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Sessão 4 – O Modelo de Auto – Avaliação das

Bibliotecas Escolares: metodologias de


operacionalização (parte I)
“A biblioteca escolar constitui um contributo
essencial para o sucesso educativo, sendo um
recurso fundamental para o ensino e para a
aprendizagem”(Modelo de Auto-avaliação).

Para avaliar o impacto que as actividades realizadas pela


BE vão tendo no processo de ensino aprendizagem, bem
como o grau de eficiência dos serviços prestados e da
satisfação dos utilizadores da BE foi criado, à semelhança
de outros países europeus, o actual modelo de auto-
avaliação das bibliotecas escolares. Assim, para além da
tradicional avaliação às instalações, equipamentos,
colecções, etc. – inputs -, às actividades e serviços –
processos – e às visitas à biblioteca, empréstimos,
materiais produzidos, etc. – outputs – “o modelo de auto-
avaliação das bibliotecas escolares procurou orientar-se
sobretudo segundo uma filosofia de avaliação baseada em
outcomes (impactos) e de natureza essencialmente
qualitativa(...)”, “procurando reflectir as actuais tendências
em torno do sucesso educativo e da melhoria dos
resultados” (Texto da Sessão).

“O propósito da auto-avaliação é apoiar o


desenvolvimento das bibliotecas escolares e
demonstrar a sua contribuição e impacto no ensino e
aprendizagem, de modo a que ela responda cada vez
mais às necessidades da escola no atingir da sua
missão e objectivos. A avaliação deve ser encarada como
uma componente natural da actividade de gestão da
biblioteca, usando os seus resultados para a melhoria
contínua, de acordo com um processo cíclico de
planeamento, execução e avaliação.”( Texto da
sessão).
No entanto, se não forem criadas medidas para que em
cada escola, haja as condições necessárias para pôr em
prática esta auto-avaliação, muito dificilmente os
professores bibliotecários poderão contornar os inúmeros
entraves que diariamente se lhes apresentam.

A)Selecção de um domínio / subdomínio

DOMÍNIO B – Leitura e Literacia

A escolha deste domínio prendeu-se com os seguintes


aspectos:

 Em primeiro lugar pelo facto de no meu


agrupamento não ter sido ainda seleccionado o
domínio a avaliar;

 Não tenho qualquer experiência em BE, visto que


me encontro pela 1ª vez no cargo de PB;

 Sou coordenadora de duas bibliotecas do 1º ciclo,


uma delas recém- inaugurada, a outra com um
historial um pouco complicado, tendo sido mais os
anos em que não funcionou do que aqueles em que
funcionou;

 Penso que este domínio é “fraco “ na biblioteca e,


por isso, deverá ser analisado para poder, de uma
forma mais segura , implementar melhorias;

 Os hábitos de colaboração entre os vários docentes


e entre os diferentes ciclos e escolas são ainda
muito reduzidos. Sinto isso mesmo ao nível dos
professores bibliotecários do agrupamento. Dá-me
um pouco a sensação que cada qual se vai “
desenrascando” como sabe e pode;
 As potencialidades da BE também ainda não são
reconhecidas pelos alunos e (atrevo-me a dizer) por
todos os elementos envolvidos no sucesso
educativo.

Pelas razões apresentadas, pelo facto de eu ser


professora de Português e considerar de extrema
importância desenvolver hábitos de leitura nos nossos
alunos e também porque já realizei algumas
actividades com o objectivo de promover a leitura, a
minha escolha recai neste domínio.

B)Selecção de indicadores

B1- Trabalho da BE ao serviço da promoção da leitura

B3- Impacto da BE nas atitudes e competências dos


alunos no âmbito da leitura e literacia.

PLANO DE AVALIAÇÃO
A auto-avaliação é essencial para melhorar a BE, no seu
todo, para a avaliação da escola, mas principalmente para a
melhoria dos resultados dos alunos. Para atingir este
objectivo, “O modelo de auto-avaliação das bibliotecas
escolares deve estar, deste modo perfeitamente
contextualizado e ancorado na escola e no diálogo que a
biblioteca tem de estabelecer com ela e com a
comunidade…” ( Texto da sessão).
A avaliação deverá ser desenvolvida em três momentos ou
fases.

