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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

MINISTÉRIO DA ECONOMIA E FINANÇAS

Cenário Fiscal do Médio Prazo 2019-2021

Maputo, Dezembro de 2018


ÍNDICE
SUMÁRIO EXECUTIVO....................................................................................................................................7
I. INTRODUÇÃO.........................................................................................................................................9
II. PERSPECTIVAS DA ECONOMIA INTERNACIONAL................................................................................ 11
2.1. Crescimento Económico Mundial............................................................................................... 11
2.2. Tendência do Comércio Internacional e de Preços das Commodities ....................................... 13
2.2.1. Comércio Internacional ...................................................................................................... 13
2.2.2. Preços das Commodities .................................................................................................... 13
2.2.3. Inflação Mundial ................................................................................................................. 15
2.3. PERSPECTIVA DA ECONOMIA NACIONAL ................................................................................... 16
2.3.1. Pressupostos Macroeconómicos ........................................................................................ 17
2.3.1.1 Produto Interno Bruto (PIB) ............................................................................................... 17
2.3.1.2 Inflação ............................................................................................................................... 19
III. OBJECTIVO MACRO-FISCAL E A POLÍTICA FISCAL (PF) .................................................................... 20
3.1. Medidas de Política Orçamental para Racionalização da Despesa e Aumento da Receita ....... 21
3.2. Principais Indicadores de Política Fiscal (PF) .............................................................................. 23
IV. PERSPECTIVAS DA RECEITA E DA DESPESA ..................................................................................... 26
4.1. Projecção da Receita Interna e Externa ..................................................................................... 26
4.2. Projecção da Despesa ................................................................................................................. 27
4.3. Equilíbrio Orçamental ................................................................................................................. 29
V. AFECTAÇÃO DE RECURSOS ................................................................................................................. 30
5.1. Critérios de Afectação ................................................................................................................ 30
5.2. Afectação Por Prioridades do PQG ............................................................................................. 31
5.3. Afectação de Recursos Por tipo de Despesa e Por âmbito ........................................................ 32
5.4. Afectação de Recursos Internos nas Áreas Económicas e Sociais .............................................. 34
VI. DÍVIDA PÚBLICA .............................................................................................................................. 36
VII. RISCOS PARA O CENÁRIO FISCAL DE MÉDIO PRAZO 2019-2021 .................................................... 37
VIII. ANEXOS........................................................................................................................................... 38

2
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Volume de Comércio Internacional ........................................................................................... 13


Tabela 2: Pressupostos Macroeconómicos ................................................................................................ 17
Tabela 3: Taxa de Crescimento dos Sectores ............................................................................................. 18
Tabela 4: Agregados Fiscais ........................................................................................................................ 21
Tabela 5: Medidas de Politica Orçamental ................................................................................................. 22
Tabela 6: Principais Indicadores de Politica Fiscal...................................................................................... 25
Tabela 7: Projecção dos Recursos Internos e Externos .............................................................................. 27
Tabela 8: Projecção das Despesas .............................................................................................................. 28
Tabela 9: Mapa de Equilíbrio Orçamental .................................................................................................. 29
Tabela 10: Afectação de Recursos por Prioridades .................................................................................... 32
Tabela 11: Afectação de Recursos por tipo de Despesa e por Âmbito ...................................................... 33
Tabela 12: Afectação de Recursos Internos nas Áreas Económicas e Sociais ............................................ 34
Tabela 13: Principais Projectos das Áreas de concentração Económicas .................................................. 35
Tabela 15: Principais Projectos das Áreas Sociais ...................................................................................... 36
Tabela 16: Divida Pública............................................................................................................................ 37
Tabela 17: Riscos Macro Fiscais e Medidas de Mitigação .......................................................................... 38

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Crescimento Económico Mundial ........................................................................................... 12


Gráfico 2: Previsão de Preços de Principais Mercadorias (em USD) .................................................... 14
Gráfico 3: Inflação Mundial ...................................................................................................................... 15
Gráfico 4: Taxa de Crescimento Económico Real e PIB Nominal .......................................................... 16
Gráfico 5: Inflação Média Anual ............................................................................................................... 20

3
LISTA DE ABREVIATURAS

AGO Apoio Geral ao Orçamento


BTs Bilhetes de Tesouro
BMPQG Balanço de Meio-termo do Plano Quinquenal do Governo
CFMP Cenário Fiscal de Médio Prazo
CGE Conta Geral do Estado
CN Contas Nacionais
DEEF Direcção de Estudos Económicos e Financeiros
DNPO Direcção Nacional de Planificação e Orçamento
DNC Direcção Nacional de Cooperação
DNT Direcção Nacional do Tesouro
DSA Análise de Sustentabilidade da Dívida
EGE’s Encargos Gerais do Estado
EMATUM Empresa Moçambicana de Atum
FAO Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
EUA Estados Unidos da América
FC Fundos Comuns
FCA Fundo de Compensação Autárquico
FDD Fundo de Desenvolvimento Distrital
FED Reserva Federal dos Estados Unidos de América
FIIA Fundo de Investimento de Iniciativa Autárquica
FMI Fundo Monetário Internacional
ICE Imposto Sobre o Consumo Específico
IDE Investimento Directo Estrangeiro
IPC Índice de Preço ao Consumidor
IRPC Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas
IRPS Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Singulares
IVA Imposto Sobre o Valor Acrescentado
INE Instituto Nacional de Estatística
MAM Mozambique Asset Management
MEF Ministério da Economia e Finanças
MF Mapa Fiscal
MT Metical
ODS Objectivos de Desenvolvimento Sustentável
OE Orçamento do Estado
OPEP Organização dos Países Exportadores de Petróleo
OTs Obrigações do Tesouro
PERPU Programa Estratégico de Redução da Pobreza Urbana
PES Plano Económico e Social
PF Política Fiscal
PIB Produto Interno Bruto
PII Programa Integrado de Investimentos
Pp Pontos Percentuais
PQG Programa Quinquenal do Governo
QM Quadro Macro
REO Relatório de Execução Orçamental
RIL´s Reservas Internacionais Líquidas
SADC Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral

4
SAJ Sectores de Administração Judicial
SISTAFE Sistema de Administração Financeira do Estado
TIP Tratamento Intermitente Presuntivo
Ton Toneladas
USD Dólar norte-americano
WEO World Economic Outlook

5
RESOLUÇÃO

CONSELHO DE MINISTROS

RESOLUÇÃO NO_________/2018

DE_________ DE_________

O Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) é um instrumento de planificação e orçamentação


trienal, através do qual são organizadas, analisadas, actualizadas e apresentadas as opções
estratégicas com o enfoque para a materialização das grandes linhas do Programa
Quinquenal do Governo (PQG).

Havendo necessidade de garantir que o processo de planificação e orçamentação nos anos


de 2019 à 2021 tenha no Cenário Fiscal de Médio Prazo um instrumento orientador na
afectação de recursos, ao abrigo do n.º 4, do artigo 210, da Constituição da República,
determino:

Artigo 1: É aprovado o Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) 2019-2021.

Artigo 2: Na elaboração do Orçamento de Estado (OE) de 2019 devem ser observados os


limites globais estabelecidos no CFMP 2019-2021, salvo se houver alterações nos
pressupostos macroeconómicos.

Artigo 3: Havendo mudanças conjunturais e estruturais nos anos subsequentes, o CFMP


2019-2021 será revisto de modo a ajustar-se à nova realidade, e as alterações efectuadas
deverão ser tomadas em consideração no Plano Económico e Social (PES) e no OE.

Aprovada pelo Conselho de Ministros, aos de Julho de 2018

Publique-se

O Primeiro-Ministro

Carlos Agostinho do Rosário

6
SUMÁRIO EXECUTIVO

1. O presente documento apresenta o Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) 2019-2021,


que tem como base para a sua elaboração “o Balanço do Meio-termo do Programa
Quinquenal do Governo (BMPQG) 2015-2019” e “os Planos Estratégicos Sectoriais e
Territoriais (PEPS) ”. Os resultados da avaliação de desempenho dos indicadores do
BMPQG, indicam que 40.4%, dos 89 indicadores avaliados, apresentam uma baixa
realização inferior a 20%, representando um risco de incumprimento.

2. O CFMP visa (i) delinear o contexto económico em que o Orçamento do Estado (OE)
para 2019 estará inserido, (ii) explicar a Política Fiscal no contexto das perspectivas
macro económicas e (iii) propor a estrutura de afectação de recursos para os próximos 3
anos, objectivando o cumprimento das metas revistas do Programa Quinquenal do
Governo (PQG) 2015-2019 por forma a alavancar a economia nacional.

3. As perspectivas de médio prazo assentam no restabelecimento da estabilidade


macroeconómica, na recuperação gradual do crescimento da economia através da
criação de condições para o aumento e diversificação da base produtiva (investimento
público e privado), maior abertura do crédito para a economia, e contenção da taxa de
inflação abaixo de dois dígitos.

4. A projecção da conjuntura internacional indica que a actividade económica global


continuará firme no presente ano (2018), e espera-se que se mantenha o forte impulso
experimentado em 2017. As projecções para 2018 e 2019 foram revistas para 3.7%, o
que reflectem, segundo o FMI, a expectativa de condições financeiras mais favoráveis ao
nível internacional, que motivará a manutenção da recente aceleração da procura, com o
destaque para o investimento, com impacto notável nas economias com grandes
exportações.

5. A nível da África Subsaariana e da SADC – espera-se uma elevação do crescimento de 3.1%


em 2018 para 3.9% em 2021.

6. A nível nacional - As mudanças climáticas, os níveis de endividamento público, os choques


cambiais sobretudo com relação ao dólar e rand tem estado a influenciar negativamente
a dinâmica do crescimento da economia nacional. O impacto destes factores pressionam
7
a revisão em baixa do crescimento da economia para 2018, dos 5.3% inicialmente
previstos no PES para 4.1%.

7. No próximo triénio, a Política Fiscal será conduzida com vista a reestabelecer a


estabilidade macroeconómica e a recuperação gradual do crescimento económico,
através da contenção do défice fiscal em 8.9% do PIB em 2021.

8. As previsões de recursos apontam para uma tendência do crescimento da receita do


Estado em 2.6pp e da despesa, em 0.3pp (2018-2019);

9. Em relação as despesas correntes, as previsões apontam para uma redução de 0.9pp do


PIB de 2018 para 2019, e um aumento das despesas de investimento em 4.0pp do PIB de
no mesmo período.

