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DEIXAR DE LADO O “HOMEM NATURAL”

Bom dia irmãos. O Bispo me pediu para falar sobre: como deixar de lado o “homem natural”.

Enquanto eu discurso vou me esforçar para que todos possam entender três coisas importantes:

1º - O que significa “homem natural”;

2º - Porque o “homem natural” é inimigo de Deus;

3º - Como sobrepujar o “homem natural”.

O que significa “homem natural”?

No guia para estudo das escrituras a definição para homem natural é:

“Pessoa que se deixa influenciar pelas paixões, pelos desejos, apetites e impulsos da carne ao invés de buscar a inspiração do Espírito Santo. Esse tipo de pessoa só pode compreender as coisas físicas e não compreende as espirituais. Todo ser humano é carnal, ou seja, mortal, em virtude da queda de Adão e Eva, e tem que nascer de novo pela expiação de Jesus Cristo para deixar de ser um homem natural.”

A palavra natural, quando aplicada ao homem, é usada nas escrituras de maneira diferente do mundo. Geralmente natural, ou por natureza, indica algo que é inerente à nossa índole, uma característica com que nascemos. As escrituras nos ensinam claramente, entretanto, que natural significa o homem decaído ou pecaminoso. O termo homem natural refere-se à nossa natureza humana.

Por causa da queda de Adão e Eva, toda a humanidade se transformou num povo perdido e decaído. Por causa da Queda, temos uma natureza dual: uma parte dela está ligada à vida terrena ou animal; a outra, à divindade. Antes de nascermos fisicamente, fomos gerados espiritualmente por Deus, que é nosso Pai Celestial, e vivíamos em espírito com Ele na pré- mortalidade, Dele vem a natureza divina. A natureza humana vem pelo nascimento no mundo mortal quando recebemos o corpo físico.

Por que o “homem natural” é inimigo de Deus?

Nosso corpo físico também é um dom de Deus. Um motivo pelo qual queríamos vir a esta Terra era o desejo de tornar-nos mais semelhantes ao Pai Celestial, que tem um corpo físico. Portanto, um de nossos desafios na mortalidade é aprender a administrar e usar nosso corpo a contento, bem como cuidar dele. Se pudermos governar as tendências naturais da carne, nos ergueremos rumo ao tipo de vida espiritual mais elevado. Contudo, se permitirmos que o “homem natural” tome as rédeas, nos veremos em posição de inimizade com Deus e Seus propósitos.

Em Mosias 3: 19 o rei Benjamim ensina:

“Porque o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão e sê-lo-á para sempre; a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito e despoje-se do homem natural e torne- se santo pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai.”

DEIXAR DE LADO O “HOMEM NATURAL”

Em Doutrina e Convênios 93: 38 está escrito:

“Todo espírito de homem era inocente no princípio; e Deus tendo redimido o homem da queda, os homens tornaram-se outra vez, em sua infância, inocentes perante Deus.”

Em Moisés 6: 49 está escrito:

“Eis que Satanás veio para o meio dos filhos dos homens e tentou-os para que o adorassem; e os homens tornaram-se carnais, sensuais e diabólicos e encontram-se afastados da presença de Deus.”

Em Moisés 6: 55 está escrito:

“E o Senhor falou a Adão, dizendo: Visto que teus filhos são concebidos em pecado, quando eles começam a crescer, concebe-se o pecado em seu coração e eles provam o amargo para saber apreciar o bom.”

Em Mosias 16: 2-5 está escrito:

“E então os ímpios serão expulsos e terão motivo para uivar e chorar e lamentar-se e ranger os dentes; e isto porque não deram ouvidos à voz do Senhor; portanto o Senhor não os redime.”

“Porque eles são carnais e diabólicos e o diabo tem poder sobre eles; sim, aquela velha serpente que enganou nossos primeiros pais, que foi a causa de sua queda; que fez com que toda a humanidade se tornasse carnal, sensual, diabólica, distinguindo o mal do bem, sujeitando-se ao diabo.”

“Assim toda a humanidade estava perdida; e eis que estaria para sempre perdida se Deus não houvesse redimido seu povo do estado de perdição e queda.”

“Lembrai-vos, porém, de que aquele que persiste em sua própria natureza carnal e segue os caminhos do pecado e da rebelião contra Deus, permanece em seu estado decaído e o diabo tem todo poder sobre ele. Portanto permanece como se não tivesse havido redenção,sendo inimigo de Deus; e também o diabo é inimigo de Deus.”

Em Doutrina e Convênios 20: 20 está escrito:

“Mas, pela transgressão dessas santas leis, o homem tornou-se sensual e diabólico e um homem decaído.”