A 1ªfase consiste na preparação/planificação. Como eu


já referi num trabalho anterior, durante muitos anos a
biblioteca foi vista (não sei se ainda não será em algumas
escolas) como um depósito de livros , um lugar de castigo.
Essa ideia tem vindo a modificar-se mas o facto é que,
embora se vá trabalhando a leitura, não se faz de modo
compartilhado, colaborativo, de forma a ir de encontro à
missão e objectivos da escola/agrupamento. Desenvolver a
competência da leitura exige um esforço de todos os
intervenientes do processo ensino/aprendizagem, não só os
internos à escola, mas também os externos, como os
encarregados de educação e as próprias Bibliotecas
Municipais.

A 2ª fase será a fase da execução e consistirá na recolha


de evidências.

Por último far-se-á a análise dos resultados com as


respectivas conclusões, elaborando o relatório final de
avaliação (final do ano).
Plano de avaliação

Indicadores Factores Evidências/Instrum Calendarizaçã Intervenientes Constrangimento


críticos de entos o s
sucesso

B.1- Trabalho - A BE incentiva - Análise da


da BE ao o empréstimo frequência de
serviço da domiciliário; requisição Final de cada Pouca
promoção da domiciliária através período de Equipa da disponibilidade de
- Desenvolve acordo com a tempo
leitura de registos avaliação
estratégias de disponibilidade
efectuados para o
partilha e das informações
efeito;
envolvimento necessárias para
dos pais - Estatísticas da Professores
o estudo( no
/encarregados utilização da BE; meu caso este A informação pode
de educação. período tenho ser insuficiente
- Registo das
poucas Enc. De
-Desenvolve actividades
informações) Educação
actividades do realizadas;
PNL
- Questionários aos
- Desenvolve docentes, alunos e Alunos
outras encarregados de
actividades no educação;
âmbito da
promoção da
leitura(blog, A indisponibilidade
jornal escolar) de muitos pais
impede o
- Promove
envolvimento nas
encontros com
actividades
escritores;
promovidas pela BE

B.3- Impacto Os alunos usam Análise dos trabalhos


do trabalho os livros e a BE pelos alunos nas
da BE nas para lerem de actividades Equipa de Os resultados
atitudes e forma realizadas entre a BE avaliação nunca poderão ser
competências recreativa, para e os professores 3º período tratados como um
dos alunos no se informarem valor absoluto,
âmbito da ou para dado o pouco
leitura e realizarem 02- grelha de tempo de
literacia trabalhos observação implementação do
escolares -participação em processo.
actividades de leitura
Participam
activamente em
diferentes
actividades QA2- questionário aos
associadas à alunos
promoção da
QP2- questionário aos
leitura.
professores

Tratamento dos
Final do 3º
dados
período
Comunicação dos
resultados

Nota – A avaliação do impacto será ainda muito difícil de ser medida, pois não será com uma ou
duas actividades que os alunos frequentem que conseguem modificar os seus hábitos de leitura. È
necessário um trabalho constante(contínuo e gradual) e diversificado que seja efectuado pelos”
parceiros”que promovem o sucesso educativo dos alunos.

Creio que só a avaliação permitirá melhorar as nossas acções uma vez que ela nos dá a resposta
das nossas práticas.

“A auto-avaliação pode potenciar, mediante determinadas condições (grupos de escolas com as


mesmas características; articulação da actividades de avaliação nos mesmos tópicos, aplicação
dos mesmos métodos e instrumentos; etc.) a partilha e estabelecimento de actividades de
benchmarking externo em determinados aspectos, contribuindo para a identificação e
disseminação de boas práticas.” (Texto da sessão).
“A comunicação dos resultados da avaliação empreendida, a análise colectiva e reflexão da
Escola/Agrupamento sobre esses resultados, e a identificação das acções de melhoria dos pontos
fracos identificados é muito importante, de modo a obter o comprometimento e apoio da escola a
essas acções.”(Texto da sessão).

Maria Matos Correia