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Processo

16 - RECURSO INOMINADO / SP

0003902-80.2017.4.03.6325

Relator(a)

JUIZ(A) FEDERAL NILCE CRISTINA PETRIS DE PAIVA

Órgão Julgador
3ª TURMA RECURSAL DE SÃO PAULO

Data do Julgamento
19/12/2019

Data da Publicação/Fonte
e-DJF3 Judicial DATA: 13/01/2020

Objeto do Processo

040107-SALÁRIO-MATERNIDADE (ART. 71/73) - BENEF. EM ESPÉCIE - CONCESSÃO/


CONVERSÃO/ RESTABELECIMENTO/ COMPLEMENTAÇÃO

Inteiro Teor

TERMO Nr: 9301363841/2019


PROCESSO Nr: 0003902-80.2017.4.03.6325AUTUADO EM 26/12/2017
ASSUNTO: 040107 - SALÁRIO-MATERNIDADE (ART. 71/73) - BENEF. EM ESPÉCIE -
CONCESSÃO/ CONVERSÃO/ RESTABELECIMENTO/ COMPLEMENTAÇÃO
CLASSE: 16 - RECURSO INOMINADO
RECTE: PAULA CRISTINA NOGUEIRA FRANCISCO
ADVOGADO(A)/DEFENSOR(A) PÚBLICO(A): SP356421 - JOAO PEDRO FERNANDES
RECDO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - I.N.S.S. (PREVID)
ADVOGADO(A): SP999999 - SEM ADVOGADO
DISTRIBUIÇÃO POR SORTEIO EM 24/08/2018 13:03:06

JUIZ(A) FEDERAL: NILCE CRISTINA PETRIS DE PAIVA


I – VOTO-EMENTA

PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-MATERNIDADE (ART. 71/73). BENEF. EM ESPÉCIE.


CONCESSÃO/CONVERSÃO/RESTABELECIMETNO/COMPLEMENTAÇÃO.IMPROCEDENTE.
RECURSO DA PARTE AUTORA. SENTENÇA MANTIDA PELOS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 46 DA LEI Nº 9099/95. NEGADO PROVIMENTO
AO RECURSO.

Trata-se de recurso (s) interposto( s) em face de sentença que julgou pedido de salário-
maternidade.

Não obstante a relevância das razões apresentadas pela (s) parte(s) recorrente(s), o fato é que
todas as questões discutidas no recurso foram corretamente apreciadas pelo Juízo de Primeiro
Grau, razão pela qual foram adotados os seguintes fundamentos da sentença como razão de
decidir:

“O nascimento do filho da autora ocorreu em 15/04/2016. De acordo com os extratos obtidos


