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CADASTRO TÉCNICO URBANO E RURAL Prof. Dr. Alzir Felippe Buffara


Antunes CURITIBA 2007 SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO................................................................................................
.....1 1
INTRODUÇÃO..................................................................................................2
2
CONCEITO.. . .. . .. . .... . .. . .. .. . .. . .. ... .. . .. . .... . .. . .. .. . .. . .. .. . .. . .. . .. .
. . .. . .. ... .. . .. .. ... . .. . .. .. . .. . .. ..3 3 CADASTRO NO
BRASIL.................................................................................6 3.1
HISTÓRIA.........................................................................................................
6 3.2 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA POSSE DA TERRA E O CADASTRO NO
BRASIL..............................................................................................................
7 3.3 CADASTRO
URBANO....................................................................................12 3.3.1 O
Espaço Urbano................................................................................12 3.3.2
Problemas do cadastro urbano brasileiro...........................................14 3.3.3
Legislação urbana...............................................................................16 3.3.4
O cadastro e os impostos....................................................................17 3.3.5
As ocupações irregulares ou informais...............................................20 3.3.6
Composição do CTM...........................................................................21

4 METODOLOGIA DO CADASTRO URBANO.................................................23


4.1 BOLETIM DE CADASTRO TÉCNICO IMOBILIÁRIO.....................................23
4.2 BASE
CARTOGRÁFICA.................................................................................27 4.2.1
Sistema de Referência........................................................................28 4.2.2
Artilculação das plantas cadastrais considerando coordenadas

UTM.....................................................................................................31 4.2.3
Qualidade............................................................................................33 5
CADASTRO RURAL......................................................................................37
5.1 IMÓVEL
RURAL..............................................................................................37 5.2 LEI
10.267/2001..............................................................................................37
5.3 BASE
CARTOGRÁFICA.................................................................................38 5.3.1
Classificações do produto cadastral...................................................39 6
SISTEMA DE INFORMAÇÕES TERRITORIAIS (SIG Aplicado)..................44 7
REFERÊNCIAS. . .. ... .. . .. . .... . .. . .. .. . .. . .. ... .. . .. . .... . .. . .. .. . .. . .. .. . ..
. .. . .. .. . .. . .... . .. . .. .. . .. . .. .49
GLOSSÁRIO.......................................................................................................
.....51 ANEXO 1 – NBR 14166 – Rede de referência cadastral
municipal....................54 ANEXO 2 – Aplicação do Sensoriamento Remoto no
Cadastro........................52 ANEXO 3 – A Lei 10.267/2001 e sua
regulamentação.........................................59 ANEXO 4 – Memorial
descritivo............................................................................75 ANEXO 5 –
Geoinformação e planejamento urbano...........................................77

Cadastro Técnico Urbano e Rural Engenharia Cartográfica – UFPR Prof. Dr.


Alzir Felippe Buffara Antunes 1 APRESENTAÇÃO Esta apostila tem caráter
interno e provisório, e constitui um subsídio às aulas de Cadastro Técnico
Urbano e Rural, ministradas para o Curso de Engenharia Cartográfica da
Universidade Federal do Paraná.

Solicita-se aos leitores que apontem as falhas encontradas nesse trabalho.


Para um maior aprofundamento do assunto, recomenda-se que seja
consultada a bibliografia citada.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 2 1 INTRODUÇÃO O conjunto de informações
geo-referenciadas é imprescindível ao planejamento do espaço urbano.
Qualquer ação que vise a privilegiar o desenvolvimento sustentável requer
uma informação acurada do espaço, tanto no que se refere à base
cartográfica quanto aos dados referentes às diferentes feições do terreno. O
planejamento no âmbito municipal visa a resolver os problemas dos
munícipes em determinada época. A ordenação do espaço urbano é
necessária para eliminar as distorções do capitalismo moderno. A
espacialização da problemática urbana e rural é uma etapa importante na
tomada de decisões políticas.

O cadastro torna-se um instrumento de gestão municipal, de tomada de


consciência da problemática urbana. O espaço urbano apresenta uma
dinâmica populacional oriunda do modo de produção capitalista, resultante
da colonização baseada na escravidão, do capitalismo tardio e do
neoliberalismo e, neste contexto, a cidade deve ser considerada como um
agente econômico, precursor do desenvolvimento regional.

O levantamento cadastral consiste da coleta e organização de toda


informação geo-referenciada do espaço geográfico com a finalidade
específica e social da gestão democrática. O cadastro técnico é estruturado
por uma base cartográfica – o mapa cadastral – e por uma base descritiva
com informações diversas: munícipes, infra- estrutura, etc. O cadastro é
utilizado na administração pública dos centros urbanos e principalmente
como fonte de dados à política fiscal e tributária.

Discutir-se-á neste trabalho a metodologia do cadastro urbano e rural com


vistas ao planejamento, dando enfoque aos efeitos sociais da cartografia e
do geoprocessamento para o desenvolvimento humano.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 3 2 CONCEITO Cadastro é o registro público
em que se descreve a extensão, qualidade e valor dos bens de raiz de certo
território. O cadastro é também composto por uma série de operações que
têm por fim organizar este registro. O espaço geográfico cadastrado pode
ser o ambiente urbano ou rural. O cadastro pode ser definido como conjunto
de técnicas cartográficas e de banco de dados sobre os bens imobiliários.

Uma outra definição de cadastro pode ser especificada como o registro


oficial das informações que definem as propriedades. As informações
referem-se à localização unívoca, tipo de propriedade, área, utilização, valor
e direitos. O registro deve apresentar o assentamento metódico das
informações, tal que possibilite a identificação da propriedade na sua forma
mais atual. A definição precisa de uma propriedade envolve diferentes
aspectos, desde a sua localização até os direitos sobre ela. Portanto,
observa-se que o cadastro é um assunto de natureza multidisciplinar.
HENSSEN (1990) relaciona o cadastro ao registro da terra e sua utilização.
Este registro é composto de duas partes: (a) a base cartográfica, composta
de mapas em grande escala e; (b) o dado descritivo contendo os registros
(ex:. indicação fiscal, proprietário, valor venal, etc.)

Etimologicamente, a origem da palavra cadastro é grega: “Katastikhon”,


que significa lista. Mais tarde, a palavra foi emprestada ao latim
“Capitastra” que indicava, na Roma antiga, o registro de bens e indicação
dos proprietários.

Em cada sistema cadastral, a unidade básica ou territorial é o lote ou


parcela, que pode ser definido como uma área continua de terra na qual
existe uma homogeneidade de direitos, restrições e responsabilidades,
dependendo do paradigma social.

Denomina-se parcela toda unidade imóvel cadastral de domínio privado dos


particulares, com identificação fiscal ou municipal, dimensionada e
identificada sob seus aspectos geométrico, econômico e jurídico. Os limites
entre parcelas podem ou não estar materializados, e nem sempre é
necessária a planta topográfica para registrar o

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Alzir Felippe Buffara Antunes 4 imóvel. Em alguns países, as transmissões
de domínio devem embasar-se em planos de medição se existe um título de
propriedade registrado; os limites são representados nos documentos
cartográficos.

Um cadastro abrangente deve conter informações referentes a todas as


parcelas ou lotes que compõem um determinado espaço geográfico.
Modernamente, a missão do cadastro não deve estar restrita à arrecadação
de impostos, mas este deve servir como ferramenta para o planejamento do
território e para a promoção da justiça social: o direito a terra ou a moradia.
Porém, na realidade brasileira observa-se o cadastro com diferentes funções
que nem sempre se complementam. De acordo com sua função, o cadastro
pode ser classificado em :

ü fiscal: o aspecto fundamental é a identificação do proprietário e da


propriedade. O objetivo geral é o valor da propriedade e sua taxação. O
valor é uma função das características geométricas, localização,
benfeitorias, valor histórico, valor de mercado. O cadastro fiscal, segundo
ERBA et al.(2005), cumpre um papel fiscalizador para que o valor da
propriedade esteja sempre atualizado. As informações sobre o terreno,
proprietário, uso e benfeitoria são coletadas em campo, em geral sobre uma
base cartográfica;

ü jurídico: nem sempre o pagamento de impostos dá direito à propriedade.


