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Mony Elkaïm

Como
Sobreviver à
Própria Família
Mony Elkaïm
com a colaboração de
Caroline Glorion

Como
Sobreviver à
Própria Família
Tradução:
Maria Alice de Sampaio Dória

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Como sobreviver à própria família

Título do original francês:


Comment survivre à sa propre famille
Copyright da edição original © Éditions du Seuil, setembro de 2006
Copyright da edição brasileira © 2008 Integrare Editora Ltda.
Publisher
Maurício Machado
Assistente editorial
Luciana M. Tiba
Produção editorial e coordenação
Estúdio Sabiá
Preparação de texto
Hebe Ester Lucas
Revisão de provas
Maria Sylvia Correa, Ceci Meira e Capitu Escobar de Assis
Projeto gráfico de capa e de miolo / Diagramação
Nobreart Comunicação

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Elkaïm, Mony
Como sobreviver à própria família / Mony Elkaïm com a
colaboração de Caroline Glorion ; [tradução de Maria Alice S.
Doria]. – São Paulo: Integrare Editora, 2008.
Título original: Comment survivre à sa propre famille.
Bibliografia.
ISBN 978-85-99362-32-7
1. Família - Aspectos psicológicos 2. Terapia familiar I. Glorion,
Caroline. II. Título.
08-09046 CDD-616.89156

Índices para catálogo sistemático:


1. Terapia familiar : Ciências médicas 616.89156

Todos os direitos reservados à


INTEGRARE EDITORA LTDA.
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SUMÁRIO
Mensagem do NAIA.............................................................................................................9

Apresentação da edição brasileira,


por Sandra Fedullo Colobo ......................................................................................... 11

Prefácio, por Caroline Glorion ............................................................................... 15

Introdução .................................................................................................................................. 19

Capítulo 1
Mãe e filha: a travessia de um conflito.............................................................. 23

Capítulo 2
O passado não nos condena ........................................................................................ 37

Capítulo 3
O patriarca que queria o bem dos filhos...
contra a vontade deles ....................................................................................................... 43

Capítulo 4
Em que roteiro eu me encaixo? ................................................................................ 51

Capítulo 5
Meu filho se recusa a estudar e a trabalhar ................................................... 57

Capítulo 6
Libertar o outro para que eu possa mudar .................................................... 69

5
Como sobreviver à própria família

Capítulo 7
O homem que não conseguia deixar
a mulher nem continuar com ela ........................................................................... 77

Capítulo 8
O luto num contexto ......................................................................................................... 85

Capítulo 9
A mulher a quem se pedia demais e
o homem que se sentia abandonado ................................................................... 91

Capítulo 10
O homem que queria afeição e a
mulher que queria ser respeitada .........................................................................101

Capítulo 11
Meu parceiro, meu casamento e eu ..................................................................109

Capítulo 12
Um segredo de família ...................................................................................................121

Capítulo 13
O navio fantasma................................................................................................................131

Capítulo 14
Sobreviver à própria família......................................................................................139

Bibliografia ........................................................................ 143

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Apresentação da edição brasileira

Apresentação da
edição brasileira
Conheci Mony Elkaïm no início da década de 90, em Bue-
nos Aires, em uma grande conferência mundial cujo objetivo era
reunir os maiores pensadores contemporâneos, filósofos, cientis-
tas, pesquisadores, humanistas, em um grande fórum de reflexão
sobre a ciência contemporânea e a compreensão das relações hu-
manas, cultura e subjetividade.
Entre esses pensadores estava Mony, que, em uma grande
assembléia de quase mil pessoas, emocionou-nos e fez-nos mer-
gulhar em nossas próprias histórias de vida, convidando-nos a sair
do lugar de profissionais que falavam sobre as relações humanas
para o de pessoas que tinham histórias de afeto para compartilhar,
e refletir sobre algumas vivências que são repetidas e alimentadas
através do tempo, em uma dança cuja coreografia sabemos de cor,
sem muitas vezes nos darmos conta.
O que me marcou, naquele momento, foi sua crença em
que as relações ocorrem no encontro das ressonâncias de histó-
rias vividas, que se acordam mutuamente, e que, muitas vezes,
constroem seqüências repetitivas, mas que também podem ofe-
recer, ao nos darmos conta, os passos alternativos para uma nova
música... O foco na consciência da responsabilidade mútua, na

