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Manual

UFCD 0670 – Contrato de

Compra e Venda

Formadora: Alexandra M. Basilio


Conteúdos

• Fases do processo de compra e venda

o Encomenda

o Entrega

o Liquidação

o Pagamento

• Condições do processo de compra e venda

o Qualidade e quantidade

o Entrega

o Preço

o Pagamento/Recebimento

• Outros documentos comerciais

o Cheque

o Letra

o Livrança

o Proposta de Desconto

o Proposta de Cobrança
CONTRATO DE COMPRA E VENDA

O contrato de compra e venda é aquele que desempenha a maior e mais importante


função económica sendo possível identificar com clareza os seguintes efeitos essenciais da
compra e venda enumerados no art.º 879º Código Comercial:

Um efeito real – a transferência da titularidade de um direito;


Dois efeitos obrigacionais:
A o b riga çã o que recai sobre o v e n d e d o r de en t re ga r a coisa vendida;
A obrigação para o comprador de pagar o preço estipulado no contratado.

1. Forma do contrato de compra e venda

Em regra, os contratos celebrados pelos particulares são consensuais, formando-se mediante


o simples acordo dos contraentes.

O contrato de compra e venda, pode ser celebrado através de qualquer das formas admitidas
por lei para a declaração negocial (art.º 217º a 220º Código Comercial). Como exceção a
esta regra, nalguns casos, foram estabelecidas certas exigências de forma (art.º 875º
Código Comercial), nomeadamente, o contrato de compra e venda de bens imóveis, que
está sujeito a registo, entre outros casos. Nestes casos, a eficácia em relação a terceiros está
dependente da forma, resultando do art.º 875º do Código Comercial que:

Que o contrato é nulo se for celebrado sem a forma nele consignada;


Que o contrato só poderá considerar-se celebrado, quando a transmissão da propriedade
se operar, depois de lavrado o respetivo título
2. Efeitos essenciais

Ef e i t o r e a l

A transmissão da propriedade da coisa vendida, tem como causa o próprio contrato, embora
esses efeitos possam ficar dependentes de um facto futuro, como por exemplo na compra
e venda com reserva de propriedade, em que a transmissão se protela para um momento
posterior.
Outro exemplo é o de quem compra uma coisa sujeita ao direito de preferência, que, enquanto
não decorrer o prazo de exercício desse direito, a transmissão fica sob condição resolutiva.

A compra e venda tem sempre carácter real. Um contrato do qual não decorra a transmissão
da titularidade de uma coisa ou direito, nunca poderá qualificar- se como compra e venda,
mesmo quando reunidos os demais requisitos e efeitos deste contrato.

Efeitos obrigacionais

Além do direito real, a compra e venda produz dois outros efeitos essenciais, de carácter
obrigacional:

1) A obrigação que recai sobre o vendedor de entregar a coisa;

2) A obrigação que impende sobre o comprador de pagar o preço.

A obrigação de entrega é normalmente contemporânea da transmissão do direito ou posterior


a ela; mas pode, excecionalmente, ser anterior, como na venda com reserva de propriedade
(art.º 409º do Código Comercial).

Decorre do art.º 882º/1 do Código Comercial que:


a) Se a coisa adquirir vícios ou perder qualidades entre o momento da venda e o da entrega,
são aplicáveis as regras relativas ao não cumprimento das obrigações;
b) O vendedor tem obrigação de entregar a coisa no estado em que se encontrava no tempo
da venda.
3. O d e v e r d e p a g a r o p r e ço

Preço é por definição a expressão do valor em dinheiro, ou, “a medida de valor expressa,
típica e exclusivamente em dinheiro”. Isto não obriga, obviamente, a que o comprador, com o
acordo do vendedor, pague em bens diferentes de dinheiro.

O modo de realização do pagamento cabe no âmbito da autonomia da vontade das partes.

