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RODRIGO FERNANDES FRIGHETTO

A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA
DEMONSTRATIVA NA POLÍTICA DO
SÉCULO XVII SEGUNDO JOHN LOCKE

Curitiba, 14 de Fevereiro de 2018


ASSUNTO

Este projeto visa oferecer uma definição sobre a ética demonstrativa na obra de John
Locke, que contribui ao nosso estudo sobre a Filosofia política desenvolvida na Inglaterra do
século XVII.

INTRODUÇÃO

John Locke foi o "pai" do Empirismo. Ele escreveu sobre vários temas como a
Propriedade Privada e a questão da linguagem. Mas neste trabalho quero me focar em uma
questão importante: a Ética Demonstrativa e sua importância na política do século XVII, na
Inglaterra. Como veremos ao longo do projeto, a Inglaterra passou por uns momentos
conturbados, como a Crise da Exclusão (1679-1681) e a Revolução Gloriosa (1688), mas nos
perguntamos onde se encaixa a ética empirista diante de todos esses episódios da História?
Como deve ser lembrado:

“(...) o empirismo e o racionalismo são sobre as fontes do nosso


conhecimento da realidade e constituem doutrinas epistemológicas. Não
implicam doutrinas específicas sobre o que é real e são independentes de
alegações metafísicas.” (MEYERS, 2017, p.15)

Desse modo, devemos explorar neste trabalho quais foram as origens epistemológicas
da ética demonstrativa, desde a identidade lógica, assim como sua importância na política
inglesa do século XVII. Utilizaremos vários manuais que analisam a filosofia de Locke,
como Nigel Warburton e John Yolton, além dos dois principais livros que tratam do tema que
pretendemos analisar: Dois Tratados sobre o Governo Civil e Ensaio Acerca do
Entendimento Humano.

JUSTIFICATIVA
De 1689 a 1707, em seus livros, nota-se que Locke sempre teve um ideal em que o
poder fosse entregue a burguesia. Para isso, ele não utilizou o princípio de identidade lógica,
em que é improvável que certa coisa seja diferente de si mesma, e até mesmo negou o
Argumento Ontológico que era válido para vários autores como Descartes ou São Tomás de
Aquino. Isso porque Locke era puritano e em muitas de suas obras ele defende que o poder
que é dado ao povo vem de Deus, mas Locke nega a existência de Deus, diferente de
Descartes que aceita sua existência. De acordo com Locke:

“Analogamente, seria possível, segundo Locke, provar a existência de Deus


sem nenhuma fundamentação numa suposta idéia inata de Deus; ou seja o
chamado “argumento ontológico” não teria validade nem utilidade. ”
(LOCKE, 2012, p.10)

Sendo assim, uma das alternativas para provar a existência de Deus está presente na
prova “por contingência do mundo”, que para Locke (Ensaio Acerca do Entendimento
Humano, A Crítica ao Inatismo, p.8-10):

“A existência do ser contingente, que é o homem (conhecimento adquirido


pela experiência), supõe a existência de um ser eterno, todo-poderoso e
inteligente. Além disso, a não universalidade da idéia de Deus ficaria
comprovada pelo fato de que há selvagens que seriam inteiramente
destituídos dessa idéia. ” (LOCKE, 2012, p.10)

É desse atributo que se gera a Crítica ao Inatismo, feita por Locke. Isso gerou várias
questões que Locke trabalha mais tarde no Empirismo, como a questão da tabula rasa da
mente em que a alma humana é “(...) no momento do nascimento, como uma “tábula rasa”,
uma espécie de papel em branco, no qual inicialmente nada se encontra escrito” (LOCKE,
2012, p.10)

Diante desse panorama, a função de Locke é descrever os elementos presentes no


conhecimento, sua gênese e formação, e a ampliação da sua aplicação. Se o homem não tem
idéias inatas, como pode o homem constituir um conhecimento certo e indubitável e em que
casos isso é possível?
O nosso conhecimento consiste na percepção de concordância ou discordância entre
idéias. Ora, sendo assim, o homem pode definir o que é certo e errado para ele, por exemplo.
Isso ocorre através de nossa intuição com base nas nossas experiências.

Sendo assim, nós só conhecemos se temos idéias, percepções de concordância ou


discordância entre idéias por intuição, razão e sensação.

As afirmações ou negações de nossas idéias restringem-se a quatro tipos: Identidade,


Coexistência, Relação e Existência Real.

IDENTIDADE

A Identidade é o nosso conhecimento intuitivo que vai tão longe quanto o


conhecimento de nossas idéias. Isso funda-se em idéias distintas que facultam à mente tantas
proposições evidentes em si mesmas, quantas forem elas.

Sendo assim, a Identidade não é considerada como um conceito inato, porém devemos
levar em conta que embora ela não esteja presente em nós ao nascer, elas não são motivos de
uma grande especulação perante os homens, o que faz com que se justifique a questão da
identidade como uma idéia que não é inata.

Então, se conhecemos a Identidade do homem com o passar do tempo, ele percebe


que já possui a Identidade dentro de si. Como descreve Locke:

“E nisto consiste identidade: quando as idéias às quais é atribuída não variam


do que eram, no momento em que consideramos sua existência prévia, à qual
comparamos à presente.” (LOCKE, 2012, p.343)

Levando em consideração essa última citação, nós entendemos que determinado


homem mantém intacta a sua identidade, não importa o seu corpo. Ele pode ser uma pessoa
diferente de si mesmo, mas quem ele é se torna um conceito inalterado. Isso, para muitos
indivíduos, é chamado de reencarnação, que Locke parece utilizar esse conceito no livro dois
do Ensaio Acerca do Entendimento Humano. A citação a seguir reforça esse argumento:

“Se a união dessas idéias perfaz a idéia de homem, então o mesmo corpo
sucessivo que não muda de repente deve, juntamente com o espírito
imaterial, entrar na composição da idéia de um mesmo homem. ” (LOCKE,
2012, p.352)

Nem todos os pensadores concordavam com essa idéia. O bispo Stillingfleet, de


Worcester, por exemplo, parece discordar dessa questão. Como Locke descreve:

“A doutrina de Identidade e diversidade contida, nesse capítulo parece aos


olhos do Bispo de Worcester, inconsistente com a doutrina da fé cristã acerca
da Ressureição dos Mortos. Seu argumento é o seguinte: diz ele que a razão
para crer na ressureição de um mesmo corpo é, segundo o Sr. Locke, a idéia
de identidade. ” (LOCKE, 2012, p.369)

Enquanto para os católicos, essa idéia é abismal, devemos entender que Locke não faz
parte desse círculo, e está atacando com a doutrina da reencarnação, o catolicismo. Em
resposta a isso, Locke atacou a questão da Bíblia dizendo que nunca haveria três pessoas em
uma só natureza1. Além disso, Locke discute como os cristãos deveriam acreditar em Deus,
conforme a seguir:

