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RESENHA

“Sob o domínio do medo: a Guerra Fria (1945-1989)

MACAÉ
SETEMBRO DE 2010
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 02

2. CAPÍTULO 31 ................................................................................................................... 02
2.1 Os dois blocos e as estratégias de dominação ............................................................... 02
2.2 Guerras e Revoluções no contexto da Guerra Fria ....................................................... 03
2.3 Descolonização da Ásia e da África ............................................................................. 04

3. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 06

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 06

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho pretende apresentar as principais características do período da Guerra Fria, as


principais guerras e revoluções envolvidas nesse contexto, além de discorrer sobre a descolonização
da África e da Ásia.

2. CAPÍTULO 31

2.1 Os dois blocos e as estratégias de dominação

A Guerra Fria foi um período que durou de 1945 a 1989 no qual viveu-se à sombra de
batalhas nucleares globais. Nessa época havia um perigo iminente, sendo que, se houvesse
confronto direto, não existiriam vencedores no final, pois todos sairiam perdendo.
Foram formados dois blocos antagônicos:
➢ Bloco Capitalista – representado pelos Estados Unidos, tendo como apoio militar a
Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan);

➢ Bloco Socialista – representado pela União Soviética, sendo suas atividades militares
dirigidas pelo Pacto de Varsóvia.

O mundo ficou dividido em duas partes, em áreas de influência capitalista e socialista. Onde
os países representantes de cada bloco tinham controle direto dos países, sendo comum a
interferência militar em casos de dissidência.
A frase “Guerra Impossível, Paz Improvável” explica exatamente a Guerra Fria, ou seja, o
confronto direto não era possível devido ao poder bélico dos países envolvidos e a paz não era
provável, devido ao antagonismo ideológico.
Foram desenvolvidas duas políticas:
➢ Corrida armamentista – os gastos militares eram justificados pela necessidade de armas mais
poderosas para se protegerem;

➢ Corrida espacial – a rivalidade ultrapassou esse plano e se projetou no espaço


interplanetário. Cada conquista no espaço era motivo de propaganda.

PLANO MARSHALL E MACARTHISMO

Em 1947, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, definiu a postura de seu país em
relação à União Soviética. Essa política foi denominada Doutrina Truman, ela representava auxílio
aos países que resistissem às pressões comunistas. O Plano Marshall era um programa de ajuda
econômica, na qual eram feitos investimentos, empréstimos e doações de alimento para a
recuperação dos países abalados pela Segunda Guerra Mundial.
O Plano Marshall pretendia garantir aliados para o bloco capitalista.
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A propaganda foi uma arma utilizada pelos dois blocos, enquanto os soviéticos falavam
sobre as “injustiças do modo de vida capitalista”, os capitalistas denunciavam o “perigo vermelho”.
No final da década de 1940, o senador republicano Joseph MacCarthy transformou a
perseguição aos possíveis inimigos internos em uma guerra ideológica, que foi denominada
macarthismo.
A atuação do Comitê de Atividades Antiamericanas presidido pelo senador MacCarthy
fraudava investigações, forjava acusações, lembrando a própria Inquisição Católica. Qualquer
pessoa que gerasse uma mínima suspeita, era classificada como comunista, sendo um traidor da
nação. Pessoas eram investigadas, podiam ser presas ou perderem seus empregos.

2.2 Guerras e Revoluções no contexto da Guerra Fria

Apesar do conflito direto não ter ocorrido, houveram diversas guerras e revoluções
relacionados direta ou indiretamente com o conflito em todo o mundo.