Por meio do registro do imóvel ou da propriedade existe a identificação
jurídica. O cadastro não contempla apenas aspectos da parcela, mas
também relativos a seu detentor. Pode-se citar como exemplo um terreno
ou parcela que pertence a uma pessoa física ou jurídica, ou a várias pessoas
sob a forma de condomínio: aquele que possui a posse da parcela só se
configurará como proprietário se for detentor da escritura junto ao registro
de imóveis;

ü geométrico: baseado nas mensurações realizadas através de


levantamentos geodésicos e aerofotogramétrico para a confecção da planta
cadastral . Os dados cartográficos passam a ter valor cadastral quando
associado às informações sobre a propriedade.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 5 ü multifinalitário: refere-se às múltiplas
aplicações, principalmente ao planejamento urbano e regional. Serve de
base à tomada de decisões. Este tipo de cadastro é também denominado
Sistema de Informação Territorial (ver item 8).

Em adição, considera-se cadastro imobiliário como um conjunto de


informações das áreas urbanas com vistas ao lançamento do imposto
predial e territorial urbano (IPTU). Este tipo de cadastro é composto por
informações sobre os imóveis urbanos, contribuintes, obras públicas e
ocupação do espaço. Por outro lado, o cadastro técnico municipal (CTM) é
constituído por uma base cartográfica amarrada a informações sobre a
propriedade.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 6 3 CADASTRO NO BRASIL 3.1 HISTÓRIA As
origens do cadastro remontam à antiguidade. Pesquisas arqueológicas
revelam que delimitar terras e espaços para cultivo já fazia parte das
atividades humanas no fim do período neolítico.
Os Caldeus, Egípcios, Fenícios e Romanos foram os primeiros a cadastrar as
posses com fim de cobrança de impostos e previsão de colheita agrícola. Os
egípcios, em função das cheias periódicas do rio Nilo, dispunham de um
inventário descritivo de terras, do qual figuravam ocupantes e
confrontantes. Na Roma Antiga, os cidadãos eram obrigados a declarar o
uso e o valor da terra; estas declarações eram examinadas por um
“censitor” e, em alguns casos, por um agrimensor que realizava croquis
descritivos. O imperador Diocleciano, por volta de 287 d.C. determinou o
mapeamento de todo o Império Romano visando a uma nova sistemática de
tributação.

Na Inglaterra, iniciou-se o cadastramento fundiário em nível de imóvel em


1080 d.C., sendo todo refeito em 1692. Na Alemanha, no século XII, foi
criado um sistema de registro imobiliário, constituindo mais tarde no
“Grundbucher” e o “Stadtbucher”, para terras rurais e urbanas
respectivamente. As aspirações igualitárias, propagadas pela Revolução
Francesa (1789), originaram a reorganização do sistema de contribuição e,
conseqüentemente, a redefinição do imposto predial. Neste contexto, o
primeiro projeto de registro da propriedade predial em escala nacional
surge em 1807: realizado no governo de Napoleão, tinha fins fiscais,
naturalmente vinculados ao Ministério das Finanças (Figura 1).

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Alzir Felippe Buffara Antunes 7 Figura 1: Detalhe de uma planta cadastral
(Cahors, 1812) 3.2 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA POSSE DA TERRA E O
CADASTRO NO BRASIL Para se perceber a atual situação do cadastro técnico
brasileiro, deve-se reportar ao processo histórico da colonização. Às
capitanias hereditárias, seguiu-se o sistema das Sesmarias: concessões de
terras no Brasil pelo governo português, com o intuito de desenvolver a
agricultura, a criação de gado e, mais tarde, o extrativismo vegetal, tendo
se expandido à cultura do café e do cacau. Ao mesmo tempo, a Sesmaria
servia para povoar o território e recompensar nobres, navegadores ou
militares por serviços prestados à Coroa Portuguesa. O sistema de
sesmarias do Brasil era um prolongamento do sistema jurídico português,
estabelecido pela lei de 26 de maio de 1375, por Dom Fernando. Assim a
partir do século XVI, no Brasil, grandes porções de terra eram entregues a
quem se dispusesse a explorá-las e pudesse comprovar a posse de recursos
– como mão-de-obra – dando em troca à Coroa uma sexta parte do que
fosse extraído e produzido. A sesmaria representava a exploração
econômica da terra de maneira rápida, fazendo com que Portugal se
consolidasse como colonizador. A organização social de trabalho foi baseada
na mão-de-obra escrava e no latifúndio monocultor.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 8 Os registros de terras começaram com as
doações de sesmarias – inicialmente muito expensas e reduzidas com o
passar do tempo – pelos donatários das capitanias, capitães-mores e vice-
reis. Com o passar dos anos, e através de vendas e heranças estas terras
foram sendo divididas. Os registros mais antigos de transações de
propriedades eram, então, atribuições dos notários.

Muitas tentativas de regularizar o sistema de sesmarias foram em vão.


Exemplo disso é a obrigatoriedade do cultivo, assim como a fixação dos
limites – feitas à revelia da lei – e o processo de expansão territorial
praticado pelos fazendeiros e pela camada de posseiros. A Coroa enfrentava
alguns problemas, por exemplo, o de implantar um sistema jurídico para
promover o cultivo e assegurar a colonização. A obrigatoriedade do cultivo
acabou levando à formação de novos personagens entre os sesmeiros,
entre eles, a figura do posseiro. O reconhecimento do direito do posseiro à
terra foi a única forma encontrada para minimizar a extrema concentração
de terras, muitas delas improdutivas, nas mãos dos sesmeiros.

Em 1822 foi determinado o fim das sesmarias. Sem qualquer outra política
de ocupação das terras, a ocupação passou a ser o único modo de aquisição
das propriedades.

Devido às irregularidades e à desordem na doação das sesmarias, havia a


necessidade de elaborar-se um regimento próprio, obrigando a
regularização e demarcação das terras. Surge, então, a Lei nº 601, de 18 de
setembro de 1850, considerada a primeira lei de terras brasileira:
discriminou os bens do domínio público do particular, criando o registro
paroquial das terras possuídas pelo Império e obrigando os proprietários
rurais a registrarem suas terras. O Registro do Vigário, como ficou
conhecido, tinha efeitos meramente declaratórios, reconhecendo-se a posse
sobre o imóvel. Não é possível pensar a Lei de Terras brasileira de 1850
sem analisar o contexto geral das mudanças sociais e políticas ocorridas
nesta primeira metade de século. A historiadora Emília Viotti da Costa
considera que o desenvolvimento capitalista atuou diretamente sobre o
processo de reavaliação política de terras em diferentes partes do mundo.
No século XIX, a terra passou a ser incorporada à

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Alzir Felippe Buffara Antunes 14 Assim, é discutido o Estatuto da Cidade e,
após dez anos de tramitação pelo Congresso Nacional, homologado pela Lei
Ordinária número 10.257, de 10 de julho de 2001. O Estatuto da Cidade
regulamenta a política de desenvolvimento urbano a ser executada pelo
poder municipal, e tem o objetivo de ordenar o desenvolvimento das
funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de sua população. De
acordo com o Estatuto toda cidade com mais de 20.000 habitantes deve
possuir um Plano Diretor para projetar suas diretrizes de crescimento. O
Estatuto prediz a garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como
o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-
estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao
lazer, para as presentes e futuras gerações.

O Brasil possui hoje mais de 5.000 mil municípios com realidades sócio-
econômicas bastante diversas, portanto, com diferentes capacidades e
necessidades para implementação de um projeto cadastral eficiente que
promova uma melhor arrecadação fiscal e sirva de base ao planejamento e
a execução do Estatuto da Cidade.