“Para Locke, o que era necessário para ser um cristão era, basicamente, crer
que o Cristo era o Messias. Acreditar nisso acarretava, é claro, a crença em
que ele se ergueria entre os mortos; a sua ressureição era uma prova de ser o
Messias. Essas crenças também envolviam a noção de que o Cristo devolveu

1
Neste trecho, estamos nos referindo a religião de Locke: O Socianismo. Iniciado no início do século XVII, por
seu fundador Fausto Socino (1539-1604), que baseou sua teologia em seu tio: Lélio Socino (1525-1562).
Embora ela tenha crescido em grande parte da Europa Oriental (como a Transilvânia, Holanda e Polônia), de
acordo com Hugh T. Pope: “ A seita nunca teve uma grande voga na Inglaterra, era desagradável para os
protestantes que, menos lógico, talvez, mas mais conservador em suas opiniões, não estavam preparados para
ir para os comprimentos dos reformadores continentais. Em 1612, encontramos os nomes de Leggatt e
Wightman mencionados como condenados à morte por negar a divindade de Cristo. Sob a Commonwealth,
John Biddle foi destaque como um defensor dos princípios Socinian; Cromwell baniu para as Ilhas Scilly, mas
ele retornou com um ministro de habeas corpus e tornou-se de uma igreja independente, em Londres. Após a
restauração, no entanto, Biddle foi escalado novamente para a prisão, onde morreu em 1662.” (POPE, 2016)
Ela é considerada anti-trinitarista, em que as crenças, baseadas no Catecismo Racoviano, dizem que eles
recusam os mistérios, que a Bíblia deve ser interpretada pela razão, além de que a razão nos ajuda a entender
Deus, no entanto se exclui a sua imensidão e infinitude. Também se rejeita a doutrina do pecado original, no
entanto, eles creem na sua Unidade, sua eternidade, sua onipotência, sua justiça e sua sabedoria. Além disso,
celebram o batismo e a santa ceia, só que sem a graça divina de Deus.
a vida a todos os homens, a vida que “receberam de novo na ressureição. ”
(YOLTON, 1996, p.247)

Então, diante desse cenário religioso, Stillingfleet fez uma interpretação equívoca da
doutrina de Identidade de Locke. De acordo com Yolton:

“Stillingfleet não entendeu inteiramente a distinção de Locke entre homem e


pessoa, com a localização da identidade da pessoa na inalterabilidade da
consciência e não, como no ponto de vista comum, numa substância
imaterial. Para Stillingfleet, essa noção da mesma pessoa tinha a
consequência de que não importa que corpo uma pessoa tenha em qualquer
momento dado, esse corpo não faz parte da condição essencial da pessoa de
um homem. Locke também tinha repartido as mudanças na consciência de
cada um entre diferentes substâncias, ou até mesmo uma PESSOA diurna e
uma noturna na mesma substância. Esses quebra-cabeças eram a sua maneira
de mostrar a irrelevância da substância para a identidade da pessoa. ”
(YOLTON, 1996, p.248)

Como entende-se aqui, essa questão abre o panorama para outro tipo de identidade: a
Identidade Pessoal. Ela seria a Identidade presente num homem inteligente, racional que é
igual a sua consciência de si mesmo, o que é uma característica essencial para o homem.
Sendo assim, ele não pode mudar quem ele é, pois, a sua consciência, desde o nascimento,
molda o eu mesmo presente no indivíduo, e não pode ser alterado.

Diante de tudo isso, nota-se que a consciência possui um papel importante na


formação do indivíduo e se torna uma peça-chave para a criação da Identidade não só de si
mesmo, mas de seus outros parentescos da sua família. Então, substitui-se a alma pela
consciência, que logo se torna uma ferramenta para construção das suas ações e a de seus
parentes. De acordo com Locke:

“Ora, se o que perfaz o homem não é uma mesma substância imaterial ou


alma, onde quer que esteja, não importa em qual estado, é claro que deve ser
a consciência, que, na medida de sua extensão a épocas passadas, une numa
mesma pessoa as existências e ações distantes no tempo e aquelas que as
sucedem imediatamente. ” (LOCKE, 2012, p.359-360)
Daí que se deriva que a consciência preserva todas as ações de sua família. Porém o
fator que diferencia as ações de uma consciência da outra é o Eu.

O Eu seria um ser pensante e consciente que, possuindo todas as sensações principais,


como dor, amor e prazer, se preocupa com a sua própria consciência. Curiosamente, essa
questão da consciência é uma espécie de resposta a questão cartesiana sobre a questão do
“fantasma na máquina” que diz que:

“(...) O homem é um ser pensante em um corpo material. Não é uma mera


máquina. Todo homem sabe de forma indubitável que é um ente pensante
pela mera introspecção. E quanto aos outros? Sei que sou um ser pensante,
pois penso. O que garante, no entanto, que os outros homens não sejam
realmente homens, mas máquinas que se comportam exteriormente como
homens?” (COSTA, 2013)

Então, se nota que, na sua época, Locke descreve que o homem é um ser racional,
capaz de pensar, mas que possui uma consciência que determina que essa pessoa seja
diferente do outro, fisiologicamente e analogicamente, indo contra o homem racional de
Descartes.

Isso, no entanto, teve um certo preço, pois sua questão da Identidade Pessoal foi
considerada nociva por sacudir os alicerces da religião. Conforme Yolton descreve:

“Sua análise da identidade pessoal como identidade de consciência também


incomodou seus leitores porque rejeitava a crença comum numa substância
anímica, imaterial, como constituinte da pessoa. Tanto no texto de
Racionalidade, quanto em suas respostas às acusações de Stillingfleet, Locke
jamais aceitou a doutrina da trindade. Suas evasivas sobre esse ponto
levaram Stillingfleet e outros a suspeitar de que ele era simpático aos
antitrinitários (os socinianos e unitaristas).” (YOLTON, 1996, p.239)

Como pode se ver, a questão da Identidade mostrou que Locke foi considerado como
um homem perigoso diante da religião, pelo fato das acusações, citadas no trecho acima.

COEXISTÊNCIA
Na coexistência, o nosso conhecimento é muito limitado, apesar de ser a maior e mais
importante parte de nosso conhecimento de substâncias. A coexistência, poucas vezes tem a
mente, uma percepção imediata de concordância ou discordância dessa natureza. É escasso,
portanto, nosso conhecimento intuitivo desse tipo; poucas são, aqui, as proposições evidentes
em si mesmas.

Esse conceito, apesar de não conter muitas informações sobre o nosso conhecimento,
é mencionada em quase todo o Ensaio Acerca do Entendimento Humano, nos livros Dois,
Três e Quatro.

