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Teste de Biologia e Geologia 2017-2018

11.º ano

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

GRUPO I

A transferência horizontal, ou lateral, de genes (LGT) corresponde ao movimento direto de DNA


entre dois organismos.
Quase todos os genomas bacterianos mostram evidências de ter ocorrido transferência lateral de
genes (LGT) ao longo da sua evolução.
A LGT não está confinada às bactérias. Foram reconhecidas transferências de material genético
de micróbios para plantas, fungos e animais. Estão ainda documentadas situações de LGT de fungos para
insetos e de algas para lesmas-marinhas.
No genoma humano encontram-se documentadas dezenas de possíveis episódios de
transferência lateral de genes.
As inserções no genoma humano de genes provenientes de LGT podem ser causadoras de
doenças. Por exemplo, 80% dos casos de cancro do colo do útero são causados pelo vírus do papiloma
humano (HPV). O vírus tem a capacidade de integrar o seu material genético nas células do colo do útero.
Algumas proteínas do HPV são capazes de interferir nos processos de apoptose e de proliferação celular,
podendo conduzir ao cancro.
Da mesma forma, o vírus da hepatite B, ao inserir alguns dos seus genes nas células do fígado,
podem desencadear processos que conduzem ao cancro.
Tendo em consideração o elevado risco da transferência lateral de genes poder conduzir ao
desenvolvimento de doenças, várias equipas de investigadores têm procurado identificar situações de LGT
de DNA bacteriano no genoma humano.
Uma equipa da Universidade da Geórgia identificou integrações da bactéria Helicobacter pylori em
36 genes de células gástricas, tendo verificado a existência de maior número de integrações nos tumores
do que nas amostras-controlo.

Fig. 1 – A transferência de DNA bacteriano para células somáticas humanas pode conduzir à
transformação de células normais em células cancerosas.

adaptado de http://www.the-scientist.com/?articles.view/articleNo/47125/title/Bacteria-and-Humans-Have-
Been-Swapping-DNA-for-Millennia/

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1. Na espécie humana, os cancros associados a LGT resultam de material proveniente
(A) apenas de bactérias.
(B) apenas vírus.
(C) micróbios, fungos e plantas.
(D) vírus e bactérias.

2. O fenómeno de transferência lateral de genes ocorre


(A) exclusivamente entre organismos da mesma espécie.
(B) entre organismos da mesma espécie de uma geração para a seguinte.
(C) entre organismos de diferentes espécies de uma geração para a seguinte.
(D) entre organismos que coexistem num dado momento.

3. A transferência lateral de genes


(A) conduz invariavelmente ao surgimento de células cancerosas.
(B) pode conduzir a alterações nos processos de proliferação celular nos organismos
recetores.
(C) tem como consequência o aumento da variabilidade genética do emissor.
(D) conduz invariavelmente ao surgimento de novas espécies.

4. Os estudos relativos à relação entre Helicobacter pylori e o cancro do estômago permitem


(A) concluir que o cancro do estômago resulta da inserção de material genético de H. pylori
nas células gástricas.
(B) concluir que todas as células tumorais apresentam inserções de material genético de H.
pylori.
(C) estabelecer uma correlação entre o número de inserções de material genético de H. pylori
e o surgimento de células cancerosas.
(D) concluir que existe um menor número de inserções de material genético de H. pylori nas
células tumorais do que nas células-controlo.

5. O DNA bacteriano difere do DNA humano pelo facto de


(A) não se associar a histonas.
(B) possuir uracilo em substituição do nucleótido timina.
(C) não estar envolvido no processo de transcrição.
(D) não possuir genes.

6. A sequência cronológica correta de etapas que conduzem à formação de proteínas é


(A) processamento, transcrição, ligação do mRNA ao ribossoma.
(B) transcrição, ligação do mRNA ao ribossoma, formação de ligações peptídicas.
(C) tradução, ligação do mRNA ao ribossoma, formação de ligações peptídicas.
(D) processamento, ligação da RNA polimerase ao DNA, tradução.

