Você está na página 1de 68

Mecânica e

Resistência
dos Materiais
Me. Ronan Yuzo Takeda Violin
PALAVRA DO REITOR

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-


mos com princípios éticos e profissionalismo, não
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá,
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo
MEC como uma instituição de excelência, com
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a
instituição de educação precisa ter pelo menos
três virtudes: inovação, coragem e compromisso
com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para
os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as
quais visam reunir o melhor do ensino presencial
e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
promover a educação de qualidade nas diferentes
áreas do conhecimento, formando profissionais
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-
munidade do Conhecimento.
Essa é a característica principal pela qual a
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é
importante destacar aqui que não estamos falando
mais daquele conhecimento estático, repetitivo,
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global,
democratizado, transformado pelas tecnologias
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de
pessoas, lugares, informações, da educação por
meio da conectividade via internet, do acesso
wireless em diferentes lugares e da mobilidade
dos celulares.
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer
transformou-se hoje em um dos principais fatores de
agregação de valor, de superação das desigualdades,
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
Logo, como agente social, convido você a saber
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e
usar a tecnologia que temos e que está disponível.
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
modificou toda uma cultura e forma de conhecer,
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato
com ambientes cativantes, ricos em informações
e interatividade. É um processo desafiador, que
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você
está iniciando um processo de transformação,
pois quando investimos em nossa formação, seja
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e,
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível
de desenvolvimento compatível com os desafios
que surgem no mundo contemporâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa-
nhará durante todo este processo, pois conforme
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem
dialógica e encontram-se integrados à proposta
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como
principal objetivo “provocar uma aproximação
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita
o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de
crescimento e construção do conhecimento deve
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas
ao vivo e participe das discussões. Além disso,
lembre-se que existe uma equipe de professores e
tutores que se encontra disponível para sanar suas
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren-
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO

O livro está dividido em três grandes partes, sendo primeira composta das
Unidades 1 e 2, as quais correspondem ao embasamento, contendo uma
revisão de assuntos já estudados em outras disciplinas e em relação às pro-
priedades de figuras planas. Você estudará como determinar o momento
estático, centroide, momento de inércia e raio de giração. Na Unidade 2,
veremos o conceito de tensão, os tipos de tensões, tensões normais, tensões
de cisalhamento e tensões em planos oblíquo ao eixo e suas aplicações que
serão extremamente importantes para o desenvolvimento do livro todo.
A segunda parte do livro é composta das Unidades 3, 4, 5, 6 e 7, em que
ocorrerá o aprendizado de diversos componentes. A Unidade 3 irá apre-
sentar o efeito do carregamento axial em relação à tensão e deformação;
aprenderemos a diferença entre material dúctil e frágil, além de compreen-
der a relação entre a deformação específica axial e a transversal. A Unidade
4 comentará sobre a torção, como determiná-la e suas tensões de cisalha-
mento, o ângulo de torção, seja para eixos circulares maciços ou vazados,
para peças com formato prismática e de parede delgada.
A Unidade 5 tem como objetivo desenvolver as equações base relacionadas
à flexão pura em barras prismáticas, que serão utilizadas nas unidades a
seguir. A Unidade 6 baseia-se em carregamentos transversais e seus efeitos
para determinar as tensões cisalhantes nas seções transversais. Na Unidade
7, estudaremos como realizar a análise das tensões e deformações e entender
o comportamento dos componentes das tensões e como se transformam
quando ocorre a rotação dos eixos de coordenadas.
A terceira parte do livro é composta da aplicação que corresponde às Uni-
dades 8 e 9, na qual a Unidade 8 nos conduzirá para quais preocupações
devemos ter para dimensionar vigas prismáticas, desde os cuidados com
a tensão normal e de cisalhamento. A Unidade 9 tem como objetivo de-
terminar a declividade e deformação em vigas prismáticas e também a sua
flecha máxima.
Assim, é composta a estrutura do livro com diversos assuntos que compõem
o embasamento de um engenheiro.
CURRÍCULO DOS PROFESSORES

Me. Ronan Yuzo Takeda Violin


Possui mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá (2009) e
graduação em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Maringá (2007). Atualmente,
é engenheiro civil - Estevam e Cia Ltda; sócioadministrador - R & R Comércio e Serviços de
Protensão Ltda; responsável técnico - Hangar Empreendimentos Imobiliários Ltda; professor
da graduação e pós-graduação do Centro de Ensino Superior de Maringá; professor do Cen-
tro de Ensino Superior de Maringá (UniCesumar); professor da graduação de engenharia da
Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná (Fatecie) e professor da pós-gradua-
ção de engenharia da Faculdade de Engenharia e Inovação Técnico Profissional (Feitep). Tem
experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Processos Construtivos, atuando,
principalmente, nos seguintes temas: construção civil, concreto, sustentabilidade, redução
e planejamento.
Currículo lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/3141613962170376
Propriedades de
Figuras Planas

13

Conceito de Tensão

69

Tensão e Deformação
– Carregamento Axial

113
Análise das Tensões
Torção
e Deformações

163 295

Flexão Pura Projeto de Vigas

211 337

Carregamento Deflexão das Vigas


Transversal por Integração

249 389
Uma das características que podemos utilizar para substituir as diversas pequenas
forças aplicadas no corpo rígido por uma única força é conhecida como força resul-
tante, aplicada no centro de gravidade; mas se, em vez de um corpo rígido, for uma
figura plana?
Para isso, iremos aprender um pouco sobre propriedades de figuras planas e como
determiná-las. Tudo se iniciará pela determinação do momento estático ou momento
de primeira ordem e, também, pela determinação do centroide de figuras planas.
Para determinarmos o centroide de uma figura plana de um formato irregular,
devemos partir do conceito de utilizar uma figura plana, como apresentado na Fi-
gura 1, e dividirmos em pequenos elementos com áreas infinitesimais (dA).

Centroide é um parâmetro geométrico, enquanto centro de gravidade é um parâ-


metro físico de um corpo, portanto, em centro de gravidade são computadas as
três dimensões, além do peso específico.
Algumas vezes, centroide e centro de gravidade são considerados sinônimos, mas,
ao rigor da Física e da Matemática, não são.

