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IGP – AUXILIAR DE PERÍCIA

BIOLOGIA
Biologia

Estrutura e fisiologia da célula.

A Célula

É a unidade fundamental dos seres vivos,ou a menor unidade capaz de manifestar


as propriedades de um ser vivo; ela é capaz de sintetizar seus componentes, de
crescer e de multiplicar-se. Todos os seres vivos são compostos desta
unidade fundamental, desde as mais simples estruturas unicelulares, as
bactérias e os protozoários, até os mais complexos, como o ser humano e as
plantas. Dentro do mesmo indivíduo as células de diferentes tecidos são
diferentes, não existindo célula típica. Algumas diferenças entre células animais
e vegetais são ressaltadas
no aplicativo GBOL.

As estruturas subcelulares (organelas) são comuns a muitos tipos de células.


Essas organelas desenvolvem funções distintas, que, no total, produzem as
características de vida associada com a célula.Na célula animal eucariótica
existem três componentes básicos: membrana, citoplasma e núcleo. A
existência
de um núcleo bem diferenciado é a principal característica da célula eucariótica.
As seguintes organelas estão presentes nos organismos superiores:

No Citoplasma :

Delimitado externamente pela membrana plasmática e internamente pela carioteca


é o constituinte celular mais volumoso dividindo-se em hialoplasma e morfoplasma

Hialoplasma: Também chamado de citoplasmafundamental ou matriz


citoplasmática, é transparente, homogêneo e sem estrutura; nele estão
mergulhados os componentes celulares.

Morfoplasma: O morfoplasma engloba todos os elementos figurados do


citoplasma, ou seja, os organóides celulares, dentre os quais se destacam:
Núcleo, Retículo Endoplasmático liso e rugoso, Ribossomos, Mitocôndrias,

1. Ribossomos : São pequenos granulos que são vistos livres


mergulhados no citoplasma podendo também estarem agregados as membranas
do retículo endoplasmático formando o R.E.Rugoso. Local de uma das mais
importantes funções celulares a síntese de cadeias polipeptídicas e Proteínas.
2. Retículo Endoplasmático : O hialoplasma é percorrido por
uma série de vesículas e canais que se intercomunicam formando o retículo
endoplasmático Trata-se de uma estrutura que auxilia a distribuição e
armazenamento de substâncias e onde ocorrem reações bioquímicas. Existem
dois
tipos de Retículo endoplasmático. O RE granular é responsável pelo transporte de
material dentro da célula e participa da síntese de proteínas. O RE liso
também tem por função permitir o transporte de substâncias, síntese de
esteróides, inativação de certos hormônios, inativação de substâncias nocivas.
3. Complexo de Golgi: É constituído por uma pilha de vesículas
circulares e achatadas, servindo principalmente para o acúmulo de secreções para
serem liberadas no momento certo pela membrana citoplasmática e síntese
de açúcares.
4. Lisossomos : São pequenas bolsas formadas pelo complexo
de golgi, basicamente uma membrana que envolve enzimas. Estas enzimas
digestivas intracelulares ajudam na eliminação de bactérias e corpos estranhos.
Se rompido(isto não acontece devido a um revestimento glicoprotéico na sua face
interna, podem causar a destruição da célula (autólise).
5. Mitocôndrias : Corpúsculos esféricos ou alongados, possui
uma matriz limitada por duas membranas. Uma externa ou lisa e outra interna
com expansões chamadas cristas. Nela ocorrem a respiração celular (ciclo de
Krebs, cadeia de transporte de elétrons, dentre outros).
6. Centríolos - Pequeno cilindro situado próximo ao núcleo.
Cada célula (exetuando os vegetais superiores onde estão ausentes) possui dois
centríolos, perpendiculares entre si. Além de desempenharem papel importante no
processo de divisão celular formando os pólos, são responsáveis pela
formação
de cílios e flagelos.
7. Plastos - ausentes em animais. Estruturas para
armazenamento de amido, pigmentos e outros produtos celulares. É no
cloroplasto que ocorre a fotossíntese.
8. Vacúolos - ausentes em animais. Participação no controle
osmótico da célula e armazenamento de substâncias, excesso de água,
pigmentos solúveis e diversos produtos a serem eliminados.
9. Peroxissomos : Degradação de água oxigenada e do álcool.
10. Glioxissomos - ausentes em animais. Contém enzimas para
conversão de lipídios em açúcares, úteis no metabolismo celular.

No Núcleo:

O núcleo controla todas as atividades celulares: representa assim o


centro de coordenação celular. É no DNA do núcleo que estão localizados a
maioria dos genes, depositários da informação genética que são responsáveis
pela atividade celular. Tais informações são transmitidas ao citoplasma
através do RNA- mensageiro, que é sintetizado por uma ´serie de enzimas tendo
como molde o DNA (cromatina), onde irá regular através dos ribossomos toda a
síntese de proteínas específicas(estruturais e enzimáticas), responsáveis pela
arquitetura e fisiologia celulares.
A maioria das células é uninucleada(apenas um núcleo), mas existem
células binucleadas (dois núcleos), como as hepáticas e cartilaginosas, e
plurinucleadas (mais de dois núcleos), como as musculares estriadas.
1. Envoltório Nuclear ou Carioteca: A membrana nuclear constitui
um envoltório que engloba o suco nuclear, e onde estão imersos a
cromatina e o nucléolo. Esta membrana é uma diferenciação local
do retículo endoplasmático e se caracteriza pela alta quantidade de
poros. Através dos poros são realizadas trocas entre o núcleo e o
citoplasma. A quantidade de poros varia de acordo com o estágio
funcional da célula. Observada ao microscópio eletrônico,
a membrana apresenta-se constituída de duas
lâminas: a interna, que envolve o nucleoplasma e a externa que vive
em contato com o hialoplasma e possui ribossomos. Entre as duas
membranas situa-se uma cavidade chamado espaço perinuclear.
Quimicamente a carioteca possui a mesma composição do
plasmalema e ´retículo endoplasmático que é basicamente proteínas
e fosfolipídeos.
2. Cromossomos : entidades portadoras da informação genética.
3. Nucléolo : Síntese de RNA-ribossômico, principal constituinte dos
ribossomos.
4. Nucleoplasma:Líquido onde estão imersos o nucléolo e a
cromatina e são acumulados produtos resultante da atividade
nuclear, como RNA e Proteínas.

Estrutura e função das proteínas

Estrutura 3D da mioglobina

As Proteínas são compostos orgânicos de estrutura complexa e massa


molecular elevada (de 5.000 a 1.000.000 ou mais unidades de massa atômica),
sintetizadas pelos organismos vivos através da condensação de um grande
número de moléculas de alfa-aminoácidos, através de ligações denominadas
ligações peptídicas. Uma proteína é um conjunto de 100 ou mais aminoácidos,
sendo os conjuntos menores denominados Polipeptídeos. Em comparação,
designa-se Prótido qualquer composto azotado que contém aminoácidos,
peptídios e proteínas (pode conter outros componentes). Uma grande parte
das proteínas são completamente sintetizadas no citosol das células pela
tradução do RNA enquanto as proteínas destinadas à membrana
citoplasmática, lisossomas e as proteínas de secreção
possuem um sinal que é reconhecido pela membrana do reticulo
endoplasmático onde terminam sua síntese.

Parte de uma cadeia proteica mostrando as ligações peptídicas.

Aminoácidos

São compostos quaternários de carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O) e


nitrogênio (N) - também chamado de azoto em Portugal. A estrutura geral dos
aminoácidos envolve um grupo amina e um grupo carboxila, ambos ligados ao
carbono α (o primeiro depois do grupo carboxila). O carbono α também é ligado a um hidrogênio
e a uma cadeia lateral, que é representada pela letra R. O grupo R determina
a identidade de um aminoácido específico. A formula bidimensional mostrada
aqui pode transmitir somente parte da estrutura comum dos aminoácidos, porque
uma das propriedades mais importantes de tais compostos é a forma tridimensional,
ou estereoquímica.

Existem 300 tipos de aminoácidos, porém somente 20 são utilizados no organismo


humano, sendo denominados aminoácidos primários ou padrão; apenas esses
podem ser sintetizados pelo DNA humano. Desses 23, oito são ditos essenciais: o
organismo humano não é capaz de produzi-los, e por isso é necessária a sua
ingestão através dos alimentos para evitar sua deficiência no organismo. Uma
cadeia de aminoácidos denomina-se de "peptídeo", estas podem possuir dois
aminoácidos (dipeptídeos), três aminoácidos (tripeptídeos), quatro aminoácidos
(tetrapeptídeos), ou muitos aminoácidos (polipeptídeos). O termo proteína é
dado quando na composição do polipeptídeo entram centenas ou milhares de
aminoácidos.
As ligações entre aminoácidos denominam-se ligações peptídicas e
estabelecem-se entre o grupo amina de um aminoácido e o grupo carboxilo de
outro aminoácido, com a perda de uma molécula de água.

Composição

Quanto a estrutura molecular as proteínas são classificadas em:

Proteínas constituídas somente por aminoácidos como, por exemplo, a


queratina (cabelo). A hidrólise completa dessas proteínas produz unicamente α-
aminoácidos.

Proteínas complexas, conjugadas ou heteroproteínas: proteínas que apresentam


a cadeia de aminoácidos ligada a um radical diferente (grupo prostético).
Dependendo do grupo prostético, as proteínas podem ser classificadas em:
Glicoproteínas: o grupo é um glicídio. Exemplos: mucina (saliva) e osteomucóide
(ossos).
Cromoproteínas: o grupo é um pigmento. Exemplos: clorofila (vegetais
verdes) e hemoglobina (sangue).

Fosfoproteínas: o grupo é o ácido fosfórico. Exemplos: vitelina (gema do ovo) e


caseina
(leite).

Nucleoproteínas: o grupo é um ácido heterocíclico complexo.

A hidrólise completa dessas proteínas produz α-aminoácidos e grupos


prostéticos. Estrutura tridimensional
Estruturas tridimensionais das proteínas.

As proteínas podem ter 4 tipos de estrutura dependendo do tipo de aminoácidos que


possui, do tamanho da cadeia e da configuração espacial da cadeia polipeptídica. As
estruturas são:

Estrutura primária:

É dada pela seqüência de aminoácidos ao longo da cadeia polipeptídica. É o nível


estrutural mais simples e mais importante, pois dele deriva todo o arranjo
espacial da molécula. São específicas para cada proteína, sendo
geralmente determinados geneticamente. Um exemplo de proteína são os
ovos,feijão soja e etc.. A estrutura primária da proteína resulta em uma longa
cadeia de aminoácidos semelhante a um "colar de contas", com uma
extremidade "amino terminal" e uma extremidade "carboxi terminal". Sua
estrutura é somente a seqüência dos aminoácidos, sem se preocupar com a
orientação espacial da molécula.

