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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................4.

2. História da Criação da Lei Maria da Penha..................................................................5.

2.1. Violência Doméstica..................................................................................................6.

3. Participação da ONU no caso de violência contra a Sra. Maria da Penha...................7.

4. Convenção Para Eliminar Todas as Formas de Descriminação Contra a Mulher........9.

4.1. Os principais Pontos da Convenção para Eliminar Todas as Formas de


Discriminação Contra a Mulher.......................................................................................9.

5. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a


Mulher............................................................................................................................12.

5.1. Os principais pontos da convenção interamericana para prevenir, punir e erradicar a


violência contra a mulher...............................................................................................12.

6. Aspectos comuns entre os objetivos da Lei Maria da Penhas e das Convenções......14.

7. Conclusão...................................................................................................................18.

8. Agradecimentos..........................................................................................................22.

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1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho, objetiva fazer uma análise sobre a Lei Maria da Penha, com
reciprocidade na luta da sociedade contra a violência sofrida pelas mulheres no
ambiente familiar, considerando a importância da criação de sanções penais para coibir
e punir a agressão contra a mulher. Far-se-á uma explanação à cerca da origem dessa
lei e a importância da atenção conferida pelo ordenamento jurídico brasileiro.

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2. História da criação da Lei Maria da Penha.

Conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, a lei 11.340/06, foi considerada
um ponto marcante no combate à violência domestica e familiar contra a mulher.

Essa lei também representa a ratificação dos direitos da mulher enquanto ser humano
e cidadã, segundo a Constituição Federal brasileira de 1988.

Dentre tantas formas de subjugação da mulher perante a sociedade dominada pela


figura masculina, a causa que deu ensejo à criação de uma lei especial, foi o crescente
aumento dos casos de agressões contra a mulher, que sempre foram tratados como uma
questão privada, que não deveria sair do âmbito familiar, surgindo, assim, a
necessidade de se criar normas para coibir a ocorrência desses fatos criminosos e punir
os agressores.

O presente Artigo Científico passará a apresentar os principais aspectos da Lei Maria


da Penha, fazendo uma explanação sobre a sua origem e as medidas por ela adotadas,
destacando os pontos positivos, observadas, também, as suas falhas, e propondo
melhorias para se obter a máxima garantia dos direitos conquistados através dessa lei.

Essa lei ficou conhecida como Lei Maria da Penha (LMP), em homenagem à
biofarmacêutica, natural de Fortaleza, capital cearense, que foi vítima de agressões
físicas e mentais por parte do marido, o professor universitário colombiano Marco
Antonio Herredia Viveros.

Na primeira, em 1983, ficou paraplégico em decorrência de um tiro nas costas


enquanto dormia disparado pelo marido, que alegou que a esposa foi atingida em um
assalto em seu domicílio.

Mas este episódio tornou-se mais do que um caso de justiça brasileira, tomou
conhecimento internacional, como expomos no parágrafo anterior, provocando uma
grande pressão no País para que fosse tomada uma medida em favor da luta que passou
a ser a de milhões de mulheres representadas pela mesma indignação de Maria da
Penha.

Essa lei representa a ratificação dos direitos das mulheres enquanto seres humanos,
garantidos pela Constituição Federal brasileira de 1988, conferindo-lhes o direito à
vida, à integridade física e moral, à liberdade, ao patrimônio, e, dentre tantos outros, o

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direito à dignidade e à busca pela felicidade, colocando-as em igualdade com os
homens, como cidadãs.

2.1. Violência Domestica.

A violência doméstica é a violência praticada dentro de casa, no âmbito familiar, os


agressores são os próprios familiares como pais, padrastos, irmãos, tios etc.

Caso a violência tenha sido praticada por um desconhecido não se encaixa na


classificação de um crime de violência doméstico e, sim, urbano, pois para ser um
crime doméstico, é preciso que haja o mínimo de parentesco.

