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CINQUENTA
SAPATOS
QUE
MUDARAM
O MUNDO

JOB NO:E4-11236 TITLE:FIFTY SHOES


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JOB NO:E4-11236 TITLE:FIFTY SHOES


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DESIGN
MUSEUM

CINQUENTA
SAPATOS
QUE
MUDARAM
O MUNDO

autêntica

JOB NO:E4-11236 TITLE:FIFTY SHOES


Text Black (KK) E5-AC51613/ 175# DTP:39 PAGE:3
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CINQUENTA
SAPATOS

6 Introdução

8 Plimsoll (calçados de lona), anos 1830


10 Galocha, anos 1840
12 Bota Frye, 1863
14 Sapato bicolor, 1868
16 Tênis All-Star de basquete, 1917
18 Sapato de amarrar com gáspea em patchwork, 1930
20 Ma Gouvernante, 1936
22 Sapatos plataforma de Carmem Miranda, 1938
24 Sapatos de rubi de Dorothy, 1939
26 Sandália com tira no calcanhar, anos 1940
28 Calçado “Doc Martens”, 1947
30 Desert boot, 1949
32 Stiletto (salto agulha), anos 1950
34 Sapatilhas de balé “Cendrillon”, 1956
36 Hush Puppies, 1958
38 Bota Chelsea, c. 1960
40 Bota de oito pares de ilhós, 1960
42 Botas plásticas na altura dos joelhos, anos 1960
44 Winklepickers, anos 1960
46 Chinelo de dedo, 1962
48 Driving shoe, anos 1970
50 Sapato “Ossie”, 1972
52 Sapatos plataforma, 1972
54 Bota Timberland, 1973
56 Tênis Waffle, 1974
58 Botas Ugg, 1978
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60 Nike Air Jordan 1, 1984


62 Watch Shoe, c. 1987
64 Plataformas “Mock-Croc”, 1993
66 Hommage à Giger, 1993
68 “Mary Janes” Campari, 1994
70 Pelota, 1995
72 MBT, 1996
74 Sapato com adereço de pena, 1998
76 Sapato EIN/TRITT, anos 2000
78 Extreme Ballerina Heels 2, c. 2000
80 Bota sem salto, c. 2000
82 Joe Sneaker, c. 2000
84 Vivo Barefoot, c. 2001-03
86 Crocs, 2002
88 Sapato Alex, 2003
90 Sandália Birkenstock, 2003
92 Cups Elk, 2003
94 Calçado Nat-2, c. 2003
96 Speed Stiletto, 2007
98 Electric Light Shoe, 2008
100 Kei Kagami, 2008
102 Medic Esthetic, 2008
104 Melissa Anglomania, 2008
106 Calçado Melissa, 2008

108 Índice
112 Créditos
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CINQUENTA
SAPATOS

É impressionante a rapidez com que o sapato evoluiu nas últimas À direita: Salto do Electric
décadas. O tênis transformou o que entendíamos como sapato de Light Shoe, uma escultura de
um metro de altura produzida
uso diário, criando uma nítida barreira entre gerações, para grande como parte da campanha de
desespero dos sargentos “linha dura”, que recebem recrutas com marketing de 2008 da Electric
pés impossibilitados de se adaptar ao uso de botas. Novos Tiger Land para promover a
materiais, fechos, maneiras de resistir à água e mais uma infinidade Onitsuka Tiger, a marca de
calçados japonesa.
de inovações alteraram muitos dos parâmetros básicos.
Pela natureza polimorfa e variável dos sapatos, existem
modelos que conseguiram migrar do passado para novas formas
de calçar. Intimamente associado à indústria da moda, o sapato
também continua a abarcar tanto a produção industrial de massa
quanto a manufatura artesanal individual.
O sapato exerce claramente um fascínio no imaginário popular.
Nos 20 anos de exposições temporárias do Design Museum, a
retrospectiva de Manolo Blahnik ocorrida em 2003 – no auge do
fenômeno Sex and the City – ainda detém o recorde da mostra que
atraiu mais visitantes por semana.
Esta seleção de 50 modelos explora todo o escopo do design
de sapatos, mostrando como essa peça pode se referir tanto a
conforto quanto a autoimagem, a moda e a tecnologia.