10. Neste contexto, o Governo irá, a médio prazo, envidar esforços no sentido de assegurar
maior racionalização das despesas de funcionamento e maior focalização dos
investimentos públicos em projectos de maior impacto económico e social.

8
I. INTRODUÇÃO

11. A gestão prudente da política macroeconómica e das finanças públicas com vista a
assegurar a estabilidade macroeconómica, exige uma programação eficiente de médio
prazo com base na conjugação da evolução dos principais indicadores
macroeconómicos1 nacionais e internacionais.

12. O CFMP é um instrumento de planificação de médio prazo através do qual o Governo


organiza e apresenta as opções estratégicas que visam à materialização do objetivo do
Programa Quinquenal do Governo (PQG) ao estabelecer as prioridades na realização da
despesa pública num ciclo de 3 anos. Com base na previsão das receitas e fixação dos
limites da despesa pública, fundamental para a elaboração do Plano Económico e Social
(PES) e do Orçamento do Estado (OE), este instrumento permite:
a. Promover maior disciplina fiscal e o equilíbrio macroeconómico;
b. Maior previsibilidade sobre os recursos e suas aplicações prioritárias nos
diferentes programas do Governo;
c. Maior responsabilização das decisões e dos gestores pela planificação e
orçamentação;

13. Este instrumento apresenta como objectivos: (i) Destacar as grandes linhas da política e
da estratégia do Governo, que são detalhadas e operacionalizadas pelo OE e PES; (ii)
Definir recursos e despesa pública no médio prazo; (iii) Fixar limites indicativos de
programação para a elaboração do Orçamento anual; (iv) Escolher e ajustar as opções
estratégicas mais adequadas tendo em conta a conjuntura e aspectos estruturais;

14. A base para a elaboração do CFMP 2019-2021 é o Balanço do Meio-Termo do Programa


Quinquenal do Governo (BMPQG) 2015-2019 e os Planos Estratégicos Sectoriais e
Territoriais.

15. Os Resultados (BMPQG) 2015-2019 dos primeiros dois (2) anos de implementação
mostram que, tanto os indicadores macroeconómicos como os 89 indicadores de
desempenho situaram-se fora dos parâmetros previstos no PQG:

 Nos indicadores macroeconómicos o crescimento médio situou-se em 5% dos 7


ou 8% inicialmente previstos. A inflação registou uma média de 11.4% em

1
PIB, Inflação, Taxa de câmbio e Taxa de Juro
9
relação a meta de 1 dígito definido no PQG, e para o próximo ano (2019) espera-
se uma de redução para 6.5%.
 Dos 89 indicadores de desempenho do BMPGQ 2015-2019, (i) 38.2% apresentam
um bom progresso, indicando que as suas metas poderão ser atingidas, (ii) 21.3%
registaram um desempenho razoável, havendo potencialidades para o seu
cumprimento, e (iii) 40.4 % apresentam uma realização baixa (inferior a 20%),
podendo representar um risco de incumprimento.

16. No entanto, foram identificadas acções sectoriais prioritárias para o cumprimento das
metas do PQG e o esforço financeiro necessário para a sua implementação. Foi este o
âmbito de programação do presente CFMP, visando assegurar maior racionalização das
despesas de funcionamento, e dar maior primazia a despesas de investimento
priorizando os projectos com maior impacto económico e social.

17. O presente documento está estruturado em sete (7) capítulos nomeadamente: (i)
Introdução; (ii) Perspectivas Macroeconómicas no Médio Prazo Internacional e Nacional;
(iii) Objectivo Macro Fiscal e a Política Fiscal no Médio Prazo; (iv) Perspectivas das
Receitas e Despesas; (v) Afectação de Recursos; (vi) Dívida Pública e (vii) Riscos Macro
Fiscais.

10
II. PERSPECTIVAS DA ECONOMIA INTERNACIONAL

18. As previsões do World Economic Outlook (WEO) do FMI para as principais economias
mundiais, actualizada em Outubro de 2018, indicam que a actividade económica global
continuará firme para o presente ano de 2018, e espera-se que se mantenha o forte
impulso experimentado em 2017. As projecções para 2018 e 2019 foram mantidas em
3.9% (após a revisão de Julho), e continuarão sendo impulsionadas pelo fortalecimento
do comércio e pelo estímulo fiscal norte-americano.

19. Para os anos de 2020 e 2021, prevê-se um declínio gradual do crescimento global de 3.7
para 3.8%, justificado pela manutenção do crescimento das economias avançadas em
linha com o seu crescimento potencial modesto, como resultado do fenómeno do
envelhecimento da população e a baixa produtividade, enquanto, nas economias
emergentes prevê-se uma estabilização nos níveis actuais de crescimento dado que
enfrentarão perspectivas difíceis nos próximos 5 anos para aumentar a sua renda per
capita, sobre tudo para países exportadores de commodities no Médio Oriente, África
Subsaariana, América Latina e Caribe.

2.1. Crescimento Económico Mundial

20. A nova actualização, segundo o FMI, reflecte a expectativa de condições financeiras mais
favoráveis ao nível internacional, o que motivará a manutenção da recente aceleração da
procura, com o destaque para o investimento, com impacto notável nas economias com
grandes exportações.

21. Analisando a tendência (gráfico 1), a elevação da actividade global será influenciada pelo
crescimento das economias emergentes e da África Subsahariana.

22. Para as economias avançadas, prevê-se o crescimento de 2.4%, comparados com 2.3%
de 2017 e 2.1% previstos para 2019, e desacelere de forma generalizada nos próximos
anos para 1.7% até 2021. Esta desaceleração, segundo o FMI, reflecte os efeitos da
normalização da política monetária, enfraquecimento da reforma fiscal dos E.U.A e o
abrandamento da China.

11
Gráfico 1: Crescimento Económico Mundial

4,9 4,9
4,7 4,7 4,7
3,8 3,9 3,9
2,7 3,1
2,3 2,4 2,1
1,7 1,7
3,7 3,7 3,7 3,6
3,7

2017 2018 2019 2020 2021


Mundo
Economias Avançadas
Economias Emergentes e em Desenvolvimento
Africa-Subsahariana

Fonte: FMI, WEO, Outubro de 2018

23. Segundo o FMI, as Economias Emergentes e em Desenvolvimento da Europa e Ásia,


reiniciam a sua trajectória de crescimento após anos de avanço modesto na pós-crise
global (2008-2010). As projecções apontam para uma manutenção do crescimento em
4.7% em 2018 e 2019, influenciados pelas maiores economias do grupo, a China (6.6% e
a Índia 7.4% ), respectivamente.

24. Na África Subsahariana, espera-se uma elevação do crescimento de 3.1% em 2018 para
3.8% em 2019. O ritmo moderado da expansão da economia, segundo o Banco Mundial,
reflecte a retoma gradual das três principais economias da região (Nigéria, Angola e
África do Sul). Para o FMI, a recuperação nos preços das commodities deve contribuir
para a expansão económica da região. Nos restantes, a actividade económica irá
aumentar em alguns países exportadores de metais, à medida que a produção mineira e
o investimento continuarem a crescer.

25. Embora as projecções económicas mundiais estejam em alta, existem, elementos que,
tanto o FMI como o Banco Mundial, consideram que tendem a frear este crescimento
global, destacando no geral:
(i) Estagnação do comércio mundial, sobretudo pelo proteccionismo dos E.U.A e da
China;
(ii) Ajustamento dos exportadores de commodities decorrente do declínio dos termos
de troca;
(iii) Riscos de crises nos mercados financeiros,
12
(iv) O aumento de incertezas quanto às políticas globais;
(v) Tensões geopolíticas com destaque no Médio Oriente e no leste de Ásia; e
(vi) Problemas demográficos nos países em desenvolvimento;

2.2. Tendência do Comércio Internacional e de Preços das Commodities

2.2.1. Comércio Internacional

26. A expansão da actividade económica mundial tem-se reflectido na ampliação do


comércio internacional após o longo período de baixo crescimento derivado da crise
financeira internacional. De acordo com as projecções do FMI, o volume do comércio,
poderá crescer 5.1% em 2018, e com um crescimento moderado a média anual, se
comparados antes da crise com 2.6% e 2.4% verificados em 2015 e 2016,
respectivamente.

Tabela 1: Volume de Comércio Internacional

Em Percentagem

Volume do Comercio Internacional Projecções


2016 2017 2018 2019 2020 2021
Comercio Mundo 2.4 4.9 5.1 4.7 4.3 3.9
Importações 2.5 4.8 5.4 4.9 4.5 4.0
Exportações 2.3 5.0 4.7 4.4 4.1 3.8
Importações
Economias Avançadas 2.7 4.0 5.1 4.5 3.9 3.3
Economias Emergentes e em
Desenvolvimento 2.0 6.4 6.0 5.6 5.4 5.2
Africa-Subsahariana -7.1 -0.2 7.9 5.0 5.7 4.9
Exportações
Economias Avançadas 2.2 4.2 4.5 3.9 3.6 3.3
Economias Emergentes e em
Desenvolvimento 2.5 6.4 5.1 5.3 5.0 4.6
Economias da Africa-Subsahariana 0.5 2.8 5.1 5.4 4.9 4.5
Fonte: FMI, WEO, Outubro 2018

27. Com os cortes de impostos previstos para os próximos anos nos E.U. A, espera-se que
estimule o consumo, segundo FMI, e com impacto não apenas na produção dos EUA e de
outros países exportadores (China, Alemanha).

2.2.2. Preços das Commodities

28. De acordo com as projecções da FAO para 2017-2026, espera-se que o preço do arroz
reduza em 1.0% por ano enquanto o trigo apresente um crescimento limitado do preço
13
real em menos de 1.0%. Para o preço internacional do trigo prevê-se uma tendência
moderadamente crescente, alcançando USD 212.5/t em 2021. Enquanto que, para o
preço do arroz projecta-se que permaneça sob pressão no curto prazo, reflectindo a
lenta demanda de importação. A médio prazo espera-se que os preços em termos
nominais recuperem lentamente, sustentados pela demanda crescente de países da
África, Ásia e Oriente próximo, chegando a USD 483.1/t em 2021.