4. Modalidades

4.1. Venda com reserva de propriedade

A venda com reserva de propriedade permite ao vendedor reservar para si a propriedade da


coisa até ao cumprimento total ou parcial das obrigações da outra parte ou até a verificação
de qualquer outro evento.

Consiste numa cláusula contratual habitualmente inserida num contrato de compra e venda
ou num contrato de mútuo (empréstimo) que permite ao vendedor ou ao mutuante, conforme
o caso, reservar para si a propriedade do bem vendido, por norma, até ao cumprimento total
da obrigação.

O art.º 409º do Código Civil prevê a figura da cláusula de reserva de propriedade,


mediante a qual o vendedor pode reservar para si a propriedade de um determinado
bem até ao cumprimento, total ou parcial, das obrigações do comprador ou até à
verificação de outro evento.

A reserva de propriedade apresenta-se como uma garantia de que o contrato celebrado vai
ser cumprido e é frequentemente utilizada nas vendas a prestações nos casos em que o bem
vendido já foi entregue ao comprador.

O comprador sabe que, perante uma cláusula desta natureza, não irá adquirir a propriedade
do bem até que a totalidade do preço esteja pago.
Em caso de incumprimento do comprador, e existindo uma cláusula de reserva de
propriedade, o vendedor terá que optar entre a resolução do contrato (com o consequente
pedido de entrega da coisa) ou pela exigência do pagamento do preço em divida.

Não pode é cumular um pedido com o outro.

Uma questão recorrente no âmbito imobiliário prende-se com a validade e eficácia da


cláusula de reserva de propriedade num contrato de fornecimento e colocação de
elevadores em prédio urbano.

4.2. Venda a retro

O vendedor reserva para si o direito de reaver a propriedade da coisa ou direito vendido


mediante a restituição do preço. Na venda a retro o vendedor tem a possibilidade de resolver
o contrato de compra e venda.

Venda a retro designa o contrato de compra em venda nos termos do qual se reconhece ao
vendedor a possibilidade de, querendo, resolver o contrato (artigos 927.º e ss. do Código Civil).
Através da resolução do contrato os efeitos do mesmo serão destruídos.

Resolvido o contrato, o vendedor terá, no prazo de 15 dias de entregar ao comprador


as importâncias que tenha a pagar-lhe a título de devolução do preço e reembolso das
despesas, sob pena de a resolução ficar sem efeito.

No que concerne ao prazo para o exercício do direito de resolução, a lei determina que será,
no máximo, de dois ou cinco anos a contar da venda, consoante se trate de bens móveis ou
imóveis.

Atingidos estes prazos sem que a resolução seja exercida, tal faculdade caduca e os efeitos
do contrato consolidam-se definitivamente.
4.3. Venda a prestações

Como forma de tornar mais ativa a circulação de bens e de permitir o gozo dos benefícios
por eles proporcionados ao maior número possível de pessoas o nosso legislador consagrou
a venda a prestações.

Verifica-se venda a prestações quando as partes estipulam que a obrigação de pagar o preço
da compra e venda será fracionada em duas ou mais prestações.

4.4. Venda de bens alheios

A venda de bens alheios designa a venda de bem alheio (presente) como bem próprio por
vendedor sem legitimidade para o fazer.

A venda de bens alheios é, nos termos legais, nula. Contudo, o seu regime apresenta diversas
particularidades em relação ao regime geral da nulidade, designadamente, os seguintes.

Em primeiro lugar, no que diz respeito à sua oponibilidade.

Com efeito, a nulidade não é oponível pelo vendedor ao comprador de boa-fé, nem o
comprador de má-fé pode opô-la ao vendedor de boa-fé. Já em relação do titular do direito, a
venda é-lhe ineficaz, podendo o mesmo reivindicar o bem.

A venda de bens alheios pode ainda dar origem a uma (outra) obrigação de indemnização,
sempre que um dos contraentes tenha procedido de boa-fé que significa o conhecimento ou
o desconhecimento culposo que o bem vendido ao tempo da celebração do contrato é alheio.