É válido ressaltar que com o tempo a Lei Maria da Penha foi modificada, para
proteger não só a mulher, mas a toda pessoa que for vítima de qualquer tipo de
violência doméstica, englobando também aos homens que sofrerem maus tratos e
violações de seus direitos no núcleo familiar.

Ciente então com a complexidade do problema e as repercussões que causa, a eficácia


das ações de prevenção e redução da violência doméstica depende da reunião de
recursos de diversas áreas.

Na forma do artigo 226, § 8°, da Constituição Federal/88, o Estado age juntamente


com a sociedade civil, contando com movimentos sociais de mulheres, por exemplo,
Associação de Parentes e Vítimas de Violência (APAVV), fomentando fatores
estimulantes, como informações de programas de prevenção, buscando soluções para
essa problemática.
Geralmente as razões que levam as mulheres a se calarem são: o medo de represálias;
medo de ficar sem recursos para subsistência própria e de seus filhos; vergonha de
familiares e vizinhos; e a insegurança para “recomeçar”. Pelo fato de ter uma relação de
afeto e intimidade com o agressor, a grande maioria das vítimas acaba não
denunciando, pela esperança de que os episódios de agressão não mais se repitam.
Soares, em sua obra “Enfrentando a Violência contra a Mulher”, uma das formas de
prevenção é ficar atento a alguns sinais como, por exemplo: o comportamento
controlador do agressor; expectativas irrealistas com relação à parceira; abuso verbal.

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3. Participação da ONU no caso de violência contra a Sra. Maria da Penha.

A lei Maria da Penha ganhou um grande reconhecimento da ONU como a terceira


melhor legislação do mundo no caso de enfrentamento à violência contra mulheres
perdendo somente para Espanha e Chile, sendo que a primeira posição ficou com a lei
espanhola. Segundo a ONU – Mulheres, essa lei teve uma gigantesca participação na
mudança da sociedade brasileira, mas nada foi fácil, o caso Maria da Penha passou
durante longos 19 anos sendo discutidos nos tribunais, durante esses 19 anos o marido
passou dias livres, vivendo em tranquilidade, sendo assim, necessária a interferência da
Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, e veio criticando profundamente o
governo brasileiro para que essa situação viesse a ser resolvida, até que em fim no dia
07 de agosto de 2006, o presidente brasileiro na época, Luiz Inácio Lula da Silva,
aprovou uma lei na qual é conhecida por “Lei Maria da Penha”, assim proibindo com
mais rigor os autores de agressões contra mulher.

A ONU, sempre busca diminuir o numero de agressões contra mulheres, sendo com
criação de lei ou até mesmo de uma forma literária, levando para a escola desde os mais
novos até os mais velhos, segundo uma reportagem do site 2.camara.leg.br a lei Maria
da Penha chega as escolas em forma de cordel, segue um trecho da reportagem: “A lei
Maria da Penha virou tema até de cordel, traduzido para o Inglês e o Espanhol.
Convidado pelas Nações Unidas, o autor da obra representa o Brasil na campanha
“UNA-SE pelo fim da violência contra a mulher“, coordenada pela ONU. O projeto
“Lei Maria da Penha em Cordel” ganhou as escolas. Do Piauí, foi para Minas Gerais,
Mato Grosso e Pernambuco.”

Reconhecida por 98% da população brasileira a lei Maria da penha completou 10 anos
agora em 2016, e em sua data de comemoração a ONU – mulheres fez uma nota, onde
citou que “é importante que a Lei Maria da Penha seja preservada de propostas
legislativas que possam desfigurá-las. Ao completar 10 anos, urge dar continuidade a
todas as ações iniciadas pelo governo federal para dar maior efetividade à aplicação da
Lei Maria da Penha. Para tanto, é fundamental também o compromisso do poder
público em todas as esferas de governo com a defesa da Lei para conseguir avançar na
cobertura integral dos direitos por ela assegurados às mulheres brasileiras na sua
diversidade”.