Gráfico 2: Previsão de Preços de Principais Mercadorias (em USD)

600,0 100,0 2500,0


90,0
500,0
483,1 483,1 483,1
483,1 80,0 78,8
425,2 1992,3 2000,0
388,3 1913,3
400,0 70,0
71,1
60,0 1500,0
53,3
300,0 50,0
48,6
208,9 212,5 212,5 40,0 1000,0
169,1 212,5
200,0 143,2
156,2 30,0
154,8 156,2
100,0 131,4 135,0 146,6 20,0 500,0
10,0
0,0 0,0 0,0
2016 2017 2018 2019 2020 2021
2016 2017 2018 2019 2020 2021
Trigo USD/Ton
Petróleo Carvão Mineral
Arroz USD/Ton
Índice de Preços de Cereais Alumínio-esquerda

Fonte: OECD-FAO, Agricultural Outlook 2017-2026,2017 Fonte: FMI, WEO, Outubro 2018

29. As perspectivas do crescimento internacional, conjugado com os eventos climáticos nos


EUA, a extensão do acordo da OPEP e não OPEP para limitar a produção do petróleo e as
tensões geopolíticas no Médio Oriente, tem permitido a variação de preços do petróleo
bruto. Em 2017 houve um aumento de 20%, entre Agosto e meados de Dezembro, para
USD 60/Barril e algum aumento adicional em Janeiro de 2018. Espera-se que os preços
aumentem gradualmente nos próximos 2 a 3 anos, a situarem-se em USD 53.3/barril.

30. Os preços do carvão poderão entrar em retracção em 2018, após o aumento de quase 30%
em 2017, segundo o Banco Mundial. Segundo os dados do FMI os preços do carvão
sofreram uma queda em 2018 (USD 78.8) e apontam para uma redução em 2019 para
74.0 atingindo USD 71.1 em 2021. As previsões indicam que as políticas ambientais da
China serão um factor determinante nas futuras tendências dos mercados de carvão.
Enquanto o aumento dos preços dos metais poderá ficar estabilizado no próximo ano.

14
2.2.3. Inflação Mundial

31. Com a recuperação dos preços das principais commodities com destaque para o petróleo,
espera-se um ritmo maior do aumento das taxas de inflação nas economias avançadas e
nas economias emergentes e em desenvolvimento.

Gráfico 3: Inflação Mundial

12,0 11,0
10,0 8,6 8,5
7,8 7,9
8,0
6,0 5,0 5,2
4,3 4,6 4,3
3,8 3,8 3,6 3,4
4,0 3,2
1,7 2,0 1,9 2,0 2,0
2,0
0,0
2017 2018 2019 2020 2021
Mundo Economias Avançadas
Economias Emergentes e em Desenvolvimento Africa-Subsahariana

Fonte: FMI, WEO, Abril, 2018

32. Para o grupo de economias avançadas, espera-se se uma inflação de 2.0% em 2018
(E.U.A, Zona Euro, Japão) reflectindo a contínua recuperação cíclica da procura e o
aumento do preço das commodities desde a segunda metade de 2016. E perspectiva-se
que a médio prazo venha a estabilizar-se em torno de 1.9%.

33. No grupo das economias emergentes e em desenvolvimento perspectiva-se um ligeiro


aumento da inflação em 2018 alcançando os 5.0% (China, Brasil, Rússia) e a médio prazo
uma estabilização em 4.7%. Para a África Subsaariana espera-se uma redução da
inflação em 2018 para 8.6%, 2.4pp comparativamente a 2017. A médio prazo prevê-se
uma contínua redução da inflação situando-se em 8.1% em 2021. Esta redução é
resultado de política monetária restritiva como resposta da pressão inflacionária
registada neste grupo de países, que variou entre o aumento e a redução das taxas
directoras em cada país.

15
2.3. PERSPECTIVA DA ECONOMIA NACIONAL

34. A economia nacional continua a enfrentar desafios macroeconómicos derivados de


múltiplos choques que vem sofrendo desde 2015, como a variação dos preços das
commodities no mercado internacional, condições climáticas adversas, a
insustentabilidade da dívida pública, e a inflação, o que tem resultado no abrandamento
acentuado do crescimento.

35. Os resultados finais do PIB de 2017 (3.7%), apresentam uma ligeira desaceleração
quando comparado com o ano anterior de 2016 (3.8%). Esta desaceleração é explicada
pelo baixo desempenho de alguns sectores, como é o caso da construção (1.1% para -
4.6%), Electricidade e Gás (0.3% para -11.0%), e Comércio (3.4% para 2.2%) conforme
apresenta a tabela 3.

36. As perspectivas do Plano Económico e Social (PES) para 2018, indicam um crescimento
da economia em 5.3% do PIB, no entanto, os resultados do crescimento de 2017 (3.7%)
e os planos de produção dos sectores conduziram a uma revisão em baixa do
crescimento inicialmente previsto para 2018 de 5.3% para 4.1%.

Gráfico 4: Taxa de Crescimento Económico Real e PIB Nominal

1 600 000 7,0


6,6 6,4 6,5 6,6
1 400 000 6,0
5,3 5,3
5,8
1 200 000 4,7
5,0
1 398 246

1 000 000
4,1 4,0
3,8
1 248 434,0

800 000 3,7


1 110 130,3

1 120 234
1 031 886

3,0
991 655

950 666

600 000
875 261
808 815
808 815
689 616
689 616

689 213
689 213

2,0
400 000
200 000 1,0

- -
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
PIB Nominal ( Milhões de Mt) com 4,1% PIB Nominal ( Milhões de Mt) - 5,3%

Taxa de Crescimento Real (4,1%) Taxa de Crescimento Real (5,3%)

Fonte: MEF, Projecções Macroeconómicas, 2017/2018

16
37. No médio prazo, espera-se que a economia apresente um crescimento médio de 5.3%
para o período do CFMP 2019-2021, como resultado de uma consolidação fiscal gradual,
associada com a consolidação dos preços do carvão, alumínio e gás, a recuperação após o
el Niño na agricultura e os progressos das conversações de paz no País.

2.3.1. Pressupostos Macroeconómicos

Tabela 2: Pressupostos Macroeconómicos

>> Projecção <<

Cenário Recuperação do Crescimento 2017 CGE* 2018 2019 2020 2021


PIB nominal (milhões de MT) 808,815 899,402 1,006,856 1,132,293 1,291,947
Crescimento real do PIB (%) 3.7% 5.3% 6.4% 6.5% 6.9%
Inflação média anual (%) 15.3% 11.9% 6.5% 6.2% 7.0%
Taxa de câmbio média anual (MT/USD) 61.7 65.4 - - -
Cenário Crescimento Moderado >> Projecção <<
PIB nominal (milhões de MT) 808,815 921,742 1,021,028 1,135,525 1,268,951
Crescimento real do PIB (%) 3.7% 4.1% 4.7% 5.3% 5.8%
Inflação média anual (%) 15.3% 6.8% 6.5% 6.2% 6.0%
Taxa de câmbio média anual (MT/USD) 61.7 60.5 60.5 - -
Saldo Primário -1.8% -2.9% -1.8% -1.1% -0.5%
Divida Pública e Garantias (% do PIB) ** 111.90% 118.00% 119.30% 119.50% 118.00%
Fonte: MEF-Quadro Macro, 2017/2018

2.3.1.1 Produto Interno Bruto (PIB)

38. Considerando o cenário com o crescimento moderado, espera-se que em 2018 o PIB
alcance 4.1%, e que durante o período 2019–2021 atinja uma média de 5.3%. O aumento
na produção de carvão e a recuperação da agricultura contribuirão para a dinamização
da actividade económica. Enquanto os investimentos e o consumo privado, em um
ambiente de consolidação fiscal, permanecerão contidos.

39. As perspectivas de crescimento sectorial indicam que a agricultura continuará a ter um


grande peso no PIB, embora permaneça o desafio em melhorar a resiliência às condições
climatéricas. Não obstante o sector da indústria extractiva (impulsionado pela melhoria
dos preços do mercado internacional) e dos transportes e comunicações.

17
Tabela 3: Taxa de Crescimento dos Sectores

Real Jan-Jun 2018 M EF


Crescimento Sectorial (%) 2018 Lei 2019 2020 2021
2017 2018 act.

>> Projecção <<


Agricultura 4.5 4.4 5.0 5.0 5.5 5.1 5.7
Pescas 2.6 3.8 2.9 5.8 6.0 4.8 4.7
Ind. Extraç. Mineira 40.8 13.8 15.7 13.8 14.0 19.3 20.0
Industria Transformadora 0.3 5.0 2.8 1.0 3.1 2.4 1.5
Electricidade Gaz e Água -7.8 7.0 -2.6 2.0 2.0 -1.0 -1.0
Construção -12.4 3.8 -4.2 1.0 3.5 1.0 2.0
Comércio e Serv. Reparação 1.5 7.2 1.7 1.2 2.6 1.9 1.8
Hoteis e Restaurantes 0.8 5.0 0.2 2.0 3.5 -1.5 2.0
Transportes, Armazenagem e
4.3 4.9 4.0 4.5 2.8 7.3 4.4
Informação e Comunicações
Serviços Financeiros 1.1 6.1 -1.1 2.0 2.0 4.0 7.5
Alug. Imo. Serv. Prest. Emp. 1.5 4.5 1.9 1.2 3.0 3.0 4.6
Administração Publica 2.9 1.3 4.6 4.5 4.5 4.1 5.1
Educação 2.6 3.7 4.6 7.0 5.0 3.7 8.2
Saúde e Acção Social 2.7 3.6 3.2 3.6 4.5 3.6 4.9
Outros Serviços 1.9 4.3 0.7 4.6 3.0 0.5 3.3
PIB Real 3.7 5.3 3.3 4.1 4.7 5.3 5.8
Fonte: MEF-Quadro Macro

40. Agricultura: As projecções indicam que o sector agrário irá crescer em 5,5%, em 2019,
representando um crescimento em 1,1% em relação a previsão de 4,4% para 2018. Vai
contribuir para este crescimento a previsão do crescimento na produção de cereais e
raízes e tubérculos com 12% e 13% respectivamente, como resultado dos investimentos
a serem feitos na continuidade da provisão de sementes melhoradas e assistência
técnica aos produtores e actores do sector agrário.

41. Indústrias Extractivas: As indicações de produção para o sector da indústria extractiva


em 2019, apontam para um crescimento de 14,0% em relação às previsões de 2018.
Espera-se que contribuam para este crescimento o aumento significativo da produção
das areias pesadas (Tantalite, Ilmenite, e Zircão), Carvão Mineral, Rubi, Gás Natural e
Grafites.

42. Construção: Neste sector, espera-se um crescimento de 3,5%, que resultará dos
investimentos a serem realizados na construção e reabilitação das infra-estruturas
públicas e privadas.

