Você está na página 1de 6

o 2 5 de Abri l

A RESPOSTAAO PROBLEMA DA QUEDA DA DITADURAS


é de grande dificuldade e a extrema longevidade
do Salazarismo aí está para o provar. Os historia­
dores das próximas gerações verão, talvez, movi­

e a Democracia
mentos sociais radicalizando-se no Marcelismo,
dirão que foi o movimento de crescimento econó­
mico dos anos 60, com as suas novas classes
médias a demarcarem-se do regime, enquanto
outros irão ensaiar hipóteses conspirativas mais

Portuguesa
complexas, vendo nos militares, por exemplo,
uma vocação democratizante delineada desde os
anos 50. No entanto, estes elementos de explica­
ção estão longe de ser claros e em várias ocasiões
a queda da Ditadura seria mais previsível: na
sequência da derrota do fascismo, em 1945; com o
A n tó n l o co s ta P i n to movimento de desafecção expresso na campanha
eleitoral do General Humberto Delgado; na con­
juntura do início da guerra colonial e do golpe de
Estado do General Botelho Moniz; para dar ape­
nas 3 exemplos.
A grande singularidade do caso português foi
precisamente a intervenção democratizante do
movimento dos capitães, rara senão única neste
século, e que estava longe de ser previsível, muito
embora a guerra colonial os tivesse tornado acto­
res inevitáveis de qualquer mudança política! .
Apesar do efeito surpresa , a intervenção mili­
tar deu-se num contexto ditatorial onde existiam
elites alternativas com laços sólidos com vários
segmentos da sociedade civil. A presença de uma
oposição semi-Iegal e clandestina diversificada ao
Salazarismo, e a emergência da «ala liberab>, dissi­
dente do Marcelismo, muito embora com escassa
ligação ao militares que desencadearam o golpe
de estado, foi fundamental, pois constituiu de
imediato uma opção legitimada pelo combate à
Ditadura2 .
O 25 de Abril abriu a 3a vaga dos processos
de democratização, iniciados na Europa do Su13 .
Numa perspectiva comparada, no entanto, ela
apresentou singularidades marcantes. Ainda
sem grandes constrangimentos internacionais
o 25 de Abril abriu a 3' vaga dos processos de entre esta acentuada descontinuidade e alguma
democratização, iniciados na Europa do Sul.

1)iário Ó� lisbotl
radicalização subsequente.
Diário de Lisboa, 28 de Abril de 1974.
Centro de Documentação 25 de Abril, Coimbra. Muito embora uma mobilização anti-ditato­
rial diversificada tenha sido determinante nos pri­
meiros dias após o 25 de Abril, nomeadamente na
imediata dissolução das instituições mais conota­
das com o Estado Novo, como a PIDE ou o Partido
NOVOS RUMOS PARA A VIDA PORTUGUESA único, e nas ocupações de muito sindicatos, orga­
nismos corporativos e Câmaras Municipais, o pri­
S P íNOLA meiro governo provisório, uma parte da elite mili­
F RENTE tar e das organização de interesses apontavam
À I M P RE N SA para uma rápida institucionalização de um
E AOS regime democrático, baseado na convocação
POLíT ICOS rápida de eleições e com eventuais contornos pre­
s)(n�����l :�� : ��'���'�t>:��' �r��
d'
. <!",.,. �

.
... C<gJOt ót TIT�m IO<./dOl q<:�jo.IlIO
sidencialistas. A própria dinâmica da formação
�;�";-I� �;;��:;; �N:��'''' ''�''''''
o

e legalização dos partidos políticos era disso


i�tj(;;7�ª� ��i���J���1
P�C»U H.t,, � ot:OttJ.. UJelOlLl ns'!tod.>OtIo.
nl lm.odbl)' �IJJ'U '"
símbolo.
... Ntc
'e:....
Ss...,o;..s.o I/,d>NI a ""..
p'••,<». "O"J:O ""I"'" <lU 11
..... p,l..-..l... PI'.- �,.•• n..a... C>""' ...�o •
...ao q.N ''''':0 dt'4' i d'>IlI><O"."U6e,.p.:lIlt- A clivagem em torno da descolonização,
1...,'.I>U ' O'JIlO, 61�Ot lu .War....IrDl . _ fM.ç..

