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Projeto de Extensão e Cultura “Encontros de Literatura”

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro


Escola de Letras da UNIRIO

PLANO DE ENSINO

(Des)atos de leitura: a reescrita do ser mulher em tempos sombrios


“Não tenho a menor dúvida de que descobri como começar (aos 40) a dizer alguma coisa com
a minha própria voz” (​Virginia Woolf, A Woman’s Diary)​

Sala 503
Segundas e Quartas de 16h às 18h (de 01/10 a 31/10)
Professoras: Ayssa Norek e Caroline Façanha
Contato: ​ayssanorek@hotmail.com​ e ​carolinefacanhasm@gmail.com

Ementa
À procura de uma escrita de subjetividade que rompa com a ordem hegemônica
vigente de categorias invisíveis socialmente instauradas, buscou-se ​desatar nós (e, ainda,
desatar-nos desse padrão hegemônico) em exercícios de leitura que questionem o mito do
padrão silencioso e da neutralidade, na mesma medida em que convida à agência de si.

Eu digo que a catástrofe é uma resposta porque acredito que o clichê é uma questão.
1
[​Variations on the Right to Remain Silent , Anne Carson, tradução nossa]

O que essa pergunta revela sobre nosso sistema de crenças e, mais ainda, sobre as
percepções que permeiam o imaginário feminino? O que ela revela sobre a nossa cultura? O
que transborda?
A catástrofe é necessária para nos lembrar de que a dissolução se refere a uma
representação do mundo e não o mundo em si; que a catástrofe se trata da dissolução do
mundo como o conhecemos, porque o mundo nada mais é que uma percepção bastante
particular. E a serviço de quem trabalha essa percepção?

1
​http://poems.com/special_features/prose/essay_carson.php

Plano de ensino sujeito a alterações


Nesse sentido, o que está em jogo é o exercício de desembaraçar-se de um tipo de
olhar e de suas demandas e, em última instância, assumir outro olhar. É dar as costas a uma
2
série de ​categorias ornamentais e adquirir uma espécie de incredulidade indisciplinada.
3
O objetivo, portanto, é reescrever essa história a contrapelo , isto é, reescrever a
representação do feminino a contrapelo, ato que constitui-se em exercício diário, em
(des)atos, numa luta interdisciplinar que aqui comparece numa tríade: a Literatura, a História
e o Teatro.
O segundo momento do curso é um convite ao fazer dos alunos e, por isso, será
composto por uma via de caminhos crítico-teóricos e artísticos de cunho experimental,
buscando dar forma ao que foi apresentado no ato de leitura. O exercício será composto de
experimentações fictícias, em contágio com as leituras feitas durante o curso, em que há a
oportunidade de resgatar certas leituras e ressignificar seus conteúdos.
Propõe-se, então, que os alunos arrisquem uma produção que leve em consideração as
discussões teórico-práticas apresentadas em sala, mobilizando temas e conceitos trabalhados
até a última aula do curso. Essa produção pode ser realizada em qualquer formato, desde o
teórico-conceitual, até o artístico de cunho experimental, mas deve envolver -
obrigatoriamente - a escrita de mulheres. O trabalho deverá ser entregue até na última aula
(dia 27 de novembro) e será disponibilizado no ​blog da disciplina, mediante a autorização dos
alunos.
O curso busca, por fim, se afastar de uma chamada pedagógica, quase didática de
“como ler” e “o que ler”. Ainda assim, existem muitos questionamentos de como um
pesquisador escolhe chamar atenção a certos fenômenos, em especial no que tange àqueles
mais suscetíveis a receberem de braços abertos, desmunidos de qualquer filtro, esquemas de
pensamento de vida hegemônica com ordens e regras que aprisionam e cerceiam a
proliferação de outras vozes. Nesse sentido, qual a posição e o limite de um pesquisador que
busca se afastar disso, sem produzir no processo uma voz igualmente imperativa?

Conteúdo Programático

01/10 ​- Apresentação da disciplina

2
Conceito apresentado por Virginia Woolf em "Um teto todo seu" (1985, 1989, 2014).
3
Escovar no sentido contrário dos pelos.

Plano de ensino sujeito a alterações


Bibliografia​:
BEARD, Mary. ​A voz pública das mulheres​. In: Mulheres e Poder: um manifesto. São
Paulo: Planeta do Brasil, 2018, pp. 13-54.
BLANCHOT, Maurice. ​A Conversa Infinita 2: a experiência limite​. Tradução: João Moura
Jr. São Paulo: Escuta, 2000.

