Você está na página 1de 20

Página | 63

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

POSSÍVEIS EFEITOS TÓXICOS DAS PLANTAS QUE


CONSTITUEM A BEBIDA “PAU-DO-ÍNDIO”
Adriano Marques dos Santos1; Ivan Coelho Dantas2.

RESUMO

A abordagem do estudo das plantas a partir de seu emprego por sociedades nativas pela tradição
oral pode nos dar muitas informações úteis para a elaboração de estudos farmacobotânicos sobre
estas, o que permite direcionar a pesquisa a partir de um conhecimento empírico já existente e testá-
lo em bases científicas. Este trabalho visou a partir do saber de raizeiros e dos vendedores da bebida
“Pau-do-índio”, estabelecer a relação entre os princípios ativos identificados experimentalmente e a
toxicidade destes no organismo ao serem ingeridos. Para isso, utiliza-se dos métodos de
procedimento descritivo, experimental e comparativo. Os dados obtidos sobre os princípios ativos
das plantas foram correlacionados na literatura científica quanto à sua toxicologia. Conclui-se que
os pesquisados fazem uso diversificado de plantas compreendidas em 26 espécies distribuídas em
20 famílias e que a análise das amostras feitas em laboratório apresenta consonância com os
sintomas alucinógenos, abortivos, taquicardia, pressão alta e mal-estar apoiando-se cientificamente
na literatura especializada.

Unitermos: Farmacobotânica; raizeiros; princípios ativos; Pau-do-índio.

POSSIBLE TOXIC EFFECTS OF PLANTS THAT


CONSTITUTE A DRINK "PAU-DO-ÍNDIO"
ABSTRACT

The approach of the study of plants from their jobs for native societies by oral tradition can give us
many useful information for the preparation of studies on these pharmacobotanical, which allows
direct the search from an existing empirical knowledge and test it on scientific bases. This study
aimed to learn from raizeiros and drink sellers of "Pau-do-índio", to establish the relationship
between the active ingredients identified experimentally and toxicity of the body when ingested. For
this, it uses the methods of procedure descriptive, experimental and comparative. Data obtained on
the active ingredients of the plants were correlated in the scientific literature on their toxicology. It
was concluded that the researchers made use of diverse plants included in 26 species of 20 families
and that the analysis of samples taken in the laboratory presents symptoms consistent with the
hallucinogens, abortifacients, tachycardia, high blood pressure and malaise in the back of
scientifically literature.

Uniterms: Pharmacobotanical; raizeiros; active ingredients; Pau-do-índio.

INTRODUÇÃO
Muito antes de surgir a escrita o homem já usava ervas para fins alimentares e medicinais.
Na procura das ervas mais apropriadas para a alimentação ou para a cura de seus males sentiu as

1
Biólogo, Esp. em Saúde Coletiva. e-mail: adrianomarqs@yahoo.com.br
2
Farmacêutico, MSc em Saúde Coletiva, UEPB, Av. das Baraúnas, 361, Campus Universitário, Bodocongó- Campina
Grande. e-mail: ivancd@gmail.com
Página | 64

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

alegrias do sucesso e as tristezas do fracasso. Em suas experiências com elas descobriu as


qualidades de cada uma: alimento, medicamento, veneno, alucinógeno, afrodisíaco, neste caso,
acredita-se que os afrodisíacos tenham surgido na Grécia Antiga, quando os gregos cultuavam
Afrodite - a deusa do amor, da beleza e da fecundidade – com cerimônias e rituais especiais, nos
quais eram ingeridas poções do amor, na esperança de que aumentassem o vigor e o prazer sexual;
ervas, flores e especiarias regidas por Afrodite (Vênus, para os romanos) eram usadas como
ingredientes no preparo dessas poções e, com isso, ganharam a fama de “afrodisíacos”. (PRIM,
2001; BULFINCH, 2000).
Hoje, a toxicologia das plantas relacionada à espécie humana, interessa a diferentes
campos da medicina e da biologia, entre os quais a utilização continuada de certas espécies
vegetais, sob a forma de pó para inalação, fumos, infusões e no nosso caso, bebidas, visando a
efeitos alucinógenos ou entorpecentes que visem a prejudicar a saúde. Temos grupos definidos de
acordo com a utilidade das plantas pela população (ornamentais, comestíveis, medicinais, tóxicas,
etc.) que são tomadas sem critérios por uma boa parcela das pessoas, já que se tem o pressuposto de
conterem princípios ativos, que dependendo da dose, podem ser benéficos ou tóxicos para o
organismo.
Com base no consumo cada vez crescente da bebida “Pau-do-índio” por jovens e adultos em
específico no mês de junho em Campina Grande onde acontecem as festividades juninas e a várias
pessoas terem sido atendidas depois de terem ingerido a bebida Pau-do-índio, inclusive com
sintomas alucinógenos, abortivos, taquicardia, pressão alta e mal estar, justificou-se uma
investigação científica sobre os componentes da bebida que levará um melhor esclarecimento sobre
os possíveis efeitos tóxicos das ervas (raízes, cascas e similares) que a constitui. Foram descritos no
trabalho os principais grupos de substâncias tóxicas encontradas em plantas medicinais assim como
avaliados seus efeitos tóxicos sobre a saúde humana.
Este artigo tem como objetivo analisar os possíveis efeitos tóxicos das ervas (raízes, cascas e
similares) que constituem a bebida “Pau-do-índio” sobre a saúde humana quanto a sua ingestão, em
relação aos sintomas alucinógenos, abortivos, taquicardia, pressão alta, mal estar e outros;
inventariar as ervas vendidas (raízes, cascas e similares) para fabricação do “Pau-do-índio” no
município de Campina Grande; reconhecer as espécies vegetais que compõem a bebida de acordo
com o nome científico, família e nome vulgar e identificar os princípios ativos das espécies,
verificando a toxicidade destes e suas possíveis reações no organismo ao serem ingeridos.

MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi realizada no município de Campina Grande, no Parque do Povo, arcas e
feiras livres, junto aos vendedores de “Pau-do-índio” no período de 03 de junho a 03 de julho de
2006 e aos raizeiros - principais fornecedores de plantas para o fabrico da bebida - no período de
agosto a dezembro de 2006 nos seus pontos de venda nas arcas e feiras livres, utilizando-se
entrevista e questionário, contendo perguntas objetivas e subjetivas.
Na pesquisa foram adotados os métodos descritivo para aplicação de um questionário para
levantamento das plantas contida na bebida, e experimental que foi utilizado no Laboratório de
Farmacognosia da Universidade Estadual da Paraíba, através de reações químicas para identificação
dos compostos ativos existentes nas plantas. Ali foram feitos os experimentos, com amostra de 12
unidades engarrafadas da bebida coletadas em seus pontos de venda no período, onde os compostos
bioativos foram identificados por reações químicas através de precipitação e coloração para
posteriori comparação do senso comum.
Foi realizado o registro fotográfico das espécies estudadas em sua forma seca como são
vendidas, como também da bebida pronta, e também a utilização de um questionário (APÊNDICE
A) aos raizeiros e vendedores da bebida para anotações dos dados, e logo após, levantamento
bibliográfico em livros e publicações científicas para catalogação destas.
Página | 65

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Para a identificação em laboratório dos compostos ativos das amostras escolhidas, usou-se
o quadro de regentes (APÊNDICE B), e identificaram-se os grupos de princípios ativos através de
reações químicas utilizando-se as seguintes técnicas:

Tanino: O tanino foi identificado seguindo-se as técnicas propostas por Morita et al. (1972
apud DANTAS, 2002), Matos (1997 apud DANTAS, 2002) e Costa (1975c apud DANTAS, 2002),
a saber:
• Solução de cloreto férrico alcoólico: dissolveu-se 2,3 g de cloreto férrico em cerca
de 12,5 ml de água e 0,5 ml de ácido clorídrico 3 N e diluiu-se com q.s de álcool
etílico para obter 25 ml. O caso de precipitação escura de tonalidade azul indicou a
presença de taninos pirogálico e verde, a presença de taninos catéquicos.
• Cloreto de ferro aquoso: dissolveu-se 2,2 g de cloreto de ferro e 0,6 ml de ácido
clorídrico e diluiu-se em água até completar 25 ml. Em caso de produzir-se cor azul
indica a presença de tanino pirogálico e verde a presença de tanino pirocatéquico.
• Solução de cloreto de sódio: adicionou-se H2SO4 concentrado, em 24,3 ml da
solução saturada aquosa de cloreto de sódio, completando-se os 25 ml. Forma ppt
na presença de tanino.

