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O AMOR DO MARIDO

Texto: Efésios 5:25-33

Introdução:

A jornalista Helen Rowland escreveu em seu livro, Um Guia Para o Homem, a


seguinte frase: “Para ser feliz com um homem, você deve compreendê-lo
mais e amá-lo um pouco. Para ser feliz com uma mulher, você deve amá-
la muito e tentar compreendê-la”. Existe alguma verdade no conselho da
escritora. O que Deus ordena aos maridos, acima de outras coisas, é que
amem suas esposas, muito embora isso não signifique desistir de tentar
entendê-las. Amar a esposa é a responsabilidade maior do marido dentro do
casamento.

Esta reflexão tem como alvo tocar em um ponto básico para que haja harmonia
e fidelidade no casamento. O marido é o responsável primário pelo casamento
e pela família. Muitas famílias são dissolvidas, desestruturadas e destruídas
porque o marido, como cabeça do lar, falhou em exercer responsavelmente o
seu papel. A esposa também tem a sua parcela de responsabilidade no
andamento do casamento e da família, porém conforme Gn.3, essa
responsabilidade foi dada primariamente ao homem. O marido, como cabeça
da família e da sua esposa, é o maior responsável pelo bem estar da família.
Vejamos em que consiste esta responsabilidade:

I) POR QUE HÁ UM MANDAMENTO PARA OS MARIDOS?


a) O Modelo da Autoridade de Cristo

A primeira e maior razão pela qual o marido deve amar a sua mulher tem
fundamento na autoridade de Jesus Cristo. É isso que o texto básico ensina.
Por trás do conceito do casamento está a doutrina de Cristo e da igreja. Como
Cristo fez, assim devem os maridos fazer e, assim como a igreja faz, assim
deve as esposas fazer. Em outras palavras, só podemos entender
corretamente a natureza do casamento e os papéis dos cônjuges à luz da
doutrina da igreja e sua relação com Cristo.

Quando Paulo diz aos maridos para amarem suas esposas, está simplesmente
refletindo o fato de que a autoridade de Jesus sobre a igreja se baseia em seu
amor sacrificial. Lembremo-nos da declaração de Jesus aos discípulos: “...toda
a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt.28:18). A autoridade só foi
dada depois que ele passou pela “paixão” (sofrimento), quando se deu pela
igreja e morreu por ela. Em conseqüência, Deus o colocou em uma posição de
autoridade (Fp.2:8,9). Semelhantemente, a autoridade do marido é exercida
com base em seu amor sacrificial pela esposa. É isso que evita o abuso de
autoridade, pois a liderança do marido está firmada no fato de ele se dar pela
esposa. Nenhuma marido pode exigir submissão de sua esposa se ele não a
ama como ensina a Bíblia. Isso deve ser feito evitando qualquer autoritarismo,
que é pecaminoso e prejudicial.

B) A Dureza do Coração

O amor do marido pela esposa deveria ser algo natural no casamento, mas
infelizmente muitas vezes não é. O que por vezes impera no coração do casal,
especialmente do homem, é a dureza, a falta de amor e perdão. O coração
masculino é mais propenso à dureza (Dt.9:27; Mt.19:8). O mandamento “amai”
funciona como uma bengala na qual os maridos podem se apoiar, quando os
sentimentos pela esposa estão em baixa. O marido cristão pode enfrentar
crises de sentimentos e emoções. Evidentemente, se ele tratar a esposa
segundo os altos e baixos aos quais está sujeito, o casamento será totalmente
instável e imprevisível. Mas ele pode se apoiar no firme fundamento da Palavra
de Deus que ordena que ele ame sempre a sua esposa, assim como Cristo
amou a sua igreja.

II) A NATUREZA DO AMOR DO MARIDO

Qual é a natureza do amor ordenado por Deus aos maridos? Em termos


práticos, ele envolve fortes afetos cordiais por ela, deleite e prazer em sua
companhia e amizade, respeito e honra ofertados a ela, em particular e em
público. Inclui habitar com ela de forma constantemente calma e confortável;
buscar o prazer, contentamento e satisfação dela; prover para as suas
necessidades, protegê-las das injúrias e abusos, perdoar suas faltas, confortá-
la e socorrê-la nas enfermidades, ter sempre a melhor opinião sobre ela e suas
atitudes e esforçar-se para promover o seu bem-estar espiritual e material.

Tudo isso deve ser feito de coração, sinceramente, nunca de maneira fingida.
Esse amor deve ser intenso e mais forte do que aquele demonstrado por
parentes e amigos, igual ao amor que o marido tem por si mesmo, mas nunca
superior ao amor devido a Deus. Tudo isto está sugerido pela palavra amai.

É importante sabermos que há quatro palavras na língua do N.T. (Grego) que


podem ser traduzidas por “amor”. Cada uma delas tem uma conotação
diferente. Paulo escolheu uma delas, de modo a não deixar dúvidas quanto ao
tipo de amor que tinha em mente. Das quatro palavras, só duas aparecem no
N.T.

1) Eros

A palavra Eros pode ser traduzida por amor. Ela não ocorre no N.T, mas estava
em uso no vocabulário da época. Eros, na mitologia grega, era o nome do deus
do amor, filho da deusa Afrodite. Atualmente, é o termo usado para impulso
sexual ou libido. Popularmente, é conhecido como amor sexual ou físico.
Paulo poderia ter usado essa palavra aqui, dizendo, “maridos amai (Eros)
vossa mulher”, e que em certo sentido não estaria errado, pois o amor sexual é
legítimo e desejável entre o marido e mulher, no âmbito do casamento.