���·� �i���.�= �����ü:i�E,;


M�".. f'wdn l",r�lotro,," d<n
motor inicial do conflito entre muitos dos obrei­
Ep n ""i1J"' o,r. u�s u rte.t. pnli.ll·"... b .
.1l�IU ��."' N �m dnl",cl"". ,.,lI l1U d u·
li
n d' " "f1J",a, biT ln
r'Oe
lU \(!O' " II"" �IU
�r.sdl ' .nnU . IIn I.I � .
Ictl...,,u
· ". . . m_�.o..
ros do golpe e o General Spínola, marcou a emer­
.J .Jo .. l fJ I ' . I�,.
h!ot"' < _ _ ... ,

HOJE: 32'PÂGINAS
gência política do MFA. Reside aqui, creio, a aber­
tura de um espaço de mobilização política e social
e concomitante crise do Estado, que pode explicar
pró-democratizadores e em plena guerra fria, a a incapacidade das elites moderadas dominarem
ruptura provocada pelos militares, deu lugar a «por cima» a rápida institucionalização da demo­
uma crise acentuada do Estado, potenciada pela cracia representativa. Muitas análises da transição
simultaneidade entre democratização e desco­ portuguesa salientaram justamente esta «revitali­
lonizaçã04• zação da sociedade civil» , como factor de radica­
Considerando transição como «o período flu­ lização, mas convém sublinhar que esta se desen­
ido e incerto em que as estruturas democráticas volve em paralelo com a predominância deste
estão e emergio>, mas onde ainda não é claro que «chapéu» protector e é dificilmente imaginável
regime vai ser instaurado, a fase mais complexa do sem ele.
caso português decorre entre 1974 e 1976, com a Os tímidos movimentos de ruptura simbólica
aprovação da Constituição e as eleições legislati­ e de elites com o passado começaram então a
vas e presidenciais. Concentraram-se nestes dois desenvolver-se. O rápido e multidirecionado
anos tensões poderosas na sociedade portuguesa, movimento de «saneamentos» foi disso exemplo.
com alguns elementos de uma conjuntura revolu­ Após uma rápida decisão de afastamento dos ele­
cionária. mentos mais «visíveis» da elite política da Dita­
Ao contrário de Espanha, Portugal conheceu dura e de alguns militares conservadores, este
uma transição por mptura, ou seja sem qualquer movimento de «desfascização» começou a envol­
pacto ou negociação entre a elite da Ditadura e as ver a administração pública e o sector privado,
203 oposições, mas não existe uma relação directa caracterizou-se pela sua progressiva radicalidade,
"o desenvolvimento de fortes estruturas politicas
de base, como as comissões de trabalhadores, o
desafio que a extrema esquerda representou nesta
conjuntura de crise, e a própria penetração política
desta nas forças armadas são exemplos de uma
maior complexidade, que passou pelos casos da
Emissora Católica Rádio Renascença e do jornal
República»,

atingindo quadros muito abaixo da elite política


central do regime deposto, ainda que de forma
muito desigual. As reivindicações de criminaliza­
ção política da PIDE e de outros organismos
repressivos também cresceu.
Foi também sob esta pressão que os partidos
que iriam representar a direita e o centro-direita
se formaram. Após a ilegalização de várias forma­
ções com o 28 de Setembro e o 1 1 de Março, o CDS,
responsável pela integração no sistema democrá­
tico de segmentos mais autoritários da sociedade
portuguesa, iria estar na fronteira da ilegalização
até às primeiras eleições em 25 de Abril de 1975.
A queda de Spínola, a aceleração da descolo­
nização, a reforma agrária e as nacionalizações,
são símbolos e motores de uma acentuada crise
do Estado que alimentaram poderosos movimen­
tos sociais. A decisão do MFA de respeitar o calen­
dário eleitoral foi o elemento central da abertura
de uma legitimidade fundadora do regime demo­
crático e a sua realização em 25 de Abril de 1975,
dotou os partidos moderados de uma alavanca ' I ' 1 I