Fenóis: Para a identificação dos fenóis utilizou-se as técnicas apresentadas por Matos
(1997 apud DANTAS, 2002) e Morita et al. (1972 apud DANTAS, 2002).
• Solução de cloreto férrico alcoólico: Dissolveu-se 2,2 g de cloreto férrico em cerca
de 12,5 ml de água e 0,5 ml de ácido clorídrico 3 N, diluindo-se com q.s de álcool
etílico para obter 25 ml. Quando apareceu a coloração variável entre o azul e o
vermelho foi indicativo da presença de fenóis, quando o teste “branco” foi
negativo.
• Reagente de Candússio: dissolveu-se 1 g de ferrocianeto de potássio em 100 ml de
água e adicionou-se amônia a 10 a 20%. Esta solução reage com vários compostos
fenólicos, formando um ppt ou coloração (utilizou-se 0,2 ml de amônia para 1 ml
de água (minimizando).

Flavonóis, flavonas, xantonas: Foi aplicado o método utilizado por Costa (1975c apud
DANTAS, 2002), no qual se usou solução de cloreto férrico (1,13 ml) a 4,5%. Composto dissolvido
em álcool até completar 25 ml, em que se forma cor variável (verde, amarela, castanha, violeta).

Alcalóides: Para a identificação de alcalóides utilizaram-se técnicas utilizadas por Morita


et al. (1972 apud DANTAS, 2002), Matos (1997 apud DANTAS, 2002) e Costa (1975c apud
DANTAS, 2002), a solução de Marquis, reagente de Mayer, solução de ácido tânico, reagente de
Bouchardat, solução de Erdmann, reagente de Dragendorff, seguindo-se o procedimento para cada
solução:
• Solução de Marquis: misturou-se o mesmo volume de formol e H2SO4 concentrado.
Formaram-se colorações características com os alcalóides.
• Reagente de Mayer: dissolveu-se 0,67 g de cloreto de mercúrio e 2,5 g de KI em
água e levou-se a 50 ml. Formou ppt branco com quase todos os alcalóides em
meio ácido.
• Solução de ácido tânico: Dissolveu-se 5 g de ácido tânico em 40 ml de água e 6 ml
de álcool. Reagiu alcalóide formando ppt branco ou amarelo.
• Reagente de Bouchardat: Dissolveu-se 1 g de KI e 0,5 g de I2 em 25 ml de água.
Reagiu com alcalóide formando ppt marrom.
Página | 66

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

• Solução de Erdmann: Adicionou-se 0,4 ml de HNO3 diluiu-se até completar 25 ml


de H2SO4 concentrado e misturou-se bem. A solução dá reação de coloração com
alcalóides.
• Reagente de Dragendorff: juntou-se 12,5 ml de água e 2,5 g de carbonato de
bismutila, adicionou-se 6 ml de ácido clorídrico e agitou-se até sua quase
dissolução; juntou-se, aos poucos a agitando sempre, 12,5 g de iodeto de potássio e,
após a dissolução, completou-se com água até obter 50 ml. Formou com alcalóide
ppt.

Albumina: para a identificação de albumina optou-se pela técnica recomendada por


Morita et al. (1972 apud DANTAS, 2002), utilizando-se os seguintes reagentes:
• Reagente de Dohmée, no qual se dissolveu 0,5 g de ácido pícrico, 0,5 g de ácido
tricloro-acético e 5 ml de ácido acético glacial em água e levou-se a 50 ml. Esta
solução apresentou precipitado quando na presença de albumina.
• Reagente de Claudius, onde se dissolveu 1 ml de ácido tricloro-acético, 2,5 g de
ácido tânico e 0,05 ml de fucsina ácida em 50 ml de água destilada. Esta solução
apresentou precipitado quando na presença de albumina.

RESULTADOS
A partir da discussão que se segue, serão demonstrados os resultados obtidos através das
entrevistas nas arcas e feiras livres (raizeiros) como também vendedores da bebida em Campina
Grande. Quanto às análises feitas no Laboratório de Farmacognosia da Universidade Estadual da
Paraíba - UEPB os resultados foram obtidos utilizando-se como universo, as amostras coletadas
compostas por 12 (doze) unidades engarrafadas da bebida Pau-do-índio para pronta comercialização
de diferentes pontos de venda.
Perfil dos vendedores de raízes e da bebida
Após serem entrevistadas 47 pessoas no parque do povo no período junino de 2006 que
vendiam a bebida de tal modo que se caracterizavam assim: 8 com tonéis metálicos, 5 com tonéis
laranja, 6 com tonéis com cores da bandeira Jamaicana, 2 com tonéis de bandeira branca, 8 com
tonéis azuis, 13 pessoas com recipientes de isopor e 9 barracas, todas estas vendedores da bebida;
também foram estrevistados 14 raizeiros na Feira Central, 5 nas Arcas, 1 na proximidade da Feira
da Liberdade, 1 na Feira da Prata, 1 na Feira do Catolé, durante o período de agosto a dezembro de
2006. Somando-se um total de 69 entrevistados entre vendedores e raizeiros, chegou-se a uma
relação das plantas citadas por nome vulgar que mais se colocam na composição adicionados a
aguardente-de-cana e o mel-de-rapadura, do qual se obtém o insumo para comercialização.
A respeito da quantidade de plantas usadas na composição de cada amostra coletada
quando perguntadas aos raizeiros e vendedores seguiu-se do seguinte perfil conforme o gráfico 1
apresentado a seguir:

até 15 plantas
9 pessoas
13%

até 10 plantas
até 5 plantas 19 pessoas
41 pessoas 28%
59%
Página | 67

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

FIGURA 1. Distribuição dos vendedores e raizeiros em relação a quantidade de


plantas utilizadas na fabricação da bebida.