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A ONU ainda afirma que somente com uma atuação incansável, integrada e vinculada
aos direitos das mulheres, que será capaz de enfrentar e reverter à violência machista e
reverter o 5° lugar que o Brasil ocupa num ranking de 83 países em assassinato de
mulheres.

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4. Convenção Para Eliminar Todas as Formas de Descriminação Contra a
Mulher.

A República Federativa do Brasil é signatária de diversos Tratados e Convenções


Internacionais que versa proteger e defender os direitos fundamentais das mulheres,
dando a elas garantia de que seus direitos não serão violados.

No Brasil ela foi adotada pela Resolução 34/180 da Assembleia Geral das Nações
Unidas, em 1979 e foi assinada e ratificada no ano de 1984. A convenção é multilateral,
foi ratificada por cerca de cento e oitenta e oito países, sendo que cinquenta aderiu o
tratado e trinta e oito rejeitaram o artigo 29. O Brasil fez parte desses países que
rejeitaram o artigo 29, §1°. Tais rejeições que foram suspensas em 1994 pelo Decreto
Legislativo n° 26, sendo reconhecida como válida através do Decreto N° 4.377, de 13
de setembro de 2002.

4.1. Os principais pontos da convenção para eliminar todas as formas de


discriminação contra a mulher.

Com base na convenção para eliminar todas as formas de discriminação contra a


mulher, de 1979, de forma conjunta com os Estados partes nos tratados internacionais
sobre direitos humanos, a partir deste acordo começa a consagrar as obrigações de
garantir ao homem e a mulher a igualdade da satisfação de todos os direitos
econômicos, sociais, culturais, civis e políticos.

Esse tratado é criado para coibir qualquer comportamento que se configure como
discriminação contra a mulher, tendo em vista apresentando duas propostas, promover
os direitos da mulher na busca da igualdade de gênero e reprimir todas as
discriminações contra a mulher.

De acordo com as informações podemos acrescentar a essa discussão a igualdade


material e a igualdade formal, de acordo com a orientadora Linda Luiza Johnlei Wu.
Prof MS, por sua vez a Igualdade formal é a “Igualdade perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza” (CF/88, ART 5º); considerando de que a lei geral é abstrata não
pode discriminar. É uma norma de proibição. O legislador constituinte fez ainda questão
de destacar; “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.

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Sendo assim a igualdade formal é mecanismo insuficiente para se objetivar uma
igualdade no plano concreto, isto porque a ausência de condições acaba por aumentar a
desigualdade social, sendo sanável somente através da garantia do Estado no
fornecimento de uma igualdade material.

O principio constitucional de igualdade de todos os seres humanos, como já foi dito,


sob os pontos de vista, da igualdade material e o da igualdade formal de acordo com o
professor Ingo Wolfgang Sarlet o principio da igualdade:

(...) encontra-se diretamente ancorado na dignidade da pessoa humana, não sendo por
outro motivo que a declaração universal da ONU consagrou que todos os seres humanos
são iguais em dignidade e direitos. Assim, constitui pressuposto essencial para o
respeito da dignidade da pessoa humana a garantia da isonomia de todos os seres
humanos, que, portanto, não podem ser submetidas a tratamento discriminatório e
arbitrário, razão pela qual não podem ser toleradas a escravidão, a discriminação racial,
perseguição por motivo de religião, sexo, enfim, toa e qualquer ofensa ao principio
isonômico na sua dupla dimensão formal e material.

A igualdade material cuja finalidade seria a equiparação dos cidadãos em todos os


contextos sociais e jurídicos, ou seja, o de tratamento equânime e uniformizado a todas
as pessoas, bem mais, a sua equiparação em possibilidades e oportunidades.

A formalização ainda que humanitária, idealista, e desejável da igualdade, na verdade


não se “materializou” em nenhuma sociedade humana. No Brasil se verificarmos a
realidade dos fatos, concluiremos a exacerbada concretude da desigualdade material.

