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Escola Secundária da Amadora

Sistemas Operativos

Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos

Ano lectivo 2009/2010

Módulo 2
Instalação e configuração de um Sistema Operativo

Professora: Maria Augusta Fraga Gonçalves


Escola Secundária da Amadora Sistemas Operativos – 10ºAno
Ano Lectivo 2008/2009 Cursos Profissionais

2º Módulo Sistema Operativo Cliente


Programa

1 – Instalação e configuração de um sistema operativo


1.1 - Particionamento
1.2 - Formatação
1.3 - Opções de instalação
1.4 - Optimização de recursos
2 - Instalação de dispositivos e device drivers

3 - Configuração do sistema
4- Resolução de problemas
5 – Programação de ficheiros de comandos

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Instalação e configuração de um Sistema Operativo

Sistema Operativo

Um sistema operativo pode ser visto como um programa de grande complexidade


responsável por todo o funcionamento de uma máquina desde o software a todo
hardware instalado. Todos os processos de um computador estão por de trás de uma
programação complexa que comanda todas a
funções que um utilizador impõe à máquina.
Existem vários sistemas operativos, normalmente utilizados em computadores
domésticos, são o Windows, Linux, OS/2 e Mac OS X.

Sistema Operativo Cliente


São sistemas operativos mais leves e simples do que os sistemas operativos servidores
ou de uso geral.

O Windows XP bem como o Vista são sistemas operativos clientes, embora seja
possível torná-los servidores nalgumas funções.

Antes de começar a instalação de um sistema operativo temos que considerar:


 Requisitos ideais de hardware
 Preparação da instalação

Para o Windows XP e Vista vamos considerar os requisitos ideais a nível do seguinte


hardware:
 Memória RAM
 Microprocessador
 Disco Rígido
 Placa Gráfica
 Monitor

Drivers do hardware a instalar


Antes de iniciar a instalação de qualquer sistema operativo, há que ter em conta se
existem drivers do hardware para o sistema operativo que se vai instalar.
Para isso devem-se consultar os manuais, CD-ROM que acompanham o computador na
sua compra.
Caso não se tenham os drivers para o sistema operativo a instalar, a forma de os obter é
aceder à Internet e consultar os sites oficiais de cada marca de hardware.

Antes de podermos utilizar um disco rígido novo, há que efectuar três operações:
 Seleccionar o sistema de ficheiros;
 Criar partições;
 Formatar as partições criadas.

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Sistema de Ficheiros

Sistema de ficheiros é a forma de organização de dados em algum meio de


armazenamento de dados em massa frequentemente feito em discos magnéticos.
Sabendo interpretar o sistema de arquivos de um determinado disco, o sistema operativo
pode descodificar os dados armazenados e lê-los ou gravá-los.

O sistema operativo guarda os dados nos espaços vazios do disco, rotulando-os com um
FCB (File Control Block, Bloco de Controle de Arquivo) e cria uma lista com a posição
deste dado, chamada de MFT (Master File Table, Tabela de Arquivos Mestre). Sabendo
a posição do arquivo a ser aberto/gravado, o sistema operativo solicita a leitura desta,
descodifica/codifica e realiza a abertura/gravação do dado.

Um sistema de ficheiros é, assim, uma forma de criar uma estrutura lógica de acesso a
dados numa partição. Sendo assim, também é importante referir que nunca poderá ter
dois ou mais tipos de sistemas de ficheiros (formatos) numa mesma partição.

Sistemas operativos mais usuais e respectivos Sistemas de Ficheiros


Apple Macintosh
- HFS
NIX (FreeBSD, OpenBSD, Linux, Solaris, etc.) UFS
- Ext2
- Ext3
- SWAP
- Reiser
- HPFS
- JFS
- XFS
IBM (AIX, OS/2) JFS (AIX Version 3.1 ou superior, OS/2 Warp)
- HPFS - High Performance File System
MS-DOS/Microsoft Windows FAT 12 - Microsoft BASIC Disk - MSDOS 4.0
- FAT 16 ou FAT - DOS 4.0 ou superior / Windows 1.X ou superior (1.x, 2.x,
3.x, 95, 98, ME, 2000, XP,...)
- FAT 32 - MS-DOS 7.1 e 8.0 / Windows 95 (versão OSR2!), ou superior (95
OSR2, 98, ME, NT, 2000, XP...)
- NTFS - Windows NT ou superior (NT, 2000, XP, 2003 Server,...)

