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AS INFLUÊNCIAS DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E

COMUNICAÇÃO NAS ESTRATÉGIAS DE ENSINO E


APRENDIZAGEM DE PROFESSORES E ESTUDANTES DE
CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL
Luiz Fernando Rodrigues Pires1
Marco Antonio Escher2
1
Universidade Federal de Juiz de Fora/Departamento de Matemática, luizfrpsm@gmail.com
2
Universidade Federal de Juiz de Fora/Departamento de Matemática, escher@ice.ufjf.br

Resumo

O presente artigo é parte de pesquisa em andamento que tem por objetivo investigar e
analisar “Quais as influências das Tecnologias da Informação e Comunicação nas
Estratégias de Ensino e Aprendizagem de professores e estudantes do Cálculo
Diferencial e Integral”, principalmente em entender a relação homem e máquina, por
meio da utilização de tecnologias móveis na realização de listas de exercícios da
disciplina de Cálculo. Técnicas que o homem executa através de relações entre papel,
lápis, borracha e pensamentos lógicos que agora parte disso pode ser substituída ou
complementada, principalmente pela relação homem e tecnologias móveis. O que se
observa é que grande parte dos procedimentos lógicos matemáticos para calcular uma
integral pela técnica de frações parciais por um estudante ou professor em seu caderno
(lousa), pode agora em poucos segundos ser executada por meio de aplicativos em
smartphones, tablets e notebooks. Como procedimentos metodológicos iniciais da
pesquisa, elaboramos dois questionários on-line, para professores e estudantes da
disciplina de Cálculo. Concluímos que a “Revolução Tecnológica” (Castells, 2007)
traduzida nas ferramentas disponíveis para a prática matemática exerce forte tendência
nos modos de realizar operações e nas estratégias utilizadas pelos agentes envolvidos.
Em consequência podemos dizer que a transferência do esforço material e mental para
as máquinas retrata uma situação auspiciosa e tem em princípio o valor de libertação ao
homem (PINTO, 2005) requisitando, neste momento, estudos e pesquisas para
professores saberem como utilizar essas máquinas de calcular para o processo de ensino
e aprendizagem, de modo a gerar aprendizagens significativas.

Palavras-chave: Educação Matemática, Cálculo Diferencial e Integral, Tecnologias da


Informação e Comunicação, Estratégias de Ensino e Aprendizagem, Técnica.