No Livro Dois, Locke utiliza essa restrição do conhecimento para a mente e espíritos
imateriais, além dos gêneros de substâncias físicas. Ao restringir o conhecimento para o
espírito imaterial, forma-se uma idéia “daquelas operações em nossas próprias mentes, que
processamos diariamente em nós mesmos, como pensar, entender, querer, conhecer e o
poder de iniciar movimento.” (YOLTON, 1996, p.52). Enquanto que, na questão das
substâncias físicas, Locke faz menção a uma força desconhecida que unifica as qualidades
coexistentes. A única maneira de nós entendermos é por uma hipótese presente na Teoria
Corpuscular da Matéria. De acordo com Luciana Zaterka:

“Neste sentido, a teoria corpuscular da matéria, que Locke aceitou como a


teoria mais provável, estendeu a solidez também aos corpúsculos. Locke
ainda acrescenta que recebemos essa idéia do tato ou de experiências de
espremer uma bola de futebol. É ainda uma idéia que é reforçada pela
sensação de estarmos sendo sustentados sempre que nos movemos ou
descansamos. É, por fim, uma propriedade que pode ser ilustrada pela
resistência que um corpo mostra ao manter outros corpos fora de seu espaço.
” (ZATERKA, 2006)

Com este exemplo, percebe-se que a sensação adquirida pelo tato é um dos fatores
essenciais para unificar as qualidades coexistentes, que no fundo, são tocar e sentir as coisas
presentes no mundo. Nota-se, então, que uma das funções da coexistência seria nos ensinar as
habilidades presentes no ser humano, como caminhar, sentir e pensar.

No livro Três, Locke aplica a questão da coexistência na essência das coisas. Nesse
caso, devemos levar em conta o significado da palavra “Essência”, que pode ser denominada
como “o ser mesmo de algo, como aquilo que faz de uma coisa o que ela é.” (LOCKE, 2012,
p.450). Sendo assim, outra denotação de essência seria a sua verdadeira imagem interna de
um objeto que nós podemos identificar, dependendo de quais sentidos nós utilizaremos.

Como há muitos sentidos para a palavra “Essência”, há o risco de perder-se o seu


sentido para o vocabulário escolástico. Como consequência, ela perde esse sentido e precisa
ser alterada. O trecho a seguir, explica esse argumento:

“Se a denotação inicial da palavra essência se perdeu, é devido ao frequente


uso das palavras gênero e espécie nas disputas de eruditos escolásticos.
Essência quase não se aplica mais à constituição artificial de gêneros e
espécies. ” (LOCKE, 2012, p. 450)

Então, deve existir uma constituição real dependendo das idéias coexistentes. Para
isso, denominamos os objetos ao nosso redor como nomes. Mas daí percebemos que a
questão da coexistência, no Livro três, serve para criticar os universais, como Platão,
Aristóteles, Abelardo, Porfírio, São Tomás de Aquino, Duns Escoto e até mesmo o
nominalismo presente em Guilherme de Ockham2. O trecho de Maria do Livramento
Rodrigues Soares Salgado confirma o nosso argumento:

“Nas discussões nominalistas, Guilherme de Ockham insistia em que tudo é


particular e que o discurso referente aos universais é metalinguístico. Não
diferente Locke concorda que palavras representam ideias particulares,
portanto o que é universal não possui a credibilidade de todos, apesar de
voltar-se para o todo, não demonstra em seus argumentos, palavras que não
sejam abstratas. Existirá sempre uma dúvida no que é abstrato, pois não é
palpável, sem possibilidade de ser tocado, não se pode analisá-lo, por isso
que Locke e os demais nominalistas não acreditam na teoria dos universais.
Diante do que foi citado acima podemos ver o quanto Locke teve influência
do nominalismo, pois ao tratar da essência origem e alcance do
conhecimento humano é contra aos universais que dizem em suas teorias que
as ideias são inatas. ” (SALGADO, 2013)

2
Guilherme de Ockham (1288-1347) foi um filósofo e teólogo medieval inglês que escrevia sobre a liberdade e
o livro-arbítrio presente no ser humano. Também foi uma pessoa de suma importância para o nominalismo,
em que se dá nomes para os conceitos universais, e para a epistemologia. Além disso foi fundador da famosa
"Navalha de Ockham" em que ao se explicar certo fenômeno, deve-se haver poucas premissas para explicá-la.
No fim de tudo, nota-se que a coexistência foi fundamental para a crítica dos
universais, além do seu vocabulário.

No Livro Quatro, a coexistência serve para reunir idéias que se entrelaçam com o
conhecimento real. Locke dá um exemplo claro disso nesse trecho a seguir:

“As ideias de sacrilégio ou de perjúrio, por exemplo, são tão reais e


verdadeiras tanto antes quanto depois de realizadas; nossas ideias de
substâncias, porquanto sejam supostas cópias referidas a arquétipos fora de
nós, devem ser tomadas de algo existente, e não consistir de ideias postas
juntas a bel-prazer pelo pensamento sem nenhum parâmetro real, por mais
que a combinação não nos pareça inconsistente.” (LOCKE, 2012, p. 623-
624)

Conforme o trecho descrito, a maior contribuição da coexistência jaze na definição de


substância: nesse caso seriam as idéias complexas derivadas de idéias simples que descobrem
sua coexistência na natureza. Não importa se elas forem cópias idênticas, eles ainda são parte
de um conhecimento real.

No fim das contas, podemos definir que a coexistência segue um processo em que
certas idéias simples são descobertas na natureza pela coexistência, que logo se tornam idéias
complexas, que no fundo, nos ajudam a descrever a essência e o formato de um objeto. Isso
nos faz criar nomes para esse objeto e depois a mente arquiteta sua essência interna, para que
nós pensemos sobre o objeto no mundo.

RELAÇÃO

É considerado o campo mais vasto do conhecimento, difícil de determinar até onde se


estende. Por mais que esses axiomas sejam máximas, sua consideração parece mostrar que
são em si mesmas tão evidentes quanto outras proposições.

A relação tem como função considerar qualquer idéia que é comparada com outra.
Nesse caso, devemos entender que não há só ideias complexas e simples originadas dessa
fórmula, podem haver várias como o entendimento que “(...) pode como que distender a ideia
mesma, ou então, para ver além dela, se é conforme uma a outra. (LOCKE, 2012, p.332)
Então, se qualquer idéia nos é comparada, então nós podemos dar certos nomes a
essas idéias que são parecidas uma com a outra. Isso é um erro, pois isso torna-nos difícil
compreender qual idéia estamos relacionando com a derivada.

Desse jeito, muitos nomes têm relação com as idéias, o que faz com que abra uma
categoria, chamada denominações externas. Nela, as palavras que damos a certos objetos tem
que estar presentes no nosso conhecimento real. Caso contrário, ela se torna uma referência,
em que a palavra provém da mente e que pode ser tanto real como fictícia. O trecho a seguir
comprova o meu argumento:

“Se a ideia está na coisa a qual aplica o seu nome, ela é positiva, é
considerada como unida à coisa denominada e como existindo nela; mas, se
surge de uma referência, que a mente encontra nela, a algo distinto dela, que
entra em consideração, então a ideia inclui uma relação. ” (LOCKE, 2012, p.
333-334)

Nota-se, então, que se pode dar nomes para várias coisas específicas, não importa se
forem geradas de idéias simples ou complexas, é possível dar nomes a qualquer objeto
presente à sua frente, mas caso não haja uma referência do nome a um objeto, a relação e a
denominação do objeto não acontece.