3.3.2 Problemas do cadastro urbano brasileiro Os principais problemas: ü


Base cartográfica (plantas cadastrais) desatualizada; ü Base cartográfica
sem geo-referência; ü Falta de recursos humanos nas prefeituras
(Engenheiro Cartógrafo, Geógrafo, Arquiteto) para gerenciar as
informações; ü Imprecisão da posição física dos imóveis ou incerteza das
linhas que os configuram; ü Falta de integração entre o registro e o cadastro
físico; ü Falta de investimento para levantamento e atualização cadastral.
Um dos grandes problemas da estrutura cadastral brasileira está na
necessidade de integração entre o registro e o cadastro físico, para apontar
os

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Alzir Felippe Buffara Antunes 15 benefícios recíprocos que a conexão
propiciaria e para compreender que os registros de segurança jurídica não
se desnaturalizariam com a conjugação de informações com os cadastros
físicos mas, ao contrário, se complementariam.

No Registro de Imóveis são feitas a Matrícula, o Registro e a Averbação de


atos referentes a imóveis ou a direitos a eles relacionados. Na designação
genérica de REGISTRO estão abrangidas a transcrição e a inscrição de que
tratam a lei civil. Portanto, atualmente, qualquer ato que venha a transferir
domínio ou instituir ônus reais, será objeto de registro (Figura 3). A
matrícula é um ato cadastral, realizado pelo Registro de Imóveis, que visa à
perfeita identificação de um imóvel, caracterizando-o e confrontando-o,
conferindo-lhe um número de ordem pelo qual será identificado, sem criar,
conferir ou modificar direitos.

Figura 3- Registro e cadastro - Uma Interconexão Necessária A inexistência


da ligação proposta na Figura 3 é uma das razões pela qual o Registro de
Imóveis ainda não pode ser considerado como cadastro, embora se trate de
um cadastro jurídico dos imóveis. A descrição detalhada, tecnicamente
aprimorada, dos imóveis submetidos a registro, com a elaboração de
memoriais descritivos, mapas etc, poderia instituir o cadastro físico nos
serviços registrais. Entretanto, essa providência tem encontrado certa
dificuldade devido ao custo a que se submeteriam os

Cadast r o Regi st r o Código Ligação (mat r ícula) Proprietário Leis Direitos


Plant a Cadast r al Lot es Par celas
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Alzir Felippe Buffara Antunes 16 particulares e as prefeituras para
efetivarem esta ligação por meio da informática. 3.3.3 Legislação urbana
Segundo CARNEIRO (2003), o cadastro urbano – ao contrário do cadastro
rural – não possui diretrizes nacionais que orientem o seu funcionamento.
Contudo, cada município é responsável pela legislação do solo urbano. A
Legislação refere-se ao conjunto de leis que versam sobre questões urbanas
e são de competência de cada Município. Em geral, as principais leis em
nível municipal são:

ü Plano Diretor Municipal: normatiza os aspectos do uso do solo e é baseado


no Estatuto da Cidade, que apresenta como conteúdo um complexo de
normas legais, abrangendo o desenvolvimento econômico-social, o meio
ambiente e o uso e ocupação do solo, projetados para um determinado
período, para a vida municipal. Sendo longo o processo para sua aprovação,
uma vez lei, obriga o município e os órgãos públicos federais, estaduais e
metropolitanos, bem como aos particulares, à sua observância.

ü Lei do Perímetro Urbano fixa os limites dos perímetros urbano- municipais;


ü Lei do Parcelamento do Solo: é elemento importante e fundamental de
execução do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado. O parcelamento
do solo urbano pode ser entendido como o processo de urbanificação de
uma gleba, mediante sua divisão ou redivisão em parcelas destinadas ao
exercício das funções elementares urbanísticas. Pode ser feito por
arruamento, loteamento, desmembramento, desdobro de lote ou
reparcelamento. Cabe à lei de parcelamento do solo municipal fixar as
normas urbanísticas específicas – atendidas as peculiaridades locais – para
a aprovação, em primeiro lugar, dos loteamentos, desdobros e
reparcelamentos. Esta lei é importantíssima no planejamento das cidades,
pois disciplina os loteamentos e desmembramentos. A maioria dos
Municípios brasileiros possui legislações

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Alzir Felippe Buffara Antunes 17 próprias sobre loteamentos e
desmembramentos urbanos. ü Lei de Zoneamento: entende-se por
zoneamento a divisão de uma comunidade em zonas para o regular o uso
do solo e dos edifícios, a altura e o gabarito das construções, a proporção
que estas podem ocupar e a densidade da população . No zoneamento, as
normas impostas podem ser diferentes nas diversas zonas, mas devem ser
idênticas em zonas da mesma espécie ou dentro da mesma zona.

ü Lei do Sistema Viário: define o esquema de circulação da cidade,


estabelece as vias principais, secundárias e locais. Trata do alargamento,
prolongamento e abertura de novas vias e do sistema de transporte de
passageiros;
ü Código de Obras: lei que disciplina as edificações, objetivando garantir as
condições de higiene, saúde, conforto e segurança da população. Deve
conter propostas de compatibilização das edificações com o meio urbano e
o meio natural, garantindo as condições de ventilação, insolação,
isolamento contra poluição acústica e atmosférica, conforto térmico, etc.;

ü O Código de Posturas dispõe sobre medidas de polícia administrativa a


cargo do Município, em matéria de higiene e ordem pública: tratamento da
propriedade, dos logradouros e dos bens públicos; horário de funcionamento
dos estabelecimentos comerciais e industriais e matéria conexa, estatuindo
as necessárias relações entre o poder público e os particulares.

3.3.4 O cadastro e os impostos O cadastro fiscal, elaborado com a finalidade


de subsidiar a gestão tributária, é utilizado para lançamento do Imposto
sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); lançamento de Taxas
de Serviços Públicos Urbanos (TSU), lançamento do Imposto sobre
Transmissão Inter-vivos de Bens Imóveis (ITBI); e lançamento do Imposto
Sobre Serviço de qualquer natureza (ISS) .

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Alzir Felippe Buffara Antunes 18 29,22% 37,01% 7,14% 18,83%
5,19%2,60% ISS IPTU taxas Prev. Municipal ITBI Outros Tributos Figura 4-
Distribuição da tributação (fonte ERBA et al, 2005). Na figura 4, pode-se
visualizar que, dentre os tributos administrados pelos municípios em 2001,
o ISS é o mais importante, com 37,01% da arrecadação municipal, seguido
do IPTU com 29,22%. As taxas, incluindo aquelas instituídas pelo exercício
do poder de polícia e pela prestação de serviço, contribuem com 18,83% da
arrecadação tributária e os demais itens incluem as contribuições
previdenciárias municipais, o ITBI e a Contribuição de Melhoria, classificada
em ‘outros tributos’ (Erba et al, 2005).

Para o cálculo do IPTU, deve-se seguir os termos da lei n°1.707 de 23 de


dezembro de 1991, que define em seu Art. 158 a aplicação das seguintes
alíquotas diferentes na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano
calculadas sobre valores venais dos imóveis:

ü 3,0% para os terrenos não dotados de passeio; ü 2,0% para os terrenos


dotados de passeio; ü 0,8% para os imóveis construídos não dotados de
passeio; ü 0,6% para os imóveis construídos dotados de passeio. No cálculo
do valor venal do imóvel, deve-se levar em conta as seguintes
considerações contidas no Art. 138 da Lei n°1.008 de 21 de novembro de
1974: ü o valor declarado pelo contribuinte, se houver;

ü os índices de desvalorização da moeda;

ü o índice médio de valorização correspondente à zona em que esteja


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Alzir Felippe Buffara Antunes 27 Figura 9: Alterações das edificações
Segundo NOGUEIRA & NALINI (2000), após o levantamento de campo pode-
se complementar a planta de quadra atualizando-a ou corrigindo-a.
Naturalmente, para a atualização do cadastro técnico deverá se contar com
uma equipe permanente de profissionais da Prefeitura Municipal. A maioria
das cidades possui um departamento responsável pela manutenção do
banco de informações.

4.2 BASE CARTOGRÁFICA O sistema cartográfico do cadastro é composto


por: ü Planta Geral do Município (1:25.0000);

ü Planta de Referência Cadastral (1:10.000 ou 1:5.000);

ü Planta de Quadras(1:2.000 ou 1:1.000)

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Alzir Felippe Buffara Antunes 28 Os elementos mínimos que a planta ou
mapa cadastral deve conter são: ü alinhamento das quadras;

ü hidro g ra fia;

ü indicação da estrutura física do lote;

ü v ias ;

ü in fra -es t ru tura;

ü altimetria (curvas de nível).

