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4 METODOLOGIA
O modelamento das tendências deposicionais é feito através de perfis geofísicos que apresentam
diversas técnicas, tanto interpretativas quanto numéricas. Este processo descreve detalhadamente cada fase
do processo de construção tanto de perfis sintéticos litológicos quanto do modelamento final, através da
interpolação de dados dos poços estudados. Isso então nos representa informações necessárias para a
construção de modelos 3-D, que possibilitaram a interpretação e avaliação de dequabilidade das técnicas aqui
propostas.

Figura 7- Fluxograma abordando a ordem metodológica aplicada no presente projeto.

4.1 Escolha da área de estudo e poços


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Esta fase inicial do projeto engloba esforços de carregamento no Petrel os dados. las, que são as curvas
de perfis geofísicos brutos e estudo prévio das áreas da propria Bacia,Onde e feito o estudo e controleo de
densidade de poços para o modelamento. Que necesse processo na construcao e possivel escolher um
polígono final isto acontece quando é devido à qualidade dos dados acima citados e da presença de pocos
com melhor qualidade ,com diversos perfis, mas principalmente o Raio Gama (PRG), Cáliper e Sônico (DT),
Outro fator importante nesta fase é a leitura das fichas de poços, para verificar a qualidade e como o
andamento da aquisição, durante a perfuração.
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Figura 8- a) Distribuição dos poços utilizados no projeto em diagrama 3-D. b) Mapa de distribuição dos poços.

a)

b)
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4.2 Definição de linhas e grades de interpretação

A definição de seções que correlacionam os poços geofísicos é relevante, pois ela permite uma maior
abrangência e noção global durante a interpretação, o que seria comprometido se fosse feito um perfil por
vez.
Estas seções são criadas por proximidade de uma forma que ao final das seções de correlação
fossem contemplados todos os poços.
Assim é possível dar seguimento de interpretação das superfícies que limitam cada unidade do
intervalo de estudo e entender como se comporta o um reservatorio ao longo das mais variadas direções de
correlação. A junção de cada seção com os poços forma as grades (Figura 3), que auxiliam no
acompanhamento da evolução das superfícies.

Figura 9- Grade e mapa de correlação entre os poços 4CP-0005ES, 1CCN-0001ES e 1SM-0001ES.


Apresentando a interpretação da base e topo do Membro Mucuri e do topo do Membro Itaúnas.
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4.3 Descrição de testemunhos

Os testemunhos usados para calibração das interpretações litológicas são descritos pelo grupo de
estudos do poco, sendo este processo é realizado três campanhas de descrição de dados, A metodologia de
descrição segue os padrões hierárquicos da estratigrafia, começando por fácies, associação de fácies,
padrões de empilhamento e por último a interpretação de ambientes deposicionais. Assim são descritos os
testemunhos em folha e então digitalizados no software Adobe Illustrator. Ao todo são descritos os seguintes
tipos de litologias predominantes: arenitos a conglomerados arcóseos com abundância de biotita, arenitos
finos a muito finos arcóseos com nódulos de anidrita, lamitos e evaporitos. Dentre estes, o total de acontece
que os dados são levantados nos poços onde são utilizados a fins de calibragem com os perfis raio gama,
que são a base para os modelos que são apresentados como diagrama.

4.4 Interpretação Raio Gama, Cáliper e Sônico

Esta etapa é a primeira interpretativa no processo de construção dos modelos 2-D e 3-D. Os perfis
Raio Gama são as principais fontes de informações que são fonte confiável da composição química das
rochas e de sua variação em profundidade.
Ele da resposta da radioatividade natural dos minerais que compõe as rochas. Os elementos mais
importantes para o sinal de gama são classificados como K, Th e U, podendo ser encontrados em minerais
como feldspatos, biotitas, muscovita, zircão, monazita, alguns argilominerais entre outros.

A interpretação deste dado se dá a partir de duas premissas. Primeiro, a variação brusca ou do padrão
regular da curva de raio gama é um indicativo de mudança litológica e segundo, cada fácies litológica
composicional pertence a um intervalo definido de Raio Gama, sendo seus pontos de corte definidos por
técnicas de quantificação com base em lâminas que podem ser quantificadas.
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Figura 10- Imagem apresenta do lado direito à descrição de um dos testemunhos que compõe este projeto. Já na imagem à esquerda é
possível ver o resultado da digitalização do mesmo testemunho, utilizando Adobe Illustrator.
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Após a construção de seções com os poços da área, é feita uma interpretação geral
dos PRG e delimitados limites de topo e base do Mucuri. O topo é caracterizado por um
aumento brusco do valor de gama (Figura 11), resultado da transição do Membro Itaúnas
(fase evaporítica) para as rochas predominantemente siliciclásticas do Membro Mucuri, que
possuem gama de valor mais alto, devido à sua composição arcoseana e rica em biotitas. O
limite basal do Mucuri é de difícil distinção, assim como em sísmica, devido à similaridade
composicional entre ele e a unidade sotoposta, conhecida como Formação Cricaré (Figura
11). Assim é necessário criar padrões para separação, e foi verificada uma variação no
padrão da curva entre estas unidades. A Fm. Cricaré possui uma variação positiva brusca na
curva muito, tornando-se mais irregular do que o que está sendo considerada o Mb. Mucuri,
que possui uma curva mais suave e pouco irregular. Isso devido as variações litológicas na
fase pós-rifte devem ter sido menos intensas que sin-rifte. Essas profundidades são
calibradas nos poços testemunhados, porém refere-se a base do Mucuri como
essencialmente interpretativa, tendo-se muito menos controle do que o topo, que é de alta
confiabilidade dentro desta metodologia.
Os perfis Cáliper são usados para o controle de qualidade do dado, sendo o
mesmo confiável em zonas onde o Cáliper é contínuo e regular. Regiões onde a curva é
muito oscilante podem significar desabamentos da parede do poço, entre outros problemas
no mesmo. Assim, a confiabilidade das ferramentas naquela profundidade é diminuída.
As zonas de interesse deste projeto apresentaram valores de curva regulares de
Cáliper, podendo-se assim usufruir de toda a informação dos poços, sem problemas de
qualidade durante sua aquisição.
Outro perfil usado e interpretado é o Sônico (DT). Ele é usado em conjunto com o
gama, pois apresentam similaridades na variação das curvas (Figura 11). Essa ferramenta
mede a variação da impedância acústica com a profundidade, sendo essa propriedade física
uma relação entre a velocidade da onda sísmica e a densidade da rocha que a mesma está
sendo atravessada. Assim quando a onda sai de uma rocha evaporítica (densidade menor),
para uma rocha siliciclásticas (densidade maior), o valor de DT aumenta, tendo assim um
comportamento similar da curva com PRG no limite entre o Membro Mucuri e o Membro
Itaúnas.
Estas interpretações possuem além do risco instrumental durante a aquisição
anteriormente citado, a imprecisão do intérprete. Assim é sempre necessária a
reinterpretação de todas as seções e calibração com dados litológicos como testemunhos e
lâminas, que são a confirmação de que os resultados das interpretações são coerentes com
a realidade geológica da região.
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Figura perfil litológico original obtido durante a perfuração do mesmo. Além disso, apresenta

a 11- Perfil apresentando as três ferramentas de poço utilizadas neste trabalho, além do

interpretação de topo e base do Membro Mucuri.

Litologia Cáliper Sônico Raio Gama


Calha

4.5 Determinação dos pontos de corte litológicos

Os pontos de corte são importantes ferramentas no modelamento de perfis litológicos


sintéticos, e por consequência no modelamento 3-D. Para isto propõe-se uma metodologia
que possivel ser usado em três tipos de informações: os valores de gama nos poços,
lâminas petrográficas quantificadas e testemunhos para calibração.
.Os resultados são tabelas que são tratadas em relação a minerais radioativos e não-
radioativos, sendo os radioativos aqueles que são percebidos pelos detectores de raio gama e
os não-radioativos são considerados todos os demais não reativos.
Para essa técnica, algumas premissas são adotadas. A primeira é que os minerais
possuem uma química mineral semelhante entre si, sem grandes variações de elementos
como K, Th e U. Assim, biotitas são consideradas quimicamente idênticas entre si, assim
como feldspato e os outros elementos do arcabouço. Além de minerais, estão sendo
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computados em porcentagem fragmentos líticos micáceos de origem metamórfica e


intraclastos lamosos.
Além disso, como as amostragens de lâminas para o projeto foram feitas
predominantemente em arenitos, são definidos grupos composicionais entre eles, sendo
rochas com valor de gama menor que o do menor arenito um evaporito, e rochas com gama
maior que o maior arenito são considerados lamitos. Essas inferências se dão com base na
literatura (Isyku et al., 2015), onde os valores mais baixos de gama registram evaporitos
como anidrita e gipsita e valores de gama mais altos para lamitos, devido ao alto conteúdo
de minerais micáceos com K, Th e U.

Para determinação dos pontos de corte em grupos de arenitos, são usados gráficos
(Figura 12-Gráficos não-interpretados apresentando no eixo x o valor de Raio Gama e no
eixo y a porcentagem mineral obtida em descrição petrográfica.

O primeiro Processo leva em conta os minerais radioativos totais, o segundo


apenas a biotita e o terceiro apenas o K-feldspato (Figura 12) com eixo y sendo a
porcentagem de minerais radioativos e o eixo x o valor de gama medido no perfil na
profundidade da lâmina petrográfica.