Desta forma, não só os iguais se identificam igualmente, os desiguais se tornam


efetivamente iguais na medida de suas desigualdades, principio que assegura aos menos
favorecidos, equidade nas diferenças sociais. Como destaque para o principio de
igualdade para os desiguais, temos a garantia às mulheres de um tempo menor de
aposentadoria comparado aos homens, de cinco anos menos (CF/88, ART.40 inc.III, “a”
e “b”); por exemplo.

Prescreve o caput do art. 5º da nossa Constituição Federal de 1988: ”Todos são iguais
perante a lei sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito á vida, a igualdades, a
segurança, e a propriedade, (...)”.

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José Afonso da Silva nos diz “porque existem desigualdades, é que se aspira à
igualdade real ou material que busque realizar a igualdade das condições desiguais”.

A constituição brasileira neste contexto formaliza aquilo que é a busca material de


cada individuo, tratamento com igualdade, respeito às diferenças, e harmonia entre
direitos e deveres, pois esta é a verdadeira função social do principio da igualdade.

Finalmente, no meu ponto de vista, o Tratado buscou criar leis para que se resolva da
melhor forma possível essas discriminações contra a mulher para que tanto tenha uma
vida social adequada para se encaixar nos parâmetros de igualdade perante ao homem
pois não podemos fazer que o homem seja superior a mulher, vemos mulheres se
destacamos propriamente mais que os homens nos mercados de trabalho nos dias atuais,
por bem sessar qualquer tipo de violação contra a mulher era o mais correto e foi feito
pelo tratado para que os direitos de todos prevalecesse.

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais.

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5. Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra
a Mulher.

Outra convenção muito importante que garante os direitos fundamentais das mulheres
é a ”Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a
Mulher”, também é conhecida como Convenção de Belém do Pará - 1994. Ela vai nos
definir como violência quaisquer atos ou condutas a que vem ocorrer através das
diferenças de gêneros ocasionando morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou
psicológico à mulher, tanto na área pública quanto na privada.

A convenção foi adotada pela Assembleia Geral da Organização dos Estados


Americanos em 06 de junho de 1994, foi ratificada pelo Brasil em 1995 e promulgada
através do decreto nº 1973, em 1º de agosto de 1996.

5.1. Os principais pontos da convenção interamericana para prevenir, punir e


erradicar a violência contra a mulher.

Neste tratado nos deixa claro e afirma que a violação contra a mulher por si constitui
uma violação contra os direitos humanos e das liberdades fundamentais e limita total ou
parcialmente a mulher o reconhecimento, gozo e exercício de tais direitos e liberdades,
deixando claro este tratado que os direitos das mulheres serão iguais para que eles
possam se enquadrar na vida social da melhor maneira possível sem distinção de
qualquer forma.

Esta convenção se preocupa por conta que a violência contra a mulher é uma ofensa a
dignidade humana e uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais
entre mulheres e homens, pode se perceber que antes desse tratado a mulher não se
beneficiava de nenhum privilegio, era apenas para servir ao homem sem possuir o
direito de se expressar a suas idéias ou ate mesmo em âmbito de trabalho.

Convencido de que a eliminação da violência contra a mulher é condição indispensável


para seu desenvolvimento individual e social e sua plena igualitária participação em
todas as esferas da vida e convencidos de que uma convenção de prevenir, punir e
erradicar toda forma de violência contra a mulher, no âmbito das organizações dos
estados americanos, constitui uma contribuição positiva para proteger os direitos da
mulher e eliminar as situações de violência contra a mulher que possam afeta-las.

