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EXCELENTÍSSIMO(a) SENHOR(a) DOUTOR(a) JUIZ(a) DA VARA DO

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA FAZENDA PÚBLICA

ARLETO VILHENA DA SILVA, Brasileiro, casado, Policial Militar Reformado, RG


15976 PMPA, CPF 034.072.502-82, com endereço residencial na Rua Quintino
Bocaiúva n.266, Velha Marabá, Marabá Estado do Pará, CEP 68500-030; por
intermédio de seus advogados e procuradores, Claudio Marino Ferreira Dias,
inscrito na OAB/PA sob o número 24.293, Patrícia dos Santos Zucatelli, inscrita
na OAB/PA sob o número 24211, e Elines Silva Oliveira OAB/PA 24.219, vem
respeitosamente a presença de Vossa Excelência por intermédio de seus
procuradores abaixo subscritos, propor

AÇÃO DECLARATÓRIA DE ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA CUMULADA


COM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO EM PARCELAS VENCIDAS E
VINCENDAS CORRIGIDAS MONETARIAMENTE Com Pedido de Liminar
“Inaudita Altera Pars”

CONTRA

1) FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ, CNPJ nº 05.054.861/0001-76


com representação judicial na Procuradoria do Estado do Pará – FISCAL,
localizada Rua dos tamoios n. 1671 – Batista Campos, Belém Pará, Pará, CEP
66025-540; 2) INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO
PARÁ - IGEPREV, pessoa jurídica de direito público, inscrita sob o CNPJ nº.
05.873.910/0001-00, representada pela sua Procuradoria Autárquica, cujo
Procurador Chefe está localizado na Av. Alcindo Cacela, 1982- CEP 66.040-
020, Nazaré, Belém - Pará, telefone de contato:(91) 3198 - 1700, e-mail:
faleconosco@igeprev.pa.gov.br; o que faz com fulcro no artigo 6º, XIV da Lei
Federal n.º 7.713/88, pelos fundamentos fáticos e jurídicos que a seguir passará
a expender:

1. DOS FATOS

O Autor policial militar da reserva, que atualmente recebe seus proventos do


INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO PARÁ –
IGEPREV, o Autor hoje já com 72 anos foi acometido de doença de Alzheimer
de CID G30.9 e Demência não especificada CID F03 conforme laudo médico
oficial atestando ser o autor portador de Alzheimer de CID G30.9 (alienação
mental) e Demência não especificada CID F03, doenças essas prevista no Art.
6°, Inciso XIV da Lei federal nº 7713/88, com nova redação dada pelo art. 1º da
Lei 11052/2004.
O constante no artigo 6º, inciso XIV, da Lei Federal nº 7.713/88 diz que:
“Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes
rendimentos percebidos por pessoas físicas:

(...)

XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por


acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia
profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose
múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte
deformante), contaminação por radiação, síndrome da
imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina
especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída
depois da aposentadoria ou reforma;”(grifo nosso).

Ora mesmo que o autor tenha sido acometido de alienação mental após a sua
aposentadoria, o inciso XIV, do artigo 6º da lei 7.713/88 parte final, lhe garante
de forma expressa o direito à isenção do imposto de renda sobre seus proventos:
Sendo que o Autor protocolou de forma administrativa (processo 2018/190717)
requerimento para que cessasse o desconto de imposto que vinha ocorrendo em
seus vencimentos, e seu pedido foi negado pelo IGEPREV, sob alegação que
não há autorização ou determinação no sistema legal para que seja concedida
a isenção.
De forma que, o INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO ESTADO DO
PARÁ – IGEPREV, ao arrepio da lei, nunca deixou de descontar imposto de
renda dos proventos do Autor, como demonstra os contracheque do autor e as
declarações de imposto de renda juntadas a esta exordial. Por este motivo o
Autor recorre ao judiciário pra ver sanada essa injustiça e garantido o seu direito.
1.1 - ENQUADRAMENTO DE DOENÇAS NO CONCEITO DE ALIENAÇÃO
MENTAL PARA FINS DE ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.

