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O USO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS EDUCACIONAIS NO SÉCULO XXI:

Perspectivas e dificuldade docente para a elaboração didática no ensino


superior.

C. e C., Willderson Geraldo1;

GOMES, Edmar Coelho2;

LIMA, Luciana de Castro3.

INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR FRANCISCANO – IESF

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1 INTRODUÇÃO

As tecnologias digitais surgiram como meio facilitador para o


desenvolvimento da sociedade, entretanto a sua restrição para o uso em sala de aula
ainda apresenta dificuldades e desafios para os procedimentos que visam melhores
condições de ensino-aprendizagem nas instituições de ensino superior. Tais situações
como a falta do uso tecnologia nas práticas docentes e a inclusão digital parcial dos
alunos, nas quais existem uma parcela que nunca tiveram um contato inicial com a
tecnologia, dificultam na incorporação de procedimentos tecnológicos na elaboração
didática, além da resistência discente e docente na abordagem tecnológica.

Por essa razão, parte-se do pressuposto de como implementar a tecnologia


digital no ensino superior de modo que melhore as práticas docentes.

Para tal finalidade, elaborou-se o objetivo geral cuja meta é investigar o


modo que as tecnologias digitais têm sido utilizadas pelos docentes em sala de aula
no ensino superior.

A presente pesquisa fundamenta-se conforme Vergara (2014), na qual aos


fins ela é descritiva, explicativa e aplicada. Descritiva, porque visa descrever a

1
Graduado em Matemática Bacharelado – UFMA. E-mail: willdersoncosta15@hotmail.com
2
Graduado em Pedagogia – UFMA; Email: edmarcoelhogomes@hotmail.com
3
Graduada em Educação Física Licenciatura – Faculdade Estácio de Sá. Email:
lululyma@windowslive.com.
convivência dos docentes e discentes com a tecnologias; explicativa por ir em busca
de relações de causa e efeito para os desafios e dificuldades do uso da tecnologia na
docência do ensino superior e aplicada por tratar-se de um problema que precisa de
elaboração de uma proposta para ser resolvido. Quantos aos meios, a pesquisa é
bibliográfica pois tem-se a necessidade de buscar uma vasta literatura, livros,
periódicos, revistas, hipertextos, entre outros, para a elaboração do referencial teórico,
tendo em vista o confronto com as informações da realidade encontradas na utilização
da tecnologia do ensino superior.

A relevância desse trabalho está em investigar a forma que os docentes


trabalham as tecnologias digitais em sala de aula dentro do processo ensino-
aprendizagem, buscando melhorias para as práticas pedagógicas.

Nesse sentido, será fundamental analisar as diversas literaturas referente


ao uso das tecnologias digitais educacionais na atualidade e, posteriormente, sugerir
estratégias que colabore com a capacitação docente quanto ao uso das tecnologias
digitais em sala de aula.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Como fundamentação deste trabalho, utilizamos os estudos bibliográfico de