18
43. Electricidade Gás e Água: em 2019 a produção de energia eléctrica irá registar um
ligeiro crescimento de 2,0% quando comparada com as previsões para 2018. O nível
limitado de crescimento justifica-se pelo facto de a HCB estar a produzir a níveis baixos
resultantes da crise hidrológica que se tem registado ao longo dos últimos dois anos.
44. Transporte e Armazenagem: Projecta-se na área de Transportes um crescimento de
2,8%, como resultado de investimentos nos ramos Ferroviário (15,6%), Rodoviário
(7,5%), Comunicações (6.8%) e Aéreo (5,6%).

45. Educação: Em 2019, prevê-se que este sector cresça em 5,0%, impulsionado pelo
aumento dos efectivos escolares em todos os níveis de ensino, pelos investimentos na
construção de escolas e salas de aulas em todos os níveis de ensino público e pela
distribuição massiva de carteiras escolares com vista a melhorar as condições de ensino
e apredizagem.

46. Saúde e Acção Social: Em 2019, as estimativas deste sector apontam para um
crescimento do PIB de 4,7%, a ser influenciado pelo aumento do atendimento nas
consultas externas, nos partos institucionais e nos internamentos, assim como pelo
incremento do número de beneficiários dos programas de protecção social (crianças,
pessoas idosas, pessoas com deficiência e mulheres chefes de agregado familiar) dos
diversos programas de protecção social para cerca de 608 mil agregados familiares, dos
quais:
 Cerca de 445 mil, integrados no Programa de Subsídio Social Básico;
 33 mil no Programa de Apoio Social Directo;
 7 mil em Programa de Serviços Sociais de Acção Social;
 121 mil no Programa de Acção Social Produtiva; e
 2 mil no Programa de Serviço de Acção Social

2.3.1.2 Inflação

47. Em 2017, a inflação média anual registou em alta em cerca de 15.1% (uma redução de
4.8pp comparativamente a 2016). Espera-se que esta tendência de queda venha a
verificar-se no período de 2018 a 2021 (11.9%) e (5.6%) respectivamente, como

19
resultado do reforço de coordenação de políticas monetária e fiscal, conjugado com o
aumento das exportações com destaque para o carvão e alumínio.

48. Estima-se uma inflação média anual moderada, ao longo do período, e dentro da meta de
6.5–6.0%. Uma política monetária restritiva, aliada aos esforços de consolidação fiscal
irão conter os preços internos.

Gráfico 5: Inflação Média Anual

25
19,9
20
Inflação (%)

15 15,1
11,9
10
6,5 6,5
6,7
5 5,6
3,6 5,7 5,6
0
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021
Inflação Média Anual (4.1%) Inflacao Média Anual (4.7%)

Fonte: MEF, Projecções Macroeconómicas, 2017/2018

49. Os dados mais recentes sugerem que a inflação permanecerá na ordem de um dígito,
embora com algumas pressões de preço dos combustíveis.

50. As mudanças no IPC têm um padrão cíclico, com aumentos em Outubro e reduções em
Fevereiro/Março, sugerindo que o período de safra (Junho a Agosto) e a época festiva
impactam a inflação.

51. A aplicação de reajustes mensais históricos médios aos demais meses de 2018 sugere
que a inflação média registre 6,8% em 2018. A inflação de alimentos, que contribui para
um terço da inflação global, diminuiu acentuadamente no segundo semestre de 2017 (16,
2% em Julho contra 5,6% em Dezembro); e foi negativo nos 2 meses de 2018. Com os
itens comercializáveis representando cerca de 40% da cesta de IPCs, a estabilidade do
metical em relação às principais moedas de negociação cria expectativa de aliviar os
preços.

III. OBJECTIVO MACRO-FISCAL E A POLÍTICA FISCAL (PF)

20
52. As perspectivas de médio prazo assentam no restabelecimento da estabilidade
macroeconómica, na recuperação gradual do crescimento da economia através da
criação de condições para o aumento e diversificação da base produtiva (investimento
público e privado), maior abertura do crédito para a economia, e contenção da taxa de
inflação abaixo de dois dígitos.

53. A Política Fiscal continuará com o princípio da consolidação fiscal e estará direccionada
para: (i) melhoria da arrecadação da receita interna (apostando na implementação de
reformas de Política Tributária (PT) e de modernização da administração e de
procedimentos na cobrança de receitas); (ii) a racionalização da despesa pública e, (iii)
priorização de alocação de recursos, por forma a corrigir gradualmente os desequilíbrios
fiscais.

54. No próximo triénio, a Política Fiscal será conduzida com vista a reestabelecer a
estabilidade macroeconómica e a recuperação gradual do crescimento económico
através da contenção do défice fiscal em 8.9 % do PIB em 2019.

55. Pretende-se neste período do CFMP orientar a PF no sentido de continuar a aprofundar


a consolidação fiscal por forma a alcançar a sustentabilidade orçamental e maior
controlo dos riscos fiscais, através da monitoria dos seguintes agregados fiscais.

Tabela 4: Agregados Fiscais

2018 2018 2019 2020 2021


Agregados Fiscais
Lei Ajustado Projecção CFMP
Crédito Líquido ao Governo (CLG)/PIB 0.9% 0.1% 0.5% 0.4% -0.1%
Salários & Remunerações/PIB 8.9% 9.9% 9.9% 10.1% 9.4%
Serviço da Dívida Externa/Receita do
Estado 29.1 29.1 30.7 27.7 29.1
Saldo antes de Donativos/PIB -5.6% -3.7% -5.8% -5.2% -4.8%
Saldo Primário/PIB -0.5% 1.0% 0.4% 0.3% 0.3%
Saldo Global Após Donativos/PIB -3.9% -2.4% -3.1% -4.3% -4.1%

56. Como resultado do princípio da Consolidação Fiscal, espera-se que os salários e


remunerações, mantenham-se aos mesmos níveis registados em 2018 em % do PIB.

3.1. Medidas de Política Orçamental para Racionalização da Despesa e


Aumento da Receita

21
57. O princípio de consolidação fiscal está sendo orientada para a sustentabilidade da
despesa pública e melhoria da arrecadação da receita interna, dentre outros, estando
estabelecidas como medidas de racionalização e aumento. Com base na tabela 5, pode-se
verificar que acções estão a ser implementadas e que terão impacto no período do CFMP
2019-2021.

Tabela 5: Medidas de Politica Orçamental

22
Tabela nº3 Algumas Medidas de Política Orçamental
Receita Despesa
Limitação das admissões de novos funcionários para
Implementação do Código do Imposto sobre o
administração pública, privilegiando a mobilidade de
Consumo Específico (ICE), visando promover a
quadros, com excepção educação (Professores
saúde pública, protecção ambiental e promoção da
primários), Saúde (enfermeiros) e Agricultura
industrialização local;
(extensionistas);
Implementação da Pauta Aduaneira, visando
Contenção da rubrica "Outras Despesas com Pessoal "
promover a indústria nacional com destaque para
através da racionalização das deslocações em missão de
a Pesqueira, a Gráfica, de Cimento, Energética e
serviço;
Têxtil;
Introdução da Taxa de Serviços de marcação de Contenção da rúbrica " Bens e Serviços ", com
combustíveis para melhor controlo da utilização particular enfoque para os gastos com arrendamento do
interna de combustível e das Reexportações; imóvel, combustíveis e comunicações;
Arrendamento de imóveis por conta do Estado:
(i) Para habitação o pagamento da renda não deve
Implementação dos Novos Regimes específicos de exceder periodo de 12 meses e o valor maximo
Tributação e Beneficíos fiscais das operações 120.000,00Mt;
petrolíferas e da actividade mineira; (ii) Para Instalação e funcionamento de serviços de
administração pública não deve exceder o valor de
1.800,00Mt/m^2
Prosseguimento do processo de introdução da
Subsídio de renda de casa fixado em 30% sobre o
venda à dinheiro eletrónica (Máquinas Fiscais) em
vencimento base do beneficiário com direito a habitação
substituição gradual do tradicional talão de vendas,
por conta do Estado
emitido por máquinas registradoras;
Combustivel para viaturas de afectação individual, fixado
em:
Consolidação da da medida de selagem de bebidas
(i) 5.000,00Mt mensais para dirigentes superiores do
e tobaco manufacturado com impacto na redução
Estado;
dos níveis de desvios e contrabando.
(ii) 2.000,00Mt mensais para os demais beneficiários
deste direito.
Adiamento de projectos de : (i) apoio institucional
administrativo; (ii) reabilitação e de construção de
edificios público;(iii) investimento novos e não
iniciados e (iv)acções deapetrechamento ;
Racionalização de seminários, reuniões sectoriais
incluindo o acolhimento de eventos sectoriais.
Reestruturação de fundos e institutos publicos, visando a
racionalização de custos e maximização de sua utilidade
Assegurar a sustentabilidade da divida pública através da
Gestão rigorosa e resstruturação
Focalização da afectação de recursos de investimento
público para as acções estratégicas que assegurem a
dinamização da economia

3.2. Principais Indicadores de Política Fiscal (PF)

58. Os indicadores de Política Fiscal (PF) são de capital importância, pois, aumenta a
credibilidade dos agentes económicos e de mercado, bem como abre espaço para
definição de uma política fiscal articulada aos objectivos de Governo.

59. As projecções dos indicadores de PF, são apresentadas com base em 2 cenários distintos
(Cenário 1: Recuperação do Crescimento e Cenário 2: Crescimento Moderado), conforme
a tabela 6.

23
60. Através da tabela 6, olhando para o cenário 2, verifica-se que as Receitas do Estado
crescem em termos reais de 2018 para 2019 e continuam a crescer mas a ritmos
decrescentes nos anos subsequentes. Enquanto as despesas correntes apresentam uma
tendência decrescente, a médio prazo. No entanto estes dados mostram que o Estado
poderá arrecadar receita suficiente para realizar as suas despesas correntes.

61. O Saldo Primário é definido como a diferença entre a receita e despesa excluindo os
juros, ou é o saldo global subtraindo os juros. Este indicador mostra quanto o governo
conseguiu ou não economizar ao longo de um período, com vista ao pagamento de juros
sobre a sua divida.

62. De acordo com o primeiro cenário pode-se depreender que o saldo primário mostra-se
positivo a partir de 2019, em relação ao PIB, com uma tendência a aumentar. No entanto,
embora o Saldo Primário se mostre positivo, a poupança efectuada não será suficiente
para fazer face ao pagamento dos juros e implicará numa despesa maior em cada ano,
pois os juros não pagos serão somados ao valor seguinte a ser pago.

