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María Ovelar

María Ovelar, nascida em Badajoz em 1982 e residente atualmente em Madrid, é escritora em


sentido muito amplo, pois a sua aproximação vem desde o jornalismo, a poesia, a tradução ou
o roteiro. É criativa, artista performática e romancista: este ano vai pôr o ponto e final ao seu
primeiro romance, com o que pretende explorar os limites da literatura pós-moderna. Estudou o
Bacharelato Internacional e licenciou-se em Tradução e Interpretação, realizando um Mestrado
em Jornalismo na Escola de Jornalismo UAM-El País, e tem trabalhado em El País, e colaborado
com diversas publicações como Vogue, Marie Claire ou Glamour, para além de assessorar gran-
des marcas para contidos online e offline. Pertence ao coletivo de poetas ARTA, cujo objetivo
é reivindicar a visibilidade da mulher na arte. Organiza e conduz vários micros abertos –«Arta
Poema» em La Noche Boca Arriba e «Jueves de Poesía» em La Fuente de la Virgen– e diversas
mesas literárias em Madrid, e também realiza sessões musicais ao vivo uma vez ao mês com a
alcunha DJ Arta.

Proposta de trabalho:

Durante a sua residência de verão, no mês de agosto,


María Ovelar explorará os limites da literatura pós-mo-
derna através dum romance cuja estrutura circular tem
vontade de ser infinita. Não se trata apenas dum simples
experimento formal: a arquitetura acompanha o contido
e o potencia. Seguindo a esteira de Jorge Luis Borges,
Roberto Bolaño ou Julio Cortázar, atinge temas coma o
feminismo, o sexo, as drogas e a meta-literatura desde
a autoficção. Irreverente, mordaz e altamente lírico, este
romance situado em Madrid insere-se num contexto cul-
tural contemporâneo entendido como um grande palimp-
sesto que propõe múltiplas e possíveis leituras.

RESIDÊNCIA
DE ESCRITORAS/ES
[agosto]
Marina García López Raquel Ferrández Formoso
Marina García López (Madrid, 1989) é doutora em História, Geografia e História da Arte pela Raquel Ferrández Formoso (Ferrol, 1990) tem o Grau em Filosofia pela Universidade de Santiago
Universidade de Santiago de Compostela, com a tese Galiza, Uruguai. A vanguarda artística de Compostela (Premio Extraordinário Fim de Grau). Experta Universitária em Línguas e Culturas
galega no Rio da Prata. 1930-1940. Tem-se licenciado pela mesma universidade em Histó- da Índia e do Irão pela Universidade de Salamanca. Mestrado em Filosofia Teórica e Prática pela
ria da Arte, e especializado em arte contemporânea, património artístico e cinema. Realizou Universidade Nacional de Educação a Distancia (UNED, Premio Extraordinário Fim de Mestrado).
uma Bolsa Erasmus para profundar estudos em arte medieval e renascentista italiana na Atualmente é doutoranda nesta última universidade com um trabalho de investigação sobre fi-
Università degli Studi di Perugia. Após disso viveu em Uruguai, onde colaborou com o Depar- losofia indiana. É membro investigador do projeto «Estudo sistemático das leituras heideggeria-
tamento de História da Arte da Faculdade de Ciências da Educação (UDELAR) e trabalhou no nas de Jacques Derrida. Confluências e divergências», dirigido pela professora Cristina de Peretti
Instituto Nacional de Belas Artes de Montevidéu. Começou trabalhando como investigadora (UNED) e financiado pelo Ministério de Economia, Indústria e Competitividade. Colabora como ins-
para o Museum of Fine Arts de Houston, digitalizando, catalogando, investigando e escreven- trutora de filosofia na formação de professores de ioga ofertada pela escola de ioga Om Shanti. Em
do sobre o arquivo histórico da arte nacional uruguaia do século XX, desde o Museo de Belas 2016 obteve o XVII Premio de Poesía Joven Gloria Fuertes pela obra Godot nunca lo dijo, publicado
Artes Juan Manuel Blanes em Montevidéu. Continuou no Museo Gurvich de Montevidéu, onde co sobrenome de Kali Ferrández pela editorial Torremozas. Tem colaborado em obras diversas
dirigiu o departamento educativo, foi curadora de exposições e realizou publicações sobre a de filosofia perene e em publicações científicas com artigos sobre filosofia indiana e continental.
Escola do Sul e a evolução da obra plástica do artista
José Gurvich. Proposta de investigação:

Proposta de investigação: As escolas filosóficas do xivaísmo tântrico de Caxemira


ocupam um lugar importante entre a multiplicidade de
No seu projeto de investigação, Marina García reflete doutrinas que compõem o universo tântrico ao longo de
as conexões e influências plásticas, estéticas e teóricas todo o subcontinente indiano. Com a intenção de pro-
que abalavam no território rio-platense, na própria obra fundar no pensamento místico duma destas escolas, a
gráfica duma série de artistas galegos emigrados que Spanda Trika, a proposta centra-se na tradução para o
definiram e marcaram parte da «modernidade» que ia galego de um dos seus textos mais importantes: o co-
transcender na história da arte tanto da Galiza como do nhecido pelo nome de Spandakārikā («Estrofes da Vi-
Rio da Prata. Analisa uma série de documentos artísti- bração»), atribuído a Vasugupta (s. IX d.C.). Devido ao
cos e históricos –em parte inéditos e em parte citados– carácter esotérico desta tradição tântrica, e emquanto
que não foram relacionados entre si deste jeito e que que se trata duma filosofia vinculada à prática espiritu-
permitem o estudo comparado da atividade e obra de al, devocional e meditativa, entrar a profundar nos seus
mestres como Alfonso Daniel Rodríguez Castelao, Ma- textos exige, por parte da pessoa que os investigue, um
nuel Colmeiro, Luís Seoane, Melchor Méndez Magariños, compromisso de trabalho que transcende o domínio con-
Julio Prieto Nespereira, Manuel Pailós, Federico Ribas ceitual ou filológico desde o que habitualmente estamos
Montenegro e Juan Carlos Alonso durante a sua estadia acostumados a pensar na filosofia ocidental. A riqueza
no Rio da Prata. Sinala a importância da chegada destes da simbologia mística, de ordem psicocosmológica, ca-
artistas galegos a essas cidades e a repercussão do seu racterística de toda esta tradição tântrica, evidencia-se
exílio na historia da arte tanto galega como rio-platense. dum jeito especial nesse texto a partir da relação amo-
Destaca o processo cultural que se estabeleceu entre rosa entre Shiva e Shákti, e através da descrição dos
estes dois territórios unidos por uma ponte cultural ba- estados pelos que vai passando o praticante a medida
RESIDÊNCIA seada na empatia e a experimentação das novas téc- RESIDÊNCIA que percebe a união e cisão de ambos, percebendo-o
DE PENSADORAS/ES nicas inovadoras, que logrou consolidar uma identidade DE PENSADORAS/ES como uma soa força de vibração (spanda) universal.
[agosto/setembro] galega no exterior. [outubro]
Henrique Komatsu Joelle Saliba
Henrique Komatsu nasceu em 1982 na cidade de Pereira Barreto, no interior do estado bra- Joelhe Saliba nasceu em Beirute (Líbano) e estudou literatura francesa na Universidade de
sileiro de São Paulo, e cresceu na cidade de Curitiba, onde estudou num colégio franciscano. Saint-Joseph (USJ Beirute); também fez parte do comité de estudantes para a edição de Oriente
Ingressou no curso de Filosofia da Universidade Federal do Paraná, instituição pela qual obteve Médio do premio literário Goncourt (Prix Goncourt, choix de l’Orient). Após terminar a licencia-
o bacharelado, e durante a graduação escreveu o seu primeiro livro: A igreja de pedra, publicado tura, ensinou francês. Em 2017, Joelhe recebeu uma bolsa para continuar o seu mestrado em
de maneira independente. Após a faculdade, trabalhou num navio de cruzeiros, na função de França e em Portugal: o programa de mestrado «Crossways in Cultural Narratives». A sua inves-
ajudante de cozinha, e com o dinheiro acumulado em alto-mar retornou ao Brasil, por onde tigação centrou-se em Anima, um romance do dramaturgo libanês-canadiense Wajdi Mouawad.