São necessários três gráficos para a determinação pontos de corte. Primeiramente


um com minerais radioativos totais, e então dos dois referentes ao minerais mais
abundantes, biotita e K-feldspato.

Assim é possível interpretar esses gráficos e verificar a existência ou não de subtipos


de arenitos, tendo seus valores máximos e mínimos também estabelecidos para a
construção do perfil litológico sintético na calculadora do Petrel (Figura 13).

Quadro 1- petrografia quantitativa. É possível identificar da esquerda para a direita o nome


da lâmina, profundidade, porcentagem mineral, valor de raio gama e classificação litológica
petrográfica.
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Figura 12-Gráficos não-interpretados apresentando no eixo x o valor de Raio


Gama e no eixo y a porcentagem mineral obtida em descrição petrográfica. O
primeiro gráfico leva em conta os minerais radioativos totais, o segundo apenas a
biotita e o terceiro apenas o K-feldspato
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12

Figura 13- Calculadora do Petrel, apresentando o algoritmo completo utilizado para a construção
dos perfis sintéticos.

𝑳𝒊𝒕𝒉𝒐𝒍𝒐𝒈𝒚 = 𝒊𝒇(𝑮𝑹 < 𝟔𝟎,𝟎, 𝒊𝒇(𝑮𝑹 ≥ 𝟔𝟎 𝒂𝒏𝒅 𝑮𝑹 < 𝟏𝟐𝟓,𝟏, 𝒊𝒇(𝑮𝑹

≥ 𝟏𝟐𝟓 𝒂𝒏𝒅 𝑮𝑹 ≤ 𝟏𝟔𝟎, 𝟐, 𝒊𝒇(𝑮𝑹 > 𝟏𝟔𝟎, 𝟑, 𝟒))))


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Quadro 2- Conjunto de quadros mostrando os quatro poços testemunhados e cada lâmina petrográfica usada neste projeto, com valores de
profundidade e RG.
4.6 Malha horizontal e vertical

4.6.1 Malha horizontal

A definição das malhas em que cada célula do modelo estará inserida é de extrema importância, pois
ela influência diretamente na interpolação dos dados e no grau de precisão em que se está trabalhando.
No caso de células maiores que o devido, a possibilidade da ausência de detalhes e extrema
simplificação das particularidades do modelo são as principais consequências. Por outro lado, se elas
possuem tamanho menor que o devido, são gerados detalhes além da escala de precisão, frutos de ruídos do
dado, que geram problemas de interpretação, assim comprometendo todo projeto.
Para encontrar um tamanho de célula adequado ao número de poços e distância entre eles, foi
utilizada uma metodologia já aplicada por UFRGS (2007) em projetos internos da Petrobras na Bacia do
Recôncavo, onde foram obtidos modelos satisfatórios através das células com tamanhos corretos.
Assim, para a obtenção deste valor mínimo de célula, é feito no software AutoCad a malha dos poços
(Figura 14) sendo eles extremos de segmentos de reta que são as distâncias entre eles. Estes segmentos não
são cortados um pelo outro, formando ao todo 49 iterações entre os 19 poços.
Cada iteração é computada e usada para o cálculo da média aritmética (Md) entre elas. Além disso,
calcula-se também o desvio padrão (DV) das distâncias (Quadro 3).
Por fim, o valor mínimo de cada célula é dado pela equação:

𝑫𝒄=(𝑴𝒅−𝑫𝒗)/𝟑

Onde Dc é o valor mínimo ideal de comprimento horizontal que cada célula quadrada deve possuir, já
o valor 3 é um número empírico relacionado ao número mínimo de iterações que é necessária para a
interpolação de um objeto diferente de uma reta.
Assim o valor obtido neste projeto foi de 622,88 m, optando-se por conveniência pelo arredondamento
para 600 m.

Figura 14- Mapa esquemático criado em AutoCad, apresentando as triangulações de correlação entre poços
possíveis em amarelo, a distância entre os poços e as intersecções. Este mapa foi criado para a obtenção das
distâncias de interação entre poços para definição

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Quadro 3- Apresenta os valores dos dados obtidos para a construção do grid básico para o modelo litológico.

Dado Valor (m)

Maior segmento 1184,94

Menor segmento 9674,61

Média 3856,51

Desvio Padrão 1987,88

(Md-Dv)/3 622,88

4.6.2 Malha Vertical

A malha vertical foi definida com base na confiabilidade do dado de poço, juntamente com o dado
testemunhado. Assim, foi inferido que o valor mínimo para cada célula vertical é de 1 m, que é o valor mínimo
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de definição intervalar geofísica, pois todas as ferramentas geofísicas (PGR, CAL e DT) são obtidos com
intervalo de 1 pé (0,33 cm), fazendo assim que no intervalo mínimo de 1 metro, hajam 3 medidas de um perfil
geofísico – número mínimo necessário para estabelecer um valor intervalar confiável. Por outro lado, não é
recomendável gerar células menores, pois células menores podem gerar litologias incorretas, que
comprometeriam o modelo por tendenciamento elástico de extrapolação.

Estimativas de Reservas

13.5.4. Performance do reservatório

Neste método são utilizados modelos em que a previsão do comportamento futuro (ou performance futura) do
reservatório se baseia em seu comportamento passado. Para tanto, é necessário que o reservatório já tenha um histórico
de produção. Em alguns casos também são necessárias informações sobre o mecanismo de produção do reservatório.
A análise do declínio de produção, a utilização da equação de balanço de materiais para a previsão de
comportamento e a simulação numérica de reservatórios são métodos que se inserem no grupo denominado performance
do reservatório. A utilização de um ou outro método depende de fatores tais como a quantidade e o tipo de dados de
rocha e fluido disponíveis, a existência de recursos de informática (“software” e “hardware”), etc.

a) Análise de declínio de produção

Este método se baseia apenas na observação do comportamento das vazões de produção ao longo do tempo. O
declínio gradual da pressão do reservatório, decorrente da produção de fluidos, acarreta também um gradual declínio nas
vazões de produção dos poços. A partir da análise do histórico de produção pode-se caracterizar a tendência de declínio
da vazão. A partir da extrapolação dessa tendência passada, estima-se o comportamento futuro da produção.
A análise de declínio de produção é um processo bastante simplificado, uma vez que não se utilizam
informações sobre as propriedades da rocha-reservatório, sobre o comportamento dos fluidos ou sobre as relações rocha-
fluido. Tampouco se utilizam leis de fluxo nem se leva em consideração o mecanismo responsável pela produção do
reservatório. São utilizadas apenas as relações de vazão versus tempo do histórico de produção.

b) Equação de balanço de materiais

As equações de balanço de materiais são relações que associam o balanço de massa dos fluidos do reservatório
com as reduções de pressão no interior do mesmo. A equação de balanço de materiais é a representação matemática da
seguinte expressão: “A um tempo qualquer da vida produtiva do reservatório, a soma das massas dos fluidos existentes
no reservatório com a massa dos fluidos produzidos até então é igual à massa de fluidos originalmente existente nesse
meio poroso”.

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Essas equações são escritas em termos das propriedades da rocha e do comportamento do fluido em função da
pressão, das propriedades rocha-fluido e do histórico de produção, e são particularizadas para cada caso, dependendo
dos mecanismos de produção atuantes no reservatório.
Para se fazer a previsão procura-se escrever a equação de balanço de materiais de uma maneira que o
comportamento passado do reservatório esteja representado, ou seja, a equação deve relacionar a produção acumulada
com a queda de pressão observada. Ao se encontrar essa equação, admite-se que ela também seja capaz de descrever o
comportamento futuro do reservatório. Com essa equação estima-se que produção de fluidos corresponderá à queda de
pressão que ocorrerá no reservatório.
Como a equação de balanço de materiais fornece apenas relações entre a produção acumulada de fluido e a
queda de pressão, são necessárias outras equações que relacionem as produções acumuladas com vazões de produção e
tempos, conforme mostrado no Capítulo 10.

c) Simulação numérica de reservatórios

O termo simulação numérica de reservatórios se aplica à utilização de simuladores numéricos e computacionais


em estudos de reservatórios. Os procedimentos utilizados para se fazer previsões do comportamento futuro são
semelhantes aos utilizados nos métodos baseados na equação de balanço de materiais. São introduzidos no modelo as
informações geológicas, os dados de rocha, os dados de fluido, as propriedades rocha-fluido, etc., de maneira que o
mesmo reproduza, com certa precisão,

o histórico de produção. Quando o modelo passa a descrever o passado de maneira satisfatória, está pronto para
ser utilizado na previsão do comportamento futuro. A diferença básica entre os dois processos está na maneira como é
tratado o reservatório. Enquanto no balanço de materiais se usa somente uma equação, que trata o reservatório como se
fosse um bloco único onde não há variações de propriedades, a simulação numérica permite a subdivisão do reservatório
em células com propriedades diferentes, e envolve a solução simultânea de um grande número de equações que
representam o fluxo no meio poroso. Diferentemente da equação de balanço de materiais, a simulação fornece
resultados em função do tempo.
Os simuladores numéricos permitem mais sofisticação nos estudos dos reservatórios, porém para tanto é
necessário dispor de dados da rocha, dos fluidos, da geologia e do histórico de produção, não só em quantidade, mas
com boa qualidade.
Enfim, existem diversas maneiras de se fazerem previsões de comportamento de reservatório e estimativas de
volumes originais, volumes recuperáveis e reservas. A escolha de cada um dos processos deve ser feito sempre de
maneira compatível com a natureza, a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis, bem como em função do tempo e
dos recursos disponíveis para processar esses dados e dos objetivos a que se destina o estudo.