Para que haja a relação, deve-se apresentar duas idéias que sejam diferentes uma da
outra. Depois, considere os seguintes pontos:

1. “Não há ideia, substância, modo, relação e nome que não seja capaz de uma
consideração quase infinita por referência a outras coisas, consideração que
responde por uma parte nada desprezível dos pensamentos e das palavras dos
homens. ” (LOCKE, 2012, p. 335)
2. A relação, que pode não ser derivada da existência real das coisas, ocorre do
fato de que a representação das ideias pelas palavras ser bem clara e distinta
que daquela da coexistência.
3. Apesar de possuir infinitas considerações, grande parte das relações jazem de
idéias simples, que, por si só, são a grande fábrica de nosso conhecimento.
4. Como a relação é “a consideração de uma coisa com outra extrínseca a ela, é
evidente que são relativas todas as palavras que impelem a mente a qualquer
ideia que não se supõe necessária para a existência da coisa à qual se aplica
a palavra. ” (LOCKE, 2012, p. 337)

Diante dessas premissas, percebe-se que Locke, neste tema, utiliza novamente o
nominalismo, presente em vários autores da filosofia, como Guilherme de Ockham e Pedro
Abelardo, mas para refutar a querela dos universais. Isso envolve várias temáticas como as
ideias e a essência, além de Locke utilizar a lógica aristotélica, que foi fundamental para a
formação do Empirismo, como ferramenta de refutação. O trecho, de Maria Salgado
exemplifica o meu argumento:

“A esta proposição ele remete como exemplo uma criança e um idiota para
mostrar que não são todas as pessoas que conhecem esta afirmação, dirá
aceitá-la. No exemplo demonstra que até estes indivíduos absorverem a
veracidade ou falsidade passarão por processos que pra se chegarem a eles
necessitam de algumas demonstrações, ou seja, precisam experimentar. ”
(SALGADO, 2013)

É claro que os Idealistas vão rebater esse argumento, dizendo que eles podem
processar na memória, mesmo tendo razão, mas Locke diria que é impossível que isso
aconteça.

Criticando o Idealismo nos leva a entender que Locke utilizou argumentos


escolásticos, que fazem parte de uma doutrina importante na Idade Média, denominada
Nominalismo. Assim, Locke percebe que os universais não passam de meras idéias abstratas,
e a nossa única ferramenta para percebermos o mundo é a experiência. O trecho a seguir,
robustece o meu argumento:

“Nas discussões nominalistas, Guilherme de Ockham insistia em que tudo é


particular e que o discurso referente aos universais é metalinguístico. Não
diferente Locke concorda que palavras representam ideias particulares,
portanto o que é universal não possui a credibilidade de todos, apesar de
voltar-se para o todo, não demonstra em seus argumentos, palavras que não
sejam abstratas. ” (SALGADO, 2013)

Como as palavras, para Locke, são abstratas, podemos dizer que o abstrato é o
intocável, que não pode ser analisado nem ser concreto.
Dito isso, é considerável dizer que Locke, na questão da relação, ao ir contra os
universais, está indo contra o Inatismo, ao tratar da origem da essência e o que o ser humano
pode conhecer.

EXISTÊNCIA REAL

Na existência real temos um conhecimento intuitivo de nossa própria existência, um


conhecimento demonstrativo da existência de um Deus e um conhecimento sensível que não
vai além dos objetos presentes aos nossos sentidos. A Existência Real não tem conexão com
nenhuma outra idéia além daquela de nós mesmos e de um ser primordial. Da Existência Real
de outros seres não temos nem conhecimento demonstrativo nem evidente em si mesmo.
Acerca desses seres não há, portanto, nenhuma máxima.

Até esse ponto devemos considerar a essência das coisas, que está bem longe de ter
uma existência particular e que, consequentemente, não nos concede um conhecimento de
existência real. Neste caso, consiste a definição de abstração: “considerar a ideia existindo
apenas no entendimento. ” (LOCKE, 2012, p.679)

Outro exemplo de elemento que não concede existência são as proposições universais.
Sendo assim, percebe-se que Locke possui uma querela com os universais. O trecho a seguir,
evidencia a minha questão:

“O mesmo filósofo põe-se em posição contrária ao argumento do


assentimento universal, que diz haver princípios que gozam de aceitação
geral entre os homens. Mas, se isso for verdadeiro o argumento não se
constitui numa prova para atestar o inatismo. ” (BEZERRA, 2009)

Então, como o trecho descreve, a questão das proposições universais falhou em


combater o Inatismo que é um dos temas que Locke vai contra, em quase todo o livro.

Agora, dividamos o assunto da existência real em três momentos citados no início: a


nossa própria existência, conhecida pela intuição, a existência de Deus, conhecendo pela
demonstração e a existência de outras coisas, conhecida pela sensação.
Ao percebermos a nossa própria existência, não precisamos de nenhuma prova, pois a
nossa própria existência já justifica a nossa estadia no mundo. Conforme Locke descreve:

“Eu penso, eu raciocino, eu experimento prazer e dor: haveria algo mais


evidente para mim que a minha própria existência. Eu duvido de tudo, e na
própria dúvida percebo a minha própria existência, da qual não duvido.”
(LOCKE, 2012, p. 679)

Esse argumento nos leva a entender que o Empirismo de Locke possuía certas raízes
no racionalismo, embora ele tenha usado a questão da tabula rasa para mascarar essa
segunda doutrina. Embora muitos autores, como George Berkeley e David Hume, tenham
sido influenciados por Locke, alguns parecem ter criticado parte de seu racionalismo. De
acordo com José Maia Neto:

“Hume critica o racionalismo de Locke. Locke percebe que a crença em


conexões necessárias não é conhecimento por que somos incapazes de fazer
a inferência dedutiva que o fogo que acabou de me aquecer, aquecerá a mim
e a outros no futuro. Porém, ele insiste que a crença em tal coisa é
racionalmente embasada, como se a experiência bem atestada fosse uma base
racional para a crença, como se essa regularidade de experiência permitisse
que o homem racional lhe desse seu assentimento e afirmasse que o seu
assentimento é baseado em um argumento "a partir da natureza das próprias
coisas.” (NETO, 2011)

Mas, se Locke é tanto racionalista, como empirista, então a questão da experiência


seria anulada. Sendo assim: “A experiência não pode oferecer nenhuma base racional
para tal assentimento, dado que "todas as inferências derivadas da experiência
pressupõem que o futuro será semelhante ao passado e que poderes semelhantes estarão
ligados a qualidades sensíveis semelhantes." (NETO, 2011)

Então, com esse trecho, percebe-se que o princípio empirista, de Locke, de Relação,
não leva a um contexto racional, similar ao de Empiristas Médicos, mas ao do Empirismo
Britânico, que mais tarde David Hume usará essa inspiração para escrever seu livro
Investigação sobre o Entendimento Humano (1748).
Quando a pessoa sente o seu próprio corpo, ela está ciente que está presente no
mundo, mas ainda duvida de tudo ao seu redor, daí que vem a questão da tabula rasa de
Locke, que diz que sua mente é como uma folha em branco. Esse aspecto nos leva a
entender que a experiência que a pessoa testemunhou por toda a sua vida é o que forma o
seu conhecimento do mundo.

