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LABORATÓRIO DE FÍSICA MODERNA

FISICA II

2º Semestre de 2010

ROTEIROS DOS EXPERIMENTOS


Prof. Dr. Jesiel Freitas Carvalho
Prof. Dr. Ricardo Costa de Santana

1. Efeito fotoelétrico
2. Espectroscopia com rede de difração em gases elementares

3. Efeito Zeeman
4. Dependência da condutividade elétrica com a temperatura: cobre e
germânio
5. Efeito Hall em metais

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Efeito Fotoelétrico 1

Efeito Fotoelétrico

1. INTRODUÇÃO
Este experimento tem como objetivo investigar o efeito fotoelétrico e, como
consequência, verificar o caráter quântico da radiação eletromagnética e determinar o valor da
constante de Planck.
Este experimento é baseado no fato de que elétrons são emitidos por uma superfície de
um metal quando este é bombardeado por íons positivos. Em um experimento típico de efeito
fotoelétrico (ver figura 1), como o que você fará, é estabelecida uma diferença de potencial U
entre os eletrodos (catodo (C) e anodo (A)) que estão dentro de um detector de luz
(fotocélula), sendo o catodo iluminado com luz de freqüência f e intensidade I0. Ao iluminar-
se o catodo elétrons são arrancados e uma corrente elétrica i no circuito externo é observada.

Figura 1. Diagrama esquemático de uma montagem para a observação do efeito fotoelétrico.

A produção de fotocorrente pela luz somente acontecerá, se ela fornecer energia o


suficiente para arrancar elétrons da vizinhança da superfície do material do catodo e vencer o
potencial atrativo do catodo (potencial de freamento) uma vez que este fica positivamente
carregado quando um elétron é ejetado. Do ponto de vista da física clássica seria de se esperar
que, como uma onda transporta energia e essa é diretamente proporcional a intensidade I0 da
onda, qualquer que seja sua freqüência f, aumentando-se a intensidade aumentasse também a

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Efeito Fotoelétrico 2

energia cinética dos elétrons emitidos. No entanto os experimentos mostram que isso não
acontece.
Einstein, em um trabalho publicado em 1905, propôs uma teoria para explicar este
efeito. Baseou-se na hipótese de que a energia E da radiação eletromagnética da luz incidente
é quantizada, sendo a energia de cada “pacote” (quantum de energia ou fóton) dada por
E  hf
onde h é a constante de Planck e f a freqüência da radiação. Assim, os elétrons do fotocatodo
só poderiam absorver energia correspondente a múltiplos inteiros deste valor.
Então, se um fóton de freqüência f atinge o catodo, transferindo sua energia para um
elétron, este poderá ser arrancado do fotocatodo se essa energia for maior do que a energia
que o elétron deve gastar para alcançar a superfície do fotocatodo mais a energia W (potencial
de freamento que é uma característica intrínseca de cada material usado na construção do
fotocatodo) necessária para superar as forças atrativas. Os elétrons que conseguem escapar do
fotocatodo possuem energia cinética dada por:

mv 2
hf  W 
2
onde v é a velocidade do elétron, m é a massa de repouso do elétron e h é a constante de
Planck a ser determinada.
Assim somente os elétrons que tiverem energia potencial elétrica (eU) igual a energia
cinética alcançarão o anodo, ou seja:

mv 2
eU 
2
com e = 1,602x10-19As, a carga elementar do elétron. Um potencial φ adicional ocorre devido
a diferenças entre as superfícies dos eletrodos (anodo e catodo), ou seja:

mv 2
eU   
2
Se assumirmos que W e φ são independentes da freqüência, então uma relação linear existe a
voltagem U (a ser medida) e freqüência da luz:
W  h
U   f
e e
Do experimento é construído um gráfico relacionando a diferença de potencial U medida com
a freqüência da luz incidente e a partir de uma regressão linear com a expressão acima
calcular constante de Planck, cujo valor na literatura é de:
6,62x10-34Js.

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Efeito Fotoelétrico 3

Para finalizar podemos destacar três pontos acerca da teoria do efeito fotoelétrico
proposta por Einstein:
A) A energia cinética de cada elétron não depende da intensidade da luz. Isto significa que
dobrando a intensidade da luz teremos mais elétrons ejetados, mas as velocidades não serão
modificadas.
B) Quando a energia cinética de um elétron for igual a zero significa que o elétron adquiriu
energia suficiente apenas para ser arrancado do metal.
C) A ausência de um lapso de tempo entre a incidência da radiação e a ejeção do fotoelétron.

2. OBJETIVOS
Este experimento como objetivos a medida da constante de Planck e a observação do
caráter quântico da radiação eletromagnética através do efeito fotoelétrico

3. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
O aparato experimental utilizado para medir a constante de Planck através do efeito
fotoelétrico é mostrado na figura 1 abaixo. Ele consiste de uma fonte de tensão para lâmpadas
espectrais, uma lâmpada de mercúrio de 80W, um trilho, um multímetro, filtros de cores com
suporte, uma lente com suporte, uma fenda de abertura ajustável, uma fotocélula, um
amplificador de sinal e uma rede de difração de 600 linhas/mm.

Figura 1 - Aparato para a realização do experimento efeito-fotoelétrico.

Primeiro verifique a tensão a ser utilizada pela fonte e pelo amplificador, ligue-os e
aguarde que a lâmpada de mercúrio atinja o regime de operação, isso ocorre quando ela emitir

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Efeito Fotoelétrico 4

uma luz forte e brilhante. Em seguida posicione a fenda a aproximadamente 9 cm da lâmpada.


