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O Fundo Monetário Internacional

Em de Julho de 1944, na Conferência de Bretton Woods, realizada há sete décadas nos


Estados Unidos, 44 lideres, representantes das nações, incluindo o Brasil, estabeleceram os
caminhos de uma nova ordem econômica global. Um dos objetivos da reunião era a
reconstrução do capitalismo, estabelecendo regras financeiras e comerciais e evitando crises
como as registradas após a Primeira Guerra (1914-1918), notadamente a Grande Depressão de
1929. Durante o encontro de cúpula foram criadas instituições voltadas para tentar alcançar
essa estabilidade: o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a
Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird ou Banco Mundial).
Iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, a primeira
grande conferência monetária internacional foi inaugurada no dia 1º de julho de 1944, no
Hotel Mount Washington, na pequena localidade de Bretton Woods, discutiram os graves
problemas provocados pela violência da Segunda Guerra Mundial, grande parte da Europa,
África e Ásia estavam em ruínas, frutos de uma guerra em escala global iniciada em 1939.
Naquela época, um dos objetivos era evitar que a economia global entrasse em
colapso graças aos erros de um único país, como foi a década de 30 após o Crash da Bolsa de
1929. O mundo queria fugir do caos monetário, de grandes recessões e governos autoritários.
Duas propostas foram sugeridas: a dos EUA, representados pelo secretário do Tesouro, Harry
Dexter White, e de outro lado o britânico, John M. Keynes. Venceu o mais forte, a potência
que sairia vitoriosa da Segunda Guerra: o plano de White, que temia restrições ao comércio
americano terminado o conflito, em oposição à Lorde Keynes, mais intervencionista. Trocando
em miúdos, era preciso primeiro reconstruir o mundo antes de se pensar em comércio
exterior.
Ao mesmo tempo, esse órgão teria capacidade para socorrer, temporariamente,
governos em dificuldades de honrar os seus compromissos financeiros.
Nas décadas seguintes, esse papel foi desempenhado pelo FMI, em meio a críticas de governos
e setores da sociedade.
Ao fim do encontro, no dia 22 de julho de 1944, a hegemonia do dólar ficou garantida
e com isso os países devem seguir algumas regras politicas.
Na altura da sua criação, os países membros comprometiam-se a manter fixas as suas
taxas de câmbio, sendo que os Estados Unidos da América ficavam responsáveis pela
conversão do dólar em ouro de forma a evitar as consequências negativas que antes das I e a
II Guerra Mundial, em que se deu a ruptura do sistema do padrão-ouro.
O FMI tem como função dar assistência monetária, aconselhamento técnico e a
supervisão económica e financeira aos seus países membros. Os Estados em dificuldades
solicitam a concessão de créditos ao FMI, que disponibiliza a sua ajuda financeira através da
aplicação de certas “políticas e mecanismos de crédito em função da natureza dos
problemas”.
Hoje, aproximadamente 150 países membros participam na composição do
capital do banco. O valor de cota e o direito de voto são determinados a partir do nível
de participação no mercado mundial. O principal acionista é os Estados Unidos, fato
que lhe concede o poder de veto em todas as decisões. O Banco Mundial fornece
financiamentos para governos, que devem ser destinados, essencialmente, para
infraestura de transporte, geração de energia, saneamento, além de contribuir em
medidas de desenvolvimento econômico e social. Além de governos, empresas de
grande porte podem adquirir empréstimos, porém, é necessário apresentar a viabilidade
da implantação de projetos, além disso, o país de origem da empresa deve garantir o
pagamento dos recursos.

A autoridade máxima de decisão dentro do FMI é a ASSEMBLÉIA DE


GOVERNADORES DO FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL.
Esta ASSEMBLEIA é formada por um titular e um representante de cada país
membro, ou grupos, geralmente são ministros da economia e ou presidentes de bancos
centrais. Recebe assessoria do Comitê Interino e do Comitê de Desenvolvimento (em
conjunto com o BIRD).
Na teoria os governadores elegem o presidente do FMI, ja na prática, o
presidente é sempre um cidadão dos Estados Unidos, escolhido pelo governo norte-
americano. Já o diretor-presidente do FMI é tradicionalmente um europeu.

Como o Conselho Executivo do FMI é eleito? Ninguém sabe. Teoria e realidade


se confundem, mas que ficou claro que o critério é fundamentalmente político. Quando
criado, o FMI tinha apenas cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, União
Soviética, China e França. O número de assentos permanentes foi aumentado, conforme o
tempo, para contemplar mudanças “demográficas”, que na verdade eram mudanças políticas .

