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FAMÍLIA, AULA 2

GRAUS DE PARENTESCO, PLANEJAMENTO FAMILIAR E


CASAMENTO

Prof. Luiz Eduardo Alves de Siqueira

PARENTESCO EM LINHA RETA E COLATERAL

Inicialmente, o grau e parentesco em linha reta trata dos descendentes (↓)(filhos,


netos, bisnetos, etc) e dos ascendentes (↑) (pais,avós, bisavós), e vale mencionar que,
em linha reta, os graus são contados infinitamente, não tendo sido pelo legislador
condicionado até que grau é considerado parente.
Já, o grau de parentesco em linha colateral → ←, trata-se dos (I)rmão (2º grau),
(S)obrinhos (3º grau), (T)ios e Sobrinhos (3º grau), e (P)rimos(4ºgrau), e, diferentemente
do supramencionado, em linha colateral, é considerado parente até o 4º grau, que segue
exatamente a ordem acima "I-S-T-P".
PARENTESCO POR AFINIDADE

O grau de parentesco por AFINIDADE compõe-se da seguinte maneira: em linha


reta, os graus são sucessivos e sem limitação de graus, em 1º grau ficam: sogro/sogra
e/ou padrasto e madrasta que equivalem ao pai e mãe em parentesco sanguíneo,
sucessivamente vem os avós por afinidade e assim por diante
Já, o grau de parentesco em linha colateral → ←, trata apenas dos irmãos do
cônjuge, que é o cunhado/cunhada, não há afinidade além do 2º grau.

PLANEJAMENTO FAMILIAR

Previsto pela Lei nº 9.263/96, essa norma não se restringe apenas a esterilização
ou a contracepção, mas levam em conta os diversos aspectos da saúde ligados à
concepção.
► Esterilização Voluntária:
Possibilidades (art. 10)
Capacidade civil plena e maiores de 25 anos – porém, há que analisar o art. 6º, III, da Lei nº
13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência
Pelo menos dois filhos vivos.
Quando há risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em
relatório escrito e assinado por dois médicos.

Importante:

1º) Os requisitos não são cumulativos.


2º) É condição para que se realize a esterilização, o registro da expressa manifestação
da vontade em documento escrito e firmado. O prazo entre a realização e o
procedimento compreende no mínimo 60 dias, período no qual será propiciado à pessoa
interessada o acesso a serviços especializados (fecundidade, aconselhamento, riscos
etc).
3º) É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto,
salvo nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.
4º) Não será considerada a manifestação de vontade , durante a ocorrência de alterações
na capacidade. (ex.: estar sob efeitos de bebida alcoólica, influências emocionais,
drogas e etc.).
7º) Sobre absolutamente incapazes em tese o parágrafo 6º do art. 10 não mais se aplica,
porque o Estatuto da Pessoa com Deficiência considera deficientes mentais maiores de
18 anos, plenamente capazes.

CASAMENTO

O casamento é a comunhão plena de vida entre duas pessoas com o objetivo de


constituição de família. Durante muito tempo houve divergência quanto a sua natureza,
há quem defendesse que o casamento era um mero contrato, usando de argumentação
que entre os cônjuges havia mutuas obrigações e direitos entre eles. No entanto, essa
visão para alguns cedeu lugar ao entendimento de que o casamento é uma instituição
uma vez que pelo sentimento envolvido não pode ser tratado como mero contrato. O
entendimento adotado pelo legislador brasileiro é de que a natureza jurídica é a soma
das duas, e, assim, há a teoria eclética.
Características

Trata-se de ato solene por meio de celebração formal e terminada por palavras
sacramentais. Por essa razão não comporta a menor irreverência pelos nubentes
(noivos)
Normas de ordem pública: as normas relativas ao casamento, exceto quanto aos bens,
não podem ser modificadas por convenções particulares.
Comunhão plena de vida e fidelidade recíproca, sendo também união permanente.

Não comporta em hipótese nenhuma, termo ou condição, sendo negócio jurídico puro e
simples.
Permite a escolha do nubente.