24
Tabela 6: Principais Indicadores de Politica Fiscal

2018 2019 2020 2021


Indicadores Fiscais
Projecção
Cenário 1: Recuperação do Crescimento Em % do PIB
Receitas e Donativos 24.2% 26.9% 27.1% 27.1%
Receitas do Estado 22.5% 25.1% 25.5% 25.6%
Donativos 1.8% 1.8% 1.6% 1.5%

Despesa Total e Empréstimos Líquidos 28.1% 30.5% 30.0% 29.3%


Despesa Corrente 18.6% 21.1% 20.4% 19.5%
Encargos da Divida 3.3% 4.0% 3.8% 3.6%
Despesa de Investimento 8.2% 8.0% 8.3% 8.6%
Empréstimos Líquidos 1.4% 1.4% 1.3% 1.2%

Saldo Global após Donativos -3.9% -3.7% -2.9% -2.2%


Saldo Primário -0.5% 0.3% 0.9% 1.4%
Divida Publica 114.4% 111.8% 108.8% 103.5%
Cenário 2: Crescimento Moderado Em % do PIB
Receitas e Donativos 23.1% 27.2% 24.6% 24.3%
Receitas do Estado 21.8% 24.4% 23.8% 23.6%
Donativos 1.3% 2.7% 0.8% 0.7%

Despesa Total e Empréstimos Líquidos 29.9% 30.2% 28.9% 28.4%


Despesa Corrente 20.9% 19.3% 19.4% 18.6%
Encargos da Divida 4.1% 3.4% 4.0% 4.3%
Despesa de Investimento 6.0% 10.0% 6.2% 6.3%
Empréstimos Líquidos 3.1% 0.9% 3.3% 3.4%

Saldo Global após Donativos -6.8% -3.1% -4.3% -4.1%


Saldo Primário -2.7% 0.4% 0.3% 0.3%
Divida Publica 118.0% 119.3% 119.5% 118.0%
Fonte: Mapa Fiscal, 2017/2018

63. O cenário moderado (4.7% para 2019) pressupõe que as medidas de consolidação fiscal
poderão melhorar o saldo primário gradualmente de -2.7% em 2018 para 0.4% em 2019.

64. As receitas contribuíram para melhorar a posição fiscal, particularmente em termos de


reformas de políticas e administração tributária, para uma maior e eficaz mobilização de
receitas internas. O cenário moderado assume que a contenção da despesa primária irá
dominar o ajuste (despesa com pessoal, despesa com bens e serviços, priorização na
afectação de recursos, entre outros).

65. Os gastos com os juros e encargos da dívida são superiores, em cada ano, aos valores
obtidos no saldo primário. E isto indica que a dívida pública tenderá a crescer, na
medida em que os juros não pagos serão somados aos valores da dívida anterior. Sendo

25
superior o valor dos juros ao resultado primário significando que estão a ser pagos por
refinanciamento, o que provoca o aumento da dívida.

66. Portanto, o governo necessitará de um saldo primário superior (conseguirá pagar os


juros e uma parte do saldo dos empréstimos, diminuindo deste modo a dívida ao longo
do tempo) ou igual (conseguirá pagar os juros da dívida e esta tenderá a ser constante ao
longo do tempo) a despesa com juros da dívida, em todos os cenários e em todo os anos.

67. No entanto, o cenário 2 “Crescimento Moderado” será o assumido para apresentar o


CFMP 2019-2021, dado que o crescimento económico do país no primeiro e segundo
trimestre dá uma indicação positiva na contribuição dos sectores para o PIB. Embora
seja o sector primário com o melhor desempenho sobretudo a indústria extractiva (14%)
que depende dos preços no mercado internacional (tornando volátil).

IV. PERSPECTIVAS DA RECEITA E DA DESPESA

68. O CFMP faz a projecção das despesas em função dos recursos disponíveis para cada ano
do período. Deste modo, surge a necessidade da sua actualização anual, dado que a
disponibilidade de recursos é dinâmica e sensível a mudanças que ocorram no ambiente
político, económico e social, quer seja a nível nacional ou internacional (sobretudo nos
países parceiros).

4.1. Projecção da Receita Interna e Externa

69. A tabela 7 abaixo, mostra o montante de Recursos Internos e Externos e a sua projecção
no período 2019–2021. E pode-se verificar que o total de recursos programados entre
2019 e 2021, passou de 340.414,7 milhões de meticais para 417.862,7 milhões de
meticais, que representam em média 33% do PIB. Os Recursos Internos para 2019
representam 26.3% do PIB, um aumento de 1.9pp, comparativamente a 2018. E os
Recursos Externos representam 7% do PIB, um aumento de 0.9pp, comparativamente a
2018.

70. Nos recursos internos, as Receitas do Estado na componente (receitas fiscais) continuam
a ser a maior fonte de receita entre 2019 e 2021, com o peso médio de 80.1% do total
conjunto das receitas. E neste período será impulsionada pela continuidade de reformas

26
fiscais e melhoria dos procedimentos de cobrança de receitas, como a fiscalização da
selagem de bebidas e tabaco manufacturado, bem como de mercadorias nos
estabelecimentos comerciais, que influenciará numa maior arrecadação dos grandes
impostos (IVA, IRPC, IRPS, ICE, Imposto sobre a produção de minas e petróleo).

Tabela 7: Projecção dos Recursos Internos e Externos

2017 2018 2018 2019 2020 2021 2017 2018 2019 2020 2021
Em Milhões de Meticias
REO Lei Projecçao Em % do PIB
1. Receitas fiscais 172,872.3 186,796.8 167,135.4 206,355.9 226,683.8 249,112.6 18.8% 18.8% 20.2% 20.0% 19.6%
Impostos sobre Rendimentos 97,578.8 81,309.0 82,022.1 102,100.9 110,025.4 120,547.0 10.6% 8.2% 10.0% 9.7% 9.5%
IRPS 29,664.6 35,376.9 36,219.4 35,881.1 45,188.4 49,828.4 3.2% 3.6% 3.5% 4.0% 3.9%
IRPC 66,944.9 44,312.4 45,393.0 65,525.8 63,973.0 69,673.0 7.3% 4.5% 6.4% 5.6% 5.5%
Imposto especial sobre o Jogo 969.2 1,619.7 409.7 694.0 864.0 1,045.7 0.1% 0.2% 0.1% 0.1% 0.1%
Impostos sobre Bens e Serviços 68,466.4 96,389.2 76,869.6 95,942.2 107,945.7 116,764.9 7.4% 9.7% 9.4% 9.5% 9.2%
Outros Impostos 6,827.0 9,098.5 8,243.7 8,312.7 8,712.7 11,800.7 0.7% 0.9% 0.8% 0.8% 0.9%
2. Receitas não fiscais 4,446.8 9,578.8 10,585.0 5,703.6 7,735.0 8,715.0 0.5% 1.0% 0.6% 0.7% 0.7%
3. Receitas consignadas 15,478.3 14,274.2 13,131.2 17,462.3 18,431.2 21,331.2 1.7% 1.4% 1.7% 1.6% 1.7%
4. Receitas Próprias 4,326.8 7,772.1 5,610.1 6,800.9 9,450.1 11,450.1 0.5% 0.8% 0.7% 0.8% 0.9%
5. Receitas de Capital 16,098.8 4,437.7 4,926.6 13,179.3 7,423.8 8,993.8 1.7% 0.4% 1.3% 0.7% 0.7%
6. Total Receitas Correntes (1+2+3+4) 197,124.1 218,421.9 196,461.8 236,322.7 262,300.2 290,609.0 21.4% 22.0% 23.1% 23.1% 22.9%
7. Total Receita do Estado (5+6) 213,222.9 222,859.7 201,388.4 249,502.0 269,724.0 299,602.8 23.1% 22.5% 24.4% 23.8% 23.6%
8. Credito Interno 21,199.7 19,203.3 18,634.3 19,447.3 24,528.2 19,354.6 2.3% 1.9% 1.9% 2.2% 1.5%
9. Donativo Interno 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%
10. Total Recursos Internos (7+8+9) 234,422.6 242,063.0 220,022.6 268,949.3 294,252.1 318,957.4 25.4% 24.4% 26.3% 25.9% 25.1%
11. Donativos Externos 16,302.1 17,372.7 11,586.1 27,740.5 17,782.9 17,202.9 1.8% 1.8% 2.7% 1.6% 1.4%
Projectos de Investimento 8,874.0 12,511.2 10,401.4 23,227.1 16,627.2 16,127.2 1.0% 1.3% 2.3% 1.5% 1.3%
Programas Especiais 7,428.1 4,861.5 1,184.8 4,513.5 1,155.8 1,075.8 0.8% 0.5% 0.4% 0.1% 0.1%
Contravalores (Apoio ao Orçamento) 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%
12. Crédito Externo 43,359.7 43,492.5 39,135.1 43,724.9 69,366.1 81,702.3 4.7% 4.4% 4.3% 6.1% 6.4%
Projectos de Investimento 17,760.8 30,337.9 10,635.1 34,561.6 32,115.1 38,550.1 1.9% 3.1% 3.4% 2.8% 3.0%
Contravalores 25,598.9 13,154.6 28,500.0 9,163.3 37,251.0 43,152.3 2.8% 1.3% 0.9% 3.3% 3.4%
Apoio Directo ao Orçamento 482.7 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.1% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%
Acordos de Retrocessão 25,116.2 13,154.6 28,500.0 9,163.3 37,251.0 43,152.3 2.7% 1.3% 0.9% 3.3% 3.4%
13. Total Recursos Externos (11+12) 59,661.8 60,865.2 50,721.2 71,465.5 87,149.0 98,905.3 6.5% 6.1% 7.0% 7.7% 7.8%

14. Total de Recursos (10+13) 294,084.4 302,928.1 270,743.8 340,414.7 381,401.2 417,862.7 31.9% 30.5% 33.3% 33.6% 32.9%
Fonte:Mapa Fiscal, 2017/ 2018

4.2. Projecção da Despesa

71. A definição de medidas de racionalização da despesa pública e identificação de acções


prioritárias na afectação de recursos a nível dos sectores de actividades económicas e
sociais, conduzem a uma expectativa de redução da despesa corrente primária (em
termos do PIB) entre 2019 e 2021.