Havendo um negócio jurídico em que apenas um dos bens vendidos é alheio, poderá ocorrer
a redução do negócio, nos termos do artigo 292.º do Código Civil, com a redução proporcional
do preço, aplicando-se o regime da venda de bens alheios apenas à parte nula.

O regime da venda de bens alheios consta dos artigos 892.º e ss do Código Civil.

4.5. Venda de bens onerados


Designa a venda nos termos da qual o direito está sujeito a um ónus ou limitação que excede
os limites normais a direitos da mesma categoria.

Por exemplo, A. vende a B. um apartamento que está arrendado a C. Nesta situação, o direito
transmitido (de propriedade) tem um ónus (locação) que excede os limites normais dos direitos
da mesma categoria (propriedade sobre imóveis).

A venda de bens onerados é, nos termos legais, anulável, com fundamento em erro ou dolo,
consoante estejamos perante um caso ou o outro.

Contudo, se, antes do pedido de anulação do contrato, desaparecerem os ónus ou limitações


que oneravam a coisa, sem que tenha sido causado prejuízo ao comprador, fica sanada a
anulabilidade.

Por hipótese, no exemplo anterior, se o inquilino desocupar o locado antes de o mesmo ser
entregue ao comprador.

O vendedor de bem onerado é obrigado a sanar a anulabilidade do contrato, mediante a


expurgação do ónus ou limitação existente, sob pena de incorrer em responsabilidade por não
o ter feito.

Adicionalmente, o comprador de boa-fé tem direito de ser indemnizado pelo vendedor,


variando o valor da indemnização consoante haja dolo ou simples erro.

Se as circunstâncias do negócio mostrarem que, sem erro ou dolo, o comprador teria


igualmente comprado o bem, mas por preço inferior, apenas terá direito a redução do preço,
em harmonia com a desvalorização resultante dos ónus ou limitações, além da indemnização
que, ao caso competir. Retomando o exemplo inicial, se, por exemplo, se demonstrasse que
o comprador da casa pretendia, posteriormente à compra, arrendá-la.

O regime da venda de bens onerados consta dos artigos 905.º e ss do Código Civil.

4.6. Venda de coisas defeituosas

Artigo 913.º

1. Se a coisa vendida sofrer de vício que a desvalorize ou impeça a realização do fim a que é
destinada, ou não tiver as qualidades asseguradas pelo vendedor ou necessárias para a
realização daquele fim, observar-se-á, com as devidas adaptações, o prescrito na secção
precedente, em tudo quanto não seja modificado pelas disposições dos artigos seguintes.
2. Quando do contrato não resulte o fim a que a coisa vendida se destina, atender-se-á à
função normal das coisas da mesma categoria.

Artigo 914.º - (Reparação ou substituição da coisa)

O comprador tem o direito de exigir do vendedor a reparação da coisa ou, se for necessário e
esta tiver natureza fungível, a substituição dela; mas esta obrigação não existe, se o vendedor
desconhecia sem culpa o vício ou a falta de qualidade de que a coisa padece.

Artigo 915.º - (Indemnização em caso de simples erro)

A indemnização prevista no artigo 909.º também não é devida, se o vendedor se encontrava


nas condições a que se refere a parte final do artigo anterior.

É permitida a venda de bens com defeito?

Sim, a venda de produtos com defeito é permitida, mas deve ser anunciada de forma clara por
meio de letreiros ou rótulos.

Os produtos com defeito devem estar expostos em local previsto para o efeito e destacados
da venda dos restantes produtos, e devem ter aposta uma etiqueta que identifique de forma
precisa o respetivo defeito.

Se estas regras não forem cumpridas, mediante a apresentação do comprovativo de compra,


o consumidor pode exigir a troca do produto por outro que preencha a mesma finalidade ou a
devolução do valor que tiver pago.