A lente deve ser colocada a aproximadamente 20 cm da lâmpada. Ajuste o foco da lente para
coincidir com a entrada da fotocélula, isso deve ser feito com a abertura deste dispositivo
fechada colocando-se uma folha branca de papel na frente do mesmo para observar a
imagem, alem de permitir a observação de linhas espectrais na região do ultravioleta.
Uma vez feito o ajuste do foco, mova o braço direito do trilho superpondo cada cor do
espectro óptico com a abertura da célula fotoelétrica e meça a voltagem no multímetro, o
tempo de medida deve ser em torno de 30 segundos, após o qual a fotocélula deve ser fechada
e o capacitor de entrada no amplificador deve ser descarregado checando-se o nível zero de
voltagem no multímetro com o diafragma fechado. Repita o procedimento para as outras
medidas.
Use filtro de cor correspondente para cada medida. Verde para medida no verde e
amarelo, vermelho para medida no vermelho, azul para medida no azul. Os valores
recomendados para cada comprimento de onda são:

COR  (nm)
UV1 366
UV2 406
AZUL 435.8
VERDE 546.1
AMARELO 578
VERMELHO 620

4. BIBLIOGRAFIA

1. H. M. Nussensweig, Curso de Física Básica, Vol. 4, Editora Edgard Blücher, 1997.


1. R. Eisberg, R. Resnick, Física Quântica, Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1979.
1. Laboratory Experiments in Physics, 5.1.05, Phywe Systeme GmbH, Göttingen, 1999.
1. http://www.unb.br/iq/kleber/CursosVirtuais/QQ/aula-5/aula-5.htm

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Espectroscopia com Rede de Difração em Gases Elementares 5

Espectroscopia com Rede de Difração em Gases Elementares

1. INTRODUÇÃO
Um anteparo dotado de várias fendas difratava a luz principalmente em algumas direções
específicas dadas pela equação da rede
d sen (1)
Esse tipo de anteparo é chamado de rede de difração e pode funcionar tanto por transmissão,
como por reflexão. Se a luz de um comprimento de onda λ atinge uma rede de constante d, ela
é difratada e máximos de intensidade são produzidos para ângulos de difração θ satisfazendo
a equação (1). Numa determinada ordem m cada comprimento de onda se difrata em um
ângulo  diferente. Por isto diz-se que uma rede dispersa a luz e pode ser usada para analisar o
espectro de uma fonte de luz. O dispositivo que utiliza uma rede de difração para analisar o
espectro de uma fonte de luz chama-se espectrômetro de rede de difração. Pode-se calibrar
um espectrômetro com qualquer fonte de comprimento de onda conhecido para usá-lo na
análise química, na astronomia, no diagnóstico de plasmas e em muitos outros campos. Nesta
experiência vamos usá-lo para analisar as linhas dos espectros de emissão óptica do He e do
Na.
O espectro atômico dos elementos pode ser obtido estimulando uma amostra amostra
com calor ou com uma descarga elétrica. Nas lâmpadas espectrais o elemento no estado
gasoso, no interior de um tubo de vidro e sob baixa pressão, é submetido a uma descarga
elétrica. Elétrons são excitados para níveis de energia mais elevados (E1) no átomo e, ao
retornarem para o nível original (E0), emitem a diferença de energia como fótons de
freqüência , dada por
h  E1  E0 (2)

onde h  6 ,63  10 34 J .s é a constante de Planck.


O átomo de sódio possui os níveis correspondentes a n=1 e n=2 completamente cheios e
apenas um elétron (n=3) fora das camadas cheias. De modo geral, os átomos alcalinos podem

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Espectroscopia com Rede de Difração em Gases Elementares 6

ser descritos como sendo constituídos de um caroço de gás inerte mais um único elétron que
se move numa subcamada externa. Este elétron é dito opticamente ativo. Neste sentido, o
espectro do átomo de sódio é equivalente ao do hidrogênio, exceto pela carga central
“percebida” pelo elétron externo. Os dez elétrons externos produzem uma “blindagem” da
carga nuclear. Em primeira aproximação, o potencial resultante é dado por
e 2 Z (r )
V r    (3)
4 0 r
Os níveis de energia são similares aos níveis do átomo de hidrogênio com uma redução da
degenerescência do momento angular
me4 1
En   Z n2 2 (4)
8 0 h
2 2
n
Nesta aproximação não foi considerada a interação spin-órbita do elétron opticamente ativo.
Na verdade, as linhas do espectro óptico do sódio evidenciam um desdobramento de
estrutura fina, caracterizado pelo fato de que todos os níveis são duplos, exceto aqueles para
os quais ℓ=0. Isto é devido à interação spin-órbita, isto é, devido ao acoplamento entre o
momento de dipolo magnético do elétron e o campo magnético interno ao qual está submetido
por mover-se através do campo elétrico do átomo. Isto pode ser entendido considerando-se a
energia de interação

E 
2
2 2
 j j  1    1  ss  1 1 dV r  (5)
4m c r dr

Para ℓ=0, a equação (5) mostra que a interação spin-órbita é nula. Para os demais valores de ℓ,
E apresenta dois valores diferentes, um positivo e outro negativo, dependendo se
j    1 / 2 ou j    1 / 2 . Assim, exceto para ℓ=0, cada nível de energia é separado em duas
componentes, uma de energia ligeiramente superior, quando os momentos angulares orbitais e
de spin são “paralelos”, e outra ligeiramente inferior, quando esses momentos angulares são
“antiparalelos”. A diferença de energia é o trabalho necessário para girar o momento de
dipolo magnético do elétron de uma orientação para outra no campo interno do átomo. No
caso do átomo de sódio, esta interação é mais evidente na divisão da transição 3P  3S (raia
amarela) em duas linhas, o chamado dubleto amarelo do átomo de sódio.
Nas Figuras 1 e 2 são mostrados os diagramas de níveis de energia dos átomos de sódio e
hélio. Para maiores detalhes sobre os níveis de energia e transições permitidas nestes dois
átomos consulte, por exemplo, as referências [1] e [2].