Deyan Sudjic, diretor do Design Museum

Text Black (KK)


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PLIMSOLL anos 1830


Liverpool Rubber
Company
(posteriormente, Dunlop)

Houve em uma época um calçado informal que dominava o cenário À direita: O icônico plimsoll
esportivo e enchia todos os ginásios escolares com guinchos de produzido em massa, em
diferentes estágios de sua
derrapadas e cheiro de borracha. Precursor do tênis e instigador do fabricação. Ele se tornou um
fenômeno cultural de se adotar calçados esportivos confortáveis, o importante calçado esportivo,
plimsoll teve vários momentos de supremacia desde a década de com grande uso nos séculos
1830 até grande parte do século XX. XIX e XX.
Esse calçado despretensioso foi usado, primeiramente, pela
classe trabalhadora quando em férias no litoral. Os primeiros
modelos traziam solas de corda ou de couro e a gáspea em lona.
A versão com solado de borracha apareceu na década de 1830,
produzida pela Liverpool Rubber Company (que mais tarde se
tornaria a Dunlop). Outro aperfeiçoamento foi a grossa faixa de
borracha que circundava o calçado para fortalecer e proteger a
junção do solado de borracha com a lona. Foi essa faixa, que
diziam lembrar a linha de flutuação (plimsoll ) em torno do casco de
um navio, que deu ao calçado o seu nome no final do século XIX,
pelo menos na Inglaterra. Nos Estados Unidos, o plimsoll é
geralmente conhecido como tennis shoe ou sneaker. No Brasil,
chamamos genericamente de tênis, salvo quando tem o solado em
corda, caso em que é denominado alpargata ou alpercata.
Amortecedor de choques e delicado nos gramados, o plimsoll
logo se tornou o mais estimado calçado esportivo, sendo amplamente
adotado pelos atletas nas Olimpíadas de Paris, em 1924.

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GALOCHA anos 1840


Goodyear

Galocha, por definição, é uma cobertura usada sobre sapatos mais À direita: Elegantes, as jovens
vulneráveis, feitos para ambientes internos, para protegê-los de usam galochas para proteger
seus finos sapatos da sujeira
condições adversas experimentadas ao ar livre, como chuva e das ruas.
barro. As primeiras e mais antigas versões consistiam em uma sola
grossa de madeira, acoplada a uma espécie de chinelo onde enfiar
o pé, a uma luva de tecido à prova d’água ou a um couro preso na
parte inferior da perna.
A própria palavra sugere a antiguidade da ideia: “galocha”
derivaria do termo latino gallica solea (calçado gálico), usado pelos
romanos para descrever as botas rústicas de solado de madeira
usadas pelos guerreiros da Gália (a atual França). No período
vitoriano, segundo o que se sabe, a ideia foi incorporada por um
inglês reumático que lera sobre essas proteções de sapatos no
relato de Júlio César sobre sua campanha na Gália e que queria
proteger seus próprios pés da umidade.
Na realidade, parece que a galocha foi trazida para a era moderna
pelo empresário americano Charles Goodyear (1800-1860), que em
1839 descobriu o processo de vulcanização, que torna a borracha
mais forte e resistente em condições extremas. Como em outras
áreas do design, as novas tecnologias viriam revolucionar os
calçados e sua produção.

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BOTA FRYE 1863


The Frye Company

A Frye Company foi fundada em 1863 nos Estados Unidos À direita: A bota Frye em
por John A. Frye (falecido em 1911), um fabricante de botas, e ação. Alfred R. Waud, um
corajoso artista
atualmente é, naquele país, uma das mais antigas na fabricação correspondente da revista
de sapatos. Usadas tanto por soldados confederados quanto Harper’s Weekly, retrata o
pelos da União durante a Guerra de Secessão e por muitos dos campo de batalha de
pioneiros colonizadores do oeste americano ao longo do século Gettysburg em 1863. Abaixo:
A bota Frye é tão antiga
XIX, as botas Frye se confundem com a história norte-americana. quanto a moderna nação
Mais tarde, no século XX, as clássicas botas Harness Frye se americana e, para muitos,
tornariam as favoritas entre os militares americanos na Segunda simboliza a turbulenta
Guerra Mundial. história do país, assim como
suas rústicas paisagens.
O primeiro par de botas Frye foi manufaturado artesanalmente
em 1863, e até hoje elas continuam sendo feitas com a mesma
atenção aos detalhes – a empresa afirma orgulhosamente que há 190
etapas na fabricação de uma única bota. Símbolo de continuidade,
qualidade e, alguns poderiam acrescentar, de um machismo
antiquado, a bota Frye é uma sobrevivente plena de nostalgia de uma
época em que a nação americana ainda estava sendo construída.
Como uma história viva, ela resistiu ao teste do tempo e ainda
permanece popular graças a um relançamento bem-sucedido, na
década de 1960, do modelo original da década de 1860.

