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CENTRO UNIVERSITÁRIO BARRIGA VERDE - UNIBAVE

MUSEOLOGIA
SHEYLA FRANCISCO FERNANDES

QUESTÕES SOBRE O FILME ‘NARRADORES DE JAVÉ’

ORLEANS
2009
SHEYLA FRANCISCO FERNANDES

QUESTÕES SOBRE O FILME ‘NARRADORES DE JAVÉ’

Trabalho Acadêmico solicitado pelo


professor Fernando Romero, da
disciplina de Antropologia II, com o
objetivo de analisar questões do filme
‘Narradores de Javé’, de Eliane Caffé.

ORLEANS
2009
SUMÁRIO

1 TRANSMISSÃO DA TRADIÇÃO................................................................ XX

2 HISTORIADOR COMO NARRADOR......................................................... XX

3 A IMPORTÂNCIA POLÍTICA DO PASSADO............................................ XX

4 A RETOMADA REFLEXIVA DO PASSADO PARA RE(INVENTAR) O


XX
PRESENTE....................................................................................................
1 TRANSMISSÃO DA TRADIÇÃO

No povoado de Javé, a transmissão da experiência vivida, da tradição que


perpetua gerações se dá essencialmente de forma oral. As personagens, em sua
maioria analfabeta, fazem uso da linguagem oral para transmitir o enredo histórico
de Javé e as experiências individuais e coletivas de seu povo.
A problemática principal do filme faz com que suas personagens decidam
registrar o patrimônio imaterial do povoado: as “histórias de valor”. Essas histórias,
registradas até então apenas na memória dos habitantes “javélicos”, não fazem
parte da história oficial do lugar. Seja por analfabetismo, seja por irrelevância
social, Javé não tem uma história intitulada oficial. Do contrário, sua narrativa
histórica é formada por fragmentos que se mesclam e se confundem, conforme o
que cada um de seus conterrâneos conta, gerando assim, várias possibilidades de
narrativas da mesma história. Isto implica, entre outras consequências, a criação
de conflitos de ideias entre seus habitantes.
Por serem apenas fruto da memória não-oficial de um povo e verterem de
diversas fontes, as narrativas são de difícil compreensão e organização para a
personagem responsável por coletá-las e registrá-las como o discurso histórico de
Javé. Porém, isto não impede a sua transmissão. Do contrário, sua transmissão
perpetua, mesmo que a veracidade dessas narrativas seja incerta e improvável.

2 HISTORIADOR COMO NARRADOR

A personagem Antônio Biá, ao coletar as narrativas dos habitantes javélicos


faz o papel de historiador. Porém, ao ouvi-las, Biá, por desejo de “melhorar o
acontecido”, tenta reinventá-las, praticando assim o que se chama de “tradição
retomada e transformada”. Desta forma, ele é um historiador que tenta manipular
a narrativa coletada, mesmo que esta manipulação não a afete a ponto de mudar
seu sentido. Agindo assim, Biá torna-se, então, o próprio narrador.

3 IMPORTÂNCIA POLÍTICA DO PASSADO

O passado político de Javé torna-se importante para salvar o povoado de


uma inundação eminente. Se essa importância fosse oficializada e cientificamente
reconhecida, Javé seria salva da destruição total, o que não acontece no filme, já
que a importância política de seu passado, e conseqüente importância política de
seu presente, não foram provadas a tempo.

4 A RETOMADA REFLEXIVA DO PASSADO PARA (RE)INVENTAR O


PRESENTE

Os habitantes de Javé, narradores que contaram a história de sua


formação, tornam-se testemunhas de um presente que revisita e reinventa o
passado. Existem pelo menos dois níveis para a compreensão desse passado
reinventado: um antes da inundação, quando os habitantes retomam a história
para preservar Javé; outro depois, quando os habitantes retomam a história
simplesmente por se encontrarem numa situação semelhante à dos fundadores de
Javé.