13.1. Definições

Antes de dar prosseguimento ao estudo de diversos métodos de estimativa de reservas é conveniente conhecer
algumas definições básicas:
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Volume original − quantidade de fluido existente no reservatório na época da sua descoberta. Para uma acumulação de
hidrocarbonetos no estado gasoso dá-se o nome de volume original de gás. Para a mistura de hidrocarbonetos no estado
líquido dá-se o nome de volume original de óleo.

Volume recuperável − volume de óleo ou gás que se espera produzir de uma acumulação de petróleo. Normalmente,
por ocasião da descoberta de um reservatório, faz-se uma estimativa de quanto fluido se pode produzir ou recuperar do
mesmo. A esse volume estimado de fluido dá-se o nome de volume recuperável.
de recuperação − quociente entre o volume recuperável e o volume original, ou seja, fração do volume original que se
espera produzir de um reservatório.
Produção acumulada − quantidade de fluido que já foi produzida de um reservatório até uma determinada época. A
produção acumulada vai crescendo gradativamente com o tempo se o reservatório está em produção.
Fração recuperada − quociente entre a produção acumulada e o volume original, ou seja, fração do fluido original que
foi produzida até um determinado instante.
Reserva − quantidade de fluido que ainda pode ser obtida de um reservatório de petróleo numa época qualquer da sua
vida produtiva. Na época da descoberta, como ainda nenhum fluido foi produzido, a reserva é numericamente igual ao
volume recuperável.
Capítulo - 9 - Estimativa de Reservas

9.1 INTRODUÇÃO

O conhecimento da quantidade de fluido existente em uma jazida de petróleo, ou mais especificamente da


quantidade de fluido que pode ser extraída, desempenha um papel fundamental na decisão de se implantar
ou não um projeto explotatório. Os investimentos necessários para a implantação do projeto, assim como os
custos para manter o projeto em operação, devem ser pagos com a receita obtida com a comercialização dos
fluidos a serem produzidos.

Denomina-se Estimativa de Reservas a atividade dirigida ao cálculo dos volumes de fluidos que podem
ser retirados do reservatório até que ele chegue à condição de abandono. Essa estimativa dos volumes a
serem produzidos são feitas não só por ocasião da descoberta da jazida como também ao longo de sua vida
produtiva, à medida que são obtidas mais informações a respeito da mesma.
Não existe uniformidade plena de critérios sobre definição, classificação e métodos de estimativas de
reservas petrolíferas. Normalmente as empresas de petróleo estabelecem os seus próprios critérios e normas,
de modo a garantir uniformidade nas suas estimativas e adequação ao planejamento e gerenciamento da
empresa. Entretanto, cada vez mais as empresas tendem a se basear nos critérios dos códigos internacionais
da SPE1 e da SEC2, de modo que as suas reservas possam ser reconhecidas (certificadas) por instituições
internacionais e comparadas com as de outras empresas e países.

1
Society of Petroleum Engineers

2
Securities and Exchange Commission

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9.2 DEFINIÇÕES

Antes de dar prosseguimento ao estudo de diversos métodos de estimativas de reservas é conveniente


conhecer algumas definições com ele relacionadas.
Volume Original - quantidade de fluido existente no reservatório na época da sua descoberta. Para uma
acumulação de hidrocarbonetos no estado gasoso dá-se o nome de volume original de gás. Para a mistura de
hidrocarbonetos no estado líquido dá-se o nome de volume original de óleo.
Volume Recuperável - óleo ou gás que se espera produzir de uma acumulação de petróleo.
Normalmente, por ocasião da descoberta de um reservatório, faz-se uma estimativa de quanto fluido se pode
produzir ou recuperar do mesmo. A esse volume estimado de fluido dá-se o nome de volume recuperável.

Fator de Recuperação - é o quociente entre o volume recuperável e o volume original, ou seja, é o


percentual do volume original que se espera produzir de um reservatório.
Produção Acumulada - é o nome que se dá à quantidade de fluido que já foi produzida de um
reservatório até uma determinada época. A produção acumulada vai crescendo gradativamente com o tempo
desde que, obviamente, o reservatório esteja em produção.
Fração Recuperada - é o quociente, a cada instante, entre a produção acumulada e o volume original,ou
seja, é o percentual do fluido original que foi produzido até um determinado instante.
Reserva - é a quantidade de fluido que ainda pode ser obtida de um reservatório de petróleo numa época
qualquer da sua vida produtiva. Na época da descoberta, como ainda nenhum fluido foi produzido, a reserva é
numericamente igual ao volume recuperável.

9.3 FATOR DE RECUPERAÇÃO E RESERVAS

Considere um reservatório de óleo com um volume original de 3.200.000 m³std que será capaz de pro-
duzir, dentro de determinadas condições econômicas e técnicas, um volume de 736.000 m³std ao longo de
oito anos (Figura 9.1). Esse volume de óleo que poderá ser produzido se chama volume recuperável e o
quociente entre ele e o volume original (0,23 ou 23 %) se chama fator de recuperação.

Figura 9.1 - Volume Recuperável e Fator de Recuperação

Considere agora que após três anos o reservatório tenha produzido um volume igual a 400.000 m³std de
óleo (Figura 9.2). Esse volume produzido recebe o nome de produção acumulada. O quociente entre o volume
que já foi produzido e o volume original (0,125 ou 12,5 %) se chama fração recuperada. Nessa ocasião,

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verifica-se que ainda restam 336.000 m³std para serem produzidos. Esse volume que resta para ser produzido
chama-se reserva.

Figura 9.2 - Produção Acumulada e Reserva

Note que no início da vida produtiva do reservatório a produção acumulada é igual a zero e a reserva é
igual ao volume recuperável. Ao final do oitavo ano, quando tudo que se esperava produzir do reservatório já
terá sido produzido, a produção acumulada será igual ao volume recuperável e a reserva será igual a zero.
Um aspecto que deve ser observado é que o fator de recuperação é um número que representa o que se
espera produzir do reservatório e que depende fortemente do mecanismo de produção dessa jazida. Esse
número é obtido através de um estudo que utiliza as informações disponíveis na época e que indica o
provável comportamento futuro do reservatório. Qualquer alteração futura no fator de recuperação está
condicionada a um novo estudo do reservatório.
Por exemplo, se ao final do terceiro ano de produção for repetido o estudo do reservatório, utilizando
agora novas informações disponíveis, e se verificar que na verdade ainda se pode obter daquele reservatório
um volume igual a 450.000 m³std, a reserva assumirá esse novo valor. O volume recuperável passará a ser
850.000 m³std e o fator de recuperação 26,56%.
Veja que nada mudou em termos físicos no reservatório. Apenas a contribuição das informações obtidas
durante os três anos de produção possibilitaram um aprimoramento do estudo e a estimativa de valores
provavelmente mais corretos. No caso presente houve um aumento nas reservas, entretanto o estudo poderia
ter resultado em uma redução.
A fração recuperada varia continuamente, de zero, no início da produção do reservatório, até um valor
máximo, quando se iguala ao fator de recuperação. Isso acontece porque ela é a relação entre a produção
acumulada e o volume original e a produção acumulada vai variando a cada instante durante a vida produtiva
do reservatório.

Fator volume-formação do gás natural Chama-se fator volume-formação d e um gás a relação


entre o volume que ele ocupa em uma deter minada condição de temperatura e pressão e o volume
por ele ocupado nas condições-standard. Então,

9.4 CONDIÇÕES DE RESERVATÓRIO E CONDIÇÕES DE SUPERFÍCIE

Todos os volumes, óleo original, produção acumulada, reservas etc., por convenção, são expressos em
condições de superfície, ou seja, como se eles estivessem sujeitos às condições de pressão e temperatura da
superfície.

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Por exemplo: ao se dizer que uma acumulação de gás natural tem um volume original de 500 milhões de
m³std, esse volume é o espaço que o gás ocuparia caso fosse totalmente trazido para as condições de
superfície.
As condições de superfície são também chamadas de condições padrão ou condições “standard”. Na
Petrobrás elas são denominadas condições básicas de temperatura e pressão ou simplesmente condições
básicas. As condições básicas são: pressão de1 atm (1,0332 kgf/cm²) e temperatura de 20 C.