REVOLUÇÃO CHINESA (1949)

A China foi muito explorada pelo imperialismo. Mesmo depois de ter proclamado a
República, as reivindicações das classes populares não foram atendidas, permitindo a continuidade
da exploração imperialista e mantendo os conflitos sociais. O Partido Comunista Chinês (PCC) era
o principal grupo de oposição ao Partido Nacionalista.
Com a perseguição do governo, os comunistas precisaram se refugiar na área rural, onde
criaram Ligas Camponesas e um exército popular. Em 1934, foi iniciada a Longa Marcha, visando
difundir os ideais revolucionários.
Em 1946, o governo se aliou aos Estados Unidos, fazendo com que a população apoiasse a
revolução comunista. Em 1949, foi criada a República Popular da China. Com a morte de Mao Tsé-
tung, o general nacionalista Chiang Kai-shek e seus seguidores se refugiaram na Ilha de Taiwan
(Formosa), fundando a República Nacionalista da China, capitalista e aliada aos Estados Unidos.
O governo revolucionário adotou medidas visando reconstruir a economia, reforçando a
coletivização terrar e incrementando a produção agrícola, por exemplo.
A República Popular da China representou um grande reforço político ao bloco comunista,
apesar de anos depois haver o rompimento com a União Soviética, os novos dirigente
desenvolveram uma política imperialista.
Em 1966, Mao Tsé-tung implantou a Revolução Cultural Proletária, que pretendia banir as
idéias e costumes burguese, destruindo tradições milenares chinesas.
Na década de 1970, a China reatou relações diplomáticas e comerciais com o Ocidente e,
gradativamente, voltou a adotar práticas de caráter capitalista.
Porém, não houve abertura política, pois o Estado continua tomando as decisões, sem aceitar
questionamentos e sem permitir a liberdade de pensamento e opinião.

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GUERRA DA CORÉIA (1950 – 1953)

Em 1945, com a derrota do Japão na segunda Guerra Mundial, a Coréia (antigo domínio
japonês) foi ocupada por Estados Unidos e União Soviética. A coréia foi então dividida em duas
áreas de influência: ao norte do paralelo 38º norte foi estabelecida a República Democrática Popular
da Coréia (comunista) e ao sul a República da Coréia (capitalista). Essa divisão forçada não agradou
a nenhum dos lados e, em 1950, A Coréia do Norte atacou a Coréia do Sul.
A ONU enviou tropas internacionais, por pressão dos Estados Unidos. Os soviéticos apenas
auxiliaram militarmente, sem envolvimento direto. A China enviou tropas à região temendo que o
conflito se transferisse para este país, foi então que os Estados Unidos, temendo o agravamento do
conflito, decidiu negociar a paz. Em 1953, foi assinado o armistício que confirmou a divisão da
Coréia, feita em 1948. Porém, os dois países vivem em estado de beligerância.

GUERRA DO VIETNÃ (1963 – 1973)

O Vietnã se tornou independente da França em 1954, sendo formados dois países: o Vietnã
do Norte, república socialista, e o Vietnã do Sul, uma ditadura militar apoiada pelos Estados
Unidos. Após a independência, o país do norte promoveu uma ampla reforma agrária.
Em 1960, os comunistas do país do sul organizaram a Frente de Libertação Nacional (FLN),
visando a unificação dos dois países sob o regime socialista do norte. A FLN criou um grupo
armado, o exército vietcongue, iniciando uma guerra civil para acabar com o governo militar. Com
receio de perder um aliado, os Estados Unidos interferiram na guerra e passou a lutar contra os
vietcongues.
O conflito terminou com a assinatura do Acordo de Paris, em 1973. E acordo representava
uma derrota para o exército norte-americano e, após a saída das tropas estrangeiras, a guerra civil
recomeçou, com a vitória do norte. Em 1976, o Vietnã foi reunificado sob o regime comunista, com
capital em Hanói.

2.3 Descolonização da Ásia e da África

Diversos fatores, como a rejeição dos colonizados à presença dos colonizadores, revoltas
geradas pela diferença das condições de vida vida entre colonizadores e colonizados, o avanço de
doutrinas socialistas, a derrota do nazifascismo e o enfraquecimento dos países imperialistas, foram
responsáveis pela descolonização da Ásia e da África.
Em 1955, houve na Indonésia a Conferência de Bandung, com representantes de países
independentes da Ásia e da África, na qual condenava a ação imperialista e ajudava a acelerar o
movimento de independência das colônias. Surgiu então o bloco dos países não-alinhados (o
chamado Terceiro Mundo), formado por países pobres e que condenavam o colonialismo e a corrida
armamentista.

