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Esta tradução é material de leitura dos membros das Sanghas Hokekyoji da Nichiren Shu Brasil.

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UM GUIA BÁSICO PARA TENDAI SHIKAN


Por Seishin Clark, Tendai UK, Abril de 2014

INTRODUÇÃO

Meu nome é Seishin e sou sacerdote budista na Escola Japonesa do Budismo Tendai. Tem havido
muitos grandes trabalhos acadêmicos sobre Meditação Tendai ao longo dos anos. No entanto,
há bem poucas introduções básicas sobre a Meditação Tendai. Dado que tais instruções
geralmente são passadas oralmente de professores para praticantes. Através deste livreto,
espero, propiciar um guia acessível para praticantes da Meditação Tendai. Ao invés de
instrucional, este livreto deve ser visto como um guia a ser usado juntamente com um professor
qualificado. Este livreto, assim como eu, não é perfeito e conterá erros tipográficos e
gramaticais. Não sou um erudito, nem sou um mestre e também não me considero um
'sensei'. Embora o assunto seja Tendai Shikan e seja baseado nos textos de Meditação T'ian T'ai
de Chih-i, também é a minha compreensão e interpretação. Qualquer erro é meu e não deve ser
encarado como um reflexo dos meus professores ou do assunto em questão. Espero, no
entanto, que beneficie aqueles que o leem.

TEXTOS DE MEDITAÇÃO T’IAN T’AI

A maioria das práticas de meditação no Tendai japonês vem do T'ian t'ai chinês (também Tiantai
ou Tientai) que são textos de meditação compilados pelo fundador do T'ian T'ai chinês,
Ven. Zhiyi (também Chih-i). Estas meditações são todas baseadas em seus predecessores
indianos, portanto, a Meditação Tendai ainda é muito baseada nas práticas iniciais de meditação
da Índia. Todos os sacerdotes Tendai, em algum momento do seu treinamento, devem estudar
e praticar esses textos de meditação, sendo os quatro principais:

1. Mo-ho-chih-kuan (japonês Makashikan) que significa 'Maior Tranquilidade e Percebimento'


2. Xiao zhi guan (japonês Sho shikan) 'Menor Tranquilidade e Percebimento'
3. Liu miao men (japonês Roku myōmon) 'Os Seis Portões para o Sublime '
4. Shi chan bo luo mi (japonês Shaku Zen Haramitsu ) ‘Explicação da Perfeição de Dhyana '

MOHO-CHIHKUAN (MAKASHIKAN)

O Moho Chih-kuan ( também proferido como Mohe zhiguan ) é a grande obra do


Venerável Chih-i, uma obra prima literária e, não apenas, um manual de meditação. Esta obra
foi o primeiro texto de meditação "originalmente chinês" e, possivelmente, o primeiro texto
budista verdadeiramente chinês. Tornou-se influente, não apenas no T'ian t'ai chinês, mas em
outras escolas chineses, além de ganhar popularidade na Coréia, Japão e mais longe.

O texto em si possui sete capítulos, em dez fascículos, cujo objeto principal é a prática de
Samatha (shi em japonês) e Vipasyana (kan em japonês). Estes são relacionados em três
categorias:

1. Contemplação Perfeita e Repentina (Endon Shikan, às vezes )


2. Contemplação Gradual e Sequencial (Zenji Shikan)
3. Contemplação Indeterminada (variável) ( Fujō Shikan)

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Estas categorias descrevem ambos os tipos de meditação e a capacidade do meditante. Chih-i


também as usou para categorizar a variedade de ensinamentos budistas e sutras em seu 'Cinco
Períodos e Oito Ensinamentos' (Goji Hakkyō). Todas essas meditações consideram a 'realidade
absoluta ' como foco, porém, suas abordagens diferem.

A meditação perfeita e repentina é para aqueles de capacidades e habilidades superiores *, os


grandes seres próximos da iluminação. É perfeita porque não há necessidade de qualquer outra
coisa. Isto porque, de repente, a iluminação será alcançada rapidamente nesta vida. Esta
meditação está no “Meio” das coisas 'exatamente como elas são', e, é o mais alto nível de prática
(ver Três Verdades do Tendai - Sandai).