Estrutura secundária
É dada pelo arranjo espacial de aminoácidos próximos entre si na
seqüência primária da proteína. É o último nível de organização das
proteínas fibrosas, mais simples estruturalmente.
Ocorre graças à possibilidade de rotação das ligações entre os carbonos a
dos aminoácidos e seus grupamentos amina e carboxila. O arranjo secundário
de um polipeptídeo pode ocorrer de forma regular; isso acontece quando os
ângulos das ligações entre carbonos a e seus ligantes são iguais e se repetem ao
longo de um segmento da molécula.
São dois os tipos principais de arranjo secundário regular:
alfa-hélice;
folha-beta.

Estrutura terciária
Resulta do enrolamento da hélice ou da folha pregueada, sendo mantido
por pontes de hidrogénio e dissulfito. Esta estrutura confere a atividade biológica às
proteínas.
A estrutura terciária descreve o dobramento final de uma cadeia, por
interações de regiões com estrutura regular ou de regiões sem estrutura
definida. Podendo haver interações de segmentos distantes de estrutura
primária, por ligações não covalentes.
Enquanto a estrutura secundária é determinada pelo relacionamento
estrutural de curta distância, a terciária é caracterizada pelas interações de longa
distância entre aminoácidos. Todas têm seqüências de aminoácidos diferentes,
refletindo estruturas e funções diferentes.

Estrutura quaternária
Algumas proteínas podem ter duas ou mais cadeias polipeptídicas. E
essa transformação das proteínas em estruturas tridimensionais é a estrutura
quaternária. Elas são guiadas e estabilizadas pelas mesmas interações da
terciária.A junção de cadeias polipeptídicas pode produzir diferentes funções para
os compostos.
Um dos principais exemplos de estrutura quaternária é a hemoglobina.
Sua estrutura é formada por quatro cadeias polipeptídicas.
Funções

Estrutural ou plástica
São aquelas que participam dos tecidos dando-lhes rigidez, consistência e
elasticidade. São proteínas estruturais: colágeno (constituinte das cartilagens),
acetina e miosina (presentes na formação das fibras musculares), queratina
(principal proteína do cabelo), fibrinogênio (presente no sangue), albumina
(encontrada em ovos) e outras.

Hormonal
Exercem alguma função específica sobre algum órgão ou estrutura de um
organismo como, por exemplo, a insulina (embora tecnicamente a insulina
seja considerada apenas um polipeptídeo, devido a seu pequeno tamanho).

Defesa
Os anticorpos são proteínas que realizam a defesa do organismo,
especializados no reconhecimento e neutralização de vírus, bactérias e outras
substâncias estranhas.
O fibrinogênio e a trombina são outras proteínas responsáveis pela
coagulação do sangue e prevenção de perda sanguínea em casos de cortes e
machucados.

Energética
Obtenção de energia a partir dos aminoácidos que compõem as proteínas.

Enzimática
São proteínas capazes de catalizar reações bioquímicas como, por exemplo,
as lípases. As enzimas não reagem, são reutilizadas (sempre respeitando o sítio
ativo) e são específicas.
As enzimas reduzem a energia de ativação das reações químicas. A
função da enzima depende diretamente de sua estrutura.
Proteínas altamente especializadas e com atividade catalítica. Mais de
2000 enzimas são conhecidas, cada uma capaz de catalisar um tipo diferente de
reação química.

Condutoras de gases
O transporte de gases (principalmente do oxigênio e um pouco do gás
carbônico) é realizado por proteínas como a hemoglobina e hemocianina.

Estrutura e função dos glicídios.


Os glicídios também conhecidos como açúcares, carboidratos ou hidratos de
carbono, são substâncias orgânicas constituídas fundamentalmente por átomos de
carbono, hidrogênio e oxigênio. Quando se fala em açúcar lembramos imediatamente
do sabor doce, mas nem todos os glicídios são adocicados. Por isso, os cientistas
preferem usar o termo glicídio em lugar de açúcar, para evitarem mal entendidos.
Os glicídios constituem a principal fonte de energia para os seres vivos,
estando presentes em diversos tipos de alimentos. O mel, por exemplo, contém o glicídio
glicose; da cana é extraída a sacarose, muito utilizada em nosso dia-a-dia; o leite contém o
açúcar lactose; e frutos adocicados contêm frutose e glicose, entre outros tipos de glicídios.
Tipos de glicídios e suas funções:
Monossacarídeos – Os glicídios mais simples são os monossacarídeos que apresentam
entre 3 e 7 carbonos na molécula e cuja fórmula geral é Cn(H2O)n . Nessa fórmula, n
representa um número entre 3 e 7.
Os nomes dos monossacarídeos são dados de acordo com o número de
átomos de carbono na molécula:

Trioses – 3 carbonos
Tetroses – 4 carbonos
Pentose - 5 carbonos Ex. ribose, desoxirribose
Hexoses – 6 carbonos Ex. frutose, galactose e frutose
Heptoses – 7 carbonos

Dissacarídeos – são moléculas formadas pela união de dois monossacarídeos. A


sacarose (C12H22O11), o principal açúcar presente na cana-de-açúcar, é um
dissacarídeo formado pela união de uma molécula de glicose e uma de frutose.
Outro exemplo, é a lactose, o açúcar do leite, constituído pela união de
glicose e galactose; maltose, glicose + glicose.

Polissacarídeos – são formados pela ligação entre centenas ou mesmo milhares de


monossacarídeos.

Amido – é uma substância característica das plantas e das algas. Suas moléculas
são formadas pela reunião de milhares de moléculas de glicose. Em momento de
abundância
de moléculas de glicose as plantas fabricam amido.. Em momentos de necessidade,
o
amido é quebrado, transformando-o em glicose usado como fonte de energia e de matéria
– prima para as células.
Os animais fabricam o polissacarídeo glicogênio, cuja função é semelhante à do
amido para as plantas. Depois de uma refeição rica em glicídios, as células de
nosso fígado absorvem moléculas de glicose do sangue, unindo-as para formar
moléculas de glicogênio, bastante semelhantes às moléculas de amido.
Quando a taxa de glicose no sangue reduz, nos períodos entre as refeições, as
células do fígado quebram o glicogênio, convertendo-o em moléculas de glicose. Estas são
lançadas
no sangue e chegam a todas as células do corpo. O glicogênio armazenado no fígado,
portanto, representa uma forma de guardar energia para os momentos de necessidade.

Celulose-Encontrada principalmente nas plantas, onde participa da constituição da parede


celular.

Quitina – Suas cadeia são formadas por vários açúcares com grupos amina (NH2
). Ocorre na parede celular dos fungos e no exoesqueleto de artrópodes, como
insetos, aranhas e crustáceos.

à quitina e a celulose são polissacarídeos estruturais de difícil digestão.

Estrutura e função dos lipídios.


São substâncias caracterizadas pela baixa solubilidade em água e outros solvente
polares e alta solubilidade em solventes apolares. São vulgarmente conhecidos como
gorduras e suas propriedades físicas estão relacionadas com a natureza hidrófoba
das suas estruturas, sendo todos sintetizados a partir da acetil-CoA.
Na verdade, todas a relevância do metabolismo lipídico advém desta
característica hidrófoba das moléculas, que não é uma desvantagem biológica
(mesmo o corpo possuindo cerca de 60% de água). Justamente por serem
insolúveis, os lipídios são fundamentais para estabelecer uma interface entre o meio
intracelular e o extracelular, francamente hidrófilos.
Todos os seres vivos possuem a capacidade de sintetizar os lipídios,
existindo, entretanto, alguns lipídios que são sintetizados unicamente pelos vegetais,
como é o caso das vitaminas lipossolúveis e dos ácidos graxos essenciais.

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CLASSIFICAÇÃO

Muitas classificações são propostas dependendo do ponto de vista, se químico ou


biológico. Desta forma, encontra-se na literatura especializada, várias formas de organizar
os lipídios de acordo com a abordagem, o que pode complicar a compreensão do
assunto. Entretanto, todas as classificações propostas baseiam-se em características
comuns às diversas moléculas de lipídios existentes na natureza, sendo apenas
uma forma didática de agrupá-las. Assim sendo, vamos agrupar os lipídios em dois
grandes grupos para melhor entendê-los: aqueles que possuem ÁCIDOS GRAXOS
em sua composição e aqueles que não possuem.

Os lipídios com ácidos graxos em sua composição são saponificáveis, pois reagem com
bases formando sabões. São as biomoléculas mais energéticas, fornecendo acetil-
coA para o ciclo de Krebs.

1) Acilgliceróis (glicerídeos): compostos por 1 a 3 moléculas de ácidos graxos


estereficado ao glicerol, formando mono, di ou tri-acil-gliceróis (mono, di ou triglicerídeos.

2) Ceras: ácidos graxos de 16 a 30C e álcool mono-hidroxilíco de 18 a 30C.

3) Fosfolipídios: ácidos graxos + fosfato

4) Esfingolipídios: ácido graxo + esfingosina

5) Glicolipídios: ácido graxo + glicerol + açúcar

Os lipídios que não contêm ácidos graxos não são saponificáveis. As


vitaminas lipossolúveis e o colesterol são os principais representantes destes lipídios
que não energéticos porém desempenham funções fundamentais no metabolismo.

1) Terpenos: possuem unidades isoprenóides como unidades básicas. As vitaminas E e


K são os representantes mais importantes, além de vários óleos aromáticos de vegetais.

2) Esteróides: o núcleo ciclo-pentano-per-hidro-fenantreno é a estrutura básica.


O colesterol (e seus derivados) e a vitamina D são os mais importantes
representantes deste grupo.

3) Carotenóides: um tipo de terpeno, geralmente álcool (Figura 5-4). A vitamina A é


o representante mais importante deste tipo de lipídio.

4) Prostaglandinas, tromboxanas e leucotrienos: são eicosanóides derivados do ácido


aracdônico.

FUNÇÕES
Os lipídios possuem funções importantíssimas para o metabolismo celular tanto
de eucariotas como procariotas, podendo-se relacionar como principais as seguintes .
Componentes das membranas celulares, juntamente com as proteínas (fosfolipídios e
colesterol);
Composto bioquímico mais calórico em animais e sementes oleaginosas sendo a
principal forma de armazenamento (tri-acil-gliceróis) e geração de energia metabólica
através da ß- oxidação de ácidos graxos;
Componentes de sistema de transporte de elétrons no interior da membrana mitocondrial
(umbiquinona);

Formam uma película protetora (isolante térmico) sobre a epiderme de muitos


animais (tecido adiposo);
Funções especializadas como hormônios e vitaminas lipossolúveis.

São vários os usos dos lipídios, seja na alimentação (óleos de grãos, margarina,
manteiga, maionese), seja como produtos manufaturados (sabões, resinas,
cosméticos, lubrificantes). Várias pesquisas nacionais recentes, indicam os lipídios como
importantes combustíveis alternativos, como é o caso do óleo vegetal
transestereficado que corresponde a uma mistura de ácidos graxos vegetais
tratados com etanol e ácido sulfúrico que substitui o óleo diesel, não sendo preciso
nenhuma modificação do motor, além de ser muito menos poluente e isento de enxofre.