poderosa. 204
Seria simplista considerar o «verão quente» estruturação dos partidos políticos, organiza­
de 1975, apenas como a tentativa de o PCP impor ções da sociedade civil (como sindicatos e orga­
um ditadura apoiada pela União Soviética. Muito nizações de interesse) e na estratégia anti­
embora seja natural que a elite política democrá­ esquerdistas no «verão quente» de 1 975. Por
tica tenha concentrado aqui o fundamental do seu outro lado, o caso português foi tema divergente
discurso fundador, ele está longe de esgotar o nos forum internacionais, da NATO, à CEE,
tema. O desenvolvimento de fortes estruturas passando pela relações entre estas instituições
políticas de base, como as comissões de trabalha­ e o então bloco socialista, dirigido pela União
dores, o desafio que a extrema esquerda represen­ Soviética. Quaisquer que sejam os indicadores
tou nesta conjuntura de crise, e a própria pene­ escolhidos, parece não oferecer dúvidas que o
tração política desta nas forças armadas são período de 1 974-75 em Portugal conheceu
exemplos de uma maior complexidade, que pas­ grande «saliência internacional» .
sou pelos «casos» da Emissora Católica Rádio Apanhada de surpresa pelo golpe, a comuni­
Renascença e do jornal República, ou pela dinâ­ dade internacional, com particular relevo para os
mica de ocupação de propriedade urbana em Lis­ EUA, concentrou-se no apoio às forças políticas
boa. As clivagens políticas no interior das forças democráticas de centro esquerda e de direita, na
armadas também introduziram alguma autono­ metrópole, e no acompanhamento e intervenção
mia que não pode ser recorvertida em mera no rápido processo de descolonização, particular­
«conspiração programada» . Mais uma vez, como mente em Angola.
salientou um analista da transição portuguesa, Utilizaram-se então métodos herdados do
a crise de Estado foi um «factor de oportunidade» após guerra, particularmente em Itália. Perante
para alguma radicalização dos movimentos soci­ uma fortíssima mobilização política e social
ais e este factor não deverá ser evacuado da aná­ esquerdista, um tecido económico com um forte
lise do períodos . sector nacionalizado e a fuga generalizado de
Portugal conheceu então uma conjuntura de capitais e da própria elite económica, os partidos
polarização rara neste século, sobretudo pela moderados só conseguiram um mínimo de
mobilização anti-revolucionária da província. implantação e funcionamento nesta conjuntura
Muito embora protagonizada pelo PS e PSD em de crise com um apoio financeiro e de formação
Lisboa e no Porto, à medida que o sector mode­ de quadros significativo por parte da administra­
rado do MFA se preparava para o 25 de Novembro, ção norte-americana e das organizações interna­
a mobilização de província a norte do Tejo só é cionais das «famílias políticas» europeias, com as
possível com a entrada em cena da hierarquia da segundas servindo por vezes de mediadoras do
Igreja Católica e a mobilização paroquial, em con­ apoio da primeira.
junção com a notabilidade local. Acompanhada A intervenção militar de 25 de Novembro
pela mobilização de elementos de direita e marcou o passo do processo de consolidação da
extrema direita, militares e civis, a ofensiva anti­ democracia, com as eleições legislativas e presi­
esquerdista passou por uma onda de violência denciais de 1976. Muito embora com heranças
política contra as sedes do PCp, da extrema importantes da transição inscritas na Constitui­
esquerda e sindicatos e eles associados. ção e uma presença militar no sistema político
Portugal sofreu, durante o curto período de que se arrastará até ao final dos anos 70, deram-se
1 974-75, uma significativa intervenção externa, neste período os passos fundamentais da conso­
205 não só diplomática, como também na própria lidação da democracia.
A opção europeísta do segmento maioritário apoio chegou a Portugal, e os seus efeitos começa­ Primeiro número d o jornal do Caso República,
29 de Maio de 1975.
das elites políticas portuguesas foi um produto da ram a ser sentidos, com as estatísticas a reflectirem
transição para a democracia, e foi um elemento uma melhoria visível nas condições de vida, com
central da sua consolidação. O caso português um desemprego relativamente pequeno.
ilustra bem a tese segundo a qual a Comunidade Nos anos 80, Portugal assistiu a um segundo
Europeia, enquanto referência da Europa desen­ ciclo de crescimento e mudança social. Acentua­
volvida, foi um «símbolo disponível» para as elites -se a litorização da população e a urbanização
democráticas legitimarem uma nova ordem
'
interna, após uma transição por ruptura bastante
�IIIiII'!(1�mf(blV1lllj,(lu�,(1�I:J�:IIJ(lllllIII:!UiIEFHll

