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JUVENATRIX

JUVENATRIX – Fanzine de Horror & Ficção Científica


ANO 27 – Número 189 – SETEMBRO 2017
JUVENATRIX – Desde Janeiro de 1991 – total 4.553 páginas
“A morte é apenas o começo... de uma eterna vida de dor...”
Editor – Renato Rosatti
Capa – Vanessa Rosatti (artista mirim de apenas 12 anos)
Contra capa – Angelo Júnior
INTERNET
Blogs: www.infernoticias.blogspot.com.br & www.juvenatrix.blogspot.com.br
E-mail: renatorosatti@yahoo.com.br / Twitter: www.twitter.com/juvenatrix

Lançamento dessa edição: 27/09/2017 – São Paulo/SP


Distribuição gratuita – Solicite o envio do arquivo PDF por e-mail

HORROR E METAL EXTREMO


Música: Baphomet / Banda: Belphegor (Áustria) / Álbum: Totenritual (2017)

Your world a grain of sand. I am the endless desert. The burning horizon. I am the aeons. Beyond the pitch black night. Time
and space collide in me. Baphomet. Power absolute. Baphomet. Goat God Dominus. I am the moment of eternity. Your hearts,
your tears, your lust. I am the well. The gaping abyss. I am blasphemy divine. Baphomet. Power absolute. Baphomet. Goat God
Dominus. No force can compete. No god be compared. Non mortuum. Non vivit. There is only me. In me all things become.
There is no god. Where I am all things are gone. My blinding darkness. Oh, so bright. Dualistic demon worship. Baphomet.
Power absolute. Baphomet. Goat God Dominus. Baphomet. Divinity unbound. Baphomet. True will magick. Baphomet. Ego
sum.

DIVULGAÇÕES & CURIOSIDADES


Fanzine de horror: “Macabro”, de Marcos Fabiano Lopes
“Macabro” é um fanzine de Marcos Fabiano Lopes, sobre os monstros clássicos da produtora americana “Universal”,
destacando “Corcunda de Notre Dame”, “Fantasma da Ópera”, “Criatura de Frankenstein”, “Drácula”, “Múmia”, “Homem
Invisível”, “Noiva da Criatura de Frankentein”, “Lobisomem”, “Monstro da Lagoa Negra”.
24 páginas. Formato 11 x 16 cm. 2017.
Contatos com o autor: marcosfabianolopes@hotmail.com
Blog: http://marcosfabianolopes.blogspot.com.br/ Facebook: https://www.facebook.com/marcosfabianolopes.lopes
Memórias da Ficção Científica: livro raro "Ficção Científica", de Gilberto Schoereder,
Editora Francisco Alves (1986)
Neste livro, o autor aborda em profundidade o tema da ficção científica, oferecendo-nos desde uma introdução histórica até
discussões relativas à ficção científica como gênero literário. "Ficção Científica", portanto, é uma obra que se coloca ao lado
das maiores já publicadas no Brasil sobre o assunto. (reprodução de texto da contra capa)

Memórias do Horror: "O Exorcista" (1973) e "Amityville 3" (1983) no cinema


Memórias do Horror: anúncios de jornal dos anos 80 sobre "O Exorcista" (1973) e "Amityville 3" (1983) no cinema.
Memórias do Horror: item raro da revista “Cinemin” sobre o filme "Amityville 3" (1983)
A revista “Cinemin” foi publicada nos anos 80 e em algumas edições trazia encartado um mini cartaz com a ficha técnica no
verso para colecionar. Este é do filme “Amityville 3” (1983). Tem um erro de edição na data, descrita como 1987.

LITERATURA

O Massacre da Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos


“...O Massacre da Serra Elétrica é atemporal, inigualável, talvez até uma obra de arte; ele criou
vida própria além de qualquer coisa que seus realizadores pudessem ter imaginado...”

A Editora “Dark Side” presenteou os fãs brasileiros lançando por aqui em 2013 um livro sobre os bastidores de um
dos grandes e indispensáveis filmes de horror de todos os tempos, “O Massacre da Serra Elétrica” (The Texas Chainsaw
Massacre, 1974), dirigido por Tobe Hooper e que iniciou uma extensa franquia com continuações e refilmagens. A autoria é do
músico e escritor inglês Stefan Jaworzyn, e o livro traz uma imensa quantidade de fotos, informações gerais e principalmente
detalhes e curiosidades de bastidores da produção não só do primeiro filme, mas de toda a extensa franquia, com depoimentos
de muita gente envolvida no projeto, de atores à equipe técnica. O livro, na verdade um compêndio, foi lançado pela “Coleção
Dissecando – Filmes Clássicos de Terror” em duas versões, sendo uma delas com capa dura.

“Eggshells” (1969)
O capítulo inicial falando sobre o primeiro filme de longa metragem da carreira de Tobe Hooper, “Eggshells”, é bem
arrastado e cansativo, não despertando interesse. O filme é um drama psicodélico experimental com elementos de fantasia.
Porém, logo a seguir, ao iniciar os depoimentos sobre o clássico “Massacre”, começa a grande quantidade de curiosidades e
informações de bastidores.

“O Massacre da Serra Elétrica” (1974)


O cineasta Tobe Hooper, que nasceu em 1943 em Austin, Texas, e morreu em 2017, revelou que a ideia básica para a
concepção do filme teve inspiração numa combinação de quatro fatores. A leitura dos antigos quadrinhos americanos de horror
da “E.C. Comics” dos anos 1950, que foram censuradas e cujas histórias se transformaram em filmes e séries de TV. A lenda
do assassino em série Ed Gein, que vivia em Wisconsin e tinha a particularidade de guardar os ossos e se alimentava
literalmente de suas vítimas. A ressaca de seu primeiro filme na carreira, o psicodélico “Eggshells” (1969). E as tão temíveis
serras elétricas, as quais foram lembradas quando ele estava na seção de ferramentas numa grande loja de departamentos
infestada de gente na época do natal, e pensou como elas poderiam ser úteis para ele conseguir sair de lá.