UNIDADE 1 15
Observe que cada pequeno elemento partirá de uma referência, ou seja, da origem de
uma coordenada x e y. Assim, toda a figura poderá ser subdivida. Utilizando conceitos
que você já possui e que foram desenvolvidos, nas disciplinas de Cálculo Diferencial e
Integral, no assunto de Integral, você deve lembrar que, para determinar a área figura,
é necessário somar todos os elementos de área (dA), porém, quanto menor forem,
melhor a aproximação do resultado esperado.

x dA

x
C
A
y
y
X

Figura 1 - Figura Plana para determinação do Centroide


Fonte: o autor.

Sobre o conceito já adquirido em Cálculo Diferencial e Integral, teremos uma defi-


nição de momento estático para o eixo x e para o eixo y.
Assim, conceituando:
Momento estático entorno do eixo x → Qx   y.dA (Eq. 1)
Momento estático entorno do eixo y → Q y  x.dA
(Eq. 2)

Notamos que os momentos estáticos de área A podem ser determinados como pro-
dutos da área vezes as coordenadas de seu centroide.
Qx = y. A (Eq. 3)
Q y = x. A (Eq. 4)

16 Propriedades de Figuras Planas


Observe que quando você determinar o momento estático em relação ao eixo x,
deverá utilizar a coordenada em relação ao eixo y. Observe, também, que será
sempre perpendicular ao momento estático e função que irá utilizar.

É possível determinar o centroide de uma figura plana isolando as coordenadas x e y


das equações 3 e 4. Assim, temos as equações para determinar o centroide, equações
5 e 6. Lembrando que a informação que buscamos obter é uma coordenada para o
eixo x e y, ou seja, um endereço a partir de um ponto de referência, que geralmente
é a origem da figura.

x
Qy

 x.dA
(Unidades em m; cm; mm) (Eq. 5)
A  dA
Qx  y.dA
y  (Unidades em m; cm; mm) (Eq. 6)
A  dA

A geometria das figuras planas é tão importante quanto as equações e os cálculos.


Temos alguns exemplos ilustrados na Figura 2, que classificam as figuras em assimé-
tricas, simétricas em relação a um eixo (x ou y) ou simétricas.

ASSIMÉTRICAS

SIMÉTRICAS EM RELAÇÃO A UM EIXO (x ou y)

SIMÉTRICAS

Figura 2 - Classificação das figuras em relação à simetria


Fonte: o autor.

UNIDADE 1 17
Observamos que, nas figuras simétricas, é possível determinar o centroide por meio
da divisão simétrica da figura. Esse processo, contudo, não é possível para o caso de
figuras assimétricas. Para elas, equações que determinam as coordenadas do centroide
ou centro geométrico possuem enorme importância.
Para o entendimento do próximo tópico, será desenvolvido um exercício para
entender como determinar o momento estático e o centroide da figura com formato
retangular. A linha de raciocínio empregada nesse exemplo pode ser utilizada para
figuras assimétricas, figuras com simetria em apenas um eixo e áreas delimitadas
por equações.

Conhecer um pouco sobre Geometria é de extrema importância para a determinação


das propriedades de figuras planas. Com esse conhecimento, é possível determinar
o centroide por meio das relações geométricas para aquelas figuras que apresentam
simetria em relação a um eixo ou aquelas que são totalmente simétricas.

18 Propriedades de Figuras Planas


Assim, podemos elucidar o exercício exemplo com a determinação das coordenadas
x e y do centroide para um retângulo, como apresentado na Figura 3.

O b X

Figura 3 - Retângulo para determinação da posição do centroide e de suas coordenadas nos eixos x e y
Fonte: o autor.

1 EXERCÍCIO Primeiramente, devemos observar se a igura apresenta simetria. Com esta obser-
vação, é possível determinar o centroide a partir da simetria da igura e concluir
b h
que o centroide é C ( ; ). Por este motivo, deve-se atentar a esse detalhe.
2 2
E se a figura não for simétrica?
• Determinação da área da figura:

Como a figura apresenta formato conhecido, é possível determinar a área da figura


por A  b·h

• Determinação do momento estático Qx :

Qx   y.dA

UNIDADE 1 19
Considerações: o elemento de área dA é determinado por uma pequena parte do
retângulo (parte hachurada), em que sua base recebe a nomenclatura de b, e sua
altura de dy, como na Figura 4.

dy
h

O b X

Figura 4 - Determinação do elemento de área dA


Fonte: o autor.

Assim, temos que dA = b.dy , logo

h h
Qx   y.dA   y.b.dy b  y.dy 
0 0

y 2 h
 0  b2 . h2  02  
b h
Qx  b.    . y 2
 2 
 0 2
bh2
Qx 
2

• Determinação da posição do centroide em relação ao eixo y ( y ):


bh2
Q bh2 1 bh2
y x  2  ·  
A bh 2 bh 2bh
h
y
2

20 Propriedades de Figuras Planas


Como já esperado devido à simetria.
De forma análoga, é possível determinar o centroide x , com as mesma conside-
rações para determinação do elemento de área (dA).
• Determinação do momento estático Q y :
b b
Q y   x.dA   x.h.dx  h  x.dx 
0 0

x 2 b
 0  2h b2  02  
h b
Q y  h    x2
 2 
 0 2
b2 h
Qy 
2
• Determinação da posição do centroide em relação ao eixo x ( x ):
b2 h
Qy b2 h 1 b2 h
x  2  ·  
A bh 2 bh 2bh
b
x
2
Neste tópico, aprendemos um pouco sobre as definições de duas propriedades geo-
métricas de figuras planas: o momento estático ou momento de primeira ordem e o
centroide ou centro geométrico.

Segundo Botelho (2017), momento estático é a integral de um elemento de área


(dA) por sua distância a um eixo considerado.

UNIDADE 1 21
Figura 5 - Perfis de aço

Figura 6 - Perfil de madeira utilizado no sistema construtivo Wood frame

Figura 7 - Vigas em concreto com dimensões e formatos não usuais

UNIDADE 1 23
Nota-se que os formatos das figuras apresentadas não são usuais. Sendo assim, é ne-
cessário determinar o seu centroide ainda na etapa de desenvolvimento do projeto,
para que se chegue aos resultados esperados.
Para podermos localizar o centroide dessas figuras planas, faz-se necessário di-
vidirmos em subfiguras conhecidas, com o intuito de facilitar a determinação dos
centroides de cada figura, porém a resposta deverá ser sempre apenas uma única
coordenada em relação ao eixo x e uma única coordenada em relação ao eixo y,
independentemente da quantidade de subfiguras que a figura principal for dividida.
A Figura 8 representa bem o que foi comentando no parágrafo anterior.
y

x C
y
A2
O X
Figura 8 - Figura geométrica composta
Fonte: o autor.