Repúl!_!�,!!
conflitual e o fim do império colonial, que tinha
sido o argumento final do Estado Novo. JOJI'NltL
Foi fundamentalmente no contexto das cliva­ »O CASO
gens políticas de 1975 que os partidos políticos de -
/
I.Il1u:t;nJl\: HAUL !lEGO Ilt:u.\crOU!:i-
<';, .\lll!::RTO ,;HCll!:: pt; GARVAUIOjAI.VAIIO GUERRA/AL V ARo.) Ar'TONlA OE SOUS,\I AIlTV/t .>,.m::­
l\\VARESI
DR:I1'llA i n H.n RO DA l
'O!�SEC/\ I CARLOS SOMl E3 ! C RJ:: iO i."SlEVfS/l!1:l..l:NA :"IAIlQUES /JAJ�JE a....M...jl....'{D1:..1 GONÇMNES!JO.\O QO:..tI::S,J'CROI-:
direita e de centro-esquerda reforçaram a conste­ :"LO:U!S/ JCSf: "I.\� ARONS DI::: CAltV....U10.l!\IA;!CI':L1X3 ;m::SQHl'A / XU;';D COtlTlllilOj l'.\7. I'ERRt;mA/J'EDIlQ rOYCS/ROCIU
IM;\I;lJ.Et, V'f:m.\J
C\J.L....CIIO! V,\SCO rER1IM1�1:::S 1 VIT'JH D!lU:ITO
I RUI
lação «europeia» e «comunitária» como referência

liberdade COMO . SE AMORDACA ·


para Portugal, perante alternativas socialistas e
terceiro mundistas. No contexto de uma transição

A LIVRE INFORMACAO
polarizada em 1974-75, a opção europeísta foi um Por RAUL REG'J
I\. "I� que d;'·ltl� .�Ic "tum.,,,!o 0.\ tr.>b.lU"dOIU
elemento central de ruptura com o passado dita­ II:>.
J
dltpiiblk .... ullr.op.l!.S'l fI" mu l tu u :ir�bit� " O lorn�l.
Ilc �U:lnto< " '''Uni, ('0. >�LI� :..donLst:u , leLlolu. O '{ue
c�l:i CII jlltlt, <: " t1i,ello ii. I Ine �"t',,,,,�.:.:>, lu·.."hf:<':< :\
torial, isolacionista e colonial. tojo, O� honH"-S � '" lod,,� ,,� "''''-imonto>, po!l:lcO'l .. ETAPAS DO ASSALTO CONSUMADO EM 19 DE MAIO
I J
:tO����::�d��oll�o:I ;�".!:t�:��Or7.1;.l P�1���
:1l<l ;O:;11 f.1��� .. Um. �lItl I'.utlcu!:irnltn:"
.. Enl:«:I<lto, :I nec:,,�ç:i:l C:o urt�d:nlt:llt', IInh .\"-:do o
Muito embora vários estudiosos tenham lo,.." oh" , 0\ cld,,�:;., opo. lonhb,'.,. l,u:l.I�.
... " lod...
. IIOb:> �kb "61,11,,,,
".".\e ruo... , ';,,, •.1:0 tio> m:.ls
tlt:rHl�t',n r:o delcnrolur d;>
1)10:=0 QU� w!rn!no:. tom o
!
Oln,(
ÚICmol
vlph:\ !Ofrem!o, n<u
t�m;;o.l" \1111 �erto
.u1l1!1I·!e :l ntCt!Jld�de dll
l'l!i lllbil!tu:ç:':o. litl�" ltll:l:
�r:ln H ,,�o G ",,,,I� �I"n d 11><1:0 ::l "lu,�o IIt.l!i.l(.•
.. fl1:crumenlo':o J..,f<uJ .R'!- J�J'.l.I!t. Um:! IUlt c:� r.!­ .