7. Faça corresponder cada uma das descrições presentes na coluna A com o termo que
consta da coluna B.
Coluna A Coluna B
(a) Molécula de RNA associada a vários (1) Codão
ribossomas. (2) Anti-codão
(b) Sequência de nucleótidos que sofre (3) Intrão
transcrição, mas não é traduzida. (4) Exão
(c) Sequência de três nucleótidos do (5) Polissoma
mRNA.

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8. A exposição de populações bacterianas a um determinado antibiótico é, normalmente,
acompanhada pelo desenvolvimento de estirpes resistentes a esse fármaco.
O uso excessivo de antibióticos e a sua eliminação para o meio ambiente tem conduzido ao
aumento de bactérias resistentes a vários tipos de antibióticos (multirresistentes) constituindo
uma das mais graves ameaças à saúde comunitária e individual.
Explique em que medida a transferência lateral de genes pode contribuir para a rápida
proliferação da resistência a antibióticos, mesmo em bactérias que nunca estiveram em
contacto com estes fármacos.

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GRUPO II

A radiação solar e a radiação nuclear são importantes agentes mutagénicos capazes de causar
graves lesões no material genético.
Deinococcus radiodurans é uma bactéria extraordinariamente resistente a agentes mutagénicos,
nomeadamente à radiação ionizante, tendo adquirido a capacidade de reparar eficazmente o seu DNA
danificado. Estas bactérias são capazes de resistir a breves exposições de 10 000 Gray (Gy) ou a
exposições contínuas de 50 Gy/hora. (Uma dose de 5 Gy é letal para o ser humano).
Na tentativa de compreender como é que D. radiodurans sobrevive às elevadas doses de
radiação, M. J. Daly e os seus colaboradores cultivaram esta bactéria em três meios com diferentes
concentrações do ião manganês (Mn): 50 nM, 100nM e 250 nM. À medida que ocorria o crescimento das
bactérias, estas incorporavam o Mn do meio.
Posteriormente, bactérias provenientes de cada um destes meios foram inoculadas em diferentes
zonas de placas de Petri, as quais continham meios com baixa ou elevada concentração de Mn.
De seguida, expuseram algumas dessas placas a 50 Gy/hora de radiação ionizante.
Após um período de crescimento observaram os resultados.

Nota: Gray (Gy) – unidade S.I. que representa a quantidade de radiação absorvida por unidade de massa
(1Gy=1J/kg)

adaptado de Brooker et al.. (2008). Biology. McGraw-Hill. International Edition.

Fig. 2 - Experiência de M. J. Daly e colaboradores (2004).

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1. A hipótese subjacente à experiência descrita foi
(A) a acumulação de elevados níveis de manganês ajuda D. radiodurans a proteger-se dos efeitos
da radiação ionizante.
(B) a absorção de manganês por D. radiodurans é induzida pela radiação ionizante.
(C) a radiação ionizante condiciona o crescimento de D. radiodurans.
(D) a exposição de D. radiodurans a radiações equivalentes a 50 Gy/hora conduz à sua morte.

2. É (são) grupo (s) de controlo da experiência


(A) o meio de cultura com concentração de 50 nM de manganês (Mn).
(B) as placas de Petri cujo meio não continha manganês (Mn) e as que não foram irradiadas.
(C) apenas as placas de Petri que não foram irradiadas.
(D) apenas as placas de Petri cujo meio não continha manganês (Mn).

3. Os resultados da experiência permitem concluir que


(A) a absorção de manganês é proporcional ao tempo de exposição aquele ião.
(B) a absorção de manganês é proporcional ao tempo de exposição à radiação ionizante.
(C) quando as concentrações de manganês no meio são baixas, as células são mais afetadas
pela radiação ionizante.
(D) as células que crescem em meios sem manganês não são afetadas pela radiação ionizante,
apresentando, por isso, um elevado crescimento.

4. Pode comprovar-se que a incorporação inicial de elevados níveis de manganês é determinante


para a sobrevivência das bactérias
(A) comparando os resultados das placas 2 e 3.
(B) comparando os resultados das placas 1 e 3.
(C) observando os resultados da placa 2.
(D) observando os resultados da placa 3.

5. Na experiência descrita, é uma variável independente


(A) a concentração intracelular de manganês.
(B) a taxa de absorção de manganês.
(C) a quantidade de radiação absorvida pelas por D. radiodurans.
(D) a concentração de manganês no meio de cultura.