Já a atriz Marilyn Burns (1949 / 2014), que interpretou a “scream queen” Sally Hardesty, comentou sobre o estranho
roteiro inspirado no assassino Ed Gein, cujas atrocidades também serviram de referência para outros dois excelentes filmes,
“Psicose” (1960) e “O Silêncio dos Inocentes” (1991), sem contar diversos outros menores. Segundo ela, os três filmes são
diferentes, apesar da mesma fonte de inspiração, e no caso do “Massacre”, eles apenas juntaram a serra elétrica e a palavra
“Texas”.

O ator islandês Gunnar Hansen (1947 / 2015), que interpretou o maníaco “Leatherface”, curiosamente revelou que no
período de contratação do elenco, a equipe de produção gostou do fato dele ser tão grande que ocupava todo o vão da porta, e
isso deve ter ajudado na sua escolha para o papel do psicopata.

O diretor de arte Robert A. Burns, assim como outros envolvidos na produção, informou que o roteiro original do
filme tinha muitas páginas sobre jovens dirigindo aleatoriamente pelas estradas, com muito humor hippie, e que depois foi
encurtado e reescrito diariamente durante as filmagens. Ainda bem que ocorreu essa mudança, pois teria grande chance de
tornar o filme mais comum e menos perturbador. “Leatherface” teria muitas falas originalmente, mas após uma análise de Tobe
Hooper foi decidido que não funcionariam e foram cortadas, numa decisão acertada. O psicopata com máscara de pele humana
tornou-se uma lenda do cinema de horror, sem voz e rosto. Burns foi o responsável pelos efeitos especiais em geral e pelos
objetos de cena, como as mobílias de ossos. Ele revelou que coletava ossos de animais mortos em fazendas e que recebia
artefatos similares de seus amigos. Disse também que até aprendeu taxidermia especialmente para aplicar a técnica num tatu
que encontrou morto atropelado, e que foi utilizado numa cena rápida do filme.

Os atores fizeram questão de enfatizar as imensas dificuldades de trabalho por causa do baixo orçamento, que ficou
em torno de apenas US$ 125 mil. Eles tinham que filmar entre 12 e 16 horas diárias enfrentando muito calor, acima de 40
graus. E não havia um trailer para descanso, pois tudo era muito limitado. A famosa cena do jantar demorou 26 horas para
filmar e com o calor intenso as mobílias de ossos e os restos de vísceras estavam apodrecendo, deixando o ambiente com um
cheiro extremamente desagradável.

O ator John Dugan, cunhado de Kim Henkel (um dos roteiristas e produtores), era muito jovem na época, com apenas
20 anos. Ele interpretou o centenário vovô, tendo que se submeter a um trabalho demorado de maquiagem para
envelhecimento.

Por causa do baixo orçamento e o receio de estragar a roupa de “Leatherface” com uma lavagem que poderia alterar a
cor, o ator Gunnar Hansen teve que utilizar a mesma roupa sem lavar durante o filme inteiro, convivendo com um odor que
inevitavelmente incomodava todos ao redor.

O filme não tem muito sangue e violência explícita, mesmo sendo considerado um dos mais perturbadores da história
do cinema de horror. Os realizadores não queriam sangue em profusão, preferindo optar por um horror mais implícito. Por mais
reais que as cenas sangrentas possam parecer, existe uma distância entre o público e a história, pois os espectadores sabem que
é falso. A cena da garota Pam (Teri McMinn) pendurada num gancho de açougue é extremamente chocante sem uma única gota
de sangue, com o uso de efeitos especiais convincentes, numa época sem a computação gráfica que torna tudo muito artificial.

“O Massacre” estreou em 11/10/1974 nos Estados Unidos, distribuído pela “Bryanston Pictures”, que curiosamente
tinha relações com a máfia e com o lançamento do famoso filme erótico “Garganta Profunda” (Deep Throat, 1972). Porém, a
grande quantidade de dinheiro obtida pelo sucesso comercial do filme sumiu, não chegando até os realizadores. Depois de
vários problemas e processos na justiça, o filme foi depois relançado pela “New Line”. Algo similar também aconteceu com a
distribuição internacional com a empresa “Raven”, cujos proprietários desapareceram depois de ganhar muito dinheiro com o
filme.

Todos os membros da equipe técnica e os atores foram unânimes em afirmar que jamais esperavam o imenso sucesso e
repercussão positiva que o filme conquistou. Eles achavam que seria apenas mais um filme de horror de baixo orçamento, e que
a maior parte do sucesso deve-se ao fato do público acreditar que a história fosse real, que o filme poderia ser uma espécie de
documentário falando de algo violento que realmente aconteceu. Porém, a história é totalmente fictícia, e apenas inspirada no
assassino Ed Gein.

Assim como diversos outros filmes similares de horror, o “Massacre” foi censurado na Inglaterra por muitos anos e
apenas em 1999 foi liberado sem cortes no cinema e em vídeo, ou seja, 25 anos depois de seu lançamento americano.

Uma das cenas mais perturbadoras e sempre lembradas e citadas tanto pelos envolvidos no projeto quanto pelos fãs, é
a longa sequência de perseguição entre a garota Sally e o psicopata “Leatherface”, numa correria desenfreada e interminável
pela floresta, com o barulho ensurdecedor da motosserra muito próxima de destroçar a carne da vítima indefesa.