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Representação visual de um sistema de ficheiros, contanto com directórios (pastas)


e ficheiros (arquivos)

File Allocation Table (FAT, ou Tabela de Alocação de Ficheiros/arquivos) é um


sistema de ficheiros desenvolvido para o MS-DOS e usado em versões do Microsoft
Windows até (e inclusive) o Windows Me.
 A tabela de alocação é um mapa de utilização do disco ou disquete. Graças a ele,
o Sistema Operativo é capaz de saber exactamente onde um determinado
ficheiro está armazenado.
 O sistema FAT é considerado como relativamente simples, e por isso é um
formato popular para discos diversos. Além disso, é suportado por virtualmente
todos os sistemas operativos existentes para computadores pessoais, e assim, é
usado frequentemente para compartilhar dados entre diversos sistemas
operativos instalados num computador.
 É usado também em cartões de memória de estado sólido (conhecidos como
discos flash ou pen drives) e em outros dispositivos semelhantes.
 As implementações mais comuns têm um inconveniente sério: quando ficheiros
são apagados e novos ficheiros são escritos no suporte, as suas partes tendem a
dispersar-se, fragmentando-se por todo o espaço disponível, tornando a leitura e
a escrita um processo lento.
 A desfragmentação é uma solução para isso, mas é habitualmente um processo
demorado (sobretudo no sistema FAT32) e que tem de ser repetido regularmente
para manter o sistema operativo limpo.
 Existem duas versões do sistema:
 FAT: FAT16 (para OS 16 bits ou 32 bits) - compatível com o sistema operativo
MS-DOS e todas as versões do Windows
 FAT32 (só para SO a 32 bits) - É uma evolução do FAT16, compatível apenas
com o Windows 95 OSR/2, 98, Me, NT, 2000 e XP.
 A diferença mais visível entre as duas versões é que FAT32 suporta nomes de
ficheiros longos (até 256 caracteres), enquanto o FAT16 suporta apenas nomes
de arquivos curtos (até 8 caracteres + extensão). Caso seja excedido o valor de
caracteres, os caracteres excedidos (do nome do ficheiro) desaparecerão e no

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lugar deles aparecerá ~1 ou ~2 (se já existir um outro arquivo com os 8


primeiros caracteres iguais).
 Um dos maiores problemas do FAT diz respeito à segurança, pois neste sistema
os ficheiros podem ser lidos ou escritos por qualquer utilizador (e não apenas
por utilizadores autorizados, como no EXT2, EXT3 ou NTFS). Por esse motivo,
os Windows da família NT usam o NTFS que já oferece tal recurso.

O NTFS (New Technology File System) é o sistema de ficheiros da Microsoft utilizado


em todas as versões do sistema operativo Windows NT desde o 3.1. Desenvolvido
inicialmente para servidores, o NTFS possui características importantes, que permitem
ao Windows implementar uma série de noções originadas no UNIX, tal como a de
sistema operativo multi-utilizador.
NFTS - é um sistema de ficheiros de 32 bit utilizado no Windows NT, 2000 e XP.
O NFTS oferece vários tipos de recursos de gestão de disco e de segurança inexistentes
no FAT16 e FAT32.
As principais características do NTFS são:

- Introdução de um sistema de journaling que permite ao sistema operativo recuperar


rapidamente de problemas sem precisar verificar a integridade do sistema de ficheiros.
Um sistema de arquivos com journaling dá permissão ao Sistema Operativo de manter
um log (journal), de todas as mudanças no sistema de arquivos antes de escrever os
dados no disco. Normalmente este log é um log circular alocado a uma área especial
do sistema de ficheiros.
Este tipo de sistema de arquivos tem a oferecer uma melhor probabilidade de não
sofrer corrupção de dados no caso de o sistema bloquear ou faltar energia, e uma
recuperação mais rápida, pois não necessita verificar todo o disco, somente aqueles
que pertenciam a um log que não fora fechado devidamente.
Exemplos de sistemas de arquivos que suportam journaling, Ext3, Ext4, JFS, JFFS,
JFFS2, LogFS, NTFS, Reiser4, ReiserFS e XFS.

