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LIGAS FERR0-CARBONO

Prof. Valtair Antonio Ferraresi


Universidade Federal de Uberlândia

INTRODUÇÃO

Aços são definidos como ligas de ferro e carbono, contendo até 2,0% deste
elemento.

Existem diferentes tipos de aços que podem ser classificados de acordo com a
sua composição química, microestrutura, propriedades mecânicas ou
características de fabricação.
Classificação com base em sua composição química:

1 - Aços carbono e aços carbono-manganês:


1.1. - Aço Carbono:
Os aços carbono apresentam em sua composição, além do carbono, somente
elementos resultantes de seu processo de fabricação. Seus teores de
manganês e silício são, em geral, inferiores a 1,0 e 0,4%, respectivamente,
elementos adicionados ao aço líquido, durante a fabricação, para a sua
desoxidação.
Estes aços são extremamente utilizados tanto na fabricação em geral como
em estruturas soldadas.

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INTRODUÇÃO

Em geral os aços são utilizados com teor de carbono inferior a 0,35%.


Quanto ao teor deste elemento, podem ser divididos em:

- Aços baixo carbono (%C < 0,25%)


- Aços médio carbono (0,25 < %C < 0,50)
- Aços alto carbono (%C > 0,50)

De uma maneira geral, a resistência mecânica dos aços carbono


aumenta e as suas dutilidade e soldabilidade diminuem à medida que o
teor de carbono aumenta.

INTRODUÇÃO

2 - Aço carbono-manganês:

Os aços carbono-manganês são basicamente aços baixo carbono com um


maior teor de manganês, que é adicionado para aumentar a resistência
mecânica sem, contudo, prejudicar a sua tenacidade.

O teor máximo deste elemento é cerca de 1,6%, pois, com maiores teores, ilhas
de martensita podem ser formadas após a laminação a quente.

Alumínio pode ser adicionado (0,01-0,02%) para obtenção de uma granulação


mais fina e, portanto, uma melhor tenacidade.
Quando temperados e revenidos, estes aços podem apresentar elevada
resistência mecânica, de até 640MPa, quando comparados com os aços baixo
carbono (até 400MPa).
Em geral, tanto os aços carbono quanto os aços carbono-manganês são
utilizados em estruturas soldadas no estado após laminação a quente.

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INTRODUÇÃO

3 - Aços microligados:

Estes aços, também conhecidos como aços de alta resistência e baixa liga (ARBL
ou, do inglês,HSLA), apresentam maior resistência mecânica, aliada com uma
elevada tenacidade, quando comparados com os aços anteriores de composição
similar.

São basicamente aços baixo carbono ou aços carbono-manganês com pequenas


adições (em geral inferiores a 0,1%) de alumínio, vanádio, titânio ou nióbio,
podendo conter ainda adições de cobre, molibdênio, níquel ou cromo.

Suas características mecânicas são devidas à sua granulação extremamente fina


e a fenômenos de precipitação resultantes de sua composição química e de seu
processo de fabricação.
Este envolve, em geral, a laminação controlada (laminação com um controle estrito
da temperatura e quantidade de deformação em seus passes) seguido por um
resfriamento acelerado ao final da laminação ou por um tratamento térmico de
normalização.

INTRODUÇÃO

4 - Aços liga:

Estes aços apresentam adições intencionais de elementos de liga diferentes


do carbono para a obtenção de certas características desejadas.

De acordo com o teor total de elementos de liga presentes, podem-se


distinguir três classes de aços liga:

-Aços baixa liga: com adições de elementos de liga de até 5%;

-Aços média liga: com adições entre 5 e 10%;

-Aços alta liga: com adições superiores a 10%.

5 - Ferros fundidos:

liga Fe-C (com %C > 2% e elevado silício)

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Diagrama de equilíbrio Fe-C

As fases representadas neste diagrama são:


líquido, austenita (γ), ferrita (α e δ) e
cementita Fe3C.

A austenita é a solução sólida intersticial


de carbono no ferro γ (CFC), a ferrita é a
solução sólida do carbono no ferro α e δ
(CCC) e a cementita é um carboneto de
ferro de estrutura ortorrômbica.