9.5 CONDIÇÕES DE ABANDONO E VOLUME RECUPERÁVEL

Para se fazer a estimativa do volume recuperável, além do estudo do reservatório deve-se levar em
consideração outros aspectos técnicos e econômicos.
No projeto de produção de um reservatório de petróleo há que ser lembrado que além dos investimentos
iniciais como perfuração de poços, análise de rochas e de fluidos em laboratório, compra e instalação de
equipamentos, construção de estações para coleta do petróleo, etc., também existem os custos para manter o
sistema em operação.
À medida que o tempo vai passando, a produção de petróleo vai decrescendo, tendendo-se à situação em
que a receita proveniente da venda do petróleo é insuficiente para cobrir as despesas de manutenção da
operação. Essa é a condição de abandono do projeto.
Não existe um ponto definido em que essa situação ocorre porque tanto o preço do petróleo quanto os
custos de operação estão sujeitos a oscilações determinadas pelo mercado. Os custos de operação são ainda
influenciados por outros fatores: quantidade total de fluido que está sendo produzido, existência ou não de
outros reservatórios nas proximidades de tal modo que as instalações e os serviços possam ser
compartilhados, etc.
Como se pode ver, o volume recuperável e por conseqüência o fator de recuperação
sofrem alterações ao longo da vida produtiva do reservatório não só como resultado da
obtenção de mais informações a respeito da formação e dos fluidos aí contidos, mas
também devido a alterações no quadro econômico.
9.6 MÉTODOS DE CÁLCULO

Não existe uma maneira única de se estimar os volumes originais de hidrocarbonetos e as reservas de
uma jazida de petróleo. Dependendo das circunstâncias esses volumes podem ser calculados de maneiras
bastante diversas. Dentre os métodos utilizados destacam-se a analogia, a análise de risco, o método
volumétrico e a performance do reservatório. A escolha de um ou outro tipo depende, entre outros fatores, da
época em que é feito o estudo e da quantidade de informações que se tem a respeito da jazida.

a) Analogia
Esse é um procedimento utilizado em uma época que precede à perfuração do primeiro poço a penetrar
na jazida, ou seja, do poço descobridor. Nessa época, as informações a respeito do reservatório são
praticamente inexistentes. Tem-se uma série de evidências, entretanto, ainda não se tem a comprovação da
existência de uma acumulação de petróleo na região que está sendo pesquisada.
As estimativas são feitas a partir de dados e resultados de reservatórios localizados nas proximidades, os
quais se acredita tenham características semelhantes às do reservatório que está sendo estudado. É evidente

22
que esse tipo de estimativa está sujeita a erros, uma vez que o estudo não se baseia em dados reais do
reservatório.

b)Análise de risco
Como o método anterior, a análise de risco também é um processo utilizado antes da perfuração do poço
descobridor. Da mesma forma, a estimativa é feita a partir de resultados de reservatórios cujas características
são semelhantes às do reservatório em estudo e que se localizam nas suas proximidades.
A diferença entre os dois processos reside no fato de que na análise de risco existe uma certa
sofisticação no tratamento estatístico dos dados e os resultados são apresentados, não como um valor único,
mas como uma faixa de resultados possíveis.

c) Método Volumétrico
Este método para cálculo do volume original pode ser usado tanto para reservatório de líquido quanto
para reservatório de gás.
Nesse processo são necessárias as seguintes informações sobre o reservatório: volume total da rocha
portadora de hidrocarbonetos, que é obtido por meio da leitura de mapas geológicos, porosidade média da
rocha e saturações dos fluidos, que podem ser obtidas tanto por meio da interpretação de perfis como em
ensaios de laboratório, e fator volume de formação do fluido, que se obtém por meio de uma análise feita em
laboratório.
As figuras 9.3 e 9.4 ilustram como os volumes originais são medidos no reservatório e a maneira como
devem ser expressos. O volume total da rocha, a porosidade e a saturação do fluido são medidos no
reservatório. Do produto desses três parâmetros resulta o volume de fluido em condições de reservatório.
Como o volume original deve ser expresso sempre nas condições de superfície, utiliza-se o fator volume de
formação para a conversão.

Figura 9.3 - Volume Original - Reservatório de Óleo

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Figura 9.4 - Volume Original - Reservatório de Gás

d)Performance do Reservatório
Neste método a previsão do comportamento futuro (ou performance) do reservatório se baseia em seu
comportamento passado. Para tanto, é necessário que o reservatório já tenha um histórico de produção. Em
alguns casos também são necessárias informações sobre o mecanismo de produção do reservatório.
A análise do declínio de produção, a utilização da equação de balanço de materiais para a previsão de
comportamento e a simulação matemática de reservatórios são métodos que se inserem no grupo
denominado performance do reservatório. A utilização de um ou outro método depende de fatores tais como a
quantidade e o tipo de dados de rocha e fluido disponíveis, a disponibilidade de recursos de informática
(“software” e “hardware”), etc.

 Análise de Declínio de Produção


Esse método se baseia apenas na observação do comportamento das vazões de produção ao longo do
tempo. O declínio gradual da pressão do reservatório, decorrente da produção de fluidos, acarreta também
um gradual declínio nas vazões de produção dos poços. A partir da análise do histórico de produção pode-se
caracterizar a tendência de declínio da vazão. A partir da extrapolação dessa tendência passada, estima-se o
comportamento futuro da produção.
Esse é um processo bastante simplificado, uma vez que não se utilizam informações sobre as
propriedades da rocha reservatório, sobre o comportamento dos fluidos ou sobre as relações rocha-fluido.
Tampouco se utilizam leis de fluxo nem se leva em consideração o mecanismo responsável pela produção do
reservatório. São utilizadas apenas as relações de vazão em função do tempo do histórico de produção.

 Equação de Balanço de Materiais


As equações de balanço de materiais são relações que associam o balanço de massa dos fluidos do
reservatório com as reduções de pressão no interior do mesmo. A equação de balanço de materiais é a
representação matemática da seguinte expressão: “Há um tempo qualquer da vida produtiva do reservatório,
a soma das massas dos fluidos existentes no reservatório com a massa dos fluidos produzidos até então, é
igual à massa de fluido originalmente existente nesse meio poroso”.
Essas equações são escritas em função das propriedades da rocha e do comportamento do fluido em
função da pressão, das propriedades rocha-fluido e do histórico de produção, e são particularizadas para cada
caso, dependendo dos mecanismos de produção atuantes no reservatório.
Para se fazer a previsão procura-se escrever a equação de balanço de uma maneira que o
comportamento passado do reservatório esteja representado, ou seja, a equação deve relacionar a produção
acumulada com a queda de pressão observada. Ao se encontrar essa equação, admite-se que ela também é
capaz de descrever o comportamento futuro do reservatório. Com essa equação estima-se que produção de
fluidos corresponderá à queda de pressão que ocorrerá no reservatório.
Como a equação de balanço de materiais fornece apenas relações de produção acumulada de fluido
versus queda de pressão, são necessárias outras equações que relacionem as produções acumuladas com
vazões de produção e tempos.

 Simulação Matemática de Reservatórios

24
O termo simulação matemática de reservatórios se aplica à utilização de simuladores numéricos e
computacionais em estudos de reservatórios.
Os procedimentos utilizados para se fazer previsões do comportamento futuro são semelhantes aos
utilizados na equação de balanço de materiais. São introduzidas no modelo as informações geológicas, os
dados de rocha, os dados de fluido, as propriedades rocha-fluido etc., de maneira que o mesmo reproduza,
com certa precisão, o histórico de produção. Quando o modelo passa a descrever o passado de maneira
satisfatória, está pronto para ser utilizado na previsão do comportamento futuro. A diferença básica entre os
dois processos está na maneira como é tratado o reservatório. Enquanto no balanço de materiais se usa uma
única equação, tratando-se o reservatório como se fosse um bloco único em que não há variações de
propriedades, a simulação matemática permite a subdivisão em células com propriedades diferentes, e
envolve a solução simultânea de um grande número de equações que representam o fluxo no meio poroso.
Diferentemente da equação de balanço de materiais, a simulação fornece os seus resultados em função do
tempo.
Os simuladores numéricos permitem mais sofisticação nos estudos dos reservatórios, porém para tanto é
necessário dispor de dados da rocha, dos fluidos, da geologia, do histórico de produção, não só em
quantidade mas com boa qualidade.
Enfim, existem diversas maneiras de se fazer previsões de comportamento de reservatório e estimativas
de volumes originais, volumes recuperáveis, e reservas. A escolha de cada um dos processos deve ser feita
sempre de maneira compatível com a natureza, quantidade e qualidade dos dados disponíveis, do tempo e
dos recursos que se tem para processar esses dados e dos objetivos a que se destina o estudo.
As estimativas de reservas encerram muitas vezes graus de incertezas que estão relacionadas ao nível
de confiabilidade dos dados de geologia e engenharia no momento de estimativa e interpretação. De acordo
com às incertezas define-se, portanto, a classificação dos volumes em reservas provadas, reservas não
provadas e recursos.

Reserva Provada

É o volume de petróleo de acumulações conhecidas que, pela análise dos dados de geologia e
engenharia, pode ser estimado com razoável certeza de ser comercialmente recuperável, sob condições
econômicas, regulamentos e com métodos de operação vigentes na época da avaliação.

Se métodos determinísticos são utilizados, o termo razoável certeza expressa o alto grau de confiança de
que os volumes serão recuperados. Se métodos probabilísticos são utilizados, deverá haver, no mínimo, 90%
de probabilidade de que a quantidade a ser recuperada seja igual ou superior ao volume estimado.

Para o estabelecimento das condições econômicas a serem utilizadas na estimativa das reservas, deve-
se considerar o histórico de preços de petróleo e custos associados, as obrigações contratuais, os
procedimentos corporativos e as regulamentações ou normas governamentais.

As reservas são consideradas PROVADAS quando:

25
• Os reservatórios estão em produção comercial ou os fluidos neles contidos têm sua existência
comprovada por testes de formação. Neste contexto, o termo “reserva provada” refere-se às “reservas de
petróleo” e não apenas aos volumes relativos à produtividade do poço ou do reservatório.

