Intentar a acção de simples separação judicial de bens (art. É necessário mais alguma coisa para que o inabilitado não entenda o sentido da declaração ou não tenha o livre exercício da sua vontade.  Art.  Refgras dos arts. 138º. 142º + 149º . certos actos de administração.A quem incumbe a tutela. a contrario. 146º . Código Civil Anotado. Art. 144º e 145º.actos do inabilitado posteriores ao registo da sentença.

inclusive os actos praticados durante os intervalos lúcidos. As ilegitimidades e as indisponibilidades relativas. Cit. interditos ou inabilitados quando e na medida em que possuem excepcionalmente a capacidade de exercício ao abrigo do art. Almedina. 148º + 125º. até a interdição ou inabilitação tiver sido levantada.346. a maiores ou menores emancipados (ou também a menores. o Se o demente tiver sido interdito ou inabilitado. por mais duradouros que fossem esses intervalos.. embora possa abranger todos os singulares actos específicos de uma pessoa. aliás. Coimbra.”95 o Quando os menores. Aplica-se então. as proibições legais relativas 94 95 Cit. o Para conseguir a anulação de uma declaração negocial. pp.”94 Figuras afins A incapacidade acidental  Ao contrário das incapacidades de exercício referidas anteriormente.) em condições psíquicas tais que não lhe permitiam o entendimento do acto que praticou ou o livre exercício da sua vontade. frequentemente. Ed.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  A partir do registo  ART. como se vê. Quem se encontra acidentalmente incapacitado possui.. resulta da lei. possuem plena capacidade de exercício. é necessário provar:  Que o autor da declaração. muito graduado e maleável. interditos ou inabilitados não possuem capacidade. 257º (incapacidade acidental) o “O regime do art. o regime desta última. o regime do art. estado hipnótico. 257º aplica-se a pessoas que. “O regime da inabilitação é. indo ao encontro da sua auto-realização. HEINRICH HÖRSTER. ou seja. 58 . no momento em que a fez. a incapacidade acidental nunca é geral. mas sempre relacionada com um acto específico. droga.  O prazo para invocar a nulidade é de um ano (art. 127º). portanto.  Esse estado psíquico era notório – uma pessoa de normal diligência o teria podido notar. HEINRICH HÖRSTER. com base neste preceito. conforme a diminuição da capacidade do inabilitado no caso concreto. 257º nunca se sobrepõe ao regime da respectiva incapacidade (salvo os actos de mera administração dos inabilitados). 287º). pp. praticados sucessivamente. os seus actos são anuláveis em virtude do regime de interdição ou inabilitação. em princípio. mas não descuidando as exigências de segurança do tráfico jurídico (pois a sentença e a respectiva nomeação do curador com as suas competências estão sujeitas a registo obrigatório). na situação regular da sua incapacidade.  Art. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. etc. Almedina. se encontrava. capacidade de exercício normal como. Ed. A parte geral do Código Civil Português.344. a incapacidade acidental não afecta o estado da pessoa. da inabilitação. em geral. ou por anomalia psíquica ou por qualquer outra causa (embriaguez. o Ao contrário da menoridade e da interdição e.