A meditação gradual e sequencial é para aqueles de capacidades e habilidades mais baixas *,


aqueles que lutam com seus sofrimentos, seus desejos, seu ego etc. Em outras palavras, esse é
seu eu comum. É gradual porque a iluminação não é obtida rapidamente, mas lentamente ao
longo do tempo, durante muitas vidas. É sequencial porque existe um começo, um meio e um
fim e as práticas são feitas uma depois da outra, obedecendo uma sequência, como os degraus
de uma escada.

A meditação indeterminada é para aqueles de capacidades e habilidades medianas, aqueles que


fizeram grandes progressos e insight, mas ainda recorrem aos ensinamentos sequenciais e
graduais, de tempos em tempos. É indeterminada porque não é gradual nem repentina, mas em
algum ponto é intermediária.

(*) “ capacidades e habilidades” aqui descritas como “inferiores” ou “superiores” não se referem
ao intelecto ou conhecimento, mas à "Prajna". Prajna é frequentemente traduzida como
sabedoria, mas refere-se ao insight obtido através da absorção meditativa, que está além das
palavras e do intelecto. Estas categorias não pretendem diminuir o praticante. Apenas afirmam
que estamos todos em estágios diferentes no que diz respeito à nossa Sila (moralidade), nosso
Samadhi (absorção meditativa) e nosso Prajna (sabedoria). Por isso, podemos adotar
abordagens muito diferentes da meditação. Portanto, é possível alguém começar pela
meditação gradual e sequencial e ainda progredir rapidamente para a meditação perfeita e
repentina nesta vida. A iluminação é possível em qualquer estágio.

SHIKAN

Súbita ou gradual, a meditação no Budismo Tendai é geralmente denominada 'Shikan', a


etimologia e a razão será descrita mais adiante. Para confundir as coisas, 'shikan', é às vezes
chamada de 'zazen', que significa ‘meditação sentada ', pois sentar é a forma mais comum de
meditar. Note-se que, tradicionalmente, o Budismo Tendai categoriza 4 tipos de ‘samadhi’
conhecidos como 'shishu-zanmai'. Quatro Samadhi, a saber:

1. Constantemente sentado (Jozazanmai )


2. Constantemente andando (Jogyo Zanmai )
3. Andar e se sentar (Hangyo hanza zanmai )
4. Nem andar nem se sentar (Hiko hiza zanmai )

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A meditação caminhando, também conhecida como 'kinhin', é pouco conhecida no ocidente,


mas é uma prática importante do Budismo Tendai, tão quanto são as demais. A meditação
caminhando pode ser feita devagar e com firmeza, com a respiração ou com um mantra. Ou
pode ser rápida e longa, como fazem os Monges Tendai maratonistas de fama (ou infâmia). Essa
prática é chamada Kaihogyo (Circulando a Montanha).

Caminhar e se sentar é feito em períodos contínuos, iniciando com a meditação sentada e, em


seguida, com a meditação caminhando, sem pausas entre elas. Nos templos Tendai, o Hokke
Senbo (Ritual de Arrependimento do Lótus) é uma forma de caminhar/sentar com períodos de
sentar-se e caminhar em volta do Hondo, recitando o Sutra de Lótus e outros textos
importantes. Nem andar nem sentar é a suprema meditação em cada momento.

SHI

'Shi' é a pronúncia japonesa da palavra chinesa 'chih', que pode significar 'acalmar' ou 'parar', e
é usada como tradução da palavra sânscrita 'samatha 'que pode significar 'descansar', 'acalmar'
ou 'pacificar'. Samatha é uma forma de 'cultivo' (bhavana) para acalmar a mente (citta) e suas
'formações' (sankharas), que são feitas focando a mente em uma tarefa ou fenômeno específico,
geralmente descrito como concentração unifocalizada. A forma mais comum de Samatha é
anapanasmṛti em sânscrito ou em Pali Anapanasati, em japonês An'na pan'na nen, que significa
'Atenção plena na respiração', e, é a principal forma de Samatha no Budismo Tendai, destaque
nos textos de meditação de Chih-i com seu 'Seis Portões para o Sublime”, sendo todos sobre
respiração.

