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Contratos em espécie

A lei (artigo 82, do Código Civil Brasileiro) apenas estabelece que ao contratar (trata-se de um ato jurídico) é
necessário que as partes tenham capacidade de exercício, que o objeto seja lícito e que tenha forma prescrita
ou não proibida pela lei.
CONTRATOS BILATERAIS (OU SINALAGMÁTICOS) E UNILATERAIS: nos bilaterais nascem obrigações
recíprocas; os contratantes são simultaneamente credores e devedores do outro, pois produz direitos e
obrigações, para ambos, sendo, portanto, sinalagmáticos. Unilateral apenas uma parte tem vantagem.
ONEROSOS E GRATUITOS: Os onerosos são aqueles que por serem bilaterais trazem vantagens para
ambos os contraentes. Os gratuitos, ou benéficos, são aqueles em que só uma das partes obtém um proveito,
podendo este, por vezes, ser obtido por terceira pessoa, quando há estipulação neste sentido, como na
doação pura e simples.
COMUTATIVOS E ALEATÓRIOS: o comutativo é obrigação certa e determinada ambas as prestações
geradas pelo contrato estão definidas, como na compra e venda. Aleatório é o contrato em que as partes se
arriscam a uma contraprestação inexistente ou desproporcional, como compra de safra, não há certeza da
produção e quantidade: contrato de aquisição de coisas futuras, cujo risco de elas não virem assume o
adquirente. 458 e 459
CONSENSUAIS OU REAIS: consensuais são os que se consideram formados pela simples proposta e
aceitação. Reais são os que só se formam com a entrega efetiva da coisa, como no mútuo, no depósito ou no
penhor. A entrega, aí, não é cumprimento do contrato, mas detalhe anterior, da própria celebração do
contrato.
CONTRATOS NOMINADOS E INOMINADOS: Os nominados, também chamados típicos, são espécies
contratuais que possuem denominação (nomem iuris) e são regulamentados pela legislação. Os inominados
ou atípicos são os que resultam da consensualidade, não havendo requisitos definidos na lei, bastando para
sua validade que as partes sejam capazes (livres), o objeto contrato seja lícito, possível e suscetível de
apreciação econômica.
SOLENES E NÃO SOLENES:  Os solenes , também chamados formais, são contratos que só se aperfeiçoam
pela forma prescrita na lei, objetivando conceder segurança a algumas relações jurídicas. De regra, a
solenidade se exige na lavratura de documentos ou instrumentos (contrato) público, lavrado nos serviços
notariais (cartório de notas), como na escritura de venda e compra de imóvel que é, inclusive pressuposto
para que o ato seja considerado válido. Os não-solenes, ou consensuais, são os que se perfazem pela
simples anuência das partes. O ordenamento legal não exige forma especial para que seja celebrado, como
no contrato de transporte aéreo.
PRINCIPAIS E ACESSÓRIOS: os principais são os que existem por si, exercendo sua função e finalidade
independentemente da existência de outro. Os acessórios (ou dependentes) são aqueles que só existem
porque subordinados ou dependentes de outro, ou para garantir o cumprimento de determinada obrigação
dos contratos principais, como a caução e a fiança.
PARITÁRIOS E POR ADESÃO: os paritários são contratos em que as partes estão em situação de igualdade
no que pertine ao princípio da autonomia de vontade; discutem os termos do ato do negócio e livremente se
vinculam fixando cláusulas e condições que regulam as relações contratuais. Os contratos por adesão se
caracterizam pela inexistência da liberdade de convenção, um dos contratantes se limita a aceitar as
cláusulas e condições previamente redigidas pelo outro, predefinida. Nos contratos de adesão, eventuais
dúvidas oriundas das cláusulas se interpretam em favor de quem adere ao contrato (aderente). São espécies
deste tipo de contrato, o seguro, o contrato de consórcio e o de transporte.423 424
PESSOAIS OU IMPESSOAIS: os pessoais são obrigatórios, exemplo: contratar o Roberto Carlos para cantar,
ou seja ninguém pode substituir. Os impessoais pode ser cumprido por qualquer um, ou intuito.
Compra e venda 481é o contrato em que uma pessoa (vendedor) se obriga a transferir a outra (comprador)
a propriedade de uma coisa corpórea ou incorpórea, mediante o pagamento de certo preço em dinheiro ou
valor fiduciário correspondente.