Observando o gráfico 1 acima parece ser justificada por Nascimento (2006), que a maior
parte dos pesquisados trabalha em casa em serviços domésticos, sendo tratados como “do lar” e os
usuários de plantas medicinais de Campina Grande ainda apresentam um grau de instrução baixo,
sugerindo uma baixa renda, logo o não uso da totalidade dessas plantas parece se justificar por
razões econômicas.
Forma de fabricação da bebida
Segundo os raizeiros, a forma de preparo da bebida dá-se por fervura (decocção) que é,
segundo Nascimento (2006), uma preparação em que os princípios ativos das plantas são extraídos
em água potável levada à fervura sendo utilizado para raízes, caules, cascas e sementes.
Outra forma de preparo é o macerado, preparado colocando as partes das plantas
amassadas ou picada, depois de bem limpas, mergulhadas em água fria, durante 10 a 24 horas,
dependendo da parte utilizada (LORENZI, 2002).
Nestas formas de preparo foram citadas algumas receitas como, por exemplo, as descritas a
seguir para ilustrar a variação no número de plantas vendidas pelos raizeiros no fabrico da bebida:
Receita 1 (15 plantas): ameixeira, aroeira, babatenô (barbatimão), basso (bálsamo), bom-
nome, cajueiro roxo, catuaba, cumaru, favela, jenipapo, jucá, quixaba, pau-d’arco-roxo, jurubeba e
jatobá acrescentados cachaça e mel de rapadura.
Receita 2 (10 plantas): cravo-da-índia, erva-doce, aroeira, cajueiro-roxo, favela, canela,
gengibre, barbatenô (barbatimão), catuaba e quixaba acrescidos aí, cachaça e mel de rapadura.
Receita 3 (8 plantas): batata-de-purga, erva-doce, barbatenô (barbatimão), canela, cravo-
da-índia, pimenta-dalha, guaraná e anis-estrelado acrescidos de cachaça e mel de rapadura.

O uso popular e a atividade comprovada


As plantas apresentam ação terapêutica em concordância com o uso científico comprovado
pela literatura, no entanto, algumas variáveis devem ser levadas em consideração quanto ao uso
dessas plantas que, quando usadas em conjunto, seus princípios atuam sinegisticamente conforme
assevera Almeida & Dantas (2004):
Não é um princípio isolado da planta, mas o conjunto de substâncias ativas, incluso no chá,
no macerado, no lambedor ou na garrafada, que dá a cada vegetal em particular, ou
conjunto de plantas medicinais, suas atividades terapêuticas.
A pesquisa revela abaixo 26 plantas, como elas são usadas e seu perfil toxicológico de
acordo com a literatura:
AMEIXEIRA
Família: Olacaceae.
Nome científico: Ximenia americana L.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: as sementes contêm óleo, glicosídeo cianogenético e benzaldeído. (CORRÊA,
1926; BERTOTTO, 1949; MATOS, 1987 apud DANTAS,2002). A casca apresenta alcalóides,
taninos pirogálico, fenóis, flavonóides, flavona, flavonóis, xantona, albumina, antocianina,
antocianidina, chalcona, aurona, saponina, resina, amido e glicose (DANTAS,
2002). Segundo Ogunleye e Ibitoye (2003 apud DANTAS, 2005) no extrato foram encontrados
taninos, flavonóides, alcalóides, saponinas, quinonas, glicosídeos e princípios amargos.
Ações tóxicas: segundo Matos (1987b apud DANTAS, 2002) quando ingerido em dose elevada
provoca a seguinte sintomatologia: náuseas, vômitos, dores abdominais, diarréia, dificuldade de
respirar, fraqueza muscular, vertigem, entorpecimento, convulsões e morte.
ANGICO
Página | 68

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Família: Leguminosae (Mimosaceae)


Nome científico: Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: muito tanino, saponina na casca, cerca de 32%, resina, mucilagem, goma
angicose (açúcar), matérias pépticas, triterpenóides, lupenona, lupeol, fenólicos, 3,4,5-
dimethoxidalbergiona, dalbergina, kuhlmannina; nas sementes contém bufotenina, N, N-
dimetiltriptamina (alcalóides)1, 2, 3,4-tetrahido-6-metoxi-2,9-dimetil-beta-carbolino, 1, 2, 3,4-
tetrahidor-6-metoxi-2,9-dimetil-carbolino, bufotenina, catecol, leucoantocianina, leucoantocianina,
leucopelargonido, orientina, esteróide (palmitato de B-sitosterol; B-sitosterol, glicosídeo),
flavonóides, triterpenóides (lupenona lupeol), componentes fenólicos (dalbergina, 3,4,5-
dimethoxidalbegiona, kuhlmannia). Fruto e sementes: óxido bufotenina, N, N, dimetiltriptamina,
óxido N, N, dimetiltriptamina; Folhas: homoorientina, orientina; aponaretina e viterina (CORRÊA,
1926; COIMBRA, 1994; SCHVARTSMAN, 1992; DUKE, 2001; LORENZI E MATOS, 2001;
AGRA, 1996 apud DANTAS, 2002).
Ações tóxicas: as sementes são alucinógenas, provoca efeitos visuais, alucinações, incoordenações
motora, fala trêmula, euforia, distúrbios sensórios, cefaléia, insônia e inquietação
(SCHVARTSMAN, 1992 apud DANTAS, 2002).
ANIS-ESTRELADO
Família: Magnoliaceae
Nome científico: Illicium verum Hook
Parte da planta comercializada e usada: frutos, sementes.
Princípios ativos: óleo essencial (2-9%), cineol, metil-eugenol, safrol, estragol, acetato
de terpenillinalol; anetol (1,2%), trans-anetol, α-terpineol, trans-isoeugenol, limoneno (5%),
α-pineno, α-terpineno, β-felandreno, α-terpineno, aldeído anísico (0,9%), resina, glicose,
mucilagem, saponosídios, ácido benzóico, ácido químico, ácido siquímico, tanino catéquico,
óleo graxo, substâncias albuminóides, 1,4 cineol, 1,8 cineol (3,500 PPM), 1-metil-4-isopropenil-
benzeno (um PPM), ácido 4-beta-d-(glicopiranosiloxi), alo-aromadendreno (1,050 PPM), alfa-
copaeno (25-1,100 PPM), , alfa-cubebeno (200 PPM), alfa-humuleno (1-900 PPM), alfa-
muuroleno (1 PPM), alfa-felandreno (435 PPM), alfa-pineno (50-1,310 PPM), alfa-santaleno (1
PPM), alfa-terpineno, alfa-terpinol (200 PPM), beta-bisaboleno (75 PPM), beta-copaeno (500),
beta-elemeno (650 PPM), beta-felandreno (220-834 PPM), beta-pineno (1 PPM), beta-selineno (1
PPM), calameno (650 PPM), canfeno (1 PPM), carnona (1 PPM), cariofileno (85-3.600 PPM),
álcool cinâmico (1-50 PPM), cis-alfa-bergamoteno ((1-50 PPM), cis-beta-farneseno (1-40 PPM),
cis-beta-ocimeno (100 PPM), delta-3-careno (25-465 PPM), delta-cadineno (1 PPM), estragol,
fenchona (1 PPM), feniculina (275-2.550 PPM), glicosídeo flavonol (300 PPM), gama-terpineno (1-
75 PPM), canferol-3-0-calactosídeo), canferol-3-0-rutinosídeo, canferol-3-0-glicosídeo, limoneno
(5.220 PPM), linalol 250-(1400 PPM), longifoleno (1 PPM), metil-anisato (1-300 PPM), metil-
chavicol (280-6.500 PPM), mirceno (40-200 PPM), nerolidol (50 PPM), P-anisaldeindo (190-850
PPM), P-cimeno (1-100 PPM), P-metoxi-fenil-propano-2-one (50 PPM), P-metoxi-propano-2-one
(75-100), quercetina-3-0-galactosídeo, quercetina-3-0-glicosídeo, quercetina-3-0-rutinosídeo,
quercetina-3-0-xilosídeo, quercetina-3-0-rhamnososídeo, sabineno (20 PPM), safrol, terpineno-4-ol
(100 PPM), terpinoleno (5-435 PPM), trans-alfa-bergamoteno (1-160 ppm), trans-beta-farneseno,
trans-metil-isoeugenol (60 PPM) (BERTOTTO, 1949; CORRÊA; COSTA, 1975a; ALONSO,
1984; SANGUINETTI, 1996; ALONSO, 1998; DUKE, 2001 apud DANTAS, 2002).
Ações tóxicas: Devido ao alto teor de anetol, em altas doses pode gerar efeito estupefaciente sobre
o SNC, iniciada por uma hiperexcitabilidade cerebral, com delírio e convulsão. Não é recomendado
para gestante, lactante, criança, carcinoma ou patologia estrógeno-dependente (ALONSO, 1998). A
planta possui beta-bisaboleno em sua composição química, principio abortivo.
AROEIRA
Família: Anacardiaceae.
Página | 69