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SAPATO BICOLOR 1868


John Lobb

O sapato bicolor é um item elegante do ramo dos calçados, que À direita: James Cagney e
teve várias manifestações a partir de meados do século XIX. Um Sophia Delza sapateando no
palco, no espetáculo da
antigo exemplo é atribuído ao londrino John Lobb (1829-1895), um Broadway The Grand Street
fabricante de botas sob medida, que criou sapatos de críquete Follies of 1928. Cagney exibe
bicolores para cavalheiros, em 1868. Os originais teriam, muito um elegante par de sapatos
provavelmente, um corpo branco, com os dedos e o salto em bicolores – a maneira perfeita
de se destacar nas décadas
marrom ou preto, mas suas cores têm variado ao longo dos anos, de 1920 e 1930.
pelas muitas reinterpretações desse básico design. O material
original teria utilizado couro marrom granulado, de novilho, e
branco, de antílope. Com a ideia de conforto e praticidade, a área
dos dedos às vezes trazia perfurações para ventilar o sapato
quando fizesse calor.
O sapato bicolor surgiu em uma época de aumento nas
atividades de lazer e na informalidade em meio às classes
privilegiadas. Sua popularidade ficou garantida quando o Duque de
Windsor, um elegante criador de tendências, exibiu um par com
cravos ao jogar golfe. Longe de exibir esforços, o sapato se tornou
um toque de informalidade para acompanhar um terno
descontraído, nas décadas de 1920 e 1930, sendo que o modelo
também se introduziu na moda feminina da época.
Ajustados ao pé, confortáveis e flexíveis, eles também se
tornaram o calçado perfeito para os salões de danças da Era do
Jazz. Nos filmes de Hollywood, o sapato bicolor tornou-se uma
marca registrada do elegante rei da dança de salão, Fred Astaire.

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TÊNIS ALL-STAR DE BASQUETE 1917


Converse

Todos os tamanhos e cores, mas apenas uma forma clássica que À direita: Os Ramones, em
conseguiu resistir ao teste do tempo por quase um século. O tênis 1977, usando All-Stars da
Converse, em uma moderna
All-Star de basquete foi criado pela Converse Rubber Corporation manifestação do tênis
e surgiu em Massachusetts, em 1917. esportivo. Abaixo: Andy
Em 1921, em um exemplo do agora muito conhecido apoio a Warhol retratou este ícone
personalidades esportivas, a Converse contratou a estrela de americano em sua pintura
Converse Extra Special
basquete Charles “Chuck” H. Taylor para promover o tênis, e, dois Value (1985-1986).
anos depois, o nome “Chuck Taylor” começou a aparecer em todas
as etiquetas do tornozelo. Os “Cons” ou “Chuckers”, como eles
rapidamente foram apelidados, estavam então no caminho para se
tornar um nome familiar. Inicialmente, os All-Stars de lona e
borracha vinham apenas em uma cor – um utilitário negro –, mas,
na década de 1960, sob pressão dos competitivos times de
basquete americanos, a Converse começou a introduzir uma
seleção maior de cores.
Há muito o All-Star se afastou da quadra de basquete, e agora
está entre os mais icônicos e versáteis exemplos de design de
calçados do século XX. O rock e o grunge já não detêm o seu
monopólio – usado com jeans ou complementando um terno, o
status do calçado transcende as categorias e gêneros da moda.

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SAPATO DE AMARRAR COM 1930


Salvatore Ferragamo
GÁSPEA EM PATCHWORK

Salvatore Ferragamo (1898-1960) esteve entre os maiores e mais À direita: Este elegante
talentosos designers de calçados do século XX, responsável pela sapato em patchwork é um
bom exemplo do maravilhoso
criação de exuberantes e inovadores modelos que se provaram trabalho artesanal do
irresistíveis a gerações de mulheres endinheiradas – de Hollywood designer italiano Salvatore
a Bollywood e a ocasional esposa de ditador. Ferragamo conseguiu Ferragamo. O patchowork
produzir extravagantes peças únicas, como um par de sandálias de viria a ser um tema recorrente
na obra do designer de
ouro 18 quilates, feito em 1956; patenteou inovações, como o salto calçados.
com cunha de cortiça (1937; páginas 22-23), e clássicos que
resistem, como a sandália invisível (1947).
Em uma história que vai da miséria à opulência, que poderia
ser escrita como um conto de fadas, Ferragamo começou a fazer
calçados aos nove anos de idade. Aos 14, montou uma loja na casa
de seus pais, em Bonito, no sul da Itália, e dois anos mais tarde
emigrou para os Estados Unidos, onde rapidamente fez sua
reputação em meio à nata de Hollywood. Embora ele tenha voltado
para a Itália em 1927, conservou uma clientela fiel entre as estrelas
do cinema americano. Assim, criou mais de 40 pares de calçados
para Marilyn Monroe, inclusive o par de sandálias com tiras no
calcanhar que ela usou na lendária cena do “respiradouro do metrô”
em O pecado mora ao lado (1955).
Este bonito sapato de amarrar com gáspea em patchwork data
do período imediatamente posterior ao retorno de Ferragamo à
Itália, quando ele abriu uma oficina e uma loja em Florença.

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