junto ao Sistema DATAPREV, verifica-se que a demandante manteve vínculos de emprego
ativo de 04/04/2011 a 28/04/2011, de 01/09/2013 a 11/10/2013, de 10/01/2014 a 23/02/2014 e
de 10/04/2014 a 09/05/2014, vindo a perder a qualidade de segurada em 16/07/2015. Após,
voltou a efetuar recolhimentos tempestivos como segurada facultativa em 02/2016 e 03/2016. A
autora pretende demonstrar que, em virtude da rescisão de seu contrato de trabalho com a
pessoa jurídica J. SHAYEB & CIA. LTDA., ocorrida em 09/05/2014, estaria caracterizada
situação de desemprego, o que possibilitaria estender o período de graça por mais 12 (doze)
meses, nos termos do que estabelece o art. 15, § 2º da Lei nº 8.213/91. Desse modo, pela
aplicação conjugada do disposto no art. 15, inciso II, da Lei nº 8.213/91, dos artigos 13, inciso II,
e 14 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e, ainda, do
artigo 30, inciso II da Lei nº 8.212/91 (conhecida como regra do “décimo quinto dia do décimo
quarto mês”), uma vez comprovada a situação de desemprego involuntário, a qualidade de
segurada perduraria até 15 de julho de 2016, a permitir, assim, em tese, a concessão do
benefício postulado. Em audiência de instrução, realizada por determinação da 3ª Turma
Recursal do Juizado Especial Federal Cível da Terceira Região, PAOLLA CRISTINA
REGONATO DOS SANTOS declarou que é amiga íntima da autora e frequenta a casa dela
constantemente, razão pela qual foi ouvida como informante; às perguntas do advogado da
autora, respondeu: que cuidou dos filhos da autora durante certa época, por volta do ano de
2014; aceitou cuidar deles porque a demandante começou a trabalhar e não tinha ninguém que
ficasse com eles; esclarece que deixou de cuidar deles porque a autora parou de trabalhar; a
informante disse ter ficado surpresa com a notícia de que a autora tivesse parado de trabalhar,
porque “tinha dado um mês de trabalho”; a depoente ficou somente um mês cuidando dos filhos
dela; a depoente afirma ter feito um trato com a autora no sentido de que cuidaria dos filhos
dela por mais de um mês, “porque ela estava trabalhando e estava registrada”; afirma que a
demandante não esperava ser dispensada. Em análise da prova produzida, verifica-se que o já
citado termo de rescisão contratual (evento nº 47) revela ter a admissão da autora ocorrido em
10/04/2014, ao passo que o seu afastamento se deu em 09/05/2014. Tratava-se, assinala o
documento, de contrato de trabalho por prazo determinado sem cláusula assecuratória de
direito recíproco de rescisão antecipada. A causa do afastamento foi identificada como
“extinção normal do contrato de trabalho por prazo determinado”. O art. 443, caput, da
Consolidação das Leis do Trabalho, na redação que vigorava por ocasião da relação
empregatícia, dispunha que “o contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou
expressamente, verbalmente ou por escrito e por prazo determinado ou indeterminado”. De sua
vez, o § 1º do mesmo preceptivo estabelece que “considera-se como de prazo determinado o
contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços
especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão
aproximada”. A Constituição Federal, em seu art. 201, inciso III, prescreve que a Previdência
Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação
obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá,
nos termos da lei, a proteger o trabalhador “em situação de desemprego involuntário” (grifei). A
Lei de Custeio da Previdência Social (nº 8.213/91), em seu artigo 1º, enuncia que a Previdência
Social tem por finalidade “assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de
manutenção, por motivo de incapacidade, desemprego involuntário, idade avançada, tempo de
serviço, encargos familiares e prisão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente”
(grifei). Nesse contexto, em interpretação sistemática, há de se entender que o desemprego a
que faz alusão o § 2º do art. 15 da Lei nº 8.213/91, a autorizar a prorrogação do período de
graça por mais doze meses, é aquele que se dá involuntariamente, ou seja, sem o concurso da
vontade do segurado. É o caso, por exemplo: a) da dispensa sem justa causa, que ocorre por
ato unilateral do empregador; e b) da rescisão indireta do contrato de trabalho, derivada de falta
cometida pelo empregador que torne inviável a continuidade do vínculo laboral, nas situações
especificadas no art. 483 da Consolidação das Leis do Trabalho. Não é, entretanto, o caso dos
autos. A autora firmou um contrato de trabalho por tempo determinado com a pessoa jurídica J.
SHAYEB & CIA. LTDA., abrangendo o período de 10/04/2014 a 09/05/2014. Ou seja, já se
sabia, desde o início da contratação, que o vínculo se extinguiria em data previamente
combinada entre patrão e empregada (a não ser, é claro, que o contrato de trabalho fosse
prorrogado e passasse a ser por prazo indeterminado, o que, todavia, não ocorreu). O contrato