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Como sobreviver à própria família

construção das relações e na autoria de todos os envolvidos na


trama estimula a capacidade de transformação de cada um de
nós, dando ênfase à possibilidade de sair das armadilhas relacio-
nais em vez de buscar culpados.
Seu convite a comprometer-nos com o que vivemos e di-
zemos foi, para mim, o diferencial: a consciência de que, quan-
do contamos uma história, estamos falando de nós mesmos, de
nossas experiências afetivas, acordadas naquele encontro com o
outro! Nunca podemos falar sobre o outro, mas de nossa vivên-
cia junto com o outro!
Ao ler Como sobreviver à própria família senti a mesma
emoção de quando o ouvi pela primeira vez, pois, com a postura
sensível de um contador de histórias, Mony vai desvendando, pe-
rante nossos olhos, situações humanas tocantes, em que as pessoas
se sentem prisioneiras na própria família. Passo a passo, ele nos
convida a perceber a parte de cada um na construção desse apri-
sionamento e, o que é maravilhoso, os recursos que cada um e o
grupo, como um todo, possuem para transformar essa história.
Mony acredita profundamente, e nós com ele, ao acom-
panhar as narrativas, que o futuro não precisa ser a repetição
estéril do que já conhecemos e, principalmente, tememos. Ele
nos faz perceber como estamos enganados ao procurarmos, com
insistência, uma realidade imparcial e objetiva. E nos mostra a
impossibilidade de olharmos nossas histórias por um só canal, o
nosso, e definirmos o certo e o errado como posições absolutas.
E se todos estiverem certos, como nos pergunta? E se estivermos,
sem perceber, participando de um script familiar e repetindo
nosso papel sem nos darmos conta? E se os sintomas surgiram
como uma denúncia de que aquelas relações estão tornando-se

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Apresentação da edição brasileira

aprisionantes e dolorosas, apontando o momento de revê-las? E


se os sintomas forem, também, uma proteção para nos queixar-
mos, mas não transformarmos nada, para continuarmos leais
às nossas famílias? Essas e outras perguntas instigantes nos são
apresentadas durante a leitura deste texto.
Como naquela primeira vivência com seu trabalho, nes-
te livro ele não nos deixa do lado de fora! Somos chamados a
revisitar nossas histórias de encontros e conflitos, nossas resso-
nâncias são acordadas e nossos sentimentos passam a fazer parte
delas. Vemos Mony, em cada uma das situações relatadas, tra-
balhar e oferecer às pessoas a crença em seus próprios recursos,
para transformar aquelas situações e “mudar aquele destino”,
que parecia estar fechado.
A ênfase na própria autoria e na responsabilidade decorrente
dessa postura transforma a ética relacional de culpados e vítimas na
de co-autores e co-responsáveis. Por meio dessa consciência e dessa
ética, Mony convida-nos a conhecer mais nossos enredos de vida e
fortalece-nos na posição de poder transformar as relações que senti-
mos insatisfatórias. A crença de que todo narrador de uma história
está incluído em sua narração, com suas próprias experiências e res-
sonâncias despertadas naquele encontro humano, permite perceber
que cada ponto de vista é verdadeiro e útil, mas também relativo,
e, dessa forma, abrimos um espaço riquíssimo para a compreensão
das relações familiares, saindo da armadilha de quem tem razão e
de quem é culpado! Com esse movimento, a autoria do que está
acontecendo é dividida entre todos os participantes.
O instrumento que Mony nos oferece é o de nos conectar
com nossa história pessoal, para percebermos o que aquela situa-
ção, com aquela pessoa ou grupo, acorda de dores e riquezas, qual

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Como sobreviver à própria família

é o ponto onde as histórias se encontram, quais os significados


que são despertados e — o que chamei de “pulo do gato” — para
que serve esse acordar de histórias, essas ressonâncias, nessa rela-
ção, nesse momento da vida.
Nessa visão, não existe a possibilidade do observador neu-
tro, aquele que poderá perceber “a verdadeira realidade”, a pessoa
que poderá julgar o que é certo e errado. Os lugares de culpado,
vítima, juiz, tão disputados nos conflitos familiares, entre casais,
entre pais e filhos, são desconstruídos ao vivermos o sentido da-
quela experiência para nossa história!
Espero que nossos leitores saboreiem, como eu, essas his-
tórias, revisitem suas próprias experiências de vida e se permi-
tam entrar em contato com as ressonâncias que surgirem, pois
acredito que são portas que se abrem para novas possibilidades,
no caminho da vida.