Como chegar aos resultados esperados? Como determinar os valores de x e y ? Em


quantas subfiguras devemos dividir a figura principal?
Todos os questionamentos são válidos, porém precisamos utilizar os conceitos
já estudados.
As áreas e os momentos estáticos de figuras planas compostas podem ser calcu-
lados somando-se as propriedades das partes correspondentes das subfiguras.
Assim, podemos dividir a Figura 8 em três partes ou subfiguras, como descrito
na Figura 9.
y

C3
A3

C1
C2
A1 A2
O X

Figura 9 - Figura geométrica composta subdividida em três partes


Fonte: o autor.

24 Propriedades de Figuras Planas


Observe que não necessariamente a figura precise ser dividida da forma apresen-
tada na Figura 9; é apenas uma sugestão.
Independentemente da quantidade de figuras subdividas, o resultado deverá ser
sempre o mesmo.

Com a subdivisão da Figura 9 em três partes, passamos a ter três centroides e três áreas,
permitindo-nos utilizar as definições já conceituadas no Tópico 1, como determinar
o momento estático para a Figura 9.
Cálculo do momento estático Qx para Figura 9 composta:

Qx   y.dA   y.dA   y.dA   y.dA


A A1 A2 A3

Observe que o momento estático da figura é a soma do momento estático de cada


figura subdividida, e também:

Qx
y  Qx  y. A , então Qx  y. A  y1. A1  y 2 . A2  y 3 . A3 ,
A
logo, temos que,
Qx   y i . Ai ,
i

de forma análoga, temos que:


Q y   xi . Ai
i

Para determinarmos o centroide, temos que:

Qy  xi . Ai
X  i (Eq. 7)
A  Ai
i

e Q
 yi . Ai (Eq. 8)
Y x  i
A  Ai
i

Veja, por fim, que é possível determinarmos o centroide de figuras planas compostas
por meio das somatórias das propriedades geométricas das partes ou subfiguras.

UNIDADE 1 25
Sempre que houver uma equação que apresente somatória, lembre-se da possibili-
dade de transformá-la em uma tabela. Isso certamente irá lhe ajudar na resolução
do problema.

A aplicação dos conceitos pode ser desenvolvida no exercício exemplo 2, o qual


solicita determinar as coordenadas do centroide C para área indicada.

20

60

20 40 20

Unidades em mm
OP1
Figura 10 – Figura plana em formato de T
Fonte: o autor.

Sempre quando começamos um novo assunto ou mesmo um exercício, logo surge


a dúvida: por onde começar?
Assim como você tem visto ao longo de nossa conceituação, neste caso devemos,
inicialmente, dividir a figura “T” em subfiguras de formato conhecido e, obviamente,
na menor quantidade possível, para diminuirmos a quantidade de contas durante o
processo de determinação dos resultados. Essa subdivisão é demonstrada na Figura 11.

26 Propriedades de Figuras Planas


Fig.1
20

60

Fig.2

20 40 20

Unidades em mm
Figura 11 - Figura plana em formato de T subdividida
Fonte: o autor.

Após a subdivisão das figuras, devemos localizar as coordenadas do centroide de


cada uma das subfiguras, adotando ou utilizando como referência a origem (ponto
“O”), como exemplificado na Figura 12.

y x1 = x2 = 40

Fig.1
20 C1

C2 y1 =70
60
y2= 30

Fig.2 x
O
20 40 20

Figura 12 - Figura plana em formato de T subdividida com a indicação das distâncias dos centroides
aos eixos
Fonte: o autor.

Fizemos tudo isso para podermos estruturar uma tabela que corresponde às
equações 7 e 8.

UNIDADE 1 27
A tabela terá todas as informações das equações 7 e 8, de forma discriminada e or-
ganizada passo a passo. Então, vamos lá:
Tabela 1 – Dados das equações 7 e 8

Figura Área (mm2) x (mm) x. A (mm3) X (mm)

Fig. 1 (80x20) = 1.600 x1 = 40 (1.600x40) = 64.000 (160.000/4.000) = 40


Fig. 2 (40x60) = 2.400 x2 = 40 (2.400x40) = 96.000

Σ A= 4.000 Σ x. A = 160.000
Fonte: o autor.

Observe que o resultado obtido foi o valor de 40 mm. Nesse caso, em particular, não
necessitamos do desenvolvimento dos cálculos realizados, já que a figura apresenta
simetria em relação ao eixo Y. Como já comentado no Tópico 1, devemos, primeira-
mente, observar a simetria da figura para, então, desenvolvermos os cálculos, mini-
mizando o tempo e a possibilidade de erros.
Vamos agora determinar o centroide Y .
Tabela 2 – Dados para determinar o centroide

Figura Área (mm2) y (mm) y. A (mm3) Y (mm)


Fig. 1 (80x20) = 1.600 y1 = 70 (1.600x70) = 112.000
(184.000/4.000) = 46
Fig. 2 (40x60) = 2.400 y2 = 30 (2.400x30) = 72.000

Σ A= 4.000 Σ x. A = 184.000
Fonte: o autor.
Logo, temos as coordenadas do centroide C (40; 46) mm, representado na Figura 13.
y X = 40

20

60 Y = 46

x
O
20 40 20

Figura 13 - Figura plana em formato de T subdividida com a localização do Centroide da figura inteira
Fonte: o autor.

28 Propriedades de Figuras Planas


Nota-se que o centroide está representado dentro da figura, porém isso não é regra;
por ser um parâmetro geométrico, ele pode estar localizado fora da figura, como
veremos apresentado no exercício exemplo 2.

2 EXERCÍCIO Determine as coordenadas do centroide C para área indicada.


y

60

20

O x
20 40
Unidades em mm

Figura 14 - Figura plana em formato de L


Fonte: o autor.

Seguindo o raciocínio do exercício exemplo 1, iremos, primeiramente, subdividira


figura, determinar o centroide de cada subfigura e estruturar a tabela.
y x2 = 40
x1 = 10

Fig.1

60
C1
y1 = 40

C2 Fig.2
20
y2= 10

O x
20 40

Figura 15 - Figura plana em formato de L com subdivisões


Fonte: o autor.

UNIDADE 1 29
Tabela 3 - Determinação do Centroide X

Figura Área (mm2) x (mm) x. A (mm3) X (mm)


Fig. 1 (20x80) = 1.600 x1 = 10 (1.600x10) = 16.000
(48.000/2.400) = 20
Fig. 2 (40x20) = 800 x2 = 40 (800x40) = 32.000

Σ A= 2.400 Σ x. A = 48.000
Fonte: o autor.