soci:di>mo ,1� oct�IJ(f; m.'$


.. ..
1",.l"t u:I, ., .oo;
sugerido que a Comunidade Europeia teve um ..
rü.. II'; ucnlo:ucL.
..clh-o ;' "
,cm plu... li�mu. "'1ud.
..
plu ...-
mel'""
1.l1bJ\:'l. n.1 m�dnr�!d:l
:!O ,1� ).1;\10 Ioi :1 �c ::!� ��
d� d:t�lott!, JI1Jb I)J UlCr:OS ro:l- IC
O'OI!N
•• "" I-ClI� pi:i<;U

li,mu de 'I uo "'t.. f.ll1 o l'ro=r:>Ti1:1 .1.. , 'If,\. I·od....bn"'� !.Iull �e I;nS, di.. cm
que, !lo
.li,N L1I"loin. �"O. '1:. fi' ,!ue �.. """'nln,,, on' �lndl;,\to tlru GdUC<>.S, �c H"J­
papel importante na promoção da democracia na r.lhlld"
AOS NOSSOS
j.,�" u. u lrd t... r..,,,r.. ,,,�,,I�b ,I� chl;"I.;", .'0: \o,"I� ,,"�t­ n,,,,, Um l,:�,,:\riu <I<u l;:al..,­
m �nl� ,I" u�". lul:.o p�!o P'''�'t<:"lmt" la II;> hle.i.h> 0.1, lhõ!tl{/�J da .HCiHlbllca>. Xf.;­
te en:oalro "Q...�.. 11m;:. ilHeI­
Europa do Sul, a sua verificação para Portugal foi lL.naluo;.i D.
Ui Ja,,,�[!.t,,� LI" .1I�pilL!lfH
� ..ICl"·SC. ",,-,I e Hn,;o, !]lte n\o d.e;:oJ :I 10-