Estas passagens de escrituras nos ensinam que embora nascidos inocentes, todos os homens, em virtude da queda de Adão, nascem em um mundo decaído. Conhecendo o bem e o mal e vivendo neste estado imperfeito, todos os homens pecam e experimentam uma resultante “queda” e morte espiritual. Em outras palavras, é pela transgressão das leis de Deus que uma pessoa se torna um “homem natural”.

Conseqüentemente, o homem natural é um inimigo de Deus, até que se qualifique à influência purificadora da Expiação, pela observância aos mandamentos do Senhor. O homem então, se torna uma nova criatura, nascida de novo e espiritualmente viva, digna de ser conhecida como um amigo de Deus.

DEIXAR DE LADO O “HOMEM NATURAL”

E quanto a nós membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? Será que nós somos “homens naturais”?

Talvez

possamos

responder

esta

pergunta

examinando

algumas

características

gerais

do

“homem natural”:

 

1 O homem natural não tem vontade ou não é capaz de perceber as realidades espirituais. O

apóstolo Paulo explicou em I Coríntios 2: 14 que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” Exultante pela vontade do Senhor querer salvar seus filhos do mal e perdoar seus pecados, em Alma 26: 21 Amon disse: “E agora, meus irmãos, que homem natural

existe que conheça essas coisas? Digo-vos que não existe quem conheça essas coisas, a não ser o penitente.”

2 O homem natural é orgulhoso. O principal recurso que distingui o homem natural é o

orgulho, que como o Presidente Ezra Taft Benson observou, é a inimizade para com Deus e inimizade para com o homem. O orgulho é essencialmente competitivo por natureza. O desejo do orgulho é de que Deus concorde com ele. O olhar do homem natural não é para cima em direção a Deus nem em direção aos homens, exceto quando olhar horizontalmente lhe permite competir com seus semelhantes.

3 O homem natural é extremamente competitivo e externamente orientado. O homem natural está preocupado apenas com as recompensas deste mundo, estas pessoas são diariamente tentadas a se elevar em detrimento e diminuição de outros. Não há prazer em “ter algo”, somente em “ter mais do que o próximo”.

Samuel, o lamanita, expressa o fim trágico de quem passa seus dias desta maneira em Helamã 13: 38 “Mas eis que vossos dias de provação se passaram; procrastinastes o dia de vossa salvação, até que se tornou, para sempre, demasiado tarde; e vossa destruição é certa; sim, porque durante todos os dias de vossa vida buscastes aquilo que não podíeis obter; e buscastes felicidade na iniqüidade, o que é contrário à natureza daquela retidão que há em nosso grande e Eterno Cabeça.”

4 O homem natural é áspero e bruto. O Espírito do Senhor tem uma influência calmante e

tranqüilizadora sobre aqueles que apreciam seus frutos. Como santificador, o Espírito Santo amplia, expande e purifica todas as emoções e afetos naturais, inspira bondade, ternura, mansidão e caridade. Por outro lado o homem natural é o “homem terreno”, que permite que sentimentos animais ofusquem sua inclinação espiritual. Seus relacionamentos são caracterizados pelo desrespeito e pela forma crua de falar e tratar.

O Presidente David O. McKay disse:

“A menos que um homem se dê por satisfeito com o que designamos como mundo animal, com o que o mundo animal lhe tem a oferecer, cedendo sem esforço aos caprichos de seus apetites e paixões e deslizando cada vez mais nos domínios da permissividade, ele deve, por meio do autodomínio, erguer-se e buscar os deleites intelectuais, morais e espirituais que dependerão das escolhas que ele fizer todos os dias, ou melhor, em todos os momentos de sua vida.”

DEIXAR DE LADO O “HOMEM NATURAL”

Como sobrepujar o “homem natural”?

O Rei Benjamim ensinou que o homem natural continua a ser um inimigo de Deus, até que

“ceda ao influxo do Santo Espírito e despoje-se do homem natural e torne-se santo pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como

uma criança se submete a seu pai.”

O Élder Melvin J. Ballard ensinou que: “todos os ataques empreendidos pelo inimigo de nossa

alma para aprisionar-nos visarão à carne, sua estratégia baseia-se nos desejos apetites e ambições da carne. Toda a ajuda que recebemos do Senhor para socorrer-nos nessa luta virá por meio do espírito que habita este corpo mortal. Assim essas duas forças de peso estão agindo sobre nós por esses dois canais. Se desejarem um espírito forte que domine o corpo, devem certificar-se de que seu espírito receba alimento espiritual e exercício espiritual. Os homens e mulheres que não receberem alimento espiritual acabarão por enfraquecerem-se espiritualmente e a carne prevalecerá. Já os que obtiverem alimento e exercício espiritual controlarão esse corpo e o manterão sujeito à vontade de Deus.