6. Quando D. radiodurans se divide, ocorre replicação ____ do DNA, o que envolve a intervenção da
____
(A) conservativa ... RNA polimerase
(B) semi-conservativa ... DNA polimerase
(C) conservativa ... DNA polimerase
(D) semi-conservativa ... RNA polimerase

7. D. radiodurans é incluído no reino Monera por


(A) possuir ribossomas dispersos no citoplasma.
(B) ser unicelular.
(C) apresentar nucleoide.
(D) possuir parede celular.

8. Explique em que medida os resultados da experiência permitem concluir que quanto mais elevado
for o nível de incorporação Mn pelas bactérias, melhor elas crescem, após serem sujeitas à
radiação.

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GRUPO III

Os mixomicetes, por vezes designados por protistas semelhantes a fungos, são organismos
atualmente incluídos no reino Protista. A sequenciação de DNA permitiu concluir que a aparente
semelhança entre os mixomicetes e os fungos constitui um caso de evolução convergente.
Quando as condições são favoráveis, muitos mixomicetes vivem sob a forma de plasmódio - uma
massa gelatinosa multinucleada, destituída de parede celular, apenas rodeada por uma só membrana
plasmática. O plasmódio desloca-se por movimentos ameboides, resultantes da emissão de pseudópodes.
À medida que se desloca, o plasmódio obtém o seu alimento, fagocitando e digerindo bactérias, leveduras,
esporos de fungos, assim como fragmentos de origem animal e vegetal, continuando assim o seu
crescimento.
Quando as condições se tornam desfavoráveis, o plasmódio transforma-se numa estrutura
frutificante – o esporângio – no interior dos quais se formam esporos.
Após a sua libertação, se as condições forem favoráveis, os esporos podem dividir-se formando
mais células haploides algumas das quais irão funcionar como gâmetas.

baseado em
Campbell et al. (2018). Biology – A global approach. Pearson. New York.
https://www.sciencedaily.com/releases/2008/02/080213133350.htm

Fig. 3 - Ciclo de vida típico de Mixomicetes.

1. A germinação dos esporos resulta diretamente de ____ originado imediatamente células com____.
(A) mitose ... 2n cromossomas
(B) mitose ... n cromossomas
(C) meiose ... 2n cromossomas
(D) meiose ... n cromossomas

2. O plasmódio forma-se na sequência de


(A) meioses sucedidas por citocineses.
(B) mitoses sucedidas por citocineses.
(C) meioses não sucedidas por citocineses.

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(D) mitoses não sucedidas por citocineses.

3. O ciclo de vida representado na figura não pode ser classificado como haplodiplonte, dado que
(A) a meiose não é pré-espórica.
(B) não há alternância de entidades multicelulares haploides com estados multicelulares diploides.
(C) os gâmetas formam-se por meiose.
(D) há alternância de entidades multicelulares haploides com estados multicelulares diploides.

4. Os mixomicetes não podem ser incluídos no reino dos fungos por


(A) não possuírem parede celular e desenvolverem esporângios
(B) possuírem membrana celular e terem núcleo individualizado
(C) não possuírem parede celular e realizarem digestão intracelular
(D) possuírem membrana celular e serem heterotróficos

5. No processo de formação dos gâmetas dos mixomicetes verifica-se


(A) emparelhamento de cromossomas homólogos.
(B) manutenção do número de cromossomas.
(C) redução do número de cromossoma.
(D) formação de núcleos diploides.

6. Face a alterações do meio, a ocorrência de meiose e fecundação terá como consequência


(A) o aumento da variabilidade genética e o aumento do potencial adaptativo.
(B) a redução da variabilidade genética e o aumento do potencial adaptativo.
(C) o aumento da variabilidade genética e a diminuição do potencial adaptativo.
(D) a redução da variabilidade genética e a redução do potencial adaptativo.