menos nítida. Para uma parte da elite política por­


man,ul... ." ,,11�Rtln" IId�",o",s d" Iml�., 'lO u.!.balh.\­
,I�'e, ,"rol que., "
nul,. '011\1.·0'"";1.
pilhl i..,.. • 1"..fi" ;,,,�1 r. ".Ir. 0.10
,-10.1"
,,"Ire ao< hon,.,,� c' :1> IlItI:h H'" 'I"""
un� ." i mponh:un " rO'(""1 ti".. ..ulro•. U"'" uL�"cI ..,
I"'I'H
m;u- ,,- far.r;a ile jlro;;utll. l;O
HIII�(O de 1\50 s.. :u!mIUr
!o�1 lU
m�\.'; 1l.:.. EmtaU;l J�m
IIUC :T.1Ic.<.'Ie �:trn�em. :HI.\_
LEITORES
dr ,..""" t d" ,."Ur, u,",ui"L1" . U tr",. ,, � "Jrl:IU1,lic.l ,�� ct!tlm t5��O�Q\1t
! o u::­ ·0 Jomal do Caso RepÚblica" sai �m clr·
tuguesa da época, no entanto, a adesão era vista J).;,,:Jpl LI" hl;tIll, ..j,k1u. C""tr� ti" 1�I;;rno� ,I" ..... to:
',"".r""' ., olh :lnA_, ",,,il::o. tl�lr;.a 10< II." ..." n�
:0: p--.Ifico tll.:W,l ::l fluool""M
--00 tr!t�rtQ.l ctc adml,,".., de
cunslõncias muilo especi ais. Conla apefns com
a boa vonlade do� lcllores da �Repúblrc;a· , pli·
<'orpI I''''"'' 'lU, hoJ" '.,."'Oi ...dtr 111""1" d" I" e..o,,jô :\010' tnl;JHp!!O.L ;\ ,"..bdc
t 'tIl"; �l.::\ III!HT""��O fo! VE-CCS cO seu jornal, e com a de quantos em
como uma garantia de consolidação democrática 1�""I.s c 'lU! 'l1� patiNO leu. i't "'t.5U\:O l1aUe <le onll"
1" ,,11.1 :o.rej:;u". 1'0. -""1..
.
1111:0 .lj1<"""-' Olmo .:ruCI!5I�o /! Porlugal esperam não vel a Imp/ens'a reduzida
r:�o : h{!;>1I 3- ro:lcr�t"l-lr-M' a voz monocórdic:l e enladonha, aduladora de

interna e como uma alavanca para a moderniza­ uma classe oU'de um regime, mas digna e pa/ti­
clpante n a vida civica nacionaL
.; com a boa �'Ontadc dos no;sos leItores e
ção do país.
A TENTATIVA UE CALAR (REPUBLICA, TEM C�MO �BJEClIUO
com os seus Obulos que conlôme,s p ara prosse·
gui/ na caminhada. enquanto nos estiver vedada
a S�de da �RepLjbllca� e Iodas as suas eSlrulU­
Ao longo dos anos 80, a sociedade portuguesa
INUTILIZAR A PRÕPRIA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE
ras de organização. Ouals:tuer donativo
-s podem
ser enviados para a nos�a sede provisória, na
RUE d a Eroonda, 13-3: andar - Lisbo a · 2. -
afastou-se da dupla herança do Estado Novo e do - lembrou Salgado Zenha \
. lesle primeiro número o jornal n1l0 loi eslru·
lurêdo na sua venda, mas os vendedores Que o

processo revolucionário de 1975. Consolidação no comício pela liberdade de expressão


queiram lomar poderão entrar em contacto con.
nosco.
Sujeitos as mais diversas contigênCias, con·
democrática, adesão à CEE e desenvolvimento l..
.;>, '....�.� <o (�1.u .R-tpúbrU.
, eC.>:>:I e !>it C!/rg io">;\k'''' . ;l6-
·0 II"" , .. -'J'''' -
.. �..t.;,.,
a(.,u�tr>:c� .. ""fÚUO "• ..I<JllÇ.J
l.:n ""rj... �" Q-.,;;I'''u �
..
.�
n
. ,. '.UOod.>. o!oo �lp" ,""",),� .
tinuaremos enquanto o caso ..Aepúbl1ca- não te:
nha sido solucionado por quantos nele inte/vóm.
p"i> "" I-f",t�;. C�t1l.r·tlle. - 't· _ .� q.Jo • ��. Ccn .UIlÔnl. ��dr� pwr� I'�s a , ,.. ...
' , :u-
cc,,,,,,-, S.>l-;...n Z,Mo ,., eome,"", �ti· un çru;o:> 6> <:>Nr.;: � Aqui estamos e continuaremos para que se não
económico coincidiram parcialmente no tempo, r_'l l.t<"<d,:Iq �� '-'�t<:.I.:r rr..r;­
::4.:1 no �nu,d<> 6.> z�. n� f';tri.
1'_'" �� o,,;;r:�, di; Lht>c;1-
r:::;
: ._ 0 �' t.: '''"' .u''''<1J''
"., •.,.. 9� q"' �io, • (Cc"';"�' '''' ��' Fi'''''
'' 1 alabe uma voz socialista independenle.