4.7. Venda a filhos ou netos

Artigo 877.º

1. Os pais e avós não podem vender a filhos ou netos, se os outros filhos ou netos não
consentirem na venda; o consentimento dos descendentes, quando não possa ser prestado
ou seja recusado, é suscetível de suprimento judicial.
2. A venda feita com quebra do que preceitua o número anterior é anulável; a anulação pode
ser pedida pelos filhos ou netos que não deram o seu consentimento, dentro do prazo
de um ano a contar do conhecimento da celebração do contrato, ou do termo da incapacidade,
se forem incapazes.
3. A proibição não abrange a dação em cumprimento feita pelo ascendente.

4.8. VENDA DE COISAS SUJEITAS A CONTAGEM, PESAGEM OU MEDIÇÃO

Artigo 887.º (Coisas determinadas. Preço fixado por unidade)

Na venda de coisas determinadas, com preço fixado à razão de tanto por unidade, é devido o
preço proporcional ao número, peso ou medida real das coisas vendidas, sem embargo de no
contrato se declarar quantidade diferente.

Artigo 891.º (Resolução do contrato)

1. Se o preço devido por aplicação do artigo 887.º ou do n.º 2 do artigo 888.º exceder o
proporcional à quantidade declarada em mais de um vigésimo deste, e o vendedor
exigir esse excesso, o comprador tem o direito de resolver o contrato, salvo se houver
procedido com dolo.
2. O direito à resolução caduca no prazo de três meses, a contar da data em que o
vendedor fizer por escrito a exigência do excesso.

4.9. Venda sobre amostra

Artigo 919.º

Sendo a venda feita sobre amostra, entende-se que o vendedor assegura a existência, na
coisa vendida, de qualidades iguais às da amostra, salvo se da convenção ou dos usos
resultar que esta serve somente para indicar de modo aproximado as qualidades do objeto.

4.10. Venda a contento

Artigo 923.º (Primeira modalidade de venda a contento)

1. A compra e venda feita sob reserva de a coisa agradar ao comprador vale como
proposta de venda.
2. A proposta considera-se aceita se, entregue a coisa ao comprador, este não se
pronunciar dentro do prazo da aceitação, nos termos do n.º 1 do artigo 228.º
3. A coisa deve ser facultada ao comprador para exame.
4.11. Venda sujeita a prova

1. A venda sujeita a prova considera-se feita sob a condição suspensiva de a coisa ser idónea
para o fim a que é destinada e ter as qualidades asseguradas pelo vendedor, exceto se as
partes a subordinarem a condição resolutiva.

2. A prova deve ser feita dentro do prazo e segundo a modalidade estabelecida pelo contrato
ou pelos usos; se tanto o contrato como os usos forem omissos, observar-se-ão o prazo fixado
pelo vendedor e a modalidade escolhida pelo comprador, desde que sejam razoáveis.
3. Não sendo o resultado da prova comunicado ao vendedor antes de expirar o prazo a que
se refere o número antecedente, a condição tem-se por verificada quando suspensiva, e por
não verificada quando resolutiva.
4. A coisa deve ser facultada ao comprador para prova.

4.12. Venda sobre documentos

ARTIGO 937.º (Entrega dos documentos)


Na venda sobre documentos, a entrega da coisa é substituída pela entrega do seu título
representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato ou, no silêncio deste, pelos
usos.

A efetivação do negócio é realizada mediante a entrega de um título representativo e dos


outros documentos exigidos pelo contrato ou pelo uso.

Geralmente essa cláusula é utilizada em contratos internacionais, em que se utiliza como


título a comprovação do embarque das mercadorias.

4.13. Venda de coisa em viagem

ARTIGO 938.º
1. Se o contrato tiver por objeto coisa em viagem e, mencionada esta circunstância, figurar
entre os documentos entregues a apólice de seguro contra os riscos do transporte, observar-
se-ão as regras seguintes, na falta de estipulação em contrário:
a) O preço deve ser pago, ainda que a coisa já não existisse quando o contrato foi celebrado,
por se haver perdido casualmente depois de ter sido entregue ao transportador;
b) O contrato não é anulável com fundamento em defeitos da coisa, produzidos casualmente
após o momento da entrega;
c) O risco fica a cargo do comprador desde a data da compra.
2. As duas primeiras regras do número anterior não têm aplicação se, ao tempo do contrato,
o vendedor já sabia que a coisa estava perdida ou deteriorada e dolosamente o não revelou
ao comprador de boa fé.
3. Quando o seguro apenas cobrir parte dos riscos, o disposto neste Artigo vale
exclusivamente em relação à parte segurada.