Para iniciar na prática da atenção plena, aconselhasse o iniciante, a contar sua respiração
(susokukan). Isto pode ser feito de várias maneiras, porém, a abordagem mais tradicional é
contar cada expiração ou inspiração até 10 e repetir processo. Voltaremos a isso mais tarde.

KAN

'Kan' é a pronúncia japonesa da palavra chinesa 'Kuan', que pode significar 'ver', é a tradução
chinesa da palavra sânscrita Vipasyana, que pode significar 'insight' ou 'visão clara'. Praticando
Vipasyana, obtém-se 'insight' da verdadeira natureza da realidade, que é impermanente, que é
dukkha (insatisfatória) e não-eu (insubstancial). O Tendai considera Samatha como a prática de
pré-requisito conducente à Vipasyana, pois com uma mente calma, somos mais capazes de
penetrar na verdade. É por isso que a Meditação Tendai é chamada 'Shikan', visto que, nossa
meditação é ambas Samatha e Vipasyana, em uma única prática, em vez de duas práticas
distintas. Esta é chamada 'ichigyō zanmai' que significa 'Uma Rodada de Samadhi, ou Samadhi
de Uma Prática'(Ekavyuha Samadhi).

Existem muitos métodos de Vipasyana que utilizam várias contemplações e visualizações para
obter insight. Uma forma tradicional de Vipasyana é meditar sobre a verdadeira natureza dos
Cinco Agregados** (Neste texto, vou me basear nos ensinamentos de 'Os Seis Portões para o
Sublime ', com foco na respiração).

Ainda que estas duas meditações sejam uma única prática, elas são feitas em duas seções. Para
um iniciante, é recomendável treinar primeiro, por algum tempo, a atenção plena à respiração
antes de tentar a meditação do insight. Então, quando o praticante estiver pronto, dívida a

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meditação em duas partes iguais, por exemplo, 20 minutos em Samatha e outros 20 minutos
em Vipasyana. É melhor praticá-las com um professor, pois essas meditações podem gerar
sensações, sentimentos e formações incomuns, algumas que podem ser agradáveis e outras
nem tanto. Para que não se tornem uma distração ou um destrutivo, é aconselhável ter um
professor qualificado com quem se possa falar sobre essas coisas e guiá-lo propriamente.

A seguir, é apresentado um guia básico do Tendai Shikan, baseado nos manuais de meditação
de Chih-i e minhas próprias experiências.

PREPARAÇÃO: Fazendo Ajustes

A preparação para a meditação é tão importante quanto a meditação em si e constitui uma parte
importante dos manuais de meditação de Chih-i. Com uma preparação correta, é possível
acalmar melhor a mente. Nossa mente tem um relacionamento muito próximo com o nosso
ambiente e com as coisas que fazemos, portanto, este aspecto não deve ser desprezado. Muitas
vezes, ouço as pessoas alegarem que não conseguem meditar em casa, ou, que elas meditam
melhor no templo do que em casa. Mas, quando lhes pergunto sobre sua preparação, elas
geralmente não respondem, porque a subestimam ou acham que é inútil. Não é inútil.

Ajustes da comida e do sono: a primeira coisa a fazer é ajustar nossos hábitos diários : hábitos
de sono, estilo de vida e alimentação. A alimentação pesada e gordurosa ou muito estimulante
com alto teor de açúcar ou de cafeína, comer demais ou de menos também inibe a meditação e
obscurece a mente. Dormir em excesso ou insuficiente tem o mesmo efeito.

Ajustes das roupas: use roupas limpas e confortáveis. Roupas apertadas comprometem a
circulação e a respiração.