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Nome científico: Myracrodruom urundeuva Allemão


Parte da planta comercializada e usada: casca, entrecasca.
Princípios ativos: diversos compostos fenólicos dentre eles taninos dos tipos catéquico e
pirogálico, chalconas diméricas e outros flavonóides biologicamente ativos (LORENZI &
MATOS, 2002).
Ações tóxicas: Planta tóxica, abortiva, contra indicado para mulheres grávidas e menstruadas
(SANGUINETTI, 1989 apud DANTAS, 2002).
BARBATIMÃO (Babatenô)
Família: Leguminosae (Mimosaceae)
Nome científico: Pithecellobium avaremotemo Mart.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: planta rica em tanino (cerca de 50%, na casca seca), resinas, mucilagens e
substâncias corantes.
Ações tóxicas: Suas vagens são tóxicas por seu alto conteúdo de saponinas. O uso interno, em
grande quantidade, pode levar os taninos a reagirem com as enzimas digestivas, inativando-as,
dificultando a digestão (FIGUEREDO, 2005).
BÁLSAMO (Basso, baspo)
Família: Leguminosae (Caesalpinaceae)
Nome científico: Myroxylon peruiferum L. f.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: óleo volátil (50-64%) que contém como ingredientes ativos, ésteres do ácido
benzóico e ciânicobenzoato de benzila (cinameína), pequenas quantidades de nerolidol e ácidos
benzóico e ciânico livres , ácido cinamômico, ácido oleanóico, eugenol, cinamato, vanilina,
cumarina e estireno. Bálsamo, proteína, alcalóide, glicosídeo, triterpeno e matéria resinosa (20-
28%) (CÉSAR, (1956); ALMEIDA (1993); COIMBRA (1994) apud DANTAS, 2002; LORENZI,
2002; ALONSO, 1998).
Ações tóxicas: A planta possui princípio ativo que possui ação abortiva, portanto não deve-se usar
essa planta no período de gestação (DANTAS, 2002)
BATATA-DE-PURGA
Família: Convolvulaceae
Nome científico: Operculina alata (Ham) Urban.
Parte da planta comercializada e usada: raiz moída em forma de pó.
Princípios ativos: Apesar de constar de muitas Farmacopéias, seu estudo fitoquímico ainda
está incompleto. Contém, como principais componentes, a fécula e 12% de resina que é formada
pela mistura complexa de substâncias de natureza glicosídica polimérica (LORENZI & MATOS,
2002).
Ações tóxicas: inflamação dos intestinos, devido à ação irritativa na mucosa intestinal
(FIGUEREDO, 2005).
BOM-NOME
Família: Celastraceae.
Nome científico: Maytenus rigida Mart.
Parte da planta comercializada e usada: casca do caule.
Princípios ativos: maiteinina, alcalóide sesquiterpeno, triterpenóide, 11-hidroxi20-(29)-lupeno-3-
ona, 20 (29) -lupeno-3, 11-diol (ALMEIDA, 1993; AGRA, 1996 apud DANTAS, 2002), tanino
pirogálico, fenóis, flavonóis, flavona, xantona, chacona, aurona, saponina, alcalóide, albumina e
glicose (DANTAS, 2002).
Ações tóxicas: não deve ser usada durante a gravidez e amamentação.
CAJUEIRO-ROXO
Família: Anacardiaceae.
Nome científico: Anacardium occidentale L.
Página | 70

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Parte da planta comercializada e usada: entrecasca.


Princípios ativos: taninos, goma-resina (acajucica), substâncias aromáticas (cardol, anacardol e
ácido anacárdico), flavonóides (L-epicartequina), carotenos, vitamina C (FIGUEREDO, 2005).
Ações tóxicas: contra-indicado a mulheres grávidas e pessoas com história de hipersensibilidade à
planta. O óleo da casca da castanha é cáustico e corrosivo, provocando lesões na pele, que em
grandes extensões pode causar febre (FIGUEREDO, 2005)
CANELA
Família: Lauraceae.
Nome científico: Cinnamomum zeylanicum Breyn.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: óleo essencial (0,5-5%) com aldeído de canela, contendo: fenilpropanóides,
cinnamaldeidoseus estudos fitoquímicos registram como principal componente até 4% de óleo
essencial rico em cinamaldeído, acompanhado de ácido cinâmico, eugenol e linalol, além
de mucilagem, tanino, diterpenos especiais de atividade inseticida, proantocianinas e açúcares
(sacarose, frutose e manitol) que lhe conferem sabor adocicado (LORENZI & MATOS, 2002).
Ações tóxicas: Não se recomenda o uso da canela para grávidas, pois em quantidade excessiva
irritam a mucosa e podem provocar gastrenterites, hematúrias e até aborto (COSTA, 1975 apud
DANTAS, 2002).
CATUABA Família: Bignoniaceae.
Nome científico: Anemopaegma arvense (Vell.) Stellf.
Parte da planta comercializada e usada: casca do caule.
Princípios ativos: substâncias amargas e aromáticas, resinas, lipídios e taninos (LORENZI &
MATOS, 2002).
Ações tóxicas: em doses elevadas provocam midrias e por causa da atividade muscarínica,
taquicardia, e estimulação adrenérgica, contra indicado para crianças e gestantes
(LORENZI & MATOS, 2002).
CRAVO-DA-ÍNDIA
Família: Myrtaceae.
Nome científico: Syzigium aromaticum (L) Merril et Perry.
Parte da planta comercializada e usada: flores (botões florais secos).
Princípios ativos: os estudos fitoquímicos do cravo registram como principal componente a
presença de até 90% de óleo essencial, composto que quase totalmente de eugenol acompanhado
por cerca de 60 componentes em pequena concentração, mucilagem, ceras, gomas, resinas,
flavonóides, triterpenóides livres e glicosilados, do ácido gálico e de eugeniina, um tanino elágico
(LORENZI & MATOS, 2002).
Interações tóxicas: Pode provocar irritação gástrica e queimadura de mucosas; o óleo apresenta
efeitos neurotóxico e irritante da mucosa (ALONSO, 1998).
CUMARU
Família: Leguminosae.
Nome científico: Amburana cearensis (Fr. All.) A. Smith.
Parte da planta comercializada e usada: casca
Princípios ativos: As sementes fornecem cerca de 23% de um óleo fixo constituído principalmente
de glicerídeo dos ácidos: palmítico (18,6%), linoléico (7,1%), oléico (53,1%), esteárico (8,0%) e
4% de cumarina com um pouco de 6-hidroxicumarina. Contém também uma proteína capaz de
inativar a tripisina e o fator de coagulação XII. Nas cascas foram encontrados, cumarina,
isocampferídio e traços de outros flavonóides, enquanto na madeira foram determinados a
cumarina, 3,4-dimetoxicinamato de metila, ácido vanílico, afrormosina, 8-0metilretusina, 2,4-
metilenocicloartenol e beta-sistoterol (LORENZI & MATOS, 2002).
Ações tóxicas: Muitas leguminosas apresentam derivados da cumarina que são tóxicos. Quando
usados em grandes doses, paralisam o coração e deprimem o centro respiratório. Quando as cascas
Página | 71

