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CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

CRIANÇAS CONTEMPLADAS EM SORTEIO PÚBLICO CONTINUAM SEM ESCOLA


Como acreditar em Editais para Concursos Públicos da UERJ?

Escrevo essa carta porque já cansei das atitudes friamente matemáticas ou judiciais
das nossas instituições. Eu, minha família, minha filha, de apenas 6 anos, e vinte nove
outras famílias como a minha estamos a cerca de 60 dias sem dormir, sem
esclarecimentos e sem acolhida da Justiça, da UERJ, do CAP-UERJ ou do qualquer outro
órgão da administração pública do Estado do RJ que nos pudesse amparar nesse
momento desesperador.

Em setembro do ano passado, inscrevi minha filha para sorteio no Colégio de Aplicação
da UERJ. No dia 30/11/2010, após adiamento do cronograma do Edital, houve o
sorteio, acompanhado por todos os pais que foram ao Tijuca Tênis Clube e após a
apresentação das regras que seriam utilizadas no sorteio – regras essas que foram
aprovadas, antes do início do sorteio, por todos os presentes.

Minha filha, cujo número de inscrição era 0216 foi a 10ª criança sorteada. Foi a melhor
coisa que nos aconteceu! Uma comemoração que durou até o dia 05/01/2011 – data
prevista, no Edital, para a matrícula dos sorteados. Nessa data, ao chegar ao CAP-UERJ,
não pudemos entrar. Havia, simplesmente, um papel colado na parede que informava
que o Magnífico Reitor, havia, em 22/12/2010, determinado a suspensão da eficácia
do sorteio público para preenchimento de vagas do 1º ano do Ensino Fundamental,
tendo em vista orientação do Ministério Público.

Nos foi recomendado aguardar os procedimentos administrativos da UERJ e – mesmo


que tentássemos – não seria possível naquele dia obter nenhuma intervenção judicial,
tendo em vista que o Judiciário encontrava-se em recesso.

A UERJ só deu publicidade a sua decisão administrativa final em 27/01/2010, através


de publicação no DORJ, do Ato Administrativo 01, assinado pela Reitora em Exercício,
Profa. Maria Christina Paixão Maiolli, que determina a anulação do “Processo Público
Seletivo para ingresso no 1º Ano do Ensino Fundamental do Instituto de Aplicação
Fernando Rodrigues da Silveira”. Perceba-se a gravidade: a Reitora em exercício, sem
ouvir a Justiça, sem dar direito às famílias dos sorteados de sequer pronunciarem-se,
cancela o Processo Público Seletivo. Esse Processo Seletivo a que se refere o Ato
Administrativo no 01/REITORIA/2011 não se limita ao sorteio: ele engloba a publicação
do Edital, as inscrições, a determinação dos números de inscrição através do Cartão de
Confirmação de Inscrição, o sorteio, a homologação do resultado desse sorteio, a
prova para os alunos do 6º ano (pois o Edital publicado no DOERJ de 26/08/2010 é
único: para o sorteio do 1º ano, para a prova do 6º ano) e tudo mais, como pode ser
verificado no DOERJ:

EDITAL
PROCESSO SELETIVO CAp-UERJ 2011
CONVOCACAO PARA INGRESSO
NO 1º ANO E NO 6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
A Direção do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira -CAp-UERJ torna publico o
presente edital, com normas, rotinas e procedimentos relativos aos processos seletivos para
ingresso no 1º ano e no 6º ano do ensino fundamental, por meio de, respectivamente, Sorteio
Publico e Prova, que terão inicio no primeiro semestre do ano letivo de 2011.
1 - DA REALIZACAO
1.1 - O processo seletivo estará aberto a todos aqueles que atendam as seguintes condições:
a) 1º ano: tenham nascido entre 1 de março de 2004 e 31 de março de 2005, incluídas ambas as
datas.
b) 6º ano: tenham nascido a partir de 1 de marco de 1998 (inclusive) e tenham concluído o 5º
ano do ensino fundamental ou estejam em fase de concluí-lo em 2010.
1.2 - Serão oferecidas 60 (sessenta) vagas para o ano letivo de 2011, sendo 30 (trinta) para o 1º
ano e 30 (trinta) para o 6º ano do ensino fundamental do CAp-UERJ.

Como quaisquer outros pais que tivessem seus filhos sorteados para o CAP-UERJ, nós
abrimos mão das vagas em escolas públicas e, até, particulares, próximas às nossas
residências porque tínhamos nas mãos um bilhete premiado: nossos filhos iriam
estudar numa das melhores escolas públicas do Rio de Janeiro! A data de publicação
da decisão administrativa infundada no DOERJ nos impediu de qualquer tentativa de
voltar a matricular nossas crianças nas escolas anteriormente pretendidas. Como a
UERJ não nos recebia nem entrava em contato para nos dar nenhuma informação,
decidimos tentar a via judicial.