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Para os efeitos desta convenção pode se entender que a violência contra a mulher
através de qualquer ação ou conduta baseada no gênero que cause morte, dano ou
sofrimento físico, sexual ou psicológico a mulher, tanto no âmbito privado por conta
dessas violações contra a mulher, os direitos humanos busca intervir para que dessa
maneira não ocorra mais nenhum tipo de abuso no qual o homem sinta-se superior a
mulher no que se refere aos direitos, sendo assim a partir desta convenção foi possível a
concretização dos direitos femininos da sociedade.

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6. Aspectos comuns entre os objetivos da Lei Maria da Penha e das Convenções.

A década da mulher, instituída entre 1976 e 1985 pelas Nações Unidas, teve como
lemas a igualdade de direito, desenvolvimento e paz. O grande marco na história dos
direitos femininos foi à adoção em 1979 da Convenção para Eliminar Todas as Formas
de Discriminação Contra a Mulher (Cedaw na sigla em inglês). Como veremos a seguir
a convenção foi um importante marco para o reconhecimento dos direitos da mulher
como direitos humanos e sendo assim inicialmente possui lacunas na proteção dos
direitos femininos.

Em 1975 foi proclamado com o ano internacional da mulher e quatro anos depois foi
aprovada em 18 de dezembro de 1979 a Convenção Para Eliminar Todas as Formas de
Discriminação Contra a Mulher, e apesar de inúmeros países terem aderido, a
quantidade de reservas foi imensa, tanto que o próprio Brasil aderiu inicialmente com
reservas em 1983, e em 1984 foi ratificada pelo Congresso Nacional tendo força de lei
conforme o parágrafo 2º do artigo 5º da Constituição Federal, posteriormente em 1994 o
governo aderiu inteiramente e retirou as reservas.

O texto da Convenção traz em seus parágrafos iniciais a expressão “discriminação


contra a mulher” e define dentre práticas discriminatórias quaisquer que “baseada no
sexo e que tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo
ou exercício pela mulher” é possível perceber de antemão que termos como “Violência”
em suas variadas formas, “Gênero” e “Assédio” não estão presentes em sua primeira
versão, diferentemente dos textos das outras leis.

Outras diferenças se encontram à medida que avançando no texto percebe-se que o


mesmo não cita a criação de institutos ou programas próprios para a assistência das
mulheres vítimas de agressão, além de não mencionar mecanismos específicos para a
prisão do agressor, seja ela preventiva ou em flagrante. O texto ainda refere-se a uma
progressiva ação do Estado para a asseguração da igualdade, mas novamente de maneira
abstrata e sem mencionar medidas concretas.

Quanto a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência


contra a Mulher, que ficou conhecida como a Convenção de Belém do Pará, adotada na
cidade citada em 9 de junho de 1994 e tendo sua entrada em vigor em 1996. É

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considerada um importante passo na luta das mulheres, e serviu de base para a lei
11.340 ( Lei Maria da Penha), a convenção delineia a violência contra as mulheres,
retratando-a como uma ofensa aos direitos humanos.

Também esta Convenção, no Brasil, tem força de lei, de acordo com o disposto no
segundo parágrafo do artigo 5º da Constituição Federal. Logo em seu início é possível
identificar o termo “Violência” e os avanços na conceituação do mesmo, sendo que em
seu Artigo 1 a convenção determina “entender-se-á por violência contra a mulher
qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico,
sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.”,
percebe-se que as definições de violência abrangem diversas esferas do indivíduo.

Outra mudança significativa ocorrida com a adesão da convenção é o surgimento do


conceito de “Punição”, a possibilidade de punição é explicitada no artigo 7 que diz “Os
Estados Partes condenam todas as formas de violência contra a mulher e convêm em
adotar, por todos os meios apropriados e sem demora, políticos destinadas a prevenir,
punir e erradicar tal violência” , nota-se que o texto afirma a obrigatoriedade do Estado
em intervir diretamente nas situações de violência.