de trabalho, como já disse, foi firmado sem cláusula assecuratória de direito recíproco de
rescisão antecipada, como registra o termo anexado ao evento nº 47. Nessa modalidade
contratual, se ainda assim o empregador rescindir a avença antes de decorrido o prazo, será
aplicado o disposto no artigo 479 da CLT, devendo ele pagar ao empregado indenização
correspondente à metade do tempo restante até o termo final do contrato. A ausência do
pagamento dessa indenização no documento anexado ao evento nº 37 autoriza concluir que o
contrato fora mesmo pactuado somente pelo prazo de 30 (trinta) dias. Quanto ao depoimento
da informante PAOLLA CRISTINA REGONATO DOS SANTOS, no sentido de que a autora teria
ficado surpresa com o rompimento do vínculo, é provável que isso tenha derivado da
expectativa de que o contrato de trabalho eventualmente se estendesse para além dos 30
(trinta) dias pactuados, o que não ocorreu. Em suma, a anuência da autora em entabular
contrato de trabalho por prazo determinado, com o prévio conhecimento de que este estaria
fadado a se extinguir com o mero decurso do prazo estabelecido, descaracteriza o caráter
involuntário do rompimento do vínculo. Desse modo, como já exposto alhures, há de se
entender que apenas o desemprego involuntário autoriza a prorrogação do período de graça.
Esse é o posicionamento que vem sendo adotado pela Turma Nacional de Uniformização de
Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais e dos Tribunais Regionais Federais — TNU,
como se vê dos julgados a seguir (grifos meus): VOTO-EMENTA PREVIDENCIÁRIO.
QUALIDADE DE SEGURADO. PERÍODO DE GRAÇA. PRORROGAÇÃO. ART. 15, § 2º DA LEI
Nº. 8.213/91. PROVA DA SITUAÇÃO DE DESEMPREGO. MERA AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO
DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NA CTPS. INSUFICIÊNCIA. PRECEDENTE DESTA TURMA
NACIONAL EM SENTIDO DIVERSO SUPERADO. ACÓRDÃO RECORRIDO ALINHADO AO
ENTENDIMENTO DO STJ (PET 7.115/PR). INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO NÃO
CONHECIDO. 1 - Pedido de Uniformização interposto em face de acórdão que confirmou a
sentença a qual julgara improcedente pedido de concessão de auxílio-doença, sob o
fundamento de que o autor não mais detinha a qualidade de segurado na data do surgimento
da incapacidade (novembro de 2003), uma vez que seu último vínculo empregatício cessara em
19.6.2002. Adotou o acórdão recorrido a tese de que não há como estender ao autor o prazo de
24 meses de período de graça referido no § 2º do art. 15 da LBPS, em razão da total falta de
prova quanto à situação de desemprego. 2 - O recorrente suscita divergência entre o acórdão
recorrido e o entendimento adotado por esta Turma Nacional no PEDILEF nº.
2003.82.10.008118-5 (Rel. Juiz Federal Pedro Pereira dos Santos, DJ 19.3.2007) no qual se
acolheu a tese de que a carteira de trabalho sem anotação de vínculo empregatício presta-se a
comprovar a situação de desemprego, para os fins previstos no art. 15, § 2º da Lei nº. 8.213/91.
3 - A prorrogação do período de graça prevista no parágrafo 2º do art. 15 da Lei nº. 8.213/91
somente aplica-se nas hipóteses de ausência de contribuições ao sistema previdenciário
decorrente de desemprego involuntário efetivamente provado. A ausência de registro na CTPS
após a cessação do último vínculo empregatício não é suficiente para comprovar a situação de
desemprego. Entendimento pacífico do STJ (PET 7.115/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, Terceira Seção, DJE 6.4.2010). 4 - Precedente desta TNU em sentido diverso superado.
Acórdão recorrido alinhado ao entendimento pacificado no STJ. 5 - Incidente de uniformização
não conhecido. (00206482220084013600, JUIZ FEDERAL ALCIDES SALDANHA LIMA, DOU
27/04/2012.) PREVIDENCIÁRIO. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO INTERPOSTO PELO INSS.
PENSÃO POR MORTE. QUALIDADE DE SEGURADO. EXTENSÃO DO PERÍODO DE
GRAÇA. SITUAÇÃO DE DESEMPREGO. AUSÊNCIA DE ANOTAÇÃO NA CTPS.
INSUFICIÊNCIA. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. EXTENSÃO SOMENTE NO
CASO DE DESEMPREGO INVOLUNTÁRIO. INCIDENTE CONHECIDO E PARCIALMENTE
PROVIDO. 1. Prolatado acórdão pela Segunda Turma Recursal do Ceará, o qual deu
provimento ao recurso de sentença interposto pela parte autora para julgar procedente o pedido
de pensão por morte. O Colegiado entendeu que a data do término do vínculo empregatício
constante no CNIS é suficiente para caracterizar a hipótese de prorrogação do período de
graça. 2. Incidente de Uniformização de Jurisprudência interposto tempestivamente pelo INSS,
com fundamento no art. 14, § 2º, da Lei nº 10.259/2001. Sustenta que o falecido instituidor do
benefício não faz jus à extensão do período de graça por mais doze meses, conforme previsto
no art. 15, § 2º, da Lei nº 8.213/91, visto que a simples falta de anotação na CTPS ou ausência
de contribuições no CNIS não torna presumida a situação de desemprego. Alega que o simples