autores como Kenski (2012), Mercado (1999), Bottentuit (2017) entre outros que
utilizam em suas pesquisas estudos acerca das tecnologias inseridas dentro do
contexto da educação em geral.
As reflexões sobre o uso das tecnologias perpassam por décadas, desde
que se notou sua influência na formação discente e nas necessidades de explorar
assuntos em todos os campos de comunicação e informação.
A preocupação com o impacto que as mudanças tecnológicas podem
causar no processo de ensino-aprendizagem, impõe a área da educação a tomada de
posição entre tentar compreender as transformações do mundo, produzir o
conhecimento pedagógico, sobre ele auxiliar o homem a ser sujeito da tecnologia, ou
simplesmente dar as costas para a atual realidade da nossa sociedade baseada na
informação (SAMPAIO e LEITE, 2000, op cit SANTOS, 2012, p. 9).
O uso das tecnologias na educação vem com o propósito de representação
da liberdade, de obtenção da informação e da sua propagação em prol do
desenvolvimento de uma educação mais justa e democrática onde todos podem fazer
parte desta construção.
O professor tem um papel fundamental neste percurso de desenvolvimento
e propagação de uma educação mais reflexiva e democrática. Para tanto, se fez
necessário a intercessão de leis que amparassem a sua formação e que medidas
fossem consolidadas. Por muito tempo, se consolidava a vida docente atrelada à sala
de aula de maneira engessada e enraizada em seus próprios princípios formadores
sem antes obter sequer aparatos qualitativos quanto à sua formação.
Dentre alguns pontos acerca da formação docente no Brasil, vale destacar
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação-LDB nº 9394/96 como precursora e que
ressaltou a formação docente, regulamentando o ensino superior e a educação básica
brasileira.
É fundamental que o professor tenha conhecimento sobre as possibilidades
do recurso tecnológico, para poder utilizá-lo como instrumento de aprendizagem
(MERCADO, 2004, p. 66). Para que isto ocorra, o profissional da educação tem que
estar ao mínimo atualizado com as variantes que a educação proporciona quando
relacionado aos mais diversos modos de trabalho em sala de aula.
O professor de hoje é um mediador do conhecimento, um aprendiz
permanente, um construtor de sentidos, um cooperador, e, sobretudo, um organizador
de aprendizagem (GADOTTI, 2002).
O educador deve assumir um novo papel nesse processo colaborativo de
interatividade, deixar a postura de provedor de conhecimento e atuar como mediador,
pois diante do cenário atual e rápidos avanços tecnológicos, alcança excito o
profissional que seja capaz de se ajustar a esses avanços, pois é seu papel criar novas
estratégias e possibilidades para ensinar e aprender.
A educação por sua vez não pode mais estar atrelada aos modelos antigos,
as novas tecnologias devem ser analisadas e exploradas como meios de construção
de conhecimento, e não atrelar somente e difusão da mesma em sala de aula. Ao
longo dos anos, a educação sofre com um processo de degradação na forma como é
disseminado o conhecimento devido à padronização das metodologias tradicionais
utilizadas em sala de aula, dessa forma os profissionais na área de educação não
conseguem fazer um panorama geral para captar a conexão existente das diversas
formas de pensamento e de como funciona o processo de percepção e compreensão
de cada aluno. Esse tipo de padronização provoca nos estudantes de ensino superior
um certo incomodo pois não são estimulados a desenvolverem o seu raciocínio crítico
e social para ampliação do aprendizado e por essa razão, estudiosos e profissionais
da área de educação são instigados a reconstruírem as metodologias utilizadas no
processo de construção do saber.
Percebe-se então, que a dinâmica da construção do conhecimento é outra.
Os moldes que se tinham acerca do papel docente e sua relação com os discentes
vão se (re) modelando com o passar dos tempos.
O que se questiona, é como as ferramentas tecnológicas da informação e
comunicação serão integradas pelos docentes em sua prática pedagógica. Porém,
vale ressaltar a necessidade de qualificação para a sua plena utilização na função
pedagógica.
Conforme Cardoso (2007) a evolução tecnológica trouxe para educação
novas possibilidades de informação e conhecimento, ou seja, novos processos
educacionais utilizando a multimídia como estratégia diferenciada na elaboração do
conteúdo, combinando e interligando com outras ferramentas didáticas (som, imagem,
texto); permitindo novas possibilidades de ensinar pelo professor e aprender pelo
aluno.
A utilização das tecnologias como ferramenta pedagógica, não só dinamiza
o conteúdo ministrado, mas também estimula os alunos e fomenta a autonomia e a
criatividade. Porém não havendo organização e capacitação dos profissionais
envolvidos, o resultado será a utilização indevida dessas ferramentas tecnológicas
tornando-as como distrações para o desenvolvimento intelectual e sociais dos alunos
e consequentemente gerando cidadãos desmotivadas e sem senso crítico.
Nesse cenário é importante ressaltar que as novas formas de usar as
tecnologias e explora-las, acaba por depender da iniciativa do próprio docente, de
buscar e acompanhar os avanços, podendo complementar sua formação com um
curso de capacitação. Masetto apud Drucker (1998) leva a pensar a respeito quando
declara: “a tecnologia será importante, mas principalmente porque nos forçará a fazer
coisas novas, e não porque permitirá que façamos melhor as coisas velhas”.
Não estamos falando de um mero uso desta ferramenta como processo
mecânico da sua utilização como, por exemplo, tratar do uso como um processo de
ligar ou desligar ou se trabalhar dentro dos programas que existem em um
computador, celular, tablet e etc.
Ribeiro (2012) quando fala sobre o computador relata que “seu uso, por
parte dos alunos, deve se dar de forma crítica e criativa, exigindo para tanto,
motivação, concentração e autonomia”. A formação docente perpassa por esta
situação de tal maneira que para se estabelecer o vínculo entre o professor e o aluno
e que a prática se torne também reflexiva, o mesmo deverá procurar meios que o
qualifiquem para a função, a fim de não desqualificar a sua posição perante aos
anseios dos alunos.
As inovações devem ser constantes, mas cabe ao professor orientar e
nortear o conteúdo a ser absorvido pelos acadêmicos, não basta introduzir de forma
desconexa, é necessário que haja a teoria alicerçada para que o aluno a domine e ou
saiba quando usar e como usar.
Nesta perspectiva, Silva et.al (2011) ainda ressalta que a formação
continuada possibilita ao docente a aquisição de conhecimentos específicos da
profissão, se tornando seres mais capacitados a atender as exigências impostas pela
sociedade, tendo então que o educador estar constantemente atualizado.
O professor sempre estará em constância na formação e interação quanto
aos novos métodos da administração e do planejamento do seu trabalho em sala de
aula. No entanto, vale ressaltar a sua interação com o meio em que vive diariamente.
Vale a premissa que o seu planejamento perpassa por observar tudo e todo o seu
redor em prol da dinamicidade do trabalho realizado.
Flemming e Mello (2003) salientam que é importante que as ferramentas
tecnológicas estejam dispostas em um plano de aula bem estruturado, com uma
sequência didática que promova a interação entre o objeto de estudo e as estratégias
de aprendizagem.