Uma curiosidade é que essa experiência nos mostra o nosso conhecimento intuitivo de
nossa existência, o que nos responde pergunta clássica da filosofia “quem nós somos? ”.

Locke escreve isso para combater outra corrente filosófica, o Ceticismo, que possui
nomes importantes como Pirro e Michel de Montaigne, e que apoia que a verdade é
inatingível, levando a um estado eterno de dúvida de si mesmo e do mundo ao seu redor.
Essa doutrina possui um teor inato, pois se tem dúvida que abrange a metafísica, a
religião e o real. O trecho a seguir robustece o meu argumento:

“Se há céticos tão contumazes que negam sua própria existência (pois
duvidar realmente dela é manifestamente impossível), que eles desfrutem por
mim a felicidade de ser um nada até que a fome ou outro incômodo
convença-os do contrário. ” (LOCKE, 2012, p. 680-681)

No fenecimento, percebe-se que Locke escreve sobre a existência do homem para


combater o ceticismo, acabando com a dúvida eterna dos céticos.

Na questão da existência de Deus, entende-se que, o homem acredita, intuitivamente,


que o nada pode produzir um ser real. Como o ser é real, então é óbvio que existe uma
entidade presente nesse nada que gera o ser. De acordo com Locke:

“Se, portanto, sabemos que existe um ser real, e que a não-entidade não
pode produzir nenhum ser real, isso demonstra com evidência que algo existe
eternamente, pois o que não é eterno tem um início, e o que tem início é
produzido por algo. ” (LOCKE, 2012, p.681)

Então, notamos que Deus é quem cria esses seres, que é o mais poderoso, inteligente e
sábio que já existiu eternamente. Como a religião sempre deu nomes a Deus, como Jesus
Cristo, Javé, Alá ou Yeshua, nós descobrimos que o Deus de Locke, apesar de ser
puritano, é o Deus criado pela razão, similar ao Deus de Descartes. O extrato a seguir
avigora o argumento:

“Portanto, a partir da consideração de nós mesmos e daquilo que


infalivelmente encontramos em nossa própria constituição, nossa razão leva-
nos ao conhecimento da verdade certa e evidente de que existe um ser
eterno, mais poderoso e mais sábio, não importa se o chamamos Deus. ”
(LOCKE, 2012, p.682)

Sendo assim, nós definimos que Deus existe porque nossa razão a cria, não importa
qual a sua religião, ele sempre será alguém superior a nós.

Com esse argumento, dá para perceber que Locke foi criticado por muitos grupos
religiosos, como os ateus, aumentando a sua infâmia entre a religião. O fragmento de
Yolton fortifica o assunto a seguir:

“No capítulo do Ensaio sobre o nosso conhecimento da existência de


Deus, Locke expressa a opinião de que a questão de saber se a idéia de Deus
prova ou não prova a sua existência não é a melhor maneira de silenciar os
ateus (4.6.7). Num dos primeiros registros do seu diário, ele ofereceu uma
sugestão para silenciar ateus ou para convencê-los de que estão errados.
Suponha-se, escreveu ele em 1676, que a “probabilidade esteja no lado ateu”.
Se eles estivessem certos em dizer que não existe Deus, lhes restaria apenas
aniquilação ou insensibilidade eterna; isso é o melhor que eles podem
esperar. Os que acreditam que Deus existe têm a possibilidade de uma
perpétua felicidade. Se acontecesse de estarem errados a respeito da
existência de Deus, a aniquilação seria o pior que lhes poderia acontecer.
Mas se o ateu estiver errado, enfrentará com toda certeza o infinito
sofrimento. Esse conjunto de considerações poderia silenciar o ateu. ”
(YOLTON, 1996, p.32)

O trecho acima mostra que a Existência de Deus exclui os ateus, vigorando a


Tolerância religiosa, em que certas religiões vivem em parcimônia, sem que haja conflito
ou guerra, por causa da religião do outro.

Com relação ao conhecimento da existência de todas as coisas, isso só é crível através


da sensação, e não precisa ter dependência entre as ideias presentes na mente e no mundo
real, porém devemos levar em conta que “Geral e Universal não pertencem à existência
real das coisas, mas são criaturas e invenções do entendimento, formadas por ele para
seu próprio uso e referindo-se apenas a sinais, quer palavras, quer idéias. ” (YOLTON,
1996, p.125).

Diante disso, nota-se que somente faz parte da existência de todas as coisas, as Idéias
simples e abstratas. Enquanto que as idéias complexas tenham certos arquétipos, que seria de
onde a mente supõe que as idéias teriam sido extraídas, elas são um reflexo de sua idéia real.
Conforme Yolton descreve na sua definição:

“Idéias de substância são imperfeitas e inadequadas como cópias de seus


originais por causa do Ceticismo de Locke a respeito do nosso conhecimento
da essência real da substância (2.31.6; cf. 4.4.11). Idéias complexas de
modos e relações são, elas próprias, originais e arquétipos de ações e
relações, um uso desse termo que reflete, em parte, o conceito técnico de
Locke de modos mistos (2.31.14). De fato, todas as idéias complexas,
excetuando as de substâncias, são “arquétipos feitos pelas nossas mentes,
não designadas para serem cópias de algo, nem referidas à existência de
qualquer coisa, como para os seus originais” (4.4.5). ” (YOLTON, 1996,
p.23)

Então, nota-se que Idéias complexas, embora sejam cópias de idéias simples e
abstratas, elas não fazem parte da existência real, o que as exclui da existência de todas as
coisas presente no mundo.

Diante de todas essas existências, percebemos que o propósito da Existência Real é


possibilitar com que o ser humano tenha conhecimento da natureza humana, relacionada a
qualquer tipo de existência citado acima, tanto de si mesmo, de Deus e das coisas.

CONHECIMENTO

Após termos apresentado todas as quatro afirmações ou negações de nossas idéias, é


evidente que a extensão de nosso conhecimento é menor, não somente que aquela da
realidade das coisas, mas também aquela de nossas próprias idéias.