- Permissões (com sistema de ACLs- listas de controle de acesso), que possibilitam um


grande controlo de acesso dos utilizadores aos ficheiros.
Na segurança da informação, é composto dos processos de autenticação, autorização e
auditoria (accounting). Neste contexto o controle de acesso pode ser entendido como a
habilidade de permitir ou negar a utilização de um objecto (uma entidade passiva,
como um sistema ou arquivo) por um sujeito (uma entidade activa, como um indivíduo
ou um processo). A autenticação identifica quem acede ao sistema, a autorização
determina o que um utilizador autenticado pode fazer, e a auditoria diz o que o
utilizador fez.

- Compressão de arquivos (quando configurado).


A compressão de dados é o acto de reduzir o espaço ocupado por dados num
determinado dispositivo. Essa operação é realizada através de diversos algoritmos de
compressão, reduzindo a quantidade de bits para representar um dado, sendo esse
dado uma imagem, um texto, ou um arquivo (ficheiro) qualquer.

- Encriptação transparente de arquivos.


A encriptação é o estudo dos princípios e técnicas pelas quais a informação pode ser
transformada da sua forma original para outra ilegível, de forma que possa ser

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conhecida apenas por seu destinatário, o que a torna difícil de ser lida por alguém não
autorizado. Assim sendo, só o receptor da mensagem pode ler a informação com
facilidade.

- Quotas, que permitem que os administradores de sistemas definam a quantidade de


espaço em disco que cada utilizador pode utilizar.

O HPFS é utilizado pelo sistema operativo OS/2.


Este tipo de formato não é suportado por outros sistemas operativos, excepto nas
primeiras versões do Windows NT.

Apesar de se poder instalar o OS/2 numa partição com FAT16, este tem melhores
performances se for colocado numa partição HPFS.

O EXT2 é um sistema de ficheiros utilizado em Linux, que apresenta diversos recursos


avançados de segurança.

Existem programas adequados para criarem partições em EXT2, como é o caso do


Linux Fdisk e do FIPS.
O EXT3 é uma evolução sobre o EXT2 e inclui melhorias no sistema de tolerância a
falhas, fazendo um registo de todas as operações realizadas.

Deste modo quando houver uma falha, o sistema consulta os últimos registos, para saber
exactamente onde ocorreu a falha e corrige-a automaticamente.

Criar Partições
Para se instalar por exemplo dois sistemas operativos no mesmo disco rígido é
necessário criar duas partições.
– Para a criação das partições vai-se utilizar o programa Fdisk.
– Através do Fdisk pode-se criar partições com FAT16 e FAT32.
– Existem outros programas para criar partições, um deles é o Partition Magic, que
para além de nos possibilitar criar e apagar partições, também nos permite poder
redimensioná-las sem haver necessidade de apagar os dados dessa partição, como
acontece no Fdisk.
– A partir do Windows XP é possível aceder aos dados das partições formatadas em
NTFS, FAT32 e FAT16.
- Com o Windows XP e Vista é possível criar partições na instalação do sistema
operativo.

Partition Magic cria, redimensiona, mescla e converte partições de disco em estações


com rapidez e sem destruir dados.

Este software permite criar de uma maneira rápida e fácil partições em discos rígidos.
Desta forma também é muito mais fácil fazer backups.

Formatar as partições criadas


– Para formatar as partições criadas há que arrancar o computador através do CD/DVD
de arranque e na linha de comandos escrever o comando:
format c: (para formatar a partição principal)

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– No final da partição principal estar formatada, formata-se a partição secundária


através do comando:
format d:

Windows vs Linux
Quando se instala o Windows podem-se seleccionar o número de partições pretendidas:
- É aqui que as partições devem ser preferencialmente feitas;
- Tendo em conta que os discos são cada vez maiores é aconselhável fazer pelo
menos duas partições (ficando todo o SW de instalação numa partição e os
dados restantes na outra);
- Para utilizadores menos experientes devem ser utilizar as definições para as
partições dadas por defeito.
- O sistema de ficheiros utilizado deverá ser o NTFS (devido à capacidade de
compactação dos ficheiros neste sistema).

O Linux tem um sistema de ficheiros diferente – EXT3.