Obrigatória e perfeita 482 o contrato de compra e venda dá aos contraentes tão somente um direito pessoal,
gerando para o vendedor apenas uma obrigação de transferir o domínio: consequentemente, produz efeitos
meramente obrigacionais, não conferindo poderes de proprietário àquele que não obteve a entrega do bem
adquirido, a transferência da propriedade, que só se faz pela tradição, se a coisa for móvel CC, art. 1267, ou
pelo registro no cartório competente, se o bem for imóvel CC, arts. 1.227, 1.245 a 1.247.
Coisa atual e futura 483 sem efeito se a coisa não existir salvo se o contrato for aleatório.
Venda por amostra o vendedor deve entregar o produto igual a amostra apresentada, ex avon
Fixação do preço um terceiro poderá fixar determinado valor por acordo entre as partes do produto vendido,
caso não coloque ficará sem efeito o contrato 486.
A compra e venda é contrato bilateral ou sinalagmático: porque cria obrigações para ambos os
contratantes, que serão ao mesmo tempo credores e devedores. Oneroso: porque ambas as partes
contratantes auferem vantagens patrimoniais de suas prestações, Comutativo ou aleatório: conforme seu
objeto seja certo e seguro ou dependa de um evento incerto. Consensual ou solene: se a lei o exigir.
Comumente é consensual, formando-se pelo mútuo consenso dos contraentes; em certos casos, porém, é
solene, quando além do consentimento a lei exige, ocorre na compra e venda de imóveis, escritura pública
(CC, art. 108 e 215). Translativo do domínio: ato causal da transmissão da propriedade gerador de uma
obrigação de entregar a coisa alienada e o fundamento da tradição ou registro.
Elementos constitutivos: a coisa,opreço e o consentimento.
a) Consentimento – deve ser livre e espontâneo
b) b) Preço – é tido como pressuposto existencial ou elemento constitutivo específico do contrato de
compra e venda. Sem a sua fixação, a venda é nula. 485 489
c) c) Coisa - deve atender os seguintes requisitos: existir, individuada, ser disponível para venda.
Efeitos da compra e venda
A) Principais
a.1) gerar obrigações recíprocas entre os contraentes - para o vendedor, a de transferir o domínio de certa
coisa, e para o comprador a de pagar-lhe certo preço em dinheiro (C.C, art.481);
a.2) acarretar a responsabilidade do vendedor pelos vícios redibitórios e pela evicção.
B) Acessórios
b.1) A responsabilidade pelos riscos (perda, deterioração, desvalorização, qualquer perigo que a coisa poder
sofrer desde a conclusão do contrato até a sua entrega) 492
b.2) A repartição das despesas – dispões o art. 490 do código Civil que ficarão as despesas da escritura e
registro a cargo do comprador,
b.3) O direito de reter a coisa ou o preço – na compra e venda à vista, as obrigações são recíprocas e
simultâneas. Mas cabe ao comprador o primeiro passo: pagar o preço. Antes disso, o vendedor não é
obrigado a entregar a coisa, podendo retê-la, ou negar-se a assinar a escritura definitiva, até que o comprador
satisfaça a sua parte (C.C, art. 491)
A) Venda de ascendente a descendente : “Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente,
salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo
único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação
obrigatória. ”, exceção: coherdeiro
“Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a
anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.”
B) Aquisição de bens por pessoa encarregada de zelar pelos interesses do vendedor – o art. 497 Sob
pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública: I – pelos tutores, curadores,
testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua guarda ou administração;
C) Venda de parte indivisa em condomínio – o condômino, enquanto o estado de indivisão, não poderá
vender sua parte a estranho, se outro consorte a quiser, tanto por tanto (C.C., art.504, 1ª parte).
C) Venda entre cônjuges – pessoa casa, exceto no regime de separação absoluta de bens, e, em razão de
convenção antenupcial, no de participação final nos aquestos, não poderá alienar ou gravar de ônus os bens
imóveis do seu domínio sem a autorização do outro cônjuge (C.C., arts. 1647, I e 1.656).
Venda “ad mensuram” e “ad corpus” – a primeira vem a ser aquela em que se determina a área do imóvel
vendido, estipulando-se o preço por medida de extensão. A especificação precisa da área do imóvel é
elemento indispensável, pois ela é que irá determinar o preço total do negócio. ad corpus, se o vendedor
alienar o imóvel como corpo certo e determinado, não há que se exigir o implemento da área nem devolução
do excesso, pois, se o bem é individuado, o comprador adquiriu pelo conjunto e não em atenção à área
declarada, que assume caráter meramente enunciativo, mesmo que não haja menção expressa de que houve
venda ad corpus.