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

do cumaru estão mofadas, o fungo pode transformar a cumarina em dicumarol, que é muito tóxico.
Devido a presença do dicumarol, que impede a coagulação, deve-se evitar o uso em pessoas com
antecedentes hemorrágicos e o uso concomitante com outros medicamentos. Melhor não ser
administrado em pessoas com problemas cardíacos (FIGUEREDO, 2005).
ERVA-DOCE
Família: Umbelliferae.
Nome científico: Pimpinella anisum L.
Parte da planta comercializada e usada: frutos, sementes.
Princípios ativos: sua análise fitoquímica encontrou como principal constituinte 2 a 6% de óleo
essencial com 90% de anetol, substância responsável pelo seu sabor e odor característicos de
anis. Contém ainda pequenas quantidades de alcoóis, cetonas e hidrocarbonetos terpênicos. Foram
identificados entre os extrativos fixos, 30% de óleo fixo, proteínas, carboidratos, glicosídios, ácidos
málico, cafeico e clorogênico, cumarinas, flavonóides e esteróides, além de considerável quantidade
de acetilcolina e de seu precursor, a colina (LORENZI & MATOS, 2002).
Ações tóxicas: doses elevadas são responsáveis por tremores, e eventualmente convulsões; não é
recomendado para grávidas. A planta possui bisaboleno, principio abortivo. (ALMEIDA &
DANTAS, 2004).
FAVELA
Família: Euphorbiaceae.
Nome científico: Cnidosculus phyllacanthus (Mart.) Pax. E Hoffmann.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: A casca contém alcalóide, albumina, fenóis, flavonóides, flavonas, flavonóis,
xantonas e saponinas (DANTAS, 2002). Presença dos aminoácidos: cisteína, serina, glicina, ácido
aspártico, ácido glutâmico, leucina, arginina, aspargina, valina, triptofano e glutamina, de
triterpenóides tipo tetracíclico-ciclopropano (favelanona) e tricíclico benzocicloheptenos (metil-
ester-favelina, deoxofavelina e favelina (LORENZI & MATOS, 2002).
Ações tóxicas: o pêlo em contato com a pele determina lesões irritativas da pele ou mucosas.
(SCHVARTSMAN, 1992 apud DANTAS, 2002). Um estudo clínico com as substâncias isoladas
desta planta: deoxofavelina, favelina, metil-ester-favelina e favelanona, revelou possuírem
atividades citotóxicas (LORENZI & MATOS, 2002).
GENGIBRE
Família: Zingiberaceae.
Nome científico: Zingiber officinalis Roscoe
Parte da planta comercializada e usada: caule (rizoma).
Princípios ativos: presença de 1 a 2,5% de óleo volátil, em cuja composição são encontrados
citral, cineol, borneol e os sesquiterpenos zingibereno e bisaboleno, além de um óleo-resina
rico em gingeróis – substâncias que são responsáveis pelo sabor forte e picante. O óleo essencial
responde pelo aroma. Outros constituintes citados são açúcares, proteínas, vitaminas do complexo B
e vitamina C. (LORENZI & MATOS, 2002).
Ações tóxicas: o uso externo deve ser acompanhado, para evitar possíveis queimaduras, contra-
indicado para portadores, de cálculos biliares, de úlceras estomacais e pacientes hipertensos, planta
abortiva, embriotóxica (DANTAS, 2002). A planta possui bisaboleno, principio abortivo.
(ALMEIDA & DANTAS, 2004).
GUARANÁ
Família: Sapindaceae
Nome científico: Paulina cupana Kunth
Parte da planta comercializada e usada: semente, pó.
Princípios ativos: presença de pequena quantidade de um óleo formado de constituintes voláteis
e fixos, 30% de amido, 15% de proteína, 12% de taninos e até 5% de cafeína
Página | 72

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

acompanhada de pequenas quantidades de teofilina, além de resina, ácido málico, saponinas,


catequina, epicatequina e alantoína (LORENZI & MATOS, 2002).
Ações tóxicas: o guaraná tem em sua composição guaranina e cafeína. Possui ação tônica que
age sobre a circulação, promovendo uma vasodilatação sobre a musculatura vascular e estimulando
os processos químicos associados ao sistema nervoso central. Os efeitos do consumo de cafeína
durante a gravidez é controversial. Alguns estudos sugerem que o consumo moderado da cafeína
(menos de duas xícaras de café diário) pode ser levemente perigoso para o embrião ou feto, mas
outros estudos não. Existe evidencia de que o consumo de maiores quantidades de cafeína
diariamente durante a gravidez pode aumentar o risco de aborto espontâneo, o parto prematuro e o
baixo peso ao nascer. Alguns estudos têm encontrado que as mulheres grávidas que consumiram
grandes quantidades de cafeína (5 ou mais xícaras de café a diário) tiveram um risco dobrado de
terem um aborto espontâneo que aquelas que consumiram menos quantidades. (ALMEIDA &
DANTAS, 2004).
HORTELÃ-DA-FOLHA-MIÚDA
Família: Lamiaceae (Labiatae)
Nome científico: Mentha crispa L.
Parte da planta comercializada e usada: folha.
Princípios ativos: óleo essencial (mono terpeno, sesquiterpenos), 1,2 – epoxipulegona. Óxido
de piperitenona, rotundiflolona, carvona, álcoois: L-mentol, linalol, cineol; cetona, mentona,
R-carvona e reduzidas quantidades de mentonona, pipertitona, jasmona; ésteres acéticos e
isovalérico de mentona; flavonóides, ácido rosmarínico, luteolina, duas flavonas e uma flavona
glicosilada (estruturas sendo investigada); ácido tânico e resina (DINIZ et al., 1998 apud DANTAS,
2005).
Ações tóxicas: Não usar nos primeiros três meses de gravidez (DINIZ et all, 1998 apud DANTAS,
2005).
JATOBÁ
Família: Caesalpinaceae (Leguminosae)
Nome científico: Hymenaea courbaril L.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: óleos essenciais, estéres do ácido benzóico, cinâmico, catequina, tanino,
resina, ácidos brasilocopálico, brasiliocopaloreseno, substâncias amargas, matérias resinosas,
matérias pécticas, amido, açúcares, β-cariofileno, β-gauieno, α-gauieno, α-copaeno, α-cubebeno e
β-elemeno (CRAVEIRO et all, 1981; CRAVO, 1984; VIEIRA, 1992; COIMBRA, 1994;
PANIZZA, 1987 apud DANTAS, 2002).
Ações tóxicas: o jatobá possui em sua composição química catequina, princípio alérgico.
(DANTAS, 2002).
JENIPAPO
Família: Rubiaceae
Nome científico: Genipa americana Linn
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: na composição química dos frutos destacam-se o manitol, iridóide
“genipina”, ácido geniposídico com atividade antitumoral, um glucosídio da genipina
e dois outros compostos dessa mesma classe – ácido genípico e genipínico. (LORENZI &
MATOS, 2002).
Ações tóxicas: além de conter princípios alérgicos o jenipapo possui em sua composição química
substância abortiva (ginesteína) (DANTAS, 2002).
JUCÁ
Família: Caesalpinaceae
Nome científico: Caesalpinia ferrea Benth
Parte da planta comercializada e usada: fruto, semente.
Página | 73