INTRODUÇÃO

Sabemos que as Tecnologias da Informação e Comunicação vêm remetendo ao


ser humano mudanças nos modos de comunicar e informar cada vez mais velozes por
aparelhos que permeiam nosso dia a dia e invadem o espaço de nossas vidas, nos
atirando em meio a um fluxo de informações por escritas, sons e imagens onde tudo
acontece e faz acontecer por estar conectado. Observamos essas formas de informações
e comunicações por estar conectado, por causa dos modos que o ser humano vem
vivenciado e praticando com maior evidencia em nossos tempos pelo uso de
smartphones, tablets e notebooks, como as consultas a aplicativos do tempo, do trânsito,
de finanças, checar e-mails, acessar redes sociais, falar com alguém ao vivo ou assistir a
vídeos e entre outros modos para tomar pequenas decisões na vida cotidiana. Não que
os outros modos de comunicar sejam obsoletos, mas desde a transformação dos
computadores gigantescos em pequenos objetos (smartphones e tablets) que possam ser
manuseados pela mão do homem tudo em sua vida mudou através desta relação mais
próxima entre homem e tecnologias.
Essas mudanças podem ser observadas pelas disseminações desses novos objetos
tecnológicos. Esta nova fase pode-se ser considerada como uma “Revolução
Tecnológica”, que, no entanto, tem se mostrado estar identificado por 5 características:
“tecnologias para agir sobre a informação”, não apenas informação
para agir sobre a tecnologia; “lógica das redes” configuração
topológica da complexidade do aparecimento das inovações na
atividade humana; “flexibilidade”, não apenas os processos são
reversíveis, mas organizações e instituições podem ser modificadas, e
até mesmo fundamentalmente alteradas, pela reorganização de seus
componentes; “convergência de tecnologias” específicas para um
sistema altamente integrado e a “penetrabilidade”. (CASTELLS,
2007, p. 108-109).
De acordo com Castells (2007) essa disseminação e apropriação das tecnologias
digitais em nossa sociedade têm levantando vários questionamentos importantes que
estão moldando diversas redes globais de noticias, artes, ciências, educação e culturas
no geral. Castells ainda afirma que essas novas tecnologias estão integrando todos os
veículos de informação e comunicação e o seu potencial de interatividade está mudando
e mudará para sempre a nossa cultura.
E o fundamento deste avanço pode ser encontrado no súbito da potência
humana, para os quais abriu ao homem perspectivas de “ações sobre a natureza, de
aquisição de conhecimento e possível modificação de sua própria estrutura orgânica e
psíquica” algo que podemos às vezes nunca ter sonhado. (PINTO, 2005, p. 5, v.2).
Podemos dizer que desde a criação da cibernética e seus estudos para entender
melhor os processos tecnológicos gerados pelo homem através da internet vivemos
elucidados e maravilhados pelas novas formas de informação e comunicação geradas
em seu avanço. Nesse pouco espaço de tempo todos estão inseridos em algum meio
tecnológico fazendo, fusões ou combinações nunca antes imaginadas, neste ponto a
“Educação Escolar” ainda oferecem barreiras, mas que segundo Borba (2014) já está
preste para serem mudadas, pois
... as novas formas de tecnologias digitais se combinarão com
artefatos característicos da educação presencial, como a carteira e a
lousa, mas também com artefatos que não eram pensados como
participantes da educação: a geladeira de casa, o sofá da residência
de cada um. (BORBA, 2014, p. 101).
Nesse novo tempo tecnológico de internet veloz, de tecnologias móveis, de
contextos tecnológicos de informação e comunicação em massa por Wikipédia,
Facebook, MOOC (Massive Open Online Course), Youtube e Whatsapp nos fazem ser
parte de um conjunto de interações para formação educacional de qualquer ser humano
hoje em dia, por causa de “sua penetrabilidade, ou seja, por sua penetração em todos os
domínios da atividade humana”. (CASTELLS, 2007, p. 68).
Por causa desses avanços acreditamos que uma nova técnica oferecida pelas
máquinas do nosso século ao qual fazemos parte diariamente por manuseio das mãos
possa estar oferecendo uma moderna arte de realizar cálculos matemáticos. De forma
que os smartphones, tablets, notbooks e entre outros aparelhos viraram uma epidemia
(ESCHER, 2011) tanto na produzam em larga escala como no consumo do ser humano
influenciando todas as esferas da atividade humana.
E por essas relações que queremos entender como os aplicativos criados pelo
homem voltados para o ensino e aprendizagem da matemática como, por exemplo, os
aplicativos como o Wolfram Alpha1 estão revolucionando os meios educacionais por
esses novos meios tecnológicos oferecidos a smartphones e tablets para diversas áreas
do ensino e aprendizagem.
Uma técnica que é executada pela máquina e ao qual acreditamos que o método
de resolver operações como de calcular limites, derivadas e integrais da disciplina de
Cálculo Diferencial e Integral através da relação entre papel, lápis, borracha e o homem
está sendo aos poucos substituída pela relação de homem e máquina. Entendemos que
esses novos atos no modo de resolver uma operação matemática estão ligados a um dos
significados da técnica ao qual é o “know how, o modo de fazer bem alguma coisa,
enquanto execução de atos adequados à consecução de certo resultado, com maior
economia de meios e tempo”. (PINTO, 1960, p. 76, v.1).
O Ensino e Aprendizagem do Cálculo Diferencial e Integral segundo Reis
(2001), Melo (2002) e Rezende (2003) é na maioria das vezes, o ensino baseado na
prática pedagógica e metodológica “tradicional” tendo seu embasamento teórico
somente em definições, teoremas, propriedades, exemplos e exercícios.
O ensino do Cálculo acaba sendo algoritmizado, e sua aprendizagem
se reduz, consequentemente, à memorização e à aplicação de uma
série de técnicas, regras e procedimentos, que também terminam por
algoritmizá-la. (MELO, 2002, p. 4.)
Para observar essa realidade, utilizamos como procedimentos metodológicos de
pesquisa um questionário para investigar e analisar “Quais as Influências das
Tecnologias da Informação e Comunicação nas Estratégias de Ensino e Aprendizagem
de professores e estudantes do Cálculo Diferencial e Integral?”, com o objetivo de
entender está nova técnica de realizar cálculos sobre limites, derivadas, integrais,
equações diferenciais entre outras, por meio de tecnologias móveis (Mobile Learnig).

