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WALSH, Catherine. Interculturalidad y (de)colonialidad: diferencia y nación de outro modo.

IN: WALSH, Catherine (ed.). Pensamiento crítico y matriz (de)colonial. Reflexiones


latinoamericanas. Quit: Universidad Andina Simón Bolívar-Abya-Yala, p. 13-35.

Chegada ao poder de Evo Morales – ritual. Imprensa: reação (revanchismo étnico) – pedido de que
o presidente evitasse uma política indigenista para pensar mais em todos os bolivianos. “Curioso”,
diz Walsh, pois ninguém pediu o mesmo aos outros presidentes, pois, claro, não eram indígenas,
pobres ou parte de um movimento social massivo e , por isso, supostamente representavam a todos
(p. 13/14).

Imaginário de mestiçagem e cidadania. Neste imaginário de nação, os dignos de representar


(governar, falar, pensar) foram só os “criollos” e os brancos-mestiços; os povos indígenas e os
povos de ascendência africana ficam fora deste imaginário (e da história em si) ou, na melhor das
hipóteses, subalternizados dentro dele, considerados como incapazes de conformar-se com as
nromas e prrivilégios da cidadania, inclusive a representação nacional (p. 28). Isso vale para todos
os países da região, mas se faz ainda mais evidente em alguns, como Bolívia e Equador.

Citação (p. 15/16): “De hecho, lo que está em juego tanto com el proyecto del gobierno de Evo
Morales como em todo lo sucedido com el movimiento indígena ecuatoriano em los últimos 16
años – desde su potencia más alta em los 90 hasta su fragmentación hoy -, no es simplemente el
imaginario de la nación, sino mas bien la operación etretejida de diferencia y poder como
constitutivos de este imaginario y de la nación misma”.

Colonialidade do poder, de Quijano, se estendo aos campos do ser – desumanização e tratamento de


inexistência de alguns grupos – e do saber – o posicionamento do eurocentrismo e do ocidentalismo
como modelos únicos do conhecimento, descartando assim por completo os afros e indígenas como
intelectuais e produtores de conhecimento (p. 16).

Eleição de evo: não tem apenas significados étnicos ou simbólicos. Deve ser entendido como uma
mudança histórica, geopolítica, social, ética e intelectual, um giro radical baseado em uma visão ou
imaginário “otro”, construído a partir de séculos de luta e consciente dos assuntos contemporâneos
do capitalismo global e do que Frei Beto chama de globocolonização. (p. 16/17).

Legados das matrizes coloniais e imperiais – o próprio termo América Latina é parte disso.
Promovido na segunda metade do século XXIX pelas elites locais como parte de uma ideia
avanzada pela França para marcar distinçaõ com o anglo-saxón (baseada na religião católica),
criando-se uma identidade supostamente “pós-colonial” nas antigas colonias de França, Portugal e
Espanha. Assim, como diz Mignolo, a América latina como projeto político e ético foi um gene do
colonialismo interno.

Pra enfrentar isso: povos e organizações indígenas passaram a chamar a região como “Abya Yala”,
expressão proveniente dos “cuna” do Panamá que significa “terra em plena maturidade” (p. 17/18).
Esta recategorização tem duplo significado: posicionamento político e lugar de enunciação.

Sobre Morales (p. 19): “Además, da a entender el proyecto boliviano guiado por Morales no como
una nueva delegación de poderes sino como una praxis enraizada em el agenciamiento del
movimiento indígena, una praxis que supera un accionar y pensar basados em la resistencia
defensiva, evidenciando un pensar y accionar enraizados em la insurgencia ofensiva, explícitamente
dirigidos a transformar las institutciones, estructuras y relaciones dominantes y, a la vez, crear
nuevas condiciones sociales, políticas y culturales, como también de pensamiento y conocimiento”.

Projeto fundado em um nacionalismo desde baixo – uma nação mobilizada.