Tabela 4 - Determinação do Centroide Y

Figura Área (mm2) Y


y (mm) y. A (mm3) (mm)
Fig. 1 (20x80) = 1.600 y1 = 40 (1.600x40) = 64.000 (72.000/2.400) = 30
Fig. 2 (40x20) = 800 y2 = 10 (800x10) = 8.000

 A= 2.400  x. A = 72.000
Fonte: o autor.

• Localização do Centroide na figura plana

60

C (20;30)

20

O x
20 40

Figura 16 - Figura plana em formato de L com subdivisões e coordenadas do Centroide


Fonte: o autor.

30 Propriedades de Figuras Planas


Momento de inércia

O momento de inércia de área da seção transversal de uma figura plana (caso seja
uma peça, como uma viga) seria em relação a um eixo que passe pelo seu centro de
gravidade, medindo a sua rigidez, ou seja, a sua resistência à flexão em relação a esse
eixo comentado.

Figura 17 - Viga de concreto com a indicação do eixo de simetria

Considerando uma área A situada no plano xy (Figura 18) e o elemento de área dA


com as coordenadas x e y, o momento de inércia da área A em relação ao eixo x e o
momento de inércia de A em relação ao eixo y são definidos pelas equações 9 e 10.

x dA

y
X
O

Figura 18 - Figura assimétrica situada no plano xy


Fonte: o autor.

UNIDADE 1 33
O momento de inércia da área A em relação ao eixo x é determinado por:

I x   y 2 .dA (Eq. 9)
A

Entenda que para determinar a inércia em relação ao eixo x deve-se utilizar a distância
y ao quadrado, multiplicado pela área.
O momento de inércia da área A em relação ao eixo y é determinado por:

I y   x2 .dA (Eq. 10)


A

Entenda que para determinar a inércia em relação ao eixo y, deve-se utilizar a distância
x ao quadrado, multiplicado pela área.
As integrais apresentadas para determinar o momento de inércia Ix e Iy também
são conhecidas como momento de inércia retangulares por utilizar coordenadas
cartesianas.
Para complementar, existe o momento de inércia polar que baseia-se na coordenada
em relação à origem O, representado pela letra grega Rho (ρ), apresentado na Figura 19.

x dA

ρ
y
X
O

Figura 19 - Figura assimétrica situada no plano xy com a indicação da distância Rho (ρ)
Fonte: o autor.

A equação 11 determina o momento de inércia polar (J0).

J 0   r 2 .dA (Eq. 11)


A

Observe que, na Figura 19, é possível desenvolver um triangulo pitagórico entre as


coordenas x, y e ρ, como será demonstrado na equação 12.
r 2  y 2  x2 (Eq. 12)

34 Propriedades de Figuras Planas


Relacionado as equações 11 e 12, teremos o desenvolvimento a seguir.

 
J 0   r 2 .dA   y 2  x2 .dA
A A

J 0   y 2 .dA   x2 .dA (Eq. 13)


A A

Logo, sabendo que


I x   y 2 .dA (Eq. 9)
A

e
I y   x2 .dA (Eq. 10),
A

Substituindo estes termos na Eq. 13, verificamos que o momento de inércia polar
pode ser determinado pela soma do momento de inércia em relação ao eixo x e o
momento de inércia em relação ao eixo y, representado pela equação 14.

J0  I x  I y (Eq. 14)

Para exemplificar os conceitos comentados, para determinar o momento de inércia em re-


lação ao eixo x, eixo y e polar, iremos continuar com o retângulo exemplificado no Tópico 1.

3 EXERCÍCIO Determine os momentos de inércia Ix, Iy e J0 para figura retangular.

h x
O

Figura 20 - Figura retangular para determinar os momentos de inércia


Fonte: o autor.

UNIDADE 1 35
Primeiramente, devemos utilizar o conceito de integral por meio da discretização
da figura em pequenas partes, como apresentado na Figura 21, com a indicação das
medidas para determinarmos a área do pequeno elemento.
y

dy
h/2
y
h x
O
-h/2

Figura 21 - Discretização da Figura retangular em relação ao eixo x


Fonte: o autor.

Daremos a essa pequena área o nome de dA. Observe que a área hachurada asseme-
lha-se a um retângulo, sendo possível determiná-la multiplicando o valor da base
pela altura. Assim, temos que:

dA = b.dy (Eq. 15)

Sempre que possível, para determinar o momento de inércia, recomenda-se calcular,


primeiramente, a área, pois ela será utilizada para determinação do momento de
inércia em relação ao eixo x e y.

36 Propriedades de Figuras Planas


Após determinarmos a função do elemento de área (dA), iremos determinar os
momentos de inércia. Primeiramente, determinaremos o momento de inércia em
relação ao eixo x.
• Cálculo do momento de inércia em relação ao eixo x:

Utilizando a equação 9 → I x   y .dA , iremos substituir o elemento de área (dA) pela


2

A
função encontrada. Depois, devemos substituir, na integral, os limites de integração.
Vamos lá!!!
h
2
I x   y 2 .dA   y 2 .(b.dy )   y 2 .(b.dy )
A A h
2

Ao distribuir a multiplicação e isolar as constantes, temos que:

h
2
Ix  b  y 2 .dy
h
2

Realizando a integração:
h
b  h   h 
3
 y3  2 h 3
Ix  b 
 3 
b
 y3
3
  2
h
     
3   2   2 


  h 2 
2

b   h3   h3   b   h3   h3  
Ix             
3   8   8   3   8   8  

b  2h3  b  h3  bh3
Ix     
3  8  3  4  12

Assim, determinamos o momento de inércia para uma figura plana retangular em


relação ao eixo x.
Iremos, agora, determinar o momento de inércia em relação ao eixo y, que seguirá
a mesma linha de raciocínio anterior.

UNIDADE 1 37
• Cálculo do momento de inércia em relação ao eixo y:

Iremos discretizar a figura com o conceito de integral para determinar a equação da


área e, depois, realizar os cálculos. A representação da área discretizada encontra-se
na Figura 22.

y dx
x

h x
O

-b/2 b/2
b
Figura 22 - Discretização da Figura retangular em relação ao eixo y
Fonte: o autor.