OUTROS;

De acordo com a legislação europeia, o vendedor tem a obrigação de reparar ou substituir


um bem adquirido ou de propor ao consumidor uma redução do preço ou o reembolso,
se o bem em questão se revelar defeituoso ou não tiver a aparência ou não funcionar como
anunciado.

Se comprar um produto ou serviço em linha ou fora de um estabelecimento


comercial (por exemplo, por telefone, por correspondência ou a um vendedor porta a porta),
tem também direito a anular a compra e a devolver a encomenda no prazo de 14 dias,
independentemente do motivo e sem ter de dar uma justificação
CONTRATO DE COMPRA E VENDA

Conforme referido o contrato de compra e venda materializa-se na transferência de


propriedade de bens e implica a existência de duas partes interessadas, o comprador por um
lado e o vendedor por outro, bem como, o acordo entre ambos relativo ao preço a pagar e
restantes aspetos relativos á transmissão da posse.

FASES DO CONTRATO/ ELEMENTOS QUE MATERIALIZAM O CONTRATO

ENCOMENDA - NOTA DE ENCOMENDA

ENTREGA - GUIA DE REMESSA

LIQUIDAÇÃO - FACTURA

PAGAMENTO - RECIBO

I - ENCOMENDA

O comprador manifesta vontade de adquirir certo bem e procura o vendedor que aceita
vender. Esta manifestação de vontades pode ser formalizada através dos seguintes
documentos.

Nota de Encomenda: Referência à quantidade, qualidade (enquanto marca, modelo), preço


unitário, condições de entrega (época e local) e pagamento. É emitido em duplicado e
assinado pelo comprador. O original vai para o vendedor para este poder dar execução à
encomenda. É característico no comércio grossista.

Recibo de encomenda: Preenchido em papel timbrado do vendedor. O vendedor dirige-se ao


comprador. Característico dos cafés, restaurantes. Emitido em triplicado: o original pertence
ao fornecedor, o duplicado é entregue ao cliente e o triplicado fica na posse do representante
do fornecedor.
Requisição: Documento característico do comércio a retalho. O comprador solicita ao
vendedor o levantamento imediato de determinados bens ou mercadorias do seu armazém.
As indicações são semelhantes às formas anteriores, são somente mais rápidas e imediatas.
É usado a nível interno das empresas.

É emitido em duplicado. O original é assinado pelo comprador e destina-se ao vendedor. O


duplicado é arquivado pelo comprador.

Ordem de venda: Documento através do qual o comprador indica ao seu representante as


mercadorias que pretende adquirir.

Ordem de comp ra : Documento através do qual o vendedor indica ao seu representante


as mercadorias que quer que ele venda.

Ambos são emitidos em duplicado.

Os incoterms.
Têm como objectivo proporcionar um conjunto de regras internacionais de interpretação dos
termos comerciais mais vulgarmente utilizados no comércio externo.

Os incoterms têm como finalidade:


Identificar locais de entrega;
Definir e atribuir responsabilidades entre compradores e vendedores (custos e riscos).
II - ENTREGA

O vendedor executa a encomenda (envia a mercadoria e a documentação necessária


ao comprador). A entrega pode ser direta ou por envio (ex: correio).

Exige:

Guia de remessa ou nota de remessa

Documento que acompanha a mercadoria expedida pelo vendedor. Deve identificar


convenientemente a origem (vendedor) e o destino (comprador), para além das quantidades,
qualidade e preço unitário.