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ÍNDIA

A Índia era um protetorado britânico. Ao passo que a Inglaterra tinha muita fartura, a Índia
vivia em estado de miséria. As rebeliões eram facilmente reprimidas pelos ingleses, portanto
Gandhi propôs uma ação de desobediência civil e não-violenta, visando inviabilizar os
empreendimentos ingleses em solo indiano e forçar a descolonização.
Gadhi conseguiu reunir todas as classes, formando um movimento nacional que indicava
como irreversível a independência da Índia.
Em 1947, foi concretizada a independência. Para evitar guerras civis por diferenças étnicas e
religiosas, foram criados três Estados: A Índia (hinduísta), o Paquistão (muçulmano) e o Ceilão
(atual Sri Lanka, budista).

ARGÉLIA

A Argélia era uma colônia francesa de maioria muçulmana desde 1842. Foi organizada no
meio rural a Frente de Libertação Nacional (FLN), que depois se estendeu às cidades. O governo
francês, pressionado pela opinião pública, abriu negociações com a FLN e então foi assinado o
Acordo de Évian, em 1962, que determinava a independência argelina.
A Argélia passou a ser governada pelos integrantes da FLN sob o regime socialista. Em
1965, o país entrou no bloco soviético mas, em 1978, começou a se reaproximar do bloco
capitalista. No início da década de 1990, com o surgimento do partido fundamentalista islâmico
(Frente Islâmica de Salvação), iniciou-se uma guerra civil em que se opõem as facções pró-
Ocidente e os islâmicos pró-Irã.

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

Até 1960, a atual República Democrática do congo pertencia à Bélgica (Congo Belga). Em
1959, a população se rebelou exigindo autonomia e valorização da sua cultura.
Em 1960, a independência foi conquistada, porém não a paz. Devido a partilha da África
pelos europeus, as diferenças étnicas ainda não foram superadas, o que compromete a economia e a
estabilidade do país.

ANGOLA E MOÇAMBIQUE

O processo de independência de Angola e Moçambique, ex-colônias de Portugal, se deu na


década de 1970.
Em Angola, o movimento de independência foi liderado por três grupos políticos, um deles
era apoiado pela União Soviética e os outros dois recebiam suporte dos Estados Unidos, Inglaterra e
África do Sul. Apesar do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA) ter assumido o
poder, este não conseguiu o controle político, devido a União Nacional para a Independência Total

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de Angola (Unita) ter iniciado um conflito armado. A guerra civil se prolongou, sendo a Unita
apoiada pelos Estados Unidos e o MPLA pela União Soviética.
Com o fim da Guerra Fria, foram convocadas novas eleições, vencidas pelo MPLA, porém
ainda houveram impasses até 1994, quando Nelson Mandela interveio nas negociações. E, em 2002,
foi negociado um acordo de paz.
O processo de independência em Moçambique se iniciou em 1960. Em 1962, foi fundada a
Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) de tendência socialista. Em 1975, após o fim da
ditadura em Portugal, Moçambique foi declarado independente, sob comando socialista. Houve
resistência nos anos que se seguiram por parte da Resistência Nacional Moçambicana (Remano),
apoiada pelos Estados Unidos. Com o fim da Guerra Fria, os conflitos enfraqueceram e houve a
abertura econômica do país.

3. CONCLUSÃO

O presente trabalho permitiu a compreensão das principais características da Guerra Fria,


bem como os acontecimentos relacionados ao conflito. Foi explicada também a descolonização da
Ásia e da África, sendo ressaltados fatos relevantes a esses processos.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PETTA, Nicolina Luiza de., OJEDA, Eduardo Aparicio Baez. e DELFINI, Luciano.
História: Uma Abordagem Integrada. Ed. Moderna. São Paulo: 1a. ed. 2005.

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