A planta cadastral registra a situação real da quadra no contexto da área


urbana do município no momento do levantamento de dados. Esta planta
contém a definição dos distritos, setores, quadras numeradas, código de
logradouros, códigos das faces de quadras e a nomenclaturas dos
logradouros. Estas plantas, em geral, estão em escalas 1:1.000 ou 1:2.000 .

4.2.1 Sistema de Referência A definição de um sistema de referência tem


como principal característica a inercial. Em geral, os referenciais têm origem
no centro da Terra (geocêntricos) ou em sua superfície (topocêntricos). Os
principais sistemas utilizados para o cadastro e Geoprocessamento são
geocêntricos: o eixo X e o eixo Y no plano fundamental e o eixo Z normal a
este plano compondo um terno dextrógiro, podendo ou não acompanhar o
movimento de rotação da Terra. Ao sistema GPS está associado o sistema
geodésico denominado de WGS 84 (world geodetic system), cuja origem
coincide com o centro de massa da Terra .

A definição, implantação e manutenção do SGB – Sistema Geodésico


Brasileiro é efetivada pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística). O SGB é dividido em dois referenciais: um horizontal e outro
vertical. O horizontal adota como parâmetros àqueles definidos pelo SAD-69
– South American Datum – 1969 (gradualmente substituído pelo novo
sistema geodésico de referencia, SIRGAS 2000, a partir de janeiro de 2005).
O sistema adota como figura geométrica para a forma da

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Alzir Felippe Buffara Antunes 29 Terra o denominado Elipsóide de Revolução
Internacional 1967, cujos parâmetros principais são: a = 6.378.160,000 m f
= 1/298,25 O Sistema SAD-69 tem a seguinte concepção: ü orientação
geocêntrica , isto é, o centro do elipsóide coincide com o centro geométrico
e físico da Terra; o eixo de rotação do elipsóide é paralelo ao eixo de
rotação da Terra e o meridiano origem no elipsóide é paralelo ao meridiano
de Greenwich.

ü orientação topocêntrica: as coordenadas do Datum que no caso do SAD


69 é denominado de CHUA, cujas coordenadas valem: φ = 19°45′41, 652
7″S λ = 48°06′0 4, 0639″ W de Greenwich Adu = 271° 30′ 04,05″ (azimute
inicial datum – Uberaba) contado no sentido SWNE No = 0,0 m (ondulação
geoidal) O referencial altimétrico (vertical) é materializado pela superfície
equipontecial, que coincide com o nível médio dos mares, definido pelas
observações maregráficas tomadas na baía de Imbituba, no litoral de Santa
Catarina.

Além dos datuns horizontal e vertical, o sistema é implantado no Brasil


através de uma rede horizontal de pontos topográficos, cujas coordenadas
podem ser obtidas junto ao IBGE.

Até a década de 1970 utilizava-se, no Brasil, outro sistema geodésico,


conhecido como sistema Córrego Alegre. A diferença entre os sistemas
reside na figura da Terra, a qual neste sistema era obtida pelo Elipsóide
Internacional de Hayford, cujos parâmetros são:

a = 6378388 m f = 1/297 Por outro lado, existe o sistema de coordenadas


locais ditas topográficas, que

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Alzir Felippe Buffara Antunes 30 não considera o elipsóide, tomando a Terra
como plana num raio de até 50 km. A NBR 14166 – Rede de Referência
Cadastral Municipal (ANEXO 1) – fixa as normas para implantação de uma
Rede de Referência Cadastral considerando a terra plana, mas alguns
pontos desta rede de referência devem estar referenciados à rede
geodésica. A utilização de coordenadas obtidas com GPS em levantamentos
topográficos faz com que os produtos destes levantamentos possam ser
relacionados ao Sistema Geodésico Brasileiro ou ao Sistema Topográfico
Local (ANEXO 2). Em geral, podem ser expressos em coordenadas UTM
(Universe Transverse de Mercator), no sistema local ou num sistema
arbitrário. Contudo, é sempre preferível que as plantas cadastrais estejam
atreladas ao sistema UTM de projeção, evitando, assim, transformações
entre sistemas.

A Figura 10 mostra parte de uma planta cadastral na escala 1:5.000


(GEOMATICA, 2001), do Centro Politécnico da UFPR, referenciado ao sistema
nacional com coordenadas UTM. O mapa digital foi restituído através de
fotografias aéreas verticais.

Figura 9: Planta Cadastral, Sistema UTM, Fuso 22, SAD 69. Enquadramento
(ver quadro 1): SG22-X-D-I-3-SE-C

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Alzir Felippe Buffara Antunes 31 4.2.2 Articulação da Plantas Cadastrais
considerando coordenadas UTM O Sistema Cartográfico Nacional está
atrelado à rede geodésica. Os pontos realizados no terreno podem ser
densificados por meio de levantamentos GPS ou por topografia
convencional. No que se refere à cartografia urbana, é de fundamental
importância que os mapas sejam produzidos a partir desta rede. Em geral, o
sistema de coordenadas para cadastro é o SISTEMA UTM de projeção – que
considera a Terra elíptica e tem o cilindro transverso como superfície de
projeção – a Terra é considerada não plana.

Sugere-se que a articulação das plantas seja digital ou analógica, e que


fique enquadrada no sistema cartográfico nacional, onde a menor escala do
mapeamento é a de 1:25.000. O Quadro 1 mostra a nomenclatura das
plantas atreladas entre si. Observa-se a articulação da folha desde a escala
mais genérica – 1:1.000.000 – até a planta cadastral. A referência inicial é o
fuso UTM no qual se encontra a área mapeada (SF22). A partir desta escala,
há uma subdivisão à medida que a escala aumenta. A Tabela 1 relaciona a
nomenclatura das escalas cadastrais ao mapeamento sistemático:

TABELA 1- Nomenclatura das cartas. Escala da folha Tipo Área abrangida no


terreno (km) Articulação da folha 1:1.000.000 Geográfica 444,48 x 666,72
SF-23 1:500.000 Geográfica 222,24 x 333,36 SF-23-X 1:250.000 Topográfica
111,12 x 166,58 SF-23-X-A 1:100.000 Topográfica 55,56 x 55,56 SF-23-X-A-II
1:50.000 Topográfica 27,78 x 27,78 SF-23-X-A-II-3 1:25.000 Topográfica
13,89 x 13,89 SF-23-X-A-II-3-SE 1:10.000 Cadastral 6,94 x6,94 SF-23-X-A-II-
3-SE-C 1:5.000 Cadastral 3,45 x 2,3 SF-23-X-A-II-3-SE-C-II 1: 2.000 Cadastral
1,14 x1,14 SF-23-X-A-II-3-SE-C-II-5 1:1.000 Cadastral 0,58 x 0,58 SF-23-X-A-
II-3-SE-C-II-5-B

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Alzir Felippe Buffara Antunes 43 Figura 11: Planta Geral do Imóvel
(MIRANDA, 2003)
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Alzir Felippe Buffara Antunes 44 6 SISTEMA DE INFORMAÇÕES TERRITORIAIS
(SIG Aplicado) Define-se Land Information System,L IS ou SIT (Sistema de
Informação Territorial) como a tecnologia de Sistema de Informações
Geográficas aplicada ao cadastro técnico polivalente ou multifinalitário. O
primeiro LIS (Land Information System) foi desenvolvido nos anos 60, como
meio de sobrepor e combinar diversos tipos de dados em um mesmo mapa.
Na década de 70, durante estudos do Laboratório Gráfico Computacional da
Escola de Planejamento Urbano da Universidade de Harvard, surge o projeto
pioneiro de LIS, denominado SYMAP. O uso de SIG evoluiu
significativamente nos anos 80, baseado em aplicativos urbanos. Por este
motivo, inicialmente se pôde mesclar os conceitos de LIS e SIG.