UMA NOVA TÉCNICA DE REALIZAR CÁLCULOS

O ser humano é o único ser com a capacidade de projetar e criar seus projetos. O
projeto na verdade tem a característica peculiar no plano do pensamento e na solução
humana de problemas da relação do homem com o mundo físico e social. É um ato
intencional da transformação de seu ser ao mundo. (PINTO, 2005).
Com o desenvolvimento de novos projetos e aprimoramento dos procedimentos
técnicos para sua execução o ser humano transformou, e tem transformado o mundo,
desde quando se fez presente nele. E pelos projetos e as técnicas o homem criou,
inventou e produziu diversas formas de tecnologia como, por exemplo, as ferramentas
feitas por pedra de Sílex um elemento importante em culturas antigas (Idade da pedra
lascada), quando foi utilizado na produção de pontas de lança, flechas, raspadores,
furadores, etc; o domínio do fogo; o autômato criado por Al-Jazari (1150-1220); a
impressão tipográfica inventada por Gutenberg (1400-1468) a calculadora mecânica; as
máquinas a vapor; as vacinas e uma infinidade tecnológicas que identificaram o ser
humano como único ser de capacidade intelectual de transforma o mundo.

1
O fabricante do Mathematica é a Wolfram Research. A empresa foi fundada em 1987 por Stephen
Wolfram e lançou a primeira versão de seu produto carro-chefe, o Mathematica, em 23/07/1988. Em 2009
foi lançada a versão 7.0. Mais informações podem ser encontradas
em http://www.sia.com.br/mathematica.htm.
E atualmente, temos presenciado o quanto os artefatos tecnológicos (tablets,
notebooks e smartphones) estão se relacionando com os seres humanos e está relação
pode ser caracterizadas como tecnologias atuais, tecnologias do acesso e do advento da
internet, podendo se considerar um universo de informação que cresce ao infinito a
passos largos e se coloca ao alcance da ponta dos dedos. (SANTAELLA, 2010).
Um exemplo dessa situação pode ser comprovado em uma sala de aula hoje em
dia. Os professores percebem o quanto os alunos fazem partem desse universo que basta
estar online e de uns cliques para obterem “informações infinitas, comunicar-se, por
texto, imagem, ou som, que são armazenados e difundidos em múltiplas redes e a
serviço de vários, sendo um serviço técnico da relação máquina-homem”.
(SANTAELLA, 2010, p 19).
Essas máquinas aliadas a processadores e softwares estão desafiando o ensino
em geral das escolas e universidades fazendo que professores e pesquisadores reflitam
sobre seu uso para o ensino e aprendizagem.
A escola, sendo um espaço mais que propício, é repleta de dados a
serem trabalhados, em todas as áreas do conhecimento. Por exemplo,
Castells, ao referir-se à “penetrabilidade dos efeitos das novas
tecnologias,”, faz com que observemos uma similaridade em nossa
discussão sobre o caráter epidêmico, mostrando-nos como as TIC
adentram “sem pedir licença” no dia a dia escolar, atropelando, ou
não, a discussão sobre sua aceitação e incorporando-se como parte
do dia a dia escolar. (ESCHER, 2011, p. 26).
Máquinas (smartphones e tablets) cheias de aplicativos para milhares de
procedimentos que facilitam nossa relação com mundo estão demonstrando também
uma grande evolução para era da solução de cálculos matemáticos complexos
“maquinas capazes de executar operações lógicas e matemáticas que antes se julgava só
poderem ser realizadas pelo cérebro humano.”. (PINTO, 2005, p. 71, v.2).
Podemos citar como exemplo dessas máquinas em nossa atualidade os
aplicativos como PhotoMat2 e Wolfram Alpha. Por exemplo, a técnica executada pelo
aplicativo PhotoMat que exclusivamente permite ao homem, por meio do manuseio em
apontar a câmera do smartphone para uma expressão matemática descrita e após alguns
segundos de processamento, receber do aplicativo a resposta da expressão e ainda a
opção solução passo a passo da atividade.
Já o aplicativo desenvolvido pelo Wolfram Alpha tem o objetivo bem mais
abrangente além de soluções matemáticas, pois oferece informações sobre diversos
significados tantos algébricos como gráficos possíveis para as questões a serem
pesquisadas com a intenção não apenas em lhe dar respostas, mas de fornecer
informações de referência cuidadosamente verificadas e atualizadas dinamicamente,
incluindo calculadoras, previsões e gráficos de comparação.
As imagens abaixo podem demonstrar este processo:

Figura 1: Técnica por substituição ensinada geralmente em curso de cálculo.