Sandra Fedullo Colombo


Terapeuta de casal e família, co-fundadora do
Sistemas Humanos – Núcleo de Estudos e
Prática Sistêmica Família, Indivíduo, Grupo

Para mais informações acesse:


www.sistemashumanos.org

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Prefácio

Prefácio
Eu amo minha família... Esse foi o título que escolhi para
o documentário que realizei há alguns anos para a rede de tele-
visão France 2. Instintivamente, eu pegava o contrapé do título
de um filme lançado no fim dos anos 90, Eu odeio minha famí-
lia, que, retomando a fórmula de Gide, punha em cena os tor-
mentos da adolescência confrontada com um ambiente familiar
nefasto e sufocante...
Apoiando-me no princípio do copo meio cheio ou meio
vazio, decidi, depois de uma enquete sobre as famosas terapias
familiares, lançar um olhar deliberadamente otimista sobre a
instituição “família”. Se podia ser o lugar de todos os sofri-
mentos, por que a família não poderia ser também um lugar
de liberdade?
O encontro com Mony Elkaïm, que seria o meu guia
nessa inesperada viagem documental sobre os caminhos das
terapias de família, foi decisivo. Ele era o líder carismático
dessa prática psicoterápica e optei por seguir-lhe os passos.
Sem demora, ele me ensinou a encontrar palavras simples para
explicar as fantásticas riquezas que todos podemos encontrar
no seio da própria família para vencer as adversidades que en-
venenam a vida cotidiana.

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Como sobreviver à própria família

Passei horas e horas ouvindo-o trabalhar com estudantes


de medicina ou psicólogos que tinham bagagem suficiente para
compreender os termos, às vezes um pouco difíceis para mim.
Em seguida, com muita condescendência e um evidente senso
de vulgarização, Mony passava um longo tempo decifrando para
mim os desempenhos de papéis, ocasião em que, aqui e ali, sur-
giam momentos mágicos que lhe davam a oportunidade de de-
senvolver as noções fundamentais da terapia familiar.

Na minha família, eram muitas as histórias que impediam


as conversas, que desiludiam os mais audaciosos — jovens pais,
jovens casais, avós orgulhosos, mas às vezes decepcionados, filhos
rebeldes, que saíram de casa ou estavam em vias de fazê-lo.
Essa terapia, sempre atual, interessava a todos, sem dú-
vida a mim em primeiro lugar, a mais velha de uma numero-
sa família, curiosa para compreender como era possível nos
amarmos tanto e brigarmos tanto!

Um dia em que passeávamos num jardim em Paris,


Mony apontou uma bela árvore em flor e soltou a metáfora:
“As famílias são semelhantes a essas árvores magníficas, cujos
galhos desabrocham na primavera... mas acontece que, às ve-
zes, um dos ramos não dá botões ou, então, nenhum botão se
abre, nenhuma flor desabrocha. O galho parece seco, como
se privado da seiva para se desenvolver. O papel do terapeuta
familiar é o de um jardineiro que oferece ou traz um bom
adubo, a boa terra, que faz nascer o sol no lugar certo. Então,
a seiva existente no tronco poderá circular e irrigar cada um
dos ramos, inclusive aqueles que parecem atrofiados”.

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Prefácio

Com sutileza e não sem malícia, ao me falar sobre a sua pro-


fissão, sobre o seu papel, Mony Elkaïm simplesmente explicitava
como algumas vezes centrávamos o foco num dos membros da fa-
mília. Nós o cumulávamos de todos os males, o estigmatizávamos
como “doente” ou “transviado”, sendo que, na maioria das vezes, ele
era apenas o portador de um sintoma que, na verdade, afetava toda
a família. Que bela solidariedade irmos à consulta todos juntos,
para permitir a esse “determinado paciente” sair desse estado...