O termo Geoprocessamento – a tecnologia aplicada no SIG – pode ser


definido como o conjunto de técnicas e metodologias que implicam na
aquisição, arquivamento, processamento e representação de dados geo-
referenciados. Um dado geo- referenciado é aquele que possui coordenadas
geográficas, ou seja, latitude e longitude.

A principal característica de um sistema de informação territorial é a


integração, numa única base de dados, de informações espaciais
provenientes de dados cartográficos, dados de boletim cadastral urbano e
rural, imagens de satélite, e modelos numéricos de terrenos de forma a
combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação. O
objetivo é a geração de mapeamentos derivados: consulta, recuperação e
visualização da base de dados geocodificados (ambiente urbano e rural),
conforme esquematizado na Figura 12.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 45 Figura 12: Integração de dados em um LIS
O LIS ou SIG municipal é um sistema de informação de múltiplos propósitos
que pode servir à autoridade local, às agências públicas e aos cidadãos. O
lote é como a unidade fundamental da organização espacial da informação
territorial. Os dados ditos ambientais podem ser incluídos nesta base a fim
ampliar as potencialidades do sistema em relação à tomada de decisões
técnicas.

Os produtos de levantamentos e mapeamentos resultantes de operações


cadastrais, visando a satisfazer os aspectos básicos de um cadastro técnico,
são de grande uso prático no planejamento e execução de vários projetos e,
ainda, formam a base de um sistema de informação mais amplo,
principalmente em áreas urbanas de rápido desenvolvimento, conferindo ao
cadastro um caráter multifinalitário. Muitas cidades brasileiras de médio
porte como Goiânia, Joinville e Ponta Grossa, já possuem suas bases
cadastrais automatizadas, o que, conseqüentemente, permite atender um
maior número de aplicativos como, por exemplo, o controle ambiental, o
tráfego urbano e as rotas de coleta de lixo, entre outros.
As diferentes camadas que compõem um LIS devem representar de forma
simplificada a realidade urbana e rural. A Figura 13 mostra a sobreposição
das PLANTA CADASTRAL SGB DADO CADASTRAL Indicação

Fiscal;

Registro;

Uso; Situação Legal;

Zoneamento;

Imóvel;

Valor venal

Infra-estrutura , etc DADO AMBIENTAL Vegetação;

Drenagem;

Topografia,

Solos, Declividade; Etc Integração

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Alzir Felippe Buffara Antunes 46 camadas de informação que possuem uma
característica comum : o mesmo Datum. Figura 13- Camadas oula ye rs de
informação O estabelecimento de um LIS deve possuir, primeiramente
(Figura 14): ü base Cartográfica atualizada e atrelada ao SGB;

ü banco de Dados sobre a propriedade;

ü ligação entre o banco de dados e a base cartográfica.

Figura 14: Elementos do cadastro técnico fundamentais ao sistema de


informações Deve-se ordenar todas as informações relacionadas com os
registros das propriedades, isto é, informações relacionadas com a
propriedade da terra, estatísticas

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Alzir Felippe Buffara Antunes 47 econômicas, espaciais, infra-estrutura e
serviços, e fazer com que sejam rigorosamente vinculadas a uma estrutura
de referência geodésica. Banco de dados do sistema é constituído de dados
gráficos (mapas) e literais (tabelas, relatórios, etc) das áreas rurais e
urbanas, abrangendo elementos dos meios físico, biótico, sócio-econômico e
aspectos jurídicos institucionais.

Os elementos mais importantes que compõem um LIS são o dado, os


recursos humanos e software (Figura 15). A maior dificuldade para as
prefeituras é o dado; a base cartográfica – em geral oriunda de
recobrimentos aerofotogramétricos – é ainda onerosa. Uma outra
dificuldade reside na carência de recursos humanos: faz-se necessário
pessoal treinado em software e na atualização da base cadastral.

Figura 15: Componentes SIG/LIS Economicamente, em municípios de médio


porte, a implementação do cadastro técnico com vistas à tributação, em
meio digital, apresenta uma boa relação 1o 2o 3o dado Recursos Humanos
Software Ø Pessoal treinado em geoprocessamento Ø Programas e
Aplicativos Ø Cartográfico : Aerofogrametria, Geodésia (GPS), Ø Atributos:
BCI

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Alzir Felippe Buffara Antunes 59 ANEXO 3 A LEI 10.267/2001 E SUA
REGULAMENTAÇÃO A Lei 10.267 instituiu o Cadastro Nacional de Imóveis
Rurais – CNIR, constituído por uma base comum de informações sobre
imóveis rurais, a ser gerenciada pelo Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária – INCRA e pela Secretaria da Receita Federal. As
informações contidas no CNIR deverão ser compartilhadas pelas instituições
produtoras e usuárias dessas informações.

A implantação do CNIR envolve definições de caráter técnico e


administrativo, uma vez que o novo sistema deverá atender às
necessidades dos órgãos e instituições envolvidas. Assim, para a sua
implantação, deverão ser analisados os sistemas individuais de cadastro e
as divergências relativas à unidade de cadastramento – o imóvel rural – que
deverá ser bem definida.

O INTERCÂMBIO DE INFORMAÇÕES ENTRE INCRA E CARTÓRIOS Um outro


aspecto transformador estabelecido pela Lei 10.267 consiste na troca de
informações entre o INCRA e os cartórios de registros. Essa sistemática
pode resultar numa efetiva e necessária integração entre o Cadastro e o
Registro de Imóveis. Este intercâmbio de informações foi estabelecido pela
Lei 10.267 através da alteração da Lei n.4.947/66, que fixa normas de
Direito Agrário:

“Art. 1°- O art. 22 da Lei n° 4.947, de 6 de abril de 1966, passa a vigorar


com as seguintes alterações: ‘Art. 22. . .. . § 7º Os serviços de registro de
imóveis ficam obrigados a encaminhar ao INCRA, mensalmente, as
modificações ocorridas nas matrículas imobiliárias decorrentes de
mudanças de titularidade, parcelamento, desmembramento, loteamento,
remembramento, retificação de área, reserva legal e particular do
patrimônio natural e outras limitações e restrições de caráter ambiental
envolvendo os imóveis rurais,
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Alzir Felippe Buffara Antunes 60 inclusive os destacados do patrimônio
público. § 8º O INCRA encaminhará, mensalmente, aos serviços de registro
de imóveis, os códigos dos imóveis rurais de que trata o § 7º, para serem
averbados de ofício, nas respectivas matrículas.’ (NR)”.

Uma preocupação, com relação à aplicabilidade dessa Lei, é a provável


exigência de retificação judicial quando da apresentação dos novos
memoriais descritivos contendo dados precisos de localização em termos de
coordenadas. A razão desta preocupação é que, de acordo com a Lei dos
Registros Públicos (LRP), em seu artigo 213: “A requerimento do
interessado, poderá ser retificado o erro constante

do registro, desde que tal retificação não acarrete prejuízo a terceiro.” De


acordo com Orlandi Neto (1999, p.91), em alguns casos a lei já prevê que há
possibilidade de prejuízo a terceiro. Estabelece uma espécie de presunção
de que há risco quando, por exemplo, da retificação pretendida decorre
alteração da descrição das divisas ou da área do imóvel. Assim, sempre que
a pretensão do interessado for modificar as características e confrontações
do imóvel, suas medidas lineares ou sua área, o processo será judicial.

Para minimizar esse problema, através de emendas ao projeto original,


foram acrescentados os seguintes artigos, que alteram a Lei 6.739, de 05 de
dezembro de 1979, que trata do registro de imóveis rurais:

“Art. 8A - A União, os Estados, o Distrito Federal ou o Município prejudicado


poderá promover, via administrativa, a retificação da matrícula, do registro
ou da averbação feita em desacordo com o art. 225 da Lei n.6.015, de 31 de
dezembro de 1973, quando a alteração da área ou dos limites do imóvel
importar em transferência de terras públicas;

Art.8B - Verificado que terras públicas foram objeto de apropriação indevida


por quaisquer meios, inclusive decisões judiciais, a União, o Estado, o
Distrito Federal e os Municípios, bem como seus respectivos órgãos ou
entidades competentes, poderão, à vista de prova da nulidade identificada,
requerer o cancelamento da matrícula e do registro na forma prevista nesta
Lei, caso não aplicável o procedimento estabelecido no

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Alzir Felippe Buffara Antunes 61 art. 8º A”. As emendas acrescentadas
tratam dos imóveis públicos, e evitam os processos de retificação judicial
referentes a esses imóveis. A Lei 10.267, no entanto, trata de todos os
imóveis rurais, e o problema persiste nos casos de imóveis particulares.