A DIRETORIA EXECUTIVA, é composta por 24 pessoas, membros eleitos,


ou indicados pelos países ou grupo de países, que também são membros e igualmente
responsáveis pelas atividades operacionais do Fundo e deve reportar-se anualmente á
Assembleia de Governadores.

Concentra suas atividades em analisar a situação especifica de países, ou em


estudar o estado da economia mundial e do mercado internacional, sem com isso deixar
de lado a situação econômica da instituição, e os programas de assistência financeira do
fundo. Todas essas discussões, como as suas soluções são discutidas três vezes por
semana.

O FMI é constituído por uma DIREÇÃO EXECUTIVA, liderada atualmente pela


francesa Christine Lagarde é uma advogada e ex-ministra das Finanças, Indústria e Emprego
da França, atual Diretora-Gerente do FMI, o cargo mais alto do organismo multilateral, o qual
ela é a primeira mulher a ocupar. É composta por 24 administradores, sendo que oito dos
quais são nomeados pelos Estados com maiores quotas. China, Rússia e Arábia Saudita têm
igualmente direito a um administrador. Quanto aos outros administradores, estes são eleitos
para mandatos com a duração de dois anos, por grupos de países com afinidades linguístico-
culturais.
Este método de constituição da Direção Executiva faz com que o FMI seja alvo de
muitas críticas, sobretudo por parte dos países menos desenvolvidos, que o consideram um
instrumento dos países ricos e desenvolvidos.

O Conselho Permanente do FMI é formato por oito membros permanentes,


sendo eles Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, China, Rússia e
Arábia Saudita. Destes, os Norte Americanos são os únicos que tem poder de vetar
uma decisão do conselho. Estranharam a presença da Arábia Saudita? Eles
representam os países árabes, e foram aceitos como membros permanentes em
1978. Eles são os maiores aliados dos Estados Unidos na região e juntos
combateram a expansão do comunismo na região entre 1945 e 1989.

Atualmente existem 8 assentos permanentes Estados Unidos (único acionista


com poder de veto), Japão, Alemanha, França, Reino Unido, China, Rússia, Arábia
Saudita.

O Conselho Executivo do FMI é formato por 16 membros pertencentes a um grupo de


países. De forma resumida: os outros 180 membros do FMI foram sorteados em grupos
aleatórios que podem ser conferidos na tabela abaixo:

TABELA DOS GRUPOS DE PAISES ( 16 GRUPOS )

Membros Eleitos Grupos

Áustria, Bielorrússia, Bélgica, Hungria, Cazaquistão,


Bélgica Luxemburgo, Checoslováquia, Eslovênia, Turquia,
Armênia.
Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Chipre, Geórgia,
Holanda
Israel, Jugoslávia, Moldova, Holanda, Romênia, Ucrânia.

Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México,


México
Nicarágua, Espanha, Venezuela.
Albânia, Grécia, Itália, Malta, Portugal, San Marino,
Itália
Timor-Leste.
Antígua E Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize Canadá,
Canadá Dominica, Granada, Irlanda, Jamaica, São Cristóvão E
Nevis, Santa Lucia, São Vicente, E Grandinhas.
Finlândia Dinamarca, Estônia, Finlândia, Letônia Noruega, Suécia.
Austrália, Kiribati, Coréia, Ilhas Marshall, Micronésia,
Coreia Mongólia, Nova Zelândia, Palau, Papua Nova Guiné,
Filipinas, Samoa, Seychelles, Ilhas Salomão, Vanuatu.
Bahrein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia,
Egito Maldivas, Oman, Qatar, Síria, Emirados Árabes Unidos,
Iêmen.
Brunei, Camboja, Ilhas Fiji, Indonésia, Laos, Malásia,
Malásia
Myanmar, Nepal, Cingapura, Tailândia, Tonga, Vietnã,
Angola, Botswana, Burundi, Eritréia, Etiópia, Gambia,
Quênia, Lesoto, Malaui, Moçambique, Namíbia, Nigéria,
Tanzânia
Serra Leoa, África Do Sul, Sudão, Suazilândia, Tanzânia,
Uganda, Zâmbia.
Azerbaijão, Quirquistão, Polônia, servia e Montenegro,
Suíça
suíça, Tadjiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão.
Afeganistão, Algéria, Gana, Irã, Marrocos, Paquistão,
Irã
Tunísia.
Brasil, Colômbia, Republica Dominicana, Equador,
Brasil
Guiana, Haiti, Panamá, Suriname, Trindade E Tobago.
Índia Bangladesh, Butão, Índia, Sri Lanka.
Argentina Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai.
Benin, Burkina Faso, Camarões, Cabo Verde, Chade,
Republica Do Congo, Cote Dívoire, Djibuti, Gabão, Guine
Guiné Equatorial Equatorial, Guiné, Guine Bissau, Madagascar, Mali,
Mauritânia, Mauricio, Nigéria, Ruanda, São Tome E
Príncipe, Senegal, Togo.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monetário_Internacional