Estrutura e função ácidos nucléicos.


Capacidade de guardar informações, de replicação, de gerar diversificação
de atividades numa célula, de catalisar, de unir gerações pelo processo de
hereditariedade e de dirigir a síntese de outras macromoléculas (proteínas) são atributos
de um ácido nucléico.
O RNA foi provavelmente o primeiro tipo de ácido nucléico a surgir na natureza.
Sua estrutura mais simples, a diversidade de tipos, a capacidade de autoreplicação,
a ação catalítica encontrada em certos RNA aponta para a condição de molécula hereditária
primordial. O DNA foi na verdade uma cria do RNA de algumas células primitivas
que ganharam com isso maior estabilidade e durabilidade do seu material em dupla
hélice. Com essa nova invenção das células era possível aumentar
consideravelmente o tamanho dos ácidos nucléicos e assim, estocar mais
informações e a partir daí desencadear a síntese de um maior arsenal de proteínas
que tornou o metabolismo celular mais complexo, diversificado e conseqüente eficiência
no seu funcionamento.
Embora a ordem de surgimento das moléculas informacionais tenha sido: RNA -
-- DNA --- PROTEÌNA, sabemos que as células modernas transferem a informação
biológica da forma: DNA --- RNA --- PROTEÍNAS. Essa seqüência de eventos é
considerado o DOGMA CENTRAL DA BIOLOGIA MOLECULAR.

ESTRUTURA DOS ÁCIDOS NUCLÉICOS:


O nucleotídeo é a unidade formadora de um ácido nucléico. Um filamento
ou encadeamento dessas unidades é chamada de fita polinucleotídica e um ácido
nucléico pode apresentar uma ou duas dessas fitas - hélice simples ou dupla.
Tanto o RNA como o DNA podem apresentar hélice simples ou dupla. As
diferenças nos nucleotídeos dos dois ácidos nucléicos residem nas suas bases
nitrogenadas e nas pentoses.
O DNA é predominantemente nuclear e o RNA, citoplasmático. Apesar
disso, ambos ocorrem desde o núcleo e citoplasma até o interior de organelas.
A estrutura do DNA em dupla hélice favorece não apenas a sua estabilidade
biofísica como também, a sua replicação com fidelidade. Pois, ao se separarem

as duas fitas se comportam como moldes para a síntese de outras


complementares, conservando assim a informação biológica.

Ao longo da evolução o teor de DNA nas células


aumentou consideravelmente. A célula humana apresenta aproximadamente 2
metros de DNA compostos de 3 bilhões de nucleotídeos e perfazendo cerca
de 40.000 genes, responsáveis pela síntese de mais de 100.000 proteínas.

III - OS MODELOS DE RNA:


RNA mensageiro;
RNA transportador;
RNA ribossomal;
RNA sn - RIBOZIMA;
RNA sno - RIBOZIMA.

OBS.: As hélices de ácidos nucléicos podem ser desnaturadas. Esta


desnaturação é reversível.

Anatomia humana:
Sistema nervoso.

É sistema nervoso que coordena as funções desempenhadas pelo


organismo.
O organismo trabalha como um todo em perfeita sincronização
O sistema nervoso forma no organismo uma rede de comunicações entre
a cabeça e todos os órgãos do corpo. Ele é formado pelo tecido nervoso, onde
se destacam os neurônios e as células da glia. Os neurônios são células que
possuem um corpo celular e prolongamentos. Os prolongamentos curtos são
chamados dendritos; o prolongamento longo, único em cada neurônio, é
chamado axônio. A função dos neurônios é conduzir impulsos nervosos. Esses
impulsos caminham em sentido único, entrando pelos dendritos, passando pelo
corpo celular e saindo pelo axônio.
Chama-se nervo a um feixe nervosas. Fibras nervosas são axônios
mielinizados. Os nervos possuem fibras aferentes ou sensitivas, que levam
informações aos centros nervosos, e fibras eferentes ou motoras, que trazem
as respostas dos centros nervosos.

Divisões do Sistema Nervoso

Sistema nervoso cérebro-espinhal – é o iniciador da atividade muscular e


regulador das nossas funções mentais e físicas. Consta de duas partes:

• Sistema nervoso central (SNC)


• Sistema nervoso periférico (SNP)

Sistema nervoso autônomo – funciona em um nível subconsciente e controla


numerosas funções dos órgãos internos, inclusive a ação do coração, os
movimentos peristálticos e a secreção de diversas glândulas. O sistema
nervoso autônomo compõe de uma serie de pequenas massas nervosas ou

gânglios; por isso, também é designado sistema ganglionar. Consta de duas


partes:

• Sistema nervoso simpático


• Sistema nervoso parassimpático
Sistema Nervoso central – é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal.
O encéfalo é o conjunto de órgãos nervosos alojados no crânio; compreende:

• Cérebro
• Cerebelo
• Protuberância
• Bulbo

Cérebro – é o órgão capaz de guardar informações, gerar pensamentos,


determinar reações que o corpo deve realizar em resposta às sensações.
Pesa, em média, 1.200 gramas. Não é constituído por massa continua; há, no
seu interior, cavidades denominadas ventrículos. É dividido por um sulco em
dois hemisférios. Sua superfície é enrugada e são as rugas ou dobras que
recebem o nome de circunvoluções cerebrais. Quando cortado, o cérebro
apresenta duas substancias diferentes: uma branca, que ocupa o centro e
outra cinzenta, que forma o córtex.

Cerebelo – é localizado logo abaixo do cérebro, o cerebelo é dividido em duas


porções: uma externa formada de substancia cinzenta e outra interna, formada
de substancia branca e cheia de ramificações, lembrando uma árvore; por isso,
o cerebelo também é conhecido por arvore da vida. Quanto às funções, o
cerebelo influi na manutenção do equilíbrio do corpo e por ele se efetua a
coordenação dos movimentos voluntários.

Protuberância – é localizado abaixo do cérebro, diante do cerebelo e acima do


bulbo. Serve de ponte de ligação entre o bulbo, o cerebelo e o cérebro. A parte
externa é formada por substancia branca e a interna, por substancia cinzenta.
Como centro nervoso, a protuberância interfere nas emoções e determina
reações que as acompanham, como a aceleração dos movimentos
respiratórios e da pulsação arterial.

Bulbo – localiza-se abaixo da protuberância, nesta parte do encéfalo estão


localizados dois dos mais importantes centros nervosos, ou seja, o centro
respiratório e o centro cardiovascular. Estes centros localizam-se na região do
bulbo chamada nó vital. Uma agulha ou estilete, atingindo o nó vital, determina
morte instantânea.

Medula Espinhal – é a continuação do bulbo, apresenta-se como um cilíndrico


achatado que desce pelo interior da coluna vertebral.

Sistema Nervoso Periférico – é formado pelos nervosos que partem do


encéfalo e da medula, são ao todo, 43 pares; 12 pares partem do encéfalo e
constituem os nervoso cranianos e 31 pares nascem da medula e constituem
os nervos raquianos. Quanto às funções que executam, os nervos são
classificados em:

• Sensitivos – conduzem aos centros nervosos (encéfalo e medula) as


impressões recebidas do meio ambiente.
• Motores – transmitem ordens, provenientes do centros nervosos, para que
os músculos se contraiam ou as glândulas secretem seus produtos.

Todos os nervos raquianos são mistos porque apresentam duas raízes nos
pontos de ligação com a medula: a raiz posterior de função sensitiva e a raiz
anterior de função motora. As duas raízes se unem em um só nervo misto.

Sistema Nervoso Autônomo – é formado de uma serie de pequenas massas


nervosas ou glândulas que funcionam independentemente de nossa vontade.
Assim, o coração, o estômago, o intestino e outros órgãos são comandados
pelo sistema nervoso autônomo, sem influencia de nossa vontade.

• Sistema nervoso simpático: consta de duas fileiras de gânglios, uma de


cada lado da coluna vertebral, das quais saem fibras nervosas que chegam à
medula e outras que se distribuem por vários órgãos do corpo.

• Sistema nervoso parassimpático: é constituído por fibras nervosas que se


destacam de certos nervos cranianos e de alguns nervos da região do sacro.
A diferença funcional entre os dois setores simpático e parassimpático,
refere-se às substancias liberadas em suas terminações: simpático –
noradrenalina e parassimpático – acetilcolina. Seus efeitos são compostos, isto
é, quando o simpático estimula certa ação e inibe outra, o parassimpático inibe
a primeira e estimula a segunda.Chama-se reflexo a um ato involuntário que
ocorre devido à estimulação de um órgão.

Aparelho digestivo;
O sistema digestivo é responsável pela transformação dos alimentos em
migalhas pequenas, ou nutrientes, que serão utilizados pelas células. Ao
conjunto de alterações sofridas pelos alimentos no interior do sistema
digestório dá-se o nome de digestão. Tal processo é realizado por enzimas e
Os principais nutrientes obtidos são: ácidos graxos, aminoácidos, glicose,
frutose e glicerol.
É constituído pelo tubo digestório e pelas glândulas anexas (são as
salivares, o fígado e o pâncreas), o aparelho digestório é formado por boca,
faringe, esôfago, estômago e intestino. Na boca há a presença da língua e dos
dentes, esses têm a função de triturar os alimentos para facilitar a sua posterior
digestão.
A digestão química por ação de enzimas (ptialina) tem início na boca, os
alimentos impulsionados pela língua seguem para a faringe e em seguida para
o esôfago (têm paredes musculares cujas contrações resultam os movimentos
peristálticos, os quais permitem aos alimentos movimentar-se em direção ao
estômago).
A passagem dos alimentos do esôfago para o estômago ocorre através
da válvula cárdia, que tem a função de impedir o refluxo do alimento para o
esôfago durante as contrações estomacais. Os alimentos no estômago sofrem
a ação do suco gástrico (composto por muco, enzima pepsina e ácido
clorídrico), formando-se o bolo alimentar ou quimo.
Do estomago o alimento segue para o intestino, passando pela válvula
piloro que, como a cárdia impede o seu fluxo. Os alimentos sofrem ação do
suco pancreático, do suco entérico e da bile, no intestino. A ação da bile e dos

sucos ocorre no duodeno (intestino delgado), onde se completa a digestão.

Os nutrientes produzidos são absorvidos pela parede intestinal. Os restos


vão para o intestino grosso; no final dele chegam, sob forma de fezes, ao meio
externo, através do ânus.

Glândulas

Glândulas salivares
São os órgãos encarregados de produzir a saliva, suco digestivo que contém a
ptialina, que age sobre o amido, transformando-o em moléculas menores.

Fígado
É a maior glândula do corpo humano. Pesa aproximadamente 1.400g, tem cor
vermelho-escuro. Tem várias funções, entre elas está a de produzir a bile, que
é conduzida ao duodeno pelo canal colédoco. A bile é formada principalmente
de sais biliares, colesterol e pigmentos.