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Figura 1 - Transições permitidas entre os níveis de


energia do sódio [1].
Figura 2 - Transições entre os níveis de energia do
hélio.

2. OBJETIVO
Medir os espectros de emissão dos átomos de He e Na, comparar estes resultados com os
correspondentes diagramas de níveis de energia, investigar o dubleto amarelo do sódio e
calcular a constante de uma rede de difração.

3. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
O aparato experimental a ser utilizado nesta experiência está ilustrado na Figura 3. O
procedimento experimental pode ser dividido em duas partes, como detalhado a seguir.
3.1. Espectro do Hélio e Cálculo da Constante da Rede de Difração
- Ligar a lâmpada de He (aguardar cerca de 5 minutos para que a condição adequada de
operação seja atingida);
- a mesa que sustenta a rede de difração deve estar em nível;

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Figura 3 - Aparato experimental utilizado para medida dos espectros atômicos do hélio e do sódio.

- a altura da fenda deve ser regulada de modo a caber inteiramente na ocular (os ajustes de
largura e altura da fenda se encontram na extremidade do colimador);
- ajustar a fenda o mais estreita possível para melhor resolução (para facilitar os
procedimentos de ajuste manter a fenda, durante este estágio, um pouco mais aberta);
- ajustar o foco da imagem da fenda usando o parafuso do lado direito da luneta;
- a cruz da ocular é focada ajustando-se a posição da ocular, empurrando-a para frente ou para
trás;
- ajustar a altura da luneta, do colimador e a orientação da rede de difração, de maneira que ao
percorrer o espectro de difração do hélio, tanto à direita quanto à esquerda, não haja variações
nas alturas das raias interceptadas pela cruz da ocular;
- feitos os ajustes, fixar as posições relativas, deixando livre apenas a luneta;
- alinhar a luneta com o feixe direto (m=0) e anotar a posição angular (use o vernier);
- girar progressivamente a luneta e anotar as posições angulares das raias de primeira ordem,
tanto à direita quanto à esquerda (nos cálculos use a média aritmética destes valores);

Raias do hélio que devem ser observadas

Vermelho 667,8 nm

Amarelo 587,6 nm

Verde 501,6 nm

Verde-azulado 492,2 nm

Azul-esverdeado 471,3 nm

Azul 447,1 nm

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- Faça um gráfico de sen  em função de  e obtenha o valor da constante de rede d. Esta


curva corresponde à curva de calibração deste espectrômetro. Calcule o número de linhas por
milímetro e compare o resultado com o valor nominal dado pelo fabricante. Discuta o erro.
- Não esqueça de incluir no relatório a explicação para o aparecimento dessas raias em termos
do diagrama de energias do átomo de hélio (Figura 2).

Substitua a lâmpada de He pela de Na.


ATENÇÃO!
Aguarde que a lâmpada esfrie para tocá-la.
Não toque o bulbo de vidro diretamente com a mão, utilize a toalha de papel.

3.2. Espectro do Sódio e a Separação do Dubleto Amarelo


- Após trocar e posicionar a lâmpada de sódio, alinhar a luneta com o feixe direto (m=0) e
anotar a posição angular (use o vernier);
- Medir as posições das raias de primeira ordem mais intensas da lâmpada de Na e calcular os
comprimentos de onda correspondentes. Como anteriormente, faça isto girando progressiva-
mente a luneta e anotando as posições angulares, tanto à direita quanto à esquerda;
- Explicar o aparecimento dessas raias em termos do diagrama de energias do átomo de sódio
(Figura 1).
- Usando as raias de segunda ordem, determine os comprimentos de onda λ1 e λ2 e a
separação Δλ do dubleto amarelo;
- A separação dos níveis de energia 3p do átomo de sódio, devido à interação spin-órbita, é de
E  2,1 10 3 eV [1]. Use este resultado para avaliar o valor, obtido experimentalmente, de
Δλ do dubleto amarelo do sódio.

4. DISCUSSÕES ADICIONAIS
1) Explique como funciona o processo de emissão de luz em uma lâmpada espectral.
2) Explique detalhadamente por que os espectros de emissão das lâmpadas espectrais são
compostos por raias discretas ao invés de um contínuo.
3) Costuma-se dizer que os átomos de Na e He possuem respectivamente 1 e 2 elétrons
oticamente ativos. Explique o que significa essa afirmação.

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Espectroscopia com Rede de Difração em Gases Elementares 10

4) Quais são as regras de seleção usualmente envolvidas nas transições eletrônicas em


átomos que obedecem ao acoplamento LS? Qual sua origem física?
5) Explique por que todos os níveis de energia com L ≠ 0 mostrados na Fig. 1 para o Na
são desdobrados em dois, dando origem aos dubletos observados. Como é o
ordenamento em energia dos níveis desdobrados?
6) Explique por que os diagramas de níveis de energia do Hg, do He e do Cd mostrados
na Figura 2 encontram-se divididos em dois conjuntos: estados de singlete (à
esquerda) e de triplete (à direita). O que significam os termos “singlete” e “triplete”?
Por que os estados de triplete possuem energias sistematicamente mais baixas do que
os estados de singlete correspondentes? Qual a origem física da interação envolvida?