No decorrer do texto é inaugurada mais uma possibilidade que até então não existia, no
decorrer do artigo 7 é dito que o ao Estado cabe “estabelecer mecanismos judiciais e
administrativos necessários para assegurar que a mulher sujeita a violência tenha efetivo
acesso a restituição, reparação do dano e outros meios de compensação justos e
eficazes;” e sendo assim o texto afirma a necessidade da criação de chamados
“mecanismos judiciais” que seriam feitos exclusivamente para proteger a mulher sujeita
a violência.

No ano de 2016 completa-se 10 anos de existência da lei 11.340, popularmente


conhecida como Lei Maria da Penha, que é uma das referências mais importantes para a
efetivação da proteção de defesa das mulheres. A lei é em homenagem a Maria da
Penha Maia Fernandes, farmacêutica que após duas tentativas de homicídios por parte
do marido, se engajou junto aos órgãos públicos e a sociedade para mudar a situação
insatisfatória das vítimas de violência domestica no Brasil.

Já no Art. 1º da lei está um dos grandes avanços em defesa da mulher, a criação de


institutos próprios para lidar com competência cível e criminal para atender questões de

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família que decorrem de atitudes violentas como explicitado no artigo que diz que o
Brasil “dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar”.

A Lei Maria da Penha é a mais recente lei de proteção a mulher no Brasil, sendo assim
percebe-se uma serie de avanços no decorrer de seus artigos iniciais, tal como a ênfase
na violência domestica como explicita o Art. 4o “Na interpretação desta Lei, serão
considerados os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, as condições
peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar”.

Seguidamente em seu Art. 5º é apresentada a definição de violência mais abrangente


até agora sendo descrita como “Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica
e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.
Outra diferença encontra-se no parágrafo único do mesmo que diz “As relações pessoais
enunciadas neste artigo independem de orientação sexual”, a concepção de orientação
sexual é uma novidade não presente nos códigos anteriores e juntamente com a
concepção de gênero abre margem para interpretações nas quais a lei é aplicada para
homens em situação de violência.

Duas novas formas de violência complementam o texto da lei atual em comparação a


Convenção de Belém do Pará com sendo elas “Dano moral ou patrimonial”, sendo que a
violência patrimonial é descrita no artigo 7° em seu inciso IV como “qualquer conduta
que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos,
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos
econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades” e a violência moral
em seu inciso V como “qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria”.

Um novo avanço da lei é a possibilidade da prisão em flagrante e da prisão preventiva


do agressor como explicitado no Art. 20 que diz “Em qualquer fase do inquérito policial
ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de
ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade
policial.” E assim garantindo uma maior proteção a mulher vitima de violência, outra
proteção está no Parágrafo único que afirma “A ofendida não poderá entregar
intimação ou notificação ao agressor”.

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Além das citadas acima a lei 11.340 definiu uma serie de importantíssimos novos
parâmetros e concepções para prevenir e punir a violência contra as mulheres, tais como
o acréscimo de um terço de pena no caso de portadoras de deficiência, proibição de
penas pecuniárias como cestas básicas e multas. E por fim no Parágrafo único em seu
artigo 45 a lei explicita que “Nos casos de violência doméstica contra a mulher, o juiz
poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de
recuperação e reeducação.”.

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7. Conclusão.

O tema abordado no desenvolvimento deste trabalho, foi um assunto que exigiu um


certo cuidado e seriedade ao ser tratado. Foi possível analisarmos que as mulheres no
meio social, econômico e político são vitimas de comportamentos não munidos de
igualdade e também desprovidos de respeito. Isto se dá historicamente, uma vez que
nossas heranças culturais não contribuíam para que a mulher tivesse seus direitos
fundamentais assegurados. Tampouco se notava a necessidade da existência deste para
com a figura feminina.

A começar pela historia que de fato, foi escrita através de uma perspectiva masculina
dos acontecimentos. E isto não é novidade a ninguém uma vez que os homens eram
responsáveis por ocupar os papéis sociais, econômicos e políticos enquanto a mulher
destinava-se apenas para ambientes domésticos, lidando com seus filhos e marido.
Nasce deste modo o patriarcalismo.