2
https://photomath.net/pt/
Fonte: Próprio autor

Figura 2: Nova técnica onde máquina executa os mesmo procedimentos para o homem.

Fonte: Própria do autor.

Esta relação entre ser humano e objetos (smartphones e tablets) que estão ao seu
redor manifesta ao homem sua existência por meio da ação de manuseio. Vieira Pinto
(1960) define esse manuseio de “Amanualidade” que tem como a ideia de “agarrar com
a mão”, “preensão”, destituído ao alcance da mão e ao alcance da percepção sensível,
passível de apreensão, ou seja, mais do que a própria mão.
Por causa dessa nova técnica, um novo modo de efetuar e operar cálculos
matemáticos esta crescendo no meio tecnológico pelos programas ou aplicativos
desenvolvidos para smartphones, tablets e notbooks. Aplicativos que vieram, ou
melhor, já relacionam ao meio acadêmico e na cultura diária dos estudantes de ciências
exatas e entre outras em geral.
Na matemática, explicitamente na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral, o
processo de ensino e aprendizado do conteúdo é realizado por aulas expositivas de
definições, demonstrações de teoremas, propriedades e exemplos de exercícios. Ao final
da aula ou do conteúdo programado o professores oferece uma bateria de exercícios
para serem resolvidos. Lista de atividades na maioria das vezes extensas com intuito de
aprendizagem por meio de repetições de cálculos envolvendo limites, derivas e
integrais. Lista de atividades como a exposta a seguir:

Figura 3: Lista de exercícios geralmente sugerida em um curso de Cálculo Diferencial e


Integral.

Fonte: Própria do autor

Rezende (1994) comprova esses fatos nos descrevendo um exemplo de conteúdo


como a noção de limite de funções, onde a operação algébrica é mais caracterizada do
que a operação analítica pelos professores.
(...) observamos que para os alunos de Cálculo (e professores
também) as dificuldades de aprendizagem relacionadas à operação de
limite estão associadas muito mais às suas dificuldades em
manipulações algébricas (fatoração de polinômios, relações
trigonométricas, simplificações algébricas, “produtos notáveis”, etc.)
do que à sua interpretação analítica. (REZENDE, 2003, p. 13-14).
Essa “algebrização exacerbada” (REZENDE, 2003, p. 14) de manipulações
matemáticas para solução de atividades é um método bastante enraizado por professores
de ensino de Cálculo em suas estratégias de ensino e aprendizagem sendo que a
produção de listas exercícios é uma solução mais usual para esses professores como
meio de aprendizagem do conteúdo, “já faz parte da tradição de um curso de Cálculo a
presença de extensas listas de exercícios, com gabarito, para que os alunos possam
realizar o seu “treinamento” com segurança” (REZENDE, 2003, p. 15). E complementa
afirmando que
A produção de listas de exercícios é sem dúvida a solução “normal”
mais usual em nossas universidades: já faz parte da tradição de um
curso de Cálculo a presença de extensas listas de exercícios, com
gabarito, para que os alunos possam realizar o seu “treinamento”
com segurança. A tal lista tem ainda o papel de prenunciar o contexto
em que se dará a avaliação, fato, aliás, que muito interessa aos
estudantes, e que poderá, inclusive, ser usado por eles em um
momento futuro, numa contra-argumentação de uma “questão da
prova” que fuja aos parâmetros da lista. (REZENDE, 2003, p. 13).
Podemos observa que argumentos como esse de Rezende pode ser constatado
em várias disciplinas de Cálculo Diferencial e Integral de muitas universidades e
faculdades de nosso país como pelo mundo e devido esses novos meios de realizar
operações oferecidas pelas tecnologias moveis (aplicativos) que cremos que este modelo
de ensino tradicional deva ser repensado, pois quais os interesses podem julgar de
calcular exageradamente uma lista de atividades extensas de operações matemáticas se
uma simples máquina (smartphones e tablets) possa nos oferecer informações em
poucos segundos e informações detalhadas sobre todo o procedimento que, às veze,
nem o próprio livro didático e até professor possam saber.
Esses fatos nos fazem refletir sobre o motivo de dizer que um estudante saiba
calcular técnicas de limites, derivação e integração, mas não compreendem seus
conceitos, definições e utilidades.