Mony Elkaïm acredita no enorme potencial que existe no


seio de cada família. Seduzida por esse olhar, por essa condes-
cendência e essa abordagem que, segundo suas palavras, também
pode apoiar-se nos ombros do Papai Freud, me deixei guiar e Eu
amo minha família deu a alguns sobreviventes da vida em família
a oportunidade de falar, finalmente reconciliados consigo mes-
mos e com os parentes, ilustrando com várias situações esta frase
que Mony gosta de repetir: “Não é necessário que o outro esteja
errado para que tenhamos razão”.

Depois desse documentário para a televisão, numa das nos-


sas conversas nasceu a idéia deste livro para o grande público. Par-
tilhar o maior número possível de reflexões que ajudariam o leitor
a se fazer as perguntas certas, a mudar um ponto de vista estereo-
tipado que nos aprisiona para dar um novo ar às relações, facilitar
a vida em família, abandonar, de uma vez por todas, as idéias pre-
concebidas, as histórias ultrapassadas, penosas e imutáveis.
Um livro concreto e acessível, no qual cada leitor pudesse
obter sobre o que refletir e se comunicar de maneira diferente
com o cônjuge, os pais, o irmão, a irmã ou com o filho.

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Como sobreviver à própria família

Conversamos sobre as histórias verdadeiras relatadas en-


tre quatro paredes no consultório de Mony. Nós as organiza-
mos com o objetivo de, um lado, respeitar o segredo profissio-
nal e, do outro, apresentar os casos mais universais. Durante
esses encontros, Mony Elkaïm, ímpar contador de histórias,
me relatava essas sessões com deslumbramento quando sur-
giam indícios que lhe permitiram oferecer aos pacientes as
ferramentas para destrinchar situações emaranhadas. Atenta
às palavras e aos conceitos, desempenhei o papel de ignorante
que salientava os meandros das frases e da mente impossíveis
de serem compreendidos pelos não iniciados. Levei para ele as
perguntas que todos nos fazemos, a fim de aprofundar alguns
pontos obscuros e de difícil acesso.
Esses diálogos fascinantes, apaixonantes, decifrados até nas
vírgulas, formaram uma base sólida, depois cuidadosamente revi-
sada e, em seguida, redigida por Mony.

Diametralmente oposto a um livro de receitas, Como sobre-


viver à própria família é, no entanto, um livro salutar e útil. Estou
feliz por ter sido a sua humilde “parteira”. E como em todos os
nascimentos, quer se trate de um filho ou mais prosaicamente
de um livro, promessas de vida, de sonhos e de novos horizontes
acompanham essa vinda ao mundo...

Caroline Glorion

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Introdução

Introdução
Quem nunca se sentiu, em algum momento, preso na
própria família? Quem nunca teve a impressão de ser esmagado
por uma realidade sobre a qual não podia influir? Desejo que
esta obra esclareça essas situações familiares, que todos conhe-
cemos, com uma luz diferente da que estamos acostumados. Na
maioria das vezes, não é a realidade em si que nos prepara uma
armadilha e sim uma representação dessa realidade construída
com o passar dos anos e dos acontecimentos. Como vamos ver,
cada um desempenha um papel bem específico no roteiro fami-
liar e a distribuição desses papéis, em geral, é feita à revelia de
todos. A armadilha se fecha, um sistema rígido se instala e todos
se sentem prisioneiros. Alguns membros da família sofrem, sin-
tomas aparecem...
Ao descrever e comentar as situações, das quais a maior
parte diz respeito à nossa vida cotidiana, tentei oferecer ao leitor
uma forma de perceber o que lhe acontece; tentei mostrar de que
maneira participa delas sem querer, e como, para sair desse círcu-
lo vicioso no qual está preso com os parentes, ele pode conseguir
delimitar o seu território, fazendo com que seja respeitado pelas
pessoas que o cercam — sem provocar hostilidade, mas, ao con-
trário, conseguir aliados e não adversários.