BUTLER, Judith. ​A vida psíquica do poder: teorias da sujeição. ​Autêntica Editora, 2017.

EAGLETON, Terry. ​Teoria da Literatura: uma introdução. ​São Paulo: Martins Fontes,
2006, pp. 19-21.

03/10​ - Virginia Woolf e as categorias de um mundo invisível (parte 1)


Bibliografia​:
​ ênero: uma categoria útil de análise histórica. In: Educação &
SCOTT, Joan Wallach. G
realidade. Porto Alegre Vol. 15, n. 2 (jul./dez. 1990), p. 5-22.
WOOLF, Virginia. ​Um teto todo seu​. Rio de Janeiro: Tordsilhas, 2014.

08/10​ - Virginia Woolf e as categorias de um mundo invisível (parte 2)


​ ênero: uma categoria útil de análise histórica. In: Educação &
SCOTT, Joan Wallach. G
realidade. Porto Alegre Vol. 15, n. 2 (jul./dez. 1990), p. 5-22.
WOOLF, Virginia. ​Um teto todo seu​. Rio de Janeiro: Tordsilas, 2014.

10/10 ​- Ana Cristina César e a representação do feminino como rosa amargo na poesia
Bibliografia​:
Poema "Ameno Amargo" de Ana Cristina César -
https://www.facebook.com/266319470052191/posts/%22ameno-amargo%22-n%C3%B3s-do
-mesmo/621907047826763/
CESAR, Ana Cristina. ​Literatura e mulher: essa palavra de luxo e riocorrente: depois de
Eva e Adão. ​In: Catálogo "Mostra de Cinema: Mulheres em Cena" do CCBB.
https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/50012585/Mulheres_em_cena_-_Catalo
go.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A&Expires=1537152833&Signatu

Plano de ensino sujeito a alterações


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%20filename%3DMulheres_em_Cena_-_Catalogo.pdf#page=22

15/10​ - Anna Cristina César, Katherine Mansfield e a tradução


CESAR, Ana Cristina. ​Escritos da Inglaterra​. In: Crítica e Tradução. São Paulo:
Companhia das Letras, 2016.
HERRÁN, Teresa Leonardi. ​Pele de mulher, máscara de homem. In: Catálogo "Mostra de
Cinema: Mulheres em Cena" do CCBB.

17/10​ - Anne Carson e Clarice Lispector: traduzir o silêncio em grito (parte 1)


A. Carson, in Anne Carson (trans.) and illustrated by Bianca Stone. ​Antigonick/ Sophokles
(New York: New Directions, 2012).
SÓFOCLES. ​Antígona​. In: Vieira, Trajano e Almeida, Guilherme de. Três tragédias gregas.
São Paulo: Perspectiva, 1997. Tradução de Guilherme de Almeida.
LISPECTOR, Clarice. ​A pecadora queimada e os anjos harmoniosos​. In: Todos os Contos.
Rio de Janeiro: Rocco, 2016.

22/10 ​- Anne Carson e Clarice Lispector: traduzir o silêncio em grito (parte 2)


A. Carson, in Anne Carson (trans.) and illustrated by Bianca Stone Antigonick/ Sophokles
(New York: New Directions, 2012).
SÓFOCLES. ​Antígona​. In: Vieira, Trajano e Almeida, Guilherme de. Três tragédias gregas.
São Paulo: Perspectiva, 1997. Tradução de Guilherme de Almeida.
LISPECTOR, Clarice. ​A pecadora queimada e os anjos harmoniosos​. In: Todos os Contos.
Rio de Janeiro: Rocco, 2016.

24/10​ - Escrever Resistências: a fala documental e a "A Lira dos 20 anos"


PIASSI, Vinicius Alexandre R. ​Ditadura, pretérito imperfeito: um passado que não
passou sob o foco das câmeras de Lúcia Murat​. In: Catálogo "Mostra de Cinema:
Mulheres em Cena" do CCBB.
https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/50012585/Mulheres_em_cena_-_Catalo
go.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A&Expires=1537152833&Signatu

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Trecho do documentário "Que Bom te Ver Viva" de Lúcia Murat -
https://www.youtube.com/watch?v=EAD3Mf4aXuE
Trecho da peça "A Lira dos 20 anos" - ​https://www.youtube.com/watch?v=Wk5Ca1p3578

29/10 - "A Lira dos 20 anos" do núcleo Mergulho no Musical da Casa das Artes de
Laranjeiras

31/10 ​- Conclusão do curso, entrega e leitura dos trabalhos finais

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