Como podemos perceber, o Empirismo é uma linha filosófica que teve seus
primórdios na Grécia Antiga, com Aristóteles, e influenciou vários filósofos como
Guilherme de Ockham, Francis Bacon e Thomas Hobbes. Mas um dos autores que vou
destacar é considerado o pai do Empirismo que se chama John Locke. Pudemos notar que
o Empirismo de Locke, embora tenha tido sido criticado mais tarde por seus
contemporâneos que diziam que possuía certos conceitos do Racionalismo, acoimou
diversos campos da religião, como o Ateísmo, além de admoestar o Inatismo, proveniente
de Descartes, que também foi uma justificativa de tentar fazer um debate aos universais, e
exprobrou os céticos, que mais tarde o Bispo Stillingfleet diria que sua filosofia levaria a
um Ceticismo, assim como Berkeley falou que o Ceticismo poderia voltar-se contra o
Empirismo. Ainda diante dessa chuva de críticas, percebemos que Locke é um filósofo
importante que merece ser estudado, pois de acordo com Edgard José Jorge Filho, em seu
livro, Moral e História em John Locke (1992):

[...] “No Ensaio sobre o Entendimento Humano, o propósito de Locke é


"...investigar a origem, certeza e extensão do conhecimento humano,
juntamente com as bases e graus da crença, opinião e assentimento. ”
(FILHO, 1992, p.22)

Sendo assim, entende-se que o propósito do próprio Ensaio é classificar os tipos de


conhecimento que podem ser cognoscíveis ao homem para poder libertar o ser humano do
Ceticismo e do Inatismo, ambos provenientes da construção do conhecimento humano.
Graças a influência do nominalismo, Locke consegue construir o que o ser humano deve
necessariamente conhecer.

Nós tentamos aqui abordar brevemente a função das idéias no conhecimento humano.
A visão de Locke sobre o homem é que ele é racional, com uma consciência diferente das
outras pessoas. Sendo um homem racional, ele consegue criar idéias simples, presentes na
natureza, para descrever os objetos que estão a nossa volta, o que nos possibilita criar nomes
a tudo que existe. Sendo isso, ele pode pensar nas idéias simples e complexas, mas ele não
pode pensar em idéias abstratas, pois elas são vazias e invisíveis ao ser humano. Ele defende
que ao conhecer a si mesmo e os objetos presentes ao nosso redor, o ser humano, no final,
tem consciência de que um Deus o criou, e tudo ao seu redor. Então, ao conhecer a si mesmo,
o homem conheceria o mundo todo, e com isso iniciaria uma defesa de um modelo de
autobiografia. O livro de Massaud Moisés reforça o meu argumento:

“Não obstante o anseio de autoconhecimento seja tão remoto quanto o lema


inscrito no templo de Delfos (“Conhece-te a ti mesmo”), a autobiografia
somente emerge no século XVIII, graças a Rousseau e às suas Confissões
(1782, 1789), precedidas pelas referências de John Locke, no seu Essay
Concerning Human Understanding (1690), ao “self” e à “identidade pessoal”
(Goodwin 1979:70 apud MOISÉS, 1997, p.46)

Como pudemos entender, o Ensaio serve só pra limitar e descrever partes do


conhecimento humano. Através desse processo, ele utiliza a questão da Liberdade no segundo
livro do Ensaio. Conforme Rovighi (2015) descreve no trecho a seguir:

"Para a doutrina moral de Locke é oportuno recordar aquilo que ele


diz sobre a liberdade no capítulo XXI do segundo livro do Ensaio, a
propósito da idéia de poder. A liberdade é o poder de fazer ou não fazer, e é
um poder não da vontade (que é também um poder), mas do sujeito que age.”
(ROVIGHI, 2015, p.244)

Sendo assim, Locke presume que o ser humano é livre para escolher o que quer
conhecer, através da sua vontade, para se sentir esclarecido de grande parte das dúvidas inatas
ou céticas. Mas visto que grande parte do conhecimento limitado que o ser humano quer
procurar com base no futuro, a pessoa pode se sentir enganada pelo fato da perspectiva do
outro ser diferente da dele. Dessa forma, Locke decide a questão da vontade do ser humano
de conhecer como o mal-estar como o conhecimento finito e insuficiente. É daí que surge
uma solução, como Rovighi descreve a seguir :

“De fato, no mal-estar podemos já ver implícito o conhecimento do


bem presente como finito, limitado e, portanto, incapaz de satisfazer-nos
plenamente. E em seguida Locke admite que o diferente ser dos bens para os
diferentes sujeitos (para um é o bem o prazer, para outro o conhecimento)
depende de um pôr, de um assumir por parte do seu jeito que quer.”
(LOCKE, 1978; 21,44 apud ROVIGHI, 2015, p.244)

Então, conforme o trecho descreve, a solução para a questão da vontade como mal-
estar, seria que esse conhecimento fosse catalogado como algo universal e que signifique algo
que não mude a visão dos outros.
ÉTICA DEMONSTRATIVA

Dessa forma, Locke começa a construir uma ética demonstrativa, pela vontade divina
e pela questão da moral. No entanto, Locke argumenta que o homem pode descobrir sua lei
natural através de sua própria visão do mundo, definindo o que é certo e o que é errado. O
trecho de C.A.Viano comprova o meu argumento :

“Para fazer uma ética demonstrativa bastava admitir que "os homens
podem construir regras para alcançar o bem, e que as tradições não contêm
só elementos positivos ou elementos negativos". Assim, "a lei da natureza
perdia o aspecto de um plano providencial sobreposto às tradições e às
instituições (...) e se configurava como a máxima generalização das
condições de possibilidade das relações livremente estipuladas entre os
indivíduos...” (VIANO, 1961, p.174; apud ROVIGHI, 2015, p.245)

De acordo com este trecho, nota-se que a ética demonstrativa está voltada a teologia,
e como resultado ele começa a discutir sobre o Evangelho. Então se nota que a ética
demonstrativa e a moral possuem preceitos que vão ser utilizados na sua obra política mais
importante: Dois Tratados sobre o Governo Civil.

QUESTÕES POLÍTICAS

Você deve estar se perguntando como as questões éticas, de Locke, se encaixam em


sua visão política. Diríamos que isso está presente no Segundo Tratado sobre o Governo
Civil quando ele descreve o Estado de Natureza em que o homem vive. De acordo com
Locke:

“(...) um estado em que eles sejam absolutamente livres para decidir


suas ações, dispor de seus bens e de suas pessoas como bem entenderem,
dentro dos limites do direito natural, sem pedir a autorização de nenhum
outro homem nem depender de sua vontade.” (LOCKE, 2006, p.36)

Neste caso, o homem quando está no Estado de Natureza, ele é livre para agir, porém
devemos enfatizar que a liberdade do homem é limitada pelas leis divinas, pois Deus fez o
homem a sua semelhança, o que faz com que suas leis proíbam de ele não ferir os seus
semelhantes, nem roubar da propriedade dos outros, senão o outro indivíduo pode retribuir
justamente.