Pâncreas
É responsável pela excreção de várias substâncias importantes para a
digestão, que são lançadas no duodeno através do canal de Wirsung. O
pâncreas além de participar na digestão dos alimentos, produz a insulina
(hormônio que regula o teor de glicose no sangue).

Órgãos

Dentes
São órgãos que auxiliam na mastigação dos alimentos, e os encontramos na
boca.
Tipos de dentes: Incisivos, Caninos e molares (divididos em pré-molares e
molares). Cada tipo de dente tem sua função própria no processo de
mastigação. Os incisivos cortam, os caninos rasgam e os molares trituram os
alimentos.

Estômago

Localizado na parte superior do abdome, abaixo do diafragma e do fígado. A


parede interna do estômago possui inúmeras glândulas que elaboram o suco
gástrico. Este contém pequena quantidade de acido clorídrico, o bolo alimentar
passa por transformações e recebe o nome de quimo.

Faringe e Esôfago
Faringe – começa logo após a boca e segue até o esôfago, é um canal comum
aos sistemas respiratório e digestório, pela faringe passa o ar, que se dirige à
laringe, e o alimento, que se dirige ao esôfago.

Esôfago – é o canal que faz a ligação entre a faringe e o estômago, é


localizado entre os pulmões, atravessa o músculo diafragma, e fica atrás do
coração. Os movimentos peristálticos fazem com que o bolo alimentar avance
até o estômago (leva aproximadamente de 5 a 10 segundos).

Intestino

Intestino Delgado – é um tubo digestivo que tem um pouco mais de 6 m de


comprimento por 4 cm de diâmetro, e é dividido em: jejuno (cerca de 5m),
duodeno (cerca de 25 cm) e íleo (cerca de 1,5 cm). É no intestino delgado
que ocorre a maior parte da digestão enzimática e quase toda a absorção.

Intestino Grosso – é feita por ele a absorção de água, que determina a


consistência do bolo fecal. O intestino grosso se divide em: ceco, cólon
ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmóide e reto. Ele
se
localiza no abdômen e possui a forma de um U invertido.

Aparelho locomotor;

Esqueleto Humano

O esqueleto tem como finalidade primária sustentar o organismo. O


sistema locomotor é constituído por músculos e ossos, e é ele o responsável
pela execução da locomoção. Os ossos são classificados de acordo com as
suas dimensões, são irregulares, chatos e longos, no corpo humano há mais
de 200 ossos.
Através de juntas ou articulações os ossos ligam-se uns aos outros.
Além de prenderem os ossos uns aos outros, as articulações permitem os
movimentos do corpo.
Juntamente com os ossos, as cartilagens formam o esqueleto. As
superfícies dos ossos, na região em que eles
se articulam, devem ser lisas, para impedir maior desgaste, e por isso são
revestidas por cartilagem.
O esqueleto humano é dividido em apendicular, zonal e axial. O zonal
inclui a cintura escapular (ombros) e pélvica (quadris); o axial compreende o
crânio, a coluna vertebral, as costelas e o externo; o apendicular inclui
os membros superiores e inferiores.

Os Músculos
Os movimentos do corpo são de responsabilidade dos músculos. São
constituídos por tecido muscular, que pode ser de três tipos: liso, estriado
esquelético e estriado cardíaco. O liso é formado por células musculares lisas
e constitui os músculos lisos, cuja contração é lenta e involuntária.
O muscular esquelético é formado por células musculares esqueléticas,
que formam os músculos esqueléticos, cuja contração é rápida e voluntária.
O estriado cardíaco é formado por células que formam a musculatura
do coração, cuja contração é rápida e involuntária. Os movimentos
voluntários são realizados pela musculatura estriada esquelética.
Os músculos esqueléticos se contraem antagonicamente: quando um se
contrai, o seu oposto relaxa, resultando nos movimentos. Os músculos se
prendem aos ossos por meio de tendões.
Aparelho circulatório;
No ser humano, como em todos os mamíferos, a circulação é feita através de
um sistema fechado de vasos sanguíneos, cujo núcleo funcional é o coração. A
circulação é responsável pela disseminação de alimentos e de oxigênio e
retirada dos restos formados pelas atividades celulares, esse trabalho é executo
pelo sangue.

Coração:

- Tamanho: aproximadamente o tamanho de um punho fechado.


- Peso: cerca de 300 gramas.
- Número de batimentos cardíacos por minuto: bate ente 72 e 80 vezes/min.
- Função: mantém uma corrente constante de sangue venoso para os pulmões
e outra de sangue arterial para
as diferentes partes do corpo.

O coração é um músculo oco, de fibras estriadas, revestido externamente


pelo pericárdio (serosa) e dividido por um septo vertical em duas metades.
Cada metade consiste de duas câmaras: 1 aurícula superior e 1 ventrículo
inferior. Entre cada câmara há uma válvula, a tricúspide do lado direito do
coração e a bicúspide ou mitral, do lado esquerdo.
Estas válvulas abrem-se em direção aos ventrículos durante a
contração das aurículas e, em seguida, fecham- se, impedindo o refluxo do
sangue. Na aurícula direita chegam às veias cavas superior e inferior e na
aurícula esquerda, as quatro veias pulmonares.
Do ventrículo direito sai a artéria pulmonar e do ventrículo esquerdo sai a
artéria aorta. Em cada contração, o sangue é bombeado, com certa pressão,
para o interior dos vasos sanguíneos (artérias, arteríola, capilares vênulas e
veias).
O coração funciona como uma bomba e seu trabalho resulta na
circulação do sangue no organismo. Esse trabalho é possível graças à
presença de uma musculatura cardíaca chamada miocárdio. Quando o coração
se relaxa (diástole), enche-se de sangue, que chega através das veias; ao
contrair os vasos, artérias, o sangue é levado para todo o organismo.
Os vasos sanguíneos:

Artérias – são os vasos ao longo dos quais flui o sangue do coração para os
capilares; ramificam-se em vasos de menor calibra, constituindo as arteríolas.
As paredes destes vasos são grossas para suportar a pressão exercida pelo
sangue.

Capilares – são vasos de diâmetro muitíssimo reduzido, constituindo as


ultimas ramificações das arteríolas e vênulas. São os capilares que põem em
comunicação os sistemas arterial e venoso.

Veias – são os vasos ao longo dos quais o sangue volta ao coração.


Internamente são providas de válvulas que impedem o refluxo do sangue.
Como as artérias, também se ramificam em vasos de menor calibre,
denominados vênulas, que ligam veias aos capilares.

Pequena e grande Circulação


A saída do sangue venoso do ventrículo direito, através da artéria pulmonar, e
sua volta, já oxigenado ao nível pulmonar, através das veias pulmonares até a
aurícula esquerda, correspondem à pequena circulação. A saída
do sangue arterial do ventrículo esquerdo, através da artéria aorta, e sua volta
até a aurícula direita, através
da veia cava, correspondem à grande circulação.

Circulação Linfática
A linha espalhada na intimidade dos tecidos e debaixo da pele é recolhida em
capilares linfáticos, passa para vasos linfáticos que desembocam em dois
troncos; o canal torácico e grande veia linfática. Estes dois troncos se abrem,
respectivamente, nas veias subclávia esquerda e subclávia direita.
Das veias subclávias, a linha passa para a veia cava superior
entrando na circulação geral. No trajeto dos vasos linfáticos, encontram-se
pequenos espessamentos, os gânglios linfáticos, cuja principal função é
produzir leucócitos. Os vasos linfáticos intestinais são denominados vasos
quiliferos porque recebem parte do quilo durante a absorção.

Aparelho respiratório;

O ar entra pelas fossas nasais, segue para a faringe (órgão comum ao


sistema digestivo e respiratório), daí vai para a laringe, um tubo que possui em
sua abertura uma estrutura chamada epiglote. A laringe se abre para a
passagem de ar e se fecha durante a deglutição, impedindo que os alimentos
entrem no sistema respiratório.
Além disso, é na laringe que estão localizadas as cordas vocais,
estruturas responsáveis pela modulação dos sons. Da laringe o ar segue para
a traquéia (tubo que o leva aos pulmões), a parte inferior da traquéia se
ramifica nos brônquios direito e esquerdo, cada um entrando num dos
pulmões.
Os pulmões são dois órgãos revestidos por uma membrana chamada
pleura. São formados por pequenos sacos denominados alvéolos, que são
responsáveis pelas trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio
ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue
(formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono
(que vem da célula como carboemoglobina).

Nos alvéolos pulmonares ocorre à entrada de oxigênio e a saída de gás


carbônico, com a conseqüente passagem do sangue venoso para arterial.
Essa troca gasosa ao nível pulmonar é chamada hematose. O gás carbônico
liberado elas células ligase à hemoglobina ao nível dos tecidos.

Chamamos de ventilação pulmonar o processo de entrada e saída de ar nos


pulmões. Ela se dá em dois
tempos: inspiração, fase em que o ar é levado ao interior dos pulmões, e
expiração, fase em que o ar sai dos pulmões e é levado ao meio externo.

Para que a ventilação seja possível, há o trabalho dos músculos intercostais e


do diafragma. A respiração é o processo de obtenção de energia pelos
organismos vivos. Para percorrer, é necessário que o oxigênio se introduza no
organismo e o gás carbônico seja eliminado. No homem é o pulmão que tem a
função de receber oxigênio do are passar ao ar o gás carbônico.

Para que a ventilação seja possível, é necessário o trabalho dos músculos


intercostais e do diafragma. A respiração é o processo de obtenção de energia
pelos organismos vivos. Para isso, é necessário que o oxigênio se introduza no
organismo e o gás carbônico seja eliminado.

Fossas nasais – se comunicam com o meio exterior pelos orifícios das


narinas. O interior das fossas nasais está dividido em duas metades pelo
septo nasal; a porção superior de cada fossa nasal em contato com a base do
crânio tem função olfativa; a porção inferior tem função respiratória e é
revestida por um epitélio rico em glândulas mucosas, cuja secreção umedece
e filtra o ar inspirado.

Faringe – continuação das fossas nasais, constitui a passagem comum do


ar em direção à traquéia, e dos alimentos, em direção ao esôfago.

Laringe – situada entre a faringe e a traquéia; durante a deglutição, a laringe


eleva-se ao mesmo tempo em que a epiglote fecha o orifício de comunicação
com a faringe, impedindo que o alimento entre na traquéia. No interior da
laringe encontram-se as cordas vocais.

Traquéia – um tubo de aproximadamente 12 cm de comprimento e 2 cm de


diâmetro, formado por uma serie de anéis cartilaginosos, que o matem
aberto.

Brônquios – as duas ramificações da traquéia, direita e esquerda, que


penetram nos pulmões. No interior dos pulmões, os brônquios se ramificam
em tubos cujo diâmetro vai diminuído à medida que eles se subdividem,
reduzindo-se finalmente a finíssimos canais, denominamos bronquíolos.
Estes terminam nos alvéolos pulmonares.

Pulmões – são dois órgãos de consistência esponjosa, situados no tórax.