Cálculo da área do retângulo hachurado -> dA = h.dx (Eq. 16)

Desenvolvimento do cálculo do momento de inércia em relação ao eixo y por meio


da equação 10.
b
2
I y   x2 .dA   x2 .  h.dx    x2 .  h.dx  
A A b
2
b b
2  x3  2 b
Iy  h  x2 .dx  h  
 3 
h
 x3
3
 b2 2 
b   b
2 2

38 Propriedades de Figuras Planas


h   b   b   h   b3   b3  
3 3
Iy              
3   2   2   3   8   8  

h   b3   b3   h  2b3  h  b3  b3 h
Iy           
3   8   8   3  8  3  4  12

Dessa maneira, também se determinou o momento de inércia em relação ao eixo y


para uma figura retangular plana.

Todas as vezes que precisar determinar o momento de inércia de uma figura re-
tangular, não será mais necessário realizar os cálculos por meio de integração, mas
sim utilizar os resultados das deduções que foram realizadas.
Lembre-se que para figuras planas de formato conhecido, existem tabelas com
equações para determinar os momentos de inércia. Aproveite!

Depois dessas várias páginas de cálculos, parece que acabamos o exercício; con-
tudo, fica a dica: sempre que achar que você acabou o exercício, leia o enunciado
novamente! Isso irá lhe ajudar a não esquecer de nenhum detalhe. Sendo assim, ainda
temos que calcular o momento de inércia polar.
• Cálculo do momento de inércia polar (J0)
O momento de inércia polar pode ser determinado pela equação 14, que representa
a soma dos momentos de inércia em relação ao eixo x e y.

bh3 b3 h bh 2 2
J0  I x  I y  
12 12 12
 h b  
Assim, foi finalizado o exercício exemplo 3, com os seguintes resultados:

→I
3
bh
Momento de inércia em relação ao eixo x =
x
12

3
Momento de inércia em relação ao eixo y b h
I y =
12
Momento de inércia polar → bh
J0 =
12
(h 2
+b2 )

UNIDADE 1 39
Continuando o Tópico 3, iremos complementar o assunto com o chamado Raio de
Giração, que é outra propriedade importante para figuras planas e terá muita aplicação
em disciplinas específicas de seu curso.
Raio de giração de uma figura não tem significado físico óbvio. Podemos conside-
rá-lo como sendo a distância (do eixo de referência) em que toda a área da figura po-
deria ser concentrada e, ainda, ter o mesmo momento de inércia que a figura original.
O raio de giração de uma área A, em relação ao eixo x, é definido pela grandeza
de rx ou por ix, que satisfaz a relação apresentada na equação 17:

I x = rx2 . A (Eq. 17)

Isolando o raio de giração em relação ao eixo x (rx), temos:

rx =
Ix (Eq. 18)
A

Em que: Ix é o momento de inércia da área da figura em relação ao eixo x. A é área


da figura plana em estudo, ou seja, de toda a figura.
De forma análoga, é possível determinar o raio de giração em relação ao eixo y;
e para o raio de giração polar, temos a equação 19 e a equação 20, respectivamente.

ry =
Iy
(Eq. 19)
A

r0 =
J0
(Eq. 20)
A

A relação entre o momento de inércia polar com o momento de inércia retangular,


permite-nos determinar a equação 21.
J0  I x  I y
r02 . A  rx2 . A  ry 2 . A ( A)

r02  rx2  ry 2 (Eq. 21)

40 Propriedades de Figuras Planas


Para podemos realizar a fixação do assunto de raio de giração, continuaremos com
o exercício exemplo 3.
Determinar o raio de giração rx, ry, e r0 da figura com área retangular.
y

h x
O

Figura 23 - Figura com área retangular


Fonte: o autor.

Para o desenvolvimento do exercício completo, seria necessário determinar o centroi-


de da figura; depois, calcular os momentos de inércia; e, posteriormente, determinar
o raio de giração.
Aqui, iremos somente determinar o raio de giração, pois as demais propriedades
já foram calculadas nos Tópicos 1 e 2.
• Raio de Giração em relação ao eixo x (rx):

Utilizaremos a equação 18 para o desenvolvimento

bh3
= = = = =
Ix 12 bh3 1 h2 h
rx .
A bh 12 bh 12 12

UNIDADE 1 41
• Raio de Giração em relação ao eixo y (ry):

Utilizaremos a equação 19 para o desenvolvimento

b3 h
= == = =
Iy 12 b3 h 1 b2 b
ry .
A bh 12 bh 12 12
• Raio de Giração polar (r0):

Utilizaremos a equação 21 para o desenvolvimento

2 2
 h2   b2  h2 b2
2 2
r0  rx  ry 2
     
 12   12  12 12
   
h2 b2 h2  b2
r0   
12 12 12
Dessa forma, finalizamos a conceituação e desenvolvemos uma linha de raciocínio
para podermos desenvolver os futuros exercícios.

42 Propriedades de Figuras Planas


O teorema dos eixos paralelos é um conceito que permite determinar o momento
de inércia de um sólido ou figura plana relativo a um eixo de rotação definido pela
origem (O), nos sistemas de coordenadas cartesianas. Nesse caso, consideramos os
eixos x (abcissas) e y (ordenadas) quando conhecemos o momento de inércia rela-
tivo a um eixo paralelo, o qual passa no centroide da figura a uma distância entre os
eixos. Resumidamente, este teorema nos fornece uma relação entre o momento de
inércia relativo a um eixo centroidal e ao momento de inércia relativo a qualquer
eixo paralelo, conforme a Figura 24.

y yc

d2 dA
x

C
xc
d1
d

O
x

Figura 24 - Aplicação da conceituação do Teorema dos Eixos Paralelos


Fonte: o autor.

Observamos que o eixo x foi deslocado a uma distância d1 para o centroide da figura
exemplificada; isso também ocorreu no eixo y para uma distância d2, notamos que
os eixos passaram a ser chamados de xc e yc, que corresponde aos eixos centroidais
(tem origem no ponto C, que é centroide da figura).
Assim, podemos determinar o momento de inércia por meio da equação 22:

I x    y  d1  .dA
2
(Eq. 22)
A

44 Propriedades de Figuras Planas


No desenvolvimento da equação 22, podemos obter que:
I x    y  d1  .dA 
2

I x    y  d1  .  y  d1  .dA 
A

 
I x   y 2  2d1. y  d12 .dA 
A

I x   y 2 .dA  2d1  y.dA  d12  dA


A A A

Observe que, ao final do desenvolvimento, você já conhece as expressões, pois já fo-


ram apresentadas nos tópicos anteriores estudados. Dessa forma, podemos dizer que:
• O momento de inércia em relação ao eixo centroidal x é Ixc   y .dA
2

• O momento de estático em relação ao eixo centroidal x é Qx   ydA


A

• A área da figura estuda é A   dA


A

Assim, substituindo as correlações já estudadas na equação 22, chegamos à equação 23.