27
Tabela 8: Projecção das Despesas

Em Milhões de Meticias 2017 2018 2018 2019 2020 2021 2017 2018 2019 2020 2021

CGE LEI Projecção Em % do PIB


1. Despesa com Pessoal 85,088.4 92,344.5 96,248.0 112,024.5 115,071.5 120,935.5 10.5% 9.3% 11.0% 10.1% 9.5%
Salários e Remunerações 82,468.4 88,420.4 92,323.9 107,844.4 110,506.4 116,049.4 10.2% 8.9% 10.6% 9.7% 9.1%
Outras Despesas com Pessoal 2,620.0 3,924.1 3,924.1 4,180.1 4,565.1 4,886.1 0.3% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4%
Contribuição Social 0.0 0.0 0.0 4,700.0 0.0 0.0 0.0% 0.0% 0.5% 0.0% 0.0%
2. Bens e Serviços 22,015.2 29,900.9 29,900.9 24,015.2 33,877.9 36,009.9 2.7% 3.0% 2.4% 3.0% 2.8%
3. Encargos da Dívida (juros) 18,019.6 33,195.2 38,110.7 36,897.7 45,975.4 43,993.4 2.2% 3.3% 3.6% 4.0% 3.5%
Dívida Interna 8,679.6 19,774.2 20,306.9 24,998.8 26,875.4 22,570.4 1.1% 2.0% 2.4% 2.4% 1.8%
Dívida Externa 9,340.0 13,421.0 17,803.9 11,898.9 19,100.0 21,423.0 1.2% 1.4% 1.2% 1.7% 1.7%
4. Transferências Correntes 20,422.0 26,194.7 25,571.7 25,293.4 30,714.2 33,244.9 2.5% 2.6% 2.5% 2.7% 2.6%
Administração Pública 4,175.8 4,406.9 3,782.9 4,482.9 5,558.7 6,202.3 0.5% 0.4% 0.4% 0.5% 0.5%
Administração Privada 507.8 543.5 544.5 590.5 643.2 688.3 0.1% 0.1% 0.1% 0.1% 0.1%
Famílias 15,003.6 20,534.3 20,534.3 17,560.0 23,764.3 25,571.3 1.9% 2.1% 1.7% 2.1% 2.0%
Exterior 734.8 710.0 710.0 2,660.0 748.0 783.0 0.1% 0.1% 0.3% 0.1% 0.1%
5. Subsídios 2,049.6 735.5 735.5 800.9 762.5 738.5 0.3% 0.1% 0.1% 0.1% 0.1%
6. Outras Despesas Correntes 502.5 1,175.7 1,208.7 1,250.0 330.1 373.1 0.1% 0.1% 0.1% 0.0% 0.0%
7. Exercicios Findos 472.2 125.0 125.0 135.0 162.0 187.0 0.1% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%
8. Despesas de Capital 154.8 365.5 365.5 387.5 449.5 492.5 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%
9. Despesa Corrente Primari (1+2+4+5+6+7)130,550.0 150,476.4 153,789.9 163,519.0 180,918.2 191,488.9 16.1% 15.2% 16.0% 15.9% 15.1%
10. Despesa de Funcionamento (3+8+9) 148,724.4 184,037.1 192,266.1 200,804.2 227,343.1 235,974.9 18.4% 18.6% 19.7% 20.0% 18.6%
11. Investimento Interno 23,073.6 33,694.7 33,650.7 29,431.7 40,111.7 46,176.7 2.9% 3.4% 2.9% 3.5% 3.6%
12. Investimento Externo 34,062.9 47,710.6 22,221.2 26,231.9 48,687.2 54,054.1 4.2% 4.8% 2.6% 4.3% 4.3%
13. Despesas de Investimento (11+12) 57,136.5 81,405.3 55,871.9 55,663.6 88,798.9 100,230.8 7.1% 8.2% 5.5% 7.8% 7.9%
14. Operações Financeiras 44,652.8 37,485.8 69,244.7 58,343.3 74,418.6 84,090.3 5.5% 3.8% 5.7% 6.6% 6.6%
15. Despesas Totais (10+13+14) 250,513.6 302,928.1 317,382.7 314,811.1 368,560.5 395,296.0 31.0% 30.5% 30.8% 32.5% 31.2%
Fonte:Mapa Fiscal, 2017/2018

72. Nas despesas de funcionamento, prevê-se uma redução na rubrica salários e


remunerações de 10.6% em 2019 para 9.1% do PIB em 2021. Esta tendência poderá ser
relacionada com a limitação das admissões de novos funcionários para administração
pública privilegiando a mobilidade de quadros.

73. As despesas de bens e serviços irão registar uma redução de 0.1pp do PIB entre 2019 e
2021. Esta tendência poderá mostrar o efeito das medidas de contenção sobretudo para
as despesas com combustíveis, comunicações e passagens aéreas para dentro e fora do
país.

28
74. Com a actual conjuntura económica, caracterizada por níveis insustentáveis da dívida
pública, espera-se um ritmo crescente dos juros da dívida de 3,6% e 4,0% do PIB entre
2019 e 2020, registando um abrandamento para 3.5% em 2021.

75. Em termos de investimento prevê-se que haja uma tendência crescente, variando de 5.5%
do PIB em 2019 para 7.9%do PIB em 2021.

4.3. Equilíbrio Orçamental

76. Para garantir a estabilidade económica e monetária, e assegurar a sustentabilidade do


financiamento das despesas públicas, é necessário que se garanta o equilíbrio
Orçamental. O equilíbrio orçamental traduz-se na capacidade de financiamento das
despesas públicas através dos recursos internos e externos. A tabela 9 ilustra como os
recursos totais serão utilizados para realizar as despesas do Estado, no período de 2019-
2021.

Tabela 9: Mapa de Equilíbrio Orçamental

2017 2018 2019 2020 2021 2017 2018 2019 2020 2021
Em Milhões de Meticias
REO Lei Projecção Em % do PIB
Total de Recursos 294,084.4 302,928.1 340,414.7 359,401.2 392,862.7 36.4% 30.5% 33.3% 31.7% 31.0%
Recursos Internos 234,422.6 242,063.0 268,949.3 294,252.1 318,957.4 29.0% 24.4% 26.3% 25.9% 25.1%
Receita do Estado 213,222.9 222,859.7 249,502.0 269,724.0 299,602.8 26.4% 22.5% 24.4% 23.8% 23.6%
Credito Interno 21,199.7 19,203.3 19,447.3 24,528.2 19,354.6 2.6% 1.9% 1.9% 2.2% 1.5%
Donativo Interno - - - - - 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%
Recursos Externos 59,661.8 60,865.2 71,465.5 87,149.0 98,905.3 7.4% 6.1% 7.0% 7.7% 7.8%
Donativos 16,302.1 17,372.7 27,740.5 17,782.9 17,202.9 2.0% 1.8% 2.7% 1.6% 1.4%
Credito Externo 43,359.7 43,492.5 43,724.9 69,366.1 81,702.3 5.4% 4.4% 4.3% 6.1% 6.4%
Total de Despesas incl. Ope. Financ. 250,513.6 302,928.1 340,414.7 351,087.6 384,799.1 31.0% 30.5% 33.3% 30.9% 30.3%
Despesas de Funcionamento 148,724.4 184,037.1 196,592.6 220,115.1 236,466.6 18.4% 18.6% 19.3% 19.4% 18.6%
Despesas de Investimento 57,136.5 81,405.3 102,320.1 70,674.4 80,439.5 7.1% 8.2% 10.0% 6.2% 6.3%
Investimento Interno 23,073.6 33,694.7 40,017.9 29,090.0 32,750.1 2.9% 3.4% 3.9% 2.6% 2.6%
Investimento externo 34,062.9 47,710.6 62,302.1 41,584.4 47,689.4 4.2% 4.8% 6.1% 3.7% 3.8%
Operações Financeiras 44,652.8 37,485.8 41,502.0 82,298.1 92,893.0 5.5% 3.8% 4.1% 7.2% 7.3%
Fonte: Mapa Fiscal, 2017/2018

77. Na tabela acima, consta que o volume total dos recursos no período de 2019-2021, passa
de 340,414.7 para 395,862.7 milhões de meticais. Estes montantes serão garantidos em
média em 83.2% do PIB pelos recursos internos e 20.9% pelos recursos externos. O
valor total de recursos abrange todas as despesas do Estado incluindo as operações
financeiras. Portanto, apenas parte desta será alocada para as despesas sectoriais e
territoriais.

29
78. Conforme se pode observar do Quadro de Equilíbrio Orçamental, a previsão da Despesa
em 2019, iguala o total de recursos, no montante de 340.414,7 milhões de MT, sendo que,
as Despesas de Funcionamento alcançarão 196.592,6 milhões de MT, as de Investimento
102.320,1 milhões de MT e as Operações Financeiras, o montante de 41.502,0 milhões
de MT, equivalentes a 19,3%, 10,0% e 4,1% do PIB, respectivamente, assegurando-se
deste modo o princípio do Equilíbrio Orçamental.

V. AFECTAÇÃO DE RECURSOS

5.1. Critérios de Afectação

79. A conjuntura económica do País provocada por factores internos e externos coloca
grandes desafios a nível do Orçamento do Estado (maior arrecadação de receitas e
racionalização das despesas) e da programação das despesas a médio prazo. Deste
modo, surge a necessidade de fortalecer a ligação entre afectação de recursos e os
resultados que se pretendem alcançar.

80. Neste contexto, a afectação de recursos para a realização das despesas no triénio 2019-
2021, será orientada com vista ao alcance e manutenção de um equilíbrio orçamental
sustentável a médio e longo prazo. E continuará a priorizar os sectores económicos e
sociais, que providenciam serviços básicos a população (Saúde, Educação, Acção social,
Água e saneamento e Justiça) e as áreas com potencial para gerar novas dinâmicas
económicas e produtivas, bem como rendimentos adicionais a curto e médio prazo
(Agricultura, Infra-estruturas, Energia, Transporte e Comunicações).

81. E tomará como bases as acções estratégicas sectoriais, definidas no âmbito do Balanço
do Meio-Termo do PQG, por forma a assegurar o cumprimento das metas do PQG, uma
maior racionalização da despesa pública e um maior impacto económico e social.