É de conhecimento amplo que se deve interpretar “literalmente a legislação


tributária que disponha sobre outorga de isenção” (art. 111, II, CTN). Entretanto,
quando a norma que traz a isenção carece de um conceito preciso e não
possibilita, por si só, sua aplicação imediata, é necessário fazer o uso de
interpretação, para dar algum sentido à letra da lei.
Veja-se que, ao tratar de hipóteses de isenção de Imposto de Renda, a lei
7.713/88, em seu art. 6º, XIV, prevê isenção fiscal aos proventos de
aposentadoria ou reforma percebidos pelos portadores de alienação
mental. A esse respeito, é pacificado no âmbito do STJ que:
“o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus
clausus), vale dizer, restringe a concessão de isenção às situações
nele enumeradas” (REsp 1.116.620/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, 1ª
seção, julgado em 9/08/2010, DJe 25/08/2010. Acórdão submetido
ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/08). (grifo
nosso)

O mesmo precedente aponta que “revela-se interditada a interpretação das


normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando
consolidado entendimento no sentido de ser incabível interpretação
extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto
expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN”.

Em que pese o dever de homenagem à literalidade da matéria, não há como


se identificar, com exatidão, o indivíduo acometido por “alienação mental”,
conforme alude o dispositivo.

"segundo explicita a doutrina, a alienação mental não constitui, de


fato, uma doença em seu sentido estrito, mas um estado cuja
constatação depende, antes de tudo, de um diagnóstico médico
específico e afirmativo, que primeiro reconheça a existência de uma
moléstia e depois, principalmente, a sua conformação à hipótese
legalmente estabelecida" (TRF 3ª região, Órgão Especial, MS
0013142-03.2010.4.03.0000, Rel. Desembargador Federal Carlos
Muta, julgado em 14/03/2012, e-DJF3 Judicial 1 Data:20/03/2012).

Em tom elucidativo, a portaria 1.675/MPOG, de 06/10/2006, pelo seu Manual


para Serviços de Saúde dos Servidores Civis Federais, prescreve que
“alienação Mental é um estado de dissolução dos processos mentais
(psíquicos) de caráter transitório ou permanente (onde o volume de
alterações mentais pode levar a uma conduta antissocial),
representando risco para o portador ou para terceiros, impedindo o
exercício das atividades laborativas e, em alguns casos, exigindo
internação hospitalar até que possa retornar ao seio familiar. Em geral
estão incluídos nesta definição os quadros psicóticos (moderados ou
graves), como alguns tipos de esquizofrenia, transtornos delirantes e os
quadros demenciais com evidente comprometimento da cognição
(consciência, memória, orientação, concentração, formação e inteligência)”.

Entende-se que a alienação mental não será decorrência de


qualquer doença psiquiátrica, tampouco expressa uma patologia
específica, vez que reflete o estado de “alteração completa ou
considerável da personalidade, comprometendo gravemente os
juízos de valor e de realidade, bem como a capacidade de
entendimento e de autodeterminação, tornando o indivíduo inválido
total e permanentemente para qualquer trabalho (Portaria 797
MPOG, de 22/03/2010)” (TRF 3ª Região, Órgão Especial, MS
0013142-03.2010.4.03.0000, Rel. Desembargador Federal Carlos
Muta, julgado em 14/3/12, e-DJF3 Judicial 1 Data:20/3/12).
Nessa linha, é possível identificar abertura da jurisprudência à
caracterização da alienação mental a partir da constatação do Mal de
Alzheimer:
“Tendo o Tribunal de origem reconhecido a alienação mental da
recorrida, que sofre do Mal de Alzheimer, impõe-se admitir seu
direito à isenção do imposto de renda” (REsp 800.543/PE, Rel.
Ministro Francisco Falcão, 1ª turma, julgado em 16/3/06, DJ
10/4/06, p. 154), já considerada a doença espécie do gênero
“Alienação Mental” (TRF 3ª Região, Quarta Turma, Apelreex
0007896-25.2011.4.03.6100, Rel. Desembargadora Federal
Mônica Nobre, julgado em 11/6/15, e-DJF3 Judicial 1 Data:24/6/15).
(grifo nosso)