Há entre eles um espaço denominado mediastino. É nos pulmões que o
oxigênio do ar passa para o sangue e o gás carbônico do sangue passa
para o ar atmosférico. Por essa razão, os dois pulmões são considerados
os órgãos essenciais da respiração.
Aparelho urinário;
É a principal via de eliminação de resíduos do organismo. É formado por dois rins e pelas vias urinárias,
compostas por dois ureteres, uma bexiga e uma uretra. A principal finalidade do sistema excretor é produzir e
eliminar urina.

Rins – são dois órgãos de cor vermelho-escuro, situados na parede


posterior da cavidade abdominal, na região lombar. Têm a forma de um
feijão enorme, com tamanho aproximando de 12 cm.
Vias Urinarias – cerca de 2000 litros de sangue passam diariamente pelos rins,
sendo filtrados aproximadamente 200 litros. Desse total, cerca de 1 a 3 litros
vão formar a urina que os rins eliminam, através
de uma série de tubos ou canais.
Como o sangue circula continuamente pelos rins, a urina é
continuamente produzida. Baseado na observação diária do seu organismo
você conclui que deve existir um órgão onde a urina fica acumulada antes de
ser eliminada. Este órgão é a bexiga, cuja capacidade é de cerca de 300 cm³,
ao atingir este volume de urina, surge a necessidade de esvaziá-la.

Micção – é o processo pelo qual a urina é periodicamente expulsa da bexiga,


após atingir determinado volume. A eliminação da urina se faz através da
uretra. Um adulto normal, em média, elimina 1 litro e meio de urina, em 24
horas.

Vias Respiratórias – o gás carbônico resultante das combustões internas se


desprende da hemoglobina e é eliminado para o exterior através das vias
respiratórias. Além do gás carbônico, através das vias respiratórias, também
eliminamos o excesso da água, na forma de vapor.

Pele – na nossa pele encontram-se as glândulas sudoríparas, produtoras do


suor. O suor é um líquido ligeiramente ácido composto de água, uréia, ácidos e
sais. Um adulto normal, em média, elimina cerca de 600 cm³ de suor, em 24
horas. A maior ou menor quantidade de suor eliminada depende das condições
de temperatura ambiente, da atividade desenvolvida pelo individuo, etc.
Além de ser produto de excreção, o suor participa da regulação térmica
do organismo, mantendo constante a temperatura do corpo.

Sistema de reprodução;
Denomina-se reprodução a capacidade que os seres vivos possuem de
produzir descendentes. Ocorre a reprodução sexuada no homem, ou seja,
para que esta reprodução aconteça é necessário à participação de dois
indivíduos de sexos diferentes, o homem e a mulher. Ambos produzem
células sexuais em seus órgãos sexuais. Na mulher esses órgãos sexuais
são os ovários, que produzem os óvulos; no homem, são os testículos, que
produzem os espermatozóides.

Fecundação – durante o ato sexual as células sexuais feminina e masculina


podem encontrar-se, ocorrendo a fecundação e, através dela, a formação da
célula-ovo ou zigoto. Esta se desenvolverá dentro do útero
materno, até se formar um novo indivíduo.
Sistema reprodutor Masculino

É formado por dois testículos, dois epidídimos, dois canais, próstata, duto
ejaculador, uretra e pênis.

Testículos – produzem espermatozóides e um hormônio, a testosterona,


que determina as características sexuais secundárias masculinas;

Epidídimos - armazenam espermatozóides;

Vesícula seminal e a próstata – produzem secreções que, juntamente


com os espermatozóides, constituirão o sêmen;
Pênis - é formado por tecido erétil, que permite a sua ereção.
A relação sexual masculina compreende a fase de ereção do pênis, que é
provocada por estimulação psíquica ou dos genitais, seguida da emissão, em
que há contração do epidídimo e dos canais deferentes, levando os
espermatozóides até a uretra. Ali, eles se unirão às secreções das vesículas
seminais e da próstata, formando o sêmen. Por fim, ocorrerá a ejaculação,
quando o sêmen será lançado no meio exterior através da uretra.

Sistema Reprodutor Feminino

É formado por dois ovários, duas tubas uterinas, útero, vagina e genitália
externa ou vulva. Tais órgãos juntos são responsáveis pela reprodução
humana.

Ovários – tem a função de produzir as células reprodutoras femininas,


chamadas óvulos, além disso, produzem os hormônios femininos; o estrógeno
e a progesterona.

Tubas uterinas – ocorre a fecundação, ou seja, a união do espermatozóide


com o óvulo, formando-se a célula-ovo.

Útero – é o lugar onde a célula-ovo se instala, dividindo-se a seguir para


formar o embrião de um novo individuo.

Vagina e a Vulva – relacionam-se com o ato sexual feminino; na última se


encontram o clitóris e os grandes e pequenos lábios.
A excitação sexual da mulher depende da existência de desejo
psíquico e de excitação da sua genitália externa, particularmente de
massagem do clitóris. Quando ela está excitada, há intumescimento dos
seus órgãos genitais, seguido de lubrificação da vagina, que auxilia os
movimentos do pênis e a excitação do homem.
O ciclo sexual feminino é controlado pela hipófise. Essa glândula
produz FSH, que estimula o amadurecimento dos folículos ovarianos. Os
mesmos produzem estrógenos, que acabam por inibir a produção de FSH
pela hipófise. Ela passa, então, a liberar o LH, que age sobre o folículo
maduro e provoca a ovulação.
Os restos de folículos produzem a progesterona, hormônio que,
juntamente com os estrógenos, prepara a parede do útero para receber o
embrião em caso de gravidez, a parede do útero se descama, eliminando o
revestimento que ali se formara o que chamamos de menstruação.
A gestação ou gravidez é o período compreendido entre a fecundação e o
nascimento. Durante esse período, forma-se a placenta, que garante ao feto
nutrientes e oxigênio e elimina os seus produtos de excreção

Sistema endócrino;

Tipos de glândulas

Glândulas exócrinas – possuem um canal por onde o material secretado


sai. As substâncias produzidas pela glândula exócrina são lançadas, através
do canal, para a superfície da pele e para o interior do tubo digestivo.
Exemplos: Glândulas lacrimais, glândulas salivares, glândulas sudoríparas.

Glândulas endócrinas – produzem hormônios, substâncias químicas que


são lançadas diretamente no sangue. A hipófise localiza-se na base do
cérebro. Sua parte anterior produz o hormônio de crescimento e hormônios
que regulam as atividades das outras glândulas. Sua parte posterior
armazena dois hormônios: ocitocina (responsável pelas contrações uterinas) e
antidiurético (atua nos rins, controlando a quantidade de água eliminada na
urina).

• Hipófise – se localiza numa pequena cavidade do osso esfenóide na base do


crânio. Sua função é de coordenar quase todas as glândulas do corpo: regula o
teor de água e a utilização dos açúcares e gorduras: controla o crescimento e o
desenvolvimento dos órgãos sexuais. O principal efeito da insuficiência
hipofisária é o nanismo.

• Tiróide – se localiza no pescoço, à frente da traquéia. Produz a tiroxina,


que interfere no consumo de oxigênio e gorduras e na produção de calor
pelo organismo.

• Paratireóides - localizam-se atrás da tireóide e produzem o paratormônio,


que regula a quantidade de cálcio no plasma sangüíneo. A insuficiência desse
hormônio pode levar ao aparecimento da tetania (convulsões musculares).

• Supra-renais – produzem hormônios que ajudam a manter o equilíbrio da


quantidade de sódio e potássio no organismo. Além desses, produzem a
adrenalina, um hormônio que é liberado no sangue depois de fortes reações
emocionais.

• Pâncreas – se localiza próximo ao estômago, tem a função de controlar a


concentração de glicose no sangue (glicemia), produz a insulina.

Glândulas anfícrinas – possuem, simultaneamente, atividades exócrina e


endócrina, isto é, lançam produtos no canal de secreção e na corrente
sanguínea.

As glândulas endócrinas e anfícrinas (pela atividade endócrina) formam o


sistema endócrino, que juntamente com o sistema nervosos coordena e dirige
as funções vitais do organismo.

Órgãos dos sentidos


TEGUMENTO
O corpo dos animais apresenta externamente um arranjo celular especializado
denominado sistema tegumentar. Conforme o grupo de vertebrados, o
tegumento possui características diferenciadas e funções específicas.
No ser humano, o sistema tegumentar é constituído pela pele e por alguns anexos.

Pele
A pele é formada por várias camadas celulares dispostas em duas porções: a
epiderme e a derme. Essas duas camadas apresentam características e origem
embrionária distintas: a epiderme deriva da ectoderme e a derme, da mesoderme.
A espessura da pele pode variar entre 0,5 mm e 4 mm ou mais, de acordo com
a região do corpo.

Epiderme
A epiderme é a porção mais externa da pele. É um conjunto de camadas de células
epiteliais superpostas que estabelece contato direto com o ambiente externo.
Por essa razão, está sujeita a desgastes e precisa ser constantemente
renovada. Não apresenta vasos sanguíneos e suas células recebem os
nutrientes pelo líquido intersticial em contato com a derme.
A camada mais profunda da epiderme é denominada camada germinativa. Apresenta
células vivas que se reproduzem continuamente e são mandadas para as camadas
superiores. Á medida que atingem o exterior, são preenchidas por queratina. Sua
espessura varia em diferentes regiões do corpo.
O conjunto de células queratinizadas é responsável pela resistência e
baixa permeabilidade da epiderme, impedindo a perda de líquido interno pela
superfície corporal.
Algumas células da epiderme apresentam grânulos de um pigmento escuro chamado
melanina. a cor da pele das diferentes etnias depende da quantidade
desta substância no interior de suas células. Os indivíduos sem este
pigmento são considerados albinos. As sardas correspondem a região de
concentração de melanina.

Derme
A derme apresenta uma organização mais complexa. É formada basicamente por
tecido conjuntivo, capilares sangüíneos e terminações nervosas sensíveis a
temperatura, à pressão e à dor. Algumas estruturas anexas derivadas da epiderme,
como as glândulas e a base dos folículos pilosos situam-se na derme.
A existência da derme é fundamental para a epiderme, pois fornece flexibilidade e
nutrientes, que chegam por meio da irrigação sanguínea.
Abaixo da pele se encontra a hipoderme, também denominada tecido subcutâneo. Ela
é formada por tecido conjuntivo. O sistema tegumentar apresenta anexos que
são estruturas derivadas da epiderme. Dentre eles, incluem-se os folículos
pilosos, as unhas e uma série de glândulas.

Folículos pilosos
São porções da epiderme que se projetam para o interior da derme e atingem
a hipoderme, formando uma espécie de tubo. Na base do folículo, encontra-se a
matriz germinativa (grupo de células que originam os pêlos).
Os cabelos, que também são um tipo de pêlo, crescem cerca de 0,4 mm a cada dia.
Um corte transversal do cabelo permite identificar três porções: a cutícula, o córtex e a
medula. A cor do cabelo é definida por pigmentos presentes no córtex. Em
muitas espécies de mamíferos, onde os pêlos são abundantes, eles atuam na
manutenção
da temperatura corporal e na proteção.