• Os reservatórios, embora não testados, podem ser considerados avaliados com base na correlação de
perfis ou pela análise de testemunhos. Esta correlação pode ser (1) vertical: quando o horizonte em análise
apresenta características de perfis iguais ou melhores do que outros intervalos testados do mesmo poço; ou
(2) horizontal: quando, embora em reservatórios diferentes, o horizonte em questão pertença,
comprovadamente, à mesma zona estratigráfica, que tenha sido testada ou que se encontre em produção em
outro poço. Em ambos os casos, só se poderá considerar o reservatório avaliado quando não persistirem
dúvidas em relação ao resultado que se obteria caso fosse testado.

• Nas duas ocorrências é necessário considerar as facilidades de processo e transporte no momento da


estimativa, ou a razoável expectativa de que tais facilidades venham a ser instaladas.

A área do reservatório considerada como provada inclui (a) a área definida pelos poços perfurados e por
contatos de fluidos, se existir; (b) porções adjacentes do reservatório ainda não perfuradas, mas que podem
ser consideradas economicamente produtivas com base nas informações disponíveis de geologia e
engenharia.

Na ausência de dados sobre o contato de fluidos, é possível demarcar o limite inferior do reservatório
provado com base na estrutura mais baixa de hidrocarbonetos mapeado pelos poços perfurados (L.K.H. ou
ocorrência inferior conhecida de hidrocarbonetos); ou partindo de dados definitivos de geologia ou de
engenharia que forneçam outro indicativo de limite inferior para o volume provado.

Volumes de petróleo podem ser classificados como provados se as facilidades de processo, transporte e
comercialização são operacionais no momento da estimativa ou existe razoável certeza de que venham a ser
instaladas. Reservas em locações não desenvolvidas podem ser classificadas como provadas quando existir
razoável certeza de que as locações serão desenvolvidas e (1) as locações situam-se diretamente no
espaçamento (“offset”) e existe indicação de produção comercial para o reservatório, (2) existe razoável
certeza de que as locações estão dentro dos limites provados conhecidos do reservatório, (3) as locações
estão dentro do espaçamento adequado, quando aplicado.

Reservas associadas a outras locações são classificadas como provadas não desenvolvida somente onde
as interpretações de geologia, engenharia e dados de poços indicam com razoável certeza que a formação é
lateralmente contínua e contém volumes comerciais recuperáveis de petróleo em locações além da linha de
espaçamento (“offset”).

Volumes de petróleo que possam ser economicamente recuperados devido à aplicação de métodos de
melhoria de recuperação podem ser classificados como PROVADO quando houver

26
• Um projeto piloto testado com sucesso, ou um programa já implantado no mesmo reservatório ou
análogo, com propriedades de rocha e fluido similares, contanto que esteja embasado pela análise de
engenharia na qual o projeto ou programa se baseia; e

• Razoável certeza de que o projeto será instalado.

As RESERVAS PROVADAS podem ser subdivididas em duas subclasses: DESENVOLVIDA e NÃO


DESENVOLVIDA.

RESERVA PROVADA DESENVOLVIDA – corresponde ao volume a ser recuperado através dos poços
existentes, incluindo os volumes atrás da coluna ou “behind pipe”. Os incrementos de volumes devidos a
métodos de melhoria de recuperação são considerados desenvolvidos somente depois de o projeto ter sido
instalado ou quando os custos para conclusão da sua instalação forem relativamente pequenos. A reserva
provada desenvolvida pode ser subdividida em PRODUTORA e NÃO PRODUTORA.

Produtora - é o volume a ser recuperado de intervalos completados e em produção, na época da


estimativa; não sendo necessário que as facilidades de produção, transporte e armazenamento estejam em
plena operação. Incrementos de volumes devidos a métodos de melhoria de recuperação são considerados
produtores somente quando o projeto estiver em operação.

Não Produtora - é o volume a ser recuperado de intervalos completados, porém fechados (devido às
condições de mercado, problemas mecânicos ou não relacionados ao sistema de produção) e “behind pipe”
(zonas existentes nos poços que necessitam de completação futura ou recompletação para iniciar a
produção). Deve-se considerar que os investimentos a serem feitos são pequenos.

RESERVA PROVADA NÃO DESENVOLVIDA – é o volume a ser recuperado quando houver a


necessidade de:

• Perfuração de novos poços nas áreas não drenadas;

• Aprofundamento de poços existentes para atingir reservatórios diferentes, que estejam posicionados
em horizontes estratigráficos inferiores;

• Realização de altos investimentos para recompletação de poços existentes; ou instalação de


facilidades de produção e transporte para projetos primários ou de incremento de recuperação testados por
projetos-piloto na área;

27
• Perfuração futura de poços para complementação da malha original ou para extensão desta, em áreas
de comprovada continuidade com a área provada já produtora.

Reserva não provada

Corresponde ao volume de petróleo baseado em dados de geologia e/ou engenharia, similares aos
utilizados na estimativa das reservas provadas, mas que, devido a incertezas técnicas, econômicas,
contratuais ou governamentais, não pode ser classificado como reserva provada. As reservas não provadas
podem ser estimadas assumindo condições econômicas futuras diferentes daquelas utilizadas para as
reservas provadas na época da avaliação. A reserva não provada pode ser classificada como PROVÁVEL ou
POSSÍVEL. Os efeitos advindos da melhoria das condições econômicas e tecnológicas futuras podem ser
expressos pela distribuição de reservas para estas classificações.

Reserva Provável

Reservas prováveis correspondem às reservas não provadas cujos dados de engenharia e geologia
sugerem maior risco de recuperação em relação à reserva provada. Ao utilizar métodos probabilísticos no
processo de estimativa, deve-se considerar a probabilidade de 50% (P50) de que o volume a ser recuperado
seja igual ou superior à soma dos volumes provados e prováveis estimados.

Em geral as reservas prováveis podem incluir:

• Volumes além do limite do provado, quando elementos de controle de subsuperfície (dados de


geologia e engenharia) forem inadequados para classificá-los como provado.

• Volumes em formações que parecem ser produtoras baseado nas características de perfis de poços,
mas que não possuem dados de testemunhos, testes de formação e correlação com reservatórios provados
na área.

• Incremento de reserva devido à redução de espaçamento entre poços (”infill drilling”), cujo
espaçamento entre poços tenha sido aprovado, na data da estimativa, pelo órgão regulador.

• Reservas atribuídas a métodos de recuperação suplementar que tenham comprovada aplicação


comercial quando (1) o projeto ou o piloto está planejado, mas não em operação; (2) as características de
rocha, fluido e reservatório parecem favoráveis à aplicação comercial.

• Reservas de uma área da formação que parece estar separada da porção provada por falhamento e a
interpretação geológica indica ser esta área estruturalmente mais alta que a provada.

• Reservas atribuídas a futuras reparações e limpeza de poços (“workovers”), tratamentos, mudanças de


equipamentos, ou outros procedimentos mecânicos, quando tais procedimentos não tenham sido testados
com sucesso em poços que apresentem comportamento similar em reservatórios análogos.

28
• Incremento de reserva em reservatórios provados produtores, onde uma interpretação alternativa de
desempenho ou dados volumétricos indiquem um aumento de reservas.

• Incremento de volume devido a método de recuperação suplementar, com objetivo de ganho de


tecnologia, considerado de alto risco técnico e econômico, aprovado pelo órgão regulador, e em implantação.

Reserva Possível

É o volume de petróleo não provado, cujos dados de engenharia e geologia sugerem maior risco na sua
recuperação em relação à reserva provável e à provada. No caso de se utilizar uma abordagem probabilística,
deve-se considerar uma probabilidade de 10% (P10) de que o volume a ser recuperado seja igual ou superior
à soma dos volumes provados, prováveis e possíveis estimados.

Em geral as reservas possíveis podem incluir:

• Volumes além do limite provável, quando o controle de subsuperfície (dados de geologia e engenharia)
for inadequado para classificá-los como prováveis.

• Reservas em formações que apresentam características que podem comprovar que são portadoras de
hidrocarbonetos, baseadas em correlações de perfis e análise de testemunhos, mas que podem não produzir
com vazões comerciais.

• Incremento de reserva devido à redução de espaçamento entre poços do campo (“infill drilling”) sujeito
a incertezas técnicas.

• Reservas atribuídas a métodos de recuperação suplementar quando o projeto ou o piloto estiver


planejado, mas não em operação.

• Reservas de uma área da formação que parece estar separada da porção provada por falhamento e a
interpretação geológica indica ser esta área estruturalmente mais baixa que a provada.

• Volume tecnicamente recuperável, avaliado individualmente como de alto risco econômico, porém
viável economicamente se combinado com outros volumes que existam ou venham a existir nas
proximidades, conforme estratégia da companhia.

• Volume descoberto, cujas avaliações do projeto indicam alto risco econômico, principalmente devido à
falta de mercado, tecnologia de transporte ou comercialização e custos, segundo estratégia vigente da
companhia.

• Volume pequeno, tecnicamente recuperável, isolado e sem possibilidade de desenvolvimento futuro,


segundo estratégia vigente da companhia.

29
• Volume descoberto, mas que devido às características de rocha, fluido, reservatório e localização não
possui tecnologia de produção.