Recomendações da Portaria Normativa 1174/MD, de 06/09/2006, instituindo


o Manual do Ministério da Defesa para Perícias e Auditorias Médicas no
Distrito Federal, bem como da Portaria n. 1.675/MPOG, de 06/10/2006, pelo
seu Manual para os Serviços de Saúde dos Servidores Civis Federais,
convergem ao exigir à caracterização da alienação mental:

a) seja enfermidade mental ou neuromental;

b) seja grave e persistente;

c) seja refratária aos meios habituais de tratamento;

d) provoque alteração completa ou considerável da personalidade;

e) comprometa gravemente os juízos de valor e realidade, com destruição


da autodeterminação e do pragmatismo;

f) torne o paciente total e permanentemente inválido para qualquer trabalho;

g) haja um eixo sintomático entre o quadro psíquico e a personalidade do


paciente;

Por conseguinte, concluem ser “necessariamente casos de alienação


mental”:

a) estados de demência (senil, pré-senil, arterioesclerótica, luética,


coréica, doença de Alzheimer e outras formas bem definidas);(grifo
nosso)

b) psicoses esquizofrênicas nos estados crônicos;

c) paranoia e a parafrenia nos estados crônicos;

d) oligofrenias graves.
O enquadramento do aposentado, reformado ou pensionista em um desses
quadros clínicos, bem como em outros que possam se afigurar às
características comentadas, pode indicar a satisfação do critério jurídico de
“alienação mental” para fins de isenção de imposto de renda.

2. DO DIREITO

I. DA LEGISLAÇÃO COMPETENTE QUE REGULA A MATÉRIA

É de mister esclarecer que, o pedido de isenção do imposto de renda postulado


pelo requerente é regulado pela Lei 7.713/1988. Deveras, o requerente faz sim
jus a isenção do imposto de renda, como bem se verifica pela legislação vigente
que regula a matéria, “in verbis”:
Lei 7.713/1988 alterada pelo art. 1º da Lei 11.052/2004
“Art. 6º - Ficam isentos do imposto de renda os seguintes
rendimentos percebidos por pessoas físicas:

“XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por


acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia
profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose
múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte
deformante), contaminação por radiação, síndrome da
imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina
especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da
aposentadoria ou reforma”;(Grifou-se).

DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999(Regulamenta a tributação,


fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e
Proventos de Qualquer Natureza).
“Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:

XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que


motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos
portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação
mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira,
hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave,
doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia
grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte
deformante), contaminação por radiação, síndrome de
imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com
base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a
doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma
(Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art.
47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º)”. (Grifou-se)
Instrução Normativa SRF nº 15/2001 – Isenção de Imposto de Renda:
“Art. 5º - Estão isentos ou não sujeitos ao imposto de renda os
seguintes rendimentos:

“XII – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por


acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia
profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla,
neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e
incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson,
espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave,
estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante),
contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência
adquirida (AIDS) e fibrose cística (mucoviscidose)”.(Grifou-se)

Assim, pode-se dizer pela redação dos artigos 5º, inciso XII da Instrução
Normativa SRF nº 15/2001 e 6º, inciso XIV da Lei 7.713/1988, alterado pelo
artigo 1º da Lei 11.052/2004, acima mencionados, que o Autor faz jus a isenção
do imposto de renda, haja vista possuir quadro de ALIENAÇÃO MENTAL, e,
portanto, está sim, devidamente enquadrado no que dispõe a legislação
competente acerca do assunto.
Portanto, com base na legislação mencionada, deve ser observada e
adotada pela Autarquia Estadual, a qual remunera o autor, que o autor se
enquadra perfeitamente aos requisitos dos referidos dispositivos legais. O
que se comprova pela documentação acostada aos autos e, sobretudo pelo
conforme laudo médico oficial atestando ser o autor portador de Alzheimer
de CID G30.9 (alienação mental) e Demência não especificada CID F03 em
anexo, devendo o IGPREV se abster de realizar descontos relativo a
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE, dos proventos do Autor.
Dessa forma, o não reconhecimento a isenção do imposto de renda do autor,
seria uma violação frontal ao Ordenamento Jurídico Pátrio. Cabendo, portanto,
o ajuizamento da presente ação.