7. Os fungos e os mixomicetes terão sofrido pressões seletivas____ o que explica o facto de


possuírem estruturas ____.
(A) semelhantes ... análogas
(B) distintas ... homólogas
(C) semelhantes ... homólogas
(D) distintas ... análogas

8. Dictyostelium discoideum é um mixomicete que, em condições normais, é um organismo


unicelular. Contudo, quando o alimento escasseia, estes indivíduos agregam-se, originando
organismos multicelulares formados por centenas de células que podem diferir geneticamente
entre si.
Explique em que medida estes dados poderão conduzir a uma nova perspetiva, alternativa à
perspetiva mais clássica, sobre o surgimento da multicelularidade.

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GRUPO IV

A sequência aminoacídica de uma proteína resulta da sequência nucleotídica do gene que as


codifica.
Ao longo do tempo surgem mutações genéticas que podem ter reflexo na estrutura das proteínas
por eles codificadas.
Alguns genes apresentam uma taxa de mutação relativamente constante ao longo da evolução, o
que permite que eles, ou os seus produtos, sejam usados como relógios moleculares.
O citocromo c é uma importante proteína da cadeia respiratória, presente na membrana interna
das mitocôndrias, muito usada como relógio molecular. A determinação da sequência dos seus
aminoácidos tem permitido o estabelecimento de relações filogenéticas entre diferentes grupos
taxonómicos.

Fig. 4 - Árvore filogenética baseada da homologia do citocromo c em diferentes taxa.

baseado em AP Biology 1 (2012). Biozone International.

1. Tendo em conta os dados que permitiram construção da árvore filogenética da figura é possível
afirmar que
(A) o cavalo e o burro partilham um menor número de características do que o cavalo e o porco.
(B) o cavalo e o burro partilham um ancestral mais recente do que o cavalo e o porco.
(C) os citocromos dos coelhos e o dos cangurus diferem em cerca de 20 aminoácidos.
(D) os citocromos de Saccharomyces e de Candida krusei possuem apenas 20 aminoácidos
iguais.

2. É possível estabelecer relações de ____ entre os citocromos das espécies estudadas, uma vez
que resultam de uma molécula ancestral ____.
(A) analogia ... diferente
(B) analogia ... comum
(C) homologia ... diferente
(D) homologia ... comum

3. As mutações génicas conduzem sempre à


(A) formação de proteínas mais eficientes.
(B) formação de proteínas não funcionais.
(C) alteração da sequência original de desoxirribonucleótidos.
(D) alteração da sequência original de aminoácidos.

4. A comparação da sequência de aminoácidos do citocromo c de diferentes espécies, com vista à


construção de árvores filogenética, constitui um argumento
(A) citológico, segundo uma perspetiva darwinista.
(B) bioquímico, segundo uma perspetiva darwinista.
(C) citológico, segundo uma perspetiva neodarwinista.
(D) bioquímico, segundo uma perspetiva neodarwinista.

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5. Segundo a hipótese endossimbiótica, as mitocôndrias terão resultados de ancestrais ____
semelhantes aos atuais ____.
(A) autotróficos ... procariontes
(B) heterotróficos ... procariontes
(C) autotróficos ... eucariontes
(D) heterotróficos ... eucarionte

6. Numa perspetiva darwinista, o sucesso do estabelecimento de relações endossimbióticas entre


mitocôndrias e outras células terá resultado
(A) da necessidade das células hospedeiras se tornarem mais eficientes.
(B) do aumento da variabilidade genética dos seres unicelulares, resultante da aquisição de genes
mitocondriais.
(C) da maior capacidade de sobrevivência dos seres que estabeleceram essas relações.
(D) do aumento da taxa metabólica das mitocôndrias.

7. Constituem vantagens evolutivas, resultantes do estabelecimento da multicelularidade,


(A) o aumento da diversidade e a maior dependência dos seres em relação ao meio envolvente.
(B) a diminuição da diversidade e a menor dependência dos seres em relação ao meio
envolvente.
(C) a diminuição da taxa metabólica e o aumento de tamanho dos seres com manutenção da
relação entre a área e o volume.
(D) o aumento da taxa metabólica e o aumento do tamanho dos seres com manutenção da
relação entre a área e o volume.

8. Explique por que razão nem sempre as mutações que ocorrem nos genes têm efeito nas proteínas
por eles codificadas.

9. Explique, tendo em conta a sua função, o facto de o citocromo c ser uma proteína altamente
conservada, isto é, tem sofrido poucas alterações ao longo do tempo.