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Princípios ativos: taninos, ácido gálico, ácido elágico e sistoterol (FIGUEREDO, 2005).
Ações tóxicas: pela presença de gálico, altas dosagens podem tornar-se nefrotóxica (DANTAS,
2002).
JURUBEBA
Família: Solanaceae
Nome científico: Solanum panniculatum L.
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípio ativos: suas raízes contém a saponina,jurubina e alcalóides, como as paniculina A
e B. As folhas e frutos contém solanina. Também tem resinas (FIGUEREDO, 2005).
Ações tóxicas: os alcalóides e esteróides podem causar toxicidade. Com a solasodina foi
documentado que reduz o número de esperma e ter um efeito de antifertilidade em animais
masculinos. Esta planta foi documentada por ter atividade hipotensiva moderada como também uma
ação estimulante no coração. Esses como desordens cardiovasculares, hipotensão, portanto, deve-se
ter cuidado quando usado com medicamentos cardiovascular, nessa situação recomenda-se usar esta
planta sob a orientação médica (TESKE & TRENTINI, 1995 apud DANTAS, 2002).
PAU-D’ARCO ROXO
Família: Bignoniaceae
Nome científico: Tabebuia avellanedae Lor
Parte da planta comercializada e usada: casca.
Princípios ativos: Rico em naftoquinonas, como o lapchol e a lapachona e derivados. (LORENZI
& MATOS, 2002).
Interações tóxicas: O lapachol, em contato com a pele, pode provocar dermatose alérgica. Para β-
lapachona, observou-se efeito tóxico com uma DL50 de 80 mg/Kg em ratos, via i.p. Em ratas
prenhes, na dose de 100 mg/Kg, houve uma potente ação abortiva bem como um efeito
teratogênico. Não usar em gestantes e casos de hipersensibilidade. Em doses elevadas pode causar
problemas gastrintestinais, anemia e aumento do tempo de coagulação (FIGUEREDO, 2005)
PEGA-PINTO
Família: Nyctaginaceae
Nome científico: Boerhaavia diffusa L.
Parte da planta comercializada e usada: raiz.
Princípios ativos: saponinas, bioflavonóides, resinas, sais minerais, alanina, boerhavina,
punarnavina, ácido resínico, ácido aráquico, ácido aspártico, ácido behenico, ácido boerhávico,
ácido esteárico, ácido glutâmico, ácido heptadeciclico, ácido oléico, ácido oxálico, ácido
palmítico, ácido resinoso, ácido ursólico, boeravinoa A, borhavina, borhavona, campesterol,
daucosterol, ecdisona, entriacontana, estigmasterol, flavona, galactose, histidina, hipoxantina,
amido, glicina, liriodendrina, sacarina, serina, sitosteróis, siringaresinol, gordura, substância
péptica, prolina, sais inorgânicos, oxalato de cálcio, nitrato de potássio, carboidrato, treonina, valina
e substâncias pécticas (CORRÊA, 1969; CONCEIÇÃO, 1980; SANGUINETTI, 1989; COIMBRA,
1997; ALBUQUERQUE, 2001 apud DANTAS, 2002).
Ações tóxicas: planta abortofaciente (DANTAS, 2002).
PIMENTA-DALHA
Família: Piperaceae
Nome científico: Piper tuberculatum Jacq.
Parte da planta comercializada e usada: frutos.
Princípios ativos: piplartina, piperina, pellitorine (N - isobutil - 2E - decadienamide), piperidide -
2E e 4E - decadienamide (CHAVES et al., 2000 apud ALMEIDA & DANTAS, 2002).
Ações tóxicas: a planta possui princípio com atividade abortofaciente (DANTAS, 2002).
QUIXABEIRA
Família: Sapotaceae
Nome científico: Bumelia sartorum Mart.
Página | 74

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Parte da planta comercializada e usada: cascas do caule.


Princípios ativos: tanino, saponina, ácido básico, ácido triterpênico, óleo, essência, taraxerona,
taraxerol, alfa-espinasterol, eritrodiol e ácido 2, 3, 23- trihidosxi-olea-5 – dieno – 28 –oico ou
ácido bássicol (CÉSAR, 1956; ALMEIDA, 1993 apud ALMEIDA & DANTAS, 2004).
Ações tóxicas: Mulheres grávidas não devem fazer uso desta planta, pode provocar aborto
(ALMEIDA & DANTAS, 2004).
As plantas pesquisadas são um grupo diversificado, representado a seguir em 20 famílias e
26 espécies com seus respectivos nomes vulgares como mostra a tabela 1 a seguir:

TABELA 1. Famílias com respectivas espécies, nome vulgar e percentual que compõem a bebida
“Pau-do-índio”

Família Nome científico Nome vulgar %


Myracrodruom urundeuva Allemão, aroeira
Anacardiaceae 8%
Anacardium occidentale L cajueiro-roxo
Anemopaegma arvense (Vell.) Stellf., catuaba
Bignoniaceae 8%
Tabebuia avellanedae Lor pau-d’arco-roxo
Hymenaea courbaril L, jatobá
Caesalpinaceae 8%
Caesalpinia ferrea Benth jucá
Celastraceae Maytenus rigida Mart bom-nome 4%
Convolvulaceae Operculina alata (Ham) Urban batata-de-purga 4%
Cnidosculus phyllacanthus (Mart.) Pax. E
Euphorbiaceae favela 4%
Hoffmann
Lamiaceae Mentha crispa L. hortelã-da-folha-miúda 4%
Lauraceae Cinnamomum zeylanicum Breyn canela 4%
Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan, angico
Pithecellobium avaremotemo Mart, babatenô
Leguminosae Myroxylon peruiferum L. f., basso 15%
Amburana cearensis (Fr. All.) A. Smith cumaru
Magnoliaceae Illicium verum Hook anis-estrelado 4%
Myrtaceae Syzigium aromaticum (L) Merril et Perry cravo-da-índia 4%
Nyctaginaceae Boerhaavia diffusa L. pega-pinto 4%
Olacaceae Ximenia americana L ameixeira 4%
Piperaceae Piper tuberculatum Jacq. pimenta-dalha 4%
Ruabiaceae Genipa americana Linn jenipapo 4%
Sapindaceae Paulina cupana Kunth guaraná 4%
Sapotaceae Bumelia sartorum Mart quixabeira 4%
Solanaceae Solanum panniculatum L. jurubeba 4%
Umbeliferae Pimpinella anisum L. erva-doce 4%
Zingiberaceae Zingiber officinalis Roscoe gengibre 4%

De acordo com a tabela 1, a família que apresenta maior freqüência é a família das
leguminosas com quatro espécies (15%), as famílias das anacardiáceas, bignoniáceas e
cesalpináceas com 2 espécies cada (8%) e, representadas com 1 espécie cada (4%), as famílias das
celastráceas, convolvuláceas, euforbiácea, lamiáceas, lauráceas, magnoliáceas, mirtáceas,
nictagináceas, olacáceas, piperáceas, rubiáceas, sapindáceas, sapotáceas, solanáceas, umbelíferas e
zingiberáceas.
Página | 75

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Estas são as plantas utilizadas na referida bebida na cidade de Campina Grande


acrescentando-se mel de rapadura e aguardente de cana. Também foi relatado entre os raizeiros que
boa parte destes buscam algumas espécies que só tem no Ceará o provavelmente se justifica
segundo Brito (1999):
A transmissão oral dos conhecimentos sobre o uso das plantas pelas sociedades
humanas é praticada há gerações. Porém, o processo de aculturação, onde as novas
gerações buscam os meios modernos de comunicação, causa a perda desta tão valiosa
transmissão oral. Outro fator que se soma a esta perda é a destruição do habitat natural
em que estão inseridas estas sociedades somado à perda cultural durante as gerações que
é o principal fator para o uso indiscriminado de boa parcela de plantas nos insumos
vendidos.