Ci I$I. S�110 2,,N, ..:til:t.. ,,,


num círculo virtuoso dificilmente previsível Go>....", P,.... l-lt.o . o:.r;.gH"lt.o ,.".

SANTIAGO C A R R I L l O
�>I.. t;>l,,",� �, C" ....� . .. ... .
�� O� Pfc"OH quo fMI'olvo pU "c"n.',,"· "r,,,,,,
A NIVERSÁRIO �...'.:., .. P••� ",,' oc,>=' .
uo " .C. l
:s.l'.\;o.;1I0L
aquando do pedido de adesão. �,�.'.':.!'!:;�:. tr,"'ç�t1 r�:
TRÁ GICO ��.;:;. ;,,:� l',,� d" P;uW,
E S TÁ C O M A « R E P Ú B L I C A »
Ol:l> ':' ÚI'H••» . "I a . \r· ...
",

Em 1990, para surpresa de vários sectores da .>; �T:!:.!""


: ;
-:":>I ::'��
� ' 4:!rJ�� :t"j .:<l. Q'."9 .........
A.i.T,»Jl"":� d, I"b,olJn, d. 1 · ..
<1J tlhlM. "<"��.u. o n d. ��'<l n� �:
""� ,.� o . :�,,"
h = • a '�" '"
......
U�:.. 1:1 Wc.1o de t:><n Io.,�• • �•. E;u;lIlgo C;u1!10, Ul:ICl1ri)­ n�'"'t 113ls pro,·o:..,u ,,1::\.\ 1I.mDcr.\tJ:o� (Ou. I ," OTlmu,.
opinião pública, Portugal abandonou o campo dos
.. ...
.;,1. �.�I< ",. q.;t �, ..
!reli... do, "_'�J ;"',:.0' M.:> d.) !"Ur1.J:.:r;;:�� d� -r;��al CO I'allldo COl:rUO,!5U �.-�ndt '-;';:l. do .;",,,.1111 ,,<I I. d", nna� '\Io"d:..�. l'tJ�
. "�'lo. depcr.d!_ lU .o ... "tn..:..c-... �. pO'>t:u r...
, nlo [.,1).Hlho), i!�':: a tou à re\'UI;> :1'0111'-'­
�k·
1Út;) p",�. ,�,.." u gt"":., p"Ta c'l'� "hQI, que o"ltitla, lu.l" 'JUJnlu al p,\­
d. �,biU/o d. .......,.. ......
...,." r• .. .� ,U"id!r In'lul.I.'-flu� I" ij­
,,,'u, �* I",�. oS. ft"I:t'"rt<"<"" <. IUllc�s" .:0;(,,,...1 OGlU\";!.- "h� <O�I " ",�;"r :l.l.n,:,.. "
q... I.."" \ c,L>;.l� d. e>'T-Ot1lu
«países subdesenvolvidos» onde tinha estado �o<» ZOf"l\J. ...... .k' k1�'I CIto<..
::;�":ci:.... ;'i; � �t,��� �:p.r:!�l<r�:,,���!,,�� ..�,:,:.:::� ��
rdJlt!a'n<nlc. ,\ UI' .�rdll)..

��!:.; ..u.:.:, Eif.:.


";:'':
I

:'��!:.:;��:: ���;�,��:r,'.:: c>n�i.l<u b",�nl.iul :a .u_



� �r�
.b .l!cl'\i111!c", I) !��ul:lte: m�h ,bruo. ,...1", 1'�t:1 que l'<n,�o �" j..rn31 .ncl'ü"lIc�.,·
I.<I
1;1>9-1 , I� ••;aifMIJ -""
"