”96  As ilegitimidades implicam que uma pessoa que goza de plena capacidade.3  a anulabilidade não é oponível ao adquirente de boa fé.2). Ed. 876º  venda de coisa ou direito litigioso (remissão para 579º). as ilegitimidades têm em vista o relacionamento de uma pessoa com os outros. A parte geral do Código Civil Português. 2192º a 2198º . Negócios que necessitam do consentimento de outros familiares ou de autorização do tribunal  Art. a incapacidade tem em vista o próprio incapaz. o Art. 59 . sendo nestas outras pessoas que reside a causa da indisponibilidade relativa. o Art. de um modo de ser do sujeito em si.  Art.  As disposições feitas em infracção às indisponibilidades são NULAS (art.  Art.  Situações previstas: o Art. 892º. Almedina. 1714º.349.  Situações que podem ser consideradas ilegitimidades: o Art. os casos das ilegitimidades. resultam de uma posição. HEINRICH HÖRSTER. 1892º (aquisição de bens dos filhos). pp. 294º. Excepções: o 1687º. 953º . são nulos os negócios celebrados contra a lei. torna o negócio anulável. Ed. Uma vez que se tratam de negócio estritamente pessoais. mas apenas operam no sentido de contemplar determinadas pessoas. Coimbra. isto é. seja legalmente impedida de celebrar determinados negócios com determinadas pessoas.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel As ilegitimidades  “A diferença fundamental entre as ilegitimidades e as incapacidades reside no seguinte: toda e qualquer incapacidades resulta sempre de uma “qualidade minguante” da própria pessoa.”97  Vêm reguladas nos arts. A parte geral do Código Civil Português. pp. 1602º + 1631º  o casamento celebrado com impedimento dirimente relativo é anulável.  Nos termos do art.  Art. pelo contrário. 2192º 1 e 2) e não podem ser realizadas por meio de interposição de outra pessoa (2198º + 579º. 877º (venda a filhos e netos). 1762º  proibição da doação entre cônjuges casados imperativamente com separação de bens. Proibições legais relativas  São negócio que a lei proíbe. isto é.disposições testamentárias a favor de determinadas pessoas. o 1687º. 96 97 Cit. o disponente tem capacidade. HEINRICH HÖRSTER. de um modo de se ser para com os outros. Por outras palavras. pode dispor.348. Indisponibilidade relativa  “As limitações estabelecidas na lei não resultam de uma qualidades que é própria do respectivo disponente. as ilegitimidades não são supríveis. Coimbra. o Art. mas a lei proíbe-lhe de o fazer relativamente a determinadas pessoas.4  o negócio é nulo por remissão ao art. Em princípio.  A falta do consentimento ou de autorização judicial. 1682º a 1863º (ilegitimidades conjugais).2  contratos de CCV e de sociedade entre cônjuges não separados judicialmente.doações que beneficiam determinadas pessoas. Cit. 579º e ss  cessação de direitos litigiosos. Almedina.

” 100 Trata-se de um correctivo material de índole social. idade avançada. Ed. Ed. A parte geral do Código Civil Português. Ed. social habitacional ou estritamente pessoal. de acordo com o princípio da protecção dos mais fracos”99  “A finalidade dos arts. 60 . Ed. HEINRICH HÖRSTER.. Ed. Almedina.558. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. 282º: o É anulável. A parte geral do Código Civil Português. A parte geral do Código Civil Português.558. o negócio jurídico quando alguém. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. 100 Cit. Coimbra. Almedina.”105  Fraqueza de carácter  “verifica-se quando uma pessoa não está em condições morais ou não tem força anímica para se comportar devidamente.  “A lei civil actual.”103  Dependência  “existe quando a autonomia de decisão está limitada de facto. A parte geral do Código Civil Português. Almedina. pp. a sanção é a anulabilidade.558. por meio do art. Ed. Cit. a protecção de pessoas caracterizadas ou afectadas por certas situações de inferioridade contra quem pretenda daí tirar benefícios excessivos e injustificados. pp. Ed. 282º. pp. por conseguinte. penas de privação da liberdade por bastante tempo. Coimbra. vício do jogo.”104 Pode ser: relações de subordinação no âmbito laboral..555. A parte geral do Código Civil Português. Coimbra. podendo ser várias as causas que levam a tal situação. Coimbra. 282º e ss é. HEINRICH HÖRSTER.  Ligeireza  “significa um comportamento irreflectido.. Coimbra.. explorando a situação de:  Necessidade  “existe quando necessidades avultadas de uma pessoa provocam a necessidade imperiosa para ela de obter uma prestação para se libertar daquelas dificuldades”101 Pode ser: dificuldades económicas muito sérias (desemprego). reintroduziu a figura do negócio usurário e a limitação da liberdade contratual daí resultante em atenção a considerações sociais. Ed. sendo a maneira leviana e irresponsável de actuar um traço característico da pessoa e não uma falha esporádica ou acidental.349.. consequência de relações de situação de instruendo.. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. mentalidades não adaptadas.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel Os negócios usurários  “Pertencem aos negócios jurídicos com conteúdo desaprovado pela ordem jurídica – e isto em virtude do desequilíbrio das prestações neles acordadas devido à inferioridade de uma das partes”98  Ao contrário do que acontece nos negócios abrangidos pelo 280º e 281º.  Inexperiência  “existe nos casos em que o discernimento necessário e adequado ainda não foi adquirido ou voltou a perder-se.  Situação de estado mental  “deve abranger limitações das faculdades mentais ou estados de emoção e descontrolo que restringem o discernimento do interessado e afectam as suas capacidades decisórias.556.  Art. Coimbra. Coimbra. 101 Cit. HEINRICH HÖRSTER. HEINRICH HÖRSTER. Almedina.”102 Pode ser: juventude. Ed. apesar de poder possuir perfeita lucidez a respeito da sua situação e do seu comportamento”106 Pode ser: virtude de doença.558. A parte geral do Código Civil Português. pp. por usura.349. pp. HEINRICH HÖRSTER. 106 Cit. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. pp. Coimbra. pp. 104 Cit. pp. Almedina. HEINRICH HÖRSTER.. A parte geral do Código Civil Português. graves inconveniências de natureza política. toxicodependência. 102 Cit. 98 99 Cit.558/559. pp. Almedina. 105 Cit.. Coimbra. 103 Cit. imaturo e imponderado.