Glândulas
As glândulas sudoríparas secretam o suor, uma solução aquosa composta por sódio,
cloro, metabólitos e substâncias nitrogenadas. Atuam na eliminação de substâncias e
na regulação da temperatura corporal, já que, ao evaporar, o suor absorve o calor do
corpo e diminui sua temperatura.Nosso corpo possui cerca de três milhões de
glândulas sudoríparas distribuídas por quase toda a superfície do corpo. Situam-
se abaixo da derme.
As glândulas sebáceas formam-se junto aos folículos pilosos, onde secretam uma
substância gordurosa, o sebo, que lubrifica o pêlo e a superfície da pele.

VISÃO:
A visão consiste na percepção das imagens dos objetos, realmente como eles
se apresentam e o órgão que capta estas imagens é o olho que, por intermédio das
vias ópticas, as envia ao centro cortical da visão (sulco calcarino do lobo occipital).
O olho é um órgão par (direito e esquerdo), situado na cavidade orbital da face onde é
mantido e movimentado, por um conjunto de elementos, que recebem o nome
de órgãos acessórios do olho.
Este órgão tem o aspecto de um globo ou esfera e por isso é conhecido também por
bulbo do olho e é constituído por três membranas, uma envolvendo a outra, as quais,
no conjunto, formam um verdadeiro invólucro, contendo no interior os outros
elementos que completam o bulbo do olho.
Os olhos são órgãos fotossensíveis complexos que atingem alto grau de evolução,
permitindo uma análise minuciosa quanto à forma dos objetos, sua cor e a intensidade
de luz refletida. Cada olho fica dentro de uma caixa óssea protetora – a órbita –
e
apresenta basicamente uma câmara escura, uma camada de células receptoras
sensoriais, um sistema de lentes para focalizar a imagem e um sistema de células e
nervos para conduzir o estímulo ao córtex cerebral. O olho é constituído por três
túnicas dispostas concentricamente:

a) Esclera (esclerótica): É a membrana mais externa do olho. De natureza fibrosa, é


ala que realmente constitui o arcabouço que define a forma globosa deste
órgão. Pode ser opaca a esbranquiçada, confere essa coloração à superfície do olho
(branco
do olho), entretanto, a esclera não é inteiriça, isto é, não forma uma esfera completa,
mas apresenta uma abertura circular que tem por centro seu pólo anterior. A
essa abertura anterior se ajusta uma pequena calota transparente que recebe o
nome de Córnea que é transparente e apresenta uma curvatura mais acentuada que
o restante
do bulbo do olho, o que a torna um pouco saliente. A Esclera apresenta ainda
um orifício próximo ao pólo posterior para passagem do Nervo Óptico e vasos
que o acompanham.

b) Corióide (úvea): É a túnica média do olho e constitui uma fina membrana vascular,
de cor marrom escura, quase preta. Nas proximidades da abertura anterior da esclera,
a corióide continua por trás e se distancia da córnea, por um disco perfurado
no centro que é a íris (parte colorida do olho) e seu orifício central recebe o
nome de Pupila.

c) Retina: é a membrana nervosa do olho, local em que se dá a percepção das


imagens. Ela forra por dentro a Corióide, estendendo-se até o corpo ciliar, porém, a
curta distância deste, deixa de perceber imagens, denominando-se essa linha limítrofe
Ora Serrata, e dela em diante a retina é mais delgada e cega. A retina é formada por
duas camadas de células. A camada mais superficial (mais interna) é o estrato
pigmentar, constituído por células que contêm pigmentos e a mais profunda é
denominada estrato cerebral e é aí que encontramos células em forma de cone e de
bastonete que são os verdadeiros receptores da visão.
Além desses envoltórios, o olho apresenta o cristalino ou lente, uma estrutura
biconvexa transparente, que é mantida em posição graças a um ligamento circular, a
zônula ciliar, que se insere sobre um espessamento da camada média, o corpo ciliar.
Em frente ao cristalino existe uma expansão pigmentada e opaca da camada
média que o recobre em parte, a íris. O olho tem três compartimentos: a câmara
anterior, situada entre a íris e a córnea; a camada posterior, entre a íris e o
cristalino; e o espaço vítrio, situado atrás do cristalino e circundado pela retina. Nas
camadas existe um líquido que contém proteínas: o humor aquoso. O espaço
vítrio, que é limitado pela retina e pelo cristalino, apresenta-se cheio de uma
substância viscosa e gelatinosa, o corpo vítreo.
Fazendo parte do aparelho ocular, mas localizados fora do globo ocular, encontram-
se o aparelho lacrimal e as pálpebras.
Para que a imagem atinja a retina, tem que atravessar quatro meios refringentes
que desviam os raios luminosos concentrando – os no fundo do olho. São eles a
Córnea (espécie de calota que se justapõe no pólo anterior do bulbo ocular), o Homor
aquoso (líquido transparente encontrado no compartimento anterior da cavidade
interior do olho), a Lente (ou cristalino, é uma verdadeira lente biconvexa que divida a
cavidade interior do olho em dois compartimentos onde encontramos o humor
aquoso e uma espécie de gelatina mole denominada corpo Vítreo) e o próprio Corpo
Vítreo.
Deve-se ainda mencionar a presença dos órgãos acessórios ou anexos do olho que
se situam na órbita do mesmo e com ele se relacionam. São eles: os músculos, as
pálpebras, a túnica conjuntiva e o aparelho lacrimal.

- Músculos: presença de musculatura estriada (músculos extrínsecos neste caso) e


lisa (músculos intrínsecos). Vale ainda dizer que, além dos músculos, elementos
como a Artéria Oftálmica, que concede irrigação arterial a todos os elementos
contidos na órbita, e vários Nervos também estão presentes.
- Pálpebras: São duas pregas superpostas (uma superior e outro inferior), que
constituem uma cortina movediça que pode recobrir o olho sendo que a
superior cobre uma porção maior que a inferior. A fenda que separa as duas
pálpebras recebe
o nome de Rima das Pálpebras e suas bordas livres são dotadas de delicados pêlos,
que recebem o nome de Cílios. Cada pálpebra superior é protegida por cima por um
traço horizontal de pêlos, de extensão e espessura variáveis, denominado Supercílio
(sobrancelhas). - Túnica conjuntiva: é a delicada membrana que forra as pálpebras
e depois se reflete para recobrir o ¼ anterior do bulbo ocular.

- Aparelho Lacrimal: a lágrima é secretada pela glândula lacrimal que está alojada
na fossa da glândula lacrimal, pertencente ao osso frontal e que se situa
látero- posteriormente no teto da órbita. Este líquido aquoso banha constantemente o
espaço delimitado pela túnica conjuntiva das pálpebras por frente e pela túnica
conjuntiva do bulbo por trás.

AUDIÇÃO:
O aparelho auditivo ou órgão vestíbulo-coclear tem função estatoacústica
(manutenção do equilíbrio e audição) e consiste na percepção dos sons. Este órgão é
dividido em três poções denominadas respectivamente Orelha Externa, Média e
Interna.
- Orelha Externa: é subdividida no pavilhão da orelha e meato acústico externo. O
pavilhão da orelha consiste numa espécies de expansão cutânea formada por lâmina
de cartilagem que apresenta saliências e depressões alternadas descrevendo linhas
concêntricas. O ¼ inferior do pavilhão da orelha não apresenta cartilagem e por isso é
flácido à palpação, porção essa que recebe o nome de Lóbulo da Orelha.
- Orelha Média: a orelha média (ouvido médio) é conhecida também por Cavidade do
Tímpano e apresenta seis paredes como um cubo oco, mas é ligeiramente achatada
no sentido látero-medial. A cavidade do tímpano está cheia de ar que provém
da nasofaringe através de um canal que recebe o nome de Tuba Auditiva
(trompa de Eustáquio). Entre a parede lateral e a medial dessa cavidade, como se
fosse um cabo aéreo sinuosos, que ligasse as duas paredes, estende-se uma
cadeia de três ossículos denominados respectivamente Martelo, Bigorna e Estribo.
A tuba auditiva é portanto, um canal e abre-se em uma das extremidades, na
cavidade do tímpano e pela outra extremidade comunica-se com a parte nasal da
faringe.
- Orelha Interna: ou ouvido interno é constituído por uma série de canalículos que se
escavam na parte petrosa do osso temporal formando um complexo emaranhado que
recebe o nome de Labirinto Ósseo. Ele apresenta uma escavação mais ampla
no centro, que se relaciona com a parede lateral da orelha média (onde estão situadas
as janelas do vestíbulo e da cóclea), que recebe o nome de Vestíbulo. O labirinto
ósseo
é preenchido por um líquido – a perilinfa.

GUSTAÇÃO:
A gustação existe devido à presença de corpúsculos gustativos que se
encontram distribuídos praticamente em toda a mucosa bucal, sendo, porem,
encontrados mais freqüentemente nas papilas fungiformes e circunvaladas da língua.
Examinando o epitélio oral, encontram-se pequenos corpos ovalados, de
coloração mais clara, mergulhados na espessura desse epitélio. Cada corpúsculo
gustativo apresenta uma pequena abertura que permite a penetração de
substâncias, o poro gustativo. Estes corpúsculos são constituídos por diferentes tipos
celulares: as células basais, as de sustentação e as sensoriais.
Estudos rarioautográficos com precursores de DNA mostraram que as
células sensoriais têm vida curta (cerca de 10-12 dias) e, conseqüentemente, são
renovadas com freqüência. As células sensoriais novas originam-se da divisão
mitótica das células basais. Admite-se que as células de sustentação

representam estágios intermediários na diferenciação das células sensoriais.


Tanto as células de sustentação como as sensoriais são colunares e
apresentam microvilos em suas superfícies apicais. Os estímulos químicos são
recebidos pelas células sensoriais e passam para as terminações nervosas através da
liberação, pelas células sensoriais, de substâncias neurotransmissoras.
Existem quatro sensações gustativas fundamentais: o ácido (azedo), o
doce, o salgado e o amargo, resultando da sua combinação os demais sabores.
Colocando-se pequenas gotas de soluções de sabores variados sobre as papilas
fungiformes da língua, demonstrou-se que há papilas insensíveis, ao passo que outras
percebem um ou mais sabores fundamentais. Apesar dessa diferença funcional
entre as papilas, ainda não foram descritas, nos corpúsculos gustativos, diferenças
morfológicas que explicassem essa característica funcional. A distribuição desses
receptores na língua também não é homogênea, sendo algumas porções da mesma
mais sensíveis a certos sabores do que a outros.