No capítulo referente à repercussão do filme entre os críticos de cinema, vale transcrever o resumo de uma das
críticas:
“Prepare-se para uma experiência totalmente repugnante e, para muitos, literalmente nauseante... uma torrente
explícita de sangue. Quatro ou cinco (é difícil determinar a quantia exata somando os pedaços) jovens aventureiros
encontram um diabólico açougueiro de carne humana no interior do Texas. O maníaco corre enfurecido atrás deles com uma
serra elétrica e outros instrumentos de destruição, incluindo um gancho de açougue. O filme é doentio, como também é o
público que se diverte com ele.”

O diretor Tobe Hooper também ganhou um capítulo específico sobre sua carreira instável, sempre oscilando em altos e
baixos, com informações curiosas de bastidores sobre vários de seus filmes. De sua filmografia foram citados, analisados e
comentados, entre outros, os filmes “Eaten Alive” (1976), “Pague Para Entrar, Reze Para Sair” (The Funhouse, 1981),
“Poltergeist, o Fenômeno” (1982), “Força Sinistra” (Lifeforce, 1985), “Invasores de Marte” (1986), “O Massacre da Serra
Elétrica Parte 2” (1986), “Conspiração Atômica” (Spontaneous Combustion, 1990), “A Morte Veste Vermelho” (I´m
Dangerous Tonight, 1990), “Noites de Terror” (1993), “Mangler – O Grito de Terror” (1995), “Crocodilo” (2000), etc.
A produtora Cannon, dos israelenses Yoram Globus e Menahem Golan, fechou um contrato com Hooper para 3 filmes
entre 1985 e 1986: “Força Sinistra”, “Invasores de Marte” e “O Massacre 2”. Porém, a parceria foi tensa e cheia de conflitos e
os dois primeiros filmes tiveram uma receptividade ruim nas bilheterias. “Força Sinistra”, por exemplo, sofreu um corte imenso
dos produtores e teve seu nome original alterado de “Space Vampires” para “Lifeforce”, desagradando completamente Hooper.
“Space Vampires” (no Brasil, “Vampiros do Espaço”) é o nome do livro de Colin Wilson, lançado em 1976 e que inspirou o
roteiro do filme.

Curiosamente, a máquina assassina do bizarro “Mangler – O Grito de Terror”, uma espécie de lavadeira que se
alimenta de carne humana, foi criada pelo filho de Hooper, William Tony Hoopert. O filme foi baseado num conto de Stephen
King e estrelado por Robert Englund, que é mais conhecido como o psicopata da luva de facas “Freddy Krueger” na franquia
“A Hora do Pesadelo”.

“O Massacre da Serra Elétrica Parte 2” (1986)


A continuação de “O Massacre da Serra Elétrica” recebeu outro extenso capítulo. Infelizmente, por decisão
equivocada de Hooper, a parte 2 é repleta de elementos de humor negro que em minha opinião não funcionaram. E, apesar da
grande quantidade de cenas sangrentas e do excelente trabalho de maquiagem do mestre Tom Savini, em comparação com o
filme de 1974, a sequência é infinitamente inferior. Hooper inicialmente seria apenas produtor, mas como não conseguia
encontrar um diretor com as qualidades exigidas em tempo, foi obrigado a assumir a direção também.
O filme teve um elenco diferente do original, exceto pelo retorno de Jim Siedow como o cozinheiro. Com um
orçamento muito maior e produção da “Cannon”, os realizadores cometeram uma falha quando não fizeram grandes esforços
para trazer de volta Gunnar Hansen como “Leatherface”, e o papel foi para Bill Johnson. Foi um erro grosseiro, uma vez que
Hansen fez o “Leatherface” original e será para sempre lembrado por sua atuação.
Entre as diversas informações de bastidores, foi revelada a imensa dificuldade no trabalho de muitas horas de
maquiagem do ator Ken Evert para ser transformado no vovô (aliás, foi sua única participação no cinema). As condições de
trabalho eram muito difíceis, e vários atores e membros da equipe técnica adoeceram nas filmagens, devido à grande diferença
de temperatura entre o ambiente externo com muito calor e o set com ar condicionado misturado com fumaça. Bill Johnson
revelou que contraiu pneumonia e passou muito mal.
O diretor de fotografia Richard Kooris informou que a relação com a produtora “Cannon” era caracterizada por muita
animosidade entre eles. Hooper e demais comandados sofreram grande pressão para redução de prazos e custos. O trabalho foi
extremamente árduo e desgastante física e psicologicamente, com quinze horas diárias de filmagens, em seis dias por semana,
num total de nove semanas e meia.
Na parte das resenhas sobre a continuação, a receptividade foi ruim. Segue transcrição de uma delas:
“Outro erro é comparar gritaria e mutilação com suspense. Este filme é monótono do início ao fim, nunca dando
atenção ao ritmo, ao tempo, à expectativa do horror. Ele não pausa nem para apresentar os personagens; Dennis Hopper tem
a tarefa mais ingrata, a de interpretar um homem que passa a primeira metade do filme parecendo distraído e vago, e a
segunda metade gritando em meio a duelos de serras.”

“Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica 3” (1990)


