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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 3

UNIDADE DIDÁTICA I – LEGISLAÇÃO E CONCEITOS 4

1. DEFINIÇÃO DE CONTRATO ADMINISTRATIVO 4

2. LEGISLAÇÃO 13

3. PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO 14

4. PARECER JURÍDICO 23

5. PUBLICAÇÃO 25

6. CLÁUSULAS ESSENCIAIS 27

7. REGIMES DE EXECUÇÃO 29

UNIDADE DIDÁTICA II– ATIVIDADES DO GESTOR DE CONTRATO 30


E FISCAIS

1. GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTATO 30

2. REAJUSTE DE PREÇOS 34

2.1. REPACTUAÇÃO DE PREÇOS 36

3. ALTERAÇÃO CONTRATUAL 40

3.1. ALTERAÇÃO POR REEQUILÍBRIO 41

3.2. ACRÉSCIMOS OU SUPRESSÕES 42

4. VIGÊNCIA DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 44

4.1. VIGÊNCIAS DIFERENCIADAS 46

5. PROCESSO ADMINISTRATIVO 48

6. ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO, RESCISÃO OU CONCLUSÃO 49

7. SANÇÕES 53
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UNIDADE DIDÁTICA III – OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E 57


TRABALHISTAS

1. OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E TRABALHISTAS 57

2. PLANILHA DE CUSTOS 59

3. CONTA-DEPÓSITO VINCULADA 65

4. GARANTIAS 66

UNIDADE DIDÁTICA IV – REGISTROS NO SIASG E SIAFI 69

1. EM LIQUIDAÇÃO, LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO 69

2. ATUALIZAÇÃO FINANCEIRA 76

3. DESPESA SEM COBERTURA CONTRATUAL 78

4. REGISTROS NO SIAFI E SIASG 79

CONCLUSÃO 81

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APRESENTAÇÃO
Este documento foi elaborado para servir de guia do aluno para o Estágio
de Gestão e Fiscalização de Contratos, na modalidade de ensino à distância – EAD, a
ser realizado em 2019, pela 10ª ICFEx.

O objetivo é apresentar os principais conceitos e normas sobre o tema,


servindo de ponto de partida para um aprofundamento em tipos de contratos específicos
que exijam a participação do agente público como fiscal de contrato.

Ao operar com contratos administrativos os agentes da administração


devem orientar suas decisões com base na Lei 9.784/1999, especialmente no art. 2º,
onde consta que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da
legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla
defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Cabe destacar que não há prevalência entre os princípios, todos devem


ser aplicados equanimemente, pois toda a interpretação de norma e decisão do agente
deve ser motivada, estar pautada na legislação e buscar o atendimento do interesse
público, da eficiência e utilizar da razoabilidade.

Vale destacar que com a edição da Emenda Constitucional de 19/1998,


acrescentando ao art. 37 o princípio da eficiência, todas as novas leis promulgadas a
partir de então, deveriam ter como norte esse princípio, assim também, as interpretações
da legislação na área da Administração Pública devem sempre considerar esse princípio
na tomada de decisões.

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UNIDADE DIDÁTICA I – LEGISLAÇÃO E CONCEITOS

OBJETIVOS:

1. Conhecer a legislação aplicada à fiscalização e gestão de contratos.

2. Conhecer os conceitos aplicados à fiscalização e gestão de contratos.

1. DEFINIÇÃO DE CONTRATO ADMINISTRATIVO

A Lei que trata de contratos é a 8.666/1993, a Lei das Licitações e


Contratos - LLC.

O órgão normatizador de contratos dentro do Poder Executivo Federal é a


SEGES/PDG/MinEcon.

No Comando do Exército, o órgão normatizador de Licitações e


Contratos é a SEF, por ser o Órgão de Direção Setorial responsável pela execução
orçamentária, conforme art. 16 do Decreto 5.751/2006.

O órgão com o encargo de dar pareceres jurídicos sobre o assunto é a


AGU/CJU, de acordo com a LC 73/1993.

O TCU como órgão de controle externo tem a função de fiscalização


contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos poderes
da União e avaliar os resultados da gestão quanto a eficiência e eficácia. Como Tribunal
administrativo, também tem poderes de julgar contas e aplicar sanções a servidores.
Também tem a competência de decidir sobre consultas de autoridades competentes,
conforme art. 1º da Lei 8.443/1992.

Os órgãos de controle interno, são órgãos de assessoramento e têm a


finalidade de avaliar os resultados da gestão dos administradores públicos, conforme o
art. 19 da Lei 10.180/2001.

Para definição de contrato devem ser considerados o conceito amplo, lato


sensu, e o conceito específico, stricto sensu. É importante estar atento ao contexto em
que é colocado o termo “contrato”, pois pode se estar falando de contrato sob o enfoque
do direito civil ou sob o enfoque do direito administrativo, no caso de contrato
administrativo a abrangência pode ser lato sensu ou stricto sensu.

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A definição "lato sensu" de contrato administrativo consta no parágrafo


único do art. 2º da Lei das Licitações e Contratos Administrativos:

Para os fins desta Lei, considera-se contrato todo e


qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e
particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de
vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a
denominação utilizada.

Mesmo que outro nome seja dado a um documento, como carta-contrato,


nota de empenho, ordem de execução de serviço, autorização de compra, termo de
credenciamento ou ata de registro de preços, se ficar configurado que uma das partes é a
Administração Pública, houve formação de vínculo e foram estipuladas obrigações
recíprocas, como um executar e outro pagar, esse documento deverá ser considerado um
contrato administrativo.

Como definição “stricto sensu” de instrumento de contrato ou termo de


contrato, observa-se o previsto no art, 62 da Lei 8.666/1993.

Art. 62. O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de


concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e
inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas
duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a
Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis, tais
como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de
compra ou ordem de execução de serviço.

(...)

§ 4o É dispensável o "termo de contrato" e facultada a substituição


prevista neste artigo, a critério da Administração e independentemente
de seu valor, nos casos de compra com entrega imediata e integral dos
bens adquiridos, dos quais não resultem obrigações futuras, inclusive
assistência técnica.

Classificações de contratos administrativos quanto a forma

Quanto à forma o contrato administrativo pode se apresentar conforme a


seguir:

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a. verbal – conforme o parágrafo único do art. 60 da LLC, é nulo e de


nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de
pronto pagamento, assim entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por
cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea "a" desta Lei, feitas em regime
de adiantamento.

b. outros instrumentos hábeis de contratação - OIHC, também


conhecidos como contratos administrativos simplificados, previstos no art. 62 da LLC e
no anexo VII-G da IN 05/2017-PDG/MinEcon, que poderá ser utilizado nos seguintes
casos:

1) o valor da contratação por licitação, dispensa ou inexigibilidade não


superar o previsto para a modalidade convite; ou

2) nos casos de compra com entrega imediata e integral dos bens


adquiridos, dos quais não resultem obrigações futuras, inclusive assistência técnica.

c. termo de contrato ou instrumento de contrato completo ou ainda


contrato "stricto sensu", neste caso, deverá ser observado o seguinte:

1) deverá conter no mínimo todas as cláusulas essenciais previstas no art.


55 da LLC;

2) parecer jurídico da minuta de contrato é obrigatório, conforme o


parágrafo único do art. 38 da LLC;

3) obrigatoriedade da publicação do extrato de contrato e seus aditivos na


imprensa oficial, art. 61 da LLC, exceto nas dispensas e inexigibilidades cujo valor
esteja dentro dos limites dos incisos I e II do art. 24;

4) nomeação de um gestor de contrato conforme art. 67 da LLC e fiscais para assessorá-


lo, observando-se o art. 40 da IN 5/2017-PDG/MinEcon;
5) registro no SIASG/SICON;

6) registro e acompanhamento no SIAFI;

7) processo único para o contrato e seus aditivos; e

8) outras obrigações específicas de acordo com o tipo de contrato.

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d. despesas sem cobertura contratual, assim entendidos aqueles


serviços executados e materiais entregues em que a despesa não foi previamente
empenhada e contratada ou quando o a licitação foi anulada ou revogada ou quando o
contrato foi rescindido por ato da Administração, ou ainda quando a execução ocorreu
após o término da vigência do contrato, nesses casos cabe indenização ao prestador do
serviço ou fornecedor do material conforme Orientação Normativa 4/2009-AGU

Legislação

Algumas normas específicas de contratos.

Lei 8.666/1993, art. 2º

Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se contrato


todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da
Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de
vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações
recíprocas, seja qual for a denominação utilizada.

Stricto sensu (instrumento de contrato)

Art. 62. O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de


concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e
inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites
destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em
que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos
hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa,
autorização de compra ou ordem de execução de serviço.

§ 4º É dispensável o "termo de contrato" e facultada a


substituição prevista neste artigo, a critério da Administração e
independentemente de seu valor, nos casos de compra com entrega
imediata e integral dos bens adquiridos, dos quais não resultem
obrigações futuras, inclusive assistência técnica.

CONSTITUIÇÃO 1988

Art. 167. São vedados:

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II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas


que excedam os créditos orçamentários ou adicionais;

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Para a definição da obrigatoriedade de Termo de Contrato também devem


ser consideradas as possíveis prorrogações, a única exceção do art. 62 são para compras
com entrega imediata e integral.

O Decreto 6.170/2007 regulamenta os convênios, contratos de repasse e


termos de execução descentralizada celebrados pelos órgãos e entidades da
administração pública federal com órgãos ou entidades públicas ou privadas sem fins
lucrativos, para a execução de programas, projetos e atividades que envolvam a
transferência de recursos ou a descentralização de créditos oriundos dos Orçamentos
Fiscal e da Seguridade Social da União. Esses instrumentos quando celebrados entre
órgãos da Administração Pública não se enquadram na definição lato sensu de contratos
administrativos.

O Decreto 6.170/2007, alterou as denominações do Decreto 93.872, que


definia como convênios, acordos e ajustes, esses termos são utilizados nos art. 38,
parágrafo único e art. 116 da Lei 8.666/1993.

Decreto 6.170/2013

Art. 20. Ficam revogados os arts. 48 a 57 do Decreto nº 93.872,


de 23 de dezembro de 1986 (seção que tratava de Convênios,
Acordos ou Ajustes) , e o Decreto nº 97.916, de 6 de julho de 1989.

I - convênio - acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que


discipline a transferência de recursos financeiros de dotações
consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e
tenha como partícipe, de um lado, órgão ou entidade da administração
pública federal, direta ou indireta, e, de outro lado, órgão ou entidade
da administração pública estadual, distrital ou municipal, direta ou
indireta, ou ainda, entidades privadas sem fins lucrativos, visando a
execução de programa de governo, envolvendo a realização de
projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse
recíproco, em regime de mútua cooperação;

II - contrato de repasse - instrumento administrativo, de


interesse recíproco, por meio do qual a transferência dos recursos

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financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente


financeiro público federal, que atua como mandatário da União.

III - termo de execução descentralizada - instrumento por meio


do qual é ajustada a descentralização de crédito entre órgãos e/ou
entidades integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social
da União, para execução de ações de interesse da unidade
orçamentária descentralizadora e consecução do objeto previsto no
programa de trabalho, respeitada fielmente a classificação funcional
programática.

Lei 8.666/1993.

Art. 116. Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber,


aos convênios, acordos, ajustes e outros instrumentos congêneres
celebrados por órgãos e entidades da Administração.

Não confundir acordos e ajustes com aditivos de contratos.

Principais Orientações Normativas da AGU sobre contratos

ON 04
A despesa sem cobertura contratual deverá ser objeto de reconhecimento
da obrigação de indenizar nos termos do art. 59, parágrafo único, da lei nº 8.666, de
1993, sem prejuízo da apuração da responsabilidade de quem lhe der causa.

ON 10
A definição do valor da contratação levará em conta o período de
vigência do contrato e as possíveis prorrogações para:
a) a realização de licitação exclusiva (microempresa, empresa de
pequeno porte e sociedade cooperativa);
b) a escolha de uma das modalidades convencionais (concorrência,
tomada de preços e convite); e
c) o enquadramento das contratações previstas no art. 24, inc. I e II, da lei
nº 8.666, de 1993.

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ON 33

"O ato administrativo que autoriza a contratação direta (art. 17, §§ 2º e


4º, art. 24, inc. Iii e seguintes, e art. 25 da lei nº 8.666, de 1993) deve ser publicado na
imprensa oficial, sendo desnecessária a publicação do extrato contratual."

ON 34

"As hipóteses de inexigibilidade (art. 25) e dispensa de licitação (incisos


iii e seguintes do art. 24) da lei nº 8.666, de 1993, cujos valores não ultrapassem aqueles
fixados nos incisos i e ii do art. 24 da mesma lei, dispensam a publicação na imprensa
oficial do ato que autoriza a contratação direta, em virtude dos princípios da
economicidade e eficiência, sem prejuízo da utilização de meios eletrônicos de
publicidade dos atos e da observância dos demais requisitos do art. 26 e de seu
parágrafo único, respeitando-se o fundamento jurídico que amparou a dispensa e a
inexigibilidade."