registro na CTPS da data da saída do emprego não é suficiente para comprovar a condição de
desempregado. Para comprovar divergência, apontou como paradigma julgado do C. STJ. 3.
Incidente inadmitido na origem, sendo os autos encaminhados à TNU e distribuídos a este
Relator após provimento do agravo interposto. 4. Nos termos do art. 14, § 2º, da Lei nº
10.259/01, o pedido de uniformização nacional de jurisprudência é cabível quando houver
divergência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por turmas recursais de
diferentes regiões ou em contrariedade a súmula ou jurisprudência dominante da Turma
Nacional de Uniformização ou do Superior Tribunal de Justiça. 5. Comprovada a necessária
divergência, passo ao exame do mérito. 6. Esta Turma Nacional de Uniformização firmou
entendimento no sentido de que somente é aplicável o disposto no art. 15, § 2º, da Lei
8.213/91, quando ficar comprovado que o segurado não exerceu nenhuma atividade
remunerada (nem mesmo atividade informal) após a cessação das contribuições. Nesse
sentido, o seguinte PEDILEF: “PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO NACIONAL INTERPOSTO
PELO INSS. PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA. QUALIDADE DE SEGURADO. PERÍODO
DE GRAÇA. EXTENSÃO. DESEMPREGO. AUSÊNCIADE ANOTAÇÃO NA CTPS E DE
RECOLHIMENTOS NO CNIS. INSUFICIÊNCIA. DEMAIS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO.
PRECEDENTE DO STJ. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDO. (...) 2.
Em seu pedido de uniformização, sustenta a parte ré a impossibilidade de extensão do período
de graça por 12 (doze) meses ante a simples inexistência de anotação na CTPS. Aduz que o
acórdão recorrido contraria precedentes do STJ (REsp 627.661/RS, REsp 689.283/RS, REsp
448.079/RS e AgRg no REsp 1030756/SP). 3. O incidente de uniformização foi inadmitido na
origem, com agravo na forma do RITNU. 4. Considero que a divergência restou demonstrada
com relação aos paradigmas. 5. Quanto ao mérito, dou parcial provimento ao incidente. Esta
TNU já firmou a tese, com fundamento em sua Súmula 27 e do entendimento esposado no
julgamento da PET 7175 do STJ, no sentido de que em que pese não ser exigível
exclusivamente o registro no Ministério do Trabalho, “a ausência de anotação laboral na CTPS,
CNIS ou a exibição do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho não são suficientes para
comprovar a situação de desemprego, devendo haver dilação probatória, por provas
documentais e/ou testemunhais, para comprovar tal condição e afastar o exercício de atividade
remunerada na informalidade”. Precedentes: PEDILEF 200870950035921, REL. JUIZ
FEDERAL VLADIMIR SANTOS VITOVSKY, DOU 11/03/2011; PEDILEF
05063105720104058400, REL. JUIZ FEDERAL GLÁUCIO FERREIRA MACIEL GONÇALVES,
DJ 23/11/2012; PEDILEF 0011510-16.2008.4.03.6303, REL. JUIZ FEDERAL SÉRGIO MURILO
WANDERLEY QUEIROGA, JULG. 08/10/2014; PEDILEF 200833007145103, REL. JUIZ
FEDERAL PAULO RICARDO ARENA FILHO, DJ 06/09/2012). 6. Assim sendo, entendo que a
sentença e o acórdão da Turma Recursal devem ser anulados, nos termos da Questão de
Ordem n° 20 desta Turma Nacional. 7. Incidente conhecido e parcialmente provido, para
determinar a anulação do acórdão e da sentença e o retorno dos autos à Vara de origem, para
nova dilação probatória quanto à situação de desemprego. (PEDILEF nº
50031107120144047116. Relator: Juiz Federal Daniel Machado da Rocha.DOU: 03/07/2015) 7.
Também esta TNU consolidou entendimento no sentido de que a prorrogação do período de
graça prevista no §2º do art. 15 da Lei 8.213/91 somente se aplica às hipóteses de desemprego
involuntário. A tal respeito, o seguinte PEDILEF: “INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO
NACIONAL. RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIODOENÇA. MANUTENÇÃO DA QUALIDADE
DE SEGURADO. SITUAÇÃO DE DESEMPREGO VOLUNTÁRIO. EXTENSÃO DO PERÍODO
DE GRAÇA. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO CONTRÁRIO À JURISPRUDENCIA TNU.
INCIDENTE CONHECIDO E PROVIDO. (...) 4.2. O Recorrente demonstrou a divergência
jurisprudencial suscitada no recurso, uma vez que a Turma Nacional de Uniformização
reconheceu que "a prorrogação do período de graça prevista no parágrafo 2º do art. 15 da Lei
nº. 8.213/91 somente se aplica às hipóteses de desemprego involuntário"(PEDILEF
200972550043947, REL. JUÍZA FEDERAL VANESSA VIEIRA DE MELLO, TNU, DOU
06/07/2012). (...) 12. Entendo que a prorrogação do período de graça prevista no parágrafo 2º
do art. 15 da Lei nº. 8.213/91 somente se aplica às hipóteses de desemprego involuntário. 13.
Necessidade de interpretação da norma de acordo com a Carta Maior. 14. Não se deve perder
de vista que, ao dispor sobre a Previdência Social, a Constituição da República prescreve que
ela atenderá, nos termos da lei, à proteção ao trabalhador em situação de desemprego
involuntário (artigo 201, inciso III). 15. Incidente provido. ACÓRDÃO - Visto, relatado e discutido