Constituímos advogado para solicitar, na Justiça, que fosse garantida a matrícula de


nossos filhos. O primeiro pedido de liminar foi negado porque (pasmem!) a Juíza
Geórgia Vasconcelos (9ª Vara de Fazenda Pública) não considerou urgente a
solicitação, mas solicitou à UERJ esclarecimentos sobre o que se passara. Logo após a
negativa de nossa liminar, a UERJ, simplesmente, torna pública, através do site do
Processo Seletivo, a data para o novo sorteio: 08/02/2011.

Obtivemos uma liminar, dessa mesma Juíza, suspendendo o novo sorteio. O Cartório
da 9ª Vara de Fazenda Pública oficiou a UERJ antes do sorteio, mas esqueceu de
acrescentar ao pedido de informações da Juíza, a ordem para a suspensão do sorteio.
No dia 08/02/2011, mesmo com a presença de todos os pais dos sorteados no
primeiro sorteio, munidos da decisão judicial, que poderia (e foi) consultada pelo
advogado da UERJ presente no local do sorteio, a UERJ decidiu fazer o novo sorteio.

No mesmo dia 08/02/2011, após o Oficial de Justiça ter levado à UERJ, novamente, a
decisão da Juíza (agora corretamente expedida pelo Cartório da 9ª Vara de Fazenda
Pública), o mesmo advogado da UERJ, Dr. Marcelo, foi ao Fórum solicitar que a Juíza
reconsiderasse sua decisão. Nesse momento a resposta da Juíza Geórgia Vasconcelos
foi :

“O ato não poderia ter sido realizado, o que verifico só ter ocorrido pela falha do
Cartório. Logo, a conseqüência lógica é a invalidade do sorteio realizado, conforme
decisão proferida e até o momento não recorrida.”

A UERJ recorreu, em segunda instância, da decisão que invalidava o segundo sorteio,


mas tanto o Desembargador Manoel Alberto, quanto o Desembargador Gilberto Dutra
Moreira mantiveram a decisão da Juíza de primeira instância e não validaram o sorteio
realizado no dia 08/02/2011. Apesar disso, a UERJ publica em DORJ, em 10/02/2011 a
listagem dos sorteados no dia 08!!!

Em segunda instância, nosso processo, para garantir a matrícula de nossos filhos foi
parar nas mãos do Desembargador Gilberto Dutra Moreira, que também solicitou
informações à UERJ. Infelizmente, esse processo ainda não tem decisão final... E o que
nos apavora e transtorna é que o Ano Letivo já está se iniciando e NOSSOS FILHOS
CONTINUAM SEM ESCOLA!

FOI DITO A ESSAS CRIANÇAS, DE SEIS OU SETE ANOS, QUE ELES IRIAM ESTUDAR NUMA
ESCOLA MARAVILHOSA – MUITOS DELES ESTAVAM PRESENTES NO MOMENTO DO
SORTEIO, COMEMORARAM COM SEUS PAIS, VIVENCIARAM A EMOÇÃO DE TODOS OS
PRESENTES – E AGORA, SIMPLESMENTE, A UERJ, QUE É A ÚNICA CULPADA POR
QUALQUER ERRO QUE POSSA PORVENTURA TER OCORRIDO, QUER QUE ESSAS
CRIANÇAS PAGUEM COM A PERDA DE SEUS SONHOS!!!!

A UERJ afirma, com base em laudos de estatísticos de funcionários da própria UERJ,


que foram privilegiados os candidatos com número de inscrição iniciado por 3 – como
eram apenas 3.086 inscritos, durante a definição das regras do sorteio (que não
estavam definidas no Edital e, volto a afirmar, foram definidas pelos representantes da
UERJ e aceitas por todos os presentes) ficou determinado que quando na primeira
boleira (milhar) fosse sorteado o número 3, não seria sorteada a centena (tendo em
vista que existiam menos de 3.100 inscritos), sendo sorteadas apenas a dezena e a
unidade.

Talvez, em termos de probabilidade, possa ser alvo de críticas, mas todos os


candidatos podiam ser sorteados, e quando caia a bola 0 no milhar, ou outros, cujos
números iniciavam com 1, 2 ou 3 também estavam excluídos. Outro ponto a salientar é
que o número de inscrição de cada candidato não foi escolhido por ele, nem tornava-
se de seu conhecimento no ato da inscrição: era aleatoriamente fornecido pelo
sistema após a confirmação do pagamento da taxa de inscrição e só se tornou de
conhecimento do candidato quando da impressão do Cartão de Confirmação de
Inscrição.