A solubilidade do carbono é maior na


austenita do que na ferrita. Por exemplo, a
727ºC, a austenita pode dissolver 0,77%C e
a ferrita somente 0,02%C (pontos indicados
por S e P na figura, respectivamente).

Esta diferença pode ser compreendida,


comparando-se as dimensões dos
interstícios do ferro γ (1,48Å) e do ferro α
(0,38Å), que podem ser ocupados pelos
átomos de carbono, com diâmetro de 1,54Å. 7

Diagrama de equilíbrio Fe-C

O diagrama Fe-C apresenta três reações invariantes, caracterizadas pelos pontos:


1 - peritético, a 0,17%C e 1495ºC (H),
2 - eutético, a 4,30%C e 1147ºC (C) e
3 - eutetóide, a 0,77%C e 727ºC (S).

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Formas Cristalinas do Ferro
Ferro: elemento alotrópico existe em diferentes formas cristalinas
Ferro alfa (α, ferrita cúbica de corpo centrado – CCC): existe da temperatura
ambiente até 912ºC
Ferro gama (γ, austenita cúbica de face centrada – CFC): existe entre 912ºC e
1394ºC
Ferro delta (δ, ferrita cúbica de corpo centrado – CCC): existe entre 1394ºC até a
temperatura de fusão
Cementita: Fe3C
Composiç
Composição quí
química: 6,67%C
Estrutura cristalina: ortorrômbica

Diagrama de equilíbrio Fe-C

Estrutura dos aços resfriados lentamente

De acordo com o seu teor de carbono, os aços podem ser divididos em três grupos:
1 - aços hipoeutetóides, com teor de carbono inferior a 0,77%;
2 - aços eutetóides, com teor de carbono em torno de 0,77% ;
3 - aços hipereutetóides, com teor de carbono superior a 0,77%.

Um aço com 0,45%C, aquecido a 900ºC, apresenta uma estrutura austenítica, que é a fase
estável a esta temperatura, segundo o diagrama Fe-Fe3C Se este aço for resfriado
lentamente a partir desta temperatura, ao alcançar a linha GS (775ºC), os primeiros
cristais da fase α começarão a ser formados.

A medida que o aço se resfria, mais ferrita se forma e a quantidade de austenita diminui.
Quando a temperatura de 727ºC é alcançada, a austenita remanescente se transforma em
ferrita e cementita, de acordo com a reação eutetóide, dando origem à perlita.

Após esta reação, o material não sofre mais nenhuma alteração significativa em seu
resfriamento até a temperatura ambiente. Assim, a sua microestrutura final será
constituída de ferrita pró-eutetóide (formada antes da reação eutetóide) e perlita.

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Diagrama de equilíbrio Fe-C

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Diagrama de equilíbrio Fe-C

Um aço com cerca de 0,8%C, resfriado lentamente a partir da austenita, apresentará, na


temperatura ambiente, uma microestrutura constituída essencialmente por perlita

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Diagrama de equilíbrio Fe-C
Um aço com 0,95%C, resfriado
lentamente a partir da região
austenítica, terá a cementita como
constituinte pró-eutetóide.

A cementita começa a se formar


quando, no resfriamento, a linha
SE é alcançada (800ºC).

Na seqüência do resfriamento,
mais cementita se forma enquanto
a quantidade de austenita diminui.

Na temperatura de 727ºC, a
austenita se transforma em perlita.

À temperatura ambiente, o aço


será constituído de cementita
próeutetóide, localizada
geralmente nos antigos contornos
de grão da austenita, e por perlita.
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Diagrama de equilíbrio Fe-C

Perlita.

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Perlita:
A perlita não é uma fase, e sim uma mistura de
duas fases, ferrita e cementita (Fe3C), que
ocorrem sob a forma de lamelas paralelas.
A ferrita tem estrutura CCC – tem menor
capacidade de dissolver o carbono. O carbono,
rejeitado pela ferrita, dá origem a cementita.
Isto ocorre principalmente em aços eutetóide
(Fe-0,77C) em resfriamento lento.
Mehl (1941) propôs um mecanismo para
explicar o crescimento da perlita, baseado na
nucleação de cementita a partir do contorno de
grão austenítico. À medida que essa partícula
de cementita crescesse, ela diminuiria o teor
de carbono das regiões vizinhas até ocorrer a
formação de ferrita. Com o crescimento da
ferrita haveria segregação de carbono para a
austenita, até ser atingido o nível de carbono
na cementita, quando esta então nuclearia.