ON 36

"A administração pode estabelecer a vigência por prazo indeterminado


nos contratos em que seja usuária de serviços públicos essenciais de energia elétrica,
água e esgoto, serviços postais monopolizados pela ect (empresa brasileira de correios e
telégrafos) e ajustes firmados com a imprensa nacional, desde que no processo da
contratação estejam explicitados os motivos que justificam a adoção do prazo
indeterminado e comprovadas, a cada exercício financeiro, a estimativa de consumo e a
existência de previsão de recursos orçamentários."

ON 39

"A vigência dos contratos regidos pelo art. 57, caput, da lei 8.666, de
1993, pode ultrapassar o exercício financeiro em que celebrados, desde que as despesas
a eles referentes sejam integralmente empenhadas até 31 de dezembro, permitindo-se,
assim, sua inscrição em restos a pagar."

ON 46

"Somente é obrigatória a manifestação jurídica nas contratações de


pequeno valor com fundamento no art. 24, i ou ii, da lei nº 8.666, de 21 de junho de
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1993, quando houver minuta de contrato não padronizada ou haja, o administrador,


suscitado dúvida jurídica sobre tal contratação. Aplica-se o mesmo entendimento às
contratações fundadas no art. 25 da lei nº 8.666, de 1993, desde que seus valores
subsumam-se aos limites previstos nos incisos i e ii do art. 24 da lei nº 8.666, de 1993".

ON 48

"É competente para a aplicação das penalidades previstas nas leis n°s
10.520, de 2002, e 8.666, de 1993, excepcionada a sanção de declaração de
inidoneidade, a autoridade responsável pela celebração do contrato ou outra prevista em
regimento."

ON 49

"A aplicação das sanções de impedimento de licitar e contratar no âmbito


da união (art. 7° da lei n° 10.520, de 2002) e de declaração de inidoneidade (art. 87, inc.
Iv, da lei n° 8.666, de 1993) possuem efeito ex nunc, competindo à administração,
diante de contratos existentes, avaliar a imediata rescisão no caso concreto."

ON 51

"A garantia legal ou contratual do objeto tem prazo de vigência próprio e


desvinculado daquele fixado no contrato, permitindo eventual aplicação de penalidades
em caso de descumprimento de alguma de suas condições, mesmo depois de expirada a
vigência contratual.”

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2. LEGISLAÇÃO

A legislação que trata do assunto é muito vasta, pois para cada tipo de
contratação possui regras específicas, Aqui serão apresentadas normas gerais e algumas
orientações e manuais de alguns órgãos.

- Lei 8.666/1993;

- Lei 10.192/2001;

- Lei 9.784/1999;

- Decreto 7.983/2013;

- Decreto nº 7.174/2010 - Bens e Serviços de Informática e Automação

- IN 05/2017-SEGES/PDG/Min Econ;

- Manual do Fiscal de Contrato (Comprasgovernamentais-ENAP);

- Manual SICON - Sistema de Gestão de Contrato;

- Manual SICON - Contrato com Vigência Indeterminada;

- Portaria nº 305/1995 – IG 12-02 - Instruções Gerais para a Realização


de Licitações e Contratos no Ministério do Exército;

- DECRETO Nº 9.412, DE 18 DE JUNHO DE 2018

Art. 1º Os valores estabelecidos nos incisos I e II do caput do art. 23 da Lei nº 8.666, de 21 de


junho de 1993, ficam atualizados nos seguintes termos:

I - para obras e serviços de engenharia:

a) na modalidade convite - até R$ 330.000,00 (trezentos e trinta mil reais);

b) na modalidade tomada de preços - até R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e

c) na modalidade concorrência - acima de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais); e

II - para compras e serviços não incluídos no inciso I:

a) na modalidade convite - até R$ 176.000,00 (cento e setenta e seis mil reais);

b) na modalidade tomada de preços - até R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil
reais); e

c) na modalidade concorrência - acima de R$ 1.430.000,00 (um milhão, quatrocentos e trinta mil


reais).

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3. PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO

A fase do planejamento da licitação está prevista nos art. 20 a 32 da IN


5/2017-PDG/MinEcon.

O Planejamento consiste das seguintes etapas:

I. Estudos Preliminares;

II. Gerenciamento de Riscos; e

III. Termo de Referência - TR para pregão ou Projeto Básico - PB para as


demais modalidades de licitação, dispensa ou inexigibilidade para contratação de
serviços ou obras.

Nos casos de dispensa ou inexigibilidade da licitação exigem o


cumprimento das etapas do Planejamento da Contratação, no que couber, salvo o
Gerenciamento de Riscos relacionado à fase de Gestão do Contrato, as etapas de
Estudos preliminares e Gerenciamento de Riscos ficam dispensadas quando se tratar de:

a. contratações de serviços cujos valores se enquadram nos limites dos


incisos I e II do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993; ou

b. contratações previstas nos incisos IV e XI do art. 24 da Lei nº 8.666,


de 1993.

Nas contratações de serviços prestados de forma contínua, as


prorrogações da vigência, ficam dispensadas as etapas de planejamento, salvo o
Gerenciamento de Riscos da fase de Gestão do Contrato.

Os procedimentos iniciais do Planejamento da Contratação consistem nas


seguintes atividades:

a. elaboração do Documento para Formalização da Demanda - DFD pelo


setor requisitante do serviço, cujo modelo está previsto no Anexo II da IN 5/2017-
PDG/MinEcon, que deve conter:

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1) a justificativa da necessidade da contratação explicitando a opção


pela terceirização dos serviços e considerando o Planejamento Estratégico, se for o
caso;

2) a quantidade de serviço a ser contratada;

3) a previsão de data em que deve ser iniciada a prestação dos serviços;


e

4) a indicação do servidor ou servidores para compor a equipe que irá


elaborar os Estudos Preliminares e o Gerenciamento de Risco e, se necessário, daquele a
quem será confiada a fiscalização dos serviços, o qual poderá participar de todas as
etapas do planejamento da contratação.

b. designação formal da equipe de Planejamento da Contratação pela


autoridade competente do setor de licitações.

I - Estudos Preliminares

Com base no DFD, a equipe de Planejamento da Contratação deve


realizar os Estudos Preliminares, conforme as diretrizes previstas no Anexo III da IN
5/2017-PDG/MinEcon.

O documento que materializa os Estudos Preliminares deve conter,


quando couber, o seguinte conteúdo:

a. necessidade da contratação;

b. referência a outros instrumentos de planejamento do órgão ou


entidade, se houver;

c. requisitos da contratação;

d. estimativa das quantidades, acompanhadas das memórias de cálculo e


dos documentos que lhe dão suporte;

e. levantamento de mercado e justificativa da escolha do tipo de solução


a contratar;

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f. estimativas de preços ou preços referenciais;

g. descrição da solução como um todo;

h. justificativas para o parcelamento ou não da solução, quando


necessária para individualização do objeto;

i. demonstrativo dos resultados pretendidos em termos de economicidade


e de melhor aproveitamento dos recursos humanos, materiais ou financeiros
disponíveis;

j. providências para adequação do ambiente do órgão;

k. contratações correlatas e/ou interdependentes; e

l. declaração da viabilidade ou não da contratação.

II - Gerenciamento de Riscos

O Gerenciamento de Riscos é um processo que está previsto no art. 25 da


IN 05/2017-PDG/MinEcon, sendo de responsabilidade da Equipe de Planejamento da
Contratação, que consiste nas seguintes atividades:

a. identificação dos principais riscos que possam comprometer a


efetividade do Planejamento da Contratação, da Seleção do Fornecedor e da Gestão
Contratual ou que impeçam o alcance dos resultados que atendam às necessidades da
contratação;

b. avaliação dos riscos identificados, consistindo da mensuração da


probabilidade de ocorrência e do impacto de cada risco;

c. tratamento dos riscos considerados inaceitáveis por meio da definição


das ações para reduzir a probabilidade de ocorrência dos eventos ou suas consequências;

d. para os riscos que persistirem inaceitáveis após o tratamento, definição


das ações de contingência para o caso de os eventos correspondentes aos riscos se
concretizarem; e

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e. definição dos responsáveis pelas ações de tratamento dos riscos e das


ações de contingência.

O Mapa de Riscos, cujo modelo é previsto no anexo IV da IN 05/2017-


PDG/MinEcon é o documento produzido para o Gerenciamento de Riscos e deverá ser
atualizado e juntado ao processo todas as vezes que houver alteração, pelo menos:

1) ao final da elaboração dos Estudos Preliminares;

2) ao final da elaboração do Termo de Referência ou Projeto Básico;

3) após a fase de Seleção do Fornecedor; e

4) após eventos relevantes, durante a gestão do contrato pelos servidores


responsáveis pela fiscalização.

III - Projeto Básico ou Termo de Referência

O Termo de Referência deve ser elaborado para os casos que a


modalidade de licitação for pregão.

Para as modalidades previstas na Lei 8.666/1993, concurso, convite,


tomada de preços e concorrência, quando o objeto for obra ou serviço, deverá ser
elaborado projeto básico contendo os elementos previstos no art. 6°/IX.

O Art. 7°/§9º da Lei 8.666/1993 prevê que o disposto neste artigo se


aplica também, no que couber, aos casos de dispensa e de inexigibilidade de licitação.
Já o art. 26, estabelece que:

"As dispensas previstas nos §§ 2o e 4o do art. 17 e no


inciso III e seguintes do art. 24, as situações de inexigibilidade referidas
no art. 25, necessariamente justificadas, e o retardamento previsto no
final do parágrafo único do art. 8o desta Lei deverão ser comunicados,
dentro de 3 (três) dias, à autoridade superior, para ratificação e
publicação na imprensa oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, como
condição para a eficácia dos atos.

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Parágrafo único. O processo de dispensa, de


inexigibilidade ou de retardamento, previsto neste artigo, será instruído,
no que couber, com os seguintes elementos:

I - caracterização da situação emergencial, calamitosa ou


de grave e iminente risco à segurança pública que justifique a dispensa,
quando for o caso;

II - razão da escolha do fornecedor ou executante;

III - justificativa do preço.

IV - documento de aprovação dos projetos de pesquisa aos


quais os bens serão alocados.

Case ressaltar que embora o art. 7°/§9° da Lei 8.666/1993 permita


dispensar o Projeto Básico para alguns serviços no caso de dispensa ou inexigibilidade
de licitação, na prática esse documento é considerado obrigatório para qualquer serviço
por alguns órgãos de controle e de assessoramento mesmo nos casos de dispensa ou
inexigibilidade.

O modelo de Projeto Básico ou termo de referência é previsto no anexo


V da IN 05/2017-PDG/MinEcon e também na página da AGU.

Fracionamento da Despesa

O Fracionamento da despesa é um tema muito abordado na


administração Pública e associado, muitas vezes, ao planejamento da contratação

A Lei prevê no seu art. 23 que as modalidades de licitação são definidas


com base no valor estimado da contratação quanto maior o valor da contratação maior a
publicidade e complexidade do processo. O Fracionamento da despesa é considerado
um crime previsto no art. 89 da Lei 8.666/1993:

"Art. 89. Dispensar ou inexigir licitação fora das


hipóteses previstas em lei, ou deixar de observar as formalidades
pertinentes à dispensa ou à inexigibilidade:

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Pena - detenção, de 3 (três) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que,


tendo comprovadamente concorrido para a consumação da ilegalidade,
beneficiou-se da dispensa ou inexigibilidade ilegal, para celebrar contrato
com o Poder Público".

O DIEx 094/2016-A2-SEF é o documento da SEF que atualmente trata


de fracionamento da despesa e de planejamento das licitações e contratações.