Ajustes do ambiente: Em seguida, é estabelecer um local para meditar. Um cômodo calmo e


arejado é o ideal. O cômodo também deve estar arrumado, pois um cômodo desordenado vai
perturbar a mente. Acenda uma vela e alguns incensos levemente perfumados, como sândalo
ou aloés de madeira, e nada muito esfumaçado. A luz ambiente ficar nem muito escura nem
muito clara. Na tradição budista japonesa usamos altares domésticos chamados 'Butsudans'.

Ajustes do corpo, da mente e da fala: enxague as mãos e a boca com água fresca. Este ato,
embora seja popular no Japão, não é exclusivamente japonês, e, é incrivelmente
simbólico. Segundo o Budismo, cometemos transgressões através do nosso corpo, da nossa fala
e das nossas mentes. Ao lavar as mãos e a boca, estamos reconhecendo que cometemos
transgressões através da fala e de atos, e a prática que estamos prestes a empreender, é para
superá-las e nos tornarmos pessoas melhores.

Recitar a liturgia Tendai é ir além de um mero ato religioso. Recitamos para transformar a
mente, mudar nossos hábitos e alcançar a iluminação. Recitamos para nos recordar dos
ensinamentos budistas, para reafirmar nosso desejo de salvar todos os seres sencientes (hotsu
bodaishin - despertar a mente de iluminação) e admitir que cometemos transgressões no
passado, mas desejamos superá-las, para nos tornarmos pessoas melhores.

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Ajuste da postura corporal: a postura do corpo é extremamente importante na meditação.


Quando ensino, numa sala cheia de iniciantes, geralmente começo dizendo: "Sentem-se
confortavelmente" e, inevitavelmente, as pessoas se sentam curvadas ou inclinadas, ou de um
lado etc. Essas posturas não são propícias à meditação, porque inibem a respiração e nublam a
mente. A meditação sentada pode ser feita sentando-se no chão ou numa cadeira. No Japão,
temos almofadas de meditação chamadas zafus, almofadas redondas firmes, cheias de trigo
sarraceno ou outro enchimento semelhante e são confeccionadas em vários tamanhos. Então,
é bom testar alguns, para achar o zafu adequado para você. Uma grande almofada quadrada
chamada zabuton, geralmente acompanha o zafu e ajuda evitar pressão nos tornozelos e nos
joelhos.

A postura completa do lótus (kekka) é considerada a melhor para estabilidade. Esta postura
consiste em sentar-se com as pernas dobradas e posicionar os pés em cima das coxas
opostas. Três pontos tocam o chão criando um tripé estável (com joelhos e nádegas). Ajuda abrir
e elevar os quadris, tirar a pressão da coluna e abrir a caixa torácica, para melhor respirar. No
entanto, poucas pessoas conseguem dobrar as pernas dessa maneira, e sem alongamento e
exercícios de fortalecimento, sentar-se nessa postura por longos períodos, pode até danificar os
tornozelos e os joelhos.

A segunda melhor postura é chamada meio lótus (hanka fuza). Semelhante a lótus completa,
posiciona-se apenas um pé está na coxa oposta, o outro pé permanece embaixo da coxa
oposta. Novamente, forma-se um tripé estável (com joelhos e nádegas) e tira alguma pressão
dos tornozelos e dos joelhos.

A terceira melhor postura é conhecida como postura birmanesa. Nesta postura, ambas as
pernas repousam no chão, uma ligeiramente em frente da outra. Essa é a postura ideal para
iniciantes ou para aqueles que não conseguem permanecer sentados nas posturas acima, por
longos períodos de tempo.

Outra opção, é usar um banquinho de meditação. Nesta postura, senta-se em seiza (postura
ajoelhada) com o banco dobrado sob as nádegas, tirando a pressão dos joelhos e
tornozelos. Esta postura e a birmanesa são as melhores para aqueles que não conseguem se
sentar em nenhuma das posturas de lótus, ou para aqueles com problemas nos quadris, joelhos
e tornozelos. No Japão, senta-se em seiza sem o uso do banquinho, mas para quem não está
acostumado a isso, logo, pode sentir dores nos pés.