• Incremento de volume devido a método de recuperação suplementar, com objetivo de ganho de


tecnologia, considerado de alto risco técnico e econômico, não aprovado pelo órgão regulador.

Recurso Contingente

É o volume de petróleo, expresso nas condições básicas, potencialmente recuperável de reservatórios


conhecidos, mas não economicamente explotáveis na época da avaliação, em função das condições técnicas
e econômicas existentes tais como: aprovação governamental para explotação das reservas, demanda de
mercado, preço, tecnologia de produção.

Notadamente existe certa ambigüidade entre as definições de recurso contingente e reservas não
provadas. Isto reflete a variação das práticas aceitas pela indústria. Quando o grau de comprometimento não
é tal para se esperar que a acumulação seja desenvolvida e colocada em produção em um período razoável
de tempo, recomenda-se classificar o volume estimado como recurso contingente.

Recursos contingentes podem incluir, por exemplo, acumulações que não possuem mercado viável, ou
nas situações cuja recuperação comercial dependa do desenvolvimento de novas tecnologias, ou cuja
avaliação da acumulação ainda esteja na fase inicial.

Recurso prospectivo

É o volume de petróleo, expresso nas condições básicas, potencialmente recuperável de reservatórios


não descobertos, na época da avaliação.

MÉTODOS CONVENCIONAIS DE RECUPERAÇÃO SECUNDARIA

1 Aumento da eficiência de recuperação


2 Aceleração da produção
3 Incentivos a recuperação secundariam
a) Preço do petróleo
b) Custo de exploração
c) Custo de desenvolvimento
d) Custo de produção

Para recuperação secundaria, há duas linhas de ação para minorar os efeitos nocivos da dissipação da
energia primaria dos reservatórios de petróleo:
 Suplementa-la com energia secundaria, artificialmente comunicada, através de injeção de certos
fluidos em poços selecionados.

30
 Reduzir as resistências viscosas e/ou capilares por meio de métodos especiais, como por exemplos o
aquecimento de jazida
Quando a quantidade de óleo que pode ser retirada de um reservatório unicamente a expressas de duas
energias naturais é chamada por recuperação primaria. por outro lado, recuperação secundaria é quantidade
adicional de óleo obtida por suplementação da energia primaria com energia secundaria, artificialmente
transferida para a jazida, ou por meios que tendem a tornar a energia primaria mais eficiente. Por extensão
chama-se também de recuperação secundaria, as operações que conduzem a obtenção dessa quantidade
adicional de óleo, alem daquela proporcionada pela recuperação primaria.

A Operação de recuperação secundaria começam antes de terminar a fase de produção primaria, elas são
muitas vezes chamadas de operações de manutenção de pressão. Modernamente a grande maioria dos
sistemas de recuperação secundaria é implantada tao cedo quanto possível na vida do reservatório. Com
isso, o termo de manutenção de pressão vai perdendo sua utilidade.

Os métodos de elevação artificial e de estimulação de poços não se incluem entre os métodos de


recuperação secundaria, pois não afetam directamente as energias expulsivas do reservatório, embora sua
aplicação eficiente concorra para economiza-las. As técnicas de elevação artificial e de estimulação de poços
estão mais ligadas ao comportamento dos poços produtores do que ao comportamento do reservatório como
um todo.
O objectivo prático básico dos métodos de recuperação secundaria são aumento da eficiência de recuperação
e a aceleração da produção.

1.1 ) Aumento da eficiência de recuperação .

A eficiência de recuperação primaria é geralmente baixa. A depender do mecanismo de produção, das


características do reservatório e das propriedades dos fluidos acumulados, tal eficiência pode inclusive ser
nula, apesar do grande desenvolvimento tecnológico da industria do petróleo, a maior parte dos volumes
originais de óleo encontrados no mundo é considerada irrecuperável pelos métodos atuais de
produção,incluindo os recuperação secundaria. A eficiência de recuperação dos projectos de recuperação
secundaria bem-sucedidos pode ser superior a 60% , emnora o valor mais frequente seja de 30 a 50%, para
os métodos convencionais. Esses números chamam atenção para potencial da pesquisa dos métodos de
recuperação secundaria.

1.2) Aceleração da produção

31
Um segundo objetivo dos projetos de recuperação secundaria é a aceleração da produção ou pelos menos a
redução da velocidade do seu declínio natural. A aceleração da produção provoca a antecipação do fluxo de
caixa esperado do projecto, aumentando, portanto, o seu valor presente e consequentemente melhorando a
economicidade da explotação do campo ou reservatório.

1.3) Incentivos a recuperação secundaria

Vários são os fatores que podem ser considerados como incentivos a aplicação de métodos de recuperação
secundaria, dentre eles o preço do petróleo, o custo de exploração, o custo de desenvolvimento de uma
jazida, o custo de produção e o s avanços tecnológicos.

a) Preço do petróleo

O preço do petróleo bruto é determinado principalmente pelas pressões da oferta e da procura desse
produto no mercado internacional, sendo, todavia, da maior importância o jogo interesses dos grandes
produtores de petróleo, países e companhias que neles operam, as altas de preço do petróleo incentivam a
proliferação dos projectos de recuperação secundaria.

b) Custo de exploração

Como as acumulações de petróleo, em qualquer país, são em número limitado, sua descoberta faz-se
geralmente como dificuldade e riscos crescentes. os reservatórios menos profundos e situação em locais mais
acessíveis são de maneira geral encontrados primeiramente e a menores custos.Quando os custos de
exploração crescem, a atratividade dos projetos de recuperação secundaria também cresce.

C) custo de desenvolvimento

O custo de desenvolvimento de campos de petróleo com formações produtoras mais profundas ou localizados
em regiões menos acessíveis requer maior investimentos. Isso pode estimular a aplicação dos recursos
disponíveis em projetos de recuperação secundaria, como alternativa mais económica.

32
d)custo de produção
Os projectos de recuperação secundarias tem normalmente custos operacionais mais altos que a recuperação
primaria, em decorrência das operações de manuseio e tratamento dos fluidos injetados. contudo, a
possibilidade de manutenção ou mesmo elevação da pressão do reservatório pode amplicar o período de
surgência dos poços produtores e consequentemente em reservatórios mais profundos .os projetos de
recuperação secundaria podem , em certos casos ser atrativos também sob esse ponto de vista ,

10.. Alternativas a recuperação secundaria.

a) Exploração de reservas não convencionais

Vastas quantidades de óleo existem nos xistos e folhelhos betuminosos em diferentes partes do mundo. As
reservas mais conhecidas são as de athabasca, canada, Alasca -Rússia e cinturão do Orinosco na
Venezuela, e os Depósitos do colorado, nos estados unidos da América. O Custo da produção dessas
reservas não convencionais é considerável mas a tecnologia já se direciona para encontrar meios de reduzi-lo
. assim o xisto pode vir acrescentar um volume considerável as reservas mundiais de petróleo.

Atualmente estão sendo pesquisadas outras reservas não convencionais de hidrocarbonetos. Uma delas seria
a quantidade de gás natural em solução existente na água de aquíferos. Embora a razão de solubilidade do
gás natural de água, contudo nos aquíferos. Outra forma de reserva não convencional poderá ser o gás
natural contido em hidratos localizados no fundo de oceanos e em regiões congeladas do planeta.

B) Estimulação de Poços
Os métodos de estimulação de poços (fraturamento hidráulico, acidificação, etc.) também promovem a
aceleração da produção e ate, em alguns casos, o aumento da eficiência de recuperação. Sua aplicação ser
feita inclusive em campos submetidos a operação de recuperação secundaria.

C) Uso de Pocos especiáis


Nas últimas décadas houve um incremento considerável no uso dos chamados poços especial, tais como:
poços inclinados, poços horizontais, poços multilaterais, etc., A utilização desse tipo de poços em vez de dois
poços verticais convencionais, pode aumentar a velocidade de drenagem do reservatório, ou seja , antecipar
a produção , devido ao aumento do índice de produtividade do poço, bem como aumentar a eficiência de
recuperação, ou seja, aumentar o fator de recuperação, através do aumento da eficiência de varrido.

D) Extração de líquidos de gás natural


33
A produção de hidrocarbonetos líquidos pode ser aumentada pela instalação de plantas de gasolina natural e
de unidades portáteis de extração de líquidos de gás natural

e) Reestudo de áreas Julgadas Improdutivas ou antieconómicas


As estimativas do volume de óleo que poderá se ainda encontrado são ainda vagas. Seja como for ,com essa
perspectiva que a industria pode medir as oportunidades que tem a frente no caso de se esgotarem as áreas
hoje em produção , sendo assim, conclui-se que, de um modo geral, deve-se pensar sempre na adoçai das
seguintes medidas, sem prejuízo para o andamento dos programas de recuperação secundarias: ----
-Estudar novas áreas, em terra e no mar,
-Estudar formações mais profundas.
-Reestudar áreas consideradas esgotadas ou de produção antieconómica.
-Investir mais dinheiro, tempo e pessoal em treinamento e pesquisa, visando melhorar os métodos de
exploração e produção.