METODOLOGIA

A metodologia de pesquisa realizada foi qualitativa (BOGDAN, 2013) com


intuito de investigar e analisar como objetos (smartphones, tablets e notebooks)
tecnológicos móveis estão relacionando e influenciando a educação superior,
principalmente as formas de ensino e aprendizagem da disciplina de Cálculo Diferencial
e Integral, para isto foi elaborado dois questionários on-line, sendo um para professores
e outro para estudantes da disciplina de cálculo.
É importante enfatizar que a realização desta pesquisa é um estudo preliminar de
uma dissertação de mestrado em andamento com objetivo de investigar e analisar
“Quais as Influências das Tecnologias da Informação e Comunicação nas Estratégias de
Ensino e Aprendizagem de professores e estudantes de Cálculo Diferencial e Integral?”.
As perguntas relacionadas à aplicação dos questionários foram:
Tabela 1: Questionários aplicados
Questionário aplicado aos estudantes Questionário aplicado aos professores
1. Já cursou/está cursando alguma disciplina de 1. Há quanto tempo leciona a disciplina de
Cálculo Diferencial Integral? Cálculo?
a) sim b) não a) Menos de 3 anos
b) De 4 a 10 anos
c) De 10 a 20 anos
d) Mais de 20 anos
2. Já foi reprovado na disciplina de Cálculo? 2. No preparo de sua aula quais tipos de estratégias
a)Nenhum b) 1 vez c) 2 vezes d) 3 ou mais você utiliza para desenvolver sua metodologia?
a) Aulas expositivas e listas de exercícios.
b)Trabalhos em grupo.
c) Incentivo a trabalhar com software
d) Outros
3. Quais estratégias de aprendizagem você 3. Utiliza/utilizou algum meio tecnológico em aula
utilizou/utiliza durante a disciplina de Cálculo? durante o processo de ensino e aprendizagem da
a)Anotações de sala de aula disciplina?
b)Livros didáticos a) Notebook
c)Vídeo aulas do Youtube b) Laboratório de informática
d)Participação em grupos na internet c) Smartphones
e)Sites d) Não utilizo
e) Outros
4. Como eram/são as listas de exercícios propostas 4. Se sim, quais vantagens ou desvantagens
pelo seu professor durante o curso de Cálculo? presenciou em sua utilização?
a) Listas extensas de cálculo algébrico. Exemplo: a) Melhor apresentação dos conteúdos.
Calcule os limites, derivadas e integrais. b) Acredito que os alunos assimilam melhor o
b) Listas envolvendo aplicações dos conceitos de conteúdo.
limite, derivada e integral. c) Otimiza a aula.
c) Os dois modelos mesclados. d) Outras
d) Não há listas de exercícios.
5. Durante a resolução das listas e/ou exercícios 5. Se não, quais os motivos de não utilizar alguma
propostos pelo seu professor, você já ferramenta tecnológica no processo de ensino e
utilizou/utiliza algum aplicativo de celular ou aprendizagem do cálculo?
programas de computador como auxílio? a) Não acredito em sua potencialidade.
a) sim b) não b) Atrapalham o andamento da aula.
c) Não tenho acesso a essas ferramentas.
d) Os alunos não tem acesso.
e) Outros