5. BIBLIOGRAFIA
[1] R. Eisberg, R. Resnick: Física Quântica. Editora Campus, Rio de Janeiro, Brasil, 1988.
[2] A.C. Melissinos: Experiments in Modern Physics. Academic Press, Boston, USA, 1966.
[3] Laboratory Experiments in Physics, 5.1.10, Phywe Systeme GmbH, Göttingen, 1999.
[4] http://www.cce.ufes.br/jair/

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Efeito Zeeman 11

EFEITO ZEEMAN

1. Introdução
Este experimento trata da observação do desdobramento da linha espectral vermelha
do átomo de cádmio sob a ação de um campo magnético com o objetivo de se determinar o
valor do magneton de Bohr.
O Efeito Zeeman1 pode ser classificado como Normal, ou seja, aquele pelo qual o
desdobramento de uma raia espectral acontece de duas maneiras: (a) se a observação se fizer
ao longo de uma direção paralela ao vetor de indução magnética B, então a raia espectral
original do espectro desdobrar-se-á em duas raias e (b) Se a observação for feita em uma
direção perpendicular ao vetor B, a raia original desdobrar-se-á em três raias. Ou pode ser
ainda classificado como Anômalo onde uma raia espectroscópica (situada na região do visível
do espectro óptico) é desdobrada em 2j + 1 raias diferentes, onde j é a projeção do vetor
momento angular qüântico sobre o eixo de quantização.
O efeito Zeeman envolve, então, a interação entre o momento de dipolo magnético
 
atômico  e um campo magnético externo B , levando ao desdobramento dos níveis de
energia devido ao levantamento da degenerescência espacial.
No caso de um átomo obedecendo ao acoplamento LS (ou de Russel-Saunders), o
desdobramento depende do momento angular total (caracterizado pelos números quânticos j’
e m’j), do momento angular orbital total (caracterizado pelos números quânticos l’ e m’l) e do
momento angular de spin total (caracterizado pelos números quânticos s’ e m’s), sendo todos
referentes aos elétrons da(s) camada(s) incompleta(s).
Na situação em que o campo magnético não tem intensidade suficiente para perturbar
significativamente o acoplamento LS (condição de campo fraco), a energia potencial de
orientação será dada pela expressão:
 
E    B   B Bgmj , (1)

onde B e g são respectivamente o magnéton de Bohr e o fator g de Landé, dados pelas


expressões:
O Efeito Zeeman foi descoberto por Pieter Zeeman, um físico holandês, no século XIX, e apresentado à comunidade científica em 1986.

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Efeito Zeeman 12

e
B  (2)
2m

j ( j   1)  s ( s   1)  l (l   1)
g  1 , (3)
2 j ( j   1)

sendo e e m a carga e a massa do elétron respectivamente.

Como resultado, cada nível com número quântico j’ será desdobrado em 2j’+1
subníveis na presença do campo magnético. Assim, serão observadas várias linhas espectrais
desdobradas com aplicação do campo magnético, sendo a quantidade de componentes do
multipleto dependente dos valores de j’ para os níveis envolvidos nas transições.

Quando os dois níveis envolvidos em uma dada transição são ambos estados de
singleto (s’ = 0), os desdobramentos passam a depender apenas de l’. Cada nível é então
desdobrado em 2l’+1 subníveis na presença co campo magnético, sendo essa situação
conhecida como Efeito Zeeman Normal. (O caso em que s’  0 recebe a denominação de
Efeito Zeeman Anômalo).

No caso do efeito Zeeman normal, a energia orientacional fica então dada por:
 
E    B   B Bml , (4)
Transições através de radiação de dipolo elétrico entre esses níveis são permitidas de acordo
com as regras de seleção:

ml  0 ou  1 (5)
Como conseqüência, observa-se sempre o desdobramento de cada linha espectral em um
tripleto, sendo uma componente central com mesma freqüência da linha original (m’l = 0),
uma com freqüência mais alta (m’l = –1) e a outra com freqüência mais baixa (m’l = +1).
A situação investigada nesta experiência corresponde à transição 6 1D2  5 1P1 (em
notação espectroscópica) do elemento Cd. Ambos os estados possuem s’ = 0 (estados de
singleto) e, portanto, trata-se de efeito Zeeman normal. Os desdobramentos nos níveis de
energia assim como as transições permitidas encontram-se ilustrados na figura 1(a).

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Efeito Zeeman 13

(a) (b)

Figura 1: (a) Efeito da aplicação de um campo magnético sobre a transição 1D2  1P1 do
elemento Cd. (b) Estado de polarização das componentes desdobradas pelo efeito Zeeman
quando observadas nas direções paralela e perpendicular ao campo aplicado.

Uma análise detalhada das características da radiação de dipolo elétrico (levando em


conta as oscilações na distribuição de carga no átomo responsáveis pela emissão de radiação)
revela uma conexão entre o estado de polarização da radiação emitida e a variação no número
quântico m’l [1-2].

Assim, sob observação na direção transversal à direção do campo magnético B , a
componente com m’l = 0 (denominada linha ) é linearmente polarizada paralelamente à

direção de B ; as componentes com m’l = –1 e m’l = +1 (respectivamente denominadas +
e –) são também linearmente polarizadas, mas com direção de polarização perpendicular à

direção de B .
Quando a radiação é observada ao longo da direção do campo magnético (observação
longitudinal), apenas as linhas  são detectadas, sendo ambas com polarização circular. Elas
podem ser diferenciadas pelo sentido de polarização: a linha + possui os campos elétrico e

magnético girando no sentido positivo em relação a B de acordo com a regra da mão direita

(portanto no mesmo sentido da corrente elétrica que gera B ); já a linha – possui polarização
circular no sentido oposto, como mostra a figura 3b.

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Efeito Zeeman 14

Os desdobramentos em energia causados pelo efeito Zeeman são muito pequenos


(com campos magnéticos moderados) para serem observados por meio de espectroscópios
óticos comuns. Nesta experiência a presença das componentes satélites em relação à linha
vermelha do Cd ( = 643,8 nm) é investigada com uso de um interferômetro de Fabry-Perot
com espaçamento entre as placas fixo (denominado “etalon”), onde variações de comprimento
de onda da ordem de 0,002 nm podem ser detectadas.
O interferômetro possui duas placas de vidro planas e paralelas e cobertas na
superfície interna com camadas metálicas parcialmente refletoras, sendo as placas separadas
por uma distância t (igual a 3 mm no caso do interferômetro empregado).
O funcionamento do interferômetro encontra-se ilustrado na figura 2a. Raios incidindo
segundo um ângulo  em relação à direção normal às placas apresentarão interferência
construtiva segundo a condição:

2t cos   n , (6)
onde n é um número inteiro e assumiu-se o índice de refração igual a 1 na região entre as
placas.