II. DO DIREITO A ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA


Com efeito, os documentos juntados ao processo são suficientes ao ensejo da
isenção pretendida, e a amparar o direito líquido e certo do autor, para admitir e
deferir a concessão da ISENÇÃO do Imposto de Renda ora postulada!
Deste modo, merece a ação ser julgada totalmente procedente! E, neste sentido
vale apena transcrever a decisão do TJPA, conforme ementa abaixo:
EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIA.
TUTELA ANTECIPADA. PRELIMINARES REJEITADAS.
DECRETAÇÃO DE INTERDIÇÃO. ALIENAÇÃO MENTAL.
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. ARTIGO 6º,
INCISO XIV, DA LEI FEDERAL Nº 7.713/88. DESCONTOS
INSTITUCIONAIS SOCIAIS. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
DE COMPELIR O ESTADO A SUSTAR AS CONTRIBUIÇOES
INSTITUCIONAIS SOCIAIS. AUSÊNCIA DE PEDIDO DE
SUSPENSÃO/CANCELAMENTO.SERVIDOR REFORMA MILITAR
REMUNERADA. NÃO COMPROVADA. 1- Cabe a Justiça
Estadual processar e julgar os feitos ajuizados por servidores
públicos estaduais que tenham por objetivo a obtenção de isenção
ou não-incidência do Imposto de Renda sobre os seus proventos.
Matéria objeto de Repercussão Geral no STF. 2- Os Estados e o
Distrito Federal são partes legítimas na ação de restituição de
imposto de renda retido na fonte proposta por seus servidores.
Súmula 447 do STJ. 3- Arquivado o processo que decretou a
interdição do agravado, cabível a isenção do Imposto de Renda
conforme legislação aplicável ao caso. 4- Os descontos
institucionais sociais (Associação de Cabos e Soldados e Aspa-
Associação dos Servidores Públicos e Autárquicos) não foram
objeto de pedido de sustação pelo agravado, tampouco o agravado
foi reformado. 5- Recurso conhecido e provido parcialmente.

(2015.01537896-32, 145.688, Rel. CELIA REGINA DE LIMA


PINHEIRO, Órgão Julgador 2ª CÂMARA CÍVEL ISOLADA, Julgado
em 2015-05-04, Publicado em 2015-05-08)(grifo nosso)

Por fim, requer desde já, seja declarado o direito do autor a ISENÇÃO do
desconto do imposto de renda retido na fonte.