Algumas das várias formas de alimento e exercício espirituais são: orar, tomar o sacramento, servir ao próximo, estudar as escrituras, jejuar, freqüentar as reuniões dominicais e servir no templo.

O alimento e o exercício espirituais podem fortalecer-nos em nosso empenho de governar o

corpo, mas essa meta torna-se muito mais fácil se o corpo puder ser santificado de seu estado corrupto ou “natural”. Essa santificação vem por meio de Cristo e do ministério do Espírito Santo. O dom do Espírito Santo aviva todas as faculdades intelectuais, aumenta, expande, amplia e purifica todas as paixões e afetos e adapta-os, pelo dom da sabedoria, a seu uso lícito.

Portanto, a mensagem do evangelho é que não precisamos entregar-nos a nossas fraquezas e desejos da carne. O evangelho ensina que, por meio da Expiação de nosso Salvador e do uso adequado do arbítrio, podemos passar por uma mudança fundamental em nossa natureza. “O mundo tenta moldar o comportamento humano, mas Cristo pode mudar a natureza humana”. Pelo poder do Senhor podemos ser participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. Por meio da Expiação de Cristo, o ser humano pode despojar-se do homem natural e tornar-se santo, submisso, manso, humilde, paciente e cheio de amor.

A mudança necessária para um homem natural se tornar um discípulo dedicado é muito grande. Isso exigirá todo esforço de nossa parte a fim de deixarmos de lado nossas reações, nossos interesses pessoais, nossos desejos egoístas e tentar emular os atributos ensinados por Cristo em Sua maneira de viver. Deixar o homem natural de lado só é possível através da graça e da expiação de Cristo. É por isso que as Escrituras se referem ao processo como nascer de novo. Tendo sido perdoados de nossos pecados, nós morremos para as coisas da injustiça e somos nascidos de Deus para uma nova vida espiritual mais elevada. Nós começamos a apreciar o que Paulo chama "o fruto do Espírito", ou seja, “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Tornamo-nos humildes e submissos, ansiosos para conhecer e cumprir a vontade do Salvador.

DEIXAR DE LADO O “HOMEM NATURAL”

Deixar de lado o homem natural abrange muito mais do que evitar o pecado, sobrepujá-lo e ser limpos de nossas faltas e das más influências em nossa vida; também inclui essencialmente fazer o bem, ser bom e tornar-se melhor. Arrepender-nos dos nossos pecados e buscar o perdão são atitudes espiritualmente necessárias, e devemos sempre fazer essas coisas. Mas a remissão dos pecados não é a única meta nem o objetivo final do evangelho. Ter o coração transformado pelo Espírito Santo de tal modo que não tenhamos mais disposição para praticar o mal, mas, sim, de fazer o bem continuamente, como foi o caso do povo do rei Benjamim, é uma responsabilidade que aceitamos por convênio. Essa poderosa mudança não é simplesmente o resultado de trabalho árduo e do desenvolvimento de mais disciplina individual. Mais exatamente, é a conseqüência de uma mudança fundamental em nossos desejos, nossos motivos, nossa natureza, graças à Expiação de Cristo, o Senhor. Nosso propósito espiritual é sobrepujar tanto o pecado quanto o desejo de pecar; tanto sua mancha como sua tirania. Isso vai requerer abnegação e esforço de nossa parte. Vai requerer estudo e ponderação das escrituras, procurando os exemplos que o Salvador mostrou e tentando emulá-los em nosso dia a dia. Não é uma tarefa fácil, mas o Salvador tornou essa mudança possível graças a Sua misericórdia e Seu amor a todos nós.

Parece que tudo isso dá muito trabalho, mas para alcançar qualquer objetivo que valha a pena são necessários sacrifício e trabalho árduo. E sobrepujar o homem natural e esforçar-nos para tornar-nos mais semelhantes a Cristo aperfeiçoando nossa natureza divina é um excelente objetivo.

Que o Senhor possa nos ajudar a alcançar esse objetivo com toda a diligência e dedicação.

Deixo este discurso e meu testemunho de que Jesus é o Cristo e nos abençoa em todos os nossos esforços para tornar-nos mais semelhantes a Ele, no nome sagrado de Jesus Cristo.

Samuel R. Rutz

Ala Bom Pastor

Amém.

São José dos Pinhais, 30 de Janeiro de 2011

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