O GEO-REFERENCIAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS O artigo 3º da Lei


10.267/2001, que trata de alterações da Lei dos Registros Públicos,
modificando a sistemática relacionada à identificação dos imóveis rurais
ficou com a seguinte redação:

“Art. 3 Os arts. 169, 176, 225 e 246 da Lei n° 6.015, de 31 de dezembro de


1973, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 169. II - os
registros relativos a imóveis situados em comarcas ou circunscrições
limítrofes, que serão feitos em todas elas, devendo os Registros de Imóveis
fazer constar dos títulos registrados tais ocorrências;

Art. 176 II 3) a identificação do imóvel, que será feita com indicação:a) se


rural, o código do imóvel, os dados constantes do CCIR, a denominação e a
indicação de suas características, confrontações, localização e área;b) se
urbano, indicação de suas características e confrontações, localização, área,
logradouro, número e sua designação cadastral, se houver.§ 3 Nos casos de
desmembramento, parcelamento ou remembramento de imóveis rurais, a
identificação prevista na alínea a do item 3 do inciso II do § 1° será obtida a
partir de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com a
devida Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, contendo as
coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, geo-
referenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a
ser fixada pelo INCRA, garantida a isenção de custos financeiros aos
proprietários de imóveis rurais cuja

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Alzir Felippe Buffara Antunes 62 somatória da área não exceda a quatro
módulos fiscais. (NR) §4º A identificação de que trata o §3º tornar-se-á
obrigatória para efetivação de registro, em qualquer situação de
transferência de imóvel rural, nos prazos fixados por ato do Poder
Executivo.”(NR)

Art. 225. .............. § 3 Nos autos judiciais que versem sobre imóveis rurais, a
localização, os limites e as confrontações serão obtidos a partir de memorial
descritivo assinado por profissional habilitado e com a devida Anotação de
Responsabilidade Técnica - ART, contendo as coordenadas dos vértices
definidores dos limites dos imóveis rurais, geo- referenciadas ao Sistema
Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada pelo INCRA,
garantida a isenção de custos financeiros aos proprietários de imóveis rurais
cuja somatória da área não exceda a quatro módulos fiscais. (NR)”.

Como pode ser observado, a Lei estabelece importantes medidas


relacionadas à identificação dos imóveis rurais, quando reconhece a
necessidade de medições com suporte geodésico. Por sua vez, a
obrigatoriedade de referenciamento dos levantamentos ao Sistema
Geodésico Brasileiro proporcionará uma identificação livre de
superposições, desde que seja atendida a precisão posicional exigida na
regulamentação da nova legislação. Para tanto, deve-se levar em conta a
dificuldade de se definir um único valor de precisão posicional que atenda a
realidades tão diversas quanto às encontradas neste país.

EXIGÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA Uma das medidas


estabelecidas na Lei é a exigência de Anotação de Responsabilidade
Técnica do profissional que executará o levantamento. Significa a realização
dos levantamentos por profissionais habilitados para este fim e, portanto,
passíveis de responder judicialmente por eventuais falhas ocorridas nos
procedimentos técnicos, o que pode contribuir para a isenção de
responsabilidade do profissional do registro imobiliário sobre possíveis
superposições que venham a ocorrer.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 63 DECRETO DE REGULAMENTAÇÃO DA LEI
10.267/2001 A Lei 10.267/2001 está em vigor desde 29/08/2001, dia da
publicação no Diário Oficial da União. No entanto, sua aplicação exigiu uma
regulamentação através de Decreto.Pela Portaria nº 223, de 27 de setembro
de 2001, do Ministério do

Desenvolvimento Agrário, foi constituído um Grupo de Trabalho com a


atribuição de implementar o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais. O Grupo
de Trabalho, composto por representantes do INCRA e Receita Federal,
contou com a participação de representantes da Associação Nacional dos
Órgãos de Terra – ANOTER, Associação dos Notários e Registradores –
ANOREG, Instituto de Registro Imobiliário – IRIB, Instituto Nacional do Meio
Ambiente – IBAMA, Fundação Nacional do Índio – FUNAI, Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística – IBGE, Serviço de Patrimônio da União – SPU e do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE. Pela Portaria, o prazo para
a conclusão das atividades seria 30 de junho de 2002.

A partir de uma minuta elaborada por representantes do Ministério do


Desenvolvimento Agrário - MDA e profissionais da área jurídica do INCRA e
MDA, foram realizadas discussões com os demais membros do Grupo de
Trabalho. Nas primeiras reuniões, foram apresentados os sistemas de
cadastro individuais e as necessidades de cada órgão. Dentre os pontos de
interesse desse artigo, discutidos pela comissão, destacam-se:

ü a urgência da definição do fluxo de informações entre cartórios e INCRA,


uma vez que a Lei não tem condições de aplicabilidade sem que as partes
saibam que informações serão intercambiadas e de que forma; ü a
necessidade de definição da precisão posicional do georreferenciamento, já
que a Lei exige a identificação com precisão determinada pelo INCRA. Para
efetuar o registro com a nova identificação, portanto, o registrador precisa
saber que precisão é exigida.

Constatada a impossibilidade de discussão desses pontos pelo Grupo de


Cadastro Técnico Urbano e Rural Engenharia Cartográfica – UFPR Prof. Dr.
Alzir Felippe Buffara Antunes 64 Trabalho, devido principalmente à
necessidade de participação de outros profissionais, decidiu-se criar sub-
grupos para apresentar propostas. Assim, foi criado um sub-grupo para
tratar da questão do fluxo de informações e outro para propor a precisão
posicional.

O SUB-GRUPO DE GEO-REFERENCIAMENTO O sub-grupo de


georreferenciamento contou com a participação de representantes do
INCRA, IRIB, IBGE e FUNAI e iniciou suas discussões a partir de uma
proposta do representante do IRIB, com o seguinte conteúdo:

"A identificação do imóvel rural, na forma do § 3º do art. 176 e do § 3º do


art. 225, da Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973, será obtida a partir
de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com a devida
Anotação de Responsabilidade Técnica –ART, contendo as coordenadas dos
vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao
Sistema Geodésico Brasileiro e com erro máximo de um metro, garantida a
isenção de custos financeiros aos proprietários de imóveis rurais cujo
somatório da área não exceda a quatro módulos fiscais.

§1º As coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais
de que trata o caput desse artigo devem ser expressas em termos de
coordenadas geodésicas (latitude e longitude) obtidas através dg
levantamento cadastral realizado a partir de pelo menos um vértice,
identificado no memorial, do sistema geodésico oficial, contendo a data do
levantamento, obedecendo ao princípio de vizinhança e ajustado pelo
método dos mínimos quadrados.

§2º Antes de serem levados para registro, a planta do imóvel e o memorial


descritivo devem ser encaminhados ao INCRA para homologação, devendo
uma cópia desses documentos ser mantida no órgão, para utilização pelo
CNIR ou esclarecimento de dúvidas que venham a surgir referentes aos
limites determinados."

A proposta foi analisada, considerando-se as seguintes justificativas:

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Alzir Felippe Buffara Antunes 65 ü Uma das questões encaminhadas pelo
IRIB ao INCRA, relativas à aplicação da Lei 10.267 foi: “Como exigir
levantamentos e memoriais com padrões técnicos não definidos para
averbação de desmembramento, parcelamento ou remembramento de
imóveis rurais?”. A ausência dessa definição concorrerá para a execução de
levantamentos sem padrões técnicos, o que prejudicará a utilização dos
seus resultados na implantação do CNIR.