6. Quais desses aplicativos você já utilizou/utiliza 6. Percebemos hoje um avanço tecnológico,


na resolução de listas de exercícios? principalmente no aparecimento acelerado de
a) Wolfram Alpha aplicativos para celulares, tablets e computadores.
b) Geogebra Qual sua opinião sobre estes tipos de aplicativos
c) Calculus tools (softwares) no processo de ensino aprendizagem
d) PhotoMat da matemática e do cálculo?
e) Não Utilizei a) Não acredito na potencialidade.
f) Outros b) Podem auxiliar no processo de ensino
c) Podem auxiliar no processo de aprendizagem.
d) Outros
7. Para acessar os aplicativos e/ou programas, 7. Você conheceria algum aplicativo/software para
quais destes aparelhos você utilizou/utiliza? utilização no processo de ensino aprendizagem da
a) Computador Próprio. matemática, mais precisamente a ser utilizado na
b) Computador da universidade. resolução de exercícios sobre limites, derivadas e
c) Smartphone integrais?
d) Tablets a) Wolfram Alpha.
e) Não utilizei/utilizou b) Maple.
c) Mathematica.
d) Geogebra.
e) Matlab.
f) Nenhum.
g) Outros.
8. Para você esses meios tecnológicos contribuem: 8. Se sim, o que acha sobre essa nova técnica de
a) Somente para aprendizagem do conteúdo. realizar cálculos por esses aparelhos tecnológicos?
b) Somente para resolução de exercícios (Aberta)
c) Para aprendizagem do conteúdo e resolução de
exercícios.
d) Somente para verificar resultados.
e) Não contribuem.
9. Acha que o modo tradicional utilizado nos
processo de ensinar e aprender cálculo devem ser
repensados, inserindo agora ferramentas
tecnológicas?
a) sim b) não
Fonte: Própria do autor.
Para realização dos questionários utilizamos a ferramenta “Formulários”
disponibilizada pela Google. Optamos por este instrumento por se tratar de uma forma
eficiente, rápida e organizada de coletar dados, bem como a facilidade de acesso dos
estudantes e professores a esta ferramenta. Os links dos questionários foram disponíveis
para preenchimento em grupos de redes sociais como Facebook e fóruns de professores
como Grupo Nacional de Professores de Matemática.