Na sua instalação cria automaticamente duas partições: a root (raiz em português) e uma
partição denominada ficheiro SWAP, que é uma espécie de ficheiro de paginação do
Linux.
A partir do Windows não se tem acesso às partições do Linux, devido ao sistema de
ficheiros ser diferente, enquanto que através do Linux temos acesso a todas as partições
criadas.

Ficheiros de comando ou Batch Files

Batch (lotes) files ou ficheiros de comandos (também conhecidos por .bat) são:
ficheiros utilizados para automatizar tarefas, é um modo de processamento de dados no
qual os dados de entrada são agrupados, e periodicamente processados em sequência
por um ou mais jobs.

O processamento batch não permite a interacção do utilizador com o sistema durante a


execução dos jobs.
Comparado ao processamento online ou interactivo, o processamento batch costuma
mostrar-se mais eficiente nos casos de operações rotineiras de grande dimensão, como o
processamento de uma folha de pagamento.

Muitos jobs batch costumam ser executados à noite, nos mainframes. Antes de as redes
se tornarem economicamente viáveis, quase todo o processamento de dados empresarial
e científico era feito em batch.

Os jobs batch podem ser executados por requisição específica ou dentro de um


cronograma regular de produção, sendo essa última modalidade mais comum nas
empresas.
A frequência com que os jobs regulares são executados (diária, semanal, mensal
etc.) é determinada pelas exigências da aplicação (contabilidade, por exemplo).

Este tipo de ficheiro pode ser perigoso, pois podem destruir todo sistema operativo sem
o utilizador saber, apagando a pasta principal, enchendo o disco, desconfigurando a
inicialização do sistema, entre outros.

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É recomendado que apenas execute jobs batch conhecidos.


No Windows, estes ficheiros podem ser facilmente editados clicando com o botão
direito do rato nele e clicando em Editar. Pode fazer um utilizando o bloco de notas do
windows onde cada linha é um comando diferente de MS-DOS e no final, salve-o
sempre com nome .bat (por_exemplo.bat).

Como estes ficheiros não são capazes de interagir com o utilizador, não é possível fazer
jogos e programas em geral apenas com batch. Uma alternativa para isso é a utilização
da linguagem de programação Basic, que é bastante parecida com jobs batch.

Comandos (exemplos)

ECHO [mensagem ou variável]


Escreve no ecrã
Por exemplo:
ECHO Olá

ECHO OFF
Desactiva as informações e confirmações feitas pelo sistema. Como "C:>", "Tem
certeza que deseja fazer tal?"....

ECHO ON
Activa as informações e confirmações do sistema.

ECHO.
Salta uma linha

SET variavel=valor
Cria ou modifica uma variável (espaço reservado temporariamente na memória RAM
para guardar algumas informações numéricas, de caracteres, positivo/negativo entre
outros. Não podem ter acento e devem começar com letra). Para chamar a variável
posteriormente basta colocá-la entre "%".
SET nome=João
ECHO O nome dele é %nome%

:nomedolink
Nomeia um ponto do ficheiro de lote permitindo avançar ou voltar à execução a partir
daquele ponto

CLS
CLear Screen.
Comando que limpa todo o ecrã.
@[Comando]
Desactiva as informações e confirmações feitas pelo sistema apenas para esta linha

IF [condição] (
[acção]
) ELSE (
[acção2]

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)
Este é um comando condicional. "Se condição faça acção, senão faça acção2".
Por exemplo:
@ECHO OFF
SET nome=Ana
IF "%nome%"=="Ana" (
ECHO Oi Aninha!
) ELSE (
ECHO Oi %nome%!
)
GOTO [ponto]
Avança ou volta a execução para um ponto do ficheiro de lote
FOR /L %%variavel IN (inicio,incremento,fim) DO comando [parâmetro]
Repete um comando várias vezes fazendo incrementações até o fim ser atingido.
/L, é uma opção do comando FOR que faz as incrementações.
%%variavel, é o nome da variável que vai ser incrementada.
inicio, é o valor de início da variável que será incrementada.
incremento, número que será somado a cada incrementação.
fim, a repetição irá acabar quando o valor da variável atingir este valor.
comando, um comando que será repetido.
[parâmetro], o parâmetro do comando que será repetido.
Por exemplo:
@ECHO OFF
FOR /L %%a IN (1,1,5) DO ECHO O valor de A é %%a
PAUSE
Faz uma pausa e só volta quando o utilizador premir alguma tecla do teclado.

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