Tem o timbre do vendedor, o nº de contribuinte, um talão de receção comprovativo do


recebimento da mercadoria.

A guia de remessa tem normalmente, um talão de receção, destacável através de um picotado,


que se destina ao comprador, para confirmar a receção da mercadoria, datando e assinando.

São normalmente emitidas em triplicado.

III - LIQUIDAÇÃO

Os documentos são a fatura, a nota de débito e a nota de crédito.

O vendedor determina o valor da mercadoria (valor ilíquido, deduz o Imposto, os descontos e


o IVA).

Fatura: Nela deve constar a quantidade, a designação e referência, além disso indica ao
comprador o:

- valor da mercadoria transaccionada;

- valor ilíquido da fatura;


- valor do desconto (no caso de ter sido acordado);

- valor das despesas de transporte (se forem a cargo do comprador);

- valor do IVA;

- valor global da fatura – Valor a pagar.

É emitida em triplicado. O original e o duplicado são para o comprador. O

triplicado é para arquivo do vendedor.

Arquivo: Os originais das faturas recebidas, bem como os duplicados das


faturas enviadas devem ser conservadas por ordem cronológica, durante, pelo
menos, 10 anos.

IVA: Imposto sobre o Valor Acrescentado.

Estão sujeitos a pagamento de IVA as transações de bens e prestações de


serviços efetuadas no território nacional a título oneroso e as importações de
bens.

O IVA é um imposto plurifásico (várias fases). Todos os intervenientes dentro do


circuito económico são obrigados a calcular o IVA sobre o preço das vendas que
efetuam. Em todas as fases o IVA é calculado. Cada um dos intervenientes vai
entregar ao Estado a diferença entre o valor do IVA das vendas e o valor do IVA
das compras.

IVA das vendas - IVA das compras = IVA a pagar (ou receber) ao Estado.
O IVA incide sobre os preços da venda, depois de deduzidos os descontos
e acrescentadas as despesas.

Existem várias taxas de IVA. A taxa normal do IVA é atualmente de 23%, no


continente. Açores e Madeira têm taxas inferiores.

Para a faturação convém definir:

Valor ilíquido = valor bruto, independente de impostos e descontos Valor líquido


= valor ilíquido - descontos + despesas + IVA
Desconto = taxa X valor ilíquido
IVA = taxa X (valor ilíquido - descontos + despesas)

PARA RECTIFICAR A FACTURA

NOTA DE CRÉDITO

Documento pelo qual o vendedor informa o comprador de uma retificação no


valor da fatura por redução, isto é, que a sua dívida diminuiu.
Usa-se:

- Quando há erros de cálculo na fatura;

- Quando há devolução de mercadorias;

- Quando há descontos especiais que não foram incluídos na fatura;

- Quando as despesas de transporte foram, por engano, incluídas na fatura.


NOTA DE DÉBITO
Documento pelo qual o vendedor informa o comprador de retificação no valor da
fatura por acréscimo, isto é, que a sua dívida aumentou.
Usa-se:

- Quando há omissão do valor das despesas de transporte, de valores de


seguros;

- Quando se deram descontos indevidamente;

- Quando mercadorias não são faturadas.

Deve-se mencionar sempre o motivo pelo qual são emitidos

Elementos:

- Nº de ordem

- Nome, morada, contribuinte do vendedor, contribuinte do comprador

- Nº de fatura respeitante

- Importância em algarismos e por extenso

- Taxa do IVA

- Data de emissão de nota

- Data de emissão da fatura

- Assinaturas

- Motivo
GUIA DE DEVOLUÇÃO

Em certas situações de devolução de mercadorias, por exemplo, emite-se


uma guia de devolução que acompanha as mercadorias.

Muitas vezes a nota de crédito pode substituir a guia de devolução. Menciona


também o nº e data da fatura a que se refere e o motivo.

IV – PAGAMENTO

C H E Q UE

É um título de crédito através do qual uma pessoa anuncia uma ordem


de pagamento dirigida a um banco, onde previamente entregou fundos em
depósito para que este pague a si, ou a um terceiro, uma determinada quantia.