Com esse panorama, percebemos que o Estado de Natureza "é um estado de


insegurança, e isso faz com que os homens renunciem a uma parte de sua liberdade para ter
maior segurança" (ROVIGHI, 2015, p.248). Então, os homens têm a liberdade de defender a
sua vida do interesse dos outros. Como consequência isso leva a um Estado de Guerra que, de
acordo com Locke, é o estado mais abominável de todos em que todas as liberdades do
homem são quebradas e o homem faz o que quiser, seguindo o preceito dos seus prazeres,
como o roubo, assassinato e a destruição da propriedade. Para que isso seja evitado, é
necessário a aplicação das leis naturais. A passagem de Nigel Warburton justica esse
parágrafo:

“Torna-se óbvio que, no estado natural, se correria o risco que os


indivíduos se mostrassem parciais na sua defesa das leis naturais, uma vez
que tenderiam a privilegiar os seus próprios interesses, sob o pretexto de
estar a aplicar as leis naturais. Esta é uma das razões pelas quais formar uma
sociedade organizada e um governo representa uma melhoria relativamente
ao estado natural, uma vez que um governo pode estabelecer um poder
judicial independente.” (WARBURTON, 2017, p.122)

Então, como se vê, para que os homens não abusem dos seus interesses é que o
homem deve fazer uma transição do estado de natureza para a sociedade organizada, através
de um acordo mútuo em que o indivíduo renuncie do direito de imposição de castigos a um
indivíduo que transgrida as leis naturais e deposite seu poder de fazer as leis para outro
indivíduo que aja em prol da humanidade. Porém, levemos em conta que isso não quer dizer
que o indivíduo a quem o outro deposita seus poderes e direitos seja um indivíduo mais cruel
e maligno, pois ele pode estar propenso a alterar as leis naturais, fazendo com que o outro
tenha que derrubá-lo para que seja evitado um novo estado de guerra. Diante disso, percebe-
se que os Dois Tratados sobre o Governo Civil se torna uma desculpa para derrubar os
tiranos que governam nas cidades e menosprezam o povo. O excerto de Warburton
fundamenta o meu argumento:

“No entanto, tal não significa que os indivíduos numa sociedade


civil se sujeitem a estar obrigados a obedecer aos ditames de tiranos
arbitrários. O aspecto mais controverso do Ensaio sobre a Verdadeira
Origem, Extensão e Fim do Governo Civil na época em que foi publicado, e
que constitui uma das razões pelas quais Locke decidiu publicá-lo sob
anonimato, era a posição assumida pelo filósofo de que, em certas
circunstâncias, os cidadãos têm o direito de derrubar e substituir os seus
governantes.” (WARBURTON, 2017, p.126)

Eis a visão política de Locke, os indivíduos são livres para fazer o que quiser, porém
quando nós buscamos um governo pacífico, devemos tomar cuidado em escolher a quem nós
entregamos os nossos direitos, pois senão eles estarão nos condenando a um eterno Estado de
Guerra.

HIPÓTESES PELAS QUAIS LOCKE ESCREVE OS DOIS TRATADOS


SOBRE O GOVERNO CIVIL

Como se nota, a visão de Locke parece ser um pouco radical, pelo fato de que o povo
pode derrubar o governo ou seguir as regras dele. Mas levemos em conta que o contexto da
Inglaterra do século XVII, em que há a divisão entre os Whigs e os Tories. O excerto de John
Rawls complementa mais sobre a questão histórica:
“O problema de Locke é completamente diferente, bem como as
suas suposições, como seria de esperar: o seu objetivo é fornecer uma
justificação para resistir à Coroa dentro do contexto de uma constituição
mista. Trata-se de uma constituição em que a Coroa participa na autoridade
legislativa, e portanto, a legislatura (isto é, o Parlamento) não pode exercer
sozinho a soberania total. Locke preocupa-se com este problema porque está
envolvido na Crise da Exclusão de 1679-1681, assim designada porque os
primeiros Whigs, conduzidos pelo conde de Shaftesbury, tentaram excluir o
irmão mais novo de Carlos II, James, então duque de York, da sucessão ao
trono.” (RAWLS, 2007, p.136)

Então, como se nota, a razão pela qual ele escreve os Dois Tratados sobre o Governo
Civil se deve a sua participação na Crise da Exclusão (1679-1681). Esse episódio se trata de
uma tentativa de exclusão da sucessão no trono inglês de Carlos II, pelo fato de seu irmão o
Rei Jaime II ter-se convertido ao Catolicismo. Os Tories iam contra a sua conversão,
enquanto que os Whigs eram a favor dela. No caso de Locke, ele escreveu os Dois Tratados
sobre o Governo Civil como panfleto político do lado dos Whigs não só para defender a
causa do catolicismo, mas para defender o projeto de exclusão de Jaime II no trono. Por isso
se explica porque Locke escreve sobre o povo tentar derrubar o governo e pelo fato de sua
ética demonstrativa ter tido uma pegada teológica, ele escreve para refletir o seu contexto do
século XVII, em que apoiou fervorosamente os whigs. Dois anos depois, o conde de
Shaftesbury, Lorde Anthony Ashley Cooper, falece e Carlos II retoma o poder, ainda que vá
morrer em 1685 e assume Jaime II, porém logo se percebe que seu reinado não é o que
aparenta ser, e conforme descrevemos acima, o poder de um indivíduo foi dado a um outro
que possuía tendências equívocas comparadas ao outro irmão. O fragmento de Leroy (1985)
corrobora o meu argumento:

“Houve uma espécie de trégua, porque a princípio o povo confiou


no juramento do rei, que prestara fidelidade à Constituição. Mas
aperceberam-se de que não se podiam fiar na sua palavra; Jaime II mandou
matar alguns dos adversários dos Stuarts. O favor dos ingleses tornou-se
ainda mais forte em relação ao stathouder dos Países-Baixos, Guilherme d
´Orange, que casara com a princesa Mary, filha mais velha de Jaime II, e
organizara a resistência contra as pretensões de Luís XIV no norte da
França.” (LEROY, 1985, p.13)
Desse modo, Jaime II começou a causar tensão entre a Inglaterra, a Holanda e a
França. Mas, com o nascimento de um filho católico e com a dependência a França fizeram
com que ele fosse abandonado e deposto por todos os ingleses. É nesse panorama que Locke
criou os paradigmas dos whigs para a Revolução Gloriosa de 1688, mesmo estando no exílio
na Holanda. O trecho do Segundo Tratado define bem essa questão:

“Esta é a conclusão que ele retira de episódios anteriores na


história inglesa e em particular da bem sucedida revolução de 1688. Ele
percebe que aprovando dessa forma a revolução, pode ser acusado de
promover “um estímulo a rebeliões freqüentes”. Argumenta que o povo está
mais propenso a ser levado à rebelião pela tirania e pela opressão, enquanto
um governo que sabe que pode ser deposto se abusar de sua autoridade estará
menos propenso a agir errado. Além disso, “tais revoluções não ocorrem
sobre cada pequena má administração nos negócios públicos”, pois “o povo
não abandona tão facilmente suas antigas formas como alguns estão prontos
a sugerir. Ele dificilmente vai ser convencido a corrigir as falhas
reconhecidas na estrutura a que está habituado”. Na verdade, o
conservadorismo natural e a inércia levarão o povo a suportar “grandes erros
por parte do governo, muitas leis erradas e inconvenientes, e todo o tipo de
deslizes da fragilidade humana ... sem revolta ou queixas.” (LOCKE, 2006,
p.14)

É assim que nós notamos a verdadeira intenção de Locke para escrever os Dois
Tratados sobre o Governo Civil, ele escreve para que o povo siga as regras do governo, mas
mesmo que eles se sintam sobrepujados, eles têm o direito de derrubar esse rei que governa
com más intenções com o seu país de origem.