Segundo essa orientação da SEF, deve ser observado o seguinte:

a. há necessidade de separar as necessidades continuadas da UG, assim


entendidas aquelas que ocorrem no dia a dia, daquelas necessidades esporádicas ou
ocasionais;

b. deve haver um planejamento dos gastos destinados a satisfazer a maior


quantidade possível de necessidades continuadas para um exercício financeiro, de vez
que o orçamento também é anual, deixando as situações esporádicas para serem
satisfeitas quando das respectivas ocorrências. A descentralização de créditos pelos
Órgãos Setoriais para as UG é executada com base nos seus planejamentos realizados e
consolidados nas suas respectivas Programações Internas de Trabalho (PIT);

c. com base no planejamento, cabe fazer a adequação dos gastos à


disponibilidade de crédito existente na UG, bem como à expectativa de recebimento
do mesmo nos períodos subsequentes;

d. posteriormente a definição das necessidades e a adequação aos


créditos existentes ou assegurados, passa-se à fase de enquadramento da
modalidade de licitação, tomando por base o valor estimado para o ano todo, por tipo
ou item de despesas, conforme o ramo de atividade dos possíveis fornecedores, sempre
respeitada a modalidade de licitação para a totalidade do gasto;

e. nos locais onde houver fornecedores em condições de atender mais de


um item de despesa, a UG poderá fazer uma licitação abrangendo dois ou mais itens,
não confundir item de licitação com subitem ou subelemento de classificação
econômica da despesa para efeitos orçamentários;

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f. ressalte-se que dependendo do tipo de despesa, em razão do


comportamento dos preços de mercado, inclusive de fatores sazonais, poderá ser
realizado uma licitação para todo o período ou subdivididos em tantos certames quanto
possíveis, mas também respeitando-se a modalidade de licitação cabível para a
totalidade do gasto, devendo ser levado em consideração também os prazos de validades
das propostas para fornecimento dos bens licitados;

g. no caso de liberação de crédito parcelado, a UG poderá realizar a


licitação para todo o período, desde que indique, no ato convocatório, e quando for o
caso, no contrato, o empenho para atender o período inicial e que serão emitidos outros
empenhos para os períodos subsequentes, na medida da disponibilização dos créditos
correspondentes;

h. para as despesas com aquisição de peças de veículos, medicamentos,


passagens aéreas, manutenções e outros similares, poderá ser realizada licitação
preferencialmente na modalidade de Pregão, com propostas válidas para até um ano,
tendo como critério de julgamento do certame, o licitante que ofertar maior percentual
de desconto aplicado sobre os preços constantes de tabela de preços praticados no
mercado, de acordo com o previsto no parágrafo 1º, do art. 9º do Decreto nº 4.342/2002;
e

i. Quando houver impossibilidade de seguir as presentes orientações, a


UG deverá apresentar as justificativas e/ou os esclarecimentos necessários, no Relatório
Mensal do Ordenador de Despesas.

Conforme a Portaria 306/2001-PDG/MinEcon:

Art. 1º As aquisições de bens de pequeno valor deverão ser realizadas, no


âmbito dos órgãos que compõem o Sistema Integrado de Serviços Gerais -
SISG, preferencialmente, por meio do Sistema de Cotação Eletrônica de
Preços, com o objetivo de ampliar a competitividade e racionalizar os
procedimentos relativos a essas compras.
§ 1º Caracterizam-se, como bens de pequeno valor, aqueles que se
enquadram na hipótese de dispensa de licitação prevista no inciso II do art.
24 da Lei nº 8.666/1993, desde que não se refiram a parcelas de uma mesma
compra de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez.

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§ 2º Quando do enquadramento de compras, como dispensa de licitação


por limite de valor, as autoridades responsáveis por sua autorização e pela
homologação da contratação devem observar o contido no art. 89 da Lei nº
8.666/1993.
§ 3º Os bens passíveis de aquisição pelo sistema de suprimento de
fundos poderão ser adquiridos mediante cotação eletrônica, sempre que
essa medida se comprovar mais vantajosa, a critério da autoridade
competente para a autorização da aquisição.
§ 4º A autoridade responsável pelas compras deve certificar-se de que a
aquisição por dispensa de licitação, por limite de valor, não representa
fracionamento de compras que deveriam ser licitadas, podendo utilizar, a
seu critério, os seguintes procedimentos para essa verificação:
a. efetuar estimativa do consumo anual, mediante levantamento dos
quantitativos adquiridos para um mesmo bem ou bens de uma mesma linha
de fornecimento nos últimos doze meses;
b. calcular o valor previsto para a quantidade encontrada no
levantamento, com base em pesquisa de preço de mercado, ou com base no
preço médio de compra registrado em controles existentes na
Administração;
c. caso o valor estimado encontrado para a estimativa anual supere o
valor estabelecido para dispensa de licitação por limite de valor, a aquisição,
por cotação eletrônica, somente poderá ser efetuada em caso de
insuficiência de recursos para a aquisição do todo, devidamente justificado
no processo.
Verifica-se a grande importância para UG de um sistema que informe os
materiais consumidos, o preço desses materiais e a frequência de consumo, para
determinar se é necessidade continuada ou esporádica. Também para os serviços é
necessário ter controle dos gastos em períodos anteriores e a frequência da necessidade
dos serviços.

O planejamento das contratações será em função do crédito orçamentário


disponível e expectativas dos órgãos gestores, devidamente formalizadas. Com base nos
levantamentos de consumo e de contratação e na definição de prioridades gestor, a UG
irá providenciar as contratações para atender as necessidades continuadas.

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Quanto as necessidades ocasionais ou esporádicas, ao gestor fará as


contratações de acordo com as reservas de crédito, ou obtenção de créditos específicos
junto aos órgãos gestores. Para essas despesas a escolha da modalidade de será em
função do valor estimado da contratação, conforme o caput do art. 23 da Lei
8.666/1993.

Em função do desenvolvimento de novos produtos e novas tecnologias,


vão surgindo novas necessidades de contratação, por outro lado alguns serviços e
materiais vão apresentar tendência de queda no consumo ou contratação.

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4. PARECER JURÍDICO

Embora a Lei só estabeleça a obrigatoriedade exame pela assessoria


jurídica de minutas de editais e de contratos, há uma corrente dentro da Administração
Pública que defende que essa obrigatoriedade se estende para aditivos de contratos de
qualquer espécie, seja por simples prorrogação de prazo ou apenas acréscimos e
supressões de até 25% previstos em Lei.

Já os pareceres técnicos, que são muitos importantes para diversos tipos


de contratações, como serviços engenharia, tecnologia da informação, alimentação de
pessoal, não são obrigatórios, ficando a critério da Administração a solicitação desses
pareceres.

Também é previsto o uso minutas-padrão pelo TCU e pelas normas do


RDC.

Lei 8.666/1993

Art. 38. O procedimento da licitação será iniciado com a


abertura de processo administrativo, devidamente autuado,
protocolado e numerado, contendo a autorização respectiva, a
indicação sucinta de seu objeto e do recurso próprio para a despesa, e
ao qual serão juntados oportunamente:

(...)

VI - pareceres técnicos ou jurídicos emitidos sobre a licitação,


dispensa ou inexigibilidade;

(...)

Parágrafo único. As minutas de editais de licitação, bem


como as dos contratos, acordos, convênios ou ajustes devem ser
previamente examinadas e aprovadas por assessoria jurídica da
Administração.

Lei 9.784/1999

Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão


consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de quinze

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dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior


prazo.

§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser


emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e ser
decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de quem
se omitiu no atendimento.

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com


indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:

VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão


ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 46/AGU, DE 26FEV2014


Somente é obrigatória a manifestação jurídica nas contratações de
pequeno valor com fundamento no art. 24, I ou II, da lei nº 8.666, de
21 de junho de 1993, quando houver minuta de contrato não
padronizada ou haja, o administrador, suscitado dúvida jurídica sobre
tal contratação. Aplica-se o mesmo entendimento às contratações
fundadas no art. 25 da lei nº 8.666, de 1993, desde que seus valores
subsumam-se aos limites previstos nos incisos I e II do art. 24 da lei nº
8.666, de 1993.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 3/AGU, DE 01ABR2009

Na análise dos processos relativos à prorrogação de prazo,


cumpre aos órgãos jurídicos verificar se não há extrapolação do atual
prazo de vigência, bem como eventual ocorrência de solução de
continuidade nos aditivos precedentes, hipóteses que configuram a
extinção do ajuste, impedindo a sua prorrogação.

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5. PUBLICAÇÃO

A publicação deve ser feita diretamente no SIASG/SICON, em alguns


casos especiais, não atendidos pelos SICON, a UG deve utilizar o INCOM da Imprensa
Nacional para fazer as publicações.

Os eventos de anulação ou revogação de licitação e retificação ou


rescisão de contratos e outros eventos também deverão ser publicados. Os eventos são
transações dentro do SIASGNet e SIASG/SICON.

As publicações em jornais de grande circulação devem ser feitas via


EBC, conforme Lei 11.652/2008

Lei 8.666/1993, art. 61

Parágrafo único. A publicação resumida do instrumento de


contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é
condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela
Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua
assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer
que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art.
26 desta Lei.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 33/AGU, DE 13DEZ2011


O ato administrativo que autoriza a contratação direta (art. 17, §§ 2º e
4º, art. 24, inc. III e seguintes, e art. 25 da lei nº 8.666, de 1993) deve
ser publicado na imprensa oficial, sendo desnecessária a publicação
do extrato contratual.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 34/AGU, DE 13DEZ2011


As hipóteses de inexigibilidade (art. 25) e dispensa de licitação
(incisos III e seguintes do art. 24) da lei nº 8.666, de 1993, cujos
valores não ultrapassem aqueles fixados nos incisos I e II do art. 24 da
mesma lei, dispensam a publicação na imprensa oficial do ato que
autoriza a contratação direta, em virtude dos princípios da
economicidade e eficiência, sem prejuízo da utilização de meios
eletrônicos de publicidade dos atos e da observância dos demais

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requisitos do art. 26 e de seu parágrafo único, respeitando-se o


fundamento jurídico que amparou a dispensa e a inexigibilidade.

Decreto 5.450/2005

Art. 17. A fase externa do pregão, na forma eletrônica, será


iniciada com a convocação dos interessados por meio de publicação
de aviso, observados os valores estimados para contratação e os meios
de divulgação a seguir indicados:

I - até R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais):

a) Diário Oficial da União; e

b) meio eletrônico, na internet;

II - acima de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil


reais) até R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais):

a) Diário Oficial da União;

b) meio eletrônico, na internet; e

c) jornal de grande circulação local;

III - superiores a R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil


reais):

a) Diário Oficial da União;

b) meio eletrônico, na internet; e

c) jornal de grande circulação regional ou nacional.

§ 4º O prazo fixado para a apresentação das propostas, contado


a partir da publicação do aviso, não será inferior a oito dias úteis.

§ 6º Na divulgação de pregão realizado para o sistema de


registro de preços, independentemente do valor estimado, será
adotado o disposto no inciso III.

Os prazos de publicados de editais de licitações tradicionais, Convite, TP e


Concorrência, estão previstos no art. 21 da Lei 8.666/1993.

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6. CLÁUSULAS ESSENCIAIS

As cláusulas essenciais são obrigatórias nos termos de contrato, nos


outros instrumentos hábeis aplica-se o que couber, por essa razão, nesses instrumentos,
por serem simplificados, devem constar apenas informações indispensáveis para a
execução do objeto.

Lei 8.666/1993

Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que


estabeleçam:

I - o objeto e seus elementos característicos;

II - o regime de execução ou a forma de fornecimento;

III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-


base e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de
atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações
e a do efetivo pagamento;

IV - os prazos de início de etapas de execução, de conclusão,


de entrega, de observação e de recebimento definitivo, conforme o
caso;

V - o crédito pelo qual correrá a despesa, com a indicação da


classificação funcional programática e da categoria econômica;

VI - as garantias oferecidas para assegurar sua plena execução,


quando exigidas;

VII - os direitos e as responsabilidades das partes, as


penalidades cabíveis e os valores das multas;

VIII - os casos de rescisão;

IX - o reconhecimento dos direitos da Administração, em caso


de rescisão administrativa prevista no art. 77 desta Lei;

X - as condições de importação, a data e a taxa de câmbio para


conversão, quando for o caso;

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XI - a vinculação ao edital de licitação ou ao termo que a


dispensou ou a inexigiu, ao convite e à proposta do licitante
vencedor;

XII - a legislação aplicável à execução do contrato e


especialmente aos casos omissos;

XIII - a obrigação do contratado de manter, durante toda a


execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele
assumidas, todas as condições de habilitação e qualificação exigidas
na licitação.

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7. REGIMES DE EXECUÇÃO

A execução pode ser direta ou indireta, na execução indireta temos os


regimes de execução, na execução indireta o serviço é realizado com emprego de
material e é classificado como serviço.

Lei 8.666/1993, art. 6º

VII - Execução direta - a que é feita pelos órgãos e entidades da


Administração, pelos próprios meios;

VIII - Execução indireta - a que o órgão ou entidade contrata


com terceiros sob qualquer dos seguintes regimes:

a) empreitada por preço global - quando se contrata a execução


da obra ou do serviço por preço certo e total;

b) empreitada por preço unitário - quando se contrata a


execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades
determinadas;

d) tarefa - quando se ajusta mão-de-obra para pequenos


trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;

e) empreitada integral - quando se contrata um empreendimento


em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras,
serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da
contratada até a sua entrega ao contratante em condições de entrada
em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para sua
utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com
as características adequadas às finalidades para que foi contratada;

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UNIDADE DIDÁTICA II– ATIVIDADE DO GESTOR DE CONTRATO E


FISCAIS

OBJETIVOS:

Conhecer as principais atividades pelo Gestor de Contrato e seus assessores, os


Fiscais de contratos

1. GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTATO

As atividades de gestão e fiscalização da execução contratual estão


previstas no art. 67 da LLC e art. 39 a 50 da IN 05/2017-PDG/MinEcon. São o conjunto
de ações que tem por objetivo aferir o cumprimento dos resultados previstos pela
Administração para os serviços contratados, verificar a regularidade das obrigações
previdenciárias, fiscais e trabalhistas, bem como prestar apoio à instrução processual e o
encaminhamento da documentação pertinente ao setor de contratos para a formalização
dos procedimentos relativos a repactuação, alteração, reequilíbrio, prorrogação,
pagamento, eventual aplicação de sanções, extinção dos contratos, dentre outras, com
vista a assegurar o cumprimento das cláusulas avençadas e a solução de problemas
relativos ao objeto.