10.5 MODELAGEM E MÉTODOS DE RECUPERAÇÃO DE FLUIDOS NUM RESERVATÓRIO


10.6 Classificação dos métodos de recuperação secundaria
10.7 Métodos convencionam
10.8 Esquemas de Injeção
10.9 Injeção periférica, injeção no topo e injeção na base
10.10 Injeção em malhas

10.6- Classificação dos métodos de recuperação secundaria

10.7 Métodos Convencionais de Recuperação

Na concepção de um projecto de injeção de fluidos é de fundamental importância a escolha de esquema de


injeção, isto é, da distribuição dos poços de injeção e de produção mais adequada só reservatório de petróleo
em estudo. As chances de se alcançar o sucesso aumentam a medida que certas linhas básicas de
procedimento são adotadas ao se fazer essa escolha. Como o objectivo primordial da injeção é o aumento da
recuperação de petróleo, deve-se tentar produzir esse volume adicional desejando utilizando-se esquemas
em que os volumes de fluidos injetados sejam os menores possíveis, devem ser buscadas situações em que
a maior quantidade de fluidos injetado permaneça no interior do reservatório, ou seja, a produção do fluido
injetado seja a menor possível. As relações entre pressões e vazões e as relações destas últimas com o
tempo do projecto são da maior importância e, portanto, devem ser encaradas como aspectos fundamentais a
serem levados em conta no projeto.
34
Finalmente, devem ser observadas as características particulares dos reservatórios em estudo, tais
como a existência de falhas, variações de permeabilidade, estratificações, barreiras etc. alem disso, aspectos
económicos é decisivo.

Objetivo Deslocar o óleo para fora dos poros da rocha (comportamento mecânico), sem que os fluidos se
misturem entre si ou interfiram na rocha-reservatório.
 fluidos se misturem entre si ou interfiram na rocha-reservatório.
 Óleo residual: óleo retido nos poros da zona invadida pela água.
 Aeficiência de recuperação é em torno de 30 a 50%.

Fatores que influenciam um projeto de injeção de água


 Mecanismos de produção do reservatório.
 Características da rocha.
 Características dos fluidos.
 Profundidade do reservatório.
 Conformação estrutural do reservatório.

Fluidos de injeção: água ou gás natural

2.Esquemas de Injeção

35
Os esquemas empregados em projectos de injeção são os mais variados, mas de uma maneira geral, podem
ser separados em dois grupos principais, sendo essa separação baseada na estrutura do reservatório e no
modo como os poços são distribuídos.

a) Injeção periférica, Injeção no Topo e injeção na base

Neste grupo de poços de mesmo tipo, isto é, poços de injeção ou de produção se encontram em
determinadas áreas do reservatório. E o que acontece por exemplo com a formação mostrada na figura, cuja
estrutura anticlinal favorece o emprego da chamada injeção periférica.
A injeção da agua e feita através de poços completados na base da estrutura e que nos mapas
aprecem como se estivessem localizados nas periféricas do reservatório, dai o nome desse esquema, os
poços de produção se agrupam na parte central do reservatório.

36
37
B) Injeção em malhas

No segundo grupo de esquema estão os métodos nos poços tanto de um tipo de um quanto de outro estão
uniformemente distribuídos em toda a área do reservatório. Neste caso, fluido descolante é injetado na
própria zona de óleo, alterando-se drasticamente a distribuição de saturações e a movimentação natural dos
fluidos no reservatório, esses modelos de injeção chamados de injeção em padrão repetido ou mais
comumente de injeção em malhas, são empregados em reservatórios com grandes áreas e pequenas
inclinações e espessuras, cada modelo tem um padrão ou malha básica que se repete por todo o
reservatórios .
O Medelo de injeção em linha direta, mostrado na figura é composta por linhas de poços de injeção e
linhas de poços na linha, a, são constantes em cada projecto e definem as dimensões do retângulo que
constitui a malha base deste esquema.
Se as linhas forem defasada de meia distância de poços de mesmo tipo, isto é, de a/2 ter-se-á um novo
esquema chamado de injeção em linhas esconsas. Esse tipo de esquema ilustrado na figura.

38
Projetos de injeção
Aspectos que devem ser considerados:
 Viabilidade técnica e econômica;
 A maneira como os poços de injeção e de produção serão distribuídos no campo de petróleo.
 Características físicas do meio poroso e dos fluidos envolvidos;
 Proporcionar alta produção de petróleo;
 Quantidade de poços novos a serem perfurados seja a menor possível.

Aspectos comuns a todos os projetos


 Quantidades distribuição dos poços de injeção e de produção;
 Pressões e vazões de injeção;
 Estimativas das vazões de produção,
 Volumes de fluidos a serem injetados e produzidos.

São dados necessários para:


Dimensionamento de equipamentos;
 Viabilidade econômica do projeto.

39
14.8.4. Intervenções nos poços de Injeção.
(As intervenções nos poços de injeção são normalmente realizados com uso das chamadas unidades de
Arames) (Wire-line ) sondas de fall-off, para descida do registrador de pressão .

A) Unidades de arame

As unidades de arames são utilizadas quando quer se aplicar ou sacar reguladores de fluxo de
subsuperfície, e nos testes fall-off, para descida do registrador de pressão .

b) Sondas de produção

Realizam-se com sondas de produção as chamadas intervenções de limpeza, cuja finalidade é a manutenção
dos poços, dos seus equipamentos e dos reservatórios na vizinhança dos poços. essa manutenção pode
constituir -se de:

-Limpeza do revestimento e do fundo de poço (por circulação e de caçambei-o)


-Verificação de teste dos equipamentos do poço (revestimento, coluna, Packer, nipples de assentamento
reguladores de fluxo e outro acessório)
40
- Pistoneiro da formação (com swab ou por impacto)

-Injecção de bactericidas.

-Injeção de acido

-Aplicação do packer-fluid no anular do poço

B) Guindastes

Em poços de captação de água (ate 200m) a substituição simples de bombas é efectuada utilizando-se um
guindaste, dispensando assim o uso de uma sonda de produção e gerando redução de custo.

14.3. Corrosão em sistemas de injeção de água


O controle da corrosão metálica tem sido um dos maiores problemas correlacionados a injeção de água.
particularmente nos casos de águas com salinidade elevado e gases dissolvidos como oxigénio, sulfato de
hidrogénio e dióxido de carbono,

a) Efeitos de composição da água


Algumas propriedades da água, como a sua condutividade e a qualidade de gases dissolvidos, constituem-
se em importância fatores na ocorrência ou não de corrosão nas Instalações de injeção de água.

Condutividade da água
Em Primeiramente análise pode-se dizer que a corrosividade água aumento proporcionalmente com a sua
condutividade. Água a destilada não é muito condutora e não é muito corrosiva, em contrapartida,
água salgada é condutora e corrosiva, pois a condutividade aumenta com salinidade.

Gases dissolvidos
Oxigénio, dióxido de carbono ou sulfato de hidrogénio dissolvidos de hidrogénio dissolvidos na água
drasticamente a sua corrosividade, pois os gases dissolvidos são a causa primaria da maior parte
dos problemas de corrosão. Não existindo nenhum desses gases em solução e mantendo-se o pH
da água neutro ou alto, a maior parte dos sistemas apresentara muito poucos problemas de
corrosão.

b) Efeitos de variáveis físicas.


41
Alem das propriedades da agua as variáveis físicas do sistema, como

11.ABORDAGEM TEÓRICA

11.1 Propriedades petrofisicas


11.2 Propriedades petroelasticas
11.3 Atributos sísmicos
11.4 Sísmica sintética
11.5 Perfis Geofísicos
11.6 Raio Gama (GR)
11.7 Perfil Caliper
11.8 Perfil Sónico (DT)

A viscosidade de um líquido é afetada pelas variações de temperatura e de pressão. Ao contrário do compor


tamento de um gás ideal, nos líquidos a viscosida de decr esce com a temperatura e cresce com a p ressão. Além
disso, no caso dos hidro carboneto s líquid os a viscosida de decresce com o aumento da quantidad e de gás em
solução. O comportamento da viscosidad e das misturas líquidas depende, além da pressão e da temperatura, da
sua composição. Admitindo a r egra válid a p ara soluções ideais a viscosidade de uma mistura líquid a pod e ser
estimada pela expressão:

i e µi são a fraçã o molar e a visco sidade d o componente i, r espectivamente. A correlaç ão de Chew & Connally (19
59), apresentada na Figura 1.37, permite estimar a viscosidade de um óleo saturado, nas condições de pr essão
e de temperatura do reservatório, em função da razão de solubilidad e e d a viscosidade do óleo morto (sem
gás) submetido à temperatura do reservatório e à pressão atmosférica. A razão de solubilidade de uma mistura
líquida de hidrocarbonetos, conceito que será estudado com mais detalhes na Seção 1.8.9, é a relação entre o
volume de gás que está dissolvido nessa mistura, expresso em condições standard, e o volume de óleo que será
obtido da mistura, também expresso em condições-standard.

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Propriedades dos Fluidos 1-74 Figura 1.37 − Viscosidade do óleo saturado nas condições de reservatório
(Chew & Connally, 195 9). Reproduzida de McCain, W. D., Jr., Th e Properties of P etroleum Fluid s, Copyright

Para estimativa da viscosidade de um óleo saturado (óleo na pressão de bolha), podem ser
representadas por uma função analítica.

E RS é a razão de solubilidade, expressa em SCF/STB .