Como pudemos ver, John Locke fez várias contribuições as várias áreas específicas,
desde a Teologia, a Ética e até mesmo a Política. Alguns podem dizer que ele foi um pouco
complexo, devido ao radicalismo das suas teorias, mas ele teve uma tamanha influência em
vários autores importantes como Voltaire, Condillac. Um trecho de Hans Aarsleff
complementa este parágrafo:
“Sua influência na história do pensamento, sobre a maneira de
pensarmos sobre nós mesmos e sobre nossas relações para com o mundo em
que vivemos, para com Deus, a natureza e a sociedade, tem sido imensa. Sua
principal mensagem era para que nos situássemos livres do peso da tradição
e da autoridade, tanto na teologia como no conhecimento, ao mostrar que
todos os fundamentos de nossa conduta correta no mundo podem ser
assegurados pela experiência que podemos obter por meio das faculdades e
poderes inatos com que nascemos.” (AARSLEFF, 2011, apud CHAPPELL,
2011, p.307)

No fim de tudo, Locke formou um panorama que mudou a Inglaterra do século XVII
com suas teorias políticas e religiosas, voltadas para os whigs, que também influenciou na
formação do século XVIII na França.

OBJETIVOS

 Explorar as origens epistemológicas da Ética Demonstrativa


 Explicar a Ética Demonstrativa na visão de Locke
 Observar a influência da Ética Demonstrativa na Política Inglesa

METODOLOGIA

Para este trabalho, utilizarei os intérpretes de Locke, como além de outros autores de
Filosofia Política e abordarei as obras de Locke, Dois Tratados sobre o Governo Civil e
Ensaio acerca do Entendimento Humano à luz da corrente empirista inglesa.

Como se vê, pelos intérpretes de Locke, a Filosofia Política é uma averiguação da


sociedade civil, em especial, seus fundamentos, sua natureza e formação, levando em
consideração o direito natural do homem e a origem da sociedade, assim como seus direitos.
Diante dessa definição, a Ética Demonstrativa seria um conjunto de regras morais com base
na liberdade do sujeito atuante e em seus direitos. O objetivo dessas regras seria alcançar o
bem, na perspectiva do indivíduo, em que ele é livre para moldar as regras de acordo com sua
visão, sem ultrapassar a lei divina, proveniente de Deus.

Para demonstrar essa resistência ao poder tirânico do rei, ele demonstra nos Dois
Tratados sobre o Governo Civil que já existiu essa tirania na Inglaterra no final dos anos
1600. Primeiramente, ele denomina a tirania como "ultrapassar a lei, violar a vontade
pública, empregar a força sem autoridade, e assim por diante" (ASHCRAFT, 2011, apud
CHAPPELL, 2011, p.284). Depois Locke exemplifica a tirania através do caso em que o
poder executivo impeça qualquer ação e decisão do legislativo, resultando num estado de
guerra com o seu próprio povo, que pode ser evitado ao restaurar os poderes legislativos.
Caso o Executivo recuse invocar a legislatura, o povo é privado de seu direito de ter uma
legislação eleita, dando ao povo "uma liberdade de apelar aos céus" para justificar a sua
resistência em concordância com a " lei antecedente e superior a todas as leis positivas", ou
seja, com a lei de natureza" (ASHCRAFT, 2011, apud CHAPPELL, 2011, p.285-286). Essa
liberdade é um dos componentes principais da Ética Demonstrativa, em que Locke
fundamenta-se com base na lei divina. Sendo assim, Locke sugere depois um dissolvimento
do governo político, em que o poder volta as mãos do povo, fazendo um paralelo a Crise da
Exclusão (1679-1681) e aos episódios da Revolução Gloriosa (1688).

Levando isso em conta, percebemos que diante desse contexto histórico, o lugar do
Empirismo e das discussões com Descartes. Embora se embase no conhecimento humano,
nos foquemos num fundamento intrigante da disputa entre os dois: a questão do bem e do
mal. Para Descartes, o bem é aquilo que define o ser humano como humano, enquanto que o
mal é o nosso cogito, ou seja, maneira de pensar. Como Descartes é racionalista, ele apoia o
inatismo, em que o ser humano tem imbutido nele grande parte do conhecimento humano e
nesse caso, o bem e o mal seriam as definições de quem é o homem e como ele pensa. No
caso de Locke, o bem é aquilo que o indivíduo interpreta com base na sua vontade, enquanto
que o mal estaria fundamentado nos prazeres. Como se vê, essas questões, para Locke, têm
como fundamento as sensações, que são idéias de mundo exterior. Assim, ele rejeita o
inatismo, mas essa questão se torna inaceitável e alguns comentadores até dizem que "A
filosofia aristotélico-tomista já havia oferecido um meio-termo para essa questão filosófica,
como demonstra Thonnard. Para a escolástica medieval, as nossas ideias abstratas
exprimem realmente às essências das coisas, mas em modesta medida" (PIMENTA, 2013).
Como consequência, ele não tem escolha, senão apelar para esse inatismo.

No fim de tudo, ele não consegue definir quem é o ser humano, ele apenas consegue
mostrar o papel dele na sociedade política.

CRONOGRAMA

Etapas Ago- Nov 18- Mar-junho Julho-dez Jan-Mar Abril- Junho-


Julho
Out Fev 2019 2019 2020 Maio
2020
2018 2019 2020

Levantamento x x x x
Bibliográfico
Coleta de Fontes x x x

Disciplinas x x x

Análise de x x x x x
Fontes

Apresentação em x x x
evento científico

Redação do x x x
trabalho

Revisão/Entrega x

Defesa x

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Fontes:

LOCKE, John. Ensaio Acerca do Entendimento Humano. Ed Nova Cultural, 2012.


Disponível em:
https://direitasja.files.wordpress.com/2012/04/ensaio_sobre_entendimento_humano.pdf
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LOCKE, John. Ensaio acerca do Entendimento Humano. São Paulo: Ed. Martins Fontes,
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Bibliografia:

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COSTA, Rogério da. Descartes, máquinas, animais e outras mentes, 2013. Disponível em:
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FILHO, Edgard José Jorge. Moral e História em John Locke, 1992. Ed Loyola.
GRANT, Ruth W. John Locke´s liberalism. Chicago: University of Chicago Press, 1987
LEROY, André-Louis. Locke, 1985. Edições 70.
MEYERS, Robert G. Empirismo, 2017. Ed Vozes.
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ROVIGHI, Sofia Vanni. História da Filosofia Moderna : de revolução científica a Hegel,
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WARBURTON, Nigel. Grandes Livros de Filosofia, 2017. Edições 70.
YOLTON. Dicionário Locke. Ed. Jorge Zahar, 1996.
Também disponível em:
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YOLTON, John. Locke and the way of Ideas. Oxford: Clarendon Press; London, 1968.