A terceira parte da franquia também recebeu o seu capítulo específico, com a produção passando agora para a “Nerw
Line Cinema”, que fez alguns filmes da cinessérie “A Hora do Pesadelo”. O roteirista do original, Kim Henkel, achava
inicialmente que poderia ser um consultor com significativa participação na concepção do filme, mas a produtora não deu
muita atenção para ele.
A direção é de Jeff Burr e o elenco tem nomes importantes como Viggo Mortersen (o Aragorn da trilogia “O Senhor
dos Anéis”) e Ken Foree (do cultuado “Despertar dos Mortos”, 1978, de George Romero, e “Do Além”, 1986, de Stuart
Gordon). “Leatherface” mudou de ator novamente, passando a serra para R. A. Mihailoff.
Com um orçamento de US$ 3 milhões, as filmagens ocorreram entre Julho e Agosto de 1989, com 80% de cenas
noturnas que foram trabalhosas e dificultadas pela forte neblina das madrugadas no set de filmagens.
Como o filme sofreu muitos cortes de cenas violentas para poder receber uma classificação de acesso para um público
maior, o diretor Jeff Burr não gostou do tratamento final e queria seu nome retirado dos créditos, alegando que os cortes
prejudicaram demais o filme. Que, aliás, foi censurado na Inglaterra, ficando proibido até 2004. O capítulo traz também uma
interessante entrevista com o roteirista David J. Schow, onde ele fala sobre esse problema com a censura e a crítica de violência
contra as mulheres no filme.
A receptividade dessa terceira parte da franquia também não foi entusiasmada, apesar da opinião geral dos críticos e
público sobre ser bem melhor que a parte 2, com seu humor meio fora de contexto.
“O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno” (1994)
A parte 4 da franquia também teve um orçamento baixo, em torno de US$ 600 mil, com as filmagens ocorrendo em
apenas 6 semanas em 1993. A direção e roteiro são de Kim Henkel, o roteirista do filme original. A maior curiosidade é a
presença no elenco dos atores Matthew McConaughey e Renée Zellweger, então desconhecidos na época e que tiveram
carreiras bem sucedidas. Outra curiosidade refere-se à atriz Tonie Perenski, que estava sempre bonita e maquiada nas
filmagens, mesmo em cenas de confrontos e lutas, onde não deveria estar tão bem. O ator Robert Jacks, que interpretou
“Leatherface” e teve uma carreira curtíssima com praticamente esse único filme, morreu ainda jovem em 2001 com 41 anos,
vítima de um aneurisma abdominal.
Kim Henkel revelou que tiveram muitos problemas de distribuição com a produtora Columbia, que não tinha interesse
em lançar o filme nos cinemas, tanto que foi exibido nos Estados Unidos em poucas salas de forma limitada e com um atraso
imenso, somente em 1997.
Três atores do clássico de 1974 foram homenageados com pontas no final do filme: Paul A. Partain, John Dugan e
Marilyn Burns.
Quanto à receptividade, existem opiniões diversas e opostas, mas vale registrar e reproduzir uma resenha depreciativa
de um fã bem desapontado com o filme:
“... Leatherface é um viado travesti que grita como uma menina e em todos os filmes a família dele é canibal, menos
na parte 4 em que eles comem pizza. Leatherface também não é mais o principal membro da família, é aquele idiota do Vilmer
(Matthew McConaughey). E também Leatherface só matou uma pessoa e foi com uma marreta, não a serra, o resto das mortes
é do Vilmer. Então os filmes do Massacre da Serra Elétrica são meus favoritos, exceto essa enganação da parte 4...”

“O Massacre da Serra Elétrica” (2003)


A refilmagem de 2003 tem produção de Michael Bay, um nome bem conhecido por blockbusters como “Armageddon”
(1998) e “Pearl Harbor” (2001), filmes da mesma época, e atualmente é só se lembrar da barulhenta franquia “Transformers”.
O único membro da equipe de produção do filme original que foi chamado para participar novamente foi o diretor de fotografia
Daniel Pearl. Tobe Hooper e Kim Henkel estão creditados como co-produtores, mas revelaram que suas opiniões para o projeto
não foram consideradas.
A direção foi de Marcus Nispel, com um orçamento de US$ 15 milhões pela produtora “New Line Cinema”
novamente (que já tinha a parte 3 no currículo). “Leatherface” foi interpretado de novo por outro ator diferente, Andrew
Bryniarski. E exceto pelo veterano R. Lee Ermey, o elenco é formado por jovens desconhecidos, vistos apenas em séries
americanas de TV.

“O Massacre da Serra Elétrica – O Início” (2006)


Apenas três anos depois da refilmagem, foi lançada uma pré-sequência contando eventos antes da história do filme de
2003. A direção foi de Jonathan Liebesman e Andrew Bryniarski repetiu o seu papel como o maníaco “Leatherface”.
Curiosamente, ele revelou que aprecia metal extremo e citou a sangrenta música “Raining Blood”, da lendária banda de thrash
metal “Slayer”.
O eterno, primeiro e único “Leatherface”, Gunnar Hansen, disse que ficou desapontado com o filme, pois o psicopata
foi desmascarado, seu mistério deixou de existir, revelando que teve uma doença de pele na infância e que a partir daí começou
a matar por vingança pessoal.
“O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” (2013)
Considerado uma continuação direta do original de 1974, o sétimo filme da série foi filmado em 3D com direção de
John Luessenhop. Curiosamente, tem a presença de alguns atores do clássico, em pequenas participações que serviram mais
como forma de homenagem para Marilyn Burns, Gunnar Hansen e John Dugan, além também de Bill Moseley, que foi o
“Chop-Top” na parte 2. “Leatherface” novamente foi interpretado por um ator diferente, com a serra indo para as mãos de Dan
Yeager.
Apesar que esses velhos atores revelaram que gostaram do roteiro, esse filme é mais uma “bomba” manchando a
franquia, repleto de clichês e situações já vistas tantas vezes que o tornaram apenas mais um filme comum perdido na
infinidade de produções similares, com o único diferencial de possuir um título da popular franquia.

OBS.1: Em 2017 veio o oitavo filme situado nesse imenso universo ficcional de “Massacre da Serra Elétrica”. Com o
sugestivo e manjado título “Leatherface”, foi dirigido por Alexandre Bustillo e Julien Maury, os mesmos responsáveis pelo
excelente filme francês “A Invasora” (2007). A história mostra eventos anteriores ao primeiro filme da saga, abordando a
adolescência conturbada de “Leatherface”.
OBS.2: Em 1988 foi lançada uma paródia do clássico de 1974, “Hollywood Chainsaw Hookers”, com Gunnar Hansen
no papel principal, e direção de Fred Olen Ray. Foi lançado em VHS no Brasil com o nome picareta “O Massacre da Serra
Elétrica 3 – O Massacre Final”, mas não tem relação com a franquia, e o título recebido por aqui apenas contribuiu para
confundir os fãs.