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ASPECTO CINÉTICO
Aço resfriado lentamente - ferrita, perlita e cementita. Estes constituintes torna o
aço macio e pouco resistente.
Aço resfriado rapidamente - aparecerão outros constituinte metaestáveis, como a
bainita e martensita, que não são previstos no diagrama de fase ferro-cementita. A
microestrutura torna-se mais fina, aumentando o limite de escoamento do aço.

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ASPECTO CINÉTICO
Decomposição da austenita

FERRITA – forma-se por difusão e sua


morfologia é bastante variável com a taxa
de resfriamento, passando de forma
equiaxial em resfriamento lento para a
forma de agulhas em resfriamento mais
severo, conhecida com o nome de Ferrita
Acicular.

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ASPECTO CINÉTICO

Com o resfriamento lento, os grãos ferríticos


são equiaxiais, nucleados preferencialmente
no contorno de grãos austeníticos, embora
exista também nucleação no interior do grão,
notadamente sobre inclusões.
O aumento da taxa de resfriamento produz
também ferrita em forma de ripa ou de placa
alongada nucleada no contorno e no interior
do grão austenítico, a qual é denominada
genericamente ferrtita de Widmanstatten.

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ASPECTO CINÉTICO

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ASPECTO CINÉTICO

BAINITA
Quando um aço carbono é resfriado rapidamente,
ocorre a formação de uma estrutura denominada
bainita (superior e inferior). É um processo misto
que envolve difusão e forças de cisalhamento.

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ASPECTO CINÉTICO
A ferrita acicular e a bainita apresentam essencialmente os mesmos
mecanismos de formação. A diferença é que a bainita nucleia no contorno de
grão austenítico e cresce de forma de um feixe de agulhas paralelas e a ferrita
acicular nucleia em inclusões não metálicas e cresce radialmente em forma de
agulhas.
A analogia entre a bainita e a ferrita acicular é acentuada: a remoção de
inclusões por refusão a vácuo de um aço com ferrita acicular causa a mudança
de estrutura para a bainita. O fenômeno oposto também ocorre.

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ASPECTO CINÉTICO

A martensita é uma fase metaestável, não prevista pelo diagrama de equilíbrio Fe-C e se
forma por um curto movimento simultâneo de grupos de átomos (isto é, por deformação
localizada), devido a enorme instabilidade da austenita. Esta fase tem uma estrutura
cristalina Tetragonal de Corpo Centrado (semelhante à estrutura CCC, mas com uma de
suas arestas maior que as outras duas), uma morfologia de lâminas ou agulhas, quando
observada ao microscópio. É um constituinte de maior dureza dos aços comuns.

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ASPECTO CINÉTICO
A quantidade de martensita formada a uma dada temperatura é fixa para um dado
aço e, quanto mais baixa, maior é a quantidade de martensita formada. Pode-se
definir assim, para um aço de uma certa composição, uma temperatura em que a
estrutura, após um resfriamento suficientemente rápido, é completamente
martensítica (temperatura Mf). Esta temperatura também pode ser estimada por
fórmulas empíricas, por exemplo:

Mf (oC) = 346 - 474%C - 33%Mn - 17%Ni - 21%Mo

A figura abaixo esquematicamente a variação da microestrutura em função da


velocidade de resfriamento, para um aço hipoeutetóide.

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ASPECTO CINÉTICO
Com o aumento do teor de carbono, diminuem as temperaturas de início (Mi) e fim
(Mf) de formação. Assim, um aço com 0,8%C resfriado bruscamente até a
temperatura ambiente apresentará aproximadamente 80% de martensita e 20% de
austenita não transformada (austenita retida). Para que essa austenita se transforme
em martensita é necessário abaixar a temperatura da amostra, muitas vezes para
temperatura abaixo de 0ºC.