INTERVENIENTES

SACADOR: Pessoa que deposita o dinheiro e emite o cheque, ordenante.

SACADO: Banco que cumpre as ordens.

TOMADOR ou BENEFICIÁRIO: a pessoa que recebe o dinheiro, à qual a ordem


de pagamento é dada, pode ser o próprio sacador.

PORTADOR: Pessoa que se apresenta para receber o dinheiro, mas cujo


nome não aparece.

Segundo o Art.º nº 1 da lei uniforme sobre cheques, todos os cheques devem


conter as seguintes indicações:
- A palavra cheque;

- Mandato puro e simples de pagar uma determinada quantia;

- Nome do sacado (banco);

- Quantia (número e extenso);

- Local e data de emissão;

- Assinatura de quem passa (sacador);

- Nº da conta;

- Nº do cheque;

- Nome do sacador.

MODALIDADES:

NOMINATIVO: Contém o nome do beneficiário. O cheque só pode ser pago a


pessoa a quem ele está mencionado. É transmissível por endosso.

ENDOSSO: O endosso é uma declaração ou expressa ou explicita no verso do


cheque no qual o beneficiário transfere os seus direitos a um terceiro. O cheque
só é endossado se for nominativo, sé pode ser endossado pela quantia nele
mencionada.

ENDOSSO COMPLETO: Quando se designa o nome da pessoa a quem se


vai endossar. Põe-se sempre «Pague-se a ...» «À ordem de ...», data e
assinatura.
ENDOSSO SIMPLES: Limita-se a colocar a assinatura. Transforma o cheque
nominativo a um cheque ao portador.

CHEQUE AO PORTADOR: Pago a quem se apresenta para recebê-lo

CHEQUE CRUZADO: São traçadas na face duas linhas transversais e


paralelas, tem em vista uma maior segurança no pagamento do cheque.
Na maioria dos casos o cruzamento obriga ao depósito.

CRUZAMENTO GERAL: Só pode ser pago pelo sacado a um banco ou a um


cliente do banco.

CRUZAMENTO ESPECIAL: Só pode ser pago pelo sacado ao banco designado


pelo cheque

CHEQUE VISADO: O banco sacado garante ao beneficiário uma boa cobrança.


O banco vai cativar, a pedido do sacador, a importância constante do cheque
que vai depositar, para tal o sacador preenche um impresso próprio.

L E T RA

É um título de crédito à ordem pelo qual uma pessoa (credor/sacador) ordena


a outra pessoa (devedor/sacado) que lhe pague a si ou a um terceiro (tomador
ou beneficiário) determinada importância em certa data.

SACADOR: É a pessoa que dá a ordem de pagamento, que saca a letra

SACADO: É a pessoa que deverá pagar a letra, aquela que recebe a ordem de
pagamento

ACEITANTE: É o sacado depois de ter concordado com o saque e ter assinado


a letra
TOMADOR OU BENEFICIÁRIO: É a pessoa a quem, ou à ordem de quem, a
letra deve ser paga. O sacador será, também, o primeiro beneficiário da letra se
a letra for à sua ordem.

ENDOSSANTE : É a pessoa que endossa a letra.

SAQUE: Operação que consiste na emissão da letra por parte do sacador.

ACEITE: O sacado obriga-se a pagar a letra na data do vencimento, colocando


a sua assinatura por baixo do selo, passando a designar-se por aceitante.

Existem 4 formas de vencimento da letra:

À VISTA: É quando a letra é pagável no momento da apresentação. Não pode


conter data de vencimento.

A PRAZO DE VISTA: Quando a letra é pagável decorrido um determinado


prazo que se conta a partir da data do aceite.

A PRAZO DE DATA: Quando a letra é pagável decorrido um determinado prazo


a partir da data do saque (emissão da letra).

EM DATA FIXA: Quando se fixa uma data. Deve ser feito no dia do vencimento
ou no dia do vencimento ou nos dois dias úteis seguintes.

