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AULA 11 - II NC [ Óptico] (Mariangela) - Copia

Neuroanatomia (Universidade Estadual da Paraíba)

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Baixado por Johseph Paballo (paballo14@hotmail.com)
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II PAR NC – NERVO ÓPTICO


PROF. MARIANGELA – 18/03/2015

I - ANÁTOMO-FISIOLOGIA DA VISÃO O quiasma óptico é a região onde há a junção das duas vias do
nervo óptico, de forma que a retina temporal segue
O olho é uma estrutura circular que funciona como um
ipsilateralmente e a retina nasal cruza para o lado oposto.
sistema de lentes. Os raios luminosos passam pela pupila e sofrem
Sistema geniculoestriado: projeção da retina para núcleo
refração na córnea, cristalino e humor aquoso, que funcionam
como lentes convergentes, focando a imagem na retina. geniculado lateral.
A retina é a camada do globo ocular constituída por células Córtex estriado: córtex visual primário no lobo occipital.
nervosas – fotorreceptores cones e bastonetes. Estas células Sistema tectopulvinar: projeção da retina para o colículo
transformam energia luminosa em impulsos nervosos, que serão superior, para o pulvinar (tálamo) e para áreas visuais parietais e
interpretados no córtex visual.
temporais. Essas conexões do sistema tectopulvinar é que dão o
- Ponto cego: área da retina desprovida de fotorreceptores onde
caráter emotivo da emoção.
as fibras convergem formando a cabeça do nervo óptico.
- Fóvea: ponto mais central da retina, onde há maior obs: ramos dorsal e ventral – Informações visuais partem das áreas
concentração de cones, então é a área de maior visão do olho. visuais occipitais para os lobos parietal (função “como”) e temporal
(função “o quê”), formando os ramos dorsal e ventral, respectivamente.
Córtex occipital: córtex visual primário: é área 17 de Brodmann (córtex
calcarino) e que constitui V1 + córtex visual secundário: formado por V2 e
V3 que são as áreas 18 e 19

#Via óptica:
Retina
fotorreceptores Nervo Quiasma
céls bipolares óptico óptico
céls ganglionares

Corpo
radiações
geniculado Trato óptico
ópticas lateral
Existem várias camadas na retina. As principais são a dos
cones e bastonetes e a de células bipolares e ganglionares, que
têm a função de modular impulsos nervosos (1º, 2ª e 3º neurônios
da via óptica localizam-se na retina).
córtex visual áreas 17,
18, 19 núcleos pre-tectais
(tecto do mesenséfalo)
V1 (camada 4)

Via Pentaneuronal:
I Neurônio  receptor fotomotor na retina (cones e bastonetes).
II Neurônio  Células Bipolares.
III Neurônio  Células Ganglionares.
IV Neurônio  Corpo Geniculado Lateral ou Colículo Superior
do Mesencéfalo.
V Neurônio  Na área Occipital estriado (Sulco Calcarino).
Os cones estão em maior concentração na fóvea e são
responsáveis pela visão de cores (visão diurna). Os três principais Como o olho é um sistema côncavo, a retina temporal
são sensíveis ao comprimento de onda da luz azul, verde e relaciona-se ao campo nasal, que segue ipsialteralmente até o
vermelha. Através da sensibilidade dos diferentes cones somos córtex; e a retina nasal relaciona-se ao campo temporal, que cruza
capazes de identificar as variadas cores (alteração nos cones  no quiasma óptico e chega ao lado contralateral no córtex. As
discromatopsia/acromatopsia= incapacidade de enxergar cor). fibras temporais do olho esquerdo enxergam o campo nasal à
direita; as fibras nasais esquerdas enxergam o campo temporal
esquerdo. Esta é a representação do campo visual em relação à via
óptica.

Os bastonetes estão em maior na concentração na região extra-


fóvea e são responsáveis pela visão de baixa luminosidade
(crepuscular), nâo têm função de visão de cores.
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II – LESÕES NAS VIAS ÓPTICAS obs: existe uma particularidade em relação às lesões
01, No nervo óptico: fibras temporais e nasais de uma mesma retroquiasmáticas. Topograficamente, as fibras ao nível do trato óptico são
hemi-retina ficam lesadas e por elas não trafegam estímulos, mais distantes uma das outras. Então na lesão do trato óptico há uma
levando a uma amaurose ipsilateral, estando o outro lado normal. hemianopsia homônima incongruente, que significa que as perdas nasal e
temporal são assimétricas, uma é maior do que a outra. Mais perto da
Se for lesão parcial, há perda parcial daquele lado.
radiação óptica já ocorre uma hemianopsia homônima congruente.

ou = incronguente  trato óptico

= congruente  radiações ópticas

02, No quiasma óptico: 03. No córtex: quadrantopsias – em lesões


pequenas no córtex,há perda de um dos
quadrantes apenas (QSE, QIE, QSD, QID).

2.1 – Medial: lesão no meio do quiasma óptico, afetando as


fibras que se cruzam, é mais comum, causada, por exemplo, por
tumores na hipófise. Ocorre comprometimento das fibras nasais
das 2 hemi-retinas, levando a um defeito no campo visual
chamado hemianopsia heterônima bitemporal.