No quadro 1 observa-se o resultado da análise das doze amostras colhidas para verificação
da existência dos princípios ativos anteriormente descritos.
Página | 76 Página | 76

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

QUADRO 1. Resultado da análise das doze amostras colhidas para verificação da existência dos princípios ativos
tanino Formação A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12
ppt escura de +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3
tonalidade azul indicou 1a observação
v v v v v v v v v v v v
Solução Cl Fe3 a presença de taninos
(alcoólico) pirogálico e verde, a ppt +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3
presença de taninos 0 2a observação
v v v v v v v v v v v
catéquicos.
+3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3
Produziu-se cor azul 1a observação
Cloreto de Fe em tanino pirogálico e v v v v v v v v v v v v
(aquoso) verde em tanino +3 +3 + 3
+ 3
+ 3
+3 +3 +3 +3 +3 +3
pirocatéquicos 2a observação
0 v v v v v v v v v v v
+3 + + + 3
+ 2
+ 3
+2 +3 +3 +3 +3 +
1a observação
Solução NaCl + H2 ppt c c ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt c
Forma ppt
SO4 + + +3 +2 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +
0 2a observação
ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt
fenóis Formação A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12
A coloração variável +3
+ + + +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +
entre o azul e o v 1a observação
Cloreto férrico vermelho foi indicativo v v v v v v v v v v v
ac
alcoólico da presença de fenóis, +3
+3 + +3 +3 +3 +3 +3 +3 +
quando “branco” foi 0 v 0 2a observação
negativo. v v v v v v v v v
+3 ppt + 2
+
formando um ppt ou 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1a observação
Reagente de ppt ppt ppt
Candússio coloração + + + +2 +2 +2 +2 +2 +2 + +
0 av av ppt 2a observação
ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt
ppt ppt
Página | 77 Página | 77

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Cont. QUADRO 1. Resultado da análise das doze amostras colhidas para verificação da existência dos princípios ativos
flavonóis,
Formação A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12
flavonas, xantona
+3 +2 +3 +3 +3
+3 +3 +3 +3 +3 +3 +3
v v v v v 1a observação
forma cor variável v v v v v v v
Sol. cloreto férrico ppt c ac ac ac
(verde, amarela,
4,5% +3 +3 +3
castanha, violeta). +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3
v v v 0 2a observação
ppt v v v v v v v
ac ac ac
alcalóides Formação A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12
3
2 3 3 3 + 3 +3 + +3
Formaram-se + + + + + +3 +3
c av av av 0 1a observação
colorações av av c av av c av c
av c c
Sol. de Marquis características com os
alcalóides. +3 +3 +3
+3 +3 +3 +3 +3 +3 +3 +3
c av av 0 2a observação
av av c av av av av c
av c ppt
+2
+3 + +2 +3
Formou ppt branco 0 0 0 0 0 0 ppt 0 1a observação
ppt ppt ppt ppt
Reagente de com quase todos os b
Mayer alcalóides em meio +2 + + 3 + 2 + +2 +
+ + + +3
ácido ppt ppt ppt ppt ppt 0 ppt ppt 2a observação
ppt ppt ppt ppt
b b b b b b b
2 +2
+ + +
0 0 0 0 0 0 ppt 0 0 1a observação
Reagiu alcalóide ppt ppt ppt
Solução de ác. b
formando ppt branco
tânico ou amarelo. + + + 2 +2 +2 + +
2 + + +
+ ppt ppt ppt ppt 0 ppt ppt ppt 2a observação
ppt ppt ppt
b b b b b b b
Página | 78 Página | 78

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Cont. QUADRO 1. Resultado da análise das doze amostras colhidas para verificação da existência dos princípios ativos
+3 +2
+3 + +2 +2 + +3
0 0 ppt 0 ppt 0 1a observação
m ppt ppt ppt ppt m
m m
Reagente de Reagiu com alcalóide
+
Bouchardat formando ppt marrom. +2 +3 +3 + +2
+2 +3 +3 ppt +3 +3
ppt ppt ppt 0 ppt ppt 2a observação
ppt m m ppt m
m m m m
c
3 3
+ +
- +2
+3 +3 +3 +2 +3 av av +3 +3
ppt ppt 0 1a observação
av c av av ppt c c av c
A solução dá reação b av
Reagente de ppt ppt
de coloração com
Erdmann 3 3 2 +3
alcalóides + + + +3
+3 +3 +3 av +3 +3
av av av ppt 0 av 2a observação
av c ppt c ppt c
ppt ppt av ppt
ppt
+ + +3 + +2 +3
0 0 0 0 0 0 1a observação
ppt ppt ppt ppt ppt ppt
Formou com alcalóide
Dragendorff 3 2 3 3 3 3 +3
ppt + + + + + + + +2 +
+3 0 ppt 2a observação
ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt ppt
m
Página | 79 Página | 79

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

Cont. QUADRO 1. Resultado da análise das doze amostras colhidas para verificação da existência dos princípios ativos
albumina Formação A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 A11 A12
2
+
+ +
0 0 0 0 0 0 ppt 0 0 0 1a observação
c ppt
Reag. de Dohmée Ppt
+ +2 +2 +2 +2
+ + + + + +
0 ppt ppt ppt ppt ppt 2a observação
ppt ppt c ppt ppt ppt
b b b b

+ +2 + + +2
0 0 0 0 0 0 0 1a observação
ppt ppt ppt ppt ppt
Reag.de Claudius Ppt
+2 + +2 +2
+ + +2 +2 +2 +
0 ppt 0 ppt ppt ppt 2a observação
ppt ppt ppt ppt ppt ppt
m m b

LEGENDA
A1...A2... amostra e escuro
av vermelhado ac acastanhado
b branco 0 não observada reação
m marrom +3 forte
ppt precipitado +2 médio
c claro + fraco
v verde ppt precipitado
Página | 79

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

De acordo com o quadro 1, traçou-se o perfil das amostras quanto à presença dos
princípios ativos contidos na tabela 2:
TABELA 2. Perfil das amostras quanto à presença dos princípios ativos

forte médio fraco

tanino 77,77% 2,77% 19,44%


fenóis 33,33% 25% 41,66%
flavonóis, flavona,
91,66% 0% 8,33%
xantona
alcalóides 48,58% 18,03% 33,37%
albumina 0% 41,66% 58,33%