IN 05/2017-PDG/MinEcon

Art. 40. O conjunto de atividades de que trata o artigo anterior


compete ao gestor da execução dos contratos, auxiliado pela
fiscalização técnica, administrativa, setorial e pelo público usuário,
conforme o caso, de acordo com as seguintes disposições:

I - Gestão da Execução do Contrato: é a coordenação das


atividades relacionadas à fiscalização técnica, administrativa, setorial
e pelo público usuário, bem como dos atos preparatórios à instrução
processual e ao encaminhamento da documentação pertinente ao setor
de contratos para formalização dos procedimentos quanto aos aspectos
que envolvam a prorrogação, alteração, reequilíbrio, pagamento,
eventual aplicação de sanções, extinção dos contratos, dentre outros;

II - Fiscalização Técnica: é o acompanhamento com o objetivo


de avaliar a execução do objeto nos moldes contratados e, se for o

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caso, aferir se a quantidade, qualidade, tempo e modo da prestação dos


serviços estão compatíveis com os indicadores de níveis mínimos de
desempenho estipulados no ato convocatório, para efeito de
pagamento conforme o resultado, podendo ser auxiliado pela
fiscalização de que trata o inciso V deste artigo;

III - Fiscalização Administrativa: é o acompanhamento dos


aspectos administrativos da execução dos serviços nos contratos com
regime de dedicação exclusiva de mão de obra quanto às obrigações
previdenciárias, fiscais e trabalhistas, bem como quanto às
providências tempestivas nos casos de inadimplemento;

IV - Fiscalização Setorial: é o acompanhamento da execução


do contrato nos aspectos técnicos ou administrativos quando a
prestação dos serviços ocorrer concomitantemente em setores distintos
ou em unidades desconcentradas de um mesmo órgão ou entidade; e

V - Fiscalização pelo Público Usuário: é o acompanhamento


da execução contratual por pesquisa de satisfação junto ao usuário,
com o objetivo de aferir os resultados da prestação dos serviços, os
recursos materiais e os procedimentos utilizados pela contratada,
quando for o caso, ou outro fator determinante para a avaliação dos
aspectos qualitativos do objeto.

(...)

Art. 50. Exceto nos casos previstos no art. 74 da Lei n.º 8.666,
de 1993, ao realizar o recebimento dos serviços, o órgão ou entidade
deve observar o princípio da segregação das funções e orientar-se
pelas seguintes diretrizes:

I – o recebimento provisório será realizado pelo fiscal


técnico, fiscal administrativo, fiscal setorial ou equipe de
fiscalização, nos seguintes termos:

a) elaborar relatório circunstanciado, em consonância com as


suas atribuições, contendo o registro, a análise e a conclusão acerca
das ocorrências na execução do contrato e demais documentos que

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julgarem necessários, devendo encaminhá-los ao gestor do contrato


para recebimento definitivo; e

b) quando a fiscalização for exercida por um único servidor, o


relatório circunstanciado deverá conter o registro, a análise e a
conclusão acerca das ocorrências na execução do contrato, em relação
à fiscalização técnica e administrativa e demais documentos que julgar
necessários, devendo encaminhá-los ao gestor do contrato para
recebimento definitivo;

II - o recebimento definitivo pelo gestor do contrato, ato que


concretiza o ateste da execução dos serviços, obedecerá às seguintes
diretrizes:

a) realizar a análise dos relatórios e de toda a documentação


apresentada pela fiscalização técnica e administrativa e, caso haja
irregularidades que impeçam a liquidação e o pagamento da despesa,
indicar as cláusulas contratuais pertinentes, solicitando à contratada,
por escrito, as respectivas correções;

b) emitir termo circunstanciado para efeito de recebimento


definitivo dos serviços prestados, com base nos relatórios e
documentação apresentados; e

c) comunicar a empresa para que emita a Nota Fiscal ou Fatura


com o valor exato dimensionado pela fiscalização com base no
Instrumento de Medição de Resultado (IMR), observado o Anexo
VIII-A ou instrumento substituto, se for o caso.

Lei 8.666/1993

Art. 67. A execução do contrato deverá ser acompanhada e


fiscalizada por um representante da Administração especialmente
designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e
subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição.

§ 1o O representante da Administração anotará em registro


próprio todas as ocorrências relacionadas com a execução do
contrato, determinando o que for necessário à regularização das faltas
ou defeitos observados.

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§ 2o As decisões e providências que ultrapassarem a


competência do representante deverão ser solicitadas a seus superiores
em tempo hábil para a adoção das medidas convenientes.

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2. REAJUSTE DE PREÇOS

Reajuste de preços não caracteriza alteração contratual por estar previsto


no contrato, podendo ser feito por apostilamento. A repactuação é um tipo de reajuste
para os contratos de cessão de mão de obra, previsto na IN 05/2017-
SEGES/PDG/MinEcon onde o reajuste é feito o salário da categoria.

Algumas vezes vemos a expressão realinhamento de preços, porém esse


termo não é utilizado na nossa legislação, por isso gera a dúvida quando utilizado pois
não fica claro se um tipo de reajuste, reequilíbrio ou atualização financeira.

Lei 10.192/2001

Art. 3o Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da


Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos
monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que
com ela não conflitarem, da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993.

§ 1o A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput


deste artigo será contada a partir da data limite para apresentação da
proposta ou do orçamento a que essa se referir.

Lei 8.666/1993

Art. 40. O edital ... indicará, obrigatoriamente, o seguinte:

XI - critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva


do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou
setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do
orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento
de cada parcela;

Art. 65

§ 8o A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste


de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações
ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento
nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias

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suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam


alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila,
dispensando a celebração de aditamento.

Decreto 7.892/2013

Art. 12. O prazo de validade da ata de registro de preços não


será superior a doze meses, incluídas eventuais prorrogações,
conforme o inciso III do § 3º do art. 15 da Lei nº 8.666, de 1993.

§ 1º É vedado efetuar acréscimos nos quantitativos fixados pela


ata de registro de preços, inclusive o acréscimo de que trata o § 1º do
art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.

§ 2º A vigência dos contratos decorrentes do Sistema de


Registro de Preços será definida nos instrumentos convocatórios,
observado o disposto no art. 57 da Lei nº 8.666, de 1993.

§ 3º Os contratos decorrentes do Sistema de Registro de Preços


poderão ser alterados, observado o disposto no art. 65 da Lei nº 8.666,
de 1993.

§ 4º O contrato decorrente do Sistema de Registro de


Preços deverá ser assinado no prazo de validade da ata de registro de
preços.

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2.1. REPACTUAÇÃO DE PREÇOS

IN 05/2017-SEGES/MDG

Art. 53. O ato convocatório e o contrato de serviço continuado


deverão indicar o critério de reajustamento de preços, que deverá ser
sob a forma de reajuste em sentido estrito, com a previsão de índices
específicos ou setoriais, ou por repactuação, pela demonstração
analítica da variação dos componentes dos custos.

Art. 54. A repactuação de preços, como espécie de reajuste


contratual, deverá ser utilizada nas contratações de serviços
continuados com regime de dedicação exclusiva de mão de obra,
desde que seja observado o interregno mínimo de um ano das datas
dos orçamentos aos quais a proposta se referir.

§ 1º A repactuação para fazer face à elevação dos custos da


contratação, respeitada a anualidade disposta no caput, e que vier a
ocorrer durante a vigência do contrato, é direito do contratado e não
poderá alterar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos,
conforme estabelece o inciso XXI do art. 37 da Constituição da
República Federativa do Brasil, sendo assegurado ao prestador receber
pagamento mantidas as condições efetivas da proposta.

§ 2º A repactuação poderá ser dividida em tantas parcelas


quanto forem necessárias, em respeito ao princípio da anualidade do
reajuste dos preços da contratação, podendo ser realizada em
momentos distintos para discutir a variação de custos que tenham sua
anualidade resultante em datas diferenciadas, tais como os custos
decorrentes da mão de obra e os custos decorrentes dos insumos
necessários à execução do serviço.

§ 3º Quando a contratação envolver mais de uma categoria


profissional, com datas-bases diferenciadas, a repactuação deverá ser
dividida em tantos quanto forem os Acordos, Convenções ou Dissídios
Coletivos de Trabalho das categorias envolvidas na contratação.

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§ 4º A repactuação para reajuste do contrato em razão de novo


Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho deve repassar
integralmente o aumento de custos da mão de obra decorrente desses
instrumentos.

Art. 55. O interregno mínimo de um ano para a primeira


repactuação será contado a partir:

I – da data limite para apresentação das propostas constante do


ato convocatório, em relação aos custos com a execução do serviço
decorrentes do mercado, tais como o custo dos materiais e
equipamentos necessários à execução do serviço; ou

II - da data do Acordo, Convenção, Dissídio Coletivo de


Trabalho ou equivalente vigente à época da apresentação da proposta
quando a variação dos custos for decorrente da mão de obra e estiver
vinculada às datas-bases destes instrumentos.

Art. 56. Nas repactuações subsequentes à primeira, a anualidade


será contada a partir da data do fato gerador que deu ensejo à última
repactuação.

Art. 57. As repactuações serão precedidas de solicitação da


contratada, acompanhada de demonstração analítica da alteração dos
custos, por meio de apresentação da planilha de custos e formação de
preços ou do novo Acordo, Convenção ou Dissídio Coletivo de
Trabalho que fundamenta a repactuação, conforme for a variação de
custos objeto da repactuação.

§ 1º É vedada a inclusão, por ocasião da repactuação, de


benefícios não previstos na proposta inicial, exceto quando se
tornarem obrigatórios por força de instrumento legal, Acordo,
Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho, observado o disposto no
art. 6º desta Instrução Normativa.

§ 2º A variação de custos decorrente do mercado somente será


concedida mediante a comprovação pelo contratado do aumento dos
custos, considerando-se:

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I - os preços praticados no mercado ou em outros contratos da


Administração;

II - as particularidades do contrato em vigência;

III - a nova planilha com variação dos custos apresentada;

IV - indicadores setoriais, tabelas de fabricantes, valores oficiais


de referência, tarifas públicas ou outros equivalentes; e

V - a disponibilidade orçamentária do órgão ou entidade


contratante.

§ 3º A decisão sobre o pedido de repactuação deve ser feita no


prazo máximo de sessenta dias, contados a partir da solicitação e da
entrega dos comprovantes de variação dos custos.

§ 4º As repactuações, como espécie de reajuste, serão


formalizadas por meio de apostilamento, exceto quando coincidirem
com a prorrogação contratual, em que deverão ser formalizadas por
aditamento.

§ 5º O prazo referido no § 3º deste artigo ficará suspenso


enquanto a contratada não cumprir os atos ou apresentar a
documentação solicitada pela contratante para a comprovação da
variação dos custos.

§ 6º O órgão ou entidade contratante poderá realizar diligências


para conferir a variação de custos alegada pela contratada.

§ 7º As repactuações a que o contratado fizer jus e que não


forem solicitadas durante a vigência do contrato serão objeto de
preclusão com a assinatura da prorrogação contratual ou com o
encerramento do contrato.

Art. 58. Os novos valores contratuais decorrentes das


repactuações terão suas vigências iniciadas da seguinte forma:

I - a partir da ocorrência do fato gerador que deu causa à


repactuação, como regra geral;

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II - em data futura, desde que acordada entre as partes, sem


prejuízo da contagem de periodicidade e para concessão das próximas
repactuações futuras; ou

III - em data anterior à ocorrência do fato gerador,


exclusivamente quando a repactuação envolver revisão do custo de
mão de obra em que o próprio fato gerador, na forma de Acordo,
Convenção ou Dissídio Coletivo de Trabalho, contemplar data de
vigência retroativa, podendo esta ser considerada para efeito de
compensação do pagamento devido, assim como para a contagem da
anualidade em repactuações futuras.

Parágrafo único. Os efeitos financeiros da repactuação deverão


ocorrer exclusivamente para os itens que a motivaram e apenas em
relação à diferença porventura existente.

Art. 59. As repactuações não interferem no direito das partes de


solicitar, a qualquer momento, a manutenção do equilíbrio econômico
dos contratos com base no disposto no art. 65 da Lei nº 8.666, de
1993.

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3. ALTERAÇÃO CONTRATUAL

Nos contratos administrativos existem as tais cláusulas exorbitantes, que


estabelecem poderes diferenciados para a Administração em relação ao contratado,
destacam-se:

alteração unilateral;

rescisão unilateral;

fiscalização;

aplicação de penalidades;

anulação;

retomada do objeto;

restrições ao uso do princípio da exceptio non adimpleti contractus


(exceção do contrato não cumprido), ou seja, a Administração pode exigir que o outro
contratante cumpra a sua parte no contrato sem que ela própria tenha cumprido a sua.