Sendo assim o professor deve antecipadamente investigar todos os


programas e ou ferramentas tecnológicas que podem ser utilizadas para elaboração
do planejamento, que sejam ao mesmo tempo eficaz e cativante, criando assim um
ambiente na qual os discentes possam construir seus conhecimentos por meio de
descobertas. Dessa forma, para que ocorra o processo de ensino-aprendizagem é
necessário que docentes planejem as aulas e posteriormente retomem os objetivos
inicias. Nesse viés, não basta apenas que o sujeito desenvolva o planejamento de
forma criteriosa e criativa. Requer ainda, que este seja realizado em uma perspectiva
de constante avaliação, para possíveis alterações ou readaptações excluindo a
possibilidade de uma atividade estagnada, que engesse a prática docente. Em meio
ao século XXI, deve-se estar atento ao mundo amplamente tecnológico e ao desejo
de mudanças. Ao planejar, o docente deve considerar as mudanças históricas,
econômicas e sociais e, principalmente, o contexto do projeto pedagógico em que
atua, tendo em vista, o desenvolvimento formativo, alinhado ao perfil de estudantes
de ensino superior que pretende graduar.

Diante das dificuldades e necessidades encontradas no ambiente de


ensino e na formação de docentes, na qual ambos têm o objetivo de promover o
conhecimento a discente, tem-se a necessidade de um planejamento adequado com
relação aos métodos e recursos a serem utilizados no processo de ensino
aprendizagem.
O professor precisa conhecer as diferentes modalidades de uso da
informação e entender os recursos que elas oferecem para a construção de
conhecimentos (MERCADO, 2004, p. 67).

Pode-se compreender o professor como um profissional que atue


estrategicamente na construção do conhecimento, se mantendo atualizado para
apresentar informações relevantes para o sucesso profissional e continuada de seus
alunos. Partindo da ideia que novos meios de ensino possibilitam a propagação do
ensino de forma positiva e eficaz. A disseminação do conhecimento através de
compartilhamento de experiências com os estudantes é dever dos professores pois
esses são responsáveis pela criação de profissionais competentes com elevado grau
de conhecimento e por essa razão, as novas tecnologias devem ser utilizadas nos
processos de ensino-aprendizagem para que possam interagir com os estudantes e
os levarem a atingir os objetivos acadêmicos esperados. Dessa forma é necessária
uma mudança na mentalidade do profissional da educação durante o processo de
utilização dessas ferramentas tecnológicas pois surge a necessidade em utilizar
artifícios para que o ensino seja adequado de maneira construtiva a um paradigma da
educação, na qual o conhecimento compartilhado é o principal foco. O professor, por
meio dos avanços tecnológicos cria e gerencia um processo de constante inovação
em sala de aula, onde a imersão no ambiente tecnológico gera várias possibilidades
de desenvolvimento intelectual do estudante.