Documentários e filmes derivados


Segundo o livro, existem três documentários sobre a franquia (e mais um “making of” no DVD da parte 3). São eles:
“The Texas Chainsaw Massacre: A Family Portrait” (1988), de Brad Shellady, “The Return of the Texas Chainsaw Massacre:
The Documentary” (1996), de Brian Huberman, e “Texas Chain Saw Massacre: The Shocking Truth” (2000), de David
Gregory.
O primeiro documentário é sobre o filme original, num trabalho independente do diretor, que contou principalmente
com o auxílio de Gunnar Hansen. O segundo é sobre a parte 4, com informações de bastidores e depoimentos dos envolvidos
no projeto, com sua produção acontecendo em paralelo com as filmagens. E o terceiro também tem como foco principal o
primeiro filme, porém com espaço paras as demais partes 2, 3 e 4, com vários depoimentos de Tobe Hooper e Kim Henkel,
além dos atores e demais membros da equipe técnica.
Tem também um documentário de curta metragem chamado “Leatherface Speaks” (2001), de Jim Moran, com
revelações interessantes de Gunnar Hansen sobre os bastidores do clássico de 1974.
Além dos documentários, o livro informa sobre um filme de curta metragem (22 minutos) chamado “Headcheese”
(2002), que foi um dos primeiros nomes imaginados para o “Massacre”. Tem direção de Duane Graves e Justin Meeks, além de
co-produção do próprio Kim Henkel. É uma homenagem ao cultuado filme de 1974, com as filmagens utilizando as mesmas
locações do clássico.
“All American Massacre” é um média metragem de 60 minutos que nunca foi lançado, dirigido pelo filho de Tobe
Hooper, William Tony Hooper e Eric Lasher. A história é um tributo aos dois primeiros filmes da franquia, focando as ações
no personagem doentio “Chop-Top”, interpretado por Bill Moseley (parte 2).
Ed Gein
O psicopata americano Ed Gein (1906 / 1984) teve seu capítulo também. Ele ficou conhecido pelas atrocidades
cometidas, roubando restos de cadáveres dos cemitérios e guardando em casa, além de fazer mobílias e objetos com ossos e
peles humanas, inspirando a realização de vários filmes. O livro dá uma atenção especial para o filme “Confissões de Um
Necrófilo” (Deranged, 1974), baseado na história real desse assassino.

Finalizando este compêndio precioso, temos um capítulo com os nomes e breves biografias de dezenas de pessoas
envolvidas nos vários projetos da extensa franquia: atores, diretores, roteiristas e equipe técnica de produção. Em outro
capítulo, temos as fichas técnicas de “Eggshells” e de todos os sete filmes da série.

“O Massacre da Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos” (The Texas Chain Saw Massacre Companion, 2003)
Autor: Stefan Jaworzyn
Editora “Dark Side” (Rio de Janeiro/RJ). Lançado no Brasil em 2013. Tradução de Antônio Tibau e Dalton Caldas.
“Coleção Dissecando – Filmes Clássicos de Terror”. Formato: 16 x 23 cm. 320 páginas. (por RR)

CINEMA

Comentários de Cinema – Parte 34


Amor Satânico (Deadly Love, EUA, 1987)
Endereço do Medo, O (The House That Mary Bought, Inglaterra, 1995)
Mistério no Bosque / Olhos na Floresta (The Watcher in the Woods, EUA, 1980)
Narco Satanico (México, 1968)
Superman and the Mole-Men (EUA, 1951, PB)
Vingança Eterna / Múmia Vive, A (The Mummy Lives, EUA, 1993)

* Amor Satânico (1987)


Bagaceira oitentista obscura tão ruim que é difícil de assistir
É curioso notar que alguns filmes extremamente ruins e obscuros, que são completamente ignorados em seu próprio
país de origem, receberam a lembrança de serem lançados no Brasil, independente do tipo de mídia. “Amor Satânico” (Deadly
Love, 1987) é um deles, lançado por aqui em vídeo VHS pela “Poletel”, com direção e roteiro de Michael O´Rourke, sendo
uma tranqueira tão ruim que é difícil de assistir, num imenso exercício de paciência do espectador em acompanhar o filme até
seu desfecho.
Nos anos 60 um casal de namorados formado por Annie Butler (Cassie Brown) e o motoqueiro Buddy (Mark Oglesby)
vive numa pequena cidade americana. Porém, o pai rico de Annie não aceita o namoro e durante um confronto com o rapaz, ele
é morto pelo capataz de sua fazenda, Clint (Jim Alves), que também nutre um amor platônico pela moça.
Vinte anos depois, Annie vive sozinha na fazenda após a morte de seu pai, e continua sofrendo por amor, tornando-se
reclusa e conhecida pelos jovens locais como maluca, sendo atormentada por eles. Ela apela para os ensinamentos sobre um
feitiço de um espelho mágico, consultando um livro de ocultisrmo, e após aprender como fazer um ritual de magia negra, seu
antigo namorado retorna dos mortos para visitá-la. Ainda assim, ela se suicida e uma sobrinha herda a propriedade, Hillie
(Eileen Hart), que faz amizade com um jovem da cidade, Skip (Buddy Reynolds), e não imaginam que uma figura sombria
vestida como motoqueiro está rondando o local ao mesmo tempo em que corpos de jovens mortos começam a surgir.
“Amor Satânico” é bem datado, lembrando os anos 80, época de fitas cassete e discos de vinis tocados em vitrolas. A
história é bem patética, com uma narrativa arrastada que afasta o filme de qualquer tipo de diversão, exceto talvez por alguns
poucos momentos de violência com mortes sangrentas. O elenco é sofrível, com interpretações ruins e amadoras contribuindo
para o desinteresse geral. O roteiro tenta criar alguma tensão com reviravoltas, mas não impede um resultado que apenas
coloque o filme num merecido lugar no limbo das produções que ninguém viu, se lembra ou faz questão de se lembrar.
(RR – 24/09/17)