(a) (b)

Figura 2: (a) Esquema do funcionamento do interferômetro de Fabry-Perot. (b) Focalização


da luz emergindo do interferômetro (através da lente L2) sobre a tela de observação onde são
visualizados os anéis.

A luz que emerge do interferômetro é focalizada sobre a tela de observação através da


lente L2 (figura 2b). Os ângulos n que correspondem aos anéis de interferência projetados na
tela de observação podem ser obtidos a partir da expressão (válida para ângulos pequenos, ou
seja, para raios aproximadamente paralelos ao eixo ótico):

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Efeito Zeeman 15

2(n 0  n)
n  , (7)
n0

onde n é um inteiro (para um anel brilhante) e n0 = 2t/ é um parâmetro (em geral não inteiro)
que indica a condição de interferência no centro da figura ( = 0).
O raio do p-ésimo anel brilhante pode então ser escrito como:

2f 2
rp  ( p  1)   , (8)
n0

onde f é a distância focal da lente usada para focalização (L2) e  é um parâmetro fracional
(0 <  < 1) que indica o quanto n0 difere de um inteiro, ou seja, n0 = n1 + , sendo n1 a ordem
de interferência do primeiro anel brilhante (contado a partir do centro).
A partir da Eq. 8 pode-se então obter a seguinte relação entre os raios de anéis
sucessivos:

2f 2
r p21  r p2  (9)
n0
Considerando agora a existência de duas componentes espectrais desdobradas com
comprimentos de onda a e b muito próximos (como ocorre no caso do efeito Zeeman
estudado), a diferença q entre os números de onda a-1 e b-1 será dada por:

1  rp 1,a 
2
1 1 rp21,b
     2  2  (10)
a b 2t  rp 1,a  rp,a
2
rp 1,b  rp,b
2 

onde t é a espessura do etalon (3x10-3m). Utilizando as definições


 pa1, p  rp21, a  rp2,a ;  pb1, p  rp21,b  rp2,b ;  ap,b1  rp21,a  rp21,b (11)

e observando as Eqs. 8 e 9, conclui-se que as seguintes igualdades são verificadas (para


qualquer valor de p) na situação em que a e b são muito próximos:
 pa1, p   pb1, p ;  ap,b1   ap,b (12)

Assim, pode-se calcular os valores médios das quantidades acima para vários anéis e
utilizar esses valores médios  e  para obter, a partir da Eq. 9:

1 
  (13)
2t 

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Efeito Zeeman 16

Essa expressão fornece finalmente o desdobramento Zeeman (em termos de números de onda)
a partir de parâmetros que podem ser medidos em laboratório (raios dos anéis) e o resultado
pode ser então comparado com as previsões teóricas através da expressão:
2B B  hc , (14)

2. Objetivos
Este experimento tem como objetivos principais determinar o valor do magneton de
Bohr através de medidas do desdobramento das linhas espectrais vermelhas de uma lâmpada
de cádmio em função do campo magnético aplicado.

3. Procedimento experimental
O aparato experimental utilizado é mostrado na figura 3 abaixo, consiste de uma fonte
de corrente contínua, um eletroímã, um multímetro, uma lâmpada de cádmio, um teslâmetro,
lentes, polarizadores, um capacitor eletrolítico, interferômetro de Fabry-Perot e uma tela com
escala micrométrica.

Figura 3: Aparato experimental para o Efeito Zeeman.

O eletromagneto é colocado numa mesa giratória, sendo que o gap entre as peças
polares deve ser de 9 mm para permitir-se o encaixe da lâmpada de Cd. As peças polares
devem estar bem fixadas de tal forma que elas não se movam durante a realização do
experimento. A lâmpada de cádmio é inserida no gap sem tocar as peças polares e conectada a
fonte de tensão para lâmpadas espectrais. As bobinas do eletromagneto são conectadas a fonte
de tensão variável para até 20 V DC, 12 A. Um capacitor de 22.000 μF é ligado em paralelo na
saída da fonte de tensão para atenuar flutuações na tensão DC fornecida.

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Efeito Zeeman 17

A disposição dos componentes ópticos a serem utilizados no experimento é mostrada


na figura 4.

Figura 4. Disposição dos componentes óticos do experimento, com posições típicas sobre o
trilho (em cm)
O eletroímã já se encontra previamente calibrado e a curva de calibração é dada por:

A lente L1 e uma a lente de distância focal +100 mm incorporada ao interferômetro de


Fabry-Perot produzem um feixe aproximadamente paralelo necessário para a formação de um
padrão de interferência apropriado (na forma de anéis circulares concêntricos). O
interferômetro contém um filtro vermelho que separa a linha vermelha intensa da lâmpada de
Cd ( = 643,8 nm). A lente L2 deve projetar o padrão de interferência na forma de anéis
concêntricos no plano da tela sobre a qual está gravada uma escala que pode ser deslocada
lateralmente com precisão de 1/100 mm.
O padrão de interferência pode ser observado através da lente L3 e o diâmetro dos
anéis podem ser medidos deslocando-se o marco “0” da escala móvel ao longo de toda a
extensão do diâmetro de um dos anéis, até que ele coincida com a extremidade esquerda do
quarto anel. O padrão também pode ser observado no monitor de TV colocando-se uma
câmera CCD na frente da lente L3.
Se o padrão de interferência não estiver sendo observado com nitidez, desloque
suavemente o interferômetro de Fabry-Perot para a esquerdo ou para a direita e reajuste a
posição das lentes.
Aplique agora um campo magnético, correspondente a uma corrente de 4 A, e observe
o desdobramento. Coloque o analisador na posição vertical de modo a observar somente as
duas linhas σ, posicione o marco “0” na extremidade esquerda do anel exterior no quarto
conjunto de anéis duplos desdobrados agora vistos. Desloque a escala até que o marco “0”
atinja a extremidade direita do anel exterior no mesmo quarto conjunto. O deslocamento total