82. Para o presente CFMP foram utilizados os seguintes critérios:

80.1 Para o nível Central, os A afectação de recursos para a realização das despesas
no triénio 2019-2021, observou a orientação com vista ao alcance e manutenção de
um equilíbrio orçamental sustentável a médio e longo prazo, e priorizou:

30
 As acções estratégicas sectoriais, definidas no âmbito do Balanço do Meio-
Termo do PQG, por forma a assegurar o cumprimento das metas do PQG;

 Os sectores económicos e sociais, que providenciam serviços básicos a


população (Saúde, Educação, Acção social, Água e saneamento e Justiça) e as
áreas com potencial para gerar novas dinâmicas económicas e produtivas,
bem como rendimentos adicionais a curto e médio prazo (Agricultura, Infra-
estruturas, Energia, Transporte e Comunicações);

 Outras acções sectoriais para o cumprimento dos planos estratégicos


sectoriais.

80.2 Para o nível Provincial, a fixação de limites tomou como base a análise
situacional, tendo em conta a População por Província e no Índice da Pobreza
Multidimensional por Província, cujos ponderadores são listados:
(i) População: 70%;
(ii) Índice da Pobreza Multidimensional: 30% (Consumo – 30%; Água e
Saneamento – 30%; Saúde – 20%; Educação – 20%).

80.3 Para o nível Distrital, foram destinados recursos para a componente de


investimento nos programas do Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) e de
Infra-estruturas Distritais, obedecendo os seguintes critérios:
(i) População 35%;
(ii) Superfície 20%;
(iii) Receitas Próprias Distritais 15%;
(iv) Índice Multidimensional da Pobreza 30%.

5.2. Afectação Por Prioridades do PQG

83. Os resultados da avaliação de desempenho dos indicadores do PGQ 2015-2019, nos 2


anos da sua implementação, mostram que dos 89 indicadores avaliados, 38.2% tem um
bom progresso, indicando que as suas metas poderão ser atingidas. No entanto, 21.3%
registaram um desempenho razoável, havendo potencialidades para o seu
cumprimento, e 40.4 % apresentam uma realização baixa, inferior a 20%,
representando um risco de incumprimento.

31
Tabela 10: Afectação de Recursos por Prioridades

Em Milhões de MT
Prioridades e Pilares 2017 LEI 2018 LEI 2019 2020 2021
Prioridade I - Consolidar a Unidade Nacional, Paz e Soberania 25.449,0 21.065,9 28.001,9 37.221,4 49.476,6
Prioridade II - Desenvolver o Capital Humano e Social 87.649,4 40.053,3 41.050,4 42.072,3 43.119,7
Prioridade III - Promover o emprego e melhorar a produtividade e competividade 12.270,4 5.099,0 6.671,5 8.729,0 11.421,0
Prioridade IV - Desenvolver infraestruturas economicas e sociais 20.503,3 38.379,7 84.560,1 105.700,2 132.125,2
Prioridade V - Assegurar a gestao sustentavel e transparente dos recursos naturais e do ambiente 4.807,5 4.041,9 9.554,6 22.586,3 53.392,1
Pilar I - Consolidar o Estado de Direito, Boa Governacao e Descentalizacao 37.083,7 20.890,3 22.456,3 24.139,8 25.949,5
Pilar II - Promover um ambiente Macro-Economico e Sustentavel 82.228,3 89.225,4 52.501,1 57.751,2 63.526,4
Pilar III - Reforcar a Cooperacao Internacional 2.297,2 2.135,5 2.286,6 2.448,3 2.621,6
TOTAL 272.288,80 220.890,86 247.082,52 300.648,62 381.632,03
Prioridades e Pilares Em % do PIB
Prioridade I - Consolidar a Unidade Nacional, Paz e Soberania 3,2% 2,1% 2,7% 3,3% 4,0%
Prioridade II - Desenvolver o Capital Humano e Social 10,9% 4,0% 4,0% 3,8% 3,5%
Prioridade III - Promover o emprego e melhorar a produtividade e competividade 1,5% 0,5% 0,7% 0,8% 0,9%
Prioridade IV - Desenvolver infraestruturas economicas e sociais 2,6% 3,9% 8,3% 9,5% 10,7%
Prioridade V - Assegurar a gestao sustentavel e transparente dos recursos naturais e do ambiente 0,6% 0,4% 0,9% 2,0% 4,3%
Pilar I - Consolidar o Estado de Direito, Boa Governacao e Descentalizacao 4,6% 2,1% 2,2% 2,2% 2,1%
Pilar II - Promover um ambiente Macro-Economico e Sustentavel 10,2% 9,0% 5,1% 5,2% 5,2%
Pilar III - Reforcar a Cooperacao Internacional 0,3% 0,2% 0,2% 0,2% 0,2%
TOTAL 33,9% 22,3% 24,2% 26,9% 31,0%
Fonte: OE 2017/2018, Projecção do CFMP 2019-2021

84. O CFMP 2019-2021 buscou a consistência e o alinhamento das acções propostas pelos
sectores em função das prioridades e pilares preconizadas no âmbito do balanço do
meio-termo do PQG para o cumprimento das metas do programa.

85. Para 2019, perspectiva-se que a Prioridade IV (Desenvolver Infra-estruturas Económicas e


Sociais) absorva mais recursos, dado que se busca pelo restabelecimento da estabilidade
macroeconómica, e recuperação gradual da economia através da criação de condições
para o aumento e diversificação da base produtiva (investimento público e privado),
maior abertura do crédito para a economia, e contenção da taxa de inflação abaixo de
dois dígitos.

5.3. Afectação de Recursos Por tipo de Despesa e Por âmbito

86. A afectação de recursos por tipo de despesa (Funcionamento e Investimento) e por


âmbito estão apresentadas na tabela 11. As despesas a nível central representam a
maior parcela do orçamento total em relação aos outros níveis, uma vez que foram
centralizadas as Universidades e os Sectores de Administração Judicial, entretanto, as

32
programações continuam a ser feitas nas províncias. Os recursos alocados para cada
nível representam apenas Recursos Internos.

Tabela 11: Afectação de Recursos por tipo de Despesa e por Âmbito

Em Milh ões de MT
2017 2018 2019 2020 2021 2017 2018 2019 2020 2021
Nível
REO Ajustado OE «Projecção» REO Ajustado«Projecção em % PIB»
Total (Fun. + Inv.) 134,345.0 151,417.1 184,500.4 218,962.9 259,498.6 16.7% 16.4% 18.1% 19.3% 20.4%
Central (Fun.+ Inv.) 64,386.0 77,083.0 98,337.9 118,918.6 143,001.8 8.0% 8.4% 9.6% 10.5% 11.3%
Funcionamento 48,166.5 58,201.5 65,477.6 77,207.9 90,056.8 6.0% 6.3% 6.4% 6.8% 7.1%
Despesas com Pessoal 27,860.7 35,017.3 42,018.3 51,402.6 61,671.0 3.5% 3.8% 4.1% 4.5% 4.9%
Salarios & 26,050.6 32,641.7 36,157.8 48,241.8 57,874.3 3.2% 3.5% 3.5% 4.2% 4.6%
Bens e Servicos 20,305.9 23,184.2 23,459.4 25,805.3 28,385.8 2.5% 2.5% 2.3% 2.3% 2.2%
Investimento Interno 16,219.5 18,881.5 32,860.3 41,710.7 52,944.9 2.0% 2.0% 3.2% 3.7% 4.2%
Provincial (Fun.+ Inv.) 27,709.6 25,221.2 30,576.0 33,268.4 36,228.0 3.4% 2.7% 3.0% 2.9% 2.9%
Funcionamento 23,487.5 21,323.9 26,723.1 29,395.4 32,334.9 2.9% 2.3% 2.6% 2.6% 2.5%
Despesas com Pessoal 18,099.9 14,735.9 18,832.6 21,351.11 24,206.4 2.2% 1.6% 1.8% 1.9% 1.9%
Salarios & 16,900.6 13,640.5 15,109.8 16,804.2 18,778.7 2.1% 1.5% 1.5% 1.5% 1.5%
Bens e Servicos 3,598.1 3,981.2 5,002.8 5,625.5 6,325.7 0.4% 0.4% 0.5% 0.5% 0.5%
Investimento Interno 4,222.1 3,897.4 3,852.9 3,873.0 3,893.1 0.5% 0.4% 0.4% 0.3% 0.3%
Distrital (Fun.+ Inv.) 38,303.2 44,768.9 50,754.9 61,446.4 74,390.0 4.8% 4.9% 5.0% 5.4% 5.9%
Funcionamento 33,900.9 42,521.7 49,137.9 60,770.6 75,157.3 4.2% 4.6% 4.8% 5.4% 5.9%
Despesas
Salarios &com Pessoal 31,180.3 37,556.9 43,773.9 51,891.5 61,514.4 3.9% 4.1% 4.3% 4.6% 4.8%
Remuneracoes 30,836.1 37,039.7 41,029.5 46,224.5 52,077.3 3.8% 4.0% 4.0% 4.1% 4.1%
Bens e Servicos 2,495.0 2,615.8 2,762.0 2,966.7 3,186.5 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3%
Investimento Interno 4,402.3 2,247.2 1,617.0 1,192.9 880.1 0.5% 0.2% 0.2% 0.1% 0.1%
Autarquico 3,946.2 4,344.1 4,831.6 5,329.5 5,878.8 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5%
Funcionamento 1,922.1 2,777.2 3,143.9 3,481.4 3,855.1 0.2% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3%
Investimento Interno 2,024.1 1,566.9 1,687.7 1,848.3 2,024.2 0.3% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2%
Fonte: Mapa Fiscal, Novembro 2018 / Projecção CFMP 2019-2021

87. Projecta-se para o triénio uma alocação de recursos para funcionamento e investimento.
Para Funcionamento (considerando apenas as rubricas apresentadas na tabela 11
representam o montante de 144.482,6 milhões de meticais em 2019 e para o
Investimento total, representam um montante total de 40.017,9 milhões de meticais em
2019. Este montante totaliza 184.500,4 milhões de meticais, o correspondente a 18.1%
do PIB.

88. Projecta-se para o triénio uma alocação de recursos crescente, para funcionamento e
investimento, de 139,831.4 milhões de meticais em 2019 para 183,641.4 milhões de
meticais em 2021. Estes montantes correspondem a 13,7% e 14.5% do PIB,
respectivamente.

33
89. No âmbito da descentralização de recursos, as despesas de funcionamento para o nível
distrital representam um aumento quando comparadas ao de nível provincial, devido a
efectivação do pagamento de salários, sobre tudo, para os sectores de educação e saúde.