No art. 58 verificamos algumas dessas cláusulas:

Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos


instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a eles, a
prerrogativa de:
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às
finalidades de interesse público, respeitados os direitos do contratado;
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no
inciso I do art. 79 desta Lei;
III - fiscalizar-lhes a execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial
do ajuste;
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente
bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do
contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração
administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na
hipótese de rescisão do contrato administrativo.
§ 1o As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos
contratos administrativos não poderão ser alteradas sem prévia
concordância do contratado.

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§ 2o Na hipótese do inciso I deste artigo, as cláusulas


econômico-financeiras do contrato deverão ser revistas para que se
mantenha o equilíbrio contratual.
As alterações contratuais estão previstas no art. 65 da Lei 8.666/1993. Os
reajustes não são considerados alterações por estarem previstos no contrato.

Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser


alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das
especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em
decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto,
nos limites permitidos por esta Lei;
II - por acordo das partes:
a) quando conveniente a substituição da garantia de execução;
b) quando necessária a modificação do regime de execução da
obra ou serviço, bem como do modo de fornecimento, em face de
verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais
originários;
c) quando necessária a modificação da forma de pagamento, por
imposição de circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial
atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação ao
cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contraprestação
de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço;

3.1. ALTERAÇÃO POR REEQUILÍBRIO

Lei 8.666/1993, art. 65/II

d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram


inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da
administração para a justa remuneração da obra, serviço ou
fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-
financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos
imprevisíveis, ou previsíveis porém de consequências incalculáveis,
retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em
caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando
álea econômica extraordinária e extracontratual.

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Decreto 7.892/2013

Art. 17. Os preços registrados poderão ser revistos em


decorrência de eventual redução dos preços praticados no mercado ou
de fato que eleve o custo dos serviços ou bens registrados, cabendo
ao órgão gerenciador promover as negociações junto aos
fornecedores, observadas as disposições contidas na alínea “d” do
inciso II do caput do art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 22/AGU, DE 01ABR2009

O reequilíbrio econômico-financeiro pode ser concedido a


qualquer tempo, independentemente de previsão contratual, desde que
verificadas as circunstâncias elencadas na letra "d" do inc. II do art.
65, da lei no 8.666, de 1993.

3.2. ACRÉSCIMOS OU SUPRESSÕES

Lei 8.666/1993, art. 65

§ 1o O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas


condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas
obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor
inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de
edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinquenta por
cento) para os seus acréscimos.

Decreto 7.892/2013

Art. 12. O prazo de validade da ata de registro de preços não


será superior a doze meses, incluídas eventuais prorrogações,
conforme o inciso III do § 3º do art. 15 da Lei nº 8.666, de 1993.

§ 1º É vedado efetuar acréscimos nos quantitativos fixados pela


ata de registro de preços, inclusive o acréscimo de que trata o § 1º do
art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.

§ 2º A vigência dos contratos decorrentes do Sistema de


Registro de Preços será definida nos instrumentos convocatórios,
observado o disposto no art. 57 da Lei nº 8.666, de 1993.

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§ 3º Os contratos decorrentes do Sistema de Registro de


Preços poderão ser alterados, observado o disposto no art. 65 da
Lei nº 8.666, de 1993.

§ 4º O contrato decorrente do Sistema de Registro de Preços


deverá ser assinado no prazo de validade da ata de registro de preços.

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4. VIGÊNCIA DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

Quanto à vigência dos contratos devem ser considerados os prazos para


execução do objeto e pagamento, muitas vezes é colocado como vigência apenas o
prazo de execução em função de conceitos orçamentários.

Essa falha conceitual leva o agente a cometer erros quando do


preenchimento dos dados do contrato no SICON, pois após a execução existe um prazo
de medição, pagamento.

Para a vigência dos contratos pode ser considerado a validade do


empenho, considerando a possibilidade de inscrição em restos, até 30 de junho do
segundo ano subsequente, conforme o art. 68 do Decreto 93.872/1986.

Os contratos enquadrados nos incisos do art. 57 da Lei 8.666/1993


podem ser prorrogados até os limites previstos.

Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará
adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto
quanto aos relativos:

I - aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas


estabelecidas no Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se
houver interesse da Administração e desde que isso tenha sido previsto
no ato convocatório;

II - à prestação de serviços a serem executados de forma


contínua, que poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e
sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições mais
vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses;

IV - ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de


informática, podendo a duração estender-se pelo prazo de até 48
(quarenta e oito) meses após o início da vigência do contrato.

V - às hipóteses previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI


do art. 24, cujos contratos poderão ter vigência por até 120 (cento e
vinte) meses, caso haja interesse da administração.

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§ 2º Toda prorrogação de prazo deverá ser justificada por


escrito e previamente autorizada pela autoridade competente para
celebrar o contrato.

§ 3º É vedado o contrato com prazo de vigência indeterminado.

§ 4º Em caráter excepcional, devidamente justificado e


mediante autorização da autoridade superior, o prazo de que trata o
inciso II do caput deste artigo poderá ser prorrogado por até doze
meses.

DECRETO 7.892/2013

Art. 12.

(...)

§ 2º A vigência dos contratos decorrentes do Sistema de


Registro de Preços será definida nos instrumentos convocatórios,
observado o disposto no art. 57 da Lei nº 8.666, de 1993.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 39/AGU, DE 13DEZ2011

A vigência dos contratos regidos pelo art. 57, caput, da lei


8.666, de 1993, pode ultrapassar o exercício financeiro em que
celebrados, desde que as despesas a eles referentes sejam
integralmente empenhadas até 31 de dezembro, permitindo-se,
assim, sua inscrição em restos a pagar.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 38/AGU, DE 13DEZ2011


Nos contratos de prestação de serviços de natureza continuada deve-se
observar que:

a) o prazo de vigência originário, de regra, é de até 12


meses;

b) excepcionalmente, este prazo poderá ser fixado por período


superior a 12 meses nos casos em que, diante da peculiaridade e/ou
complexidade do objeto, fique tecnicamente demonstrado o benefício
advindo para a administração; e

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c) é juridicamente possível a prorrogação do contrato por prazo


diverso do contratado originariamente.

4.1. VIGÊNCIAS DIFERENCIADAS

Nesses casos não é observado o art. 57 da Lei 8.666/193, como é o caso


dos contratos de locação imobiliária, que segue a lei do inquilinato, e serviços públicos
concedidos.

Lei 8.666/1993, art. 62

§ 3o Aplica-se o disposto nos arts. 55 e 58 a 61 desta Lei e


demais normas gerais, no que couber:

I - aos contratos de seguro, de financiamento, de locação em


que o Poder Público seja locatário, e aos demais cujo conteúdo seja
regido, predominantemente, por norma de direito privado;

II - aos contratos em que a Administração for parte como


usuária de serviço público.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 36/AGU, DE 13DEZ2011


A Administração pode estabelecer a vigência por prazo
indeterminado nos contratos em que seja usuária de serviços públicos
essenciais de energia elétrica, água e esgoto, serviços postais
monopolizados pela ECT (Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos) e ajustes firmados com a imprensa nacional, desde que no
processo da contratação estejam explicitados os motivos que
justificam a adoção do prazo indeterminado e comprovadas, a cada
exercício financeiro, a estimativa de consumo e a existência de
previsão de recursos orçamentários.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 9/AGU, DE 01ABR2009

A comprovação da regularidade fiscal na celebração do contrato


ou no pagamento de serviços já prestados, no caso de empresas que
detenham o monopólio de serviço público, pode ser dispensada em
caráter excepcional, desde que previamente autorizada pela autoridade

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maior do órgão contratante e concomitantemente, a situação de


irregularidade seja comunicada ao agente arrecadador e à agência
reguladora.

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5. PROCESSO ADMINISTRATIVO

A organização do processo administrativo referente a contratos deve


considerar o previsto na Lei 9.784/1999 e da Portaria Normativa 1.243/2006-MD,
gestão de processos, além do seguinte:

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 2/AGU, DE 01ABR2009

Os instrumentos dos contratos, convênios e demais ajustes,


bem como os respectivos aditivos, devem integrar um único processo
administrativo, devidamente autuado em sequência cronológica,
numerado, rubricado, contendo cada volume os respectivos termos de
abertura e encerramento.

INSTRUÇÃO NORMAIVA 06/2007-SN

Art. 15 Os processos e documentos relativos a licitações,


dispensa, inexigibilidade, contratos, suprimento de fundos, convênios
e/ou similares serão arquivados em ordem cronológica nas respectivas
Unidades Gestoras Executoras, separadamente, por modalidade de
licitação, conforme registro contábil.

§ 1º Os processos e documentos resultantes de aditamentos a


instrumentos formalizados, quer sejam contratos, convênios e/ou
similares, deverão ser apensados aos processos originais e mantidos
em arquivos, nas respectivas unidades gestoras executoras, na mesma
ordem cronológica.

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6. ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO, RESCISÃO OU CONCLUSÃO


Para a anulação de um ato deve ser dada a mesma publicidade do próprio
ato. Os eventos de anulação e revogação devem ser registrados no processo licitatório,
através do SIAGNET, já os eventos de rescisão e retificação devem ser registrados no
SICON.

Todo o contrato deve ter um final, que pode ser uma rescisão ou
conclusão.

Art. 49. A autoridade competente para a aprovação do


procedimento somente poderá revogar a licitação por razões de
interesse público decorrente de fato superveniente devidamente
comprovado, pertinente e suficiente para justificar tal conduta,
devendo anulá-la por ilegalidade, de ofício ou por provocação de
terceiros, mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.

§ 1o A anulação do procedimento licitatório por motivo de


ilegalidade não gera obrigação de indenizar, ressalvado o disposto no
parágrafo único do art. 59 desta Lei.

§ 2o A nulidade do procedimento licitatório induz à do


contrato, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 59 desta
Lei.

§ 3o No caso de desfazimento do processo licitatório, fica


assegurado o contraditório e a ampla defesa.

§ 4o O disposto neste artigo e seus parágrafos aplica-se aos


atos do procedimento de dispensa e de inexigibilidade de licitação.

Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:

I - o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações,


projetos ou prazos;

II - o cumprimento irregular de cláusulas contratuais,


especificações, projetos e prazos;

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III - a lentidão do seu cumprimento, levando a Administração a


comprovar a impossibilidade da conclusão da obra, do serviço ou do
fornecimento, nos prazos estipulados;

IV - o atraso injustificado no início da obra, serviço ou


fornecimento;

V - a paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento, sem


justa causa e prévia comunicação à Administração;

VI - a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a


associação do contratado com outrem, a cessão ou transferência, total
ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas
no edital e no contrato;

VII - o desatendimento das determinações regulares da


autoridade designada para acompanhar e fiscalizar a sua execução,
assim como as de seus superiores;

VIII - o cometimento reiterado de faltas na sua execução,


anotadas na forma do § 1o do art. 67 desta Lei;

IX - a decretação de falência ou a instauração de insolvência


civil;

X - a dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado;

XI - a alteração social ou a modificação da finalidade ou da


estrutura da empresa, que prejudique a execução do contrato;

XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo


conhecimento, justificadas e determinadas pela máxima autoridade da
esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas
no processo administrativo a que se refere o contrato;

XIII - a supressão, por parte da Administração, de obras,


serviços ou compras, acarretando modificação do valor inicial do
contrato além do limite permitido no § 1o do art. 65 desta Lei;

XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da


Administração, por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em

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caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou


guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo
prazo, independentemente do pagamento obrigatório de indenizações
pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e
mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses
casos, o direito de optar pela suspensão do cumprimento das
obrigações assumidas até que seja normalizada a situação;

XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos


devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou
fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo
em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna
ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão
do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a
situação;

XVI - a não liberação, por parte da Administração, de área,


local ou objeto para execução de obra, serviço ou fornecimento, nos
prazos contratuais, bem como das fontes de materiais naturais
especificadas no projeto;

XVII - a ocorrência de caso fortuito ou de força maior,


regularmente comprovada, impeditiva da execução do contrato.

Parágrafo único. Os casos de rescisão contratual serão


formalmente motivados nos autos do processo, assegurado o
contraditório e a ampla defesa.

XVIII – descumprimento do disposto no inciso V do art. 27,


sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

Lei 9.784/1999

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos,


quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo
de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.

Art. 54. O direito da Administração de anular os atos


administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os

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destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram


praticados, salvo comprovada má-fé.

§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de


decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento.

§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer


medida de autoridade administrativa que importe impugnação à
validade do ato.

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7. SANÇÕES

As sanções são uma das características dos contratos administrativos que


caracterizam a supremacia de poder.

Para aplicação de sanções a UG deve elaborar um processo


administrativo, conforme a Lei 9.784/1999, de forma a permitir o contraditório e ampla
defesa. A UG deve observar a dosimetria da pena, que deve estar prevista no edital, de
forma a evitar a aplicação de critérios subjetivos e desproporcionais.