AVAL

O pagamento de uma letra pode ser no todo ou em parte garantida por aval.
Esta garantia é dada por um terceiro ou mesmo por um signatário da letra.
AVAL COMPLETO: O aval exprime-se pela palavra «bom para aval» seguindo-
se pela assinatura do avalista.

AVAL INCOMPLETO: Para ter valor, tem de ser dado na face da letra.

ENDOSSO

Transferência d o direito de receber a importância referente à ordem de


pagamento nela dada.

ENDOSSO COMPLETO: É colocado no verso da letra «Pague-se», o nome do


novo portador, o local e a data em que é feito o endosso, para além da
assinatura do endossante

ENDOSSO INCOMPLETO: É colocado no verso da letra a assinatura do


endossante, sem designar o endossado

DESCONTO

É um prémio pago pelo sacador ao banco em virtude da antecipação


do pagamento.

PROTESTO

É o ato pelo qual o portador de uma letra garante os seus direitos através de
uma

Acão judiciária. Protesta-se quando há:

- Falta de pagamento;
- Recusa total ou parcial do aceite;

- Falência do sacado antes da data de pagamento;

Deve ser feito nos dois dias úteis a seguir ao prazo do vencimento. Quem faz a
1ª notificação é o notário.

Todas as ações contra o aceitante, relativas a letras prescrevem ao fim de 3


anos a contar a partir da data de vencimento.

No caso da letra ser endossada, as ações contra o endossante prescrevem ao


fim de 1 ano.

REFORMA

Acordo que se faz entre o aceitante e o portador em data anterior à data


de vencimento para alargar o prazo de pagamento, evitando o protesto.

REFORMA PARCIAL: Valor inferior

REFORMA TOTAL: Valor igual

LIVRANÇA

Uma livrança é um documento onde o consumidor ou empresa se compromete


a pagar o montante da dívida à entidade financiadora. Normalmente, estes títulos
de crédito fazem parte integrante de um crédito, um banco só lhe concederá um
empréstimo depois de assinar a livrança. Assim caso o devedor não pague as
prestações os bancos poderão usar esta garantia.

As empresas recorrem a este tipo de financiamento no sentido de obterem


recursos financeiros de curto prazo, cobrir despesas de exploração e
necessidades de tesouraria.
Este financiamento é suportado por um título de crédito no qual, uma entidade
promete pagar a outra uma determinada quantia num prazo estipulado.

As principais características da Livrança são:

1 - A palavra "livrança" inserta no próprio texto do título e expressa na língua


empregada para a redação desse título;

2 - A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada;

3 - A época do pagamento;

4 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento;

5 - Nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga;

6 - A indicação da data em que e do lugar onde a livrança é passada;

7 - A assinatura de quem passa a livrança (subscritor).

As diversas instituições bancárias disponibilizam este tipo de empréstimos. O


prazo de decisão varia entre 3 a 5 dias úteis, o prazo mínimo de empréstimo é
de 30 dias e em caso de pedido de reforma da Livrança este tem que ser
efetuado no prazo de 5 dias úteis antes do seu vencimento.

Os indexantes mais utilizados neste tipo de empréstimos são, a Euribor a 1 mês


e a Euribor a 3 meses. São utilizados indexantes de curto prazo pois este tipo de
empréstimos caracteriza-se pelo seu carácter de curto prazo.

V - R E C I BO

É o documento pelo qual o vendedor declara ter recebido do comprador uma


determinada quantia numa determinada data.

É emitido em duplicado.
Elementos:

Referência ao nº de fatura correspondente

Timbre do vendedor

Nome, morada e contribuinte do comprador e vendedor

Localidade

Data de emissão

Quantia em algarismos e extenso

Discriminação do valor das mercadorias, valor das despesas e IVA

Assinatura do vendedor

Podem ser considerados recibos:

Fatura (desde que esteja mencionado fatura/recibo)


Notas e avisos de crédito.