Hemianopsia –-> foi afetado metade do campo visual de cada lado;


heterônima  de um lado foi afetado a metade direita e no outro a
metade esquerda; Bitemporal  foi afetado o hemi-campo temporal dos 2
lados.
2.2 – Lateralmente: casos mais raros, em que o
acometimento é bilateral, causado, por exemplo, por aneurismas
bilaterais de carótida interna, com compressão externa do
quiasma óptico,ou seja,nas fibras temporais das retinas,
hemianopsia heterônima binasal,

– Lesão retroquiasmática (trato óptico, corpos geniculados


laterais, radiações ópticas – todas as fibras): causam Hemianopsia
Homônima contralateral (os 2 hemi-campos à direita ou à
esquerda). Ou seja, Hemianopsia Homônima Direita corresponde à perda
de 1 hemi-campo temporal e 1 hemi-campo nasal. Pode ser causada por
traumatismos ou Tumores.

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III – SEMIOLOGIA

A semiologia do II par de NC é feita em 5 etapas: Alterações:


1) Exame de Acuidade Visual. 1) Na Acuidade Visual.
- Tabelas de Snellen e de Jaeger (ou leitura de - Ambliopia.
- Amaurose: perda visual de origem neurológica
revista, livro, etc.). - Cegueira: perda visual de origem oftalmológica
- Conta dedos; 2) No exame da Visão para Cores:
- Visão de vultos; - Discromatopsias (ex.: daltonismo).
- Percepção da luz. 3) No Exame do Campo Visual:
2) Exame da Visão para Cores – teste de Ishihara. - Escotomas (lacunas no campo visual): hemianopsias,
3) Exame do Campo Visual – Campimetria de quadrantopsias
confrontação. 4) Exame de fundo de olho – Fundoscopia.
- Edema de papila ou papiledema
4) Exame de fundo de olho – Fundoscopia.
- Atrofia da papila: primária ou secundária.
5) Reflexos – fotomotor e consensual.

A) Exame da Acuidade VisuaL


IV- PATOLOGIAS QUE COMPROMETEM AS VIAS ÓPTICAS
A.1 - Tabela de Snellen (letras em vários tamanhos) - cada
olho é examinado separadamente, com e sem óculos. Vai se  Nervo óptico:
aproximando a tabela do paciente até ele conseguir enxergar e, - Atrofias primárias ou secundárias
assim vai se codificando o grau de perda visual (visão para longe). - Edema de papila (incipiente: borramento; avançado:
obs: os resultados são expressos em frações: Ex: 20/40 significa que indistinguível)
esse paciente vê a 20 pés o que uma pessoa normal vê a 40.  Quiasma óptico:
A visão p/ perto é avaliada com cartões como os de Jaeger - Hemianopsias homônimas binasais (TU hpófise)
ou de Rosembaum, mantidos à 35 cm do globo ocular. Consiste -Hemianopsias homônima bitemporais (aneurisma de
em textos de vários tamanhos que damos para o paciente ler. carótida interna)
Na ausência de tabelas ou cartões, pode-se avaliar Trato óptico: hemianopsia incongruente (causas variadas –
grosseiramente a acuidade visual solicitando que o paciente leia processos vasculares, tumores, desmilienizações)
qualquer texto colocado o mais distante possível. Radiações ópticas:
A.2 - Visão Conta dedos: aproxima-se os dedos do paciente e - Hemianopsia congruente
pede-se para ele contá-los; então, vai afastando-os até que ele - Quadrontopsias
não possa mais contá-los. Dizemos visão à conta-dedos a tantos - Lentificação do nistagmo opto-cinético (normal - vendo
cm (Ex: 30 cm). imagem em movimento): lesão parietal profunda.
A.3 Visão de vultos: este paciente não consegue contar os Córtex:
dedos. Vê apenas os movimentos das mãos. - Quadrontopsias (AVC, tumor, desmilienização)
A.4 - Percepção da luz: o paciente vê apenas a presença da - Discromatopsias (podem ser de nível cortical ou nos cones
luz. na retina)
Essa é a graduação progressiva do déficit visual. Pode-se - Cegueira cortical: lesões bilaterais extensas do lobo occiptal.
quantificar esse déficit instrumentalmente pelo oftalmologista. Se A imagem é transmitida por toda a via óptica íntegra, mas não é
interpretada no córtex. O paciente enxerga mas não vê, por lesão
o paciente, de algum dos lados, não enxergar nem a luz, diz-se que
do órgão interpretador da imagem.
há amaurose deste lado.

* Alterações:
└ Ambliopia: alteração visual em consequência da idade
└ Amaurose: perda da visão por causa neurológica
└ Cegueira: perda visual de origem oftalmológica
B) Exame da Visão para Cores: tabela de Ishihara
* Alteração: discromatopsias (alteração nos cones)
C) Campimetria (Exame do campo visual)
 Campimetria de Confrontação: o paciente fica parado na
frente do examinador a meio metro de distância, com os olhos na
mesma altura dos dele. Ambos tapam um olho, e o paciente deve
olhar fixamente para o olho do examinador. Um objeto é
movimentado, de modo que se teste os campos temporal superior
e inferior e nasal superior e inferior.
 Campo visual computadorizado: é mais especializado, feito
pelo oftalmologista.
* Alteração: escotomas – perda de uma parte do campo total
(hemianopsia, quadrantopsia, amaurose total).

c) Exame do Fundo do Olho


Realizado com o oftalmoscópio – ilumina-se a pupila do
paciente, focaliza-se a pupila através do visor e aproxima-se o
aparelho do paciente. Sala escura, sem colírio midriático (inibe os
reflexos), com o paciente olhando fixamente para um ponto atrás
do examinador. Observa-se a cor da papila, que normalmente é
amarelo-alaranjada (branca  atrofia do NO) e bordo papilar
nítido (bordo papilar borrado = edema de papila  HIC).
Baixado por Johseph Paballo (paballo14@hotmail.com)