Outra opção viável é sentar-se em uma cadeira firme (koshikakeza), como uma cadeira de
cozinha (não um sofá). No entanto, é importante não apoiar as costas no encosto, a menos que
seja necessário, por algum problema de saúde, pois o praticante pode acabar desleixado ou ficar
muito relaxado e sonolento. Existem até modernas cadeiras de meditação que ajudam a manter
a coluna ereta, que podem ser usadas, desde que haja uma verdadeira razão médica para confiar
nelas. Usar uma cadeira dessas, é simplesmente se render a preguiça, quando se é capaz de se
sentar sem uma! Até é possível meditar deitado, mas não é recomendável, porque é provável
que a pessoa adormeça. Independente das posturas ou das almofadas escolhidas, é importante
lembrar dos seguintes pontos-chaves:

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Mantenha os quadris elevados em um plano mais alto que os joelhos: Elevando os quadris, gire-
os levemente. Essa rotação dará a sua coluna, a suavidade natural do formato da letra "S", em
vez de um pós-reto, e aliviará a pressão na coluna lombar. Se você estiver sentado no chão,
sente-se em almofadas suficientes para elevar os quadris. Mas, se você estiver ajoelhado, você
pode preferir colocar uma almofada entre suas nádegas e pernas ou mesmo colocar uma
almofada enrolada entre as pernas para assentar seu traseiro. Se você estiver sentado em uma
cadeira, mova-se a frente, para afastar as costas do encosto e mantenha os dois pés apoiados
no chão, diretamente sob os joelhos. Se você estiver deitado, dobre as pernas e as posicione em
aproximadamente 45 graus com as solas dos pés no chão.

Encontre o seu centro de gravidade: Balance para trás e para frente, lado a lado. Isso vai ajudá-
lo a encontrar seu centro de equilíbrio. Você deve sentir como se toda parte superior do seu
corpo estivesse apoiada nos quadris. Os músculos do seu coração e parte superior das costas
devem estar relaxados.

Mantenha os ombros relaxados: Não os puxe de volta, nem os apresse para frente. Encontre o
equilíbrio entre os dois. Tente rolar e encolher os ombros até ficarem confortáveis. Os ombros
ajudam a abrir as costelas, permitindo que você respire profundo. Quando respiramos
profundamente, mais oxigênio chega aos nossos órgãos, membros e, mais importante, ao nosso
cérebro. Com a ajuda do nosso foco mental e da nossa circulação, evitaremos que nossos
membros fiquem dormentes.

Coloque o queixo para trás, mas não para baixo: Isso alinhará a cabeça com a coluna, e, é um
movimento tão leve, quase imperceptível. De novo, não exagere.

Imagine sua cabeça sendo puxada por uma corda do alto do crâneo: Isso ajudará a manter a
coluna reta e alinhada.

Pouse as mãos no colo em dhyana mudra (mudra de meditação): Tenha em mente que quando
a meditação é intensa, seus polegares se pressionam. Quando se está relaxado demais, os
polegares se afrouxam.

Sente-se em uma postura estável e confortável: Agora, você deve se sentir estável e firme, não
vacilante. Seu centro de gravidade deve estar logo abaixo do seu umbigo.

Verifique se os cotovelos estão pressionados as costelas: Mas, existe uma boa lacuna suficiente
para respirar adequadamente.

Levante o peito levemente, como se oferecesse seu coração: Isso abrirá sua caixa torácica para
ajudá-lo a respirar profundamente. Tente respirar pelo diafragma e não pelas costas.

Feche a boca, mas não aperte com força: Os dentes não devem se tocar. Isso relaxará os
músculos da sua cabeça. Coloque delicadamente a língua, na parte macia do palato (céu da
boca), atrás dos seus dentes da frente superiores. Isso ajudará manter sua mandíbula relaxada
e reduzir a salivação.