Lei 8.666/1993

Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato


sujeitará o contratado à multa de mora, na forma prevista no
instrumento convocatório ou no contrato.

§ 1o A multa a que alude este artigo não impede que a


Administração rescinda unilateralmente o contrato e aplique as outras
sanções previstas nesta Lei.

§ 2o A multa, aplicada após regular processo administrativo,


será descontada da garantia do respectivo contratado.

§ 3o Se a multa for de valor superior ao valor da garantia


prestada, além da perda desta, responderá o contratado pela sua
diferença, a qual será descontada dos pagamentos eventualmente
devidos pela Administração ou ainda, quando for o caso, cobrada
judicialmente.

Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a


Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado
as seguintes sanções:

I - advertência;

II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório


ou no contrato;

III - suspensão temporária de participação em licitação e


impedimento de contratar com a Administração, por prazo não
superior a 2 (dois) anos;

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Art. 6o Para os fins desta Lei, considera-se:

XI - Administração Pública - a administração direta e indireta


da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
abrangendo inclusive as entidades com personalidade jurídica de
direito privado sob controle do poder público e das fundações por ele
instituídas ou mantidas;

XII - Administração - órgão, entidade ou unidade


administrativa pela qual a Administração Pública opera e atua
concretamente;

IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a


Administração Pública enquanto perdurarem os motivos
determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação
perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será
concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos
prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com
base no inciso anterior.

§ 1o Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia


prestada, além da perda desta, responderá o contratado pela sua
diferença, que será descontada dos pagamentos eventualmente devidos
pela Administração ou cobrada judicialmente.

§ 2o As sanções previstas nos incisos I, III e IV deste artigo


poderão ser aplicadas juntamente com a do inciso II, facultada a
defesa prévia do interessado, no respectivo processo, no prazo de 5
(cinco) dias úteis.

§ 3o A sanção estabelecida no inciso IV deste artigo é de


competência exclusiva do Ministro de Estado, do Secretário Estadual
ou Municipal, conforme o caso, facultada a defesa do interessado no
respectivo processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista,
podendo a reabilitação ser requerida após 2 (dois) anos de sua
aplicação. (Vide art 109 inciso III)

Art. 88. As sanções previstas nos incisos III e IV do artigo


anterior poderão também ser aplicadas às empresas ou aos
profissionais que, em razão dos contratos regidos por esta Lei:

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I - tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por


meios dolosos, fraude fiscal no recolhimento de quaisquer tributos;

II - tenham praticado atos ilícitos visando a frustrar os


objetivos da licitação;

III - demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a


Administração em virtude de atos ilícitos praticados.

Lei 10.520/2002

Art. 7º Quem, convocado dentro do prazo de validade da sua


proposta, não celebrar o contrato, deixar de entregar ou apresentar
documentação falsa exigida para o certame, ensejar o retardamento da
execução de seu objeto, não mantiver a proposta, falhar ou fraudar na
execução do contrato, comportar-se de modo inidôneo ou cometer
fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar com a União,
Estados, Distrito Federal ou Municípios e, será descredenciado no
Sicaf, ou nos sistemas de cadastramento de fornecedores a que se
refere o inciso XIV do art. 4o desta Lei, pelo prazo de até 5 (cinco)
anos, sem prejuízo das multas previstas em edital e no contrato e das
demais cominações legais.

Lei 9.784/1999

Art. 2º

VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de


obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas
estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com


indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:

I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;

II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;

O impedimento aplicado por um órgão da União só impede a contratação


com a União.

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A suspensão temporária é aplicada apenas dentro do órgão conforme o


art. 6º da Lei 8.666/1993.

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UNIDADE DIDÁTICA III – ORIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E TRABALHISTAS

OBJETIVOS:

- Ficar em condições de acompanhar a execução financeira do contrato e obrigações


previdenciárias e trabalhistas.

- Criar condições para o Gestor de Contrato e Fiscal Administrativo analisar a planilha de


custos

1. OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E TRABALHISTAS

Conforme a IN 5/2017-SEGES:

Art. 39. As atividades de gestão e fiscalização da execução contratual são o conjunto


de ações que tem por objetivo aferir o cumprimento dos resultados previstos pela
Administração para os serviços contratados, verificar a regularidade das obrigações
previdenciárias, fiscais e trabalhistas, bem como prestar apoio à instrução processual e o
encaminhamento da documentação pertinente ao setor de contratos para a formalização
dos procedimentos relativos a repactuação, alteração, reequilíbrio, prorrogação,
pagamento, eventual aplicação de sanções, extinção dos contratos, dentre outras, com
vista a assegurar o cumprimento das cláusulas avençadas e a solução de problemas
relativos ao objeto.

(...)

Art. 40. O conjunto de atividades de que trata o artigo anterior compete ao gestor da

execução dos contratos, auxiliado pela fiscalização técnica, administrativa, setorial e

pelo público usuário, conforme o caso, de acordo com as seguintes disposições:

(...)

III - Fiscalização Administrativa: é o acompanhamento dos aspectos administrativos

da execução dos serviços nos contratos com regime de dedicação exclusiva de mão de

obra quanto às obrigações previdenciárias, fiscais e trabalhistas, bem como quanto às

providências tempestivas nos casos de inadimplemento;

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DE CONTRATOS – 2019 – 10ª ICFEx

As atividades da Fiscalização administrativa estão previstas no Anexo


VIII-B da IN 5/2017-SEGES que trata de todas as fases da contratação, de onde
destacamos as atividades mensais:

10.2. Fiscalização mensal (a ser feita antes do pagamento da fatura)

a) Deve ser feita a retenção da contribuição previdenciária no valor de 11% (onze


por cento) sobre o valor da fatura e dos impostos incidentes sobre a prestação do
serviço.

b) Deve ser consultada a situação da empresa junto ao SICAF.

c) Serão exigidos a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa a Créditos


Tributários Federais e à Dívida Ativa da União, o Certificado de Regularidade do FGTS
(CRF) e a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT), caso esses documentos
não estejam regularizados no Sicaf.

d) Exigir, quando couber, comprovação de que a empresa mantém reserva de cargos


para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social, conforme
disposto no art. 66-A da Lei nº 8.666, de 1993.

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2. PLANILHA DE CUSTOS

Conforme o Acórdão 2.215/2012-TCU-P, a planilha tem caráter


demonstrativo dos custos que permite estabelecer parâmetros de comparação da
proposta. A proposta formulada na licitação vincula o contratado, mas quanto aos
aspectos relacionados à própria contratante, tais como os preços que serão cobrados da
Administração, as especificações dos materiais que serão empregados, as
características dos serviços que serão prestados, as técnicas empregadas, o ritmo de
execução etc. Não quanto ao preço de insumos a serem adquiridos de terceiros.

A planilha de custos servirá de base análise do preço oferecido, para


reajustes a alterações contratuais.

Lei 8.666/1993

Art. 7º/§2º As obras e os serviços somente poderão ser licitados


quando:

II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a


composição de todos os seus custos unitários;

Art. 40/§2o Constituem anexos do edital, dele fazendo parte


integrante:

II - orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços


unitários;

Art. 58/§1o As cláusulas econômico-financeiras e monetárias


dos contratos administrativos não poderão ser alteradas sem prévia
concordância do contratado.

Decreto 5.450/2005

Art. 9o Na fase preparatória do pregão, na forma eletrônica,


será observado o seguinte:

I - elaboração de termo de referência pelo órgão requisitante,


com indicação do objeto de forma precisa, suficiente e clara, vedadas

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DE CONTRATOS – 2019 – 10ª ICFEx

especificações que, por excessivas, irrelevantes ou desnecessárias,


limitem ou frustrem a competição ou sua realização;

II - aprovação do termo de referência pela autoridade


competente;

§2o O termo de referência é o documento que deverá conter


elementos capazes de propiciar avaliação do custo pela administração
diante de orçamento detalhado, definição dos métodos, estratégia de
suprimento, valor estimado em planilhas de acordo com o preço de
mercado, cronograma físico-financeiro, se for o caso, critério de
aceitação do objeto, deveres do contratado e do contratante,
procedimentos de fiscalização e gerenciamento do contrato, prazo de
execução e sanções, de forma clara, concisa e objetiva.

Art. 30. O processo licitatório será instruído com os seguintes


documentos:

III - planilhas de custo, quando for o caso;

DECRETO 7.983/2013

Art. 1o Este Decreto estabelece regras e critérios a serem


seguidos por órgãos e entidades da administração pública federal para
a elaboração do orçamento de referência de obras e serviços de
engenharia, contratados e executados com recursos dos orçamentos da
União.

Art. 2o Para os fins deste Decreto, considera-se:

I - custo unitário de referência - valor unitário para execução de


uma unidade de medida do serviço previsto no orçamento de
referência e obtido com base nos sistemas de referência de custos ou
pesquisa de mercado;

II - composição de custo unitário - detalhamento do custo


unitário do serviço que expresse a descrição, quantidades,
produtividades e custos unitários dos materiais, mão de obra e
equipamentos necessários à execução de uma unidade de medida;

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III - custo total de referência do serviço - valor resultante da


multiplicação do quantitativo do serviço previsto no orçamento de
referência por seu custo unitário de referência;

IV - custo global de referência - valor resultante do somatório


dos custos totais de referência de todos os serviços necessários à plena
execução da obra ou serviço de engenharia;

V - benefícios e despesas indiretas - BDI - valor percentual que


incide sobre o custo global de referência para realização da obra ou
serviço de engenharia;

VI - preço global de referência - valor do custo global de


referência acrescido do percentual correspondente ao BDI;

VII - valor global do contrato - valor total da remuneração a ser


paga pela administração pública ao contratado e previsto no ato de
celebração do contrato para realização de obra ou serviço de
engenharia;

VIII - orçamento de referência - detalhamento do preço global


de referência que expressa a descrição, quantidades e custos unitários
de todos os serviços, incluídas as respectivas composições de custos
unitários, necessários à execução da obra e compatíveis com o projeto
que integra o edital de licitação;

IN 05/2017-SEGES/PDG/MinEcon

O anexo VII da IN estabelece as diretrizes para elaboração do


instrumento convocatório e no anexo VII-D está previsto o modelo de planilha de
custos.

7.6. A análise da exequibilidade da proposta de preços nos


serviços continuados com dedicação exclusiva da mão de obra deverá
ser realizada com o auxílio da planilha de custos e formação de
preços, a ser preenchida pelo licitante em relação à sua proposta final;

7.7. O modelo de planilha de custos e formação de preços


previsto no Anexo VII-D desta Instrução Normativa deverá ser
adaptado às especificidades do serviço e às necessidades do órgão ou

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entidade contratante, de modo a permitir a identificação de todos os


custos envolvidos na execução do serviço, e constituirá anexo do ato
convocatório a ser preenchido pelos proponentes;

7.8. Quando a modalidade de licitação for pregão, realizado na


forma eletrônica, a planilha de custos e formação de preços deverá
ser entregue e analisada no momento da aceitação do lance
vencedor;

7.9. Erros no preenchimento da planilha não são motivos


suficientes para a desclassificação da proposta, quando a planilha
puder ser ajustada sem a necessidade de majoração do preço ofertado,
e desde que se comprove que este é o bastante para arcar com todos os
custos da contratação;

ACÓRDÃO 2.215/2012-TCU-PLENÁRIO

14.8. Acata-se o entendimento expresso pelo MP/TCU no


referido parecer, cujos principais fundamentos podem ser assim
sintetizados (o que não dispensa, contudo, a consideração, na íntegra,
do citado estudo, pela inter-relação das teses desenvolvidas):

a) a composição de custos apresentada na licitação é


demonstrativa do preço a ser cobrado da Administração pelos bens e
serviços contratados, mas não dos custos que serão incorridos pelo
contratado para cumprir o objeto;

b) a apresentação da planilha é necessária como meio de


viabilizar a comparação objetiva das propostas em disputa, a
análise da compatibilidade dos preços ofertados na licitação com os
praticados no mercado e o exame de futuros pleitos de reajustes
contratuais. Não, porém, para vincular o contratado quanto aos
custos unitários, sujeitos a oscilações próprias da dinâmica do
mercado;

c) o contrato por empreitada é celebrado por preço fixo; a


retribuição do contratado se dá mediante o preço avençado, e não por
uma margem de lucro. Se, de um lado, o empreiteiro assume os
riscos de eventuais variações de preço dos materiais e da mão de obra,

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de outro tem a garantia de receber remuneração prévia e precisamente


definida;

d) fixado o preço do contrato, variações normais do custo dos


insumos constituem riscos do negócio, a serem suportados pelas
partes. Assim como variações que elevem o preço devem ser
assumidas pelo contratado, a Administração, por outro lado, não
poderá reivindicar ganhos oriundos de reduções havidas dentro da
dinâmica normal dos preços. Essas oscilações ordinárias motivam, tão
somente, a aplicação de reajustes anuais, segundo índices setoriais ou
globais, conforme disponha o edital da licitação e o contrato;

e) a proposta formulada na licitação vincula o contratado,


mas quanto aos aspectos relacionados à própria contratante, tais como
os preços que serão cobrados da Administração, as especificações dos
materiais que serão empregados, as características dos serviços que
serão prestados, as técnicas empregadas, o ritmo de execução etc. Não
quanto ao preço de insumos a serem adquiridos de terceiros. Caso
contrário, estar-se-ia ajustando estipulações em favor de terceiros (os
fornecedores dos insumos) e de difícil conformação: "se a empresa
contratada, ao ser citada, proceder ao pagamento da diferença apurada
pelo TCU aos seus funcionários [ou a outros fornecedores, conforme o
caso], ainda assim poder-se-ia falar em descumprimento da cláusula
contratual e em dano à Administração?";

f) uma vez que tenha obtido o menor preço oferecido na


licitação e que este seja compatível com o mercado, a Administração
não atende ao interesse público ao expropriar o contratado de
vantagens conseguidas como resultado de seu esforço e de seus
méritos;

g) em resumo, as planilhas de custos servem à avaliação de


exequibilidade das propostas oferecidas na licitação, à comparação
com os preços de mercado e como parâmetro para aferição do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato se este for alcançado por
eventos imprevisíveis, não representando um compromisso do

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contratado sobre o quanto ele vai gastar na aquisição dos insumos


necessários, incluída aí a mão de obra;

h) fosse o caso de o Poder Público firmar contrato que não


corresponda a essa regra geral, estabelecendo fórmula específica de
retribuição do contratado, isso deveria ser objeto de explícita
disposição do edital, e não de mera dedução a partir da
composição de custos oferecidas pelo licitante;

i) por tudo isso, a referência do sobrepreço deve ser


preferencialmente o valor de mercado, e não eventuais diferenças, a
menor, entre o valor dos insumos cotados e aqueles efetivamente
adquiridos, e que se situem dentro de margens de oscilação naturais do
mercado.