O marido tem de sentir Eros pela sua esposa (Pv.5:18; Ec.5:18,19; 9:9). No
entanto, infelizmente muitos casamentos tem sido estabelecidos e construídos
apenas sobre o fundamento fraco do amor erótico. Uma das características do
amor Eros é a sua transitoriedade, ou seja, ele é passageiro. É por isso que
quando o Eros acaba, muitos casamentos acabam também. Casamento é
muito mais do que sexo.

2) Filéo

Outra palavra para amor é filéo. Ela aparece no N.T, várias vezes. É dela que
vem a nossa palavra “filantropia”. A palavra filéo tem o sentido de
relacionamento fraterno e amigável entre pessoas, embora às vezes usada
para expressar o amor de Deus e de Cristo (Jo.5:20; 11:3,36; 16:27). Filéo
também, nem sempre e exclusivamente, dá a ideia de amizade. Neste sentido,
é mais do que Eros, que se baseia apenas no aspecto físico. O amor de
amizade teria base em gostar de alguém por inteiro. Você se faz amigo de
alguma pessoa criando laços profundos de amizade, que não é
necessariamente Eros (Pv.17:17).

Embora para o mundo as amizades se encerrem quando o homem ou seus


amigos se casam, para o homem cristão a esposa pode vir a ser a melhor de
todas as amigas. Na verdade, é no casamento que existe a oportunidade de
desenvolver a mais profunda amizade, temperada e amadurecida pelos
deleites e desafios que a vida a dois proporciona.

C) Ágape

A palavra ágape é traduzida frequentemente no N.T, por amor. Ao contrário do


que popularmente se pensa seu sentido primário não é amor incondicional,
mas um amor que procede da vontade e determinação, em vez de emoções. O
modelo do amor ágape é o amor de Deus, que se estende ao pecador, não
porque Deus se apraz ou goste de seus caminhos, mas pela sua determinação
e vontade de salvá-los. O amor de Deus não busca retornos nem impõe
condições, pois não se fundamenta em sentimentos. A melhor e mais
conhecida passagem de toda a Bíblia que expressa esse amor de Deus por
nós é João 3:16. A palavra para amor usada neste texto é ágape. A diferença
mais considerável entre ágape e filéo é que esta última nunca é usada
ordenando que as pessoas se amem. Todos os mandamentos para amarmos
uns aos outros no N.T empregam a palavra ágape (Cl.3;19; 1ª Pe.1:22).

Na passagem que estamos estudando, Efésios 5:25-33, o amor (ágape) de


Cristo pela Igreja é o modelo para o amor do marido. É este amor que nasce na
vontade e na determinação, que nada espera em troca e está resolutamente
disposto a buscar o bem da esposa, fazendo que o casamento permaneça
estável, até que a morte os separe. É ele que fornece a base sobre a qual a
amizade e atração sexual podem acontecer desenvolver-se e realizar-se em
plenitude.

III) AS BASES DO AMOR

De que maneira podemos manter o amor vivo no casamento, vibrante em


nossos corações, até que a morte nos separe?

A) Não Pela Aparência

O amor ágape não deve ter base na aparência física da esposa, pois quando
ela avançar em anos (e vai avançar), quando começarem a surgir cabelos
brancos e as rugas, e ela ganhar alguns quilos a mais, o marido começará a
fazer comparações. Normalmente essas comparações são injustas. Se não
houver o verdadeiro amor pela esposa, o Eros e o filéo também
desaparecerão. O amor ágape não vive da beleza (Pv.31:30).

Cristo amou a igreja e se entregou por ela quando ela era composta de
pecadores perdidos, afastados de Deus, horríveis por causa do pecado
(Rm.5:8). Contudo, Cristo a amou incondicionalmente e continua a amá-la,
mesmo com seus pecados e falhas. O amor conjugal não pode estar enraizado
no aspecto físico da esposa, muito embora, certamente se deleite nele. O
verdadeiro amor vai além da beleza.

B) Sim, O Casamento

O verdadeiro amor se fundamenta no casamento. Popularmente, acredita-se


que é o amor que faz o casamento. Mas isso não é verdade. É o compromisso
firmado no casamento que mantém o amor. Não estamos afirmando algo
revolucionário nem que o amor mútuo não é importante para o casamento.
Biblicamente falando, o amor nunca é uma condição para que duas pessoas se
casem. Um caso conhecido é o de Isaque e Rebeca. O ponto é que, muito
embora o amor mútuo seja bastante desejável, ele não está na lista de
condições ou requisitos colocados para um casamento feliz. O principal
requisito colocado pela Bíblia é que o casamento seja feito “no senhor” (1ª
Co.7:39; 2ª Co.6:14-18).

CONCLUSÃO

O marido é o responsável primário pela felicidade e sucesso do casamento e


da família. A Bíblia ordena que os maridos amem suas esposas com base no
amor de Cristo pela Igreja e por causa da dureza do coração. O amor do
marido pela esposa possui três aspectos. O amor Eros (sexual), Filéo
(amizade), e Ágape (voluntário e incondicional). Sem anular os outros, o mais
importante é esse último. Por fim, a base do amor não está na beleza física ou
no aspecto sexual, mas no casamento. É o compromisso do casamento que
faz e sustenta o verdadeiro amor.

APLICAÇÃO

Marido ame sua esposa de todo o seu coração, desejo e vontade. Assuma a
sua responsabilidade como cabeça, líder e chefe do seu lar. Seja o provedor
espiritual, emocional e material da sua esposa e família. Quais atitudes você
pode passar a exercer para cultivar ainda mais seu amor por sua esposa?