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Você pode optar por fechar os olhos ou mantê-los abertos: Se os mantiver abertos, tente
"olhar" para um ponto, aproximadamente dois pés (ou 0,60 cm), à sua frente, no chão. Não se
fixe nele, nem olhe ao redor da sala.

Inspire e expire pelo nariz: Se isto não for possível, pode ser pela boca. O nariz é preferido
porque, se estiver um dia frio, as narinas aquecerão o ar, facilitando a retirada do oxigênio do
ar pelo corpo. Respirar pela boca, pode também deixar sua garganta seca, levando você a salivar
ou precisar tossir, o que pode perturbar você e os que estão ao seu redor.

Dores e tensões: Você sentirá algum desconforto durante meditação. Quando isso acontecer,
mova-se! Não pense que você precisa permanecer completamente imóvel para meditar. Tente
não se mexer, porque você perturbará sua própria mente e os que estão ao seu redor, mas se
precisar se mover, faça valer a pena! Se a sua perna adormecer, endireite-a, não se sente nem
se mexa, esperando que a dor desapareça. Se suas costas doem, dobre para frente e para trás,
para alongá-la. Também é bom, durante a meditação, se levantar. Lembre-se de manter as
costas reta, com a cabeça erguida e as mãos em dhyana mudra. Ao sentir a circulação sanguínea,
volte a se sentar. Você pode querer coçar ou arranhar. Esta é uma estratégia da sua mente para
entretê-lo. Realmente, não há necessidade física de coçar, a menos que, você tenha algum
problema de saúde. Então, se você sentir necessidade de coçar, deixe passar.

A maioria das pessoas sentem dores nos tornozelos, joelhos, quadris, região lombar e parte
superior das costas quando começam a meditar. Pode haver várias razões para isso, mas, tem
a ver principalmente com uma má postura corporal na vida cotidiana e membros tensos. É
importante não manter forçadamente qualquer postura que lhe seja desconfortável. Para ser
capaz de permanecer sentado por longos períodos de tempo, você precisará fazer alguns
alongamentos. Sensações de formigamentos, também são bem comuns, seja por ficar parado
ou pela pressão no fluxo sanguíneo. Tente mexer os dedos dos pés, de vez em quando, para
liberar o fluxo sanguíneo. Com o tempo, você descobrirá que é capaz de ficar sentado por longo
período sem sentir formigamentos.

ENTRANDO

Agora, você está preparado para meditar no corpo, na fala e na mente. Prestar a atenção na
respiração e entrar em Samatha.

Susoku (Contando as respirações): Esta forma de samatha é mais recomendada para


iniciantes. Primeiramente, faça três respirações profundas pelo nariz ( exalando o turvo e
inalando o puro ), em seguida, comece a contar cada respiração completa. Você pode contar a
expiração ou a inspiração. Conte até 10 e sempre recomece. Uma alternativa para isso, é jogar
um joguinho, sempre que um pensamento entrar na sua mente, você recomeça do 01. Esta é
uma boa maneira de perceber o quanto nossas mentes estão ocupadas e também ajuda manter
o foco na respiração.

Zuisoku (Observando e seguindo as respirações): Nesta forma de samatha, em vez de contar as


respirações, simplesmente 'observe-as’. Esta é uma forma de conscientização sem nenhuma
análise. Você é o observador da sua respiração completa. Isso é bem mais sutil do que contar as
respirações, por isso, não é recomendada para iniciantes.

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Shisoku ( Parando a respiração e Ajuste da respiração): Após adquirir experiência em contar ou


observar a respiração, comece a ajustar sua respiração. Chih-i descreve quatro tipos de
respirações: ventosa, desigual, comum e sutil. A respiração ventosa é caracterizada como
respiração "grande" e barulhenta. A respiração irregular é caracterizada como irregular. A
respiração comum é rasa. A respiração sutil é caracterizada como fraca e intangível, porém, é
profunda e firme, a ponto de você sentir como se não estivesse respirando. É a respiração sutil
que se busca. Quando isso é conquistado, é possível permanecer em absorção meditativa
(Samadhi). (Existem outros elementos para 'entrar' em meditação, que não abordarei aqui e
envolvem ajustes adicionais da mente e do corpo.)