Das Cláusulas Especiais à Compra e Venda
A) Da Retrovenda – é um pacto acessório, adjeto à compra e venda, por meio do qual o vendedor resguarda
a prerrogativa de resolver o negócio restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas feitas pelo
comprador. 3 anos – só imóvel, atinge herdeiros 505
B) Venda a contento e sujeita a prova – venda sob experimentação ou ensaio, que se realiza sob condição
suspensiva. Conhecer o objeto, prova, gosta, compra. Ver se tem qualidade conhecer o produto e sabe as
qualidades técnicas. 509
C) Da preempção ou preferência –os pactuantes estabelecer uma cláusula que obrigue o comprador de
coisa móvel ou imóvel, para que este tenha a preferência em readquiri-la, em igualdade de condições. Não
exceder 180 dias, se a coisa for móvel ou 2 anos se imóvel. Notificação do vendedor 60 dias e 30 dias.
Responsabilidade solidária.
Perempção perecer / Preempção preferência
D) Venda com reserva de domínio – Contrato de compra e venda de coisa móvel infungível, em que se
subordina a efetiva transferência da propriedade ao pagamento integral do preço. Vendedor mantem o
domínio, comprador a posse, compra depende de evento futuro, suspenção de transmissão, registro no
cartório de títulos obrigatório.
E) Venda sobre documentos – A tradição da coisa, ou seja, a transferência da coisa em si, é substituída
pela entrega do título representativo e de outros documentos. Como por exemplo a entrega de um título que
representa aquela coisa objeto do contrato, permite que o dono, na posse deste documento, retire a coisa em
outro lugar.
Contrato estimatório
O contrato estimatório, na prática conhecido como venda em consignação
, é aquele no qual o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los a terceiros, pagando o
preço previamente ajustado em um prazo combinado (CC,art. 534). Mas se o comprador (consignatário) preferir, quando
transcorrido o prazo, poderá optar por restituir a coisa consignada. Trata-se de hipótese de obrigação facultativa.

DOAÇÃO
É o contrato pelo qual uma pessoa (física ou jurídica), por vontade própria, transfere do seu patrimônio
bens ou vantagens para o de outra pessoa (também física ou jurídica), que os aceita. (CC, art. 538)
NATUREZA JURÍDICA
a Doação é um contrato:
· Unilateral
· Gratuito
· Ato inter vivos
· Solene ou formal (CC, art. 541)
3. ELEMENTOS CARACTERÍSTICOSÉ
é, de um lado, o doador, e de outro, o donatário
Doador –transmite o bem e sofre a diminuição patrimonial.
Absolutamente e relativamente incapaz – não pode doar
Falido – não pode doar, pois não tem disposição de seus bens.
Pessoa casada – regra gera, pode doar sozinho os bens particulares, sendo certo que os comuns só
podem ser doados conjuntamente com o outro cônjuge.
No caso de imóveis, o bem só pode ser doado pelo cônjuge sozinho se: a) casado pelo regime da
separação de bens; b) casado pelo regime da participação final nos aquestos, desde que nesta hipótese
haja expressa dispensa da outorga uxória no pacto antenupcial. OBS: Impossibilidade do suprimento
judicial do consentimento – se houver recusa pelo cônjuge em dar outorga uxória na doação, o juiz não
poderá suprir a falta, pois ausente estará o “animus donandi”, a liberalidade indispensável ao contrato.
Pessoas jurídicas – podem doar e receber doação, respeitado o disposto em seus respectivos estatutos
ou contratos sociais.
· Donatário – é o beneficiário da liberalidade do doador.
Absolutamente e relativamente incapazes – caso se trate de doação pura e simples, a doação não
dependerá de representação ou assistência, conforme o caso, porque é um ato de pura liberalidade que só
traz benefícios ao incapaz. Por outro lado, se for doação modal ou com encargo, haverá a necessidade de
representação ou assistência pelo respectivo representante legal.
Nascituro – a doação feita a nascituro é válida, desde que aceita pelos seus pais. Porém, nesta hipótese, a
doação será condicional (estará condicionada ao nascimento com vida, isto é, a aquisição da
personalidade, que é um evento futuro e incerto). (art. 542, CC)
Expressa – é a aceitação em que o donatário formalmente indica a sua vontade, por escrito.
Tácita – é a aceitação que resulta do comportamento do donatário, isto é, da prática de atos positivos pelo
donatário, que revelam a efetivação da incorporação pretendida pelo doador (ex.: uso da coisa,
recolhimento do tributo necessário à transmissão da propriedade, etc).