I x  Ix c 2d1.Qx  d12 . A (Eq. 23)

Para o caso de os eixos x e y passarem pelo eixo centroidal, teremos que a distância
do eixo até o centroide é nula. Nesse caso, podemos considerar que o momento es-
tático é igual a zero, ou seja, não existe momento estático. Assim, podemos reduzir
equação 23, ficando com:

I x  Ix c  d12 . A (Eq. 24)

De forma análoga, podemos determinar o momento de inércia para o eixo y. Também


podemos determinar o momento de inércia polar por meio das equações 25 e 26.

I y  Iyc  d22 . A (Eq. 25)

J o  J oc  d 2 . A (Eq. 26)

UNIDADE 1 45
A utilização das equações 24, 25 e 26 serve para determinar um momento de inércia.
- Para determinar o momento de inércia da figura, deve-se determinar, primeiramen-
te, a inércia centroidal, o Ixc, lembra? Você deverá determinar o centroide da figura
e, depois, calcular o momento de inércia da figura, como um todo ou por partes.
- Já conhecidos os valores do centroide e do momento de inércia, agora você poderá
determinar o momento de inércia da figura a partir da nova referência (ponto O),
com as equações 24, 25 e 26.
- Há uma distância ao quadrado (d2) que corresponde à distância entre os eixos, seja
para x, y e entre as origens, comumente conhecido como a distância entre centroi-
des, ou seja, o centroide da figura total e o centroide de cada figura da subdivisão.

Para melhor entendimento, iremos continuar a calcular as propriedades da Figu-


ra 20 utilizando os resultados já obtidos anteriormente. Você observará que essas
propriedades de figuras planas que estamos determinando são interdependentes e
funcionam de forma sequencial.

4 EXERCÍCIO Determine os momentos de inércia Ix, Iy e J0 para figura retangular. Observe que a
origem (O) foi deslocada.
yc
y

h xc
O

Figura 25 - Figura retangular para determinar os momentos de inércia


Fonte: o autor.

46 Propriedades de Figuras Planas


Primeiramente, iremos verificar as informações já obtidas nos tópicos estudados
anteriormente. Assim, sabemos que:

3
→ Ix =
bh
Momento de inércia centroidal em relação ao eixo x
12
→I = b h
3
Momento de inércia centroidal em relação ao eixo y
y
12
→ J = bh h 2+ b2
Momento de inércia polar centroidal
0
12 ( )
Área da figura → A = b .h

Tudo isso talvez tenha lhe gerado alguma dúvida, porque antes conversamos sobre
momento de inércia e, agora, as expressões são para um momento de inércia centroi-
dal. Observe que, no Tópico 3, todas as inércias foram calculadas no centroide de cada
figura. Dessa forma, foi determinado o momento de inércia centroidal. O que estamos
buscando agora é determinar o momento de inércia a partir de uma referência.
Então vamos resolver.
• Momento de inércia em relação ao eixo x (Ix), utilizando a equação 24

I x  Ix c  d12 . A 
b.h3
Ix   y 2 .  b.h 
12

Mas, o que é, afinal, o y? É a distância do eixo x para o eixo xc, que corresponde à
h
metade da altura, ou seja, 2 . Assim, ao substituirmos h/2 na expressão anterior, temos:

I x  Ix c  d12 . A 
b.h3
Ix   y 2 .  b.h  
12
2
b.h3  h 
Ix     .  b.h  
12  2 
b.h3  h2 
Ix     .  b.h  
12  4 
b.h3 b.h3 b.h3
Ix   
12 4 3

UNIDADE 1 47
Agora, iremos determinar o momento de inércia em relação ao eixo y.
I y  Iy c  d22 . A 
b3 .h 2
Iy   x .  b.h  
12
2
b3 .h  b 
Iy     .  b.h  
12  2 
b3 .h  b2 
Iy     .  b.h  
12  4 
b3 .h b3 .h b3 .h
Iy   
12 4 3
E para o momento de inércia polar, temos:
Jo J o c d2 . A
2
b.h 2 2
Jo h b x2 y2 . b.h
12
b.h 2 2
Jo h b x2 y 2 . b.h
12
2 2
b.h 2 2 h b
Jo h b . b.h
12 2 2

b.h 2 2 h2 b2
Jo h b . b.h
12 4 4
b.h 2 2 b.h 2 2
Jo h b h b
12 4
b.h 2 2
Jo h b
3

Assim, foi finalizado o exercício exemplo 4 com os seguintes resultados:

3
→I =
b.h
Momento de inércia em relação ao eixo x
x 3
→ I = b .h
3
Momento de inércia em relação ao eixo y
y 3
Momento de inércia polar →
Jo =
3 (
b.h 2 2
h +b )

Finalizamos a conceituação e a aplicação dos conceitos do Teorema dos Eixos Para-


lelos no desenvolvimento de uma linha de raciocínio para aplicação em exercícios.

48 Propriedades de Figuras Planas


Lembre-se que os materiais usuais e os formatos usuais estão mudando de forma
acelerada. Já pensou em construir componentes da construção em impressão 3D?
Quem irá determinar as propriedades destas figuras agora e depois de impressas
essas peças?
Quando consideremos uma área composta A constituída de várias partes, por
exemplo A1, A2, A3 etc., a integral que calcula o momento de inércia de A pode ser sub-
divida em integrais para as áreas que compõem a figura A, ou seja, a figura principal.
Assim, podemos pensar que o momento de inércia da figura A em relação a um
eixo poderá ser determinado a partir da soma do momento de inércia das diversas
subfiguras que formam a figura principal, sendo no mesmo eixo.
No entanto, antes de somar simplesmente os valores dos momentos de inércia das
partes componentes, devemos utilizar o teorema dos eixos paralelos para transferir
cada momento de inércia para o eixo desejado.
Desta forma, para ficar mais claro e elucidar o que estamos estudamos, primeira-
mente, iremos desenvolver alguns exercícios que pertencem a esta unidade de estudo.

5 EXERCÍCIO Determine o momento de inércia Ix, Iy e Jo da Figura 26 para área indicada.

20

60

20 40 20

Unidades em mm
OP1
Figura 26 - Figura plana em formato de T
Fonte: o autor.