segundo juízos de equidade.1.232. a consciência de que se faz uma declaração negocial. Pretende-se. aproveitamento CONSCIENTE da parte do usurário de pelo menos uma das seis situações descritas.”107 o “O acto é anulável e não nulo. 247º: o “O caso previsto é o chamado erro obstáculo ou erro na declaração. por exemplo.  Tipos de erro na declaração: o Erro na própria declaração  o declarante emprega palavras ou termos diferentes daqueles que queria utilizar (ex. 61 . 4ª ed.  O declarante diz algo que verdadeiramente não quer dizer e não tem consciência do erro.2: o “Prevê a hipótese de o próprio usurário declarar que prefere. Código Civil Anotado. mas esta tem um conteúdo diferente do que foi pretendido. Coimbra Editora. a anulabilidade depende de o destinatário da declaração CONHECER OU DEVER CONHECER a essencialidade para o declarante do elemento sobre que incidiu o erro. o Esta solução legal tem utilidade nos casos em que o lesado possui um interesse na continuação do contrato.  Art. o Resumo (pressupostos):  Existência de um aproveitamento consciente da parte do usurário de uma situação de inferioridade da outra parte. em matéria de casamento).”108 o “Não se exige.  Desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada (critério aplicado pelo juiz!). Para a contagem do prazo. mas por lapso. Código Civil Anotado. a modificação nos termos do art. 1636º. ANTUNES VARELA.”109 (Excepção em relação ao art. em que tira proveito de uma situação inferioridade da outra parte. entre várias hipóteses.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel o Pressupõe do lado subjectivo o explorar. sem erro. o É necessária a desproporção excessiva ou injustificada entre o benefício obtido e a contraprestação dada. basta que se aproveite desta situação. Cit. nem o conhecimento ou sequer a recognoscibilidade deste por parte do declaratário. por conseguinte. ANTUNES VARELA. certa vontade.232. Vol I. 53 em vez de 35) – emprega algo diferente daquilo que estava na sua cabeça.  Art. para a anulabilidade da declaração. ao contrário do caso previsto na primeira parte do artigo anterior. nem a desculpabilidade do erro. pp.  Art. 4ª ed. o Implica a confirmação do negócio anulável nos precisos termos em que ficou modificado. Coimbra Editora. 109 Cit. este artigo prevê um prolongamento do prazo para o exercício do direito de anulação modificação.  Art. 283º. Limitada. sempre aquela que mais beneficia o lesado. Formou-se. Há.233. mas declarou-se outra. 4ª ed.1: o Permite que o lesado possa requerer a modificação do negócio usurário. o Não constitui um pressuposto da usura que o usurário leve a outra parte a praticar o negócio. pp. a lei escolhe. Vol I. em vez de uma anulação. Código Civil Anotado. ANTUNES VARELA. Os negócios celebrados com erro na declaração  São situações em que existe uma divergência entre a vontade e a declaração. 107 108 Cit. 283º. Coimbra Editora. 284º  se o negócio usurário constituir simultaneamente um crime. diz-se que se compra por 20. pp. desde que sejam alteradas certas cláusulas. 283º. comprar por 10. Vol I. Limitada. Limitada.