Presumida – a aceitação é presumida pela lei:
Decurso do prazo fixado pelo doador – quando o doador fixa prazo ao donatário, para declarar se aceita, ou
não, a liberalidade. Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-
se-á que aceitou (art. 539).
Doação feita em contemplação de casamento e o casamento se realiza – quando a doação é feita em
contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa, e o casamento se realiza, a
celebração gera a presunção de aceitação, não podendo ser arguida a sua falta (art. 546).
4. FORMA DO CONTRATO DE DOAÇÃO
Pode ser escrito ou verbal (CC, art. 541).
A doação na forma verbal só será aceita para bens móveis de pequeno valor econômico (CC, art. 541, par.
único).
A forma verbal revela dois requisitos para sua validade:
→ pequeno valor; e
→ transmissão imediata da propriedade (tradição).
4.1) Doação “Mortis Causa”
É inadmissível a doação para depois da morte do doador, utiliza-se o testamento
4.2) Doação Inoficiosa
É aquela que traduz violação da legítima dos herdeiros necessários, o doador doa mais do que pode.(CC,
art. 544)
É nula a doação inoficiosa (CC, art. 549)
4.3) Doação Universal
É aquela que compreende todo o patrimônio do doador, sem reserva mínima de parte para a sua
manutenção. (CC, art. 548)
4.4) Doação ao Nascituro
Poderá ser efetuada doação em favor do nascituro, por força da expressa previsão legal (CC, art. 542)
4.5) Doação Casamento Futuro
A doação feita em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa, que pede o efeito
se não forem contraídas as núpcias (CC, art. 546);

ESPECIES DE DOAÇÃO
5.1) Doação Pura
É aquela feita sem nenhum motivo especial, a não ser a intenção do Doador em beneficiar o Donatário com
um acréscimo em seu patrimônio. (CC, art. 538)
5.2) Doação Condicional
É a que pode ser estabelecida com condição suspensiva  ou resolutiva. (CC, art. 554)
5.3) Doação Modal ou com Encargo
É o negócio jurídico gracioso, mas que o Doador impõe ao Donatário uma determinada incumbência ou
dever em seu favor, ou de terceiro ou do interesse geral da comunidade (CC, art. 553). 
5.4) Doação com Cláusula de Reversão
O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao donatário (CC,
art. 547).
5.6) Doação Remuneratória e Doação Meritória
A doação remuneratória conjuga liberalidade e remuneração pelos serviços prestados gratuitamente pelo
donatário ao doador. (CC, art. 540)
A doação meritória é feita em contempla de merecimento. O motivo determinante deste negócio jurídico é a
vontade do Doador em reconhecer o esforço e premiar ato ou conduta do Donatário, considerados
relevantes pelo Doador.
5.7) Doação em Forma de Subvenção Periódica
É a doação feita de forma periódica ou continuada (semanal, mensal, anual etc.). (CC, art. 545)
5.10) Doação em fraude é aquela que encobre negócio jurídico simulado ou fraude à lei.
5.11) Cláusulas especiais –
→ Reserva de usufruto – por intermédio dela, o doador reserva para si o usufruto da coisa doada. O
usufruto pode ser total ou parcial, vitalício ou por prazo determinado. É uma cláusula comum e muitas
vezes necessária, pois o doador não pode dispor gratuitamente de todo o seu patrimônio, sem reservar
para si o mínimo necessário para a sua subsistência (art. 548).
6. EXTINÇÃO DO CONTRATO DE DOAÇÃO
Extinção Natural
Por meio da sua execução, do seu cumprimento
6.2 Revogação da Doação (CC, art. 555)
→ Por inexecução do encargo (CC, art. 562)
→ Por ingratidão do donatário (CC, art. 557)
→ Podem ser revogadas por ingratidão as doações:
l se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele;
l se cometeu contra ele ofensa física;
l se o injuriou gravemente ou o caluniou;
l se, podendo ministrá-los, recusou ao doador os alimentos de que este necessitava.
→ Doações não sujeitas a revogação (CC, art. 564)
7. AÇÃO REVOCATÓRIA
→ O direito de revogar a doação é exercido por meio de ação judicial, com prazo decadencial de um ano, a
contar de quando cheque ao conhecimento do doador o fato que a autorizar e de ter sido o donatário o seu
autor. (CC, art. 559)
→ O direito de revogar a doação por ato de ingratidão do donatário é irrenunciável (CC, art. 556)
→ A possibilidade dos herdeiros do doador prosseguirem na ação revocatória (CC, art. 560)
→ Doações não sujeitas à revogação por ingratidão estão previstas no CC, art. 564.