ISSN 1677-1915 Fevereiro, 2008
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Agroindústria Tropical Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Documentos 113
Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi
Maria Elisabeth Barros de Oliveira Nonete Barbosa Guerra Levi de Moura Barros Ricardo Elesbão Alves

Embrapa Agroindústria Tropical Fortaleza, CE 2008

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: Embrapa Agroindústria Tropical Rua Dra. Sara Mesquita 2270, Pici CEP 60511-110 Fortaleza, CE Caixa Postal 3761 Fone: (85) 3391-7100 Fax: (85) 3391-7109 Home page: www.cnpat.embrapa.br E-mail: vendas@cnpat.embrapa.br Comitê de Publicações da Embrapa Agroindústria Tropical Presidente: Francisco Marto Pinto Viana Secretário-Executivo: Marco Aurélio da Rocha Melo Membros: Janice Ribeiro Lima, Andréia Hansen Oster, Antonio Teixeira Cavalcanti Júnior, José Jaime Vasconcelos Cavalcanti, Afrânio Arley Teles Montenegro, Ebenézer de Oliveira Silva Supervisor editorial: Marco Aurélio da Rocha Melo Revisora de texto: Ana Fátima Costa Pinto Normalização bibliográfica: Ana Fátima Costa Pinto Fotos da capa: Maria Elisabeth Barros de Oliveira Editoração eletrônica: Arilo Nobre de Oliveira 1a edição 1a impressão (2008) Todos os direitos reservados A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Agroindústria Tropical Aspectos agronômicos e de qualidade do pequi / Maria Elisabeth Barros de Oliveira... [et al.] – Fortaleza : Embrapa Agroindústria Tropical, 2008. 32 p. (Embrapa Agroindústria Tropical. Documentos, 113). ISSN 1677-1915 1. Fruta tropical. 2. Planta oleaginosa. I. Oliveira, Maria Elisabeth Barros de. II. Guerra, Nonete Barbosa. III. Barros, Levi de Moura. IV. Alves, Ricardo Elesbão. V. Série CDD 634.6 © Embrapa 2008

Ph.ufpe.br Levi de Moura Barros Engenheiro Agrônomo. nguerra@nutricao. pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical. levi@cnpat. M.. elesbao@cnpat. CE.br . Ph. Fortaleza. CCS/UFPE. em Tecnologia de Alimentos. em Pós-Colheita. CE. elisabet@cnpat. D.embrapa.embrapa. Departamento de Nutrição. Sc. PE.embrapa. CE.br Ricardo Elesbão Alves Engenheiro Agrônomo. Recife. pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical. Sc. D. D. Fortaleza.br Nonete Barbosa Guerra Nutricionista. pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical. em Genética e Melhoramento de Plantas. Fortaleza.Autores Maria Elisabeth Barros de Oliveira Engenheira Química.

como é o caso da exploração do pequizeiro. necessários para a implantação e desenvolvimento. . das cadeias produtivas agroindustriais exploradas no País. seja na busca de conhecimentos para a agricultura familiar. com sucesso. há grande movimentação de pessoas na tarefa de coleta dos frutos. conhecidas como pequi. incluindo a semi-extrativista. Algumas espécies do gênero Caryocar. mesmo quando não originados de pesquisas diretas. Isso porque. sendo valiosas fontes de consulta para técnicos e produtores. pois os que ainda estão na planta não apresentam qualidades desejáveis para a comercialização. seja com pesquisas voltadas para a inovação dos agronegócios. pois são elaboradas com o objetivo de reunir a maior quantidade possível de conhecimentos. A Embrapa Agroindústria Tropical também participa desse esforço. da família Caryocaraceae. onde a planta exerce importante papel na socioeconomia nos locais de ocorrência.Apresentação As publicações técnicas da Embrapa têm como característica seus conteúdos essencialmente práticos. por ocasião da safra. e tem contribuído para viabilizar soluções tecnológicas competitivas para o desenvolvimento sustentável da agroindústria tropical do País. ocorrem em quase todos os agroecossistemas do País e têm seus frutos muito apreciados e utilizados na culinária da Região Centro-Oeste. Norte e parte do Nordeste. que são apanhados diretamente no solo. piqui ou piquiá.

contribuirá para o estabelecimento de caminhos mais seguros para a exploração da planta sob cultivo. tanto da polpa como da amêndoa. in vitro. As informações reunidas neste documento pavimentam um caminho para a formação de uma base de conhecimentos voltados para a melhoria da exploração da planta. os pratos da cozinha regional são o ponto alto desse fruto peculiar de cheiro forte e característico. Lucas Antonio de Sousa Leite Chefe-Geral Embrapa Agroindústria Tropical . mesmo que de forma extrativista. A sua elaboração. em diversos microrganismos. ressaltando seu potencial nutricional. o pequi contribui para a cura ou a amenização de diversos males. além de apresentar potencial de uso para a produção de combustíveis e lubrificantes. O extrato de suas folhas apresenta atividade moluscicida e antifúngica. com aplicações que vão da indústria artesanal até a culinária regional. se beneficia das propriedades do seu óleo de alta qualidade. Na farmacopéia popular. informações importantes sobre o pequizeiro. também. surgiu a necessidade de compilar numa mesma edição. principalmente. A indústria cosmética. ajudará a preencher as muitas lacunas ainda existentes. No entanto.O pequizeiro é uma árvore de múltiplas utilidades desde a sua madeira até o fruto. certamente. Considerando a gama de utilização dessa planta em diversos segmentos da atividade humana e. tanto na pesquisa como nas práticas inerentes à exploração comercial da planta. E. sua importância como alimento para a população de baixa renda. desde a parte agronômica até a composição química de seu fruto. mais importante.

............................... Perspectivas de melhoramento ......................................................................... Características da planta ........................................................................................................ O fruto e a dispersão ... 19 Polpa e amêndoa ................... Germinação ............................... Requerimentos ecológicos .. 11 Características Agronômicas ....................... Frutificação ...................... Produção ............................................................................. 21 Componentes nutricionais da polpa ........................................ 9 Caracterização Botânica . Fenologia ......................... 19 Composição centesimal das diferentes partes do pequi 21 Carotenóides ................ 12 12 13 13 14 14 15 17 17 18 Características Químicas do Fruto ......................................... Propagação ......................................................................................... 22 ............Sumário Introdução ..................................................................................................................................

.................................................................................................................................... 27 .............. Óleo ........................................................... Madeira .... 26 Referências ..................................... Atividade antimicótica ....................... Polpa ......................................... Casca................. Outras utilizações .... 23 23 23 25 25 26 26 Considerações Finais .................................................Utilização ............................................................................................................................................

também. Mato Grosso do Sul. 1998). Rio de Janeiro e Tocantins (PEIXOTO. Goiás. com reflexos negativos para a melhoria do sistema atual de exploração e. são encontradas nas savanas (tipo de vegetação semelhante ao Cerrado brasileiro). incluindo Pará. nos Estados do Ceará. tem sido considerada. Ceará. 1994). Algumas espécies. Porém. Piauí. que exerce um importante papel socioeconômico na Chapada do Araripe e circunvizinhanças. Minas Gerais. Na parte mais setentrional do Nordeste brasileiro.. por alguns. piquiá e piquivinagreiro. poucas são as informações disponíveis na literatura especializada dedicada a essa espécie. GIACOMETTI. diversidade explicada pelo fato de o Brasil ser o centro de dispersão desse gênero. Mato Grosso.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi Maria Elisabeth Barros de Oliveira Nonete Barbosa Guerra Levi de Moura Barros Ricardo Elesbão Alves Introdução Diversas espécies do gênero Caryocar são conhecidas popularmente pelos nomes de pequi e outros derivados como. ocorrem espécies em todas as regiões do País (PEIXOTO. Por essa razão. Bahia. 1973. do Amazonas a São Paulo. é encontrada a espécie Caryocar coriaceum. Maranhão. para o surgimento de empreendimentos agroindustriais em bases racionais. como árvore símbolo do Cerrado (HERINGER.. da Costa Rica ao Paraguai (FRANCO et al. piqui. 2005). principalmente. MACEDO. 1973. Pernambuco e Piauí. 2004). 1962. 1993. Por esse motivo. . ALMEIDA et al. ALMEIDA e SILVA.

Como oleaginosa. moirões. no combate à bronquite. é puramente extrativista. principalmente para as famílias carentes. e no conhecido baião de dois (feijão com arroz). da polpa do fruto é extraído um óleo que. Mesmo assim. A principal utilização do fruto é no consumo direto do caroço em forma de pequizada. importância socioeconômica (industrialização e agregação de valor pela elaboração de diversos produtos etc. Como fármaco.10 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi O pequizeiro é uma planta perene. construções civis e navais. é empregado na indústria cosmética. em razão das suas características e formas de utilização. o suporte de informações é empírico. no período da safra. ocorrência.) do fruto in natura. Sua madeira. e exerce importante papel na socioeconomia de muitas localidades de diferentes regiões do País. realizou-se esse trabalho com o objetivo de organizar o maior número de informações possíveis sobre os aspectos agronômicos (descrição da planta. tais como berço de moendas. além de utilizado na culinária.). com densidade em torno de 0. que pode ser classificada como frutífera ou oleaginosa. É um produto indispensável na alimentação das populações que vivem ao redor das áreas de ocorrência das espécies. .803 g/cm3. que fornece parte dos aportes energéticos e nutricionais necessários. 1973). não existe cultivo comercial de pequizeiro e a sua exploração. ainda.000 UI (PEIXOTO. também tem sido empregada para usos diversos. e como produto medicinal. disseminação etc. gripes e resfriados. ácidos graxos etc. com média em torno de 200. Apesar das várias utilidades e da significativa área geográfica onde a espécie é explorada. porém é certo que a polpa do fruto tem alto teor de provitamina A.). na produção de sabão. calços de bate-estacas e aplicações semelhantes. gera emprego e renda no período de safra. Considerando a variabilidade do uso e a importância atual do pequizeiro para contingentes populacionais de diferentes regiões do País e avaliando o potencial das espécies de Caryocar como planta do futuro. de cor castanhoamarelada. dentre outros. e os aspectos nutricionais (carotenóides provitamina A. em virtude de ser resistente. vitaminas do complexo B e C. no arroz. no feijão. em cozidos de carne de gado e de frango.

A espécie de maior presença no Cerrado do Planalto Central é C. pertencem à família Caryocaraceae. no Centro-Oeste e parte do Nordeste. Giacometti (1993). coriaceum Wittm. o C. sem determinar o número. Goiás. Caryocar e Anthodiscus. das quais apenas oito de ocorrência no Brasil. (2004) possui 16 espécies. O gênero Caryocar. villosum. 2001). 85% no Planalto Central (COUTINHO. Centro Brasil Central/Cerrado com pequi Caryocar spp. Roraima. Pará. brasiliense subsp. e C. setor B. 1997). O cerrado é uma vegetação natural. de porte arbóreo e com ampla distribuição. Bahia. prin- . 1973). 1997). Centro Mata Atlântica. e C. coriaceum. brasilense nos Estados do Mato Grosso do Sul. Paraíba..a seguir: Centro Alto Noroeste/Rio Negro. brasiliense subsp. com piqui-vinagreiro (C.. Maranhão. 1996). segundo Franco et al. a espécie que se encontra. com C. e nomes derivados. Brasiliense. edulis). nos Cerrados brasileiros encontram-se. fica mais fácil entender a razão da diversidade de ocorrência das espécies de Cayocar.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 11 Caracterização Botânica As espécies conhecidas como pequizeiro. dividida em duas subespécies: C. Oliveira (1988) situa a ocorrência de C. com o C... Centro Roraima/Manaus (quatro espécies de Caryocar). Minas Gerais. 12 são encontradas no território brasileiro. com algumas espécies de piquiá (Caryocar spp. da ordem Theales (Rizobolácea). na Chapada do Araripe no Ceará (PEIXOTO. Centro Nordeste/Caatinga com C. além do C. Essa informação difere da obtida por Oliveira (1988) que relata que são 19 espécies. e o restante da área nos Estados do Amazonas. Diante do exposto. brasiliense. Centro Sudoeste Acre/Rondônia. Rio Grande do Norte. e Centro Brasil/Paraguai. com ocorrência restrita a algumas partes desse ecossistema (SILVA et al. Piauí. Intermedium. das quais. dos quais. também. coriaceum. Ceará. e na parte alta de São Paulo até o Norte do Paraná. Alagoas e Sergipe (CASTRO. brasiliense Camb. de porte arbustivo. Mato Grosso. localizou as espécies de Caryocar em sete dos dez centros de origem das frutíferas brasileiras. com cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados. representando cerca de 22% do território brasileiro (RATTER e RIBEIRO.). Para Rizzini (1963). composta de 25 espécies reunidas em dois gêneros. brasiliense Camb.

1988). Características da planta As informações apresentadas sobre a planta. o que pode. coriaceum. muitas das quais poderão auxiliar na compreensão do C.. 1984). onde as plantas raramente ultrapassam a um metro e meio de altura. com a planta atingindo entre 8 e 12 m de altura. Franco et al. 1972). A concentração de árvores no campo. (2004).CEPA. coriaceum no Piauí. ainda é pouco estudada. principalmente. no estágio atual de conhecimento do pequizeiro. em geral. a maioria das plantas é do tipo anão. quando não ressalvadas. o que é o esperado nos ecossistemas tropicais. relata a ocorrência de populações em Pirassununga. O porte é arbóreo. Características Agronômicas Como em qualquer espécie. brasiliense. brasiliense. ser tema de estudo sobre a especiação do gênero. na estação ecológica de Itirapina. São Paulo. relatam que. é estimada em 40 plantas por hectare para o C. Padrões variáveis foram observados para C. serão relativas à espécie C. com 48 plantas por hectare no Centro-Sul do Estado. valor superior à média do Estado (COMISSÃO ESTADUAL DE PLANEJAMENTO AGRÍCOLA . estão fora do core do Cerrado. similar ao padrão observado para C. em virtude da proximidade genética das duas espécies. Centro-Oeste desse Estado. brasiliense. no entanto. conforme relatado. principalmente da espécie C. 1998) e no Estado de São Paulo a 5 m (BARRADAS.12 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi cipalmente C. O mesmo autor. inclusive. não existem muitas informações sobre as características agronômicas da planta. com variações em resposta ao ambiente. em áreas que estão aparentemente fora do Cerrado. No Planalto Central a planta chega a sete metros de altura (ALMEIDA et al. Essas espécies têm porte similar a uma população do tipo anão encontrada em . e 78 plantas por hectare no extremo Sul e Sudoeste. coriaceum que. As informações disponíveis que serão descritas. brasiliense (OLIVEIRA. em áreas típicas ou de transição. com menos de um metro de altura. coriaceum. Na verdade. foram obtidas. nos estudos e nas observações com C.

5 m. coriaceum pode ser considerada uma espécie tipicamente tropical. que identificaram 114 plantas de C. mostram que plantas das espécies C. 1988).6 a 1. Em termos de temperaturas. concluiu que a planta se adapta bem em solos com nível nutricional . coriaceum são rústicas. Fenologia As informações fenológicas descritas.3 a 0. aparentemente. 95 apresentaram porte arbustivo. juntamente com as observações feitas diretamente nas áreas de ocorrência. as informações disponíveis.. Santana (2002). sendo. com redução parcial da folhagem durante a estação seca. mas o peso do endocarpo é semelhante ao das plantas normais da espécie (SILVA et al. ou seja. do tropical ao subtropical (OLIVEIRA. enquanto que C. 19 plantas com altura de 0. mantiveram o porte baixo e foram mais precoces do que o tipo comum da região do Cerrado. Já em termos de solos. quando atingiam altura média de 60 cm. Requerimentos ecológicos Em relação aos elementos do clima. em forma de moitas. Salviano et al. C. das quais. Provavelmente. mostram que a espécie é semidecídua. Intermedium. (2002) observaram que a planta responde à irrigação acelerando o crescimento. A floração ocorre logo após a emissão das folhas novas e os frutos alcançam a maturidade entre três e quatro meses após a floração. Plantas obtidas a partir de sementes dessas populações iniciaram o florescimento entre 18 e 24 meses após o plantio. essas populações não tiveram origem comum por plantio.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 13 Minas Gerais por Silva et al. Em áreas com alta densidade populacional do Sudeste de Goiás. Brasiliense subsp. brasiliense se adapta a uma maior variedade de ambientes. Os frutos apresentaram deiscência e há grande heterogeneidade em relação ao número de fruto/planta. à semelhança do que ocorre no seu habitat. 2001). pouco exigentes em relação aos solos. brasiliense e C. abrindo um campo para novos estudos sobre a fenologia da planta e fatores de produção para a formação dos sistemas de produção. Em estudo sobre a reação da planta à irrigação. é possível que sejam ecotipos associados ao ambiente ou nanismo por controle genético. (2001). com altura de 0. em geral. existem poucas informações. que inicia a frutificação aos cinco anos após o plantio.7 m e.

portanto. a maior densidade de plantas ocorre nos Cambissolos e Neossolos Litolíticos em relação aos Latossolos. Fica clara. até mesmo a espécie C. Nessas circunstâncias. para a maioria das plantas cultivadas. (2002). Estudos realizados por alguns autores. 2000). 1997). e que o padrão de desenvolvimento das plantas está associado ao tipo e ao nível nutricional dos solos. Propagação Nenhuma das espécies de Caryocar é domesticada.e iniciem a produção mais rapidamente. porém. 1987. de estudos com a propagação vegetativa para que os plantios sejam uniformes. que é baixa e lenta. assim.14 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi baixo. brasiliense e de C. por exemplo. e com a saturação em bases do solo. Salviano et al. Também. Verificou. se isso é interessante para ganhos significativos de seleção. por outro lado é um fator complicador para a formação de plantios comerciais.5 a 68. não sendo ainda utilizada a propagação assexuada. uma associada ao endocarpo e a outra de natureza embriônica (MELO. brasiliense. confirmaram que essa espécie adapta-se bem às condições naturais dos solos do Cerrado. mais produtivos. a mais explorada comercialmente. Germinação São escassas as informações sobre a germinação das espécies Caryocar. em experimentação com Latossolo Vermelho-Escuro. constataram a ocorrência de dormência dupla. em programas de melhoramento. Pela variabilidade fenotípica observada nas populações das espécies de C. para a orientação de produtores e viveiristas. é fácil deduzir que as espécies são alógamas. conforme o tratamento utilizado para quebra da dormência (PEREIRA et al. É certo. A forma natural de propagação é por sementes.4%. . Há necessidade. atualmente encontra-se em um estágio intermediário de domesticação para plantas perenes. de acordo com Harlan (1967). a necessidade de mais estudos sobre o tema.. também. coriaceum. DOMBROSKI. que a altura média e a produção correlacionam-se positivamente com o teor de potássio. com índices de germinação entre 2.

7. quando maduro. com o cultivo in vitro das sementes. o que concorda com a informação de Oliveira (1988). Na Tabela 1 são resumidas as informações disponíveis sobre as características físicas dos frutos dessas duas espécies. Poucas são as referências sobre as características físicas do fruto.6%. o comprimento 8.7% e 12. 10. mesmo com C. cada fruto contém apenas uma semente desenvolvida. 76. Silva et al. respectivamente. embora seja possível encontrar até quatro sementes (HOEHNE. obtiveram 30% de germinação no período de um ano. Em relação à dispersão da semente. encontraram. (2004). Em Caryocar villosum. Hoehne (1946).0cm ± 0. (2001). Ferreira et al. PEIXOTO. enquanto que.. (1988) verificaram que a casca do fruto maduro representa cerca de 84% do peso. embora esse não deva ser um processo efetivo de dispersão dado o tamanho e peso das sementes. também pastosa. 1972.8cm ± 0. estudando o processo em plantas de uma população de C. A massa que recobre as sementes pode apresentar cor amarela (mais comum). Barradas (1972) observou que formigas saúvas são capazes de carregar as sementes. O peso médio dos frutos foi de 338. em sementeira de areia. a polpa representa 10% e a semente 6% do peso total. Na maioria dos casos. rósea ou esbranquiçada. 1973). Santos (2004) obteve maior porcentagem e velocidade de germinação. Intermedium de porte baixo. a largura 8. apresenta epicarpo de coloração verde-clara a levemente amarelada. 1923. Isso inclui as emas (Rhea . O endocarpo é rígido e espinhoso. embora não sejam encontradas informações de pesquisas. Silva et al. 1988). sendo uma característica do gênero. encontrada na Região Sul de Minas Gerais. citado por BARRADAS. a espécie mais estudada do gênero. farinácea e oleaginosa (FERREIRA et al. relatou que o gado bovino seria um meio de dispersão.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 15 Sobre a germinação. brasiliense subsp. laranja.3g ± 55. e o número de sementes foi de apenas um.6. sobre a ação de animais. brasiliense. citado por Barradas (1972).7%.3. O fruto e a dispersão O fruto é uma drupa e.

50 ± 0.2 a 6.00 ± 1.33 Peso do caroço s/ polpa (g) 7. Característica Miranda e Oliveira Filho (1990) (Caryocar sp. brasiliense) Peso do fruto (g) 101.0 ± 0.56 ± 3.25 ± 0.18 Comprimento do caroço (cm) 3.97 1.96 ± 2.63 ± 0.68 ± 0.) Almeida (1993) citado por Almeida e Silva (1994) (C.5 30.) Ferreira et al. villosum) .48 Largura do caroço (cm) 2.45 ± 0.4 50 a 250 120 90.11 4.9 338.16 ± 23. Características físicas do pequi e relação de proporcionalidade de seus constituintes.5 8.20 ± 0.97 Espessura da casca (cm) 1.54 2a4 1.8 a 3.16 Tabela 1. segundo alguns autores.38 132.(2004) (C. brasiliense) Nascimento et al.8 ± 0.29 ± 0.09 ± 28.73 Comprimento do fruto (cm) 6.59 ± 35.3 ± 55.80 Peso da amêndoa/caroço (g) Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi Peso do caroço c/ polpa (g) 20.07 ± 1. (1988) (Caryocar sp.41 Peso da polpa (g) 12.03 ± 4. Silva et al.14 8 20 a 117 98 - 126. (1988) (C.8 2.9 5.0 - Peso da casca (g) - 106.7 8.3 8.73 Almeida et al (1998) (Caryocar brasiliense) 6. brasiliense) Miranda et al.43 Largura do fruto (cm) 6.6 1.4 1a4 2.8 4.5 a 7.79 Nº de caroços/fruto 1. (1995) (C.0 ± 0.1 a 2.31 (-) Dados não disponíveis.

no ano de 2002. O período de maturação dos frutos (queda). para um hectare. iniciando pelo Extremo-Sul de setembro a dezembro. frutificação e maturação (queda) dos frutos nas diversas regiões do Piauí. posteriormente.000 frutos por safra (SILVA. no Norte.00/ t (GOIÁS. Produção A produção de frutos por planta é. segue a mesma tendência. equivalendo a 1. Frutificação Pela abrangência geográfica da dispersão. é muito variável o período de ocorrência da floração e frutificação das espécies Caryocar. 1998). apresentou os dados de de comercialização do fruto no volume de aproximadamente 2. 2002). de novembro a março (CEPA. A maioria das plantas produz cerca de 500 a 2. Assim.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 17 americana). do C. Há. as quais podem atuar como dispersoras de sementes a pequenas distâncias (GRIBEL. 1986). com a floração iniciando no Extremo Sul do Estado de junho a agosto. também. coriaceum. espécie com maior potencial como agente dispersor. 1994). o cupim e um tipo de bezouro.). seguida da gralha (Cyanocorax cristatellus) e da cotia (Dasyprocta sp. A Central de Abastecimento de Goiás. também. 119 kg de óleo de polpa e 15 L de óleo de amêndoa (ALMEIDA e SILVA.800 toneladas. por safra (ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL.100 kg de óleo. tendo por base a densidade de 45 indivíduos/ha. constatouse uma pequena variação no período de floração. 33 kg de amêndoas. a saúva. 1984). associada com os gradientes climáticos que ocorrem no País. com preço médio de R$ 460. produzindo em média cerca de 180 kg de polpa. do genótipo e do ambiente. 1994). Alguns dados mostram a estimativa de produção extrativista. seguindo-se no Centro-Sul de julho a setembro e. no Norte de setembro a novembro. .7 toneladas de pequi com um rendimento de 30% de óleo. Outra estimativa mostra que. são produzidas cerca de 3. em média. baixa e proporcional à altura e diâmetro médio da copa. aproximadamente. no Centro-Sul de outubro a fevereiro e. relatos de alguns consumidores e dispersores do fruto como o gavião carcará. Esta variabilidade depende.

estudando as variações das populações naturais nos Municípios de Itumirim e Itutinga.18 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi Perspectivas de melhoramento A introdução de uma espécie em cultivo passa por algumas etapas. sendo a definição de cultivares a mais importante. No caso do pequizeiro. coriaceum no Nordeste brasileiro. quanto ao aspecto nutricional. a maior porção da variabilidade genética total de C. atende aos requisitos essenciais para o sucesso de cultivo. objeto dos programas de melhoramento. brasiliense é encontrada dentro de populações. é possível especular sobre as possibilidades de sucesso em futuro programa. em razão da variabilidade existente nos diversos ambientes de ocorrência das espécies. proteínas e glicídios. e que essas variações podem ser empregadas em programas de melhoramento genético. Vilela (1998). dentre outros. lipídios. tanto os agronômicos. Trindade (1998) encontrou maior variabilidade dentro de subpopulações em ambientes diferentes. como os de qualidade. concluiu que existe variação natural no teor nutricional de provitamina A. encontraram 100% de polimorfismo nas populações e ausência de endogamia dentro e no conjunto das populações. relacionados com a planta. Os caracteres que mais contribuíram para a divergência entre essas populações foram: a germinação. avaliando quatro populações naturais dessa espécie nos Municípios de Japonvar. relacionados com o fruto. não obstante inexistam programas de melhoramento. observou que. Considerando que exista variabilidade para todos os caracteres de interesse. utilizando isoenzimas. Oliveira (1998). em 11 localidades da Região Sudeste do Estado de Goiás. é possível esperar sucesso em programa de melhoramento com a espécie C. ambos em Minas Gerais. A estratégia a ser seguida é a mesma para qualquer . (2003). Melo Júnior et al. do produtor ao consumidor final. A ferramenta básica do melhorista é a variabilidade genética. como comprovaram alguns estudos realizados. o tamanho do fruto e a taxa de desenvolvimento das plântulas. A obtenção de variedades e clones. Francisco Sá e Bocaiúva. Montes Claros. sem a qual não é possível sucesso.

. A porcentagem de cinzas.80% (FRANCO. OLIVEIRA. Em relação às proteínas.5% superiores aos encontrados no abacate que é.2% a 47% (FERREIRA et al.0 mg). o limão-galego (11.71% a 13. parte mais importante em termos de utilização. Na amêndoa.50%) e amendoim cru (48. enquanto na amêndoa 5%. devem ser realizados estudos para definição de um método de propagação vegetativa. 1. 1988). Este valor é superior aos encontrados em frutos cítricos como a laranja-da-bahia (47. (1988) e Oliveira (1988). a tangerina (46. possui teores médios de vitamina C em torno de 72. 1992). os valores relatados por Marx et al. os teores encontrados por Ferreira et al. é importante a atenção em termos de seu aproveitamento na nutrição humana. Como os minerais são encontrados mais na amêndoa do que na polpa. Na Tabela 2. finalmente avaliação das melhores cultivares em unidades de observação. 1998). (1997) para o C.0%). indicando que os minerais se concentram nessa parte do fruto. villosum (31. variam de 6. de 42. coriaceum.8 mg). 1992). multiplicação e avaliação dos melhores genótipos da fase de prospecção e. (1988) foi de 2%. formação de coleção de plantas matrizes. Com relação ao teor de óleo.27 mg/100 g (SANO e ALMEIDA. o teor de proteína varia de 24 % a 54% e no óleo.46%) (FRANCO. planta perene. não domesticada e com razoável disponibilidade de variabilidade genética inexplorada: prospecção genética nas áreas de dispersão. 1988. em média. determinada por Ferreira et al. 1992). Características Químicas do Fruto Polpa e amêndoa A polpa do fruto.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 19 espécie com as características do C. é apresentado o teor de minerais da polpa e amêndoa do fruto. identificação de pragas e doenças e estudos pós-colheita. babaçu (19.1%) foram superiores aos contidos no abacate (16..8 mg) (FRANCO. Paralelamente.

208 - Microelementos (mg/100 g) Na Fe Mn Zn Cu S Se 1.4 0.53 0.59 - 70.52 0. (1995) Marx et al. (1988) Polpa 0.36 1.0 340 2.35 0.6 0.8 1.08 0.06 0.33 1.57 0.88 Amêndoa Polpa Amêndoa Fruto Carvalho e Burguer (1960).7 60 - 6.04 Hiane et al.64 0.34 0.04 0.15 0.70 .12 0.03 1.10 0.241 - 0.38 1.44 5.00 - 0.32 0.1 2.21 0.29 0.15 0. (1992) Nascimento et al.10 0.14 0. citado por Peixoto (1973) Fereira et al. segundo diversos autores.18 0.049 0.68 1.53 0. Minerais Polpa 0.20 Tabela 2.390 0. Teor de minerais do pequi.82 0.070 0.08 1.40 - 0. em relação à matéria seca.57 0.05 0. (1997) (mg/100 g) Polpa Macroelementos (g/100 g) Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi Ca Mg P K 0.30 2.9 7.05 0.

é apresentada a composição centesimal das diferentes partes do fruto Tabela 3. observadas nos produtos vegetais e animais. criptoflavina. Composição centesimal das diferentes partes do pequi (Caryocar brasiliense Camb. como compostos majoritários.0 71. bem como na proteção de membranas celulares e lipoproteínas contra danos oxidativos (SIES e STAHL.60 3.50 Óleo 61. Os carotenóides encontrados na polpa por Azevedo-Meleiro e Rodriguez-Amaya (2004).50 91. expressos em g/100 g de matéria seca. (2001) identificaram o β-caroteno. A importância dos carotenóides vai além do seu papel pigmentante.0 Fonte: Ferreira et al.31 28.03 - Umidade (%) 76. em quantidade apreciável. outros exibem ação antioxidante.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 21 Composição centesimal das diferentes partes do pequi Na Tabela 3.40 Proteína 6. ζ-caroteno. β-caroteno e neoxantina em pequenas quantidades. e β-criptoxantina. O pequi tem uma grande quantidade de carotenóides. (1988). Amostra Polpa Amêndoa Casca Espinhos Cinzas 2.00 4.71 24.0 1.). .00 5.59 3. foram a violaxantina.20 1. enquanto alguns são precursores de vitamina A.00 35.0 40. 1995). 2005).90 Carboidratos totais 37. sendo considerados alimentos funcionais. Carotenóides Os carotenóides constituem um grupo de compostos lipossolúveis. luteína e zeaxantina. Ramos et al. porém apenas alguns possuem atividade provitamina A. amplamente distribuídos entre as plantas e alguns animais.79 42. Evidências epidemiológicas demonstram que dietas ricas em carotenóides encontram-se associadas à redução do risco de incidência de câncer e doenças cardiovasculares (BENDER. responsável pelas gradações do amarelo ao vermelho.

11% no teor de provitamina A. Vilela et al.75 mg/100 mg para os de Paraopeba. RODRIGUEZAMAYA e KIMURA. mas a sua importância nutricional. na forma como normalmente eles são consumidos.85 a 16. Na Tabela 4.85 mg/100 mg nos de Brasilândia. A importância deste estudo está no fato de serem raras as referências sobre os valores nutricionais de alimentos cozidos. 1993. β-caroteno e licopeno presentes na polpa são maiores em estágios mais avançados de maturação. informação importante para a definição da época de colheita. 2003). genótipos com essa característica devem ser descartados. GOMES et al. O conteúdo de carotenóides do pequizeiro.1 mg/100 mg nos frutos oriundos de Lavras. Os autores estudaram. . O porcentual de variação entre o menor e o maior foi de 570%. anteraxantina. Em relação aos fatores ambientais. indicando o controle genético associado à característica. carotenóides totais.22 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi β-criptoxantina. pode ser afetado pela constituição genética da planta. Componentes nutricionais da polpa Os consumidores têm conhecimento do sabor do pequi na alimentação. proteínas. ter sido obtido em frutos de polpa branca. também. (2004) observaram que os teores de lipídios.35 mg/100 mg nos de Montes Claros.05 mg/100mg. B1. 2004. Destaca-se o fato de o menor valor encontrado. a criptoflavina e β-criptoxantina.. pela forma e ambiente de cultivo e pelo grau de maturação dos frutos (RODRIGUEZ-AMAYA. Oliveira et al. (1996) verificaram que o teor de carotenóides foi bastante variável em frutos colhidos de quatro localidades de Minas Gerais. como as demais características químicas dos vegetais em geral. tanto em polpa crua como cozida. de 8.9 a 23. 4. e.05 a 16.25%.2 a 15. é desconhecida. zeaxantina e mutatoxantina. evidenciando o potencial de melhoramento da espécie. Os valores médios foram de 8. são apresentados alguns valores para as vitaminas C. correspondente a uma perda média de 12. Esses últimos apresentaram atividade como precursores de vitamina A o β-caroteno. niacina e caroteno da polpa. segundo diversos autores. o efeito do cozimento sobre os carotenóides pró-vitamínicos A da polpa e observaram perda média de 30. ainda. com características ambientais distintas. B2 e próvitamina A. de 4. de 8. Em programa de melhoramento.

Apud Peixoto (1973) Apud Peixoto (1973) Franco (1960) Amaya (1993) 200. Óleo O óleo tem diversas utilidades. além de seu emprego na culinária. assessoram produtores em processos de produção..000 UI 12 mg/100 g 30 UI 463 UI 387 UI 54 RE/100 g Sano e Almeida (1998) 78. Para um melhor entendimento dessa multiplicidade de usos.272 mg - Utilização Diversas são as formas de utilização do pequizeiro (fruto e planta).600.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 23 Tabela 4. independente da espécie. Da polpa fermentada é produzido um tipo de licor bastante conhecido e apreciado em algumas regiões do País. sendo o seu consumo direto na culinária.12 mg 10.00 µg 346.77 µg 46..81 µg 360. Componentes nutricionais da polpa Vitamina Provitamina A Vitamina C Tiamina (B1) Riboflavina (B2) Niacina Caroteno Carvalho (1960) Carvalho (1960) Rodriguez-.. ração para porcos e galinhas e obtenção do óleo. beneficiamento e comercialização de diversos produtos. Especificamente. doces.. A polpa é utilizada na produção de geléias. tais como polpa congelada e diversos tipos de pequi em conserva (OURO.00 µg 20.5 µg 120.00 UI 12. o foco central de uso desse produto.. e na indústria de fármacos .. de limpeza (sabões). na Região Sul do Ceará também é cozido com feijão e na forma de farofa. É utilizado na indústria de cosméticos (cremes). 2006). algumas cooperativas do Norte de Minas. 2006).09 mg 29.3 µg 35. Na tentativa de dispor do fruto na entressafra. cozido com frango ou com arroz. os modos de utilização do pequizeiro serão apresentados de forma compartimentalizada: Polpa O fruto não é consumido in natura.500 UI 6. Com ações dessa natureza consegue-se agregar cerca de 50% do valor em relação ao produto in natura (COOPERATIVA.00 µg 3.000 µg 6.

000 UI de vitamina A (PEIXOTO. São Paulo (USP.4 2. mesmo sem a existência de informações advindas de pesquisas. a soja rende apenas 400 L/ha. no óleo diesel. Assim. A Agência Nacional de Petróleo autorizou a mistura de 5% de biocombustível.2 Brasil (1985) 34. Ribeirão Preto. em carros.. tratores. (NOVA . obtido da polpa. 2006). Encontra-se em fase de testes o biocombustível. enquanto o pequizeiro pode produzir até 3. que misturado ao diesel. Ácidos graxos Palmítico (C16:0) Palmitoléico (C16:1) Esteárico (C18:0) Oléico (C18:1) Linoléico (C18:2) Linolênico (C18:3) Araquídico (C20:0) Teor em % (p/p) Facioli e Gonçalves (1998) 40. caminhões. A mistura está sendo testada em carros da Universidade Federal de Diamantina. Embora algumas plantas nativas apresentem bons resultados em laboratórios.24 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi (OLIVEIRA. geradores de energia elétrica e locomotivas. em média. O potencial como biocombustível se deve à vantagem comparativa com outras oleaginosas em termos de produção. . Tabela 5.4 2. Óleo da polpa de pequi: composição em ácidos graxos. Na Tabela 5. 1988).9 1. conforme alguns estudos realizados na USP.8 1.4 2.3 53.7 0. pelo menos no suprimento dessa vitamina é garantido algum efeito benéfico à saúde humana.. 2005). 1973). 2005). o buriti e a macaúba. da USP de Ribeirão Preto (USP. Porém.. ele reduz em 30% a emissão de poluentes (NOVA. As pesquisas revelam na sua primeira fase.0 - O óleo de pequi tem potencial de uso na produção de combustíveis e lubrificantes. extraído do pequi. como o pequi. como a polpa tem.2 1.8 57. 2006).1 1.5 0.200 L/ha de biodiesel. cerca de 200. é apresentada a composição em ácidos graxos da polpa do fruto....