Hoje, tomamos ciência de outra decisão proferida pela Juíza Geórgia Vasconcellos,
ontem, revalidando o sorteio que ela mesma afirmou que “não poderia ter sido
realizado” e, isso, novamente, sem que seja dada decisão final administrativa ou
judicial, sobre o que acontecerá com nossas crianças. Lê-se no seu despacho:

“A decisão de fls. 200/200 (verso) determinou a suspensão de novo sorteio até a vinda
das informações, momento em que seria apreciado o pedido liminar. Assim, com a
vinda das informações e a decisão de indeferimento da liminar não subsiste qualquer
efeito da decisão anterior.”

Ou seja, a UERJ pode desobedecer a Justiça e, por fim, ter sua vontade atendida. A
UERJ pode realizar um sorteio SEM EDITAL QUE O CONDUZA, uma vez que se continuar
válida a AEDA 01/REITORIA/2011 – o Edital (que é parte do Processo Seletivo) perde a
validade e, se o Edital continuar válido, ele mesmo invalida o sorteio do dia
08/02/2011, pois reza no item 7 - DAS DISPOSICOES GERAIS:

7.2 - Em nenhuma hipótese haverá sorteio de vagas e prova, respectivamente, para o


1º ano e para o 6º ano do ensino fundamental do CAp-UERJ, fora das datas, horários e
locais estabelecidos no calendário (Anexo ).

Esse calendário consta da correção do Edital publicado no DOERJ em 06/10/2010, em


que a UERJ “comunica a alteração da data de nascimento exigida aos candidatos ao
ingresso no 1º ano do ensino fundamental, nos Editais de isenção e de convocação
publicados no DOERJ, respectivamente, de 30/07/2010 e 26/08/2010...”, mas garante
que “Os demais itens do Edital de isenção e de convocação para o 1º ano do ensino
fundamental ficam mantidos.” Entretanto, ainda segundo a UERJ, no DOERJ de
06/10/2010, para “atendimento da alteração supracitada, ficam estabelecidos os
seguintes calendários:”

“Realização do Sorteio Público 30 de novembro de 2010 Local e horário indicados no


Cartão de Confirmação de Inscrição”

Estamos, hoje, pedindo apoio de toda sociedade civil organizada: nossos filhos são
crianças. Não podem mais ficar à mercê de uma série de equívocos, de erros grosseiros
ou de esquecimentos... Eles NÃO podem PAGAR por algo que não estava nas mãos
deles, nem nas nossas, organizar, realizar ou homologar – tudo isso foi feito pela UERJ,
com Assessoria Jurídica, Auditoria, Funcionários, Departamento de Seleção Acadêmica
(DSEA), Diretoria do CAP-UERJ e, por fim, Reitoria!

QUEREMOS A MATRÍCULA DE NOSSAS TRINTA CRIANÇAS, SORTEADAS EM PROCESSO


PÚBLICO NO DIA 30/11/2010, COM LISURA GARANTIDA PELA LEITURA DAS REGRAS E
ANUÊNCIA DOS PRESENTES: AUDITORES, FUNCIONÁRIOS, PAIS, ASSESSORES
JURÍDICOS E DIREÇÃO DO CAP UERJ.

Sem mais,

Subscrevo-me,

Mônica Wermelinger (mãe da Anna Michaela)

Comigo assinam, os abaixo listados:

KARINA MONTEIRO - EDUARDA BRAUN


ROSANGELA COSTA DE SOUZA - CLARA
JOANA DARC DA CUNHA - CLARA
VIVIANE BARROS - GABRIEL
MARIA EDJANE DA SILVA - GEOVANI
ROSANE DOMINGOS - STELLA
MARCIO LEONARDO ROBERTO - THIAGO
KARINE DE ANDRADE - MANUELA
PABLO PINTO - PAOLO
DEBORAH DE ALMEIDA - DAVI
CELSO DA COSTA - RAYANE SAMARA
KARLA CARDOSO - LUIZ HENRIQUE
ÉLIDA HENNINGTON - MATEUS
HELIO ANTONIO MARTINS - ERIC
LYDIA REGINA PORTILHO - DANIEL
PRISCILA DE CASTRO - KAEL
PATRICIA FARACO - JOÃO VICTOR
JORLANDE DE SOUSA - SABRINA
FATIMA CRISTINA DA SILVA - JORGE
RENATA SBORGES - MARIANA
CESAR AUGUSTO VIANA - JULIO CESAR
JÚLIO CÉSAR NELHEM - JOÃO VICTOR
MAGNA ALBINO DE ASSIS - EDUARDA
AMARANTA DE MORAES - VITOR
FERNANDA DA COSTA - YURI
JOSÉ MÁRCIO DIAS - ANA LÍVIA
FLÁVIO PALAIO - FELIPE
ANA LUCIA GALDINO - THALES
JEREMIAS SANTOS - VICTÓRIA