14.9. Por essas razões, opina-se pelo provimento do presente


recurso, com a consequente exclusão dos subitens 9.1.1.3, 9.1.2, 9.1.3
e subitens, 9.1.4 e 9.1.5 do acórdão recorrido.

Acórdão TCU Plenário 2.438/2013

O referido acórdão prevê em seu item 9.2. conhecer dos pedidos


de reexame, para, no mérito, dar-lhes provimento, de modo a tornar
insubsistentes os itens 9.2.1, 9.2.1.1, 9.2.2.1, 9.2.2.2, 9.2.3.2 e 9.3 do
Acórdão 1233/2008-Plenário.

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3. CONTA-DEPÓSITO VINCULADA

As provisões realizadas pela Administração contratante para o pagamento


dos encargos trabalhistas, em relação à mão de obra das empresas contratadas para
prestar serviços de forma contínua, por meio de dedicação exclusiva de mão de obra,
serão destacadas do valor mensal do contrato e depositadas pela Administração em
Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, aberta em nome do
prestador de serviço.

A utilização da Conta-Depósito Vinculada está prevista no anexo XII da


IN 05/2017-PDG/MinEcon, Conta-Depósito Vinculada bloqueada para movimentação.

No gerenciamento de riscos, art. da IN, está previsto o risco de


descumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e com FGTS da
contratada, para isso foram previstas as seguintes medidas:

I - Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação,


conforme disposto em Caderno de Logística, elaborado pela SEGES/PDG/MinEcon; ou

II - Pagamento pelo Fato Gerador, conforme disposto em Caderno de


Logística, elaborado pela SEGES/PDG/MinEcon.

Atualmente, só está disponível o Caderno de Logística - Conta Vinculada


no Portal de Compras do Governo Federal
(https://www.comprasgovernamentais.gov.br) em Publicações/Cadernos.

Quais provisões devem ser retidas quando do pagamento e depositadas


na conta vinculada?

a. 13º (décimo terceiro) salário;

b. férias e 1/3 (um terço) constitucional de férias;

c) multa sobre o FGTS e contribuição social para as rescisões sem justa


causa; e

d) encargos sobre férias e 13o (décimo terceiro) salário.

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4. GARANTIAS

De acordo com a Lei 8.666/1993:

Art. 31. A documentação relativa à qualificação econômico-financeira limitar-se-á


a:

(...)

III - garantia, nas mesmas modalidades e critérios previstos no "caput" e § 1o do art.


56 desta Lei, limitada a 1% (um por cento) do valor estimado do objeto da contratação.

(...)

§ 2o A Administração, nas compras para entrega futura e na execução de obras e


serviços, poderá estabelecer, no instrumento convocatório da licitação, a exigência de
capital mínimo ou de patrimônio líquido mínimo, ou ainda as garantias previstas no
§ 1o do art. 56 desta Lei, como dado objetivo de comprovação da qualificação
econômico-financeira dos licitantes e para efeito de garantia ao adimplemento do
contrato a ser ulteriormente celebrado.

(...)

Art. 48

§ 2º Dos licitantes classificados na forma do parágrafo anterior cujo valor global


da proposta for inferior a 80% (oitenta por cento) do menor valor a que se referem as
alíneas "a" e "b", será exigida, para a assinatura do contrato, prestação de garantia
adicional, dentre as modalidades previstas no § 1º do art. 56, igual a diferença entre o
valor resultante do parágrafo anterior e o valor da correspondente proposta.

(...)

Art. 56. A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista
no instrumento convocatório, poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações
de obras, serviços e compras.

§ 1o Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modalidades de garantia:

I - caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido


emitidos sob a forma escritural, mediante registro em sistema centralizado de liquidação
e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e avaliados pelos seus valores
econômicos, conforme definido pelo Ministério da Fazenda;

II - seguro-garantia;

III - fiança bancária.

§ 2o A garantia a que se refere o caput deste artigo não excederá a cinco por cento
do valor do contrato e terá seu valor atualizado nas mesmas condições daquele,
ressalvado o previsto no parágrafo 3o deste artigo. § 3o Para obras, serviços
e fornecimentos de grande vulto envolvendo alta complexidade técnica e riscos
financeiros consideráveis, demonstrados através de parecer tecnicamente aprovado pela

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autoridade competente, o limite de garantia previsto no parágrafo anterior poderá ser


elevado para até dez por cento do valor do contrato.

§ 4o A garantia prestada pelo contratado será liberada ou restituída após a


execução do contrato e, quando em dinheiro, atualizada monetariamente.

§ 5o Nos casos de contratos que importem na entrega de bens pela Administração,


dos quais o contratado ficará depositário, ao valor da garantia deverá ser acrescido o
valor desses bens.

(...)

Art. 79.

(...)

§ 2o Quando a rescisão ocorrer com base nos incisos XII a XVII do artigo
anterior, sem que haja culpa do contratado, será este ressarcido dos prejuízos
regularmente comprovados que houver sofrido, tendo ainda direito a:

I - devolução de garantia;

(...)

Art. 80. A rescisão (determinada por ato unilateral e escrito da Administração, nos
casos enumerados nos incisos I a XII e XVII do artigo 78) acarreta as seguintes
consequências, sem prejuízo das sanções previstas nesta Lei:

(...)

III - execução da garantia contratual, para ressarcimento da Administração, e dos


valores das multas e indenizações a ela devidos;

(...)

Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado à


multa de mora, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato.

(...)

§ 2o A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada da


garantia do respectivo contratado.

§ 3o Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda


desta, responderá o contratado pela sua diferença, a qual será descontada dos
pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou ainda, quando for o caso,
cobrada judicialmente.

Os depósitos serão efetuados na Caixa Econômica Federal conforme o Decreto-


Lei 1.737/1979 e alteração pelo Decreto-Lei 2.323/1987.

Conforme o item 5 da Revista 114/TCU

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RECEBIMENTO COMO ETAPA FINAL DA LIQUIDAÇÃO DA


DESPESA

Somente após o recebimento definitivo deverá ser providenciado o


pagamento do saldo existente em relação ao valor contratual e liberada a garantia (§ 4º
do artigo 56 da Lei nº 8.666/1993). A vigência dessa garantia, portanto, no caso de
utilização da modalidade seguro-garantia, deverá estender-se até o recebimento
definitivo da obra.

- Conforme a IN 5/2017 – SEGES

Art. 65. Até que a contratada comprove o disposto no artigo anterior, o órgão ou

entidade contratante deverá reter:

I - a garantia contratual, conforme art. 56 da Lei nº 8.666, de 1993, prestada com

cobertura para os casos de descumprimento das obrigações de natureza trabalhista e

previdenciária pela contratada, que será executada para reembolso dos prejuízos

sofridos pela Administração, nos termos da legislação que rege a matéria; e

II - os valores das Notas fiscais ou Faturas correspondentes em valor proporcional

ao inadimplemento, até que a situação seja regularizada.

Parágrafo único. Na hipótese prevista no inciso II do caput, não havendo quitação

das obrigações por parte da contratada no prazo de quinze dias, a contratante poderá

efetuar o pagamento das obrigações diretamente aos empregados da contratada que

tenham participado da execução dos serviços objeto do contrato .

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UNIDADE DIDÁTICA IV – REGISTROS NO SIASG E SIAFI

OBJETIVOS:

1. Registrar no SIASG e SIAFI da execução dos contratos.

1. EM LIQUIDAÇÃO, LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO

a. EM LIQUIDAÇÃO

Conforme o art. 50 da IN 5/2017-SEGES

Art. 50. Exceto nos casos previstos no art. 74 da Lei n.º 8.666, de 1993, ao
realizar o recebimento dos serviços, o órgão ou entidade deve observar o princípio
da segregação das funções e orientar-se pelas seguintes diretrizes:

I - o recebimento provisório será realizado pelo fiscal técnico, fiscal


administrativo, fiscal setorial ou equipe de fiscalização, nos seguintes termos:

a) elaborar relatório circunstanciado, em consonância com as suas atribuições,


contendo o registro, a análise e a conclusão acerca das ocorrências na execução do
contrato e demais documentos que julgarem necessários, devendo encaminhá-los ao
gestor do contrato para recebimento definitivo; e

b) quando a fiscalização for exercida por um único servidor, o relatório


circunstanciado deverá conter o registro, a análise e a conclusão acerca das
ocorrências na execução do contrato, em relação à fiscalização técnica e
administrativa e demais documentos que julgar necessários, devendo encaminhá-los
ao gestor do contrato para recebimento definitivo;

Esse procedimento caracteriza a fase em liquidação no SIAFI, por isso


nesse momento deverá ser registrado um documento hábil do tipo NP, se pessoa
jurídica, com situação DSPXXX, DSP001 para serviços em geral, não campo liquidado
responder “Não”. Não preencher o campo ateste na aba dados básicos e não registrar as
retenções tributárias na aba deduções.

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No caso da UG não possuir crédito orçamentário suficiente, em vez do


procedimento acima, a UG deverá ser registrar o reconhecimento de passivos, conforme
o Manual SIAFI 02.11.40, através da LPA303 para despesas ocorridas no exercício.
Quando do recebimento do crédito orçamentário, emitir NE com passivo anterior,
informando os sados registrados com a situação LPA303. Depois registrar a situação
DSPXXX.

Em ambos os casos acima na opção possui contrato, deverá ser


respondido “Sim”, lembrando que quando da assinatura, aditivos e apostilamentos
deverá ser registrado o valor contratual através de hábil RC com situação LDV011,
conforme Manual SIAFI 02.12.05.

b. LIQUIDAÇÃO

- Conforme o art. 50/II da IN 5/2017-SEGES:

II - o recebimento definitivo pelo gestor do contrato, ato que concretiza o ateste da

execução dos serviços, obedecerá às seguintes diretrizes:

a) realizar a análise dos relatórios e de toda a documentação apresentada pela

fiscalização técnica e administrativa e, caso haja irregularidades que impeçam a

liquidação e o pagamento da despesa, indicar as cláusulas contratuais pertinentes,

solicitando à contratada, por escrito, as respectivas correções;

b) emitir termo circunstanciado para efeito de recebimento definitivo dos serviços

prestados, com base nos relatórios e documentação apresentados; e

c) comunicar a empresa para que emita a Nota Fiscal ou Fatura com o valor exato

dimensionado pela fiscalização com base no Instrumento de Medição de Resultado

(IMR), observado o Anexo VIII-A ou instrumento substituto, se for o caso.

- De acordo com a Lei 4.320/1964:

Art. 63. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo


credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito.

§ 1° Essa verificação tem por fim apurar:

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I - a origem e o objeto do que se deve pagar;

II - a importância exata a pagar;

III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação.

§ 2º A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá por


base:

I - o contrato, ajuste ou acordo respectivo;

II - a nota de empenho;

III - os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço.

Após o ateste do Gestor do Contrato e o recebimento da nota fiscal do


contratado e o reconhecimento do direito do credor pela autoridade competente, se a UG
possuir crédito orçamentário disponível, deverá ser liquidada a despesas no SIAFI.

Para isso a UG deverá alterar o documento hábil, registrando a data do


ateste e alterando a opção para liquidado “Sim”. No caso de reconhecimento de passivo
a UG deverá registrar a situação DSPXXX com data de ateste e opção liquidado “Sim”.