Há uma grande diferença, afirma Walsh, entre falar da diversidade apenas para manter a ordem e
falar da diversidade étnico-racial juntamente com a ideia de reconstrução e refundação e de
dominação colonial. É uma visão e projeto não constituídos pelo reconhecimento multicutlural – a
estratégia contemporânea do neoliberalismo e do capitalismo transnacional – mas pela
interculturalidade, na forma proposta e compreendida pelos movimentos indígenas da região (p.
20).

Distinção multiculturalismo x interculturalidade: enquanto o primeiro sustenta a produção e


administração da diferença dentro da ordem nacional tornando-a funcional à expansão do
neoliberalismo, a intercutluralidade pensa desde o indígena (e mais recentemente desde o afro) e
aponta mudanças radicais nesta ordem (p. 20/21). A meta não é simplesmente reconhecer, tolear
nem tampouco incorporar o diferente dentro da matriz e estruturas estabelecidas, mas
implodir desde a diferença nas estruturas coloniais do poder, do saber e do ser como desafio,
proposta, processo e projeto. É fazer reconceitualizar e refundar estruturas sociais,
epistêmicas e de existências que põem em cena e na relação equitativa lógicas, práticas e
modos culturais diversos de pensar e viver. Por isso a interculturalidade não é um fato dado
mas algo em permanente caminho e construção (p. 21).

Mais que um conceito de interrelação ou comunicação: a intercutluralidade na América Latina


significa potência e indica processos de construir e fazer incidir pensamentos, vozes, saberes,
práticas e poderes sociais “outros”; uma forma “outra” de pensar e atuar com relação a e contra a
modernidade/colonialidade. Pensar em vozes, saberes, práticas e poderes de e desde a diferença que
desviam das normas domianntes radicalmente desafiando a elas, abrindo a possibilidade para a
descolonização e a edificação de sociedades mais equitativas e justas (p. 21). Luta contínua para
enfrentar os imaginários estabelecidos na nação e concebidos pelas elites locais, a academia e o
ocidente, com o fim de fazer construções e imaginários distintos.

Na América andina: indígenas. Mas e os afros? Walsh vai lançar luz à oposição construída no
imaginário colonial entre indígenas e afros, conferindo-se um nível de superioridade aos primeiros.

Enquanto os indígenas receberam o status de “gente” ou “Pessoas” (embora sem direito de


cidadania), os africanos escravizados foram considerados como nada mais que objetos de mercado
para serem possuídos ou comercializados (p. 23/24). Afroandinos como os “últimos outros”.

Pensamento fundacional da região também carrega essa “outrificação”. José Carlos Mariátegui –
classificava os negros como bárbaros. As construções de José María Arguedas (Perú) e Benjamín
Carrión (Equador) também têm essa perspectiva: enaltecem o inca e o indígena camponês e deixam
os afros como coisas do mercado.

Citação (p. 25): “Eso no es decir que los pueblos indígenas no han tenido que luchar históricamente
com los efectos vividos de la colonialidad del poder. Sin embargo es aceptar que estas luchas han
sido, de manera frecuente, llevar a la exclusión de os pueblos negros. Hasta em Colombia y
Venezuela donde la población de descendencia africana es grande, los indígenas han tenido más
reconocimiento político, jurídico y cultural por los gobiernos nacionales como también por las
entidades multilaterales y transnacionales”.

Venezuela (CF): reconhece direitos dos povos indígenas, mas não dos afrovenezuelanos.
Colômbia: incorporou uma série de direitos indígenas. Afrocolombianos só conseguiram 2 anos
mais tarde, com a Lei 70, estabelecer seus direitos na Constituição.

Equador – 1998 – direitos dos dois grupos. Depois, fundamentalismos e hegemonia indígena –
invisibilização ou não-existência de povos afros.

Dupla subalternização dos povos afros (p. 26): pela sociedade dominante branco-mestiça e também
pelos povos e movimentos indígenas.