Com isso, o papel social do professor requer muito mais que uma simples
visão engessada. Requer que este se qualifique, mas que tenha meios para que se
concretize. Vivemos em um tempo em que as informações se propagam com tanta
rapidez que o obsoleto se torna constante vista ao alcance do aperfeiçoamento
pessoal e profissional. Verificamos que no contexto educacional não seja diferente
desta realidade. No entanto entendemos que a melhor maneira de se agregar êxito a
tudo aquilo que ainda irá por vir será através do conhecimento.

Em suma, entender que a proposta do uso das tecnologias educacionais


vem para agregar forças para que os participantes deste contexto tenham mais
ferramentas de trabalho e que possam com isso buscar meios que possibilitem o saber
e o conhecimento.
Mas vale ressaltar, que o docente a todo instante vivencia a busca por
conhecimentos e estratégias que visem colaborar para a elaboração do seu
planejamento diário em sala de aula. Para tanto, para que se tenha um processo de
reflexão quanto ao mesmo, o docente tende a delinear meios que facilitem o
aprendizado daqueles que assim estão inseridos no contexto educacional.
E preciso considerar as dificuldades encontradas pelos professores
durante sua formação, existe a ausência das tecnologias nos currículos de
licenciatura, se tem o foco no uso de instrumentos teológicos, mas não nas habilidades
que são necessárias para desenvolver e utilizar as ferramentas tecnológicas em sala
de aula, integrada ao currículo.
Desde modo, podemos afirmar que o uso das tecnologias se bem
manuseada pode beneficiar o trabalho docente, proporcionando conhecimento, aulas
dinâmicas, além de tudo auxilia no processo de comunicação e construção do saber
entre professor aluno e aluno professor.
Seguindo tudo o que já foi relatado sobre o uso das tecnologias e os
desafios docente frente à relação didática, entendemos ser de suma importância a
qualificação e interação docente quanto ao seu uso reflexivo, dinâmico e libertador.
Entendemos das dificuldades quanto à utilização dos recursos, na maioria das vezes
escassos ou até mesmo inexistente, porém destacamos a necessidade continua da
formação e qualificação em prol dos desdobramentos e rumo que a educação se
encontra na atualidade.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os professores devem se adaptar aos constantes avanços tecnológicos que


desenvolvam e disponibilizam novas formas de aprendizagem, garantem uma
educação continuada e um processo de formação permanente, pois a gama de
informações e conteúdos computacionais exige o educador a reavaliar suas
estratégias de ensino, verificar as competências obtidas pelos seus alunos, além do
papel que exercem frente às metodologias de ensino.

E para que essa relação entre ensino e inovação tecnológica se torne possível,
é necessário que as instituições de ensino superior definam quais são os tipos de
indivíduos que pretendem formar e quais são os responsáveis pela aplicabilidade de
mecanismos que proporcionem a mudança no controle educacional da instituição e
na inovação e desenvolvimento do trabalho docente. As mudanças que estão
ocorrendo e as que futuramente podem ocorrer exige que o professor seja um
profissional qualificado que esteja buscando sempre adaptar a sua atividade no meio
interativo da educação, além de reformular a soluções de problemas de ensino-
aprendizado, considerando de forma estratégica as diferentes forma de pensamento
de cada aluno objetivando o equilíbrio no processo de compartilhamento de posturas
críticas e construtivas.

É de responsabilidade do docente gerenciar o processo de ensino-


aprendizagem pois é o profissional responsável em definir o planejamento adequado
para ser desenvolvido e abordado durante o ano letivo, além das orientações e
aplicações de atividades que tenham vinculo paralelo com o avanço tecnológico. Para
isto, é necessário que o professor seja qualificado e possuam conhecimentos sólidos
no processo de didática de ensino superior, além de domínio do conteúdo pois é de
suma importância para a aplicação das ferramentas tecnológicas para atender as
necessidades individuais e coletivas.

A melhoria na qualidade de ensino e na formação docente será obtida através


do uso da pesquisa como atitude cotidiana na sala de aula, transformando os alunos
em autores de sua formação, através do exercício de aprender autônomo e
participativo. Portanto, é de suma importância a utilização das novas tecnologias na
organização do trabalho pedagógico, propondo ao docente novas habilidades e o
domínio das novas linguagens derivadas dos atuais recursos tecnológicos.