este processo, em que são partes as acima indicadas, decide a TNU - Turma Nacional de
Uniformização prover o incidente de uniformização de jurisprudência. Brasília, 21 de junho de
2.012.(PEDILEF 200972550043947, JUÍZA FEDERAL VANESSA VIEIRA DE MELLO, TNU,
DOU 06/07/2012.) 6.1. De acordo com o art. 15, §2º, da Lei 8.213/91, mantém-se a qualidade
de segurado, independente de contribuição, por até 24 (vinte e quatro) meses, prorrogáveis por
mais 12 (doze), desde que comprovada situação de desemprego. 6.2. Por outro lado, dispõe a
Constituição Federal no art. 201, III, que a previdência social será organizada sob a forma de
regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, e atenderá, nos termos da lei, à
proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário. (grifo) 6.3 À luz do
regramento constitucional acima, a interpretação que melhor se coaduna com a finalidade da
norma é aquela segundo a qual apenas o desemprego involuntário está apto a receber a
proteção especial deferida pela legislação previdenciária. Com efeito, o fator de risco social
eleito pelo legislador para ser objeto de atenção e proteção especial foi o desemprego
involuntário. 6.4. A norma constitucional em destaque, ao enunciar a expressão "nos termos da
lei", exige naturalmente que a regra complementar subjacente se coadune com seus preceitos
valorativos. Em outras palavras, a locução "desemprego involuntário" foi ali colocada como
objeto de destaque, a significar adequação da lei a seus termos. 6.5. Ademais, considerando a
nítida feição social do direito previdenciário cujo escopo maior é albergar as situações de
contingência que podem atingir o trabalhador durante sua vida, não é razoável deferir proteção
especial àqueles que voluntariamente se colocam em situação de desemprego. No desemprego
voluntário não há risco social. O risco é individual e deliberadamente aceito pelo sujeito. 6.6. A
norma do art. 15, §2º, contém regra extraordinária, que elastece por até 36 (trinta e seis) meses
o período de graça. Regra extraordinária que, por assim dizer, deve ser apropriada a situações
extraordinárias, de contingência, imprevisíveis. Se a situação foi tencionada pela parte, a ela
cabe o ônus de sua ação (ou inação), não ao Estado. (...) 6.7. Ressalte-se que não se trata de
criar restrição ao comando legal. Cuida-se, em verdade, de adequar a norma legal ao comando
constitucional, interpretando-o em conformidade com os princípios informadores do Direito
Previdenciário, dentre eles a proteção ao hipossuficiente e a seletividade e distributividade na
prestação dos benefícios e serviços. 6.7. Com estas considerações, entendo que a
interpretação adequada a ser conferida ao §2º do art. 15 da Lei 8.213/1, à luz do art. 201, III, da
Constituição Federal, exige a condição de desemprego involuntário para o deferimento da
benesse contida na legislação previdenciária. 7. Ante o exposto, voto por conhecer e dar
provimento ao presente incidente de uniformização, reafirmando o entendimento desta TNU de
que a prorrogação do período de graça prevista no §2º do art. 15 da Lei 8.213/91 somente se
aplica às hipóteses de desemprego involuntário (PEDILEF 200972550043947, JUÍZA FEDERAL
VANESSA VIEIRA DE MELLO, TNU, DOU 06/07/2012). É como voto.” (PEDILEF nº
50473536520114047000. Relator: Juiz Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá. DOU:
23/01/2015) 8. No caso sob luzes, o acórdão recorrido entendeu que o falecido faz jus à
aplicação do § 2º do art. 15, da Lei 8.213/91, que garante mais 12 meses de período de graça
para manutenção da qualidade de segurado para desempregado, tomando por base tão
somente a data de saída do vínculo empregatício constante no CNIS. Desse modo, reputo
como de rigor a adequação do julgado ao entendimento consolidado desta Corte
Uniformizadora. 9. Incidente conhecido e parcialmente provido para reafirmar a tese no sentido
de que (i) a ausência de anotação laboral na CTPS, CNIS ou a exibição do Termo de Rescisão
de Contrato de Trabalho não são suficientes para comprovar a situação de desemprego,
devendo haver dilação probatória, por provas documentais e/ou testemunhais, para comprovar
tal condição e afastar o exercício de atividade remunerada na informalidade, e (ii) a prorrogação
do período de graça prevista no § 2º do art. 15 da Lei 8.213/91 somente se aplica às hipóteses
de desemprego involuntário, de modo que se faz necessária a existência de prova nesse
sentido. Sentença e acórdão da Turma Recursal anulados, nos termos da Questão de Ordem
n° 20 desta Turma Nacional. (05230022720114058100, JUIZ FEDERAL DOUGLAS
CAMARINHA GONZALES, DOU 05/02/2016 PÁGINAS 221/329.) Embora se tenha
demonstrado, com lastro na prova documental e testemunhal, que a autora se encontrava
desempregada — circunstância que, em tese, daria direito à prorrogação do período de graça
—, o fato é que não se tratava de desemprego involuntário, haja vista que a autora aderiu à
contratação por tempo determinado.”