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Efeito Zeeman 18

entre essas duas posições (em mm) dividido por dois fornece o raio dessa componente,
denominado r4,b (quarto anel, componente espectral “b”).
Repita o procedimento para o anel interno no mesmo quarto conjunto obtendo,
portanto o raio r4,a (quarto anel, componente espectral “a”). Meça sucessivamente os raios de
todos os outros conjuntos mais internos (r3,b, r3,a, etc) utilizando o mesmo método. Varie
agora a corrente no eletroímã entre 1 e 5 A,sendo este último valor somente por alguns
instantes, e repita as medidas dos raios ria e rib sendo i = 1, 2 , 3 , 4 o número do anel.
Para cada conjunto de raios e para cada corrente, deve-se montar uma tabela como a
mostrada abaixo:
Componente Número do Anel
1 2 3 4
a 2
r1,a a2,1 r22,a a3,2 2
r3,a a4,3 r42,a

 a1,b  a2,b  a3,b  a4,b


b r1,b b
2 2,1
b
2 3,2
r1,b b
2 4,3
r1,b 2
r1,b

p 1,p
onde a,b e  a,b
p
podem ser obtidos através das equações:


1 2

 a
4 p 1
2 p,2 p 1
 b2 p,2 p 1 
e
1 4 p
   a,b
4 p 1
Monte agora uma segunda tabela com os valores da corrente, e seu respectivo campo
magnético que pode ser calculado através da equação: B(mT) = 159,1i + 14,1i2 – 2,7i3, e com
os valores de  calculados a partir dos resultados da primeira tabela e da equação (13).

Faça um gráfico de em função de B, e faça um fitting (regressão linear) e através do
2
coeficiente angular encontre o valor do magneton de Bohr  B . A literatura fornece um valor

J
de  B  9,273x10 24 .
T
4. Bibliografia

1. H. M. Nussensweig, Curso de Física Básica, Vols. 3 e 4, Editora Edgard Blücher,

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Efeito Zeeman 19

1997.
1. R. Eisberg, R. Resnick, Física Quântica, Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1979.
1. F. A. Jenkins, H. White, Fundamentals of Optics, McGraw Hill, USA, 1976.
1. Laboratory Experiments in Physics, 5.1.10, Phywe Systeme GmbH, Göttingen, 1999.
1. C. Cohen-Tannoudji, B. Diu, F. Laloë, Quantum Mechanics, John Wiley & Sons,
USA, 1977
1. http://www.cce.ufes.br/jair/web/lem2.htm

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Dependência da condutividade elétrica com a temperatura: cobre e germânio 20

Dependência da condutividade elétrica com a temperatura: cobre e


germânio
1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste experimento é o de investigar a condutividade elétrica em função da


temperatura de um metal (Cu) e de um semicondutor (Ge). Calcular a energia do gap de
energia no semicondutor obtida experimentalmente e comparada com o valor esperado.
A condutividade elétrica  de um metal com n elétrons por unidade de volume pode
ser calculada, no modelo de elétrons livres, pela seguinte expressão:

ne 2 
 , (1)
m
onde e e m são respectivamente a carga e a massa do elétron e  é um parâmetro denominado
tempo médio de colisão, o qual é característico de cada material e depende fundamentalmente
da temperatura e da presença de defeitos e impurezas.
A variação com a temperatura da resistividade elétrica () de metais (igual ao inverso
da condutividade elétrica) é usualmente descrita pela seguinte expressão de origem empírica:

   0 1  T  T0  , (2)

onde  é denominado de coeficiente de temperatura da resistividade, T0 é uma temperatura de


referência arbitrária e 0 é a resistividade nessa temperatura. A relação acima é uma
aproximação linear válida geralmente em faixas limitadas de variação de temperatura
dependendo do material.
A condutividade elétrica de semicondutores pode ser descrita por uma expressão
similar à Eq. 1, mas com a importante diferença de que pode haver mais de um tipo de
portador de carga (elétrons e buracos), inclusive com diferentes massas efetivas. Além disso,
a concentração de portadores n, ao invés de ser constante como nos metais, varia fortemente
com a temperatura, devido à excitação térmica de portadores nas bandas de valência e/ou de
condução.

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Dependência da condutividade elétrica com a temperatura: cobre e germânio 21

Pode-se mostrar que a condutividade elétrica dos semicondutores apresenta em


determinadas faixas de temperatura (em geral acima da temperatura ambiente) uma variação
térmica da forma:
 E g / 2 kT
  0e , (3)

onde 0 é uma constante, T é a temperatura absoluta, k é a constante de Boltzmann e Eg é a


largura da lacuna (ou gap) de energia entre a banda de valência e a banda de condução do
semicondutor. Esse regime de condução é denominado de regime intrínseco e corresponde à
excitação térmica de portadores de carga do próprio material, e não de elétrons devidos a
impurezas. O valor do gap do Ge obtido experimentalmente é de ~0.7 eV.

2. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
O que fazer: (a) medir a resistência elétrica de uma amostra de cobre e outra de Ge
(puro) em função da temperatura; (b) a partir da variação da condutividade elétrica do Ge
com a temperatura determinar o gap de energia do Ge; (c) a partir da variação da resistência
elétrica do Cu com a temperatura determinar o coeficiente de temperatura da resistividade do
Cu, seguindo as instruções abaixo.
O arranjo experimental para esta etapa encontra-se esquematizado na Fig. 1 e as
conexões elétricas estão mostradas na Fig. 2.

Fig. 1: Arranjo experimental para realização das medidas de condutividade elétrica.

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Dependência da condutividade elétrica com a temperatura: cobre e germânio 22

Fig. 2: Conexões elétricas para realização das medidas de condutividade elétrica.

A amostra retangular de Ge (com dimensões 20  10  1 mm3) é conectada à saída de


tensão contínua da fonte de tensão através de um resistor de proteção. A tensão aplicada e a
corrente através da placa são medidas com multímetros digitais. Observe a corrente máxima
de 30 mA suportada pela amostra e ajuste os controles de tensão/corrente da fonte para
manter a corrente dentro desse limite.
Na parte traseira da placa de circuito impresso encontra-se o enrolamento responsável
pelo aquecimento da amostra, o qual é alimentado pela tensão (AC) da fonte de tensão.
Aumente progressivamente a voltagem de aquecimento para permitir um lento aquecimento
da amostra iniciando, por exemplo, com 2 V e elevando-a paulatinamente até 6 V.
Importante: Para evitar aquecimento excessivo da amostra, desligue a voltagem de
aquecimento assim que a temperatura registrada pelo termopar atinja a faixa próxima a 130-
140ºC (tensão Vterm em torno de 5-6 mV).
Registre os valores de tensão e corrente através da amostra juntamente com a tensão
no termopar (ou diretamente a temperatura). As medidas podem ser efetuadas tanto durante o
aquecimento (controlado) quanto durante o resfriamento (livre) da amostra e podem ser
repetidas algumas vezes para obtenção de valores médios.
Repita os procedimentos acima trocando a placa contento a amostra de Ge pela placa
contendo a tira de Cu (espessura de 35 m).
Observe a corrente máxima permitida nesse caso (1 A) e utilize resistências de
proteção apropriadas para limitar a corrente a um valor conveniente para as escalas dos
multímetros empregados.

3. ALGUMAS PERGUNTAS
1) Apresente claramente os conceitos de velocidade de deriva, livre caminho médio e
tempo médio de colisão para elétrons livres em metais e deduza a Eq. 1.

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Dependência da condutividade elétrica com a temperatura: cobre e germânio 23

2) De acordo com a teoria clássica para a condução de eletricidade por um metal,


como deveria ser a dependência da resistividade de um metal, por exemplo o Cu, em função
da temperatura?
3) Quais são as limitações (deficiências) da teoria clássica para a condução de
eletricidade por um metal?
4) Que modelo melhor explica a condução elétrica dos metais? Justifique.
5) Discuta o conceito de bandas de energia e esquematize como são as bandas de
energia em metais, semicondutores e isolantes.

4. BIBLIOGRAFIA
1. D. Halliday, R. Resnick, J. Walker, Fundamentos de Física, Vols. 3 e 4, LTC, 4a ed.,
Rio de Janeiro, 1993.
2. R. Eisberg, R. Resnick, Física Quântica, Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1979.
3. Laboratory Experiments in Physics, 5.3.04, Phywe Systeme GmbH, Göttingen, 1999.
4. Sérgio M. Rezende, A Física dos Materiais e Dispositivos Eletrônicos. Ed.
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 1996.
5. A.C. Melissinos: Experiments in Modern Physics. Academic Press, Boston, USA,
1966.
6. P.A. Tipler, R.A. Llewellyn, Fisica Moderna, 3a Edição, LTC, Rio de Janeiro, 2001.
7. http://www.cce.ufes.br/jair/web/rot_efhall_novo.pdf

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Efeito Hall em Metais 24

Efeito Hall em Metais

1. INTRODUÇÃO
Neste experimento investigaremos o efeito Hall em função do campo magnético
aplicado em metais. A magnitude do coeficiente Hall será obtida experimentalmente e
comparada com valores esperados.
Consideremos um condutor na forma de uma barra de seção retangular conduzindo
uma corrente elétrica I. Apliquemos um campo de indução magnética B perpendicular à
densidade de corrente J conforme o desenho a seguir. Os portadores de carga q que estão em
movimento com uma velocidade de arraste v estarão sob efeito de uma força magnética que
os deslocarão para a lateral do condutor, aumentando a concentração desses portadores nessa
região. Essa maior concentração de cargas na lateral dá origem a um campo elétrico lateral
conhecido como campo Hall ou EH . Esse campo pode ser detectado pela medida da diferença
de potencial que aparece entre as faces laterais do condutor, chamada de tensão Hall ou VH .

Os portadores de carga não podem sair pela lateral do condutor. Portanto, na situação de
equilíbrio, o campo Hall exerce uma força nos portadores de carga em movimento no sentido
oposto à força magnética.

  
EH  v  B

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Efeito Hall em Metais 25

ou

 1    
E J  B  R H J  B
nq

onde RH é definida como a constante Hall do material. A constante Hall pode ser determinada
a partir das medidas da tensão Hall e da corrente que passa pelo semicondutor, sendo
conhecida a espessura da barra e o valor da indução magnética pois,
VH I V
EH  e J   RH  H
b bd IB
A mobilidade, μ, dos portadores de carga é definida como a constante de
proporcionalidade entre a velocidade de arraste dos portadores e o campo elétrico que os
coloca em movimento, campo esse resultante da aplicação de uma diferença de potencial V
entre os extremos da barra ao longo da dimensão a.