RESULTADOS

Ao fazer uma primeira analise dos resultados obtidos pelos questionários


respondidos, pudemos observar que o índice de reprovação na disciplina de Cálculo que
50% comprovando as dificuldades enfrentadas pelos estudantes em cursar uma
disciplina de cálculo. Neste quadro podem se encaixar vários parâmetros para as
devidas reprovações como à falta de conhecimentos básicos, que deveriam ter sido
adquiridos pelos alunos nos níveis de educação anteriores ao superior; manipulações
algébricas (fatoração de polinômios, relações trigonométricas, simplificações algébricas,
“produtos notáveis”, etc.); conceitos relacionados à definição de funções, afirmando que
afirmar que o aluno e a escola são os principais responsáveis; na forma como o
professor conduz sua prática pedagógica. (REIS, 2001; REZENDE, 2003).
A respeito das estratégias de aprendizagem utilizadas durante a disciplina de
cálculo na realização de seus estudos fora da aula 92% dos estudantes disseram se
identificarem melhor com as “Anotações de sala de aula”, como 77% utilizam “livros
didáticos” para seus estudos paralelos, demonstrando “alunos que possuem uma ênfase
mista de estudo e aprendizagem, valorizando os exercícios e a teoria” por meio dessas
estratégias. (FROTA, 2002, p. 117). A utilização de ferramentas tecnológicas como
estratégias aprendizagem representaram 39% dos estudantes, variando em acesso a
vídeo aulas no Youtube, participação em fóruns e páginas sobre o conteúdo.
Na pergunta “Como eram/são as listas de exercícios propostas pelo seu professor
durante o curso de Cálculo?” 46% estudantes listou que os seus professores utilizavam
“Listas extensas de cálculo algébrico, por exemplo, calcule os limites, derivadas e
integrais”, 15% relataram “Listas envolvendo aplicações dos conceitos de limite,
derivada e integral”, e 39% “Os dois modelos mesclados”. Por essas respostas
conseguimos observar o quanto a produção de listas de exercícios é sem dúvida a
solução “normal” mais usual em nossas universidades e já faz parte da tradição de um
curso de Cálculo a presença de extensas listas de exercícios, com gabarito, para que os
alunos possam realizar o seu “treinamento” com segurança. De forma, que a tal lista tem
ainda o papel de prenunciar o contexto em que se dará a avaliação, fato, aliás, que muito
interessa aos estudantes, e que poderá, inclusive, ser usado por eles em um momento
futuro, numa contra-argumentação de uma “questão da prova” que fuja aos parâmetros
da lista. (REZENDE, 2003, p. 13).
Durante a resolução dos modelos de listas exercícios propostas, 31% disseram
recorre a algum aplicativo de celular ou programas de computador como auxílio para
ensino e aprendizagem. E 69% disseram não utilizar algum meio tecnológico para
solução de suas atividades. Isso nos evidencia que os estudantes buscam outras formas
de aprendizagem além dos exemplos da sala de aula e de livros didáticos. De forma,
como os próprios professores pesquisados argumentaram que concordam que uso
tecnologia possa ser “Excelente ferramenta para visualizarem os aspectos dinâmicos de
uma função e também problemas de otimização”, “proporcionam a possibilidade de se
enxergar o comportamento numérico, geométrico, e de relações funcionais, sem o
desgaste enfadonho desses cálculos” entre outras vantagens.
E desses 31% de estudantes que disseram utilizar alguma forma tecnológica
como estratégia de aprendizagem relatou já terem manuseado aplicativos ou softwares
como Wolfram Alpha, Geogebra entre outros. Para acessar os aplicativos ou programas,
70% registraram utilizar o próprio computador ou da universidade e 15,4% por meio de
smartphones. Sobre a contribuição dessas ferramentas tecnológicas 62% descrevem que
esses objetos tecnológicos contribuem para aprendizagem do conteúdo e resolução de
exercícios, confirmando que aparelhos desse gênero somente podem valer para
finalidades práticas, em nosso caso realizações de cálculos e poupança de energia
mental para resolução das atividades, máquinas que foram desenvolvidas não para
explicar o pensamento, mas principalmente e exclusivamente para substituir, nas
condições exequíveis, o penoso esforço de emprega-lo. (PINTO, 2005).
Os professores entrevistados demonstraram ter uma boa experiência em sala de
aula, sendo que 26% lecionam menos de 3 anos; 40% de 4 a 10 anos; 22% de 10 a 20
anos e 12% lecionam mais de 20 anos a disciplina de Cálculo Diferencial e Integral. É
importante ressaltar que em algumas perguntas os professores entrevistados poderiam
escolher mais de uma opção como reposta.
No preparo de suas aulas 98% dos professores disseram desenvolver suas
metodologias em aulas expositivas e listas de exercícios; 50% trabalhos em grupos em
sala; 67% incentivo a trabalhar com softwares e 12% outros modos. Podemos observar
que o modelo de aulas expositivas e listas de atividades ainda é uma prática bastante
enraizada pelos professores, confirmando que por mais de um século, o modelo de
ensino de cálculo tem sido canônico: começando com o desejo de quantificar as coisas
procedimento mudança (o conceito de função), a velocidade com que elas mudam
(derivada), a maneira na qual elas se acumulam (integral), e a relação entre os dois (o
teorema fundamental do cálculo e a solução de equações diferenciais). (EICHLER,
2014). E no final de cada tópico a presença de extensas listas de exercícios, com
gabarito, para que os alunos possam realizar o seu “treinamento” com segurança.
(REZENDE, 2003).
Sobre a utilização de instrumentos tecnológicos durante as aulas 64% disseram
usarem notebooks, 52% o laboratório de informática da universidade; 21%
smartphones, 22% outras ferramentas tecnológicas e 12% não utilizam nenhum meio
tecnológico para ministrarem suas aulas. Mas como um dos próprios professores
entrevistado disse sobre o uso de tecnologias:
Acredito que motivam, possibilitam abordagem diferentes, facilitam o
aprendizado, possibilitam que os alunos realizem conjecturas e
investiguem. Como não tem um espaço para o TALVEZ na pergunta
9, gostaria de dizer que depende do professor, pois se ele usar as
tecnologias apenas para apresentar os conteúdos, que continue
fazendo o tradicional. (PROFESSOR X)
No entanto, os professores que confirmaram a utilização de aparelhos
tecnológicos em suas aulas afirmaram ter: 60% de melhora na apresentação dos
conteúdos; 64% acreditam que os alunos assimilam melhor os conteúdos; 74% otimiza
a aula extraindo os melhores rendimentos possível do conteúdo “podendo-se abordar
diferentes representações para a resolução de um mesmo problema”. (PROFESSOR Y).
e 22% outras vantagens.
Os professores que não utilizam instrumentos tecnológicos confirmaram que os
motivos são: atrapalham o andamento da aula 8%; 17% não tenho acesso a essas
ferramentas; 8% os alunos não tem acesso aos aparelhos; 67% outros desvantagens de
sua utilização. Realmente estes fatores ainda fazem parte das dificuldades em inserir as
ferramentas tecnológicas para o ensino e aprendizagem.
Com o avanço tecnológico ao qual estamos vivenciando, principalmente no
aparecimento acelerado de aplicativos para smartphones, tablets e notebooks, 76%
disseram que estas ferramentas podem auxiliar no processo de ensino; 91% disseram
poder auxiliar no processo de aprendizagem, 6% em outros meios e nenhum professor
discordou das potencialidades dessas ferramentas tecnológicas.
No processo de ensino e aprendizagem da matemática por meio desses
aplicativos ou software, mais precisamente a serem utilizados na resolução de exercícios
sobre limites, derivas e integrais, os professores afirmaram conhecer como
instrumentos: 49% Wolfram Alpha; 51% Maple; 33% Mathematica; 83% Geogebra;
55% Matlab e 6% nenhum aplicativo ou software.
Sobre as técnicas executadas por esses aplicativos e softwares os professores
argumentaram serem uma excelente ferramenta para visualização de funções e
problemas de otimização; facilitam o entendimento conceitual; ajudam em validação de
resultados; facilita a abordagem de conceitos pelo professor; dinamiza as aulas;
facilitam o ensino e aprendizagem dos conteúdos; possibilitam aos estudantes
realizarem conjecturas e investigações; diminuição dos procedimentos mecânicos de sua
estrutura.
Os professores também afirmaram que o modelo “tradicional” de ensinar e
aprender cálculo devem ser repensando, de modo, que 97% concordam que as
tecnologias da informação e comunicação sejam inseridas em seus procedimentos
didáticos e 4% discordaram sobre a mudança no método de ensino e aprendizagem da
disciplina. Isso nos demonstra que o uso de ferramentas tecnológicas
Conferem um dinamismo importante ao processo de ensino-
aprendizagem, por proporcionarem a possibilidade de se enxergar o
comportamento numérico, geométrico, e de relações funcionais, sem o
desgaste enfadonho desses cálculos sem tais recursos, muitas vezes
até impossíveis; pelo enorme tempo que seria necessário e pelo
próprio volume de contas. É claro que o aluno de cálculo, ou de
outras disciplinas matemáticas; necessita de fazer contas. Mas esse
exercício deve ser bem dosado, a fim de não se consumir tempo e
energia em exagero, com prejuízo do aprendizado das demais partes
do conteúdo, inclusive das mais conceituais.(PROFESSOR Z).
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos sintetizar que a problemática do ensino e aprendizagem do Cálculo é