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Diagramas TTT

Os diagramas TTT (ITT ou TRC) fornecem as fases e constituintes formados


em um aço, em função de suas condições de resfriamento a partir do campo
austenítico. Estes diagramas podem ser baseados em transformações a
temperatura constante (após o material ser resfriado rapidamente a partir do
campo austenítico até a temperatura de interesse), conhecido como diagramas
ITT (Isothermal Time Transformation) ou em transformações desenvolvidas
durante um resfriamento contínuo, diagrama TRC (Transformação em
Resfriamento Contínuo).
Para se obter as curvas utiliza-se, normalmente, o dilatômetro – equipamento
que mede a variação do comprimento da amostra provocada por mudanças de
temperatura ou por transformação de fase – contração ou expansão da amostra
por diferenças estruturais

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Diagrama ITT

Levantamento da curva de transformação isotérmica (ITT) para um aço eutetóide

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Diagrama ITT

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Diagrama ITT

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Diagrama ITT

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Diagramas TRC
As transformações dos aços nos processos industriais ocorrem majoritariamente por resfriamento
contínuo e não isotermicamente. Em vista disso, foram desenvolvidas as curvas CCT (Continuous
Cooling Transformation) ou TRC (Transformação por Resfriamento Contínuo).

A construção das curvas TRC é


feita no dilatômetro de maneira
análoga às das curvas ITT.
Austenitiza-se o aço e faz o
resfriamento com uma taxa de
resfriamento constante,
observando-se as inclinações na
curva do comprimento da amostra
(∆L). Para um aço eutetóide,
quando a inclinação da curva
muda começa a ter uma
transformação. Quando a
inclinação volta a mudar, existe a
indicação de que a transformação
terminou.

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Diagramas TRC

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Diagramas TRC

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Diagramas TRC

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Fatores que influenciam as curva TTT

A forma e a posição das curvas é influenciada essencialmente por três fatores:


1 – Composição química; 2 – Condições de autenitização; 3 – Tamanho de
grão da austenita.
i) Composição química:
– De uma forma geral a adição de elementos de liga desloca estas curvas para
a direita e para baixo, podendo ou não alterar a sua forma.
- Elementos com forte afinidade com o carbono, como o Cr, Mo, Nb, Ti V e
etc., retardam a transformação ferrítico-perlítico e fazem aparecer o domínio
bainítico a temperaturas mais baixas.
- A presença de inclusões e ou segregações, enquanto heterogeneidades
químicas, tem um efeito semelhante.
ii) Condições de autenitização:
- Um aumento da temperatura de austenitização ou do tempo de manutenção
a essa temperatura desloca igualmente as curvas para a direita e para baixo.
O aumento da temperatura de austenitização conduz a um enriquecimento da
autenita em elementos de liga devido a fenômenos de dissolução (carbonetos).
Por outro lado, conduz também a um aumento do tamanho de grão,
diminuindo a taxa de nucleação da transformação. 34

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Fatores que influenciam as curva TTT

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Fatores que influenciam as curva TTT

iii) Tamanho de grão da austenita


Maior tamanho de grão – mais para
a direta são deslocadas as curvas
de início e de fim da transformação.
Assim, aços com tamanho de grãos
austenítico grande tendem a
apresentar, no resfriamento, uma
estrutura martensítica.

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Curvas TTT em Soldagem

Ciclo térmico na Soldagem

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Curvas TTT em Soldagem


Se a temperatura máxima da região a ser analisada da ZAC de um material e o tempo
de manutenção grande, pode ocorrer um crescimento de grão, modificando as
condições de transformação microestrutural no resfriamento.
Numerosos diagramas TRC aplicados em soldagem foram determinados por análise
térmica de soldagem reais ou por simulação (corpo de prova). O objetivo é prever a
microestrutura da ZAC – é necessário conhecer a energia de soldagem, velocidade de
resfriamento, espessura da chapa e temperatura inicial.

Os diagramas são obtidos a partir de


ensaios de simulação térmica com
austenitização em maior temperatura
(geralmente entre 1350 e 1400oC),
que reproduz a zona de grãos
grosseiros da ZAC.
A elaboração desses diagramas
exige considerável tempo e recursos
e, dado que são específicos para uma
determinada composição do aço, o
seu uso é restrito. Simulador térmico

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Outros diagramas relacionado a ZAC

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Esquema de um diagrama da ZF de solda

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ELEMENTOS DE LIGA NOS AÇOS

A introdução de elementos de liga nos aços é feita quando se almeja um ou mais


dos seguintes efeitos:
- aumento da resistência mecânica;
- aumento da dureza;
- diminuição do peso;
-aumento da resistência à corrosão;
- aumento da resistência ao calor;
- aumento da resistência ao desgaste;
- melhoria da usinabilidade;
- melhoria das propriedades elétricas;
- melhoria das propriedades magnéticas.