Mais para frente o homem se desenvolvia e ganhava seu lugar como cidadão,
começava a ter seu papel na política, haja vista que a figura feminina novamente era
restrita ao ambiente do lar. Em Roma a coisificação da mulher se fez presente e esta
passou a ser apenas uma coisa na posse de seu genitor ou marido, ganhando sua
autonomia apenas com a morte de ambos.

Qualquer mulher que se dispusesse a ter uma opinião própria ou comportamentos tidos
por inadequados eram levadas às fogueiras e acusadas de feitiçaria pelo comportamento
rebelde. Algo que ocorreu durante toda a Idade Média e Moderna. As porcentagens de
mortos por fogueiras nestes tempos eram 75 a 90% apenas mulheres.

E decorrendo destes fatores, no século XIX se inicia a luta pelos direitos das mulheres
de forma mais eficaz. Desde então com a Revolução Industrial, com o capitalismo e
outros importantes acontecimentos as mulheres se organizaram em busca de melhores
condições de trabalhos e salários. Tragicamente isto resultou em centenas de
trabalhadoras queimadas em uma greve operária de uma indústria têxtil em Nova
Iorque, no ano de 1857. Sendo assim a luta feminina continuou pleiteando direitos
políticos e participação nas instâncias públicas.

De qualquer modo, a luta pelos direitos e igualdades das mulheres não impede que o
número de violência contra as mesma cresça algo que acontece no âmbito doméstico e

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familiar e que é fruto do poder exercido pelo homem, sendo “mais frequente em países
de uma prevalecente cultura masculina e menor em culturas que buscam soluções
igualitárias para as diferenças de gênero”.

No Brasil somente em 1993 na Conferência Mundial dos Direitos


Humanos (Convenção de Viena), organizada pela ONU, que
oficialmente foi reconhecido todos os direitos das mulheres como
direitos fundamentais. O Brasil, na qualidade de Estado Membro da
Convenção de Viena, da Convenção Americana de Direitos Humanos
(Pacto de San José da Costa Rica), da Convenção de Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, da Convenção
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a
Mulher pode sofrer penalizações internacionais caso descumpra o
fixado pelos referidos tratados e convenções internacionais, como
ocorrido no caso “Maria da Penha”, que se tornou standard no tema.
Em 2006, pautado por uma política de ação afirmativa em prol da
mulher, o legislador brasileiro promulgou a Lei 11.340, intitulada “Lei
Maria da Penha”, com vistas a criar mecanismos para coibir a
violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do
art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a
Violência contra a Mulher, sobre a possibilidade de criação dos
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Recentemente, em fevereiro de 2012, o Supremo Tribunal Federal,


em julgamento da ADI 4.424, reconheceu o caráter público
incondicionado da ação penal relativa a crimes de lesões corporais
contra a mulher em âmbito familiar e doméstico, entendimento este
que obrigará todos os órgãos jurisdicionais a respeitá-la, por seu
caráter erga omnes e eficácia vinculante. Tal decisão pelo órgão
máximo da estrutura do Poder Judiciário tem recebido severas críticas
e entusiásticos elogios.

Entretanto decidiu-se que após realizado o registro da ocorrência em


sede policial pelo delito de lesões corporais, tendo então indícios

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suficientes de autoria e materialidade, caberá ao Ministério Público
oferecer a denúncia, instaurando-se o processo penal, que terá como
fim natural e precípuo a sentença, de conteúdo condenatório ou
absolutório.