bastante vasta a ser investigada e analisada e que sugestões de mudanças devem estar
sempre presentes ao currículo da disciplina. Nesse contexto, considera-se importante a
busca por novos recursos e metodologias que possam apoiar o estudo dessa disciplina.
De maneira, que os procedimentos didáticos realizados no processo de ensino e
aprendizagem venham ser repensados, principalmente ao que conduz ao uso das
tecnologias. Foi possível verificar com a pesquisa 97% dos professores concordam com
essas agregações tecnológicas ao ensino e aprendizagem do Cálculo. Nesse sentindo,
segundo a UNESCO até 2017, estima-se que aproximadamente metade da população
dos países em desenvolvimento terá pelo menos uma assinatura ativa de telefonia
móvel, demonstrando que o uso de smartphones e tablets terá uma expansão ainda
maior.
E esta revolução tecnológica por tecnologias móveis irá acelerar a produção de
aplicativos para uso de cálculos com padrões cada vez mais parecidos com os
raciocínios lógicos do ser humano. Essas novas técnicas ou formas de calcular
requerem, nesse momento, estudos, pesquisas e aprendizados para os professores
saberem utilizá-la de modo a gerar aprendizagens significativas. Em consequência
disso, podemos dizer que a transferência do esforço material e mental para as máquinas
retrata uma situação auspiciosa e tem em princípio o valor de libertação ao homem.
(PINTO, 2005)
Dessa forma, deixamos alguns questionamentos pela transformação que essas
máquinas já fazem no método de ensino e aprendizagem do Cálculo como: Qual motivo
de cobrar do estudante que saibam calcular limites, derivadas, integrais e equações
diferenciais se já que existem máquinas capazes de fazerem o mesmo trabalho realizado
por ele? Vemos muitos estudantes fazendo cursos de cálculo e aprovados sabendo
calcular, aprendendo técnicas (às vezes nem aprendendo), por qual motivo? Se
praticamente quase todos não conseguem conceituar o que é limite, derivada, integral e
o diferencial de uma função, não compreendem o conceito, definições e aplicações. As
formas de calcular já não oferecem somente respostas as atividades proposta, mas sim
todo o processo até a resposta da solução, atividades que podemos dizer serem rotineiras
em um curso de Cálculo, podendo ser agora um passados para os estudantes.
REFERÊNCIAS
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