hb nrulõ'ncl" �O,, �I I l"l un,


desde que o conceito tinha sido inventado. Depois go
t
..
..... Ior.d:opud.., � '1"1' \.>.1 ••.
�...If�eh .. !\lo .ff..... O P"""
Cl<MÇ..Y4� ;>.:t .....�;Y. Cl1I R.I:I
"-o> • .k.� "'1>1''''' <:>:. s....1;;:ol. .!'ri 'lU" n,
h I.."ho . dlul­ .-U;U>"\l. I'ar l". ;, ro", :l.k·
q"� pode �rcl"dtur'l h",.,tUI
,lo 1'..,I"pl Ot,,':o::r!r.tlea ,e·
p�lv.>l' No ,:.:.... e= '':J\'''�:' '' ·Iocb .". �';p-> 'l . .... I,., JMj.) ".. � d e l"ttr,e,;' lia" 1I"...,!;;ti r�nle o "", ,,,lo e prefl.a �"c·

q��:'U���'lSli
I
:rl" Que 3c<>1hrl1l0.< ludo

de dois acordos complexos com Fundo Monetário "'o "n . ....


.j.rI ....U P; ... 'I OC'><;e.o· doe "'�. ����=���t���;:: �:!�:�.:�c �o:��:I:�r���I,:;�
oU:ln la 1'0"" .da.�,< " ....1_
,I"�f II'" rJ.llt!•• OI,.r"irlU c
01113. '1uo ....11: '1 ",,110.11.1110
11O�'a rtatJrc<tr .<DI '� 3r.•
li

Internacional, um fluxo de fundos comunitários de


«Apanhada de surpresa pelo golpe, a comunidade
internacional, com particular relevo para os EUA,
concentrou-se no apoio às forças politicas
democráticas de centro esquerda e de direita, na
metrópole, e no acompanhamento e intervenção
no rápido processo de descolonização».
Expresso, 1 de Junho de 1974.

No !l1illislério
do Trabalho
comissões legislatil'as Em Paris com Senghor
estudam

a delegação. pOlltu�uesa
/lova ,.egulamclZtaçtlo

às conversações de Londres

Administração local.:
partidos não querem
representação unitária
fomal "Revolllçrro "
6rgc1o do P. R. P.

deu um novo salto, muito embora Portugal per­ Europeia e a integração portuguesa ao longo dos
maneça ainda abaixo da média europeia. Mais anos 80, os portugueses, tanto quanto os estudos
importante, a quebra da população activa na de opinião publica permitem avaliar, não passa­
agricultura foi muito significativa. Sintoma da ram por sérios problemas de identidade com o fim
desagregação da sociedade rural tradicional, do império colonial, em 1975, e a sua nova inser­
ainda dominante no final dos anos 70, na pro­ ção internacional no espaço europeu, em 1986.
víncia do centro e norte do país, que em vez de
emigrar, se dirigiu agora para os centros urbanos
I Vide José Medeiros Ferreira (Coord.l, Portugal em Transe,
nacionais. Acentuou-se também a terciarização Vol. 8 de José Mattoso (Oir. de) História de Portugal, Lisboa,
e o crescimento das classes médias, com a taxa Editorial Estampa, 1994.

de escolarização a aumentar significativamente 2 Vide António Costa Pinto, The Salazar's Dictalorsllip and
European Fascism, Nova Iorque, SSM-Columbia University
neste período. Press, 1995.
Contrariando as perspectivas mais catastro­ 3 Vide contribuições de Maria Carrilho e Manuel Braga da
Cruz in António Costa Pinto (edited by), Nlodem Portugal,
fistas dos anos 70, Portugal consolidou a sua Palo Alto, SPOSS, 1998.
democracia e deu um salto importante na moder­ 4 Vide Kenneth MilÀ'Well, The Making of Portllguese Demo­
nização económica e social, já como membro da cracy, Cambridge, Cambridge University Press, 1 995.
5 Rafael Ourán Muiioz, Acciones Colectivas y Tmnsiciones a la
União Europeia. Reafirmando a sua identidade Democrócia. Espana y Portugal, 1974-1977, Madrid, Insti­
207 europeia, mantendo-se optimistas sobre a União tuto Juan March de Estudios e Investigaciones, 1997.