Ao se analisar a tabela 2, percebe-se que a quantidade destes princípios está presente


mesmo que quanto à presença, dependam, segundo Figueredo (2005): das condições
climáticas e época do ano em que são colhidas, partes da planta, solo e tratos culturais,
variedade da planta e solubilidade do princípio ativo.
A atuação dos princípios ativos pode ser deletéria ou tóxica. Segundo Dantas (2005),
a planta em estado natural possui determinadas ações que os princípios ativos isolados não
possuem, nem agem sobre o organismo com a mesma intensidade. O dinamismo e a interação
cósmica dos fluidos, ligados aos princípios ativos da planta, atuam sobre o organismo.
Sendo assim, com base no relatório intitulado “Avaliação das plantas existentes na
bebida “Pau-do-índio” no “Maior São João do Mundo” em Campina Grande-PB” feito pelo
professor e pesquisador Ivan Coelho Dantas e a técnica da Vigilância Sanitária Íris de
Almeida, que teve então como objetivo avaliar as reclamações existentes no posto de saúde
móvel localizado no Parque do Povo decorrente no “Maior São João do Mundo”, devido
várias pessoas terem sido atendidas, provenientes da ingestão da bebida com sintomas
alucinógenos, abortivos, taquicardia, pressão alta e mal estar. Os sintomas gerais segundo os
relatos nas reclamações e as plantas que tem seus princípios ativos relacionados a estes
anteriormente descritos como deletérios ao organismo ao serem ingeridos, serão mais bem
expostos na tabela 3 que se segue:
TABELA 3. Sintomas gerais e percentuais de plantas quanto aos princípios ativos
relacionados aos efeitos deletérios ao organismo
Plantas relacionadas com os princípios
Sintomas gerais Percentual
ativos que causam tais sintomas
Alucinógenos ou outros angico, anis-estrelado, ameixeira, cravo-
sintomas relacionados ao da-índia, cumarú, erva-doce, guaraná 26,92%
SNC

anis-estrelado, aroeira, bálsamo, canela,


Abortivos ou outros bom-nome, cajueiro-roxo, catuaba, erva-
sintomas relacionados ao doce, gengibre, guaraná, hortelã-da-folha- 61,53%
uso pelas gestantes miúda, jenipapo, pau-d'arco-roxo, pega-
pinto, pimenta-dalha, quixabeira

Relacionados ao coração
como taquicardia, pressão catuaba, cumarú, gengibre, guaraná,
19,23%
alta e hipotensão jurubeba
Página | 80

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

ameixeira, angico, barbatimão, batata-de-


Mal-estar (irritação da
purga, bom-nome, cajueiro-roxo, canela,
mucosa, alergias e outros 53,84%
cravo-da-índia, favela, gengibre, jatobá,
efeitos tóxicos)
jucá, jurubeba, pau-d'arco-roxo

Ao se analisar a tabela 3, percebe-se que há uma provável consonância entre os


efeitos deletérios citados no relatório anteriormente citado (alucinógenos, abortivos,
taquicardia, pressão alta e mal estar) em relação às plantas usadas na pesquisa. O grau de
intoxicação também dependerá da idade, peso, sexo, estado nutricional e da sensibilidade a
determinado princípio tóxico. Em relação ao vegetal, os quesitos relevantes são: fase
vegetativa (brotação, floração ou frutificação), tipo de solo no qual é cultivada, idade da
planta, estado de amadurecimento dos órgãos, estado de hidratação do vegetal, clima, luz,
temperatura, estímulos externos (herbivoria), entre outros (VAZ, 1982; AFONSO & POTT,
2002; OLIVEIRA et al., 2003).
Ao consultar a literatura verifica-se que há uma relação direta dos princípios ativos
identificados com a sintomatologia das pessoas quanto à sua ingestão.
O presente trabalho não pretendeu ser um manual de orientação de plantas tóxicas,
mas ilustrou a sua importância e apontou alguns de seus riscos para esclarecer porque devem
ser evitadas no seu uso indiscriminado e leigo.
Evidenciou-se que a pesquisa além de promover benefícios à formação acadêmica,
com a aproximação do cotidiano acadêmico ao campo real, onde a teoria pode exercer a
prática na construção de novas perspectivas de ação, a sociedade beneficia-se em resultados
uma vez que o retorno de informações reveste-se de propósitos elucidativos e educativos junto
à comunidade.
CONCLUSÃO
Com a análise dos possíveis feitos tóxicos das plantas que compõem o “Pau-do-
índio”, conclui-se que:
• Existem entre os raizeiros e vendedores na cidade de Campina Grande 26 ervas que
compõem a bebida juntamente com cachaça e mel-de-rapadura;
• A forma utilizada para fabrico da bebida é o decocto e a maceração;
• A família mais representada nas plantas usadas é a Leguminosae;
• Entre as plantas estudadas existem princípios ativos que causam toxicidade, entrando
em consonância, segundo a literatura especializada.
SUGESTÕES
• Sugere-se uma análise laboratorial da existência de outros componentes (há relatos de
substâncias psicotrópicas presentes e entopercentes);
• Sendo assim, cabe aos órgãos competentes dar continuidade à fiscalização e análise do
produto “Pau-do-índio”, porque se verificou que todas as amostras coletadas do
produto não têm rótulo de registro e inspeção sanitária.

REFERÊNCIAS

AFONSO, E. & POTT, A.. Plantas no Pantanal tóxicas para bovinos. EMBRAPA. Campo Grande,
2002.

ALMEIDA, I.; DANTAS, I. C. Avaliação das plantas existentes na bebida “Pau-do-índio” no


“Maior São João do Mundo” em Campina Grande-PB. Campina Grande, 2004.

ALONSO, J. R. Tratado de fitomedicina: bases clínicas y farmacológicas. Buenos Aires: Isis, 1998.
Página | 81

ISSN 1983-4209 – Numero 02 – Volume2 – 2008.2

BRITO, A.R.M. & BRITO, A.A.S. Medicinal plant research in Brazil: data from regional and national
meetings. Pp. 386-401. In: BALICK, M.J.; ELISABETSKY, E. & LAIRD, S.A. Medicinal Resources
of the tropical forest - biodiversity and its importance to human health. Columbia University Press,
New York. 1999.

BULFINCH, Thomas. O Livro de Ouro da Mitologia – História de Deuses e Heróis. 12ª ed. Rio de
Janeiro. Ediouro, 2000.

COSTA, A. F. Farmacognosia. 3. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, vol. I, 1975c.

CRAVEIRO, A. A. et al. Óleos essenciais de plantas do Nordeste. Fortaleza: ed. UFC, 1981. 209p.

DANTAS, I. C. O Raizeiro. Disponível no site: < http://www.oraizeiro.ubbi.com.br/> Acesso em: 20


de abril de 2005.

______.O Raizeiro e suas raízes: um novo olhar sobre o saber popular. 124 f. Dissertação (mestrado
interdisciplinar em saúde coletiva) – Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2002.

FIGUEREDO. Climério Avelino de. Apostila de Fitoterapia. Universidade Federal da Paraíba, Centro
de Ciências da Saúde, Departamento de Ciências Farmacêuticas, Núcleo de Estudos e Pesquisas
Homeopáticas e Fitoterápicas. João Pessoa, 2005.

IBGE – Cidades. Campina Grande - PB. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br> acesso em


01.12.2006

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas. 1 ed. Nova
Odessa: Editora Plantarum, 2002. 512 p.

MATOS, F. J. A. Plantas da medicina popular do Nordeste: propriedades atribuídas e confirmadas.


Fortaleza. UFC edições, 2001.

NASCIMENTO, R. N. Plantas medicinais pouco comercializadas pelos raizeiros e utilizadas pela


população de Campina Grande – PB. 54 f. Monografia. (Trabalho Acadêmico Orientado – TAO) –
Universidade Estadual da Paraíba, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, 2006.

OLIVEIRA, R. B.; GODOY, S. A. P. & COSTA, F. B. Plantas tóxicas: conhecimento e prevenção de


acidentes. Editora Holos. Ribeirão Preto – SP. 64p. 2003.

PRIM, M.B.S. Breve História das Ervas. 2001. Disponível em:


<http://web.matrix.com.br/mariabene/breve_historia_das_ervas.htm>. Acesso em 17/05/2006.

ROCHA, H. L. S. Dados geográficos de Campina Grande. disponível em:


<http://www.helderdarocha.com.br/paraiba/campina/geografia.html> Acesso em: 11. Jun. 2006

VAZ, D. P. A perigosa beleza das plantas tóxicas. Revista Geográfica Universal. Setembro de 1982.
Bloch Editores. 1982. Número 94; 64-73.