3. DA ANTECIPAÇÃO DA TUTELA
Diante do direito líquido e certo do autor, como possuidor de alienação mental
conforme laudo oficial em anexo, conforme antes já relatado na exposição dos
fatos, não resta outra alternativa ao autor, senão requerer a antecipação da tutela
“inaudita altera pars” preconizada na lei, sob pena de vir continuar a sofrer os
descontos indevidos antes do término da ação.
Desse modo, tendo em vista que já foi explicitado na síntese fática que o autor
é da reserva remunerada do serviço militar, e que foi acometido de doença de
Alzheimer de CID G30.9 e Demência não especificada CID F03. Frise-se que o
Autor protocolou de forma administrativa (processo 2018/190717) requerimento
para que cessasse o desconto de imposto que vinha ocorrendo em seus
vencimentos, e seu pedido foi negado pelo IGEPREV, sob alegação que não há
autorização ou determinação no sistema legal para que seja concedida a
isenção, portanto é claro o “periculum in mora” e o “fummus boni iuris” contido
em seu direito, haja vista que o mesmo vem sofrendo descontos indevido
mensais de imposto de renda, a quase dois anos.
Ora, pois, o “fummus boni iuris” nada mais é que a aparência do bom direito, e a
plausibilidade do direito invocado, havendo esta aparência como no caso dos
autos, é mais do que suficiente para a concessão da tutela antecipada “inaudita
altera pars”. Até porque, o juízo que se faz é sumário e não exauriente. Assim, a
plausibilidade do direito invocado, está consubstanciada no diagnóstico médico
do paciente, através dos laudos e exames médicos. Tais documentos
comprovam, de forma inequívoca, que autor é dono do direito que se busca. Da
mesma forma, o “periculum in mora” é a simples possibilidade de dano,
objetivamente considerado que, contudo, deve ser grave e de difícil reparação.
Isto é, o “periculum in mora” nada mais é do que a urgência. No presente caso
ele é notório e decorre do fato de o Autor está sofrendo descontos indevidos em
seus proventos, enquanto aguarda a decisão definitiva da lide!
Com efeito, estão presentes todos os fundamentos para a concessão da
antecipação da tutela pretendida, a farta documentação especialmente o laudo
e as indicações médicas, não deixam margens à duvidas que, no caso vertente
estão presentes tanto o “fummus boni iuris” como o “periculum in mora”, e,
portanto, deve sim ser concedida a antecipação de tutela “inaudita altera pars”
ora postulada!
Outrossim, o Código de Processo Civil, também, autoriza o Juiz a conceder a
antecipação de tutela “inaudita altera pars” “existindo prova inequívoca”, in
verbis: Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 código de processo civil:
“Art. 300 - A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo.”
Bem explica o artigo 497 do Código de Processo Civil, que o juiz concederá a
tutela específica da obrigação nas ações que tenham por objeto o cumprimento
de obrigação de fazer, consoante texto a seguir: "Art. 497. Na ação que tenha
por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido,
concederá a tutela específica ou determinará providências que assegurem a
obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente.
De conformidade com o § único do artigo 497, poderá o juiz conceder a tutela
liminarmente, direito plenamente atribuível ao caso em tela, ante a robustez da
documentação acostada e veracidade dos fatos, presentes ainda a
verossimilhança das alegações e o periculum in mora:
Dessa forma, o autor requer desde já LIMINARMENTE seja imediatamente
suspenso o desconto do imposto de renda retido na fonte nos seus proventos de
reserva remunerada. Haja vista a real urgência e emergência existente “in casu”,
tendo em vista ser o autor nos moldes da lei ISENTO DO IMPOSTO DE RENDA,
que seja concedido o pedido de ANTECIPAÇÃO DE TUTELA “inaudita altera
pars”;
Por fim, requer que no mérito a liminar seja reconhecida definitivamente por
sentença, para bem declarar o direito do autor a ISENÇÃO do desconto do
imposto de renda retido na fonte.

5. DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO
O autor faz jus à repetição do indébito acrescido da devida correção monetária
e juros remuneratórios, eis que desde 2018, o Autor protocolou de forma
administrativa (processo 2018/190717) requerimento para que cessasse o
desconto de imposto que vinha ocorrendo em seus vencimentos, e seu pedido
foi negado pelo IGEPREV(carta nº088/2018, em anexo), sob alegação que não
há autorização ou determinação no sistema legal para que seja concedida a
isenção a sua reserva remunerada, até a presente data foram recolhidos
indevidamente o imposto de renda de seus proventos. Haja vista que, a Lei nº
7.713/88 instituiu a isenção do imposto de renda, a portadores de Alienação
mental.
A mens legis da isenção é justamente para não sacrificar o contribuinte que
padece dos motivos elencados no artigo 6º, inciso XIV, da Lei Federal nº
7.713/88, e que gasta demasiadamente com o tratamento, sendo exatamente
este o caso do autor.
Assim, restando demonstrado que o autor é portador de Alienação mental, o
que se comprova com os laudos médicos inclusos, e que, portanto, faz sim jus à
isenção prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988. Logo, os valores
retidos na fonte a título de imposto de renda incidentes sobre o seu benefício de
aposentadoria são indevidos e devem ser restituídos.
Cabendo, portanto, a repetição do indébito com a devida correção monetária
calculada pela SELIC, nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei 9.250/95.
É imperioso atentar para a finalidade social da norma que previu a isenção do
imposto de renda, destinada a possibilitar ao enfermo o custeio das despesas
com o tratamento da patologia, consistentes na aquisição de remédios, consultas
médicas e realização periódica de exames, providências que demandam, com
absoluta urgência, maiores recursos financeiros do que os exigidos da pessoa
sadia na mesma faixa etária.
E, nesse sentido, a jurisprudência do TRF4:
“TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LEI 7713, DE 1988.
ARTIGO 6º, XIV. CARDIOPATIA GRAVE. ARTIGO 30 DA LEI 9250.
LAUDO PERICIAL. A legislação isenta de Imposto de Renda os
proventos de aposentadoria ou reforma, para os portadores de
moléstias graves, dentre elas a cardiopatia grave. É firme a
jurisprudência do STJ (REsp 673.741/PB, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, DJ 9.5.2005 e REsp 677.603/PB, Rel. Min. Luiz Fux, DJ
25.4.2005) no sentido de que o magistrado é livre para apreciar a
prova dos autos. A regra prevista no artigo 30 da Lei nº 9250 resta
atendida se a prova produzida em juízo é suficiente para atestar a
doença que dá ensejo ao benefício”. (AC nº 007478-
88.2011.404.7000, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas
Labarrère, DJ 8/06/2012).

