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Doutrina Social da Igreja

Meio Ambiente

A Natureza e Deus

A fé de Israel vive no tempo e no espaço deste mundo, visto não como um ambiente hostil ou um mal da
qual libertar-se, mas freqüentemente como o próprio dom de Deus, o lugar e o projeto que Ele confia à
responsável direção e operosidade do homem. A natureza, obra da criação divina, não é uma perigosa
concorrente.

Cultivar e Guardar A arte e o cuidado

A relação do homem com o mundo é um elemento A visão bíblica inspira as atitudes dos cristãos em
constitutivo da identidade humana. Trata-se de relação ao uso da terra, assim como ao
uma relação que nasce como fruto da relação, desenvolvimento da ciência e da técnica.
ainda mais profunda, do homem com Deus.
Os resultados da ciência e da técnica são, em si
O Senhor quis o ser humano como Seu mesmos, positivos. Ponto de referência central
interlocutor: somente no diálogo com Deus a para toda aplicação científica e técnica é o respeito
criatura humana encontra a própria verdade, da ao homem, que deve acompanhar uma
qual extrai inspiração e normas para projetar a indispensável atitude de respeito para com as
história no mundo, um jardim que Deus lhe deu demais criaturas viventes.
para que seja cultivado e guardado

A fidelidade e o dever

O homem não deve, portanto, esquecer que «a sua capacidade de transformar e, de certo modo, criar o
mundo com o próprio trabalho ... se desenrola sempre sobre a base da doação originária das coisas por parte
de Deus.

Ele não deve dispor arbitrariamente da terra, submetendo-a sem reservas à sua vontade, como se ela não
possuísse uma forma própria e um destino anterior que Deus lhe deu, e que o homem pode, sim,
desenvolver, mas não deve trair.

Um ponto de equilíbrio As crises

Uma correta concepção do ambiente, se de um A tendência à exploração inconsiderada dos


lado não pode reduzir de forma utilitarista a recursos da criação é o resultado de um longo
natureza mero objeto de manipulação e desfrute, processo histórico e cultura. A natureza aparece
por outro lado não pode absolutizar a natureza e assim como um instrumento nas mãos do homem,
sobrepô-la em dignidade à própria pessoa humana. uma realidade que ele deve constantemente
manipular, especialmente mediante a tecnologia.
Dependência e Autonomia

Uma visão do homem e das coisas desligadas de qualquer referência à transcendência conduziu a negação
do conceito de criação e a atribuir ao homem e à natureza uma existência completamente autônoma.
O liame que une o mundo a Deus foi assim quebrado: tal ruptura terminou por desancorar do mundo
também do homem e, mais radicalmente, empobreceu sua mesma identidade. O ser humano viu-se a
considerar-se alheio ao contexto ambiental em que vive. É bem clara a conseqüência que daí decorre

Responsabilidade Sustentabilidade

A tutela do ambiente constitui um desafio para A responsabilidade em relação o ao ambiente,


toda a humanidade: trata-se do dever, comum e patrimônio comum do gênero humano, se estende
universal, de respeitar um bem coletivo, destinado não apenas às exigências do presente, mas
a todos, impedindo que se possa fazer também às do futuro.
impunemente uso das diversas categorias de seres,
vivos ou inanimados — animais, plantas e Trata-se de uma responsabilidade que as gerações
elementos naturais — como se quiser, em função presentes têm em relação às futuras, uma
das próprias exigências responsabilidade que pertence também a cada um
dos Estados e à Comunidade Internacional.
Desenvolvimento sustentável

A programação do desenvolvimento econômico deve considerar atentamente a necessidade de respeitar a


integridade e os ritmos da natureza, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis.

Uma economia respeitosa do ambiente não perseguirá unicamente o objetivo da maximização do lucro,
porque a proteção ambiental não pode ser assegurada somente com base no cálculo financeiro de custos e
benefícios.

Doutrina Social e Natureza

Também no campo da ecologia a doutrina social convida a ter presente que os bens da terra foram criados
por Deus para ser sabiamente usados por todos: tais bens devem ser divididos com equidade, segundo a
justiça e a caridade.

O princípio da destinação universal dos bens oferece uma fundamental orientação, moral e cultural, para
desatar o complexo e dramático nó que liga crises ambientais e pobreza.

Uma nova mentalidade

Os graves problemas ecológicos exigem uma efetiva mudança de mentalidade que induza a adotar novos
estilos de vida.

A atitude que deve caracterizar o homem perante a criação é essencialmente a da gratidão e do


reconhecimento: de fato, o mundo nos reconduz ao mistério de Deus que o criou e o sustém. Se se coloca
entre parentes a relação com Deus, esvazia-se a natureza do seu significado profundo. Se, ao contrário, se
chega a descobrir a natureza na sua dimensão de criatura, é possível estabelecer com ela uma relação
comunicativa, colher o seu significado evocativo e simbólico, penetrar assim no horizonte do mistério.