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O chamado óleo morto seria o óleo obtido nas condições de tanque, ou seja, praticamente nas
condições-padrão , quando uma de terminada massa de óleo do reservatório fosse transportada para
essas condições. Assim, todo o gás inicialmente dissolvido no óleo do reservatório já teria saído de
solução, originando então a denominação de ó leo morto . A viscosidade d o óleo morto, na
temperatura d o reservatório e na pressão atmosférica, pod e ser estimada atr avés da co rrelação de
Beal (1946 ), mostrada em função do API do óleo e da temperatura do reservatório. Standing (1951)
menciona, no entanto, que essa correlação não é muito precisa, e que a diferença média entre
valores medido se obtidos através d a correlação é da ordem de 24%.

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Quando o reservatório se encontra numa pressão maior que a pressão de bolha par a aquele
sistema de hidrocarbonetos, a viscosidade do óleo nele existente é estimada através de um ajuste
na viscosidade desse óleo na pressão de bolha, para levar em conta o nível de subsaturação. O
grau de subsaturação é a diferença entre a pressão do reservatório e a pressão de bolha. A Figura
1.39 possibilita a estimativa da viscosidade de um óleo acima da pre ssão de bolha, em função do
grau de subsaturação e da viscosidade desse óleo na pressão de bolha.

Figura 1.39 − V iscosidade do óleo nas condições de reservatório, acima da pressão de bolha (Beal, 19 46).
Repr
PennWell Publishing Company.

Os valores da Figura 1.39 também podem ser obtidos através d a seguinte correlação (Standing, 195
1):

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Fator volume formação do óleo

Como se sabe, a mistura líquida nas condições de reservatório é na verdade óleo com certa
quantidade de gás dissolvido. Estudando-se certa quantidade de uma mistura de hidrocarbonetos que
se encontra no estado líquido nas condições do reservatório, verificase que, ao ser levada para as
condições de superfície uma parte dela permanecerá no estado líquido, recebendo o nome de óleo,
e a outra parte se vaporizará, recebendo o nome de gás natural.

A Figura 1.40: Apresenta um processo de liberação do gás de uma mistura entre as condições de
reservatório e as de superfície.

Figura 1.40 – Processo de liberação do gás de uma mistura inicialmente líquida.

Inicialmente, à pressão de 246 atm a mistura está toda na fase líquida. A redução da pressão
para 176 atm provoca apenas um pequeno aumento de volume devido à compressibilidade do líquido
, sem que ocorra vapo rização de nenhum componente.
A partir desse valor, chamado de pressão de bolha ou de saturação, qualquer redução de
pressão, por menor que seja, a carretar á o início da vaporizaç ão d a mistura. A continuada queda de
pressão vai causando colhimento progressivo do líquido devido àtransferência de massa, acentuadamente de
frações leves, para a fase gasosa. Para a pressão d e 84 atm, o líquido ocupa um volume de 1, 20 m 3
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e o gás 0,850 m3. Continuando o processo até as condições-padrão ou básico, o líquido vai ocupar
um volume de 1,00 m3.
A redução d e volume de líquido e stá presente na forma d e 16,057 m3 de gás. Normalmente
se usa a expressão m3 std para reforçar que os volumes estão expr essos nas condiçõe s-standard ou
padrão. Por definição, fator volume-formação do óleo (Bo) é a razão entre o volume que a fase
líquida (óleo mais gás dissolvido) ocupa em condições de pressão e temperatura quaisquer e o volume do
que permanece como fase líquida quando a mistura alcança as condições-standard.
Deve ser lembrado que, por definição, essa parte que p ermanece líquida quando a mistura é
levada para as condições-standar dou padrão chama-se óleo. Portanto:

O fator volume-formação do ó leo expre ssa na verd ade que volume da mistura numa condi-ção de p
ressão e temperatura qualquer deve ser retir ado do reservatório par a se obter uma unidad e de
volume d e óleo nas cond ições-padrã o. No exemplo apr esentado, é nece ssário um volume d e 1,33
m3 de líquido nas condições de 176 atm e 71 °C pa ra se obter 1 m 3 std de ó leo. Quando a pressão
for igual a 84 a tm, bastarão 1,20 m3 de mistura líquida. Ou seja, no exemplo da Figura 1.40 o
fator volume formação d o óleo ( Bo) vale 1,33 m 3/m3 std a 176 atm e 7 1 oC, e 1,20 m3/m3std a
84 a tm e 71 oC.
O fator volume-formação do óleo pode ser apresentado tanto na forma de tabe la co mo na
forma gráfica, c onforme se p ode ver no exemplo da Figura 1 .41, onde Boi representa o valor de
Bo na pressão inicial pi e Bob o valor na pressão de bolha pb.

O co mportamento de Bo acima da p ressão d e bolha ( entre pi e pb) é pr aticamente linear com a p ressão.
Isso se deve ao fato de que acima da pressão de b olha a variação de volume do fluido com a pre ssão
deve-se somente à c ompressibilidade do líquido existente no reservató rio, já que não há liberação
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de gás. Como se sabe, o s líquidos p ossuem compressibilidades isotérmicas aproximadamente
constantes, de modo que, aplicando-se a definição de compressibilidad e pode-se escrever, acima da
pressão de bolha, que a compressibilidade do óleo é dada pela equação:

Para constante, o valor de Bo na Eq. (1.137 ) é uma função linear da pressão. Assim, acima da
pressão de bolha o comportamento do fator volume-formação d o óleo é regido pela sua co mpressibi-
lidade iso térmica. Abaixo da pressão de bolha, ou seja, quando a pressão é menor que pb, o valor
do fator volume-formação do óleo (Bo) decresce continuamente com o decréscimo da pressão,
conforme ilustra a Figura 1.41 . Isso se deve ao fato de que, à medida que a pressão é reduzida, a
partir do ponto de bolha, quantidades adicionais de gás são liberadas de solução, resultando então em
menores volumes remanescentes de óleo no interior do reservatório, o que, de acordo com a
definição de Bo dada pela Eq. (1.135 ), implica em valores dec rescentes para essa propriedade.

Razão de solubilidade do Gás na Água


Uma mistura líquida em condições de reservatório é na verdade um volume de óleo mais gás
dissolvido. O parâmetro que exprime a quantidade de gás presente no líquido é a razão de solubilidade no
processo de liberação que é o mesmo das condições iniciais de 246 atm e 71°C a mistura está
totalmente no estado líquido. Quando a estágio seguinte pode ouver uma mudanca de pressaoo apesar
da pressão ter caído, essa qued a não foi suficiente par a provoc ar libera ção de gás, que ainda co
ntinua totalmente dissolvido no óleo

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A partir da pressão de bolha vai ocorrendo a vaporização do gás dissolvido. Tomando-se, por
exemplo, a pressão de 84 atm, observa-se que uma parte dos hidrocarbonetos se vaporizou, porém
uma parte continua ainda dissolvida no óleo. Isso significa que se certo volume dessa mistura for levado
p ara a superfície, aind a se vai o bservar certa quantidade de gás saindo de solução até restar’
apenas óleo. Por definição, razão de solu bilida de (Rs) de uma mistura líquida de hidrocarbonetos, a
uma certa condição de pressão e temperatura , é a relação entre o volume de gás q ue está
dissolvido, expresso em c ondições-standard , e o volume de óleo que ser á ob tido da mistura, ta
mbém e xpresso em condições-standard. Portanto, a r azão de so lubilidade pode ser representad a p
ela seguinte ex-pressão:

Volume líquido nas condições iniciais vai resultar na superfície 16,0 57 m3 std de gás e 1,00 m3std de
óleo. Portanto, a razão de solubilidade nas condições iniciais é de 16,057 m3std / m3std. Para a
pressão de 17 6 atm, a mistura co ntinua ainda tod a líquid a apesar de ter havido um aumento d e
volume. Dessa mistura líquida vão resultar nas condições-standard o mesmo volume de óle o e o
mesmo volume de gás da situação inicial. Portanto, a razão de solubilidade é a mesma das condições
iniciais. Quando o líquido que está a 84 atm for levado para as condições-standard vão resultar 1,00
m3std de óleo e 9,5 45 m3std de gás. A razão de solubilidade para a pressão de 84 atm é igual a 9,5 45
m3std de gás divid idos por 1 m3 std de óle o, ou sej a, 9,5 45 m3std / m3std.

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Verifica-se que para qualquer pressão a quantidade de gás que está dissolvido é igual ao gás
q ue estava dissolvido nas condiç ões iniciais menos o gás que já saiu de solução devido à queda
na pressão. Assim como o fator volume-formação do óleo, a razão de solubilidade pode ser
mostrada na forma d e tabela ou na forma de gráfico, como está ilustrado na Figura 1.4 3. Observa-
se que acima da pressão de bolha (entre pi e pb) a razão de solub ilidade é constante e igual à
inicial, já que durante a fase em que o reservatório permanece subsaturad o nenhum gás sai de solução.

FATOR VOLUME FORMAÇÃO DO ÓLEO

As correlações de Standing (1951) , podem ser usadas para se estimar os fatores volume formação
do fluido de um reservatório. O fator volume-formação do óleo na pressão de bolha (Bob) pode ser
estimado através da correlação, em função da razão gás/óleo de produção, que nesse caso é igual
à razão de solubilidade, da densidade do gás produzido, do grau API do óleo, da temperatura e da
pressão do reservatório. O API do óleo e usado praticamente para para se poder calcular chamado óleo
no tanque, ou seja, ao óleo produzido, nas condições-padrão de temperatura e pressão.

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