ü Não é recomendável estabelecer, no Decreto, as metodologias a serem


utilizadas nos levantamentos, uma vez que as tecnologias mudam. Os erros
aceitáveis, no entanto, não dependem dos equipamentos utilizados, mas
sim das necessidades dos que vão utilizar essas informações. Portanto,
pode-se perfeitamente estabelecer no Decreto o erro máximo admitido na
determinação das coordenadas, seja qual for a metodologia utilizada nessa
determinação. Mesmo que as tecnologias mudem, a tendência é que esses
erros sejam cada vez menores, o que não implica em alteração da lei para
aumentar as exigências de precisão.

üO valor sugerido para a precisão posicional resulta de uma ampla consulta


realizada a profissionais que trabalharam para o INCRA no Projeto Nordeste
ou trabalham atualmente em projetos de parcelamento de imóveis rurais,
que consideram perfeitamente possível atender a essa exigência utilizando-
se os procedimentos estabelecidos no Manual de Cartografia Fundiária do
INCRA, seja utilizando-se levantamentos topográficos clássicos ou por GPS.

ü Para a determinação desse valor, considerou-se a garantia dos limites das


propriedades dentro dessa precisão e as necessidades – em termos de
precisão – do INCRA, considerando-se a viabilidade de se atender a essa
exigência. Para isso, analisou-se o custo dos levantamentos, tendo sido
consultadas empresas que comercializam equipamentos topográficos e GPS.

ü A necessidade de se esclarecer que o levantamento deve partir de um


vértice da rede oficial (§1º) deve-se à prática de utilização de equipamentos

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Alzir Felippe Buffara Antunes 66 GPS de navegação apenas referidos ao
Sistema SAD-69, que não implica em referenciamento ao SGB. É
importante, ainda, que o vértice utilizado seja identificado, inclusive a data
do levantamento, uma vez que o atual sistema encontra-se em fase de
transição. Entende-se que os pontos da RBMC fazem parte do SGB, sendo
recomendável, no entanto, que se confirme essa informação junto ao
representante do IBGE. A posição do IBGE quanto a RIBAC também deve ser
considerada, pois a utilização de pontos dessas duas redes facilitará muito o
georreferenciamento, bem como diminuirá ainda mais os seus custos.

ü Ainda esclarecendo o §1º, entendendo que os dados dos levantamentos


serão utilizados para a construção do CNIR, um sistema de cadastro
nacional, não se pode deixar de exigir o atendimento ao princípio da
vizinhança e o ajustamento pelo método dos mínimos quadrados, a fim de
se garantir a homogeneidade dos resultados. Esses procedimentos são
estabelecidos nas normas técnicas 13.133, referidas no Manual de Normas
Técnicas do INCRA. Aliás, ao se exigir um erro máximo para as coordenadas,
já se subentende o ajustamento pelo MMQ, para o cálculo das precisões.

ü Para o IRIB, a responsabilidade pelos dados técnicos deve ser do órgão


competente. Assim, da mesma forma que os projetos de loteamentos são
recebidos após anuência das prefeituras ou órgãos metropolitanos, as peças
técnicas resultantes do georreferenciamento dos imóveis rurais deverão
receber a anuência do gestor do CNIR, antes do seu encaminhamento para
o registro. A sugestão de homologação pelo INCRA permitirá que o órgão
mantenha os documentos das medições, a fim de estruturar o CNIR. Caso
contrário, se as plantas não ficarem nem nos cartórios nem no INCRA,
haverá um desperdício de informação técnica. Além disso, os documentos
poderão ser solicitados para dirimir dúvidas em processos judiciais
referentes aos limites das propriedades, evitando-se, assim, duplicação de

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Alzir Felippe Buffara Antunes 67 levantamentos. ü Outra questão de
extrema importância, que não pode ser esquecida, é a provável
necessidade de retificação judicial. Deve-se tentar evitar essa situação, que
pode comprometer a aplicação da lei, e até mesmo levar o país a uma
situação de mais ilegalidade, quando o proprietário preferir não registrar o
seu imóvel a enfrentar um processo judicial de retificação. Instrumentos
como a retificação administrativa, com a anuência dos confrontantes devem
ser pensados para contornar esse problema. Uma proposta nesse aspecto
deve ser encaminhada por profissionais do registro imobiliário.

A proposta apresentada acima, com suas justificativas, foi analisada no sub-


grupo de georreferenciamento, e decidiu-se propor ao Grupo de Trabalho a
inclusão, no texto do decreto, da exigência de uma precisão posicional de
50cm ou melhor, sem mais detalhamento técnico, que poderia ser feito
através de ato normativo. Uma outra proposta importante do sub-grupo foi
que o INCRA realizasse o credenciamento dos profissionais aptos a
realizarem os levantamentos, após consulta aos conselhos profissionais
sobre as atribuições necessárias.

No texto final do Decreto, encaminhado à Presidência da República, essas


propostas foram desconsideradas, alegando-se incompatibilidade jurídica
com o texto da Lei originária, e a precisão posicional ficou novamente para
ser regulamentada em ato normativo do INCRA, tendo havido um
compromisso do INCRA de que seria mantido o valor proposto pela
Comissão. Quanto à proposta de credenciamento dos profissionais, esta não
foi incorporada ao texto do Decreto.

PRINCIPAIS DESTAQUES DO DECRETO REGULAMENTADOR Salvo alterações


posteriores, o Decreto que regulamenta a Lei 10.267/2001 contém
importantes definições que resolvem algumas das questões relativas à
aplicação da referida Lei. Os principais pontos tratados são:

ü Certificação do memorial descritivo pelo INCRA: caberá ao INCRA certificar


que a poligonal objeto do memorial descritivo não se sobrepõe a nenhuma

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Alzir Felippe Buffara Antunes 72 importante estudo sobre o perfil técnico
desse profissional foi realizado por Pinto (2001). ü Um dos aspectos mais
importantes que a Lei 10.267/2001 incorpora é a exigência da Anotação de
Responsabilidade Técnica (ART). Esse documento, no entanto, não
representa uma garantia para a qualidade dos levantamentos. Essa
qualidade somente será obtida com uma padronização dos procedimentos
técnicos de medição, qualificação profissional, e fiscalização. Uma
alternativa viável seria estabelecer um sistema de credenciamento de
profissionais para a execução desses levantamentos.

ü As coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais


devem ser expressas em termos de coordenadas geodésicas (latitude e
longitude) vinculadas ao Sistema Geodésico Brasileiro. A ordem de
grandeza dessas coordenadas deve ser compatível com a exatidão
posicional do levantamento. ü Precisão posicional. Na Lei 10.267/2001, a
exigida precisão posicional para as coordenadas dos vértices definidores
dos limites do imóvel deve ser definida de forma a não comprometer as
necessidades de identificação inequívoca dos imóveis. Devem ser
consideradas precisões posicionais absolutas (em relação ao sistema de
referência) e relativas (em relação aos pontos do levantamento). A partir daí
é que se devem estabelecer os métodos de levantamento, o nível de
densificação da rede de referência e os critérios de qualidade das
observações (precisão das medidas) de modo a obter as coordenadas com
uma precisão posicional que atenda às especificações. O nível de
qualificação do profissional responsável pelo levantamento também
depende da precisão posicional especificada.

A definição de um valor ou de valores para a precisão posicional implica em


estabelecer a qualidade geométrica na identificação do imóvel. De uma
maneira geral, para atender as necessidades dos diversos usuários, os
levantamentos cadastrais devem fornecer valores de coordenadas dos
pontos limites dos imóveis de forma

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Alzir Felippe Buffara Antunes 73 homogênea, e com alta exatidão posicional
relativa e absoluta. A homogeneidade do levantamento cadastral consiste
em incorporar os conceitos de precisão de vizinhança de modo a
compatibilizar os levantamentos de imóveis adjacentes, ou seja, amarrar e
ajustar entre si estes levantamentos, com relação às redes de referência. A
homogeneidade dos resultados dentro dos limites definidos pela tolerância
posicional especificada pode ser avaliada a priori, antes da execução do
levantamento, através de técnicas de simulação e otimização. As medições
realizadas nos levantamentos cadastrais devem ter precisões especificadas
e os resultados devem ser obtidos a partir do ajustamento por mínimos
quadrados.