* Endereço do Medo, O (1995)


Dessa vez foi com a casa de Mary. Na próxima, poderia ser a sua.
“O Endereço do Medo” (The House That Mary Bought, 1995) é uma produção inglesa para a televisão que foi lançada
em DVD no Brasil. Trata-se de uma história típica de suspense e mistério, dirigida por Simon MacCorkindale (1952 / 2010), a
partir de um roteiro dele em parceria com Chris Bryant, baseado numa novela de Tim Wynne-Jones.
Mary Close (Susan George) pinta quadros e é casada com Malcolm (Ben Cross), um arquiteto que também gosta de
escrever. Eles vivem num belo casarão à beira mar, afastado da cidade. Sozinhos depois da morte do filho, o casal conta apenas
com a ajuda parcial de uma empregada doméstica, Odette Callot (Chantal Gresset). Porém, as coisas começam a se complicar
depois que diversos eventos misteriosos e estranhos passam a acontecer na enorme casa isolada, transformando o local no
“endereço do medo” do título nacional. E a “casa que Mary comprou”, do título original, torna-se o palco de um mistério que
poderia ser associado a assombrações ou loucura dos moradores.
Os acontecimentos bizarros geram um clima de tensão constante e crescente envolvendo o casal e também amigos
próximos como Alex Fischer |(Maurice Thorogood), o agente para exposição dos quadros de Mary, ou a jovem Claire Benoit
(Charlotte Valandrey), secretária de Malcolm. Culminando com as investigações da polícia local, sob o comando do Inspetor
Jarrier (Jean-Paul Muel), que tenta em vão descobrir alguma coisa.
O filme é uma típica produção para a televisão, sem elementos de violência ou cenas sangrentas, num trabalho mais
voltado para o suspense psicológico sobre o mistério da casa, com um resultado final mediano, o que não deixa de ser
interessante, uma vez que a grande maioria dos filmes similares é descartável. Apesar de longo, com 104 minutos, sua história
desperta uma empatia com o espectador na construção relativamente bem sucedida de uma atmosfera de mistério que prende a
atenção na tentativa de descoberta da origem e motivação dos acontecimentos estranhos na casa, com a inevitável influência no
relacionamento do casal, progressivamente mais conturbado.
(RR – 08/09/17)
* Mistério no Bosque / Olhos na Floresta (1980)
É uma incomum produção da Walt Disney com elementos sutis de horror e suspense sobrenatural
A produtora “Walt Disney”, conhecida pelas animações e filmes com humor e histórias voltadas para a família,
também tem a sua contribuição para o gênero fantástico, representado por “Mistério no Bosque” (1980), uma mistura de horror,
assombração, suspense, mistério e até ficção científica. A direção é do inglês John Hough, que tem em seu currículo “As Filhas
de Drácula” (1971), da “Hammer” e com o ícone Peter Cushing, e o clássico de casa assombrada “A Casa da Noite Eterna”
(1973), com Roddy McDowall.
Uma família se muda para um antigo casarão no interior da Inglaterra, isolado e cercado por uma floresta. Temos o pai
músico Paul Curtis (o escocês David McCallum, rosto conhecido pela série de TV dos anos 70 “O Homem Invisível”), a mãe
escritora Helen (Carroll Baker) e as duas filhas, a adolescente Jan (Lynn-Holly Johnson) e a pequena Ellie (Kyle Richards). A
mansão pertence à idosa mal humorada Sra. Aylwood, interpretada por Bette Davis (1908 / 1989), veterana com vários filmes
de horror na carreira como o clássico “O Que Aconteceu Com Baby Jane?” (1962).
Porém, um mistério ronda a região, com o desaparecimento 30 anos atrás da adolescente Karen (Katharine Levy), filha
da Sra. Aylwood, em circunstâncias estranhas durante um raro eclipse solar, e que nunca foram solucionadas. Um segredo
obscuro também envolve outros moradores das redondezas como o sinistro John Keller (Ian Bannen), o ermitão Tom Colley
(Richard Pasco), e Mary Fleming (Frances Cuka), mãe do adolescente Mike (Benedict Taylor), amigo de Jan, e vizinho que
trabalha com frutas e legumes.
Para complicar ainda mais as coisas, a família recém chegada precisa lidar com a ocorrência de constantes situações
perturbadoras como ruídos, vozes e visões fantasmagóricas de uma menina com os olhos vendados, desesperada pedindo ajuda.
Além de sensações desconfortáveis como se os novos moradores estivessem sendo observados à espreita (daí o título original),
tanto no interior da enorme casa quanto principalmente no bosque sinistro, em relatos das filhas que revelam habilidades
sensitivas.
“Mistério no Bosque” é um filme comum sobre casas e florestas assombradas, com todos os velhos clichês e
elementos do estilo, que ainda assim continuam funcionando sem muita exigência. Uma diferença notável que lhe confere certo
destaque é a sempre bem vinda presença de Bette Davis no elenco, mesmo numa participação menor, e o fato de ser uma
produção da “Walt Disney”, cujo nome está sempre associado às animações e filmes infanto-juvenis de aventura, comédia e
dramas familiares, sem ligação com o horror.
Entre as diversas curiosidades interessantes, vale destacar que o final original do filme lançado em 1980 foi
considerado muito sombrio e não foi bem recebido na época. Então os realizadores optaram por relançar o filme um ano depois
em 1981, com outro final mais leve e explicativo, que teve a direção não creditada de Vincent McEveety. Particularmente, o
final original e depois censurado é muito melhor e mais interessante, com ótimos efeitos especiais típicos daquele período e
com uma associação mais efetiva com os elementos de ficção científica da história.
O filme foi baseado no livro “A Watcher in the Woods” (na tradição literal, “Um Observador na Floresta”, publicado
em 1976 e escrito por Florence Engel Randall. A película recebeu dois nomes no Brasil, “Mistério no Bosque” na exibição nos
cinemas e “Olhos na Floresta” no lançamento em vídeo VHS. Em 2017, ganhou uma refilmagem dirigida por Melissa Joan
Hart e com Anjelica Houston liderando o elenco.
Boa parte das locações são as mesmas do clássico “Desafio ao Além” (The Haunting, 1963), de Robert Wise, um dos
principais filmes de casas assombradas da história do cinema de horror.
(RR – 17/09/17)