90. Na distribuição dos Recursos para a componente de investimento foi considerada:

 A responsabilidade social no âmbito do cumprimento das acções definidas no


Balanço do Meio-termo do PQG;
 A concentração de recursos em áreas económicas e sociais com maior
impacto no desenvolvimento sócio económico do país; e
 Outras acções com impacto directo na vida da população;
 Considerado a questão do pacote eleitoral para 2019 estimadas em 6.500
milhões de MT, e medicamentos em 8.044.

5.4. Afectação de Recursos Internos nas Áreas Económicas e Sociais

91. O Programa Quinquenal do Governo continuará a afectar recursos para priorizar os: (i)
Sectores Sociais (Saúde, Educação, Acção Social, Água, Saneamento e Justiça) que
providenciam serviços básicos à população; (ii) Áreas com Potencial Económico
(Agricultura, Infra-estruturas, Obras Públicas, Transporte e Comunicações, Energia) para
criar novas dinâmicas produtivas e de geração de rendimentos adicionais a curto e
médio prazo.

Tabela 12: Afectação de Recursos Internos nas Áreas Económicas e Sociais

REO LEI 2018 2019 2020 2021 REO LEI 2018 2019 2020 2021
Milhões de MT Em % PIB
Total Sectores Economicos e Sociais80,639.9 100,799.9 115,192.0 130,142.8 147,501.3 10.0% 10.2% 11.3% 11.5% 11.6%
Agricultura e Desenvolvimento Rural 7,570.5 9,463.1 13,665.0 16,398.0 19,677.6 0.9% 1.0% 1.3% 1.4% 1.6%
Infraestrutura 9,273.7 11,592.1 14,189.2 17,368.2 21,259.3 1.2% 1.2% 1.4% 1.5% 1.7%
Estradas 5,427.5 6,784.4 6,315.4 7,578.5 9,094.2 0.7% 0.7% 0.6% 0.7% 0.7%
Aguas e Obras Publicas 1,556.5 1,945.6 4,787.5 7,181.3 10,771.9 0.2% 0.2% 0.5% 0.6% 0.8%
Recursos Minerais e Energia 2,289.7 2,862.1 3,086.2 3,327.8 3,588.4 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3%
Transportes e Comunicações 2,143.5 2,679.4 2,690.6 3,228.7 3,874.5 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3%

Educação 36,359.5 45,449.4 51,190.9 57,657.7 64,941.5 4.5% 4.6% 5.0% 5.1% 5.1%
Saúde 18,423.7 23,029.6 23,794.1 24,584.0 25,400.1 2.3% 2.3% 2.3% 2.2% 2.0%
Sistema Judicial 2,881.0 3,601.2 4,316.3 5,173.4 6,200.7 0.4% 0.4% 0.4% 0.5% 0.5%
Acção Social e Trabalho 3,988.1 4,985.1 5,345.9 5,732.8 6,147.7 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5%

34
92. A tabela 12 mostra a afectação de recursos internos para investimento nas áreas sociais
e económicas. Verifica-se um aumento de recursos em termos reais em todas as áreas. Para
a Agricultura e Desenvolvimento Rural foi alocado um montante de 13.665,0 milhões de
meticais em 2019, o correspondente a 1.3% do PIB. Este montante (13.665,0 MT)
corresponde a um aumento de 44.4% em relação a 2018. Mais recursos foram alocados nas
áreas de saúde, educação e infra-estruturas económicas por forma a proporcionar um
maior bem-estar para a população.

Tabela 13: Principais Projectos das Áreas de concentração Económicas

Sector Principais Projectos


Garantir a segurança alimentar e nutricional
Assistir produtores em tecnologias melhoradas
Reabilitação e expansão do Sistema de Abastecimento de Água, Maputo, Nampula,
Agricultura Homoine, Nacala (Projecto Pólos Integrados de Crescimento);
Fomento da cultura de caju.
(iv) Construir e reabilitar sistemas de regadio do baixo Limpopo (Magula – 105 ha);
Execução de Obras de saneamento e drenagem do Bairro Macurungo
Construção da Barragem de Metuchira
Obras Públicas
Prosseguir com a reabilitação e construção de sistema de saneamento e drenagem de
água pluviais nas cidade Maputo
Electrificação Postos administrativos e vilas fronteiriças através de sistemas solares;
Energia
Expansão da rede de distribuição de gás no Norte de Inhambane
Transportes e Promover os serviços de transporte público urbanos;
Comunicacoes Acelerar o processo de migração digital
Promoção de Moçambique como destino turístico de excelência;
Turismo
Implementar o Registo Nacional de Empreendimentos Turísticos.
Fonte: Projectos do Mapa de Investimentos/ Principais Acções Sectoriais para o cumprimento das Metas do PQG 2015 - 2019

35
Tabela 14: Principais Projectos das Áreas Sociais

Sector Principais Projectos


Aum entar o núm ero de escolas prim árias e secundárias para garantir o acesso a
educação pelas com unidades
Educação Aum entar o núm ero de professores prim ários e secundários com form ação
psicopedagógica
Adquirir e distribuir carteiras escolares
Expandir o acesso e m elhorar a qualidade dos serviços de saúde
Reduzir a m ortalidade m aterna, a m ortalidade por desnutrição crónica, m alária,
Saúde
tuberculose, HIV, doenças não transm issíveis;
Expandir a rede de infra-estruturas sanitárias;
Criação de 1.483.562 em pregos nas diversas áreas de actividades económ icas com
a intervenção de todos os sectores do Estado e do Sector Privado
Form ação de 694.085 cidadãos m aioritariam ente jovens através da intervenção de
Trabalho provedores públicos e privados de form ação profissional
Estabelecer m edidas de m aior controlo e rigor no processo de inscrição de
beneficiários através da intercom unicabilidade entre as plataform as SISSM O, em uso
no INSS, Folha de Relação Nom inal, em uso no M ITESS e Ebaú
Reforçar o sistem a de segurança e conservação de arquivo de registo de pessoas e
bens;
Justiça
Introducao do Sistem a Electronico do Registo Civil e Estatisticas Vitais
Recrutar efectivos para prevenir e com bater a crim inalidade
Prom over o em poderam ento das M ulheres em presárias do sector form al e inform al

Acção Social Capacitação de Associações de M ulheres em uso de tecnicas de agro-procesam ento


Atendim ento de Crianças em idade pre-escolar nos Centros Infantis e Escolinhas
Com unitarias
Fonte: Projectos do Mapa de Investimentos/ Principais Acções Sectoriais para o cumprimento das Metas do PQG 2015 - 2019

VI. DÍVIDA PÚBLICA

92. A política de endividamento em Moçambique, pressupõe o estabelecimento de um limite


global na contratação da dívida, incluindo créditos concessionais e não concessionais.
Este limite será definido em resultado da avaliação dos seguintes instrumentos: (i)
Programa fiscal, (ii) Avaliação do plano de endividamento externo e (iii) Análise de
sustentabilidade da dívida.

93. O crescimento do stock da dívida pública até 2015, foi acompanhado pela
implementação de políticas económicas e fiscais, que permitiam ao Governo assegurar o
pagamento do serviço da dívida e a manutenção da dívida pública externa sustentável.
Porém, a partir de 2015, a divida cresceu atingindo níveis considerados insustentáveis.

94. O total da dívida pública nominal incluindo as garantias de EMATUM, Proindicus e MAM
aumentou para 111,9 % do PIB em 2017. A composição da divida pública incluindo
EMATUM, Proindicus e MAM para 2017 é de cerca de 85,2% do PIB para a dívida
externa, 26,7% do PIB para a divida interna.

36
Tabela 15: Divida Pública

Em % do PIB 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021

Divida Externa 76.4 103.7 85.2


(inclu. EMATUM, ProIndicus,
MAM)
Divida Interna 11.7 24.6 26.7
Total Divida Pública* 88.1 128.3 111.9 118.0 119.3 119.5 118.0
Fonte: MEF-DNT-Projecções DAS

*Resultados do DSA e inclui garantias

95. A perspectiva da trajectória da dívida de médio prazo sugere uma tendência crescente
até ao ponto em que a política fiscal alcance um saldo primário de 0% do PIB. A mudança
acelerada na composição da carteira da divida, representa um alto risco para a
sustentabilidade fiscal, na medida em que recorrendo ao financiamento doméstico
acumulam-se passivos de menor maturidade e maiores taxas de juros.

96. Ainda que os resultados de 2017 indiquem um decréscimo da dívida pública em


percentagem do PIB, pelo um efeito cambial, os rácios de sustentabilidade continuam a
mostrar-se acima dos limiares recomendados, representando um potencial risco fiscal
para o exercício económico de 2019-21.

97. Prevalece o desafio a médio prazo, de assegurar o financiamento interno, mediante a


melhoria da arrecadação da Receita do Estado, e, pelo, desenvolvimento do mercado de
capitais, facilitando a implementação da política monetária através da oferta de taxas de
juro competitivas.

VII. RISCOS PARA O CENÁRIO FISCAL DE MÉDIO PRAZO 2019-2021

98. As projecções de crescimento económico, receitas e despesas públicas do presente CFMP


(2019-2021) estão susceptíveis a alterações em resultado da dinâmica económica
nacional e internacional que pode levar ao ajustamento dos principais pressupostos e a
alteração da postura da política fiscal no médio prazo. Neste sentido, é fundamental a
avaliação dos potenciais riscos ao presente CFMP, os quais são na maioria de carácter
macro fiscal.

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99. A tabela abaixo apresenta o resumo dos principais riscos macro fiscais perspectivados
para este CFMP.

Tabela 16: Riscos Macro Fiscais e Medidas de Mitigação

Medidas de
Tipos de Risco Consequências
Metigação
A.Riscos Económicos
Não conclusão atempada da Exigir Maior Flexibilizar o
reestruturação do sector esforço financeiro processo de
empresarial do Estado do Estado reestruturação
Incumprimento dos rácios Aprimorar os
prudenciais fixados pelo Colapso do sistema mecanismos de
Banco Central financeiro controlo;
diversificar a
Queda na economia e
Volatilidade dos preços das produção do estimular a
commodities no mercado carvao, aluminio industria de semi-
internacional processamento
Aumento da divida Maior esforço Restruturação
publicaAumento da divida finaceiro do versus atrasados da
publica Governo divida
A.Ambiental
tornar o sector da
agricultura
Quebra na resiliente atraves de
Eventos climáticos
produção agrária sementes mais
resistentes aos
eventos climaticos

VIII. ANEXOS
Anexo A: Resumo-Limites Despesas de Investimento e Funcionamento (Central,
Provincial e Distrital) – Taxa de Crescimento 4.7% - Cenário de Crescimento
Moderado

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