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DISTRIBUIÇÃO DOS ELEMENTOS DE LIGA NOS AÇOS

A distribuição dos elementos nos aços dependerá de sua tendência de participar de


uma solução sólida, ou de formar composto intermediário, uma fase intermediária ou
mesmo uma inclusão não metálica.
Para que um elemento se distribua em uma ou mais fases é necessário que haja
tempo suficiente para a sua movimentação dentro do aço, seja na fase líquida ou
sólida. Depende também da concentração de outros elementos.

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ELEMENTOS DE LIGA NOS AÇOS

Os átomos de C, N, O,
H e B possuem raios
atômicos pequenos em
relação ao ferro e
formam com estas
soluções do tipo
intersticial.

A solubilidade destes
elementos é limitada
pela grande distorção
que eles provocam na
rede cristalina e, em
alguns casos, pela sua
afinidade química com
o ferro ou outro
elemento de liga

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ELEMENTOS DE LIGA NOS AÇOS

Carbono e nitrogênio são os elementos que apresentam as maiores solubilidades. O


oxigênio tem baixa solubilidade devido à tendência de formar óxidos mais estáveis do
que a solução sólida. O hidrogênio tem a forte tendência a permanecer na forma
molecular (H2), representando solubilidade muito baixa.

Os elementos metálicos Cr, Ni, Mn e outros possuem raios atômicos próximo ao do


ferro, podendo substituir átomos destes na sua rede cristalina, formando soluções
substitucionais. A solubilidade depende da temperatura e estrutura cristalina.

A presença de elementos em solução sólida tende a aumentar a dureza e


resistência mecânica de uma fase (endurecimento por solução sólida). Nos aços
estruturais, o aumento da resistência mecânico por solução sólida é pequeno frente
a outros mecanismos como o refino da estrutura ou a formação de fases mais duras.

Níquel, silício e alumínio têm menor afinidade pelo carbono que o ferro. Por outro
lado manganês, cromo, molibdênio, tungstênio, tântalo, vanádio, titânio e nióbio
possuem maior afinidade, aumentando do manganês para o nióbio. Com exceção do
manganês, que é capaz de se combinar na cementita, os demais elementos
formadores de carboneto se dissolvem somente em pequena quantidade nesta e
tendem a formar outros tipos de carbonetos.
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ELEMENTOS DE LIGA NOS AÇOS

Quando a afinidade do elemento de liga pelo carbono for superior à do ferro,


carbonetos diferentes da cementita podem ser formados, podendo influenciar no
comportamento do aço (resistência mecânica).

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INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE LIGAM SOBRE


OS CAMPOS α E γ DO DIAGRAMA Fe-C.

Os elementos de liga podem alterar o


diagrama Fe-C de duas formas:
A – expandindo o campo γ (gama) e
favorecendo a presença da austenita
num intervalo maior de temperatura e
numa faixa ampla de composição.
São elementos estabilizadores da
austenita, ou gamagêneos.
B – contraindo o campo γ e
favorecendo a formação da ferrita em
uma ampla faixa de composição e em
um maior intervalo de temperatura.
São elementos estabilizadores da
ferrita, ou alfagêneos.

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INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE LIGAM SOBRE
OS CAMPOS α E γ DO DIAGRAMA Fe-C.

Os diagramas podem ser divididos em 4


classes:

1 – Campo γ aberto – Ni, Mn, etc. Quando


em altas concentrações, estes elementos
tendem a estabilizar a austenita mesmo à
temperatura ambiente, provocando um
abaixamento das temperaturas de
transformação A3 e A1.
2 – Campo γ expandido – elementos
principais C e N. O campo austenítico é
expandido, mas sua faixa de existência é
interrompida pela formação de compostos.
3 – Campo γ fechado – Si, Al, P, Ti, V,
Mo, Cr, etc. Estes elementos aumenta a
estabilidade da ferrita (CCC), tendendo a
tornar os campos α e δ contínuos.
4 – Campo γ contraído – B, Nb, etc. A
contração do campo austenítico é
acompanhada pela formaçõa de
compostos. 47

INFLUÊNCIA DOS ELEMENTOS DE LIGAM SOBRE


OS CAMPOS α E γ DO DIAGRAMA Fe-C.