Capacidade para o Casamento

Idade Núbil Começa aos 16 anos e até os 18 é necessária


autorização dos genitores. Caso os responsáveis
se negarem a autorizar a realização do
casamento, caberá solicitar autorização judicial.
Pessoas menores de 16 anos. Apenas nos casos de gravidez mediante
autorização judicial

Obs: É importante mencionar que antigamente o casamento do estuprador com a vítima


podia extinguir a punibilidade, contudo, atualmente, se isto acontecer, o cônjuge
continuará a responder pelo crime.

ESPONSAIS

Trata-se de promessa de casamento vulgarmente conhecida por noivado. Seu


rompimento em tese não tem qualquer implicação jurídica, exceto se se deu em
condições escandalosas capazes de causarem dano ao outro esponsal. Nessas
condições o esponsal prejudicado poderá pedir indenização por danos morais ou
eventuais danos materiais se alguma despesa foi feita em face da promessa de
casamento
PROCESSO DE HABILITAÇÃO (ARTS. 1.525-32 DO CÓDIGO CIVIL)

Trata-se de fase preparatória ao casamento consistente na entrega de


documentos atualizados perante o registro civil o qual verificada a inexistência
de impedimentos expede os proclamas ou editais na circunscrição do Registro
Civil de ambos os nubentes, para informar à eventuais interessados que queiram
apresentar impugnações ao ato, findo os 15 dias os noivos receberam o
certificado de habilitação.
Obs: O rol de documentos exigidos para habilitação do casamento consta no art.
1.525.
Obs: Quando da habilitação os nubentes serão chamados a dizer se alteraram
o nome bem como a respeito do regime de bens
Obs: a eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em que foi
extraido o certificado. (art. 1531)

Da Celebração do Casamento (arts. 1.533-42 do Código Civil)

Quanto a celebração do casamento, esta pode se dar no registro civil


(sede ou cartório), templo religioso em salão de festas, sítios e afins.
Obs: A solenidade acontecerá, com toda a publicidade, a portas abertas.

Testemunhas
O número de testemunhas varia de acordo com algumas circunstâncias,
quais sejam:
1) Se o casamento ocorrer na sede (registro civil) exige-se 2 testemunhas.
2) Se o casamento ocorrer fora da sede (templo religioso, salão de festas etc)
exige-se 4 testemunhas.
3) Ainda, quanto à pessoa, se um dos nubentes for analfabeto, exige-se também
4 testemunhas. (art. 1.534, §§ 1º e 2º).
Obs: Após cumpridas as formalidades acima, os noivos são indagados se
desejam tomar um ao outro como cônjuge, e, nesse momento, se houver
qualquer negativa ou irreverência de um deles, a cerimônia fica suspensa e só
poderá ocorrer no dia seguinte. (art. 1.538).
Obs: Por fim, o casamento só se aperfeiçoa quando o juiz profere as palavras
sacramentais (art. 1.535).

ESPÉCIES DE CASAMENTO

Casamento Putativo

Casamento putativo pode ser entendido como o casamento “imaginado


válido”. Conceitua-se mais formalmente como o matrimônio que, embora
padeça de algum vício capaz de torná-lo nulo ou anulável, produz efeitos legais,
em respeito à boa-fé de um ou de ambos os consortes. Para que reste
caracterizada a putatividade do matrimônio, é indispensável a verificação da
boa-fé. O art. 1.561 do Código Civil, em seu caput, menciona a boa-fé de ambos
os cônjuges. Todavia, o parágrafo 1º do referido artigo assegura a preservação
dos efeitos do casamento nos casos em que há boa-fé de apenas um dos
consortes, a exemplo da bigamia. (art. 1561).
Obs: os efeitos serão preservados em relação à prole.

Casamento Nuncupativo, "in extremis" ou "in articulo mortis"

Casamento nuncupativo é aquele celebrado quando a pessoa está em


iminente risco de vida, não havendo tempo para habilitação, e, nesses casos,
são convocadas 6 testemunhas que não podem ser parentes dos nubentes e
que deverão, no prazo de 10 dias comparecer perante o juiz declarando o que
testemunharam. Se o magistrado se convencer que houve casamento, vem a
sentença e essa irá para o registro civil. Agora, se o enfermo convalescer, será
feita a habilitação normalmente. (art. 1.540).