viajou por três meses para melhor conhecer o seu país. Ao final do período, escreveu dois li- Explorou os temas da dualidade, a narração polifónica e o xamanismo, assim como a reação
vros infantis, A menina que viu Deus e Gangorra, publicados em meio eletrónico, que figuraram do leitor. Em verão de 2018, trabalhou com o festival Visa pour l’Image (Perpinhã, França) e
entre os livros mais baixados na plataforma iTunes Brasil, além de um livro de contos, Cidade concebeu e dirigiu oficinas sobre «educação na imagem» para ajudar os meninos a compreen-
dormitório, e a novela Concerto para quatro mãos. Empregou-se depois num cartório judicial e der o trabalho do fotojornalista e dar ferramentas de interpretação das imagens de jornalismo
formou-se em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Atualmente mantém um fotográfico. Tem-se publicado recentemente um poema seu no sexto número da revista italiana
blog onde publica ensaios e contos, e teve um ensaio traduzido e publicado pela revista literária Robida, à volta do assunto «jogar».
Manoa, da Universidade do Havaí, em volume dedicado
à literatura brasileira contemporânea. Em setembro de Proposta de trabalho:
2019 publicará também o livro de contos Ototo, na edi-
tora Confraria do Vento, onde já tinha publicado, na ver- Karantina é a vizinhança na que medrei, é o espaço onde
são impressa, A Menina que viu Deus. as visões, os pesadelos e as fantasias se misturaram para
formar o meu imaginário pessoal. É o espaço que teve de
Proposta de trabalho: abandonar em 2014. Nesse mesmo ano comecei a via-
jar e desde então ainda não me estabeleci em nenhum
Após a escrita do livro Ototo, onde explorou as possibi- lugar. Ao longo desta residência, quero centrar-me nas
lidades da denominada creative nonfiction, experimen- particularidades dessa área que se encontra nos arrabal-
tando também o ensaio pessoal e investigando os seus des de Beirute, entre o mar e as partes mais animadas
limites com a ficção (em especial com a forma do conto) da capital, quase como uma ilha rodeada de formigão. O
na procura da ressignificação de experiências, crenças trabalho tem vontade de ser una mistura de elementos
e preconceitos próprios, Henrique Komatsu ficou intri- autobiográficos e de ficção sem ordem lineal. Explorarei a
gado, neste jogo de construção e desconstrução de sig- inacessibilidade do mar e da cidade apesar da sua proxi-
nificações, com a constatação de que cada experiência midade, a tensão entre o exterior e o interior, assim como
vivida carrega consigo um tanto de sentido e um tanto as pegadas deixadas pela guerra civil que não vivi (por-
de ausência de sentido. A escrita sempre nos indica um que ainda não tinha nascido) e as interrupções da cur-
sentido possível, mas, aparentemente, ao estabelecer ta guerra que experimentei em julho de 2006. Também
um sentido faz com que se perca a falta de sentido que incorporarei elementos das descrições que me fixo meu
habita cada experiência. Partindo disto, o autor tenta pai do lugar no que medrou e no que foi testemunha das
elaborar uma prosa que evidencie não o sentido das pa- transformações radicais que a zona sofreu.
lavras, mas a sua falta de sentido, sem descambar para
um texto absolutamente impenetrável. De fato, o sen-
RESIDÊNCIA tido é um vício e torna-se uma armadilha, tanto para o RESIDÊNCIA
DE ESCRITORAS/ES leitor quanto para o escritor. A procura é, pois, a duma DE ESCRITORAS/ES
[novembro] prosa que não caia nessa armadilha, mas que a indique. [novembro/dezembro]
Para qualquer consulta ou aclaração,
as pessoas interessadas
podem pôr-se em contacto connosco
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