 J 
v  E  E
nq

mas
I V 1 V d I VH d V
J , E ,  RH  H  
bd a aq IB bd IB a

Vemos portanto que a mobilidade pode ser determinada pelas medidas das tensões, da
indução magnética, do comprimento e largura da barra semicondutora. Ou seja a tensão Hall
fornece uma medida direta da mobilidade.

aVH

bVB
Sendo fácil, portanto, verificar que a mobilidade está relacionada com a condutividade, σ,
através da constante Hall, μ = RH σ pois,
   1 
J E e J  E
RH

2. OBJETIVOS
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Efeito Hall em Metais 26

Determinar a constante Hall de placas de zinco e cobre medindo a voltagem Hall em


função do campo magnético aplicado e da corrente transversal.

3. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
A figura 1 mostra o arranjo experimental para as medidas da voltagem Hall, as
conexões elétricas estão mostradas na figura 2. Mantenha inicialmente a fonte de tensão
desligada e, como todos os procedimentos a seguir serão efetuados à temperatura ambiente.

Figura 1. Arranjo experimental para realização das medidas envolvendo efeito Hall.

Figura 2. Conexões elétricas para realização das medidas envolvendo efeito Hall.

a) Ligue o pré-amplificador e aguarde cerca de 15 minutos antes de fazer qualquer


medida.

b) Com cuidado, afaste as peças polares do eletroímã para evitar campos residuais
devidos à remanência dessas peças, mantendo as bobinas do eletroímã sem corrente
(desconecte um dos cabos da fonte de corrente). Introduza a placa contendo a amostra de
metal cuidadosamente entre as peças polares do eletroímã inicialmente sem campo aplicado.

c) Cuidadosamente coloque a sonda Hall próxima a placa contendo a amostra de metal,


não encoste a sonda na placa. Aproxime as peças polares até próximo a placa e a sonda Hall,
mas sem tocá-las. Ligue o teslâmetro e caso ele apresente um valor diferente de zero na
medida do campo magnético devido a remanência das peças polares, ajuste-o para zero.

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Efeito Hall em Metais 27

Ligue os multímetros. Caso o multímetro 2 mostre uma voltagem Hall mesmo na


ausência de um campo magnético, esta voltagem deve ser compensada com a ajuda de um
potenciômetro da seguinte maneira:

d) desconecte a corrente transversal I,

e) ajuste a voltagem Hall no multímetro 2 para 1 Volt, com a ajuda de uma chave de
fenda e do potenciômetro na parte de trás da placa,

f) conecte a corrente transversal I,

g) reajuste a voltagem Hall para um volt, repita esta operação 3 ou 4 vezes até se obter
um ajuste preciso.

h) ligue o(s) cabo(s) amarelo(s) na fonte de corrente DC, e ajuste a corrente transversal
para o valore máximo ~ 9 A.

i) ligue a fonte de corrente do eletroimã e coloque um campo B de 450 mT.

j) ajuste novamente a voltagem Hall para cerca de 1.5 V.

Usando a chave liga-desliga meça a voltagem Hall com o campo B ligado e também
com ele desligado. A diferença entre os dois valores multiplicado por 105 (ganho do
amplificador) é a voltagem Hall UH a ser determinada.

Fixe o campo magnético em um valor constante (450 mT por exemplo) e meça a


tensão Hall (VH) em função da corrente de controle (I) através da amostra de metal (Zn ou
Cu). Faça medidas em ambas as direções de corrente e varie-a de 1 em 1 A de -9 a ~ 9 A,
registrando os valores da voltagem para cada valor de corrente com o campo ligado e também
desligado. Obs: para inverter o sentido da corrente troque os cabos de lugar diretamente na
fonte de corrente.

Em seguida ajuste a corrente transversal para o seu valor máximo e varie a intensidade
do campo magnético de 450 mT a 450 mT de 50 em 50 mT, anotando os valores de
voltagem com campo e sem campo magnético.

Ao terminar zere e desligue as fontes, afaste cuidadosamente as peças polares do


eletroímã, retire também cuidadosamente com cuidado a sonda Hall e troque a placa

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Efeito Hall em Metais 28

observando o esquema de ligações. Repita os procedimentos de a a j, e proceda com as


medidas.
Monte gráficos da tensão Hall em função da corrente e também do campo e obtenha
por ajustes linear o coeficiente Hall (RH) das amostras de zinco e de cobre. A espessura das
placas é de 25μm para a de zinco e de 18μm para a de cobre.
Modelos de Tabelas:

Medida da tensão Hall em função da corrente de controle – Zn ou Cu

B = 450 mT

campo ligado campo desligado campo ligado campo desligado

I (A) V1 (V) V2 (V) I (A) V1 (V) V2 (V)

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Efeito Hall em Metais 29

Medida da tensão Hall em função do campo magnético – Zn ou Cu

I=9A

campo ligado campo desligado campo ligado campo desligado

B (mT) V1 (V) V2 (V) B (A) V1 (V) V2 (V)

1. BIBLIOGRAFIA

o D. Halliday, R. Resnick, J. Walker, Fundamentos de Física, Vols. 3 e 4, LTC,


4a ed., Rio de Janeiro, 1993.
o P. A. Tipler, Física, Vol. 2, LTC, 4a ed,. Rio de Janeiro, 2000.
o R. Eisberg, R. Resnick, Física Quântica, Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1979.
o Laboratory Experiments in Physics, 5.3.03, Phywe Systeme GmbH,
Göttingen, 1999.

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Efeito Hall em Metais 30

o N. W. Ashcroft, N. D. Mermin, Solid State Physics, Saunders College,


Philadelphia, 1976.

Laboratory Experiments in Physics, 2.2.05, Phywe Systems GmbH, Göttingen, 1999.


Laboratory Experiments in Physics, 2.2.07, Phywe Systems GmbH, Göttingen, 1999.
R. Eisberg, R. Resnick, Física Quântica, Ed. Campus, Rio de Janeiro, 1979.

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