PERMANÊNCIA
Entrando em Vipasyana

Kansoku ( Observando a respiração): Com a mente calma e permanecendo em silêncio, comece


a visualizar a respiração entrando e saindo do corpo. Observe a respiração como uma luz branca
brilhante, entrando primeiro pelas narinas e preenchendo todas as células dentro do corpo. Em
seguida, observe a respiração preencher e penetrar todas as células do seu corpo e, por sua vez,
essa luz branca fazendo parte de tudo, percebendo a igualdade do vazio de tudo. Isto é praticado
por algum tempo.

Kansoku ( Retornando à respiração): A mente está agora sintonizada com a respiração e os


ambientes, até o ponto em que a dualidade da 'respiração' e 'ambientes', de 'eu' e 'outro'
desaparecem, retornando a mente à 'verdadeira realidade'. Assim, a mente e a respiração não
são duas, a mente reflui e flui como a respiração. Ao entender isso, percebemos que esse fluxo
e refluxo não tem começo nem fim. É, e ainda não é, ao mesmo tempo. Esta é a Verdade do
Meio (Chu ) para a qual estamos "voltando".

Jōsoku (Refinando a respiração): Agora, a mente está livre de pensamentos, de discriminações,


está imóvel e sutil como a respiração, observando claramente a verdadeira realidade. (Essas seis
etapas estão descritas no “Liu miao men” de Chih-i, em japonês ‘Roku myomon, Os Seis Portões
para o Sublime').
SAÍDA

Tão importante quanto tudo o que foi dito acima, é 'sair' da meditação. Mais uma vez, isso é
algo frequentemente ignorado e não deveria ser. Sair indevidamente, faz com que a mente fique
nublada e perturbada, o corpo fique lerdo e também pode causar males físicos, tais como dores
de cabeça. É como acordar de um sono profundo, portanto, deve ser feito devagar e com
cuidado.

Primeiro, traga a mente de volta à respiração, abrindo a boca e visualizando a respiração


dispersar e a energia ser espalhada em todas as direções. Faça três respirações profundas para
acordar. Então, comece a mover o corpo bem devagar e levemente, começando com os dedos
das mãos, os dedos dos pés e depois a cabeça, os ombros e o pescoço. Esfregue as mãos para
aquecê-las e coloque as sobre os olhos. Toque suavemente os olhos, como se estivesse
acordando de um sono profundo. Em seguida, toque a cabeça, o pescoço e os ombros. Por fim,
estique as pernas para a frente, liberando qualquer rigidez e massageie as pernas e os
pés. Levante-se e alongue todo o corpo. Tendo saído da meditação corretamente, você estará
pronto para ir quando quiser.

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RESUMO

Estas etapas de preparação, de regulação de alimentos, sono, corpo, respiração e mente, e


entrando, permanecendo e saindo da meditação estão descritas nos textos de meditação T'ian
T'ai por Chih-i. Recomendo a qualquer meditante sério ou curioso que leia esses textos, caso
minhas simples explicações não lhes faça justiça.

Também é importante obter conselhos de um professor qualificado quando for adotar


quaisquer práticas sérias de meditação. Estes passos podem parecer fáceis de seguir, mas
devem ser feito lentamente, por longo período de tempo. Um professor qualificado poderá
orientá-los e avisá-los quando vocês estiverem prontos para dar o próximo passo.

Quando essas etapas estiverem dominadas, elas se tornam uma meditação única, em vez de
sequencial. Assim, a prática se torna 'Perfeita e Repentina' e pode ser feita a cada momento
('nem sentado nem andando').

(**) Cinco Agregados (em sânscrito Skandhas) que compõem um ser ou individuo a saber:
1.matéria (corporalidade) 2. sensação 3. percepção 4. formação mental 5. consciência
(fonte Ensinamentos do Buda por Nisshin Coen)