OLFATO:
Os quimiorreceptores olfativos encontram-se numa área especializada da
mucosa do teto da cavidade nasal, o epitélio olfatório. Essa região ocupando o teto
da cavidade nasal estende-se lateralmente até a concha nasal superior (corneto
superior) e medialmente desce pelo septo nasal.
Esse epitélio é do tipo colunar, pseudo-estratificado, formado por três tipos
celulares: As células de sustentação são prismáticas, largas no seu ápice e mais
estreitas na base; apresentam, na sua superfície, microvilos que se projetam para
dentro da camada de muco que cobre o epitélio. Essas células têm um pigmento
acastanhado que é responsável pela cor marrom da mucosa olfatória. As células
basais são pequenas, arredondadas ou cônicas e formam uma camada única na
região basal do epitélio, entre as células olfatórias e as de sustentação.
As células olfatórias são neurônios bipolares que se distribuem entre as
células de sustentação. Na sua extremidade observa-se uma dilatação, de onde
partem cílios. Esse cílios são longos, não têm movimento e são considerados
os verdadeiros receptores, a porção celular excitável pelo contato com uma
substância odorífera. A presença deles amplia enormemente a superfície receptora.
Os axônios provenientes desse neurônio reúnem-se em pequenos feixes,
dirigindo-se ao sistema nervoso central. Na lâmina própria dessa mucosa, além
de abundantes vasos e nervos, observam-se glândulas ramificadas do tipo túbulo
alveolar com células PAS-positivas, as glândulas de Bowman. Essas glândulas
enviam ductos que desembocam na superfície epitelial e admite-se que o seu
produto de secreção promova uma contínua corrente líquida, que lavaria
permanentemente a porção apical das células olfatórias. Seriam removidos, desta
maneira, restos dos compostos que estimula a olfação, mantendo os receptores
prontos para novos estímulos.

TATO:
É devido principalmente aos corpúsculos de Meissner, Ruffini, Krause, Merkel e
terminações livres ao redor dos folículos pilosos. Os corpúsculos de Meissner,
freqüentes na derme da palma da mão e da planta dos pés, são estruturas alongadas
que se dispõem em algumas papilas dérmicas. Apresentam-se formados por
tecido conjuntivo regularmente disposto, dentro do qual penetram várias
terminações nervosas.
Estudos recentes demonstraram que os corpúsculos encapsulados de
Ruffini e Krause, aos quais se atribuía a função de sentir variações de
temperatura (frio e calor), realmente são responsáveis por sensações táteis. O
corpúsculo de Krause é freqüente na pele, mucosas da boca e órgão genitais.
Apresenta-se como uma dilatação com terminações nervosas ramificadas
envoltas por cápsula conjuntiva. O corpúsculo de Ruffini tem estrutura semelhante,
só que é mais achatado.

Os corpúsculos de Merkel da pele são compostos de uma célula


epitelial especializada, chamada célula de Merkel, que está em contato com fibras
amielínicas que penetram a membrana basal e terminam em forma de disco (de
Merkel) na parte inferior das células de Merkel. Estas células especializadas
contêm vesículas citoplasmáticas próximas a terminação nervosa, muito
semelhantes às vesículas sinápticas.
O mecanorreceptor mais bem estudado é o corpúsculo de Vater-Pacini,
que se apresenta sob a forma de uma terminação nervosa, envolta por delgadas
camadas concêntricas de tecido conjuntivo. Adquire, pois, ao corte, o aspecto de uma
cebola. É encontrado nas camadas profundas da pele, no tecido conjuntivo em geral,
incluindo o do mesentério e o das vísceras.

Estrutura do DNA.

O DNA é um dos ácidos nucléicos, moléculas que contêm informações na célula (o ácido
ribonucléico, ou RNA, é o outro ácido nucléico). O DNA é encontrado no núcleo de
toda célula humana. As informações no DNA:
 orientam a célula (junto com o RNA) na fabricação de novas proteínas que
determinam todos os nossos traços biológicos
 passam (são copiados) de uma geração para outra
A explicação para todas essas funções é encontrada na estrutura molecular do DNA,
conforme descrito por Watson e Crick.
Embora possa parecer complicado, o DNA em uma célula é simplesmente um padrão feito
de quatro partes diferentes, chamadas nucleotídeos. Imagine um conjunto de blocos que
possui somente quatro formas, ou um alfabeto com apenas quatro letras. O DNA é uma
longa fileira desses blocos ou letras. Cada nucleotídeo consiste de um açúcar (desoxirribose)
ligado a um lado para um grupo de fosfato e ligado ao outro lado para uma base de
nitrogênio.

O nucleotídeo é o bloco de construção básico de ácidos


nucléicos

Existem duas classes de bases de nitrogênio chamadas purinas (estruturas aneladas duplas)
e pirimidinas (estruturas aneladas simples). As quatro bases no alfabeto do DNA são:

 adenina (A) - uma purina


 citosina (C) - uma pirimidina
 guanina (G) - uma purina
 timina (T) - uma pirimidina

Os filamentos do DNA são feitos do açúcar e das porções de


fosfato dos nucleotídeos, enquanto as partes do meio são
feitas das bases de nitrogênio. As bases de nitrogênio
nos dois filamentos do par do DNA unem-se, purina com
pirimidina (A com T, G com C), e são mantidas juntas
por ligações frágeis de hidrogênio.

Watson e Crick descobriram que o DNA tinha dois lados, ou filamentos, e que esses
filamentos estavam torcidos juntos, como uma escada caracol - a dupla hélice. Os lados da
escada compreendem as porções fosfato-açúcar dos nucleotídeos adjacentes ligados juntos.
O fosfato de um nucleotídeo é ligado covalentemente (uma ligação na qual um ou
mais pares de elétrons é compartilhado por dois átomos) ao açúcar do próximo
nucleotídeo. As ligações de hidrogênio entre os fosfatos fazem o filamento do DNA se
torcer. As bases de nitrogênio apontam para dentro da escada e formam pares com
bases no outro lado, como degraus. Cada par de bases é formado por dois nucleotídeos
complementares (purina com pirimidina) presos juntos por ligações de hidrogênio. Os pares
de base no DNA são adenina com timina e citosina com guanina.
Foto cedida por U.S. National Library of Medicine
O DNA possui uma estrutura semelhante a uma escada
caracol. Os degraus são formados pelas bases de
nitrogênio dos nucleotídeos,
onde a adenina forma par com a timina, e a citosina com
a guanina.

Ligação de hidrogênio
Uma ligação de hidrogênio é uma ligação química frágil que
ocorre entre os átomos de hidrogênio e os átomos mais
eletronegativos, como oxigênio, nitrogênio e fluorina. Os átomos
participantes podem estar localizados na mesma molécula
(nucleotídeos adjacentes) ou em moléculas diferentes
(nucleotídeos adjacentes em diferentes filamentos de DNA). As
ligações de hidrogênio não incluem a troca ou compartilhamento
de elétrons como ligações iônicas e covalentes. A atração frágil é
como a que existe entre os pólos opostos de uma ímã. As
ligações de hidrogênio ocorrem a curtas distâncias e podem ser
facilmente formadas e quebradas. Elas também podem estabilizar
uma molécula.

O DNA é uma molécula longa. Por exemplo, uma bactéria típica, como a E. coli, possui uma
molécula de DNA com aproximadamente 3.000 genes (um gene é uma seqüência específica
de nucleotídeos do DNA que se codifica para uma proteína. Falaremos disso posteriormente).
Se alongada, essa molécula de DNA teria cerca de 1 milímetro de comprimento. Entretanto,
uma E. coli típica tem apenas 3 mícrons de comprimento (3 milésimos de um milímetro). Para
encaixar-se na célula, o DNA é totalmente enrolado e torcido em um cromossomo circular.

Uma bactéria E. coli típica tem 3 mícrons de


comprimento, e seu DNA é mais do que 300 vezes mais
comprido. Assim, o DNA é firmemente enrolado e torcido
para caber nela.

Os organismos complexos, como as plantas e os animais, possuem de 50 mil a 100 mil


genes em muitos cromossomos diferentes (os seres humanos possuem 46
cromossomos). Nas
células desses organismos, o DNA é enrolado ao redor de proteínas semelhantes a
bolhas chamadas histonas. As histonas também são enroladas firmemente para
formarem os cromossomos, que estão localizados no núcleo da célula. Quando uma célula
se reproduz, os cromossomos (DNA) são copiados e distribuídos para cada célula
descendente, ou célula- filha. As células não-sexuais possuem duas cópias de cada
cromossomo copiado, e cada célula-filha recebe duas cópias (mitose). Durante a meiose,
as células precursoras possuem duas cópias de cada cromossomo copiado e distribuído
igualmente para quatro células sexuais. As células sexuais (espermatozóide e óvulo)
têm apenas uma cópia de cada cromossomo. Quando o espermatozóide e o óvulo
unem-se na fertilização, os descendentes possuem duas cópias de cada cromossomo (veja
Como funciona a reprodução humana).

RNA (ácido ribonucléico)


O RNA é o outro ácido nucléico. Ele difere do DNA de três
formas principais:
 o açúcar é a ribose em vez da desoxirribose
 há apenas um filamento em vez de dois
 o RNA possui uracila (U) em vez de timina. Assim,
os pares de base no RNA são citosina com
guanina e adenina com uracila.
Em uma célula procariótica (sem organelas internas ligadas na
membrana, como uma bactéria), o DNA e o RNA são
encontrados no citoplasma. Em uma célula eucariótica (com
organelas internas ligadas na membrana, como os seres
humanos), o RNA pode ser encontrado no núcleo e no
citoplasma, enquanto o DNA, somente no núcleo.

Código genético e síntese de proteínas.


Síntese protéica ou Tradução
Os procariotos e eucariotos usam diferentes estratégias para especificar o sítio de
início da síntese protéica num mRNA. Nas bactérias, como comentado
anteriormente nesta aula, uma seqüência conservada de 6 nucleotídeos,
conhecida como seqüência de Shine Delgarno, ou sítio ligador de ribossomo
(RBS), ou sítio de reconhecimento de ribossomo (rrs), é sempre encontrada umas
poucas bases acima (5') do códon de iniciação. Esta seqüência pode parear com
algumas bases do rRNA 16S da sub-unidade menor do ribossomo procarioto.
A interação entre os dois RNAs é fundamental para a eficiência do início da
tradução
e ainda oferece uma oportunidade para regular a tradução, pro exemplo, através
de proteínas que se ligam ao RBS, bloqueando-o.
Os mRNAs eucariotos, entretanto, não têm a seqüência de Shine Delgarno,
nem nada semelhante. Ao contrário, a decisão pelo uso de um determinado
codon AUG fica dependente de sua proximidade com o cap da extremidade 5' do
mRNA. Os nucleotídeos próximos ao AUG funcional também têm influência e
uma seqüência de consenso em mamíferos já foi identificada (seqüência
Kozak - criando um ambinete 5'-ACCAUGG-3' para o códon de iniciação; a base
A inicial desta seqüência parece ser muito importante para o início da síntese
protéica). Se
o ribossomo não identificar o primeiro AUG na seqüência, ele poderá seguir até o
segundo ou o terceiro. Isto produz proteínas diferentes a partir de um único
transcrito. em geral com o mesmo quadro de leitura (ver mais adiante o significado
desta expressão), mas sem os primeiros aminoácidos.
Apenas em alguns casos específicos (mRNA virais sem cap ou, muito
mais raramente, mRNAs do próprio organismo) a tradução começa mais
internamente no mRNA, num mecanismo semelhante ao procarioto. O sítio de
reconhecimento chama-se IRES (para internal ribosome entry site). O
ribossomo se liga aí e desliza até o AUG mais próximo, quando se inicia
a síntese protéica (veja figura abaixo). Os detalhes deste mecanismo não são
conhecidos.