Se é certo que muitas dessas sofridas mulheres vitimizadas talvez


não tenham condições de exarar validamente uma manifestação de
vontade, no sentido de impedir o avançar da persecução penal, em
razão da dependência psicoemocional ou econômico-financeira do
homem que denunciou, não menos certo é que existem aquelas que
podem emitir tal declaração de vontade de forma válida e efetiva,
diante da situação fática de independência vivida com o agressor.
Diante da distinção entre tais mulheres e com o advento da decisão
vinculante do STF, como aplicar-lhes a igualdade substancial? É um
dos desafios que espera os profissionais do Direito que atuam perante
os Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar Contra a
Mulher. (Curso de Capacitação em Gênero, EMERJ).

Com uma breve analise feita do conteúdo trabalhado podemos finalizar que o objetivo
deste era de analisarmos a necessidade de uma proteção especializada as vitimas de
violência doméstica, as mulheres em seu todo. Começando com a estruturação histórica
da sociedade e seus papéis no âmbito social e domiciliar, verificando a existência de
uma desigualdade enraizada em nossa cultura patriarcal e nossa herança histórica.
Identificando sua origem e tratando também dos direitos fundamentais das mulheres.

Um fator extremamente importante se resulta desta relação de violência de gênero,


como consequência, por ocorrer via de regra em ambiente doméstico e familiar, passa a
ser o primeiro contato direto que um ser humano pode ter com a violência, haja vista
que isto certamente terá grande influencia nas formas que seus agentes, seja agressores
ou vitimas em suas condutas externas.

Apesar de não ser de fato a raiz de toda e qualquer forma de violência torna-se
imprescindível à existência de uma intervenção estatal nestas relações abusivas
domesticas e familiares de violência. Tornando-se essencial para que haja uma

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superação de grande parte de todas as ocorrências exteriores neste meio do ambiente
familiar e doméstico.

Sendo assim, nota-se que a violência doméstica é o primordial da agressividade que


intimida a todos. Quem coexiste com a brutalidade da violência, quer queira após o
nascimento, na infância ou adolescência tende a achar uma acerta naturalidade na
situação, o uso da força física, a agressividade vez que para essa pessoa estes
comportamentos são vistos como normais. Entretanto tornou-se evidente a
discriminação e violência para com as mulheres e o Estado interveio mediante a Lei
11.340/06 – Lei “Maria da Penha” para através dele coibir todos e quaisquer tipos de
violência, de modo que uma certa segurança fosse pleiteada para que desta forma as
mulheres resgatassem sua cidadania e dignidade, quando em maior parte dos casos,
sofrem os abusos caladas.

Em ultimação o juiz responsável pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar


contra a Mulher, encontra-se agora com mecanismos a sua disposição sendo eles,
instrumentos processuais satisfatórios para propiciar íntegra proteção, amparo, às
vitimas de tal gênero de violência. Sendo indispensável a implementação de
providencias com a finalidade de resgatar, em essência a cidadania, a dignidade e os
direitos fundamentais da mulher, esta que por sua vez é marginalizada por uma
sociedade machista e patriarcal.

Neste trabalho, percebemos a necessidade de criação de mais órgãos que se engajem a


prestar apoio às mulheres agredidas, sendo que apesar do regimento normativo ainda
nota-se que há muito pouca mobilização nesta parte. Isto é também a formação
ideológica machista em que vivemos, as tradições históricas que tratam de alienação,
consentindo que a figura feminina fosse discriminada ao longo da história. Sendo essa
mesma ideologia, a responsável para a ridicularização, o descaso, e escárnio das
pessoas, isto é do meio social para com a relação às agressões sofridas pelas mulheres.
De fato, somente quando conseguirmos mudar a mentalidade da sociedade educando-os
e conscientizando-os é que será possível colocarmos um fim a todo e qualquer tipo de
violência, discriminação e marginalização da mulher.

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8. Agradecimentos

Agradeço ao meu grupo pelo belo trabalho realizado, pela compreensão de todos ao
falarmos sobre a violência contra a mulher.

Agradeço ao professor Marcio Godoy pelas orientações realizadas que me permitiram


desenvolver este trabalho.

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