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CURSO: DIREITO

DISCIPLINA: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO I


PROFESSORA: LÍDIA VALESCA PIMENTEL
ALUNA: IADRA DIVINA MARTINS CARNEIRO

1 – TEMA:

Como a função legiferante imprópria tem moldado o sistema normativo


brasileiro: o ativismo judicial no panorama jurídico contemporâneo.

2 – PERGUNTA DE PARTIDA:

Diante das restrições na função típica do legislativo, quais os fenômenos


que têm fortalecido a atuação legislativa imprópria do judiciário?

3 – OBJETIVOS GERAIS:

Discutir como a omissão do legislativo em sua função própria tem


fomentado o ativismo judicial.

4 – OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

a) Apresentar as funções típicas e atípicas dos poderes da república e


analisar os excessos no sistema de freios e contrapesos;
b) Analisar a evolução do ativismo judicial no Brasil;
c) Identificar situações paradigmáticas da atuação do judiciário frente a
inércia do legislativo;
d) Tratar das posições divergentes acerca da função legislativa imprópria.
5 – JUSTIFICATIVA:

O termo Ativismo Judicial tem despertado forte discussão no meio


acadêmico e na sociedade. Já controvertido desde a sua origem, o ativismo
judicial é caracterizado substancialmente pelas decisões judiciais que impõem
obrigações ao administrador, sem, contudo, haver previsão legal expressa.
Decorre da nova hermenêutica constitucional na interpretação dos princípios e
das cláusulas abertas, o que tem despertado questionamentos ao poder judiciário,
notadamente, ao Supremo Tribunal Federal.

Após a promulgação da Constituição de 1988, o poder constituinte


originário atribuiu ao poder judiciário a missão de ser o guardião dos valores
constantes no texto constitucional. Com objetivo de garantir essa missão, o
constituinte assegurou formas e mecanismos para proteger o texto constitucional
da ambição da sociedade e limitar os poderes atribuídos ao executivo, legislativo
e ao próprio poder judiciário. Ante a recorrente omissão legislativa, o STF tem
sido chamado a se pronunciar sobre determinadas matérias, das quais não se
limitou a declarar a omissão legislativa, indo além do que a dogmática legalista
tradicional convencionou ser o papel do Judiciário, qual seja, a subsunção do fato
à norma, e ante a imposição de obrigações aos outros poderes e aos
administrados em geral.

A ideia de ativismo judicial está associada a uma participação mais ampla e


intensa do Judiciário na concretização dos valores e fins constitucionais, com
maior interferência no espaço de atuação dos outros dois Poderes. A postura
ativista se manifesta por meio de diferentes condutas, que incluem: (i) a aplicação
direta da Constituição a situações não expressamente contempladas em seu texto
e independentemente de manifestação do legislador ordinário; (ii) a declaração de
inconstitucionalidade de atos normativos emanados do legislador, com base em
critérios menos rígidos que os de patente e ostensiva violação da Constituição;
(iii) a imposição de condutas ou de abstenções ao Poder Público.

No Brasil, a partir da criação de um ambiente que viabilizou a participação


cada vez maior do Judiciário na arena política, a intensificação do fenômeno da
judicialização convida a uma reflexão sobre suas possibilidades e riscos para a
consolidação democrática, a partir da análise do viés político da atuação do
Supremo Tribunal Federal, como também a avaliação de algumas posturas da
corte enquanto órgão colegiado de cúpula do sistema judiciário (e de seus
ministros, individualmente), bem como do poder executivo.

Objetiva-se, portanto, realizar uma análise aprofundada a respeito do


fenômeno do ativismo judicial, haja vista a posição cada vez mais proeminente do
poder judiciário nos Estados Democráticos de Direito, com enfoque especial no
Brasil, principalmente por meio de análise de julgamentos relevantes que contém
inovações ao ordenamento jurídico, por vezes em sentido contrário a texto legal,
buscando estabelecer distinção entre o ativismo judicial de fato, que representa
judicialização da política, e a produção normativa jurisprudencial necessária ou
decorrente, que em regra visa solucionar lacunas do ordenamento jurídico para a
efetiva prestação jurisdicional, bem como quais os efeitos positivos e negativos
decorrentes da superação da clássica tripartição de poderes do Estado Liberal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TAVARES, André Ramos. A superação da doutrina “tripartite” dos poderes do


Estado. In Direito Constitucional: Organização dos Poderes da República
(Coleção Doutrinas Essenciais, Volume IV). Clèmerson Merlin Clève e Luís
Roberto Barroso (Organizadores). São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.

BARROSO, Luís Roberto. Fundamentos Teóricos e Filosóficos do Novo Direito


Constitucional Brasileiro: pós-modernidade, teoria crítica e pós-positivismo,
Revista de Direito Administrativo. Ano V, nº 225, jul-set 2001.

ROUSSEAU, Jean Jacques. Do contrato social. 7. ed. São Paulo: Hemus.

BORBA, Dalton José. O conflito entre legislativo e judiciário nos 25 anos da


constituição de 1988.