Figura: A síntese de proteína nos eucariotos poda se iniciar na extremidade 5' do mRNA (em
geral) ou em sítios de acesso interno para o ribossoma (IRES = internal ribosome entry sites)(muito
raramente). No primeiro caso o complexo de pre-iniciação 43 S (formado pela sub-unidade leve do
7
ribossoma e vários fatores de iniciação) liga-se ao cap 5'(m G) e então desliza pelo mRNA até que
encontre um códon AUG aceitável, geralmente cerca de 100 bases mais abaixo (3'). No segundo
caso, o complexo se liga a um IRES, muito mais abaixo da extremidade 5', e desliza pelo mRNA
até encontrar um AUG apropriado.

A iniciação da tradução mais comum está representada pela figura a seguir.


Os fatores de iniciação eucariotos eIF-1, eIF-1A e eIF-3 ligam-se à sub-
unidade ribossomal 40S e o eIF-2 (em complexo com o GTP) se associa ao
metionil tRNA iniciador. O mRNA É reconhecido e levado até o ribossoma pelo
grupo de fatores eIF-4, O cap 5' é reconhecido pelo eIF-4E. Outro fator, eIF-
4G,liga-se tanto a eIF-
4E quanto a uma proteína associada com a cauda poli-A na extremidade 3'
do mRNA ( a proteína PABP). Assim, os fatores de iniciação eucariotos
reconhecem tanto as extremidades 5' como as 3 'do mRNA, o que justifica o efeito
estimulatório
da poli-adenilação na transcrição. Após outras interações entre os fatores de
iniciação, a subunidade 40S ribossomal, em associação com o metionil tRNA
e vários eIFs, percorre o mRNA em busca do códon AUGde iniciação. Quando ele
é alcançado, o eIF-5 provoca a hidrólise do GTP ligado ao eIF-2. Os eIFs são
então liberados e a sub-unidade 60S subunit pode se ligar à 40 S para
formar o complexo 80S inicial da tradução eucariota.
O mecanismo de alongamento da cadeia polipeptídica é semelhante ao dos
procariotos.
O ribossomo tem três cavidades para ligação do tRNA, designadas P
(peptidil), A (aminoacil) e E (exit). O metionil-tRNA fica ligado à cavidade P
quando o ribossomo se fecha. Assim, o próximo aminoacil-tRNA vai parear
ao segundo códon da seqüência do mRNA entrando na cavidade A. Os
aminoacil-tRNA são acompanhados por um fator de alongamento (EF-Tu em
procariotos e eEF-1a em eucariotos), e traz consigo o GTP. Quando o tRNA
certo encontra o códon no mRNA, o GTP é hidrolisado e o fator de alongamento
liberado.
Uma vez que o eEF é liberado, uma ligação peptídica é feita entre os dois
tRNAs, catalizada pela sub-unidade maior do ribossoma. O reesultado é a
transferência da metionina (primeiro aa incorpordo) para o aminoacil-tRNA na
cavidade A, ficando a cavidade P com o tRNA descarregado. Em seguida há uma

translocação na qual o ribossomo move-se 3 bases mais para adiante


(3') na seqüência (a determinação de quantas bases o ribossomo irá andar é
feita pelo anticódon do tRNA na cavidade aminoacil). Este movimento desloca
o tRNA vazio para a cavidade E e o tRNA transportando os 2 primeiros
aminoácidos da cadeia poli- peptídica para a cavidade P. O sítio A, uma vez
preenchido, vai provocar a saída
do tRNA descarregado da cavidade E. O processo se repete até que um códon de
terminação seja apresentado na cavidade A. O processo descrito está
representado na figura a seguir.
O alongamento da cadeia continua até que um códon de terminação seja
apresentado na cavidade A. Não há tRNAs com anticodons complementares aos
códons de terminação. Estes são reconhecidos por fatores de
terminação protéicos Nos eucariotos um único fator de terminação reconhece
todos os códons
de parada (nos procariotos são dois fatores). Outros fatores estão também
envolvidos. Após a interação deles, a fita de mRNA se solta do ribossomo e
as duas sub-unidades se separam. Esta etapa está mostrada na figura abaixo.
Figura: Terminação da tradução (ver texto acima para detalhamento)
O Código Genético

As regras pelas quais uma seqüência de nucleotídeo é traduzida na seqüência de


aminoácidos de uma proteína, o chamado Código Genético, começaram a
ser decifradas por Nirenberg, no início da década de 60. Trincas de bases
formam os códons, que são reconhecidos pela alça de anticódons da
molécula adaptadora conhecida como aminoacil-tRNA. Esta molécula transporta
o aminoácido para os ribossomos. Como há 4 nucleotídeos, que podem ser
repetidos no códon, há 64 possibilidades de códon, para 20 aminoácidos. Os
aminoácidos de uso mais frequente têm vários códons. esta redundância faz
com que o código genético seja degenerado. O código é altamente conservado
entre as espécies, com pequenas exceções, mais notáveis nas organelas de
origem simbiótica, como a mitocôndria
e o cloroplasto. A figura abaixo resume o código genético.

Figura: O Código Genético. Cada triplete de bases é traduzido para um diferente aminoácido, de
acordo com as regras apresentadas na tabela.

Em princípio, toda seqüência de DNA poderia ser lida nos dois sentidos (em fitas
diferentes, pois apenas a fita 3'-5' pode servir de molde para a síntese do RNA) e
em três quadros de leitura diferentes, isto é, iniciando de uma base
qualquer e contando de três em três, ou da base seguinte ou ainda da
seguinte a ela. Entretanto, via de regra (exceto em vírus), apenas um
destes quadros é
verdadeiro. Para ilustrar este ponto suponha a seqüência abaixo, que deve ser lida
de 3 em 3 letras para fazer sentido.

TTHAHCAHFTARTHTHEFATCATATETHERATHHRTAEHT

Se começarmos da primeira letra teremos TTH AHC AHF TAR THT HEF ATC ATA
TET HER ATH HRT AEH T, que não faz sentido em nenhum trecho.

Se iniciarmos na segunda letra teremos T THA HCA HFT ART HTH EFA TCA TAT
ETH ERA THH RTA EHT, que também não faz sentido.
Se, entretanto, iniciarmos da terceira base, teremos
TT HAH CAH FTA RTH THE FAT CAT ATE THE RAT HHR TAE HT, que
faz sentido num trecho específico. este é exatamente o caso de um gene
lido no quadro de leitura correto. Antes da frase em negrito teríamos a
região 5'não traduzida e depois dele a 3' não traduzida.

Como não há nenhum tipo de pontuação no DNA, o posicionamento exato


do ribossomo, como visto acima, é crítico para o sucesso da tradução. Se o
códon AUG falso for usado para iniciar a síntese, uma proteína será ainda
assim produzida, mas sem qualquer sentido biológico. geralmente logo aparece
um sinal
de terminação da tradução nos quadros de leitura errôneos e por isso as proteínas
abortivas criadas nestes casos costumam ser pequenas.

Embora o código genético seja universal, os diferentes organismos têm


preferências muito distintas pelos códons redundantes. Assim, um códon
muito usado num mamífero pode ser o mais raramente
empregado numa arqueobactéria, por exemplo, Este fenômeno é
conhecido como códon bias e atrapalha algumas vezes as tentativas de se
fazer expressar um gene de um organismo em outro.

Mutação gênica;

As mutações gênicas são mudanças ocasionais que ocorrem nos genes, ou


seja,
é o procedimento pelo qual um gene sofre uma mudança estrutural. As mutações
envolvem a adição, eliminação ou substituição de um ou poucos nucleotídeos da
fita de DNA.
A mutação proporciona o aparecimento de novas formas de um
gene e, conseqüentemente, é responsável pela variabilidade gênica.
Quando ocorre por adição ou subtração (mutações deletérias) de bases,
altera o código genético, definindo uma nova seqüência de bases, que
conseqüentemente poderá alterar o tipo de aminoácido incluído na cadeia
protéica, tendo a proteína outra função ou mesmo inativação da expressão
fenotípica.
Por substituição, ocorre devido à troca de uma base nitrogenada purina
(adenina e guanina) por outra purina, ou de uma pirimidina (citosina e
timina) por outra pirimidina, sendo esse processo denominado de transição e a
substituição de uma purina por uma pirimidina, ou vice-versa, denominada de
transversão.

Origem de novos alelos.

Origem de novos alelos

A mutação proporciona o aparecimento de novas formas de um gene e,


consequentemente, é responsável pela variabilidade gênica. Entretanto, o processo de
melhoramento, via mutação, não é muito usado por ser caro, trabalhoso e de resultado
incerto. Em caso de necessidade, é mais fácil fazer uso da variabilidade genotípica obtida
pelos processos meióticos, do que tentar gerar variabilidade gênica.
Podem ser reversíveis

As mutações podem se reverterem, mas a mutação nos dois sentidos não ocorrem com a
mesma taxa. A reversão requer uma mudança especifica, mas a mudança original pode
ocorrer em qualquer um dos nucleotídeos da estrutura do gene. Em mutações espontâneas
tem sido verificado que u (taxa de mutação) é aproximadamente 10 vezes superior a v
(taxa de retromutação).

Mutações espontâneas vs induzidas


As mutações serão ditas espontâneas quando as causas que deram origem à alteração no
DNA são desconhecidas. Quando se conhece a causa diz-se que a mutação foi induzida.
Em geral, as mutações espontâneas ocorrem em proporção de 1/10^6 a 1/10^5. Através
da indução pode-se aumentar a freqüência da mutação, mas, de maneira geral, não se
pode orientá-la, no sentido desejado.
Um exemplo de uma mutação espontânea vantajosa é o cultivar de soja "Viçoja"
mutante originado de plantações de soja. Nestas plantações surgiu uma planta mais alta,
tardia e que não segregou dando origem, posteriormente, ao cultivar "UFV - 1".

Podem ser recorrentes


Como as mutações se repetem tanto no tempo como no espaço, podemos associá-las
a determinadas taxas, e deduzirmos teoricamente o seu efeito como agente de alterações
da freqüência gênica de uma população.

Podem ser hereditárias


A mutação será hereditária quando atingir uma estrutura gamética ou qualquer
órgão que venha contribuir para a formação da geração descendente. Uma mutação
somática poderá ser transmitida de geração após geração, quando a espécie em
consideração contar com algum processo que permita a multiplicação da mutação na área
somática. Este fato é freqüente quando a espécie contar com qualquer processo de
propagação vegetativa.