Sentença deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, nos termos do art. 46 da
Lei nº 9.099/95.

Recurso a que se nega provimento, mantendo-se integralmente a sentença recorrida.

Recorrente condenado ao pagamento de honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o


valor da condenação dos atrasados, sendo que, na hipótese de não haver condenação, fixo os
honorários advocatícios em 10% do valor da causa atualizado. O pagamento dos honorários
advocatícios ficará limitado a 06 (seis) salários mínimos.
O pagamento de honorários advocatícios ficará suspenso até que a parte possa efetuá-lo sem
prejuízo do sustento próprio ou da família em razão de ser beneficiária de gratuidade judiciária
(art. 98, § 3º do CPC/2015 c/c art. 1.046, § 2º do mesmo Codex e art. 1º da Lei 10.259/2001).
Se a parte autora não for assistida por advogado ou for assistida pela DPU (Súmula 421 do
STJ), a parte recorrente ficará dispensada do pagamento em questão.
Na hipótese de não apresentação de contrarrazões, deixo de condenar a parte recorrente
vencida ao pagamento de honorários advocatícios segundo prevê o artigo 55 da Lei 9.099/1995
c/c artigo 1º da Lei 10.259/2001 e do artigo 1.046, § 2º do Código de Processo Civil/2015, na
medida em que, não tendo sido apresentadas contrarrazões de recurso pelo patrono da parte
recorrida, inexiste embasamento de ordem fática para a aplicação do artigo 85, caput e seu §
1º, em virtude do que dispõe o § 2º do mesmo artigo do novo CPC.

É o voto.

II – ACÓRDÃO

Decide a Terceira Turma Recursal do Juizado Especial Federal Cível da Terceira Região –
Seção Judiciária de São Paulo, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do
voto da Juíza Federal Relatora. Participaram do julgamento o(a)s Excelentíssimo(a)s
Senhore(a)s Juízes(a)s Federais: Dra. Nilce Cristina Petris de Paiva, Dr. David Rocha Lima de
Magalhães e Silva e Dr. Leandro Gonsalves Ferreira.

São Paulo, 18 de dezembro de 2019 (data do julgamento).