* Narco Satanico (1968)


Produção bagaceira mexicana que mistura magia negra e satanismo com crimes passionais e
zumbis vingativos
“Sonhar com uma mulher vestida de noiva significa morte, mas se o noivo é Satã, a morte é provocada por forças do
além.”
“Narco Satanico” é uma produção obscura mexicana de 1968 dirigida por Rafael Portillo, que traz uma história que
mistura elementos de magia negra e satanismo com crimes passionais e zumbis vingativos.
Vicki (Ana Luisa Peluffo) é uma dançarina apaixonada pelo arquiteto Ricardo Santamaria (Gonzalo Aiza, creditado
como Carluis Saval), um homem rico e bem sucedido que é casado com Barbara (Barbara Wells). Para conseguir a atenção
dele, a inescrupulosa Vicki apela para os serviços de magia negra de uma bruxa (Norma Somarriba) e num ritual de satanismo
ela faz um pacto com o demônio, oferecendo seu corpo e alma em troca de juventude, beleza e poder sobre os homens.
Ela consegue seus objetivos usando forças sobrenaturais para prejudicar Barbara e seus familiares. Porém, depois que
Vicki mata violentamente seu amante Ricardo depois de receber uma orientação em sua mente do próprio diabo, ela passa a
sentir na pele a fúria vingativa do morto, cujo espírito se apossa do corpo de seu irmão Carlos (também interpretado pelo
mesmo ator).
O filme é uma tranqueira extremamente ruim que somente diverte um pouco os fãs de cinema bagaceiro de horror por
causa das várias cenas de pesadelos de Carlos sendo atormentado num cemitério tosco, entre túmulos sinistros e criaturas
bizarras. Os efeitos de maquiagem são tão precários que passam a ser inevitavelmente risíveis. Além da utilização artificial e
forçada de gargalhadas tétricas e uivos de lobo retirados de algum efeito sonoro padrão. Tem também o zumbi Ricardo saindo
apodrecido de sua cova e retornando para o mundo dos vivos, arrancando literalmente as tripas de quem cruzasse seu caminho,
à procura de vingança e para cumprir uma promessa macabra que fez para sua esposa.
A história é uma salada indigesta com tantos elementos de horror misturados que o resultado final virou uma bagunça
com a tendência de desviar a atenção do espectador. Os vários cortes bruscos de edição e uma parte irritante da trilha sonora
contribuem ainda mais para afastar o interesse, exceto apenas pelas mortes sangrentas e a atmosfera fantasmagórica dos
devaneios e cenas oníricas.
(RR – 22/09/17)

* Superman and the Mole-Men (1951)