De acordo com a figura abaixo, 1%Ti é suficiente para eliminar o campo autenítico,
enquanto o teor necessário de Cr é de 20%.

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Temperabilidade nos aços
Temperabilidade – é associado à capacidade de endurecimento do aço durante o
resfriamento rápido (têmpera), ou seja, sua capacidade de formar martensita a uma
determinada profundidade em uma peça.
Métodos utilizados para avaliar a temperabilidade dos Ensaios: Taxa de resfriamento
crítico, Grossmann e o Jominy .

Taxa de Resfriamento
Crítico: Utiliza a curva
TRC
Diagrama de
resfriamento contínuo do
aço 1045. A taxa de
resfriamento crítico para
esse aço seria de
7000oC/s.

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Temperabilidade nos aços

Ensaio Grossmann: Consiste em resfriar, a partir do estado austenítico, uma série de


barras cilíndricas, de diâmetros crescentes, em condições controladas de
resfriamento. As barras são cortadas e mede a dureza no centro delas.

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Temperabilidade nos aços
Ensaio Jominy: A barra é austenitizada e, em seguida, resfriada com um jato de
água em condições padronizadas.

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Temperabilidade nos aços

O conhecimento da profundidade
de endurecimento nos aços,
sobretudo naqueles que
apresentam elementos de liga, é de
importância fundamental para a sua
aplicação – Faixa de
temperabilidade (faixa de dureza) –
Dispersão dos resultados.
Por exemplo, um aço 1040 poderá
ter, por norma, seu teor de carbono
variando de 0,37 a 0,44%, assim
como apresentar variações nos
outros elementos de liga (Mn, Si,
etc.)

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Temperabilidade nos aços
Fatores que afetam a temperabilidade:

Para se aumentar a temperabilidade do aço, deve-se retardar a formação da


ferrita, cementita, perlita e bainita, ou seja, deve-se deslocar a curva ITT para
tempos mais longos. Obtém-se isso com:

- Elementos de liga dissolvidos na austenita;


- Granulação grosseira da austenita. Para diminuir áreas de nucleação
heterogênea dos compostos difusionais (ferrita, perlita, cementita e bainita),
visto que os contornos de grãos funcionam como locais preferenciais para a
nucleação destes compostos;
- Homogeneidade da austenita, com ausência de inclusões ou precipitados,
para dificultar a nucleação dos compostos difusionais.

Obviamente que, para se diminuir a temperabilidade, as providências são opostas


à citadas.

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Efeitos dos elementos de liga e tamanho de grão

Crescimento do grão austenítico


Depende: tempo, temperatura e partículas finas
dispersas (ALN, por exemplo)
Em geral, para uma certa temperatura o
crescimento de grão é bastante rápido no início
de aquecimento – Figura abaixo

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Crescimento de grãos austeníticos

O aumento do grão austenítico para melhoria da temperabilidade não é um processo


indicado, pois acarreta na deterioração das propriedades mecânicas, principalmente
na ductilidade dos aços de alto carbono. Assim, para aumentar a temperabilidade de
um aço, são empregados os elementos de liga, e não o crescimento dos grãos
austenítico.

Efeito do C na temperabilidade de um
Efeito do boro sobre a temperabilidade de
aço 0,5Cr – 0,5Ni – 0,25Mo
um aço 0,63%C
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Referências

Costa e Silva, Andre Luiz & Mei, Paulo Roberto, Aços e ligas
especiais, Editora Edgard Blucher, São Paulo, 2006.
Linert, George E., Welding Metallurgy - American Welding
Society - vol 1/2.
Chiaverini, Vicente, Aços e Ferros Fundidos - ABM, 1982.
Van Vlack, Lawrence H., Princípio da Ciência dos Materiais -
Editora Edgard Blucher.

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