Por fim, cabe lembrar que o prazo para postular a restituição do indébito é de
cinco anos, a contar da data do pagamento antecipado do tributo, na forma do
art. 150, § 1º e 168, inciso I, ambos do CTN, c/c art. 3º da LC n.º 118/05. Assim,
tendo em vista a data do ajuizamento da ação e o período postulado pelo autor
(janeiro de 2018 até a data de suspensão do desconto do imposto de renda),
não há o que se falar em prescrição.
Cabendo, portanto, a condenação dos requeridos ao pagamento da restituição
do indébito em parcelas vencidas e vincendas com a devida correção monetária
a ser calculada pela SELIC, nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei 9.250/95, o que
desde já, se requer.

8. DO PEDIDO

Por todo o exposto, Requer a Vossa Excelência com a MÁXIMA URGÊNCIA:

a) LIMINARMENTE sejam os requeridos compelidos a suspenderem


imediatamente o desconto do imposto de renda retido na fonte nos proventos de
reforma do autor, sob pena da aplicação de multa diária. Haja vista a real
urgência e emergência existente “in casu”, tendo em vista ser o autor da reserva
remunerada da polícia militar do estado do Pará e portador de Alienação
mental, que seja concedido por Vossa Excelência o pedido de ANTECIPAÇÃO
DE TUTELA “inaudita altera pars”;

b) NO MÉRITO que a liminar seja reconhecida definitivamente por sentença,


para declarar o direito do autor a ISENÇÃO do desconto do imposto de renda
retido na fonte, por ser ele portador de Alienação mental. Bem como condene
as requeridas à restituição do indébito dos valores descontados indevidamente
a título de imposto de renda retido na fonte relativo ao período de janeiro de
2018 até a efetiva data de suspensão do desconto em parcelas vencidas e
vincendas, com a devida correção monetária a ser calculada pela SELIC, nos
termos do artigo 39, § 4º, da Lei 9.250/95;
c) A cominação de multa diária “astreinte” para o caso de descumprimento da
decisão liminar, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais);
d) A citação dos requeridos para, querendo, no prazo legal apresentem sua
contestação sob pena de revelia e confissão ficta;
e) Seja a ação JULGADA TOTALMENTE PROCEDENTE para, tornar definitiva
a antecipação de tutela deferida, e declarar a obrigação das Requeridas em NÃO
MAIS DESCONTAR O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DOS
PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO DEMANDANTE; Bem como sejam os
requeridos condenados a restituírem ao autor os valores descontados
indevidamente a título de imposto de renda retido na fonte, desde janeiro de 2018
em parcelas vencidas e vincendas com a devida correção monetária a ser
calculada pela SELIC, nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei 9.250/95;
f) Seja compelido o IGPREV a juntar aos autos o processo administrativo de nº
2018/190717;
g) A concessão do benefício da justiça gratuita ao autor, tendo em vista que o
mesmo não dispõe de condições financeiras para arcar com às custas
processuais, sem que isso resulte em prejuízo próprio e de sua família;

g) E, finalmente, a condenação das Requeridas, ao pagamento de custas


processuais e de honorários advocatícios no importe de 20% (vinte por cento)
sobre o valor bruto da causa, corrigidos monetariamente até o final da demanda.

Dá à causa o valor de R$ 25.494,19 (vinte e cinco mil quatrocentos e noventa e


quatro reais e dezenove centavos).

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Marabá-PA, 24 de janeiro de 2019.

CLÁUDIO MARINO FERREIRA DIAS ELINES SILVA OLIVEIRA


OAB/PA 24.293 OAB/PA 24.219

PATRÍCIA DOS SANTOS ZUCATELLI


OAB/PA 24.211