Primeiro filme de aventura do Superman é bem ruim, com uma história ingênua e efeitos toscos
“Há muitos anos atrás, quando o planeta Krypton, lar de uma raça de super homens, explodiu no espaço, o único
sobrevivente foi um menino que veio para a Terra, com poderes e habilidades muito superiores a dos homens mortais. Hoje o
menino é um adulto conhecido como Super Homem. Para ajuda-lo em sua batalha sem fim contra as forças do mal, ele se
disfarça de Clark Kent, um discreto repórter de um grande jornal de Metrópolis. Ninguém sabe que Kent é o Super Homem,
corajoso defensor da verdade, da justiça e da América.”
Com essa introdução narrada inicia-se o filme de aventura com elementos de fantasia e ficção científica “Superman
and the Mole-Men”, produção em preto e branco de 1951 que numa tradução literal seria “Super Homem e os Homens-
Toupeira”. Curto, com apenas 58 minutos de duração, o filme é bem ruim, principalmente pela história ingênua e previsível
demais, cheia de clichês óbvios e cansativos (mesmo para aquela distante época), e pelos efeitos hilários de tão bagaceiros.
Com direção de Lee Sholem, a história mostra a pequena cidade de Silsby, que é conhecida pelo poço de petróleo
mais profundo do mundo. Os repórteres do jornal “Planeta Diário”, Lois Lane (Phyllis Coates) e Clark Kent (George Reeves,
que morreu com apenas 45 anos), foram escalados para viajar até a cidade e fazer uma matéria sobre o assunto. Porém, eles são
mal recebidos pelo supervisor do campo de petróleo, Bill Corrigan (Walter Reed), que informa que o poço está fechado,
contrariando até o responsável pelas relações públicas da empresa, John Craig (Ray Walker), que não sabia desse fato e
acompanhava os jornalistas na visita monitorada.
Entretanto, os repórteres ainda ganhariam um assunto interessante e no mínimo incomum para sua matéria, depois que
dois pequenos seres estranhos parecidos com toupeiras (daí a motivação para o título original “mole-men”), decidiram sair de
suas tocas num mundo subterrâneo através de uma escotilha no poço de petróleo, e investigar por curiosidade o mundo dos
humanos acima do solo.
As criaturas são mal recebidas pelos moradores da cidade, e liderados pelo prepotente Luke Benson (Jeff Corey),
começam a caçar mortalmente os invasores com a ajuda de cães farejadores. Resta ao herói Super Homem a tarefa de impedir a
chacina e salvar os homens toupeira, restabelecendo a ordem e justiça na cidade.
O filme especula que o centro da Terra é oco e que o profundo poço de petróleo permitiu a entrada de uma raça de
criaturas parecidas com toupeiras radioativas na superfície do planeta. Elas são inofensivas, mas são confundidas como seres
hostis, ameaçadores e perigosos, validando a ideia extremamente explorada no cinema fantástico sobre a intolerância da
humanidade contra tudo que desconhece, sempre adotando reações ofensivas antes de avaliar a situação com mais inteligência.
As criaturas inevitavelmente tornaram-se vítimas dos homens da superfície, sendo perseguidas e caçadas violentamente.
A história é tão ingênua e recheada de situações óbvias e previsíveis, que fica difícil despertar algum interesse no
espectador. E os efeitos bagaceiros ao extremo, típicos de uma produção de baixíssimo orçamento e com as dificuldades
técnicas da época, apenas ajudaram a tornar o filme ainda mais ruim. Normalmente, para os apreciadores de filmes bagaceiros,
os efeitos toscos fazem parte da diversão junto com as histórias exageradas no escapismo e fantasia, mas no caso de “Superman
and the Mole-Men”, o roteiro banal de super herói junto com os efeitos ruins tornaram o resultado final bem decepcionante.
As criaturas do centro da Terra são anões fantasiados de forma hilária, usando uma espécie de touca na cabeça para
simular a falta de cabelos na parte central, e com sobrancelhas grossas e mãos peludas, tentando passar a ideia de seres com
corpo de marmota e rostos humanoides. Entre os “efeitos especiais”, vale destacar uma cena que provavelmente está entre as
mais toscas que já vi no cinema fantástico bagaceiro, e posso garantir que já vi muita porcaria do gênero: o resgate de um
homem toupeira baleado, caindo do alto de uma barragem e sendo salvo no ar pelo super homem.
Para completar, ainda temos um xerife extremamente incompetente, interpretado por Stanley Andrews, que não tem
autoridade na pequena cidade e é facilmente dominado pelos habitantes revoltosos contra as criaturas do subterrâneo. Aliás, os
homenzinhos tentam se vingar da má receptividade dos humanos utilizando uma enorme arma de raios que quase não
conseguem carregar, que é risível de tão bizarra.
(RR – 21/09/17)

* Vingança Eterna / Múmia Vive, A (1993)


Apenas mais um filme sobre maldição de múmia egípcia, com o ator Tony Curtis em final de
carreira
A “múmia” é um dos monstros clássicos do Horror, ao lado do vampiro “Drácula”, “criatura de Frankenstein”,
“lobisomem” e outros, e regularmente tem inspirado a produção de grande quantidade de filmes ao longo da história do gênero.
“Vingança Eterna” (The Mummy Lives, 1993) foi lançado por aqui em vídeo VHS pela Warner e também recebeu o título “A
Múmia Vive” (tradução literal do original) quando foi exibido na televisão (TV Globo). Foi dirigido por Gerry O´Hara e é
apenas mais um filme com o mesmo tema de maldição de múmia egípcia. E talvez os únicos diferenciais para a infinidade de
filmes similares sejam a presença do ator Tony Curtis (1925 / 2010) no papel principal, e o nome do cultuado escritor Edgar
Allan Poe, creditado por um conto que inspirou o roteiro. Mas não é o suficiente para impedir de situar o filme no limbo das
produções sem importância sobre múmias.
Um grupo de arqueólogos formado, entre outros, pelo Prof. Alexatos (Mohammed Bakri) e pelo Sr. Kroll (Mosko
Alkalai), financiados pelo magnata inglês Lord Maxton (Jack Cohen), está realizando escavações nas proximidades de Cairo, a
capital do Egito, e encontra uma sala oculta com a tumba de uma múmia de 3000 anos. Trata-se de Aziru (Tony Curtis), que foi
condenado pelo amor proibido com Kia (Leslie Hardy), uma das concubinas preferidas de Zoth, o Deus da Vingança. Pelo
delito foi punido e transformado em múmia pela eternidade, lacrado vivo num sarcófago, tornando-se protetor dos mortos e
guardião dos tesouros do seu mestre, lançando maldições contra os profanadores do túmulo sagrado.
Após despertada da inatividade, a múmia retorna para o mundo dos vivos como o Dr. Mohassid (também Tony
Curtis), um estudioso da cultura egípcia e especialista em antiguidades. Ele encontra na bela Sandra Barnes (também Leslie
Hardy) a reencarnação de sua amada Kia, planejando a união deles num ritual de sacrifício num evento astronômico com uma
rara conjunção planetária. Sandra sofre com constantes pesadelos e conta com a ajuda do médico Dr. Carey Williams (Greg
Wrangler), apaixonado por ela, para lutar pela vida e impedir um trágico destino no plano maquiavélico da múmia.
“Vingança Eterna” é um filme cansativo, que não consegue criar uma empatia com o espectador ao apresentar e
explorar os mesmos velhos clichês sobre múmias, o imperialismo inglês no Egito, as escavações à procura de tesouros perdidos
no tempo, as profanações dos túmulos sagrados, os roubos de artefatos preciosos para museus e patrimônios particulares, as
maldições lançadas contra quem invadisse seus territórios proibidos e a manjada vingança de retaliação com poucas e
previsíveis mortes discretas. Ou seja, mais do mesmo, sem novidades, numa produção comum com quase nada de violência ou
sangue, e que nem Tony Curtis conseguiu evitar que tenha seu lugar garantido no esquecimento.
(RR – 24/09/17)

“A morte é apenas o começo... de uma eterna vida de dor...”