um sentido ou conteúdo objectivo comum. 247º. A parte geral do Código Civil Português.558. podendo o declarante anular desde que demonstre que a outra parte conhecia ou devia conhecer o erro. subsistência ou verificação de um circunstância presente ou actual que era determinante para a declaração em especial. por não haver nenhuma expectativa legítima do declaratário. mas o declarante cuja vontade real difere do conteúdo objectivo comum que foi atribuído à sua declaração pode anular com base em erro. pp. recai sobre os elementos determinantes da vontade. sempre e apenas. o Erro na transmissão da declaração (art. A este tipo de casos de dissenso oculto deve aplicar-se. para outros. é a figura do chamado dissenso (oculto).233. Para alguns destes casos deve valer. que à lei incumbe tutelar. pp.. quanto às declarações. Cit. 250º):  Mensageiro comete um lapso de forma involuntária – aplica-se o art. ANTUNES VARELA. não está em sintonia com ambas as vontades (caso contrário não haveria dissenso). porém.. depois do recurso às regras sobre a interpretação e integração da declaração negocial. Almedina. Coimbra Editora. “quando o erro recai só sobre a vontade (elemento interno).”111 o “Em todo o caso. Ed. de acordo com as circunstâncias. Limitada. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. Ed. HEINRICH HÖRSTER. A parte geral do Código Civil Português. Ed. 247º. porém. Pelo contrário.  “As possibilidades de ocorrência de um erro no âmbito do negócio jurídico não se limitam. ao erro na declaração.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  o Erro sobre o conteúdo da declaração  o declarante usou as palavras que queria mas atribui um sentido diferente que teria no contexto. Coimbra.. 247º. 62 . em que o sentido válido da declaração nem coincide com a vontade real do declarante. HEINRICH HÖRSTER. Desta forma.”113  Enquanto que no caso do erro na declaração existe uma desconformidade entre a vontade e a declaração. 249º)  deve tratar-se de um lapso ostensivo sob pena de o caso ficar sob alçada do art. não produz uma 110 Cit. o regime do erro na declaração: o contrato considera-se concluído. mesmo depois da interpretação. 247º só se aplica quando a divergência se mantém. É evidente que este conteúdo objectivo. É uma ideia inexacta sem a qual a declaração negocial não teria sido emitida ou não teria sido emitida nos moldes em que foi. baseada no sentido válido da declaração. sem necessidade dos requisitos a que alude o art. Coimbra. pp. 111 112 Cit. comum a ambas as declarações. 113 Cit. directamente ou por analogia o regime prescrito para o erro na declaração.  Alteração intencional – o negócio é sempre anulável (dolo do mensageiro). em que é possível atribuir a ambas as declarações (a ambas as manifestações).558.”110 o “Há situações. Distinção entre erro na declaração e dissenso: o “Distinta do caso do erro na declaração. nem com a vontade do declaratário. Código Civil Anotado. pp. o próprio facto da divergência entre a vontade real e a declaração (manifestação) pode ser constatado. 4ª ed. o Erro de cálculo ou escrita (art.568. a anulabilidade impõe-se. A interpretação é um pressuposto lógico da decisão sobre a existência ou não do erro causador da divergência”112 O erro sobre os motivos  Trata-se de uma situação em que o declarante faz um representação inexacta sobre a existência. elas são muito numerosas e vão da primeira motivação que é determinante para a formação da vontade até à manifestação da mesma. porém. O disposto no art. Almedina. HEINRICH HÖRSTER.. Almedina. Vol I.