Casamento em caso de Moléstia Grave

Ocorre quando a pessoa está gravemente enferma, mas ainda assim


houve tempo de fazer a habilitação e esse nubente tem a sua capacidade de
locomoção comprometida. Nesses casos, o presidente do ato irá celebrá-lo onde
se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite.
Obs: exceção à regra do art. 1.534, § 2º, no qual consta que que fora da sede
são necessárias 4 testemunhas, pois no caso de moléstia grave são exigidas
apenas 2 testemunhas que saibam ler e escrever (art. 1.539).

Casamento religioso com efeitos civis

Como se sabe, juridicamente, o único casamento admitido é o civil. No


entanto o legislador para não desprestigiar as manifestações religiosas, permite
que o casamento em templo religioso seja reconhecido como civil.

Habilitação no caso de casamento religioso com efeitos civis (arts. 1.515-


6)
Se houver habilitação prévia, essa é mostrada ao ministro de confissão
religioso, o casamento é feito, e o ministro, ou qualquer interessado (os
cônjuges), terão até 90 dias para comunicar o registro civil, e a data da certidão
retroage à da celebração
Se a habilitação ainda não tiver sido feita, e o casamento já tiver ocorrido
em âmbito religioso, os cônjuges poderão pedir a habilitação provando que a
cerimônia já aconteceu e a certidão então, retroagirá a data da celebração.

Casamento Consular

O casamento consular é aquele celebrado por brasileiro no estrangeiro


perante autoridade consular brasileira.
Obs: Se um ou os dois cônjuges voltarem ao Brasil, esse casamento deverá ser
registrado em 180 dias no registro civil do domicílio de um dos cônjuges (art.
1.544).
obs: consulado é um posto do seu Estado de origem (ex Brasil), dentro de Estado
estrangeiro (ex Portugal).
Casamento por Procuração (art. 1542)
É sabido que o casamento é, possivelmente, o instituto mais célebre do
Direito da Família, o qual ainda guarda uma série de formalidades e atos
indispensáveis na sua realização, estando disposto no Código Civil, no Livro IV
(direito de família), Título I (do direito pessoal), no Subtítulo I (do casamento),
especialmente a partir do art. 1.511.
Entrementes, é sabido que o ordenamento jurídico faculta aos nubentes
fazerem-se representar por procurador, por expressa previsão do art. 1542.
A maior exigência que se verifica é apenas que a procuração seja
constituída por instrumento público, com poderes especiais, conforme dispõe o
já citado art. 1.542.
Os poderes especiais aqui noticiados referem-se especificamente a
designação da pessoa que o mandante deseja casar, sob pena de restar
prejudicado o livre consentimento, exigido no casamento.
Caso tenha ocorrido o distrato (o sujeito não ser mais o procurador), e
mesmo assim ele realizar o casamento, este é passível de anulabilidade, pois
decorreu de alguém que não tinha poderes para isso.
Obs: cada nubente deverá ter um procurado diferente.
Obs: a revogação da procuração deverá ser feito do mesmo modo (instrumento
público).
Obs: a validade da procuração é de 90 dias.
Obs: Questão intrigante (não pacificada): se o procurador, quando do casamento
disser "não", ou agir com irreverência. Nesses casos, parece possível o pedido
de indenização.

União Estável convertida em casamento (art. 1.726)

O casal que vive em união estável pode transformar essa união estável
em casamente. É possível fazer essa transformação judicialmente, não
cabendo, assim, diretamente em registro civil.
À vista das provas apresentadas, dos dados juntados, se o pedido for
julgado procedente, é expedida a sentença, e, com ela, a certidão de casamento
com data retroativa a do início da união estável e não da época que o casal
apresentou judicialmente o pedido. Essa medida, que poderia evitar várias
discussões, não é contudo adotada, e está em desuso. Acabam havendo duas
ações "dissolução da união estável e divórcio".
Obs: quem dispõe sobre a retroatividade das certidões é a Lei de Registros
Públicos (Lei nº 6.015/1973) e as normas da Corregedoria de Justiça.