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Como sobreviver à própria família

Sobreviver à própria família passa a ser, então, sobreviver


à idéia que fazemos dela. Como os membros da minha família,
a cultura na qual cresci, meus relacionamentos sociais, a mídia,
me constroem, me esculpem, limitando a minha capacidade de
mudança ou de adaptação? Por que me sinto preso na minha rea-
lidade familiar? Será que não participo, contra a minha vontade,
da escultura de uma situação que, forçosamente, é mútua?
Desde o meu nascimento, estou preso num contexto: a
maneira como fui esperado, olhado, o nome que recebi e muitos
outros elementos constituem um ambiente de regras e mitos,
criado e compartilhado entre os membros da família, cuja co-
esão e permanência ela garante. Desde que cheguei ao mun-
do, participo desse universo cuja estrutura também manterei.
À medida que vou crescendo, os mitos e as regras da minha
família não poderão mais ser diferenciados da maneira como
eu os percebo e como me situo em relação a eles. A partir de
então, torno-me ator da peça que representamos juntos: como
vou me dar o direito de ser suficientemente “desleal” em relação
àqueles que me cercam, ou à imagem que tenho deles, para ver
minha família de um modo diferente do que eles a vêem — de
um modo diferente do que eu também a vejo? Como abrir ca-
minho fora das rotinas repetitivas e aparentemente inevitáveis
nas quais nos atolamos de comum acordo?
Essas são as perguntas às quais este livro se esforça para
responder. Evitando longas elaborações teóricas, me esforcei
para comentar casos concretos e mostrar o ensinamento que
podemos tirar deles.

20
Introdução

Aqui vão algumas explicações. Em primeiro lugar, foi im-


possível ser exaustivo. Diante da imensa e complexa paisagem
das situações familiares, precisei fazer uma escolha. Porém, como
veremos, muitos dos princípios evidenciados num caso também
valem para outros e trata-se mais de compreender a natureza
do que podemos fazer e não de aplicar receitas mecanicamente.
Em segundo lugar, esses princípios, válidos na maioria das situ-
ações da vida cotidiana, não funcionam da mesma maneira em
contextos de abuso e violência em que devemos, antes de tudo,
nos proteger, nem em casos graves em que uma ajuda medica-
mentosa e, se necessário, uma hospitalização devem completar a
psicoterapia. Finalmente, eles não são dirigidos especificamen-
te aos filhos, nem aos pais, pois todos estamos envolvidos em
relações cujas tensões incessantes só poderemos evitar se acei-
tarmos reconhecer o papel que nós mesmos desempenhamos
nelas. Como este livro vai mostrar, assim espero, é a conquista
da nossa capacidade em modificar as regras do sistema em que
vivemos que permitirá a todos os membros da família terem
acesso à mudança. Assim é que os vínculos que me unem aos
outros, lugares e causas do meu sofrimento, podem ser os pró-
prios caminhos da minha libertação e da deles.

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Mony Elkaïm
Quem é que nunca se sentiu prisioneiro, num momento
ou em outro, no interior de sua própria família?

Quem nunca teve a impressão de ser anulado por uma


realidade sobre a qual não tinha controle algum?
Esta obra lança uma nova luz sobre situações como essas, que todos
nós já vivenciamos.
Meu filho se recusa a estudar... Não posso me separar, mas não
consigo conviver com meu cônjuge... Devo contar aquele segredo que
não consigo mais segurar dentro de mim? E, se contar, qual é a
maneira certa?...
Diante de questões como essas, não é somente a realidade que nos
aprisiona, mas uma representação dessa realidade, representação essa
construída ao longo dos anos e dos acontecimentos.

Cada um de nós desempenha um papel no palco familiar: se conseguirmos


mudar esse papel, talvez possamos transformar a peça inteira.

Neste livro, Mony Elkaïm – uma das principais autoridades em terapia


familiar na Europa – apresenta os elementos para tentar fazer essa
mudança com sucesso.

AO ADQUIRIR O que uma pessoa se torna ao longo da vida depende das oportu-
ESTA OBRA nidades que teve e das escolhas que fez. Porém, além do acesso
VOCÊ APÓIA às oportunidades, as pessoas precisam ser preparadas para fazer
escolhas. O que propomos é oferecer as ferramentas necessárias
para o desenvolvimento sociocultural dessas crianças, jovens e
suas famílias, estimulando-as ao exercício pleno da cidadania.

NÍDIA KRUNFLI DAVID DAGHUM


Presidente do Núcleo Assistencial Irmão Alfredo – NAIA
www.naia.org.br