. o Pressupostos do dolo:  Declarante esteja em erro. 247º). por acordo.) está viciada. a vontade formou-se mal devido a uma actuação exterior que impede a livre formação da vontade do declarante.  Erro induzido/ mantido em contrário de um dever de elucidar.570. do erro do declarante. HEINRICH HÖRSTER. Tal como no erro sobre os motivos. o Dolo positivo – há um comportamento activo no sentido de induzir em erro o declarante. 63 . ou terceiro. não existe uma divergência entre a vontade e a declaração. é esta que está viciada.”114 Modalidades de erros sobre os motivos: o Erro que recai sobre as qualidades essenciais do objecto ou sobre as qualidades essenciais do declaratário (art. que afecte os objectivos daquele negócio. o Dolo negativo/ omissivo – o declaratário permite que o declarante se mantenha em erro.. o Erro sobre a base negocial:  Trata-se de uma situação em que a base negocial objectiva é diferente da base negocial proposta pelas partes. 253º (definição de dolo/ distinção entre dolo lícito e ilícito/ pressupostos do dolo): o Definição – sugestão ou artifício que alguém empregue com intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o autor da declaração. Coimbra. O dolo   114 115 Cit. a lei não é clara e não se percebe se a remissão é feita para todo o artigo ou apenas para a estatuição). pp. 227º). 251º):  Qualidades essenciais do objecto  características do objecto que determinam o seu valor. dissimulado pelo declaratário ou por um terceiro.  Há uma desconformidade entre a base negocial objectiva é diferente da base negocial pressuposta pelas partes.  Tem que ser um erro bilateral115: tem de ocorrer um erro e a situação não pode ser coberta pelos riscos próprios da vontade. Nota: nem todos os autores consideram que o erro tem que ser bilateral. A vontade.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  divergência entre vontade e declaração. no entanto. que tenha sido reconhecida. por ser mal esclarecida (. o Dolo ilícito (dolus malus) – atribuição ao objecto de qualidades que ele manifestamente não tem. Almedina. convergindo com ela a respectiva declaração. de modo que eles provocaram o erro do declarante. Art. para que haja anulabilidade. Ed.  Qualidades essenciais do declaratário  erro sobre as qualidades essenciais para a prossecução do negócio. a essencialidade do motivo. Trata-se agora de um erro sobre os motivos (ainda designado por erro-vício). 252º):  Exige-se. A parte geral do Código Civil Português. bem como a dissimulação pelo declaratário. as consequências são iguais às do erro na declaração (art. o Dolo lícito (dolus bónus) – artifícios naturais do comercio jurídico. o Erro que as partes houveram reconhecido por acordo a essencialidade do motivo que não se refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio (art. quando existe um dever legal ou contratual de elucidação (art.  Remissão para artigo 437º (no entanto.  Quando o erro recaia sobre a pessoa ou sobre o objecto do negócio. A declaração está em perfeita conformidade com a vontade.

233. 119 Cit. pp. Vol I. se C ignorava e não tinha obrigação de conhecer o dolo de terceiro. 64 .  Art. Almedina. pp. Ed. invocada por acção judicial e pode ainda ser feita valer (no caso da nulidade) por via de excepção ou oficiosamente pelo tribunal. 4ª ed. o terceiro que induziu B a fazer a doação. Código Civil Anotado. O dolo de um não inutiliza o vício proveniente do dolo do outro.  Dolo proveniente de terceiro – o acto é. 255º (coacção moral): o “A ameaça. ANTUNES VARELA. liberdade exterior.585. A parte geral do Código Civil Português. A vítima da ameaça ainda pode optar entre a sujeição ao mal ou a oposição a ele. mas numa vontade formada em condições limitativas da liberdade de decisão. Cit. Limitada. Se emite a declaração cedendo à ameaça. As consequências da invalidade no negócio jurídico em pormenor Efeitos da invalidade:  Invocação da invalidade – pode ser reconhecida por um acordo entre as partes. Isto é. a ameaça do exercício de um direito não constitui coacção”119  Art. 256º (efeitos da coacção) e pressupostos: o Efeitos – anulabilidade. pp. em princípio. 4ª ed. a doação não é anulável por dolo. de modo que falta ao coagido.”117  “Consiste numa pressão psicológica que determina a vontade. 254º (efeitos do dolo): o Estabelece duas hipóteses:  Dolo proveniente do destinatário da declaração – o acto é sempre anulável mesmo que haja dolo de ambas as partes. embuste. Almedina. HEINRICH HÖRSTER. 116 117  Cit. A parte geral do Código Civil Português. beneficiou de um encargo imposto ao donatário C. para que constitua coacção. 118 Cit. Coimbra Editora.  Quando a coacção provém de terceiro:  É necessário que o mal seja grave e que seja fundado o receio (questões avaliadas pelo tribunal).”116 A coacção moral  “É prestada sob coacção moral a declaração negocial determinada pelo receio de um mal de que o declarante foi ilicitamente ameaçado pelo declaratário ou por terceiro com o fim de obter dele por este meio a declaração pretendida pelos ameaçadores. o Pressupostos:  Quando a coacção provém do declaratário – declaração negocial determinada pelo receio de um mal (não se depreende que a gravidade do mal e o fundamento do receio sejam requisitos essenciais). sugestão. Coimbra Editora. Vol I.”118  Art.  Ex. válido.585/586.: “Se A (terceiro) induziu em erro B e o levou a doar bens a C. ANTUNES VARELA. pp. Limitada.238. ela baseia-se numa vontade. Ed. já o acto pode ser anulado. à semelhança da vítima do dolo. Coimbra. deve ilícita. HEINRICH HÖRSTER.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel O declaratário ou terceiro haja recorrido ilicitamente a qualquer artifício. Código Civil Anotado. se o declaratário conhecia o dolo do terceiro ou devia conhecer. etc. causadoras de uma vontade viciada. Todavia. Este benefício já é anulável nos termos da 2ª parte do nº2. Coimbra. Mas imaginemos que A.