No levantamento cadastral, a exatidão posicional relativa e a exatidão


posicional absoluta devem ter igual importância. A exatidão posicional
relativa é necessária para garantir as características geométricas dos
imóveis e relaciona-se com todos os aspectos intrínsecos a ele, tais como
dimensões, áreas, confrontantes, segurança jurídica do imóvel, avaliação do
imóvel, etc. Por outro lado, a exatidão posicional absoluta é necessária para
as atividades de gerenciamento territorial, principalmente se o Cadastro
estiver integrado a um sistema de informações territoriais, garantindo assim
a uniformidade da descrição geométrica do conjunto dos imóveis, evitando
a superposição e os vazios entre imóveis adjacentes, e possibilitando o uso
multifinalitário dos dados do Cadastro.

As principais variáveis que podem influenciar na definição da precisão


posicional de um levantamento cadastral são as necessidades dos usuários,
o desenvolvimento da região, o valor do imóvel, a densidade de ocupação, a
existência de conflitos de terras, e a extensão e configuração geométrica
dos imóveis. Na definição da tolerância posicional do levantamento das
áreas rurais no Brasil, é razoável considerar diferentes valores em função do
tamanho dos imóveis e do seu nível de exploração e potencial econômico.
Assim, uma alternativa seria considerar um zoneamento do território em
termos de tamanho dos imóveis (pequenos, médios e grandes) e em termos
do nível de exploração (nenhuma exploração, pouca exploração e alta
exploração).

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Alzir Felippe Buffara Antunes 74 No entanto, apesar da complexidade que
envolve a definição da precisão posicional de um sistema cadastral, de uma
maneira geral, o valor de 50cm ou melhor que foi discutido a aprovado pela
Comissão que elaborou o Decreto de regulamentação da Lei 10.267/2001,
atende aos objetivos pretendidos. Portanto, esse valor pode ser adotado em
ato normativo posterior como sendo um teto ou um valor máximo. Em
determinadas regiões com predominância de pequenas propriedades rurais,
o valor da precisão posicional deve ser mais rigoroso, melhor do que 50cm.

ü e) Datum utilizado. A Lei 10.267/2001 exige o georreferenciamento dos


imóveis rurais num momento em que o IBGE prepara uma mudança do
referencial geodésico brasileiro. Dessa forma, não se pode deixar de exigir
no memorial descritivo a indicação do Datum utilizado e dos pontos que
serviram de referência para o levantamento.

PROCESSO DE RETIFICAÇÃO A Lei 10.267 /2001 estabeleceu uma mudança


na sistemática de identificação dos imóveis rurais, passando de um
processo eminentemente descritivo para um outro com base em medições
geodésicas. Certamente, a nova forma de identificação implicará na
retificação do registro na grande maioria dos imóveis. Pela atual legislação,
a retificação do registro somente é possível com um processo judicial,
caracterizado por ser oneroso e lento, o que pode inviabilizar na prática a
aplicação da Lei 10.267.

Uma alternativa necessária consiste em estabelecer mecanismos jurídicos,


objetivando a retificação por processo administrativo para os casos de nova
descrição dos imóveis decorrentes da aplicação da Lei 10.267/2001. O
processo administrativo de retificação é caracterizado pela agilidade
quando não há conflitos ou questionamentos por parte dos confrontantes
quanto aos limites comuns.

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Alzir Felippe Buffara Antunes 75 ANEXO 4 MEMORIAL DESCRITIVO IMÓVEL:
CHÁCARA PROPRIETÁRIO: URBANO TELMA MUNICÍPIO: AGUDOS DO SUL U.F:
PARANÁ MATRICULA: CODIGO INCRA: ÁREA (ha): 10,79675 PERÍMETRO(m):
1681,9694 Inicia-se a descrição deste perímetro no vértice FAM-M-0001, de
coordenadas N 7118528,761m e E 674475,479m, representadas no Sistema
UTM, referenciadas ao Meridiano Central 51º W, tendo como datum o SAD-
69, situado no limite da faixa de domínio da Estrada Municipal, que liga
Tijucas do Sul ao Centro de Agudos do Sul e no limite da propriedade de
Rogério Saidok, código INCRAXXXXX X; deste segue-se, confrontando com a
propriedade de Rogério Saidok, com os seguintes azimutes e distâncias:
34º20’11” e 276,24m até o vértice FAM-M-02, de coordenadas N
7118756,8617m e E 674631,2921m; 319º49’43” e 224,18m até o vértice
FAM-M-03, de coordenadas N 7118928,1631m e E 674486,6821m;
53º55’36” e 345,54m até o vértice FAM-M-04, de coordenadas N
7119131,6162m N e E 674765,9708m, situado na divisa da propriedade de
Otávio Dias, código do INCRA, deste, segue confrontando a propriedade de
Otávio Dias com os seguintes azimutes e distâncias: 153º51’43” e 294,04m
até o vértice FAM-M-05 de coordenadas N 7118867,6454m e E
674895,5254m; 221º56’24” e 133,85m até o vértice FAM-M-06, de
coordenadas N 7118768,0983m e E 674806,0660m, situado na divisa da
propriedade B e limite da faixa de domínio da Estrada Municipal, que liga
Tijucas do Sul ao Centro de Agudos do Sul; deste, segue pelo limite da faixa
de domínio da Estrada Municipal com o azimute de 340º14’26” e distância
de 408,13m até o marco FAM-M-01, ponto inicial da descrição deste
perímetro. Todas as coordenadas aqui descritas estão geo-referenciadas ao

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Alzir Felippe Buffara Antunes 76 Sistema Geodésico Brasileiro, a partir de
um marco geodésico, implantado pelo Departamento de Geomática da UFPR
em 2001, na área da Igreja do Pavão no município de Agudos do Sul, de
coordenadas N 7118379,6804m e E 674437,9223m, representadas no
Sistema UTM, referenciadas ao MC 51º W, tendo como datum o SAD-69. Os
Azimutes, distâncias, área e perímetro foram calculados no plano de
projeção UTM.

DATA e ASSINATURA DO ENGENHEIRO Fonte: Adaptado de MIRANDA (2003).

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Alzir Felippe Buffara Antunes 77 ANEXO 5 GEOINFORMAÇÃO E
PLANEJAMENTO URBANO Definição de planejamento, citada por FERRARI
(1983): “em sentido amplo, planejamento é um método de aplicação ,
contínuo e permanente, destinado a resolver, racionalmente, os problemas
que afetam uma sociedade situada em determinado espaço, em
determinada época, através de uma previsão ordenada capaz de antecipar
suas ulteriores conseqüências”.

A maioria das cidades brasileiras possui uma deficiência de planejar ou


mesmo organizar o espaço. Faltam instrumentos e mecanismos de gestão
condizentes às necessidades ao entendimento da problemática urbana.

O processo de urbanização no Brasil foi marcadamente célere, extenso e


profundo, no que se refere a mudanças do ponto de vista demográfico,
social e ecológico (FARIA, 1991). Em 1950, o grau de urbanização do Brasil
era 36,2%, atingindo, em 2000, 81,2%. Essa transição deu-se num período
de intenso crescimento populacional, cujo ápice foram os anos 60, quando
se agregou ao conjunto da população “cerca de novos cinqüenta milhões de
habitantes, isto é, um número quase igual à população total do País em
1950” (SANTOS, 1993, p.20). A partir de então, esse crescimento reforçou
suas características concentradoras e passou a distribuir elevados
contingentes populacionais em um número reduzido de centros urbanos. A
urbanização teve lugar sem uma política eficaz de ordenação territorial.

Pensar o espaço geográfico é tentar perceber as características do modo de


produção, um passo fundamental ao planejamento. Este, portanto, não é
um fim em si mesmo, mas um meio para se atingir um fim (FERRARI, 1983).
É um método de pesquisar, analisar, prever e ordenar as mudanças. É
necessária, portanto, uma visão trans-escalar nas abordagens analíticas e
na construção de estratégias políticas capazes de articular ações nas
diferentes escalas, o que implica em reconstruir escalas – condição que só
se efetiva em processos heterogêneos, conflituais, contestados, em
embates políticos – numa interação social de estruturas geográficas.

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