50 Propriedades de Figuras Planas


Nota-se que é a mesma figura do exercício exemplo 1, do Tópico 2, é determinada
no momento estático e no centroide de uma área composta, permitindo a utilização
das informações já calculadas para o desenvolvimento. São elas:
Tabela 5 - Dados para obtenção dos centroides X e Y .

Figura Área (mm2) x (mm) y (mm) X (mm) Y (mm)


Fig. 1 1.600 x1 = 40 y1 = 70
40 46
Fig. 2 2.400 x2 = 40 y2 = 30

Fonte: o autor.

Conhecida as coordenadas do centroide, iremos dividir a figura em formato de “T”,


em figuras simples (retângulos) para determinação dos momentos de inércia em
relação ao eixo x e y, como apresentado na Figura 27.

Fig.1
20

60

Fig.2

20 40 20

Figura 27 - Figura plana em formato de T subdividida


Fonte: o autor.

UNIDADE 1 51
Após a subdivisão das figuras, iremos localizar as coordenadas do centroide e as
coordenadas das figuras subdivididas, utilizando como referência a origem (O),
como exemplificado na Figura 28.
y x1 = x2 = 40

X = 40

Fig.1
20 C1

y1 =70
C2
60
Y = 46

y2= 30
Fig.2
O
20 40 20 x

Figura 28 - Figura plana em formato de T subdividida com a localização do centroide da figura inteira
Fonte: o autor.

Com as informações apresentadas e representadas na Figura 28, iremos determinar


as informações que estão faltando para determinar o momento de inércia. Para isso,
iremos calcular, primeiramente, o eixo x, e, de forma análoga, iremos repetir o pro-
cedimento para o eixo y.
• Cálculo do momento de inércia centroidal em relação ao eixo x.

Fig. 1 → IxC 1
b.h3 80.203
   53.333, 33 mm4
12 12

Fig. 2 → IxC 2 
b.h3 40.603
  720.000, 00 mm4
12 12
• Cálculo do momento de inércia centroidal em relação ao eixo y.

Fig. 1 → IyC 1 
b3 .h 803.20
  853.333, 33 mm4
12 12

Fig. 2 → IyC 2
b .h 403.60
3
   320.000, 00 mm4
12 12

52 Propriedades de Figuras Planas


Agora, iremos determinar o momento de inércia da figura plana completa, assim,
continuaremos com o mesmo raciocínio. Primeiramente, será determinado em re-
lação ao eixo x e, depois, em relação ao eixo y. Para isso, utilizaremos e aplicaremos
o teorema dos eixos paralelos.
• Cálculo do momento de inércia em relação ao eixo x.

Ix  Ix1  Ix2

Calcularemos o Ix1 e o Ix2 para somá-los ao final.


Portanto, temos,
b1 · h13 2
Ix1 IxC1 A1 · d 2 (b1 · h1 ). y y1
12
80 · 203 2
Ix1 (80 · 20) · 46 70
12
2
Ix1 53.333, 33 1600 · 24
Ix1 53.333, 33 921.600, 00 974.933, 33 mm 4

E para,
b2 · h23 2
Ix2 IxC 2 A2 · d 2 (b2 · h2 ). y y2
12
40 · 603 2
Ix2 (40 · 60). 46 30
12
2
Ix2 720.000, 00 2400 · 16
Ix2 720.000, 00 614.400, 00 1.334.400, 00mm 4
Logo, temos que:
Ix  Ix1  Ix2 
Ix  974.933, 33  1.334.400, 00
Ix  2.309.333, 33 mm 4

• Cálculo do momento de inércia em relação ao eixo y.

Iy  Iy1  Iy2

UNIDADE 1 53
Assim, calcularemos o Ix1 e o Ix2 para somá-los ao final.
Portanto, temos,
b13 · h1 2
Iy1 IyC1 A1 · d 2 (b1 · h1 ). x x1
12
803 · 20 2
Iy1 (80 · 20) · 40 40
12
2
Iy1 853.333, 33 1600 · 0
Iy1 853.333, 33 0, 00 853.333, 33 mm 4

E para,
2 b23 · h2 2
Iy2 IyC 2 A2 · d (b2 · h2 ). x x2
12
403 · 60 2
Iy2 (40 · 60). 40 40
12
2
Iy2 320.000, 00 2400 · 0
Iy2 320.000, 00 0, 00 320.000, 00 mm 4

Logo, temos que:


Iy  Iy1  Iy2 
Iy  853.333, 33  320.000, 00
Iy  1.173.333, 33 mm 4

O momento de inércia polar da figura é determinado por:

Jo  Ix  Iy 
Jo  2.309.333, 33  1.173.333, 33
Jo  3.482.666, 66 mm 4
Assim, foi finalizado o exercício exemplo 5 com os seguintes resultados:

Momento de inércia em relação ao eixo x → Ix=2.309.333,33mm4

Momento de inércia em relação ao eixo y → Iy=1.173.333,33mm4

Momento de inércia polar → Jo=3.482.666,66mm4

54 Propriedades de Figuras Planas


Contudo, questiono você a interpretar esses resultados o que significa esses valores?
Para análises estruturais, podemos entender que o momento de inércia está rela-
cionado à resistência à flexão devido à forma da figura. Dessa maneira, concluímos
que a resistência à flexão em torno do eixo x é maior do que em relação ao eixo y,
observadas e comparadas por meio dos resultados obtidos no momento de inércia.
Finalizamos o primeiro exercício exemplo determinando as propriedades rela-
cionadas a figuras planas em uma situação em que o formato das peças não é usual.
Agora, iremos finalizar outro exercício exemplo para consolidarmos o conheci-
mento adquirido.

6 EXERCÍCIO Determine o momento de inércia Ix, Iy e Jo da Figura 29 para área indicada.

60

20

O x
20 40
Unidades em mm

Figura 29 - Figura plana em formato de L


Fonte: o autor.
Nota-se que é a mesma figura do exercício exemplo 2, do Tópico 2, que determina o
momento estático e o centroide de uma área composta. Assim, permite-se utilizar as
informações já calculadas para o desenvolvimento. São elas:
Tabela 6 - Dados para obtenção dos centroides X e Y .

Figura Área (mm2) x (mm) y (mm) X (mm) Y (mm)


Fig. 1 1.600 x1 = 10 y1 = 40
20 30
Fig. 2 800 x2 = 40 y2 = 10

Fonte: o autor.