Parece simples? Vamos complicar a explicação sobre o que é o FMI.

O FMI é estruturado em um sistema de QUOTAS (ou cotas, mas vamos usar


quotas para ficar mais próximo do original em inglês “quote”), como se fossem
ações de uma empresa. Para se tornar membro do FMI, um membro tem que
depositar certa quantia de dinheiro dentro do Fundo, como se estivesse
“comprando” ações de uma empresa. Ao fazer esse depósito, o país adquire quotas.
Cada quota comprada proporciona ao país um determinado número de votos. Para
uma decisão ser tomada pelo Conselho Executivo do FMI, ela precisa ter a
aprovação de 85% dos votos. Como os Estados Unidos, idealizador da coisa toda,
tem 16,73% dos votos, ou 831.396 votos, ou 17,68% das quotas, se TODOS os
países votarem por algo e os Estados Unidos votarem contra, a decisão terá
83,27% dos votos, menos do que os 85% exigido. Entenderam porque os Estados
Unidos é o único país com direito ao veto?

Tecnicamente falando:

Cotas

Cada país membro detém no FMI uma cota a ser determinada com base em sedus
indicadores econômicos, entre eles o PIB. Quanto maior a contribuição ao FMI, maior é
o peso do voto nas decisões. Existe uma revisão geral das cotas a cada cinco anos. O
Fundo pode propor um aumento nas cotas de determinado país, mas é necessária a
aprovação por 85% dos votos para qualquer alteração. Os membros que desejam
aumentar sua cota devem pagar ao Fundo o mesmo montante em DES (Direito Especial
de Saque) correspondente ao aumento. Os cinco maiores acionistas são: Estados
Unidos, Alemanha, Japão, França e Reino Unido. O Brasil, momentaneamente, ocupa a
10ª posição como cotista do FMI. Cada país pode sacar 25% de sua cota
correspondente. Acima desta proporção, é necessário firmar um termo denominado
Carta de Intenções, vinculada, geralmente, a um memorando técnico de entendimento,
pelo qual se compromete a reduzir o déficit fiscal e promover a estabilização monetária.
A partir de 1980, o FMI iniciou a exercer supervisãoda dívida externa. Neste diapasão,
o combate à pobreza mundial é a predocupação central do Fundo.

Moeda
O ativo financeiro do FMI é o Direito Especial de Saque - DES, ou seja, denominação
dada a sua moeda. Espécie que Substitui o ouro e o dólar para efeitos de troca. Vigora
apenas entre bancos centrais e também pode ser trocado por moeda corrente com o aval
do FMI. Criado em 1969, começou a ser utilizado apenas em 1981. Seu valor
econômico é determinado pela variação média da taxa de câmbio dos cinco maiores
exportadores do mundo, quais sejam, França – moeda euro, Alemanha – moeda euro,
Japão – moeda iene, Reino Unido – moeda libra esterlina e Estados unidos – moeda
dolar estadunidense. A partir de 1999, o euro substituiu as moedas francesa e alemã,
neste cálculo. O Fundo possui hoje, aproximadamente, U$ 310 bilhões, ou DES 213
bilhões, disponíveis para empréstimos. A cotação do DES se dá através de medida
ponderada: soma de uma quanthia específica das 4 moedas com a cotação em dólar
estadunidense, com base nas taxas diárias de câmbio do mercado de Londres.

Empréstimos do FMI

http://www.imf.org/external/lang/portuguese/np/exr/facts/howlendp.pdf

http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/conferencia-de-bretton-woods-
decidiu-rumos-do-pos-guerra-criou-fmi-13310362#ixzz4sR6BITAw 
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