288º.268. Princípio da abstracção 120 121 Cit. ANTUNES VARELA. não basta que o negócio nulo ou anulado contenha os requisitos essências de substância e de forma do negócio que vai substitui-lo. Coimbra Editora. Vol I. Código Civil Anotado. A minoração das consequências da invalidade do negócio jurídico Princípio da conservação do negócio jurídico  A conservação dos negócios jurídicos em relação às partes: o Confirmação do negócio anulável (art. ANTUNES VARELA. em termos decisivos. 124 Cit. Pessoas legitimadas para arguir a invalidade: o Nulidade – 286º. Coimbra Editora. ANTUNES VARELA. art. Limitada. 293º. de acordo com a parte final do art.269.1) – aplicada. que a conversão se harmonize com a vontade hipotética ou conjectural das partes. 122 Cit. Limitada. Coimbra Editora. não basta que o negócio nulo ou anulado tenha a mesma substância do negócio em que se pretende convertê-lo. É necessário ainda que este negócio não contrarie. ANTUNES VARELA. Código Civil Anotado. pp. pp.268. pp. 293º):  “A conversão supõe a invalidade integral do negócio e a sua substituição por outro do qual contenha os requisitos essenciais. 291º. 292º) – é possível viabilizar uma parte do negócio. o Redução de negócio nulo ou anulável (art. 4ª ed.2”124  Protecção de terceiros adquirentes de boa fé: o Inoponibilidade da declaração de nulidade ou da anulação do negócio que versa sobre bens sujeitos a registo – art. em relação à forma do negócio. 4ª ed. 4ª ed.”122  “É ainda necessário.269. às situações de anulabilidade. Limitada. Limitada.”123  “Há casos de conversão consagrados directamente pela lei: art. em regra. 1416º.269. Vol I. Vol I.2. não só de substância como de forma. o Anulabilidade – 287º. Limitada.1.”120  “Como resulta do próprio texto e do espírito da lei. Cit. o Conversão do negócio nulo ou anulável (art. a vontade exteriorizada pelo declarante. Código Civil Anotado. o Prevalência segundo as regras de prioridade das leis do registo. 65 . 123 Cit.TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel   Art. pp.”121  “Para que se possa verificar a conversão. Coimbra Editora. art. 4ª ed. 289º. 4ª ed. pp. 946º. Vol I. Coimbra Editora. Código Civil Anotado. Vol I. ANTUNES VARELA. 2251. Código Civil Anotado.

TGRJ – 2º SEMESTRE | Paulo Pichel  “Faz parte de todo um sistema legal. pp. devidamente construído. com os fundamentos e formas da anulação do negócio jurídico.585/586. Coimbra. com a aquisição de boa fé a um não titular e com a segurança e celeridade do tráfico jurídico. Ed. HEINRICH HÖRSTER. 66 . Almedina. A parte geral do Código Civil Português.”125 125 Cit. que tem a ver com a existência de uma Parte Geral.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful