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Ministério da Educação

Secretaria de Educação Básica


Diretoria de Apoio à Gestão Educacional

Pacto Nacional pela


Alfabetização na Idade Certa

PLANEJAMENTO ESCOLAR: ALFABETIZAÇÃO E ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA


UNIDADE 2 | ANO 1

Brasília
2012
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Sumário
Secretaria da Educação Básica – SEB
Diretoria de Apoio à Gestão Educacional

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)
PLANEJAMENTO ESCOLAR:
ALFABETIZAÇÃO E ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Iniciando a conversa 05

Aprofundando o tema 06
Planejamento do ensino: alfabetização e ensino/aprendizagem
do componente curricular Língua Portuguesa06
As rotinas da escola e da sala de aula: referências
para a organização do trabalho do professor alfabetizador17

Compartilhando 29
Tiragem 125.616 exemplares Direitos de aprendizagem em História no ciclo de alfabetização 29
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Materiais didáticos no ciclo de alfabetização. 36
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Esplanada dos Ministérios, Bloco L, Sala 500 Aprendendo mais 45
CEP: 70047-900
Sugestões de leitura45
Tel: (61)20228318 - 20228320
Sugestões de atividades para os encontros em grupo47
PLANEJAMENTO ESCOLAR: ALFABETIZAÇÃO E ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Iniciando a conversa
UNIDADE 2 | ANO 1

Autoras dos textos da seção Aprofundando o tema


Andrea Tereza Brito Ferreira, Eliana Borges Correia de Albuquerque, Luciane Manera
Magalhães, Rita de Cássia Barros de Freitas Araujo , Simone Borrelli Achtschin, Terezinha
Toledo Melquíades de Melo
A maneira como uma escola se organiza para atender aos seus objetivos inclui algumas
Autoras dos relatos de experiência e depoimentos ações que são fundamentais para o seu funcionamento. Pensar sobre o que e como fazer
Ana Cristina Bezerra da Silva, Severina Erica da Silva Guerra em uma escola inclui traçar planos e metas a serem alcançadas ao longo de um determi-
nado tempo, seja este o planejamento de uma gestão escolar ou de uma sala de aula. No
Leitores críticos e apoio pedagógico caso das salas de aula do ciclo da alfabetização, é importante ter em mente quais são os
Adriana M. P. da Silva, Alexsandro da Silva, Alfredina Nery, Amanda Kelly Ferreira da Silva,
objetivos do ensino de cada fase, que direitos de aprendizagem temos que contemplar
Ana Cristina Bezerra da Silva, Ana Lúcia Martins Maturano, Ana Márcia Luna Monteiro,
Erika Souza Vieira, Evani da Silva Vieira, Ivanise Cristina da Silva Calazans, Juliana de em cada ano para que nossos alunos avancem com sucesso em novas etapas e desafios.
Melo Lima, Magna do Carmo Silva Cruz, Rochelane Vieira de Santana, Severino Rafael da Nesta unidade, discutiremos justamente a importância do planejamento das atividades,
Silva, Sheila Cristina da Silva Barros, Telma Ferraz Leal, Yarla Suellen Nascimento Alvares. da organização do trabalho, da previsão do tempo pedagógico e da construção de rotinas
no sentido de promover o atendimento e a formação das crianças em alfabetização. Para
Produção dos quadros de direitos de aprendizagem
isso, abordaremos temas que estão apresentados nas seguintes questões: Por que deve-
Adriana M. P. da Silva
mos planejar o ensino da alfabetização? Como planejar o trabalho com a alfabetização
Revisora de forma a contemplar os diferentes eixos de ensino da língua? Como organizar o tempo
Adriana de Oliveira Gibbon escolar? Como construir uma rotina que venha a favorecer a aprendizagem dos nossos
alunos? Como planejar e organizar o trabalho pedagógico utilizando-se dos diversos
Projeto gráfico e diagramação materiais e recursos disponíveis para o ciclo de alfabetização nas escolas?
Airton Santos, Ana Carla Silva, Susane Batista e Yvana Alencastro

Capa
Anderson Lopes, Leon Rodrigues, Ráian Andrade e Túlio Couceiro Desse modo, os objetivos da unidade 2 são:
• aprofundar os conhecimentos sobre a concepção de alfabetização na
perspectiva do letramento;
• conhecer os recursos didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação (livros
didáticos e obras complementares aprovados no PNLD; livros do PNBE e PNBE
Especial; jogos didáticos distribuídos pelo MEC) e planejar situações didáticas
em que tais materiais sejam usados;
• planejar o ensino na alfabetização, analisando e criando propostas de
organização de rotinas da alfabetização na perspectiva do letramento;
• criar um ambiente alfabetizador, que favoreça a aprendizagem das crianças;
• compreender a importância da literatura nos anos iniciais do Ensino
Fundamental e planejar situações de uso de obras literárias em sala de aula.
Aprofundando o tema mas para a vida de outras pessoas: os usos sociais da língua escrita, não somente
estudantes, suas famílias, suas comuni- os escolares, mas também os relativos a
dades. outras esferas sociais. Como bem destaca
Kleiman (2005, p.33):
Precisamos planejar para fazermos esco-
lhas coerentes, organizar nossas rotinas,
Planejamento do ensino: ter nossos objetivos delimitados, saber
aonde queremos chegar e o que precisa-
As práticas de letramento fora
da escola têm objetivos sociais
alfabetização e ensino/aprendizagem mos ensinar aos nossos alunos. Para tanto,
relevantes para os participan-
é necessário termos uma visão do processo
do componente curricular mais amplo de aprendizado que será de- tes da situação. As práticas de
letramento escolares visam ao
Língua Portuguesa senvolvido durante todo o ano letivo, mas
também do processo micro, revelado por desenvolvimento de habilida-
Luciane Manera Magalhães meio de um planejamento mais pontual, des e competências no aluno e
Rita de Cássia Barros de Freitas Araujo
Simone Borrelli Achtschin marcado por intervalos de tempo. isso pode, ou não, ser relevante
Terezinha Toledo Melquíades de Melo para o estudante. Essa diferen-
Para planejar o processo de alfabetização ça afeta a relação com a língua
e ensino/aprendizagem da Língua Portu- escrita e é uma das razões pelas
Por que planejar o ensino? guesa, tomamos quatro eixos direciona- quais a língua escrita é uma das
dores: leitura, produção de texto escrito, barreiras mais difíceis de serem
Planejar faz parte do nosso cotidiano. temos outro compromisso naquele dia e
oralidade e análise linguística, incluindo a
Quando acordamos, muitas vezes planeja- horário, certificar-se do local onde será transpostas por pessoas que
apropriação do Sistema de Escrita Alfabé-
mos o que vamos fazer durante o dia, em realizado, comprar o bilhete de entrada vêm de comunidades em que a
tica - SEA. Abordaremos, sucintamente,
que ordem vamos realizar cada atividade, com antecedência, combinar com os escrita é pouco ou nada usada.
cada um deles de forma a explicitar as
quanto tempo será dispensado e quase amigos, decidir o meio de transporte, se
concepções linguísticas e epistemológicas
sempre deixamos um espaço de tempo vamos de carro, com quem iremos, onde
que direcionam a presente proposta.
para que determinados imprevistos não vamos estacionar e assim por diante. Na
atrapalhem ou alterem nossos planos. escola, devemos ter o mesmo cuidado.
Por que planejamos na vida diária? Para Com uma diferença fundamental, no caso
organizarmos nossas ações e evitarmos
Os eixos de ensino da
do show não temos a responsabilidade
frustrações como, por exemplo, progra-
língua como norteadores do
sobre o futuro de outras pessoas. Desse
mar uma festa surpresa para um amigo
planejamento escolar
modo, o planejamento na escola tem um
ou familiar e nos desencontrarmos do impacto maior, pois não traz consequên- Como poderá ser observado, durante a lei-
aniversariante. Planejar a ida a um show cias apenas para nossas próprias vidas, tura deste material, todo o trabalho com a
pressupõe um preparo: verificar se não como ocorre em relação à ida ao show, alfabetização na perspectiva do letramento
está pautado na busca da realização de
atividades que levem em consideração os

unidade 02 07
Fazer com que a criança em fase de alfa- A leitura mo de contar histórias, ainda que esta prá- que o texto a ser escrito pelas crianças pode
betização vivencie a leitura, a produção de tica seja fundamental na escola. Quando ser longo ou curto, conhecido ou não. A
texto escrito, a produção e compreensão A leitura envolve a aprendizagem de lemos o texto escrito para nossos alunos, letra de uma cantiga, uma quadrinha, um
de textos orais e a apropriação do Sistema diferentes habilidades, tais como: (i) permitimos que eles apreendam aspectos poema, um provérbio, um dito popular,
de Escrita Alfabética como práticas rele- o domínio da mecânica que implica na peculiares da modalidade escrita, como a uma história, um bilhete, um cartaz, um
vantes e interessantes é um desafio para transformação dos signos escritos em estrutura sintática, o vocabulário, os elos aviso são alguns exemplos de textos a serem
os professores, o qual pode ser vencido informações, (ii) a compreensão das infor- coesivos. Quando contamos com as nossas escritos em sala de aula. A escolha do que a
quando “o trabalho didático é organizado mações explícitas e implícitas do texto lido palavras, e não as do autor, deixamos de criança irá escrever irá depender da situa-
levando em conta os textos que circulam e (iii) a construção de sentidos. As referi- propiciar a convivência da criança com a ção comunicativa proposta pelo professor.
entre diversos grupos sociais, no dia a das habilidades inter-relacionam-se e não linguagem escrita, embora outras aprendi- Partindo desta concepção, defendemos a
dia.” (KLEIMAN, 2005, p.34). É com base podem ser pensadas hierarquicamente. zagens possam ser realizadas. ideia de que a criança pode e deve escre-
nestas ideias que tomamos os usos dos Quanto maior for a experiência de ouvir e ver espontaneamente desde as primeiras
ler textos, mais elaborada será a produção Em nosso dia a dia, utilizamos a leitura
gêneros textuais como ponto de partida semanas de aula. É necessário, entretanto,
de sentidos por parte do leitor. No proces- com diferentes objetivos (lemos para obter
para a prática pedagógica, com o objetivo que o docente compreenda que copiar não
so inicial de apropriação do Sistema de informações sobre um assunto específico,
primeiro de propiciar a vivência destas é sinônimo de escrever, embora seja uma
Escrita Alfabética, cabe ao professor ser o para localizarmos uma rua, para seguirmos
práticas também em ambiente escolar e habilidade necessária a ser desenvolvida
mediador da turma, auxiliando os alunos prescrições médicas, para nos distrair-
despertar nossos alunos para o uso além durante a alfabetização.
na elaboração de objetivos e expectativas mos), os quais direcionam nossas atitudes
dos muros da escola. Ensinar por meio dos
de leitura, na criação de hipóteses antes diante do texto. São essas estratégias, prá- Levar a criança a escrever “do jeito que
usos dos gêneros textuais significa pro-
e durante o ato de ler, correlacionando os ticas sociais que vivenciamos em nossas acha que é” é uma maneira de incentivá-la
mover um ensino voltado para a vida, que
conhecimentos prévios dos aprendizes ações de leitores competentes, que devem a buscar estratégias para colocar no papel
propicie verdadeiramente a formação do
com aqueles que se pode reconhecer no ser tomadas como base para o ensino e o que quer informar ao seu leitor. Quando
cidadão participativo das práticas sociais
texto, sejam explícitos ou implícitos. o trabalho na sala de aula com a leitura, solicitamos que a criança faça um desenho
que envolvem a cultura escrita. É um direi-
diminuindo cada vez mais as atividades sobre a parte de que mais gostou de uma
to de nossos alunos e cabe aos professores Ler para nossos alunos é prática funda- artificiais e proporcionando, com mais in- história ouvida e escreva sobre esta parte
garantir este direito de aprendizagem a mental para despertar o gosto e o desejo tensidade, atividades próximas às práticas para divulgar em um mural para que outras
cada um. pela leitura. Ler, entretanto, não é sinôni- sociais de letramento. pessoas possam ler, propiciamos a reflexão
sobre a escrita e a busca de soluções para
questões que se colocam acerca da apro-
A produção de textos priação do sistema de escrita. O papel do
professor de revisor do texto para que possa
Quando se fala em escrita, no primeiro ano,
ser exibido em mural é importante porque,
é comum que se associe esta atividade a uma
interagindo neste tipo de situação, a criança
escrita alfabética, à produção de um texto
pode aprender que existe uma convenção
longo, geralmente narrativo, o que leva o
social que dita as regras da escrita, as quais
professor a adiar esta prática. Entendemos
serão aprendidas no decorrer dos anos.

08 unidade 02 unidade 02 09
Escrever pode ser uma prática não muito registro e a se assumirem como autores. O A oralidade O alargamento das práticas de oralidade sig-
frequente no cotidiano de algumas crian- trabalho em dupla é um recurso metodológi- nifica o direito de apreensão de um instru-
ças, não porque ainda não saibam escrever co interessante porque permite às crianças Ser competente em diferentes situações mento necessário não só para a vida escolar,
convencionalmente, mas pelo fato de ser interagirem, trocarem informações e resol- discursivas orais engloba, em primeira mas também para a vida em sociedade. Esta
pouco utilizada em sua família ou comu- verem conflitos, o que favorece a participa- instância, saber adequar sua linguagem é uma formação que visa o exercício da cida-
nidade em situações em que elas façam ção mais efetiva. Ao produzirem o texto, as ao contexto ou ao evento em que dania. Nesta perspectiva, Bortoni-Ricardo
parte. Despertar nas crianças o desejo de crianças confrontam suas hipóteses, nego- estamos inseridos. Demanda, também, (2004, p. 74) ressalta que cabe à escola
escrever é papel da escola, mas sabe-se que ciam a escrita e auxiliam umas às outras em saber as regras de convivência e de
escrever apenas para o professor corrigir suas reflexões, tanto a respeito do sistema de comportamento segundo as quais os
espaços sociais estão organizados e, facilitar a ampliação da com-
ou guardar não é prática sedutora para escrita, quanto à organização do texto. petência comunicativa dos
ainda, saber monitorar a fala e a escuta
a criança. Ter o que dizer e a quem dizer alunos, permitindo-lhes
Cabe lembrar que é muito mais fácil em situações formais.
são, portanto, os primeiros passos para a apropriarem-se dos recursos
para uma criança, em processo inicial de comunicativos necessários
formação da criança produtora de textos. Conversar com um colega de classe, no
alfabetização, escrever um texto que já para se desempenharem bem,
A produção de textos, na escola, pode se dar sabe de cor, como uma quadrinha, uma horário do recreio, exige uma fala mais
coloquial e menor monitoração. Já trans-
e com segurança, nas mais
de diferentes formas: coletivamente, por pequena cantiga, provérbio ou travalín- distintas tarefas linguísticas.
meio de um escriba que geralmente é o pro- guas, do que um totalmente novo. Neste mitir um recado à diretora ou apresentar
fessor; em dupla; ou individualmente. Quan- caso, a produção escrita serve, sobretu- um trabalho, à frente da turma, necessita
de uma linguagem mais formal e maior Alfabetizar na perspectiva do letramento
do o professor atua como escriba, ensina às do, para a reflexão acerca do Sistema de
monitoração da fala. Estas situações de também é compreender que se ensina para
crianças as diferenças entre linguagem oral e Escrita Alfabética: com que letras escrevo que as crianças sejam sujeitos capazes de
escrita, a organização das ideias, a importân- determinada palavra, onde incluir espa- comunicação, quando levadas à reflexão
em sala de aula, fazem com que os alunos expor, argumentar, explicar, narrar, além
cia de sempre revisar o que foi produzido, a ços em branco para delimitar as palavras de escutar atentamente e opinar, respei-
desenvolverem suas próprias estratégias de etc. Tal tipo de atividade é, sem dúvida, possam perceber as variações da língua,
sua relação com o contexto social e com os tando a vez e o momento de falar.
muito importante, no entanto, para que
as crianças aprendam a escrever textos é objetivos comunicativos que temos. Nesse sentido, entende-se a importância da
preciso variar as situações de produção Desta forma, o trabalho com a linguagem escola como instituição social responsável
quanto às dimensões da escrita a serem pela sistematização dos saberes. No caso da
oral também deve ser planejado e organi-
contempladas: (i) registro de um texto oralidade, esses saberes relacionam-se ao
zado assim como os demais eixos do ensino
que se sabe de cor, como o tipo citado desenvolvimento de práticas com os usos O caderno de
e aprendizagem do Ciclo de Alfabetização Educação Especial -

acima; (ii) a reescrita de textos, em que reais da língua; o que significa oferecer o A alfabetização
(e outros, ao longo da escolaridade). O pro- domínio da norma linguística de prestígio de crianças com
as crianças sabem o conteúdo do texto, fessor precisa levar em conta os usos que deficiência:
social sem, com isso, estigmatizar a varie- uma proposta
mas precisam recuperá-lo e escrever de fazemos da oralidade na sociedade, promo- inclusiva apresenta
dade dos alunos, uma vez que toda língua é possibilidades de
outro modo, pensando em “como dizer”; vendo atividades sistemáticas que envol- constituída de diferentes modos de dizer e flexibilização para
(iii) escrita autoral de textos, em que os vam os gêneros orais como, por exemplo,
a comunicação
que há maneiras mais prestigiadas que ou- de alunos com
estudantes precisam definir o que vão deficiência.
apresentação de trabalhos, participação tras, o que não é questão linguística e, sim,
dizer e como vão dizer.
em entrevistas, contação de histórias. questão social, econômica, regional etc.

10 unidade 02 unidade 02 11
A análise linguística - respectivos nomes e diferentes formas de zação do plano anual. Fazer uma avaliação Ao organizarmos planos anuais, visuali-
apropriação do Sistema grafá-las; perceber as relações que existem diagnóstica no início do ano é fundamental. zamos aspectos mais amplos do trabalho
de Escrita Alfabética entre som-letra, por meio do desenvolvi- Conhecer a turma com a qual vamos traba- de alfabetização e letramento e tomamos
mento da consciência fonológica. E, por fim, lhar é essencial para delimitarmos nossos decisões gerais concernentes ao processo
A apropriação do sistema de escrita está precisa aprender sobre a ortografia. objetivos, e termos um ponto de partida ensino/aprendizagem como, por exemplo,
diretamente relacionada com a capacidade (leia-se um plano anual) que sirva de refe-
Na prática, a apropriação do sistema alfa- decidir os critérios a serem usados para
de se pensar sobre a língua. O processo de rência para nosso trabalho é imprescindí-
bético pode se dar por meio de jogos, ativi- escolher textos a serem utilizados; selecio-
análise linguística nos anos iniciais precisa vel. Quando planejamos as atividades a se-
estar voltado para as reflexões acerca da dades lúdicas, atividades de composição e nar quais gêneros textuais usar e com que
rem realizadas para cada dia, sem tomarmos frequência; definir quando nossos alunos
língua e de seu funcionamento e é neces- decomposição de palavras, favorecendo a como referencial o ano letivo, perdemos de
sário que seja desenvolvido concomitante- reflexão acerca de segmentos linguísticos vão começar a produzir textos – se antes de
vista o processo mais amplo e corremos o saberem escrever convencionalmente ou só
mente com a apropriação dos usos e funções menores, como as sílabas e os fonemas. A risco de negligenciarmos conteúdos que são
sociais dos gêneros textuais, da leitura, da escrita de palavras é importante tanto para depois de terem memorizado um conjunto
direitos de aprendizagem de nossos alunos
produção de textos e da linguagem oral. aqueles que ainda estão iniciando o pro- de palavras; decidir que tipo de atividade
e, com isso, muitas vezes nos surpreende-
cesso de apropriação do sistema de escrita será utilizada para desenvolver a linguagem
Assumimos a posição de Morais (2012, p. mos com os resultados obtidos. Albuquer-
- de modo que possam refletir sobre suas oral; eleger qual unidade linguística será o
160) de que que, Morais e Ferreira (2008) relatam a
hipóteses, quanto para aqueles que já en- ponto de partida para ensinarmos o sistema
tomada de consciência de uma professora
a escola NÃO deve gastar o pre- tendem o seu funcionamento e precisam de escrita e com base em qual contexto.
alfabetizadora que, ao olhar para a frequên-
cioso tempo de aprendizagem de um tempo para consolidar as relações cia dos tipos de atividades realizadas em sua Como podemos ver, o plano anual, além
dos alfabetizandos, durante os som-letra e ganhar mais agilidade na sala de aula, durante um espaço de tempo, de organizar os conhecimentos a serem de-
três primeiros anos do ensino escrita (MORAIS; ALBUQUERQUE, 2010). chega à conclusão de que seus alunos não se
Como dito anteriormente, o Sistema de senvolvidos durante um ano letivo, revela
fundamental, fazendo-os deco- alfabetizaram, até aquele momento, porque nossas escolhas com relação ao que vamos
Escrita Alfabética é complexo e possui
rar as nomenclaturas e taxono- regras próprias de funcionamento, exigin-
ela trabalhava muito a leitura e a produção ensinar aos nossos alunos, antes mesmo
mias pouco úteis da gramática de textos, mas não realizava atividades de de conhecê-los. Destaque-se, entretanto,
do de seus usuários conhecimento de sua reflexão linguística:
pedagógica tradicional. natureza linguística e de sua estrutura. Por que além de se ter como foco os direitos
isso, o ensino precisa ser bem planejado. de aprendizagem e as experiências acu-
Agora eu sei por que meus alu- muladas, a ênfase a ser dada a cada tipo de
Os conhecimentos envolvidos no eixo de nos não estão alfabetizados. atividade será dirigida pelo resultado da
apropriação do Sistema de Escrita Alfabé- Importância da organização Eu trabalho muito com leitura avaliação diagnóstica e pelo que foi decidi-
tica vão desde a capacidade da criança de de planos anuais e produção de textos, mando do (pela escola, pela Secretaria de Edu-
reproduzir seu nome próprio, mesmo antes desenhar, mas não realizo essas cação, e pela professora) sobre o que será
de poder escrever outras palavras, dife- Como planejar o que vou ensinar durante
Reflexões sobre a
aprendizagem do
atividades de reflexão com as pa- ensinado naquele ano, tanto em relação
renciar os tipos de letras e outros recursos um ano inteiro se nem conheço minha
Sistema de Escrita lavras. Agora vou fazer diferente. aos eixos de ensino do componente curri-
Alfabética e da gráficos, até aspectos relativos ao domínio turma ainda? Por que elaborar um plano
norma ortográfica (ALBUQUERQUE; MORAIS; cular Língua Portuguesa, quanto no que se
das correspondências entre letras ou grupos anual se todo dia eu faço um roteiro para as
são realizadas
FERREIRA, 2008, p. 262). refere às outras áreas de conhecimento.
nos cadernos
de letras e fonemas. Assim, a criança preci- minhas aulas? Questões como essas podem
da unidade 3.
sa conhecer todas as letras do alfabeto, seus vir à mente quando pensamos na organi-

12 unidade 02 unidade 02 13
Sobre o planejamento anual, vejamos etária do primeiro ano, utilizo A coordenadora nos entregou
o que relatou a professora Ana Cristina como recursos textuais, para as No primeiro dia do mês de feve- a cópia do calendário das ativi-
Bezerra da Silva, da escola Maurício de sequências didáticas: cantigas reiro nos reunimos com as pro- dades escolares previsto para o
Nassau (Recife-PE): infantis, poemas, poesias, li- mesmo ano. O calendário está
fessoras e com a coordenadora
teratura para crianças, através da tarde para definirmos o que organizado com as atividades
de leitura, produção de texto seria trabalhado no ano escolar. mensais. Dentro de cada mês
Assim como planejamos as escrito, oralidade, análise lin- encontramos datas de reuniões,
ações que realizamos em nosso Foi apresentado para o grupo o
guística/apropriação do sistema calendário de atividades para datas comemorativas, datas de
dia a dia, o professor também alfabético. Todas as atividades reuniões com pais, reuniões
precisa planejar suas ativida- 2012; o calendário de reuniões
são realizadas a partir da ava- pedagógicas; a temática geral da com o Conselho Escolar e datas
des. Ele jamais deverá estar liação diagnóstica dos alunos no de culminância de projetos e
diante de uma sala de aula, sem Rede de ensino de Recife: Luiz
início do ano letivo, destacando Gonzaga: do litoral ao sertão - atividades previstas para cada
utilizar um planejamento, pois as competências a serem desen- mês. Após esse momento, foi
esse é um fio condutor da ação uma homenagem aos 100 anos
volvidas e consolidadas. do Rei do Baião, com enfoque na apresentado o calendário das
educativa. Através do planeja- reuniões pedagógicas, que são os
mento o professor organiza o sustentabilidade. Além disso, foi
apresentado o Programa Saúde Conselhos Pedagógicos e as reu-
seu trabalho e o tempo didáti- O relato da professora Ana Cristina revela a niões mensais de planejamento,
co de forma a proporcionar e nas Escolas. Ainda tínhamos
importância de se planejar um ano de curso,
como tarefa nessa reunião elen- pois, por se tratar de uma Escola
criar oportunidades diferen- como vínhamos discutindo. Para a professo- de horário integral, o dia de pla-
ciadas para cada estudante. car as metas e ações para o Pro-
ra, o conhecimento das orientações oficiais
jeto Político Pedagógico (P.P.P.) nejamento é garantido.
Sendo assim, de acordo com possibilita a organização das competências
as orientações da Secretaria e conteúdos que serão importantes para
de 2012 da escola. Finalizado esse momento, a
de Educação do município do aquele nível de ensino. É como se fosse um coordenadora entregou para as
Recife, seleciono as competên- mapa geral da sua atuação naquele ano, no professoras os conteúdos das
cias, conteúdos e procedimen- qual se incluiriam os projetos mais amplos e disciplinas recortados da pro-
tos do plano anual de ensino, gerais da escola e os mais específicos daque- posta curricular, para que nós
sugerido no diário de classe la classe, para que, a partir dele, possam ser elencássemos o que seria traba-
para cada professor. A par- construídos os planos semanais e diários. lhado nesse ano. As professo-
tir da organização deste plano ras se organizaram por ano e se
O planejamento anual geralmente é feito apoiaram nas competências que
no diário, estabeleço planos nos dias antes de se iniciar um novo ano le-
semanais contemplando ini- são apresentadas na caderneta
tivo. Vejamos como aconteceu na escola da
cialmente Língua Portuguesa, escolar da Rede que traz as com-
professora Severina Erica da Silva Guerra
como eixo norteador de todo o petências instituídas para cada
da Escola Municipal Monteiro Lobato, em
trabalho e considerando a faixa disciplina. A escola não tem a
Recife:
prática de definir quais as metas

14 unidade 02 unidade 02 15
que deverão ser alcançadas ao
final do ano letivo. As profes-
Referências
As rotinas da escola e da sala de aula:
ALBUQUERQUE, Eliana B.C.; MORAIS,
soras ficam muito livres para Artur. G.; FERREIRA, Andrea T.B. As referências para a organização do
trabalhar com os conteúdos e as
competências instituídas.
práticas cotidianas de alfabetização: o que
fazem as professoras? In: Revista Brasileira
trabalho do professor alfabetizador
Andréa Tereza Brito Ferreira
de Educação. V. 13, n.38. maio/ago 2008. Eliana Borges Correia de Albuquerque

O que aconteceu na escola da professora BORTONI-RICARDO, Stella M. Educação em


Severina Erika, no momento da realização língua materna: a sociolinguística na sala de
do plano anual, é um bom exemplo da im- aula. São Paulo: Parábola, 2004.
portância da integração das diferentes ins- KLEIMAN, Angela B. Preciso “ensinar” o Quando falamos em rotina, no geral nos dos produtos industrializados levava o
tâncias e âmbitos que constituem a escola e letramento? Não basta ensinar a ler e a vem à mente aquelas atividades repetiti- trabalhador a realizar, em uma jornada
o processo educativo. Para que o professor escrever? CEFIEL/IEL/UNICAMP. Ministério vas, enfadonhas, e a vontade de se “romper intensa de trabalho, atividades mecânicas
possa pensar no que vai ser realizado du- da Educação. Governos Federal, 2005. com a rotina”. Mas, afinal, o que é a rotina? e repetitivas. O trabalho passou a ser divi-
rante o ano é necessário traçar metas gerais,
como já discutido na Unidade .1 KOCH, Ingedore V.; ELIAS, V. M. Ler e Ela é um mal ou um bem necessário? Por
que tantas vezes ela é temida, criticada e/
dido entre dois tipos: o intelectual, desti-
nado a uma parcela pequena da população
Compreender: os sentidos do texto. SP:
Refletimos, nesse texto, sobre a importân- Contexto, 2006. ou desejada e planejada? que tinha acesso aos estudos universitá-
cia de se planejar o ensino com o objetivo rios, e o braçal, para a maioria dos traba-
de organizar as ações a serem empreen- MORAIS, Artur G.; ALBUQUERQUE, Eliane O termo rotina é usado em um sentido
lhadores. Estes deviam fazer exatamente
didas durante o ano letivo em turmas do B. C. Alfabetização e Letramento: O que negativo quando envolve a realização
o que lhes mandassem, sem perguntas,
1º ano do Ensino Fundamental, tendo são? Como se relacionam? Como alfabetizar diária de atividades repetitivas, cansati-
sem questionamentos. O importante era
em vista os diferentes eixos de ensino letrando? In: ALBUQUERQUE, Eliana B. C. e vas, que fazemos sem refletir, sem saber
garantir a produção em massa.
da Língua Portuguesa. Destacamos que, LEAL, Telma F. (orgs.) Alfabetização de jovens o que, como e para que as fazemos. Chico
sem um plano anual, corremos o risco e adultos em uma perspectiva de letramento. Buarque, na música Cotidiano, revela essa
de deixarmos determinados conteúdos Belo Horizonte: Autêntica, 2010. concepção de rotina ao descrever o dia-a-
de lado, ou até mesmo priorizarmos uns -dia de uma dona de casa: “Todo dia ela faz
MORAIS, Artur. G. Sistema de Escrita
em detrimento de outros, prejudicando, tudo sempre igual: Me sacode às 6 horas da
Alfabética. São Paulo: Melhoramentos, 2012.
assim, o aprendizado de nossos alunos. manhã...”. Qual a origem dessa concepção
Finalmente, ressaltamos a necessidade de rotina e como ela esteve presente em
de se elaborar um planejamento anual de nossas salas de aula e, mais especificamen-
forma a podermos especificar nossas ações te, nas práticas de alfabetização?
e termos clareza das metas de aprendiza-
Com a Revolução Industrial e o desenvol-
do para os nossos alunos e, a partir dele,
elaborar planos semanais e diários, enfim, vimento do capitalismo, os trabalhadores
construir uma rotina de trabalho. passaram, cada vez menos, a ter controle
do que produziam e a produção em série

16 unidade 02 unidade 02 17
Não demorou muito para que a escola tam- A herança do positivismo traz a objeti- do trabalho docente, impostos às escolas tes. Embora saibamos que muitas vezes
bém se transformasse em uma pequena vidade das ciências experimentais para no passado, em que cabia ao professor ser o improviso acontece em determinadas
indústria: com a democratização do acesso análise das relações sociais e, com isso, a um mero executor de planos definidos circunstâncias, ele não pode fazer parte
à escola, era preciso a formação de muitos escola passou a adotar modelos baseados por especialistas”. e ser o ponto de referência do dia a dia de
alunos, o que acarretou na necessidade na psicologia comportamentalista e no tec- uma prática.
Na década de 1980, com a difusão das
de aumento da mão-de-obra qualificada. nicismo para organizar a rotina da sala de
teorias construtivista e sócio-intera- De acordo com as abordagens construti-
Surgiram os cursos profissionalizantes de aula. Com base em tais abordagens, cabia
cionista de ensino-aprendizagem, as vistas e sócio-interacionistas de ensino-
magistério e o modelo industrial da época ao professor organizar o seu tempo peda-
práticas pedagógicas baseadas no desen- -aprendizagem, é preciso que o professor
foi importado para a educação: aos inte- gógico de maneira a garantir o depósito e
volvimento de rotinas pré-estabelecidas, saiba os conteúdos e procedimentos de
lectuais, gestores, supervisores cabiam a assimilação dos conteúdos escolares pelos
que contemplavam a realização diária ensino e conheça seus alunos, e o que eles
prescrição do que deveria ser ensinado e alunos, o que requeria, por conseguinte,
das mesmas atividades, passaram a ser sabem sobre determinados conteúdos,
a organização de métodos a serem desen- um ensino e uma aprendizagem controlada
amplamente criticadas. No entanto, por para que possa planejar atividades que os
volvidos; aos professores, no geral, cabia a como algo que se podia medir, manipular
meio de uma interpretação equivocada façam evoluir em suas aprendizagens, na
execução de tais métodos. e prever.
da teoria construtivista, passou-se a interação com o docente e com os pares em
Assim, como apontado por Ferreira e Albu- Nessa perspectiva, ter uma boa prática criticar tudo o que se relacionava com sala de aula. Nessas perspectivas, a orga-
querque (2012), nas décadas de 1960/70, pedagógica significava o domínio dos planejamento e organização do trabalho nização do trabalho pedagógico precisa
no Brasil, quando se falava de rotina na instrumentos didáticos (o como fazer) pedagógico com a justificativa de que era envolver um conjunto de procedimentos
escola, pensava-se logo nas atividades que e, com isso, o dia a dia da sala de aula “tradicional”, velho e ultrapassado. Tal que, intencionalmente, devem ser pla-
tinham sido planejadas de modo a dividir era transformado em uma sucessão de fato fez crescer um discurso em prol da nejados para serem executados durante
o conteúdo em pequenas dosagens diárias atividades repetitivas guiadas, no geral, não sistematização do ensino e da falta certo período de tempo, tomando como
com o objetivo de se fazer cumpri-las, inde- por manuais que garantiam a absorção de programação das atividades, com a jus- referência as práticas sociais/culturais dos
pendentemente do que pudesse acontecer máxima do que era proposto, planejado. tificativa de que o trabalho de sala de aula sujeitos envolvidos, suas experiências e
no decorrer do processo. Essa maneira de Essas práticas, que podem fazer parte da deveria considerar apenas o que os alunos conhecimentos.
organizar o trabalho pedagógico estava memória de estudante de muitos de nós, traziam da sua realidade. O professor,
Concordamos, portanto, com Leal (2004,
baseada em uma concepção de ensino pau- hoje professores, ainda se fazem pre- nesse contexto, seria o mediador desses
p.02) quando a autora defende a impor-
tada principalmente na memorização dos sentes na atualidade e, como abordado conhecimentos na sua prática cotidiana
tância do planejamento para a vida escolar,
conteúdos escolares, bastante articulada às por Silva (2008, p. 36), relacionam-se a escolar e não precisaria se programar
ao afirmar que,
abordagens positivistas de ciências. “modelos hierarquizados da organização para realizar as atividades, pois estas
iriam surgir na própria prática cotidiana. as rotinas escolares asseguram
Essa “nova” forma de pensar o trabalho
que alguns “procedimentos”
pedagógico, muitas vezes vinculada, básicos sejam “acordados”
equivocadamente, a uma perspectiva entre professor e alunos e que
construtivista de ensino, tornou a sala os mesmos já se disponibilizem
de aula um lugar de improvisos constan- dentro do espaço temporal e

18 unidade 02 unidade 02 19
espacial para as tarefas peda- rotina desprovida dos encantamentos dos aspectos fundamentais de sua prática, como e Matemática) e jogos relaciona-
gógicas. As crianças aprendem, textos que estão presentes na vida cotidia- pode ser observado em seu relato: dos à área de linguagem (como
através dessas rotinas, a prever na das pessoas e de atividades reflexivas e os jogos distribuídos pelo MEC)
o que fará na escola e a organi- desafiadoras para os alunos. e a outros conteúdos.
zar-se. Por outro lado, a exis- Professores de diferentes partes do país,
O estabelecimento de rotina em
tência dessas rotinas possibilita na construção de rotinas de alfabetização,
sala tem oportunizado aperfei-
ao professor distribuir com têm mostrado que é possível desenvolver çoar o tempo didático. O que Como podemos perceber na fala da pro-
maior facilidade as atividades e diversificar atividades, no cotidiano hoje acho interessante é que as fessora Ana Cristina, o estabelecimento
que ele considera importantes escolar, para que os alunos possam intera- próprias crianças se orientam de uma rotina no cotidiano da sala de aula
para a construção dos conheci- gir com diferentes textos ao mesmo tempo com relação ao desenvolvimento favorece a interação dos alunos, sobretu-
mentos em determinado perío- em que eles são levados a refletir sobre o das atividades diárias e até mes- do com os objetos do conhecimento. De
do, facilitando o planejamento Sistema de Escrita Alfabética. mo sugerem algum item para acordo com Meirieu (2005), ao saber o
diário das atividades didáticas. nossa rotina. Para estabeleci- que vai ser trabalhado ao longo da sema-
Desse modo, defendemos que a orga- mento de uma rotina semanal na e do dia, os alunos podem participar
nização e a sistematização do trabalho das atividades que serão desen- ativamente do processo pedagógico. Essa
pedagógico é muito importante para a volvidas em classe, necessito ter participação ativa dos alunos possibilita o
Planejar e organizar uma rotina voltada
aprendizagem dos alunos. A construção uma visão geral da turma, por envolvimento deles no processo de apren-
para reflexão constante sobre a prática
de uma rotina escolar que contemple os dizagem por meio das atividades e projetos
social, considerando uma boa formação meio da avaliação diagnóstica.
diferentes eixos de ensino da língua, por desenvolvidos no dia a dia da escola.
dos conhecimentos específicos, siste- A partir desta diagnose inicial
meio de um planejamento elaborado com
matizados, selecionados das bases das tenho clareza das atividades que Na organização de sua rotina, a referida
base na realidade de cada aluno e escola,
ciências é o que propõem os novos estudos deverão ser vivenciadas pelas professora destacou a importância do de-
pode favorecer a realização de atividades
sobre ensinar e aprender. Como desen-
que ajudem a promover a autonomia e
crianças e com que regularidade senvolvimento de atividades diagnósticas
volver práticas de alfabetização em tal
a criatividade dos alunos no mundo da
posso oportunizá-las para o gru- para saber os conhecimentos que os alunos
perspectiva e no que elas efetivamente se po. A continuidade dessas ativi- possuem sobre determinados conteúdos,
leitura e da escrita. A seguir, analisaremos
diferenciariam das outras? Vivemos, em dades dá segurança aos alunos e e falou que realiza atividades de natureza
como algumas professoras têm organizado
pleno século XXI, um momento de grande a diversidade de assuntos amplia diferenciadas, como as que possuem uma
suas rotinas nessa perspectiva.
defesa à volta dos “tradicionais” métodos as possibilidades de aprendi- regularidade maior (atividades permanen-
de alfabetização, em virtude da polarização Ana Cristina, professora do 1º ano do Ensino zagem. Para que isso aconteça, tes), as sequências didáticas, os projetos
existente entre as duas correntes já citadas Fundamental de uma escola da Secretaria de contemplo regularmente em didáticos e o trabalho com base em jogos
anteriormente: “a tradicional e a cons- Educação da cidade do Recife, tem buscado, minha rotina: as atividades distribuídos pelo MEC e nos livros didáti-
trutivista”. Sabemos, no entanto, que, no há cerca de dez anos, desenvolver práticas de permanentes, sequências didá- cos recebidos pelos alunos que, no 1º ano,
que se refere ao ensino da língua materna, alfabetização com ênfase tanto na leitura e ticas, projetos didáticos, uso do são da área de matemática e linguagem.
alfabetizar não deve se resumir a trabalhar produção de textos, como na apropriação da Vejamos os exemplos que ela comenta
livro didático (dos componentes
o sistema de escrita de forma repetida e escrita alfabética. Para isso, considera o pla- sobre algumas dessas atividades:
curriculares Língua Portuguesa
com ênfase na memória, dentro de uma nejamento e a organização da rotina semanal

20 unidade 02 unidade 02 21
Considero as atividades perma- em sala. Outra atividade que de palavras que rimam. Algumas dessas atividades coletivas e outras
nentes essenciais para o pro- também é vivenciada pelo gru- atividades podem se inserir em uma sequ- diferenciadas de acordo com os
cesso de alfabetização, por isso po com regularidade, é o uso do ência didática, conforme pode-se observar conhecimentos das crianças. No
realizo algumas diariamente, laboratório de informática, que, na continuidade do relato da professora: dia seguinte trouxe para sala a
com periodicidade definidas e de acordo com a organização se- parlenda Jacaré com Catapora,
em horários destinados exclusi- manal da escola, cada turma tem e após a leitura do texto propus
vamente para elas. Desenvolvo, a oportunidade de utilizá-lo. Paralelamente às atividades atividades de identificação das
por exemplo, a leitura de livros Para a turma do primeiro ano, o permanentes, também utilizo rimas e de comparação da par-
de literatura diariamente em dia estabelecido é a sexta-feira, na rotina semanal as sequên- lenda com o estilo literário do
classe no início da aula. Nessa então em diversos momentos cias didáticas que organizo para texto anterior (cantiga). Depois
atividade, exploro o título do estou no laboratório com eles, e atingir os objetivos didáticos utilizei o poema Jacaré, do livro
livro, o nome do autor, realizo realizo atividade de escrita das relacionados às diferentes áreas. Alfabetário de José de Nico-
questões de compreensão lei- palavras trabalhadas durante a A duração desta sequência é va- la e pude ler e comparar com
tora antes, durante e depois da semana (esta atividade não é só riável de acordo com o conteúdo as crianças diferentes versões
leitura e, em algumas situações, vivenciada no laboratório, tam- escolhido: em algumas situações a partir de uma temática. Em
aproveito para fazer algumas re- bém utilizo na classe com letras pode levar duas semanas, um outro momento trouxe para sala
flexões sobre o Sistema de Escri- móveis) ou até mesmo utilizo mês ou mais e é praticada duas um texto informativo sobre ani-
ta Alfabética, em nível oral, ou a os jogos de alfabetização que já ou três vezes por semana. No mais em extinção, já que o texto
exploração de palavras presentes estão instalados no computador. mês de maio iniciei uma sequ- de José de Nicola aborda sobre
nos textos lidos. Em outros mo- ência a partir de uma cantiga (O a exploração deste animal para
mentos, proponho a leitura dos jacaré – Newton Helliton). Após confecção de bolsa e calçados.
Em relação às atividades permanentes, a exploração do texto, realizei
textos trabalhados e expostos em
destacamos que no caso da leitura, por
sala. Esta é uma das atividades exemplo, Ana Cristina desenvolve ativi-
que as crianças gostam muito. dades diárias com objetivos diferentes: a
Quando estamos fazendo o ro- leitura no início da aula envolve livros de Alfabetário
teiro diário, eles perguntam se é literatura e tem o objetivo de ampliar as Texto: José de Nicola
leitura deleite (leitura dos livros experiências de letramento dos alunos e Imagem: Daniel Kondo
de literatura feita por mim) ou a formar o gosto pela leitura. Já o trabalho
leitura dos textos da sala (leitura com textos como poemas, cantigas, parlen- A obra Alfabetário traz lindos poemas, cada um com
uma das letras do alfabeto, de “A” a “Z”. No último
realizada pelos alunos). Esses das também parece ser feito diariamente e poema, intitulado “Brincadeira de roda do Carlos”,
textos eles já conhecem de cor, tem o objetivo de desenvolver a fluência de reúnem-se todas as letras, inclusive as recém-incluídas
K, W e Y, e se faz uma bem-humorada paródia do poema
pois são as cantigas, parlendas, leitura e explorar alguns princípios do nos- “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade.
poemas, textos informativos so Sistema de Escrita Alfabética, como a Aprender o alfabeto com poesia é uma maneira diver-
tida e eficiente de aprender!
trabalhados e que são expostos relação som-grafia, por meio da exploração

22 unidade 02 unidade 02 23
O interessante, na prática da referida Outra atividade que também na unidade do LD de matemá- Além de todas as atividades
professora, é que o trabalho no eixo da entra na minha rotina são os tica, o objetivo era o ensino dos explicitadas anteriormente,
apropriação da escrita alfabética parece projetos didáticos que são ar- números ordinais, então antes que estão inseridas na minha
ser feito de forma contextualizada, vincu- ticulados aos objetivos didáti- de utilizarmos o livro, vivenciei rotina, também utilizo com
lado à leitura e à produção de textos e ao cos propostos no plano anual com as crianças algumas ati- regularidade (dois ou três dias
desenvolvimento de atividades que estão para a classe, principalmente vidades (a música: Terezinha na semana) outro recurso que
integradas aos projetos da escola, ao uso nas outras áreas de ensino (Ci- de Jesus, que fala dos números tem auxiliado no avanço da
do livro didático e ao trabalho com jogos, ências, História, Geografia e em ordem, e a exploração da aprendizagem dos alunos, que
como pode ser observado a seguir: Artes). Na escola em que traba- lista da chamada da classe) e são os jogos da área de lingua-
lho, anualmente vivenciamos em seguida utilizamos o livro. gem, como os que foram distri-
alguns projetos didáticos. Neste Em outro momento, como o buídos pelo MEC. Estes jogos
ano letivo (2012) há um projeto livro didático do componente proporcionam aos alunos desa-
anual cuja temática é 100 anos curricular Língua Portugue- fios constantes e reflexão sobre
de Luiz Gonzaga. Relacionado a sa trata sobre a utilização da o sistema de escrita. É muito
esse projeto anual, há projetos a agenda, realizei um trabalho importante a utilização desses
serem desenvolvidos por tri- com o nome das crianças, so- jogos, já que essa faixa etária
mestre, vinculados ao contexto licitei que cada um trouxesse necessita de brincadeiras para
da sustentabilidade (1° trimes- para sala o número do telefone o seu desenvolvimento e so-
tre: Lixo: poluição ambiental, da sua casa ou dos pais, e no dia cializar o que sabem com seus
coleta e reciclagem/2° trimes- seguinte construímos coleti- colegas. Quando utilizo deter-
tre: Água: importância, consu- vamente uma agenda da classe, minados jogos, inicialmente
mo e poluição). explorando o alfabeto, a partir explico as regras e jogo com as
da lista dos nomes. Esta ativi- crianças em pequenos grupos.
Como os alunos do 1° ano rece-
dade foi bastante interessante Em outros momentos eles es-
bem livros didáticos dos com-
porque a partir desta vivência colhem os jogos de acordo com
ponentes Língua Portuguesa e
eles passaram a comunicar-se o que aprenderam. Também
Matemática, não posso deixar
por telefone, uns com os ou- tenho a oportunidade de agru-
de inseri-los em minha rotina
tros. Foi uma atividade desen- pá-los de acordo
e isso acontece semanalmente.
volvida em gru- com os níveis de
Quando a unidade do livro não
po que trouxe o compreensão da
está contextualizada dentro do
contexto social da escrita que se en-
que estou vivenciando na se-
utilização de uma contram.
mana, procuro contextualizá- Jogos
agenda.
-la na temática do livro. Por livro didático

exemplo, na quinzena de maio

24 unidade 02 unidade 02 25
Como apontado no depoimento de Ana Cristina, uma rotina semanal deve possuir ativi- Podemos observar, por meio da análise do permitem aos alunos pensarem constante-
dades que acontecem todos os dias, como a leitura deleite, leitura da lista dos alunos e quadro de rotina, planejado pela profes- mente sobre a relação som-grafia.
atividades que envolvem a apropriação do sistema de escrita. As atividades que se alter- sora para uma semana de trabalho, que
Além disso, é importante destacar que
nam e que podem ou não fazer parte de um determinado projeto ou sequência didática, diariamente ela realiza atividades perma-
trabalhar sistematicamente com as unida-
estão presentes também, porém, de forma mais flexível. O quadro a seguir apresenta a nentes como a leitura deleite (comentada
des sonoras das palavras (como as sílabas e
rotina de trabalho de duas semanas da professora Ana Cristina: por ela no depoimento apresentado) e
fonemas) não significa que estamos vol-
uma sequência de atividades realizadas no
tando ao passado, defendendo um trabalho
início de cada jornada escolar, que envolve
segunda-feira terça-feira quarta-feira quinta-feira sexta-feira baseado em métodos silábicos ou fônicos de
Dia 28/05 Dia 29/05 Dia 30/05 Dia 31/05 Dia 01/06 a contagem dos alunos, a exploração do
alfabetização; pelo contrário, acreditamos
- Música: Bom dia; - Música: Bom dia; - Música: Bom dia; - Música: Bom dia; - Música: Bom dia; calendário, a escrita da merenda do dia e
- Registro do - Registro do - Registro do - Registro do - Registro do que o ensino da leitura e da escrita, a alfa-
tempo, uso do tempo, uso do tempo, uso do tempo, uso do tempo, uso do o registro da agenda com as atividades do
betização, não pode se resumir a trabalhar
calendário (dia, calendário (dia, calendário (dia, calendário (dia, calendário (dia, dia. Sobre essa última atividade, Gomes,
mês, ano); mês, ano); mês, ano); mês, ano); mês, ano); o sistema de escrita de forma repetitiva e
- Contagem dos - Contagem dos - Contagem dos - Contagem dos - Contagem dos Dias e Silva (2008) comentam que o regis-
alunos; alunos; alunos; alunos; alunos; memorística, dentro de uma rotina des-
- Escrita da me- - Escrita da me- - Escrita da me- - Escrita da me- - Escrita da me- tro da rotina no quadro no início da aula
provida dos encantamentos dos textos e de
renda do dia (re- renda do dia (re- renda do dia (re- renda do dia (re- renda do dia (re- pode possibilitar tanto a vivência dos usos
gistro no quadro gistro no quadro gistro no quadro gistro no quadro gistro no quadro situações de uso efetivo da língua. Ao mesmo
para leitura); para leitura); para leitura); para leitura); para leitura); e funções do gênero textual agenda, como
- Registro da rotina; - Registro da rotina; - Registro da rotina; - Registro da rotina; - Registro da rotina; tempo, não acreditamos que “ensinar textos
o estudo das palavras que são escritas
Leitura deleite/ Leitura deleite/ Leitura deleite/ às crianças”, sem atenção à reflexão sobre o
Roda de conversa
Ficha de acom- Ficha de acom- Ficha de acom- diariamente, com destaque, por exemplo,
- conversa sobre
panhamento dos panhamento dos panhamento dos
Uso do laborató- funcionamento da escrita, seja o caminho.
o final de semana; rio de Informá- para a existência de diferentes estruturas
livros lidos no livros lidos no livros lidos no tica: Jogos didá- Concordamos, sim, como vimos na prática
mês; mês; mês; ticos, de acordo silábicas, que corresponde a um dos prin-
com as necessi- da professora Ana Cristina, que podemos
Projeto didático:
Roda de leitura: cípios do sistema de escrita que precisa ser
Texto instrucional dades do grupo desenvolver e diversificar atividades, no
Leitura deleite/
Roda de leitura:
sustentabilidade
sobre a brincadei- ou relacionada ao compreendido pelos alunos.
Ficha de acom-
texto informativo
e o lixo, reflexão
ra das cadeiras, que está sendo cotidiano escolar, para que os alunos possam
panhamento dos sobre a poluição estudado (digitar
livros lidos no
sobre a extinção
dos rios que
explicitando as
palavras ditadas O que é importante destacar aqui, em interagir com diferentes textos ao mesmo
de animais; regras (vivencia
mês; prejudica o habi- pela professora); relação ao trabalho específico com a alfabe- tempo em que eles aprendem de forma re-
da brincadeira no
tat dos animais;
pátio da escola);
tização, na rotina da professora, é que ele flexiva sobre o Sistema de Escrita Alfabética.
Merenda/Recreio Merenda/Recreio Merenda/Recreio Merenda/Recreio
Cantinho da leitu- Cantinho da leitu- Cantinho da leitu- Cantinho da leitu- é realizado de forma sistemática, ou seja,
Desse modo, queremos ressaltar que a
ra (livre); ra (livre); ra (livre); ra (livre); todos os dias os alunos são levados a refletir
organização de uma rotina que privilegia a
Construção de sobre as unidades menores das palavras por
LD
Português: (no-
um mural, a partir
das figuras sele-
LD Matemática:
Brincadeira das meio de atividades que envolvem a leitura sistematização do trabalho da alfabetização
Merenda/Recreio
mes, brincadeiras cionadas pelos cadeiras, identi-
Produção textual de poemas ou outros gêneros textuais. A de modo a contemplar os diferentes eixos de
e letras)-cantiga alunos, destacan- ficando sucessor
Cantinho da leitu-
de roda: ciranda, do características e antecessor dos
coletiva com re-
professora explora as rimas presentes nos ensino da língua, por meio de um planeja-
ra (livre); gistro em ficha;
cirandinha, iden- dos animais (duas numerais, conta-
tificação do nome patas, quatro gem e leitura de textos lidos, os sons iniciais de algumas mento construído com base na realidade de
dos colegas; patas, nenhuma imagens;
palavras e trabalha com escrita de palavras. cada aluno e escola, pode favorecer a cons-
pata);
Roda de leitura: Atividade de Essas atividades são muito importantes trução e a realização de atividades que aju-
Texto Jacaré Jogo didático: apropriação do
Jogo didático: para a apropriação do Sistema de Escrita dam a promover a autonomia e a criatividade
(João Paulo Paes), Bingo dos sons SEA: construção Hora do brinque-
interpretação iniciais (apresen- de palavras, uti-
Caça-rimas (apre-
sentação dos
do (carrinhos, bo- Alfabética e, se realizadas com frequência, dos alunos no mundo da leitura e escrita.
textual, destacan- tação dos jogos, lizando alfabeto necos, bonecas,
jogos, explicitan-
do a problemática explicitando as móvel e regis- joguinhos).
do as regras).
de animais em regras). tro no caderno
extinção. (dupla).

26 unidade 02 unidade 02 27
Compartilhando
Referências

ALBUQUERQUE Eliana.; MORAIS, ARTUR,.; FERREIRA, ANDREA.


As práticas cotidianas de alfabetização: o que fazem as professoras?
Revista. Brasileira de Educação. 2008.
Direitos de aprendizagem em
LEAL, Telma. Planejar é preciso. Texto distribuído em encontro de
História no ciclo de alfabetização
formação de professores na Secretaria de Educação de Olinda, 2004.
GOMES, Maria de Fátima, DIAS, Maira Tomayno de Melo e
SILVA, Luciana. O registro da rotina do dia e a construção de O direito à Educação é garantido a todos os brasileiros e, segundo prevê a Lei 9.394, que
oportunidades de aprendizagem da escrita. In: CASTANHEIRA, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, a Educação Básica “tem por fina- A Resolução nº 7, de
14 de dezembro de
Maria Lúcia; MACIEL, Francisca MARTINS, Raquel (orgs.) lidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para 2010, do Conse-
Alfabetização e letramento na sala de aula. Belo Horizonte: o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos lho Nacional de
Educação, que fixa
Autêntica, Ceale, 2008. posteriores” (Art. 22). Diretrizes Curricula-
res Nacionais para o
MEIRIEU, Philippe. O cotidiano da escola e da sala de aula: o fazer e Desse modo, a escola é obrigatória para as crianças e tem papel relevante em sua for- Ensino Fundamental
de 9 (nove) anos
o compreender. Porto Alegre: Artmed, 2005. mação para agir na sociedade, para participar ativamente das diferentes esferas sociais. pode ser lida no
caderno do ano 1,
SILVA, Ceris S. Ribas. O planejamento das práticas escolares Dentre outros direitos, a compreensão do ambiente natural e social é necessária, tal Unidade 8

de alfabetização e letramento. In: CASTANHEIRA, Maria Lúcia; como previsto no artigo 32:
MACIEL, Francisca MARTINS, Raquel (orgs.) Alfabetização e
letramento na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, Ceale, 2008.
Artigo 32
O ensino fundamental obrigatório, com social, do sistema político, da tecnologia,
duração de 09 (nove) anos, gratuito na das artes e dos valores em que se
escola pública, iniciando-se aos 06 (seis) fundamenta a sociedade;
anos de idade, terá por objetivo a formação III - o desenvolvimento da capacidade de
básica do cidadão, mediante: aprendizagem, tendo em vista a aquisição
de conhecimentos e habilidades e a
I - o desenvolvimento da capacidade de formação de atitudes e valores;
aprender, tendo como meios básicos o IV - o fortalecimento dos vínculos de
pleno domínio da leitura, da escrita e do família, dos laços de solidariedade humana
cálculo; e de tolerância recíproca em que se assenta
II - a compreensão do ambiente natural e a vida social.

28 unidade 02
Assim, o ensino de História, segundo o tre- nos anos iniciais, cujas definições também Direitos gerais de aprendizagem: História Ano 1 Ano 2 Ano 3
cho da Lei, deve ser garantido, como meio oferecemos ao debate. São as seguintes: Identificar-se, a si, e as demais pessoas como membros de vários
para que se possa asseverar a compreensão grupos de convívio (familiares, étnico-culturais, profissionais,
I/A I/A/C I/A/C
Fatos históricos: práticas ou eventos escolares, de vizinhança, religiosos, recreativos, artísticos,
do ambiente social, do sistema político esportivos, políticos etc).
ocorridos no passado, que causaram impli-
e dos valores em que se fundamenta a Distinguir as práticas sociais, políticas, econômicas e culturais
cações na vida das sociedades, dos grupos
sociedade. específicas dos seus grupos de convívio e dos demais grupos de I/A I/A/C I/A/C
de convívio (familiares, étnico-culturais, convívio locais, regionais e nacionais, na atualidade.
Para atender às exigências previstas nas profissionais, escolares, de vizinhança, re- Identificar as práticas sociais, políticas, econômicas e culturais
Diretrizes, torna-se necessário delimitar ligiosos, recreativos, artísticos, esportivos, de grupos de convívio locais, regionais e nacionais, existentes no I/A I/A I/A/C
passado.
os diferentes conhecimentos e as habi- políticos etc.) ou dos sujeitos históricos.
lidades básicas que estão subjacentes Formular e expressar (oralmente, graficamente e por escrito) uma
Sujeitos históricos: indivíduos ou reflexão a respeito das permanências e das mudanças ocorridas
aos direitos gerais em cada componente nos vários aspectos da vida em sociedade, ao longo do tempo e
I I/A/C I/A/C
grupos de convívio que, ao longo do tempo,
curricular. Nos quadros a seguir, alguns em diferentes lugares.
promovem e realizam (individual ou cole-
direitos de aprendizagem estão descritos e Identificar e utilizar os diferentes marcadores de tempo
tivamente) as ações sociais produtoras de elaborados e/ou utilizados pelas sociedades em diferentes tem- I/A I/A/C I/A/C
podem ser postos como pontos de partida
fatos históricos. pos e lugares.
para o estabelecimento do debate acerca
Identificar e utilizar os diferentes instrumentos (individuais e
do ensino de História nos anos iniciais do Tempo: maneira como os indivíduos, os coletivos) destinados à organização do tempo na nossa sociedade,
Ensino Fundamental. grupos de convívio e as sociedades sequen- no tempo presente: calendários, folhinhas, relógios, agendas, I/A I/A/C A/C
quadros de horários (horário comum e comercial, horários
ciam e ordenam as experiências diaria- escolares), dentre outros.
São descritos direitos de aprendizagem
mente vivenciadas por seus membros, com
gerais, que permeiam toda a ação pe- Identificar, na vida cotidiana, as noções anterioridade,
base nas quais organizam suas memórias e simultaneidade e posterioridade. I/A I/A/C I/A/C
dagógica e, depois, expostos em quatro
projetam suas ações, tanto de forma indivi-
quadros, direitos específicos relacionados Distinguir e ordenar temporalmente os fatos históricos locais,
dual quanto coletiva. regionais e nacionais. I I/A/C I/A/C
aos conceitos fundamentais da disciplina
Articular e estabelecer correlações entre os fatos históricos (locais
regionais e nacionais) e a vidas vividas no tempo presente. I I/A/C I/A/C

Identificar e comparar os diferentes tipos de registros


documentais utilizados para a construção, descrição ou
rememoração dos fatos históricos: textos manuscritos e
impressos, imagens estáticas ou em movimento, mapas, registros
I/A I/A/C I/A/C
orais, monumentos históricos, obras de arte, registros familiares,
objetos materiais, dentre outros.

Vivenciar os eventos rememorativos (locais, regionais e/ou nacio-


nais), identificar os fatos históricos aos quais se referem. I/A A/C A/C

Formular e expressar (oralmente e por escrito) uma reflexão a


respeito da importância destes eventos para os diferentes grupos I/A I/A/C I/A/C
de convívio da atualidade.

30 unidade 02 unidade 02 31
Sujeitos históricos Ano 1 Ano 2 Ano 3 Comparar as condições de existência (alimentação, moradia,
proteção familiar, saúde, lazer, vestuário, educação e participação
Diferenciar as práticas sociais relacionadas ao âmbito da política) dos membros dos grupos de convívio dos quais participa
I/A/C I/A/C I/A/C
I I/A I/A
economia, da política e da cultura. atualmente.
Identificar e expressar (oralmente, graficamente e por escrito) as Comparar as condições de existência (alimentação, moradia,
características (individuais e coletivas) comuns e particulares aos proteção familiar, saúde, lazer, vestuário, educação e participação
membros dos grupos de convívio dos quais participa (familiares, política) dos membros dos grupos de convívio existentes, local e
I/A I/A I/A/C
étnico-culturais, profissionais, escolares, de vizinhança, religiosos,
I/A/C I/A/C I/A/C
regionalmente, no passado.
recreativos, artísticos, esportivos, políticos, dentre outros),
atualmente e no passado. Selecionar e utilizar registros pessoais e familiares (documentos,
músicas, fotos, recibos, listas de compras, receitas de todo tipo,
Dialogar e formular reflexões a respeito das semelhanças e das contas domésticas, trabalhos escolares antigos, álbuns feitos ou
diferenças identificadas entre os membros dos grupos de convívio preenchidos domesticamente, cartas, brinquedos usados, I/A I/A I/A/C
dos quais participa (familiares, étnico-culturais, profissionais, I/A I/A I/A/C boletins escolares, livrinhos usados, dentre outros) para
escolares, de vizinhança, religiosos, recreativos, artísticos, formular e expressar (oralmente, graficamente e por escrito) uma
esportivos, políticos, dentre outros), atualmente e no passado. sequência narrativa a respeito da sua própria história.
Identificar e expressar (oralmente, graficamente e por escrito) as Identificar as vivências comuns aos membros dos grupos de
características (individuais e coletivas) comuns e particulares aos convívio locais, na atualidade e no passado. I/A I/A/C I/A/C
membros de outros grupos de convívio, locais e regionais,
I/A I/A/C I/A/C
atualmente e no passado.
Identificar as vivências específicas dos grupos de convívio locais e
regionais, na atualidade e no passado. I/A I/A/C I/A/C
Dialogar e formular uma reflexão a respeito das semelhanças e
das diferenças identificadas entre os membros de outros grupos
de convívio (familiares, étnico-culturais, profissionais, escolares, Articular as vivências dos grupos de convívio locais e regionais
I/A I/A I/A/C atuais, às dos grupos de convívio locais e regionais, do passado. I I/A I/A/C
de vizinhança, religiosos, recreativos, artísticos, esportivos,
políticos, dentre outros), locais e regionais, atualmente e no
passado.

Identificar os diferentes tipos de trabalhos e de trabalhadores


responsáveis pelo sustento dos grupos de convívio dos quais I/A I/A/C I/A/C
participa, atualmente e no passado.

Identificar os diferentes tipos de trabalhos e de trabalhadores


responsáveis pelo sustento de outros grupos de convívio (locais e I/A I/A/C I/A/C
regionais), atualmente e no passado.

Identificar as diferentes instituições existentes na localidade, na


atualidade e no passado.

Formular e expressar (oralmente, graficamente e por escrito) uma


reflexão a respeito das semelhanças e diferenças identificadas
entre as maneiras de trabalhar e/ou entre as práticas dos
I/A I/A/C I/A/C
trabalhadores, ao longo do tempo e em diferentes lugares.

Formular e expressar (oralmente, graficamente e por escrito) uma


reflexão a respeito das mudanças e das permanências
identificadas nas maneiras de trabalhar e/ou nas práticas dos
I/A I/A I/A/C
trabalhadores, ao longo do tempo e em diferentes lugares.

32 unidade 02 unidade 02 33
Tempo histórico Ano 1 Ano 2 Ano 3 Fatos históricos Ano 1 Ano 2 Ano 3
Situar-se com relação ao “ontem” (ao que passou), com relação Identificar dados governamentais sobre a história da localidade
ao “hoje” (ao que está ocorrendo) e com relação ao “amanhã” (a I/A A/C C (rua, bairro e/ou município): origem do nome, data de criação,
expectativa do porvir). localização geográfica e extensão territorial, produção econômica,
I I/A I/A/C
população etc.
Diferenciar ações ou eventos cotidianos ocorridos
sequencialmente, antes e depois de outros.
I/A A/C C Identificar e diferenciar os patrimônios culturais (materiais e
imateriais) da localidade (rua, bairro, município e estado).
I I/A I/A/C
Diferenciar ações ou eventos cotidianos ocorridos ao mesmo
tempo do que outros.
I/A I/A/C A/C Identificar os fatos históricos ou as práticas sociais que dão
significado aos patrimônios culturais identificados na localidade.
I/A I/A/C I/A/C
Identificar as fases etárias da vida humana e as práticas
culturalmente associadas a cada uma delas, na atualidade e no I/A A/C A/C Identificar os grupos de convívio e as instituições relacionadas
passado (com ênfase na infância). à criação, utilização e manutenção dos patrimônios culturais da I I/A I/A/C
localidade.
Comparar e calcular o tempo de duração (objetivo e subjetivo)
das diferentes práticas sociais (individuais e coletivas), realizadas I I/A I/A Comparar as memórias dos grupos de convívio locais a respeito
cotidianamente. das histórias da localidade (rua, bairro ou município), com os I I/A I/A/C
dados históricos oficiais (ou governamentais).
Utilizar diferentes instrumentos destinados à organização e
contagem do tempo das pessoas, dos grupos de convívio e das Comparar as memórias dos grupos de convívio locais a respeito
instituições, na atualidade: calendários, folhinhas, relógios, dos patrimônios culturais da localidade, com as memórias I I I/A
agendas, quadros de horários (horário comercial, horários
I I/A I/A/C veiculadas pelos dados oficiais (ou governamentais).
escolares, horário hospitalar, horários religiosos, horários dos
meios de comunicação, dentre outros). Identificar as aproximações e os afastamentos entre as memórias
compartilhadas por membros de diferentes grupos de convívio I I I/A
Identificar instrumentos e marcadores de tempo elaborados e/ou sobre a história local.
utilizados por sociedades ou grupos de convívio locais e I I/A I/A
regionais, que existiram no passado. Identificar as práticas econômicas e de organização do trabalho,
ocorridas na localidade no passado e compará-las às práticas I I/A I/A/C
Ordenar (sincrônica e diacronicamente) os fatos históricos de econômicas atuais (na localidade).
ordem pessoal e familiar.
I I/A I/A/C
Identificar aspectos da organização política da localidade no
Ordenar (sincrônica e diacronicamente) os fatos históricos passado e compará-los com os principais aspectos da organização I I/A I/A/C
relacionados aos grupos de convívio dos quais participa.
I I/A I/A/C política atual (na localidade).

Ordenar (sincrônica e diacronicamente) os fatos históricos de Identificar aspectos da produção artística e cultural da localidade
alcance regional e nacional.
I I/A I/A no passado e no presente.
I/A I/A I/A/C

Identificar e comparar a duração dos fatos históricos vivenciados Mapear a localização espacial dos grupos de convívio atuais na
familiarmente, localmente, regionalmente e nacionalmente.
I I/A I/A I I/A I/A/C
localidade.

Articular as formas de organização do espaço e as práticas sociais


dos grupos de convívio atuais e do passado, com sua situação de I I/A I/A/C
vida e trabalho.

Identificar as formas de organização do espaço e as práticas


sociais dos grupos de convívio que existiram na localidade, no I I/A I/A/C
passado.

34 unidade 02 unidade 02 35
Materiais didáticos
1 – Livros que aproximem as crianças do universo literário,
no ciclo de alfabetização. ajudando-as a se constituírem como leitoras, a terem prazer e
interesse pelos textos, a desenvolverem estratégias de leitura
Telma Ferraz Leal e a ampliarem seus universos culturais, tais como os livros
Juliana de Melo Lima literários de contos, poemas, fábulas, dentre outros.
2 – Livros que ampliem o contato com diferentes gêneros e espaços
sociais, considerando as diferentes finalidades de leitura,
tais como os livros de reflexão sobre o mundo da ciência, as
Como foi discutido anteriormente, o recursos a serem utilizados. Leal e Rodri-
biografias, os dicionários, os livros de receitas, dentre outros.
planejamento do ensino é uma das res- gues (2011, p. 96-97), ao discutirem sobre
3 – Livros que estimulem a brincadeira com as palavras e promovam
ponsabilidades do professor, mas é mais o uso de recursos didáticos alertam que, os conhecimentos sobre o Sistema de Escrita Alfabética.
que uma obrigação, é uma maneira de 4 – Revistas e jornais variados que promovam a diversão e o
garantir a sua autonomia como profis- acesso a informações, tais como os jornais, com destaque aos
no bojo da ação de planejar, suplementos infantis, as revistas infantis e os gibis.
sional. Segundo Freire (1996, p. 43), a
como já dissemos, está a ação de 5 – Os livros didáticos, que agrupam textos e atividades variadas.
prática não planejada “produz um saber
selecionar os recursos didáti- 6 – Materiais que estimulem a reflexão sobre palavras, com o
ingênuo, um saber de experiência [...]
cos adequados ao que queremos propósito de ensinar o sistema alfabético e as convenções
(na qual) falta rigorosidade metódica que ortográficas, tais como jogos de alfabetização, abecedários,
ensinar. Igualmente, é preciso pares de fichas de palavras e figuras, envelopes com figuras e
caracteriza a curiosidade epistemológica
refletir para escolher tais re- letras que compõem as palavras representadas pelas figuras e
do sujeito” (1996, p. 43). É na ausência de
cursos. De igual modo, é neces- coleções de atividades de reflexão sobre o funcionamento do
um planejamento realizado pelo próprio sistema de escrita.
sário ter clareza sobre as finali-
docente que são impostos modos de agir 7 – Os materiais que circulam nas ruas, estabelecimentos comerciais
dades do ensino, as finalidades e residências, com objetivos informativos, publicitários, dentre
padronizados e não reflexivos, que muitas
da escola e atentar que, nessa outros, como os panfletos, cartazes educativos e embalagens.
vezes são contrários às concepções dos
instituição, além dos conceitos 8 – Os materiais cotidianos com os quais nos organizamos no tempo
próprios professores. O planejamento, na e no espaço, como calendários, folhinhas, relógios, agendas,
e teorias, estamos influencian-
realidade, é uma ação autoformativa, que quadros de horários de todos os tipos, catálogos de endereços e
do a construção de identidades, telefones, mapas, itinerários de transportes públicos etc.
propicia a articulação entre o que sabe-
de subjetividades. Assim, na 9 – Os registros materiais a respeito da vida da criança e dos
mos, o que fizemos e o que vamos fazer.
escolha dos recursos didáticos, membros de seus grupos de convívio: registro de nascimento/
Segundo Gómez (1995, p. 10), ao planejar- batismo ou casamento (dos pais e/ou dos parentes), boletim
tais questões precisam ser con- escolar, cartões de saúde/vacinação, fotografias (isoladas e em
mos, aprendemos a “construir e comparar
sideradas. álbuns), cartas ou e-mails, contas domésticas, carnês, talões
novas estratégias de ação, novas fórmulas cheque, cartões de crédito etc.
de pesquisa, novas teorias e categorias de 10 – Recursos disponíveis na sociedade que inserem as crianças
compreensão, novos modos de enfrentar e Ao situarmos nosso debate nos direitos de em ambientes virtuais e que promovem o contato com outras
linguagens, tais como a televisão, o rádio, o computador,
definir problemas”. aprendizagem e nos princípios didáticos dentre outros.
discutidos, consideramos que alguns tipos
Uma das tarefas do professor quando de recursos didáticos são essenciais no
planeja sua ação didática é escolher os ciclo de alfabetização:

36 unidade 02 unidade 02 37
Muitos desses materiais são disponibilizados pelo Ministério da Educação e pelas se- Programa Nacional do Livro Didático – Obras Com-
cretarias de educação. Outros são selecionados ou produzidos pelos professores. Sem plementares (PNLD Obras Complementares)
dúvida, jamais teremos nas escolas todos os tipos de materiais possíveis para promover o
ensino no ciclo de alfabetização, mas alguns desses materiais são extremamente impor- O PNLD Obras Complementares distribui livros variados, que se destinam
a ampliar o universo de referências culturais dos alunos em processo de
tantes. É necessário, portanto, que conheçamos tudo o que é disponibilizado nas escolas.
alfabetização e oferecer mais um suporte ao trabalho pedagógico dos pro-
Para ajudar nesta tarefa, listamos, abaixo, alguns materiais que fazem parte de Programas fessores. Foram distribuídos, em 2010, seis acervos formados por 30 obras
pedagógicas complementares aos livros didáticos. Cada sala de aula do
de Distribuição de Recursos Didáticos do Ministério da Educação: primeiro e do segundo ano do Ensino Fundamental do país recebeu um ac-
ervo de 30 livros; a escola com mais de uma turma, recebeu um acervo para
cada turma, com variação dos acervos. Em 2013, o Programa foi ampliado,
de modo que a distribuição contempla as salas de aula dos anos 1, 2 e 3,
Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)
totalizando seis acervos de 30 livros.
O PNLD assegura a distribuição de livros didáticos para as escolas brasilei- Os livros que compõem os acervos são diversificados do ponto de vista
ras. No âmbito deste Programa, o livro didático é um material importante no temático, dos gêneros e formato e do grau de complexidade. Assim, os acervos
cotidiano do professor e deve, contém obras que, ou estimulam a leitura autônoma, por parte do alfabeti-
zando, ou propiciam a professores e alunos alternativas interessantes para
cumprir tanto as funções de um compêndio quanto as de um
situações de leitura compartilhada, de modo a favorecer o planejamento do
livro de exercícios, devem conter todos os diferentes tipos
ensino e a progressão da aprendizagem. Como é dito no Edital do Programa:
de saberes envolvidos no ensino da disciplina e não se dedi-
car, com maior profundidade, a um dos saberes que a consti- Assim, cada acervo, a ser composto com base no resultado final
tuem; devem ser acompanhados pelo livro do professor, que da avaliação pedagógica, deverá configurar-se como um instru-
não deve conter apenas as respostas às atividades do livro do mento eficaz de apoio:
aluno, mas também uma fundamentação teórico - metodoló- - ao processo de alfabetização e de formação do leitor;
gica e assim por diante (BATISTA, 2000, p. 568). - ao acesso do aluno ao mundo da escrita e à cultura letrada;
- ao ensino-aprendizagem de conteúdos curriculares.

O PNLD 2010 distribuiu as coleções didáticas em dois grandes grupos: Os livros selecionados:
o primeiro, voltado para os dois primeiros anos de escolaridade, reúne - abordam os conteúdos de forma lúdica, despertando o interesse
as coleções de letramento e alfabetização linguística e alfabetização e envolvimento dos alunos com os assuntos neles abordados;
matemática; o segundo grupo reúne as coleções dos componentes curricu- - recorrem a projetos editoriais capazes de motivar o interesse e
lares Língua Portuguesa e Matemática para os 3º, 4º e 5º anos e as coleções despertar a curiosidade de crianças dessa etapa de escolarização;
didáticas de Ciências, História e Geografia para os 2º, 3º, 4º e 5º anos, além - usam linguagem verbal e recursos gráficos adequados a alunos
dos livros regionais de Geografia e História, dirigidos aos alunos do 4º ou do 1º, 2º e 3º anos do ensino fundamental;
5º ano do Ensino Fundamental. Em 2013, foi feita uma reorganização de - configuram-se como obras capazes de colaborar com o processo
modo que o primeiro grupo agregou os três primeiros anos e o segundo de ensino aprendizagem.
agregou os dois anos seguintes do Ensino Fundamental. Oito tipos de obras são encontrados nos acervos:
1. Livros de divulgação do saber científico / obras didáticas;
Os livros didáticos destinados ao ensino do componente curricular Língua
2. Biografias;
Portuguesa nos anos iniciais do Ensino Fundamental contemplam os quatro
3. Livros instrucionais;
eixos de ensino discutidos anteriormente: leitura, produção de textos
4. Livros de cantigas, parlendas, trava-línguas, jogo de palavras;
escritos, linguagem oral e análise linguística. As coleções destinadas a esta
5. Livros de palavras;
etapa de escolarização, no eixo de análise linguística, têm como prioridade
6. Livros de imagens;
o ensino do Sistema de Escrita Alfabética.
7. Livros de histórias, com foco em conteúdos curriculares;
8. Livros literários.

38 unidade 02 unidade 02 39
Programa Nacional da Biblioteca da Escola (PNBE) dade e a adequação do vocabulário selecionado. Para o início do Ensino Funda-
mental, “a seleção lexical e a explicação dos sentidos dos vocábulos devem ser
adequados a alunos em fase inicial de alfabetização”. Com esta mesma preocu-
O PNBE é um Programa que promove “o acesso à cultura e o incentivo à leitura pação, os dicionários para as crianças têm organização gráfica mais atraente às
nos alunos e professores por meio da distribuição de acervos de obras de litera- crianças. Desse modo, este recurso didático também constitui material rico que
tura, de pesquisa e de referência. O atendimento é feito em anos alternados: em circula no espaço escolar.
um ano são contempladas as escolas de Educação Infantil, de Ensino Fundamen-
tal (anos iniciais) e de Educação de Jovens e Adultos. Já no ano seguinte são
atendidas as escolas de Ensino Fundamental (anos finais) e de Ensino Médio.
Hoje, o programa atende de forma universal e gratuita todas as escolas públicas Jogos de Alfabetização
de educação básica cadastradas no Censo Escolar”.

Um dos destaques do PNBE é a distribuição dos livros de literatura, que engloba Em 2011, O Ministério da Educação distribuiu para as escolas brasileiras um
textos em prosa (novelas, contos, crônica, memórias, biografias e teatro), em conjunto de jogos destinados à alfabetização. São 10 jogos que contemplam
verso (poemas, cantigas, parlendas, adivinhas), livros de imagens e livros de diferentes tipos de conhecimentos relativos ao funcionamento do Sistema de Es-
história em quadrinhos. Esses livros são destinados às bibliotecas das escolas. crita Alfabética. Em 2013, tais materiais foram destinados pelo MEC aos sistemas
que aderiram ao Pacto para Alfabetização.
Foram distribuídos, em 2010, 249 títulos destinados à Educação Infantil, anos
iniciais do Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos. Os livros Os jogos são classificados em três grandes blocos (LEAL et al., 2008, p. 19-20).
contemplam temáticas, gêneros e extensões variados. Têm o propósito de atrair
os estudantes para o universo da literatura de forma lúdica, com textos que 1. Jogos que contemplam atividades de análise fonológica,
promovem a fruição estética tanto pela linguagem verbal, quanto pelas ima- sem fazer correspondência com a escrita
gens. Em 2010, foram selecionados 250 títulos para os estudantes da Educação • Bingo dos sons iniciais
Infantil, anos inicias do Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos. • Caça rimas
• Dado sonoro
• Trinca mágica
• Batalha de palavras

Programa Nacional da Biblioteca da Escola – Especial Esses jogos auxiliam as crianças a tomar os sons como objeto de reflexão, de
modo que os estudantes podem mais facilmente perceber que, para escrever,
(PNBE Especial)
precisam refletir sobre como se constituem as palavras e quais são as semelhan-
ças e diferenças entre as palavras quanto à dimensão sonora.
O PNBE Especial distribuiu, em 2010, livros em formato acessível aos alunos Desse modo, os objetivos propostos são:
com necessidades educacionais especiais sensoriais (Braille, Libras, Caracteres - Compreender que, para aprender a escrever, é preciso refletir sobre
Ampliados, Áudio). Foram entregues 48 obras literárias destinadas ao Ensino os sons e não apenas sobre os significados das palavras;
Fundamental. O objetivo principal foi o favorecimento de acesso ao universo - Compreender que as palavras são formadas por unidades sonoras
literário em outros formatos, de modo a abranger as crianças com necessidades menores;
educacionais especiais. - Desenvolver a consciência fonológica, por meio da exploração dos
sons iniciais das palavras (aliteração) ou finais (rima);
- Comparar as palavras quanto às semelhanças e diferenças sonoras;
- Perceber que palavras diferentes possuem partes sonoras iguais;
Programa Nacional do Livro Didático – Dicionários - Identificar a sílaba como unidade fonológica;
- Segmentar palavras em sílabas;
O dicionário é um tipo de obra de consulta que, se não for introduzido no mun- - Comparar palavras quanto ao tamanho, por meio da contagem do
do da criança de forma lúdica, dinâmica, tende a ser rejeitado. Por isso, no PNLD número de sílabas.
Dicionários, os livros são selecionados tomando-se em conta a representativi-

40 unidade 02 unidade 02 41
2. Jogos que levam a refletir sobre os princípios do PNBE do Professor
Sistema de Escrita Alfabética
• Mais uma
• Troca letras O Programa Nacional Biblioteca da Escola – acervo do professor distribui
• Bingo da letra inicial acervos de obras que dão apoio teórico e metodológico para o trabalho em
• Palavra dentro de palavra sala de aula. O principal objetivo é dar suporte à formação do professor, de
modo a contribuir como ferramenta para o planejamento de aulas. Foram
A brincadeira com esses jogos favorece a reflexão sobre o funcionamento do siste- distribuídos para as bibliotecas das escolas, em 2011, 154 títulos dividi-
ma de escrita, ou seja, os princípios que constituem a base alfabética, promovendo dos por categorias: 53 títulos para os anos iniciais do Ensino Fundamental;
reflexões sobre as correspondências entre letras ou grupos de letras e fonemas. 39 para os anos finais do Ensino Fundamental; 45 para o Ensino Médio e
Os objetivos propostos são: Educação de Jovens e Adultos; e 17 para os anos iniciais e finais do Ensino
- Compreender que a escrita nota (representa) a pauta sonora, embora Fundamental da Educação de Jovens e Adultos.
nem todas as propriedades da fala possam ser representadas pela escrita;
- Conhecer as letras do alfabeto e seus nomes; Os livros são de natureza pedagógica e tratam de conhecimentos relativos à
- Compreender que as palavras são compostas por sílabas e que alfabetização e ao ensino dos componentes curriculares Língua Portuguesa,
é preciso registrar cada uma delas; Matemática, História, Geografia, Ciências, Física, Química, Biologia, Filosofia,
- Compreender que as sílabas são formadas por unidades menores; Sociologia, Artes, Educação Física, Inglês e Espanhol.
- Compreender que, a cada fonema, corresponde uma letra ou conjunto
de letras (dígrafos), embora tais correspondências não sejam perfeitas,
pois são regidas também pela norma ortográfica;
Coleção Explorando o Ensino
- Compreender que as sílabas variam quanto à composição
e número de letras;
- Compreender que as vogais estão presentes em todas as sílabas; A coleção “Explorando o Ensino” é formada por obras pedagógicas para
- Compreender que a ordem em que os fonemas são pronunciados cor- aprofundamento de estudos dos professores. Busca discutir sobre teorias
responde à ordem em que as letras são registradas no papel, obedecendo, e práticas voltadas para o ensino em diferentes áreas de conhecimento,
geralmente, ao sentido esquerda-direita; incluindo vários volumes destinados aos professores dos anos iniciais do
- Comparar palavras quanto às semelhanças gráficas e sonoras, Ensino Fundamental.
às letras utilizadas e à ordem de aparição delas.
Além desses materiais descritos há, na internet, vários livros que podem ser
acessados no Portal do MEC (<http://portal.mec.gov.br/>), no link “Publi-
cações” (http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=872&id=12814).
3. Jogos que ajudam a sistematizar as correspondências entre
letras ou grupos de letras e fonemas Em suma, há muitos livros e recursos acessíveis a professores e estudantes
• Quem escreve sou eu que circulam nos espaços escolares e devem ser objeto de exploração,
leitura, discussão. O importante é que o professor tenha autonomia para se-
Este jogo é importante, sobretudo, para as crianças que já entendem o funciona-
lecionar os que podem ser mais favoráveis aos seus estudantes e planejar
mento do sistema de escrita e estão em fase de consolidação dos conhecimentos
boas situações didáticas.
das correspondências entre letras ou grupo de letras e os fonemas.
Os objetivos propostos são:
- Consolidar as correspondências entre letras ou grupo de letras e fone-
mas, conhecendo todas as letras e suas correspondências sonoras;
- Ler e escrever palavras com fluência, mobilizando, com rapidez, o rep-
ertório de correspondências entre letras ou grupos de letras e fonemas já
construídos.

42 unidade 02 unidade 02 43
Referências
Aprendendo mais
BATISTA, Antônio A. G. Um objeto variável e instável: textos, impressos e livros didá-
ticos. In: ABREU, Márcia (org.) Leitura, história e história da leitura. Campinas, SP:

1.
Mercado de Letras: ALB; São Paulo: Fapesp, 2000. O Fazer cotidiano na sala de aula: a organização do
trabalho pedagógico no ensino da língua materna
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Acervos complementares: as áreas do co- FERREIRA, Andrea; ROSA, Ester. O fazer cotidiano na sala de aula: a organização do
nhecimento nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEB, 2009. trabalho pedagógico no ensino da língua materna. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Nesta obra, as autoras defendem que ao planejar o ensino são realizadas escolhas quanto à
Paulo: Paz e Terra, 1996. forma de organizar as turmas, à distribuição do tempo em uma jornada, aos recursos didáti-
cos adotados, aos espaços escolares onde serão desenvolvidas as práticas pedagógicas. Nos
GOMEZ, Angel Pérez. O pensamento prático do professor – a formação do professor como diferentes capítulos desta obra são abordadas questões relativas à organização do trabalho
profissional reflexivo. In: NÓVOA, A. Os professores e sua formação. Lisboa: Pub. Dom pedagógico, tendo como ênfase tanto a perspectiva do letramento quanto a perspectiva das
Quixote, 1995. intervenções voltadas à apropriação do Sistema de Escrita Alfabética. Os capítulos abrangem
LEAL, Telma Ferraz; ALBUQUERQUE, Eliana Borges; BRANDAO, Ana Carolina P; FER- questões teóricas acerca das razões para organizar o trabalho pedagógico e seus resultados
REIRA, Andrea T. B.; LEITE, Tania M. R.; LIMA, Ana Gabriela.; NASCIMENTO, Leila. na aprendizagem, bem como propõem um jeito de olhar para os diferentes modos de fazer o
Manual didático para utilização de jogos de alfabetização. Brasília: MEC, 2008. cotidiano escolar. Assim, são tratadas questões, tais como: o uso de tecnologias da informação
e comunicação (TIC); as possibilidades de utilização do livro didático; a proposta de ativida-
LEAL, Telma Ferraz.; RODRIGUES, Siane Gois C. Além das obras literárias, que outros des a serem realizadas na biblioteca escolar; as formas de trabalhar com jogos de palavras na
livros queremos na sala de aula? In: LEAL, Telma Ferraz SILVA, Alexandro (orgs.). educação infantil e as formas de trabalhar em pequenos grupos ou com sequências didáticas.
Recursos didáticos e ensino de língua portuguesa: computadores, livros... e muito mais.
Curitiba: Editora CRV, 2011, v.1, p. 95-114. A organização do trabalho pedagógico:
alfabetização e letramento com eixos norteadores

2.
GOULART, Cecília. A organização do trabalho pedagógico: alfabetização e letramento
com eixos norteadores. In: Brasil. Ministério da Educação. Ensino Fundamental de nove
anos: inclusão para crianças de seis anos de idade. Brasília, MEC, 2006.(Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/ensifund9anobasefinal.pdf>).

Nesse texto, a autora trata da organização do trabalho pedagógico nos anos iniciais do En-
sino Fundamental de nove anos, “... considerando o planejamento de cada ano escolar de
forma a contemplar as mudanças e as novas situações que integram o cotidiano escolar,
como: os novos alunos, o projeto político-pedagógico da escola, os conhecimentos envol-
vidos naquela escolaridade etc. No decorrer do artigo, são apontadas algumas questões
importantes para o professor pensar a sua realidade tendo em vista a elaboração de metas
a serem atingidas, sem ênfase demasiada nos conteúdos.

44 unidade 02
O planejamento das práticas escolares Sugestões de atividades
de alfabetização e letramento
para os encontros em grupo
3.
SILVA, Ceris S. Ribas. O planejamento das práticas escolares de alfabetização e le-
tramento. In: CASTANHEIRA, Maria Lúcia; MACIEL, Francisca; MARTINS, Raquel (orgs.)
Alfabetização e letramento na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica Editora:
Ceale, 2008. (livro do acervo do PNBE Professor 2010).
1º momento (4 horas)
Nesse texto, a autora, ao refletir sobre alguns aspectos que envolvem a organização de
práticas de alfabetização e letramento, discute sobre a importância do planejamento
para o desenvolvimento de ações autônomas e efetivas dos profissionais da educação. 1 – Ler texto para deleite: Pra que serve um livro?,
Na primeira seção do texto, intitulada Por que é importante que o professor planeje o de Chloé Legeay, Ed. Pulo do gato, 2011.
seu trabalho?, a autora comenta sobre as condições de realização dos planejamentos nas
escolas e sobre os desafios a serem enfrentados no processo de sua realização. A segunda
seção – Como selecionar e elaborar as atividades de alfabetização e letramento na sala 2 – Ler a seção “Iniciando a conversa”.
de aula? - apresenta possibilidades de procedimentos didáticos que envolvem a seleção, 3 – Discutir, em grande grupo, a questão: por que é importante pla-
elaboração e organização das atividades que fazem parte do planejamento da prática nejar o ensino da alfabetização? (Registrar no quadro as repostas).
cotidiana, refletindo-se sobre aspectos como a relação entre as atividades e os conteúdos
a serem ensinados, a tipologia das atividades e as formas de participação e organização 4 - Ler o texto 1 (Planejamento do ensino: alfabetização e ensino/apren-
das crianças visando ao desenvolvimento do que foi planejado. dizagem do componente curricular Língua Portuguesa), em peque-
nos grupos. Discutir sobre a questão debatida na atividade anterior,
complementando as suas respostas; formular apenas uma resposta que
O registro da rotina do dia e a construção de agregue todas as respostas; socializar as respostas em grande grupo.
oportunidades de aprendizagem da escrita

4.
GOMES, Maria de Fátima Cardoso; DIAS, Maria Tomayno de Melo e SILVA, Luciana 5 - Assistir ao Programa “Alfabetização e letramento”, da TVE.
Prazeres. O registro da rotina do dia e a construção de oportunidades de aprendi-
zagem da escrita. In CASTANHEIRA, Maria Lúcia, MACIEL, Francisca e MARTINS, (Salto para o futuro - anos iniciais do ensino fundamental - pgm.2
Raquel (orgs.) Alfabetização e letramento na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica
Editora: Ceale, 2008. (livro do acervo do PNBE Professor).
- Alfabetização e letramento - (http://tvescola.mec.gov.br/index.
php?option=com_zoo&view=item&item_id=5582).
As autoras, com base na análise da prática pedagógica desenvolvida por uma professora
alfabetizadora de uma escola pública em Belo Horizonte, buscaram responder à seguinte 6 – Elaborar um planejamento anual, com base na discussão do
questão: “O que os alunos podem aprender sobre a escrita quando participam, com seu texto 1 e nos quadros dos direitos de aprendizagem - Língua Portu-
guesa, contemplando os diferentes eixos do ensino para o 1o ano da
professor, da elaboração e registro da agenda ou rotina de atividades no início de cada
alfabetização; socializar os planejamentos.
dia de aula?”. A observação dessa turma ao longo do ano permitiu a identificação de um
evento interacional realizado diariamente: o registro da rotina do dia, e possibilitou uma Tarefa (para casa e escola):
reflexão sobre como essa prática articulava os processos de alfabetização e letramento,
- Ler o texto Materiais didáticos no ciclo de alfabetização (seção
uma vez que propiciava reflexões tanto sobre o uso e o conhecimento de um gênero tex-
Compartilhando); localizar, na escola, onde estão guardados todos
tual específico (a agenda ou rotina do dia) como de algumas características estruturais do
os materiais e planejar o uso dos materiais distribuídos pelo MEC
sistema de escrita do português.
na rotina pedagógica do 1o ano do ensino da alfabetização.

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- Selecionar um livro do PNLD Obras complementares
e planejar uma atividade que contemple conhecimen-
tos/habilidades expostas nos quadros de direitos de
aprendizagem dos componentes curriculares História e
Língua Portuguesa.

- Ler um dos textos sugeridos na seção Aprendendo mais; elaborar


uma questão a ser discutida no grupo (escolher coletivamente o
texto que será discutido).

2º momento (4 horas)

1 – Ler texto para deleite: Que horas são?, de Guto Lins.

2 - Socializar as experiências vivenciadas com base no planeja-


mento proposto no encontro anterior.
3 – Discutir, em grande grupo, a questão: É importante ter uma ro-
tina? O que devemos contemplar em uma rotina de alfabetização?
4 – Ler o texto 2 (As rotinas da escola e da sala de aula: referên-
cias para a organização do trabalho do professor alfabetizador) de
forma compartilhada.
5 – Analisar, em pequenos grupos, o depoimento e o quadro de
rotina da professora Ana Cristina e reconstruí-lo/complementá-lo
com base nos materiais disponibilizados pelo MEC, presentes no
texto lido na atividade de casa e localizados na escola.
6 - Discutir sobre os textos da seção Aprendendo mais, sugeridos
na tarefa de casa e escola.

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