Após a liquidação, quando da disponibilidade de recursos financeiros, a


UG deverá efetuar o pagamento, atentando para a data prevista para pagamento
estabelecida no contrato.

c. PAGAMENTO

A UG não pode reter pagamentos de fornecedores quando os serviços


forem prestados ou fornecimentos feitos, por ser caracterizado como enriquecimento
sem causa.

Pode ser feita apenas retenções de obrigações trabalhistas e


previdenciárias, pois nesses casos a UG responde solidariamente pelas obrigações, vide
art. 71 e 72 da Lei 8.666/1993.

IN 2/2010-SLTI-MPOG

Art. 3º

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§ 4 º A cada pagamento ao fornecedor a Administração realizará


consulta ao SICAF para verificar a manutenção das condições de
habilitação.

I - Constatando-se, junto ao SICAF, a situação de


irregularidade do fornecedor contratado, deve-se providenciar a sua
advertência, por escrito, no sentido de que, no prazo de cinco (5) dias
úteis, o fornecedor regularize sua situação ou, no mesmo prazo,
apresente sua defesa.

II - O prazo do inciso anterior poderá ser prorrogado uma vez,


por igual período, a critério da Administração.

III - Não havendo regularização ou sendo a defesa considerada


improcedente, a Administração deverá comunicar aos órgãos
responsáveis pela fiscalização da regularidade fiscal quanto à
inadimplência do fornecedor, bem como quanto à existência de
pagamento a ser efetuado pela Administração, para que sejam
acionados os meios pertinentes e necessários para garantir o
recebimento de seus créditos.

IV - Persistindo a irregularidade, a Administração deverá adotar


as medidas necessárias à rescisão dos contratos em execução, nos
autos dos processos administrativos correspondentes, assegurada à
contratada a ampla defesa.

V - Havendo a efetiva prestação de serviços ou o


fornecimento dos bens, os pagamentos serão realizados
normalmente, até que se decida pela rescisão contratual, caso o
fornecedor não regularize sua situação junto ao SICAF.

VI - Somente por motivo de economicidade, segurança


nacional ou outro interesse público de alta relevância, devidamente
justificado, em qualquer caso, pela máxima autoridade do órgão ou
entidade contratante, não será rescindido o contrato em execução
com empresa ou profissional inadimplente no SICAF.

Obs.: A autoridade máxima do órgão ou entidade contratante é o


Cmt/Ch/Dir da UG que assinou o contrato.

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IN 05/2017-SEGES/MPOG

2. A Nota Fiscal ou Fatura deverá ser obrigatoriamente


acompanhada da comprovação da regularidade fiscal, constatada por
meio de consulta on-line ao Sicaf ou, na impossibilidade de acesso ao
referido Sistema, mediante consulta aos sítios eletrônicos oficiais ou à
documentação mencionada no art. 29 da Lei nº 8.666, de 1993.

2.1. Constatando-se, junto ao Sicaf, a situação de irregularidade


do fornecedor contratado, deverão ser tomadas as providências
previstas no § 4º do art. 3º da Instrução Normativa nº 2, de 11 de
outubro de 2010.

(...)

4. O pagamento da obrigação deverá ocorrer no prazo previsto


no contrato, limitado:

a) ao quinto dia útil subsequente ao recebimento da Nota Fiscal


ou Fatura para despesas cujos valores não ultrapassem o limite de que
trata o inciso II do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993, observado o
disposto no seu §1º (art. 5º/3] da LLC); ou

b) a trinta dias contados do recebimento da Nota Fiscal ou


Fatura, para os demais casos (art. 40/XIV/a) da LLC).

4.1. Considera-se ocorrido o recebimento da Nota Fiscal ou


Fatura no momento em que o órgão contratante atestar a execução do
objeto do contrato.

4.2. Observado o disposto na alínea “c” do inciso II do art. 50


desta Instrução Normativa, quando houver glosa parcial dos serviços,
a contratante deverá comunicar a empresa para que emita a nota fiscal
ou fatura com o valor exato dimensionado, evitando, assim, efeitos
tributários sobre valor glosado pela Administração.

5. Na inexistência de outra regra contratual, quando da


ocorrência de eventuais atrasos de pagamento provocados
exclusivamente pela Administração, o valor devido deverá ser
acrescido de atualização financeira, e sua apuração se fará desde a

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data de seu vencimento até a data do efetivo pagamento, em que os


juros de mora serão calculados à taxa de 0,5% (meio por cento) ao
mês, ou 6% (seis por cento) ao ano,

LEI 8.666/1993

Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas,


previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do
contrato.

§ 1º A inadimplência do contratado, com referência aos


encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à
Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem
poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o
uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis.

§ 2º A Administração Pública responde solidariamente com o


contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do
contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de
1991.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Segunda Turma.


Agravo Regimental na Medida Cautelar n.º 16257. Relator: Ministro
Mauro Campbell Marques. Decisão unânime.

13. Daí porque não há que se falar na ilegalidade da retenção


efetuada, especialmente porque, embora o art. 71, § 1º, da Lei n.
8.666/93 afaste a responsabilidade da administração por encargos
trabalhistas (cujo pagamento estão na base da controvérsia que se
submete ao Judiciário nestes autos), o Tribunal Superior do Trabalho -
TST reiteradamente atribui responsabilidade subsidiária do tomador
do serviço (aí inclusas as sociedades de economia mista, como a
requerida) pelo inadimplemento das obrigações trabalhistas (Súmula
n. 331, item IV).

14. Sem desatentar para o fato de que o Supremo Tribunal


Federal vem avaliando a correção do posicionamento do TST quando

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em confronto com a Súmula vinculante n. 10 (AgRg na Rcl. 7.517/DF,


Rel. Min. Ricardo Lewandowski, com julgamento suspenso por
pedido de vista da Min. Ellen Gracie), se a Administração pode arcar
com as obrigações trabalhistas tidas como não cumpridas (mesmo que
subsidiariamente), é legítimo pensar que ela adote medidas
acauteladoras do erário, retendo o pagamento de verbas devidas a
particular que, a priori, teria dado causa ao sangramento de dinheiro
público”. (STJ, 2009, grifado)

Brasília, 03.12.09, DJ 16.12.09.

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2. ATUALIZAÇÃO FINANCEIRA

A atualização financeira é devida quando o pagamento não ocorre na data


prevista.

Multa é um tipo de sanção e juros é remuneração do capital, por isso não


são considerados atualização financeira.

Lei 8.666/1993

Art. 5o Todos os valores, preços e custos utilizados nas


licitações terão como expressão monetária a moeda corrente nacional,
ressalvado o disposto no art. 42 desta Lei, devendo cada unidade da
Administração, no pagamento das obrigações relativas ao
fornecimento de bens, locações, realização de obras e prestação de
serviços, obedecer, para cada fonte diferenciada de recursos, a estrita
ordem cronológica das datas de suas exigibilidades, salvo quando
presentes relevantes razões de interesse público e mediante prévia
justificativa da autoridade competente, devidamente publicada.

§ 3o Observados o disposto no caput, os pagamentos


decorrentes de despesas cujos valores não ultrapassem o limite de que
trata o inciso II do art. 24, sem prejuízo do que dispõe seu parágrafo
único, deverão ser efetuados no prazo de até 5 (cinco) dias úteis,
contados da apresentação da fatura.

Art. 40. O edital ... indicará, obrigatoriamente, o seguinte:

XIV - condições de pagamento, prevendo:

a) prazo de pagamento não superior a trinta dias, contado a


partir da data final do período de adimplemento de cada parcela;

b) cronograma de desembolso máximo por período, em


conformidade com a disponibilidade de recursos financeiros;

c) critério de atualização financeira dos valores a serem


pagos, desde a data final do período de adimplemento de cada parcela
até a data do efetivo pagamento;

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d) compensações financeiras e penalizações, por eventuais


atrasos, e descontos, por eventuais antecipações de pagamentos;

§ 3o Para efeito do disposto nesta Lei, considera-se como


adimplemento da obrigação contratual a prestação do serviço, a
realização da obra, a entrega do bem ou de parcela destes, bem como
qualquer outro evento contratual a cuja ocorrência esteja vinculada a
emissão de documento de cobrança.

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3. DESPESA SEM COBERTURA CONTRATUAL

Há situações em que despesas são realizadas sem cobertura contratual,


nesses casos as obrigações devem ser registradas no passivo da UG, como despesas sem
suporte orçamentário e quando da disponibilidade de crédito e aprovação do gestor,
devem ser pagas emitindo-se NE com modalidade de licitação não aplicável.

ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 4/AGU, DE 01ABR2009

A despesa sem cobertura contratual deverá ser objeto de


reconhecimento da obrigação de indenizar nos termos do art. 59,
parágrafo único, da lei nº 8.666, de 1993, sem prejuízo da apuração da
responsabilidade de quem lhe der causa.

Lei 8.666/1993

Art. 59. A declaração de nulidade do contrato administrativo


opera retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele,
ordinariamente, deveria produzir, além de desconstituir os já
produzidos.

Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do


dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado
até a data em que ela for declarada e por outros prejuízos regularmente
comprovados, contanto que não lhe seja imputável, promovendo-se a
responsabilidade de quem lhe deu causa.

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4. REGISTROS NO SIASG E SIAFI

1. Os contratos “stricto sensu” deverão ser registrados no SIASG/SICON,


exceto os decorrentes de Ata de Registro de Preços pois estes não são permitidos
atualmente pelo sistema.

2. Para tanto, deverá ser observado o seguinte:


a. os Termos de Contratos firmados pela UG, conforme art. 62 da Lei
8.666/1993 e Anexo VII-G da IN 5/2017-PDG/MinEcon, e seus aditivos devem ser
registrados no SIASG/SICON o que provocará a sua publicação no DOU como prevê o
parágrafo único do art. 61 da Lei 8.666/1993;
b. as garantias, quando exigidas, também deverão ser registradas no SIAFI
conforme o Manual SIAFI 02.11.26, para isso deverá utiliza as situações LDV053 para
apropriação das garantias recebidas, nas modalidades seguro garantia e fiança bancária,
e LDV054 para baixa das garantias. No Caso de caução em dinheiro utilizar CRD130
para apropriação do recebimento e CRD135 para baixa.
c. os apostilamentos previstos no art. 65/§8º da Lei 8.666/1993 também
devem ser registrados no SIASG/SICON, porém estes não devem ser publicados no
DOU;
d. os contratos, aditivos e apostilamentos também devem ser registrados no
SIAFI em documento hábil RC com situação LDV011;
e. os saldos de contratos em execução ficam registrados na conta
81231.XX.01 (caso o contrato seja de serviços o XX será igual a 02);
f. quando do registro da despesa em liquidação, momento em que o
contratado apresenta a cobrança, a UG deve registrar no SIAFI um documento hábil RP
ou NP e na aba PCO (principal com orçamento) marcar a opção “Tem Contrato”;
g. quando da liquidação, o Setor Financeiro deve alterar o documento hábil e
registrar as deduções e encargos e data de ateste, se for o caso;
h. no caso do uso de evento de rescisão em >IALEVENCT no SIASG, a UG
deverá registrar a baixa do contrato com documento RC e situação LDV012 no SIAFI;
i. a UG também deverá utilizar eventos de contratos no SIASG em caso de
retificação de registro e publicações com erro, se houver retificação de valor, deverá ser
registrado no SIAFI;
j. as baixas de contratos por rescisão, conclusão e outros motivos devem ser
registradas no SIAFI com documento hábil RC situação LDV015.
k. as UG que apresentam saldo em contas 81131.XX.XX, devem adotar
providências para corrigir, salvo se o contrato for de receita, ou seja a UG deve receber
pagamentos pela execução do objeto do contrato, a causa desse erro e registrar a própria
UG como favorecida de documento SIAFI de contrato, em vez do CNPJ/CPF do
contratado;
l. as UG que apresentam saldo nas contas 81231.01.XX - contratos de
seguros, devem adotar medidas para corrigir tais saldos, salvo se efetivamente, sejam
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contratantes de tais seguros, da mesma forma devem verificar o saldo das conta
81231.03.XX contratos de locação.

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CONCLUSÃO

O trabalho de gestão e fiscalização de contratos é importante para gestão


pois visa evitar erros e desvios na execução dos objetos avençados. O Gestor e os
Fiscais de contratos devem ter sempre em mente os princípios previstos no art. 2º da Lei
9.784/1999, agindo com razoabilidade, dentro da legalidade, buscando a eficiência e
sempre norteado pela busca de melhor atender o interesse público.

A atividade que envolve a gestão de contratos tem início na fase de


planejamento e o seu encerramento vai além do recebimento definitivo, pois mesmo
após o pagamento, deverá ser considerado o previsto no art. 73 da Lei 8.666/1993

“§ 2o O recebimento provisório ou definitivo não exclui a responsabilidade civil


pela solidez e segurança da obra ou do serviço, nem ético-profissional pela perfeita
execução do contrato, dentro dos limites estabelecidos pela lei ou pelo contrato”.

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