UNIDADE 1 55
Conhecidas as coordenadas do centroide, iremos dividir a figura em formato de “L”
em figuras simples (retângulos) para determinação dos momentos de inércia em
relação ao eixo x e y, como apresentado na Figura 30.
y x2 = 40
x1 = 10

Fig.1

60
C1

y1 = 40
C2 Fig.2
20
y2= 10

O x
20 40
Figura 30 - Figura plana em formato de L com subdivisões
Fonte: o autor.

Após a subdivisão das figuras, iremos localizar as coordenadas do centroide e as


coordenadas das figuras subdivididas, utilizando como referência a origem (O),
como exemplificado na Figura 31.

y x2 = 40

X = 20
x1 = 10

60
C1
C (20; 30)
y1 = 40
Y = 30

C2
y2= 10

20
Fig.1 Fig.2
O x
20 40

Figura 31 - Figura plana em formato de L com subdivisões e a localização do Centroide da figura inteira
Fonte: o autor.

56 Propriedades de Figuras Planas


Com as informações apresentadas e representadas na Figura 31, iremos determinar
as informações que estão faltando para determinar o momento de inércia. Para isso,
iremos calcular, primeiramente, o eixo x e, de forma análoga, iremos repetir o pro-
cedimento para o eixo y.
• Cálculo do momento de inércia centroidal em relação ao eixo x.

=
Fig. 1 → Ix = = 853.333, 33 mm 4
b.h3 20.803
C1
12 12

Fig. 2 → Ix= = = 26.666, 67 mm 4


b.h3 40.203
C2
12 12

• Cálculo do momento de inércia centroidal em relação ao eixo y.

=
Fig. 1 → Iy = = 53.333, 33 mm 4
b3 .h 203.80
C1
12 12

Fig. 2 → Iy= = = 106.666, 67 mm 4


b3 .h 403.20
C2
12 12

Iremos determinar, agora, o momento de inércia da figura plana completa. Assim,


continuaremos com o mesmo raciocínio. Primeiramente, o momento de inércia será
determinado em relação ao eixo x e, depois, em relação ao eixo y. Para isso, iremos
utilizar e aplicar o teorema dos eixos paralelos.
• Cálculo do momento de inércia em relação ao eixo x.

Ix  Ix1  Ix2

Calcularemos o Ix1 e o Ix2 para somá-los ao final.


Portanto, temos,

b1 ∙ h13 2
Ix1 IxC1 A1 ∙ d 2 (b1 ∙ h1 ). y y1
12
2
Ix1 853.333, 33 (1600) ∙ 30 40
2
Ix1 853.333, 33 1600 ∙ 10
Ix1 853.333, 33 160.000, 00 1.013.333, 33 mm 4

UNIDADE 1 57
E para,
2 b2 ∙ h23 2
Ix2 IxC 2 A2 ∙ d (b2 ∙ h2 ). y y2
12
2
Ix2 26.666, 67 800. 30 10
2
Ix2 26.666, 67 800 ∙ 20
Ix2 26.666, 67 320.000, 00 346.666, 67 mm 4

Logo, temos que:


Ix  Ix1  Ix2 
Ix  1.013.333, 33  346.666, 67
Ix  1.360.0000, 00 mm 4

• Cálculo do momento de inércia em relação ao eixo y.

Iy  Iy1  Iy2

Calcularemos o Ix1 e o Ix2 para somá-los ao final.


Portanto, temos,
b13 ∙ h1 2
Iy1 IyC1 A1 ∙ d 2 (b1 ∙ h1 ). x x1
12
2
Iy1 53.333, 33 (1600) ∙ 20 10
2
Iy1 53.333, 33 1600 ∙ 10
Iy1 53.333, 33 160.000, 00 213.333, 33 mm 4

E para,
b23 ∙ h2 2
Iy2 IyC 2 A2 ∙ d 2 (b2 ∙ h2 ). x x2
12
2
Iy2 106.666, 67 800. 20 40
2
Iy2 106.666, 67 800 ∙ 20
Iy2 106.666, 67 320.000, 00 426.666, 67 mm 4

58 Propriedades de Figuras Planas


Logo, temos que:
Iy  Iy1  Iy2 
Iy  213.333, 33  426.666, 67
Iy  640.000, 00 mm 4

O momento de inércia polar da figura é determinado por:


Jo  Ix  Iy 
Jo  1.360.000, 00  640.000, 00
Jo  2.000.000, 00 mm 4

Foi finalizado o exercício exemplo 5 com os seguintes resultados:

Momento de inércia em relação ao eixo x → Ix=1.360.000,00mm4

Momento de inércia em relação ao eixo y → Iy=640.000,00mm4

Momento de inércia polar → Jo=2.000.000,00mm4

Finalizamos mais um exercício exemplo, no qual determinamos as propriedades da


figura plana em relação à sua geometria. A partir de agora, você está apto a determinar
as propriedades em qualquer formato de figura, sejam com a forma conhecida por
meio das propriedades que já conhece ou mesmo de formas irregulares, por meio
das integrais.
Continue praticando para não esquecer. Fazendo isso, certamente, você irá au-
mentar os seus conhecimentos nesses assuntos.
Ótimo estudo!!!

Tenha sua dose extra de


conhecimento assistindo ao
vídeo. Para acessar, use seu
leitor de QR Code.

UNIDADE 1 59
BOTELHO, M. H. C. Resistência dos Materiais: Para Entender e Gostar. 4. ed. São Paulo. Blucher, 2017.

63
1. A.

Primeiramente, iremos subdividir a figura em outras figuras com propriedades conhecidas para
podermos calcular o centroide por meio da tabela apresentada no Tópico 2.

1 2
3 4

5 x
O

6 7 8

Figura Área (mm2) x (mm) y (mm) x.A (mm3) y.A (mm3) X (mm) Y (mm)
1 5.400,00 -90,00 105,00 -486.000,00 567.000,00
2 5.400,00 90,00 105,00 486.000,00 567.000,00
3 1.350,00 -7,50 45,00 -10.125,00 60.750,00
4 3.150,00 52,50 75,00 165.375,00 236.250,00
0,00 52,50
5 900,00 7,50 30,00 6.750,00 27.000,00
6 2.700,00 -60,00 -75,00 -162.000,00 -202.500,00
7 1.350,00 -7,50 -45,00 -10.125,00 -60.750,00
8 1.350,00 7,50 -45,00 10.125,00 -60.750,00
Σ = 21.600,00 Σ = 0,00 Σ = 1.134.000,00

64
67
68