peso específico de 0.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 25 é evidente que existe.94%. Barbosa e Amante (2002) elaboraram e caracterizaram a farinha da casca tendo encontrado 5. na alimentação humana é mais útil. além de outro uso menos indicado.76% de proteína. em virtude do seu elevado teor de fibra alimentar. ainda. e a possibilidade real de viabilização comercial de combustíveis do pequi.76%). como a produção de carvão.50%). Casca A casca. já foi constatado um estado avançado de erradicação de plantas para a fabricação de carvão. cercas e utensílios domésticos. Os carboidratos totais representam 50. com densidade de 0. com a adaptação das espécies de Caryocar. xilografia.3%).41%) (SANO e ALMEIDA. superior ao da farinha de trigo (1. postes. Tem tido diversas utilizações na fabricação de móveis rústicos. em razão da inexistência de sistemas de produção e cultivos do pequizeiro. .88 g/cm3 e resistência média de 67 kg/cm2. por exemplo. No Piauí.803 g/cm3. principalmente na região de Piripiri (CEPA. equivalente ao da farinha de trigo (1. 1982). 1984). uma enorme distância entre esse potencial. pequi (19. 1.19%) e mangaba (8. porém causa danos irreparáveis aos ecossistemas de onde são retiradas em razão da não inexistência de programas de manejo e uso da espécie como madeireira. com 80% de rendimento de extração. Algumas vezes. dormentes. superior às polpas de araticum (21.. é considerada de boa qualidade e de grande resistência aos agentes de deterioração. produz tanino e uma tintura castanhoescura que é utilizada no tingimento artesanal (RIBEIRO et al.54% de lipídios. 1998). esteios.66%).97%. O teor de fibra alimentar foi de 39. construção civil e em embarcações. existe uma ampla diversidade de ecossistemas e demanda crescente por fontes alternativas de energia. Entretanto. Madeira A madeira. assim em um futuro próximo essa poderá vir a ser a principal utilização do pequizeiro. tem sido empregada na alimentação de bovinos. buriti (17. caibros. A utilização da madeira pode resultar em benefícios para os que a exploram e os que se utilizam dos seus produtos. moirões. por meio da maceração. porém.

Entre essas. brasiliense. coriaceum) em termos de futuro. e redução dos efeitos adversos da quimioterapia (PASSOS et al. brasiliense Camb. em virtude dos efeitos colaterais dos antifúngicos convencionais.. neoformans e Cryptococcus neoformans var. O PODER. 1994).26 Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi superior ao encontrado no fubá integral (1.2%) (EL-DASH e GERMANI. Em primeiro lugar.. a partir do emprego de mudas selecionadas propagadas assexuadamente. gatti) (PASSOS et al. 2002). 1994) e na polpa de pequi (11. Considerações Finais A análise das informações disponíveis com o gênero Caryocar. Outras utilizações A busca por fitoterápicos como alternativa aos quimioterápicos para tratamento de diversas enfermidades.. há necessidade de um trabalho de prospecção nas áreas de ocorrência para a identificação de genótipos superiores.. 2002. na farinha de soja integral (3.. além da ação dos óleos fixos da amêndoa e da semente de C. no óleo essencial da semente. tem levado à identificação de diversas espécies nativas com potencial de produção de substâncias de interesse farmacológico. ainda não é possível organizar um sistema de produção completo.3%) (EL-DASH et al. brasiliense tem apresentado propriedades terapêuticas no tratamento de diversas enfermidades. como a atividade antifúngica encontrada na folha. Para isso. embora seja possível o plantio de pomares em bases mais racionais. sobre diversos microrganismos (Cryptococcus neofarmans var.. permite tecer algumas considerações gerais sobre o potencial do pequizeiro (C. basicamente centradas na espécie C. 2006). .60%) (SANO e ALMEIDA. Atividade antimicótica À planta e aos seus frutos são atribuídas diversas propriedades medicinais. como micoses. C. 1998).

v. Journal of Food Composition and Analysis. V. RODRIGUEZ-AMAYA. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. SILVA. Universidade Estadual de Campinas. P. R. há necessidade de formação de um grupo de pesquisa que inclua especialistas.de. C. D. Tese (Doutorado em Ciência de Alimentos) – Faculdade de Engenharia de Alimentos. como forma de ampliar o leque de alternativas das áreas de cultivo. 2003. 38 p. 385-396. E. 1994. SANO.. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. considerada apenas uma planta do futuro. 464 p. v. 2004. H. M. P. de. A planta deve ser introduzida e avaliada em outros ecossistemas. no momento. principalmente os teores de óleo e os teores de vitaminas. F.. C. Piqui e buriti: importância alimentar para a população dos Cerrados. BARBOSA. R. AZEVEDO-MELEIRO. Cerrado: espécies vegetais úteis. 246 f. . B. 1994. 1998. C. AMANTE. Campinas. H. S. devem ser priorizadas as características químicas e físicoquímicas dos frutos. tanto na área agronômica. ALMEIDA. 3-47. J. de início. Farinha da casca do pequi (Caryocar brasiliense). para que seja possível tornar realidade o agronegócio pequi. além dos aspectos agronômicos.como em pós-colheita e industrialização dos produtos do pequizeiro. S.. p. RIBEIRO. C. PROENÇA. Referências ALMEIDA.. E.. Finalmente. B. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL. M. A. 54. As áreas indicadas para possíveis cultivos comerciais devem ser. Confirmation of the identity of the carotenoids of tropical fruits by HPLC-DAD and HPLC-MS. S. p. J. Rio de Janeiro: IBGE.17. Análise de carotenóides em alimentos brasileiros por cromatografia líquida de alta eficiência – espectrometria de massas. AZEVEDO-MELEIRO. aquelas onde a planta ocorre naturalmente e as condições edafoclimáticas são favoráveis.Aspectos Agronômicos e de Qualidade do Pequi 27 No processo de seleção de genótipos superiores.

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